“Narravivas”
Páginas em branco narram qualquer história que ainda não foi escrita. Enganam-se: páginas em branco são de um silêncio mortal. Dizem tudo sob a máscara de um nada berrante e, ao mesmo tempo, silencioso. Relação paradoxal esta, que nos diz? Que há caminhos para o Céu mesmo pelas Portas do Inferno ou vice-versa? Páginas em branco narram uma vida nascitura. Páginas em branco podem não esperar para serem escritas. Páginas em branco podem ser a inscrição de um Todo Diferencial, uma evocação do Tempo dos Tempos, do Sinal dos Tempos. Da curvatura dos Sinais do Tempo. Dos
encontros
silenciosos
entre
as
línguas
que
desconhecemos. Dos olhos da vida sobre nós. Da primazia do númeno sobre o fenômeno. De um todo que jamais se esgota. De um todo parte de outro todo muito maior. De um reflexo abissal cegante. Do fechamento da abertura dos portais da Eterna Idade. Páginas em branco autobiografam a si mesmas. Testemunham o espanto humano
ante
os
maiores
desafios
da
linguagem.
Reconhecer os movimentos do ser e do estar. Páginas em branco falam por si só. Fala, ao mesmo tempo, consigo mesmas e com ninguém. Páginas em branco escrevem uma história da humanidade. Por exemplo: a da Paz. A que muitos gostariam de escrever – em teoria,