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W W W.V I VA - P O R T O . P T

Revista gratuita trimestral, março 2017

SKYDIVE Adrenalina está no sangue

PALÁCIO DA BOLSA

Uma instituição aberta à cidade

Álvaro Almeida “O Porto é a minha casa”


INVESTIMOS MAIS DE 6,8 MILHร•ES DE EUROS EM RESPONSABILIDADE SOCIAL Mais do que ajudar, investir numa sociedade melhor

Um banco mais prรณximo


E D I T O R I A L

PORTO MOLDA O SEU FUTURO Pela terceira vez, em cinco anos, a cidade do Porto foi eleita como Melhor Destino Europeu de 2017. Antes e depois não pararam de chover os elogios, nacionais e internacionais, tanto mais que este prémio acrescenta a um sem número de distinções alcançadas nos últimos anos. O portal norte-americano do The Huffington Post afirma que os portuenses estão entre as dez razões pelas quais o Porto é o melhor destino europeu deste ano. “Na minha primeira viagem à cidade, senti-me em casa instantaneamente, o que é uma sensação muito boa, mas também estranha. Como pode um estrangeiro sentir-se em casa numa cidade a que nunca foi? Principalmente porque as pessoas vão tratá-lo como um estrangeiro, mas nunca como um estranho”, escreve Sandra Henriques Gajjar. Também a Forbes, revista de negócios e economia norte-americana, explica porque é que o Porto é a cidade a visitar em 2017. Assinado pela jornalista Angelina Villa-Clarke, o artigo garante que no Porto “há sempre algo para todos os gostos”. Eric Weiner, jornalista da BBC Travel, escreve que ao viajar e descobrir o Porto, depressa se encantou pela cidade dos azulejos, que é também mundialmente conhecida pelo seu famoso vinho do Porto e pela vibrante arte que invade as suas ruas. Salienta que “é uma cidade mágica”. A cidade já tinha sido considerada o melhor destino romântico do mundo, pelo jornal norte-americano US Today, devido ao seu vinho, arquitetura medieval e charme do velho mundo e uma das 10 cidades mais agradáveis (e económicas) da Europa pela revista francesa “Mon Nuage”. Mas a cidade, pujante de energia, está cheia de iniciativas até ao final de 2017. Entre outras, destaque para a realização do “Festival DDD – Dias da Dança”, evento anual dedicado à dança contemporânea, que se desenrola, em abril e maio, no Porto, Gaia, Matosinhos e para a cerimónia de entrega dos European Design Awards, também em maio. Em junho realiza-se o “NOS Primavera Sound”, festival cujo alcance extravasou já as fronteiras nacionais e, em setembro os céus de Porto e Gaia vão ser cruzados, a alta velocidade, pelos aviões da Red Bull Air Race, no que será o maior evento desportivo do ano, em Portugal. Também em setembro tem lugar o “BEAST”, Festival Internacional de Cinema dedicado aos filmes da Europa de Leste que vai colocar a cidade do Porto no centro do panorama cinematográfico europeu. A “Porto Water Innovation Week”, que decorre entre 24 de setembro e 1 de outubro, vai transformar a cidade na capital europeia da água e inovação, enquanto a 12 e 13 de outubro a cidade recebe o “TCT - Tomorrow Comes Today”, primeira edição da conferência internacional que juntará alguns dos principais e mais influentes protagonistas da indústria mundial da música, entre bandas, editoras discográficas, empresários, promotores, investidores e marcas. Finalmente, em novembro, realiza-se o “Fórum do Futuro” que traz ao Porto conhecimentos e vozes e dando atenção a problemas comuns na Europa, Médio Oriente, África ou América. José Alberto Magalhães Diretor de Informação REVISTAVIVA,MARÇO 2017


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PERFIL ÁLVARO ALMEIDA

PORTO: RECONSTRUIR A ALMA

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M ÁQ U I N A D O T E M P O TEATROS DO PORTO

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PA L ÁC I O DA B O L S A ABERTO À CIDADE

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NOITE BOÎTE

R EQ UA L I F I CAÇÃO CAMPANHÃ

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TENDÊNCIAS VINIL

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S A N TA M A R I A D A F E I R A MECA DO TURISMO E CULTURA


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Com um currículo académico e profissional sólido e diversificado, tendo passado por cargos no FMI, na Entidade Reguladora da Saúde e na Administração Regional da Saúde Norte, Álvaro Almeida é uma personalidade do Porto que importa conhecer melhor. Numa fase claramente voltada para a política e intervenção na cidade que o viu nascer, damos a conhecer o trajeto deste economista que, apesar de ter passado pela azáfama de Washington DC, não esqueceu nunca as suas origens. A VIVA! conversou com o também docente na Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

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lvaro Almeida é professor associado da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP). É diretor do mestrado em Gestão e Economia de Serviços de Saúde da FEP, desde 2016, e foi presidente do Agrupamento Científico de Economia da FEP de 2011 a 2015. É também docente na Porto Business School (PBS). Todos os anos, Álvaro Almeida tem estado incluído na lista dos 20% de docentes que tiveram um desempenho pedagógico de excelência, lista divulgada pelo Conselho Pedagógico da FEP e construída com base nos resultados dos inquéritos aos estudantes sobre o desempenho dos professores. Por nomeação do ex-ministro da Saúde Paulo Macedo, foi coordenador da “Comissão de Acompanhamento da Reforma Hospitalar (2014-2015), presidente do Grupo de Trabalho “Turismo de Saúde” (2013); e membro da “Comissão Nacional para os Centros de Referência” (2014-2016). Foi coordenador de vários estudos na área da Economia da Saúde realizados pela FEP e pela PBS, para entidades como o Ministério da Saúde e instituições na sua dependência (Infarmed e ACSSS- Administração Central do Sistema de Saúde), Health Cluster Portugal, Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, Associação Nacional de Farmácias, e Ordem dos Enfermeiros. Recebeu a Medalha de Serviços Distintos, Grau “Ouro”, do Ministério da Saúde, atribuída em 7 de abril de 2014, pela prestação de serviços relevantes à Saúde Pública. Nasceu no Porto, cidade onde sempre viveu,

exceto nos seis anos em que esteve fora de Portugal (três anos em Londres e três anos em Washington). Com dois filhos, Álvaro Almeida é sócio do Futebol Clube do Porto, clube que por vezes acompanha nas deslocações internacionais. Falamos com Álvaro Almeida da sua infância e adolescência, do ambiente político pós 25 de Abril, do Futebol Clube do Porto de que é adepto fiel, do percurso académico, do doutoramento em Londres e da passagem por Washington e pelo FMI e, inevitavelmente, da política nacional e da cidade do Porto. Como recorda a sua infância e adolescência? Tecnicamente, entre os dois e os 20 anos, vivi fora do Porto, do lado de lá da Circunvalação. Mas fazia a vida toda nesta cidade. As escolas que frequentei eram do Porto. Muito da minha memória dessa altura era de andar entre Monte dos Burgos e o centro da cidade. Andei na escola Pêro Vaz de Caminha, que agora é um hotel, o Hotel das Artes. Passei muito tempo nos transportes públicos. Se me perguntar a imagem que guardo dessa altura, em grande parte é o tempo passado nos transportes, curiosamente. Era muito tempo. Eu passava uma, duas horas por dia nessa situação e depois como ia com muitos amigos, muitas das nossas diversões eram feitas à espera dos autocarros. Mas foi uma infância normal de uma criança que vivia numa zona limítrofe do Porto: Monte dos Burgos. Não é propriamente a zona mais abastada da cidade, mas também não era a mais desfavorecida. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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Como era o ambiente político e social nessa época? Comecei a ir para a Pêro Vaz de Caminha em 1974. E, portanto, lembro-me de um período de muita convulsão, também por isso a imagem dos transportes esteja associada. Porque havia muita agitação, muita confusão. Lembro-me de ouvir aviões a passar por cima da escola. Aulas interrompidas a meio. Os professores a aconselharem os alunos a ir para casa. Foi um período muito agitado. Mesmo no Rodrigues de Freitas, para onde fui a seguir, também foi muito agitado. Antes do 25 de Abril, não me lembro, era demasiado pequeno para me recordar. Mas com nove, dez anos já sabia dos riscos que estava a passar. Tive uma formação política muito acelerada. Porque vivia-se política de manhã à noite.

Joga à bola desde pequenino. Tem algum clube do seu coração? Sou adepto do FC Porto desde pequenino. A primeira vez que fui a um jogo de futebol foi pouco antes do Porto ser campeão. Nessa altura jogava futebol com os amigos na rua. Nessa época não havia as infraestruturas que temos hoje. Era aquele tipo de jogo de futebol em que se deixava um carro passar e retomava-se o jogo (risos). Porque estávamos literalmente no meio da rua. Portanto a minha vida nesse tempo era, basicamente, jogar futebol e estudar. O seu trajeto académico é descrito como brilhante. Fale-nos um pouco dele. Até entrar na faculdade não me destaquei propriamente. [pausa] Mas sim, sem falsas modéstias, sempre fui bom aluno, sempre tive boas notas. E sempre o fiz

com equilíbrio razoável entre trabalho e lazer. Isto é, nunca fui de estudar compulsivamente, só para ter a nota. As notas surgiam naturalmente, fruto de trabalho regular. Acho que a grande vantagem que eu tinha, e tenho, é que quando estou a fazer alguma coisa concentro-me. Nas aulas estava sempre muito atento, concentrado e absorvia a informação. Depois não exigia muito trabalho posterior, podendo ir brincar com os amigos. O seu percurso académico, bem sucedido, conduziu-o a importantes cargos, nomeadamente no FMI. Acha que esta instituição justifica o mau nome que tem entre nós? Mas quem é que tem mau nome? [pausa] Basicamente é a mesma coisa que os dentistas. Admito que sim, que tenha tão mau nome quanto os dentistas. Porque quando vamos ao dentista,


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“WASHINGTON É UMA CIDADE COMO EU GOSTAVA QUE O PORTO FOSSE EM ALGUNS ASPETOS.” os tratamentos não são agradáveis. Mas ninguém põe em causa que a função do dentista não seja essencial e nobre. É uma instituição que, na maior parte das vezes que se ouve falar dela, é efetivamente em situações de dificuldades, em situações em que o ‘dente’ está a doer fortemente. E depois o dentista tem que estar lá a mexer…. Os tratamentos implicam alguma dor. Mas a culpa não é de quem prescreve os medicamentos. A culpa é de quem deixou chegar o dente aquela situação. Eu andava na faculdade durante a segunda intervenção do FMI em Portugal. Estava a começar a escola secundária durante a primeira intervenção em Portugal do FMI e devo dizer que ao contrário do que a maior parte das pessoas pensava na altura, que andavam a escrever nas paredes ‘FMI, rua’, eu fui para Economia porque achei que era aquilo que eu gostava de fazer: auxiliar países em dificuldades, ajudando-os a recompor e melhorar a vida dos cidadãos. Eu fui para o FMI por acaso. Mas a razão pela qual fui estudar Economia, foi essencialmente porque gostava de fazer aquilo que enquanto jovem via ser implementado. Uma instituição que veio a Portugal, que ajudou os portugueses, a colocar a Economia em condições. Na segunda intervenção, a economia portuguesa teve um crescimento

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muito grande nos dez anos seguintes, devido precisamente ao sucesso dessa ação. E, portanto, contrariamente às outras pessoas sempre achei, desde o início, desde pequeno, que o FMI era uma instituição positiva, ao ponto de um dia querer trabalhar lá. Para mim, esse cariz negativo não bate certo. Completei a minha licenciatura, o mestrado, e comecei a dar aulas na Faculdade de Economia do Porto (FEP), entre outras atividades profissionais ao mesmo tempo. Numa primeira fase, no setor financeiro. Não era exatamente aquilo que eu queria. Tinha o bichinho do FMI. Então decidi fazer um doutoramento na London School of Economics. Felizmente aceitaram-me. Depois tive a sorte de ter como orientador um grande economista, Charles Goddard, que não só me ensinou muita coisa como abriu muitas portas.

e mais nada. Essa experiência de viver num país que, apesar de tudo, era diferente da Europa, foi engraçada. Washington é uma cidade por um lado, cosmopolita, porque que tem muitas instituições internacionais e, por outro lado, é a capital dos EUA, sendo tipicamente americana. Como foi desenhada a partir do nada está pensada com grandes espaços e muitas zonas para passear. É uma cidade muito agradável, como eu gostava que o Porto fosse em alguns aspetos. Uma cidade muito agradável para viver, onde se pode constituir família, contrariamente a Nova Iorque, que com crianças pequenas é um inferno. Foi também interessante do ponto de vista profissional pois a minha função era acompanhar vários países abarcados pelo FMI. Viajávamos para um país, estávamos lá uns tempos, conversávamos com as autoridades locais, outras vezes discutíamos com o governo local. Os programas que o FMI concebe têm uma componente económica, mas têm também política na medida em que têm que apresentar programas que as pessoas aceitem. A minha escola política foi aí.

Já no FMI, que balanço faz da experiência em Washington DC? Foi interessante a dois níveis. Primeiro, o viver numa cidade como Washington. Uma experiência diferente da vivida em Londres que é muito europeia e ainda por cima a duas horas de casa. Quando tinha saudades, metia-me no avião. Vinha cinco, seis, sete vezes por ano ao Porto. Em Washington era mais complicado. Só duas vezes por ano

Como presidente da Entidade Reguladora da Saúde, que desafios enfrentou? Foi algo totalmente diferente, mas uma experiência também muito interessante. A entidade foi criada, no papel, em dezembro de 2003, um pouco por imposição do então presidente da República, Jorge Sampaio. O órgão nasceu um pouco à força. Durante seis meses não aconteceu nada. Foi nomeado REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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tes. Mas no final do mandato, em 2010, acho que tínhamos uma instituição a funcionar em condições, ativa na defesa dos cidadãos, intervindo quando tinha que intervir. Missão cumprida? Diria que sim.

o primeiro conselho diretivo em 2004. E em fevereiro de 2005 houve eleições, ganhas pelo PS. Quando chegamos a entidade existia formalmente, mas ainda não tinha uma atividade significativa. Não tinha receitas próprias. Portanto tivemos que criar tudo. E fomos nós que demos corpo à Entidade Reguladora da Saúde. Essa experiência de criar uma instituição que, ainda por cima, era importante para defesa dos cidadãos pois defendia o interesse dos utentes de saúde

em geral, num contexto em que os operadores de mercado viam a entidade como uma instituição que estava a interferir na sua função. Há sempre uma ação de resistência à mudança. Era, portanto, um contexto difícil. E quando isso mete dinheiro está sempre o caldo entornado. Não foi fácil. Mas foi importante como experiência de gestão de mudança. Como conseguir colocar vários parceiros a trabalhar, num contexto em que estes se encontravam pouco colaboran-

Entretanto demitiu-se da Administração Regional de Saúde do Norte. Porquê? Saí da Entidade Reguladora da Saúde mas continuei a colaborar com várias instituições da saúde e muito ativamente com o então ministro Paulo Macedo. Depois ao fim de alguns anos fui para a Administração Regional de Saúde do Norte. Num concurso oficial fui selecionado. E da “short list” de três pessoas, Paulo Macedo escolheu-me. Trabalhei nove meses com o governo de então. Entretanto o governo mudou para aquela situação em que durou 20 dias e saiu Paulo Macedo. Depois foi nomeado este governo. Sabia que não estava perfeitamente alinhado em termos políticos com ele. Na primeira oportunidade que tive coloquei o meu lugar à disposição. Falei ao novo ministro que era importante a confiança mútua. Mas ele, nessa conversa, disse que tinha confiança em mim. Pediu-me para continuar, o que aceitei. No entanto, com o passar do tempo achei que o governo estava a tomar decisões altamente danosas para a saúde da região norte. Infelizmente demonstrou-se que


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tinha razão. Há uma série de problemas agora por resolver, causados pelas intervenções dessa altura. E, pouco tempo depois, decidi reconsiderar. E pedi mesmo a demissão por não concordar com o que estava a ser feito. Como vê a evolução da cidade do Porto nos últimos tempos? Esta é uma cidade fantástica. Sempre disse que era para aqui que tinha de voltar. Nunca pus a hipótese de voltar para outro lado, Esta é a minha casa. Mas nada impede que a cidade possa ser melhor. Já esteve melhor em vários aspetos, por exemplo, ao nível da mobilidade. O estacionamento está cada vez pior. De facto nos últimos três anos é caótico subir a Avenida da Boavista. E essa minha experiência diária, é uma impressão que outras pessoas também têm e que está demonstrada em estudos internacionais que provam que o trânsito no Porto está cada vez pior. Depois há o caos do estacionamento. Para fugir aos parcómetros as pessoas estacionam selvaticamente na cidade. Isso cria desequilíbrios. Porque com o estacionamento desorganizado, tudo isto vai ter também impacto no trânsito. Nas outras áreas também não se vê nada de relevante. A zona oriental é um bom exemplo. É uma área que podia ser muito melhor aproveitada. Não compreendo porque é que a reabilitação urbana não se alarga a outras zonas. Não pode ficar só no centro histórico. O Porto em termos económicos

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“NUNCA PUS A HIPÓTESE DE IR PARA OUTRO LADO. O PORTO É A MINHA CASA.” teve um bom progresso na área não apenas na ótica da procura, do turismo. Fora isso, a situação de qual a linha que rende mais. económica está cada vez pior. E se não temos atividade económi- O que o levou a uma intervenção ca forte, não temos emprego. As pública na Rádio Renascença e pessoas acabam por fazer aquilo no Porto Canal? que muitos dos meus alunos fa- Sempre gostei de mandar palpizem, emigrando no sentido lato… tes, desde pequeno. RapidamenPode ser apenas para fora do te os meus amigos habituaramPorto. Já não digo aqueles que -se a não discutir comigo. Gosto emigram mesmo. de discussão, de trocar ideias, do debate. As intervenções na Mencionou a questão da mo- Renascença e no Porto Canal bilidade na cidade. Como olha aconteceram porque alguém para os planos de expansão do achou que os meus debates demetro? viam de ser transpostos para Pois. Isso foi também uma desi- outro enquadramento. No Porto lusão. A Avenida da Boavista e a Canal é numa lógica ligeiramenRua do Campo Alegre são dois te diferente. Eu, como professor, infernos. Há mais de uma década sinto que tenho uma obrigaque se defende que a solução ção, que tenho o dever para a para o problema do trânsito na sociedade de retribuir com o zona ocidental do Porto era a meu conhecimento para que linha do metro do Campo Alegre. as pessoas percebam melhor Primeiro era a discussão se havia as questões económicas. Faço-o metro na Boavista ou não. Saber com todo o gosto e acho que que a linha do Campo Alegre é um dever. Quero desmistificar, não vai ser construída para já é desconstruir as coisas que são uma desilusão enorme. Aquela mal explicadas. E intervir no que era apontada por todos os espaço público. Porque acho peritos como a solução para o que havia um défice de diverproblema do trânsito na zona sidade de pontos de vista. Haocidental, está morta. Vamos ter bitualmente havia um “discurso muito trabalho a arranjar uma oficial”, talvez politicamente solução. É que o metro não correto. Sendo importante, a é apenas um meio de ganhar meu ver aparecer alguém com dinheiro. O metro é um instru- uma perspetiva diferente e que mento de planeamento urbano. ajudasse as pessoas a pensar. Ir Portanto tem que ser analisado, além dos títulos de jornais, porREVISTAVIVA, MARÇO 2017


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que estes são muitas das vezes enganadores. Podem levar as pessoas a pensar coisas erradas. Como vê a política nacional? Com muita preocupação. Embora independente, comecei a trabalhar com o Partido Social Democrata por uma simples razão: porque acho esta situação governativa perigosa para o país. Achei que depois de 51 anos a assistir a política, estava na altura de começar a ter uma atividade. Porque o único período em que tinha participado em manifestações políticas foi no pós 25 de Abril, nomeadamente na campanha de Freitas

do Amaral, em 1986. Considerei que nesse período estavam em causa princípios básicos como a liberdade, a democracia e a economia de mercado. Depois a partir daí considerei que a Democracia estava consolidada, que os princípios básicos não estavam em causa. Portanto segui a vida política de fora. Em fevereiro de 2016 constatei que os riscos voltaram. Não vou, claro, exagerar dizendo que voltamos aos tempos de 1975. Mas temos partidos, agora no poder, que vão contra esses princípios. Mesmo que agora disfarcem que está tudo bem, o facto é que o risco existe…

Porquê uma candidatura independente à Câmara do Porto? A candidatura surgiu porque decidi ter uma ação política e porque a minha cidade podia melhorar. Achei como cidadão do Porto que devia fazer o máximo para melhorar a cidade. A câmara não funciona em parte pela mesma razão que o governo não funciona. Os portuenses precisam de uma câmara que funcione. Hoje, vejo o Porto com alguma preocupação. O meu desejo, no fundo, é que os meus filhos possam continuar a viver no Porto, e com melhor qualidade de vida. Não vejo uma cidade virada para as famílias, em que avós, pais e netos sintam que é um local agradável para viver e não a abandonem, como fizeram mais de 10 mil pessoas nos últimos três anos. O Porto tem que ser economicamente forte e diversificado. É preciso que a Câmara crie as condições para que a sociedade consiga criar emprego que não dependa só do Turismo e que outros setores económicos ajudem a inverter o declínio observado na cidade nos últimos anos - o desemprego no Porto não teve a evolução positiva observada, por exemplo, no resto da Região Norte. O mesmo se pode dizer do aumento do seu PIB. Acho ainda que o Porto perdeu protagonismo como líder da Região; o seu papel como referência económica, social e política do Noroeste Peninsular esbateu-se e, mais grave, tenho visto sinais de abandono de uma certa solidariedade com os municípios vizinhos. Em resumo: vejo que a cidade tem tido uma imagem externa que, podendo contribuir para a autoestima do nosso amor pelo Porto, não corresponde, na prática, à preocupação que devia ter para com os que aqui vivem e trabalham, ou seja, para com os portuenses.


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Este prémio é da exclusiva responsabilidade da entidade que o atribuiu.

37%

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2º Banco

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200 anos de Teatro no Porto: o que mudou? Até antes da revolução de 1820, a classe média portuense conservou quase imutáveis os seus costumes, traduzidos essencialmente em passeios e festas de igreja. Em 1850 essa mesma sociedade andava em bailes, teatros, rendez-vous elegantes, conta-nos Artur de Magalhães Bastos, no seu livro “O Porto do Romantismo”. Esta afirmação prova que a cidade não era apenas mercantil em meados do século XIX... era também intelectual e artística. E os teatros, sejam em casas particulares ou em edifícios mais grandiosos, constituiram-se como um importante meio de difusão cultural, até aos dias de hoje.

Texto: Irene Mónica Leite

Texto: Raquel Andrade Bastos


TEATROS DO PORTO

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primeira grande sala de espetáculos do Porto surgiu em 1760 no antigo Largo do Corpo da Guarda. Trata-se do primeiro palco construído no Porto expressamente para a apresentação de espetáculos de teatro lírico. A descrição que dele existe apresenta-nos uma estrutura efémera instalada nas cocheiras do Palacete do Duque de Lasfões, na altura habitado por D. João de Almada e Melo, primo do marquês de Pombal e governador da cidade. Reza a história que na sua inauguração foi levada à cena uma ópera lírica para homenagear o casamento de D. Maria I com D. Pedro. O que é hoje o Teatro Nacional São João foi inaugurado a 13 de julho de 1798 pelo aniversário do Príncipe Regente D. João (futuro D. João VI). A estreia deste palco ficou à responsabilidade da companhia de Couto Guimarães, com o drama “Um auto de Gil Vicente”, num original de Almeida Garrett.

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SABIA QUE... A Rua da Fábrica foi, inclusive, palco de uma peça teatral da autoria de um tipógrafo. A rua era estreita, mas nada impediu a sua abertura à cultura. O teatro chamava-se Minerva e pertencia ao poeta David Castro, que era filho da baronesa de Nevogilde. David Castro era um apaixonado pelo ilusionismo e pelo teatro. O poeta e a esposa D. Sibilina de Castro formaram a Sociedade Dramática Moliére, de cujo elenco fez parte Gomes Coelho (Júlio Dinis). Às récitas desta sociedade só se assistia por convite e em traje de cerimónia. “Depois de velhos gaiteiros” e do drama “Cerração no mar”. Um êxito.

Os teatros em casas particulares: um fenómeno na vida portuense de outrora

O teatro no século XIX

O Porto no século XIX foi povoado por teatros. Mas atenção que não se tratava de uns teatros quaisquer. Eram casas particulares convertidas em encenação em que atuavam normalmente amadores. Criatividade não faltava e ainda bem. Na Rua dos Bragas, na casa de Francisco António de Lima, havia outra sala de espetáculos: o Teatro Apolo. Até na Rua dos Clérigos houve uma sala de espetáculos. Era o Teatro Melo. No entanto, não há dúvidas que o teatro particular mais importante da cidade foi o Teatro Ateneu Portuense, que se situava na residência de José Pereira de Sampaio, na rua do Bonjardim. Recorda-se a sua inauguração solene com a estreia da comédia

A revista foi um dos géneros mais populares desde finais do século XIX, com pequenas críticas aos costumes da aristocracia e da burguesia em plena ascensão, mas sempre com o cuidado de não ferir o seu próprio público. Dos autores de revistas e operetas destacam-se nomes como Arnaldo Leite, Luis Antero de Carvalho Barbosa e Heitor Campos Monteiro. De referir ainda que grande parte dos atores e atrizes nacionais que pisaram os palcos portuenses pertenciam a companhias lisboetas. No entanto, no Porto formaram-se algumas companhias como a Companhia Dramática Portuense e a Sociedade Dramática Portuense.

O CASO “BAQUET” Em 1859, António Pereira Baquet, proprietário de uma alfaiataria com o primeiro pronto a vestir da cidade do Porto, e grande amante das artes do espetáculo, decide financiar do seu bolso a construção de um teatro mesmo ao lado do seu estabelecimento comercial, batizando-o com o seu apelido. O Teatro Baquet situava-se na antiga Rua de Santo António (hoje rua 31 de Janeiro). A 21 de março de 1888 deflagrou um fulminante incêndio neste teatro. O edifício foi destruído por completo e motivou inúmeras mortes. Viveram-se momentos de horror, durante e após o incêndio, conforme relatou a imprensa da época. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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NAS ORIGENS DO TEATRO SÁ DA BANDEIRA O que é hoje o Teatro Sá da Bandeira foi inaugurado em 1877 com o nome de “Teatro Circo do Príncipe Real”, modificado em 1887 para “Teatro do Príncipe Real” e uma semana depois da implementação da república (1910) para a atual designação. Em julho de 1896, a sala acolheu em Portugal o primeiro filme, pelo método do animatographo com a película «Do electricista Sr. Rousby» e Aurélio da Paz dos Reis, em 12 de novembro do mesmo ano, ali apresentou o primeiro filme português. O emblemático teatro portuense já conta com 170 anos. O Teatro Sá da Bandeira começou por ser um barracão de madeira construído em 1846 pelo empresário espanhol José Toudon Ferrer Catalon, com o objetivo de nele realizar espetáculos circenses com cavalos.

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PALÁCIO DE CRISTAL TAMBÉM ACOLHEU TEATROS O Palácio de Cristal foi edificado no antigo Largo da Torre da Marca. Os jardins foram desenhados por Émile David, paisagista alemão. Na parede do fundo da nave central estava montado um órgão, considerado um dos melhores do mundo. Junto ao órgão havia um grande estrado onde depois foi montado o Teatro Popular. Várias companhias líricas italianas ali atuaram. Também companhias de Lisboa vieram representar aqui os seus espetáculos: a companhia Real de S. Carlos, com a “Aida”, Principe Real com a “Grã Duquesa de Geroslein”, entre outros. A imprensa da época e os vários comentadores teceram os maiores elogios a este empreendimento. No entanto, surgiram vozes discordantes, nomeadamente de Camilo Castelo Branco, que criticava não só o tipo de construção mas sobretudo o derrube de árvores que foi necessário fazer e a alteração provocada na fauna e na flora. Em 1868, para obter mais receitas que minorassem os problemas financeiros, a sociedade do Palácio de Cristal resolveu transformar a sala de espetáculos, inaugurando a 14 de abril desse ano o Teatro Gil Vicente, com capacidade para mil espectadores e que foi muito utilizado para concertos, especialmente pelo Orfeão Portuense. Tanto que a companhia Príncipe Real de Lisboa aqui representou as comédias “Troca de Noivos”, “Guardado está o bocado”, “Tudo pelas damas”, entre outras.


TEATROS DO PORTO

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O TEATRO DAS CARMELITAS (1865-1880) O Teatro das Carmelitas foi, em finais do século XIX, um autêntico viveiro de criatividade. Consta que era um barracão onde se exibiam feras, espetáculos de circo e de variedades, onde funcionou um restaurante e, vejam, também se fez teatro. No terreno da cerca do extinto Convento das Carmelitas foi construído em 1865 um barracão onde o francês Paulo Barnabó apresentou o seu conjunto de feras, o maior que até então viera ao Porto. Os irmãos José e Carlos Dallot mudaram-se para as Carmelitas em 30 de outubro de 1870 com o seu circo Dallot, atuando na companhia o famoso palhaço “Taínha”. Aí se mantiveram até 20 de março de 1872, data em que um incêndio destruiu o barracão. Foi, entretanto, construído outro barracão no mesmo lugar com melhores condições e de que foi empresário Ferreira Nunes, que acabou por falir. Tomou então conta do teatro o empresário Coelho Ferreira, que levou o projeto a bom porto. Em 1875 o barracão foi bastante melhorado e alugado à Sociedade Empresária Guilhermina Lima, Alves Rente e Silva Júnior que mudou o nome para “Teatro de Variedades” , dando início a um período de êxitos. Estiveram em cena peças bastante aclamadas pelo público, nomeadamente “Gaspar, o Serralheiro”, “Os carros americanos” ou “Os Crimes de Brandão”. Todavia, acabou tudo por sucumbir perante a concorrência, que oferecia melhores comodidades. O TEATRO CARLOS ALBERTO (TECA) Construído nos antigos jardins do Palácio do Barão do Valado, o teatro foi inaugurado a 14 de outubro de 1897 sob a invocação daquele ex-monarca. Alugado pela Secretaria de Estado da Cultura nos finais da década de 70 do século XX, adotou a designação de Auditório Nacional C.A. em 1980, tornando-se durante vários anos um decisivo pólo de divulgação de cinema. Tirando proveito da sua atividade, que criou um público cinéfilo e especializado, ali decorreram as primeiras edições do festival de cinema Fantasporto. Encerrado em 2000, foi adquirido pela Sociedade Porto 2001 e reaberto a 15 de setembro de 2003 sendo atualmente gerido pelo Teatro Nacional São João. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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O TEATRO NO SÉCULO XX O Teatro Nacional Portuense foi inaugurado em dezembro de 1913, por iniciativa de dois empresários: José Pinto Roque e César A. Cunha Santos. Ficava situado na rua Elias Garcia. “É uma linda sala de espetáculos como poucas temos visto até agora. A definição artística da sua iluminação, os reposteiros e estofos dos camarotes, verdadeiramente luxuosos, tudo é, enfim, de molde a felicitarmos a empresa por ter dotado a capital do norte com um teatro que é uma maravilha”, pode-se ler na revista Ilustração Portugueza de 22 de dezembro de 1913. Em 1923 seria objeto de obras e reinaugurado como Teatro Rivoli. O Salão Jardim da Trindade, como era designado em 1913, localizava-se na Rua do Almada. Fechou em 1989 para dar lugar a um Bingo, que funcionou até ao ano 2000. O Teatro Éden, por sua vez, situava-se na Rua de Alexandre Herculano. Este espaço ficou marcado pelo relevante papel que desempenhou no período da revolução monárquica de Janeiro de 1919. Consta que o teatro foi um ponto de encontro de simpatizantes da monarquia, sendo, por isso, escolhido de forma simbólica pelas forças republicanas como prisão e local de interrogatório. O Teatro Éden tornou-se posteriormente num cinema, sendo demolido em 1948. PÓS 25 DE ABRIL Em 1974, o Porto conta já com duas companhias de teatro profissional: o TEP e a Seiva Trupe-Teatro Vivo, uma companhia criada (no ano anterior) por elementos insatisfeitos com o trabalho daquela outra estrutura, e que virá a ter como núcleo identificador os nomes de Júlio Cardoso, António Reis e Estrela Novais. Como foi então característico da estratégia de quase todos estes grupos, encontrase a opção por um teatro mais diretamente político, muitas vezes próximo da prática brechtiana, durante tantos anos censurada em Portugal, e agora claramente recuperada ao serviço de um esforço de renovação política e social. No Porto, a década preenchida pela segunda metade da década de 70 e a primeira metade da de 80, fica marcada pela emergência de novos projetos, uns entretanto continuados e transformados, outros encerrados. De acrescentar, entre outros projetos, o TEAR (Teatro Estúdio de Arte Realista), que ficará na história do teatro português associado ao nome de Castro Guedes, um encenador cuja radicalidade experimental marcará a década de oitenta. Os trabalhos mais marcantes de Castro Guedes acabarão por ser as suas encenações dos textos vicentinos “Inês Pereira”, “Rapsódia Vicentina” e “O Velho da Horta” (entre 1981 e 1983), com o apoio dramatúrgico de Deniz Jacinto, e “Os Encantos de Medeia” (1983), de António José da Silva.


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A “REVOLUÇÃO” DO TEP Aquilo a que hoje chamamos “O Teatro no Porto” nasceu com o surgimento do TEP, nos anos 50. Antes desta data, o Porto foi, acima de tudo, espectador entusiasta de obras não só de teatro, mas também de ópera e opereta, vindas de fora (quer de Lisboa, quer do estrangeiro). A criação do Teatro Experimental do Porto (TEP) por iniciativa de um grupo de pessoas ligadas à cultura na cidade, que conseguiram convencer António Pedro, escritor, artista plástico e homem de teatro, a assumir a direção artística do projeto, foi um marco na história do teatro portuense. Acima de tudo, o TEP evidenciava uma grande articulação entre a arte e a sociedade. De destacar as encenações de “Morte de um caixeiro viajante” e as estreias absolutas de “A promessa” (1957) e de “O Crime de Aldeia Velha” (1959) de Bernardo Santareno, o mais significativo dramaturgo português das duas décadas anteriores à revolução, descoberto por António Pedro e pelo TEP. O TEP é compreensivelmente mitificado pela sua forte contribuição para a renovação da linguagem cénica, para o alargamento do reportório teatral, para a experimentação de novas técnicas interpretativas e para a conquista de novos públicos. No entanto, nas décadas posteriores, os tempos não foram fáceis para o TEP, sobretudo devido à força do teatro universitário. O Teatro Universitário do Porto (TUP), fundado em 1948, mas a partir de 1953 sob direção de Romeu Correia, participa neste esforço de formação, renovação e experimentação. Um importante marco. AQUI E AGORA, NO PORTO A situação teatral no Porto, nos últimos anos, tem sido sobretudo marcada pela proliferação de novas companhias, em relação direta com a criação e regular funcionamento de estruturas de formação de profissionais de teatro em domínios tão diversos como a interpretação, a cenografia e figurinos, a luminotecnia, ou a dança. “Melhor do que nunca”, é assim que Francisca Fernandes resume o cenário do teatro no Porto em pleno século XXI. A oferta é “diversificada” e “muito rica”, acrescenta a presidente do conselho de administração do Teatro Nacional São João (TNSJ). No âmbito da oferta do TNSJ, as “parcerias” e “sinergias” só enriquecem a oferta cultural portuense. Hoje em dia estão em cena, no Porto, espetáculos muitos deles organizados pelo Teatro Rivoli, Teatro Carlos Alberto, Sá da Bandeira, Campo Alegre, TUP, Seiva Trupe, Teatro do Bolhão, entre tantos outros, que conferem, precisamente um dinamismo inequívoco à cidade. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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UM PALÁCIO aberto à cidade Texto: Irene Mónica Leite e José Alberto Magalhães Fotos: Carolina Barbot

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Palácio da Bolsa, ou Palácio da Associação Comercial do Porto, edifício de estilo neoclássico, começou a ser construído a 6 de outubro de 1842, data solene de colocação da primeira pedra, dado o encerramento da Casa da Bolsa do Comércio que obrigou os homens de negócios da cidade a discutirem os seus negócios em pleno ar livre. Os seus mais de 180 anos de existência têm como origem a noite de 24 de julho de 1832, durante o Cerco do

Porto, altura em que se dá um gigantesco incêndio no convento de S. Francisco, do qual restou somente a atual igreja. Foi sobre estas ruínas do antigo convento, posteriormente doadas por D. Maria II, mediante expedição da carta de Lei da Concessão, datada de 19 de junho de 1842, que se avançou para a construção do Palácio da Bolsa de maneira a que nele se estabelecesse a praça ou bolsa do comércio e o tribunal de primeira instância. Curiosamente, de modo a acautelar eventuais problemas financeiros que poderiam


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A VIVA! percorreu o (sempre) admirável Mundo Novo que o Palácio da Bolsa proporciona. Cada recanto traz consigo algo muito importante: a história do Porto, das suas gentes e claro, dos seus comerciantes. Sede e propriedade da Associação Comercial do Porto, o Palácio da Bolsa, construído ao longo de diferentes gerações, é um dos monumentos mais visitados do Norte de Portugal.

Lima Júnior, em funções a partir de 1840 (é ele quem submete a planta, orçamento e detalhes do projeto do Palácio da Bolsa), Gustavo Adolfo Gonçalves de Sousa, Tomás Augusto Soller, José Macedo Araújo Júnior, Joel da Silva Pereira e, terminando finalmente com José Marques da Silva, último arquiteto e decorador do Palácio.

advir da onerosidade da obra em si, a rainha ordenou que a Associação Comercial do Porto teria à sua disposição uma receita extraordinária, por um período de dez anos, sobre os produtos que circulassem pela Alfândega do Porto. Com uma mistura de estilos arquitetónicos, o edifício apresenta em todo o seu esplendor traços do neoclássico oitocentista, arquitetura toscana, assim como o neo-paladiano inglês. Foram muitos os homens que participaram na construção do Palácio da Bolsa. Partindo de Joaquim da Costa

Uma viagem inesquecível Comecemos, então a viagem, no Pátio das Nações (que foi o claustro do convento a céu aberto). É inevitável que o nosso primeiro olhar se dirija para a cúpula de ferro e vidro, da autoria de Tomás Soller. Trata-se de uma estrutura impressionante, difícil de igualar, ladeada em todo o seu redor por 20 brasões representando os países com os quais Portugal mantinha relações preferenciais de amizade e de comércio. O pavimento, revestido a mosaico cerâmico e inspirado nos modelos greco-romanos descobertos em Pompeia, serviu até meados da década de 90 do Século XX de palco para a Bolsa de Valores do Porto. O restauro integral do Pátio e da sua cúpula foi iniciado em 2007, tendo sido concluído em 2008. Segue-se uma subida na escadaria principal, de acesso ao primeiro andar do edifício, da autoria de Gustavo Adolfo Gonçalves de Sousa, que fica gravada na memória do visitante. Os pormenores decorativos em granito, tais como festões de flores, capitéis coríntios e pilastras caneladas, entre outros, são alguns dos infindáveis pormenores deste espaço. Destaque ainda para os dois imponentes lustres de Soares dos Reis no topo da escadaria. O Palácio da Bolsa foi, curiosamente, o primeiro edifício a ser eletrificado na cidade do Porto. Ao cimo, numa das salas do primeiro andar, situa-se o denominado “Tribunal do Comércio”, com traço inicial de Joel Pereira da Silva e posterior reformulação do arquiteto Marques da Silva. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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va de Fontes Pereira de Melo. Outra das salas do Palácio é a que Gustavo Eiffel utilizou como escritório e onde terá dado asas à sua genialidade e projetado obras tão únicas e emblemáticas como a Ponte D. Maria Pia, no Porto, a Ponte dupla de Viana do Castelo, a Ponte Ferroviária de Barcelos e a Ponte Rodoviária do Pinhão. Numa outra sala, a do Presidente, o chão é mais exuberante, entalhado com madeiras exóticas do Brasil e África. Neste espaço existem quadros a óleo sobre tela, realizados por Marques de Oliveira em 1890, que têm como temática os trabalhos tradicionais da civilização romana. De realçar, para além do magnífico pavimento, a lareira em mármore da autoria do escultor Teixeira Lopes, onde se destacam, nas suas colunas laterais, estatuetas femininas e no seu interior, em ferro forjado, alegorias ao Rio Douro e ao comércio. Outro dos espaços é a Sala Dourada,

É nesta sala, de estilo renascença francesa, que os novos confrades da Confraria do Vinho do Porto são entronizados. O espaço está decorado com pinturas do artista português Veloso Salgado, que representam diferentes temáticas. Numa outra sala estão expostas fotografias de todos os anteriores presidentes da Associação Comercial do Porto, a denominada Galeria dos Antigos Presidentes. Um pouco mais à frente surge a Sala do Telegrapho, onde o equipamento, anteriormente localizado no restaurante da instituição, assume, agora, um novo protagonismo. A associação foi precursora na utilização do telégrafo, de que Portugal foi pioneiro por iniciati-


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assim intitulada devido à cor do teto, revestido a folha de ouro. É neste local que, ainda hoje, mensalmente reúne a Direção da Associação Comercial do Porto, composta por 15 elementos eleitos, representando outros tantos setores de atividade. Por último a Sala dos Retratos, decorada segundo o estilo Luís XVI, onde se homenageia os últimos seis reis da Dinastia de Bragança. O que mais sobressai neste espaço é sem dúvida o seu pavimento com um raro efeito visual de profundidade ilusória. A mesa exposta nesta sala, obra do entalhador português Zeferino José Pinto, elaborada com recurso a um pequeno canivete, levou três anos para ser completada e obteve uma menção honrosa na Exposição Universal de Paris de 1867. Salão Árabe, o ex-libris do palácio A construção desta obra do arquiteto Gustavo Adolfo Gonçalves de Sousa, que se terá inspirado no Palácio de Alhambra, teve início a 15 de setembro de 1862 e terminou a 12 de junho de 1880. Tal como no restante edifício, também aqui o pavimento é constituído pelas melhores

madeiras, tais como mogno, jacarandá, pau-cetim, pau-rosa e plátano. O Salão Árabe é a mais importante sala de atos oficiais da cidade do Porto, sendo também palco de muitas centenas de concertos e de outras prestigiadas solenidades, que muito honram o nome de Portugal e o projetam no mundo. A construção desta Sala demorou 18 anos. Todo este trabalho foi efetuado por artistas portugueses. As formas decorativas são em estuque e madeira e todo o amarelo é folha de ouro. As inscrições são em árabe e repetem-se pelas paredes. No teto, nos escudos verdes, podemos ler: “Alá acima de tudo”. As portadas em vidro foram pintadas à mão e divididas, REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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UMA ABERTURA “VIRTUAL”

em três, por inscrições copiadas do Corão. A escolha do estilo árabe visava demonstrar o poderio económico e político da classe burguesa portuense do século XIX, que possuía, assim, um local ricamente decorado para as receções oficiais. Para além disso, na altura vivia-se uma época de romantismo que se repercutiu nas correntes artísticas, nomeadamente pelo gosto por formas artísticas exóticas, que se reflete nesta sala. O brasão da cidade e de Portugal, ao fundo, são os únicos elementos que identificam esta sala como sendo de portugueses. É sobretudo, utilizada para receções oficiais e concertos de música clássica, devido às suas boas condições acústicas. O Palácio da Bolsa é um dos monumentos mais visitados do Norte de Portugal. O top de visitantes (dados de 2016) ao emblemático edifício é curiosamente liderado por portugueses (82.651), seguido por franceses (65.767), espanhóis (48.591), alemães (19.704) e brasileiros (15.309). Uma das principais preocupações do atual presidente, Nuno Botelho, que já vem desde a presidência de Rui Moreira é abrir o Palácio à cidade. As visitas ao Palácio ocorrem de 20 em 20 minutos e não têm mais de 50 pessoas, de forma a não perderem qualidade. Por causa disso tem-se feito uma forte aposta nas visitas guiadas. A próxima visita poderá ser a sua. De que está à espera?

“Quando o Salão Árabe por algum motivo está a ser ocupado, o Palácio da Bolsa fica encerrado a visitas. O Salão Árabe é o seu principal cartão-de-visita. Para ultrapassar essas situações, estamos a trabalhar na criação de uma visita de realidade virtual, de forma a poder disponibilizar a visita a este monumento em qualquer altura, independentemente das limitações temporárias que possam ocorrer. Não é a mesma coisa, naturalmente, mas é uma experiência”, assegura Miguel Maria, diretor executivo. “Assim o turista não sai do Porto sem conhecer o Palácio da Bolsa. Desta feita, quando voltar, vai certamente querer explorá-lo presencialmente”, reforça. Miguel Maria refere ainda que “a associação tenta inovar todos os anos. Este ano a aposta incidirá na realidade virtual. Vamos criar uma visita aos espaços que não estão abertos ao público que nos visita, nomeadamente o sótão, os túneis e o telhado”. O diretor executivo salienta que a visita ao Palácio, em realidade virtual, pode ser um complemento à real. Abrindo cada vez mais o palácio à cidade e aos turistas. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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Visitar o Skydive Maia é ter a oportunidade de assistir à assumida paixão pela aventura do paraquedismo. Uma entrega que não deixou a VIVA! indiferente. Um projeto para quem tem adrenalina no sangue e caminha decisivamente para “voos mais altos”. Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot/ SKYDIVE

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Entrar no mundo do Skydive Maia é ter a certeza de que nos encontramos em família, num ambiente muito especial. Assim que chegamos ao local, para conhecer este interessante projeto, fomos recebidos entusiasticamente. Decisivamente neste clube vive-se a 100% o paraquedismo. E nós, naturalmente, ficamos “nas alturas”. Mas antes do salto é importante conhecer um pouco melhor a história desta família. Sim, é importante reforçar e fixar. O Skydive Maia é uma família. O Skydive Maia foi fundado a 28 de setembro de

2011, com sede no Aeródromo Vilar de Luz-Maia. “Havia a necessidade de reativar o paraquedismo. Os primeiros anos não foram fáceis”, admite Pedro Ferreira, fundador do Skydive Maia. Mas com “paixão” e com trabalho “cada vez mais profissional”, retratado em equipa e aeronaves qualificadas e certificadas, a história do clube foi sendo construída. E repleta de conquistas. Mas o que o Skydive Maia oferece, afinal de contas? Pedro Ferreira resume: “quase tudo o que uma pessoa sonhar”, mas sempre com a “ajuda e


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acompanhamento do instrutor”, remata.

Os Saltos Tandem Os Saltos Tandem são uma das ofertas mais emblemáticas do clube. Esta aposta tem uma vertente de adrenalina, liberdade, constituindo-se como uma “experiência inesquecível”. Após um briefing de 30 minutos sobre os procedimentos, qualquer um está pronto para subir no avião acima dos 14000 pés (4200 metros) sem esquecer a viagem panorâmica e “magnífica” da

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cidade do Porto e Maia, com o oceano Atlântico como plano de fundo. “Recordação em vídeo e em foto” é uma das apostas após a experiência de “salto” no Skydive Maia. O feedback do público é fundamental (há um mural nas instalações do Skydive), sendo o ponto de partida para a melhoria contínua do trabalho desenvolvido pelo Skydive. Mais um dado curioso: os vídeos não são editados, pretendendo transmitir a adrenalina genuína dos participantes nesta aventura sem fim. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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“Nunca tivemos um não gostei ou estou arrependido” Nesta casa a palavra “inesperado” reina. Até porque muitos chegam ao aeródromo “em surpresa”, saindo sempre com “positivas emoções fortes”.“É interessante, pois essas mesmas pessoas consideram-se incapazes para o salto”. Facto que não coincide com o que é revelado após a “experiência”. “Nunca tivemos um não gostei ou estou arrependido”, sublinha Pedro Ferreira. O público é “diversificado”. Tanto pode revelar-se “formal” ou “informal” dependendo com o “tipo de experiências que escolhem”, remata. “Antes dominava a ideia de que o paraquedismo era uma atividade dura, até mesmo violenta. Hoje em dia, e ‘felizmente’, tais considerações

dissiparam-se”. Há uma grande aposta na contínua qualidade do serviço, sempre, claro, com a máxima do Skydive Maia: a “segurança”.“Os nossos aviões são certificados”, explica. Após o “salto”, muitos dos participantes não conseguem descrever a experiência. “Só mesmo vivendo. As pessoas ficam fascinadas e por isso, muitas vezes, repetem”, reforça. Os voos panorâmicos, um dos mais recentes serviços do Skydive Maia, constituíram uma “necessidade”. Trata-se de uma viagem de avião pela zona do Porto. “A paisagem do Porto, Maia, e Matosinhos constitui importantes e belas referências visuais. Uma iniciativa que é um sucesso”.


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O Aeródromo Municipal da Maia nasceu de uma iniciativa da Câmara Municipal da Maia, para a valorização de todo o município. A sua construção iniciou-se em 1992 e abriu ao tráfego aéreo de aviação geral em 8 de agosto de 1995.

A formação, uma área em “crescimento” Para além desta abertura a “experiências diferentes” nos Saltos Tandem, por exemplo, há ainda a aposta na formação. Mais uma área em franco “crescimento”. A autorização oficial que o Skydive Maia possui permite-lhe ministrar cursos de formação básica de alunos, até ao ensino dos níveis mais avançados da modalidade. Desde o curso de abertura automática, ao curso de iniciação à queda livre, passando pelo curso de queda livre ao curso de queda livre acelerado. De acrescentar que existem ainda “formações específicas para aprofundar competências”. Na equipa do Skydive Maia, os profissionais são

”experientes”, com instrutores “reconhecidos a nível internacional”. Todos os instrutores, dobradores e pilotos de tandem de paraquedismo do Skydive Maia são formados e qualificados pela Federação Portuguesa de Paraquedismo. Os pilotos de paraquedismo são igualmente submetidos a um treino específico para poderem pilotar nessa função, e são qualificados pela Autoridade Nacional de Aviação Civil. Na escola do clube encontra-se todo o equipamento necessário ao seu funcionamento, nomeadamente modernos conjuntos de paraquedas de instrução adaptados tanto para saltar em paraquedas em abertura automática como em abertura manual (saltos de queda livre). Modernos conjuntos de paraquedas de Tandem, todos eles equipados com os mais modernos dispositivos de segurança da atualidade. A Câmara Municipal da Maia revela-se um “pilar importante”. “Nos dias de hoje não é fácil manter um aeródromo ativo”, confessa Pedro Ferreira. É, por isso, necessário “grande esforço e dedicação”. “Estamos abertos todos os dias do ano”, proporcionando diversão, muitas vezes “turística” e também “espetáculo”. Cada experiência é “única”, resume. O futuro passa por “voar e saltar todos os dias”, fala entusiasticamente Pedro Ferreira, o pára-quedista mais jovem a saltar até hoje e que é, notoriamente um “apaixonado” pela profissão. ”Aqui ao final do dia ninguém olha para o relógio”, explica. “Talvez este seja o nosso ponto forte”, conclui. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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MUSEU DA MISERIC “ENTRE A TRADIÇÃO E A MODERNIDADE” O Museu e Igreja da Misericórdia do Porto (MMIPO), um dos mais recentes espaços da histórica instituição, é composto por verdadeiras relíquias. Entre inúmeras obras de arte, destacam-se, por exemplo, o famoso quadro flamengo Fons Vitae e a pintura “A Sagrada Família com São João Batista, Santa Isabel e Anjos” de Josefa de Óbidos. A VIVA! sugere uma visita a este Museu que proporciona uma viagem desde o século XV até à atualidade, cruzando a história da Santa Casa da Misericórdia do Porto com a da própria cidade que a acolhe. Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

A Santa Casa da Misericórdia do Porto é uma instituição particular de solidariedade social fundada na cidade do Porto a 14 de março de 1499. A Misericórdia do Porto define-se com uma instituição de caridade e assistência social, de fins filantrópicos e de utilidade pública. O Museu e Igreja da Misericórdia do Porto foi inaugurado em 2015 e o seu acervo é um testemunho de mais de cinco séculos de história de uma das mais antigas instituições da cidade. Situado em pleno coração da cidade do Porto, na Rua das Flores, o MMIPO apresenta um “valioso património artístico e cultural”. Há, acima de tudo, um compromisso entre “a tradição e a modernidade”, explica o Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, à VIVA!. O MMIPO constitui-se como um dos pontos mais atrativos do centro histórico. A afluência de turistas (e não só) justifica esta afirmação. De destacar a abertura

à arte contemporânea, integrando na fachada do edifício uma escultura de Rui Chafes. O Museu apresenta-se com o duplo objetivo de “dar a conhecer a história da Santa Casa da Misericórdia do Porto e os seus propósitos institucionais, bem como divulgar as suas coleções de arte através da disponibilização de um conjunto de recursos que traduzem a memória e a identidade desta organização, projetando-a para o futuro”, explica a instituição. O corolário de todo o aturado trabalho de preparação e gestão do MMIPO culminou na atribuição do “Prémio Museu Português do ano 2016”, conferido pela Associação Portuguesa de Museologia. “A história cruza-se com a própria cidade” Aqui as coleções de pintura, escultura, ourivesaria, paramentaria e a própria envolvente arquitetónica, celebram a identidade desta instituição de vocação social e

confraternal, explica a Misericórdia do Porto. “A história cruza-se com a própria cidade”. “Aliás, muitos dos edifícios da cidade do Porto são obra de filantropos”, contextualiza António Tavares. As coleções estão organizadas por salas temáticas de grandes artistas portugueses dos séculos XV a XXI, por obras da pintura europeia e por peças emblemáticas da ourivesaria nacional. Nada é feito ao acaso, até porque a sua “visita é feita de cima para baixo, ou seja, começando no último andar até encontrar o famoso painel Fons Vitae e a escultura contemporânea de Rui Chafes, que estabelece a definitiva ligação do museu às ruas e à cidade”. Em suma, uma visita que “desce”, e um interesse que “cresce”. O Fons Vitae O Fons Vitae (Fonte da Vida), com autoria atribuída a Colijn de Coter, está datado de cerca de 1515-1517.


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É um quadro de grande envergadura (267 x 210 cm), pintado a óleo sobre madeira de carvalho. O tema Fons Pietatis, central na pintura, teve grande difusão na época medieval no norte e centro europeu, ligando-se ao “Juízo Final”. Está associado ainda ao culto do “Santo Sangue” e, a partir deste, a muitas outras variantes que colheram grande recetividade devocional, como o culto do “Santo Lenho e da Vera Cruz”. “Dada a complexidade do tema e a sua associação à ideologia régia, a pintura poderá ter sido encomendada na Flandres para a Misericórdia do Porto. Seguramente, a encomenda foi realizada por alguém ligado à Misericórdia que frequentava o círculo mais íntimo do monarca”, avança a instituição. O MMIPO está dividido em 7 salas: Sala 1 – Misericórdia do Porto: História e Ação; Sala 2 – Benfeitores; Sala 3 – Pintura e Escultura; Sala 4 – Ourivesaria e Paramentaria; Sala 5 - Sala da Igreja; Sala 6 – Administração; Sala 7 – Casa do despacho. Existe também uma sala imersiva capaz de “nos transportar ao Porto do séc. XVIII”. Os óculos interativos disponíveis para quem, por mobilidade reduzida não pode visitar todo o edifício, “permitem usufruir da mesma experiência”. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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O MMIPO dispõe ainda de um espaço destinado à organização de eventos compatíveis com a natureza do Museu: a Galeria dos Benfeitores. A aquisição mais emblemática talvez seja “A Sagrada Família com São João Batista, Santa Isabel e Anjos” de Josefa de Óbidos. É impossível não resistir à “comunhão” expressa no histórico quadro. Conheça três curiosidades de uma das belas e valiosas aquisições do Museu da Misericórdia do Porto: 1) Uma artista do barroco Josefa de Ayla Figueira, mais conhecida por Josefa de Óbidos, cedo mostrou aptidão artística, em particular para a pintura, uma autêntica raridade no século XVII, mais ainda tratando-se de uma mulher. 2) A Inspiração religiosa Datado de 1678, é um exemplo dos princípios do barroco português. “A Sagrada Família com São João Batista, Santa Isabel e Anjos” apresenta uma forte carga simbólica. 3) O leilão da Sotheby’s A obra foi adquirida pelo Museu da Misericórdia do Porto, num leilão da Sotheby’s em Nova Iorque, a 29 de janeiro de 2016 pelo preço de 228 mil euros. Um Museu e uma Igreja que testemunham a história da instituição e da cidade A Igreja da Misericórdia do Porto, contígua ao edifício do Museu, foi construída na segunda metade do século XVI, tendo sofrido, em meados do século XVIII, uma profunda intervenção com a participação do famoso pintor-arquiteto Nicolau Nasoni. “Da igreja original preservou-se, entre

outros elementos, a capela-mor. No coro alto encontra-se um órgão de tubos, que foi totalmente restaurado”. Uma casa de todos, para todos: alunos e deficientes visuais criam tradução táctil do quadro Fons Vitae O projeto, que deverá estar concluído em abril, vai permitir aos deficientes visuais “sentir” a obra do século XVI exposta no Museu da Santa Casa da Misericórdia do Porto. A tradução táctil do Fons Vitae, nas palavras de António Tavares, “constitui uma forma de toda a população ter acesso a este colossal pedaço da história de arte. Está mais que aberto o caminho para uma sociedade cada vez mais inclusiva”, remata o Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto. Desenvolvida por alunos da Escola Comércio do Porto e deficientes visuais, do curso de operadores gráficos de braille da SCMP, a reprodução em quatro painéis tácteis em gesso do quadro Fons Vitae nasceu “de uma proposta lançada por uma docente”, no âmbito das escolas solidárias da Fundação EDP, disse a diretora da escola, Ana Mestre, acrescentando ainda que “este projeto vai permitir dar informação cultural a outro tipo de públicos”. A iniciativa da professora Teresa Mendes envolveu alunos provenientes do ensino secundário, com idades entre os 16 e 19 anos. De acordo com Teresa Mendes, na colaboração com o grupo de invisuais está a ser feita a “sintetização de uma proposta de quatro painéis de acessibilidade gradual

à informação que a pintura quer transmitir, sendo que os três primeiros são uma desconstrução do último”. “Adotar esta metodologia de acessibilidade gradual é importante”, salientou a docente sobre a interação com os formandos do Centro Integrado de Apoio ao Deficiente (CIAD) da SCMP, procurando privilegiar as texturas escolhidas por estes em detrimento de outras que para eles “possam constituir ruído”. Serão utilizadas “nove texturas para representarem aspetos como o metal, a pedra, o sangue, o cabelo, a nuvem ou o céu”, sendo que as escolhas partem sempre dos “operadores gráficos de braille do


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Deus quer O homem sonha A obra Nasce Fernando Pessoa A 14 de julho de 2015, a Santa Casa da Misericórdia do Porto abriu o Museu na Rua das Flores concretizando um sonho com mais de 120 anos. Reza a história que nos finais do século XIX o conde de Samodães, então Provedor da Misericórdia do Porto, sonhou com um Museu, onde a história e os tesouros da Santa Casa pudessem abandonar a escuridão dos cofres e estar à vista de todos. A concretização não foi imediata. Mas valeu a pena, decisivamente.

CIAD” que, ao receber as propostas, “avaliam se se assemelha ao que imaginam estar representado no quadro”. Para a coordenadora do projeto Diana Monteiro, esta iniciativa “melhorou a sensibilidade de alunos” que vêm de “percursos escolares complicados” e cujo envolvimento foi tal que, acrescentou a professora Teresa Mendes, a turma traduziu de inglês para português o dossiê para a preparação dos painéis. Nas origens O projeto teve início em novembro de 2016 e decorre em horário escolar, representando para Ana Mestre “muita aprendizagem” para

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uma instituição com “tradição de trabalho na área da inclusão”. Tiago Vidinha, um dos “consultores” que semanalmente “interpreta as texturas” que os alunos partilham com os formandos operadores gráficos de braille, afirmou que este é “um projeto de enorme importância”. Considerando a obra Fons Vitae “muito importante”, o jovem lembrou que “quem a vê consegue-a interpretar”. Mas, “nós, os cegos, para lá chegarmos, será sempre a partir de outros”. Uma vez concluída, “a obra ficará exposta no museu da Santa Casa, pois a ideia é que possa ser visitada por turistas com estas características ou por outras pessoas”, conclui Ana Mestre. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


Boîte: subst. fem. caixa. \´bwät\

Em pleno coração da baixa, surge inspirada nas boates dos anos 70, onde o preto é o tom predominante. A decoração é assinada por Paulo Lobo e o nome, Boîte, de significado literal - caixa - para além de inspirar os pormenores decorativos e arquitetónicos do espaço, leva-nos a querer entrar na Boîte para sair da caixa. Hip-Pop boutique Venue por excelência, ir

à Boîte é mergulhar num conceito vanguardista sonorizado pelas batidas Hip Hop e R&B do momento. ABoîte assume-se como uma lufada de ar fresco na cosmopolita noite da cidade do Porto, eleita pela 3ª vez o melhor destino europeu. #itsallinyourmind


O Wine Bar, no primeiro piso, é um confortável lounge sobranceiro à Main Room com cabine de DJ, onde poderá desfrutar de toda a gama de vinhos da Real Companhia Velha, uma elaborada carta de cocktails e também o reconhecido serviço de hambúrguers da NY Sliders. Este espaço está preparado para receber qualquer tipo de evento de marcas e/ou empresas.


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PORTO reconstruir a alma


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e me perguntarem o que penso do boom turístico que o Porto atravessa, só posso responder: ainda bem. Ainda bem porque muitos dos que agora lamentam o excesso de estrangeiros e a perda de autenticidade não fizeram um gesto contra a quase absoluta degradação em que a cidade se encontrava há poucos anos. A ruína, o abandono e a incúria que transformavam ruas, quarteirões, bairros inteiros em terra de ninguém. Ruína e vergonha a que só uma sistemática reabilitação urbana poderia dar resposta. E ela seria primeiro o motor e depois - como está a acontecer – a consequência da procura turística. Além do mais, tal procura deu origem a um surto espantoso de criatividade - tendencialmente de iniciativa jovem - patente na criação de dezenas de estabelecimentos comerciais de incontestável qualidade. Acresce o facto de na competição global em que o Porto se encontra envolvido com cidades do mesmo campeonato, a extensão do prestígio obtido através do turismo é essencial para a sua afirmação internacional. (Devo dizer que não me contento com isto. Ambiciono que a

grandeza de tal internacionalização se manifeste com igual intensidade na ciência, na tecnologia, no desporto, na cultura. Não é pedir demasiado e eu aspiro a possuir a lua. Talvez tudo isso possa tornar-se realidade numa cidade mais competitiva porque económica e socialmente mais realizada.) Mas voltando ao dito excesso de turismo: muitos agora pios lamentadores também não levantaram um dedo contra a verdadeira tragédia para o Burgo traduzida no despovoamento do seu Centro Histórico, da Baixa (de S. Lázaro ao Carmo e além) e de muitas outras parcelas de um território que, antes, estuava de gente, iniciativa, negócio e animação. Uma cidade com 330.000 habitantes em 1980, que, desde então, perdeu 100.000, tem de olhar para isso como uma calamidade. E não me venham com o argumento do efeito donut ou dos 500.000 utentes durante o dia e outras lérias. A cidade dos que a usam, mas não a vivem, não me interessa para nada. Não foi essa onde nasci, cresci e aprendi a ser tripeiro. Quero-a cheia de gente de dia e de noite. Densa, inclusiva, dinâmica, reabilitada e com portuenses novos ou antigos dentro. Essa REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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é a questão. Quem andou a assobiar para o lado enquanto a cidade se auto-implodia, exangue e desabitada, a caminho dos 20.000 desempregados, e era extorquida pelas alavancas financeiras e políticas de um centralismo totalitário, não tem autoridade para criticar os excessos do turismo. Por tais razões, acho que o problema ainda não é turismo a mais, é turismo a menos. Não é receber 2 milhões e concentrá-los entre a Praça e a Ribeira, mas receber 4 ou 5 milhões e alargar a visão e o conceito de cidade atrativa e interativa a outros centros de interesse. Aproveitar os recursos disponíveis, a maioria desaproveitados. Do interior duriense, no Vale de Campanhã, aos planaltos de Paranhos e Ramalde e ao enorme potencial disponível da costa Atlântica. Na Foz e em Nevogilde. Em Azevedo, na Lapa, no Bonfim e no Dragão. No Marquês e no Covelo. Na Prelada, Nova Sintra, Alto dos Congregados, Corujeira. Na Arca d’Água

(e seus subterrâneos). No Botânico. Em Miragaia (bairro sem equivalente que continua esperando a redenção). Céus, tanto Porto para oferecer, espalhando a lição do fenómeno Serralves por aí fora. Descobrindo diferentes destinos urbanos e seduções diversificadas como os incomparáveis e abandonados Caminhos do Romântico. Como as dezassete festas e romarias das freguesias (de que o S. Bartolomeu, na Foz, é paradigma porventura único na Europa). Ou a paisagem soberba da Arrábida e do seu bairro sobre o Estuário do Douro. Ou o Parque Oriental, com as suas aldeias, que continua a ser miragem e utopia. Dito isto, é claro para mim que o maior desígnio para a cidade será vencer o desafio de conciliar, de fazer a ponte entre tradição e modernidade.


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Entre a transmissão de uma herança e inovação. Entre manter-se autêntica, nobre, sempre leal e invicta e (re)construir-se para um tempo novo. A batalha a travar é contra os corpos sem alma em que as urbes turísticas, obcecadas pelo cosmopolitismo a todo o custo e a qualquer preço, tendem a transformar-se. Mas a questão – ou, se quisermos, o drama – é que parte significativa (se calhar, a maior parte) da alma do Porto, a gente portuense, está agora em Canidelo, em Águas Santas, Rio Tinto, Valongo, Ermesinde, Perafita e por aí fora, para onde foi centrifugada por políticas espúrias, centrais e locais, que ultrajaram o tecido económico da urbe e (des)controlaram o mercado da habitação. E essa alma não vai regressar, porque as razões que a expulsaram das suas raízes continuam a manter-se. (Ou, até, a agravarem-se pelo evidente desencontro entre os interesses dos promotores imobiliários e os da classe média não muito alta que à míngua de recursos se viu obrigada a exilar-se onde as rendas são acessíveis. E, como acontecimentos recentes o comprovam, até dos interesses dos comerciantes de tradição que, doravante, correm o risco da extinção.) Com um bom naco da alma a viver, portanto, fora


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da sua pátria, coloca-se ao Porto (e a quem o governar nos próximos anos) um outro, decisivo, desafio. («Que bom», disse-me um dia, o meu amigo sueco Per-Uno Agren, «vocês ainda têm muita coisa para fazer, nós já não!»). Um outro repto que não será defender a alma, reconhecê-la, enaltecê-la, reencontrá-la ou, sequer, reconquistá-la porque vai ser necessário reconstruí-la. E reconstruir a alma de uma cidade como o Porto é mais difícil e mais complexo do que regenerar edifícios. Exige os saberes de uma engenharia política e social repleta de armadilhas, obstáculos e contradições. Mas, que diabo, com os Almadas, o Burgo soube fazê-lo. E com a Regeneração. E com a difícil transição da Monarquia para a República. Sempre soube reconstruir a alma. Afinal, o lema da Associação Comercial do Porto continua a servir de lembrança luminosa do que se impõe aos portuenses: Labor et libertas urgent nos. Ou, traduzindo muito liberalmente: «O trabalho e a liberdade empurram-nos para a frente». Helder Pacheco


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VinylClean, a tinta mate super lavável da CIN Já é possível ter paredes à prova de manchas e da imaginação dos seus filhos. VinylClean, da CIN, é uma tinta mate para interiores super lavável, à prova do dia a dia, que vai fazer com que as suas paredes pareçam sempre acabadas de pintar, sem brilhos ou marcas. A fórmula avançada de VinylClean incorpora partículas micronizadas de última geração que lhe conferem uma super lavabilidade nunca antes vista numa tinta mate. A remoção de manchas e nódoas é feita com a simples passagem de um pano húmido e detergente. A tinta VinylClean foi sujeita a diversos testes de eficácia e concebida para que os acontecimentos quotidianos de uma casa, como as brincadeiras de crianças ou as traquinices dos animais domésticos,

entre outros, não danifiquem as paredes. Testada segundo as mais exigentes normas europeias*, esta tinta atinge a classificação máxima na resistência à esfrega húmida. É a solução mais indicada para acabar com as manchas indesejadas sem precisar de pintar as paredes de novo. Fruto da aposta da marca líder ibérica, no setor de tintas e vernizes, na inovação e tecnologia ao serviço das necessidades reais dos consumidores, VinylClean tem-se revelado um sucesso, tendo conquistado o Prémio Produto do Ano 2016 e o Prémio Escolha do Consumidor 2017. *NP EN 13300 - Produtos de pintura e esquemas de pintura aquosos para paredes e tetos no interior.


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Nuno Ribeiro

“UM POR TODOS E TODOS POR UM”

Gustavo Veloso e Rui Vinhas são visivelmente duas “apostas ganhas” do ciclismo do FC Porto, com provas dadas de profissionalismo e rigor. Mas nesta época há três caras novas, num caminho trilhado para o sucesso. A VIVA! falou com os novos reforços para a equipa de ciclismo azul e branca. Uma coisa é certa: a época promete! Textos: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

Após a saída de Rafael Reis, a equipa de ciclismo do FC Porto sofreu algumas alterações. Assim, a equipa portista para 2017 é composta por: Gustavo Veloso, Rui Vinhas, Ricardo Mestre, António Carvalho, Ángel Sanchez Rebollido, Amaro Antunes, Daniel Freitas, Jacobo Ucha, João Rodrigues, Joaquim Silva, Juan Ignacio Pérez, Raúl Alarcón, Samuel Caldeira e Tiago Ferreira. “O objetivo central da nossa equipa é a Volta a Portugal. Entretanto, em todas as corridas que nos apresentarmos vamos dar o melhor possível e tentar

Jacobo Ucha


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conseguir o maior número de vitórias”, começa por explicar Nuno Ribeiro, diretor desportivo. “Em 2016 vencemos a Volta a Portugal. Vamos tentar o número máximo de vitórias possível, tentar igualar ou ultrapassar as conquistas do ano passado. Não é fácil. Mas é esse o objetivo”, reforça. Acerca da saída de Rafael Reis, Nuno Ribeiro reconhece a sua importância na equipa de ciclismo azul e branca. “Ele era muito importante, com nove vitórias durante o ano. Mas temos outros ciclistas, outros objetivos e penso que equilibra em relação ao ano passado. Conseguimos igualar noutro sentido, nomeadamente com Amaro Antunes”, remata. “Jacobo e Tiago, por sua vez são mais jovens”, explica Nuno Ribeiro. “Tentamos sempre colocar mais jovens na nossa equipa, de forma a que ganhem experiência”, resume.

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Amaro Antunes

UMA NOVA ÉPOCA, UM NOVO NOME E REFORÇOS Face a 2016 a formação liderada por Nuno Ribeiro sofreu algumas alterações, mas talvez a mais significativa seja mesmo o “naming”. À parceria com a W52 junta-se em 2017 a Mestre da Cor, compondo assim W52-FC Porto-Mestre da Cor. No que diz respeito a corredores a grande base da equipa mantém-se, continuando Gustavo Veloso como chefe de fila ao lado de figuras como Rui Vinhas, António Carvalho ou Ricardo Mestre. Há reforços também, após saída de Rafael Reis. São eles Amaro Antunes, Jacobo Ucha e Tiago Ferreira.

Gustavo Veloso

Quanto a “apostas ganhas”, podemos colocar dois nomes na mesa: Gustavo Veloso e Rui Vinhas. “Gustavo Veloso é o líder da equipa. O Vinhas ganhou a Volta a Portugal. E a partir daí só temos que defender ao máximo a camisola”, apela. Jacobo Ucha, em declarações à VIVA!, explicou que a adaptação está a ser muito boa até porque conhece quase todos os ciclistas. “Tenho dois colegas galegos como eu e o Ángel Sanchez Rebollido foi meu companheiro quando eu ainda era júnior. Todo o processo tem sido pacífico”, aponta. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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Rui Vinhas

“Os objetivos da equipa estão sempre acima dos individuais” Gustavo Veloso, o líder da formação azul e branca, assume que “os objetivos da equipa estão sempre acima dos individuais. Vamos dar todos o nosso melhor e, se possível, repetir a vitória”, avança. “São vários anos a liderar a equipa e para mim pouco muda. É claro que existe uma responsabilidade acrescida. Tenho que chegar à Volta nas melhores condições”, admite. “Nós temos de ser 100% profissionais, fazer o nosso trabalho o melhor possível. E, sobretudo, independentemente dos resultados, o mais importante é ter uma atitude e imagem de uma verdadeira equipa. O que nos últimos quatro anos nos diferenciou foi isso. E penso que é uma identidade que se relaciona na globalidade com o FC Porto. Essa forma de estar nas corridas, com a responsabilidade de seriedade, profissionalismo, de união. Depois, os resultados podem vir ou não, mas a união é fundamental”, remata.

Amaro Antunes é uma das grandes apostas na equipa após a saída de Rafael Reis. Uma responsabilidade que encara com naturalidade. “Acima de tudo, muito tranquilo. Já estou um bocado habituado à pressão e confesso que até gosto. Acho que um ciclista que não tenha pressão acaba por não ter a adrenalina da corrida. Acho que sentir isso do diretor desportivo é muito importante e motivador”, conclui. Tiago Ferreira destaca a aprendizagem que esta época vai proporcionar. “A adaptação tem sido boa. Já conhecia a maior parte dos meus colegas. Alguns já tinham sido meus colegas em corridas anteriores. É uma família”, resume. “É o meu primeiro ano como ciclista profissional, sendo, portanto, um pouco, um ano de aprendizagem. Estar numa equipa profissional implica um trabalho diferente. Estou aqui para ajudar a equipa, naquilo que puder”, acrescenta. Já Rui Vinhas, o vencedor da Volta a Portugal 2016, reforça a importância do espírito de


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equipa. “Quanto a prognósticos é dar o meu melhor. Nesta equipa há sempre responsabilidade. Mesmo na Volta a Portugal temos um leque de atletas que pode vencer. Temos uma equipa bastante homogénea. Um por todos, todos por um”, resume Vinhas. “Acho que se não tivesse a equipa que tive, não ganhava a Volta a Portugal. Até poderia ter ganho, mas seria bastante mais difícil. Somos, acima de tudo, uma equipa muito unida”, reitera o vencedor da Volta a Portugal 2016. REVISTAVIVA, MARÇO 2017 Tiago Ferreira


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PORTO recupera zona oriental

A Operação de Reabilitação Urbana da área de Campanhã-Estação, no 4SVXSUYIEFVERKITEVXIWHEWJVIKYIWMEWHS&SRÁQIHI'EQTERLn TVIZsYQMRZIWXMQIRXSHIąăQMPL~IWHIIYVSWRYQTVSKVEQEEÿþ anos. Resultado: uma zona oriental de “cara lavada”. Texto: Irene Mónica Leite / Fotos: Carolina Barbot

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ampanhã tornar-se-á mais “amigável” para os portuenses, rodeada de espaços verdes, rede viária, mobilidade suave (ciclovias, ecopistas, passeios) e equipamentos. Uma nova vida, portanto. Porém, o maior investimento incidirá no património já edificado e na recomposição dos tecidos urbanos, estimando-se um gasto de mais de 50 milhões de euros nesta área de intervenção. Melhorar, acima de tudo, as condições habitacionais e de bem-estar dos residentes são os principais objetivos da requalificação. Importa ainda a dinamização de atividades económicas, a renovação da imagem da zona e a implementação de um modelo de intervenção integrado, eficiente e participado.

Melhorar acima de tudo, as condições habitacionais e de bem-estar dos residentes “Campanhã tem sido, ao longo das últimas décadas, ostracizada e completamente colocada ao abandono. Logo, o seu património habitacional REVISTAVIVA, MARÇO 2017

foi-se degradando ao longo de todo este tempo. Daí a importância da Operação de Reabilitação Urbana da área de Campanhã-Estação. Acho que para esta zona oriental é de uma importância vital, que vai permitir a reabilitação de toda essa área”, começa por explicar Ernesto Santos, presidente da Junta de Freguesia de Campanhã. Com efeito, o relatório do projeto apontava para “uma degradação acentuada de grande parte do edificado, a desqualificação do espaço público, débil vitalidade económica e cultural”, e ainda, não menos preocupante, a “forte vulnerabilidade social, que não pode ser combatida com medidas isoladas de politica setorial”.

“Roma não se faz num dia” O programa de ação relativo a esta operação sistemática prevê uma profunda operação de reconversão e de reabilitação urbana, associado a um investimento global de 75 milhões de euros. Este valor, que poderá ascender a 90 milhões se incluídas as demolições, expropriações e aquisições de terrenos, incluem uma parcela de investimento da Câmara Municipal do Porto de cerca de


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25 milhões, algo que o presidente da autarquia, Rui Moreira, disse ser “perfeitamente comportável para o orçamento municipal”. Já diz o ditado que “Roma não se faz num dia”. “Se a degradação demorou anos, a recuperação se demorar apenas uma década, é sem dúvida de vital importância para a freguesia. Com o interface, com todos os projetos que se anunciam para Campanhã, o matadouro por exemplo... É que há ainda outra ARU [Área de Reabilitação Urbana] na zona da Corujeira. Digamos que estas duas ARUs se completam, tornando esta zona oriental muito apetecível. Uma década perante 40 anos de degradação compensa”, sublinha Ernesto Santos. Para o vereador do urbanismo, Manuel Correia Fernandes, a coesão territorial e social da cidade constitui uma prioridade do atual executivo municipal, com o objetivo de desenvolvimento harmonioso da totalidade do seu território. Assim, “a câmara municipal definiu a zona oriental da cidade como prioritária na sua ação de planeamento e investimento”. A reabilitação urbana é, sem dúvida, um dos pilares da política deste executivo. Há, por conseguinte, muita potencialidade escondida, inúmeras vantagens e oportunidades para um desenvolvimento urbano sustentável. “Esta freguesia, dos 41 bairros municipais, tem 14.


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A concretização da estratégia territorial preconizada para a ARU de Campanhã-Estação prevê a promoção de cinco eixos estratégicos: (i) a atividade económica, (ii) a mobilidade sustentável, (iii) a qualificação do ambiente urbano, (iv) a sustentabilidade ambiental, e (v) a inclusão social e cidadania ativa, assentando na implementação de uma carteira de projetos estruturantes, que se assumem como iniciativas fundamentais para a geração de novas dinâmicas de regeneração urbana na zona oriental da cidade do Porto.

Tem quase um terço de todos eles. Logo há desequilíbrio neste fator”, reitera o presidente da Junta de Freguesia de Campanhã. ”E além dos bairros municipais, Campanhã tem dezenas de ilhas em que as condições de habitabilidade conseguem ser ainda piores do que nos bairros municipais. Porque há bairros municipais restaurados que começam a ter excelentes condições de habitação”, remata Ernesto Santos. “A zona mais chegada à estação. Esse é um núcleo de degradação constante. Temos outros núcleos em Campanhã como Antas, Maceda, que também têm merecido a atenção da Câmara do Porto”, revela o presidente da Junta de Freguesia de Campanhã. A operação que agora se apresenta pretende precisamente aproveitar o potencial único deste território, relacionado com a proximidade e complementaridade relativamente ao centro da cidade, a existência de importantes infraestruturas de mobilidade, uma frente de rio de elevado potencial, valores ambientais e patrimoniais de importância significativa e uma disponibilidade de terreno já “rara” no território do município. Correia Fernandes realçou que “esta primeira operação de reabilitação urbana fora do centro não é REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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decerto a varinha mágica que colocará a deprimida cidade oriental no mapa, mas é seguramente uma nova forma de fazer política de cidade”.

O Terminal Intermodal de Campanhã Depois de 14 anos de impasse, o Terminal Intermodal de Campanhã (TIC) vai finalmente ganhar vida. A infraestrutura completará a intermodalidade da Estação de Campanhã, que já possui a vertente ferroviária e de Metro, ficando agora completa com o terminal destinado a autocarros. Tudo indica que a obra arranca em 2018, devendo ficar concluída num prazo que está estimado em 18 meses. A proposta apresentada pelo arquiteto portuense Nuno Brandão Costa foi a vencedora do concurso, entre outros motivos, pela forma como valoriza o espaço dos utentes na futura gare. O projeto “permitirá uma interligação eficaz, confortável e segura entre os diferentes meios de transporte, promovendo assim o conceito de intermodalidade no sistema de transportes”, lê-se na proposta apresentada a concurso. O futuro Terminal Intermodal de Campanhã vai ter dois pisos, um parque de estacionamento para 270 carros e um “grande parque” natural com 22 mil metros quadrados, desvendou o arquiteto responsável pelo projeto. “O terminal terá um grande parque com uma área semelhante à da Avenida dos Aliados com muitas árvores, arbustos, vegetação, espelhos de água e bancos para as pessoas se sentarem”, explicou Nuno Brandão Costa, na cerimónia de inauguração da exposição “Terminal Intermodal de Campanhã – Projetos Participantes”, que esteve patente ao público no átrio da Câmara do Porto. A mostra deu a conhecer os 22 projetos que concorreram ao concurso público lançado para a conceção do TIC. De acordo com Nuno Brandão Costa, o parque funcionará como um “pulmão” da zona leste da cidade portuense, onde existe um “enorme” lapso de espaço verde, e como um elemento agregador de toda a envolvente urbana. “Um pulmão verde que acaba por retirar carga poluente, dado que com este terminal a carga mecânica vai ser ainda maior”, disse. O parque terá um circuito pedonal e ciclável que as pessoas podem percorrer para aceder ao terminal ou apenas para passear e desfrutar da paisagem.

Nuno Brandão Costa considera assim que o parque concretiza a transição entre o terminal e o tecido urbano convencional, estabilizando a morfologia do terreno. “O terminal é um espaço aberto, ventilado, transparente e com uma ligação contínua ao exterior”, afirmou, sublinhando que o TIC separa a zona mecânica e viária da zona pedonal. Além da questão funcional e mecânica, o projeto de concessão do TIC pretendeu resolver uma desordem territorial e uma grande fragmentação urbana existente naquela zona da cidade há anos. Para o autarca portuense, o projeto é estruturante para o desenvolvimento da zona oriental da cidade, mas é também fundamental para a mudança de


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paradigma da mobilidade coletiva em toda a cidade. Rui Moreira sublinhou que o projeto tem várias vantagens, sendo uma delas a ligação entre as duas partes da zona da Campanhã e um elemento integrador de um dos principais nós da rede de transportes a nível metropolitano. O projeto de Nuno Brandão Costa tem um custo estimado de 6,3 milhões de euros e permitirá uma interligação entre os diferentes meios de transporte. A empreitada, que deverá ter um prazo de execução de cerca de 18 meses, irá arrancar em 2018. A Operação agora lançada em Campanhã pretende gerar um território qualificado, de excelência, para viver, trabalhar e usufruir da natureza, numa zona que hoje desempenha um papel central na

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organização da área metropolitana e na articulação entre o centro e a periferia, que se afirme como um novo e qualificado pólo de desenvolvimento da cidade e da região. De referir ainda que o TIC, segundo o autor do projeto, “é um espaço continuamente coberto e iluminado para o exterior, permeável e permanentemente ventilado, transversal e verticalmente. Os peões, automóveis, bicicletas e autocarros vão partilhar o mesmo espaço dimensionado, de modo a não confluir com a autonomia de cada percurso e meio, mas de modo a facilmente ser efetuada a troca de locomoção, por exemplo, de carro para comboio, de bicicleta para o comboio e vice versa”. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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Comes & Bebes Um percurso gastronómico pela baixa portuense

A VIVA! ao longo de 2017 continuará a fazer um percurso pela baixa portuense à procura de ofertas gastronómicas. Os estabelecimentos abrangidos neste delicioso trajeto são, claro está, sempre marcados pela qualidade dos produtos Recheio. Veja o resultado, até porque “os olhos também comem”. Textos: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot/Pão que Ladra & Destilaria

Cultura dos Sabores “Comer saudável também é saboroso” Rua de Ceuta, 80 Telefone: 22 2010556 | 917501046 É inegável a paixão por uma causa que Alexandra Marinho e Vitor Neves trazem para este projeto. O Cultura dos Sabores inaugurou em 2014 um conceito “inovador” com proposta de buffet vegetariano e vegan ao almoço e jantar, a preços “fixos e convidativos”. Mas não ficam por aqui as ofertas dos pratos trajados a rigor. Para os restantes momentos do dia, os visitantes podem contar com refeições leves, ideais para brunch e lanche. Criatividade, leveza e equilibrio são palavras que andam de mãos dadas no Cultura dos Sabores, que prima pela qualidade e rigor, até porque “os processos de confeção respeitam regras como redução do sal, privilegiando ervas aromáticas e especiarias, redução de gorduras, dando preferência a cozinhados a vapor ou estufados em cru, moderação no uso de alimentos processados”. Os pratos, sempre em renovação, são sempre “apelativos”, fazendo lembrar pratos típicos da gastronomia portuguesa. Desmistificar pode ser a palavra chave do estabelecimento. O objetivo do projeto Cultura dos Sabores é “levar mais longe a alimentação vegetariana quebrando barreiras, mitos e demonstrando como a comida vegetariana pode ser simultaneamente saudável e saborosa”. Para o Cultura dos Sabores, a alimentação vegetariana “não é apenas uma escolha, mas um estilo de vida” . O estabelecimento encerra às segundas. De terça a domingo está aberto das 11h00 às 23h00.


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MERCEARIA DAS FLORES o que é nacional é bom Rua das Flores,110 Telefone: 222083232 Neste estabelecimento acolhedor os produtos portugueses são os grandes protagonistas. “Tentamos sempre ir diretamente aos produtores. Também damos valor ao facto de ser biológico. São duas mais valias”, explica Joana Osswald à VIVA!. “Tudo o que aqui está é provado por nós. Por mim e pela Joana Oliveira. Passa muito pela qualidade do sabor, o aroma e a textura dos produtos. Não têm que ser tradicionais, mas têm de ser portugueses”. Depois há neste espaço um conceito irresistível de mercearia antiga. “Não era uma intenção, mas foi assim que ficamos conotados”. A recetividade foi positiva, com o aparecimento de muitos clientes estrangeiros. Nota-se que se tivessem uma forma de comprar à distância assim o fariam. E foi nessa perspetiva que pensamos na loja online, que vamos implementar em breve”. Aberto de segunda a quinta entre as 10h30 e as 21h00, sexta entre as 10h30 e as 22h00, sábado e domingo entre as 13h00 e as 20h00.

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GALERIA DE PARIS

Cocktail irresístivel Rua de Galeria de Paris, 56 Telefone: 222016218 Na Galeria de Paris há de tudo um pouco. “Temos o nosso espaço de espetáculos, uma espécie de mini palco. Todas as noites temos atividades diferentes”, começa por explicar Verónica Miranda à VIVA!. “Na nossa sala superior temos aulas de dança. Temos tango, capoeira, entre outras atividades”. O estabelecimento, nas palavras de Verónica, “chama a atenção por todo o aspeto em si, com um certo caráter retro”. “Nos pequenos-almoços fazemos o menu estudante. O normal é 2,20 euros e para os estudantes fica 1,60 euros. Somos muito procurados pelos cheesecakes”. “Uma peça que chama muito atenção aqui é o nosso candelabro. Porque também já esteve em França numa exposição. Esteve lá uns meses”. Ao almoço “temos todos os dias pratos diferentes”. Às terças-feiras à noite há sempre fado. Aberto de segunda a domingo das 08h30 às 03h00.


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PÃO QUE LADRA & DESTILARIA “Não é por ser meu, mas é o bar mais giro da rua” Rua Cândido dos Reis, 126 Telefone: 223285792 | 912799627 A história deste estabelecimento é curiosa. Inicialmente a ideia era fazer uns cachorros inspirados nos cachorros da Batalha, que são famosos. Cachorrinho, cão, e como tudo era à base de pão, acabou por ser “Pão que Ladra”. Neste momento todos os pratos têm o nome de raças de cães”, começa por explicar Andreia Calixto. “Um ano depois de termos aberto o «Pão que Ladra» surgiu-nos o convite de fazermos parte deste projeto com a vertente de restaurante e bar. Visto que estamos inseridos neste momento numa rua muito ligada à noite, aos bares, acabamos por aceitar a proposta”, frisa. Aqui estão disponibilizados “hamburgers tradiconais. Não usamos congelados. Optamos por algo mais fresco. Dá mais trabalho, mas compensa decididamente. E a vertente de bar tem variadíssimos cocktails. Fechamos às 4 da manhã ao fim de semana e com pista de dança”. “Todos os fins de semana temos dj’s. A obra do espaço é do Paulo Lobo, um arquiteto de interiores do Porto. Fez muitos bares”, explica Andreia. “Não é por ser meu, mas é o bar mais giro da rua” (risos). Às segundas-feiras está fechado. Terças e quartas está aberto das 12h00 às 24h00, quinta-feira das12h00 às 02h00 e sexta e sábado das 12h00 às 04h00. Domingo das 19h00 às 02h00.

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Uma casa portuguesa, com certeza! Rua de Santa Catarina, 591 Telefone: 222010301 Nesta casa portuguesa servem-se “várias espécies de hamburguers”. Têm o campestre, o de salmão, o vegetariano, o nórdico, o ´tunes´, este último, um bife de atum. Aqui “tudo é fresco. A carne é picada por nós. Tudo é cortado na hora”, baseado num “atendimento familiar”. “Estou eu aqui, está o meu filho, agora de férias, ontem à noite esteve outra minha filha. É a nossa maneira de ser”, resume Isabel Carrasco. Comparando às outras hamburguerias “temos sabores mais convencionais. Tentamos usar os sabores mais conhecidos da gastronomia portuguesa. Uma mistura 100% portuguesa”. De segunda a sexta temos o menu almoço. “Aquilo que nós fazemos em casa é o que fazemos aqui, como o cheesecake que o meu marido faz ou a minha mousse de chocolate”. O objetivo deste “saboroso” projeto passa por “tentar dar a conhecer aos estrangeiros e relembrar aos portugueses que não é preciso ir comer ao Mcdonalds”, explica Guilherme Mendes. Aberto de segunda a sábado das 12h00 às 15h00 e das 18h30 às 23h00. Ao domingo está fechado.


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CARMELITA BISTRÔ Doce confeção

Rua Saraiva de Carvalho,16 Telefone: 223194980 “Eu e um colega tinhamos um projeto anterior”, começa por explicar Ivo Pinto. Este conceito nasce a partir daí. A Carmelita Bistrô oferece “muita variedade de pastelaria caseira: desde o leite creme, rabanadas. Sempre dentro deste género, mais tradicional. É o nosso enfoque”. “Temos prato do dia também, o lombo assado é assíduo assim como a feijoada,sempre num enfoque muito tradicional. Sopa, chocolate quente, sumos naturais (laranja, kiwi, maçã)”. Acima de tudo, “muita variedade”. O que também ajuda é o espaço, “acolhedor”. “Temos muitas famílias que cá vêm. É sem dúvida um espaço convidativo”, remata Ivo Pinto. Aberto de segunda a domingo das 09h30 às 18h30.


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Oferta deliciosa e tradicionalmente variada Rua de Sá da Bandeira, 732 Telefone: 224911283 | 960372719 Este projeto nasceu há sete anos com o chef Monteiro. “Tomei conta do estabelecimento. Hoje estou aqui com 16 funcionários”, explica orgulhosamente o responsável e chefe de cozinha. Em termos gastronómicos a oferta é deliciosa e tradicionalmente variada: desde às tripas à portuguesa, passando pelo cozido à portuguesa, o arroz de pato à moda antiga e, claro, a francesinha. Tudo “numa boa relação qualidade-preço”. “Todas as nossas comidas são caseiras. É o nosso grande segredo”, remata. Aberto às segundas-feiras das 08h00 às 15h00. Às terças, quartas, quintas, sextas e sábados das 08h00 às 23h00 e domingo das 08h00 às15h00.

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O coração do restaurante é a cozinha Rua da Picaria, 55 Telefone: 222085239 | 914949869 “Nós começamos em junho de 2015. Eu e a minha esposa abrimos o estabelecimento mesmo não sendo da área. Em janeiro de 2016 resolvemos, com uma nova equipa de cozinha, refazer/reestruturar o restaurante com um novo conceito”, explica Vitor Hugo à VIVA!. “Fizemos o investimento não só na cozinha, como também no próprio estabelecimento. O feedback tem sido positivo. Na generalidade o cliente sai daqui super satisfeito”. Tornar tudo isto numa “experiência agradável para o cliente. O passa a palavra é, para mim, o melhor marketing. Mas passa por tudo. Naturalmente o coração do restaurante é a cozinha”, remata. “Temos uma carta diversificada. Inspiramo-nos nos sabores tradicionais. Temos um lombo de boi fabuloso. Outro exemplo é a picanha, saborosa”. A relação qualidade-preço também é “muito boa”, observa. Aberto de segunda a quinta das 12h00 às 15h00 e das 19h00 às 23h00. Às sextas-feiras das 12h00 às 15h00 e das 19h00 à 01h00. Sábado das 19h00 à 01h00. Aos domingos está fechado.


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O VINIL está bem e

recomenda-se!

Em finais dos anos 90 o “bolachão”, isto é, o clássico vinil, quase desapareceu das prateleiras. Foi preciso chegar à década dos “00” para se concluir que é, afinal de contas, muito útil ainda. Tanto para colecionadores como para entusiastas. Textos: Irene Mónica Leite

As palavras não são nossas. A VIVA! explica melhor. “Depois de uma década com fortes quebras nas vendas, o setor fechou 2016 com vários sinais de otimismo”, explica o Jornal Económico. Referimo-nos ao vinil e streaming. Caso para dizer: a luta contra a pirataria prossegue. No ano passado, a venda deste formato [vinil] aumentou mais de 50%: há 25 anos que não vendiam tanto. A contribuir para este aumento esteve a morte de alguns dos artistas mais marcantes da música mundial: muitos fãs investiram em discos como forma de Os recordarem. Exemplo disso é David Bowie que, no ano passado, tornou-se no artista que mais vinis vendeu. Compreende-se o gesto e “proeza” nos dias de hoje. Já em 2008/2009 notava-se um interesse crescente pelo vinil. Havia até a moda das “sleevefaces”, isto é, tentar recriar o ambiente de capa de discos marcantes da história da música. Aí foi mesmo moda, é verdade, mas que não deixou de ser interessante e acima de tudo criativa. Estão “espalhadas” pela internet autênticas odes a artistas dos mais diversos géneros. Cash é apenas um pequeno exemplo. Ainda segundo o Jornal Económico, as maiores editoras discográficas registaram, pelo segundo ano consecutivo, a “faturação mais elevada da década”.


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E mais. As receitas da Warner Music Group alcançaram uma “cifra de 3.250 milhões em 2016”, o mais alto nos últimos oito anos, aumentando uns 10%”. E porquê o vinil? Fácil. É como o dilema entre o digital e o impresso no jornalismo. O serviço é “tecnicamente” o mesmo. Mas falha a priori algo. O cheiro, a ligação umbilical sonora, o contacto físico, o elemento agradável visualmente, suscetível para coleção. Tudo isto torna o velhinho (o quê?!) LP... irresistível! Outro aspeto importante. Ainda ontem passamos pela Tubitek para “namorar” uns discos. Ou melhor os vinis. Outra tendência que notamos: o renascimento das lojas especializadas. Temos que admitir que o atendimento é mais “especializado” e não tão standardizado como nas grandes superfícies. Para além de se adquirir cd´s, recuperam-se sensações despoletadas pela conversa. Foi isso que aconteceu connosco ao encontrar uma edição especial em vinil de “Joe´s Garage”, que é inegavelmente uma das obras-primas do “maestro” Zappa. Discutiu-se a sua fase contra a cultura hippie, o seu ódio a “Bobby Brown” (the cutest boy in town… supostamente!) e ainda relembrou-se o fantástico “Hot Rats”, uma verdadeira sinfonia. Sim, este culto é para nichos… agora. As “(R)evoluções” começam sempre por algum lado, não é? Uma loja mais tradicional é a Louie Louie, uma das mais antigas da cidade, diga-se. O espaço foi pioneiro na venda de discos em segunda mão no Porto e a música é “generalista” - do jazz ao rock, da música eletrónica ao hip-hop. Conseguem-se autênticas raridades como o colossal “Welcome to the Pleasuredome” dos Frankie Goes to Hollywood. Já o espaço Vinyl Disc, mais do que um negócio e um sítio onde se fazem compras, vendas e trocas, é um esREVISTAVIVA, MARÇO 2017


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paço de tertúlia e convívio, onde se pode beber um café enquanto se discute e fala de música, e onde a fronteira entre um cliente e um amigo se tende a dissipar, tal como assistimos na Tubitek. O pequeno espaço, “apinhado de discos”, está também recheado com literatura e revistas sobre música para incentivar à conversa e à troca de impressões. O espaço fica num terceiro andar da Rua Ramalho Ortigão, junto aos Aliados, e tem duas salas divididas por géneros de música. A “sala do rock” tem os grandes clássicos, discos de pop rock, progressivo, folk, música portuguesa, new wave e heavy metal; a “sala do soul e do funk” dedica-se particularmente às sonoridades da música negra, com rap, reggae, ska, funk, soul e ainda um leque de bandas sonoras, música clássica, brasileira e francesa. Ao todo, são cerca de sete mil discos, com várias raridades pelo meio. O nosso primeiro encontro foi no Mercado Porto Belo. Sonic Beat e a sua aposta forte no vinil Estamos em pleno século XXI, era do streaming, era do mp3, mp4, mas também do recrudescimento do interesse pelo vinil. Há editoras que apostam somente no formato do “bolachão”. Curioso… A Sonic Beat é uma editora portuguesa independente dedicada ao vinil de bandas portuguesas e estrangeiras, que apesar de recente, começa a ganhar o seu espaço no mundo da música. “O projeto nasceu de uma troca de partilhas entre duas pessoas que nutrem o gosto pelo vinyl e acabou por ser materializado apenas em 2013, quando editamos o álbum dos Black Leather, uma banda portuguesa fantástica, que na altura despertava a curiosidade no nosso meio musical, tendo participado em alguns festivais importantes como o Reverence, Optimus Alive, Fade In, e que tinha hipóteses de ser internacionalizada”, começa por explicar António Manzarra. A aposta no vinil surge “por vários motivos”. “O seu legado e o lado afetivo e memórias que o acompanha, uma vez que crescemos a ouvir vinil ainda antes da era do cd, desde os singles dos programas infantis e por aí em diante, e o próprio objeto em si, que tem um sentido muito mais


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“No entanto convém esclarecer que não pomos de fora a hipótese de edição noutros formatos no futuro”, alerta António Manzarra.

estético que os outros formatos. Por outro lado, a influência do mp3 e o aumento dos ‘downloads’ fez com que, no nosso entender, o cd perdesse algum espaço e então não faria muito sentido editar nesse formato, uma vez que se poderia disponibilizar online os temas, tornando o disco muito mais acessível”.

Uma editora em expansão com apostas ganhas Os luso-britânicos Thee Eviltones e os “míticos” norte-americanos Electric Frankestein regressam às edições em vinil para lançar um álbum conjunto de verdadeiro e puro rock’ n roll. “Apocalypse Party” é um combinado transatlântico de duas bandas, duas forças da natureza que colidem entre si para espalhar ruído, devastação e energia em toda a terra. Com uma edição em vinil limitada a 300 exemplares, o álbum foi produzido e masterizado por Tiago Queiroz na Hypermonosonic Recordings em Nottingham, Reino Unido e masterizado por Kevin Paul, que tem créditos com artistas como The Horrors, David Bowie, Depeche Mode, Einstürzende Neubauten, Nick Cave and Bad Seeds, entre muitos outros, tendo a capa e Art Work desenhada por Darren Merinuk, conceituado ilustrador americano. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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“Acho que sem paixão não se consegue fazer jornalismo” Sempre de olhar brilhante e entusiasmado, Ana Guedes, diretora de informação do Porto Canal, abriu o “livro de memórias” à VIVA!, numa conversa que percorre o seu percurso de sucesso no jornalismo, amor para toda a vida. Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

A paixão pela comunicação começou cedo. “Tive uma infância e adolescência muito felizes. Tenho muito boas recordações dessa altura, mas não tenho aquela ideia de dizer ‘queria ser jornalista’”, começa por explicar Ana Guedes. “Mas sim, é verdade… Havia sinais da comunicação. Sempre participei em jornais da escola, por iniciativa minha”, confidencia à VIVA! a diretora de informação do Porto Canal. “Houve jornais que nasceram porque eu queria fazê-los. Em casa fazia entrevistas à família toda”, conta. “Agora que olho para trás, percebo. Havia alguns sinais de que eu já gostava muito de comunicação e jornalismo, especificamente. Mas nunca vi isso como uma profissão. A ideia de ser jornalista veio muito mais tarde. No 12º ano, mais concretamente. Aqueles testes psicotécnicos que nos fazem na escola. Os meus indicavam comunicação. Mas eu achava que queria ser advogada”, confessa.

Ana Guedes passou pela TVI Porto e Algarve, experiências que ajudaram a construir as bases atuais. “Sem dúvida. Acho que os estágios servem para isso mesmo. Precisamente para que as pessoas percebam se é aquilo que querem fazer. Para que comecem a perceber quais são as áreas em que gostam mais de trabalhar. Eu tentei tirar o máximo partido dos estágios que foram surgindo. O estágio na TVI Porto deixou-me o chamado bichinho pela tv e pela comunicação. Porquê TV? Ana Guedes explica o porquê do fascínio pela “caixa mágica”. “Quando estava na faculdade comecei a perceber que gostava muito de jornalismo, mas achava que gostava de imprensa, de ser jornalista num jornal. Alguns dos meus professores da altura começaram a perceber que não, que eu tinha mais talento para tv”, explica a diretora de informação do Porto Canal.


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COMO UM PAPEL RASGADO MUDA UMA VIDA “Eu nem olhei muito seriamente para a ideia [de ser jornalista]. Primeiro porque eu não achava que fosse uma profissão. Era uma coisa que eu gostava de fazer e nunca pensei um dia que desse dinheiro. E porque os meus pais também não me incentivavam muito para essa área. Estavam sempre a estimular para o Direito, que era uma área que eu também gostava. E depois, não sei bem como, preenchi a ficha de candidatura à faculdade com as primeiras opções em Direito. E o curioso é que ia a sair do sítio onde se fez a inscrição e pensei no seguinte: e se me inscrevesse em jornalismo? Se calhar era giro e tem mais a ver comigo. Pedi à senhora para rasgar a folha e ela deixou. E eu, num ato assim instintivo, tirei tudo o que tinha a ver com Direito (ficou para 4ª ou 5ª opção) e coloquei Jornalismo”, recorda Ana Guedes. Hoje, olhando para trás, considera que foi uma “das melhores decisões” da sua vida.

“Eu tinha dificuldade em prolongar textos até 5000 caracteres. Tinha uma escrita mais telegráfica. E eles acharam que era de facto uma escrita mais televisiva. Lidei sempre muito bem com as câmaras. Nunca fiquei muito nervosa com aqueles exercícios da faculdade. Isso também ajudou. E depois correu tudo bem. A TVI Porto era aquilo que eu queria. Tive lá colegas que me deram muito bons conselhos, que me ensinaram muita coisa”, resume. Após a colaboração na TVI Algarve, surge uma

espécie de hiato. “A realidade é que eu não tinha muitas condições pessoais para estar muito tempo no Algarve. Era muito novinha. Gostava muito dos meus amigos e sempre fui apaixonada pela cidade do Porto. Tinha namorado no Porto. E acabei por tomar uma decisão: a de estar perto das pessoas de quem gosto”, explica. “Estava farta das viagens Porto-Algarve, Algarve-Porto. O Algarve é um pouco inóspito no Inverno. Geraram-se, portanto, condições para regressar REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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ao Porto. Embora tentasse, não encontrei logo emprego na área, mas também não aguentei muito tempo desempregada. Comecei a procurar trabalho e arranjei numa companhia de seguros. O que eu achei que não tinha nada a ver comigo, acabou por ter. Estava felicíssima lá. Gostava muito do que fazia”, recorda Ana Guedes. Depois surgiu a oportunidade no Porto Canal. “Eu estava sempre atenta, pois aquilo que eu gosto mesmo de fazer é jornalismo. Na companhia de seguros sim, mas sempre atenta ao mercado. Quando soube que ia haver castings para o Porto Canal inscrevi-me. E fiz um casting em que era improvável que ganhasse”, recorda. “Porque era um casting só para modelos. A fase dos jornalistas já tinha passado. Mas, felizmente, mais uma vez tive sorte. Alguém abriu uma porta excecional para mim no Porto Canal. E foi por essa porta que eu entrei para fazer jornalismo”. Mais tarde, soube que a TVI estava a reforçar os quadros por causa da TVI 24. “E pensei, porque não? Se calhar era um novo crescimento na minha carreira. Mas estive na TVI Porto por pouco tempo”. Lisboa foi o próximo “voo”. Depois, com os filhos, a questão pessoal volta a entrar em primeiro plano. Voltaram-se a pesar os fatores. Todo este contexto faz com que Ana

Guedes regresse ao Porto, a sua terra mãe, o seu berço, com mais uma oportunidade no Porto Canal. Entra como jornalista e pelo bom trabalho demonstrado chegou a diretora de informação. “Foi um desafio do qual eu não estava à espera. Acho que o balanço é muito positivo. São dois anos de direção de informação”. “Estamos a percorrer um longo caminho de afirmação e credibilidade. E a prova disso é que as pessoas já confiam no Porto Canal como veículo de informação muitas vezes em primeira-mão. Temos cada vez mais histórias exclusivas. E isso para nós é uma conquista”, reforça. Ana Guedes coordena a informação e mantém um programa na estação (Sexo à Moda do Porto). Não é um processo propriamente fácil de conciliar. “Não posso dizer que seja uma vida fácil. Tem tudo a ver com estabelecer prioridades. Se bem que não tenho tempo para tudo o que gostava. Não tenho tempo para ir ao cabeleireiro tantas vezes quanto gostaria, ginásio… Portanto, faço as coisas de outra maneira. Arranjo as unhas em casa, não se vai tantas vezes ao cabeleireiro” (risos). O Sexo à Moda do Porto Já são dois anos no ar. O “balanço é muito positivo”, descreve Ana Guedes. “Legitimamente foram


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levantadas dúvidas se a diretora de informação do Porto Canal podia apresentar um programa sobre sexo. Acho que são dúvidas legítimas e que já estão mais que esclarecidas. O ‘Sexo à Moda do Porto’ é um programa de educação sexual. É um programa, muitas vezes baseado em estudos científicos, também com opinião. Mas é um programa de serviço público, onde as pessoas independentemente da orientação sexual, da idade, podem expor tranquilamente e no anonimato. Não é brejeiro. Não é um produto para vender. Não é um produto para audiências. É pedagógico para toda a sociedade”, reforça. “Eu e o Quintino Aires estamos muito satisfeitos pelo que temos conseguido com o programa porque recebemos dezenas de cartas todos os meses vindas de todo o país e não só. Temos muito bom feedback”, assegura Ana Guedes. “Para mim é uma espécie de missão enquanto jornalista. A luta contra o preconceito, a discriminação do género, a favor da educação sexual, que tem, a meu ver, de ser vista como outra área qualquer”. A paixão pela profissão é notória. “Tenho, é verdade. Aliás, acho que sem paixão não se consegue fazer jornalismo. No início fazemos por entusiasmo. A partir daí a paixão tem que ser

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alimentada. Não temos horário de trabalho. Não temos Natais, feriados. Não temos aniversário. Exige mesmo muito de nós. Por isso, tem mesmo que haver uma boa dose de paixão”, sustenta. “Se não houver [paixão], de onde vem a motivação? E é algo muito intenso. Acordamos às sete da manhã já a ouvir notícias. E só duas ou três boas a fechar o jornal. E depois continuamos um dia inteiro nas redações, a ser povoados por más notícias, que chegam de todas as partes do mundo. Imagens violentas, coisas chocantes. Portanto, a nossa vida é uma preocupação constante. Preocupações económicas, políticas, sociais. Por isso, tentar lidar com esta realidade da melhor maneira ou é paixão, ou vamos abaixo”, frisa. Por outro lado, numa fase de certa “desinformação” revela-se necessário refletir sobre a importância do jornalismo na nossa sociedade. “Noutro dia estive numa conferência de uma universidade sénior na Gafanha da Nazaré. O tema era ‘O poder da informação’. E no final da conferência, que acabou por ser uma conversa muito interessante, de pessoas de várias gerações, a pergunta que ficou foi: afinal que poder tem hoje a informação? Em tempos éramos o 4º poder. Hoje, o que somos? Somos, o 4º, o 1º poder? Temos todo o poder?”, questiona Ana Guedes. “Depois a Internet é um mar gigantesco de informação. Um mar muitas vezes revolto. Está tudo misturado. As redes sociais confundem-se com sites de notícias. Há um imediatismo que muitas vezes não implica confirmação”, confessa. “Até nós, jornalistas, entramos nesse delírio do que é informação e do que é boato. Nós em tv, qualquer hora é para fazer direto. Hoje em dia é facílimo e barato fazer um direto. Há uma necessidade constante de informar e de atualizar informação. Mas a rapidez é inimiga da informação. O querer chegar primeiro não dá tempo para aperfeiçoar a notícia. Esta pressão é inimiga do bom jornalismo”, constata. Torna-se, por isso, decisiva a educação para os mass media. “Sem dúvida. Acho que a sociedade em geral tem de refletir sobre o facto de estar a perder valores fundamentais. Nós somos culpados, mas o público também é. Porque tem direito a escolher”, conclui. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


s e õ t s e g Su s i a r u t l Cu “Noivo por Acaso” no Teatro Sá da Bandeira Com Fernando Mendes, Carla Andrino, Patrícia Tavares e Frederico Amaral. Vítor Moreira (Fernando Mendes) é um empreiteiro que é chamado para fazer um orçamento para uma obra de remodelação de uma empresa. Acontece que essa empresa não é uma empresa qualquer. Trata-se de uma agência matrimonial, facto que Vítor Moreira não sabia. E não só não sabia que era uma agência matrimonial, como também não sabia o que era uma agência matrimonial. O que supostamente seria um dia de trabalho normal, rapidamente se transformou no dia mais longo da vida de Vítor (e não só). Isto porque no dia e na hora em que Vítor vai fazer o orçamento, o dono da agência matrimonial está à espera de um cliente milionário (um português que é banqueiro em Nova Iorque), que por sua vez também está à espera de sair daquela agência já noivo, nesse mesmo dia. Nesta peça algumas questões afiguram-se: será que o crime compensa? E se compensar, a quem compensará? É uma questão de ir ver... As risadas estão garantidas neste ciclo vicioso. O espetáculo “Noivo por Acaso” será apresentado de 21 a 23 de abril, no Teatro Sá da Bandeira.

Exposição “Yo-yo” da artista Ana Manso para ver na Galeria de Serralves A pintora portuguesa Ana Manso expõe até 7 de maio, na Galeria de Serralves, o seu mais recente trabalho. A exposição, intitulada “Yo-yo”, é comissariada por Ricardo Nicolau, curador e adjunto da direção do Museu. Nesta mostra, a artista inclui pinturas recentes e dois murais realizados diretamente nas paredes da Galeria Contemporânea do Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Naquela que é a sua primeira exposição individual num espaço museológico, a pintora apresenta uma obra que “explora as subtilezas das densidades, oscilando entre a opacidade e a transparência” e desenvolve um trabalho que “deambula entre a abstração e a figuração”, procurando referências concretas em pormenores arquitetónicos e decorativos que encontra na paisagem urbana, em imagens recolhidas em revistas, livros, pinturas e desenhos. Esta exposição de Ana Manso é realizada no âmbito do programa Projetos Contemporâneos, cujo objetivo é servir como plataforma de dinamização e apresentação de obras de artistas, emergentes ou estabelecidos, que inovam nas diversas disciplinas pictóricas e formas de arte.


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Placebo com dois concertos em Portugal Para comemorar 20 anos de lançamento do tremendo álbum de estreia, os Placebo voltam à estrada e brindam Portugal com dois concertos em nome próprio no próximo mês de maio. A banda de rock alternativo sobe ao palco do Pavilhão Multiusos de Gondomar dia 1 de maio e no dia seguinte atua no Coliseu de Lisboa. Os Placebo trazem a Portugal mais de duas décadas de canções de sucesso, que contam com hits como “Running Up That Hill”, “Every You Every Me”, “Song To Say Goodbye”, “Pure Morning”, entre muitos outros. De forma a registar a carreira de sucesso da banda, os Placebo lançaram recentemente uma coletânea apelidada “A Place for Us to Dream”, que reúne os maiores êxitos e ainda um tema inédito, “Jesus Son”. Além desta compilação retrospetiva de 20 anos, o grupo lançou também um EP chamado “Life’s What You Make it”, que reúne seis temas, que até então eram desconhecidos do público, incluindo a nova música e uma versão de “Life’s What You Make it”, dos Talk Talk.

Simple Minds em modo acústico no Coliseu do Porto Os Simple Minds encontram-se numa digressão europeia onde apresentarão pela primeira vez alguns dos maiores êxitos da sua tremenda carreira em registo acústico. Esta tournée levará para palco a coletânea “Simple Minds Acoustic”, que foi editada a 11 de novembro, e terá como convidada especial KT Tunstall. Portugal vai contar com dois concertos nos Coliseus, dia 3 de maio em Lisboa e dia 4 do mesmo mês no Porto. Após atingirem um patamar inimaginável em 2014, onde viram o seu 16.º álbum de estúdio - “Big Music” - ser considerado pela crítica, como foi o caso da publicação Mojo, o melhor álbum da banda em 30 anos, o grupo decidiu continuar a sua busca artística e “reeinventar-se” com o lançamento de um álbum com canções despojadas e reinventadas que representam a “eclética e ilustre” carreira dos Simple Minds. Com este álbum, os Simple Minds encontraram uma forma de apresentarem em formato acústico alguns dos temas mais admirados por milhões de fãs, sem perderem a sua essência, de forma mais orgânica e ainda mais propensa a deixar uma marca duradoura. Os sintetizadores já não se ouvem, mas a alma celta permanece. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


Livros: “Quem não sonha voar, Alice?” A Porto Editora apresenta uma das mais adoráveis crianças da ficção literária dos últimos anos: Frank, protagonista de “Quem não sonha voar, Alice?”. Alice é uma jovem assistente, contratada para assegurar que o projeto de segundo livro de uma escritora eremita é levado a bom porto. Quando chega a Bel-Air, descobre que a sua função não passará por ajudar a nascer um bestseller, mas por tomar conta de uma criança muito invulgar, sensível e especial. “Quem não sonha voar, Alice?” não vai deixar ninguém indiferente à candura e imaginação delirante de Frank e às “divertidas” situações criadas por um trio de personagens invulgares, neste romance de estreia de Julia Claiborne Johnson.

José Cid presenteia fãs com dois concertos entre “Vénus” e “Marte” O anúncio foi feito recentemente. “Para além de ser o dia do meu aniversário, é o dia em que decido que a prenda vai para todos aqueles que seguem o meu trabalho”, começa por explicar José Cid. “O presente está diretamente relacionado com uma obra minha que felizmente é reconhecida nos quatro cantos do mundo”, continua. Trata-se do célebre álbum “10.000 anos depois entre Vénus e Marte”. A Casa da Música vai recordar a obra-prima, já no próximo dia 6 de maio. “Corria o ano de 1978 quando lancei pela editora Orfeu aquela que viria a tornar-se numa das obras de maior sucesso de Rock Sinfónico do mundo: ‘10.000 anos depois entre Vénus e Marte’”, contextualiza o músico José Cid. “Passados quase 40 anos vou voltar a trazer a palco a história ficcional do homem e da mulher que regressam à terra 10.000 anos depois da sua total destruição, para repovoa-la”, explica. “A verdade é que todos os dias recebo pedidos para voltar a subir a palco com esta obra. Por vocês, pelo ‘10.000 Anos Depois Entre Vénus e Marte’ (e por mim também), dia 1 de maio na Aula Magna, e dia 6 de maio na Casa da Música temos encontro marcado para mais uma viagem galáctica”, promete e justifica o eclético músico.


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Primavera Sound: aproxima-se mais uma edição Após ter surpreendido com a revelação, em dezembro passado, do cartaz completo da sua sexta edição, a organização do NOS Primavera Sound divulgou também a programação por dias do festival que, entre 8 e 10 de junho deste ano, regressa ao Parque da Cidade do Porto. Promete! Os bilhetes diários estão disponíveis por 55 euros no site da bol, Ticketea, portal NOS Primavera Sound e nos locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés, Worten…)

EXPOSIÇÃO “Leonardo Da Vinci - As Intervenções do Génio” O Centro de Congressos da Alfândega do Porto acolhe, de 31 de março a 31 de julho, a mais completa e interativa exposição sobre a vida e obra de uma figura emblemática do Renascimento – Leonardo Da Vinci. Trata-se de uma exposição itinerante sobre a vida e obra deste homem do Renascimento. A exposição dá vida às muitas invenções, máquinas e equipamentos que por ele foram idealizados e desenhados. Protótipos de helicópteros, tanques de guerra, calculadoras e até o uso da energia solar... não vão faltar. De que está à espera? O homem, o inventor, o génio Animado por uma curiosidade constante que procura entender, explorar e experimentar, Leonardo foi, provavelmente, o homem dotado da maior diversidade e profundidade de talentos, revelados em áreas tão diferentes como a matemática, a medicina, a engenharia, a pintura, a arquitetura, a botânica e a música. Conceptualizada e desenvolvida por um núcleo de artistas italianos a partir dos famosos manuscritos de Leonardo Da Vinci, a exposição dá vida às muitas invenções, máquinas e equipamentos que por ele foram idealizados e desenhados, muitos dos quais sem nunca terem sido concretizados. Cada uma das 64 invenções patentes na exposição foi construída usando detalhes precisos do espólio de Leonardo, num “esforço coletivo” de produzir as representações mais exatas das suas ideias. Além dos modelos em exibição, que os visitantes podem efetivamente experimentar, são disponibilizados materiais pedagógicos para todas as idades, incluindo explicações de cada uma das invenções apresentadas. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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“Douro, meu rio, ensina-me os caminhos para te reencontrar” Hélder Pacheco, in Tradições Populares do Porto


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MATOSINHOS REABILITA PATRIMÓNIO

Para garantir um futuro ao passado de Matosinhos, a Câmara Municipal vai investir 149 milhões de euros no Programa Estratégico das Áreas de Reabilitação Urbana de Matosinhos e Leça da Palmeira. O investimento foi anunciado, no início de março, pelo presidente da autarquia, Eduardo Pinheiro, durante a inauguração do Balcão de Reabilitação Urbana que está localizado na Loja do Munícipe. Texto: Irene Mónica Leite

De acordo com a autarquia, dos 149 milhões, 81 vão para a sede do concelho - 18,5 oriundos de investimento público. A Leça da Palmeira cabe o restante, 68 milhões, sendo que 12 ficam a cargo do município. No total, o investimento público estimado é de 30,5 milhões de euros. O restante terá origem em privados e nos quadros estratégicos de financiamento. Como apoio ao Programa Estratégico de Reabilitação Urbana (PERU) de Matosinhos e Leça da Palmeira, foi inaugurado o Balcão da Reabilitação Urbana e que se assume como um “meio privilegiado de comunicação entre a Câmara Municipal de Matosinhos e os promotores de operações de requalificação de imóveis, disponibilizando toda a informação, auxiliando na instrução dos processos e agilizando os respetivos procedimentos”. “O objetivo só pode ser um: garantir um futuro ao passado de Matosinhos”, remata Eduardo Pinheiro, presidente da Câmara de Matosinhos. O balcão permitirá, assim, facilitar o acesso dos investidores aos incentivos à reabilitação que vigorarão com a entrada em vigor do PERU de Matosinhos e Leça da Palmeira. Matosinhos e Leça da Palmeira, núcleos de “origem medieval”, desenvolvem a sua atividade cívica e socioeconómica em redor do rio Leça, espaço central de ligação entre os dois núcleos. Historicamente, as principais atividades locais estão relacionadas com a moagem, a pesca, a salga do peixe e a agricultura. O centro urbano de Mato-

sinhos desenvolveu-se de forma mais “intensa” como núcleo piscatório associado à pesca e à extração do sal, enquanto Leça da Palmeira constituía um núcleo ligado à agricultura e à moagem, de casas rurais com moinhos de pão localizadas ao longo do rio. “Não fossem as zonas urbanas antigas e é provável que as cidades fossem todas iguais (ou, pelo menos, muito parecidas umas com as outras). Mas é precisamente nos velhos bairros onde as urbes deram os primeiros passos - antes de que as estradas, a televisão e a internet nos normalizassem e esbatessem as diferenças que temos - que reside aquilo que de mais autêntico e distintivo existe na urbanização do território e, mais do que isso, na própria identidade das comunidades”, refere Eduardo Pinheiro. Com um investimento público estimado de 30,5 milhões de euros, o PERU visa “promover a requalificação patrimonial, garantindo o acesso a programas de financiamento neste domínio e a criação de estímulos para a iniciativa privada no âmbito da regeneração urbana, nomeadamente ao nível fiscal e administrativo”. O PERU define, assim, as “opções estratégicas de reabilitação e de revitalização da área de reabilitação urbana, as respetivas prioridades, o quadro de apoios e incentivos às ações de reabilitação


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executadas pelos proprietários e demais titulares de direitos, o programa de investimento público e o programa de financiamento da operação”. “A reabilitação do património construído apresenta-se, pois, como um imperativo absoluto do tempo que vivemos. Não existe outro modo de garantir que o legado urbano das anteriores gerações se mantém efetivamente vivo, ou de permitir que os nossos últimos traços identitários subsistam; mas também não há outra forma de evitar o contínuo alastramento das manchas construídas do território (e a consequente delapidação dos recursos naturais) ou de garantir que o centro das nossas cidades volta a ter atividade económica, bulício, movimento de gente - numa só palavra, vida”, resumiu o autarca. “O Programa Estratégico das Áreas de Reabilitação Urbana de Matosinhos e de Leça da Palmeira, agora aprovado, constitui um instrumento fundamental para a reabilitação das zonas antigas da cidade de Matosinhos, promovendo não só a requalificação patrimonial, mas garantindo também o acesso a programas de financiamento neste domínio e a

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criação de estímulos para a iniciativa privada no âmbito da regeneração urbana, nomeadamente ao nível fiscal e administrativo”, frisou Eduardo Pinheiro. A discussão pública do PERU incluiu a realização de duas sessões públicas, a primeira das quais teve lugar a 15 de março, no Espaço ESAD IDEA da Rua Brito Capelo. A segunda sessão decorreu a 16 de março, no auditório dos Franciscanos, em Leça da Palmeira (Rua Santos Leça). A ARU de Matosinhos A Área de Reabilitação Urbana de Matosinhos (ARU) integra, com exceção do Mercado, a área predominantemente residencial. A área delimitada reúne um “património histórico e arquitetónico de relevo”. Como indica o relatório final do programa, elaborado em dezembro de 2016, na ARU de Matosinhos, que abrange uma área de cerca de 41 hectares, a reabilitação passa sobretudo por requalificar o património edificado da área residencial e comercial. Os compromissos da ARU de Matosinhos passam por “requalificar e reabilitar o património REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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com interesse cultural; promover a reabilitação dos edifícios degradados ou funcionalmente desadequados, bem como do espaço urbano em geral; promover a desocupação dos logradouros, excessivamente preenchidos com construção de génese ilegal; revitalizar a atividade económica tradicional, afirmando os fatores de identidade cultural local, como elementos potenciadores de diferenciação e competitividade urbana; promover o desenvolvimento socioeconómico na perspetiva da sustentabilidade ambiental”. Dado o carácter histórico da área de estudo e a época de construção dos edifícios, a ARU integra uma parte “muito significativa” do património arquitetónico municipal que inclui um Monumento Nacional – o Padrão do Bom Jesus de Matosinhos, um Imóvel de Interesse Público –, o Mercado Municipal e 18 imóveis com interesse municipal que representam arquitetura pública, residencial e industrial (indústria conserveira). Para além destes, a ARU abrange 50% dos conjuntos urbanos (unidades que contêm edifícios a preservar pelo seu valor de conjunto) referenciados à antiga freguesia e que pontuam quase todos os quarteirões. Em suma, os “edifícios com valor patrimonial” constituem aproximadamente 50% dos edifícios da ARU, com maior concentração nos quarteirões norte

e em torno das Ruas Brito Capelo, Roberto Ivens e Heróis de França. A requalificação da Av. de Serpa Pinto já está a avançar, tal como a intervenção na vizinha Rua Heróis de França. Pretende-se potenciar, por um lado, a economia local, garantindo melhores condições para a fruição pedonal e acesso ao comércio local e, por outro, reduzir a velocidade da circulação automóvel, nomeadamente através de mecanismos de acalmia. Assim, a “intervenção” envolve o alargamento dos passeios para dimensões que comportem a colocação de esplanadas e de todos os sistemas expositivos publicitários necessários ao comércio, deixando livres duas faixas de circulação automóvel (uma para cada sentido). A ARU de Leça da Palmeira A ARU de Leça da Palmeira integra três categorias distintas: uma residencial, que corresponde à maior parte da ARU, incluindo o centro histórico e o núcleo de Gonçalves, outra de serviços, que inclui parte do edificado adjacente à rua Óscar da Silva, para nascente, na zona correspondente à Exponor, e por fim uma área verde, que corresponde às Quintas da Conceição e de Santiago e a outros espaços verdes dispersos em torno dos principais nós rodoviários.


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Abrange 68 hectares, compreende 53 vias, entre avenidas, ruas, estradas, travessas, vielas, largos e calçadas, 80 quarteirões e 916 parcelas, cuja grande maioria se encontra edificada. De salientar que a área delimitada reúne um património histórico e arquitetónico de relevo. Compreende o “Forte de Nossa Senhora das Neves”, Monumento Nacional, 11 outros monumentos e 305 imóveis a preservar, integrados em Conjunto de Interesse Municipal. A ARU, pela configuração dos seus limites, apresenta uma estrutura urbana “diversificada”, incluindo áreas muito distintas: umas mais orgânicas e outras mais regulares; umas mais consolidadas e outras mais dispersas e lineares; umas mais urbanas e outras mais rurais. Abrangendo globalmente a frente urbana do rio Leça, que confronta com a zona do Porto de Leixões. Existe na ARU um número relevante de edifícios degradados: cerca de 24% apresentam estado de conservação classificado como mau/péssimo/ruína, valor muito superior ao registado na antiga freguesia de Leça da Palmeira (13%) pelos Censos. A análise ao nível das frações permitiu, ainda, verificar que cerca de 30% dos edifícios estão total ou parcialmente devolutos ou em ruína. Os objetivos gerais previamente estabelecidos para esta área são os seguintes: “requalificar e reabilitar o

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património com interesse cultural; promover a reabilitação dos edifícios degradados ou funcionalmente desadequados, bem como do espaço urbano em geral; promover a desocupação dos logradouros, excessivamente preenchidos com construção de génese ilegal; revitalizar a atividade económica tradicional, afirmando os fatores de identidade cultural local, como elementos potenciadores de diferenciação e competitividade urbana; promover o desenvolvimento socioeconómico na perspetiva da sustentabilidade ambiental”. Segundo o relatório, a área da ARU de Leça da Palmeira é limitada a sul e a poente por dois elementos naturais – o rio Leça e o mar, de “enorme significado”, que determinam, em grande parte, quer a sua estrutura urbana e funcional, quer a sua imagem e identidade. Apesar desta localização, a contiguidade espacial da ARU, a norte e a nascente, com outras áreas consolidadas da cidade de Leça da Palmeira e com áreas de forte vocação logística, e a relação com a cidade de Matosinhos, na outra margem do rio, evidenciam a “necessidade de reequilibrar alguns espaços estratégicos de conexão urbana”. A título de exemplo, e embora com uma natureza diferente, apresenta-se a conexão entre os grandes espaços verdes das Quintas de Santiago e da Conceição e a forte concentração residencial na fachada litoral da cidade. “Estamos a falar, neste caso, não de ligações de proximidade, que impactam em termos visuais, morfológicos e funcionais os espaços urbanos, mas em conexões funcionais que podem contribuir para uma melhor qualidade de vida e eficiência na fruição dos ativos culturais e ecológicos urbanos”, escreve o relatório. Balanços A longo prazo, as ARU de Matosinhos e Leça da Palmeira poderão transformar-se em “centralidades urbanas qualificadas, dinâmicas, multifuncionais e atrativas”, assumindo-se “quer enquanto espaços residenciais de perfil histórico, quer enquanto espaços de oferta de serviços e amenidades de escala supramunicipal”. “Alterar a imagem de declínio das duas zonas, mantendo a sua traça identitária (…)”, “melhorar a qualidade do espaço público” e, entre outros, “fortalecer a coerência urbana nas ARU” são objetivos estratégicos de reabilitação urbana definidos. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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SANTA MARIA DA FEIRA é meca do Turismo e da Cultura Imaginarius, Viagem Medieval e Perlim são eventos de dimensão internacional “Santa Maria da Feira é uma das urbes em Portugal onde o Turismo mais tem crescido. Somos hoje um território muito atrativo para os turistas, pela nossa oferta cultural mas também porque estamos a investir na reabilitação urbana e no lazer como estímulo à economia”, afirma o Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira e do Conselho Metropolitano do Porto, Emídio Sousa. Emídio Sousa não tem dúvidas de que os próximos anos vão ser risonhos para quem vive e trabalha em Santa Maria da Feira. No imediato, o concelho continua a consolidar a sua imagem de marca no âmbito dos eventos culturais de grande dimensão: o Imaginarius, a Viagem Medieval, o Perlim. Mas agora tem também marcado pontos no reconhecimento internacional desses eventos, conseguindo trazer para Santa Maria da Feira iniciativas com o impacto do Fresh Street #2, a realizar em maio, ou o Congresso Ibérico sobre a História do Papel em Portugal e Espanha, em junho. Para além disso, a gestão municipal do Europarque – Cidade dos Eventos, melhor centro de congressos de Portugal, é uma espécie de cereja no topo do bolo, porque tem sido um equipamento fundamental para a dinamização da cultura, das artes e de todo o envolvimento económico e empresarial da região das Terras de Santa Maria.

Gil Ferreira, Vereador da Cultura e do Turismo da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, não tem dúvidas: “Santa Maria da Feira é hoje uma marca de ‘fazer bem’, na Cultura mas não só, que já ultrapassou as fronteiras de Portugal”. A corroborar esta afirmação, registe-se que recentemente o Imaginarius – Festival Internacional de Artes de Rua, que decorrerá nos dias 25, 26 e 27 de maio, recebeu o prémio “Melhor Evento Cultural e Artístico 2016”, na 9ª Gala dos Eventos, em Lisboa. Antes, em Dublin, a Viagem Medieval em Terra de Santa Maria tinha arrecadado o primeiro prémio “Melhor Evento Cultural – Best Cultural Event” nos Global Eventex Awards 2017. A recriação histórica de Santa Maria da Feira conquistou ainda o 2º lugar do Grand Prix “Best Event” Eventex. Estes dois prémios internacionais vêm juntar-se ao Prémio Cidade de Castellón, atribuído por nomeação pela Fundação Moros d’Alqueria (Comunidade Valenciana, Espanha), em fevereiro do ano passado. O maior evento de recriação histórica da Europa, organizado pelo Município de Santa Maria da Feira, empresa municipal Feira Viva e Federação das Colectividades de Cultura e Recreio do Concelho, soma assim dez prémios, atribuídos desde 2008, sendo três deles internacionais. Também o Vereador da Cultura, Turismo, Bibliote-


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cas e Museus, Gil Ferreira, viu a Gala dos Eventos atribuir-lhe o galardão “Personalidade dos Eventos 2016”. Um prémio extra competição, fundamentado “pelo seu trajeto pessoal e por personificar a estratégia de implementação e produção de eventos, reconhecida nacional e internacionalmente como exemplar, com o inerente impacto na promoção do destino Santa Maria da Feira”. O maior festival de Artes de Rua realizado em Portugal Nos próximos dias 25, 26 e 27 de maio, Santa Maria da Feira volta a ser o palco nacional de maior dimensão internacional das artes de rua. O Imaginarius 2017, cuja programação está em fase de conclusão, traz de novo ao concelho as mais importantes e influentes companhias e personalidades nacionais e internacionais do Mundo. Santa Maria da Feira será, assim, mais uma vez, o “palco do mundo” no que se refere às artes de rua. A atestar este reconhecimento que atravessa fronteiras e oceanos, está o Prémio Melhor Evento Cultural e Artístico, que a edição do Imaginarius 2016 recebeu recentemente.

Na ocasião, o Presidente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, Emídio Sousa, que recebeu o prémio, sublinhou: “Para nós é um reconhecimento de muito trabalho, de muito esforço, até porque não somos uma capital, não somos uma cidade muito grande, o que torna ainda mais notável todo o trabalho que temos feito nesta área”. O Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua de Santa Maria da Feira é o maior evento de Artes de Rua realizado em Portugal e uma referência internacional. Acontece anualmente, no mês de maio.


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O Festival aposta, desde 2001, nas grandes produções internacionais e no desenvolvimento de criações originais para apresentação em estreia na sua programação, dando espaço à experimentação e à imaginação dos criadores locais. Do programa oficial fazem, ainda, parte a secção Mais Imaginarius, contextualizada como uma competição de projetos de artistas emergentes, e o Imaginarius Infantil, com oficinas e experiências inovadoras para um público entre os 3 e os 12 anos. O Imaginarius integra atualmente a rota europeia das Artes de Rua, seja pela sua presença na Circostrada Network, seja por um conjunto de parcerias com outros festivais e projetos de criação, que contribuem para a afirmação de Santa Maria da Feira como capital portuguesa das Artes de Rua. Através das dinâmicas do Imaginarius 365, Santa Maria da Feira respira Artes de Rua ao longo de todo o ano. Mais informação em www.imaginarius.pt REVISTAVIVA, MARÇO 2017


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PARANHOS

inovação e qualidade Com o programa do mandato totalmente concluído, o presidente da Junta de Freguesia de Paranhos, Alberto Machado, prossegue a sua caminhada pela inovação e qualidade de vida dos cidadãos. O resultado desta ambição evidencia-se, por agora, em três projetos distintos: um de terapia assistida por animais, outro que traz mais saúde oral para a freguesia e um outro, não menos importante, centrado nos idosos em parceria com a ADDIM. Ações importantes numa política de intervenção social de sucesso. Texto: Irene Mónica Leite

“Conseguimos concretizar todas as medidas a que nos tínhamos comprometido no programa eleitoral para com os nossos cidadãos e isso levou a termos preparado um plano de atividades para 2017, com o objetivo de

ir mais além do programa que tínhamos em mente”, começa por explicar orgulhosamente Alberto Machado. “Iniciamos, assim, um conjunto de parcerias e de protocolos para projetos em que alguns, inclusive,

já estão em implementação. Um exemplo é o projeto piloto de terapia assistida por animais”. Trata-se de “uma unidade que tem meninos que precisam de apoio especial. São, eles, também meninos especiais. Com este projeto de terapia assistida por animais vamos conjugar uma intervenção que tem um objetivo terapêutico”, explica à VIVA! Alberto Machado. “Já há muitos estudos que comprovam que o facto das crianças com deficiência poderem ter este tipo de terapia com animais permite que elas estejam mais ativas, mais disponíveis, o que, naturalmente, é um passo importante para que possam atingir os objetivos ao nível de benefícios emocionais e afetivos”, sustenta. O projeto será dinamizado pela equipa da “Ladra Comigo”, que é constituída por duas profissio-


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nais de saúde, uma psicóloga, Catarina Cascais, que faz dupla com os cães terapeutas Miles e Safira e uma gerontóloga, Clara Cardoso, que faz dupla com as cadelas terapeutas Milú, Laika e Gemma. A equipa é certificada pela ÂNIMAS – Associação Portuguesa para a Intervenção com Animais de Ajuda Social. Por outro lado, “a inovação contínua a que estamos habituados em Paranhos, leva-nos a querer chegar cada vez mais longe. Não podíamos dizer que não a esta oportunidade de podermos possibilitar que crianças com deficiência possam ter acesso a novas terapias; é certamente uma mais valia para toda a comunidade”, conclui. Mais saúde oral na freguesia No passado dia 16 de janeiro, o presidente da Junta, Alberto

Machado, esteve na Universidade Fernando Pessoa com o reitor, o Prof. Doutor Salvato Trigo, para assinar um importante protocolo de cooperação que permitirá o acesso gratuito a cuidados primários de saúde oral aos paranhenses com rendimentos mais baixos. “Os cidadãos têm que vir à junta de freguesia, são avaliados pela nossa assistente social numa ótica de despesas e receitas. A partir daí é verificado se as pessoas são carenciadas”. E sendo, são reencaminhadas com uma credencial para terem acesso a uma medicina dentária básica que, de forma gratuita, proporciona os seguintes serviços: extrações, restaurações, desvitalizações e destartarizações (limpezas). Não estão incluídos neste protocolo tratamentos ortodônticos (correções com aparelho), cirurgias

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complexas e próteses. Zelar pelos idosos em parceria com a ADDIM Foi, ainda, assinado um protocolo de cooperação com a Associação Democrática de Defesa dos Interesses e da Igualdade das mulheres (ADDIM), que visa formalizar uma colaboração no âmbito do projeto “Viver Sempre”, para apoio aos idosos vítimas de violência(s) na freguesia de Paranhos. Pretende-se, acima de tudo, “informar, sensibilizar potenciais vítimas idosas a questões de violência, promover o envelhecimento ativo e desenvolvimento das competências sociais, nomeadamente a autoestima e bem-estar”. Até porque “nem sempre a violência é física, também pode ser psicológica”, alerta Alberto Machado. REVISTAVIVA, MARÇO 2017


M E T R O P O L I S

Melhores escultores portugueses em

Santo Tirso Têm notoriedade a nível nacional e internacional, contam nos seus currículos com a participação das mais prestigiadas bienais do mundo. Agora, estão todos juntos, representados na exposição “Quinze Escultores”, que decorre até 28 de maio no Museu Internacional de Escultura Contemporânea, em Santo Tirso. A entrada é livre. Texto: Irene Mónica Leite

“Quinze Escultores” é o nome da exposição inaugurada no passado dia 3 de março, no Museu Internacional de Escultura Contemporânea, em Santo Tirso. Alberto Carneiro, António Campos Rosado, Manuel Rosa, Zulmiro de Carvalho, Carlos Barreira, Rui Sanches, Ângelo de Sousa, Rui Chafes, José Pedro Croft, Fernanda Fragateiro, Pedro Cabrita Reis, José Barrias, Ângela Ferreira, Carlos Nogueira e José Aurélio. São estes os nomes que compõem a exposição. “Estamos a falar de artistas com um peso incontornável na história das artes plásticas em Portugal. O objetivo desta exposição, que integra a programação que a Câmara Municipal tem prevista para o Museu, é afirmar Santo Tirso como a Capital da Escultura Contemporânea em Portugal”, realça o presidente da autarquia, Joaquim Couto. Uma mostra, como acrescenta o diretor do Museu, Álvaro Moreira, que “pretende documentar a diversidade da obra de cada um dos artistas

convidados”. Nesta exposição, explica, “o público vai poder perceber as obras que cada um destes artistas se encontra a desenvolver e como se encontram os seus traços condutores na atualidade”. Escultores nascidos em Portugal ou nas antigas colónias portuguesas que, derivado ao seu trabalho artístico, possuem grande notoriedade a nível nacional e internacional entre a segunda metade do século XX e a primeira metade do século XXI, estando representados em diversos parques de esculturas. Para além desta atividade, estes escultores expõem individual e coletivamente em diversas instituições, galerias e museus. O trabalho destes artistas possui uma “grande diversidade” tanto a nível de materiais, onde se pode encontrar a pedra, o metal, a madeira, o vidro e a água, como de linhas condutoras de trabalho, onde cada um procura um “ponto de encontro” com outra arte como o desenho ou a arquitetura. “Quinze Escultores” vai estar patente até 28 de maio no Museu Internacional de Escultura


SANTO TIRSO

Contemporânea, um edifício da coautoria dos arquitetos Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura, inaugurado em maio de 2016. O edifício é sede, centro interpretativo e espaço de exposições que “complementa o acervo de 54 esculturas ao ar livre, dispersas pela cidade de Santo Tirso”.

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Muitos dos artistas convidados para esta exposição “Quinze Escultores” – como por exemplo Pedro Cabrita Reis, Alberto Carneiro, Carlos Nogueira ou José Barrias – têm obras expostas no parque escultórico do Museu Internacional de Escultura Contemporânea ao ar livre.

REVISTAVIVA, MARÇO 2017


H U M O R

No hospital uma senhora acaba de ter gémeos. O médico vai mostrar os filhos ao pai. E o pai no meio daquela emoção toda diz: É para escolher?

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Um homem aparece aos amigos com um lenço atado, a dar a volta por cima da cabeça e por baixo do queixo, bem apertado. - O que é isso, pá – pergunta-lhe um amigo – dói-te a cabeça? Os dentes? Foi algum desastre? - Nada disso. Morreu a minha sogra. - Então?… Morreu-te a sogra… e porque é que trazes o queixo amarrado? - É para não me rir!!!

O Carlos, o Tonho e o Quim estão num andaime, a lavar os vidros de um grande edifício. De repente, o Quim diz: – Ai!, ai!, preciso de ir à casa de banho ou faço aqui mesmo! – Estás louco? Vais sujar as pessoas a passar lá em baixo! – Então, bate aí na janela e pede que te deixe usar o WC! Assim faz e a senhora permite. Está o Quim tranquilo a fazer as suas necessidades, quando se ouve uma grande gritaria. Quando sai, vê que o andaime tinha partido e o Carlos e o Tonho se tinham espatifado no chão. No dia seguinte, no velório, estão lá os amigos, as viúvas inconsoláveis e o Quim acompanhado da esposa, quando chega o dono da empresa onde os rapazes trabalhavam. Imediatamente todos fazem silêncio. O empresário começa o seu discurso, dirigindo-se às viúvas: – Sei que foi uma perda irreparável, mas posso, pelo menos, tentar aliviar tamanho sofrimento. Como sei que as senhoras pagam renda, darei uma casa para cada uma. Também sei que as senhoras dependem de transportes públicos, por isso, darei um carro a cada uma. Quanto aos estudos dos seus filhos, não se preocupem mais, pois tudo será por conta da empresa até que terminem a faculdade. Para finalizar, as senhoras receberão todos os meses mil euros. E a mulher do Quim, já meio arroxeada de tanta inveja, não se contendo mais, diz ao ouvido do marido: – E o bonitão a cagar não é? O menino Carlinhos chega a casa e entrega ao pai o recibo da mensalidade escolar. – Meu Deus! Como é caro estudar nesse colégio! – E o pai imagine que eu sou o que menos estuda da minha classe! Estava mãe e filho a comer azeitonas à luz da lareira e vira-se o filho para a mãe: - Mãe! As azeitonas têm pernas? - Não meu filho, és um tolo! - Ahh! Então comi uma barata!

Uma mulher queixa-se a uma amiga de que o marido era completamente insensível e nunca se lembrava do aniversário de casamento deles. A outra sugeriu que parasse de se queixar e fizesse como ela. – O teu marido também se esquece do vosso aniversário de casamento? – Sempre. – E o que é que fazes? – Lembro-o de três em três meses e recebo quatro prendas por ano.


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