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Homenagem sexual

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Wellington Vinícius Fochetto Junior – Almoço Vendido ou Almoço Cru (Poemas e Aforismos)

Homenagem sexual sexual

O limite da linguagem é a Coisa e sua mudez – a visão. A coisa é o limite da linguagem, como o signo é a língua da coisa. Gilles Deleuze, Um precursor desconhecido de Heidegger, Alfred Jarry2

Pois é. Ela recebera um presente inusitado. Uma radiografia de um coração negro. Com tudo branco em volta. Tudo branco: o silêncio é branco e tudo mais. E tudo mais nada = nada mais tudo. E nada = nada. E a gente no meio. Entre o antes e o depois da vida. Antes de ser, a gente não era. Depois de ser, a gente já era. E agora a gente está. E depois a gente não é mais. De volta ao começo. De volta ao silêncio. Desfazer-se em vida. Porque há coisas que as palavras não explicam. Para todas as outras, existem os escritores. Simples assim. E há quem diga que escrever é gozar com a caneta. Ô tinta abençoada essa, a da caneta, que fecunda o papel. E faz homens – mesmo em silêncio – chorar. E mulheres também. E define a liberdade ou condena uma vida à prisão eterna – com ou sem muros...

E há palavras e atitudes que acorrentam almas. E há outras que nada dizem além de ocupar espaço no ar e no papel. E não há palavras no silêncio – mas convenhamos: Este, muitas vezes, fala mais que muitas palavras...

E há quem leia os textos de novos escritores – gente como eu. 2

DELEUZE, 2011, p. 128.


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