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Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 48 • Abril 2017 • Preço 1 cêntimo

Valor Local

Pedro Bastos, diretor do HVFX 43 anos do 25 de abril

Guerra Colonial Revisitada

Consultas a doentes fora da área do hospital já representam nove por cento

Entrevista na 8 e 9

Vítimas da legionella já não acreditam na Justiça Casa do Albardeiro: Descobrimos a máquina do tempo

Sociedade na 4

Sociedade na 5

Bruno Libano

12, 13, 14 e 15


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Bombeiros de Azambuja exigem pagamento da dívida do IPO s Bombeiros de Azambuja estão em “pé de guerra” com o IPO de Lisboa. O Instituto Português de Oncologia deve àquele corpo de bombeiros cerca de 17 mil euros. Todavia, e já lá vão alguns meses, a associação continua a reclamar o pagamento urgente dessa verba, já que segundo os responsáveis, tal atraso coloca em causa a prestação de socorro às populações. Isso mesmo pode ser visto nos cartazes colocados no exterior do quartel dos bombeiros, onde é dito com firmeza que as dívidas do Estado asfixiam a atividade normal da associação. Recentemente a direção, ficou a saber que estão em conferência três faturas no valor de cerca de seis mil euros. Tal verba, segundo Conceição Sousa, vice-presidente da associação, é manifestamente insuficiente para saldar as dívidas. De acordo com uma missiva enviada pela associação à direção do IPO, os valores agora a pagamento “são manifestamente insuficientes para regularizar as dívidas que neste momento temos pendentes para com os nossos fornecedores”, acrescentando

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Compromissos a liquidar por parte dos fornecedores permanecem

que “este pagamento não altera substancialmente a situação”. Como tal “necessitamos da regularização urgente de todas as faturas pendentes, ainda que os pagamentos das que vão sendo

emitidas não ultrapassem os prazos previstos na lei”. Na mesma carta assinada pela direção, é dito à direção do IPO que tanto a Secretaria de Estado da Saúde, bem como a ACSS, “não

entendem o motivo deste atraso”. A associação vais ainda mais longe e diz que não é “compreensível que esse Instituto continue a asfixiar sistematicamente uma instituição desta natureza, sem

fins lucrativos, que apenas pretende servir o bem comum, recorrendo para isso, em grande parte, a trabalho voluntario”. Conceição Sousa vinca mesmo que a associação está longe de

desistir desta insistência, e anuncia que até que a situação esteja resolvida, semanalmente enviará um email a solicitar o pagamento, também com conhecimento das outras entidades envolvidas.


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Cartaxo, Azambuja e Rio Maior com cerca de mil doentes com demências os concelhos do Cartaxo, Azambuja e Rio Maior há cerca de mil doentes com demência sendo que 116 apresentam-se já num estado muito grave e avançado da doença. Esta foi uma das conclusões do seminário “Um olhar sobre as demências” que decorreu no dia 5 de abril com a presença de vários especialistas da área social e da saúde, no Centro Cultural do Cartaxo. A luta contra o isolamento do idoso parece ser uma das pistas salientadas pelos vários oradores no sentido de retardar ou até diminuir o quadro das demências. O tão em vogo envelhecimento ativo apesar de ser em muitos casos um chavão dos tempos modernos, será uma possibilidade nesta luta contra os quadros de alzheimer e outras demências. Maria João Quintela, oradora convidada, presidente da Asso-

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ciação Portuguesa de Psicogerentologia, deixou algumas frases emblemáticas do que é ser idoso

nos tempos modernos em que “se continua a lidar com as pessoas como se só vivessem até

aos 60 anos”, em que “os idosos que, ainda, hoje estão vivos são sem dúvida sobreviventes numa

Conceito de envelhecimento ativo em debate

selva antagónica às suas necessidades”. “Não basta que se cumpra o ritual do sofá para a mesa, da mesa para o sofá, e do sofá para a cama” na vida dos mais velhos, ou que “baste ser saudável, estar bem tratado e não cheirar mal”. Para a especialista os responsáveis têm uma missão pela frente: a de saber como os idosos podem sobreviver num mundo agressivo. Em última análise, seria desejável que se “criasse uma cultura sobre o nosso próprio envelhecimento”. Lilian Rey, médica de psicogeriatria no Hospital de Santarém, elucidou sobre as demências e a sua diferença para o Alzheimer. Sendo que numas e noutra, o indivíduo não tem noção de que está doente. Alertou ainda para a possibilidade de algumas demências serem potencialmente tratáveis desde que numa fase inicial. Comportamentos isolacionistas

mas também doenças no fígado, rins, falta de vitamina B12 podem propiciar estes quadros. “Alimentação mediterrânica, manter-se ativo, seja feliz e tenha planos para o futuro”, foram alguns dos conselhos deixados. António Leuschner, presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, forneceu alguns dados estatísticos. Começando por destacar que Portugal não demonstra ter capacidade para tratar destes doentes. De 2003 a 2013 teve lugar um aumento significativo das demências nos escalões etários acima dos 80 anos. Cerca de 1,7 milhões de novos casos surgem por ano em todo o mundo. Recentemente foi constituído um grupo de trabalho para esta área no país com o objetivo de traçar um quadro sobre as demências de modo a permitir o encaminhamento desses doentes para o Serviço Nacional de Saúde.

Associação de Apoio às Vítimas da Legionella já pensa em recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem ignifica o primeiro grande revés para as vítimas do surto de legionella que aconteceu no concelho de Vila Franca de Xira em 2014, que recorde-se infetou 403 pessoas. Catorze morreram. O Ministério Público arquivou em março o processo no que se referia à acusação de “crime de poluição com perigo comum”, tendo em conta que “a legislação

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portuguesa é praticamente omissa no que se refere à doença do legionário”. Foi decidido pela procuradora Helena Leitão que esta prática não pode ser imputada aos nove arguidos do processo. Neste momento, a Associação de Apoio às Vítimas da Legionella, já marcou para o próximo dia seis de maio uma “caminhada pacífica”, desde o Pavi-

lhão Desportivo do Forte da Casa, agendada para as 10h, até à Fábrica Adubos de Portugal, suspeita de ter estado na origem do surto. Os nove arguidos do surto de Vila Franca de Xira (duas sociedades e sete indivíduos) estão agora acusados da prática do crime de infração às regras de construção, dano em instalações

e perturbação de serviços e ofensas à integridade física por negligência. O relatório do Ministério Público agora divulgado estabeleceu um nexo de casualidade com 73 das pessoas afetadas e em 8 das 12 vítimas mortais, relacionando estas infeções com a bactéria detetada na ADP. Nos restantes casos não conseguiu chegar a nenhuma conclusão.

Joaquim Perdigoto Ramos, da Associação de Apoio às Vítimas da Legionella, vê nesta decisão um passo atrás, até porque desta forma a acusação ficará mais fragilizada, levando em conta que o suposto crime de poluição seria aquele com mais peso uma vez em tribunal. “O nosso espírito é de luta neste momento. Vamos até onde for preciso nem

que seja até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem”, dá conta ao Valor Local. “Se a fiscalização compete ao Estado, e se a empresa não cumpriu as regras alguém tem de ser responsabilizado”, continua a descrever – “Não pensei que a culpa pudesse morrer solteira depois de tudo o que aconteceu, mas já começo a acreditar”.

tando que tal deverá ser também traduzido numa política de “publicidade e de angariação de utentes para o Centro de Dia, bem como novos associados”. Para começar a instituição vai participar nas “Tasquinhas 2017” de Manique do Intendente que decorrem de 21 a 24 de abril. Por outro lado, destaca que a nova di-

reção compromete-se a promover as atividades desportivas e de lazer no Pavilhão Polidesportivo de Manique do Intendente que é pertença da Casa do Povo, “mantendo intactas as dinâmicas que até aqui têm sido uma realidade e que em muito têm contribuído para a qualidade de vida da população mais jovem”.

Pedro Moita assume a presidência da Casa do Povo de Manique Casa do Povo de Manique do Intendente tem uma nova direção. Os novos órgãos sociais tomaram posse a 9 de abril, depois de um vazio diretivo de quase três meses. Pedro Moita, o atual diretor técnico da instituição, acumula agora funções com a presidência da instituição e tem pela frente o objetivo de sanear financeiramente e Casa do Povo.

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Pedro Moita encabeçou uma lista única com mais 11 elementos distribuídos pela Assembleia Geral, Direção e Conselho Fiscal. Ao Valor Local, Pedro Moita salienta que apesar das dificuldades e responsabilidades inereantes ao cargo que está agora a assumir, “estas eleições são de certa forma encaradas como uma vitória para a Casa do Povo e para os

seus associados, utentes, funcionários e comunidade de uma maneira geral, já que esta instituição é um bem de todos e deve ser integrada e reconhecida na comunidade, como tal”. Ainda assim acrescenta que existe um longo caminho a percorrer e que “o mais importante são as ações e atitudes, a vontade de trabalhar em prol da Casa do

Povo de Manique do Intendente”, vincando a necessidade de a “credibilizar e reforçar a confiança”. Sobre os seus objetivos, Pedro Moita salienta que o atual projeto “visa em primeiro lugar a rápida integração na comunidade, mudando mentalidades, dando visibilidade e ‘devolvendo’ o bom nome à Casa do Povo” acrescen-

Novo diretor da instituição


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Casa do Albardeiro: Descobrimos a Máquina do Tempo Casa do Albardeiro está de portas abertas na Paúla, freguesia de Cabanas de Torres, Alenquer, e guarda pequenos recantos do antigamente. Entrar neste local é como retroceder décadas atrás no tempo dos pais e avós de muitos nós. Lá está a mercearia com produtos dos anos 70, a cama de ferro, o traje relacionado com as várias profissões ligadas à ruralidade, e até uma mini sala de aula com a foto de Salazar conseguimos visualizar. A obra é de Maria do Céu Duarte, professora de Português, que graças ao seu esforço para recuperar estes pedaços de história montou um verdadeiro mini museu, também com o contributo da população desejosa de ver o espólio da Casa do Albardeiro aumentar. Ao fundo a mercearia dá nas vistas e tenta reproduzir aquelas antigas lojas de barro. Não falta nada: as manteigas flora e planta nas suas embalagens vintage; a farinha 33 e a não menos mítica “Predilecta”; e uma vasta gama de produtos que ficaram adormecidos na história das compras dos portugueses. Aqui são peça de museu. A Casa do Albardeiro recebe o

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Maria do Céu e o marido são a alma do espaço nome do seu bisavô que tinha aquela profissão na localidade, mas representados no espaço estão ainda quadros aludindo a ou-

tros ofícios como o sapateiro, o carpinteiro, e o agricultor. “Agora falta associar a este espólio as histórias. É no que queremos tra-

balhar. Que nos façam chegar esses relatos”, refere Maria do Céu Duarte que vai abrir a Casa do Albardeiro para um encontro com

mais de 100 pessoas no dia 18 de junho para tomarem contacto com as tradições, e num programa que abarca diversas atividades.

Para já, Maria do Céu Duarte vai participar numa feira à moda antiga onde se fará representar com objetos a evocar o universo da saúde de antigamente, com mezinhas, pomadinhas, fotografias de médicos de outrora, parteiras, que a população da freguesia disponibilizou. Um dos destaques nesta Casa do Albardeiro vai para a exposição de alguns artefactos ligados à participação das gentes da aldeia na guerra. “Tenho aqui uma arca da primeira guerra mundial. Trouxe-a o pai de um senhor cá da terra”. Ao lado é visível uma máscara de gás, uma pá e picareta que afinal é um único objeto, telhas que trouxe de um dos campos onde se combateu na guerra numa visita de estudo ao estrangeiro, e aquilo que se acredita sejam balas de canhão deixadas pelas Invasões Francesas tendo em conta que estamos em território vizinho das Linhas de Torres. Diz que estas são relíquias que muitos desconhecem e sendo tão recente esse conhecimento estará desejosa de o colocar em evidência. “Tenho muitas conversas gravadas, quero ver se consigo transmiti-las, e talvez conseguir perpetuar isto a outras pessoas da minha família”.

Arrudense abraça causa “Dress a girl around the world” élia Martins, de Arruda dos Vinhos, abraçou a causa “Dress a Girl around the World”, uma organização não govermamental que também se encontra em Portugal. A arrudense tem feito contactos com várias costureiras locais no sentido de poder também participar através da confeção de um vestido para crianças desfavorecidas, principalmente africanas. A ideia é que as costureiras façam vestidos para meninas “que

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vivem em países abaixo do índice de pobreza mundial, e em condições muito precárias”. Contudo a iniciativa pode consistir apenas no envio dos materiais para a sede da ONG em Portugal, em Cascais, pois quem assim o desejar, e se não souber costurar, pode doar tecidos, linhas, fitas de viés ou cuecas. Os tecidos devem ser em algodão, “não pode ser transparente” para proteger os corpos das meninas, “não pode ser muito claro” para

não se sujar e “não pode ser muito fino” para resistir mais tempo. Há menos de um ano a funcionar em Portugal, e segundo dados de novembro de 2016, quase 363 vestidos já tinham sido entregues e havia 200 prontos a ser enviados, através de organizações não governamentais que trabalham em África. Pode obter mais informações sobre o projeto em Portugal em: https://www.facebook.com/dressagirlaroundtheworldportugal/.

Demolição de esplanada em Alenquer gera polémica A

demolição da esplanada pertencente até há pouco tempo ao espaço de café “A Fragata” (que encerrou nos últimos meses) está a gerar uma onda de contestação nas redes sociais. Os alenquerenses estranharam esta demolição por parte da Câmara Municipal de Alenquer, até porque em tempos, segundo os munícipes, “tratou-se de um das melhores esplanadas da vila”. Em resposta ao Valor Local, a Câmara de Alenquer refere que

o que começou por ser a concessão de uma esplanada, usando para o efeito um pequeno espaço de apoio sob a forma de uma construção amovível, com o passar dos anos “o titular da exploração da concessão foi realizando obras ilegais que foram ampliando este espaço”. A somar a esta questão, juntouse o não cumprimento da liquidação das respetivas rendas durante os últimos anos, o que levou o município “a voltar a chamar a si a tutela deste espa-

ço.” Uma vez em posse de novo, do espaço concessionado, e perante “o choque arquitetónico desta instalação pré-fabricada numa das zonas mais nobres e emblemáticas da Vila de Alenquer”, e também “da falta de condições legais e sanitárias verificadas no espaço”, a Câmara municipal “optou pela demolição total do espaço, e pela devolução, num período adequado, deste largo à população depois de devidamente reparado.”

Dedicada ao Voluntário abraça agora o Dress a Girl


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PS acusa Câmara de Benavente de favorecer a Portucale Partido Socialista de Benavente lança, em comunicado, várias questões algumas da quais sobre alegados favorecimentos nos impostos da Câmara em relação ao empreendimento Portucale, que se recorde ficou célebre por ter sido acusado de ter estado na origem do abate de sobreiros na Herdade da Vargem Fresca. Segundo o PS, aquele empreendimento goza de supostos benefícios em parte “permitidos pela Câmara Municipal de Benavente”. Desta forma interroga-se sobre este tema colocando em evidência a possibilidade de o projeto de alvará do GES/Portucale ter sido aprovado sem estudo de impacto ambiental. “Relativamente à questão do empreendimento ‘Portucale’, é importante dizer que esta matéria é da responsabilidade da Autoridade Tributária e que o projeto resulta de um Estudo Preliminar de Urbanização (EPU) publicado em 18 janeiro de 1993 (anterior ao PDM vigente), que foi aprovado pelo secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento do Território da altura, cumprindo com todas as regras exigidas”, observa em sentido contrário o município a respeito desta questão em resposta ao Valor Local . (O alvará do empreendimento data de março de 1997, mas esteve suspenso de 12 de dezembro de 1997 até 29 maio de 2006 e de 29 junho de 2007 a 22 janeiro de 2008). De acordo com o PS, o empreendimento não pagou contribuição autárquica desde 1997 a 2003

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(altura em que o alvará do empreendimento esteve suspenso, e em que essa cobrança não teria à partida lugar), nem o IMI de 2003 a 2014, nem a taxa de mais-valias da Ponte Vasco da Gama. Neste sentido, o município argumenta que “os únicos dados aos quais a Câmara Municipal tem acesso, resultam apenas da informação que é prestada pela autoridade tributária, e apenas nos é comunicada a liquidação do IMI. A Câmara solicitou informação sobre o pagamento de IMI à Autoridade Tributária mas, ao abrigo do sigilo fiscal, não nos deram essa informação pelo que desconhecemos quais os contribuintes que estão em incumprimento”. O PS quer saber ainda por que razão o coeficiente de localização para efeitos de cálculo de IMI de 0,4 é semelhante aos terrenos da Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN). A autarquia sublinha, neste aspeto, que desde há muito que reclamava a atualização dos índices de localização para o loteamento da “Portucale”, apesar de não haver construções no loteamento. No ano de 2008, o Governo tomou a decisão de não aumentar os coeficientes de localização de IMI devido à crise económica instalada sendo que, quatro anos depois, em 2012, na Revisão seguinte do zonamento, o Governo, por pressão da Troika, tomou a opção de dar prioridade à reavaliação de todos os imoveis do país e o processo de zonamento

Questões do PDM levam a mais um confronto político

ficou suspenso. Só em 2015 efetivamente foi feita a atualização dos coeficientes de localização “e, por proposta do perito local, o índice de localização referente à Portucale passou de 0,40 para 1,10, índice igual ao praticado no loteamento de Vila Nova de Santo Estevão”, informa a autarquia. “É por isso falso que se diga que o executivo da CDU fez vista grossa às questões na fiscalidade no empreendimento da Portucale”, remata. PS estranha atrasos no PDM No entender do PS, o processo de revisão do PDM retrata bem “a trapalhada em que o atual executivo meteu o município de Benavente”, e acusa a Câmara de sucessivamente empurrar o documento de eleições para eleições. “Vamos ver se a estratégia eleitoralista não falha mais uma vez”, considera aquele partido. Segundo aquela força partidária,

o PDM não é publicado porque viola a Declaração de Impacto Ambiental do Novo Aeroporto de lisboa (NAL) bem como a Reserva Ecológica Nacional (REN), E ainda Zona de Proteção Especial do Estuário do Tejo (ZPEET). Refere o PS que da maneira como está a ser conduzido o PDM não protege a Quinta da Foz que será transformada em zona industrial, não protege a Companhia das Lezírias porque não prevê a expansão da ZPEET, nem os empreendimentos turísticos de Vila Nova de Santo Estêvão, Herdade do Zambujeiro e Herdade da Mata do Duque I e II como espaços urbanos/turísticos. Na resposta, ao Valor Local, a Câmara Municipal de Benavente refere que a primeira revisão do Plano Diretor Municipal de Benavente, que foi aprovado na Assembleia Municipal de Benavente em 29 Junho de 2015, será publicado em Diário da Republica e tornado eficaz dentro em breve,

salvaguardando que no distrito de Santarém existe apenas um PDM concluído e revisto e o do município de Benavente será o segundo, entre 21 municípios, a ficar nesta condição. Para justificar os atrasos, o município alude a uma “teia burocrática”. “Sobre a forma como alguns eleitos do PS têm tratado esta questão neste mandato, prestaremos os esclarecimentos devidos logo após a publicação do documento”, diz ainda o município. O município enumera ainda que a revisão do PDM teve um processo de concertação muito alargado com as entidades da Administração Central (cerca de 3 anos), envolvendo os seguintes pareceres : o Parecer Final CTA (Comissão Técnica de Acompanhamento); CCDRLVT (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo); REN (Rede Elétrica Nacional); APL (Administração do Porto de Lisboa); MGAIG (Di-

reção-Geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa – Ministério da Defesa Nacional); DGEG (Direção-Geral de Energia e Geologia); ICNB (Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade); SetGás; IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico; INAC – Instituto Nacional da Aviação Civil; TP (Turismo de Portugal); DGADR (Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural) e DRAP LVT (Direção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo); APA (Agência Portuguesa do Ambiente); ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas); DGAID (Direção-Geral de Armamento e Infraestruturas de Defesa – Ministério da Defesa Nacional). “Lembramos que este processo de revisão obteve o parecer favorável de todas estas entidades e por esse motivo é falso que se diga que o PDM de Benavente viola a legislação”.

Pedro Folgado reage ao caso do Pingo Doce de Sintra: “Não basta fazermos a coisa para a fotografia” ecentemente veio a público a notícia de que uma loja da cadeia Pingo Doce abrira também sem os documentos necessários emitidos pela autarquia, no concelho de Sintra, mas que a polícia municipal não tardou a encerrar o estabelecimento. Quando questionado acerca da morosidade do processo de Alenquer, o presidente da Câmara refere que o seu gabinete jurídico entrou em contacto

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com o mesmo gabinete da Câmara de Sintra, que se demarcou da atitude da polícia municipal. Já esta escusou-se a prestar mais esclarecimentos quando solicitados por Alenquer. (Nesta altura, a Câmara, de acordo com os seus prazos, já deveria ter passado a coima. Até ao fecho desta edição quisemos confirmar esse facto e o respetivo valor, entre os 1500 e os 250 mil euros mas não obtivemos

resposta). Ainda em declarações ao Valor Local, o presidente da Câmara refere que “de acordo com o nosso gabinete jurídico fizemos tudo o que estava ano nosso alcance. Apesar do incumprimento da loja não podemos correr o risco do feitiço se virar contra o feiticeiro. Não basta fazermos as coisas para a fotografia, e fazer generalizações, porque o caso de Sintra pode ser

diferente do caso do Carregado”, demonstra Pedro Folgado, presidente da autarquia, defendendose: “Pese embora os factos, o encerramento da loja poderia originar problemas de futuro em tribunal”. Quando questionado se mesmo assim não se estará a demorar tempo a mais neste processo, Pedro Folgado concorda, e garante que a coima deve ser emitida em poucos dias.


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Encontro do CDS-PP

Caminhos da agricultura do futuro em Azambuja em debate CDS-PP de Azambuja debateu a nova ruralidade no século XXI neste concelho numa iniciativa levada a cabo no dia oito de abril. Num dos painéis de debate, a Quinta de Vale de Fornos, empresa vinícola local, apresentou as suas estratégias para conseguir vencer num mercado cada vez mais global e exigente, sem perder a autenticidade que caracteriza a produção desta casa do concelho de Azambuja. Também a Sugal está consciente dos desafios que o setor agrícola atravessa, e uma das grandes apostas prestes a surgir em cerca de dois ou três anos diz respeito ao cultivo de frutos secos no Alentejo, onde a família Ortigão Costa, oriunda de Azambuja, acabou de plantar diversos pomares. Trata-se de mais uma área de negócio a juntar ao tomate, a principal, ao leite, azeite, entre outras.

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José Carlos Matos, presidente da estrutura partidária local, evocou os tempos em que o concelho praticava uma agricultura de subsistência, falando até do exemplo de alguns dos seus familiares, quando hoje saem dos campos do concelho produtos que depois de submetidos a processos industriais são vendidos para todo o mundo como o caso do tomate e do vinho. Pedro Monteiro, responsável da Quinta de Vale de Fornos, depois de evocar o passado da exploração, ligado também à icónica figura da Ferreirinha, deu a entender que o futuro do seu produto, o qual teve de passar a conhecer de uma forma diferente, “provando-o e pensando-o”, após a morte recente dos seus pais, terá de se adaptar a uma diversificada gama de gostos tendo em conta que é exportado para diferentes países, e como

tal a aposta passa também pela plantação de diferentes castas. Mas há também o “terroir”, o denominado “vinho como expressão da terra, e da ecologia ao serviço da terra” que se apresenta como a nova tendência a nível mundial. “Ter as melhores castas e viveiros atendendo às alterações climáticas será por aí o nosso caminho”. Filipe Sepúlveda, diretor agrícola para a produção de frutos secos da Sogepoc- mais conhecida por Sugal, deu a conhecer este investimento que compreende 1/3 de amendoeiras e 2/3 de nogueiras num total de 660 hectares até 2019. O início da colheita deverá ser em 2020. “Trata-se de uma cultura que é uma espécie de maratona para nós, ao contrário do tomate que é um sprint em que temos de correr para colher e levar à transformação em concentrado,

em que a cortina de tempo é muito escassa”, demonstrou. Paralelamente este grupo com raízes e escritórios no concelho, possui ainda em Pegões os viveiros de Santo Isidro na plantação de pés de tomate com variedades muito específicas recolhidas no Chile, onde a empresa também tem uma fábrica, e nos Estados Unidos. A Sugal produz 200 mil toneladas em 2000 hectares. Trata-se de um dos principais produtores de tomate mundiais, e conta com duas produções anuais, uma em Portugal e outra no Chile. “Adaptarmo-nos e sermos cada vez mais competitivos no futuro é o nosso objetivo, até porque temos a concorrência do nosso principal rival a nível mundial, a Califórnia nos Estados Unidos, e também a China com as medidas protecionistas do seu Governo”.

Oradores levantaram o véu sobre as suas estratégias

OP Alenquer

Inauguração do primeiro percurso pedestre em Meca A

proposta de criação de uma rede de percursos pedestres com o nome “Do Montejunto ao Tejo” foi uma das vencedoras do Orçamento Participativo de Alenquer de 2014. No dia um de abril foi inaugurado o primeiro desses percursos: “A Caminhada de Santa Quitéria”. O ponto de encontro foi a catedral e o passeio, de dificuldade baixa, na freguesia de Meca. Autarcas, população, e proponentes fizeram o percurso. Os 140 participantes foram convidados a almoçar, depois, pela junta de freguesia, no segundo Festival de Sopas de Canados, que decorria naquele fim-de-semana.

Para os proponentes “Alenquer tem um potencial geográfico muito forte”, pela “heterogeneidade do seu território, pela proximidade em relação à Serra de Montejunto e à capital do país”, o que proporciona este tipo de apostas. O projeto orçado em 44 mil 035 euros prevê a criação de uma rota maior entre a fronteira de Alenquer com o concelho de Vila Franca de Xira e a fronteira de Alenquer com o Cadaval – ou seja da Vala do Carregado até às antenas do Montejunto. Em redor desta rota gravitarão outras rotas mais pequenas. O maior percurso tem 17 quilómetros e o mais pequeno 12. No total são 12 os percursos.

A totalidade dos caminhos pedestres já existe, e apenas se está à espera que se lhes volte a dar vida com sinalização adequada tendo em vista as futuras rotas visitáveis. Nesta altura, a totalidade dos caminhos já devia estar inaugurada tendo em conta os prazos do Orçamento Participativo, contudo apenas o de Santa Quitéria de Meca foi para já dado a conhecer. Em entrevista ao Valor Local, Paulo Franco, vereador com o pelouro do OP, realçava, em novembro do ano passado, que “houve um trabalho de limpar e abrir caminhos, e alguns troços ainda tiveram de ser negociados com entidades privadas”.

Câmara deu a conhecer o primeiro de vários percursos

Azambuja: Caixa de esgoto incomoda moradores ma alteração do projeto onde estariam as caixas de esgoto está a deixar os moradores do prédio da Rua dos Forcados em Azambuja à beira de um estado de nervos. Há mais de um ano que Tiago Encarnação e a família lidam com os maus cheiros e o desconforto provocado por uma caixa de um coletor danificada. Ao Valor Local, Tiago Encarnação explica que já fez todas as diligências para resolver a situação e que a necessidade de desentupir aquela ligação que fica mesmo por baixo da sua janela da cozinha é frequente. O morador diz-se cansado de tanto “jogo do empurra” e que

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nem a autarquia nem a Águas de Azambuja resolvem o proble-

ma que se agudizou nos últimos meses e que pode ficar pior

com a chegada do tempo quente.

Casal queixa-de de má vontade dos responsáveis políticos

Em causa está o fato do projeto inicial não corresponder àquilo para o qual foi aprovado. O empreiteiro e dono da obra estão insolventes e incontactáveis e por isso não é possível responsabilizá-los pela alteração de projeto. Com efeito, as caixas de esgoto deviam estar na garagem do prédio, mas o empreiteiro acabou por as fazer do lado de fora, e por esse motivo a autarquia diz que não pode intervir. Poderia, segundo o vice-presidente Silvino Lúcio com este pelouro, se isso estivesse no projeto. Assim, o autarca assume que está de mãos atadas e para intervir no espaço só mesmo através da

empresa “Águas da Azambuja”, serviço esse que teria de ser pago, “sob pena de se causar um grave precedente para situações semelhantes”. O prédio, agora habitado por três famílias é atualmente gerido por uma empresa de condomínios, “pelo que com menos condóminos, a capacidade financeira destes não é a suficiente para se fazer as obras necessárias”, esclarece o vereador que vinca estar preocupado porque é uma situação de saúde pública. Ainda assim, salienta que a autarquia não está de “braços cruzados” estando os técnicos a estudar a melhor forma de resolver o assunto.


8 Entrevista

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Pedro Bastos, diretor do HVFX

Consultas a doentes fora da área do hospital já representam nove por cento Quatro anos depois da sua inauguração, o Hospital de Vila Franca de Xira atende cada vez mais doentes na urgência, nas consultas, e o número de camas no internamento, por vezes, já não chega para as encomendas. O objetivo passa por manter os padrões de qualidade e segurança apesar de algum subdimensionamento da unidade que tem vindo a conquistar vários reconhecimentos. Sílvia Agostinho Valor Local - Há quatro anos foi inaugurado o novo hospital de Vila Franca de Xira, qual o balanço passado este tempo? Pedro Bastos – Não é sequer comparável o que havia antes e o que existe agora com este novo edifício. Ainda no antigo, entraram novas especialidades ao serviço da população: oftalmologia, neurologia, otorrinolaringologia, pneumologia. Existia uma lacuna nestas áreas, nomeadamente, na oftalmologia. Paralelamente o novo hospital foi também equipado com recursos técnicos que não existiam de todo antigamente. Deu-se um acréscimo muito significativo de médicos e de enfermeiros. Temos um hospital moderno, com uma qualidade significativa, e com uma ligação fortíssima à comunidade que queremos manter. Destaco ao fim de quatro anos a melhoria nas componentes da acessibilidade ao hospital, na qualidade do serviço, e na da segurança. Ciclicamente, o hospital é falado tendo em conta as urgências e algum caos que se vive em diferentes alturas. A que se deve? No ano passado, a urgência cresceu 10 por cento no hospital. A nível do país a afluência às urgências também cresceu na sua globalidade. Contudo os níveis de resposta que registámos este ano, foram diferentes dos que dispúnhamos para anos anteriores, com um reforço das equipas de urgência. Como sabemos 30 por cento da população não é servida por médico de família e isso reflete-se na afluência às urgências. Um terço dos doentes que chegam às urgências são os ditos menos graves; dois terços são mais graves, correspondendo às pulseiras amarela, laranja e vermelha de acordo com a triagem

de Manchester. Nos mais graves, é superior à média nacional. Se me perguntar se tal se deve ao facto de haver menos médicos de família, e com isso as pessoas deixarem agravar o seu estado de saúde até virem ao hospital, diria que não consigo fazer essa ligação direta. Mas das análises que o hospital faz com o Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo (ACES) a que conclusão tem sido possível chegar neste domínio? Analisamos a origem dos doentes, para percebermos se há diferenças no que toca à eventual falta de médico de família. Mas de facto não conseguimos obter essa correlação. Apenas, o facto de as pessoas encontrarem no hospital uma solução. Talvez por nas urgências poderem fazer logo análises ou outros exames. Se os centros de saúde forem dotados de alguns meios tecnológicos, nomeadamente, raio x, patologia clínica, poder-se-á fazer com que muitas das pessoas que hoje vêm ao hospital deixem de o fazer. Em alguns locais já decorre este tipo de experiência piloto por parte do Ministério da Saúde. Para um hospital novo, o número de camas no internamento, como é sabido, não é em número suficiente, existindo por vezes macas nos corredores. Isso explica-se também tendo em conta que muitas das pessoas que entram na urgência, ficam depois internadas. Isto já acontecia no anterior hospital, mas como este ganhou uma atratividade maior essa realidade é mais visível. Este ficou então subdimensionado? Havia quem antes não procurasse o hospital antigo, e se deslocasse a Lisboa. Os dados estimados, à época, na altura do concurso,

eram outros, e nós regemo-nos por eles. Possivelmente não se tendo em linha de conta este acréscimo, mas também porque o novo hospital ganhou uma nova atratividade. Fizemos uma evolução muito boa na cirurgia de ambulatório programada, que não carece de internamento. Mas não conseguimos a capacidade de camas médicas para a população que servimos, tendo em conta que muitos dos que entram na urgência acabam por ficar internados. Face a isto temos procurado uma gestão muito criteriosa do internamento no sentido, por exemplo, de termos os ditos enfermeiros de referência por piso que articulam com as famílias, com os próprios doentes, e outros profissionais de saúde. Temos o BI do doente com a referência ao nome do médico e do enfermeiro que o segue com indicação também sobre qual a data previsível da alta. Isto é importante para a sua família ou cuidador. Ao mesmo tempo, desenvolvemos um programa tendo como fio condutor uma transição segura para a comunidade em articulação com os centros de saúde. Um desses exemplos é o nosso programa “Vida Ativa” que ganhou o prémio Healthcare Excellence no âmbito da Ortopedia que visa formar os cuidadores uma vez os doentes em casa, tendo em conta que saem do hospital enfrentando novas realidades como o facto de passarem a andar com próteses. Em entrevista há um ano e meio ao nosso jornal, o provedor da Misericórdia de Benavente lamentava-se do facto de que com a vinda do Grupo Mello para a gestão do Hospital de Vila Franca e a consequente absorção do concelho de Benavente (que passou a integrar a vossa área de abrangência), a ARS lhe tinha cortado as per-

Pedro Bastos assumiu a gestão do HVFX em 2016

nas, resultando numa acentuada diminuição ou eliminação de algumas especialidades no Hospital da Misericórdia, beneficiando em contrapartida o vosso grupo… Essa é uma questão à qual somos completamente alheios. Compreendemos a posição do senhor provedor. As especialidades de que este hospital dispõe estão perfeitamente definidas no contrato de gestão com o Estado

ainda antes de 2008, julgo saber, que não as podia repartir com outras entidades. Não conheço o contrato que existia antes com a Misericórdia. As razões do senhor provedor serão certamente muito válidas tendo em conta que teria um contrato em vigor, e se eventualmente depois o Estado não o conseguiu cumprir. Este hospital ainda teria capacidade para absorver mais um concelho da região?

Com as dificuldades que já tem seria muito difícil conseguir abranger mais população do que a atual. Com uma nova lei do Governo, o utente já pode escolher o hospital onde quer ser consultado, à exceção das urgências. Como está a ser a afluência de pacientes vindos de outros concelhos que não os cinco da área de abrangência? Tem vindo em crescendo signifi-


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Abril 2017 cativo, com muita população que nos procura proveniente das áreas limítrofes do distrito de Santarém como Cartaxo, Salvaterra de Magos, o próprio concelho de Santarém. Segundo dados de março deste ano, as referenciações de centros de saúde para áreas fora dos cinco concelhos do hospital com vista às consultas representam nove por cento. Tendo em conta as dificuldades do hospital nas áreas do internamento de que temos vindo a falar, como é que se tem adaptado a mais este afluxo de

a de Arruda dos Vinhos, procura essa unidade de saúde, até mesmo nas urgências. Respondendo mais diretamente à sua pergunta, posso dizer que temos os dados concretos visando o acréscimo de doentes de outras zonas fora da área de abrangência mas o contrário não. Terá de ser uma entidade central a fornecê-los. Não sabemos quantos estão a sair. Mas claramente estão a entrar mais. Atualmente temos um Governo suportado por dois partidos que defendem o fim das parcerias público-privadas (PPP’s)

pação. Não sei bem o que queria dizer com a sua pergunta. Ultimamente têm vindo a público alguns estudos, apresentados pelo próprio Governo, evidenciando que apesar de todas as críticas os hospitais públicos, no cômputo geral, apresentam os mesmos graus de eficiência das parcerias público-privadas, com a consequente propagação da ideia, em alguns setores políticos, de que afinal até na Saúde as PPP’s são relativas. Se analisarmos os dados concre-

mente. Os valores mensais que nos são enviados são feitos a tempo e horas. Não temos razões de queixa a nível de tesouraria. Uma das novas especialidades é a Oftalmologia, onde o hospital pelo que sei não tem tido mãos a medir tal o grau de carência da população quanto a este tipo de cuidado de saúde, sobretudo se olharmos para os diabéticos, cada vez em maior número, também com um elevado número de patologias oftálmicas relacionadas com a sua doença como as retinopa-

doentes? Temo-nos adaptado permanentemente a esta nova realidade. Se este número continuar a crescer, obviamente que a nossa capacidade de resposta não é ilimitada. Sabemos que temos tempos de resposta bons em consulta e cirurgia, não sendo tão altos como em outros hospitais. Face a isto penso que a intenção do Governo será a de harmonizar esses tempos de espera com a possibilidade de escolha por parte da população. E no sentido inverso, há quem procure outros hospitais, abandonando o da sua área de residência neste caso o de Vila Franca? Temos notado muito pouco, porque o número de consultas com origem nos centros de saúde tem continuado a aumentar. Sabemos de facto que a população que vive nas proximidades do Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, como

também na área da saúde. Este passou a ser um fantasma para a vossa gestão sempre que algum político se lembra de acenar com a bandeira do fim das PPP’s? O nosso trabalho não é político nem fazemos comentários políticos. Mas não vos rouba alguma tranquilidade? Não, porque a nossa missão é fazermos o melhor trabalho possível sempre em articulação com os centros de saúde, e prestar um bom serviço às nossas populações. Não temos preocupações do ponto de vista político. Apenas mostrar que somos eficientes a gerir um hospital público com uma entidade privada. Este Governo também vos tem tratado da mesma maneira que os anteriores? Não vemos qualquer tipo de alteração do ponto de vista do tratamento, da atenção, ou da preocu-

tos quer do ponto de vista da qualidade assistencial, quer do ponto de vista da acessibilidade das pessoas, e por último dos custos, excluindo qualquer valoração política, todos eles convergem no mesmo sentido dos benefícios das PPP’s para o Estado português. Sabemos que o controle do défice tem levado a uma série de constrangimentos no que toca aos gastos do Estado. Tendo em conta esta realidade, até que ponto é que esta unidade de saúde também se tem ressentido, e se eventualmente o Estado vos está a ressarcir demasiado tarde em relação aos custos que o hospital enfrenta? No nosso contrato com o Estado temos uma componente muito forte que nos é adiantada todos os meses, e à posteriori acarreta um acerto de contas no final do ano que é efetuado num determinado prazo previsto contratual-

tias. É um facto. Também por força do rastreio à diabetes que tem sido levado a cabo nos cinco concelhos com o encaminhamento desses doentes por parte da ACES. Trata-se de um excelente exemplo do que o Estado pode e deve fazer neste tipo de doenças. Outra das novas especialidades é a psiquiatria, que novos dados também têm sido possíveis de apurar? Tem quatro anos neste hospital e tem vindo a afirmar-se de uma forma muito significativa na comunidade quer nos adultos quer nas crianças – pedopsiquiatria. Temos dado uma resposta importante à comunidade que antes não a possuía, tendo de se deslocar a Lisboa. Quanto a um quadro a traçar neste domínio, como sabemos temos duas áreas distintas nestes cinco concelhos, uma mais suburbana e outra mais rural. A idade avançada da população também

Entrevista 9 predispõe ao despoletar determinados quadros neurológicos e psíquicos. Um dos temas incontornáveis sempre que se fala deste hospital é o do estacionamento. A Câmara já se referiu à possibilidade de criação de mais alguns lugares… Como se sabe o estacionamento não é da nossa gestão. Temos essa preocupação porque esse problema também se reflete no nosso trabalho. Sabemos de soluções que estão em cima da mesa que permitirão melhorar a acessibilidade com projetos já em execução. Poderemos ter novidades lá mais para o fim do ano. E essa obra consiste em? Trata-se de uma obra nos terrenos do hospital, nomeadamente, na parte traseira do edifício. Nos últimos anos, o Hospital recebeu a acreditação da Joint Commission International, aliás muito desejada por vós, o que mudou desde essa altura? Desde a primeira hora que decidimos investir fortemente na qualidade e na segurança. Foram dados passos conducentes à certificação do hospital. Em algumas certificações até fomos pioneiros a nível nacional. Em 2014 fomos de facto acreditados pela Joint Comission, a mais exigente a nível mundial. O nosso trabalho é permanente nessas duas componentes da segurança e da qualidade do doente. Estas acreditações são verificadas anualmente, e as reacreditações de três em três anos. Esperamos voltar a reunir todas as condições para tal em 2017. Também a nível nacional temos somado algumas distinções ao sermos, em 2016, o segundo hospital do país a conseguir a melhor pontuação nas diversas áreas no benchmarking da entidade reguladora da saúde. Estamos ainda entre os três melhores hospitais comparáveis a nível nacional. Se consultarmos o Portal da Queixa identificamos algumas em relação a este hospital. Quase sempre há uma resposta para cada uma dessas queixas. É também política vossa não deixar ninguém sem resposta? Em primeiro lugar é uma exigência legal. Sei que nem todos o fazem. Tentamos verificar as situações e responder da melhor forma, independentemente de a queixa ser ou não mais bem fundamentada. Mas também respondemos às que são deixadas no livro de reclamações. Esta área das queixas é fortemente supervisionada pela entidade reguladora da saúde. Posso dizer e com dados reportados a março, que temos mais elogios do que queixas no livro do hospital. As reclamações têm descido ao longo do tempo. Havendo mais elogios do que queixas se não estamos a falar de caso único a nível nacional andamos lá perto. Como é que é também incutida essa cultura da exigência de

que temos vindo a falar sempre que um novo profissional chega a este hospital? Para além da cultura da casa que existe, damos muita formação às pessoas, que passa em primeiro lugar pelo acolhimento, dando a conhecer o hospital e os nossos valores. Também fornecemos formação comportamental cujo objetivo passa por ir além do próprio ato de tratar mas também de cuidar. Sermos empáticos. Essa componente é claramente trabalhada e insere-se no Movimento “Cuidar mais” da José de Mello Saúde. As pessoas têm de sentir confiança nos profissionais, que não advém somente do facto de determinado ato médico ter sido corretamente realizado, mas inclui um outro conjunto de aspetos que vai desde a limpeza passando pela segurança, alimentação, e a nossa capacidade de sermos empáticos e simpáticos. Exigir a um determinado profissional que seja mais empático nem sempre será fácil, porque há quem por natureza seja mais frio. Concordo, mas a cultura da nossa instituição vai nesse sentido para que o profissional seja o mais empático possível. Queria ainda salvaguardar na componente da formação que todas as pessoas que trabalham neste hospital sabem fazer suporte básico de vida. E uma parte significativa tem formação em suporte avançado de vida. Sabemos, inclusivamente, de pessoas que aqui trabalham que já usaram esses conhecimentos fora do hospital em casos em que foi necessário salvar vidas. Recentemente o Sindicato dos Enfermeiros emitiu um comunicado em que acusava este hospital de estar a sobrecarregar os enfermeiros, e que por outro lado assiste-se a uma escassez de profissionais. Nos últimos três anos contratámos 80 enfermeiros. Subimos em 24 por cento o número de dotação de enfermeiros neste hospital. Mas não trabalham demasiadas horas? Apenas trabalham as horas que são legais. Nesse comunicado diz-se que os enfermeiros trabalham 12 horas, mas apenas o fazem aqueles que pediram. Não foi uma imposição do nosso lado. Não se deveu a forças de circunstância que obrigaram esses profissionais a ficarem mais tempo no hospital porque o serviço assim os exigiu? Há dotações normais dos serviços de enfermagem ao longo de todo o ano. Nas alturas mais críticas, essas dotações são reforçadas, nomeadamente de inverno. Quando necessário recorremos a mais enfermeiros para virem trabalhar. Se algum enfermeiro tiver de faltar ao seu turno, podemos solicitar ao que está no anterior para prolongar o seu turno, mas isto é prática comum em qualquer hospital.


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Campanha de prevenção da Diabetes Infantil arranca no Carregado Hospital de Vila Franca de Xira em conjunto com o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Estuário do Tejo lançou uma campanha de sensibilização para a prevenção da diabetes que vai percorrer os cinco concelhos da área de influência do hospitalArruda dos Vinhos, Benavente, Alenquer, Azambuja e Vila Franca de Xira. O público alvo serão as turmas do segundo ciclo. Com o mote: “A prevenção é o nosso super-poder”, a campanha compreende a divulgação de informação, nomeadamente, através de folhetos, cartazes e online; promoção de palestras de educação para a saúde nas escolas dos concelhos da área de influência do hospital; e associação da Mascote o “Herói Diabete” em ações de promoção da saúde na comunidade. A campanha foi lançada no dia três de abril, numa cerimónia na Escola Básica Integrada do Carregado, por ter vencido o concurso que visava a criação da mascote. Durante a sessão de apresentação os alunos deram a conhecer o processo de criação do “Herói Diabete”, ao mesmo tempo que se mostravam bem informados sobre al-

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Nova mascote quer sensibilizar os mais novos gumas características da doença. Profissionais da saúde daquele

hospital deram a conhecer mais algumas incidências da diabetes

através de um vídeo explicativo que depois deverá percorrer as

demais escolas da região. De acordo com Mónica Reis, mé-

dica internista no Hospital de Vila Franca, os números da diabetes não param de aumentar entre a população adulta. Neste momento em Portugal, 13,3 por cento da população é diabética, sendo que 7,8 por cento conhece o seu diagnóstico, mas 5,4 por cento desconhece que transporta a doença. “Começar a prevenção nas crianças é essencial porque funcionam como autênticas esponjinhas a absorver a informação que lhes transmitimos. Acreditamos que com este tipo de ações e de campanhas possamos produzir frutos no futuro e inverter os números da diabetes, num processo que talvez dure décadas”, referiu Mónica Reis aos jornalistas no dia do lançamento da campanha no Carregado. No Hospital de Vila Franca de Xira decorre uma consulta vocacionada para a diabetes infantil, principalmente tipo 1, com a presença de nutricionista, dietista, e psicólogo para além do médico. O número de crianças e jovens com diabetes tipo 2 tem aumentado no que a este hospital diz respeito, mas esse aumento traduz-se como ainda mais significativo entre a população adulta que é assistida nesta unidade de saúde.

Benavente e Vila Franca passam a contar com dentistas nos centros de saúde projeto piloto na região para consultas de saúde oral nos centros de saúde nos concelhos de Azambuja, Arruda dos Vinhos, e Alenquer está a registar uma afluência considerada “positiva” pelo Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo (ACES). Maria José Canhão, presidente do ACES, refere que, neste momento, são três os dentistas destacados para cada um destes concelhos, e em breve esta cobertura a nível dos cuidados de saúde oral serão alargados aos centros de saúde dos concelhos de Bena-

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vente e de Vila Franca de Xira As consultas foram iniciadas nos últimos meses do ano passado e apenas para alguns doentes sinalizados com algumas patologias nomeadamente portadores de diabetes, neoplasias, patologia cardíaca ou respiratória crónica, insuficiência renal em hemodiálise ou diálise peritoneal, bem como os transplantados. Neste momento, qualquer utente pode inscrever-se nestas consultas – “A lista de espera aumentou, mas entretanto prevê-se o seu alargamento para os restantes concelhos do ACES,

Benavente e Vila Franca de Xira”. Num primeiro balanço, a diretora do ACES refere que foram encontrados casos “muito críticos a nível da saúde oral” nos concelhos onde decorrem estas consultas. “Muitas pessoas já há muitos anos que não consultavam dentistas porque não tinham possibilidades de pagar um médico particular”. Nos concelhos onde o programa piloto está a decorrer o utente apenas paga a taxa moderadora no caso de não estar isento. No reverso da medalha, estão os que apesar do deficiente estado

desta componente da saúde geral do indivíduo, recusaram ou consideraram desnecessária a consulta, ou mesmo os que após algumas idas a esta consulta acabaram por desistir, “não valorizando este esforço”, dá conta a diretora do ACES que não encara tal como uma derrota, pois apesar de tudo “há muita procura”. Estas consultas cobrem todo o tipo de tratamentos à exceção dos implantes, sendo fornecida ao doente a informação de quanto custaria o seu tratamento se o mesmo fosse realizado no privado.

Diretora do ACES confirma a grande procura destas consultas


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Guerra Colonial Revisitada Passaram 56 anos desde que os primeiros soldados portugueses rumaram à Guerra de África que hoje entrou quase no imaginário popular, mas há episódios bem vivos e que marcaram para sempre os homens com quem falámos. Sílvia Agostinho ão estava preparado nem de longe nem de perto para o que iria viver em África, Angola, ao ser um dos primeiros mobilizados do país para combater na guerra colonial. Norvaldo Martins, de Benavente, tinha 22 anos em 1961, e esteve naquele território durante 30 meses e as marcas ainda hoje são profundas. De algo tem a certeza conseguiu estar na guerra sem nunca ter disparado contra pessoas. Havia quem assim não fosse. Homens, no seu entender “cruéis”, que “se fosse hoje e entrassem por aqui adentro nem sei o que lhes fazia”. Na sua memória ainda está bem viva a figura daqueles a quem os africanos chamavam de “jovem assassino”. Esta foi apenas uma das personagens da mitologia da guerra que passados mais de cinquenta anos teimam em não sair da memória. O inimigo, guerrilheiros que reivindicavam a independência em relação a Portugal, atacavam jogando com o fator surpresa, e neste aspeto “o desgaste físico e psicológico foi enorme”. Uma das estraté-

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gias das tropas portuguesas consistiu em cativar a população de Angola obrigada a combater por parte de alguns cabecilhas das milícias. “Começaram a conviver connosco e a ver em nós uma salvaguarda”. Isto era sintomático de que “ninguém sabia muito bem o que andava por ali a fazer”. Ainda hoje sabe que os africanos “adoram os portugueses”, porque “sempre fomos humildes e os tratámos melhor do que outros povos”. Muitos foram os ex-combatentes que acabaram por casar com as africanas. “Ainda ensinei muitos a ser pedreiros ou carpinteiros, e a cultivar produtos agrícolas”. Na guerra perdeu também alguns vizinhos e amigos. Só do concelho de Benavente foram para a guerra mais de 500 homens. Muitos outros ficaram com as sequelas psicológicas. “Ainda consegui encaminhar alguns rapazes daqui para o psicólogo que ficaram completamente desmantelados”, refere. Norvaldo Martins também sentiu na pele o stress pós-traumático. “Nem todos sofreram, no meu

caso como sou sensível em relação a tudo o que me rodeia fiquei mais afetado”. Benavente viu ficar na guerra alguns dos seus filhos – “Um deles morreu no rio engolido por jacarés. Outros sei onde ainda estão sepultados. Conseguiria identificar perfeitamente esses locais”. E nessa guerra enfrentou episódios no limite como quando teve um conflito verbal com um superior em que “ou ele matava-me ou eu matava-o a ele”. Muitos destes homens ainda andam na política, mas “fizeram barbaridades sem explicação que não se compreende”. Há poucos anos atrás, Norvaldo Martins editou o livro “Feridas Invisíveis”, no qual conta a sua experiência pessoal na Guerra de África, na qual os militares portugueses tiveram uma capacidade de resistência que acabou por surpreender muitos – “Lembro-me de um oficial americano ter dado conta da sua admiração por durante tanto tempo termos mantido três frentes de batalha em três países durante 15 anos”. Guerra esta que acabou por ser interessante para

Norvaldo Martins gostaria de ser mais reconhecido algumas potências que financiavam a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), ambas rivais, como a União Soviética, “que tiravam os proveitos das empresas que lá trabalhavam enquanto nós andávamos a guerrear”. Muitas vezes pensou em fugir quando estava na guerra, principalmente pela Namíbia na fronteira do sudoeste africano, mas acabou por tirar essa ideia da cabeça: “Porque não tinha o apoio de ninguém do lado de lá do rio, e ainda podia acabar por ser engolido pelos jacarés”. Injustiças viu muitas, não só as relacionadas com os ataques, mas também quando os oficiais portugueses “enchiam o bandulho em jantares com civis

enquanto nós passávamos fome. Uma vez mostrei seriamente o meu desagrado”. Na guerra pensava-se em fugir, mas “havia elementos da Pide entre os militares e não tínhamos como o fazer”. Mais de 50 anos depois da guerra, Norvaldo Martins defende que até hoje nunca se deu o reconhecimento devido aos que combateram no Ultramar. “Alguns até se aproveitaram dos ex-combatentes como o Paulo Portas quando numa campanha eleitoral prometeu um subsídio. Como se sabe os portugueses não resistem ao dinheiro, e como ele prometeu uns cobres aumentou a votação. Pôs isso na cabecinha dos ex-militares e conseguiu atingir a posição de ministro da Defesa (Governo de Durão Barroso)”. Esse subsídio foi

implantado, depois diminuído, “e acabou por ser dado às associações que para aí existem, mas que na sua maioria não funcionam. Talvez lucrem com esse dinheiro porque quando nos dirigimos a esses locais nunca dispõem de psicólogos nem de outros meios necessários”, aponta. Quando regressou da guerra, as marcas psicológicas não mais o deixaram. Ainda hoje mantem as sequelas, e tardiamente foi tratado como outros colegas por profissionais preparados para as consequências do stress pós-traumático. Aguarda que o Estado o possa ressarcir através de um subsídio tendo em conta que uma junta médica o declarou deficiente das forças armadas. “Há 14 anos que espero!”.

Quando esteve em Angola


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Do salvamento de uma tripulação brasileira a duas comissões em Moçambique poucas vezes teve medo steve desde os 17 anos ligado à vida militar. Reformou-se em 2002, e tem orgulho em dizer que é o único sargento com mais condecorações a nível mundial. Na memória de muitos está o facto de ter impedido um acidente aéreo no Aeroporto da Portela quando um avião brasileiro que carregava corpos de soldados mortos na segunda guerra mundial, (estávamos em 1960), se incendiou. Gilberto Barata, residente no Carregado, que na altura ainda não tinha partido para a guerra de África e tinha funções de mecânico eletricista não hesitou e correu para o avião de onde salvou 12 tripulantes e as 485 urnas. Depois disso recebeu as mais altas condecorações do estado português, na presença de Américo Tomás e de Salazar, e no Brasil também. Conseguiu colecionar até hoje tendo em conta o seu currículo 19 medalhas. Enquanto vai dando conta de pormenores da sua carreira e da estadia em África mostra alguns artigos de revistas e jornais nacionais em que figurou tendo em conta esta e outras histórias, recordando também a sua ida à televisão, ao programa da Fátima Lopes que se deliciou com alguns pormenores do seu trajeto. “Adorou saber aquilo que eu fiz!”, evidencia. As medalhas também as trouxe para esta entrevista as quais dispôs com orgulho na mesa de café onde nos encontrámos. Mas as fotografias de outros tempos também não foram esquecidas. Até imagens de um animal resultante de um cruzamento de uma espécie de coelhos que fez na Nova Zelândia não faltaram no rol “Olhe veja: era lindo, lindo, você

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nem queira saber!”. Colecionador de garrafas de whisky, de calendários, e de outros artefactos também é conhecido pelos seus petiscos, e fotos com o antigo chef Michel também nos são mostradas – “Cozinho melhor do que certas mulheres”, atira. Na guerra de África foi incumbido de uma comissão em Moçambique, no ano de 1965. Tinha 24 anos. Esteve no território até 1967. No tempo em que esteve naquele

me que gostava de ter tido um rapaz. “Tenho é uma neta reguila como tudo! Teimosa como o avô”. Durante a guerra, e como piloto estava adstrito às operações no ar, e algumas vezes no mato, com o lançamento de bombardeamento para as zonas onde se encontravam os denominados “terroristas” que lutavam pela independência do país. “Uma vez fizemos um ataque em que perderam a vida cerca de 300 pessoas do lado do

país nasceram-lhe duas filhas. “A primeira é machangana”, diz-se das pessoas que nasceram no sul de Moçambique. A segunda também viria a nascer no território da ex-província portuguesa, mas em Tete no centro do país, “num cenário que nem lhe passa pela cabeça devido à guerra. Nesse dia chegaram ao hospital várias vítimas de minas antipessoais, um médico que lá estava que era do Montijo teve de cortar 17 pernas debaixo de uma temperatura de 48 graus. A minha filha nasceu à pressão”. É em tom de brincadeira que assu-

inimigo”. Quando se fala em civis, Gilberto Barata conta que não era possível fazer uma discriminação positiva tendo em conta que também andavam armados, “eram como os talibãs de hoje em dia”. “Quem andava no ar não tinha capacidade de escolha perante o tipo de alvos a acertar, mas apenas os que andavam nos unimog e nos berliet (viaturas do exército) em terra.” Quando se lhe pergunta onde arranjava coragem e determinação para andar a combater, com a consequente perda de vidas, responde que tudo fez parte

da educação que homens como ele tiveram – “Angola era nossa, Moçambique também. Eram províncias ultramarinas, e todos os países europeus também as tinham. Para mim aquilo era meu, era nosso. Agora pense no que seria retirarem-nos essa mentalidade a nós que fomos mocidade portuguesa. Não dava!”. Gilberto Barata integrou uma segunda comissão entre 1970 e 1973 num total de 30 meses. Ao contrário do que muitos dizem – “Quem andava na tropa cá queria ir para lá, ganhava-se mais”. “Ninguém pensava que podia morrer lá. Na guerra só os outros é que morrem. Está a compreender? É como quando entramos no carro nunca pensamos que o pior pode acontecer”. No seu caso, a morte chegou a rondar bem perto – “Tenho um episódio que esse então a Fátima Lopes adorou saber, em que andei 26 dias a voar. Primeiro saltou uma antena, quando descolei de Lisboa, e tive de parar nas Canárias. Dali fui para Bissau. A parte esquerda do avião incendiou-se, bem como um dos motores. Tivemos de despejar o combustível através de uma mangueira. Estava cheio de medo”. Apesar da segunda missão coincidir com o aproximar do fim da guerra, acabou por em parte ser mais sangrenta, com a planificação de grandes ataques no norte do país por parte de Kaúlza Arriaga, comandante chefe das Forças Armadas em Moçambique. “Queriam matar muitos, e acabaram por ser apenas 10”, recorda-se ao evocar um dos ataques que na sua opinião correu mal. Quando regressou a Portugal des-

Gilberto Barata e as suas medalhas

taca entre outros serviços o de ter feito segurança a Ramalho Eanes, “de quem sou amigo” e ao general Costa Gomes. Numa revista da época que trouxe para a nossa reportagem está este antigo combatente no aeroporto na chegada do avião com o papa João Paulo II.

Com uma vida cheia, “e sendo que fui sempre um homem da Segurança não me venham cá com isso do stress pós-traumático. Fui sempre dinâmico, e de raciocínio rápido”, atesta. A única coisa que o incomoda são as “invejas”, conclui resolutamente.


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Operador de rádio lembra discurso de Salazar de duas horas e operação a sangue frio

José Apolinário é sócio da liga em Vila Franca Com um conjunto de antigos camaradas já em Portugal oi nos primeiros anos da guerra que também embarcou para Angola, em 1964. Tinha 21 anos. Embora menos próximo do campo de batalha não deixou de sentir os efeitos de algo tão devastador. Operador de telecomunicações, refere que ainda consegue lembrar-se de alguns episódios, nomeadamente, um discurso de duas horas de Salazar por alturas do Natal que o teve de transmitir para as tropas ali estacionadas, a “dizer que a guerra estava ganha, e esse tipo de coisas que ele dizia na altura”. Só regressou em 1967. Era impossível

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escapar à guerra, e “como se dizia na gíria só escapava quem tinha um tio padre!”, ri-se. Desde há vários anos a residir em Vila Franca de Xira, é natural do concelho do Gavião, no Alentejo. Veio para a cidade ribatejana depois da guerra, em 1967 como técnico da PT. Em Angola, esteve no norte em Tôto, e depois na província de Bengo, no Caxito, próximo da capital Luanda. Apesar da sua função ter sido mais de retaguarda, também presenciou algumas convulsões daqueles tempos como quando houve um ataque às colunas, “com algu-

mas histórias um bocado complicadas”, ou até mesmo a investida contra a “Fazenda dos Libongos” onde “na noite em que estava de serviço mataram três civis”. No terreno apenas fez uma excursão aos Dembos, e pouco mais. Nunca teve de disparar – “Tenho uma pistola que nunca a utilizei”. Enquanto andou por Angola, José Apolinário e os companheiros andavam “convencidos de que estávamos a ganhar a guerra”. “Havia toda uma psicologia feita para nos levar a acreditar nisso”. Tal como o seu colega de Benavente, ouvido neste trabalho, também

José Apolinário atesta a boa relação com os civis – “Muito boa mesmo”. Neste caso, os do Caxito. Enquanto lá esteve, passou alguns natais sem a família, e o pior deu-se quando a sua mãe, em Portugal, faleceu precisamente quando ainda estava em África. “Foi difícil”. Conhece casos de colegas que enfrentaram episódios de stress pós-traumático, o que não foi o seu caso. “Os que andavam no meio do mato estavam mais condicionados e por isso acabaram por sofrer mais na pele”. O seu episódio mais marcante deu-se

quando a toma de uma injeção correu mal, e teve de ser lancetado a sangue frio, caso contrário podia ficar “coxo para o resto da vida”. “Um médico disse-me para no dia a seguir trazer quatro amigos para me agarrarem, porque soro não havia, e tinha de ser operado dessa maneira. E ali estava eu de bruços, arrepio-me só de lembrar mas a outra opção era ficar deficiente para o resto da vida. Teve de ser”. Quando a guerra terminou com a Revolução dos Cravos, José Apolinário não deixa de considerar que o esforço dos que lutaram

acabou por ser “inglório”. Ainda hoje gostava de voltar a Caxito, se a condição financeira o permitisse – “Aquilo era uma espécie de Vila Franca de Angola, porque ficava a 53 quilómetros da capital”. Para si os governos do país deveriam olhar mais para os excombatentes, “nomeadamente junto dos que chegaram mais desvalidos com episódios de stress pós-traumático”. Por outro lado, o 25 de abril “foi importante mas podia ter sido melhor. Viveuse aquela euforia e depois pouco mais”.

O soldado que sobreviveu a uma mina oje com 77 anos, foi também dos primeiros a partir para Angola, Joaquim Rodrigues, de Pombal, e a residir no Cartaxo, guarda sobretudo a memória relacionada com o episódio em que indo com mais três colegas escapou a uma mina. Ao atravessar o rio numa ponte reparou no artefacto e foi por milagre que o pior não aconteceu. Já tinha cumprido quatro anos de serviço militar em Portugal quando foi chamado em 1961 para combater em Angola – “Foi um choque muito grande saber que tinha de ir, quando pensava que já podia ir para casa”, conta. Andou sempre nos cenários de maior conflitualidade no norte daquele país africano. Estacionou durante uma semana em Luanda mas rapidamente rumou a Ambriz, Ambrizete e Pedra Verde. Um dia antes do episódio com a mina, ouvira falar de um carro de um batalhão de cavalaria que durante a noite tinha sido alvo dos guerrilheiros da fação antagónica. No dia

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Fotos da mina

Joaquim Rodrigues é de Pombal e vive no Cartaxo seguinte e numa viagem para ir buscar comida, com um grupo de mais três colegas teriam de atravessar uma ponte. Dois seguiam na frente, e Joaquim Rodrigues ao lado com um companheiro. “Íamos a pé quando olhei para o chão, e ao lado da ponte o terreno parecia que estava mexido. Esgravatei com o sabre. O meu colega que

era o 24 concordou que havia alia algo estranho. Chamei o nosso alferes que também ficou surpreendido. Conseguiram encontrar um senhor que se propôs em desarmadilhar a mina, e até chegou a dizer – ‘Se a mina explodir é porque não faço cá falta nenhuma’. Mas foi bem-sucedido, conseguiu retirar o detonador. A mina pesava 14

quilos”. Ainda hoje na sala de estar de Joaquim Rodrigues, as fotos daquele dia e da mina que lhe podia ter tirado a vida estão em exposição e servem sempre de mote para contar a aventura de uma vida. “Agradeço a Deus estar vivo hoje! Não me faz diferença se aquele país continuou ou não a ser nosso”, resume.

Também o relacionamento com a população local que não os guerrilheiros se revelou pacífica na sua opinião. “Andámos a guardar algumas quintas, nomeadamente, uma de um senhor português mas nunca houve problemas”. Contudo “e nunca fiando andávamos sempre de espingarda quando íamos para a praia, para ali ou para acolá”,

lembra-se. Este antigo combatente refere que o stress pós-traumático não o acometeu – “Tenho andado sempre bem. Depois de regressar em 1963, fui trabalhar para a CP e andei lá 39 anos”, embora conheça pessoas que ficaram muito “afetadas” mas nesse aspeto “a Liga tem ajudado”.


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Destaque 15

Antigo vereador da Câmara de Azambuja esteve em Angola

“A tragédia de um era a tragédia de todos” onhecido de muitos por ter sido até há poucos anos atrás vereador da Câmara Municipal de Azambuja, José Manuel Pratas tem na sua vida pessoal momentos de outros desafios que muitos desconhecem. Abraçou a política no pós 25 de abril, tendo participado na constituição da Associação nacional de Freguesias (ANAFRE) enquanto presidente da junta de freguesia de Aveiras de Cima, mas antes, Pratas passou tam-

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bém pela guerra colonial. Ao Valor Local contou com alguma emoção os tempos que passou em Angola. Fez precisamente na semana passada “47 anos que embarquei para Angola”. “Foram 27 meses (o tempo de uma comissão de serviço) diferentes na minha vida que jamais esquecerei”. Foram tempos diferentes, dos quais guarda bons amigos, com quem se encontra anualmente. O próximo encontro está marcado para dia 30 de abril.

Pratas esteve como escriturário no batalhão de caçadores: Aliás foi no serviço militar, como tantos outros soldados, que Pratas tirou o quinto ano de liceu. O antigo autarca esteve destacado “sempre no mato”. Foram tempos também eles angustiantes e dramáticos. Conta ao Valor Local que em junho de 1974 presenciou a morte de 27 militares portugueses e alguns civis: “A quatro de agosto de 1970, assisti a um massacre de pessoas que andavam na apanha de café, sendo que foi a minha companhia que os foi socorrer”. Sobre o ambiente que se vive no mato e longe de casa, Pratas assume que “éramos como uma família” apesar de serem 166 homens aquartelados. José Manuel Pratas fala numa experiencia sem igual, em que os espírito de camaradagem e de partilha se fazia sentir: “Quando um não tinha dinheiro ou comida, os outros socorriam”. Foram “laços que ficaram para a vida”. “A tragédia de um era a tragédia de todos”, afiança. Quanto ao intuito da guerra, José Manuel Pratas assume não o ter percebido. Refere que foi a incumbência de embarcar durante o serviço militar obrigatório que o levou a Angola, e onde se limitou a sobreviver. “Tinha saído da província, porque Aveiras de Cima era província, mas tive muita sorte com os colegas. Eram na maioria de Lisboa, Porto e Coimbra. Eram pessoas com alguma cultura”,

Pratas também não entendeu a Guerra

refere, salientando a convivência entre colegas. Ainda assim nem todos aguentaram a pressão. O stress de guerra é real no terreno e Pratas conta mesmo a história de um antigo jogador do Sporting que “já tinha cá casa e carro e ganhava bem”. “Foi obrigado a ir para a guerra e hoje é um farrapo humano”. Sobre esse homem, Pratas diz que entrou “numa depressão profunda” resultado da situação da guerra. Pratas refere não ter ficado com sequelas psicológicas, embora em Aveiras de Cima isso se note noutros antigos combatentes, nomeadamente, porque não tiveram o adequado suporte familiar com a ausência de fa-

mília e amigos. José Manuel Pratas diz ter encarado a situação de forma gradual. O antigo autarca desenhou como objetivos encontrar emprego e casar, depois de vir da guerra. Conseguiu-o aos poucos. Primeiro trabalhou na Escola Secundária e depois foi para a Sugal em Azambuja. A política aparece no pós 25 de abril. Foi presidente da junta de freguesia local. A falta de regras e de dinheiro ditaram que se constituísse a ANAFRE. As coisas dantes eram diferentes e Pratas ainda se recorda que foi com o subsídio de férias da esposa que conseguiu “pagar o ordenado à empregada da junta”. Algo que hoje seria impen-

sável, mas à época a Câmara de Azambuja governada por António José Rodrigues (CDU) “não tinha meios financeiros para ajudar as juntas de freguesia.” Pratas que recorda a edificação da escola e dos projetos inerentes ao ensino local como um dos marcos daquela época, vinca a importância de várias figuras da terra para que o progresso acontecesse. A união entre os aveiricenses foi de resto fundamental para que Aveiras de Cima “mostrasse o seu bairrismo e a dedicação à comunidade local, como ainda hoje acontece”.

Miguel A. Rodrigues


16 Opinião

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25 de Abril Sempre. Uma democracia ainda jovem

Miguel António Rodrigues

a próxima semana comemora-se 43 anos da Revolução dos Cravos. O 25 de Abril que revolucionou o país deixou também a nu algumas fragilidades. São estas sociais, económicas, mas sobretudo estruturais. A nossa jovem democracia, que já passou a idade da maioridade amadurece todos os anos, contudo parece que atingir o pleno de uma democracia verdadeiramente democrática onde a liberdade de cada um acaba onde começa a do outro está sempre mais longe e falta sempre mais um bocadinho. Com efeito é prática comum, “esticar a corda” mais um bocadinho. Temos esse terrível hábito de pensar que só nós é que contamos. Que só nós é que temos problemas, e que só nós é que temos direitos. O 25 de Abril abriu muitas portas e janelas, mas ainda não conse-

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guimos aquilo pelo qual os soldados lutaram. Uma sociedade mais justa onde os direitos são iguais

para todos, com pleno trabalho e acesso à saúde e à educação. Esse é um caminho pelo qual ain-

da temos de lutar. É certo que já vamos tendo educação e alguma saúde, mas neste capítulo é la-

Miscelânea opinativa 1. O homem de neardental (subespécie humana): - Não estranhem os leitores, o título. Este, destina-se ao ex-ministro das finanças da Netherlands (a semelhança fonética, inicial, “provocou” a confusão. Estou a ironizar!), Sr. Jeroen Dijsselbloem, do partido trabalhista holandês, derrotado em recentes eleições e, por acaso, presidente do Eurogrupo, expressou publicamente uma opinião sobre os países do sul da Europa que estiveram sob resgate, nomeadamente os portugueses, e que passo a citar: “não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e depois pedir ajuda”. Este Senhor ofendeu a nação portuguesa! O correligionário do Sr. Schauble (ministro das finanças alemão), esqueceu-se dos enormes sacrifícios impostos ao povo português, pela “competente Troika” e dos resultados que a austeridade provocou na economia do país, sob o beneplácito de subservientes e incompetentes políticos da nossa praça. No seu “reino da patetice”, se o Senhor Jeroen, tivesse, por exemplo, referido os negócios obscuros dos banqueiros, as facilidades de crédito sem a observância das mais elementares regras de concessão de financiamento e, que geraram imparidades, para obras megalómanas de prosaicos políticos, ao longo de décadas; a corrupção, peculato e nepotismo instalados a todos os níveis e impunes, aí sim, estaria a apontar os verdadeiros responsáveis pela crise interna (claro que houve fatores externos) que este país enfrenta, não ofen-

dendo o seu povo trabalhador. Quanto a mulheres, os residentes e visitantes de Amesterdão, não precisam de as procurar, encontram-nas expostas em montras (de uma forma humilhante e indigna) e, depois, é entrar e consumir umas “bejecas” e quiçá, algumas drogas. Também os holligans holandeses, quando se deslocam a outros países em apoio aos seus clubes desportivos, provocam, normalmente, desacatos, porque ingerem álcool em demasia. Será que muitos não gastam todo o seu dinheiro e depois recorrem ao crédito? Não sendo preconceituoso, pergunto, que moral tem este Senhor Jeroen, para proferir tais afirmações? E já agora, que princípios éticos possui, pois afirma possuir o grau de Mestre em Economia Empresarial pela University College Cork, e cujo mestrado nunca foi lecionado nesta Universidade. Afinal de contas, há mais Sócrates e Relvas, nesta Europa! Quanto à ética, bom senso e valores deste Senhor, estamos conversados! O povo trabalhador português continua a aguardar um pedido formal de desculpas, o que à data desta crónica, ainda não aconteceu, apesar do SE, Mourinho Félix o ter confrontado na última reunião do Eurogrupo (foi por demais evidente a arrogância do Sr. Jeroen). 2. A questão da dívida portuguesa: - A atual dívida portuguesa é, no meu ponto de vista, insustentável, devido à ausência de reformas estratégicas que alavanquem e sustentem o crescimento econó-

mico! Portanto, continuo a pensar que a reestruturação (e não perdão) da dívida portuguesa é de primordial importância para a nossa economia. Todos temos consciência da fragilidade da competitividade e produtividade da nossa economia para enfrentar o futuro e a concorrência global, cada vez mais acérrima. Penso que, sem a reestruturação da dívida pública não será possível libertar e canalizar recursos (porque o pagamento dos juros da dívida “consomem” milhões de euros) considerados suficientes para potenciar o crescimento económico. Sem a reestruturação da dívida, o Estado continuará, no meu ponto de vista, incapaz de resolver os problemas do défice orçamental e da dívida pública, apenas pela via da austeridade. Assistiremos, num futuro mais ou menos próximo, ao seu agravamento, o que será catastrófico. Por outro lado, a economia sofrerá constrangimentos que impedirão o crescimento do investimento, da capacidade produtiva e da própria produtividade, e assim, a diminuição da capacidade de autofinanciamento (gerar receitas), da degradação das condições de acesso ao crédito (juros cada vez mais especulativos). Continuo portanto e sem quaisquer dúvidas, defensor de uma reestruturação responsável da dívida, obviamente no quadro institucional europeu. Afinal de contas, para que serve a Europa? Ou a solidariedade só teve expressão para os alemães, após a sua derrota na II Guerra Mundial, com a concessão de créditos a fundo

perdido e baixas taxas de juro, para a reabilitação da Alemanha (a mesma, que provocou o holocausto e que depois foi ajudada pelos países vencedores da guerra, através do Plano Marshall). O que se passa com a Europa do século XXI? Já não existem verdadeiros estadistas na Europa? 3. Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória: - Segundo o Professor Doutor Guilherme d’Oliveira Martins, “o objetivo da Educação não é apenas preparar os alunos para uma profissão; é fundamentalmente promover a formação integral das pessoas”. Não poderia estar mais de acordo com as sábias palavras do professor, Guilherme d’Oliveira Martins. De algum tempo a esta parte, venho defendendo a complementaridade da educação através da reintrodução da disciplina de Cidadania no Ensino Secundário, como disciplina obrigatória nos currículos das Escolas, tornando o ensino mais humanista, no sentido da formação cívica de pessoas para princípios e valores, tais como: o exercício da liberdade (direitos e deveres), através do conhecimento de parte significativa do articulado na CRP - Constituição da República Portuguesa; a responsabilidade e a interação social, através de noções básicas de Direito Civil; a ética, a deontologia e a valorização do trabalho, através da introdução ao Direito Civil e ao Direito do Trabalho; a consciência do ser social, as relações interpessoais e sociais (através de uma disciplina das ciên-

mentável que não exista médico de família para todos os portuguese. Mas de quem será a culpa? Esta é uma discussão que temos de continuar a fazer, pois na nossa jovem democracia ainda não conseguimos assumir quem é o culpado. Quem foi o culpado pela falta de médicos? Quem foi o culpado da queda do BES e de mais três bancos? E quem foi simplesmente o culpado de ter passado à frente na fila de um supermercado? Caminharemos então para uma sociedade mais justa? Uma sociedade onde não queremos o governo a impor quotas para a política. Um governo a proibir onde se deve fumar. Numa sociedade justa democrática e madura, sairia da nossa consciência este tipo de decisões. Não deveria ser por decreto. E o que dirão os nossos comba-

tentes? Os combatentes que lutaram numa Guerra Colonial desigual, contra um inimigo e com graves prejuízos sociais e físicos para as suas vidas. Aliás sobre estes, o Valor Local ouviu as histórias de Guerra passadas no Ultramar. Todos assumiram o desalento pela Guerra, mas todos foram obrigados a combater em Angola e noutras antigas colónias. Passados 43 anos, ainda há muito por fazer. Por uma sociedade mais justa, que não esqueça os nossos heróis à força, mas que sobretudo mantenha, quanto mais não seja pelos militares, a memória bem viva de um 25 de Abril, sempre…

Augusto Moita

cias sociais e humanas – Relações interpessoais e sociais); a participação cívica (política, social/voluntariado) na vida da comunidade; a ênfase no valor supremo da família, como estrutura nuclear na formação (educação, princípios e valores) da pessoa. A escola tem de estar preparada para os desafios do século XXI (4ª. Revolução Industrial), e complementarmente à educação familiar, promover o humanismo, “gerando bons cidadãos”, caso contrário, assistiremos à proliferação de fundamentalismos de vária ordem que vão minando as relações interpessoais, o clima organizacional nas empresas e instituições, as comunidades e as sociedades em geral, a humanidade. Não basta preparar pessoas para o exercício de uma profissão; no mundo de hoje, é prioritário a formação de pessoas íntegras! Voltaremos a este tema, logo que oportuno, face a desenvolvimentos futuros. 4. Os dislates de Sócrates: - Este senhor continua com os seus dislates, fazendo a sua apologia, sob o beneplácito dos órgãos de comunicação social, particularmente a TVI, defendendo o indefensável, i.e., recusando, sem argumentação consistente, as evidências dos atos em que é suspeito. Defende-se atacando o MP, acusando este, de substantivamente, não possuir dados que concretizem a acusação e pela prorrogação recorrente do prazo de conclusão do processo. A desfaçatez deste homem é inacredi-

tável! Não pretendo formular quaisquer juízos de intenções, até porque como prescreve a Lei: um indivíduo é considerado inocente até prova em contrário. Contudo, continuo a pensar: porque não foram investigadas as contas do Sr. Carlos Santos Silva, face ao seu enriquecimento súbito, que lhe permitiu “emprestar” ao amigo José Sócrates, avultadas quantias. A proveniência do dinheiro (que concursos ganhou e que obras efetuou, etc)? Em que condições? Que projetos de investimento tinha para a sua aplicação ou onde o aplicou? Porque emprestou, que montante e em que condições? Por outro lado, e para além do muito que já foi escrito sobre o processo (e.g.: nível de vida muito acima dos rendimentos), penso que, a atual posição do Sr. Sócrates é bem elucidativa da sua “culpabilidade”, pois solicitou a extinção do processo “caso Marquês”. Ora, quem não deve não teme! Qualquer sujeito honrado, em situação semelhante, não hesitaria em exigir que o caso fosse até às últimas consequências, pelo seu bom nome. A posição contrária é comprometedora e reveladora de falta de caráter e de honorabilidade! E depois aquele advogado de defesa…


Valor Local

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Opinião 17

Cultura e desenvolvimento om o passar dos anos foramse levantando algumas questões quanto à real importância do papel das autarquias relativamente ao desenvolvimento local e à forma como estas o desempenham. Entender os processos de desenvolvimento local implica identificar a diversidade de situações e potencialidades que se podem associar às iniciativas de raiz local. E é nesta esfera de potencialidades que se encontra o setor da cultura.

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A cultura tem ocupado um papel menor nas políticas em Portugal e é com algum desalento que se verifica que o poder local não contraria esta tendência. Embora seja um setor de importância amplamente reconhecido no desenvolvimento dos territórios, tal evidência não encontra tradução estruturada e efectiva no quadro das políticas públicas locais. Basta analisar os orçamentos e planos de actividade das autarquias locais para perceber que é ainda muito reduzido o

papel que lhe é atribuído (acentuado ainda mais com as restrições impostas pela crise económica), e que condicionaram ainda mais a capacidade de programação cultural das autarquias, forçadas a fazer opções complexas no momento de estabelecer prioridades. O setor da cultura é estratégico, e deve ser assumido como tal em sede de orçamento, ao invés de ser quase sempre subalternizado e subestimado. As programações culturais são insuficientes: é indis-

pensável criar políticas culturais, que tenham em conta a natureza dos públicos locais, os seus interesses e origens, os seus gostos e horizontes de crescimento e fidelização. Tal implica não só a existência de equipamentos, mas sobretudo a existência de uma oferta que, combinando tradição e modernidade, combata a descontinuidade do que é sazonal e, por isso mesmo, tendencialmente esporádico e efémero. A cultura é um veículo de qualifica-

25 de Abril de 1974: Impossível pensar que está tudo feito ou da geração pós-25 de Abril. Sou da geração da liberdade. Da geração que não teve de ir para os calabouços por lutar por convicções. Sou, sim, da geração do “ouvir falar” do “tempo da outra senhora”, da ditadura, da pobreza e da PIDE. Mas sou da geração que tem de continuar a lutar pelos seus direitos, pela igualdade de género, por salários melhores e iguais entre homens e mulheres. Sou da geração que luta pelo equilíbrio entre a maternidade e a carreira, entre esperança e realidade. Todos os anos, em Abril, lembramos a data que marcou a viragem do país. Uma viragem definitivamente para melhor, que ultrapassa a simbologia de cravo

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na lapela, dos discursos inflamados, das reportagens no Largo do Carmo. O 25 de Abril significa liberdade. Liberdade de falar, de sentir, de ver as coisas de forma diferente, de respirar fundo e enfrentar o mundo. Todos os anos agradecemos aos capitães de Abril a coragem que tiveram para nos devolverem a liberdade. É graças a esses homens destemidos que somos livres. É também graças a todos os homens e mulheres, que do pouco fizeram muito, que viveram na clandestinidade, que não denunciaram o amigo, que nunca baixaram os braços. É graças ao português anónimo, que viveu as agruras da vida sem ter direito ao nome na história.

Hoje posso votar em quem quero. Aliás, hoje posso votar. Pon-

to. Uma liberdade de Abril que as mulheres, por vezes, esque-

Marco Pereira

ção dos cidadãos e das instituições, quer como instrumento de renovação das fontes de atratibilidade locais que, actualmente face à globalização e à sociedade do conhecimento, implicam significativas alterações na forma de concepção do desenvolvimento local. É pois forçoso romper com as velhas lógicas instaladas que tendem a conceber o desenvolvimento segundo uma visão etapista: primeiro infraestruturas básicas, depois educação e saúde. Mas será mesmo necessário remeter para as calendas gregas, as políticas na área cultural quando delas se podem extrair tantas potencialidades? As políticas autárquicas devem assumir um crescente e efectivo compromisso com a cultura enquanto vetor estratégico de desenvolvimento sustentável. A cultura, entendida em sentido amplo, tem que passar a ocupar um lugar central na agenda política local e servir de veículo para, enquanto fator de diferenciação e de afirmação identitária das comunidades locais, qualificar as comunidades e os territórios locais. As iniciativas e projectos de cariz cultural, devidamente assentes em lógicas de valor acrescentado e em características diferenciadoras, funcionam como elemento útil e pró-ativo, não só de prestações de serviços à comunidade, como também, de qualificação e capacitação dos cidadãos tomados individualmente e das populações num quadro especifico de favore-

cimento da coesão social e territorial - é este o cerne da intervenção da dimensão cultural enquanto instrumento colocado ao serviço de lógicas de desenvolvimento integrado e sustentado. A sua efectivação assenta, largamente no tríplice objectivo de configurar-se como um meio de reforço da cidadania, uma alavanca da coesão social e territorial e como fator estratégico de afirmação competitiva, gerador de emprego e riqueza. O desenvolvimento territorialista ou endógeno deve harmonizar a moldura de ação privilegiada, no âmbito de um modelo de intervenção cultural de promoção de cidadania. A capacidade de gerar dinâmicas sociais qualificantes a partir de ativos artísticos, culturais e patrimoniais pressupõe a mobilização das energias comunitárias, bem como uma forma de organização transversal estabelecendo redes de relações. O grande objetivo estratégico de atuação deve ser o de atenuação das distâncias entre criação e receção, tornando, simultaneamente, as comunidades mais autocentradas nos seus valores e crenças mas abertas ao mundo e às dinâmicas de mudança da contemporaneidade.

Ana Bernardino

cem. As nossas avós e até as nossas mães não o puderam fazer. É um direito conquistado e por isso é mais do que um dever, é uma obrigação moral para com os capitães de Abril e para com todos aqueles que não têm nome inscrito na história, mas que nos permite, hoje, votar em quem queremos. Mas, mais de 40 anos passados, a luta continuam num país em que as mulheres continuam a ser preteridas profissionalmente, onde os salários são escandalosamente mais baixos em relação ao homem, com funções idênticas. Num país em que, na politica, é necessária a aplicação de cotas para que as mulheres tenham acesso a listas e a cargos de decisão. Tal como “no tempo da outra senhora” as mu-

lheres só podiam votar caso fossem “chefes de família” desde que fosse certificada a “idoneidade moral”, agora há cotas a cumprir porque continua a não ser reconhecido o papel da mulher na política. Se fosse, a competência bastava para ter acesso ao lugar. Não precisamos de cotas, precisamos de reconhecimento do nosso valor. 25 de Abril de 1974 é data da revolução como todos nós a conhecemos, mas marca também uma revolução silenciosa, que não se conta nas escolas: a história das mulheres e do árduo caminho que percorreram até à altura, que caminharam até ao presente e que ainda têm que enfrentar no futuro.


18 Opinião

As Rádios da liberdade

epois de ter amealhado dois contos de reis e ter comprado um transístor, a pilhas, mas grande e com bom som, de ondas curtas, médias e longas, Mestre Samuel, no Gorjão, charneca Ribatejana, por volta desta

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Valor Local hora, rodava o botão até sintonizar, a Rádio Moscovo. Todos os dias o fazia, pequenos, nós, seus filhos, sorrateiramente, por detrás da porta, ouvíamos também alguns noticiários. Eu apenas me lembro do “rugido”, até à

“Internacional”, depois embalava nas palavras e adormecia. Com aquela liberdade, estaríamos proibidos de falar no assunto. Só mais tarde reparei, que, a minha mãe tinha mais um estendal que as outras vizinhas. Um era de-

fronte à casa, o outro nas traseiras junto à janela do quarto. Era um par de fios de cobre, uma antena discreta, projetada para a receção de ondas curtas. De dia o rádio estava sempre “bem” sintonizado na Rádio Nacional, e

José João Canavilhas depois dos serões para trabalhadores com o nacional cançonetismo patriótico e anestesiante, haveria o Mestre de ouvir o palavreado dos educadores da dita revolução de 28 de Maio. Ainda o ouvi dizer: “Cabrões, a Rádio Moscovo, não fala verdade? E vocês? Filhos de uma grandessíssima puta”,e por aí adiante… Mais tarde explicou-me que tudo aquilo, com a exploração das massas trabalhadoras, o trabalho de sol a sol, a ignorância promovida do povo, o colaboracionismo, as falsas lutas ou as lutas dos filhos da burguesia “travestidos” de defensores da classe trabalhadora e a ineficácia de ações mal projetadas, e o aproveitamento da ingenuidade de um povo, também se fazia um regime. Mais tarde também eu descobriria, com essa emissora, com a BBC, a Voz da América, a Voz da Alemanha e tantas outras, que a Rádio Moscovo falava verdade, mas outras. Fica-me na memória o descodificar do meu pai, perante nós do que seria a Liberdade, de nós e dos Povos Africanos, da sua luta por uma terra que era (é) sua. ” O que eles estão a fazer na sua terra deveríamos nós fazer aqui, para nos libertarmos”, dizia. E alegava a luta heróica do Povo

espanhol para a implantação da república e a derrota do Caudillo, que apenas a nazi Alemanha, em Guernica e tantas outras terras, haveria de contribuir para a desgraça espanhola e o reforçar da ditadura na triste terra lusa. Ficou-lhe a satisfação de poder atravessar o Largo da Câmara em Vila Franca, no primeiro, primeiro de Maio em liberdade, vestido de operário, sem a companhia desagradável dos sabres e baionetas dos soldados da GNR. Numa noite anterior, haveriam de todas as rádios falar a verdade, e nascerem sorrisos e flores em locais onde ontem saíam balas que assassinavam inocentes. O largo da Câmara era agora a praça da liberdade, e cada um falava da sua, à sua maneira. A vila encheu-se de cor. Já não relinchavam de raiva os cavalos da GNR, já não brilhavam baionetas, e os sabres jaziam nos cacifos. Novos futuros se adivinhavam.


Valor Local

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Eventos 19

Festa do Vinho do Cartaxo desta vez com chocolate à mistura Festa do Vinho do Cartaxo inova na sua edição de 2017, e este ano traz uma novidade. O município celebra em conjunto o néctar dos deuses com o chocolate. Um casamento que o município espera que vá ao encontro dos entusiastas deste certame. O objetivo é mesmo o de casar a inovação com tradição, “com o propósito de atrair um maior número de visitantes” Trazer o chocolate ao evento será assim uma forma de introduzir um fator de diversificação da oferta. A temática desta edição será “Vinho & Chocolate”, onde nos vários dias em que decorrerá o evento, poderemos encontrar: provas conduzidas de vinhos em harmonização com o chocolate e showcookings; ateliers para crianças que serão desenvolvidos pelas empresas de ATL’s e centro de estudos do concelho; e, animação pelas bandas Lucky Duckies, Abba Mia – tributo aos Abba, Geração XXI e Orquestra Típica Scalabitana. No programa será ainda retomado o tradicional desfile do Dia do Campino pelas ruas do Cartaxo, após a bênção aos campinos

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junto ao Tribunal do Cartaxo, assim como o festival de folclore infantil e o festival de fandango – no âmbito da candidatura do fandango do Ribatejo a património imaterial da humanidade que o Cartaxo lidera. No espaço exterior existirá maior oferta de diversões para jovens e crianças. A Câmara estima ainda que estejam presentes mais produtores de vinho do que no passado, sensivelmente o dobro da edição anterior com parcerias com o Instituto da Vinha e do Vinho, Associação Municípios Portugueses do Vinho, Viniportugal e CVR Tejo, contando ainda com um vasto leque de outros patrocinadores No que refere à organização do espaço, pretende-se “inovar como fizemos na última Feira de Todos os Santos/ExpoCartaxo”. “Teremos uma maior oferta e diversidade de vinhos em prova. O evento terá uma ilha própria para os produtores que estarão presentes nos quatro dias do evento e outra ilha da Associação de Municípios Portugueses do Vinho, onde os vários municípios associados vão estar representados pelas empresas vitiviníco-

Uma combinação diferente em evidência no certame

las do seu concelho. A presença dos municípios será feita por regiões vitivinícolas, distribuídas pelos vários dias do certame, pelo que, o visitante poderá visitar este evento todos os dias que será sempre surpreendido pela

Encierros e Largadas na Semana Taurina de Samora Correia s encierros “Puro Ribatejo” e os espectáculos no Largo do Calvário são as principais novidades da XII Semana Taurina de Samora Correia que anima a cidade de 25 de abril a 1 de maio. Os touros bravos e em pontas da Ganadaria José Dias irão correr desde a Quinta dos Gatos até ao Largo do Calvário onde serão recolhidos. Depois será largado o touro para ser lidado pelos recortadores e aficionados no largo e ruas anexas. Haverá largadas de

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touros, novilhos e vacas todos os dias e ao fim de semana e véspera de feriado teremos as tradicionais noturnas. No dia 1 de maio terá lugar a tradicional tarde dedicada às crianças e jovens com bezerrada e vacada popular antes da última largada da semana taurina. Este ano há animação no largo do Calvário com destaque para os concertos gratuitos com Los Romeros e Sonido Andaluz e para a Gala taurina, Encontro de

Bandas e espectáculo de Flamenco no Centro Cultural de Samora, onde haverá várias exposições com temas da Festa Brava. A organização é da Junta de Freguesia de Samora Correia que espera mais de 20 mil visitantes nos sete dias de festa que antecedem a Feira Anual de Samora de 4 a 8 de maio com mais largadas de touros, artesanato, tasquinhas, exposições e diversões no Largo da Feira.

A habitual afición deste evento

degustação de vinhos de diferentes empresas e regiões”. Estarão presentes também empresas com chocolate artesanal e, também a Nestlé. Dentro do pavilhão de exposições existirá um espaço para ati-

vidades com crianças. Neste espaço irão decorrer diversas atividades de animação e ateliers práticos de culinária dedicados ao chocolate. Ao nível das instalações o espaço vai estar também renovado – quer ao nível do

pavilhão de exposições, quer ao nível das tasquinhas. Na componente dos debates, “vamos aprofundar a temática ‘Vinho e Chocolate’, indo ao encontro das novas tendências de consumo e de valorização do produto vinho”.


20 Dossier: Águas

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Iniciativa dos SMAS

Desafios do setor das águas debatidos em Vila Franca s Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Vila Franca de Xira debateram as perdas de água na rede. Esta foi uma iniciativa que juntou, no final do mês de março, os responsáveis das principais entidades ligadas ao setor, como foram os casos da EPAL ou das Águas de Portugal. A ação que decorreu no auditório da Fábrica das Palavras juntou cerca de duas centenas de participantes que puderam, entre outras questões, ficar a saber que o preço de uma garrafa de água das pequenas equivale a mil litros de água da rede. Esta foi uma das questões levantadas por António Oliveira, presidente dos SMAS de Vila Franca de Xira, que enalteceu a qualidade da água fornecida pela rede, ao mesmo tempo que exortou à realização de mais campanhas para o crescimento do consumo desta em detrimento da água engarrafada. Este foi aliás um tema enaltecido pelo presidente da EPAL, José Sardinha, que por um lado vê a necessidade de o fazer, mas por outro destaca a dificuldade logística de fazer chegar a água da torneira a todo o lado, nomeadamente, e a título de exemplo numa corrida onde só é possível fazer chegar água engarrafada.

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“As campanhas dizem para beber água da torneira onde não há torneiras. Portanto o desafio é levar água da torneira numa garrafa” explicou. Para solucionar o problema, referiu o responsável da EPAL, a empresa criou uma garrafa com um design próprio que colocou à venda, e embora tal não tenha sido um sucesso absoluto, acabou por vender cerca de 30 mil garrafas a cerca de um euro e meio cada uma, sendo este um passo importante para o consumo da água da rede em locais sem torneiras. Todavia Vila Franca de Xira acaba por ser um concelho onde os SMAS têm investido apesar das perdas de água na rede. António Oliveira explicou o investimento feito em depósitos de abastecimento de água, nomeadamente, a sul do município e na aquisição de viaturas para os serviços dos SMAS. Aliás uma das situações que preocupa os serviços são alguns abusos verificados. O presidente dos SMAS salientou mesmo a necessidade de fecho de algumas bocas de incendio de forma estratégica, já que durante “a calada da noite, alguns camiões serviamse da água da boca, paga de resto pelos munícipes.” Esta foi uma sessão técnica com explicações aprofundadas sobre

Incentivo ao consumo de água da torneira foi referido

esta temática que acaba por onerar não só as respetivas concessionárias e serviços municipalizados, como também os consumidores. Aliás Carlos Martins, Secretário de Estado do Ambiente, referiu a importância deste debate tendo em conta precisamente os custos da água. Carlos Martins destacou que “muitas vezes ouvimos o relato destas entidades presentes nestes seminários sobre aquilo que de bom se faz, e tomamos como exemplo generalizado no resto do

país, mas nem sempre assim é, também há o reverso da medalha”, deixou no ar. Carlos Martins enalteceu o debate sobre as perdas de água e o incentivo ao consumo de água da torneira, mas lembrou que para além dos bons exemplos “há um país que não tem capacidade técnica”. “Não tem escala e com quem não se consegue conversar”, atirou o secretário de Estado que apontou ainda as desigualdades no território ao nível sobretudo das práticas relacionadas com a água. António Oliveira presidente dos

SMAS de Vila Franca de Xira que vincou a importância da das perdas de água e sustentabilidade nos sistemas de abastecimento, e vincou igualmente “a necessidade de se alterar a legislação” nomeadamente no que toca à “recuperação da dívida dos clientes no abastecimento em baixa”. Para António Oliveira esta é “morosa e complicada e acima de tudo pouco célere para a gestão dos sistemas”. Para o mesmo é possível ir ainda mais longe na nova legislação para a recuperação da dívida, sendo essencial na

sustentabilidade do setor, isto tendo em conta também que decorre a consulta pública do regulamento comercial das águas e resíduos. O presidente dos SMAS referiu, no entanto, que a dívida dos consumidores “é muito elevada”. A perda real “é algo que se combate”. “Mas é um combate diário” e explicou que “a fraude é algo que está sempre presente”. Os encargos “são imensos”. E também aqui a legislação tem de ser mais incisiva “vincando que a nova legislação deverá defender a água”.

Águas do Ribatejo com 1,6 milhões de euros de resultados positivos ano de 2016 terminou com um saldo positivo na Águas do Ribatejo (AR), deu a conhecer a empresa no mês de abril. A empresa municipal registou um aumento do resultado líquido de 3,8% atingindo 1 milhão 592 mil. O volume de negócios subiu para 15 milhões 472 mil euros, registando um crescimento ligeiramente superior a um por cento, em comparação com o período homólogo. Este aumento ficou a dever-se, essencialmente, ao maior volume de água residual faturada com a entrada em funcionamento de novos sistemas e o prolongamento das redes de saneamento. Francisco Oliveira, Presidente do Conselho de Administração da AR anunciou que os resultados apurados serão canalizados para investimentos no reforço da qualidade dos serviços prestados. O combate às perdas de água é outra das prioridades com o objetivo de atingir 20 por cento até 2020. O líder da AR recordou que

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em 2009 as perdas eram superiores a 50 por cento e já foram reduzidas para 33,6 por cento.

“Ainda temos muito por fazer nesta área, mantemos a meta traçada e estamos a trabalhar

para a atingir”, referiu o autarca de Coruche O presidente do Conselho de Ad-

Autarcas fazem balanço de mais um ano de atividade da AR

ministração da AR, explicou que “o ano de 2016 representou o início de um novo ciclo na vida da

empresa”. Após a conclusão dos grandes projetos de infraestruturação executados pela empresa, o foco passou a estar muito mais centrado nos aspetos relacionados com a eficiência”. Ainda assim, no decurso do ano de 2016 teve início a execução de várias operações apoiadas pelo POSEUR, destacando-se as referentes à intervenção na ETAR de Almeirim / Alpiarça, à construção dos subsistemas de saneamento de Chancelaria / Pedrógão e Lapas / Ribeira Branca, ambos no Concelho de Torres Novas e às remodelações das ETAR da Quinta do Papelão e da Murteira, ambas no Concelho de Benavente. Com o investimento realizado em 2016, o valor global investido desde a criação da empresa, em 2007, ascende já a mais de 115 milhões de euros, o que representa cerca de 88 por cento do valor do investimento previsto até final de 2017.


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Retratos da nossa terra

Instantâneos 21

Tauromaquia Azambujense ¢

António Salema “El Salamanca”

Porquê Toureiro – O Colóquio

austo Henriques é atualmente o habitante mais idoso de Manique do Intendente. O ancião festejou 100 anos no passado dia 10 de abril num almoço convívio para familiares e amigos. O presidente da União de Freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro, José Avelino, homenageou também o novo centenário da freguesia.

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Acisma Apoios do Alentejo 2020 para o empreendedorismo qualificado e criativo Alentejo 2020 lançou dois novos concursos, no âmbito do Sistema de Incentivos, para apoio financeiro a projetos de Empreendedorismo Qualificado e Criativo que contribuam para a promoção do espírito empresarial, facilitando nomeadamente o apoio à exploração económica de novas ideias e incentivando a criação de novas empresas. Pretende-se reforçar os níveis de empreendedorismo qualificado e criativo (incluindo empreendedorismo de base tecnológica), através de apoios diretos aos empreendedores, favorecendo a emergência de novas oportunidades de negócio, nomeadamente em domínios criativos e inovadores e o nascimento de mais empresas em setores de alta e média-alta tecnologia, valorizando-se o alinhamento com as prioridades temáticas da Estratégia Regional de Especialização Inteligente (RIS3). Podem concorrer a estes apoios as empresas PME de qualquer natureza e sob qualquer forma jurídica, criadas há menos de dois anos, e com grande potencial de crescimento (scale up). Além do concurso em regime geral (SI-51-2017-09), encontra-se em aberto um concurso específico (SI51-2017-10) para as empresas que se localizem em territórios de baixa densidade. Pode consultar os avisos em: http://alentejo.portugal2020.pt/index.php/avisos ou www.acisma.org/gaee Fonte: Alentejo 2020

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Novos concursos aos Sistemas de Incentivos Portugal 2020 eforçar a capacidade das PME de exportarem e se internacionalizarem é um dos objetivos do Portugal 2020 e foram já lançados os novos concursos aos Sistemas de Incentivos à Inovação, Empreendedorismo e à Internacionalização das PME. Geridos pelo Programa Operacional COMPETE 2020, os novos concursos dos sistemas de incentivos ao investimento empresarial, contam com apoios comunitários no valor de 602 milhões de euros e que permitirão apoiar investimentos totais de 1,3 mil milhões de euros. A Inovação Produtiva, o Empreendedorismo Qualificado, a Internacionalização e a Qualificação das Pequenas e Médias Empresas (PME) são as grandes prioridades. Pedro Marques, ministro do Planeamento e das Infraestruturas, dá conta que “cerca de 75% das dotações colocadas a concurso são destinadas a PME”, destacando “os avisos especificamente destinados a territórios de baixa densidade, com uma dotação de perto de 130 milhões de euros”. A abertura destes concursos de incentivo ao investimento “garante a continuidade da dinâmica de apoio do Portugal 2020 às empresas, com dotações similares às fixadas nos últimos concursos abertos em junho e julho de 2016”. Na área da Inovação Produtiva, o Portugal 2020 propõe-se apoiar investimentos produtivos em atividades inovadoras e qualificadas que contribuam para a sua progressão na cadeia de valor. No Empreendedorismo Qualificado o objetivo é apoiar a criação de empresas em domínios criativos e inovadores e em setores de alta e média-alta tecnologia. Quanto ao sistema de incentivos à Internacionalização, o Portugal 2020 pretende ajudar a reforçar a capacitação empresarial das PME para a internacionalização e para a inovação. Já o Regime Contratual visa apoiar “projetos estruturantes que contribuam para o desenvolvimento, diversificação e internacionalização” da economia portuguesa. Consulte os novos AVISOS, disponíveis no Balcão 2020 | Competitividade e Internacionalização ou em www.acisma.org/gaee; Fonte: Compete2020/Portugal Gov./DN

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade; NIPC 514 207 426 Sede, Redação e Administração: Rua Alexandre Vieira nº 8, 1º andar, 2050-318 Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 10171 • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Joaquim António Ramos, Acácio Vasconcelos, Nélson Silva Lopes, Ana Bernardino, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca” Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: João Antunes • 960 06 23 75 • joaoantunes@valorlocal.pt • comercial@valorlocal.pt Serviços administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt

ealizou-se no passado dia 25 de março, no Museu Municipal Sebastião Mateus Arenque, em Azambuja, um colóquio organizado pela Tertúlia Festa Brava, e subordinado ao tema “Ser Toureiro”. Foi uma iniciativa que pretendeu dar conhecimento do que é a verdade de uma corrida de toiros. Porque o gostar é uma coisa, mas o saber ver é outra. Por isso Azambuja precisa de iniciativas como esta para os aficionados conhecerem a verdade da festa. Este colaborador taurino, já com 90 anos esteve lá, para visitar amigos e para dar um conselho aos jovens que querem ser toureiros. Na minha já longa carreira de aficionado, dei de cara com muitas pessoas boas e também encontrei o inverso, encontramos de tudo na festa de toiros. Nestes anos todos diverti-me ao meu gosto, todo o tempo disponível, as férias eram os toiros. Criei um dossier, dando de recordação aos meus filhos centenas de corridas em Portugal e Espanha. De praças de 1ª a praças desmontáveis ou de Las Ventas à mais pequena povoação, passei por todo o lado da Espanha taurina. Portugal, conheço-o de lés a lés através dos toiros, a todos os cantos me levou a afición. Mas ser aficionado não chegava, aprendi toureio de salão e dei aulas. Numa escola tive muitos alunos e alguns até se vestiram de luces, foram bons tempos. É no esclarecimento taurino que agora vou falar. Os cavaleiros presentes naquela noite em Azambuja têm o caminho aberto, tanto em corridas como em montadas, estão de parabéns. Aos jovens que fazem a aprendizagem para matador de toiros digo, pensem bem, não deixem queimar os anos porque eles passam depressa e não esqueçam, mais vale ser um bom bandarilheiro que um mau matador de toiros. Em Portugal temos o excelente exemplo do senhor José Tinoca ou em Espanha Afonso Ardonez, mas como eles há mais. Um exemplo presente, o nosso Joaquim Oliveira, que como bandarilheiro brilha em Portugal, Espanha e França.

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Parreirita Cigano arreirita Cigano treina diariamente e com os olhos postos na sua alternativa. A alternativa, terá lugar em Lisboa, na Praça de Toiros do Campo Pequeno, (a mais importante do país) e decorrerá nesta temporada de 2017. A alternativa será concedida pelo seu mestre, Manuel Jorge de Oliveira, que será nesse dia homenageado pelos seus 40 anos de alternativa.

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César Fernando (Camarista) alo agora de César Fernando, o Camarista. Este senhor que é aficionado desde criança, já em pequeno fazia toiros de pau em que utilizava pregos para as mãos e pés. O pai tinha uma taberna e carvoaria e de lá veio o conhecimento com a família Felício, Melão e os demais Campinos. Teve também conhecimento com o Sr. Manuel Santareno e era ver o César, miúdo de trajo curto, no mundo dos toiros. Como estava por Lisboa, sempre que havia corridas, assistia a todas no Sector 7 e quando um dia resolveu fazer como alguns críticos e amigos de Azambuja, como por exemplo o Salema, uma Tertúlia Azambujense, deu-lhe o nome de Sector 7, em homenagem ao Sector 7 do Campo Pequeno. Todos os anos pela Feira de Maio, o César abre as portas da Tertúlia e oferece aos seus amigos e não só, uma sopa, um copo, pão e uma sardinha, em honra daquele famoso Sector 7.

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António Salema edita mais um livro erá em Maio, por ocasião do Mês da Cultura Tauromáquica, que a Camara Municipal de Azambuja vai lançar mais um livro do autor António Salema. Com o titulo “Corte de Coleta” o livro editado pela autarquia azambujense, trará algumas das memórias do colaborador do Valor Local, ao longo do seu percurso de mais de meio século no mundo taurino.

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22 Política

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Jorge Pires da Silva candidato da Coligação a Alcoentre orge Pires da Silva é o candidato da Coligação pelo Futuro da Nossa Terra para a Junta de Freguesia de Alcoentre, tendo aceite este desafio porque “não é indiferente aos problemas da terra”, refere aquela estrutura partidária em comunicado. O candidato tem 38 anos e é delegado comercial. Uma das suas bandeiras, promete, será a da juventude: “Quero que a minha terra seja mais amiga dos

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jovens de hoje do que foi dos jovens da minha geração”. A Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra está convencida de que o atual presidente da junta, eleito pelo PS, António Loureiro, não se recandidatará, e prevê o regresso a estes palcos do antigo presidente daquela junta, António Morgado, mais conhecido por Toni, mas sobre isso, Jorge Pires da Silva limita-se a dizer que “há mais Alcoentre para além do Toni”.

Ainda na equipa candidata à Câmara Municipal, a Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra conta com outro nome de Alcoentre, nomeadamente, o músico Hugo Sampaio. Embora sem referir em que lugar vai nessas listas, destaca a Coligação que Hugo Sampaio, não tem qualquer filiação partidária. Este defende a sua participação nesta candidatura declarando que “os jovens sabem que a estagnação do concelho não é culpa dos

partidos, mas apenas de políticos ultrapassados e gastos” e que “é preciso dar a volta a isto, chega de ser sempre os mesmos”. Na lista candidata à Assembleia Municipal, a coligação liderada pelo PSD revela que o primeiro

nome da freguesia de Alcoentre é Natália Peres, que nas eleições autárquicas de 2013 fez parte da lista que concorreu à Câmara. Rui Corça, atual candidato à presidência da Câmara, disse que “sempre que a Natália participou nas reuniões de câ-

mara como vereadora substituta, teve uma atitude positiva e foi a voz dos problemas da freguesia de Alcoentre”, pelo que “a sua eleição para a Assembleia Municipal é a certeza de que Alcoentre vai fazer-se ouvir”.

Jorge Pires da Silva, Natália Peres e Hugo Sampaio


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Semana da Floresta levou perto de mil crianças a Montejunto serra que divide os concelhos de Alenquer e Cadaval voltou a ser palco da Semana da Floresta, iniciativa de preservação da floresta e do ecossistema, bem como de promoção daquela serra. Esta 16ª edição contou com um circuito de atividades lúdicas que envolveu perto de um milhar de crianças do pré-escolar e primeiro ciclo. O município de Alenquer juntou-se, pelo primeiro ano, ao município do Cadaval na organização do evento. Para além dos mais de 700 participantes oriundos do pré-escolar e primeiro ciclo do concelho do Ca-

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daval, participaram também, pela primeira vez, perto de 250 crianças provenientes de escolas e jardins do concelho de Alenquer, nomeadamente de Abrigada, Cabanas de Torres e Vila Verde dos Francos. As atividades propostas para esta 16ª edição, que fizeram as delícias da pequenada, foram: tiro com arco, “slackline” (equilíbrio sobre fita suspensa), “caça aos tesouros da floresta”, “gincana da floresta”, “escorrega da floresta”, insuflável (com obstáculos, escalada e escorrega) e plantação de árvores. A iniciativa decorreu de 30 março

a 5 de abril, na zona do Parque de Merendas de Montejunto. Fátima Paz, vice-presidente do Município do Cadaval, faz um balanço positivo da 16ª Semana da Floresta, referindo a satisfação camarária com a parceria, iniciada este ano, com o município de Alenquer na organização da atividade. “Já tinha sido vontade, no ano anterior, que isso acontecesse, considerando que Alenquer também tem responsabilidade neste parque natural”, refere. “Este ano conseguimos, atempadamente, conversar e concretizar a atividade em parceria”.

Fátima Paz junto de um grupo de crianças participantes

Poluição na Ribeira da Milhariça… Continuam as queixas e acordo com o presidente da junta de freguesia de Aveiras de Cima, António Torrão, e um dos moradores próximos da Ribeira da Milhariça, continua tudo na mesma relativamente à poluição naquele curso de água. Após a Câmara de Azambuja ter efetuado corte de vegetação no ano de 2016, procurando limpar um dos troços da ribeira, “os maus cheiros persistem” de acordo com Ângelo

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Correia, habitante de Aveiras. Neste momento, a ribeira foi inundada por mais vegetação que, neste momento, já tem um metro de altura. A proliferação de pragas associadas como ratos e cobras também não deixou de se fazer sentir. “Continua tudo na mesma, não há novidades”, elucida Ângelo Correa. Segundo o presidente da Câmara, Luís de Sousa, ao Valor Local, a Câmara pretende

intervir após o lançamento de uma empreitada no sentido de limpar os restantes 400 metros da ribeira. Para já ainda não há datas. O autarca sublinha, ainda, que após intervenção da Águas da Azambuja foi possível detetar quais as habitações que estavam na origem das ligações ilegais à rede e a situação já foi corrigida, contudo o morador contactado pelo Valor Local dá conta que não

assistiu a melhorias no local – “Não dei por nada”, e até “sugiro que aproveitem e quando voltarem ao bairro tapem os buracos na estrada. Há um buraco com 10 centímetros de profundidade que quando chove os carros acabam por salpicar a minha casa. Estou farto de falar neste problema até junto da Águas da Azambuja, mas até agora não me solucionaram o caso”.

Aquando do último corte de canas


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