Page 1

RESPIROS URBANOS

NO BAIXO AUGUSTA: PROPOSTA DE UMA FÁBRICA DE CULTURA

VANESSA MARTINS


2


3


UNIVERSIDADE PAULISTA Instituto de Ciências Exatas e Tecnologias

RESPIROS URBANOS NO BAIXO AUGUSTA: Proposta de uma Fábrica de Cultura

VANESSA MARTINS DOS SANTOS

Trabalho Final de Graduação apresentado à Universidade Paulista, para obtenção do título de arquiteto e urbanista. Orientadora | Profª Maria Claúdia Oliveira

SÃO PAULO 2017


Agradecimentos Agradeço à Deus por ser a força que me capicitou a chegar até aqui. Agradeço à minha família, meus irmãos Ricardo e Guilherme por cada um do seu jeito, serem exemplos para mim. Com imensa gratidão e amor, aos meus pais Adelaide e Ivo por me ensinarem valores e preceitos que levarei para toda a vida, por me apoiarem em todos os momentos e me darem forças para conquistar meus sonhos. Agradeço a minha professora orientadora Maria Cláudia por toda paciência e dedicação para que esse trabalho fosse executado. Sua percepção de arquitetura me proporcionou um olhar crítico e lúdico para o mundo ao meu redor. Agradeço ao Marcelo por todo incentivo, parceria e companheirismo. Agradeço a todas as pessoas que contribuíram e caminharam comigo no decorrer dessa jornada. Em especial por ordem alfabética: Ana Paula, Angela Fabiane, Danila Rodrigues, Lucas de Sá, Nicolas Melo e Vitor Viana. Por fim, agradeço ao PROUNI por ter me proporcionado a realização de um sonho.

" Eu tão singular me vi plural..." (Sonhei, Lenine)

7


Sumário A RUA AUGUSTA.............................................................................13 Rua Augusta na cidade 14 Linha do tempo 16 Rua Augusta 16 O processo de urbanização da Rua Augusta

18

O processo de verticalização da Rua Augusta

20

Pesquisa com a população 22

RESPIROS URBANOS.....................................................................25 Microclima urbano 26 Respiros Urbanos: Interstícios na Rua Augusta

28

FÁBRICAS DE CULTURA................................................................31 Identidade cultural da Rua Augusta 32 Perfil cultural dos Paulistas

34

A função social das Fábricas de Cultura

36

Fábricas de Cultura na cidade de São Paulo

38

VISITAS TÉCNICAS..........................................................................41 Visita técnica à Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha

42

Visita técnica à Fábrica de Cultura Itaim Paulista

44

ESTUDOS DE CASO........................................................................47 Plassen Cultural Center 48

8


KUBE - Centro Cultural 54 Fábrica de Cultura de Barranquilla

58

Referências projetuais 62

FÁBRICA DE CULTURA AUGUSTA.................................................65 O lugar 66 Demolições 68 O terreno da Eletropaulo: vestígio da Rua Augusta dos anos 30

70

Entorno 72 Diagnóstico 74 Legislação 76 Diretrizes do Plano Diretor 77 Diretrizes 78 Partido 79 Estudos de insolação 80 Diagramas 81 Áreas 82 Materiais 83 Respiros Urbanos: extensões da Fábrica de Cultura Augusta

99

Bibliografia

102

ATA DA BANCA DE AVALIAÇÃO...................................................104

9


10


Introdução A Rua Augusta é um pólo de cultura e diversidade ímpar na cidade de São Paulo. A escolha dessa região para a implantação do projeto, se deu pelo fato de que apesar de toda sua importância histórica, tendo marcado diversas gerações, ela está passando por um processo de tranformação imobiliária e construtiva onde cabem alguns questionamentos e reflexões. As fotos ao lado são da nova fase da Rua Augusta. Vários prédios novos estão sendo construídos. Eles possuem algumas características em comum: gabaritos de altura elevados, térreos privativos e pouca interação com a rua. As figuras 3 e 4 mostram a transformação ocorrida em um lote na esquina da Rua Augusta com a Rua Peixoto Gomide. A figura 3 é uma foto tirada no dia 30 de março de 2017, em uma das primeiras visitas realizada na Rua Augusta. Era uma edificação construída em 1913, propriedade do Dr. J. Brotero, sendo originalmente uma casa e depois se tornou uma farmácia, a pharmacia Bella Vista¹. Ela estava fechada desde 2012, ficando degradada e sem uso. A figura 4 é uma foto tirada no dia 13 de outubro de 2017, pouco mais de sete meses depois, ao voltar no local, ironicamente, havia uma farmácia, porém implantada nos padrões atuais. E a casa nº 277? Ficou apenas na lembrança e nas fotos. Pensando nisso, o objetivo da proposta de intervenção é preservar a vida urbana que já existe na Rua Augusta, porém com a qualidade de espaços públicos coerentes com a escala da via, através da implantação de uma Fábrica de Cultura, um modelo importante de equipamento público implantado pelo Governo do Estado de São Paulo, juntamente com a criação de respiros urbanos, que são pequenas praças temáticas pela Rua Augusta que servem como extensões urbanas da Fábrica de Cultura. Além disso, foi proposto um "retrofit" em um galpão que atualmente pertence a Eletropaulo, mas no passado abrigou o pátio de bondes da Rua Augusta. O motivo de manter o galpão e dar um novo uso social é de que daqui alguns meses ou anos, ele poderá ter o mesmo destino da casa azul.

Fig. 1 e 2: Novos edíficios residenciais na Rua Augusta. | Fig. 3: Casa n° 277 na esquina da Rua Augusta com a Rua Peixoto Gomide. | Fig. 4: Fármacia construída no lote da antiga casa n° 277. Fonte: Fotos tirada pela autora, 2017.

¹ PISSARDO, pg. 49.

11


12


1

A RUA AUGUSTA

"Essa rua tão comércio... Essa rua tão problema, cuidado com as curvas. Esta rua tão mulher... Esta rua tão pequena, mais lugar para encontros... Crescendo sem parar Esta rua tão noturna, tão risonha Esta rua tão Augusta!" (Trecho do filme "Esta Rua tão Augusta" de 1966)

Fonte das figuras ao lado:

Fig. 5 e 6 Fonte: Foto tirada pela autora, 2017 | Fig. 7, 8, 9 e 10 Fonte: www.instagram.com/baixoaugustasp/, acesso em 24/04/2017.

13


Rua Augusta na cidade A Rua Augusta fica localizada na cidade de São Paulo, começando na região Central e extendendo-se até a zona Oeste. Está inserida nos distritos Sé e Pinheiros, passando pelos bairros da Consolação e do Jardim Paulista. O trecho estudado se inicia na Rua Martins Fontes (sentido Centro), cruza a Av. Paulista e termina na Rua Estados Unidos (sentido Jardins). A via de aproximadamente 3,2 Km de extensão é conhecida a nível internacional pelo movimento noturno, principalmente na área mais próxima do Centro, conhecida desde 1994, como Baixo Augusta. Essa é a região foco do presente trabalho, por ter sofrido diversas modificações de uso no decorrer da história, sendo alvo de um preconceito que atualmente não reflete mais a realidade do local, que é o de lugar promíscuo e de prostituição, realidade dos anos 90 que começa a mudar a partir de 2005, com a reabertura de um famoso bar. A partir de então, o Baixo Augusta é cenário da famosa noite paulistana.

14

| A Rua Augusta


Prefeitura regional da Sé Prefeitura regional de Pinheiros

Escala 1: 380000

Fig. 11 ao lado: Esquina da Av. Paulista com a Rua Augusta.

Fonte: Marcos Lamego, disponível em: www.flickr.com. Acesso em 19/10/2017.

Fig.12: Localização da Rua Augusta no município de São Paulo.

Fonte: Elaboração da autora através do programa Qgis, 2017.

A Rua Augusta |

15


Linha do tempo Rua Augusta

R. Augusta prolongada até a R. Martins Fontes

Casas geminadas para operários Implantação de combustores a gás

Programa de melhoramentos urbanos da Prefeitura

Abertura do Colégio Des Oiseaux

Especulação imobiliária

Inauguração do bonde elétrico 45

Residencias com garagens

1901 - 1911

1923 - 1943

1890 - 1900

1912 - 1922

1944 - 1954

Fundação da Rua Augusta

Light inaugura o galpão de bondes

CMTC desativa o bonde 45

Fundação da Av. Paulista (Rua Real Grandeza)

Fundação do bairro Jd. América

Primeiras edificações de maior altura

Construção do Velódromo

Desapropriação do Velódromo

Fundação do Clube dos Ingleses

Club Atlético Paulistano vai para R. Augusta com R. Estados Unidos

Inauguração do tróleibus na R. Augusta

(Arqº Tommaso Gaudencio Bezzi)

Casas com garagens

16

| A Rua Augusta

Inauguração do Grand Hotel Cad'oro, cinemas e da loja Plàs (existente até hoje).


Abertura de hóteis (com Abertura do Conjunto Nacional

menor tempo de permanência para atender a prostituição)

Inaugurações de galerias comerciais na R. Augusta

Itensificação de esvaziamento das regiões centrais

Colégio Des Oiseaux se muda

Primeira referência ao termo Baixo Augusta (por Caio F. de Abreu em um jornal)

Encerramento de baladas e casa de shows para construção de novos empreendimentos imobiliários

1977 - 1995

2010 - 2017

FIlme: O puritano da Rua Augusta, do Mazzaropi

1955 - 1965

Abertura de baladas e bares Inauguração da nova Praça Roosevelt

1966 - 1976

1996 - 2009

Inauguração do Shopping Iguatemi

Abertura de casas de shows e baladas, como Inferno Club e Vegas

Primeiros estacionamentos privados na R. Augusta Motoqueiros começam a era da paquera motorizada

Itensificação da especulação imobiliária na região

Projeto Nova Augusta (Arqº Jorge Wilheim)

A Rua Augusta |

17


O processo de urbanização da Rua Augusta A Rua Augusta se consolidou no final do século XIX, sendo alvo desde então, de diversas modificações no seu tecido urbano e na sua função social. Sua localização geográfica privilegiada, sendo ligação entre os bairros de elite e o centro da cidade, foi decisiva para a instalação de equipamentos modernos de transporte, cultura e lazer (PISSARDO, 2013, p.23). Com o passar do tempo, a importância na rua se expandiu além do seu próprio bairro, tornando-se importante para a cidade. No período em que a Rua Augusta foi consolidada, a área urbana da cidade de São Paulo se restringia basicamente pelas imediações do triângulo histórico, sendo envolvida por áreas semiurbanas compostas por chácaras, onde morava a elite paulistana. O abrupto crescimento urbano que São Paulo passou (...) fez com que diversas dessas chácaras envoltórias ao centro histórico fossem loteadas e passassem a abrigar bairros e ruas novas. (...) A futura Rua Augusta fazia parte de duas importantes chácaras: sua maior parte concentrava-se nos territórios da Chácara do Capão, pertencente a Mariano Antônio Vieira, e sua parte inicial, na Chácara Martinho Prado. (PISSARDO, 2014, p.25)

18

| A Rua Augusta

No mesmo período, a Avenida Paulista surge, nomeada de Rua da Real Grandeza. A ideia era atrair a elite paulistana para um novo espaço alto e com vista, porém por ser muito próximo do cemitério da Consolação e por ter um percurso lamacento, sem transporte coletivo e distante do centro da cidade, o objetivo de Mariano Vieira não foi atingido (PISSARDO, 2013, p.28). Ao analisar o mapa da cidade de São Paulo de 1895 (figura 13) é interessante notar que a Rua Augusta se conectava por meio da Rua Caio Prado, à Rua da Consolação para chegar a região central. E em 1987, ela passa a se conetar com a Rua Martinho Prado, gerando um acesso direto ao centro. A ocupação e o uso da Augusta vai se alterando de acordo com os novos equipamentos que vão surgindo. A prefeitura passa a investir cada vez mais em infraestrutura e mobiliário urbano, decisão que atraia cada vez mais pedestres para circular pela Augusta.


ta

us

a

Ru

g Au

Fig. 13: Mapa da cidade de Sรฃo Paulo em 1895.

Fonte: Secretaria de Estado de Economia e Planejamento. Instituto Geogrรกfico e Cartogrรกfico - IGC. Acervo - Tombo: 1322 - modificado.

A Rua Augusta |

19


O processo de verticalização da Rua Augusta A cidade de São Paulo passa por um processo de verticalização a partir do século XX, pela disseminação do concreto armado e da nacionalização da indústria de elevadores na década de 20 (SANTOS, 2012, p.84). (...) a vontade do incorporador de construir aqui ou ali é presidida por algumas regras, como: disponibilidade de terrenos de um certo porte, disponibilidade de infraestrutura, maximização do uso de equipamentos da empresa etc. (SOUZA, 1994, p.204)

A cidade se baseava nos moldes das cidades europeias para fazer seu planejamento urbano e para definir as formas dos novos edíficos. Porém, a fase mais abrupta de verticalização na cidade, se deu quando o desenvolvimento industrial forçou a cidade a buscar uma nova imagem, que a aproximasse da era da máquina, aos moldes americanos (SANTOS, 2012, p.83). Foi no cenário de mudança dos costumes paulistanos, que aos poucos foi acabando com o preconceito do adensamento de moradores no mesmo prédio, até então associado a ideia de cortiço (PISSARDO, 2013, p.91), que a Rua 20

| A Rua Augusta

Augusta começa a ter seus primeiros edifícios com maior altura, em meados dos anos 50. Porém, a especulação na Augusta não é tão grande, devido aos problemas que a região mais próxima do centro enfrentava, como os alagamentos constantes e com o abandono da elite das áreas centrais, a rua não teve muitas demolições nesse período, mantendo a predominância das casas dos anos 30 na região. No ínicio do século XXI, a especulação imobiliária se fortalece principalmente na região do Baixo Augusta e se mantém até os dias atuais, tendendo a mudar as características tanto estruturais, quanto de apropriação do espaço urbano. Isso se deve ao fato da Rua Augusta ter uma localização privilegiada e com uma boa infraestrutura. Esses novos empreendimentos de uso comerical e residencial, são destinados ao público de maior poder aquisitivo e classe média. Os apartamentos são pequenos e neles a segurança torna-se uma preocupação exagerada, gerando um isolamento dos prédios com a rua, através de grades e principalmente por altos muros. Eles também negam a


característica tipológica da rua, que desde o seu surgimento mesclou o uso residencial e comercial. Na medida em que vão tentar garantir a segurança de seus moradores, elevando muros que separam o edifício da rua, aumentam a sensação de insegurança dos passantes, principalmente durante o

14.

período da noite. (PISSARDO, 2013, p.189)

De acordo com Gehl, os edifícios baixos estão de acordo com os sentidos humanos, que podem interagir com edifícios de até cinco andares. Acima disso, o olhar humano perde o sentido de escala com a cidade. Isso vem ocorrendo nos novos prédios da Augusta, pois além de altos, tendo em média vinte andares, eles não interagem com a cidade e se fecham pra si mesmos.

Edificações características dos três períodos da Rua Augusta. Fig. 14: Casas na Rua Augusta com térreo comercial e andares superiores residencial, característico dos anos 30. | Fig. 15: Edifício com térreo comercial e andares superiores residencial, característico dos anos 50. | Fig. 16: Edifício residencial com muro para Augusta, característico dos anos 2000. Fonte: Fotos tiradas pela autora, 2017.

15.

16. A Rua Augusta |

21


Pesquisa com a população Com

intuito de descobrir o que a

população pensa sobre a Rua Augusta, de identificar seus usuários e interesses, foi realizada uma pesquisa através do Google Formulários, entre os dias 24/03/2017 e 26/04/2017. A divulgação das perguntas foi realizada através de redes sociais. Os resultados obtidos contribuiram para a escolha do tema e na definição das propostas de reurbanização do Baixo Augusta. No total foram 75 participantes. A seguir estão os resultados.

22

Augusta em uma palavra

Idade dos participantes

Frequência que vai a Augusta

Região de moradia

Período que frequenta

| A Rua Augusta


Deveria ter na Augusta

PRAÇAS PARQUE

MOBILIÁRIO URBANO CALÇADA LARGA POLICIAMENTO

ESPAÇO PÚBLICO MÃO ÚNICA ÁRVORES

Problemas da Augusta

CALÇADA ESTREITA INSEGURANÇA TRÂNSITO SUJEIRA ABANDONO ILUMINAÇÃO BARULHO

Lado que vai ou conhece mais

Calçadas da Augusta são:

Tipologia arquitetônica agradável

Novos prédios, considera:

Espaço que iria na Augusta

Lugar agradável para passear

A Rua Augusta |

23


2

RESPIROS URBANOS "Não posso respirar, não posso mais nadar A terra está morrendo, não dá mais pra plantar Se planta não nasce se nasce não dá Até pinga da boa é difícil de encontrar Cadê a flor que estava aqui? Poluição comeu. E o peixe que é do mar? Poluição comeu E o verde onde que está ? Poluição comeu Nem o Chico Mendes sobreviveu" (Música: Xote da Poluição, Chico Cesar)

Fonte das figuras ao lado:

Fig. 17, 18, 19, 20, 21 e 22 Fonte: www.instagram.com/baixoaugustasp/, acesso em 24/04/2017.

25

25


Microclima urbano A Rua Augusta apresenta uma característica típica das grandes cidades: muito concreto e poucas árvores. Ao caminhar pela Rua Augusta durante o dia é possível perceber o efeito da falta de sombreamento. O sol, junto com a poluição, asfalto e o concreto das edificações resultam em aumento da temperatura do ar, gerando um efeito de Ilha de Calor nos centros urbanos densamente ocupados (SANTAMOURIS, 2001). De acordo com Gehl, o trabalho com clima e proteção climática concentra-se em três níveis: macroclima, clima local e microclima. O macroclima é o clima de uma região de um modo geral. O clima local é o clima das cidades e do ambiente construído. O microclima é o clima numa zona atmosférica local, podendo ser numa escala reduzida a uma rua, vielas, reentrâncias e recuos, ou ao redor de um mobiliário público espedífico, como um banco (GEHL, 2014, p.168). Poucos tópicos tem maior importância para o conforto e bem-estar no espaço urbano do que o clima no local onde se está sentado, caminhando ou andando de bicicleta (GEHL, 2014, p.168).

26

| Respiros urbanos

Ao olharmos a figura 23, foto de uma árvore na Rua Augusta, em frente ao Parque Augusta e analisarmos o mapa da figura 24, que mostra a arborização urbana na região da Rua Augusta, podemos notar que apesar de no levantamento constar uma quantidade considerável de árvores, muitas delas não tem porte para gerar o sombreamento necessário, além da ausência de mobiliário urbano para o conforto dos pedestres. Outra observação pertinente ao mapa ao lado é de como a regiã dos Jardins possui mais vegetação urbana do que a região central.

Fig. 23: Rua Augusta e frente ao terreno conhecido como "Parque Augusta". Uma árvore é suficiente? Fonte: Google Maps, 2017.


Fig. 24: Árvorização urbana e áreas verdes da região da Rua Augusta. Fonte dos dados: Geosampa. Elaboração da autora através do programa Qgis, 2017.

Escala 1:10000

27


Respiros Urbanos: Interstícios na Rua Augusta É interessante observar que a cidade possui muitos espaços livres, porém eles geralmente são subutilizados ou ignorados. Esses espaços são chamados de interstícios urbanos, que são vazios delimitados por interfaces verticais e horizontais, restando sempre uma interface livre, de contato com o exterior (PIZARRO, 2014). Tipificando e exemplificando, os interstícios são: os espaços convencionalmente classificados como livres (espaços públicos e semi-públicos como parques, praças, largos e térreos livres); os espaços que, apesar de livres em sua essência, não são vistos e apropriados como tal nas cidades brasileiras, por não caracterizarem espaços de convivência urbana (espaços públicos e semi-públicos como ruas, calçadas, galerias, miolos de quadra); e os espaços abertos que não são livres, mas sim privados (jardins de casas e condomínios, quintais, varandas, terraços, coberturas). (PIZARRO, 2014, p.45)

A figura 25 mostra a rede de espaços vazios que permeia o ambiente construído, de modo articulador e interfacial, é que residem os potenciais de sua valorização e reativação infraestrutural (PIZARRO, 2014). 28

| Respiros urbanos

Conforme o pensamento de Gehl, espaços urbanos devem ser convidativos e ser atraentes, de modo que as pessoas possam ficar mais próximas entre si. Espaços amplos demais, que propicia afastamento entre as pessoas não funcionam bem. Como por exemplo, o Largo da Batata que apenas depois de muitos anos de implantado vem descobrindo uma função social, por causa de grupos de pessoas que veem criando atividades de ocupação para ele. Seguindo esse pensamento, ao analisar os interstícios urbanos (figura 25) junto com os espaços ociosos e subutilizados do Baixo Augusta (figura 26), percebe-se um grande potencial para resolução de alguns problemas urbanos. Como a ausência de espaços públicos e verdes na Augusta. A maioria desses espaços subutilizados no Baixo Augusta são estacionamentos particulares. Considerando o potencial da região e os problemas não solucionados atualmente, eles são um grande potencial para espaços públicos.


Legenda: Rua Augusta Vazios Edificações

100

0

100

200

Fig. 25: Insterstícios do Baixo Augusta e região (em 300 400 m planta).

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

100

0

100

200

300

Legenda:

400 m

Rua Augusta Espaços ociosos e subutiizados Estacionamentos

100

0

100

200

Fig. 26: Espaços ociosos e subutilizados no Baixo Augusta, mapeados através de visita ao local 300 400 .m

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

Respiros urbanos |

29


3

FÁBRICAS DE CULTURA "A gente não quer só comida A gente quer comida, diversão e arte A gente não quer só comida A gente quer saída para qualquer parte A gente não quer só comida A gente quer bebida, diversão, balé A gente não quer só comida A gente quer a vida como a vida quer" (Música: Comida, Titãs)

Fonte das figuras ao lado:

Fig. 27, 28, 29, 30 e 31 - Fonte: www.fabricasdecultura.org.br , acesso em 26/05/2017.| Fig. 32 - Fonte: Foto tirada pela autora, 2017.

31

31


Identidade cultural da Rua Augusta A Rua Augusta é considerada um pólo de diversidade cultural por ter cinemas, teatros, bares e frequentadores de diferentes tipos. No mapa da figura 32, percebe-se a grande quantidade de equipamentos culturais da Rua Augusta. Portanto, pode-se dizer que ela é bem abastecida de equipamentos culturais. Porém, ao analisar o tipo desses equipamentos culturais, percebe-se que eles se limitam a locais particulares, sendo que em nenhum deles é possível frequentar e usar sem pagar um ingresso. Com o objetivo de reforçar a identidade cultural da Rua Augusta através de um equipamento público, a proposta de intervenção arquitetônica no Baixo Augusta é uma Fábrica de Cultura.

Cinemas

Teatros

Casas de shows 32

PlayArte

Espaço Itaú

Reserva C.

CineSesc

Nair Bello

Frei Caneca

Augusta R$ 50,00

Rotina

R$ 20,00

1007

OUTS

Lê Revê

Selva Club

R$ 40,00

R$ 70,00

R$ 80,00

| Fábricas de cultura

R$ 35,00

R$ 60,00

R$ 50,00

R$ 34,00

R$ 40,00

R$ 24,00

R$ 35,00

* Valores retirados dos sites dos locais, considerando compra no dia do evento, em um final de semana, ingresso tipo inteira.

Valores de entrada de alguns locais culturais da região*


Fig. 32: Equipamentos culturais na Rua Augusta e região. Fonte dos dados: Geosampa. Elaboração da autora através do programa Qgis, 2017.

Legenda Rua Augusta

Equipamentos culturais Cinema e Shows Cinema Casa de show Teato Bibliotecas Museus Galerias EscalaRespiros 1:10.000urbanos

Areas verdes Árvores

33


Perfil cultural dos Paulistas O Instituto Datafolha em conjunto com a JLeiva Cultura & Esporte, realizaram em 2014, uma pesquisa em 21 cidades do estado de São Paulo, intitulada como "Hábitos culturais dos paulistas". Quase 8 mil pessoas participaram da pesquisa, e a seguir, temos dois gráficos apontando alguns dos resultados. Eles demonstram que a maior parte da população utiliza seu tempo livre com atividades de mídias e que cinema é a atividade cultural de maior interesse.

34

| Fábricas de cultura

Fig. 33: Gráfico de respotas sobre atividades realizadas no tempo livre. Fonte: Datafolha.


Fig. 34: Grรกfico de respotas sobre o grau de interesse nas atividades culturais. Fonte: Datafolha.

Fรกbricas de cultura |

35


A função social das Fábricas de Cultura São Paulo é a capital cultural do Brasil. A diversidade de origens étnicas da população ocasionam um grande dinamismo cultural. Mas o que é de fato cultura? De acordo com Santos, cultura diz respeito à humanidade como um todo e ao mesmo tempo a cada um dos povos. Cultura: 1. Ato, efeito ou modo de cultivar. 2. O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc., transmitidos coletivamente, e típicos de uma sociedade. 3. O conjunto de conhecimentos adquiridos em determinado campo. (FERREIRA, 2002, p.197)

Em 2010 o Governo do Estado de São Paulo firmou um contrato de empréstimo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a implantação das Fábricas de Cultura. O início do programa foi resultado dos estudos da Fundação Nacional de Análise de Dados (SEADE), acerca do Índice de Vulnerabilidade Junevil (IVJ), tendo por objetivo determinar quais áreas na cidade de São Paulo mais necessitam de intervenção do poder público. 36

| Fábricas de cultura

As Fábricas de Cultura são espaços de formação e difusão artística e cultural, desenvolvidas pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, e administrada pelo Catavento Cultural e Educacional e pelo Poesis. Nelas são oferecidos cursos, bibliotecas, teatro, estúdios etc, de forma gratuita e aberta para toda a população, desde crianças a idosos. Para frequentar os cursos é necessário fazer inscrição. A pretensão das Fábricas de Cultura é consolidar o fortalecimento de ações com a comunidade, integrando a família dos participantes, escolas, organismo sociais e outras entidades como parceira.

Fig. 35: Logo das Fábricas de Cultura.

Fonte: www.fabricasdecultura.org.br, acesso em 24/04/2017.


• Música

• Vídeo

• Literatura

• Dança

• Desenho

• Aúdio

• Capoeira

• Grafite

• DJ

• Circo

• Escrita criativa

•Cenário

• Fotografia

•Teatro

• Figurino e costura • Games • Iluminação • Design gráfico

• Ecologia urbana • Canto •Pintura • Animação • Entre outros

Fig. 36: Cursos e tividades oferecidos nas Fábricas de Cultura.

Fonte: Livreto Institucional Fábricas de Cultural. Disponível em www.fabricasdecultura.org.br, acesso em 24/04/2017.

Fig. 37: Aprentação de arte circense na Fábrica de Cultura da Cidade Tiradentes. Fonte: www.fabricasdecultura.org.br, acesso em 26/05/2017.

Fábricas de cultura |

37


Fábricas de Cultura na cidade de São Paulo Atualmente o município de São Paulo possui dez Fábricas de Cultura, sendo cinco na zona leste e cinco distribuidas entre as zonas norte e sul, não existindo nenhuma no centro da cidade. A primeira unidade de fábricas, foi a Fábrica de Cultura da Vila Curuça, inaugurada em 2011. A última unidade foi a Fábrica de Cultura da Brasilândia, em 2014.

Fig. 38: Localização das Fábricas de Cultura no município de São Paulo. Fonte dos dados: Endereços localizados no site www.fabricasdecultura.org.br. Elaboração da autora através do programa Qgis, 2017.

Escala 1: 400000

Fig. 39: Fábrica de Cultura do Jardim São Luis. | Fig. 40: Fábrica de Cultura do Itaim Paulista. | Fig. 41: Fábrica de Cultura do Curuça. | Fig. 42: Fábrica de Cultura da Brasilândia. | Fig. 43: Fábrica de Cultura da Cachoeirinha. | Fig. 44: Fábrica de Cultura do Belenzinho. Fonte: www.fabricasdecultura.org.br, acesso em 24/04/2017.

38

| Fábricas de cultura


Fรกbricas de cultura |

39


4 VISITAS TÉCNICAS

" Além de sua sustentabilidade e de sua inteligência, a arquitetura deve ser uma fábrica de emoções" (Renzo Piano)

Fonte das figuras ao lado:

Fig. 45. 46. 47. 48, 49 e 50. Fonte: Fotos tiradas pela autora, 2017.

41

41


Visita técnica à Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha A visita técnica realizada na Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha, localizada na Rua Franklin do Amaral, 1575, teve como propósito analisar a distribuição do programa, a estrutura, vedações, dimensões e características arquitetônicas e espaciais do local. A visita foi realizada no dia 27/05/2017, acompanhada pelo encarregado Leonardo, que explicou o funcionamento da Fábrica, quem são os usuários e comentou sobre a função de cada espaço. Fig. 51: Vista da Fábrica de Cultura da Cachoeirinha.

Fonte: Foto tirada pela autora, 2017.

Fig. 52: Recpção. | Fig. 53: Área externa, com visão para o refeitório. | Fig. 54: Circulação horizontal. | Fig. 55: Rampa de acesso à biblioteca. | Fig. 56: Rampa de acesso à Fábrica. | Fig. 57: Biblioteca. Fonte: Fotos tiradas pela autora, 2017.

42

| Visitas técnicas


Visitas tĂŠcnicas |

43


Visita técnica à Fábrica de Cultura Itaim Paulista A visita técnica realizada na Fábrica de Cultura Itaim Paulista, localizada na Rua Estudantes da China, 500, teve como propósito analisar as diferenças entre a distribuição do programa nas Fábricas de Cultura. Foi identificado que a setorização e solução arquitetônica das duas fábricas visitadas são muito parecidas. Concluiu-se então, que as Fábricas possuem um projeto padrão, possuindo poucas variações. A maior diferença entre a Fábrica de Cultura do Itaim Paulista com a da Vila Nova Cachoeirinha é que a primeira possui um prédio anexo, que abriga o teatro.

Fig. 58: Grafite no subsolo da Fábrica de Cultura do Itaim Paulista. Fonte: Foto tirada pela autora, 2017

Fig. 59: Foyer do teatro. | Fig. 60: Vista do foyer do teatro pelo mezanino. | Fig. 61: Espaço entre a Fábrica de Cultura e o edifício do teatro. | Fig. 62: Teatro. | Fig. 63: Cobogós de cimento e vidro. | Fig. 64: Teatro, com foco no acabamento lateral da parede, para controle acústico. Fonte: Fotos tirada pela autora, 2017

44

| Visitas técnicas


Visitas tĂŠcnicas |

45


5

ESTUDOS DE CASO

" Não me iludo Tudo permanecerá do jeito Que tem sido Transcorrendo, transformando Tempo e espaço navegando todos os sentidos" (Música: Tempo rei, Gilberto Gil)

Fonte das figuras ao lado:

Fig. 65. Fonte: http://www.archiscene.net, acesso em 16/05/2017. | Fig. 66. Fonte: http://milimet.com, acesso em 20/05/2017. | Fig. 67. Fonte: http://u-tt.com, acesso em 29/05/2017.

47

47


Plassen Cultural Center Localização: Molde, Noruega Arquitetos: 3XN Architects Programa: Centro Cultural Projeto: 2012 Área construída: 5.800 m²

48


INSERÇÃO URBANA O Plassen Cultural Center, construído em 2012, está localizado na cidade de Molde, na Noruega. Está situado há apenas duas quadras do mar, em uma região que possui muitos hóteis, resturantes e residências. Fica próximo do Akion Stadio, estádio sede do time de futebol de Molde. Fig. 68 da página ao lado: Perspectiva do projeto. http://www.archiscene.net, acesso em 16/05/2017.

Figura 69: Vista aérea de Molde, Noruega. Fonte: Google Maps, 2017.

Estudos de caso |

49


COMPOSIÇÃO VOLUMÉTRICA O Plassen tem uma composição volumétrica harmoniosa, que foi pensada a partir de um retângulo base, que vai se transformando de acordo com os percursos desejados para os pedestres. O resultado é um edifício permeável, que possibilita que o pedestre transite por dentro, por fora e por cima. Desse modo, o edifício garante atividades humanas em toda sua composição, além de permitir a relação do entorno com o edifício. Fig. 70: Processo criativo da composição volumétrica do Plassen. Fonte: www.dezeen.com, acesso em 16/05/2017.

Retângulo base

Retângulo base é divido em três

Os rentângulos são movimentados em diferentes difereções, gerando as escadas

A volumetria resulta dos fluxos externos do edifício através de escadarias

O prisma tem recortes com vidros, que possibilitam relacionar o interior com o exterior do edifício. Fig. 71: Maquete volumétrica do Plassen. Fonte: www.dezeen.com, acesso em 16/05/2017.

50

| Estudos de caso


PROGRAMA DE USO

Teatro

Biblioteca

Workshop

Convívio

Sanitários

Área de performance

Acesso

Fig. 72: Planta pavimento térreo.

Fonte: Dezeen, modificado pela autora, 2017.

Fig. 73: Elevação do Plassen.

Fonte: www.dezeen.com, acesso em 16/05/2017.

Estudos de caso |

51


Fig. 74: Planta primeiro pavimento.

Fonte: Dezeen, modificado pela autora, 2017.

Fonte: Dezeen, modificado pela autora, 2017.

Teatro

Biblioteca (adulto)

Galeria

Lazer

Sanitários

Biblioteca (infantil)

Fig. 76: Elevação do Plassen.

Fonte: www.dezeen.com, acesso em 16/05/2017.

52

Fig. 75: Planta segundo pavimento.

| Estudos de caso

Acesso


Fig. 77: Biblioteca | Fig. 78: Teatro | Fig. 79: Festival de Jazz. Fonte: www.dezeen.com, acesso em 16/05/2017.

Fig. 80: Terraço - café.

Fonte: www.dezeen.com, acesso em 16/05/2017.

Fig. 81: Maquete volumétrica do Plassen, mostrando todos os pavimentos. Fonte: www.dezeen.com, acesso em 16/05/2017.

Estudos de caso |

53


KUBE - Centro Cultural Localização: Frederiksberg, Dinamarca Arquitetos: BIG Programa: Centro cultural Projeto: 2010

54


COMPOSIÇÃO VOLUMÉTRICA A composição volumétrica do kube foi pensada a partir da disposição de dois retângulos regulares no terreno, sendo um para o edifício de escritórios e o outro para o Kube. A partir disso, os arquitetos extrudiram as lajes de forma retilínea e depois deslocou elas em graus diferentes, gerando o efeito paredecido com um leque aberto. Após essa distorção, eles criaram desníveis nessas lajes, formando rampas de acesso pelo piso do térreo e de ligação ao edifício de escritórios. Fig. 82 da página ao lado: Perspectiva do Kube Cultural Center. Fonte: http://milimet.com, acesso em 20/05/2017.

Fig. 83: Processo criativo da composição volumétrica do Kube. Fonte: http://milimet.com, acesso em 20/05/2017.

Fig. 84: Maquete volumétrica do Plassen. Fonte: http://milimet.com, acesso em 20/05/2017.

Estudos de caso |

55


PROGRAMA DE USO

Legenda

Legenda

Legenda

Cultural

Restaurante

Cultural

Restaurante

Auditório

Covívio

Auditório

Covívio

Oficina

Fig. 85: Perspectiva setorizada do subsolo.

Fig. 86: Perspectiva setorizada do térreo.

Legenda

Legenda

Fonte: http://milimet.com, 20/05/2017.

Escadaria

acesso

em

Biblioteca

Escadaria

Fig. 88: Perspectiva setorizada do 2º pavimento. Fonte: http://milimet.com, 20/05/2017.

56

Fonte: http://milimet.com, 20/05/2017.

acesso

| Estudos de caso

em

acesso

em

Escadaria

Fig. 87: Perspectiva setorizada do 1º pavimento. Fonte: http://milimet.com, 20/05/2017.

acesso

em

Legenda Ensino

Covívio

Fig. 89: Perspectiva setorizada do 3º pavimento. Fonte: http://milimet.com, 20/05/2017.

acesso

em

Fig. 90: Perspectiva setorizada do 4º pavimento. Fonte: http://milimet.com, 20/05/2017.

acesso

em


Fig. 91: Espaço interno do Centro Cultural. | Fig. 92: Circulação vertical. | Fig. 93: Interação do auditório com a circulação horizontal. Fonte: http://milimet.com, acesso em 20/05/2017.

Fig. 94: Perspectiva externa do Kube, evidenciando a escadaria de acesso principal. Fonte: http://milimet.com, acesso em 20/05/2017.

Estudos de caso |

57


Fábrica de Cultura de Barranquilla Localização: Barranquilla, Colômbia Arquitetos: U-TT Programa: Fábrica de Cultura Projeto: 2013 Área: 7.00 m²

58


COMPOSIÇÃO VOLUMÉTRICA A composição volumétrica da Fábrica de Cultura de Barranquilla é composta pela relação de dois edifícios: um velho e um novo. Ela procurou criar um espaço com muita entrada de luz natural e ventilação, tendo muitos espaços abertos. A ideia do arquiteto foi que o edifício tivesse uma linguagem arquitetônica consistente. Fig. 95 da página ao lado: Perspectiva externa da Fábrica de Cultura de Barranquilla. Fonte: www.u-tt.com, acesso em 20/05/2017.

Fig. 96: A Fábrica de Cultura está inserida ao lado do antigo Colégio. Por meio do projeto de intervenção da Fábrica, o Governo de Barranquilla decidiu tombar o edifício do Colégio. Fonte: www.u-tt.com, acesso em 20/05/2017.

Fig. 97: O edifício da Fábrica fica localizado atrás do edifício do Colégio, gerando um pátio aberto entre eles. Fonte: www.edubar.com.co, 20/05/2017.

acesso

em

Fig. 98: O edifício da Fábrica fica localizado atrás do edifício do Colégio, gerando um pátio aberto entre eles. Fonte: www.u-tt.com, acesso em 20/05/2017.

Fig. 99: A estrutura da Fábrica consiste em lajes planas, pilares nas extremidades e núcleo rígido nas escadas e elevadores. A técnologia construtiva é o concreto armado. Não há vedações externas, a ideia é criar um espaço lúdico de interação do interno com o externo. Em locais que se faz necessário um divisória externa, os arquitetos pensaram em colocar panos e plásticos, criando um edifício que muda de acordo com o evento ou necessidade. Fonte: www.block.arch.ethz.ch, acesso em 20/05/2017.

Estudos de caso |

59


PROGRAMA DE USO 7 Salas de aula

Área flexível 600 pessoas

160 pessoas

4 Salas 15 pessoas

3 Estúdios 90 pessoas

6 Estúdios grandes 180 pessoas

2 Oficinas com mezanino 80 pessoas

Fig. 100: Perspectiva explicando parte do programa da Fabrica de Cultura. Fonte: www.u-tt.com, acesso em 20/05/2017.

Fig. 101: Vista frontal da Fabrica de Cultura e do Colegio. Fonte: www.publimetro.com, acesso em 29/05/2017.

60

| Estudos de caso


Fig. 102: Teatro da Fábrica de Cultura. A cobertura serve como elemento lúdico no térreo. Fonte: www.block.arch.ethz. ch, acesso em 20/05/2017.

Fig. 103: Perspectiva esquematica da Fabrica de Cultura. Fonte: www.block.arch.ethz.ch, acesso em 20/05/2017.

Estudos de caso |

61


Referências projetuais CINEMATECA DE SÃO PAULO A Cinemateca serviu de inspiração e referência para a intervenção realizada no galpão da Eletropaulo. Foi observado o uso dos materiais e metodologia de mínima intervenção.

Fig. 104: Vista da frente da Cinemateca.

Fonte: www.portalvilamariana.com, acesso em 22/10/2017.

SESC POMPÉIA Ícone no tema de reconversão de galpão industrial em equipamento cultural, o SESC Pompéia proporcionou a inspiração do mezanino para o galpão e a definição de mantê-lo como expaço de uso flexível.

Fig. 105: Centro de Eventos de Iporanga. Fonte: www.itaconstrutora.com, 22/10/2017.

62

| Estudos de caso

acesso

em


CENTRE GEORGES POMPIDOU A escadaria externa do Centre Pompidou foi referência na escada implantada no lado externo do edifício da Fábrica. A cor vermelha também foi usada como referência, pois demarca e contrasta com o restante do edifício.

Fig. 106: Centre Georges Pompidou.

Fonte: http://www.aviewoncities.com, acesso em 22/10/2017.

SESC 24 DE MAIO O SESC foi referência na distribuição do programa e espaços abertos com uso flexível. A parede de escalada também foi inserida no projeto, no pavimento térreo.

Fig. 107: SESC 24 de Maio, parede de escalada. Fonte: http://www.sp24hrs.com, 22/10/2017.

acesso

Estudos de caso |

em

63


6 FÁBRICA DE CULTURA AUGUSTA "Você podia me ensinar Como é que funciona isso aqui Por que é que quando a gente desce a augusta Não quer mais subir?..." (Trecho da música "Rua Augusta" do Ricardo Guimarães)

Fonte das figuras ao lado:

Fig. 108, 110, 111 e 112 - Fonte: www.instagram.com/baixoaugustasp/, acesso em 24/04/2017. | Fig. 109 e 113 - Fonte: Foto tirada pela autora, 2017.

65

65


O lugar O terreno escolhido para implantação da Fábrica de Cultura Augusta está localizado entre a Rua Augusta, Rua Peixoto Gomide e a Rua Frei Caneca. Parte do terreno abriga atualmente uma Estação de Transformação e Distribuição (ETD) da Eletropaulo, concessionária que fornece energia elétrica para a cidade de São Paulo, e outra parte são edificações de baixo gabarito de altura. O local apresenta valor histórico, por ter abrigado uma estação de energia dos bondes da Light antes de se tornar uma ETD, topografia adequada e fácil acesso de metrô, por estar próximo à Av. Paulista e ao Centro. Além disso, as demolições previstas, possibilitaram que o terreno ganhasse acesso para as três ruas.

Fig. 114: Localização da área de Fig. 115: Localização da área de Fig. 116: Localização da área de intervenção na Rua Augusta em intervenção na Rua Augusta em intervenção na Rua Augusta em 1930. 1954. 2004. Fonte: Sara Brasil, 1930 - modificado.

Fonte: VASP, 1954 - modificado.

Fonte: Google Earth, 2004 - modificado.

Fig. 117: Corte esquemático do perfil de elevação da Rua Augusta. Fonte: Google Earth, 2017 - modificado..

R. Estados Unidos

66

| Fábrica de cultura Augusta

Av. Paulista

Terreno

Praça Roosevelt


Cemitério da Consolação

d

na

nd

od

eA

lbu

qu

er qu

R

R.

e

re .F

ca

e an

iC

gu

Fe r

sta

Shopping Frei Caneca

Au

R.

ns

o aC

R.

o çã a l o

Ju de ov e Av .N

de

i to Gom R. Peixo

Espaço Itaú de Cinema

lh o

Paróquia Divino Esp. Sto.

Av .P au

Shopping Center 3

lis ta

Fig. 118: Localização da área de intervenção. Fonte: Google Maps, 2017 - modificado.

67


Demolições Para implantação da Fábrica de Cultura Augusta propõe-se a demolição de doze edificações que não possuem características arquitetônicas relevantes, não atendem o CA (Coeficiente de Aproveitamento) máximo permitido pelo zoneamento e não possuem habitações, apenas comércios passíveis de transferência para outros locais. A seguir serão apresentadas fotos das edificações que serão demolidas: Rua Augusta

LEGENDA Terreno Eletropaulo

Fig. 119: Croqui fiscal da Quadra F043 - Setor 010.

Fonte: Prefeitura Municipal de Sao Paulo, acesso em 20/03/2017.

Edificações a serem demolidas

Área do terreno da Eletropaulo = 2.461,00 m² Área dos terrenos das demolições = 2.970,55 m²

Área total de terrenos = 5.431,35 m² 68

| Fábrica de cultura Augusta


Comedians Correios Auto Center ETD Augusta

Fig. 120: Edificações a serem demolidas na R. Augusta. Fonte: Foto tirada pela autora, 2017.

Cabelereiro Loja de roupa Comércio fechado

Fig. 121: Edificações a serem demolidas na R. Peixoto Gomide. Fonte: Foto tirada pela autora, 2017.

Balada Terraço do Léo: bar e restaurante Casa abandonada Lan House Loja de roupa Lanchonete

Fig. 122: Edificações a serem demolidas na R. Frei Caneca. Fonte: Foto tirada pela autora, 2017.

Fábrica de cultura Augusta |

69


O terreno da Eletropaulo: vestígio da Rua Augusta dos anos 30 O terreno que atualmente abriga a ETD Augusta, da Eletropaulo, pertencia antigamente a companhia Light, e a edificação que existe até hoje, porém descaracterizada, servia como pátio dos bondes e trilhos elétricos. Após o encerramento das atividades da Light, o terreno passou a ser da Eletropaulo e no mesmo período foram executadas obras de enterramento subterrâneo das infraestruturas de distribuição de energia. Hoje, quem caminha pela Rua Augusta e passa ao lado do muro azul, não imagina que essa edificação possui um grande valor histórico para a rua. Muitos pensam até que o local está abandonado. Analisando todo o potencial do terreno e da edificação que permanece com a fachada da Rua Augusta praticamente original, foi proposta duas possibilidades: a desativação da ETD nesse terreno, sendo transferida para um outro local que estivesse no mesmo eixo do atual, pensando na otimização das infraestruturas subterrâneas ou a possibilidade de inserir a ETD no subterrâneo do terreno atual, aonde está prevista uma praça ao ar livre na Fábrica de Cultura Augusta. 70

| Fábrica de cultura Augusta

Um programa de Pós-graduação da UFSM, discute novas estratégias para priorizar a substituição de transformadores em subestações de energia elétrica no Brasil. Embasados pela resolução normativa da ANEEL 443/2011, que estabelece a distinção entre melhorias e reforços em instalações de transmissão, eles defendem que há necessidade de substituição dos equipamentos, devido ao risco de falha e fator de impacto de cada equipamento. Para isso, eles propõem uma nova técnica de baixo custo para estimativa da vida útil do papel isolante do equipamento em uma subestação de energia. Considerando as informações dessa pesquisa, a possibilidade de transferência da ETD Augusta, seria uma oportunidade de substituição dos equipamentos existentes, buscando alternativas mais eficientes. A proposta é manter o galpão, através de um projeto de reconversão e restauro, desse modo, além de oferecer à Rua Augusta um novo equipamento cultural e um espaço público, também resignaria o edifício antigo omo memória do bairro da época que a Rua Augusta era famosa pelo seu Bonde 45.


Fig. 124: Fachada da estação de bondes elétricos da Light na Rua Augusta em 1921. Fonte: DHP da Eletropaulo.

Fábrica de cultura Augusta |

71


Entorno

126

127 128

131

9

12

0

13

Fig. 125: Vista aérea do terreno de intervenção. Fonte: Google Maps, 2017 - modificado.

Fig. 126: Rua Augusta, edificações vizinhas do terreno da Eletropaulo que serão mantidas. | Fig. 127: Rua Augusta, vista do terreno da Eletropaulo sentido centro. | Fig. 128: Rua Augusta, edificações em frente ao terreno da Eletropaulo. | Fig. 129: Rua Augusta, relação de altura do galpão da Eletropaulo com os edifícios de fundo. | Fig. 130: Rua Peixoto Gomide, edificação ao lado do terreno, de esquina com a Rua Frei Caneca. | Fig. 131: Rua Frei Caneca, edificações a serem demolidas pela proposta de intervenção. Fonte: Fotos tiradas pela autora, 2017.

72

| Fábrica de cultura Augusta


126

127

128

129

130

131 Fรกbrica de cultura Augusta |

73


Diagnóstico

Fig. 132: e ocupação do solo 250 Mapa0 de uso250 500 750 da região 1000 m do Baixo Augusta. Sem escala. Fonte de dados: Geosampa, 2017. Elaboração da autora através do programa Qgis.

Fig. 133: Mapa de gabarito de altura da região do Baixo Augusta. Sem escala. Fonte de dados: Geosampa, 2017. Elaboração da autora através do programa Qgis.

Legenda Rua Augusta Uso e ocupação do solo Residencial vertical médio/alto padrão Terrenos vagos Outros Sem predominância Residencial horizontal médio/alto padrão Comércio e serviços Residencial e comércios/serviços Equipamentos públicos Sem informação Indústria e armazéns Comércios/serviços e indústria/armazéns Garagens Residencial e indústria/armazéns Escolas Residencial horizontal baixo padrão Residencial vertical baixo padrão

Os levantamentos de dados apresentados são da região do Baixo Augusta, que é a área foco desse trabalho. Através dos mapas, foi identificado que o Baixo Augusta está inserido predominantemente em ZEU (Zona de Estruturação Urbana). Essa zona prevê o adensamento Zoneamento de regiões que são pouco adensadas. O uso e ocoupação do solo da Rua Augusta é basicamente ZOE 74

ZM ZEU ZER_1| ZEPAM

Fábrica de cultura Augusta


Fig. 134: Mapa de mobilidade da região do Baixo Augusta. Sem escala. Fonte de dados: Geosampa, 2017. Elaboração da autora através do programa Qgis.

residencial e comercial. O gabarito de altura do Baixo Augusta no geral não é alto, com exceção de algumas edificações residenciais mais altas, principalmente os novos empreendimentos. OA região é bem atendida por transporte público, possuindo linhas de ônibus que passam na rua, além do metrô na região central e na Av. Paulista. Fábrica de cultura Augusta |

75


Legislação Dados do Zoneamento ZEU - Zona de Estruturação Urbana Área do terreno = 5.431,35 m² CA Min. 0,5 = 2.715,67 m² CA Max. 4 = 21.725,40 m² TO. 0,7 = 3.801,94 m²

Legenda Rua Augusta

Zoneamento

Fig. 135: Mapa de Augusta.

ZOE ZM ZEU ZER_1 ZEPAM ZEIS_3 ZCOR_1 ZC PCA_CANT AC_1 ZPR ZEM ZEIS_5 Zoneamento ZCOR_2

da região do Baixo

Equipamentos culturais

Fonte de dados: Geosampa, 2017. Cinema e Shows Elaboração da autora através do programa Qgis.

250

0

250

500

750

Cinema Casa de show Teato Bibliotecas Museus Galerias Respiros urbanos terreno

1000 m

Areas verdes 250

76

| Fábrica de cultura Augusta

0

250

500

Árvores Áreas verde 750 1000 m

Gabarito de altura Gabarito de altura copiar Sem edificação 0 - 12 m 12 - 25 m


Diretrizes do Plano Diretor Praças

Espaços livres voltados à convivência e atividades de lazer.

Bens Imóveis Representativos Elementos construídos, e suas respectivas áreas, com valor histórico, arquitetônico, paisagístico, asrtístico, arqueol´gico e cultural, que tenham valor referencial para a comunidade.

O Plano Diretor Estratégico de São Paulo, traz diversas diretrizes. Algumas delas foram usadas como embasamento para a proposta de intervenção na Rua Augusta, como a questão de patrimônio, praças e equipamento cultural.

Áreas verdes e espaços livres Parques urbanos, praças, espaços livres, arborização.

Rede de equipamentos urbanos e sociais Educação, saúde, esporte, cultura e assistência social

Fig. 136: Diagrama de Bens Imóveis Representativos. | Fig. 137: Diagrama de áreas verdes. | Fig. 138: Diagrama de equipamentos e espaços livres. Fonte de dados: Plano Diretor Estratégico, estratégias ilustradas.

Fábrica de cultura Augusta |

77


Diretrizes - CULTURA PARA TODOS O conceito principal das Fábricas de Cultura é disseminar educação cultural para todas as idades e classes. Pensando nisso, a proposta da Fábrica de Cultura Augusta, atenderia os moradores da região, as pessoas que moram em regiões mais afastadas da cidade, porém frequentam a Avenida Paulista e seu entorno diariamente para trabalhar e estudar e também para as pessoas que moram em prédios ocupados na região central. - ESPAÇO PÚBLICO Conforme a pesquisa apresentada nos capítulos anteriores, uma dos principais problemas da Rua Augusta na visão dos seus frequentadores é a ausência de espaços públicos. Por isso a Fábrica foi projetada com térreo livre, mobiliário urbano e vegetação. A ideia é criar um espaço público democrático para todos frequentadores. - RESPIRO URBANO O espaço público foi pensado como um respiro, por isso o edíficio da Fábrica foi implantado ocupando menos de 70% previsto no zoneamento. Desse modo, o espaço livre se tornou uma praça ampla, gerando um respiro para a estreita Rua Augusta. - CONEXÕES E FLUXOS A quadra em que o projeto está implantado possui dimensão maior do que a adequada para transposição de pedestres. Por isso, o projeto cria acesso aos pedestres na Rua Augusta, Rua Peixoto Gomide e Rua Frei Caneca. - PRESERVAÇÃO DA HISTÓRIA ARQUITETÔNICA Através do projeto de conversão de uso e restauro no galpão da Eletropaulo, preserva uma parte da história da Rua Augusta, mantendo uma edificação com características arquitetônicas do período inicial da rua. 78

| Fábrica de cultura Augusta


Partido

Demolições Galpão Fig. 139: Perspectiva indicando edificações a serem demolidas. Fonte: Elaboração própria da autora, 2017.

Empenas cegas Fluxo de transposição do térreo

R.

R. Frei Caneca

Fábrica de Cultura Augusta

Pe

ixo

to

Go

mi

de

R. Augusta

Fig. 140: Vista aérea do terreno, indicando ocupação do edifício da Fábrica de Cultura. Fonte: Elaboração própria da autora, 2017.

Gabarito de altura baixo, mantendo a escala do edifício com a rua. Criando um respiro ao redor de vários prédios. Fig. 141: Vista da fachada da Rua Augusta. Fonte: Elaboração autora, 2017.

própria

Fábrica de cultura Augusta |

da

79


V

Estudos de insolação 1

2

3

A B

Máscara do entorno C D

GALPÃO - ILUMINAÇÃO NATURAL Esc.: 1:250 Fachada D

Fachada A

E

4

F

2

1

15h25

15h30

3

14h10 V

6

5

14h40

1

13h30

12h00

18h00

11h15

10h40

6h45 9h15

8h20

11h50

16h40

Fachada E

Fachada B

18h45

17h15 4

14h50

1 12h45

12h00 12h25 12h35

12h00

Fachada C

18h00

18h45

Fachada F 6

Legenda

5 1

Verão

5h45

Equinócios

18h45 14h35

Inverno

6h00 12h00

80

| Fábrica de cultura Augusta

12h20 12h35

7h15

12h00

14h05


Diagramas

Fig. 142: Pavimento térreo. Indicação de fluxo de pedestres.

Fig. 143: Isomátrica primeiro pavimento.

Fig. 144: Isomátrica segundo pavimento.

Fig. 145: Isomátrica terceiro pavimento.

Fonte: Elaboração própria da autora, 2017.

Fonte: Elaboração própria da autora, 2017.

Fonte: Elaboração própria da autora, 2017.

Fonte: Elaboração própria da autora, 2017.

Fábrica de cultura Augusta |

81


Áreas

Fig. 146: Diagrama de usos.

Fonte: Elaboração própria da autora, 20017.

Legenda Térreo livre Café Teatro Ensino Convívio Multiuso

82

| Fábrica de cultura Augusta


Materiais

Brise metálico horizontal flexível Brise métalico vertical flexível

Cobogó de concreto e vidro Escada metálica com proteção lateral de chapa matálica perfurada

Fábrica de cultura Augusta |

83


ESPAÇO PÚBLICO • EDUCACIONAL • MEMÓRIA E PATRIMÔNIO

RESPIRO URBANO

84


2

AUGUSTA

3

2

RUA

1

1

1

3

2

3

2

1

PE A

4

IXO

TO

GO

1

4

RUA

FRE

Deck de madeira Piso drenante Piso cerâmico Árvores decíduas

RU

4

MID

2

E

Legenda

IMPLANTAÇÃO

I CA

NEC

A

Esc.: 1:500


AUGUSTA 3

2

RUA

20

1

19

1

21

18 17

3

2

22

12 9

8

10

1

15

16

9

GO

7

13

TO

4

11

MID E

14

RUA

FRE

PE 5

4

4

6

A

4 5

RU

3

IXO

2

Legenda 1 Foyer 2 Auditório 3 Informações/chapelaria 4 Camarim 5 Banheiro 6 Carga e descarga 7 Depósito 8 Ambulatório 9 Sanitário 10 Limpeza 11 Café 12 Cozinha 13 Despensa 14 Convívio 15 Área técnica 16 Lixo 17 Recepção 18 Vestiário funcionários 19 Escalada / redário 20 Galpão multiuso 21 Praça de eventos 22 Bosque

TÉRREO

I CA

NEC

A

Esc.: 1:500


3

2

12

1

1

1

3

2

2

5 6 4

7 8

3

2

4

Legenda 1 Sala multimídea 2 Sala de música 3 Estúdio 4 Biblioteca 5 Sala de circo 6 Sala de artes 7 Sala de figurino/costura 8 Sala de teoria 9 Sala de teatro

11

10 Sala de produção 11 Pátio interno

9

12 Mezanino - galpão 10

4

5

1° PAV. - Nível 802.46 Esc.: 1:500


3

2

1

1

1

2

2

4 5

4

6 7

3

2

3

Legenda 1 Exposição / multiuso 2 Sala de instrumentos 3 Sala de dança 4 Sala de circo 5 Sala de artes 6 Sala de figurino/costura 7 Sala de teoria 8 Sala de teatro 9 Sala de produção

8 9

4

4

2° PAV. - Nível 806.46 Esc.: 1:500


3

2 1

1

3 2

1

2

4

3

5 6

4

8

7

9

Legenda 1 Almoxarifado 2 Secretaria 3 Sala dos professores 4 Sala de ginástica 5 Sala de artesanato 6 Depósito 7 Cozinha 8 Despensa 9 Cobertura / Refeitório

4

3° PAV. - Nível 810.46 Esc.: 1:500


VIGA DE CONCRETO

PLATIBANDA DE ALVENARIA

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

FORRO DE GESSO

COBOGÓ DE CONCRETO E VIDRO 63X39CM

LAJE DE PAINÉIS PRÉ-FABRICADOS DE CONCRETO PROTENDIDO

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

COBOGÓ DE CONCRETO E VIDRO COM ABERTURA PARA VENTILAÇÃO 63X39CM

PISO CERÂMICO

VER DETALHE 1.01

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

VIDRO TEMPERADO TRANSLÚCIDO ESQUADRIA DE ALUMÍNIO BRANCO

VIGA METÁLICA PERFIL "I" VIGA DE CONCRETO

CORTE A-A Esc.: 1:500

CORTE SETORIAL DET. 1.01 Esc.: 1:100


VENEZIANA DE ALUMÍNIO E VIDRO

LAJE DE CONCRETO

PLATIBANDA DE ALVENARIA

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

ESQUADRIA DE ALUMÍNIO COM VIDRO FIXO

BRISE MÓVEL HORIZONTAL TIPO "ASA DE AVIÃO"

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

ESQUADRIA DE ALUMÍNIO COM VIDRO DE CORRER

ESQUADRIA DE ALUMÍNIO COM VIDRO FIXO

LAJE DE PAINÉIS PRÉ-FABRICADOS DE CONCRETO PROTENDIDO

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

ESQUADRIA DE ALUMÍNIO COM VIDRO DE CORRER

Telha termoacústica tipo sanduiche Cor: Vermelho terra

PEITORIL DE ALVENARIA

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

FORRO DE GESSO

HASTE DE ACIONAMENTO

SUPORTE TELESCÓPICO

CORTE B-B Esc.: 1:250


VIGA DE CONCRETO

VENEZIANA DE ALUMÍNIO E VIDRO

LAJE DE CONCRETO

PLATIBANDA DE ALVENARIA

PLATIBANDA DE ALVENARIA

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

FORRO DE GESSO

VER DETALHE 3.01 VIGA METÁLICA PERFIL "I"

ESQUADRIA DE ALUMÍNIO COM VIDRO FIXO

COBOGÓ DE CONCRETO E VIDRO 63X39CM

BRISE MÓVEL HORIZONTAL TIPO "ASA DE AVIÃO"

LAJE DE PAINÉIS PRÉ-FABRICADOS DE CONCRETO PROTENDIDO

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

ESQUADRIA DE ALUMÍNIO COM VIDRO DE CORRER

ESQUADRIA DE ALUMÍNIO COM VIDRO FIXO

COBOGÓ DE CONCRETO E VIDRO COM ABERTURA PARA VENTILAÇÃO 63X39CM

LAJE DE PAINÉIS PRÉ-FABRICADOS DE CONCRETO PROTENDIDO

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

ESQUADRIA DE ALUMÍNIO COM VIDRO DE CORRER

PISO CERÂMICO PEITORIL DE ALVENARIA

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

VIGA METÁLICA PERFIL "I"

VIDRO TEMPERADO TRANSLÚCIDO

FORRO DE GESSO

ESQUADRIA DE ALUMÍNIO BRANCO

HASTE DE ACIONAMENTO

SUPORTE TELESCÓPICO

VIGA METÁLICA PERFIL "I" VIGA DE CONCRETO

CORTE C-C Esc.: 1:250

CORTE SETORIAL DET. 3.01 Esc.: 1:150


CORTE D-D Esc.: 1:250


ELEVAÇÃO RUA AUGUSTA S/E


ELEVAÇÃO RUA FREI CANECA S/E


ELEVAÇÃO RUA PEIXOTO GOMIDE S/E


DECK

PRAÇA DE EVENTOS

97


RU AP

EIX OTO G

OM

IDE

RUA FREI CANECA

RUA AUGUSTA

Deck

Praรงa de eventos

RU A

AU G

US TA

98


Respiros Urbanos: extensões da Fábrica de Cultura Augusta Conforme apresentado no capítulo 1, a Rua Augusta é carente de espaços verdes e públicos. Alguns interstícios urbanos na região da Rua Augusta sentido no Jardins foram utilizados como vielas que funcionam como um cenário de compras. Já na região do Baixo Augusta, não há espaços de respiros além das galerias comerciais. Analisando essas informações juntamente com o mapa da figura 26, que apresenta os terrenos ociosos e subutilizados, percebe-se que há áreas passíveis de criação de novos espaços públicos. A proposta é utilizar oito terrenos que atualmente abrigam apenas estacionamentos e criar pequenas praças, conhecidas mundialmente como "pocket parks", denominadas nesse trabalho como respiros urbanos. Esses respiros serão extensões da Fábrica de Cultura Augusta, sendo que cada um será voltado a um tem, além da função de espaço público com mobiliário urbano e arborização.

Perspectiva esquemática indicando alguns pontos dos respiros urbanos: vegetação, mobiliário urbano e interação social.

Figura 147: Foto do terreno na Rua Augusta, nº 953, Figura 148: Foto anterior com implantação esquemática da entre o Teatro Augusta e a FAM. Proposta nº 4 de proposta do Respiro Urbano. Fonte: Google maps, 2017 - modificado pela autora. respiro urbano. Fonte: Google maps, 2017.

Fábrica de cultura Augusta |

99


Fig. 149: Mapa de localização dos respiros urbanos no Baixo Augusta Fonte: Elaboração da autora através do programa Qgis, 2017.

8

7

6 5 4 3

2

1 Escala 1:12000

100


USO DOS RESPIROS URBANOS

1 – Música Rua Augusta, 1595 Por ser o terreno mais próximo da Av. Paulista, pode abrigar os músicos de rua junto com os aprendizes da Fábrica de Cultura Augusta.

2 – Artesanato Rua Augusta, 1398 Por ser o segundo terreno mais próximo a Av. Paulista, pode abrigar os vendedores ambulantes da região também.

3 – Cinema Rua Augusta, 1162 Por ser um terreno em aclive apropriado para exibição de filmes e por ter formato retangular cumprido.

4 – Leitura Rua Augusta, 953 Por ser um terreno com menos profundidade do que os demais, permitindo que as rodas de leitura sejam mais próximas.

5 – Dança Rua Augusta, 747 Por ser um terreno localizado próximo das baladas da Rua Augusta. 6 – Circo Rua Augusta, 517 Por ser um terreno com ligação entre a Rua Augusta e a Rua Frei Caneca, criando um espaço lúdico de transposição de pedestres.

7 – Teatro Rua Augusta, 259 Por estar localizado próximo do Teatro da CIA. Corpos Nômades, podendo criar uma parceria com os aprendizes da Fábrica de Cultura Augusta, para que o espaço da praça seja utilizado pelos dois.

8 – Grafite Rua Augusta, 108 Por ser o terreno mais próximo da Praça Roosevelt, atraindo o público de skatistas.

Fábrica de cultura Augusta |

101


Bibliografia 1. Livros e atigos acadêmicos AMARAL, Roberta Van Zimmemann. Conexões urbanas: percurso cultural no baixo Augusta. São Paulo: Trabalho Final de Graduação, Universidade Presbiteriana Mackenzie, 2015. CHAGAS, Genira. A morada de calor. Jornal UNESP, Agosto 2005 - Ano XIX - n° 203. Disponível em: http://www.unesp.br/aci/jornal/203/ilhas.php. Acesso em 23/04/2017. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Aurélio Século XIX: o minidicionário da língua portuguesa. São Paulo: Nova Fronteira, 2002. GEHL, Jan. Cidade para pessoas. São Paulo: Perspectiva, 2013. NINOMIA, Alex de Brito. Augusta lado B: a rua, o espaço público e suas apropriações. São Paulo: Trabalho Final de Graduação, FAUUSP, 2014. PISSARDO, Felipe Melo. A Rua apropriada: estudo sobre as transformações e usos urbanos na Rua Augusta (São Paulo, 1891-2012). São Paulo: Dissertação de Mestrado, FAUUSP, 2013. PIZARRO, E. P. Interstícios e interfaces urbanos como oportunidades latentes: o caso da Favela de Paraisópolis, São Paulo. São Paulo: Dissertação de Mestrado, FAUUSP, 2014. SANTAMOURIS, M. Energy and Climate in the Built Enviromment. London: James and James, 2001. SANTOS, Luiz dos. O que é cultura?. São Paulo: Brasiliense, 2006. SANTOS, Mayra Simone dos. Arquitetura pela Torre: Avenida Paulista 1960-80 e Marginal do Rio Pinheiros 1980-90. São Paulo: Dissertação de Mestrado, FAUUSP, 2012. SÃO PAULO. Secretaria Municipal de Planejamento Urbano. Atlas Ambiental do Município de São Paulo. São Paulo: SEMPLA, 2000. SHINZATO, Paula. O impacto da vegetação nos microclimas urbanos. São Paulo: Dissertação de Mestrado, FAUUSP, 2009. SOUZA, Maria A. A. de Souza. A identidade da metrópole. São Paulo: EDUSP, 1994. VIEIRA, Antônio Paim. Chácara Capão. Revista do Arquivo Municipal. São Paulo, Vol. CXLVIII, p. 113 - 141, 1952.

102


2. Reportagens, matérias, artigos da imprensa e meios eletrônicos FATEC. "Nova estratégia para priorizar a substituição de transformadores em subestações de energia elétrica no Brasil é desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFSM." Por Kelly Martini.13/01/2016. Disponível em: http://www.fatecsm.org.br/page. php?acao=noticia&id=411. Acesso em 24/04/2017 Governo do Estado de São Paulo. "Fábricas de Cultura". Disponível em: http://www.cultura.sp.gov. br/StaticFiles/FabricasDeCultura/index.html. Acesso em 24/04/2017 Instagram. "Baixo Augusta: Imagine um filme em preto e branco da Augusta? Isso é o Baixo Augusta SP." Disponível em: https://www.instagram.com/baixoaugustasp/?hl=pt-br. Acesso em 19/02/2017 Pesquisa SP. "Hábitos culturais dos paulistas". Disponível em: http://www.pesquisasp.com.br/. Acesso em 26/08/2017 ISSUU. "Livreto Institucional Fábricas de Cultura". 15/07/2015. Disponível em: https://issuu.com/ issuu-reader3-embed-files/latest/document-page-reader.html. Acesso em 23/04/2017 LA TIMES. "A hip street in Brazil, moves to a different beat". 03/10/2011. Disponível em: www:// articles.latimes.com/2011/oct/03/world/la-fg-brazil-rua-augusta-20111004. Acesso em 24/04/2017 R7. "Com especulação imobiliária, rua Augusta começa deixar fase “descolada”. Veja as transformações. 23/12/2013. Disponível em: http://noticias.r7.com/sao-paulo/fotos/com-especulacao-imobiliariarua-augusta-comeca-deixar-fase-descolada-veja-as-transformacoes-23122013#!/foto/1. Acesso em 03/04/2017 Revista Exame. "Especulação imobiliária apaga boemia de São Paulo." 06/04/2013. Disponível em: http://exame.abril.com.br/brasil/especulacao-imobiliaria-apaga-a-boemia-do-coracao-de-saopaulo/. Acesso em 15/03/2017

103


104


105

Caderno TFG Arquitetura e Urbanismo 2017  

Caderno de Trabalho de Conclusão de graduação, de Arquitetura e Urbanismo, avaliado pela banca com nota 10. Universidade Paulista, campus Ma...

Caderno TFG Arquitetura e Urbanismo 2017  

Caderno de Trabalho de Conclusão de graduação, de Arquitetura e Urbanismo, avaliado pela banca com nota 10. Universidade Paulista, campus Ma...

Advertisement