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s o r i e c r a p s o Noss

Sexo e Saúde

pelo Brasil

Auçuba - Comunicação e Educação Recife (PE) aucuba.org.br

Movimento de Intercâmbio de Adolescentes de Lavras – Lavras (MG)

Ciranda – Curitiba (PR) Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência www.ciranda.org.br

Rede Sou de Atitude Maranhão São Luís (MA) www.soudeatitude.org.br

Catavento Comunicação e Educação Fortaleza (CE) www.catavento.org.br

Casa da Juventude Pe. Burnier – Goiânia (GO) www.casadajuventude.org.br

Idesca - Manaus (AM) www.idesca.wordpress.com

Mídia Periférica - Salvador (BA) www.midiaperiferica.blogspot.com.br

Lunos - Boituva (SP) www.lunos.com.br

Projeto Araçá - São Mateus (ES) www.projetoaraca.org.br

Universidade Popular – Belém (PA) www.unipop.org.br

Grupo Conectados de Comunicação Alternativa GCCA - Fortaleza (CE) www.taconectados.blogspot.com

Grupo Makunaima Protagonismo Juvenil (RR) grupomakunaimarr.blogspot.com

Agência Fotec – Natal (RN)

Oi Kabum - Rio de Janeiro (RJ) www.oikabumrio.org.br

Gira Solidário Campo Grande (MS) www.girasolidario.org.br

Coletivo Jovem - Movimento Nossa São Luís São Luís (MA)

Cipó Comunicação Interativa Salvador (BA) www.cipo.org.br

Projeto Juventude, Educação e Comunicação Alternativa Maceió (AL)

Avalanche Missões Urbanas Underground Vitória (ES) www.avalanchemissoes.org

União da Juventude Socialista – Rio Branco (AC) ujsacre.blogspot.com

Jornal O Cidadão – Rio de Janeiro (RJ) ocidadaonline.blogspot.com


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? o i C r é m o C é A r u t Cul

s pensam ra, muito u lt o u c é entanto, assunto inema. No c uando o e s w o istas teatro, sh , com art logo em sa dos petáculos s e s e o por cau d iv n s ra lu g c a in r o e as acess ria dos ão costum e da maio d hecidos n a n d o li c ais a te re n com a nalme regiões m uma das internacio mpatíveis o m c e in , sistir a , s lo s a p o r exem o para ingress s o s s p o , re d g lo s u in o a ç o P , pre de de São a Paulista s. Na cida o a Avenid m o c , a le brasileiro o a mensal metróp is. tadas da simples id a n a e re m im 0 u v 2 , o d o e m nda e ínim rno d salário m ento da re c m usta em to r u c o p e m o o lm c tr fi qua mo um ue vive cerca de alores co pessoa q ônibus. V prometer e m d Para uma o c m e e d g a o . op rais pass ços cultu a da regiã custo da aos espa um cinem do com o ia n c n ta o, já ê n u o q iç c e sta ed ã uma fr lhador, e capa de s vezes, um traba d a it m u e venis de g m a ju , letivos bilizam a report o ia a c v r rd in o o , p b e a s s es rme ra eçada to, confo ibuem pa as encab No entan que contr s iniciativ , s ra a e c . m ri ú ra fé in s peri à cultu o Brasil uitas dela o acesso m o existem n , d s n e a d li a p am comunid adrim, ade local, pequenas seção Qu da identid A ! to ia n e e tr s im e os uma o fortalec rível dição, tem ará o inc E nesta e en, abord in h C u b s o o por N adrinh . assinada as em qu ri tó is h s da leitura! universo ista! Boa v re a e it Aprove

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Quem somos A

Viração é um uma organização não governamental (ONG), de educomunicação, sem fins lucrativos, criada em março de 2003. Recebe apoio institucional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo e da ANDI - Comunicação e Direitos. Além de produzir a revista, oferece cursos e oficinas em comunicação popular feita para jovens, por jovens e com jovens em escolas, grupos e comunidades em todo o Brasil. Para a produção da revista impressa e eletrônica (www.viracao.org),contamos com a participação dos conselhos editoriais jovens de 22 Estados, que reúnem representantes de escolas públicas e particulares, projetos e movimentos sociais. Entre os prêmios conquistados nesses oito anos, estão Prêmio Don Mario Pasini Comunicatore, em Roma (Itália), o Prêmio Cidadania Mundial, concedido pela Comunidade Bahá'í. E mais: no ranking da Andi, a Viração é a primeira entre as revistas voltadas para jovens. Participe você também desse projeto. Veja, ao lado, nossos contatos nos Estados. Paulo Pereira Lima Diretor Executivo da Viração – MTB 27.300

Conheça os Virajovens em 20 Estados brasileiros e no Distrito Federal Belém (PA) Boa Vista (RR) Boituva (SP) Brasília (DF) Campo Grande (MS) Curitiba (PR) Fortaleza (CE) Goiânia (GO) João Pessoa (PB) Lagarto (SE) Lavras (MG) Lima Duarte (MG) Maceió (AL) Manaus (AM) Natal (RN) Picuí (PB) Recife (PE) Rio Branco (AC) Rio de Janeiro (RJ) Salvador (BA) S. Gabriel da Cachoeira (AM) São Luís (MA) São Mateus (ES) São Paulo (SP) Teresina (PI) Vitória (ES)

Conteúdo

Copie sem moderação! Você pode: • Copiar e distribuir • Criar obras derivadas Basta dar o crédito para a Vira!

Apoio Institucional

Asso

ciazione Jangada

Quem faz a Vira Myllena Diniz

Grupo Virajovem de Maceió (AL), responsável pela reportagem da seção Parada Social desta edição

Revista Viração • Ano 10 • Edição 90 03


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8 Estreia

12 Intimidade com a comunicação Juventude comunicativa

20

Renajoc promove ações pela democratização da comunicação em diversas cidades brasileiras. Confira o que rolou Brasil afora!

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Sempre na Vira

Manda Vê . . . . . . . . . . . . . 06 Como se Faz . . . . . . . . . . 10 Imagens que Viram . . . . . 14 No Escurinho . . . . . . . . . . 30 Que Figura . . . . . . . . . . . . 31 Sexo e Saúde . . . . . . . . . . 32 Rango da Terrinha . . . . . . 33 Parada Social . . . . . . . . . . 34 Rap Dez . . . . . . . . . . . . . . 35

TV produzida por crianças e adolescentes tem como objetivo contrapor a negatividade com que a grande impren sa retrata uma comunidade de São Luís

16

Assessora do escritório do UNICEF na capital do Maranhão fala sobre sua ligação com ONGs e movimentos sociais, além de compartilhar sua visão sobre início da Viração

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Outro lado

9

Confira a primeira edição da nova seção da Vira, que aborda o universo das Histórias em Quadrinhos

Asas à criatividade

Conheça a história de dois jovens do semiárido paraiba no que, apaixonados pela ciência, estudam o universo e criam robôs

Direito à cultura

Cinema, teatro, shows... Tudo muito caro! O acesso à cultura fica prejudicado quando ter grana vira pré-requisito para garantir um direito. Mas alternativas procuram reverter essa lógica

Educom sem fronteiras Projeto de educomunicação que conscientiza juventude portuguesa sobre os riscos das DST e Aids firma parceira com a Viração

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Enfrentamento

Campanha É da nossa conta! Trabalho Infantil e Adolescente é lançada oficialmente em São Paulo e em Brasília

Arte a serviço da saúde

Grupo de teatro do interior do Ceará elabora encenação para esclarecer sobre doenças sexualmente transmissíveis

RG VÁLIDO EM TODO TERRITÓRIO NACIONAL Revista Viração - ISSN 2236-6806 Conselho Editorial Eugênio Bucci, Ismar de Oliveira, Izabel Leão, Immaculada Lopez, João Pedro Baresi, Mara Luquet e Valdênia Paulino

Conselho Fiscal Everaldo Oliveira, Renata Rosa e Rodrigo Bandeira

Diretoria Executiva Paulo Lima e Lilian Romão

Equipe Amanda Proetti, Bruno Ferreira, Elisangela Nunes, Eric Silva, Evelyn Araripe, Gisella Hiche, Gutierrez de Jesus Silva, Ingrid Evangelista, Rafael Stemberg, Sonia Regina e Vânia Correia

Administração/Assinaturas

Conselho Pedagógico

Douglas Ramos e Norma Cinara Lemos

Alexsandro Santos, Aparecida Jurado, Isabel Santos, Leandro Nonato e Vera Lion

Mobilizadores da Vira

Presidente Juliana Rocha Barroso

Vice-Presidente Cristina Paloschi Uchôa

Primeiro-Secretário Eduardo Peterle Nascimento

Acre (Leonardo Nora), Alagoas (Jhonathan Pino), Amazonas (Cláudia Ferraz e Jhony Abreu), Bahia (Everton Nova e Enderson Araújo), Ceará (Alcindo Costa e Rones Maciel), Distrito Federal (Mayane Vieira e Webert da Cruz), Espírito Santo (Jéssica Delcarro), Goiás (Érika Pereira e Sheila Manço), Maranhão (Nikolas Martins e Maria

do Socorro Costa), Mato Grosso do Sul (Fernanda Pereira), Minas Gerais (Emília Merlini, Reynaldo Gosmão e Silmara Aparecida dos Santos), Pará (Diego Souza Teofilo), Paraíba (Manassés de Oliveira), Paraná (Juliana Cordeiro e Vinícius Gallon), Pernambuco (Edneusa Lopes), Rio de Janeiro (Gizele Martins), Rio Grande do Norte (Alessandro Muniz), Roraima (Graciele Oliveira dos Santos), Sergipe (Grace Carvalho) e São Paulo (Alisson Rodrigues, Verônica Mendonça e Vinícius Balduíno).

Arte

Projeto Gráfico Ana Paula Marques e Cristina Sayuri

Revisão Izabel Leão

Jornalista Responsável Paulo Pereira Lima – MTb 27.300

Divulgação Equipe Viração

E-mail Redação e Assinatura redacao@viracao.org assinatura@viracao.org

Ana Paula Marques e Manuela Ribeiro

Colaboradores Antônio Martins, Carla Renieri, Heloísa Sato, Julia Daniel, Márcio Baraldi, Natália Forcat, Novaes, Rogério Zé e Sérgio Rizzo.

Preço da assinatura anual Assinatura Nova Renovação De colaboração Exterior

R$ 65,00 R$ 55,00 R$ 80,00 US$ 103,00


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A Vira pela igualdade. Diga lá. Todas e todos Mudança, Atitude e Ousadia jovem.

Diga lá

Fale com a gente! Via E-mail Olá! Sou Adriele, tenho 18 anos, sou estudante de Direito, e moro em Teresina. Participei da 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e gostei muito do trabalho que vocês desenvolveram e desenvolvem. Acompanho o trabalho de vocês através das redes sociais... Tenho o interesse em participar do grupo e quem sabe criar um grupo aqui, pois pelo que vejo não tem nenhum grupo da Viração Educomunicação aqui na capital. Adriele Alencar – Teresina (PI)

Via E-mail Olá! Faço parte da equipe de comunicação do Projeto Encantamar - Educando seu olhar, para construir seu lugar. Conheci a Revista Viração na Cúpula dos Povos, na Rio+20, e gostaria de saber se é possível e como podemos colaborar com uma revista que é tão a nossa cara! Axé e avante! Késia Moura – Caravelas (BA)

Késia e Adriele, é muito bom saber que vocês têm interesse em participar da Viração! Ainda não temos conselhos virajovens em Caravelas nem em Teresina. Quem sabe vocês não possam formar um núcleo em suas cidades? Para entender melhor como funciona um conselho virajovem, sugerimos a leitura do Mão na Roda, nosso manual de redação. Ele está disponível no link: http://issuu.com/portfolio_viracao /docs/maonaroda

Perdeu alguma edição da Vira? Não esquenta! Agora você pode acessar, de graça, as edições anteriores da revista na internet: www.issuu.com/viracao Mande seus comentários sobre a Vira, dizendo o que achou de nossas reportagens e seções. Suas sugestões são bem-vindas! Escreva para Rua Augusta, 1239 - Conj. 11 - Consolação - 01305-100 - São Paulo (SP) ou para o e-mail: redacao@viracao.org Aguardamos sua colaboração!

A Viração Educomunicação não utiliza mais o perfil no Twitter @viracao. Apropriaram-se da nossa senha para divulgar ações e ideias que não são da organização. Convidamos a todos para seguir o nosso novo perfil @viracao_oficial.

Siga a Vira no Twitter e também confira a página da Viração no Facebook.

Ponto G Para garantir a igualdade entre os gêneros na linguagem da Vira, onde se lê “o jovem” ou “os jovens”, leia-se também “a jovem” ou “as jovens”, assim como outros substantivos com variação de masculino e feminino.

Parceiros de Conteúdo


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Manda Vê Ygor Dicastro e Lee Bueno, do Virajovem Curitiba (PR); Amanda Campos e Emilae Sena, do Virajovem Salvador (BA); Reynaldo Gosmão e Silmara Aparecida dos Santos, do Virajovem Lavras (MG)*

Um cineminha no final de semana, um show de MPB, uma exposição de arte internacional... Inúmeras são as possibilidades de programas culturais, especialmente nos grandes centros urbanos. No entanto, muitos desses programas destinam-se apenas à chamada cultura elitizada, que não contempla manifestações artísticas periféricas e que cobram um valor para que o público acesse o seu conteúdo. Mas atualmente, o conceito de cultura é mais amplo

e contempla manifestações populares, como o hip-hop da periferia e os bailes funk dos morros cariocas, que ainda são marginalizados pela sociedade, mas que reforçam a identidade cultural local e ampliam as possibilidades de acesso ao entretenimento. Geralmente, essas manifestações são gratuitas e abertas à comunidade. Mas para obter conhecimento variado sobre o mundo é necessário gastar muito dinheiro? Alguns jovens responderam à pergunta:

Bruno Marsicano, 23 anos, Guarulhos (SP) “Os shows internacionais que chegam para nós custam uma verdadeira fortuna. Porém, devemos nos lembrar de que o próprio povo brasileiro produz cultura variada de alta qualidade e por preços acessíveis ou até mesmo gratuitos, se procurarmos nos lugares certos, todos temos total condições de acesso à cultura.” Karina Absy Galvão, 17 anos, Guarulhos (SP)

Caeth Victoria, 17 anos, Guarulhos (SP)

“Em um País como o Brasil, não há incentivo à leitura em bibliotecas públicas, ida a teatros ou museus, em sua maioria de acesso gratuito. A alienação do povo é o que inibe o desejo de ter cultura, e não o dinheiro, já que muitas alternativas são gratuitas.”

“Temos no Brasil um cenário muito elitizado de produção artística, o que impede que as companhias menores realizem grandes espetáculos com os preços baixos. Outro agravante é que esses grandes espetáculos se instalam na região central de grandes cidades, onde normalmente ficam as melhores salas, o que restringe a participação de pessoas da periferia.”

06 Revista Viração • Ano 10 • Edição 90

*Virajovens presentes em 20 Estados brasileiros e no Distrito Federal


b

kGente quei os outros nao veem quadrim_90:Layout 1 03/11/2012 22:59 Page 9

Quadrim

-

Nobu Chinen, crítico de quadrinhos

V

Divulgação

ocê já se imaginou invisível? Todo mundo já teve essa fantasia de usar uma fórmula mágica para poder entrar em lugares sem ser visto ou saber o que os outros andam comentando a nosso respeito na nossa ausência. Uma coisa, no entanto, é brincar com a realidade. Outra coisa é se tornar invisível, não por magia, mas por desprezo e discriminação. E é exatamente disso que trata o álbum Cidadão Invisível, da editora Ática, com roteiro de Ivan Jaf e desenhos de Eduardo Ferigato. O texto é baseado no livro Cidadão de papel, do jornalista Gilberto Dimenstein que há anos vem desenvolvendo um trabalho de valorização da educação como forma de tirar os jovens da marginalidade. Cidadão invisível narra o cotidiano de Naco, um garoto de 12 anos, morador de rua que passa pelas pessoas, pede por algum trocado, mas é simplesmente ignorado como se ninguém o visse. Naco vive num estreito limite entre a mendicância e a criminalidade, pendendo para a segunda opção, mas duas pessoas estão dispostas a tirá-lo dessa situação antes que seja tarde demais. Uma delas é um catador de papel, a outra, uma travesti. Ambos igualmente invisíveis para a sociedade. Paralelamente, também é narrado o dia a dia de Patrícia, garota de classe média alta que, apesar de viver com conforto, possui uma forte consciência social. Um dia, numa tentativa de assalto, a história de Naco se cruza com a de Patrícia e o final pode ser trágico ou feliz. Embora seja um relato fictício, Cidadão Invisível é baseado em dados do mundo real. Naco simboliza todos os garotos e garotas que têm poucas perspectivas de um futuro promissor e a grande lição é que é possível sair de uma vida fadada ao crime e que a ajuda pode vir dos lugares mais inesperados. V

Por que é legal ler? A história é narrada como uma aventura e as tramas paralelas de Naco e Patrícia formam um jogo de contraste bem interessante que situa o leitor em universos bem diferentes. Os desenhos são bonitos e atraentes e belas fotos da cidade de São Paulo, de autoria de Tuca Vieira, e dados sobre a situação de moradores de rua ajudam a entender melhor o contexto da história.

Para ler e refletir Por que é importante ler?

Para ter consciência de uma realidade dura e cruel, mas que pode estar acontecendo no nosso bairro, na nossa rua, debaixo das nossas janelas. A melhoria da condição de vida das pessoas depende não apenas do poder público, mas das atitudes e da consciência de cada indivíduo. 08 Revista Viração • Ano 10 • Edição 90

Quantas vezes você passou por alguma pessoa e fingiu não ver? E se fosse o contrário? Como é que você se sentiria?


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Mídias livres

Contraponto necessário idealizada a TV comunitária de São Luís (MA) foi nde mídia faz partir do retrato negativo que a gra sobre bairro da capital maranhense Stephany Rodrigues Pinho, do Virajovem São Luís (MA)*

O projeto ganhou visibilidade e passou a ser bem visto pelas mães que pediram ao professor que aceitassem seus filhos pequenos nas atividades. Foi então que Márcio se viu diante do desafio de incluir crianças no projeto até então pensado apenas para adolescentes e jovens. Sendo assim, as oficinas foram adaptadas para as crianças incluíndo a técnica do Stop Motion, mais adequada para crianças. Ao final do projeto foi construído o site da TV VE e houve uma formação sobre a ferramenta “Webs”, ensinando os participantes a fazer a manutenção e atualização. Na TV VE defende-se a ideia de que é possível criar conteúdo de qualidade com equipamentos simples e bastante criatividade, promovendo, assim, um “jornalismo cidadão”. Também defendem a importância de apreender a teoria ensinada pela academia para exercer a função de comunicadores de forma mais consciente e crítica. V

A

insatisfação de jovens pela maneira como a mídia retrata a comunidade da Vila Embratel deu lugar à criatividade. Foi a partir daí que surgiu o projeto de uma TV comunitária. Coordenada por Márcio Carneiro, professor do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o intuito da TV Vila Embratel (TV VE) é mostrar uma realidade diferente da apresentada pelos meios de comunicação locais. O bairro é geralmente exposto na mídia como um local com altos índices de violência e tráfico de drogas. Oficinas de vídeo ministradas pelo professor Márcio com jovens do Comunicapaz, projeto de extensão da UFMA, que trabalha comunicação e cultura de paz no bairro da Vila Embratel (leia matéria sobre o projeto na edição 86 da Vira), serviram de pontapé inicial para a criação do canal alternativo onde os jovens apresentam a comunidade com um novo olhar, mostrando à sociedade que lá também existem boas iniciativas, pessoas decentes, que merecem destaque na mídia. Com recursos obtidos a partir do programa de financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) começou-se a divulgar o projeto em pontos estratégicos da comunidade. Cartazes foram colocados em lan houses, e panfletos sobre as oficinas que seriam realizadas no Núcleo de Extensão da Vila Embratel (NEVE) ou no Adolescentro – espaço para a realização dos projetos de extensão da UFMA –, também eram entregues para adolescentes e jovens do bairro.

*Virajovens presentes em 20 Estados do País e no Distrito Federal

Arquivo LabCom

Confira o site da TV VE no endereço: http://tvvilaembratel.webs.com/

Técnica de animação quadro a quadro com o auxílio de uma máquina de filmar, câmera fotográfica ou computador. Utilizam-se modelos reais em diversos materiais. Um dos mais comuns é a massa de modelar.

Participantes do projeto produzem animações de Stop Motion

Revista Viração • Ano 10 • Edição 90 09


como_se_faz_90:Layout 1 04/11/2012 13:50 Page 10

Como se faz

Expresse suas ideias nas ruas e em camisetas

Rones Maciel, Virajovem de Fortaleza (CE)*

P

reto e branco ou colorido, ele toma parte da cidade, seja em muros, paredes ou nas camisetas como uma forma de manifestação popular. O estêncil (do inglês stencil) é uma técnica usada para aplicar um desenho ou ilustração que pode representar números, letras, símbolos ou qualquer outra forma ou imagem figurativa ou abstrata, através da aplicação de tinta aerossol (spray) por meio do corte ou perfuração do desenho em papel ou acetato. Ele também é uma forma muito popular de graffiti, de aplicação rápida e simples. A produção de um estêncil pode ser um momento muito divertido. Além de integrar a galera, possibilita troca de experiência, exposição de ideias, criação. Mas, quem ainda é criança ou adolescente é necessário pedir auxílio de uma pessoal adulta para ajudar no uso de materiais cortantes como tesoura e estilete, e até mesmo da tinta em aerossol, que se for inalada por causar problemas de saúde.

Um pouco de história Com o surgimento do movimento Hippie nos anos 1960, nos Estados Unidos, países do terceiro mundo, não só passaram a se utilizar da lata de tinta spray para reparos domésticos, mas também para expressar palavras de ordem em oposição à situação política vigente em seus países, em manifestações de rua. O spray também chega ao Brasil na mesma década e passa a ser empregado como mais um material para a propagação de palavras de ordem nas principais cidades, anunciando o possível golpe de Estado que estaria por vir, retroagindo politicamente e violando as liberdades democráticas. V

Passo a passo 1. Escolher a imagem que será usada; 2. Reproduzir o desenho na papel (cartão, papelão ou acetato); 3. Fazer o corte com estilete nas partes que serão preenchidas de tinta; 4. Escolher a base (parede, muro, camiseta); 5. Fixar bem o desenho na base que receberá o graffiti; 6. Aplicar a tinta ou spray; 7. Colocar para secar. Mão na massa Com a imagem já escolhida é preciso ter cuidado nesse processo de produção. Após reproduzir a imagem sobre o papel-cartão, papelão ou acetato, você deve recortar um molde com auxílio de um estilete ou tesoura com ponta, formando as partes que serão preenchidas por spray ou tinta. Esses espaços recortados são chamamos de vazados, que darão forma ao desenho. Cuidado para não exceder o uso do spray ou tinta, pois a imagem poderá ficar borrada ou escorrida. Após aplicar a tinta sobre o desenho na base, que pode ser uma parede, muro ou camiseta, é só deixar secar. Na internet é possível encontrar diversos desenhos e ideias de estêncil. Mas você também pode criar os seus. Boa criatividade!

*Um dos Virajovens presentes em 20 Estados e no Distrito Federal


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a r e l a G

r e t r ó Rep

Sem fronteira para a comunicação no UNICEF e sua história Immaculada Prieto fala sobre sua experiência inclusive com a Viração com revistas, ONGs e movimentos sociais,

Nikolas Brandão, Stephany Pinho e Deborah Duarte, do Virajovem São Luís (MA)*

C

onversando com uma professora de Sociologia sobre o que fazer depois de terminar os estudos, a paulista Immaculada Prieto comentou do seu sonho. Conhecer vários assuntos, se aproximar de pessoas, realidades e ligar diversos mundos e ideias. “Mas isso que você quer é jornalismo”, foi a resposta da professora. Formada em Jornalismo e Direito, a especialista em Comunicação do Fundo Internacional para a Infância (UNICEF) em São Luís (MA) demonstrou, em um bate-papo bem descontraído, ser uma pessoa simples e que ama fazer as “pontes entre as coisas que estão acontecendo e o público”. Conversamos sobre as dificuldades e curiosidades de se comunicar. Ela fala sobre o seu trabalho como colaboradora de diversas revistas, entre as quais se destaca a Revista Sem Fronteiras, uma publicação ligada aos movimentos sociais. Recorda ainda sobre o começo da Viração, com a qual colaborou em seu início. Confira a entrevista:

Fale um pouco da sua carreira e de como decidiu cursar jornalismo. Eu sempre gostei de pesquisar sobre vários assuntos. Interessava-me por realidades que não conhecia, assuntos e histórias que eram novos para mim. Mas nunca me passou pela cabeça cursar jornalismo, sempre tive a ideia de cursar medicina. Até que, conversando com uma professora de sociologia sobre o que fazer depois de terminar os estudos, ela me disse que o nome daquilo com o que eu sonhava era jornalismo. Quando se começa a cursar jornalismo as pessoas têm sempre a ideia de “grande imprensa”. Parece ser o máximo ser repórter de televisão, correspondente de guerra, mas já na faculdade você abre a visão para várias perspectivas e percebe que a chamada “grande imprensa” é um pedacinho da comunicação. Existem diversas possibilidades de se trabalhar como comunicadora. Por que passar tanto tempo trabalhando como colaboradora? Quais foram as principais revistas em que você trabalhou? Trabalhei durante um bom tempo para a Revista Sem Fronteira e Problemas Brasileiros. E o que é interessante é que

Linha do Tempo Nasce Immaculada Prieto em Santo André (SP). Logo se muda para São Paulo, capital, onde cresceu.

1971 12 Revista Viração • Ano 10 • Edição 90

Forma-se em Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).

1992


galera_reporter_90:Layout 1 04/11/2012 08:38 Page 27 Ivana Braga

eram revistas onde eu podia montar minhas pautas, propor assuntos que eu achava que deviam ser tratados, sem a correria do dia a dia dos grandes jornais. Assim acabei tendo muito contato com os movimentos e iniciativas da sociedade. Trabalhei também com as revista Raça, Educação, Marie Claire e Globo Ciência. A Revista Sem Fronteiras foi uma das mais importantes, foi quando eu também conheci o Paulo Lima e quando surgiu a inquietação de montar a Revista Viração. E como foi esse período seu na Revista Sem Fronteira e essa transição para a Revista Viração? A Revista Sem Fronteiras era mantida pelos Missionários Combonianos e chegou um momento em que eles avaliaram que a revista já havia cumprido seu papel, que não era mais necessário sustentá-la. E o Paulo Lima e outras pessoas ficaram um pouco inconformados de perder esse espaço, que já tinha um grupo de leitores assíduo. Um jeito de buscar uma forma de manter a revista era conversando com um público mais jovem, adolescente. Eles tinham uma revistinha chama Alô, Mundo e a partir dela surge toda a inquietação de montar a Viração, aproveitando a herança dos temas e da maneira de trabalho da Sem Fronteiras e Alô Mundo. Mas a Viração extrapola e vai além de um produto, vira projeto, vira debate, se torna uma proposta de comunicação diferente. Os primeiros momentos da Viração era unir colaboradores. Eu participei de algumas matérias e reuniões de pauta e até hoje apoio e estou sempre me admirando com a ousadia e o cuidado das pessoas com a Viração. Além dos trabalhos com as revistas, o que mais pode ser destacado durante esse tempo? Paralelamente aos trabalhos com as revistas, eu comecei a me envolver com os projetos sociais. Conheci projetos como o Quixote, o Museu da Pessoa, a Fundação Abrinq e a Associação Lua Nova. Assim eu comecei a colaborar com o universo das ONGs, que tinham uma necessidade de profissionais de comunicação para pensar seus sites, boletins e publicações. É nesse momento que se abre outro mundo para o comunicador. É quando ele passa a se ver como mobilizador social, como articulador, em outro espaço, com outro papel. Foi quando eu percebi que precisava colocar minhas palavras a favor da luta pelos direitos humanos, dar minha opinião de como isso deveria acontecer no Brasil, de criar pontes entre as pessoas e organizações.

É apresentada à Revista Sem Fronteiras. A luta dos moradores de um cortiço no centro de São Paulo por condições dignas de moradia foi tema da sua primeira matéria.

1993

ito no ação “Eu acred transform da a vida trabalho positiva n ção ças” comunica das crian da como alia pára

E em São Luís (MA), como tem sido a luta pelos direitos da infância? Estou há cinco anos em São Luís e a proposta de trabalhar para o UNICEF vem completar essa experiência de trabalhar com organizações. Eu realmente acredito no trabalho da comunicação como aliada para transformação positiva na vida das crianças. Temos alianças muito valiosas no Estado todo. Estamos conseguindo garantir prioridade dos direitos das crianças e já estamos nos relacionando com 172 municípios. Outro grande ponto foi a campanha Por Uma Infância Sem Racismo, uma ação de comunicação que foi um prestígio participar e poder fazer provocações, mostrar que no Brasil ainda temos racismo e como isso afeta a criança. Foi uma campanha muito forte. É incrível poder participar e espalhar essa mensagem. V *Virajovens presentes em 20 Estados do País e no Distrito Federal

Passa a integrar a equipe do UNICEF no cargo de Especialista de Comunicação, onde desenvolve trabalhos na área do semiárido e na Amazônia brasileira.

2007 Revista Viração • Ano 10 • Edição 90 13


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IMAGENS QUE VIRAM

Do Virajovem Curitiba Texto: Lucas Alvis de Lima | Imagens: Kevin Machado, Hevelin Maia Vasconcelos e Juliana Cordeiro

O

Brasil é um misto de diversas culturas, entre elas está a japonesa. Os famosos origamis e a comida são itens sempre lembrados por todos os brasileiros. Para o público mais jovem, no entanto, outro fator tem sido motivo de atração: o Matsuri, um Festival de Cultura Japonesa que reúne público de todas as idades apaixonado pelas histórias em quadrinho japonesas e pelos personagens criados a partir dessas histórias. Durante o Matsuri, o público pode conhecer os pratos típicos, audiovisual japonês, shows com músicas tradicionais e outras atrações. Em Curitiba, o Conselho Virajovem foi conferir o festival do Haru Matsuri, que comemora a entrada da Primavera. É uma tradição japonesa comemorar a entrada de cada nova estação. Por isso que o Matsuri acontece somente quatro vezes ao ano. Entre os principais atrativos do evento está a caracterização de jovens que se vestem de personagens de desenhos animados e histórias japonesas. Confira algumas imagens do último Matsuri que rolou em Curitiba, em comemoração à chegada da primavera! V

14 Revista Viração • Ano 10 • Edição 90


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*Um dos Virajovens presentes em 20 Estados do País e no Distrito Federal

Revista Viração • Ano 10 • Edição 90 15


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Fertilidade criativa no SemiArido paraibano conhecimento paixão de tecer o à m re ca di de se ase nada a criatividade para e não acontece qu Dois garotos usam do tu e as qu lta fa tinas onde em cidades nordes

Manassés de Oliveira, Virajovem de Picuí (PB)*

ia. Erick de astronom a st o g e s ano is tas tem 18 haria. Os do nderson Dan a por engen izam ss n re o g te ta in ro se p e um: eles m co Silva tem 17 e em u a q uma cois ormam o cia e transf garotos têm ên ci a d s aproximam artilhadas. ações que o a seus ncias comp iê er p ex (PB) e utiliz a aprendem em ora na cidade de Picuí l de Baraún ra ru na zona ve vi s k O Anderson m ic . Er as . avó áquin no sítio da pequenas m e telescópios um interess , que monta sa em ca id a iv d su e la em , co lá es é a e (PB) na mesm s estudam dois garoto ação, ele a. a ciênci uma observ a iz al re comum pel n u telescópio ue Anderso ajuda de se a Toda vez q m co vê ota o que jetom42 fotografa, an ublica tudo no blog ob criou o p e conta como e o n El ia ). n ue m to o .c ew n ress português q m42.wordp site de um m ia u Fo ei . tr (www.objeto te n an ternet. “Enco uito interess espaço na in observações. Achei m as nho minhas registrava su criar meu blog. Mante e como a 2010, é quas ar p e d l ão ri aç ab ir e sp d in des arquivadas na rede”. observações soal que disponibilizo , Ciência e pes e Educação d al er d um registro Fe Feira de Instituto a alizou a 2ª Em 2011 o re ), B FP (I dam. Foi um a da Paraíb eninos estu m s eu o “M e . d n to Tecnologia o í, ven Campus Picu strar seu mais novo in Ciências do mo k ic a Er d a s ar te p e ia an oportunidad inado um d . ico foi term ver a tempo ân re ec sc m in ço e m bra e d u p o ão cias. N ia levar feira de ciên rdenadora se eu poder o no dia co i à i ve le te Pergun eito e eu ac i i um fo e El . o bastante. Fo meu trabalh s gostaram te n ta si vi s seguinte. O conta. s da feira”, dos melhore co ento científi sileiro Desenvolvim médico bra o , ta is ev tr en te n m tistas ais Em rece dos 20 cien m u , lis afirmou que le o ic atualidade, Miguel N a n o d os n u m s do no País. “Tem s importante nda é ruim ai nça ia a ci cr ên as ci r faze o ensino de ito grande em u m a ci n iê uma defic

A

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se apaixonar em pela ciên ci atividade in telectual pro a ou por qualquer funda”, lam potencial N entou o no obel de med sso icina. Nicolelis inst al o u u m centro de p cidade de M esquisa na acaí de Neurociên ba (RN). O Instituto In ternacional cias de Nat al Edmond (IINN-ELS) d e Lily Safra esenvolve p esquisas cien ponta e pro tíficas de move ações socioeduca objetivo de cionais com consolidar o uma cultura jovens que científica n residem no os s município instituição. s próximos à A ciência te m pouca at locais. Em Pi enção de g o cuí e Baraú na, por exem vernos existem pro plo, não gramas de bolsas para para estudan universitári tes da educa os ou ção básica. do Seridó e Nas regiões Curimataú, n en insere a ciên hum movim ento social cia na pauta de discussão desenvolvim ento. “Picuí do apresenta ta imponentes, lentos mas pouco visíveis às p públicas. É olíticas notória a au sência de b incentivos e olsas de es valorização tudo, dentro da ló descoberta gica da e do desen volvimento do talento de

Braço mecânico e robôs com lixo, Erick Silva usa a criatividade para vencer a falta de financiamento

Manassés

de Oliveira


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Manass

és de O

crianças e adolescentes”, afirma a pedagoga e orientadora educacional Keiles Lucena. Anderson tem sorte. Os telescópios que utiliza foram comprados pelos pais. Ele também tem câmera fotográfica profissional, TV por assinatura, acesso à internet e até crédito para participar de eventos científicos no Nordeste. Em junho deste ano, esteve no 8º Encontro Interestadual Nordestino de Astronomia, em Fortaleza (CE). Tudo financiado pela família. O planejamento da viagem foi da Associação Paraibana de Astronomia, da qual Anderson é membro. Erick não tem dinheiro. Mas usa a criatividade para realizar seus projetos. A matéria-prima dos robôs e do braço mecânico que construiu vem do lixo. O material descartado é reaproveitado e ganha novas funções. Erick, ao contrário de Anderson, não tem as mesmas oportunidades para o trabalho que desenvolve. Os pais não têm condições suficientes para financiá-lo. O setor de assistência social da escola onde estuda, após ver sua atuação na Feira de Ciências deste ano, passou a lhe garantir uma bolsa de cem reais por mês. Ele usa o dinheiro para pagar o transporte para ir à escola e se vira, como pode, para se alimentar.

Anderson Dantas observa e fotografa o céu do sertão. O trabalho é publicado em detalhes no blog objetoM42

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liveira

ont de Galileu Galileu e Santos-Dum de Anderson um leitor pela astronomia faz rias

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Santos-Dumont é uma referência para o trabalho de Erick Silva

liveira

Em Fortaleza, Anderson visitou o Rádio-Observatório Espacial do Nordeste

O gosto fato de ter feito vá “Admiro Galileu pelo Galilei (1564-1642). que para um ple equipamento sim s descobertas com um para observar a Lua”. va sir só z derno talve do século 17. astrônomo amador mo revolução científica da me no e nd gra o é Galileu dade fundamental entação como necessi rim pe ex a u ce ele ab Ele est fico. Foi ele também conhecimento cientí do o çã du pro a ra pa e fato fez com que lentes para o céu. Ess quem primeiro apontou de Copérnico (1473a teoria heliocêntrica o italiano defendesse Igreja Católica. ros rdades da pode a ve as e ass ari ntr co e 1543) a qual a terra trismo, teoria segundo A negação do geocen levou seu defensor à o do universo, quase do Santo ofício, está imóvel no centr o arder nas chamas nã ra Pa o. içã uis Inq fogueira da ado. No entanto, nfessar que estava err co a o ad o rig ob foi u Galile sol e sobre seu própri rra gira em torno do Te A . rto r ce Po . a av 90 19 est de ele cada onheceu o erro na dé eixo. O Vaticano só rec prisão domiciliar. em u rre mo u lile o, Ga causa do heliocentrism do brasileiro Alberto ck Eri nharia aproxima ge en la pe o io cín fas O meiro o voo com alg -1932). “Ele fez o pri 73 (18 t on um s-D r po nto u Sa o passo o ar”. O voo mecânic mais pesado do que ibuição de muitos ntr co a e tev e os 20 an experiências durante Santos-Dumont foi , espaço de tempo ste ne , do ntu Co s. nome ssária para que o 14 eu a engenharia nece quem de fato conceb cesso no dia 12 de por ele, alcançasse su bis, avião projetado novembro de 1906. As plantas do teava seus projetos. ten pa o nã iro sile bra O e da história da o o primeiro ultralev Demoiselle, considerad lar Mechanics. James cadas na Revista Popu aviação, foram publi delo em casa e só 14 anos, fabricou o mo Doolittle, então com o teve dinheiro para nã e s Angeles porqu Lo em ele m co ou vo não comprar o motor. e Erick dois ncia faz de Anderson O entusiasmo pela ciê ens que precisam jov tam uma massa de en res rep e qu ns ge persona s. O atual estágio todas as suas esfera em o, ad Est do ão nç de ate bilidade facilitada e os da comunicação, a mo ados de desenvolvimento cisam ser acompanh s sociais do país, pre rão de po o, avanços nas política xim pró jeitos que, num futuro da valorização dos su e brasileira. história de cada cidad fazer a diferença na

Anderson registra detalhes da Via Láctea

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z o v a o Soltand o a ç ~ a iz t a r c o m e d a l pe o a ~ ç a ic n u m da co

do Dia da todo o Brasil participaram Adolescentes e jovens em outubro DIA C, celebrado em 17 de Juventude Comunicativa, o Evelyn Araripe, da Redação

H

á alguns anos o mês de outubro é importante para quem atua na área de comunicação e pela liberdade de expressão em todo o Brasil. Isso porque em 18 de outubro é comemorado o Dia Nacional pela Democratização da Comunicação e Liberdade de Expressão. Nessa data, organizações e movimentos da sociedade civil se organizam para chamar a atenção para a importância de termos no Brasil uma comunicação mais democrática, livre e que respeite a diversidade. Hoje, os meios de comunicação brasileiros são dominados por menos de uma dezena de empresas privadas que controlam mais de 600 veículos entre jornais, revistas, rádios e televisões. São grupos ricos e que defendem interesse privados e não o da população. Por isso, o dia 18 de outubro se faz necessário, para trazer à tona esse debate. No entanto, todo esse discurso costuma vir junto a debates um tanto quanto complicados, com linguagens e formatos que não são “atrativos” para os adolescentes e jovens. Por isso, desde 2009, os integrantes da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicador@s (Renajoc) decidiram pegar a carona nesse debate, mas com um jeito mais descolado. Foi assim que nasceu o Dia C – Dia da Juventude Comunicativa, comemorado em 17 de outubro, um dia antes do Dia da Democratização da Comunicação. A proposta do Dia C é mobilizar adolescentes e jovens em todo o Brasil para o debate sobre a importância de se democratizar a comunicação e contemplar os interesses e necessidades das pessoas, da população, e em especial dos adolescentes e jovens. Mas, claro, que tudo isso envolve as linguagens e formas de se expressar que mais agradam os adolescentes e jovens. Esse ano o Dia C aconteceu em 15 cidades brasileira e mobilizou aproximadamente mil jovens em todo o País. Em um único dia, mais de sete mil pessoas acompanharam a mobilização dos jovens que realizaram desde uma intervenção urbana em São Paulo até uma Conferência Livre sobre Juventude e Comunicação em Natal. Cada cidade com a sua forma de se expressar, mas sempre

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Faixa pro duzida po r jovens d chama a a e São Pau tenção pa lo ra a nece democrati ssidade d zar a míd e ia

lembrando como é importante que adolescentes e jovens se unam por uma comunicação democrática e participativa. Em Minas Gerais, adolescentes e jovens do semi-árido mineiro e de Lavras, no sul do Estado, soltaram a imaginação em oficinas criativas como a de produção de pôsteres com imagens dos jovens interpretando a liberdade de expressão. Os jovens usaram essas imagens em seus perfis nas redes sociais como forma de protesto. No Rio de Janeiro também não faltou boas ideias. Os jovens foram às ruas para grafitar os muros da cidade com o tema proposto pelo Dia C. E no Espírito Santos, a praça da cidade de São Mateus foi tomada por oficinas de fanzine, jornal mural, exposições e apresentações artísticas e culturais. Subindo lá para o Norte e Nordeste do Brasil, os adolescentes e jovens realizaram oficinas educomunicativas, debates e rodas de conversa sempre com a temática da democratização da comunicação e liberdade de expressão. No Pará as atividades passaram por várias comunidades e continuaram de 17 de outubro até o final do mês. Já em Natal, “o Dia C foi bastante repercutido! Conseguimos mobilizar vários movimentos e pessoas ao longo da articulação para o Dia C e para nós foi um primeiro passo para retomar e ampliar a articulação da sociedade civil potiguar para a importância da Democratização da Comunicação”, relatou o virajovem Alessandro Muniz, que mobilizou uma conferência Livre na capital do Rio Grande do Norte com o apoio da Universidade Federal do Estado. Em Brasília os adolescentes e jovens mostraram que têm o que falar, com a conferência Livre “Solte o Verbo no DIA C”. Eles conseguiram reunir nomes importante do movimento pela democratização da comunicação para mostrar a importância desse debate e da necessidade de mudanças do Marco Regulatório das Telecomunicações no Brasil, que esse ano completou 50 anos e representa o atraso e retrocesso do governo brasileiro nas políticas públicas no setor de comunicação. A participação dos jovens na capital federal foi tão significativa que eles foram convidados para no dia 18 se integrarem à audiência pública da campanha Para Expressar a Liberdade, realizada na Câmara dos Deputados para marcar a discussão atual em torno de uma nova legislação que garanta mais participação e liberdade.

Em Franciscópolis, cidade do semi-ári do mineiro, jovens participam de oficina de fanzine

Jovens de São Paulo fazem manifest ação pela democratização da comunicação na Avenida Paulista

A Renajoc teve 10 minutos de fala durante a audiência, para representar a participação de adolescentes e jovens nesse debate. O Dia C também serviu para fortalecer a organização e estruturação da Renajoc, que agora possui um blog, uma página no Facebook e perfil no Twitter, espaços virtuais para que o debates seja mantido e para facilitar as articulações que surgirem. Daqui pra frente a Renajoc também segue fortalecendo os diálogos sobre o direito à comunicação regionalmente. Nos próximos meses adolescentes e jovens vão se reunir nas cinco regiões do País para planejarem novas formas de atuação e mobilização na pauta juventude e comunicação. V

Confira o blog da Renajoc: www.renajoc.org.br Curta a página da Renajoc no Facebook: www.facebook.com/renajoc E siga o seu perfil no Twitter: @renajoc


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Quanto vale a cu ltura ? Capa

Mercadoria, riqueza coletiva dos povos e de cada um. A cultura é produto ou parte indissociável da vida?

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pintou a Capela Sistina estava vendendo o trabalho dele para o Clero (a Igreja). Ele estava sendo pago, tinha tinta para trabalhar, tinha onde ficar. Então acontecia a mercantilização desse trabalho artístico”, aponta Nathalia Santana, de 23 anos, articuladora do Circuito Fora do Eixo, em Natal (RN) e estudante de História na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Hoje isso acontece de uma maneira mais explícita e voraz por que a gente vive no sistema capitalista, onde essa questão do dinheiro, da compra e do consumo é muito mais explícita”, completa Nathalia. Não é só o artista que vende sua arte ou seu produto cultural. Ao longo da história a arte e a cultura se tornaram setores de negócios, surgindo a chamada Indústria Cultural. Ou seja, existem grandes empresas nacionais e multinacionais que controlam boa parte da produção de cultura nos países, determinando qual é o sucesso da vez, que tipo de livro ou música deve ser feito para se vender mais, qual o modelo de vida que devemos adotar – notadamente, o “american way of life” (estilo americano de vida), difundido amplamente pela indústria cultural americana desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Cia. Tropa Trupe de

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uma sociedade capitalista como a nossa, “nada é de graça, nem o pão nem a cachaça”, afirma a música de Zeca Baleiro, Babylon. Parece que converteram a cultura em mercadoria. Parece não! Realmente converteram a cultura em mercadoria. Fizeram de nós meros consumidores de manifestações artísticas. Em um certo momento da história humana, a cultura, sua produção e transformação eram parte integrante de todo o coletivo. A cultura popular, as festas tradicionais, os rituais religiosos, as pinturas no corpo, a produção de objetos de cerâmica, madeira, e outros compunham o conjunto de práticas e saberes que constituíam a identidade do grupo e consequentemente sua cultura. Em um determinado momento, a cultura tornou-se algo separado da sociedade, em que alguns passaram a produzi-la e outros a consumi-la. O filósofo A.K. Coomaraswamy escreveu: "O artista não é um tipo especial de pessoa, mas toda pessoa é um tipo especial de artista". E essa primeira separação entre a cultura, a arte e o indivíduo é marcante em nossa sociedade. O artista hoje é também um profissional. Dedica-se muitas vezes com exclusividade a esse ofício que tem na cultura sua matéria prima e no produto artísticocultural sua obra. “Michelangelo quando

Circo - Natal (RN)

Emilae Sena, Amanda Campos e Monique Evelle, do Virajovem Salvador (BA)*; Webert da Cruz Elias, do Virajovem Brasília (DF)*; Alessandro Muniz e Ayhuma Pires, do Virajovem Natal (RN)*


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Cultura Popula r A cultura popular é aquela feita pelo povo. Vem de uma interação entre as pessoas em determinadas regiões, que abrange não só as crenças, mas também as artes, linguagem, ideias, hábitos, tradições, usos e costumes, artesanato, roupas, folclore, entre outras manifestações. Hoje, a cultura popular não é valorizada por ser uma particularidade de cada região, Estado ou município. No mundo capitalista, valoriza-se o que é globalizado. É mais fácil conhecer o último sucesso da música dos Estados Unidos do que as composições dos artistas da nossa cidade.

Indús tri a Cultural O termo “indústria cultural” foi usado pela primeira vez em 1942, fazendo menção à relação existente entre a arte e o modelo de produção capitalista. Os primeiros a empregarem esta denominação foram os teóricos da comunicação alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, da chamada Escola de Frankfurt. Nesse contexto, a arte é vista primeiramente como mercadoria, perdendo sua espontaneidade e dando origem a um modelo artístico comercial voltado para a produção cultural e o lucro.

Cultura: um direito! Mesmo sabendo que cabe ao Estado garantir a todos o pleno exercício dos direitos humanos, incluindo o direito à cultura, apoiando e incentivando a valorização e a difusão das manifestações culturais, pagamos caro para ter acesso a tudo isso. Então, quanto custa um pouco de cultura? Primeiro a pessoa que dedica seu tempo às ações culturais precisa viver, pagar contas, se sustentar. Além disso, os materiais usados para montar uma peça, fazer uma apresentação tradicional, a tinta para fazer um grafite, também tem custos. Os teatros e espaços culturais têm os custos de funcionários, manutenção, eletricidade e água. Daí que é preciso cobrar ingressos, mais ou menos caros, dependendo do apoio público. Muitas distorções podem ser observadas nessa relação com o poder público, quando no cartaz de um espetáculo aparece o apoio do Ministério da Cultura, da Globo, e o ingresso custa de 50 a 60 ou até mais de cem reais. E, para completar, ainda tem o custo pessoal para se conseguir chegar ao local da apresentação e, talvez, consumir um lanche, pagar estacionamento etc.

Popularizando o acesso Ter acesso a espetáculos ou a qualquer outro tipo de manifestação cultural é sempre bom, mas geralmente o que vemos é que a cultura fica limitada às pessoas que podem pagar, impossibilitando que outras, que mal ganham para seu sustento, tenham esse direito. Em Salvador, o Teatro Castro Alves (TCA) foi fundado em 2 de julho de 1958 e é o maior e mais importante centro artístico da cidade. Em 2007, o projeto Domingo no TCA foi inaugurado e mais de 50 apresentações foram realizadas. O objetivo é proporcionar à população baiana amplo acesso a espetáculos de qualidade. Para tanto, o Teatro Castro Alves abre mensalmente as portas de sua Sala Principal à comunidade ao preço de um real para exibir apresentações variadas. Filas enormes se formam, e a população se faz presente quando tem a oportunidade de apreciar apresentações culturais por baixo custo. É tanta procura que geralmente sessões extras são abertas, o que comprova a necessidade de espaços que possibilitem o acesso de pessoas que não podem pagar valores altos por cultura de qualidade. Outro fator para a dificuldade no acesso é que não há espaços culturais nas áreas periféricas da cidade. Para ter acesso à cultura, os soteropolitanos precisam se deslocar para o centro da cidade, onde os valores cobrados são muito caros e consequentemente só uma pequena parcela da população, com maior poder aquisitivo, tem acesso. “É necessário mais espaços culturais para que possamos desfrutar desse direito que é nosso”, reivindica Jamile Campos, de 20 anos, moradora do subúrbio ferroviário de Salvador. “Muitos espetáculos e shows são acessíveis na cidade. Talvez o que falte seja o incentivo do governo e mais verba para divulgação. O acesso à cultura em Salvador é muito pobre perto da riqueza que a cidade tem para oferecer”, afirma Fabiano Revista Viração • Ano 10 • Edição 90 21


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Virajovem Natal (RN)

Virajovem Natal

(RN)

Capa Silva, de 19 anos, estudante de Psicologia. Além disso, chegar a estes espaços deveria ser mais acessível à população. Muitas vezes o transporte público não leva aos teatros e espaços culturais ou não rodam noite adentro para que se possa voltar para casa. Em outras situações simplesmente não há divulgação nem apoio governamental para que as pessoas fiquem sabendo de tudo o que acontece na cultura local. A mídia também tem seu papel, privilegiando muito mais a cultura O evento Escambo Central é um espaço em que artistas independentes expõem suas obras estadunidense ou as celebridades do que os para vendê-las ou trocá-las com o público artistas da terra.

Políticas Públicas Há algum tempo, o Brasil não tinha uma política de cultura democrática. Por seguir o modelo econômico neoliberal, passou a reduzir as ações públicas em diversas áreas, privatizando a iniciativa de subsídio à cultura através das leis de incentivos fiscais, processos burocráticos por meio das quais as empresas é que apoiam a cultura, tendo redução fiscal como contrapartida. As pessoas que conseguem verba federal ou empresarial geralmente são grandes cineastas e empresas como a Globo Filmes, grandes músicos e produtores de teatro, a maioria deles do eixo Rio-São Paulo. Em 2003, quando Gilberto Gil assumiu o Ministério da Cultura (MinC), no início do primeiro mandato do então presidente Lula, a política de cultura passou a ser mais horizontal. Criou-se a Secretaria de Diversidade Cultural, que considera como manifestações culturais o cordel, os rituais indígenas e as religiões de matrizes africanas, por exemplo. No final da gestão, o assunto já estava mais afinado: a principal bandeira do ministério era a reforma da lei de direito autoral, que democratizaria ainda mais a cultura no País, como a política de lançar editais e inserir a economia da cultura nos debates nos Estados e municípios. Contudo, com a ministra seguinte, Ana de Hollanda, que assumiu o Ministério da Cultura no primeiro ano do Governo Dilma, algumas políticas como os Pontos de Cultura e Editais sofreram grande retrocesso.

Fundo de Apoio à Cultura No Distrito Federal existe o Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Criado em 1991, é o principal instrumento de fomento às atividades artísticas e culturais da Secretaria de Cultura do DF. Por meio do FAC, são produzidos filmes, peças de teatro, CDs, DVDs, livros, exposições, oficinas e inúmeras circulações

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artísticas em todo o Distrito Federal. Para concorrer ao FAC, é necessário possuir o Cadastro de Ente e Agente Cultural (CEAC). Podem solicitar o CEAC pessoas físicas ou jurídicas. O interessado deve morar no DF há pelo menos dois anos e comprovar atividade artística ou cultural por meio de portfólio. O Conselho de Cultura do DF analisa e decide as emissões do fundo (Fonte: www.fac.df.gov.br – Secretaria de Cultura do Distrito Federal) Em âmbito nacional também existem os fundos do Ministério da Cultura, que desenvolvem editais específicos para cada comunidade cultural. Povos ciganos ou indígenas, que muitas vezes possuem dificuldades em preencherem e providenciarem documentos, são atendidos pelo ministério, com servidores que, oralmente, analisam a proposta cultural e redigem a inscrição para a participação nos editais.

Produção e distribuição independente Diante desse cenário de dificuldades, em que às vezes a pessoa não tem a grana para ir ao teatro tradicional da cidade ou comprar um quadro na galeria, nem pode contar com o apoio do poder público, surgem soluções alternativas. “Existem grupos e filosofias que estão pensando em como negociar o produto artístico de outra maneira, por meio de trocas, por exemplo. Não se deixa de comercializar, mas são sistemas de negociação diferenciados. Isso tem crescido cada vez mais por meio da cultura e produção independente”, explica Nathalia Santana. “Têm-se buscado moedas e modelos complementares, para estar negociando suas produções”, conta Nathalia. Essas práticas remontam à Economia Solidária, que, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), “é um jeito diferente de produzir, vender, comprar e trocar o que é preciso para viver. Sem explorar os outros, sem querer levar vantagem, sem destruir o ambiente, cooperando e fortalecendo o grupo, cada um pensando no bem de todos e no próprio bem”. Nathalia é uma das organizadoras do Escambo Central na Casa das Artes da Vila de Ponta, comunidade periférica de Natal. Nesse evento diversas pessoas se inscrevem para montar sua banquinha e vender seus produtos, desde camisetas, roupas usadas, acessórios, artesanatos, livros novos e usados, CDs, DVDs originais e genéricos, que às vezes são impossíveis de se comprar novos na cidade por serem raros. Rola também apresentações musicais, saraus, exposições fotográficas e


assim, a população tem uma alternativa cultural muito mais barata e acessível do que ir ao shopping, teatro e galerias. Outro exemplo é o Festival de Cinema Sagi-Cine – Guerrilha de Fronteira, que ocorreu entre 12 e 14 de outubro. Realizado na Praia de Sagi, próximo à fronteira entre os Estados da Paraíba e Rio Grande do Norte, o Festival tem por objetivo “movimentar a comunidade e o comércio, dar uma balançada, praticar a formação cultural, trabalhar o pensamento crítico dos jovens”. É o que explica Rodolfo Hollanda, de 18 anos, estudante de Produção Cultural no Instituto Federal do Rio Grande do Norte e um dos organizadores, juntamente com Nathalia. Ele explica que o evento deseja deixar um legado, ser mais do que uma ocasião temporária. Todos os vídeos, curtas e longas metragens do evento serão transformados em uma cinemateca da comunidade. O evento promoveu uma arrecadação de livros para abastecer a biblioteca local e também várias oficinas foram oferecidas. Uma delas foi de estamparia de camisetas, para que as pessoas pudessem produzir camisetas do evento e garantir uma fonte de renda durante e depois do Festival. Esses e outros exemplos existentes no Rio Grande do Norte e em tantos outros Estados do país mostra que a cultura não é simplesmente um mercadoria, mas algo que une as pessoas por laços de identidade, afinidade, cooperação, bem-estar. Através de produções culturais como essas, todos saem ganhando, não apenas uma elite cultural e uma mega indústria que monopoliza o que eles querem que seja “cultura”. V

Virajovem Natal (RN)

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Os artistas têm buscado modelos complementares para negociar suas produções, conta Nathalia Santana, articuladora do Circuito Fora do Eixo em Natal

Gabriel Vasconcelos

Confira os sites: http://apafunk.blogspot.com.br/ http://foradoeixo.org.br/institucional http://www.cultura.gov.br/

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Uma iniciativa jóia tugal apostam na Atividades de educomunicação em Por ns para as DST e Aids conscientização de adolescentes e jove Ingrid Evangelista, da Redação

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apoio financeiro para os projetos da organização. Na área de direitos sociais, é apoiada pelo projeto Juventude em Ação e o Conselho da Europa. Conta também com algumas entidades que dão apoio técnico e logístico. Esse ano, Bué Fixe comemorou nove anos de muita luta e persistência no trabalho de conscientização sobre DST e Aids. Dynka Amorim diz que o próximo passo da organização será a produção de um impresso que descreva os balanços e resultados dos objetivos que foram propostos, para que a iniciativa bem sucedida de Portugal possa ser replicada também em outros países.

Conselho Virajovem Internacional

angelista

Na ocasião da visita de Dynka à Viração, foi firmada uma parceria entre a Vira e a Bué Fixe. Os jovens de lá devem passar a colaborar na produção de conteúdos para a revista e Agência Jovem de Notícias. E os adolescentes da Vira devem participar do programa semanal de rádio, produzido pela turma de Amadora. Dessa forma, a Viração passa a contar com o primeiro núcleo virajovem internacional.

Fotos: Ingrid Ev

lguns jovens de São Tomé e Príncipe em 2002 decidiram se unir pra tentar ajudar na diminuição da taxa de pessoas infectadas com HIV e Aids, alarmante hoje, imagem há dez anos atrás. Nasceu então, a Revista Bué Fixe, que na gíria de países africanos de língua portuguesa quer dizer “joia”. A publicação foi o pontapé inicial para que Bué Fixe virasse uma ONG. Esse episódio da história da organização portuguesa se assemelha à história da própria Viração, que nasceu como revista e hoje é uma organização, atuando para além da publicação. Desde 2005, a organização está em Portugal, na cidade de Amadora, região de Lisboa. O principal objetivo da Bué Fixe é promover através da mídia a conscientização de adolescentes e jovens de países de língua portuguesa sobre DST, Aids e suas formas de tratamento e prevenção. Por meio da ONG, jovens portugueses e de outros países africanos de língua portuguesa têm acesso a um programa de rádio e a mensagens de texto via celular sobre prevenção para jovens, e também à revista bimestral, disponibilizada para download na internet, no site da Bué Fixe. Além de produtos em mídias, a organização realiza sessões de esclarecimentos em comunidades, distribuição de preservativos em universidades, bairros, salões de cabeleireiro e boates. Dynka Amorim dos Santos, de 29 anos, é o presidente e um dos fundadores da ONG. Neste ano, entre os dias 30 de agosto e 13 setembro, ele esteve no Brasil para conhecer o País e as ações da Viração. “Estou mesmo apaixonado pelo trabalho que vocês desenvolvem juntos. Estou convencido de que no próximo ano, possamos receber alguém da Viração lá para de perto conhecer as nossas ações, nossos parceiros e projetos”, disse Dynka quando estava em São Paulo, em visita à sede da Vira. Atualmente a Bué Fixe se mantêm basicamente por meio de parcerias com a MTV de Portugal, que promove

Dynka participa de oficina com jovens da Vira


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DIÁRIO DE VIAGEM: UMA EXPERIêNCIA RICA E INOVADORA NO BRASIL Dynka Amorim dos Santos, de Lisboa, Portugal Entre os dias 30 de agosto e 13 setembro, tive a oportunidade de participar de um intercâmbio no Brasil, visitando a Viração. Uma ONG que tem como missão fomentar e divulgar o processo e práticas de educomunicação e mobilização entre adolescentes e jovens. Essa visita de intercâmbio é um dos resultados da parceria entre a Bué Fixe e a Viração, e teve como objetivo a troca de experiência das ações desenvolvidas junto aos jovens. A Bué Fixe é uma organização que tem como finalidade promover a inclusão participativa dos jovens imigrantes em Portugal. Foram duas semanas de grande importância na medida em que tive a oportunidade de acompanhar de perto algumas ações e iniciativas desenvolvidas pela Viração, como a Agência Jovem de Notícias, as oficinas, os trabalhos administrativos da equipe, a produção da revista e o programa de TV Quarto Mundo. Tive por outro lado, a oportunidade de visitar outras organizações parceiras da Vira, como o projeto Nas Ondas do Rádio, Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC) e Cidade Escola Aprendiz. Avalio que foi bem proveitosa essa experiência entre os dois países e as duas organizações, porque acompanhei de perto todo o trabalho que é feito pela Viração, assim como apresentei um pouco do que fazemos em Portugal. Algumas dessas ações são similares, como a revista e as oficinas, por exemplo. A Viração está de parabéns pelo relevante serviço que presta aos jovens e pelo fato de ter uma equipe de trabalho bem preparada tecnicamente. Adorei a experiência e a parceria formada (logo mais termos um Conselho Jovem em Lisboa!). Trabalharemos juntos em futuros projetos com e pelos jovens africanos que vivem em Portugal e no Brasil! V

Dynka Amorim com Lilian Romão, diretora executiva da Viração

País: Portugal Capital: Lisboa População: 10.561.614 Língua oficial: Português

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alho Infantil e nossa conta! Trab A campanha É da is em sete m ações presencia co á ar nt co e nt ce Adoles primeiras e Brasília foram as capitais. São Paulo

ão Fotos: Divulgaç

! l i t n a f n i o h l a b Não ao tra Mariana Rosário, Virajovem de São Paulo (SP)*

L

ançada oficialmente no dia 8 de outubro, a campanha É da nossa conta! Trabalho Infantil e Adolescente vem marcando presença nacional. A iniciativa é da Fundação Telefônica Vivo Em São Paulo, adolescente conta em conjuntamente com coletiva de imprensa do lançamento da Fundo das Nações campanha como foi a produção do encarte Unidas para a Infância (UNICEF) e Organização Internacional do Trabalho (OIT) com o objetivo de dar mais visibilidade ao tema. Focada nas redes sociais, a campanha é baseada nas estratégias “Reconheça, Questione, Descubra e Compartilhe” e terá ações de lançamento em sete capitais ao todo. Em São Paulo a campanha deu seus primeiros passos no dia 9 de outubro em uma das sedes do grupo Telefônica em São Paulo. O lançamento oficial se deu com uma coletiva de imprensa que contou com a presença de representantes da Fundação Telefônica e parceiros, como o cartunista Maurício de Souza, famoso pelos quadrinhos da Turma da Mônica. Um gibi com a temática do trabalho infantil foi especialmente desenhado para a campanha. O grupo de adolescentes e jovens que produziu outra peça da campanha, um encarte especial sobre o tema, também esteve presente na coletiva de lançamento contando um pouco sobre a experiência. O grupo segue produzindo conteúdo para o site da campanha (www.promenino.org.br) até o final do ano. Os mesmos adolescentes e jovens protagonizaram a primeira ação de lançamento que aconteceu no dia 11 de outubro, em São Paulo. A atividade de intervenção urbana ocorreu na Avenida Paulista, inicialmente, em frente à Escola Estadual Rodrigues Alves, onde o foco eram crianças e adolescentes e, posteriormente, em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero, onde se permitiu interagir com o público adulto que transitava pela região.

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Adolescentes realizam ação com jovens na capital paulistana

Brasília foi a segunda cidade a receber o lançamento da campanha. Aproximadamente 30 adolescentes do projeto Onda: Adolescentes em Movimento pelos Direitos, do Instituto de Estudos Socioeconomicos (Inesc), parceiro da Fundação Telefônica na articulação dessa ação, realizaram uma ação de intervenção urbana que começou com uma caminhada partindo do Centro de Ensino Médio Paulo Freire até o Centro de Ensino Médio da Asa Norte (CEAN). Durante o trajeto, os adolescentes e jovens puderam interagir com cidadãos no trânsito, contando com a ajuda de um painel grafitado por eles próprios que dizia não ao trabalho infantil. Diferente de São Paulo, quem participou do lançamento na capital federal pôde entrar no colégio e interagir com alunos e professores. A participação indispensável dos adolescentes e jovens nos dois lançamentos Em Brasília, uma passeata jovem diz não ao trabalho foi fundamental infantil e adolescente e trouxe um novo olhar para essa causa tão importante para o País e o mundo! Os próximos lançamentos acontecem em Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Teresina (PI) e Belém (PA). V


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Faz Cultura

Saude com arte Rones Maciel, Virajovem de Fortaleza (CE)*

Jovens da Região Metropolitana de Fortaleza levam informação aos adolescentes por meio do teatro Ama, Janjão, Terezinha e Otacílio formam uma família muito louca. Vivem em uma cidade pacata do interior do Ceará. Ama, uma dona de casa que morre de amores por Janjão, seu marido, um caminhoneiro que faz questão de participar na educação de sua filha Terezinha, uma adolescente que insiste que está na hora de ter um amor na vida. Sua ideia inicialmente não é bem aceita por seus familiares... É assim que se dá o enredo de Nas Garras do Capa Bode, uma mistura de regionalismo e informação. Uma forma descontraída que o grupo de jovens Espaço Jovem de Eusébio, que fica a 27 km de Fortaleza, encontrou para se comunicar com a juventude do município.

“Isso tudo começou quando os adolescentes do projeto Nativa entraram em contato com José Mapurunga Junior, um autor cearense que trata em seus textos de temas como HIV/Aids e DST, para que tivessem a autorização da montagem do espetáculo”, conta Suliene Fernandes, a personagem de Ama no espetáculo.

Tendo a permissão, os adolescentes integrantes do projeto Nativa, desenvolvido pelo GAPA – CE no município de Eusébio, decidiram, em grupo, montar a peça Nas Garras do Capa Bode, que conta com a participação de cinco atores no elenco. O espetáculo já fez mais de 22 apresentações em diversos encontros municipais e estaduais, promovendo muita risada e conscientizando as pessoas sobre o uso do preservativo, a camisinha.

O jovem Makciel Castro encontrou no grupo o espaço ideal para atuar e fazer as coisas acontecerem. “Quando temos oportunidades de desenvolver nossas habilidades, isso faz com que nos entreguemos e participemos de forma ativa. Sendo assim, faço parte do grupo com muito carinho onde enceno o personagem Janjão”, conta Makciel empolgado com sua participação. V

CAJE O Centro de Ação Jovem de Eusébio (CAJE) é um espaço público vinculado à Secretaria Municipal de Saúde de Eusébio, que tem como objetivo agregar adolescentes articuladores e outros representantes jovens da comunidade. O grupo organiza atividades voluntárias, tais como: grupos de teatro, música, clubes de leitura, oficinas de arte, mobilizações sociais etc. O CAJE localiza-se na Rua Eusébio de Queiroz, 4600 – Centro, e atende crianças, adolescentes e jovens.

*Um dos Virajovens presentes em 20 Estados do País e no Distrito Federal


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E eu com isso?!

em sobre o sistema Estudantes brasileiros diverg públicas brasileiras de cotas das universidades

A

presidenta Dilma Rousseff sancionou uma lei aprovada pelo Congresso que vai mudar radicalmente o ensino público superior no Brasil. Criado nos Estados Unidos, na década de 1960, o sistema de cotas foi um dos meios utilizados para que houvesse um maior fluxo de negros nas instituições de ensino e vem sendo desenvolvido desde então. Um modelo desse sistema foi implantado no Brasil em 2004, pela Universidade de Brasília (UnB), e, a partir de então, ampliado para todas as universidades públicas do País. Porém, esse assunto virou alvo de polêmicas, tendo em vista que torna obrigatória a oferta de 50% de vagas para alunos oriundos de escola pública. Estudantes de todo o País dividem opiniões a respeito do assunto. Nos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Amazonas, estudantes de redes privadas de ensino acabaram por criar um Movimento Estudantil contra esse sistema, que segundo eles é uma concorrência desleal, tendo em vista que as cotas facilitam a entrada de alunos de escolas públicas nas universidades públicas. Para esses estudantes, essa medida só destaca os principais problemas sociais do Brasil: o racismo, a pobreza, a má qualidade do sistema público de ensino, dentre outros. Assim, esse grupo acredita que o sistema de cotas acabou por virar uma falsa solução para os nossos problemas sociais. Pedro Machado, de 16 anos, estudante do 2º ano do Ensino Médio acredita que a lei de cotas é uma medida

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Vinicius Amadis e Guilherme Sena, do Virajovem Manaus (AM)*; Monique Evelle, do Virajovem Salvador (BA)*; e Bruno Ferreira, da Redação

que acentua as desigualdades sociais distinguindo as classes. “Nessa sociedade as cotas não favorecem a meritocracia'', afirma. Por outro lado, há quem defenda a adoção desse sistema, pois há um número grande de pessoas desfavorecidas no País, que precisa enfrentar muitos empecilhos, como: a má qualidade da educação pública, a superlotação das salas de aula, entre inúmeros outros, que tornam a briga por uma vaga na universidade pública desproporcional e injusta. Já para Michel da Silva, de 15 anos, com a aprovação da lei os estudantes de escola pública poderão ter maior facilidade de acesso à universidade, uma vez que a distorção entre o ensino nas escolas públicas e particulares é muito grande.

Por que as cotas existem? Com esses e outros problemas sociais existentes no Brasil atualmente, não é possível afirmar que todos são iguais perante a lei. Defensores das cotas universitárias argumentam dizendo que os negros brasileiros por uma questão histórica de exclusão social iniciada com a escravidão, e alunos oriundos de escolas públicas, por sofrerem com a má qualidade de ensino, não estão em condições de igualdade com estudantes de escolas particulares, que não enfrentaram problemas no decorrer de sua formação.


Jhony Abreu

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iões

m opin s divideaís a t o c e oP ad Sistem ns em todo de jove

escassez de vagas. E essa diversidade Se pararmos para pensar sobre o contempla negros, indígenas e estudantes histórico dos negros na sociedade, é possível de baixa renda. perceber que eles viveram em péssimas Tudo isso, no entendimento de condições, sem terem garantidos os seus defensores dos direitos humanos, deve direitos fundamentais. Com a discriminação, ser reparado de alguma forma e as cotas cresceu a falta de oportunidades e a universitárias são uma alternativa de desigualdade racial e social. reparação. Elas são direcionadas aos alunos Neste caso, as cotas para negros que tenham cursado todas as séries do representam uma reparação histórica, pela Ensino Médio em escola pública e que violação dos direitos humanos no decorrer de pertençam a um grupo familiar com renda quase 400 anos de escravidão aos quais os menor ou igual a um salário mínimo e meio, negros africanos foram submetidos, com para que sejam inseridos no Ensino Superior. consequência de exclusão social e Já as cotas raciais estão ligadas à inserção marginalização de seus descentes brasileiros. dos negros e indígenas nas Universidades Outra questão diz respeito ao acesso com o intuito de reparação, visto que o à educação. Se a educação é um direito Brasil tem dívidas históricas tanto com os humano não há porque haver uma disputa negros quanto com os indígenas. V para estudar. Mas como ela existe, é preciso garantir que a diversidade tenha espaço no ensino superior, ainda restrito por causa do *Virajovens presentes em 20 Estados do processo seletivo e também por conta da País e no Distrito Federal

Revista Viração • Ano 10 • Edição 90 29


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No Escurinho

Dance, ou estamos perdidos ra fa alemã não foi motivo pa Morte de dançaria e coreógra á-la em documentário diretor desistir de homenage Sérgio Rizzo, crítico de cinema*

D

Divulgação

ançarina e coreógrafa, a alemã Pina Bausch foi uma grande referência internacional em sua área de atuação. Por esse motivo, tinha uma agenda concorrida que sempre dificultou a realização de um filme sobre o seu cotidiano. Finalmente, em 2009, o também alemão Wim Wenders (diretor de Paris, Texas, Asas do Desejo e Buena Vista Social Club) acertou detalhes de um projeto que os dois haviam combinado muitos anos antes e programou, feliz, o início das filmagens do que seria um documentário sobre o trabalho de Pina.

Mas, vítima de um câncer avassalador cuja gravidade escondeu até das pessoas mais próximas, ela morreu em 30 de junho de 2009, menos de um mês antes de completar 69 anos. Deprimido, Wenders pensou inicialmente em abandonar o projeto. A passagem do tempo e o apoio dos integrantes da companhia da coreógrafa, a Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, o fizeram mudar de ideia. O desejo coletivo de homenageá-la afetivamente resultou em uma obra realizada por muitas mãos, o documentário Pina (2011), recém-lançado em DVD no Brasil. Wenders assina a produção, o roteiro e a direção, mas o ponto de vista é o de dezenas de amigos e colaboradores com quem Pina trabalhava e convivia. Todos falam em suas próprias línguas, inclusive o português, em um coral de lembranças divididas com o espectador. O ponto forte, no entanto, corresponde aos números musicais (que incluem uma coreografia para a canção O Leãozinho, de Caetano Veloso). O uso de locações – principalmente nas ruas de Wuppertal, sede da companhia – cria uma conexão entre dança e cotidiano, ou entre dança e vida, que está em plena sintonia com os princípios do trabalho de Pina. Uma de suas frases mais célebres é utilizada como motivo recorrente do documentário: Dance, dance – senão, estamos perdidos. Wenders foi feliz ao traduzi-las (a frase e o espírito de Pina) em forma de cinema. V * www.sergiorizzo.com.br

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Que Figura!

Revolucionária marxista "Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem", dizia Rosa Luxemburgo

R

osa Luxemburgo foi uma líder política e filósofa polonesa de tendências marxistas e socialistas. Por essas ideias ela foi uma das principais revolucionárias do século 19. Participou ativamente na fundação de vários grupos socialistas, entre eles o Partido Comunista Alemão. A revolucionária Rosa nasceu num vilarejo de Zamość, perto de Lublin, no oeste da Polônia. Aos cinco anos de idade, para tratar de uma doença nos ossos do quadril teve a perna engessada e ficou imobilizada por cerca de um ano. Como resultado, uma de suas pernas cresceu menos do que a outra, o que a fez ser manca pelo resto da vida. Em 1880, Rosa ingressa no ginásio, onde concluiu os estudos em 1887 e, apesar das excelentes notas obtidas, não recebeu a tradicional medalha de ouro destinada às melhores alunas devido a sua atitude rebelde diante das autoridades escolares. Ainda no ginásio entrou para o Partido do Proletariado. Ela iniciou na vida política organizando uma greve geral, o que a fez ser perseguida pela polícia e fugir. No mesmo ano, passou no exame Abitur, análogo ao vestibular brasileiro. Em 1889, aos 18 anos, começou a estudar na Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique. Em 1897, defendeu o doutorado na universidade, o que suscitou admiração, pelo fato de ser a única mulher a obter esse título. Em 1898, Rosa Luxemburgo instalou-se na Alemanha. Um casamento deu-lhe a cidadania alemã. A partir disso, lutou pelo marxismo alemão em congressos do partido, congressos internacionais, em artigos e livros. Ao lado de Karl Liebknecht, foi a representante mais importante dentro do Partido Social-Democrata Alemão. Ela também foi co-fundadora do grupo Spartacus e, após, do Partido Comunista Alemão. Assim como Marx, Rosa Luxemburgo entendia “revolução social” como a abolição de todas as relações em que “o homem é um ser humilhado, subjugado, abandonado e desprezível”. Esta revolução social que ela queria alcançar com uma luta constante pela hegemonia deveria *Uma das virajovens presentes em 20 Estados do País e no Distrito Federal

ajudar a mudar de forma duradoura a correlação de forças dentro da sociedade. No ano de 1919, ela e outros líderes do Partido Comunista da Alemanha foram presos e levados para interrogatório em um hotel na cidade de Berlim, onde foi assassinada. Os detalhes da morte são desconhecidos, no entanto, a versão mais aceita é que ela teria sido brutalmente espancada por integrantes de um grupo paramilitar de direita. Depois de baleada, seu corpo teria sido abandonado em um leito de rio da cidade. O corpo da militante foi enterrado no Cemitério Central de Freidrichsfelde, em Berlim. Todos os anos, socialistas e comunistas se reúnem no local na segunda segunda-feira de janeiro para homenageá-la. Existe também, uma página na internet com seu nome que prega os fundamentos marxistas. Confira: http://www.rls.org.br V

Revista Viração • Ano 10 • Edição 90 31


sexo_e_saude_90:Layout 1 03/11/2012 02:05 Page 1

Sexo e Saúde

N

o Brasil, é alarmante o alto índice de aborto entre jovens e adolescentes. O aborto inseguro é uma questão de saúde pública e um dos maiores problemas de negligência à saúde sexual e reprodutiva. No nosso País, o aborto é permitido somente em caso de gestação de feto anencefálico, quando a gestante corre risco de morte ou quando a gravidez é ocasionada por um estupro. Nesses casos, o aborto é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para entendermos melhor essa questão, entrevistamos a doutora Maria Verônica Aragão, ginecologista de Itaberaba (BA). V

Amanda Campos, Emilae Sena e Thayane Fraga, do Virajovem Salvador (BA)*

Manter relação sexual durante a gravidez pode levar ao aborto? Não, não existe risco algum. Se a gestante estiver com uma gravidez normal e não estiver sentindo nada, ela pode ter relações sexuais. A paciente só deve suspender a relação se ela já estiver com ameaça de aborto. Até quantos meses de gestação a mulher está mais propícia ao aborto espontâneo?

Natália Forcat

Até o quarto mês. A partir disso ela pode ter um abortamento tardio por outros problemas não habituais. De cem gestações, 30 vão ter um aborto espontâneo, que é considerado uma seleção natural por má formação que o organismo permite expulsar. Mas isso pode acontecer até o quinto mês, mas por outros problemas. O que pode causar o aborto espontâneo? O mais comum é a má formação do feto. Também pode acontecer se a gestante sofrer algum tipo de acidente. Quais os cuidados a mulher deve ter para evitar o aborto? Fazer pré-natal corretamente, pois com o pré-natal é possível identificar se a paciente tem algum tipo de infecção. Até mesmo uma infecção urinária pode causar um aborto espontâneo, porque qualquer infecção produz uma substância que causa contrações uterinas. Por isso a importância de se fazer os exames e de detectar qualquer problema. Mas se for má formação, não há como evitar. Mande suas dúvidas sobre Sexo e Saúde, que a galera da Vira vai buscar as respostas para você! O e-mail é redacao@viracao.org *Virajovens presentes em 20 Estados do País e no Distrito Federal

32 Revista Viração • Ano 10 • Edição 90


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Rango da terrinha

Mistura do Maranhão do do Maranhão, que reúne Arroz de cuxá é um prato típico do Esta compõem o povo maranhense características das diferentes etnias que

CUPOM DE ASSINATURA

Deborah Rafaelly Rodrigues Duarte, do Virajovem São Luís (MA)*

O

arroz de cuxá é um prato popular no Maranhão. Sua receita é caracterizada pela mistura de ingredientes dos povos que formam a etnia maranhense: o português, o índio e o africano. A farinha de mandioca indígena, pimenta de cheiro e gergelim fazem parte do prato. Apesar de muito popular, o prato é simples de ser feito. Trata-se de um arroz comum, com um complemento. O complemento é a vinagreira, principal ingrediente do prato típico, responsável pelo sabor levemente azedo do prato. Planta típica da flora do Maranhão, a vinagreira é muito rica em ferro e além de ser usada na culinária, possui propriedades medicinais. Também é conhecida como caruru-azedo ou quiabo-roxo e seu nome científico é Hibiscus sabdariffa. V

Modo de preparo

1/2 kg de arroz; 3 maços de vinagreira; 250g de camarão seco sem casca; Tomate, cebola, pimentão, pimentinha de cheiro Azeite de dendê Óleo 1/2 garrafa de leite de coco Sal a gosto

Cozinhe os três maços de vinagreira durante dez minutos e depois escorra a água e picote a planta com uma faca. Deixe o camarão seco sem casca de molho por cinco minutos para tirar o sal. Pegue tomate, cebola, pimentão, pimentinha de cheiro, e pique tudo. Depois, coloque esses ingredientes numa panela por cinco minutos para refogar com duas colheres de azeite de dendê e duas de óleo. Adicione meia garrafinha de leite de coco. Por último, misture o camarão, a vinagreira e o arroz. E deixe cozinhar até secar. O arroz de cuxá está pronto! Bom apetite!

É MUITO FÁCIL FAZER OU RENOVAR A ASSINATURA DA SUA REVISTA VIRAÇÃO Basta preencher e nos enviar o cupom que está no verso junto com o comprovante (ou cópia) do seu depósito. Para o pagamento, escolha uma das seguintes opções: 1. CHEQUE NOMINAL e cruzado em favor da VIRAÇÃO. 2. DEPÓSITO INSTANTÂNEO numa das agências do seguinte banco, em qualquer parte do Brasil: Divulgação

Ingredientes

anual e renovação 12 edições ++ newsletter

A Vinagreira é o principal ingrediente do arroz de cuxá.

*Uma das Virajovens presentes em 20 Estados do País e no Distrito Federal

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APOSTANDO NA TRANSFORMAÇÃO FONE(COM.) E-MAIL

EST. CIVIL BAIRRO

Jhonathan Pino e Deriky Pereira, do Virajovem Maceió (AL)*

REVISTA VIRAÇÃO Rua Augusta, 1239 – Cj. 11 Consolação – 01305-100 São Paulo (SP) Tel./Fax: (11) 3237-4091 / 3567-8687

NOME ENDEREÇO CEP CIDADE

FONE(RES.) ESTADO

E

m 2012, o Projeto Juventude, Educação e Comunicação Alternativa (Jeca), de Maceió (AL), resolveu mudar um pouco o público de suas oficinas. A cobertura da etapa estadual da 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em Alagoas, rendeu frutos: o Jeca foi convidado para realizar suas oficinas de comunicação com os participantes do ViraVida, adolescentes e jovens que participaram da cobertura midiática da 9ª Conferência com um grupo da cidade de Campestre (AL). Mas o que é esse projeto? O Projeto Vira Vida nasce após duas décadas da promulgação da Lei Federal nº 8.069, que reconheceu os direitos de meninos e meninas viverem em condições de liberdade e dignidade, e a salvo de toda forma de negligência, discriminação e violência. A partir do momento em que o Serviço Social da Indústria (Sesi) percebeu que poderia atuar com a formação de jovens vulneráveis, atendendo ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), resolveu estabelecer o projeto. A ideia é promover a elevação da autoestima e da escolaridade dos adolescentes e jovens participantes, para que desvendem o próprio potencial e assim conquistem autonomia. Os jovens selecionados vivem em situação de vulnerabilidade social. Parte deles foi submetida à violência e exploração sexual e dificilmente seriam inseridos no mercado de trabalho sem uma forcinha. *Virajovens presentes em 20 Estados do País e no Distrito Federal

)

DATA DE NASC.

/ em Cheque nominal Depósito bancário no banco Vale Postal Boleto Bancário Assinatura nova Renovação De colaboração Exterior

FORMA DE PAGAMENTO: TIPO DE ASSINATURA:

recebem A partir do programa ViraVida, jovens formação humana e profissional

Virajovem de Maceió ministra oficina com jovens do Projeto ViraVida

Virajovem Maceió (AL

SEXO

Assinatura nova Renovação De colaboração Exterior

R$ 65,00 R$ 55,00 R$ 80,00 US$103,00

Parada Social

/

/

PREÇO DA ASSINATURA

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Por isso o Sesi resolveu fazer uma formação em dois sentidos: conhecimento humano, levando em consideração os modos de ser, pensar e agir dos adolescentes e em suas condições objetivas de vida, aliado à formação profissional em diversas áreas, como Moda, Imagem Pessoal, Turismo e Hospitalidade, Gastronomia, Comunicação Digital, Administração e Química. Em seu primeiro ano de projeto em Alagoas, estão sendo formados 57 alunos em Alimentação, Assistente em Administração e Operador de Supermercado. Para as três turmas, o Jeca ministra oficinas de Mídias e Juventude, Redação, Jornal Mural, Fotografia, Vídeo, Podcast e Rádio para que os alunos também se familiarizem com as possíveis ferramentas de comunicação com que venham a ter contato e atuem de forma mais consciente sobre todas elas, sabendo como se expressar e como se apropriar de cada uma no contexto em que vivem. V

Saiba mais sobre o Projeto ViraVida, V do Sesi, no site: www.viravida.org.br.


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Notícias nasceu em A Agência Jovem de al rante o Fórum Soci l. janeiro de 2005 du an no Rio Gr de do Su , re e jovem eg Al o rt Po em alquer adolescente Mundial, qu , le Ne . te si um rticipar a ganhou ar e filmar pode pa in op Em 2011, a Agênci , ar af gr to fo eferências! crever, falar, escola, gostos, pr interessado em es e, ad id un m co a su m! a-dia, de ça parte você també Fa . falando do seu dians ve jo os ra jovens e pa Este é um espaço de ia com a gente. e, faça a sua notíc in op e, ip ic rt pa a, Escrev

Revista Viração - Edição 90 - Novembro/2012  

Mercadoria, riqueza coletiva dos povos e de cada um. A cultura é produto ou parte indissociável da vida?

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