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DOCE ÓCIO CONHEÇA O NADISMO


Editorial R$ 4 milhões é pouco Um município que arrecada R$ 32,5 milhões por mês – na média resultante do primeiro quadrimestre deste ano – não pode se dar ao luxo de gastar R$ 20 milhões para dar emprego a cerca de sete mil pessoas. A quantidade exata de servidores, apesar da Lei da Transparência, é uma caixa preta. Não vamos nem falar da Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe um limite – já estourado – de 60% da receita para as despesas com pessoal. Não vamos sequer mencionar a maior ou menor utilidade desse contingente. Saúde e Educação respondem por 85% da folha, de acordo com o prefeito Márcio Paiva. E certamente alguém tem que trabalhar nas demais áreas, quando mais não seja, para emitir os carnês de IPTU. Mas é sempre necessário lembrar que não cabe ao Poder Público prover emprego, nem nos municípios, nem no Estado, nem na União, muito menos por meio de indicações políticas. Se não há receita suficiente sequer para os contratos de manutenção – e o prefeito vem de dizer que contingenciou essas despesas – nada justifica limitar o corte de pessoal a R$ 4 milhões mensais. É pouco.

Auditoria O governo da Bahia descobriu em maio 81 funcionários públicos que acumulam indevidamente empregos públicos em outro estado: 49 em Sergipe, 20 em Pernambuco, seis no Ceará, cinco no Tocantins e um no Espírito Santo. O fenômeno é mais comum do que pode parecer. Em outra versão de funcionário fantasma, o filho do afamado deputado Waldir Maranhão (PP) também recebia salário público, embora vivesse em São Paulo, onde exerce profissão no setor privado. Mas não é necessário um escândalo para revelar outros fantasmas. Basta uma auditoria, como provou o governo.

Prioridades A buraqueira das ruas, que tanto irrita os cidadãos a cada período de chuvas, neste sagrado ano eleitoral vem recebendo tratamento quase em tempo real: abriu, fechou. Para isso não tem faltado recursos, numa prova de que é tudo uma questão de gerir a receita. Sobrevive a esperança de que o redirecionamento de prioridades – da folha de pagamento para as necessidades de manutenção – se estenda a todas as outras situações que gritam por solução.

Novo problema A boate que vão abrir na avenida Praia de Pajussara esquina com Itamaracá não é uma boate: é um restaurante com “um palquinho” para música ao vivo. A necessidade de isolamento acústico constará do alvará da prefeitura, que não está em condições de o negar se tudo estiver em conformidade com a lei. É nesse ponto que a porca torce o rabo. Faltou exigir área de estacionamento, mas quem sabe a clientela resolva aparecer a pé.

Obstáculos antigos

Carlos Accioli Ramos Diretor-editor

Parece morta a iniciativa da prefeitura, anos atrás, de fiscalizar as calçadas públicas, garantindo o livre trânsito de pedestres. Os novos alvarás de construção, segundo consta, vêm sendo emitidos com a exigência de pleno cumprimento do decreto municipal que garante a circulação de pessoas nas calçadas. Mas os obstáculos anteriores continuam no lugar em que sempre estiveram e há sempre mais um brotando do chão.


teatro

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Espetáculo teatral A Bofetada chega a Lauro de Freitas para três apresentações A Cia Baiana de Patifaria apresenta pela primeira vez na cidade o espetáculo A Bofetada, que já foi visto por quase dois milhões de pessoas desde 1988 – há 28 anos. Aqui as apresentações acontecem de 9 a 11 deste mês, às 20h, no Cine Teatro de Lauro de Freitas, Centro da cidade. A nova montagem da peça traz no elenco os atores Lelo Filho, Diogo Lopes Filho, Mario Bezerra e Marcos Barretto, que continuam adaptando e atualizando os textos e “cacos” de seus onze personagens, que vão misturando as manchetes do noticiário aos antigos bordões, como ‘é a minha cara’, ‘oxente’, ‘momento lindo, maravilhoso’, ‘adoro, chega choro’ e levando o público às gargalhadas. A direção é de Lelo Filho, juntamente com o diretor assistente Odilon Henriques, a partir da concepção original de Fernando Guerreiro. Os textos são adaptados de Mauro Rasi, Miguel Magno e Ricardo de Almeida. Brincadeira cênica que, aliada a muito trabalho nos bastidores e uma profunda pesquisa sobre diferentes estilos de comédias e mais recentemente adentrando o drama, já percorreu 50 cidades brasileiras e conquistou um público que ultrapassa um milhão e meio de espectadores.


Registros & Notas

Sr. Rafful, a nova casa de Vilas

Referência por excelência na gastronomia, unindo harmonicamente o produto com o nome do seu criador, o quibe do Rafful marca gerações na região há mais de quinze anos. Saborear quibes, esfihas, charutinhos de repolho, maravilhas deliciosas e divinamente preparadas, fazia parte do programa semanal de famílias inteiras. A marca evoliu para Sr. Rafful, casa recém aberta em Vilas do Atlântico, reunindo todos os ingredientes em deliciosos pratos variados. No comando, o próprio, a esposa Celina e o chef Márcio, mineiro, com passagens pelos tradicionais templos da culinária mineira, Xapuri e Dona Lucinha, entre outros. Além das iguarias do cardápio, o trio está energizado e motivado a fazer do espaço um novo marco gastronômico na região. Com a assinatura do Sr. Rafful. ACERVO DO RCLF

Posse no Rotary

O economista Almir Cerqueira toma posse como presidente do Rotary Club Lauro de Freitas, dia 1º de julho. Ao lado da esposa, Gal, comandará o clube no ano rotário 2016/17. Com 21 anos de atuação como rotariano, Almir assume o cargo de presidente pela segunda vez (a primeira ocorreu no ano rotário 1999/2000).

Alunos do Conservatório Mozart mostraram seus talentos na homenagem que fizeram às mães, em apresentação pública, na área externa do Terrazzo Villas, em maio, sob a “regência” da gestora Eliane Brito Mayer.

GENTE MUITO BOA O advogado Eliano Barrozo de Souza aniversariou dia 28 de maio, fazendo o que lhe dá prazer: participar de uma das ações do Lions Club Lauro de Freitas, do qual ele foi fundador. Junto com seus companheiros, realizaram a 12ª Feira da Saúde, tradicional evento beneficente promovido pelo clube de serviços no município.

Laura chegou A sexta-feira, 13 de maio, passou a ser o dia mais abençoado para o casal Adriane e Klaus. É que naquele dia nasceu a filha primogênita, Laura.

Festa para a jovem Dora

A sexta-feira, 13 de maio, também foi só de alegrias para a “jovem” Maria Auxiliadora Antunes dos Santos (terceira na foto a partir da dir., na primeira fila), festejada pelos colegas de trabalho, pelo seu aniversário. Natural de Guaratinguetá/SP, dona Dora está na Bahia há 15 anos. Aqui chegou para participar da implantação de uma empresa de engenharia e não mais voltou. Sorte nossa. Junho de 2016 | Vilas Magazine | 5


cidade

Abandono do Parque Ecológico chama atenção de moradores

Portão fechado a cadeado

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Parque Ecológico de Vilas do Atlântico chamou a atenção de muita gente no bairro depois da reportagem de capa publicada pela Vilas Magazine na edição de maio. Pessoas que nem suspeitavam da existência do parque ficaram surpresas. Outros se mostraram indignados com o abandono da principal área verde do bairro. E outros ainda se dispuseram a colaborar gratuitamente para a recuperação do parque. Foi o caso de Kelvin Paulo, 19 anos, estudante de Ciências Biológicas na Universidade Católica do Salvador (Ucsal). “Uma área como essa deve ser preservada e sei que posso ajudar”, disse. “Foi como descobrir um jardim na porta da minha casa”, comparou Mércia Soares, 32 anos, fisioterapeuta que se mudou para Vilas do Atlântico em 2010. “Nunca pensei que aquilo fosse um parque e tão bonito”, completou. Depois de ler a reportagem ela até tentou explorar a área: “eu sabia que estava fechado ao público, mas não custava tentar”. São quase 135 mil m² de área verde classificada como Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA) desde o final de 2011, quando uma emenda ao Plano Diretor de 6 | Vilas Magazine | Junho de 2016

Desenvolvimento Municipal (PDDM) criou essa e outras quatro áreas de proteção. Uma delas é o entorno do antigo kartódromo, em Ipitanga. Outras três ficam em Vilas do Atlântico, em espaços contíguos ao do Parque Ecológico, totalizando mais de 225 mil metros quadrados. A área ocupada pelo Equus Clube do Cavalo é uma delas. A iniciativa de alterar o PDDM para

proteger o parque e as demais áreas verdes foi do presidente da Câmara, vereador Antônio Rosalvo (REDE). Na época havia a possibilidade de que o espaço do clube do cavalo viesse a ser transformado em mais um condomínio. Ao impedir a operação, o vereador acabou por impor restrições de ocupação também nos demais espaços. Apesar disso, largas áreas do parque e das outras áreas verdes estão hoje ocupadas por quintais de residências. As invasões são estimuladas pelo estado de abandono em que se encontra o parque. O “assalto” privado aos espaços naturais de Vilas do Atlântico é antigo, mas só recentemente foi documentado pela prefeitura. Segundo as autoridades municipais, cerca de 2,7 mil metros quadrados do parque estão ocupados por puxadinhos de quintal de residências nas ruas Praia de Suape, Praia de Tramandaré, Praia de Orange, Praia de Itapoan, Praia de Mar Grande e Praia de Itaparica, no entorno do Parque Ecológico. São áreas verdes e de passagem para o parque que foram “anexadas” pelos lotes vizinhos. De acordo com avaliação da prefeitura, o conjunto das áreas invadidas vale cerca de R$ 1,5 milhão.

Kelvin Paulo no Parque Ecológico: vontade de colaborar


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cidade

Ipitanga já tem projeto aprovado para substituir barracas de praia Praia de Buraquinho aguarda aprovação. Vilas do Atlântico segue sem definições

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s futuros quiosques da praia de Ipitanga, no trecho que pertence a Lauro de Freitas, já têm projeto definido. Serão instalados no espaço que hoje serve como estacionamento de veículos, no contexto de uma obra de contenção da orla. O projeto já foi aprovado pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), já tem fonte de financiamento e empreiteira contratada. De acordo com

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a prefeitura, as obras podem começar a qualquer momento. O que falta ainda é encontrar recursos para a construção dos 14 quiosques em sete módulos – o mesmo modelo projetado para Buraquinho, que terá onze módulos. Cada um pode custar cerca de R$ 60 mil. Os 18 módulos para as duas praias poderão custar mais de R$ 1 milhão. Com a iminente demolição das barra-

cas de praia em Ipitanga, Vilas do Atlântico e Buraquinho, a prefeitura de Lauro de Freitas quer oferecer alternativas aos comerciantes e frequentadores da orla, mas corre contra o tempo. Para o final de maio estava agendada mais uma audiência da Justiça Federal destinada a definir a derrubada. No mês passado aconteceram vistorias de órgãos federais para a produção de relatórios solicitados pela Justiça. Uma delas foi conduzida por oficiais federais, de acordo com Eliana Marback, secretária de Planejamento de Lauro de Freitas. Em Vilas do Atlântico, a última proposta era erguer oito pequenos quiosques em cima do calçadão atual, aproveitando o recuo existente no acesso a algumas alamedas, mas não chegou a haver projeto. O projeto original da prefeitura, que previa o alargamento do calçadão e toda


uma infraestrutura urbana, foi descartada em função das reações que provocou entre os moradores da orla. Os terrenos de marinha ocupados pelas residências seriam devolvidos ao uso público. Segundo Eliana Marback, houve consulta dos barraqueiros sobre a possibilidade de instalar barracas em terrenos da orla, mas a prefeitura informou que não existe essa possibilidade. O TAC do loteamento define as quadras da orla de Vilas do Atlântico como de uso residencial. Buraquinho Para Buraquinho já existe projeto definido, mas ainda não aprovado pela SPU, que recebeu a proposta da prefeitura em abril. O memorial descritivo trata a intervenção como “requalificação da orla da Praia de Buraquinho”, numa área de mais de 33 mil m². As barracas que hoje ocupam a faixa de areia serão relocadas para a praça.

Os novos quiosques de Ipitanga e Buraquinho: módulos duplos. À direita, planta de situação da intervenção na orla de Ipitanga: qualificação abrangente do espaço urbano

As novas barracas serão divididas em onze módulos, com duas barracas independentes cada um. Cada módulo terá um espaço destinado a mesas. O projeto prevê ainda o ordenamento do sistema viário com a criação de vagas de estacionamento limitado, rampas de acesso para pessoas portadoras de necessidades especiais e a reforma do calçadão existente, com o piso de pedra portuguesa. Outras calçadas serão criadas para fazer a ligação entre os novos quiosques e a praia. A nova infraestrutura incluirá ainda novos brinquedos infantis, equipamentos de ginástica, um módulo sanitário e depósito

de materiais de limpeza. Em Ipitanga a área de intervenção atinge 50 mil m². Serão sete módulos com dois quiosques cada um, mais três de serviços diversos. Haverá um novo traçado geométrico para definir o sistema viário existente, com ciclovia e piso intertravado em três cores, criando passeios alternativos para a praia e espaços sociais de convivência que ficarão à disposição dos quiosques. O passeio de pedra portuguesa existente será reformado. De acordo com o memorial descritivo do projeto, haverá um ganho de mais de 8 mil m² de área verde.

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Prefeitura reduz folha de pessoal em 20% para equilibrar finanças

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prefeito Márcio Paiva (PP) terá que cortar pelo menos R$ 4 milhões mensais em despesas de pessoal para equilibrar as despesas do município e para ficar dentro do limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). De acordo com ele, o montante corresponde a 20% da folha de pagamento, que estaria em cerca de R$ 20 milhões mensais. Não foi revelado o número de servidores atualmente empregados, nem quantos serão demitidos. “Ainda estamos avaliando”, disse o prefeito à Vilas Magazine, mas o corte deve ser transversal a todas as secretarias. As demissões acontecem, de acordo com o prefeito, depois de já ter sido feito “o dever de casa” com o contingenciamento de despesas relativas, principalmente,

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a contratos de manutenção nas despesas correntes. Além de ter que cumprir os limites da LRF, o caixa enfrentaria uma perda de receita da ordem de R$ 9 milhões nos quatro primeiros meses de 2016 em relação ao mesmo período do ano passado, sem perspectivas de melhora. Parte do problema pode estar nas transferências do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que registra queda, principalmente nos valores corrigidos pela inflação – não só em Lauro de Freitas, mas em todo o país. Dados do Tesouro Nacional indicam que a transferência de recursos do FPM a Lauro de Freitas acompanha a média nacional apontada pela CNM – inclusive a tendência à elevação do montante em maio, sazonalmente verificada. De fato, nos últimos três anos e

quatro meses os valores nominais das transferências de recursos para Lauro de Freitas chegaram a registrar algum aumento, embora não o suficiente para compensar totalmente a inflação registrada no período, de quase 29%. O montante do FPM transferido ao município em abril de 2016 – pouco mais de R$ 5 milhões, de acordo com o Tesouro Nacional – é praticamente igual ao de abril de 2013, quando corrigido pela inflação. Já em relação a abril de 2014 houve perda de cerca de R$ 250 mil. Corrigidos os valores do ano passado teria havido perda de mais de meio milhão de reais apenas no mês de abril. Em termos nominais, contudo, a quebra foi menos severa do que se esperava, ficando por R$ 100 mil. Somando todas as receitas, a prefeitura teria recebido R$ 130 milhões no primeiro quadrimestre de 2016 – R$ 9 milhões a menos que nos mesmos meses de 2015 – residindo aí o nó financeiro. O FPM é composto por parcelas do


Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) recolhidos pelo governo federal, repassadas aos municípios de acordo com coeficientes relacionados à população residente – entre outros fatores. Nos municípios brasileiros com até cinco mil habitantes os repasses do FPM constituem a maior parcela das receitas municipais. Além de apresentar crescimento populacional acelerado, que os índices oficiais não refletem imediatamente, Lauro de Freitas suporta serviços públicos que são utilizados também pelos moradores de Camaçari e Salvador. Apesar disso, o peso do FPM na composição das receitas manteve-se em cerca de 20% nos quatro primeiros meses deste ano, em comparação ao mesmo período

do ano passado, de acordo com dados da Secretaria Municipal da Fazenda. Na verdade, apesar da recessão econômica, o município conseguiu manter no mesmo período composição de receitas equivalente à do ano passado, incluindo a parcela do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e o recolhimento de ISS (Imposto sobre Serviços). Já o Imposto sobre a Transmissão Inter Vivos de Bens Imóveis (ITIV) – reflexo da desaceleração do mercado imobiliário – sofreu uma queda de 26% entre janeiro e abril de 2016 em relação ao período homólogo de 2015 – levando a uma menor participação na atual composição da receita. Na comparação com os primeiros meses de 2015 merece destaque a conta de multas e juros recebidos pela prefeitura, u Junho de 2016 | Vilas Magazine | 11


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com um crescimento de 207% segundo a secretaria da Fazenda. A rubrica foi de R$ 545 mil para cerca de R$ 1,7 milhão. O esforço de arrecadação de multas, entretanto, representou apenas 1,2% das receitas no primeiro quadrimestre de 2016. As taxas cobradas pela prefeitura também apresentaram aumento – 23% – representando quase R$ 3 milhões entre janeiro e abril de 2016, passando a responder por 2,1% das receitas contra 1,6% nos mesmos meses do ano passado. Cenário nacional Contrariando expectativas, as prefeituras brasileiras receberam até 20 de maio deste ano um volume de recursos do FPM que ficou, em termos nominais, 1,54% menor que no mesmo período do ano passado. Descontada a inflação, a queda vai a 10,34%. Os dados são da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O repasse do segundo decêndio de maio, em particular, superou as expectativas divulgadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) em 15,75%. O resultado dos primeiros cinco meses de 2016 deve-se aos bons números registrados em maio: o valor bruto, nominal, transferido no mês passado cresceu mais de 12% em relação a maio de 2015. Mesmo descontada a inflação do período, o FPM marca aumento de 3,43% no mês

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Prefeito Márcio Paiva: folha de em relação ao período paga­mento enfrenta redução homólogo. de receita e consequente Os números, mesmo rebaixamento do limite legal deflacionados, podem indicar uma retomada da atividade econômica, depois de quatro meses negativos em 2016. O FPM registrou queda de cerca de 21% em janeiro, 3% em fevereiro, 18% em março e 10% em abril. A CNM, contudo, recomenda cautela aos prefeitos já que os próximos meses apresentam, tradicionalmente, os menores repasses do ano, com destaque para o mês de julho – dificultando o fechamento das contas em “um ano delicado, final de mandato”, em que “é preciso fechar as contas para que o prefeito não seja responsabilizado”, afirma a entidade.


Corra pro Abraço em Itinga já tem entidade executora

Elói Corrêa / GOVBA

divulgação / sjdhds

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Comunidade Cidadania e Vida (Comvida), criada em 2005, vai receber R$ 1,7 milhão do governo da Bahia para executar em Itinga o programa Corra pro Abraço, de inclusão social e combate às drogas. A mesma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) receberá outros R$ 6,5 milhões para manter duas equipes do programa no Centro Antigo de Salvador, outra no Núcleo de Prisão em Flagrante do Tribunal de Justiça e uma última que fará a coordenação geral do programa em todo o estado. A escolha da OSCIP deu-se por meio de edital público. Outras entidades estão sendo selecionadas para atuar em quatro regiões de Salvador e outras cidades do interior. Ao todo o governo previa investir R$ 13 milhões, provenientes do Fundo de Combate à Pobreza do estado, por meio da Secretaria de Justiça Social. Dirigido a usuários de drogas, numa abordagem de inclusão social, o programa já acontecia em duas cenas de uso de drogas em Salvador – a Praça das Mãos, no Comércio, e a estação do Aquidabã. Ali, uma equipe multidisciplinar com psicólogos, assistentes sociais, arte-educadores, advogados e outros profissionais ganha aproximação com a população que está nas ruas e procura construir vínculos. Depois do atendimento inicial, conforme a demanda, a equipe encaminha essas pessoas à rede de atenção básica e demais serviços da rede de assistência social. O Núcleo de Prisão em Flagrantes é uma das novidades do programa. A equipe irá atuar em parceria com o Tribunal de Justiça, auxiliando os

Equipe do Corra pro Abraço em ação: inclusão social e combate às drogas

juízes na tomada de decisão para discutir formas de encaminhamento dos casos. “Esse trabalho conjunto deverá contribuir para a redução do número de encarceramento de pessoas que fazem uso de drogas, caracterizadas mais como usuárias, do que com ligação com o narcotráfico”, explica a superintendente de Políticas sobre Drogas e Acolhimento a Grupos Vulneráveis da Secretaria de Justiça, Denise Tourinho. Livro Em maio, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social apresentou o livro Corra pro Abraço: o encontro para o cuidado na rua, em parceria com o Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA). A superintendente de Políticas sobre Drogas Denise Tourinho explica que o livro é um esforço da equipe para sistematizar metodologicamente o que vem sendo realizado, “no intuito de compartilhar com o público tantas experiências ricas e inspiradoras acumuladas, ao longo de três de Corra pro Abraço”. A publicação inclui os aprendizados, conceitos e metodologia do programa. A tiragem foi custeada integralmente pelo Governo do Estado, que pretende distribuir gratuitamente os livros em bibliotecas e universidades, além de instituições vinculadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), à rede de atenção psicossocial e afins. Para a diretora de Gestão e Monitoramento da Superintendência de Políticas sobre Drogas, Emanuelle Silva (foto à esq.), o livro é uma forma de trocar conhecimentos e tornar públicas as experiências exitosas do programa. “Queremos compartilhar os nossos aprendizados com gestores públicos, com a comunidade acadêmica e principalmente com os usuários”, diz. De acordo com a diretora, “eles são quem mais têm a nos ensinar em como lidar com a situação de rua”. O programa entende “que é a rua que dá o ‘tom’ desse projeto, tudo deve ser muito dialogado e não pensado de cima para baixo, é uma ação que se reinventa o tempo inteiro”. Ancorado no conceito da redução de danos, o Corra pro Abraço foi criado em 2013, como projeto-piloto, pelo governo do estado, em parceria com a entidade executora Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA). Implantado por meio da Superintendência de Políticas Sobre Drogas e Acolhimento a Grupos Vulneráveis, o trabalho obteve o reconhecimento de especialistas por promover o resgate da autoestima e dignidade e, em última instância, a reabilitação e reinserção social de usuários de drogas em situação de rua. O Corra pro Abraço foi idealizado a partir das diretrizes do Plano Viver sem Drogas, do Programa Pacto pela Vida (PPV) e atualmente atende 500 pessoas. Junho de 2016 | Vilas Magazine | 13


cidade

Associação Comercial pede mais segurança para Vida Nova

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ais de 60 empresários de Vida Nova participaram de reunião promovida pela Associação Comercial de Lauro de Freitas (ACISLF) para pedir ao poder público a instalação de mais câmeras de vigilância no bairro, além de maior frequência das operações da Polícia Militar na região. De acordo com Ricardo Souza, presidente da entidade, a polícia vem se mantendo presente em Vida Nova, “trazendo mais tranquilidade para os empresários e para a população que já comemoram uma maior segurança no local”. A presença constante das viaturas de polícia nos locais de maior circulação de pessoas foi uma das medidas solicitadas pelo público presente. Além dos empresários filiados à ACISLF, participaram da reunião o prefeito

Márcio Paiva (PP), o comandante da Polícia Militar para a Região Metropolitana de Salvador Coronel PM Luziel Oliveira e os majores Fabrício Silva e Sérgio Dias, comandantes das unidades de Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM) que servem Lauro de Freitas. A associação comercial, que já reúne já mais de trezentos empresários, de acordo com o seu presidente, persegue uma reestruturação voltada os setores de comércio, serviços, indústria e profissionais liberais, atuando em diversas áreas, incluindo a segurança pública. Segundo a entidade, os empresários de Vida Nova “sofrem com o alto índice de marginalidade na região”. A próxima reunião da ACISLF estava programada para o dia primeiro de

Associação Comercial, poder público e Polícia Militar se reuniram para debater segurança para Vida Nova

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junho para discutir o transporte, trânsito, estacionamentos, estado das ruas, alagamentos, segurança e mobilidade, mais uma vez com a presença do prefeito Márcio Paiva.

Projeto “Zika Zero”: Prefeitura participa de ação em parceria com a Unime

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lunos do curso de Pedagogia da Unime Lauro de Freitas promoveram uma ação do projeto Zika Zero, para alunos da escola Dom Avelar Brandão Vilela, unidade municipal de ensino reinaugurada recentemente. A turma do quarto semestre do curso, sob a coordenação e orientação das professoras, Karina Nery Embirussu, Mara Schuingel, Luzia Ramos e Fernanda Gomes, desenvolveu atividades lúdicas, envolvendo linguagens artísticas, como música, teatro, dança e artes plásticas, com a participação de todos os alunos da unidade escolar. O projeto tem como objetivo principal abordar o tema Aedes aegypti, de modo simples e informativo, a fim de conscientizar as crianças sobre o combate ao mosquito Aedes e as formas de cuidado para evitar a doença.


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Via Metropolitana já tem 44% das obras concluídas

s obras da Via Metropolitana, que vai ligar a BA-099 (Estrada do Coco) em Camaçari à BA-526 (CIA-Aeroporto) em Salvador, atravessando Areia Branca estão 44% concluídas, de acordo com informações da Concessionária Bahia Norte. A conclusão da obra está prevista para março de 2017.

Hoje trabalham na construção 625 operários, com 144 máquinas em operação. Nesta etapa da obra está em andamento a construção dos viadutos que fazem a transposição dos bairros do Capelão e Parque São Paulo. Os viadutos de acesso à Via Metropolitana, no entroncamento com a BA-526, Viadutos de acesso à Via Metropolitana: entrega em menos de um ano

BA-099 e no Jambeiro também começam a ganhar forma. A pavimentação das pistas e construção do sistema de drenagem da rodovia já teve início. A Via Metropolitana, essencial para desafogar o trânsito no trecho da Estrada do Coco que atravessa Lauro de Freitas e, por consequência, na maior parte da cidade, será uma via expressa com 11,2 Km de extensão. O investimento previsto é da ordem de R$ 220 milhões, beneficiando cerca de dois milhões de habitantes. O traçado da via foi revelado em primeira mão pela Vilas Magazine. A promessa da obra é desafogar o tráfego de veículos em Lauro de Freitas – estimado em mais de 100 mil veículos por dia apenas no trecho local da Estrada do Coco – liberando os sete quilômetros municipais apenas para o trânsito local. Além disso, a Via Metropolitana funcionará como alternativa mais rápida no acesso ao Litoral Norte baiano através da Linha Verde, abrindo ainda um novo vetor de desenvolvimento econômico no Jambeiro, em Lauro de Freitas, facilitando, além do turismo, o escoamento de produção regional. Um novo acesso à cidade será criado através da avenida Gerino de Souza Filho.

Aulas de surf grátis para estudantes da rede municipal Fernando Eloy, mais conhecido como “Fedoba”, conhecido instrutor de surf, vem dando aulas gratuitas para jovens de até 17 que são estudantes da rede municipal de ensino. São 40 adolescentes em duas turmas.As aulas acontecem toda terça e quinta-feira, na praia de Vilas do Atlântico, sempre das 8h30 às 10h30e das 14h30 às 16h30. Os interessados podem entrar em contato com Fedobapelo número 993515290 ou aparecer na praia nos dias em que há aulas para fazer a inscrição. viviane sales

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cidade

Imagem de alta definição da TV digital será a única opção a partir de julho de 2017

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Lauro de Freitas terá apenas TV digital daqui a um ano

sinal analógico de televisão será desligado em Lauro de Freitas, Salvador e outros 18 municípios baianos em 26 de julho do ano que vem. A data foi definida pelo Ministério das Comunicações. Ao todo, 349 municípios de todo o país, principalmente nas regiões metropolitanas, passarão a contar apenas com o sinal digital de televisão em 2017. A ideia inicial era desligar o sinal analógico no país todo até o fim de 2018, mas a mudança por enquanto ficou restrita aos maiores aglomerados urbanos. Um dos problemas apontados para a conclusão do processo é a necessidade de adquirir uma antena digital e um conversor de sinal ou um novo aparelho de TV. Para haver desligamento do sinal analógico, o ministério das Comunicações havia determinado um percentual de referência de 90% dos domicílios com acesso à nova tecnologia. Por isso, o governo anterior buscava, junto ao setor industrial e lojista, um acordo para deso16 | Vilas Magazine | Junho de 2016

nerar o custo de aparelhos de TV de até 32 polegadas com sinal digital para acelerar a implantação completa do sinal até o fim de 2018. A expectativa era obter um preço máximo de R$ 500 para o aparelho que hoje custa cerca de R$ 800, por meio de descontos em impostos para a venda dos aparelhos nos meses anteriores ao desligamento. O governo também estudava a distribuição de conversores para as populações de baixa renda cadastradas em programas sociais ou um cupom de desconto de aproximadamente R$ 200. As pessoas poderiam ter a opção de adquirir uma televisão nova em vez de receber ou comprar um conversor para fazer a adaptação do sinal digital na TV analógica, de tubo. Dos domicílios com aparelhos de TV do país, cerca de 15 milhões (23%), tinham em 2014 apenas TV analógica aberta. Os dados são do Suplemento de Tecnologias de Informação e Comuni-

cação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mesmo estudo mostra que, no Nordeste, quase 28% das residências não possuíam TV digital aberta, TV por assinatura, nem internet. No Sudeste, esse percentual era de quase 22%. Em 2013, 28,5% dos domicílios brasileiros não tinham nenhuma dessas modalidades. A primeira cidade brasileira a ter o sinal analógico desligado foi Rio Verde, em Goiás, em março deste ano, quando apenas 85% dos domicílios já contavam com a nova tecnologia. Naquele munícipio, as famílias de baixa renda – cerca de 25 mil pessoas – receberam gratuitamente do governo antena e conversor de sinal. No mercado brasileiro, o conversor custa entre R$ 150 e R$ 200 e a antena cerca de R$ 50, mas os preços variam bastante. O governo anterior estava negociando com empresas que produzem materiais e insumos para a fabricação dos conversores fornecidos gratuitamente à população de baixa renda, na busca da redução do preço do aparelho. Para baixar o custo inicial de US$ 22 (R$ 77 ao câmbio do final de maio) e manter a interatividade foram retirados componentes como entrada de internet e HDMI, que permite a transmissão em alta definição. Com isso, o custo já teria sido reduzido para US$ 16,5 (cerca de R$ 58). O próximo desligamento está programado para 26 de outubro, em Brasília e no entorno do Distrito Federal. Em Brasília, segundo o IBGE, apenas 60% dos domicílios possuíam TV digital aberta em 2014. O sinal analógico será desligado depois em São Paulo em março do ano que vem.


TV digital libera canais para a internet móvel 4G

mercado

A

pressa para o desligamento do sinal analógico de TV tem explicação: com a transição para a TV digital, as faixas de radiofrequência ocupadas pelos canais da TV analógica serão liberadas para utilização pelas empresas de telecomunicações. As operadoras de celular vão usar as faixas para os serviços móveis de quarta geração – a internet móvel 4G. A TV digital usa uma tecnologia – desenvolvida no Japão a partir dos anos 70 – que modula e comprime digitalmente um sinal para enviar vídeo, áudio e dados que são descomprimidos ao serem recebidos pelo aparelho de TV digital ou pelo conversor de sinal ligado a uma TV analógica. A vantagem é poder transmitir muito mais conteúdo por um mesmo canal – ou frequência – e ainda entregar imagens de alta qualidade, sem ruídos e interferências de qualquer espécie. A maior quantidade de dados que se tornou possível transmitir resulta em imagens de alta resolução. Para aproveitar esses recursos, a tela da TV também teve que evoluir. As primeiras telas tinham apenas 30 “linhas de vídeo”. Nos anos 50 do século passado, os primeiros televisores já ofereciam 240 linhas, aumentando o nível de detalhe das imagens transmitidas. Hoje um aparelho analógico tem o dobro disso. Nas TVs digitais, de tela plana, já são 1.080 linhas de resolução. E existem as 4K, com resolução quatro vezes maior – a preços também multiplicados. Mas a evolução deve parar por aí porque há um limite para a resolução que o olho humano pode perceber. A qualidade de som também evoluiu com o sinal digital. Os primeiros televisores tinham apenas um canal de som (mono). Depois vieram os aparelhos estéreo (dois canais). Agora é possível receber, pela TV aberta, som em seis canais, próprio para home theaters, por exemplo, com o que só era possível obter a partir de um DVD. O sinal digital introduz outras novidades, como a interatividade e a multiprogramação: um mesmo canal pode transmitir vários programas ao mesmo tempo. O telespectador pode decidir qual deles prefere assistir.

Viva Schin Mini chega ao mercado

A

marca de refrigerantes Viva Schin traz novidades para seu portfólio de produtos. O produto produzido pela Brasil Kirin, uma das maiores empresas de bebidas do Brasil, passa por reformulação no nome, na marca e na embalagem. O nome do refrigerante muda de Mini Schin para Viva Schin Mini. A escolha faz parte de um reposicionamento para se tornar ainda mais alinhada à uma única marca de produtos: Viva Schin, que tem o conceito “Viva Junto, Viva Schin” e conta como principal característica o consumo compartilhado. O Viva Schin Mini terá as Meninas Superpoderosas como novo licenciamento. A série lançada em 1998 tem um alto reconhecimento e conexão emocional com o consumidor e 88% das meninas de 6 a 11 anos conhece as personagens. Com fortes atributos como poder feminino, humor e aventura, o desenho tem um target de meninas 4 a 12 anos e conta com presença em diversas plataformas: tv, web, mídias sociais, apps, games, netflix, eventos e produtos de consumo. Em abril, com mais investimento do Cartoon Network, o desenho teve um relançamento mundial da série para uma nova geração de meninas. Presente em todos os estados do país, mas com maior força em São Paulo, Nordeste e Centro Oeste, o Viva Schin Mini conta com quatro sabores comercializados em garrafinhas pet 250 ml: cola, limão, laranja, guaraná. A embalagem traz os personagens das Meninas Super Poderosas, A Hora da Aventura e o Ben 10, todos licenciados pelo canal. Sobre a Brasil Kirin A Brasil Kirin, uma empresa que produz bebidas que dão prazer e alegria, acredita que há muito mais num líquido do que apenas seu consumo. Por isso faz um convite a todos que acreditam e querem mais da vida: “Viva Sua Sede”. Com este slogan, a empresa abraça desafios, sonhos e desejos das pessoas para as suas vidas. Para atender as diferentes sedes, a Brasil Kirin conta com um amplo portfólio de bebidas que inclui cervejas, refrigerantes, sucos, energéticos e águas das marcas Schin, Schin no Grau, Devassa, Baden Baden, Eisenbahn, Kirin Ichiban, Cintra, Glacial, Água Schin, Fibz, Ecco!, Viva Schin, Schin Tônica, Itubaína, Mini Schin, Fruthos e Skinka. u Junho de 2016 | Vilas Magazine | 17


camila souza / govba

mercado

A empresa é subsidiária do grupo global Kirin Holdings Company, uma das maiores empresas de bebidas do mundo com mais de 46 mil funcionários, 270 empresas e presença em 15 países. No Brasil, conta com 13 fábricas em 11 estados e mais de 11 mil funcionários. A distribuição dos produtos é feita por 25 centros próprios e cerca de 200 revendas para 600 mil pontos de venda no País. Atualmente, a Brasil Kirin está entre as Melhores Empresas para Trabalhar, segundo a revista Época / GPTW (Great Place to Work®) 2014 e 2015, e também pelo ranking 2014 e 2015 da Revista Você S/A. Em sustentabilidade, foi considerada destaque em Governança Corporativa pelo Guia Exame 2014, além de estar entre as empresas mais sustentáveis do país desde 2013.

Cielo e Obras Sociais Irmã Dulce renovam projeto esportivo Em parceria com as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), a Cielo renovou por mais um ano o patrocínio ao projeto Oportunidade Através do Esporte, uma iniciativa de desporto educacional que fortalece ainda mais as ações sociais oferecidas pela instituição filantrópica. O projeto é realizado no Centro Educacional Santo Antônio (CESA), núcleo de educação da OSID localizado em Simões Filho, e beneficia 300 jovens de 7 a 17 anos, com aulas de iniciação esportiva. As atividades ocorrem três vezes por semana, pela manhã e à tarde, ministradas por professores de Educação Física, em aulas gratuitas de futebol de salão, vôlei, basquete e handebol, com direito a uniforme e todo material esportivo. As inscrições são gratuitas e basta que o aluno esteja matriculado na rede pública de ensino. Fundada em 1964 por Irmã Dulce, o Centro Educacional Santo Antônio nasceu como um orfanato onde a freira abrigava meninos sem referência familiar. 18 | Vilas Magazine | Junho de 2016

Turma do Programa Ford de Educação para Jovens: primeiro emprego com qualidade de formação

Ford seleciona estudantes por desempenho escolar na rede pública

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complexo Ford, no Polo Industrial de Camaçari, criou 31 postos de trabalho para jovens aprendizes – contrariando o cenário pessimista do mercado de trabalho da Região Metropolitana de Salvador. Os novos funcionários participam do Programa Ford de Educação para Jovens. Todos frequentaram a rede pública de ensino de Camaçari e foram selecionados a partir do desempenho escolar. Eles passaram por quase seis meses de preparação, incluindo cursos de formação pessoal e aprendizado técnico. Distribuídos por diversos setores do complexo, como finanças, compras, manutenção e manufatura, os novos funcionários da Ford serão acompanhados por mentores, responsáveis por orientar o aprendizado e guiar as atividades do dia a dia. Para Jamile Santos, 18 anos, a vaga no setor de Controle de Compras da Ford é motivo de orgulho para a família, principalmente para a mãe, que trabalha como copeira em uma das empresas do Polo Industrial, e para a avó. “Quando eu ainda participava do processo de seleção, elas já comemoravam como se já tivesse conseguido a vaga de emprego. Esse era um so-

nho, mas eu sequer havia sonhado, de tão distante que parecia essa oportunidade”. Segundo Jamile, foi sua mãe quem sugeriu que tentasse trabalhar na área industrial. “Mas eu nunca tinha pensado nisso”, conta ela. “Foi através dos cursos, das várias etapas que eu vivenciei, na oportunidade de conhecer diversas pessoas de diversas áreas que eu mudei meu pensamento sobre meu futuro e a carreira profissional”, conclui. Com apoio do Governo do Estado, da secretaria de Educação de Camaçari e do Sistema Sesi/Senai, o programa da Ford oferece uma oportunidade de desenvolver os jovens e inspirar outras aspirações para a carreira profissional. A primeira etapa da formação profissional, a cargo do Sesi, inclui cursos comportamentais, que vão desde noções de saúde e segurança do trabalho até administração financeira, formação pessoal e social, gerenciamento do tempo, além de informática básica, matemática, lógica, inglês e comunicação. A formação técnica, em parceria com o Senai, é voltada para a preparação de auxiliares nas áreas de administração e outras atividades.


superação

Campeão em superar limites Thiara Reges Freelancer para a Vilas Magazine

J

onas Letieri, atleta, sinônimo de conquistas e superação. Esse jovem de apenas 31 anos, é hoje referência do stand-up paddal (SUP), dono do título de campeão do circuito Aloha Spirit 2014, um dos maiores eventos de esportes aquáticos do mundo, e atleta destaque do Payette River Games, em Idaho - EUA em 2015, superando as expectativas de muitas pessoas. Em 2011, quando instalava uma placa na fachada da Igreja que frequenta, Jonas recebeu uma descarga de 13.800 volts. Sobreviveu, mas teve graves queimaduras nas pernas e braços, e os dois antebraços precisaram ser amputados. Foram dois meses entre o acidente e o retorno às águas. Não que tenha sido fácil, mas Jonas tomou a decisão de não desistir dos seus sonhos. Nascido em Santos-SP e apaixonado por esportes, durante a infância Jonas praticava basquete, futebol, capoeira, kung-fu. Mas foi aos 12 anos que se rendeu à liberdade de flutuar nas ondas sobre uma prancha de surf. Hoje, além do SUP, ele é ótimo no skate, sandboard e na natação, e quando questionado “quem é o Jonas hoje, depois de tantas batalhas?”, sua resposta vem de pronto: “Sou um atleta”.

“Estou aqui, em Itacimirim, vitorioso, atleta profissional, para mais uma competição”

“Hoje sou um atleta profissional. As coisas foram acontecendo aos poucos, voltei a surfar, pratico stand-up paddal, e através das várias competições que participei entrei para a elite desse esporte e sou o único paratleta no mundo na categoria”. A adaptação do remo foi ideia sua, usando inicialmente duas argolas de aço inox, e deu mais que certo: Jonas tem conquistado destaque nas competições nacionais e internacionais superando atletas com membros normais. No dia 21 de maio Jonas voltou a surfar nas ondas da Bahia, participando do Bahia SUP Eco 2016 Grand Prix, segunda etapa do circuito brasileiro de SUP Race, na praia de Itacimirim. “Voltar para Salvador, surfar em Itacimirim tem um sabor muito especial. Passa um filme na minha cabeça, com várias etapas da minha vida. E estou aqui, vitorioso, atleta profissional, para mais uma competição.”

Esse ano ainda reserva outras emoções para Jonas. No final de julho ele participa da Travessia de Molokai até Oahu, no Hawaí. São 54 km em um dos canais mais profundos e extremos do mundo. E no dia 4 de agosto ele será um dos carregadores da Tocha Olímpica, no Rio de Janeiro. “Na verdade sempre quis ser atleta olímpico, fosse através do ciclismo ou da natação. Mas a minha paixão é o SUP, que ainda não é um esporte olímpico, então eu fiquei muito feliz em ser um dos atletas que terá a honra de carregar a tocha olímpica.” Melhores Resultados Payette River Games (Cascade, Idaho, EUA), 2015: atleta destaque; Tríplice Coroa 34,1 km etapa (RJ), 2015: segundo colocado; 10º Terra, 2015: campeão; Lendas do Surf, 2015: campeão; Enigma SUP, 2015: campeão; IWC, 2015: terceiro colocado; Circuito Brasileiro Race, amador, 2015: quinto colocado; Circuito Carioca de Race, amador, 2015: terceiro colocado; Circuito Aloha Spirit, 2014: campeão; Rei e Rainha do Mar Rio de Janeiro, 2014: campeão; Battle of the paddle Brasil, Florianópolis (SC), 2014: terceiro colocado; Desafio das ilhas Rio de Janeiro, 2014: terceiro colocado; Battle of the Paddle Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 2013: segundo colocado. Junho de 2016 | Vilas Magazine | 19


turismo

Meu primeiro intercâmbio Crianças viajam cada vez mais cedo para estudar no exterior; veja como são os programas para estudantes a partir de 5 anos

“U

árer”. “No, no. Uáter”, diziam as colegas. Pronunciar “água” em inglês foi uma das dificuldades que Nina Chequer, de Fortaleza, teve que enfrentar em sua estadia na Inglaterra – além do desafio de ficar longe dos pais. Em seu primeiro intercâmbio, aos 9 anos, Nina passou três semanas estudando em Brighton. Ela faz parte de um grupo cada vez maior: o de intercambistas crianças. Segundo a Belta, associação de agências de intercâmbio, 20% das empresas do setor vendem pacotes para viajantes de até 15 anos –a maior parte dos programas é de curta duração, com viagens de até um mês. A CI, por exemplo, oferece intercâmbio para estudantes viajarem sem a família a partir dos 7 anos – e, com os pais, para quem tem 5 ou 6. Na empresa, a procura por programas para crianças cresceu 50% entre 2009 e 2014 – os mais novos a viajar sozinhos tinham 9 anos; no STB, o aumento foi de 20% só no ano passado. Neste ano, a crise econômica deve frear um pouco esse aumento. A alta do dólar quase mudou a programação de Karina Barroso, 43, de mandar o filho Thiago, 13, para a Califórnia (EUA). “Como o pacote já estava fechado, mantivemos os planos. Mas já o avisei para não gastar com compras”, diz. tempo de ócio Os intercâmbios são baseados em aulas de idiomas, mas podem incluir atividades mais elaboradas, como robótica. “Os pais querem que os filhos vivenciem a língua em seu contexto, não só na sala de aula”, diz Fernanda Semeoni, diretora da agência Experimento. A professora de psicanálise da criança 20 | Vilas Magazine | Junho de 2016

Adela Stoppel de Gueller, do Instituto Sedes Sapientiae, diz que o intercâmbio pode ser positivo – desde que se tomem cuidados. “É importante lembrar que férias são um tempo de ócio. Atividades o tempo todo podem sobrecarregar a criança e ela corre o risco de se acostumar a uma carga incessante de tarefas, o que não é bom”, afirma.

LONGE DE CASA Pais devem avaliar maturidade dos filhos antes do intercâmbio; na viagem, rotina pode ser intensa

A

pesar de a idade mínima para os intercâmbios estar caindo, as agências especializadas e estudiosos do desenvolvimento infantil recomendam que os pais avaliem o grau de maturidade dos filhos antes de fechar a viagem. Há crianças tão independentes que até dispensam ajuda. “Lembro de um menino de 11 anos que viajou conosco e no aeroporto já tinha tudo em mãos”, conta Fabiana Fernandes, gerente da CI. É pensando na autonomia de Thiago, 13, que Karina Barroso, de Salvador, o enviou para os EUA em janeiro, para ficar em uma casa de família. “O americano cria o

filho de um jeito diferente; ele vai ter de lavar as roupas, os pratos, sem ajuda”, diz. Mas Celia Maria Terra, especialista em saúde mental infantil e professora da PUC-SP, alerta que intercâmbios para jovens com menos de 15 anos são prematuros. “A viagem pode forçar o processo de ganhar responsabilidade de forma precoce, que a criança não estaria preparada para assumir. Ficar sem a família faz com que ela se sinta onipotente”, afirma.

dia a dia

A

rotina no programa pode ser puxada. Em Brighton, na Inglaterra, Nina Chequer, 9, que ficou em um alojamento com outras 15 crianças, tinha aulas de inglês de manhã e à tarde, intercaladas com atividades – como o show de talentos, em que, dançando, tirou o primeiro lugar. Nos fins de semana, passeava. “A capacidade intelectual das crianças é muito grande. Elas querem ir a fundo em assuntos que amam”, diz Christina Bicalho, sócia do STB. Por isso, além de idiomas, os programas para os pequenos se diversificaram, e incluem aulas de programação, robótica e técnicas de investigação de cenas de crimes – além de esportes e dança. O STB já levou dez crianças para programas de design de games, oferecidos pelas universidades Stanford e de Princeton (ambas nos EUA) para estudantes com idade mínima de 7 anos. JARBAS OLIVEIRA / FOLHAPRESS

Nina Chequer, foi para Brighton, no intercâmbio


MEU MUNDINHO

Como funciona o intercâmbio de uma criança

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Escola Clayesmore, na Inglaterra, para onde a agência Experimento envia Intercambistas

De quais documentos a criança precisa? Para sair do Brasil, pessoas com menos de 18 anos precisam de passaporte, RG, uma autorização de viagem assinada pelos pais (com firma reconhecida em cartório), visto de estadia e cartões de vacinas (caso o país de destino exija), seguro viagem, medicamentos e receita médica (em inglês) para remédios de uso controlado. Também é útil que ela leve consigo uma lista de telefones úteis ou de emergência

e o banho? Além de atividades, há o benefício de conhecer pessoas com estilos de vida diferentes. Fabrício Ramos, 14, de Santo André (SP), tinha 12 anos quando fez seu intercâmbio, em Maidenhead (Inglaterra). No alojamento estudantil, se surpreendeu com os hábitos de colegas russos e ucranianos. “Uma noite fiquei jogando tênis de mesa com eles. No dia seguinte, estavam com a mesma roupa – não tinham tomado banho e acho que só tomaram vários dias depois”. Crianças que vão fazer intercâmbio em outro país podem ir com a família – em programas nos quais pais e filhos se encontram após as aulas e dormem em um hotel –, viajar com um monitor desde o Brasil ou encontrar-se com um representante da escola no desembarque. Podem ficar em casas de família ou em alojamentos. São os ‘tutores’ os responsáveis por lidar com o emocional das crianças e administrar os problemas – desde a vontade de desistir, na partida, até questões cotidianas mais íntimas. A monitora Rosana Lippi, do STB, teve que acalmar uma jovem que menstruou pela primeira vez durante a viagem (leia ao lado perguntas e respostas sobre essas situações).

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‘volunturismo’ Outra modalidade que tem recebido mais adeptos é o chamado intercâmbio social, em que o viajante participa de projetos voluntários durante sua estadia no exterior. Esses pacotes costumam ter gastos menores porque incluem hospedagem e alimentação, que podem ser trocados por trabalho. A Aiesec, principal instituição de intercâmbio voluntário do mundo, registrou no Brasil um aumento 23% no número de viajantes em 2014 em relação a 2013. A Colômbia é há cinco anos o destino mais buscado na associação. Em outra agência especializada, a AFS Cultural, a Europa ainda é o principal destino. “Brasileiros buscam experiências diferentes da realidade em que estão inseridos – sem contar o aprendizado de inglês”, diz Daiane da Silveira, responsável pelos programas da empresa. Na CI, o trabalho voluntário em família é uma tendência. A empresa oferece dois modelos: em um, pais e filhos fazem trilhas e cuidam de animais, como primatas; em outro, os voluntários fazem companhia para crianças desamparadas. África do Sul (com 80% das procuras), Índia, Nepal e Sri Lanka estão entre os destinos mais buscados. Mateus de Souza / Folhapress

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Quem vai ficar com a criança no destino? A criança pode viajar com a família e só se encontrar com os pais à noite. Se viajar sem eles, pode ir com um grupo de crianças – que sai do Brasil com um monitor, responsável por elas durante todo o intercâmbio – ou totalmente sozinha; neste caso, um funcionário da agência é o responsável durante o voo e, no país de destino, um representante a aguarda no aeroporto; lá, ela pode se hospedar em casa de família ou alojamentos da escola

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Os pais podem falar com os filhos a qualquer hora, no Brasil? Depende do programa: há escolas mais flexíveis, mas em alguns casos o uso de celular é proibido, justamente para evitar contato em excesso com o país de origem e atrapalhar as atividades da criança. O mais normal é que o contato com os pais aconteça uma vez por dia, geralmente à noite. Mesmos nos programas em família, sugere-se que cada um faça seu curso sozinho e todos só se encontrem em horas combinadas

E se a criança passar mal ou se machucar? Alguns programas contam com enfermeiros 24 horas. Os planos cobrem gastos médicos de até US$ 250 mil e priorizam os melhores hospitais – agências do Brasil relatam casos de crianças com apendicite resgatadas de helicóptero. Em eventual internação em hospital, um monitor é destacado para acompanhar a criança o tempo todo; os profissionais mantêm canais de comunicação com os pais, para avisar questões que saiam da rotina

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E se a criança não se adaptar? Os monitores passam por treinamento para lidar com as questões emocionais e cotidianas das crianças, mas elas podem desistir do programa e voltar ao Brasil a qualquer momento

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Durante o programa só se fala o idioma local? É a ideia, para que a criança aproveite ao máximo a experiência. Mas, em casos de emergência (por exemplo, uma dor no corpo), ela pode falar em português com o monitor. Junho de 2016 | Vilas Magazine | 21


turismo

VIVA O

nada

Movimento estimula turista a ficar quieto, sem nenhuma atividade

Eduardo Knapp / Folhapress

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Nada melhor do que não fazer nada Em pousadas brasileiras, o televisor no quarto e o sinal de celular dão espaço para cantinhos de meditação e postos de observação do mar: a regra é se desconectar

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o nada. Era em um lugar assim, no meio do mato, sem sinal de celular, longe do trânsito, da pressão do trabalho e dos motivos que o levaram a um quadro de arritmia cardíaca, que o advogado gaúcho José Henrique Costa, 52, pretendia passar as últimas férias. “Queria um destino em que pudesse manter algumas práticas que comecei depois que tive um quadro grave de estresse, como ioga, meditação e nadismo, que conheci pela internet”, diz. Nadismo é um movimento que, como diz o nome, consiste em incentivar pessoas a passar algumas horas fazendo, literalmente, coisa nenhuma. Nada mesmo, lhufas, patavina – basta ficar sentado ou deitado e se colocar em estado de inatividade. Quanto mais inútil, melhor. “As pessoas se sentem culpadas quando não fazem nada”, afirma o designer Marcelo Bohrer, de

Porto Alegre, que em 2006 criou o Clube de Nadismo, grupo que hoje conta com 7.000 membros (leia mais na pág. ao lado). Para ele, uma viagem pode ser o momento ideal para isso. “É quando estamos sem compromissos e podemos nos desconectar. Sentimos que ‘perder’ tempo não é um problema. Se tirarmos duas horas para só ficar olhando a paisagem, aposto que esse vai ser o momento mais lembrado das férias.” A ideia vai contra o modelo clássico das agências de viagem, com programações fechadas e agendas lotadas que fazem muitas vezes o turista voltar mais cansado do que partiu. Mesmo assim, transformou-se no modelo de negócio de algumas pousadas. Elas atraem pessoas ávidas por repouso com quartos sem TV, espaços para descansar, cantinhos da meditação e restrições a celular e internet. “É um nicho de mercado. A parcela da população que não quer agito é carente de opções”, conta Sirlene Terenciani, proprietária da pousada Shangri La, em Serra Negra (SP), que oferece espaços para os hóspedes ficarem deitados, só olhando as curvas da serra da Mantiqueira. Pelas redes sociais, ela incentiva o nadismo. “Comecei com isso quase ao mesmo tempo que o Marcelo Bohrer. Acho que era uma energia que estava no ar naquela época”, diz Sirlene. O perfil é reproduzido em outros lugares. Na pousada Luz e Paz, em Bragança Paulista (SP), há espaço para observar a natureza e os quartos não têm TV, para incentivar que as pessoas conversem. Na praia do Rosa, em Santa Catarina, Regina Haleva, fundadora da Fazenda do Rosa, propõe ao hóspede praticar nadismo nos jardins, que ficam de frente para o mar. Também convida os clientes a acordarem antes das 6h para ver o nascer do sol. “O ser humano vive em uma correria desenfreada e transporta isso para as viagens. Tem gente que, antes de sair de férias, faz um cronograma, estabelecendo o que vai fazer em cada horário. É loucura”, defende. Até poucos u Eduardo Knapp / Folhapress

Hóspede observa paisagem, na pousada Shangri La, em Serra Negra (SP) Junho de 2016 | Vilas Magazine | 23


turismo

anos atrás, a pousada não tinha TV nem internet nos quartos. “Tivemos que colocar por causa da concorrência. Mas estou planejando em dar um desconto para o hóspede que não trouxer celular ou deixá-lo na recepção durante a estadia.” Para Bohrer, porém, não é preciso se esconder no mato ou em uma praia deserta para fazer nadismo. Ele defende que a mudança depende do comportamento, e não do destino. Mesmo em Nova York, São Paulo, após um dia cheio de passeios, é possível sentar-se em um café e ficar observando as pessoas. “Mas na praia é mais fácil, né?”, diz o advogado Costa. Ele alugou uma casa em Garopaba (SC), onde passou praticamente todo o mês de julho passado sem celular e com uma rotina de exercícios de respiração pela manhã e contemplação do mar após o almoço. Na volta, tinha mais de mil e-mails não lidos. “E uma incrível paz de espírito.”

Eu só quero amar Retiros espirituais motivam viagens em busca da felicidade e paz interior; atividades incluem meditação, reflexões em grupo ou até ficar dez dias sem falar

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sábado de sol em Serra Negra, cidade a 139 km de São Paulo, e turistas aproveitam o dia aberto para visitar lojas em busca de artigos de couro, roupas e acessórios. Perto dali, em um terreno de 145 mil metros quadrados de mata nativa, cerca de 40 pessoas chegam à conclusão, entre uma meditação e uma reflexão em grupo, de que dinheiro (e tudo o que ele pode comprar) não traz felicidade. Quase todos são de fora da cidade – a maioria vem de São Paulo, mas também há integrantes do Rio – e trocaram o fim de semana na praia ou outro bate-volta para participar de um retiro espiritual cujo

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tema é “Os 9 Segredos de Manter-se Feliz”. “Eu sou um ser de luz. Eu sou um ser de paz. Meus pensamentos desaceleram e saboreio a beleza da paz interior, conforme meu mundo é preenchido de paz.” As frases, e variações delas, são faladas pausadamente por Luciana Ferraz, coordenadora no Brasil da Brahma Kumaris, instituição que organiza o retiro – enquanto isso, participantes escutam de olhos fechados e tentam meditar. A programação, que dura dois dias, inclui palestras sobre felicidade e sessões de meditação. O alojamento é em quarto coletivo, e todas as refeições são feitas no local. Para Gen Kelsang Tsultrim, professor do Centro de Meditação Kadampa, que oferece retiros espirituais em Cabreúva e outras cidades do interior, as experiências não deixam de ser turismo. “Afinal, as pessoas saem de casa. Mas é uma viagem

diferente, com conteúdo espiritual.” As regras variam dependendo lugar. Na Brahma Kumaris e no Kadampa, os participantes podem usar o celular e a internet, embora os organizadores peçam que isso seja evitado ao máximo. Em ambos, a alimentação é vegetariana. Há opções que oferecem atividades com regras mais estritas. Nessas, os visitantes podem ser proibidos até de conversar durante todo o período de retiro, que pode passar de dez dias. É o caso do Centro de Meditação Vipassana, que oferece atividades em Monteiro Lobato (SP). Nele, as pessoas acordam às 4h e participam durante todo o dia de sessões de meditação, sendo que em algumas delas é proibido até se mexer. “Você fica extremamente cansado no fim do dia de retiro. Sem conversar, percebemos como nossa mente é barulhenta, como aparecem imagens e frases das


Nas regras do nadismo, é proibido dormir

Participantes do retiro da Brahma Kumaris, em Serra Negra (SP), em dinâmica de grupo

O

próximo passo do Clube de Nadismo, pelo menos no que se refere ao turismo, é criar um programa de capacitação de hotéis e pousadas, e de seus funcionários, para que possam auxiliar hóspedes na arte de ficar de pernas pro ar. “A ideia é mostrar como é fácil praticar: basta um lugar tranquilo. Tem muita pousada que se interessa pelo tema, mas não sabe como começar ou se pode usar o nome, por exemplo”, afirma Marcelo Bohrer, criador do movimento “nadista”. O gaúcho, que mora e trabalha em Munique, na Alemanha, desde 2014, começou a divulgar suas ideias em Porto Alegre, em 2006, após ir parar no hospital por exaustão. Ele organiza encontros, sem periodicidade definida, nos quais os participantes ficam deitados por uma hora com o único objetivo de não ter objetivo

algum. Bohrer escolhe um lugar tranquilo e monta uma espécie de cubo branco, feito de pano. Em volta dele, estende colchonetes para que as pessoas possam desfrutar – dormir é fazer algo, então não é permitido. O movimento se espalhou, e foram organizadas atividades em cidades do Brasil, dos Estados Unidos e da Europa. Hoje, o Clube de Nadismo tem mais de 7.000 sócios, de diferentes países, envolvidos nesses eventos. O salto para aliar a prática ao ato de viajar é quase natural para Bohrer, que viu a mãe se casar com um piloto de avião quando era criança e começou a rodar o mundo. “Como divido meu tempo entre o trabalho de designer e a divulgação do nadismo, as coisas são lentas. Mas a cartilha para o setor de turismo deve sair em breve.” Enquanto a papelada não é publicada, ele dá dicas: “Não é preciso cancelar os passeios ou as visitas programadas. É só separar duas horas do dia para desacelerar. O ideal é fazer isso em um lugar sem muito barulho, com uma vista bonita, ou deitado, olhando o céu. O importante é parar por alguns instantes.” Bruno Molinero / Folhapress.

Eduardo Knapp / Folhapress

quais não nos damos conta no dia a dia lá fora”, conta o estudante Paulo Lopes, 24. Ele nunca tinha meditado antes de participar de dez dias de retiro – nem tinha ficado tanto tempo sem falar. O preço também muda. Na Brahma Kumaris e no Vipassana, as contribuições são voluntárias. Um retiro de três dias, no fim de dezembro, com hospedagem e alimentação, saiu por mais de R$ 1.000 – caso do Kadampa. O perfil dos participantes varia, atraindo de budistas experientes a curiosos. “É sua primeira vez aqui? Não é à toa que você veio. Passar por uma experiência dessas é como estar em ‘Matrix’: você tem que optar entre a pílula azul e a vermelha”, garantiu Marcella Menicucci, 52, no retiro em Serra Negra, fazendo uma analogia à cena do filme em que o protagonista opta por entrar num universo paralelo. “É um caminho sem volta.”

LOCAIS PARA SE DESCONECTAR n POUSADA LUZ E PAZ Bragança Paulista (SP). Diária a partir de R$ 264 (quarto duplo, com mínimo de dois dias). Atrações: redes em frente aos quartos e locais para apreciar a vista; templo construído para a prática de meditação; os quartos não têm televisão. Contato: pousadaluzepaz.com.br n SHANGRI LA Serra Negra (SP). Diária a partir de R$ 360 (valor para suíte, no fim de semana, com mínimo de dois dias). Atrações: local para apreciar a paisagem da serra da Mantiqueira, próximo aos jardins, e fazer nadismo; espaço para massagens. Contato: shangrila.com.br n MEVLANA GARDEN Imbituba (SC). Diária a partir de R$ 404 (mínimo de três diárias). Atrações: horários para meditação, ioga, pilates e tai chi chuan para os hóspedes, inclusos no valor da diária. Contato: mevlanagarden.com.br n UNIQUE GARDEN Mairiporã (SP). Diária a partir de R$ 1.775 (suíte, com mínimo de dois dias). Atrações: banco da contemplação, próximo ao lago; há um livro para hóspedes escreverem ou desenharem sobre seus sentimentos; massagem de boas-vindas. Contato: uniquegarden.com.br n FAZENDA DO ROSA Imbituba (SC). Diária a partir de R$ 2.890 (pacote para sete dias). Atrações: jardim de frente para o mar, onde pode-se ficar de pernas para o ar; dona da pousada convida hóspedes para assistir ao nascer do sol na praia. Contato: fazendaverdedorosa.com.br ATENÇÃO: Preços de dezembro/15. Para atualizar valores, consulte o site das pousadas.

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cOMPORTAMENTO

tabelinha

2.0

Mulheres usam aplicativos para mapear seu ciclo menstrual, engravidar ou evitar a gravidez; programas se baseiam em dados como a temperatura diária do corpo, mas utilizá-los como anticoncepcional é arriscado 26 | Vilas Magazine | Junho de 2016


N

ovos aplicativos prometem permitir às mulheres mapear seu ciclo menstrual de forma mais precisa do que as antigas tabelinhas, usando dados como a temperatura diária do corpo da mulher quando ela acorda, a consistência do muco cervical e até a altura do colo do útero e se ele está aberto ou fechado. As usuárias procuram entender seu ciclo, engravidar ou evitar a gravidez – neste caso, com risco, pois, embora ainda não existam dados, a taxa de falha é provavelmente mais alta do que a de outros métodos anticoncepcionais. A artesã Mislene Garcia, 27, usa o Ladytimer, um aplicativo que promete indicar o período fértil da mulher. “Vi postagens sobre o assunto em um grupo de mulheres que querem engravidar e procurei por um aplicativo que calculasse os dias férteis por mim.” Deu certo. Dois meses após parar de tomar anticoncepcional e começar a utilizar o aplicativo, Mislene engravidou. “Foi

Eu tomava anticoncepcional desde os 14 anos e queria parar, pois tive alguns efeitos colaterais. Foi aí que comecei a estudar outros métodos e aprendi o sintotérmico [método baseado em sintomas e temperatura], que uso junto com a camisinha Adelia Maria Narciso, estudante de Farmácia

o nosso presente de ano novo, estava fértil nos últimos dias de 2014”, conta. Hoje, Maria Isabella, sua bebê, tem sete meses. Especialistas dizem que há uma tendência no uso dos aplicativos. “Principalmente na geração mais nova. Quase todas as minhas pacientes têm um no celular”, diz a ginecologista Fernanda Pepicelli. Já para as mulheres que não desejam engravidar, ou que preferem deixar isso para o futuro, o uso dos aplicativos deve ser idealmente combinado com outros métodos contraceptivos, afirma o ginecologista Luciano Pompei. “Os métodos naturais de contracepção não possuem efeitos colaterais, mas não têm uma margem de segurança tão alta. O método sintotérmico [baseado em sintomas e temperatura], sozinho, implica na abstinência de coito quatro dias antes do período fértil e três dias depois – justamente na fase em que a mulher tem um aumento da libido.” Além disso, a necessidade de se “examinar” todos os dias exige dedicação – e eventuais esquecimentos ou falhas podem causar problemas. Não é simples: a medição da temperatura, por exemplo, tem de ser feita com precisão de duas casas decimais, sempre no mesmo horário. contraceptivo Os noivos Adelia Maria Narciso, 24, estudante de Farmácia, e Marcelo Paiva, 26, técnico em Eletrotécnica, não desejam ter filhos agora. “Eu tomava anticoncepcional desde os 14 anos e queria parar, pois tive alguns efeitos colaterais. Foi aí que comecei a estudar outros métodos e aprendi o sintotérmico, que uso junto com a camisinha”, diz Adelia. Adelia usa o aplicativo Kindara, que constrói, diariamente, um gráfico com

Os métodos naturais de contracepção não possuem efeitos colaterais, mas não têm uma margem de segurança tão alta Luciano Pompei, ginecologista e professor da Faculdade de Medicina do ABC

previsões de ovulação, período fértil e menstruação a partir dos dados dos quatro sintomas. “Aprendi muito sobre meu ciclo. Isso me trouxe respostas que eu não tinha quando tomava remédio”, diz Adélia. Já a bióloga Viviane Filgueiras, 27, usa o Meu Calendário, outro aplicativo popular, principalmente para organizar a sua rotina. “Fica mais prático. Se tive cólica ou dor de cabeça, anoto no aplicativo. No consultório, os ginecologistas sempre querem saber a data da última menstruação e como é o ciclo. Com o aplicativo, tenho as respostas na mão”, diz. Muitas mulheres não sabem, a duração do ciclo varia de pessoa para pessoa. “Alguns têm 30 dias, outros, 32... Quando a paciente tem tudo anotado, é mais fácil verificar a regularidade do ciclo dela”, afirma Fernanda. Após esse tempo com o aplicativo, Viviane diz já reconhecer, pelos sintomas, as fases de seu ciclo. “É interessante perceber o corpo. Quando tenho uma mudança no humor, já olho o aplicativo para conferir se é TPM! Sempre confirma. Em período fértil, as mulheres ficam mais receptivas ao sexo, por exemplo.” Fernanda Athas / Folhapress.

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comportamento

botox, já? Mulheres com menos de 30 anos recorrem à toxina contra rugas ou marcas; médicos dizem que não há idade mínima para o procedimento, mas que pode ser mais razoável tentar usar filtro solar ou parar de fumar primeiro

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KARIME XAVIER / FOLHAPRESS

L

inhas de expressão ao lado do olho, na testa ou no cantinho da boca já são usualmente tratados nos consultórios dermatológicos com toxina botulínica, popularmente conhecida como botox, há bastante tempo. Mas pacientes jovens, com idades entre 25 e 30 anos e que ainda não têm rugas profundas, estão aplicando a toxina. É o caso da empresária Daniella Padovan, 26. Ela conta que começou a reparar em fotos que a testa não estava mais tão lisinha quanto antes. “Mas não tinha me incomodado até começarem a comentar comigo. Daí eu pensei: nossa, 26 anos e já com ruga não dá”. Ela tentou amenizar o problema com cremes. Como não estava satisfeita com o resultado, testou a toxina. “Quando você acaba de fazer, depois que passa o inchaço, a pele fica bem lisinha. Minha testa não franze mais. Achei que fiquei com cara de descansada”, afirma. A analista de relações internacionais Natalia Cordone, 29, também estava preocupada com marcas no rosto. Vendo suas próprias fotos, percebeu que tinha linhas na testa. “Eu nem percebia, mas as pessoas comentavam que eu franzia muito a testa. Aí foi ficando marcada.” Segundo a dermatologista Valeria Campos, a toxina pode ser aplicada até de forma preventiva, mas é preciso ter cautela. “A pele começa a envelhecer aos 25 anos. A partir dessa idade, quando você tira uma foto e percebe alguma ruguinha ali na região dos olhos, na testa, e está incomodada, pode aplicar”, afirma. “Mas uma paciente mexeu tanto no supercílio, a sobrancelha dela ficou tão levantada, que o filho dela de quatro anos ficou com assustado quando viu.”


O dermatologista do Hospital Sírio-Libanês Reinaldo Tovo lembra, por outro lado, que a aplicação é temporária --seu efeito é de até seis meses. Cada uma custa cerca de R$ 1.500. “Mas eu acho que quem é nova e não tem rugas fortes não deve fazer. Existem outras formas me tratar o problema, como filtros solares.”

Natalia Cordone, 29, que aplicou botox

relaxamento A toxina botulínica, produzida pela bactéria Clostridium botulinum, ao ser aplicada no corpo age na região entre o nervo que libera estímulos responsáveis pela movimentação dos músculos. Ele diminui a liberação da acetilcolina, um neurotransmissor responsável pelas contrações musculares. O estímulo de contração para, e o resultado é o relaxamento do músculo, que não se contrai mais --assim como a pele que está por cima desse músculo. “Costumo dizer que a toxina funciona como um cabide para a roupa. Assim como o cabide evita que a roupa fique amassada, a toxina, por impedir a contração do músculo, deixa a pele esticadinha e assim vinca menos”, diz Valeria. Gabriel Gontijo, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que a questão da idade ideal para a realização do procedimento é relativa porque a idade da pele nem sempre é compatível com a idade cronológica. “Os hábitos influenciam bastante. Exposição ao sol e fumo são fatores que contribuem para o envelhecimento da pele”, diz ele. “Não sou contra prevenir, mas me preocupo com o exagero. Percebo que nossos valores estão centrados na vaidade, as pessoas estão com pavor de envelhecer. Não é por aí. Se alguém muito novo, com 20 anos, me procura para fazer, eu digo para voltar daqui há uns 20 anos.” Gabriela Malta / Folhapress.

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VIver bem

Diálogo e livros ajudam crianças a perder o medo do escuro

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É

normal crianças sentirem medo. E o medo do escuro, na hora de dormir, é um dos mais comuns dos dois aos dez anos. Para ajudar a criança a superar, os pais precisam, primeiramente, entender que isso


é uma fase que faz parte do desenvolvimento dela, e que a ajuda dos adultos é fundamental. Segundo as psicólogas Luciana Romano e Raquel Benazzi, a ideia não é convencer a criança de que ela está errada, até porque ela está numa fase de fantasias e tudo parece ser muito concreto e real. Especialistas afirmam também que, do ponto de vista psíquico, a criança está passando por fases do desenvolvimento que se apresentam como se ela tivesse realmente que enfrentar alguns monstros internos para continuar a amadurecer. A psicóloga Flávia Schimith Escrivão, do Departamento de Saúde Mental da Sociedade de Pediatria de São Paulo, diz que conversar com a criança é a melhor forma de entender os motivos. Outra dica é ler historinhas em que o

Relaxamento antes do sono é importante

Estratégias para ajudar a ter uma boa noite de sono valem para todas as idades. Por isso, crie momentos de prazer e relaxamento antes de colocar seu filho na cama. Tomar banho, escutar músicas prazerosas e que relaxem, ler livros sem muita tensão e não assistir a programas violentos são indicados. É bom haver uma “luz de segurança”, ou seja, alguma iluminação do quarto ou ao alcance da criança. personagem vai vencendo os medos dele. Vale também os pais contarem os próprios medos e como conseguiram vencê-los. Sobre atitudes que os pais nunca devem ter, as psicólogas salientam que jamais se deve usar o escuro como uma forma de castigar a criança que tem medo dele. “Devemos evitar também atitudes bruscas, como falar ‘vou apagar a luz e você vai dormir’. Isso não é legal, porque

em geral acaba ampliando o problema”, afirma Flávia. Outro erro comum cometido por adultos diante do medo da criança é rir ou ridicularizar a situação. Segundo as especialistas, isso pode afastar a criança e fechar uma porta para a solução desse medo, que é o diálogo. De acordo com elas, diante dessa atitude dos pais, a criança pensará que não pode contar com eles nas dificuldades. Bárbara Souza / Folhapress.

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saúde & bem-estar

Cirurgia é única forma de curar perda de visão da catarata

A

catarata é uma doença ocular causada principalmente pelo desgaste da visão por causa da idade, normalmente após os 50 anos. A doença, que afeta 20 milhões de pessoas no mundo,

TRATAMENTO

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não tem tratamento nem existe prevenção. Mas a cirurgia devolve a capacidade de enxergar com segurança. De acordo com o oftalmologista Minoru Fujii, com a catarata, o cristalino, que é

a lente natural dos olhos, vai se tornando opaco. “O cristalino ficando opaco, causa a baixa capacidade de enxergar, até ficar sem visão nenhuma”, explica o médico. Segundo ele, os sintomas da catarata são os mesmos da miopia, que é corrigida com óculos ou lentes de contato, o que não é possível com a doença. “Os sintomas a que os pacientes se referem são baixa de visão, ‘embaçamento’


da visão ou visão ‘nublada’. O principal sintoma é a diminuição da visão. Muitos pacientes se queixam de falta de nitidez, pois há diminuição da sensibilidade aos contrastes de luz, ocasionada pelo cristalino opaco”, afirma a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, professora de Oftalmologia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Cirurgia “A cirurgia deve ser feita a partir do momento em que a baixa visão começa a afetar a vida normal da pessoa”, diz

a médica. Segundo ela, a operação consiste na retirada do cristalino opaco, seguida da colocação de uma lente artificial no lugar. Geralmente, a cirurgia é feita com anestesia local, em centro cirúrgico. “A anestesia geral só é usada em casos de pacientes agitados, muito ansiosos, com medo ou outras alterações, como problemas psiquiátricos”, diz Keila. De acordo com Fujii, a recuperação é rápida e o outro olho pode ser operado 15 dias depois do primeiro.

Doença pode ser causada por batida Nem só a idade causa catarata. Ela pode ser resultado de outras doenças, como, por exemplo, as uveítes, que são inflamações dentro do olho. Traumas oculares, como uma bolada, também podem causar catarata. Crianças podem nascer com a doença como resultado de infecções da mãe na gravidez, como rubéola e toxoplasmose. Também nesses casos a cirurgia é o único tratamento.

Bárbara Souza / Folhapress.

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saúde

Transfusão pode transmitir dengue e zika Pesquisa que analisou bolsas de sangue no Rio e no Recife em 2012 apontou taxa de transmissão de dengue de 37,5%

O

s vírus da dengue e da zika podem ser transmitidos por meio de transfusões sanguíneas – além da via mais comum, que é a picada do mosquito Aedes aegypti. A constatação vem de estudos recentes e abriu discussão sobre a necessidade ou não do uso de novos testes no sangue doado e de tecnologias de inativação dos vírus. Em março, uma pesquisa publicada no “The Journal of Infectious Diseases” mostrou que a taxa de transmissão de dengue por transfusão sanguínea é de 37,5%. O trabalho foi feito nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de Recife (PE) durante a epidemia de dengue de 2012. É o maior levantamento sobre transmissão transfusional de dengue já feito no mundo (veja infográfico ao lado). Segundo Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo da USP e uma das autoras do trabalho, os infectados foram comparados com um grupo que não recebeu sangue contaminado (grupo controle) e não houve diferença em relação à mortalidade ou à gravidade de sintomas – como diminuição no número de plaquetas no sangue. Sintomas mais leves, como febre ou mal-estar, são comuns tanto em pacientes com dengue como em pacientes internados. Ou seja, não dá para saber se eram relativos ao vírus ou à própria condição clínica do doente. Em relação ao vírus da zika, dois casos de transmissão da infecção por meio de transfusões sanguíneas foram relatados no fim de 2015 na região de Campinas (SP) e ainda estão sendo investigados para, posterior, publicação. Estudos feitos na Polinésia Francesa encontraram resultados positivos para o vírus da zika em quase 3% dos doadores de sangue. Não houve, porém, caso de transmissão sanguínea documentado. TESTES No momento, a USP desenvolve um novo estudo que avaliará o impacto das três arboviroses (dengue, zika e chikungunya) em pacientes que receberam transfusões em três institutos ligados ao Hospital das Clínicas, na capital paulista. Para Ester Sabino, é preciso buscar evidências que apontem o impacto dessas infecções nos receptores para, então, avaliar se é preciso introduzir novos testes no sangue dos doadores.

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“Há várias infecções que podem ser transmitidas nas transfusões, mas que hoje não são testadas porque o impacto no paciente não é tão significativo e os custos são altos”, explica a médica. Segundo ela, testes moleculares para detectar zika no sangue doado poderiam se justificar para grupos específicos, como gestantes que vão receber transfusões – já que a infecção pode causar microcefalia nos bebês. Porém, na opinião de Dante Langhi, coordenador da Hemorrede do Estado de São Paulo, priorizar somente as grávidas pode gerar um debate ético. “A segurança na transfusão tem que ser para todo mundo”, afirma. Não há, hoje, testes de diagnóstico da infecção pelo vírus zika que sejam registrados ou adequados para a triagem laboratorial de doadores de sangue, segundo Dimas Tadeu Covas, presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Covas afirma que, até o momento, não existem evidências na literatura científica que justifiquem a adoção de novos testes laboratoriais nos bancos de sangue para o diagnóstico das arbovirores. “A transmissão [dos vírus da dengue, zika e chikungunya] pode estar ocorrendo, mas é um evento raro. A prioridade agora são estudos que elucidem o real risco do desenvolvimento de doenças, o que ainda não sabemos.”

Novo método pode ‘desinfetar’ bolsa de sangue

A

lém do aumento no rigor da triagem de doadores de sangue, está em discussão no país a implantação de um sistema que inativa o vírus da zika ou de qualquer outro patógeno presente no sangue. Uma tecnologia, aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), consiste num kit de irradiação de raios UV-A, capaz de anular diversos vírus e bactérias. Segundo o HemoRio (Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro), ela começa a ser implantada no país no segundo semestre deste ano. O sistema já é usado em países como França, Holanda, Suiça, Bélgica, Espanha, México e Chile. Mas a tecnologia tem limitações, segundo Dimas Tadeu Covas, presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular. Além de cara, ela só pode ser usada nas plaquetas e no plasma, deixando de fora as hemácias, que são as mais usadas nos bancos de sangue. Para ele, a adoção dessa tecnologia não se justifica. “Pode dar uma sensação de segurança para a população, mas essa segurança é parcial, já que a inativação só se aplica a uma parte do sangue doado”, diz Dante Langhi, da Hemorrede do Estado de São Paulo. As hemácias (glóbulos vermelhos) são usadas em casos de anemia, cirurgias ou pessoas que perdem muito sangue em acidente. Para que a irradiação UV-A seja eficaz, é preciso uma baixa densidade do sangue. A plaqueta e o plasma são amarelos e transparentes, então os raios penetram bem. Já no concentrado de hemácias a cor é densa, e o UV não penetra. Claudia Collucci / Folhapress.

Contaminação por transfusão é muito rara, sendo [este] o único caso descrito até o momento, pois o período de incubação da doença é muito curto e identifica-se poucas áreas epidêmicas no mundo” Hemocentro da Unicamp

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moda & beleza

Cílios de arrasar Cuidados com os cílios ajudam a manter os pelinhos mais fortes e bonitos, enquanto tratamentos realçam a beleza por mais tempo

T

odas as manhãs, a blogueira Ju Lopes, 33 anos, passa um dos vários tipos de rímel que tem e, só então, sai para enfrentar suas atividades cotidianas. “Assim, fico pronta para encarar o dia. Nunca fui de usar batom, mas sou meio obcecada por meus cílios. Quero que eles fiquem longos e poderosos, que o olhar fique mais expressivo. Então, não dispenso realçá-los nunca. Nem quando estou sozinha em casa”, conta ela. Dona de cílios curvados, Ju crê que faz toda a diferença usar maquiagem para destacar os olhos. “Abre o olhar e deixa meu rosto mais expressivo e com cara de feliz”, diz ela, autora do blog “Juro Valendo” (jurovalendo.com.br). Cílios grandes e volumosos são o so-

nho de grande parte das mulheres que buscam ter aquele olhar marcante. “Os cílios sempre vão remeter à sensualidade. E nunca deixaram de ser um desejo feminino. Basta observar a variedade de rímeis disponíveis no mercado, além de tratamentos mais duradouros, como o alongamento de cílios ou a permanente”, aponta Luzia Costa, fundadora da Sóbrancelhas, especialista em design de sobrancelhas e em tratamentos para embelezar o olhar. Antes de pensar em beleza, porém, é preciso lembrar que os pelinhos têm função especial, além da estética, e que, por isso, devem ser cuidados para não colocar a saúde em risco. “Os cílios têm o papel de impedir que partículas do ar se depositem no olho, além de manter a umidade do filme lacrimal que recobre o globo ocular, e ainda de reduzir a sensibilidade à luz”, diz a dermatologista Maira Astur. A dica dos especialistas é sempre usar produtos de qualidade e ter muita atenção na hora de lidar com os pelinhos. “A forma como cuidamos deles no dia a dia tem um impacto final em sua quantidade e no tamanho. Em geral, existem entre

cem e 150 fios na pálpebra superior, que se renovam a cada três ou quatro meses”, diz o dermatologista Claudio Wulkan, da Sociedade Brasileira de Dermatologia. O truque mais usado para destacar os cílios é o uso do rímel, que tem formatos de pincéis e formulações diferentes. Ele ajuda a dar o volume e a extensão desejados. “Cada pincel dá um efeito. O ideal é ler a embalagem para entender se é o que deseja e se o pincel não é grande ou pequeno demais para os seus cílios na aplicação”, diz a maquiadora Hendyl Araújo. É permitido usar o pincel preferido no vidrinho novo de um outro rímel, depois de limpá-lo bem com demaquilante, mas há sempre o risco de a embalagem não fechar bem e o produto secar. Também pode usar o produto diariamente, mas nunca se esqueça de tirá-lo ao fim do dia, pois os resíduos acumulam e podem causar inflamações e infecções. “Uma dica importante é buscar marcas de qualidade para evitar alergias. Rímel tem vencimento rápido. Mesmo bem armazenado e cuidado, não dura mais do que seis meses”, explica Juliana Annunciato, médica da Sociedade Brasileira de Rubens Cavallari / Folhapress

A chef de cozinha Daniela Pires deu destaque ao olhar com a aplicação de cílios fio a fio

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dermatologia. Na hora de aplicar, o segredinho é limpar o excesso do produto que fica no pincel ao retirar da embalagem e passar da raiz para as pontas, na posição horizontal, primeiro fazendo movimentos em ziguezague (de um lado para o outro) com leveza. “Então, espere secar e reaplique, se necessário, com o pincel na vertical para alcançar os cílios que não aderiram ao produto”, ensina Paula Menezes, especialista em inovações estéticas. Para retirar o produto, é importante não esfregar a área, mas sim deixar o algodão com demaquilante alguns segundos nos olhos para que aja. Cílios postiços

devem ser usados o mínimo possível. “A qualidade da cola, o trauma do algodão na hora de retirar e até mesmo o peso deles podem levar a problemas”, diz a dermatologista Maira. Para quem quer efeitos rápidos, os tratamentos podem ser uma boa ideia, já que destacam os cílios por um longo período. “É possível ter cílios grandes e curvados”, garante Vanessa Silveira, fundadora de uma rede de clínicas especializada na aplicação de cílios fio a fio. A chef de cozinha Daniela Pires, 43 anos, optou por esse procedimento para passar as festas de fim de ano em grande estilo. “Escolhi o tamanho pequeno, para

ficar natural, e, ainda assim, as pessoas notaram e elogiaram.” Os procedimentos só devem ser feitos por profissionais habilitados. “Há técnica, materiais e produtos específicos”, diz Aline Olivetto, coordenadora do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da clínica Siluets. Laís Oliveira / Folhapress.

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Jaime de Moura Ferreira Ad­mi­nistrador, consultor organizacional, professor universitário, escritor, sócio fundador do Rotary Club Lauro de Freitas. E-mail: jamoufer@atarde.com.br

S

Livros, amigos inseparáveis

ento-me na cadeira giratória de minha mesa de trabalho e faço um giro de 360 graus, correndo minha visão pelos diversos livros localizados nas prateleiras e armários, ali existentes. Embora já os conheça na intimidade, aquela ação repetida ocorre espontaneamente, cujo hábito já faz parte de minha vida e, cada vez que a realizo, proporciono profunda satisfação para minha alma. Então, vou me transportando para o interior de cada livro e começo a estabelecer um monólogo mental, a eles dirigido, transformando em um longo, agradável e necessário processo de comunicação. Nesse momento, cada livro se transforma em um ser humano, com todas as características físicas e espirituais inerentes, dotados de personalidades próprias, sentimentos e crenças, conhecimentos os mais diversos, que serão absorvidos pelas pessoas que conseguem penetrar em seu fantástico mundo. E, nesse desfile visual, vou distinguindo os livros grandes, com capas fortes e bem produzidas; os pequenos, franzinos e pouco duráveis; os médios de espessuras as mais variadas; alguns recém-chegados, outros verdadeiros decanos, cujas marcas nas prateleiras já registram sua longa permanência; os que transmitem simpatia à primeira vista; e outros mais fechados e retraídos, que demonstram sisudez impenetrável, todos re­fletindo suas histórias. O desgaste de suas páginas, em alguns, demonstra o uso que tenho realizado, bem ou mal feito.

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Obsessivo, escolho um, folheio e interpreto as mensagens que nele se encerram, de pronto absorvendo um dos alimentos mais significativo para o meu crescimento espiritual: o saber. Quantas aulas de profunda filosofia; quantos quebra-cabeças, nas ciências exatas; milhares de polêmicas nas ciências sociais; extraordinárias lições de desenvolvimento comportamental; religiões e esoterismos; muitas discussões nos temas sobre direito constitucional e democracia; dicas e conselhos, os mais complexos e variados, de autoajuda; ensinamentos técnicos de diversos cursos universitários; e tantos outros assuntos são encontrados. Neles, também,existem personalidades dos mais variados tipos de raça, sexo, religião, nacionalidade, situação socioeconômica e cultural. Tenho a honra de conviver com escritores e autores, desde os mais simples, humildes e de pouca expressão literária, até as mais renomadas expressões nacionais e internacionais da literatura clássica e moderna. Quando termino a leitura de qualquer um dos livros, sempre dispenso alguns minutos de reflexão e tentativa de compreensão do que li e me pergunto: o que leva um ser humano a escrever um livro? Por que gastar tanto tempo, perder noites de sono, levar, às vezes, seu corpo físico à estafa, sacrificar outros lazeres e até provocar críticas de amigos e familiares, para essa produção? Por mais que exercitemos a imaginação, as respostas a esses questionamentos não encontrarão a essência da verdade. Somente as pessoas que escrevem um livro conseguem desvendar o mistério das questões levantadas. Para cada um desses livros que leio, crio um registro particular em minha

mente; dedico-lhes respeito; agrade­ ço de coração, por levar meu pen­sa­ mento para lugares distantes, trazerme amigos de infância e me despertar para a realidade. Esses queridos amigos, mestres mudos dos mais complexos ensinamentos, foram, durante a minha existência, companheiros, orientadores e motivadores de todas as horas e estações da vida, acompanhando em silêncio, porém oferecendo vibração altamente energizada, no meu caminhar pelas estradas da vida, às vezes poeirentas, cheias de pedregulhos cortantes, mas, na grande maioria, planas e atapetadas com areia branca, margeadas com árvores frutíferas, flores as mais diversas e riachos de água cristalina. O livro é extremamente democrático; é um produto da mente e das mãos humanas: atua na guerra e na paz; é levado para palácios, catedrais, escolas, casas de ricos e de pobres; e é respeitado por todas as raças, religiões e sistemas. A cada dia que supero os obstáculos, no calendário da minha caminhada, nesta terra, aumenta a satisfação de conversar com meus livros e de lhes dispensar o mais profundo carinho, principalmente para aqueles que carregam no seu semblante as marcas deixadas pelo tempo, onde suas páginas frágeis, amareladas e sem brilho, já não transmitem a beleza física de muitos anos atrás, quando folheados pela primeira vez. Porém, como magia cósmica, agora possuem a sabedoria divina em seu conteúdo, doando-a, sem qualquer embargo, aos seres humanos que consigam entender sua oferta.

Vilas Magazine | Ed 209 | Junho de 2016 | 32 mil exemplares  

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