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ELEVADO PARA PESSOAS CONEXÕES URBANAS NO ESPAÇO DE LAZER


ELEVADO PARA PESSOAS

CONEXÕES URBANAS NO ESPAÇO DE LAZER

USJT | Universidade São Judas Tadeu Curso | Arquitetura e Urbanismo TFG | Trabalho Final de Graduação Orientanda | Mariana Wandarti Clemente - RA 201100335 Orientador | Prof. Me. Guilherme Moreira Petrella São Paulo, novembro de 2015 Créditos fotografia capa: Eduardo Pompeo


Agradecimentos Ao meu orientador, Guilherme Petrella, por compartilhar sabedoria e permitir liberdade no momento de criação, visando a formação de um bom profissional e com autonomia de pensamento. À todos os professores do curso, em especial aqueles que participaram da minha formação, os quais compartilharam conhecimento e experiências, fazendo com que me apaixonasse pela profissão escolhida. À minha mãe Nanci e meu pai Edvaldo que sempre apoiaram minhas decisões, me ofereceram suporte em momentos de dificuldade, sofreram junto no fim de semestre e sempre estavam dispostos a entender e ajudar na elaboração de trabalhos, além de tornar possível a graduação. Agradeço também minhas avós, avô, tias e primos, que acompanharam minha evolução e crescimento. Ao meu namorado Rafael que participou de várias noites não dormidas a fim de promover apoio e suporte para a finalização de trabalhos, por compartilhar conhecimento e interesse em discussões dos projetos e por estar presente nessa etapa fundamental para início de uma nova fase da vida. Aos meus amigos que não fazem Arquitetura e Urbanismo e compreenderam ausência em fim de semestre e apoiaram e incentivaram minhas escolhas, em especial Thaís Valverde e Giovanna Masini. Aos amigos do curso que compartilharam conhecimento, responsabilidades e cumplicidade ao longo desses anos, em especial Ana Paula Nascimento e Bibiana Tini. Aos colegas de trabalho com os quais evolui profissionalmente e pessoalmente, devido ao compartilhamento de experiências.


“Toda adversidade tem a semente de um benefício equivalente ou ainda melhor.” Napoleon Hill


Sumário Introdução

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10 | Ponderações finais

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1| O desenvolvimento da mobilidade urbana em São Paulo

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11 | Referências consultadas

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2 | Uso do espaço público

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Anexo I

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2.1 Contrastes urbanos

3 | Memórias urbanas - Caso Minhocão 3.1 Deterioração X Qualidade 3.2 Viaduto, parque ou demolição?

22 25 26

4 | Leitura urbana - estudo da situação atual

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5 | Hipóteses de intervenção no Minhocão

34 37 41

5.1 Possibilidades 5.2 Estratégias

6 | Referências de projeto

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7| Legislação incidente

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8 | Diretrizes para intervenção

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8.1 Definição dos pontos de circulação e iluminação 8.2 Definição dos pontos de intervenção e programa geral

9 | Elevado para pessoas Conexões urbanas no espaço de lazer

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Introdução A transformação de um espaço preexistente da cidade trouxe reflexões e discussões sobre possíveis melhorias, dentre elas hipóteses reais e ilusórias, porém, com a mesma finalidade, projetar a cidade tendo como ponto de partida a escala humana. Olhares distintos de espaços da cidade fez com que surgisse o desejo de revitalizar uma parcela pequena daquilo que é considerado uma aberração do urbanismo, por ter arrasado bairros de São Paulo com sua construção sem qualquer planejamento urbano, concluiu-se então a hipótese de trabalhar com o Elevado Presidente Arthur da Costa e Silva, popularmente conhecido como Minhocão, com a modificação do espaço atualmente concebido para os automóveis para uso exclusivo das pessoas como área de lazer e espaço público de convivência. A ativação dos espaços públicos é iniciada com pequenas ações e pelo simples fato dele existir, pessoas se apropriam para diferentes fins, até mesmo para fim nenhum, apenas o de estar no lugar. O caso do Minhocão remete a tais características, sem infraestrutura alguma para receber pedestres, abriga uma grande quantidade de transeuntes em seus horários de fechamento de circulação de veículos, um verdadeiro parque de concreto, que agrada à moradores do entorno, turistas, vendedores, o qual permite um passeio livre a uma extensão de 2,8 km ininterruptos no coração da cidade de São Paulo. É evidente que faltam espaços de lazer e área verde na cidade, basta vivenciar os caminhos percorridos ao longo da rotina diária do paulistano, uma cidade que não consegue respirar por conta das inúmeras construções e especulação imobiliária, uma forma atual de “urbanizar” que prioriza o lucro, o dinheiro, as vezes sem

qualquer estratégia urbana em relação às pessoas, como é o caso do objeto de estudo. Propor um parque em cima do Minhocão com atividades distintas em seu baixio, pode parecer no início uma grande ilusão, talvez seja, o fato é que a cidade precisa se tornar mais humana, mais igualitária e democrática, as mudanças precisam começar dentro de cada um, assim como o pensamento e a ação das pessoas de que o Minhocão poderia ser utilizado de outra maneira em horários livres dos automóveis, pensamentos os quais se tornaram realidade, quantos lugares há iguais a esse na cidade? Uma estrutura enorme que rasga os bairros vizinhos formando uma barreira visual e territorial, até então vista como negativa, que foi se transformando e ainda se transforma com a vontade das pessoas de se apropriar e utilizar aquilo que é feito para todos, sem distinções, a rua, o bairro, a cidade. Qualidade de vida é o sinônimo para o desenvolvimento do trabalho, o qual protagoniza a qualidade de vida e escala humana como necessidade. A percepção sobre os espaços públicos, aliás a precariedade deles, fez com que a hipótese e desejo de planejar locais com condições para lazer e estar fosse a decisão desde o princípio, com pensamento contínuo de escolha de um objeto preexistente, o Minhocão, que já é um parque aos fins de semana, um parque linear que atrai investimentos, comércios ambulantes e pessoas. Mas por que o Minhocão? Porque se tornou o local de encontros espontâneos das pessoas, palco para apresentações, espaço para feiras gastronômicas, área de lazer sem distinção de classe, percurso do centro da cidade para a zona oeste, assim como, vistas de pontos distintos da cidade esquecidos pelas pessoas na rotina da vida industriali9


zada, onde os carros impedem que tais enquadramentos das paisagens sejam apreciados pelas pessoas, o Minhocão eleva as pessoas para a cidade. Não há beleza apenas no viaduto em si, ele se expande para além de seus limites, influenciando a vida de muitos paulistanos que dependem dele, seja para transporte individual ou área de lazer. Visitar e caminhar pelo Elevado e seu entorno, em dias de tráfego de pessoas ou de carros, tornou-se possível o contato e compreensão do que esse espaço é para a cidade, uma artéria urbana para os usos distintos que recebe e possibilidade de moradia para a população de baixa renda próximo ao centro, somente possível pela atual deterioração do entorno, gerando também uma discussão sobre a gentrificação, ou seja, a expulsão de tais moradores por conta de melhorias urbanas e valorização imobiliária. A percepção geral sobre intervenção urbana é que sempre irá apresentar pontos positivos e negativos, independentemente da solução adotada. No caso da intervenção Elevado para pessoas|Conexões urbanas no espaço de lazer, a opção escolhida foi a produção ou “reprodução” da cidade tendo a escala humana como partido do planejamento urbano, buscando amenizar, ou até mesmo reverter o impacto negativo do espaço Minhocão sobre a vida urbana.

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1 | O desenvolvimento da mobilidade urbana em São Paulo

Como capítulo inicial do desenvolvimento do trabalho, apresentase uma breve e sucinta história da mobilidade urbana da cidade de São Paulo, a qual destacou-se aspectos político, econômico e social que estruturaram a cidade. Discute-se as estratégias de projetos e concepções urbanas adotadas ao longo de seu desenvolvimento, assim como as influências de pensamentos urbanos até os dias atuais, com o propósito de compreender o momento em que o Minhocão foi planejado e construído. 11


São Paulo teve início no local determinado pelo triângulo histórico, compreendido entre o Largo São Bento, Largo São Francisco e Pateo do Colégio, espaço que se iniciou o desenvolvimento urbano, margeado pelos rios Tamanduateí e Anhangabaú que barraram a expansão urbana até aproximadamente 1880, quando então foi construído o Viaduto do Chá1 e a cidade se expande para além das águas, tendo como catalisador o crescimento cafeeiro na região oeste; transporte através de ferrovias e segregação sócio espacial. O mapa demonstra com setas o início da expansão para além dos rios Anhangabaú e Tamanduateí, assim como a demarcação do triângulo histórico e a ferrovia São Paulo Railway, construída em aproximadamente 1860, conectando São Paulo ao litoral, sendo

São Paulo Railway

Rio Anhangabaú

Rio Tamanduateí

São Paulo em 1880 - Fonte: http://smdu.prefeitura.sp.gov.br/historico_demografico | Diagrama: autoria própria 12

esta uma etapa inicial para a industrialização. A partir do constante crescimento da cidade, configurações viárias começaram a serem implementadas, e em aproximadamente 1900, linhas de bondes elétricos foram instaladas na cidade, sendo o principal meio de transporte coletivo até 1970, quando as linhas foram desativadas abrindo espaço para o transporte de metrô. A cidade crescia ordenadamente e horizontalmente, porém, a partir de 1920, o crescimento foi acelerado devido ao desenvolvimento urbano e econômico (economia cafeeira) e aos planejamentos da empresa Light2 e a Companhia City3, com visões sanitaristas e olhares voltados para a elite paulistana, período marcado pelo início da verticalização de São Paulo onde novas medidas viárias foram necessárias, como o Plano Integrado de Transportes em aproximadamente 1930, proposto pela empresa Light, que previa uma linha de metrô que fosse articulada com outros meios de locomoção, como ônibus e bondes. Em paralelo, havia o planejamento do Plano de Avenidas, concebido por Ulhôa Cintra e Francisco Prestes Maia, ambos engenheiros e o segundo Secretário de Vias Públicas, que estrutura a cidade através das vias destinadas a transporte sobre pneus em um sistema radial concêntrico. O desenvolvimento da indústria automobilística estava em constante crescimento e a escolha de al-

guma proposta deveria ser realizada, de um lado um sistema que priorizava o transporte público e de outro o transporte individual de acordo com a nova escala urbana da cidade, optou-se então pelo Plano de Avenidas. Nota-se no mapa abaixo um crescimento urbano muito grande em um período curto de tempo, devido principalmente à industrialização e verticalização de São Paulo no setor de comércios, serviços e residências (voltados para a classe alta) e a pujante necessidade de melhorias das infraestruturas urbanas que acompanhassem o desenvolvimento, o tal Plano de Avenidas.

Área urbanizada até 1950 Área urbanizada de 1950-1960 Crescimento urbano de São Paulo Fonte: http://smdu.prefeitura.sp.gov.br/panorama/pdf/pag03.pdf

1 O primeiro Viaduto do Chá foi inaugurado em 1892, em estrutura metálica, transformado em um símbolo para a cidade, pois foi o primeiro da região, em 1940 foi demolido por não suportar a quantidade de transeuntes, e então inaugura-se o novo e atual viaduto, desta vez em concreto armado. 2 Empresa canadense responsável pelo abastecimento elétrico e as linhas de bondes de São Paulo a partir de 1900, com duração aproximada de 40 anos, realizou a construção da Represa Guarapiranga e Billings, retificação dos rios Tietê e Pinheiros em 1940 3 Fundada em 1912, a empresa teve missão de urbanizar vários bairros de São Paulo


O sistema adotado pelos engenheiros reinventou o significado de transporte e locomoção da cidade, alinhados com o interesse político e econômico do período. Além dos anéis perimetrais, há a confluência em “Y” destacado no diagrama, que compreende as atuais avenidas: Tiradentes, 9 de Julho e 23 de Maio desaguando no Anhangabaú. Santana Casa Verde

Bela Vista

Rio Tietê

Rio Tietê Penha

Lapa

Mooca Pinheiros V. América

Sto Amaro Aclimação V. Mariana

Diagrama Plano de Avenidas Fonte: Autoria própria

Ipiranga

Anel viário 01 - perímetro irradiação Anel viário 02 - perímetro irradiação Sistema “Y”

Em 1938, Prestes Maia é eleito prefeito de São Paulo e inicia-se um processo de modificações radicais na paisagem da cidade, sendo o automóvel o protagonista das transformações. Durante a gestão, Prestes Maia executou alguns de seus planos, como a Avenida São Luís, Avenida Ipiranga, Aveni-

da Duque de Caxias e Avenida Prestes Maia, além de melhoramentos em avenidas e ruas já existentes como a conclusão da Avenida 9 de Julho. Foi responsável pela proposta da retificação do Rio Tietê na década de 1940, no mesmo período, as indústrias automobilísticas estavam em seu auge de produção, pós I Guerra Mundial, e as cidades começaram a priorizar o planejamento urbano para o transporte individual e motorizado. Com o mesmo conceito de “cidade para carros”, em 1950, o prefeito Linneu Prestes contratou uma equipe americana, liderada por Robert Moses4 para elaborar o “Plano de Melhoramentos Públicos para São Paulo”, que consistia no desenvolvimento da metrópole através de vias expressas e conexões diretas. O modelo proposto para São Paulo trouxe influências executadas por Moses em Nova Iorque, traduzidos em pontes e vias expressas que arrasavam os bairros por onde passavam, grande exemplo disso é a via Cross-Bronx, em Nova Iorque. Seguindo o plano inicial de Prestes Maia, Moses decide implementar as marginais Tietê e Pinheiros, já esboçadas no plano, para que recebessem o tráfego de rodovias para entrada e saída de São Paulo, mantendo tal função até os dias atuais. Um dos grandes pontos divergentes da proposta de Moses é que as vias não deveriam se cruzar em nível ou ter acesso direto aos edifícios ao invés de

serem apresentadas como bulevares na visão de Prestes Maia, mas sim deveriam ser avenidas expressas que atravessam os espaços sem interrupções, desconsiderando o que está sendo destruído ou não, embora não implantadas imediatamente, as ideias do engenheiro Moses influenciaram as obras viárias seguintes por volta de 1960/1970, como o Minhocão e Av. 23 de Maio.

Plano Robert Moses para São Paulo Fonte: http://transporteativo.org.br/wp/blog/uploads/2014/01/as-rodovias-de-sao-paulo.jpg

Em aproximadamente 1955, Prestes Maia é convidado pela Prefeitura para elaborar um novo plano de sistema viário para São Paulo, o “Anteprojeto de um Sistema de Transporte Rápido Metropolitano”, proposta contraditória para o sistema rodoviarista5. Modificações foram planejadas como a inclusão de linhas de metrô da cidade, mas a essência do plano Engenheiro norte americano marcado por suas concepções de planejamento viário voltadas exclusivamente para os carros, sem muitas discussões referente à outros aspectos urbanos. 5 Cultura e pensamento marcado pela preferência ao uso do automóvel, sendo o ponto principal das decisões da estruturação dos espaços. 4

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permaneceu em vigor, que era o sistema radiocêntrico.

Malha Viária - PUB Fonte: http://www.vitruvius.com.br/media/images/magazines/ grid_9/6540_arq082-00-24.jpg

N

Tucuruvi Jundiaí Barra Funda

Luz

Brás

Vila Madalena Osasco

Esquema geral das linhas de metrô de São Paulo Fonte: http://viatrolebus.com.br/wp-content/uploads/2014/09/Figura1.jpg

Dentre tantas alternativas de projeto, há também o PUB (Plano Urbanístico Básico), elaborado em 1968, entregue no fim da gestão do prefeito Faria Lima que propunha um sistema novo de transporte, formado por uma malha viária, desassociada da malha de transporte público, porém englobando as obras já realizadas do sistema radiocêntrico, com o objetivo de atender a demanda do transporte individual e do transporte em massa. 14

Itaquera

Malha de metrô - PUB Fonte:http://www.vitruvius.com.br/media/images/magazines/ grid_9/6540_arq082-00-23.jpg

O diagrama a seguir representa a malha viária e de metrô/trem atual na cidade, resultando em uma mescla dos planos apresentados ao longo d a estruturação viária de São Paulo, com destaque para o Elevado Costa e Silva, que simboliza o momento de realizações industriais.

Butantã

Rio Grande da Serra

Vila Prudente Grajaú Jabaquara

Vias estruturais Linhas de metrô Linhas de trem Elevado Costa e Silva Estações Região metropolitana de São Paulo Fonte: Google Earth - Diagrama: autoria própria


Vista parcial do Minhocão Fonte: http://www.estadao.com.br/fotos/PAULOLIEBERT_14_10_2009_600.jpg

Vista parcial do Minhocão Fonte: http://minhocao.org/wp-content/uploads/2014/04/minhocao05.jpg

A cidade ganhou mais uma obra de mobilidade urbana rodoviarista, ainda com a produção de automóveis em alta, inaugurou-se o Elevado Presidente Arthur da Costa e Silva, em 1971, com aproximadamente 2,8 km de extensão, o qual foi implementado na gestão de Paulo Maluf, que faz a ligação do centro da cidade a região oeste por um viaduto que passa sobre as avenidas Amaral Gurgel, São João e General Olímpio da Silveira. A obra causa polêmica e discussões desde o primeiro dia de sua construção, pois rasga a cidade em meio a edifícios que fazem fronteira com o elevado com distâncias de até 5 metros das fachadas, construído sem qualquer discussão de planejamento urbano ou participação da população. Segundo Maluf é “a maior obra em concreto armado de toda a América Latina” e “inaugura uma nova solução de sistema viário para a cidade de São Paulo, ou seja, o tráfego rápido em via elevada sem nenhum cruzamento”6. Há semelhanças na proposta do prefeito e o plano idealizado por Robert Moses, radicalizando a forma de locomoção urbana.

6

Palavras do prefeito na explicação do projeto, em 1969 https://www.youtube.com/watch?v=5puwc6ix9Dg

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A maior parte da população se desloca diariamente para estudar, trabalhar ou morar, sempre em meio a trânsitos caóticos e transporte público saturado. A cidade de São Paulo está presenciando um cenário de possibilidades de transformação da mobilidade urbana, que procura amenizar o diário conflito do trânsito de automóveis na cidade. Medidas alternativas compõem a situação, como a implantação de ciclovias, ciclofaixas e ciclorotas; corredores exclusivos para ônibus; novas linhas de metrô em pontos de concentração da população; determinação do perímetro “Área 40”, que proíbe que a velocidade ultrapasse o limite de 40 km/h; revisão do Plano Diretor Estratégico prevendo melhorias na escala humana como aumento das dimensões das calçadas; fruição pública; áreas de convívio, etc. São inúmeras ações que buscam suavizar o grande impacto do pensamento rodoviarista na estrutura da cidade, procurando reverter o significado urbano, ou seja, não ser considerado apenas mercadoria, mas sim espaços que disponibilizem um lugar para todos, de encontros7, ou seja, a cidade para pessoas8.

JACOBS, Jane. Morte e vida das grandes cidades. 1º edição, São Paulo, Brasil, Ed. Martins Fonte, 2000. 8 GEHL, Jan. Cidades para pessoas. 2º edição, São Paulo, Ed. Perspectiva, 2014 7

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Ciclovia Viaduto do Chá - Centro de São Paulo Fonte:http://viatrolebus.com.br/wp-content/uploads/2014/10/XAC53E05BA5CB43D5AE54018586976681.jpg

Praça das Artes - Fruição Pública Fonte:http://img1.adsttc.com/media/images/5273/e838/e8e4/4ee8/ e100/0831/large_jpg/IMG_4532.jpg?1383327786

Melhoria na travessia de pedestres; novas faixas para travessia e área de convivência - Largo de São Francisco | Centro de SP Fonte: http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/largo-sao-francisco/

Corredor de ônibus Fonte: http://imguol.com/c/noticias/2013/08/19/19ago2013


2| Uso do espaço público

Visto que o Minhocão é uma estrutura urbana de grande importância para a cidade de São Paulo como meio de lazer, elaborou-se um estudo amplo de espaços públicos apropriados espontaneamente na cidade como um todo e as principais transformações e interpretações de acordo com o mercado imobiliário, assim como a importância da presença de transporte público para a ativação dos mesmos. Como síntese do estudo é apresentado um mapa com a localização de alguns pontos da cidade que são referências em espaço público e, como tais espaços são distintos uns dos outros, acompanhado com respectivas imagens. 17


O que é espaço público? Pode-se resumir em espaços de livre acesso a todos da sociedade como ruas, parques e praças, onde acontecem eventos de protestos, reinvindicações, comemorações e lazer, que são possíveis através das oportunidades dos espaços livres da cidade. Em um conceito geral, o uso do espaço público se tornou uma mercadoria, um sistema de troca, pois quem possui o poder do espaço, possui a dominação do mesmo. No Brasil, a dominação política e de poder em relação ao espaço público inicia-se no processo da constituição da propriedade da terra, em aproximadamente 1850 com a Lei das Terras, que institui ao proprietário poder político e econômico. Na transição da sociedade de escravos para trabalhadores livres no Brasil, há um cenário em que a propriedade da terra significa poder político e econômico, e que o uso da propriedade se destina de acordo com sua função e não em preferência às pessoas. Inicialmente, os maiores espaços públicos da cidade de São Paulo eram o Vale do Anhangabaú e o Parque Dom Pedro, hierarquizado socialmente, onde só alguns podiam desfrutar o uso desse espaço. Ao longo da história, há diferentes exemplos da consolidação e apropriação do espaço público para distintas finalidades, sendo esse desconsiderado em aproximadamente 1940, quando a cidade foi negada e quase todo 18

o espaço foi privatizado, predominando a construção de condomínios fechados, murados e shoppings centers nos terrenos adjacentes, ou seja, o período do “boom” da industrialização em diversas áreas e setores. Segundo Henri Lefebvre9, o urbanismo das cidades pode ser caracterizado em três períodos distintos, o primeiro trata-se de uma negação dos espaços consolidados e preexistentes em favor da economia industrial, ou seja, a destruição da sociedade urbana e o ápice da industrialização; em segundo surge uma sociedade urbana generalizada, socioeconômica; em terceiro o reencontro e reinvenção da sociedade e do urbanismo, resgatando as reflexões urbanísticas9. A produção do espaço público atual é concebida através de incentivos fiscais, como previsto no Plano Diretor Estratégico, com tais regulamentações, nota-se uma possível mudança de visão da cidade e seus espaços, como a reinvindicação de espaços realizados a partir da escala humana. As apropriações acontecem a todo momento com diferentes finalidades e razões em São Paulo, podendo ser transcritas como a “fala da cidade”, acontecimentos nas ruas, praças e nos vazios e a “escrita da cidade, aquilo que se inscreve e prescreve em seus muros, o emprego do tempo na cidade pelos habitantes dessa cidade”10. Apropriações espontâneas são rea-

lizadas todos os dias, pelo simples fato de caminhar em calçadas ou parar em um ponto de ônibus, a cidade precisa se renovar, se restabelecer dos pensamentos do processo industrial que se criou ao longo de sua estruturação, podendo assim diminuir os problemas crônicos da cidade, como poluição, trânsito e falta de áreas verdes.

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LEFEBVRE, Henri. O direito a cidade. São Paulo, SP: Documentos, 1969, p. 25.

10

LEFEBVRE, Henri. O direito a cidade. São Paulo, SP: Documentos, 1969, p. 63.


2.1| Contrastes urbanos Um espaço público que apresenta um uso contínuo de apropriações, frequentemente está conectado próximo de transportes coletivos, facilitando o acesso e promovendo encontros com diferentes usuários de locais distintos. A partir do momento que há o uso desses espaços pelas pessoas, outro elemento aparece como ativador do espaço, sendo este a segurança, que segundo Jane Jacobs, quando há olhares distintos no espaço, uma pessoa cuida da outra, como uma troca simultânea de preocupação e humanismo. O espaço público deve ser o momento de encontros simultâneos e impessoais, o lugar com finalidade de vida social. A cidade de São Paulo possui uma grande diversidade de eventos de distintas dimensões diariamente, com isso, refletiu-se qual motivo alguns lugares são estabelecidos para se tornarem palcos de apropriações do espaço, além da ativação do local, notou-se que os grupos sociais, em sua maioria, se misturam para alcançar objetivos igualitários, fragmentando barreiras sociais. Como são essas apropriações? Para responder tal questão, elaborou-se um mapa estratégico que localiza alguns pontos dos espaços em São Paulo, seguido de um diagnóstico fotográfico que amplia o diálogo sobre os assuntos abordados anteriormente.

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04 05 06

07 Apropriação dos espaços Fonte: Base Google Earth / Diagrama autoria própria

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Parque Jardim da Luz Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Pracadaluz.jpg’

02

Minhocão aos domingos Fonte: Acervo pessoal

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03

Feira de artesanato ao ar livre na Praça da República Fonte:http://www.marialuciapacheco.com.br/2012/10/feira-de-artesanato-praca-da-republica.html

04

Vale do Anhangabaú Fonte: http://namu.com.br/materias/guia-fantastico-da-cidade-desao-paulo

05

Praça Roosevelt Fonte: http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/10/06/196390-970x600-1. jpeg

06

Largo São Francisco - Centro de São Paulo Fonte: http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/largo-sao-francisco/


07

Feira livre no vão do Masp Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/78/V%C3%A3o_Livre_do_MASP_03.jpg

08

Cobertura do Centro Cultural de São Paulo Fonte: http://dasartes.com/uploads/materias/be46268ad4f1bbae5af116d9ac09e0efd185b8b8.jpg

Os locais apresentados são alguns dos favoritos dos paulistas, segundo uma análise dos espaços mais conhecidos e frequentados. São lugares distintos de um modo físico e territorial, porém todos são apropriados com o uso a partir da preexistência. Nota-se que os espaços ativados estão conectados diretamente com alguma estação de metrô, ponto de ônibus ou ciclovia, além de ser de fácil acesso para veículos, apresentando assim uma combinação de interesses. Em análise aos locais, compreende-se que a vontade de usufruir da cidade está presente, se o cenário fosse o inverso, os poucos espaços existentes e movimentações de comércio que dependem de tais locais não teriam sobrevivido até os tempos atuais, que está em constante mudança social, territorial e tecnológica. Apesar de serem lugares diariamente frequentados, estão vinculados ao centro da cidade, como pode ser observado no mapa, um aspecto de que faltam espaços públicos e verdes nas regiões periféricas, para que assim seja possível reformular a cidade com objetivos democráticos e igualitários.

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3| Memórias urbanas Caso Minhocão Nesta etapa do trabalho apresenta-se as modificações que ocorreram na região antes e depois da construção do Elevado, distinguindo pontos marcantes de alteração na área. Para totalizar a discussão, são retratados casos internacionais, com características similares ao Minhocão, que foram transformados em espaços de lazer. Para entender o contexto, é analisada a deterioração e qualidade existente no local, buscando o melhor encaminhamento para o desenvolvimento do projeto. Como há inúmeras questões sobre o destino do Minhocão, há discussões controversas desde sua construção sobre o que deve ser modificado, apresenta-se então os debates dos distintos pontos de vista, sendo eles: viaduto, parque ou demolição. 23


Era período de ditadura militar no Brasil, marcado por repressão política e autoritarismo, o Elevado se tornou o símbolo do ante urbanismo de São Paulo, da imobilidade urbana, com sua estrutura bruta em concreto, arrasando os locais por onde passa. A região engloba de imediato os distritos de Santa Cecília, Consolação, Barra Funda e República, com uma população diariamente e diretamente afetada de 232 mil pessoas (IBGE, Censo 2010), mas o Minhocão não esteve sempre lá, no período de 1930 a 1960, a região abrigava a elite paulistana, dotada de infraestrutura como as linhas de bonde, ônibus, início das obras do metrô, emprego na região, comércios, serviços... Era um ponto articulador da cidade economicamente e de lazer, abrigando grandes cinemas de rua, teatros, praças, bares e restaurantes.

Com o predomínio da verticalização em 1940, os casarões de grandes famílias em terrenos valorizados, por estarem na região central, foram sendo comprados e demolidos, para a construção dos arranha-céus, murados e fechados. O Minhocão expulsou quase que imediatamente a população residente no local e

acentuou consequências como a desvalorização imobiliária, deterioração do espaço, poluição sonora e visual, problemas de saúde, entre outros. Nas imagens seguintes, nota-se a grande transformação física antes e depois do Minhocão, com destaque a um dos últimos casarões sobreviventes da época.

Avenida São João em 1952 - Casarão Fonte: http://www.saopauloantiga.com.br/av-sao-joao-1952-2014/

Avenida São João atualmente - Minhocão a esquerda e Casarão Fonte: http://www.saopauloantiga.com.br/av-sao-joao-1952-2014/

Visão em 1950 - sem o Minhocão Fonte: http://www.fashionbubbles.com/files/2013/01/44206_425455850844071_1327931663_n-600x378.jpg

Visão a partir de 1971 - com o Minhocão Fonte: http://imagem.band.com.br/f_129719.jpg

N

Barra Funda Santa Cecília

República Consolação

Localização dos distritos Fonte: MDC - Mapa Digital da Cidade 24

Minhocão


Desde o início da construção, surgiram discussões para desconstruí-lo, o impacto negativo era imenso e o mesmo erro foi cometido em relação a outros países como por exemplo no Estados Unidos, que havia traçado um planejamento rodoviarista inicialmente, praticamente liderado por Robert Moses e que transformou os lugares de intervenção em verdadeiros espaços desumanizados, tentando, após um período, requalificar, como o “Big Dig” em Boston, onde existia uma via elevada que foi destruída, em 1991, para dar espaço ao lazer e apropriação pública, como um parque linear e em contrapartida um túnel foi implantado para suprir a demanda de veículos. Promenade Plantée, em Paris, é outro exemplo de recuperação das áreas urbanas, um viaduto que conduzia uma linha ferroviária desativada e se tornou um grande e extenso parque suspenso. Um dos mais recentes projetos de revitalização urbana é o High Line, em Nova Iorque, com a mesma função inicial do parque em Paris foi transformado em um espaço extenso e de lazer, priorizando a vida urbana. O Minhocão tem uma parcela de tais características, em 1976, apenas 5 anos após sua construção, o viaduto começou a ser fechado em horário noturno e em 1989 a prefeita Luiza Erundina decreta o fechamento diário das 21:30 às 06:30, para amenizar o barulho produzido pelos carros e ônibus e o

horário permanece até hoje com adição do fechamento integral aos domingos e feriados. A consequência planejada era promover o descanso dos moradores ao redor, porém, espontaneamente, as pessoas começaram a se apropriar do Elevado para fins de lazer e esportes11. Mesmo sem uma estrutura de parque, essa cicatriz urbana é o lazer de

muitas pessoas aos finais de semana, para inúmeras atividades, é o local único em São Paulo com uma extensão de 2,8 km com acontecimentos diferentes a cada momento e que muitos começaram a chamar de parque e apoiar a causa em conjunto com a Associação Amigos do Parque Minhocão.

Big Dig - Boston - antes e depois Fonte: farm3.static.flickr.com/2313/2152669434_28d7947f2b_o.jpg

Promenade Plantée - Paris Fonte: http://www.thetimes.co.uk/tto/multimedia/archive/00389/122899917_paris_389181c.jpg

High Line - parque suspenso em Nova Iorque Fonte: http://www.pensamentoverde.com.br/wp-content/ uploads/2013/10/5933405671.jpg

Minhocão aos domingos Fonte: acervo pessoal 11

Entrevista de Athos Comolatti, presidente da Associação Parque Minhocão

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3.1 | Deterioração X Qualidade O Minhocão foi o grande motivo para acentuar a degradação dos espaços de seu entorno, porém o abandono começou em aproximadamente 1960, por conta da grande produção da indústria de veículos e a valorização de outras áreas da cidade, sendo assim a população de classe alta não tinha mais motivos de permanecer no local, poderia se deslocar sem problemas através dos carros. A construção do Elevado deteriorou o espaço em vários aspectos, como poluição e barulho; degradação dos edifícios; desvalorização dos imóveis e terrenos; falência ou fechamento de muitos comércios no pavimento térreo; falta de privacidade nos primeiros e segundos pavimentos sendo que a janela do apartamento está de frente para o Minhocão; insalubridade e insegurança na parte de baixo pois se tornou um espaço escuro, sem a entrada de iluminação natural e gerou problemas sociais, pois moradores de rua e usuários de drogas encontraram um teto no baixio do viaduto, as problemáticas citadas são as mais marcantes e acentuadas do local. É como se o Elevado fosse o térreo de um edifício e o que está do seu limite para baixo tenha se tornado um subsolo, um espaço sem vida. Em um primeiro momento, a única vi26

são que o Minhocão atraia era de uma obra viária extensa sem qualquer possível uso para outros fins. Desde o momento em que foi criada a oportunidade de fechamento do mesmo, as apropriações espontâneas começaram a usufruir de todo o concreto, sendo de caráter social, econômico e artístico. Além da ativação do Minhocão em si, uma das principais transformações se deu pelo fato de que, com a desvalorização dos imóveis lindeiros à sua extensão, a população de baixa renda inicia um processo de ocupação do local, com preço de compra e venda de imóveis acessível, tal ação tem um caráter positivo pois o Minhocão está inserido no centro da cidade, ou seja, um local provido de grandes infraestruturas e consolidado. Lazer é praticamente um sinônimo para o Minhocão aos fins de semana e feriados, além de abrigar diversas intervenções artísticas, sendo local de “exposições ao ar livre”. Há uma sensação e observação contraditória sobre o que é bom ou ruim em relação ao Elevado, o mesmo lugar se transforma em virtude ou negação dependendo do dia e horário. Em conversas com usuários do Minhocão “para pedestre”, as palavras que dominam o vocabulário são “deterioração”,

“insegurança”, “espaços mal iluminados”, “sem sombra”; e ao perguntar o motivo daqueles transeuntes, total de 11 pessoas abordadas, utilizarem do Minhocão, a resposta foi praticamente unânime “não tem nenhum outro lugar na cidade de São Paulo que eu possa caminhar por 2,8 km, observar as avenidas, a vida das pessoas, a cada dia estar acontecendo uma coisa diferente, uma hora é festa, outra é teatro, outra é feira, a maioria de graça e principalmente estar em contato direto com a cidade”. A preexistência foi o ponto chave para a escolha de desenvolvimento do tema e a discussão de tais contradições, de modo a apresentar um paradoxo que uma solução, como um todo, pode ser positiva para a vida da cidade. Para ilustrar os pontos destacados como negativos e positivos, no anexo I há uma relação de tais questões através de um diagnóstico fotográfico.


3.2 | Viaduto, parque ou demolição? O Minhocão é um assunto polêmico dentre todos grupos sociais, cada pessoa com uma relação e opinião distinta sobre o Elevado, afinal, não existe uma única alternativa, há uma série de hipóteses possíveis para o Minhocão. A maioria das pessoas que preferem o uso como está hoje são os usuários dos automóveis, que apenas passam pelo local, por ser uma ligação urbana rápida e sem interrupções, por outro lado, a maioria das pessoas que residem na região são a favor do parque, que já é pré-determinado durante a noite, fins de semana e feriados. Uma terceira hipótese radical surge, grupos apoiam a demolição do viaduto, a fim de revitalizar toda a extensão das avenidas que ali existem, transformando-as em bulevares e espaços compartilhados para automóveis e pedestres. Por ser uma obra viária extremamente agressiva para a paisagem, desde sua concepção já haviam especulações em como transformá-la. Em 1987, o arquiteto Pitanga do Amparo, durante a administração de Jânio Quadros, apresentou uma proposta inovadora para reformular o Minhocão, sendo a mesma um parque suspenso, pioneiro para o início da discussão. A partir do fechamento da via aos domingos e feriados,

apropriações espontâneas do espaço público surgiram e novas possibilidades de uso do Minhocão são mostradas à cidade. Dentre as três discussões uma é praticamente descartada, sendo a de deixar como está. “Continuar seu uso após 43 anos ininterruptos é, evidentemente, o mais cômodo. Embora demande manutenção permanente, é um equipamento relativamente barato de manter. Os veículos continuam circulando, e os moradores lindeiros ao Minhocão já se conformaram com o descaso, barulho e poluição. Contudo, essa opção está próxima do esgotamento. Sucessivos engarrafamentos apenas comprovam que quanto mais espaços são destinados aos carros de passeio, mais eles serão ocupados por uma frota que cresce sem parar.”11 Em 2006, o prefeito José Serra lançou o “Prêmio Prestes Maia de Urbanismo”, um concurso voltado para uma solução para o Minhocão, as propostas tiveram resultados distintos, como a demolição total ou parcial do Elevado e a transformação deste em parque suspenso. O projeto vencedor, do escritório Frentes Arquitetura, previa o fechamento do Minhocão com uma estrutura, como se fosse um túnel e um parque elevado acima de tal estrutura, com usos distintos

ao longo da via, como cultural e comercial. Em 2010, o prefeito Gilberto Kassab anunciou um plano de revitalização para a cidade que incluía a demolição do Elevado, suprindo a demanda de automóveis que o utilizam através da Operação Urbana Lapa -Brás, que enterra a linha férrea e abre espaço para uma grande avenida de ligação Leste-Oeste, assim como o Minhocão é hoje. Dentre as visionárias hipóteses e opiniões distintas, projetos de lei foram elaborados, primeiramente apoiado pelos vereadores José Police Neto (PSD), Nabil Bonduki (PT), Toninho Vespoli (PSOL), Ricardo Young (PPS), Goulart (PSD), Natalini (PV) e Floriano Pesaro (PSDB), resultando no Projeto de Lei 01-00010/2014 - Parque Minhocão que defende a criação do parque para fins de lazer e cultural, iniciando com o fechamento gradativo para o tráfego de veículos, apontando que é uma região dotada de infraestrutura de transporte público e que tal condição poderia suprir a demanda de veículos.

Artigo “Cidade e Democracia, um estudo de caso da Associação Parque Minhocão, vitruvius, 2014. 11

27


A revisão do Plano Diretor Estratégico de 2014 destina um parágrafo para a elaboração específica de uma lei que modifique o Minhocão, constando no artigo 375 da lei nº16.050: “Parágrafo único: Lei específica deverá ser elaborada determinando a gradual restrição ao transporte individual motorizado no Elevado Costa e Silva, definindo prazos até sua completa desativação como via de tráfego, sua demolição ou transformação, parcial ou integral, em parque”. A Associação Amigos do Parque Minhocão conta com agentes engenheiros, arquitetos, urbanistas, advogados, ativistas, fotógrafos, entre outros, com objetivo de transformar o espaço Minhocão em algo voltado para a escala humana, redescobrindo -o como um espaço de qualidade de vida. Em uma concepção pessoal, acredita-se que o Minhocão deve se tornar um local apropriado para lazer, esportes e cultura, assim como já é atualmente quando fechado, escasso apenas de infraestruturas que acompanham a necessidade de um espaço com tal caráter, a cidade de São Paulo carece de áreas verdes e espaços públicos, com o Elevado, tem-se uma oportunidade, a partir de uma catástrofe urbana, cria-se a visão da vida mais humana. A tabela mostra preferências dos usuários em relação ao Minhocão, realizada pela Associação Parque Minhocão que 28

Viaduto

Parque

Demolição

53%

23%

7%

Proprietários Locatários Moradores andares baixos Moradores andares altos Moradores da região Paulistanos em geral Grupo anti gentrificação Grupo anti cracolândia Motoristas usuários Pesquisa realizada pela Associação Amigos do Parque Minhocão

apoia a estratégia do parque suspenso. A partir de compreensão dos interesses de cada categoria, constata-se uma interpretação pessoal em relação à valorização dos imóveis e ganhos em cada hipótese. É evidente que a tabela apresenta um conflito de interesses, causados principalmente pela valorização ou não do espaço, seja em âmbito de valorização imobiliária, social, em relação à usuários de droga e população de baixa renda ou individual, em relação aos usuários que utilizam como via rápida de tráfego.

Interpretação da pesquisa Manter o viaduto = - $ A desvalorização imobiliária ocorreu justamente por conta da construção do Elevado, fazendo com que todo seu entorno fosse degradado. Parque = $$ Resultaria em uma valorização imobiliária e revitalização do entorno, resgatando a qualidade de vida, além de um espaço de lazer ininterrupto. Demolição = $ As avenidas seriam reformadas e permitiria entrada de iluminação natural, porém as pessoas continuariam caminhando em calçadas estreitas e preocupadas com o tráfego de veículos.


4| Leitura urbana Estudo da situação atual

Neste capítulo busca-se o estudo de diferentes dados que influenciaram na decisão de partido do projeto, sendo eles: concentração dos fluxos de pessoas; pontos de transporte público; sentido das vias; levantamento dos principais equipamentos do entorno; gabarito dos edifícios. Tais levantamentos são apresentados em mapas e diagramas estratégicos com respectiva explicação. 29


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Elevado Costa e Silva Marechal Deodoro An Av.

Santa Cecília

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Elevado Costa e Silva Linha do Metrô Linha CPTM Estações Mapa de localização Fonte: Base MDC

30

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Luz

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O Minhocão está inserido em uma área de alta densidade, em um espaço utilizado por grande parte da população da cidade para deslocamento diário, seja de modo individual ou coletivo. Segundo a CET, passam cerca de 80.000 veículos diariamente no Elevado. Dentre as situações típicas e corriqueiras discutidas no processo de trabalho, levantamentos em campo foram realizados para compreensão da vida existente do local atualmente. Em análise ao mapa, nota-se uma delimitação de espaço criada pela linha de trem e o Elevado, formando assim barreiras urbanas. Para conceituar uma localização geral da área, o mapa destaca as estações de metrô, a linha ferroviária e as principais ruas e avenidas que se encontram com o Minhocão, permitindo assim um posicionamento para os mapas apresentados a seguir. Os pontos de localização do mapa são apresentados somente no inicial, como um mapa chave, para que nos levantamentos seguintes fique representado apenas as informações mais significativas.

N


• Mapa cheios e vazios

N

Espaço construído Fonte: Base MDC

O início do processo de análise partiu de uma observação de espaços construídos e vazios no entorno do Elevado, como mostra o mapa. Nota-se que a área é altamente densa e consolidada, não dispondo de muitos espaços vazios, motivo o qual pode ser

250

0

considerado pelo período em que a área em destaque foi edificada, onde as legislações urbanísticas de recuo não eram obrigatórias. O principal déficit do local é a falta de terreno permeável, que não absorve água da chuva e consequentemente

250

500

750

1000

causa pontos de acúmulo de água. Os pontos em destaque chamaram atenção como primeiro local para possíveis intervenções devido à falta de permeabilidade do solo por conta das construções. 31


• Mapa gabarito

0-6m 6 - 15 m a partir de 15 m

N

Fonte: Base MDC

Nota-se que as variações de altura dos edifícios são mescladas, com destaque para a região da Avenida São João, que prevalece edifícios mais altos, ponto em que a proximidade do Minhocão com as construções 32

250

0

é mais próxima do que no resto da extensão da via, criando um aspecto negativo quanto a qualidade ambiental da área, sendo a parte inferior do viaduto mais escura do que em outro lugar do Elevado. Tal obser-

250

500

750

vação fez com que a área fosse selecionada para estudo de projeto com hipóteses e soluções para a região inferior do viaduto.

1000


• Mapa de equipamentos urbanos

250 N

hotel

cultural

educacional

áreas verdes

hospital

igrejas

Fonte: Base MDC

0

A escolha para qual tipo de levantamento realizar partiu do princípio de que, com a transformação do local, a demanda por alguns equipamentos irá aumentar

250

500

750

1000

e para verificar a concentração ou não dos equipamentos existentes, onde é possível relatar uma concentração maior próxima ao centro, a área que está em destaque. 33


• Mapa de transporte, acessos e fluxos

concentração de pessoas nós viários pontos de ônibus estações de metrô acessos existentes

N

250

0

250

500

750

Fonte: Base MDC

Os pontos de maior concentração de pessoas e os nós viários estão localizados próximos a pontos de transporte público, assim como os acessos existentes para entrada e saída do Minhocão. 34

A partir dessa análise foram selecionados os pontos principais para a intervenção com base e preferência para os locais de maior concentração de pedestres, sendo considerado que tais locais já pos-

suem um fluxo constante e consolidação do espaço quanto a atividades comerciais.

1000


5| Hipóteses de intervenção no Minhocão

Este capítulo retrata os motivos da escolha de realizar um projeto voltado para qualidade de vida das pessoas, o qual apresenta-se uma tabela com pontos positivos e negativos em duas hipóteses, sendo a primeira manter o Minhocão e a outra derrubá-lo, a partir de tal análise chega-se à conclusão de manter o Minhocão. 35


Para compilar uma ideia inicial, levantamentos em campo foram necessários, os quais auxiliaram o ensaio urbano sobre qual rumo o Minhocão poderá seguir. Em meio a tantas discussões e reflexões sobre o que deveria ser feito, chega-se a conclusão de que do jeito que está não pode continuar e então surge a pergunta: O que fazer com o Minhocão? Para ensaiar as possibilidades foi executada uma tabela comparativa que mostra, de maneira sintética, os pontos positivos e

negativos em relação a demolir ou não o Elevado. Tal iniciativa gerou diretrizes metodológicas que direcionaram a diferentes estudos. Em resultado de reflexão sobre a tabela, optou-se pela solução “com o Minhocão”, de acordo com os dados, os problemas e desafios urbanos são maiores do que se retirar o mesmo, causando problemas que dispersam da discussão atual, relembrando, a proposta visa a modificação da cidade para as pessoas a partir de espaços preexisten-

tes. A grande questão de propor o Minhocão fechar para apenas circulação de pessoas e veículos não motorizados é sobre o destino de todos os carros que passam por ele diariamente, como já citado anteriormente, a Operação Urbana Lapa-Brás propõe uma via em cima da linha férrea a ser enterrada, portanto, o projeto irá suprir a demanda e as avenidas que passam por baixo do Minhocão continuarão a receber tráfego de veículos.

Minhocão

Área de abrangência Operação Urbana Lapa-Brás Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/LAPABRAS_ ABRANG_1273183814.pdf’ N Esquema Op. Urbana Lapa-Brás Fonte: http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1121843&page=3 36


Com o Minhocão

Sem o Minhocão Pontos positivos

1. Espaço de lazer aos domingos, feriados e durante a noite. 2. Possibilidade da população de baixa renda conseguir residir em uma área dotada de infraestrutura. 3. Apesar de congestionado, ameniza o trânsito nas vias adjacentes.

1. Entrada de iluminação natural ao longo das avenidas que estão abaixo do viaduto. 2. Eliminação desta barreira urbana que divide claramente os espaços. 3. Valorização dos imóveis. 4. Retirada dos moradores de rua e usuários de drogas do local.

Pontos negativos 1. Deterioração dos imóveis e construções históricas. 2. Poluição sonora, atmosférica e visual. 3. Falta de iluminação natural na parte inferior. 4. Por ser muito escuro no baixio, causa insegurança. 5. Falta de privacidade nos pavimentos vizinhos ao Minhocão. 6. Barreira / bloqueio do terrirório urbano. 7. Desvalorização imobiliária.

1. Sobrecarregamento das vias adjacentes. 2. A demolição iria gerar um grande volume de entulho. 3. Gentrificação da área.

A escolha de manter o Minhocão e transformá-lo possui também um caráter gentrificador, o qual irá expulsar parte da população residente lindeira atual por conta da valorização da área, um ponto discutido desde o início do processo, optou-se por modificar e melhorar a área em prol da sociedade como um todo, porém, reservando regiões que estão previstas implantação de HIS (habitação de interesse social) amenizando o impacto da proposta sobre a maioria da população residente atual. A escolha dos desafios que estão sendo enfrentados traz a discussão da preexistência, portanto, não há visões de um motivo de demolir aquilo que já existe e que possui uma visão positiva quanto a possível melhoria da qualidade de vida. O motivo principal para a escolha de manter o Minhocão foi a de poder proporcionar um espaço contínuo para pedestres e ciclistas, priorizando qualidade para os locais de lazer e convivência, tendo como premissa do projeto a escala humana.

37


5.1| Possibilidades Disposta a opção adotada, surge a seguinte pergunta: Como transformar o Minhocão em um lugar melhor? Como reverter tal visão negativa? Foram feitos levantamentos sensoriais do local, para que fosse possível vivenciar e entender o que aquilo representa hoje para a cidade, em diversas escalas, do baixio

ao viaduto, em dias quentes e com chuva, em horários para automóveis e para pessoas. Além dos estudos, questões territoriais foram sendo impostas como limites, e assim moldaram a decisão final de intervenção.

O mapa abaixo ilustra as primeiras sensações ao caminhar no entorno do Minhocão, com imagens de alguns trechos para demonstrar os pontos que mais chamaram atenção.

• Levantamento sensorial do entorno Construção deteriorada castelinho R. Apa Estação Júlio Prestes Pico do Jaraguá

Ed. Altino Arantes

V

Ruas vazias

Av. Pacaembú

Minhocão Sensação de medo / insegurança / espaços vazios Local mal iluminado Local agradável, bem conservado

N

Praça Marechal Deodoro

38

Abandono

Área residencial 38

Fonte: Base MDC - Diagrama: autoria própria - Imagens: acervo pessoal

38 Arborização


Há muitas vistas e “rasgos” entre os edifícios ao longo do Minhocão, chamando a atenção para aproveitamento desse espaço, ou seja, o desenho do vazio. Há enquadramentos urbanos, como por exemplo, a visão da Serra da Cantareira; Edifício Itália, Edifício Copan, Largo do

Arouche, entre outros. Tal percepção alavancou os estudos a fim de aprimorar e resgatar os espaços vazios ainda existentes.

• Levantamento em cima do Minhocão - Vistas relevantes

Ed. Banespa

Largo do Arouche Pico do Jaraguá

V

Ed. Itália Av. Pacaembú Serra da Cantareira Praça Marechal Deodoro

Largo Santa Cecília

Copan N

N

39 Fonte: Base MDC - Diagrama: autoria própria - Imagens e croquis: acervo pessoal


5.2| Estratégias As estratégias de projeto constituem em como e qual local possui uma possível solução projetual, portanto, foram analisados os terrenos lindeiros ao Minhocão a fim de identificar os lotes subutilizados, de acordo com o Plano Diretor, os que não atingem o coeficiente de aproveitamento mínimo exigido pela lei.

Em uma visão geral, tais terrenos recebem atualmente o uso de estacionamento de veículos, esses então foram prioritariamente selecionados para estudos de modificação. Como o Minhocão é uma infraestrutura central e seu entorno consolidado, optou-se por implantar edifícios de distintos fins, como cultural,

educacional e artístico ao longo da extensão do mesmo. Os mapas e diagramas a seguir apresentam a construção do pensamento e possíveis áreas para inserção do projeto.

• Identificação dos terrenos subutilizados

Cinza = estacionamento / Laranja = terrenos vazios / Marrom = posto de gasolina / Rosa claro = edifícios preservados / Verde = área verde 40

Fonte: Base MDC / Desenho: acervo pessoal

N


Após a identificação dos lotes possíveis de intervenção, foi iniciado um estudo preliminar para visualizar tipos de costuras urbanas, com uma ligação direta com a cidade, tendo como “edifício” central, uma espécie de espinha dorsal do projeto, o Minhocão.

• Estudo de costuras urbanas / remembramento de lote

Cyan = terrenos sujeitos à demolição / Magenta = área para HIS de acordo com a lei de zoneamento

Fonte: Base MDC / Desenho: acervo pessoal

N 41


42


6| ReferĂŞncias de projeto

43


• Paulo Mendes da Rocha - Sesc Tatuapé Não construído - 1996 Paulo Mendes elaborou o projeto com o intuito de utilizar o lote como um todo, sem fragmentar a passagem de quem está atravessando. Com um programa voltado para esporte, cultura, entretenimento e recreação, o arquiteto traz para sua concepção a cidade para dentro do lote, como uma extensão da rua no térreo e a reprodução da mesma nas conexões dos edifícios, chamando-a de “rua suspensa”. O elemento principal do projeto é a “rua”, a conexão dos edifícios acoplados e a continuidade do caminho. O programa e disposição do projeto contribuiu para a intervenção no Minhocão em relação a “parasitar” os edifícios em uma estrutura de circulação contínua.

ACESSO

ACESSO RUA ELEVADA 06 01

02

07

05

03

09 04

05 RUA ELEVADA 08

Maquete física - vista geral do conjunto 44

01 - Biblioteca

05 - Piscina

02 - Exposições

06 - Quadras de esporte

03 - Bar

07 - Restaurante

04 - Rua elevada

08 - Teatros 09 - Oficinas e cursos

Fonte dos desenhos e imagem: ROCHA, Paulo Mendes da; ARTIGAS, Rosa. Paulo Mendes da Rocha: projetos 1957-1999. 3. ed. São Paulo: CosacNaify, 2006, pgs. 53,55.


• Lina Bo Bardi - Sesc Pompéia 1977 Antiga fábrica de tambores, a arquiteta Lina Bo Bardi concebeu o projeto a partir de estruturas preexistentes, como os galpões industriais, os quais foram reformulados e ganharam vida através de diferentes tipos de uso. O edifício acoplado abriga usos esportivos e todos os espaços são conectados por uma “rua” central que se torna espaço para apropriação do público, como decks e ocupação na “rua” feita pela cervejaria, se tornando um espaço de encontros. A ideia central para a intervenção no Minhocão gira em torno das mesmas características, com a finalidade de promover espaços de lazer e público, ocasionando eventos cotidianos voltados para as pessoas.

Edifício acoplado

02 Circulação principal Fonte: acervo pessoal CIRCULAÇÃO PRINCIPAL - “RUA”

01

03

10 11

12

05 Conexão principal

15

14

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13

16

09 08

07

04

01 - Conjunto esportivo

07 - Laboratórios

13 - Espaço de estar / exposições / espetáculos

02 - Lanchonete / vestiários

08 - Teatro

14 - Biblioteca / leitura / videoteca

03 - Torre caixa de água

09 - Vestíbulo

15 - Pavilhão de exposições temporárias

04 - Deck

10 - Restaurante

16 - Administração geral

05 - Manutenção

11 - Cozinha

06 - Ateliers

12 - Vestiários / refeitório funcionários

Fonte desenho: BARDI, Lina Bo; FERRAZ, Marcelo; SANTOS, Cecília Rodrigues dos. Sesc - fábrica da Pompéia. Portugal: Blau, 1996. 45


• High Line - Nova Iorque 2008

Fonte: https://br.pinterest.com/pin/425660602256761136/

O High Line Park era uma linha ferroviária desativada ociosa em Nova Iorque, uma cidade que não para, assim com São Paulo, em meio a discussões de retirá-la, criou-se um grupo que defendia a permanência da mesma, porém a transformaria em parque suspenso, com diferentes usos ao longo de sua extensão. Atualmente o local se tornou ponto turís46

tico e atrai pessoas de vários lugares, o qual se tornou uma das maiores áreas de lazer de Nova Iorque, com grande qualidade de vida. Há uma grande semelhança entre a situação urbana do High Line e do Minhocão, ambos estão inseridos em uma região consolidada e com infraestrutura, o que foi feito com o High Line, obviamente não cabe se fazer em São Paulo, por motivos políticos, eco-

nômicos e diferença de território, enquanto um é predominantemente industrial (NY), o outro apresenta população de baixa renda residindo em construções lindeiras ao viaduto só possível por conta da desvalorização, mas a essência do projeto se aplica à intervenção no Minhocão, o desejo de melhorar a qualidade de vida das pessoas através de uma infraestrutura preexistente.


7| Legislação incidente

Para início do desenvolvimento do projeto foi realizado um estudo sobre a legislação incidente no local, optando ou não pelas diretrizes estudadas a as respectivas reflexões urbanísticas 47


Os índices urbanísticos são diretrizes para o planejamento ordenado da cidade, portanto, a região do Minhocão faz parte do perímetro da Subprefeitura da Sé e as leis são expostas em mapas e tabelas, com respectivos comentários. O Minhocão está inserido dentro de 3 zoneamentos, conforme destacado no mapa, ZM=zona mista; ZCP=zona de centralidade polar; ZEIS=zona especial de interesse social, além de parte do perímetro pertencer a Operação Urbana Centro e a Macro área de Estruturação Metropolitana, especificamente no perímetro do Projeto do Arco Tietê, definido pelo Plano Diretor (Lei 16.050/2014), traduzido como “Além de ser uma área com condições propicias para a manutenção da população moradora e para a nova população desejada, através da oferta adequada de serviços, equipamentos e infraestrutura urbana, apresenta condições exemplares para a recuperação da qualidade dos sistemas ambientais e hidrológicos da cidade, especialmente o Rio, córregos e áreas vegetadas, articulando-os adequadamente com os sistemas de infraestrutura existentes, em especial a drenagem, o saneamento básico, a mobilidade e os novos padrões de urbanização vinculados a critérios de sustentabilidade” (Gestão Urbana).

ZM - 3b ZEIS 3

ZCP - b

Mapa uso e ocupação do solo - Subprefeitura Sé Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/desenvolvimento_urbano/legislacao/planos_regionais/index.php?p=1897 48


Como os projetos de intervenção urbana podem ser viabilizados a partir da concessão das operações urbanas, foi feito um estudo a partir dos índices urbanos da Operação Urbana Centro e do zoneamento da Subprefeitura da Sé, apresentados a seguir. • Operação Urbana Centro Parágrafo único - A Operação Urbana Centro tem como diretrizes urbanísticas:

Perímetro da macroárea Fonte: http://gestaourbana.prefeitura.sp.gov.br/wp-content/uploads/2013/10/PDE_Mapa2_Macroareas.jpg

- A abertura de praças e de passagens para pedestres no interior das quadras; - O estímulo ao remembramento de lotes e à interligação de quadras mediante o uso dos espaços aéreo e subterrâneo dos logradouros públicos; - A disciplina do espaço destinado ao transporte individual e a adequação dos espaços destinados ao transporte coletivo; - O incentivo à não impermeabilização do solo e à arborização das áreas não ocupadas; - A conservação e restauro dos edifícios de

interesse histórico, arquitetônico e ambiental, mediante instrumentos apropriados; - A composição das faces das quadras, de modo a valorizar os imóveis de interesse arquitetônico e a promover a harmonização do desenho urbano. IV. Não serão computadas para efeito do cálculo do coeficiente de aproveitamento e dispensadas também das exigências de estacionamento, mesmo que conjugadas a outras categorias de uso, as áreas destinadas a: - Salões de Festas

Perímetro Operação Urbana Centro Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/desenvolvimento_urbano/sp_urbanismo/arquivos/ouc/ ouc_perimetro.jpg

49


- Cinemas - Teatros e Anfiteatros - Salas de espetáculos - Auditórios para convenções, congressos e conferências - Museus - Creches - Educação e cultura em geral; V- As áreas de pavimentos destinadas à fruição pública como circulação de pedestres, localizadas no pavimento térreo ou em pavimentos correspondentes à soleira de ingresso da edificação no nível dos logradouros públicos, não serão computadas para efeito de cálculo de coeficiente de aproveitamento; Fonte: Lei 12.349 de 6 de junho de 1997.

• Uso e ocupação do solo Sub Sé ZM 3b - CA = 2 | TO = 0,5 | AP = 0,15 ZCP b - CA = 2 | TO = 0,7 | AP = 0,15 A proposta de intervenção busca um programa espraiado mas que contenha uma relação de unidade, portanto, a legislação adotada foi a da Operação Urbana Centro, por mais que a área da operação não englobe o perímetro todo, acredita-se na possibilidade da criação de uma espécie de “Operação Urbana Minhocão” que possua características únicas para esta área de intervenção se 50

o uso proposto for destinado à cultura, educação, esportes e espaços públicos. A possibilidade de idealização dos projetos segundo a lei de Uso e Ocupação do solo, faria com que edifícios fossem restringidos de conexão e fruição pública entre os mesmos e o Minhocão, perdendo a essência da intervenção. Como a lei da Operação Urbana incentiva a construção de edifícios voltados para cultura e educação, as exigências padrões de recuos, limite de gabarito, taxa de ocupação máxima do lote, entre outras, não são exigidas. Além de adotar a legislação da Operação Urbana Centro para o desenvolvimento do projeto, adota-se também algumas das principais vertentes e estratégias contidas no Plano Diretor Estratégico, são elas: utilizar terrenos que não cumprem a função social da propriedade, como terrenos de estacionamento ou com 60% da área desocupada há mais de um ano; assegurar o direito à moradia digna para quem precisa, com área destinada a implantação de Habitação de Interesse Social; priorizar o transporte público e melhorar a mobilidade urbana; qualificar a vida urbana dos bairros, com fachada ativa, rede de equipamentos urbanos e sociais, áreas verdes e espaços livres; incorporar o espaço ambiental ao desenvolvimento da cidade; preservar o patrimônio e valorizar as iniciativas culturais, assim como a proposta de projeto

de implantação de polos de cultura e arte. O novo Plano Diretor Estratégico, visa a produção da cidade com ênfase nas pessoas, o qual se resume com a frase inicial “SP + humana, SP + moderna, esse é o nosso plano”, um incentivo à produção e escolha do tema. A cidade está saturada de construções e especulação imobiliária, falta incentivo nas redes realmente necessárias para uma cidade de todos, como no transporte público, áreas verdes, calçadas com qualidade de passeio, iluminação pública e conscientização dos paulistanos de que a cidade é sua, é nossa.


8| Diretrizes para intervenção

Após todos os levantamentos e estudos sobre a área, as análises começaram a se concretizar em resultados físicos, neste capítulo é apresentada as decisões iniciais de projeto no Minhocão. O ensaio projetual buscou tratar questões de conexão e circulação entre o existente e o proposto, tratando o Minhocão como parte indispensável para os novos edifícios, compondo uma relação única de unidade ao longo da extensão do projeto. 51


8.1| Definição dos pontos de circulação e iluminação

Rasgos para entrada de iluminação natural

Lazer

52

100

0

100

200

300

400 m


Acessos existentes mantidos

Pontos de ligação com o baixio

Visto que o local será reformulado para uso exclusivo de pessoas e veículos não motorizados, estimouse pontos estratégicos para conexão entre o elevado e a cota da rua de acordo com os pontos de concentração de pessoas e pontos de transporte público (diagrama apresentado no capítulo 4), facilitando a fruição de um espaço ao outro prevendo acessibilidade através de elevadores. Outro desafio em relação à intervenção é que o Minhocão possui uma grave falta de iluminação natural em seu baixio, por conta da sombra da grande estrutura elevada e dos edifícios do entorno, para amenizar tal impacto, rasgos são propostos na estrutura do Elevado em pontos identificados como mal iluminados na parte inferior, através de levantamento e visita à campo, e localizados também a partir dos enquadramentos de paisagens urbanas, como mostra o mapa da página 38.

Fonte: Base MDC / Diagrama: autoria própria N 53


• Ensaio para proposta de circulação e transição

SEÇÃO TIPO

ESQUEMA ILUSTRATIVO 54


• Ensaio para proposta de iluminação natural

SEÇÃO TIPO

Viga forma uma pérgola

Área iluminada com a abertura ESQUEMA ILUSTRATIVO 55


8.2| Definição dos pontos de intervenção e programa geral Edifício galeria

Edifício educacional

Lazer

Lazer

100 56

0

100

200

300

400 m


Edifício de teatro e artes Lazer

Neste mapa apresenta-se a escolha dos terrenos para intervenção e o uso destinado a cada um deles, buscando implantar equipamentos de caráter educacional e cultural. As áreas destinadas ao lazer são livres de imposição de uso do espaço, permitindo assim uma apropriação e ativação do espaço espontaneamente, porém, são implantados equipamentos de apoio como bancos, contâiners, coberturas e jardineiras para porporcionar qualidade ao espaço. Os terrenos escolhidos são, em sua maioria, estacionamentos, ou seja, são terrenos subutilizados com coeficiente de aproveitamento abaixo do mínimo. A seguir será apresentado um estudo de composição dos programas no Minhocão e as características físicas dos lotes selecionados para intervenção.

Edifício estúdio residência

Fonte: Base MDC / Diagrama: autoria própria N

Lazer

57


Estudo de distribuição do programa

58


R.

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Teatro Paiol

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Do

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Itu

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r

Os terrenos em questão apresentam características positivas para remembramento, sendo que o lote do edifício estúdio utiliza o térreo para fruição pública de uma rua à outra, onde o trecho escolhido está ao lado de um teatro existente, fortalecendo a implantação de estúdios para moradia temporária. O programa do edifício de teatro e artes é composto por um teatro, espaços de convivência, salas de ensaio, espaço expositivo e oficinas, apoiando, como infraestrutura adicional, o Teatro Paiol existente. Para início de estudo, possibilidades de implantação, volume e forma dos edifícios foram estudadas, resultando em uma construção de pensamento e aplicação de premissas relatadas desde o início do trabalho, apresentado em croquis.

Ja gu ar ib e

• Edifício de teatro e artes | Edifício estúdio

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m

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Localização dos terrenos de intervenção e situaçaõ atual de cada Fonte: Base MDC / Diagrama: autoria própria Imagens: Google street view

N

59


Estudo de implantação e forma

60


• Edifício galeria

Praça Marechal Deodoro

Castelinho da Rua Apa R. Gen

Marco

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algado

Alamed

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a Nothm ann

. Júlio

R. Apa

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A escolha do terreno para implantação do edifício galeria se deu pela proximidade com o metrô Marechal Deodoro e por estar localizado ao lado do “Castelinho da Rua Apa”, construção histórica degradada, podendo futuramente ser restaurada para auxiliar o uso da galeria. O programa engloba espaço para ateliês e de exposição, além de área comercial, restaurwante e espaços de convivência, contendo também área para projeção na empena cega exterior. Atualmente o lote de escolha é um estacionamento de veículos, proporcionando fatores positivos para a implantação do edifício.

o Silva o Joã sta e Av. Sã te Co n e id s o Pre levad

E

R. das Palmeiras

Localização dos terrenos de intervenção

N

Fonte: Base MDC / Diagrama: autoria própria Imagens: Google Earth street view 61


Estudo de implantação

62


• Edifício educacional

Faculdade Oswaldo Cruz

o Almeida Prad

R. Brg Galvão

Brot

ero

R. Olímpia de

Faculdade Faiter

R. C

lh onse

eiro

O edifício educacional foi implantado com o intuito de promover espaço de estudos para os equipamentos de educação que se localizam próximo ao terreno escolhido, como faculdades e colégios. O programa inclui auditório para palestras e pequenas apresentações, biblioteca, café, espaço de exposição e salas de aula, servindo de apoio aos equipamentos existentes. Atualmente o terreno não possui construção, sendo que este está designado para a construção de um edifício residencial, sendo selecionada apenas uma parcela do lote para o projeto.

R. Ma

Andra

de

e Costa sidente re P o eira Elevad da Silv mpio lí O . n Av. Ge

Silva

utor R. Do

iel d Gabr

Universidade Guarulhos

an os S

tos

rio de

Localização dos terrenos de intervenção Fonte: Base MDC / Diagrama: autoria própria Imagens: Google Earth street view

N

Escola de idiomas

Academia Internacional de Cinema

63


64


9| Elevado para pessoas

Conexþes urbanas no espaço de lazer

65


PROGRAMA DE INTERVENÇÃO NO ELEVADO Rasgo na cobertura para entrada de iluminação natural Circulação / transição entre a cota da rua e o elevado Implantação de mobiliário urbano | bancos, rede, cobertura, deck Piscina Proposta de vegetação | Resedá, Jabuticabeira Espaço para feiras eventuais

PROGRAMA DE INTERVENÇÃO NO BAIXIO Rasgo na cobertura para entrada de iluminação natural Circulação / transição entre a cota da rua e do elevado e vestiários f|m com paraciclo Implantação de mobiliário urbano | bancos

Ciclovia N

50 66

0

50

100

Edifício educacional


Edifício galeria

Edifício estúdio Edifício de teatro e artes

67


EdifĂ­cio de Teatro e Artes


PLANTA 2º SUBSOLO_NÍVEL 739.00 01_Rampa de acesso ao foyer, nível 742.50 02_Teatro com 186 lugares | 210 m² 03_Camarim | 60 m²

01 02

03

Área do terreno | 590 m² TO | 435 m² - 73% Escala 1:500 5

0

5

10 69


PLANTA 1º SUBSOLO_NÍVEL 742.50 01_Rampa de acesso ao auditório, nível 739.00 01

02_Foyer | 90 m² 03_Rampa de acesso ao térreo, nível 746.00 04_Jardim | 20 m²

02

05_Bilheteria | 75 m² 06_Depósito | 40 m²

03

04

05

06

Escala 1:500 5 70

0

5

10


PLANTA TÉRREO_NÍVEL 746.00

Rua Marquês de Itu

01_Recepção | 25 m² 07

02_Café | 135 m² 03_Espaço público | 100 m² 04_Ponto de ônibus

04

05_ Paraciclo 06_Vestiário f|m|pne 07_Rampa de acesso ao 1º pavimento, nível 749.50 08_Café - Recepção | 160 m²

05

06

01

08

03

04

Avenida Amaral Gurgel

02

Escala 1:500 5

0

5

10 71


PLANTA 1º PAVIMENTO_NÍVEL 749.50 01_Espaço para exposições e convivência | 240 m² 02_Rampa de acesso ao térreo, nível 746.00 03_Espaço de convivência | 160 m²

02

03 01

Escala 1:500 5 72

0

5

10


PLANTA 2º PAVIMENTO_NÍVEL 753.00 01_Espaço com laboratórios e área de convivência 190 m² 02_Acesso ao Minhocão 03_Área para estudos | 480 m² 04_ Recepção | 160 m² 05_Espaço público e mobiliário urbano 03

02 04 02 01 05

Escala 1:500 5

0

5

10 73


PLANTA 3º PAVIMENTO_ NÍVEL 756.50 01_Espaço com laboratórios e área de convivência 240 m² 02_Sala de ensaio | 110 m² 03_Área de convivência | 450 m² 04_Sala de ensaio | 50 m² cada 05_Vestiários f|m 02

03

04

04

01 05

Escala 1:500 5 74

0

5

10


PLANTA 4º PAVIMENTO_NÍVEL 760.00 01_Espaço com laboratórios e área de convivência 190 m² 02_Área de convivência | 450 m²

02 01

Escala 1:500 5

0

5

10 75


PLANTA 5º PAVIMENTO_ NÍVEL 763.50 01_Espaço com laboratórios e área de convivência 240 m² 02_Sala de ensaio | 110 m² 03_Área de convivência | 450 m² 04_Sala de ensaio | 50 m² cada 05_Vestiários f|m 02

03

04

04

01 05

Escala 1:500 5 76

0

5

10


PLANTA 6º PAVIMENTO_NÍVEL 767.00 01_Espaço com laboratórios e área de convivência 190 m² 02_Área de convivência | 450 m²

02 01

Escala 1:500 5

0

5

10 77


PLANTA 7º PAVIMENTO_NÍVEL 770.50 01_Espaço com laboratórios e área de convivência 240 m² 02_Transição entre edifícios e espaço contemplativo 190 m² 03_Área de convivência | 540 m² 04_Administração | 50 m² 04

05

05_Diretoria | 50 m²

02 03 01

Escala 1:500 5 78

0

5

10


CORTE AA Escala 1:500 5

0

5

10 79


CORTE BB Escala 1:500 5 80

0

5

10


CORTE CC Escala 1:500 5

0

5

10 81


ELEVAÇÃO 01

ELEVAÇÃO 02 Escala 1:500 5 82

0

5

10


83


Edifício Estúdio


03 01 01

04

01

Avenida Dr. Cesário Mota Jr.

Avenida Amaral Gurgel

02

PLANTA TÉRREO_NÍVEL 746.00

01_Fruição pública

03_Recepção | 25 m²

02_Rampa de acesso ao 1º pavimento, nível 749.50

04_Mobiliário urbano e balanço

03 01 02

PLANTA 1º PAVIMENTO_NÍVEL 749.50

04

Área do terreno | 907 m²

01_Café | 295 m²

TO | 420 m² - 46%

02_Rampa de acesso ao térreo, nível 749.50 03_Recepção | 25 m² 04_Rampa de acesso ao 2º pavimento, nível 753.00

5

0

Escala 1:500

5

10

85


01

05

02 04

03

PLANTA 2º PAVIMENTO_NÍVEL 753.00

01_Recepção | 25 m²

04_Acesso ao Minhocão

02_Café e espaço público | 460 m²

05_Deck de madeira

03_Rampa de acesso ao 1º pavimento, nível 749.50

01 01 01

PLANTA PAVIMENTO TIPO_NÍVEL 756.50 AO NÍVEL 770.50

02

03

01_Estúdio | 30 m² 02_Área de convivência | 120 m² 03_Apartamento | 70 m²

Escala 1:500 5

86

0

5

10


CORTE AA Escala 1:500 5

0

5

10 87


774.00 770.50 767.00 763.50 760.00 756.50 753.00 749.50 746.00

CORTE BB | ELEVAÇÃO 01 Escala 1:500 5 88

0

5

10


EdifĂ­cio Galeria


02 02

03 04

03

05

Ru a

Ap

a

04

05

01

01

Avenida São João 06

90

PLANTA TÉRREO_NÍVEL 742.00

PLANTA 1º PAVIMENTO_NÍVEL 745.50

01_Rampa de acesso ao 1º pavimento, nível 745.50

01_Rampa de acesso ao térreo, nível 742.00

02_Livraria |160 m²

02_Espaço comercial | 110 m²

03_Recepção | 60 m²

03_Recepção | 30 m²

04_Café | 130 m²

04_Espaço comercial | 35 m²

05_Espaço público e eventos | 500 m²

05_Espaço expositivo | 130 m²

06_Mobiliário urbano

Escala 1:500 5

0

5

10

Área do terreno | 1.712 m² TO | 1.057 m² - 61%


03 03

02

04

04

01 02

05

05

01

06

PLANTA 2º PAVIMENTO_NÍVEL 749.00

PLANTA 3º PAVIMENTO_NÍVEL 752.50

01_Acesso ao Minhocão

01_Oficinas de arte | 280 m²

02_Restaurante | 500 m²

02_Espaço expositivo | 180 m²

03_Cozinha | 100 m²

03_Oficina de arte | 170 m²

04_Espaço expositivo | 220 m²

04_Área de convivência | 220 m²

05_Parede para projeção 06_Espaço público e mobiliário urbano

05_Parede para projeção

Escala 1:500 5

0

5

10 91


02

01 03

02 04

03

01

PLANTA 4º PAVIMENTO_NÍVEL 756.00

PLANTA 5º PAVIMENTO_NÍVEL 759.50

01_Varanda | 440 m²

01_Oficina de arte | 170 m²

02_Oficina de arte | 170 m²

02_Espaço expositivo | 90 m²

03_Espaço expositivo | 90 m²

03_Espaço de convivência | 125 m² Escala 1:500

04_Espaço de convivência | 125 m² 5 92

0

5

10


01 02

01

03

02 03

PLANTA 6º PAVIMENTO_NÍVEL 763.00

PLANTA 7º PAVIMENTO_NÍVEL 766.50

01_Oficina de arte | 170 m²

01_Administração | 40 m²

02_Espaço expositivo | 90 m²

02_Diretoria | 40 m²

03_Espaço de convivência | 125 m²

03_Espaço de convivência | 220 m² Escala 1:500 5

0

5

10 93


CORTE AA Escala 1:500 5 94

0

5

10


770.00 766.50 763.00 759.50 756.00 752.50 749.00 745.50 742.00

CORTE BB Escala 1:500 5

0

5

10 95


ELEVAÇÃO 01 Escala 1:500 5 96

0

5

10


97


EdifĂ­cio Educacional


Rua Olímp

PLANTA TÉRREO_NÍVEL 765.00

ia de Alme

ida Prado

01

02

03

04

05

Avenida General Olímpio da Silveira

01_Recepção | 35 m² 02_Café | 130 m² 03_Camarim | 15 m² 04_Auditório com 116 lugares | 230 m² 05_Jardim | 60 m² 06_Mobiliário urbano

06

PLANTA 1º PAVIMENTO_NÍVEL 768.50 01_Área de convivência | 100 m² 02_Recepção | 50 m² 03_Rampa de acesso ao Minhocão, nível 772.00 01 02

03

Área do terreno | 745 m² TO | 680 m² - 80% Escala 1:500 5

0

5

10 99


PLANTA 2º PAVIMENTO_NÍVEL 772.00 01_Área de convivência | 40 m² 04

01

02_Área expositiva |120 m² 03_Acesso ao Minhocão (cobertura do auditório) 04_Redário, espaço de estar

03 02

PLANTA 3º PAVIMENTO_NÍVEL 775.50 01_Controle da biblioteca | 40 m² 02_Espaço de leitura informal | 120 m²

01

03_Palco para encenações | 15 m² 04_Biblioteca | 325 m² 02

03

04

Escala 1:500 5 100

0

5

10


PLANTA 4º PAVIMENTO_NÍVEL 779.00 01_Roda de leitura, espaço de leitura | 100 m² 02_Sala para manutenção de acervo | 15 m² cada

02

03_Biblioteca | 190 m²

03

01

02

03

PLANTA 5º PAVIMENTO_NÍVEL 782.50 01_Área de convivência | 160 m² 02_Sala de aula | 40 m² cada 03_Sala de aula | 50 m² cada 01 02

03

03

02

Escala 1:500 5

0

5

10 101


PLANTA 6º PAVIMENTO_NÍVEL 786.00 01_Área de convivência | 160 m² 02_Sala de aula | 90 m² cada

01 02

02

PLANTA 7º PAVIMENTO_NÍVEL 789.50 01_Área de convivência | 160 m² 02_Sala de aula | 90 m² 03_Administração e diretoria | 90 m² 01 02

03

Escala 1:500 5 102

0

5

10


CORTE AA Escala 1:500 5

0

5

10 103


793.00 789.50 786.00 782.50 779.00 775.50 772.00 768.50 765.00

CORTE BB | ELEVAÇÃO 01 Escala 1:500 5 104

0

5

10


105


Ampliações das intervenções no elevado e baixio

AMPLIAÇÃO 01

N

50 106

0

50

100

AMPLIAÇÃO 02


AMPLIAÇÃO 03

AMPLIAÇÃO 04

AMPLIAÇÃO 05

107


Ampliação 01 Circulação

Escala 1:500 5 108

BAIXIO

ELEVADO

0

5

10


Ampliação 02 Piscina

BAIXIO

ELEVADO

Escala 1:500 5

0

5

10 109


Ampliação 03 Rasgo para entrada de iluminação natural e mirante

BAIXIO

ELEVADO

Escala 1:500 5 110

0

5

10


111


Ampliação 04 Mobiliário urbano | deck - banco

BAIXIO

ELEVADO

Escala 1:500 5 112

0

5

10


113


Ampliação 05 Vegetação

Escala 1:500 5 114

0

5

10


115


118


10| Ponderaçþes finais

119


O ensaio urbano sobre possíveis intervenções no Minhocão ressaltou em um novo olhar sobre a cidade, a qual sofreu um grande impacto negativo com a construção do mesmo e, atualmente, em determinados horários, oferece um espaço público contínuo por 2,8 km de lazer e atividades ao ar livre. As possibilidades de intervenção urbana são inúmeras, chegando a conclusão de que não há uma única certa ou uma única errada, mas há escolhas que fazem com que os lugares se transformem em busca da qualidade de espaço para pessoas, transparecendo assim os ideais como arquiteta e urbanista. Os valores que o Minhocão criou perante a cidade são muitos, atendendo diversos grupos da sociedade, como a ocupação pela população de baixa renda dos edifícios lindeiros ao viaduto, a transição automatizada da região do centro à região oeste da cidade e o lazer nos momentos em que esta grande aberração urbanística se torna alegria e diversão para muitos paulistanos, são opostos que fazem com que o Elevado simbolize tanto a cidade negativa quanto a positiva e com prósperas possibilidades de melhoria para a vida da população. As decisões de projeto apontam para uma cidade pensada no coletivo, para todos, com infraestrutura mínima para transformar este cenário tão questionado. Ainda com as diretrizes adotadas, a intervenção busca criar uma melhor relação com a cidade, com o nível da rua e o nível do viaduto, propondo então pontos estratégicos de circulação e rasgos para iluminação natural que buscam amenizar tal questão, além de enquadrar paisagens urbanas até então vistas como “cotidiano”, mas que contam um trecho da história de São Paulo. A área de estudo do Minhocão fez com que fosse notado que o mesmo não é uma parcela particular da cidade, a grande 120

obra faz parte da malha urbana e faz parte da cidade como um todo, expandindo os entendimentos sobre o urbano e a cidade. O Minhocão refletiu e ainda reflete momentos históricos e autoritários da década de 1970 e hoje, a apropriação espontânea das pessoas reflete as vontades da população, transformando tal visão em eventos e aspirações que não se limitam ao perímetro espacial do Minhocão, mas sim faz com que esse seja parte de um debate sobre transformação urbana, sobre que tipo de cidade queremos no futuro.


11| ReferĂŞncias consultadas

121


• Livros • VILLAÇA, FLÁVIO; FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Espaço intra-urbano no Brasil. 2. ed. São Paulo: Studio Nobel: FAPESP, 2005. • JACOBS, Jane. Morte e vida de grandes cidades. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2003. • LEFEBVRE, Henri. O direito a cidade. São Paulo, SP: Documentos, 1969. • GEHL, Jan. Cidades para pessoas. 2. ed. São Paulo. Ed. Perspectiva, 2014. • MAIA, Prestes. Os melhoramentos de São Paulo. [São Paulo]: [s.n.], 2010. • CAMINHOS do elevado: memória e projetos.. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008. • ROCHA, Paulo Mendes da; ARTIGAS, Rosa. Paulo Mendes da Rocha: projetos 1957-1999. 3. ed. São Paulo: CosacNaify, 2006. • KOOLHAAS, Rem. La ciudad genérica. Barcelona: Gustavo Gili, 2006.

• Periódicos • CHAUÍ, Marilena. Revisão para revista Caramelo n. 11. • SIQUEIRA, Marina Toneli. Entre o fundamental e o contingente:dimensões da gentrificação contemporânea nas operações urbanas em São Paulo. Cadernos da metrópole. São Paulo, v. 16, n. 32, pp. 391-415, nov 2014. • SMITH, Neil. Gentrificação, a fronteira e a reestruturação do espaço urbano. GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 21, pp. 15 - 31, 2007. • SMITH, Neil. Gentrificação, a fronteira e a reestruturação do espaço urbano. GEOUSP - Espaço e Tempo, São Paulo, Nº 21, pp. 15 - 31, 2007

• Leis • São Paulo (cidade). Prefeitura do Município de São Paulo - PMSP. Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo: lei municipal nº 16.050, de 31 de julho de 2014; texto da lei ilustrado. São Paulo: PMSP, 2015. • São Paulo (cidade). Prefeitura do Município de São Paulo - PMSP. Zoneamento da cidade de São Paulo: lei municipal nº 13.885, de 25 de agosto de 2004. • São Paulo (cidade). Prefeitura do Município de São Paulo - PMSP. Operação Urbana Centro: lei nº 12.349, de 06 de junho de 1997.

122


• Sites • Histórico demográfico do município de São Paulo. Prefeitura de São Paulo. Disponível em <www.smdu.prefeitura.sp.gov.br>. Acesso em 02.03.2015. • NASCIMENTO, Douglas. Seja bem-vindo, Minhocão! São Paulo antiga, 14.08.2014. Disponível em <www.saopauloantiga.com.br>. Acesso em 02.03.2015. • LAMAS, Julio. Afinal, o que será do Minhocão? Planeta sustentável, 18.08.2014. Disponível em <www.planetasustentavel.abril.com. br>. Acesso em 10.03.2015. • ANELLI, Renato Luiz Sobral. Redes de Mobilidade e Urbanismo em São Paulo: das radiais/perimetrais do Plano de Avenidas à malha direcional PUB (1). Vitruvius, 07.03.2007. Disponível em <www. vitruvius.com.br>. Acesso em 11.03.2015.

• MEKARI, Danilo; NOGUEIRA, Pedro. Viaduto, parque ou demolição: o que São Paulo fará com o Minhocão? Portal Aprendiz, 05.12.2014. Disponível em <www.portal.aprendiz.uol.com.br>. Acesso em 07.04.2015. • GAETE, Constanza Martínez. 6 cidades que trocaram suas rodovias por parques urbanos. Archdaily, 25.04.2015. Disponível em <www.archdaily.com.br>. Acesso em 13.04.2015. • Athos Comolatti, Paulo von Poser e Wilson Levy: A cidade e o parque Minhocão. Folha de São Paulo, 05.03.2014. Disponível em <www1.folha.uol.com.br>. Acesso em 16.04.2015. • GUTH, Daniel. Minhocão: Por que? Como? Quando? Será?. Brasil Post, 29.04.2014. Disponível em <www.brasilpost.com.br>. Acesso em 04.05.2015.

• Minhocão: 3,4 km de extensão e 40 anos de polêmicas. O Estado de São Paulo, 25 de janeiro de 2011. Disponível em <www.estadao. com.br>. Acesso em 12.03.2015.

• LEVY, Wilson. Parque Minhocão - Cidade e democracia: novas perspectivas. Vitruvius, fev. de 2015. Disponível em <www.vitruvius. com.br>. Acesso em 14.05.2015.

• SACONI, Rose. Como era São Paulo sem o Minhocão. O Estado de São Paulo, 31 de maio de 2013. Disponível em <www.estadao. com.br>. Acesso em 15.03.2015.

• BARBOSA, Eliana R. de Queiroz. Minhocão e suas múltiplas interpretações. Vitruvius, ago. de 2012. Disponível em <www.vitruvius. com.br>. Acesso em 18.05.2015.

• Elevado, o triste futuro da avenida. Jornal o Estado de São Paulo, São Paulo, p. 23, 01 dez. 1970. Disponível em <www.acervo.estadao.com.br>. Acesso em 15.03.2015.

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• Anexo I Deterioração

Castelinho da Rua Apa - Construção histórica Fonte:acervo pessoal

Edifícios degradados Fonte:acervo pessoal

Congestionamento constante Fonte:http://f.i.uol.com.br/folha/homepage/images/10347490.jpeg

Moradores de rua na parte inferior do Minhocão Fonte:https://www.epochtimes.com.br/brasil-capitalismo-ricos-socialismo-pobres/

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Alagamento no viaduto Fonte: http://msalx.veja.abril.com.br/2014/08/08/2053/mfRNb/chuvas-sp-01-gde-original.jpeg?1402458934


Qualidade

Apresentação de teatro - Grupo Esparrama Fonte:acervo pessoal

Feira gastronômica - Food Truck Fonte:acervo pessoal

Lazer e atividades físicas Fonte:acervo pessoal

Intervenção de Felipe Morozini (fotógrafo e artista plástico) Fonte:http://www.minhocao.com/2010_01_01_archive.html

Piscina no Minhocão Fonte:http://infograficos.estadao.com.br/uploads/galerias/10131/99929.jpg

Diversão Fonte:http://basurama.org/wp-content/uploads/2013/03/IMG_7424. jpg

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Intervenção urbana no Minhocão | TFG  
Intervenção urbana no Minhocão | TFG  
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