Versus#68

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A morte de Ozzy Osbourne, em julho deste ano, deixou um vazio impossível de preencher no mundo da música pesada. Mesmo agora, em novembro, quando esta edição vai finalmente para as bancas, a ferida continua aberta — não apenas entre fãs, mas entre músicos que viram em Ozzy um farol, um mestre e, para muitos, o motivo pelo qual pegaram numa guitarra ou subiram a um palco pela primeira vez.

A perda do vocalista dos Black Sabbath, figura central na criação e consolidação do heavy metal, foi mais do que um acontecimento noticioso: foi um momento de luto global. Ozzy partiu aos 76 anos, vítima de uma paragem cardíaca associada a complicações de saúde que o acompanhavam há vários anos, numa altura em que ainda ecoavam as emoções do seu concerto de despedida com os Black Sabbath — um último adeus que, retrospectivamente, parece ter sido desenhado com o peso de uma despedida simbólica.

Por isso, nesta edição da Versus Magazine, sentimo-nos obrigados a olhar para o impacto que Ozzy teve na cena musical portuguesa. Nas semanas e meses que se seguiram à sua morte, artistas portugueses de diferentes gerações e estilos uniram-se num raro consenso emocional: todos reconheceram a importância de Ozzy como fundador, como referência estética e como força bruta na definição do som que moldou o metal moderno. Entre palavras de choque, declarações de gratidão e memórias pessoais, tornou-se claro que Ozzy não era apenas uma figura lá fora — era parte da identidade musical de muitos dos nossos artistas.

Nesta homenagem, reunimos testemunhos que revelam como o “Príncipe das Trevas” influenciou carreiras, inspirou escolhas de vida e ajudou a consolidar o metal em Portugal. São vozes respeitadas da nossa cena — vocalistas, guitarristas, produtores e veteranos dos palcos — que, em poucas palavras, traduzem o peso que Ozzy carregava e a marca indelével que deixa.

Esta é a memória de um homem que viveu no limite, amou o caos e revolucionou a música. Mesmo com a passagem do tempo, o eco da sua voz continua a vibrar, não só nos clássicos que todos conhecemos, mas também na energia criativa de cada músico português que carrega um pouco de Ozzy em tudo o que faz.

Quando eu frequentava a escola primária – nos longínquos anos 60 –ensinaram-me que tudo o que é vivo nasce, cresce e morre. Eu fiquei a pensar que a ideia era lógica, mas também um tanto… deprimente ou até inútil.

Com a idade fui compreendendo que todos temos um tempo que podemos usar de forma útil fazendo crescer o mundo em que vivemos. Assim aconteceu com Ozzy Osbourne, o Mago de Ozz. Hoje chegou o momento de morrer (infelizmente!). Mas o mundo que deixou ficou bem mais rico com a sua passagem por ele. Os testemunhos sobre essa realidade sucedem-se em todos os meios de comunicação – desde os media de massa até aos telefonemas pessoais. E ficou aí o grande evento de 5 de julho, que deu a John Michael Osbourne a última e mais significativa oportunidade de ser mais uma vez OZZY OSBOURNE!!!

Texto: CSA

Entre o Luto e a Gratidão: Portugal despediu-se do Príncipe das Trevas

João Sérgio Reis dos Ibéria: Ozzy Osbourne e os Black Sabbath foram uma enorme inspiração para mim e indirectamente para os Iberia. Passei tardes inteiras na minha adolescência com o João Alexandre a curtir o album “We sold our souls for rock and roll”, uma compilação dos melhores temas de Sabbath com Ozzy, album que nos deu a conhecer a banda. Muito deste ambiente obscuro esteve no inicio dos Asgard (pré-iberia), inclusivé nas letras que o João escrevia, nos poemas que fazia, uma mix de Jim Morrison com a aura dark de Ozzy... Viveu a fazer o que gostava, passou por verdadeiros infernos, mas abandonou os palcos como um princípe: The prince of Darkness. Obrigado Ozzy por nos teres dado tanta musica e por teres dado o mote para que milhões de putos como eu pegassem na guitarra e quisessem seguir os teus passos. A tua lenda perdurará para todo o sempre. RIP.

Luís Possante, Malignea: Não se pode falar do Heavy Metal como hoje o concebemos sem falar de Ozzy Osbourne e dos Black Sabbath. Antes deles a música era vista essencialmente como entretenimento. Foram eles os primeiros a mostrar que a música podia ser bem mais que isso, podia ser algo de imensamente poderoso, sinistro, assustador, até sobrenatural. Foi o Ozzy Osbourne que personificou todo este poder, toda esta energia. Tornou-se a encarnação do caos, o “Príncipe das Trevas”, como alguns lhe chamaram. Mas acima de tudo, o Ozzy foi alguém capaz de expressar esse lado negro de forma magistral e, ao fazê-lo, abriu as portas para que tantos outros pudessem, também, através da música e das palavras, encontrar essa nova forma de exprimir as facetas mais bizarras e terríveis da personalidade humana. O Ozzy partiu mas deixa um legado inestimável para incontáveis gerações de músicos e fãs.

Rui Pedro Collaço Bordalo, Black Heaven (banda de tributo aos Black Sabbath), ex-Cruise: O mundo da música ficou mais pobre sem Ozzy Osbourne. Nunca mais será possível ver Black Sabbath ao vivo. Esta foi uma das três bandas que mais me influenciou na minha aprendizagem musical, na minha primeira banda, os Cruise. Na sua carreira a solo, Ozzy sempre se fez acompanhar de músicos de excelência, nomeadamente, guitarristas de topo: Randy Rhoads, Jake E. Lee e Zakk Wylde. Uma verdadeira enciclopédia sobre como compor música bem estruturada, pesada e agressiva, mas ao mesmo tempo melódica e doce. Goodbye, Ozzy. You will be truly missed.

Eduardo José Almeida AKA Dico: Com os Black Sabbath e a solo, o Ozzy entrou-me pela vida dentro ainda na tenra infância, para não mais sair. Figura carismática e de voz única, marcou gerações de fãs e músicos em todo mundo. Com os seus companheiros de banda, foi responsável pela criação do Heavy Metal enquanto

género musical e de inúmeros subgéneros que dele derivam. Embora tivessem dois concertos agendados para o Dramático de Cascais a 27 e 28 de abril de 1973 no âmbito do festival Cascais Jazz, os espetáculos seriam cancelados devido a um acidente que o baixista, Geezer Butler, sofrera dias antes. O grupo A nunca chegaria, portanto, a tocar em Portugal. Mesmo Ozzy apenas cá atuaria uma vez, a 2 de julho de 2018, após cancelamento da atuação prevista no Ozzfest em 2002. Talvez por tudo isto os fãs nacionais tenham motivos para se sentirem ainda mais órfãos. See you on the other side, Prince of Darkness.

Mike Gaspar, Seventh Storm, Alice in Pain, ex-Moonspell: O que posso dizer neste momento é que se perdeu se um ícone da música. O “Príncipe das Trevas”, que tanto nos inspirou, acabou por influenciar toda a gente neste género musical. Nasci nos Estados Unidos e quando era criança o Ozzy dominava tudo! Era o pai dos anos 80. Sem ele não teríamos os Motley Cruel, Van Halen e tantos outros. Os Metallica eram crianças à volta dele. Abriram concertos e digressões inteiras do Ozzy, que deu oportunidades e transmitiu ensinamentos a tantas outras bandas, ensinando-as a crescer e a sobreviver nesta indústria, tantas vezes maléfica. O Ozz Fest mudou o conceito de festivais nos Estados Unidos e mistrou aos fãs grandes bandas como os Slipknot. Mesmo em vida, o Ozzy já era uma lenda, mas agora que partiu é mesmo o nosso Santo Padre. Toquei em festivais com Black Sabbath nos 90 e também por volta de 2017, se não me engano. Foram momentos que nunca esquecerei. Estar assim tão próximo de uma grande estrela mas ao mesmo tempo alguém tão humilde, que servia de exemplo sobre o que era ser um verdadeiro rock star. Ele era o universo de tudo. É impossível quantificar o quão importante ele era para mim e para quem ama o Metal. Obrigado, Ozzy, por teres sido o farol de todos nós.

Guilhermino Martins, Serrabulho: As primeiras memórias que guardo do Ozzy Osbourne remontam à minha infância, já que lá por casa havia uma cópia do Vol. 4 dos Black Sabbath. Hoje, esse mesmo disco faz parte da minha coleção pessoal — e foi revisitado vezes sem conta durante a adolescência. Havia algo naquelas melodias — para lá de todo o ambiente proto-stoner, com ritmos lentos, densos e pesados — que me fascinava profundamente. Mais tarde, ao descobrir o amor que o vocalista nutria pelos Beatles, tudo passou a fazer mais sentido: Ozzy herdara aquele toque de Midas que transforma qualquer melodia em ouro, pela sua notável capacidade de criar versos e refrães memoráveis, quase como se fossem hits instantâneos. Para lá de todos os excessos pelos quais é conhecido, destaco — numa análise mais técnica — o facto de ser reconhecido por todos os produtores com quem trabalhou como um verdadeiro mestre na arte do doubling vocal: gravar uma segunda linha vocal quase matematicamente idêntica à original, para reforçar a presença da voz na mistura final dos álbuns. E não, não é assim tão simples. Ozzy foi, mesmo que de forma inconsciente, um dos pais de um género artístico que hoje mobiliza milhões de pessoas e move biliões de euros — entre músicos, fãs e toda a indústria intermediária. E tinha um sentido de humor deliciosamente britânico, que me arrancou gargalhadas em inúmeras ocasiões. Há duas semanas, enquanto os Serrabulho atuavam numa pequena localidade de Granada, fui espreitando todos os vídeos possíveis do concerto de despedida, em Birmingham. Tinha plena noção de que era a última vez que o cantor subiria a palco com os Black Sabbath, e foi, sem dúvida, um final digno para uma carreira lendária. Mas nenhum de nós estava preparado para a notícia da sua partida tão pouco tempo depois. Ozzy foi mais do que um ícone: foi um catalisador para toda uma cultura. Que descanse em paz.

Edgar Alves, Allgema, Last Piss Before Death: O Ozzy Osbourne é um Ícone para mim e sempre continuará a ser. Comecei a ouvir Black Sabbath em criança, pois o meu pai é metaleiro e um dos vinis que rodava regularmente lá por casa era o Sabbath Bloody Sabbath , dos Black Sabbath. Depois, já na adolescência, a cover dos Faith No More ao “War Pigs” era um dos temas que tocava na minha primeira banda, os Little Bone Heads. Sempre acompanhei o génio do Sr. Ozzy Osbourne, devido à sua magnífica voz mas também pela sua rebeldia, que marcou a minha vida desde sempre. Uma parte do mundo fica agora mais pobre, mas o Ozzy está bem vincado em cada um que ama o Heavy Metal e as suas músicas serão para sempre ouvidas.

Cameraman Metálico O Sabbath Bloody Sabbath foi dos primeiros discos que comprei e ouvi com atenção. Ou seja, foi determinante para a minha aprendizagem. A solo ou nos Black Sabbath, o Ozzy foi dos músicos mais importantes para mim, levando-se a ouvir Rock pesado e, mais tarde, Doom Metal.

Peter Junker, Booby Trap - O Ozzy era a voz do heavy metal, não, não era o mais virtuoso, o mais potente, ou o mais versátil, mas tinha uma voz única que simbolizava tudo aquilo que o heavy metal significa, mistério, negrume, energia, humor e loucura. Recordo-me de ser adolescente e ter adquirido uma cassete com o registo do álbum homónimo de Black Sabbath, aquele inicio do tema titulo, a chuva, os sinos, aquela guitarra tenebrosa, um baixo e uma bateria tempestuosos e por cima disto tudo aquela voz que nos transporta para dentro de um cenário infernal, não imagino melhor introdução ao heavy metal do que isto.

No verão que passou, os festivais de música provaram mais uma vez por que o heavy metal continua vivo com a intensidade de sempre. Foram meses em que o palco se tornou arena para o som poderoso dos riff pesados, os gritos do público e o sentimento quase ritual de união entre fãs de várias gerações. Em palcos nacionais e internacionais, vimos estreias eletrizantes, retornos triunfais e momentos de pura comunhão. Entre mosh pits ensandecidos, camisolas suadas e o brilho das luzes, o verão deu o que o metal sabe fazer de melhor: unir, exaltar, transformar

Mas este editorial não podia deixar de refletir sobre uma perda monumental para a comunidade headbanger: a morte de Ozzy Osbourne. No dia 22 de julho de 2025, Ozzy partiu aos 76 anos, apenas semanas após o seu concerto de despedida com os Black Sabbath — um espetáculo épico em Villa Park, que reuniu lendas do metal e foi descrito por muitos como o adeus definitivo de um ícone. Segundo a certidão de óbito, Ozzy faleceu por paragem cardíaca, com contribuições de enfarte agudo do miocárdio, doença arterial coronária e complicações associadas à doença de Parkinson. A comunidade do metal reagiu com emoção: o vocalista Rob Halford (Judas Priest) confessou que chorou durante horas ao saber da notícia. Já em Portugal, bandas como os Moonspell prestaram tributo, com mensagens simples, mas carregadas de peso: “Vemo-nos do outro lado”. Este momento marca o encerramento simbólico de uma era – mas também celebra a herança duradoura de Ozzy. A sua voz rouca, as suas performances escandalosas e a sua persona sombria moldaram não apenas o heavy metal, mas toda uma cultura. Como escreveu um comentador, ele foi “mais que pioneiro — um ícone dos excessos e dos perigos do rock”.

No entanto, a Versus Magazine quer olhar para a frente. Por isso, a nossa capa desta edição destaca Phil X, guitarrista oficial dos Bon Jovi desde 2016. Para muitos, pode parecer uma escolha curiosa - Bon Jovi não é puramente metal -, mas Phil X personifica a ponte entre o rock clássico, o hard rock e subcorrentes mais pesadas. Com uma carreira de sessionista, experiência em várias bandas e virtuosismo na guitarra, ele representa a nova geração que mantém vivo o legado dos grandes, enquanto cria o seu próprio caminho. Além disso, Phil X encarna a ideia de resiliência e reinvenção: assumiu a guitarra dos Bon Jovi após a saída de Richie Sambora e, desde então, tem deixado a marca do seu estilo. Ele é símbolo de continuidade, de renovação - assim como o heavy metal se renova a cada verão, a cada festival, a cada nova banda que surge.

Portanto, nesta edição da Versus Magazine, convidamos os leitores a refletir com nostalgia, mas também com otimismo. O verão dos festivais reforçou que a chama do metal arde com força inabalável. A morte de Ozzy Osbourne nos lembra da mortalidade até das lendas, mas celebra também seu legado eterno. E com Phil X na capa, recordamos que é possível honrar o passado — e ainda assim seguir em frente.

Boas leituras e continuação de um bom (quase fim) ano de 2025 cheio de muita e boa música

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3mestre em revista

SWR Barroselas Metalfest 26

Já são conhecidos os primeiros nomes que farão parte do cartaz da edição de 2026 do SWR Barroselas Metalfest. Como tem vindo a ser tradição, no momento em que é colocado à venda o X-MAS Pack (bilhete geral + t-shirt especial + copo + saco) é também

anunciado uma parte do cartaz assim como é levantado o véu sobre a arte e imagem da edição do ano seguinte. Entre os nomes anunciados encontramse os clássicos Revenge, Exhumed e Bulldozer. A juntar a estes destacam-se também nomes como os portugueses The Ominous Circle, PEstifer, Genocide, ou outros nomes internacionais como -16-, Gruesome, Caustic Wound e outros. O festival acontece entre os dias 29 de Abril e 2 de Maio.

Holocausto Canibal - Concertos até ao final do ano

Os nacionais Holocausto Canibal têm-se mostrado continuamente activos. Depois de uma sequência de concertos entre Portugal e Espanha na companhia dos britânicos Basement Torture Killings, onde passaram pelo Porto, Vigo, Foz Côa e Ovar têm ainda agendados mais dois concertos para os dias 5 de Dezembro, em Braga, no Lustre e a 27 de Dezembro no Porto, no Barracuda. Divididos por estas duas datas, estarão ainda outras bandas nacionais como os Horrification, Nojo e Vai-te Foder.

1914 - Novo álbum e participações

A banda de black/death metal ucraniana 1914, já conhecida pelos seus trabalhos fortemente inspirados pela história da 1ª Guerra Mundial, lançou durante o mês de Novembro o seu novo disco «Viribus Unitis», com o selo da Napalm Records. Um dos temas incluído neste trabalho - “1918 Pt.3: ADE (A Duty To Escape)” - teve direito a videoclipe animado e conta com a participação vocal de Aaron Stainthorpe, exmúsico dos My Dying Bride.

Einar Solberg - Terminou a gravação do novo trabalho

A voz dos Leprous anunciou ter terminado os trabalhos para o seu próximo disco em nome próprio. O momento do anúncio foi também adornado com a revelação do primeiro single “Stella Mortua”, tema que conta com a participação da Norwegian Radio Orchestra, e ainda das primeiras datas de promoção para 2026.

Therion Con Orquesta

Os Therion anunciam o lançamento de mais um disco gravado ao vivo, que será lançado a 30 de Janeiro pela Napalm Records. Os mestres do metal sinfónico aproveitaram o concerto gravado na Cidade

do México, com uma orquestra completa, perante uma plateia de 11000 seguidores do grupo! O título do disco será simplesmente «Con Orquesta» e já pode ser visto o vídeo promocional com a interpretação do tema “The Rise Of Sodom and Gomorrah”.

Onslaught - Regresso de Sy Keeler

A mítica banda de thrash metal do Reino Unido confirma que o regresso do vocalista Sy Keeler será permanente. Depois de se ter apresentado de novo em concerto com a banda, no Damnation Festival, no início de Novembro em Manchester, os próprios já assumiram que a sua permanência é 100% garantida. Sy chega assim em substituição de Dave Garnett, que se terá afastado por motivos pessoais e estará pronto para arrancar com os Onslaught para a tour europeia “The Force From Hell”, já agendada para 2026.

Música Natural Versus Inteligência Artificial

As ondas da Inteligência Artificial não param de reverberar quase todos os dias e o mundo da música está longe de sair incólume. Desta feita Paul McCartney preparase para lançar, concretamente em Dezembro, uma canção “silenciosa”, como forma de protesto contra as alterações legislativas que o governo do Reino Unido se prepara para implementar, por forma a facilitar o acesso ao material protegido por direitos de autor, no sentido de potenciar a evolução de ferramentas de IA. Paul McCartney está longe de estar sozinho, pois mais de 1000 artistas já se associaram a esta causa no ano de 2025, em que a preocupação dos criadores, neste caso no universo da música, cada vez mais se acentua relativamente à ameaça da IA nos domínios das atividades criativas.

Obra - Prima 5

Trial by Fire

Excelente 4

Esforçado 3

Adriano Godinho Carlos Filipe Eduardo Ramalhadeiro Emanuel Roriz Ernesto Martins

EXUVIAL The Hive Mind Chronicles Part Parasitica (Silent Pendulum Records)

IOTUNN Kinship (Metal Blade)

Esperado 2

Básico 1

Sousa Gabriela Teixeira Helder Mendes JP Madaleno Sérgio Teixeira MÉDIA

GAEREA Coma (Season of Mist)
OFFICIUM TRISTE
Hortus Venenum (Transcending Obscurity Records)
SINISTRO Vertice (Alma Mater Records)

Envelhecendo como o vinho

Lord Belial é uma banda verdadeiramente merecedora de elogios: com uma carreira muito longa, continuam a lançar novos álbuns – «Unholy Trinity» é o décimo da sua discografia– e estão cada vez melhores. Esse foi o tema principal da entrevista com Micke Backelin sobre as aventuras mais recentes da veterana banda sueca.

Entrevista: CSA

“Os elementos da trindade profana, que constituem a linha que atravessa o álbum, são Satanás, o Anticristo e o Profeta Profano. Também representa os membros da banda, porque somos uma trindade. […]

Saudações, Micke. Entrevistei Lord Belial sobre «Rapture», o nono álbum da banda. Como correram as coisas para o vosso opus anterior? O sucesso do álbum foi ao encontro das vossas expetativas?

Foi maravilhoso ler todas as críticas positivas e as palavras amáveis. Não estávamos à espera de tamanho sucesso, logo posso dizer que até ultrapassou as nossas expetativas.

Mantiveram a vossa intenção de nunca tocar ao vivo? Ou sucumbiram à tentação de fazer alguns concertos? Não, não estamos nada interessados em tocar ao vivo. Não nos sentimos nada motivados para tal, portanto é melhor nem pensar nisso. Recebemos muitos convites para digressões, concertos e festivais, mas declinamos logo.

A banda acaba de lançar o décimo álbum. Parece-te que «Unholy Trinity» vai ser o novo álbum favorito na vossa longa carreira? Sim, penso que sim. Mas, como sempre, o álbum mais recente é sempre o melhor, não é? Estamos extremamente satisfeitos com o acolhimento feito ao álbum.

Desta vez, não preciso de vos

perguntar se o álbum tem um conceito subjacente. Em vez disso, vou-te perguntar quais são os elementos da vossa trindade. Os elementos da trindade profana, que constituem a linha que atravessa o álbum, são Satanás, o Anticristo e o Profeta Profano. Também representa os membros da banda, porque somos uma trindade. E o álbum tem 9 canções, um múltiplo de 3. Os versos em “Ipse Venit” têm 3 linhas cada um. Tudo isso faz parte da ideia e do conceito subjacente ao álbum.

Também alinharam os títulos das canções para obterem um nome? [Algo como LORD BELIAL, no álbum anterior.]

Em «Unholy Trinity», não fizemos como em «Rapture», em que a primeira letra do título de cada canção compunha o nome Lord Belial. No passado, fizemos várias “coisas escondidas”: por exemplo, na letra da canção “War of Hate”, do álbum «The Unholy Crusade», se juntares a primeira letra de cada verso obténs a frase: “God is dead, Jesus was a bastard son of a bitch.”

Este álbum saiu mesmo das sete canções que já tinham na forja quando vos entrevistei em 2022? É frequente termos algo como 10-20 canções em que podemos

trabalhar. Por vezes, desfazemos algumas dessas ideias e depois usamos os fragmentos noutra canção e por aí adiante. Portanto, mesmo que tenhamos um conjunto de canções que possam já estar completas e prontas para serem gravadas e constituírem um álbum, acabamos sempre por destruir algumas e fundi-las para fazer outras canções. O Thomas compõe a maior parte da nossa música e grava-a em casa e depois guarda as faixas no nosso servidor de tal modo que eu posso abri-las com o Pro Tools no nosso estúdio e gravar algumas sugestões para as partes de bateria. Depois, quando estamos a gravar um álbum no estúdio, passamos muito tempo a acrescentar, apagar ou modificar coisas.

Tens alguma canção (ou até algumas canções) favoritas neste novo longa duração?

Neste momento, é “Anti-Christ”: adoro a parte final da canção, a partir do solo do Andy LaRocque. Mas as minhas preferências vão mudar milhentas vezes ao longo do tempo. Costumo ouvir intensamente o álbum na primeira semana depois da gravação final estar pronta e novamente logo após o lançamento. Ao fim de algum tempo, nunca mais ouço os

“É frequente termos algo como 10-20 canções em que podemos trabalhar. Por vezes, desfazemos algumas dessas ideias e depois usamos os fragmentos noutra canção e por aí adiante.

nossos álbuns. Talvez uma vez por ano. Ou de dois em dois anos.

Ao ouvir «Unholy Trinity» sinto-o mais compassado que «Rapture». Contudo, não me parece que seja lento. Talvez seja por causa da solenidade do tema central que escolheram para o vosso décimo álbum. O que pensas desta minha apreciação?

Se te focares na velocidade medida em BPM, posso dizer-te que nunca fomos assim tão rápidos: nunca quisemos ser a banda mais rápida ou algo que se parecesse com isso. Seria também uma missão impossível, porque eu não sou de modo nenhum o baterista mais rápido, haha. Queremos que as nossas canções tenham um ritmo adequado à composição e, por

vezes, as partes de tempo médio tornam uma canção ainda mais agressiva do que um blast beat. No mínimo, pretendemos encontrar o que for mais adequado aos riffs e à voz. Pessoalmente, acho que é extremamente maçador ouvir canções que são apenas rápidas, rápidas, ainda mais rápidas do princípio ao fim. Gosto de dinâmicas mais equilibradas.

Não te poupaste nos blast beats, E o Pepa e o Thomas fizeram a sua magia com as guitarras. E a voz do Thomas tem o seu lado agressivo habitual.

- Trabalharam da mesma maneira que para «Rapture» desempenhando os mesmos papéis? Foi difícil fazer a mistura como para o vosso álbum anterior?

Sim, trabalhámos mais ou menos da mesma da mesma maneira que para «Rapture».

A principal diferença será o facto de não termos ensaiado juntos antes de chegar a hora de entrarmos no estúdio. Só ensaiámos individualmente cada um no seu lugar com guitarras pré-gravadas e um metrónomo. Quando escrevemos as canções para «Rapture», tocámos juntos no nosso local de ensaios experimentando as ideias do Thomas e também algumas do Pepa.

- Tiveram de tomar muitas decisões difíceis?

Não penso que tivesse sido preciso tomar muitas decisões difíceis durante a gravação e a

mistura. Estávamos muito abertos a novas ideias. Por exemplo, se eu quiser fazer algo totalmente diferente com a bateria, tenho toda a liberdade para o fazer. Se o material não prestar, não o usamos. Mas, pelo menos, experimentamos a ver o que dá. O mesmo acontece com os outros instrumentos e com a voz, independentemente de quem tenha a ideia.

E contactaram novamente o Andy LaRocque para a produção. Queres fazer alguns comentários sobre essa opção?

Gostamos mesmo de trabalhar com o Andy. Ele não é só o nosso engenheiro e coprodutor: é também um amigo, que percebe exatamente o que queremos. Portanto escolher o Andy e os Sonic Train Studios novamente nem foi algo que precisássemos de discutir. Limitámo-nos a reservar o estúdio.

E por falar de voltar a contactar alguém: convidaram novamente o Mike Hrubovcak para fazer a capa deste álbum? Ou decidiram ir bater a outra porta? [Seja como for, o resultado é espantoso e lembra-me aqueles comic books antigos cheios de arte maravilhosa… embora, de um modo geral, não sejam vistos como ARTE.]

Sim, queríamos novamente o talento do Mike ao nosso serviço, porque ficámos totalmente satisfeitos com o trabalho que fez para «Rapture». Fomos contactados por muitos artistas, que nos propunham os seus serviços para o álbum seguinte, mas voltamos ao Mike, que não só é um grande artista como é também é um gajo porreiro.

O que podemos ver na capa que se possa relacionar com a vossa «Unholy Trinity»? [A parte com os dragões faz-me pensar nos quatro cavaleiros do apocalipse… embora sejam três, não quatro.]

A capa baseia-se inteiramente nos títulos e nas letras das canções, mas deixamos aos fãs o trabalho

de identificar os pormenores. Cada pessoa irá interpretá-la à sua maneira e é assim que deve ser. É algo que não deve ser demasiado óbvio.

E o que podes dizer-nos sobre a vossa sociedade com a Hammerheart?

Houve várias editoras que se mostraram interessadas em nós e nos apresentaram sugestões interessantes, quando reativámos a banda de novo em 2020. Depois de fazermos algumas comparações, pareceu-nos que a Hammerheart era a editora certa para nós. Até agora tem corrido muito bem, portanto parece-me que fizemos uma boa escolha.

O vosso álbum foi oficialmente lançado ontem. Podes dizer-nos algo sobre essa ocasião? E sobre a excelência do vosso álbum? Na realidade, foi primeiramente lançado no Youtube dois dias antes do lançamento presencial. Estivemos a seguir o live chat e trocámos algumas ideias com pessoas que estavam a ouvir a estreia do nosso álbum. Eram só elogios e as pessoas gostaram muito do álbum. É evidente que é o álbum do ano, talvez até o da década!

Em Portugal, costumamos dizer que o vinho fica melhor com a idade. Penso que este dito também se aplica a Lord Belial como banda. O que te parece? Eu gosto de beber vinho de vez em quando, mas não percebo nada de anos, áreas, castas, etc. Se gosto do sabor, muito bem! É tão fácil como isto, haha. Mas percebo o que queres dizer. Tanto a banda como nós – os seus membros – somos velhos, portanto temos aqui pelo menos dois paradoxos. Quanto mais tempo tocamos juntos, mais evoluímos como músicos, não só no que diz respeito ao nosso instrumento, mas também no que toca à composição e à forma como perspetivamos o papel desempenhado pelos

instrumentos uns dos outros nas canções. Por outro lado, à medida que envelhecemos, é mais difícil mantermos a forma física necessária para fazer certas coisas. Talvez isso me afete mais a mim por ser baterista, porque uso mais o meu (velho) corpo quando estou a tocar e às vezes isso torna-se mesmo difícil. Tenho muitos problemas: por exemplo, é muito frequente as costas doeremme imenso. Tenho mazelas nos ombros e os meus joelhos também já não são grande coisa. Também parti o meu pulso esquerdo em três lugares (além do polegar) num acidente há cerca de 35 anos atrás e isso ainda me afeta, visto que o movimento do pulso é bastante mau. Em cima disto tudo, ainda sofro de um terrível zumbido nos ouvidos. Mas penso que continuamos a evoluir como banda no bom sentido, fazemos o nosso trabalho sem grandes planos relativamente a como deverá soar o próximo álbum. Soa a Lord Belial, mesmo que não estejamos a pensar nisso especificamente.

Jogada de Mestre

Passados 46 anos sobre a sua formação, os Xeque-Mate são mais relevantes do que nunca. Após o longo hiato terminado em 2016 souberam reinventar-se, sem comprometer o seu ADN musical. Honrando o legado que erigiram, mas simultaneamente aproveitando o que de melhor oferece a música pesada na atualidade, apresentam agora o seu melhor álbum até à data. “Entrudo” foi, portanto, motivo mais do que suficiente para a Versus entrevistar o frontman, Xico Soares.

Texto: Dico e Eduardo Ramalhadeiro

DICO - Antes de mais, parabéns pelo novo álbum. Nota-se que, sendo um trabalho muito orgânico, nada foi deixado ao acaso e que foi fruto de um longo processo.

Xico Soares - Sem dúvida. Posso dizer, inclusive, que a pequena digressão promocional que fizemos ao “Não Consigo Manter a Fé” foi a porta de abertura para este disco. Tocámos até mesmo em festivais com bandas de Metal extremo, mas as pessoas gostaram de nós. Pensámos que nos iríamos sentir um bocadinho isolados nesses cartazes, mas tal não aconteceu. As pessoas entenderam a nossa mensagem e isso foi praticamente a génese do “Entrudo”. Aliás, o conceito já vinha de trás, mas depois surgiu a ideia de usar a máscara de Podence. As coisas foram-se encaixando e a ideia evoluiu com o tempo.

DICO - A máscara da capa é tal e qual a verdadeira.

Sim, a máscara foi desenhada pelo nosso amigo César Hugo, que não a alterou em nada, apenas lhe colocou o nosso logótipo na testa e nos olhos. O resultado ficou fantástico.

Eduardo Ramalhadeiro - Enquanto metáfora social, o entrudo diz muito, tal como a própria máscara, aliás. De facto, este álbum tem um pendor interventivo para o qual o press-release enviado pela editora nos remete, quando diz “junta-te à revolta, descobre entrudo”. Há, sim. As palavras “revolta” e “entrudo” são metáforas para o diaa-dia em sociedade. As máscaras representam as diferentes personalidades que mostramos e através das quais nos escondemos.

Eduardo - Exatamente. Ou seja, o termo “entrudo” é um ponto de partida.

Claro. No fundo, entrudo é todo o ano, porque “eles” gozam connosco o ano todo. Aliás, nem sabem fazer outra coisa. O povo é que é sempre lixado, mas atenção: nós, cidadãos, deixamos. Nós é que

“os” colocamos lá. E é isso que me chateia, percebes? É isso que me revolta, porque tudo parece estar cada vez pior. O meu amigo Óscar diz há muitos anos uma frase de que me lembro sempre: “Temos o país que merecemos.” E é verdade.

DICO - O Óscar que tocou contigo nos Speedtrack e que foi baixista dos Cagalhões. Uma figura mítica do underground portuense. Exatamente. O grande Óscar.

Se falas do Diabo tens de falar em Deus, acreditando num acreditas obrigatoriamente no outro. Mas atenção, não queremos por isto chegar ao mainstream. [risos]. É o caso do “Feitiço”, que fala do que é uma bruxa, ou do que são as “bruxas” atuais. [risos]

“…algumas letras centram-se em temas mais comerciais, mas não queremos chegar ao mainstream.

DICO - Foram disponibilizados dois singles, primeiro o “Talvez no Céu” e depois o “Corre, Corre”. São singles bem fortes, por sinal, quer em termos sonoros quer líricos. Achei interessante o facto de ambos transmitirem mensagens bastante distintas. Foi intencional?

Não, simplesmente aconteceu. O “Talvez no Céu” fala de sentimentos, o “Corre, Corre” é uma crítica social, fala da azáfama da vida em sociedade e do tempo que o trabalho nos consome. Precisamos de ter tempo para nós, para a nossa família, para os nossos passatempos e não viver em função do trabalho. Quando reparamos, a vida acaba e pouco fizemos daquilo que gostamos. No geral, as letras do álbum estão mais abertas. Também falamos de pedofilia e de bruxas. [risos]

DICO - Como tiveste a ideia de explorar esse tema?

DICO - Na verdade, como costumo dizer, desde que haja futebol está tudo bem, não é? O pessoal vai ruminando e aliena-se. Sim, as pessoas ficam apáticas. O problema é que o futebol nada resolve.

DICO - Há pouco, dizias em off que decidiram arriscar mais nas letras. Em que medida sentes isso? Bom, falar descaradamente de amor não é muito normal no Heavy Metal português. Mas confesso que foi um risco, digamos…calculado! Arriscámos e percebemos que as pessoas gostavam. Estávamos receosos sem razão. Se calhar algumas letras centram-se em temas que poderão ser mais comerciais, mas o Metal não fala só de sangue e do Diabo.

A ideia foi do Tiago, eu só lhe perguntei se podia criar uma bruxa bonita e ele deu-me luz verde para escrever o que quisesse. [risos]

Eduardo- Falávamos do “Corre, Corre” e neste tema temos a participação do Lex Thunder e do Jorge Marques. A relação com os Tarântula vem de há décadas, pelo que a participação do Jorge neste tema e a do Paulo em «Não me Lembro» são naturais. Mas começando pelo início, como surgiu a oportunidade de o Lex cantar no “Corre, Corre”?

Conheci o Lex em Pindelo dos Milagres há dois anos e ficámos amigos. Os Toxikull são muito simples, é tudo pessoal fixe, e surgiu naturalmente a ideia de o Lex gravar um tema comigo.

Felizmente, acabou por se proporcionar. Acabamos por fazer a ponte com a nova geração, acho que isso nos confere alguma atualidade.

DICO - Aliás, já havia alguma proximidade devido ao facto de os Toxikull terem feito uma versão do tema “Filhos do Metal”. Exatamente, eles convidaram-me para cantar esse tema quando vieram ao Porto tocar no Bourbon Room. Foi uma noite fantástica.

DICO - Falávamos há pouco do Paulo Barros, que participa no tema “Não Me Lembro”, que lhe deu uma dimensão incrível. Como sempre, o Paulo fez aqui um trabalho excecional, elevou o tema a um patamar altíssimo.

DICO - Os Xeque-mate sempre tiveram uma sonoridade muito própria, a que gosto de chamar “sonoridade Xeque-mate”, mas por outro lado acolhem muito bem na vossa música as influências mais modernas sem modificarem o vosso ADN. Isso acontece naturalmente ou esforçam-se por manter este cruzamento do passado com o presente, tendo um pé no futuro?

O Artur e o Tiago têm formas de compor completamente diferentes, mas que adapto às minhas necessidades. Imagino onde posso colocar as minhas ideias, onde

“ Não nos esquecemos das nossas raízes oldschool, mas queremos estar atualizados

posso fazer refrão, em que partes posso cantar, percebes? Tudo isto tem a ver com as experiências musicais e de vida de cada um de nós. Há pessoas de faixas etárias muito diferentes na banda, com diferentes experiências de vida, e isso reflete-se na nossa música. Quando compomos não nos esquecemos das nossas raízes oldschool, mas também queremos estar atualizados. Uma parte dessa evolução pode também resultar da minha forma de cantar, que melhorou muito. À medida que os anos foram passando comecei a cantar muito melhor, e isso é fruto do meu aperfeiçoamento na forma de usar a voz.

Eduardo – Este será, porventura, o vosso melhor álbum, e acredito que isso resulte também dessas vivências e dessa diversidade. O “Não Consigo Manter a Fé” já era um álbum melhor relativamente ao anterior, mas neste nota-se uma evolução ainda maior, toda a gente evoluiu bastante. Tenho orgulho nisso. De facto, pensando bem, atualmente não fugimos muito àquilo que fizemos nos anos 80, mas somos uma banda mais coesa e produzimos música melhor. “Reciclamos” da melhor forma as nossas influências. Eu, por exemplo, tanto gosto dos Korn como dos Motorhead, e isso reflete-se no resultado final. O Diego, o nosso novo

baixista, também veio dar uma nova dimensão à nova música, contribuindo de uma forma bastante rica.

DICO - Na produção, que está muito pujante e confere uma força imensa ao disco, o baixo assume um papel importante. Sim, mais uma vez a produção ficou muito boa, muito forte e definida. Está ali um trabalho magnífico. Mas respondendo à tua pergunta, por incrível que pareça, o Diego só gravou uma música no álbum. O disco deveria estar pronto no final do ano passado, ou este ano na altura do Carnaval, mas as coisas demoraram mais tempo. Quando o Queirós saiu foi o Artur que gravou os baixos, tendo o Diego tocado apenas no instrumental.

Eduardo– Que planos têm para continuar a divulgar este álbum? Tocar ao vivo o mais possível e chegar aos fãs de todas as formas que conseguirmos. Isso passa, obviamente, pelas plataformas de streaming e outros meios digitais, porque temos a noção de que, hoje, essa é a melhor forma de mais pessoas nos ouvirem. Queremos manter um pé nos formatos tradicionais, mas sempre aliando a divulgação da nossa música às novas tecnologias.

Metal Brasil!

Oriundos de São Paulo e formados em 2022, os Blood Ocean são a banda de destaque desta edição do Metal Brasil.

Esta é a página da Versus Magazine dedicada ao metal brasileiro. Apesar de falarmos a mesma língua e ouvirmos os mesmos sons, a verdade é que o oceano que nos separa parece ainda ser imenso. Convidamos as bandas mais underground, que queiram ver o seu trabalho divulgado nas próximas edições da nossa revista, a contactar-nos via redes sociais.

Esta máquina de Thrash paulista é constituída por:

Anderson Mattiello - Baixo

Ricardo Viola - Voz

Marcão Melloni - Bateria

Júnior Zeno - Guitarra e Voz

Na sua curta carreira, a banda conta com vários singles, uma longa duração, lançada em 2023, com o título «Sublime Apocalypse» e o seu mais recente EP, «Blood Transfusion», de novembro do ano passado.

Segundo Júnior Zeno, os Blood Ocean têm muitas influências para lá do Thrash da Bay Area e do Thrash teutónico, sendo Slayer a grande fonte de inspiração dos músicos, na medida em que é a banda favorita de todos.

A sonoridade da banda é muito moderna e cativante, com riffs pungentes e uma energia que transparece nos temas. Para mim, foi uma agradável surpresa ouvir uma banda tão jovem e, ao mesmo tempo, tão cheia de talento e criatividade para criar

refrões orelhudos que merecem ser tocados ao vivo.

Com o tema-título que abre o álbum «Sublime Apocalypse», a banda mostra logo os trunfos que traz na manga e esfrega-nos no rosto e nos ouvidos uma brutal e rápida descarga à lá Testament. O ritmo do disco é sempre rasgadinho e a coesão e entrosamento dos músicos está óptima - tendo em consideração que é o seu registo de estreia. São 45 minutos que passam a voar e não há nenhuma música que eu destaque pela negativa.

Temos de admitir que não há nada de inovador na sonoridade destes brasileiros, mas o que nos apresentam tem muita qualidade e com certeza agradará aos fãs do estilo.

Do EP mais recente destaco o tema “Hate” que mescla o Thrash metal com um pouco de Nu metal, o que torna esta faixa bastante “dançável” e a homenagem aos compatriotas, Sepultura, com a cover competente de “Arise” que fecha o cd.

Se tivesse de dar uma nota aos Ocean Blood, seria um sólido 7.

Podem encontrar os Fohatt nos seguintes links:

- https://www.youtube.com/@Fohatt666

- https://fohatt.bandcamp.com/

- https://www.instagram.com/fohatt.official/

Quem adquirir o álbum em vinil, pode dirigir-se ou encomendar nas seguintes lojas da zona de Lisboa:

- https://www.carbonoamadora.net/

- https://horario-loja.pt/lisboa/loja-de-discos/21-vinil-experience.html#google_vignette

- https://www.groovierecords.com/

- https://www.lisbonrecordshops.com/2020/07/neat-records.html

Emoção em alta voltagem

Lançado em fevereiro, «Morph» é o mais recente capítulo na jornada da Ellis Mano Band um disco que combina maturidade sonora com uma honestidade emocional desconcertante. Conversámos com Chris sobre a receção calorosa, a abordagem cinematográfica da produção, colaborações marcantes e os caminhos que o futuro pode reservar para a banda suíça que continua a surpreender o cenário europeu.

Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro | Fotos: Tabea Hüberli

Olá Chris, «Morph» foi lançado em fevereiro. Como têm reagido os críticos e os fãs até agora?

Chris: Olá Eduardo! Honestamente? Estamos boquiabertos. Os críticos têm sido invulgarmente simpáticos — quase suspeitosamente até (risos) — e os fãs? Pá, têm sido incríveis. A energia nos concertos, o carinho na banca do merchandising, os coros malucos... parece que o «Morph» tocou num nervo qualquer. E esse tipo de resposta? Nunca se dá como garantido.

O vosso novo álbum chamase «Morph», uma palavra que sugere imediatamente mudança e evolução. Que tipo de transformação é que este disco representa para a banda? «Morph» é um espelho. Reflete quem somos neste momento — como músicos, como pessoas, como viajantes num mundo que gira cada vez mais depressa. Estamos em constante evolução. Cada ensaio, cada concerto moldanos. E embora não tenhamos planeado uma revolução, encontrámo-nos no meio de uma — musical e emocionalmente.

Musicalmente, «Morph» soa mais refinado e maduro, mas ao mesmo tempo cru e emocional. Que direção artística procuravam com este álbum?

Nós não apontamos. Disparamos. (risos)

A sério, tentamos manter-nos abertos, seguir a canção para onde ela quiser ir. Às vezes leva-nos a sítios que não esperávamos. É aí que a magia acontece. E se não te arrepia, provavelmente estás no caminho errado.

A produção tem uma qualidade mais atmosférica, quase cinematográfica. Isso foi algo planeado desde o início, ou foi surgindo naturalmente à medida que as músicas se desenvolviam? Foi surgindo — lindamente, caoticamente, como costuma acontecer quando se põem cinco malucos num estúdio com

instrumentos a mais. Cada um de nós vem de universos musicais diferentes. Quando esses mundos colidem, ou há explosão, ou nasce algo... cinematográfico. Desta vez, tivemos sorte.

De certa forma, «Morph» parece mais introspectivo e existencial. Há algum tema central que una as músicas?

Se há um conceito, chama-se “vida”.

Não desenhámos nada num quadro branco — seguimos apenas o que nos parecia real. Acho que o «Morph» somos nós, sem filtros. Há alegria, dor, dúvida, esperança. É como um diário escrito com acordes de guitarra e confissões às três da manhã.

“Ballroom” destaca-se das restantes — uma faixa suave, quase como uma canção de embalar, com um ambiente calmo e íntimo. Podes falar um pouco sobre esta música, a sua inspiração e como surgiu no contexto do álbum?

“Ballroom” apareceu-nos como um sonho do qual não queríamos acordar. O Edis e eu tínhamos um esboço — frágil, como um sussurro. Depois o Nico sugeriu algo estranho na bateria (sem baquetas!), o Severin criou uma linha de baixo aveludada, e de repente... estava a flutuar. Essa canção sempre soube para onde queria ir.

O vosso som mistura blues, soul, rock e elementos modernos, mantendo sempre uma identidade muito própria. Como conseguem esse equilíbrio sem caírem em fórmulas previsíveis?

Nós não corremos atrás de modas — corremos atrás de arrepios. Se uma canção nos faz sorrir, chorar ou gritar como parvos no estúdio, então está boa.

Não estamos aqui para servir os deuses do Spotify. Fazemos música em que acreditamos — e suamos por ela todas as noites em palco.

As vozes continuam a ser uma das marcas da banda — intensas, íntimas, cheias de nuances. Como desenvolvem essa parte dentro do grupo?

Antes cantava músicas dos outros. Depois tive de aprender a cantar a mim próprio.

Tem sido uma viagem louca — e ainda estou a aprender. Há dias em que me sinto como um pregador, outros como um fantasma numa catedral. Mas a banda desafia-me. Obriga-me a ser mais honesto, mais ousado. E isso é o melhor tipo de crescimento.

Corrige-me se estiver enganado, mas por vezes a tua voz faz-me lembrar o grande Otis Taylor. Já ouviste o trabalho dele?

Influenciou-te de alguma forma?

Acabaste de me fazer corar e ir ao Google ao mesmo tempo! Otis Taylor — uau.

Ser comparado a alguém assim é muito lisonjeiro. Mas já me disseram que a minha voz soa a tudo, desde Bowie a Cocker e Gillan. Não sei bem o que isso diz sobre mim — mas estou grato. Talvez seja um camaleão sónico. Ou só estou confuso. (risos)

A capa do álbum foi criada por Hugh Syme, conhecido pelo trabalho com Dream Theater, Rush, Aerosmith, Bon Jovi, entre outros. Como foi colaborar com ele, e como é que sentem que a arte visual se liga ao tema e som do álbum?

O Hugh Syme é um feiticeiro. Mandou-nos as primeiras ideias

e ficámos tipo: “Como é que ele ouve a nossa música assim?” Foi surreal. Aquela imagem, aquela cabeça estranha em transformação, é exatamente o que «Morph» transmite — de dentro para fora.

Olhando para trás, desde Here and Now até Luck of the Draw, como sentem que cresceram como músicos e compositores?

A COVID roubou-nos a carrinha da digressão antes sequer de lhe pormos gasolina. Mas aproveitámos o tempo para crescer.

Acho que se ouve a amizade, as gargalhadas, a frustração, as dúvidas às três da manhã — está tudo lá, entrançado nas músicas. Aprendemos a confiar uns nos outros. E isso nota-se.

Onde acham que «Morph» se encaixa na vossa discografia?

Representa um ponto de chegada, uma rutura, ou algo a meio caminho?

É uma fotografia — muito intensa. Cada álbum é quem éramos naquele momento. Morph talvez seja o mais ousado até agora. Mas pergunta-me outra vez daqui a um ano — já estamos até aos joelhos em coisas novas que podem virar tudo do avesso outra vez.

«Morph» parece um disco pensado para ser ouvido como um todo — quase como uma viagem emocional. Ainda pensam em termos de álbuns completos ou também abraçam o mundo mais fragmentado dos singles e playlists?

Os álbuns são como romances. Os singles são tweets.

Continuamos a acreditar na viagem longa, no arco completo. Põe o Morph a tocar, fecha os olhos e deixa-te levar. É essa a viagem que queremos dar. Capítulo a capítulo.

Sendo uma banda suíça a fazer música enraizada nas tradições anglo-americanas, acham que isso vos dá liberdade criativa únicaou sentem dificuldades em entrar no mercado internacional?

“ «Morph» é um espelho. Reflete quem somos neste momento — como músicos, como pessoas, como
viajantes num mundo que gira cada vez mais depressa.

O blues é universal. Podes chorar em português, em suíço-alemão ou em silêncio.

Podemos vir de um país pequeno, com montanhas a mais e estacionamento a menos, mas a dor e a alegria? Isso é global. E é aí que a música vive.

A Suíça é muitas vezes associada à precisão e contenção, mas a vossa música é emocional, orgânica e muitas vezes bem crua. Acham que esse contraste vos ajuda a destacar na cena musical europeia?

Digamos só isto… a banda é caos. Excepto o Edis. Ele é o adulto na sala.

Não somos relógios suíços — somos mais como fogo-de-artifício suíço. Imprevisíveis, barulhentos e ligeiramente perigosos.

Como tem sido a vossa jornada fora da Suíça? Notam diferenças na forma como o público reage à vossa música em países como Alemanha, França, ou outros?

Cada público é diferente — e ao

mesmo tempo igual.

Alguns batem palmas educadamente, outros gritam até ficarem sem voz. Mas o carinho? Esse é sempre verdadeiro. Deixa-nos humildes sempre. Independentemente da língua, a música encontra sempre o caminho.

Finalmente, olhando para o futuro: depois de «Morph», que direções criativas estão curiosos por explorar? Há planos para novos géneros, colaborações ou talvez um projeto mais conceptual ou experimental?

Ah, o futuro está escancarado. O Edis e eu estamos prestes a mergulhar na próxima fase de composição. Vamos provavelmente discutir, rir, atirar ideias como tinta - e depois o resto da banda entra e melhora tudo.

Onde vamos acabar? Não fazemos ideia. Mas é isso que torna tudo emocionante.

O peso da melancolia

Este sentimento é o centro da arte de Green Carnation, uma veterana banda norueguesa com uma carreira de cerca de 30 anos e um estilo que combina elementos de Gothic Metal e progressivos. No verão de 2025, estão a lançar o primeiro álbum de uma trilogia exalta a melancolia como produto da reflexão sobre a sociedade humana e os males que a afligem. Entrevista: CSA & Eduardo Ramalhadeiro | Fotos: Lars Gunnar Liestøl

Eduardo Ramalhadeiro – O novo álbum parece equilibrar uma sensação de imediatismo com algo mais profundo e que se vai revelando lentamente. Esta abordagem foi intencional desde o início ou evoluiu de forma orgânica à medida que a composição ia avançando?

Kjetil Nordhus – Saudações, Eduardo e CSA. Penso que isso se deve à forma como as canções foram compostas. Sendo o Stein Roger Sordal um dos dois compositores, vamos ter sempre esse imediatismo: as melodias fortes um dos seus pontos altos enquanto compositor. Quando compomos juntos, tentamos combinar isso com estruturas musicais interessantes, transições e muito cuidado nos detalhes, com a minha parte (enquanto segundo compositor) muito focada nesse lado do processo de composição. Penso que esta combinação dá origem a canções que, ao mesmo tempo, são imediatas e se revelam lentamente. Não é algo que discutimos antes de compor, é apenas a forma como trabalhamos juntos.

Eduardo – «The Shores of Melancholia» marca o início de uma trilogia e, ao mesmo tempo, evoca memórias do icónico «Light of Day, Day of Darkness» (2001). Que elementos consideras que ligam estas duas obras? E o que as distingue claramente? Há muitos elementos que as distinguem, naturalmente, mas compreendo que as pessoas vejam ligações entre os dois “projetos”. O nível de ambição de «A Dark Poem» (a trilogia) faz-me lembrar bastante o de «Light of Day, Day of Darkness». É um nível de ambição quase estúpido, para ser honesto. Não sei se sabíamos o esforço que isto iria exigir, quando começámos a compor qualquer um desses dois projetos, e não sei se teríamos avançado com eles se nos tivéssemos apercebido desse facto de antemão.

Eduardo – Referiste que tentar replicar «Light of Day, Day of Darkness» não faria sentido, mas que «A Dark Poem» também aposta numa narrativa épica. Que lições retiraste desse álbum que estás agora a aplicar de forma diferente neste novo ciclo criativo?

Acho que a lição mais importante é que devemos manter-nos fiéis à nossa ideia a 100%, sem fazer quaisquer concessões pelo caminho. Na altura, perguntavamnos porque não dividíamos o «Light of Day, Day of Darkness» em capítulos, algo que para nós não fazia sentido, porque aquela peça musical precisa de ser ouvida do início ao fim para que faça sentido. Ninguém começa a ver um filme já a 1/3, pois não? Penso que com «A Dark Poem» as pessoas irão perceber que fizemos tudo o que era necessário para que o projeto ficasse completo. Talvez só percebam isso no terceiro álbum, hehe.

Eduardo – Liricamente, o álbum assenta num conceito. Podes explicar-nos que conceito está por detrás das letras e o que te inspirou a escrever «A Dark Poem»?

Bem, não é uma narrativa contínua ao longo dos álbuns, como acontece nalguns álbuns concetuais. Liricamente, o projeto aborda o mesmo tipo de questões e sentimentos ao longo da trilogia, com temas como a alienação (tanto externa – em relação à sociedade e à política – como pessoal), o desespero de viver num mundo em que a verdade deixou de ser um valor e a tecnologia está descontrolada.

CSA – Falando de conceitos, do ponto de vista da banda, até que ponto a capa criada por Niklas Sundin representa a essência deste álbum melancólico?

Acho que representa a essência do álbum de forma excelente. Já trabalhámos com o Niklas várias vezes. Conhecemos o estilo e as referências dele e ele conhece

muito bem a banda, por isso sentimo-nos muito confortáveis em deixar o conceito visual nas mãos dele. Explicámos-lhe todo o projeto, enviámos as maquetas e as letras e ele apresentou ideias que considerámos extremamente adequadas ao que pretendíamos. Depois disso, tornou tudo muito mais rico e estamos muito satisfeitos com o resultado final.

CSA – A imagem parece algo fria, pois a sua construção é bastante geométrica e a única personagem representada usa uma espécie de máscara do teatro grego. Concordas com esta leitura da criação do Niklas?

Não acho que estejas muito longe da verdade. Sem ter discutido isto em detalhe com o Niklas, penso que representa as letras do álbum de forma excelente.

Eduardo – A tua voz tem sido muitas vezes descrita como profundamente emocional e introspetiva. Como sentes que a tua expressão vocal contribui para o forte sentimento de melancolia na música dos Green Carnation? Os Green Carnation são um coletivo de músicos que dão cor à música com as suas qualidades individuais. E é claro que, sendo o vocalista, o meu contributo acaba por ser algo que as pessoas reconhecem. É difícil falar sobre a minha própria voz, mas é obviamente parte do som dos Green Carnation e já o é há 25 anos. E como a melancolia é uma emoção central na nossa música, penso que a minha voz, tal como o contributo dos restantes membros, são fatores importantes para que a música funcione como funciona.

Eduardo – Achas que existe um estado de espírito ideal para se ouvir Green Carnation? A melancolia na vossa música é algo que esperam que o ouvinte abrace, enfrente… ou simplesmente sinta?

Não acho que seja necessário estar num estado de espírito específico para ouvir a nossa música.

Queremos que as pessoas abracem todas as partes da nossa música, mas a música são sentimentos. Se as pessoas sentirem a nossa música – seja de que forma for –, então penso que tivemos sucesso.

CSA – Não achas que o fã iniciante dos Green Carnation poderá ficar surpreendido com o facto de as vozes no álbum serem maioritariamente limpas? [Acho que essa característica acentua profundamente a melancolia do álbum.]

Essa é uma pergunta a que é difícil de responder. Um fã iniciante não terá muitas expectativas em relação ao estilo vocal, suponho. Espero apenas que pensem que os diferentes estilos vocais que utilizamos ao longo do álbum se adequam às músicas e as tornam tão boas quanto possível.

Eduardo – Sendo esta apenas a primeira parte da trilogia «A Dark Poem», já tens uma visão clara de como se irá desenrolar a narrativa nos dois álbuns seguintes? Ou preferes deixar espaço para a evolução criativa e a surpresa? Os três álbuns estão todos compostos e já gravados. Não quero falar muito sobre os dois próximos, mas posso dizer que haverá, sem dúvida, algo que vai surpreender muita gente. Mas está extremamente bem integrado no conceito e esperamos que venha a ser uma parte memorável do legado musical da banda.

Eduardo – “The Slave That You Are” surge sensivelmente a meio do álbum e destaca-se pelo contraste entre brutalidade e melodia. Num disco tão acessível e melódico, o que vos levou a incluir uma faixa tão pesada mesmo a meio? Queriam provocar um susto ao ouvinte? Haha, embora tenha a certeza de que alguns ouvintes ficarão em choque ao ouvir essa música, a intenção não foi assustar ninguém. É um exemplo da nossa vontade de não fazer concessões ao longo dos três álbuns. Esta canção precisava

daquele estilo vocal e não quisemos restringir o seu potencial ao fazer algo diferente só porque “era o esperado”. Continuo a achar que é uma canção muito típica dos Green Carnation, que encaixa perfeitamente no álbum.

CSA – Sendo eu um grande fã de Black Metal, gostei especialmente dessa canção. Além disso, dá-me a impressão de que, de certa forma, estão a tentar escapar ao torpor da melancolia. É possível ler a canção dessa forma?

Embora ache que também há elementos melancólicos nesta música, tem certamente características muito marcantes, principalmente ao nível do estilo vocal. Penso que a música é perfeita para o álbum, dando ao ouvinte algo em que pensar –como sugeres na tua pergunta.

Eduardo – Agora passando à minha faixa preferida, que dá também nome ao álbum: “The Shores of Melancholia”. O que nos podes dizer sobre esta canção em particular? O que a torna tão especial ao ponto de ter dado nome ao álbum?

Para mim, é outra faixa de destaque no álbum. Se bem me lembro, também foi a última canção a ser escrita para a trilogia. Sentimos que representava muito bem aquilo que queríamos expressar neste primeiro álbum e tinha um título excelente. Por isso, também o usámos para título do álbum.

CSA – Haha! É evidente que eu e o Eddy temos gostos diferentes, apesar de ambos gostarmos de Metal. Pensando nos fãs de Metal, estão preparados para tocar ao vivo este novo álbum dos Green Carnation? Têm festivais em vista ou preferem salas mais intimistas? Estamos neste momento a ensaiar «The Shores of Melancholia» e, embora ainda não tenhamos muitos festivais ou digressões agendadas, estamos confiantes de que o lançamento do álbum nos abrirá algumas portas. Somos

“ […] esta combinação dá origem a canções que, ao mesmo tempo, são imediatas e se revelam lentamente. Não é algo que discutimos antes de compor, é apenas a forma como trabalhamos juntos.

extremamente ambiciosos, quando se trata de apresentar as canções ao vivo pelo que estamos a investir muita energia nisso. Neste momento, estamos muito entusiasmados por apresentar o novo álbum na íntegra ao público do ProgPower USA, em Atlanta, dois dias antes do seu lançamento em setembro. Depois veremos o que o futuro nos reserva.

Playlist

Adriano Godinho

Fallujah - Xenotaph

The Behaviour - Pedestals

In Virtue - Age of Legends

Denial Of Life - Witness The Power

Binah - Ónkos

Carlos Filipe

Xeque-Mate - Entrudo

Johan Langquist - The Castle

Opia - I Welcome Thee, Eternal Sleep

The Warning - Keep Me Fed

King Garcia - Hamelin

Cristina Sá

Afsky – Fællesskab

Carach Angren – The Cult of Kariba

Cyhra – No Halos in Hell Moonspell – 1755

Svartsot – Peregrinus

Eduardo Ramalhadeiro

Afsky – Fællesskab

Carach Angren – The Cult of Kariba

Cyhra – No Halos in Hell Moonspell – 1755

Svartsot – Peregrinus

Emanuel Roriz

Besta - John Carpenter redux

Blood Incantation - Absolute Elsewhere

Fallujah - Xenotaph

Grog - Spheres Of Attrocities

High Vis - Guided Tour

Ernesto Martins

Species - Changelings

White Willow - Terminal Twilight

OSI - Blood

Opeth - Damnation

José Mário Branco - Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades

Gabriela Teixeira

Rival Sons - Lightbringer

Rival Sons - Darkfighter

Rival Sons - Feral Roots

Rival Sons - Hollow Bones

Rival Sons - Before the Fire

Helder Mendes

Betelzeus - Congolese Sterilization

Anthrax - Among the Living Maïeutiste - Maïeutiste

Darkher - Realms

Celtic Frost - Innocence and Wrath

João Paulo Madaleno

Visitant - Rubidium

Christ Agony - Anthems

Novembers Doom - Major Arcana

Gjallarhorn’s Wrath - The Silver Key

Thyrfing - Vanagandr

Sérgio Teixeira

Beyond Mortal Dreams - Abomination of the Flames

Darkspace - Dark Space - I (2012)

Billy Idol - Cyberpunk

Grima - Nightside

Fine Young Cannibals -The Raw and the Cooked

«Electric Dreams» marca um novo capítulo no teu percurso a solo. Qual foi a principal inspiração por detrás deste álbum — tanto a nível musical como temático?

Nicklas - Olá, e obrigado por me receberem.

É, de facto, um novo capítulo. Quis fazer um álbum sem pensar em temas ou conceitos, apenas ser completamente livre e não estar preso a nada além da minha criatividade. Foi um álbum muito intuitivo. Todas as decisões musicais foram tomadas quase exatamente como as pensei — ou seja, se tive uma ideia, foi essa ideia que gravei, raramente voltei atrás para mudar alguma coisa. Foi, de certa forma, um desafio, mas

Nicklas Sonne

Visão sonora sem limites

Guitarrista virtuoso, produtor e multi-instrumentista, Nicklas Sonne regressa com Electric Dreams, um álbum a solo onde a liberdade criativa dita as regras. Longe da complexidade técnica que marca o seu trabalho com os Defecto, aqui dá primazia à melodia, à emoção e a uma abordagem mais crua e intuitiva. Em entrevista, fala-nos da sua evolução, da vontade de misturar géneros, da passagem pela Eurovisão e até de possíveis colaborações improváveis. Nada está fora de alcance quando se faz música sem medo.

Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro

também o fiz porque queria que o álbum refletisse a minha intuição musical — que foi, no fundo, o que me inspirou.

Comparando com o teu material a solo anterior, de que forma «Electric Dreams» representa a tua evolução como compositor e produtor?

Não diria que este novo álbum representa uma evolução enquanto tal. Em alguns aspetos, é um “retrocesso”, e noutros é um passo em frente. Decidi que queria fazer um álbum que não fosse tão intenso nem tão progressivo, mas onde a minha voz pudesse brilhar um pouco mais. Quis compor canções com um toque mais old-

school, glamouroso, mas com um som moderno. Gosto sempre de fazer coisas diferentes, e desta vez o foco foi conter-me, não exagerar — algo que por vezes tendo a fazer.

O álbum funde metal progressivo e power metal com elementos cinematográficos, guitarras “shredding” e uma base forte melódica e harmónica. Como abordaste o processo de produção para unir todos estes elementos num som coeso e unificado? Fico contente por dizeres que soa coeso e unificado! Para ser honesto, não penso muito nisso. Começo com um riff de guitarra, depois faço uma bateria, depois gravo o baixo. A seguir, tenho uma

Foto: Mikkel
Laumann

ideia de como deverão soar as vozes, mas só na minha cabeça. Depois adiciono sintetizadores e outros VSTs conforme me apetece, e simplesmente divirtome. Quando a parte instrumental da música está concluída, começo as vozes. Depois disso, costumo voltar atrás e ajustar alguns volumes nos VSTs, talvez remover ou adicionar algo — depende. Tenho uma ideia bastante clara de como será o produto final, por isso deixo-me levar pelo momento, quando estou inspirado.

És conhecido por tocares vários instrumentos — penso que também tocas todos os instrumentos em «Electric Dreams»? De que forma esse controlo total influencia o processo criativo?

Torna tudo muito mais fácil a nível criativo. Imagina estares a pintar e, após cada pincelada, teres de perguntar a quatro pessoas se estão satisfeitas com a cor, o tamanho, etc., e se vão pintar a próxima. Consigo ver como isso pode funcionar, e há valor na ideia de vários cérebros a colaborar para criar algo misturado — mas eu prefiro pintar sozinho e ter controlo total. Quando começo a criar algo, normalmente tenho a imagem final na cabeça em poucos minutos. Às vezes até antes de começar. Por vezes, sinto que o meu cérebro vai explodir. (risos)

música mais “single”, lembro-me bem da lição do Jan: “mantém simples e direto ao assunto”.

Vocalmente, mostras uma grande amplitude — desde linhas melódicas elevadas a passagens intensas e rugosas. Como te desafias como vocalista ao criar material novo como «Electric Dreams»?

Este álbum deu-me mais espaço vocal, o que foi uma das intenções por detrás da sua composição. Isso obrigou-me, especialmente em algumas músicas, a acertar bem na pronúncia, entre outras coisas, porque a minha voz é mais audível através da música. Esse foi o meu desafio vocal neste álbum.

intencionalmente algo totalmente diferente.

“Em alguns aspetos, é um “retrocesso”, e noutros é um passo em frente. Decidi que queria fazer um álbum que não fosse tão intenso nem tão progressivo, mas onde a minha voz pudesse brilhar um pouco mais.

A tua música equilibra frequentemente elementos técnicos e pesados com melodias fortes e refrões cativantes. Imaginas colaborações inesperadas — tipo a Taylor Swift numa balada prog-metal? (risos) Ou misturar géneros é algo natural no teu processo criativo? Epá, adorava isso. Gosto de fazer de tudo, até o que ninguém espera. No próximo álbum com a minha banda de metal progressivo, os Defecto, há uma colaboração totalmente fora da caixa — e funciona mesmo bem! Já toquei com uma orquestra sinfónica de 64 músicos, cantei o tema dinamarquês dos Pokémon para um filme da Netflix, fiz uma cover de Let it Go do Frozen… adoro todas essas coisas diferentes que muitos músicos de metal evitam. Misturar géneros é algo que vou sempre continuar a fazer.

Tendo trabalhado com produtores lendários como Jan Langhoff e Flemming Rasmussen, que lições ou técnicas dessas colaborações chegaram a este novo álbum?

Foi há muito tempo, mas aprendi que nem sempre são precisas cinco milhões de notas por segundo para fazer uma boa música. Nem sempre me lembro disso, mas quando estou a escrever uma

Quando ouvi “Epic Song” pela primeira vez, pensei logo: “Hey, a Taylor Swift podia cantar isto!” (risos). Tem uma vibe melódica e acessível, quase pop. Podes contar-nos mais sobre a história por detrás da música — e estavas intencionalmente a brincar com os limites de género? (risos) Epá, esta música foi tão divertida de fazer. É tão diferente. Eu chamo-lhe a minha “canção Ed Sheeran”. Queria fazer algo completamente diferente, onde a minha voz estivesse mesmo na cara das pessoas, a carregar a canção do início ao fim. Também sempre quis fazer uma música onde não tivesse de cantar de forma tão poderosa, mas pudesse relaxar um pouco mais e mostrar esse lado do meu canto. Portanto sim — esta música foi

Além do teu trabalho a solo, fazes parte dos Aries Descendant com o Jonah Weingarten. Como surgiu essa colaboração, e que espaço criativo te permite, em comparação com os teus outros projetos?

Fui guitarrista principal substituto da banda do Jonah, os Pyramaze, há uns tempos, e demos-nos logo bem. Ele percebeu o tipo de música que eu fazia e perguntoume se não devíamos fazer algo juntos só por diversão. Acabou por ser algo que sentimos que tínhamos mesmo de desenvolver, e assim nasceram os Aries Descendant. Este projeto permite-me explorar o lado cinematográfico, épico e grandioso da minha musicalidade — adoro isso. Como não consigo encaixar todos os meus interesses musicais

no meu projeto a solo, é perfeito ter estes três espaços distintos: Aries Descendant para o lado épico e cinematográfico, Defecto para o som super técnico e progressivo, e o meu projeto a solo para algo mais old-school e centrado na voz.

Os Defecto foram o teu trampolim para a cena metal dinamarquesa e internacional. Como olhas para essa fase agora, e como moldou a tua identidade como artista a solo?

Boa pergunta. A Dinamarca tem uma cena metal forte, mas o teu som vai além de fronteiras nacionais ou de género. Vês-te mais como um artista de metal europeu, ou como algo mais global e fluido em termos de género? Não sei bem. Não aponto para nada em específico — faço apenas aquilo que me apetece criar. Espero que o meu som possa eventualmente chegar a todo o mundo. Os Defecto foram e continuam a ser muito importantes para mim. Sem as oportunidades que os nossos dois primeiros álbuns nos deram (abrir para

os Rammstein, Metallica, fazer digressões europeias), não teria conseguido chegar ao público que agora ouve os meus outros projetos. Aprendi muito com os meus amigos dessa banda — e continuo a aprender.

Notei que no teu canal de YouTube tens várias covers — de Metallica a Adele. Foi difícil obter permissão para publicá-las, ou é um processo mais simples do que se pensa? No YouTube não precisas de permissão para publicar covers. O algoritmo deteta a música e assegura que os direitos são atribuídos. Se algum dia ganhares dinheiro com as visualizações, esse valor vai diretamente para o detentor dos direitos. As pessoas famosas com muito dinheiro ficam com mais dinheiro. Normal. Nas plataformas de streaming, tens de preencher formulários e pagar uma taxa mensal — felizmente pequena — para manter a cover disponível.

Em 2023, participaste na seleção nacional dinamarquesa

para a Eurovisão com a música “Freedom”. O que te motivou a entrar num palco tão diferente da cena progressiva e metal onde costumas estar?

A Dinamarca precisava de música ao vivo e de rock nesse concurso. É sempre o mesmo tipo de música. Com o tempo, tornou-se cada vez mais genérico e cheio de playback. Quis apresentar uma música tocada ao vivo, com todos os instrumentos ligados. Também quis mostrar ao público mainstream dinamarquês que o rock não é só “cornos no ar” e sangue. (É um estigma por cá.)

E eles adoraram — ganhei com 15% de vantagem na votação do público em todo o país. Infelizmente, os jurados tinham 50% dos votos e não votaram em mim.

Olhando para trás, como foi essa experiência num palco tão mainstream? Influenciou a forma como abordas a composição ou a ligação com o público?

Não teve qualquer impacto na forma como escrevo. Mas a experiência foi incrível. Todo o cenário e estrutura são incríveis, e toda a equipa foi super profissional. Estou muito contente por ter tido essa oportunidade.

E olhando para o futuro — depois de «Electric Dreams»”, que direções artísticas gostarias de explorar? Podemos esperar mais trabalho a solo, colaborações ou até algo completamente diferente?

Sim, definitivamente vem aí mais trabalho a solo. Não consigo parar de pensar em música e preciso de pô-la cá fora. Não tenho a certeza, mas penso que o próximo álbum será mais no estilo de «Electric Dreams» do que outra coisa. Algumas colaborações seriam ótimas. Taylor Swift, disseste? Vamos a isso!

“Não tenho a certeza, mas penso que o próximo álbum será mais no estilo de «Electric Dreams» do que outra coisa. Algumas colaborações seriam ótimas. Taylor Swift, disseste? Vamos a isso!

Entre o Alfa e o Ómega A-Z

Com A2Z2, o segundo álbum de originais, os A-Z provam que não têm medo de arriscar, mantendo-se fiéis à ideia central: grandes refrões, melodias memoráveis e execução de excelência. Em conversa com Mark Zonder, falámos sobre a identidade sonora da banda, a evolução desde o disco de estreia, e o que significa ser progressivo em 2025.

Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro | Foto: Stephanie Cabral

O nome A-Z é intrigante na sua simplicidade e abrangência, e sei que significa “Alder through Zonder”. Qual é o verdadeiro significado e o que pretendem transmitir com este nome?

Mark Zonde - Nenhum significado especial. Simplesmente resultou. Abrange também música sem limites, que vai de A a Z.

O vosso segundo álbum, A2Z2, carrega o “fardo” do chamado “álbum sophomore” — muitas vezes considerado o mais difícil para qualquer banda, mas também o momento em que as bandas consolidam ou redefinem a sua identidade. Sentiram essa pressão? Nenhuma pressão. Fizemos o que fazemos sempre. Olhámos para cada ideia e tentámos ser o mais criativos possível. Nunca sentimos pressão a gravar ou criar. Foi muito, muito entusiasmante começar a criar e adorámos o que estávamos a fazer.

Sentem que encontraram o “som A-Z” em A2Z2?

Sempre tivemos esse som. Sempre foi sobre grandes refrões e grandes riffs rodeados por execução criativa de alto nível. Queremos agradar tanto ao ouvinte comum que procura um refrão memorável para cantar no carro como aos músicos que procuram algo mais.

O título A2Z2 sugere continuidade e crescimento — concordam?

Um músico deve crescer sempre. Pelo menos eu sempre fiz isso na minha carreira. Olho para cada álbum como uma oportunidade para crescer e ser criativo.

Que mensagem querem transmitir com este nome e com o conceito do álbum?

Não muita. A capa deste álbum é um pouco mais agressiva e pesada do que a do primeiro. Tal como a música. Liga-se muito bem com o som.

A cena do metal progressivo tem uma base de fãs muito dedicada, mas também exigente. Como

lidam com as expectativas do público e da crítica?

Não lido. Toco, escrevo e crio para mim. Não me preocupo com os fãs. Sou o meu melhor crítico, por isso sei que, se fizer algo que gosto e acho fixe, os fãs também vão gostar. Mas toco para mim, primeiro.

Depois de tantos anos, ainda ficas nervoso antes de um lançamento?

Não. Nunca fico nervoso. Investimos demasiado tempo, energia e pensamento neste álbum. Era mais uma sensação de “porque é que isto está a demorar tanto a sair?”. Queríamos lançá-lo no minuto em que o terminámos, para mostrar a todos o quão bom achamos que é.

O rock/metal progressivo é conhecido pela complexidade e experimentação. Como equilibram a técnica com a emoção nas composições?

A-Z, como já disse muitas vezes, sempre foi sobre o refrão e os “riffs”. Continuamos a defender isso e provámos isso 10 vezes neste álbum. Depois rodeamos esses grandes refrões com excelentes execuções e partes criativas tocadas por músicos de classe mundial.

O vosso som mistura elementos clássicos do prog metal com algo mais acessível e direto. Existe uma intenção deliberada de manter os A-Z como uma banda de “canções”, em vez de apostar em longos épicos?

Absolutamente. Foi e continua a ser o objetivo: canções mais curtas, no estilo AOR comercial, mas com grande execução. Nada supera um refrão memorável. Queremos atrair um público mais vasto.

Trabalhaste em muitos projetos excelentes e com músicos muito diferentes ao longo dos anos. O que torna a química com o Ray Alder (e a formação dos A-Z) tão especial?

O Ray é um dos poucos vocalistas que canta acompanhando o groove

da bateria. Notei isso desde o início quando trabalhámos juntos nos Fates Warning. Sabendo isso, sabia que seria perfeito para esta banda.

A propósito, porque ele é um músico que conheço (e gosto muito) dos Redemption, acredito que seja novo nos A-Z — Nick Van Dyk. Por que razão foi escolhido e como correu a sua integração e contribuição para este álbum?

Tivemos de fazer algumas mudanças depois do primeiro álbum e o Nick e eu somos amigos há mais de 30 anos. Começámos a escrever por diversão e depois ele sugeriu continuarmos com os A-Z. Foi algo natural. O Nick escreveu a maior parte das ideias-base para as músicas e depois nós trabalhámos nelas juntos.

Como é o vosso processo criativo enquanto grupo? Há espaço para improviso no estúdio ou tudo é cuidadosamente planeado?

Tudo é planeado. Fazemos muitas maquetes e, quando está tudo pronto, entramos e cada um grava.

Quais foram os maiores desafios durante a produção de A2Z2? Nenhum. Quando trabalhas com profissionais que acreditam no objetivo comum, é muito, muito fácil.

Se tivessem de descrever a essência do novo álbum em três palavras, quais seriam? Refrão, pesado, melódico.

E por fim — o que se segue para os A-Z? Há planos de digressão ou outros projetos paralelos?

Estamos à procura de oportunidades para digressão, porque estamos determinados a levar esta banda para a estrada. É muito, muito importante. Simplesmente não é fácil nestes tempos. Mas estamos a insistir e a insistir.

ÁLBUM VERSUS

CORONER

«DISSONANCE THEORY»

(Century Media / Sony Music)

Três décadas! Foi este o tempo de calmaria antes da tempestade perfeita. Quando os Coroner encerraram atividades após o vanguardista «Grin» (1993), deixaram um vazio no metal técnico que nenhuma banda conseguiu preencher totalmente. O anúncio de «Dissonance Theory» trouxe consigo o peso insustentável da expectativa: como é que uns veteranos, trinta e dois anos depois, poderiam justificar o regresso sem soarem a uma mera banda de tributo a si mesmos? A resposta chega-nos em forma de uma “bofetada de luva branca” e “aço cirúrgico”. «Dissonance Theory» não é apenas um regresso; é a fina arte da relojoaria de precisão suíça. Tommy T. Baron (Vetterli) confirma, aos 58 anos, porque é um dos guitarristas mais subestimados da história. O seu trabalho aqui evita o shredding gratuito; cada nota é arquitetura. Os riffs são angulares, frios e matemáticos, mas possuem um groove orgânico que respira. Em faixas como “Symmetry” e “Renewal”, Vetterli constrói harmonias dissonantes que criam aquela atmosfera clínica e claustrofóbica, marca registada da banda, mas com uma produção moderna (mistura de Jens Bogren) que dá um peso que os álbuns dos anos 90 apenas sonhavam ter. A grande dúvida, porém, residia na integração de Diego Rapacchietti na bateria, substituindo o icónico Marky Edelmann. Diego não só cumpre, como eleva a fasquia. A sua abordagem é menos jazzística que a de Marky, mas mais poderosa e polirrítmica, criando uma base de betão armado para o baixo pulsante de Ron Royce. E por falar em Royce, a sua voz mantém aquele grunhido monocórdico e autoritário, que soa não como um vocalista de metal, mas como um narrador de um futuro distópico. O álbum brilha na sua coerência. “Sacrificial Lamb” traz ecos do «Mental Vortex», enquanto “The Law” “pisca o olho” ao industrial, mostrando que a banda não esqueceu a experimentação. Não há gordura nestes 47 minutos. É um disco seco, direto e intelectualmente estimulante. Os Coroner não voltaram para recuperar o trono, porque o trono sempre foi deles. «Dissonance Theory» é a prova de que a técnica, quando aliada a uma composição inteligente, é intemporal. Brutal, preciso e essencial.

[9.5/10] - Eduardo Ramalhadeiro

Foto: Grzegorz Golebiowski

Um murro de energia rock!

O novo álbum doe Phil X & The Drills, «POW! Right in the Kisser», demorou cerca de dez anos a ficar pronto. Ao longo deste tempo, Phil X (Bon Jovi, Alice Cooper) reuniu um verdadeiro batalhão de bateristas lendários, investiu mais profundamente na escrita e levou a sua criatividade para territórios inesperados. Nesta entrevista exclusiva, o guitarrista fala-nos sobre o processo, as dificuldades, os momentos marcantes - e até sobre as vezes em que recusou tocar certas músicas... com humor à mistura.

Olá Phil, obrigado pelo teu tempo a responder às nossas questões! Disseste que o álbum «POW! Right in the Kisser» levou cerca de dez anos a concretizar-se. Como evoluiu o projeto ao longo de tanto tempo?

Phil X - Obrigado eu, o prazer é meu!

Desenvolvi-me bastante na escrita. Por exemplo, escrevi a “Broken Arrow” depois de saber que o Chris Cornell tinha morrido — e nunca teria escrito algo assim há dez anos. Claro que há as típicas músicas punk sarcásticas dos DRILLS neste disco, mas aprofundei mais as letras e os temas noutros temas.

Uma das particularidades do álbum é ter um baterista diferente em cada música. Como surgiu essa ideia e como foi trabalhar com tantas abordagens diferentes?

A maioria dos bateristas já tinham trabalhado comigo noutros projetos, por isso havia uma relação pré-existente. Trabalhei em todos os discos a solo do Tommy Lee, por isso pedir-lhe para tocar no meu disco foi como dizer “vamos tomar um café para a semana”. Ador\o bateria. Sou péssimo na bateria, mas felizmente sou amigo de alguns dos melhores do mundo.

Cada baterista trouxe a sua personalidade. Na verdade, muitas músicas foram compostas já com um baterista específico em mente. Eu e o Daniel Spree (baixo) gravávamos com cada um deles como se fôssemos uma banda durante 90 minutos: tocávamos, experimentávamos ideias e gravávamos 2 ou 3 takes. Às vezes era “Feito! Grande trabalho! Obrigado, mano” … e depois “Próximo”.

Como geriste a logística de gravar com tantos músicos convidados ao longo de tanto tem-po? Houve dificuldades em manter a coesão do álbum?

Foi MUITO difícil. Achei que o meu som de guitarra e voz, combinado com o baixo do Dan, seria

suficiente para manter tudo coeso - mas não foi bem assim. Mesmo que tenhas três ba-teristas a usar o mesmo kit, o som muda porque cada um toca de forma diferente. Quando enviei as primeiras misturas ao nosso engenheiro de masterização, Maor Appelbaum, ele disse logo: “Isto não soa como o mesmo disco”. Fiquei muito grato pela paciência dele e pelas sugestões que nos ajudaram a transformar isto numa obra coerente. No fim, todos senti-mos que o esforço extra valeu a pena.

“A primeira vez que subi ao palco com os Bon Jovi (no New Orleans Jazz Fest, em 2011, com 50 mil pessoas), disse a mim próprio: “Estás a cantar e a tocar a vida toda. São só músicas dos Bon Jovi “ [...]

Entre todos os bateristas que participaram, houve momentos particularmente marcantes ou inspiradores?

Todos foram inspiradores à sua maneira. Uma música é só uma ideia até ser gravada — e é aí que a história ganha vida.

Lembro-me bem de gravarmos “Don’t Wake Up Dead” com o Ray Luzier e de pensar: “Isto soa tão explosivo que vai abrir o disco”. Foi mesmo assim.

Com o Tommy, ele recebeu a demo

só com guitarra e voz, fez um sample, abrandou cerca de 10 bpm e disse: “ADORO, mas o tempo certo é este”. Ainda abrandámos mais quando gra-vámos. Isso mostra o impacto que ele teve. O tempo é crucial — nem consigo imaginar essa faixa, “Fake The Day Away”, 1 bpm mais rápida.

Musical e emocionalmente, que atmosfera querias transmitir com este álbum?

Queria surpreender os nossos fãs habituais e também conquistar novos ouvintes — seja com algo novo ou com algo que os fizesse lembrar o passado. O ambiente dos DRILLS é sempre essa fusão de novidade e nostalgia.

Como te sentes ao partilhar finalmente esta “coleção muito especial de canções e vibes”?

O longo processo mudou a tua relação com o material? Obrigado por lhe chamares “coleção muito especial”. Foi mesmo esse o objetivo. É incrível ver como está a ser recebida. Normalmente, quando acabas um disco, nem queres ouvir mais uma nota — ficas exausto do processo. Com o «POW!», entro no carro, peço à Siri para tocar qualquer música do disco e ROCKO mesmo! Ouço cada faixa e penso: “WOW!! O Tico, o Liberty ou o Tichy ARRASARAM nesta”. Na verdade, todos os bateristas arrasaram. Dá-me orgulho fazer parte disto.

O título do álbum, «POW! Right in the Kisser», é bastante sugestivo. Qual é a origem e de que forma reflete o conteúdo do álbum? Ouvi essa frase numa série antiga a preto e branco. Para mim, é como um soco metafórico na cara — e é exatamente isso que a música faz. Dá um murro ao ouvinte.

Como guitarrista e produtor, como equilibraste esses papéis durante a criação do álbum? Foi diferente de outros projetos? Ser produtor e guitarrista ao mesmo tempo tem coisas boas e más, especialmente quando estás

“Cada baterista trouxe a sua personalidade. Na verdade, muitas músicas foram compostas já com um baterista específico em mente.

a gravar com a secção rítmica. O entusiasmo de tocar com os outros cria momentos mágicos — mas podes falhar detalhes importantes. Levava as faixas para o estúdio com entusiasmo, e na maior parte das vezes não me desiludia, mas notava que uma ideia para a ponte ficou por executar… ou que o padrão do bombo podia estar melhor. Felizmente, o ProTools permite recuperar algumas dessas coisas na pós-produção.

Ao longo da década que levou a fazer este disco, mudaram o teu estilo pessoal ou influ-ências? Isso refletiu-se nas canções? Acho que o meu estilo e influências não mudaram muito. Sou um tipo mais velho (risos). Sei quem sou e o que gosto. Não vou atrás de modas. Mas, como disse, aprofundei mais a escrita — e isso já estava cá dentro. Só precisei de o explorar.

O que podem os fãs esperar de ti depois deste lançamento? Há planos para digressões, colaborações ou nova música? Uma digressão seria uma grande continuação, mas hoje em dia é difícil. Tenho uma família a sustentar, por isso não posso desaparecer se não fizer sentido. E claro, tenho de ter em conta a agenda dos Bon Jovi. Temos feito alguns concertos pontuais. Ficámos entusiasmados por abrir para os Def Leppard em duas feiras no Midwest — 14 de agosto na Iowa State Fair (Des Moines) e 16 de agosto na Illinois State Fair (Springfield).

O teu trabalho com os Bon Jovi levou-te a palcos enormes em todo o mundo. Essa expe-riência influenciou os teus projetos a solo como «POW! Right in the Kisser»? Não muito. São dois mundos completamente diferentes. Um é um papel de apoio, o outro sou eu a liderar, a contar a minha história e a tocar como gosto. Claro que aprendi muito com os Bon Jovi. É uma MEGA BANDA!!! Tocámos no Estádio de Wembley. Não há nada igual. A banda é uma irmandade. Uma família. Tomamos conta uns dos outros e os fãs são os melhores do planeta.

Participaste no documentário

Hired Gun (com Kenny Aronoff e Liberty Devitto), que mostra a vida dos músicos de topo que muitas vezes estão nos bastidores. Como foi parti-lhar a tua história nesse contexto e que significado teve para ti?

O filme fez uma grande afirmação sobre os músicos de bastidores. Foi incrível fazer parte disso porque a minha perspetiva era diferente da dos outros. Sim, há semelhanças,

mas cada trabalho é único. Gravei a entrevista antes de entrar oficialmente nos Bon Jovi - foi logo depois de substituir o Richie Sambora, quando ele voltou à banda. Estas histórias falam de altos e baixos. Tragé-dias. Experiências incríveis. Mas no fim do dia… é um trabalho.

O documentário mostra bem a realidade dos músicos de sessão e digressão - talentosos, fiáveis, mas muitas vezes invisíveis para o público. Achas que o Hired Gun ajudou a mu-dar essa perceção? Acho que se alguém estava a pensar seguir esta carreira, o filme ou o fez repensar… ou mergu-lhar nela com a certeza de que podia ARRASAR. E isso é o mais importante: acreditar em ti, aconteça o que acontecer.

Já tocaste com algumas das maiores lendas do rock — de Alice Cooper aos Bon Jovi —

muitas vezes em situações de pressão. Qual foi a maior lição que aprendeste como “hired gun”? Entrar em qualquer situação com a certeza de que pertences ali. A primeira vez que subi ao palco com os Bon Jovi (no New Orleans Jazz Fest, em 2011, com 50 mil pessoas), disse a mim próprio: “Estás a cantar e a tocar a vida toda. São só músicas dos Bon Jovi. Vai lá e SÊ A ESTRELA DE ROCK que és. ARRASA!”. Não me mandaram embora, por isso acho que resultou.

Alguma vez recebeste uma música de uma banda ou músico que pensaste: “Isto é com-plicado demais” — ou até “Isto é MAU demais para eu meter o meu nome aqui”? (risos)

HAHAHA. Nunca me aconteceu o “demasiado complicado”, mas o “mau demais para meter o meu nome”… definitivamente sim.

Cresci nos anos 80 e o Richie

Sambora sempre foi um dos meus guitarristas preferidos. Quais foram os guitarristas que mais te inspiraram em miúdo — aqueles que te fizeram querer ser um mestre da guitarra?

Quando tinha 11 anos, o meu primo mostrou-me o Ted Nugent. Aprendi muitos dos seus licks. Depois veio o Black Sabbath, Led Zeppelin, Triumph e Rush. O Highway to Hell dos AC/DC esteve meses no meu gira-discos… e depois apareceu o EDWARD VAN HALEN. O EVH mudou a minha vida. Não só pela forma como tocava e escrevia, mas pela energia. Era puro FOGO e ALEGRIA. Isso ainda sou eu: FOGO e ALEGRIA. A minha vontade de ser inovador vem dele. Percebi cedo que não queria ser uma cópia — queria ser EU. Foi aí que o Theofilos Xenidis se tornou o Phil X.

A culpa é do cemitério…

#14

In Flames - Reroute To Remain (2002)

Ao olhar para a minha coleção de discos sei que serei rápido a identificar vários exemplos de bandas “polémicas”. Daquelas que começaram por agradar a gregos, e depois, com determinado lançamento, passaram a agradar a troianos. Pergunto-me se é coincidência. Serei um colecionador incauto de prazeres culposos?

Há bandas que se tornam “polémicas” não porque atentam a algum valor moral ou por qualquer associação criminosa. Quer seja justo, ou devido, a verdade é que há bandas que passam a ter o autocolante com o aviso de “polémicas” quando mudam de forma de expressão, quando se alteram, quando se diferenciam. Mesmo que mudem para que não deixem de ser eles mesmos. Pois foi mesmo assim que os suecos In Flames se justificaram perante a comunidade, sempre ela muito implacável e obstinada. O título do disco editado em 2002 era também uma alusão directa ao que estes músicos de Gotemburgo estavam a orquestrar neste momento da sua carreira. Reroute To Remain foi um momento crucial de redefinição para os In Flames, que deixaram de parte

a sonoridade que lhes estava colada ao corpo, com a qual deram nas vistas em The Jester Race (1996) e criaram o super-clássico Whoracle (1997), não esquecendo as canções de referência que deixaram registadas em Colony (1999) e Clayman (2000). Em Reroute To Remain as frequências tornaram-se mais graves, o som mais sujo e o apelo à melodia passou a ser bem mais popular. Assim deixavam para a trás a década de 90, que

bem vistas as coisas rodeou o metal europeu de conjuntos de regras muito bem definidos. Por esta altura os In Flames criaram anti-corpos e muita gente os olhou de lado, mas fizeram também com que muita gente olhasse para eles pela primeira vez.

Eu fiquei entusiasmadíssimo assim que ouvi o tema de abertura, que dá o nome ao disco. A par desta escuta li críticas que davam conta de que os In Flames regressavam com uma nova face, que se estranhava, mas que se ia infiltrando nas entranhas do nosso aparelho auditivo, até ao ponto em que se percebia que já estava espalhado por todo o corpo. Tornou-se claro que este era um disco a comprar e que vinha para a torre de CDs fazer companhia ao Whoracle. Curiosamente, gostei tanto do disco logo desde início que nem senti ardores pelas diferenças evidentes que se encontram ao dar-nos ao trabalho de o querermos comparar com discos anteriores. Admito que fiquei desconfortável quando percebi que à minha volta os mesmos que me tinham apresentado o Whoracle com louvor, e

até alguma reverência, agora tinham posto estes magníficos de Gotemburgo em um lugar que ficava praticamente fora de vista. Agora apercebome da beleza deste momento. Nunca chegou a ser uma divisão como aquela que as diferenças clubísticas criavam na altura, nem uma segregação que diferenças de opção política podem criar nos dias de hoje. Tinha e ainda os tenho, amigos gregos e troianos, e eu sempre a sobreviver, quer de um lado, quer de outro. Cá por Braga, comprei o disco na loja mais underground da cidade, a Krypta. Ficava na cave de um centro comercial pouco movimentado, mas que ainda sobrevive até aos dias de hoje. Era uma loja de paredes negras e púrpura, onde os artefactos expostos me mexiam com as energias mais negras. Mesmo assim, encontrei lá este disco que trouxe nova luz à carreira dos In Flames e os levou a paragens que eles próprios não deveriam ter em mente quando perceberam que a única saída que lhes restava era a redefinição.

Ritual

O universo de Tove Jansson

Um regresso em vinil a um dos álbuns mais marcantes do prog escandinavo Quase duas décadas após o seu lançamento original, os suecos RITUAL reeditaram em 2025 o álbum «The Hemulic Voluntary Band» — agora com nova remasterização e finalmente em vinil. Fredrik Lindqvist falou à Versus Magazine sobre esta reedição, a influência de Tove Jansson, o estado atual da música progressiva e o futuro da banda.

Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro

O álbum «The Hemulic Voluntary Band» foi lançado originalmente em 2007 e agora reeditado. O que vos levou a trazer este disco de volta em 2025?

Fredrik Lindqvist - Há várias razões: o álbum estava esgotado há algum tempo e, quando mudámos para a Karisma Records no ano passado, pareceu natural reeditar «Hemulic». Sempre sentimos que, se há um disco nosso que merece

ser relançado - e acima de tudo em vinil - é este. Todos nós crescemos com o formato LP e ele moldounos bastante. Mesmo nos tempos dos CDs, pensávamos sempre os álbuns com um lado A e um lado B. A arte da capa, criada pelo incrível artista Canelita, também foi sempre pensada para esse formato maior.

Como tem sido a recepção ao álbum hoje — tanto entre os fãs antigos como junto de novos ouvintes?

O «Hemulic» foi, até então, o nosso álbum de maior sucesso. Foi muito bem recebido por fãs e crítica em 2007. Os dois álbuns anteriores tinham sido uma espécie de desvio estilístico. Depois lançámos um duplo ao vivo em 2005 que fechou um ciclo. O «Hemulic» foi como

um recomeço criativo e emocional - tanto para nós como para os nossos ouvintes. E, a julgar pelas reações até agora, há muita gente entusiasmada com esta nova edição.

O que mudou nesta nova edição?

A tecnologia influenciou a remasterização, qualidade sonora, arte ou estrutura do álbum? Sem dúvida. Esta foi outra razão que justificou a reedição. Tivemos oportunidade de remasterizar o álbum, e o nosso engenheiro de som Hans Fredriksson conseguiu refinar a gravação de várias formas. Isso aplica-se ao CD também, mas em vinil o som ficou incrível. E como referi, sempre pensámos neste álbum como algo que devia existir neste formato.

Esta reedição é sinal de um regresso maior dos Ritual? Há planos para novo material ou mais reedições?

Sim, é uma evolução natural. O nosso álbum mais recente, «The Story of Mr. Bogd (Part 1)», foi uma espécie de reinício para nós - depois de estarmos muito tempo fora dos holofotes. Sentimo-nos gratos pela boa recepção. E relançar o «Hemulic» é consequência disso. A Karisma deverá reeditar mais discos nossos. Quanto a novo material: sim! Estamos a gravar «The Story of Mr. Bogd – Part 2», que esperamos lançar em 2026.

Desde 2007, como mudou a vossa relação com a indústria musical? Este processo de reedição levouvos a refletir sobre a forma como a música é partilhada e valorizada hoje?

Sim, a indústria mudou imensopara melhor e para pior. Mas, no nosso caso, sendo uma banda de nicho fora do circuito comercial, não sentimos tanto impacto. Nunca fizemos isto por dinheiro. É um projeto de paixão. Se alguém quer editar a nossa música, ótimo. Se ela for apreciada e nos permitir tocar ao vivo, ainda melhor. E somos muito sortudos por existir

uma comunidade internacional de Prog Rock com ouvintes atentos e curiosos. Sim, hoje tudo é streame os músicos ganham quase nada - mas ainda há muitos que, como eu, querem possuir um CD ou um vinil, algo tangível, com som não comprimido.

Como foi revisitar «The Hemulic Voluntary Band» depois de tantos anos? Algo vos surpreendeu ao ouvir com ouvidos frescos?

Sempre nos envolvemos mais com o disco mais recente, e estávamos muito imersos no álbum novo. Mas ouvir o «Hemulic» novamente foi

“Espero que os antigos fãs redescubram aquilo que sentimos ao voltar ao álbum: uma gravação aventureira, variada, feita com amor, honestidade e uma inocência quase infantil.

divertido e interessante. Estou orgulhoso de todos os nossos álbuns, mas este é especial — é um marco. Mostra o momento em que encontrámos a nossa identidade musical.

O rock progressivo mudou muito desde então. Como achas que o álbum soa junto dos ouvintes de hoje?

Vamos ver como será recebido pela comunidade prog mais alargada. Hoje o movimento está mais presente online, por isso esperamos alcançar novos ouvintes. E acho que o «Hemulic»

resistiu bem ao tempo. O prog sempre abrangeu uma enorme variedade estilística. É um ponto de encontro de tudo o que foge ao mainstream. Por isso, acredito que pode agradar a muitos novos ouvintes.

O que esperas que os fãs antigos redescubram? E para quem ouve Ritual pela primeira vez, este é o melhor ponto de entrada? Espero que os antigos fãs redescubram aquilo que sentimos ao voltar ao álbum: uma gravação aventureira, variada, feita com amor, honestidade e uma inocência quase infantil. E o som desta nova edição está melhor. Para quem nos ouve pela primeira vez, acho que é uma excelente introdução ao mundo dos Ritual.

Musicalmente, o álbum mistura prog dos anos 70, folk e psicadelismo de forma muito própria. Que influências vos marcaram na criação deste disco? Difícil nomear apenas uma banda. Ouvíamos muito Yes, Genesis, Gentle Giant, King Crimson... e adorávamos It Bites, especialmente o «Once Around the World». O Patrik é grande fã de Queen, eu sou apaixonado por Jethro Tull dos anos 70. Também nos inspirámos em música folk - europeia no geral, talvez com mais ênfase em música britânica e irlandesa, mas também persa e árabe clássica. É uma mistura feliz, e está bem presente no «Hemulic».

Ritual sempre se destacou pela abordagem teatral e cinematográfica. Concordas?

«The Hemulic Voluntary Band» foi pensado como um álbum narrativo?

Concordo totalmente. Esse lado tornou-se ainda mais forte com «The Story of Mr. Bogd». Pensamos mesmo como se estivéssemos a escrever um guião de filme. O gosto por contar histórias nasceu com o «Hemulic». Não queríamos fazer um “concept album”, mas inspirámo-nos bastante na obra da Tove Jansson. O título surgiu

“Difícil nomear apenas uma banda. Ouvíamos muito Yes, Genesis, Gentle Giant, King Crimson... e adorávamos It Bites, especialmente o «Once Around the World».

cedo, inspirado numa orquestra mencionada nos livros dela. A partir daí, foi natural basear quase todas as faixas nesse universo. É um álbum conceptual em 90%, digamos assim.

Este álbum define a identidade dos Ritual? Que lugar ocupa na vossa discografia?

Sim, sem dúvida. É o nosso quarto álbum de estúdio e marca um ponto de maturidade e confiança. Os discos anteriores foram um processo de crescimento que culminou aqui. Com o «Hemulic», deixámos de lado as pressões externas e criámos no nosso próprio mundo. Foi um regresso a casa - para nós e para os nossos fãs.

A obra de Tove Jansson, especialmente o mundo dos Moomins, está muito presente no álbum. O que vos atrai tanto nesse universo?

Todos tivemos contacto com os Moomins desde crianças. As ilustrações e personagensHemulens, Mymbles, Groke... - ficaram connosco. Mas os seus livros falam de emoções humanas com enorme sensibilidade. A aparência de conto de fadas esconde uma visão muito realista do ser humano. As suas histórias tocam-nos profundamente e foram uma enorme fonte de inspiração.

A arte do álbum é ao mesmo tempo divertida e evocativa.

Como foi concebido o conceito visual?

Quando percebemos que o álbum seria inspirado nos livros da Tove Jansson, sabíamos que a arte teria de refletir isso. Mas não queríamos usar os desenhos originais por questões de direitos e identidade visual. Então pedimos ao nosso amigo Javier “Canelita” Herbozo para fazer as suas próprias interpretações das personagens. O resultado superou tudo o que imaginámos. A capa mostranos, Ritual, como uma banda de Hemulens - a «Hemulic Voluntary Band» - e todo o livreto está cheio de ilustrações magníficas.

Ritual sempre teve uma base de fãs fiel no meio progressivo. Que papel teve esse apoio na decisão de reeditar este álbum?

Quando lançámos o «Mr. Bogd» no

ano passado, foi uma espécie de despertar. Houve muito interesse, até de novos ouvintes. Isso trouxe novamente atenção aos álbuns antigos - especialmente ao «Hemulic», que estava esgotado. A Karisma Records sugeriu a reedição, também em vinil. E fez todo o sentido.

Por fim, que mensagem gostarias de deixar aos fãs - os de sempre e os que agora vos descobrem? Esperamos que os novos fãs gostem do álbum, e que os antigos apreciem esta versão remasterizada em vinil. Estamos ansiosos por voltar a tocar ao vivo. Tocámos em muitos países ao longo dos anos, mas nunca em Portugal - seria incrível lá irmos um dia. Para já, estamos focados na gravação do «Mr. Bogd Part 2», que deverá sair em 2026. E depois disso, queremos dar muitos concertos, porque tocar ao vivo é das coisas que mais gostamos de fazer. Muito obrigado pelas perguntas e pelo interesse, Eduardo.

E da parte dos Ritual, para todos os leitores da Versus Magazine: tudo de bom!

CRITICAS VERSUS

CELESTIAL WIZARD

«Regenesis»

(Scarlet Records)

“Regenesis” marca o terceiro álbum de originais dos norte-americanos Celestial Wizard. A banda reafirma a sua identidade sonora distinta, fundindo dois estilos à partida antagónicos — o Power Metal e o Death Metal. O resultado é um conjunto de temas coesos e envolventes, fortemente influenciados pelo Death Metal melódico sueco de bandas como Dark Tranquillity. O disco destaca-se pela intensidade das guitarras de andamento galopante, assentes em riffs versáteis que combinam agressividade e melodia, enriquecidos por solos expressivos. A alternância entre guturais e vozes ásperas, aliada a uma produção sólida e a letras de forte carga imaginativa, reforça ainda mais o impacto deste álbum. O disco inicia-se com “Muerte”, uma introdução instrumental delicada e acústica, que rapidamente dá lugar a “Pale Horse”, faixa onde se manifesta de forma mais evidente o contraste entre a grandiosidade épica do Power Metal e a crueza agressiva do Death Metal. Ao longo do álbum, cada tema oferece uma experiência distinta, espiritual e emocional, explorando uma ampla e rica paleta de ritmos e sonoridades. Embora cada faixa possa ser apreciada de forma isolada, a verdadeira força da obra revela-se na sua audição integral. [8,5/10] JOAO PAULO MADALENO

VITUR

«Transcending the Self» (Deformeathing Productions) “Transcending the Self”, estreia dos VITUR, apresenta-se como um exercício de death metal técnico com uma execução sólida e coesa. O álbum evidencia uma clara preocupação em equilibrar brutalidade e complexidade estrutural, com guitarras que exploram tanto riffs densos e dissonantes como momentos mais atmosféricos, conferindo dinamismo ao conjunto. A secção rítmica mostra-se versátil, ainda que o uso evidente de triggers na bateria, sobretudo nas passagens mais rápidas, podendo ser um ponto de fricção para ouvintes que preferem um som mais orgânico. A produção é limpa e suficientemente detalhada para realçar cada instrumento, sem comprometer o peso geral. A voz, grave e agressiva, cumpre eficazmente a função de reforçar a dimensão conceptual das letras, que abordam a dissolução do ego e reflexões existenciais. Enquanto primeiro registo, “Transcending the Self” revela uma banda competente, com técnica apurada e um bom domínio das ferramentas do género. Apesar de algumas escolhas de produção discutíveis, o resultado é um álbum brutal e bem construído. “Transcending the Self” mostra que os VITUR têm não só a capacidade de competir no panorama do death metal extremo, mas também de criar uma base muito promissora para o futuro.

[7/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

SPHERE

«Inferno»

(Deformeathing Productions)

Já por aqui vos falámos dos polacos Sphere. O quinto disco de originais, “Inferno”, mostra como o death metal pode ser brutal e, ao mesmo tempo, intelectualmente estimulante. A banda mergulha diretamente na obra-prima de Dante Alighieri e transporta a “Divina Comédia” para um universo sonoro feito de riffs cortantes, bateria devastadora e vocais que oscilam entre o gutural cavernoso e a fúria rasgada. O conceito está presente do início ao fim: cada faixa parece uma descida a um novo círculo do Inferno, com mudanças de andamento que recriam a tensão, o peso e o desespero das visões dantescas. A produção é competente o suficiente para deixar cada instrumento brilhar, sem perder a crueza necessária para manter a agressividade intacta e implacável… sem espaço para respirar. Os Sphere conseguem equilibrar técnica e atmosfera: não se trata apenas de velocidade ou brutalidade, mas de criar uma narrativa musical que acompanha as letras e o imaginário literário. “Inferno” não é apenas um álbum de death metal bem tocado; é uma experiência conceptual que prova que o género ainda pode explorar novas dimensões quando se alia a uma visão artística mais ampla.

[7.5/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

XEQUE-MATE

«Entrudo»

(Larvae Records)

O que mais me dá pena ao ouvir «Entrudo» é os Xeque-Mate serem uma banda da velha guarda, formada há mais de 40 anos, e não sangue novo criado há meia dúzia de anos que tenha chegado ao panorama português do metal. É caso para dizer, onde andou esta banda este tempo todo? Dito isto, «Entrudo» é um estupendo álbum de Heavy Metal como já não ouvi há décadas. Este é um álbum repleto de grandes canções, apresentado com um metal acutilante que cativa desde os primeiros acordes, canções e lírica. Surpreso pela positiva com canções como “Corre, Corre”, “Feitiço” e particularmente o estrondoso “Talvez no Céu” - hinos imediatos - a música de uma banda não batia forte, assim, à primeira audição, desde que ouvi uma K7 emprestada, gravada de vinil, onde descobri pela primeira vez uma tal banda chamada Manowar – Sem comparações musicais com os Xeque-mate, apenas no sentimento que tive ao ouvi-la pela primeira vez. Cantado em português – e assim espero que continuem – «Entrudo» são 9 coros musicais com uma firmeza digna das grandes bandas que conhecemos de décadas, uma vibe contemporânea e refrescante, e um som marcante com letras que não nos deixam indiferentes, apresentadas pela magnífica e profunda voz de Xico Soares. Xeque-Mate surgiu nos anos 80 e reapareceu em 2007. «Entrudo» é o 4.º álbum. Para mim, o álbum do ano nacional. [10/10] CARLOS FILIPE

BEHEMOTH

«The Shit Ov God»

(Nuclear Blast)

Falar dos polacos Behemoth, como qualquer banda que constitui um pilar da história do black/death metal, torna-se um pouco chover no molhado. Não há grande coisa a acrescentar ao que já se conhece - são uma banda impossível de imitar, têm uma assinatura única e ideias controversas, no mínimo desafiadoras, quanto ao universo lírico que constroem. As incursões malignas pelas ideias do sagrado, do profano, do abençoado e do sacrilégio, do bem e do mal continuam neste álbum. O título fala por si, mas ao mesmo tempo é um pouco paradoxal pois traduz-se numa antítese do ateísmo. Deixemonos de considerações sobre o conteúdo lírico e entremos no que interessa, a obra musical. Essencialmente não há espaços vazios por preencher pois a densidade musical, a torrente de ideias, riffs, ritmos, torna a audição dos temas, um exercício de absorção afastado do trivial. E isso quer dizer por exemplo que é um álbum que se predispões a ter de ser escutado uma segunda ou terceira vez para poder ter uma interiorização mais cabal. A densidade que refiro quer também dizer que após escutar 2 ou 3 temas parece que já se escutou um álbum completo “de metal típico”, não por potencialmente causar saturação mas porque é efetivamente do ponto de vista auditivo rico, todo o espaço de frequências é carregado de energia levando este «The Shit Ov God» para os limiares do metal extremo. Em suma, é um trabalho que não vai surpreender quem já conhece estes polacos. [8.5/10] SERGIO TEIXEIRA

VERSATILE

«Les Litanies du Vide»

(Les Acteurs de l’Ombre)

Os Versatile vêm da Suíça com um black metal sinfónico e industrial a soar como um hipotético casamento entre os Dimmu Borgir da fase «Puritanical Euphoric Misanthropia» e os também suíços Samael a partir sobretudo de «Passage», mas aqui com letras (quase sempre) em francês. Esteticamente, vão beber um pouco à imagética steampunk e liricamente mesclam temas góticos, de horror, e ainda o “ennui” à maneira de Baudelaire, como em “Morphée” (“Une dose de Morphine/Pour délayer l’humeur noire”, narra-se a dada altura) ou na final “Le Mal Necessaire”. Elementos que aludem, de certa forma, àquilo que bandas como Cradle of Filth ou The Vision Bleak vêm a fazer ao longo das suas reconhecidas carreiras e assim se verifica facilmente que os Versatile não se destacam pela originalidade. Não deixam, no entanto, de despertar alguma

curiosidade, e «Les Litanies du Vide» não está propriamente mal feito, destacando-se as ambiências grandiosas e cinemáticas, embora haja capítulos menos bem sucedidos, como “Alter Ego” e “Graisse”. O que se nota faltar mesmo aos Versatile é a capacidade para compor músicas que persistam na memória; talvez seja esta a principal lacuna do colectivo suíço e daí ficarem um pouco aquém do que prometem. Em conclusão: apreciadores dos grupos atrás citados poderão aderir sem grandes hesitações à sonoridade dos Versatile; já os restantes dificilmente encontrarão aqui algo que os motive.

[6,5/10] HELDER MENDES

TESTAMENT

«Para Bellum»

(Nuclear Blast)

Eis o que me apraz dizer acerca das primeiras audições de «Para Bellum»: Ca puta de jarda! Incrível como esta banda consegue sacar um álbum fabuloso em 2025. Digo em abono da (minha) verdade que durante os 15 anos que medeiam entre o lançamento do sublime «The Gathering» e agora «Para Bellum» que um álbum de Testament não me arrancava anos de vida aos meus queridos e adorados tímpanos. Julgo não estar a cometer qualquer crime, mas desde o “Return to Serenity” que os Testament não lançavam uma balada, fazem-no agora com a fantástica e subtilmente orquestrada “Meant to be”. Duas partes bem distintas: até ao tema “Witch Hunt” é uma corrida desenfreada, puro caos, puro thrash, rápido, incisivo, melódico, potente… cinco demónios à solta, “For the love of pain” e “Infanticide A.I.” respiram as influências de Peterson no que ao Black Metal diz respeito e Chris Dovas dispara incríveis blast beats. Incrível é também Chuck Billy - ainda estou para perceber a forma como consegue alternar o timbre doce e melódico em “Meant to Be” com a fúria de exorcizar cada sílaba nas faixas mais violentas. Skolnick - tão subestimado - dispara solos que são manifestos de técnica e emoção, Peterson ergue muralhas de riffs, Di Giorgio é o colosso invisível que empurra tudo para a frente. Na segunda metade o conjunto das músicas ganha mais “swing”, deixa-nos respirar um pouco, mas apenas para voltarmos a mergulhar na intensidade inicial com o tema-título. É aí que percebemos que o disco funciona como um fio musical.

[9/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

RÄUM

«Emperor of the Sun» (Les Acteurs de l’Ombre) Aposta da LADLO desde a primeira hora, os belgas Räum lançam agora o seu segundo longa-duração. Black metal segundo as regras, vocalmente agudíssimo a recordar os Emperor de «In the Nightside Eclipse» (alguma variedade neste particular seria bem-vinda), instrumentalmente umas vezes mais atmosférico, outras mais acelerado, por vezes ambos na mesma faixa (como em “Nemo Me Impune Lacessit”), mas sem muitos motivos que se destaquem e nos agarrem. Pontualmente até ocorre algo de surpreendente (a utilização de saxofone em “Towards the Flames” e no final de “Obscure” é um desses casos); a sensação que fica, porém, é a de que muito do potencial aqui apresentado poderia ter sido mais bem explorado. É um pouco como se os Räum estivessem agrilhoados às formas e motivos habituais do black metal e não conseguissem verdadeiramente soltar-se, apesar de uma ou outra tentativa, como a já falada presença do saxofone ou o recurso a coros clean logo na faixa inicial. E lamenta-se que assim seja, pois isso permitiria transformar os Räum e, de meros bons exemplos de uma fórmula já tantas vezes usada, para não dizer gasta, poderíamos estar a falar de um produto mais excitante. Mas para isso, teremos provavelmente de aguardar pelo próximo disco. Para já, aquilo que os Räum fazem é competente e não desagrada, bem pelo contrário. Mas fica sempre aquele “amargo de boca” devido ao que poderia ter sido feito.

[7/10] HELDER MENDES

MORS PRINCIPIUM EST

«Darkness Invisiblel» (Perception)

Em 2021, um desentendimento entre Ville Viljanen, vocalista e figura central dos Mors Principium Est, e o então guitarrista Andy Gillion colocou em dúvida a estabilidade do projecto. Poucos meses depois, o regresso dos guitarristas fundadores Jarkko Kokko e Jori Haukio, acompanhado pelo retorno de Teemu Heinola no baixo, marcou uma viragem no percurso da banda. Este período de reconfiguração culminou, em Abril de 2022, no lançamento da compilação «Liberate the Unborn Inhumanity», centrada nos três primeiros álbuns do grupo. Três anos mais tarde, a banda apresenta o seu oitavo trabalho de estúdio, «Darkness Invisible». Este novo registo distingue-se claramente de «Seven», o seu predecessor, tanto na abordagem composicional como na atmosfera global. Contudo, mantém-se a essência identitária dos Mors Principium Est: a utilização de orquestrações programadas, riffs de guitarra tecnicamente elaborados e dinâmicos — ainda que menos ousados face ao legado deixado por Andy Gillion —, ancorados pelo baixo consistente de Teemu Heinola e pela bateria precisa de Marko Tommila. O resultado é um álbum que equilibra continuidade estética com uma procura evidente por renovação. Os admiradores de Mors Principium Est encontrarão neste álbum uma audição incontornável. Já para os apreciadores de death metal melódico que ainda desconhecem a banda, este trabalho constitui uma oportunidade fundamental de descobrir a sua obra, que merece ser explorada na sua totalidade.

[8/10] JOAO PAULO MADALENO

HATE FOREST

«Against All Odds» (Osmose Productions) Comecemos literalmente pelo fim, o último tema “Courage”. Existem alguns elementos estéticos no universo do metal que orbitam o básico, são propositadamente quadrados, cinzentos, óbvios, inócuos e que surpreendem não pela sua vulgaridade mas precisamente porque ao serem escutados oferecem tudo o que é suposto ouvir-se. Este tema é um exemplo disso. Ultrapassados 2 minutos de audição, é prego a fundo em direção ao infinito, com um riff de bateria que é magnificamente “quadrado” e brilha pela simplicidade. O lugar-comum de que “menos é mais”, neste tema, encaixa como uma luva. Dito (ou escrito) isto, o que há a reter deste trabalho de Hate Forest, é possivelmente o que mais próximo está da realidade cruel do pior do que o espírito humano (ou inumano?) consegue fazer, nomeadamente nas florestas, cidades e planícies Ucranianas. Este é o terceiro trabalho duma trilogia concebida por Roman Saenko (guitarrista dos Drudkh desde 2002), sendo o primeiro com bateria ao invés de ritmos programados. Não se trata de nenhuma revolução ou um tratado erudito no que diz respeito ao black metal, assenta por isso no certo e no seguro e portanto a originalidade não é o grande objetivo a alcançar por Saenko. Mas dentro do conteúdo algo previsível arrisco dizer que não é apenas mais um álbum para deixar a apanhar pó. Uma última nota para que este trabalho está disponível em streaming apenas no canal de Youtube da Osmose Productions. [8/10] SERGIO TEIXEIRA

CHRIST AGONY

«Anthems»

(Deformeathing Productions)

Após nove longos anos, Cezar, o cérebro por detrás dos Christ Agony, regressa com «Anthems». Este trabalho não entrega a negritude a mãos alheias e mantém viva a chama da trilogia que marcou o auge da banda: «Unholyunion», «Daemoonseth Act II» e «Moonlight». Aqui, a escuridão é moldada por momentos apoteóticos, passagens melódicas e subtis raios de claridade trazidos pelas guitarras acústicas. Mesmo para quem não é fã acérrimo de black metal, «Anthems» é um disco muito interessante e envolvente, que reafirma a relevância de Cezar e dos Christ Agony.

[7/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

RIVERS OF NIHIL

«Rivers of Nihil»

(Metal Blade Records)

Após 16 anos e 5 álbuns é interessante ver onde apostam as fichas, seja neste caso os norte americanos Rivers of Nihil seja outra banda qualquer, pois trata-se de um legado que pode cimentar definitivamente a sonoridade de qualquer banda ou, quiçá, poderá servir de incentivo para adoção de outros estilos, constituindo assim um corte umbilical com o passado. Neste trabalho homónimo lançado já em maio, o que temos é uma mistura de múltiplas opções que percorrem os tais 15 anos de carreira. Com influências “nu-metal” algumas pitadas de industrial passando por melodias quase ao nível de concurso miss mundo, depois vocalizações guturais, segmentos progressivos, etc., etc., o que há a registar é a capacidade de integrar tudo em 50 minutos de música, em que, pelo facto termos a tal complexidade de géneros, subgéneros e opções estéticas, a cada minuto que passa a possibilidade de causar surpresa marca presença. A partir de meio do álbum já dá para interiorizar a heterogeneidade que temos pela frente e inevitavelmente começa a instalar-se a aquiescência perante a necessidade de não estar a remar contra a corrente. Aqui o desafio é saber se tudo o que escutamos é um punhado de riffs soltos que são colados de modo a soar relativamente bem ou se é algo pensado e estruturado para se afastar do selo do óbvio e amorfo e abraçar o original. Talvez seja um mix de ambos. Onde o álbum ganha em integração e diversidade perde em definição. Podia ser (bem?) melhor.

[7.5/10] SERGIO TEIXEIRA

RAGE

«A New World Rising» (Steamhammer / SPV)

Tal como Chuck Billy dos Testament, é impressionante como Peavy Wagner consegue, ainda hoje, manter toda a sua extensão vocal. Em março de 2024, a banda comemorou 40 anos com «Afterlifelines», um duplo álbum descrito como uma celebração do legado dos Rage, que combina a energia do passado com novas experimentações sonoras. A segunda parte, «Lifeline», apresenta arranjos orquestrais e momentos introspectivos, refletindo a evolução musical da banda e a sua vontade de explorar territórios mais complexos. E o que esperar de A New World Rising? Simples: 13 temas de metal tradicional melódico, direto ao ponto, carregados de energia, técnica e criatividade – um verdadeiro portento. Aqui, não há muitos momentos para respirar: coloquem a cara de mau, preparem o pescoço e deixem os amplificadores ou colunas rebentar. Após mais de quatro décadas, Rage continua a provar que domina a arte de equilibrar peso e melodia. Jean Bormann é, sem dúvida, uma grande adição, trazendo riffs fulminantes e solos inspirados. Ao contrário do álbum anterior, sente-se um otimismo e entusiasmo contagiantes; a música respira, sem perder o impacto nem a agressividade - sendo o pináculo “Fire in your eye”.. Não é uma questão de melhor ou pior, mas de abordagem diferente, mostrando que os Rage continuam a evoluir e a surpreender. É, verdadeiramente, uma pena que não tenham ainda o reconhecimento que merecem no panorama global do metal. Um dos álbuns do ano! [9/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

KING ZOG

«Second Dawn»

(Hammerheart Records)

Os King Zog são um quarteto australiano que se estreou em 2017 num disco que prestava homenagem a grandes nomes da música de peso, tais como, Pallbearer, Black Sabbath, Windhand ou Electric Wizard. Apesar de a pandemia lhes ter atrasado os planos, e como é incrível que este acontecimento ainda mostra o seu impacto nas artes criativas, não baixaram os braços, não perderam o ânimo, e o resultado está aqui comprovado. O segundo disco, que a propósito vieram chamar de “Second Dawn”, revela uns King Zog ainda mais incisivos, com o sentimento stooner e doom bem mais apurado e por vezes ainda mais pesado, com Dan Durack [vocalista/guitarrista] a criar ganchos melódicos que prometem tornar memoráveis muitos dos temas deste novo disco. Depois de uma introdução instrumental baseada numa fórmula bem conhecida, criam intriga e entusiasmo para o que está por vir e engatam no primeiro riff telúrico.

Este tema é “Rat King” e tem nele os condimentos essenciais para uma forte canção de stoner/doom, em que para além do poder do riff, vocalizações que fazem a lua cheia brilhar, um solo que traz velocidade, tem ainda a sua extensão de mais de sete minutos, o que a torna, também, hipnótica. Daqui até ao final contem com mais de tudo isto, ora um pouco mais monótonos, ora mais inspirados como em “Hollow Man Blues” ou “Bruce Beast”, deixando para o final o grande tema título, que dita a sentença e a dúvida: voltamos a ouvir, ou ficamos por aqui?

[7,0/10,0] EMANUEL RORIZ

THE BLEAK PICTURE

«Shades of Life»

(Ardua Music)

Não raras vezes, alguns trabalhos provenientes das fontes menos expostas à luz do dia, congeminados em ambientes obscuros surpreendem-nos pela qualidade. Os finlandeses The Bleak Picture são um exemplo desse rasgo de talento e competência. Estão no ativo desde 2021 e editam este ano o novo trabalho (após um EP em 2021 e um longa duração em 2024), que nos traz uma combinação de doom e death metal. A editora sediada no Reino Unido não é uma das mais badaladas e a questão que se pode colocar é quando é que este duo transita para outras paragens editoriais. Enquanto isso, podemos escutar este trabalho «Shades of Life» que não faz da originalidade o principal trunfo, não tem apontamentos de relevo num ou noutro tema em concreto, não transborda para outros subgéneros. A junção doom/death é uma cartada que quando bem jogada permite obter resultados bastante interessantes. E portanto é por aqui que este trabalho cativa. Uma aposta segura, com o equilíbrio de todos os instrumentos e voz (sobretudo gutural) e composições suficientemente coerentes para fazer do álbum um todo estruturado e não uma possível sequência avulsa de ideias mais ou menos soltas. Com umas pitadas muito leves de psicadélico, as paisagens sonoras construídas são suficientemente cativantes para transportar o ouvinte para dimensões longe do terreno e do mundano. Para finalizar, apenas referir que o selo de qualidade “Made in Finland” é relativamente óbvio. Fica aqui a sugestão.

[8/10] SERGIO TEIXEIRA

RITUAL

«The Hemulic Voluntary Band» (Karisma Records)

Um clássico absoluto da cena prog sueca, este quarto registo de originais dos Ritual foi publicado originalmente em 2007, voltando agora aos escaparates em reedição remasterizada e, pela primeira vez, em suporte de vinil. É o disco de maior sucesso do quarteto de Estocolmo e também, talvez, o mais progressivo, embora mantenha o essencial dos traços sónicos característicos dos trabalhos anteriores, com composições inventivas e variadas, muita melodia e alguns traços de folk que emergem nas intervenções ocasionais de instrumentos como a flauta, o bouzouki e outros. Mas o que torna este trabalho especial no catálogo do grupo é que aqui a banda consegue oferecer o melhor de dois mundos: composições criativas e tecnicamente sumarentas – oiçam, por exemplo, as malhas torcidas de guitarra à moda dos Yes da faixa-título ou de “Waiting by the bridge” – mas também apelativas e memoráveis, como é o caso de “In the wild” ou “Late in november”, que remetem vagamente para os temas mais emocionais de Dream Theater e Pain of Salvation, respectivamente. Em suma, complexidade e acessibilidade em iguais doses o que torna o disco apetecível para os fãs mais exigentes de prog mas também para ouvintes casuais. As letras são a cereja no topo do bolo, explorando o imaginário dos Mumins, um fantástico universo juvenil criado pela escritora Tove Jansson, o que reveste a música de uma deliciosa envolvência entre o naíve e o psicadélico. Cativante e engenhoso em toda a linha, «The Hemulic Voluntary Band» não é, contudo – e fica desde já o aviso – um disco de metal, sendo antes um registo que se recomenda particularmente a fãs de rock progressivo dos 70s.

[8.5/10] ERNESTO MARTINS

SUN AFTER DARK «Tatkraft»

(Hammerheart Records)

Benjamin König, figura de relevo dos extintos Lunar Aurora, decide criar um trabalho exclusivamente de estúdio e temos então o álbum «Tatkraft» onde o Inglês e o Alemão se misturam para dar corpo ao conteúdo lírico. Julgo que se trata de um trabalho que se presta a múltiplas audições quer seja com música de “background”, quer seja puramente como tempo de lazer. É daqueles trabalho que tem um rumo e fio condutor, sendo portanto quase pecaminoso carregar nos botões de “stop”, “pause” a meio da audição. É deixar a música fluir por ela própria e encarregá-la de tomar conta dos altifalantes, dos auscultadores e do tempo de audição. Depois, no final, pensa-se no resto. Sendo um álbum “pesado” onde não há dúvida que bateria, guitarras e vozes colocam a música “pop” do lado oposto da galáxia, escutamos canções mais ou menos marcadas por black metal, mais ou menos melódicas, ligeiramente tocadas por algum death metal, trata-se de um trabalho que resiste a carimbos fáceis. Tem como característica principal a vertente cinemática - quem conhece os noruegueses Vulture Industries, o conceito do trabalho aqui é o mesmo. Com paisagens sonoras marcadas pelo melódico, às vezes ligeiramente a resvalar, pode dizer-se, para o vulgar, mas salvas a tempo por detalhes: um riff, uma ideia diferente na sequência melódica, etc. Muitos destes resvalares têm a ver com as vocalizações que não são sempre suficientemente acutilantes, quase entediantes. Ignorar este «Tatkraft» dos Sun After Dark não é opção.

[8.5/10] SERGIO TEIXEIRA

EARTH DRIVE

«Light Codes»

Raging Planet

Quatro anos após «Helix Nebula», os Earth Drive regressam com «Light Codes», um álbum que confirma a maturidade e o talento desta banda do Montijo. Mantendo a identidade cósmica e introspectiva que os caracteriza, o grupo aprofunda aqui a misteriosa vertente atmosférica e melódica, sem perder o peso e a densidade que sempre definiram o seu som. Comparado com «Helix Nebula», este novo trabalho soa mais coeso e orgânico, com uma produção cristalina a cargo de Fernando Matias, que realça cada detalhe e cria espaço para a música respirar. As guitarras de Hermano Marques continuam a tecer paisagens espaciais, enquanto a voz de Sara Antunes guia o ouvinte por entre momentos de força e contemplação — uma dualidade que é já marca registada dos Earth Drive. Faixas como “The Bridge” e “True Passage Into the Void” ilustram bem esse equilíbrio entre peso e transcendência, enquanto “Light Codes” reforça a ideia de viagem interior e expansão de consciência. O álbum é coeso, imersivo e transmite uma sensação de profissionalismo raro no panorama nacional. «Light Codes» não procura reinventar a roda, mas antes aperfeiçoar o universo que os Earth Drive vêm construindo há quase duas décadas. É um disco que cresce a cada audição, envolvente e emocional, uma verdadeira surpresa. [7.5/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

BONGINATOR

«Retrodeath»

(Testimony Records)

Bonginator é um coletivo germinado nos EUA, mais concretamente Boston, lançam neste ano o 2.º álbum da carreira, assente em death metal temperado com synthwave. Uma mistura que não tendo ainda um número considerável de porta-bandeiras, tem nesta banda uma configuração que aponta para uma possível evolução e/ou expansão desta mistura de influências. O título do álbum «Retrodeath» sumariza exatamente essa junção de estilos. Naturalmente, inventar uma receita nova é sempre um passo arriscado mas este trabalho traz consigo apontamentos interessantes. Desde logo a vertente death metal está apetrechada com as sonoridades mais pesadas da praça. Se fossem retirados os elementos synth da equação, o álbum valia só por si como um concentrado interessante de riffs pesados e vocalizações rasgadas.

Os elementos eletrónicos são esparsos mas dão o toque adicional que diferencia e traz a novidade para este campo. A inspiração destes elementos synth é extraída dos videojogos e mística auditiva dos filmes dos anos 80 como é apanágio do synthwave. Naturalmente alguns puristas do death metal americano ouvirão este álbum e perguntar-se-ão o que raio está a acontecer e como é possível este sacrilégio auditivo. Mas com um pouco mais de espírito eclético dá para perceber que há aqui mais qualquer coisa do que apenas uma infeliz combinação. Para além disto, ainda dá para escutar alguns segmentos mais industriais “clássicos” ao longo deste trabalho. [7.5/10] SERGIO TEIXEIRA

EVOKEN

«Mendacium»

(Earsplit)

Se há género musical que porventura mais se presta a audições quase sempre terapêuticas por altura dos abraços outonais é o doom. E, felizmente, vão aparecendo ou ressurgindo intérpretes nesta área que não desiludem. Estes Evoken já andam a lançar as atmosferas sombrias do funeral doom acompanhado de death metal desde finais da década de 90. Poderia ser apenas um álbum para lançar para o caixote do “mais do mesmo” porém, não há neste «Mendacium» traços de vulgaridade. O que é extraordinário. As composições obviamente vão sempre por terreno conhecido, sem fugir dos conceitos estéticos sólidos destes recantos sonoros (death/doom), mas a escolha de melodias, transições, texturas, cores e respetiva ausência, é muito, mesmo muito feliz. As comparações são sempre uma zona questionável para estabelecer críticas, porém não deixo de trazer para aqui, trabalhos, por exemplo, dos franceses Monolithe como denominador de comparação. A qualidade e o trabalho final seduzem desde o primeiro minuto, num conjunto de 8 temas que seguem um fio condutor conceptual de um monge do séc. XIX em fim de vida, atravessando os seus dias finais por entre sofrimento e desesperança. A história é superiormente refletida na expressão sonora de todos os sentimentos associados: clausura, insegurança, a inevitabilidade do ocaso, etc. Em suma, estes norte-americanos voltam a tratar muito bem o death/doom e a recomendação é de escutar pelo menos uma vez este trabalho.

[9.0/10] SERGIO TEIXEIRA

HELLOWEEN

«Giant & Monsters»

(Reigning Phoenix Music)

Eles são Gigantes, eles são Monstros. «Giants & Monsters» é o 17.º álbum de estúdio e uma celebração dos 40 anos da banda. Quarenta anos de power metal… e ainda conseguem soar como se tivessem 20. Passo logo às partes que menos me agradam: confesso, que a produção da bateria continua a irritarme um pouco. É como se o talento de Dani Löble, um dos melhores bateristas do género (como prova o mais recente «Live at Budokan» ), tivesse ficado preso numa nuvem de click track e compressão excessiva e “A Little Is a Little Too Much” é aquele momento em que a banda decidiu experimentar pop mas a experiência saiu… “too little…”. No entanto, os momentos altos compensam, de sobremaneira estes devaneios menos conseguidos. “Giants on the Run” é um aviso: cuidado, caríssimos, os Helloween estão de volta e mais rápidos do que nunca! Segue-se “Savior of the World”, onde Kiske prova que a sua voz continua… magistral. Os devaneios mais conseguidos continuam até ao final, com riffs épicos e melódicos, pura adrenalina e, como sempre, a pitadinha de humor não podia faltar… vá, não esquecer habitual baladinha: “Into the Sun”. «Giant & Monsters» mantém a habitual energia e identidade clássica da banda, transportando-nos de 1987 direto para 2025 sem nos fazer sentir muito deslocados. Em suma, é a fina arte de enquadrar e gerir 3 vocalistas e 3 guitarristas de topo. Eles continuam Gigantes, eles continuam Monstros.. [8.5/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

AMORPHIS

«Bordeland»

(Reigning Phoenix Music)

Confesso que «Borderland» não foi um álbum que me conquistou à primeira. Os Amorphis são uma das minhas bandas de eleição e, talvez por isso, a expectativa fosse alta — mas este é daqueles discos que “primeiro se estranham, depois entranham”. À medida que as audições se acumulam, o álbum vai-se revelando como uma obra profundamente melódica, envolta numa melancolia doce e elegante que só eles sabem criar. Produzido pela primeira vez em colaboração com Jacob Hansen, o som de «Borderland» é cristalino e equilibrado, respeitando o ADN da banda mas com um toque moderno e mais acessível. As orquestrações sintetizadas, subtis mas eficazes, dão corpo a momentos como “Tempest”, enquanto “Bones” representa o equilíbrio perfeito entre o peso e a melodia — a essência do que me fez apaixonar pelos Amorphis. “Light and Shadow” é simplesmente fantástico, daqueles temas que ficam na cabeça, e “Despair” o semi-épico que encerra o álbum com a beleza triste e gelada que define tão bem o espírito do grupo. Pode não ser o trabalho mais imediato do sexteto finlandês, mas é, sem dúvida, um dos mais coesos e emocionais. «Borderland» cresce a cada audição e mostra uma banda que, após 35 anos, continua a evoluir sem perder identidade. No fim, fico com a sensação reconfortante de que os Amorphis continuam a soar a Amorphis — e isso, para mim, vale tudo.

[9.0/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

SPIRALIST

«Violent Feathers»

(Raging Planet)

«Violent Feathers», o terceiro álbum dos Spiralist, é uma obra intensa e cinematográfica, que mergulha sem rodeios em experiências de trauma e vulnerabilidade, refletindo o percurso pessoal de Bruno Costa em terapia. Embora este género não seja exatamente do meu gosto, não se pode negar a competência da produção: Daniel Valente e Ricardo Borges criaram um espaço sonoro denso e detalhado, onde cada elemento - da bateria de José Soares aos arranjos de violino de Graça Carvalho - tem o seu lugar. O álbum navega por territórios complexos, do metal industrial ao shoegaze, do mathcore ao noise, mantendo uma coesão inesperada. Em “Closure”, a calma e os violinos criam uma pausa na intensidade do disco, terminando numa apoteose de ruído controlado, quase catártico, que reforça a dualidade da obra. Com colaborações que incluem trompetes, vocais adicionais e manipulação sonora, Violent Feathers evidencia o cuidado técnico e artístico por detrás de cada faixa. Não é um disco imediato nem feito para todos os ouvidos, mas a banda demonstra aqui talento e maturidade, explorando uma narrativa emocional forte e coesa. No entanto, definitivamente, não é mesmo do meu gosto pessoal - pleonasmos à parte. [7/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

PINCER CONSORTIUM

«Geminus Schism»

(Deformeathing Productions)

Ora cá está um álbum de estreia dos novinhos - mas não assim tão novinhosPincer Consortium. Passando a explicar, o irlandês Pete Dempsey e o polaco Maciek Pasinski, artistas já batidos nestas andanças da música, juntaram-se para formar os Pincer Consortium. Apesar de «Geminus Schism» ter já um ano de vida, pela sua qualidade, justifica umas palavras porque o disco é extremamente complexo a todos os níveis. À parte de ser um álbum conceptual, mergulhado numa narrativa dualística que explora conflito metafísico e fragmentação interior, a musicalidade progressiva segue também por um caminho igualmente complexo misturando death, black, doom, industrial (...e chega!). O artwork é fantástico e a história contada pelas letras eleva a complexidade de todo este conceito que é «Geminus Schism». Todas estas vertentes poderiam facilmente descambar para a chatice ou para a “sobreprodução”, tornando tudo isto um “monte cheio de nada”. No entanto, isto é feito por malta já com bastante tarimba e «Geminus Schism» é uma “pérola” perdida que pode facilmente ter passado despercebida.

[8/10] EDUARDO RAMALHADEIRO

HAXPROCESS

«Beyond What Eyes Can See» (Transcending Obscurity Records)

Este é mais um colectivo a explorar o que continua a ser um dos nichos mais estimulantes da música extrema: o do death metal progressivo. Como primeira aproximação pensem na abordagem de classe dos Blood Incantation mas sem a faceta vintage e com a sonoridade negra e brutal duns Morbid Angel. Os Haxprocess não ostentam curriculum comparável a nenhuma destas formações, mas o que têm para oferecer não os posiciona muito longe em termos de talento criativo. Este quarteto da Florida já deu sobejamente nas vistas em 2023 quando lançou de forma independente «The Caverns of Duat», um surpreendente trabalho de estreia, fortemente marcado por influências do estilo técnico dos Atheist. Este segundo álbum é, no entanto, uma besta razoavelmente diferente. A música não depende de estruturas tão evidentes e a composição subiu alguns furos na escala da complexidade. A nova aposta passa por malhas mais brutais e blast beats frequentes, mas com tudo muito bem integrado em construções progressivas bem engendradas que nunca chegam a soar excessivamente caóticas. Em apenas quatro temas, com duração a variar entre os 9 e os 13 minutos, a banda descarrega uma enchurrada fluente de riffs death, entrecortados por partes atmosféricas e leads, ora dissonantes, ora inesperadamente melódicos e limpos, das guitarras de Shane Williamson e Lothar Mallea. E desta vez até houve tempo para uma feliz incursão em território black metal no tema “Sepulchral void”. «Beyond What Eyes Can See» pode não ter beneficiado da inspiração patente no disco anterior, mas não deixa de ser um trabalho com muito para desfrutar, a ponto de manter vivo o interesse mesmo ao fim de várias audições – fenómeno cada vez mais raro com os lançamentos actuais.

[8.5/10] ERNESTO MARTINS

KHNVM «Cosmocrator»

(Testimony Records)

Este começou por atrair a minha atenção por se tratar dum trabalho que explora a perene tensão entre racionalidade e misticismo, inspirando-se para o efeito na reflexão mordaz que o saudoso Christopher Hitchens deixou para a posteridade no clássico do Novo Ateísmo “God is Not Great – How Religion Poisons Everything”. Acabei por não ter acesso às letras e não satisfazer a curiosidade, mas depois foi a música que me agarrou. É que, sem sair da fórmula standard do death metal old school «Cosmocrator» (termo antigo que tanto pode referir o demiurgo criador como o diabo) tem qualidades que lhe podem assegurar um tempo de vida superior a meia dúzia de audições: um equilíbrio ponderado entre descargas brutais e momentos introspectivos, segmentos inesperados feitos de riffs torcidos, bem esgalhados (“Mercurial remnants”), fraseados de guitarra que ficam no ouvido (título-tema), malhas pontuadas, envolvidas, de thrash técnico (“Venom spawn”) e até inusitadas melodias inspiradas no folk asiático. Neste quarto registo o multi-instrumentista Obliterator (Showmik Das), originário do Bangladesh mas sediado na Alemanha, optou por uma abordagem menos apressada (em comparação com o anterior «Visions of a Plague Ridden Sky», de 2023) e uma composição mais apurada e musical, sem com isso comprometer a imagem sónica da banda. A qualidade é que é um pouco inconstante e os 45 minutos do disco acabam por saber a pouco. Em suma, «Cosmocrator» não é de maneira alguma um trabalho único, mas tem o suficiente para chamar a atenção e para sobressair, nem que seja marginalmente, do manancial de trabalhos do mesmo género que nos chegam às torrentes todos os anos.

[6.5/10]

O regresso… duas décadas depois

O guitarrista japonês Tak Matsumoto, também conhecido pelo seu trabalho com os B’z, regressou em 2024 com um novo álbum dos TMG, intitulado «TMGII». A formação inclui novamente Eric Martin (Mr. Big) e Jack Blades (Night Ranger), e desta vez com Matt Sorum (Guns N’ Roses, Velvet Revolver) na bateria. Conversámos com Tak Matsumoto sobre este regresso inesperado, colaborações especiais e o futuro da banda.

Entrevista: Eduardo Ramalhadeiro

Olá, Tak! Antes de mais, obrigado pelo teu tempo a responder às nossas perguntas. O disco já saiu há algum tempo mas como têm sido as reações da crítica e dos fãs até agora?

Tak - Têm sido muito boas! Estou contente por ver que o álbum está a chegar a tantas pessoas e a ser bem recebido tanto no Japão como fora.

Vamos começar com a grande pergunta — o que vos levou a regressar aos TMG passados 20 anos?

Estávamos todos ocupados com os nossos próprios projetos. O Jack com os Night Ranger, o Eric com os Mr. Big… Não decidimos fazer isto porque tinham passado 20 anos — simplesmente o momento certo surgiu agora. Em 2023 estive ocupado com o 35.º

aniversário dos B’z, e queria fazer algo diferente no ano seguinte. Contactei-os há três anos e disse: “E se nos voltássemos a juntar depois de tanto tempo?”

Foi algo planeado, ou surgiu naturalmente ao reconectar-se com o Eric e o Matt?

Surgiu naturalmente. Já conhecia o Eric há algum tempo, e ele levou o Jack a um concerto nosso em

2003, em São Francisco. Quando partilhei a ideia de formar uma banda com músicos internacionais, ambos ficaram entusiasmados e aceitaram logo.

Este novo álbum conta com o lendário Matt Sorum na bateria. Como surgiu essa ideia? Sempre foi a primeira escolha?

Foi o Jack que nos apresentou. Curiosamente, o Matt chegou a gravar uma demo com os B’z nos anos 90, em Los Angeles. Mas desde então não nos tínhamos voltado a ver — foi um grande reencontro.

Apesar da excelente química na banda, os TMG lançaram apenas dois álbuns — com 20 anos de intervalo. Sempre foi para ser um projeto pontual ou houve planos que não se concretizaram?

Foi mesmo uma questão de timing. Com o fim das celebrações dos 35 anos dos B’z, pensei que era a altura ideal para voltar a pegar neste projeto.

Sendo tu quem compõe e produz, como é que o resto da banda contribui para o processo de criação? Dão ideias para letras, arranjos, ou focam-se na interpretação?

Eu compus todas as músicas, e o Jack e o Eric escreveram as letras. “The Story of Love” e “Guitar Hero” são auto-versões de músicas que escrevi para outros artistas — eles criaram novas letras para estas. As restantes canções foram escritas de raiz para os TMG. Comecei a trabalhar nas demos no final de 2023. O Jack e o Matt vieram a Los Angeles em março para gravarmos a secção rítmica. O Eric gravou as vozes em junho, durante cerca de duas semanas.

“Eternal Flames” e “The Story of Love” incluem vocalistas femininas - colaborações inesperadas mas poderosas. Como surgiram estas parcerias? Já tinhas em mente vozes contrastantes ou foi algo espontâneo?

A ideia de incluir as BABYMETAL

Estou contente por ver que o álbum está a chegar a tantas pessoas e a ser bem recebido tanto no Japão como fora.

surgiu logo desde o início. Falei com elas, mostraram-se interessadas, e avançámos. Achei que “Eternal Flames” era perfeita para elas, por isso criei novas melodias. Acabámos até por atuar juntos em festivais, televisão e no concerto final. No caso da LiSA, escrevi “The Story of Love” originalmente para ela. Quando decidimos fazer uma auto-versão, achei que seria ótimo se ela participasse - e aceitou. A LiSA tem uma enorme base de fãs no Japão, e as BABYMETAL são ouvidas em todo o mundo, por isso espero que o álbum chegue ainda mais longe.

As tuas influências vão do blues e jazz ao hard rock. Há algum estilo musical que gostasses de explorar e ainda não o tenhas feito?

Claro - há sempre algo novo. Gosto de ouvir o que se faz noutras áreas e absorver o que me inspira ou pode ser útil.

“Guitar Hero” encerra o álbum. Quem é o teu verdadeiro herói da guitarra? Que guitarristas mais te influenciaram?

O Michael Schenker teve o maior impacto em mim. Ouvia muito hard rock dos anos 70 e 80, mas a música japonesa também me influenciou bastante.

Tens uma carreira tão rica, mas continuas a criar música com a energia de quem está a começar. O que te motiva a pegar na guitarra todos os dias?

Quero continuar a criar algo novo sempre que possível. Mesmo em digressão, não gosto de depender apenas das músicas antigas — quero tocar material novo. Para a próxima digressão dos B’z, espero que o álbum que estamos a preparar seja o centro do espetáculo.

Como vês o sucesso dos TMG e das bandas japonesas fora do Japão?

Expandir internacionalmente é algo que te interessa?

Este regresso depois de 20 anos fez-me perceber que vale a pena continuar. Quero criar mais material novo com os TMG.

Há alguma possibilidade de vermos os TMG ao vivo fora do Japão?

Uma digressão europeia está nos planos?

Ainda não temos nada planeado, mas se surgir a oportunidade, adorava fazer uma digressão com este grupo novamente.

E, por fim - Há algum artista, vivo ou não, com quem ainda sonhas colaborar?

Há vários, mas destacaria o Edward Van Halen e o Jeff Beck. Gostava que tivessem deixado ainda mais música para o mundo.

Os nossos leitores já conhecem Kesys, porque eu entrevistei o Jeff sobre este projeto musical. Mas não conhecemos Tassi. Portanto, vamos começar por aí.

- O que nos podes dizer sobre a história da banda e os seus membros?

Dryad – Estou muito contente com esta entrevista. Tassi é o meu projeto pessoal, que criei no dia do meu aniversário em 2020. Agradeço ao meu agente – o William – a oportunidade de fazer este split com Kesys. Ele e o Jeff são duas pessoas extraordinárias.

- O que tens para nos dizer sobre a discografia deste projeto?

Dryad – Tassi nasceu do EP «Leave·Abhassara Deva» de Bliss Illusion, o meu projeto inicial. Queria explorar essa faceta da história de uma forma mais profunda. Já o tinha feito com «Northland». No início deste ano, lancei «Idamon Novasah-Liva», que é uma espécie de lançamento isolado de Northland, tal como este split. É uma espécie de demanda secundária, uma daquelas que nos fazem esquecer de que pretendemos salvar o mundo.

- Quais são as principais características do som do teu projeto?

Dryad – Gosto das sonoridades quentes e das linhas melódicas harmónica. Jónsi, de Sigur Rós, sempre exerceu uma forte atração

O split da união

Jeff e Dryad – vindos de partes do mundo bem distintas –confluem no split que é o objeto de reflexão desta entrevista.

Entrevista: CSA

sobre mim. Não tenho a sua voz maravilhosa, portanto procuro muito simplesmente exprimirme recorrendo a notas cheias de vibrações quentes.

- Quem compõe a música e escreve as letras?

Dryad – Eu faço tudo isso. O processo desenrola-se de uma forma natural, com muita fluidez.

- Tens algumas referências especiais, outras bandas que te inspirem?

Dryad – Dentre as minhas principais influências, destaco Lifelover (Kim Carlsson), Nocturnal Depression e Jónsi, é claro. As suas obras marcaramme profundamente. Desde que comecei a dedicar-me à música, fui influenciado por numerosas bandas de Black Metal: Gorgoroth, Bethlehem, Emperor, Celtic Frost, Silencer… uma lista longa.

- A que se refere o nome do projeto?

Dryad – Tassi é o nome do protagonista masculino do meu romance, que é um bardo. A heroína chama-se Uni. Todas as canções dos meus álbuns vivem da trama desta história pessoal.

O principal tema desta entrevista é um split que conjuga temas de Kesys e de Tassi.

- Como nasceu a ideia de fazer este lançamento conjunto?

Jeff – Se não me falha a memória,

a ideia surgiu de uma conversa com o William, do Sholomance Webzine. Penso que até foi ele que me falou disso pela primeira vez, mas não tenho a certeza. Nessa época, estava em contacto direto com o Dryad, que falou do seu grande desejo de concretizar este projeto. Fiquei logo encantado com a ideia, porque aprecio muito o seu universo (quer Tassi, quer Bliss Illusion). Temos em comum o gosto pela música contemplativa, logo pareceu-nos evidente que devíamos associar Tassi e Kesys. - Como esse organizaram para fazer este split?

Jeff – Cada um compôs três temas. Não definimos previamente nenhuma direção musical precisa, preferimos ter uma total liberdade criativa. Pretendíamos que o resultado final refletisse de forma plena a identidade de cada um dos projetos.

Dryad – Discutimos vagamente a ideia de que queríamos criar algo que fosse acústico. Enviamos as composições ao William, que as organizou da forma que aparece no split. Não queríamos que tivesse uma parte de Kesys e uma parte de Tassi: queríamos que os dois universos se entrecruzassem.

Ao ouvir o split apercebemo-nos de que o som dos dois projetos é diferente. Mas há algo que os une. Onde veem esse “algo”?

Jeff – Demos ao split o título «Sky Asset», o que significa: os deuses recompensam abundantemente aqueles que se comprometem a fundo. Apesar de os nossos universos serem diferentes, partilhamos o gosto pela música contemplativa e mística. Esse título ilustra a nossa forma de fazer música e a profundidade desta colaboração, em que os nossos dois universos diferentes se unem numa visão comum da música.

Dryad – Foi o William que criou o título do split combinando as letras dos nomes dos dois projetos. Essa ideia reflete plenamente a ideia de encontro entre dois mundos/ planetas. A tradução em chinês não é exata, constitui uma espécie de extensão desse “algo”.

O Jeff é excelente na guitarra. Querem comentar esta afirmação?

Jeff – Excelente parece-me um qualificativo um tanto exagerado. Eu diria que me dedico muito a esse instrumento e que, como acontece sempre nessas circunstâncias, vou melhorando aos poucos.

Dryad – Gosto imenso do trabalho que ele faz em Kesys. Descobri-o graças ao meu agente. Já conhecia The Great Old Ones, mas sinceramente prefiro Kesys.

E a quem pertence a bela voz que se ouve sobretudo na segunda faixa de Tassi? [Fez-me pensar em Alcest na versão atual.]

Dryad – É a minha. Obrigado pelo elogio.

“ […] Apesar de os nossos universos serem diferentes, partilhamos o gosto pela música contemplativa e mística.

Mais uma vez os títulos das canções de Kesys fazem alusão ao espaço sideral. Podes elucidarnos, Jeff?

Jeff – A primeira faixa – “Crossing Paths” – refere-se às pessoas com quem nos cruzamos na vida e que nos fazem progredir. A segunda – “A Distant Glow” – fala das esperanças e dos sonhos ainda inacessíveis, mas a caminho de se realizarem: por exemplo, quando trabalhamos afincadamente para fazer um álbum ou para preparar um concerto. A terceira – “The Hollow Between Us” – evoca a maior rutura amorosa que vivi até agora e ajudou-me a fazer o luto desse processo. Portanto, como podes ver, o tema central não é propriamente o espaço. Gostaria de referir que sou acompanhado pelo Boris Doussy – que me emprestou a sua voz – e pelo baixista Benoît Gateuil, o que melhorou imenso o meu contributo para este split.

E a que se refere o título da faixa de Tassi: “Arissa”?

Dryad – É um astro dotado de uma beleza particular: caloroso, misterioso, capaz de fazer nascer em mim uma grande serenidade.

Sei que a capa do lançamento é um quadro do Jeff: agora conheço bem o seu estilo. Que relação existe entre este trabalho plástico e o split?

Jeff – Nele vemos planetas a entrecruzarem-se. Representa a mistura de diversas energias para dar origem a uma só. Vejo esta tela

como uma explosão de ideias que se concretizam. Em suma, este quadro simboliza a criação.

Tassi tem uma editora? Ou vais recorrer às mesmas estratégias que Kesys para dares a conhecer a tua música?

Dryad – Tenho a minha própria editora na China e alguns dos meus álbuns contam com o apoio de duas editoras francesas: Anesthetize et Time Tombs. O meu outro álbum – «Idamon Novasah Liva» - foi lançado pela editora italiana Dusktone, graças à iniciativa do meu agente, o William.

Pretendem fazer concertos?

Se sim, que tipo de locais vão escolher?

Jeff – Já estamos a ensaiar para retomar os concertos em 2026.

Todos os locais me agradariam: salas de concertos, igrejas, lugares de exposições... Para projetos desta natureza, as possibilidades são mais alargadas.

Os dois projetos têm já música nova na forja?

Jeff – Para já, não. Mas há certamente surpresas reservadas para o futuro.

Dryad – Continuo a criar regularmente novos álbuns e no futuro todos terão acesso a eles em plataformas como o Spotify e o Bandcamp.

PALETES

Corpus Offal - «Corpus Offal» (EUA-Texas, Death Metal) | O fim inesperado de Cerebral Rot veio após dois álbuns de culto. De forma igualmente expedita, um novo organismo malcheiroso surgiu no seu lugar, CORPUS OFFAL. Uma autópsia alucinante de Death Metal, Gore e Deathgrind, os grooves discretos, com faixas discordantes e um ruído midtempo do tempo dos Cerebral Rots. O LP de estreia está aí! (20 Buck Spin)

Lucifer’s Child - «The Illuminant» (Grécia, Black Metal) | Os metaleiros de atmospheric black gregos LUCIFER’S CHILD lançam o terceiro álbum de estúdio intitulado «The Illuminant». Depois de um sono de sete anos em que, LUCIFER’S CHILD escorregou após o seu último disco, o quarteto grego desperta o fogo que nunca deixou totalmente de arder ou de espantar. O álbum marca uma profunda evolução no som, aspirando a “uma viagem mais profunda ao abismo e às emoções, onde o extremo encontra o melódico. (Agonia Records)

Black & Damned - «Resurrection» (Alemanha, Heavy/Power Metal) | BLACK & DAMNED cresceram juntos como uma unidade e «Resurrection» é um ferro consistentemente quente, forjado por cinco metaleiros puro-sangue. Os músicos Michael Vetter (guitarra e baixo) e Roland Seidel (voz), decidiram tornar-se ativos juntos durante a fase sombria do lockdown mundial. Duas “almas perdidas” fundiramse numa unidade fervorosa. (All Noir)

Midnight Vice - «Midnight Vice» (EUA-Florida, Heavy Metal) | Midnight Vice é uma banda de NWOTHM (New Wave Of Traditional Heavy Metal) oriunda das profundezas da cena underground do metal, de Tampa. Flórida. Com um som que presta homenagem às lendas da era do metal dos anos 80, eles combinam riffs esmagadores, vocais altos e solos de guitarra flamejantes para criar um som que é familiar e fresco. (All Noir)

Overdrivers - «Glory Or Nothing» (França, Hard Rock) | OVERDRIVERS tem rasgado as Terras do Norte como um comboio desgovernado. Nascidos do nada e alimentados pela rebeldia do rock puro, esses quatro roqueiros contundentes trazem o tipo de trovão que só os amplificadores Marshall podem oferecer. Agora, OVERDRIVERS prepara-se para lançar a sua arma mais poderosa: «Glory Or Nothing». (All Noir)

Lhaäd - «Beyond» (Bélgica, Black Metal) | Oriundos da próspera cena do black metal belga, os LHAÄD fazem parte do estimado coletivo Nox Entity, que também inclui nomes como Entartung, Rituals of the Dead Hand, e Wolven. Para começar a entender LHAÄD, é preciso dissecar o apelido fonético e visual único da banda: um anagrama de “hadal”. A zona hadal, também conhecida como zona hadopelágica, é a região mais profunda do oceano, situada dentro de trincheiras oceânicas. O nome vem de Hades, o antigo deus grego do submundo. Apropriadamente, LHAÄD traz a mesma escuridão vasta, como se eles fossem capturar e levar para o fundo do oceano. «Beyond» é o terceiro álbum da banda, o vazio infinito de possibilidades. (Amor Fati)

Osgraef - «Reveries Of The Arcane Eye» (Internacional, Black/Death Metal ) | «Reveries of the Arcane Eye» é a estreia dos OSGRAEF, e mostra um ataque desenfreado do black / death metal, firmemente enraizado na tradição dos parâmetros do género sonoro, estético e filosófico. Concentrando-se no luciferianismo, «Reveries» permanece como um testemunho da veneração profana e adoração do poderoso destruidor e libertador. OSGRAEF ficar sozinho como uma força singular de magia negra gnóstica black / death. Salve Lúcifer! (Amor Fati)

The Great Sea - «Noble Art Of Desolation» (Alemanha, Atmospheric Black Metal) | À medida que o mundo se torna mais moderno a cada segundo, The Great Sea tenta manter algo querido que parece desaparecer: a origem da humanidade na sua forma mais primordial, com o peso de aeons nas costas. O seu disco de estreia brilha através da geada, das folhas caídas e das ondas inquietas. «Noble Art Of Desolation» é uma jornada para se encontrar enraizado de volta onde a humanidade pertence: casa. (AOP Records)

Imperial Triumphant - «Goldstar» (EUA-New York, Avant-garde/Technical Black/ Death Metal) | «Goldstar» pega nos eternos nova-iorquinos, na exploração do extremo e arcano, dos IMPERIAL TRIUMPHANT. Embora o triunvirato tenha expandido a linguagem da música extrema, através da improvisação musical e de uma obliquidade visual que se estende às suas assombrosas performances. Juntam-se ao ensemble o baterista dos Meshuggah Thomas Haake e o lendário baterista, Dave Lombardo, cuja presença deixa claro que, musicalmente, os IMPERIAL TRIUMPHANT estão numa classe por si só. Da abertura do álbum, o death metal scraping “Rot Moderne”, este é o som dos IMPERIAL. (Century Media)

Tower - «Let There Be Dark» (EUA-New York, Heavy Metal) | O aguardado novo álbum de estúdio dos TOWER, encontram a banda mergulhando nas suas raízes metálicas puras, para uma jornada sombria e poderosa por dez músicas! «Let There Be Dark» permanece por si só como um álbum de puro metal. TOWER montou um álbum que reflete quatro anos de trabalho de estrada. (Cruz del Sur Music)

Hersir - «Hateful Draugar From The Underground» (Suécia, Black Metal) | HERSIR mergulha na excelência no Northern Black Metal. Apesar de já ter sido criado em 2016 por Grim Vindkall, os suecos mantiveram um perfil bastante discreto. A horda permaneceu uma entidade bastante obscura. A qualidade do primeiro trabalho completo de HERSIR, «Hateful Draugar From The Underground», corrige a situação em pouco tempo. (Darkness Shall Rise Productions)

Decrepisy - «Deific Mourning» (EUA-Oregon, Death Metal) | «Deific Mourning» é um álbum escrito num estado de horror e incerteza, com cada riff agoniantemente abatido do terror, desespero e desintegração, de uma forma moribunda. Mais pesado no lado do doom do death, «Deific Mourning» puxa de influências gótico-industriais, onde cada faixa é uma fase de tristeza que a vida abandona a forma misteriosa. (Earsplit)

Sons Of Ra - «Standard Deviation» (EUA-Illinois, Heavy Prog / Jazz / Math Rock) | Duas décadas decorreram desde que SONS OF RA surgiu na cena de Chicago, com a sua fusão de prog pesado, jazz, math rock e elementos da música de vanguarda. A evolução dos SONS OF RA continua com o seu álbum de estreia, «Standard Deviation», mergulhando mais fundo nas suas raízes de jazz vanguardistas, fusão, matemática e rock progressivo, enquanto mantém um poderoso crunch metálico. (Earsplit)

Dark Driven - «From The Unbeliever» (Internacional, Melodic Death/Doom Metal) | Os suecos Dark Driven surgem com uma estreia arrepiante com «From the Unbeliever», uma coleção de metal gótico escuro que funde melancolia com ameaça. Este álbum é uma exploração nas sombras, paisagem sonora onde o desgosto empunha um martelo e riffs são forjados no fogo. A estreia de Dark Drive não furta apenas com a escuridão; habita-o. Isto é metal para aqueles que preferem a sua música com sombras intactas. (Hammerheart Records)

Impurity - «The Eternal Sleep» (Suécia, Death Metal) | «The Eternal Sleep» arrasta o Death Metal sueco de volta às suas raízes cruas! Com a produção de Tomas Skogsberg e a masterização de Dan Swanö, eles trouxeram de volta um som do Death Metal sueco considerado extinto. A estreia garante um álbum que traz memórias da cena underground abandonada na Suécia e redefine o Death Metal moderno. (Hammerheart Records)

Purified In Blood - «Primal Pulse Thunder» (Noruega, Metalcore, Melodic Death Metal) | Depois de mais de uma década de silêncio, Purified in Blood volton com o seu novo álbum, «Primal Pulse Thunder». Embarcamos numa intensa jornada sonora, misturando influências hardcore ferozes com riffs de metal estrondosos. O álbum mostra a evolução da banda, mantendo-se fiel à energia primordial que os tornou grandes. (Indie Recordings)

Vigilhunter - «Vigilhunter» (Itália, Heavy / True Metal) | É provável que já tenha ouvido a extraordinária voz de Alexx Panza antes. No seu álbum de estreia, além do cantor Hitten, que também toca ritmo e guitarra solo, Vigilhunter é composto por Mirko Negrino no baixo, Mattia Itala na segunda guitarra e Marcello “Cell” Leocani na bateria. (High Roller Records)

Sculforge - «Cosmic Crusade Chronicles…» (Alemanha, Speed/Power Metal) | Torne o espaço grande novamente! Torne o espaço grande novamente! Os power metallers de alta velocidade Sculforge voltaram com o seu segundo álbum com a habitual reivindicação modesta. Power metal que se desvia numa direção thrashy como uma bola de demolição em chamas - tudo o que os fãs adoram em Sculforge e muito mais. (MDD Records)

Gates To Hell - «Death Comes To All» (EUA-Kentucky, Death Metal/Metalcore) | Os tremores de terra, as fraturas superficiais e uma força colossal que se ergue do abismo: GATES TO HELL voltaram para entregar a sua verdade inegável – a morte vem a todos. Esbatendo as linhas entre death metal, hardcore e cada som brutal no meio, GATES TO HELL traz uma energia monstruosa e uma ferocidade incomparável. (Nuclear Blast)

Datadyr - «This We Know» (Noruega, Jazz Rock) | O novo álbum de Datadyr, «This We Know», é uma saída mais madura e confiante da jovem banda. A banda ainda se inspira na música tradicional americana, como jazz, blues, bluegrass e folk, mas com um foco maior na composição e estrutura. O álbum também reflete a visão de um outsider sobre os acontecimentos atuais nos estados, políticos e outros. (Is it Jazz? Records)

Coffin Feeder - «Big Trouble» (Bélgica, Deathcore) | Coffin Feeder é uma união profana de veteranos experientes das cenas de metal e hardcore belgas. Este coletivo feroz, formam uma mistura de alta octana de death metal, grind e hardcore. Eles entraram em estúdio para lançar 12 faixas impressionantes para seu álbum de estreia, encharcado por uma mistura inebriante de grind, hardcore e death metal. (Listenable Records)

Moonfall - «Odes To The Ritual Hills» (Finlândia, Black/Doom Metal) | Oriundos da sempre fértil cena do black metal finlandês, este duo - Goatprayer e Black Moon Necromancer, ambos manuseiam vários instrumentos - têm sido insanamente prolíficos juntos. MOONFALL lança uma exibição dos seus poderes sombrios e desafiadores, num álbum de estreia que encapsula a estética antiga. (Iron Bonehead Productions)

Spoiled - «Collapse» (Itália, Thrash Metal/Hardcore) | Spoiled, vindo da Itália, foi formado em 2016 pelo baterista Zibbo (Buffalo Grillz). A banda lançou o seu primeiro EP autointitulado e totalmente autoproduzido em 2018. Spoiled voltou com o seu primeiro álbum, «Collapse», oferecendo 15 faixas de Thrash/Crossover num ritmo acelerado a 250 BPM. Collapse é uma homenagem de alta octana aos grandes nomes do género. Prepare-se para um ataque sonoro implacável! (Independente)

Ceresian Valot - «Uumen» (Finlândia, Alternative Metal) | Se a nova banda finlandesa CERESIAN VALOT adotasse um símbolo, os Ouro boros ou os Phoenix seriam excelentes candidatos. Ambas as criaturas míticas simbolizam o aspeto cíclico da natureza que significa: cada fim é também um novo começo. Com a dissolução da banda finlandesa GHOST BRIGADE nasceu CERESIAN VALOT. CERESIAN VALOT embarca numa nova jornada musical emocionante com «Uumen» que une algo velho, algo novo, algo emprestado e algo sombrio. (Prophecy Productions)

Ventr - «Ubique Diaboli Voluntas» (Portugal, Black Metal) | Os VENTR vêm de Portugal, o viveiro reinante do metal negro bruto. No entanto, com o seu mini álbum de estreia «Numinous Negtivity» em 2020, a entidade misteriosa provou solidamente que o seu estridente black metal tinha uma constituição palatalmente profissional. Agora, VENTR revela toda a compreensão dos seus poderes com «Ubique Diaboli Voluntas», o seu tão esperado primeiro LP de intensidade sombria e medonha. (Signal Rex)

Aran Angmar - «Ordo Diabolicum» (Internacional, Black Metal) | ARAN ANGMAR é uma banda internacional de Black Metal formada em 2020 pelo guitarrista Stavros B. «Ordo Diabolicum» leva a música a um novo nível, com a combinação de atmosferas mediterrâneas e elementos folclóricos nórdicos, a banda criou um som próprio. «Ordo Diabolicum» explora a escuridão não como um vazio, mas como um reino onde a verdade se revela, as fronteiras se rompem e a liberdade humana emerge. Um ritual de Black Metal. (Soulseller Records)

Namebearer - «Industries Of The Fading Sun» (EUA-Maine, Black Metal) | Brilhando com energia sombria e pesada, «Industries Of The Fading Sun» evoca visões nebulosas de um mundo apocalíptico, misturando elementos progressivos, psicadélicos e atmosféricos para criar um som visceral e imersivo. Namebearer envolve os ouvintes numa exploração emocionante de um planeta à beira do esquecimento. (Earsplit)

Gràb - «Kremess» (Alemanha, Black Metal) | GRÀB oferece ambos, continuidade e mudança, no seu segundo LP «Kremess». O projeto de black metal bávaro fundado pelo vocalista Grànt continua a girar liricamente em torno de contos e tradições narrados no dialeto local do estado alpino da Baviera. “Kremess” significa “festa fúnebre” e a morte desempenha um papel preponderante neste álbum. Musicalmente, o GRÀB ainda apresenta um instrumento tradicional proeminente da sua região, o dulcímero martelado. Isso é combinado com vertentes norueguesas do black metal, além de se inspirar nos pioneiros alemães do género. (Prophecy Productions)

As The World Dies - «Nebula» (Inglaterra, Progressive Death Metal) | A obliteração é iminente: à medida que o mundo morre regressam com o seu segundo LP «Nebula». Uma lição colossal de esmagamento do death metal e misticismo cósmico. Uma masterclass emocionante, densa e um tanto perturbadora em implacável superioridade do death metal, carregando todas as marcas do género, inclinado para um lado sinfónico mórbido, até mesmo progressivo. Canções raivosas, assombrosas e miseráveis são, numa constante em «Nebulosa». (Reaper Entertainment)

Exterminatus - «Echoes From A Distant Star Part 1» (Canadá, Technical Death/ Groove Metal) | Formado nas profundezas de Vancouver, no Canadá, em 2013, o colosso do death metal EXTERMINATUS lança o seu terceiro ataque, «Echoes From A Distant Star Part 1». O álbum marca um capítulo crucial, mergulhando nas profundezas abissais do death metal, desafiando as fronteiras do género com narrativas filosóficas e composições estrondosas. (Independente)

King Garcia - «Hamelin» (Grécia, Instrumental Rock) | King Garcia cria música instrumental e cinematográfica que pondera sobre o céu do amanhecer. Às vezes, a música parece um calmante como uma tarde quente de verão que progride para uma noite fria, escura e sinistra. A cena diminui o zoom e entra na presença de luz, numa faísca melancólica e suave que se avista no fim de um longo túnel. (All Noir)

Clan Dos Mortos Cicatriz - «Técnicas De Morte» (Brasil, Death-Punk) | O álbum de estreia do culto death punk brasileiro Clan Dos Mortos Cicatriz, é caracterizado por um nekro-hardcore cru sinistro. Um manifesto sombrio de recusa total e uma ode imorredoura à morte e ao sofrimento. «Técnicas de Morte» dá voz a cada favela, prisão, hospital psiquiátrico, zona de guerra, necrotério e cemitério na terra, lembrando a todos nós que nenhum estado, ato ou comportamento humano existe fora da miséria e da morte. Ao longo de uma jornada auditiva crepuscular, o culto brasileiro exibe uma habilidade inigualável em conjurar e condensar momentos de dark punk, hardcore e crust, death rock e black metal com o seu próprio ritual magistral de transcendência da celebração da morte. (Sentient Ruin)

Crypts Of Despair - «We Belong In The Grave» (Lituânia, Death Metal) | A banda lituana Crypts of Despair decidiu tocar death metal de uma forma feroz, implacável e pesada. O novo álbum mantém o comportamento intimidador da banda, mas agora a música é comparativamente mais condensada, visceral, intuitiva e até exibe pitadas de melancolia. A execução continua vigorosa e os riffs são convincentemente demoníacos. (Transcending Obscurity Records)

Changeling - «Changeling» (Alemanha, Progressive Death Metal) | Aclamado como uma “lenda da guitarra moderna”, o estilo de tocar característico de Tom e as composições aventureiras desafiam o género. O álbum de estreia autointitulado mistura metal progressivo, death metal, jazz/fusion e world music, enriquecido com orquestrações complexas por um conjunto de 50 músicos convidados. (Season of Mist)

Bleed - «Bleed» (EUA-Texas, Alternative Metal ) | O EP de estreia dos BLEED, «Somebody’s Closer», invoca o alternative rock / metal do final dos anos 90 / início dos anos 00, ganhou um burburinho lotta com a sua distorção gauzy equilibrando tensão e atmosfera. O LP autointitulado do BLEED mantém o peso melódico e as estruturas de canções apertadas do EP, enquanto mergulha de cabeça na névoa oceânica, empurrando o seu som para um território mais imersivo, implacável e hipnoticamente exuberante. (20 Buck Spin)

Tribunal - «In Penitence And Ruin» (Canadá, Gothic Doom Metal) | Os TRIBUNAL regressam com o seu segundo álbum, «In Penitence and Ruin», uma elegia gravíssima e desamparada, que desce mais fundo no abismo solene

do doom. Eles criaram um opus que ecoa cada vez mais por vertentes há muito abandonadas. A dualidade entre o canto melancólico de Soren Morne (violoncelista/baixista), com os rosnados agoniados de Etienne Flinn (guitarra), ligam-se num caminho iluminado, trazendo o brilho pálido do lamento distante. (20 Buck Spin)

Ghostseeker - «Divergence» (Austrália, Metalcore) | Emergindo da competitiva cena musical pesada australiana, GHOSTSEEKER capturou os ouvidos das massas com o seu EP de estreia contagiante, «Initium Novum». O som da banda saúda um contraste que certamente chamará a atenção. Os guitarristas, Cory Walkeden e Tim Campey alimentam-se sem esforço um do outro, criando um sentimento e uma atmosfera que ressoa, enquanto o ritmo e o baixo de Daniel Gay complementam e lideram perfeitamente a sua música. (All Noir)

Nightsteel - «Nightsteel» (Grécia, Heavy/Power Metal) | «Nightsteel» é o álbum de estreia homónimo dos metaleiros gregos NIGHTSTEEL, os quais estão prontos para conquistar o mundo da música! A sua combinação de riffs pesados, solos incríveis e melodias cativantes, tornam a sua música absolutamente monstruosa. É o álbum perfeito para os nostálgicos dos dias do metal altivo e pesado! NIGHTSTEEL incorpora o espírito do metal clássico dos 80, reinventando a magia do género de uma maneira muito especial. (All Noir)

Rýr - «Dislodged» (Alemanha, Post-Metal) | A banda instrumental de post-metal/doom rýr, sediada em Berlim, conquistou um espaço único no género, equilibrando o peso esmagador com uma atmosfera assombrosa. No seu terceiro LP, «Dislodged», o trio refinou o seu som para sua forma mais poderosa e evocativa de post-metal e doom. Cada canção constrói tensão através de um hipnótico trabalho de guitarra em camadas antes de explodir em crescendos esmagadores de distorção e percussão estrondosa. (All Noir)

Valhalore - «Beyond The Stars» (Austrália, Epic Folk Metal) | Fundado em 2013, VALHALORE rapidamente se tornou numa força imparável na cena do metal australiano. A mistura única da banda de Melodic Death, Power e Symphonic Metal, infundida com influências folk, ressoou com o público nacional e internacional. Valhalore continua a esculpir um caminho único através da paisagem do metal. (All Noir)

Verheerer - «Urgewalt» (Alemanha, Black Metal) | VERHEERER sempre se afastou de clichés comuns no seu conteúdo e lidou principalmente com as profundezas da condição humana. O novo álbum foi composto e escrito com esta ideia básica em mente e com a Primeira Guerra Mundial. Da perda da humanidade numa máquina industrial de destruição, e dos mecanismos de poder. (All Noir)

Convulsing - «Perdurance» (Austrália, Black/Death Metal) | Convulsing é um projeto de death metal australiano idealizado pelo músico Brendan Sloan, conhecido por a sua intensidade atmosferas cruas e densas, com uma brutalidade implacável. Convulsing mistura elementos de death metal dissonante, ferocidade enegrecida e experimentação vanguardista, criando um som que é caótico e imersivo. (Avantgarde Music)

A Prayer For The Worst - «Life Is A Lonely Path» (Internacional, Electronic Metal) | Numa vida anterior, Herr B, o artista solo por trás do projeto eletrónico minimalista experimental, foi chamado de Duke. Em 1994, ele formou uma banda de black metal chamada Godkiller. O tempo passou, Duke envelheceu... Mas nunca deixou de criar música, nem deixou de evoluir. Agora, temos A PRAYER FOR THE WORST (UMA ORAÇÃO PELO PIOR. As faixas misturam electrónica despojada, evocações crepusculares e atmosferas quase místicas. (Debemur Morti Productions)

Blood Abscission - «II» (Internacional, Atmospheric Black Metal) | «II», é o segundo álbum apropriadamente intitulado e exaustivamente majestoso de BLOOD ABSCISSION. Enquanto a sensação de movimento perpétuo para a frente e cascatas de melodias opulentas do excelente “I” permanecem, a banda eleva a sua perspicácia composicional: equilibrando erupções de raiva caótica com calma transcendente mística, aumentando a dinâmica de empurrar/puxar para elevar o peso físico e emocional de cada peça. Produzido com clareza cristalina para a pulsão final, esta é uma odisseia, inebriante e compulsiva. (Debemur Morti Productions)

Blood Monolith - «The Calling Of Fire» (EUA-Virginia, Death Metal) | O objetivo de BLOOD MONOLITH era criar algo ainda mais feio, estranho e agressivo operando a partir da sua nova base na Virgínia. Esta localização está profundamente ligada ao seu som, já que este epicentro de assassinato em massa e corrupção fornece combustível constante para a raiva fervida, bem como uma rica história de rebelião através da música. (Earsplit)

Chamber Mage - «By Light Of Emerald Gods» (EUA-Colorado, Heavy Metal) | No sopé de Pikes Peak, no Colorado, CHAMBER MAGE surgiu com o derretimento da primavera em 2021 e passou os anos seguintes aprimorando furiosamente uma nave de heavy metal mortal, inspirada numa mistura do power metal europeu primitivo, NWOBHM, e o mais mortal do power metal dos Estados Unidos para criar o seu próprio som único. «By The Light Of Emerald Gods» é o disco de cinquenta minutos que ostenta uma ofensiva carregada e alimentada por riffs galopantes e melodias soberbas através de oito hinos trovadores com histórias de batalha e magia, tragédia e triunfo. (Earsplit)

Magic Pie - «Maestro» (Noruega, Progressive 70s Rock) | Magic Pie é uma banda norueguesa de rock progressivo formada em 2001, conhecida por suas composições intrincadas, arranjos sinfónicos e mistura de influências vintage e modernas. Altamente conceituada na comunidade internacional de prog, a música de Magic Pie explora temas de introspeção, existencialismo e emoção humana. (Karisma Records)

Kardashev - «Alunea» (EUA-Arizona, Progressive/Atmospheric Deathcore/Post-Metal) | Conhecidos como os progenitores do género “deathgaze”, Kardashev continua a explorar e ultrapassa limites do género. «The Almanac» e «The Baring of Shadows» foram o início para o lado “gaze” do Deathgaze, pois já eram conhecidos pelas semelhanças sonoras com o Death Metal. Com «Alunea», eles estão no caminho do death metal progressivo. (Metal Blade Records)

Desert Smoke - «Desert Smoke» (Portugal, Heavy Psycadelic Metal) | Nascido na cena underground de Lisboa, os Desert’ Smoke surgiram com uma missão: criar uma mistura instrumental de rock stoner pesado, psicadélica hipnótica e energia bruta adequada para os maiores festivais de Stoner/Rock/Metal. A banda rapidamente conquistou um espaço no panorama da música pesada em Portugal. (Raging Planet Records)

Raging Slayer - «Catatonic Symphony » (Portugal, Thrash Metal) | É hora de liberar toda a fúria pelo Thrash Metal! RAGING SLAYER nasceu da ideia de homenagear sem filtros, sem máscaras, a velha cena dos Slayer. Lex Thunder fez um excelente trabalho na voz, dando a dimensão e o impacto que os riffs infernais precisavam. O resultado é um álbum que é uma enorme explosão do melhor creme do thrash old school! (Selvajaria Records)

Imperishable - «Swallowing The World» (Suécia, Death Metal) | Imperishable corta a gordura e vai direto à garganta! Death Metal sueco melódico com ganchos agressivos! Com o seu novo álbum «Swallowing the World», os Imperishable aguçam a sua mistura de melodia e agressividade, mergulhando mais fundo no território sonoro esculpido pelos pioneiros. Este álbum não é apenas um mergulho nostálgico; é uma reinvenção do lado mais melódico do death metal sueco, definido para deixar a sua marca na cena moderna. (Hammerheart Records)

Visceral - «Eyes, Teeth And Bones» (Portugal, Death Metal/Grindcore) | Com um pé firmemente plantado no death metal da velha escola, Visceral nasceu da mente de Bruno Joel Correia, que procurou dar vida aos seus riffs e ideias de longa data. O álbum de estreia viu a vida, numa coleção ameaçadora e pulsante de riffs estrondosos, baixo esmagador, bateria implacável e rosnados desumanos. Visceral retorna com o seu segundo LP, «Eyes, Teeth and Bones», com uma formação renovada e uma investida de death metal de alta velocidade. (Raging Planet Records)

Insineratehymn - «Irreverence Of The Divine» (EUA-California, Death Metal) | Vindos de Los Angeles, os INSINERATEHYMN conseguiram posicionar-se no metal extremo underground, com o seu poderoso death metal, dando uma verdadeira masterclass. Os SINERATEHYMN são death metal para maníacos do death metal, por maníacos do death metal que entendem e apreciam a rica história ainda codificada do género. (Rotted Life Records)

Byonoisegenerator - «Subnormal Dives» (Rússia, Brutal Death Metal) | Byonoisegenerator regressa após sete longos anos, com um novo álbum «jazzgrind» que soa tão chocante e emocionante quanto se pode imaginar. Embora as influências do jazz e o uso de um saxofone na música extrema já tenham sido testemunhados antes, aqui é feito com um estilo de música extremo e catártico. O dedicado saxofonista infunde a música violenta com partes jazzísticas que, não só, servem como uma pausa da cacofonia, mas também pontuam a música, aprimoram-na e elevam-na do regular grind ou death metal. A música é altamente complexa e técnica. (Transcending Obscurity Records)

Jade - «Mysteries Of A Flowery Dream» (Espanha, Atmospheric Death Metal) | “Death metal atmosférico”. Três simples palavras para descrever a música do segundo álbum, «Mysteries Of A Flowery Dream». Este carrega uma onda sinistra de escuridão, redefinindo o peso com novos níveis de produção musical e arranjos. A música de Jade é descrita por J. como “um tributo à linguagem intemporal do metal obscuro”. (Pulverised Records)

Nightbearer - «Defiance» (Alemanha, Death Metal) | NIGHTBEARER apresenta uma carga com o seu esmagador terceiro LP «Defiance». Os traficantes da death alemães elaboraram um álbum que mantém o som característico da guitarra HM-2 chainsaw e também mantém o seu amor sem remorso pelo death metal melódico do tipo sueco. «Defiance» também marca outro passo na evolução do seu som. (Testimony Records)

Ominous Ruin - «Requiem» (EUA-California, Technical Brutal Death Metal) | Ominous Ruin foi forjado no coração da Bay Area, numa região famosa pelo seu lendário estilo e cena de death metal. A banda começou com uma visão simples: ultrapassar os limites da música extrema, misturando a brutalidade crua do death metal com meandros melódicos que capturaram os recantos mais sombrios da experiência humana. O som de Ominous Ruin é uma complexa tapeçaria de death metal brutal, técnico, melódico e até com elementos de black metal. (Willowtip Records)

Power Surge - «Shadows Warning» (Internacional, Heavy Metal) | POWER SURGE é uma nova banda de hard melodic metal formada pelo cantor croata Roko Nikolic e pelo guitarrista londrino Srdjan Bilic. A sua música evoca principalmente o final da década de 1980, quando as bandas levavam as origens do metal clássico para o próximo passo, ou seja, aumentando o ritmo com riffs técnicos rápidos, introduzir reviravoltas progressivas ou adicionando um toque de mística AOR. É a era do heavy metal tingido por AOR. (FHM Records)

Sijjin - «Helljjin Combat» (Internacional, Death/Thrash Metal) | Quatro anos depois do ataque puro que foi «Sumerian Promises», SIJJIN regressa com o seu 2º opus intitulado «Helljjin Combat». O trio alemão/basco mergulha nas profundezas absolutas, focando as suas lentes na variedade mais antediluviana do Death Metal, enquanto traz à tona um derivado do Thrash com a máxima intenção maligna. (Sepulchral Voice Records)

Under Ruins - «Age Of The Void» (Alemanha, Epic Heavy/Power Metal) | UNDER RUINS foram fundados em 2023 por membros de bandas consagradas como THEM ou LANFEAR, para criar canções com ritmos poderosos, riffs entrelaçados e melodias crescentes e refrões épicos. A banda mostra que é possível voltar no tempo sem ignorar completamente o futuro. (Independente)

Abyssal Vacuum - «Abyssal Vacuum» (França, Black Metal) | Fervor estático. Peso hipnotizante. Atmosfera rasgada, tanto acima como abaixo. Infinito transformado em delírio sónico, latitudes e longitudes deslizantes de paisagem vazia... Os ABYSSAL VACUUM da França, são quase perfeitamente apelidados. De onde a escuridão não é uma ausência, mas uma força alucinatória, orientadora e nutritiva, os ABYSSAL VACUUM emergem mais uma vez com o seu álbum de estreia autointitulado. (Signal Rex)

Phantom - «Tyrants Of Wrath» (México, Thrash/Speed Metal) | PHANTOM é uma banda de speed/thrash metal de Guadalajara, México, formada em 2021 como um projeto apenas por diversão. O novo disco marca um tour de force pelas tradições muito acarinhadas do género. (High Roller Records)

Soerd - «Keldrikojast» (Estónia, Black Metal) | Intitulado «Keldrikojast», o primeiro LP de SOERD emite um misticismo que é início dos anos 90. «Keldrikojast» tem uma certa atmosfera que é alternadamente espectral e de terra - ou, devido à geografia única da Estónia - coloca-os num território rarefeito para o black metal tradicional. Corações em chamas! (Signal Rex)

Ghörnt - «Bluetgraf» (Suiça, Black Metal) | Com o seu terceiro LP, a bruxa dupla suíça de black metal criou uma arte incomum e sombria. O álbum combina batidas de explosão de fúria e uptempo com pistas melódicas que vão ficar na sua cabeça. Tematicamente, é tudo sobre diferentes histórias sobre vampiros, incluindo os mais famosos, como Vlad Tepes, e mitos locais. (Soulseller Records)

Eschaton - «Techtalitarian» (EUA-Massachusetts, Technical Death Metal/Deathcore) | A banda de death metal técnico Eschaton regressa após um hiato de seis anos com uma formação revigorada e repleta de estrelas que eleva o seu som a alturas até então inexploradas. Mais importante ainda, esta formação soa tão devastadora neste álbum como no papel. Eles contribuíram para criar um álbum de technical death magistral. (Transcending Obscurity Records)

Enevelde - «Pandemonium» (Noruega, Black Metal) | «Pandemonium» apanha Enevelde no seu momento mais sombrio e sinistro até hoje, apresentando sete odes ao Inferno e à destruição do homem. B. Kråbøl é aparentemente uma força imparável para se reconciliar, entregando álbum de um magistral Black Metal. «Pandemonium» é Enevelde na perfeição, um enorme álbum de Black Metal do início ao fim. (Ván Records)

Nachtheem - «Nacht Zij Met Ons» (Países Baixos, Black Metal) | Bem vindos aos som orgânico de um metal atmosférico não polido. Estes holandeses conseguiram captar a essência dos primeiros trabalhos de bandas como Ulver, Vemod e Paysage d’Hiver, mas com uma vertente mais agressiva e primitiva. Nachtheem consege um trabalho etéreo e nostálgico que intrigará qualquer um com uma paixão por este estilo. (Ván Records)

Sumerian Tombs - «Age Of Eternal Night» (Alemanha, Black Metal) | Erguendo-se das criptas de Colónia, os SUMERIAN TOMBS rapidamente estabeleceram-se como uma força considerar na cena underground do Black Metal. Com «Age of Eternal Night», a banda continua a sua descida aos túmulos esquecidos da Suméria, onde antigos deuses de sangue e espíritos vampíricos aguardam. É Epic Vampyric Black Metal, um termo que encapsula a sua mistura de ferocidade de Black Metal de segunda onda, atmosfera sinistra e narrativa épica. (Ván Records)

Ossuary - «Abhorrent Worship» (EUA-Wisconsin, Death Metal) | «Abhorrent Worship» é um ataque implacável e implacável: 6 faixas em 37 minutos de um mal cacofónico e sufocante pontuado por atmosferas distorcidas e estonteantes. Os vocais encantam sob monstruosas guitarras agitadas e estrondosas, batendo bateria e baixo num ritmo primordial executado com precisão e finesse. (Darkness Shall Rise Productions) Feversea - «Man Under Erasure» (Noruega, Post-Metal) | O homem deveria substituir Deus como medida universal. Ele é insuficiente e insubstituível. Man Under Erasure é uma exploração musical deste novo e incerto universo, onde os últimos resquícios de esperanças e sonhos humanistas foram reduzidos a brasas. Feversea é uma banda de post-metal de Oslo, Noruega, com influências do black metal, sludge metal e shoegaze. A sua música é uma encruzilhada feroz do black metal com paisagens sonoras ritualísticas e etéreas. (Dark Essence Records)

Oracle Hands - «Dirge For The Doomed» (Alemanha, Sludge/Post-Metal) | Com «Dirge for the Doomed», o coletivo norte-alemão apresenta um álbum de estreia que ultrapassa os limites do pós-metal enquanto constrói uma parede sonora brutal e atmosférica. O álbum desdobra uma atmosfera densa e ameaçadora carregada por batidas explosivas, melodias sombrias e uma avalanche sonora imparável. (All Noir)

Edensong - «Our Road To Dust» (EUA-New York, Progressive Rock) | A banda de rock progressivo nova-iorquina, regressa com o seu aguardado novo álbum «Our Road To Dust» em nove anos, o primeiro álbum a ser trabalhado como um quarteto, o disco incorpora o som ambicioso, detalhado e eclético que cultivaram ao longo dos anos, mas é muito mais pesado, focado e cheio de ganchos melódicos contagiantes. (Earsplit)

Exilium Noctis - «Pactum Diaboli» (Grécia, Black/Death Metal) | Apresentamos o segundo álbum dos conjuradores gregos de black/death metal Exilium Noctis, «Pactum Diaboli». Formado em 2021 por Thyragon e Omega, Exilium Noctis é uma intensa explosão de black metal/death metal mergulhado em escuridão e melancolia. O grupo canaliza malícia e fúria monstruosa em hinos macabros. O álbum mergulha fundo no conceito de fazer acordos com o diabo, com o seu título simbolizando a eterna luta entre a tentação e redenção da alma. (Black Lion Records)

Opia - «I Welcome Thee, Eternal Sleep» (Internacional, Gothic/Doom Metal) | Opia é uma banda gótica de doom metal que cruza a linha entre a beleza atmosférica e o peso esmagador. Formada entre o Reino Unido e a Espanha, a banda combina o peso do death/doom com melodias assombrosas e etéreas, criando um som introspetivo e poderoso. «I Welcome Thee, Eternal Sleep», a banda explora temas como mortalidade, desespero, depressão e luto. É um disco profundamente atmosférico, onde os tempos lentos se entrelaçam com as melodias. (Hammerheart Records)

Meatwound - «Macho» (EUA-Florida, Hardcore) | Os exibicionistas de Sludge hardcore da Flórida, MEATWOUND, lançam o seu LP «Macho». O arco de MEATWOUND parece ser de expansão constante, mais melodia com mais ruído, realçando as qualidades abrasivas numa seção e multiplicando-as noutra, sempre inclinado para manter o incrível som para si. (Earsplit)

Dolven - «In My Grave Silence» (EUA-Oregon, Acoustic doom) | Os DOLVEN, de Portland, Oregon, emergem mais uma vez das sombras com o seu terceiro álbum, «In My Grave... Silence», uma exploração profundamente atmosférica e emocionalmente ressonante de doom acústico. Despojando o doom metal até à sua essência mais rara, DOLVEN cria um som que é ao mesmo tempo, íntimo e imenso. (Earsplit)

Fabulous Desaster - «Crucify This» (Alemanha, Thrash Metal) | Thrash Metal da área do Bona contra-ataca! Os thrashers alemães do «Fabulous Desaster» voltaram com um novo LP. O quarteto não perdeu nada de seu thrash dinâmico, que contém uma ou duas referências a lendas da cena. Como nos dois álbuns anteriores, o foco está em músicas de speed thrash velozes e furiosos com um nível de energia extremamente alto. Em «Crucify This!», a banda é ainda mais variada do que antes e segue a alta velocidade. (MDD Records)

Svart Vinter - «Isvind» (Itália, Black Metal) | A banda italiana de black metal atmosférico SVART VINTER lança o seu segundo álbum de estúdio «Isvind». Fundada em Roma em 2021 por membros da banda de doom/death metal Veil Of Conspiracy, inspiram-se na cena clássica norueguesa de black metal dos anos 90. O álbum captura a essência do Black Metal tradicional, adicionando uma profundidade fresca e emocional. O som de SVART VINTER é caracterizado por melodias assombrosas, riffs frios e afiados. (Non Serviam Records)

Serpentes - «Desert Psalms» (Portugal, Black Metal) | Expelidos por um coletivo de serpentes do sul escaldante e sulfuroso do Velho Mundo, «Desert Psalms» é um ato de desafio – uma oferenda aos sem lei, aos indisciplinados e à estrela brilhante erguido na aurora oriental. Este é o metal negro na sua forma mais primitiva e adversária: venenoso, impenitente, selado nas chamas da desolação. (Norma Evangelium Diaboli)

Soft Ffog - «Focus» (Noruega, Progressive Jazz / Rock) | Os Soft Ffog voltaram com o seu segundo álbum «Focus». Mais progrock do que nunca, o Soft é Ffoggier e o Ffog é mais macio. Altamente influenciado por heróis underground dos anos 70 como Camel e Focus, polvilhados com aquele velho pó de jazz, este novo disco deve satisfazer todos os nostálgicos dos anos 70 com uma cócega jazz por aí! (Is it Jazz? Records)

Tetramorphe Impure - «The Sunset Of Being» (Itália, Doom/Death Metal) | TETRAMORPHE IMPURE: Mystification Zine estreia «Spirit of Gravity» da entidade italiana death-doom metal, álbum de estreia «The Sunset of Being». Oriundo do norte alpino de Itália, TETRAMORPHE IMPURE é uma criação de Damien, um músico experiente e antigo membro da Mortuary Drape. Após uma série de lançamentos underground, TETRAMORPHE IMPURE emerge de anos de dormência para trazer à tona sua primeira criação. Derretendo o peso profundo da desgraça funerária, do death metal da velha escola e da morte prematura. Monolítico e esmagador, é o seu núcleo sonoro. (Independente)

Prophetic Suffering - «Rivalry Of Thyself» (Canadá, Black/Death Metal) | Em menos de meia hora, os sádicos bestiais de death metal, baseados em Edmonton, Prophetic Sufering, trazem à tona uma monstruosidade violenta e sombria forjada por uma convergência abismal entre o terror do black metal devastado pela guerra de Blasphemy com o horrível e infestado de gore. Uma monstruosidade de death metal sombria e defensiva. (Sentient Ruin)

Floating - «Hesitating Lights» (Suécia, Progressive Death Metal) | Da Suécia vem mais uma impressionante forma de enriquecer a música de death metal com influências progressivas e pós-punk. Os elementos primários têm o seu lugar na música sem que nada disso seja deslocado pelo domínio do outro e é aí que reside a belezahá uma subtileza, uma fragilidade emocional que transparece na música de death metal. (Transcending Obscurity Records)

Kalmen - «Sombre Vaults» (Alemanha, doom psychedelic black metal) | Kalmen é um hipnótico doomed black metal alemão. «Funeral Seas» fundiu finalmente a fria melancolia do doom com a força elementar do black metal, num turbilhão de escuridão. O terceiro álbum, «Sombre Vaults», marca o clímax atual do seu som. A viagem

musical que é uma imersão nas profundezas escuras das paisagens sonoras hipnóticas. (Ván Records) Intrepid - «Juxtaposition» (Estónia, Death Metal) | Intrepid tem subido constantemente do underground de Tallinn para se tornar num dos artistas de metal extremo mais comentados da Estónia. «Juxtaposition» reflete uma abordagem dinâmica à música extrema – brutal, mas matizada, técnica, mas instintiva – justaposição. Musicalmente enraizado na agressividade pantanosa do death metal do início da Flórida, Intrepid não se furta à experimentação, tecendo elementos de tecnicidade, groove e atmosfera. (Century Media)

Cromlech - «Of Owls And Eels» (Alemanha, Black Metal) | «Of Owls and Eels», embora musicalmente e de atmosfera seja definitivamente um álbum de Black Metal, é também um esforço ousado de um músico experiente, expressando-se de forma autêntica sem prestar atenção às convenções de género. «Of Owls and Eels» é um álbum diversificado e altamente agradável, onde riffs frios de Black Metal e bateria de alto nível se fundem perfeitamente com teclados misteriosos e paisagens sonoras surreais, quase alucinatórias. (Darkness Shall Rise Productions)

Bludgeoned By Deformity - «Epoch Of Immorality» (EUA-New York, Brutal Death metal) | A chegada da nova fação brutal death metal BLUDGEONED BY DEFORMITY, anuncia os detalhes para o seu impiedoso EP de estreia, «Epoch Of Immorality». A banda foi formada em 2024 por Studebaker e Swank, ambos compartilham um amor mútuo pelo death metal da Costa Leste de meados dos anos 1990/início dos anos 2000. (Earsplit)

Dwellers - «Corrupt Translation Machine» (EUA-Utah, Progressive Blues Rock ) | O trio de blues rock progressivo de Salt Lake City, DWELLERS, lança «Corrupt Translation Machine», o emocionante LP que marca a primeira nova produção da banda em mais de uma década. A tapeçaria evocativa do som de DWELLERS evoluiu em artesanato, intenção e desempenho. Os DWELLERS reúnem ideias de uma variedade de estilos, do space rock ao grunge revestido de sludge, numa experiência de audição que se torna menos sobre género e mais sobre soul. (Earsplit)

Helms Deep - «Chasing The Dragon» (EUA-Florida, Heavy Metal) | HELMS DEEP foi formado em 2017 pelo guitarrista e vocalista Alex Sciortino com a visão inicial de formar uma banda de speed/power metal ao estilo dos anos 1980. «Chasing The Dragon» demonstra uma metamorfose explosiva e intrigante dos HELMS DEEP, deixando os ouvintes com grandes esperanças de mais por vir. Uma mistura eclética e crua de power e speed metal com elementos de prog e fusão. (Earsplit)

Philosophobia - «The Constant Void» (Internacional, Progressive Metal/Rock) | PHILOSOPHOBIA chega agora com «The Constant Void», que leva a visão musical da banda para o próximo nível. Com nove faixas magnetizantes com quase sessenta e cinco minutos, «The Constant Void» é um passeio entre metal progressivo e músicas emocionais e melancólicas, combinando a força do álbum de estreia com um toque mais moderno e pesado. A PHILOSOPHOBIA veio para ficar na esfera do metal progressivo. (Earsplit)

Shrinkwrap Killers - «Feed The Clones Pt 2» (EUA-California, Punk Rock Synth) | SHRINKWRAP KILLERS vai lançar o LP «Feed The Clones Pt. 2». Uma forma demente de synth punk lo-fi new wave que surgiu do submundo de Oakland, Califórnia, em 2018. Um projeto a solo trazido por Greg Wilkinson, mais conhecido por duas facetas no mundo da música. SHRINKWRAP KILLERS veio à mente décadas atrás, influenciado pelo filme, Bad Boy Bubby, onde o protagonista teve um curto período tocando música new wave enquanto usava shrink wrap. (Earsplit)

Walking Bombs - «Blessings Bestrewn Part 1» (EUA, stoner rock) | O projeto solo/ colaborador californiano WALKING BOMBS apresenta «Blessings Bestrewn Part 1», o primeiro de uma sequência de álbuns em duas partes. WALKING BOMBS é o sempre transformador e prolífico vocalista/multi-instrumentista Morgan Y. Evans. Um álbum duplo, codificado por cores em duas partes, como «Use Your Illusion». (Earsplit)

Sun After Dark - «Tatkraft» (Alemanha, Black Atmospheric Metal ) | Benjamin König foi membro fundador da banda de Black Metal Lunar Aurora (1994-2012). Lá, ele foi o principal responsável pela composição de 9 álbuns. Sun After Dark lança o seu álbum de estreia intitulado «Tatkraft» (palavra alemã para drive/energy/moxie). A música é uma mistura de elementos modernos, Black Metal, tons escuros, guitarras pesadas, humores poderosos e uma pequena pitada de lendas. A vida é composta por histórias, experiências e episódios. (Hammerheart Records)

Maestrick - «Espresso Della Vita Lunare» (Brasil, Progressive Metal) | Os metaleiros progressivos brasileiros Maestrick lançam o seu novo álbum de estúdio, «Espresso Della Vita: Lunare», pretendendo redefinir as fronteiras do metal progressivo. O número de arranjos de alta qualidade, habilidades musicais e influências que a banda infundiu no novo álbum criou o álbum mais fresco e emocionante do género em anos. (Frontiers Music)

King Witch - «III» (Escócia, Heavy/Doom Metal) | Formado no final de 2015 nas ruas da antiga Edimburgo, King Witch toca uma mistura de rock e doom que atrai comparações que vão de Black Sabbath e Candlemass. A banda regressa com o seu terceiro e mais talentoso álbum completo, «III», que mantém os elementos de doom e rock pesado que caracterizam os seus lançamentos anteriores. (Listenable Records)

Agropelter - «The Book Of Hours» (Noruega, Progressive Rock) | «The Book Of Hours», a cativante estreia do projeto norueguês de rock progressivo instrumental AGROPELTER. A música inspira-se tanto nos grupos de prog dos 70, como nos compositores clássicos. Neste álbum os ouvintes são recebidos com uma riqueza de tons exuberantes de Mellotron, órgãos Hammond, ARP, cembalo, Minimoogs e pedais de baixo Taurus. (Earsplit)

Trivax - «The Great Satan» (Irão, Death/Black Metal) | Não confundir com um título típico de black metal, «The Great Satan» é uma declaração ousada sobre o lado negro do Islã e da turbulência no Oriente Médio, particularmente, na devastadora Revolução Islâmica de 1979 no Irão, liderada pelos mullahs. A capa retrata o aiatolá Khomeini como «The Great Satan», responsável pela opressão implacável, bem como inúmeras mortes através do extremismo religioso. «The Great Satan» é a obra mais dinâmica e sofisticada da TRIVAX até à data. Esta é uma declaração de arte extrema radical. “Sem Deuses, Sem Mestres!” (Osmose Productions)

A-Z - «A2Z²» (Países Baixos, Guitar Hero) | O título «Nothing is Over» - o primeiro single do segundo álbum de A-Z, A2Z2 - serve como uma declaração de facto anunciando o segundo esforço de 10 canções do quinteto e o musical M.O. As tendências musicais podem estar em constante mudança, mas o rock ‘n’ roll clássico nunca acabou, e A-Z continua comprometido com a música pesada e sofisticada, mas viciante e acessível. (Other)

An Tóramh - «Echoes Of Eternal Night» (EUA-Minnesota, Funeral Doom Metal) | Um Tóramh (celta para “The Viewing”) traz um som assustadoramente belo que captura a essência do desespero e da melancolia. O álbum de estreia, «Echoes of Eternal Night», é uma exploração angustiante da perda, do desespero e dos ecos da fragilidade humana. A música desce ao horror abismal do luto antes de encontrar um frágil consolo nas sombras. A intrincada interação da atmosfera, melodia e peso inflexível, define a eterna desolação atormentadora de An Tóramh. (Black Lion Records)

Celestial Wizard - «Regenesis» (EUA-Colorado, Heavy/Power Metal) | New wave of American power metal. Celestial Wizard é uma força sónica intransigente que procura deixar a sua marca na era do power metal moderno. O seu terceiro álbum, «Regenesis» é uma oferta pesada, épica e vibrante que cava fundo com a sua abordagem lírica. Semelhantes ao clássico enredo sueco melo-death, as canções ainda permanecem fiéis ao power metal que realmente define a banda. (Scarlet Records)

Larcɇnia Roɇ - «Extraction» (EUA-Illinois, Deathcore) | A revelação de Larcenia Roe, desde o seu nascimento, no início de 2023, tem consumido ouvintes em todo o mundo com a sua expressão distinta de deathcore. A partir do seu EP de estreia, «Dereliction», a banda começou a chamar a atenção dos ouvintes com as suas imagens distorcidas, estrutura de jump scare e performances vocais inovadoras. (Unique Leader Records)

Mouth Of Madness - «Event Horizon» (Alemanha, Black/Thrash Metal) | Os alemães MOUTH OF MADNESS não estão entre as bandas mais prolíficas. Finalmente, quase 10 anos depois do EP, lançam o primeiro LP. O álbum é composto por nove canções, das quais três são grandes peças ambientais. As seis faixas restantes mostram a curiosa visão de uma banda inspirada sobre o metal. (Darkness Shall Rise)

Escarnium - «Inexorable Entropy» (Brasil, Death Metal) | Death Metal brasileiro ESCARNIUM regressa com o seu 4.º álbum «Inexorable Entropy», com 9 faixas de death metal implacável, impulsionado por blast beats infernais! Formado em 2008 em Salvador, Brasil, Escarnium surgiu como uma banda de cinco integrantes comprometida em criar um death metal cru e visceral. Agora a atuar como quarteto. (Everlasting Spew Records)

Enterré Vivant - «Akuzaï» (Internacional, Atmospheric Black Metal) | Enterré Vivant nasceu em 2019 em torno de Erroiak e Sakrifiss. Eles lançaram o seu primeiro álbum em 2021 com composições que homenageiam as suas influências. Dois anos mais tarde, lançou Shigenso, um álbum em que afirmaram a sua identidade, destacando os seus laços com o Japão. Regressam com «Akuzaï», o terceiro álbum, que se apresenta como uma continuação lógica do seu antecessor «Antiq». «Akuzaï» centra-se em torno de 10 pecados budistas, todas ligadas a um tema comum, perfazendo 50 minutos de música atmosférica, épica e comovente. (Antiq Records)

Johan Langquist - The Castle - «Johan Langquist - The Castle» (Suécia, Doom/Heavy Metal/Hard Rock) | Johan Langquist - pioneiro do Heavy Metal e Doom Metal com JONAH QUIZZ e CANDLEMASS - criou a sua própria entidade a solo na forma de JOHAN LANGQUIST THE CASTLE. Johan trabalhou em conjunto com uma vasta gama de músicos suecos bem conhecidos e o álbum de estreia evoca o sentimento mágico do clássico Heavy Metal/Hard Rock/Doom dos anos 70/80. JLTC não deve ser visto como um “projeto de estúdio” - pelo contrário. (I Hate Records)

Lights Of Vimana - «Neopolis» (Internacional, Atmospheric Doom Metal ) | «Neopolis», o álbum de estreia dos LIGHTS OF VIMANA, é um projeto de doom metal atmosférico/progressivo que reúne três forças veteranas da cena do doom extremo: Riccardo Conforti na bateria e sintetizadores, Jeremy Lewis nas guitarras e baixo e Déhà nos vocais. Com “Neopolis”, LIGHTS OF VIMANA cria um som profundamente cinematográfico e textual que diverge das raízes mais pesadas dos membros. O resultado é uma tapeçaria sonora que é imersiva e emocionante. (Dusktone)

Mortalha Negra - «Necromante» (Brasil, Death Metal) | THE UNDERGROUND NECROMANCERS. Qualquer pessoa que conheça o nome A. Exekutör está ciente de que Ele representa um selo de garantia de overdose de aço enferrujado. Sem dúvida, Flageladör e Gravedäncer são referências bem conhecidas, mas desta vez A. Exekutör veste, ao lado de J. Ferrante, a pele sinistra de MORTALHA NEGRA, no seu EP de estreia demo-tape chamado «Necromante». Com riffs afiados, uma atmosfera primitiva e sombria, uma língua ardente e sibilante e uma bateria ritualística, «Necromante» reúne o melhor dos clássicos ao lado de uma exuberância maníaca. (Other)

Fer De Lance - «Fires On The Mountainside» (EUA-Illinois, Epic Heavy/Doom Metal) | O segundo álbum da falange épica do heavy metal de Chicago, FER DE LANCE, chegou! Eles esperam assim ser trespassado pela destreza arcaica destes músicos que provaram antes ser um exemplo maravilhoso do canto mais místico do género. Combinando a música melódica, folclórica e antiga de um tempo distante com a magia do heavy metal. Dos riffs e harmonias oscilantes aos solos de guitarra alucinantes e à potente entrega vocal, FER DE LANCE evoca vastos reinos de mitos e as sombras de heróis antigos, iluminados pelo fogo do metal derretido. (Cruz del Sur Music)

Nihil Kaos - «Mystagogue» (Turquia, Black Metal) | Black metal Nihil Kaos da Turquia, lança o álbum «Mystagogue». Não é segredo que a cena do black metal de Istambul tem sido prolífica recentemente. Enquanto todo o metal turco tem uma história orgulhosa, o black metal turco e o death metal em particular estão a experimentar um zenite. E dentro dos anais do black metal turco, um dos pontas de lança mais importantes são Nihil Kaos. A sua marca única são um black metal fortemente atmosférico e muito agressivo. (Mara Productions)

Postmortal - «Profundis Omnis» (Polónia, Funeral Doom Metal) | Os polacos POSTMORTAL lançam «Profundis Omnis», uma viagem angustiante com riffs lentos, rosnados cavernosos e um sentimento avassalador de tristeza. Meticulosamente trabalhado com uma paixão inabalável pelo género, a banda canaliza a essência sombria e monolítica dos grandes nomes do funeral doom. Monolítico, sombrio e primordial. (Aesthetic Death)

Törzs - «Menedék» (Hungria, Instrumental Post-Rock) | Os TÖRZS, a principal banda de post-rock instrumental da Hungria, regressam com a beleza sonora discreta de «Menedék». Traduzindo livremente como “Refúgio”, “Menedék” vê o trio recém-reforçado no seu elemento. TÖRZS está na vanguarda de um movimento pós-rock que valoriza a experiência compartilhada da banda e do ouvinte acima de tudo. (Pelagic Records)

Svarta Havet - «Månen Ska Lysa Din Väg» (Finlândia, Post-Black Metal) | Vindos de Turku, Finlândia, os SVARTA HAVET lançam o seu segundo álbum, intitulado «Månen ska lysa din väg». Neste trabalho, o autodescrito grupo pós-hardcore dyster (sombrio) lançou um olhar crítico sobre os efeitos negativos do colonialismo ocidental, da ganância do capital e da conveniência à custa da sustentabilidade. (Prosthetic Records)

Symbiotic Growth - «Beyond The Sleepless Aether» (Canadá, Progressive Black Metal) | Tal como o último álbum, este é mais uma vez baseado na ficção e é liricamente conceptual, mas mergulha mais em mais pensamentos e emoções da vida quotidiana, e por vezes esses pensamentos são difíceis de lidar. Cada música tem a sua própria identidade e seu lugar dentro da história, levando o nosso protagonista através do multiverso. As canções abordam fortes sentimentos de solidão, uma sensação de ser, auto-ódio e suicídio. (Bölverk Records)

Mawiza - «Ül» (Chile, Groove Metal/Metalcore) | ÜL significa “canto” em Mapuzugun. O álbum representa a voz da terra, a origem do sentimento, o primeiro chamado para se conectar com as emoções. É a materialização de uma parte do espírito. ÜL é o canto indígena de Mawiza, sobe como uma mensagem para os céus. O álbum proclama que a natureza possui consciência e espírito. (Season of Mist)

Cronos Compulsion - «Lawgiver» (EUA-Colorado, Death Metal) | Cronos Compulsion é um quarteto de death metal baseado em Denver, Colorado. «Lawgiver» é o álbum de estreia do Cronos Compulsion, e está há vários anos em produção. O álbum é uma crítica contundente ao capitalismo em estágio avançado, bem como aos instintos mais básicos da humanidade. (Avantgarde Music)

Phantom Spell - «Heather Hearth» (Inglaterra, Progressive Rock) | Saindo do The Black Spire com uma mistura encantadora de prog rock clássico e metal da era NWOBHM, PHANTOM SPELL tem atraído desavisados desde que surgiu em 2021... Guitarras duplas habilidosas entrelaçam-se com sintetizadores ondulantes e órgão Hammond para formar o cenário perfeito para a voz encantadora de Kyle McNeill. (Cruz del Sur Music)

Anfauglir - «Akallabêth» (EUA-Connecticut, Symphonic Black Metal) | Os ANFAUGLIR ressuscitaram em estilo glorioso para desencadear um novo conjunto de manifestações emotivas e triunfantes de um lendário mundo místico. Evitando as estruturas tradicionais da canção, o novo opus imaculadamente produzido «Akallabêth» - que significa “O Caído” em Adûnaic. Temas e melodias desenvolvem-se, repetem-se e transformamse, entrelaçando motivos delicadamente arrebatadores com tragédia violenta e Black Metal arrebatador. (Debemur Morti Productions)

Abhorrent Expanse - «Enter The Misanthropocene» (EUA-Illinois, Avant-Metal) | Com os seus membros espalhados entre Chicago e Minneapolis, os inovadores do death metal ABHORRENT EXPANSE chegam com o seu segundo álbum, «Enter The Misanthropocene». Moagem tectónica, agulha implacável e encapsulamento claustrofóbico dão lugar a flashes violentos, dores de saturação gotejante e murmúrios enervantes. (Earsplit)

Imperial Crystalline Entombment - «Abominable Astral Summoning» (EUAMaryland, Black Metal) | O inimitável batalhão ataca de novo com mais uma quebra de selvajeria mística de Black Metal. A terceira revelação de IMPERIAL CRYSTALLINE ENTOMBMENT tem uma declaração apocalíptica de uma legião outrora congelada criogénica no tempo. Em «Abominable Astral Summoning» a banda ataca mais sangue-frio e bárbaro do que nunca. (Debemur Morti Productions)

Clairvoyance - «Chasm Of Immurement» (Polónia, Death Metal) | Os death metallers polacos CLAIRVOYANCE lançaram o seu novo e feroz LP, «Chasm Of Immurement». Forjados no final de 2019 pelo vocalista Maciej Cesarczyk e pelo guitarrista Denis Didenko, a dupla fechou o seu som num death metal da velha escola e recebeu o baterista Adrian Szczepański e o baixista Jasiek Kraciuk na formação. (Earsplit)

Kontusion - «Insatiable Lust For Death» (EUA-New Jersey, Death Metal) | Os riffs, explosões e paredes de feedback de KONTUSION refletem a escuridão de um mundo marcado pelo caos, onde atrocidades em grande escala correm soltas. KONTUSION chega com o ataque mordaz e rápido do seu vil LP de estreia, «Insatiable Lust For Death», imergindo o ouvinte num tom cavernoso e infernal, enquanto os implacáveis riffs e percussão permanecem impecavelmente apertados. (Earsplit)

Debunker - «Hounds Of Earth» (Portugal, Thrash/Groove Metal) | Somos uma banda de metal do Porto, formada em 2009. Inicialmente, o nosso som era focado no thrash metal. Com o tempo, e a entrada de novos elementos com diferentes influências e gostos musicais, fomos a incorporar elementos de vários subgéneros do metal, assim como de outros estilos musicais. (Nacionais)

Witherer - «Shadow Without A Horizon» (Canadá, Black/Death/Doom Metal) | Os artesãos WITHERER lançaram o seu primeiro LP «Shadow Without A Horizon». A escuridão sufocante das muralhas arcaicas e líticas... A descida onírica e labiríntica em cavernas intemporais... Águas antigas esculpiram cada vez mais fundo, conduzindo os espectros chorosos para baixo, em direção ao vazio, escuridão que tudo consome acima e abaixo. Entrelaçando a intensidade negra/morte e o vasto ritualismo da desgraça fúnebre, WITHERER cria paisagens sonoras punitivas e oníricas, claustrofóbicas e imensas, implacáveis e meditativas. (Earsplit)

Ba’Al - «The Fine Line Between Heaven And Here» (Inglaterra, Black/Sludge/Post-Metal) | Menos de um ano após o lançamento do aclamado EP Soft Eyes, o quinteto de pós-black metal Ba’al regressa com o seu trabalho mais ambicioso até à data. Misturando o peso do doom, a ferocidade do black metal e a beleza assombrosa das paisagens sonoras atmosféricas, Ba’al entrelaça elementos de sludge, ambiente, pós-rock e noise. O resultado é uma experiência sonora dinâmica e emocionalmente carregada – partes iguais, devastadoras e transcendentes. (Clobber Records)

Deciduous Forest - «Fields Of Yore» (Austrália, Atmospheric Black Metal) | Como o navio criativo para o multi-instrumentista e compositor australiano Snjór, «Deciduous Forest» guia os ouvintes numa viagem ricamente atmosférica através da memória, emoção e mito. Baseado em Brisbane, Snjór cria paisagens sonoras imersivas profundamente cativantes onde melancolia e grandeza coexistem, tecendo elementos de black metal atmosférico, neofolk e ambiente cinematográfico. (Gutter Prince Cabal)

Warmoon Lord - «Sancrosanct Demonopathy» (Finlândia, Black Metal) | Outrora o segredo mais bem guardado do sempre fértil black metal underground finlandês, WARMOON LORD realmente marcou presença com «Battlespells» de 2021. Eles fazem desenvolvimentos laterais com o importantíssimo terceiro álbum «Sacrosanct Demonopathy», que na base é basicamente a mesma - puro e orgulhoso black metal de natureza fantástica, até “medieval”, mas sempre ardendo com aquela paixão num a tela mais ampla de texturas e emoções. (Werewolf Records)

Grace Hayhurst - «The World Is Dying» (Inglaterra, Sludge/Progressive/PostMetal) | Na sequência do sucesso do seu EP de estreia «Existence Is Temporary», a guitarrista/vocalista britânica de metal progressivo Grace Hayhurst regressou com o seu álbum de estreia «The World Is Dying». Hayhurst descreve -o como “a ficção científica virou uma realidade horrível”. O retrocesso da disparidade do capital económico no planeta Terra. (Independente)

The Bleak Picture - «Shades Of Life» (Finlândia, Melodic Death/Doom Metal) | Desde 2021, a parceria criativa do vocalista Tero Ruohonen e do multi-instrumentista Jussi Hänninen trabalharam juntos sob a bandeira de The Bleak Picture, invocando imensas árias de doom/death de beleza impressionante e angústia avassaladora. «Shades Of Life» é construído sobre as bases do doom/death metal clássico, com vocais profundos e expressivos, linhas de guitarra emotivas e melódicas e riffs vastos e austeros. (Ardua Music)

King Potenaz - «Arcane Desert Ritual - Vol 1» (Itália, Doom/Stoner Metal/Rock) | King Potenaz, do sul da Itália, regressa com um sermão de terra arrasada de doom confuso, cru e oculto no seu aguardado segundo álbum, «Arcane Desert Rituals Vol». Formado como um power trio no sul profundo da Itália, o King Potenaz invoca as vibrações clássicas de Black Sabbath, Electric Wizard, Monster Magnet, Kyuss e Sleep, misturando riffs stoner com doom cavernoso e psicadelia oculta. King Potenaz é um trio de poder pulverizador de stoner doom. (Majestic Mountain Records)

Brunhilde - «In Love Yours Hate» (Alemanha, Punk / Alternative Rock) | Emergindo da vibrante cena rock da Alemanha, BRUNHILDE esculpiu um nicho único com a sua poderosa fusão de metal, punk e hard rock de energia bruta e intensidade implacável. No centro de BRUNHILDE está a dinâmica vocalista Caro e o seu “parceiro no crime” Kurt Bauereiß, guitarrista e principal compositor da banda. Eles criaram um som que é intenso e ousado, combinando ferocidade com melodia para tornar a música um poderoso grito de guerra e libertação emocional. (Other)

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Nas remessas entre edições versus, chegaram-nos 317 álbuns, no topo temos um empate técnico entre o Death Metal e Black Metal. A tendência Death Metal parece confirmar-se, veremos se na próxima versus temos um novo líder! Continuamos a ser dominados por estes dois géneros.

No topo nada de novo. Tudo parece bastante estável. De realçar termos recebido álbuns do Irão, Ucrânia, Turquia, escócia, Islândia e Dinamarca, que apesar de ser a terra de Lars Ulrich e King Diamond, e estar ali mesmo por cima da Alemanha, não é um país com grande expressão no Metal.

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