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Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 55 • 23 Novembro 2017 • Preço 1 cêntimo

Valor Local


Alenquer, Presépio de Portugal “Presépio de Portugal só há um, o de Alenquer e mais nenhum”, dizem os alenquerenses em jeito de graça, mas com toda a propriedade. As bases que fundamentam este epíteto ultrapassam em muito o espetro comercial e sazonal tão típico das festividades que se generalizaram um pouco por todo o lado. No Município de Alenquer o enfoque está na tradição, nos valores e no espírito genuíno do Natal. Nesta quadra, todas as localidades, desde os mais pequenos casais e aldeias, até à sede de concelho, adquirem um brilho e tonalidades especiais, em grande medida devido à disposição das suas encostas verdejantes, as quais remetem claramente para um contexto de presépio. E nessa lógica, quem por Alenquer passa fica com a sensação que todo o município se converte num presépio vivo e é imediatamente transportado para uma atmosfera natalícia que é quase tão contagiante quanto a simpatia e solidariedade das gentes locais. E é este o segredo do Natal, do verdadeiro Presépio de Portugal. As pessoas bem como, os seus usos e costumes, são o fator que aporta uma qualidade acrescida às nossas festividades. Nos últimos anos, estes aspetos têm sido exponenciados por uma forte aposta na componente turística. Com a procura crescente por parte dos turistas, houve necessidade de oferecer produtos e serviços que aliam a excelência e tradição a uma tipologia de visitantes que privilegia naturalmente a essência e a qualidade face à componente mais comercial e acessória. Para consolidar a marca Alenquer, Presépio de Portugal, o município tem efetuado um forte investimento em iluminação, animações, atrações e iniciativas, com especial enfoque no público infantil. Razões para nos visitar não faltam. Entre nas nossas lojas e vivencie o carater tradicional do nosso comércio. Passeie nas nossas ruas e contemple as figuras monumentais. Ande no comboio turístico, participe nas nossas atividades, sinta os cheiros e aromas dos nossos produtos endógenos, deguste as nossas iguarias e compreenda porque é que o verdadeiro Presépio de Portugal é o de Alenquer e os demais são fotocópias. O convite está lançado, verá que não se arrependerá! Um abraço amigo e votos de um santo e feliz Natal. Alenquer, 15 de novembro de 2016 O Presidente da Câmara Municipal de Alenquer.


Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 55 • 23 Novembro 2017 • Preço 1 cêntimo

Centros de saúde reforçados com novos médicos Governo diz que não tem dinheiro para mandar arranjar estradas do concelho de Benavente Aterro de Azambuja cheira cada vez pior e os políticos estão estupefactos

Valor Local

Saúde na 7

50 anos das Cheias

As marcas de uma tragédia nunca apagadas

Sociedade na 2

Ambiente na 9

Novo comandante dos Bombeiros de Azambuja já está em funções

Sociedade na 6

Vila Franca de Xira

Destaque da 10 a 15

Exposição sobre a Grande Guerra no Celeiro da Patriarcal

Cultura na 18


2 Sociedade

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Governo diz que não tem dinheiro para mandar arranjar estradas do concelho de Benavente

uma resposta ao vereador do PS no município, Pedro Pereira, o presidente da Câmara de Benavente transmitiu, numa das últimas reuniões do executivo, que a Infraestruturas de Portugal (IP) não vai intervir nas vias rodoviárias do concelho que aguardam obras, porque não tem verbas para o fazer. Este tipo de resposta serviu para a questão da construção das rotundas previstas mas também no que se refere à repavimentação do troço urbano da Estrada Nacional 118 em Samora Correia, “que está degradado e que no caso de chuva pode dificultar as condições de circulação rodoviária”. Numa das últimas reuniões com a Infraestruturas de Portugal, a autarquia aludiu ainda à necessidade de pintura de passadeiras e de sinalização horizontal no troço urbano da Estrada Nacional 118 que atravessa todo o município de Benavente, alegando mais uma vez aquele instituto, que não tem verba para desenvolver as intervenções de reparação dos pavimentos. Carlos Coutinho disse que em 2016 a Câmara Municipal conseguiu que fosse feita a reparação do troço urbano de Benavente (que estava numa situação um pouco pior do que a atual, em Samora Correia). Contudo, atualmente, “não há condições financeiras para que essa intervenção aconteça.” A par dessa requalifi-

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Modelo, Frusantos, Mota-Engil e POAO em o financiarem. Numa primeira fase mostraram disponibilidade. A autarquia já realizou a infraestruturação da Estrada da Samorena, orçada em cerca de duzentos mil euros. Salvaterra também acusa IP de adiar intervenções

Coutinho diz-se inconformado com a situação cação fica ainda pendente a questão das rotundas essenciais para ligar a parte antiga e a mais nova de Benavente. Para piorar o estado de coisas, o projeto de requalificação de toda a Estrada Nacional 118 foi iniciado mas o gabinete técnico que estava a desenvolver esse trabalho entrou em insolvência. A IP

diz que ainda não há condições para se voltar a lançar o concurso, porquanto não existem verbas para tal. De acordo com o plano rodoviário nacional em 2018 aquela obra de requalificação deveria estar terminada, sendo que a intervenção de recurso que, entretanto, teve lugar no troço entre Alco-

chete e Porto Alto, era, apenas, para salvaguardar as condições desse troço num período de dois a três anos, porque não foi feita uma intervenção de fundo, como estava previsto. A Câmara Municipal já se disponibilizou para suportar o investimento da requalificação do troço compreendido entre a rotunda do

Belo Jardim e a rotunda junto aos Arados, desde que protocolizado o devido encaixe financeiro, tendo em conta as dificuldades alegadas pelo organismo governamental. A IP demorou um ano para aprovar o projeto de execução dessa rotunda. E agora a Câmara tem de saber novamente do interesse das empresas

Recentemente o município de Salvaterra de Magos deu conta, igualmente, do seu desagrado face a idêntico tipo de resposta por parte da Infraestruturas de Portugal. Em comunicado o presidente da autarquia dava conta das solicitações a respeito do estado do betuminoso na Nacional 367, próximo de Glória do Ribatejo, estado das bermas e valetas da Nacional 114-3; necessidade de repintura de passadeiras e de outras marcas rodoviárias; a não implantação de “caixas de viragem” na EN118, junto à Estrada do Furo e à Rua do Cartaxeiro no acesso a Marinhais e também junto à Zona Industrial de Vale de Lobos, e no acesso à Ponte D. Amélia, em Muge. Nos últimos dias, a IP face às críticas iniciou no dia 20 de novembro, os trabalhos de repavimentação do troço mais afetado da EN 367, junto a Glória do Ribatejo. Não se sabendo se vai ou não intervir nas restantes zonas críticas.

Salvaterra: Moradores incomodados com família acumuladora vereadora do Bloco de Esquerda na Câmara de Salvaterra de Magos, Ana Cristina Ribeiro, pediu, durante uma das últimas reuniões da autarquia, para que a Câmara agilize no sentido de proceder a uma limpeza numa casa do bairro situado junto à nacional 114-3, na sede de concelho, conhecida pelo facto de os seus inquilinos, ao longo dos anos, acumularem

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todo o tipo de materiais, causando cheiros nauseabundos junto dos moradores mais próximos. A situação já não é nova, e nos últimos meses foi colocado a correr um abaixo-assinado por parte dos moradores. A autarca lembrou que durante os seus mandatos enquanto presidente de Câmara interveio no local bastando para isso envidar esforços junto do centro

paroquial de Salvaterra, proprietário do imóvel, que sem demoras aprovava essa ação de limpeza. Ana Cristina Ribeiro recordou que durante os últimos quatro anos não teve conhecimento de nenhuma ação do executivo de Esménio. O presidente da autarquia, Hélder Esménio, informou que a Câmara não pode intervir em propriedade alheia, nem por or-

dem do centro paroquial que embora seja proprietário terá de respeitar o inquilino. O autarca referiu que não tem mandado judicial para entrar na propriedade nem autorização do tribunal. Funcionário chama vereadora de “vaca” O vereador do Bloco de Esquer-

da, Luis Gomes, referiu ainda durante a reunião que a vereadora Ana Cristina Ribeiro ao deslocar-se à Câmara para consultar os processos que iriam a reunião do executivo, um funcionário da autarquia terá dito “O que é que esta vaca está aqui a fazer?”. O vereador considera que para dizer algo assim o funcionário “deve ter as costas quentes”.

O presidente da Câmara, Hélder Esménio, mostrou o seu repúdio pela atitude e referiu que a vereadora tem as condições para apresentar queixa se assim o quiser. Contando com outro tipo de solidariedade, a autarca lembrou que Esménio é responsável pelo funcionário porquanto a afronta a ter sido cometida foi no espaço municipal.


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Ultramaratonista vai correr durante três dias seguidos no Ribatejo o dia 14 de dezembro parte para as estradas do Ribatejo, o ultramaratonista João Paulo Félix, natural do concelho de Salvaterra de Magos, com o objetivo de ligar os vários concelhos num total de 320 quilómetros em 72 horas. A apresentação da iniciativa decorreu em Salvaterra no dia 17 de novembro. A Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo decidiu abraçar este evento porquanto conceitos como o “walking” (andar a pé) e o “cycling” (andar de bicicleta) estão cada vez mais em voga junto do turista que procura o contacto com a natureza, referiu Ceia da Silva, presidente daquela estrutura. Sendo que a iniciativa pretende enfatizar ainda o património histórico de alguns concelhos. A Câmara Municipal de Salvaterra também se associa à prova e o atleta recebeu das mãos do presidente da

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autarquia, Hélder Esménio, uma bandeira do município para lhe dar sorte. No seu percurso, o ultramaratonista conta com diversos feitos assinaláveis. Já foi a correr de Chaves a Faro, num total de 739 quilómetros na Nacional 2, e perante uma plateia repleta de estudantes da Escola Profissional de Salvaterra de Magos, quis passar uma mensagem de superação e de alcance dos objetivos. Sempre muito interativo com os alunos, João Paulo Félix provou que para além de ter pernas para correr é ainda um motivador com o dom da palavra. A I Volta ao Ribatejo a Correr sai então da Praça do Município às 11 horas de dia 14 de dezembro. O atleta segue rumo a Benavente, onde nesta localidade passa pelos estabelecimentos e empresas dos vários patrocinadores que o apoiam. Segue-se Samora

O atleta tem várias entidades e empresas a apoiarem esta jornada desafiante

Correia, Vila Franca de Xira, Azambuja, Valada, Santarém (onde fará a primeira paragem para recuperar forças e alimentar-se), Alcanena, Torres Novas,

Tomar com passagem pelo Convento de Cristo, Ferreira do Zêzere com nova paragem para reabastecimento, Abrantes, Sardoal, Constância, Chamusca

“Gula” de regresso a Azambuja e 27 de novembro a três de dezembro, catorze restaurantes do concelho de Azambuja abrem as portas à sexta edição da Semana Gastronómica “A Gula”. A iniciativa é do município de Azambuja e tem por lema valorizar a gastronomia regional e promover a restauração, os produtos e os vinhos locais. Além da carta habitual, nestes dias o visitante é desa-

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fiado a degustar o famoso “torricado” acompanhado, em exclusivo, por vinhos produzidos no concelho de Azambuja. Nesta edição, é dada primazia à grande bandeira da gastronomia local – o “torricado”, que cada restaurante irá servir com o seu cunho pessoal, de uma forma tradicional ou mais inovadora. Recorde-se que em marcha está o projeto de uma con-

fraria do Torricado encabeçada por Luís de Sousa, presidente da Câmara, Francisco João Silva, presidente do Crédito Agrícola de Azambuja, e um elemento da família Ortigão Costa. “A Gula” consiste numa mostra gastronómica em que se apela à criatividade e autenticidade dos pratos e vinhos propostos, com destaque para o que é produzido no concelho de Azambu-

ja. À semelhança dos anos anteriores, propõe-se aos restaurantes que apresentem na sua carta ementas compostas, o mais possível, com produtos locais. Esta semana gastronómica visa, também, incentivar o consumo de produtos e vinhos locais e contribuir para a dinamização das empresas de restauração em atividade no concelho.

(nova paragem com o mesmo intuito das anteriores), Alpiarça, Almeirim, Glória do Ribatejo, Erra, Coruche e o seu castelo, Fajarda, Várzea Fresca, Foros de Sal-

vaterra e a meta em Salvaterra de Magos. A prova poderá ir além dos 320 quilómetros dada a incursão às localidades do concelho de Coruche. O atleta e também sociólogo de 47 anos contou que a sua preparação para a corrida engloba uma hora e meia de corrida diária com duas horas de bicicleta e um dia de descanso pelo meio, mais seis a sete horas de treino de bicicleta aos sábados. Associado à empresa Trilho Perdido, o atleta conta com vários patrocínios para esta prova cujas verbas revertem a favor da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM). Na conferência de imprensa, a Trilho Perdido anunciou ainda uma verba de apoio à SPEM no total de 350 euros. João Paulo Félix referiu estar mais do que motivado para esta prova que vai ser non stop durante três dias inteiros.

Torricado volta a ser rei em Azambuja

Alcoentre: Junta retira finalmente entulho de casa ardida na Espinheira junta de freguesia de Alcoentre procedeu nos últimos dias à retirada de colchões e do entulho que rodeava a casa de uma munícipe residente em Espinheira, naquela freguesia do concelho de Azambuja. Esta terça-feira, 21 de novembro, as máquinas andaram no terreno da habitação. Há mais de um ano que a família vinha pedindo para que este serviço fosse feito. Depois da notícia do Valor Local na última edição, a junta entrou, por fim, em contacto com a família pedindo para que os restos de materiais fossem separados no sentido de poder intervir no local. Nos últimos meses, Elisabete Es-

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teves com a ajuda de amigos, e da Comunidade Vida e Paz tem tentado reconstruir a sua casa que ardeu há um ano como consequência do sobreaquecimento de uma salamandra. A munícipe, divorciada, com filhos menores e que apenas ganha o ordenado mínimo tentou ajudas por parte do município de Azambuja e da junta mas que lhe foram negados devido a entraves burocráticos. Nesta altura a reconstrução da casa vai prosseguindo mais ou menos a bom ritmo graças ao apoio da Comunidade Vida e Paz, e de uma conta solidária criada para o efeito. Nos últimos dias, a

família de Elisabete Esteves deu a conhecer através de recibos numa página criada na rede facebook quais os gastos com mão-de-obra e materiais. No dia da reportagem do Valor Local, no mês passado, o telhado ainda estava a ser colocado mas neste momento já está pronto. A família prepara-se agora para proceder ao arranjo das paredes e da instalação elétrica. Numa primeira fase foram angariados 1710 euros. Além de móveis na cozinha, a família necessitaria agora de outros móveis para as restantes divisões da casa, e vários baldes de tinta.

Máquinas no terreno que ficou limpo


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Sociedade 5

As luzes e magia do Natal estão quase a chegar a Alenquer vila de Alenquer reedita a partir de um de dezembro mais uma edição da Vila Presépio. Com efeito a campanha natalícia “Alenquer Presépio de Portugal” foi reformulada nos últimos quatro anos pelo atual executivo municipal, onde se têm incluído espetáculos multimédia e uma outra série de iniciativas dedicadas aos vários públicos. Esta é uma campanha que tem atravessado gerações e que terá começado ainda no tempo da ditadura com o antigo presidente da Câmara João Mário. Aliás, no ano em que se assinalam 50 anos sobre as trágicas cheias de 1967 que vitimaram centenas de pessoas em todo o país, João Mário fez questão de ressalvar que um dos impulsos dados ao presépio, que já se fazia à época, esteve relacionado com a onda de solidariedade vivida no concelho de Alenquer e no país. Na al-

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do programa, mas também a habitual pista de gelo que faz as delícias dos miúdos e graúdos. Nesta edição, há como habitualmente diversos espaços, uns de entrada gratuita, outros com bilhete pago. Para além do programa que pode ser consultado nas primeiras e últimas páginas desta edição, está disponível também um comboio para os mais novos, que vai percorrer as ruas da Vila Presépio durante os festejos que começam a dia 1 e acabam a 23 de dezembro. Regressa a campanha “Alenquer + Natal é no Comércio Tradicional” Presépio continua a ser marca icónica da vila tura, o município alterou a iluminação e reformulou as figuras que são como ainda hoje as co-

nhecemos. Como tem sido hábito nos últimos anos, os festejos de natal

em Alenquer apresentam uma série de atividades. Exposições para crianças e adultos são parte

O comércio local também está unido em torno da iniciativa da Câmara de Alenquer. Paulo Franco, vereador com o pelouro da economia local, destaca ao Valor Local a continuidade do progra-

ma “Alenquer + Natal é no Comércio Tradicional”. Há no entanto, segundo o vereador “um aumento da sua atratividade” e explica que vai acontecer “um reforço nos prémios a sortear por cada uma das tômbolas”. Paulo Franco fala em prémios no valor de 1200 euros, que serão sorteados pelos clientes do comércio local. Como em anos anteriores, um cliente que faça compras no valor igual ou superior a 25 euros tem direito a um bilhete que será depois sorteado. Neste ano de 2017 há de resto uma novidade, já que para alem dos prémios em compras, haverá uma viagem aos Açores para duas pessoas para duas noites”. Ao Valor Local, Paulo Franco destaca a parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Aldeia Galega da Merceana e da empresa Bestravel.

Dez novos abrigos para passageiros em Azambuja Câmara de Azambuja instalou dez novos abrigos de passageiros que se espera venham melhorar as condições de espera dos utilizadores de transportes públicos. Os novos equipamentos substituem algumas estruturas que se encontravam danificadas ou cuja reabilitação se revelava inviável. Recorde-se que em 2016, a

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falta de um abrigo daquele género em Casais de Baixo, Azambuja, levou um grupo de cidadãos a improvisarem um novo, numa ação que causou diversos embaraços ao executivo. Destes dez novos abrigos, quatro foram distribuídos ao longo da Estrada Nacional 3 – um em Vila Nova da Rainha, outro em Azam-

buja e dois em Casais da Lagoa. Os restantes seis foram instalados um em Manique do Intendente, um em Casais de Baixo (Azambuja), dois em Alcoentre e dois na Freguesia de Aveiras de Cima. A aquisição e montagem destes equipamentos urbanos representa um investimento municipal de 21 mil 832 euros.

Novo abrigo em Manique do Intendente

O mundo animal em exposição em mais uma Avisan no CNEMA stá aí a Avisan 2017 – Exposição Nacional de Aves, Animais de Companhia, Equipamentos e Acessórios, que decorre entre os dias um e três de dezembro, no Centro Nacional de Exposições, em Santarém. Com a presença de criadores nacionais e internacionais, a Avisan pretende ser um ponto de encontro de

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milhares de visitantes e contará com uma programação diversificada. No espaço dedicado aos cães, decorrerá a 24ª Exposição Canina Nacional de Santarém e a 18ª Exposição Canina Internacional de Santarém nos dias dois e três de dezembro, respetivamente. Estas iniciativas que contam com

Espaço privilegiado para ficar a conhecer raças mais exóticas de animais

a colaboração do Clube Português de Canicultura, têm como objetivo premiar os melhores exemplares que serão divididos em grupos de acordo com as suas raças. Para além do título “Best in Show” vão ainda disputar-se diversos outros prémios. No dia 2, a Avisan será palco de exposições de raças como o bull-

dog inglês, o pointer e o collie mas também em caninas especializadas de retrievers, serra da estrela entre outros. A Avisan vai contar, ainda, no seu programa com demonstrações de binómio, promovidas pela GNR. No capítulo dos felinos destaque para a sétima Exposição Internacional de Gatos de Santarém, organizada pelo Clube Português de Felinicultura. Nesta exposição estarão presentes cerca de duas centenas de exemplares vindos de diversos países como Portugal, Espanha, França e Itália. O

público terá ocasião de apreciar raças de gatos como persas, exóticos, bosques da Noruega, abissínios, british, entre muitas outras. Ao longo de três dias, os visitantes poderão apreciar várias exibições de répteis que contarão com diversos exemplares como cobras, iguanas, tarântulas, entre outros. Esta exposição tem como objetivo mostrar ao público em geral que estas espécies “são autênticos animais de companhia e que ocupam uma posição fulcral no ecossistema”, refere a organização.

O público também poderá ver “ao vivo” vários animais exóticos. Com esta mostra, a organização tem como intuito demonstrar a importância destes seres vivos no meio ambiente e respetivos habitats, além de permitir ao público um maior conhecimento sobre a natureza. No seu conjunto, os visitantes têm ainda para ver muitos outros eventos relacionados com a temática como shows de araras, aves de rapina e répteis; exposição de galinhas, de pombos, porquinhos-da-Índia entre outros.


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Novo comandante dos Bombeiros de Azambuja já está em funções

á está ao serviço e vem da Lousã. O novo comandante dos bombeiros de Azambuja tem 31 anos e apresenta um curriculum importante no combate a incêndios. O operacional salientou ao Valor Local que só entrará em funções efetivas depois de acabar a formação oficial ministrada pela Escola Nacional de Bombeiros, pelo que até lá está como uma espécie de observador a conhecer o terreno. Ricardo André Correia diz que é importante aliar-se ao conhecimento do atual segundo comandante, Hélder Santos, que transita da estrutura anterior liderada até há dias por Armando Baptista. O operacional salienta que nos próximos tempos vai passar algum tempo a tentar conhecer o terreno e para isso conta com Hélder Santos, vincando a necessidade de atrair jovens para a corporação. Para Ricardo Correia esta é uma missão importante “não só em Azambuja”. “Esta é uma realidade nacional” e por isso o operacional terá esta meta nos próximos meses. Sem fazer promessas, o novo comandante quer manter a estrutura

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de comando, ao mesmo tempo que diz querer tomar o pulso aos problemas da região para onde veio. O comandante sabe dos problemas de trânsito na Estrada Nacional 3, mas diz estar a par também do atravessamento do concelho pela linha de caminho-de-ferro, ao mesmo tempo que diz saber do gasoduto. Ricardo Correia quer assim aprofundar o seu conhecimento, referindo que o bom realinhamento com outros corpos de bombeiros é importante. Há cinco anos a entrada de Armando Baptista para o mesmo cargo gerou controvérsia, porque tratava-se da primeira vez que o comandante da corporação local iria auferir ordenado, ao contrário do que sucedera até então com Pedro Cardoso como comandante. Sendo certo que Baptista em conjunto com a direção de André Salema, levou a cabo uma série de projetos que culminaram entretanto com a redução das despesas dos bombeiros e uma maior eficiente forma de gestão de pessoal e do renovado parque de viaturas. Agora, Ricardo Correia também vai beneficiar das mesmas condi-

Novo comandante vem substituir Armando Baptista

ções de Baptista. Para já parece ter causado boa impressão aos

seus pares. Em surdina alguns bombeiros dizem querer dar o be-

nefício da dúvida ao operacional até porque ressalvam: “É um de

nós, e não vem de outro lado de paraquedas”.


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Concelhos da região ganham novos médicos e uma assentada os concelhos de Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira ganharam 13 médicos. A falta de médicos na região é uma velha questão que se estende ao país. Contudo os autarcas, embora relativamente satisfeitos com a medida do ACES do Estuário do Tejo, sempre vão alertando para a necessidade de melhoramento das condições prestadas aos clínicos para que estes se possam fixar nas localidades fora dos grandes centros urbanos. Os médicos que vão em breve iniciar funções ficaram na maioria no concelho de Vila Franca de Xira. Ao todo foram oito clínicos distribuídos pelo concelho. Três ficaram na Unidade de Saúde Familiar da Póvoa de Santa Iria, três na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Arcena, e dois no Centro de Saúde de Vila Franca de Xira. Segundo António Oliveira, vicepresidente do município de Vila Franca de Xira, os médicos vêm colmatar uma lacuna no concelho, chegando assim a cerca de quinze mil e duzentos utentes. Para Azambuja, o ACES enviou dois clínicos, que vêm preencher vagas importantes num concelho

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com uma taxa de 46 por cento de utentes sem médico de família. Luís de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja, salienta a necessidade da vinda destes médicos para o concelho, nomeadamente Aveiras de Cima e consequentemente Alcoentre, e destaca que das 20 vagas abertas pelo ARS de Lisboa e Vale do Tejo, apenas 13 foram preenchidas. Apesar de a Câmara de Azambuja dar “um apoio significativo” no transporte dos médicos entre os postos, e de incentivar ao reforço dos laços com a comunidade, os médicos não aderem ao concelho, algo que Luís de Sousa lamenta apontando o dedo ao Governo que é quem tem responsabilidade nestes casos. Sílvia Vítor, vereadora com o pelouro da Saúde, refere por seu lado que os clínicos agora colocados em Aveiras, darão também apoio em Alcoentre dois dias por semana (segundas e quartas durante todo o dia), e Luís de Sousa apesar de considerar que não é o ideal, vinca que na sua opinião é melhor do que nada. Para o concelho de Alenquer, foi destinado um médico. Paulo Franco vereador com o pelouro da saúde destacou ao Valor Local que o

concelho tem ainda por preencher quatro vagas. Relativamente ao concurso para contratação de médicos especialistas de medicina geral e familiar da primeira época de 2017, ficou colocada uma médica, ocupando uma das quatro vagas existentes para o concelho de Alenquer. De acordo com o autarca, a médica agora adstrita ao município vem substituir uma médica que se encontra de baixa desde há algum tempo. Paulo Franco explica entretanto que a nova médica vai iniciar funções no início de dezembro. O município de Alenquer tem ainda muitas carências ao nível de clínicos. Em declarações ao Valor Local, Paulo Franco salienta que essa é uma realidade que toca a todo o país. Por parte do município o vereador assegura a continuação das “nossas exigências no sentido de colmatar estas necessidades” e acrescenta que mesmo com boa vontade e insistência, estas “poderão de alguma forma ser infrutíferas, uma vez que estaremos sempre dependentes da vontade dos candidatos em se candidatarem às vagas existentes”. Também o concelho de Arruda dos Vinhos tem agora mais um clínico. Carla Munhoz, vereadora com o

Com estas novas colocações concelhos esperam suprimir carências

pelouro da Saúde, destaca que a médica “dará resposta a mais um ficheiro de 1900 utentes inscritos e frequentadores, que estavam sem médico de família atribuído, pese embora, com resposta interna, organizada em termos de intervenção médica”. Ao Valor Local, a vereadora refere que atualmente o concelho de Arruda dos Vinhos, necessita de mais um médico, até porque mesmo com a organização da Unidade de Saúde Familiar a funcionar a 100 por cento, existem ainda cerca de 2500 pessoas que não têm médico de família atribuído: “Têm res-

posta médica por parte de uma profissional de saúde que pertence ao mapa de pessoal do ACES/UCSP de Arruda dos Vinhos com horas de prestação de serviço contratadas”. Centro de Saúde de Azambuja com viatura em risco A viatura cedida pela Câmara de Azambuja ao Centro de Saúde de Azambuja está a circular com problemas. Luís de Sousa lembra que o veículo foi cedido para o apoio domiciliário, e que nesta altura já não preenche as condições ne-

Municípios dizem não à Diabetes zambuja associou-se ao dia aberto “Mais Vida, Mais Saúde” e organizou várias atividades de sensibilização para um estilo de vida mais saudável. A iniciativa decorreu no Dia Mundial da Diabetes – 14 de novembro - em parceria com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Azambuja. Pela manhã, teve lugar uma caminhada intitulada “Mexer nas Rotinas - Toca a Andar”, com um percurso pedestre pela vila de Azambuja. Perto da hora de almoço, o jardim interior do Centro de Saúde de Azambuja foi palco para uma sessão de showcooking, a cargo

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do Chef Samuel Sousa. O chef e os seus alunos apresentaram, confecionaram e deram a provar aos participantes uma ementa com propostas saudáveis. À entrada, “creme de outono”, seguiuse o prato principal composto por courgette e beringela recheadas com frango, cogumelos e orégãos. O final da degustação trouxe uma sobremesa de leite-creme de côco sem açúcar. Alguns dos produtos confecionados foram oferecidos por outro parceiro da iniciativa – “Frescura na Mesa”, produtor de bens hortofrutícolas. Da parte da tarde realizou-se uma palestra alusiva à importância do exercício físico na prevenção da diabetes, e como alterar compor-

tamentos de risco e adotar hábitos de vida saudável. Já em Benavente, a Unidade de Saúde Familiar de Samora Correia e de Benavente e Unidade de Cuidados na Comunidade estiveram de portas abertas realizando vários rastreios: medição da tensão arterial; medição da massa corporal. Tiveram lugar ainda workshops sobre nutrição, perigos do tabaco, ginástica, dança e até showcookings sobre como elaborar lanches saudáveis. Realizou-se também uma caminhada noturna urbana cuja organização contou com várias colaborações: 3B Triatlo; Urban trail; Correr Benavente; Samorunning; Dance Crew Academy.

Em Benavente incentivou-se a prática de exercício

Iniciativa no centro de saúde de Azambuja

cessárias a esse serviço. O autarca desabafou que a carrinha “tem o banco do condutor partido e qualquer dia cai no chão”. No entanto esclarece que bastaria que o centro de saúde pedisse “à câmara para que soldássemos o banco”. O autarca salienta que nesta altura foi feito um novo pedido para uma outra viatura, e que está a ser analisado. No entanto esclarece que mais uma vez “não pode ser a Câmara substituir-se ao governo, seja ele qual for argumentado que o disse na última reunião do ACES.”


8 Dossier: Águas

Valor Local

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Benavente

Oposição contesta aumentos da Águas do Ribatejo apesar dos investimentos previstos oposição na Câmara Municipal de Benavente considera injusto o aumento ainda que à taxa de inflação na fatura da água por parte da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo para 2018. O tema esteve na ordem do dia na última reunião do executivo. O vereador socialista, Pedro Pereira, referiu-se aos custos acrescidos para os munícipes e lembrou que deve haver uma discriminação positiva para o pequeno comércio, e ainda uma tarifa especial para a rega baseada num contador para o efeito, “opção que está a ser seguida por outras entidades gestoras”, porquanto “a rega não pode ser onerada com a tarifa de descarga de águas residuais (que não existe)”. O vereador do PSD, Ricardo Oliveira, também se manifestou descontente com o estado de coisas, apesar da qualidade da água ter melhorado (a entidade recebeu pela primeira vez o selo de excelência da ERSAR) mas

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O ajustamento no tarifário corresponde à taxa de inflação

que ainda há “muito caminho a trilhar nessa matéria”, até porque há localidades sem saneamento básico no concelho apesar de ser alvo de promessas durante as

campanhas eleitorais. O presidente da Câmara de Benavente, Carlos Coutinho, preferiu ao contrário da oposição valorizar a empresa dado que tem fei-

to investimentos no concelho, e prepara-se para contemplar a construção de uma ETAR no Porto Alto, que envolve um investimento de cerca de cinco milhões de euros, sem ter fundos comunitários (que apenas vão suportar 20 por cento). Durante este ano foram ainda feitos investimentos nas ETAR da Murteira e do Papelão de forma a serem dotadas “das condições necessárias para tratamento dos efluentes”. Quanto à necessidade de se acomodar uma tarifa específica para o pequeno comércio, o presidente da Câmara deu conta que esta é uma questão que se encontra a ser estudada para se incluir no próximo contrato de gestão delegada da empresa. O presente contrato termina já neste ano de 2017, e essa pode ser uma novi-

dade para os próximos anos. A construção da rede de saneamento em localidades como Foros de Almada e Coutada Velha também serão objetivos, segundo o autarca, para os próximos cinco anos. Coutinho deu a entender que o município nos últimos anos teve de deixar que outros municípios da AR com redes mais antigas e deficientes infraestruturas se atualizassem, mas a oposição criticou tal atitude, tendo em conta que o concelho de Benavente não pode ficar prejudicado porque outros estão mais atrasados. O presidente da Câmara relevou uma vez mais neste aspeto que só para o ano o município vai receber dois milhões, cento e quarenta mil da empresa, reconhecendo contudo que Torres Novas

tem sido dos concelhos mais beneficiados nos últimos anos, mas que foi opção da empresa de modo a que a AR ganhasse escala e dimensão. Transmitiu ainda que com a nova ETAR de Porto Alto vai ser desativada a da Quinta dos Gatos, Pendente 2 e Norton de Matos, acabando-se assim com “alguns problemas que têm surgido para as populações”. Acrescentou que está prevista a substituição das condutas de saneamento na Rua Paio Peres Correia, em Samora Correia, intervenção que a Câmara Municipal tem reclamado, há muito, e que envolverá, também, um investimento significativo. Está, ainda, prevista a conclusão da extensão da remodelação da conduta de abastecimento ao Porto Alto.

Concelho de Azambuja acautela reservas de água concelho de Azambuja face ao clima de seca que atravessa o país já tem elencados diversos pontos de abastecimento que podem servir se a situação se agravar ainda mais. Durante a última reunião de Câmara, Silvino Lúcio, vereador com o pelouro das águas e saneamento, deu conta das “reservas estratégicas” existentes nomeadamente a nascente em Manique através de pequenas ribeiras. Nesta altura apenas a água de um reservatório na zona industrial de Vila Nova da Rainha está a ser utilizado, sendo que está disponível outro. Cada um com 250m3. Estão ainda disponíveis para serem abastecidos 300 metros cúbicos de um depósito em Casais do Farol. Nos Viveiros da Guarita, embora não para consumo humano direto, existem alguns furos artesianos com água em abundância. A Fonte de Santo António na vila de Azambuja é ainda outra boa opção para regas no jardim urbano, desde que seja criada uma zona tampão pois não se pode misturar com a rede normal. Em Aveiras de Baixo, Casais da Lagoa, Vale do Paraíso são outros dos pontos com reservas. A autarquia prepara-se ainda para diminuir o número de regas. O vereador da CDU, David Mendes, questionou ainda a Câmara no sentido de poder agilizar junto da Águas da Azambuja a possibilidade de se diminuir a pressão nas torneiras durante o período noturno. Nos próximos dias o município vai levar a efeito uma reunião com os dois corpos de bombeiros concelhios, e com a Cruz Vermelha de Aveiras de Cima para analisar a situação de seca e os efeitos no concelho. Vários corpos de bombeiros da região já rumaram a localidades no norte do país para ajudar a fazer face à escassez de água.

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Aterro de Azambuja cheira cada vez pior e os políticos estão estupefactos s responsáveis políticos do concelho de Azambuja estão admirados com o aparecimento de maus cheiros resultantes do funcionamento do aterro de resíduos não perigosos gerido pelo consórcio Suma, do qual faz parte, entre outros, a MotaEngil, alegando que vão tentar, em reunião a acontecer nos próximos dias, fazer com que a empresa minimize o problema. O munícipe António Pires que vive paredes meias com a estrutura e que tem sido voz ativa neste tema, voltou a queixar-se em reunião de Câmara. O presidente da autarquia, Luís de Sousa, confirmou que de facto os maus cheiros começaram a aparecer nos últimos meses, apesar de não poder comprovar isso mesmo por ter ficado sem olfato devido a um acidente. Mas outros autarcas e intervenientes já puderam constatar o cenário descrito com as moscas e os maus cheiros, e confessaram a sua surpresa, apesar de em 2015 e numa entrevista exclusiva do Valor Local a um dos principais especialistas em resíduos do pais, Rui Berkemeier, na altura da associação Quercus e atualmente na associação Zero, este ter alertado que os maus cheiros acabariam por ser uma realidade bem presente. Isto explica-se porque os materiais ao serem enterrados libertam gases e criam efeito estufa. “Muito dificilmente se consegue controlar ao máximo o que entra”, refere novamente o especia-

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mentais. No dia da inauguração a empresa satirizou com as vozes que falavam dos maus cheiros

lista, dois anos e meio passados do nosso primeiro contacto quando a vinda de um aterro para Azambuja começou a tornar-se algo cada vez mais real. “Por mais que a empresa até tente tapar os lixos nos primeiros dias, é tecnicamente impossível que não cheirem mal devido ao tal efeito estufa”. Para o ambientalista, há ainda a ter em linha de conta as águas residuais cuja contaminação ainda é mais difícil de controlar nestes aterros de resíduos banais do que nos aterros

de resíduos perigosos, “tendo em conta que os materiais vêm muito mais misturados”. Exemplo disso é o que já acontece “no Eco-Parque da Chamusca com resultados péssimos a nível das análises à água”. Em reunião de Câmara, o presidente da autarquia deu a conhecer que o aterro é visitado regularmente por alguns funcionários municipais que têm trazido da-

dos positivos sobre o que ali é feito, mas o ambientalista alerta que quem tem de facto credenciais e conhecimentos é a CCDR. Rui Berkemeier afirmouse surpreso, em 2015, com a implantação de uma solução destas no concelho, tendo em conta principalmente a proximidade em relação a aglomerados populacionais. A lei diz que devem estar a dois quilómetros e no caso de

Azambuja o aterro está a 300 metros. Para o ambientalista “é incrível como a Moto-Engil opte por uma solução destas de fim de linha e completamente ultrapassada quando o que se passa atualmente é o abandono destes aterros por parte das empresas”. Em 2015, o ambientalista mostrava-se ainda incomodado com a autorização de um aterro deste tipo pelas entidades governa-

Tribunal questiona a Câmara sobre o aterro mas presidente da Câmara recusa dar explicações à oposição Na última reunião do executivo e a propósito deste tema, e tendo em conta que o tribunal está a diligenciar junto da autarquia uma série de questões quanto a esta infraestrutura, presume-se após uma queixa, os vereadores do PSD, Maria João Canilho e Rui Corça, pediram explicações que foram negadas por Luís de Sousa, que preferiu refugiar-se no “segredo de justiça”. Fez referência apenas ao facto de se relacionar com a recuperação paisagística da envolvente que segundo algumas vozes poderá estar comprometida se a empresa conseguir o alargamento da sua atividade no local. David Mendes, da CDU, exortou a população a manifestar-se porque “se não for assim, e se se continuar com esta atitude de não se querer saber de nada não vamos a lado nenhum”. Recorde-se que a empresa que gere o aterro de Azambuja tem sede em Lisboa. Trata-se da Triaza e está indisponível para prestar esclarecimentos numa entrevista que se deseja presencial ao nosso jornal, sobre as suas responsabilidades, e sobre o seu trabalho em Azambuja.


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50 anos das Cheias

As marcas de uma tragédia nunca apagadas Na madrugada de 25 para 26 de novembro chuvas torrenciais inundam a região de Lisboa. Os valores da precipitação atingiram só na capital 77,5 mm num período que durou das 19 horas do dia 25 para a uma da manhã do dia 26. Na região, em Alenquer há quem diga que a água subiu quase aos quatro metros. A aldeia de Quintas, concelho de Vila Franca de Xira, foi a mais fustigada do país e onde alguns falam em 90 mortos. Na primeira pessoa apresentamos os relatos de quem viveu esta tragédia por dentro e ainda tem uma história para contar 50 anos depois. Largo do Espírito Santo em Alenquer

João Mário prefere lembrar-se da imensa onda de solidariedade

pintor João Mário era em 1967 o mais jovem presidente de Câmara na altura. Tinha apenas 27 anos, e as cheias ocorreram poucos meses depois de ter tomado posse. Na sua memória, as primeiras recordações daquele dia começaram quando por volta da meia-noite a polícia lhe bateu à porta a dar a indicação de que a água já tinha subido três metros de altura. Na altura morava na subida para a Vila Alta, onde a água não conseguia chegar, mas na parte baixa, era já a tragédia e o caos que se tinha instalado com as pessoas a fugirem. Muita gente gritava em cima dos telhados a pedir socorro. Uma das primeiras coisas que fez foi entrar em contacto com o co-

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mandante da base militar da Ota no sentido de enviar um jipe para Alenquer para que “se pudesse às primeiras horas da manhã salvar as pessoas que ainda estivessem vivas”, recorda-se. Muitas nos telhados, nos primeiros andares, ou como no caso de um comerciante de modas, na altura, em cima de uma prateleira. Quando o foram salvar estava já colado ao teto, porque a água ultrapassava o nível do balcão. “Ainda no outro dia estive com ele, foi um caso singular de alguém que conseguiu sobreviver porque o corpo estava totalmente dentro de água. Só a cabeça estava de fora”, conta João Mário. Mas muitas histórias se escreveram durante a tragédia, algumas bastante emotivas como a de

um vizinho que vivia no primeiro andar e furou o chão que era de madeira para socorrer quem vivia no rés-do-chão, esquecendo zangas passadas. “Davam-se mal a valer, com questões em tribunal até, mas perante os gritos do vizinho (a mulher deste não conseguiu sobreviver) naquele momento abraçaram-se e esqueceram o que tinha acontecido”. Outra das testemunhas privilegiadas de Alenquer face a este acontecimento foi o comerciante José Eduardo Lopes. Um ano antes da tragédia, o pai tinha inaugurado uma loja de moda e uma mercearia. A inauguração fez furor e até comerciantes da Lourinhã vieram conhecer. Decorada de forma moderna para a época, tudo a família

viu desfazer-se em questão de poucas horas. Era uma hora da manhã quando José Eduardo Lopes hoje com 83 anos ouviu os gritos na rua de que vinha aí uma grande cheia. Teve tempo de se vestir e dirigir-se à loja. A família foi colocando as mercadorias em cima dos balcões. Nessa altura a água já tinha cerca de 20 centímetros, mas isso dentro da loja, porque fora já ia mais alta do que os seus olhos. Uma espessa camada de lama impedia naqueles momentos a entrada de rompante da cheia dentro do estabelecimento. “Quando vi aquilo pensava que estava apanhado na ratoeira, e disse para os meus pais para sairmos dali enquanto pudéssemos. Começámos a subir uma escada

interior que havia e nisto rebenta um dos vidros da montra, a água começou a subir atrás de nós, até que conseguimos escapar”. A noite foi de uma “tremenda ansiedade”. As notícias de que amigos e vizinhos não tinham conseguido sobreviver foram chegando. No dia seguinte, José Eduardo Lopes ia deitar mão ao que era preciso fazer dentro da loja mas pela frente tinha a sua família uma tarefa hercúlea. “A lama entrava para dentro dos botins”, recordase, mas também se lembra de um grande cofre que a família tinha que pesava 600 quilos que andou a boiar, mas onde a água não entrou porque mais uma vez a lama fez de cola nas fendas que existiam.

A tragédia que tirou a vida, segundo os dados oficiais da altura, a 462 pessoas, mas diz-se que esse número chegou pelo menos a 700 na região, começou a ser notícia nas primeiras horas em Lisboa e nas localidades mais próximas. Alenquer parecia ser um concelho mais esquecido, e João Mário conta que teve de fazer soar a sua voz mais alta. Fez um comunicado para os jornais e o ministro telefonou-lhe a seguir. “Ralhou um bocadinho comigo mas veio a Alenquer passados dois dias”. No jornal “A Verdade”, dias depois podia ler-se uma comunicação do ministro do Interior em que se afirmava “vivamente impressionado com o esforço esgotante desenvolvido por vossa excelência (João Mário)

Santana da Carnota ficou isolada m Santana da Carnota, António Gomes, hoje com 74 anos, tinha-se casado há uma semana quando as cheias aconteceram. Aquela foi uma das localidades mais crucificadas com a intempérie com a ribeira de Santana a galgar e a fazer muitos estragos e vítimas, nomeadamente dois mortos. António Gomes diz que o cenário era de tal maneira que até dava para passar um barco no meio da estrada. Na altura não se faziam limpezas no rio, que subiu cerca de um metro e meio. “As pessoas ficaram sem nada”. Também nesta pequena localidade à semelhança do resto do concelho a palavra solidariedade fez-se sentir – “As pessoas do alto de Santana vieram ajudar as da zona baixa, nomeadamente, a minha mulher que era uma esposa de oito dias. O comércio de Santana ficou todo destruído, e no meu caso que já tinha a loja mas de mercearias, durante mais de oito dias andaram por aqui a ajudar a limpar e a lavar o que existia”. Também recebeu ajudas. “Chegaram a dizer que tínhamos sido contemplados com o totocheia, mas isso não passou de conversa de café”. Os bombeiros só chegaram a Santana passados uns dias, “porque Alenquer estava pior do que nós e nas Quintas tinha morrido muita gente”. Não havia telefones e Santana ficou isolada durante vários dias. António Gomes é com emoção que se recorda do esforço que um vizinho fez para chegar a pé até Torres Vedras e daí até à Silveira já à boleia para avisar a família do comerciante, oriunda daquela zona, do que se estava a passar na localidade e no concelho de Alenquer. “Foi daqui de noite para nos conseguir ajudar porque não havia telemóveis como hoje”. Depois da tragédia “agarrámos na loja e com a ajuda dos amigos fomos para a frente com coragem”. Para trás ficaram os dias negros, em que até “fardos de bacalhau acabados de chegar de Lisboa foram nas cheias”, refere ao lembrar-se dos prejuízos.

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Comerciante teve de recomeçar do zero


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Novembro 2017 na condução dos trabalhos e resolução complexa dos problemas provocados pela catástrofe”. Apesar de mais distante, o concelho também foi alvo da solidariedade estudantil, uma das marcas mais evidentes deste acontecimento. Acorreram em massa a ajudar as vítimas das cheias um pouco por toda a parte, e em diversas ocasiões nem sempre foram bem vistos pela censura durante este acontecimento. Vieram estudantes de Lisboa, de Leiria e de Coimbra, entre outros locais. “Foi um movimento enorme”, enfatiza João Mário. Os estudantes integravam também brigadas de controlo sanitário de vacinação em massa contra a febre tifóide, realizaram no concelho, e um pouco por toda a região, inquéritos profiláticos, divulgaram informação sanitária, e organizaram creches para possibilitar o trabalho dos pais, refere um comunicado da Associação de Defesa do Ambiente do concelho de Alenquer (ALAMBI) enviado às redações evocativo desta data. Esses estudantes acabaram por ser vistos pelo Estado Novo como agitadores e uma pre-

sença pouco conveniente. José Eduardo também se lembra bem deste movimento fantástico de pessoas, estudantes e não só, a quererem ajudar, não só de fora mas também do alto do concelho. “Todos os dias um grupo de 15 pessoas vinha dessas freguesias com o almoço para ajudarem nas limpezas e na reconstrução”. Aliás José Eduardo fala mesmo em três mil pessoas diariamente na vila a precederem àquele tipo de tarefas. Nesses dias não foram para os seus trabalhos no campo para virem ajudar. Nessa altura a solidariedade via-se em todo o tipo de oferendas – “Nunca tive tanta qualidade de fruta dentro da minha casa”, exemplifica. Amigos vindos de toda a parte iam chegando. Os contornos da tragédia em Alenquer foram de tal forma que três das quatro pontes existentes foram destruídas – “O nível da água subiu e rebentou furiosamente o chão de uma fábrica de cartão e papel que havia no Areal construída por cima do rio”, descreve o cenário diluviano - o pintor. Mas o pesadelo ainda ganharia contornos mais assustadores pois

quando a cheia avançou para a fábrica, “toneladas de papel foram parar à água e quando isso aconteceu deu-se essa subida avassaladora”. “As próprias máquinas que também iam na cheia e o papel começaram a bater nas pontes e a fazerem uma espécie de açudes ou muralhas, e as pontes iamse partindo uma a uma”. Tal descrição fez com que o cenário se pintasse a cores ainda mais negras e para lá do imaginável. Ficaram danificadas as pontes de Barnabé, Cadafais, Refugidos e Montegil no concelho durante a tragédia. João Mário conta que uma amiga que se dirigia para a casa da irmã no Areal foi furiosamente levada pelas cheias depois de estas terem engolido a fábrica de papel. O corpo surgiu dias depois e vários quilómetros mais à frente na Vala do Carregado. Mas outros corpos houve que até apareceram em Vila Nova da Rainha. Noutra fábrica, neste caso um aviário, que existia na vila, na Romeira, outro dilúvio do outro mundo em que seis mil frangos morreram também nestas cheias num prejuízo

Alenquer e as suas principais artérias ficaram assim

total para o dono da empresa. Também muito gado no matadouro onde hoje é a biblioteca foi dizimado. Toneladas de trigo e de farinhas foram também por água abaixo. Mas volta a frisar, João Mário, que face aos prejuízos “os empresários foram muito bem compensados”. José Eduardo Lopes recorda que no seu caso enquanto empresário com uma casa recente à época, e cujo nome ainda hoje existe bem como o estabelecimento – a Augusto João Lopes e Filho Lda, os apoios dos fornecedores foram marcantes. O prejuízo foi total e refere que os balcões que eram de madeira foram parar ao Camarnal, a três quilómetros de Alenquer. “O meu pai era um comerciante muito bem classificado e tudo obtivemos dos nossos fornecedores que se prontificaram de toda a maneira. Um fabricante de Mira de Aire levou daqui as malhas todas para serem lavadas no rio daquela localidade para depois serem devidamente reparadas. Isso custoulhe um dinheirão”. Outra fábrica de Viana do Castelo “levou uns pa-

Destaque 11 nos para serem lavados nos tanques e quando a mercadoria regressou vinha impecável”. Outros comerciantes locais “lavaram as peças na adega do amigo, no tanque de outro amigo, com lixívia para cima, e esse tipo de artigos acabaram por não conhecer o me-

lhor fim, enquanto os nossos foram tratados conscientemente”, relata. Combinou-se também que só ao fim de um ano é que a família pagaria a mercadoria que encomendasse doravante aos fornecedores. “Foi uma ajuda fantástica”, sintetiza.

No rio de Alenquer

José Eduardo Lopes contou com o apoio dos amigos e forncedores

Antigo Bombeiro de Azambuja foi herói na tragédia ntónio Luís dos Santos, mais conhecido pelo Cagalhufa, é um dos antigos Bombeiros dos Voluntários de Azambuja. O bombeiro, que esteve 19 anos na corporação, passa em revista aqueles tempos, quando a 27 de novembro de 1967 o temporal levou a vida a 462 pessoas (dados oficiais) em vários concelhos da região de Lisboa. No concelho de Azambuja, estas cheias não fizeram especiais estragos quando se compara com outros, mas a corporação concelhia participou das operações de salvamento na Vala do Carregado: “Avisaram-nos de que estava tudo morto por lá. Lá fomos nós, depois de um dia antes termos ficado a um passo de morrer gelados na Guarita dentro de um buick descapotável, com água pelo corpo todo. Antes de partirmos, ainda, bebemos um copo de aguardente para nos aquecermos. Para chegarmos ao Carre-

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gado primeiro tivemos de dar a volta pelo Cercal porque não podíamos passar a Vila Nova da Rainha. E toca de retirar as pessoas dentro do rio, e de dentro das suas casas, completamente geladas e às costas, mas a força de vontade era tanta, que dava gosto um gajo salvar qualquer pessoa”, conta à nossa reportagem. Os bombeiros de Azambuja uma vez no terreno andavam literalmente dentro de água a tentar salvar pessoas do interior das suas habitações: os sobreviventes da desgraça. Em redor, o cenário era como se de uma guerra se tratasse, catastrófico, com dezenas de cadáveres “ali naquela várzea onde hoje estão lá armazéns mas na altura havia vinhas”. O bombeiro Mário Jorge que mais tarde foi comandante e os seus colegas salvaram naquele dia uns familiares que moravam na zona, sempre com água pelo

peito, e com “os corpos dos vivos às costas, e que durante toda a noite tinham apanhado aquele esticão todo de água, tentando salvar a pele em cima de móveis, e no cimo de escadas, e por onde desse, para não irem nas cheias”. Como se fosse num filme num dia que “foi para esquecer” os bombeiros iam de casa em casa completamente afogueados e com a água sempre a dar-lhes pelo corpo numa busca incessante por quem ainda pudesse estar vivo. “À medida que o nível da água foi baixando os corpos iam aparecendo, totalmente cheios de lamas, no meio de uma chafurdice imensa. Nem se conseguia distinguir as roupas, aliás se não fosse pelos braços e pelas pernas nem se percebia que eram pessoas”. Depois de um dia extraordinário pelos piores motivos em que os bombeiros arriscaram a sua vida,

“mas estávamos a fazer era o nosso trabalho” este acontecimento ainda reservava para António Luís dos Santos um novo episódio quando passadas poucas horas a sua mãe teve de ir

para o Hospital de São José que naquela altura suportava uma avalanche de chegada de feridos e de mortos. “Havia corredores e salas cheios de cadáveres”, relata mais uma vez emocionado.

Mas cheias naquela altura houve muitas e em Azambuja também teve a sua dose. Eram outros tempos e os meios também não eram muitos mas o querer chegava para dar e vender.

Bombeiro de Azambuja salvou muitas vítimas na Vala do Carregado


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Solidariedade total para com as vítimas das cheias em Alenquer Fábrica de papel já na sua reconstrução

Cenários como este repetiram-se em Alenquer

A mulher da foto era Maria Lúcia Maçana que perdeu para as cheias os quatro filhos e o marido no concelho de Alenquer olidariedade foi então palavra de ordem. Também o povo português há cinquenta anos como em 2017 contribuiu massivamente quer nos primeiros dias da tragédia, quer depois com toda a sorte de ajudas desde meios financeiros a materiais. Diversos setores foram ajudados de diferentes formas como os lavradores, os comerciantes, e os bombeiros que ficaram sem nada para socorrer naquelas horas a população. A base de Ota forneceu carpinteiros, eletricistas para ajudar nas “anomalias provocadas pela água”. Lê-se no jornal “A Verdade”, daquela altura, sobre a chegada de um donativo de vários contos de reis de um cidadão anónimo. O próprio jornal enche colunas a descrever os nomes dos ofertantes e os valores dos donativos. A um palacete que havia em Alenquer onde se instalou o Instituto de Apoio à Família também chegavam todo o tipo de contributos. Dom José de Siqueira, vereador na Câmara, na altura, distribuía pela população sopa e sanduiches na vila todos os dias. “Tudo às suas custas. Ainda na semana passada andei a arranjar a campa dele. Era um homem de grande valor”, recorda José Eduardo Lopes. Também um grupo de mulheres de Abrigada vinha trazer víveres. José Eduardo diz que em parte este sentimento de agregação das pessoas também se deveu “ao homem dinâmico e extraordinário que é João Mário”, então presidente de Câmara. Santos Júnior, então ministro do Interior de Marcelo Caetano, chegou dois dias depois a Alenquer, e João Mário confessa que ficaram amigos. Não hesita em qualificar como preponderante e inexcedível o apoio que o Estado deu ao município – “Era dinheiro por todo o lado”, enfatiza e até se começou a ouvir falar na expressão “totocheia” tendo em conta que raros foram os que não beneficiaram de ajudas e puderam recomeçar as suas vi-

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das. Os primeiros subsídios começaram a ser atribuídos conta o jornal “A Verdade” a 19 de dezembro. Cerca de meio milhar de contos destinados ao comércio. A cerimónia teve lugar no salão nobre da Câmara. Na imprensa da época, nomeadamente no jornal “A Verdade” é bastante elogiado o trabalho desenvolvido pelo presidente da Câmara João Mário ao ter conseguido o apoio do Governo do país com a captação de verbas para fazer face à necessidade de reconstrução de uma vila inteira e em parte do concelho. Mesmo depois das cheias, o Governo de certa forma quis compensar o isolamento a que estava votado este território rural, bem como outros, e estradas foram alcatroadas e a eletrificação concretizada. As cheias tinham posto a nu um país rural, pobre e triste. João Mário até se recorda que, durante os dias que se seguiram às cheias, em questão de horas conseguia apoios para o concelho – “A minha mulher ia para as ruas da baixa de Lisboa ver montras e eu reunia-me com Santos Júnior a fazer os meus pedidos. No outro dia à tarde já os apoios vinham a caminho”, conta esta pequena particularidade. Do estrangeiro também chegava “muito dinheiro” e um pouco por todo o país, empresas e particulares não se faziam rogados. A Gulbenkian construiu casas para os desalojados num bairro nas Paredes - “Cinquenta mil euros na altura que era muito dinheiro num total de 32 andares”. Jorge da Cunha Carmo cedera o terreno para esse bairro, e a Câmara de Angra do Heroísmo também apadrinhou um bairro na vila de Alenquer cedendo igualmente as verbas para a sua edificação. Igualmente as Câmaras de Santarém e Figueira da Foz ficaram na memória do antigo presidente de Câmara como das mais solidárias. João Mário refere que, a dada altura, os benefícios tinham atingido proporções impensáveis. A história

de uma mulher bastante pobre mas que não sofrera com as cheias ficou no imaginário alenquerense ligado a este acontecimento - “Essa senhora que era uma pobre coitada, e vivia mal, veio até mim queixar-se de que não tinha tido sorte nenhuma porque tinha vivido toda a vida na parte baixa de Alenquer, e mudara-se uma semana antes das cheias para a Vila Alta. Lamentava-se de não receber ajudas. Com pena dela lá a levei à Segurança Social para que também pudesse ter direito a alguma coisa”, conta. João Mário apesar de ter governado a Câmara durante o Estado Novo, refere que não é saudosista desse tempo mas inegavelmente “é preciso dizer que não foi preciso nessa altura andarmos a fazer estudos para ver quem é que podia receber ajudas. Ainda as ruas estavam a ser limpas e já andava por Alenquer quem de direito a tomar nota do que era preciso. Os apoios vieram de forma imediata, e não houve zaragatas em que uns pudessem dizer que tinham mais direito do que os outros”. A falta de burocracia ajudou a acelerar o processo. João Mário confessa que nunca fez nenhum cálculo sobre as ajudas, mas os prejuízos foram na altura incalculáveis. Só na vila de Alenquer morreram 10 pessoas, mas em Santana da Carnota, Ca-

dafais e Carregado o cenário também foi negro. No total 46 pessoas perderam a vida no concelho. Isto segundo os dados oficiais. Segundo o comunicado da Alambi, e para além das dez na sede de concelho, morreram duas na freguesia de Santana da Carnota; uma na de Meca, 33 na freguesia de Cadafais; 10 no Casal dos Góis, e uma em Guizanderia. Embora na sua edição de 2 de dezembro “A Verdade” fale em 66 mortos no concelho. Uma das lembranças mais permanentes daqueles dias relacionouse com “o clima de amor gerado entre as pessoas”. Foi a partir das cheias que Alenquer elegeu o seu presépio como símbolo de fraternidade, embora ele já existisse. “Não há nada que una mais as pessoas do que uma tragédia comum. Viveu-se de facto um momento muito interessante na nossa história”, considera João Mário. Passados 50 anos, “o clima de afetos e de generosidade ajudou a atenuar a dor de uma população”. E há episódios que não lhe saem da memória – “O meu pai tinha uma loja que ficou inundada até ao teto e muitos vieram ajudar a limpar”. “Também me lembro do comandante da base da Ota ter vindo logo naquele domingo trazer pão que era para a alimentação dos militares e o ter distribuído pela população nas ruas”. Panelas

cheias de comida enviadas por particulares também chegaram à vila. “Lembro-me que uns meses depois da tragédia, o João Mário organizou uma excursão em que fomos todos agradecer às pessoas do alto do concelho, freguesia a freguesia, por tudo o que tinham feito”, acrescenta José Eduardo Lopes. “Foi altamente reparador o envolvimento de todos os que quiseram colaborar”. Alenquer aprendeu algumas lições com estas cheias, embora tenham sido implantadas muitos anos depois em alguns casos. O traçado do rio que era sinuoso passou a ser mais retilíneo, e as margens passaram a ser em pedra mais recentemente. Mas fundamentalmente corrigiu-se o arco da Ponte de Santa Catarina embora também passadas décadas. “A capacidade da ponte era de 1/3 para o caudal do rio, ou seja o buraco da ponte não conseguia suportar a enxurrada. Só quando chegava à estrada do Camarnal é que estabilizava”, diz José Eduardo Lopes que lidou com sete cheias durante a vida. Atualmente a capacidade da ponte aumentou e consegue suportar três vezes o caudal da água. Já a Alambi salienta que neste domínio, o concelho não aprendeu muito: Depois do 25 de abril, a liberdade revolucionária permitiu a construção onde quer que fosse, e

Rua Triana ficou assim (foto João Mário)

só em 1983 com a introdução do conceito de Reserva Ecológica Nacional foram introduzidas restrições à edificação em leito de cheia. Tragédia com histórias únicas de desespero e de sobrevivência João Mário lembra a história de uma família nos Cadafais “onde um homem subiu ao telhado e depois a um poste de eletricidade, com as duas filhas ao colo, e não podendo salvar ambas teve de escolher uma. Sendo que quer uma quer outra acabaram por falecer bem como a mulher”. Outra das histórias funestas destas cheias foi a da mulher cujo corpo ficou em cima do pequeno edifício onde hoje funciona o posto de turismo no Parque Vaz Monteiro. Mas uma das histórias mais emblemáticas deu-se no Bairro do Areal onde os cadáveres de cinco pessoas da mesma família aguardavam a vez para serem transportados para a morgue. João Mário estava no local com a polícia a acompanhar as operações. “Pareceu-me ouvir a mulher respirar. O cabo respondia-me que não podia ser, que estava tudo morto. Insisti para que voltasse a senhora e lhe fizesse respiração boca a boca. Estava viva”. O marido, que trabalhava nas finanças, e os filhos faleceram. Dias depois já no hospital ficou-se a saber como tinha conseguido sobreviver ao contrário da família – “Ficou entalada em pé desmaiada entre um móvel e a parede. Porque era muito pesada a peça de mobiliário nunca andou. Quando a água começou a descer, a senhora caiu mas não estava morta”. Mais tarde João Mário levou-a para trabalhar na Câmara como telefonista. Ainda hoje é viva e quando vem a Alenquer, pois vive no Algarve, visita o pintor. Agradecimentos pela facultação documental: Alambi e Bibliotecas de Vila Franca de Xira e Alenquer.


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Quintas para sempre ficou como a aldeia mártir a localidade de Quintas, freguesia de Castanheira do Ribatejo, foi onde a tragédia causou um maior número de mortes, mais de 60 e no total da freguesia 83, mas há relatos que falam em 90 mortos. Ainda hoje esta aldeia vive sob o espectro do que aconteceu há 50 anos, sem que a população se tivesse refeito completamente do que aconteceu. Nas cheias ficaram familiares, amigos e conhecidos. Ainda hoje esta povoação se sente um pouco à margem na região e os populares acreditam que pouco se tem feito na questão do ordenamento do território para que uma tragédia destas não volte a acontecer. O casal António Macedo, e Maria José, ambos com 78 anos, têm uma história para contar. Porque no meio da tragédia, foi com alguma sorte que a sua mulher conseguiu sobreviver. Conta António Macedo que nessa noite teve de se ausentar da Castanheira para o norte do Ribatejo porque a mãe estava doente. A sogra conseguiu convencer a filha a ficar a dormir na sua casa, dado que ia ficar sozinha naquela noite. Não era hábito quando o marido se ausentava. E foi a primeira vez em cinco anos. A habitação da mãe de Maria José ficava num ponto mais alto de Quintas. Se tivesse permanecido naquela noite na sua casa não teria resistido à inundação. Ela e os seus dois filhos. António Macedo ficou a saber do dilúvio no dia seguinte à tragédia no Entroncamento quando o ardina andava a distribuir os jornais. “Fiquei preocupado. Tentei perceber melhor o que se estava a passar, e a primeira povoação de que ouvi falar foi a dos Cadafais, junto a Quintas. Seis pessoas já tinham morrido ali. Quando cheguei cá encontrei tudo num pandemónio”. As autoridades encontravam-se à entrada da aldeia. A sua família estava bem, mas no Casal Pataco

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onde costumava ficar “moravam oito e ficaram cinco”. “Cá fora toda a gente chorava”, junta Maria José. A água criara uma espécie de barreira junto à Ponte da Couraça, devido ao entulho. Um muro com metro e meio de altura ao longo da estrada cedeu e a água inundou toda a várzea. Na memória deste casal ainda estão os corpos estendidos nas estradas da povoação a serem lavados por uma agulheta. Eram às dezenas. Mas também houve casos incríveis de sobrevivência como o caso de uma senhora que foi aparecer ainda viva no cimo de uma laranjeira – “Nem ela se lembra como”, refere o morador. Casos houve em que os corpos das pessoas ficaram marcados no teto dada a força da lama e da água que as empurrou até ao cimo. “Isto dá uma ideia de como a água subiu cerca de dois a três metros”. Joana Ferreira, 59 anos, foi uma das sobreviventes que naquela noite andou na água. Na localidade faz-se esta distinção entre os que conseguiram sobreviver escapando das cheias tendo andado ou não dentro de água. Pressupõe-se bem no meio da inundação. “Nas vésperas caia uma chuva miudinha que ninguém dizia no que se tornaria”. Não se lembra de muita coisa, pois tinha apenas nove anos, mas o pai ao abrir a porta avisou que teriam que arranjar maneira de fugir. “Fomos para a casa da mãe da Nelinha, onde a água também começou a entrar, mas depressa tivemos de fugir. Tinha irmãos mais novos do que eu. A dada altura não sabíamos onde estava a minha mãe. O meu pai e o meu irmão mais velho foram à procura dela de candeeiro de petróleo na mão. Estava num sótão de uns vizinhos”. Com nove anos não conseguia ter perceção e entendimento completo sobre o que se estava a passar apenas se

lembra de ouvir muitos gritos e no dia seguinte “muitos cadáveres pela rua fora”. “Nunca me esqueci, amigas minhas dessas idades morreram nessa noite. Lembrome de brincar com elas todas”. Em Quintas diz a população que os apoios foram escassos. Os tais estudantes da época que marcaram pela sua solidariedade este período também apareceram, mas apoios “foram zero”, diz Joana Ferreira acrescentando que à época “o regime abafou muita coisa”. “Não houve reconstrução. Os meus pais ficaram apenas com dois braços para trabalhar e seis filhos para criar”. Toda a família sobreviveu, “mas se não tivéssemos sido avisados pelo vizinho tínhamos morrido todos”. Luísa Fajarda, 63 anos, na altura com 13, relata que na sua casa a água não entrou pela porta apenas alguma pelo telhado mas os gritos das pessoas lá fora ainda hoje ressoam na sua mente. Faleceram nas cheias os seus avós maternos e uma irmã que vivia com eles. “Moravam lá mais abaixo perto do rio”. A casa ficou destruída e os corpos foram na enxurrada. O corpo da irmã apareceu logo, mas o da avó só na segunda de manhã, e o do avô só ao fim de nove dias. Neste último caso já perto do local onde hoje funciona a fábrica da Italagro. Como ele, muitos outros foram parar à Vala do Carregado e à Castanheira. Lidar com uma realidade assim nunca foi fácil, mas nunca se consegue superar a dor das perdas que aconteceram de um modo tão violento. “A dor era imensa mas foi tudo tão instantâneo que não deu para assimilar logo. Com o passar dos anos é que vamos percebendo a dimensão do que nos sucedeu”. A mãe faleceu 40 anos depois da intempérie e sempre falou disso. A população local “também nunca conseguiu ultrapassar. Toda a gente perdeu alguém”.

Este casal foi um dos sobreviventes da tragédia que dizimou metade de Quintas

Muito jovens na altura ainda se recordam bem daqueles dias trágicos

A Várzea que separa os concelhos de Vila Franca e Alenquer totalmente inundada

Quintas acordava assim depois da noite de pavor

Ventura Reis foi a pé para Quintas ajudar a população há 50 anos


Valor Local

14 Destaque

Animais mortos devido às cheias

Retirada dos corpos em Quintas

Durante o mandato enquanto presidente da junta de freguesia de Castanheira do Ribatejo, Ventura Reis, renovou o monumento de homenagem às vítimas, e que hoje se encontra numa das entradas da aldeia. Todos os anos, a autarquia faz uma pequena cerimónia evocativa da efeméride. A tragédia que entre a freguesia da Castanheira e a aldeia dos Cadafais fez cerca de 90 mortos explica-se também em parte pela falta de limpeza do Rio Grande da Pipa e a edificação das casas em pleno leito de cheia e onde uma qualquer inundação faria estragos. Estamos numa várzea. Com os valores de precipitação alcançados, e para os fracos meios existentes há 50 anos, a tragédia seria mais do que certa. Aliás devido a esta catástrofe, Alenquer e Vila Franca de Xira estão classificados entre os concelhos com maior número

Novembro 2017

Atual presidente refere que a memória dos acontecimentos ainda perdura de mortos resultantes dos acontecimentos hidrogeológicos entre 1900 e 2006, segundo a Alambi. A bacia do Rio Grande da Pipa “produziu” nas cheias de 1976: cerca de 140 mortos. Nesse dia 27 de novembro, o antigo presidente e atual tesoureiro da junta, veio a pé até Quintas e mal chegou deparou-se com os vários corpos estendidos no chão e tentou ajudar como pôde. Alguns colegas que trabalhavam consigo na Tudor faleceram. Não havia apoio psicológico profissional e “tínhamos de nos ajudar uns aos outros”. Para piorar “a censura tentava abafar o número de mortes”. A tragédia deu-se um ano antes de Salazar abandonar o poder. O atual presidente da União De Freguesias da Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras, Luís Almeida, não tem memórias das cheias, mas não tem dúvidas

de que houve algo de “verdadeiramente dantesco” nesta terra. Apesar de este ano se assinalar uma data redonda, as cerimónias evocativas continuarão a ser discretas como têm sido “porque a tragédia ainda está muito presente, mexe muito com esta população”. “No passado houve a tentativa de se fazer algo mais elaborado que chocou a comunidade”. Arruda dos Vinhos também foi outro dos concelhos atingidos. Maria Augusta Costa que na altura tinha 15 anos e trabalhava numa fábrica de componentes eletrónicos na Fresca. Lembra-se de que chovia há muitas horas seguidas “mas ninguém previa o que se estava a passar”. Ela e as colegas depois de saírem da empresa aguardavam pelo autocarro que nunca mais chegava e que as devia levar a localidades vizinhas de Arruda. O autocarro não veio. Já se

sabia que algumas pessoas tinham ido na cheia em outras localidades. Um comerciante de Arruda ao saber da tragédia e ao saber que muitas mulheres estavam nas proximidades da fábrica à espera de voltarem para casa, partiu para o local e fez uma série de viagens para transportar as trabalhadoras até suas casas. Entre Sobral e Arruda várias pessoas acabaram por morrer nestas cheias. Alguns corpos apareceram mas outros nunca foram descobertos. “No dia seguinte um trator que estava junto à paragem já tinha ido cheia abaixo, se lá continuássemos possivelmente não teríamos conseguido sobreviver”. Muita lama era visível, mas também com muitos animais mortos e até porcos se via em cima das árvores naqueles dias. No concelho de Arruda morreram 12 pessoas.

Cheias de 1967 deviam ser mais estudadas e aprofundado o seu conhecimento m dos poucos estudos realizados até hoje no âmbito deste acontecimento pertence a um grupo de estudiosos de várias universidades portuguesas e intitula-se “Inundações na região de Lisboa… um olhar sobre o impacto político e social”. Francisco da Silva Costa (Universidade do Minho); Miguel Cardina (Universidade de Coimbra) e António Avelino Batista Vieira (Universidade do Minho) apresentaram esse estudo em Santiago do Chile em 2014 durante um simpósio de Geografia Física. O estudo tentou identificar quer os fatores que estiveram na origem do acontecimento, mas também a evolução da situação, os impactes e a gestão da tragédia. Até à data pouca documentação foi produzida sobre este acontecimento que os especialistas desejariam ver mais desenvolvida de modo a podermos tirar mais lições para o futuro sobretudo numa altura em que tanto se fala de alterações climáticas. Ao Valor Local, Francisco da Silva Costa refere que determinados as-

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petos da vida do Portugal de então funcionaram como detonadores, na região de Lisboa, para a elevada taxa de mortalidade resultante desta tragédia. Estamos a falar, à época, de uma população composta por uma elevada franja de pessoas vindas do interior no início da década de 60. O êxodo rural maciço na área periurbana de Lisboa levou à implantação de bairros de génese ilegal e à construção de barracas. Na altura, foi a resposta possível face à ausência de uma política de habitação. Por isso, a escassez de alojamento a baixos custos teve de ser minimizada com a construção de bairros de barracas e de construção clandestina em pequenas bacias de fortes limitações físicas e ambientais. Inevitavelmente estas condicionantes sociais não podem ser dissociadas das condições atmosférica anormais que “resultaram em precipitações intensas e concentradas excecionais que se verificaram nas últimas horas do dia.” “Poderemos dizer que não se conhecia o risco, não havia sistema de

alerta e a gestão da crise foi feita sem estrutura capaz de dar resposta fazendo sobressair a falta de um serviço de proteção civil”, consubstancia o especialista. As vulnerabilidades são ainda mais evidentes nos concelhos mais afetados quando sabemos que apenas foram verificadas quatro mortes no interior da cidade de Lisboa. A acrescer a tudo isso, acrescenta Francisco da Silva Costa, e quanto à lista das vítimas, temos de ter a noção de que as operações de recolha e a identificação dos mortos foram realizadas em condições deploráveis, locais desadequados e sem os meios e recursos necessários. Muitas autópsias não foram realizadas. A última contagem efetuada e divulgada uma semana depois apresentou um total de 462 mortos. No entanto, no final de dezembro ainda foram encontrados corpos. Por isso, não existe uma lista completa e validada o que levou a vários estudos e estimativas apontarem para valores que oscilam entre os 500 e os 700 mortos. Já sobre o movimento de solidarie-

dade “foi à época de uma dimensão extraordinária”, não tem dúvidas em referir o professor de Geografia Económica e Social. Acrescenta ainda o estudioso que na Área Metropolitana de Lisboa ocorreram mais duas cheias particularmente marcantes, tanto pela magnitude das precipitações que lhes deram origem, como pelas consequências humanas e materiais que tiveram: em novembro de 1983 e em fevereiro de 2008. Os números das cheias de 1983 e 2008 foram substancialmente menos destruidoras devido à redução da vulnerabilidade: sete mortos e 610 casas afetadas em 1983, enquanto em 2008 contabilizaram-se três mortos e problemas de circulação rodoviária. Durante a estadia em Santiago do Chile durante a qual o estudo foi dado a conhecer saíram algumas conclusões importantes. A comunidade científica e a investigação atual apontam que o futuro deve passar pelo “uso do conhecimento, da inovação, e das novas tecnologias ao seu serviço, mas também

pela capacitação e empoderamento das comunidades locais no que respeita ao planeamento participativo; e da gestão do risco de inundação.” Outra das conclusões salientadas tem a ver com o facto de que determinados territórios menos vezes afetados por este tipo de acontecimentos, tendem a preparar-se menos para as eventualidades futuras: “Um longo período sem inun-

dações produz frequentemente o efeito de esquecimento ou de negligência do risco de inundação pelo indivíduo e pela comunidade. O tempo médio de memória varia, mas para quem vivencia a tragédia de forma direta, alguns estudos apontam para oito anos para cair no esquecimento e indiretamente três anos.” E por isso encontramos situações diferenciadas, e exemplifica: “Em alguns países mais desenvolvidos como os Países Baixos, há uma vivência permanente com as inundações o que resulta numa perceção mais próxima da realidade deste tipo de ocorrências. Já em países lusófonos como o Brasil e Moçambique, podemos falar de sociedades do esquecimento. Vejam-se as tragédias que já tivemos associadas a inundações nestes dois países e que caíram no esquecimento. Infelizmente no caso das inundações de Lisboa, a componente de inscrição na memória é escassa. Mais do que isso, trata-se de um assunto muito pouco estudado pela investigação nos meios académicos.”, conclui.


Valor Local

Novembro 2017

As Cheias de 1967 na Região

Opinião 15 Miguel António Rodrigues

“O que nos vai na memória” Valor Local recorda nesta edição as Cheias de 1967. Tudo aconteceu num dia de muita chuva de 26 para 27 de novembro, algo que viria a acontecer menos de 20 anos mais tarde em 1983, mas com um número de vítimas bem menor, apenas 7 contra as 462 (números oficiais) daquele ano. As cheias de 1967 “rasgaram” toda a região norte de Lisboa. O concelho de Vila Franca de Xira e o concelho de Alenquer foram os mais afetados com a perda de cerca de várias dezenas de vidas humanas e muitos prejuízos materiais. Também em Odivelas, e em Loures as cheias fizeram-se sentir. Por lá também se verificaram muitos prejuízos e perdas de vi-

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das humanas, e outra tantas situações “caladas” pela censura da época. Nesta data em que se assinala 50 anos sobre a tragédia, o Valor Local foi em busca de testemunhos em Vila Franca, nomeadamente na localidade de Quintas, em Castanheira do Ribatejo, em

Alenquer, e Santana da Carnota. De todos os testemunhos que ouvimos, podemos apenas deduzir que os sobreviventes ainda hoje “carregam” consigo o trauma da enchente. Muitos ainda se emocionam 50 anos depois ao lembrarem parentes e amigos levados pelas águas e pela intem-

périe. Da Vala do Carregado, a Alenquer, passando pelas Quintas, muitos foram os relatos de desespero. Aliás é hoje difícil imaginar o que estas pessoas passaram ao ver os seus bens destruídos e a morte dos amigos e familiares. Foram dias e noites difíceis, relatados na primeira pessoa e gravados para a posteridade na edição em papel do Valor Local, mas também em vídeo em forma de documentário que o nosso jornal disponibilizará em breve de forma gratuita às bibliotecas dos concelhos abrangidos pela nossa edição, e também online. Em todas as conversas, fica patente a similaridade com os incêndios que assolaram o nosso país em julho e outubro. Os relatos impressionantes ouvidos na comunicação social, quase que se repetem 50 anos depois nas memórias dos sobreviventes. O desamparo, a dificulda-

de dos governos de ontem e de hoje apesar de vivermos em democracia em lidarem com a catástrofe. No jornal “A Verdade”, o Governo de Salazar confrontado às primeiras horas da tragédia pela Câmara de Alenquer dizia “salvese quem puder”. E as eternas questões do ordenamento do território sempre presentes ontem como hoje. Aliás, das coisas boas que o nosso povo tem, salta à vista a solidariedade. Tanto à época como agora, uma onda solidária varreu a região. Foram tantas as ofertas que alguns dos nossos entrevistados reconheceram que tiveram de redistribuir o muito que receberam. Mas aquela foi também uma época diferente. A censura ainda vigorava e pese embora o facto de ter existido ajuda do regime, muito foi ocultado à imprensa da época. Basta recordar os jornais da época e verificar as imensas mensagens colocadas a agradecer ao Governo da Nação, aquilo que era uma obrigação do executivo à época dirigida por Salazar já a terminar o seu longo consulado.

Este foi um trabalho de emoções. Com isto, o Valor Local quis garantir para a memória futura, os bons e os maus exemplos. Para isso muito contribuíram os excelentes arquivos das Câmaras de Vila Franca de Xira, na Fábrica das Palavras, e da Biblioteca Municipal de Alenquer. Lamentavelmente, a Biblioteca de Azambuja, não possui qualquer registo de jornais anteriores a 2003, não sendo possível verificar a informação dos jornais locais da época. Para tal, apenas existem jornais no Museu Municipal, mas a procura desta informação não está disponível para consulta pública, já que os periódicos estão expostos numa vitrine. Em todo o caso, fica para a memória de todos, se é que alguma vez nos possamos esquecer disto, os relatos dos sobreviventes e intervenientes nesta tragédia que mudou para sempre a região há 50 anos.

As inundações de 25 de Novembro de 1967

Joaquim António Ramos

embro-me bem das inundações de 25 de Novembro de 1967, faz agora cinquenta anos – como a tempo passa! Dois anos antes os meus pais deixaram Azambuja e foram viver para os arrabaldes de Paço de Arcos, que ficava mais à mão dos empregos. Essa foi para a minha família uma noite de festa. O meu pai fizera anos dois dias antes e, nesse Sábado, a família toda foi convidada para ir ao Villaret ver a peça “António Marinheiro, Édipo de Alfama”, de Bernardo Santareno. Com a Eunice Muñoz a fazer de Amália, a mãe/esposa, e um esplendoroso João Perry com vinte e poucos anos, hoje avô nas telenovelas, na pele do jovem António Marinheiro. Não nos passou pela cabeça o que acontecia por essa Lisboa e arredores enquanto na sala se desenrolava o drama do jovem, abandonado em bébé, que volta a Alfama e se apaixona e casa com aquela que, mais tarde, descobre ser a sua mãe. Dentro do Villaret não chovia e na Alfama do palco o tempo era de securas. Mas quando saímos, a Fontes Pereira de Melo era um rio. Me-

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temo-nos no carro do meu pai já com água pelo tornozelo, descemos ao Marquês e subimos à Estrela, mas em Alcântara a água começou a ameaçar invadir o carro. Toda a marginal, do Cais do Sodré a Algés, era um mar de água e lama e coisas a boiar. O meu pai conseguiu, no entanto, enfiar por Monsanto e chegámos secos a Porto Salvo (nem a propósito, era onde eles viviam…). Morreram afogadas mais de setecentas pessoas, famílias inteiras foram arrastadas pelas lamas, engolidas pelas ribeiras, soterradas em escombros. Nalgumas localidades, como em Quintas e Cadafais, por trás de Vila Franca, morreu a população quase toda em escorregamentos de terras e avalanches de entulhos. Passados dois dias apareceu no Esteiro de Azambuja um colchão a boiar com um homem morto em cima. Soubemos da dimensão da tragédia porque alguns jornais estrangeiros entraram clandestinamente em Portugal e alguns diário particularmente visados pelo lápis azul – como o Diário de Lisboa – aproveitaram a distração e o desnorte da Censura para dar

a notícia em sítios inesperados, como a Necrologia ou as páginas de anúncios. Choveu muito, durante três ou quatro horas o equivalente a um quarto da pluviosidade média anual. Mas nos países civilizados pode chover muito que não morrem, naquelas condições, mais de setecentas pessoas. Não foi apenas a chuva a responsável. Foram-no também a miséria e o desordenamento do território, em que sempre fomos pioneiros. A miséria, porque quem morreu foi arrastado de barracas de madeira e chapa onde se alojaram os que nos anos cinquenta e sessenta foram obrigados a deixar as suas terras e vir alimentar a massa proletária (não, não sou marxista…) que veio servir a cintura industrial de Lisboa a troco de salários miseráveis e incertos. E é muito mais fácil construir uma barraca numa zona plana, num baixio, que a meia encosta ou no alto dos montes. O desordenamento que ainda hoje grassa na área metropolitana de Lisboa, ainda que já sem barracas, vem desse fenómeno de êxodo para a cidade. Cinquenta anos mais tarde. Não chove há meses e Outubro dá-

se ares de Agosto. Ano de 2017 da Graça de Deus. Mais de cem pessoas morrem em incêndios florestais, centenas da casas e empresas são destruídas, milhares vêm arder em horas o que levou uma vida a construir. O centro do país parece um forno em fim de braseiro, cinzento e nu… Mas agora os vários canais de televisão dão a morte quase em direto, os jornais e revistas dedicam edições especiais à tragédia, entrevistam-se vítimas e bombeiros, inventam-se coisas, omitem-se outras, exige-se a demissão de ministros e cadeias de comando. Entram-nos pela casa dentro os carros calcinados de Pedrógão, as casas ardidas de Arganil, as empresas destruídas de Tondela, os pinhais incandescentes de Leiria. Não arderam barracas porque, à custa de muito esforço individual e coletivo, não há famílias a viver no mesmo tipo de barracas que foram arrastadas pelas águas em 1967. Parece que as tragédias foram radicalmente diferentes, nesse ano já longínquo e agora. Há cinquenta anos, foi a água que matou. Agora, foi a sua escassez e o fogo que o fizeram. Em 1967 o

terror abateu-se nos subúrbios metropolitanos de Lisboa. Em 2017, nas ruralidades florestais do interior do país. Nesse tempo, a Censura e o Governo de então abafaram a verdade. Agora, tudo quanto é órgão de soberania veste colete antifogo e protege a cabeça e passa dias nos locais atingidos. A comunicação social relata, investiga, gesticula na TV com pinheiros a arder como cenário. Uma coisa, no entanto, não mudou: a nossa incapacidade para ordenar o território e fixar populações no interior. Enquanto se foi pondo alguma ordem nas cidades e arredores, as zonas florestais e rurais do interior foram abandonadas à voracidade de madeireiros e celuloses ou à invasão de espécies estranhas e arbustos rasteiros e combustíveis. Que ninguém duvide: os mortos dos fogos de 2017 foram vítimas, antes de tudo, do desordenamento florestal em que o país mergulhou durante anos e no reiterado abandono a que o “campo” foi condenado. Será esta uma fatalidade que acompanha e acompanhará a nossa vida enquanto povo?

Creio que não. E parece-me vislumbrar, de há uns – poucos …anos para cá, que esta tendência secular de desordenamento e fuga do interior começa a apresentar indícios de reversão. Parece-me ver despontar uma nova geração, mais instruída e preparada, que não renega as suas raízes, finca os pés e as mãos à terra, luta por desenvolver as potencialidades que as Beiras, Trás-os-Montes, os Alentejos e Ribatejos têm em diversos campos. E algumas com histórias já de sucesso no turismo e no efeito estimulador que o turismo tem sobre a economia local, na agricultura, no valor acrescentado das suas tecnologias inovadoras, na exigência social que comanda as suas iniciativas. Será esse o caminho, lento mas inevitável. Só assim deixaremos de ter enxurradas e fogos que assassinam em massa. Mas isso será, certamente, assunto para outras crónicas e discussões.


16 Opinião

Valor Local

Estatuto Jurídico dos Animais:

Novembro 2017 Gonçalo Ferreira

Uma questão de bom senso!

ltamente criticável!”, é assim que classifico o recém aprovado estatuto jurídico dos animais, pelo menos do ponto de vista objectivo, pela sua má técnica legislativa, mas também do ponto de vista subjectivo, sobretudo pelo constante em algumas disposições em sede de Responsabilidade Civil, no que aos danos não patrimoniais diz respeito e à sua articulação com o regime geral vigente. A este respeito, nossa Lei prevê que os danos não patrimoniais (tais como o sofrimento, a dor, a tristeza e a depressão) são susceptíveis de indemnização, desde que se apure uma gravidade que a justifique, tal como disposto pelo artigo 496º nos termos do seu artigo Nº1, do código civil. A lei está aqui pensada para a pessoa que sofreu a lesão, ou seja, se alguém foi ferido com a utilização de uma arma de fogo e ficou paralisado para o resto da vida (a titulo meramente exemplificativo), o tribunal irá concederlhe uma indemnização por danos não patrimoniais (dele próprio/lesado). Já se estivermos a falar da mulher/cônjuge que cuida do dito sujeito que sofreu a lesão (e que dele terá que cuidar até ao resto da sua vida), essa não tem,

“A

de acordo com o artigo 496º do referido código, direito a uma indemnização. Ou seja, resulta do supra mencionado normativo que os terceiros só têm direito a uma indemnização quando a

pessoa que é lesada morreu, e não quando essa mesma pessoa foi ferida com gravidade mas não

morreu. Em suma: A nossa lei está estruturada de modo a que haja uma indemnização por danos não patrimoniais em benefício das pessoas que são lesadas, sendo

que os terceiros receberão uma indemnização por danos não patrimoniais próprios, mas desde

que a pessoa lesada tenha morrido. Já no estatuto jurídico dos animais, está previsto que o dono do animal tenha o direito a receber uma indemnização por da-

nos não patrimoniais (sofridos pelo dono), relativamente a um conjunto de lesões aí identifica-

dos. Não está por exemplo aí consagrada a depressão do animal (que sendo um animal dotado de sensibilidade pode vir a têla). Assim, o sofrimento que o dono venha a ter por ver uma depressão afectar o seu animal não está aqui considerado. Isto quer significar que, se estamos a pensar, olhando para este regime, como tendo sido a pessoa lesada o dono do animal (porque continua a ser a única pessoa), a norma está a restringir aquilo que dispõe o artigo 496º do código civil porque dispõe que “são indemnizáveis todos os danos não patrimoniais que pela sua gravidade mereçam a tutela do Direito”. Já se a norma prevista neste estatuto diz que o dono pode pedir uma indemnização quando suceda os factos aí descritos de grave lesão física do animal, então, se porventura o dono sofrer um dano pela tal depressão do seu animal, de acordo com o referido estatuto, embora o também já referido artigo 496º do código civil permita nestes casos, uma indemnização por danos não patrimoniais, o presente estatuto já não o permite. Mas mesmo pensando que não

seria neste caso o dono (do animal) o lesado, mas sim o próprio animal (dado que este adquire um estatuto especial como ser dotado de sensibilidade), também neste caso, se fosse o lesado a próprio animal, estaríamos a permitir que um terceiro receba uma indemnização numa situação em que o animal não morre, quando, se em vez de um animal fosse uma pessoa, esse 3º não receberia nada. Posto isto, e de acordo com o referido supra, estou em crer que existe um clara falta de articulação entre regimes, porque ou o lesado é o próprio dono, e estamos aqui a estabelecer um regime que limita o que dispõe o artigo 496º Nº1 do código civil, ou se o lesado é o animal, estamos a dar mais direitos ao seu dono do que estaríamos a dar ao cônjuge de uma vitima advinda de um qualquer acidente. E o bom senso? Não merecerá também protecção?


Novembro 2017

Valor Local

Divulgação 17

Os conteúdos são da exclusiva responsabilidade da ACISMA - Associação, Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja

Chave Móvel Digital, o que é e como obter A Chave Móvel Digital é um meio de autenticação que permite a associação de um número de telemóvel e/ou e-mail ao número de identificação civil (NIC) para um cidadão português e o número de passaporte para um cidadão estrangeiro residente em Portugal. Este mecanismo de autenticação foi instituído pela Lei n.º 37/2014, de 26 de junho que criou a "Chave Móvel Digital" (CMD) como meio alternativo e voluntário de autenticação dos cidadãos nos portais e sítios na Internet da Administração Pública. A CMD é um sistema multifator de autenticação segura dos utentes dos serviços públicos disponibilizados online, composto por uma palavra-chave permanente, escolhida e alterável pelo cidadão, bem como por um código numérico de utilização única e temporária por cada autenticação. A CMD gera automaticamente, aquando da introdução da identificação do cidadão e da palavra-chave a ela associada, um código numérico, que é enviado por SMS ou por correio eletrónico para o respetivo número de telemóvel ou endereço de correio eletrónico registados pelo cidadão. Para obter a CMD, o utente pode: a) Solicitar online a associação acima prevista e escolher a sua palavra-chave permanente,

mediante prévia confirmação de identidade por autenticação eletrónica através do certificado digital constante do seu cartão de cidadão ou de outro meio de identificação eletrónica validamente reconhecido em Estados membros da União Europeia; ou b) Dirigir-se a uma Loja do Cidadão, a uma conservatória do registo civil, a outros serviços da Administração Pública que celebrem um protocolo com a Agência para a Modernização Administrativa, I. P. (AMA, I. P.), para este efeito, ou a outras entidades que hajam celebrado um protocolo com o Instituto dos Registos e do Notariado, I. P., para a receção dos pedidos de emissão, substituição e cancelamento do cartão de cidadão, e aí, após confirmação de identidade por conferência com o documento de identificação civil ou passaporte de que for titular, obter a associação acima prevista e escolher a sua palavra-chave permanente. Os atos praticados por um cidadão ou agente económico nos sítios na Internet da Administração Pública presumem-se ser da sua autoria, dispensando-se a sua assinatura, sempre que sejam utilizados meios de autenticação segura para o efeito, nomeadamente a CMD. Fonte: INFOJUS

Linha de Apoio à Sustentabilidade Encontra-se disponível uma linha de financiamento de 10 milhões de euros para iniciativas e projetos que promovam a sustentabilidade social e ambiental no turismo, desenvolvidos por empresas, entidades públicas, associações de comércio ou de moradores e outras entidades de natureza semelhante. A Linha de Apoio à Sustentabilidade enquadra-se no âmbito do Programa Valorizar, criado pelo Despacho Normativo n.º 9/2016, de 28 de outubro, que tem por objetivo promover a contínua qualificação dos destinos, através da regeneração, requalificação e reabilitação dos espaços públicos com interesse para o turismo e da valorização do património cultural e natural do país, bem como do desenvolvimento de condições para a promoção da sustentabilidade da atividade turística. Este Programa está em linha com os objetivos traçados pela estratégia Turismo 2027, aprovada pela RCM n.º 134/2017, de 27 de setembro. Esta linha está disponível, até 31 dezembro de 2018 e aplica -se a todo o território nacional, para iniciativas que promovam a integração entre residentes e turistas, visem a dinamização económica dos espaços urbanos, promovam o consumo de produtos locais pelos

visitantes, ações de educação / sensibilização ambiental e social no turismo e iniciativas de valorização da identidade do país, das comunidades locais e que facilitem o diálogo entre gerações. Enquadramento legal: Despacho Normativo n.º 18/2017, de 24 de outubro. Formalização das candidaturas: 1. Aceder a SGPI - Sistema de Gestão de Projetos de Investimento. 2. Selecionar Nova Candidatura. 3. Selecionar Valorizar. 4. No formulário, selecionar Linha de Apoio à Sustentabilidade. Para mais informação, contacte a Linha de Apoio ao Empresário ( Tel: 808 209 209) ou o GAEE (Gabinete de Apoio e Informação à Empresa e ao Empreendedor) em Azambuja. através do tel. 938 309 664. Fonte:Turismo de Portugal, I.P.

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Metaforas e Parabolas Lda - Comu-

nicação Social e Publicidade; NIPC 514 207 426 Sede, Redação e Administração: Rua Alexandre Vieira nº 8, 1º andar, 2050318 Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 10171 • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Acácio Vasconcelos, Ana Bernardino, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca” Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: Rui Ramos • comercial@valorlocal.pt Serviços administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt


18 Cultura

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Novembro 2017

Vila Franca de Xira

Exposição sobre a Grande Guerra no Celeiro da Patriarcal stá patente no Celeiro da Patriarcal em Vila Franca de Xira uma exposição que retrata “Outros olhares sobre a Grande Guerra”. A exposição surge no âmbito do Centenário da I Guerra Mundial (1914-1918), onde muitos combatentes oriundos daquele concelho perderam a vida. A mostra surge depois de um trabalho iniciado pelo município de Vila Franca de Xira em 2014. Sendo assim a continuação de um programa municipal com o intuito de “não esquecer” este período da história como fez questão de recordar Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, no dia da inauguração a 18 de novembro. A mostra está patente no Celeiro da Patriarcal até 18 de fevereiro de 1918. Aliás toda a exposição que gira em torno desta guerra, tem apontamentos que remetem para o concelho de Vila Franca de Xira, desde um memorial em branco com os nomes dos combatentes, passando por fotos e muitas histórias que envolvem,

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entre outros, Alves Redol. De resto a curadora da exposição Cláudia Caramelo, que explicou detalhadamente algumas das opções da mesma, revelou por exemplo que as “paletes de madeira” usadas nesta mostra servem exatamente para simbolizar a madeira utilizada no suporte das trincheiras. Outra das questões é a parte oftalmológica que para a curadora e investigadora foi importante no campo de batalha, e o papel da mulher que “se emancipa para continuar a trabalhar enquanto o marido está na guerra”. Sobre os combatentes do concelho, não há números certos. A curadora esclareceu, no dia da inauguração, que a exposição retrata também figuras importantes que desempenharam um papel preponderante na “guerra”, onde se incluem os relatos de parentes ainda vivos. Esta é de resto uma exposição importante para Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, já que ele também foi combatente no Ultramar. O autarca revelou que este pro-

jeto não se esgota nesta exposição, lembrando que foi fruto de alguns protocolos celebrados com várias entidades que levaram, ainda, a muitas outras iniciativas neste âmbito.

Alberto Mesquita inclui neste projeto a inauguração do Monumento aos Combatentes perto da Praça de Toiros, a recolha de objetos e testemunhos dos familiares dos militares de Vila Fran-

ca de Xira, e o colóquio sobre a Grande Guerra realizado no Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e na Fábri-

ca das Palavras em Vila Franca. Nesta programação estão ainda previstos três colóquios a decorrer nos seguintes dias: 13 de dezembro, 19 de janeiro e 16 de fevereiro, pelas 18h30.

A exposição contou com o contributo de familiares ainda vivos de combatentes

Joaquim Ramos lança “A Ressurreição segundo Mister Cohen” antigo presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Joaquim Ramos prepara-se para lançar este sábado, 25 de novembro, no Auditório do Valverde, em Azambuja, às 17h30, mais um livro. Ao Valor Local o ex-autarca esclarece que este trabalho pode ser considerado “um romance” porque enquadra-se numa narrativa, ao passo que os anteriores livros eram compostos por “contos”. Joaquim Ramos que passou por problemas de saúde graves em 2013, dos quais ainda não está totalmente recuperado, elucida que tal foi o mote para este projeto e explica que o título “A Ressurreição segundo Mister Cohen” é a história da sua “quase morte” e do seu “longo processo de ressurreição” advertindo que tal “não é uma história clínica”. Ao nosso jornal, o autor vinca que este livro trata-se de uma análise do que que lhe aconteceu, do que pensou durante todo o processo, das alucinações que teve, e considera que pode esta história funcionar “também como um estímulo a quem esteja na situação desesperada em que estive”. Já sobre as menções a Mister Cohen, que na prática é o cantor Leonard Cohen, Ramos revela-se seu admirador desde sempre pois foi nas suas canções e nos seus poemas que encontrou a perfeita “descrição de muitos dos passos” por que passou no seu “retorno à vida”. Trata-se, portanto de um livro contado na primeira pessoa e que relata factos reais de uma fase menos boa do autor. Ramos explica que todos os personagens são reais, com exceção de outros tantos- “Aparecem nas alucinações que tive durante dois meses - esses, como o monge beneditino ou o general africano, são produto dos meus delírios”. Joaquim Ramos que vai doar novamente as receitas do seu livro, revela que escreve por prazer. O autor não se assume como escritor de grandes tiragens até porque salienta: “As vendas não são expressivas”. Nesse sentido considera: “Outros terão mais necessidade desses (poucos) euros do que eu. Daí a doação à Cerci e à Casa Mãe, que são duas das instituições do concelho que mais respeito”. Quanto a projetos futuros, Ramos revela que tem dois “um iniciado, outro a germinar na cabeça”. O que já está a caminho “é uma coletânea de personagens que conheci ao longo da vida e que, por qualquer razão, me marcaram, ou divertiram, ou são casos de vidas notáveis, no meu conceito”. Já o segundo que ainda não está iniciado. “É um romance histórico e implica mais estudos”.

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Tauromaquia Azambujense Ana Rita, grande temporada em Espanha

Corrida dos 50 anos do GFA Azambuja

orque tem valor para andar lá. Tanto no lidar, como no matar. Tanto a cavalo como a pé. A matar bem, a cortar orelhas e rabos e a sair quase sempre por la Puerta Grande. Muitos outros de mais fama não o fazem. Por isso, Ana Rita vem encontrar a sua residência junto de “nuestros hermanos” pois é lá que tem sido acarinhada e apoiada. A nossa terra é onde estamos bem e lidando com pessoas que nos entendem. Ana Rita diz que para 2018 está cheia de esperança de chegar às praças grandes e alternar com as grandes vedetas tanto a cavalo como a pé e sentir o calor da afición. O Pais onde ela nasceu pouco lhe dá e lá diz o ditado, quem tudo dá e nada pode fica sem nada e a pedir. Mas há ainda outro que diz: Nada de perder a esperança. Alguma ficará para vencer. Ana Rita fez o 6º lugar no Escalafon Taurino 2017. Olé

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um prazer, entrar na Praça de Toiros Dr. Ortigão Costa e ver como está bonita. É todo um asseio. Desde os serviços sanitários, enfermaria e capela, a bem dizer por toda a praça, encontramos a exposição alusiva aos forcados e demoramos algum tempo a vê-la. Quanto à corrida em si, na parte a cavalo, quem esteve por cima foi Luis Rouxinol. Rui Salvador não teve alguns momentos, enquanto Ana Batista, Manuel Teles Bastos e a jovem Soraia Costa cumpriram. Mas o momento grande da tarde foi a parte a pé. O Matador Manuel Dias Gomes esteve muito bem. Tanto no capote como na muleta, sempre em su sitio a tourear um exemplar de Callejo Pires que deixou mostrar toda a touraria de Gomes que no final teve direito a volta. A grande surpresa do dia foi a atuação do jovem Rui Jardim. No dia que fez exame para Aspirante a Novilheiro e onde passou com distinção o jovem Azambujense brilhou. Vamos então desenvolver a lide. Rui esteve muito bem com o capote. Das belas verónicas bem rematadas com meias ou as gaoneras rematadas com passes para alto, tudo com elegância toureira, o que fez com que fosse muito aplaudido pelo povo que quase enchia a praça. Com a muleta, brinda ao público em geral, coloca-se nos tércios e com

Santana Lopes no almoço do PSD Azambuja candidato à presidência do PSD, Pedro Santana Lopes vai ser o convidado especial do habitual encontro de natal da estrutura local dos social democratas. Desta vez, Santana Lopes, reúne-se com os militantes num restaurante em Aveiras de Cima. Santana Lopes, que tem ligações familiares a Azambuja, marca assim presença oficial pela segunda vez numa iniciativa do partido, depois de ter “apadrinhado” a inauguração da sede no ano passado. Santana Lopes jantará com os militantes a 8 de dezembro, aproveitando para falar dos seus projetos caso seja vencedor das eleições internas. O Valor Local sabe que Santana Lopes aceitou de imediato o convite da estrutura local. Já Rui Rio, o outro candidato, ainda não mostrou disponibilidade para se deslocar em Azambuja. As eleições para a liderança da estrutura nacional estão marcadas para dia 13 de janeiro. Para o mesmo dia estão marcadas também as eleições para a concelhia de Azambuja. Contudo e até ao momento não apareceram listas concorrentes, ficando em aberto a recandidatura do antigo vereador e atual presidente da concelhia, António Jorge Lopes que remete para o próximo mês uma decisão.

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Instantâneos 19 António Salema “El Salamanca” muita quietude dá uns muletazos por alto rematando com um de peito. Faz uns passes cambiados, fazendo com que o novilho passe pelas costas e então vêm os derechazos, os Naturales e os redondos, tanto pela direita como pela esquerda. Os adornos foram excecionais, assim como a simulação de entrar a matar que fez em su sitio e com a mão. Como agradecimento, deu três voltas à arena e houve a chamada do ganadero João Ramalho, que bem mereceu pelo novilho apresentado. E o jovem Rui Jardim merecia ter saído em ombros e vê-se que o público tem fome de toiros a pé. Houve momentos que se parecia estar em Sevilha, tal era o silêncio. Os forcados, afinal aqueles para quem era a festa, estiveram bem. Dirigiu e bem a corrida Lourenço Luzio, numa praça com ¾ de casa. O público saiu satisfeito e nós esperamos que as empresas olhem para este jovem Azambujense e para outros que aí andam e têm muito valor. Olé.

ngela Varino é a Rainha das Vindimas de Aveiras de Cima de 2017. A jovem que conseguiu também a distinção de Miss Simpatia desfilou e venceu na noite do passado sábado em Aveiras de Cima. A Primeira Dama de Honor foi Micaela Florêncio e a Segunda Dama de Honor Jessica Simões. Já Mónica Ferreira venceu na categoria de Misse Fotogenia. A Rainha das Vindimas de Aveiras de Cima decorreu este sábado na Casa do Povo local com centenas de populares a assistir e a aplaudir as candidatas.

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