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Rádio Valor Local - www.valorlocal.pt - Ouça em todo o lado Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 103 • 23 Setembro 2021 • Preço 1 cêntimo

Valor Local Entrevistas com os candidatos às Câmaras de Azambuja e Alenquer:

Os projetos, as ideias e as polémicas do momento nos dois concelhoss

Especial Autárquicas Azambuja da 10 à 12 Especial Autárquicas Alenquer da 14 à 17

Polémica Batalha “Gate”

À porta das eleições:

Câmara de Benavente comprou casa para família cigana fora do concelho em 2010

Triaza apresenta pedido de 12 milhões de euros de indemnização à Câmara de Azambuja Ambiente na 7

Incêndio na Triaza não provocou danos graves

Ambiente na 7

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Sala Snoezelen

Sénior Club na Póvoa de Santa Iria com equipamento de vanguarda no combate às demências

Várias terapias são possíveis na Sala Snoezelen

Sénior Club, grupo Orpea, na Póvoa de Santa Iria passou a contar com uma sala snoezelen, um complemento importante para ajudar a melhorar a qualidade de vida dos utentes com quadros de demência ou défice cognitivo. Este grupo francês aposta num conceito diferente para os seus seniores procurando estímulos e terapias que possam proporcionar saúde. “Tentamos afastarnos ao máximo das práticas farmacológicas”, refere a diretora técnica Carolina Beirão. A sala está a funcionar há cerca de um mês “mas o feedback tem sido muito bom”, principalmente depois de um longo período marcado pela pandemia em que os idosos não puderam contactar de perto com a família, e no caso dos portadores de demência esse quadro evidenciou-se. “Tem sido um trabalho conjunto de todos nós auxiliares, fisioterapeuta, psicóloga, animadora social durante este ano e meio”. A sala é conhecida dos familiares, mas apenas

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por foto dado que as visitas ainda não foram retomadas como antes. Telma Bengalinha, animadora sociocultural, conta que a sala snoezelen tem como propósito proporcionar bem-estar ao residente, fornecendo “estímulos que não conseguiria ter num ambiente normal de lar”. Entre outros, temos estímulos visuais e auditivos, mas também ao nível do olfato, envolvendo ainda terapias de relaxamento de forma individualizada. “Este equipamento vem colmatar algo que é o facto de nós profissionais que lidamos com a demência chegarmos a uma dada altura em que não conseguimos dar mais, e com esta ferramenta podemos ir mais além”, refere. A sala snoezelen envolve desde a cromoterapia com projeção de luzes, à musicoterapia em que “tentamos perceber quais os estilos musicais que fazem sentido para cada utente, porque estas pessoas são muito suscetíveis a canções que fizeram parte das suas

Uma equipa motivada e que da união fez a força em tempo de pandemia

vidas”. “Há determinadas notas musicais que proporcionam no nosso cérebro um determinado conforto e eles ainda têm essas memórias”. “Notamos que eles ficam mais calmos”, suscita Carolina Beirão, que saúda ainda o envolvimento dos familiares à distância que enviam fotografias para serem projetadas na sala snoezelen. Um dos caminhos no combate às demências “passa por restringir naquilo que for possível os fármacos com este tipo de práticas alternativas para atrasar ao máximo a progressão da doença”, junta Carolina Beirão. Este desafio intensificou-se com a Covid-19, porque antes os familiares não tinham um horário específico para as visitas, “podiam fazer as refeições com eles, e estarem o tempo que entendessem”, e “agora tivemos de improvisar as coisas de forma mais restrita”. O idoso com demência acaba por ver menos a família, e isso também acaba por o desequilibrar psicologicamente

pelo que estas terapias têm sido fundamentais para minimizar estes impactes. O grupo Orpea, que tem sido pioneiro na área do combate à demência, noutras unidades no país utiliza também outras tecnologias para interagir com os doentes com demência, como um robot físico “que é uma espécie de animal de estimação através da figura de uma foca, que interage com os idosos e que permite melhorar a ansiedade, com estímulos auditivos e táteis”. No Sénior Club está a ser também levado a cabo um programa de reabilitação pós covid, tendo em conta que a doença deixa sequelas graves em vários órgãos, quer físicas quer neurológicas e através de uma equipa multidisciplinar composta por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, médicos, enfermeiros, neuropsicólogos e psicólogos tenta-se trabalhar questões como o aumento da resistência e força muscular; a tolerância ao esforço; a diminuição

da dependência nas atividades do dia-a-dia, entre outras. Mas também a terapia multissensorial e as técnicas de animação são importantes para esse fim de melhorar a qualidade de vida de quem está a recuperar das sequelas da doença. A covid veio “reinventar” em parte a função de cada um nesta unidade, “porque deixámos de ser apenas técnicos para sermos também familiares”, referem ambas, reforçando que o sentimento de “a união faz a força” foi o lema de todos dentro do Sénior Club. O Sénior Club tem capacidade para 64 utentes. Cerca de 20 por cento apresenta um quadro de demência, e tem sido um desafio controlar a progressão de alguns casos, porque “sem poderem ver fisicamente os familiares, apesar de termos disponibilizado todo o tipo de meios eletrónicos, acaba por ser muito difícil ultrapassar a necessidade de um abraço ou do toque daqueles que são mais queridos aos nossos residentes”.

Alzheimer e demência, um dos maiores desafios da sociedade moderna Não se conhece ainda o número exato de Pessoas com Demência em Portugal, mas, segundo a Associação de Alzheimer de Portugal, os dados existentes permitem fazer estimativas, que apontam para cerca de 205 mil casos de demência, sendo a Doença de Alzheimer cerca de 60 a 70% destes. Estima-se, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que 45,5 milhões de pessoas estejam diagnosticadas com demência e que o número de casos diagnosticados deverá quase duplicar até 2030, com tendência a triplicar até 2050. Num relatório publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OECD), intitulado “Health at a Glance 2017”, consegue verificarse que Portugal é o quarto país com mais casos diagnosticados com demência.

Escola Básica da Merceana reabre três anos depois F oram concluídas as obras de ampliação e requalificação da Escola Básica do Primeiro Ciclo da Merceana. O edifício foi alvo de uma intervenção de fundo, com lugar à ampliação do espaço, que permitiu acrescentar, entre outros, um refeitório inteiramente equipado. Na passada sexta-feira, 17 de setembro, a escola voltou a abrir as portas aos alunos, três anos depois. “Esta reabertura mostra a capacidade que tivemos na requalificação das escolas do concelho.

Requalificámos a da Ota, estamos a requalificar a de Cadafais e vemos agora concluírem-se as obras na da Merceana”, lembrou Pedro Folgado, presidente da Câmara Municipal de Alenquer. Em visita ao local, o autarca destacou a importância da conclusão das obras para as pessoas daquela localidade. “De há muitos anos a esta parte, a escola estava em muito mau estado e tinha fibrocimento. Neste momento, é uma escola aprazível, com espaço, onde dá gosto ensinar e aprender. É im-

portante pensarmos na educação dos nossos jovens, porque serão eles o futuro”, frisou. O custo total foi suportado em 85% pelos fundos provenientes do programa Portugal 2020. “Eram pavilhões que já estavam muito usados. A empreitada foi complicada, devido ao empreiteiro selecionado, que foi o que apresentou melhor preço na altura. Mas conseguimos concluir e trata-se de uma melhoria significativa para os miúdos da Merceana.”, explicou. Pedro Folgado terminou agrade-

cendo às famílias dos alunos daquela escola. “As famílias foram impecáveis, porque sofreram um bocado com a deslocação para fora da freguesia. O transporte diário obrigou a uma gestão diferente da que acontecerá daqui para a frente. Agradeço muito esse esforço que fizeram.” A Escola Básica do Primeiro Ciclo da Merceana é frequentada por aproximadamente uma centena de alunos, com idades compreendidas entre os 3 e os 10 anos.

Edifício renovado


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Polémica Batalha “Gate”

Câmara de Benavente comprou casa para família cigana fora do concelho em 2010 m 2010, o município de Benavente, à época governado por António José Ganhão, comprou uma casa no concelho da Batalha, no distrito de Leiria, por 75 mil euros, com vista a alojar duas famílias ciganas que residiam no concelho ribatejano, numa área de bungalows, e que estavam a cumprir com o contrato de reinserção social traçado pela autarquia a nível de questões de higiene, saúde, e educação dos filhos a seu cargo. O assunto foi levantado na última assembleia municipal de Benavente por Carlos Guarda que concorre nestas autárquica numa candidatura independente. O assunto trazido à baila mais de 10 anos depois está a deixar um rasto de polémica tendo em conta que não se está a compreender como a autarquia aprovou esta compra, na altura com votos favoráveis da CDU e abstenção do PS e PSD. Na última reunião de Câmara, o vereador Pedro Pereira levantou a questão. (Tem sido referida a localidade de Porto de Mós como tendo sido a vila referente a esta aquisição, mas o Valor Local consultou a ata de 11 janeiro de 2010 que comprova que em causa está então um imóvel, mas na Bata-

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lha.) A habitação inscrita numa área de 110 m, é composta por rés do chão e primeiro andar. O registo foi realizado em junho de 2010 na Conservatória do Redondo. Segundo a ata, o município tinha como compromisso alojar uma família cigana por ano em habitação condigna desde que cumprisse os requisitos impostos pela autarquia Carlos Coutinho, presidente da Câmara de Benavente, estranhou, em reunião do executivo, que a situação tenha voltado à praça pública neste momento eleitoral. O autarca explicou que desde há longos anos que a autarquia tem como ponto de vista não concentrar as famílias desfavorecidas ou socialmente não integradas em bairros sociais de forma a não criar um sentimento de ghetto, e de “possível aumento de criminalidade”. O autarca não esconde que também teve responsabilidades, porque embora não fosse presidente de Câmara, integrava o executivo municipal à época. Ao lermos a ata, quer Ana Casquinha, vereadora à época do Partido Socialista, quer José d’Avó, vereador do PSD, estranharam esta decisão de Ganhão, temendo pela abertu-

Evento de 2010 ressuscitado 11 anos depois

ra de um precedente, mas acabaram por se abster sem grandes discussões. Ganhão transmitiu que não havia nada na lei a obstar à compra do imóvel que seria pro-

priedade do município podendo haver a sua venda a qualquer momento. Onze anos passados, a informação é de que as famílias continuam a viver nesse imóvel.

Haveria lugar ao pagamento de uma renda social por parte dessas famílias, que teriam ainda de proceder a um conjunto de obras no interior da habitação que pas-

Cartaxo elege Rei e Rainha das Vindimas 2021 B

runo Lopes, da Freguesia de Pontével e Rita Alves, da União de Freguesias do Cartaxo e Vale da Pinta, foram os jovens eleitos como Rei e Rainha do Concelho do Cartaxo 2021. Eliana Palmeiro, da Freguesia de Pontével, foi eleita 2.ª Dama de Honor e Joana Miranda, da Freguesia de Vila Chã de Ourique foi eleita 1.ª Dama de Honor. O Prémio Vítor de Sousa, que destaca a simpatia e companheirismo ao longo do concurso foi atribuído a duas candidatas Rita Alves da União de Freguesias do Cartaxo e Vale da Pinta e a Viviana Figueira, da Freguesia de Vale da Pedra. As jovens receberam uma oferta muito especial do restaurante Taxo – Tradição Apurada, que as vai levar numa viagem, por certo, inesquecível. A Gala decorreu na Praça de

Estão eleitos os novos reis da Vindima

Touros do Cartaxo, no dia 18 de setembro e juntou cerca de 800 espetadores num evento que, no

âmbito da pandemia de Covid19, teve lotação limitada devido a medidas de saúde pública.

O Rei e Rainha das Vindimas do Concelho do Cartaxo, assim como, as damas de honor e pa-

Piscinas de Vialonga voltam à baila O vereador da CDU, Nuno Libório, na Câmara Municipal de Vila Franca de Xira questionou o executivo sobre o adiado projeto das piscinas de Vialonga, uma promessa já com 13 anos. À porta das eleições, a Câmara de Vila Franca de Xira anunciou a abertu-

ra do procedimento com vista à obra. No início deste ano, uma empresa ligada a uma cadeia de supermercados cedeu ao domínio público um terreno com cerca de 11 mil metros quadrados com vista à obra que a arrancar será no próxi-

mo mandato. Contudo, na última reunião de Câmara, Alberto Mesquita, ainda presidente da autarquia adiantou que “neste momento temos um terreno, bem como um estudo prévio que são dados importantes para o próximo executivo”. “Será uma das mais moder-

nas do país”, garantiu. A oposição, quer o PCP quer o PSD, têm criticado o adiamento desta obra. Segundo o PCP num comunicado recente, a população de Vialonga é obrigada a procurar as piscinas das freguesias vizinhas, sendo algo particularmente

sariam, e conforme consta na ata, por nova canalização, instalação elétrica, demolição de telheiros no exterior, montagem de alpendre e garagem, instalação de bancadas nas cozinhas e pinturas várias. A Câmara de Benavente, numa primeira conversa, com essas famílias que sugeriram uma habitação no distrito de Leiria - porque já tinham familiares a residir em Porto de Mós - recebeu de bom grado a sugestão, até porque a casa saiu em conta, dado que à época a aquisição de uma habitação no concelho ribatejano seria mais cara. Segundo Coutinho “não é nenhuma vivenda de luxo, mas uma modesta moradia”. Este tipo de procedimento do município está a ser visto como contraproducente e pouco entendível por parte da oposição que acha que o município extravasou neste caso ao atender às pretensões de uma família de etnia só para se livrar de um problema. “Tive a convicção na altura que estávamos a dar um passo importante sem prejudicar ninguém e numa altura em que estávamos numa crise profunda sem capacidade de darmos habitação no nosso concelho”, concluiu Coutinho na última reunião de Câmara.

jens eleitos em 2019, e os jovens distinguidos no mesmo ano com o Prémio Vítor de Sousa, estiveram presentes na Gala para passar o testemunho aos novos eleitos. As seis freguesias do concelho, União de Freguesias do Cartaxo e Vale da Pinta, União de Freguesias de Ereira e Lapa, Freguesia de Pontével, Freguesia de Valada, Freguesia de Vale da Pedra e Freguesia de Vila Chã de Ourique, fizeram-se representar por jovens naturais de cada uma delas. Jovens que viram ser testados os seus conhecimentos sobre o concelho numa prova escrita e as suas capacidades de comunicação e expressão, numa prova de palco. As candidatas e o candidato foram ainda avaliados numa prova de produção do vídeo “Visitem a Minha Freguesia”, tendo traba-

lhado para decidir os conteúdos, o guião e a mensagem que pretendiam passar. A Câmara Municipal do Cartaxo disponibilizou um técnico de vídeo e multimédia para apoiar as jovens na produção do vídeo, sendo as decisões e a locução da responsabilidade do candidato e das candidatas. Ana Bernardino e Gonçalo Patrício voltaram a conduzir a Gala de Eleição que, nesta edição, teve a palavra tolerância como fio condutor. No palco, a noite contou com a atuação do Saint Dominic’s Gospel Choir, da fadista Filipa Maltieiro, de Symone De Lá Dragma e da Companhia Seller Danza com os alunos de dança contemporânea do Conservatório de Música de Santarém, que apresentaram um trabalho coreográfico de Juan Maria Seller.

“penoso” para aqueles que não têm carro próprio e não encontram alternativa no “desadequado e insuficiente”. serviço de transportes públicos. Já o PSD apresentou uma moção em abril deste ano para que a autarquia inicie os procedimentos necessários

à definição, desenho e execução do projeto, bem como os procedimentos necessários à definição do valor da obra e respetiva avaliação da origem dos fundos necessários, bem como garanta a obra aos vialonguenses nos próximos quatro anos.


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Há quem vá às onze da noite para a porta do posto médico do Carregado para ter consulta no dia seguinte falta de médicos de família no Carregado tem estado a piorar de dia para dia. É cada vez menor o número de clínicos naquela extensão de saúde, no concelho de Alenquer, dado que para 16 mil 453 utentes apenas 1784 possuem médico de família, quando seriam necessários sete. No dia 9 de setembro teve lugar uma manifestação por parte da Comissão de Moradores do Carregado que reclamou por mais e melhores cuidados de saúde. Na última quarta-feira, dia 22 de setembro, os utentes foram para a rua fazer uma vigília pela noite dentro para reivindicar melhores cuidados de saúde. João Fernando, daquela comissão de utentes, refere que não tem sido fácil a fixação de médicos na freguesia, “o que tem causado graves problemas de funcionamento” dos cuidados de saúde. O representante desta comissão fala em cenários como a ida ainda de madrugada ou mesmo durante a noite dos utentes para a porta da unidade de saúde na esperança de conseguirem vaga para consulta. João Fernando adianta

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que já se reuniu com os representantes municipais, com o presidente da Câmara, Pedro Folgado, e com o vereador com o pelouro da saúde, Paulo Franco. A comissão entregou ainda um documento ao secretário de Estado António Sales quando veio inaugurar a Unidade de Saúde no sentido da resolução destes problemas e a criação de uma estrutura de igual tipo à que arrancou no Centro de Saúde de Alenquer que permite aos médicos contratar clínicos de forma mais célere, embora acredite que isso só por si não é o suficiente “pois há que criar condições para a fixação dos médicos”. O centro de saúde do Carregado chegou a ter seis médicos de recurso, mas “que não vinham todos os dias da semana, exceto um deles, os restantes cinco apenas às sextas-feiras”, o que tornava a situação ainda mais caótica e desorganizada trocando as voltas e o planeamento de consultas aos utentes. Há mesmo quem espere meses por uma consulta, ou quem se sujeite a cumprir o calvário de esperar horas seguidas não para uma consulta para si, mas para al-

Utentes do Centro de Saúde do Carregado cumprem via sacra para conseguirem consulta (foto arquivo)

guém em troca por exemplo de “20 euros”. O responsável da comissão de moradores acredita que a solução

passa por “obrigar os médicos a participar no Serviço Nacional de Saúde durante quatro ou cinco anos porque também é o Estado

que lhes paga a formação nas universidades, e dessa forma podiase mitigar o problema”. Em muitos concelhos, a maioria das vagas

Vila Franca de Xira homenageia Raul de Carvalho R

aul de Carvalho vai ser alvo de uma homenagem através do GART – Grupo de Artistas e Amigos da Arte em conjunto com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. A iniciativa conta com a curadoria de Maria Helena Carvalho, e estará patente durante todo o mês de outubro na galeria do Jardim Municipal Constantino Palha. A exposição “Sopro de uma memória artística” será inaugurada a 2 de outubro às 15h00 e estará patente ao público, sob marcação prévia para os contactos do GART, e as condições de visita estão sujeitas às normas da Direção Geral de Saúde. Raul de Carvalho foi sempre um homem ligado à cultura vilafranquense. Nos últimos anos da sua vida dedicou-se ao Ateneu Artístico Vilafranquense, sendo também o elo de ligação entre a extinta rádio, posteriormente vendida por Mário Calado, e a direção do Ateneu. Nascido 31 de Dezembro de 1936 na “Quintinha” em À-dos-Bispos passou toda a sua infância e adolescência entre a quinta e a Vila de Cira onde estudou e se envolveu ativamente nas atividades locais, mormente as ligadas ao associativismo. Foi desenhador projetista de ar-

Homem de muitas facetas é agora lembrado numa exposição

quitetura e publicitário de profissão, com formação em Artes Plásticas (pintura e escultura), Marketing e em Design e Fabrico de Mo-

biliário de Qualidade (Móveis Olaio). Entre várias ocupações, Raul de Carvalho foi amador de teatro na

juventude e esteve envolvido em várias iniciativas tendo desempenhado cargos em órgãos sociais no Ateneu Artístico Vilafranquen-

se, CCVFX “As Sentinelas”, Associação de Socorros Mútuos Fraternal dos Artistas Vilafranquenses, Santa Casa da Misericórdia

para médicos de família nas administrações regionais de saúde não consegue ser preenchida, e quando os ordenados também não são os mais apelativos. Já o presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, que se encontrou recentemente com a ministra da Saúde, Marta Temido refere que dessa reunião saiu a garantia de que o Estado Central reconheceu a urgência na contratação de médicos para esta unidade de saúde bem como de outras no concelho de Alenquer. “Pondera-se (segundo o ministério da Saúde) atribuir utentes aos médicos que estão em prestação de serviços. Equaciona-se também acrescentar valor e dar benesses financeiras aos médicos que pretendam ficar alocados no nosso concelho, para se minimizar despesas da deslocalização. Parecem-nos boas medidas e deviam ser imediatas, mas a senhora ministra confirmou-nos que serão implementadas até ao final do ano, para que estejam contempladas no Orçamento de 2022”, deu a conhecer a Câmara de Alenquer em comunicado.

de Vila Franca de Xira e União Desportiva Vilafranquense. No âmbito do centenário da Praça de Touros Palha Blanco, em 2001, orientou os trabalhos de reabilitação do imóvel tendo sido o autor da silhueta do toiro que se encontra por cima do cais de desembarque dos animais e que constitui, hoje em dia, como uma das mais divulgadas imagens de marca da Cidade. Raul de Carvalho enquanto artista não tinha um estilo definido. As pinturas versam de tudo um pouco, desde as paisagens a pessoas, passando por imagens estilizadas e claro alguns cartazes da Festa do Colete Encarnado. Ao todo são 15 as obras de Raul de Carvalho que estão em exposição nesta galeria. Quanto à família, o filho Rui de Carvalho, agradeceu esta homenagem, vincando que a mesma é justa e por isso mostrou-se agradecido a todos quanto se lembraram do pai. Manuela Ralha, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, destaca Raul de Carvalho como uma pessoa “que sempre deu de si às instituições da freguesia e de forma pro bono” vincando que para si, que conheceu e privou de perto com o autor, esta é uma justa homenagem por tudo o que fez pelo concelho.


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Feira de Outubro regressa com mais dias e mais esperas de touros Miguel António Rodrigues presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, espera bom senso dos cidadãos durante a realização da Feira Anual de Outubro e do Salão de Artesanato. Em conferência de imprensa, o autarca sublinhou as diversas etapas que tiveram de ser superadas para que o certame anual da cidade seja uma realidade. Foram constantes as reuniões com as autoridades de saúde e com a proteção civil municipal, que permitiram que o município conseguisse realizar, embora com limitações, o certame em 2021. O presidente da Câmara destacou que foram tomadas medidas para evitar a concentração de pessoas num certame, que por tradição atrai milhares de pessoas à cidade, provocando filas intermináveis de trânsito e nos acessos ao recinto, quer ao parque Urbano do Cevadeiro, quer mesmo ao pavilhão onde decorre o Salão do Artesanato. Assim o autarca anuncia um aumento dos dias da feira, que de dez passa para 17 dias “para evitar que as pessoas possam ir todas nos mesmos dias à feira”, esclarece Alberto Mesquita, ao mesmo tempo, que relembra que no interior dos recintos, os acessos serão controlados e que o número de pessoas será limitado. O autarca revelou que dentro do Parque Urbano, o máximo permitido serão 2500 pessoas e no pavilhão apenas 250. Um número que pode vir a sofrer alterações,

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Vereador do Turismo, Presidente da Câmara, e comandante operacional municipal deram a conhecer o que está previsto

tendo em conta as variáveis da pandemia e as decisões do conselho de ministros. Alberto Mesquita refere que o maior desafio vai ser a distância social, nomeadamente, nas oito largadas de toiros, um número maior do que o habitual, também para que não exista um grande aglomerado de pessoas nas esperas. É por isso que apela ao bom senso de cada um e recorda que o recinto das largadas de toiros tem quase um quilómetro de extensão. O autarca recorda que no

topo sul foi aumentado o número de lugares nas bancadas e que ao longo da zona das esperas existirá álcool gel e alguns conselhos através da publicidade sonora. O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, diz que caberá “a cada um de nós” fazer a respetiva fiscalização e que ainda assim estarão no terreno as autoridades policiais e de saúde, nomeadamente, com os bombeiros. Neste campo, António Carvalho, Comandante Municipal de Proteção Civil de Vila Franca de Xira,

esclarece que foi montada uma operação sem precedentes e que estarão no terreno mais de 250 bombeiros, espalhados pelos vários dias da festa e oriundos de todas as corporações do concelho. Alem disso, informou a existência de uma tenda de apoio, que será imprescindível neste âmbito. A Feira Anual de Outubro e o Salão do Artesanato serão de resto um desafio. Um desafio de saúde e de logística e que segundo Alberto Mesquita e António Carvalho, estará na dependência das

regras da Direção Geral de Saúde, pelo que poderá avançar em algum tipo de desconfinamento ou no seu contrário. Ainda assim ambos acreditam que vai correr pelo melhor, até porque os locais de grande afluência de público foram acautelados. É o caso dos habituais concertos na Avenida Pedro Vítor. Desta vez, todos os concertos terão lugar na Praça de Toiros Palha Blanco, com entradas controladas e com a possibilidade de ser pedido o certificado de vacinação ou um teste negativo, assim

com na entrada dos acessos ao recinto da feira. O presidente da Câmara sublinhou igualmente que a “Passerelle d’Ouro” que se realizou na Praça de Toiros há dias, foi também um bom ensaio. Segundo o autarca, esta iniciativa permitiu ver o civismo dos vilafranquenses em tempos de pandemia.” A iniciativa correu bem”, e é isso que espera dos visitantes da Feira Anual de Outubro, apelando ao bom senso de todos, sob pena de terem de existir medidas de contenção devido à falta de civismo.

“Fado Meets Rock” regressa a 5 de outubro em Azambuja É

um espetáculo único aquele que poderá assistir na Praça do Município de Azambuja no próximo dia 5 de outubro. Tratase da reedição do “Fado Meets Rock”, uma iniciativa do Centro Cultural Azambujense, que após uma primeira edição a 10 de julho, terá agora uma repetição em pleno “Mês da Música”. José Braz, presidente do Centro Cultural Azambujense, salientou

à Rádio Valor Local em entrevista que este espetáculo voltará a inovar, não fora esse o espírito do maestro da Banda Filarmónica, Carlos Gonçalves, pois afinal “música é música”. O responsável destaca o caráter inovador da iniciativa que junta os músicos da banda ao guitarrista Luís Grácio e aos Fadistas Maria e Francisco Rei e à Lara Pinto.

Assim como na primeira edição, os artistas darão conta de uma “fusão” de sons que vão do fado ao rock, passando pelas músicas de grandes bandas portuguesas como Xutos & Pontapés, UHF ou mesmo os GNR, que também no passado atuaram em conjunto com a banda da própria Guarda Nacional Republicana. José Braz, refere que a iniciativa do CCA, tem como objetivo a

Escola de Karate de Azambuja recomeça treinos D ecorreu no passado dia 20 de setembro um treino aberto de karaté no Largo do Municipio de Azambuja, a Escola de Karaté de Azambuja, promoveu esta actividade no âmbito da promoção da prática desportiva na vila de Azambu-

ja.Foi convidada a Directora Técnica da Associação Escolas de Karaté – Portugal, Sensei Paula Matias, tendo partilhado o seu conhecimento com os praticantes presentes.A Escola de Karate de Azambuja convida todos os municipes de Azambuja

a experimentar uma aula de karaté no pavilhão municipal (a partir de outubro) de forma totalmente gratuita, tendo assim a possibilidade de perceber as vantagens do trabalho físico, psicológico e sócio-cultural da prática desta arte marcial.

promoção da cultura e destaca o excelente momento de forma que a “banda” está a atravessar, dando como exemplos as atuações nas corridas de Almeirim e de Azambuja. O presidente da direção que será recandidato em novembro próximo, refere também que ainda assim, a banda não sofreu muito com a pandemia. Valeu, segundo José Braz, os apoios da Câmara,

com os quais a grande maioria das coletividades do concelho de Azambuja, se mantiveram à tona. Há, no entanto, projetos que passarão para o futuro e que são parte fundamental para o crescimento do CCA. Um deles é um conservatório musical em parceria com uma instituição inglesa. Este é um projeto que está em andamento, mas precisa de novas e mais ins-

talações. Para isso já está na Câmara um projeto que contempla a ampliação do atual espaço. O presidente refere igualmente que estará por dias, a assinatura de um protocolo com o agrupamento de escolas para que a “música” volte a ser ministrada nos agrupamentos, uma tarefa importante e que irá fomentar o gosto pela música junto dos alunos mais novos.


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Incêndio na Triaza não provocou danos graves

m resposta ao Valor Local, a CCDR-LVT adianta que o incêndio de julho no aterro da Triaza em Azambuja não afetou estruturalmente a unidade. De acordo com a entidade no decurso da visita técnica em conjunto com

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representantes da APA, IP, nas vertentes da licença ambiental e recursos hídricos (ARHTO), a 12 de agosto, concluiu-se que das “observações retiradas não ocorreram danos nos equipamentos, sistemas de drenagem, e siste-

mas de proteção ambiental do aterro”. Apesar do incêndio ter feito soar todas as campainhas quanto ao funcionamento da estrutura, não foram feitas exigências ou recomendações à empresa dado que

“não se verificaram danos nas estruturas do aterro.” O incêndio que deflagrou no aterro de Azambuja, no dia 13 de julho, que mobilizou 42 homens deixou várias preocupações. Em declarações ao programa Hora

Local da Rádio Valor Local, Rui Berkemeier, especialista em resíduos, da associação Zero- Sistema Terrestre Sustentável, revelou que este tipo de ocorrências podiam ser evitadas se não fossem depositados resíduos orgânicos

nestas unidades. Este foi o primeiro grande incêndio nesta unidade inaugurada em 2017 e que tem congregado todas as atenções devido ao facto de ser foco de problemas ambientais.

À porta das eleições: Triaza apresenta pedido de 12 milhões de euros de indemnização à Câmara de Azambuja À porta das eleições chegou a informação aos vereadores e ao presidente da Câmara de Azambuja que a Triaza, a proprietário do aterro explorado em Azambuja, pede uma indeminização de 12 milhões de euros a ser assumida pela autarquia e pelos próprios autarcas do seu próprio bolso. Em causa o facto de a autarquia não ter votado a favor da

alteração do calendário para a abertura da segunda e terceira células da unidade explorada pela Mota/Engil e Urbaser. A novidade foi dada em primeira mão à Rádio Valor Local pelo vereador da oposição PSD e candidato nestas eleições, Rui Corça, que se mostrou irredutível nesta matéria quanto ao que foi assumido por todos os eleitos, afirmando ainda que não tem

medo da empresa. Silvino Lúcio, também candidato e vereador, afinou pelo mesmo diapasão. O tribunal decidirá quem tem razão nesta já longa contenda. São réus neste processo a Câmara e os eleitos – Luís de Sousa, presidente da Câmara, os vereadores do PS, Sílvia Vítor, António José Matos e Silvino Lúcio. Do lado do PSD – Maria João Canilho e Rui

Corça; e o vereador da CDU, David Mendes. Luís de Sousa vaticina que este processo ainda se vai arrastar durante “muitos anos”, mas que o advogado da Câmara está a tratar do assunto. O Valor Local questionou sobre o valor individual que cada vereador terá de pagar do seu bolso, do total dos 12 milhões de euros, no caso de o tribunal não dar razão à Câmara,

mas Luís de Sousa não soube precisar. No caso de existir uma indemnização e se for aquela verba a pagar, não será algo fácil de fazer face dado que o orçamento anual do município ronda os 25 milhões de euros em média. Por outro lado, não é conhecida fortuna pessoal a nenhum dos eleitos que permita estarem sossegados quanto ao fu-

turo, isto se não for dada razão à Câmara. Recorde-se que o município escuda-se na afirmação de que a empresa deixou ultrapassar prazos para submeter ao município o processo de autorização para movimentação de terras com vista à abertura da segunda célula, pelo que não terá argumentos para que a sua contenda chegue a bom porto. PUB

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Mário Frota, a voz do Direito do Consumidor está na Rádio Valor Local Sílvia Carvalho d’Almeida ário Frota, tem 80 anos, e é a voz do programa “Direto ao Consumo, Informar para não Remediar”, na Rádio Valor Local, todas as terças-feiras às 9h00, com repetições durante a semana e ao fim de semana. Este é segundo nos conta, “um espaço para a cidadania”, sentindo-se entusiasmado com este desafio lançado pela nossa equipa. Educar os cidadãos para os seus direitos enquanto consumidores é o objetivo, já que, nas suas palavras, “não somos um povo informado” suficientemente sobre estes assuntos. O objetivo principal do programa é dar informação adequada ao dia-a-dia das pessoas, para que possam usar estes conhecimentos, por exemplo, legais, de forma prática e fácil. Citando um filósofo francês, Mário Frota diz que: “O direito do consumo, das relações de consumo, o que abrange uma parte significativa das atividades do dia, é o direito do quotidiano.” Explica que todos os dias nos nossos usos quotidianos aplicamos uma série de regras de Direi-

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to, “desde o acender da luz, ao fazer as rotinas matinais, como lavar os dentes, em que estamos a iniciar um ato de consumo que tem implicações jurídicas, desde o produtor, ao distribuidor e ao consumidor final”. O que acontece é que “nem sempre sabemos como nos orientar no meio deste conjunto de regras”. No programa descodificam-se as leis, para que as pessoas percebam os seus direitos, e para isso responde-se também a perguntas dos cidadãos. Estes conhecimentos que transmite, resultam de “anos de estudo e reflexão”. Mário Frota veio de África após o 25 de Abril de 74, sendo que até essa altura não pôde frequentar a universidade. Constituiu a sua família, e permaneceu em Angola porque não teve a “oportunidade de vir estudar para a metrópole, à semelhança de outros.” Foi professor de Educação Física do ensino secundário, até que foi para Coimbra estudar Direito. Fez a licenciatura e mestrado, e seguiu para Lausanne e Montpellier para o doutoramento. Foi docente das faculdades de Direito das univer-

Mário Frota juntou-se à nossa equipa nete verão onde responde às dúvidas dos consumidores sidades de Lisboa e de Coimbra, lecionando cadeiras no Direito Civil e Processual Civil, sempre demonstrando um interesse “enorme” sobre contratos e nomeadamente contratos de adesão. Conta-nos que começou “tarde”, no entanto, tem uma carreira invejável, que não tem fim à vista, pelo menos por sua vontade. Lamenta que não haja na televisão e na rádio públicas “um espaço com este sentido e alcance” como é o caso da Rádio Valor Local, pioneira neste âmbito. Mário Frota já recebeu pedidos de esclarecimento de ouvintes na região, no país e no estrangeiro no

seu espaço na nossa rádio. Conta-nos que “25 anos depois de a lei ter entrado em vigor, não há um espaço de informação ao consumidor nos canais do Estado”. Mário Frota também lamenta que esta temática não seja abordada nas escolas, já que seria de grande utilidade na formação dos futuros cidadãos. Conta-nos que antes da Revolução, a ideia de que se podia reclamar dos serviços não existia, até porque se pensava que estes eram uma benesse pública, quando de facto, as pessoas pagavam por eles. Recorda-se que “quando o salário mínimo era de 30 contos, a EDP

apresentava contas de luz na ordem dos 90 contos, por estimativa”. Para si, não há mercado sem consumidores “combativos” sendo que o “consumidor é rei” quando sabe fazer valer-se dos seus direitos. Lembra-se que quando as empresas passaram do Estado para os privados, deu-se também uma revolução, e as relações de consumo passaram a mudar. Mas Mário Frota não é um apologista do consumo pois acredita que “é possível viver com menos”, mesmo nos tempos atuais, e em breve isso será mesmo “necessário”, “pois estamos a consu-

mir mais recursos do planeta do que aqueles que este consegue prover”. Podemos “viver uma vida mais autêntica”, renunciar ao consumo excessivo, e “podemos ser felizes assim”. Argumenta que hoje em dia as pessoas estão sobreendividadas, porque que se permitiu que isto acontecesse e que nos seus tempos de jovem se vivia com o que se tinha. Ainda relativamente às alterações climáticas, à obsolescência programada (decisão do produtor de propositadamente desenvolver, fabricar, distribuir e vender um produto para consumo de forma que se torne obsoleto ou não funcional especificamente para forçar o consumidor a comprar a nova geração do produto), e ao consumo intensivo de plástico, sugere que os clientes das empresas reclamem, pois tudo isso está previsto na lei. É por vocação e convicção que abraçou esta carreira, dando palestras e conferências a nível mundial sobre este tema, especialmente em Portugal e no Brasil, e dirigindo a associação que ajudou a fundar, a Associação Portuguesa de Direito do Consumo.

Rádio Valor Local líder nas Autárquicas

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nossa rádio levou a cabo no espaço de três meses 21 entrevistas autárquicas nos concelhos de Arruda dos Vinhos, ainda em junho/julho, depois em agosto arrancámos com as entrevistas aos candidatos à Câmara de Vila Franca de Xira, finalizando em setembro com as entrevistas aos candidatos às Câmaras de Alenquer e Azambuja, a que se juntaram mais algumas entrevistas às juntas de freguesia de Azambuja e Alverca/Sobralinho (no caso do jornal) num trabalho sem precedentes e de verdadeiro serviço público reconhecido por muitos. No dia 18 de setembro realizámos no Cinema Atrium no Centro Comercial Atrium em Azambuja o debate com todos os candidatos a esta Câmara Municipal numa emissão histórica que contou com o envolvimento dos vários profissionais ligados a este projeto: Miguel Rodrigues, Sílvia Agostinho, Nuno Barrocas, Nuno Vicente, e Nuno Miguel Barata. O grande desafio é agora a noite eleitoral onde vamos estar presentes nos 7 concelhos da nossa área de influência. Um obrigado a todos os nossos leitores e ouvintes pelo imenso feed-back que temos recebido por estes dias.


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Coligação Sempre ao Seu Lado

Rui Corça promete luta dura aos painéis solares e ao aterro Entrevistas Sílvia Agostinho Textos Sílvia C. d'Almeida ui Corça, de 54 anos, é o candidato pela Coligação Sempre ao Seu Lado, à Câmara Municipal da Azambuja, que agrega os partidos PSD, CDSPP, PPM e MPT. O candidato é gestor de empresas de profissão, e filiado no PSD. Recordese que o PSD foi, nas últimas eleições autárquicas, o segundo partido mais votado, sendo que Rui Corça, candidato também na altura, ficou a cerca de 2000 votos do PS. Acerca disto, tem a dizer que o resultado de há quatro anos “é uma foto do que ficou para trás”, e que acredita que terá “o número de votos suficiente para ultrapassar essa diferença”. Explica que capitalizar o descontentamento com o que o PS fez no seu último mandato “não é uma coisa que se faz em 15 dias”, mas que tentou fazê-lo durante este tempo, nos órgãos competentes para que foi eleito. Afirma que mostrou “às populações que merecem ser governadas por gente capaz”, e que “há uma maneira diferente de estar

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na política” o que não tem acontecido nos últimos 35 anos. Reconhece que tem a ambição de ganhar e diz que “lhe falta um danoninho”. Reclama que há várias sondagens que lhe dão empate técnico. Espera que os munícipes da Azambuja reconheçam o falhanço da governação socialista e sobretudo, a diferença que a sua candidatura representa para o concelho. Esclarece, que quando o acusam de “politiquice”, isso é falso, pois mais do que simplesmente “dizer mal”, as suas intervenções são “sustentadas”. Sobre o problema da falta de médicos sustenta que sendo nacional e que não se avizinha uma solução para esta questão por parte do Governo. No seu programa eleitoral está inscrita a contratação de médicos. O facto de não existirem clínicos no concelho “é um problema nosso”. Não quer por isso esperar por uma resposta do Governo. A sua solução passa por “contratar serviços” diretamente, nem que tenha que cortar despesa para suportar estes custos noutras áreas, já que esta é “uma prioridade” sua

Rui Corça promete assessoria qualificada no Hubs Lisbon

para o concelho. “É essencial transformar todos os centros de saúde em unidades de saúde familiar, pois isso garantirá que

todos os utentes têm médico de família.”, adianta. Na questão dos painéis solares, mesmo que o Estado invoque

interesse nacional para a sua implementação, será contra. Não acredita, no entanto, que isso aconteça pois “isso seria abrir um precedente” que teria consequências. Não é “contra a produção de energias renováveis, mas sim contra estes projetos em concreto”. Relembra que aprovou outras centrais de pequenas dimensões, mas que não concorda com estas, por razões de três ordens: ambientais, pois não acredita que os níveis de emissão de CO2 sejam superiores à sua captura com as florestas e agricultura que existe nestes locais; de desenvolvimento, pois “como é que podemos desenvolver o concelho industrialmente se o território está ocupado?”; e ainda de valor, sendo que estes projetos, no seu entender, “não trazem esse valor ao concelho”. Quanto ao aterro, afirma que o vai encerrar, ainda que esta decisão não seja uma competência do presidente da Câmara, mas das autoridades nacionais para o efeito. Depois diz que “responsabilizará” os culpados pela situação atual de danos ambientais. Quanto ao processo

em tribunal com a novidade recente em que a Triaza pede uma indemnização de 12 milhões de euros a repartir entre a Câmara e os vereadores, diz que não tem “medo” e que seguirá com a sua posição até “às últimas consequências.” Neste caso, o que quer é responsabilizar quem viabilizou o contrato, quem não fiscalizou o aterro, e a própria empresa, que segundo diz, “cometeu ilegalidades” e “não cumpriu com o que se comprometeu com a Câmara, pelo que recusa a ideia de que esta deverá pagar uma indemnização, enfatizando que é precisamente o contrário: a Triaza é que deve ser responsabilizada pelo “mal que fez ao povo de Azambuja”. Na questão do Hubs Lisbon, a incubadora de empresas arrasa a forma como o projeto tem sido colocado em prática, e no caso de ser eleito promete uma assessoria qualificada aos negócios que ali estão instalados, o que no seu entender não tem sido o caso com quem está, neste momento, à frente da mesma, nomeadamente, o gestor da inovação Rui Pinto.

BE

António Pito defende fim das portagens entre o Carregado e Aveiras de Cima ntónio Pito, tem 59 anos, é funcionário da Assembleia da República, e vive em Vila Nova da Rainha. Candidata-se à Câmara Municipal da Azambuja pelo BE. Já foi candidato pelo PS à freguesia do Beato, em Lisboa. O BE teve nas últimas eleições cerca de 7,3% dos votos, o equivalente a cerca de 600 votantes. O candidato vai agora tentar reverter esta situação, uma vez que na altura não foi possível eleger nenhum representante no órgão executivo. O convite surgiu naturalmente pois sendo morador no concelho, há cerca de 7 anos, está familiarizado com os seus problemas. Começando por um dos temas mais quentes do momento, a implantação de painéis solares no concelho, tem a dizer que se for eleito, será contra as centrais fotovoltaicas “desta dimensão” embora seja a favor das energias renováveis. Refere que os contratos feitos com as entidades são omissos em algumas questões determinantes, nomeadamente, o lixo tecnológico relacionado com o fim de vida dos painéis após os 25 a 30 anos de cada projeto, e se será a Câmara

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António Pito defende que o Hubs Lisbon seja uma plataforma para empresas do concelho e não o contrário

ou as empresas a fazer essa reciclagem. Por outro lado, diz ainda: “Se o concelho da Azambuja quer atrair pessoas, já que perdeu habitantes, não é com enormes espelhos à porta que o vai conseguir”. Afirma que estas centrais devem

existir um pouco por todo o país, mas que as de Azambuja têm dimensões desproporcionais. Não acredita, contudo, que o Conselho de Ministros declare interesse público para a sua construção, mesmo contra o parecer da Câmara e

da Assembleia Municipal. Conclui argumentando que “os benefícios para o concelho serão muito poucos” pois os empregos que gerarão são residuais. Em termos do imposto da derrama, não sabe ainda se pagarão, e quanto a doações para IPSS, exclama que “são trocos”. Não há, portanto, uma razão que justifique estas mega centrais em Azambuja no seu entender. Em matéria de acessibilidades, o candidato defende ainda o fim das portagens entre o Carregado e Aveiras de Cima de forma a libertar a Nacional 3 do intenso tráfego de camiões, foco de acidentes e de vários perigos, com fluxos infernais a determinadas horas do dia. No que diz respeito ao aterro, explica que não se pode admitir a quase “triplicação do espaço”. “Aquela população que está encostada ao aterro sofre diariamente.” Esclarece que até as leis que saem da Assembleia da República podem ser contestadas, com argumentação eficaz. Depois, é a favor de mais fiscalização. Se a empresa continuar a não a permitir, deve “avançar-se para um braço de fer-

ro”. Para António Pito, o aterro é mesmo “para selar”. Lamenta que os partidos andem de modo geral “desligados” das pessoas que se manifestam contra o depósito de lixo a céu aberto”. Relativamente às touradas, não tem uma posição favorável. No entanto, não pensa proibir a Feira de Maio nem as largadas. No que é realmente contra é ao apoio de fundos públicos que subsidiem as touradas, pelo que não as vai subsidiar com verbas camarárias, não deixando de evidenciar que o repugna o sofrimento animal. Compreende que nesta região haja “muita afición, e muita tradição”, mas é da opinião de que “as tradições têm que evoluir”. Não se considera, no entanto, fundamentalista e diz que nunca o verão “numa manifestação contra as touradas”, mas que o sofrimento dos animais é de evitar. Ao nível económico, o concelho está “muito pobre”. Defende uma aposta no turismo, com a instalação de uma área de serviço de caravanas, tendo em conta o aumento do número de entusiastas deste modo de fazer férias, e isto poderia

trazer mais pessoas para Azambuja no seu entender. Defendo ainda a criação de “uma Rota do Alto do Concelho”. Quanto à captação de empresas para o Hubs Lisbon, deve haver “uma preocupação de beneficiar pessoas do concelho, e não trazer pessoas de Lisboa, que vêm para Azambuja porque têm melhores condições no nosso concelho” Deve dar-se preferência a azambujenses, e também haver mais incentivos da Câmara à instalação de empresas. A autarquia deve unir-se a associações empresariais e Juntas de Freguesia de forma a criar condições mais favoráveis para os empresários do concelho. O Hubs Lisbon “deve prestar contas aos cidadãos acerca do que anda a ser feito”, e não deve servir apenas para que “algumas empresas que lá estão tenham uma caixa de correio” sendo que neste caso deverão ser “convidadas a sair”. O apoio deve ser dado de forma mais expressiva a jovens e a empresas na área do turismo, já que “a navegabilidade do Tejo e a Vala Real poderão ter um potencial muito grande” nesta área.


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PS

Silvino Lúcio diz estar recuperado na saúde e pronto para mais um desafio autárquico ilvino Lúcio, tem 62 anos, e é empresário. Está há 32 anos na vida política azambujense e é o candidato do PS nestas eleições autárquicas que elegerão o futuro presidente da Câmara. Sob acusações de que está agarrado ao poder, nega, e diz que está há tanto tempo nos cargos porque o povo o elegeu. O que o move é “fazer mais e melhor pela população” e aproveitar a experiência que teve nos cargos anteriores, e o exemplo de outros, como Luís de Sousa, Joaquim Ramos, Carlos Alberto ou João Benavente. Reconhece que nem tudo correu bem no mandato atual, em que esteve como vicepresidente da autarquia, mas “houve coisas que correram bem também”. Sobre o período recente em que esteve doente, infetado com Covid-19 e depois com um episódio de cancro, diz que a sua saúde está estabilizada, e que tem condições para assumir a responsabilidade deste mandato, e levá-lo até ao fim, no caso de o PS ganhar novamente a confiança da população. “Acredito em Deus, sou crente, e ele ajudou-me”. Apesar disto, teve também uma depressão grave que o levou ao hospital para se “tratar”. Mas considera que ao dia

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de hoje “tem condições plenas” para continuar. Quanto à polémica das centrais fotovoltaicas, explica que a principal motivação é pensar “no que deixaremos para o amanhã, para as gerações vindouras”. Refere que nenhuma força política é contra as energias renováveis, mas sim contra a “passagem dos cabos de alta tensão”. Em geral, segundo nos garante, “ninguém é contra as fotovoltaicas”, embora possam ter preocupações quanto ao impacte paisagístico. Adianta que os projetos que virão para o concelho serão os da Quinta da Cerca e da Torre Bela “e chega!”. Segundo o candidato, o secretário de Estado da Energia, e também socialista, João Galamba, ter-lhe-á dito que os projetos “foram a leilão” e que estas duas centrais serão mesmo para avançar, sendo que havia a perspetiva de uma terceira, mas que, entretanto, foi “abandonada”. Adianta ainda que o Governo não ameaçou a autarquia de que se não declarasse interesse público para estes projetos, que a administração central sobrepor-se-ia, mas que alertou para essa possibilidade acontecer, intervindo assim na questão.

Sobre o impacto dos painéis solares a longo prazo, tentou “inteirarse dos prós e contras, do que pode trazer de negativo para o ambiente, e nada opõe”, no seu entender, a que se instalem estas estruturas no concelho, aproveitando a “exposição solar do nosso país, o que não se encontra noutros locais”. Quanto ao impacto visual, mais uma vez, diz que este será o maior contra, mas que relativamente às árvores sacrificadas, foram na sua maioria eucaliptos que foram abatidos, sendo que secam os terrenos e, portanto, a nível ambiental esta foi uma boa solução no seu ponto de vista. Refere, ainda, que no âmbito do Plano Recuperação e Resiliência, está a planear fazer plantação de árvores autóctones, uma forma de compensar, ainda assim, o abate de árvores, que captam CO2 da atmosfera, “na ordem das 50 000”. “Os empregos são poucos, cerca de 10 na Torre Bela e quatro ou cinco na Cerca”, na fase de construção, anuindo que neste ponto não é valorizável a vinda destes projetos. As contrapartidas oferecidas pelas respetivas empresas parecem ser suficientes para Silvino Lúcio, com a oferta de uma verba

Silvino Lúcio desvaloriza as críticas de que está há mais de 30 anos na política

a 30 anos para algumas IPSS, e a instalação de painéis solares em edifícios públicos. Relativamente à Nacional 3 e ao facto de o Governo do seu partido estar a falhar com a Câmara, refe-

re que vai “fazer o trabalho de casa” e falar com o ministro Pedro Nuno Santos, porque há alternativas, ideias e projetos mas que “têm que ter o aval do ministério”. Reconhece os muitos atrasos,

mas que esta obra é essencial pois passam nesta estrada nacional “cerca de 10000 camiões por dia”. Não é da opinião de que mesmo sendo do Partido Socialista, este concelho é um enteado de António Costa, mas que o foi na altura de José Sócrates, pois a construção do aeroporto da Ota condicionou o desenvolvimento de Azambuja, nomeadamente nas freguesias de Alcoentre e Aveiras, e as contrapartidas que estavam previstas até hoje não chegaram a acontecer. “O António Costa olha para o concelho da Azambuja tal como olha para todos os outros, e há obras que são mais fáceis de fazer do que outras, mais ou menos exequíveis”. Assume que, quanto ao aterro, não tomaram as melhores decisões, mas que não foi permitida a abertura de mais duas células, e que o aterro “é para fechar”, embora esta decisão não lhe caiba a si, se for eleito, mas ao Governo. Considera que o pedido de indemnização por parte da Triaza é uma “forma de amedrontar” a autarquia, mas que vai “até ao fim” para impedir que se tenha que pagar a quantia exigida de 12 milhões de euros.

CDU

Mara Oliveira afirma-se discreta mas com energia para mudar o concelho ara Oliveira é a candidata da CDU à Câmara Municipal de Azambuja. Tem 39 anos, e é técnica de recursos humanos no ACES do Estuário do Tejo. O desafio de concorrer a presidente da autarquia não a assusta, no entanto teve alguma relutância em aceitar o convite por parte da CDU, pois “é uma pessoa discreta” e este cargo implica uma maior exposição. Falou com os seus familiares antes de aceitar, ponderou os prós e contras, mas foi, segundo nos diz, a “equipa fantástica” que tem e o “querer fazer mais pelo concelho que a levou a tomar a decisão final”. Conta-nos que “calhou” ser a escolhida, mas que o seu passado político pode ter contado para isso. Recorde-se que a candidata já concorreu a presidente da Junta de Freguesia de Alcoentre, há cerca de 16 anos, e desde aí tem sido presença assídua nas eleições no concelho de Azambuja. Se for eleita, quer contribuir para a resolução de vários problemas, entre os quais, os relacionados com a saúde no concelho, pelo que diz que se deve “continuar a pressionar o governo central, por-

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Mara Oliveira diz querer analisar melhor os benefícios das centrais solares.

que não há um número suficiente de médicos de família, e quantas mais vagas existem menos os médicos querem vir para cá”, lamenta. Quanto a algumas altercações

com o vereador e também candidato nestas autárquicas, Rui Corça, por parte do seu colega e ainda vereador David Mendes, que acaba muitas vezes por se posicionar do lado do PS, desvaloriza até por-

que no seu entender o adversário da Coligação Sempre ao Seu Lado tem uma postura que também leva a isso. “Independentemente de estarmos na oposição, temos que ver as coisas como elas são e o PS deve ter feito coisas menos boas, mas também fez coisas bem”, referindo-se à quase defesa da honra de Luís de Sousa, pela CDU nas reuniões de Câmara, em oposição ao candidato do PSD: “Não nos revemos na forma de falar dele, e penso que por vezes devemos ser mais curtos e diretos, não devemos fazer parte do problema”. Se ganhar as eleições, uma das suas prioridades será uma nova piscina no alto concelho. “Os meninos de Alcoentre perdem uma manhã para frequentar a piscina atual na sede de concelho. Manique do Intendente é também uma freguesia grande com muita gente, que poderia beneficiar deste novo equipamento”. Contudo, este não é um plano a quatro anos, já que “estamos a trabalhar em continuidade, e há coisas que não se conseguem fazer nesse período de tempo”. Na sua opinião, as pes-

soas do alto concelho preferem uma piscina à construção de um pavilhão, em Alcoentre, como propôs outra força política, já que muitas coletividades têm atividades e este não é indispensável. “Talvez seja mais vantajoso ajudar a recuperar campos de futebol degradados”. Quanto às centrais solares, está “atenta” e refere que “a CDU não é contra as energias renováveis”. Mas “enquanto não estiver bem definido o impacte com o que acontecerá passados os 30 anos de permanência” e o que vai ser feito do lixo tecnológico relacionado com os painéis, atualmente difíceis de reciclar, não consegue ter um parecer favorável. Acerca do facto de o PSD ter feito desta questão uma bandeira, e de ter cavalgado esta matéria nos media, acrescenta que “por não darmos tanto nas vistas não significa que não estejamos a fazer o nosso trabalho de outra forma”. Afirma que “o PSD é contra mas não apresenta soluções, que é a favor do ‘não no meu quintal’ mas não passa daí”. Se for presidente de Câmara, tentará “perceber o que é o que o

concelho vai ganhar”, já que em termos de postos de trabalho e benefícios para instituições as vantagens são quase nulas. Relativamente ao aterro, “o PS fez asneira e a CDU vai tentar resolver esta situação”. Fará de tudo para continuar ao lado da população, contra um alargamento desta estrutura. A sua estratégia será fazer pressão ao nível dos meios de comunicação “para que as coisas mudem”. A fiscalização é difícil porque o Governo tem dado o aval à atividade do aterro, o que a candidata estranha, “com tudo o que se passa, e como é que continuam a permitir a abertura de mais células?” A CDU é contra as concessões privadas, por questões ideológicas, e nomeadamente no contrato com a Águas da Azambuja não é exceção. Concorda que a “água está muito cara” e recorda que também nesta matéria a CDU deu parecer negativo, sendo que “mais uma vez as populações nos dão razão”. Contudo, “há um contrato que é difícil de rescindir”. A sua solução é o diálogo com a empresa, e tentar baixar as tarifas.


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Chega

Inês Louro acusa PS de compadrios no aterro, e promete mais fiscalização nês Louro, candidata independente pelo Chega, tem 47 anos e é advogada de profissão. Saiu do PS no início do ano e foi para o Chega. Diz que “o que aconteceu internamente no PS devia ficar no partido”, mas face a um sem número de declarações dos seus antigos camaradas sobre a sua saída, decidiu abrir o livro nesta entrevista. Sobre o facto de vozes do seu anterior partido proclamarem que queria ter mais protagonismo nos órgãos municipais desmente, mas confirma que é “ambiciosa”, no sentido de “querer fazer sempre mais”, e não só na política, mas também na advocacia e como mulher de negócios. Adianta que saiu porque não se revia nas políticas locais nem nacionais do partido, e não se sente deslocada pela ascensão em muito pouco tempo de outras mulheres na estrutura local do PS como Vera Braz, deputada na Assembleia da República e cabeça de lista para a Assembleia Municipal, e Cristina Sousa, que vai nas listas, em lugar elegível, para a Câmara e é filha do atual presidente. Acusa, no entanto, o PS “de se ter desvirtuado do propósito do que é fazer política, e servir as pes-

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Inês Louro está disposta a ir até às últimas consequências no dossier da Nacional 3 soas”, e revela que recebeu outras propostas para encabeçar listas para estas eleições antes de integrar o Chega, mas sem revelar quais. O principal motivo da sua saída foi o “mal estar” que

sentia, uma vez que nunca foi uma figura consensual, e “alguma vergonha alheia” por atitudes de antigos camaradas, bem como a conjuntura das centrais solares previstas para o concelho. PUB

Relativamente a um dos temas mais polémicos, o aterro da Triaza, diz “que não teve intervenção política” na instalação desta estrutura. Refere que o seu papel foi apenas de atuar quando este começou a “dar problemas”, e que integrou diversas vistorias. Nega ter tido uma posição pouco proativa relativamente a esta questão. O que acontece, na sua opinião, é que sente que há pouca vontade política de o encerrar, e que, no entanto, “há provas” de que lá “são cometidas ilegalidades”. No seu entender, deveriam ser feitas fiscalizações efetivas, e combaterse o compadrio existente, de que foram exemplo, no início da laboração da empresa, alguns empregos arranjados para pessoas da família de elementos do PS. Contudo recusou-se a dar nomes. Quanto às centrais fotovoltaicas, se for presidente da Câmara, por sua vontade, estes projetos não irão para a frente. Considera “uma ninharia” as contrapartidas propostas pela Câmara caso as centrais se tornem uma realidade no concelho, já que serão cerca de 100 mil euros distribuídos pelas 9 IPSS do concelho no prazo de 30 anos. Por outro lado, a instalação

de painéis em IPSS e edifícios municipais, está “sujeita a condições técnicas favoráveis”, sendo que na sua perspetiva tal não passa de “uma promessa” que dificilmente se cumprirá na sua plenitude. A incubadora de empresas Hubs Lisbon merece também críticas, porque as que lá estão incubadas “deveriam estar localizadas em diferentes espaços do concelho” dinamizando assim o comércio local, sendo que ainda não vislumbrou que retorno essas empresas estão a dar ao concelho de Azambuja, especialmente económico, e na freguesia que ainda preside. Quanto à concessão das águas explica que tudo o que está contratualizado ainda não está cumprido, e que não há uma fiscalização efetiva também nesta questão. “O facto de o saneamento básico não ter chegado a todo o concelho é vergonhoso”. Refere que questionou a autarquia sobre este assunto, e que a resposta que obteve foi que a empresa não

considera este investimento rentável. No que diz respeito, às rendas em atraso no bairro social da Quinta da Mina, no valor de 408 mil euros, adianta que haverá ações de despejo para quem não cumpre, bem como aditamentos aos contratos prevendo fiscalizações, de modo que se assegure que o património público é preservado. Os apoios camarários dados aos cidadãos com menos rendimentos, serão também revistos, de forma a que se possa “efetivamente dar a quem precisa” e “não desperdiçar com quem usufrui deles indevidamente”. A Estrada Nacional 3 é também uma preocupação sua, bem como as obras prometidas e que ainda não saíram do papel. Se a Infraestruturas de Portugal e o estado não resolverem esta questão as suas mãos estarão também “sujas de sangue” pelo que esta é uma prioridade sua, nem que tenha de “fazer uma vigília à porta daquelas entidades”.

Este trabalho é apenas uma pequena resenha das nossas entrevistas. Ouça em www.radiovalorlocal.com os nossos podcasts e com mais detalhe todos os assuntos que interessam a Azambuja nas cinco entrevistas levadas a cabo pela nossa equipa. PUB

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(Info)Inclusão coletiva “Sociedade Digital” veio alterar substancialmente o acesso ao conhecimento e a forma como mesmo é produzido. A sociedade é cada vez mais multissetorial e especializada, constituindo um “ambiente” em que as áreas do conhecimento, tradicionalmente consideradas, se vão descaracterizando cada vez mais e as atividades e a aprendizagem dependem cada vez mais do Indivíduo e da sua proatividade. Neste contexto, é indiscutível que as inovações na Sociedade Digital estão diretamente relacionadas com a transformação tecnológica que tem causado alterações substantivas em praticamente todas as atividades. Nestas inovações, é possível destacar as chamadas “APP” (aplicativos informáticos) que permitem cada vez mais conectividade e interatividade. Em função deste novo paradigma, as pessoas necessitam de competências que lhes permitam viver e trabalhar numa sociedade sem fronteiras. Só com esta aquisição de competências é possível contrariar as possibilidades, reais, da fragmentação social excessiva, da segregação e da penalização cognitiva para as franjas infoexcluídas da sociedade. É fundamental dotar as pessoas de competências que lhes permitam ser muito mais autónomas no

Opinião

não diferencia os utilizadores. Há um processo em curso, mas ainda muito longe deste quadro. Por isso, um cidadão: que não consiga, de forma racional, aceder à imensa informação disponível na atualidade; que não consiga extrair valor do colossal volume de dados à disposição: que não consiga processar a tecnologia existente; e que não consiga compreender a intensa e ininterrupta transformação digital da realidade do século XXI, é um cidadão (info)”excluído”. Este é um problema sério, numa realidade em que a noção de tempo se altera sistematicamente, em que tudo se transforma rapidamente e em que tudo se reinventa, literalmente, a cada momento. As metodologias tradicionais, que nos acompanham há

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João Santos

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processo de aprendizagem, que deverá ser cada vez mais de “aprendizagem autorregulada”. Como as inovações na Sociedade Digital contribuem para mundo em transição incessante e ininterrupta, as habilidades e competências não podem ser estáticas. O surgimento desta nova dimensão intelectual-digital pode afetar negativamente os seres humanos menos preparados e até contribuir para a exclusão social dos mesmos. Se um indivíduo não tiver a capacidade de compreender a tecnologia e a forma como a informação é produzida e circula no presente, isolar-se-á gradualmente de uma realidade que considera complexa e muito intrincada. Na verdade, a realidade tecnológica da atualidade ainda

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séculos, estão a cada vez mais desvanecidas, em detrimento de outras ajustadas à contemporaneidade tecnológica dos tempos. Estas novas metodologias assentam em alguns denominadores em comum: partilha; abertura; e intermediação digital à escala global. Por isso, o atual paradigma exige que o indivíduo e a sociedade sejam reeducados a cada momento. Para atingir esse objetivo, a inovação digital deve assumir

uma cada vez maior preponderância, proporcionando ferramentas que facilitem a (info)inclusão coletiva. Para acompanhar esta necessidade, a sociedade em geral e os contextos profissionais em particular devem considerar, a cada momento, a melhor estratégia para incoorporar eficazmente a intensa transformação digital e incentivar a inclusão de todas as pessoas no processo. Devido ao âmbito transversal da transformação digital, que abrange praticamente todos os domínios de atividade de uma sociedade (saúde, educação, transporte, gestão, cultura, comunicação, infraestruturas variadas, entre outros), é importante que esta se desenvolva com a garantia de que está bem ajustada à pluralidade das capacidades dos cidadãos que compõem a sociedade. Por isso, as empresas e as entidades dos Estados não podem deixar de adequar as suas formas de atuação e de considerar nesse processo o bem-estar dos

utilizadores-consumidores. Desde que devidamente “calibrada”, a sociedade, cada vez mais digital, constituirá, sem dúvida, um ativo que garante a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. A este nível, a inovação digital, conceptualmente considerada, tem um papel importante a desempenhar, desde que coletivamente inclusiva. Para esta realidade ser possível, as soluções tecnológicas devem considerar a diversidade funcional, económica e social da população. E se assim for, a transformação digital constitui, inclusivamente, uma oportunidade ímpar para conceber uma sociedade mais (info)inclusiva, igualitária e capaz de proporcionar consumo e riqueza sem excluir pessoas.

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Propriedade: Metáforas e Parábolas Lda – Comunicação Social e Publicidade • Gestão da empresa com 100 por cento de capital: Sílvia Alexandra Nunes Agostinho • NIPC 514 207 426 Sede, Sede do Editor, Redação e Administração: Rua Engenheiro Moniz da Maia, Centro Comercial Atrium , nº 68 Loja 17 2050-356 Azambuja Telefones: 263 048 895 • 263 106 981 • 96 197 13 23 • 93 561 23 38 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 2273A • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 2273 A • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23 • Sílvia Agostinho • CP 6524 A • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 • Sílvia Carvalho d’Almeida • TPE-360 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente • Nuno Barrocas • multimédia@valorlocal.pt Colunistas: João Santos • Mário Frota • António Jorge Lopes • Rui Alves Veloso Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Cartoons: Adão Conde Departamento comercial: Rui Ramos • comercial@valorlocal.pt Serviços Administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontrase disponível na página da internet www.valorlocal.pt

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PSD

Nuno Henriques anuncia cartão municipal de reembolso para minimizar a fatura da água Entrevistas Sílvia Agostinho Textos Sílvia C. d'Almeida uno Henriques, candidato pelo PSD à Câmara Municipal de Alenquer, é professor, assessor e consultor, e filiado no PSD. Não é natural nem reside no concelho, mas para si isso não representa qualquer problema. Indicou por isso, durante a entrevista, vários nomes da política nacional que se candidataram e foram autarcas em várias câmaras às quais não tinham ligações. Retrata ainda o atual presidente da Câmara como um “professor do ensino médio” que não tinha nenhuma experiência política quando se candidatou e que o resultado “é o que se vê”. Privilegia assim por isso a sua experiência política e realça que é filiado desde os 16 anos. Explica que o PSD não se candidata a todas as freguesias do concelho, porque escolheu apoiar algumas listas de candidatos independentes. Alerta que existe “um problema de interesses instalados no concelho” e se for presidente da Câmara, ou eleito vereador na oposição, promete que ficará os quatro anos no cargo, o que acontecerá também se estiver na opo-

N

Nuno Henriques compromete-se a honrar o mandato que lhe for atribuído pelos eleitores

sição. Acusa, no entanto, o seu adversário do PS de estar apenas à espera de ir para outro lugar. Afirma ainda que sempre que faz oposição ao atual executivo, as situações resolvem-se “como por

milagre”. Compromete-se ainda a “trabalhar com todos os presidentes de junta de Freguesia” independentemente da sua força política. Relativamente às questões do

concelho, e falando do assunto da “Águas de Alenquer”, diz que o “PSD é um partido democrático e que não tem um comité central a dar as ideias.” É, ao contrário, “um partido grande onde cabem as ideias de um grande número de pessoas”. Respondendo que esta é uma “questão jurídica”, adianta que vai ser criado um cartão municipal que poderá ser usado para descontos no concelho, um reembolso de despesas, no qual a conta da água poderá estar incluída, numa espécie de solução transitória até se resolver o problema em si. Adianta que “as pessoas querem qualidade de vida e serem felizes”. Pedirá ainda um estudo para que saiba se o contrato poderá ser renegociado. Critica o estudo pedido pela Câmara, que no seu entender não é conclusivo. Uma das questões que também está a preocupar as pessoas são as centrais solares que irão para o concelho. Nuno Henriques explica que apenas conhece “o que veio a público” e que é importante ter uma “preocupação ecológica e ambiental”, mas que “não se pode ser fundamentalista”. Afirma, contudo, que honrará os compromissos assumidos pela Câmara Mu-

nicipal. Quanto à questão da Passinha, diz que o executivo foi naive, e que com dolo ou não, se deixou enganar. O responsável pela situação, é no seu entender, o PS que governa há mais de 40 anos a Câmara, sendo que o que pede aos cidadãos são “apenas quatro anos” para depois o julgarem. Diz que “a culpa não pode morrer solteira” e que quando se fala que não se pode proibir a circulação dos camiões da Santos e Vale no período noturno porque os supermercados são abastecidos durante este período, “isso deveria ter sido acautelado anteriormente”. A sua solução passa por esta proibição e por se criar um parque industrial, com recurso a fundos comunitários, que possa alojar mais empresas, já que trazer mais gente para o concelho é uma ambição sua, sejam eles estrangeiros ou não. Explica que para este efeito, se reduzirá gastos desnecessários, como por exemplo “em rotundas”. Critica, contudo, o governo por lançar concursos de acesso a fundos comunitários com data limite até 30 de setembro, sendo que as eleições são a dia 26. Defende uma zona balnear junto

ao Tejo no Carregado, tal como a que existe em Castanheira de Pêra. Realça que temos no país “os melhores engenheiros do mundo”, que tornarão esta obra possível, isto tendo em conta que o candidato foi arrasado nas redes sociais por propor uma obra destas quando as condições do local não o permitem. O “banho lúdico”, como o apelida, terá fins terapêuticos, e vista para o Tejo. Outros projetos passam por um centro de saúde na Carnota, com valências de fisioterapia, nutrição e de saúde oral, por exemplo. Também na freguesia de Ribafria e Pereiro de Palhacana poderá ser criada uma quinta pedagógica com um mini zoo, embora não tenha adiantado valores para estes desígnios entre outros que a sua candidatura pondera efetuar nas várias freguesias se ganhar as eleições. Diz ainda que arranjar as ruas, colocar sinalética e outras ações camarárias básicas são ações que não deveriam constar nos programas porque isso é o que toda a gente já espera do executivo. Há no seu entender, que dar o passo seguinte, pois quem não o faz é porque ainda está “no passado”.

CDU

Ernesto Ferreira acusa Câmara de esconder dossiers e quer tirar maioria absoluta ao PS rnesto Ferreira, tem 65 anos e é recandidato à Câmara Municipal de Alenquer pela CDU, sendo filiado no PCP. O também sindicalista tem como expetativas para este desafio aumentar para dois o número de vereadores na Câmara, e ajudar a “tirar a maioria absoluta ao partido socialista”. Considera que “se tem feito obra”, no entanto, “o partido socialista governa os destinos de Alenquer há 45 anos”, e que do “ponto de vista do desenvolvimento do concelho há um atraso enorme”. Ernesto Ferreira quando confrontado com a questão de ter sido na maioria das vezes um vereador com uma postura menos combativa, refere que nunca se coibiu de apontar deficiências à gestão socialista nos últimos 4 anos, e que acima de tudo não é “espalhafatoso” e não anda nas redes sociais a “dizer mal de tudo e de todos”. No entanto, afirma que fez ao longo do último mandato o possível. Acrescentando que muito do seu trabalho passou por levar às reuniões de Câmara as preocupações mais imediatas das pessoas, “algo que por vezes não é tão vi-

E

sível cá para fora”. Relembra que o que o executivo faz é mais noticiado, e que é a favor de que as reuniões de câmara estejam disponíveis em streaming na internet. Muito falada tem sido a questão de a Câmara ter contratado mais funcionários, muito por via da transferência de competências do Estado na área da Educação e neste aspeto enfatiza que normalmente vota em abstenção mediante o que lhe é apresentado. No entanto, refere que em determinadas áreas “quando se que quer um técnico, por vezes existem dificuldades”. Explica ainda que como vereador tem que confiar que é verdade quando lhe dizem que faltam funcionários para determinada área que desconhece. Relativamente à questão da “Águas de Alenquer” relembra que faz parte da única força política que foi contra a concessão neste contrato - e que a questão que nunca foi avaliada - no estudo pago pela câmara efetuado recentemente, que considera “parcial” é se a entidade tem cumprido o contrato, nomeadamente, na qualida-

de da água e em ruturas. Esclarece que o que pretende é conseguir que esta situação seja revertida antes do término do contrato, nos anos 30 e que tem a noção de que o valor exigido para a rescisão (neste momento 50 milhões de euros) é superior ao orçamento anual da câmara (cerca de 30 milhões de euros). Finaliza acrescentando que “este tipo de negócios deve ser de gestão pública e não de privados”, e que sendo a empresa um negócio privado, não tem direito a recorrer a fundos comunitários para, por exemplo fazer obras na sua infraestrutura, o que não ocorreria se a empresa fosse municipal. Quanto às centrais fotovoltaicas previstas para o concelho, a sua opinião é de que “o Partido Socialista está habituado a esconder tudo o que está previsto até ao último minuto, e que os vereadores sabem das coisas quando calhar”, motivo pelo qual não tem ainda conhecimento profundo da matéria, embora já tenha indagado. Segundo Ernesto Ferreira está a assistir-se a uma “ditadura da maioria”, que o PS tem neste mandato,

Ernesto Ferreira diz estar atento a vários temas mas que não é espalhafatoso ao a falar dos problemas do concelho esclarecendo que como não precisa do voto da oposição, não compartilha a informação. Relativamente ao assunto da Pas-

sinha, diz que não faz sentido serem os contribuintes a pagarem pelo acesso dos camiões da Santos e Vale, e que esta situação de-

veria ter sido acautelada pelo Partido Socialista, aquando da instalação da empresa no concelho. A sua solução será reduzir ao mínimo o número de camiões naquela zona, e impedir a circulação noturna. Defende ainda que a empresa deve comparticipar nos custos da obra de uma eventual via que venha a ser construída para passagem dos seus camiões. O gasto excessivo em iniciativas promovidas pela Câmara, tal como a Alma do Vinho, é também uma preocupação do candidato. Lamenta que embora Alenquer seja um concelho produtor de vinho, muitos dos produtores apresentados no evento não são produtores do concelho. Diz que se for eleito, tentará fazer com que “se conheça o que se produz no concelho de facto”. Defende ainda “a criação de emprego de qualidade, com valor” uma vez que a comunidade e os concelhos “desenvolvem-se mediante a qualidade de vida e o que se pode adquirir. “Se temos salários baixos e com pouca qualidade”, o desenvolvimento vai ressentir-se.


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PS

Pedro Folgado promete novos centros de saúde e Hub Tecnológico no Campera edro Folgado, tem 56 anos, e é professor de Português e Francês no ensino secundário. É o atual Presidente da Câmara Municipal de Alenquer. Vive no Carregado, e é militante do PS. Este será, caso ganhe as eleições, o terceiro mandato. Passados oito anos da sua primeira eleição, reflete que quando se candidatou tinha pensado apenas num mandato, e que depois pensou no seguinte, e assim por diante, concluindo que 12 anos são o ideal para pôr em prática as ideias que tem para o concelho, e concluir as de anteriores mandatos. Candidata-se “pelas pessoas” e nega que esteja agarrado à “cadeira do poder”, porque tem “uma profissão” de que gosta “muito” à qual que retornará quando cessar funções. Revela que neste período pandémico, solitário, conseguiu “aprender e apoiar muito as pessoas” bem como o comércio local. Comentando o facto de ter dececionado algumas pessoas com as questões da Passinha e dos contentores no Carregado, diz que não tem pretensões de que todos gostem de si. No entanto

P

Pedro Folgado adiantou que não pretende abandonar o mandato antes do fim se for novamente eleito presidente adianta que fez o que pôde na questão dos contentores, uma vez que “a questão está em tribunal” e não pode dar ordens ao juiz de como proceder neste caso. “Não estamos de braços cruzados, estamos à espera que o juiz nos diga o que fazer. Colocámos a questão nos jornais, e passámos contraordenações”, salientando que neste momento “não há nada que possamos fazer”. No entanto,

critica a justiça em Portugal que adjetiva como “pouco célere”. Revela ainda que a empresa apresentou como solução a deslocalização dos contentores para um terreno ao qual a Câmara já deu o aval, e que neste momento está à espera que apresente o projeto definitivo para que isto possa ocorrer. O referido terreno situa-se à entrada de Alenquer, próximo da autoestrada, e é do tipo industrial.

Recorde-se que a empresa detentora dos contentores se instalou num território pertencente à REN e RAN, e que o fez sem licença. Relativamente à questão da Passinha, responde: “Esta é uma situação que herdámos”, referindo-se à uma grande construção com cais de descarga para os 20 camiões previstos. O espaço era industrial, “e toda a Câmara aprovou” essa

situação. Está neste momento “a tentar resolver o mais depressa possível o problema”, sendo que a única solução, no seu entender, é a construção de uma nova via, possibilidade que está a estudar neste momento. A interdição de passagem de camiões no horário noturno é quanto a si improvável, pois a empresa tem “licença para laborar 24 horas” por dia. No entanto, colocou em cima da mesa a proposta de que se diminua o tráfego durante as horas de sono das pessoas, mas ainda não obteve resposta. A variante será paga parcialmente pela Câmara, para que tenha também acesso, e a empresa será igualmente envolvida no processo. Para o novo mandato tem como objetivos requalificar os equipamentos de saúde, com a construção de novos espaços, propostas estas que constam do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) apresentado pela autarquia junto do Governo. Folgado levou ainda junto da tutela a proposta de obras para deslocar o trânsito do centro do Carregado; e soluções de tráfego

para a Estrada Nacional 1 e Nacional 3 tendo em conta que são geradoras de grandes fluxos de trânsito. Para além disto, quer colocar no concelho um hub tecnológico, com formação e espaço de coworking, no Campera, uma vez que este tem vários espaços abandonados. Quanto à questão das águas, esclarece que o estudo que encomendou e que custou ao erário público cerca de 20 mil euros, é um relatório preliminar, que se focou na questão da diminuição da tarifa, estando um novo estudo para ser entregue, a pedido pela Assembleia Municipal, para que se pronuncie acerca da possibilidade de remunicipalizar a empresa Águas de Alenquer. Sente-se “confortável com o que o Dr. Poças Martins” tem dito sobre esta matéria. Segundo o estudo preliminar, a concessionária está a cumprir com as condições contratuais. Relativamente aos 50 milhões de euros, necessários para a remunicipalização, acrescenta que este valor poderá ser superior, especialmente se o caso for para tribunal.

Coligação Fazer Cumprir Alenquer

Mário Amaro não está disponível para fazer uma variante na Passinha ário Amaro é o candidato à Câmara Municipal de Alenquer pela Coligação Fazer Cumprir Alenquer, que engloba os partidos CDS-PP, MPT, Nós Cidadãos, Aliança e PPM. Tem 20 anos, reside em Paredes na Vila de Alenquer, e é filiado no partido CDS-PP, que pela primeira vez, vai a votos no concelho sem o PSD, após um processo algo polémico. A Coligação concorre à Câmara Municipal, à Assembleia Municipal, e também às Juntas de Freguesia de Alenquer, Carregado, Cadafais, Carnota, Meca, Ota, Abrigada e Cabanas de Torres. O candidato, o mais novo de que existe memória no país, esclarece que “é um grande desafio construir um projeto praticamente do zero”, referindo-se ao facto de esta coligação ser um pouco atípica, e que não conta desta vez com o PSD, já que é comum os dois partidos irem juntos a eleições. No entanto diz que este é um projeto a longo prazo (“a quatro, oito, ou doze, anos quanto tempo ele fizer sentido”) e que está muito orgulhoso do que con-

M

seguiu conquistar em apenas sete meses. Confessa que nas ruas, o facto de ser ainda um jovem e esta ser uma coligação recente causa alguma estranheza, mas que tem conseguido criar empatia com os cidadãos de Alenquer. Acrescenta que a circunstância de não serem “políticos profissionais” pode fazer com que estejam um pouco mais “afastados da ideologia da política partidária”. Referindo-se a esta associação de partidos de pequena dimensão e de o CDS estar a passar por um momento difícil nas sondagens no país, diz que “na política local o que vale são as pessoas e os projetos, e menos os paradigmas ideológicos” e que o facto de ser um grande número de partidos “demonstra uma grande abertura a uma maior heterogeneidade de ideias”. Refere ainda que cerca de 80 por cento das suas listas são compostas por independentes, sem filiação partidária. Permite que sejam “mais pragmáticos” e fugir a uma ideologia dominante. Relativamente à sua idade diz

que não se considera menos preparado do que qualquer candidato que nunca tenha estado estado em cargos políticos anteriores, ou ligados diretamente à gestão da Câmara. “Tudo se aprende, tudo se trabalha, e uma pessoa não governa sozinha, tem sempre pessoas consigo a auxiliar e com quem se pode aconselhar.” Relativamente à questão da Águas de Alenquer, propõe chegar a um entendimento com a entidade que permita reduzir o preço das taxas, sendo que em contrapartida a Câmara Municipal comparticipará na renovação da rede. Considera este um “investimento para o futuro” da autarquia, pois após o término do contrato, a gestão das águas passará novamente para a Câmara. Recusa assim a ideia de uma remunicipalização da entidade, o que teria custos muitos elevados, na ordem do 50 milhões de euros. Pretende também implementar o sistema “Pay as You Throw”, que consiste no pagamento de uma taxa com base na quantidade de resíduos que se apresentam para coleta no muni-

Mário Amaro diz que a sua jovem idade não atrapalha as suas convicções e a sua vontade de abraçar este desafio cípio. Quanto às queixas existentes relativamente à recolha de resíduos, confessa que ainda não

tem os dados suficientes “para fazer uma análise realista”. No entanto, considera que não existem no concelho ecopontos em

número suficiente, e que estes teriam que ser colocados em pontos estratégicos. Tem ainda conhecimento de que a regularidade da recolha é inferior à necessária, e que especialmente no Carregado, “muitas vezes não resta outra opção se não colocar o lixo ao lado dos contentores, já que estes se encontram cheios”. Quanto à questão da Passinha, a proibição da circulação noturna e a melhor vigilância são as soluções evidentes. Devem ainda ser apuradas responsabilidades para este problema. Explica também que as zonas industriais devem ser colocadas em áreas em que não afetem os núcleos residenciais, e que tenham também melhores acessibilidades para quem lá trabalha. A criação de uma variante no local onde está a ser idealizada não é, contudo, uma aposta do candidato, que argumenta que esses terrenos fazem parte da Reserva Agrícola Nacional (RAN). Para Mário Amaro, a solução passa agora pela barra dos tribunais, já que foi feita uma queixa pela Câmara Municipal à empresa Santos e Vale.


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Chega

Carlos Sequeira que continuar a “apoiar os mais necessitados” desde que cumpram os seus deveres arlos Sequeira é empresário na área tecnológica, tem 42 anos, vive no Carregado há 22, e é candidato pelo partido Chega à Câmara Municipal de Alenquer. Este partido apresenta candidatos também à Assembleia Municipal, à União de Freguesias de Carregado e Cadafais e também à Junta de Freguesia de Carnota. É a primeira vez que o partido Chega concorre a eleições autárquicas. As suas motivações para esta candidatura passam por uma identificação com os valores do partido, e por demonstrar que no espaço da direita se pode resolver os problemas da população, pondo em prática esses ideais. Pensa que “é possível fazer diferente, e contornar as maiorias absolutas” e que “o concelho necessita da mudança e da intervenção que tem para fazer”. Questiona-se sobre “como é que é possível que o Partido Socialista esteja há 46 anos no poder em Alenquer”, especialmente porque nota um “abandono” do concelho, especialmente nas áreas mais ruralizadas. Nas suas ações de rua, em contato com as pessoas, ouve queixas de problemas que já tinha identificado, na sua maioria, tais como “as

C

Carlos Sequeira quer apostar em contratar médicos para os fixar

acessibilidades, o transporte, a limpeza e a atenção especial à população mais idosa”. Havia ambições para concorrer a mais freguesias, no entanto, o facto de o partido ser ainda recente condicio-

nou essa opção. Relativamente ao assunto na ordem do dia, as centrais fotovoltaicas, tem a dizer que é de “louvar que estas empresas venham para cá, que dinamizem um pouco os

espaços, e possam gerar algum emprego”, ainda que em número reduzido. No entanto, “existe ainda muito pouca informação relativamente a esta área”. “Identificome com a população comum, e é necessário que esta situação seja mais divulgada.” Num sentido mais abrangente e aproveitando a deixa para falar do tecido empresarial concelhio, lamenta também que as empresas muitas vezes tenham pontos operacionais no concelho, mas muitas vezes tenham sede noutros locais do país, ou até no estrangeiro, pelo que não sabe se será possível sedear as mesmas em Alenquer. Contudo pensa que quando estas empresas são licenciadas, “deveria haver mais contrapartidas para os alenquerenses e que a Câmara não tem sabido gerir esta situação.” Quanto aos apoios da Câmara aos mais desfavorecidos e se tal não é conflituante com a possível concretização de um cadastro étnico, numa alusão à comunidade cigana, tal como preconiza o seu partido, relativiza, argumentando que os indivíduos em sociedade dividem-se em dois grupos, “as pessoas de bem e as que não são

de bem”, sendo que as que são, “sabem que têm que pagar e trabalhar para poder receber”. Defende que “os apoios devem ser dados a quem necessita”, e que não podem ser desperdiçados junto daqueles onde essa condição não se verifica. Segundo Carlos Sequeira, não serão cortados apoios indiscriminadamente, e a Câmara Municipal vai estar mais próxima das juntas de Freguesia. Reforça que mesmo as pessoas de etnia cigana são portuguesas, que poderão receber ou não apoios mediante o seu comportamento em sociedade. Quando lhe pedimos para definir melhor este conceito, responde que as pessoas devem ter direitos e deveres. Questionado acerca do facto de que muitas vezes, por circunstâncias da vida, não ser possível cumprir com estes deveres, acrescenta que essa faixa da população deve ser apoiada, independentemente da sua etnia, o que é contraditório às alegações do presidente do seu partido, André Ventura, de que a comunidade cigana é quem mais beneficia do RSI indevidamente em Portugal. Argumenta, no entanto, que muitas vezes se dá

apoios a pessoas que não têm necessidade, e que existem pessoas na terceira idade, abandonadas à sua sorte, e com carências até para a obtenção de alimentos. Reconhece que a Câmara tem dado apoios em tempos de pandemia às empresas e também aos mais velhos, no entanto, ressalva que determinados apoios serão também essenciais após a Covid-19. Na sua opinião, há gastos supérfluos por parte da Câmara, que poderiam ser utilizados para integrar as comunidades estrangeiras, especialmente na freguesia do Carregado. Quando abordamos o tema do final da Parceria Público Privada (PPP) no Hospital de Vila Franca, dá a ideia de que foi uma melhoria relativamente à situação anterior, no entanto argumenta que é mais importante perceber como está a questão dos centros de saúde. Se for eleito presidente da Câmara, acredita que a melhor via para resolver o problema da falta de médicos é “fazer contratações diretas por parte da Câmara”, e recusa a ideia de que se deva dar casa aos profissionais de saúde, uma vez que estes “ganham acima da média nacional”.

Movimento Esperança

António Franco, independente, confessa que teve convites de outros partidos ntónio Franco, com 54 anos, vive na Freguesia da Abrigada e Cabanas de Torres, e é o candidato à Câmara Municipal de Alenquer pelo Movimento Esperança. Em entrevista ao programa Maioria Absoluta, da Rádio Valor Local, referiu que uma das motivações para ser candidato foi o facto de ter sido convidado por outras forças políticas para assumir uma candidatura, mas ter chegado à conclusão que um projeto independente seria a melhor opção. Teve reuniões com o Chega e um convite do CDS. No entanto, embora se sentisse “lisonjeado”, quis sair da “esfera ideológica” dos partidos, “que inibe os candidatos de ter posições pessoais, em detrimento das posições dos partidos”. Criou por este motivo uma lista independente e segundo a sua opinião, “mais abrangente”, com pessoas de diversos quadrantes políticos, não deixando de assumir a sua tendência de centro-direita. Refere que teria sido mais fácil abraçar um projeto já existente, mas que teve que agir de acordo com a sua consciência. Nestas autárquicas, apresentou, “talvez por isso”, uma

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lista para a Câmara Municipal, deixando de lado as Juntas de Freguesia. O facto de ser funcionário público na Câmara de Alenquer e de ser, para todos os efeitos, concorrente do atual Presidente da Câmara e no fundo o seu superior no trabalho, não o faz ter medo, pois a vontade de “agarrar o leme” dos destinos da Câmara é mais forte. Quanto a uma das polémicas do concelho, o impasse na Passinha e o trânsito de camiões acima do expectável devido à atividade da empresa Santos e Vale, que causa incómodos na população, António Franco refere que a solução passa por interditar a atividade pelo menos durante o período noturno. O estudo de tráfego apontava para 20 camiões por dia quando nesta altura chega aos 200. “Este é um caso complicado”, refere adiantando que se for presidente da Câmara proibirá o trânsito de pesados entre as 23 horas e as 7 da manhã, garantindo algum sossego às pessoas que moram nessa localidade, mas ao mesmo “tentar construir uma via alternativa” para que a Santos e Vale, entidade que re-

conhece ter investido “milhões” no concelho de Alenquer, “possa não ser lesada neste processo”. Ressalva que num país no qual “a economia é fraca e que depende em grande parte de investimento privado, este terá que ser salvaguardado na medida em que é um acréscimo de riqueza e de condições de vida para o concelho em que se instala”. Segundo o candidato, a Câmara Municipal de Alenquer está “à espera que a espuma dos dias abafe o caso.” Quanto à questão das centrais fotovoltaicas no concelho, não quer ser demagogo dizendo que a autarquia não tem feito nada relativamente a este tema, no entanto reconhece que este é um dossier que ainda não conhece a fundo, e que não procurou ainda informação suficiente sobre esta problemática. Na sua perspetiva, no entanto, as fontes de energia alternativas “são mais lesivas para o ambiente do que as fontes tradicionais porque quando chegarmos ao momento de ter que reciclar baterias de lítio, que fazem mover os carros elétricos, chegaremos à conclusão de que são mais noci-

António Franco sugere que a energia fotovoltaica pode ainda ser mais lesiva do que a tradicional

vas do que 20 carros a diesel a trabalhar”. No entanto, se estas empresas se localizarem no concelho, pedirá, que paguem o IMI e a derrama. Esclarece que “é um adepto incondicional da economia de mer-

cado livre”. Sob o seu ponto de vista, e já na polémica da concessionária das águas, quando o concelho de Alenquer é um dos que em média paga uma das faturas mais altas

do país, e quando outros partidos acenam com a rescisão do contrato, António Franco refere que há que lidar com o imbróglio e quando a empresa privada está a pedir um aumento das tarifas acima dos 50 por cento. Por isso a Câmara, na sua opinião, terá que “lidar e tentar mitigar esse erro que resulta em acréscimos na fatura para os consumidores”. Segundo o seu olhar, “o que a Câmara estabeleceu com a Águas de Alenquer foi uma espécie de parceria público privada”. Ou seja, quando os lucros não atingem o previsto em contrato, a Câmara tem que fazer face a esse prejuízo tendo como pano de fundo o caso base e as receitas previstas. Para si, o problema da fatura da água não é o consumo, mas as taxas que são adicionadas, que aumentam o seu valor. Para isto, tanto a concessionária quanto o concedente deveriam chegar a acordo para que estes valores sejam reduzidos drasticamente. Refere que da mesma forma que defende a iniciativa privada, não pode permitir “que essa mesma iniciativa privada seja lesiva para o consumidor.”


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Bloco de Esquerda

Sónia Pedro quer rescindir com a Águas de Alenquer através do FAM ónia Pedro é a cabeça de lista à Câmara Municipal de Alenquer pelo Bloco de Esquerda. É bióloga de formação, tem 46 anos e reside em Alenquer. Este partido concorre a estas eleições autárquicas à Câmara Municipal, Assembleia Municipal, e também nas Freguesias de Cadafais/Carregado e Alenquer. O convite para abraçar este desafio surgiu após uma reunião da concelhia para escolher quem deveria ser indicado pelo partido para estas eleições. A escolha não parece ter sido difícil, pois já há cerca de dois anos que se falava no seu nome para concorrer, uma vez que tinha estado na distrital do partido e feito campanha para as legislativas. Sónia Pedro diz que “o desafio é grande, mas a motivação também é muita”, respondendo à pergunta sobre o facto de o seu partido ter tido resultados muito baixos nas eleições de 2017, cinco por cento dos votos, cerca de 900. Revela que foi escolhido o lema “querer diferente” para a campanha pois a população “está um pouco farta desta governação que está agarrada ao poder”, e sobretudo porque “o bloco quer fazer política a pensar nas pessoas e para

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as pessoas”. Revela que o programa é “ambicioso mas concretizável”. O objetivo também é o de “dar visibilidade ao facto de que é uma mulher a concorrer”, e portanto, de que haja mais mulheres num lugar de destaque no poder autárquico. Realça que a nossa sociedade ainda é “um pouco patriarcal” e que a mulher ainda é vista como a mãe de família que chega a casa e tem uma dupla jornada, pois tem que cuidar da casa e dos filhos, embora reconheça que já se nota que há muitas mulheres na política, atualmente. A candidata quer mudar a visão de que as mulheres que se dedicam à sua profissão, nomeadamente, a política, retiram tempo à família. Pretende ainda mostrar que as mulheres são ótimas não só na política, mas em lugares de destaque na sociedade. Relativamente ao caso da polémica na Passinha, na qual a Câmara Municipal alega ter sido enganada pela Santos e Vale, diz que este problema foi em parte causado pelo atual executivo, e que será também um grande problema para resolver. Primeiro, pretende eliminar o tráfego de pesados no período noturno, e também que a empresa seja obrigada a que apenas

Sónia Pedro acusa a Câmara de não ter divulgado os processos de consulta pública junto da população para as centrais solares

passem nesta localidade os vinte camiões acordados com a Câmara, restringindo também a sua circulação, e havendo fiscalização para este efeito. Relativamente a uma nova via esclarece que construir uma estrada apenas para a passagem de veículos de uma empresa lhe parece um gasto excessivo, havendo ainda o problema de que os terrenos circundantes à Passinha pertencem à Re-

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serva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN). Relativamente à desorganização no ordenamento de território por parte da Câmara, sendo que o Plano Diretor Municipal (PDM) ainda não está aprovado, esclarece que não se percebe como é que é possível que se altere o PDM “em função de interesses industriais em meio de reservas agrícolas e ecológicas”.

Quanto à questão da concessionária “Águas de Alenquer”, defende, tal como o seu partido, a remunicipalização dos contratos de concessão das águas. Isto implica pedir “o Fundo de Apoio Municipal que existe desde o Orçamento de Estado do ano passado e que também já está incluído no orçamento deste ano, para fazer o resgate do contrato da concessão”. Confrontada com a simplicidade com que se refere a esta possibilidade, alega que ela existe embora não saiba se no curto-médio prazo conseguirá fazer face a toda a esta problemática. Recorde-se que as verbas deste fundo são contributo de todos os municípios e nem todos poderão estar solidários com este tipo de imbróglios que existem entre câmaras e privados em várias partes do país. Recorde-se que a concessionária pede cerca de 53 por cento de aumento nas tarifas nesta altura do campeonato, e que a rescisão do contrato custará 50 milhões de euros, embora Sónia Pedro acredite que será “menos

dinheiro” pois apenas falta metade do tempo previsto no contrato. Ainda sem saber se este fundo está operacional, não esconde que a Câmara teria que comparticipar neste valor através de fundos próprios. Acrescenta que de nada valerá pagar os 50 milhões de euros, sendo que as infraestruturas da rede estão degradadas e não foram feitas melhorias por parte da concessionária, e que o tribunal terá que avaliar o montante a ser pago em mais valias para a empresa. Quanto aos projetos das centrais solares, relembra que estes estiveram em período de consulta pública, com várias associações ambientais presentes, mas que a Câmara falhou na sua divulgação especialmente em tempos de pandemia. Isto fez com que as pessoas não pudessem consultar os documentos. “Não tiveram oportunidade de conhecer este assunto, e na sua opinião só saberão do que se trata quando estiverem os painéis instalados”.

Este trabalho é apenas uma pequena resenha das nossas entrevistas. Ouça em www.radiovalorlocal.com os nossos podcasts e com mais detalhe todos os assuntos que interessam a Alenquer nas sete entrevistas levadas a cabo pela nossa equipa.

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