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Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 74 • 27 Junho 2019 • Preço 1 cêntimo

Valor Local

A Guerra do

O combate às alterações climáticas coloca o acento tónico no fim da luta química, e do uso de herbicidas. Apresentamos o ponto de vista de autarquias, agricultores, engenheiros agrícolas, e ambientalistas sobre o amanhã do planeta Destaque na 12, 13, 14 e 15 Sociedade na 5

Sociedade na 7

Exclusivo: Médico e delegado sindical do Hospital de Vila Franca

Bombeiros de Alverca continuam em crise diretiva

António Godinho teme o fantasma da falta de material se a unidade voltar a ser pública


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Projeto da plantação de Cannabis em Benavente nunca mais deu notícias projeto de um investimento canadiano no concelho de Benavente para uma exploração de cannabis ainda não conheceu novos desenvolvimentos, depois de ter sido anunciada em reunião de Câmara a exploração de 261 hectares a cargo da empresa VF1883 Pharmaceuticals. O negócio que continua no segredo dos deuses, estará nas palavras do presidente da autarquia, Carlos Coutinho, em declarações ao nosso jornal, “ a tomar o seu rumo”, e a relação de proximidade e de feed-back junto do município por parte dos investidores “não tem deixado de acontecer”. Certo é que o Valor Local sabe que ainda não se concretizou a venda dos terrenos por parte do privado José António Alves Inácio à empresa. Contactado pelo nosso jornal, e à nossa reportagem não quis prestar mais de-

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clarações sobre o assunto, referindo apenas que não se deram

novos passos. Na nossa edição de janeiro, o proprietário dava

conta da existência de um contrato promessa de compra e

Autarquia mantem serenidade mas deseja o passo em frente

venda mas que tudo ainda estaria no segredo dos deuses. Desde então não foram dados novos passos por parte da empresa. O terreno em causa situa-se na Herdade de Porto Seixo, em Benavente, numa parcela de terreno compreendida entre a concessão da A10 e a Estrada dos Alemães. Nos últimos tempos, muitas destas empresas internacionais relacionadas com o cânhamo, têm sido rotuladas de altamente especulativas ao anunciarem investimentos que não passam do papel. Coutinho refere que não quer acreditar nessa possibilidade, dados os contactos adiantados. O nosso jornal tem vindo a contactar um intermediário da empresa em Portugal no sentido de obter declarações, que numa primeira fase foram prometidas pela empresa, sendo que para o efeito enviámos um email mas

as respostas nunca chegaram. Nos últimos tempos temos enviado sucessivos emails e tentado o contacto telefónico mas sem sucesso. O anúncio de 500 postos de trabalho No caso do investimento em Benavente, o mesmo prevê uma exploração composta por 10 pavilhões com o total de 67 mil 521,75m2 de área de implantação/construção; instalação social com 3500m2 de área de implantação/construção; instalação técnica com um total de 1279,50m2 de área de implantação/construção, e a construção de seis estufas com uma área de implantação de 139 mil 279,00m2. O projeto prevê-se que seja executado em seis fases e prevê a possibilidade de 500 postos de trabalho.

EDP lança aplicação de telemóvel para detetar vegetação próxima das linhas elétricas EDP Distribuição desenvolveu uma aplicação móvel que permite, entre outras funcionalidades, a comunicação de situações que possam colocar em causa a qualidade e a segurança da rede elétrica, devido à proximidade de árvores ou arbustos das linhas aéreas, refere a empresa em comunicado. Através da app, disponível no site da EDP Distribuição, qualquer cidadão pode sinalizar eventuais contactos de vegetação, a curto ou a médio prazo, com linhas elétricas, indicar a sua localização, fazer uma breve descrição e anexar até três fotografias. De seguida, terá apenas de indicar o nome, as-

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sim como um contacto telefónico, caso seja necessário confirmar algum dado, e enviar a informação. Para além da app, qualquer cidadão pode sinalizar eventuais contactos de vegetação com linhas elétricas através do site da EDP Distribuição (em https://www.edpdistribuicao.pt/pt-pt/podemos-ajudar/situacao-de-risco), ou da linha gratuita 800 506 506. A EDP Distribuição tem a obrigação de inspecionar a rede elétrica e salvaguardar a manutenção das distâncias de segurança, alertando os proprietários para a necessidade de corte ou intervindo de imediato, caso o incumprimento cons-

titua um perigo eminente. Nas linhas aéreas de alta e média Tensão a distância corresponde a 2,5 metros, enquanto que nas linhas aéreas de baixa tensão, para os cabos nus (os que não apresentam revestimento de borracha), essa distância é de 1 ou 2 metros, dependendo da natureza da árvore e da necessidade de realização de trabalhos na mesma. “Cabe aos proprietários públicos ou privados o dever de não permitirem a permanência de vegetação junto às linhas que possa interferir com a respetiva exploração”, sustenta a empresa. Com a entrada em vigor do Decre-

to-lei nº 124/2006, de 28 de junho, que instituiu o sistema nacional de defesa da floresta contra incêndios, veio aditar-se uma nova obrigação a cargo da EDP Distribuição: a constituição de faixas de gestão de combustível. A intervenção da EDP Distribuição resulta do facto de se prever que “nos espaços previamente definidos no Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PMDFCI) é obrigatório que a entidade responsável” pelas linhas de Alta e Média tensão providencie a gestão de combustível com largura não inferior a 10 e 7 metros, respetivamente.

Cruz Vermelha de Aveiras nomeia novos chefes Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) de Aveiras de Cima vai nomear três novos chefes, este domingo, dia 30. Os três novos elementos de chefia, cujos nomes, Pedro Vieira coordenador da CVP não quis revelar, vêm preencher os lugares deixados vagos por três outros chefes que optaram por sair da coordenação e manterem-se apenas no voluntariado. Pedro Vieira salienta que esta questão nunca colocou em causa o funcionamento da CVP e que se tratou de uma decisão dos próprios que ainda continuam a colaborar com a instituição. Estes novos elementos serão “empossados” num juramento este domingo à tarde, em conjunto com outros cinco elementos, que concluíram recentemente o respe-

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tivo curso. Para o coordenador, esta é uma prova da vitalidade e da resposta da CVP, que deverá começar a terraplanagem do seu novo quartel ainda esta semana. Ao Valor Local, Pedro Vieira, anunciou ainda a entrega de medalhas de mérito a 21 elementos da CVP e a homenagem a um antigo elemento e fundador daquela casa. Sem querer revelar os nomes, para não estragar a surpresa, o coordenador salienta que esta é uma forma de “homenagear as pessoas enquanto estão vivas” fazendo jus ao trabalho levado a capo em prol da comunidade local. Sem problemas de maior para encontrar voluntários, a CVP tem tido um acréscimo de socorristas nos últimos anos. Só no ano pas-

sado ganhou quinze novos elementos, que fizeram o juramento no início do ano, e em 2019, ganha cinco novos socorristas a juntar a outros três elementos que estiveram fora da Cruz Vermelha por motivos profissionais e que agora estão de regresso. Por esses e por outros motivos, a associação que tem vindo a adquirir novas viaturas para substituir as mais antigas, está agora bem apetrechada para dar resposta às necessidades da comunidade. Pedro Vieira destaca mesmo que quando foi preciso encontrar elementos para ajudar um carregamento de ajuda humanitária, não existiu qualquer dificuldade em fazer uma mobilização em poucas horas.

Novidades na Cruz Vermelha a partir de domingo dia 30 de junho


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Hospital de Vila Franca: Ministra da Saúde diz que não se pode escamotear o sentimento dos autarcas uma pergunta do Bloco de Esquerda na Assembleia da República, a ministra da Saúde que até há poucos meses era mais taxativa e perentória no que respeita ao fim das PPP na área da Saúde, no cenário da nova lei de bases em aprovação, assume, nesta altura, um discurso mais cauteloso até tendo em conta a convergência dos autarcas dos cinco concelhos afetos ao hospital que têm evidenciado as mais-valias da PPP de Vila Franca - “Numa lógica de honestidade intelectual não podemos escamotear a experiência positiva recolhida pelos presidentes de Câmara”. A titular da pasta da Saúde, referiu que ainda está a aguardar resposta por parte da gestão da José de Mello Saúde quanto à aceitação de um alargamento contingencial do atual contrato até 2024. O relatório técnico à PPP defende o lançamento de um novo concurso, visto que o atual, nas palavras de Marta Temido, “não possui maleabilidade suficiente para se acomodarem as devidas alterações sob pena de enfrentarmos dificuldades, à posteriori, junto do Tribunal de Contas”. A ministra adiantou, ainda, que a tutela está a trabalhar em articulação com a unidade de saúde e a ARS-LVT com o objetivo de se “resolverem os constrangimentos apontados, que embora sejam desconfortáveis, têm uma explicação”.

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Marta Temido foi instada a encontrar uma solução que não faça os cuidados de saúde andarem para trás na região

Presidentes de Câmara indignados com relatório que dava conta de doentes internados em casas de banho e refeitórios Num comunicado conjunto, os presidentes das cinco Câmaras Municipais da área de influência do Hospital Vila Franca de Xira criticam duramente a forma como têm sido retratados na comunicação social, nas últimas semanas, “os serviços daquela unidade saúde prestados à população”

em face de um relatório da Entidade Reguladora de Saúde que falava de doentes internados em refeitórios e casas de banho. Acusações que foram refutadas e contextualizadas pela administração do hospital. Alberto Mesquita, Câmara de Vila Franca de Xira; André Rijo, Câmara de Arruda dos Vinhos; Pedro Folgado, Câmara de Alenquer; Luís de Sousa, Câmara de Azambuja, e Carlos Coutinho, Câmara de Benavente não têm dúvidas de que tudo não passou de uma “tentativa de se denegrir

a imagem da unidade de saúde”. Afirmam, ainda, que esta tentativa de “prejudicar a imagem desta unidade hospitalar pública, gerida através de um modelo de parceria com gestão privada que tem sido classificada entre as melhores do Serviço Nacional de Saúde (SNS), produz junto das populações inquietações que em nada beneficiam a tranquilidade exigida aos serviços de saúde e o respeito pelos seus profissionais.” Como de resto já tinham salientado em uníssono num trabalho levado a cabo pelo nosso jornal,

ainda antes do anúncio da não renovação da atual PPP de Vila Franca, os presidentes das cinco autarquias dão nota positiva ao hospital e salientam as mais diversas distinções em saúde conquistadas. Os cinco presidentes de Câmara que já se reuniram com a ministra da Saúde, Marta Temido, após as últimas notícias, sublinham, ainda, em comunicado que a principal preocupação do Governo deve assentar na necessidade de ampliação das instalações do hospital de modo a

permitir o reforço da oferta de especialidades médicas, e melhorar a qualidade, já “elevada”, dos “cuidados de saúde hospitalares prestados às nossas populações”. Na última reunião de Câmara de Benavente, o presidente da autarquia, Carlos Coutinho, voltou a referir o serviço de proximidade, de recetividade, de partilha de informação prestados pela unidade de saúde. Nesse encontro com a governante, referiu Coutinho, os autarcas tiveram oportunidade de demonstrar a Temido a sua “apreensão” face ao relatórios e às exigências para o futuro”. Marta Temido assumiu que tem consciência da necessidade de ampliação da unidade. Sendo o único presidente de Câmara cujo partido tem sido contra a renovação das PPP (CDU), Coutinho, como de resto já tinha dito em primeira mão ao nosso jornal, não poupou elogios - “Defendo uma gestão pública mas não posso escamotear o serviço de muito boa qualidade ali prestado, que nada tem a ver com aquilo que existia no passado”, numa alusão ao antigo Reynaldo dos Santos. O autarca até comparou o hospital de Vila Franca ao de Santarém, este de gestão pública - “Sem querer colocar em causa o profissionalismo dos trabalhadores do hospital que fica no nosso distrito, é uma realidade que o hospital de Vila Franca tem melhores condições”.

Médico e delegado sindical do Hospital de Vila Franca

António Godinho teme o regresso do fantasma da falta de material se a unidade voltar a ser pública Miguel A. Rodrigues maioria dos médicos do hospital de Vila Franca de Xira está preocupada com a possível perda de qualidade do serviço prestado ao doente, se o hospital voltar para a gestão pública. António Godinho salienta que a preocupação máxima dos médicos é a qualidade de atendimento ao doente, sendo que o receio ao regresso de uma gestão pública pode trazer de novo o fantasma da falta de material e obrigar os médicos a usar a criatividade como aconteceu inúmeras vezes no antigo hospital de Vila Franca de Xira, onde aliás o clínico também chegou a trabalhar. Ouvido, em exclusivo, pelo Valor Local, o delegado sindical do Sindicato Independente dos Médicos

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(SIM), refere que a preocupação não está relacionado com a perda

do emprego, mas “com a qualidade dos serviços prestados”, por-

Médico constata que o hospital está perto de chegar ao milhão de utentes

que todos os clínicos garantem o seu posto de trabalho mesmo se o hospital passar para o estatuto de Entidade Pública Empresarial (EPE). O médico recorda aquilo que aconteceu no Hospital AmadoraSintra, quando deixou de ser privado e voltou à esfera pública, algo bem presente na memória dos médicos, acrescentando que quando aconteceu o fim da Parceria Público Privada (PPP) “aquilo passou a ser um descalabro”. “Os hospitais públicos não respondem minimamente” refere António Godinho que salienta que em ortopedia e obstetrícia “estamos a dar apoio, para além, dos cinco concelhos da área de influência do hospital, a Santarém, Torres Vedras, e Médio Tejo, e

fora o resto”, elucida e acrescenta que no caso de o futuro proporcionar mesmo o fim de linha da PPP, este apoio a unidades de fora da área de influência do hospital, vai acabar. Aliás a procura deste hospital por populações que nada têm a ver com a área de Vila Franca só acontece por via da qualidade dos serviços. Tendo em conta que neste contexto atual, a possibilidade de as pessoas poderem escolher um hospital para serem seguidas, independentemente da sua área de residência faz com que o hospital de Vila Franca de Xira já ultrapasse largamente o atendimento a 150 mil pessoas abrangidas da sua área de influência, tendo recebido, por exemplo, doentes do Algarve e de Vila Real no norte do

país. António Godinho refere mesmo que o número de atendimentos andará próximo do milhão de utentes, o que “complica as coisas” nomeadamente no que toca aos tempos cirúrgicos. António Godinho recorda algumas dificuldades em termos de material que existiram na fase final do antigo Hospital Reynaldo dos Santos, que não chegava para as encomendas. Há, segundo o clínico, uma diferença substancial nos dias de hoje na gestão privada em PPP. Uma dessas diferenças é a requisição de material. “Não tenho esse problema, pois desde que o justifique, tenho o que preciso, seja do mais barato ou do mais caro”, refere o médico ortopedista de Vila Franca de Xira.


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Miguel Duarte, o jovem azambujense que tem apaixonado a opinião pública “Se fosse hoje teria feito tudo outra vez!” stá nas bocas do mundo o jovem azambujense, Miguel Duarte, de 26 anos, que tem apaixonado a opinião pública com a história do seu envolvimento na denominada crise dos refugiados no Mar Mediterrâneo, enfrentando, nesta altura, uma acusação de auxílio à imigração ilegal por parte da justiça italiana. O estudante já mereceu os elogios do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e uma mensagem de cooperação do governo português. A Ordem dos Advogados pede mesmo a exoneração do jovem alegando que mais não fez do que participar no salvamento de milhares de pessoas. Em entrevista ao Valor Local, Miguel Duarte dá conta do turbilhão de emoções que tem vivido nos últimos dias, desde que colocou um vídeo na internet a contar o seu caso, e como tudo começou em 2016, altura em que se juntou a uma organização não-governamental a bordo de uma embarcação de salvamento, o Iuventa. “Fiquei chocado com a história de tantos refugiados que morriam à porta da Europa porque fugiam de cenários de guerra nos seus países. Decidi procurar uma forma também de ajudar integrando um projeto em que pudesse contribuir de alguma forma, como nesta pequena ONG de Berlim que estava no início”, mas que numa semana já tinha resgatado cerca de mil pessoas. Miguel Duarte conta que integrou

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quatro missões ao longo de 2016 e 2017 a bordo do Iuventa, num total de 12 semanas. Foi constituído arguido por suspeita de auxílio à imigração ilegal pelo estado italiano em junho de 2018. Neste momento, o caso encontra-se sob investigação pela Procuradoria de Trapani na Sicília, mas ainda não saiu “uma acusação formal”, pelo que ainda não há uma data para ir a tribunal. É em Itália que tem os seus advogados. Foi lançada uma ação de crowdfunding numa campanha de angariação de fundos que começou a 7 de junho e já tinha recolhido até há poucos dias atrás mais de 30 mil euros que ajudarão Miguel Duarte e outros nove colegas a suportar os custos legais do processo. No mar foram muitos foram os sentimentos que conheceu bem como as histórias dos refugiados, provenientes de países em guerra há muito tempo onde o clima de ódio e de lutas entre fações é constante, nomeadamente, na Somália, Síria, Afeganistão, e Sudão. Miguel Duarte chegou a estar na proa dos botes. Era ele que estabelecia o primeiro contacto, e no fundo o primeiro a esticar a mão para agarrar os migrantes. “As emoções vêm à flor da pele ao vermos o pânico e o desespero estampados na cara das pessoas com medo de morrer ou de ver morrer os seus filhos. Estamos ali a ver o pior que há na condição humana, mas ao mesmo tempo a esperança e a luz de um salva-

Jovem conta com os esforços da diplmacia portuguesa mento quando chegam ao nosso navio”. Numa das ocasiões vinham num barco à deriva 29 crianças, algumas delas bebés de colo, “ e isso é algo de que não se esquece”. “Não escolheram estar ali, e muitas vezes chegámos tarde demais, não as conseguindo salvar”. Foram muitas as pessoas que viu morrerem no mar, que estavam a “centímetros de serem salvas mas que já não foi possível”. Apesar da onda de solidariedade, há quem critique o jovem argumentando que se tivesse optado antes por devolver os refugiados após salvamento, grosso modo, à procedência, não estaria a enfrentar neste momento a acusação em

causa, Miguel Duarte esclarece – “Existe uma Convenção das Nações Unidas, uma Lei do Mar, que estabelece que quando uma embarcação se encontra numa situação de emergência, qualquer navio que esteja na sua vizinhança tem a responsabilidade legal de resgatar as pessoas e as encaminhar para um porto seguro”. A que acresce o facto de “a Líbia (o país mais próximo do local onde ocorreram os resgates) não ser considerado como um país seguro. Por outro lado, Malta tem um regime muito específico por ser uma ilha, e as pessoas acabam por ser encaminhadas para Itália que coordena os resgates marítimos naquela zona do Mediterrâneo”. De

acordo com Miguel Duarte, a Frontex, Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira, que também efetuou missões de resgate, na qual esteve integrada a GNR portuguesa, tem sobretudo “desde 2014 feito um trabalho mais a nível de controle das fronteiras, e menos a nível de um objetivo concreto de resgate de pessoas do mar”. Por isso mesmo “seria necessária uma ação mais abrangente a nível governamental no sentido de se auxiliarem aquelas pessoas”. Atualmente apenas se encontra no mar uma embarcação de uma ONG, e neste ano foram muitos os migrantes que acabaram por não conseguir chegar a bom porto. “O ano de 2019 tem sido o mais mor-

tífero de sempre neste tipo de situações”, refere para enfatizar o papel das ONG. Sobre a onda de solidariedade para com a sua causa, e o apoio do Governo Português, confessa que não estava à espera, “e por isso todos nós que estamos envolvidos neste processo, sentimos uma grande gratidão para com o Estado e os seus representantes, bem como no que respeita à população no geral”. Das pessoas de Azambuja, conta que tem recebido muito apoio e que se encontra muito sensibilizado com tudo. Se antes de se ter aventurado nesta jornada soubesse que podia enfrentar esta acusação, não hesita: “Teria feito tudo igual”!

Monumento alusivo ao centenário da aviação inaugurado em Alverca do Ribatejo Câmara Municipal de Vila Franca de Xira inaugurou no dia 23 de junho o monumento alusivo ao centenário da aviação em Alverca do Ribatejo. A cerimónia que foi marcada pela chuva, visou “homenagear” o que aquela indústria fez e ainda faz por aquela cidade e pelo concelho de Vila Franca de Xira. O monumento composto por uma estrutura metálica que suporta um avião foi colocado na rotunda de acesso á autoestrada do norte, assinala assim o Centenário da presença da Aeronáutica Militar em Alverca, cujas origens remontam ao ano de 1918. Este monumento que começou a ser idealizado pelo antigo presidente da junta de Alverca, Afonso Costa, teve agora o seu términus, significando em termos sociais um período de crescimento muito

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importante não só para a cidade como para todo o concelho. Aliás, a cidade de Alverca, cresceu, não só à volta das indústrias pesadas, mas também á volta da aviação, dado a importância da escola que funcionava ali nas instalações da Força Aérea Portuguesa. Ao longo de vários anos, a atividade aeronáutica e da aviação em Alverca foi parte integrante da história de muitas famílias, sendo um marco muito importante nas diversas gerações até aos dias de hoje, potenciado o futuro a muitos jovens e famílias. Este monumento que fica agora à vista de todos, só foi possível devido a uma concertação de esforços entre a Força Aérea, Brisa, OGMA, Câmara e Junta de Freguesia. Uma concertação que nem sempre foi fácil, segundo

apurou o Valor Local, mas que segundo a autarquia, chegou a bom porto. No local está agora um avião Northrop T38. O avião pela Força Aérea Portuguesa “passa agora a saudar todos os que chegam ou saem de Alverca” segundo o município numa nota de imprensa. O aparelho “estabelece a ligação entre o presente e o passado centenário, evocando Alverca do Ribatejo como cidade transformada por uma visão para a aeronáutica, permitindo-lhe contribuir para a divulgação da Nação portuguesa no mundo” refere a mesma nota. A rotunda onde está hoje o avião, beneficiou de uma requalificação que custou à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, um investimento de cerca de 160 mil euros.

Homenagem da cidade à sua tradição aeronáutica


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Crise diretiva nos Bombeiros de Alverca ão está fácil encontrar uma nova direção para os Bombeiros de Alverca. Os atuais dirigentes já estão no cargo há perto de 20 anos e as sucessivas tentativas de se elegerem novos corpos gerentes não têm corrido da melhor forma. O último ato eleitoral data de 2015, sendo que ficou a maioria dos dirigentes de direções mais antigas até aos dias de hoje, e em maio passado, depois do anúncio do atual presidente da direção de que se iria retirar, houve nova tentativa mas sem sucesso. Domingos Martinho, que há vários anos tem passado pelas coletividades de Alverca, é o rosto de um grupo de sócios preocupados com a atual situação dos bombeiros locais. Em maio, tentou apresentar uma lista, mas por faltarem elementos, não conseguiu concluir a candidatura, tendo- se mantido o atual presidente, Luis Caetano, que já confirmou ao Valor Local que está de saída. Com efeito, e sem listas a escrutínio, cabe à direção ficar interinamente, enquanto aguarda por nova marcação de eleições, no entanto Domingos Martinho refere ao Valor Local que esse prazo pode ser “alargado indefinidamente” e perpetuar a atual direção por muito mais tempo à frente da instituição. Ora, esse é o problema do grupo do qual faz parte, este cidadão, que já exortou publicamente a presidente da Assembleia

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Martinho tentou apresentar uma lista mas sem sucesso

Geral, Raquel Pereira, à marcação de eleições “e até ao momento sem resposta”. Ao Valor Local, Domingos Martinho que passou pela Fundação CEBI e pela Casa de São Pedro de Alverca, considera que esse é o passo mais importante na vida da associação, re-

ferindo que “já é tempo de existir um novo elenco diretivo” com novas ideias para os Bombeiros de Alverca. Contatada via SMS e chamada telefónica, pelo Valor Local, até ao fecho da nossa edição, não recebemos qualquer resposta ao nosso pedido de entrevista

por parte da presidente da Assembleia Geral, que de resto seria uma peça muito importante em toda esta notícia. Já o presidente da direção, Luís Cetano, sublinhou querer sair do lugar que ocupa, manifestando o seu interesse em continuar no lugar até que uma nova dire-

ção tome posse. Aliás o atual dirigente destacou inclusive que, nesta altura, os estatutos da associação permitem que seja marcado o ato eleitoral sem necessidade de uma assembleia geral. Para o presidente “basta aparecer uma lista completa e é aberto um período para que se

apresentem outras listas ao sufrágio”, refere ao nosso jornal. Luís Caetano esclarece, mesmo, que a associação não está a passar por uma crise diretiva que todas as funções estão ocupadas, funcionando sem problemas no seu dia a dia. Por outro lado reafirma que o seu interesse em sair, não se prende pelo cansaço, mas pela necessidade de encontrar novas ideias e pessoas para aquela casa. Domingos Martinho assegura ter uma lista pronta a avançar. O dirigente diz que não ocupará o lugar de presidente da direção, e prefere não revelar para já quem é o escolhido dentro do grupo de trabalho. Martinho esclarece, ainda, ter confiança na atual direção dos bombeiros, mas lamenta o excessivo tempo, que na sua opinião, estes dirigentes levam à frente do corpo de bombeiros, ao mesmo tempo que diz não colocar em causa a idoneidade destas pessoas e a honestidade, já que sabe que as contas da associação são relativamente transparentes. Por agora e sem revelar quem são os elementos que integram a sua lista, Domingos Martinho garante continuar atento e a solicitar a marcação de uma assembleia geral para eleições, até porque salienta que a falta de informação por parte da presidente daquele órgão, está na base de alguma especulação dos últimos dias.

“Poder Local - O Outro Lado da Política” Entrevista a Fábio Morgado, Presidente da Junta de Freguesia de Arruda dos Vinhos Fábio Morgado, de 31 anos, é um dos mais jovens presidentes de junta de freguesia da região. O autarca que venceu a junta de Arruda dos Vinhos em 2017 considera que a democracia no país é um processo “em curso”. À rubrica “Poder Local” Fábio Morgado esclarece que “falta fazer muita coisa”, até porque “as constantes mudanças da nossa sociedade acabam por levar a diferentes respostas que a democracia devia dar às populações”. Para o autarca, os desafios dos tempos modernos são bastante diferentes dos de abril de 1974. Numa altura em que se comemoram 45 anos da “Revolução dos Cravos”. Há, na opinião do presidente da junta de Arruda dos Vinhos, novos caminhos a trilhar. “As redes sociais e tudo o que engloba a tecnologia é um desafio para as juntas, câmaras e até para o próprio governo”, salienta Fábio Morgado. O desafio, segundo o autarca, “é sabermos dar as devidas respostas às pessoas” considerando inclusive que estas novas ferramentas “aproximam o poder local dos cidadãos”. Para o presidente da junta, os dias que correm são pouco apelativos para as pessoas, nomeadamente, no que toca à vida das autarquias, lamentando que “as assembleias de freguesia e as assembleias municipais sejam disso um exemplo” e vinca que a falta de público denota algum “desinteresse por parte da população”, quanto aos assuntos da sua terra. Por tudo isto, Fábio Morgado diz ser necessário “mostrar às pessoas que é necessária a sua participação no processo democrático”. O autarca refere que a opinião da população nos devidos fóruns é fundamental para o direito democrático de participação cívica: “Devem reclamar, sim, mas dar também as suas sugestões e até galvanizar as pessoas que estão à frente destes órgãos do poder local que é o que está mais próximo das pessoas.” Aos 31 anos e nascido após o 25 de abril, Fábio Morgado não considera isso um problema. Conclui, contudo, “que sendo mais novo tenho menos experiência de vida, mas também a capacidade para aceitar e acatar os desafios que se colocam, suplantando essa questão da experiência”. Veja esta entrevista na íntegra em www.valorlocal.pt


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Um pezinho de dança nos Alunos de Apolo em Azambuja Escola de Dança Alunos de Apolo de Azambuja tem sido um local de encontro de gerações, quer nos ensaios, nas saídas e até em alguns campeonatos que decorrem de norte a sul do país e no estrangeiro. Se é verdade que muitas pessoas procuram na reforma fórmulas para passar o tempo de forma descontraída, nos Alunos de Apolo a situação é bem diferente. Que o digam os dois pares que se juntam no salão dos bombeiros de Azambuja várias vezes durante a semana. Paula de 51 anos faz par ocasionalmente com André de 17, este já experiente no mundo das danças de salão. Ao Valor Local falou apaixonadamente do mundo das danças. Refere que foi inscrito pela mãe nos Alunos de Apolo, embora no passado já tenha dançado fora desta escola. André Simões diz que também faz competição e como não tinha par certo, acabou por se juntar e tem sido uma espécie de “par fingido de Paula” mas refere que “funciona muito bem e é para continuar”. Para Paula, o mundo das danças também não é novo. Sempre gostou de dançar e “assim que descobri estas aulas nos Alunos de Apolo em Azambuja vim cá ter com o Miguel Nabeto para ver

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A paixão pela dança é uma característica comum a estes pares como era e fiquei”, diz. “Gostei imenso. Fiquei e já lá vão quatro anos. Aos poucos vamos evoluindo” refere Paula, que salienta ainda que, neste espaço, está em família. No que toca à dança, diz gostar de todos os géneros, mas prefere as clássicas. Susel e Fernando Lopes, de 64 e 66 anos, são também eles a prova de que dançar não tem idade. Casados na vida como na dança,

ACES Estuário do Tejo Unidade de Saúde Pública

Saúde Pública

Susel e Fernando andam nestas andanças e contradanças há cerca de cinco anos. Susel começou no Ateneu Cartaxense com Miguel Nabeto, hoje professor dos Alunos de Apolo, e mudou-se de armas e bagagens para Azambuja. O par não tem dias certos para vir às aulas, refere Susel, mas em média e por semana são cerca de duas a três vezes: “Porque aqui

somos uma família e dançar fazme sentir bem”. Já Fernando Lopes refere ter-se metido na dança “para desanuviar”. Algo que tem vido a resultar pois já integra os Alunos de Apolo sem interrupções há cerca de cinco anos. Mas se na dança é o homem que lidera, lá em casa, refere Susel, a liderança é partilhada. Tal como na vida, este casal partilha do

ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO A gestão da qualidade da água em toda a extensão do sistema de abastecimento, desde os recursos hídricos utilizados até ao ponto de entrega ao consumidor, tem constituído desde há décadas, uma das maiores preocupações das entidades gestoras. De acordo com este princípio, é concebido anualmente um Programa de Monitorização da Qualidade da Água captada, aduzida “em alta” e distribuída aos consumidores. Com base em diversos pressupostos, tais como: cumprimento da legislação, nível de segurança do serviço prestado, dimensão e características do sistema da qualidade média da água captada e produzida, probabilidade da ocorrência de eventuais contaminações, etc. Cabe às entidades de Saúde Pública, nomeadamente aos Técnicos de Saúde Ambiental, em conjunto com as Autoridades de Saúde e Serviços de Engenharia Sanitária, o papel importante de criar e manter programas de vigilância de qualidade da água, tendo em conta os preceitos descritos no D.L. nº. 306/07, de 27 de Agosto. “Pequenos gestos que podem fazer a diferença”

Ana Paula Rego Técnica de Saúde Ambiental Especialista 1ªClasse

mesmo gosto por esta arte, embora Susel prefira as clássicas e Fernando não tenha preferências específicas. A mesma opinião tem o casal Carlos Alberto, de 68; e Hermínia Pereira, de 72 anos. Casados também, Carlos Alberto diz não concordar com o facto de ser o homem a mandar na dança. “Isso tem de evoluir. Tem de ser partilhado” refere ao nosso jornal en-

quanto vinca o trabalho levado a cabo por Miguel Nabeto e Cláudia Jesus nos Alunos de Apolo. Enquanto Carlos Alberto elege o Chá-Chá-Chá, Hermínia Pereira diz preferir dançar todos os géneros, embora venha do ballet, algo que fez no passado. Carlos Alberto explica, por seu lado, que o que o fascina nas danças de salão é o glamour associado, e que em especial lhe lembra os seus tempos de juventude. O casal está junto desde sempre e ambos partilham o gosto pela dança, agora mais presente tendo em conta o tempo livre, salientando o trabalho desenvolvido nos Alunos de Apolo. Para os professores e mentores dos Alunos de Apolo de Azambuja as palavras de elogio dos alunos “são um orgulho”. “Para mim é um gosto enorme dar aulas a estes jovens” e salienta que “é muito importante cativar os mais velhos para este meio” salienta Miguel Nabeto que destaca a necessidade de possibilitar que as pessoas mais idosas possam ter este tipo de atividades. No mesmo sentido, refere Cláudia Jesus, que aponta a classe social, ou seja grupos extra competição, como uma mais-valia para a escola. Veja esta reportagem na íntegra em vídeo no site www.valorlocal.pt

DICAS PARA POUPAR A ÁGUA: A) Lavagem da loiça Antes de lavar, remova a maioria dos resíduos para o caixote; Encha o lava-loiças com água e detergente para lavar toda

a loiça; Volte a abrir a torneira só para enxaguar a loiça e seja rápido a fazê-lo; Utilize a máquina de lavar roupa e loiça com a carga completa, evitando mais lavagens frequentes. B) Tomar Banho Prefira o duche ao banho de imersão. Seja rápido com a torneira aberta; Enquanto a água do duche aquece, aproveite para encher um balde que poderá utilizar mais tarde; Feche a torneira enquanto se ensaboa no banho. C) Torneiras e autoclismos Encha metade do lavatório com água e feche a torneira enquanto se lava; Prefira autoclismos com duplo depósito, em que pode selecionar descargas maiores ou mais pequenas. D) Jardim Regue o jardim ao amanhecer ou ao final do dia para evitar a maior evaporação de água; Demore o menor tempo possível a regar o jardim, já que é uma das utilizações que mais água gasta. POUPAR ÁGUA É PENSAR NO FUTURO DO PLANETA A Unidade de Saúde Pública do ACES Estuário do Tejo, está disponível para qualquer esclarecimento / dúvida que surja relativamente a esta temática.


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Viagem aos espólios do Museu do Neo-Realismo uma viagem aos tesouros do Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, que desde a sua abertura em 2007 tem acumulado espólios de autores portugueses doados pelas famílias, aquela que fazemos. É destas catacumbas da cultura que têm saído muitas ideias para exposições. Há documentos que aspiram pela transferência para os pisos superiores para ganharem um lugar de destaque na ilustração ao público como fragmentos vivos daquele movimento cultural surgido nos anos 30 em Portugal, tendo chegado aos anos 50, mas ainda com muitos exemplos até ao 25 de abril. Uma das vertentes ainda pouco exploradas refere-se à troca de obras entre autores daquela corrente, que permutavam com frequência livros, quadros, desenhos. Na nossa reportagem foram-nos mostradas algumas dedicatórias em livros de escritores para outros escritores, pela bibliotecária documentalista do museu, Odete Belo, como uma antologia da Seara Nova de Mário Sottomayor Cardia para Carlos Oliveira, ou ainda a obra “Fanga” numa dedicatória de Alves Redol também para o autor de “Uma Abelha na Chuva”. Na secção de espólios, podemos con-

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templar bibliotecas inteiras dos autores que foram doadas pelas famílias, onde pelos títulos conseguimos observar as influências dos diferentes nomes do neo-realismo português, como Alves Redol ou Mário Sacramento. Só de Carlos Oliveira, o museu conta com 1700 livros da sua biblioteca, mais 1200 da de Armindo Rodrigues, e, grosso modo, outros 1200 de Alexandre Cabral, só a título de exemplo. Depois são muitas e muitas caixas, cada uma delas contendo cerca de 60 documentos de todo um sem número de papéis e objetos destes autores. A família de um dos autores até juntou ao espólio o seu cinzeiro. O espólio de Alexandre Cabral conta, por exemplo, com um diploma do liceu. Muitas medalhas foram também sendo oferecidas a estes autores que agora fazem parte dos espólios, mas também zincogravuras das suas obras. Um dos espólios que chegou e ainda não foi tratado é o de Mário Braga, neo-realista, e editor da revista “Vértice”, onde muitos daqueles autores publicaram. Nos seus objetos pessoais, estão, imagine-se, ações. Garcez da Silva, um autor cuja obra pictórica ficou mais conhecida, após a receção dos espólios foi outra das descobertas, pois

há sempre pormenores da vida e obra que se ficam a conhecer melhor quando chegam as doações dos herdeiros. Um dos que, confessa, tem estado um pouco parado é o do autor do concelho, Jorge Reis, mas “que vamos abrir em breve, depois de ter estado algum tempo em quarentena”. A documentalista do museu refere que o espólio de revistas e de jornais onde os neo-realistas começaram, muitos deles, a escrever, porque não conseguiram logo editar livros o que pressupunha um certo arcaboiço financeiro para pagar a impressão, é riquíssimo, com muito material por desvendar e mostrar. “Temos uma coleção como há poucas”. Mais do que na biblioteca nacional que chegam através dos espólios ao museu de Vila Franca. São cerca de 700 títulos de periódicos da época. Com tudo isto consegue-se um retrato social de décadas portuguesas em modo concentrado nestes arquivos, onde raramente as portas são abertas ao público, salvo exceções para alguns trabalhos académicos. Há cartazes que um dia mais tarde vão seguir para exposição. No espólio está um destes exemplos: “A Ditadura”, que foi doado por um herdeiro do lutador antifascista e

Escritora de Alenquer lança “Filósofos de Palmo e Meio” escritora Eugénia Ponte prepara-se para lançar, no dia 29 de junho, na Biblioteca Municipal de Alenquer a sua mais recente obra literária. Trata-se de “Filósofos de Palmo e Meio” em que ao longo de vários meses foi registando pequenas conversas dos seus netos sobre os mais diversos temas. A natural curiosidade e despertar para o mundo dos mais pequenos deu a ideia à escritora que

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vive no concelho de Alenquer. Essas conversas são depois complementadas pelo olhar clínico de uma psicóloga que analisa os temas e tenta elucidar o leitor para os casos apresentados. “O meu editor achou muita graça àquelas conversas, que inicialmente publiquei no facebook, e fez-me o convite”, lembra a autora. Quanto às conversas com os netos, por vezes “são assuntos que

Obra resulta de conversas com os seus netos à luz da psicologia

nos deixam a pensar e sem saber muito bem como responder”, revela a sua perplexidade. Este livro não pretende ser, na sua opinião, “um manual de sobrevivência” para os pais “mas uma ferramenta para compreendermos melhor as crianças”. “No fundo tenta tornar a psicologia mais acessível”. Há conversas cómicas neste livro como aquela em que um dos netos de muito tenra idade diz que “os oceanos são água, e quem criou a água foram os canos”. Neste ponto, a psicóloga Raquel Azevedo Freitas explica como é importante “dedicarmos algum tempo a explicarmos aos mais pequenos este tipo de questões de modo a elucidá-los”, refere a escritora. Eugénia Ponte constata que a psicóloga não desvirtuou o lado divertido das histórias contadas por si, “nem teceu considerações demasiado técnicas”, apenas “foi contextualizando e ensinando algumas noções”. Noutra conversa, a escritora conta que ficou a saber pelo neto que o boi tem três corações – “Veja lá as coisas que nós descobrimos com eles”. A obra, da editora Lugar da Palavra já está disponível para compra online, seguindo depois o circuito normal das livrarias.

Doação dos herdeiros do antigo presidente da Câmara de Loures que conviveu com autores do neo-realismo antigo presidente da Câmara de Loures, Severiano Falcão. Não foi um neo-realista “mas interessanos sempre o enquadramento histórico”. Depois dos espólios das famílias dos autores, começam a chegar elementos e objetos, no fundo também espólios, de pessoas relacionadas como foi o caso deste antigo autarca de Loures. Mas também de muitos outros anónimos com relação ou não com os autores, que têm ainda em casa um documento considerado como exemplificativo de uma época, de

um tempo, e de um Portugal da ditadura que o museu vai conseguindo acolher. Um dos espólios aguardados é o do editor Luís Amaro por parte da família, sendo que o mesmo por força do seu trabalho contactou com os autores. Exemplos de cartas trocadas entre escritores são mostrados à nossa reportagem, a dar conta de peripécias relacionadas com a escrita e com os afazeres das suas vidas, onde conseguimos perceber emoções, camaradagem e sentido de humor no contato que aqueles nomes faziam entre eles.

A vereadora da Cultura, na Câmara de Vila Franca de Xira, Manuela Ralha, dá nota do “importante acervo literário mas também em artes plásticas” do museu. O objetivo passa também por dar a conhecer outras vertentes da corrente estética para além da literatura como é exemplo a fotografia, de que Alves Redol foi também um embaixador ainda que menos conhecido neste campo. No futuro, está prevista uma exposição sobre Alves Redol recebida por António Mota Redol, o seu filho, e outra de Maria Lamas.


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elo terceiro ano, o Valor Local voltou a atribuir os diplomas às escolas da nossa região que participaram no concurso que, habitualmente, levamos a cabo no âmbito do Dia Mundial da Água – “Como posso poupar água e proteger o ambiente, Reciclando”. Desta feita, a nossa cerimónia decorreu no passado dia 13 de junho, no futuro parque biológico de Azambuja, na freguesia de Aveiras de Baixo. Mais de 150 crianças das escolas participantes foram receber o merecido diploma a que se juntaram ofertas dos patrocinadores do evento: Aquapor e Valorsul. Meninos e meninas dos 4ºs anos das escolas receberam os seus presentes: Inocêncio Carrilho Lopes, Azambuja; Dr José Thomaz Sousa Martins, Alhandra-Vila Franca de Xira; Básica de Vale da Pinta-Cartaxo; Centro Escolar de Marinhais-Salvaterra de Magos; e Centro Escolar de Arruda dos Vinhos. Tal como em 2018, o cantor e autor Hugo Sampaio brindou-nos com temas infantis de temática ambiental, desta vez rodeado pelas mascotes do concelho, divertindo miúdos e graúdos. Contámos nesta cerimónia com a presença do senhor secretário de Estado do Ambiente, João Ataíde que de forma descontraída passou uma importante mensagem ambiental junto das crianças quanto a poupar água e reciclar. Nesta cerimónia marcaram ainda presença autarcas do concelho de Azambuja e demais concelhos da nossa área de influência. O agradecimento do nosso jornal aos professores e diretores de agrupamentos que mais uma vez acolheram o nosso desafio.

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A Guerra do Glifosato

uma das questões na ordem do dia, o abandono ou não da utilização do glifosato no controle das ervas daninhas. A União Europeia decidiu, este ano, prolongar a autorização do herbicida até 2022. Os estudos quanto ao facto de ser cancerígeno continuam a ser para todos os gostos. A polémica estalou quando os estudos utilizados pela União Europeia tiveram como base os da Monsanto, um dos gigantes do setor dos pesticidas. Na região ouvimos autarcas que apesar da consciência ambiental pesam prós e contras no caso de um abandono destes químicos. Na agricultura, a luta química ainda tem um longo caminho a percorrer na opinião dos especialistas. Para a ambientalista da Quercus, Alexandra Azevedo, a diretiva da União Europeia vem deitar por terra uma série de esforços no sentido da erradicação deste herbicida, como o que foi conseguido em 2017 com a proibição da aplicação deste fitofarmacêutico em áreas urbanas no nosso país. Mas salienta que se pode ir ainda mais longe, como na agricultura, dado que a lei 26 de 2013 é clara: “A aplicação destes produtos só pode

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ser feita em último caso, e não é isso que acontece”. A ambientalista salienta o uso abusivo de fitofarmacêuticos em bermas e taludes ao longo do ano, uma posição que esbarra com a de alguns autarcas ouvidos nesta reportagem sempre que a questão é a segurança rodoviária dos automobilistas, e onde o corte de vegetação mecânico não consegue ter resultados suficientemente duradouros ao contrário do que acontece com os herbicidas. A lei prevê a proibição da aplicação de produtos fitofarmacêuticos desde 2017 junto a escolas, hospitais, parques urbanos, e jardins, o que no seu entender “já foi um bom avanço”. Contudo ainda se permite a sua aplicação a nível de “alguns espaços sem os mínimos cuidados, com as pessoas a circularem nas imediações, por vezes com carrinhos de bebés, e sem fatos de proteção individual por parte de quem está a manipular esses produtos”. Esta realidade aconteceu até há pouco tempo em Arruda dos Vinhos, e incendiou as redes sociais, quando uma empresa contratada pelo município recorreu a doses desproporcionadas de gli-

fosato sem ter em atenção as boas práticas. “Mas este não é caso único, acontece um pouco por toda a parte”. “Vamos ter de fazer algo porque as notícias a alertar para a consciencialização ambiental estão por toda a parte. É curioso que quando se abandonam os herbicidas, o solo consegue logo fixar carbono e isso é urgentíssimo perante a demanda climática que estamos a viver”. Coopquer dá benefício da dúvida à União Europeia e evidencia que agricultura sem herbicidas não dá para alimentar a população mundial João Carreira, engenheiro da Cooperativa Agrícola de Alenquer – Coopquer, uma das entidades da região certificada para dar formação na área dos produtos fitofarmacêuticos, dá o benefício da dúvida ao glifosato, tendo em conta que “é aprovado pela União Europeia como seguro” para os diferentes usos no domínio agrícola e controle das daninhas. “Até provas em contrário os agricultores devem utilizar, embora tenha havido uma grande polémica em que se dizia

que os estudos tinham sido comprados”. Por outro lado, “temos de ter presente que a zona da União Europeia é a mais segura mundialmente”. Quando o que está em causa é a alimentação da população mundial, que não para de crescer, e sempre que se fala em agricultura biológica, o engenheiro João Carreira refere que se a opção for esta, “então para se produzir a mesma quantidade de alimentos vamos ter de usar uma quantidade de área de terreno muito maior”, ou seja a lógica vai no sentido de se aumentar a pega-

da humana. É desajustado na opinião deste técnico a possibilidade de se enveredar por uma agricultura sem químicos – “Muitas vezes não se tem noção, mas 40 por cento das culturas a nível mundial são estragadas devido a pragas e doenças. Sem tratamentos então iríamos para valores ainda maiores”. “Não é possível vivermos apenas do que é biológico com a população mundial a aumentar porque isto não estica!”. A ambientalista da Quercus não vê a questão desta forma – “O passivo ambiental e químico que essa agricul-

tura tem produzido nas últimas décadas é cada vez mais revelador. O Instituto Francês de Investigação Agrária considerou que os prejuízos dos herbicidas são superiores aos benefícios na agricultura em 30 por cento”. Para o engenheiro da Coopquer, quando os herbicidas são usados de forma estratégica podem-se obter bons resultados, e salienta que a tecnologia já consegue produzir produtos que se destinam apenas a combater determinados tipos de praga sem afetar a biodiversidade existente, atendendo, assim, aos denominados auxiliares como os “insetos úteis” que ajudam a controlar as próprias pragas, quando antes “eram aplicados pesticidas que matavam tudo à volta”. É este o conceito de proteção integrada, em que os produtos também são aplicados em momentos-chave do aparecimento das pragas e não por antecipação. Por outro lado, não serão de escamotear os custos da agricultura biológica em que para se controlar a praga do bichado “colocam-se redes a toda à volta e isso tem um custo por hectare brutal”. “Para se fazer agricultura biológica tem de se gastar muito mais dinheiro!”, confessa João Carreira. Telma Camilo, engenheira agrícola, da mesma cooperativa destaca que o glifosato é o herbicida que acaba por ser “uma das poucas alternativas dos agricultores neste domínio do arranque das ervas daninhas pela raiz.” Já Alexandra Azevedo é, naturalmente, uma apoiante desse tipo de barreiras naturais e dá conta de uma das mais recentes inovações

Junta de Arruda lança mão de programa experimental para reduzir glifosato autarquia é uma das que decidiu corresponder ao desafio da Quercus para um conjunto de experiências nos caminhos vicinais com o objetivo de eliminação da aplicação do glifosato. Fábio Morgado, presidente da junta, deu-nos a conhecer o que está a ser executado ainda que de forma experimental na “Estrada do Tintin” numa zona limítrofe da vila de Arruda. Foram plantadas numa pequena zona de taludes espécies como o chupa mel, roselhas, e as ditas ervas aromáticas, com o objetivo final de controle do crescimento das infestantes, e não ser necessária a aplicação de produtos fitofarmacêuticos. Algumas espécies deram-se bem outras nem tanto, mas este projeto para já “ainda é um teste” num objetivo que estará muito no seu início. Em zonas estratégicas a autarquia colocará esta espécie de clareiras de espécies para que não haja grandes impedimentos à circulação de veículos naquelas estradas rurais, nomeadamente, em zonas de talude ou onde exista uma taxa muito elevada de crescimento de ervas daninhas. “Temos uma grande campanha de sensibilização pela frente pois não é compatível as pessoas quererem uma espécie de paisagem lunar ao pé de casa, sem ervas e vegetação, mas ao longe quererem ver verde e árvores”. O glifosato e a sua aplicação no concelho merece, neste momento, um arregaçar de mangas, pois há evidência de que particulares têm furos e bicas próprios contaminados. Estranharam quando perceberam que os legumes não cresciam derivado ao facto de a água para rega estar contaminada. A junta ainda usa glifosato, mas terá conseguido, nesta altura, reduzir para metade.

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Num zona de taludes foi implantado este projeto piloto da autarquia com a Quercus


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Junho 2019 da agricultura contra os químicos que consiste nas denominadas bordaduras de flores silvestres, método que permitiu, no caso, a um agricultor holandês “ ganhos com a redução de inseticidas”. “Outros colegas já lhe seguiram os passos, e esse é aliás um método que atrai espécies polinizadoras e auxiliares que retraem outras pragas”. Questionada sobre as reais possibilidades destes métodos para uma agricultura de grandes latifúndios, a ambientalista é da opinião de que facilmente poderão ser estendidas a qualquer tipo de culturas, em conjunto com outros métodos cada vez mais em voga como as sementeiras de prados ou as espécies fixadoras de azoto. O engenheiro agrícola coloca, por outro lado, o acento tónico numa discussão que não se está a fazer nesta altura – “A União Europeia é cada vez mais restritiva nos usos destes herbicidas e pesticidas, mas depois importamos produtos alimentares de outros países fora da Europa onde não há controle da mesma maneira”. João Carreira e Telma Camilo concordam com a Quercus, e sublinham que nos espaços verdes é de incentivar a utilização de outros meios que não os herbicidas, mas a tarefa será maior no que toca ao controle das ervas daninhas e outras pragas em meio agrícola, onde a monda térmica, que consiste no arranque das ervas através da queima pela raiz, não se afigura como um meio ao alcance da bolsa do agricultor

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médio ou pequeno agricultor. “No concelho de Alenquer já existe, com um grau elevado de satisfação, e com menos uso do glifosato, mas os custos da máquina são muito elevados. Trata-se de uma alfaia que custa seis mil euros”. O engenheiro lembra, neste domínio da proibição ou não do uso do glifosato, a erradicação do herbicida gramoxone, em 2011, pela União Europeia, por evidentes prejuízos para a saúde – “Também nessa altura os agricultores tiveram de se adaptar. Se for o caso no glifosato, que assim seja, e que se prove de facto, mas mais uma vez coloco a questão nos produtos importados dos países não europeus”. Formações em produtos fitofarmacêuticos colocam agricultores a debater a problemática dos químicos Aos agricultores, mesmo os que possuem apenas pequenas produções de cariz mais doméstico, é exigida formação em produtos fitofarmacêuticos resultante da lei 26 de 2013 que regulamenta, entre outros aspetos, o acesso à compra dos herbicidas. No final da formação a Direção Geral de Agricultura atribui um cartão que é mostrado pelo agricultor nos estabelecimentos sempre que queira comprar os ditos produtos fitofarmacêuticos. Nestas formações adquirem competências quanto às doses corretas na manipulação dos produtos. Grande parte dos formandos são

Engenheiros defendem a causa da sensibilização ambiental no uso do glifosato junto dos agricultores agricultores ainda no início da sua atividade. Neste curso são dadas ainda noções de proteção integrada, de agricultura biológica, manuseamento dos equipamentos e de material de proteção. Embora seja formadora na área da aplicação dos produtos fitofarmacêuticos, Paula Araújo, engenheira agrónoma e formadora, que no dia da nossa reportagem, na junta de freguesia de Santana da Carnota, Alenquer, dava mais uma aula nesta matéria aos agricultores a frequentar esta formação no âmbito da Coopquer, refere que o caminho terá de ser o da cada vez menor utilização de químicos, e diz mesmo que isso até pode ser pos-

sível “basta haver vontade da indústria”, mas ressalva que não acredita nos extremos- nem na passagem pura e dura para uma agricultura totalmente biológica, nem o seu contrário. Salienta, assim, algumas incompatibilidades – “Faz-se publicidade à ingestão de cada vez mais produtos ditos como saudáveis, como o leite de soja, mas é impossível não se recorrer a produtos fitofarmacêuticos no seu cultivo”. Por outro lado, a “luta química está na ordem do dia”, evidencia no sentido de que neste momento é “complicado” ter o melhor dos dois mundos. Mas este é também um mundo cheio de outras contradições como

“quando vou ao supermercado e compro um produto bio, porque estou a fazer bem ao ambiente, mas depois esse produto vem do outro lado do mundo, com uma pegada ecológica muito maior”. “No fundo o que temos é uma maneira de cada um arranjar o seu conforto, mas sem coerência”, consubstancia. “Seríamos coerentes nesta questão se consumíssemos o mais próximo possível de casa, com aplicação responsável de produtos fitofarmacêuticos, e no fundo isso sim seria mais realista”, salienta para destacar que a agricultura biológica é bastante exigente, e corre a ideia errada de que qualquer um a pode praticar. Quanto a

estas aulas, Tânia Camilo lembra que antes da lei que obriga à frequência desta formação - “conhecia casos de agricultores que mexiam a calda de produto com as mãos”. “Trata-se uma forma de os agricultores também trocarem experiências, falarem uns com os outros e ganharem outra consciência”, acrescenta. Luís Lopes é um dos frequentadores da formação em Santana da Carnota. A sua atividade profissional é outra mas o facto de ter herdado uns olivais do sogro em Tomar, fez com que tivesse de vir conhecer esta realidade dos produtos fitofarmacêuticos. “Neste contexto desta formação tem existido muito debate entre nós agricultores que estão agora a começar e temos consciência desta necessidade de protegermos o ambiente, para que os nossos filhos continuem a disfrutar do planeta como nós até aqui temos feito. Estou de acordo com a senhora engenheira, porque por um lado os fitofarmacêuticos devem ser reduzidos ao essencial, mas não vamos poder acabar de um dia para o outro com eles, por outro, a agricultura biológica não pode entrar de rompante sem que as mentalidades façam esse caminho da mudança.”, refere este agricultor de Sobral de Monte Agraço. Por outro lado, “temos colegas aqui que praticam agricultura biológica e depois são obrigados a vender os produtos embalados em plástico”, aponta a contradição.


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Municípios querem fazer parte da mudança mas salientam custos elevados aplicação de fitofarmacêuticos, recentemente, no concelho de Arruda numa ação considerada como desarticulada e desproporcionada deu o mote para uma necessidade de mudança do estado de coisas, que levou mesmo um grupo de munícipes a uma das últimas reuniões de Câmara para demonstrar o seu desagrado face à pulverização desenfreada que teve lugar em diversos espaços verdes da vila de Arruda por um privado contratado pela Câmara. O grupo exigiu medidas junto do presidente da Câmara, André Rijo, que concordou com o facto de não ter sido observado um conjunto de boas práticas por parte da empresa. Neste momento, a autarquia tem estado a articular com a Quercus o futuro em termos ambientais na redução da aplicação de químicos e vai adquirir uma máquina de monda térmica cujo valor ronda os 20 mil euros. Mário Carvalho, vereador com o pelouro do Ambiente, dá conta da necessidade de uma mudança de paradigma neste município que não será fácil, e que passará pela

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não aplicação de glifosatos no futuro. O equipamento de monda térmica vai estar destinado aos espaços verdes, passeios, e zona mais antiga da vila. Atualmente, a Câmara usa meios mecânicos na limpeza de caminhos e no meio urbano contudo são insuficientes, tendo que optar por vezes pelo recurso a glifosato, que espera não ser necessário no futuro tendo em conta a nova máquina em causa. A nível ambiental a autarquia está também a ponderar ações de sensibilização junto de agricultores nas diversas freguesias, mas também uma adequação deste género de conteúdos em escolas, e alertar no fundo a população para a causa do ambiente, incentivando-a a manter o espaço público limpo. “Temos tido a preocupação de nos concentrarmos sobretudo na monda mecânica nos últimos anos, mas não se mostrando suficiente, fazemos então a aplicação do herbicida uma vez por ano em zonas de maior crescimento”. O vereador não esconde que não será fácil articular a questão no fu-

turo porque também está em causa “ a segurança rodoviária”, com “caminhos rurais, estreitos e a necessidade das bermas limpas”. Num inquérito junto dos municípios em 2016 feito pelo Bloco de Esquerda acerca do consumo de glifosatos, Arruda dos Vinhos apresentava 600 litros para o ano anterior de 2015. Um consumo idêntico ao do município de Alenquer mas com uma área consideravelmente menor. Este ano, foram adquiridos 200 litros e consumidos 100 até à data. Já o município de Azambuja indica que o glifosato é adquirido na sua componente de sal de isopropilamónio, de que é exemplo o famoso Rondup, o mais vendido em todo o mundo, que revolucionou a agricultura há décadas na eliminação das daninhas. Em 2017 foram utilizados 15 litros na área dos cemitérios. Em 2018 foram utilizados 50 litros (25 nos cemitérios e 25 em passeios de jardins). A aplicação é feita por funcionários da Câmara que possuem formação adequada para aplicar fitofármacos. A autarquia refere que tenta recorrer

o menos possível aos herbicidas dando preferência ao corte mecânico das infestantes, “mas nem sempre é possível dada a sua resistência, o que leva a ter de recorrer ao uso de herbicidas”. O vereador com o pelouro do ambiente, Silvino Lúcio, ilustra que as atuais condições meteorológicas que Portugal está a atravessar com chuva e humidade em plena época estival estão a levar, por exemplo, “a um crescimento explosivo da vegetação nesta altura do ano”, como no parque ambiental em Aveiras de Baixo, e onde houve corte mecânico recente-

mente. O município adquire um dos produtos de nova geração no que respeita ao glifosato, mas de menor concentração, a denominada marca “Píton Verde”. Será aplicado este produto na zona das canas no parque ambiental, em duas aplicações, com o objetivo da sua erradicação. Quanto à monda térmica ou mecânica, a Câmara também teria de investir em recursos humanos. “Atualmente só temos três senhoras na higiene e limpeza da Câmara e estamos a abrir concurso para mais oito”, ilustra para demonstrar as ineficiências deste setor na autarquia. “Por um

lado temos cada vez mais dificuldade nesta guerra contra os infestantes como as silvas, as daninhas, as canas, por outro o que existe são meios mecânicos nem sempre totalmente eficazes, ou meios químicos que alegam não fazer mal ao ambiente, mas para isso tudo é precisa uma carteira bem recheada que não há”. Na área das juntas de freguesia, a aplicação é executada por aquelas autarquias. A título de exemplo e na União de Freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro, uma das que possui maior área na região,

Câmara de Alenquer reduz consumos, mas alerta que mudança de paradigma será lenta concelho de Alenquer, um dos que apresenta maior área na região, e que em 2015 fez uso de 600 litros de glifosato, refere que passados, quatro anos, conseguiu diminuir os seus usos (ver quadro). Contudo, o município refere que a luta pelo abandono dos herbicidas tem diversas vicissitudes, até tendo em conta o aparecimento de infestantes cada vez mais resistentes como a Avoadinha (Conyza sp.), oriunda da América do Sul e que atualmente “prolifera nas nossas ruas e campos agrícolas”. “Existem ainda situações, onde a dose aplicada é insuficiente e a planta consegue recuperar, como sucede em espécies arbustivas e árvores”, diz o município garantindo que tem promovido sessões informativas com representantes de juntas de freguesia, onde a aplicação de produtos fitofarmacêuticos depende apenas da gestão daquelas autarquias, Alexandra Azevedo da Quercus confirma que “o caso do concelho de Alenquer é sobretudo gritante a nível das juntas onde ainda está tudo por fazer”, embora reconheça que no caso da Câmara e no meio urbano “tenham sido diminuídos os usos do glifosato”. A autarquia esclarece que outras soluções mais amigas do ambiente também implicarão mais custos do ponto de vista dos recursos humanos para aquela tarefa, o que de resto também foi sublinhado pela Câmara de Azambuja, ver acima. Quanto à monda térmica, esta também não é vista como uma solução totalmente eficaz. No inverno e primavera, tem resultados positivos, dado que as plantas “apresentam baixa lenhificação e elevado teor em água”. No verão, surgem espécies diferentes, nomeadamente a ‘avoadinha’, que “nasce logo muito dura, logo o processo é pouco eficiente”. Por outro lado, este recurso e tendo em conta as condições do concelho, implicaria “o trabalho diário de uma equipa de vários homens”, o que não se afigura como possível no entender deste município. Contudo, a Câmara explicita que em zonas de grande concentração de pessoas como a urbanização da Barrada e na vila do Carregado, não foi aplicado em 2019, qualquer herbicida na sua globalidade, “o que nos obrigou a efetuar vários cortes até agora e provavelmente obrigar-nos-á a termos de efetuar novo corte durante o verão.” Em conclusão, refere a autarquia que “atendendo ao tamanho atual da área sob nossa responsabilidade, é neste momento impossível mudar o paradigma do controlo sem recorrer a herbicidas, nomeadamente aqueles que têm efeito residual.” “Se decidirmos abolir a aplicação de herbicidas em meio urbano temos também de aprender a conviver e a ser mais tolerantes com as ervas que vão sempre germinar e crescer nas nossas ruas, especialmente tendo em conta o que vem acontecendo com as alterações climáticas que vimos sentido, e que alternam de forma frequente períodos de muito calor com períodos de muita chuva”, destaca a autarquia.

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Em Azambuja, no parque biológico a vegetação tem crescido descontroladamente e a Câmara prepara-se para novo ângulo de ataque com o Píton Verde

e a maior do concelho, o presidente daquela autarquia predominantemente rural não esconde que por ano deverá utilizar 200 litros de glifosato também da marca “Píton Verde”, tendo em conta que “apresenta uma fórmula mais diluída”, acredita. O autarca refere que em determinados locais “não se consegue travar a luta das canas e das ervas só com recurso aos meios mecânicos”, prova disso “é que até 31 de maio havia aquela obrigação de se fazer a limpeza dos terrenos, mas neste momento e com este estado do

tempo voltou tudo à estaca zero”. Para combater as ervas infestantes, o município do Cartaxo recorreu, nos últimos dois anos, à aplicação de 37 litros de um produto fitofarmacêutico cuja composição apresenta cerca de 250g/litro de glifosato (sal de isopropilamónio) e 40g/litro de diflufenicão. Assim, a quantidade de glifosato utilizado, nos dois anos, foi de cerca de nove litros. É desta forma que a autarquia apresenta as suas contas para os usos do glifosato. (Em 2016 o Cartaxo dava conta do consumo de 20 litros em 2015).

No caso deste município, é contratada uma empresa externa certificada para proceder às aplicações. De acordo com a autarquia, “continua a ser intenção do município eliminar a utilização destes produtos”, e para isso refere que no ano de 2018 e no corrente ano, foram efetuadas roças mecânicas e arranques manuais numa área de 90 mil m2, superior em cerca de 40 mil m2 do que a tratada com produtos fitofarmacêuticos. O município garante ainda que utiliza herbicidas sistémicos e residuais, que permitem reduzir “o número

de aplicações, com os resultantes benefícios em termos económicos, ambientais e de prevenção de incêndios.” No concelho de Salvaterra de Magos, é dito pelo município que nos últimos anos têm sido aplicados herbicidas como o sheik e o dessicash, sem glifosato. Contudo não nos é referido da sua efetividade em comparação com o glifosato. As aplicações são, em regra, realizadas pelos funcionários da Câmara Municipal, que estão certificados e com formação de aplicadores. Quanto a alternativas

Destaque 15 aos herbicidas, o município, às nossas questões, diz que é preciso permitir que “o conhecimento técnico-científico evolua e disponibilize no mercado, a preços adequados e com eficácia comprovada, soluções que possam garantir a substituição daqueles”. Em 2015, aquele município aplicava 440 litros de glifosato, mas a Câmara assegura que abandonou o seu uso. Em Vila Franca de Xira, é confirmado por Alberto Mesquita, presidente da Câmara, que nos últimos anos, se abandonou o uso do glifosato em espaços públicos. No levantamento de 2015, este concelho apresentava um consumo de 30 litros do produto em causa. Nesta altura, o município privilegia o recurso à monda mecânica, sendo que não vê na monda térmica uma solução pois “já se provou que não tem resultados efetivos no combate às infestantes”. Está em análise, por parte do município, o recurso a outros fitofármacos à base de ácido pelargónico, uma substância que se encontra validada pela Direção Geral de Agricultura e Veterinária. No município de Benavente, a Câmara foi fortemente criticada por ter recorrido a aplicação de produtos fitofarmacêuticos em espaço público de uma forma bastante proeminente, com o caso a ter grande amplitude nas redes sociais. Desde essa altura que o município, debaixo de fogo, tem procurado outros “meios alternativos”,

refere à nossa reportagem, Carlos Coutinho, presidente da autarquia. Sendo assim, o município começou a utilizar os meios mecânicos, mas como não há bela sem senão, e face às condições climatéricas mais recentes – chuva aliada às temperaturas da época – temse proporcionado uma propagação da vegetação nos meios urbanos. A contas com a opinião pública que criticou o que foi levado a cabo no passado recente, a autarquia refere que, nesta altura, e usando apenas os meios mecânicos não se consegue ter o mesmo nível de sucesso – “É que passado algum tempo, não mais de duas ou três semanas, dá-se o regresso em força da vegetação”. Carlos Coutinho desabafa – “Se por um lado não aplicamos os herbicidas como acontecia em anos anteriores e era assim que controlávamos a vegetação, nomeadamente, nos passeios e noutras zonas, e essa ação prolongava-se no tempo, sendo suficiente para cinco a seis meses, conseguindo controlar as infestantes, neste momento não estamos a conseguir essa resposta, nem mesmo as empresas têm meios suficientes para esse trabalho. Naturalmente a Câmara Municipal está a procurar encontrar as soluções, que não são fáceis.” Por tudo isto, e em face deste debate: “É algo que tem que estar na reflexão para o futuro próximo.” Em 2015, o município dava conta do consumo de 400 litros.


16 Opinião

Valor Local

Glifosatos e companhia uma guerra antiga, esta do combate às pragas na agricultura e nas florestas. É antigo este combate, como o é também o dos apologistas da guerra através de meios químicos contra os que defendem meios biológicos, e viceversa. Lembro-me de ter assistido, há anos, à defesa duma tese de doutoramento no Instituto Superior de Agronomia, cujo tema era precisamente as vantagens da luta biológica em relação às armas químicas, onde se incluem os glifosatos. A defensora da tese defendia com unhas e dentes as vantagens para o meio ambiente de se travar os males que atacavam o sobreiro através de agentes biológicos, isto é, de desenvolver plantas que fossem, elas próprias, atacar os fungos e outras maleitas que atacam as árvores da cortiça. Esteve para aí meia hora a divagar sobre o assunto, tentando explicar a série de procedimentos e reações que a introdução duma espécie de bactéria benigna junto das raízes do sobreiro provocava, por forma a que o montado ficasse livre do mal que o atacava. O professor arguente ouvia com toda a atenção e paciência a explicação da doutoranda e quando ela acabou, respondeu-lhe: “Muito bem, minha senhora, foi muito lógica e convincente a sua explicação. Mas eu, se quisesse salvar o montado, agarrava nas suas bactérias de luta biológica e deitavaas para o lixo, e aplicava uma solução química de calda bordalesa

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Junho 2019 Joaquim António Ramos

no tronco!”. É antiga e encarniçada esta disputa entre os defensores de uma e doutra mezinha. Mas, na verdade, temos assistido ao longo dos tempos a uma evolução desta batalha que se traduz no desenvolvimento cada vez maior de agentes biológicos de desinfestação em detrimento dos agentes químicos e, mesmo quando é imperiosa a utilização destes últimos, o desenvolvimento de métodos e produtos cada vez menos agressivos para o ser humano e para o ambiente em geral. Desde tempos imemoriais que a

rais e a harmonia ecológica. Por volta do ano de 1800 a população mundial atingia mil milhões de habitantes. No ano 2000 éramos 6 mil milhões, isto é, a gente que cohabita na Terra sextuplicou em 200 anos, numa taxa de crescimento que nunca antes se tinha verificado. Estima-se que em 2020 estejamos a bater os 8 mil milhões. Naturalmente que os governos e as organizações internacionais têm que dar resposta à crescente procura de alimentos que esta explosão demográfica impõe. O recurso à sobreexploração das capacidades naturais da Terra

as implicações que de tal uso decorrem. Felizmente, do meu ponto de vista, a investigação sobre estas matérias e as crescentes preocupações com o ambiente tem conduzido a práticas agrícolas mais consentâneas com a sustentabilidade dos ecossistemas. Um bom indicador dessa minimização, que se tem perseguido, dos efeitos colaterais de práticas agrícolas agressivas é bem patente no caso das cegonhas, em Portugal. Creio que será do tempo de alguns dos leitores a quase extinção das cegonhas na paisagem portuguesa.

vimento de formas de combate às pragas agrícolas menos agressivas e mais dirigidas veio inverter esse processo e hoje em dia as cegonhas, que já encontram alimento, são elas próprias quase uma praga. Naturalmente que se espera que a investigação científica e o interesse da humanidade em geral se sobreponham aos interesses das grandes companhias produtoras de pesticidas e agentes químicos, nos quais se incluem os glifosatos ainda hoje tão utilizados na agricultura, particularmente na exten-

humanidade é posta perante este dilema: por um lado, dispor de alimentos suficientes para uma população cada vez maior e que, nos últimos cem anos, tem crescido duma forma exponencial. Por outro lado, respeitar os ciclos natu-

através duma agricultura e atividades afins mais intensivas e com maior produtividade exige, também, que seja intensificado o combate às pragas agrícolas e que se recorra a operações agrícolas químicas, como a monda, com todas

Esse processo ficou-se a dever ao facto de os pesticidas utilizados provocarem a morte dos principais vetores de alimentação desta espécie: rãs, cobras, ratos e outros pequenos animais que pululam por searas e arrozais. O desenvol-

siva, como se pratica na nossa lezíria. O que se espera de universidades, centros de investigação e organismos públicos é que sejam desenvolvidos processos de luta que demonstrem ser inócuos quer para o ambiente quer para a saú-

O atual modelo de gestão do Hospital de Vila Franca de Xira é a melhor solução para os Vilafranquenses. Hospital de Vila Franca de Xira está localizado na freguesia de Vila Franca de Xira e serve a população da freguesia de Vila Franca de Xira. O modelo de gestão do Hospital de Vila Franca de Xira tem vindo a suscitar controvérsia. De acordo com a minha perspetiva, esta matéria tem vindo a ser discutida de uma forma excessivamente ideológica. Entendo, por isso, que devo pronunciar-me quanto ao modelo de gestão que melhor serve os Hospitais que asseguram a universalidade da Saúde em Portugal A posição que assumo neste artigo é desprovida de qualquer influência ideológica e/ou político-partidária. Assenta, exclusivamente, em pressupostos de natureza académica. Corresponde ao que considero ser a melhor solução para a população de Vila Franca de Xira. Genericamente, a ciência económica tipifica dois tipos de bens e

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serviços: Os bens e serviços públicos; e Os bens e serviços privados. No âmbito da ciência económica, o que distingue os “bens e serviços públicos” dos “bens e serviços privados” é o nível de eficiência alcançado por cada uma das partes gestoras (públicas ou privadas) nos respetivos processos de gestão. De acordo com a ciência económica, os bens e serviços de natureza pública são geridos com maior eficiência pela Administração Pública. Os bens e serviços privados são geridos com mais eficiência pelos setores empresariais privados. Pelas suas características, os serviços prestados pelos hospitais são, de acordo com a ciência económica, serviços de natureza privada, isto é, são serviços geridos com maior eficiência pelos privados. É a pertinência dos processos de gestão, que devem ser necessa-

riamente eficientes, que está em equação. Os recursos à disposição de todos são escassos. Devem, por isso, ser geridos com eficiência. Considerando que os serviços prestados pelos hospitais são altamente especializados, e que têm muita procura, a ciência económica não oferece dúvidas: Os privados gerem com mais eficiência este tipo de serviços. É a oportunidade de gerar lucro que os move. Isto não é necessariamente mau, ao contrário do que muitas vezes se julga. É a “mão invisível” (de Adam Smith), que o atual Presidente da República referiu no seu discurso de tomada de posse, que assume protagonismo. Os Seres Humanos estão “programados” para operar em função da maximização da sua satisfação. Os investidores investem porque procuram o lucro. Para o alcançar, não podem desperdiçar.

Desperdiçar significa ter prejuízo. “Desperdiçar” é sentir a “bastonada” do prejuízo. Esta “bastonada” só é sentida, de facto, por quem perde o que é seu. E por isso, os privados, investindo o que é seu, procuram não desperdiçar; procuram não ter prejuízo. É este mecanismo que permite, à escala global, a gestão eficiente de recursos, que, sendo escassos, devem, necessariamente, ser geridos com eficiência. No entanto, a gestão privada não é isenta de consequências negativas (“externalidades económicas”). Perseguindo o lucro, os investidores procuram, a cada momento, reduzir custos. É aqui que o Estado deve operar. O Estado deve garantir que os privados, nesta busca incessante pelo lucro (e pela diminuição de custos para o efeito), não ultrapassam linhas vermelhas do ponto vista moral e económico. Do ponto de vista moral, é a digni-

de pública. Quer-me parecer que esse será um processo que passa sempre pelo aperfeiçoamento de métodos biológicos em detrimento de processos de manipulação química. Já agora, mudando de assunto e tocando no tema apenas pela rama – teria pano para outra crónica – não é possível dar umas doses de glifosatos a todas as comissões e grupos de desburocratização, simplex, reforma administrativa, modernização e simplificação de métodos e processos que têm sido criados ao longo dos anos? É que basta ir tratar de qualquer coisa num organismo público ou numa empresa de serviço público, estilo EDP, para perceber como se complicaram os processos, como somos emaranhados numa teia de burocracia para tratar dum assunto que é vital para o nosso quotidiano, como a quantidade de papel que somos obrigados a preencher, submeter ou depositar quadriplicou nos últimos vinte anos. Oh senhores que mandam, criem um Complex; como nós reagimos normalmente ao contrário do que se espera, pode ser que as coisas se simplifiquem…

João Santos

dade dos Recursos Humanos do Hospital e a garantia do princípio da universalidade da saúde que devem assumir preponderância. Do ponto de vista económico, se o modelo de gestão privado assentar em “cortes” muito acentuados na despesa, a qualidade dos serviços prestados diminuirá e, por conseguinte, o estado da saúde da população abrangida pelo Hospital também. Verifica-se, então, de forma mais ou menos generalizada, um aumento do número de pessoas com incapacidade para a produtividade. Assim, o Estado deve regular e a fiscalizar a atividade económica privada, sem desvirtuar o que de extraordinariamente positivo para todos tem a gestão privada de bens e serviços: Eficiência. Ao Estado cabe a responsabilidade de “calibrar” os limites a partir dos quais o setor privado não pode operar, sob pena de gerar

mais prejuízo (moral e económico) do que benefício. Portanto, de acordo com a ciência económica, é o modelo de gestão público-privado que melhor se adequa à atividade dos hospitais. O Estado, sendo proprietário do equipamento, assegura a universalidade da saúde. Em simultâneo, e em benefício de todos, o Estado faz uso de modelos de gestão privados, que são altamente eficientes na gestão de recursos. Durante o período de vigência da parceria público-privada, cabe ainda ao Estado garantir a prevenção de externalidades económicas negativas, através de práticas rigorosas de regulação e fiscalização.


Valor Local

Junho 2019

Virar de página

Luís Monteiro Carvalho

poucos meses do final desta legislatura e volvidos cerca de quatro anos de governação à esquerda, é possível afirmar que o Partido Socialista continua a ser um partido forte e dinâmico para construir o futuro, alcançar resultados e para tornar Portugal Melhor. O PS trouxe de novo credibilidade ao País, virando a página da austeridade e cumprindo as promessas feitas, porque palavra dada, é palavra honrada. A estratégia empreendida pelo Governo, liderado por António Costa, permitiu, de forma responsável, dinamizar a economia, fomentar o emprego e consolidar as contas públicas. Os desafios traçados em 2015 foram concretizados, nomeadamente no que diz respeito ao reforço financeiro feito na área da cultura, à reposição dos rendimentos das famílias, ao descongelamento das pensões, ao aumento da justiça fiscal, à gratuitidade dos manuais escolares, à estabilização do sistema financeiro, à criação de emprego, ao descongelamento das carreiras, à reposição das 35 horas de

A

trabalho na função pública, ao reforço do Serviço Nacional de Saúde, à aposta na escola pública, à preocupação e aprofundamento dos direitos fundamentais e da igualdade. A mobilidade conheceu um novo paradigma com o passe navegante municipal ou metropolitano, que por agora se alarga a centenas de municípios do nosso País.

A habitação, parente pobre do Estado Social durante décadas e perante uma profunda revolução dos preços, conhece também novas políticas públicas capazes de desenvolver a função social da habitação e de exercer um novo poder do Estado sobre a sua re-

gulação. Uma última palavra para o ambiente, a causa das causas. Portugal foi o primeiro país a assumir a meta da neutralidade carbónica rumo a um país mais limpo, mais renovável e com crescimento sustentável. Depois de anos de abandono as políticas ambientais voltaram, também nesta legislatura, a constituir-se como sendo uma prioridade. É importante que se continue a honrar, a valorizar e a enaltecer os combates políticos e o caminho que tem vindo a ser percorrido, dando continuidade ao trabalho desenvolvido, sempre com uma atitude responsável, cívica e respeitadora. Em outubro, o Partido Socialista reforçará as condições para que Portugal vença os desafios da próxima década, garantido assim, um futuro melhor para todas e todos os portugueses, que renovarão a sua confiança no PS.

Tauromaquia Azambujense Feira de Maio - Azambuja

António Salema “El Salamanca”

oi no dia 2 de junho, pelas 17 horas, que a praça de toiros de Azambuja recebeu F a já tradicional corrida de toiros integrada na Centenária Feira de maio. Num espectáculo abrilhantado pela banda do Centro Cultural Azambujense e perante toiros da ganadaria Passanha, o grande triunfador da tarde foi o jovem Manuel Oliveira que conquistou o troféu em disputa. Manuel teve uma excelente lide colocando 2 ferros curtos e 6 compridos todos em su sítio. No final teve volta triunfal e quando recebeu o troféu, chamou o seu pai e mestre Manuel Jorge de Oliveira para compartilhar o seu êxito. Também muito bem esteve todo o restante cartel: João Moura, Rui Salvador, Manuel Telles Bastos, Gilberto Filipe e Nelson Limas. Para todos estes êxitos, muito contribuíram os já referidos Passanhas que provaram ali os quão importantes são os toiros para o sucesso de um espectáculo, tendo o seu maioral dado a volta de agradecimento. Os forcados de Azambuja e Cartaxo estiveram bem, mas destacou-se o grupo da Chamusca capitaneado por Pedro Reis que venceu o troféu da melhor pega. Para gáudio do público que enchia a praça de Azambuja no final da lide os toiros eram recolhidos a cavalo o que é sempre do agrado de quem assiste.

Ana Rita por terras de Espanha cavaleira do concelho de Azambuja, mas residente no Cartaxo, continua a sua temporada por terras espaA nholas. A artista vai tendo os seus êxitos cortando rabos e orelhas de exemplares das mais afamadas ganadarias como é o caso do Vitorino Martin. Ana Rita tem tido um mês de junho com muitas corridas, em que destacamos um festival em memória de Angel Peralta que decorreu em Medina de Rioseco no passado dia 21 de Junho. Num cartel que incluía nomes como Fermin Bahorquez, Pablo Hermoso de Mendoza, Andy Cartagena, Leonardo Hernández e Guillermo Hermoso de Mendoza a Portuguesa esteve muito bem, tendo cortado duas orelhas.

Parreirita Cigano epois do êxito obtido no passado primeiro de maio, o cavaleiro do Cartaxo voltou no passado dia 22 de juD nho à praça da sua terra e dizem as críticas que esteve muito bem. Agora vêm contratos para Espanha e outros para Portugal. Vamos ver como corre. Olé Parreirita. Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Propriedade: Metáforas e Parábolas Lda –

Comunicação Social e Publicidade • Gestão da empresa com 100 por cento de capital: Sílvia Alexandra Nunes Agostinho; NIPC 514 207 426 Sede, Redação e Administração: Rua Alexandre Vieira nº 8, 1º andar, 2050-318 Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 2273A • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 2273 A • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 6524 A • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Acácio Vasconcelos, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca” Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: Rui Ramos • comercial@valorlocal.pt Serviços administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt

Opinião 17


18 Educação

Valor Local

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Colégio “Os Cartaxinhos” foi vendido e os pais foram os últimos a saber o fechar de portas para o Colégio “Os Cartaxinhos”, em Casais Novos, (localidade situada entre Alenquer e o Carregado), como instituição de ensino vocacionada para os primeiros graus de ensino. A instituição, conforme o Valor Local, tinha avançado na edição de maio vai mesmo passar para as mãos de uma nova gestão. Trata-se do grupo GPS, através da Escola Profissional do Ribatejo, que se encontra a braços com a justiça num escândalo que abalou o setor do ensino cooperativo e particular em Portugal, devido a acusações de corrupção e peculato envolvendo um total de sete arguidos. A notícia que já andava no ar, há pelo menos dois meses, apanhou de surpresa a generalidade dos encarregados de educação de cerca de 200 crianças que ali frequentam o pré-escolar e o primeiro ciclo do ensino básico. Segundo apurámos junto de uma encarregada de educação que preferiu manter o anonimato, em declarações ao Valor Local, quando se começou a falar da possibilidade, agora, concretizada, “criou-se logo um grande alarme social”, embora a realidade falada nunca tivesse sido assumida pela diretora Cristina Manso Pires, que nos últimos 16 anos tem estado à frente da instituição fundada cinco anos antes pelo empresário da construção civil, Mário Cartaxo. “Aliás chegou mesmo a enviarnos um email a referir que essa possibilidade não passava de uma mentira”, alega a nossa fonte que elucida – “Na verdade e já nessa altura havia um acordo escrito com o grupo GPS”. Segundo a encarregada de educação, “a ponte chegou mesmo a ser feita pelo presidente da Câmara de Alenquer”. Numa das últimas reuniões de Câmara, o vice-presidente da autarquia, Rui Costa, referiuse a essa alusão que começou a circular entre os pais dos alunos

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Instituição passou para as mãos do grupo GPS, protagonista de escândalo que abalou o ensino cooperativo

de “Os Cartaxinhos”, e defendeu que a Câmara “não tomou parte ativa no processo de aquisição das instalações, apenas terá sido consultada há um ano por essa entidade que queria saber da existência de terrenos municipais ou outros para a dita escola”. Foi dito pela autarquia que não dispunha de terrenos, e que outras conversações com o colégio “foram encetadas pelo grupo GPS”, que terá sabido das dificuldades financeiras da escola, e como necessitava de um alvará avançou para o negócio. A encarregada de educação refere que na reunião mantida há dois meses falou-se na possibilidade de o grupo GPS comprar a escola por um milhão de euros, por parte da diretora, mas que o processo não passava de uma mera intenção. “Agora os pais sabem que já havia um acordo escrito”. Os pais preocupados com a situação ainda chegaram a arranjar um investidor estrangeiro, do Dubai, disposto a avançar com o milhão de

euros, e a manter a escola com as atuais valências, dando assim continuidade ao projeto fundado por Mário Cartaxo. “Como nunca pensou que chegássemos a conseguir um investidor, acabou por desperdiçar o negócio, e não deu curso às negociações com esse milionário, que gostou do projeto, e estava disponível para avançar”. Ainda chegou a reunir-se com Cristina Manso Pires mas infrutiferamente como veio a revelar-se. “Ela nunca mais atendeu o telefone”. No dia 13 de junho, “os pais rumaram ao colégio para falar com a diretora, e qual não é o nosso espanto quando nos deparámos com pessoas estranhas na secretaria a mexer nos dados das crianças, já com os novos donos do colégio, que tinham feito a escritura no dia anterior”. “Cristina Manso Pires nunca teve a hombridade de dizer aos pais e aos funcionários que a escola ia fechar para ser cedida a uma outra empresa”. Por parte do grupo GPS, “foi de-

pois enviado um comunicado a referir que devolviam a verba das matrículas”, conta. Os pais vêem-se a braços, nesta altura, com a dificuldade de encontrar vagas para os alunos naquilo que é um problema grave para a maioria das famílias que não tiveram tempo para o fazer antes, tendo em conta “o impasse” criado pela diretora. A Câmara Municipal de Alenquer conseguiu disponibilizar uma escola em Canados para os alunos de “Os Cartaxinhos”, mas segundo apurámos esta é uma solução que não agrada a todos os pais que vivem, na sua maioria no Carregado e em Alenquer. A encarregada de educação desabafa – “Ninguém teria nada a apontar-lhe se ela a tempo e horas tivesse dito que queria mesmo desistir do negócio e passar a outro, mas preferiu não dizer nada, chegando ao ponto de colocar pessoas estranhas (atuais proprietários) sem dizer palavra aos funcionários de que estavam ali os novos donos”. Publicidade ao Colégio em outdoors já com o negócio fechado com o grupo GPS O caso ganha contornos ainda mais estranhos, porquanto, recentemente o Colégio “Os Cartaxinhos” anunciou em outdoors, nomeadamente, junto à entrada norte da vila de Azambuja, a oferta das suas valências, como se a realidade não tivesse sido alterada minimamente. (Num dos grupos de discussão do facebook dedicados aos temas do concelho, este facto da publicitação em outdoors quando tudo já estaria tratado com os novos donos é constatado). Para além de que “há mais de duas semanas, que a Escola

Profissional do Ribatejo lançou flyers a anunciar os cursos profissionais no local em causa”, garante a nossa fonte. Na página da internet da mesma escola também são visíveis as informações a dar conta das ofertas no novo polo de Alenquer. Informação que não passou despercebida aos encarregados de educação que foram ultrapassados pelos acontecimentos face ao silêncio da principal responsável. Certo é que no mesmo hiato temporal, o colégio foi simultaneamente publicitado enquanto instituição de ensino profissional e de ensino básico sem que tenha havido ainda uma explicação por parte de Cristina Manso Pires. O Valor Local contactou a escola mas as chamadas vão para voice mail, a página de facebook do Colégio os Cartaxinhos já não existe, e enviado um email à diretora esta não respondeu. Fundador dos Cartaxinhos lamenta fim do projeto Mário Cartaxo esteve na fundação do colégio. Apesar de ter estado à frente da instituição apenas durante cinco anos, esta é uma das obras de que mais se orgulha. Devido a diferentes vicissitudes vendeu a escola há 16 anos a Cristina Manso Pires, mas ainda recorda que do seu tempo pouco foi mantido, nomeadamente, o serviço de transporte gratuito aos alunos, que deixou de existir. “O colégio começou com 30 crianças, foi ganhando fama, e bom nome, começando a receber cada vez mais alunos, que vinham não só do concelho como de Azambuja, Vila Franca de Xira entre outras localidades vizinhas”, recorda. O empresário do ramo da construção civil lamenta, por isso, ao nos-

so jornal, o fim do colégio e do papel que teve na educação de várias crianças que por ali foram passando. O empresário conta que muitas vezes “foi apoiando o colégio em pequenas obras, sempre que solicitadas, mesmo depois de ter vendido o estabelecimento”. “Como é evidente não fico nada satisfeito por esta obra para as crianças ter acabado, porque faz muita falta ao concelho”. “E agora onde é que os pais vão pôr aquelas crianças já com as inscrições feitas”, interroga-se, lamentando– “Como é que aquela gente se aventura a encerrar um estabelecimento desta envergadura com tantas crianças inscritas, e com responsabilidades? O Ministério Público terá que tomar conta do assunto, porque há meninos que podem perder o ano por não terem colocação. Para onde vão essas crianças cujos pais estavam habituados àquela escola, trabalhando em Lisboa e tendo ali as suas crianças de forma descansada?”. Neste processo de transição da sua gestão para a de Cristina Manso Pires lamenta ainda que não se tenha cuidado do património arquitetónico do estabelecimento na parte exterior onde havia uma zona verde com lagos “que eles deixaram secar”. “Foi tudo programado ao pormenor”. A sua paixão pelo projeto não foi idêntica à dos proprietários que se seguiram – “Não precisavam daquilo para a vida deles, mas para andarem entretidos, nunca tiveram jeito para aquilo”. Recorde-se que o Valor Local já na edição de maio tentou o contacto com Cristina Manso Pires mas infrutiferamente. Voltámos a tentar o contacto mas sem sucesso novamente.


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Estado do Edifício da Escola Secundária de Azambuja preocupa Fernando Negrão presidente do Grupo Parlamentar do PSD na Assembleia da República visitou a Escola Secundária de Azambuja no passado dia 16. O deputado, acompanhado por elementos do PSD local, do Presidente da Câmara (PS) e vereadora da Educação, Sílvia Vítor, esteve presente na escola durante cerca de duas horas, onde quis constatar o estado das instalações. Em declarações exclusivas ao Valor Local, o presidente daquele grupo parlamentar vincou que o edifício da Escola Secundária de

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“que olhe para esta escola de uma vez por todas de outra maneira, porque há esforços que têm limites”. “E este esforço pode estar a chegar ao fim por falta de meios”, conclui. O deputado refere os “inúmeros requerimentos” feitos à tutela, no entanto, “o Ministério não responde ou diz que está tudo resolvido”, lamenta. A escola padece de infiltrações em algumas salas, tem redes elétricas desajustadas às necessidades, e é das poucas que não tem um pavilhão para a prática das aulas de Educação Física, para

reador lembrou que no passado a luta do PSD deu frutos, por exemplo, ao fazer visitas e apelos constantes para que a escola EBI de Manique do Intendente fosse requalificada, algo que aconteceu anos mais tarde. “O PSD volta à mesma bandeira, anos e anos seguidos porque efetivamente o problema aqui não está resolvido”. O vereador diz que está “em causa a segurança dos nossos alunos no início do próximo ano letivo” e destaca o estado das instalações elétricas, a ocorrência de infiltrações e a necessidade de re-

tem beneficiado o município e a sua relação com os organismos tutelados pelo poder central. A Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEST) há muito que se comprometeu com a retirada das placas de amianto mas até à data não tem havido notícias. Para o vereador este tipo de divisão administrativa gera confusão porque “quando cada um olha para a sua centralidade para revindicar seja o que for, todos ficam de costas para Azambuja, porque uns ficaram virados para

muito significativa do orçamento do município. Luís de Sousa presidente da Câmara de Azambuja, diz conhecer as necessidades da escola, mas refere que a autarquia não intervém, pois, aquele estabelecimento de ensino é da responsabilidade do “estado central”. O autarca revela que não aceitará a transferência de competências enquanto toda a situação não estiver clarificada, já que por exemplo obras naquela escola facilmente poderiam ultrapassar os dois milhões de euros, um valor muito significa-

moção das placas de amianto “como situações de emergência”. “É algo que não se compadece com mais jogos do empurra, que é o que se passa aqui!”. Rui Corça destaca a confusão criada com a localização administrativa de Azambuja “pois para umas coisas somos do Alentejo, e noutras somos do Ribatejo, e ainda noutras do distrito de Lisboa”. Sendo que neste caso como noutros, este tipo de arquiteturas não

Évora, outros para Lisboa e outros para Santarém” e assim “esta escola fica esquecida neste panorama”. Por isso reclama que o “Estado tem de fazer a sua parte”, vincando que também é necessário quantificar o valor das obras que a Escola Secundaria de Azambuja necessita, antes de a autarquia poder aceitar a transferência de competências, porque para o vereador, o valor das obras pode indicar uma percentagem

tivo para o orçamento municipal.

Oposição e executivo falaram a uma só voz

Azambuja construído em 1976 precisa de obras urgentes. Fernando Negrão salientou o empenho dos professores e dos alunos, que nos últimos anos “têm feito coisas muito interessantes, designadamente, naquilo que é o parlamento jovem, na Assembleia da República”. “Esta escola mantém-se em pé pela força e pela iniciativa do corpo docente, alunos e funcionários” e exige ao Ministério da Educação

além de ainda conter algumas estruturas em amianto. O presidente do grupo parlamentar do PSD considera que se as condições fossem outras, também os alunos poderiam ter melhores resultados, reforçando que vai continuar a insistir com o ministério de Tiago Brandão Rodrigues. Rui Corça, vereador do PSD na Câmara de Azambuja, lamentou também o estado em que a escola secundária se encontra. O ve-

Escola Secundária vai ganhar um Pavilhão A Escola Secundária de Azambuja já tem mais de 40 anos de existência. O estabelecimento de ensino que começou como provisório em 1976 foi-se perpetuando no tempo até aos dias de hoje. Desde há vários anos, que aquela escola foi ganhando novos espa-

ços e algumas obras, sendo que a construção de um pavilhão para trabalhos oficinais e a reconstrução de um outro edifício que esteve durante anos ao abandono, poderão ter sido as duas últimas intervenções para além das obras de cosmética que tem sofrido. Para os alunos, a construção de um pavilhão para a prática do desporto sempre foi uma prioridade. Contudo e após várias promessas do Governo, nunca aquela escola beneficiou de tal equipamento, levando a que as aulas fossem ministradas no campo com piso similar ao alcatrão e sempre dependendo das condições atmosféricas. Para os professores mais criativos e para os alunos mais empenhados na disciplina de Educação Física, os telheiros, que hoje sabese, construídos com base em amianto, eram muitas vezes a solução, mas o facto de serem contíguos às salas, levou a que muitas aulas, nomeadamente, nos anos 90 tivessem sido mesmo canceladas. Luís de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja, em declarações ao nosso jornal, diz ter uma solução, que não sendo a melhor, é aquela que melhor serve a escola e os seus alunos nos dias de hoje. O autarca revelou ao Valor Local que o novo pavilhão será mesmo uma realidade e será construído a norte da escola, num parque infantil que não é muito utilizado. O novo pavilhão, ainda sem orçamento, nascerá eventualmente com uma entrada já dentro dos “muros” da Secundária, possibilitando que os alunos possam utilizá-lo sem terem de sair da escola. Esta é uma solução que vem colmatar assim uma necessidade de 40 anos. O autarca diz já ter conversado com a diretora do agrupamento, no sentido de encontrar a melhor forma de enquadrar o novo edifício nos terrenos da secundária. Ainda assim, sem se comprometer com prazos, Luís de Sousa garante estar empenhado na resolução desta necessidade urgente.


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Junho 2019

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Abertas Candidaturas no âmbito da Contratação de Recursos Humanos Altamente Qualificados O ALENTEJO 2020 abriu o concurso ALT20-59-2019-24, “Contratação de Recursos Humanos Altamente Qualificados” - Instituições de Interface/ Infraestruturas Tecnológicas; no domínio da Competitividade e Internacionalização. O objetivo temático é a promoção da sustentabilidade e da qualidade do emprego e apoio à mobilidade dos trabalhadores. A Prioridade de Investimento é a adaptação dos trabalhadores, das empresas e dos empresários à mudança.

A Tipologia da operação é o apoio à contratação de doutorados e mestres nas infraestruturas tecnológicas e científicas, desde que exista uma colaboração com empresas. A área geográfica de aplicação é a Região NUTII do Alentejo, nos termos do presente AAC. Os beneficiários são as Instituições de interface/ infraestruturas tecnológicas. A data limite para apresentação de candidaturas é 03-12-2019. Fonte: Alentejo2020

Nova Ferramenta facilita a pesquisa de apoios do Portugal 2020 O renovado Portal Portugal 2020 disponibiliza agora a nova ferramenta Tem uma Ideia? que apresenta resultados indicativos sobre as oportunidades de financiamento no âmbito do Portugal 2020. Para facilitar a pesquisa das atuais oportunidades de financiamento, incluindo as que resultaram da reprogramação, os utilizadores podem agora contar com esta nova ferramenta, uma medida que consta do Simplex+ designada "Fundos para Si". A partir da seleção de um tema de

interesse, da região de investimento e, eventualmente, do fundo a que se pretende aceder, a ferramenta disponibiliza, se for o caso, os avisos de candidatura abertos. O exercício da Reprogramação do Portugal 2020 permitiu otimizar os recursos disponíveis e transferi-los para as áreas prioritárias no desenvolvimento do país: Qualificação e Emprego, Competitividade e Inovação Empresarial e Mobilidade e Coesão. Fonte: AD&C/MC

CE propõe Recomendações para Portugal 2019-2020 A Comissão Europeia (CE) propõe ao Conselho que recomende a Portugal medidas, em 2019 e 2020, para melhorar a qualidade das finanças públicas e atingir o objetivo orçamental de médio prazo em 2020, no que respeita ao funcionamento do mercado de trabalho, ao investimento, à redução das restrições nas profissões regulamentadas e ao aumento da eficácia dos tribunais administrativos e fiscais. A Comissão Europeia recomenda ao Conselho que Portugal tome medidas, em 2019 e 2020, no sentido de: 1. Atingir o objetivo orçamental de médio prazo em 2020, tendo em conta a permissão de desvio associada a ocorrências excecionais que justificam um desvio temporário. Utilizar as receitas extraordinárias para acelerar a redução do rácio da dívida das administrações públicas. Melhorar a qualidade das finanças públicas, dando prioridade às despesas favoráveis ao crescimento e reforçando simultaneamente o controlo geral das despesas, a eficiência em termos de custos e uma orçamentação adequada, com especial incidência na redução duradoura dos pagamentos em atraso nos hospitais. Melhorar a sustentabilidade financeira das empresas públicas, assegurando simultaneamente um controlo mais atempado, transparente e abrangente. 2. Adotar medidas destinadas a reduzir a segmentação do

mercado de trabalho. Melhorar o nível de competências da população, em especial a sua literacia digital, tornando nomeadamente a educação dos adultos mais adequada às necessidades do mercado de trabalho. Aumentar o número de licenciados do ensino superior, em especial no domínio das ciências e das tecnologias da informação. Melhorar a eficácia e a adequação da rede de proteção social. 3. Focalizar a política económica relacionada com o investimento na investigação e inovação, nos transportes ferroviários e infraestruturas portuárias, na transição energética e para uma economia hipocarbónica, e no alargamento das interconexões energéticas, tendo em conta as disparidades regionais. 4. Permitir uma execução mais rápida das garantias associadas a empréstimos não produtivos, aumentando a eficiência dos processos de insolvência e de recuperação. Reduzir a carga administrativa e regulamentar que pesa sobre as empresas, principalmente através da redução dos obstáculos setoriais ao licenciamento. Elaborar um roteiro para reduzir as restrições nas profissões altamente regulamentadas. Aumentar a eficácia dos tribunais administrativos e fiscais, em especial através da redução da duração dos processos. Fonte: Portugal2020


Valor Local

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Eventos 21

Colete Encarnado chega aos 87 anos de existência Miguel A. Rodrigues cidade de Vila Franca de Xira já está engalanada para receber as tradicionais Festas do Colete Encarnado. Tertúlias, casas particulares, ruas, becos, e travessas, vestem-se de vermelho e branco, para dar as boas vindas à festa maior do concelho que este ano volta a apostar na festa brava e nas suas tradições. Ao todo, o Colete Encarnado celebra 87 anos de existência, apresentando-se como uma “montra” do “Puro Ribatejo” às portas de Lisboa e com a tendência para um crescente número de visitantes estrangeiros, como aliás tem acontecido em anos anteriores. Com efeito, Alberto Mesquita, presidente da autarquia, refere mesmo a presença de turistas asiáticos, entre outros, que ano após anos, “teimam” em regressar a Vila Franca de Xira, e cada vez em maior número. Durante cinco dias, a cidade de Vila Franca de Xira recebe milhares de forasteiros que para além de assistirem às largadas de toiros, passam também pelos diversos espetáculos musicais e até pela Corrida de Toiros e pelo festi-

A

val de folclore que anima o jardim da cidade. Os festejos começam quinta-feira, dia quatro de julho, com um jantar de tertúlias. Sexta-feira, dia cinco, a festa segue com a primeira de três largadas de toiros ao fim da tarde. Ainda na sexta, as festas atingem outro ponto alto com a celebração da Missa Rociera, com El Coro de Fuente de Cantos na Igreja Matriz local. Pela cidade e pela noite dentro, a animação marcará presença em vários palcos montados para receber grupos musicais e de dança, como as Sevilhanas do Ateneu Artístico Vilafranquense, que atuarão no mercado municipal. Já no sábado, dia seis, o dia começa com a concentração de campinos e deposição de uma coroa de flores no Monumento ao Campino. O dia prossegue com uma corrida de campinos e concerto da Banda do Ateneu Artístico Vilafranquense. De tarde os festejos recebem outro ponto alto. Trata-se da homenagem ao campino no largo do município e que este ano consagra o campino José Mimoso, seguindose mais uma largada de toiros nas

ruas da cidade. A noite faz-se de fado vadio com os fadistas de Vila Franca de Xira, nas tertúlias e de um modo geral pelas ruas e principais locais da festa. A noite termina com a cidade a oferecer sardinhas aos visitantes e pela madrugada de domingo dentro, decorrem vários bailes pela cidade, bem como a distribuição de caldo verde por volta das três da madrugada. Pelas dez da manhã, tem lugar a última largada de toiros do ano, seguindo-se por volta das seis da tarde, a tradicional corrida de toiros na Praça Palha Blanco. José “Mimoso” – O Pastor de Gado Bravo Foi um campino “sedutor” aquele que brindou os jornalistas, na conferência de imprensa do Colete Encarnado, com uma história de vida onde os obstáculos foram sendo vencidos aos poucos. Aos 76 anos, “Mimoso”, (alcunha que ganhou na infância devido a um cavalo com o mesmo nome), ou José Joaquim fez questão de falar de forma positiva dos dias

mais difíceis da sua vida e daqueles que ainda vêm. Assume-se como um “Pastor de Gado Bravo” e até essa postura nos leva a entender José “Mimoso” como um homem humilde e desprovido de vaidade que até dispensa as invenções da vida moderna. Sem telemóvel, assume-se como um homem feliz. Desligado das tecnologias, que diz não lhe fazerem falta, esboçou sorrisos e lágrimas, sobretudo quando nesta cerimónia conheceu a filha de Joaquim Luís Vicente, o campino que recebe, a título póstumo, o pampilho da festa no sábado dia 6 de julho. Com lágrimas na cara, José “Mimoso” que conheceu bem Joaquim Luís Vicente, e disse compreender os tempos difíceis passados pela filha, já que também ele e a sua família passaram tempos duros no passado. Foi um José “Mimoso” falador e “sedutor” como lhe chamou o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, que desfilou memórias de um passado não tão distante quanto isso, ao recordar episódios da sua vida, uns mais alegres do

Autarquia apresentou as novidades para este ano do certame

Mimoso contou histórias da sua vida de campino que outros, mas é na família, que encontra o seu “porto seguro”, conforme garantiu, sobretudo em alturas em que esteve muitos dias fora, mas que culminaram sempre com o desejado e merecido re-

gresso a casa. Os tempos são outros, mas José “Mimoso” diz que não trocava aquela vida por nada. Assume-se como um homem feliz e com um sorriso nos lábios.

Francisco Palhota

Fundador do Clube Taurino Vilafranquense e antigo bandarilheiro é agora artesão os 72 anos, Francisco Palhota é ainda uma referência do mundo da tauromaquia. O antigo bandarilheiro vilafranquense que esteve na origem da fundação do Clube Taurino, já deixou as praças de toiros mas continua a manter a paixão pela tauromaquia e pela festa brava. Nos dias que correm, dedica-se ao artesanato, a construir peças ligadas à tauromaquia, nomeadamente, troféus que são oferecidos nas corridas de toiros, nas mais prestigiadas praças desde o Campo Pequeno à Praça Palha Blanco. Nascido em Salvaterra de Magos, o artesão prepara para o próximo ano uma exposição dos seus melhores trabalhos, algo que vai acontecer durante o Mês da Enguia, um dos certames mais conhecidos daquele concelho. Em entrevista ao Valor Local, Francisco Palhota, diz que o artesanato começou por brincadeira. O artesão que era serralheiro de profissão, viu nascer o gosto por esta arte de forma espontânea e daí até à execução das peças que, hoje, embelezam muitas casas de aficionados, foi apenas um “pulinho”, constata. Foi já na reforma que Francisco Palhota entrou a sério nesta vida

A

do artesanato aproveitando a sua “inspiração”, mas também “a paixão e o gosto pela festa”, refere ao nosso jornal. Francisco Palhota vinca que a sua inspiração vem do dia-a-dia. “Posso ir na rua a andar e vem-me à ideia qualquer coisa, anoto num papel e começo a elaborar a peça”, mas ressalva que a paixão pela Festa Brava, está na origem de todas os trabalhos que já fez. Tendo por base a madeira, Fran-

cisco Palhota também usa outros materiais. Ora manda cortar mármore a uma empresa, ora pede a um amigo para soldar um ferro. O antigo bandarilheiro diz não ter amarras nos seus trabalhos e isso está à vista, nomeadamente, nos troféus que exibiu ao Valor Local. Francisco Palhota já fez mais de meia centenas de trabalhos. Em dez anos muito evoluiu, mas nem mesmo esse número de peças lhe traz dificuldades na hora de encon-

As obras de arte do bandarilheiro artesão

trar mais uma forma original de construir um novo trabalho. Mas por detrás deste trabalho que agora Francisco Palhota usa como complemento da reforma, estão dias de muito trabalho nas arenas de norte a sul de Portugal. O bandarilheiro refere que essa “é uma vida maravilhosa”, desde que “os contratos sejam cumpridos” e diz ter muitas saudades desses tempos. No passado ficam dois anos com

o cavaleiro Frederico Cunha, três temporadas com António Portugal, e com o Maestro José Júlio durante dois anos. Francisco Palhota atuou em Espanha e França, mas lamenta nunca ter ido ao México. Ainda assim recorda com saudade algumas corridas que fez na Praça Palha Blanco em Vila Franca de Xira, em que a responsabilidade era acrescida – “ Porque aqui toda a malta me conhecia e tinha de estar bem. Deixava os nervos em casa”. Já na sua terra de nascença, Salvaterra de Magos, Francisco Palhota lembra-se que ouvia algumas “bocas” no bom sentido, dado que também ali era a sua casa. “Arrima Palhota” diziam os salvaterrenses ao bandarilheiro, o que, confessa, lhe “dava algum alento”. “Era especial”, refere o antigo bandarilheiro que lembra um “susto” na Figueira da Foz com o Victor Mendes, mas sem consequências. No seu currículo está ainda a origem do Clube Taurino de Vila Franca de Xira. O antigo bandarilheiro lembra que há mais de 40 anos os aficionados locais não tinham um local para se reunirem, fazendo-o nas tertúlias particulares. Lembra Francisco Palhota que “o

primeiro contato foi com o Jorge Domingos no café do tareco, e a partir dessa altura os bandarilheiros juntaram-se todos, e começámos a fazer limpeza na casa que hoje é o Clube Taurino”, mas que, na altura, era um armazém. Francisco Palhota recorda a participação dos amigos da Tertúlia Cirófila “que se juntaram a nós, e a obra foi para a frente”. O antigo fundador recorda o passado de altos e baixos daquele clube e refere que gostaria “que se fizessem mais atividades” reconhecendo as dificuldades das sucessivas direções. Ainda assim Francisco Palhota considera que vai faltando união no mundo da tauromaquia em Vila Franca de Xira. “Se todos puxassem para o mesmo lado, isto seria a terra mais taurina, nem havia comparação”, salienta o antigo bandarilheiro. Em todo o caso, ainda considera Vila Franca a Sevilha mais portuguesa, embora no passado tenha sido diferente. Francisco Palhota explica que “há 50 anos na Palha Blanco, (que como Sevilha tem o rio a seus pés), existia mais afición do que hoje”. “Tinha mais matadores como o José Júlio ou o Victor Mendes. No fundo havia mais romantismo”, refere.


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