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Revista gratuita trimestral, outubro 2017

TERMINAL RODOVIÁRIO Criativo e acolhedor

PERLIM

Vai voltar a encantar

Manuel Serrão “Há a cultura do centralismo no país”

Duplo ou triplo 0%, este é o grego sem igual DESCUBRA MAIS NO INTERIOR


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Mais vale prevenir… Reza o velhinho ditado popular que mais vale prevenir que remediar… E precisamente para que se possa prevenir, a tempo, queria aqui alertar para a bomba relógio prestes a explodir na icónica ponte Luís I. Porto e Gaia têm zonas históricas que atraem milhares de visitantes, a maioria turistas estrangeiros, e a única ligação existente para peões é o tabuleiro inferior daquela ponte. Desenhada pelo engenheiro francês Théophile Seyrig, e concluída em 1886, a presença contínua de tráfego intenso e a pequena largura dos passeios tornam desconfortável e até perigosa a sua utilização. Os dois tabuleiros não estão preparados para o elevado afluxo de peões. Se no tabuleiro superior, da responsabilidade da Metro do Porto, já foram tomadas fortes medidas de precaução reduzindo drasticamente a velocidade das composições para evitar as muitas centenas de pessoas que o atravessam nos dois sentidos, o perigo maior reside no tabuleiro inferior, sob responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, com uma faixa de rodagem onde mal cabe uma viatura em cada um dos sentidos e passeios exíguos onde, diariamente, milhares de pessoas se atropelam, descendo inevitavelmente para as faixas de rodagem, causando sustos e até alguns acidentes embora, até agora, de menor gravidade. Aqui, um acidente com vítimas pode destruir o negócio do Vinho do Porto e afetar gravemente o turismo local. O que levou muitos anos a construir pode ser irremediavelmente afetado num fatídico minuto. Várias soluções são imediatamente possíveis, todas elas de baixo ou médio custo. A mais económica, mas que se tem deparado com grandes dificuldades burocráticas, passaria pelo alargamento do tabuleiro inferior da ponte, construindo-se exteriormente passeios que permitam deslocar para aí o tráfego de peões e isolando a circulação automóvel da pedestre. Outra solução, de médio custo, passaria por dar seguimento à proposta do arquiteto Adão da Fonseca que defende a construção de uma ponte pedonal, ao lado da Luís I, e que consiste num arco abatido que se estende por 156m e se eleva 12m. O arco seria constituído por uma secção tubular de altura variável em aço inoxidável da qual se destacam duas rampas ao encontro de cada uma das margens. Propôs-se a montagem da estrutura do arco fora do local definitivo sendo transportada posteriormente para o local com recurso a gruas assentes em barcos. A terceira opção, uma estrutura mista para peões e veículos, esta mais onerosa, ligaria o Porto, junto ao heliporto, em Massarelos, e Gaia, nas escarpas da Arrábida. Para as três opções até já há projetos, o custo é suportável e será certamente fortemente comparticipado, pelos fundos comunitários. Porto, Gaia e o poder central têm de dar mãos para, num curtíssimo prazo, lançarem esta obra fundamental para as duas cidades, seja qual for a opção escolhida, e, por extensão, para a imagem de Portugal no mundo. José Alberto Magalhães Diretor de Informação


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PERFIL MANUEL SERRÃO

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D I A S DA RÁ D I O F E S T I VA L

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R EQ UA L I F I CAÇÃO REAL VINÍCOLA

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MISERICÓRDIA DO PORTO H O S P I TA L D A P R E L A D A

46

NOITE PÉROLA NEGRA

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MEMÓRIAS FORCA EM PORTUGAL

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C I DA D E CENTROS COMERCIAIS

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PORTO CANAL


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ÍNDICE Revista gratuita trimestral, outubro 2017

003 EDITORIAL 028 SOLINCA 036 PERLIM 040 TERMINAL RODOVIÁRIO 050 W E RA STO R E 052 VELÓDROMO MARIA AMÉLIA 064 COMES & BEBES 078 FC PORTO

FICHA TÉCNICA Propriedade de: ADVICE - Comunicação e Imagem Unipessoal, Lda. Sede de redação: Rua do Almada, 152 - 2.º - 4050-031 Porto NIPC: 504245732 Tel: 22 339 47 50 - Fax: 22 339 47 54 advice@viva-porto.pt adviceredacao@viva-porto.pt www.viva-porto.pt Diretor Eduardo Pinto Diretor de Informação José Alberto Magalhães Redação Irene Mónica Leite Fotografia Carolina Barbot Sérgio Magalhães Marketing e Publicidade Eduardo João Pinto advicecomercial@viva-porto.pt Célia Teixeira

080 S U G E S T Õ E S C U LT U R A I S

Produção Gráfica Diogo Oliveira

084 PORTOFÓLIO

Impressão, Acabamentos e Embalagem Multiponto, S.A. R.D. João IV, 691-700 4000-299 Porto

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Distribuição Mediapost

090 M E T R O P O L I S - M AT O S I N H O S

Tiragem Global 120.000 exemplares

096 M E T R O P O L I S - PA R A N H O S

Registado no ICS com o nº 124969

098 HUMOR

Depósito Legal nº 250158/06 Direitos reservados Estatuto editorial disponível em www.viva-porto.pt Lei 78/2015

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“Há a cultura do centralismo no país” É uma figura incontornável da cidade do Porto. Duas pistas: adora a Invicta e é um fervoroso adepto do FC Porto. Recorda-se da emblemática “Noite da Má Língua” que invadiu os serões portugueses na década de 90, na antena da SIC? Manuel Serrão, que lá esteve, numa conversa sem filtros com a VIVA!. O prolongamento foi certo. Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

“O mais antigo feirante da moda portuguesa”, como Manuel Serrão se intitula, esteve com a VIVA! numa longa conversa que atravessou a sua infância e paixões como o futebol, a cidade do Porto, a gastronomia e as tendências da moda. Fez parte de uma grande escola do jornalismo no “Comércio do Porto”, mas foi no comentário que encontrou a sua vocação na comunicação social. Esta icónica “má língua” ainda mantém contacto com Miguel Esteves Cardoso e Rui Zink, dois dos seus partenaires no célebre programa da SIC. Considera que há uma ‘cultura do centralismo’, rapidamente solucionada com a estadia dos políticos em terras distantes da capital. “Se cada centralista passasse um ano fora da capital, o país mudava”, salienta.

Agora, Serrão continua a defender as cores do FC Porto no programa da TVI 24, “Prolongamento”. Tudo isto sem defesas nem ataques. Mais moderado, portanto. COMO SE DESCREVE EM CRIANÇA? Tive asma com 7 anos e era muito magro, talvez por causa disso. Entretanto, comecei a jogar mini basquetebol. Depois fui para o FC Porto. Digo com muito orgulho que fui campeão nacional de Iniciados, no ano de estreia da competição nesta modalidade. Só quando fui para o basquetebol é que comecei a crescer. No entanto, depois do 25 de Abril, troquei o desporto pela política. E passei também a crescer para


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os lados (risos). Não é um PREC, mas o processo continua em curso. De resto fui uma criança normal, que vivia na rua S. Tomé e jogava futebol. Lembro-me de corridas de bicicleta na rua, que, diga-se, não tinha o trânsito que apresenta hoje. Não tinha o polo universitário ao lado, por exemplo. Portanto, fui uma criança como outra qualquer na freguesia de Paranhos, onde nasci e vivi até aos 16 anos. Não era uma criança carenciada, mas também não tinha nenhum luxo especial. RECORDA-SE DE VER OS SEUS PAIS PARTIR PARA ANGOLA? Pois. Isso foi quando eu tinha seis anos. Fiquei com o meu tio e padrinho em Lisboa. Ainda vivi lá dois anos. Os meus pais levaram só o meu irmão. As quatro irmãs ficaram cá sempre. Lembro-me de planear ir passar lá as férias grandes, na altura cerca de três meses, com os meus pais, só que estive lá apenas 18 dias. Apanhei três doenças, quase não saí de casa e acabei por regressar. Portanto, não me lembro de nada de Luanda. QUANDO FOI COM O TIO E PADRINHO PARA LISBOA, GOSTOU DE VIVER NESSA CIDADE? Estava num colégio em que entrava às 8 da manhã e saía às 19h00. Sei que para chegar mais tarde a casa, o meu padrinho inscreveu-me, e ainda bem, na piscina da Avenida de Roma. Foi onde aprendi a nadar aos seis anos. Esta parte lembro-me e vai achar graça... Tratava-se de um colégio religioso, católico, uma escola luso-francesa. Lembro-me perfeitamente da hora do almoço e que não podíamos fazer o mais pequeno barulho. De tal maneira que na hora da alimentação, se queríamos algo, fazíamos um sinal, em que eu, quando eram pratos favoritos, estendia o sinal em dobro. Lembro-me da omelete e do arroz de salsicha... já estou a ficar com fome (risos). E COMO É QUE, MAIS TARDE, A FAMÍLIA REAGIU À PASSAGEM DA ADVOCACIA PARA O JORNALISMO? Eu tive a felicidade de ter uns pais que... nem sequer tentaram influenciar. Antes do 25 de Abril, eu

“EU NÃO FUI UM BOM JORNALISTA, MAS ACHO QUE SOU UM BOM COMENTADOR E CRONISTA.” tinha uma grande influência do meu tio e padrinho que era engenheiro químico. Era para engenharia que queria ir inicialmente. Veio, entretanto, o 25 de Abril. Comecei a envolver-me na política. Fui para Direito porque era o curso mais usual das pessoas que andavam na política. Fui para Lisboa, pois não havia faculdade de Direito no Porto. Tinha que ir para Coimbra ou para Lisboa. Como era de direita dificilmente entraria em Coimbra. Ao fim de dois anos na faculdade da Católica comecei a ter queda para as disciplinas de gestão. No entanto, podia perder um ano, se quisesse mudar para esta vertente. Com o meu pai a fazer tanto esforço financeiro, não tive coragem. Fiz, então, o meu dever. Com média de treze. Treze era ‘sabe tudo que é obrigatório’. Lembro-me que no terceiro ano tive treze a tudo. Havia orais obrigatórias. Eu chegava lá e dizia-me o professor: ‘já tem treze,


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quer provar que sabe mais’? E acabei, então, o curso com a média de treze valores. Quem tem mais que treze é porque investiu. ATÉ QUE PONTO O SEU PAI [DANIEL SERRÃO] FOI MARCANTE NA SUA VIDA? A figura paterna é sempre basilar no nosso percurso. Paterna e materna. Eu acho que os dois foram importantes. Tal como o meu padrinho. Substituiu muito bem os meus pais naquela fase. Os pais são sempre uma referência. Havia coisas que admirava, mas não queria para mim. Outras coisas que admirava e não conseguia lá chegar. E outras coisas que tive de aprender que era melhor assim. É UM FORTE ADEPTO DO FC PORTO. FALE-NOS UM POUCO DESSA PAIXÃO. Eu tenho uma paixão pelo FC Porto que só não foi exercida antes porque os meus pais não ligavam ao futebol. O meu pai morreu sem nunca ter entrado num campo de futebol. E a minha mãe sempre ligou a desporto, mas não ao futebol. Preferia o ténis. A minha sorte é que o marido da minha madrinha, que era um portista doente, resolveu levar-me às Antas, quando eu tinha 11 anos. Também um tio meu, irmão da minha mãe, portista, começou a levar-me para o futebol. Repare que já sou sócio do FC Porto há 47 anos. Mesmo nos seis anos que vivi em Lisboa, nunca deixei de ser sócio. Eu assisti a 19 anos de jejum e nunca mudei de clube. Quando alguém é de um clube porque este ganhou muitas vezes há sempre um perigo. De que, quando o clube começar a perder, também fuja. Eu de certeza que na minha vida não vou passar por uma provação maior. Nunca mais vou estar 19 anos sem ganhar nada. Estou há quatro anos e já estou furioso. Mas 19 acho que não vou voltar a estar. SEGUE-SE TAMBÉM O PRAZER DA COMIDA. QUAL É O SEU PRATO FAVORITO? Cozido à portuguesa. Mas nem todos os dias me apetece comer este prato. Tenho também preferência pelo peixe grelhado na brasa. Faço melhor a digestão pois é uma comida mais leve. No estrangeiro não consigo comer peixe. Quem se habitua ao peixe grelhado de Matosinhos tem esse problema.

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E TAMBÉM COZINHA? Sim, sei cozinhar. É fácil explicar porquê. Porque quando fui para Lisboa vivi com dois tios irmãos do meu pai, que eram solteiros. À noite e ao fim de semana eram eles que cozinhavam. Eu fui ajudando e também aprendendo. Mas cozinho muito pouco atualmente, talvez mais no verão, para amigos. TAMBÉM ADORA A CIDADE DO PORTO. IMAGINA-SE A VIVER NOUTRA CIDADE? SE SIM, QUAL ESCOLHERIA? Eu não me imagino a viver noutra cidade. Mas não digo que é impossível. Alias, já estive dois anos a viver, mais ou menos, em Viana do Castelo. Para viver temporariamente aqui, no norte, escolheria Vila do Conde, Viana do Castelo e ainda no interior de Guimarães. A BAIXA DO PORTO AGORA TEM UMA MOVIDA MUITO ESPECÍFICA. COMO A DESCREVE? Acho que era uma coisa que faltava. Do pouco que me lembro de lamentar no Porto. Primeiro pelas experiências em Madrid e Barcelona. Mas depois também em Lisboa: não ver essa movida noturna. Sempre gostei de ir a restaurantes, festas, bares, ar livre. Algo que me fazia impressão. Eu ia a Paris no pico do inverno e havia esplanadas em todo o lado. E aqui, no pico do verão, não havia esplanadas em lado nenhum. Era algo que me metia impressão. Era uma lacuna que eu sentia. O movimento no centro histórico é fantástico. Esse movimento também pede turistas. Sou completamente pró-turista. Mas o turista atual. Não ‘aquele’ que tínhamos no início. Não nos ajudava, a meu ver. Este turismo que temos atualmente é que permite ter a Baixa desta maneira. AINDA SAI À NOITE NO PORTO? Saio e gosto. Aconteceu para já uma coisa que eu andava a dizer há muito tempo: a noite tinha de começar mais cedo. Pode acabar à mesma hora. Tem é que começar mais cedo. As pessoas depois escolhem. Antes não podia começar antes das duas da manhã. É a pura lei da oferta e da procura a funcionar. A oferta é maior porque há mais procura. Nenhum turista ficaria aqui a começar a noite às duas da manhã. REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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SENDO ASSUMIDAMENTE PORTUENSE E AINDA MAIS VINCADAMENTE PORTISTA, ACHA QUE O CENTRALISMO VEM CRIAR OBSTÁCULOS AO CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DA CIDADE E DO FC PORTO? Essa pergunta podia ter uma resposta imediata: sim e acabou. Mas na verdade apresenta vários ângulos. A questão que está por detrás dessa situação, a meu ver, é a cultura. Há uma cultura do centralismo que nem é dos lisboetas. Atenção que eles não têm culpa nenhuma. A maior parte dos centralistas são pessoas do resto do país e que foram viver para Lisboa. Não são lisboetas de gema. Se fizessem um referendo só com os que nasceram em Lisboa, a regionalização ganhava nesta cidade. CONSIDERA QUE AINDA FAZ SENTIDO A REGIONALIZAÇÃO? Chame-lhe o nome que quiser. Esse nome ficou um bocado gasto devido aquele referendo mal trabalhado, mal organizado e mal defendido. Acho que deu um resultado que não espelhava o sentimento das pessoas. Mas voltemos à questão da ‘cultura’. Muitas dessas pessoas que têm essa visão não querem prejudicar as pessoas que estão fora

de Lisboa. Para eles é normal. Repare o que aconteceu com a EMA (Agência Europeia do Medicamento). As pessoas achavam normal. O vício do raciocínio é este: ‘Se é uma coisa importante, que vai ter poder e emprega muita gente, que vai dar muito dinheiro, tem que ser em Lisboa’. Outra coisa, que já vem desde o Estado Novo. O campeonato de futebol mexe com muita gente. ‘Quem tem de ganhar? É o clube de Lisboa’. Benfica, Sporting e Belenenses. O resto do país não interessa. O facto é que iam rodando entre o Benfica, Sporting e Belenenses. Temos de reconhecer que foi graças à distração que o 25 de Abril trouxe ao país (os homens do poder distraíram-se) é que o FC Porto conseguiu abrir uma janela, enfiou-se e deu cabo deles. É uma cultura muito difícil de combater. Embora vá a Lisboa todas as semanas, não estou lá o tempo suficiente para inocular o vírus. Estive lá dois anos, era muito novo, e vivia com duas pessoas nortenhas. O vírus não pegou (risos). Mas conheço várias pessoas que foram para Lisboa e passaram a olhar o país com uns óculos não de sol, mas de sul. O caso do Dr. Filipe Menezes e do


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“CONHEÇO VÁRIAS PESSOAS QUE FORAM PARA LISBOA E PASSARAM A OLHAR O PAÍS COM UNS ÓCULOS NÃO DE SOL, MAS DE SUL.” Dr. Rui Rio, por exemplo. Os dois quando estavam lá [Lisboa] eram uma coisa, quando estão cá [Porto] são outra. São purificados aqui na Invicta. Rui Rio, que foi um feroz inimigo da regionalização, quando veio para presidente da Câmara do Porto mudou de ideias. Ele próprio admitiu: ”não estava a ver bem as coisas quando estava na Assembleia da República. Agora aqui [Porto] já vejo.” Se cada centralista passasse um ano fora da capital, o país mudava. E QUEM SÃO HOJE AS GRANDES VOZES DO NORTE? Vivas? SIM. É uma boa pergunta. [pausa] Não conheço nenhuma. Uma voz do norte como foi o Pinto da Costa, como foi o Fernando Gomes, como foi o Miguel Cadilhe, como foi de certa forma o Rui Rio, como foi o Eurico de Melo. Como esses, hoje não conheço nenhum. ACHA QUE AS PESSOAS DO NORTE SÃO MELHORES QUE AS DE LISBOA? Isso depende do ponto de vista do observador. Eu gosto mais, mas não consigo dizer que são melhores. Se me perguntassem: ‘Gosta mais de cozido à portuguesa ou de peixe cozido?’. São as duas coisas muito boas. Mas eu gosto mais do cozido à portuguesa. As pessoas de Lisboa também são boas. Conheço lá pessoas excelentes. Mas naquilo que é o nortenho típico e sulista típico, eu prefiro o nortenho. E OS “DONOS DA BOLA”? Lembro-me que foi numa altura em que o FC Porto estava de relações cortadas com a SIC, que, por sua vez, não conseguia arranjar nenhum portista

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para este programa. Vieram-me desafiar, pois na altura já estava neste canal. E O BALANÇO ENTRE ESTE PROGRAMA E O “PROLONGAMENTO”? Mudou muito. Para já, os “Donos da Bola” não era apenas um programa de comentário. Era um programa desportivo que chegava a demorar umas cinco horas. De vez em quando comentávamos. Havia também reportagens. Isto agora está centrado no comentário, o que considero preferível. Às vezes apanhava secas valentes. Eu até fiquei com uma imagem um pouco agressiva. Como estava em minoria e cercado, tinha de ter uma postura de defesa. A minha melhor defesa também era o ataque. Não chegava ter razão. Tinha que falar mais alto. Hoje até sou considerado o mais moderado. O ”Prolongamento” tem duas fases, essencialmente. Uma fase em que eu era o mais novo, recente e o menos moderado. E agora está numa fase em que sou o mais antigo e o mais moderado. Como eu sou a mesma pessoa, foi o programa que mudou. Eu preferia o painel anterior. Mas reconheço, pois também sou empresário, que as audiências são melhores agora. Antes estava lá mais descansado. Agora estou menos. OLHANDO PARA TRÁS, CONSIDERA QUE FOI UM BOM JORNALISTA? Eu não fui um bom jornalista, mas acho que sou um bom comentador e cronista. Tanto o Manuel Teixeira como o Jorge Fiel, sem precisarem nunca de me dizerem isso, perceberam. Tiraram-me rapidamente do jornalismo normal. Puseram-me a chefe da secção desportiva e mandaram-me escrever. Lembro-me de uma vez me terem pedido para fazer a reportagem de um desastre ferroviário. E eu cheguei à redação e disse: ‘eu não sirvo para isto’. Não conseguia ver sangue, as pessoas a chorar... O QUE RECORDA DOS TEMPOS NO COMÉRCIO DO PORTO? Foram tempos muito bons. Repare, eu estive em Lisboa seis anos e não alimentei as amizades do Porto. Portanto, quando regressei a esta cidade arranjei REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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“SÓ NÃO ESTOU A TRABALHAR QUANDO ESTOU A DORMIR. MAS NÃO ME QUEIXO. SOU FELIZ ASSIM.” amigos precisamente no Comércio do Porto, onde trabalhava à tarde e de noite, ficando à espera do jornal sair. Fiz lá amizades até hoje: Júlio Magalhães, Jorge Fiel, Rogério Gomes e o Abílio Ferreira. Apanhei uma fase muito boa deste jornal. Acima de tudo, uma grande escola, tendo ficado um núcleo de amigos dessa época forte e especial. ALGUM MOMENTO NA COMUNICAÇÃO SOCIAL QUE RECORDE ESPECIALMENTE? A primeira vez que escrevi um artigo de opinião intitulado “A Cara e o Caso”, precisamente no Comércio do Porto. Ainda por cima vinha a minha cara. A cara do jornalista. Lembro-me que senti algo forte. “As Crónicas de Escárnio e Maldizer” na TSF. Adorei a primeira crónica que fui lá gravar. Depois também a primeira “Noite da Má Língua” que fiz. De tal maneira que o Rangel quis assinar um contrato comigo. Mas eu não assinei. ‘No dia em que quiser que eu vá embora, eu vou; no dia em que eu quiser ir embora, eu também vou’. Era o único que não tinha contrato. Só assinei com o “Prolongamento” este ano. Foi o primeiro contrato, no meu percurso pelos media, que assinei. COMO SE DEFINE COMO EMPRESÁRIO? Eu disse uma vez noutra entrevista que era o feirante de moda mais antigo no país. Porque já ando nisto há 30 anos. E não há ninguém em Portugal há 30 anos nisto. Vejo-me como uma pessoa que combina experiência, conhecimento. Eu não fiquei só aí. Não fiquei apenas pelos eventos de moda. Também estou presente em eventos ligados à gastronomia, vinhos.

O que tem de bom na organização de eventos é que temos sempre uma data, vemos o nosso trabalho realizado. Gosto de ter um desafio pela frente, ter um prazo e cumpri-lo, ganhá-lo e que venha outro! COMO DESCREVE O SEU DIA A DIA? Costumo dizer que estou sempre a trabalhar. Entre estar atento aos negócios que comando e à realidade que me rodeia, pois é fonte de inspiração ou de negócio ou de comentário. Só não estou a trabalhar quando estou a dormir. Mas não me queixo. Sou feliz assim. A SEU VER, QUAL É O ESTADO DA MODA E DO TÊXTIL ATUALMENTE? A moda beneficiou muito com a globalização. A informação antes não circulava. Quando há uma igualdade de condições é que se afirmam verdadeiramente os talentos. Por isso hoje temos a Katty Xiomara a desfilar em Nova Iorque. Relativamente ao têxtil, digo isto com muito orgulho, pois também contribuí, é um dos motores da exportação. A indústria têxtil está a cumprir outra vez o seu grande papel de motor das exportações nacionais e de grande apoio na nossa economia. O QUE ESTÁ IN E O QUE ESTÁ OUT? O que está in é cada um ter a possibilidade de se vestir como quiser. Porque a oferta mudou. Basicamente o que está in é cada um ser o estilista de si próprio. O que está out é algumas pessoas aderirem a modas que não foram feitas para elas.


PORTO E LISBOA, Se a vida é complicada, para quê complicar o vinho? Gazela é descontraído, leve, versátil, fresco, positivo, e combina na perfeição com todos os momentos da vida, com o verão, com almoços em família, com conversas entre amigos ou até com reaproximações. Vai aos sítios de sempre e procura a garrafa com o rótulo mais jovem, divertido e dinâmico. Uma imagem descomplicada para quem gosta de descomplicar a vida.


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Quando o telefone toca… com Eduardo Carvalho O maior poder da rádio é a imaginação. Toda a experiência despoletada pelo ouvido. O locutor está sozinho no estúdio. Outras vezes talvez com uma, duas pessoas, em silenciosa companhia. Mas de auriculares postos viajamos (sim, porque estar sozinho é uma ilusão) até ao norte, centro e sul, mas sempre de regresso ao seu porto de abrigo: a muy nobre cidade invicta, ora não fosse a Festival a rádio local mais ouvida no norte. Falamos com Eduardo Carvalho, locutor desta emblemática rádio. Pedimos mais que um “disco” e o resultado está aqui. Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

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duardo Carvalho é o responsável, há já sete anos, pelos discos pedidos na rádio Festival, histórica quanto baste. “Sete anos de tantas convivências com os ouvintes que são tão importantes para nós”, confessa o radialista. Cada pessoa só pode ligar uma vez por semana e o resto é história: ligar e pedir a música querida. “E desta forma vamos conhecendo nova gente que vai chegando. Estamos a falar de milhares de pessoas”, avisa. Às vezes, por trás das melodias, escondem-se outras intenções. “Para mim é mais importante o convívio com os ouvintes. O facto de estarmos a

falar cerca de dois minutos do que propriamente a música. O importante mesmo é saber como as pessoas estão, como se sentem. Houve sempre a solidão e eu acho que nesse aspeto a Festival combate este grave problema social. Porque eu não sei o dia de amanhã. Eu, num futuro próximo também não quero estar só. Os ouvintes também sentem que aqui encontraram um amigo”, reforça. Nesta histórica rádio portuense, nada é estático. “Somos uma equipa jovem, divertida, dinâmica. Mesmo com o avançar da idade, mantemos esse espírito”, revela o radialista. “É interessante encontrar, por um lado, público


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mais amadurecido e, por outro, uma audiência mais jovem. É que chega a altura das férias da Páscoa, do Natal e os mais novos participam. Os avós e os pais põem estes meninos a ‘dar a voz ao manifesto’. É muito interessante e engraçado. Até porque é uma conversa diferente. A título de exemplo, havia uma mãe, aqui há uns tempos, preocupada com as notas da filha, que esta não avançava. A menina ligou e eu dei-lhe um ‘empurrãozinho’: ‘oh Inês, faz como eu. Eu também tenho curso. Vamos em frente. Para seres uma

grande mulher. Quem sabe, seres locutora de rádio um dia?’”, recorda alegremente. O afeto do público é notório. “Principalmente quando vou às compras” (risos). Cada dia, Eduardo passa cerca de 15 a 20 minutos à conversa com a gente que conhece bem sem realmente saber quem é. Da Europa passando pelos Estados Unidos, há contactos de toda a parte. Segundo as sondagens, a portuense rádio Festival é a mais ouvida a nível local, conta Eduardo. Do Porto para o mundo, literalmente.


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E histórias marcantes? “Vou tendo muitas histórias”, começa por desvendar Eduardo Carvalho. “Lembro-me da zanga de um casal. Uma zanga do dia a dia. O senhor andava aflito porque a mulher não o perdoava e então resolveu ligar para os discos pedidos com uma dedicatória. E realmente a senhora ouviu e aquilo correu-lhe bem (risos). Tocou-lhe no coração. Eu também ajudo neste processo. Sou simpático e ‘puxo a brasa à sardinha do ouvinte’. Mais tarde o senhor ligou e agradeceu-me a ajuda. E até veio deixar uma lembrança”. Mas há outras situações. “Cartas de amor não faltam”, resume o radialista. “É interessante o facto das pessoas criarem uma paixão por quem está do outro lado da rádio e por quem lhes faz companhia todos os dias. Porque há muita gente na solidão e a nível amoroso com alguns problemas que passaram durante a vida. Ser simpático, dar uma gargalhada. As pessoas levam para esse sentido”, constata. Também há momentos de tristeza. “A perda de um filho, por exemplo, é arrepiante. Muitas vezes já me apeteceu chorar. Mas não. Temos que respirar fundo e dar a volta à questão. Mas não vamos dizer à pessoa para não chorar. Muito pelo contrário. Está a desabafar. A minha missão é fazer com que o ouvinte saia com um sorriso. E quando consigo isso, sinto-me melhor. Já ganhei o dia”, confessa Eduardo Carvalho.

E o segredo para o tremendo sucesso deste programa? “Costuma ser a alma do negócio. Mas, basicamente, é a linha da rádio. A rádio companhia. O segredo é ter alguém por detrás do microfone, quer seja eu ou outro colega com sensibilidade, um sorriso, uma palavra amiga. Não é só chegar à antena da rádio e dizer: ‘o que quer ouvir?’. Não basta. E nesse aspeto, estamos muito bem moldados”, reforça. A interação com o público é o fator chave para o sucesso das transmissões. “A Festival não se limita a ficar no estúdio. A rádio

tem uma série de iniciativas ao longo do ano. Desde a nossa festa de aniversário no Pavilhão Rosa Mota, onde juntamos cerca de 8000 pessoas. Temos, também, espetáculos de fado no Teatro Sá da Bandeira, no Coliseu do Porto. Em novembro vamos ter um concerto de Paulo Ribeiro [Bandalusa], que é um ícone da cidade do Porto, da música popular portuguesa. Vai ser à tarde. Porque temos pessoas com uma certa idade. E a deslocação é complicada. Tentamos sempre organizar espetáculos de fado, variedades”, explica. REVISTAVIVA,OUTUBRO 2017


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A Festival é uma rádio de muitos laços: “As pessoas trazem-nos os mais variados presentes. Somos muito mimados. O trabalho desenvolvido com os ouvintes é gratificante”, adianta. A Festival, que conta já 31 anos de atividade, tem um lado muito solidário entre colegas. “Tanto colamos cartazes como depois vestimos o fato e somos os artistas no Palácio de Cristal. Nós fazemos tudo. Depois vestimos outra roupa e estamos a apresentar. Não nos limitamos a passar música”, remata Eduardo Carvalho.


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A CASA DA ARQUITETURA EM MATOSINHOS JÁ MEXE

A “Real Vinícola” de Matosinhos vai ganhar uma nova vida. O edifício, construído entre 1897 e 1901, e que foi a primeira unidade industrial de Matosinhos-Sul, vai acolher agora a Casa da Arquitetura. As obras de reabilitação visam adequar o edificio às suas novas funções. “É um projeto muito oportuno que reflete uma região que a grande arquitetura sempre produz”. Foi este o comentário de Paulo Mendes da Rocha, arquiteto brasileiro, vencedor do Prémio Pritzker em 2006, numa visita em maio deste ano ao edifício da Real Vinícola, em Matosinhos, que vai

albergar a Casa da Arquitetura. A Casa da Arquitetura abrirá portas a 18 de novembro. No entanto, a parte ocupada pela Casa da Arquitetura no edifício da Real Vinícola (cinco mil metros quadrados, num total de oito mil ocupados pelo complexo) já mexe. Entre outros eventos, esteve associada ao Open House, iniciativa que decorreu nos dias 1 e 2 de julho, num vasto conjunto de espaços do Porto, de Gaia e de Matosinhos. Esta edição da Open House Porto foi organizada em exclusivo pela Casa da Arquitetura. Visitas de portas abertas a todos os curiosos. Ver a cidade e as suas entranhas, aquilo que está fora e dentro das suas paredes, foi a proposta do Open House Porto. Nuno Sampaio, diretor da Casa da Arquitetura, disse tratar-se do “primeiro espaço em Portugal exclusivamente dedicado à arquitetura”. Há uma dupla função na Casa da Arquitetura: “Reunir espólio relacionado com projetos de arquitetura, onde irão incluir-se os desenhos e as maquetas


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de Paulo Mendes da Rocha para o novo Museu dos Coches em Lisboa, assim como materiais de nomes como Siza Vieira e Souto Moura, promover exposições, que muitas vezes irão resultar de documentos reunidos pela casa”.

As origens

A Real Companhia Vinícola é um edifício industrial histórico, que apresenta cerca de 11 mil metros quadrados de área, que revelava soluções fortemente inspiradas nos modelos ingleses das primeiras explorações agrícolas industrializadas, com um acentuado contraste entre o exterior e o interior. Estas instalações, contudo, não eram fábricas no sentido restrito do termo. De facto, funcionavam mais como armazéns onde se procedia à análise química laboratorial e à rotulagem, embalagem e expedição de um produto natural que, afinal, não era ali totalmente transformado. Importa, no entanto, salientar que o edifício possuía uma das primeiras estruturas fabris a vapor da região. Extinta a sociedade “Meneres & Cª”, em 1905, as suas marcas de vinho do Porto continuaram a ser comercializados pela “Companhia Vinícola Portugueza” que possuía sede no Porto. Não há

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Arquiteto Nuno Sampaio

notícias de que o edifício original tenha sofrido grandes alterações, registando-se apenas uma ligeira alteração, ainda em 1903, através da qual é implantado um pequeno torreão num dos extremos da fachada voltada para a Avenida Meneres, e obras de decoração na fachada em 1929. Apesar do seu encerramento, nos anos 30, a Real Vinícola continuou a manter, embora de uma forma indireta, uma ligação estreita à história da evolução da cidade. Refira-se que este edifício estava nas mãos da Câmara há mais de duas décadas e que se encontrava num estado de degradação avançado. Assim, o imóvel, com um valor histórico inegável e que não tinha destino, foi escolhido para o projeto do arquiteto Guilherme Vaz, onde o desafio foi precisamente a adaptação de um edifício histórico a um tipo de equipamento totalmente novo, mas sem perder a identidade inicial. O edifício da histórica Real Vinícola acaba por ganhar nova vida no âmbito desta requalificação, acolhendo projetos de grande valor como a Casa da Arquitetura.


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O presente

A nova Casa da Arquitetura contará com uma área de 4.700 metros quadrados no interior do quarteirão da Real Vinícola, onde também ficará instalada a Orquestra Jazz de Matosinhos e outras empresas da área criativa, ainda em fase de seleção. “A Casa da Arquitetura já existe há dez anos”, explica Nuno Sampaio, diretor executivo da instituição. “Tudo isto é possível pela visão de uma pessoa que era um ‘não arquiteto’: o Dr. Guilherme Pinto [presidente da Câmara de Matosinhos, falecido em janeiro]”, reitera. O projeto foi evoluindo paulatinamente e com este edifício a Casa da Arquitetura pode cumprir o seu papel enquanto Centro Português de Arquitetura, ganhando, nas palavras de Nuno Sampaio, uma “outra dimensão”. Isto porque “torna-se na única instituição exclusivamente dedicada à arquitetura”. De destacar o trabalho em rede com outras instituições nacionais e internacionais. É uma entidade que guarda e conserva acervos e espólios, dando conhecimento público através, por exemplo, de plataformas digitais para que “esses acervos possam ser vistos por qualquer parte do mundo”. Por fim deparamo-nos com a verdadeira “celebração da arquitetura” com conferências, seminários, debates e exposições. “Estamos a fazer uma coleção com o curador João Rodeia e a sua equipa: Graça Correia e Ricardo Carvalho. Referimo-nos aos 25 anos da democracia portuguesa, de 74 a 99”. CASA DA ARQUITECTURA ORQUESTRA JAZZ MATOSINHOS ATELIERS/ESPAÇOS COMERCIAIS COMMERCIAL AREA

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ZONA COMUM COMMON AREA RESTAURANTE RESTAURANT

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piso 2 . floor 2

CASA DA ARQUITECTURA 4700M²

ÁREA EXPOSITIVA EXHIBITION AREA 800M² EXPOSIÇÕES TEMPORÁRIAS TEMPORARY EXHIBITIONS 150M² ARQUIVO ARCHIVE 1200M²

piso 1 . floor 1

TRATAMENTO ARQUIVÍSTICO ARCHIVE TREATMENT 350M² DIREÇÃO E PRODUÇÃO DIRECTION AND PRODUCTION 220M² BIBLIOTECA LIBRARY 200M² LOJA SHOP 180M² piso 0 . floor 0


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O futuro: uma casa do “mundo” O projeto da Casa da Arquitetura vai acolher produções nacionais e internacionais, mostrando, basicamente, o “melhor que se faz no mundo”. “Vamos, por isso, também trazer 80 projetos, de 80 anos de história brasileira. Desde a época moderna até à contemporaneidade. Depois de termos e tratarmos esta coleção vamos querer fazer uma exposição. Vão acontecer, durante essa exposição, algumas atividades no Brasil”, explica Nuno Sampaio. O empreendimento terá um pequeno espaço que é a galeria da casa, um espaço aberto a todos. Isto para que a sociedade proponha programas à Casa da Arquitetura. Há espaço ainda para uma loja com merchandising incluído e também uma boa biblioteca que “se vai construindo ao longo do tempo”. A Casa que promove a democratização da arquitetura abre a 18 de novembro com uma exposição: “Poder da Arquitetura”. “Como é que a arquitetura trabalha com o poder legislativo?” é uma das questões colocadas. “Trata-se de uma exposição muito forte para a abertura da Casa, o que permitirá o seu lançamento mundial”, garante o diretor executivo da instituição. Nuno Sampaio tem o seu escritório de arquitetura desde 2000. Formou-se no Porto, tirou o mestrado em Barcelona, onde mais tarde deu aulas na Escola Politécnica de Barcelona. Trabalhou na Faculdade de Arquitetura de Lisboa. REVISTAVIVA,OUTUBRO 2017


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EXCELÊNCIA E TRADIÇÃO NUM HOSPITAL PARA O FUTURO O Hospital da Prelada, acreditado internacionalmente pela excelência dos seus cuidados de saúde, é exemplar nas suas valências tradicionais e nas suas áreas mais recentes como seja a medicina desportiva, cirurgia estética e tratamento da obesidade, até ao mais recém implementado serviço de atendimento permanente. Um hospital literalmente para todos, como nos explicou Luís Matos, administrador desta unidade de saúde da Misericórdia do Porto, que faz história desde 1988 e está a investir na modernização. Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

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Hospital da Prelada é uma das unidades de saúde de referência do Grande Porto e, desde a fundação, há quase 30 anos, integra a Rede Hospitalar Nacional. O seu modelo de gestão inovador inclui a prestação de cuidados para o Serviço Nacional de Saúde, Seguradoras e outras entidades com as quais o hospital tem acordo, para além do regime puramente privado.

NOVO CENTRO DE MEDICINA DESPORTIVA A funcionar desde março, o Centro de Medicina Desportiva do Hospital da Prelada foi criado com o foco nos atletas, clubes e federações de desporto amador. Ao todo, o Centro de Medicina Desportiva envolve médicos ortopedistas, de medicina física e de reabilitação, de cardiologia e nutrição, formando uma equipa com mais de 15 profissionais. Em termos de equipamentos, o hospital dispo-

nibiliza também os meios de diagnóstico necessários de imagem e análises, e para a reabilitação dispõe de dois ginásios e uma piscina de hidroterapia. “Temos uma oferta mais especializada, mais agrupada com duas áreas principais: a do diagnóstico e a da certificação da habilitação para a prática desportiva. Recebemos os atletas amadores e, mediante duas consultas médicas e um conjunto específico de exames, fazemos essa avaliação. E, se estes também quiserem, indicaremos a melhor modalidade de acordo com os seus objetivos”, explica Luís Matos. Consciente que os desportistas profissionais já têm os seus departamentos médicos e já apresentam as suas equipas constituídas, o administrador do Hospital da Prelada acredita que ainda há muito por fazer. “Tendo a oportunidade, estamos


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disponíveis para fazer uma parceria com clubes profissionais. Não fechamos a porta, até porque temos essa capacidade e competência”, destaca. Mas há ainda outra situação em que o Hospital da Prelada atua: quando aparece uma lesão. “No âmbito das lesões desportivas a base serão as especialidades de ortopedia e medicina física e de reabilitação. No entanto, os atletas poderão ter outras lesões que poderão requerer outras especialidades e nós cá estaremos para dar resposta”, acrescenta. Mas as novidades não terminam por aqui. “Vamos ter agora algumas áreas de desenvolvimento mais específicas, como a prestação de cuidados a um clube de golfe, no qual o acompanhamento é mais profissionalizado. E vamos eventualmente REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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ter novidades no âmbito do futebol profissional”, continua Luís Matos.

A PROCURA CRESCENTE DA CIRURGIA PLÁSTICA E ESTÉTICA Por outro lado, “o serviço de cirurgia plástica é de origem deste hospital, e inclui a unidade de queimados. Não há muitos serviços de cirurgia plástica na zona norte. Temos capacidade de resposta e uma excelente equipa nessa área, que para além de casos patológicos também inclui a cirurgia estética. O caso mais habitual, a título de exemplo, é o da senhora que apresenta um problema oncológico (cancro) na mama e que, imaginemos, depois de ser tratada no IPO necessita de reconstrução mamária”, atesta Luís Matos. Mas a área puramente estética não é esquecida. “Cada vez mais cresce o interesse por este tipo de intervenção. E, no âmbito estritamente privado, também oferecemos um serviço que tem grandes resultados e grande procura. Não

só pela qualidade técnica, mas também pelos preços competitivos”, acrescenta o responsável. “O público que procura estas cirurgias é maioritariamente feminino, sendo normalmente da classe média alta. Também recebemos alguns doentes estrangeiros que vêm procurar técnicas diferenciadas, pois esta é uma área em evolução constante”, continua.

REFERÊNCIA NO TRATAMENTO CIRÚRGICO DA OBESIDADE O tratamento cirúrgico da obesidade é outro dos focos do Hospital da Prelada. “Começa num problema grave de saúde pública”, comenta Luís Matos. É inegável que a obesidade em Portugal, quer de adultos, quer infantil, é um problema muitíssimo grave. “Não tratamos a obesidade infantil e não é provável que o venhamos a fazer nos próximos tempos”, esclarece o responsável. Este ano, contudo, com o relançamento de um programa público, “aventuramo-nos a fazer uma


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clínico como de psicológico”, vinca. “Não há cirurgia de obesidade para doentes que não queiram emagrecer. E também para doentes que não reconheçam que têm um problema”, realça o responsável. Este processo poderá terminar com a cirurgia plástica, para fazer a reconstrução necessária. De acordo com Luís Matos, não há resultados adversos registados. “Se este ano tivemos uma complicação cirúrgica foi muito. Os nossos casos são de sucesso”, reitera.

ATENDIMENTO PERMANENTE ATÉ ÀS 20H00

grande aposta na cirurgia da obesidade”, anuncia Luís Matos. ”Creio que seremos o maior centro de cirurgia da obesidade a trabalhar para o Serviço Nacional de Saúde”, acrescenta. Para além da obesidade propriamente dita, há outros problemas clínicos associados, juntando a todo este processo um acompanhamento mínimo de três anos de tratamento, com consultas que apresentam avaliação periódica a estes doentes. “É um tratamento que tem tanto de cirúrgico e

O Atendimento Permanente reforça a ideia de que o Hospital da Prelada é um hospital para todos. Este novo serviço permite uma consulta de clínica geral, tanto programada como não programada. Localizado no piso 0 do hospital, o Atendimento Permanente funciona nos dias úteis das 08h00 às 20h00, com uma equipa de médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar. A tendência futura desta unidade de saúde passa por “reforçar a especialização e otimizar os recursos. Temos a capacidade de atrair diversos públicos”, acrescenta Luís Matos. O administrador confirma, ainda, que já está em curso o plano de modernização deste hospital da Misericórdia do Porto. De acordo com Luís Matos, será feito um investimento entre os “3 e os 4 milhões de euros”, adaptando o Hospital da Prelada às novas exigências do século XXI. REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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Dez edições de pura magia e muitos sonhos Perlim comemora 10 edições de pura magia e muitos sonhos realizados. De 1 a 30 de dezembro, voltamos a encantar! Em dezembro de 2008 a Quinta do Castelo, em Santa Maria da Feira, abria as suas portas, após várias intervenções que a requalificaram, para os cerca de 4 hectares de flora centenária e construções ajardinadas do início do século XX, que era então envolvida um novo mundo de Magia a que hoje chamamos Perlim. Tudo estava por fazer e descobrir. Cumpridas nove edições, muitas foram as mudanças; os conteúdos e áreas temáticas desenvolveram-se e o projeto afirmou-se como a maior referência nacional em eventos e parques temáticos de Natal, dedicado à época mais festiva

do ano, e ao melhor das histórias do imaginário infantil. Visitar e revisitar histórias de todos os tempos, transversais a gerações, tem sido o mote que faz a diferença, quando à tradição das lições que delas se retiram se junta a cor, a alegria e a diferenciação dos projetos 100% construídos com tudo o que não foi visto em outro lugar. Perlim é um lugar com uma língua própria – o Perlinês; habitantes únicos, o Perlim, a Pimpim, a Fada Piri, a Preciosa, o Pim, a Pam e o Pum, o Merlim, a Plim e muitos outros que se renovam e surpreendem grandes e pequenos. Ao longo dos últimos anos a

capacitação e o “dar” o palco da originalidade por excelência a entidades profissionais que nasceram e cresceram nas artes e com as artes performativas, em Santa Maria da Feira, tem feito toda a diferença, em prol da originalidade e da qualidade construídas. O Parque Temático de Natal de Santa Maria da Feira propõe-se, desde a sua primeira edição, a ser um lugar onde os sonhos vivem, nascem e crescem. Assim tem sido. Fiéis seguidores e a conquista de um público que vem cada vez de mais longe fazem a diferença na economia do território feirense, com taxas de ocupação hoteleira inéditas


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nesta época do ano e níveis de envolvimento do comércio local que tem feito o encanto dos turistas que vivem Santa Maria da Feira em dias de inverno com uma dinâmica excecional. Do nascimento até à consolidação do projeto, que se considera acontecer em 2014, quando Perlim ultrapassa os 80 mil visitantes, muito tem sido feito pelos conteúdos e pela oferta que se pretende dar ao visitante e ao território. Em 2017 Perlim mostra-se na sua plenitude, após ter acolhido

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no ano anterior mais de 120 mil visitantes. Prometem-se surpresas e os mais encantadores conteúdos, com os habitantes de Perlim a fazer as delícias dos visitantes em fotos inesquecíveis, diversões, aventura e espetáculos musicais de grande formato. Continuar a dar o melhor em Perlim é o grande objetivo para marcar 10 edições de muitos sonhos realizados, de 1 a 30 de dezembro em Santa Maria da Feira.


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RESERVAS Email: reservas@perlim.pt Tlm. (+351) 962 154 032 [todos os dias - 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00] INFORMAÇÕES Email: info@perlim.pt Tlm. (+351) 915 220 811 [todos os dias - 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00] DATAS 1 a 30 de dezembro de 2017 Mais informações em www.perlim.pt LOCALIZAÇÃO Quinta do Castelo, Santa Maria da Feira Vias Rápidas A1 (Porto/Lisboa) » Saída “Feira” A29 (Aveiro/Porto) » Saída “Feira” A32 (Gaia/O.Azemeis) » Saída “Feira” COORDENADAS GPS N 40º55.315’ W 8º32.482’


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A arte urbana chegou a um terminal bem criativo e acolhedor! A arte fervilha no Terminal Rodoviário do Campo 24 de Agosto. Humanizar o espaço foi o objetivo central, aproximando cada vez mais os utentes através da cultura e conforto. Missão cumprida. Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

As modernas e confortáveis instalações do novo Terminal Rodoviário do Campo 24 de Agosto, situadas junto ao antigo centro comercial Central Shopping, retiraram do centro do Porto cerca de 300 autocarros de passageiros de médio e longo curso, que transportam por ano cerca de 1,5 milhões

de passageiros. O alívio incide, sobretudo, na Praça da Batalha. O investimento feito pela CVPE, Lda. na infraestrutura do Terminal Rodoviário do Campo 24 de Agosto, bem como o investimento operacional da Transdev, “agradam à Câmara do Porto”, refere Ricardo Romanholo, gestor/coordenador

do espaço, que, desta forma, “obtém ganhos de mobilidade no transporte público, numa fase em que está também a ser implementado o primeiro regulamento de transporte turístico do país, no Porto”. “Na Batalha, a Garagem Atlântico deixou um legado de inúmeras recordações, de des-


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pedidas, visitas e encontros com a cidade do Porto, mas a passagem para o Terminal do Campo 24 de Agosto veio proporcionar operar num espaço mais funcional em relação ao parqueamento e circulação de viaturas, mais cómodo, moderno e agradável aos nossos clientes”, salientava Pierre Jaffard, CEO da Transdev, a 10 de maio, dia em que foi inaugurado o Terminal Rodoviário do Campo 24 de Agosto. Criaram-se muitos postos de trabalho. “As 17 lojas comerciais dentro do Terminal conferem-lhe uma grande dinâmica. As pessoas vêm porque é aqui que param. É aqui que mudam de autocarro. O transporte rodoviário realiza-se todos os dias. Há clientes que deixam uma encomenda numa loja pois sabem que, na semana seguinte, passam por cá outra vez”,

revela Ricardo Romanholo. Por outro lado, salienta Pierre Jaffard, “os fáceis acessos às autoestradas a norte e a sul da cidade, a localização que se mantém no centro do Porto, o interface que permite com a rede do Metro do Porto, o tempo de entrada e saída das viaturas e a proximidade de um parque de estacionamento para 360 automóveis são fatores que demonstram, inegavelmente, que dispomos agora de condições muito superiores às do anterior Terminal”. Para Ricardo Romanholo, o desafio de transformar o Terminal Rodoviário do Campo 24 de Agosto num espaço funcional e acolhedor foi inequivocamente superado. “Era fundamental corrigir vários erros do terminal que aqui existiu. Na altura, conforme ouvi de vários operadores, as

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principais reclamações davam conta do excesso de fumo, a escassa iluminação e falta de segurança no interior e nas imediações do terminal. Tentei, logo de início, ‘atacar’ estas três frentes”, explica Ricardo Romanholo, adiantando que, “desde logo, foi desenhado um novo circuito para os autocarros, implementado um novo sistema de iluminação e de informação ao cliente, entre outras coisas”.

HUMANIZAR O ESPAÇO “As minhas apostas aqui foram sempre no sentido de humanizar o espaço. Torná-lo mais agradável. Fizemos uma praça agradável. Já tivemos até cantores de rua. Estamos a falar com a PortoLazer para ver se nos ajudam a dinamizar o espaço. Queremos também fazer exposições. Porque não?”, REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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levanta a hipótese Ricardo Romanholo. “Às vezes vou a Santa Catarina e vejo lá músicos. Convido-os e eles vêm. Querem vir nas horas de maior movimento e ao fim da tarde cá estão. E as pessoas que estão à espera para apanhar o autocarro apreciam as atuações dos músicos. Dá um certo caráter cosmopolita, cultural.” “As janelas, outrora tapadas, estão agora destapadas (risos). Em termos de segurança, contamos agora com a presença contínua da PSP. Para nós, tem sido gratificante estar aqui”, reconhece Ricardo Romanholo, sublinhando o orgulho de ter desenhado e idealizado o atual espaço: “Nesta sala de espera, os móveis foram inteiramente


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restaurados. Mandamos forrar com tecido resistente - couro”, conta. “A casa de banho cobra-se mas está sempre limpa e segura”, afiança. Para planos futuros fica a ideia de montar neste espaço uma feira do livro. “Algo com caráter provisório” e um bar de fim de tarde com happy hour recheado de música.

INQUÉRITO DE SATISFAÇÃO AO CLIENTE CONFIRMA: “MUDAMOS PARA MELHOR!” A qualidade global dos serviços prestados pela Transdev Portugal no Terminal Rodoviário do Campo 24 de Agosto, no Porto, mereceu nota positiva de 97,5% dos utentes (79% satisfeitos

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e 18,5% muitos satisfeitos), revelaram os resultados de um inquérito de satisfação ao cliente realizado pelo Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), efetuado no passado mês de junho. “Comparativamente aos resultados obtidos no inquérito de satisfação ao cliente realizado em 2016, referente aos serviços prestados no Terminal da antiga Garagem Atlântico, passamos de uma apreciação global positiva de 75% para 97,5%, o que comprova a pertinência da mudança que realizamos há 4 meses, que se prendeu com o objetivo de operar a partir de um espaço mais funcional e, sobretudo, mais cómodo, moderno e agradável aos nossos clientes”, considerou o CEO da Transdev, Pierre Jaffard. “No cômputo geral, estes resultados são motivo de orgulho para a Transdev e ganham especial relevo quando comparados com os resultados obtidos há um ano, nas instalações da Garagem Atlântico, pois aumentamos significativamente os índices de satisfação dos clientes em praticamente todos os fatores avaliados. Efetivamente, mudamos para melhor e os principais beneficiários desta mudança são os clientes”, concluiu o mesmo responsável.

NO FUTURO – “NOVOS TERMINAIS” Ricardo Romanholo refere a “excelente parceria” com a Transdev e considera que “grande

parte do sucesso do Terminal Rodoviário do Campo 24 de Agosto deve-se ao alto nível de exigência desta empresa que nos faz sempre ir mais longe.” Em paralelo inaugurou, no passado dia 1 de setembro, o primeiro Terminal Rodoviário Turístico do país, junto da Praça da Batalha, onde operou a Transdev antes da mudança para o Campo 24 de Agosto. “É uma parceria com a Câmara Municipal do Porto”, refere o mesmo responsável. Tem capacidade para 14 autocarros e contará com lojas vocacionadas para atender o turista.


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O Pérola Negra, antigo ícone da noite mais alternativa do Porto, reabriu, em novembro de 2016, com um look mais requintado que pretende atrair todo o género de clientes que apreciem boa música. Com o seu decor burlesco e uma atmosfera vintage, a nova discoteca assenta em madeiras de tom escuro, paredes espelhadas, bancos forrados a vermelho e uma pista de dança com um estrado aconchegada encimada por uma bola de cristais. Sob a batuta de Mário Carvalho, ex-proprietário da Discoteca Indústria, na Foz, e fundador do Café Lusitano, na Baixa, desde há muito tempo interessado no espaço, achou que o Pérola poderia ser adaptado para discoteca. À semelhança do que aconteceu em Paris, Nova Iorque ou Berlim, em que os clubes noturnos estão a ser transformados em discotecas modernas, a mesma situação aconteceu no Porto. “Vamos desde a década de 90 até à atualidade. O público é alargado e diversificado. Dos 20 aos 50 e


P É R O LA N EG RA

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Como chegar: Metro * Estação de metro Trindade, subir a rua de Camões e logo por baixo do viaduto vemos do lado esquerdo o Pérola. Carro * Estacionamento mesmo em frente ao Pérola ou na Praça da República. Autocarro * 3M: sentido Avenida Aliados - Aeroporto (paragem em Gonçalo Cristóvão) * 3M: sentido Aeroporto - Avenida Aliados (paragem em Trindade ou Praça da República) *4M: sentido Avenida Aliados - Maia (paragem em Gonçalo Cristóvão) * 4M: sentido Maia - Avenida Aliados (paragem em Trindade ou Praça da República) * 11M: sentido Hospital S. João Coimbrões (paragem Gonçalo Cristóvão) * 11M: sentido Coimbrões - Hospital S. João (paragem em Trindade)

muitos”, diz Mário Carvalho. Nesta casa há muito ecletismo. “A Simone de Oliveira atuou cá em maio, a título de exemplo”. Há também festas temáticas. O It´s Amazing, Viralata, ou Kiki Party. O que torna então o Pérola Negra diferente das restantes discotecas portuenses? Precisamente esse caráter mais “abrangente”. E também “não ir muito nas modas”, reitera o responsável. Uma casa da música exemplar que promete muitas surpresas e celebração. A próxima data a assinalar é a 18 de novembro, o primeiro aniversário da nova vida do Pérola Negra em pleno coração da cidade do Porto. O Pérola, famoso na cidade do Porto, localiza-se no centro da cidade, mais precisamente na Trindade, a 5 minutos da estação de metro, e a 2 minutos da Praça da República.

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“Está aqui tudo!” O projeto nasceu há sete anos, por iniciativa de Weilan (Vera em português) e do marido, para trazer um pouco da cultura chinesa para o Porto. A Wera Store é um espaço eclético na oferta. Tem desde artigos para festas e trabalhos manuais, até acessórios de moda ou decoração de casa e produtos de limpeza. A recetividade é mais que positiva num estabelecimento onde os clientes se sentem bem. Também a qualidade e simpatia no atendimento


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são fundamentais. A proximidade torna-se, assim, a palavra-chave do estabelecimento, sendo o ambiente “acolhedor”, decididamente para toda a família com uma relação qualidade-preço também muito boa. Alunos dos mais diversos estabelecimentos de ensino equipam-se na Wera Store, com materiais para trabalhos escolares. E porque o Halloween se aproxima, a Wera Store não deixa esta data de lado. Desde as máscaras mais tradicionais como as bruxas (claro!), diabinhos e Frankensteins, e outros artigos muito especiais, há de tudo. Não falte a esta verdadeira celebração do comércio onde os preços são imbatíveis. “Está aqui tudo!”, garante Weilan.

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Wera Store

Telefone:22 015 8719 Morada: Rua António da Silva Marinho, N.º 120, 4100-064 Porto. facebook.com/LojaWeraStore Aberto todos os dias Das 09H00 ÀS 21H00 Parque de estacionamento grátis


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T E M P O S

um segredo bem escondido no coração do porto Um velódromo nas traseiras do Museu Soares dos Reis? Quem passa por lá não faz a mínima ideia da azáfama que já se sentiu no tempo do rei D. Carlos. É que as traseiras do Museu Nacional Soares dos Reis acolheram um velódromo. Não acredita? Acompanhe a viagem no tempo que a VIVA! lhe proporciona. Texto: Irene Mónica Leite

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em no coração do Porto há um segredo bem escondido. O antigo velódromo Maria Amélia, inaugurado em 1894, já não funciona, mas ainda pode ser visitado, marcando previamente com a direção do Museu Nacional Soares dos Reis. Reza a história que o Palácio dos Carrancas foi construído no fim do século XVIII pela família Moraes e Castro (conhecidos como Os Carrancas). Nas traseiras da habitação situava-se uma fábrica. Atrás tinha a mata. Era uma zona já a sair da cidade. Havia hortas, um pombal… Refira-se que, aquando da sua construção, em 1795, o imóvel estava destinado à habitação e à fábrica da família dos Moraes e Castro, proprietária de um negócio de tecelagem de passamanaria de ouro e prata até então situado na rua dos Carrancas, de onde nasceu o apelido para a família e, mais tarde, para a designação do Palácio. No entanto, com a falência da fábrica, os Carran-

cas, proprietários do palácio até então, tiveram que abrir mão do edifício e vendê-lo. Foi, então, em 1861 que o palácio foi transformado em Paço Real. Quando o empreendimento foi posto à venda, foi a família real que o comprou. “Foi a própria família e não a coroa”, começa por explicar a diretora do Museu Nacional Soares dos Reis, Maria João Vasconcelos. O Palácio dos Carrancas foi comprado, conta, no reinado de D. Pedro V, que entretanto morreu. E foi D. Luís que assinou a escritura. “Os reinados de D. Luís, D. Carlos e D. Manuel tiveram este apoio logístico no Porto. Houve várias visitas da família real ao Porto e ficavam instalados aqui”, conta Maria João Vasconcelos. No reinado de D. Luís, D. Carlos e D. Manuel II, este palácio foi apelidado de “Paço do Porto”. Refira-se que a cidade do Porto nunca foi residência do rei. Mas é durante o reinado de D. Carlos que o lóbi das bicicletas se afirma. Em 1893 foi fundado o


VELÓDROMO MARIA AMÉLIA

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Egídio Santos, 2001

Fez-se história!

Egídio Santos, 2001

Egídio Santos, 2001

“Temos fotografias da entrega e prémios aos vencedores das corridas. Era um desporto que estava na moda. É engraçado perceber esta relação de vitalidade desta zona da cidade, junto do Palácio de Cristal”, destaca a diretora do Museu. “O Porto era uma terra cheia de vida. São, acima de tudo, momentos muito ligados ao dinamismo da cidade”. Velo-Club do Porto, com sede no antigo chalet do Palácio de Cristal. D. Carlos era um homem moderníssimo para a sua época, numa fase em que modalidades como o ciclismo estavam na moda. “E no Palácio de Cristal, aqui muito perto, tinha o Velo Club instalado. Lá tinha a sua sede, mas não havia velódromo. D. Carlos, entretanto, foi nomeado seu presidente honorário, passando a designar-se Real Velo Club do Porto. Na falta de recinto para a prática da modalidade, em expansão em finais do século XIX pelas elites sociais na cidade, D. Carlos cedeu os terrenos da quinta do palácio real para a construção do Velódromo Maria Amélia. REVISTAVIVA,OUTUBRO 2017


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O recinto era constituído por uma pista em macadame e, ao centro, albergava dois cortes de lawn-tennis. Considerado então o melhor do país, era completado por uma elegante bancada em madeira para cerca de 700 pessoas. No entanto, a duração do Palácio dos Carrancas como “Paço Real” foi muito pequena. A implantação da República, em 1910, e o exílio do monarca deixaram o edifício quase ao abandono, o que viria a mudar quando o palácio foi entregue à Misericórdia, obedecendo à vontade de testamento deixado por D. Manuel II. Após a implantação da República, o velódromo esteve inativo. O Palácio dos Carrancas, que esteve em estado de abandono, foi em 1915 reativado pelo então designado Velo Club do Porto e manteve a sua atividade no local até aos anos 30. E as bicicletas passaram depois a ser, curiosamente, um meio de transporte do proletariado. Houve uma grande

ADF / DGPC

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troca de estratos sociais. “Rapidamente o abandono toma conta das estruturas, a tribuna caiu e a pista foi sendo tomada pelas ervas. Quando se instalou o museu, em 1940, não havia muitos sinais visíveis do percurso do velódromo”. Mediante um acordo entre a Misericórdia e o Estado Português, o Museu Nacional Soares dos Reis foi transferido para o palácio, que reunia as características ideais para a função a desempenhar: um lugar com história e tradição, qualidade arquitetónica e um estilo neoclássico. No final do século, novas obras de reabilitação do edifício, da autoria dos arquitetos Fernando e José Bernardo Távora, terminaram em 2001 e incluíram a recuperação da memória deste velódromo, com a construção dos dois semicírculos nos topos que fechavam a pista. ADF / DGPC REVISTAVIVA,OUTUBRO 2017


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150 ANOS DA ABOLIÇÃO DA PE Relembrar e assinalar alguns dos episódios mais dramáticos da nossa história leva-nos a compreender que a memória deve ser entendida como um instrumento que possibilita moldar um melhor futuro. 2017 marca os 150 anos da abolição da pena de morte em Portugal. Para recordar um importante passo, que fez história! Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

A cidade do Porto ainda apresenta rastos deste negro mas importante e inegável traço da nossa história. Um dos momentos altos, inclusive, está na possibilidade de apreciar no MMIPO - Museu e Igreja da Misericórdia do Porto a histórica e emblemática Bandeira Processional dos Condenados, do ano de 1613, pintada a óleo sobre tela. Na data em que se comemoraram os 150 anos da Abolição da Pena de Morte em Portugal, a 1 de julho, o MMIPO, o Centro Português de Fotografia e a Escola Superior Artística do Porto organizaram um percurso pedestre através dos espaços que evocam a memória dos sentenciados à morte na cidade do Porto. Este percurso passou pela Cadeia da Relação onde foram lembradas as ajudas providenciadas pela Misericórdia do Porto aos presos, assim como o funcionamento do próprio estabelecimento prisional. A paragem seguinte deu-se nos Clérigos, onde, em tempos, existiu o “campo das malvas”, local onde muitos condenados à morte eram enterrados. Já na Praça da Liberdade, uma encenação da responsabilidade do Curso de Teatro da ESAP trouxe ao presente personagens ligadas à temática, mormente a figura do enforcado e a lembrança dos 12 liberais, Mártires da Liberdade. No MMIPO, a cerca de meia centena de pessoas que se juntaram a este evento puderam apreciar a Bandeira Processional dos Conde-


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ENA DE MORTE EM PORTUGAL

nados, do ano de 1613, pintada a óleo sobre tela. Esta bandeira, que de um lado representa um condenado masculino e do outro um feminino, acompanhava os sentenciados até ao local da sua execução, representando o apoio espiritual prestado pela Misericórdia do Porto. Trata-se de uma relíquia rara do acervo museológico nacional, sendo de enorme importância para a história da cidade e dos portuenses. Mas voltemos ao princípio. A 1 de julho assinalou-

-se os 150 anos da abolição da pena de morte em Portugal (1867-2017). Portugal colocou-se na linha da frente dos países que inscreveram no seu sistema legal uma lei de abolição da pena de morte para crimes civis tantas vezes julgados na Cordoaria e para os lados da Alfândega, junto ao rio. Foi de tal forma importante o passo, que o exemplo de Portugal serviu de argumento aos defensores das correntes abolicionistas de então. A coragem REVISTAVIVA,OUTUBRO 2017


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de abraçar e aplicar uma reforma de grande alcance civilizacional estava aberta. A Carta Lei de 1867 tem um forte valor simbólico para a Europa, na medida em que encerra em si muitos dos valores e ideais atualmente carimbados na carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, nomeadamente os que se fundamentam nos valores da tolerância e do respeito pela vida humana. Refira-se ainda que a Carta de Lei foi reconhecida pela Comissão Europeia como Marca do Património Europeu em abril de 2015.

UM ANTECEDENTE MARCANTE Até chegar à abolição efetiva da pena de morte em Portugal houve todo um trabalho realizado paulatinamente, sob a forma de sinais e de contestações, com a forte convicção de que algo teria de mudar. Carlos de Sousa Mendes, Secretário Geral do Ministério da Justiça, avançou ao jornal Público o exemplo de Domingos Batista, um sapateiro com 21/22 anos condenado pela morte de José dos Santos na serra de Manhouce, em Vouzela, e enforcado no Campo da Cordoaria no Porto, a 23

de julho de 1838. Depois da execução, ao ser lançado à terra, os relatos contam que “ele se movera, abrira os olhos e dava outros sinais de vida”, tendo sido levado para o Hospital da Misericórdia, onde acabou por morrer. “Os enforcados morriam sobretudo por asfixia, não porque a coluna partia. Por ser uma morte lenta, o carrasco pendurava-se no condenado para fazer peso”, conta Sousa Mendes. Não faltam descrições do sofrimento físico e desumano causado pelas execuções. “O laço comprimindo obliquamente o colo do padecente não lho aperta logo a ponto de subi-


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A árvore da forca… que nunca matou ninguém

tamente lhe fazer cessar a respiração”, escreve José Joaquim de Mattos, em 1846. Trinta anos antes, já o jurista António Ribeiro dos Santos (1745-1818), considerado o primeiro abolicionista português, defendera publicamente que a pena de morte é “ir além dos limites da necessidade do remédio, é exceder a moderação e violar a lei sagrada, que nos manda não fazer maior mal do que o que nos é absolutamente necessário para a nossa conservação, para a defesa da nossa vida”:

A ÚLTIMA CONDENAÇÃO Um homicídio violento, cometido por um guerrilheiro absolutista julgado duas vezes pelo crime, esteve na base da última condenação à pena de morte por crimes civis em Portugal, executada em Lagos, no Algarve, em 1846. Segundo o historiador José António Martins, José Joaquim (José Grande, de alcunha) era um “homem interessante”, natural de Lagos, cujos avós maternos eram de Odiáxere e a família do pai de Marmelete (Monchique), que pertenceu à guerrilha e cometeu o homicídio na base da sua condenação em 1833, sendo executado pela forca 13 anos depois, em 1846. José António Martins sustentou que, apesar dos dois julgamentos, de ter perdido o perdão e tentado por todos os mecanismos reverter a condenação, José Grande “não conseguiu virar o processo a seu favor e acabou condenado à pena de morte em Portugal”.

O antigo “Rocio da Cidade” foi depois o Campo do Olival e é agora o Campo dos Mártires da Pátria. Mas ainda teve mais vidas. Foi o eirado de todos os júbilos, motins, folganças, glórias e desesperos. E ainda hoje a Cordoaria é, sem sombra de dúvidas, uma importante página da história portuense. Uma árvore, antiquíssima, plantada em 1612 e que só morreu (de pé) mais de 300 anos depois e que resistiu a muitos temporais e saiu incólume de um incêndio, ao que consta sofreu uma calúnia grave, pois acusaram-na de ter cedido um dos seus possantes ramos para nele serem enforcados ladrões, bandidos e arruaceiros. Falso. Na chamada “árvore da forca” nunca alguém foi pendurado. De facto, houve revoltosos que morreram na Cordoaria, mas em forcas de madeira, que para esse efeito foram propositadamente levantadas no Campo do Olival. O velho “ulmus” foi testemunha muda de alguns enforcamentos que se fizeram no antigo Campo do Olival, mas nunca participou em nenhum. REVISTAVIVA,OUTUBRO 2017


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CENTROS COMERCIAIS

NO (QUASE)ABANDONO Texto: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

Sabia que, há 40 anos, shoppings como o Brasília e, mais tarde, o Dallas e o Stop deram uma nova movida à cidade do Porto, muito diferente do quase abandono que os caracteriza neste século XXI? É que para muitos a expressão “no meu tempo” nunca se encaixou tão bem. Acompanhe-nos, por isso, nesta visita ao passado, presente e, quem sabe, futuro destes outrora afamados e “apinhados” locais da moda no Porto.

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anto o Brasília como o Dallas ou o STOP “sofreram” com o aparecimento dos grandes shoppings de segunda geração, mais organizados e modernos. Mas comecemos pelo princípio. O Brasília foi um dos primeiros grandes centros comerciais da Península Ibérica e já ultrapassou os 40 anos. Abriu portas a 9 de outubro de 1976. Naquela altura em que o shopping era uma “grande novidade”, as pessoas vestiam-se de gala para marcar presença no empreendimento. De facto, no final dos anos 1970 e 1980, portugueses e espanhóis enchiam as lojas e os seus corre-

dores. Longe dessa vivacidade, os comerciantes tentam agora “revitalizá-lo”. No Brasília havia de tudo. O público era descrito como “diverso”, assim como o comércio que por lá se instalou. Havia lojas de roupa, decoração, cabeleireiros, centros de estética, lojas de música ou cafés. Calma, que ainda houve espaço para míticas discotecas. Referimo-nos à Griffon´s, ao Romanoff ou ao Glassy. A história do Brasília correu sobre rodas até meados dos anos 90, conservando a posição de espaço de referência e de preferência.


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A NOSTALGIA SAUDÁVEL DO BRASÍLIA Quem não se lembra da “Rapariguinha do Shopping”, letra da autoria de Carlos Tê e imortalizada na voz de Rui Veloso? O forte do Brasília, atualmente, são as lojas independentes e, em particular, as especializadas, sendo possível encontrar lojas dedicadas por exemplo à banda desenhada (como o Mundo Fantasma), ao modelismo, ao metal gótico, ao esoterismo, às artes marciais ou à filatelia e numismática.

José Rodrigues, atual administrador do condomínio do Brasília, relembra que os anos 80 foram de “ouro” para o icónico estabelecimento. “De grande esplendor em termos comerciais”, sublinha. No entanto, com o aparecimento de outros shoppings de considerável dimensão, como o Arrábida, o Norteshopping ou o Cidade do Porto, o Brasília “começou a entrar em declínio”. “O Brasília não apresenta uma propriedade unificada, o que condiciona todas as iniciativas e consequente gestão das lojas. Atualmente estão 120 lojas

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abertas. E há dois corpos de escritório ocupados”. A administração do condomínio faz, inclusive, “programas para atrair novos lojistas, como por exemplo, as lojas pop up, com rendimentos flexíveis”. O que se nota é uma “certa rotação”, explica José Rodrigues à VIVA!. O futuro passa por uma remodelação integral do espaço. Também por criar novos espaços para atrair novos comerciantes. Mas tudo, salienta o administrador do condomínio do Brasília, requer “unificação e investimento”. REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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O DALLAS: O CENTRO COMERCIAL QUE NASCEU “TORTO” Inspirado na emblemática série americana, o Dallas foi inaugurado em dezembro de 1984 na Avenida da Boavista, mas alegadas razões de segurança ditaram o seu encerramento. Houve protestos de proprietários, lojistas ou funcionários. No dia 2 de julho de 1999, após várias batalhas jurídicas, o Dallas fechou mesmo. O “velhinho” Dallas ostentava mais de 500 lojas. O centro comercial abrangia uma área que começava na Avenida da Boavista e terminava no Bessa. O empreendimento nunca chegou a ser legalizado. A oferta também era distinta, sobretudo ao nível dos espaços noturnos. Vítor Costa recorda o Dallas com alguma nostalgia descrevendo-o como “inesquecível”. “Estava lá, era dos mais certinhos, tanto nas matinés como à noite. Era presença regular na Penha do Porto, Lá Lá Lá e no Fisioterapia”, relembra. Muitos ainda hoje recordam com “especial” saudade o “Lá Lá Lá” que ficava na ala-norte do centro comercial. De decoração simples, era frequentada por “tribos” de jovens que iam a esta discoteca para dar largas à irreverência, dançar até não poder mais e ouvir “boa” música. De destacar também “O Coqueiro”. As discotecas tinham “boa música”. De recordar ainda o Nevada, que era um café emblemático onde se faziam as melhores francesinhas do Porto.


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O STOP: DE CENTRO COMERCIAL A GRANDE SALA DE ENSAIOS

Engane-se quem pensa que o STOP apenas acolheu bandas para ensaios. Não, de todo. O “ruído bizarro” é apenas do século XXI. “Passei lá uma parte da minha vida de estudante”, começa por explicar Teresa Sousa, 46 anos. “O Shopping tinha de tudo um pouco: cafés, papelarias, bares, pubs, discotecas. O ‘Balancé’ foi, por exemplo, para mim um bar emblemático”, diz Teresa. Tratava-se de um bar dedicado à música brasileira e frequentado por vários jogadores de futebol. “Tinha a discoteca, que era o ‘88’. Passava a música que se ouvia naquela época: Europe, Spandau Ballet. Tudo o que estava na moda. Um pormenor: a música de abertura era sempre a mesma: ‘Europe, the final countdown’” (risos). O STOP também tinha salas de cinema, recorda Teresa, que “até eram agradáveis”. “Cheguei também a frequentar esta vertente”. As duas salas de cinema do STOP fizeram parte da cultura cinéfila portuense durante os anos 80 e 90, mas, tal como o centro comercial com o mesmo nome, foram acabando por perder todo o dinamismo de outrora. Nas várias salas deste centro comercial dos anos 80 podem encontrar-se os estilos musicais mais variados. Horácio Pereira, segurança há 16 anos no STOP, recorda com saudade, e como visitante, os tempos áureos do empreendimento. Mas no século XXI os tempos são outros. As âncoras também. “Se não tivéssemos as bandas, já tínhamos fechado”, confessa o senhor Pereira, como é conhecido e estimado pela panóplia de músicos do STOP. Entre um dedo de conversa aqui e ali,

a verdade é que Horácio Pereira assistiu à queda e ao renascimento do “velhinho” STOP. “Sobraram poucas lojas, o que se ouve aqui agora é música”. E é verdade. A VIVA! assistiu a essa realidade. De cinco em cinco minutos chegam músicos “equipados” para mais um ensaio. Venham eles. REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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Comes & Bebes Um percurso gastronómico pela baixa portuense Textos: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

BOTA & BIRA Comida com sabor

Rua O Comércio do Porto, 191 Telefone 917479230 O estabelecimento “Bota & Bira” nasceu em 2016. “Andávamos à procura de um espaço situado na parte mais histórica do Porto. Encontramos este e foi só mesmo montar e dar início à nossa atividade”, começa por explicar Bruno Bastos, responsável pelo estabelecimento. “O meu conceito foi sempre à base dos petiscos mais espanhóis, mais ibéricos. E alguma mistura nossa, do nosso típico português. Na cozinha trabalho um bocadinho ao meu contexto. Na confeção trabalho muito com a cozedura. Acima de tudo comida com sabor”, vinca. “Gosto de usar ervas frescas, tudo o que hoje em dia seja diferente. Quero proporcionar uma experiência diferente ao cliente”, assegura. Há investimento numa eclética carta de vinhos: “não temos vinhos que sejam vendidos em grandes superfícies. Disponibilizamos vinhos muito bons”, aponta. Qualidade e minúcia acima de tudo. O espaço também é muito acolhedor. “O cliente é muito exigente e nós também temos que o ser. Começamos a decorar as paredes. Como passei uns tempos em Inglaterra, trouxe um bocadinho do conceito dos pubs. Aquelas casas pequenas… Achei isso fantástico. Fundi, assim, o tradicional com a vanguarda. Tudo o que está aqui é uma síntese da minha experiência profissional. É a minha cara, basicamente”, resume. Há ainda espaço para cocktails mais vintage como

No Porto come-se bem, reiteramos. E continuando o mote dos restaurantes marcados pela qualidade dos produtos Recheio, seguimos viagem pelas promessas gastronómicas da cidade. Porque, aqui, o garfo é quem mais ordena.


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a Margarita. O nome “Bota & Bira” até surgiu antes do espaço. Tudo isto foi trazer um bocadinho da cultura portuense. Uma expressão antiga, com muita piada. “É que o cliente senta-se aqui e depois não quer sair”, garante Bruno Bastos. Às segundas-feiras está fechado. De terça-feira a sábado, aberto das 12h às 15h30 e das 19h às 23h. Aos domingos, das 12h às 15h30. REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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Tasquinha dos Sabores “O restaurante dos post its” Rua da Picaria, 32 Telefone 223220037 O projeto já conta com cinco anos. Olhando para trás, “há aspetos que vão mudando e outros que se mantiveram desde o início”. Os petiscos são a grande aposta com base na comida portuguesa, a “nossa tradição”. Nos enchidos, no bacalhau, “passa um bocadinho por aí”, diz-nos Paula Cardoso, responsável pelo estabelecimento. “Temos um prato que pensei que não tivesse grande saída que é o tártaro de salmão. Um sucesso enorme, uma coisa completamente diferente de todo o nosso conceito. Os nossos pratos são um bocadinho quentes. Temos a morcela de Seia, por exemplo. Temos a famosa salada de bacalhau que servimos com grão de bico e cebola roxa”. A nível estético está a preceito. “Há variadíssimas pessoas que me referem a tasquinha como o ‘restaurante dos post its’” (risos). “Achei que seria engraçado as pessoas pensarem e deixarem uma mensagem. Os post its eternizam. Temos uma caixa deles”, afiança. Por outro lado, “os clientes quando voltam, sabem o sítio onde colocaram e vão ver se está lá. É algo bastante curioso”. O balanço é mais que positivo. “São cinco anos ótimos com muito trabalho às vezes. Mas que é sempre gratificante, ainda para mais quando os clientes nos transmitem esse contentamento”, conclui. Às segundas-feiras está fechado. Aos domingos, aberto das 19h30 às 23h. E de terça a quinta das 12h às 15h e das 19h30 às 23h. Sexta e sábado das 12h30 às 15h e das 19h30 às 24h.


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LSD O restaurante com “alma viajante” Largo de São Domingos, 78 Telefone 910298589 | 223231268 O estabelecimento LSD nasceu em março de 2014. ”O projeto inicial, quando pensamos em abrir este espaço, foi fazer uma cozinha moderna portuguesa em que iríamos trabalhar com produtos tipicamente portugueses”, começa por explicar Cândido Pereira, responsável pelo restaurante. “Agora, se calhar, temos um pouco de influência oriental. Uma fusão cultural, acima de tudo. É uma ‘cozinha viajante’. Na mesa estamos a degustar e a pensar. Há sabores conhecidos desde a infância. Está aqui um pouco disso”, garante. No entanto, “este projeto já tinha sido iniciado há

cerca de cinco anos, na Casa de Pasto da Palmeira. E quando me convidaram para este projeto nem pensei duas vezes. Portanto, era passar o que se fazia com a casa de pasto para restaurante”. Sucintamente o desafio que se apresenta carimba-se numa “experiência sensitiva” por parte de quem visita o espaço. Todos os sentidos a trabalhar. Viagem física e mental. A nível estético, decoração com “alma viajante”. “Não queremos um restaurante muito formal. Queremos clientes descansados e relaxados”. O balanço é muito positivo. “O estabelecimento tem estado até hoje em crescimento. Muitas pessoas, aliás, repetem a experiência”, frisa Cândido Pereira. Aberto todos os dias das 09h às 11h30, das 12h30 às 18h45 e das 19h às 23h45.

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Dona Gertrudes “Tudo o que é português” Passeio de São Lázaro, 44 Telefone 225360232 “Nós oferecemos tudo o que é português. Temos alguns pratos fixos na lista e outros que saltam. Não temos um dia específico para determinados pratos. Aqui é um bocadinho aleatório”, começa por explicar Carlos Santos. Em termos de pratos, “tirando os petiscos, de destacar o bacalhau à brás, um clássico desta casa, à nossa moda, porque tem um toque do chef. Bacalhau com natas e o arroz de pato à antiga. Digamos que a sua base é a receita tradicional, mas com toque nosso”. A familiaridade entre clientes e funcionários é um conceito que se cultiva nesta casa. “As pessoas às vezes esperam 20, 25 minutos para jantar. É como um ritual, degustam super tranquilos. O que interessa é que as pessoas venham e tenham uma ‘experiência’ e que voltem. Nós primamos muito pelo atendimento personalizado. Gosto imenso de falar, criar laços com os meus clientes”. O balanço é francamente “positivo” nestes dois anos e meio de atividade. “Temos o cliente que queríamos, que aprecia boa comida, e que ajuda a fazer o bom ambiente”, remata, orgulhoso. De segunda a quinta-feira das 18h às 24h e sextas e sábados das 18h às 02h. Aos domingos está fechado.


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Mercearia do Rosário “Não queremos ser cópias de ninguém” Rua do Rosário, 44 Telefone 222010504 O projeto nasceu em 2015, com abertura de portas em outubro desse ano. “Nós trabalhamos muito com tapas. Diferenciamo-nos nos pratos. Não queremos ser cópias de ninguém. Acima de tudo, o nosso próprio estilo em alguns pratos”, começa por explicar

Rui Sampaio, responsável pelo estabelecimento. Pretende-se “modificar o conceito de tradicional. Temos menus de degustação, onde podem ver parte de algumas coisas da nossa carta. Uma experiência sensitiva, sucintamente”. “Os nossos clientes estão normalmente habituados às tapas ou tapinhas. Eles aqui dizem ‘taponas’ (risos). Há grupos que não conseguem chegar ao fim. Já não querem a sobremesa. Ficam satisfeitos”, remata. De acrescentar que o estabelecimento apresenta um menu

de pequeno-almoço, que é famoso e considerado um dos melhores do Porto e Lisboa. “Temos uma ótima relação preço-qualidade”. Por outro lado, há todo um cuidado na estética. “Toda a decoração foi feita por nós, é a nossa cara. Este é um projeto familiar. Trabalhamos com amor. Qualidade acima de tudo”. Em termos de planos futuros fica a ideia de “expansão” num local mais central. De segunda a sábado das 07h30 às 02h. Aos domingos está encerrado. REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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“Tenho turistas que repetem” Rua da Fábrica, 20 Telefone 914202430 O acolhedor estabelecimento abriu este ano na altura do S. João. O objetivo é trazer o espírito familiar para o ‘Laurear’. “Eu não sou cozinheira”, vinca Conceição Tulha. “Mas gosto do que faço aqui. Tenho que me adaptar para que a oferta agrade a todos os clientes. Tenho na lista ‘bacalhau lambe dedos’, bife laureado, costoletão, iscas, cabrito. Tenho rojões, moelas, sai tudo muito bem”, assegura. O caráter diferenciador está na frescura das refeições. “Faz toda a diferença!”, diz-nos. A recetividade do público é bastante positiva. “Tenho turistas que repetem, marcando cá pre-

sença três vezes por semana”. “Nós não promovemos só o nosso espaço”, acrescenta. “Promovemos também a cidade. Damos um acompanhamento mais intimista. O cliente gosta de saber o que pode visitar no Porto. Quais são os pratos mais típicos da região e do país. Há uma flexibilidade para ver se o cliente quer saber, se interroga e nós damos atenção”. Devido ao espaço ser pequeno, “quisemos dar um ar intimista e quisemos jogar com as duas vertentes e ‘cortar’ o romantismo com a gastronomia. Jogar com duas realidades”. O resultado está num espaço convidativo quer para o portuense, quer para o turista, com um balanço de meses a superar cada vez mais as expetativas. Aberto de segunda a domingo das 11h às 23h.


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À Parte

“As pessoas têm que se sentir bem” Rua das Flores, 46 Telefone 222010888 | 927039897 A história que marca o “À Parte” nas mãos de Nuno Castro é repleta de inúmeras batalhas vencidas com sucesso. “Eu entrei na restauração ao de leve, até porque era completamente ligado à indústria. Sabia que o Porto iria ter um desenvolvimento turístico brutal e, portanto, andei à procura de vários espaços. Este chamou-me a atenção pela rua em si. Este restaurante quando o encontrei estava mal. Então decidi intervir”, explica. “Foram dois anos de obras, período extremamente difícil que também deu para uma experiência engraçada em termos de cozinha. Não tinha formação para um volume considerável

de pessoas”. “Todos os nossos produtos são frescos. Não temos nada pré-cozinhado. Tudo é feito na hora. Este espaço era muito escuro e a minha mulher não quis assim. ‘Estamos na rua das Flores, temos que ter um restaurante com flores’”, recorda Nuno Castro “Tudo o que é velharias nós ‘filtramos’. A minha mulher soube criar um espaço cosy, onde as pessoas se sentissem principalmente em casa. Há aqui um conceito familiar, tanto na comida como no espaço. As pessoas têm que se sentir bem. Temos sofás, a questão do conforto. Recebemos muitas famílias com muitas crianças que adoram vir aqui”. O balanço só pode ser “francamente positivo”. Aberto todos os dias das 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 22h30.


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JOEL CLETO

“Caminhos da História” “Caminhos da História” é um programa do Porto Canal dedicado à divulgação da história e património português. A série visa a “valorização da nossa memória através de percursos no território e de visitas a monumentos”, sempre na boa companhia de Joel Cleto. “O ‘Caminhos da História’ é um programa que vem na sequência de uma aposta do canal desde que este surgiu em torno da história e do património. Depois de um conjunto de formatos com nomes distintos fizemos uma série sobre os caminhos de Santiago a que chamamos o ‘Caminho das Estrelas’. E quando o ‘Caminho das Estrelas’ terminou, retomamos o programa habitual. Era preciso um novo nome. E apareceu o ‘Caminhos da História’”, começa por explicar Joel Cleto. É impossível não resistir ao caráter lúdico-pedagógico do programa, ao fundir história com lendas. “As lendas fazem parte disto tudo. Integram o património imaterial. Durante séculos, estas eram aquilo que as pessoas passavam de pais para filhos, avós para netos, pensando que era mesmo a realidade”, conta o arqueólogo. Hoje, obviamente, fruto “de outra erudição, de outros conhecimentos, fruto da sociedade globalizada e onde temos a Internet, estas histórias tendem a perder-se. Mas porquê valorizar as lendas?”, questiona.


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Porque, “como dizia o poeta António Aleixo: ‘A mentira para ser segura e atingir com profundidade, tem que trazer à mistura qualquer coisa de verdade’. É possível encontrar em lendas pistas para arqueólogos, a título de exemplo”. Por outro lado, através das lendas é mais fácil chegar ao público, que “nos recebe calorosamente. A forma como somos abordados na rua, as mensagens que recebemos, os contactos e mesmo pelas audiências do programa, percebe-se que o público aprecia as histórias”, revela. “Claro que um dos segredos do programa tem a ver com essa questão um pouco mais lúdica. Há que descodificar o discurso. Porque se este for muito técnico, as pessoas vão mudar de canal. E isso nós não queremos”. (risos) Elogiado pela crítica televisiva, o programa obteve em 2016, da Associação Portuguesa de Museologia, o Prémio de Melhor Produto Media na divulgação de museus. Já em 2012 o mesmo programa merecera a Joel Cleto a nomeação pela Sociedade Portuguesa de Autores como autor de um dos três melhores programas de entretenimento/culturais

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de televisão portuguesa. Quanto a planos futuros nestes “Caminhos da História”, Joel Cleto desvenda um pouco do que se aproxima: “não perdendo a matriz original do programa, muito centrado no Porto e na região metropolitana, prevemos alargar um pouco mais esse âmbito. Alargar o ângulo de abordagem, sem perder a identidade do programa”, constata. “Já o fizemos com o ‘Caminho das Estrelas’. Porque, sustenta, o “Porto Canal não é um canal regional. É um canal generalista, com uma visão a partir do Porto. E desse ponto de vista, o ‘Caminhos da História’ tem de acompanhar esse dinamismo”: Assim, “descer um rio, cruzar estradas, são também dois possíveis encontros com a história”, desvenda. Aguardemos as novidades. REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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CLÁUDIA FONSECA

”Mentes que Brilham”

Cláudia Fonseca é um rosto bem familiar no Porto Canal. Pela simpatia e profissionalismo que transmite ao público, acima de tudo. Motivo mais do que suficiente para uma viagem em torno deste estimulante mundo em que a ciência ganha especial enfoque. “O ‘Mentes que brilham’ é um programa dedicado à ciência, investigação e tecnologia. Não há muitos programas do género em tv, o que considero uma lacuna dos outros canais”, confessa Cláudia Fonseca, jornalista e apresentadora do programa. Já são dez anos a falar de ciência. “É um dos programas do Porto Canal há mais tempo em antena. Para além de apresentar o ‘Mentes que brilham’, sou também coordenadora do mesmo. Foi um caminho que fomos fazendo, conquistando o nosso espaço”, explica a jornalista. “É um programa em que tentamos descodificar um pouco a ciência de uma forma a que toda a gente nos perceba”, esclarece. E não deixa de ser interessante assistir à paulatina evolução deste já icónico programa do Porto Canal. “No início tinha de andar à procura das notícias. Agora já temos a nossa rede de contactos”. “De referir que na maior parte das vezes são os investigadores ou as universidades a enviarem-nos, para mim e para a produtora do programa,


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Cláudia Fonseca, para além do ‘Mentes que brilham’, é também coordenadora da equipa de informação. Neste momento, mais direcionada para o Jornal das 13, “com decisões editoriais e gestão de equipas na cobertura noticiosa diária, e coordenação de programas em direto”. Está no Porto Canal desde o início. “Acho que a entrada de Júlio Magalhães para diretor geral foi também um marco na vida do canal. A experiência, o conhecimento e as orientações contribuíram muito para o crescimento”.

a Milene, propostas e informações sobre novos projetos, estudos ou investigações em destaque”, diz, orgulhosa, Cláudia. “A produção científica continua, por seu turno, a crescer. A saúde é uma das áreas que mais abordamos mas falamos também de Astronomia, Física, Robótica ou Engenharia”, diz. Há programas cuja preparação “são verdadeiros desafios”, confessa Cláudia Fonseca. ”Por exemplo, falar de Teoria Quântica ou Buracos Negros. Descodificar células estaminais ou entender o

enredo de um novo projeto de realidade virtual”. “Considero que este programa é um projeto aliciante, onde em cada emissão aprendo sempre algo”, resume a jornalista à VIVA!. “As pessoas dizem-me muito: ‘não há muitos programas assim’. E das mais diversas áreas. Chegamos a todos os públicos”, resume. A paixão de Cláudia pelo jornalismo é inata. “Sempre fui uma pessoa muito comunicadora. O jornalismo é uma paixão antiga. A Escola Superior de Jornalismo do Porto foi a única faculdade a que me candidatei. Não ponderei outra hipótese, ou seguir outra área. Era o que queria e foi em jornalismo que consegui fazer carreira… já lá vão uns anos”. (risos) REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


F C P O R T O

O “Mar Azul” dos adeptos do FC Porto É enorme a força e a confiança dos adeptos do FC Porto depositada nos jogadores, demonstrada amplamente todas as semanas e em todas as circunstâncias, mesmo quando as coisas correm menos bem. Uma relação de amor e de longevidade, atravessando todos os momentos do clube. Todos são heróis e este verdadeiro “Mar Azul” tem-se alargado visivelmente a cada jogo.

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érgio Conceição, treinador do FC Porto, não fica indiferente a esta força suplementar concedida aos Dragões e recorreu às redes sociais para agradecer todo o apoio da Nação Portista que se tem intensificado nos últimos tempos. Este forte apoio dos adeptos remonta ao início da época desportiva. Recorde-se o novo e grande recorde no Estádio do Dragão, com uma média de 47.376 espectadores na apresentação 2017/2018 e nos dois primeiros compromissos oficiais da época em casa. Sempre a somar e

a fazer história, quer dentro quer fora de casa, navegando um mar azul cada vez mais profundo. Um espetáculo muito emotivo com os adeptos completamente vigorosos e… em massa! Digno de se ver. Refira-se que o FC Porto tem procurado melhorar progressivamente a experiência de jogo para os seus adeptos, reforçando a aposta numa política equilibrada de preços de bilhetes, horários de jogos adequados, campanhas direcionadas para cada compromisso e propostas de animação na Praça do Dragão, antes e depois dos jogos.


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SUGESTÕES CULTURAIS NOUVELLE VAGUE NA CASA DA MÚSICA Os Nouvelle Vague regressam a Portugal com novo disco. No quarto longa duração de Marc Collin e Olivier Libaux, “I Could Be Happy”, podemos escutar versões luxuosas e repletas de glamour de temas míticos dos anos 80 como “Athol Rose” dos Cocteau Twins, “All Cats Are Grey” dos The Cure, “No One Receiving” de Brian Eno e “I Wanna Be Sedated” dos Ramones. Somos ainda surpreendidos por dois temas originais da banda (algo inédito nos discos anteriores). Para além dos novos temas, a banda promete hinos bossa nova e clássicos como “Love Will Tear Us Appart”, “Too Drunk To Fuck” e “Guns of Brixton”. Uma verdadeira celebração da new wave e… não só! A 29 de outubro, 21h, na Sala Suggia da Casa da Música.

“PEREGRINAÇÃO” DE JOÃO BOTELHO NO TEATRO NACIONAL SÃO JOÃO

“Um filme de aventuras pelos sete mares, uma epopeia musical, a fulgurância da criação literária.” João Botelho quis lá pôr tudo isto, mas este filme, atenção, não é uma adaptação de um romance monumental. O realizador prossegue aqui a conversa inacabada que vem mantendo com a “melhor literatura portuguesa”. Relembremos “Filme do Desassossego” (2010), onde afrontou esse livro-sonho que é “O Livro do Desassossego” de Bernardo Soares, ou “Os Maias” (2014), romance onde Eça de

Queirós escreveu o “Portugal como problema” de oitocentos. Olha agora para a incansável curiosidade de Fernão Mendes Pinto, que relatou as “muitas e muito estranhas coisas que viu e ouviu” em “muitos reinos e senhorios das partes Orientais”, num livro a que deu o nome de “Peregrinação”, publicado em 1614, trinta anos após a sua morte. Mas João Botelho não faz um filme de época, faz um filme dos dias em que o faz. Aviso à navegação: “É muito centrado na vontade de escrever de Fernão Mendes Pinto, que esteve oito a dez anos sem escrever uma linha. É um combate terrível com a memória, com a verdade e com a literatura.” No Teatro Nacional São João, 31 de outubro, às 21h.


CA RTA Z

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“DANCING GRANDMOTHERS”: O CRUZAMENTO DE GERAÇÕES TECA: “A GRANDE VAGA DE FRIO”

Com dramaturgia de Luísa Costa Gomes e direção de Carlos Pimenta, “A Grande Vaga de Frio” rememora essa “biografia” que Virginia Woolf compôs sobre uma figura camaleónica, sempre jovem, que muda caprichosamente de sexo e identidade: um jovem nobre do século XVI que percorre três séculos, culminando como escritora na própria época de Woolf. A mais longa e encantatória das cartas de amor à literatura dá-se a ler de novo em cena, como expressão do amor à liberalidade do palco. De 10 a 19 de novembro, no Teatro Carlos Alberto. Quarta e sábado às 19h, quinta e sexta às 21h e domingo às 16h.

Uma mistura de flores, riscas e bolinhas, um mundo urbano moderno e um mundo rural coreano, o folclore e a música eletrónica, o movimento e o vídeo, jovens e idosas. Tudo junto para transformar o palco numa pista de dança gigante. Assim, pela primeira vez em Portugal, o espetáculo “Dancing Grandmothers”, que fará do palco do Teatro Rivoli uma “pista de dança gigante”, junta a energia indestrutível das avós coreanas e dos jovens bailarinos da companhia Eun-Me-Ahn. Uma viagem através do tempo e do movimento que se transforma num transe coletivo. Para assistir a 3 de novembro, no grande Auditório MO do Rivoli. Bilhetes a 10 euros.

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GAL COSTA EM NOVEMBRO NO COLISEU DO PORTO “Espelho d´Água” é o nome da digressão que Gal Costa traz a Portugal, na comemoração dos seus 50 anos de carreira. A diva da música brasileira estreia o seu mais recente espetáculo nos dias 10 (depois de ter esgotado os bilhetes para o dia 11) e 11 de novembro no Campo Pequeno, em Lisboa, e no dia 12 no Coliseu do Porto. Será revistado, certamente, um reportório infindável de canções, que se tornaram clássicos na sua voz e fazem parte da nossa (boa) memória. “Baby”, “Meu bem, meu mal”, “Modinha para Gabriela” ou “O meu nome é Gal” são alguns dos temas que compõem o alinhamento de “Espelho D’Água”, escolhido a quatro mãos pela cantora e pelo jornalista Marcus Preto, que também divide com Gal a direção do espetáculo. O regresso da cantora baiana a Portugal acontece no ano em que completa 72 anos de idade. Uma oportunidade única para cantar e celebrar a vida, ao lado daquela que é considerada uma das intérpretes mais carismáticas da música brasileira de sempre.

HMB EM NOVEMBRO NO COLISEU DO PORTO Dez anos após a sua fundação, os HMB presenteiam a cidade do Porto com uma atuação a 17 de novembro no Coliseu do Porto. Segue-se outra apresentação, a 24 de fevereiro, no Campo Pequeno, em Lisboa. Com três álbuns na bagagem, são responsáveis por alguns dos maiores sucessos de rádio nos últimos tempos. ‘Dia D’, ‘Feeling’ ou ‘Peito’ são alguns desses êxitos. Tudo começou em 2007. Héber Marques, Joel Silva e Daniel Lima são os fundadores do projeto. Mas porquê o nome HMB? “No primeiro concerto que nós tivemos pago, o responsável do bar precisava de nos anunciar. Perguntou o nome da banda. Porque não Héber Marques Banda (HMB)? E ficou (risos)”, recorda Héber Marques à VIVA!. A sonoridade nos últimos 10 anos tem evoluído. “Começamos por ser puro e duro soul. Depois começamos a tentar perceber mais de R&B e o funk. Somos uma mescla, mas com as raízes bem firmadas”, conta. A energia e boa disposição dos concertos resumem todo este sucesso. O público é eclético. Desde adolescentes, passando por jovens adultos, pais e filhos e uma mensagem de amor transversal a todos.


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ao almente e, tendenci do e à sua gent ndo bem à cidade sonhos. Dize boa fé. Fiéis idão pelos seus var a grat Escritos de no dia-a-dia urando culti ique lutam mal. Proc do a adm lado dos esconden do que acho dono). Não bem e mal vando o ece culti acho vou que não conh o talejo onde ser cão que aqui deix ir do quin a, (evitando part ênci a iro, pend rios que adm ada inde «comentá ão cham ração pelo dos solid da anos , galegas mais três imaginou as couves ou relê-los se passou, er lê-los o desta ação do que a quem quis e no temp o comprov que minha vida Ficam com or da os». melh dias e relat co o ou nos à qual dedi transform orgulho e me perdeu ou o. que que poss -amada de fazendo o cidade bem Por ela, vou igo dizer. sei e cons

NOS DIAS DO MEU TEMPO

O Centro Português de Fotografia (CPF), no Porto, apresenta a exposição “The portuguese Z prison photo project”. Trata-se de uma mostra que reúne mais de 100 imagens que retratam “uma visão cruzada das prisões em Portugal”. “Quem é que já viu uma prisão do lado de dentro?” foi o desafio lançado a dois fotógrafos – o português Luís Barbosa e o suíço Peter M. Schulthess –, que nesta mostra procuram transmitir “uma visão das prisões contemporâneas e históricas de Portugal”, refere o CPF, que está sediado na antiga Cadeia da Relação do Porto. Às imagens captadas pelos dois fotógrafos, no ano passado e este ano, acrescem outras fotos históricas pertencentes aos arquivos nacionais, tendo a mostra 150 fotografias. As abordagens dos dois fotógrafos “traduzem-se em duas perspetivas completamente diferentes”, com Luís Barbosa a procurar “apresentar o ponto de vista dos detidos, privilegiando o ambiente em fotografias a preto e branco”, e Peter Schulthess a documentar “as prisões de um ponto de vista mais institucional, usando para isso uma câmara de alta resolução e cor para revelar os mínimos pormenores”. “A exposição dos dois fotógrafos oferece uma visão cruzada das prisões em Portugal, desde as maiores às mais pequenas, de prisões que remontam a 1880 às inauguradas em 2014, de prisões masculinas até às prisões destinadas aos jovens”, explica o CPF. As fotografias antigas apresentadas na mostra, que estará patente ao público até ao dia 3 de dezembro, foram realizadas entre 1876 e 1974 e escolhidas num universo de muitas centenas pertencentes aos acervos de diversos arquivos públicos.

HELDER PACHECO

CENTRO PORTUGUÊS DE FOTOGRAFIA APRESENTA EXPOSIÇÃO SOBRE PRISÕES NACIONAIS ATÉ DEZEMBRO

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HELDER

PACHECO

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NOS DIAS DO MEU TEMPO Z

A LER: “NOS DIAS DO MEU TEMPO”, O NOVO LIVRO DE HÉLDER PACHECO A publicar em finais de outubro, a nova obra de Hélder Pacheco é um retrato. O autor explica. São “escritos de boa-fé. Fiéis à cidade e à sua gente, tendencialmente ao lado dos que lutam no dia a dia pelos seus sonhos. Dizendo bem do que acho bem e mal do que acho mal. Procurando cultivar a gratidão (evitando ser cão que não conhece o dono). Não escondendo a admiração pelo que admiro, a partir do quintalejo onde vou cultivando as couves-galegas da solidão chamada independência, aqui deixo a quem quiser lê-los ou relê-los mais três anos dos ‘comentários e relatos’. Ficam como comprovação do que se passou, imaginou, perdeu ou transformou nos dias da minha vida e no tempo desta cidade bem-amada de que me orgulho e à qual dedico o melhor que sei e consigo dizer. Por ela, vou fazendo o que posso”. REVISTAVIVA, OUTUBRO 2017


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O R T O F O L I O


“O Porto não é para mim um lugar. É um sentimento” Agustina Bessa Luís


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A CASA DOS

leitores

O caráter pacato desta livraria à entrada esconde todo o fogo que a paixão pela leitura despoleta. Comecemos pelo seu nome, que desde logo capta a atenção. Charles Baudelaire deu o significado de ‘flâneur’ como a “pessoa que anda pela cidade com o objetivo de experimentá-la”. Cátia Monteiro e Arnaldo Vila Pouca vêem os livros como o ‘flâneur’ vê a cidade, com a liberdade de nos dar novos fôlegos e criar entusiasmo enquanto lemos a respetiva obra. Uma viagem inesquecível nesta casa onde a palavra leitor impera. Textos: Irene Mónica Leite Fotos: Carolina Barbot

Os livros são o alimento desta acolhedora livraria em que se gosta das pessoas primeiro e logo a seguir dos livros. As obras são selecionadas pela Cátia e pelo Arnaldo. Perdemo-nos um pouco para chegar à Rua Ribeiro de Sousa, local onde até há pouco tempo esta simpática livraria funcionou. Agora a casa é outra. Mais precisamente na Rua Fernandes Costa, n.º88. Entremos, portanto. Só para a boa impressão continuar, somos de imediato bem recebidos pela Cátia e pelo Arnaldo que tratam esta ‘família’ por tu. Enquanto aguardamos pela conversa, contemplamos a belíssima bagagem literária. Desde Manuel António Pina a Vergílio Ferreira, passando por Eça de Queirós, Elena Ferrante, Herberto Helder, Afonso Cruz,

Walter Benjamin, Slavoj Žižek, Jacques Derrida, Max Horkheimer e outros autores, acabando num cartaz de Jacques Tati. Há quanto tempo! O reencontro também é bom neste verdadeiro “porto de abrigo”, que já foi somente ambulante. É assim que nascem os projetos de empreendedores, da base. A Flâneur é uma livraria generalista, onde nos sentimos literalmente em casa. Com um ambiente acolhedor que nos atrai e impele a ficar e a voltar. Mas se não puder vir até cá, telefone ou envie email que a Cátia e o Arnaldo, os mentores da simpática Flâneur, levam o livro a casa, de bicicleta, ou enviam por correio para qualquer parte do mundo.


F LÂ N EU R

Mas comecemos pelo princípio. “Eu e o Arnaldo conhecemo-nos em 2013, a trabalhar noutra livraria, aqui no Porto. Adoramos livros. E, portanto, achamos que fazia sentido ter um espaço nosso, feito um bocadinho à nossa semelhança, onde pudéssemos cumprir a nossa função de livreiros e partilhar o conhecimento, o amor pelos livros com outras pessoas numa casa nossa. Começamos a sonhar com isso”, começa por explicar Cátia Monteiro. “Achávamos que esse sonho era algo que se encontrava num futuro mais longínquo”, confessa. No entanto, “depois as coisas acabaram por se proporcionar. E acabamos por conseguir realmente perceber que poderia ser mais simples realizar

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esse sonho. A livraria começou por ser ambulante, com casa nas redes sociais”. “Começamos a vender livros em segunda mão. Tínhamos uma componente mais de alfarrabista, que agora já não temos”, relembra. “Temos uma bicicleta, que é a Flânerie, para entregar os livros às pessoas. E ao sábado encontrávamo-nos sempre em algum mercado do Porto. Ou no Flea Market ou no Mercado Porto Belo. Em setembro de 2015 conseguimos participar na Feira do Livro e esse foi o grande salto”. “Entretanto encontramos um espaço disponível que era tal como tínhamos imaginado. E decidimos então abrir a livraria nos moldes atuais. Claro que vão surgindo alterações: continuamos, REVISTAVIVA,OUTUBRO 2017


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por exemplo, a entregar os livros de bicicleta. Mas já estamos mais em casa”, remata Cátia Monteiro. A VIVA! teve a oportunidade de observar de forma mais pormenorizada a relação familiar estabelecida entre visitantes e livreiros da Flâneur. Nasce, assim, uma curiosidade: aqui a palavra ‘cliente’ entra? Arnaldo Vila Pouca sacia a questão. “Não tenho noção. Mas sim a palavra ‘leitor’ talvez seja a mais adequada. De facto, na abordagem com o nosso público tornamo-nos mais próximos. Mais como leitor do que propriamente como cliente. Mesmo que na primeira visita as pessoas venham com aquela formalidade habitual que encontram noutros sítios. Depois, passado um pouco, começamos a conversar, a partilhar ideias. Dar conselhos. Um bocadinho por aí.” Estar na Flâneur é, acima de tudo, uma experiência. “Mais no princípio fazíamos o brunch ao sábado. E tínhamos o cuidado de associar sempre o brunch à literatura. Não vamos deixando de o fazer. Mas organizamos menos vezes. Na verdade somos livreiros e esta é apenas uma componente. O trabalho base é mesmo de livreiro”, reforça Arnaldo.


F LÂ N EU R

A Flâneur é, essencialmente, uma livraria generalista. “Mas temos focos como a literatura e se calhar a poesia”. Também apresenta uma secção infanto-juvenil. Arte, Filosofia também estão incluídas no cardápio da Flâneur. “Não temos livros técnicos, nem relacionados com a vida prática”, remata Cátia Monteiro.

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Os leitores falam da “sua casa” Na página do facebook da Flâneur chovem felicitações dos leitores. Caso para dizer, missão cumprida. “Ontem senti-me como se estivesse em minha casa na conversa com os meus amigos! O ambiente descontraído contribuiu para que não desse pela passagem do tempo. A livraria e sobretudo os livreiros fazem destas coisas...” (Pedro Pina) “Uma livraria próxima do coração. Acompanho o projeto, eram ‘só’ livraria ambulante de bicicleta sempre a circular e a fazer as delícias de quem adora ler. Fiquei felicíssima quando abriram o próprio espaço. Esta segunda-feira, 24 de outubro, sendo um dia difícil, fizeram questão de me entregar os livros em casa para poder oferecê-los ao meu irmão (aniversariante) no dia seguinte. Fiquei ainda mais fidelizada. São pessoas de quem ficamos mesmo a gostar e a torcer para que tenham sucesso. Obrigada pelo vosso cuidado. E digo desde já têm uns brunches gulosos onde estamos acompanhados por bons livros e ainda uns embrulhos dedicados e com imenso gosto que tornam os presentes únicos. Até à próxima visita. Obrigada.” (Olga Pinto)

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Matosinhos apresenta renovada zona de restaurantes O Programa Estratégico das Áreas de Reabilitação Urbana (PERU) de Matosinhos mexeu a olhos vistos e os resultados já se fazem sentir, nomeadamente na restauração. Aqui come-se (muito) bem! Os mais antigos quarteirões de Matosinhos estão envoltos em odores apetitosos que provêm de excelentes restaurantes ou de fogareiros a carvão, onde se grelham peixes e mariscos pautados pela qualidade e excelência. Texto: Irene Mónica Leite | Fotos: Câmara de Matosinhos

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egundo a Câmara Municipal de Matosinhos, “neste momento as obras estão praticamente prontas, com duas exceções: uma na zona da Avenida Serpa Pinto, onde há uma esplanada ilegal cujo processo de demolição está em tribunal; e um troço da Rua Heróis de França em que a necessidade de substituição de uma conduta de grandes dimensões impôs um atraso de cerca de dois meses. Em ambos os casos prevê-se que a obra esteja concluída em outubro.” Os desafios foram muitos. “Tratou-se de requalificar o espaço público, ordenando o trânsito e o estacionamento, melhorando as infraestruturas e aumentando o espaço disponível para os peões, de modo a promover também a requalificação dos espaços privados”. “Para isto contamos com o Plano de Reabilitação Urbana, já em curso, e com um trabalho de grande proximidade com a associação representativa da restauração, que assumiu, por exemplo, um melhor convívio com o espaço público, substi-

tuindo os grelhadores e o caráter inestético de algumas esplanadas, tudo com o objetivo de transformar aquela que é uma área de restauração de excelência unanimemente reconhecida numa zona que seja também agradável para quem lá vive, para quem lá passa e para quem usufrui dos restaurantes”. Refira-se que os passeios foram alargados e implementadas medidas que visam melhorar o convívio entre o trânsito e os peões, nomeadamente criando cruzamentos sobreelevados que obrigam os automóveis a reduzirem a velocidade. As esplanadas vão ocupar os novos passeios e, tal como sucederá com os grelhadores, terão de obedecer a um modelo consensualizado entre a câmara e a associação de restaurantes, que respeite os valores estéticos, urbanos e ambientais que presidiram à intervenção de requalificação urbana. As mudanças mais significativas ocorreram na Rua Heróis de França e na Avenida Serpa Pinto, mas é possível perceber que outras vias adjacentes estão já a beneficiar deste efeito de


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requalificação. Há novos negócios e casas a serem reabilitadas, por exemplo, na Rua Brito Capelo.

OS DESAFIOS E A IMPORTÂNCIA DO PERU Como consta no PERU, documento que apresenta o programa estratégico das áreas de reabilitação urbana de Matosinhos e Leça da Palmeira, inicialmente os quarteirões urbanos que se localizam junto à frente do Porto de Leixões e na frente marginal envolvente aos serviços da lota, foram fixando progressivamente em pequenos espaços, as tradicionais tascas e pequenos restaurantes. Há núcleos que se destacam pela sua intensa atividade na área da restauração. Um deles é identificado como o das marisqueiras, principalmente em quarteirões formados pelas ruas Heróis de França, Serpa Pinto e Roberto Ivens, e as ruas de Godinho e Tomás Ribeiro, que se terá afirmado nas décadas de 70/80 do século passado. Há um núcleo mais recente, de uma oferta de restaurantes com perfil menos especializado na REVISTAVIVA,OUTUBRO 2017


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gastronomia de peixe e do marisco, com alguma sofisticação ao nível do ambiente interior, decoração e serviço prestado, distribuindo-se por alguns eixos de Matosinhos-Sul, Rua Brito e Cunha, Rua Brito Capelo, Rua Sousa Aroso e Avenida Menéres, e acompanhando a atração de novos residentes para esta parte renovada da cidade. No entanto, toda esta vocação da zona litoral da cidade de Matosinhos para oferta de restauração e gastronomia teve reflexos diretos no espaço público, pelo que a autarquia interveio através do PERU. O perfil dos arruamentos e dos passeios, que na generalidade eram estreitos, justificou uma ocupação tendencial, com as esplanadas de parte da faixa de circulação automóvel, com consequências muito consideráveis ao nível do estacionamento e da circulação viária e pedonal. O município tem, assim, procurado soluções de compromisso que, de uma outra forma vá ao encontro das necessidades e das expectativas das empresas proprietárias dos restaurantes envolvidos, resolver problemas que se têm vindo

a acentuar no espaço público, quer relacionados com a limpeza, quer com a circulação pedonal e viária, quer com o estacionamento. A autarquia tem igualmente tentado contribuir para melhorar as condições de higiene e de imagem das próprias esplanadas, contribuindo para a sua requalificação geral. No âmbito da estratégia de requalificação e reabilitação urbana da ARU (área de reabilitação urbana) foi basilar assegurar a permanência e a sustentabilidade destas atividades de restauração, não só pela sua expressão territorial, mas também pela “dinâmica positiva” que tem gerado ao nível da atração dos visitantes, da geração de emprego e da manutenção da traça identitária local. Pretendeu-se, deste modo, alterar a imagem de declínio das duas zonas, mantendo a sua traça original, tirando o máximo partido da presença e de boas acessibilidades e da procura existente nas zonas limítrofes. Pretende-se também melhorar a qualidade do espaço público, resolvendo os conflitos existentes e melhorando o seu conforto e as suas condições de fruição coletiva.


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MATOSINHOS: AQUI COME-SE BEM! Em qualquer restaurante, o linguado, o goraz, o cherne, o robalo, o tamboril, a pescada, o atum, o espadarte, o polvo, ou o venerável bacalhau constam das ementas e protagonizam cozinhados criativos e deliciosos. No entanto, é na grelha que o paladar dos visitantes mais os aprecia, onde se inclui o carapau, a sempre popular sardinha e a saborosa petinga. Os mariscos, simples, grelhados ou na cataplana, há-os para todos os gostos: lagosta, lavagante, camarão da costa, percebes, entre muitas outras espécies. Mas o êxtase gastronómico está na açorda e no arroz de marisco ou de tamboril. É de aplaudir as simples gentes do mar que os pesca e tão bem os sabe cozinhar.


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sempre na vanguarda! Paranhos está sempre no caminho da vanguarda. A junta de freguesia está em processo de certificação e a sua secretaria já apresenta um Espaço do Cidadão. A VIVA! falou com Alberto Machado, presidente daquela autarquia, e confirmou que a ousadia, a excelência e a inovação são valores indissociáveis à gestão deste executivo. Texto: Irene Mónica Leite

A Junta de Freguesia de Paranhos, preocupada com a satisfação dos paranhenses e com a superação das expetativas das mesmas e das restantes partes interessadas, tomou a decisão de avançar para a certificação do sistema de gestão da qualidade segundo a norma ISO90001: 2015. Mais um reforço da política de compromisso de qualidade da autarquia para com os paranhenses. Foi, assim, tomada a decisão de implementar um sistema de gestão integrado de qualidade e segurança de informação (SGIQSI) baseado nos referenciais ISO 9001:2015 E ISO/IEC /27001:2013, respetivamente. O arranque do projeto ocorreu no início deste ano, sendo que o pre-

sidente da junta esteve presente nas duas sessões realizadas com todos os colaboradores. Num segundo momento houve formação com a equipa de projeto, seguido de duas sessões de imersão com todos os colaboradores da freguesia. As reuniões com o executivo e com os respetivos gestores de processo têm ocorrido com regularidade e sempre imbuídas de um espírito de colaboração e de melhoria continua. Ao ser implementado o SGIQSI e posteriormente avançar para a sua certificação, fará com que a freguesia de Paranhos seja a primeira freguesia em Portugal a ser certificada segundo a norma ISO/IEC 27001:2013 relativa à segurança da informação.


PA RA N H OS

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O ESPAÇO DO CIDADÃO

Na sequência do protocolo celebrado entre a Câmara do Porto e a Agência para a Modernização Administrativa (AMA), abriu nas instalações da Junta de Freguesia de Paranhos o Espaço do Cidadão. O novo local facilita o acesso a serviços de várias entidades da Administração Pública. “Agora já é possível, em proximidade, tratar da sua carta de condução, solicitar nova senha ou uma caderneta predial junto da Autoridade Tributária, apresentar despesas junto da ADSE, tratar de assuntos relativos a emprego e formação profissional, alterar a morada do cartão de cidadão ou solicitar o cartão europeu de seguro de doença, entre muitos outros”, explica Alberto Machado. Refirase que o Espaço do Cidadão não é uma Loja do Cidadão. O Espaço do Cidadão funciona como balcão único de atendimento e é solução para todos, incluindo os chamados infoexcluídos, já que se trata de um atendimento digital assistido. No caso de Paranhos, o atendimento é realizado pelas assistentes técnicas da freguesia que já fizeram formação para o efeito. O horário de atendimento do Espaço do Cidadão em Paranhos funciona nos dias úteis das 9h00 às 17h00. “É mais um passo para o servirmos cada vez mais e melhor”, remata o autarca. REVISTAVIVA,OUTUBRO 2017


H U M O R

h a h a ahah

Um homem colocou nos classificados: - Procura-se esposa. No dia seguinte, recebeu centenas de cartas. Todas diziam a me sma coisa: - Pode ficar com a minh a!!

O pai chama o filho para uma con versa: – Filho, a tua professora disse que , dos 20 alunos da turma, tu és o pior. – Pai, podia ser pior. – Como podia ser pior? – A turma podia ter 40 alunos.

: e este pergunta-lhe A loira vai ao médico 00 9: , tomar o remédio às – Eu disse-lhe para 00? porque tomou às 6: lhosa: gu or , A loira responde ra apanhar as pa 00 às 6: – Doutor, eu tomei sa. bactérias de surpre

, por favor! Queria uma cerveja – Sem álcool? ! – Não, sem lactose do! pi tú es to ui m – Isso é meçou! – O senhor é que co

Joãozinho pergunta ao pai: – Pai, como se sente um bêbado? O pai responde: – Filho, repara naquelas duas cadeiras. Um bêbado vê quatro cadeiras. E Joãozinho diz: – Mas pai, ali só está uma cadeira...

Joãozinho chega a casa e diz ao seu pa i: – Pai, hoje recebi as notas! – Onde estão? — di sse o pai. – Emprestei-as! – Mas porquê? – Porque o meu am igo queria assustar o pai dele.

de um ano — ha esposa há mais diz o homem. ta um amigo. — Porquê? — pergun de interrompê-la… — Porque não gosto

Não falo com a min

Duas loiras à conversa: – Amiga, sabias que as caixas-pretas dos aviões… são laranjas? A outra: – O quê??? Não são caixas ??? mio: No pátio do manicó um louco a um ta un rg — pe – Como te chamas? colega. tu? – Não me lembro. E bro. lem e m – Também não uais! ig es m no – Olha, temos

s os os e convidou todo O Joãozinho fazia an . rio rsá anive amigos para o seu ha casa tocas à in m a es ar - Quando cheg sta - diz ele. campainha com a te uê? - Com a testa?! Porq de o estás a pensar vir - Com certeza que nã o? nã mãos a abanar, pois

Dois mentirosos conversa m na praça: - Consegues ver aquele mosquito ali na torre da igreja? - Qual? O que está sentad o ou o que está em pé? Entre mulheres: ar ceste o Paulo a cheg - Como é que conven cedo a casa ? e ele . Numa noite em qu - Foi muito simples rei-lhe ao chegou tarde, sussur rlos?” Ca , tu s ouvido: “É


VIVA! outubro 2017  

VIVA! outubro 2017

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