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Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 81 • 30 Janeiro 2020 • Preço 1 cêntimo Ambiente na 9 e 11

Valor Local

Aterros de Azambuja e de Ota vão receber 79 mil toneladas de resíduos do estrangeiro Rui Berkemeier: Especialista em resíduos e aterros arrasa Agência Portuguesa do Ambiente

Eleições na Cerci: o filme de uma saga adiada

Combate às Alterações Climáticas - O que já estamos a fazer na região! Destaque da 12 à 16

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Valor Local

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Azambuja com Central Municipal de Operações de Socorro Câmara de Azambuja aprovou a criação de uma Central Municipal de Operações de Socorro (CMOS), em articulação com as duas associações humanitárias de Bombeiros Voluntários existentes no concelho. A nova central que vai funcionar no Páteo do Valverde em Azambuja, vai “centrar” todas as comunicações de emergência do concelho através de um numero único, e da rentabilidade das equipas que estarão de serviço à central. A CMOS, funcionará 24 horas por dia, sete dias por semana,

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de forma a que os cidadãos tenham “o socorro o mais rápido possível, mais eficiente, e adequado”, diz o município em nota de imprensa. Esta central permitirá, ainda, uma coordenação em tempo real do número de operacionais e viaturas disponíveis, possibilitando uma melhor agilização dos meios. O investimento superior a 100 mil euros, as instalações e os equipamentos indispensáveis a este novo serviço serão fornecidos pelo município. O funcionamento da central será regulado pela autarquia, através

do serviço de Proteção Civil, em articulação com as direções e os comandos das duas associações de bombeiros do concelho. Será criado, a nível municipal, um número único de emergência. A nova central substituirá as atuais centrais de despacho dos corpos de bombeiros de Azambuja e de Alcoentre e incluirá uma articulação com o INEM. No mesmo âmbito, foram aprovadas as minutas dos protocolos de cooperação a celebrar entre o município e as duas associações humanitárias, tendo em vista assegurar o pleno e regular

funcionamento da referida central. As corporações cedem à central os recursos humanos qualificados para o serviço e, em contrapartida, o município garante o financiamento de 35 mil euros anuais a cada associação. Socorristas da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima fora da Central de Comunicações Os socorristas da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) de Aveiras não vão integrar a equipa que vai gerir a central municipal de operações. O protocolo foi

assinado entre a Câmara e os dois corpos de bombeiros, apesar de a mesma também prestar socorro no concelho de Azambuja. Ouvido pelo Valor Local, Luís de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja, desvalorizou a polémica salientando não querer entrar em “politiquices” uma vez que tem estado em contacto com a coordenação da CVP e diz que não tem essa “informação por parte da instituição.” Luís de Sousa garante que a CVP entra na central porque tem um posto INEM: “A ideia era

essa”, vincando que a lei refere a obrigatoriedade de criar “uma central desde que exista dois corpos de bombeiros O presidente da Câmara revela, no entanto, que a estrutura da Cruz Vermelha é diferente da dos bombeiros e não coloca de parte a possibilidade de no futuro alguma equipa passar a fazer parte da estrutura. O autarca garante assim, que a CVP vai ser abrangida pela central no que toca à emergência médica, mas não fará parte da equipa que estará de “plantão” na central.

Foto Tiago Baptista

Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira promove Programa “Crianças – SOS Dentes”

Apresentado o novo programa de apoio à saúde oral

Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira assinou esta terça feira um protocolo com várias clínicas da cidade tendo em vista o apoio e a promoção dos cuidados de saúde oral O programa destina-se às crianças da freguesia até aos 16 anos de idade com carência económica não abrangidas pelo Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral. Segundo João Santos, presidente da autarquia, este programa abrange ainda os “fregueses até aos 16 anos de idade que, apesar de abrangidos pelo Progra-

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ma Nacional de Promoção de Saúde Oral tenham já esgotado os respetivos cheques-dentista”. De acordo com o presidente da junta, na prática este programa destina-se a agregados familiares com carência económica que apresentem como rendimento mensal disponível per capita até ao valor de 50% da Retribuição Mínima Mensal Garantida. Este é um projeto que fazia parte do programa de candidatura da lista de João Santos e que “visa melhorar o acesso da população socioeconomicamente desfavorecida a serviços de saúde oral”.

Segundo João Santos ao Valor Local “este é um problema social que atinge sobretudo a população que não é abrangida pelos programas do Governo, nem possui capacidade económica que lhe permita aceder a serviços privados de saúde oral”. De acordo com o autarca, o processo de candidatura deverá ser formalizado, através do preenchimento de uma ficha de sinalização, junto do Serviço de Ação Social, Cultura e Comunicação da Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira, que coordena o programa.

Cruz Vermelha a caminho do concelho de Benavente Cruz Vermelha Portuguesa deverá receber luz verde do município de Benavente quanto à sua intenção de instalar-se no concelho com um serviço de socorro às populações. Na última reunião de Câmara, Carlos Coutinho, presidente da autarquia, informou questionado pela verea-

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dora do PS, Florbela Parracho, quanto ao ponto de situação nesta matéria, que as duas corporações de bombeiros do concelho não criaram obstáculos perante as intenções da Cruz Vermelha. “Não há conflitos de interesse”, referiu. Nos últimos meses do ano, a

Cruz Vermelha Portuguesa fez chegar junto do município uma proposta com vista à instalação de uma delegação na área do concelho de Benavente. A proposta foi analisada pelo município. O objetivo é que servisse de complemento ao serviço de socorro já prestado pelos bombei-

ros de Benavente e de Samora Correia. Em reunião de Câmara, o presidente da autarquia, Carlos Coutinho, referiu que as duas corporações teriam uma palavra a dizer quanto a esta necessidade. Ao Valor Local, o presidente da Câmara expressou que a entrada em funcionamento no con-

celho de mais um serviço daquele tipo “não podia colidir com a atividade que, hoje, já é desenvolvida” pelas duas associações humanitárias, e a “sua sustentabilidade”. Depois de uma reunião com ambos os corpos de bombeiros, verificou-se que não haveria incompatibilidade.

Proibição de estacionamento preocupa moradores de rua em Azambuja lguns moradores da Rua Frei Jerónimo em Azambuja estão preocupados com a possibilidade de perderem estacionamento naquela rua. O morador João Santos contactou o Valor Local expressando a sua preocupação pelo facto de a autarquia ter colocado um sinal de proibição de estacionamento que contempla toda a rua, e não apenas o início da mesma, onde é mais estreita e onde algumas pessoas costumam estacionar indevidamente. Certo é que com apenas a indicação de proibição de estaciona-

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mento e sem um sinal a informar o fim de proibição, os moradores temem que a restante rua fique interdita ao parqueamento. João Santos lamenta que devido aos comportamentos de algumas pessoas, agora os moradores se encontrem receosos, “pois não temos mais lugares para estacionar e eu já fui aqui multado por ter o carro em cima de uma linha amarela que até já está apagada”. Silvino Lúcio, vereador com o pelouro do trânsito, vincou ao Valor Local que está consciente do as-

sunto e que vai analisar a situação, no sentido de não estender a toda a rua a proibição de estacionamento. O vereador concorda que à medida que a rua sobe, vai ficando mais larga e por isso “ali o estacionamento é possível”. Ao Valor Local, o vereador assume a falta de civismo no que toca ao estacionamento naquela rua, sendo que a Câmara “já colocou uns pinos junto à entrada de uma casa, pois havia condutores que teimavam em estacionar nesse local, impossibilitando que os moradores pudessem entrar.”

Moradores contestam sinal que proíbe o estacionamento em toda a rua

O socorro no concelho tem conhecido altos e baixos, nomeadamente, desde que a corporação de bombeiros de Benavente fechou a sua secção em Santo Estevão, tendo existido a dada altura um abaixo-assinado no sentido de impedir o seu encerramento.


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Valor Local

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Bombeiros de Azambuja lançam recados ao Governo em dia de aniversário s Bombeiros Voluntários de Azambuja assinalaram no passado dia 19 de janeiro 88 anos de existência. A associação prepara-se para um ano de desafios, sendo que um deles, já assumido pelo presidente da direção, André Salema, passa por “nivelar os vencimentos de todo o corpo ativo, e ultrapassar as diferenças salariais criadas com a implementação da Equipa de Intervenção Permanente”. No seu discurso, André Salema revelou que o valor em vigor é da responsabilidade da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, que veio “criar desigualdades completamente injustas e que têm de ser ultrapassadas”. Este é um propósito da atual direção, vincando a necessidade de se debruçar sobre o assunto já este ano “uma vez que da parte do poder central não se vislumbra qualquer solução para esta matéria”. No entanto, André Salema lembra que há ainda muito a fazer no que toca ao apoio aos bombeiros. O presidente dos soldados da paz de Azambuja considera que continuam a “marcar passo” questões como a lei que apoia os filhos dos bombeiros nas creches e infantá-

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Bombeiros refletiram sobre as questões que mais os preocupam todos os dias rios, que embora já tenham dotação orçamental, ainda não estão em vigor. Salema vai ainda mais longe, e lembra a existência de “bombeiros que sofreram acidentes, com uma pensão mensal de 267 euros”, bem como a necessidade de uma revisão ao regulamento de uniformes. “São tantas fardas, que para cada elemento, esse custo vai além dos três mil euros”. Outro dos problemas é o preço do combustível. “Somos hoje pagos pelo mesmo preço ao quilómetro de 2012”, lamenta. Por outro lado, diz ter dúvidas quanto à existência de uma agência para a gestão

integrada para os fogos rurais: “Não sei que utilidade tem para o país”. O responsável salienta as dificuldades financeiras das associações, e reforça que as entidades estatais, como é o caso da Autoridade Nacional de Proteção Civil, paga as despesas relacionadas com os fogos de 2010 em 2020, apontando igualmente a dívida do Serviço Nacional de Saúde às corporações, que persiste de forma significativa. Ricardo Correia, comandante dos bombeiros de Azambuja, destacou a sua preocupação pela localização do concelho de Azambuja.

Em causa está o facto de o concelho ter das estradas mais movimentadas do país, com centenas de pesados carregados de matérias perigosas, ser atravessado pela linha de caminho de ferro, onde muitas vezes passam comboios carregados também de matérias consideradas perigosas, já para não falar da sinistralidade e fogos florestais. Ricardo Correia confessou: “Não durmo descansado, sinto-me até muitas vezes inquieto comigo mesmo e com os outros, dado que a nossa cultura nestas questões nunca foi proativa”. “Viver em sociedade obriga-nos a viver tam-

bém com o risco presente nos nossos territórios. É preciso conhecê-lo, saber como lidar com ele, auto protegermo-nos, testar e dar a conhecer os planos de emergência e intervenção necessários”. Há, no entanto, outras preocupações que podem vir a comprometer a forma de socorro que hoje conhecemos. O comandante afirmou que o voluntariado está em crise e que “cada vez é mais difícil de recrutar e manter “bombeiros associados a estas casas”. Para o operacional “estes sinais que não são de agora, apenas se têm agudizado, deviam já ter levado o setor dos bombeiros a pensar numa nova estratégia, que passa pela profissionalização da primeira resposta nos sete dias da semana, 24 horas por dia” e aponta para a urgência de levar a cabo este assunto o mais rapidamente possível. “Resta saber se um Estado que sempre se apoiou no voluntariado para cumprir uma obrigação constitucional está preparado para assumir o custo da aposta na profissionalização”. António Torres condecorado O atual presidente da direção e

coordenador local da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima, António Torres, foi condecorado pelos bombeiros de Azambuja. António Torres que tem estado afastado do teatro de operações devido a doença, recebeu através da sua esposa Maria Carminda da Silva Azevedo a medalha de gratidão. Segundo a direção dos bombeiros de Azambuja, esta medalha, é justificada pela “ligação de amizade a esta associação, aos bombeiros e ao próprio socorro do concelho”. Segundo uma nota da direção dos voluntários de Azambuja, esta atribuição tem em conta “o seu percurso nas instituições de proteção e socorro no concelho de Azambuja, em particular na relação que sempre fez questão de manter com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Azambuja e com os seus dirigentes”. A mesma nota refere que António Torres “é um homem de causas, um excelente interlocutor, pessoa confiável e determinada no bom relacionamento com as instituições, mesmo quando os ventos não eram os mais favoráveis”.

Presidente da Câmara de Vila Franca repudia IVA de 23 por cento para as touradas lberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira (PS), espera que o Governo volte atrás na decisão de incluir os espetáculos tauromáquicos na taxa máxima de 23 por cento, ao contrário do que sucede para outras manifestações culturais que beneficiam de taxa reduzida de IVA. Em comunicado, o autarca diz discordar frontalmente desta posição. “Lamentamos, e esperamos que a mesma venha a ser corrigida em sede de discussão,

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apresentação de propostas de alteração e votação da lei orçamental na especialidade.” Em matéria de Cultura, “as decisões fiscais não podem ser guiadas pelos gostos pessoais de cada um e, muito menos, por opções discricionárias, discriminatórias e injustas, devendo ser garantido, isso sim, o direito de acesso aos bens e serviços culturais em condições de igualdade.”, pode ler-se. No entender da Câmara de Vila Franca, a fixação da taxa máxima

de IVA nos espetáculos tauromáquicos cria “disparidade” entre territórios, nomeadamente, aqueles em que a tauromaquia constitui uma “forte marca identitária e cultural”, “prejudicando, por isso, os territórios de baixa densidade e a representatividade económica das atividades tauromáquicas”. Para a Câmara de Vila Franca, a medida “põe em causa a liberdade de acesso a uma atividade cultural, sem que se salvaguarde a diversidade cultural e revela um preconceito incompatível com a

defesa dessa diversidade.” A autarquia preconiza uma taxa reduzida de IVA, (seis por cento) aplicável aos espetáculos tauromáquicos, em linha com as demais atividades culturais. Municípios com atividade taurina criticam medida do governo Em comunicado divulgado pela Associação Nacional de Municípios Portugueses com Atividade Taurina, todos os cidadãos “que

vivem e visitam, quer nacionais como estrangeiros, os territórios com atividade tauromáquica, têm direito a ter acesso aos espetáculos tauromáquicos em situação de igualdade com outras manifestações culturais”. É por isso que referem que “a liberdade de escolha de acesso a todo e qualquer espetáculo deve ter condições fiscais iguais, de forma a salvaguardar o princípio constitucional da igualdade e do direito à cultura para todos”. O mesmo comunicado refere que

“esta alteração da taxa de IVA representa uma medida meramente discricionária, cujo impacto fiscal será negativo, nas atividades económicas a montante de todo o espetáculo tauromáquico, sobretudo nas atividades ligadas ao mundo rural “ e que “deverá ser sancionada, uma vez que a tauromaquia é uma atividade cultural, estabelecida na lei portuguesa como parte integrante do património da cultura popular portuguesa”, que é tutelada pelo ministério da cultura.

Lugar de estacionamento gera polémica em Azambuja Uma cidadã cujo marido possui mobilidade reduzida queixa-se da Câmara de Azambuja por não fazer a delimitação que a lei obriga para um lugar de estacionamento para deficientes motores. Andreia Ferreira, moradora na Rua Alves Redol, na urbanização da Socasa Nova, fala num braço de ferro com a autarquia que já dura há meses, e diz mesmo que a Câmara não atua de forma conveniente. Segundo Andreia Ferreira o lugar de estacionamento tem de pos-

suir cinco metros de comprimento, o que acontece, “mas apanha a entrada para a garagem e assim sujeito-me a ser multada pela GNR, segundo o que um militar nos disse”. Para Andreia Ferreira a situação resolvia-se se o lugar fosse até mais alguns centímetros da extrema da sua casa para a da vizinha do lado, que acusa de não colaborar. A moradora diz ainda que não consegue estacionar os seus veículos, muito menos o marido, no interior da garagem por ser demasiado exígua.

“Se assim não fosse não teria estes constrangimentos associados ao facto de me encontrar muito limitada, por culpa da Câmara, quando quero estacionar cá fora”. Andreia Ferreira vai mais longe e diz que a autarquia não alarga o local de estacionamento porque “a vizinha trabalha na Câmara”. “A lei diz que o lugar de estacionamento deve possuir no mínimo cinco metros sem garagens incluídas e isso não está a ser respeitado”. A cidadã revela que tem reclamado na Câmara

mas sem resultados à vista. “O município alega que a partir da extrema da casa da vizinha o estacionamento é dela, mas que eu saiba o estacionamento é público. Qualquer pessoa pode estacionar em frente a estas casas do bairro que ninguém tem nada a ver com isso. O que o senhor vereador Silvino Lúcio alega não faz sentido”. Contactado pelo nosso jornal, o vereador da Câmara de Azambuja, Silvino Lúcio, refere que a Câmara se compromete em marcar

o lugar de deficiente “apenas desde a extrema da propriedade dessa moradora”. Quanto ao facto de assim, a viatura (a família possui um mercedes que não consegue caber no espaço delimitado como se apresenta nesta altura) ficar em frente à garagem, o autarca diz que não se pode responsabilizar pelo facto, nem “a Câmara tem culpa de a senhora não conseguir meter o veículo na garagem”. “Se a senhora tem problemas com uma vizinha não tenho nada a ver com isso. Se se

respeitarem cabem ali todos. Não venham é para cima de mim”. Quanto à alegação de que a vizinha é funcionária da Câmara e assim é favorecida, “não passa de conversa da treta”. “O tratamento é igual para todos”. “Vamos marcar o lugar para o marido desde o início do prédio dela, se couber lá cabe, se não couber que o ponha dentro da propriedade. Não tenho de ser metido em zangas de vizinhos, entendam-se todos porque o espaço é público”.


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Eleições para a direção da Cerci de Azambuja ao rubro Miguel A. Rodrigues stá marcada para o dia 7 de fevereiro a assembleia geral com vista à eleição dos novos órgãos sociais da Cerci-Flor da Vida de Azambuja. A reunião magna que esteve marcada para a primeira quinzena de janeiro, acabou por ser adiada devido a alegadas inconformidades nas fichas de inscrição dos novos cooperadores, já que a assembleia geral alegava a impossibilidade de “verificação de identidade e intenção voluntária de inscrição”. O ato eleitoral tem estado ao rubro entre as duas listas. Vença quem vencer, estas eleições significam também o fim de ciclo para a direção de Carlos Neto que esteve à frente dos destinos da instituição durante 30 anos. O Valor Local sabe que algumas fichas de inscrição não foram acompanhadas pelo respetivo documento de identificação, e como foram entregues em conjunto com outros documentos, não foi possível aferir essas mesmas inscrições. É aqui que começa a polémica, com alguns cooperadores a dizerem que estão a ser usados, e que a atual direção se quer perpetuar no poder. Em causa está o facto de a secretaria ter aceitado as inscrições e os pagamentos de jóia e mensalidades, tendo-se seguido à posteriori o anúncio de adiamento para verificação de algumas inscrições, conforme foi adiantado pelo nosso jornal na edição online. Ao Valor Local chegaram relatos de desconforto que apontam “para uma desorganização da parte da direção”. “Não acreditam que queremos ajudar a instituição. Só revela um desconforto por parte da atual direção que há 30 anos está no poder”. Um cooperador, ouvido pelo nosso jornal, que não quis ser identificado devido à sua atividade profissional, explicou que não faz sentido que a secretaria tivesse “recebido os cooperadores, lhes atribuísse um número de sócio, e recebesse a jóia e as quotas anuais, para agora desconfiar”. O Valor Local sabe que os protestos têm sido muitos junto da Cerci e que muitos dos cooperantes es-

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tão a recusar deslocar-se à secretaria evocando motivos profissionais. O mesmo cooperante considera inclusive que na sua opinião “isto parece um jogo de futebol onde o clube mais fraco quer ganhar o jogo na secretaria”. Presidente da Assembleia Geral admite omissões nos estatutos Contatada pelo Valor Local, a presidente da Assembleia Geral da Cerci, Liliana dos Santos admite que os atuais estatutos são omissos no que toca aos pagamentos dos cooperadores. Ao nosso jornal, refere que o facto de se aceitar o pagamento das quotas antes das fichas serem validadas pela administração está a gerar polémica entre os cooperadores. Liliana dos Santos admite que foram chamados a fazer prova da sua intenção de se associar à instituição apenas algumas dezenas de novos sócios e que isso se deve ao número anómalo de inscrições nos últimos dias. O Valor Local sabe que com este ato eleitoral, a Cerci quase que duplicou o número de cooperadores, algo que Liliana dos Santos diz ser positivo, referindo que tal é inédito em 40 anos de existência da instituição. Sobre decisão de adiar as eleições, refere que “houve muita ponderação” e assume que a secretaria não estava preparada para uma afluência tão grande de novos sócios. Liliana dos Santos não quer fazer futurologia quanto a possíveis alterações estatutárias, até porque diz que está de saída da instituição a partir de sete de fevereiro, dia das eleições. O Valor Local sabe que chegaram a existir negociações entre as listas, no entanto, nunca chegaram a um acordo para agilizar o processo de reconhecimento dos novos cooperadores. Num curto comunicado, a lista de José Manuel Franco refere que o adiamento “em nada vem beneficiar ou prejudicar qualquer uma das listas concorrentes, ao contrá-

rio de alguns comentários publicados nas redes sociais”. No entanto, este parece não ser o

entendimento da lista liderada por Vasco Ramos que considera este episódio como uma pedra na en-

grenagem e uma forma de “ganhar tempo” por parte da lista concorrente que considera ser de con-

tinuidade ao atual projeto, caso saia vencedora a sete de fevereiro.

Candidatos apelam à estabilidade o entanto toda esta polémica não é desvalorizada pelas listas candidatas. Vasco Ramos e José Manuel Franco salientam que todas as notícias negativas à volta da Cerci são prejudiciais à instituição, e nos dois casos preferem falar de propostas concretas para a instituição que tem cerca de 80 colaboradores e que necessita de “estabilidade urgente”. José Manuel Franco fala na necessidade urgente de colocar alguns dos projetos de novo em marcha, para além de uma reestruturação da casa e de uma alteração urgente dos estatutos e da criação de um regulamento interno. Por outro lado, Franco que diz ser apenas o rosto de uma equipa coesa, recorda ao Valor Local, que a Cerci é uma instituição que não existe no setor público. José Manuel Franco refere que o Estado não consegue dar resposta a estes casos e por isso não “deve subsidiar, mas financiar a instituição”. O candidato diz querer manter os postos de trabalho e a estrutura, bem como “um bom ambiente na instituição que não tem existido nos últimos tempos”. José Manuel Franco fala numa necessária abertura à comunidade e na melhoria da comunicação entre a instituição, os funcionários e a própria comunidade. “Pretendemos manter o que está bem e corrigir o que está mal”, garantindo que a sua lista não será de continuidade da atual direção. Para José Manuel Franco “seremos uma lista de continuidade mas apenas do que está bem”. O responsável revela que quer voltar a colocar em funcionamento a ala das terapias que foi encerrada a dada altura devido aos elevados custos de manutenção, nomeadamente, o tanque terapêutico e a hipoterapia, e revela: “Já temos patrocínios para tal e se ganharmos as eleições vamos reabrir”. Vasco Ramos, que lidera a primeira lista a aparecer nestas eleições, revela querer “afastar a política da Cerci”. O candidato sublinha igualmente a necessidade da estabilidade daquela casa e salienta que necessita de uma restruturação profunda. Ao Valor Local, o candidato refere que, em conjunto com a sua equipa de trabalho, abraça esta causa social “pelos utentes e pelos funcionários”. Outro tipo de “interesses”, “quer pessoais, quer partidários, têm de ser postos de parte”. “Sei muito bem que os tempos que se avizinham não vão ser fáceis para a instituição, haverá muito trabalho que tem de ser feito. Trabalho administrativo, financeiro, mas sobretudo, o trabalho de reestruturar a organização e a gestão da Cerci e proporcionar uma educação de futuro com vista à excelência. É isto que vou fazer assim que for eleito!”, salienta. Vasco Ramos refere que já tem em marcha alguns protocolos com clínicas de Azambuja para a utilização da piscina terapêutica da Cerci. O candidato refere que ao alugar às empresas privadas, gera mais uma fonte de receita “que tanta falta faz à instituição”. O candidato aponta querer manter os postos de trabalho e a coordenação, sendo que neste capítulo está de acordo com as ideias de José Manuel Franco. Sobre a equipa, Vasco Ramos diz contar com “pessoas sem interesses políticos”. Sobre o facto de algumas delas estarem efetivamente ligadas a partidos políticos, o candidato alega que “são uma minoria”, e que “aceitaram fazer parte deste projeto” porque confiam nas suas “capacidades”. “Eu como candidato à Cerci, sou ‘neutro’ e o único interesse que me pautará durante o meu mandato será o superior interesse da instituição!”, concretiza.

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José Manuel Franco

Vasco Ramos

Barco Varino de Azambuja recuperado e de regresso às águas do Tejo caso para dizer que as notícias sobre a sua morte eram manifestamente exageradas. O barco varino “Vala Real” vai mesmo ter uma segunda vida e depois de anos a apodrecer, literalmente, nos estaleiros de Alhos Vedros foi totalmente recupera-

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do, e ao Valor Local, Luís de Sousa, presidente da Câmara, revela que até ao verão deve estar a navegar em plenas águas do Tejo. Este é um investimento há muito anunciado. Sendo que Luís de Sousa chegou a referir ao Valor Local em abril de 2018

que o destino do barco seria o abate. Com a candidatura a fundos comunitários foi possível reparar a embarcação. O presidente da autarquia julga que em maio conseguirá colocar o barco a navegar. Foram concluídas há poucos

dias as pinturas e a Câmara vai agora adquirir um novo motor e substituir as velas. O investimento foi de 100 mil euros com financiamento em 85 por cento dos fundos comunitários. O barco “Vala Real” foi adquirido pelo município de Azambuja no final dos

anos 90. À época João Benavente era o presidente da Câmara, e o objetivo passaria por colocar o barco ao serviço do turismo no rio Tejo. Com um custo total de cerca 37 mil 500 euros (na moeda atual), o barco foi adquirido em Alco-

chete e posteriormente recuperado num estaleiro com madeiras oferecidas pela empresa azambujense Jular. Há perto de uma década em manutenção, o barco aguardava por melhores dias, num estaleiro do concelho do Montijo.


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Azambuja

Antigo INASI recebe incubadora de empresas dentro de um mês edifício onde até há poucos anos funcionava uma empresa de máquinas e viaturas para a Proteção Civil junto ao Esteiro em Azambuja vai começar a receber em breve as cerca de 10 empresas que fazem parte da incubadora “Hubs Lisbon”. Neste momento falta apenas resolver algumas questões a nível logístico como instalação de internet no local, bem como a aquisição de algum mobiliário. O presidente da Câmara fez uma visita guiada pelo espaço. A incubadora vai ficar no primeiro andar onde antes funcionaram os escritórios da INASI que mudou a sua produção para o concelho do Cartaxo. O edifício está bem conservado e Luís de Sousa explica que não há muitas obras a concretizar, para além da colocação de divisões para que cada empresa tenha o seu espaço próprio. No Hubs Lisbon temos desde empresas ligadas à consultadoria, setor alimentar, tecnologia, comunicação, imagem, até áreas criativas como fotografia ou moda. Rui Pinto, gestor da inovação, refere que o objetivo foi o de levar para a incubadora projetos que respeitassem o lema “Smart Economy; Smart Environment e

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Arquivo municipal no INASI

Câmara adquiriu parte do edifício onde laborou a INASI Smart Leisure” ou seja “Economia Inteligente; Meio Inteligente, e Lazer Inteligente”, grosso modo. Desde que foram conhecidas estas empresas em novembro que outras tantas já manifestaram interesse em fazer parte. Contudo as vagas físicas são limitadas, “mas não está fora de hipótese prestarmos apoio e consultadoria a quem se queira juntar ao projeto e prove ter um projeto que merece ser inovador e importante”. Algumas das 10 empresas já traba-

lham com outras estabelecidas em Azambuja no domínio da investigação e conhecimento. Rui Pinto destaca algumas que conseguiu trazer de outras localidades do país como o Armazém da Bolota, ligada à engenharia alimentar, ou a “4 FREE”, um projeto assente na troca de bens via online ao estilo OLX. Para já “há muito entusiasmo dos empresários, do Rui Pinto, e nossa da Câmara”, diz Luís de Sousa. Já quanto aos custos do projeto

que têm sido salientados pela oposição em reunião de Câmara. Luís de Sousa diz que a aquisição do edifício custou 500 mil euros. Para além disso, vão somar-se os custos inerentes ao funcionamento da incubadora: logística, luz, água e internet. Junta-se a avença de Rui Pinto no valor de 800 euros, mais a verba de cerca de 10 mil euros já paga a uma universidade para colocar o projeto de pé. Rui Pinto adianta que nenhuma das empresas ou parcei-

ros do projeto vão receber avenças da Câmara, à exceção de Júlio Esteves, observador especialista em startups, “com uma verba simbólica de 100 euros por mês, tendo em conta a sua grande mais-valia enquanto consultor em questões ligadas à internacionalização de empresas”. Todas as empresas que se instalem no Hubs Lisbon são apoiadas, quer através do não pagamento de qualquer renda, bem como de apoio logístico gratuito.

O arquivo municipal de Azambuja vai finalmente ser organizado e tornar-se acessível. Durante anos, pilhas de dossiers ficaram acumulados no edifício devoluto da antiga GNR na Rua dos Campinos, que depois de remodelado passou a designar-se por Casa da Juventude. Entretanto, os arquivos municipais já se encontram numa das alas da antiga INASI, que custou à Câmara 500 mil euros, e que vai servir também para a instalação da incubadora de empresas, com espaço reservado ainda a uma moradia unifamiliar destinada a um casal de funcionários da Câmara que vai manter guarda daquelas instalações. No espaço visitado pelo Valor Local já se encontram prateleiras onde vão ficar os arquivos que ocupam um espaço considerável no dito edifício. Para além dos arquivos vindos da Rua dos Campinos, estão também no local os arquivos que se encontravam na divisão do urbanismo, e no terminal rodoviário. A autarquia vai destacar um conjunto de funcionários para organização do arquivo.

Câmara de Salvaterra anuncia investimento de cinco milhões de euros em diversas obras m nota de imprensa, a Câmara Municipal de Salvaterra de Magos dá conta das obras que

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vão ter lugar neste ano de 2020, nas diversas áreas, a começar pela vertente económica com a in-

fraestruturação da área industrial de Salvaterra de Magos – Pinhal dos Mouros que prevê interven-

Obras no Espaço Jackson próximas da sua finalização

ções a nível da rede pluvial, pavimentações e faixa de rodagem. Na Educação está prevista a elaboração do projeto e candidatura das obras de reabilitação da Escola Básica nº1 e Jardim de Infância da Glória do Ribatejo em núcleo escolar, num investimento que ultrapassa um milhão de euros. Na área da Cultura, espera-se a conclusão das obras do Espaço Jackson. Está em curso o fornecimento e montagem de mobiliário e equipamentos de palco, som e vídeo, bem como os arranjos envolventes. Prevê-se que ainda este ano terão início as obras, estimadas em 560 mil euros, de reabilitação da Escola “O Século”, sita no Largo dos Combatentes, em Salvaterra de Magos. Em Muge pros-

segue a reabilitação e ampliação da antiga EB1 da Rua Armindo Jesus em Escola de Música de Muge. Na componente ambiental, para além da reabilitação do Dique do Escaroupim com um custo de 730 mil euros e do início da aplicação da tecnologia LED em cerca de 60 por cento da iluminação pública do concelho (investimento na ordem dos 880 mil euros), o município vai adquirir uma nova viatura de recolha de Resíduos Sólidos Urbanos, cujo custo rondará os 160 mil euros, que soma à adquirida em 2019. Já na mobilidade urbana e na busca da mitigação da sinistralidade rodoviária, a Câmara Municipal tem em curso a construção de

passeios e estacionamentos, com destaque, pela dimensão para o acesso ao longo da EN114-3 ao Centro Escolar de Foros de Salvaterra e Várzea Fresca numa parceria com a junta de freguesia local. Está a decorrer a empreitada de construção de vias pedonais na EN 114-3 em Várzea Fresca, num investimento de cerca de 440 mil euros, que inclui drenagem pluvial, assentamento de lancis, construção de passeios e de estacionamentos, remates betuminosos, colocação de abrigos de passageiros e sinalização horizontal e vertical. Decorrerão ainda obras relacionadas com diversos arranjos urbanísticos, construção de passeios, entre outras.

Nacional de Karaté - Portugal, os Mestres Rui Paula e Hugo Martinho. Gabriel Paula tem-se dedicado a vida a esta modalidade, e veste

mais uma vez as cores da Seleção Nacional de Karaté. Seguirá para Budapeste, na Hungria no dia cinco de fevereiro e realizará a sua prova no dia oito.

Gabriel Paula no Campeonato da Europa de Karaté abriel Paula vai mais uma vez representar Portugal no Campeonato da Europa de Karaté, pela Seleção Nacional. Este karateca do Cartaxo foi

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convocado há um ano para o Europeu na Dinamarca, em outubro de 2019. Foi também um dos doze convocados a nível nacional para o Mundial que decor-

reu em Santiago do Chile e mais uma vez representará as cores de Portugal no 47º Campeonato da Europa da WKF, de seis a nove de Fevereiro na Hungria,

juntamente com toda a comitiva da Federação Nacional de Karaté de atletas, treinadores, dirigentes e árbitros, entre os quais dois treinadores da Associação


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Sociedade 7

Hospital de Vila Franca considerado mais uma vez dos melhores do país Hospital Vila Franca de Xira acaba de receber da Entidade Reguladora da Saúde a classificação máxima de “excelência clínica” (três estrelas) em seis áreas: Cirurgia de Ambulatório; Unidade de Cuidados Intensivos; Cuidados Transversais (Avaliação da Dor Aguda); Neurologia (Acidente Vascular Cerebral); Obstetrícia (Partos e Cuidados Neonatais) e Pediatria (Cuidados Neonatais), de acordo com os resultados publicados esta semana pelo Sistema Nacional de Avaliação em Saúde (SINAS). É o hospital público com mais áreas com nível máximo de excelência clínica em Portugal. O SINAS atribuiu, ainda, Excelência Clínica de nível 2 (duas estrelas) a sete áreas do Hospital: Cardiologia (Enfarte Agudo do Miocárdio); Cirurgia Geral (Cirurgia do Cólon); Cuidados Transversais (Tromboembolismo Venoso no Internamento); Ginecologia (Histerectomias); Ortopedia (Artroplastia da Anca e do Joelho e Tratamento

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Cirúrgico da Fratura Proximal do Fémur) e Pediatria (Pneumonia). De acordo com nota de imprensa da unidade de saúde, o Hospital Vila Franca de Xira cumpre com todos os parâmetros de qualidade exigidos por esta avaliação, “na qual participa voluntariamente, não apresentando qualquer área ou especialidade com avaliação negativa”. “Pelo segundo ano consecutivo, o Hospital Vila Franca de Xira encontra-se no topo da excelência clínica em Portugal. Estes resultados que nos deixam muito orgulhosos revelam o compromisso permanente que este Hospital tem com a qualidade do serviço que presta aos seus utentes”, indica João Ferreira, Presidente da Comissão Executiva do Hospital Vila Franca de Xira. O responsável acrescenta: “um agradecimento especial a todos os profissionais de saúde deste hospital. Estes resultados só são possíveis devido à elevada competência dos médicos, enfermeiros e restantes pro-

fissionais de saúde deste Hospital que diariamente se empenham em bem cuidar de quem nos procura”. Recorde-se que esta unidade hospitalar gerida desde 2011 pelo Grupo Mello, passará para as mãos do Estado em 2021. A ministra da Saúde, Marta Temido, alegou que o hospital não cumpria com as necessidades da população dos concelhos que serve: Azambuja, Alenquer, Vila Franca de Xira, Benavente e Arruda dos Vinhos. Em 2021, a tutela decide se lança nova parceria público-privada ou volta a assumir a gestão da unidade, como aconteceu mais recentemente com o Hospital de Braga. 12 mil cirurgias e 19 mil consultas em 5 anos só ao fim de semana Desde 2011, altura em que o antigo Hospital Reynaldo dos Santos passou a ser uma PPP que já levou a cabo mais 12 mil cirurgias só

Unidade ainda gerida pelo grupo Mello de novo no pódio

aos fins de semana. Com efeito e segundo apurou o Valor Local, está prática do Grupo Mello Saúde teve como objetivo agilizar as consultas e cirurgias e diminuir os tempos de espera. Em causa estão cirurgias nas especialidades de Cirurgia Geral, Of-

talmologia, Ortopedia, Urologia e Dermatologia. Segundo o hospital de Vila Franca de Xira “o objetivo foi o de melhorar os tempos de espera de algumas especialidades com elevada procura por parte da população” Desde a entrada deste grupo na

administração do hospital, que também foram implantadas algumas consultas externas de especialidade. Em causa estão cerca de 19 mil consultas, sendo estas das especialidades de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Dermatologia.

Passe de autocarro de Arruda dos Vinhos para Lisboa desce para metade do preço Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos congratulou-se com os progressos alcançados na negociação dos passes sociais. Em conferência de imprensa, esta segunda feira, André Rijo, presidente da Câmara, lembrou o processo negocial entre as empresas de transportes, e as autarquias que através da OesteCim conseguiram baixar para metade o valor do passe combinado para quem se desloca para Lisboa. O passe social custava cerca de 140 euros até aqui, sendo que a partir de agora, os habitantes do Sobral e Arruda pagam apenas 70 euros. Na prática este valor é dividido em duas partes, cerca de 30 euros correspondentes ao passe local, os restantes 40 na ligação a Lisboa para utilização na Carris e no Metro. Ao Valor Local, André Rijo, consi-

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Para os autarcas esta é mais uma forma de atenuar as assimetrias entre os municípios da AML e os do OESTE

derou este valor “justo” para já, dado que não se equaciona no imediato uma outra redução de preços. O autarca preferiu salientar o esforço da medida que em parte levará também a um aumento da procura dos autocarros nos concelhos abrangidos por esta descida de valores. Andre Rijo fala numa medida justa a pensar na coesão territorial e sobretudo na economia local, lembrando por exemplo a saída de empresas e pessoas para outros concelhos mais próximos de Lisboa. O autarca justifica assim esta medida também com a necessária competitividade económica. Já a partir de fevereiro, a empresa que opera nestes concelhos, vai aumentar a oferta em mais oito autocarros. A garantia foi dada pelo administrador da Boa Viagem, António Andrade, vincando

que o objetivo é que as pessoas não estejam à espera mais de meia hora, nomeadamente, nas ditas horas de ponta. Paulo Simões, secretário da OesteCim, vincou o empenho das empresas de transportes nesta medida, salientando que as mesmas têm um papel crucial em todo este projeto. Já quanto ao financiamento, os responsáveis da Comunidade Intermunicipal do Oeste, dizem esperar que o mesmo seja feito através do Orçamento de Estado para 2020, no entanto asseguram que as autarquias têm um plano B, que passa por assumirem sozinhas os custos adicionais no valor de 1, 7 milhões de euros, cerca de três vezes mais do que o valor aplicado neste Programa de Apoio à Redução Tarifária em 2019.

pelo presidente do município por diversas ocasiões junto do Governo, alertando para o elevado estado de degradação do edifício, com problemas de “infiltrações, humidade e de falta de espaço”. O protocolo entre a autarquia e o Ministério da Administração Interna, para a construção de novas instalações, foi estabelecido em agosto de 2015 e o primeiro

concurso público foi lançado em novembro de 2017. O presidente do município espera que não surjam mais contratempos e que a obra esteja concluída no prazo previsto, aproximadamente 18 meses. O Destacamento Territorial é responsável pelos postos de Alenquer, Azambuja e Cadaval e conta com um efetivo de aproximadamente 50 militares.

Começou a ser construído o novo posto da GNR de Alenquer iveram início os trabalhos de construção das novas instalações do Posto e Destacamento Territorial de Alenquer da GNR de Alenquer, num terreno cedido pelo município entre as vilas de Alenquer e Carregado. Após a aprovação do Tribunal de Contas, foi necessário levar a sessão do executivo a cedência da posição contratual, alterando o empreiteiro, e a consignação

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das obras, uma vez que o vencedor da empreitada recusou avançar com a obra pelo valor do último concurso, 1,5 milhões de euros. Na reunião do Executivo de 20 de janeiro, o presidente do município, Pedro Folgado, esclareceu que o empreiteiro selecionado alegou ainda ter outras empreitadas a decorrer, levando o município a optar pelo segundo

concorrente mais bem classificado no concurso. Em fevereiro de 2019, o município de Alenquer lançou, pela terceira vez, o concurso público para a construção de novas instalações para o Destacamento da GNR, por 1,5 milhões de euros, após revisão de preços e autorização do Governo para o efeito, uma vez que os anteriores concursos ficaram desertos.

A construção de novas instalações está prevista desde pelo menos 2008, altura em que integraram as compensações pela deslocalização da Ota, no concelho, do Aeroporto Internacional de Lisboa, prometidas pelo Governo liderado por José Sócrates. A falta de condições do atual Posto e Destacamento Territorial de Alenquer foi “denunciada”


8 Política

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Primeiro núcleo das mulheres socialistas da FAUL nasce em Azambuja atual presidente da Junta de Azambuja e membro do núcleo executivo das mulheres socialistas da distrital de Lisboa, vai encabeçar uma lista à concelhia de Azambuja. A lista foi já apresentada oficialmente no auditório do Páteo do Valverde e é a primeira estrutura do género na área da FAUL do Partido Socialista a ver a luz do dia. O Valor Local sabe que esta estrutura funcionará como uma continuidade da estrutura nacional das mulheres socialistas. Inês Louro encabeça assim a lista a ela junta-se Vera Brás, atual deputada na Assembleia da República, Sílvia Vítor, atual vereadora na Câmara Municipal de Azambuja. Desta lista fazem parte também Marina Correia, Cristina Sousa, Mafalda Rei, Ana Coelho, Elisete Rodrigues, Natacha Correia, Patrícia Luís, Zélia Gonçalves. Segundo Inês Louro ao Valor Local “ o objetivo da apresentação consiste em dar a conhecer o percurso político de cada uma das candidatas, apresentar novas militantes e aquilo a que nos propomos realizar”. À apresentação desta lista, jun-

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A equipa de mulheres socialistas de Azambuja taram-se onze novas militantes do PS, que “engrossam” assim as fileiras das mulheres socialistas em Azambuja. Segundo Inês Louro, são militantes de todas as idades, o que prova “que nunca é tarde para se seguirem ideais”. “Estas nossas novas camaradas a partir de hoje, simbolizam de uma forma muito importante o quanto o nosso projeto é válido”. A candidata, que encabeça uma lista única, refere que o caminho

que a lista trilha não foi fácil, mas assume também que os próximos dois anos serão igualmente difíceis, nomeadamente, no que toca à continuidade pois “trata-se de um trabalho de equipa, de união e de proximidade” e assume que continuará a “ser complicado fazer esse trabalho de recrutamento de mulheres para a vida ativa cívica e política”. Sobre a lista proposta por Inês Louro, a candidata diz acreditar que “as mulheres deverão ter um

papel ativo na sociedade, seja em ações de solidariedade, seja no associativismo, seja na política. É importante pela forma como abordam os problemas, mas também pelo pragmatismo que colocam nas decisões”. A também autarca propõe para os próximos dois anos, a continuidade do recrutamento de novas militantes, reuniões periódicas com todas as militantes do PS, e ações de formação, debates e conferências sobre varia-

dos temas bem como “homenagear mulheres do nosso concelho que se tenham destacado ou destaquem pela sua atividade solidária, associativa, profissional ou política”. Silvino Lúcio, presidente da concelhia do PS de Azambuja, aproveitou para dar as boas vindas às novas militantes, e Luís de Sousa, presidente da Câmara, destacou que na sua opinião este novo órgão não faz sentido. Para o presidente da autarquia,

as mulheres socialistas já têm lugar nas listas do partido, e por isso aceita, mas diz não concordar com este novo órgão, que teme que venha a dividir ainda mais o PS. Um discurso que causou alguns incómodos na sala. Já Gonçalo Ferreira líder da JS local, aproveitou para dar as boas vindas à nova estrutura de mulheres, que por seu lado, considera uma mais valia para o PS local e nacional.

Rui Corça eleito presidente do PSD de Azambuja atual vereador do PSD na Câmara de Azambuja, Rui Corça, foi eleito no passado sábado presidente da concelhia laranja. O vereador que no passado já exerceu outros cargos na concelhia, nomeadamente, como presidente da JSD, apresentou-se em lista única àquele órgão, no passado sábado, tendo sido eleito com 65 votos, 4 brancos e 1 nulo num universo de 82 militantes com quotas em dia e capacidade eleitoral.

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O atual vereador na Câmara de Azambuja lidera agora a concelhia local

Acompanham Rui Corça, Luísa Martins e Carlos Pires como vicepresidentes. Marçal Pereira, que no passado, foi tesoureiro na comissão politica de Luís Leandro, já tinha sido tesoureiro, volta agora a desempenhar essa função. Com as autárquicas em pano de fundo, Rui Corça pode bem vir a ser recandidato à Câmara de Azambuja, no entanto ao Valor Local o vereador que assiste ao anúncio de Silvino Lúcio como potencial sucessor de Luís de Sou-

sa, não quer comentar. No entanto, todos os cenários apontam para uma recandidatura de Corça, já que agora com a liderança da concelhia do PSD, ficam reunidas as condições para tal. Em declarações ao nosso jornal, o agora presidente da concelhia refere que “sendo o candidato do PS o mais alto representante do sistema instalado no município de Azambuja, é um fator extra de motivação para atingir os nossos objetivos” e acrescenta que no seu

entender “ é tempo de Azambuja entrar século XXI”. Rui Corça garante que a concelhia vai agora trabalhar para ganhar as eleições de 2021 e que não há lugares garantidos numa futura lista para os elementos que compõem, agora, a concelhia. Nas últimas eleições, o PSD reforçou a votação, ao contrário da CDU que perdeu um vereador. Também o PS assegurou mais um vereador gerindo agora o município com maioria absoluta.

Eleições do PS deverão consagrar Silvino Lúcio como candidato à Câmara de Azambuja ilvino Lúcio, atual vereador da Câmara de Azambuja, volta a encabeçar uma lista única à liderança do Partido Socialista local. Estas eleições são as últimas para a concelhia até às próximas autárquicas, no entanto Silvino Lúcio prefere não comentar. Tendo em conta que chegou a querer disputar a candidatura, em 2017, com Luís de Sousa que viria a ser o candidato do PS e de-

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pois presidente da Câmara, é certo que anunciará uma candidatura uma vez Sousa fora da corrida, já que não se recandidata. Silvino Lúcio é assim o candidato natural à liderança da autarquia, mas ainda assim diz que prefere esperar pela eleição da concelhia marcada para esta sexta-feira dia 31. Ao Valor Local, refere que só na

tomada de posse vai desvendar as suas intenções, no entanto apenas em abril, haverá a confirmação por parte do autarca. Ao Valor Local, Maria da Luz Rosinha, Secretária Nacional do Partido Socialista para as Autarquias, refere que para já não quer comentar qualquer candidatura a uma Câmara Municipal. “É prematuro” e refere que o “PS vai começar a tratar das autárquicas

apenas após as eleições para as federações em março deste ano”. Silvino Lúcio vai liderar a concelhia até 2022. Em simultâneo vão também ocorrer eleições para as secções de Azambuja e do Alto Concelho, sendo que em Azambuja o candidato será José Braz e para o Alto Concelho o nome apontado é o do antigo presidente da junta de Vila Nova de São Pedro, Lúcio Costa.

Silvino Lúcio tem percurso nas autarquias de várias décadas


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Aterros de Azambuja e de Ota vão receber 79 mil toneladas de resíduos do estrangeiro Ota vai receber dois grandes movimentos de Itália

Azambuja recebe lixos de Itália e de Malta

s aterros de Azambuja, e de Ota, este no concelho de Alenquer, vão receber até finais de janeiro de 2021 cerca de 79 mil toneladas de resíduos importados de Itália e Malta. Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente ao Valor Local, para o aterro de resíduos industriais não perigosos de Alenquer da Proresi, SA, há dois processos aprovados de resíduos não perigosos para aterro com origem em Itália, em estado de “movimentos” dos quais já ocorreram 754 dos 1786 movimentos autorizados e já foram recebidas 17 mil

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471 toneladas das 50 mil previstas. Os dois movimentos que faltam têm cada um deles o seu prazo limite, até 27 de maio deste ano, e até 24 de setembro também deste ano. Já quanto ao aterro de Azambuja – Centro de Tratamento de Resíduos de Azambuja da Triaza, SA, há cinco processos aprovados de resíduos não perigosos para aterro com origem em Itália e Malta. Neste aterro já foram enterradas 29 mil 633 toneladas de resíduos importados das 76 mil previstas. Esta unidade vai receber três

O que o aterro da Triaza deveria ter para minimizar os impactes ao máximo egundo o ambientalista, o aterro de Azambuja poderia reduzir o seu passivo ambiental com alguns investimentos. À partida e sendo gerido por uma grande empresa do setor, que faz parangona nos seus materiais promocionais e site na internet, que respeita o ambiente, como é o caso da SUMA, poderia implantar no terreno “infraestruturas em condições para tratamento dos resíduos orgânicos”, desde logo uma estação de pré-tratamento à entrada do aterro e envio para central de compostagem. Os resíduos que chegassem menos separados, sofreriam um tratamento mecânico para separação das várias frações. “Transformavam o aterro e o que hoje é uma ‘chatice’ até para a imagem dessas empresas, e muito mais para quem vive atualmente nas imediações, numa espécie de eco-parque ou parque de reciclagem”. Seria algo “muito mais importante e gerador de postos de trabalho”, refere. Atualmente e com “a CCDR a cumprir as instruções da APA para não multar os aterros que misturem amianto com biodegradáveis” falta dar um grande passo.

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grandes movimentos até à data limite de 19 de abril deste ano. Possui ainda outro agendamento até três de maio, e o último deverá acontecer até janeiro de 2021. Rui Berkemeier, especialista em resíduos da associação ambientalista Zero-Sistema Terrestre Sustentável, numa avaliação à primeira vista considera que os dois aterros vão receber uma quantidade bastante elevada de lixo produzido naqueles dois países. O ministro do Ambiente Matos Fernandes anunciou que o país vai passar a fazer uso do princípio da objeção sistemática com vista à limitação de receção de resíduos importados. A decisão já se encontra consagrada no despacho 28/GSEAMB/2020. Para o ambientalista há alguns princípios consagrados neste documento que podem ser considerados essenciais e que não estão a ser levados em conta até à data. Daqui para a frente Portugal apenas receberá resíduos quando manifestamente o país de origem não conseguir aplicar tratamento por falta de condições físicas, nomeadamente, a nível de instalações próprias ou quando essa quantidade de resíduos for tão pequena que não se justifica tal investimento. O princípio vigora ainda quando ficar em causa a própria capacidade de Portugal na gestão dos seus próprios resíduos, por força da importação dos demais. Para a Zero, a medida já virá tarde, e Berkemeier

consubstancia que “uma coisa é importar resíduos inertes, que não se encontram em processo de fermentação, não gerando lixiviados, nem maus cheiros, nem atração de insetos, outra é importar resíduos frescos, que uma vez em aterro ainda podem produzir biogás e reagir quimicamente, e causar todo o tipo de consequências ambientais”, no fundo. Portugal pratica das taxas mais baixas da União Europeia para o tratamento por tonelada de resíduos- cerca de 11 euros, quando esse valor se situa entre os 80 e os 100 euros na maioria dos países membros. A Taxa de Gestão De Resíduos tem sido uma das principais bandeiras dos ambientalistas, mas Portugal continua a facilitar a entrada de resíduos importados por via das baixas tarifas praticadas. “É um mau sinal, e não incentiva à reciclagem até porque a maioria dos resíduos depositados em aterro são nossos. Os importados, embora em grande número, representarão um décimo do total”. Rui Berkemeier refere que os maus cheiros provocados pelos resíduos no sistema da Triaza também se relacionam com o facto de a Valorsul ter parado a produção nos últimos tempos para operações de manutenção. Vários aterros da Grande Lisboa receberam resíduos nessas alturas. “São resíduos urbanos frescos passíveis de causar maus odores”.

Azambuja também tem recebido resíduos de outra unidade gerida pela Suma, o Citri em Setúbal. No caso de Azambuja, o ambientalista também não consegue descortinar o motivo pelo qual vai receber lixos de um país como Malta. No caso de Itália é sabido que há acordos para importação de resíduos com os demais países europeus, decorrentes da denúncia do desastre ecológico vivido naquele país, durante o domínio da máfia, em algumas regiões, e o facto de durante anos os resíduos não terem sido tratados. “Não convém nada que esse caso de Malta esteja relacionado com uma permissividade que não deve existir por parte do nosso país, que signifique abrir a porta só porque esses países acham que fica mais barato enviar lixos para Portugal, e com isso descartarem-se do tratamento”. Fará sentido, segundo o especialista, importar resíduos, “em situações pontuais de crise em nome do princípio de solidariedade europeu”, como aconteceu com os lixos italianos, com o desmantelamento do tráfico de lixo operado durante anos pela máfia italiana. Outro ponto, que sublinha, no que respeita à problemática da gestão de resíduos na Área Metropolitana de Lisboa, e por consequência com implicações nos dois aterros em questão, relaciona-se com o facto de a Valorsul não estar devidamente equipada com “maquina-

ria destinada à reciclagem de resíduos”. “Funciona com queima, e sem quase tratamento de resíduos orgânicos que é o que provoca maus cheiros nos aterros”. Foi “uma aposta estratégica errada” daquela empresa. “Cada vez que pára o incinerador la vem uma carrada de matéria orgânica para os aterros com todos os problemas associados, se houvesse mais reciclagem na origem, minimizavase a componente orgânica a jusante”. Zero dispara contra a Agência Portuguesa do Ambiente acusando-a a de ser antidemocrática A associação ambientalista continua muito preocupada com a falta de resposta por parte da Agência Portuguesa do Ambiente para a questão da deposição de amianto em contacto com os resíduos biodegradáveis em aterro. Recordese que aquela agência do Estado, numa resposta ao nosso jornal, dizia que o amianto em contacto com os resíduos biodegradáveis, que pela sua ação de decomposição, podem provocar a libertação de biogás, não merece reservas porquanto o amianto é acondicionado em embalagens fechadas. Já a Zero diz que a lei não está a ser cumprida, e na sequência da reportagem que fez capa da nossa edição de agosto, veio a público dar conta da sua posição, e da for-


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ma como o decreto lei nº 183/2009 não está a ser cumprido pois apenas autoriza a colocação de amianto em células de aterros para resíduos não perigosos que não recebam resíduos biodegradáveis (resíduos orgânicos). O facto é que está a ser permitida a mistura de amianto e de resíduos orgânicos nas mesmas células desta classe de aterros. “Começa a ser inaceitável que uma agência destas não responda a uma associação, o que é antidemocrático. Estive numa reunião com a secretária de Estado e estava lá a APA e nada disse sobre

este assunto”. “E quando responder tem de ser em condições, porque da primeira vez que o fizeram não explicaram nada”. Para o ambientalista é fácil resumir: “A APA está falhar em toda a linha”, e apenas lhe resta “obrigar a que haja uma célula só para o amianto nos aterros, e admitir que falhou ao longo destes anos todos”. “Os vários governos e a APA têm andando a dormir, e não conseguem resolver este problema dos resíduos orgânicos”. Rui Berkemeier constata que “possivelmente não há vontade em reconhecer o erro e obrigar a que as empresas traba-

lhem em condições e façam os investimentos, pois se fosse esse o caso, não tinham outro remédio, se não fazer o que o Estado manda. O problema é que o Governo também deixa andar”. O quadro ainda ganha contornos mais dramáticos quando as metas da reciclagem impostas pela União Europeia para daqui a cinco anos, que obrigam a 55 por cento de reciclagem dos resíduos urbanos estão longe de serem cumpridas. Atualmente apenas cerca de 23 por cento dos resíduos vão para reciclagem. “O Governo dá um sinal péssimo

O dia começa assim na casa de uma familia de Azambuja

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em contradição com o discurso da economia circular e da descarbonização. É uma vergonha a política do Estado para este setor. E digo mesmo que nos últimos 10 anos, andámos para trás e a APA é também culpada do estado de coisas. Não tem recursos, dá pareceres que não lembram a ninguém, não dá instruções para fiscalização. Há queixas sem resposta, e ilegalidades que não são investigadas”. Rui Berkemeier continua a desabafar – “Foram feitos alguns avanços há mais de 10 anos neste setor dos resíduos, agora tem sido só andar para trás.

Ilustração Bruno Libano

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Não sei se a culpa é da direção da APA ou não. Não consigo perceber”. Neste setor dos resíduos “a onda é meter os problemas para debaixo do tapete”. Em resumo, “a Zero dá toda a razão às populações como as de Azambuja ou Valongo que estão

Secretária de Estado do Ambiente promete mais atuação ao presidente da Câmara de Azambuja urante as últimas semanas do ano, a vila de Azambuja registou vários picos de maus cheiros provenientes do aterro situado a uma distância inferior ao que a lei obriga em relação aos locais de habitação. A autarquia sofreu ainda um novo revés com o tribunal a dar luz verde à empresa participada do grupo SUMA- a Triaza para proceder à abertura da segunda célula, depois de uma primeira decisão das instâncias judiciais em sentido contrário. A empresa segundo o município, após uma fiscalização ao local, começou a efetuar trabalhos de remoção de terras tendo em vista a abertura desta célula sem antes ter obtido a autorização expressa para tal por parte do município que teria 10 dias para emitir esse licenciamento. Ao Valor Local, Luís de Sousa, diz que vai agora atuar em conformidade. O autarca esteve reunido com Inês Santos Costa, secretária de Estado do Ambiente, que garantiu “o seu máximo empenho” na problemática dos aterros em Portugal “com a preparação de nova legislação e de novos regulamentos para estas lixeiras”. No mês de dezembro, o aterro foi visitado por entidades como a CCDR e a APA, que não encontraram problemas na instalação. Contudo os maus cheiros e a proliferação de aves no local deixa antever que o tratamento de resíduos continua a ser deficiente. “Enviámos fotografias para a APA, IGAMAOT e CCDR na esperança de que atuem”, informa Luís de Sousa, presidente da Câmara. A empresa não tem efetuado, muitas das vezes, o necessário coberto vegetal “desculpando-se com a Câmara de que não os deixamos abrir a segunda célula, mas têm muita terra para retirar do local, não precisam de se limitar a essa localização específica”. Quanto às investigações da Polícia Judiciária ao processo de licenciamento, diz que não tem novidades em relação a este caso. “Não sei se fomos bem enganados ou não com a vinda deste aterro. Fui a uma unidade deles (SUMA) em Leiria que tinha todas as condições até com vegetação a crescer no local. Andavam sempre a dizer que era para receber resíduos da construção. Nunca pensei que tomasse estas proporções”. Recorde-se ainda que Rui Pedro Santos, um dos diretores da Triaza, em reunião de Câmara anterior à entrada em funcionamento do aterro em Azambuja falava ainda num tráfego diário de cinco camiões para a unidade em causa. Atualmente, o aterro recebe dezenas de camiões carregados de resíduos diariamente.

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Despejo ilegal de telhas de amianto em Vila Nova da Rainha estos de construção civil foram despejados ilegalmente numa zona de mato, num terreno pertença de um particular, no alto de Vila Nova da Rainha. Telhas de amianto, papelão, sacos, louças sanitárias, restos de madeira, e até o que resta de eletrodomésticos foi detetado por municípes e pela junta de freguesia que deu conta do caso junto da Câmara de Azambuja, e posteriormente no Serviço de Proteção e Natureza (SEPNA) da GNR. Ouvido pelo Valor Local, o vereador com o pelouro do ambiente na Câmara Municipal de Azambuja, Silvino Lúcio, lamenta este tipo de atitudes, desabafando que “é mais uma lixeira a acumular-se em zonas de pinhal” do concelho, como em tempo “acontecia no local onde hoje funciona o aterro”. Apesar de o

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terreno “ter dono”, “o local não tem vedações, é de fácil acesso e os prevaricadores facilmente chegam lá para descarregarem os lixos”. Silvino Lúcio refere que o caso está a ser investigado pelas autoridades. Esta não é a primeira vez que aquela localização é escolhida por quem quer verse livre dos mais variados bens“Até sofás velhos já apareceram”. A Câmara vai agora alertar o privado dono do terreno para delimitar o espaço. A GNR vai “também intensificar a vigilância no local”. O Valor Local contactou a GNR de Alenquer. Marco Pinheiro, comandante do destacamento, em declarações ao Valor Local reforça que vão seguir-se as diligências para a retirada das telhas de fibrocimento do local, “que obedece a um tratamento especial”,

dadas as características do material, bem como a investigação para se apurar os responsáveis por este despejo ilegal. No local eram visíveis alguns rótulos de uma empresa localizada no concelho de Benavente ligada ao setor do mobiliário urbano. Ao que apurámos não efetuará transporte de resíduos da construção civil como é o caso. Marco Pinheiro também revela que a investigação já entrou em contacto com essa mesma empresa e que para já está descartada a hipótese de ser a prevaricadora. As investigações continuam, segundo revelou à nossa reportagem. “Podemos estar perante o caso de alguém ligado a essa empresa se ter apoderado desse material e daí ter efetuado esse transporte junto com os resíduos”, avança Silvino Lúcio.

indignadas e bem com a questão dos maus cheiros, e não estão a ser bem tratadas pelo Estado”. “Vamos tentar perceber ainda melhor e mais em detalhe junto do Governo esse critério da objeção sistemática, trocar por miúdos, no fundo”.

Local costuma ser escolhido por prevaricadores


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Combate às Alterações Climáticas O que já estamos a fazer na região! realidade das alterações climáticas ainda parece para muitos um chavão pouco nítido. O fenómeno que já se encontra estudado reflete-se a diversos níveis, e incide sobre a vida humana e as diferentes atividades. Vamos debruçar-nos neste trabalho em algumas delas, e perceber até que ponto os municípios da região se estão a preparar face ao impacte cada vez maior das alterações climáticas. Em traços gerais, e face aos cenários projetados para um intervalo de tempo de algumas décadas, o fenómeno prevê, entre outras possibilidades, o aumento dos dias com precipitação intensa, o aumento de eventos meteorológicos extremo de ventos fortes e tempestades, aumento do número de dias com ondas de calor, aumento da frequência dos dias muito quentes, aumento da frequência das noites tropicais e diminuição generalizada da precipitação total anual. Olhámos neste trabalho para o rio Tejo e a atividade económica ali desenvolvida, nomeadamente, a pesca e as oscilações que tem sofrido. A subida do nível médio da água do mar é uma consequência que terá os seus impactes futuros na configuração do estuário do Tejo. Se em parte as alterações climáticas já possuem o seu reflexo, a atividade humana com a diminuição dos caudais em Espanha ou a construção do açude de Abrantes têm causado os seus impactes. “Costumo dizer que o Tejo é um monstro no bom sentido, consegue sofrer o que de mal lhe fazem e ainda regenerar-se, porque se assim não fosse já só tinha o nome, não era rio”, diz o pescador da aldeia avieira do Porto da Palha, João Lobo. Este ano, a pesca da lampreia prevê-se fraca, “mas não quero fazer previsões”. Contudo “o rio se estivesse com menos poluição, dava peixe para toda a gente, mas com

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A pesca está a mudar no Tejo segundo João Lobo da aldeia avieira do Porto da Palha

as descargas poluentes é difícil”. E é perentório quanto ao açude – “É dar ali umas cargas de dinamite, porque só veio piorar o estado do rio, e se fizeram aquilo para fins turísticos, como é que se consegue se está todo poluído pelas celuloses. O presidente da República gosta de dar mergulhos em todo o lado, e que eu saiba ainda não foi lá”. Há cada vez menos água no Tejo, um fenómeno também decorrente das alterações climáticas, com períodos de seca e a crescente poluição. “O rio está muito desequilibrado, o peixe continua a passar nas alturas próprias como a lampreia ou o robalo, mas há cada

vez menos”. Os caudais ecológicos “não são respeitados”. “Vocês sabem que eu vivo da natureza. O ministro do Ambiente não percebe nada daquilo que é o trabalho dele. Espanha tem os caudais ecológicos para enviar. O rio está todo seco em algumas zonas. No verão, Espanha enviou água, mas Portugal não apanhou nem um litro.” Filipe Ribeiro, biólogo e investigador do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa acrescenta que o transvase de Espanha para o Tejo e Segura “retira uma grande quantidade ao caudal natural do rio e isso faz com que acabemos PUB

por ter menos água disponível, tendo em conta que cada vez tem chovido menos, e acaba por existir maior incerteza”. A cunha salina do rio está a aumentar e com isso aumenta a proliferação de espécies como o robalo, menos pronunciada até há algum tempo. “Temos uma espécie de invasão marinha atendendo à falta de água. Este efeito antes verificava-se em zonas de Vila Franca ou Póvoa e agora acontece mais a norte”. Novas espécies têm invadido o Tejo como o siluro “que é uma espécie predadora, que se alimenta de outros peixes, e que mais parecem burros, porque apresentam um peso desmesurado” demonstra João Lobo. “Uma prima minha das Caneiras apanhou um enorme, nem conseguia metê-lo no barco”. Trata-se de uma espécie que pode chegar aos 50 quilos, e que foi introduzida por estrangeiros no Tejo, que facilmente se adaptou ao rio. “Um cientista quis fazer uma experiência e sinceramente a mim não me agrada que esse peixe ande por aí. Na América, a espécie já levou lagos à extinção” diz João Lobo. O lúcioperca é outra espécie invasora exótica e recente, “mas excelente para se comer, é um espetáculo”. A redução da variabilidade de caudal do Tejo, quando antigamente inundava todos os anos, tem contribuído para a abundância de novas faunas fluviais em detrimento

de outras. Foram espécies introduzidas pelo homem para fins ornamentais ou desportivos “que acabam por ter maior resistência e serem mais abundantes”. São espécies mais resistentes à poluição e à falta de oxigénio associada, bem como à temperatura, e à própria salinidade da água. “Dominam as comunidades existentes e hoje o Tejo tem esta realidade de possuir mais exemplares de espécies exóticas do que nativas”, relata o investigador. São espécies filhas das alterações climáticas. O siluro que foi introduzido na parte espanhola do rio, “acaba por ser mais abundante no troço principal do Tejo em Portugal”. Com a perda da variabilidade natural, uma espécie endémica do rio como é o caso da boga da lezíria que apenas se encontrava na parte da ribeira de Muge e no afluente no rio Trancão tem vindo a desaparecer. “A pressão humana, com a poluição e os transvases, associada às alterações climáticas, contribuem para a perda de diluição do rio e os efeitos são sintoma de ambas as causas”. A praga dos jacintos bem presente no Rio Sorraia é outro acontecimento ligado ao fenómeno das alterações climáticas, já no Tejo “o rio é muito forte e acaba por expulsar essa vegetação que não chega a ser praga”, constata o pescador. “Temos marés de quatro metros, e só assim conseguimos an-

dar à pesca. Este rio anda sempre em movimento, com muita oxigenação, apesar de toda a destruição”. Embora considere que a zona de Azambuja e de Vila Franca é a mais controlada. “Para cima há muito trabalho e a poluição não ajuda com as empresas criminosas poluentes”, diz o pescador. O biólogo Filipe Ribeiro olha para o Tejo com alguma preocupação e acrescenta que o projeto Tejo que prevê a construção de quatro açudes de baixa altura no baixo Tejo entre Azambuja e a Golegã, seguidos de dois açudes de média altura entre Almourol e Abrantes, munidos de eclusas para barcos e escadas de peixes, com o objetivo de criar uma espécie de “estrada” de água contínua de Lisboa a Abrantes, tendo em conta que o rio já não apresenta os caudais de outrora, é algo que não está a ser encarado com bons olhos pela comunidade científica. “Basicamente vai-se perder o sável, a enguia e a lampreia bem como toda a acultura avieira associada. A agricultura que tem uma enorme demanda pela água tem de fazer uma adaptação das suas culturas para que seja menos exigente. Neste contexto de alterações climáticas, a solução fácil é ir por barragens e açudes, mas não se pensa na mudança de comportamentos nem pela adaptação, com colheitas menos exigentes”, conclui o biólogo.


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Municípios da Lezíria já possuem estratégia de adaptação às alterações climáticas O

s municípios que fazem parte da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) já têm em mãos, cada um deles, a sua Estratégia Municipal de Adaptação às Alterações Climáticas (EMAAC). O objetivo passa por desenvolver competências, projetos e estratégias no fundo nas mais diversas áreas de atuação das câmaras municipais face às alterações climáticas (nos quadros ao lado apresentamos a variabilidade para os diversos fenómenos meteorológicos para cada um dos concelhos da CIMLT da área de influência do nosso jornal). Da agricultura, passando pela biodiversidade, recursos hídricos, economia, energia, florestas, saúde, segurança de pessoas e bens, até aos transportes e comunicações e zonas ribeirinhas, a CIMLT apresenta um estudo em que analisa os vários indicadores face ao presente e ao que se projeta no futuro. São ainda apresentadas algumas medidas práticas, quase chave na mão, para cada um dos concelhos, até com alguma dotação orçamental a pensar nos impactes e nas vulnerabilidades que as alterações climáticas acarretam. No concelho de Benavente, os quadros de seca têm tido o seu impacte na lezíria ribatejana, mas há outros limiares críticos ultrapassados, nomeadamente, quando falamos em perda de fauna, com foram os diversos episódios de peixes mortos no Sorraia, mas também estão identificadas situações de contaminação de águas. Algumas das ações preconizadas para se levar a cabo no curto, médio, e longo prazo, naquele concelho, passam pela renaturalização dos ecossistemas ribeirinhos com requalificação da galerias ripícolas e linhas de água com limpeza e reabilitação das margens, e introdução de vegetação autóctone. O estudo da CIMLT prevê ainda plantação de mais árvores autóctones em meio urbano, mas também intensificar as ações de sensibilização

Azambuja é uma das localidades do Tejo que segundo a Nature Communications pode sofrer mais com a subida do nível médio da água do mar

sobre eficiente uso de recursos: água, solos, energia, e qualidade do ar junto de agricultores, comunidade escolar, profissionais da saúde e comunidade em geral. Ainda para o concelho de Benavente preconiza-se a adoção de projetos de hortas comunitárias, a criação de estruturas de retenção para aproveitamento da água das piscinas, a aquisição de mais veículos e tecnologias relacionados com o combate a incêndios por parte da Proteção Civil, e no capítulo das inundações em meio urbano: fazer-se a limpeza dos locais considerados como pontos negros, nomeadamente, na zona entre a Nutricereal Foods e o estaleiro da Câmara, bem como Jardim dos Álamos e Reservatório das Acácias.

Avaliação do risco climático do município de Benavente

No caso do concelho do Cartaxo, a seca e o aumento número de pragas como a mosca branca são algumas das vulnerabilidades identificadas. É clássica ainda a submersão de estradas com cortes de vias e rombos no dique de Valada com a população a ficar sem acesso à energia elétrica. Algumas das medidas preconizadas para este concelho passam pela requalificação das linhas de água; em articulação quer com a Agência Portuguesa do Ambiente, quer com proprietários privados. O município deve, ainda, e no médio prazo, arborizar eixos urbanos do concelho, criar corredores verdes, fazer a adequada manutenção da gestão das faixas de combustível; melhorar a rede de drenagem, moni-

torizar a qualidade do ar, e adaptar medidas de eficiência energética nos edifícios. O fenómeno da seca transversal aos municípios da CIMLT também tem provocado os seus efeitos no concelho de Salvaterra de Magos, e também aqui é recomendada a requalificação das linhas de água, manutenção das faixas de combustível, mas também a manutenção da Mata Nacional do Escaroupim em articulação com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. No caso de Azambuja, os efeitos da seca têm tido impacte na colheita do tomate com temperaturas elevadas que levam ao amadurecimento do fruto dois meses antes da época. A mosca branca também aqui é uma realidade.

Avaliação do risco climático do município de Salvaterra de Magos

Novos espaços verdes, requalificação de linhas de água, manutenção da Mata Nacional de Virtudes, reabilitação estrutural dos diques no Tejo e do açude na Vala Real de Azambuja, monitorização da qualidade do ar, eficiên-

cia energética, promoção de grupos de trabalho para o estudo e melhoria da gestão da água e promoção da sua eficiência no regadio da Lezíria do tejo são algumas das medidas para este concelho.

Avaliação do risco climático do município de Azambuja

Avaliação do risco climático do município do Cartaxo


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Alenquer é laboratório vivo da descarbonização região Oeste também já apresentou o seu Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas (OESTE PIAAC). Contém cartografia de risco para as principais vulnerabilidades climáticas e medidas de adaptação tendo em atenção uma visão de futuro para a região que abrange algumas medidas também para os municípios de Alenquer e Arruda dos Vinhos, (os que estão na área de abrangência do nosso jornal). No caso de Alenquer, o PIAAC preconiza medidas como a conservação do solo e linhas de água, criação de uma rede municipal de conservação da natureza (rede Custódia), mas também compilação de informação sobre biodiversidade existente- Montejunto/Canhão Cársico de Ota; controlo da contaminação do meio hídrico por descargas difusas como é o caso de algumas indústrias da atividade suinícola. Alenquer deve ainda estender a rede separativa de captação e drenagem de águas

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Reduzir o número de paragens dos transportes públicos na vila é um dos objetivos pluviais e domésticas. Já no caso de Arruda a atenção recai sobre a ampliação da reserva de depósitos de água para abastecimento público, ou ainda a implementa-

ção de técnicas e práticas agrícolas de conservação e proteção dos solos. Pedro Folgado, presidente da Câmara de Alenquer e da Oeste-

cim, refere que o plano passa muito pela sensibilização, e nesse sentido foi criada uma mascote, a “Maria” que vai passar pelas escolas e não só com o objetivo

de elucidar para a temática. A Oestecim procurará ainda a captação de verbas a nível comunitário para aplicação nos territórios. A descarbonização e a eficiência energética são apenas algumas das medidas. A região vai ficar dotada de um dos maiores parques de luzes led de iluminação pública do mundo, espalhada pela totalidade dos 12 municípios. O município de Alenquer foi um dos escolhidos, entre várias candidaturas, para a criação de um Laboratório Vivo para a Descarbonização com financiamento do Fundo Ambiental do Governo. Através de soluções tecnológicas, que aumentem a eficiência e reduzam o consumo de energia, pretende-se melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e das comunidades. Neste sentido, teve início uma experiência que passa pela redução de CO2 na vila de Alenquer com menos paragens dos autocarros no interior da vila. Os autocarros

deixaram de circular na rua Sacadura Cabral e na rua Triana. “Vamos avaliar o empenho de cada um neste processo. Todos falam em serem amigos do ambiente, mas ver até que ponto é que isso acontece na vida de cada um é algo que vamos querer observar. Vamos insistindo com as pessoas para que mudem os seus hábitos”, refere Pedro Folgado. A iluminação dos edifícios públicos com luzes LED, sistemas de rega com redução de caudal e o incentivo ao uso de veículos elétricos, são algumas das outras medidas no âmbito do Laboratório Vivo já desenvolvidas ou em desenvolvimento. A Câmara quer ainda implementar o aquecimento e a refrigeração na biblioteca através de recursos hídricos, “mas esse processo ainda está a ser estudado com a Universidade de Évora”. Por outro lado, querse apostar no estacionamento gratuito para veículos elétricos. Estão ainda a ser montados carregadores elétricos na vila.

Vila Franca quer elevar o Tejo a “praça pública” de lazer e mobilidade Câmara Municipal de Vila Franca de Xira integrada na Área Metropolitana de Lisboa (AML), assinou, no final do ano passado, o compromisso público de adotar medidas para minimizar os efeitos das alterações climáticas na região. O Plano Metropolitano de Adaptação às Alterações Climáticas apresentado pela AML (PMAAC-AML), de acordo com a Câmara, vai permitir estabelecer o nível de prioridade de adaptação atual para o horizonte 2020-2040 e os principais riscos climáticos. Vários fatores de risco foram analisados à escala metropolitana, designadamente a subida do nível do mar, secas, cheias e calor extremo. A autarquia diz estar focada em alguns eixos prioritários tendo em conta o fenómeno como as situações de seca, as cheias e inundações associadas às cheias estuarinas, e a subida do nível média das águas do mar. Um estudo do Centro de Estudos e Geografia e Ordenamento do Território sustenta que cerca de 7843 indivíduos residem em zona inundável e afetada pela subida do nível médio das águas do mar no concelho de Vila Franca, e 5507 edifícios estão também expostos a esta consequência. Aliás segundo um estudo relacionado com esta temática também Azambuja e

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Benavente são outros dos concelhos que poderão sofrer fortemente a subida do nível médio da água dos oceanos. Para fazer face às principais vulnerabilidades identificadas ao nível de eventos extremos de temperatura, redução de precipitação e secas, estão delineados alguns projetos que procuram fomentar a proteção ambiental, a produção e o consumo sustentáveis, a redução do impacto do calor urbano e a preservação da biodiversidade. O Ecobairro na Póvoa de Santa Iria é um desses projetos com a requalificação dos espaços exteriores numa lógica natural e ecológica, e que passa pelas hortas urbanas no espaço público com 123 talhões. Contempla ainda a implementação de medidas sustentáveis na gestão dos espaços exteriores e na recolha de resíduos urbanos (redução de consumos de água, através da utilização de espécies com menores necessidades hídricas, painéis solares para a gestão do sistema de rega); e o programa “Eco-famílias” que pretende ensinar como reduzir os consumos de eletricidade e de água a nível doméstico, bem como melhorar os hábitos de mobilidade e de encaminhamento de resíduos. Neste capítulo das alterações climáticas, a autarquia tem dado privilégio a corredores ecológi-

cos em detrimento dos tradicionais canteiros em zonas verdes e com pouca expressividade. Sendo assim foi realizada uma intervenção de requalificação e arborização na principal artéria de circulação, na Nacional 10,

de precipitação, está equacionado um corredor azul intermunicipal com a requalificação da frente ribeirinha do concelho que aponta para a renaturalização das linhas de água e sobretudo elevar o Tejo enquanto “praça

a Câmara pretende continuar a requalificar a frente ribeirinha, manter zonas tampão para zonas sensíveis e naturais como é o caso do leito de cheia, restaurar habitats ribeirinhos, preservar a biodiversidade.

O Tejo e as cheias são uma preocupação para o concelho de Vila Franca

entre Alverca do Ribatejo e Póvoa de Santa Iria com adoção de espécies vegetais mais resilientes às alterações climáticas; e adoção de espécies vegetais autóctones e com reduzidas necessidades hídricas. A fim de dar resposta aos riscos climáticos de eventos extremos

pública” e da identidade vilafranquense como espaço de lazer, cultura e mobilidade. Criação de ciclovias, caminhos pedonais, e aplicação de soluções técnicas de engenharia natural em taludes e linhas de água são algumas das medidas. No capítulo das linhas de água,

Estão previstas intervenções na Ribeira dos Caniços; Ribera da Verdelha; Rio Crós-Crós; Rio da Silveira; Ribeira de Santo António; Ribeira de Santa Sofia; Rio Grande da Pipa. Aumento da capacidade de escoamento das redes de drenagem; ordenamento de “áreas urbanas sensí-

veis”; criação de novas áreas de recreio ativo; reabilitação de infraestruturas da rede de drenagem de águas residuais; execução de rede separativa de drenagem; renaturalização de troços de ribeiras urbanas com intervenções de engenharia natural são outras das medidas. Já no que respeita às infraestruturas existentes ou a construir na proximidade do rio Tejo, como é o caso da recente urbanização “Vila Rio” na Póvoa de Santa Iria, que por se encontrar em zona ribeirinha sujeita a inundações, tem sido alvo de críticas, o município argumenta que que no âmbito da última revisão do Plano Diretor Municipal, foi realizado um estudo hidráulico e hidrológico pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que identificou todas as áreas inundáveis do concelho e que já teve em consideração a subida expetável do nível das águas do mar. No âmbito desta revisão do PDM e em função dele, ficaram delimitadas as zonas não inundáveis e por isso mesmo passíveis de edificação. No cumprimento estrito do PDM, “a Câmara Municipal apenas tem vindo a licenciar novas construções nas áreas não identificadas como inundáveis, como é o caso da Urbanização mencionada na Póvoa de Santa Iria”.


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Alterações climáticas é o maior desafio do setor dos vinhos setor da vinha e do vinho é dos mais sensíveis ao fenómeno das alterações climáticas. O Valor Local esteve na Sociedade Agrícola Casal do Conde, em Porto de Muge, Cartaxo, uma das produtoras da região dos Vinhos do Tejo. Verónica Pereira, enóloga há cerca de sete anos, tem assistido a diversas transformações sempre que se fala nos impactes das alterações climáticas. É sabido que os vinhos estão cada vez mais alcoólicos e as vindimas fazem-se mais cedo. A maturação das uvas já não tem o mesmo ritmo de antigamente, e os processos para se fazer melhor vinho também têm de acompanhar a revolução climatérica em curso neste setor, com constantes adaptações. “Temos vindo a assistir a um desfasamento entre a maturação alcoólica que é a carga em açúcar das uvas, e a maturação fenólica relacionada com componentes como os taninos (caule dos cachos)”. Ambas não acontecem ao mesmo tempo como seria suposto e isso dá azo “a vinhos mais vegetais, mais verdes”, refere a enóloga. “No fundo estamos perante um desequilíbrio”. O calor influencia esses comportamentos da vinha. “Nota-se um antecipar das culturas com maturações cada vez mais rápidas. A vindima este ano começou no início de agosto. Há 30 anos começava-

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Enóloga é defensora das castas autóctones se no final de setembro.” O calor e a falta de água conseguem ter efeitos gigantescos do dia para a noite nestas culturas. “No ano passado, comecei a fazer controlos de maturação em julho, com 10,5º, 11º, e pensei que as uvas conseguiriam aguentar bem até aos 13,5º; 14º até que a vindima começasse. De repente houve uma semana com temperaturas de 45º e as uvas dispararam logo para os 15º ”. Verónica Pereira recorda,

ainda, que o escaldão de há dois anos causou graves prejuízos na vinha. Para fazer face a estas imprevisibilidades há medidas que podem ser adotadas, a começar por “desfolhas menos intensas”. Esta técnica consiste na retirada de parras à volta da videira para deixar entrar melhor o calor para uma maturação mais homogénea dos frutos, de forma a se conseguir mais circulação de ar no sentido de se evi-

EPAL com vulnerabilidades nas captações de Vale da Pedra e nos furos de Ota e Alenquer mpresa de Águas Livres de Lisboa (EPAL) tem realizado diversos estudos incidindo sobre o impacto e a evolução das alterações climáticas no seu sistema. O estudo Adaptaclima-EPAL, realizado há alguns anos, indicou que a vulnerabilidade atual (à data) e futura (até ao final do século) das origens de abastecimento, no seu todo, era baixa. Ainda assim, a EPAL, e em declarações ao Valor Local identificou um conjunto de medidas a implementar para o caso de vir a ser necessário que possam continuar a garantir, entre outras, a qualidade da água, proteção e integridade das captações e outras infraestruturas. A EPAL “monitoriza trimestralmente os potenciais efeitos das alterações climáticas na quantidade e qualidade das suas principais origens, não tendo até ao presente ocorrido nenhuma situação de alarme, nem mesmo em anos de seca, como foi o caso de 2017 e 2019.” A empresa que serve o abastecimento na região do Ribatejo e Oeste em alta identifica que no passado, aquando da execução de diversas obras nas infraestruturas do sistema de abastecimento foram tidas em conta várias medidas que em “muito contribuíram para a baixa vulnerabilidade que as origens/captações da EPAL hoje apresentam às alterações climáticas”. Entre as várias medidas “destacamos a captação a três níveis na albufeira de Castelo do Bode; ampliação e remodelação da ETA da Asseiceira; instalação de mastros oscilantes na captação de Valada; remodelação da ETA de Vale da Pedra; construção de um esporão no rio Tejo, na margem oposta da secção de Valada; e obras associadas à estratégia de redução de perdas nos sistemas de adução e distribuição; interligação de sistemas.” Contudo é de notar no estudo efetuado que há preocupações elevadas quanto à origem Valada-Tejo, com a vulnerabilidade climática total, devido sobretudo à qualidade da água durante a época estival. Nesta época, a EPAL sente, anualmente, problemas derivados do aumento da temperatura e da maior concentração de contaminantes, uma vez que não só os caudais de estiagem são naturalmente mais reduzidos, como também se verifica uma retenção dos mesmos na parte espanhola da bacia hidrográfica. Estes problemas têm levado ao ajuste da exploração, tanto a nível do tratamento como do caudal captado. Em relação aos recursos hídricos subterrâneos, apenas os furos de Ota e Alenquer apresentam vulnerabilidade climática “elevada” a inundações decorrentes de chuvas intensas que podem causar problemas a nível de qualidade da água.

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tar o desenvolvimento de um ambiente mais húmido e propício aos fungos”. “Se calhar vamos ter de proteger mais os frutos com mais cobertura vegetal tendo em conta os escaldões e a subida vertiginosa das temperaturas de um momento para o outro”. Com as alterações climáticas a influenciarem a maturação das uvas, cabe à posteriori ao enólogo todo um trabalho de laboratório com vista à obtenção de um resultado que seja equilibrado. “Hoje já temos muita tecnologia sem recurso a produtos químicos, e que pode passar pela mistura de vinhos, a eletrodiálise que consegue estabilizar o vinho a nível das proteínas e da acidez. Podemos, no caso

dos brancos, retirar as proteínas com bentonite. É possível, ainda, operar uma estabilização tartárica que pode ser realizada pelo frio, e levar o vinho a uma temperatura fria com vista à formação de uns cristais e que saem através de filtração”. Usar mais frio e mais eletrodiálise é o futuro neste equilíbrio “o que é caro porque esse processo elétrico tem de ser contratado, não temos aqui na quinta”. Para contornar o fenómeno das alterações climáticas, os vitivinicultores, na sua opinião, devem preservar cada vez mais as castas autóctones, porque são “as que têm mais potencial se um dia isto mudar mesmo a sério”. “Não podemos ter aqui no Tejo só Castelão e Fernão Pires,

mas que isto seja a base. No fundo é como se nós emigrássemos para a Rússia. Teríamos mais dificuldade de nos adaptarmos ao frio em comparação com quem lá vive desde sempre, o mesmo se passa com a natureza e com as castas”. “As castas são como as pessoas. Podem ir para qualquer lado, e tanto podem dar-se bem como mal”. Fixar azoto nos campos com técnicas de arrelvamento nas entrelinhas da vinha é também outra hipótese pois permite diminuir o fenómeno da erosão. Acompanhar este fenómeno é um desafio diário e no fundo recheado de alguma imprevisibilidade com os enólogos a terem de mostrar o que valem para garantir a qualidade dos néctares.

Arruda vai perguntar aos munícipes o que querem para o futuro tendo em conta as alterações climáticas Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos tem em marcha um grande inquérito à população tendo como pano de fundo as alterações climáticas em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa. Esse protocolo com a instituição académica visa, segundo o presidente da Câmara de Arruda, André Rijo, fazer o estudo com base num inquérito, e a partir daí organizar no futuro uma convenção com a apresentação dos resultados com painéis temáticos para a construção de um documento estratégico, atendendo ao plano que já existe a nível da Comunidade Intermunicipal do Oeste (Oestecim). O objetivo é que o documento que venha a ser criado tenha um valor vinculativo para as próximas décadas no município, “que una o setor social e empresarial como elementos chave”. Porventura pouco familiarizada com o conceito de alterações climáticas, a população que é chamada a pronunciar-se poderá ter algumas dificuldades em conseguir dar as achegas necessárias. O presidente da Câmara refere que o tema está a ser trabalhado em fóruns locais como o Conselho Municipal da Educação, juntas de freguesia, movimento associativo. Por outro lado, cada agregado familiar vai receber um inquérito junto com a fatura da água com envelope RSF para remeter as respostas para o município. O inquérito também será disponibilizado online. “Este é um tema central e todos devemos estar conscientes da urgência no seu debate”. André Rijo identifica desde logo alguns setores por onde a mudança deve passar como o domínio agrícola e a adoção de medidas de conservação dos solos, a eficiência energética, a gestão dos recursos hídricos, o uso do transporte coletivo como meio preferencial de deslocação “e em parte é o que já estamos a fazer no seio da Oestecim com o plano de apoio à redução tarifária”.

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Alterações climáticas: O grande desafio da humanidade u sou do tempo em que, em cada Inverno, havia três ou quatro cheias na lezíria. Sou do tempo em que o Tejo galgava as suas margens, as valas e os esteiros transbordavam e essa torrente imparável de água cobria até as ruas mais baixas de Azambuja. Que me lembre, a última cheia significativa do Tejo foi em 1978, isto é, há mais de quarenta anos. É um facto que isso se deve em muito à regularização do caudal do rio, com a construção de inúmeras barragens na sua bacia hidrográfica. Mas a construção de barragens sustem as águas dos rios. Não as faz desaparecer. A causa primeira desse fenómeno é a sucessão de anos de seca a que temos vindo a assistir. O centro e sul da Península Ibérica têm sido e serão das zonas do Globo mais afetadas pelas alterações climáticas e pelo aquecimento global que as caraterizam. Estima-se que, a continuarmos a este ritmo, em 2100 o nível das águas do mar subam um metro, tenhamos o mar às portas de Azambuja e territórios como o Algarve e o Baixo Alentejo repliquem o Deserto do Sarah. Aliás, a manter-se o panorama das últimas décadas, cerca de trezentos milhões de pessoas na China, India, Vietname, Bangladesh, Tailândia, Indonésia e em vários países da Polinésia verão os seus habitats serem invadidos pelo mar e previsões mais pessimistas asseguram que cidades como Nova Iorque, Rio de Janei-

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ro, Buenos Aires e Tóquio estarão em grande parte abaixo da linha de água. As consequências que daqui advêm em termos humanos, sociais, económicos e políticos são difíceis de avaliar – mas ditarão, seguramente, uma época de grande turbulência mundial. Sabe-se que a Terra, na sua longa existência de milhares de milhões

Grandes alterações climáticas cabem em duas ou três gerações e não há hipótese de adaptação que não seja através de tragédias: migrações em massa, fomes, secas prolongadas, inundações, desaparecimento de comunidades. E a explicação é simples do ponto de vista científico: as emissões de gases com efeito de estufa aumentam a temperatura, quer da

nem armar-me aqui em Greta qualquer coisa, mas é isso que a grande maioria dos cientistas prevê e que os políticos, embora vendo – alguns…- tardam a enfrentar. Eu percebo porquê. Nós vivemos, a nível mundial, num dilema de difícil resolução. Por um lado, e num plano social a nível global, o crescimento económico é um objetivo de qualquer Governo e o direito

de anos, passou por períodos de aquecimento e de arrefecimento. Sabe-se que foi já uma bola de gelo, que cobria continentes e oceanos e que chegaram a existir climas tropicais nas atuais geleiras da Rússia e do Canadá. Mas acontece que esses eram fenómenos que se davam quase impercetivelmente durante milhões de anos, o que permitia às diversas formas de vida desenvolverem os seus processos de adaptação ao ambiente. Agora não.

atmosfera quer do mar, as grandes massas de gelos polares vão derretendo e o nível das águas sobe. Simples. É o mesmo que acontece se a gente deitar um cubo de gelo num copo de água aquecida. Só que, a nível global, este fenómeno afeta todos os fatores de clima: os ventos, as pressões, as correntes marítimas e tudo aquilo que faz com que haja calor ou frio, chuva ou sol, num determinado local. Não quero parecer catastrófico

ao bem estar e à prosperidade uma aspiração alienável de qualquer Comunidade. Não é mais admissível, nem no plano moral nem no plano política, que existam elites mundiais nos chamados países desenvolvidos que consomem recursos em demasia, enquanto que nos países chamados em vias de desenvolvimento se vive no limiar da sobrevivência. Não é possível que isso continue por uma questão moral, mas também pela globalização e pela

Emergência Climática e Capitalismo: “Não existem problemas, apenas soluções.” emergência climática global está cada vez mais na ordem do dia. São inúmeras as Organizações internacionais em permanente campanha ativa contra a “destruição ambiental”. Muitas Organizações, em função das posições que assumem e dos objetivos que estabelecem, são consideradas “anticapitalistas”. Também há, no entanto, quem expresse, sem complexos ou reservas, argumentos contrários a essa visão. Por exemplo, Mark Carney, Governador do Banco da Inglaterra, refere que o capitalismo “faz parte da solução” para a designada “crise climática”. Outros há que referem que o capitalismo, se não for restringido

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pela sociedade, autodestruir-seá, “aniquilando” o ambiente natural de que necessita para se desenvolver. Esta era a posição do filósofo e economista político Karl Polanyi, um “fervoroso” opositor da corrente de pensamento económico tradicional (a corrente de pensamento económico tradicional assenta, genericamente, na lógica do liberalismo económico). Para Karl Polanyi, na busca contínua pelo lucro, e num mercado global cada vez mais “livre” necessariamente, os investidores, e capitalistas, continuarão a utilizar incessantemente os recursos naturais para a produção de bens e serviços, reduzindo os custos de produção até ao limite do que for

possível. Na perspetiva de Polanyi, isto acontecerá num contexto de cada vez menor consideração pelo impacto ambiental decorrente dos processos produtivos “capitalistas”. Estes, por sua vez, tenderão a ser cada vez mais controversos, sendo, aliás, já na atualidade, considerados por muitos, sob diversos pontos de vista, como condenáveis. Para impedir que esse processo se desenvolva irremediavelmente, a sociedade deveria estabelecer limites ao livre arbítrio dos investidores, argumentava Polanyi. Polanyi defendia ainda que a solução deveria ser aplicada por “Assembleias de Cidadãos”, alegando que os Parlamentos não detinham condições para a to-

mada de decisões consentâneas com o interesse de longo prazo da sociedade ou do meio ambiente. Já Carney refere que os Parlamentos e a legislação constituem as formas adequadas para o tratamento das preocupações da sociedade e para a regulação da conduta dos empresários e das empresas. Embora os Parlamentos tenham indiscutivelmente legitimidade, grandes questões, como a questão ambiental, facilmente se tornam bolas de arremesso nas “guerras” político-partidárias. É sabido que esta “guerras” ocorrem em função dos objetivos específicos de cada partido político. E nesta matéria é consensual-

Opinião 17 Joaquim António Ramos

massificação da informação. Hoje, qualquer cidadão da Tanzânia sabe como vive o seu semelhante na Europa ou nos Estados Unidos e ambiciona esses padrões de consumo e bem estar. Tal só se consegue com aumentos significativos da produção de bens e serviços e com o consequente aumento do consumo de recursos naturais e de fontes de energia. E é precisamente aqui que está o chamado busílis da questão. Nas fontes de energia. Porque nos atuais padrões tecnológicos e nos que vigoraram até agora, são essas fontes de energia que são responsáveis pelo aquecimento global e toda a procissão de cataclismos que dele decorrem. Parece que há uma espiral sem saída: temos que crescer mais do ponto de vista produtivo, para satisfazer as necessidades crescentes das populações; mas esse crescimento vai implicar uma maior utilização de recursos e uma maior utilização de fontes de energia, cujas emissões vão agravar o aquecimento global. E é por isso que políticos, normalmente conotados com a direita como Trump e Bolsonaro negam esse fenómeno que está à vista de todos: o aquecimento global. Não é porque não o vejam. É porque admiti-lo os levaria a tomar medidas impopulares em relação às expetativas consumistas dos seus eleitores. Não quero com isto dizer que as correntes mundiais mais posicionadas à esquerda sejam inocentes nesta matéria. Não são. E ge-

ralmente usam mais a hipocrisia, porque clamam e organizam manifestações contra as alterações climáticas e simultaneamente suportam reivindicações e têm comportamentos individuais que contrariam aquilo que defendem. Quer isto dizer que considero que a humanidade, por estas razões, se aproxima perigosamente duma nova extinção em massa? Nem por isso. Em primeiro lugar, porque acredito que a Ciência desenvolverá formas de energia limpas que respondam às suas necessidades – para além do aperfeiçoamento das já em uso, como o vento, o hidrogénio ou a energia solar, começam as experiências com a capacidade energética de outros recursos existentes em abundância na Natureza, como a água. Em segundo lugar, porque considero que o nosso conceito de prosperidade está em rápida mudança, como aliás se constata nas gerações mais recentes. Que cada vez mais ideais como a preservação ambiental, a utilização racional de recursos, o respeito pela Natureza e o legado dum planeta sustentável para as gerações vindouras ganharão um peso tão ou mais importante como o crescimento do PIB, a aceleração do bem estar material e anseios afins que dominaram – e ainda dominam – a ação do homem e conduziram à pré-catástrofe ambiental que se anuncia.

João Santos

mente aceite a existência de lóbis de pressão, designadamente com génese no meio empresarial privado. Atualmente, na verdade, a propósito da problemática das alterações climáticas, prevalecem as duas conceções anteriormente abordadas: a Parlamentar; e a da “Assembleia de Cidadãos”. Fora da “arena” política, a responsabilidade das empresas na mitigação do impacto das atividades económicas nas alterações climáticas é cada vez mais escrutinada pelos Parlamentos e pela Sociedade Civil em geral. É também por isso que o capitalismo não pode “estacionar”. Deve evoluir, inovando continuamente e criando novos produtos

e novos mercados. Isto ocorrerá, é certo, num contexto de ‘destruição criativa’, mas com o objetivo maior de preservar a sustentabilidade do meio ambiente, que é o espaço de suporte, justamente, aos recursos necessários à sobrevivência do capitalismo. O capitalismo está no centro da emergência climática. Tem igualmente potencial para ser parte integrante do problema ou da solução. Ser parte integrante da solução garantirá o futuro do próprio capitalismo.


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Partidos (a)políticos! á alguns anos que venho a interrogar-me por aquilo que, julgo ser, um sentimento de muitos portugueses. Porque não acreditamos nos partidos políticos e seus dirigentes? Afinal, para que servem os partidos e porque estão tão descredibilizados? Um partido político (uma criação do século XVIII) devería protagonizar, acima de tudo, as legítimas aspirações de um povo e não os interesses de minorias instaladas, sendo sim, o garante de causas públicas. Li o que Simone A. Weil (SW) – escritora e filósofa francesa, 1909 a 1943 - escreveu no seu artigo “Note sur la suppression générale des partis politiques” de fevereiro de 1950 (edição póstuma), e que reproduzo: constata-se com dramática frequência que os partidos acabam por “devorar o sentido da verdade e da justiça”, e o seu objeto torna-se “a persuasão, e não a comunicação da luz”. Ainda hoje, me impressiona o facto de, este sintagma estar tão atual apesar de terem passado setenta anos! Tal como antigamente, os partidos políticos persistem em não promover/potenciar o livre exercício das consciências/opiniões, tornando-se maquiavélicas máquinas de exaltação e exacerbação de paixões coletivas, como se de clubes de futebol se tratasse. O seu objetivo primário e “irracional” é formatar a idiossincracia do indivíduo, para que este, deixe de pensar pela sua própria cabeça, coartando assim, as suas capacidades analítica e crítica face à realidade política percecionada, e com isso remetê-lo ao redutor po-

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sicionamento de: ser a favor, ou ser contra. Em consequência, penso que, a “má influência” dos partidos políticos acaba por, de uma forma subtil e imoral por falaciosa e demagógica, mas que se tem revelado eficaz, contaminar o “raciocínio coletivo”, com nefastas consequências para o bem comum,.dotando os cidadãos de pensamento inócuo e de atitude inoperante (muitos desconhecem o ideário/programa do partido a que aderiram/votaram), e, “potenciando a imbecilidade” (e.g.: campanhas eleitorais), relativizando assim, a própria cidadania, para melhor “exercerem o poder”. E SW explica: a finalidade de um partido é uma coisa vaga e irreal. Se fosse real exigiria um enorme esforço de atenção, pois uma definição de bem público não é objeto fácil de enquadrar. A existência do partido é palpável, evidente e não exige esforço para ser reconhecida. É inevitável, assim, que o partido seja ele mesmo o seu próprio fim Qualquer partido político, devería, para além da sua missão primordial, ou seja, a intransigente defesa do bem comum; pautar-se pelos supremos valores da ética, da justiça e da igualdade, e providenciar as básicas e legítimas necessidades do povo: combate à pobreza, a melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados na administração pública, na segurança, na saúde, na educação e nos transportes; no apoio efetivo à ciência e.à investigação e desenvolvimento (I&D) e, à formação profissional (conhecimento=inovação e mais qualificações, geram

ACES Estuário do Tejo Unidade de Saúde Pública

Saúde Pública

Augusto Silva e Catarina Soares, Médicos Internos de Formação Geral, em Estágio na Unidade de Saúde Pública do ACeS Estuário do Tejo;

mais competitividade e produtividade); promover políticas de preservação ambiental, de habitação social e, de igualdade de género, de oportunidades, e de inclusão, entre outras, aliás, consignadas na CRP - Constituição da República Portuguesa), ao mesmo tempo

que, penso devería inspirar, motivar e potenciar o alcançar dos desígnios deste “nobre povo”. Nesta perspectiva os partidos políticos, não deveriam lutar pelo poder, tão só pelo poder! O que o cidadão comum constata é que, qualquer partido que se instale no poder (governo ou autarquias) após disputa a qualquer preço pela sua conquista, tem dado lugar ao despotismo (prepotência), à corrupção, ao peculato, à incúria, ao despesismo. ao favorecimento, ao facilitismo, ao justicialismo, ao servilismo, à impunidade, à perpetuação no poder (são sempre os mes-

Augusto Moita*

mos), ao tráfico de influências, à reiteração de uma incultura de consenso (quanto pior, melhor) e, a todo o tipo de estratagemas visando a repartição pela clientela política (familiares e amigos) de cargos públicos – nepotismo - e isto, constitui, a meu ver, uma evi-

dente sonegação da cidadania e um obstáculo à consciência e à participação política dos cidadãos (por tudo isto, podemos chamar com toda a probidade: cleptocracia!). E, não tenhamos dúvidas, tal como lá fora, está acontecendo entre nós! Senão, porquê o emergir, na sociedade portuguesa, de

novos partidos políticos e de movimentos independentes de cidadãos e sindicatos (por vezes sob anonimato), que fazem ouvir as suas vozes de protesto (extremistas ou não)? Naturalmente, isto acontece, porque os governantes dos diferentes partidos não têm sido diligentes e competentes na aplicação de medidas que alavanquem a economia por forma a resolverem os graves problemas sociais, que nos afligem.. O capitalismo neoliberal predomina sobre o humanismo! É possível impor ao capitalismo um cariz humanista? Claro que sim, desde que as políticas se centrem nas pessoas e não só na defesa do capital! Para tanto, é necessária coragem política, mas também, é urgente promover-se uma profunda reflexão sobre a ação dos partidos políticos (organizações fechadas, quase maçónicas), visando a sua abertura à sociedade, com o objetivo de dinamizar e fortalecer a democracia através do estimulo à participação ativa, democrática e livre dos cidadãos, não ostracizando os “não-alinhados”, mas escutando-os ativamente e aproveitando as exequíveis ideias e, nunca “fazendo apelo ao proselitismo”. Quiçá, através da assunção de novos paradigmas de motivação que

estimulem a participação política, partidária ou não, mas livre, aberta, analítica, critica, honesta, consensual e consequente; porque, a não acontecer, o desgaste e o descrédito se encarregarão de os marginalizar a breve trecho [veja-se o caso do declínio eleitoral do CDS e dos partidos que têm sido governo que representam uma minoria dos portugueses (eleitores “e também não eleitores”), devido aos elevados índices de abstenção, leia-se “índices de descrença”!] Contudo, penso ser ainda possível, inverter o que se transformou numa “boçalidade coletiva”, sendo que, é premente a assunção de uma responsabilização de todos, e de cada um de nós, nomeadamente dos políticos, independentemente do “papel” de cada um na sociedade! Consciencialização cívica, precisase! * Licenciado em Gestão de Recursos Humanos

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Propriedade: Metáforas e Parábolas Lda – Comunicação Social e

Publicidade • Gestão da empresa com 100 por cento de capital: Sílvia Alexandra Nunes Agostinho; NIPC 514 207 426 Sede, Sede do Editor, Redação e Administração: Rua Alexandre Vieira nº 8, 1º andar, 2050-318 Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 2273A • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 2273 A • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 6524 A • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Acácio Vasconcelos, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca” Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: Rui Ramos • comercial@valorlocal.pt Serviços administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt

Osteoporose: a “doença silenciosa” A Osteoporose é a doença metabólica dos ossos mais frequente, atingindo cerca de um milhão de pessoas em Portugal, maioritariamente mulheres e pessoas idosas. Uma vez que a esperança média de vida da população tem aumentado, há um maior número de pessoas em risco de desenvolver doenças relacionadas com o envelhecimento, como é o caso da osteoporose. Esta doença, que se caracteriza por uma perda de massa óssea ao longo da vida, não dá sintomas. Assim, caso não se tomem medidas, o osso pode-se tornar progressivamente mais fraco, menos resistente e mais propenso à ocorrência de fraturas. A fratura óssea é habitualmente o primeiro sinal da existência de osteoporose, representando a preocupação mais importante desta doença, uma vez que se encontra associada a risco de morte. Porém, contribui igualmente para a diminuição da qualidade de vida e uma diminuição na capacidade de execução das atividades diárias. Estima-se que a nível mundial ocorra uma fratura a cada três segundos, como consequência da Osteoporose, tornando esta "doença silenciosa" num problema de saúde pública. Como consequência desta patologia, após os 50 anos, cerca de uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens irão apresentar uma fratura óssea, a qual requer uma intervenção, tratamento e seguimento adequados. Apesar da osteoporose ainda não ter cura, os dados anteriores revelam a importância de se tomarem algumas medidas simples, para a prevenção desta doença e suas sequelas. Por um lado, evitar a ocorrência de osteoporose, aumentando o crescimento ósseo que ocorre principalmente na adolescência e que previne a ocorrência da osteoporose nas idades mais avançadas. Para essa prevenção, as pessoas deverão, desde a infância e ao longo de toda a vida: • Praticar exercício físico; • Ingerir produtos ricos em cálcio e vitamina D, tais como o queijo, leite e iogurtes.

Por outro lado, quando as pessoas têm osteoporose, é muito importante que o diagnóstico seja o mais cedo possível, para terem cuidados para evitarem que a doença evolua e evitarem a ocorrência de fraturas. Algumas dessas medidas são: • Corrigir a postura; • Praticar exercícios físicos adequados ao(s) seu(s) problema(s) de saúde; • Apanhar sol 15-20 minutos por dia sem proteção solar; • Parar de fumar; • Ingerir pouca quantidade de bebidas que contenham álcool ou cafeína; • Não deixar objetos espalhados pelo chão; • Evitar sapatos de salto alto e com sola lisa; • Não encerar o soalho; • Não deixar tapetes soltos pelo chão; • Não andar em locais pouco iluminados e com chão molhado; • Apoiar-se nos dois lados do corrimão; • Não guardar objetos em prateleiras altas; • Colocar um banco de plástico dentro da banheira para lavar os pés em posição sentado; • Colocar um corrimão ou barras de apoio junto à cama, sanita e na banheira; • Não levantar objetos pesados; • Sempre que necessário usar bengala ou andarilho; • Ter cuidado redobrado quando um medicamento provoque tonturas; • Uma boa visão é fundamental, portanto se necessário deverá consultar um oftalmologista. Em suma, a osteoporose é considerada um problema mundial que ainda não tem cura, mas que é possível prevenir. Se essas orientações forem seguidas, além de uma melhor qualidade de vida, uma pessoa terá igualmente um menor risco de desenvolver a doença e as suas complicações.


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Os conteúdos são da exclusiva responsabilidade da Associação, Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja

Universidade de Évora terá em breve, em Sines, um laboratório para estudar o Mar A Universidade de Évora passará a ter, em breve, um Laboratório de Ciências do Mar em Sines, onde irá promover e executar actividades científicas, pedagógicas e culturais destinadas à melhoria do conhecimento do ambiente marinho, à inovação, ao desenvolvimento tecnológico e à utilização sustentável dos recursos marinhos, dando especial atenção à região costeira do Alentejo e à restante plataforma continental adjacente. Neste sentido, no próximo dia 15 de Janeiro, a Universidade de Évora (UÉ) e a Administração dos Portos de Sines e do Algarve irão assinar em Sines, um contrato de concessão de uso privativo de uma parcela de terreno do domínio público, localizada a norte do cabo de Sines, onde serão construídas as novas instalações do Laboratório de Ciências do Mar da UÉ (CIEMAR). A cerimónia contará com a presença de Ana Costa Freitas, Reitora da Universidade de Évora, e de José Luís Cacho, Presidente do Conselho de Administração da Administração dos Portos de Sines e do Algarve. Este investimento surge no âmbito da recente aprovação do projecto “Construção de infraestruturas de investigação e inovação do Laboratório de Ciências do Mar da UÉ – CIEMAR”, através do programa operacional regional Alentejo 2020. Segundo a Universidade de Évora, “a implementação deste projecto representa um novo impulso ao desenvolvimento das ciências do mar, e em particular na costa alentejana, tanto nas áreas da investigação científica e inovação, como do de-

senvolvimento tecnológico e da transferência de conhecimento a empresas e outras entidades do sector, além do apoio ao ensino superior e à promoção da cultura científica.” Este laboratório – CIEMAR, é uma unidade interdepartamental de investigação, ensino e prestação de serviços que tem como objectivo promover e executar actividades científicas, pedagógicas e culturais destinadas à melhoria do conhecimento do ambiente marinho, à inovação, ao desenvolvimento tecnológico e à utilização sustentável dos recursos marinhos, dando especial atenção à região costeira do Alentejo e à restante plataforma continental adjacente. Este laboratório tem funcionado em Sines desde 1990, em instalações provisórias cedidas pela autarquia, e que são actualmente insuficientes para desenvolver os diversos projectos de investigação científica em curso e as actividades de ensino superior e formação especializada, bem como alargar o âmbito da sua acção em áreas de ponta da Universidade como a Biodiversidade, a Geofísica, as Geociências, as Ciências do Património e a Inteligência Artificial. Este projecto conta com a colaboração e o apoio da Câmara Municipal de Sines e da Administração dos Portos de Sines e do Algarve, e envolve membros do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, e do ICT – Instituto de Ciências da Terra. O respectivo projecto de execução e de arquitectura foi elaborado por Pedro Gameiro e Marta Sequeira, professores do Departamento de Arquitectura. Fonte: O Digital

Revisto o Plano Global de Avaliação do Portugal 2020 A Revisão de 2019 do Plano Global de Avaliação do Portugal 2020 (PGA PT2020) foi aprovada pela Comissão Interministerial de Coordenação do Acordo de Parceria (CIC Portugal 2020), explícita na Deliberação n.º 32/2019, de 13 de dezembro de 2019. O PGA PT2020, aprovado em 2015, é objeto de uma revisão anual de forma a melhor ajustar os objetivos e calendários dos estudos de avaliação inseridos no Plano aos ritmos da implementação das intervenções e às necessidades da Gestão dos Programas. O PGA PT2020 tem como objetivo avaliar a eficácia, eficiência e impacto das intervenções cofinanciadas pelos Fundos da União Europeia. O seu objetivo global é constituir-se como o documento

orientador da Avaliação do Portugal 2020 – consensualizado pelas entidades responsáveis pela governação dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI) – de modo a que a conceção e a implementação das políticas e dos programas possam beneficiar de avaliações de qualidade, suportadas em evidências sobre a eficácia, eficiência e impacto das intervenções. Este objetivo global enquadra-se na missão de contribuir para a boa gestão e utilização dos Fundos da União Europeia, reforçando a sua orientação para resultados e a qualidade na prestação de contas. No PGA PT2020 são definidas e calendarizadas as avaliações a realizar no período de programação 2014-2020. Fonte: Portugal 2020

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Museu Damião de Góis recebe ciclo dedicado ao humanista português Museu Damião de Góis e das Vítimas da Inquisição recebe um ciclo dedicado à figura maior do humanismo português com um conjunto de iniciativas que se estende até 16 de fevereiro. No passado dia 24 de janeiro teve início com a exposição “Uma chama no Coração” dedicada à passagem dos judeus e da cultura que deixaram na ilha Terceira, nos Açores, no âmbito do intercâmbio cultural entre o município de Alenquer e o seu congénere de Ponta Delgada. Foram evocadas as vítimas do holocausto e como os comportamentos segregacionistas assumem outras formas nos dias que passam. “Alenquer Terra de Damião de Góis” trata-se de um ciclo cultural, aposta do município, que “já no passado se celebrou com alguma diversidade ao longo dos meses de janeiro e fevereiro”, salienta Rui Costa, vereador da Cultura, no município alenquerense. Ao longo de três semanas haverá programas educativos para as escolas de acordo com os currículos de História e Geografia no ensino básico e secundário. Um dos aspetos do programa prende-se com a realização de uma conferência como aquela que está prevista para o dia nove de fevereiro sob o tema “Damião de Góis na encruzilhada de novos tempos. Utopia e Inquisição numa sociedade em radicalização” pelo professor Paulo

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Museu regista cerca de 10 mil visitas por ano de acordo com Rui Costa

Mendes Pinto da Universidade Lusófona. Haverá ainda tempo para a música com concertos e peças de teatro. Nos Paços do Concelho e na Igreja de São Pedro podem ser vistas exposições que evocam também o movimento humanista. No dia 14 de fevereiro, celebra-se o Dia dos Namorados e realiza-se um jantar com Damião de Góis. É pelas 20 horas no espaço do museu e as inscrições estão disponíveis

no site da Câmara. Cinema judaico e uma tertúlia intercultural estão previstos para o dia oito de fevereiro, pelas 16 horas, com o visionamento do filme “Debaixo do Céu” de Nicholas Oulman a que se seguirá um momento de discussão coletiva. Inaugurado a 20 de maio de 2017, o museu tem reconhecido uma significativa afluência de público – cerca de 10 mil visitantes por ano, “o que para uma vila

como a de Alenquer e para um espaço museológico como este deixa-nos muitos satisfeitos”. O município de Alenquer prepara-se para em conjunto com outros concelhos que também abarcam a temática do judaísmo e do humanismo criar uma “Rota Judaica do Litoral Português”. A jornada formativa ou de preparação se assim quisermos dizer tem lugar no dia 12 de fevereiro naquele museu, e inclui para

além de Alenquer, Óbidos, Cascais, Lisboa, Torres Vedras, Tomar, e Leiria. “Estamos convictos de que trará novos públicos e com uma oferta turística vocacionada para o litoral português”. O esforço de se criar uma biblioteca do museu O desafio do museu é preponderante porque não contém espólio. Está muito assente naquilo

que já existe na biblioteca e no arquivo histórico. A obra de Damião de Góis está em latim, e traduzi-la exigiria um esforço financeiro que para já não está ao alcance do município: cerca de um milhão de euros. Investigadores têm procurado o espaço, e a Câmara tem tentado (dentro daquilo que é a sua capacidade) participar em leilões com o intuito de resgatar elementos relacionados com Damião de Góis e o Humanismo, mas também junto de alfarrabistas, ou catálogos de obras antigas. A coleção permanente do museu assenta em painéis informativos e três ou quatro obras originais das crónicas escritas por Damião de Góis. Construir um acervo documental para consulta é a tarefa maior do museu. Nesses alfarrabistas tem sido possível encontrar originais de obras escritas pelo maior humanista português. “Há pouco tempo tivemos nas mãos um original escrito pela mão de Damião de Góis. Infelizmente não conseguimos bater um colecionador americano que pagou vários milhares de euros por uma página escrita pelo humanista”. O documento foi encontrado numa casa particular no Porto que foi despojada dos seus bens pelos proprietários e estava na posse de um alfarrabista. A página contempla um frontispício com uma dedicatória assinada por Góis à pessoa a quem ofereceram a obra.

Escadarias de Azambuja são o mote para residências artísticas na Casa da Juventude s escadarias da vila de Azambuja foram o mote para uma exposição de fotografia levada a cabo pelo município, em que os alunos da escola secundária foram convidados a usarem da sua veia criativa para captar de forma artística os degraus de Azambuja. Os alunos dos cursos de fotografia e multimédia assim o fizeram e a exposição passou pela Casa da Juventude e pela biblioteca municipal. O projeto chamou-se “Transformarte” – “Escutar a cidade para a transformar”. O trabalho contou ainda com a componente vídeo. O tema não se esgota aqui, e as escadarias de Azambuja são o mote para a realização de residências artísticas no próximo verão. A vereadora da Educação Sílvia Vítor adianta que os artistas são convidados a instalarem-se na Casa da Juventude para trabalhar esta temática. Desde músicos, a atores,

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passando por dramaturgos, ou pintores, são várias as áreas que podem artisticamente “elevar” aqueles espaços públicos da

vila. Os artistas podem ainda dar ideias para a requalificação e melhoria destes espaços junto do executivo.

A exposição esteve patente até inícios de janeiro na biblioteca. O Valor Local passou por esta iniciativa. À primeira vista nem

Referências do quotidiano passaram ao estatuto de arte

sempre é fácil identificar a localização de cada uma das escadas, muitas percorridas pelos azambujenses quase diariamente. Mas depois de se ler as legendas que acompanham cada uma das fotos, não é difícil perceber onde é que já vimos cada um dos conjuntos. Temos desde a Escada do Quebra Costas, passando pela Escada do Largo do Cabral, mais à frente a Escada da Rua da Travessa da Oliveira, a Escada da Travessa da Misericórdia, ou as Escadinhas da Fonte de Santo António. No total são 37 as escadarias retratadas. “Os alunos foram buscar escadarias que nem nós pensávamos que existiam”, destaca Sílvia Vítor. “No fundo passam-nos ao lado, certo é que conseguimos fotografias muito bonitas nesta exposição, e para quem vive em Azambuja cada um destes espaços traz uma recordação associada”. Em breve os alunos vão

incluir neste projeto entrevistas junto da população que vive próxima destes recantos, para que contem histórias de vida associadas àquela paisagem, com a possibilidade no fim de se compilar em livro a recolha efetuada junto com as fotos. A autarquia está neste momento a trabalhar num regulamento tendo em vista a criação das residências artísticas. Tendo em conta a necessidade de utilização da recentemente inaugurada Casa da Juventude que já acolheu um dos intercâmbios do projeto Be More, será criado o Conselho Municipal da Juventude, com a indicação de um jovem representante por parte de cada partido político com assento na Assembleia Municipal, que darão ideias quanto aos projetos e atividades que podem ser ali desenvolvidos. A ideia é também criar iniciativas às quartas-feiras, à tarde, dia em que não há aulas.


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Tauromaquia Azambujense Ana Rita presente na entrega de troféu à infanta Elena de Espanha o passado dia 14 de novembro, a irmã do Rei Felipe VI, Infanta Elena de Espanha recebeu o prémio Capote das Bellas Artes (um dos mais importantes galardões da tauromaquia espanhola) e Ana Rita, foi uma das convidadas a assistir. Numa cerimónia onde marcaram presença alguns dos maiores nomes da tauromaquia mundial como por exemplo Ortega Cano, Henrique Ponce, Manzanares, Padilla ou o Rojeneador Leonardo Hernandez, a presença de Ana Rita vem mostrar a importância que a cavaleira do Concelho de Azambuja tem já no mundo taurino e sabe-se que em conjunto com os seus novos apoderados já tem uma série de corridas garantidas para este ano de 2020.

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Soltas da Quinta do Açude arreirita Cigano prepara afincadamente os seus cavalos para este ano. O jovem cavaleiro, que foi uma das grandes revelações de 2019 com o seu toureio que dizem os especialistas faz lembrar Mestre Batista, prepara as suas montadas enquanto aguarda o início da temporada. Esperamos que o êxito de 2019 se repita ou então que venha a ser reforçado. Um grande Olé Parreirita. Manuel Oliveira vai ter um ano em cheio. Ao mesmo tempo que vai estudando para concluir a sua licenciatura em veterinária, prepara a sua alternativa como cavaleiro tauromáquico. A escola da Quinta do Açude, onde o Mestre Manuel Jorge de Oliveira, tem o quartel general no ensino da arte da equitação está a funcionar em pleno e com uma vertente bem internacional, muitas figuras estrangeiras são vistas por lá para aprender a alta escola portuguesa num treino conjunto com os cavaleiros portugueses. António Salema “El Salamanca” 2020

ntónio Salema dedicou os seus 92 anos à tauromaquia. Disso ninguém tem dúvidas. O “El Salamanca” nome que escolheu para escrever no jornal MalaPosta, ficou para sempre gravado na memória dos azambujenses e dos seus leitores que admiravam o seu espírito crítico e a paixão pela tauromaquia. António Salema deixou-nos aos 92 anos e era o colaborador mais velho do Valor Local. Nunca falhou um prazo e os seus manuscritos eram sempre entregues a tempo e horas fazendo corar os aspirantes ao jornalismo e à opinião. Para trás ficam histórias de cavalos, corridas de toiros, sus-

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tos e as memórias de quem fundou com o melhor amigo, o Etelvino Laureano, a Escola de Toureio de Azambuja que nos dias de hoje vai cambaleando entre a necessidade de sobreviver numa sociedade que começa a rejeitar as tradições. Nisto, António Salema era diferente. Se calhar por ter 92 anos e a moda dos antitaurinos ser uma novidade ou porque simplesmente não colocava sequer a hipótese de que alguém fosse contra a cultura de um povo. Nos quase 30 anos em que convivi com António Salema, foram muitas as vezes que o ouvi a elogiar Pedrito de Portugal, Manuel Jorge de Oliveira, Paulo Jorge Ferreira ou mais recentemente Ana Rita, por quem tinha uma profunda admiração e sobre quem escreveu na sua última crónica entregue em mão no café por baixo de sua casa, e onde me esperava encontrar quase todos os dias pela manhã. Salema deixa um legado. Um legado importante na vida da tauromaquia nacional. Deixa nomes como Manuel Tavares, Ana Maria, e Carlos Pimentel, entre outros e com quem assinou um programa de toiros na extinta Rádio Ribatejo. Foram nomes que elevaram bem alto as nossas raízes tauromáquicas e as nossas tradições, assim como, elevaram o nome de Portugal, do Ribatejo, e de Azambuja nos quatro cantos do mundo. Das muitas entrevistas que me concedeu e das conversas que mantivemos, recordava sempre que ficou por realizar um museu da tauromaquia. Algo que me voltou a referir recentemente e lamentava que Azambuja não tivesse dado ainda esse passo. Sabendo das dificuldades de Vila Franca em implantar esse projeto, António Salema tinha esperança de ver nascer algo desse género no quarteirão perto de sua casa. Para além dos inúmeros “escritos” nos jornais “Valor Local” e MalaPosta, Salema deixa ainda um livro publicado e outro por publicar. Um livro que está ainda na fase de correção, e que relata a suas vivências enquanto pessoa. É por isto que António Salema será recordado, como uma pessoa afável, conhecedora da arte e que muitas vezes lamentou que a nova praça de toiros não tivesse sido construída de forma a que todos os espectadores tivessem uma boa vista da arena. Nos últimos meses, António Salema já estava debilitado fisicamente e isso era visível, mas nunca perdeu o foco, nem deixou de escrever. Numa conversa recente, agradeceu poder continuar a escrever “para não pensar na morte”… para todos nós que convivemos com ele, continua a escrever, porque é eterno. Miguel António Rodrigues Diretor Jornal Valor Local

Ilustração Bruno Libano

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ntónio Salema, 2020. Foram estas as últimas palavras que escreveu e no início da folha dizia assim: Exmo Senhor Diretor Miguel do jornal Valor Local. Peço a publicação aos 92 anos. Salema. E assim foi. O Miguel deu-me as folhas manuscritas, (porque disse-me o Sr António recentemente que as mãos dele já não se entendiam com a velha máquina de escrever) para editar como sempre o fiz ao longo dos anos que esta crónica foi publicada. Estávamos longe de imaginar que fosse a última. Foram quase sete anos de trabalho conjunto, e muito aprendi sobre tauromaquia e sobre Azambuja com aqueles textos do El Salamanca. Recordo um texto que era acerca do Georgino Falcão, onde durante quatro meses e deixando sempre um gancho final fizemos um pequeno folhetim que até tinha os seus seguidores. De muitos momentos da vida do Mestre Salema que acompanhámos no tempo de vida deste jornal, não posso deixar de realçar um que me deu um enorme prazer: foi em 2015, quando eu e a Laura Costa visitámos a sua Casa Museu e dessa visita e da conversa que por lá tivemos surgiu uma reportagem que podem acompanhar no arquivo vídeo do jornal. Falei de dois momentos e muitos mais havia para falar. Da última vez que estive com ele, três dias antes do fatídico dia, apesar de muito debilitado fisicamente, o amor pelos toiros continuava. Dizia-me que já tinha na cabeça a crónica de fevereiro… Infelizmente não a chegou a escrever, ficou-se por esta de janeiro de 2020. Até sempre e obrigado Senhor António. Nuno Filipe

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António Salema “El Salamanca”

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Jornal Valor Local - Edição Janeiro 2020  

Jornal Regional

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