JORNAL VALOR LOCAL EDIÇÃO OUTUBRO 2022

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Rádio Valor Local - www.valorlocal.pt - Ouça em todo o lado Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 116 • 27 Outubro 2022 • Preço 1 cêntimo

Valor Local Aumento de custo de vida

Está tudo cada vez mais caro e as pessoas deitam mãos à cabeça

Destaque da 10 a 13

Centrais fotovoltaicas de Alenquer em marcha e vão render milhões de euros em benesses para a Câmara através do Fundo Ambiental

Ambiente na 18 e 19

Comerciantes de Azambuja e de Alenquer pelos cabelos com as autarquias devido às obras Sociedade na 5 e 7

Arruda dos Vinhos: André Rijo anuncia mais habitação social do 1º Direito para o concelho

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Escola Secundária de Azambuja no Erasmus + em defesa da Inclusão e Ação Climática Miguel António Rodrigues Escola Secundária de Azambuja vai participar pela primeira vez no projeto “Erasmus+”. O estabelecimento de ensino dirigido por Madalena Tavares foi uma das escolas convidadas a participar neste projeto que tem desta vez como mote “Gerações a pedalar pela Inclusão e Ação Climática”. Este é um projeto coordenado pela escola IES Alhama e pela associação Biciclistas de Corella (Navarra, Espanha) que junta quatro escolas secundárias Zespol Szkol Ponadpodstawowych (Wodzislaw Slaski, Polónia), Escola Secundária Azambuja, Newtown School (Waterford, Irlanda), Tierra Estella High School (Navarra, Espanha) e, ainda, a Cyclist.ie — the Irish Cycling Advocacy Network— que inclui associações de promoção de ciclismo em toda a Irlanda. De acordo com a coordenadora

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Gerações a pedalar pela inclusão e ação climática assim se chama a iniciativa

do projeto na escola de Azambuja, Margarida Pato, esta iniciativa desenvolve-se a partir do projeto “Mobilidade Sustentável, Comunidade Sustentável” que, entre os anos de 2018 e 2022, “atingiu

inúmeros objetivos, entre os quais, o desenvolvimento de atividades de ´Ciclismo sem idade’, organização de 400 viagens em bicicletas adaptadas para cidadãos portadores de deficiência e

idosos, criação de várias ciclovias, publicação de um blog com mais de 350 entradas, entre muitas outras iniciativas.” Este “Erasmus” vai fomentar uma série de partilhas e experiências

aos alunos nos vários países, sendo que está previsto, os alunos da secundária local, terem a sua primeira experiência em março, quando receberem alunos congéneres vindos de Espanha. A ideia passa por partilhar experiência na área do convívio entre jovens e idosos, embelezamento e regeneração de espaços urbanos negligenciados, criação de placards Erasmus com atividades do projeto nas cinco escolas secundárias que aderiram. Iniciativas relacionadas com a ação climática, relações entre gerações através de atividades que promovam o uso da bicicleta, em muitos casos adaptadas à terceira idades, excursões a pé e workshops de cozinha, fazem parte do grosso de muitas das iniciativas deste projeto. Este é um projeto financiado por dinheiros europeus, e à escola de Azambuja devem caber cerca de 35 mil euros, de um bolo total aproximado de 250 mil. Ainda as-

sim os responsáveis escolares acreditam que são verbas que chegarão para fazer face às despesas. Já no que toca aos participantes, Margarida Pato refere que estes participam por mérito. Cabe aos alunos que queiram fazer parte desta iniciativa levar a cabo e promover atividades na escola, que sejam dentro da temática deste “Erasmus”. O projeto dura três anos, até 2025, e engloba várias mobilidades (viagens) de intercâmbio, entre os países participantes. Os alunos serão sempre acompanhados pelos docentes que farão a supervisão do projeto. No entanto já estão abertas as candidaturas a “Embaixadores Erasmus”. Nos próximos dias, será aberto o concurso para o logótipo do projeto. O mérito será então a palavra-chave deste “Erasmus” que levará os alunos a empenhar-se nos vários projetos, para “ganhar” o estatuto de embaixadores.

Sobrinho Simões no Hospital de Vila Franca

“Dentro de 20 ou 30 anos vamos conseguir controlar 95 por cento dos cancros” “D entro de 20 ou 30 anos vamos conseguir controlar 95 por cento dos cancros”, a frase carregada de esperança foi deixada por Sobrinho Simões, considerado em 2015 o patologista mais influente do mundo, num encontro decorrido no Hospital de Vila Franca de Xira, perante uma plateia repleta de profissionais daquela unidade de saúde, no dia 20 de outubro. Por outro lado, o espetro das doenças cardíacas é muito mais insondável. Os algoritmos para se prever a evolução daquelas patologias tem uma grande componente de variabilidade interindividual, “que não vale a pena andarmos a fazer estudos genéticos preditivos”. Estas foram apenas algumas conclusões deixadas pelo reputa-

do clínico que apresenta uma visão muito preocupada da medicina que se pratica atualmente, “uma medicina deliver”, com “menos consultas pluridisciplinares”, em que “o trabalho colaborativo entre médicos é menor”. “Os meus internos não têm tempo, porque saem às quatro da tarde e ainda vão fazer serviço num privado, o que não acontecia há mais anos”, enfatizou. Por outro lado e apesar da tecnologia, ser um grande aliado, o médico envereda pela via “dos sobrediagnósticos e sobretratamentos”, muito baseada “numa medicina defensiva”, em que “tem menos tempo para estudar, partilhar informação com outros clínicos e decidir em condições consideradas como ideais”.

O patologista deixou a indicação de que há que ter em atenção as doenças que começam numa inflamação que se pode tornar crónica e como tal o aumento de pequenos cancros, quando é o caso. Sobrinho Simões que contou à plateia que o momento mais embaraçoso foi quando fez um diagnóstico errado de cancro do esófago, quando se estava apenas perante uma úlcera, referiu que de uma vez conseguiu extrair 14 micro cancros, o que não significava em absoluto que “o indivíduo fosse morrer disso!”. O cancro ainda hoje é uma caixa de surpresas, e um dos estudos que levou a cabo prendeu-se com a observação de 150 doentes em diferentes estágios da doença, sendo que acabaram por falecer

mais depressa aqueles em que a doença não se espalhou por outros órgãos, “porque quando isso não acontece é porque já estamos em falência metabólica”. A imagiologia é por isso um dos grandes aliados da comunidade médica hoje em dia, “porque há 40 anos não era possível ter tantas certezas no diagnóstico de determinadas doenças”, mas mesmo assim o processo inflamatório do indivíduo é algo “que nunca sabemos como vai acabar”. Ser patologista e ter começado a sua carreira há muitos anos quando terminou o internato, foi segundo Sobrinho Simões o ponto mais alto de todo o seu percurso, tendo deixado esta mensagem de paixão pela causa médica junto da plateia.

Municípios da Lezíria do Tejo em destaque no Festival Nacional de Gastronomia A CIMLT e os 11 municípios da Lezíria do Tejo estão de volta ao Festival Nacional de Gastronomia, que este ano assinala a sua 41ª edição. O Festival está a decorrer desde 21 de outubro e vai até 1 de novembro, na Casa do Campino, em Santarém. Os municípios da Lezíria do Tejo voltam a animar o certame com promoção turística, cultural e

gastronómica no stand intermunicipal da CIMLT, e com momentos de cozinha ao vivo nos espaços de showcooking do Festival. Os municípios animam todo o recinto, com folclore, animação musical e recriações etnográficas. Cada dia do festival volta a ser dedicado a um município da Lezíria do Tejo. No dia 27 de outu-

bro, data de saída do nosso jornal, o município de Azambuja vai estar em destaque em momentos de promoção turística, cultural e gastronómica. Enchidos, bolos secos, doces, mel, azeite e queijo chévre serão apenas alguns dos produtos em destaque, enquadrando-se ainda nesta montra os vinhos do concelho vencedores de mais um concur-

so realizado recentemente pelo município. No dia 28 de outubro, o destaque vai para o município de Almeirim com as suas provas de vinhos, caralhotas (pão tradicional de Almeirim) e trouxas da Pedra (iguaria confecionada pela Confraria Gastronómica de Almeirim). Pelas 19 horas, terá lugar uma degustação da Sopa da

Sobrinho Simões veio a Vila Franca dar a conhecer a sua experiência de longos anos como patologista

Pedra pela Associação de Restaurantes da Sopa da Pedra de Almeirim. Já no dia 29 de outubro, o dia será de Rio Maior com degustação, pelas 17 horas, de pão de Rio Maior, broa de passas e nozes e broa de milho. Alpiarça faz as honras da casa no dia 30 de outubro com provas de vinhos e doces ao longo da tarde, bem

como da sua gastronomia tradicional. O dia 31 de outubro do certame é dedicado ao município de Benavente com a mostra de promoção turística, cultural e gastronómica. Ao longo do dia 1 de novembro, lugar a vários momentos de promoção turística dos 11 concelhos da CIMLT.


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Câmara Municipal de Salvaterra de Magos entrega licenças da plataforma educativa digital “Escola Virtual”

David Pato Ferreira, Nova Geração, faz balanço de mandato

“Município de Vila Franca deve passar das redes sociais para ação no terreno” avid Pato Ferreira, vereador da coligação “Nova Geração”, que integra o PSD, na Câmara de Vila Franca de Xira, sustenta que tem tentado fazer uma oposição responsável ao Partido Socialista no balanço do primeiro ano de mandato, que fez na Rádio Valor Local. O autarca vinca que tem mantido a sua palavra no que toca à governação local e que tem um bom entendimento com o presidente da Câmara, Fernando Paulo Ferreira. Numa abordagem a este primeiro ano do mandato 2021-2025 resume: “É tempo do executivo passar da rede social, do vídeo, e da comunicação, ou da reunião com os presidentes de junta e dos passeios pelo concelho, para aquilo que é real”, salientando que se deve apostar naquilo que dá qualidade de vida às pessoas, como “o estacionamento, a melhoria do espaço público, e da educação, com alunos com aulas e sem falta de professores e médicos de família nos centros de saúde”. Em entrevista à Rádio Valor Local, o autarca diz que nunca esteve nos seus planos aceitar pelouros por parte do PS que governa a autarquia em minoria, ao contrário do que o partido fez no passado e com isso ter abdicado do protagonismo político. David Pato Ferreira recorda que já em campanha recusou ser “muleta do PS” e que tem mantido essa promessa. “Não aceitamos pelouros porque no meu entendimento, quem ganha eleições deve governar, portanto o PS ganhou, e por isso a responsabilidade de governar é do Partido Socialista, mas isso não invalida que a Nova Geração esteja indisponível para conversar de forma responsável sobre alguns assuntos que são

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Câmara Municipal Salvaterra de Magos entregou quarta-feira, 19 de outubro, aos Agrupamentos de Escolas de Marinhais e de Salvaterra de Magos, à semelhança do ano letivo anterior, licenças de acesso gratuito à plataforma educativa digital “Escola Virtual” para todos os alunos do primeiro ciclo do ensino básico. Numa ótica de promoção do sucesso educativo, a medida abrange a disponibilização de cerca de 800 licenças, permitindo o acesso aos conteúdos e plataforma educativa, com recursos que abrangem a totalidade do programa das disciplinas nucleares do ensino regular, de acordo com o respetivo ano de escolaridade de cada utilizador. “Tendo presente que a aposta na educação é um dos eixos prioritários para o desenvolvimento da nossa sociedade, a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos continua a sua ação e intervenção em prol de um ensino público de qualidade para todos, de que têm sido bons exemplos as obras de construção e/ou reabilitação dos equipamentos educativos em todas as freguesias do concelho”, sublinha, citado em comunicado de imprensa, o presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio. “Acreditamos que investir na educação e na formação é preparar o futuro das gerações mais novas, daí que tudo façamos para não deixar ninguém para trás, esperando que o acesso a esta plataforma contribua para obviar ao prematuro abandono escolar”, acrescenta. O projeto “Escola Virtual” disponibiliza ferramentas e recursos educativos diversos, nomeadamente aulas e testes interativos com toda a matéria curricular; sistema adaptativo de desempenho e progresso em cada disciplina; vídeos, dicionários online; jogos educativos; acesso a conteúdos de preparação para as provas, entre outros. Esta medida integra o Plano Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar e pretende dotar as escolas e alunos de meios e recursos necessários para permitir a articulação de tecnologias digitais e pedagógicas, promovendo hábitos de aprendizagem que se prolonguem ao longo da vida e desenvolvendo processos de ensino e aprendizagem que saiam da tradicional sala de aula.

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Vereador considera que executivo PS tem falta de ambição para concretizar projetos

fundamentais no concelho”. Aliás, o autarca sublinha mesmo que com este entendimento com o PS “conseguimos, passado um ano, aprovar 25 por cento do nosso programa eleitoral”. David Pato Ferreira recorda algumas das propostas aprovadas, com a criação do Conselho Municipal de Educação, do Fórum Empresarial Regional, o alargamento da rede wi-fi, e o surgimento da figura do “Provedor do Idoso”, entre outras tantas, que o vereador sublinha com ênfase, ter sido a “Nova Geração” a única força política na oposição a conseguir viabilizar tantas propostas. Sobre a atuação e balanço do mandato do PS, David Pato Ferreira aponta dificuldades na gestão da herança de Fernando Pau-

lo Ferreira. Para o vereador, ficaram assuntos por resolver do mandato de Alberto Mesquita, que dificultam a gestão e o investimento do presente executivo. O autarca considera que o atual executivo “encontrou a casa desarrumada em algumas áreas”. O vereador sustenta que “este primeiro ano foi de gestão corrente, e é possível fazer política com gestão corrente, de tentar arrumar a casa, para depois à boa maneira socialista, acontecer tudo e um par de botas nos dois últimos anos de mandato”. Sobre a “herança pesada” o vereador deixo o exemplo do estacionamento do Vila Franca Centro. O mesmo foi comprado com o argumento de o colocar ao serviço da população, mas afinal a situa-

ção é mais complicada do que isso porque existem espaços no estacionamento que têm outros proprietários. “Deixa-nos uma herança e uma pergunta, o que afinal fazemos com isto. Como vamos resolver?” David Pato Ferreira considera que falta neste mandato “efetivar”. Prova disso “foi quando se assinou um despacho tendo em conta o plano de arborização do concelho. Passado um ano não aconteceu nada”, constata. O vereador refere que falta ação ao PS e que desde há um ano pouco mudou no concelho de Vila Franca de Xira. “Afinal o que ficou melhor? Nós sabemos o que quisemos trazer para cima da mesa, mas a verdade é que nada mudou”.

Família de Vale da Pedra alvo de solidariedade U

ma família de Vale da Pedra viu a sua vida dar uma volta pelos piores motivos em agosto. Hugo Ponte seguia no seu motociclo quando um automóvel embateu contra si. Está desde essa altura internado no Hospital de Vila Franca de Xira. Sofreu amputações dos membros e a família teve de lançar mão da solidariedade, porque a esposa, Vera Faustino também perdeu o emprego recentemente. Esta família

tem a seu cargo três crianças. Hugo Ponte ficou “sem o pé direito, sem a mão esquerda, e sem os dedos todos do pé esquerdo, e também sem alguns dedos da mão direita”, conta à nossa reportagem a esposa. Internado desde o dia cinco de agosto no Hospital de Vila Franca de Xira tem estado em tratamentos e a fazer fisioterapia. A campanha de solidariedade foi lançada e para além de estar a

receber contributos através de uma conta bancária, há quem faça outro tipo de doações em géneros. “A vida estava controlada, mas de um momento para o outro deu uma volta total”. Hugo Ponte está estável, mas ainda não tem data de alta prevista. A esposa espera que o seguro pague as próteses a que tem direito. Para já “é um dia de cada vez porque a vida é uma carta fechada”.

Hugo Ponte tem recolhido o apoio de muita gente disponível para ajudar


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Comerciantes de Alenquer exaustos com as obras na Rua Sacadura Cabral Rosalina Neno mais do que apoios apenas quer que a deixem trabalhar

Catarina Faria diz-se prejudicada na faturação desde que as obras começaram

esde o início do ano que a Rua Sacadura Cabral entrou em modo estaleiro em Alenquer com os incontornáveis revesses para os comerciantes. Agora que as obras estão a aproximar-se do seu término, fomos ouvir os lojistas e alguns transeuntes. Armindo Maçarico costuma fazer compras no comércio local, o próprio já teve uma loja na Rua Sacadura Cabral. Considera que as obras estão a andar bem, mas preferia o alcatrão até porque a colocação de calçada em perspetiva não lhe agrada tanto. Costuma comprar habitualmente no mercado tradicional. O próprio vendeu bacalhau, atum de barrica e vinhos com casa aberta em Alenquer, a Casa Maçarico mas “depois vieram as grandes superfícies e os clientes começa-

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ram a queixar-se de que eu vendia mais caro. É a vida!”. Quanto às obras pensa que o mercado vai ficar “com excelentes condições, porque vejo que está no bom caminho” Rosalina Neno com uma loja de flores e plantas naquela artéria diz que as obras têm afetado, mas considera que tem havido sobretudo falta de planeamento. “Começam tudo ao mesmo tempo quando deveriam fazer por fases para não afetarem o comércio todo ao mesmo tempo. Não há estacionamento em Alenquer com estas obras. Nós sabemos que antes do bom temos de passar pelo mau, mas não desta forma. Evito trazer o meu automóvel para não roubar lugar a nenhum possível cliente nos parcos lugares que sobraram”.

Obras em Alenquer apenas devem terminar em dezembro

No seu entender a Câmara tem dado poucas soluções e a abertura recente do parque de estacionamento do Areal também não é solução no seu ponto de vista, “até porque quem venha fazer compras nas lojas e saia carregado daqui com dois sacos não está para ir a pé para o Areal ou daqui para o estacionamento ao pé do centro de saúde”. Depois espera que o estacionamento de 13 lugares previsto para a frente do mercado seja fiscalizado, “porque se os moradores continuarem a estacionar nesse local bem como os lojistas, os clientes continuam a fugir de comprar no comércio local da rua”. Sobre os apoios da Câmara, não valoriza: “Segundo me foi dado a perceber vão dar compensações a quem tenha mais de 40 por cento

de prejuízos, mas no meu caso não quero viver de subsídios, mas ter condições para trabalhar. Já são muitos meses de obras e sem jeito de acabar”. Estabelecida com uma sapataria há 21 anos na Rua Sacadura Cabral, Catarina Faria lamenta a falta de estacionamento, para além de muito “pó a toda a hora”. São revesses “que temos de passar se queremos as coisas feitas”, tenta contemporizar. “O futuro dirá se vale a pena este sacrífico de um ano de obras”, acrescenta. Na denominada questão da substituição do piso, é da opinião de que o pavimento em calçada será pior em termos sonoros “para quem vive aqui”, mas no que respeita ao comércio “não deverá interferir”. Já quanto ao pacote de ajudas do município “o contabilista logo dirá se vale a pena”. Conheceu uma quebra acentuada no negócio, em que clientes de fora do concelho, deixaram de vir. De resto não tem noção se a autarquia apoiou com informação suficiente os comerciantes durante estes meses – “Não costumo ir às reuniões de Câmara para perceber isso”. Rogério Ferreira, presidente da Associação Comercial e Industrial do Concelho de Alenquer (ACICA) confirma que têm chegado muitas críticas por parte dos comerciantes. “Mal acabou a pandemia, a Câmara nem deu tempo aos comerciantes para se endireitarem e principiou logo as obras, sem ter atenção que tínhamos saído há pouco tempo de um período que foi negativo a este nível, por exemplo”. A seu ver deveria ter sido feito um compasso de espera até ao início desta requalificação. O dirigente conta que questionou o município sobre o facto de não se ter optado por um faseamento das

obras, uma das principais críticas dos comerciantes, sendo que apenas lhe foi dito “pelo vereador que não dava para fazer de outra maneira”. Agora nem o Natal pode vir a salvar a honra do convento, “pois mesmo que as obras terminem em dezembro já será muito tarde, porque regra geral as pessoas começam a fazer as suas compras antes”. O município nos apoios anunciados vai atribuir mil euros para empresários em nome individual sem trabalhadores a seu cargo ou para empresas por cada trabalhador, até ao máximo de dois postos de trabalho. A proposta de regulamento do Fundo Financeiro de Apoio à Económica da Vila Baixa de Alenquer aguarda, nesta altura, publicação em Diário da Repúbli-

ca. Podem candidatar-se todas as empresas que exerçam atividade na zona das obras em Alenquer e que possuam estabelecimento aberto ao público e preencham as restantes condições previstas no regulamento, como terem quebras de faturação superiores a 40 por cento com base na média entre novembro de 2021 e dezembro de 2022. “É o mesmo tipo de apoio que foi dado durante a pandemia”, refere Pedro Folgado, presidente da autarquia. Sobre as críticas compreende, mas pensa que “Alenquer vai ficar muito melhor em termos pedonais, bem como o comércio local”. “Quanto às obras há constrangimentos que não controlamos, como a falta de empreiteiros, trabalhadores e materiais. Temos de ter alguma paciência”.

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Quinzena da Codorniz com 31 restaurantes aderentes e 1 a 15 de novembro, Alenquer acolhe mais uma edição da Quinzena Gastronómica da Codorniz, com o objetivo de dar a conhecer este produto, associando-o aos vinhos do concelho. Está garantida a participação de 31 restaurantes aderentes no concelho, que se dispuseram a apresentar pratos à base de codorniz. A iniciativa é promovida pela Câmara Municipal de Alenquer, em parceria com uma empresa local, considerada a maior produtora nacional de codornizes. “Todos os anos, há pratos que se revelam surpresas muito agradáveis e, ao olhar ao exemplo do ano passado, estou certo de que o público vai aderir em massa para provar as novas iguarias”, refere Rui Costa, vereador com o pelouro do Turismo, citado em comunicado do município. “Será mais uma iniciativa de enorme sucesso e deixo, desde já, um agradecimento a todos os parceiros e restaurantes participantes. Temos traçado um caminho sereno, mas cada vez mais exigente com eles, no sentido de criarmos esta marca em Alenquer. Em eventos futuros, estão também planeadas ações de maior escala, relativamente à promoção da codorniz, que irão catapultar esta marca. Juntos, conseguiremos levar mais longe o nome de Alenquer e as suas potencialidades gastronómicas e vínicas”, sublinha o vereador.

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Inauguração do renovado Bairro João de Deus é a principal obra do primeiro ano de mandato de André Rijo cumprir o último mandato autárquico, por imposição da lei, André Rijo, presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, faz um balanço positivo do primeiro ano. O autarca que tem assegurado maiorias absolutas para o Partido Socialista em Arruda salienta que este último mandato “tem tido as suas dificuldades e incertezas”, vincando a guerra na Ucrânia como um dos fatores de instabilidade económica e social no mundo, mas também no país, refletindose igualmente no seu município. André Rijo diz estar a concluir obras a que se tinha proposto aos arrudenses, e isso deixa-o “confiante”, e por isso diz fazer “um balanço positivo”. Em concreto, o autarca fala no Bairro João de Deus, um bairro social à entrada de Arruda dos Vinhos, e que foi o primeiro projeto associado ao programa “1º Direito”, apadrinhado pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos. Este era uma ambição antiga da autarquia, que consistiu em recuperar as casas já existentes, enquanto construiu novos fogos, para fazer face aos problemas identificados no município de famílias a viver sem condições. “Aquela obra é não só fazer justiça às pessoas que ali viviam, mas também uma oportunidade de requalificar o território, dar uma nova centralidade ao bairro, ao mesmo tempo que se constrói uma nova integração social no espaço em causa”. Segundo o presidente da câmara, este novo bairro vai servir “pessoas identificadas pela estratégia local de habitação, que estavam em habitações indignas, nomeadamente, em situação de salubridade questionável

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André Rijo anuncia o alargamento do 1º Direito a outras freguesias do concelho e de sobrelotação de ocupação de espaço habitacional”. Esta obra agregada ao 1º Direito, teve um custo de 1,5 milhões de euros e constou de uma reabilitação das 16 moradias existentes e na construção de um novo bloco habitacional com 15 fogos. No futuro, serão edificados mais 13 fogos, naquele bairro, de acordo com o presidente da Câmara, que sustenta que o concurso também já foi lançado e que o mesmo “permitirá que possamos responder às necessidades de habitação que estão na estratégia de habitação”. Ainda assim, André Rijo sustenta que o assunto “habitação” no concelho ainda não está resolvi-

do, e sublinha que estes últimos projetos “são a primeira obra mas depois continuar-se-á a trabalhar no reforço da habitação pública”. Na Rádio Valor Local, o autarca fala do alargamento deste projeto a outras freguesias e em situações já sinalizadas, que serão apresentadas oportunamente. Ainda assim diz ter noção de que este é “um trabalho que não será feito apenas num mandato”. “A estratégia passa por vários ciclos políticos e é por isso que vamos levar à assembleia municipal para que exista continuidade". São os casos das freguesias de Cardosas e Arranhó, e até de Arruda dos Vinhos, onde de acordo

com o autarca, existem condições para a utilização de imóveis ou terrenos públicos, mas está também em aberto a possibilidade da reabilitação de imóveis privados. Outro dos projetos elencados pelo autarca, foca a sua atenção no ArrudaLab. Este é um laboratório de ideias para o concelho, e no qual têm nascido projetos para o desenvolvimento local, apostando nos valores de Arruda dos Vinhos. O autarca salienta a importância deste projeto, tendo em conta toda a estratégia de futuro do concelho, não só no que toca à economia, mas também em áreas como a educação, ambiente e sustentabilidade, vincando as várias parcerias que

existem junto do ArrudaLab, para que este cumpra a sua função. No entanto, Arruda tem vindo a crescer nos últimos anos. Os mais recentes censos demonstraram a preferência de novos habitantes por aquele concelho do Oeste. Com o crescimento demográfico e um maior fluxo de trânsito oriundos das empresas e das famílias, urgia uma solução para retirar o trânsito de dentro da vila em hora de maiores fluxos. André Rijo sustenta que a variante foi durante muito tempo um projeto adiado, nomeadamente de mandatos anteriores liderados pelo PSD, mas que ganhou forma agora com uma candidatura ao PRR. A obra

apadrinhada também pelo ministro das Infraestruturas, já arrancou e o seu percurso começa agora a desenhar-se. “Hoje já ninguém acredita que passados 30 anos sem sair do papel, que a obra não vá dentro em breve, estar ao serviço das populações”. Outro dos projetos em curso, prende-se com a revisão do PDM. André Rijo sustenta que está em curso, sendo que segundo o autarca “a perspetiva é que no primeiro semestre de 2023, se possa concluir esse processo”, e aponta, depois de todos os trâmites, que a revisão esteja feita em 2024. Segundo André Rijo, este PDM vem trazer algumas diferenças, face ao de 1997. O presidente da Câmara refere que o anterior PDM não foi um instrumento de bloqueio ao concelho, até tendo em conta todos os indicadores. Ainda assim, sublinha, que esta revisão vem trazer mais precisão ao documento, tendo em conta todos os novos instrumentos de medição e as novas tecnologias. Nesta revisão é contemplado um aumento de 30 por cento da área urbana ou urbanizável. "Significa que há aqui zonas onde poderá haver maior atratividade em termos de investimentos”. Este PDM, segundo o presidente da Câmara, será mais flexível no que toca às áreas de acolhimento empresarial. O autarca refere que esta revisão aponta para uma configuração para atividades não tão industriais sublinhando que os tempos mudaram desde há 30 anos, exemplificando que nos dias de hoje existem empresas com uma faturação significativa e que apenas precisam de uma sala para trabalhar.

Habitante de Manique queixa-se da Águas da Azambuja M

ariete Serra vive em Manique do Intendente e foi surpreendida no último mês com um aumento da fatura da água, até porque no mês anterior teve a receber em agosto no valor de 59 euros. São oscilações que não compreende até porque os consumos têm sido constantes. A consumidora nunca pagou mais do que 20 euros por mês no último ano, mas confessa que nunca deu as contagens, conforme refere a lei. “Não se percebe por que razão me cobraram num mês apenas 1m3 de água, e ago-

ra fizeram este acerto, nesta altura com 74 m3 de consumo”. Sem fugas de água, a consumidora refere que “tão depressa cobram num mês o equivalente a um copo de água, como estão a cobrar uma piscina cheia de água no mês seguinte”, o que diz não perceber, até porque até à data não tinhas queixas da Águas da Azambuja – “Vinha sempre tudo certinho. Vou pagar os 288 euros e 20 cêntimos, mas lamento estas cobranças inconstantes”. Sem se referir exatamente às discrepâncias nas duas faturas, a

Águas da Azambuja contactada pelo Valor Local refere que “por se tratar de um contador interno e para evitar estimativas, o cliente poderá comunicar-nos a leitura do seu contador no período e através dos meios indicados na fatura (email/chat/loja ou chamada telefónica) ou ponderar a transposição do instrumento de medição para o exterior, por forma a que o contador esteja instalado junto à via pública, com acesso pelo exterior do limite de propriedade, permitindo a leitura mensal do contador.”

A consumidora deu a conhecer o seu caso


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Comércio de Azambuja nas ruas da amargura devido às obras

Proprietária de uma mercearia diz estar a ser afetada ao ponto de ter entrado na falência

Sílvia Agostinho s obras de requalificação urbana de Azambuja estão a provocar graves danos ao comércio local, sendo mais um fator agravante para os estabelecimentos tendo em conta a subida de preços e a inflação que se vive no bolso dos portugueses por estes dias. Desde janeiro que as obras não têm um fim à vista, compreendendo o troço da Rua Engenheiro Moniz da Maia e o da Rua Vítor Córdon. Para além do tempo que estão a demorar, durante o verão, a empresa construtora, a Constradas – Estradas e Construção Civil SA, parou as obras, não estiveram trabalhadores no local, durante três semanas, e o número de queixas engrossou quer por parte dos comerciantes quer dos transeuntes. Num périplo pelas duas artérias comerciais, há estabelecimentos fechados, e comerciantes com a vida em suspenso. É o caso de uma churrascaria, que reabriu numa artéria paralela, e de uma pastelaria que deu férias aos empregados. Decidiram que mais valia fechar até melhores dias. Um dos casos mais flagrantes é o de Caterina Acquafredda, italiana estabelecida no concelho de Azambuja, que nos últimos anos abriu um negócio do ramo alimen-

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tar mesmo em frente à farmácia. Chama-se “Cultura Verde”, uma mercearia gourmet local inaugurada em 2021, e à nossa reportagem não hesita em dizer que com as obras entrou em falência. “Se na altura em que abri, me tivessem dito que haveria obras, não teria vindo para aqui”. Onde noutros tempos a fruta e os legumes frescos davam as boas-vindas aos clientes, hoje estão pacotes de massas italianas, ou outros bens com datas de validade bem mais prolongadas. As arcas frigoríficas estão vazias, porque qualquer investimento pode ser ruinoso por estes dias. Os clientes, alguns deles, até provenientes de localidades como Lisboa, Cascais ou Oeiras, deixaram de vir a Azambuja e ao seu estabelecimento. Com o caos instalado devido às obras, não há estacionamento possível. “O movimento era razoável, com uma boa faturação mensal, e desde abril que caiu a pique”. Por outro lado, “a venda de frutas e legumes a habitantes locais significava um fundo de maneio importante, mas agora com as dificuldades de acesso desistiram de vir”. Nunca esperou tantos constrangimentos “porque quando as obras foram apresentadas, deram a ideia de que os troços seriam libertados muito mais depressa, só que ago-

Obras têm trazido diversos inconvenientes

Daniel Veríssimo considera que o município se tem furtado ao diálogo com os com os comerciantes ra pelos vistos já tiveram trabalhos a mais, e tudo se tornou ainda mais caótico”. Para além disso muitas das descargas de materiais, deram-se em frente ao seu estabelecimento provocando “nuvens de areia”, que se infiltraram debaixo dos portões da loja “que deixaram de abrir completamente”. Não fora a ajuda de fornecedores, amigos e clientes confessa que já teria fechado a sua casa. Caterina Acquafredda aguarda, agora, que o município possa, de alguma forma, compensar os comerciantes pelos prejuízos sentidos. A empresária já deitou contas e só no mês de junho a quebra foi de 60 por cento, no de julho: 70 por cento, no de agosto, 95 por cento e no de setembro – 90 por cento. “Neste mês de outubro, a quebra foi de 98 por cento, ou seja, estou a zeros, posso dizer. Estamos a meio do mês e fiz apenas 500 e poucos euros ainda”. Vender online não é alternativa, “porque também comporta custos”. Proprietária da Churrascaria Brilha, que esteve a funcionar, até dada altura das obras, na Rua Engenheiro Moniz da Maia, Filomena Saraiva mudou-se de armas e bagagens para a Rua Conselheiro Frederico Arouca, numa das transversais. Conta à nossa reportagem que ficou impossível vender

produtos alimentares com o pó a entrar pela loja dentro constantemente. O número de clientes também começou a escassear, muito por causa da falta de alternativas para o estacionamento. No seu entender, o município deveria também facilitar a abertura de alguns troços da rua, o que, entretanto, veio a acontecer na última semana. Daniel Veríssimo, gerente do estabelecimento “Oculista de Azambuja”, não tem um relato muito diferente. Muitos dos seus clientes são pessoas com alguma idade, a quem lhes custa uma deslocação pelas conturbadas ruas de Azambuja, tendo em conta as obras. Quem vem de fora e que era assíduo na loja, também evita Azambuja, por estes dias, nomeadamente, “clientes de Alenquer e de Vila Franca, porque é impossível estacionar aqui”. O empresário é ainda da opinião de que o município deveria apostar na colocação de parquímetros para disciplinar o trânsito uma vez as obras prontas, “porque há quem vá trabalhar para fora, e deixe o carro aqui em frente o dia todo”. Daniel Veríssimo também já fez contas e segundo apurou, com as obras, o negócio deixou de faturar uma média de 20 mil euros por mês. Depois de concluídas as intervenções, receia já não conseguir recuperar os clientes de outras localidades próximas. Sobre o facto de as obras terem sido interrompidas durante algumas semanas no verão, com férias para todos os funcionários que andavam na rua, ao mesmo tempo, diz que é incompreensível – “Nunca vi tal suceder. Deve ser a única empresa que fecha completamente. Isto só mesmo no nosso país.” Daniel Veríssimo lamenta também a falta de solidariedade do município, “pois até agora ainda não vieram dar uma palavra”. Para além disso não existe nenhuma associação de comerciantes com atividade neste momento, pelo

Filomena Saraiva também não percebe os atrasos nas obras

que o sentimento de desamparo dos comerciantes é “ainda maior”. Mas há também quem se sinta menos penalizado, como é o caso de Débora Marques com um gabinete de estética na Rua Vítor Córdon, que se mostra agradada com as obras, e refere que o negócio não se tem ressentido. Trabalha sobretudo com marcações, e como tem porta aberta já no limite das obras, onde relativamente perto existe estacionamento acabou por não ser tão prejudicada. Contudo sabe das dificuldades do comércio “que sofreu um pouco com estas obras”. Ouvido pelo Valor Local, e já depois de instado pela oposição em reunião de Câmara quanto a possíveis contrapartidas para os comerciantes afetados pelos trabalhos, Silvino Lúcio, presidente da Câmara, revela à nossa reportagem que será criada uma plataforma de apoio semelhante à que o município de Alenquer já criou, tendo em conta que aquele concelho também tem andado em obras nas suas artérias comerciais. O autarca refere que a próxima fase das obras será no Rossio, local de grande concentração de casas comerciais, e como tal daí a necessidade de serem apresentadas medidas aos comerciantes. Para simplificar, Silvino Lúcio diz mesmo que vai seguir o mesmo modelo do concelho vizinho que consiste, segundo o que já foi divulgado, de mil euros para empresários em nome individual sem trabalhadores a seu cargo ou para empresas por cada trabalhador, até ao máximo de dois postos de trabalho. A proposta de regulamento do Fundo Financeiro de Apoio à Económica da Vila Baixa de Alenquer aguarda, nesta altura, publicação em Diário da República. Podem candidatar-se todas as empresas que exerçam atividade na zona das obras em Alenquer e que possuam estabelecimento aberto ao público e preencham as restantes condições previstas no regulamen-

to, como terem quebras de faturação superiores a 40 por cento com base na média entre novembro de 2021 e dezembro de 2022. Sendo assim Silvino Lúcio, consubstancia que “serão criadas regras, e abertas candidaturas, porque não será como uma senhora que chegou aqui e disse que queria ser compensada em 55 mil euros”. O autarca espera que os apoios possam chegar aos comerciantes no início do ano. A intervenção estava prevista terminar a 31 de outubro, mas vai prolongar-se por mais dois meses “em virtude da paragem de 53 dias ocorrida no âmbito da Feira de Maio”. O autarca explica que a empresa deu férias a todos os trabalhadores em simultâneo, “porque é mesmo assim que acontece neste ramo, tendo em conta que cada um tem a sua profissão e são todos necessários ao mesmo tempo”. “Queremos estar do lado dos comerciantes a apoiá-los, mas com regras”, remata. Obras fazem parte do PARU e contemplam investimento de 638 mil euros As obras em causa fazem parte do Plano de Ação de Regeneração Urbana (PARU) proposto pela autarquia aos fundos da União Europeia, sendo que a respetiva candidatura foi contemplada com um financiamento de 85 por cento a fundo perdido. O investimento total, superior a 638 mil euros, teve uma comparticipação do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) de 542 mil 836,43 euros. A intervenção consiste na remodelação e reforço do sistema de drenagem de águas pluviais, na renovação integral da calçada e dos lancis dos passeios e, ainda, na reconstrução do piso da faixa de rodagem com pavimento betuminoso, em substituição da calçada, numa medida que causou muita polémica.


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Sem Ir em crescimento no domínio da energia fotovoltaica completar 15 anos de atividade, a Sem Ir, continua a apostar no crescimento e na formação dos colaboradores. Atualmente com 20 funcionários, a empresa que tem sede em Vale do Paraíso, no concelho de Azambuja, tem levado a cabo uma série de obras, com o foco voltado para a instalação de painéis fotovoltaicos, não fosse a crise energética, o fomento de uma nova onda na procura de energias renováveis e limpas uma tónica dominante nos dias que correm. José Eduardo Pereira, CEO da empresa, sustenta ao Valor Local que a empresa tem sido “visionária”, e recorda que as pessoas perguntam por estes dias: “Como é que perceberam há 15 anos que esta atividade económica podia estar integrada na necessidade dos portugueses?”. A resposta até é fácil, tendo em conta o passado dos responsáveis da empresa, que vieram do setor automóvel, ligados a empresas como a Opel. A visão destes tem sido compensada nos últimos anos. José Eduardo Pereira vinca o crescimento da empresa e o trajeto “na área industrial e residen-

A

cial”, e destaca mesmo que a Sem Ir constrói projetos personalizados em ambos os domínios, tendo em conta o nível de necessidade de ambos. No concelho de Azambuja, a empresa que começou por instalar painéis na Sivac, tem agora um conjunto de muitas mais obras. Tantas que juntando toda a energia gerada, “daria para alimentar uma terra como por exemplo, Aveiras de Cima”, esclarece José Eduardo, colocando ênfase em obras onde foram instalados painéis fotovoltaicos. A empresa está também apostada noutros mercados. Com o projeto de abrir uma delegação no Algarve, a “Sem Ir” “pisca o olho” a outro mercado. José Eduardo salienta mesmo que a empresa tem conseguido uma série de obras na linha de Cascais, e sublinha igualmente que estas novas obras, já incluem por exemplo garagens com painéis fotovoltaicos no telhado e carregadores para carros elétricos ajustados à necessidade das famílias. O CEO sublinha que a crise energética está a agudizar-se, mas ainda assim garante que os preços

José Eduardo deu a conhecer as novidades da atividade da Sem Ir

têm-se mantido estáveis, não só do material que a empresa usa, como no valor final da obra, fazendo com que o retorno do investimento seja mais rápido.

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José Eduardo Pereira salienta, entretanto, que a aposta nos jovens na empresa tem sido uma das pedras de toque. O empresário sustenta que a Escola Secundária,

tem sido um bom parceiro, até porque alguns dos mais recentes quadros da Sem Ir são precisamente oriundos de cursos ministrados na secundária de Azambuja.

Ainda assim, José Eduardo diz recear que o curso de Energias Renováveis “não tenha continuidade”. O CEO diz que a aposta nestes jovens foi importante, “mas eles continuam em formação contínua”. A empresa fomenta formações com frequência e no dia em que fizemos esta entrevista, estava um grupo de funcionários em várias obras e “também num hotel em Lisboa a receber formação de uma empresa israelita”. Com apenas 20 funcionários, a Sem Ir tem de subcontratar em algumas matérias. A grande maioria das empresas contratadas são do concelho de Azambuja, como a Solgarden, ou a CVR, para além da inclusão de profissionais externos em outras áreas da empresa, como a engenharia de obras civis, ou a comunicação. A Sem Ir já está disseminada em todo o país, e para além da abertura de uma delegação no Algarve, aposta ainda no Alentejo, na zona de Estremoz. José Eduardo elenca ainda vários outros projetos ligados ao setor do retalho, onde a empresa é uma das referenciadas pelo grupo Mosqueteiros, associado ao Intermaché.

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Clientes do mercado fazem os possíveis para fugir dos preços mais altos

Aumento de custo de vida

Está tudo cada vez mais caro e as pessoas deitam mãos à cabeça Sílvia Agostinho sábado e o mercado municipal de Vila Franca de Xira vai registando o seu volume de clientes. Não muitos, porque a crise e o aumento de custo de vida sente-se em força no negócio e há comerciantes que deixaram de vir todos os dias, porque pura e simplesmente não

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compensa. Embora antes do clima de guerra que se vive na Europa, o mercado já não fosse muito frequentado, ainda ia dando para os custos, agora os vendedores encontram-se na expetativa para perceber se vale a pena continuar com uma banca. Mas entre quem compra e quem vende, o sentimento de frustração é comum.

“Isto está incapaz, minha senhora”, começa por referir uma das clientes abordadas pelo Valor Local. Analívia Piedade confessa que com a sua idade o que não lhe falta é ginástica financeira. “No outro dia encontrei aqui três preços diferentes para o mesmo produto, claro que fui ao mais barato”. Já no peixe opta agora por comprar

“aquele que é do mais inferior”, porque pura e simplesmente não dá para ser de outra maneira. Quando vai aos supermercados, observa onde é que determinado produto pode estar mais barato – “Por exemplo todos eles vendem batatas para assar no forno, e há diferenças de 20 e tal cêntimos. Temos de estar atentos”. Mas quando lhe per-

guntamos qual o supermercado que acha mais barato, diz que ainda não conseguiu descobrir. “Diga-me que eu vou lá!”, diz divertida. A cliente do mercado de Vila Franca diz que já recebeu o apoio de 125 euros do Governo “que deu para qualquer coisa”. Com a aproximação do Natal, deita as mãos à cabeça já a pensar no investimento que tem

de fazer em prendas numa época em que os preços sobem em flecha. “Toda a gente faz das tripas coração por causa de um dia. Nós lá em casa vamos optar por dar pequenas lembranças só para não esquecer a data”. “Frutas, legumes, peixe está tudo caro e por isso estou a sofrer muito o impacto do aumento

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Outubro 2022 de preços, como aliás toda a gente”, começa por referir Dulce Cardoso. Para já as contas de casa estão equilibradas e conta que o único luxo, por assim dizer, de que abdicou foi de ir tantas vezes almoçar ou jantar a restaurantes. Quando vem ao mercado, refere que as compras não diferem em muito daquilo que fazia antes, talvez “porque em casa somos apenas dois” e ainda não foi preciso apertar muito o cinto. Outra despesa que acha que está pela hora da morte é a do gasóleo. Dulce Cardoso recebeu o apoio dos 125 euros no dia da nossa reportagem. “Vai dar para pagar algumas despesas”. Habituada a muitas flutuações de preços, Maria de Lurdes de 83 anos não tem dúvidas- “Subiram muito os preços e diminuíram o tamanho das coisas”. Nos supermercados aproveita as promoções dos folhetos. Já sobre o incremento à reforma, neste mês de outubro, diz que é mais uma manobra “para enganar”. “Prometem muito, mas cumprem pouco”. Maria de Lurdes diz que vai partir um dia “muito preocupada com aquilo que vai ser a vida” das sua filhas e netos. “Fui enfermeira toda a vida, na altura e no tempo de Salazar bastava ter a quarta classe. Agora as minhas filhas com cursos superiores

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Peixeira Emília Gameiro desalentada com o estado de coisas

Constância Costa deixou de vir todos os dias não ganham para aquilo que estudaram”. Já entre os vendedores do mercado o cenário é muito desanimador. Constância Costa que vende azeitonas, frutos secos e tremoços tudo se torna ainda mais complicado “porque não estamos a falar de produtos de primeira necessidade”. Os fornecedores aumentaram os preços, pelo que teve de fazer o mesmo junto do consumidor final. A quebra nas vendas chega

a ser de mais de 50 por cento. “Tanto que só venho trabalhar três dias por semana, neste momento, porque há dias em que não se vende absolutamente nada. Desde que começou a guerra que tem sido assim. Com despesas de deslocação, água, luz e a mensalidade à Câmara não dá mesmo”. Já numa banca de peixe, uma vendedora queixa-se bastante. Emília Gameiro também optou por não vir todos os dias. “Ago-

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ra não vale a pena, porque o gelo está muito caro. A enguia por exemplo está cara, é só para o rico, o pobre não leva”, constata. Mas não pensa em desistir – “Eu ainda não tenho direito à reforma e até lá tenho de andar, embora muitos dias não ganhe para nada”. Também Maria Murujo optou por vir apenas dois dias por semana. “Faz este mês 53 anos que estou aqui e nunca vi nada assim”, resume o momento.

Maria Murujo confessa que nunca viu a situação como está agora

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Associação Social Amigos de Samora reforça apoio à população em tempos de crise m tempos de crise, com o custo de vida a aumentar, a Associação Social Amigos de Samora Correia (ASASC) tem tido um papel importante junto da comunidade. Com porta aberta na rua da central de autocarros, não tem tido mãos a mexer no que toca a dar apoios seja através de géneros alimentícios, seja com roupas, mobílias, e outros bens. Um grupo de pessoas tem estado na linha da frente deste socorro à população. A associação está a apoiar cerca de 60 pessoas. “Temos sido um ponto de apoio junto das pessoas mais vulneráveis e estamos cá para ajudar”, constata Ana Paula Neves da associação. A associação que trabalha apenas com ajudas particulares ou de empresas, apoia todos os que se desloquem à associação “sem discriminações”. Tendo em conta os vários pedidos a associação espera conseguir um novo espaço com a ajuda do município, porque aquele que existe já é pequeno para albergar todos os bens. Esta vertente social da associação que já existia há alguns anos, foi introduzida há um ano e meio

E

Grupo de Samora Correia que tem estado na linha da frente no apoio à população

“e com muita procura” junto da população, refere Nelson Lopes, presidente da associação. A pandemia e depois a guerra assim o

ditaram. Esta associação teve ainda um papel ativo na distribuição de refugiados ucranianos por Samora Correia e até noutras

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partes do país. A ASASC conseguiu enviar cinco camiões com bens rumo à fronteira da Polónia. Cerca de 100 pessoas vindas da Ucrânia vieram para Samora Correia, mas grande parte delas regressaram e estão a tentar reconstruir as suas vidas. “As que permanecem por cá estão a trabalhar, legalizadas, e a fazer as suas vidas normalmente”. Voluntária na associação, Dina Salvador diz mesmo que “metemos a mão em tudo o que podemos ajudar”. A pobreza envergonhada é aquela que é mais difícil de combater, porque muitos têm receio de pedir apoio. “As pessoas de Samora não gostam de se manifestar e temos de ter cuidado quando as apoiamos”. Também voluntária, Cláudia Santos, é uma brasileira que veio para Portugal há quatro anos, e na altura recorreu à associação. Hoje tenta retribuir aquilo que recebeu. “Na época em que vim, mobilei o meu apartamento com as doações. Todo o dinheiro que trouxe não significou nada, porque o euro disparou em relação ao real. Tive de recorrer a ajudas até estabilizar a minha vida”. No seu caso, a imigrante quis vir para o nosso país por questões de segurança e por uma boa educação para os filhos. Já José Oliveira declara que é um gosto ajudar e estar inserido na associação. “Faço uma horta e em parte é para dar às pessoas. O voluntariado é uma causa que abracei. Grande parte dos que aqui vêm sentem-se agradecidos, embora note que algumas pes-

soas têm medo de dizer que precisam”. “Inclusive já colocámos cabazes em frente à porta das pessoas. Depois os vizinhos dizem que recolheram, tendo em conta o estigma associado a este tipo de situações, em que alguns indivíduos não querem pedir ajuda”, relata Nelson Lopes que junta – “De um momento para o outro há quem tenha estado bem na vida, tenha comprado um bom carro, e é-lhes apontado o dedo se depois precisam de apoio, há quem venha aqui de Mercedes porque a dada altura o pôde comprar”. Contudo ressalva: “Logo de início tentamos perceber se as pessoas se enquadram na perspetiva de quem está a passar um mau bocado na vida, mas quer mudar a sua situação, ou se estamos na presença de quem faz da subsidiodependência uma forma de estar, e quando é assim cortamos logo”, enfatiza. Isabel Brás é uma dessas pessoas que vem de Mercedes, mas se um dia a vida lhe sorriu, hoje não é o caso. Vem buscar alguma roupa, mas também traz. Hoje está desempregada, mas a aparência é importante para si, e não lhe passa pela cabeça descurar a higiene e a boa apresentação. “Não ganho nada em andar mal arranjada, ou a cheirar mal só para que as pessoas tenham pena de mim”. Longe vão os tempos quando trabalhou no Palácio Cadaval, e recebia boas gorjetas. Sobre a integração em Samora, só tem a dizer bem. “Quando se vem de uma vida em que podia ter um bom carro, é um grande

impacto agora passar a ganhar 434 euros de subsídio de desemprego, mas não me vou desfazer da viatura porque o carro tem 21 anos, e não me dão grande coisa por ele, para além de que preciso de um meio de transporte”. De renda de casa paga mais de 200 euros, e agora vai ter de fazer contas mais apertadas. Espera que a situação seja passageira. Hugo Alves, também brasileiro, está no país há sete meses. Mais recentemente veio a família e a integração a seu ver está a correr bem. O aumento do preço dos bens em Portugal não é agradável para quem agora começa a organizar a vida deste lado do Atlântico, mas no Brasil “estava bem pior”. Reformado, confessa que veio para “aproveitar mais a vida” e “poder passear”, até porque a insegurança é crescente no Brasil. “Aqui podemos sair à vontade, e de noite. As pessoas receberam-nos muito bem. A vantagem é enorme em termos de segurança.” O brasileiro só vê vantagens nesta opção por Portugal – “Mesmo com essa guerra da Ucrânia, o poder de compra é muito maior do que no Brasil, não tem comparação. Com 10 por cento do ordenado mínimo lá que são 120 reais não conseguimos comprar nada, aqui com 70 euros, 10 por cento do salário mínimo de Portugal, já dá para fazer umas boas compras de supermercado”. Hugo Alves junta agora à reforma um ordenado no setor das madeiras, e a esposa e a filha preparam-se para abrir um centro de estética.


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Cultura Ainda longe da vista e do coração ecentemente vi vandalizadas fotografias colocadas no espaço público, resultado de uma exposição que saiu fora de portas, da galeria municipal que albergou o espólio artístico nuclear. A rua transformou-se num espaço expositivo acessível a todos. Numa vila portuguesa a magros quilómetros da capital da nação. Poucos foram os que publicamente demostraram o seu repúdio pelo ato. Ao invés, as redes sociais serviram de palco para cidadãos atentos reclamarem sobre a morosidade da retirada das imagens danificadas das paredes. Apesar de alvo de vandalismo privilegiou-se alegações de incompetência dos serviços autárquicos desta vila europeia, distraídos do desrespeito pela oferta cultural à população que acabou destruída. Desvalorizou-se o investimento, a aposta, a programação e o trabalho artístico facultado. Somos, inequivocamente, seres de cultura e políticos e é a educação a argamassa fundamental que tudo une. No entanto, sempre que a mensagem não é

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compreendida, é rejeitada ou é desvalorizada há uma reação negativa ou indiferença. A cultura continua votada à troça, à subvalorização e suborçamentação seja ela mais erudita ou de cariz mais popular. Ainda hoje mesmo quando é alvo de destruição deprecia-se o sucedido e aproveita-se para o ajuste de contas político. De uma forma mais profunda a falta de indignação pelo vandalismo cultural a uma intervenção no espaço público, assumindo a rua como local expositivo coletivamente aberto, em detrimento da crítica pela retirada tardia dos elementos expostos danificados (imagens de grande formato) pela opinião pública, mais atenta à limpeza do que ao atropelo cultural, espelha uma maneira desprendida de sentir e viver a cultura. Urge uma educação para a cultura. Para a formação de públicos. Para os hábitos culturais. Para o respeito pela diversidade. A cultura é um bem essencial. Está para além dos egos e ataques. De sentimentos de posse com discursos (políticos

ou outros) encerrados nas frases: “ Fomos nós que…” ou “ Somos nós que”. De qualquer visão, lista de investimentos, gestão de equipamentos, escolhas e identificação de prioridades reclamada pelos intervenientes. A cultura é mais do que um mero somatório de sensibilidades pessoais e egoístas. Não deve estar fixada no gosto de particulares. Muito menos no de quem a programa, dinamiza ou tem responsabilidades nessa área. Ela é transversal, dinâmica e múltipla. Tem ligação direta com a educação e dimensão social porque tem potencial para nos ajudar a ser melhores, multiculturalmente abertos e avessos a preconceitos. Aos que a preferem popular, entendê-la como elitista quando é mais erudita fica tão mal quanto aos que a consomem em ambientes que automaticamente a tornam estereotipadamente mais evoluída, por estar fora dos recintos das coletividades locais. Esta é tão relevante na forma popular, tantas vezes identitária, quanto na erudita.

Há cultura numa sandes de couratos como há na sinfonia 40 de Mozart. Estimular o sentimento de pertença é muito importante. Mais do que a apropriação possessiva da cultura e o seu fechamento em nichos. E, também, encerrá-la em nacionalismos quanto mais genuinamente for representativa do ponto de vista identitário dos países em vez de a universalizar numa partilha acessível a todos. Prendendo-a em purismos ideológicos que acabam partidarizando-se e extremando-se. O samba é tanto do brasileiro quanto o fado é exclusivamente dos portugueses. Em nenhum dos casos é de políticos ou militantes partidários e transcendem fronteiras. Agregar e incluir deve ser uma prática comum. As apologias divisionistas devem ser abandonadas. Mal vai a cultura quando fica refém de partidos. De populismos. De centralidades. Também tem no sangue a ruralidade embora possa ser urbana. Não se dá bem só no litoral e a aposta no interior pode ser ganha.

Inverno está à porta e com ele surgem algumas doenças, com maior prevalência nesta altura do ano. Segunda as estatísticas as de maior relevância e impacto são: a gripe e as constipações, muitas vezes confundidas, mas diferentes. Porquê? Porque são causadas por tipos de vírus distintos. Foquemo-nos agora na GRIPE para que antes que ela nos bata a porta, saibamos como a podemos evitar. O que é afinal a gripe? A gripe é uma doença respiratória infeciosa, geralmente benigna, mas

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contagiosa, causada pelo Vírus Influenza. Esta doença, muitas vezes, passa por si só, mas pode evoluir para situações mais graves, como por exemplo a pneumonia. Como a podemos evitar? Há métodos muito simples que consistem apenas, em alterações de comportamento no nosso dia a dia que devemos pôr em prática e assim podem contribuir para tal como por exemplo: Lavar ou desinfetar as mãos com frequência; tapar a boca e nariz quando se tosse ou espirra; evitar o contacto com pessoas com

sintomas gripais; evitar partilhar objetos pessoais (copos, garrafas, etc.…). Os mais idosos devem evitar exposições prolongadas a baixas temperaturas (ficando nesses dias em casa), etc. … Estas regras são importantíssimas, mas o método mais eficaz de prevenir a gripe é a vacinação. A vacina oferece uma proteção muito elevada, ajudando o organismo a criar defesas contra o vírus da gripe, diminuindo assim a probabilidade de contrair a doença. Apesar de altamente eficaz, temos de ter a consciên-

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Propriedade: Metáforas e Parábolas Lda – Comunicação Social e Publicidade • Gestão da empresa com 100 por cento de capital: Sílvia Alexandra Nunes Agostinho • NIPC 514 207 426 Sede, Sede do Editor, Redação e Administração: Rua Engenheiro Moniz da Maia, Centro Comercial Atrium , nº 68 Loja 17 2050-356 Azambuja Telefones: 263 048 895 • 263 106 981 • 96 197 13 23 • 93 561 23 38 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 2273A • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 2273 A • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23 • Sílvia Agostinho • CP 6524 A • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934

cia que a proteção não é total, mas faz com que a doença se vier a manifestar-se, seja com muito menos agressividade e sem complicações associadas. Quem se deve vacinar? A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a vacina a qualquer pessoa com mais de 6 meses, mas é principalmente recomendada em: pessoas com mais de 65 anos; pessoas com doenças crónicas associadas, como por exemplo: doenças respiratórias, cardíacas, diabetes e hipertensão; pessoas com sistema imunitário debilitado; grávi-

Carlos Alves

Que modelo cultural para o século XXI? Inequivocamente um que respeite o passado pois só assim se pode construir o futuro. Onde a autonomia da sociedade civil deve estar contextualizada numa visão autárquica para a cultura que por sua vez deve estar enquadrada em políticas culturais governativas. Que respeite a cultura em si e no seu todo. A cultura popular ou outra será sempre mais importante do que a quem está entregue e os responsáveis devem somar e não excluir. Esta é mais do que defesas sectárias. A visão estratégica a perseguir deve ser de integração e não de afastamento. De síntese. De uma descentralização que evolui, idealmente, para a criação de novos centros. A irredutibilidade dos pontos de fala, nomeadamente de quem decide politicamente, do programador, dos críticos e do público será sempre contraproducente. A responsabilidade pode existir em partes desiguais, mas é global. Há caminho a fazer. Para que não se fique indiferente

Gripe, a importância da Vacinação

Outubro 2022

quando a cultura à frente dos nossos olhos é vandalizada. Independentemente de gostos e quezílias políticas. Embora possa parecer exagerada a crítica exigir, ansiosamente, limpar uma parede onde esteve uma fotografia criada por um artista, amplamente premiado, com urgência, criticando a incúria municipal pela ação tardia, em vez do repúdio pelo atentado ao elemento cultural exposto demonstra indiferença perante algo que nos eleva ao melhor de nós: a cultura. Mais não é do que pactuar com o modo como a cultura é tratada e respeitada habitualmente, num estado da arte continuamente longe da vista e ainda longe do coração de muitos. Para tranquilidade dos ânimos mais sensíveis as fotografias rasgadas já foram retiradas. Assim, vai à cultura entre nós! As minhas desculpas ao artista e público interessado.

Maria João Silva*

das; profissionais de saúde, trabalhadores em lares ou até mesmo os cuidadores familiares de idosos e crianças A vacinação da gripe deve realizar-se anualmente a partir de Setembro/Outubro oferecendo proteção apenas por 1 ano, já que o vírus se modifica, surgindo todos os anos com uma face nova (nova estirpe). Como e onde adquirir a vacina? A vacina pode ser adquirida: nos centros de saúde, em hospitais e nas farmácias. Na sua farmácia encontra informação sobre a melhor forma de se prevenir e

tratar contra a gripe. O seu farmacêutico está disponível e apto a esclarecê-lo sobra as vantagens da vacinação e a referenciá-lo ao médico se a situação o justificar. Não hesite! Informe-se e proteja-se. A palavra de ordem é PREVENIR. * Farmacêutica

09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente • Nuno Barrocas • multimédia@valorlocal.pt Colunistas: João Santos • Mário Frota • Lélio Lourenço • Rui Alves Veloso Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Cartoons: Adão Conde Diretor Financeiro: Luís Plarigo Departamento comercial: Rui Ramos • comercial@valorlocal.pt Serviços Administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt


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Política

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Partido Chega visita Centro Saúde de Azambuja, a unidade de uma médica só ma delegação do Chega esteve esta segunda-feira, 24 de outubro, de visita ao Centro de Saúde de Azambuja. O deputado Pedro Frazão, o presidente da distrital Pedro Pessanha, a vereadora Inês Louro acompanhados de vários elementos locais do partido e Armando Martins do Movimento Cívico pela Saúde em Azambuja testemunharam in loco a escassez de recursos humanos. “Estou a dar o meu melhor. Fiz um juramento e não baixo os braços”, refere logo ao início a diretora da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) e única médica ao serviço, Raquel Caetano, para além de um médico de recurso. 88 por cento da população do concelho de Azambuja não tem médico o que equivale a 7944 pessoas. A visita ao interior das instalações principia. As administrativas vão dando as boas-vindas, mas praticamente não há vivalma. Nem médicos a dar consultas, nem doentes a serem consultados. O centro de saúde de Azambuja é por estes dias um enorme elefante branco. Nos vários corredores, quase que se pode ouvir o silêncio. O deputado do Chega vai comentando e elogiando a qualidade das instalações e dos equipamentos. Uma pena que permaneçam sem uso, vão dizendo os visitantes. Numa

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Visita do Chega ao Centro de Saúde de Azambuja

das alas, é mostrada uma sala de reuniões. O ar condicionado das excelentes instalações está avariado já vai para anos. Os profissionais trazem os seus pequenos

aquecedores de casa para, nesta altura do ano, fazerem face à agressividade das condições climatéricas. Na sala de reuniões estava um desses aparelhos. Raquel

Caetano comenta que o pior é quando se tem de consultar bebés – “Não percebemos se choram porque está frio, ou por causa de algum problema de saúde”, enfati-

za para demonstrar que não é possível consultar bebés em condições extremas de temperatura, seja de verão, seja no inverno. A diretora da UCSP deixou a emoção falar – “Temos feito de tudo para conseguir que venham mais médicos. Queremos que a população se una em função desta causa. Tenho pedido ajuda e feito um esforço pessoal”. A pirâmide etária dos 21 mil 400 habitantes não é muito elevada, mas daqui a 10 anos pode complicar-se. A diretora refere que já houve cinco médicos alocados ao centro de saúde, um deles na extensão de Aveiras de Cima. – “Foi o máximo que tivemos!”. Para satisfazer as necessidades deveriam ser pelo menos 12. O número de enfermeiros é 12, e neste aspeto “a situação está colmatada, bem como a nível administrativo”. Armando Martins junta que “desde que está cá a doutora Raquel já se conseguiu colocar em funcionamento as casas de banho porque antes estavam algumas delas avariadas”. No fim da visita, Pedro Frazão reconheceu “as excelentes condições físicas do edifício, bem como da sala de esterilização, do autoclave, da sala de obstetrícia e de todo o circuito implementado para a vacinação da Covid-19”, mas lamentou “a falta de capital humano

no que respeita à falta de médicos”. Considerou ainda preocupante o facto de o ar condicionado não estar a trabalhar, nem ter sido ainda alocada uma central telefónica. O deputado promete levar o caso de Azambuja junto do ministro da Saúde na discussão do Orçamento de Estado. “Uma mudança de paradigma é o que o Serviço Nacional de Saúde necessita”, refere. No curto prazo, o deputado vê como uma das saídas a contratação de médicos das forças armadas, “que podem ser enviadas para cenários como este que é de calamidade, porque um centro de saúde onde não há médicos encontra-se nesse ponto de situação”. Inês Louro sublinhou a necessidade deste tema continuar na ordem do dia, “porque temos sido das forças políticas que mais se tem debatido por este tema no concelho, de que é exemplo o regulamento de incentivos aos médicos, onde tivemos um papel ativo, ao contrário da senhora vereadora do pelouro que só sabe chamar os outros de ignorantes”. “Vivemos um tempo de morte lenta na Saúde, porque há munícipes que não conseguem resolver os seus problemas a nível privado. Há pessoas que estão a sofrer muitíssimo com esta preocupação constante”.

PS

Eleições para a Federação Regional do Oeste disputadas entre Pedro Folgado e Brian Silva P edro Folgado, atual presidente da Federação Regional do Oeste (FRO) do PS, e o ex-presidente da concelhia da Lourinhã Brian Silva são para já os únicos concorrentes à presidência da Federação dos Socialistas no Oeste. O ato eleitoral está agendado para o dia 4 de novembro, à semelhança das restantes distritais do país. Pedro Folgado que avança com a moção “Mobilizar para Afirmar o Oeste”, sucedeu no cargo, após o falecimento do anterior presidente da Câmara de Torres Vedras Carlos Bernardes e agora concorre ao lugar. Segundo uma nota enviada ao Valor Local, Pedro Folgado assume esta candidatura “na continuidade do projeto” para o qual foi “desafiado por Carlos Bernardes”. “Esta candidatura representa a mais-valia da minha posição estratégica no Oeste, no Centro e ao nível autárquico, sendo detentor de informação privilegiada e estruturante”. No que toca a objetivos, o tam-

bém presidente da Câmara de Alenquer sublinha “o empenho para consolidar a estratégia do território, para fazer a diferença no espetro nacional e internacional”, recordando também a importância de “ajudar a consolidar as competências descentralizadas, na esperança de uma regionalização, acompanhando politicamente os eleitos locais para uma melhor decisão na disponibilização atempada de informação”. Do programa de Folgado, faz ainda parte o Novo Hospital do Oeste, a requalificação das estradas nacionais, apontando a insistência na construção do IC11 “para uma melhor mobilidade entre os municípios e mais rápido acesso à região Oeste” e na conclusão da “eletrificação da Linha do Oeste.” Ao cargo concorre também Brian Silva, atual presidente da Assembleia Municipal da Lourinhã e líder da bancada do PS na Assembleia Intermunicipal do Oeste. Brian Silva destacou no seu programa a que o Valor Local teve

acesso que um dos seus objetivos passa por “Unir e Fortalecer o Oeste”. O candidato sublinha que pretende “uma estratégia para a Região Oeste, envolvendo todos os militantes, a federação e os jovens”. Pretende reforçar a identidade do Oeste e ser uma voz ativa dentro e fora do Partido Socialista na defesa da região, “onde a diferença

é o fator de desenvolvimento e progresso deste território”. A semelhança de Pedro Folgado, defende igualmente a construção do novo hospital e o consequente reforço de médicos e enfermeiros. Nas acessibilidades, Brian Silva destaca a continuação da modernização da Linha do Oeste, bem como a construção do IC11, a

Folgado recandidata-se a um lugar que já ocupa

elaboração do Plano de Regadios para o Oeste, uma estratégia para a mobilidade na região e medidas para a habitação jovem. A este ato eleitoral, junta-se a eleição da presidência das mulheres socialistas da FRO, que neste caso será uma lista única encabeçada por Dora Pereira, vereadora na Câmara Municipal de Alenquer.

Na área de atuação do Valor Local, destaque para a candidatura única à Federação da Área Urbana de Lisboa (FAUL) encabeçada por Duarte Cordeiro que concorre ao lugar que já ocupa. Na corrida, chegou a estar Paulo Matos, no entanto não terá conseguido recolher os votos necessários à sua volta para esta candidatura.

Brian Silva da Lourinhã é um dos candidatos


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Ambiente

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Milhões de euros a caminho de Alenquer e Azambuja do Fundo Ambiental ministro do Ambiente anunciou ao Valor Local, em exclusivo, à margem de uma inauguração que teve lugar na Ota, que cada município no país será beneficiado por via do Fundo Ambiental com 13 mil 500 euros por cada megawatt instalado em parques fotovoltaicos. O Valor Local consultou os processos referentes a cada central prevista, e fazendo as contas, Azambuja, no caso da Central Solar da Torre Bela do grupo Neoen (50 MW) e Aura Power (150 MW), este concelho será beneficiado com 2 milhões 700 mil euros. Já a Central Solar da EDP Renováveis- Fotovoltaica Lote A, Quinta da Cerca, renderá no total da sua potência instalada de 200 megawatts, outros 2 milhões e 700 mil euros, verba que deverá ir na totalidade para o município de Alenquer, dado que Azambuja já não rece-

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berá painéis solares deste projeto, ao contrário do que chegou a estar previsto. Ainda no município de Alenquer, a Central Solar Enfinity Carregado com 63,50 megawatts pode significar a transferência de 857 mil 250 euros para os cofres daquele município. A central da Iberdrola que conheceu um longo processo, e que a dada altura abandonou a possibilidade de vir para o concelho de Azambuja, vai instalar-se no concelho de Alenquer e por uma potência de 61, 65 MW tal traduzir-se-á em 832 mil 275 euros. Já a Central de Triana com 22 MW traduzir-se-á em 29 mil 700 euros e a da Marmeleira com 12,1 MW- 163 mil 500 euros. “O Governo entendeu que deve haver uma justa compensação ao território pelos vários projetos que vão existir. A medida foi agora aprovada em conselho de minis-

tros, e seguirá para promulgação do senhor presidente da República para depois entrar em vigor”, anunciou Duarte Cordeiro. “Penso que são boas notícias para estes dois municípios, para que as populações sejam de alguma forma compensadas”, refere o governante. Ouvido pelo Valor Local Pedro Folgado, presidente da Câmara Municipal de Alenquer que pode encaixar vários milhões para o seu município diz que “não deixa de ser uma boa notícia a possibilidade de recebermos essas verbas que aplicaremos no concelho, mas ainda preciso de mais informação”. O decreto-lei nº 72/2022 estabelece em que termos se processa essa atribuição de verbas que deve ocorrer a partir do dia 1 de janeiro de 2023. “Ainda não falei com o senhor ministro, penso que é justo sermos ressarcidos,

mas quero saber como se passará essa transferência de verbas”. Já Silvino Lúcio, presidente da Câmara de Azambuja, reuniu-se na passada semana com Duarte Cordeiro, no âmbito da FAUL e lateralmente foi-lhe dito que de facto “o Fundo Ambiental vai pagar 13 500 euros por cada megawatt”. “O ministro disse que conta para este rácio todos os painéis fotovoltaicos instalados no concelho, com mais de um megawatt, quer projetos públicos quer privados, desde que registados numa plataforma, pelo que vamos ver qual será a contabilidade final. Já consultámos esse site e estamos a fazer agora as contas”. O autarca alega que vão entrar para estas contas os painéis solares dos novos pavilhões industriais e outros mais antigos implantados no concelho como os da Sonae, Gepack.

Duarte Cordeiro espera que esta compensação ajude os municípios a levar a cabo formas de beneficiar a população

Inaugurada Estação da Biodiversidade no Canhão Cársico de Ota O

Canhão Cársico de Ota integra agora, através do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), a Rede Nacional de Áreas Protegidas depois de em 2019 ter ganhado o estatuto de área protegida e estar inscrito desde 2014 na rede de geossítios de relevância nacional. Para assinalar mais um aniversário da criação do Monumento Nacional do Canhão Cársico de Ota, a Câmara de Alenquer inaugurou, no dia 7 deoutubro, um novo ponto de interesse naquela paisagem. Trata-se de uma estação da biodiversidade que consiste num caminho pedestre pedagógico, que trará maior autonomia aos visitantes. O trilho pedestre, dotado de sinaléticas interpretativas da fauna e flora, permite conhecer melhor a biodiversidade do local, sem necessidade de um guia. O ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, marcou presença na cerimónia. Nos discursos, o vereador Paulo Franco, com o pelouro do Ambiente, no município, lembrou o longo caminho que tem sido percorrido na defesa e conservação daquele monumento natural, salientando as parcerias com o meio académi-

co através de teses de mestrado em marcha nas universidades de Aveiro, Lisboa e Porto. O próprio município “tem duas biólogas” no seu quadro, “algo raro em municípios como o nosso”. A Câmara de Alenquer está a trabalhar a sua Rede Municipal de Conservação da Natureza, “numa estratégia pouco comum em Portugal, fora das áreas protegidas, mas com alto valor ecológico”, de que é exemplo a “Rota das Aves Autóctones e Emblemáticas do Concelho de Alenquer”. O município está ainda a desenvolver ações de “restauro de habitats” no domínio da gestão florestal. O presidente da Câmara Municipal, Pedro Folgado, lembrou o “esforço” do município para não deixar cair em esquecimento “a necessidade de preservação desta área”. “Atingimos este fim e conseguimos criar uma área protegida à semelhança do que temos no Montejunto”. “Investimos em recursos humanos para acompanharmos estes processos”, ressaltou. Duarte Cordeiro saudou o trabalho realizado pelo município, de que é exemplo “a criação de uma equipa

que trabalha a conservação da natureza”. O monumento natural faz agora parte da mesma rede de 52 parques existentes no país. “Muitas das espécies encontradas

no canhão são consideradas raras, endémicas, e como tal temos de valorizar estes tesouros naturais para garantir um presente e um futuro melhores para as nos-

sas populações”. O governante lembrou que o Estado mobilizou 86 milhões de euros na área da conservação da natureza. Estão ainda disponíveis quatro milhões

de euros do Fundo Ambiental, cujo aviso encerra esta semana, para ações de preservação das áreas protegidas nacionais em regime de cogestão.

Torre Bela: Ministro do Ambiente confirma que vai para a frente traçado que não perturba população de Casais das Boiças O

ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, em declarações em exclusivo ao Valor Local, anuncia que o traçado alternativo proposto pela população de Casais das Boiças será

o escolhido para o projeto fotovoltaico da Torre Bela. O novo traçado esteve em consulta pública durante este mês de outubro, sendo que prevê a deslocalização da Linha de Muito Alta

Tensão do interior da localidade para a zona de olival já na Quinta da Torre Bela, na opção pela denominada “Alternativa Poente no Troço Torre Bela/Vale de Judeus”.

Em declarações em exclusivo ao Valor local, Duarte Cordeira, afirma que foi possível chegar um consenso e a uma reunião de boas vontades entre os promotores, a Câmara de Azambu-

ja e as entidades estatais como a Agência Portuguesa do Ambiente e o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, sem atrasar “aquele que é o projeto nacional para as ener-

gias renováveis”. A negociação permitiu introduzir o novo traçado “de forma muito célere sem introduzir demoras na entrada em funcionamento deste centro de energia fotovoltaica”.


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Centrais Solares no concelho de Alenquer vão produzir energia para 700 mil pessoas O Valor Local cumpriu um périplo com a Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer pelos vários terrenos onde estão em desenvolvimento ou para onde estão previstas as várias centrais solares que Alenquer vai acolher. Vamos conhecer os projetos, os seus impactes, e benefícios. Sílvia Agostinho

Central Solar da Marmeleira Alambi faz um diagnóstico da implantação destas centrais no território ntre as localidades de Guizanderia, Marmeleira e Ferraguda na freguesia de Alenquer e na do Carregado encontra-se um dos projetos fotovoltaicos resultantes do leilão solar de 2019. A Central Solar da Marmeleira, da Solaria, empresa espanhola, é apenas uma das quatro que tem a seu cargo no nosso país, num investimento total de 23 milhões de euros. Com uma potência de 12,1 Megawatts (MW), desenvolve-se numa área contratada de terreno de 34,7 hectares, sendo que 13 hectares são para painéis solares. Apesar da sua área de implantação ser menor em comparação com outros projetos similares a decorrer neste município, foi dos que mais resistência recebeu por parte do município, que desejaria construir naquele local um parque desportivo. Depois de pressões nos bastidores por parte do secretário de Estado da Energia, João Galamba, as quais Pedro Folgado, presidente do município de Alenquer, reconheceu numa entrevista ao Valor Local, a decisão sobre a implantação deste projeto, resolveu-se com a aquisição do terreno por parte da empresa a um particular, à partida em regime de arrendamento, como é tónica dominante neste tipo de empreendimentos, pois existe um período de vida útil para as centrais fotovoltaicas em análise. Parte desse terreno como é intenção do município deveria ser consagrado à construção do parque de jogos, mas segundo Pedro Folgado, presidente da Câmara, a intenção está a esbarrar na relutância por parte de um dos três proprietários, pelo que o município encontra-se a estudar outras soluções, não estando de parte recorrer à expropriação. O parque solar encontra-se bem visível das principais vias de comunicação e é dos que convive mais de perto junto de áreas habitacionais. Numa zona erma onde o parque está desenvolvido, vive uma família em condições precárias, que no dia da nossa reportagem tinha roupa pendurada no gradeamento que isola o acesso ao parque. A Alambi tem muitas dúvidas dos contornos sociais desta obra, “até porque não estamos a ver que tipo de harmonia existirá aqui com um campo de jogos mesmo ao lado”. A informação sobre esta central devido à sua pequena dimensão é escassa, segundo a ALAMBI, “e não deverá ter sido necessário estudo de impacte ambiental”, avalia Francisco Henriques daquela associação. Não existe informação sobre o número de painéis. A nossa reportagem esteve com a Alambi no local chamado de “Quinta do César”, “onde em tempos havia carvalhos, sobreiros e azinheiras, arrancados há vários anos, sendo que pouco sobra atualmente, ou seja vamos ter um parque desportivo e um parque fotovoltaico onde antes tínhamos espécies protegidas”.

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Central da Marmeleira uma das que está mais adiantada no concelho

Central Solar Enfinity Carregado steve em consulta pública entre 1 de fevereiro e 12 de março de 2021, o projeto da Enfinity da Central Solar do Carregado que prevê um total de área ocupada de 72 hectares para uma área total do lote de 132 hectares. O investimento é de 40 milhões. A Enfinity Renewables é uma empresa norte-americana de Delaware em expansão no mercado das renováveis. Com projetos em desenvolvimento no Japão, México, Itália, Portugal, Estados Unidos da América, Índia e Tailândia, a empresa desenvolve “soluções energéticas para ajudar a alcançar a neutralidade carbónica e permitir uma transição sustentável para uma economia internacional livre de carbono”, pode ler-se no seu site. A potência do projeto que se estende entre o Camarnal e Cheganças chegando quase à base da Ota terá uma potência de 50 MW. No total do seu mercado, a Enfinity tem uma quota de mercado a nível global de 4,8 gigawatts. A linha elétrica possui oito quilómetros e para além de atravessar a freguesia de Triana e Alenquer chega ainda ao concelho de Azambuja, em Vila Nova da Rainha. Serão instalados 111 mil 214 módulos fotovoltaicos. Segundo a Alambi, este projeto estará maioritariamente integrado em área florestal, em zona de eucaliptos, “pelo que não virá daí grande mal ao mundo”, exemplifica. Os terrenos previstos são em zona máxima de infiltração, o que requer “determinados cuidados”. Esta central em conjunto com a de Triana e a da Cerca formam um núcleo de 350 hectares entre a União de Freguesias de Alenquer (Santo Estevão e Triana) até à Ota. A única clareira neste vasto território florestal será na zona da cimenteira da Cimpor que se encontra em laboração, segundo a Alambi.

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Central Fotovoltaica de Triana Central Fotovoltaica de Triana foi a primeira a ser aprovada no concelho de Alenquer e está a cargo da Eurowind Energy S/AM, um grupo dinamarquês, que adquiriu o projeto a uma empresa que estava encarregue desta central numa fase inicial, a Hyperion Renewables, facto do qual demos conta em 2021. Com a capacidade total de 22 MW, esta Central está construída numa área de 33 hectares, composta por 40.741 paneis fotovoltaicos que terão uma produção estimada de cerca de 43.900 MW anuais, o equivalente ao consumo de aproximadamente 14 mil 100 famílias, e evitará a emissão de 19.135 toneladas de CO2 na atmosfera em comparação com a produção de eletricidade de fontes convencionais, pode ler-se no site da empresa. Este parque solar, segundo a empresa no seu site, está concluído há muito pouco tempo. Francisco Henriques refere que este projeto a par do de Marmeleira é dos mais pequenos implantados no concelho, mas “aparentemente com mais área de implantação de painéis”. Com presença na Europa e Estados Unidos da América, a Eurowind detém mais de 700 MW de capacidade eólica e solar já em operação e gere ainda outros 800 MW de capacidade renovável detida por terceiros.

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Central Solar da Cerca EDP Renováveis iniciou recentemente os trabalhos preliminares de construção do projeto da Central Fotovoltaica da Cerca, situado na área do concelho de Alenquer com uma potência total prevista de 142 a 187 MW. No terreno, na área C2, no dia da nossa reportagem, permaneciam alinhados vários pacotes de caixas com painéis, prontos a serem desempacotados. O projeto inicial que previa ainda a colocação de painéis solares no concelho de Azambuja na denominada Quinta da Cerca, foi abandonado pela empresa, pelo que nesta altura apenas se prevê a passagem das linhas elétricas na área deste município. Inicialmente seriam 458 mil painéis, mas atualmente e dada a diminuição da área, está confinado a 312 mil 620 painéis. Segundo o gabinete de imprensa da EDP Renováveis ao Valor Local, o projeto “está a desenvolver-se com total normalidade e prevemos executá-lo nos próximos meses”. O projeto que será um dos maiores do género no concelho e na região foi alvo de discussão em reunião de Câmara de Alenquer, com a oposição a acusar o executivo de negociar mal as contrapartidas, que passarão pela requalificação da Estrada de Vale Carros em Ota mais o pagamento de 213 mil euros para os cofres do município. No concelho de Azambuja, onde nesta altura vão ficar apenas linhas adstritas ao projeto, foram distribuídos apoios a instituições no valor de 120 mil euros. O projeto da Fotovoltaica da Cerca prevê uma extensão a nível das linhas elétricas na ordem dos 16,1 quilómetros e a criação de uma subestação em Vila Nova da Rainha, desenvolvendo-se entre o concelho de Azambuja ocupado por linha elétrica e ainda nas áreas C2 (Pombal) e C3 (Alvarinho), as duas em território de Alenquer. Em 2021, a Câmara de Alenquer já tinha dado luz verde ao projeto com a aprovação do Pedido de Informação Prévia (PIP) remetido pela empresa que pretende, então, instalar a central nos prédios denominados “Quinta da Bemposta” situado na localidade de Camarnal, “Casal Morais”, “Herdade do Paul de Ota”,

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Entrada para as instalações da Central de Triana

“Casal d’El Rei”, “Herdade do Pombal” e “Quinta do Pombal”, na União de Freguesias de Alenquer (Santo Estêvão e Triana)”, refere a minuta do contrato de urbanização. Embora não estando inscrita em área de Reserva Agrícola Nacional “tínhamos aqui uma grande zona de produção agrícola”, refere Francisco Henriques. A Alambi espera que sejam tomadas medidas para minimizar os impactes visuais das três centrais situadas na mesma mancha florestal, com “a construção de sebes”, porque “apesar de estarmos numa área remota não deixa de ser uma zona de grande implantação de painéis fotovoltaicos que substituirá uma vasta área de pivots de rega ou seja de agricultura. Todo este corredor é habitado por espécies protegidas como a águia de Bonelli ou o bufo real”, acrescenta. A grande difusão de linhas elétricas levou a comissão de avaliação de impacte ambiental a emitir a recomendação para que seja minimizada a possibilidade de embate das aves. Toda a zona entre Bemposta e Cheganças será impactada pelas três centrais em análise. No seu conjunto vão conseguir produzir energia para mais de 200 mil habitações. A proximidade à central do Carregado, ponto de injeção na rede, tornou Alenquer o concelho mais procurado da região para estes projetos. Ao Valor Local, Pedro Folgado refere que é intenção do município “ir monitorizando” o andamento dos projetos e o seu funcionamento. “À medida que se vão implantando enviamos lá a fiscalização para aferirmos da conformidade”, refere.

Central Fotovoltaica do Carregado -Iberdrola Central Fotovoltaica do Carregado, neste caso a cargo da Iberdrola, prevê uma potência instalada de 50 MW. A disposição dos painéis solares será essencialmente na zona de Ota, enquanto as linhas passam pela União de Freguesias de Alenquer (Santo Estevão e Triana) e pelo concelho de Azambuja/Vila Nova da Rainha. Será o segundo maior parque a edificar no concelho. Pelo que conseguimos apurar após consulta, este projeto está previsto para uma área total de 260 hectares, sendo ocupado em 106 hectares por painéis fotovoltaicos, e contemplará um total de 147 mil 940 painéis, menos 4500 do que os previstos inicialmente para a Herdade de Vale do Mouro no concelho de Azambuja. Em 2020 esta localização foi a primeira escolha da empresa, depois abandonada, e previa 152 mil 440 painéis. A central ocupará um território composto atualmente em 70 por cento por eucaliptos. Serão ainda abatidos cerca de 20 sobreiros, que deverão ser replantados. No seu total e analisadas todas as centrais, a energia produzida será a necessária para provir 700 mil pessoas. O tempo o dirá se os impactes no território valerão a pena em função do desígnio nacional das renováveis. “O planeta está a rebentar por todos os lados, temos de recorrer a fontes alternativas de energia, minimizar a extinção de espécies, produzir alimentação para as pessoas, não é fácil equacionar todas estas questões”, finaliza Francisco Henriques. No caso daquilo que são os vários projetos, o ambientalista espera que haja fiscalização, “que não seja como nas pedreiras”. “À partida as entidades fizeram um bom trabalho, a Câmara deu ideias construtivas e pertinentes, pese embora a falta de promoção do debate público sobre este tema”, lamenta. Neste aspeto, Pedro Folgado refere que “por norma as pessoas acabam por ser desligadas destas questões, infelizmente, mas tenho a certeza que quem quis saber mais encontrou informação”.

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Painéis da EDP Renováveis na denominada área C2


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