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Ministério da Cultura Petrobras apresentam

CADERNO DO FESTIVAL DE CINEMA DE VITÓRIA

Margareth Galvão HOMENAGEADA CAPIXABA 8ª EDIÇÃO


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Margareth GalvĂŁo


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No longa-metragem A Morte da Mulata, de Marcel Cordeiro, 2002 (acervo pessoal de Margareth GalvĂŁo).


Ela é paulista, mas o Espírito Santo já a adotou como sua filha. Margareth Galvão, que completa 64 anos nos próximos dias, é um exemplo de mulher guerreira e criativa dedicada ao fazer artístico há mais de quatro décadas. Atriz, diretora, dramaturga, performer, professora, ela é inquieta e dona de uma vitalidade que a torna próxima das gerações mais jovens. Dona de uma voz inconfundível, grave e marcante, ainda pequena, emprestou seu timbre para compor personagens e atuar em números musicais no rádio. Na gana por liberdade, saiu da casa dos pais assim que atingiu a maioridade e conquistou uma vida autônoma na cidade de São Paulo. Sua primeira vez nos palcos como profissional foi em 1973 na peça O Inspetor Geral, de Nicolai Gogol, sob a direção de Jonas Bloch que fora seu professor na Fundação das Artes de São Caetano do Sul. De lá pra cá, ela integrou o elenco de outros 20 espetáculos. Seu currículo também traz trabalhos como dramaturga, diretora e coordenadora cênica. Margareth instalou-se no Espírito Santo, definitivamente, no final dos ano 80. Aqui, contribuiu para a formação de diversos atores e atrizes, principalmente na FAFI, onde foi professora por 16 anos, ensinou diferentes técnicas teatrais e também exercitou sua criação dramatúrgica. No cinema, sua primeira participação foi em 1994 com Lamarca, longametragem de Sérgio Resende, e, na sequência interpretou uma personagem que lhe fora escrita especialmente por Amylton de Almeida em O Amor Está no Ar, filme lançado em 1997. Desde então, Margareth continuou a se fazer presente em produções do cinema local. Seu currículo traz cerca de 20 filmes entre curtas e longas-metragens.

É com muita alegria que reverenciamos essa mulher e atriz aguerrida, Lucia Caus Diretora do 24º Festival de Cinema de Vitória

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Com o ator Marco Rocha no curta-metragem Olhos Mortos, de Carlos Augusto de Oliveira (2002) / (foto de Waldir Barreto).


O cinema e o teatro capixaba das últimas três décadas contaram com presença intensa do corpo, da voz e da interpretação de Margareth Galvão. Praticamente às vésperas do seu 64º aniversário, essa diretora, dramaturga e performer cultiva uma mente pulsante e inventiva e tem no trabalho de atriz a sua profissão de fé: “O que sempre me fascinou em atuar é que posso experimentar ser tudo sem me comprometer como pessoa. Sou fascinada em buscar a alma humana, e o teatro me dá essa possibilidade: buscar o que se passa na cabeça das pessoas, seus comportamentos, seus gestos, perceber que tipo de energia a pessoa emana”. Margareth possui uma extensa carreira como professora de teatro, ofício que contribuiu para seu amadurecimento na função de diretora e na criação dramatúrgica e que a colocou próxima das gerações mais recentes das artes cênicas capixabas. “Lecionei, a partir do que eu aprendi como atriz, com o gestual e a noção de ritmo dos primeiros professores, foi um espelho daquilo que aprendi na primeira formação no teatro. Sei que, desse aprendizado, muita coisa ficou no tempo, muita coisa se renovou e eu me renovei também”. Paulista radicada no Espírito Santo desde o final dos anos de 1980, mas antes de estabelecer residência em terras capixabas, havia morado em Berlim, no Rio de Janeiro e em Belém. No Espírito Santo, ela morou inicialmente em Jacaraípe e depois em Vitória. Atualmente, reside em Vila Velha. Neste ano, ela completa quatro décadas dedicadas à arte da interpretação com trabalhos no teatro e no cinema, mas também com uma incipiente produção no campo das artes visuais. Em suas criações, seja no campos das artes visuais, seja no da dramaturgia, é possível identificar a temática feminista, referências à mitologia clássica e influências do expressionismo europeu. No início dos anos 70 entrou para o curso de teatro da Fundação de Artes de São Caetano do Sul e em 2009 concluiu a graduação em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo. Nessa última formação, pôde retomar a prática do desenho e da pintura, ampliar sua compreensão sobre arte, pensar outros caminhos para o fazer teatral, influenciada pelas linguagens da performance e da instalação, e, mais uma vez, estar próxima de jovens artistas, alguns deles, ex-alunos das suas aulas de teatro. “Sou inquieta. Anos atrás fiz um curso de performance em São Paulo; fiquei lá quase um mês, numa imersão. Saí com uma performance montada. Tenho muitas coisas e projetos engavetados, porque tenho que cuidar da minha sobrevivência enquanto artista. Ainda me faltam tempo e condições para fazer algumas dessas ideias serem concretizadas”. Entre 2009 e 2010, Margareth também esteve à frente da concepção e das primeiras ações do Programa Rede Cultura Jovem, iniciativa de fomento à produção artístico-cultural juvenil do Espírito Santo. Em 2015, foi condecorada com a Comenda Maurício de Oliveira da Prefeitura Municipal de Vitória e foi a atriz homenageada no Fecin – Festival de Cinema de Muqui em 2016.

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Infância no ABC Maria Margarete Pereira Galvão nasceu em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, em 20 de setembro de 1953. Foi a segunda filha do casal de operários José de Andrade Galvão e Sebastiana Pereira Galvão, que também tiveram Ronaldo Galvão, o primogênito, e Paulinho Galvão, o caçula. A pequena Margareth passou a infância numa vila de sobrados com diversas famílias estrangeiras na vizinhança. Era um ambiente multicultural e embalado por música de diversas partes do mundo. Gostava de brincar de inventar perfumes e de jogar futebol com os meninos. Como ela teve que usar bota ortopédica até os nove anos, o “acessório” servia para impor medo no time adversário. Desse período, Margareth se recorda do intenso processo de industrialização e do impacto dessas transformações no cotidiano, da “invasão” cultural americana e das aceleradas mudanças nos hábitos de consumo. Ainda criança, aos sete anos, teve sua primeira experiência com teatro: interpretou uma índia em “Ceci e Peri” - uma apresentação de final de ano no clube de uma fábrica onde seus pais trabalhavam. Um ano depois, foi à sua primeira sessão de cinema para assistir a um dos filmes do Tarzan. Sua mãe era assídua frequentadora de cinema - o que lhe rendeu um guarda-roupa com diversas cópias dos figurinos das personagens da telona. Aos 11 anos, foi selecionada para integrar o elenco do Programa Sobrinhos da Tia Lupe, na Rádio Record, em São Paulo. Tratava-se de um rádioteatro infantil que narrava as aventuras dos deuses gregos. Margareth, desde a infância, teve uma voz rouca e grave, características que lhe renderam a Medusa como primeira personagem no rádio.

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Sobre o primeiro dia de gravação ela conta: “O que me fascinou ao entrar no estúdio foi a mesa do sonoplasta, que devia ter cerca de dez metros de comprimento, com muitos objetos, com uns cinco microfones grandes pendurados sobre ela”. Nas sextas-feiras, o programa também contava com números musicais. A primeira música que interpretou foi “Eu preciso aprender a ser só”, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, ganhando elogios e aplausos da Tia Lupe, “uma loira de óculos escuros que fumava alucinadamente e também tinha uma voz bem grave. Acho que o tema da música já dizia muito sobre mim, cantei com muito sentimento, pois gostava muito daquela canção. Tenho um pouco disso, gosto de cultivar a solidão”. Margareth fez parte do elenco do programa radiofônico por um ano. Era um trabalho não remunerado que arcava com o transporte e com refeições para os dias de gravação, além de alguns presentes de patrocinadores. Devido a essa participação no rádio, ela chegou a ser entrevistada por Hebe Camargo na TV Record. Na adolescência, junto com as colegas de escola, gostava de matar aula para passear no Centro de São Paulo a fim de ir ao cinema ou até mesmo para ir aos estúdios da Vera Cruz, em São Bernardo do Campo: “Pegá-


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Por volta dos no Performance seteCentro anos, no Cultural 2º anoCarmélia do ensinodefundamental Souza, Vitória-ES, - São Caetano anos 2000 do Sul-SP (acervo(acervo pessoal

José Augusto Loureiro aos 2 anos (Santa Teresa-ES, 1947)* pessoal de Margareth Galvão). de Markus Konká)


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Aos 14 anos, na formatura do curso de Inglês - São Caetano do Sul-SP (acervo pessoal de Margareth Galvão).


vamos ônibus e íamos pra lá. O guarda da portaria não permitia a nossa entrada. A gente dava uma volta, pulava a cerca e entrava, mas não podíamos dar bandeira porque estávamos com uniforme da escola. Numa dessas, conseguimos ver a Zezé Macedo. Depois, fomos descobertas. Ameaçaram avisar a escola e aos nossos pais. Aí, paramos de ir”. Uma das fugas para ir ao cinema foi com o fim de encontrar-se com seu primeiro namorado, aos 13 anos e usando um documento falsificado. Mas a aventura romântica não combinava muito com o filme em cartaz: “Helga, O segredo da maternidade”, de Erich F. Bender, obra protagonizada por Ruth Gassmann e que, para os costumes da época, abordava com certa crueza os segredos da reprodução humana. Nessa idade, Margareth já ansiava por ser autônoma em relação à família: “Era um sonho. Eu esperava ser maior de idade para poder sair de casa, viver sozinha. Eu queria chispar fora”, condição que ela conquistou alguns anos depois ao entrar para o mercado publicitário.

Da publicidade para o teatro Aos 17 anos, começou a trabalhar como datilógrafa numa agência de propaganda e publicidade no Centro de São Paulo, onde, posteriormente, se tornou secretária e, por fim, atuou no planejamento de mídia. Essa empresa funcionava ao lado do Destacamento de Operações de Informação (DOI), do Centro de Operações de Defesa Interna (Codi). “Havia dias em que era possível escutar o gemido de pessoas sendo torturadas. Era horrível, e isso me marcou muito." Aos 19 anos, abandonou as aulas no 2º Grau (atual Ensino Médio) para estudar teatro na Fundação das Artes de São Caetano do Sul. Nessa escola, teve como professores alguns nomes como Eugenio Kusnet, José Antonio de Souza e Jonas Bloch, este último foi quem lhe dirigiu pela primeira vez enquanto atriz na peça O Inspetor Geral, de Nicolai Gogol, em 1973. No começo dos anos 80, Margareth ingressa e estuda por dois anos na Faculdade Paulista de Música. Alguns anos depois, deixou a publicidade para atuar em seu segundo trabalho no teatro: a montagem de O Preceptor, de Bertolt Brecht, sob a direção de José Antônio de Souza e que ficou em temporada em Campinas. Ao retornar desse espetáculo, percebeu-se grávida de seu primeiro e único filho, Daniel, fruto de seu casamento com o ator, diretor e dramaturgo Erlon Paschoal, com quem manteve relação por 25 anos. Durante a gravidez, Margareth retornou para a publicidade, mas, poucos anos depois, passou a se dedicar exclusivamente às artes cênicas. Na sequência, integrou o Grupo Brancaleone de Teatro, trupe com a qual viveu suas primeiras experiências como professora de teatro ao ministrar oficinas para formação de base do Partido dos Trabalhadores e do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Com esse grupo atuou em Retábulo

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No curta-metragem ngela, de Vanessa Frisso (2002) (acervo pessoal de Margareth GalvĂŁo).


de Dom Cristóvão e Dona Rosita, de Federico Garcia Lorca, sob direção de Erlon José Paschoal, peça que foi apresentada entre 1979 e 1980 principalmente em centros comunitários da periferia de São Bernardo do Campo. Na sequência, participou do espetáculo de dança/teatro ABC Dança, dirigido por Joana Lopes. Em 1982, junto com a família, foi para Berlim, na Alemanha, onde morou por um ano. Nessa estada, Margareth trabalhou num bar latino-americano como cantora de músicas brasileiras. De volta para o Brasil, permaneceu uns poucos meses em São Paulo e depois foi para Belém, no Pará. “Eu não aguentava mais São Paulo. Eu tinha uma necessidade muito grande de sair dali. Aquela cidade estava me sufocando e o meu trabalho na propaganda me gerava um estresse intenso. Ao retornarmos da Alemanha, São Paulo continuava a mesma. Eu não queria ficar lá de jeito nenhum, não queria voltar para a propaganda, fazer teatro era aquela batalha, não tínhamos qualidade de vida, era uma cidade bagunçada. Enquanto em Berlim era tudo certinho… Teria sido melhor ter ficado por lá para usufruir disso”. Ao chegarem a Belém, Margareth e sua família foram recebidas pela Casa de Estudos Germânicos e passaram a ser referência para alemães que passavam pela cidade. “Nossa casa virou uma espécie de ‘consulado’ da Alemanha e era sempre frequentada por biólogos, jornalistas, atores, bonequeiros, viajantes, entre outros”. Junto a essa instituição, Erlon e Margareth organizaram dois espetáculos: É Importante Estar de Acordo, montagem feita a partir de uma adaptação de dois textos Bertolt Brecht, e Woyzeck, de Georg Büchner. Na primeira montagem, Margareth tinha um texto longo, quase um solo, para o qual criou duas propostas de interpretação que eram apresentadas em dias alternados da peça. “Foi um exercício fazer essas duas versões, uma mais densa e um mais leve, de um mesmo personagem e encaixá-las no contexto do espetáculo. Com essas peças, fizemos turnê pelas cidades de Salvador, Recife e Fortaleza. Foi um dos meus melhores momentos como atriz. Éramos uma equipe de 25 pessoas, tínhamos salários e a produção pagos pelo Governo Alemão e por institutos de cultura alemã locais”. Em 1985, Margareth deixou o Pará e veio para o Espírito Santo, mas apenas dois anos depois que se instalou definitivamente. “Passamos uns dois meses por aqui, em Manguinhos, na Serra. Depois, fomos para o Rio de Janeiro. Retornamos, pois aqui podíamos ter a qualidade de vida que desejávamos. Fomos morar em Jacaraípe. Nesses primeiros anos, foi um período em que fiz muitas atividades de dança e práticas orientais”. Em terras capixabas, seu primeiro trabalho no teatro foi a peça Ainda bem que aqui deu certo, texto da própria Margareth escrito em parceria com Erlon José Paschoal e apresentado em 1993. Neste espetáculo, ela interpretou dois personagens bem distintos e, de forma intensa, exercitou sua versatilidade enquanto atriz. Dois anos depois, ela vive a protagonista de Bella Ciao, obra de Luís Alberto Abreu, com direção de Renato Sau-

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Com a atriz Lilian Cristian Campaneli no espetáculo de teatro infantil A Pequena Sereia, com direção de Rodrigo Campaneli - Vitória-ES, 2004 (acervo pessoal de Margareth Galvão).


dino. “Em Bella Ciao, minha personagem saía da Itália, falando italiano e essa fala vai sendo aportuguesada ao longo da peça, conseguir imprimir um italiano quase sem sotaque. A história se passa num período de 30 anos. Ela vai envelhecendo, seu marido morre, é a vida dela entre os 20 e 70 anos. E essa passagem de tempo acontecia no palco: eu saía pra trocar de roupa e fazia uma ruga, isso era rápido, pois eu tinha que estar em cena logo em seguida. Na troca de figurino seguinte, fazia outra ruga, e isso até encerrar o espetáculo. No final, eu estava uma velha falando um português macarrônico paulista”. Esse dois trabalhos lhe renderam o Prêmio Sated/1995 de Melhor Atriz. Nos palcos, Margareth experimentou os vários gêneros teatrais. Em 1996, atuou em Palhaço, peça clownesca com um elenco de dez palhaços e que resultou de uma oficina. A dança-teatro é recorrente: em 1994 atuou em Otelo, de Shakespeare, com direção de Maria Lúcia Calmon; em 1997, fez o espetáculo solo Urro, com poemas de Renato Pacheco e Sérgio Blank; e em 2001 apresenta Terra das Paixões, montagem que mistura dança, teatro, poesia, circo, música e projeções com texto, concepção cênica da própria Margareth. No seu currículo também consta a peça infantil A Pequena Sereia, com direção de Rodrigo Campaneli, de 2004. Seu último trabalho no teatro foi em 2013 com a montagem Pessoas e Eu, em que faz uso de textos próprios e do poeta Fernando Pessoa. Dez anos antes, ela já havia apresentado Pessoa e Eu, proposta teatral que também tem seus textos e os do poeta português. “O Fernando Pessoa me persegue desde os 14 anos de idade. Vira e mexe, ele aparece. Teve um período que eu o reneguei, principalmente durante a Ditadura, pois no teatro havia uma certa perseguição ideológica que considerava o Fernando Pessoa um autor alienado”. Devido a questões de saúde, Margareth esteve afastada do teatro nos últimos anos. “Estou tentando retomar agora. Eu sou muito elétrica e para o teatro é preciso ter o corpo inteiro, saudável”.

Corpo no teatro e direção Paralelamente ao trabalho de atriz, Margareth trilhou um caminho como diretora e professora de teatro. Ainda em São Paulo, nos anos de 1980, junto com o Grupo Brancaleone, ministrou oficinas de teatro; trabalho que permaneceu ao mudar-se para Belém, em 1983. Seu currículo traz cerca de 40 trabalhos no formato de cursos e oficinas realizados com diferentes públicos. São formações voltadas para o aprendizado das diferentes técnicas teatrais, como interpretação para câmeras, expressão corporal, teatro aplicado ao ensino fundamental, entre outros. Entre 1991 e 2007, foi professora na Fafi - Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música. Nessa instituição, atuou no Curso de Qualificação Profissional em Teatro lecionando as disciplinas de Improvisação e de Interpretação, além de conduzir oficinas para os públicos adulto, ado-

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No monólogo Pessoa e Eu, espetáculo com poemas de Fernando Pessoa e da própria Margareth Galvão - Vitória-ES, 2003 (acervo pessoal de Margareth Galvão).


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No curta-metragem A Mesa no Deserto, de Diego Scarparo, 2017 (foto de Jonas Vaz).


lescente e infantil. Tal vivência empurrou Margareth para as funções de diretora e dramaturga: “Ao final de cada semestre era preciso apresentar um um espetáculo, acabei ganhando segurança em dirigir outros trabalhos. Em primeiro lugar, esse período de Fafi foi, de fato, uma pesquisa da arte de interpretar. Como estimular o ator a extrair de si aquilo que o trabalho exige e a superar seus próprios limites. Sempre priorizei o ator, porque, no teatro, é preciso duas pessoas: o ator e alguém da plateia. Claro que tem a função do diretor, mas nessa dimensão a prioridade é do ator; sem ele não há teatro. Você pode ter um cenário maravilhoso, um figurino maravilhoso, um texto maravilhoso, uma direção maravilhosa, e o ator não dar conta. E não dá conta também porque muitos diretores não sabem lidar com o ator, não sabem estimulá-lo a extrair o que é necessário. Esses anos todos de Fafi me trouxeram essa experiência pra poder assumir outras direções”. Enquanto professora, Margareth sempre buscou desenvolver um trabalho corporal com seus alunos usando técnicas, por exemplo, do Yoga e do Tai Chi Chuan e também de dança. Por considerar essa dimensão na formação do ator, acabou enfrentando uma certa resistência: “Muitos achavam que no teatro deveria se trabalhar apenas o texto, que a preparação e a consciência corporal não deviam ser algo exigido do ator. Para compor um personagem é preciso ter consciência do próprio corpo e ter domínio sobre ele; não só das suas emoções, mas do seu corpo inteiro, dos seus movimentos e limites. E é preciso aprender a desenvolver esse domínio, descobrir suas potencialidades corporais para poder criar vários personagens, ou seja, isso amplia a possibilidade de criação, o que é fundamental para mim como atriz e como diretora”. Em 2007, Margareth dirigiu a peça Caravana da Paixão, em parceria com Willian de Oliveira Rodrigues. Recebeu o prêmio de Melhor Espetáculo de Rua no Festival de Teatro de São Mateus. Ainda constam no currículo mais de 20 espetáculos nos quais atuou como diretora entre 1991 e 2014. Entre esses trabalhos, quase metade foram óperas, autos e musicais. Em alguns deles, Margareth atuou também na preparação de elenco, coordenação cênica e na elaboração do roteiro. “Foi uma experiência muito interessante fazer as óperas, conviver com esse pessoal de música. Claro que há as dificuldades e limitações para quem pensa o teatro como um corpo que se expande livremente. Na ópera, não é possível ter esse corpo tão liberto. Os intérpretes precisam do diafragma, eles não podem dobrar o corpo para respirar adequadamente e cantar. Isso traz uma série de limitações que precisam ser respeitadas, pois aqui a voz é a prioridade, a voz tem que estar perfeita. A movimentação é sempre muito reduzida, e se perde essa coisa expansiva e livre do teatro”. Entre os espetáculos de ópera que Margareth fez a direção cênica valem destaque: Pagliacci, de Leon Cavallo, regida pelo maestro Leonardo David em 2011 - espetáculo onde a direção teve o grande desafio de pôr

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No topo, com os atores Marcos Palmeira e Eliane Giardini no longa metragem O Amor Está no Ar, de Amylton de Almeida (1997) (acervo pessoal de Margareth Galvão). Abaixo, na peça de teatro Ainda Bem que Aqui deu Certo, direção de Erlon Paschoal Vitória-ES (1993) (acervo pessoal de Margareth Galvão)


em cena, ao mesmo tempo, um elenco de 40 pessoas; e, em 2014, a Orquestra dos Sonhos, de autoria do compositor, pianista, arranjador, autor teatral e ator Tim Rescala - espetáculo no qual os músicos da orquestra eram personagens e também atuavam. “Foi um desafio colocar músico para atuar, não foi fácil, mas foi muito legal. Por exemplo, o trombonista tinha que tocar negócio imenso, soltar algumas notas e falar, soltar mais algumas notas e falar novamente, e ele já era um senhor mais velho, mas se soltou para a interpretação. Gosto muito desse trabalho. É uma ópera cantada em português e a história do Tim é uma comédia leve, mas muito interessante. Ele veio alguns dias durante os ensaios, no ensaio geral e na apresentação e gostou muito do trabalho. Isso foi muito rico”.

Pensamentos no quadro Para o cinema, Margareth atuou em 22 produções entre curtas e longas-metragens. Seu primeiro trabalho foi em 1993 no longa Lamarca, de Sérgio Rezende, onde interpretou uma guerrilheira e, em uma de suas cenas, atuou com a atriz e diretora Carla Camurati, mas que acabou sendo retirada da edição final do filme. Na sequência, fez O Amor Está no Ar, de Amylton de Almeida, produção com um elenco formado por Marcos Palmeira, Paulo Betti, Jacyra Silva e Eliane Giardini, que ganhou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado de 1997. O Amor Está no Ar é o trabalho que Margareth considera como sua primeira experiência no cinema, de fato, “por que eu era o terceiro personagem do filme. O Amylton bateu o pé com o produtor de que ele podia colocar qualquer personagem feito por ator da Globo, mas aquele personagem era meu e que ele não abria mão disso, por isso, tremi na base, sabe? Foi um teste terrível! Depois do primeiro dia de filmagem, encontrei com Amylton na Fafi e eu falei: ‘Você me jogou numa fogueira, né?’. E ele respondeu: ‘Você aguenta, você aguenta”, e morria de rir. O filme não circulou muito, o que foi uma pena”. Assim que se terminaram as filmagens, Margareth viajou para a Berlim onde permaneceu por quatro meses. Dessa vez, com uma bolsa de estudos do Instituto Goethe, uma espécie de formação e atualização em língua e cultura alemãs para professores de alemão. Na volta, atuou no curta-metragem Flora, de Marcel Cordeiro, diretor do longa A Morte da Mulata, filme que também faz parte do currículo da atriz. Entre seus primeiros trabalhos no cinema, também vale destacar o curta Olhos Mortos, de Carlos Augusto de Oliveira, lançado em 2002. Com a diretora Sáskia Sá, atuou nos curtas Mundo Cão (2002) e A Fuga (2007). Sob a direção de Gustavo Moraes fez parte do elenco de Baseado em Estórias Reais (2002) e Até quando? (2008). Com o diretor de cinema de horror Rodrigo Aragão atuou nos filmes A Noite do Chupacabras (2011), Mar Negro (2013), e, o ainda inédito, Mata Negra (2017). “É mui-

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to prazeroso trabalhar com o Rodrigo, pois ele te deixa tão à vontade e é tão divertido que não tem como você não gostar de atuar com ele. Ficar coberta por aquelas melecas todas, o sangue… tudo isso faz parte de uma grande diversão! Ele também se diverte muito pra fazer os filmes dele, do começo ao fim do set. Isso é muito legal!”. A aproximação com o cinema de horror lhe rendeu, em 2014, a participação no episódio Loira do Banheiro, dirigido por Joel Caetano, que faz parte do longa As Fábulas Negras, projeto que também contou com Rodrigo Aragão, Petter Baiestorf e José Mojica - todos importantes realizadores de filmes de terror brasileiros - na direção de episódios com cinco lendas de personagens do imaginário popular brasileiro. Por essa atuação, Margareth foi escolhida como Melhor Atriz no MAC Horror Fest na Amazônia 2015. Além de atuar, Margareth também colocou sua voz na locução de dois filmes: no documentário Relicário de um Povo, documentário de Margarete Taqueti, lançado em 2003; e no falso documentário A História do Puteiro Mais Antigo de Vitória, de Sidney Spacini, de 2011. Em 2013, integrou o elenco de Teobaldo Morto, Romeu Exilado, longa-metragem de Rodrigo de Oliveira. Suas últimas participações no cinema foram nos curtas Mesa no Deserto, ficção distópica de Diego Scarparo; e Território do Desprazer, documentário com cenas ficcionais dirigido por Maíra Tristão e Mirela Marin e que foi recentemente lançado.

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Sobre atuar para a câmera ou no palco, Margareth explica que essas duas linguagens exigem expressividades distintas: “Essa coisa expansiva do teatro dá lugar a uma atuação mais contida. No cinema, as emoções devem sair no olhar. Uma vez o Amyton de Almeida me disse assim: ‘Margareth, lembre-se que câmera pega os seus pensamentos’. Essa frase me guia até hoje, porque a câmera pega os seus pensamentos. É preciso trabalhar esses pensamentos na hora em que estiver atuando, pois a gestualidade é menos importante do que no teatro, ela não pega os gestos. Quer coisa mais reduzida e interiorizada que isso?”. “O cinema pede uma interpretação mais recolhida, pede uma consciência corporal e emocional mais vertical, é bem stanilavskiano mesmo. É preciso saber expressar as emoções com mais precisão para um certo personagem. E, pra isso, você precisa se conhecer, aceitar todos os erros e as emoções que todos os seres humanos têm. Aí é que eu digo: consciência do corpo e consciência desse movimento de emoções que temos dentro da gente; isso que eu chamo de alma. A alma humana é esse movimento de emoções. É saber como se dá esse processo nas pessoas e, em mim principalmente, porque vou precisar disso para a câmera. No teatro, você dispõe de mais ensaios, de mais tempo de trabalho criativo onde é possível ter mais certezas, você pode ir acrescentando coisas novas e aperfeiçoando a cada ensaio e apresentação. No cinema, as certezas são dadas pelo diretor, pois é o olhar dele que guia aquela imagem. Quando ele fala ‘ação’, o meu trabalho de atriz estará registrado, e acabou. Uma coisa de que


gosto muito no cinema é a convivência no set de filmagem. Isso pra mim é fascinante, me sentir parte de uma equipe que está construindo algo. E o cinema tem isso muito claramente; o teatro, nem sempre. Quando sei que vou fazer um filme, fico quicando até a hora do set, depois esqueço” (sorri). Exigente consigo mesma: "Geralmente, quando assisto a um filme em que atuei, só consigo ver defeitos na minha interpretação, só começo a gostar depois da terceira vez que vejo. E que venham mais trabalhos”.

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No alto, curta-metragem Baseado em EstĂłrias Reais, de Gustavo Moraes, 2002 (foto de VinĂ­cius Nascimento). Abaixo, no longa-metragem Teobaldo Morto, Romeu Exilado, de Rodrigo de Oliveira, 2015 (foto de Felipe Amarelo)


TEATRO / Atriz O Inspetor Geral, de Nicolai Gogol / Direção de Jonas Bloch / São Paulo-SP (1973 e 1974). O Preceptor, de Bertolt Brecht / Direção de José Antonio de Souza / Campinas-SP (1975). Retábulo de Dom Cristóvão e Dona Rosita, de Federico Garcia Lorca / Direção de Erlon José Paschoal / São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul-SP (1977 e 1980). ABC Dança / Espetáculo de dança-teatro / Direção de Joana Lopes e supervisão de Klaus Viana / São Paulo-SP (1981). A Importância de Estar de Acordo, de Bertolt Brecht / Direção de Erlon José Paschoal / Belém-PA, Salvador-BA, Recife-PE, Fortaleza-CE (1983 e 1984). Woyzeck, de Georg Büchner / Direção de Erlon José Paschoal / Belém-PA, Salvador-BA, Recife-PE, Fortaleza-CE (1984). Ainda Bem Que Aqui Deu Certo, de Margareth Galvão e Erlon José Paschoal / Direção de Erlon José Paschoal / Vitória-ES, São Paulo-SP (1993 e 1994). Otelo, de William Shakespeare / Espetáculo de dança-teatro com direção de Maria Lúcia Calmon / Vitória-ES (1994). Bella Ciao, de Luís Alberto Abreu / Direção de Renato Saudino / Vitória-ES (1995 e 1996). Palhaço / Direção de Dácio Lima / Vitória-ES (1996 e 1997). Urro / Espetáculo de dança, teatro e poesia com textos de Renato Pacheco e Sérgio Blank / Direção de Margareth Galvão / Vitória-ES (1997 e 1998). O Mais Belo Suicídio, de Alípio César / Direção de Marcel Cordeiro / Vitória-ES (1999). O Sono e a Vigília, de Jean Calmon / Direção de Paulo de Paula / Vitória-ES (2000). Ópera Pop Panela de Barro / Direção de Geraldo Miranda / Vitória-ES (2001). Terra das Paixões / Espetáculo com dança, teatro, poesia, circo, música e projeção de slides / Direção de Margareth Galvão / Vitória-ES (2001). Pessoa e Eu / Espetáculo com poemas de Fernando Pessoa e de Margareth Galvão / Direção de Margareth Galvão / Vitória-ES (2003, 2004 e 2005). A Pequena Sereia / Direção Rodrigo Campaneli / Vitória-ES (2004). Dorotéia, de Nelson Rodrigues / Leitura dramática / Vitória-ES (2004). Fim de Linha / Texto e direção de Margareth Galvão / Vitória-ES (2007). Pessoas & Eu / Textos de Fernando Pessoa e de Margareth Galvão / Direção de Margareth Galvão / Vitória-ES (2012 e 2013).

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TEATRO / Direção, concepção cênica e dramaturgia Ainda Bem Que Aqui Deu Certo / Direção de Erlon José Paschoal / Vitória-ES e São Paulo-SP (1993 e 1994) – Texto em coautoria com Erlon José Paschoal. Atrás da Vitória / Direção de Erlon José Paschoal / Vitória-ES (1992) – Texto em coautoria com Erlon José Paschoal e assistência de direção. Urro / Espetáculo de dança, teatro e poesia com textos de Renato Pacheco e Sérgio Blank / Vitória-ES (1997 e 1998) – Direção. Terra das Paixões / Espetáculo com dança, teatro, poesia, circo, música e projeção de slides / Vitória-ES (2001) – Texto, concepção e direção. Bernardo Cantador / Cia. Circo Teatro Capixaba / Vitória-ES (2002) – Direção. Vem cá, Bibila! / Cia. Circo Teatro Capixaba / Vitória-ES (2003) – Direção. Pessoa e Eu / Espetáculo com poemas de Fernando Pessoa e de Margareth Galvão / Vitória-ES (2003, 2004 e 2005) – Concepção e direção. O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues / Com alunos do Colégio Darwin / Vitória-ES (2005) – Direção. Em cima, embaixo / Arcelor Mittal / Serra-ES (2005) – Direção. Assédio Moral e Doenças Sexualmente Transmissíveis / Sindicato dos Bancários do Espírito Santo / Vitória (2005) – Texto e direção. Vertentes, de Lucimar Cardoso / Vitória-ES (2006) – Concepção e direção. Fim de Linha / Vitória-ES (2007) – Texto e direção. Os Cegos ou o Sábio de Flandres / Vitória (2007 e 2008) – Texto e direção. Caravana da Paixão / Vitória-ES, São Mateus-ES e Juiz de Fora-MG (2008) – Codireção com Willian de Oliveira Rodrigues. 26

O Casamento / Vitória-ES (2010) – Texto e direção. Irmãos das Almas / Itaguaçu-ES (2011) – Adaptação e direção. Pessoas & Eu / Textos de Fernando Pessoa e de Margareth Galvão / Vitória-ES (2012 e 2013) – Texto e direção. Os Sequestrados, de Délio Freire / Vitória (2014) – Codireção com Felipe Vidal.

Óperas, Autos e Musicais Pequeno Auto de Natal de Jacaraípe / Prefeitura Municipal de Serra / Serra-ES (2005) – Texto e direção. Gianni Schichi, de Puccini / Maestro Sérgio Dias / Vitória-ES (2008) – Preparação de elenco. O Auto da Paixão de Cristo / Jaguaré-ES (2009) – Direção de elenco e trilha sonora. Suor Angélica, de Puccini / Maestro Leonardo Da-


vid / Vitória-ES (2010) – Coordenação cênica. A Viagem de Tuhú – Villa Lobos em Terras Capixabas / Musical para a Vale Música com o maestro Helder Trefzger / Vitória (2010) – Roteiro e direção geral. Musical de Páscoa / Coral e Orquestra do Sesi com o maestro Leonardo David / Vitória (2011) – Direção cênica. Pagliacci, de Leon Cavallo / Maestro Leonardo David / Vitória (2011) – Direção cênica. Show da cantora Kátia Rocha / Vitória-ES (2012) – Direção cênica. Il Maestro di Musica, de Pergolese / Faculdade de Música do Espírito Santo / Vitória-ES (2013) – Direção cênica. Un mari a la porte de Offenbach / Faculdade de Música do Espírito Santo / Vitória-ES (2014) – Direção cênica. Orquestra dos Sonhos de Tim Rescala / Faculdade de Música do Espírito Santo / Vitória-ES (2014) – Direção cênica. Como dramaturga, os trabalhos mais significativos de Margareth Galvão, e que foram montados, são: O Casamento, Os Cegos ou o Sábio de Flandres, a coletânea de quatro textos Atrás da Vitória e Ainda bem que aqui deu Certo; esses dois últimos escritos em parceria com Erlon José Paschoal. Ela também dispõe de outros textos teatrais ainda não editados.

TEATRO / Professora Oficina de Teatro / Sindicato dos Bancários de São Paulo / São Paulo-SP (1981). Oficina de Teatro / Companhia Vale do Rio Doce / Vitória-ES (1987). Oficinas de Teatro / FAFI - Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música / Vitória-ES (1991, 1992, 1994, 1996 e 1997). Oficina de Teatro / Sindicato dos Bancários do Espírito Santo / Vitória-ES (1994). Oficinas de Teatro / Secretaria Municipal de Cultura de Vitória / Vitória-ES (1996). Oficina de Teatro / Secretaria Municipal de Cultura do Estado do Espírito Santo / Venda Nova do Imigrante-ES (1997). Oficina de Teatro / EMATER / Vitória-ES (1998). Disciplina de Interpretação do Curso Preparatório para Curso Qualificação Profissional em Teatro / FAFI / Vitória-ES (1998, 1999 e 2001). Oficinas de Teatro / FAFI / Vitória-ES (1998, 1999, 2000, 2001 e 2003). Disciplina de Improvisação no Curso de Qualificação Profissional em Teatro / FAFI (1998, 1999, 2000 e 2001). Oficina de Teatro de Verão / Escola Balé da Ilha / Vitória-ES (1999). Oficina Terapêutica de Teatro / Centro de Assistência Psicossocial da Prefeitura Municipal de Vitória / Vitória-ES (2000).

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Disciplina de Improvisação Teatral para o Curso de Dança / FAFI / Vitória-ES (2001, 2002 e 2003). Oficina: O Teatro como Auto-Conhecimento / I Congresso de Psicoterapia Corporal do Espírito Santo do Instituto Wilhelm Reich / Vitória-ES (2001). Disciplina de Interpretação do Curso de Qualificação Profissional / FAFI / Vitória-ES (2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007). Oficina de Teatro para Adolescentes / Oficina Artes / Vitória-ES (2003). Oficina de Teatro para Crianças e Adolescentes / FAFI / Vitória-ES (2004). Oficina - Brincando com o Corpo para Curso de Dança / FAFI / Vitória-ES (2004). Oficina de Teatro como Instrumental para Terapeutas / Oficina Artes / Vitória (2004). Oficina de Teatro / Oficina Artes / Vitória-ES (2004). Oficina de Teatro para Adolescentes / Prefeitura de Serra / Serra-ES (2004). Preparação de Apresentadores / TV Vitória / Vitória-ES (2004 e 2005). Treinamento de pessoal de Relações Humanas - Teatro como instrumental / Companhia Siderúrgica de Tubarão / Vitória-ES (2004 e 2005). Oficina Mergulho na Criatividade para Adolescentes / Companhia Siderúrgica de Tubarão / Vitória-ES (2005). Oficina Teatro como Instrumental de Trabalho para o Ensino Fundamental / Prefeitura Municipal de Guarapari / Guarapari-ES (2005). Oficina Teatro como Instrumental para Professores de Línguas / Centro de Línguas da Ufes / Vitória-ES (2005). 28

Oficina de Reciclagem para Atores / III Festival de Teatro do Acre / Rio Branco-AC (2005). Oficina de Teatro / Sindicato dos Bancários do Espírito Santo / Vitória-ES (2006). Oficina sobre “A Linguagem Gestual no Teatro” / Rede Gazeta – Projeto Gazeta na Sala de Aula / Vitória-ES (2006). Oficina de expressão corporal / Projeto Conexões Saberes da Universidade Federal do Espírito Santo / Vitória-ES (2008). Curso de expressão corporal e como falar em público / MP Publicidade / Vitória-ES (2008). Curso de Teatro / Teatro Campaneli / Vitória-ES (2008). Oficina de Interpretação / Grupo Vira-Lata / Vitória-ES (2008). Curso de expressão corporal e como falar em público / Prósper Publicidade / Vitória-ES (2009). Coordenação Pedagógica do Festival do Teatro Brasileiro – Cena Cearense no Espírito Santo / Vitória-ES (2010). Oficinas de Interpretação para Câmera / Mostras Capixabas de


Audiovisual: Rural / Castelo-ES (2010) / Etnográfica / Nova Venécia-ES (2011) e Histórico-Cultural / Marataízes-ES (2011). Oficina de Interpretação para Câmera / Mostra Capixaba de Audiovisual Etnográfica / Nova Venécia-ES (2011). Oficina de Interpretação para Câmera / Mostra Capixaba de Audiovisual Histórico-Cultural / Marataízes-ES (2011). Curso de Interpretação para Câmera / Escola Abel Santana / Vitória-ES (2010 e 2011). Oficina de Interpretação para Teatro no SESC / Caruaru-PE (2011). Oficina de Interpretação para Teatro no SESC / Arcoverde-PE (2013). Oficina de Teatro / Festival do Teatro Brasileiro / Linhares-ES (2015).

CINEMA/ Atriz Longa-Metragem Lamarca / Direção de Sérgio Resende (1994). O Amor Está no Ar / Direção de Amylton de Almeida (1997). A Morte da Mulata / Direção de Marcel Cordeiro (2002). A Noite do Chupacabras / Direção de Rodrigo Aragão (2011). Mar Negro / Direção de Rodrigo Aragão (2013). As Fábulas Negras (episódio “Loira do Banheiro”) / Direção de Rodrigo Aragão, Petter Baiestorf, Joel Caetano, José Mojica Marins (2014). Teobaldo Morto, Romeu Exilado / Direção de Rodrigo de Oliveira (2015). Mata Negra / Direção de Rodrigo Aragão (2017).

Curta-Metragem Flora / Direção de Marcel Cordeiro (1996). Olhos Mortos / Direção de Carlos Augusto de Oliveira (2002). Escolhas / Direção de Ana Murta (2003). Mundo Cão / Direção de Sáskia Sá (2001). Ângela / Direção de Vanessa Frisso (2002). Baseado em Estórias Reais / Direção de Gustavo Moraes (2002). Pour Elise / Direção de Erly Vieira (2004). Salon de La Paix / Direção de Felipe Redins (2004). A Banda / Direção José Augusto Muleta (2005). Graçanaã / Direção de Luiz Tadeu Teixeira (2006). A Fuga / Direção de Sáskia Sá (2007). Descontrole / Direção de Lucas Bona Fioroti (2006). Até quando? / Direção de Gustavo Moraes (2008).

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Pela Janela / Direção de Diego de Jesus (2014). Distopia / Direção de Tatiana Rabelo e Rodrigo Linhares (2015). Hic / Direção de Alexander Buck (2016) Território do Desprazer / Direção de Maíra Tristão e Mirela Marin (2017). A Mesa no Deserto / Direção de Diego Scarparo (2017).

CINEMA / Preparação de elenco Objetos / Direção de Marcos Valério (2013). Graçanaã / Direção de Luiz Tadeu Teixeira (2004).

CINEMA / Locução Relicário de um Povo / Direção de Margarete Taqueti (2003). A História do Puteiro mais Antigo de Vitória / Direção de Sidney Spacini (2011).

ARTES VISUAIS Frequência Angular / Videoarte realizado na Ufes em parceria com Fernanda Zardo e Uillian Trindade, exibido durante um mês na Universidade de Granada na Espanha (2007). Sangue de Maria / Proposta de performance e instalação apresentada como trabalho de conclusão da disciplina de pintura do Curso de Artes Visuais da Ufes (2008). 30

PRÊMIOS, HOMENAGENS E CONDECORAÇÕES Prêmio do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado do Espírito Santo de Melhor Atriz pelos espetáculos Bella Ciao e Ainda Bem que Aqui Deu Certo (1995). Troféu Marlin Azul – Atriz de maior destaque do cinema capixaba – 4º Vitória Cine Vídeo (1997). Prêmio de Melhor Espetáculo de Rua com Caravana da Paixão – Festival de Teatro de São Mateus (2007). Comenda Maurício de Oliveira – Prefeitura Municipal de Vitória (2015). Atriz Homenageada no Fecin – Festival de Cinema de Muqui (2016).


CADERNO DO FESTIVAL DE CINEMA DE VITÓRIA HOMENAGEADO CAPIXABA / 8ª Edição Projeto Editorial – Lucia Caus Delbone e Paulo Gois Bastos Reportagem e edição – Paulo Gois Bastos (MTB/ES 2530) Projeto Gráfico e Diagramação – Paulo Prot Revisão de Texto – Luiz Cláudio Kleaim Foto Capa - Curta-metragem Flora, de Marcel Cordeiro, 1996 (acervo pessoal de Margareth Galvão). Fotografia Página 3 - Tati Hauer Especificações Gráfica Tipografia – Gandhi Serif Papéis – Offset 240g/m 2 para a capa e miolo Couchê Fosco Suzano 115g/m 2 Impresso em Vitória|ES

O Caderno do Festival de Cinema de Vitória - Homenageado Capixaba é uma publicação do 24º Festival de Cinema Vitória, evento realizado de 11 a 16 de setembro de 2017 em Vitória-ES. O Festival é uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte. Nosso endereço e contatos: Rua Professora Maria Cândida da Silva, nº 115-A – Bairro República – Vitória/ES. CEP 29.070-210. Tel.: +55 27 3327 2751 / producao@ibcavix.org.br

FICHA CATALOGRÁFICA 31

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) C122 CADERNO DO FESTIVAL DE CINEMA DE VITÓRIA HOMENAGEADO CAPIXABA. Paulo Gois Bastos (Editor). Vitória: 24° Festival de Cinema de Vitória, Set 2017. Anual. 32p.: il. (24º Festival de Cinema de Vitória, 8ª Edição). 1. Margareth Galvão. 2. Teatro. 3.Cinema. 4.Artes Plásticas. 5.Filmografia. 6.Arte. 7.Cultura. 8.Artes Cênicas. 9.Biografia. 10.Dança. 24º Festival de Cinema de Vitória. I. Bastos, Paulo Gois. (Editor).


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Caderno do Festival de Cinema de Vitória - Margareth Galvão  

Caderno do Festival de Cinema de Vitória - Homenageada Capixaba - publicação que chega à sua 8ª edição e apresenta o perfil do atriz e diret...

Caderno do Festival de Cinema de Vitória - Margareth Galvão  

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