Skip to main content

Narravivas

Page 1

“Narravivas”

Páginas em branco narram qualquer história que ainda não foi escrita. Enganam-se: páginas em branco são de um silêncio mortal. Dizem tudo sob a máscara de um nada berrante e, ao mesmo tempo, silencioso. Relação paradoxal esta, que nos diz? Que há caminhos para o Céu mesmo pelas Portas do Inferno ou vice-versa? Páginas em branco narram uma vida nascitura. Páginas em branco podem não esperar para serem escritas. Páginas em branco podem ser a inscrição de um Todo Diferencial, uma evocação do Tempo dos Tempos, do Sinal dos Tempos. Da curvatura dos Sinais do Tempo. Dos

encontros

silenciosos

entre

as

línguas

que

desconhecemos. Dos olhos da vida sobre nós. Da primazia do númeno sobre o fenômeno. De um todo que jamais se esgota. De um todo parte de outro todo muito maior. De um reflexo abissal cegante. Do fechamento da abertura dos portais da Eterna Idade. Páginas em branco autobiografam a si mesmas. Testemunham o espanto humano

ante

os

maiores

desafios

da

linguagem.

Reconhecer os movimentos do ser e do estar. Páginas em branco falam por si só. Fala, ao mesmo tempo, consigo mesmas e com ninguém. Páginas em branco escrevem uma história da humanidade. Por exemplo: a da Paz. A que muitos gostariam de escrever – em teoria,


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook