Revista Viração - Edição 87 - Agosto/2012

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s o r i e c r a p s o s Nos

Sexo e Saúde

pelo Brasil

Ciranda – Curitiba (PR) Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência www.ciranda.org.br

Grupo Conectados de Comunicação Alternativa GCCA - Fortaleza (CE) www.taconectados.blogspot.com

Gira Solidário Campo Grande (MS) www.girasolidario.org.br

Movimento de Intercâmbio de Adolescentes de Lavras – Lavras (MG)

Catavento Comunicação e Educação Fortaleza (CE) www.catavento.org.br

Casa da Juventude Pe. Burnier – Goiânia (GO) www.casadajuventude.org.br

Universidade Popular – Belém (PA) www.unipop.org.br

Mídia Periférica - Salvador (BA) www.midiaperiferica.blogspot.com.br

Oi Kabum - Rio de Janeiro (RJ) www.oikabumrio.org.br

Projeto Araçá - São Mateus (ES) www.projetoaraca.org.br

Grupo Makunaima Protagonismo Juvenil (RR) grupomakunaimarr.blogspot.com

Auçuba - Comunicação e Educação Recife (PE) aucuba.org.br

Agência Fotec – Natal (RN)

Jornal O Cidadão – Rio de Janeiro (RJ) ocidadaonline.blogspot.com

Lunos - Boituva (SP) www.lunos.com.br

Cipó Comunicação Interativa Salvador (BA) www.cipo.org.br

Rede Sou de Atitude Maranhão São Luís (MA) www.soudeatitude.org.br

Projeto Juventude, Educação e Comunicação Alternativa Maceió (AL)

Avalanche Missões Urbanas Underground Vitória (ES) www.avalanchemissoes.org

União da Juventude Socialista – Rio Branco (AC) ujsacre.blogspot.com


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s e d a d i r o t u a s a r i e d a Verd

ram ente pauta de o Adolesc d e a s 11 e 14 ç n ia a d da Cri ntre os e , iu n , u s direitos s re o gad deral entre dele capital fe om icipantes, Brasília. A rt a p cussão, c il is m d s rmal de a de trê fo rc e o c ç ional , a c o p a s lh N ju um e ncia tema. Em 9ª Conferê o a d , s ia a, re ig o ir ti d d isa nça efe v ual se s e pesqu úblico a q pela prese p u o o a rc convidado a te is n a m nicip , ndize DCA) pouco co etapas mu nte (9ª CN s e m a c e s d g le a o u o ã g d ç n A a li niz nça e do m da orga os da Cria participara e u q dos Direit tante do s te , represen s dolescen . a o ia n e c a d n , 7 rê o 1 d fe s, de a Con ntantes sobretu airã S oare e represe nacional d M e o d te is n a ta e s u c E d s de os a adole livres, esta ministros cia eram abertura, conferên diante de a r, d a s Logo na s is e fr d , a e s arãe do tão d utorid sses Guim adeiras a , fez ques ly rd rá U e a v s P e s o õ a d ç e n qu onve Estado veis pela o Federal, ntro de C responsá o Govern 2 2 no Ce m 8 ra m fo ra E e oficiais d tícias ntes. tes prese em de No ência Jov adolescen g A os quatro a m s durante tegrara le in e r 8 o 5 p is a a d qu liza . a icativa rea do evento em de cap educomun e d cobertura a a reportag id v n ti a re da 9ª a fe d s n o o e v c s ti ê A sínte significa sília voc is ra a B m m s e to icadores momen nferência educomun E um dos s dias de Co ? te e n d e a c s id adole nto tem ireitos ada pelos Engajame taria de D re tiva realiz c e le S o c a d a , i rio CNDCA fo a do Rosá ue você istra Mari pública, q e R a d ia com a min c n da Presidê pórter. Humanos Galera Re o ã ç e s a confere n ra! B oa leitu

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Quem somos A

Viração é um uma organização não governamental (ONG), de educomunicação, sem fins lucrativos, criada em março de 2003. Recebe apoio institucional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo e da ANDI - Comunicação e Direitos. Além de produzir a revista, oferece cursos e oficinas em comunicação popular feita para jovens, por jovens e com jovens em escolas, grupos e comunidades em todo o Brasil. Para a produção da revista impressa e eletrônica (www.viracao.org),contamos com a participação dos conselhos editoriais jovens de 22 Estados, que reúnem representantes de escolas públicas e particulares, projetos e movimentos sociais. Entre os prêmios conquistados nesses oito anos, estão Prêmio Don Mario Pasini Comunicatore, em Roma (Itália), o Prêmio Cidadania Mundial, concedido pela Comunidade Bahá'í. E mais: no ranking da Andi, a Viração é a primeira entre as revistas voltadas para jovens. Participe você também desse projeto. Veja, ao lado, nossos contatos nos Estados. Paulo Pereira Lima Diretor Executivo da Viração – MTB 27.300

Conteúdo

Copie sem moderação! Você pode: • Copiar e distribuir • Criar obras derivadas Basta dar o crédito para a Vira!

Apoio Institucional

Asso

ciazione Jangada

Conheça os Virajovens em 19 Estados brasileiros e no Distrito Federal Belém (PA) Boa Vista (RR) Boituva (SP) Brasília (DF) Campo Grande (MS) Curitiba (PR) Fortaleza (CE) Goiânia (GO) João Pessoa (PB) Lagarto (SE) Lavras (MG) Lima Duarte (MG) Maceió (AL) Natal (RN) Picuí (PB) Recife (PE) Rio Branco (AC) Rio de Janeiro (RJ) Salvador (BA) S. Gabriel da Cachoeira (AM) São Luís (MA) São Mateus (ES) São Paulo (SP) Vitória (ES)

Quem faz a Vira Gabriel de Araújo Lima (ES), adolescente educomunicador em Brasília

A adolescente educomunicadora Andressa de Lima Ferreira, de Rio Branco (AC), entrevista participantes indígenas da 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Brasília (DF)

Revista Viração • Ano 10 • Edição 87

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Jovens gamers

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Conheça o perfil de uma galera que, em vez de comprar jogos, prefere criar seus próprios games

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Pelas ondas da internet

Saiba mais sobre as rádios web e aprenda como fazer uma com um grupo de amigos

Vozes do sul

Coro de jovens paraenses chama a atenção do público pelas atuações cênicas durante as apresentações

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Magrela na escola

Projeto na capital paulista estimula e orienta estudantes do ensino fundamental para o uso de bicicletas

Altas habilidades

Jovens com dificuldade de concentração e desinteresse pelos estudos podem ter altas habilidades e precisam de atenção especial

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Sempre na Vira

Manda Vê . . . . . . . . . . . . . 06 Imagens que Viram . . . . . 12 No Escurinho . . . . . . . . . . 30 Que Figura . . . . . . . . . . . . 31 Sexo e Saúde . . . . . . . . . . 32 Rango da Terrinha . . . . . . 33 Parada Social . . . . . . . . . . 34 Rap Dez . . . . . . . . . . . . . . 35

is alvos dos traficantes O Brasil é um dos principa e rica biodiversidade de animais por sua imensa

Ativismo infanto-juvenil Na capital federal, Crianças e adolescentes vindos de todos os Estados brasileiros fazem barulho em Conferência e mostram que sabem debater e propor políticas públicas de igual para igual com os adultos

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Fauna em perigo

Conversa franca

Maria do Rosário, ministra dos Direitos Humanos, fala abertamente sobre crianças e adolescentes que vivem em abrigos e participação política aos adolescentes educomunicadores

Prioridade

Câmara dos Deputados aprova projeto de lei que destina dez por cento do PIB para a Educação. Entenda o que isso significa.

RG VÁLIDO EM TODO TERRITÓRIO NACIONAL Revista Viração - ISSN 2236-6806 Conselho Editorial Eugênio Bucci, Ismar de Oliveira, Izabel Leão, Immaculada Lopez, João Pedro Baresi, Mara Luquet e Valdênia Paulino

Conselho Fiscal Everaldo Oliveira, Renata Rosa e Rodrigo Bandeira

Diretoria Executiva Paulo Lima e Lilian Romão

Equipe Bruno Ferreira, Elisangela Nunes, Eric Silva, Evelyn Araripe, Gisella Hiche, Gutierrez de Jesus Silva, Ingrid Evangelista, Rafael Stemberg, Sonia Regina e Vânia Correia

Administração/Assinaturas

Conselho Pedagógico

Douglas Ramos e Norma Cinara Lemos

Alexsandro Santos, Aparecida Jurado, Isabel Santos, Leandro Nonato e Vera Lion

Mobilizadores da Vira

Presidente Juliana Rocha Barroso

Vice-Presidente Cristina Paloschi Uchôa

Primeiro-Secretário Eduardo Peterle Nascimento

Acre (Leonardo Nora), Alagoas (Jhonathan Pino), Amazonas (Cláudia Ferraz e Gabriela Ferraz), Bahia (Everton Nova e Enderson Araújo), Ceará (Alcindo Costa e Rones Maciel), Distrito Federal (Mayane Vieira), Espírito Santo (Jéssica Delcarro e Leandra Barros), Goiás (Érika Pereira e Sheila Manço), Maranhão (Sidnei Costa, Nikolas Martins

e Maria do Socorro Costa), Mato Grosso do Sul (Fernanda Pereira), Minas Gerais (Emília Merlini, Reynaldo Gosmão e Silmara Aparecida dos Santos), Pará (Alex Pamplona), Paraíba (Manassés de Oliveira), Paraná (Juliana Cordeiro e Vinícius Gallon), Pernambuco (Edneusa Lopes), Rio de Janeiro (Gizele Martins), Rio Grande do Norte (Alessandro Muniz), Roraima (Graciele Oliveira dos Santos), Sergipe (Grace Carvalho) e São Paulo (Alisson Rodrigues, Gutierrez de Jesus Silva e Verônica Mendonça).

Arte Ana Paula Marques e Manuela Ribeiro

Colaboradores Antônio Martins, Carla Renieri, Heloísa Sato, Julia Daniel, Márcio Baraldi, Natália Forcat, Novaes, Rogério Zé, Sérgio Rizzo e Thaís Chita.

Projeto Gráfico Ana Paula Marques e Cristina Sayuri

Revisão Izabel Leão

Jornalista Responsável Paulo Pereira Lima – MTb 27.300

Divulgação Equipe Viração

E-mail Redação e Assinatura redacao@viracao.org assinatura@viracao.org

Preço da assinatura anual Assinatura Nova Renovação De colaboração Exterior

R$ 65,00 R$ 55,00 R$ 80,00 US$ 103,00


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A Vira pela igualdade. Diga lá. Todas e todos Mudança, Atitude e Ousadia jovem.

Fale com a gente!

Diga lá

Via E-mail

Via E-mail Olá, pessoal da Viração! Como leitor e colecionador de revistas em quadrinhos achei muito legal ver uma matéria sobre o assunto na edição do mês passado (Heróis cor-derosa? - Edição 86), mas a revista fez confusão com os heróis chamados “Lanterna Verde” (um erro aceitável, já que existem mais de 3.600 deles). O lanterna verde de Allan Scott é um personagem diferente dos Lanternas Verdes que estamos acostumados. Os de colante preto e verde fazem parte do grupo de elite espacial chamada Tropa dos Lanternas Verdes.

Meu nome é Nathan Henrique, tenho 18 anos. Recentemente participei das Conferências Nacional e Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente como educomunicador representando o Estado de São Paulo. Gostaria de participar do conselho Virajovem, ou até mesmo criar um em minha cidade. Fico grato desde já pela atenção! Atenciosamente, Nathan Henrique – Jaú (SP)

Abraços! Felipe Araújo – São Paulo (SP)

Perdeu alguma edição da Vira? Não esquenta! Agora você pode acessar, de graça, as edições anteriores da revista na internet: www.issuu.com/viracao

Verdade, Felipe! Allan Scott não faz parte da Tropa dos Lanternas Verdes. E descobrimos que a origem de seus poderes também é um pouco diferente. Desculpa pela confusão. Abraço! Alan Fagner Ferreira, do Virajovem Maceió (AL) – autor da matéria Heróis cor-de-rosa?

Ops! Erramos!

A Viração Educomunicação não utiliza mais o perfil no Twitter @viracao. Apropriaram-se da nossa senha para divulgar ações e ideias que não são da organização. Convidamos a todos para seguir o nosso novo perfil @viracao_oficial.

E também confira a página e o perfil da Viração Educomunicação no Facebok.

Ponto G

Na edição passada, creditamos as fotos da página 25, que integrou a matéria de capa, como sendo da Agência Jovem de Notícias. Mas na verdade elas são de João Breyer, jornalista que colaborou com a finalização do poema Se os povos governassem o mundo, publicado no final da matéria de capa sobre a Rio+20. Pedimos desculpas pelo equívoco!

Mande seus comentários sobre a Vira, dizendo o que achou de nossas reportagens e seções. Suas sugestões são bem-vindas! Escreva para Rua Augusta, 1239 - Conj. 11 - Consolação - 01305-100 - São Paulo (SP) ou para o e-mail: redacao@viracao.org Aguardamos sua colaboração!

Oi, Nathan! Ficamos super felizes por saber que você e muitos outros participantes da cobertura da 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente estão a fim de ser virajovens! Em breve entraremos em contato com todos para explicar como virar um virajovem!

Para garantir a igualdade entre os gêneros na linguagem da Vira, onde se lê “o jovem” ou “os jovens”, leia-se também “a jovem” ou “as jovens”, assim como outros substantivos com variação de masculino e feminino.

Parceiros de Conteúdo


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Manda Vê Evelyn Lima e Tainá Mueller, do Virajovem Curitiba (PR); Adriano Barbosa, do Virajovem São Mateus (ES)*

O espaço reservado às mulheres no convívio social, político e econômico foi modificado. Hoje as brasileiras possuem diversos direitos que antes não tinham. A mulher conquistou sua independência e mais do que o direito ao voto passou a ter sua participação garantida. Partidos políticos e outros espaços que até então eram predominantemente masculinos passaram a disponibilizar cotas para mulheres. Mesmo assim, ainda há muito para se fazer. Não é a toa que surgiu o movimento da Marcha das Vadias, que propõe se unir a diversos grupos na realização de uma ação que convoca mulheres, homens e afins à causa para saírem às ruas exigindo direitos iguais. O debate não é só acerca da luta pelo reconhecimento da mulher no mercado de trabalho. É também pela sua valorização como mulher, pelo respeito ao seu corpo e pela sua importância dentro da sociedade. Hoje o Brasil é governado por uma mulher, mas será que isso significa que o machismo não predomina mais aqui? Os virajovens foram conferir qual a opinião da juventude sobre isso.

Você acha que o machismo ainda predomina nos dias de hoje? Guilherme Cordeiro, 15 anos, Almirante Tamandaré (PR)

André Felipe Costa Souza, 20 anos, Montanha (ES) “Pra mim o machismo é mais predominante no que diz respeito ao comportamento da figura feminina em nossa sociedade. Uma mulher que transa com um cara por semana é considerada prostituta, algo pejorativo. Já um homem com o mesmo comportamento é considerado pegador, com sentido positivo.”

06 Revista Viração • Ano 10 • Edição 87

“Acho quem em partes sim. Isso já começa em relação ao trabalho, em que só homens podem fazer serviços pesados, e exercer a força. Para um homem machista, a mulher não tem palavra e voz nenhuma no lar ou em qualquer lugar. Machismo está relacionado também ao preconceito, homens acham que eles têm que ser fortes e donos da razão. Para eles a fragilidade existe só em mulheres.”

Erick Andriw Ribeiro Westphal, 18 anos, Ecoporanga (ES)

“As mulheres vêm conquistando cada vez mais seus direitos, e caminham para aceitação e igualdade de direitos perante a sociedade. Mas o Brasil demonstra não haver machismo. Estou a ponto de pensar que na atualidade existe mais feminismo que o machismo!”

*Virajovens presentes em 19 Estados brasileiros e no Distrito Federal


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Patrikson Malta, 22 anos, Vila Velha (ES) “Sim, exemplo disso é que mesmo as mulheres desenvolvendo as mesmas atividades dos homens no mercado de trabalho, ainda têm remuneração e salários menores, tendo elas a mesma capacidade. Essa é uma forma de exclusão e preconceito que existe até hoje.”

Suelen Lorianny, 22 anos, Curitiba (PR)

Soraia Denize Perussi, 38 anos, Curitiba (PR) “Ainda predomina bastante, porque muitos homens não deixam suas mulheres trabalharem e outros as exploram fazendo com que elas tragam dinheiro para eles. Um exemplo de machismo é o preconceito que existe com mulheres que dirigem. Os homens pensam que as mulheres só servem para cuidar de casa e que não podem fazer outra coisa.”

“Existe um machismo intrínseco na nossa sociedade. As mulheres ainda precisam seguir padrões, ainda são silenciadas nos espaços que ocupam, mas agora de forma indireta. O modelo atual de mulher é preocupado com a beleza física, que tem que trabalhar e cuidar bem do marido em casa para ele não procurar outra melhor na rua, que precisa ter filhos para ser realizada, que deve ser jovem para sempre. Com isso, conseguimos perceber o machismo reforçado pela sociedade, pela mídia e por nós mesmas”.

Maisa Carvalho, 20 anos, São Mateus (ES)

“Mesmo as mulheres tendo conseguido alcançar a independência, os homens ainda acham que são superiores às mulheres e que elas têm que ser submissas a eles. Mesmo depois de muito tempo, alguns continuam dizendo que mulher tem que ficar em casa cozinhando e cuidando dos filhos e do marido.”

Faz Parte

Para quem gosta de acompanhar blogs ou está a fim de ler materiais interessantes sobre mulheres, uma dica é acessar o blog http://mulheresdesegunda.wordpress.com/. Nele você vai assistir o programa Mulheres de Segunda realizado por estudantes de jornalismo de Curitiba (PR). O programa surgiu da vontade de difundir os direitos da mulher, apresentar mulheres que representam a sociedade feminina em diversos espaços e tornar visível a caminhada feminista de uma perspectiva direta, entendendo que o feminismo é a luta por liberdade e igualdade da mulher perante a sociedade. As publicações do blog trazem críticas aos estereótipos relacionados a mulher, homem, feminismo e machismo criados pela sociedade. Além disso, busca incentivar a luta pelos direitos das mulheres. O primeiro programa foi lançado no dia 4 de abril de 2011. A primeira edição chegou a 310 visualizações no mesmo dia do seu lançamento.

Não é de hoje

Os protestos feministas em busca de igualdade, liberdade e respeito tiveram origem na Inglaterra e nos Estados Unidos. No período da Revolução Industrial as mulheres vivenciaram horas de trabalhos exorbitantes com salários menores que o dos homens. As feministas passaram a lutar não somente por salários maiores e melhores condições de trabalho, mas também contra o trabalho infantil encontrado em diversas fábricas. Os tempos mudaram. Hoje as mulheres podem trabalhar com mais dignidade e o trabalho infantil é crime. Por outro lado, ainda existe a luta pela liberdade sexual.


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Transformando ideias em games a transformar Jovens gamers dedicam-se de sucesso ideias em jogos virtuais

Donizete Gomes, do Virajovem São Paulo (SP)*; e Gutierrez de Jesus Silva, da Redação

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os últimos três anos a ininterrupta invenção de ferramentas eletrônicas vem garantindo a jovens de todas as classes sociais e regiões a oportunidade de desenvolverem programas interativos que expressem situações ou temas que fazem parte do cotidiano. O conceito original para fabricar videogames tinha como objetivo o entretenimento, uma distração pra manter a criançada no sossego. Lá pelos anos 1970, o primeiro jogo de verdade a chegar às mãos dos curiosos foi o Pong, simulador de uma espécie de partida de tênis. Para se adaptar à personalidade do público, a imagem e som foram evoluindo, assim como a velocidade e os desafios dos jogos foram melhorando. Foram surgindo personagens carismáticos conhecidos até hoje. Pac Man, Sonic, Mario e Donkey Kong, hoje, podem ser considerados os vovôs dos games atuais. Presente em todas as plataformas torna-se quase impossível combater o consumo deste tipo de produto por meio da internet. Atualmente, a tendência é que os preços dos jogos originais continuem aumentando e os piratas tenham mais espaço pra se difundirem. Outro meio, que não é muito conhecido pela maioria das pessoas são os emuladores, programas de computador que simulam a maioria dos consoles já fabricados. É como um clone de um Mega Drive, Super Nintendo ou Playstation dentro do seu micro. Mas como tudo tem um porém, no Brasil, de acordo com a Lei de Programa de Computador (9.609/98), a única forma de uma ROM (a alma de um jogo para um emulador) ser legal é quando a pessoa possui o título comprado legalmente e a utiliza no computador como backup do jogo original.

Divulgaç

ão

Grupo de jovens gamers durante Maratona Paulista de Desenvolvimento de jogos

Fazendo o próprio jogo Tem gente que não comprou jogos piratas e decidiu não usar emuladores, mas sim, criar seus

08 Revista Viração • Ano 10 • Edição 87

*Um dos Virajovens presentes em 19 Estados brasileiros e no Distrito Federal


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próprios games. Pouco a pouco a área foi ficando maior e ganhou mais interessados, primeiro no Japão, depois nos Estados Unidos e, em seguida, se espalhando pelo mundo. Na corrida do desenvolvimento de jogos para diversas plataformas o Brasil não fica para trás. A cada dia, o País vem ganhando novos profissionais que acabam aquecendo o mercado de desenvolvimento de games interativos tanto para o mercado, quanto para a educação e arte. Frederico Di Giacomo, redator da editoria de jogos do site da revista Super Interessante, cita alguns dos pontos abordados: “O gamer brasileiro joga em média 20 horas por semana, o que é um nível de jogador hardcore. O número de gamers no Brasil só cresce, ainda mais quando falamos de jogos casuais, do Facebook e de celulares, por exemplo. Muitas empresas de games têm montado escritórios no Brasil e as universidades têm investido em lançar cursos para a área. Nossos custos são competitivos e nossos profissionais são respeitados. O governo federal está investindo em ODAs [objetos digitais de aprendizagem] para os ensinos médio e fundamental, que acompanharão os livros didáticos. Acho que temos um cenário promissor para os jogos”. Os jogos famosos não conquistam seu lugar devido às empresas e o dinheiro investido. O motivo principal para tanto sucesso é a criatividade e empenho de seus planejadores. Fazer um jogo eletrônico é como produzir um filme ou escrever um livro, precisa do roteiro com começo, meio e fim, precisa de parceiros, pesquisa e tempo, muito tempo. O computador é o item básico de um gamer. Com uma máquina rodando o software Flash, que desenvolve animações digitais, é possível inventar e agir para dar vida a uma ideia. Existem diversas plataformas que garantem a excelência no produto final. Além da web, há escolas que ensinam jovens a produzirem jogos, só depende de cada um dar esse passo. Foi o caso de Rafael Fernandes Alves Dias, de 29 anos, formado no curso de Tecnologia em Desenvolvimento de Jogos Digitais pelo Senac São Paulo. Com o apoio da família e o interesse pela área ele explica como está trilhando seu próprio caminho no mundo dos games: “Eu já tinha experiência prévia em criação de jogos de maneira profissional e tinha muita vontade de trabalhar com isso novamente. O curso me ajudou a obter um conhecimento maior do processo de desenvolvimento de jogos e me conectou com pessoas que tinham o mesmo objetivo que eu”, afirma Rafael, que integra um grupo de produção de jogos. Com outros cinco gamers, Rafael costuma participar de campeonatos. Em um confinamento, o processo de produção de um game dura três dias. “Essas maratonas são importantíssimas para exercitar a criatividade, o trabalho em equipe, saber pesar quais problemas devem

ter prioridade de correção e ter uma perspectiva de todo o processo criativo. As maratonas também são ótimas oportunidades de conhecer outras pessoas da área, trocar ideias e conhecimento”, afirma ele

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De 31 de agosto a 2 de setembro acontece a 2ª edição do SPJam, Maratona Paulista de Desenvolvimento de Jogos. Para saber mais, acesse: www.spjam.com.br

Revista Viração • Ano 10 • Edição 87 09


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Como se faz

Web Rádio Pela internet, é possível fazer e veicular programas de rádio sem sair de casa Carolina Cunha Lima, do Virajovem Natal (RN)*

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Web Rádio é um meio pelo qual transmissões radiofônicas são feitas com conexão via internet. Para que essas transmissões aconteçam, é necessário que seja usado um programa que forneça dados para um servidor, onde a difusão acontece ao vivo. O único pré-requisito para uma Web Rádio entrar no ar é que o usuário esteja conectado a um computador que tenha acesso à internet e um microfone. Para uma melhor qualidade do áudio, é interessante que a internet seja de uma velocidade considerável. Não é nada muito formal, nada muito complicado. A partir disso, qualquer pessoa pode transmitir a sua voz de seu próprio computador. A equipe de uma Web Rádio é, geralmente, formada apenas por locutores, sendo esses moradores da mesma cidade ou não, que fazem a transmissão ao vivo e tem toda liberdade para acrescentar sua marca pessoal ao programa que comandam. Eles aprendem por conta própria a melhor forma de usar o programa para a transmissão. “Qualquer dúvida a gente tira entre os próprios colegas, mas no geral é um programa muito simples”, conta Octávio Dias, locutor da Rádio Blast! de 2006 a 2009. Os estilos de programas transmitidos são os mais diversificados. Na Rádio Blast! – que tem sua programação voltada para a cultura japonesa –, por exemplo, havia karaokê, noticiários, programas sobre moda, cinema, e humorísticos. Tudo isso com muita música. “Cada rádio tem a sua política, a dessa era de sempre ter música”, conta Octávio. Também há várias formas de contato com o público. Os ouvintes podem participar ao vivo de várias formas, seja pedindo música, fazendo piadas, ou deixando seu recado. Quem é tímido também pode usar a rádio como uma forma de se soltar, ficar mais eloquente e adquirir tranquilidade na hora de falar e organizar os pensamentos. Octávio deixa a dica: “Para quem quer ficar mais à vontade com grandes públicos essa é uma ótima experiência. Não só isso, como também é extremamente divertido e desestressante. Recomendo para todo mundo”. V

Passo a passo 1. Para os internautas que desejam começar uma Web Rádio, o primeiro passo é ter um computador com acesso à internet e microfone. 2. Em seguida, é necessário criar uma conta em servidores. Existem alguns que são grátis, como o ShoutCast e o Listen2MyRadio. 3. Feito isso, será preciso baixar programas como o Sam Broadcaster ou o SimpleCast, que permitem a transmissão do áudio via internet. Com esses programas, você pode colocar as músicas para tocar online e falar ao vivo pelo microfone. 4. Depois, é só montar uma grade de programação com músicas e outros programas, chamar os amigos para participar, e divulgar a rádio na rede.

*Uma das Virajovens presentes em 19 Estados e no Distrito Federal


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Faz Cultura Grace Carvalho, Virajovem de Lagarto (SE)*

SOLTANDO A VOZ Composto por 48 jovens coralistas da cidade de Nova Santa Rosa, interior do Paraná, com faixa etária a partir dos 18 anos, o Coro Municipal Juvenil de Nova Santa Rosa, com três anos de existência, já possui um amplo repertório, composto de músicas em diversos estilos, que vai de ritmos tipicamente brasileiros, como a MPB, Bossa Nova e Samba, passando pela música gospel, e até músicas africanas, alemãs, de língua inglesa, espanhola e até mesmo hebraicas. O regente Gerson Giese é o responsável pelos ensaios e pelas coreografias, que enriquecem as apresentações, acompanhado do pianista Anderson Back. Como o coro distribui os cantores por naipes segundo as suas vozes, os jovens coralistas são divididos em Sopranos e Tenores (primeiras vozes), e Contraltos e Barítonos (segundas vozes). A fim de cultivar a cultura local, os jovens nova-santarosenses acrescentam ao seu repertório músicas alemãs, já que grande parte dos moradores de sua cidade têm descendência alemã.

Divulgação

Pequena cidade do oeste do Paraná incentiva e apoia a música de canto coral entre seus jovens

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Para o regente do coro Gerson Giese, a experiência do grupo vai além do aprendizado de música e canto. “O coro visa, principalmente, educar os adolescentes e jovens com o canto coral, mostrando que é possível cantar em conjunto, mantendo e fortalecendo os laços de amizade. Os jovens não apenas aprendem a cantar, mas também a serem críticos em relação à música, ao meio em que vivem, as coisas que geram, formando, assim, cidadãos com uma visão mais ampla, sobretudo no sentido musical. A música é utilizada como um instrumento de transformação.”

As apresentações do Coro Juvenil despertam a atenção do público pela atuação cênica de seus jovens componentes, surpreendendo por fugirem à definição tradicional de coro. Os coralistas não utilizam pastas, seus uniformes têm muitos adereços e as apresentações contam com interpretações de personagens, criados pelos próprios jovens.

A gravação do primeiro CD foi em 2010, mesmo ano em que o coro juvenil participou do 1º Encontro Nacional de Coros Juvenis (Encoro), em sua cidade natal, Nova Santa Rosa (PR).

Para saber mais sobre o Coro Municipal Juvenil de Nova Santa Rosa (PR), acesse: http://corojuvenilnsr.blogspot.com.br/. *Uma das Virajovens presentes em 19 Estados e no Distrito Federal


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IMAGENS QUE VIRAM

Carnaval latino-americano Texto: Vinícius Gallon, do Virajovem Curitiba (PR)* Imagens: Ana Maria Candido, Eliz Soeira, Tuani Oliveira e João Rodrigo Soares, colaboradores da Vira em Curitiba (PR)

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a América Latina, Carnaval não é sinônimo de samba. A única coisa que as festas nos países vizinhos têm em comum com a brasileira é a data e o nome: Carnaval. De certa forma, aqui no Brasil, a data festiva tornou-se uma forma de disputa na avenida entre as agremiações carnavalescas. No restante da América Latina, é sinônimo de resgate histórico, de performances teatrais e de celebração sem necessariamente haver competição. Com este clima de integração entre as diversas culturas do continente o 3º Congresso de Cultura e Educação para a Integração da América Latina (3º Cepial) iniciou suas atividades, em pleno inverno de Curitiba, contando com a presença de três mil pessoas entre artistas e público. V

12 Revista Viração • Ano 10 • Edição 87


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*Um dos Virajovens presentes em 19 Estados do PaĂ­s e no Distrito Federal


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Pedalando e educomunicando Centros Urbanos multiplicam Jovens que participaram da Plataforma dos como meio de transporte em suas comunidades o uso da bicicleta

Evelyn Araripe, da Redação

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transição da adolescência para a juventude e também para a vida adulta é complicada. Depois de alimentar tantos sonhos e expectativas para o futuro o jovem se vê tendo que tomar decisões muitas vezes complicadas. Uma delas é a conquista do primeiro emprego. Nos acostumamos a planejar, escolher um curso que tenha a nossa cara e conseguir um emprego que corresponda às nossas aspirações, mas quando damos de cara com o mercado de trabalho – e com as contas que não param de chegar – é preciso se contentar com alguns trabalhos que, nem sempre, são exatamente aquilo que sonhamos. Ainda bem que esse cenário já começa a mudar e alguns jovens que participaram da Plataforma dos Centros Urbanos (PCU) estão aí para nos mostrar isso. Depois de três anos de muitas experiências em suas comunidades, cinco jovens que participaram do projeto do UNICEF em parceria com a Viração foram convidados para atuar em um projeto pra lá de interessante: Escola de Bicicleta. Nessa iniciativa da Secretaria da Educação da cidade de São Paulo, até o final desse ano 4.600 crianças terão bicicletas de bambu – sim, de bambu! – para irem pedalando até a escola. Mas não é só isso. Antes de receberem as bicicletas ecológicas, as crianças passam por um mês de formação com monitores no projeto. E é aí que entram os jovens da PCU. Alisson Rodrigues é um dos jovens que participou por três anos da PCU em sua comunidade e, agora, dá formação para as crianças que estudam no Centro Educacional Unificado (CEU) Três Pontes, que fica quase ao lado da sua casa. “Sempre gostei de

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trabalhar com crianças e adolescentes e, depois de muitos anos participando de projetos com a Viração, realizo esse sonho”, conta Alisson. Em seu bairro as pessoas já têm o hábito de andar de bicicleta, mas segundo ele é a primeira vez que os moradores têm a oportunidade de olhar para a bike como meio de transporte e ensinar isso para a garotada. Outro jovem que está feliz da vida com a oportunidade é Joabe Yuri Morabito. Ele lembra que quando a Plataforma dos Centros Urbanos estava quase terminando, conseguiu o seu primeiro emprego, “mas não na área que queria”, conta. Assim como muitos jovens em busca do primeiro trabalho, Joabe foi para o mercado do telemarketing e aos poucos via o seu sonho de trabalhar com crianças e adolescentes se distanciando. Foi com o programa Escolas de Bicicleta que ele pôde reascender a esperança de trabalhar com o que gosta. Hoje Joabe já formou a sua primeira turma de 20 alunos e pedala de segunda a sexta-feira com as crianças no trajeto casa-escola-casa. O programa Escolas de Bicicleta acontece em 46 comunidades de São Paulo. Todas estão localizadas em bairros periféricos e os monitores que atuam com as crianças são prioritariamente jovens em seu primeiro emprego e moradores desses locais. Durante um mês e meio os monitores passaram por uma formação, que envolveu desde noções de legislação de trânsito até como trabalhar com crianças e adolescentes. Eles também ajudaram a traçar rotas seguras em suas comunidades para pedalar com as crianças e aprenderam a fazer Jornal Mural e Fanzine para que, junto com os alunos, divulgassem o projeto no entorno.


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Ex-integrantes da PCU, os jovens Alisson (acima) e Joabe (abaixo) hoje são monitores do programa Escolas de Bicicleta, em São Paulo

Amanda Martins, que também participou da PCU e da Agência Jovem de Notícias, foi contratada para ser a monitora do programa Escolas de Bicicleta na comunidade do Jaçanã, Zona Norte de São Paulo, mas o bairro teve uma série de dificuldades para implantar a iniciativa garantindo a segurança dos alunos. Por isso, hoje Amanda auxilia a equipe administrativa e orienta alguns monitores em suas oficinas. Graças à experiência na Viração, Amanda é quem dissemina a prática do fanzine dentro do projeto e dá formação nessa temática para os monitores. “Nesse novo trabalho os conceitos educomunicativos que aprendi na Vira, principalmente o Fanzine, já foi super usado”, conta Amanda, que adotou como lema do seu dia a dia a expressão “pedalar para educomunicar”. Alisson, Amanda e Joabe são alguns exemplos de jovens que conseguiram opções de trabalhos sociais em suas comunidades e mostram que é possível viver daquilo que sonham. Joabe conta que sempre sonhou em trabalhar onde pudesse multiplicar os conhecimentos que adquiriu durante a sua adolescência, “e agora isso é possível”, acredita ele. Já para Amanda, conseguir um emprego em um projeto social, depois de uma experiência como a da PCU dá uma sensação de “missão cumprida”. Alisson vai além e diz que hoje crê que é possível mudar o mundo e a sua comunidade, mas tanto ele como Joabe e Amanda só não imaginavam que essa mudança do mundo, das suas comunidades e das suas vidas viria de bicicleta. V

Saiba mais sobre o programa escolas de Bicicleta O Programa Escolas de Bicicleta é uma iniciativa da Secretaria de Educação da cidade de São Paulo lançado em março desse ano. O Programa acontece nos 46 Centros Educacionais Unificados (CEUs) localizados nos bairros extremos da capital paulista. Até o final de 2012, quase cinco mil alunos serão contemplados com bicicletas feitas com bambu e vão utilizá-las como o seu principal meio de transporte para ir de casa até a escola e vice-versa. Mas, para garantir a segurança das crianças, uma dupla de monitores acompanha a garota no trajeto até a escola – e depois até em casa – em rotas tranquilas e seguras. As crianças pedalam em sistema de comboio, ou seja, os monitores vão passando pela rota traçada e vão encontrando as crianças no caminho. Assim, elas pedalam em um grupo grande, ganham visibilidade no trânsito e se divertem com os amigos. Antes de iniciarem o trajeto, as crianças passam por formação de um mês para treinarem equilíbrio na bicicleta e aprenderem a pedalar com segurança nas ruas da cidade.

Equipe de monitores do programa em dia de formação

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Flickr: gwhalin

Fotos: Divulgação


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necessitam de acompanhamento Adolescentes com altas habilidades imulados no convívio social especial para não se sentirem desest Ana Luíza Vieira, do Virajovem Campo Grande (MS)*

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Fotos: Divulgação

s históricos escolares de Albert Einstein, Walt Disney e Isaac Newton podem ser surpreendentes para quem espera notas altas e comportamento exemplar. O alemão que elaborou a Teoria da Relatividade fugia das aulas de Matemática. O americano que criou um império do entretenimento foi reprovado em Arte. E, durante a infância, o cientista inglês que primeiro percebeu a gravidade teve de ser educado pela mãe depois de ser expulso da escola. O superdotado pode ser aquele mais bagunceiro da turma, mas também pode ser o mais tímido. O que o diferencia dos outros é a habilidade acima da média em uma área específica do conhecimento. Luiz Carlos Andrade, de 18 anos, sempre teve dificuldade de concentração em sala de aula e desinteresse em se relacionar com os colegas da mesma idade, para os professores esses foram os sinais. “Quando eu tinha 14 anos, me sentia totalmente deslocado e sofria por ser tímido demais. Meus amigos eram pessoas mais velhas que eu, adultos ou idosos. Ou os livros. Desde sempre tive gosto pela leitura, mas não pelos estudos. Não gostava de estudar. Cheguei a ler 180 livros em dois meses na época”, conta.

Aos 15 anos, Luiz Carlos foi indicado para testes no Núcleo de Atividades de Altas Habilidades (NAAHS) e logo os professores perceberam que além de suas habilidades de leitura e escrita, ele tinha um talento nato para música. Autodidata, Luiz aprendeu a tocar violino aos seis anos, influenciado por seu pai que fabrica instrumentos musicais. “Com a ajuda dos professores do NAAHS comecei a desenvolver a fala em público e a expressão corporal, além de trabalhar várias áreas de conhecimento, artísticas e acadêmicas. Hoje eu me apresento em público, faço faculdade e me relaciono melhor com as pessoas”, explica.

Inclusão total é o que Vira A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que pelo menos cinco por cento da população tem algum tipo de alta habilidade. No Brasil, até o ano passado, haviam sido identificados 2,5 mil jovens e crianças com essa característica. Para oferecer atendimento qualificado a

Luiz toca violino na apresentação de encerramento semetral no NAAHS

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esse público, o Ministério da Educação (MEC) criou em 2005 os Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação em todos os Estados. Esses órgãos têm o papel de auxiliar as escolas quando elas reconhecem alunos com esse perfil. Para entender as necessidades dos jovens com altas habilidades é necessário derrubar dois mitos. Primeiro: eles, popularmente conhecidos como superdotados, não são gênios que dominam todo o conhecimento do mundo. Segundo: o fato desses jovens terem raciocínio rápido não diminui o trabalho do professor na sala de aula, muito menos a necessidade de receber atenção da família e de pessoas próximas. Ao contrário, eles precisam de mais estímulos para se sentir aceitos socialmente, manter o interesse pela escola e desenvolver seus talentos. Assim como os estudantes diagnosticados com algum tipo de deficiência, os jovens que têm altas habilidades precisam de aulas e atividades que sejam adequadas para que suas necessidades particulares sejam atendidas, o que os coloca como parte do grupo que necessita ser de fato incluído na rede regular de ensino. “A relação entre professores, família e o jovem com altas habilidades deve ser de parceria, apoio mútuo e aprendizagem constante. O que mais este aluno precisa é de uma rede de ajuda em que todos sejam parceiros no sentido de oferecer apoio e o enriquecimento adequado para que os alunos se desenvolvam da maneira mais saudável possível”, esclarece Graziela Jara, coordenadora do NAAHS de Campo Grande (MS). Na capital sul-mato-grossense, o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades (NAAHS) atende em média 100 crianças e adolescentes entre avaliação e atendimento educacional especializado que funciona como complemento às aulas do ensino regular. “Quando identificados, os jovens com altas habilidades são orientados e recebem atendimento educacional especializado, considerando o modo particular e diferenciado de aprendizagem dos alunos, beneficiando seu desenvolvimento emocional e social”, explica Graziela. Ela complementa, dizendo que “cada jovem tem particularidades inerentes a sua personalidade, por isso contamos com a ajuda da família e dos professores para descobrir a melhor

maneira de conduzir o processo de enriquecimento e amadurecimento dele enquanto aluno, respeitando sempre a sua individualidade”. Alexandre Arruda, de 14 anos, sempre teve muita facilidade na escola. “Quando eu tinha 11 anos, os professores da escola começaram a perceber que eu tinha muita facilidade pra assimilar os conteúdos dados em sala de aula, diferente dos outros alunos. Quando me encaminharam para Núcleo de Altas Habilidades fiz testes psicológicos e avaliações que me fizeram descobrir habilidades que nem eu mesmo conhecia, como artes cênicas e música”, conta o adolescente. O jovem com altas habilidades costuma ter um interesse tão grande por uma área que acaba negligenciando as demais. A facilidade de expressarse, por exemplo, pode ser usada para desafiar os colegas, dificultando a socialização e a interação em grupo. “Antes eu me sentia deslocado na escola, me sentia diferente. Muitas vezes eu fingia gostar de coisas que eu considerava fúteis, como futebol, por exemplo, só para me enturmar com os colegas. Mas por dentro eu sentia que não estava sendo eu mesmo, eu estava socializando, mas não estava sendo coerente comigo mesmo. No NAAHS aprendi que nem todos pensam de forma igual a mim e é isso que deixa tudo mais interessante. Nós temos que valorizar a individualidade de cada um”, explica Alexandre. V

De cartola Alexandre comemora a apresentação teatral ao lado dos colegas do NAAHS

*Uma das Virajovens presentes em 19 Estados e no Distrito Federal

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Sinal de

alerta

atividade O comércio de animais selvagens é a terceira desonesto, ilegal no mundo que mais movimenta dinheiro e de armas ficando somente atrás do tráfico de drogas

Sandro Reis Silva, do Virajovem Lima Duarte (MG)*

N

um belo dia você se vê preso, limitado a barreiras intransponíveis. Embora possa se alimentar, muitas vezes é maltratado. Cada dia que passa mais apavorado fica, pois não sabe o que acontece e anseia voltar para sua “casa”. É dessa forma que muitos animais silvestres se sentem! De repente eles se deparam com um mundo totalmente novo e inóspito. Foram capturados e enjaulados para serem vendidos. Infelizmente o Brasil é um dos principais alvos dos traficantes de animais por sua imensa e rica biodiversidade, tanto em fauna como em flora. A falta de punições severas e de fiscalização é outro fator que contribui para o tráfico de animais selvagens. Segundo a Polícia Federal, todos os anos, cerca de 38 milhões de animais são retirados ilegalmente de seu habitat natural, sendo aproximadamente dez por cento deles exportados. Os animais são capturados ilegalmente, geralmente por pessoas de baixo poder aquisitivo e principalmente no Norte, Nordeste e Pantanal Mato-Grossense. Esse fato nos revela outra questão enfrentada pela população brasileira: a falta de melhores oportunidades de vida. Isso faz com que essas pessoas tentem tirar da natureza uma forma de sobrevivência, mesmo que seja ilegal e prejudique a todos. O Brasil contribui de cinco a 15% do total mundial do comércio ilegal de animais silvestres, segundo o 1º Relatório Nacional sobre o Tráfico de Fauna Silvestre produzido pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS).

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Quanto mais singular o animal, maior o seu preço. Em cada dez animais traficados, nove morrem no momento da captura ou do transporte, de acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos O IBAMA foi criado pela lei Recursos Naturais nº 7735, em 22 de fevereiro de Renováveis (Ibama). Suas 1989, e formado pela união de condições de transporte quatro instituições brasileiras são muito precárias e a que trabalhavam na área maior parte deles morre ambiental. O órgão tem como antes de chegar ao seu dever "proteger o meio ambiente destino. O tráfico é feito, e assegurar a sustentabilidade muitas vezes, por no uso dos recursos naturais, caminhoneiros, motoristas visando promover a qualidade de ônibus e viajantes. A ambiental propícia à vida", maioria desses animais vai segundo o site oficial. parar nas mãos de colecionadores, laboratórios, zoológicos ou são sacrificados para terem partes do corpo removidas e comercializadas. Segundo o Ibama, no Brasil, 633 espécies estão ameaçadas de extinção, de acordo com o Censo 2003, e a principal causa está na exploração descontrolada do território nacional, o que inclui desmatamentos, degradação ambiental, aumento da área agrícola, caça para alimentação ou predatória, além da comercialização de animais e produtos deles procedentes. Este processo está crescendo desde as últimas duas décadas à medida que a população também cresce e não tem consciência dos males que isso pode causar à sociedade e ao Planeta Terra.

Ilustrações: Sandro Reis Silva

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Prática antiga A criação de animais silvestres é um hábito antigo entre os brasileiros, sendo que em certa época não havia leis específicas para esta prática. Dona Geraldina de Oliveira conta que capturava pássaros em sua comunidade rural, quando jovem: "Não víamos problemas nisso, já que a gente cuidava bem deles e os comercializava como meio de sustento. Naquele tempo a maioria das pessoas era muito pobre”. Hoje, com 74 anos, ela reconhece a importância desses animais continuarem na natureza, e é contra a caça. “Hoje existe a possibilidade de se vender ou comprar pássaros de forma legalizada, como o canário belga e o periquito. A criação também pode ser autorizada e nesses casos o pássaro tem aquela anilha na patinha. Mas naquela época não havia nada disso”, comenta. De acordo com Renan Ramos Rolin, policial Militar de Meio Ambiente, uma importante atitude a ser feita é a "realização de campanhas de conscientização ambiental para a população, o que inclui, por exemplo, palestras em escolas”. Ele ressalta que o simples ato de denunciar (podendo ser anônimo) é de grande ajuda para a polícia. Ele cita também crimes ambientais contra a fauna e a flora, como o corte não autorizado de árvores. V

Você sabia... Que o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo em criação de animais domésticos? Só fica atrás dos Estados Unidos. E já parou pra pensar que um dia esses animais, como gatos e cachorros, foram tirados na natureza e passaram a conviver com o homem? Com o tempo eles se adaptaram muito bem ao meio humano e sua presença se tornou um costume em nossas vidas e na vida deles. Tanto que todos conhecem o ditado popular segundo o qual “o cão é o melhor amigo do homem”. A diferença é que conviver com eles não prejudica sua reprodução e sua vida, o que não acontece com os animais silvestres retirados da natureza.

Espécies em extinção 633 espécies animais estão ameaçadas no Brasil, dentre elas: Ariranha; Arara Azul (inclui mais de um tipo de espécie); Arara Vermelha; Beija-Flor Balanço-rabo-canela; Cachorro do Mato; Cervo-do-pantanal; Gato-do-mato; Gato-palheiro; Jaquatirica; Lobo Guará (também conhecido como Lobo-vermelho ou Guará); Macaco-barrigudo; Macaco cuxiu-preto; Macuco; Mico-Leão-Dourado; Muriqui (Mono-carvoeiro); Mutum-donordeste; Tartaruga-de-couro; Onça-pintada; Ouriço-preto; Pica-pau-de-cara-amarela; Peixe-Boi; Sussuarana (onça-parda), Tartaruga Marinha; e o Veado (Elaphurus davidianus).

*Um dos Virajovens presentes em 19 Estados do País e no Distrito Federal

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Engajamento tem idade? que participação Adolescentes de todo o Brasil provam m logo cedo política e luta por direitos começa

A mobilização pelo país O processo da 9ª CNDCA começou ainda em 2011 com a realização das etapas livres, municipais, territoriais e regionais. As estaduais aconteceram de fevereiro a junho deste ano, de onde saíram os delegados e o conjunto de propostas sistematizadas, debatidas e votadas na etapa nacional.

Adolescentes Educomunicadores em Brasilia (DF):

Os resultados

Confira as 88 propostas Foram aprovadas aprovadas na íntegra em: 88 propostas, considerando http://bit.ly/propostas9CNDCA estratégias de implementação, mobilização e monitoramento. A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, garantiu atenção do governo às deliberações da Conferência. “Acolhemos todas as reivindicações e o governo levará essas propostas para a construção das políticas públicas que irão assegurar a plenitude dos direitos das crianças e adolescentes deste País”, afirmou. Entre as propostas aprovadas aparecem questões como a garantia participação dos adolescentes na formulação das políticas; a qualificação dos conselheiros tutelares; o aperfeiçoamento do atendimento em abrigos; enfrentamento ao abuso e exploração sexual; inclusão de crianças e adolescentes com deficiência; etc. A educomunicação também foi tema das propostas Dilma, Maria do Rosário, e presidentas do aprovadas (veja Conanda com adolescentes representantes mais na página 23). de todos os Estados brasileiros

Ana Paula da Silva

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ntre os dias 11 e 14 de julho, cerca de 2.500 pessoas, de todos os Estados brasileiros, participaram da 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (9ª CNDCA). A princípio seria uma conferência como tantas outras: plenárias, votações, debates. Mas bastava circular um pouco pelos corredores do Centro de Convenções Ulysses Guimarães para perceber algo diferente. Entre os delegados estavam mais de 800 adolescentes que, desta vez, também ajudaram a apontar os rumos de uma política que lhes interessa e muito. A adolescente carioca Larissa Machado, de 17anos, aprovou. “Acho que cada vez mais devemos fortalecer o protagonismo e atuar com e não para as crianças e os adolescentes. Pois ninguém melhor que eles para saber o que está faltando e quais as melhorias mais urgentes”, defende. Convocada pelo Conselho Nacional dos Diretos da Criança e do Adolescente (Conanda), com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a Conferência teve como objetivo principal a mobilização de atores que constituem o sistema de garantia de direitos e a população em geral para implementar e monitorar a Política e o Plano Decenal.

Alex da Silva Santos (DF), Alisson Diemis de Almeida (PR), Amanda Evellyn Costa (RO), Amara Mariana Buarque (AL), Anderson Francisco dos Santos (PB), Andressa de Lima Ferreira (AC), Beatriz Nunes Barroso (MA), Bianca Mirelly Araujo Silva (BA), Brenda Ellen de Sousa Reis (GO), Camila Bezerra Torres (RJ), Clara Tobias Venturi (MT), Daiane Santolin (RS), Danilo Bezerra Vieira (RN), David Feitosa da

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Construindo junto

Um grupo de 27 adolescentes, representando cada Estado brasileiro, carinhosamente chamado de G27, participou da Comissão Organizadora da Conferência, por meio do G5, que representava as cinco regiões do país, contribuindo com todo o processo. Esta foi uma experiência inovadora e aprovada pela galera. “O G27 trouxe um olhar mais dinâmico sobre a Conferência, a visão de adolescente para adolescente”, explicou Lucyomar França, de 18 anos, que representava o Estado do Mato Grosso. Ana Paula da Silva

A presidenta foi!

A presidenta Dilma Rousseff compareceu à Conferência e falou à plateia sobre a importância de desenvolver políticas públicas que priorizem a educação de crianças e adolescentes. A presidenta defendeu a implementação da escola integral no Brasil e projetos como Bolsa Família, Brasil sem Miséria e Brasil Carinhoso. Dilma frisou que um País se dimensiona pelos cuidados dados às crianças e adolescentes e não pelo PIB (Produto Interno Bruto), já que meninos e meninas são o presente e futuro do País. “Uma parte imensa da população estava afastada de suas riquezas. Milhões de crianças ficaram relegadas a um plano absolutamente impensável, sem lugar, sem carinho e sem proteção do Estado. Nós mudamos isso e continuamos mudando”, completou. Presidenta Dilma fala aos presentes no segundo dia da Conferência

Entenda o Plano Decenal

Tatiana Queiroz

O Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes estabelece os eixos, diretrizes, objetivos e metas da política nacional para o segmento. A proposta da criação de um plano está inspirada no Artigo 86 do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), que prevê a ação articulada entre as diferentes esferas governamentais e não governamentais. Na Conferência anterior, realizada em 2009, foram aprovadas 68 diretrizes. Um grupo composto por 13 ministérios e quatro conselheiros da sociedade civil se encarregou de elaborar, a partir das resoluções, as diretrizes, princípios e objetivos do Plano Decenal. Agora em 2012, o desafio foi definir as metas para sua mobilização, implementação e monitoramento. Um dos aspectos importantes do Plano, além de possibilitar um planejamento a médio prazo, é consolidar uma política de Estado para meninos e meninas, que transponha os mandatos de quatro anos e tenha continuidade garantida.

Espaço lúdico e vivência de direitos

Cidade dos Direitos reuniu atividades lúdicas em programação paralela à da Conferância Tainara Anacleto

Imagine uma cidade em que todos os direitos de crianças e adolescentes sejam respeitados. Talvez seja difícil de visualizar na realidade, mas esse espaço foi pensado no contexto da 9ª CNDCA, pela segunda vez, simulando uma cidade com Correios, escola, praça, semáforo, hospital, e especialmente preparado para envolver de forma interativa e divertida crianças e adolescentes que circulavam pelas ruas e corredores do local. O espaço funcionou com diversas áreas de convivências autogestionadas por diferentes projetos, organizações e programas que trabalham de forma pedagógica e lúdica com esse público, mobilizando, promovendo e impulsionando boas práticas, cada um do seu jeito, com relação aos direitos.

Silva (AL), Dhiene Silverio (PR), Fábio Dodalt Pedrotti (MT), Fábio Pantoja Tenório (PA), Francisca Freire Batista (CE), Gabriel de Araújo Lima (ES), Gislane Barreira da Silva (TO), Jean Lucas Guimarães Leal (MS), Jefferson Luís Ramos da Silva (SP), Jhonatan Santos da Silva (SE), João Paulo Moreira da Silva (AC), Joaquim Oliveira Moura (RS), José César Nogueira Cordeiro (CE), Jossimara Santos Coelho (SE), Joyce Amanda Cavalcante (RN), Juliana Trindade da Silva (AM),

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Comunicar com alegria: a missao da galera da Educomunicacao E

Alessandro Muniz

m Brasília (DF), adolescentes de vinte e cinco Estados brasileiros e do Distrito Federal, participaram da cobertura educomunicativa da 9ª CNDCA. O grupo composto por 58 adolescentes entre 13 e 18 anos integraram subgrupos, de acordo com o interesse em seis linguagens definidas pelos educadores, para realizarem uma cobertura diversificada em texto, foto, vídeo, áudio, redes sociais e intervenções. A cobertura educomunicativa foi uma iniciativa do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), com patrocínio da Fundação Telefônica e SESI. Os Conselhos Estaduais dos Direitos da Criança e Adolescente (CEDCAs) mobilizaram os adolescentes, cada qual de sua forma, para realizarem a cobertura das etapas estaduais, momento em que dois adolescentes de cada Estado foram escolhidos pelo grupo para irem a Brasília, em julho, a fim de participarem da cobertura nacional. A Viração Educomunicação e a Rede Andi – Comunicação e Direitos foram responsáveis por executar a tarefa de realizar com os adolescentes participantes uma formação em Educomunicação em todos os Estados brasileiros, além de assessorá-los nas produções de conteúdos. “Foi um momento histórico para todos nós. Esta ação proporcionou um legado muito bacana: um ambiente de intensa parceria entre os Conselhos; de articulação e mobilização nacional pelo protagonismo de Lohany e Klemerson integraram o crianças e adolescentes; grupo de 58 adolescentes em Brasília de compreensão que a

De todas as partes do Brasil... NORTE “Produzindo matérias sem nunca esquecer do trabalho em equipe aprendemos a quebrar barreiras de preconceito com outras pessoas. Todos os dias da Conferência não foram somente criados grupos, mas famílias, com pessoas de diferentes regiões interagindo.” João Paulo Moreira, 13 anos, Rio Branco (AC)

Educomunicação é um caminho especial para sensibilização da importância da discussão da comunicação como direito; a ascensão da Comunicação à condição de construtora de sujeitos políticos e autônomos.”, disse Thaís Chita, consultora de comunicação da 9ª CNDCA.

Educomunicação Metodologia que orientou a cobertura dos adolescentes nas etapas estadual e nacional da 9ª CNCDA, a Educomunicação é uma junção de educação e comunicação, que pensa e pratica a comunicação comunitária, juvenil, escolar ou em qualquer âmbito de forma colaborativa. A ideia é criar espaço para que crianças, adolescentes e jovens exerçam o direito humano à comunicação por meio da liberdade de expressão em diversas mídias e linguagens.

Juliane Paula Silva (DF), Kaique da Silva Alcântara (GO), Késia Stephanny Amorim Xavier (MS), Kleisyanne Tavares de Sá (AP), Klemerson Tavares de Sá (AP), Larissa Garcez Silva (RJ), Lohany da Silva Loroza (ES), Lorena Souza Melo (AM), Lucilandia Lopes de Araújo (MA), Magdiel Teles Santana (DF), Maileen Schwarz Simão (SC), Marco Antônio do Nascimento Gama (TO), Maria Bruna da Silva Oliveira (PB), Matheus Herberty Barreto (AL), Miguel Jordan Pinheiro Furtado (MA),

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Joaquim Oliveira

Galera da Educomunicação reunida no último dia da 9ª CNDCA

Participantes sentem falta do preservativo no kit de prevenção

“Acredito que os educomunicadores saíram da Conferência com um novo olhar para o mundo e com vontade de ver mudanças. As formas de comunicação ficam mais fáceis de serem interpretadas quando temos as informações com a nossa cara.” Bianca Mirelly Araújo, 18 anos, Glória (BA)

CENTRO-OESTE “A ideia de companheirismo foi estabelecida desde o nosso primeiro papo, o que proporcionou um trabalho com diversidade e respeito, sem esteriótipos. Mais do que a concretização do direito de expressão, a educomunicação possibilita um espaço de reflexão e atuação coletiva, que pouco existe na sociedade, tão educada ao individualismo e privatização de acesso.” Webert da Cruz, 18 anos, Ceilândia (DF)

Juliana Cordeiro

NORdeste

Muitos participantes sentiram a falta de preservativos nos kits entregues pela organização da Conferência. No terceiro dia de evento, foi distribuído para os adolescentes o kit Saúde nas Escolas, um conjunto de livros e manuais didáticos que orientam ações sobre a promoção da saúde e prevenção de doenças, no entanto as camisinhas não vieram. A adolescente Keliane Brito, do Piauí, 17 anos, criticou a não disponibilização da camisinha. “Não é uma forma de incentivar os adolescentes ao sexo, mas a se prevenirem das DST’s”. Ludmila Palazzo, oficial de projetos de cidadania dos adolescentes do UNICEF também criticou a ausência dos preservativos. “Se os adolescentes acham que isso é um direito deles, eles tem que colocar isso em pauta”, defendeu. Segundo Miriam dos Santos, presidenta do Conanda, estava prevista a entrega de uma camisinha nos kits dos delegados e o Ministério da Saúde também faria distribuição de preservativos, mas houve problemas e ambas as medidas não aconteceram.

SUDESTE “Pude divulgar informações de forma diferente, com expressões corporais, jornais murais e fanzines, que por sinal são super divertidos de ler e fáceis de entender. Além de conhecer pessoas super legais, que me ensinaram tanto e que têm diferentes opiniões.” Camila Torres, 18 anos, Rio de Janeiro (RJ)

Turma da intervenção faz pose para foto

SUl “Nós pudemos ver as diferenças de cada Estado e pude mudar meu jeito de pensar sobre muitas coisas. Vi que o nosso País pode realmente mudar com os jovens que agora estão com uma cabeça diferente. Espero que com a ajuda de todos, ele mude para bem melhor. Obrigado a todos por essa oportunidade!” Joaquim Oliveira Moura, 17 anos, Porto Alegre (RS)

Adolescentes entrevistam participante

Murilo Januário Nunes (SC), Naira Tais Gomes Viana (PI), Nathan Henrique dos Santos Romão (SP), Pedro Henrique Chagas Cruz Guimarães (BA), Raiane da Silva Rabelo (RR), Raimunda dos Santos Barros (PI), Stéfany Lorraine Pereira (MG), Suliene Fernandes da Silva (CE), Tainara Anacleto dos Santos (SE), Tatiane Queiróz de Jesus (PA), Tayrone Pascoal Alves de Andrade (MG), Vanessa Coelho de Souza (PI), Webert da Cruz Elias (DF) e Yuri Francisco Hupsel dos Santos (RR)

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Na proxima Conferencia havera mais Criancas, diz Conanda D

urante entrevista coletiva concedida aos adolescentes, Miriam dos Santos, presidenta do Conanda, disse que todos os conselheiros irão trabalhar para tentar garantir a participação de crianças, representantes de todos os Estados, já na próxima Conferência Nacional. “A gente vai se preparar para receber essas crianças, pensar como pode ser essa participação e em toda uma estrutura para isso, assim como cuidamos para receber os adolescentes na Conferência deste ano”, afirmou Miriam. Em uma das plenárias, um grupo formado por meninas e meninos entregou ao Conanda um documento solicitando maior participação das crianças nos processos das conferências. Neste ano, pela primeira vez, o Conselho incluiu adolescentes na comissão de organização do evento. Carmem Oliveira, vice-presidenta do Conselho, que também foi

Divulgação

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sabatinada pela Carmem Oliveira, vice-presidenta do Conanda, (à galera, esq.) e Miriam dos Santos, presidenta do Conanda lembrou (à dir.) com prefeita da Cidade dos DIreitos (centro) que as crianças já participam da etapa nacional, embora não sejam de todo o País. Citou a Cidade dos Direitos como um espaço de representação, já que muitas crianças que visitaram o local puderam deixar seus recados sobre a cidade ou o País que gostariam de ter. “Nos painéis, algumas das mensagens que as crianças colocaram estão até com mais consistência do que uma proposta elaborada por um adulto. E essas são formas dela participar”, comentou. A conversa completa pode ser conferida na Agência Jovem de Notícias, acessando o link: http://bit.ly/ColetivaConanda V

Gabriel de Araújo Lima

Indígenas reclamam das dificuldades de participação A participação de representantes indígenas na Conferência foi pequena. Eram três, sendo um adolescente da mesma comunidade, a Pataxó, localizada em Coroa Vermelha (BA). Mas mesmo a tímida presença foi notada por todos os demais participantes, já que os indígenas fizeram questão de se apresentarem da forma como estão habituados: com corpos pintados, usando cocares e adereços artesanais. E isso fez com que, a todo o momento, algum participante pedisse para tirar fotos ao lado deles, situação que deixou o indígena Urapinã Pataxó, de 17 anos, incomodado. “Diferente do que pensam, não somos somente um enfeite ou um modelo para ficarem batendo fotos. Vivemos em um lugar onde, de um lado, fica nossa aldeia e do outro está o asfalto, que influencia diretamente em nossa segurança, saúde e cultura e não estão dando importância para isso”, disse. Outra questão levantada por Urapinã foi o desafio que enfrentou para chegar à Conferência, sem apoio do Estado para locomoção terrestre nem alimentação. Ubirai Pataxó, de 25 anos, ressaltou a dificuldade de aprovar propostas especificas para indígenas. “A Conferência para nós é muito importante. O problema é que não dão muita importância para nós. Não Participantes indígenas dão entrevista conseguimos eleger propostas, pois a maioria que vai ser debatida é a adolescente educomunicadora direcionada para o homem branco”, protesta Ubirai.

Educadores:

Alessandro Muniz (RN), Ana Paula da Silva (RJ), Bruna Bernacchio (SP), Bruno Ferreira (SP), Elisangela Nunes Cordeiro (SP), Everton Nova (BA), Gutierrez de Jesus Silva (SP), Juliana Cordeiro (PR), Luciana Kellen (PA), Rafael Stemberg (SP), Rones Maciel (CE) e Vania Correia (SP)

24 Revista Viração • Ano 10 • Edição 87



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a r e l a G

r e t r ó Rep

Aul A so br e Dir eit o s HumAn o s ministra dos Direitos Humanos, Maria do Adolescentes educomunicadores sabatinam dos Direitos da Criança e do Adolescente Rosário, durante a 9ª Conferência Nacional

Texto: Bruno Ferreira, da Redação Transcrição: Ingrid Evangelista, da Redação Entrevista: Adolescentes educomunicadores em Brasília (DF)

E

ram quase 60 adolescestes com uma expectativa: ter a oportunidade de conhecer e conversar com uma autoridade de Estado. A princípio, foram acertadas entre educadores e assessoria da ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, cinco perguntas que o grupo faria a ela. Mas a ministra percebeu que aquele momento foi muito mais que um simples bate-papo com adolescentes e estimulou a participação do grupo para além do combinado. O que talvez, no imaginário de alguns, seria uma conversa fria e distante foi, na verdade, um diálogo franco, bem-humorado e livre. Além de uma oportunidade inédita para os adolescentes educomunicadores da 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (9ª CNDCA), foi também uma forma da ministra receber sugestões e demandas por meio de

verdadeiras autoridades sobre direitos da infância e adolescência. Um dos momentos mais significativos da coletiva com Maria do Rosário foi o questionamento de uma das adolescentes do grupo sobre a situação precária dos abrigos públicos que acolhem crianças e adolescentes. O momento foi especial porque a pergunta foi feita por uma adolescente que vive nessa condição. Confira a seguir alguns trechos do diálogo entre a ministra e os adolescentes educomunicadores, que aconteceu em 13 de julho de 2012, no penúltimo dia da 9ª CNDCA. O que a secretaria tem feito pra adequar a linguagem e o formato tão careta, difícil e adulto das conferências para que os brasileirinhos e brasileirinhas possam participar dos debates sobre direitos? A primeira coisa que estamos fazendo e está dando certo é ouvir vocês dizendo na cara da gente que é chato. Até minha filha disse que é bem chato também. É difícil, mas a gente está conseguindo ter uma autonomia maior, fazer as coisas mais

Linha do Tempo Maria do Rosário é eleita vereadora em Porto Alegre, pelo PT, quando tinha 25 anos. Na Câmara Municipal, foi autora de projetos de lei inclusivos, como o que propõe a criação do Conselho Municipal da Mulher e da lei que adapta os transportes públicos coletivos para pessoas com deficiência.

1992 26 Revista Viração • Ano 10 • Edição 87

É eleita deputada estadual para a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, sendo a segunda mais votada, onde foi presidente por dois anos consecutivos da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos.

1998


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E a questão do abrigo feminino, que não recebe nenhuma ajuda, não tem nada a oferecer ao adolescente? Não tem cama, não tem guarda roupa, não tem nada! Os adolescentes são jogados toda a noite no abrigo. Como é que faz? A situação dos abrigos é ruim no Brasil, mas nós melhoramos a lei. A lei diz coisas boas e o esforço da Secretaria dos Direitos Humanos agora é fazer cumprir o que está escrito na lei, que a criança tem que ter um guia, documento assinado pelo juiz que colocou ele ali dentro. Isso não é ao acaso. É para o juiz não esquecer mais que essa criança ou adolescente está ali dentro. Ao longo do tempo que a criança e o adolescente estiver ali dentro, de seis em seis meses, o juiz precisa dizer o que está acontecendo com ela. Ela não pode ficar esquecida. Cada vez que um adolescente fica muito tempo num abrigo, ela acaba perdendo a família, perde a aproximação. E quando o adolescente completa 17 anos já não tem mais aquele acolhimento que ela sempre desejou ter. O que ela está dizendo acontece com cerca de 36 mil crianças e adolescentes brasileiros. Quase 60% dos casos de crianças que vão pros abrigos foram abrigados pelo Conselho Tutelar, mas queremos que o juiz olhe nos olhos da criança e veja o que ela tem. Outra coisa: irmãozinho pequeno ir pra adoção e a irmão grande ficar sozinho no abrigo. A lei diz é que temos que fazer no Brasil pequenas unidades, casas-lares, igual a uma família. A criança que está ali no abrigo tem que ter uma individualidade. Mas eu não vou sair igual dessa conversa, porque muitas coisas que eu tenho dito por ai, vocês estão dizendo aqui do seu jeito. Eu vou

É eleita pela primeira para a Câmara dos Deputados, onde fica por duas legislaturas. Na casa, reativa e coordena a Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e foi relatora da CPMI da exploração sexual.

2002

pegar essa gravação e vou levar os depoimentos de vocês, que estão vivendo isso, pra todo mundo ouvir. Ministra, a gente entrevistou dois indígenas que estão aqui na Conferência. Eles afirmam ter muita dificuldade para propor questões relacionadas à comunidade. Por que eles se sentem excluídos? Os adolescentes indígenas que estão aqui são heróis indígenas, porque superaram todas as barreiras pra virem até aqui. Eles estão dando uma aula de que a gente não consegue conviver com diferentes povos e com a diversidade. Todos ficam olhando pra eles, estranhando. Mas a gente vê um jovem que se veste como punk e outro como emo, pois cada um tem sua tribo, e no entanto eles que têm uma tribo originária, cultural são vistos assim. A gente até acha legal. Mas nós não

Eu não vou sair igual dessa conversa. Eu vou pegar essa gravação e levar comigo. Vou pegar os depoimentos de vocês, que estão vivendo isso, e levar pra todo mundo ouvir.

pelo que a gente acredita. A gente quer melhorar e tem uma coisa que eu acho que é bacana, nós já temos um observatório dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, e no observatório a gente tem tentado fazer uma melhoria da linguagem e do trabalho com a presença dos adolescentes que participam dele, mas ainda é fragmentado, não está muito legal e a gente está aqui pra ouvir e pra melhorar.

Maria do Rosário - ministra dos Direitos Humanos

É licenciada do cargo de deputada federal, para o qual foi reeleita em 2010, para exercer a função de ministra de Estado-chefe da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos.

2011 Revista Viração • Ano 10 • Edição 87 27


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fizemos essa Conferência pensando nos jovens indígenas e a gente vai ter que fazer toda ela diferente também. Eu acho que poderíamos trabalhar, seja com a Funai, seja com a Coordenação dos Povos Indígenas para que da próxima vez nós façamos uma reunião com as tribos, com as comunidades. Vamos perguntar pra cada uma se quer em realizar a Conferência Indígena dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes. Como a Secretaria de Direitos Humanos enfrenta a questão da violência sexual de crianças e adolescentes? Onde é que está a exploração e violência sexual? Não está na menina, está na cabeça e na atitude do explorador, nas redes comerciais, no taxista que ganha uma grana, no hotel que ganha uma grana, na rede criminosa toda. Todo mundo lucra com o corpo da menina e do menino também. A Polícia Federal está cada vez mais atingindo o âmago dessas redes criminosas. Nós temos o Disque 100, de denúncia para todo o território nacional. Um telefonema gratuito move uma rede pra proteção dos Direitos das Crianças e Adolescentes. Como conselheiros tutelares podem defender direitos se alguns deles são preconceituosos? Em determinadas funções essenciais pra crianças e adolescentes ou para os Direitos Humanos, manifestações preconceituosas têm um impacto terrível. Se um professor ou um conselheiro tutelar age com preconceito, não aceita a pessoa como ela é, isso é muito grave. Para ser conselheiro tutelar basta ter idoneidade moral, ter 18 anos. E agora vocês nos alertam sobre um critério a mais. Um conselheiro tutelar não pode ser movido por preconceitos, ele não pode ter impedimentos do ponto de vista filosófico com qualquer criança ou adolescente. Eu acredito que essa questão nos orienta na formação de uma nova lei. Vou pedir para o pessoal que trabalha comigo ver como é que a gente pode lidar com essa questão. Com relação ao Plano Decenal, daqui a dez anos não seremos mais adolescentes. Como serão as próximas conferências? Vão ser outras crianças, mas com um balanço desse nosso encontro. A memória está registrada. Daqui a dez anos nós queremos ter uma menina aqui dizendo que os abrigos são ruins? Não posso prever como vai ser o futuro, mas o governo se prepara para colocar o Plano em prática fortalecendo os Conselhos. E também mudando a lógica do Conselho Tutelar, que para nós tem que ter uma grande mudança. Quem faz o monitoramento de políticas públicas são os Conselhos de Direitos em cada município, em cada Estado, em todo o País. V

28 Revista Viração • Ano 10 • Edição 87

Sabatina com ministra foi no terceiro dia de conferência


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Câmara dos Deputados aprova destinação

de dez por cento do PIB para a Educação

Maria do Socorro Costa, do Virajovem São Luís (MA)*; e Bruno Ferreira, da Redação

“S

e a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Essa frase de Paulo Freire, educador brasileiro, demonstra a importância dos processos educativos e de sua valorização na construção de uma sociedade. Algo que só agora mereceu a devida atenção no Brasil com a aprovação, no dia 26 de junho de 2012, na Câmara Federal, de dez por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para investimentos na área de Educação. A proposta aprovada pela Câmara segue agora para avaliação e votação no Senado Federal. Os dez por cento do PIB é uma meta que tem o prazo de dez anos para ser cumprida e faz parte do Plano Nacional de Educação (PNE). A meta passou a compor o PNE depois da pressão da sociedade civil, por meio de suas organizações, redes e movimentos. A conquista simboliza a luta de 13 anos de mais de 200 organizações, movimentos, sindicatos, outras redes, cidadãs e cidadãos que iniciaram a campanha nacional pelo direito à Educação. Para Larissa Santos, de 17 anos, estudante do ensino médio no Maranhão, essa aprovação “é boa por um lado, porque poderia possibilitar às escolas vários recursos, como laboratórios e melhoria da estrutura física, mas é ruim por outro porque talvez essa verba não chegue às escolas.”

Já o professor de Sociologia Bruno Rogens considera que a aprovação de dez por cento do PIB para a Educação “representa um avanço importante, para tornar o setor uma prioridade governamental no Brasil. Contudo, é apenas um passo na luta por uma Educação de qualidade em todos os níveis no País, já que é preciso repensar pedagogicamente a sua qualidade e adequar o sistema de ensino brasileiro às novas demandas econômicas e sociais das próximas décadas. Além do mais, é importante também para levar de vez as tecnologias informacionais para a sala de aula como instrumento de construção e compartilhamento do saber”. A aprovação significa, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), um avanço, visto que segundo os últimos levantamentos desse mesmo Instituto, só 5,1% do PIB foi investido na educação em 2010, um quadro que se mantinha com pouco ou nenhum aumento significativo em anos anteriores. Para a professora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Leda Maria de Oliveira Rodrigues, a questão que deve ser analisada não é exatamente o valor do PIB destinado à Educação, mas o planejamento acerca do uso adequado da verba. “Já existe uma verba que é mal empregada. Não falta dinheiro para a Educação, mas parte dela não vai para onde deve ir. Havendo clareza para o que se quer da verba, é possível existir um monitoramento”, analisa. V Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de toda a riqueza produzida por um País em um determinado período, sendo um dos principais indicativos econômicos para indicar o potencial de algumas regiões.

*Uma das Virajovens presentes em 19 Estados do País e no Distrito Federal

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Dois olhares sobre o "primeiro cinema" Filmes vencedores do último Oscar têm em ma comum a celebração das origens do cine

Fotos: Divulgação

No Escurinho

Sérgio Rizzo, crítico de cinema*

U

ma coincidência significativa marcou a última cerimônia de entrega do Oscar: as duas produções mais vitoriosas celebraram as origens do próprio cinema. Ambos já estão disponíveis em DVD e Blu-ray: O Artista, que recebeu o prêmio de melhor filme e outras quatro estatuetas, e A Invenção de Hugo Cabret, vencedor em cinco categorias técnicas. O primeiro, uma produção franco-belga, narra uma história inteiramente fictícia sobre um astro do período do cinema mudo, que entra em decadência com o lançamento do cinema sonoro, no final da década de 1920. Já o segundo, embora também explore um argumento fictício, é inspirado em um personagem real, o ator e diretor francês Georges Méliès (1861-1938). O diretor e roteirista francês Michel Hazanavicius optou, em O Artista, por falar do cinema silencioso sem recorrer a diálogos. Usou muita música e, no final, algumas palavras são ditas pelos personagens, mas o efeito geral lembra muito os filmes produzidos nos primeiros 35 anos do cinema. O protagonista é um astro de Hollywood (Jean Dujardin, Oscar de melhor ator) que resiste à chegada dos "filmes falados". Baseado no livro homônimo de Brian Selznick, A Invenção de Hugo Cabret traz Méliès já na fase final da vida, administrando com a mulher uma loja de brinquedos em uma estação ferroviária de Paris. Na trama fictícia do livro e do filme, um menino órfão que mora escondido no relógio da estação (Asa Butterfield) conhece Méliès (Ben Kingsley) e protagoniza uma aventura que o diretor Martin Scorsese utiliza para homenagear diversos atores e diretores das primeiras décadas do cinema. Méliès trabalhava como mágico em 1895, quando assistiu à primeira sessão do cinematógrafo, um dos aparelhos que deram origem ao cinema. Entusiasmado pela possibilidade de usar o truque das imagens em movimento nos seus números de magia, tornou-se, mais tarde, o grande precursor da fantasia no cinema. Apesar do sucesso de muitos de seus filmes, como Viagem à Lua (1902), parou de trabalhar ainda na década de 1910 e morreu no ostracismo. V

* www.sergiorizzo.com.br

30 Revista Viração • Ano 10 • Edição 87

O Artista e A Invenção de Hugo Cabret venceram a última premiação do Oscar em diversas categorias


Cravo, canela, dende e pimenta

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Que Figura! v

vez mais brasileiro. “Não pretendi e nem tentei jamais ser universal senão sendo brasileiro e cada ” Jorge Amado Poderia mesmo dizer, cada vez mais baiano, cada vez mais um escritor baiano

brasileiros a viver exclusivamente do seu trabalho literário. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, além dos exemplares em braille e áudio-livros. Em 1992, em meio às comemorações de seus 80 anos de vida, lançou sua autobiografia Navegação de Cabotagem. “Não pretendi e nem tentei jamais ser universal senão sendo brasileiro e cada vez mais brasileiro. Poderia mesmo dizer, cada vez mais baiano, cada vez mais um escritor baiano”, disse Jorge Amado, em 17 de julho de 1961, quando tomou posse de sua cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). Suas obras viraram filmes, novelas e minisséries e influenciaram outras gerações de escritores e romancistas. Uma de suas principais obras, Capitães da Areia, foi adaptada para o cinema, em 2011, com a direção de sua neta Cecília Amado. Atualmente está acontecendo uma refilmagem da novela Gabriela, Cravo e Canela. V

*Uma das Virajovens presentes em 19 Estados do País e no Distrito Federal

Novaes

N

ascido em Ferradas, município de Itabuna no dia 10 de agosto de 1912, Jorge Leal Amado de Faria, mais conhecido como Jorge Amado, foi um mestre da narrativa baseada em temas regionais. Identificou-se plenamente com os valores populares nacionais e mostrou a Bahia com paixão ao Brasil e o resto do mundo. Aos 15 anos já era repórter do Diário da Bahia, aos 17, em parceria com alguns amigos, publicou o romance Lenita, que foi considerado abominável por um crítico da época. Em 1930 entrou no curso de Direito no Rio de Janeiro, em 1931 lançou O país do carnaval, um retrato crítico e investigativo da imagem festiva e contraditória do Brasil, a partir do olhar de um brasileiro que não se identifica com o próprio país. Influenciado por Rachel de Queiroz, Jorge, como muitos intelectuais de sua época, aproximou-se do Partido Comunista Brasileiro. Em 1945 conheceu a paulistana Zélia Gatai quando trabalharam juntos no movimento pela anistia dos presos políticos, casando-se poucos meses depois. Com a eleição de Jorge Amado para a Câmara Federal em 1945, o casal mudou-se para o Rio de Janeiro, onde nasceu o filho João Jorge. Conhecedor da violência desmedida com que eram atacados os valores culturais provenientes da África, Jorge conviveu com ialorixás, baianas, babalaôs, ekedes, escritores de magia, gente do axé. Em 1946, no Ceará, viu protestantes saqueados por fanáticos com uma cruz à frente, então escreveu a emenda da liberdade religiosa e saiu em busca de quem a assinasse junto com ele. O primeiro foi Gilberto Freire (autor de Casa Grande e Senzala) e depois, mais de 80 parlamentares a assinaram. Assim foi criada a lei da Liberdade de Culto Religioso no Brasil. Em 1948, o Partido Comunista é declarado ilegal. Jorge Amado perdeu o mandato e a família teve que se exilar. Até 1953 a família, exilada, viajou pela Europa e Ásia, época em que as traduções de seus livros alcançaram altas tiragens nos países socialistas. O primeiro prêmio, em 1951, coincidiu com o nascimento da filha Paloma, em Praga. Com a publicação de Gabriela Cravo e Canela em 1958, começaram a surgir os romances de ambientação regional, com um estilo marcado por traços sensuais e românticos, com intrigas de leves conotações políticas. De volta ao Brasil o escritor viveu em Salvador, na casa do Rio Vermelho e foi um dos poucos romancistas


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Sexo e Saúde

O

tempo de tratar sexo como tabu já passou. O conhecimento do próprio corpo é um grande aliado para se proteger de doenças sexualmente transmissíveis e de se livrar de dúvidas que podem incomodar. Por isso, crianças e adolescentes do Programa Adolescer da organização BemVindo, de São Paulo, fizeram perguntas que foram respondidas pelo ginecologista Valdir Monteiro Pinto e pelo urologista Roberto Carvalho Silva, do Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/Aids da capital paulista. Confira as respostas! V Mariana Rosário, Virajovem de São Paulo (SP)*

Sim. Apesar da prevalência de HIV ser baixa entre mulheres que fazem sexo com mulheres, existe a possibilidade de transmissão do vírus. As outras DSTs podem ser transmitidas de uma mulher para outra durante o contato sexual. Toda relação onde há troca de secreção ou contato de genitais há possibilidade biológica da transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. A relação sexual entre mulheres envolve sexo oral, penetração digital, uso de acessórios sexuais que podem ser compartilhados. Portanto, há necessidade de uso de preservativo no acessório, com troca deste quando houver compartilhamento do mesmo. O sexo oral deve ser evitado durante o período menstrual. (Dr. Valdir Monteiro Pinto, ginecologista, CRT DST/Aids-SP) Como casais bissexuais se relacionam? Pessoas bissexuais têm atração pelos dois sexos e podem ou relacionar-se com ambos os sexos. No caso de um homem bissexual, ele pode ter relação sexual com um parceiro do mesmo sexo e manter relações sexuais com uma parceira do sexo feminino. No caso de uma mulher bissexual, ela pode ter relação sexual com uma parceira do mesmo sexo e manter relações sexuais com um parceiro do sexo masculino. Existem casais que adotam a prática de transar a três, ou seja, a relação se dá entre duas mulheres e um homem ou dois homens e uma mulher. Em geral, os envolvidos devem estar em comum acordo. (Dr. Valdir Monteiro Pinto, ginecologista, CRT DST/Aids-SP) O homem pode quebrar o pênis ao se masturbar? Em geral, a fratura de pênis ocorre quando há um movimento abrupto durante a relação sexual (anal ou vaginal). A fratura acontece quando o pênis sofre torção de 90 graus. Durante a masturbação é pouco provável. (Dr. Roberto Carvalho Silva, urologista, CRT DST/Aids-SP) *Uma das Virajovens presentes em 19 Estados do País e no Distrito Federal

32 Revista Viração • Ano 10 • Edição 87

Mande suas dúvidas sobre Sexo e Saúde, que a galera da Vira vai buscar as respostas para você! O e-mail é redacao@viracao.org

Natália Forcat

Lésbicas podem pegar DST/aids?


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Rango da terrinha

MADE IN PARAGUAY do Sul Sopa paraguaia é prato tradicional no Mato Grosso

Fernanda Garcia, do Virajovem Campo Grande (MS)*

Q

Ingredientes 4 copos de água 1 copo de óleo 1 cebola grande picada 1 colher de sopa de sal 4 copos de leite 6 ovos 2 pratos fundos de queijo ralado (o melhor é o meia cura) 20 colheres de sopa de farinha de milho ou milharina 2 colheres de sopa de fermento em pó

Fernanda Garcia

uando pensamos em sopa logo imaginamos um caldinho grosso e fumegante.Mas não é bem assim em Mato Grosso do Sul. Quando por lá estiver e for convidado para comer uma sopa paraguaia, não se iluda, o sul-mato-grossense, além de te oferecer uma das comidas mais gostosas dessas paragens fronteiriças, também quer te pregar uma peça. Ao contrário do que se possa imaginar, a sopa paraguaia não é um caldo e sim uma espécie de torta, de se comer com garfo e faca mesmo. São muitas as histórias que cercam esse prato. Uma delas dá conta de que a receita era mesmo uma sopa líquida, mas durante a Guerra do Paraguai (1865-1870) era difícil para os soldados paraguaios transportarem para o campo de batalha. Então, foram acrescentando ingredientes para engrossá-la até que ela ganhou a forma que conhecemos hoje. Historiadores contam que a cozinheira do ditador Carlos Antônio López errou a quantidade de farinha de milho na hora de engrossar a sopa e, em vez de servir na sopeira, serviu em uma travessa. A nova receita acidental agradou o ditador paraguaio que passou a exigir que o prato viesse mais vezes à mesa. V

Modo de preparo Coloque os quatro primeiros ingredientes em uma panela alta e ferva. Depois junte os outros e misture bem. Coloque em forma untada e leve ao forno para assar até que fique dourada ou até que, espetando um palito, este saia limpo.

*Uma das Virajovens presentes em 19 Estados e no Distrito Federal

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s monitoram Adolescentes e jovens de seis Estados brasileiro comunidades serviços públicos e propõem melhorias em suas Da Redação

U

m trabalho nacional de mapeamento comunitário de jovens de várias regiões do País serve de base para que a juventude elabore propostas de melhoria na qualidade de vida local. A Rede MJPOP (Monitoramento Jovem de Políticas Públicas), composta por adolescentes e jovens de 14 a 28 anos se debruça sobre os problemas de comunidades, sistematizando-os para, posteriormente, propor alternativas a partir de conversas com os moradores de suas regiões. “Os jovens mapeiam os serviços públicos, detectam problemas, reúnemse com a comunidade, discutem os problemas que existem e tentam uma solução, procurando o poder público e estâncias maiores. Essa metodologia acontece para que a comunidade mantenha-se integrada sobre os acontecimentos”, explica William Gonçalves Farias, coordenador do Projeto Juventude, Arte e Cultura do Vale do Jequitinhonha e integrante da Rede MJPOP. A sensibilização para o trabalho de mapeamento realizado pelos jovens do MJPOP acontece em três fases. A primeira consiste em esclarecer os interessados sobre o trabalho do movimento; a segunda, em ministrar formações sobre participação política, orçamento e políticas públicas; e a terceira etapa é a pesquisa de campo, momento em que os participantes têm a oportunidade de vivenciar o que aprenderam na teoria em visitas a casas de moradores, postos de saúde e escolas de suas comunidades. A visão crítica para enxergar os problemas sociais formada a partir de aulas

teóricas leva os integrantes da rede à ação. Após consultas à comunidade, elaboram propostas que possam melhorar a condição de vida das pessoas. Há cerca de um mês, o Movimento apresentou o documento A voz da Juventude – por um futuro mais justo e sustentável na Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro, elaborado Bruno Ferreira

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Parada Social

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Jovens do MJPOP, no Rio de Janeiro, apresentam documento A voz da Juventude

a partir de uma pesquisa realizada com jovens de todo o País pelo Facebook. As respostas da juventude brasileira foram sistematizadas por eixos, como Segurança Alimentar e Nutricional, Saúde, Educação e Participação. Atualmente, a Rede MJPOP está presente em seis Estados Brasileiros do Nordeste e Sudeste do País. Mais de 400 adolescentes e jovens foram empoderados pelo projeto e hoje monitoram os serviços públicos e propõem melhorias em suas comunidades. V

Saiba mais sobre o MJPOP: www.mjpop.com.br


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Co b e r t ur a e d uCo mun i Ca t i va