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Projeto social impresso · Ano 3 · No20 · Setembro de 2005 · R$4,00 · www.revistaviracao.com.br

V iRAÇÃO Mudança,

atitude e

ousadia jovem

A carne é FRACA

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Cresce no Brasil movimento de jovens que buscam uma E D alimentação mais saudável IN R e longe das carnes B 31/08/05, 13:35

Cartão-Postal QUE FIGURA!


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Jeito jovem

de

Ser e de Comer

A

obesidade é um problema crescente entre os jovens brasileiros, que se alimentam cada vez mais nos famosos fast-foods. Esses estabelecimentos não prezam pela qualidade nutricional das refeições e usam de táticas extremamente agressivas para atrair os jovens, que indo lá se alimentar, prejudicarão seu organismo e também enriquecerão grandes transnacionais, cujo interesse é o lucro acima de qualquer coisa. Por isso, a Vira traz nesta edição uma reportagem sobre jovens que decidiram tomar uma atitude contra o problema: aderiram ao estilo de vida vegan, que consiste em não comer nada de origem animal e não usar produtos que tenham sido testados em animais. Enfim, não contribuir com um sistema econômico que além de explorar as pessoas, também lucra com a dor e sofrimento animal. Acreditamos que a atitude dos jovens vegans é importante para que todos se conscientizem de que é possível se alimentar muito bem sem precisar sustentar empresas inescrupulosas. Outro destaque desta edição, que volta a ser mensal em meio aos sacrifícios, é para a seção Que Figura! Desta vez o personagem é Iqbal Masih, um adolescente paquistanês que lutou contra a exploração do trabalho infantil na indústria do tapete em seu país. Um bom exemplo para nós brasileiros, que vivemos em um país onde essa prática abominável é tão freqüente. No Galera Repórter entrevistamos a advogada Valdênia Paulino que ressalta a importância de se lutar pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelos direitos humanos. Também temos uma novidade na Vira: o Do Contra. Trata-se de uma nova seção dentro do Viratudo que apresenta de um jeito bem-humorado uma pessoa que vai na contracorrente. Se você está interessado em participar, é só escrever ou telefonar pra gente.

Apoio Institucional

Virajovem Salvador

Editorial

Galera do Virajovem de Salvador (BA): Naiana Magalhães, Scheila Gumes, Cássio Vinicius, Nilton Lopes, Inajara Diz, Iuri Matos, Raoni Magalhães, integram o Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA), parceiro da Vira VIRAJOVENS PELO BRASIL • São Paulo (SP): Adriano Rangel, Atiely Santos, Carol Lima, Carolina Coimbra, Chindalena Barbosa, Diego Rodrigo Pauli, Diego Pacci, Douglas Lima dos Santos, Fabíola Quadros, Fábio Mallart, Fernanda Tobias, Gisele Palla, Giovana Camargo, Heloísa Sato, Isis Lima Soares, Juliana Martins, Leandro Gonçalves Pena, Pedro Henrique Santos de Araújo, Sálua de Paula Oliveira, Sara Santos Araújo, Taluana Brisa Teodoro Maria, Thayani Prates Pinatti, Tiago Idalino de Oliveira, Tiago Luiz Silva, Elisa Fingermann, Rafael Artusi, Roziane Rodrigues da Silva, Camila Paula Macedo, Diego Sierra, Mariana Rosa, Orlando Tonholi, Giorgio D’Onofrio e NadjaTalita Bium Piloto; • Curitiba (PR): Monalisa Stefani, Leonardo Jianoti, Augusto Cuginotti, Paula Batista, Ubirajara Barbosa da Fonseca e Suelen Safiano; • Porto Alegre (RS): Aline Schonarth, Angelo Kirst Adami e Márcia Veiga; • Belo Horizonte (MG): Luana Silva, Mariana, Pedro Henrique Silva, Regina Mendes e Rebeca; • Rio de Janeiro (RJ): Débora Motta, Juliana Lanzarini, Gustavo Barreto, Maria Cecília Leão, Rafael Andrade de Souza e Vitória Aguiar; • Brasília (DF): Ionara Talita Silva, Danuse Silva de Queiroz, Silvia Bertoldo, Julio Osano, Alisson Jeferson e Maria Claudia Barros; • Fortaleza (CE): Cristiane Parente, Verônica Rodrigues, Giovanni dos Santos, Daniela Aureliano, Nágia Leite e Ludovica Duarte; • São Luís (MA): Abel Lopes, Antonio Alberto Sousa, Cristilene Neves, Dandara Sousa, Dayana Roberta, Gomes, Dayse Rios, Diego Leonardo Sousa, Èrica Roberta Gomes, Jacqueline Campos, Jonathan Rocha, Leonardo Ribeiro, Layana Roberta Gomes, Maria Claudia Gonçalves, Rafaela Gleyza, Raimunda Ferraz, Sidney Costa, Silvano Montelo, Vanessa Bastos, Viviane Nascimento, Jorge Henrique Santos; • Manaus (AM): Jhony Abreu e Izabelly Costa.

VIRAÇÃO é publicada mensalmente em São Paulo (SP) pelo Projeto Viração da Associação de Apoio a Meninas e Meninos da Região Sé de São Paulo, filiada ao Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de São Paulo; CNPJ (MF) 74.121.880/0003-52; Inscrição Estadual: 116.773.830.119; Inscrição Municipal: 3.308.838-1

ATENDIMENTO AO LEITOR Rua Fernando de Albuquerque, 93 – Conj. 3 Consolação – 01309-030 – São Paulo (SP) Tel./Fax: (11) 3237-4091 e (11) 9440-7866 HORÁRIO DE ATENDIMENTO das 9 às 13h e das 14 às 18h E-MAIL REDAÇÃO E ASSINATURA redacao@revistaviracao.com.br assinatura@revistaviracao.com.br

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Conselho Editorial Cecília Garcez, Ismar de Oliveira e Izabel Leão (Núcleo de Comunicação e Educação – ECA/USP), João Pedro Baresi, Mara Luquet, Marcus Fucks e Valdênia Paulino

MAPA Maíra Soares

da

Equipe Pedagógica Aparecida Jurado, Auro Lescher, Isabel Santos, Márcia Cunha e Vera Lion

mina

Diretor Paulo Pereira Lima Redação Carlos Gutierrez, Gabriel Mitani, Marília Almeida, Felipe Jordani, Mariana Albanese e Silvana Salles Colaboradores Ana Lucia Pires, Camila Paula Macedo, Carmen Franco, Danilo Gomes, Fabiana Salviano, Giorgio D’Onofrio, Ionara Talita Silva, Izabel Leão, Jô Brandão, José Manoel Rodrigues, Juliana Rocha Barroso, Marana Borges, Marcio Baraldi, Mariana Cacau, Nádja Bium, Naiana Magalhães, Natália Forcat, Novaes,Nilton Lopes, Ohi, Robson de Oliveira, Sérgio Rizzo, Susana Piñol Sarmiento e Tássia Batista. Consultor de Marketing Thomas Steward Relacionamento Institucional Geraldo Virgínio e Luci Ferraz

Julianne Menoncello, 21 anos, é vegan há dois. No prato, uma salada completa, com direito a patê de azeitona, batata palha e hambúrguer de soja • MAIS DO QUE VEGETARIANOS 12 Jovens contra a exploração animal conquistam espaço pelo Brasil afora

Suzana Sarmiento

RG

• CIDADE TIRADENTES 16 Jovens da periferia de São Paulo quer revitalizar seu espaço de convivência

Revisão Andréa Pontes

Fotolito Digital Sant’ana Birô

• RÁDIO-ESCOLA 18 Ministério da Educação quer investir em oficinas de rádio nas escolas

Arquivo Pessoal

Projeto Gráfico Identità Designers Adriana Toledo Bergamaschi Marta Mendonça de Almeida Impressão Editora Referência Jornalista Responsável Paulo Pereira Lima – MTB 27.300 Divulgação Equipe Viração Administração Miguel Wilson da Silva E-mail Redação e Assinatura redacao@revistaviracao.com.br assinatura@revistaviracao.com.br PREÇO DA ASSINATURA ANUAL Assinatura Nova R$ 40,00 Renovação R$ 35,00 De colaboração R$ 50,00 Exterior US$ 35,00

Participe ! Mande suas sugestões, elogios e críticas por carta ou e-mail

Aguardamos sua participação!

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• HIP HOP A LÁPIS 19 Coluna em site vira livro independente • APRENDIZADO LÚDICO 20 RPGs são utilizados em salas de aula

Sempre na Vira DIGA LÁ ENTRE ASPAS VIRATUDO TESÃO VIRA OU NÃO VIRA DE OLHO NO ECA GALERA REPÓRTER MAIS IGUAL

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NO ESCURINHO TODOS OS SONS SEXO E SAÚDE QUE FIGURA! REVELE-SE TURMA DA VIRA DESAFIO VIRAÇÃO SOCIAL

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DIGA LÁ

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15 ANOS DO ECA Regina Mendes Belo Horizonte (MG)

MÃOS À OBRA

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Pessoal, penso que a mensagem da capa (edição no 19) deveria ser mais positiva. Já há por parte de alguns grupos uma grande resistência ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Essa capa mostra uma cena de abandono, vinculando o ECA, mesmo que inconscientemente, a uma imagem de inoperância. Acho que a foto deveria ser mais positiva, e que mostrasse, por exemplo, um bom serviço de cumprimento de medida sócio-educativa, como temos aqui em Belo Horizonte, como as medidas de Prestação de Serviço à Comunidade e Liberdade Assistida. Há uma tentativa de rebaixar a idade penal e, se mostrarmos experiências positivas, divulgaremos os avanços do ECA.

TORCIDA DE FUTEBOL Adriano Rangel São Paulo (SP)

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Sou estudante de Jornalismo, cursando o 4o ano na Universidade de Santo Amaro (UNISA). Navegando na internet à procura de sites que falam da minha realidade (sou morador de periferia desde de que nasci, há 28 anos), me deparei com o site da Vira. Fiquei entusiasmado com o trabalho que vocês se propuseram a fazer com os jovens do Brasil. Portanto, estou me colocando à disposição da Revista para fazer parte do time como um futuro colaborador. Posso me dedicar às áreas de edição de textos, reportagens, matérias, artigos e colunas. Ou qualquer outra função.

!

Marcela Freitas São Paulo (SP)

Tenho 21 anos e conheço a revista a cerca de um ano. Mas, sempre que leio, sinto que faltou algo. A minha primeira sugestão é que parte da revista seja fruto de um diálogo real, vocês poderiam fomentar debates em escolas estaduais. A segunda, é que a revista tenha uma conversa entre gerações, em áreas de conflitos como pais e filhos, direção de escola e alunos. Por último, sugiro que a revista publique textos enviados por jovens leitores. Opa, já estava esquecendo... a revista é ótima! Gosto muito da linguagem e do trabalho gráfico. Parabéns pelo trabalho! Cássia Scaciotta São Paulo (SP)

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Tenho 24 anos e sou redatora publicitária há três. Adorei a iniciativa e a diagramação ousada da revista, que me interessou bastante. Gostaria de saber como podemos nos engajar nesta ação. Será que tem espaço para mais um?

Mande seus comentários sobre a Vira, dizendo o que achou de nossas reportagens e seções. Suas sugestões serão bem-vindas!

M arc io Ba ral di

FALA AÍ !

Quero propor uma pauta pra Vira sobre torcidas de futebol e violência, pois o assunto é tratado de forma superficial e simplista pela mídia. Todos viram o que aconteceu na comemoração do título da Libertadores na Avenida Paulista, em São Paulo (mês de julho). Quebraram equipamentos públicos, saquearam lojas, agrediram pessoas... Isso ultrapassa a questão do futebol e entra numa profunda discussão social sobre o fato. O prefeito José Serra, aquele que aparece na propaganda jogando um estrado de cama dentro do caminhão sob a slogan “Homem que trabalha”, diz que o São Paulo é que deve pagar a conta da destruição da avenida Paulista. O que vocês acham disso? Resolveria o problema? Quem sabe esse debate possa gerar uma bela matéria pra Vira!

Marco Garcia São Paulo (SP)

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Escreva para nosso endereço: Rua Fernando de Albuquerque, 93 – Conj. 03 Consolação – 01309-030 – São Paulo (SP) Tel/Fax: (11) 3237-4091 ou para o e-mail: redacao@revistaviracao.com.br Aguardamos sua participação!

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Podres poderes

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ode até parecer um clichê, mas olhar para as capas de jornais e revistas é cada vez mais desanimador. Primeiro, porque os grandes meios de comunicação estão tratando os fatos com dois pesos e duas medidas, levando os leitores, ouvintes e telespectadores a crer que a corrupção surgiu do nada no atual governo do presidente Lula. Além disso, todos os dias somos surpreendidos com novos escândalos de corrupção: Caixa 2 para campanhas eleitorais dos principais partidos, contratos milionários e ilegais, deputados comprados... Num Brasil que não tem nem trinta anos de democracia, as inúmeras Comissões Parlamentares de Inquérito

(CPIs) exibem aos próprios cidadãos um ícone de corrupção e desonestidade, fazendo, muitas vezes, com que a população desacredite na força da política. Mas será que é todo mundo farinha do mesmo saco? Será que todo político é corrupto? Para não desanimar e entender um pouco da verdadeira política, dê uma conferida nos livros: Ciência Política – Textos Introdutórios (Áurea Petersen, Eduardo Corsetti, Elizabeth Maria Kieling Pedroso e Maria Alayde Albite Ulrich – Ed. Mundo Jovem) e O que é política (Wolfgang Leo Maar – Ed. Brasiliense); e nos filmes: Terra em transe (Glauber Rocha, 1967) e Cabra marcado pra morrer (Eduardo Coutinho, 1984). São dicas de filmes e leituras que vão ajudar você a entender melhor o que está ocorrendo no mundo da política.

E VOCÊ, ainda acredita em política?

MIZAEL DE SOUSA, 18 anos – Brasília (DF), entrega cartazes em um supermercado Política é a forma com que alguém administra um país. É uma forma de organização. Serve para transformar em realidade os desejos do povo. Os jovens podem se organizar expressando-se em passeatas e usando o direito do voto. Temos que fazer o voto ser importante e fazer a população ter mais interesse nesse direito. O Brasil está no caminho certo. Com os corruptos fora do poder, o país estará melhor.

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EDUARDO DE SOUSA, 18 anos – Brasília (DF), estudante do 3o ano do Ensino Médio Eu não acredito em política porque há muita corrupção. Os representantes não têm vergonha de seus atos. O jovem pode mudar a sociedade por meio de seu voto consciente e de movimentos culturais como o Hip Hop, para se expressar!

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COLABORARAM:

GRAZIELA MONIQUE DAS NEVES, 19 anos – Brasília (DF), pré-vestibulanda

VIRAJOVENS DE BRASÍLIA

Política é um sistema que visa o bem-estar social. Ela busca interesses comuns aos representantes e à população. Atualmente, é difícil acreditar na política com toda essa história de corrupção. Os políticos, na sua maioria, são corruptos. O interesse dos jovens é pouco, apesar de sermos muitos na sociedade. O que podemos fazer é buscar informações nos espaços do poder e estar mais junto de nossos representantes: os políticos!

TATIANE VASCONCELLOS, 18 anos – Samambaia (DF), estudante da Escola Técnica de Brasília

A política é uma força para a mudança. Tem dois lados: o organizado serve para ajudar o país; e o desorganizado, que é o lado da corrupção. O jovem tem a cabeça mais aberta, mas está muito parado. Antigamente os jovens eram mais ativos. Precisamos nos unir mais porque estamos muito divididos. Não acredito em política porque até hoje não se vêem muitos políticos “limpos”, só ambição e muita falcatrua.

RAFAEL FELIX, 19 anos – Brasília (DF), estudante de Química na Universidade de Brasília Política vai além da Câmara e do Senado e do Governo Federal. Está na relação entre direitos e deveres e no convívio entre as pessoas. Eu acho que a partir do momento em que você requer seus direitos e cumpre seus deveres, já está fazendo política. É importante porque faz com que as pessoas estejam abertas para o diálogo. O jovem tem que se informar sobre o político: o que ele está fazendo, quais são as suas propostas, até mesmo para ter um voto coerente. Temos que entender a importância de todos os políticos porque o presidente não governa sozinho.

A política para mim é uma aliança entre a população e os representantes políticos que elegemos. Ela é importante para a organização do Estado e o convívio social. No passado os jovens já gritaram, reivindicaram e lutaram por um espaço na política. Hoje, o que temos que fazer é aprender a unir forças, qualquer que seja a etnia ou a classe social. E se manifestar em debates, grêmios estudantis e fóruns.

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JADIEL NEVES, 20 anos – Samambaia (DF), gerente de setor de um supermercado

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GAROTO EM PARAFUSO

Divulgação

Responda rápido: qual o adolescente que não fica em estado de parafuso? Uns ficam por mais tempo, outros menos, mas todos passam por esta fase em que a vida parece ser cheia de decisões a serem tomadas, e você ainda é muito pequeno diante do mundo. Esta é a história de Marco Antônio, um garoto de 17 anos que está passando por uma dessas grandes decisões nesta fase de sua vida: ele vai prestar vestibular e escolher o que ser quando “crescer”. Ele também está em dúvida sobre qual garota gostaria de namorar e se vai reencontrar a “mina” que estava na mesma sala que a sua no dia da tão temida prova e o deixou em “parafuso”. E quem foi que disse que esta também não é uma grande decisão? Duas semanas ficam três vezes mais longas para o personagem, que espera encontrar a loirinha e passar no vestibular mais concorrido da cidade. Mais do que isso, Marco Antônio vê que uma nova fase de sua vida está à sua frente e que ela pode ser feita de vitórias e, porque não, de derrotas. Garoto em Parafuso, escrito por Samir Thomaz, faz parte da Série Diálogos, que reúne títulos inéditos voltados para o público infanto-juvenil, a partir dos 14 anos. Também são acompanhados de um roteiro de trabalho. Você pode comprálo nas principais livrarias ou pelo telefone (11) 3277-1788.

DNA!

Origem de palavras e expressões

ATÉ QUE A MORTE OS SEPARE A história desta frase refere-se às cerimônias dos casamentos, principalmente dos ritos cristãos, que concebem os laços do matrimônio como indissolúveis. Está presente em numerosas narrativas, sejam contos, novelas, romances ou poesias. Um de seus mais antigos registros foi feito pelo apóstolo Paulo (10-67) em sua Primeira Epístola aos Coríntios, em que se esforça para demonstrar aos leitores e ouvintes daquela famosa carta que os laços que unem homem e mulher no casamento foram instituídos, não pelos homens, mas por Deus, ainda no paraíso. Extraído do livro De onde vêm as palavras – frases e curiosidades da Língua Portuguesa, de Deonísio da Silva (Editora Mandarim)

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Philip Greenspun

Dica de Livro

Perigo em casa Mais da metade das violações dos direitos fundamentais, assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), denunciados aos Conselhos Tutelares nos últimos cinco anos aconteceram por responsabilidade dos próprios pais. São meninos e meninas que deixam de ir à escola e ficam sozinhos em casa ou em companhia de adultos alcoolizados. Alguns trabalham quando deveriam estar estudando, outros não têm a dignidade respeitada. As mães lideram o ranking das denúncias feitas, com 94 mil reclamações (26,2%), seguidas pelos pais, com 86 mil acusações (24%). Entretanto, “é importante relativizar os dados, pois a responsabilidade dos pais, muitas vezes, diz respeito à condição financeira da família”, afirmou Kênia Teixeira, técnica do Sistema de Informações para a Infância e Adolescência (Sipia).

Dica de Site: Domínio Público Quem adora ler, mas está sem grana para comprar um livro, ou está afim de um livro que não tem na biblioteca de sua cidade, pode contar com uma mãozinha: o portal Domínio Público. Lançado em novembro de 2004, conta com um acervo digital de mais de 500 obras, propondo o compartilhamento do conhecimento. A lista inclui autores como o português José Saramago e o brasileiro Machado de Assis. Você ainda pode colaborar, mandando livros digitalizados de domínio público que não estão no site www.dominiopublico.gov.br. Então, não perca tempo e boa leitura!

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“A obra de arte pode ter um efeito moral, mas exigir uma finalidade moral do artista é fazê-lo arruinar a sua obra.”

DO CONTRA

Goethe, filósofo alemão

texto e foto NADJA BIUM Rafael Bierrenbach Takano, 19 anos, é estudante do 2o ano de Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Ele diz porque não come nada de origem animal.

Por que essa opção? – Porque é preciso viver sem explorar de nenhuma maneira os animais; seja comendo sua carne, leite, ovos ou mel; vestindo couro, lã, seda; ou consumindo produtos que tenham sido testados em animais. É lutar para que toda a sociedade se conscientize. Devemos optar por uma alimentação mais saudável e menos cruel. O mesmo para roupas e calçados, já que dá para usar algodão e materiais sintéticos para não dependermos da morte de um ser que sente dor e sofre como nós. Como as pessoas encaram essa escolha? – Não tenho problemas com os amigos, mas eles gostam de provocar. Sempre me convidam para ir a churrascos. Para mim não tem problema, sempre dá pra comer pão com vinagrete! Com meus argumentos já converti muitos amigos em vegetarianos! Como é ser “do contra”? – Significa que a grande maioria ainda está distante de ter consciência suficiente para se tornar vegetariana ou vegan (não come nada de origem animal ou que tenha alguma relação), pois a cultura e o lobby da indústria da carne são muito fortes ainda. Mas isso não vai me impedir de continuar lutando por um mundo mais justo para seres humanos e animais.

Drogas na escola

A primeira vez a gente nunca esquece

Alunos alcoolizados nas salas de aula A primeira relação sexual acontece cada vez mais cedo, parece uma realidade cada vez mais fremas há diferenças na iniciação sexual dos jovens. Isso é o qüente nas escolas do País. Conforme pesque mostra um estudo realizado com adolescentes de 15 a quisa do Sistema Nacional de Avaliação 19 anos, inscritos em uma unidade básica de saúde da famída Educação Básica (Saeb), do Minislia do município de São Paulo. tério da Educação (MEC), 15,4% dos No que diz respeito ao tipo de relacionamento que apreprofessores de Língua Portuguesa desentavam quando iniciaram sua vida sexual, houve diferenclararam já ter presenciado alunos ças: as mulheres relataram ter iniciado sua vida sexual com sob efeito de álcool em sala de aula. pessoas com quem já tinham um relacionamento afetivoNa mesma amostra, 13,3% disseram amoroso estável, como em um namoro ou noivado, enquanto já ter flagrado alunos sob efeito de os homens iniciaram, em sua maioria, sua vida sexual em drogas ilícitas em classe. relações de amizade ou com pessoas recém-conhecidas. Há, também, registro de porte de armas em sala de aula. Dos professores da 3a série do Ensino Médio, cujas turmas participaram do exame, em 2003, 4,2% declararam “O que é verdadeiramente imoral ter presenciado alunos portando armas brancas (facas, caniveé ter desistido de si mesmo.” te etc.); e 3% armas de fogo. A pesquisa, realizada em 2003 e Clarice Lispector, divulgada em agosto, também entrevistou 10 mil pais. Cerescritora brasileira ca de 30% deles disseram que, nas instituições onde seus filhos estudam, ocorriam roubos e furtos con“As grandes obras de arte somente são tra a comunidade e equipamentos escolares. Esgrandes por serem acessíveis ses e outros tipos de violência, na percepe compreendidas por todos.” ção de cerca de 28% desses pais, atraTolstoi, pensador russo palham o funcionamento da escola. nº 20 · Ano 3 · Revista ViRAÇÃO

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! Agente

TESÃO

SANDRA MARIA tem paixão pelo que pensa e faz

comunitária TÁSSIA BATISTA, NAIANA MAGALHÃES e NILTON LOPES

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Transformar a realidade de olho na saúde das pessoas. Esse é o dia-a-dia de Sandra Maria, agente comunitária de saúde que atua na periferia de Salvador (BA) s Pes uivo Arq

oal

m sorriso já me faz feliz. É o que me coloca pra cima e faz a vida continuar. Sou uma guerreira. Não tenho muito dinheiro, mas sou muito bem resolvida com o que tenho.” Essa é Sandra Maria, 39 anos, mãe de dois filhos, um menino e uma menina, e avó de um garoto. Ela é agente comunitária de saúde em Salvador (BA) e adora a sua profissão. Seu local de trabalho é o mundão da periferia da capital baiana. Sandra sempre sonhou em trabalhar como enfermeira, médica ou assistente social, mas foi como agente comunitária de saúde que ela se encontrou fazendo o que mais gosta: lidar com pessoas. Diz ela que essa profissão exige um olho clínico: o agente não medica, não dá diagnóstico, mas acompanha, vigia e observa as pessoas da comunidade às quais atende diariamente. Para isso, Sandra e os outros agentes de saúde participaram de encontros e receberam capacitação em Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), aids, tuberculose e planejamento familiar. Ela atua em comunidades onde a população sofre pela falta de assistência em saúde e de informação. Geralmente estas áreas não têm tratamento sanitário adequado e apresentam grande incidência de tráfico de drogas. “Quando comecei no trabalho via muitas mulheres grávidas sem acompanhamento, com DSTs. Agora, elas vão ao médico e aprenderam a se cuidar”, conta. “Vejo também que o número de adolescentes grávidas diminuiu muito.” Mesmo diante das dificuldades, Sandra não desiste. A agente comunitária chega perto das famílias desses bairros para manter uma relação de atenção e parceria com elas. Este é um papel importante de sua profissão, que faz com que a qualidade de vida dos moradores da periferia melhorem. “No acompanhamento de uma gestante, por exemplo, aconselhamos que ela vá ao médico e siga suas orientações. Quando o bebê nasce, nós acompanhamos a mãe e a criança, sempre vigiando se eles estão sendo bem cuidados”, explica Sandra. Em relação ao futuro, ela conta que se orgulha cada vez mais do que faz. “Não me vejo fazendo outra coisa, mas me vejo crescendo na área, exercendo minha profissão cada vez melhor. Me sinto realizada por que estou transformando a realidade.”

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Sandra Maria (à direita): “Quando comecei no trabalho via muitas mulheres grávidas sem acompanhamento, com DSTs. Agora, elas vão ao médico e aprenderam a se cuidar”

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Um dia com um profissional para ajudar você a escolher sua carreira

Diplomata DANILO GOMES

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meu dia foi muito especial. Tive a oportunidade de conhecer o diplomata Rubem Mendes, que é terceiro-secretário do Instituto Rio Branco, a faculdade que forma os diplomatas. Eu e a estudante de jornalismo Ionara Silva, do Virajovem de Brasília, fomos até o Palácio do Itamaraty, que hospeda a sede do Ministério das Relações Exteriores, conhecer um pouco mais da profissão que quero seguir. Esse dia que eu passei com o Rubem Mendes serviu para esclarecer dúvidas que eu tinha em relação à carreira de diplomata. Conversamos bastante sobre a profissão, como ingressar, o nível de estudo necessário e onde tudo começa. Descobri que para ser diplomata é preciso fazer qualquer curso superior, depois fazer o concurso para o Instituto Rio Branco, e aí sim Ionara Silva começar a carreira. O Instituto Rio Branco é uma instituição renomada no mundo inteiro que forma diplomatas brasileiros (e até estrangeiros) em nível elevado de conhecimento. A duração do curso é de dois anos e, no final, o estudante tem a oportunidade de fazer um estágio em um país da América Latina. O que mais me chamou atenção para a diplomacia é a oportunidade de aprender outras línguas, de conhecer outras culturas. É uma profissão muito respeitada e que requer muita determinação. Para chegar a ser embaixador, é preciso muito trabalho e dedicação. Geralmente se consegue chegar a embaixador com mais idade e, enquanto isso, o profissional vai pulando barreiras e conquistando cargos. Em média, ao longo de toda a sua carreira, o diplomata passa metade do seu tempo no exterior e metade em seu país de origem. Ele tem a missão de promover uma inRubem Mendes e Danilo, que não tegração do seu país seja na área econômiarreda o pé da idéia de ser diplomata ca, política e geográfica com outros países interessados. Trata-se de uma profissão muito dinâmica e importante para uma nação. Então, estou decidido: quero ser diplomata.

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Danilo Gomes, 16 anos, é estudante do 3o ano do Centro de Ensino Médio 09 da Ceilândia, DF

tá na mão Para saber mais sobre a carreira de diplomata: • Site do Ministério das Relações Exteriores www.mre.gov.br • Site do Instituto Rio Branco www2.mre.gov.br/irbr/index.htm

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Livra-me

Cresce no Brasil o movimento formado por jovens que buscam uma alimentação mais saudável e com total responsa à vida. São os vegans

da carne

texto MARIANA ALBANESE e SILVANA SALLES fotos GIORGIO D´ONOFRIO

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F

im de semana ensolarado em São Paulo. No galpão, rola uma festa diferente. A começar pelo nome: v-e-r-d-u-r-a-d-a. Trata-se de um festival de bandas e comida vegetariana, onde não entram bebidas alcoólicas e nenhum tipo de droga. De dois em dois meses, entre sábado e domingo, passam pelo local mais de PUNK e HARDCORE 100 pessoas, grande • movimento roqueiro parte straight edges nascido em Nova York (ou apenas sXes), (Estados Unidos) e pojovens que curtem pularizado na Inglaterpunk e hardcore. ra na década de 1970. Essa galera, para • gênero do punk rock quem a paixão pelo surgido no início dos verde se traduz em anos 80, mais pesado estilo de vida, e acelerado do que o prefere ser chamada punk original. de vegans. Diferentes dos vegetarianos comuns, que geralVEGAN mente se abstém abreviação da palavra da carne animal vegetarian (vegetariano, mas não de ovos e em inglês), usada para laticínios, os vegans definir a filosofia de vida não consomem que condena radicalmente a exploração aninenhum tipo de mal e defende a abstiproduto animal. nência de qualquer proEngenhosos em sua duto de origem animal. busca por uma alimentação mais saudável e com respeito à vida, abrem mão do sacrifício de animais sem prejuízos ao sabor. Um exemplo eles têm na ponta da língua: a soja, grão que possui três vezes mais proteínas do que a carne bovina, é utilizada no preparo de todos os tipos de alimentos, incluindo hambúrgueres e sorvete. O estilo de vida desses jovens vai além da complicada mudança de dieta. Eles procuram se unir pelo ideal de proteção a todos os tipos de vida. Inclusive os insetos: mel, por exemplo, não é consumido, porque

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acreditam que a interferência humana atrapalha o ciclo das abelhas. “Algumas marcas de catchup utilizam um corante chamado Carmim de Cochonilha, extraído de um inseto esmagado”, explica Indra Gasparin, proprietária da Viva Melhor, a primeira lanchonete vegan de São Paulo. Essa especie de lesma peruana vive como parasita de cactos, sendo usada para dar tom rosado às bolachas de morango, sucos de pêssego etc. O cuidado com o vestuário também é essencial. Mais do que modismo, o uso de blusas de lã vira uma preocupação em não explorar os animais de forma alguma. Objetos de couro, e até mesmo seda, também estão fora de um armário vegan. Mas nem sempre é possível levar uma vida totalmente livre da exploração de animais. É o que defendem Regina Lemos e Luisa Santos, editoras do informativo/ panfleto Veganas: “Costumo dizer que aqui no Brasil aspira-se ser vegan”, diz Regina. Luisa dá um exemplo: “Uma vida vegana seria 100% livre de crueldade, mas em pneu de carro e ônibus têm produtos de origem animal. Tem gordura de boi”. Regina e Luisa se valem do Veganas para a conscientização. O informativo impresso é enviado, gratuitamente, a mais de 400 pessoas no Brasil. Luisa defende o formato tradicional: “A gente que

vive em São Paulo acha que tudo é muito virtual. A nossa luta não é uma luta de gueto; queremos informar todo tipo de pessoa”.

QUITUTANDO

ROLÊ ESFOMEADO Em São Paulo, alguns restaurantes e sorveterias estão de olho na opção desses clientes radicais, como o Viva Melhor e a sorveteria Soroko, que reserva uma geladeira para sorvetes de massa que usam leite de soja e açúcar cristal na composição. O simpático proprietário, Anatolie Soroko, conta que começou a produzir esses sorvetes há cinco anos, a pedido de uma freguesa vegan que tinha saudades dos sabores mais clássicos, como chocolate e flocos. Seu Anatolie foi além, passou a pesquisar novas formas de se produzir sorvete sem produtos animais. “Fomos melhorando com o tempo, na base do erro e do acerto”, diz. A opinião do dono sobre esses seus clientes diferenciados? “São todos muito educados, nunca vi brigas. É interessante a finura deles, foge ao padrão dos jovens”, e arremata: “Parece que o jovem vegan fica mais humano”. Entretanto, é preciso lembrar da importância de sempre manter

Q

uem sonha em se tornar vegan, mas não imagina a

vida sem um bom bolo de chocolate, já pode se acalmar. Existe solução para os ingredientes animais que vão numa clássica receita do quitute. A nutricionista Myrian Ganzerli é quem dá a dica: o leite pode ser substituído por leite de soja; e os ovos por uma pasta de tofu (queijo de leite de soja) com água – cada cinco colheres dessa pasta equivalem a um ovo. O truque pode ser usado em qualquer bolo. Nos de frutas, em vez de leite pode-se usar também suco.

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as refeições balanceadas, como em qualquer tipo de dieta. George Guimarães, especialista em nutrição vegan e proprietário de um restaurante também na capital paulista, ressalta a importância de complementar a dieta com vitamina B12, responsável pela formação do sistema nervoso e pelo apetite. Sem ela, corre-se o risco de sofrer anemia, fadiga e falta de concentração. Em crianças, os efeitos dessa deficiência de vitamina são ainda piores. Podem levar à má formação do sistema nervoso. A nutricionista Myrian Ganzerli Jorge é mais cautelosa. “A partir do momento que a pessoa se torna vegan, é importante saber se alimentar, de preferência com orientação de um nutricionista”. DE SAMPA PARA O MUNDO A oferta de delícias e eventos vegans se concentra muito na capital paulista. Há mais de uma lista virtual de restaurantes vegetarianos na cidade, uma delas contém 65 endereços (www.vegetarianismo.com.br/ guia/guia-sampa.html). No mesmo site há uma lista para o Rio de Janeiro, com 25 endereços, entre veganos e vegetarianos. Em outras cidades, como Recife, o número é menor: nove. O capixaba Gabriel Pereira Bastos, 20 anos, conta que os seis restaurantes da Grande Vitória, no Espírito Santo, são muito pouco divulgados: “Temos alguns restaurantes naturais onde servem comida vegan, mas ainda são poucos conhecidos”. Entretanto, a falta de espaços vegetarianos ao redor do Brasil não impede que o número de abstinentes da carne cresçam. Para Regina e Luisa, o vegetarianismo está em franco crescimento no Brasil, basta ver o número de restaurantes bem-sucedidos. Elas atribuem o fenômeno em parte ao documentário A Carne é Fraca (2004), produzido pelo Instituto Nina Rosa. O filme foi o primeiro documentário brasileiro sobre o impacto ambiental e as questões éticas ligadas ao consumo de carne animal. “Acho que esse vídeo fez um monte de gente virar vegetariana. Eu converso muito com o pessoal do instituto e eles falam que recebem enxurradas de e-mails, todos os dias, de pessoas que viraram vegetarianas ou veganas depois de assisti-lo”, conta Luisa. Além disso, encontros como a verdurada paulistana têm sido promovidos de forma cada vez mais constante pelo Brasil afora. Segundo André Mesquita, um dos organizadores em Sampa, as iniciativas têm se espalha-

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A verdurada tem um pouco de tudo: música, comida, informação e bancadas de bottoms e camisetas do por vários Estados, “e até a Argentina já conta com a sua própria verdurada”. PROTAGONISMO Os straight edges, maioria entre os vegans, é muito associado ao anarquismo, apesar de concentrar pessoas com as mais variadas tendências políticas. “A maioria é de esquerda, extrema esquerda, ou anarquista”, analisa o jornalista André Mesquita, straigh edge há dez anos e um dos organizadores da verdurada de Sampa. O anarquismo, no entanto, está presente em conceitos como “faça você mesmo”. “A gente quer mostrar que todo mundo pode fazer um evento como a verdurada, por exemplo, sem depender de grandes corporações”, explica André, anarquista declarado. Diversas iniciativas dão um caráter social à verdurada, a começar pelo ingresso. Dos R$ 6 cobrados, parte é utilizada para patrocinar campanhas contra maustratos animais, ou para ajudar movimentos sociais, como o dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Em troca, os beneficiados fazem palestras para colocar os jovens a par de suas lutas. Gilmar Mauro, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por exemplo, participou de uma verdurada. Ele falou sobre como os sem-terra incentivam o uso correto da terra. Na edição de julho, o tema foi a luta pelo Passe Livre em Florianópolis.

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STRAIGHT EDGES EM CENA

N

ão é difícil confun-

uma dissidência dentro

dir vegans com

do movimento punk. Até

straight edges, uma vez

então, o cara mais punk

que muitos sXes são

era o que usava mais

vegans, e vice-versa.

drogas, o que mais en-

Mas o fato é que eles de-

chia a cara. Os straight

finem comportamentos

edges conquistaram seu

distintos. sXe é o fã de

espaço mostrando que

hardcore que não usa

podiam ser tão punks

drogas, sejam elas lícitas

como qualquer outro.

ou ilícitas. Em geral é po-

Bandas como o pró-

litizado. Vegan é alguém

prio Teen Idles e o Minor

que não consome qualquer produto de origem animal, entre alimentos,

Threat, responsáveis por

Paulistas do Deeper Than That fazem hardcore sXe com pegada metaleira

moldar o hardcore em suas origens, foram es-

cosméticos, peças de vestuário e muitos outros gêneros.

senciais nesse quesito. O lado politizado da história veio

Sua principal causa é a liberação animal. O sXe, por sua

depois. Começou em Boston (Estados Unidos) e conquis-

vez, não tem uma causa predeterminada.

tou a Europa e o Brasil. Em São Paulo, o movimento é

O movimento sXe surgiu a partir do punk de Washing-

mais forte. Aneleh, 23 anos, sXe, capixaba de Vila Velha e

ton, capital dos Estados Unidos. Os primeiros responsá-

amiga de Gabriel, defende que o movimento local não

veis por disseminar essa filosofia de vida foram os inte-

cresce por falta de articulação. Espírito Santo tem uma

grantes e amigos da banda Teen Idles, que não se confor-

tradição hardcore considerável, com bandas do calibre

mavam com o fato de não poderem assistir os shows de

de Dead Fish e Mukeka di Rato. O que acontece, segundo

suas bandas preferidas por serem menores de idade –

Aneleh, é que as bandas locais são pouco politizadas, além

até então, eram proibidos de freqüentar bares e clubes

da falta de espaço e interesse de se promover o gênero

da cidade por causa da venda de bebidas alcoólicas nes-

no Estado.

ses estabelecimentos.

“Em alguns momentos, como na época do La Revancha

Mais tarde, uma idéia trazida da Califórnia pelos pró-

e ULT (coletivos straight edges mais antigos), vivencia-

prios Teen Idles permitiu aos adolescentes de Washington

mos um hardcore um pouco mais político, crítico, mas a

assistir aos shows: quem não podia beber recebia um “X”

maior parte do tempo foi como está hoje. Fica mais para

de pincel atômico na mão, de modo que os barmen sabe-

reunião de amigos e rock de final de semana”, explica.

riam quem lá dentro podia comprar bebidas.

Tanto Aneleh quanto Gabriel acreditam que a compara-

A maioridade não mudou nada para os fãs dos Teen

ção com o que rola em São Paulo não seja das mais jus-

Idles, que continuaram não fazendo uso de álcool e dro-

tas porque o punk paulistano já nasceu extremamente

gas. E mais: o “X” já tinha se tornado o símbolo de toda

politizado.

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tá na mão • Para saber mais sobre o veganismo, acesse o site do Instituto Nina Rosa (www.institutoninarosa.org.br). Ele é bem didático e, além de esclarewww.institutoninarosa.org.br www.vegetarianismo.com.br cer dúvidas sobre os direitos dos animais, explica quais são os diferentes tipos de vegetarianismo existentes. O Sítio Vegetariano (www.vegetarianismo.com.br) oferece um guia de restaurantes em várias cidades brasileiras e sul-americanas. nº 20 · Ano 3 · Revista ViRAÇÃO

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A PRAÇA é nossa

texto e fotos SUSANA PIÑOL SARMIENTO

Jovens trabalham para revitalizar praça e melhorar auto-estima da comunidade na periferia da cidade de São Paulo

P

raça 65, Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo. Cerca de 400 jovens costumavam se reunir nos finais de semana no local que hoje é apenas passagem para a Avenida dos Metalúrgicos, uma das principais do bairro. Há brinquedos quebrados, uma rampa de skate, uma quadra e mesas de concreto em mau estado. A praça tem esse nome porque é o ponto final do ônibus 3765 – linha Cidade Tiradentes-São Mateus. Há dois anos, foi reformada para se tornar um espaço de convivência, principalmente para crianças e jovens. Mas muitos jovens se afastaram do local após um incidente com a polícia no ano passado, em que os policiais chegaram a usar bomba de gás lacrimogêneo e bala

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de borracha contra os freqüentadores. A praça 65 deixou então de ser um espaço público voltado para o lazer. De acordo com o Mapa da Juventude, traçado pela Prefeitura de São Paulo em 2003, a juventude da Cidade Tiradentes (57% dos jovens são negros e pardos) vive uma situação difícil: 43% não estudam; 35% têm filhos, sendo 14% com famílias constituídas e 68% desempregados. Para mudar esse quadro, um grupo formado por jovens agentes de direitos humanos, agentes de

saúde, entidades, escolas da região, e a escola de samba da comunidade pretendem dar nova cara à Praça 65. Fabiana Pitanga da Silva, conhecida como Bia, é uma das pessoas articuladas para promover a mudança do local. Tem 21 anos e é agente de direitos humanos. Há dois anos, participa do Núcleo Cultural Força Ativa, que desde outubro de 1989, promove eventos culturais, debates e grupos de estudo com o objetivo de discutir a exclusão social. Participou da reforma da biblioteca comunitária, que os próprios jovens agentes

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ajudaram a custear, e costuma ir às escolas para conversar com os adolescentes sobre direitos humanos. Na opinião de Bia, muitos jovens da Cidade Tiradentes têm a autoestima baixa porque estudam numa escola pública sem infra-estrutura, não possuem espaço de lazer e passam por dificuldades financeiras. “Eles sentem vergonha de procurar emprego e serem discriminados por morar na zona leste, principalmente na Cidade Tiradentes. Ainda mais quando você é mulher ou negro.” QUADRA DETONADA Douglas Pereira dos Santos, 22 anos, também está envolvido no projeto de revitalização da Praça 65. Longe da biblioteca, ele trabalha desde março de 2002 como agente de saúde numa das Unidades Básicas de Saúde da Cidade Tiradentes e pretende cursar Enfermagem. Douglas passou por uma semana de capacitação para aprender a fazer cadastramento dos pacientes, como abordar as pessoas e orientálas de forma correta. Visita cerca de 10 famílias por dia. “A função do agente não é cobrar da pessoa, mas orientá-la. É uma vistoria para ver se o paciente toma o remédio

de forma correta e vai ao médico regularmente”, explica. Em suas visitas, Douglas reparou no grande número de jovens ociosos. “O jovem da Cidade Tiradentes procura fazer o que dá. Ele empina pipa, joga basquete e futebol mesmo com a quadra toda detonada. Na sexta-feira, a Escola de Samba Príncipe Negra faz ensaio e reúne gente para sambar e dançar axé”, conta o agente. CIDADE INVISÍVEL O projeto de revitalização é apenas o começo das mudanças no bairro. A idéia é melhorar a qualidade de vida dos jovens da região por meio de ações educacionais, esportivas e culturais. Um jornal dos freqüentadores da praça, shows de artistas locais, reforma dos banheiros e da quadra, oficinas de mosaico e artesanato, mostras de filmes, concurso de grafite, biblioteca itinerante e uma rádio comunitária são algumas das propostas levantadas pelos educadores do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (Ibeac) e parceiros. O Ibeac é uma Organização Não-Governamental, que defende os direitos humanos, a cidadania solidária, conscientização e a mobilização de setores da sociedade.

Uma das ações que realiza é um programa de Formação em Direitos Humanos. Contando com uma equipe de antropólogos, pedagogas, psicólogas e sociólogos, entre outros profissionais, o programa capacita lideranças comunitárias, sociais e políticas. Isabel Santos, pedagoga do Ibeac, empreendedora social da Ashoka e do Conselho Pedagógico da Vira, explica que há uma formação inicial de 24 horas para os jovens agentes de direitos humanos. Na Cidade Tiradentes, os cursos começaram em 1999. Hoje, há cerca de 150 jovens capacitados na comunidade, entre agentes de direitos humanos, agentes comunitários de saúde e gestores locais. Dez deles na universidade, após batalharem por bolsas de estudo. Os atores deste processo esperam conseguir uma parceria com os poderes público e privado para a revitalização da praça e outros projetos para a Cidade Tiradentes. Enquanto isso não acontece, os jovens agentes são protagonistas da mudança em sua comunidade. “Eles conseguem tirar a Cidade Tiradentes da invisibilidade. Discutem sua comunidade na mídia e em movimentos sociais. É um conjunto de jovens lutando por melhorias”, conclui Isabel.

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tá na mão • Para conhecer mais o trabalho desenvolvido, acessem os seguintes sites abaixo: Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (Ibeac) www.ibeac.org.br Nucleo Cultural Força Ativa (NCFA) www.geocities.com/athens/cyprus/3465/inicial.htm nº 20 · Ano 3 · Revista ViRAÇÃO

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AUMENTA

o som!

Ministério da Educação investe no programa Rádio-escola

IZABEL LEÃO e JOSÉ MANOEL RODRIGUES

A

Suzina

Secretaria de Educação à Distância (SEED) do Ministério da Educação tem estimulado alunos e professores a participarem do projeto Educomrádio.centro-oeste (oficinas de comunicação em rádio nas escolas públicas). Novos equipamentos estão sendo implantados e a galera participa da produção e apresentação dos programas. Segundo Mathias Gonzalez de Souza, gestor de planejamento educacional e coordenador do Programa Rádio-escola, a Secretaria planeja incrementar a aparelhagem e facilitar o uso do computador. “Pensamos num kit mais leve, que dê agilidade à produção radiofônica”, diz. “Nossa idéia é empregar softwares que permitam compactar as opções que hoje ocupam muito espaço no equipamento.” Mathias considera que a web-rádio (ondas de rádio pela internet) é a melhor alternativa para estudantes que vivem longe dos grandes centros. Junto com especialistas de outros ministérios, Mathias elaborou o relatório sobre a concessão de freqüências de rádio para uso dentro da escola. “No dia 10 de agosto entregamos o relatório ao presidente Lula com um panorama geral das rádios educativas”, conta. “Uma das soluções que indicamos foi a alteração da lei que rege a concessão do direito sobre a exploração do veículo rádio.” Uma das alterações que será proposta ao Congresso é a autonomia das secretarias estaduais de Educação para indicar escolas que possam ter uma freqüência especial, similar à de rádios comunitárias. A Radiobrás foi o órgão indicado pela SEED para avaliar tecnicamente as solicitações e garantir ao Ministério das Comunicações que as escolas tenham equipes capacitadas para operar a rádio. INTEGRAÇÃO TOTAL

Su

zin

a

O Projeto Rádio-Escola acolhe vários programas para implantação do uso das mídias nas escolas – recurso cada vez mais valorizado pela Secretaria de Educação a Distância. Televisão, internet e jornais impressos estão sendo integrados gradualmente. Segundo Leila Lopes de Medeiros, coordenadora geral de capacitação em Educação à Distância, o objetivo não é ensinar somente a técnica: “Queremos que os programas Rádio-Escola e TV Escola, além das revistas e a internet, formem um leitor mais crítico e apto a participar da construção de uma mídia mais democrática”. Com a integração das mídias, o acervo e os recursos das escolas poderão ser melhor aproveitados. Leila acredita que professores e alunos devam ser estimulados a produzir os programas para que possam consumir os produtos da mídia com mais consciência. “A nossa pretensão é que dominem o processo de produção midiática e tenham uma vivência mais construtiva a partir dele”, explica. “Desta forma, estarão criando uma nova dinâmica ao ensinar e aprender.”

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Produção

Livro pinta as cores do movimento Hip Hop, que está mudando a história da periferia

independente Divulgação

SILVANA SALLES

A

caixa de lápis de cor precisava ser uma daquelas de 48 cores, mas a dona da lojinha insistia em não vender para Toni C., um artista multimídia. Além de Dj, é produtor musical de vídeos independentes e colunista do portal Vermelho. Segundo a senhora, as caixas com menos cores faziam a mesma coisa e eram mais baratos. Mas a caixa de 48 era especial para Toni. Afinal, ela seria a capa do Hip Hop a lápis – o livro. A obra reúne artigos publicados originalmente na coluna que Toni, Aldanny Rezende, Nina Rodrigues, Mano Shetara e Marcelo Buraco escrevem para o Vermelho, portal do Partido Comunista Brasileiro (PC do B). Desde outubro de 2002, equipe e convidados procuram traduzir em palavras suas experiências dentro do movimento Hip Hop. A idéia do livro surgiu um ano mais tarde. Com os artigos selecionados em mãos, começou a busca por uma editora disposta a publicá-los. “Demoramos dois anos procurando editora, levando não na cara, mostrando o projeto; até a gente criar a nossa própria entidade e o próprio Hip Hop produzir o livro”, conta Toni. A entidade a que ele se refere é a Nação Hip Hop. Criada em janeiro e presente em todo o território brasileiro (com exceção do Acre e de Roraima), quer ser uma rede de integração entre os grupos e as ações do movimento. Além disso, pretende fundar uma economia solidária dentro do Hip Hop, capaz de potencializar as manifestações artísticas que já acontecem por todo o Brasil e viabilizar a especialização de jovens produtores dessa cultura. A idéia é eles viverem da produção, e não apenas levá-la como hobby. “A gente quer fomentar essa idéia do mercado alternativo”, diz Aliado G, MC do grupo Face da Morte, e presidente da Nação. Para isso, ele defende, é necessário que se organizem redes de produção e distribuição cooperada. Hip Hop a lápis – o livro é o primeiro grande projeto concretizado pela organização, QUATRO ELEMENTOS que ainda está em fase de consolidação. Os quatro elementos do São 63 artigos que retratam manifestações Hip Hop são o rap, o dj, o dos quatro elementos da cultura Hip Hop, graffiti e os b-boys (dansugerem posturas éticas e discutem política çarinos de breaking). e ideologia. O critério de escolha foi a freqüência dos temas. O livro não está à venda; os exemplares que foram impressos já estão esgotados porque foram distribuídos gratuitamente entre as comunidades em diferentes Estados. Para isso, representantes do Nação Hip Hop foram a São Paulo para o lançamento do livro e voltaram para casa com sua cota de cópias literalmente na mochila. Um exemplo de como fazer muito com pouco dinheiro, e de oferecer cultura sem cobrar nada em troca.

tá na mão • Visite a coluna semanal do Hip Hop a lápis no Vermelho: www.vermelho.org.br.

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Aprender CAMILA PAULA MACEDO

com

Fotos: Arquivo Pessoal

Aventuras de RPGs (Role Playing Games) são utilizadas como estratégia de ensino em sala de aula. Alunos chegam a fazer pesquisas extra-curriculares para compor seus personagens

RPGS (ROLE PLAYING GAMES) Esta aventura foi criada por Marcos Tanaka Riyis, autor de Simples – Sistema Inicial para Mestres-Professores Lecionarem Através de uma Estratégia Motivadora (Editora do Autor, 2004).

P

uxa pessoal, vocês foram transportados para um lugar no meio do nada e pra piorar, a Lila quebrou as pernas. E agora? (O professor ou mestre do jogo estava com tudo preparado para retomar a aventura. Na mesa já estavam os dados, as fichas dos personagens, o texto,

2020

prazer

os livros. De fundo, a trilha sonora. Era o começo de mais uma aula, a princípio, de Ecologia.) Depois buscamos a Lila, seus poderes estão fracos – diz Luiz. (Nos RPGs ou “Jogos de Representação de Papéis”, do inglês Role Playing Games, a criação coletiva ganha espaço. Daniel Lira de Oliveira em “Para entender o RPG” o define como uma espécie de contar histórias, sem os narradores e ouvintes convencionais, mas com jogadores que inventam, durante a trama, a história de seus personagens. Mas Luiz, deixar os amigos? E ela tem poder de invisibilidade e viagem Astral – alerta o mestre.

(Nos RPGs tradicionais, o mestre cria um enredo para a história e estabelece um objetivo para o grupo. Todos juntos devem, por exemplo, impedir um desastre ecológico. Mas como os acontecimentos intermediários da trama são construídos por todos, os rumos previstos pelo mestre nem sempre são seguidos. O mestre também descreve o ambiente ou cenário da aventura e o resultado da ação dos personagens dos jogadores (os protagonistas) e dos personagens não-jogadores (os coadjuvantes ou antagonistas representados pelo mestre.) É, vamos levar a Lila! Meu personagem, ou melhor, eu corto alguns cipós e galhos para uma maca. Tem cipó por perto, não tem? (Os jogadores devem usar toda a imaginação para dar vida aos personagens. Contudo, devem respeitar as características dos personagens, pré-definidas em suas fichas, juntamente com suas posses.) Eu costuro a maca, minha habilidade manual é alta!

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Na sala de aula, alunos atuam como jogadores e criam suas próprias histórias (Regra primordial: um personagem pode fazer tudo o que o “bom-senso” julga realizável, desde que respeite as suas capacidades.) Calma Lady Lu, vamos testar a sua habilidade manual. A dificuldade é 9. Se você tirar 9 ou menos nos dois dados... Bem, 7 e 1 são 8. A maca está pronta – anuncia o mestre. (Quando não há certeza da ação de um personagem ou se o mestre quer o fator sorte determinandoa, os dados são jogados. Quanto mais alto for o valor definido pelo mestre, mais possibilidade de realizar a ação terá o personagem.) Não sabemos onde estamos... É uma floresta tropical, não é mestre? Tem árvores altas, é quente e úmida... (Como coloca Marcos Tanaka, autor de “Simples”, o jogo vira um misto de teatro, de histórias ao redor da fogueira, de jogo de tabuleiro, com pitadas de fator sorte.) Mas sabemos que se a gente soltar as vespas virgulóides que pegamos com o Curupira pode haver um desequilíbrio ambiental. E não podemos tomar essa água, está poluída. (A capacidade de colaborar com a construção de conhecimento é intrínseca aos RPGs. Como ferramenta pedagógica, garantem aulas lúdicas e prazerosas. Os alunos chegam a realizar,

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por conta própria, pesquisas extracurriculares para compor os seus personagens.) Aqui no meu livro... deixe me ver... podemos colocar “0,5 mg de cloro para cada litro de água” e, depois de dois minutos, já podemos beber. (Os RPGs também permitem a relação do conteúdo escolar com o cotidiano do aluno, a aplicação de conceitos no dia-a-dia e a resolução de situações-problema. “Einstein se valia de construções imaginárias para resolver seus problemas, se imaginando viajando em um vagão de 900 mil km de altura. Sua imaginação prodigiosa permitia avaliar os efeitos práticos da sua teoria de relatividade restrita, já que seria impossível, na época, essa observação em experimentos de laboratório”, exemplifica Francisco de Assis, pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). “A imaginação permite que o professor faça uso do melhor laboratório do mundo, que se localiza exatamente entre as orelhas dos alunos’.” Muito bem pessoal, mas a Lady Lu, com sua audição super desenvolvida, escutou uma movimentação, alerta o mestre. (Em uma aventura pode-se também reviver, por exemplo, um acontecimento histórico e ter as atitudes dos personagens ficcionais comparadas com as dos personagens reais.) Ainda bem que não deixamos a Lila, reconhece Luiz. Eu tenho nível 7 em línguas, posso conversar com eles para ver como sair daqui. (Os RPGs “permitem simular situações, testar atitudes, colocar em xeque padrões éticos variados”, defende a arte-educadora Rosana Rios em A faceta educativa dos RPGs. Mas mesmo que os RPGs sejam eficientes estratégias lúdicas de ensino, os educadores precisam adaptar aventuras, ou mesmo criá-las, pois o mercado ainda não oferece tantas opções de aventuras para uso pedagógico.) Só que, de repente, um buraco aparece embaixo de Onofre e... ... o professor encerra a aventura sempre deixando um gostinho de quero mais.

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DE OLHO NO

ECA Ivo Sousa

Saiba sobre seus direitos e deveres, garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente

QUANDO OS GOVERNANTES SE ESQUECEM DO ECA

S

e você conhece um pouquinho do que está escrito no Estatuto da Criança e do Adolescente, já deve ter percebido que em muitos lugares do Brasil ele ainda não é cumprido por negligência dos próprios governantes. Faltam escolas, hospitais e educação para jovens deficientes. Sem contar o tratamento indigno que os adolescentes recebem nas unidades de internação. A questão é: ao presenciar o Estado desrespeitando o ECA, é possível tomar alguma providência? Claro que sim! O caminho é fazer uma denúncia ao Ministério Público, que pode processar o governo ou a instituição que descumprir o estatuto. Também é possível que as associações legalmente constituídas (que atuam com crianças e adolescentes há pelo menos um ano) processem o Estado para que cumpra a lei. Quando o Poder Público é condenado por desrespeitar os direitos estabelecidos no ECA, há uma investigação para apurar quais funcionários foram os responsáveis pelo erro. Quem o desrespeita pode ser condenado a pagar multa ou pode pegar até cadeia, dependendo do tipo de infração. ANIVERSÁRIO Quinze anos se passaram e já passou da hora para refletir sobre avanços e retrocessos quanto aos direitos das crianças e dos adolescentes. No dia 12 de agosto, a Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (ANCED) fez uma audiência pública para justamente discutir o assunto, na Assembléia Legislativa de São Paulo. Deputados estaduais e representantes de centros de defesa e conselhos tutelares do país inteiro discutiram o que deve ser comemorado e lamentado no 15o aniversário ECA. No final do debate, foi lançada a revista 15 olhares sobre os 15 anos do ECA, onde especialistas dão os seus pontos de vista sobre o estatuto e sua aplicação. nº 20 · Ano 3 · Revista ViRAÇÃO nº 20 · Ano 3 · Revista AnaViRAÇÃO Lucia Pires

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GALERA REPÓRTER

Chega de hipocrisia Há todo um trabalho a ser feito com a família, porque o adolescente é a ponta do iceberg, principalmente em relação à penalidade

Susana Sarmiento

D

Advogada e pedagoga, Valdênia Paulino diz porque os direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente não interessam ao mercado econômico CAROL LIMA, 24 anos DIEGO PACCI, 17 anos DOUGLAS LIMA, 16 anos SÁLUA OLIVEIRA, 17 anos SUSANA SARMIENTO, 23 anos GABRIEL MITANI e SILVANA SALLES, da Redação

edicar a vida inteira batalhando pelos direitos dos outros e, sobretudo, para fazer valer o que está escrito no Estatuto da Criança e do Adolescentes (ECA). Dá para acreditar que alguém vive desse jeito? Pois essa é a vida de Valdênia Paulino. Para fortalecer a sua luta, ela cursou Pedagogia e Direito. Professora de Direitos Humanos e uma das fundadoras do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Mônica Paião Trevisan (Cedeca Sapopemba), Valdênia esteve envolvida, ainda, com trabalhos na Casa das Meninas, um espaço de apoio às meninas da região e que “foi fundamental para se começar as mudanças”, como ela mesma diz. Valdênia nasceu em Minas e mudou-se com a família para São Paulo na década de 70. Na região de Sapopemba, zona leste, onde vive e mora até hoje, iniciou suas atividades voltadas para a comunidade. O ano de 2003 foi muito marcante para a advogada. Ela recebeu o Prêmio Personalidade pela Defesa dos Direitos Humanos, concedido pelo Governo Federal. Mas também teve que andar com escolta policial devido às ameaças de morte. Em entrevista realizada em São Paulo, Valdênia conta um pouco das suas experiências pessoais e de seus projetos que ajudam a reconstruir os valores da nossa sociedade. Você teria a mesma coragem? Conte um pouco de sua trajetória e de que maneira você se encaminhou para essa profissão. – Em uma família com cinco irmãos, a gente aprende desde cedo a batalhar. Tive sempre uma cultura de respeito e solidariedade, muito comum na periferia. Aprendi que as mudanças só iriam acontecer se nós fôssemos os verdadeiros protagonistas. Ver, julgar e agir: esse era o meu lema. Aos oito anos, eu e meus irmãos vendíamos esterco. Depois catamos sucata, cuidei de bebê para vizinhas e, aos 15, já trabalhava em projetos sociais numa das favelas da região de Sapopemba. E fui percebendo que todas as melhorias que acontecem na periferia são frutos do movimento

CEDECAS Os Centros de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente foram criados com o objetivo de proteger os direitos dos jovens das periferias e garantir assistência jurídica e educativa para comunidades carentes. São 32 Cedecas Revista ViRAÇÃO 3 · nºem 20 15 Estados. filiados à Anced no· Ano Brasil,

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ALGUNS SITES:

Linha de Frente • Cedeca Cleber Mariano, da Associação de Apoio a Meninas e Meninos da Região Sé, São Paulo (SP) – www.aacrianca.org.br • Cedeca Mônica Paião Trevisan, São Paulo (SP) – www.cedecampt.org.br • Cedeca Bertholdo Weber (PROAME), São Leopoldo (RS) – www.cedecaproame.org.br • Cedeca Emaús, Belém (PA) – www.emauscrianca.org.br • GAJOP, Recife (PE) – www.gajop.org.br • Cedeca Bahia – Yves de Roussan, Salvador (BA) – www.cedeca.org.br • ABRAPIA, Rio de Janeiro (RJ) – www.abrapia.org.br 31/08/05, 13:39


Fotos: Gabriel Mitani e Susana Sarmiento

“Acho que o inferno deve ser até mais simpático do que a Febem”. À direita, Valdênia e os Virajovens de São Paulo da população. Vi que só os protestos não são o suficiente para alterar a situação de violação de direitos. Depois da ditadura militar, o alvo direto da polícia era as pessoas pobres. Muitas crianças e adolescentes morriam na mão de justiceiros e percebemos que precisávamos criar um centro de defesa da criança e do adolescente. E com a chegada do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), nós ganhamos mais força. Tínhamos, a partir de então, um instrumento legal, que nos dava alicerce para a criação desse centro de defesa. E o Cedeca, como funciona? – Ele foi criado em 1989, mas passou a ser oficial em 1991, apenas. O primeiro ponto trabalhado é a formação. É preciso haver uma formação popular. Muitas pessoas ainda desconhecem os direitos fundamentais enquanto direitos positivos. É impossível você brigar por alguma coisa que você sequer conhece. A primeira preocupação, portanto, é divulgar esses direitos. O segundo ponto é a articulação, porque nenhuma instituição sozinha faz a mudança. O terceiro é a promoção dos direitos, que seria o atendimento direto ao público. Então, a entidade promove oficinas culturais, atendimento

jurídico, social e psicológico, e atende as pessoas que chegam com denúncias, desde abusos sexuais até a falta de atendimento médico em postos de saúde. Promovemos processos judiciais e, ao mesmo tempo, a maior força está na organização do movimento. De que maneira se dá a formação? Vocês dão aulas? – Eu não diria aulas. É uma formação muito interativa. A partir da realidade, a gente faz um encontro de informação. Arte, música, dança, filmes, aí vai rolando de tudo um pouco. Então a formação se dá a partir do acompanhamento das questões concretas. Por exemplo, no início deste ano, na região de Sapopemba, muitos jovens eram presos e a polícia forjava o porte de drogas. Infelizmente, ainda é a força da palavra da polícia contra a do jovem afrodescendente. A partir de situações como essa, reunimos a comunidade e orientamos os jovens para se defenderem quando forem abordados, chamando outras pessoas para ficarem olhando e avisando alguém do centro de defesa pra chegar logo à delegacia, além de falar sobre os direitos fundamentais na hora de se apresentar. A formação se dá a partir da vida real, não é abstrata.

dade social, que moram em cortiços, casas populares e favelas. E com a atenção voltada à violência doméstica, ao abuso de exploração sexual e aos atores de ato infracional. Há todo um trabalho com a família, porque o adolescente é a ponta do iceberg, principalmente em relação à penalidade. Hoje a comunidade tem mais consciência? – Quando o pessoal ouve falar em Sapopemba, já sabe que vem grupo organizado, porque se criou esse movimento. Na semana passada, por exemplo, chegou uma menina sozinha com oito anos e foi fazer uma denúncia, pois tinha sido agredida verbalmente. É fantástico! O que é mais bonito: um jovem traz outro. Acho que essa é uma resposta mais concreta de que o trabalho está no caminho certo, mas ainda tem muito a ser aperfeiçoado. Você tocou no assunto de prisão. Como você vê a aplicação do ECA na Febem? – Acho que o inferno deve ser até mais simpático que a Febem. Lá, eu vejo a falência de qualquer nível de relação humana. Ela, assim como outras estruturas de encarceramento, é o braço forte do governo e do controle social dos pobres de

Qual é o público atendido pelo Cedeca? – Nossas prioridades são crianças e jovens com maior vulnerabili-

Criada em 1994, a Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente é a rede constituída pelos Cedecas de todo o país. Procura ampliar a atuação dos centros de defesa para o âmbito nacional. Mais informações em: www.anced.org.br.

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O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente é o órgão federal responsável por coordenar as ações dos conselhos estaduais, municipais, tutelares e setoriais (saúde, educação, etc.) e do Ministério Público, além de orientar o debate com a sociedade civil. Mais informações em: www.presidencia.gov.br/sedh/conanda nº 20 · Ano 3 · Revista ViRAÇÃO

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forma muito piorada. Cada adolescente custa ao menos cinco salários mínimos. E a gente sabe que não recebem atendimento, que é uma falsa propaganda para a comunidade. Por meio do atendimento que é dado, parte da mídia acaba fazendo apologia ao crime e àquela cultura de olho por olho, dente por dente. Em hipótese alguma o estatuto é aplicado, nem o mínimo, que seria dividir os adolescentes por idade ou por tipologia do ato infracional. Aliás, a Febem é um exemplo de negação do ECA. E a crueldade perpassa o físico do adolescente porque atinge a família e os próprios trabalhadores que estão lá. É tamanha a hipocrisia da sociedade brasileira que não obstante em não ter aplicado o estatuto, já se fala no rebaixamento da maioridade penal. A Espanha, por exemplo, tem revisto a idade de 18, repensando pra mais. A psicologia diz que a puberdade, principalmente nos homens, tem acabado aos 32 anos de idade. Enquanto na classe média e alta, os filhos demoram mais pra sair de casa, para os pobres já pode abaixar a maioridade penal. Também não vou fazer apologia aos “coitadinhos dos infratores”, porque não se trata de coitadinhos. Trata-se de pensar que modelo de sociedade nós queremos e como vamos construí-lo. E o que temos a comemorar e lamentar com os 15 anos do ECA? – Eu acho que comemorar o fato de termos o estatuto vigente. É um instrumento importante e eu sou muito esperançosa. Esse estatuto nos dá o direito a participar da campanha do Conselho Tutelar, dirigir creches com administrações decentes, que as escolas não sejam apenas um depósito de crianças, mas realmente um espaço de educação. Ele nos dá os parâmetros para dizer hoje, em alto e bom som,

que a Febem está falida, que é preciso pensar um modelo que atenda o Estatuto da Criança e do Adolescente, que promova a liberdade e dê condições para os adolescentes romperem com esse ciclo de violência como atores e vítimas. Agora o que temos ainda a lamentar é justamente a displicência do poder e das autoridades públicas no cumprimento do estatuto. Os orçamentos públicos ainda são aprovados em base de negociação política para preservar poderes e não realmente tendo os adolescentes como prioridade. Temos que lamentar ainda uma das cidades mais ricas da América Latina ter uma Febem como a de São Paulo; uma cidade como São Paulo ter uma política social como a dessa atual gestão municipal que é a da limpeza social, como tem acontecido com o povo da rua a olhos nus. Será que o conceito de direito não está defasado e precisa de uma revisão urgente? – Não. Todos os direitos que estão no ECA são da constituição. O que ocorre é que não interessam para o mercado econômico. Precisou-se destacar da Constituição para chamar atenção dos políticos. Quais são os direitos que temos agora? Se não tivermos garantidos os direitos à vida, à moradia, à escola com qualidade, ao vestuário, à alimentação, ao lazer, à saúde, que outros direitos nós queremos? Quanto às responsabilidades, o estatuto é bastante severo, pois são previstas desde a primeira idade. Nesse aspecto, o que precisa é que realmente ele seja aplicado. Como você acha que os jovens podem ajudar os outros na aplicação do ECA? – Conhecendo os direitos e ousando. Os jovens precisam de ousadia. Não temos só o ECA,

O Conselho Tutelar é um órgão sem vinculação político-partidária encarregado de zelar para que os que devem cumprir os direitos das crianças e dos adolescentes efetivamente os cumpram. A sua finalidade é fiscalizar se a família, a sociedade e o Poder Público estão assegurando com absoluta prioridade a efetivação dos direitos das crianças e dos adolescentes. É um mobilizador, um articulador e um verdadeiro conselheiro que toma decisões em grupo. Mais informações, nos sites: Ano 33 ·· nnºº 19 20 Revista ViRAÇÃO · Ano www.geocities.com/conselhotutelar; www.condeca.sp.gov.br

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mas o direito ao consumidor. Não podem se deixar enganar. Participar e não ter medo de cara feia. Acho que o grande desafio é conhecer e ter ousadia. Os jovens precisam provocar a mudança a partir dos direitos que foram conquistados a custo de muitos que já partiram desta vida terrena. Ainda acho que falta traduzir este estatuto numa linguagem popular, também, para que se torne o dia-a-dia da rapaziada e da moçada. Como é o trabalho de uma advogada de direitos humanos? – É um trabalho que não dá “ibope”. Hoje, um dos maiores violadores dos direitos humanos é o próprio Estado e isso torna o trabalho muito difícil, porque se denuncia o Estado para o próprio Estado. Nós não temos um poder judiciário autônomo. A minha chance de ganhar uma causa, como profissional de Direito, é bastante difícil. Então, é muito complicado trabalhar como advogada de direitos humanos, principalmente com adolescentes e jovens, porque eu preciso trabalhar com valores numa sociedade altamente contraditória. Além disso, sofro por conta da impunidade quando consigo trabalhar com a comunidade e romper com o silêncio por conta do medo. Eu mesma vivi com ameaças de morte e precisei ficar escoltada por quase um ano pela Polícia Federal. Precisei mudar quase oito vezes de endereço para não ter um fixo. O que te dá força para continuar nesta luta? – Acreditar numa vida com qualidade, no potencial humano e nas relações humanas. Quando você consegue perceber que as crianças, os adolescentes, que não tinham sonhos e começam a querer escolher o que vão estudar mesmo sabendo das poucas chances, isso, sim, dá vontade de continuar.

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O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) foi criado para tomar decisões sobre a política na área da criança e do adolescente, cadastrar e registrar os serviços na área da criança e do adolescente e articular com outros conselhos (saúde, educação, trabalho, cultura, habitação) para elaborar planos integrados.

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Bate papo sobre igualdade étnica e racial

• Os quilombos surgiram com a fuga dos negros escravos, que se juntavam em um local escondido e fortificado?

JÔ BRANDÃO

• A luta do famoso Quilombo dos Palmares, chefiado por Zumbi, durou mais de 5 anos?

Zanauandê

• A primeira iniciativa que começou a reconhecer os direitos dos quilombolas foi em 1988, na Constituição Federal, que assegurou a propriedade de terras?

Em iorubá, uma das línguas africanas, quer dizer “criança muito esperada”. É também o nome do projeto que busca garantir os direitos de crianças e adolescentes quilombolas Ricardo Teles

N

VOCÊ SABIA QUE...

ão é por acaso que sabemos muito pouco sobre os quilombos. As escolas não dão ênfase ao assunto. Por isso, temos a impressão de que é coisa do passado. Os quilombos, na verdade, são comunidades organizadas pelos negros escravizados trazidos da África. Eles são, até hoje, um modelo de resistência à escravidão e às desigualdades sociais vividas pela população negra. A vida dessas comunidades é baseada no uso coletivo dos recursos naturais (produção agrícola, pesca artesanal e extração agrícola), nos fortes laços de parentesco e solidariedade. A religião também é outro aspecto forte. Organizam-se, desse modo, com base na identidade étnica e na ligação com a terra. Em 1995, por ocasião da marcha dos 300 anos de Zumbi, nasceu a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). A entidade defende a igualdade racial e Projeto fará uma pesquisa busca o diálogo com o governo, ao propor e conssobre a realidade de crianças truir políticas públicas de reconhecimento, respeito e adolescentes quilombolas e inclusão das comunidades quilombolas. em vista de políticas públicas Um dos principais enfoques são as crianças. Elas freqüentemente saem das próprias terras para estudar e trabalhar. Nesse contexto, a entidade vem desenvolvendo o Projeto Zanauandê (em iorubá, uma das línguas africana, significa “criança muito esperada”), para garantir os direitos de crianças e adolescentes quilombolas. A iniciativa quer a permanência das crianças em seus territórios, fortalecendo as próprias identidades e a tarefa de continuar a história dos quilombos. Entre outras ações, o projeto fará uma pesquisa sobre a realidade de crianças e adolescentes quilombolas, que servirá de subsídio para a construção de políticas específicas (escolas, serviços de saúde etc.) para eles. O Brasil não promoverá a igualdade racial enquanto não reconhecer as comunidades quilombolas, garantindo o direito definitivo de suas terras. O Governo Federal tem dado alguns passos importantes, mas é preciso avançar com mais rapidez, sem deixar as crianças e adolescentes quilombolas de fora. Jô Brandão é membro da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas (CONAQ) e empreendedora social da Ashoka

• A primeira titulação de terra quilombola deu-se apenas em 1995 em Oriximiná, no Estado do Pará? • Há mais de mil comunidades quilombolas espalhadas pelo território brasileiro? • O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, por meio do decreto no 3.912/2001, restringiu os direitos consagrados aos quilombolas pela Constituição de 1988? Nenhuma terra de quilombo foi titulada no governo FHC a partir de setembro de 2000. O presidente Lula revogou esse decreto, mas desde então o processo de titulação de terras continua muito lento.

Novaes

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tá na mão • Projeto Quilombolas: www.quilombo.org.br • Comunidades Quilombolas: www.cpisp.org.br/comunidades

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MARIANA ALBANESE

Q

Hip Hop engajado

A

Comunicação, Educação e Informação em Gênero (CEMINA),

numa parceria com a Rede de Jovens do Brasil, lançou o projeto Hip

Hop mandando fechado em saúde e sexualidade. São dez faixas musicais – e três bônus contendo vinhetas – que discutem os direitos sexuais e reprodutivos. A idéia é propor aos jovens a reflexão sobre assuntos como aborto, homossexualismo e sexo seguro, muito pouco trabalhados dentro da cultura Hip Hop. Participam do projeto artistas consagrados no Hip Hop carioca, entre Edd Wheller, Márcia 2 Pac, Tito Go-

uanto você pagaria pelo mais novo CD da sua banda favorita? Pois no universo paralelo da música independente brasileira, esse disco pode custar nada. Trata-se da política do copyleft, idéia que se traduz em algo como “direito de copiar sem fins comerciais”. Ao contrário da pirataria, este tipo de licença tem sido defendido por especialistas no combate ao comércio ilegal de CDs. Na contramão de medidas Divulgação restritivas, como a de colocar dispositivos anti-gravação nos discos, está a proposta de copyleft, que tem sido encampada por bandas como a dos pernambucanos pop da Mombojó e os capixabas da Zémaria. Ao invés de proibir, liberar. Sim: antes que alguém pirateie seus CDs, essas bandas os disponibilizam para download gratuito. Isso quer dizer que você não pode fazer cópias e vendê-las na esquina de casa, mas presentear um amigo, por exemplo, pode. Ao adotar a livre circulação de suas músicas, o Mombojó tinha em vista a liberdade intelectual. Inclusive, disponibilizam em seu site faixas abertas, para que interessados possam editar algumas músicas. Já a Zémaria, banda de incrementadas batidas eletrônicas, faz um convite tentador em seu sítio: KAZAA, “você pode downloadear as músicas, a capa, e fazer SOULSEEK, EMULE o seu cd em casa”. E conseguem ser ainda mais democráticos: “Espalhe no Soulseek, no Emule”. programas para troca de músicas pela Outro artista a disponibilizar suas músicas na Internet. internet é o rapper BNegão. Na página do Centro de Mídia Independente (CMI), é “permitida e recomendada” a cópia do CD Enxugando o gelo, desde que para fins não-comerciais.

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mes, K.M.K.Z. (ZN Máfia), DJ Rafik e outros. As cópias do CD estão sendo distribuídas gratuitamente para integrantes da Rede de Mulheres no Rádio, DJs, rádios comunitárias e ONGs. Todas as faixas estão disponíveis para download no site www.hiphopdsdr.org.br.

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TODOS OS SONS

Liberou geral

tá na mão • Acesse as páginas na internet e curta o som alternativo: www.midiaindependente.org/ pt/red/2004/06/283492.shtml www.mombojo.com.br www.zemaria.art.br

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CD traz 10 faixas musicais nº 20 · Ano 3 · Revista ViRAÇÃO

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...

SÉRGIO RIZZO – CRÍTICO DE CINEMA

Fotos: Divulgação

NO ESCURINHO

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Edukators

ue a sociedade de consumo incentiva a apatia e realimenta a desigualdade social, todos concordam. As divergências, sobretudo entre os jovens, dizem respeito ao que se poderia fazer para atacar o problema. Muitos preferem a ação político-social organizada, acreditando que as transformações possam ocorrer sem desrespeito às “instituições” e às regras da democracia representativa. Outros, desiludidos em relação a essa alternativa pacífica, optam por combates em terreno distinto. É o caso dos jovens protagonistas de Edukators. Eles se propõem a ser os “educadores” do título. São politizados, sem dúvida; caso contrário, nem mesmo veriam a necessidade de “reeducar” a sociedade de consumo alemã. Mas são também românticos e, em diversas situações, ingênuos. Sua prática parece inofensiva: durante a noite, circulando por bairros nobres de Berlim, eles invadem casas de famílias ricas, na ausência dos moradores, e desarrumam o que for possível desarrumar. Não levam nada, embora houvesse muito o que levar. Apenas completam a bagunça com avisos em tom de ameaça, no gênero “seus dias de fartura estão contados” ou “você tem muito dinheiro”. Ousadia ou molecagem? Ação inócua ou efetiva? Enquanto o público reflete sobre o que fazem clandestinamente esses dois jovens, o diretor e roteirista austríaco Hans Weingartner insere na trama outros dois personagens – a namorada de um deles, que desconhece as aventuras noturnas, e um milionário que termina seqüestrado pela dupla, por acidente – para deixar as coisas um pouco mais complicadas. Entra em cena, por exemplo, o conflito geracional, acompanhado da idéia de que o reformista engajado de hoje é o conservador acomodado de amanhã.

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Filme trata da reeducação da sociedade de consumo alemã

O diretor Hans Weingartner coloca o desafio: “O reformista engajado de hoje será o conservador acomadado de amanhã”

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SEXO e SAÚDE

CARMEN FRANCO – PSICÓLOGA E PEDAGOGA

?

Há algum problema em ter relação sexual sem ter ciclo menstrual? Sílvia Barros, 16 anos

O

~ ~

Natália Forcat

Em um ciclo normal, a menstruação demora de 28 a 30 dias para aparecer e dura, em média, de três a cinco dias

ciclo menstrual de uma mulher começa no 1o dia em que ela menstrua e vai até o último dia antes da próxima menstruação. Em um ciclo normal, a menstruação demora de 28 a 30 dias para aparecer e dura, em média, de três a cinco dias. O ciclo menstrual é regido por uma série de alterações hormonais, que funcionam de forma interativa entre as glândulas: hipotálamo, hipófise, ovários, adrenal e tireóide. Qualquer desarranjo nesta cadeia de eventos pode levar a mulher a ter alterações na menstruação. O pico hormonal culmina com a liberação do óvulo, período também chamado de ovulação. A partir deste momento temos dois caminhos a serem seguidos. O primeiro seria o encontro deste óvulo com espermatozóide, resultando num ovo, caracterizando a gestação e o não sangramento do endométrio (camada interna do útero), que servirá de suporte fundamental para a gestação que se inicia, ou seja, a gravidez. O segundo seria a ovulação seguida da não-fecundação e que levaria, então, a um pico de progesterona, com redução dos outros hormônios e com a descamação do endométrio. Ou seja, a menstruação. E o corpo se preparará para um novo ciclo. Não há problema algum em manter relações sem haver uma menstruação. Mas é mais importante descobrir o porquê de sua ausência. Há doenças muito sérias que comprometem a fertilidade e a vida da garota que se iniciam com alterações nos ciclos menstruais. Portanto, o ideal é procurar um ginecologista e descobrir por que não há menstruação e descartar ainda uma possível gravidez. E lembre-se sempre do uso da camisinha. Previne não só gestações mas também as tão temidas Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).

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plugue-se

Se você tiver dúvidas sobre sexo e saúde, escreva para a nossa redação ou para o nosso endereço eletrônico: sexo@revistaviracao.com.br

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QUE FIGURA

...

GABRIEL MITANI

Pequeno grande héroi

Iqbal Masih Q

uando falamos em dedicação à luta pelos direitos humanos, em uma vida de escravidão e um as sassinato por convicções ideológicas, logo vem à cabeça algum herói com muita experiência de vida. Iqbal Masih foi morto a tiros em 16 de abril de 1995 com apenas 12 anos, em conseqüência da luta que travou contra a exploração da mão-de-obra infantil em seu país, o Paquistão. O garoto se tornou um ícone mundial da luta contra a exploração infantil. Não apenas por ter sido assassinado ainda jovem, mas por ter contribuído para a libertação de milhares de outras pessoas do trabalho escravo. A curta jornada desse paquistanês teve início quando foi escravizado aos quatro anos de idade, como pagamento de dívidas da família. E, ainda por cima, foi vendido por apenas 12 dólares! Ele seria apenas mais uma das milhares de crianças que trabalham mais de 12 horas por dia nas indústrias de carpete do Paquistão, se não fosse pela ousadia de se rebelar contra a escravidão. E veja que cenário: criança, trabalhando e ganhando cerca de 60 centavos de dólar por dia! Quando tinha dez anos, Iqbal conseguiu escapar da fábrica, ao lado de outras crianças. Juntou-se à Frente de Libertação do Trabalho Escravo e, em uma conferência, resolveu tornar sua história pública. O garoto contou que viveu acorrentado seis anos de sua vida e que era espancado. Sua narração chocou os presentes. Com a ajuda de um advogado, escreveu uma carta de demissão e entregou ao ex-patrão. A partir daí, sua vida começou a mudar. Ele chamou a atenção de vários meios de comunicação pelo mundo, tornando-se um símbolo na luta contra a exploração da mão-de-obra infantil. Resultado: deflagrou o fechamento de diversas fábricas de tapete paquistanesas que funcionavam nessas situações e, conseqüentemente, ganhou prêmios mundo afora como símbolo dessa luta. No domingo de Páscoa de 1995, Iqbal divertia-se andando de bicicleta com seus primos, como qualquer criança de 12 anos de idade. Mas a máfia dos fabricantes de tapetes não o haviam esquecido. Mataram-no com tiros à queima-roupa. A seção “Que figura!” traz grandes personalidades mundiais que deixa-

A trajetória do jovem paquistanês que lutou corajosamente contra a exploração do trabalho infantil

ram a marca de seu talento e fizeram história. São personagens ilustres da música, da literatura, da história, do esporte e das artes. Embora não estejam mais entre nós, até hoje a marca de seus trabalhos ficou registrada em nossa história. Bem-vindo à lista, Iqbal, mais um exemplo de luta e dedicação!

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E aí galera!!!

REVELE-SE

Luiz Carlos Balek São Bernardo do Campo (SP)

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Mudança, atitude e ousadia jovem

CUPOM DE ASSINATURA anual e renovação 10 edições É MUITO FÁCIL FAZER OU RENOVAR A ASSINATURA DA SUA REVISTA VIRAÇÃO Basta preencher e nos enviar o cupom que está no verso junto com o comprovante (ou cópia) do seu depósito. Para o pagamento, escolha uma das seguintes opções: 1. CHEQUE NOMINAL e cruzado em favor de PROJETO VIRAÇÃO. 2. DEPÓSITO INSTANTÂNEO numa das agências do seguinte banco, em qualquer parte do Brasil:

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3. VALE POSTAL em favor de PROJETO VIRAÇÃO, pagável na Agência Augusta – São Paulo (SP), código 72300078 4. BOLETO BANCÁRIO (R$2,95 de taxa bancária) nº 20 · Ano 3 · Revista ViRAÇÃO

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Márcio Baraldi

NOME _________________________________________________________________________________ SEXO ______ EST. CIVIL _______

R$ 40,00 R$ 35,00 R$ 50,00 US$ 35,00

ENDEREÇO ____________________________________________________________________________ BAIRRO ______________________ CEP _________________________________________ FONE (RES.) ___________________ FONE (COM.) ___________________________ CIDADE ______________________________ ESTADO _________DATA DE NASC. __________ E-MAIL ____________________________

Assinatura nova Renovação De colaboração Exterior

PREÇO DA ASSINATURA

R. Fernando de Albuquerque, 93 Conj. 03 – Consolação 01309-030 – São Paulo (SP) Tel./Fax: (11) 3237-4091

Cheque nominal Depósito bancário no banco ___________________________________ em ____ / ____ / ____ Vale Postal Boleto Bancário

FORMA DE PAGAMENTO:

Revista Viração

Assinatura nova Renovação De colaboração Exterior

TIPO DE ASSINATURA:

Márcio Baraldi é cartunista, ilustrador e colaborador da Revista Viração www.marciobaraldi.com.br – mbaraldi@spbancarios.com.br

Revista ViRAÇÃO · Ano 3 · nº 20

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... 1) Temos 6 copos enfileirados. COPO 1, COPO 2, COPO 3, COPO 4, COPO 5 E COPO 6. Os copos 1, 2 e 3 estão cheios; os copos 4, 5 e 6 estão vazios. Como fazer para que tenhamos copos cheios e vazios alternadamente, mexendo somente um único copo?

Divulgação

Palavras Cruzadas Diretas

Você pode responder?

DESAFIf

2) Na margem de um rio, havia uma mãe com seus dois filhos. Eles queriam atravessá-lo em uma canoa que suportava 130 Kg. Sabendo que a mãe pesava 80 kg, e os filhos pesavam cada um 50Kg, como será possível que eles atravessem? 3) Imaginem três caixas, uma do lado da outra. Sabe-se que existe uma peteca embaixo de uma única caixa e também que duas caixas possuem uma mensagem falsa e uma caixa possui uma mensagem verdadeira. Sabendo que na primeira caixa está escrito “a peteca está aqui!”, na segunda está escrito “a peteca não está aqui” e na terceira caixa está escrito “a peteca está na primeira caixa”. Diga em qual caixa está a peteca. 4) Havia um país onde Cavaleiros sempre diziam a verdade e os Valetes sempre mentiam. Um dia, houve uma agitação no país, pois se soube que havia chegado um Espião de uma outra terra. O espião não era Cavaleiro nem Valete, portanto, ora mentia, ora dizia a verdade: fazia sempre o que mais lhe convinha. Soube-se que o espião estava morando com outros dois habitantes, e que um deles era um Cavaleiro e o outro, um Valete. Certo dia, os policiais detiveram os três, mas não sabiam qual deles era o Cavaleiro, qual era o Valete e qual era o Espião. Vamos chamá-los de A, B e C. No interrogatório, A afirmou que C era o Valete e B afirmou que A era o Cavaleiro. Então, perguntaram a C quem ele era, e ele respondeu: “Eu sou o Espião.” Qual deles era o Espião, qual era o Cavaleiro e qual era o Valete? 1) Como só podemos movimentar um copo, despejamos água do copo 2 no copo 5 e recolocamos o copo 2 no lugar em que estava – 2) Primeiro, os dois filhos atravessariam juntos (100kg), depois um deles volta (50kg) para buscar a mãe. Atravessando para a outra margem então, mãe e filho juntos (130kg). – 3) A peteca está na terceira caixa, pois se existe apenas uma mensagem verdadeira, as caixas 1 e 3 são as que têm mentiras. Sendo assim, a peteca não pode estar na primeira, pois a mensagem é falsa e a 2 indica uma mensagem verdadeira dizendo que não está nela. Só resta a peteca estar na caixa 3. – 4) A = Cavaleiro, B = Espião, C = Valete. Pois: 1º Afirmando que A é o cavaleiro. – Ele fala que C é o Valete. Ele tem que estar falando a verdade e o C mentindo, 2º C fala que é Espião, está mentindo pois, o Cavaleiro falou que ele é Valete, e os valetes só mentem, 3º B falou que A era Cavaleiro, como B é espião, ele pode mentir ou falar a verdade, no caso fala a verdade.

Envie suas sugestões e idéias para a seção DESAFIO através do nosso e-mail: redacao@revistaviracao.com.br

RESPOSTAS:

Colabore

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VIRAÇÃO SOCIAL R

Pelo SIM! A

pós muito tempo de espera, o Congresso aprovou a realização de um referendo

sobre o fim da comercialização de armas de fogo no país, a ser realizado em 23 de outubro. Foi uma vitória importante, pois havia um lobby muito grande por parte das empresas de armas, que lucram

fortunas com a desgraça de muita gente, interessadas em não realizar o referendo. Agora, a luta é outra: conscientizar a sociedade sobre a importância de votar no sim, para que a violência possa diminuir no nosso país, o segundo em mortes causadas por armas de fogo. Nos dias que antecedem a consulta, as frentes pelo sim e pelo não veicularão campanhas de esclarecimento no rádio e na TV. A batalha será difícil, pois os partidários do não vão ter muita grana vinda das indústrias de armamentos. Por isso, a mobilização é importante, criando pequenos comitês Brasil afora, articulando igrejas, ONGs, associações de bairro, escolas, pois “os fabricantes de armas já estão se organizando. Vão criar entidades para iniciar uma campanha também”, afirma Ivônio Barros Nunes, coordenador do Fórum Nacional de Entidades de Direitos. “A questão que o referendo pode colocar é que há uma série de pequenas ações que podem contribuir para uma sociedade mais pacífica. Uma delas é não ter armas em casa. Você pode salvar a vida de inúmeras crianças de uma morte acidental. Quem anda armado também corre mais risco de matar alguém ou de transformar uma discussão num bar ou um acidente no trânsito em uma situação sem volta”, diz Nunes.

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Você também pode ajudar nessa luta, discuta com sua comunidade a importância do desarmamento na diminuição da violência. Diga SIM para construir um Brasil melhor!

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Revista ViRAÇÃO · Ano 3 · nº 20

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Ilu st ra çõ es :

O HI

Ohi apresenta...

Aquela travessura incontrolável que escapa de dentro de você

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CONSÓRCIO SOCIAL DA JUVENTUDE de Embu das Artes, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra e Taboão da Serra

ER...

“ A GENTE NÃO QUER SÓ EMPREGO, A GENTE QU ... coisas que estejam interligadas, como no movimento Hip Hop: tem música, dança e grafite. JOÃO PAULO DIAS

... ser respeitado como jovem e poder mostrar que temos responsabilidade. ALESSANDRA DE OLIVEIRA

O PROJETO

Fotos: Patricio Andréz

... um emprego em que não abusem de nós por sermos jovens e nem nos diminuam por sermos jovens. SHIRLENE GOMES

Quer incentivar a inserção do jovem no mundo do trabalho, e não apenas no mercado de trabalho.

N

ão se trata de ter apenas uma carteira de trabalho, mas um emprego ou uma ocupação alternativa digna, em que o jovem desenvolve seus talentos e ajuda a construir um novo país. É para isso que foi criado o Consórcio Social da Juventude, uma entre tantas ações do Governo Federal através do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A iniciativa pretende firmar parceria entre governos, empresas e as organizações sociais que trabalham com a juventude pelo Brasil afora. Na região de Embu das Artes, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra e Taboão da Serra, no Estado de São Paulo, o Consórcio Social da Juventude adotou o nome de Geração Cidadã. O Consórcio está pegando também em São Paulo, ABC Paulista, Campinas, Guarulhos, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Distrito Federal, Salvador, Recife, João Pessoa, Fortaleza, Teresina, Belém, Rio Branco. Com duração de 4 meses (de setembro a dezembro), o Geração Cidadã atenderá a 2 mil jovens oferecendo formação profissional e para a cidadania. Entidade-âncora:

ASMOREJI Associação dos Moradores da Região do Jardim Independência

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Revista Viração - Edição 20 - Setembro/2005