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PARA RERE-COMEÇAR...1

Difícil a tarefa de prosseguir com os estudos – ainda mais num mundo tomado pela ansiedade, pelo imediatismo, pelo desespero de ter sobre ser. Um mundo como esse, em que o ser humano se desestabilizou (por sua separação de si mesmo enquanto corpo e alma; e eu nem estou apelando para a questão espiritual contida no vocábulo “alma”, mas buscando, sim, a volta à essência humana, ao ser sobre o ter. Ter, meus amigos, não passa de uma falsa necessidade, um desejo exagerado, uma vontade de consumir. E, convenhamos, o consumidor, ao fim de um ciclo – sua vida? – torna-se consumido. É isso que, por ventura, estamos procurando?)

Voltando à desestabilização – fruto da separação de corpo e alma – do ser humano, pergunto-me: não poderíamos tentar resolver isso de outras formas que não implicassem o emprego de saídas como comprar, consumir e ser consumido num processo que devora a si mesmo? Um ciclo ourobórico esse, não?

Ora: há pessoas em cafés filosóficos, talvez à procura de respostas às duas indagações menos superficiais, mais próximas de dúvidas de cunho espiritual (não, nada a ver com religião, nada disso), anímico. Há jovens ingressando na graduação e nos cursos de pós-graduação (latu sensu e strictu sensu), mas, sob o infame pretexto de “preciso de um diploma, porque é isso que o mercado de trabalho cobra da gente”.

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Por Wellington Vinícius Fochetto Junior. Publicitário profissional, professor de Língua Portuguesa e pósgraduando em Saberes e Práticas em Língua Portuguesa (Brasília: AVM).


Ora, que há uma cobrança – por parte do mercado de trabalho –, admito isso, sem contestação. Mas penso que quem deseja ingressar no meio universitário/acadêmico, deveria ser aquele espírito (mente) que demonstra autêntica preocupação com os estudos, com o processo de aprender, de viver para aprender (malgrado essa minha observação ainda esteja contornada por um desejo academicista, quiçá).

Em outros termos: quem deseja ganhar muito dinheiro – em vez de desenvolver atividades sólidas em termos intelectuais (perdoem este adjetivo muito pouco modesto) – que, por favor, não ingresse numa universidade, mas numa escolinha técnica qualquer (o Estado de São Paulo possui um monte desses lugarezinhos para quem visa o lucro, a receita e o tecnicismo). Já lecionei em duas dessas escolinhas e sinto-me no direito (e dever!) de alertar o meu leitor sobre essas diferenças de ordem qualitativa.

Diz-se que é preciso ganhar dinheiro em detrimento de se fazer o que se gosta. Pensamento extremamente mesquinho esse, que, por exemplo, para lembramos de problemas da ordem política, leva analfabêbados ao poder, chegando à presidência de uma relespública das bananas. (Com bananas pra dar e vender, Companheirosss...)

Ganhar dinheiro: BAH!

(Sobre)vivo com o meu salário de professor do Estado de São Paulo. Com menos de vinte e cinco aulas por mês. Pago minhas contas, auxilio em casa (moro


com meus pais) e sonho com o dia em que poderei cursar o mestrado e o doutorado em uma universidade pública, a despeito de ela ser famosa ou não.

Quero tornar-me professor doutor – mas para poder dar garantias aos meus futuros alunos (do meio universitário) de que eu sou uma das pessoas mais qualificadas para transmitir meus (parcos) conhecimentos a eles. E para servir à comunidade (acadêmica e não-acadêmica) , seja durante as aulas, seja em palestras em minha área de atuação.

Conservo esse pensamento meio iluminista, ciente de que “luz de mais é como escuridão: não deixa ver”. O caso, pra mim, não é bem esse. Nem muita nem pouca luz. Mas a quantidade adequada para não ofuscar mas ainda sim fazer mais pessoas enxergarem – e de uma forma melhor.

Muito obrigado, Senhoras e Senhores.

Wellington Vinícius Fochetto Junior Final de junho/2013


Para re-começar