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Rádio Valor Local - www.valorlocal.pt - Ouça em todo o lado Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 95 • 28 Janeiro 2021 • Preço 1 cêntimo

Valor Local Rádio Valor Local na 19

Presidenciais 2021

Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, entrevistado na Rádio Valor Local

Política na 17

Autárquicas 2021

6203 infetados e 268 óbitos na Região

Covid-19: O impacto tsunami da 3ª vaga

Destaque da 10 à 14

Rui Corça é o candidato do PSD à Câmara de Azambuja Central Fotovoltaica da Cerca- “Sai mais um” mega parque solar para Azambuja e Alenquer Ambiente na 9 PUB


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Lançou campanha de crowdfunding porque não consegue ter apoios

João Leal sofreu acidente de trabalho mas só quer um emprego oão Leal vive em Azambuja há cerca de um ano e está na iminência de ser despejado da casa onde vive em Casais do Farol. A meio do ano passado sofreu um acidente de trabalho na Auchan, mas praticamente não usufruiu da baixa do seguro, porque estava a dias de terminar o contrato, e porque foi dado como apto para trabalhar sem o estar. Considera que foi vítima de uma manobra do seguro e da agência de trabalho temporário. Com ele vive a mãe, que possui uma doença incapacitante – fibromialgia, e a irmã ainda em idade escolar. Lançou mão de uma campanha de crowdfunding na internet pois não tem mais do que 200 euros por mês para viver, verba proveniente da pensão de viuvez da mãe, mais 30 euros de um cheque para alimentação da Câmara. Ao Valor Local conta que se pudesse “preferia um emprego”, mas não tem mobilidade. Devido à covid, aguarda há meses por uma operação ao joelho no Hospital de Vila Fraca. Ficou incapacitado para o trabalho. Sonha um dia em conseguir um emprego como motorista numa qualquer empresa e todos os dias poder enfrentar o trânsito, porque adora conduzir. O subsídio de desemprego terminou há poucas semanas. Até que os sonhos se concretizem, os dias são todos iguais. Com 28 anos, João Leal conta que sempre trabalhou, nomeadamente, no setor da logística mas a vida trocou-lhe as voltas: uma carga de paletes caiu-lhe em cima, e hoje praticamente só coxeia. Tem uma advogada a tratar do caso com a companhia de seguros, mas como a justiça “traba-

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Sem poder andar, João Leal tem muitas dificuldades em conseguir arranjar trabalho

lha mais lenta do que a carvão”, João Leal apesar de ter a convicção de que pode sair indemnizado de todo o episódio na Auchan, sabe que ainda vai demorar tempo. Por outro lado, deixou de pagar de conseguir pagar a renda de casa e no fim do mês pode vir a ser despejado junto com a mãe e a irmã. “O senhorio teve alguma paciência mas agora já não consegue. Não quero alongar-me quanto a isso porque não quero criar vilões nesta história”, resume. A verba que indicou na cam-

panha de crowdfunding (https://www.gofundme.com/f/BE THEIRHERO), que criou com a ajuda de um amigo é de 75 mil euros, mas explica que é meramente indicativa – “No fundo dava para sair daqui e comprar uma casa, não quer dizer que tenha de ser esse valor”. Até à data apenas conseguiu angariar o suficiente para ir pagando algumas faturas das despesas da casa. João Leal é oriundo de Marinhais, e conta que a família não tem para onde ir no fim do mês. Já foi

pedir uma casa à Câmara de Azambuja, “mas há mais gente na fila”. Contudo resume que as respostas do município são sempre “evasivas”, mas conforma-se, realçando que mais do que tudo gostava de poder andar e voltar a fazer a sua vida como sempre fez. “Trabalhei sempre horas a mais na logística para ver se conseguia trazer o máximo para casa, mas tive azar”. Tem várias roturas menisculares que o impedem de regressar à vida ativa, e que podem ser um senão na hora

de assinar contrato “por causa das seguradoras” mesmo que fosse num emprego “à secretária”. Ainda não tratou do Rendimento Social de Inserção porque esta família ainda tem morada no concelho de Benavente. Tem de ir à Segurança Social em Azambuja. Um trajeto curto mas que se afigura gigantesco: “Não tenho dinheiro para pagar transportes para ir lá abaixo e quando tenho de ser eu a tratar desses papéis. Não deixam a minha mãe tratar

do assunto por mim”. “Preferia arranjar um emprego em que em que me viessem buscar a casa, ou que me pudessem dar um computador para trabalhar em casa, e pagar o meu sustento do meu próprio bolso”, resume. O desespero tomou conta desta família e esclarece que no curto prazo se pudesse arrendar outra casa seria algo mais do que bemvindo. Como se o azar já não fosse o suficiente, a casa onde vivem corre risco de derrocada. Recentemente o tema foi debatido em reunião de Câmara, porque o proprietário desta habitação e do terreno em volta queixou-se ao vereador do PSD, Rui Corça sobre o estado de coisas. A barreira que sustenta os depósitos da água de Casais do Farol, que se situa por cima do terreno em causa, está no limite e embora a Câmara já tenha assumido que vai proceder à consolidação do talude, certo é que todos os dias esta família vive com o coração nas mãos. “As assistentes sociais da Câmara sabem que nós estamos a viver num sítio perigoso. Há zonas onde já não existe qualquer tipo de sustentação. Certas árvores que estavam lá mais distanciadas, agora já estão a pender para cima de uns anexos do senhorio aqui ao lado”. A família não tem muitas ajudas de restantes familiares. “Um rapaz conhecido trouxe-nos um avio de supermercado para passarmos o Natal e a passagem de ano de uma forma melhor, mas foi só, e sem que eu pedisse nada”. Os dias passam e sem solução esta família não sabe para onde seguir com a sua vida face às doenças, à incapacidade, e à falta de dinheiro.

EDP relaciona cortes de luz na região com baixas temperaturas urante este mês de janeiro, aconteceram sucessivos cortes de energia elétrica na região. Só no concelho de Azambuja, as falhas aconteceram durante vários dias seguidos, com transtorno para as populações. De acordo com a EDP Distribuição ao nosso jornal, “devido à vaga de frio que se sentiu no início do ano, com temperaturas muito baixas, e agravado possivelmente do confinamento que estava em curso, registaram-se consumos muito elevados na rede de baixa tensão, provocando em vários circuitos a sobrecarga dos mesmos, tendo atua-

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do o fusível de proteção”. Neste momento, a situação reportada já se encontra normalizada, refere a empresa. Para resolver esta situação, foram efetuadas várias intervenções ao nível da rede de baixa tensão, nomeadamente deslastres de cargas entre circuitos (passagem de clientes de circuitos mais sobrecarregados para circuitos com menos carga) e noutras situações “atuamos ao nível de equilíbrio de cargas entre fases”. A EDP Distribuição refere que estas situações não se relacionam com falta de potência “mas sim com a descida

abrupta das temperaturas, em particular nas redes de baixa tensão, nas zonas urbanas, que também poderão ter sido potenciadas por uma alteração do padrão de consumo da energia elétrica, devido ao teletrabalho. A atuação imediata da empresa permitiu mitigar estas situações.” Sobre possíveis queixas da população por avarias nos aparelhos elétricos, a EDP diz que estes incidentes não são causadores de danos, e que por isso não recebeu queixas. Contudo ao nosso jornal chegaram queixas da população de danos em eletrodomésticos.

Neste momento, a situação reportada já se encontra normalizada


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Vistoria detetou falhas graves de segurança

Casa do Povo de Aveiras de Cima vai aproveitar apoio da Câmara para obras profundas Sílvia Carvalho d’Almeida Casa do Povo de Aveiras de Cima encontra-se neste momento em obras de requalificação do espaço, que lhe permitirá cumprir os requisitos básicos de segurança. As obras, que serão financiadas pela Câmara Municipal da Azambuja em 80 por cento, têm um custo estimado de 114 mil euros. Em entrevista ao Valor Local, José Manuel Pratas, presidente da associação, conta-nos que foi necessário remover portas, colocar portas anti- pânico, bocas de incêndio, mudar toda a rede elétrica, e alargar o passadiço de evacuação, entre outras intervenções. O grave incêndio que ocorreu numa associação recreativa em Vila Nova da Rainha no Concelho de Tondela, em janeiro de 2018, e que causou “oito mortos e 34 feridos”, levou o presidente da Câmara, Luís de Sousa, a nomear uma comissão que efetuou uma vistoria a todas as coletividades do concelho verificando que “poucas ou mesmo nenhumas tinham as condições exigidas”. O relatório foi dado a conhecer há pouco tempo e a Câmara está disponível para ajudar a financiar as obras nas várias associações. Praticamente todas elas apresentam deficiências graves a nível da segurança. Com um projeto aprovado pela Autoridade Nacional de Proteção Civil, a Casa do Povo decidiu então concorrer aos apoios camarários criados para o pro-

Foto de arquivo

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José Manuel Pratas apela à população para que volte a dar a mão à coletividade

pósito, e José Manuel Pratas crê que esta será a primeira no concelho a obter a certificação necessária. A crise pandémica causou uma subsequente perda de receitas “não só à Casa do Povo mas a todas as associações”, no entanto José Manuel Pratas assegura-nos que tinha “disponíveis os 20 por cento restantes”, pro-

venientes de “poupanças que se conseguiram fazer”. O bar, o gabinete de análise e o de massagens, as cotas pagas pelos associados, e um apoio da Câmara, que no ano transato ascendeu aos seis mil euros garantiam o financiamento da associação, no entanto, devido ao confinamento imposto pelo Governo, o bar e o gabinete de

massagens não estão em funcionamento, a exceção é mesmo o de análises, praticamente a única fonte de rendimento. Também as atividades estão suspensas. A associação, que faz 50 anos no próximo dia 11 de maio, foi quase toda construída com fundos da Segurança Social, e a sua principal função era a de

acolher as festas do povo, na sua maioria rurais. Com a mudança de regime, esta “deixou de ter o impacto que tinha na altura”. Atualmente, e em condições normais, as atividades que proporciona à população são: o rancho folclórico, o karaté, a columbofilia, e a prática de ballet. Para ser associado basta ins-

crever-se e pagar uma quotização anual de 7,5 euros, tendo acesso a todas as modalidades. José Manuel Pratas lembra outros tempos da coletividade quando havia um grupo de teatro, que inclusivamente ganhou dois prémios a nível nacional pela Inatel, e que tinha sempre muitos participantes, embora faltasse público nos espetáculos. Diz não compreender o porquê do desinteresse da população, mas gostaria de mudar o estado de coisas. Mas à época os seus custos eram muito elevados e os apoios não chegavam para cobrir as despesas. O presidente da coletividade lamenta, e diz mesmo que um dos seus maiores sonhos é trazer o teatro de volta. Com a voz embargada, deixa uma mensagem para os habitantes de Aveiras de Cima: “Em nome da casa do povo apelo a que participem (quando acabar o confinamento, claro) nas atividades, que se façam associados, para que as coletividades tenham um nicho para poderem sobreviver”. Recorda ainda que todos os associados podem concorrer aos cargos executivos e dar sugestões para o bom funcionamento da associação, desde que sejam “críticas construtivas”. Conta-nos, por fim, que fizeram um convite muito especial para o aniversário da Casa do Povo, que se aproxima, ao presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa para que esteja presente.

Testes da Biosurfit permanecem um canto na sala do presidente da Câmara Azambuja o início da pandemia, foi notícia a compra dos equipamentos com recurso à tecnologia spinit propalados como eficazes no rastreio à presença do vírus Sars Cov-2 à empresa de biotecnologia, Biosurfit, sedeada no concelho de Azambuja, por parte do município, mas até hoje continuam por utilizar. Luís de Sousa deu a conhecer que estão no seu gabinete à espera de possuir licença para serem disponibilizados ao centro de saúde por parte da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo. A Câmara adquiriu cinco aparelhos que dão uma fotografia sobre o estado

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geral de saúde do organismo, mas que nada têm a ver com os denominados testes PCR quanto à presença do vírus em causa. São úteis na deteção de infeções a nível geral. “Na altura o centro de saúde também disse que não tinha profissionais com capacidade para operarem o equipamento de forma que estão no meu gabinete atrás da porta” e que custaram 15 mil 750 euros. Luís de Sousa não esconde que “o investimento está empatado”. A Câmara também adquiriu algumas centenas de testes rápidos Covid-19 que têm sido efetuados junto dos funcionários e em parte junto das instituições.

Tecnologia spinit é usada nestes testes


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Episódio Torre Bela- Fencaça deixa aviso:

“Se o ministro proibir as montarias abre a porta à entrada da peste suína africana no país” Quinta da Torre Bela organizou caçada e já desflorestou grande parte do seu território para parque fotovoltaico

epois da montaria, ocorrida em dezembro, na Torre Bela que resultou no abate de 540 espécies, soaram as campainhas no setor da caça, e o Governo convocou pela primeira vez em anos o Conselho Nacional da Caça e da Conservação da Fauna para reunir contributos dos representantes daquele setor, mas também das associações de defesa do ambiente e da conservação da natureza e florestas. Ouvido pelo Valor Local, Jacinto Amaro, presidente da Federação Portuguesa de Caça (Fencaça) diz que as reuniões estão a encaminhar-se para o encerramento da atividade nas propriedades como a Torre Bela, ou nas tapadas de Vila Viçosa e de Mafra, diz que o ministro do Ambiente, Matos Fernandes conhece pouco o sector, e de estar prestes a destruir uma atividade económica. Nas primeiras abordagens com o Governo, Matos Fernandes “pensava que andávamos todos aqui de qualquer maneira, que isto era tudo uma grande balbúrdia, e que a atividade da caça pouco ou nada estava regula-

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mentada. Foi preciso mostrarmos que obedecemos a uma lei, e que foram realizados censos, entre muitos outros aspetos que foram alvo de reformulações, ao longo dos anos, e inscritos nessa lei”. No seguimento do que aconteceu na Torre Bela, o governante leu a Lei da Caça, e “verificou que estão lá os princípios fundamentais da atividade e da preservação da natureza e do equilíbrio na gestão das espécies” ao contrário do que julgava. Recorde-se que a atividade cinegética apenas passou para a alçada da tutela do Ambiente na presente legislatura. Jacinto Amaro defende que uma das pechas do setor diz respeito à falta de fiscalização por parte do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) atualmente, sendo que no passado a atuação daquele organismo do Estado já foi melhor, com mais presença no terreno por parte dos seus inspetores. Se as montarias forem limitadas ou proibidas dentro das grandes propriedades rurais como a Torre Bela, ou seja nos cercados, vedados com muros ou com

rede cinegética, poderá surgir “um grande problema ao nível do equilíbrio das espécies porque o javali é uma praga, e quando já temos a peste suína africana noutros países”, para além do impacto “que esse tipo de animais tem nas espécies menores, casos das perdizes, das arvelas, dos coelhos, e das lebres, entre muitas outras, pois alimentam-se dos ovos desses animais, comprometendo o equilíbrio dos ecossistemas”. Jacinto Amaro diz que no fundo “essas propriedades funcionam como uma espécie de explorações pecuárias, em que a presença das espécies de caça maior é fiscalizada pelas direções regionais de veterinária e agricultura, e o próprio ministro percebeu isso, mas continua a querer proibir a caça”. O responsável por esta federação vai mais longe – “Aquilo que aconteceu na Torre Bela foi uma exceção porque o dono quis livrar-se dos animais para construir uma central fotovoltaica, isso foi um acontecimento isolado no mundo da caça, porque regra geral os proprietários não andam a dizimar

numa caçada todos os exemplares que se encontram nas suas quintas”. Se a medida for para a frente “acaba-se com o abate de javalis e de veados o que seria uma brutalidade numa altura em que a própria União Europeia está a avisar para os perigos da peste suína africana, e mesmo que queira só limitar é preciso cuidado”. “Se temos o azar da peste suína africana entrar na Península Ibérica lá se vão os porcos ibéricos para o barril, lá se vai o presunto de pata negra, o que significará uma perda significativa nesta cadeia de valor”. Jacinto Amaro diz que a ser assim o ministro pode passar a ficar conhecido como aquele que acabou com “a raça dos porcos mansos”. O responsável assegura que o grande desequilíbrio no setor está na caça menor “porque há 30 anos tínhamos coelhos em excesso e com a doença hemorrágica viral associada a essa espécie hoje temos um enorme défice, enquanto a caça maior tem populações excedentárias, ora se acabarmos com a caça ao javali vamos ter ainda mais

problemas”. Para além disso “se deixamos que os animais se multipliquem não há floresta que resista lá dentro dessas propriedades”, ilustra para dar a conhecer o efeito pescada de rabo na boca do que possa estar em perspetiva. “No fundo ele (o ministro) já percebeu que a Lei da Caça não foi feita por malucos e fundamentalistas da caça mas por colegas dele socialistas como os antigos governantes Jaime Silva, António Serrano, e Capoulas Santos, gente bom senso e todos eles mais conhecedores do meio rural do que este ministro, até porque são oriundos destas zonas do país, aliás o doutor Capoulas Santos, na minha opinião, não quis continuar no Governo à frente da pasta da Agricultura porque, nesta legislatura já planeavam, retirar-lhe esta vertente da caça, e das florestas”. Jacinto Amaro diz que é tempo de “nos distanciarmos do episódio da Torre Bela em que os espanhóis da Monteros de la Cabra foram para a internet para se gabarem e meterem inveja a grupos rivais da caça, e pensar-

mos de forma integrada no futuro do setor”. Paralelamente, e no processo de investigação em curso à montaria da Torre Bela, o proprietário já veio a público afirmar que adquiriu cerca de 200 selos para os caçadores que estiveram no local em meados de dezembro, mas o ICNF assegura que não forneceu quaisquer selos, neste aspeto Jacinto Amaro refere que há outras entidades a venderem selos como é o caso da sua federação e da Associação Nacional Portuguesa de Caça. “Sei que a Torre Bela tinha comprado cerca de 300 selos a uma das associações, e não quer dizer que os use todos de uma vez”. Uma nova reunião do Conselho Nacional de Caça está agendada para daqui a dois meses. O Governo pretende entre outras matérias a realização de censos regulares das espécies selvagens, comunicação prévia das montarias, regulamentação ou proibição dos cercões e a obrigatoriedade de todas as zonas de caça terem um responsável técnico da sua gestão.


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Escândalo da Bitcoins foi há um ano - E depois do adeus! Sílvia Carvalho d’Almeida empresa Options Knight, que em finais no ano de 2019 tinha sido acusada de fraude, e que lesou vários munícipes do concelho da Azambuja (muitos deles em Aveiras de Cima), parece ter desaparecido por completo. Depois de ter fechado as portas da sua localização em Aveiras de Cima, agora foi a vez da sua página de Facebook ter sido removida. Tal como foi noticiado pelo Valor Local, a empresa com sede em Miami, convidava as pessoas a investir em bitcoins, e prometia lucros de 7 por cento por semana, muito mais do que as instituições bancárias oferecem. Estas deveriam investir um mínimo de 500 euros para entrar no negócio, e atrair novos investidores, mas muitas delas acabaram por investir grandes somas de dinheiro, recorrendo a créditos bancários e hipotecas, muitas vezes a poupanças de uma vida. Investimento do qual nunca mais tiveram retorno, dinheiro ao qual perderam o rasto. Viram-se envolvidas num esquema em pirâmide, no qual os membros mais antigos recebiam o dinheiro dos membros mais recentes. O que

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gação estaria ao cargo do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). O Jornal Valor Local contactou Valter Agostinho residente no

concelho de Azambuja, um dos lesados da Options Knight mas também um dos principais rostos da mesma no concelho, para que nos desse o seu testemunho, no entanto após ter concordado com a marcação de uma entrevista, faltou ao compromisso, não respondendo mais às nossas chamadas. Contactámos também o Diretor Nacional da Polícia Judiciária (PJ) e o DCIAP na tentativa de obter informações atualizadas sobre este caso, no entanto à data de fecho deste jornal não obtivemos resposta. Segundo a Deco Proteste, “a bitcoin é sinónimo de valorizações estonteantes”. Partindo literalmente do zero quando foi criada, a bitcoin começou uma escalada impressionante que a levou a atingir quase 20 mil dólares em algumas bolsas de bitcoin no mês de dezembro de 2017, antes de perder mais de 80 por cento desse valor e regressar aos 3 mil dólares um ano depois (dezembro de 2018), valor que desde aí voltou a quadruplicar. Tudo isto com subidas e descidas diárias que, de forma rotineira, ultrapassam os 10 por cento o que a torna num investimento de risco.

do pela autarquia para a antiga PERI, ou seja estamos a falar do regime excecional de regularização de atividade, mas que cessou com o abandono daquelas instalações no Carregado por parte da anterior indústria, não tendo caráter transmissível

para a empresa que se veio a instalar de forma ilegal. Foram levantados dois autos de contraordenação por ocupação ilegal do terreno e pelo desenvolvimento de atividade não legalizada, que esbarra com a RAN e o PDM.

A empresa chegou a ter uma loja em Aveiras de Cima

aconteceu, foi que com a desvalorização da criptomoeda na altura, o número de investidores baixou drasticamente, o que fez com que o esquema colapsasse.

O Banco de Portugal emitiu então um comunicado, alertando para o facto desta empresa não ter autorização para atuar em Portugal.

Segundo o Correio da Manhã, foi constituído um arguido neste caso, após uma “comunicação de suspeita de branqueamento do Banco de Portugal”. A investi-

Câmara de Alenquer processa empresa dos contentores presidente da Câmara de Alenquer, Pedro Folgado, informou durante o decurso de uma das últimas reuniões de Câmara que já colocou em tribunal a empresa de contentores que ilegalmente ocupou o espaço da antiga PERI na zona da Barrada no Carregado. A Green Iberica falhou todos os prazos para sair do local pelo que a autarquia entendeu que não haveria outra solução, sabendo de antemão que o processo vai ser longo e que pode arrastar-se durante anos nos tribunais. A Câmara de Loures levou sete anos num processo em tudo idêntico. Ernesto Ferreira, vereador da CDU, lamentou o estado de coisas, até porque lhe foi relatado que a empresa “exerce a sua atividade de forma descontrolada, e faz barulho numa zona habitacional para lá das 10h00 da noite”. Recorde-se que a população da Barrada insurgiu-se contra a instalação do parque de contentores devido ao intenso tráfego de camiões e por se encontrar nas imediações da escola básica integrada do Carregado. Sabe-se

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que a empresa pretende movimentar a sua atividade para uma zona do concelho de Alenquer compatível com o uso dos solos para aquele tipo de indústria, mas o projeto ainda se encontra numa fase incipiente, sendo que o município não quis

esperar mais tempo para agir contra a Green Iberica. Recorde-se que ainda antes da empresa ter assentado arraiais no Carregado, houve uma conversa informal no átrio da Câmara com os seus representantes e o presidente da autarquia, e

logo nessa altura Folgado referiu aos empresários que a localização não reunia condições. O que se seguiu foi uma ação de livre arbítrio por parte da Green Iberica que se desculpou junto da Câmara ao alegar que esperava beneficiar do RERAE emiti-

Processo pode arrastar-se durante anos nos tribunais


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Presidente da Câmara de Alenquer assegura que não fez promessas à Associação Desportiva do Carregado presidente da Câmara de Alenquer foi confrontado pela oposição quanto a críticas da direção demissionária da Associação Desportiva do Carregado. Fernando Silva que está de saída do clube diz, de acordo com a oposição, que a Câmara encheu a coletividade de expetativas com a construção de um parque desportivo que nunca saiu do papel. Pedro Folgado em reunião de Câmara sustentou que o compromisso da autarquia foi apenas “para a solução do campo de futebol para os 700 miúdos que frequentam a formação daquele clube”, na sequência de uma exigência da família Pinto Barreiros, em 2014, ao querer o retorno dos terrenos

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Foto de arquivo

Pedro Folgado adianta que “podiam existir expetativas quanto à celeridade das coisas, mas o projeto não conheceu novidades entretanto

onde o clube praticava a sua atividade para a sua posse, o que levou o município a adquirir o complexo para a atividade do clube, o que veio a concretizarse apenas nos últimos anos, e com um custo de um milhão de euros para os cofres municipais. O objetivo da Câmara na aquisição deste terreno seria o de ali construir um parque verde, e deslocalizar o campo de futebol da equipa para outra zona da freguesia. “Nunca criámos expetativas quanto a esse equipamento e de que seria a curto prazo ou não, embora nesta altura tenhamos um desenho do que pretendemos para apresentar à direção”. O vereador do PSD, Frederico Rogeiro, defendeu que

“embora não se tenha criado expetativas há que dar algum sentido de compromisso às conversas com o clube, porque quando as coisas estão no papel demoram anos, quando nem sequer estão, ainda pior”. Ernesto Ferreira, da CDU, questionou sobre o teor das conversas mantidas “para a coletividade pensar que podiam existir avanços a dada altura que pelos vistos não existiram”. Folgado referiu que sempre transmitiu a Fernando Silva que convocaria reuniões com a ADC para dar conta do andamento dos projetos. “Podiam existir expetativas quanto à celeridade das coisas, mas o projeto não conheceu novidades entretanto”.

Confinamento traz problema de alienação parental s aulas encerraram no dia 22 de janeiro por um período de 15 dias que na prática se concretiza como uma espécie de férias antecipadas. A pandemia não dá tréguas, e as aulas via online deverão voltar após este período. No entender da Federação das Associações de Pais e Encarregados de Educação das Regiões Oeste, Lezíria do Tejo e Médio Tejo (FAPOESTEJO) e do seu presidente, Rui Pedro Pires, durante o primeiro confinamento houve problemas no acompanhamento de muitas crianças, e o ensino à distância a seu ver pura e simplesmente “não resulta” principalmente no caso dos alunos com necessidades educativas especiais. Os anunciados equipamentos informáticos para todos os

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alunos que deles necessitassem ficou aquém. Uma dificuldade que ainda perdura neste novo confinamento e que continua a motivar acesas discussões. No entender deste responsável, a importância do ensino presencial faz-se sentir sobretudo nas idades mais jovens correspondentes ao ensino básico e ao nível dos alunos que frequentam os últimos anos do secundário – 11º e 12º. Ao Valor Local têm chegado com frequência relatos de encarregados de educação que retiram os seus filhos das escolas sempre que surge um caso ou outro na mesma turma ou até em turmas diferentes. Rui Pedro Pires não concorda com este tipo de atitudes, e é da opinião de que os pais não deveriam atuar à revelia das

escolas e das entidades de saúde. O dirigente alerta ainda para o quadro da alienação parental e durante a primeira vaga da pandemia foi necessário “colocar as comissões de proteção de crianças e jovens e a GNR no encalço do paradeiro de algumas crianças porque pura e simplesmente desapareceram”. Não apareciam nas plataformas de ensino à distância nem se encontravam contactáveis por outras vias. Em alguns casos “até estamos a falar de famílias que possuíam os equipamentos necessários para os miúdos assistirem às aulas, mas que depois não supervisionavam nem mostravam interesse em perceber se os seus filhos estavam ou não a seguir as aulas”.

Nem todas as crianças são devidamente acompanhadas no estudo à distância

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8 Dossier Águas

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Continua braço de ferro entre consumidores e Águas do Ribatejo denominado grupo de Lesados da Águas do Ribatejo esteve na Rádio Valor Local, onde deu conta de um conjunto de queixas referentes à atuação da empresa intermunicipal. Em causa recorde-se estão casos de faturas com valores exorbitantes que ultrapassaram os 1000 euros, e que foram emitidas logo após o fim do período de emergência, a meio do verão do ano passado, devido à pandemia. Depois de uma reunião com a empresa, os problemas entre consumidores e a Águas do Ribatejo estão longe de estarem ultrapassados. São questionados os meios e os métodos da AR para chegar a determinados fins, resumem os clientes Manuel Inácio, Carlos Almeida e Eduardo Costa. Numa reunião com a empresa em novembro, o grupo deu a conhecer algumas reivindicações e ficou convencido da boa aceitação das mesmas por parte dos administradores como a criação do provedor do cliente, mas também a criação de uma espécie de piquete para as ditas “situações anómalas”, ou seja, “sempre que seja emitida uma fatura que possa divergir em muito daquilo que é o consumo habitual será feita uma triagem

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junto do cliente para se perceber o porquê desses valores”. Contudo mais de um mês depois, as conversações foram por água abaixo, e foi feita “tábua rasa” dos anseios dos consumidores. Manuel Inácio vai mais longe e diz que “o retrocesso é total” e continuam a surgir as ditas “faturas milionárias”. Carlos Almeida diz que já há quem apelide a AR de “quadrilha”. “Não se vê vontade de mudar a postura, embora tenham mostrado inicialmente outra forma de estar. Criaram um problema com a pandemia, embora saibamos que eles apenas são obrigados a fazer a contagem duas vezes por ano, mas daí até emitir faturas sem se preocuparem com o tipo de circunstâncias e os prejuízos criados à vida das pessoas é ir longe demais”. Eduardo Costa acusa a empresa de falta de “ética comercial”. “Trago um exemplo de uma casa desabitada em Torres Novas cuja fatura rondava em média entre os seis a dez euros por mês e de repente aparece uma fatura de 695 euros. Algo grave se passou para termos estes valores. A Águas do Ribatejo diz que foi ao local e não identificou roturas. Ig-

com uma fatura a rondar quase os 1000 euros em dezembro. “É um consumidor consciente que dava sempre a sua leitura, de repente o contador começou a debitar mais do que o normal. Foram ao local e mais uma vez disseram que não havia roturas e essa pessoa tem de pagar.” Carlos Almeida diz que “muita gente teve de pedir dinheiro emprestado a familiares e amigos para pagar essas contas astronó-

micas” Manuel Inácio dá a conhecer que dos 2600 casos identificados quanto a queixas sobre o serviço e as faturas da Águas do Ribatejo, cerca de 2000 foram formalizados. Até à data a empresa apenas reverteu 3 ou 4 casos de situações limite. “Quando fomos à reunião tinham preparado um aparato incrível para nos mostrarem o que tinha sido o investimento da Águas do Ribatejo desde que foi criada a empresa”, dá conta Carlos Almeida, que relata que “só sobrou meia hora para darmos conta do verdadeiro problema”. “Sem dúvida que os concelhos necessitavam desses investimentos, mas a qualidade da água piorou”, diz o consumidor ao referir-se à questão do sabor do líquido que sai das torneiras. Para já o grupo de consumidores está a reunir documentação para apresentar queixa contra a empresa se necessário até nas mais altas instâncias. O Valor Local contactou a Águas do Ribatejo para uma entrevista presencial assim que começaram a surgir críticas à postura da empresa. Aguardamos que haja disponibilidade por parte dos seus administradores.

tancia a autarquia em nota de imprensa. Esta certificação junta-se ao Selo de Qualidade Exemplar da Água para Consumo Humano atribuído pela ERSAR em 2014, 2017, 2018 e 2019, o que no entender da Câmara “atesta de forma inequívoca a qualidade dos serviços prestados com o inegável e reconhecido contributo dos seus

trabalhadores.” Na apresentação da certificação de qualidade, “a administração dos SMAS reiterou o compromisso de melhorar continuamente a satisfação dos seus clientes, a qualidade da água fornecida e os serviços prestados à população do concelho de Vila Franca de Xira.”

Grupo de consumidores com novo ponto de situação quanto ao diferendo com a empresa

noram os problemas de muitos contadores que com as torneiras fechadas continuam a debitar ar, nomeadamente, quando há pouca pressão nos canos, e até debitam eletricidade estática, situação para a qual ERSAR também alerta”. Basicamente “o que nós desejamos é que se corresponsabilizem pelos valores das faturas que eles próprios não conseguem explicar, assumindo o consumidor a média

do consumido em comparação com os últimos 12 meses, e a empesa a restante verba, não seria nada de mais porque houve uma empresa privada de Ourém que anulou faturas com valores semelhantes e completamente desproporcionados”. Outro caso semelhante aconteceu em Foros de Salvaterra onde um consumidor pagava em média entre 25 a 40 euros por mês e foi surpreendido

SMAS de Vila Franca ganham certificado de gestão da qualidade s Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) de Vila Franca de Xira obtiveram no passado mês de de-

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zembro, a certificação do sistema de gestão da qualidade - referencial NP EN ISO 9001:201 - no âmbito do abastecimento de água e

Em entrevista à Rádio Valor Local em novembro António Oliveira deu conta do esforço da empresa intermunicipal na obtenção deste galardão

do saneamento de águas residuais em baixa, ou seja a Câmara cumpre as mais exigentes normas quanto à água que leva às torneiras na casa dos munícipes, assim como no que se refere à rede de esgotos. Esta certificação de qualidade decorre da implementação do sistema de gestão, que decorreu durante os anos de 2019 e 2020, tendo a auditoria de Certificação ocorrido em dezembro de 2020 pela entidade Certificadora SGS. Num momento simbólico realizado a 13 de janeiro no Salão Nobre dos Paços do Concelho em Vila Franca de Xira (data em que os SMAS de Vila Franca de Xira celebram 62 anos de existência), o representante da SGS entregou ao Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita e ao Conselho de Administração dos SMAS, António Oliveira (presidente), Fátima Antunes e António Félix (vogais), o respetivo documento de certificação. Na ocasião estiveram também presentes todos os dirigentes dos SMAS de Vila Franca de Xira, em representação dos trabalhadores municipais destes serviços municipalizados. O reconhecimento da qualidade

dos SMAS de Vila Franca de Xira, agora validado pela “Marca de Certificação”, leva “ao aumento da satisfação do cliente, responde à contínua exigência do mercado, promove a confiança e o reconhecimento a nível interno e externo, entre outros fatores importantes para o desempenho e desenvolvimento da organização”, consubs-

Águas do Ribatejo mantém atendimento presencial com marcação prévia o âmbito das novas medidas de desconfinamento, que entraram em vigor a empresa Águas do Ribatejo EIM decidiu manter o atendimento presencial nas unidades comerciais, mediante marcação prévia. Os clientes devem efetuar o agendamento da visita através do telefone, 263 509 400, durante o período das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00 nos dias úteis. O Presidente do Conselho de Administração da AR, Francisco Oliveira explica que a medida funciona nas unidades de atendimento de Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Salvaterra de Magos, Samora Correia e Torres Novas. As oito unidades suspenderam o atendimento presencial no dia 16 de março ao abrigo do plano de contingência da Covid 19, implementado pela AR, mantendo as equipas de atendimento e todos os serviços em funcionamento com meios alternativos. O atendimento com marcação prévia privilegiará situações que não possam ser resolvidas pelos canais não presenciais: Telefone 263509400 80 Email: geral@aguasdoribatejo.com Site Institucional www.aguasdoribatejo.com Para garantir a segurança dos clientes e funcionários o acesso à loja é feito com base na regra de um cliente por um atendedor. É obrigatório o uso de máscara para clientes e funcionários da AR. Estão ainda disponíveis no acesso à loja, soluções de base alcoólica para que os clientes procedam à higienização das mãos. A empresa recorda que estão disponíveis outros métodos de pagamento como multibanco, balcões CTT e Lojas Payshop.

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Ambiente 9

Relatório de Inspeção ao aterro de Azambuja no segredo dos deuses m resposta à notícia do Valor Local, na edição de dezembro, que dava conta da opinião do deputado do PSD, Carlos Silva, sobre a demora do ministério do Ambiente e da Inspeção Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGMAOT) em darem a conhecer publicamente o relatório da inspeção que aquele organismo efetuou ao aterro de Azambuja em maio do ano passado, a tutela diz que esse relatório já está feito, tendo sido homologado a 24 de setembro de 2020. O Valor Local conseguiu apurar ainda que a Triaza, que gere a unidade em causa, enfrenta várias contraordenações, na sequência da inspeção levada a cabo a 25 de maio, e que o processo pode seguir via judicial, e continuar sob reserva, numa situação que pode arrastar-se durante meses, e sem que o município possa ser tido ou achado em tudo isto e esclarecido sobre as questões práticas relacionadas com a inspeção em causa. O estado de coisas neste relatório já mereceu críticas da oposição e do executivo PS na Câma-

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Inspeção teve lugar a 25 de maio de 2020 na sequência das queixas da população quanto aos materiais depositados, nomeadamente, o amianto e os maus cheiros vindos do aterro

ra de Azambuja. Ao Valor Local, Luís de Sousa também confessa o seu desagrado e o clima de secretismo quanto a esta matéria, referindo que recebeu uma informação em outubro em que a secretária de Estado do Am-

biente, Inês dos Santos Costa, se limitava a referir que o processo ainda estava entregue à IGAMAOT. Já antes o vice-presidente da Câmara, Silvino Lúcio, ao Valor Local expressara o seu desespero relativamente a PUB

este dossier. Rui Corça, do PSD, também já falou do tema em reunião de Câmara, segundo apurámos, e mostrou a sua estranheza igualmente. O Valor Local contactou a presidente da CCDR-LVT, Teresa Almeida, so-

bre este processo mas sem sucesso. A responsável da comissão de coordenação e desenvolvimento regional já veio a público afirmar que não encontra motivos para não conferir a renovação da licença ambiental ao

aterro da Triaza que deve acontecer em maio deste ano, dando a entender que nada de extraordinário se passa de anormal nesta unidade que tem merecido as mais sérias reservas desde a população a responsáveis políticos e ambientalistas. Junto da IGAMAOT conseguimos perceber que este tipo de inspeções pode demorar mais do que um dia no terreno e que são alvo de análise diferentes aspetos que não são atendidos em outro tipo de vistorias como as que a Câmara chegou a realizar em determinada altura com a equipa de acompanhamento da atividade do aterro, desde o regime das emissões industriais, ao regime dos produtos químicos, sendo que “naquele caso foi dada uma grande prioridade ao caso de Azambuja tendo em conta o alarme social causado” é nos dito, sem serem adiantados mais pormenores ao caso. É sabido que a Triaza já disse a associações como a Zero que ia deixar de receber amianto, mas não sabemos se essa decisão foi ou não decorrente da visita da IGAMAOT ao terreno a meio do ano passado. PUB


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6203 infetados e 268 óbitos na Região

Covid-19: O impacto tsunami da 3ª vaga Sílvia Agostinho Miguel A. Rodrigues s números da Covid-19 continuam a ultrapassar todos os recordes. Todos os dias é mais um dia em que as piores estatísticas são ultrapassadas. À hora de fecho desta edição, quarta-feira, dia 27, os números apresentavam-se assim nos vários concelhos da nossa área de influência- No concelho de Azambuja há a registar ao dia de hoje 296 pessoas infetadas, num total de 21 óbitos. Alenquer cavalga as estatísticas da Covid-19 de forma imparável: 2619 casos positivos em todo o concelho, para 39 óbitos desde o início da pandemia. Neste concelho e à hora de fecho desta edição, registava-se ainda a situação sui generis de um surto de Covid-19 no lar da Santa Casa da Misericórdia de Alenquer com 76 utentes e 14 funcionários infetados e quando já tinha sido dada a primeira toma da vacina. Já no concelho de Salvaterra de Magos, temos 407 casos ativos. Dez pessoas já faleceram

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neste concelho vítimas da doença. Em Arruda dos Vinhos o número de pessoas infetadas chega nesta altura às 352, com um número de óbitos ao nível de outros concelhos mais populosos e maiores do que este na região: 35 pessoas já perderam a vida para o vírus. Em Vila Franca há 1727 infetados e 130 óbitos. Já no Cartaxo, 156 casos ativos e 9 óbitos. O país entrou em novo confinamento, e voltamos a viver o mesmo filme dos meses de março, abril e maio de 2020. As escolas estão fechadas, bem como muitos serviços comerciais, lojas e não só. O Valor Local falou com vários protagonistas quando o assunto é Covid-19. Neste trabalho apresentamos um mosaico daquilo que é a pandemia e de como está a afetar o dia-a-dia nos vários setores: hospitalar, autárquico, na educação e nas ipss. Questionámos os dois hospitais da nossa área de influência. Em Vila Franca de Xira estão internados (à data do fecho de edição do nosso

jornal do mês de janeiro) 178 utentes covid em enfermaria, mais sete do que a capacidade limite que é de 171. Na Unidade de Cuidados Intensivos estão internadas 12 pessoas sendo que essa é a capacidade limite. Estão ainda 32 utentes em observação no serviço de urgência. Refere o hospital, à nossa reportagem, que desde o início deste ano, já aumentou a sua capacidade de internamento covid em 118 camas para responder aos níveis de procura registados. De igual forma, a capacidade de internamento de utentes covid na Unidade de Cuidados Intensivos foi reforçada em 50 por cento, tendo aumentado de 8 para 12 camas dedicadas a doentes com esta patologia. Fonte desta unidade hospitalar refere que o cansaço dos profissionais é imenso, mas ainda está longe do nível de catástrofe. O aumento do número de doentes covid deu-se logo a partir do início do ano, pelo que há esperança de que o estado de emergência decretado possa PUB


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Janeiro 2021 fazer diminuir as estatísticas negras que o nosso país atravessa. Nesta altura, o hospital suspendeu a atividade cirúrgica programa estando apenas a realizar a relacionada com a atividade crítica. Neste hospital não se operam casos relacionados com doença oncológica. A abertura dos ditos hospitais militares vai permitir a deslocalização de doentes com casos menos graves ou já perto da recuperação do hospital de Vila Franca para essas unidades recentemente abertas pelo Governo, o que aumentará a capacidade e a disponibilidade para o tratamento dos casos mais graves. Nesta altura, uma larga maioria do corpo clínico do HVFX já se encontra apenas adstrita ao tratamento de doentes covid. Em Vila Franca de Xira não faltam ventiladores ou outros equipamentos. O país no seu geral tem falta de médicos, nomeadamente, especialistas na área dos cuidados intensivos, uma carência também sentida nos hospitais da nossa região. No que se refere ao Hospital de Santarém, estão internadas nas enfermarias, nesta altura, 134 pessoas, a capacidade total é de 137, sendo que na unidade de cuidados intensivos estão 11 pessoas, sobrando à data quatro camas. Questionámos os dois hospitais sobre o número de óbitos e de altas na semana de 18 a 25 de janeiro, quando os números da doença começaram a revelar-se catastróficos, sendo que Vila Fran-

ca respondeu que não tinha acesso a esses números no imediato. Já em Santarém faleceram vítimas da doença nesse período 40 pessoas, enquanto 58 tiveram alta. Quanto à reorganização de serviços, em Santarém, foram distribuídos os profissionais de serviços que, neste momento, estão com menos procura, “nomeadamente a hospitalização domiciliária ou alguns exames do serviço de Gastroenterologia que estão a ser realizadas no setor privado de modo a que os utentes não sejam prejudicados.” Virologista alerta para o elevado contágio das novas estirpes Nada melhor do que a opinião dos especialistas sobre a evolução da pandemia para podermos ultrapassar a desinformação reinante nas redes sociais e não só em relação à Covid-19. A Rádio Valor Local levou a efeito uma emissão, nos últimos dias, dedicada aos efeitos da pandemia, e ao eclodir da terceira vaga da doença. Numa altura em que a nova estirpe britânica, segundo os últimos dados, já representa em mais de 20 por cento o número de infetados, sendo uma das mais contagiosas, e segundo o primeiro ministro britânico, Boris Johnson, comprova-se que também pode ser mais letal, o Valor local falou com a virologista Laura Brum. A especialista da Sociedade Portuguesa de Virologia

reforça a necessidade do uso de máscara e quando estamos a ser confrontados com estirpes mais virulentas. Segundo Laura Brum, a sintomatologia não é muito diferente da das outras variedades Covid19. O quadro clínico é de tosse, febre, dores no corpo, falta de paladar e de cheiro, “tendo apenas mais capacidade para atingir as crianças e os jovens”. O Centro Europeu de Controle de Doenças fala num grau de transmissibilidade a rondar os 70 por cento, e com isso incitou ao aumento das medidas de confinamento na Europa. Portugal no dia 21 de janeiro, depois de um compasso de espera, decretou o encerramento de todas as escolas e universidades por um período de 15 dias na expetativa de uma diminuição do número de casos no país. Nesta altura vacina-se um pouco por toda a parte no planeta. E surgem relatos de reações adversas ou até estranhos óbitos que aconteceram depois de profissionais de saúde ou idosos terem tomado a vacina da Pfizer, e neste âmbito a cientista apela a alguma prudência na interpretação dos resultados que estão “a ser analisados por peritos mundiais para percebermos se alguma coisa está a correr mal, se havia fatores de predisposição ou não, ou se nos ensaios a larga escala da vacina este tipo de situações estavam de alguma forma previstas em grupos de risco, mas por enquanto ainda é cedo

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Virologista Laura Brum reforça a importância do uso da máscara nesta nova fase da pandemia para se formarem opiniões”. Os testes à Covid-19 têm sido alvo de acesa polémica, sobretudo quando o presidente da República, neste mês de janeiro, acusou positivo e negativo no espaço de dois dias. Laura Brum explica que isto pode ser normal porque “os testes são a fotografia do nosso organismo naquele momento. Se tivermos, hoje, em contacto com alguém com o vírus, sabemos que só dali a quatro ou cinco dias é que vamos ter um teste positivo”. No caso de Marcelo Rebelo de Sousa fez um teste antigénio negativo e depois um PCR positivo, este à partida mais taxativo quanto à presença do vírus. “Nós já sabemos

que os testes antigénio dão muitos falsos negativos, transmitem uma falsa segurança, e quando a pessoa está efetivamente contaminada com o vírus”. Quanto aos outros testes e os falsos positivos, “estão relacionados com o facto de o vírus estar menos presente no organismo, ou seja o indivíduo encontra-se na fase final da infeção. São oscilações normais nesse período da doença, se bem que no caso do presidente é raro, pode ter sido um problema de colheita ou da amostra recolhida no nariz e na garganta que pode influenciar, mas não tira valor ao teste PCR que é a base de todo o diagnóstico.” PUB


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Presidente da Câmara de Alenquer preocupado com os comportamentos nas áreas mais rurais

acompanhar a tendência na região e também no país, o concelho de Alenquer, com 304,22 km² de área, o maior da nossa área de influência, regista valores também preocupantes quanto ao número de infetados e de óbitos registados. Pedro Folgado, presidente da Câmara, diz que só é possível chegar à generalidade da população através dos presidentes de junta. Nos meios rurais confessa que não é nada fácil sobretudo porque houve um abrandar nas medidas de proteção, e a partir de dada altura as forças de autoridade também deixaram de estar tão presentes no terreno. Nesta altura, confessa o autarca, “a Câmara pouco mais consegue fazer do que dedicar-se ao tema Covid-19”, quando há outras áreas da sua intervenção que não consegue acompanhar ao ritmo desejável. Pedro Folgado confessa que a necessidade de mais intervenção por

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Carnota, a freguesia onde já faleceram 7 pessoas vítimas de Covid-19

O autarca considera que é necessária uma fiscalização mais ativa em algumas zonas do concelho parte da GNR naqueles territórios já foi discutida no gabinete de crise da autarquia nas várias reuniões. “Temos vindo a expressar essa preocupação”, e segundo o co-

mandante do destacamento da GNR “faltam meios para que se consiga efetuar uma fiscalização sistematizada no território”. “A legislação também foi permissiva

quando apelava apenas ao instrumento do conselho à população, agora a legislação é mais taxativa com a possibilidade de aplicação de coimas de forma mais ativa.

Parece-me ser o mais adequado tendo em conta que há sempre pessoas que não querem acatar as normas”.

Apesar de ser um território rural e com menos população, cerca de 1690 habitantes, conta com mais óbitos (7) do que a freguesia de Alenquer (3), sede de concelho, e pouco menos do que a do Carregado, muito mais populosa (11 óbitos), isto segundo os últimos dados. Ao Valor Local, o presidente da junta Nuno Granja explica que na causa destes valores estão os fluxos de residentes na freguesia que todos os dias se deslocam para os principais centros urbanos da região como o Carregado, Alenquer ou Arruda dos Vinhos. Os óbitos reportam-se a pessoas com mais de 60 anos. Neste processo, faleceu ainda a presidente da assembleia de freguesia. “No dia que ver se já testava negativamente faleceu de ataque cardíaco.”, refere.

Lu1ís Simão esteve infetado Profissionais com Covid-19: “Sentia que os do Hospital de Santarém pulmões queriam rebentar” reinventam-se P todos os dias ara os que acabaram por ser infetados nesta altura, em que já existe a vacina, ainda que não esteja a ser administrada em larga escala, fica uma sensação amarga. No caso de Luís Simão é voluntário nos

Bombeiros de Vila Franca de Xira. Nesta altura já se encontra em convalescença, mas passou um mau bocado. Deu negativo nos últimos dias, mas não esquece o sofrimento que passou e em que esteve quase para fi-

No espaço de poucos dias o seu estado de saúde agravou-se

car internado no Hospital de Vila Franca. Primeiro ainda pensou que se tratava de uma gripe porque, recorda, ficou infetado numa altura em que fazia muito frio “e como andava sempre a entrar e a sair do carro”, dado que é motorista. Depois vieram as primeiras dores, e “não pude deixar de ficar apreensivo”. Passados quatro dias dos primeiros sintomas deu-se o “descalabro total” com muitas dores nas costas, dificuldades respiratórias e aquela “sensação de que os pulmões queriam rebentar”. Ao quinto dia foi ao hospital, ainda pensou que ficaria internado, mas foi para casa medicado com antibióticos. Luís Simão conta que aquilo que viu no hospital foi a imagem do desespero e do cansaço estampados no rosto de todos: “desde os pacientes, passando pelos médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares”. Reconhece que durante um ano passou pelo “intervalo da chuva” da doença, apesar de sentir que em determinadas alturas se expôs ao perigo, principalmente porque sendo bombeiro lida de perto com pessoas que podem estar infetadas. “Pensamos que só acontece aos outros e quando nos bate à porte deita-nos abaixo”.

o Hospital de Santarém, o diretor clínico e membro do conselho de administração, Paulo Sintra conta que a unidade tentou adaptar-se à nova fase da pandemia com redimensionamento de algumas alas de acordo com o plano de contingência da própria ARS-LVT, mas “a realidade ultrapassou rapidamente” as expetativas face ao “elevado fluxo de doentes” apesar da “excelente articulação” com outros hospitais da administração regional em causa. A atividade de base está praticamente suspensa, exceção feita à quimioterapia, radioterapia, exames endoscópicos. “Continuamos com grande dificuldade a tentar responder aos doentes crónicos”. Na área cirúrgica, a maioria das enfermarias daquela área estão dedicadas à Covid-19. No dia da nossa reportagem com Paulo Sintra, o hospital estava a acabar de montar dois contentores para apoio à atividade do hospital que trabalha nesta altura no limite. Todos os dias, os profissionais trabalham no limite na gestão e “sempre a correr atrás do prejuízo”. No

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Paulo Sintra verão havia 24 camas ocupadas para doentes covid, neste momento são 78 camas. Face ao aumento dos números, o clínico tem dificuldade em ligar esses valores ao Natal e Ano Novo, mas sobretudo encontra uma explicação em algumas leis que na sua opinião não serviram para nada como a obrigatoriedade do encerramento dos supermercados e lojas a partir da uma da tarde, ao fim de semana, como de resto ocor-

reu antes do confinamento geral decretado este mês. “Assistimos a grandes concentrações de pessoas a fazerem as suas compras apesar de estarem com máscara”. O diretor clínico considera que só sentiremos algum alívio durante o último trimestre do ano quando a generalidade da população se encontrar vacinada até lá “convém não esquecermos a máscara, a higienização das mãos e a distância de segurança”.


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Lares de idosos da região iniciam vacinação

O início da vacinação nos lares do concelho de Arruda vacina ou a sua primeira toma já aconteceu na generalidade dos concelhos da região. Arruda dos Vinhos foi o primeiro, e o Valor Local ouviu Lúcia Costa, diretora técnica do Lar S. Miguel em Cardosas, que tem capacidade para cerca de 20 utentes. Foi com uma alegria incontida que a responsável se pronunciou sobre o tão aguardado dia. Todos os idosos e funcionários foram vacinados e sem qualquer reação adversa à vacina. Foram vacinadas 33 pessoas. A segunda toma seguir-se-á dentro de dias

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Já no concelho de Azambuja, 600 pessoas entre funcionários, e utentes das instituições foram vacinados. Estiveram envolvidas nesta operação cerca de duas dezenas de profissionais de saúde, socorro e segurança. Nos primeiros dias desta operação, foram vacinados os profissionais e os residentes do Centro Social e Paroquial de Aveiras de Cima, da Santa Casa da Misericórdia de Azambuja, do Lar Jardim de Casais da Lagoa, da CERCI-Flor da Vida, do Lar Universal de Azambuja, do Lar Vale Grande Residence de Quebradas,

e ainda de várias casas de acolhimento em Arrifana e em Manique do Intendente. Refira-se que, em acordo com as normas médicas a vacina não será ainda administrada nas instituições onde existem surtos ativos de infeção. Nesses lares, a vacinação será feita numa próxima fase, conforme protocolo. Provedor da Misericórdia de Azambuja fala em dias difíceis no surto de novembro Em Azambuja, o lar da Misericórdia enfrentou um surto no mês de

O dia mais aguardado dos últimos meses nos lares do concelho de Azambuja novembro e na nossa emissão especial dedicada à terceira vaga da Covid-19 na Rádio Valor Local tivemos em estúdio o provedor da instituição, Vítor Lourenço. Trinta e oito infetados entre os utentes mais 15 funcionários foi o saldo deste surto. “Não há palavras para descrevermos as dificuldades pelas quais passámos, mas conseguimos superar, pois tivemos 77 por cento dos nossos idosos infetados e 43 por cento dos colaboradores, mas estamos em crer que com a vacina a normalização está a chegar”. O Verão acabou por di-

tar o veredicto da instituição quando chegou a permitir visitas presenciais embora com distância de segurança e outros cuidados tomados. Nesta altura estão interditas de todo. Como já tinha salientado na nossa edição de dezembro, o provedor salienta o espírito de solidariedade por parte de outras instituições semelhantes no concelho, sendo que nos últimos dias foi a vez da misericórdia de Azambuja também solidarizar-se com as congéneres, nomeadamente, o Centro Social e Paroquial a contas com um surto,

através do envio de trabalhadores. Durante os dias do surto “passei muitas horas sem dormir, mas o que mais me tocou foi o espírito de solidariedade das outras instituições passando pela Câmara. Sentimos que não estávamos sozinhos”. Tiveram um papel preponderante durante e após o surto “e elogia o papel “das doutoras Lígia Rodrigues, Helena Moura e Cristina Rodrigues”, técnicas ligadas à instituição, e de todos “os trabalhadores que foram incansáveis que tiveram um grande espírito de boa vontade e solidariedade”. PUB


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Bombeiros de Azambuja e Cruz Vermelha de Aveiras falam em tempos fora do comum à espera de macas nos hospitais om a Covid-19 a bater recordes em Portugal e na Europa, os hospitais de referência começam a perder a capacidade para o internamento hospitalar. A falta de profissionais devido ao cansaço e à doença começa a ser uma preocupação e a falta de meios também se nota. Com efeito as imagens das ambulâncias em fila de espera à porta dos hospitais são uma realidade. Ao contrário do que muitos esperariam, não se tratam de fakenews ou de montagens, mas antes de imagens reais que atormentam todos mas sobretudo os profissionais. Em Vila Franca de Xira, a espera das ambulâncias é uma realidade. O hospital já tem várias enfermarias dedicadas à Covid-19, e começou a enviar doentes para outras unidades de saúde, por falta de espaço. A situação é “caótica” e é assumida ao Valor Local por alguns dos profissionais daquela unidade de saúde, que pedem anonimato porque o objetivo “não é o de lamuriarmo-nos, mas o de salvar doentes”. A realidade da falta de espaço já se notava antes da covid, mas com o fluxo mais significativo de doentes ao hospital, “a situação agravou-se em muito”. É por isso que todos os atos médicos estão a ser reagendados. A or-

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Foi mais um dia intenso de testes no centro montado em Aveiras de Cima pela CVP dem vem da Direção Geral de Saúde, mas os próprios profissionais do hospital sabem que é o melhor caminho, até porque, também em Vila Franca de Xira, há médicos de outras especialidades a darem “uma mãozinha” no covidário, como chamam às enfermarias dedicadas ao vírus. Ricardo Correia, comandante dos Bombeiros Voluntários de Azambuja, confirma de resto que há alturas em que as macas ficam retidas nos hospitais durante horas. O operacional salienta que isso também acontece em Vila Franca de Xira e que leva a uma gestão mais complexa dos veículos de socorro. A situação, segundo o comandan-

te, é grave. “Há dias pela primeira vez tive de dar ordens para que a ambulância regressasse sem a maca ao quartel para que fosse deixada no hospital a servir no fundo de equipamento hospitalar”. Trata-se de tempo que é hipotecado aos bombeiros que não podem fazer serviço noutros lados. “Prende-se ali uma equipa de duas pessoas, que chegam a passar em média seis horas nesses sítios, e não podemos fazer mais nada”. Ricardo Correia esclarece que em Azambuja há cinco ambulâncias de socorro e cada maca que fica no hospital é menos um veículo e uma equipa ao serviço das populações. “Não podemos correr o ris-

co, como tenho ouvido de alguns colegas, que chegam a ficar com a frota toda inoperacional, devido a estas situações”. O ato de “emprestar” as macas aos hospitais não é novo para qualquer corporação de bombeiros, mas o aumento da afluência às unidades de saúde devido à pandemia, está a sentenciar uma situação complicada na operacionalidade dos corpos de bombeiros, com apelos à gestão da logística das frotas e das equipas e também à criatividade para se continuar a trabalhar. Esta é de resto uma situação que se aplica aos bombeiros de todo o país e às delegações da Cruz Ver-

melha Portuguesa. Em Aveiras de Cima, o panorama não é diferente. Pedro Vieira, coordenador local, sublinha ao Valor Local a sua preocupação quanto aos tempos que vivemos. O responsável também fala em tempos de espera significativos - “Ainda na passada sexta-feira estivemos lá quase cinco horas à espera da maca”. Pedro Vieira diz igualmente que a situação da espera das ambulâncias tem vindo a agravar-se, mas salienta que ao contrário do hospital de Santa Maria em que a triagem é feita nas ambulâncias, em Vila Franca de Xira, “a triagem vai correndo bem”. A única queixa dos operacionais está relacionada com a falta de macas. Pedro Vieira, assim como, Ricardo Correia, diz que os tempos de espera se devem à falta daqueles equipamentos. E até que as macas do próprio hospital fiquem disponíveis, no caso de estarmos a falar de doentes acamados, os mesmos permanecem nas mesmas. Cruz Vermelha fez 450 testes em quatro dias No entanto a Cruz Vermelha de Aveiras de Cima está a levar a cabo um serviço único e reconhecido pelos seus pares e também pelas chefias. Trata-se do centro

de testes à Covid-19 que entre sábado passado e esta terça-feira já levou a cabo mais de 450 testes. Este é um espaço que funciona por marcação e nos últimos dias têm sido muitos os que aparecem sem marcar, o que faz com que os números aumentem exponencialmente. A juntar a isto, estão algumas empresas que aproveitam para levar os seus funcionários a fazerem os testes. O valor de 20 euros é acessível e por isso, particulares, empresas grandes, médias e pequenas “correm” para aquele centro de testes em Aveiras de Cima que trabalha as terças, quintas e sábados. Tal como o comandante dos bombeiros de Azambuja, Pedro Vieira considera importante a vacinação dos profissionais. Ricardo Correia diz não compreender por que razão os bombeiros não foram vacinados na mesma altura dos médicos e enfermeiros porque se eles “estão na linha da frente, nós estamos à frente da linha da frente” refere o operacional que diz aguardar a vacina. No mesmo registo, Pedro Vieira diz que “é vergonhoso que não tenhamos sido vacinados”. “Vamos à casa dos doentes, transportamos os doentes e estamos com os doentes. Isto não devia ser prioritário?”, pergunta o operacional.

Idosos de lar ilegal de Samora infetados com Covid-19 ainda estão em Fátima orreram dez dos 43 idosos que ficaram infetados com Covid 19 num lar ilegal em Samora Correia durante um surto que ocorreu durante este mês de janeiro. Os utentes tinham entre 64 e 94 anos. Trinta e cinco dos idosos foram levados para um centro de apoio de retaguarda em Fátima onde segundo apurámos ainda permanecem à espera de regressar, embora o lar “Cantinho dos Seniores” em Samora tenha sido encerrado. Parte dos idosos estavam a viver na habitação da proprietária e outros num barracão adaptado. As condições para o que é exigido para estruturas residenciais para idosos seriam precárias, embora seja salientado através de testemunhos de alguns familiares que eram bem tratados. O tema foi alvo de discussão na última reunião de Câmara de Bena-

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vente com o vereador da oposição Pedro Pereira a levantar o dedo quanto à forma como a Proteção Civil do concelho lidou com este caso, alegando que “o menino bonito Miguel Cardia” afinal “falhou” e quando “aqui há uns meses a Câmara falava numa equipa de topo”. Os números no concelho de Benavente ultrapassaram as piores expetativas quanto aos casos de Covid-19 nas últimas semanas. Está dentro dos municípios que se encontram em risco extremamente elevado, (acima de 290 casosajustado a esta autarquia - por 100 mil habitantes). No processo de retirada dos idosos para a unidade em Fátima surgiram ainda várias críticas por parte de familiares de utentes de que os mesmos não estariam a ser bem tratados, e que o local em si, na região Centro, não oferecia condições de higiene

nem de cuidados básicos. Numa visita a Fátima, o presidente da Câmara Carlos Coutinho constatou uma realidade em tudo diferente. Contudo, os familiares exigem o regresso dos seus idosos ao concelho de Benavente, numa carta enviada às redações. Em reunião de Câmara, Pedro Pe-

reira acusou Coutinho de não ter efetuado uma supervisão atempada aos lares de idosos que se encontram em situação ilegal no concelho, sendo que “algumas pessoas que fazem parte da proteção civil como o senhor comandante Miguel Cardia continuam a gozar de uma proteção especial”.

Neste lar não havia visitas desde março

Carlos Coutinho refutou as críticas de Pedro Pereira. O presidente da Câmara referiu que não podem ser assacadas responsabilidades à Câmara quer no aumento de casos no concelho, “que derivam em parte de ajuntamentos fora da via pública e dos estabelecimentos, mas nas casas de cada um” quer no caso dos lares de idosos ilegais “porque logo no início da pandemia demos a cara e chamámos todos os proprietários para que iniciassem os seus processos de legalização, disponibilizando até técnicos da autarquia”. “Fui lá e dei o corpo às balas”, sentenciou. Já quanto ao trabalho da proteção civil e do seu comandante elogiou o seu contributo, referindo que não comenta “desavenças pessoais de Pedro Pereira com Miguel Cardia”. O presidente da Câmara lembrou que o lar de Samora tinha 32 pes-

soas num espaço de 200m2, e que “obviamente havia ali um risco iminente apesar dos cuidados que davam aos nossos idosos e da afetividade que existia”. Segundo o autarca, a proprietária encetou o processo de legalização para conseguir adaptar o lar às normas exigidas. Os idosos que, entretanto, abandonarem as instalações provisórias em Fátima deverão passar por uma solução intermédia facilitada pela Segurança Social enquanto a proprietária não terminar as obras. Aquele organismo do Estado “tem transmitido que as pessoas devem procurar lares legais e não pensar em regressar por enquanto ao Cantinho dos Seniores. Na minha opinião talvez me pareça algo violento tendo em conta a realidade dos idosos que ali estão”, concluiu Coutinho.


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Editorial e há alguma coisa que aprendemos com o ano de 2020 é que ninguém está a salvo da covid. O ano de 2020 foi intenso na produção de notícias sobre a pandemia, nas páginas do Valor Local, no site e desde o dia 4 de setembro na Rádio Valor Local. Com efeito, o aparecimento da rádio online Valor Local, não é mais que uma forma diferente de entreter e informar. Ao informar temos a certeza que levamos a todos informação fidedigna e que todas as notícias produzidas pela nossa equipa têm garantia de veracidade. Sem especulação, sem falsos rodeios e sobretudo com rigor. Costumo dizer muitas vezes, que preferimos perder a liderança de um determinado assunto a ter de desmentir porque fomos atrás de fake-news ou porque não soubemos fazer o nosso trabalho.

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Em 2020 demos provas disso. Não é que no passado não o tivéssemos feito, mas a pandemia veio colocar à prova os órgãos de comunicação social. O desafio da informação instantânea, tendo em conta as redes sociais e quem anuncia primeiro, não pode servir para tudo. Vai chegar a altura em que os leitores que agora partilham “tudo o que mexe” nas redes sociais, terão a tendência para serem mais moderados. Serão também, mais escrutinadores e mais exigentes com a informação partilhada. Isso já acontece com o Valor Local. É com orgulho que ouço dizer muitas vezes “se o Valor Lo-

Miguel António Rodrigues

cal publicou é porque é verdade”. Isso já não é de agora, mas numa altura em que o novo con-

finamento obriga a estar em casa, e a que as pessoas ocupem os seus tempos livres das mais variadas maneiras, nomeadamente online, volta a ser para nós um desafio. Podemos não ter os títulos mais estrondosos a roçar o sensacionalista do mundo, mas por outro lado temos algo que atualmente já vai sendo raro no mundo da comunicação social, credibilidade. O Jornal Valor Local é um projeto quase inédito

Muito mais do que solidariedade europeia: sim às “coronobonds”, não às políticas do tipo beggar-thy-neighbor “União” deve mesmo imperar na Europa. E não é “apenas” por solidariedade. É por uma razão que tem tanto de pragmática como de lógica: O vírus SARS-COV-2 não obedece a limites territoriais. As “coronobonds” não seriam, nem mais nem menos, do que eurobonds, mas com outra designação. As eurobonds são títulos de dívida. O emissor entrega um “papel” (eurobond) ao investidor, recebendo um montante em troca. Este montante é depois canalizado para o financiamento de alguma operação do emissor da eurobond. Uma eurobond corresponde à emissão de um título de dívida numa moeda diferente da moeda do país que emite o título. Este processo pode ocorrer no Japão ou na Nova Zelândia, por exemplo. Não é uma possibilidade exclusiva da União Europeia (UE). À escala da Europa, as eurobonds permitem emitir dívida europeia,

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PUB

mutualizada, partilhando ratings e distribuindo pelos Estados o financiamento arrecadado. O rating avalia o risco da operação e a capacidade do devedor para saldar o capital em dívida e os respetivos juros. As eurobonds correspondem à essência do que se espera de uma “União” Europeia: partilhar risco e dividir financiamento. Durante a crise das dívidas soberanas, subsequente à crise financeira com início em 2008, a “União” foi colocada à prova e falhou. Os países mais ricos da UE manifestaram-se contra a emissão de eurobonds. Os problemas, então, circunscreviam-se a algumas das mais débeis economias da UE. Mesmo sem uma “União” genuinamente solidária, políticas do tipo “beggar-thy-neighbor”, no atual período de crise (sanitária e económica), serão sempre piores para todos, sem exceção.

Opinião 15

Uma política “beggar-thy-neighbor” é uma política através da qual um país visa exclusivamente resolver os seus próprios problemas, havendo a possibilidade de agravar a situação de outros países. A propósito do combate às consequências da crise pandémica na Europa, a luta “cega” de um país pela obtenção de mais recursos do que outro(s) corresponderá a uma postura do tipo “beggar-thy-neighbor”. No âmbito da COVID-19, por que razão deve esta postura ser considerada uma irracionalidade e um paradoxo? Porque o vírus SARSCOV-2 é uma espécie de incêndio florestal, com as devidas diferenças. É um fenómeno altamente perigoso, com muita severidade associada e que não obedece a fronteiras. Por exemplo, em Portugal, assistimos a incêndios florestais que deflagram de forma descontrolada, atravessando vários concelhos. Alguns concelhos afe-

tados por estes incêndios florestais são exemplarmente cumpridores das regras do planeamento e ordenamento florestal. Apesar de esta condição acaba por mitigar o impacto dos incêndios, não é, na maior parte dos casos, suficiente para o anular, penalizando forte e “injustamente” os municípios cumpridores. Portanto, alguns fenómenos, pelas suas características, são mais suscetíveis ao alastramento do que outros. É o caso da crise sanitária que atravessamos. Por isso, esta pandemia, em todas as suas dimensões, carece de regulação única, concertada e de âmbito supranacional. Neste sentido, só com um plano à escala europeia com todas as partes subordinadas à mesma métrica, atuando a uma só voz e beneficiando de recursos nas proporções acertadas, estarão os Estados-membros a fazer o melhor para todos e para cada um considerado individualmente. Só com

no panorama nacional. A equipa tem orgulho em produzir um jornal em papel, vídeos e rádio. Em suma estamos em todas as plataformas possíveis e às quais juntámos um grupo do WhatsApp, o Facebook e o Instagram. É verdade que não é fácil fazer todo este trabalho, mas é isso que nos motivou em 2020 e continuará a motivar em 2021. A Rádio Valor Local, foi o único projeto de rádio online a conseguir entrevistar os principais protagonistas das presidenciais. Primeiro Ana Gomes e mais recentemente, Marcelo Rebelo de Sousa, que viria a ser reeleito presidente da República. Assim como no jornal, que desde 2013 tem vindo a crescer, também a rádio tem sido um veículo de sucesso. Como é então evidente a Rádio Valor Local, proje-

to online e devidamente registado, estará cá em 2021 para consolidar o seu crescimento. Teremos novas rúbricas, novos programas, mas manteremos a filosofia informativa, graças a uma equipa jovem e empenhada em fazer crescer este projeto único que será também uma boa companhia em dias de confinamento. Ainda assim, mantemos a nossa frase de estação, Ouça em Todo O Lado, no PC, SmartPhone e Tablet. Bom 2021

João Santos

regras comuns será possível garantir a prevenção da incidência de fenómenos como a COVID-19 e a sua propagação geográfica de forma descontrolada. A ideia do parágrafo anterior também se aplica perfeitamente à dimensão económica associada ao período que estamos a atravessar. Não há dúvida de que as consequências económicas da pandemia estão a atingir todos os Estados-membros da UE, mas com níveis diferentes de intensidade. Numa situação como a que vivemos, de natureza excecional, a solidariedade justifica-se. Os países mais frágeis, que infelizmente são os mais atingidos, merecem apoio. É certo que mesmo os Estadosmembros que podem ajudar, sobretudo os do norte da Europa, não deixarão de sentir fortes recessões. Mas estas economias têm os meios financeiros para mitigar os impactos da crise, promovendo assistência ampliada às

suas empresas e aos seus desempregados. A capacidade destas economias é suficiente para prestar alguma assistência aos países mais necessitados. Tal como na perspetiva sanitária, também do ponto de vista económico o apoio acima descrito não deve ocorrer apenas por razões solidárias. Trata-se de fomentar a estabilidade económica da EU como um todo e de conter um problema que pode ramificar e atingir qualquer um dos Estados-membros em qualquer momento. Não garantir esta estabilidade é contribuir para aumentar a vulnerabilidade do bloco económico europeu à escala global. Portanto, na Europa, não devem prevalecer as posturas do tipo “beggar-thy-neighbor” assumidas por alguns Estados-membros, pois o vírus SARS-COV-2 não respeita fronteiras.


16 Opinião

Valor Local

Por linhas direitas

Janeiro 2021 António Jorge Lopes*

Quando o voto se torna livre propósito das eleições presidenciais do passado domingo, deixo aqui algumas breves notas sobre a votação no concelho de Azambuja, salvaguardando que há temas que mereciam uma análise mais profunda e longa. A primeira nota vai para o nível de participação eleitoral. Apesar da pandemia do COVID-19 (ou por causa dela) ainda exerceram o seu direito de voto 7982 eleitores. Face ao anterior acto eleitoral para a Presidência da República votaram menos 1123 eleitores, fixando a abstenção em 55,23% (valor inferior à média nacional que atingiu os 60%). Esta participação cívica é de louvar porque as condições para o exercício da mesma não foram “normais”! Foi preciso ter paciência nalgumas mesas de voto e coragem para enfrentar o “bicho mau” que por aí anda. A este propósito manifesto aqui o nosso agradecimento a todos aqueles cidadãos que participaram e organizaram as assembleias de voto! Sem eles o acto mais sublime da Democracia não poderia ter sido realizado: votar em liberdade. A segunda nota é óbvia: Marcelo Rebelo de Sousa também ven-

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ceu confortavelmente no concelho de Azambuja, com uns expressivos 60,76% (conquistando mais 916 votos do que nas eleições de

2016). E convenhamos: a tarefa não era difícil perante a “miséria” de candidatos alternativos! Marcelo foi o único candidato com perfil e estatura presidencial. Por isso, o candidato do centro (nas palavras de Rui Rio), da “direita democrática” (nas palavras de Ana Gomes) e

da “direita social” (nas palavras do próprio) mereceu a confiança da esmagadora maioria dos cidadãos moderados.

A terceira nota é a confirmação de uma (aparente) surpresa. Pela primeira vez, desde o 25 de Abril de 1974, um candidato não oriundo da esquerda ultrapassa a fasquia dos 50% de votos no concelho de Azambuja. Mesmo quando vitorioso em termos nacionais, até domingo passado nunca o candidato

do centro-direita tinha conseguido chegar aos 40% de votação. Obviamente que este resultado é do próprio Marcelo Rebelo de

Sousa e não pode nem deve ser apropriado por quem quer que seja. Mas é impossível não esboçar um sorriso quando recordamos que Marcelo como tantos outros dirigentes e simpatizantes do PSD foram cá carimbados de “fascistas” ao longo de todos estes anos… Enfim!... Agora os “fascis-

O que vale, afinal: o que vem na publicidade? Ou no cupão da garantia? “Quando na publicidade Se promete mundos e fundos No contrato, à claridade, Há que cumpri-los rotundos!” KIA, marca automóvel acreditada no mercado, anuncia uma garantia de 6 anos para veículos novos e usados. Tal publicidade aparece, sem rebuço, nas Redes Sociais. Sem mais. A publicidade não estabelece eventuais restrições. O que é surpreendente, Claro que isso pode representar uma vantagem competitiva, sabendo-se, como se sabe, que é aí, exactamente na garantia, que muitas das marcas definem as diferen-

“A

ças face à concorrência. No entanto, o que se teme é que, em concreto, depois desse anúncio redondo, comece a haver restrições em determinados órgãos sensíveis dos veículos, como é de regra em muitas das marcas no mercado. É lícito às marcas proceder desse modo, isto é, publicitar uma coisa e, depois, reduzindo a oferta, em concreto, nos cupões de garantia ou no texto do próprio contrato?” Na realidade, isso começa a ser cada vez mais usual. Publicita-se uma coisa. E oferecese outra e bem diferente. Embora, tenha havido várias tentativas, na Europa, para permitir

que a publicidade pudesse oferecer algo e, depois, na prática o produto não ter as qualidades apresentadas, o certo e que isso não vingou. Em Portugal, rege a Lei-Quadro de Defesa do Consumidor, em cujo n.º 5 do artigo 7.º, sob a epígrafe “da informação em geral”, se estabelece inequivocamente o que segue: “As informações concretas e objectivas contidas nas mensagens publicitárias de determinado bem, serviço ou direito consideram-se integradas no conteúdo dos contratos que se venham a celebrar após a sua emissão, tendo-se por não escritas as cláusulas contra-

tuais em contrário.” Por conseguinte, o que vale é o que consta da publicidade. Que não o que, depois, aparece no contrato ou em qualquer acessório como no cupão da garantia com cortes de toda a ordem. “Garantia é a garantia toda… de toda a coisa!” Donde, as restrições e exclusões

tas” já são outros!... Por falar em “fascistas”, é tempo da quarta nota. O candidato da direita radical (há quem lhe chame também direita antisistémica ou extrema-direita) conseguiu no concelho de Azambuja 1166 votos, sendo o segundo candidato mais votado com 15,04% (o que é um valor superior à média nacional e é o valor mais alto do distrito de Lisboa…). Tenho para mim que este voto em André Ventura não foi nem é ideológico, mas foi meramente de protesto. Como o socialista Sérgio Sousa Pinto disse há dias, os eleitores de Ventura e do Chega! não são fascistas, são “fartistas”. Estão fartos do actual sistema e da actual situação económica e social e anseiam por uma mudança rápida. Confesso que este resultado eleitoral de Ventura não me espantou. Aliás, apenas confirmou as linhas direitas que aqui escrevi há uns meses e que agora relembro: “Quanto mais o “sistema” é tomado e absorvido por um partido político (seja ele qual for) mais rapidamente os eleitores descontentes e desiludidos “descarregam” o seu voto em soluções radicais ou extremistas, sejam elas da esquerda ou da direita.

Aliás, o crescimento evidente do CHEGA mais não é do que a revolta contra os “donos disto tudo”. Cabe aos cidadãos moderados, muitos deles abstencionistas desesperançados, contribuírem para a edificação de soluções equilibradas que travem os “donos disto tudo” e tornem irrelevante os focos de radicalismo ou de extremismo.” Fim de citação. Quinta e última nota. No concelho de Azambuja a soma dos votos do candidato de centro-direita, do candidato da direita radical e do candidato da direita liberal (Tiago Mayan) atingiu os 75%. Este facto sinaliza que, aparentemente, o eleitorado no concelho de Azambuja deixou de votar em função da “camisola” e sempre para o “mesmo lado”, mas que passou a votar em função do órgão político concreto, das circunstâncias de cada momento e do respectivo candidato. E se assim é o voto livre libertouse.

Mário Frota

violarem flagrantemente a lei. EM CONCLUSÃO: 1. Se da publicidade a dada marca de veículos, consta que a garantia é de 6 anos, tanto para novos como para usados, o que marca é a publicidade, não o que, depois, em particular se estabeleça ou venha a estabelecer no contrato ou no cupão de garantia.

2. Como diz a lei, “têm-se por não escritas as cláusulas contratuais em contrário”! * apDC – DIREITO DO CONSUMO - Coimbra

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Propriedade: Metáforas e Parábolas Lda – Comunicação Social e Publicidade • Gestão da empresa com 100 por cento de capital: Sílvia Alexandra Nunes Agostinho; NIPC 514 207 426 Sede, Sede do Editor, Redação e Administração: Rua Engenheiro Moniz da Maia, Centro Comercial Atrium , nº 68 Loja 17 2050-356 Azambuja Telefones: 263 048 895 - 263 106 981 - 96 197 13 23 - 93 561 23 38 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 2273A • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 2273 A • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 6524 A • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Acácio Vasconcelos, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca”, Inês Lourenço, Jorge Laureano Jacinto e Silvia Carvalho Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: Rui Ramos • comercial@valorlocal.pt Serviços Administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt


Valor Local

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Política 17

Órgãos Nacionais e distritais do PSD dão luz verde

Rui Corça recandidato à Câmara de Azambuja: “Concelho Está ao Abandono!” ui Corça vai voltar a liderar a candidatura do PSD à Câmara de Azambuja nas eleições autárquicas do próximo mês de setembro. O Valor Local sabe que o nome do gestor e atual vereador da oposição na autarquia, já foi aprovado pelas estruturas social-democratas, sendo que a estratégia já foi concertada com a direção nacional presidida por Rui Rio. Rui Corça diz ter decidido esta recandidatura por “dever de consciência” e porque não se conforma com “uma Azambuja abandonada por todos os poderes socialistas, onde faltam coisas básicas e onde não há ‘sonho’ nem futuro para as pessoas”. O candidato social democrata garante que parte para as eleições autárquicas com “humildade para ouvir, e a responsabilidade de liderar um projeto ganhador, alternativo à atual gestão cega dos socialistas, que não sente nem ouve as necessidades de quem devia servir”. O atual vereador elegeu como áreas principais de atuação a Educação, Habitação, Saúde, trabalho e Ambiente. Para Rui Corça, estes são setores “prioritários do projeto autárquico” que

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“O nosso projeto é moderado e nele só cabe um extremismo: a exigência necessária para resgatar este concelho ao passado e ao fracasso” afirma Rui Corça. A apresentação oficial de Rui Corça à presidência da Câmara de Azambuja será feita durante o mês de fevereiro, mas ainda não se conhece qual será o “formato” que está a ser preparado tendo em conta o confinamento provocado pela pandemia. Candidatura de Silvino Lúcio pelo PS no limbo e outros autarcas socialistas já vêm uma oportunidade

Autarca aposta numa vitória numa Câmara gerida há décadas pelo PS defende para o concelho de Azambuja. Numa nota enviada à nossa redação, o vereador do PSD afirma ainda que esta alternativa será abrangente “e vai contar com muitos cidadãos independentes que partilham a necessidade deste caminho alternativo”. Para o recandidato “todos são precisos para construir um futu-

ro em que todas as nossas crianças e jovens tenham as mesmas oportunidades de sucesso que quaisquer outras” acrescentando ainda: “Não aceito, nem me resigno a que o povo do meu concelho seja tratado como povo de segunda”. Quanto à política de alianças, o PSD de Azambuja declara que pretende liderar um “movimento de cidadania para a mudança

responsável,” mas não esclarece ainda se vai ou não concorrer em coligação com outras forças partidárias. Rui Corça diz que “quem vier por bem e respeitar a liberdade, a social-democracia, personalista e reformista, será sempre bem-vindo”, por isso exclui perentoriamente uma coligação com o Chega! de André Ventura.

Recorde-se que em junho passado o Partido Socialista escolheu o atual vice-presidente da câmara Silvino Lúcio para concorrer às próximas autárquicas. Contudo o estado de saúde de Silvino Lúcio pode impedir a concretização desta candidatura, o que está a gerar movimentações internas no PS para uma nova escolha de rosto a encabeçar as listas do PS, que poderá passar pelo atual presidente da Câmara de Azambuja Luís de Sousa, que já tinha manifestado o seu desejo em ser o cabeça de lista à Assembleia Mu-

nicipal. No entanto o Valor Local sabe que a atual vereadora com o pelouro da Educação e Ação Social, Sílvia Vítor e o vereador António José Matos, com o pelouro da Economia e Turismo, não estão fora de encabeçar uma lista pelo PS, e essa vontade quer de um quer de outro já é mais do que notória nos bastidores da política local, garantem-nos várias fontes. No que toca à CDU, não se sabe quem poderá liderar uma lista, no entanto o Valor Local sabe que a quarta recandidatura do arquiteto David Mendes à presidência da Câmara, que não é unânime dentro dos comunistas, poderá ser a solução, o que liberta António Torrão para um novo mandato à freguesia de Aveiras de Cima. Ainda não é certo se o Bloco de Esquerda e o CDS-PP apresentem listas próprias este ano. Estará em causa a preservação do eleitorado conquistado em 2017. O bom resultado do líder do Chega nas presidenciais no concelho de Azambuja poderá proporcionar o aparecimento de uma candidatura, isto porque o concelho conta já com alguns militantes.

Presidentes da Câmara da região infetados com Covid-19 lguns presidentes de câmara da região passaram ou estão a passar pela Covid -19. São os casos dos autarcas de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, que esteve infetado há vários meses tendo ultrapassado a doença, mas mais recentemente e num espaço curto de dias tivemos o presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro, o de Azambuja, Luís de Sousa, e o de Arruda dos Vinhos, André Rijo. O autarca de Arruda já teve alta. Com a situação epidemiológica a agravar-se em Portugal, e depois de passarem pela doença, todos os autarcas são unânimes e pedem às respetivas populações que tomem os devidos cuidados e evitem ajuntamentos sociais. Ao Valor Local, Luís de Sousa, o presidente da Câmara de Azambuja, referiu ter contraído o vírus num almoço de trabalho, e que na maioria das vezes esteve assintomático. O autarca que nunca teve febre, falou nas dores musculares e no desconforto que a Covid-19,

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lhe provocou. Noa início da semana passada teve aquilo que os médicos consideram o “pico” da doença. Posteriormente a isso, a situação foi melhorando, ao ponto de estar de volta à liderança do município. Luís de Sousa esteve infetado durante pelo menos dez dias, com ele a esposa os netos e o genro, também padeceram da Covid. André Rijo, presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, também apela a que os cidadãos escutem as mensagens das autoridades e que em larga medida se mantenham em casa sempre que possível. Ao Valor Local, o autarca diz ter sido infetado através do filho, que por sua vez terá apanhado Covid19 na escola. André Rijo salienta que a situação esteve sempre controlada e que ainda assim a resposta das autoridades em todo o processo foi relativamente rápida. As ligações à linha de Saúde 24, e o encaminhamento de todo o processo,

para o autarca, o filho e restante família, decorreu sem sobressalto e “não tenho absolutamente nada a dizer das autoridades de saúde”, salienta o edil que destaca a atuação do delegado de saúde local. O autarca explica que os sintomas detetados ao filho numa segunda feira, nomeadamente, mau estar e a febre, foram-se desvanecendo ao ponto de no dia seguinte, altura em que foram fazer

o teste, já estava praticamente sem sintomas. André Rijo esteve quase sempre assintomático. Aliás, o autarca refere mesmo que esta é uma doença que não atua em todas as pessoas da mesma maneira e que no seu caso, detetou apenas dores no corpo e por precaução tomou apenas um ben-u-ron, para evitar a febre. De facto, as dores musculares, que são um sintoma comum aos

Luís de Sousa, André Rijo e Pedro Ribeiro

assintomáticos, estiveram também presentes nos dias de confinamento de André Rijo. A viver com a esposa e dois filhos, relatou ao Valor Local, que só ele e o filho estiveram positivos. Já a esposa e a filha deram negativo e isso obrigou a uma gestão dos espaços em casa mais afinada. Enquanto o presidente da Câmara de Arruda, e o filho partilhavam parte da casa, a restante família

ficava na outra metade. A gestão da “crise” em casa foi-se fazendo: “Adaptamo-nos nas idas à casa de banho e na higienização das coisas” refere o autarca que fala em dias mais complicados, quando teve de continuar a gerir a Câmara à distância. Por estes e outros motivos, o autarca quer que a sua disciplina e a da sua família sirva de exemplo, e alerta para os perigos da Covid19, que não escolhe quem infeta.


18 Economia

Valor Local

Janeiro 2021

Central Fotovoltaica da Cerca já está em consulta pública

“Sai mais um” mega parque solar para Azambuja e Alenquer Sílvia Agostinho stá em fase de consulta pública mais uma mega projeto de energia fotovoltaica para o concelho de Azambuja e que chega ainda ao concelho de Alenquer desenvolvendo-se em ambos os territórios. Nesta altura, e apesar do Estudo de Impacte Ambiental já ter sido remetido junto da Agência Portuguesa do Ambiente, ainda não foi discutido pelas duas câmaras nem dado a conhecer. Tratase da Central Fotovoltaica da Cerca com 458 mil painéis solares, menos 180 mil e 400 que do que o outro mega projeto concelhio, o da Torre Bela, em Azambuja, com previsão de 638 mil 400 painéis. O presidente da Câmara de Azambuja que se tem visto a braços com as polémicas referentes ao projeto da Torre Bela e ao projeto da Iberdrola para Vila Nova da Rainha, confessa que ainda não se debruçou sobre este que é proposto pela empresa “Fotovoltaica lote A”, ligada à EDP e com sede no Porto. O projeto desenvolve-se na denominada Quinta da Cerca na freguesia de Aveiras de Baixo estendendo-se até Vila Nova da Rainha, e daí até à zona do Camarnal, já no concelho de Alenquer (ver mapa). Como é sabido o município revogou as declarações de interesse público municipal para os projetos da Aura Power (Torre Bela) e da Iberdrola Renewables face às críticas e ao escândalo da montaria na propriedade localizada na freguesia de Manique do Intendente. Já Pedro Folgado também está na expetativa. A Câmara já indeferiu um projeto de painéis solares para Casais da Marmeleira, mas quanto ao da “Fotovoltaica Lote A” não vê para já grandes inconvenientes, mas refere que ainda é muito cedo. O projeto prevê uma extensão a nível das linhas elétricas na ordem

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EDP quer instalar parque nesta faixa de território dos 16,1 quilómetros e a criação de uma subestação em Vila Nova da Rainha, desenvolvendo-se nas denominadas áreas C1 (Azambuja) e C2 e C3 (Alenquer). A a denominada Central Fotovoltaica da Cerca pretende produzir 388 208 MWH de energia elétrica por ano, e vai colocar no terreno 458 mil painéis. Durante a fase de construção a Fotovoltaica Lote A pretende empregar até 250 pessoas neste projeto. Existem condicionantes quanto a área de Reserva Agrícola Nacional (RAN) sobretudo nas zonas do concelho de Alenquer, enquanto as condicionantes de Reserva

Ecológica Nacional (REN) encontram-se maioritariamente no concelho de Azambuja, e como tal terá de ser reconhecida a mais valia pelos órgãos autárquicos se quiser ir em frente através do instrumento do interesse público municipal. Outra condicionante existente no concelho de Azambuja prende-se com o adutor de Castelo do Bode. Quanto aos principais impactes, a empresa diz que pretendeu desenvolver o projeto em solos com menos valor ecológico, em zonas de eucaliptos, embora refira que a parte da floresta de sobreiro possa ser afetada bem como algumas aves. No caso do PUB

abate de algumas daquelas árvores será feito um pedido em conformidade ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e serão replantados novos exemplares em número correspondente ao dos abatidos. No estudo de impacte ambiental, encontra-se explícito que durante a fase de construção poderão os trabalhos a desenvolver causar incómodo a nível de ruído e levantamento de poeiras junto dos habitantes das zonas de Camarnal, Vale da Pedra, Casais da Lagoa e Virtudes. A empresa assegura respeitar todas as servidões, distâncias de segurança, domínios hídricos, e condutas adutoras, entre outras condicionantes. Diz ainda que ao longo do projeto e de forma a delimitar os impactes visuais será construída uma estrutura verde ou uma cortina arbórea. Referindo-se ainda ao muito polémico tema da influência dos campos eletromagnéticos que estas estruturas acarretam e que é alvo de debate a nível mundial, sem que existam opiniões consensuais entre os especialistas, a Fotovoltaica Lote A face a esta temática indica a teoria mais compaginável com os seus propósitos – “De acordo com os estudos científicos sobre o efeito dos campos eletromagnéticos de frequência industrial na saúde das pessoas em exposição permanente e atualmente cientifi-

camente comprovados conclui-se que as linhas elétricas projetadas não apresentam risco para a saúde das populações na vizinhança das mesmas”. Presidente da Câmara de Alenquer fala em pressão do Governo para aceitar estes projetos no seu território A região está a ser fortemente assediada pelos vencedores do leilão solar ocorrido em 2019. Portugal estabeleceu metas ambiciosas quanto ao incremento das renováveis que passa por uma meta de 31,0 no consumo de energia (a 5ª meta mais exigente da UE-28) até 2030. Com base no pacote legislativo da União Europeia denominado “Energia Limpa para todos os Europeus”, as renováveis deverão ter um peso de 47 por cento nos usos que fazemos da eletricidade no dia-a-dia. O presidente da Câmara de Alenquer concorda que estes projetos estão a surgir tipo cogumelos na região “mas que têm de ser bem analisados”, sendo que neste momento a Câmara “está a debruçarse sobre as componentes urbanística e florestal” deste em concreto. “Este projeto tem algum impacto, mas tivemos outros com impactes maiores”. O autarca desabafa e não se mostra propriamente ambicioso quanto à vinda

destes mega complexos fotovoltaicos – “Sinto-me por vezes um pouco impotente face a este quadro!” e não esconde que o Governo pressiona no sentido de estas realidades irem para a frente, sendo que já se gerou uma situação de algum desconforto “entre a empresa, o Governo e a Câmara”. Em causa estava um projeto de painéis solares de um grupo espanhol para Casais da Marmeleira que a Câmara indeferiu. A empresa prepara-se para voltar à carga mas o município não deverá dar luz verde – “Vamos voltar a indeferir porque a Câmara está interessada naquela faixa de território para desenvolver outros projetos e pretende adquiri-la ao proprietário”. O PDM é “por isso um instrumento fundamental para nos defendermos, mas que não funciona apenas para o nosso lado, porque se não existirem obstáculos inscritos em PDM quanto à implantação destes projetos não podemos inviabilizar só porque sim”. Já Luís de Sousa confessa ao Valor Local que continua a conversar com os promotores da Torre Bela e que quer negociar apoios sociais, e a instalação da sede social da empresa no concelho. Constata que mais cedo ou mais tarde pode viabilizar este projeto bem como o da Iberdrola, já quanto ao da Quinta da Cerca não faz para já futurologia.


Valor Local

Janeiro 2021

Rádio Valor Local 19

Marcelo Rebelo de Sousa e Ana Gomes na Rádio Valor Local

A segunda candidata mais votada nestas eleições também passou pela nossa rádio

A campanha eleitoral de Marcelo Rebelo de Sousa passou pela Rádio Valor Local urante a campanha eleitoral para as eleições presidenciais e no âmbito de visitas ao concelho de Azambuja, os candidatos Ana Gomes e Marcelo Re-

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belo de Sousa estiveram na Rádio Valor Local onde foram entrevistados. Ana Gomes que acabaria por ser a segunda candidata mais votada nas eleições de 24

de janeiro, falou sobre diversos temas da nossa região como as touradas, o aterro e a caçada na Torre Bela. Uns dias depois foi protagonista de um episódio em

que os seus apoiantes de Azambuja retiraram o apoio no seguimento de declarações controversas sobre o polémico tema das touradas. Já Marcelo Rebelo de

Sousa, reeleito presidente da República, apelou aos microfones da nossa rádio no sentido de os portugueses reforçarem os seus cuidados em tempo de pan-

demia. Para o presidente da República estes são tempos difíceis em que o significado da palavra afetos ganhou uma dimensão mais virtual.

Fábio Morgado serve “Discos a Pedido” aos fins de semana na Rádio Valor Local Sílvia Carvalho d’Almeida ábio Morgado considera-se mais um curador de música do que propriamente um DJ. Atualmente com o programa “Discos a Pedido” na Rádio Valor Local ao sábado e domingo entre a

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meia noite e as duas da manhã, diz que o seu percurso nesta área se deveu a muito “autodidatismo e instinto”. O sonho de infância de se tornar juiz fê-lo ingressar no curso de direito. No entanto, rapidamente se

A paixão pela música levou-o a abraçar este desafio na Rádio Valor Local

apercebeu de que queria ser advogado. A música nunca deixou por isso de ser um hobby. É da opinião de que “a vida devia ter uma banda sonora com música a tocar a toda a hora”, e uma vez que isso não acontece, “o mais que se pode fazer é selecionar a música que se quer pôr a tocar a cada momento, por exemplo, quando se está a trabalhar, quando se está em casa, ou em viagem”, atividade que sempre gostou muito de fazer. O advogado de 32 anos fez parte de uma orquestra filarmónica na adolescência, e tem familiares ligados à música. O pai que “sempre foi músico”, contribuiu para que desenvolvesse este gosto. O irmão é produtor musical. Para além disto, conta-nos que em sua casa “sempre se ouviu dos mais variados estilos como rock, pop, reggae.” Foi apenas “por piada” que, depois de acabar o curso de Direito, encomendou um controlador que lhe permitiu dar os primeiros passos como DJ. Estreouse numa festa da Juventude de Arruda dos Vinhos, para a qual foi convidado para fazer a abertura. A partir daí os convites não pararam de surgir. Recorda especialmente uma ida ao Bar 36 no Bairro Alto, em Lisboa, que é considerado a meca do Hip Hop, no entanto, a maioria dos seus espetáculos tem sido em Arruda dos Vinhos. Fábio diz-nos que é certamente o “DJ mais barato que existe”, pois, uma vez que se trata de fazer algo por prazer, ou

seja, passar as canções que mais gosta de ouvir, nunca consegue “cobrar nada pelos espetáculos”. Como nos conta, durante o primeiro confinamento da pandemia de Covid-19, fez uma seleção musical para os que se encontravam em casa, mas foi na Rádio Valor Local que teve a oportunidade de ter um nível de alcance maior ao nível de ouvintes. O que o distingue da concorrência, é que cada programa musical “é dedicado a determinada vertente

musical. Numa semana temos os anos 60, e se for preciso, na semana seguinte temos Hip Hop de 2000.” Isto dá-lhe a oportunidade para investigar, o que lhe “dá muito gozo fazer”. Há “muita variedade, e tenta-se chegar” ao maior número de pessoas possível. Segundo nos diz, a experiência está a correr “muito bem”. Fábio é eclético nos seus gostos. Os seus estilos musicais favoritos são o jazz, o hip hop, o rap americano e português, música dos anos 60 e 70, o soul, o funk e o

disco. Sendo advogado e também autarca, garante que o seu dia não tem mais de 24 horas. Esclarece que se trata antes de “aprender a conjugar muito bem o tempo”, e de abdicar de algumas atividades como ver televisão, ou por exemplo “fazer coleções de selos.” Sendo uma atividade que lhe “ocupa algum tempo”, assegura que não é tempo perdido, antes pelo contrário, é tempo que ganha a “adquirir conhecimento, nomeadamente musical”.

Mónica Guerra inicia rubrica na Rádio Valor Local escritora Mónica Guerra inaugurou neste mês uma rubrica de literatura na Rádio Valor Local com o nome “Ler é o Melhor Remédio”. Todas as quintas-feiras, nos horários das 9h00; 11h00; 16h00 e 21h00, dá sugestões de livros dando a conhecer um pouco a história de cada obra. Em tempo de pandemia e de confinamento aproveite as sugestões desta escritora do concelho de Vila Franca de Xira ao mesmo tempo que ouve a melhor música na Rádio Valor Local.

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Jornal Valor Local - Edição Janeiro 2020  

Jornal Regional de Azambuja, Arruda dos Vinhos, Alenquer Benavente, Cartaxo, Cadaval, Salvaterra de Magos e Vila Franca de Xira

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