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V oluntariado Mundial 2011

RelatĂłrio sobre o Estado do Valores universais para o bem estar global

SWVR 2011 [Spanish] Final proof layout – 25/11/11

Inspiration in action


O programa de Voluntários das Nações Unidas (VNU) é a organização das Nações Unidas que contribui para a paz e o desenvolvimento através do voluntariado por todo o mundo. O voluntariado é uma maneira poderosa de engajar pessoas no combate aos obstáculos ao desenvolvimento, e pode mudar o ritmo e a natureza do desenvolvimento. O voluntariado beneficia toda a sociedade e cada voluntário, através do aumento da confiança, da solidariedade e da reciprocidade entre os cidadãos e também, por criar, de forma proposital, oportunidades para participação. O programa VNU contribui para a paz e o desenvolvimento ao defender o reconhecimento dos voluntários, trabalhar com parceiros para integrar o voluntariado a programas de desenvolvimento e mobilizar um número e diversidade crescentes de voluntários, inclusive voluntários experientes das Nações Unidas, pelo mundo. O programa VNU compreende o voluntariado como universal e inclusivo, e reconhece o voluntariado em sua diversidade, assim como os valores que o sustentam: vontade própria, compromisso, engajamento e solidariedade.

VNU é administrado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)


2011

   Relatório sobre o Estado do   oluntariado Mundial

Inspiration in action

Valores universais para o bem estar global


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

© United Nations Volunteers 2011 © United Nations Volunteers 2013 para a edição em português Tradução Não Oficial. A tradução para o português deste Relatório foi preparada por um grupo de Voluntários em linha coordenado pela Unidade de terreno do programa Voluntários das Nações Unidas em Cabo Verde

Publicação: Programa Voluntários das Nações Unidas (VNU) Layout: Baseline Arts, United Kingdom; Shubh Chakraborty (capa) Arte-finalização da versão em português: Varius - Prestação de Serviços, Lda

Este relatório está disponível em árabe, ingles, francês, espanhol Para solicitar uma cópia, favor visitar https://unp.un.org /

É requerida a permissão para a reprodução de qualquer parte desta publicação.

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Equipe do relatório sobre o estado do voluntariado mundial de 2011

Equipe do Relatório sobre o Estado do Voluntariado Mundial de 2011 Autor Chefe Robert Leigh

Gerente de projeto Aygen Aytac

Equipe de pesquisa e edição de texto David Horton Smith (Investigador Senior), Cornelia Giesing, María José León, Debbie Haski-Leventhal, Benjamin J. Lough, Jacob Mwathi Mati, Sabine Strassburg

Especialista em comunicação Lothar Mikulla Equipe de apoio administrativo Vera Chrobok, Johannes Bullmann

Editor Paul Hockenos Equipe de tradução para o português (Voluntários em linha) Ana Maria Mansilla Castaño, Emilio Frederico Haenzel Pacheco de Freitas, Inês Paiva Pires da Silva Pinto, Isabel Maria Pereira Nunes Abreu, Isac Cláudio Nhone, Lia Cavalcante-Griffiths, Lúcia Maria Amaral, Maria Isabel Barroso Costa Neiva, Mariana Barreto Spratley

Diagramação da edição em português Grupo de Voluntários da Universidade de Santiago (Assomada, Cabo Verde)

Editoras da versão em português (Voluntárias em linha) Maria Eugênia Moratto, Rebeca Freitas Cavalcante

A análise e as recomendações políticas emitidas neste relatório não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. A pesquisa e a edição de textos do relatório são esforço colaborativo da equipe do Relatório sobre o Estado do Voluntariado Mundial e de um grupo de ilustres assessores sob a liderança de Flavia Pansieri, Coordenadora Executiva, Voluntários das Nações Unidas. A citação de marcas ou processos comerciais não implica seu endosso.

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Prólogo O voluntariado ocorre em qualquer sociedade do mundo. Os termos que o definem e as formas por que se expressa podem variar em diferentes línguas e culturas, mas os valores que o conduzem são comuns e universais: o desejo de contribuir para o bem comum, por vontade própria e em um espírito de solidariedade, sem a expectativa de recompensa material. Voluntários são motivados por valores como justiça, igualdade e liberdade, assim como está expresso na Carta das Nações Unidas. Uma sociedade que apoia e encoraja diferentes formas de voluntariado tende a ser uma sociedade que também promove o bem-estar de seus cidadãos. Uma sociedade que falha em reconhecer e facilitar as contribuições de voluntários priva-se de possíveis contribuições para o bem-estar público. Ao proclamar o Ano Internacional dos Voluntários há 10 anos, a comunidade internacional reconheceu as contribuições essenciais que os voluntários fazem ao progresso, à coesão e à resistência de comunidades e nações. Ainda assim, enquanto nos esforçamos para acelerar o progresso à realização dos Objetivos de Desenvolvimento o Milênio até 2015, as contribuições dos voluntários não são sempre levadas em consideração nas estratégias de desenvolvimento, e frequentemente ficam à margem do debate sobre o desenvolvimento. O programa de Voluntários das Nações Unidas (VNU) tomou a iniciativa de solicitar o 1º relatório das Nações Unidas sobre Voluntariado, como uma maneira de marcar o 10º aniversário do Ano Internacional dos Voluntários. Enfatizando o potencial ainda a ser explorado do voluntariado, o relatório mostra que a atual arquitetura de desenvolvimento é incompleta, pois são omitidas as contribuições que os voluntários podem fazer. Nas duas últimas décadas, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) tem desenvolvido o conceito de desenvolvimento humano, chamando a atenção para a expansão das escolhas e liberdades das pessoas, e aumentando sua habilidade para viver mais e de maneira sadia, de serem educadas, e de usufruir de um iv

padrão de vida decente. Como indicado pelos Relatórios de Desenvolvimento Humano, a eficácia no desenvolvimento deve ser medida não apenas pelo PIB per capita, mas também por quanto as escolhas feitas pelas pessoas melhoraram e aumentaram sua qualidade de vida. O conceito de desenvolvimento humano trata as pessoas como o foco do desenvolvimento. O relatório do programa VNU também adota esse conceito, reconhecendo a importância das con-quistas não materiais para o bem-estar dos indivíduos e de toda a sociedade. Melhorias materiais – saúde, educação e trabalho decente – continuam essenciais; mas também são vitais a participação, o empoderamento e a cidadania ativa, que são expressos de forma extremamente poderosa no voluntariado. O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010 declara que: “colocar as pessoas como o foco do desenvolvimento significa fazer com que o progresso seja igualitário e amplo, e as pessoas passam a ser participantes ativas nas mudanças.” O Relatório do programa VNU mostra o voluntariado como uma maneira altamente eficaz de aproveitar as capacidades das pessoas, em todas as sociedades e em todos os níveis. No PNUD, acreditamos que devemos apoiar os países na construção de instituições, capacidades e políticas que provocarão mudanças transformacionais. Para serem efetivas, essas políticas precisam trazer mudanças a um nível básico. Estratégias apoiadas pela ação ao nível comunitário podem ajudar a obter essas mudanças. Este relatório deve iniciar discussões sobre as contribuições do voluntariado para a paz e o desenvolvimento, e promovendo um melhor entendimento sobre elas.

Helen Clark Administradora, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento


Prólogo e prefácio

Prefácio Este relatório tem seu foco nos valores universais que motivam voluntários ao redor do mundo em prol do bem comum e no impacto das ações dos voluntários nas sociedades e nos indivíduos. Acreditamos no poder do voluntariado para promover a cooperação, encorajar a participação e contribuir para o bem-estar dos indivíduos e da sociedade como um todo. O voluntariado foi reconhecido como um fator importante para o desenvolvimento há 10 anos, em 2001, quando 126 estados-membros copatrocinaram uma Resolução da Assembleia Geral, ao final do Ano Internacional dos Voluntários (AIV). Essa resolução trouxe muitas recomendações de políticas para os governos, entidades das Nações Unidas e ONGs, sobre outras maneiras de promover e apoiar o voluntariado. Desde então, encorajou-se o progresso com a implementação de algumas dessas recomendações. Ao mesmo tempo em que marcamos o 10º Aniversário do AIV, a contribuição do voluntariado continua apenas parcialmente reconhecida. Ele continua em segundo plano, ao invés de ser um componente orgânico de programas elaborados para promover a participação dos cidadãos e o bem-estar da sociedade. Com este relatório, esperamos trazer argumentos para o reconhecimento do voluntariado como um componente essencial para o progresso igualitário e sustentável das comunidades e nações. Em um ambiente de rápidas mudanças, o voluntariado é uma constante. Suas formas de expressão podem variar, mas os valores centrais de solidariedade e compromisso, que fazem parte de sua essência, continuam fortes e universais. São encontrados em todas as culturas e sociedades e são uma verdadeira expressão de nossa humanidade comum. Há um reconhecimento crescente da necessidade de modificar nossa produção insustentável e nossos padrões de consumo. Para isso, se faz necessária a vontade política. Igualmente necessária será a crença e a participação ativa dos cidadãos. Voluntariado não é uma cura para

os problemas atuais do mundo. É, no entanto, um componente essencial de qualquer estratégia que reconheça que o progresso não pode ser medido somente em termos de retorno econômico, e que indivíduos são motivados não somente por interesse próprio, mas também por seus mais profundos valores e crenças. Nos capítulos que seguem, apresentamos diversos exemplos das mudanças transformacionais que os voluntários experenciam e produzem. Mostramos porque o voluntariado é essencial para o desenvolvimento humano. E, principalmente, argumentamos que uma sociedade verdadeiramente humana precisa ser guiada pelos valores de confiança, solidariedade e respeito mútuo que inspiram a todos os voluntários. Ao elaborar este primeiro relatório das Nações Unidas sobre voluntariado, falamos sobre muitas questões de definição e metodologia. Temos consciência que mais estudos e pesquisas são necessários para refinar nosso entendimento da natureza e da extensão desta expressão do esforço humano. Este relatório representa o ponto inicial de um debate mais amplo, e não uma resposta definitiva. Nos próximos anos, temos a intenção de aprofundar nosso entendimento das motivações, da abrangência, dos valores e do impacto do voluntariado ao redor do mundo.

Flavia Pansieri Coordenadora Executiva – Voluntários das Nações Unidas

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Agradecimentos Este relatório resulta de um verdadeiro esforço participativo. Os agradecimentos sinceros do programa Voluntários das Nações Unidas vão para todos aqueles que contribuíram com o seu tempo, conhecimento e experiência. Como é adequado a um relatório sobre voluntariado, a maioria das contribuições ocorreram sob a forma de compromisso voluntário. O relatório foi preparado por uma equipe base, coordenada pela Gerente de projeto Aygen Aytac, sob orientação geral e supervisão de Flavia Pansieri, Coordenadora Executiva do programa Voluntários das Nações Unidas. A equipe de pesquisa e redação, liderada pelo Escritor Chefe Robert Leigh, envolveu o fundador da ARNOVA, David Horton Smith da Faculdade de Boston, Benjamin J. Lough da Universidade do Illinois em Urbana-Champaign, Jacob Mwathi Mati da Universidade de Witwatersrand, Debbie Haski-Leventhal da Universidade de Macquarie, e as Consultoras Independentes María José León, Cornelia Giesing and Sabine Strassburg. O apoio administrativo e de planejamento foram providenciados por Vera Chrobok e por Johannes Bullman. Lothar Mikulla liderou as atividades de comunicação e promoção e Paul Hockenos editou o relatório. Os agradecimentos vão também para Shubh Chakraborty pela sugestão de desenho gráfico da capa. Um conselho de assessoria técnica esteve ativamente envolvido na identificação das questões abordadas no relatório e em delinear o seu conteúdo. Agradecemos aos membros do Conselho de Assessoria Técnica: Jeffrey Brudney, Anabel Cruz, Lev Jakobson, AmanyKandil, Thierno Kane, JeniKlugman, Lucas Meijs, Maureen Nakirunda, Justin Davis Smith e Rajesh Tandon. O Conselho Consultivo de Alto Nível contribuiu com a sua visão mais ampla e ajudou a contextualizar este relatório. Agradecemos aos membros do Conselho vi

Consultivo de Alto Nível por providenciarem perspectivas inestimáveis e sugestões. Eles são: Soukeyna Ndiaye Ba, Liz Burns, Marian Harkin, Bruce Jenks, Rima Khalaf, Bernardo Kliksberg, Justin Koutaba, Miria Matembe, Taimalieutu Kiwi Tamasese e Erna Witoelar. Um grupo de leitura interno dos Voluntários das Nações Unidas, compreendido por pessoal administrativo e técnico, foi estabelecido para proporcionar um retorno informação no esboço do SWVR. O relatório obteve um vasto benefício com os seus conselhos e sugestões. Assim, gostaríamos de agradecer a Kwabena Asante-Ntiamoah, Mahamane Baby, Manon Bernier, Elise Bouvet, Mae Chao, Simona Costanzo-Sow, Peter Devereux, Olga Devyatkin, Francesco Galtieri, Kevin Gilroy, Naheed Haque, Moraig Henderson, Ibrahim Hussein, Ghulam Isaczai, Allen Jennings, Tapiwa Kamuruko, Donna Keher, Svend Amdi Madsen, Yvonne Maharoof, Robert Palmer, Jan Snoeks, Robert Toe, Marco van der Ree, Oliver Wittershagen, Kawtar Zerouali e Veronique Zidi-Aporeigah. Um grupo interno de referência também prestou auxílio. Os agradecimentos vão para Alba Candel Pau, Fabienne Copin, Romain Desclous, Rafael Martínez, Marguerite Minani e Amina Said. Os Voluntários das Nações Unidas comissionaram 19 documentos de fundamentação numa série de temas relacionados com voluntariado e sete documentos regionais. Gostaríamos de agradecer aos autores por nos fornecerem dados e informação valiosa: Jody Aked, Emmanuel Asomba, Denise Bortree, Carol Carter, Kathryn Dinh, Christopher Einolf, Sharon Eng, Snezana Green, Jürgen Grotz, CelayneHealon-Shrestha, Nicole A. Hofmann, Benedict Iheme, Osama Kadi, Alina Meyer, Kimberly Ochs, René Olate, John Robinson, Sigfrido Romeo, Lester Salamon, David H. Smith, Lars Svedberg, Rajesh Tandon, Rebecca Tiessen and Ying Xu (consultar a Bibliografia


Agradecimentos

para obter a lista completa de documentos comissionados). Na preparação do SWVR, nove encontros consultivos foram realizadas entre outubro de 2010 e fevereiro de 2011, para tirar partido da experiência de voluntariado de investigadores, acadêmi-cos, líderes da sociedade civil e profissionais de desenvolvimento de todo o mundo e para discutir questões relacionadas com o voluntariado. Esses encontros incluíram uma reunião de sociedade civil na Alemanha e várias reuniões regionais abrangendo a América Latina, a América do Norte, a Europa Ocidental, a Europa de Leste, o Oriente Médio e Norte da Africa, a África francófona, a África anglófona e a região Ásia-Pacífico. Agradecemos a todos os participantes por partilharem conhecimentos valiosos, sugestões, casos de estudo e os seus próprios resultados de investigação. Gostaríamos também de agradecer às universidades associadas e organizações, por darem apoio à participação do seu pessoal em nossos encontros (ver a lista completa dos encontros e participantes nas páginas seguintes). Os escritórios de representação do PNUD na Turquia, Senegal, Quénia, Tailândia e Argentina, e o escritório dos Voluntários das Nações Unidas em Nova Iorque, apoiaram a organização de reuniões de consulta regionais. A Comisión Cascos Blancos (Comissão dos Capacetes Brancos) da Argentina e o instituto de pesquisa TUSSIE da Turquia deram apoio à organização de reuniões em Buenos Aires e em Istambul, respectivamente. A reunião multirregional na Turquia foi financiada pela Comissão Europeia. Estamos gratos pelo apoio financeiro. Os Grupos em Rede do PNUD produziram uma série de ideias úteis e de exemplos através de discussões online de vários tópicos relacionados com o voluntariado. Os Grupos

em Rede do PNUD sobre Gênero, Redução de Desastres, HIV/AIDS, Ambiente, e Prevenção de Crises e Recuperação, merecem uma referência especial. Os dados e estatísticas usadas neste relatório advêm em grande parte de bases de dados de outras organizações, às quais nos foi generosamente dado acesso. Neste contexto, gostaríamos de agradecer a Richard Harrison, Diretor de Pesquisa da Charities Aid Foundation em Londres, e a Andrew Rzepa da GALLUP por nos darem esse acesso. Durante o decorrer do projeto, foram vários os estagiários dedicados que apoiaram a equipe do SWVR: Collins Fomukong Abie, Abdalhadi Alijla, Bárbara Bécares Castaño, Bowen Cao, PiyushDhawan, Geline Alfred Fuko, Carly Garonne, Miles Hookey, Ika RiniIndrawati, Aurora Gomez Jimenez, Aivis Klavinskis, Parul Lihla, Amrita Manocha, Evgenia Mitroliou, Hiromi Morikawa, Victor Bakhoya Nyange, Valentina Primo, Liam Patuzzi e Rafael Tahan. O relatório também beneficiou do apoio de diversos voluntários em linha de várias partes do mundo: Frank Brockmeier, Jorge Carvajal, Audrey Desmet, Arit Eminue, Camilla Eriksson, Monica Figueroa, Sophie Guo, Carolina Henriques, Ali Hentati, Jae Hyeon Park, AhsanIjaz, Syed IjazHussain Shah, Marina Jousse, Wenni Lee, Natalia Markitan, Leire Martinez Arribas, Lucia Martinkova, Luana Mulugheta, Saki Nagamone, Joanna Pilch, Montasir Rahman, Mara Romiti, Britta Sadoun, Christopher Sam, Divya Sharma, Feiru Tang, AneliyaValkova e Jennifer Walsh. A APA Journals forneceu-nos um suporte contínuo com informação sobre o Estilo APA usado nas referências do SWVR.

O VNU deseja agradecer a todos que contribuíram.

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Contribuições Membros do conselho consultivo (em ordem alfabéticoa)

Membros do conselho técnico (em ordem alfabética)

Soukeyna Ndiaye Ba. Diretora Executiva, Rede Internacional de Instituições Financeiras Alternativas, Dacar, Senegal

Jeffrey Brudney. Professor, Cátedra Albert A. Levin de Estudos Urbanos e Serviço Público, Faculdade Levin de Assuntos Urbanos, Universidade do Estado de Cleveland, Estados Unidos

Elizabeth Burns. Ex-Presidente Mundial, International Association for Volunteer Effort (IAVE), Reino Unido Marian Harkin. Membro Independente do Parlamento Europeu, Irlanda Bruce Jenks. Membro Sênior Nãoresidente, Universidade de Harvard, Estados Unidos Rima Khalaf. Secretária Executiva, Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental, Beirute, Líbano Bernardo Kliksberg. Consultor Sênior, Escritório de Políticas de Desenvolvimento, PNUD, Argentina Justin Koutaba. Professor de Filosofia, Universidade de Ouagadougou, Burkina Faso Miriam Matembe. Fundadora e membro do Conselho, Centre for Women in Governance, Kampala, Uganda Taimalieutu Kiwi Tamasese. Coordenadora da Seção do Pacífico, The Family Centre, Nova Zelânidia Erna Witoelar. Presidente, Consórcio Filantropia Ásia Pacifico, Indonésia Philantrophy Consortium, Indonesia

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Anabel Cruz. Diretora, Instituto de Comunicación y Desarrollo, Montevidéu, Uruguai Lev Jakobson. Primeiro Vice-Reitor, Escola Superior de Economia, Universidade Estadual, Moscou, Rússia Amany Kandil. Diretora Executiva, Rede Árabe de ONGs, Cairo, Egito Thierno Kane. Ex-Diretor, Divisão de Organizações da Sociedade Civil, PNUD, Dacar, Senegal Jeni Klugman. Ex-Diretora, Escritório de Relatórios de Desenvolvimento Humano do PNUD, Nova York, Estados Unidos Lucas Meijs. Professor, Rotterdam School of Management, Erasmus University, Rotterdam, Países Baixos Maureen Nakirunda. Pesquisadora, Centre for Basic Research, Kampala, Uganda Justin Davis Smith. Chefe Executivo, Volunteering England, Londres, Reino Unido Rajesh Tandon. Presidente, Society for Participatory Research in Asia, Nova Delhi, India


contribuições

Reuniões de Consulta Reunião de Consulta Multirregional (Europa Ocidental, Europa Oriental / CEI, Oriente Médio e Norte da África), Turquia, 29 e 30 de outubro de 2010 Europa ocidental Cliff Allum (Diretor Executivo, Skillshare International, Reino Unido); Aurélie Beaujolais (Coordenadora, Comité de Liaison des ONG de Volontariat, França); Rene Bekkers (Professor Adjunto, Departmento de Estudos Filantrópicos, VU Universidade de Amsterdam, Países Baixos); Steffen Bethmann (Pesquisador, Centro para Estudos Filantrópicos, Universidade de Basel, Suiça); Thilo Boeck (Assistente de Pesquisas Sênior, Centre for Social Action, Universidade De Montfort, School of Applied Social Sciences, Reino Unido); Angeliki Boura (Assessora Especial do Secretário da Juventude, Secretaria Geral da Juventude, Grécia); Matthew Hill (Pesquisador, Institute for Volunteering Research, Reino Unido); Lesley Hustinx (Professora Assistente, Departmento de Sociologia, Universidade de Ghent , Bélgica); Liz Lipscomb (Chefe de Pesquisa, Charities Aid Foundation, Reino Unido); Deirdre Murray (Dirtora, Comhlámh, representando FORUM, Irlanda); Colin Rochester (Pesquisador Sênior, Centre for the Study of Voluntary and Community Activity, Universidade de Roehampton, Reino Unido); Boguslawa Sardinha (Professora Adjunta, Escola Superior de Ciências Empresariais, Instituto Politécnico de Setúbal, Portugal); Lars Svedberg (Professor/Diretor de Pesquisas, Instituto de Estudos da Sociedade Civil, Universidade Ersta Skönda, Suécia); Agnes Uhereczky

(Diretora, Association of Voluntary Service Organizations, Bélgica); Annette Zimmer (Diretora do Instituto de Ciências Políticas, Universidade de Münster, Alemanha). Leste Europeu / Comunidade dos Estados Independentes Indrė Balčaitė (Analista, Public Policy and Management Institute, Lituânia); Galina Bodrenkova (Fundadora e Presidente, Moscow Charity House / Representante Nacional de IAVE na Russia); Astrit Istrefi (Coordenado de Projeto, Saferworld, Kosovo (Sérvia)); Nikica Kusinikova (Diretora Executiva, Konekt, ex-República Ioguslava da Macedônia); Anna Mazgal (Responsável Internacional, Federação Nacional de ONGs polonesas, Polônia); Ferdinand Nikolla (Diretor Executivo, The Forum for Civic Initiatives, Kosovo (Sérvia)); Miroslav Pospisil (Diretor, Centro de Pesquisas para o setor não lucrativo, República Tcheca); Steve Powell (Presidente e Pesquisador Sênior Researcher, proMente, Bósnia e Herzegovina); Lejla Sehic Relic (Diretora, VolonterskiCentar Osijek, Croácia); Kuba Wygnanski (Expert, Associação KLON/JAWOR, Unidade SHIPYARD para pesquisa social e inovação, Polônia); Igor Germanovich Zakharov (Consultor Webmaster, Sozidanie Foundation, Federação Russa); Elena Zakharova (Diretora Executiva, Sozidanie Foundation, Federação Russa). Oriente Médio e Norte da África Hadeel Al-Ali (Diretor, Syria Youth Commission for Volunteerism, República Árabe da Síria); Khalid S. Al-Ghamdi (Consultor em tecnolologia e pesquisador sobre organizações sem fins lucrativos, MEDAD Center, International Center for ix


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Researches & Studies, Arábia Saudita); Rana Al Hariri (Assistente de Programa, Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, República do Líbano); Abdel Rahim Belal (Diretor, Fundação Friedrich Ebert, Sudão); Farah Cherif D’Ouezzan (Fundadora da Associação Thaqafat, Fundadora e Diretora, Center for Cross Cultural Learning, Reino de Marrocos); Hür Güldü (Coordenador, Organização de Planificação Governamental do primeiro ministério da República Turca, Centre for EU Education and Youth Programmes – Agência Nacional, Turquia); Osama Kadi (Co-fundador e Presidente, Syrian Centre for Political and Strategic Studies, Estados Unidos); Salma Kahale (Assistente Executiva Sênior, Projetos e Iniciativas, Escritório da Primeira Dama, República Árabe da Siria); Najwa Kallas (Adjunta ao projeto da Agenda Jovem, Escritório da Primeira Dama, República Árabe da Siria); Hagai Katz (Diretor, Centro Israelita de Pesquisa sobre o Terceiro Setor, Universidade Ben-Gurion do Negev, Israel).

Reunião de Consulta da Sociedade Civil, Alemanha 8-9 de novembro de 2010 Stefan Agerhem (Alto responsável, Federação internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho/ Cruz Vermelha Sueca); Ibrahim Betil (Presidente, TOG-Community Volunteers, Turquia); Elizabeth Burns (exPresidente mundial, International Association for Volunteer Effort, Reino Unido);Jacqueline Butcher-Rivas (Presidente, CEMEFI, Centro Mexicano para la Filantropia, México); Mei Cobb (Vice Presidente, Volunteer & Employee Engagement, United Way Worldwide, Estados Unidos); Kate Cotton x

(Diretora da equipe nacional de voluntários, Voluntary Service Overseas, Reino Unido); Cecilia Dockendorff (Presidente, Fundación SOLES, Chile); Philippe Fragnier (Unidade de gestão de conhecimento, Uniterra Volunteer Program, CECI e WUSC, Canadá); Tuesday Gichuki (Diretor Executivo, NAVNET, Quênia); Rosemary Hindle (Executiva de Desenvolvimento – Relações Exteriores, Associação Mundial das Bandeirantes e Guias Escoteiras, Bélgica); Jeffery Huffines (Representante de CIVICUS junto às Nações Unidas, Estados Unidos); Viola Krebs (Fundadora e Diretora Executiva, ICVolunteers, Suiça); Eva Mysliwiec (Fundadnora e Diretora Executiva, Youth Star, Camboja); Mike Naftali (Fundador e Presidente, Brit Olam (International Volunteering and Development / Conselho Nacional para o Voluntariado, Israel); Kumi Naidoo (Diretor Executivo, Greenpeace International, Países Baixos); Cary Pedicini (Diretor Geral, Volunteering Australia, Austrália); Taimalieutu Kiwi Tamasese (Coordenadora da Seção do Pacífico, The Family Centre, Nova Zelândia); Francesco Volpini (Diretor, Comitê de Coordenação do Serviço Voluntário Internacional, France); Saâd Zian (Diretor de desenvolvimento do voluntariado, Organização Mundial do Movimento Escoteiro, Suiça).

Reunião de Consulta Regional da América do Norte, Estados Unidos 20-21 de novembro de 2010 Douglas Baer (Professor, Departamento de Sociologia, University of Victoria, Canadá); Thomasina Borkman (Professora Emérita de Sociologia, George Mason University, Estados Unidos); Jeffrey Brudney (Cátedra Albert A.


contribuições

Levin de Estudos Urbanos e Serviços Públicos, Levin College of Urban Affairs, Cleveland State University, Estados Unidos); Carol Carter (Consultora Principal, IVA Consulting, Estados Unidos); Lilian Chatterjee (Diretora Geral, Consultas e sensibilização, Strategic Policy and Performance Branch, Canadian International Development Agency, Canadá); Ernest Gilmer Clary (Professor, Departamento de Psicologia, College of St. Catherine, Estados Unidos); Ram A. Cnaan (Presidente da ARNOVA, Professor e Reitor Associado Sênior, University of Pennsylvania, Estados Unidos); Kathleen Dennis (Diretora Executiva, International Association for Volunteer Effort, Estados Unidos); Christopher J. Einolf (Professor Assistente, School of Public Service, DePaul University, Estados Unidos); Susan J. Ellis (Presidente, Energize, Inc., Estados Unidos); Barney Ellis-Perry (Conselheiro em Estratégia, Volunteer Vancouver /especialista em planificação estratégica para relações exteriores, University of British Columbia, Canadá); Megan Haddock ( Coordenadora de Projetos de Pesqisa Internacionais, Center for Civil Society Studies, Johns Hopkins University, Estados Unidos); Michael H. Hall (Diretor, Social Impact Strategies, Canadá); Femida Handy (Professora, School of Social Policy and Practice, University of Pennsylvania, Estados Unidos); David Lasby (Pesquisador Associado Sênior, Imagine Canada, Canadá); Nancy Macduff (Formadora e Consultora, Macduff/Bunt Associates, Membro do Corpo Docente, Portland State University, Estados Unidos); Julie Fisher Melton (Associada, Responsável de Programa aposentada, Kettering Foundation, Estados Unidos); Brandee Menoher (Diretora de Avaliação da Performance, Points of Light Institute, Estados Unidos); Rick Montpelier (Especialista de Operações e Programas, Peace Corps, Estados Unidos); Danny Pelletier (Diretor de Programas e de Parcerias, CUSO-

VSO, Canada); Victor Pestoff (Professor Convidado, Instituto de Estudos da Sociedade Civil, Universidade Ersta Skondal, Suécia); Jack Quarter (Professor e Diretor, Social Economy Centre, University of Toronto, Canadá); David Ray (Chefe de estratégia e políticas públicas, Points of Light Institute, United States); Sarah Jane Rehnborg (Diretora Associada de Planejamento e Desenvolvimento, RGK Center for Philanthropy and Community Service, LBJ School of Public Affairs, University of Texas, Estados Unidos); Lester Salamon (Diretor, Center for Civil Society Studies, The Johns Hopkins University, Estados Unidos); Sarah Saso (Diretora, Relações Comunitárias, Manulife Financial Corporation, Canadá); Elizabeth Specht (Diretora Executiva, Volunteer Richmond, Canadá); Robert A. Stebbins (Professor, Departamento de Sociologia, University of Calgary, Canadá); Richard A. Sundeen (Professor Emérito, School of Policy, Planning and Development, University of Southern California, Estados Unidos); John Wilson (Professor Emérito, Departamento de Sociologia, Duke University, Estados Unidos).

Reunião de Consulta Regional da África Francófona, Senegal 7-8 de janeiro de 2011 Ibrahim Ag Nock (Coordenador Nacional, Centre National de promotion du Volontariat pour la paix et le développement, Mali); Gustave Assah (Presidente, Commission Civique pour l’Afrique, Projeto OSC/ PNUD, Benin); Kossi Ayeh (Secretário Geral, Frères Agriculteurs et Artisans pour le Développement, Togo); Thierno Kane (ex-Diretor, Divisão da Sociedade Civil do PNUD, membro do comitê consultivo xi


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UNV/SWVR, Senegal); Flavien Munzuluba Kinier (Secretaria Nacional do Voluntariado, Ministério do Planejamento, República Democrática do Congo); Zélia Leite Rodrigues (Diretora, Programa Nacional de Voluntariado, Cabo Verde); Ibrahim Patingde Alassane Ouedraogo (Diretor-Geral, Programme National du Volontariat, Burkina Faso); Benoit Ouoba (Secretário Executivo, Tin Tua, Burkina Faso); Rodolphe Soh (Diretor de Proteção Social de pessoas com deficiência e idosos, Ministério de Assuntos Sociais, Camarões); Saadé Souleye (ex- Ministro de Planejamento e Desenvolvimento Regional e Comunitário, Niger); Papa BiramaThiam (Diretor, L’Assistance Technique, Senegal).

Reunião de Consulta Regional da Africa Anglófona, Quênia 17-18 de janeiro de 2011 Raymonde Agossou (Chefe da Divisão de RH e Desenvolvimento da Juventude, African Union Commission, Ethiopia); Fatma Alloo (Fundadora, Tanzania Media Women’s Association, Tanzâ-nia); Salmina E. Jobe (Coordenadora Nacional, National Volunteer Service Centre Project, Gâmbia); Eve Lwembe-Mungai (Assessora para o Desenvolvimento do Voluntariado, VSO Jitolee, Quênia); Winnie Mitullah (Professora Pesquisadora Associada, University of Nairobi, Quênia); Esther Mwaura-Muiru (Coordenadora Nacional, GROOTS Kenya, Quênia); Dieudonné Nikiema (especialista em capacitação, ECOWAS Commission, Nigeria); Frances Birungi Odong (Diretora de Programas, UCOBAC, Uganda); Morena J. Rankopo (Leitora, Coordenadora do MSW, University of Botswana, Botswana); Murindwa Rutanga (Professor, Makerere University xii

/ Representante CODESRIA, Uganda); Joyce Shaidi (Diretor, Departmento de Desenvolvimento da Juventude, Ministério da Informação, Juventude, Cultura e Esportes, Tanzânia); Benon Webare (Consultor, Professional Development Consultants International, Uganda); Susan WilkinsonMaposa (Consultora, África do Sul).

Reunião de Consulta Regional ÁsiaPacífico, Tailândia 31 Janeiro – 1 Fevereiro 2011 Vinya Ariyaratne (Secretário Geral, Sarvodaya Shramadana Movement, Sri Lanka); Tim Burns (Diretor Executivo, Volunteering New Zealand, New Zealand); Kin-Man Chan (Diretor, Centro de Estudos da Sociedade Civil / Professor Adjunto de Sociologia, The Chinese University of Hong Kong, China); Kathryn Dinh (Consultora de Desenvolvimento Internacional, Australia); Yashavantha Dongre (Professor, Coordenado do Porjeto sobre o setor sem fins lucrativos, University of Mysore, India); Debbie Haski-Leventhal (Leitora Sênior, Macquarie Graduate School of Management, Macquarie University, Australia); Chulhee Kang (Professor, School of Social Welfare, Yonsei University, República da Coreia); Kang-Hyun Lee (Presidente, International Association for Volunteer Effort, República da Coreia); Corazon Macaraig (Resposável principal, Philippine National Volunteer Service Coordinating Agency, Filipinas); Phra Win Mektripop (Comitê, Volunteer Spirit Network, Tailândia); Malanon Nuntinee (Secretariado, Volunteer Center, Thammasat University, Tailândia); Pooran Chandra Pandey (Diretor, Times Foundation,Times Group, Índia); Rajesh Tandon (Presidente, Society for


contribuições

Participatory Research in Asia, Índia); Erna Witoelar (Presidente, Asia Pacific Philanthropy Consortium, Indonésia); Naoto Yamauchi (Professor de Economia Pública, Osaka School of International Public Policy, Osaka University, Japão); Zhibin Zhang (Professor Assistente, Nanyang Technological University, Cingapura).

Reunião de Consulta Regional América Latina, Argentina

para la Coordinacionde Politicas Sociales, Argentina); René Olate (Pesquisador, College of Social Work, Ohio State University, Estados Unidos); Felipe Portocarrero (Chanceler, Universidad del Pacífico, Perú); Mario Roitter (Pesquisador, Centro de Estudios de Estado y Sociedad, Argentina); Javiera Serani (Diretora Regional para México e Caribe, Fundación Un techo para mi país, Chile); Cecilia Ugaz (Representante Residente Adjunta, PNUD, Argentina); Carlos Eduardo Zaballa (Coordenador VNU, Comisión Cascos Blancos, Argentina).

8-9 de fevereiro de 2011 Bruno Ayres (Diretor, Redes V2V, Brasil); Analía Bettoni Schafer (Coordenadora da Área de Projetos, Instituto de Comunicación y Desarollo, Uruguai); Fernanda Bornhausen Sá (Presidente, Instituto Voluntários em Ação, Brasil); Jacqueline Butcher-Rivas (Membro do Conselho, CEMEFI, Mexico); Laura Carizzoni (Assistente, Comisión Cascos Blancos, Argentina); Geovanna Collaguazo (Coordenadora Nacional de Voluntariado Jovem, Cruz Vermelha Equador); Gabriel Marcelo Fuks (Presidente, Comisión Cascos Blancos, Argentina); Marcela Jiménez de la Jara (Pesquisadora Sênior, Center for Civil Society Studies, The Johns Hopkins University, Estados Unidos); Mariana Lomé (Coordenadora, Posgrado en Organizaciones sin Fines de Lucro, Universidade de San Andrés, CEDES, Argentina); Raúl Edgardo Martínez Amador (Major, Bomberos Voluntarios, Distrito Central de Comayagüela, Honduras; Carolina Munín (Assistante, Comisión Cascos Blancos, Argentina); Marta Muñoz Cárdenas (Diretora Adjunta, Asociación de Jóvenes Cristianos, Confederación de ONG colombianas, Colombia); Juan Carlos Nadalich (Coordenador Técnico, Consejo Nacional xiii


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Acrônimos AIV AIV BwB CEPAL CHW CE CIS

CNP

CSI CUSO

DFID

DRR EAC-EA

ECOWAS

EVP

FBO FOCSIV

GWP HDR

xiv

Año Internacional de los Voluntarios Ano Internacional dos Voluntários Bankers without Borders (Banqueiros sem Fronteiras) La Comisión Económica para América Latina y el Caribe Community Health Worker (agente comuntário de saúde) Comissão Europeia Commonwealth of Independent States (Comunidade dos Estados Independentes) The Johns Hopkins Comparative Nonprofit Sector Project (Projeto Comparativo do Setor nãolucrativo da universidade Johns Hopkins) Civil Society Index (índice da sociedade civil) Canadian University Service Overseas (Serviço Exterior da Universidade Canadense) Department for International Development (Departamento para o Desenvolvimento Internacional), Reino Unido Disaster Risk Reduction (Redução do Risco de Desastres) The Education, Audiovisual and Culture Executive Agency (Agência Executiva relativa à Educação, ao Audiovisual e à Cultura) Economic Community of West African States (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental CEDAO) Employee Volunteer Program (programa de voluntariado empregado) Faith-Based Organization (orgnização de base religiosa) Federazione Organismi Cristiani Servizio Internazionale Volontario (Federação das Organizações Cristãs de Serviço Voluntário Internacional) The Gallup World Poll (Pesquisa Gallup) Human Development Report (Relatório de Desenvolvimento Humano)

HIV/AIDS

Vírus da Imunodeficiência Humana/Sindrome da Imunodeficiência Adquirida IAVE International Association for Volunteer Effort (Associação Internacional para o Esforço Voluntário) ICNL International Center for Not-forProfit Law (Centro Internacional para legislação de organizações sem fins lucrativos) ICNPO International Classification of Nonprofit Organizations (classificação internacional de organizações sem fins lucrativos) ICT Information and Communications Technology (tecnologia da informação e comunicações) IFAD International Fund for Agricultural Development (Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola) IFRC International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies (FICV Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho) IKS Indigenous Knowledge System (sistema de conhecimento indígena) ILO International Labour Organization (OIT – Organização Internacional do Trabalho) IOM International Organization for Migration (OIM - Organização Internacional para Migrações) ISO International Organization for Standardization (Organização Internacional para Normalização / Padronização) ITU International Telecommunication Union (União Internacional das Telecomunicações) IVS International Volunteer Service (Serviço Voluntário Intenacional) IYV International Year of Volunteers (Ano Internacional dos Voluntários AIV) MARWOPNET Mano River Women’s Peace Network (Rede de Mulheres da União do Rio Mano para a Paz) MRU Mano River Union (União do Rio Mano)


Chapter title Acrônimos

NSDP

NVM ODM OECD

OIT OMS ONG OSC PIB RSE SADNET

SIF SMS SWVR

TICA

UE UN UNCCD

UNCDF

UNDESA

UNDP

National Strategic Development Plan (Plano Estratégico do Desenvolvimento Nacional) National Volunteer Movement (Movimento Voluntário Nacional) Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Organization for Economic Cooperation and Development (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE) Organização Internacional do Trabalho Organização Mundial da Saúde Organização Não-Governamental Organização da Sociedade Civil Produto Interno Bruto Responsabilidade Social Empresarial The Southern Africa Drought Technology Network (Rede de Tecnologias das Secas da África Austral) Singapore International Foundation Short Message Service (serviço de mensagens curtas) State of the World’s Volunteerism Report (Relatório sobre o estado do voluntariado mundial) Thailand’s International Development Cooperation Agency (Agência Tailandesa de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional) União Europeia United Nations (Organização das Nações Unidas) United Nations Convention to Combat Desertification (Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação) United Nations Capital Development Fund (Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Capital) United Nations Department of Economic and Social Affairs (Departamento das Nações Unidas de Assuntos Econômicos e Sociais) United Nations Development

Programme (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD) UNEP United Nations Environment Programme Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente PNUMA) UNESCO United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização das Nações Unidas para Ciência, Educação e Cultura) UNGC United Nations Global Compact (Pacto Global da Organização das Nações Unidas) UNGA United Nations General Assembly (Assembleia Geral das Nações Unidas) UN IANWGE United Nations Inter-Agency Network on Women and Gender Equality (Rede Interagências sobre Mulheres e Equidade de Gênero) UNICEF United Nations Children’s Fund (Fundo das Nações Unidas para a Infância) UNISDR United Nations International Strategy for Disaster Reduction UNSC United Nations Security Council (Conselho de Segurança das Nações Unidas) UNV United Nations Volunteers (programa Voluntários das Nações Unidas VNU) UPS United Parcel Service USAID United States Agency for International Development (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional) VSO Voluntary Services Overseas (Serviços Voluntários do ultramar) VNU Programa Voluntários das Nações Unidas WANEP West Africa Network for Peacebuilding (Rede da África Ocidental para a Construção da Paz) WHO World Health Organization (OMS Organização Mundial da Saúde)

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Índice EQUIPe do relatório sobre o estado do voluntariado mundial iii PRÓLOGO iv PREFáCIO v AGRADECIMENTOS vi CONTRIBUIÇÕES viii ACRÔNIMOS xiv RESUMO xx O Voluntariado no Mundo de Hoje xxiii Novas Faces do Voluntariado xxiii Voluntariado e o Paradigma do Desenvolvimento xxiv CAPÍTULO 1 . O voluntariado é universal 1 O voluntariado e os valores tradicionais 2 O voluntariado que passa despercebido 3 O que é voluntariado? 3 Como se expressa o voluntariado? 5 Percepções equivocadas comuns sobre o voluntariado 9 Conclusões e discussões 13 CAPÍTULO 2 . Medindo o voluntariado 15 Porque medir o voluntariado? 16 Diferentes formas de medir o voluntariado 17 Estudos nacionais sobre o voluntariado 19 Procurando uma medida global: destacando iniciativas de medição internacionais 19 Estudo da Comissão Europeia 20 A sondagem mundial Gallup 22 O Inquérito Mundial de Valores (WVS) 22 O Projeto de Estudo Comparativo sobre o Setor Sem Fins Lucrativos Johns Hopkins 22 O Índice da sociedade civil da CIVICUS (ISC) 23 O manual de medição do trabalho voluntário 24 Conclusões e discussões 25 CAPÍTULO 3 . O voluntariado no século XXI 29 Introdução 30 O voluntariado e a tecnologia 30

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ÍNDICE

Voluntariado e tecnologias de telefonia móvel Voluntariado e a Internet O voluntariado internacional O voluntariado e o setor privado Conclusões e discussões

30 31 34 38 42

CAPÍTULO 4 . Meios de vida sustentáveis 45 Introdução 46 O que são meios de vida sustentáveis? 46 O voluntariado e o capital social 47 O voluntariado e o capital humano 49 O voluntariado e o capital natural 52 O voluntariado e o capital físico 53 O voluntariado e os recursos financeiros 54 O voluntariado e os recursos políticos 55 Conclusões e discussões 56 CAPÍTULO 5 . O voluntariado como força para a inclusão social 59 O que é inclusão social? 60 Os níveis de inclusão social 61 Inclusão social de grupos através do voluntariado 62 Mulheres 63 Jovens 65 Idosos 67 Pessoas com deficiência 67 Migrantes 68 Pessoas que vivem com HIV/AIDS 69 Conclusões e discussões 69 CAPÍTULO 6 . Voluntariado, coesão e gestão dos conflitos 73 Introdução 74 Coesão social e conflitos violentos 74 O voluntariado na prevenção dos conflitos 75 O voluntariado durante os conflitos 76 O voluntariado após os conflitos 77 O voluntariado e a promoção da paz 78 Mulheres 78 Jovens 80 Conclusões e discussões 81 CAPÍTULO 7 . Voluntariado e desastres 83 Introdução 84 Desastres e desenvolvimento 84

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ÍNDICE

As múltiplas funções do voluntariado em situações de desastres Antes de um desastre Prevenção e mitigação de desastres Preparação para desastres Resposta em face dos desastres Voluntariado e recuperação Conclusões e discussões

84 84 85 86 88 91 92

CAPÍTULO 8 . O voluntariado e o bem-estar 95 Introdução 96 O voluntariado e o bem-estar individual 98 O voluntariado e o bem-estar da comunidade 99 Bem-estar e política 100 Conclusões e discussões 101 CONCLUSÃO: O caminho a se seguir 103 Introdução 104 Agora é o momento 105 NOTAS 109 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 113 QUADROS R.1 O voluntariado como um componente valioso dos planos de desenvolvimento xxi R.2 O voluntariado como uma âncora face às mudanças globais xxii 1.1 Formas tradicionais de voluntariado 2 1.2 Voluntários nas previsões meteorológicas 3 1.3 Ensinar os pobres na Índia 6 1.4 Cooperativas agrárias ajudam os agricultores zambianos a sobreviver e prosperar 7 1.5 A Primavera Árabe: o Egito em cores 9 1.6 Parcerias públicas e comunitária contra a pobreza e a tuberculose 10 1.7 Filantropía africana - uma forte tradição 11 1.8 Da construção de casas a uma cidadania ativa 12 1.9 Promover leis e políticas que apóiam o voluntariado 13 2.1 Valores dos voluntários 16 2.2 Usando calendários comunitários para medir o valor do voluntariado 17 2.3 Além do valor econômico 18 2.4 Jovens voluntários da União Africana 19 2.5 A primeiríssima pesquisa sobre o voluntariado em Bangladesh 20 2.6 Os voluntários contribuem significativamente ao bem-estar econômico e social 25 2.7 As melhores práticas na medição do voluntariado 26 3.1 Monitoramento de eleições através de SMS 31 3.2 Voluntariado em linha 32 3.3 Voluntariado em linha em código aberto 33 3.4 Micro-voluntariado de Kraft Foods 34 3.5 Amigos da Tailandia no Butão 35 xviii


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

3.6 Voluntários Seniores JICA 36 3.7 Programa de Voluntariado da Diáspora da Etiópia 37 3.8 Necessidade de valores e princípios nos negócios 39 3.9 Voluntariado de empregados e os ODMs 39 3.10 Voluntariado corporativo 40 3.11 Banqueiros sem Fronteiras 42 3.12 Unindo pessoas e causas 43 4.1 Taxistas do Camboja ajudam a combater a malária 49 4.2 Educação para a construção do capital humano 51 4.3 O santuário de ostras gigantes do Tonga 52 4.4 Voluntários comunitários tomando a liderança 54 4.5 Voluntariado transfronteiriço nas Associações dos Vilarejos Natais mexicanos 55 4.6 O voluntariado em favor da equidade de gênero na América Latina 56 5.1 O voluntariado é um comportamento social 60 5.2 Aposentados e engajados 61 5.3 Ajuda tradicional no Brasil: mutirão 62 5.4 A participação política dos povos indígenas 63 5.5 Conselho Pastoral de Mulheres Maasai 64 5.6 Aumentando a empregabilidade dos jovens na Bósnia e Herzegovina 66 5.7 Cadeirante e voluntário 68 5.8 Voluntariado de imigrantes: Nova Zelândia 69 5.9 Falando positivamente acerca do HIV: China 70 6.1 Criando pontes entre fronteiras étnicas 77 6.2 Organizacão Muçulmana de Voluntariado nas Filipinas 78 6.3 O voluntariado comunitário pela paz 79 6.4 A luta das mulheres para serem ouvidas 80 6.5 Jovens promovem a recuperação pós-conflito na Libéria 81 7.1 Boas práticas para a resiliência das comunidades 84 7.2 Voluntariado e alerta precoce para salvar vidas 87 7.3 Terremoto de Christchurch: voluntários de todos os tipos 89 7.4 Resposta rápida no Haiti 91 7.5 Recuperação de desastre e o espírito gotong royong 92 8.1 Felicidade Nacional Bruta no Butão 97 8.2 O voluntariado e o bem-estar individual 98 8.3 O bem-estar através do voluntariado no Brasil 99 8.4 Bem viver 101 C.1 Reconhecendo a contribuição do voluntariado 105 Imagens IMAGEM 2.1 Se os voluntários fossem uma nação IMAGEM 2.2 Valor do trabalho voluntário como percentual do PIB IMAGEM 2.3 Diamante da sociedade civil CIVICUS

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23 24 24


RESUMo

Resumo “As pessoas são a verdadeira riqueza de uma nação”. Relatório de Desenvolvimento Humano – PNUD, 1990

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

O voluntariado é uma expressão básica das relações humanas. Ele representa a necessidade das pessoas de participar em suas sociedades e sentir que são importantes para outros. Acreditamos seriamente que as relações sociais intrínsecas ao trabalho voluntário são de extrema importância para o bem-estar individual e da comunidade. O espírito do voluntariado está infundido em valores como solidariedade, reciprocidade, confiança mútua, sensação de pertencer a algo e empoderamento, que coletivamente contribuem significativamente para a qualidade de vida. Pessoas ao redor do mundo se envolvem no voluntariado por diversos motivos: para ajudar a eliminar a pobreza e melhorar saúde e educação básicas, fornecer suprimento adequado de água e de saneamento adequado, combater os problemas ambientais e as mudanças climáticas, reduzir os riscos de desastres, e combater a exclusão social e os conflitos violentos. Em todos esses campos, o voluntariado contribui para a paz e o desenvolvimento ao gerar bem-estar para as pessoas e suas comunidades. O voluntariado também compõe a sustentação principal de muitas organizações nacionais e internacionais, de outras organizações da sociedade civil e de movimentos políticos. Está presente QUADRO R.1 : O voluntariado como um componente valioso dos planos de desenvolvimento Estender a noção de voluntariado como um componente adicional valioso do planejamento nacional de desenvolvimento para a política de cooperação de desenvolvimento. Reconhecer e desenvolver, estrategicamente, ricas tradições locais de autoajuda e auxílio mútuo pode abrir caminho para a construção de um novo grupo de eleitores que apoiam esforços de desenvolvimento. Estabelecer uma ligação na mente do público geral de países que fornecem apoio ao desenvolvimento, entre o voluntariado doméstico nesses países e o voluntariado em países que recebem assistência, pode ajudar no apoio público para a cooperação de desenvolvimento 4 . Fonte: UNGA. (2002b)

xxi

no setor público e é uma crescente figura no setor privado. Embora o reconhecimento do voluntariado tenha crescido recentemente, especialmente desde que as Nações Unidas proclamaram 2001 como o Ano Internacional dos Voluntários (IYV), o fenômeno ainda é mal interpretado e subvalorizado. Frequentemente, os laços fortes entre a atividade voluntária, de um lado, e a paz e o desenvolvimento humano do outro são deixados de lado. É hora da contribuição do voluntariado para a qualidade de vida e para o bem-estar, em um sentido mais amplo, ser entendido como um dos componentes ausentes em um paradigma de desenvolvimento que ainda tem o crescimento econômico como máxima. Entretanto, como ressaltado no Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD, as pessoas são a verdadeira riqueza de uma nação. O desenvolvimento é a expansão das escolhas disponíveis para as pessoas, para que possam viver da forma que valorizam. O crescimento econômico é apenas um meio para aumentar as escolhas disponíveis 1. Juntamente com critérios como a saúde e a educação, outro elemento foi adicionado ao desenvolvimento humano: a liberdade das pessoas para usar seu conhecimento e talentos para moldar seus próprios destinos. Esta definição expandida de desenvolvimento tem sido parte do Relatório Global de Desenvolvimento Humano e de 600 relatórios de desenvolvimento humanos nacionais por 20 anos. Este primeiro Relatório sobre o Estado do Voluntariado Mundial dá ênfase no voluntariado como um meio para que as pessoas possam ter o controle de suas vidas e fazer a diferença para elas mesmas e para aqueles ao seu redor. O voluntariado é uma esfera da intenção humana, cujo significado ainda não é totalmente compreendido e articulado no debate sobre o desenvolvimento, especialmente no contexto dos Objetivos de Desenvolvi-


RESUMo

mento do Milênio. Não se pode negar que um progresso considerável foi feito desde o Ano Internacional dos Voluntários, especialmente nos países em desenvolvimento, em resposta aos 4 grandes temas identificados para o ano, ou seja, maior reconhecimento, facilitação, redes de contatos e promoção do voluntariado. Os governos elaboraram uma extensa lista que recomenda ações para o apoio ao voluntariado. Estas estão contidas na Resolução 56/38 da Assembléia-Geral das Nações Unidas, adotada em 2001, e têm sido suplementadas por subsequentes resoluções da Assembléia Geral da ONU 2. As recomendações são também enfatizadas em sucessivos relatórios do Secretário-Geral das Nações Unidas 3. A precisão do momento deste relatório, uma década depois do IYV, é crucial já que coincide com um intenso debate sobre os tipos de sociedades que gostaríamos de ver, para nós mesmos e para as futuras gerações. A globalização está transformando rapidamente as normas sociais e culturais, trazendo benefícios para alguns, mas exclusão e marginalização para outros. Muitas pessoas sentem uma perda de controle sobre suas vidas 5. O voluntariado é uma maneira de as pessoas se engajarem na vida de suas comunidades e sociedades. Ao fazê-lo, adquirem uma sensação de afiliação e de inclusão, e, assim, podem influenciar a direção de suas vidas. Em nenhum momento da história o potencial das pessoas para afetar o curso dos eventos que moldam seus destinos, para serem atores principais ao invés de espectadores passivos em suas comunidades, foi tão grande. Na América Latina, nos anos 80, na Europa Oriental, nos anos 90 e, mais recentemente, no mundo árabe, ajudado pela rápida expansão das comunicações digitais, pessoas comunicaram, por meio de campanhas e ativismo, baseados no voluntariado, seu desejo de participar dos processos democráticos.

QUADRO R.2 : O Voluntariado como uma âncora face às mudanças globais “Muitas vezes, as pessoas se sentem impotentes face à globalização, como destroços que flutuam nas ondas, sem uma âncora estável. O voluntariado pode ser uma âncora para as pessoas, enquanto realizam mudanças em suas próprias comunidades.” Fonte: Marian Harkin, [Membro do Parlamento Europeu, Conselho Consultivo de Alto-Nível do VNU]. (2011) 6

O voluntariado precisa ter mais visibilidade no discurso sobre o desenvolvimento global, regional e nacional. O interesse em diversos aspectos do voluntariado tem crescido consideravelmente nos últimos anos. Isto fica evidente ao se observar o crescimento do trabalho acadêmico neste tópico, os diversos fóruns para a discussão do voluntariado e a considerável cobertura dos meios de comunicação, especialmente em conexão com desastres naturais e grandes eventos esportivos, como as Olimpíadas e a Copa do Mundo de Futebol. Há também sinais crescentes de apoio do governo ao voluntariado como uma forma de engajamento civil, não apenas para aumentar os serviços realizados, mas também para promover os valores que sustentam a coesão e a harmonia sociais. Embora o interesse em voluntariado não tenha começado com o IYV em 2001, muitas iniciativas relacionadas ao voluntariado têm sua origem nele. Este relatório não tem a intenção de imitar o trabalho acadêmico existente sobre voluntariado (ver bibliografia). Ao invés disso, apresentamos uma visão do voluntariado e examinamos como ele se relaciona com os principais desafios atuais à paz e ao desenvolvimento. Os exemplos citados são predominantemente de países em desenvolvimento, corrigindo, assim, um pronunciado desequilíbrio nos estudos atuais. No entanto, o relatório tem a intenção de ser global, em sua aplicação. A pioneira resolução 56/38 da Assembleia Geral das Nações Unidas contém recomenda-

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

ções explícitas de que maneira os governos e o sistema das Nações Unidas podem apoiar o voluntariado 7. Entre as principais considerações estão:

•  Negligenciar o voluntariado durante a elaboração e a implementação de políticas pode implicar no risco de subestimar um recurso valioso e minar tradições de cooperação que mantém comunidades unidas. 8

Falsas impressões fundamentais sobre sua natureza e suas contribuições continuam se espalhando para além do mundo ocidental

 Não existe um modelo universal de melhores práticas, já que o que funciona bem em um país pode não funcionar em outro com culturas e tradições muito diferentes 9.

•  

O apoio a atividades voluntárias não implica em apoio à diminuição ou à substituição de funcionários pagos do governo 10 .

O Voluntariado no mundo de hoje Éticas de voluntariado existem em qualquer sociedade do mundo, de diferentes formas. Desde 2001, a pesquisa extensiva aumentou, em muito, nosso entendimento sobre este fenômeno. Entretanto, falsas impressões fundamentais sobre sua natureza e suas contribuições continuam se espalhando para além do mundo ocidental. Não existe uma metodologia acordada para medir a extensão do engajamento no voluntariado. No entanto, a maioria dos estudos atesta a universalidade do voluntariado, sua propagação universal, sua escala massiva e seu impacto. novas faces do voluntariado Oportunidades para o engajamento em ações voluntárias têm-se expandido nos últimos anos, como resultado de fatores como a globalização, a propagação de novas tecno-

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logias e de iniciativas associadas à responsabilidade social empresarial do setor privado. O advento de tecnologias de comunicação móvel e do voluntariado em linha, por exemplo, permitiram que muitas pessoas participassem pela primeira vez como voluntários. A comunicação através de SMS é uma forma de “microvoluntariado” que contribui para a produção e a disseminação da informação. É frequentemente utilizado por pessoas para aumentar a conscientização, informar sobre escolhas e monitorar serviços públicos. O voluntariado em linha, feito através da Internet, tem eliminado a necessidade do voluntário estar atado a locais e horas específicas, com isso, aumenta significativamente a liberdade e flexibilidade do engajamento. O compartilhamento de informações através de redes sociais, como Twitter, Facebook e Orkut, têm ajudado pessoas a se organizar em questões que vão do meio ambiente à mudança democrática, como recentemente aconteceu em alguns Estados árabes. A Internet facilita o voluntariado ao fazer coincidir os interesses das pessoas que procuram se voluntariar com as necessidades das organizações, através de programas como os Voluntários da ONU – Serviço de Voluntariado Online. Ser um membro de comunidades virtuais, com sua base na Internet, também pode suscitar sentimentos de inclusão e de bem-estar. Embora o voluntariado internacional não seja uma novidade, ele tem-se manifestado de novas formas e tem tomado novas dimensões nesta era de globalização. O “Volunturismo”, ou o voluntariado em “gap-year” (período em que estudantes interrompem o estudo ou a atividade profissional, normalmente após o término da faculdade, e viajam pelo mundo), frequentemente por períodos curtos, são novas manifestações e seu impacto está aberto à discussão. Corporações, ONGs, universidades e organizações baseadas em crenças têm se tornando cada vez mais engajadas na facilitação da colocação de voluntários


RESUMo

internacionais. Ademais, há o voluntariado da diáspora, no qual peritos de comunidades emigrantes aceitam missões de curta duração para transferir conhecimento a seus países de origem. Outro fenômeno relativamente novo é o envolvimento do setor privado. Hoje, por volta de uma em cada três empresas grandes oferece algum tipo de apoio ao voluntariado. Há uma tendência de crescimento de colaboração em longo prazo entre empresas do setor privado e ONGs locais.

O voluntariado E o paradigma do desenvolvimento A contribuição do voluntariado para o desenvolvimento é particularmente surpreendente no contexto de modo de vida sustentável e de noções baseadas em valores de bem-estar. Ao contrário das percepções mais comuns, as pessoas de baixa renda são tão propensas ao voluntariado quanto as de renda média ou alta. Fazendo isso, elas se dão conta dos seus próprios recursos, como conhecimento, habilidades e redes sociais, para benefício próprio, de suas famílias e de suas comunidades. Os valores do voluntariado são extremamente relevantes no fortalecimento da capacidade dos mais vulneráveis em garantir uma subsistência segura e aumentar seu bem-estar físico, econômico, espiritual e social. Além disso, o voluntariado pode reduzir a exclusão social que é frequentemente um resultado da pobreza, da marginalização e de outras formas de disparidade. O voluntariado é um caminho de inclusão entre grupos populacionais que com frequência são excluídos, como as mulheres, os jovens e os idosos, pessoas com deficiências, migrantes e pessoas que vivem com o vírus HIV/AIDS. Existem evidências crescentes de que o engajamento voluntário promove os valores cívicos e a coesão social, que diminuem conflitos

violentos em todos os níveis e, ainda, que promove a reconciliação em situações de pós-conflito. Ao contribuir para a construção da confiança, a ação voluntária diminui as tensões que criam conflitos e também pode contribuir para a resolução de conflitos. Além disso, pode criar um propósito comum ao final da guerra. Certamente, as pessoas que se conectam através da participação ativa e cooperação local estão em melhor posição para resolver as suas diferenças sem confronto. A ação voluntária no contexto de desastres naturais tem sido, por muito tempo, uma das manifestações de voluntariado mais visíveis. É também uma das expressões mais claras dos valores humanos que sustentam o intento do cuidado com o próximo. Apesar da tendência dos meios de comunicação de enfocar os voluntários internacionais, frequentemente são vizinhos e residentes locais os primeiros a responder. O papel do voluntariado neste campo se tornou ainda mais proeminente com o aumento das incidências de desastres devido às mudanças climáticas, à urbanização acelerada e a outros fatores. Há um aumento na conscientização internacional de que as nações e comunidades podem e devem construir resistência a desastres através de um processo em forma de iniciativas fixadas na comunidade. Nesse sentido, a Conferência Mundial sobre Redução de Desastres de 2005 declarou que os recursos mais eficazes para a redução da vulnerabilidade são a ajuda que a própria comunidade pode prover, além das organizações e das redes sociais locais. “Colocar as pessoas como foco do desenvolvimento é muito mais do que um exercício intelectual”, diz o RDH de 2010. “Significa fazer com que o progresso seja igualitário e abrangente, possibilitando que as pessoas sejam participantes ativos nas mudanças” 11. O voluntariado pode ser uma maneira altamente eficaz e prática de aumentar a capacidade das pessoas em todos os níveis. Além de fornecer um canal através do qual essas capacidades podem melhorar o bem-estar dos indivíduos, das comunidades e das nações.

Os valores inerentes ao voluntariado outorgam-lhe vasto potencial para o desenvolvimento humano

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Para atingir os objetivos de desenvolvimento internacionais, como os ODM, os esforços voluntários de incontáveis milhões de cidadãos comuns são necessários para auxiliar os esforços de governos e atores internacionais 12. Queremos promover um maior reconhecimento das ricas e diversas formas de voluntariado como uma força poderosa para o progresso. Acreditamos que o voluntariado vai muito além de cumprir uma tarefa dada. Ele cria e sustenta laços de confiança e coesão social e ajuda a forjar um senso comum de identidade e destino. A ação voluntária, pela qual pessoas se unem em trabalhos compartilhados em prol de um bem comum, é uma característica da maioria das sociedades. Assim, influencia as vidas de um vasto número de pessoas ao redor do mundo. Este relatório é uma descrição e uma celebração do impacto positivo do voluntariado, especial-mente no grande número de pessoas que vivenciam a pobreza, a insegurança e a exclusão. Esperamos despertar um interesse pelo voluntariado para além dos praticantes e acadêmicos que já estão engajados no assunto. Queremos auxiliar em futuros debates de políticas sobre paz, desenvolvimento e bem-estar, para que aqueles que fazem as políticas possam levar em conta este grande, mas, infelizmente, invisível e

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inexplorado recurso. Uma tese central que há neste relatório é a de que os valores inerentes ao voluntariado outorgam-lhe vasto potencial para o desenvolvimento humano. Esta noção de desenvolvimento inclui fatores como solidariedade, inclusão social, empoderamento, satisfação de vida, bem-estar individual e social. O bem-estar de indivíduos está intrinsecamente ligado às suas contribuições para com as vidas dos outros. Esses valores se identificam, há muito tempo, com o trabalho das Nações Unidas. Ainda assim, apesar de tudo o que oferece, o voluntariado permanece largamente ausente da agenda da paz e do desenvolvimento. Isto deve mudar. O voluntariado deve ser reconhecido como um recurso renovável poderoso e universal e um componente vital do capital social de cada nação. Tem um grande potencial de fazer diferença, respondendo a muitas das principais preocupações globais. Esperamos que este relatório contribua para uma melhor apreciação de seu potencial e também para encorajar maior pensamento e ação estratégica para incorporar o voluntariado dentro das principais políticas e programas para a paz e o desenvolvimento.


1 O VOLUNTARIADO é UNIVERSAL

CAPÍTULO 1

O voluntariado é universal

O voluntariado é uma expressão do envolvimento do indivíduo em sua comunidade. Participação, confiança, solidariedade e reciprocidade, alicerçadas num mútuo entendimento e num sentido de dever comuns, são valores que se reforçam mutuamente e que se encontram no coração da governabilidade e da boa cidadania. O voluntariado não é uma relíquia nostálgica do passado. É a nossa primeira linha de defesa contra a atomização social num mundo globalizado. Hoje em dia, talvez mais do que nunca, a assistência e a participação são uma necessidade e não apenas um ato de caridade. Programa VNU (novembro de 2000).

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

O voluntariado E os valores tradicionais O voluntariado é uma das expressões mais básicas do comportamento humano e surge de antigas tradições de partilha e de intercâmbios, já há muito estabelecidas. No seu centro estão as relações e o seu potencial para aumentar o bem-estar dos indivíduos e das comunidades. A coesão social e a confiança, QUADRO 1.1  Formas tradicionais de voluntariado Em muitos países, o voluntariado encontra-se profundamente enraizado nas crenças tradicionais e práticas comunitárias. Na Noruega, por exemplo, o termo Dugnad descreve o trabalho voluntário coletivo: um esquema tradicional de cooperação no seio de um grupo social como a família, o bairro, a comunidade, a área geográfica, o setor profissional ou a nação. As limpezas do exterior, na primavera, nas áreas urbanas, são um exemplo disso. Dugnad significa contribuir com tempo ou dinheiro. Trata-se também de criar um sentido de comunidade e de construir relações entre os vizinhos e os membros de uma comunidade. No mundo Árabe, o voluntariado tem sido associado a ajuda aos outros em celebrações ou em tempos de dificuldade e é considerado um dever religioso e uma obra de caridade. Voluntariado, em Árabe, é (tatawa’a) (‫)تطوع‬, que significa doar alguma coisa. Também significa comprometer-se com uma obra de caridade que não seja uma exigência religiosa. Tem origem na palavra (al-taw’a) (‫)الطوع‬, que significa conformidade, suavidade e flexibilidade. O conceito tem tomado novas formas em consequência da modernização e do desenvolvimento de instituições governamentais e não-governamentais. No sul da África, o conceito de Ubuntu oferece uma definição do indivíduo em relação aos outros. Nas palavras de Nelson Mandela: “Um viajante atravessando o país para em uma aldeia e não tem que pedir por comida e por água. Os aldeões oferecem-lhe comida e acolhem-no assim que ele chega. Esta é uma das características do Ubuntu, mas existem ainda vários outros aspectos. Ubuntu não quer dizer que as pessoas não possam procurar enriquecer. A questão, assim sendo, é: você vai fazer dessa forma para contribuir para o progresso da comunidade que lhe rodeia?” Fontes: Haugestad. (2004, julho 25-30); Leland. (2010, agosto 29); Mandela. (2006, junho 1); Nita Kapoor, [Diretor-Geral, Fredskorpset (FK Norway)], Comunicação Pessoal. (2011, julho 27); Shatti. (2009).

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por exemplo, prosperam em lugares onde o voluntariado é prevalente. O voluntariado é não só a coluna vertebral das organizações da sociedade civil e dos movimentos sociais e políticos, mas também de muitos programas de saúde, educação, moradia e ambiente, e de todo um conjunto de outros programas da sociedade civil, dos setores público e privado, pelo mundo inteiro. É uma parte integral da sociedade. No coração deste relatório se encontram valores. Os sistemas caracterizados pela solidariedade, a compaixão, a empatia e o respeito pelos outros encontramse profundamente enraizados em muitas comunidades no mundo inteiro, exprimindose frequentemente pela doação do tempo de cada um. O voluntariado também demonstra o desejo de agir segundo os nossos sentimentos de justiça e de imparcialidade face à desigualdade, e de promover a harmonia social com base num interesse comum, no bem-estar da nossa comunidade. Existem palavras para exprimir o conceito de voluntariado na maioria das línguas. Frequentemente, inspiradas nas tradições indígenas, essas palavras descrevem as principais formas segundo as quais as pessoas podem aplicar coletivamente a sua energia, os seus talentos, os seus conhecimentos e outros recursos para o benefício comum. O ato do voluntariado é bem conhecido pelo mundo inteiro, mesmo que a palavra em si não o seja. Por exemplo, encontramos alguns elementos da filosofia do Ubuntu, bastante comum pelo sul da África, em muitas outras tradições no mundo inteiro 1. O Ubuntu valoriza o ato de cuidar do bem-estar um do outro num espírito de apoio mútuo. Baseiase no reconhecimento do valor humano, nas relações comunitárias, nos ideais do homem e no respeito pelo ambiente natural e pelos seus recursos 2. Como explica um jornal oficial do Governo na África do Sul: “A humanidade de cada indivíduo exprime-se idealmente através da sua relação com os outros. O Ubuntu significa que as pessoas são pessoas através


O VOLUNTARIADO é UNIVERSAL

das outras pessoas. Também reconhece tanto os direitos como as responsabilidades de cada cidadão na promoção do bem-estar individual e comunitário.” 3 O voluntariado que Passa Despercebido O voluntariado ainda passa despercebido sob o radar dos legisladores preocupados com a paz e o desenvolvimento, apesar dos 10 anos de legislação intergovernamental adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. No entanto, a ação voluntária é tão importante que muitas sociedades teriam dificuldades em funcionar sem ela. Um bom exemplo está nas previsões meteorológicas. Podemos não pensar muitas vezes sobre como são produzidas, mas têm um impacto significativo sobre as nossas vidas, a nossa saúde, os nossos tempos livres e a nossa atividade produtiva. Além disso, refletem os esforços de várias pessoas que agem em uma base de voluntariado. Isto acontece porque os dados recolhidos por satélite e radares meteorológicos são mais úteis quando combinados com aquilo que está acontecendo na terra. Os voluntários que medem e transmitem os dados da precipitação local são essenciais para calibrar a informação recolhida através da teledetecção e para tornála mais precisa. Em muitas áreas geográficas, os voluntários fornecem mais pontos de referências diários do que as redes de observação oficiais 4. Podemos encontrar exemplos de voluntariado que passam despercebido por todo o largo espectro do trabalho das Nações Unidas. O voluntariado é universal e imenso, representando uma enorme reserva de habilidades, energia e conhecimento local para a paz e o desenvolvimento. No entanto, não existe nenhum estudo compreensivo e comparativo do voluntariado mundial. A maioria dos países desenvolvidos possui estudos nacionais próprios. Esforços iniciais para mapear o estado do voluntariado têm

sido realizados em um número limitado de países em desenvolvimento, em grande parte sustentados pelo VNU. Dentre os desafios da pesquisa sobre o voluntariado, destacam-se principalmente três. Primeiro, não existe um acordo comum sobre o que é o voluntariado e de que forma se manifesta; segundo, existem percepções erradas generalizadas, que contradizem dados empíricos e informação sem base em estatísticas, que ocultam a natureza e a dimensão do voluntariado; e, terceiro, não existe nenhuma metodologia acordada para avaliar o volume e o valor da ação voluntária.

O voluntariado ainda passa despercebido sob o radar, no entanto, muitas sociedades teriam dificuldades em funcionar sem ele

O que é o voluntariado? Esta pergunta parece simples, mas a literatura acadêmica e os enquadramentos legais nacionais revelam múltiplas definições. Em algumas partes do mundo em desenvolvimento, o termo “voluntário” é uma recente importação do norte e se refere essencialmente a manifestações do voluntariado internacional. No entanto, esta QUADRO 1.2   Voluntários nas previsões meteorológicas A Organização Meteorológica Mundial (OMM) escolheu “Voluntários para o Tempo, o Clima e a Água” como tema para o Dia Meteorológico Mundial de 2001, como forma de dar maior reconhecimento e proeminência à contribuição de voluntários para a meteorologia e a hidrologia. De fato, voluntários, indivíduos e instituições, como escolas e grupos religiosos, têm ajudado os meteorologistas e hidrologistas desde os primeiros tempos destas ciências, especialmente no seu trabalho operacional e na promoção das ciências. Os voluntários dessa área são conhecidos pela sua perseverança e pelo seu compromisso, e por compartilharem da fascinação pelos fenômenos meteorológicos e hidrológicos. Em alguns países, especialmente em caso de desastres naturais, os voluntários são frequentemente chamados para medirem e comunicarem dados em tempo quase real, tal como a precipitação, a temperatura e os níveis das águas dos rios, para serem usados em alertas rápidos às populações ameaçadas. Observadores de tempestades voluntários fornecem informação atualizada na terra que muitas vezes complementa a informação oferecida pelos radares e satélites meteorológicos. Fonte: OMM. (2001).

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definição não reconhece que as formas de apoio mútuo e autoajuda, que estão incluídas neste relatório, são também abrangidas pela definição de voluntariado e merecem ser estudadas e reconhecidas como tal. A definição com que nós trabalhamos foi adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2001.

Os três critérios de livre arbítrio, motivação não financeira e benefício para os outros podem ser aplicados a qualquer ação para avaliar se é ou não voluntariado

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Em primeiro lugar, a ação deve ser realizada voluntariamente, de acordo com o livre arbítrio do indivíduo e não por obrigação estipulada por lei, por contrato ou por requisitos acadêmicos. A decisão de se tornar voluntário pode ser influenciada por pressão social, valores pessoais ou obrigações culturais ou sociais, mas o indivíduo deve ter a habilidade de escolher participar ou não. O “voluntariado obrigatório”, como o serviço comunitário como alternativa ao serviço militar ou como pena privativa de liberdade para autores de crimes, não está incluído neste relatório. Não existe aqui qualquer juízo de valor sobre estas formas de serviço. Podem revelar-se positivas em certas circunstâncias, semeando até as sementes de um futuro voluntariado. Em segundo lugar, a ação não deve ser primeiramente realizada tendo em vista compensação financeira. Pode ser justificado algum reembolso de despesas ou pagamentos de estipêndio. Estes tipos de pagamento são frequentemente considerados como sendo boas práticas por tornarem as oportunidades de voluntariado mais acessíveis e inclusivas. Ações realizadas com salário integral, tais como o voluntariado realizado durante o horário de trabalho, são também reconhecidas como voluntariado, contanto que o funcionário não receba nenhum outro incentivo financeiro. Nestes casos, entende-se que a empresa está voluntariamente a despender o tempo de trabalho do funcionário, sendo assim, é um aspecto de responsabilidade social empresarial. Os parâmetros da nossa definição também incluem programas de colocação voluntária em tempo integral,

tanto nacionais como internacionais, que podem pagar ajudas de custo, normalmente calculadas com base nas despesas locais. Estas ajudas têm em conta os custos associados com morar longe do ambiente familiar e com a ausência da habitual fonte de rendimentos. Em terceiro lugar, a ação deve ser realizada para o bem comum. Deve beneficiar, direta ou indiretamente, pessoas exteriores à nossa família ou lar, ou então beneficiar uma causa, muito embora a pessoa que se voluntaria também se beneficie. Em muitas culturas, o voluntário é frequentemente descrito como “alguém que trabalha para o bem-estar da comunidade” 5. A noção daquilo que constitui o bem comum pode ser polêmica. Por exemplo, quando as pessoas participam de formas pacíficas de ativismo a favor ou contra a pesquisa animal ou a construção de uma barragem, ambos os lados procuram aquilo que consideram ser resultados positivos. Elas estão incluídas na nossa definição. Já as atividades envolvendo ou incitando a violência, e que causam danos à sociedade, e as ações que não correspondem aos valores atribuídos ao voluntariado não estão incluídas na nossa definição. Os três critérios de livre arbítrio, motivação não financeira e benefício para os outros podem ser aplicados a qualquer ação para avaliar se é ou não voluntariado. As Nações Unidas utilizam uma abordagem de diversidade ao reconhecerem as muitas e variadas manifestações de voluntariado encontradas em diferentes contextos sociais e culturais. 6 Um outro parâmetro do voluntariado que pode ser algumas vezes mencionado é o elemento de organização. A maioria dos estudos empíricos ocupa-se do voluntariado realizado no seio de organizações formais. No entanto, focar-se apenas neste aspecto do voluntariado não leva em conta uma grande quantidade de ações voluntárias. A nossa definição é mais abrangente. Inclui muitos atos de voluntariado que ocorrem fora do contexto


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formal. Esta definição muito ampla reflete o que nós acreditamos ser a natureza universal do voluntariado. As pessoas realizam obviamente inúmeros atos de bondade, tais como cuidar de alguém que esteja doente, ajudar os filhos do vizinho com os trabalhos de casa, ou dar comida e abrigo a um estranho. Reconhecemos que “voluntariado” está geralmente associado a atos em que são despendidos tempo, energia e competências, de boa vontade e gratuitamente. Tais atos são parte vital das sociedades nas quais altos níveis de bem-estar são encontrados e nas quais a maioria das pesquisas indica uma correlação positiva com o voluntariado. Este relatório concentra-se em grande parte sobre a ação voluntária realizada com regularidade. A principal exceção está na efusão espontânea e desorganizada de voluntariado que encontramos geralmente após desastres naturais ou outros tipos de emergências, quando os atos individuais se unem em uma massa crítica com um impacto significativo. Estes casos tendem a ser bastante bem documentados.

como se expressa o Voluntariado? A primeira e mais facilmente reconhecida manifestação do voluntariado é a prestação formal de um serviço, ou seja, a oferta de um serviço a terceiros. Normalmente, ocorre no contexto de estruturas existentes, abrangendo uma grande variedade de campos sociais, culturais e de desenvolvimento. Tais organizações, quer estejam formalmente registradas ou não, podem ajudar a fornecer uma grande quantidade de serviços, incluindo a construção de casas a baixo custo; a assistência e apoio a pessoas com HIV/ AIDS; a divulgação de informação sobre o uso das redes mosquiteiras contra a malária; o ensino de competências literárias básicas; e a participação em associações de pais e

professores. Esta forma de voluntariado pode envolver a prestação de um serviço ou angariar e gerir fundos para apoiar o serviço. Existe normalmente um acordo sobre os termos do compromisso entre a pessoa que se voluntaria e a organização em questão, que inclui um elemento de treinamento. Podem existir sistemas de reconhecimento, assim como alguma forma de ajuda de custo ou reembolso das despesas. Uma segunda forma de voluntariado é a ajuda mútua ou a autoajuda, quando pessoas que partilham necessidades, problemas ou interesses unem forças para lidar com eles. Durante este processo, os membros do grupo se beneficiam. Alguns exemplos são grupos de jovens liderados por jovens, associações de mulheres e grupos de uso dos recursos naturais. Em muitas culturas, comunidades inteiras participam em esforços coletivos, como plantar ou fazer a colheita, construir defesas contra as inundações, recolher lenha para uso comunitário e organizar casamentos e funerais. Em algumas sociedades, as atividades voluntárias são estruturadas na comunidade. A reciprocidade toma também a forma de grupos de autoajuda em que as pessoas se juntam para expressar preocupações comuns, abrangendo frequentemente problemas mentais, emocionais ou físicos. Além de terem reuniões face a face, que fornecem apoio moral e oferecem um espaço para a partilha de informação, eles podem também se engajar em outros tipos de suporte. É muitas vezes o caso, por exemplo, dos grupos de apoio do HIV/ AIDS. Também encontramos a ajuda mútua em associações profissionais como sindicatos. Ao mesmo tempo que protegem os interesses dos seus membros e promovem o seu bemestar, eles procuram também solucionar as preocupações sociais da comunidade. Do mesmo modo, o voluntariado encontra-se em corpos científicos e acadêmicos e associações empresariais e comerciais. Estas organizações possuem normalmente dirigentes e órgãos sociais eleitos pelos membros e que desempenham funções a título voluntário. 5


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QUADRO 1.3  Ensinar os pobres na Índia Teach India foi, em 2008, a maior campanha de alfabetização realizada por voluntários que ensinaram crianças e adultos não privilegiados nas cidades da Índia. A iniciativa foi lançada pelo jornal The Times of India, com o apoio do Programa dos Voluntários das Nações Unidas (VNU). Teve como objetivo facilitar os progressos para alcançar a educação primária para todos, um dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) das Nações Unidas. O The Times of India lançou uma vasta campanha nos meios de comunicação com o slogan: “O que vais ensinar aqui não vai ajudar uma criança a atingir o próximo ano escolar. Mas um futuro livre da pobreza e das privações” No espaço de alguns dias, a campanha mobilizou profissionais da ativa e aposentados, homens e mulheres, assim como estudantes, que se comprometeram a ensinar, durante três meses, em uma das mais de 60 ONGs envolvidas. O recrutamento dos voluntários iniciou-se com o lançamento em 6 de julho. Quando foram encerradas as candidaturas, tinham-se inscrito 83.000 homens e mulheres. Piyush Dhawan, um estudante de Administração na Universidade de Deli, juntou-se a uma organização sem fins lucrativos que ensinava crianças não privilegiadas na capital. Ele diz que: “Teach India ofereceu a plataforma perfeita para as pessoas que partilham dos mesmos ideais de combate as desigualdades sociais e educacionais na Índia. Tive a oportunidade de atrair alunos com diferentes níveis de conhecimento de informática e introduzir conhecimentos básicos de Inglês, o que também me ajudou a crescer pessoalmente. ‘Teach India’ tem o potencial de catalisar e desenvolver um movimento nacional que pode oferecer oportunidades a muitas das crianças não privilegiadas da Índia.”

Fontes: itimes. (2008); Times of India. (2008, July 6); UNV. (2008a).

Existem também muitas ações voluntárias que podem ser descritas da melhor forma como “participação cívica”. Existe, por exemplo, a promoção e as campanhas que procuram realizar ou evitar mudança. A participação 6

cívica implica campanhas locais, de pequena escala, com uma duração limitada. Pode-se incluir, por exemplo, pressionar as autoridades locais para que assegurem a iluminação de uma rua, a eliminação de resíduos ou água potável, ou fazer campanha para impedir uma empresa de construir uma fábrica poluidora de processamento nas vizinhanças.

Em outros casos, a ação voluntária em pequena escala pode ganhar ímpeto e desenvolver-se numa campanha nacional, como o movimento antiapartheid na África do Sul ou o movimento Chipko na Índia. Este último começou nos anos 70 com um pequeno grupo de mulheres camponesas nos Himalaias de Uttarakhand, que lutavam pela proteção de suas floresta. Este movimento cresceu e tornou-se um movimento nacional que conseguiu que fossem impostas proibições à derrubada de árvores em muitas partes do país 7. Mais recentemente, alguns estados árabes têm visto um grande número de manifestantes lutando ativamente para conseguir mudança democrática através de demonstrações de rua e de outras formas de protesto. Movimentos sociais podem tornar-se globais quando um conjunto de organizações, campanhas, rede e indivíduos se unem em torno de questões sociais, como defender os direitos das mulheres ou dos povos indígenas, ou eliminar as minas terrestres. Em todos estes casos, as pessoas provém o apoio direto, o entusiasmo e a modo de vida que acabam por transformarem o status quo. Para além dos benefícios diretos deste tipo de voluntariado, existem outros benefícios para a sociedade que são mais intangíveis. A ação voluntária dá às pessoas o sentimento de controle de certos aspectos das suas vidas sobre as quais se preocupam plenamente. O voluntariado como manifestação da participação cívica está frequentemente associado à religião que, tal como o voluntariado, é fortemente baseada em valores. Todas as grandes religiões reconhecem


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QUADRO 1.4 Cooperativas agrárias ajudam os agricultores zambianos a sobreviver e a prosperar Roteiro de rádio 8 (Excertos): Apresentador: O setor agrícola na Zâmbia depara-se com vários desafios, incluindo o clima, que se vai tornando mais severo, desestabilizando as colheitas e a produção animal… As cooperativas agrárias oferecem uma estratégia para mitigar as crises em muitas comunidades rurais na Zâmbia… A adesão às cooperativas é voluntária e aberta; são democraticamente controladas pelos seus membros; os seus membros participam economicamente das atividades; são independentes do controle do governo ou da indústria; oferecem educação, formação e informação aos seus membros; e consagram-se à sua comunidade local. Por que você criou a Cooperativa Nakabu? Agricultor: Em 2006, cultivei dois hectares de terra e plantei milho para depois vender e sustentar a minha família. Mas, infelizmente, Mumbwa foi atingida por uma seca nesse ano e eu acabei por colher pouco, muito pouco até para nos alimentarmos em casa; menos ainda para vender e mandar os meus seis filhos à escola. A vida tornou-se difícil para mim e para a minha família. Juntei-me com quatro amigos meus, que também eram agricultores na minha área, e discutimos a ideia de formar uma cooperativa agrícola, para fazermos agricultura seriamente e encontrarmos maneiras de sobreviver. Apresentador: Quantos membros havia no início? Agricultor: Havia um total de 49 membros… Todos os membros têm um voto igual – um membro, um voto, e assim todos são iguais dentro da cooperativa. Depois de reunir o nosso dinheiro, compramos milho de agricultores das aldeias vizinhas e depois viajamos a Lusaka e vendemos o milho para uma empresa de moagem. Foi fácil vender o milho porque éramos um grupo e tínhamos um grande volume ao combinar as nossas colheitas. Apresentador: Que diferenças têm observado nas suas vidas desde que começaram esta cooperativa? Agricultor: Têm havido muitos progressos na minha vida como indivíduo, assim como na vida de outros membros. Falando por mim mesmo, todos os meus seis filhos estão agora na escola. ... Existem tantas cooperativas com habilidades diferentes. Vamos-nos visitando, uns aos outros, para aprendermos… Aprendemos novas técnicas para reduzir os danos causados por inundações e para conservar a água em tempos de seca. A Cooperativa Nakabu está indo muito bem mesmo com todos os desafios enfrentados pelo setor agrícola neste país, porque estamos unidos e porque trabalhamos juntos para garantir o futuro das nossas famílias. Fonte: Banda. (2008).

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Uma análise adequada da universalidade do voluntariado requer que a névoa que envolve a ação voluntária seja dissipada, de forma a revelar a verdadeira dimensão de seus contornos

os benefícios da doação, em termos de justiça, humanidade e bondade, assim como realização pessoal. Os estudos mostram que, em termos gerais, as pessoas religiosas são mais empenhadas do que as não religiosas 8 . Para a maioria das religiões, o trabalho comunitário faz parte da congregação, seja ajudando nas atividades relacionadas com o culto ou incentivando os membros a utilizarem os seus conhecimentos, competências e energia para o benefício da comunidade em geral. O tipo de voluntariado que é promovido pode variar entre o serviço direto a pessoas não privilegiadas, serviços de educação e saúde, e assistência pela mudança de situações sociais em áreas como o ambiente e os direitos civis 9. Na América Latina, por exemplo, as igrejas têm um papel importante no apoio a programas e organizações que se baseiam no voluntariado e que promovem o desenvolvimento social e econômico. Fornecem voluntários que possuem um forte sentimento de pertença à comunidade 10. As organizações religiosas (faith-based organizations, FBOs) envolvem um grande número de voluntários. Muitas destas organizações concentram-se nas pessoas que vivem na extrema pobreza, como é o caso da chilena Hogar de Christo – Lar de Cristo, uma organização jesuíta que promove a inclusão social dos pobres 11. Na Tailândia, a Interfaith Network on HIV/AIDS mobiliza voluntários das comunidades budista, muçulmana, católica e protestante do país inteiro, para organizar atividades de cuidado domiciliar com as pessoas afetadas pela Aids nas áreas mais remotas 12. Organizações religiosas internacionais, tais como a World Vision e a Islamic Relief, reúnem um número significativo de voluntários. A Cáritas, com o seu enfoque na redução da pobreza e da injustiça, ajuda cerca de 24 milhões de pessoas por ano, com 440.000 funcionários assalariados e cerca de 625.000 voluntários no mundo inteiro 13. De acordo com o Fundo Global de Luta contra o HIV/Aids, a Tuberculose e a Malária, as

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organizações religiosas são fundamentais para levar cuidados de saúde às áreas rurais e cuidar de órfãos em muitas partes do mundo em desenvolvimento: “Um componente essencial da resposta mundial a essas doenças é o trabalho realizado pelas organizações religiosas. Historicamente, as organizações religiosas têm estado na vanguarda da luta contra as doenças no mundo em desenvolvimento. Oferecem prevenção, tratamento e apoio crucial àqueles que mais precisam. Isto é particularmente importante em áreas rurais ou isoladas ao redor do mundo, onde o trabalho das organizações religiosas tem um impacto direto sobre as vidas de milhões de crianças e famílias.” 14 As muitas e variadas categorias do voluntariado constituem um sério desafio para avaliar o tamanho e a dimensão do voluntariado, e contribuem às falsas percepções que rodeiam o voluntariado. O que fazem, no entanto, é refletir a riqueza e a natureza abrangente da ação voluntária. “Palavras como “voluntariado” são tanto conceitos populares quanto científicos… O seu significado é muitas vezes contestado. As pessoas não chegam a um acordo sobre o que deveria contar como voluntariado. Por vezes, utilizam palavras como “voluntariado” como rótulos que são associados a pessoas e às suas ações para as denegrir; de outra maneira, as mesmas palavras podem ser utilizadas para indicar aprovação.”15 De um modo geral, as percepções acima descritas são categorizadas no que tem sido denominado como o “paradigma dominante” 16 do voluntariado. Uma análise adequada da universalidade do voluntariado requer que a névoa que envolve a ação voluntária seja dissipada, de forma a revelar a verdadeira dimensão de seus contornos. Quando a escala do voluntariado for realmente reconhecida, tornar-se-á possível analisar a sua contribuição para os problemas globais. O resto deste relatório utiliza o quadro das Nações Unidas de livre arbítrio, motivação não financeira e benefício para os outros


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como sendo os parâmetros definidores do voluntariado. Prestação formal de serviços, ajuda mútua e autoajuda, e participação cívica, são utilizados para definir estas manifestações. No entanto, é importante destacar que a manifestação de voluntariado é também influenciada por circunstâncias culturais e sociais. Percepções equivocadas comuns sobre o voluntariado Existe uma série de interpretações errôneas que impedem um entendimento adequado da universalidade do voluntariado, apesar de serem largamente contraditas por um crescente número de provas empíricas e circunstanciais. Devemos apagar estas ilusões de forma a revelar a verdadeira dimensão do voluntariado e tornar possível uma análise das suas contribuições para as questões globais.

QUADRO 1.5  A primavera árabe – o Egito em Cores Depois de 25 de janeiro de 2011, um dia em que centenas de pessoas protestaram pacificamente no Cairo, cinco estudantes graduadas em belas artes decidiram falar com a multidão em sua própria língua: arte. No dia 11 de fevereiro, as cinco jovens criaram um simples grafite em um muro, com mensagens de motivação: “Com ciência e muito trabalho, as nações avançam”, “Tafa’al” (sejam otimistas). Inspiradas pelas respostas positivas da iniciativa, as jovens compreenderam que podiam alcançar toda a comunidade egípcia com uma mensagem criativa para fazer a diferença nos seus dias, utilizando a arte e as cores nas ruas. As jovens artistas decidiram pintar um enorme muro em Maadi, um subúrbio do Cairo. Anunciaram-no no Twitter e no Facebook, convidando mais pessoas a juntarem-se a elas. Ficaram surpreendidas com o empenho entusiástico da comunidade local. Oitenta e cinco voluntários juntaram-se a elas para pintar, incluindo uma dúzia de crianças interessadas. Os membros da comunidade não só viram as paredes ganharem cores novas e brilhantes, mas também participaram do processo, ao se voluntariem para limpar a área.

Percepção equivocada 1: O voluntariado ocorre exclusivamente através de ONGs formais, estruturadas e legalmente reconhecidas, normalmente em países desenvolvidos, com algum tipo de acordo entre o voluntário e a organização. Dado que estas organizações estão predominantemente localizadas em países desenvolvidos, isto contribui para a noção de que encontramos a maioria do voluntariado nesses países. Na realidade, muito do voluntariado descrito neste relatório ocorre através de pequenos grupos, clubes e associações locais, que são o fundamento de uma sociedade civil tanto em países industrializados como em desenvolvimento.

existe uma fraca cultura de participação em grupos formais 17.

Além disso, provas empíricas nos países em desenvolvimento mostram um panorama diferente. Para se referir apenas a um exemplo, estudos no México descobriram que a maior parte da ação voluntária ocorre fora das organizações formais. Isto acontece porque as circunstâncias legais e fiscais no México não incentivam a criação de organizações formais da sociedade civil. Ainda por cima,

Percepção equivocada 2: O voluntariado ocorre apenas no setor da sociedade civil. Isto é falso. A ação voluntária é universal; não acontece exclusivamente num só “setor”, mas permeia todos os aspectos da vida. Muitos serviços do setor público, por exemplo, dependem de voluntários: serviços escolares e hospitalares, policiamento de bairro, guarda costeira e bombeiros

Entusiasmadas com esta experiência, as jovens decidiram criar um grupo que chamaram de “Egypt in Colors” – Egito em Cores. O grupo tem agora 25 jovens membros, mulheres e homens, com um ponto em comum: o seu amor pelo Egito e pela arte. Eles têm agora novos projetos em várias escolas e comunidades do Cairo e pretendem espalhar as suas mensagens inspiradoras e motivacionais por todo o Egito.

Fonte: Teen Stuff magazine. (2011, August).

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dependem de voluntários. Encontramos também o voluntariado em programas sociais do governo em escala nacional, em áreas como a imunização e a alfabetização. Desde 1988, a Iniciativa Global para a Erradicação da Pólio, encabeçada por governos nacionais, a Organização Mundial da Saúde, o UNICEF e o Rotary International, já imunizou mais de 2,5 bilhões de crianças contra a pólio, graças a uma cooperação sem precedentes por parte de mais de 200 países e 20 milhões de voluntários, majoritariamente locais e apoiados por um investimento de mais de

QUADRO 1.6  Parcerias públicas e comunitárias contra a pobreza e a tuberculose A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa associada à pobreza e ao baixo rendimento. A doença atingiu proporções epidêmicas no Karakalpakstan, uma região semiautônoma do Uzbequistão, e agrava a pobreza na região. O Ministro da Saúde Uzbeque está tomando medidas contra o elevado grau de pobreza e a tuberculose, em conjunto com as Nações Unidas, a sociedade civil local, o governo distrital e os Mahalla, comissões locais tradicionais e voluntárias que apoiam a assistência social e melhoram o modo de vida. Desde 1994, os Mahalla têm adquirido cada vez mais responsabilidade na canalização da assistência social recebida do Governo Central. Foram instruídos 32 Formadores Comunitários Voluntários através das Comissões Mahalla e das autoridades locais. Estes, por sua vez, recrutaram e formaram mais 30 voluntários. Após três ciclos de formação, existem perto de 3.000 voluntários trabalhando para a conscientização da tuberculose, ajudando no reforço dos sistemas de cuidados de saúde e no abastecimento de água, ajudando no tratamento eficaz dos doentes com tuberculose e promovendo atividades geradoras de rendimentos com base familiar entre os pacientes com tuberculose e a sua família imediata. “Graças aos Voluntários Comunitários e o seu árduo trabalho, mais pessoas visitam agora o médico com antecedência, o que é extremamente importante para o tratamento de tuberculose,” (N Orazimbetova, 2011).

Fontes: UNDP. (2011); Nesibele Orazimbetova [Médico-chefe, districto de Karauzyak], Discurso de inauguração do dispensário para a tuberculose. (14 January 2011).

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8 bilhões de dólares americanos. Em 2006, restavam apenas quatro países em que não estava erradicada a transmissão, e o número de casos anual tinha decrescido em mais de 99 por cento 18. Além disso, a participação voluntária no setor privado tem crescido gradualmente desde a metade da década de 1990, em grande parte no contexto da Responsabilidade Social Empresarial (RSE/C). Este setor emprega uma parte significativa da população mundial, muitos dos quais são voluntários. O voluntariado é uma manifestação importante da RSE, sendo que mais de 90 por cento das empresas Fortune 500 possuem programas formais de voluntariado e de caridade para os funcionários 19. Percepção equivocada 3: O voluntariado está reservado aos mais favorecidos e bem educados, àqueles que podem dispensar tempo e dinheiro. Na verdade, um conjunto crescente de estudos empíricos indica que o voluntariado é prevalente entre aqueles que têm um baixo rendimento e que realizam trabalho voluntário para seu próprio benefício e o de sua comunidade. Os seus recursos, incluindo conhecimento local, competências, trabalho e redes sociais, adquirem frequentemente um papel muito importante na sobrevivência aos estresses e choques, tal como é discutido no Capítulo 4 sobre Voluntariado e Meios de Vida Sustentáveis. Um estudo do Banco Mundial, que se concentra sobre os mais pobres dentre os pobres, destacou a necessidade de descobrir “redes sociais de solidariedade” que já existem e salienta que a mobilização das comunidades locais começa frequentemente na identificação de grupos locais, tais como centros comunitários 21. Um outro estudo sobre a transformação de bairros pobres e com dificuldades, dos Estados Unidos, concluiu: “Entre os recursos [comunitários] mais subestimados encontram-se as redes que ocorrem naturalmente, através das quais


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os vizinhos e residentes se voluntariam para lidar com, e resolver problemas comuns. Uma maior atenção estratégica a estas redes, assim como um maior cuidado e uso das mesmas, poderia resultar numa grande contribuição para uma transformação sustentável da comunidade impulsionada pelos moradores.”22 Percepção equivocada 4: O voluntariado é do domínio dos amadores, que não possuem competências nem experiências. Este mal-entendido nasce da ideia de que o profissionalismo, tanto em conhecimentos como em compor tamento, está exclusivamente associado a um trabalho remunerado. Pode também ser influenciado pela impressão de que a maioria dos voluntários são pessoas jovens. Ao longo deste relatório, são feitas referências a mulheres e homens profissionalmente qualificados e inspirados pelos valores que alimentam o voluntariado. Estes podem ir de advogados pro bono a bombeiros voluntários e médicos, que escolhem aplicar o seu conhecimento e os seus muitos anos de experiência à ação voluntária. Percepção equivocada 5: As mulheres constituem a maioria dos voluntários. Outra vez, errado. Enquanto certos estudos indicam que é ligeiramente mais provável que as mulheres se tornem voluntárias, os homens e as mulheres se voluntariam pelo mesmo número de horas aproximadamente. A percepção de que há uma predominância feminina no voluntariado deriva parcialmente da associação, em particular, com a oferta de serviço social e com os cuidados de saúde. O movimento feminista dos anos 1970 descreveu o voluntariado como uma extensão do trabalho doméstico da mulher fora de casa 23. Enquanto as mulheres predominam em áreas como o cuidado voluntário de crianças ou de pessoas idosas, e cuidados paliativos, os homens parecem dominar no desporto, no ambiente, no salvamento do fogo ou do mar 24. Podemos argumentar, de forma mais

QUADRO 1.7  Filantropia Africana – uma forte tradição A filantropia africana não requer apresentação, porque os africanos possuem fortes tradições de autoajuda, autoapoio, instituições voluntárias, rotação de crédito e associações, como os stokvels sul-africanos. No entanto, não fomos ainda capazes de explorar esta tradição e não costumamos pensar nas suas diferentes manifestações como possíveis ferramentas de desenvolvimento 20. Fonte: Wilkinson-Maposa, Fowler, Oliver-Evans & Mulenga. (2005).

convincente, que o voluntariado reforça os estereótipos masculino e feminino, nos quais o trabalho voluntário das mulheres ocorre em áreas do mercado de trabalho remunerado que estão associadas a uma condição jurídica e social mais baixa. O trabalho voluntário dos homens ocorre tipicamente no “domínio público”, em atividades cívicas e profissionais que incluem prestar serviços em conselhos de organizações. Por outro lado, as voluntárias encontram-se no “domínio privado”, ajudando aqueles que precisam. Um estudo sobre mulheres profissionais de saúde voluntárias, em Lima, no Peru, demonstra como trabalhar nos cuidados de saúde é visto como sendo uma extensão do seu papel maternal. Um estudo da África do Sul e do Zimbabwe, sobre mulheres que oferecem cuidados aos doentes do HIV/AIDS, chegou a uma conclusão semelhante 25. Entre os ativistas, os homens envolvem-se mais em campanhas nacionais, enquanto é mais provável que as mulheres participem de campanhas locais 26. As Nações Unidas reconheceram a necessidade de evitar os estereótipos de gênero ao realçar a necessidade de garantir “que estejam abertas oportunidades de voluntariado em todos os setores tanto para homens quanto para mulheres, dados os seus diferentes níveis de participação nas diferentes áreas.” 27 Percepção equivocada 6: Os jovens não se voluntariam. Pelo contrário, os jovens não são um grupo passivo a espera que os recursos e as oportunidades lhes sejam apresentadas. Eles são ativamente envolvidos 11


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no desenvolvimento das suas sociedades, através de um vasto conjunto de ações. A organização Un Techo para mi País (Um teto para o meu país) é um exemplo bem conhecido da América Latina. É também verdade, no entanto, que muitos jovens consideram a participação através de organizações formais menos atraente do que no passado. Estas oportunidades vão em si mesmas diminuindo em número, à medida que a economia global e as instituições sociais e políticas sofrem alterações profundas 28. No entanto, o compromisso dos jovens com a participação cívica permanece forte, mesmo que pareça que haja uma mudança na direção da participação em situações não-formais e menos estruturadas. O ativismo social e político, que oferece formas de participação informais e não hierarquizadas, é mais atraente aos jovens. O “Irpinskyi velorukh”

QUADRO 1.8  Da construção de casas a uma cidadania ativa Em 1997, um grupo de jovens chilenos, preocupados com a extrema pobreza no seu país, decidiu construir 350 casas básicas para famílias que viviam em favelas. O programa cresceu desde então e abrange 19 países da América Latina, mobilizando anualmente mais de 50.000 jovens voluntários, entre 17 e 28 anos. Não melhoraram apenas a situação de habitação de milhares de famílias da região; através do contato direto com a pobreza, esta experiência mudou a forma de como encaram o seu próprio país. Trabalham agora para chamar a atenção para a pobreza, através de campanhas e cruzadas para conseguir habitações adequadas para todos. Começando com a construção de casas, jovens voluntários transformam-se em cidadãos ativos e líderes no seio das suas comunidades. “Como voluntário, compreendi que cada um de nós tem um papel importante na luta contra a pobreza. Unimo-nos porque, para nós, não existe outra forma de denunciar a pobreza sem ser através do nosso envolvimento coletivo. Ansanm nou kapab (Juntos podemos)” Donald, voluntário de Un Techo no Haiti. Fonte: J. Serani, [Diretor do México e da Região do Caribe, Un Techo para mi País], Comunicação Pessoal. (2011, 21 July).

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(movimento para o ciclismo da cidade de Irpin), liderado por jovens na Ucrânia, serve de exemplo. Trata-se de um grupo informal que promove o ciclismo e um estilo de vida sem carros, e que organiza eventos anuais na comunidade pelo Dia Sem Carros. Em 2009, participaram 56 pessoas. Houve vinte meios de comunicação cobrindo o evento, e as autoridade locais e os membros da comunidade contribuíram com a música, os discursos, a criação dos pôsteres, a parada de bicicleta e o competição cross-country 29. Percepção equivocada 7: O voluntariado é feito face a face. Os progressos significativos da tecnologia digital significam que o voluntariado já não se encontra limitado às atividades que implicam em um contato face a face. As novas tecnologias, através das quais as pessoas se ligam umas às outras, representam possivelmente o maior desenvolvimento do voluntariado. A rápida evolução tecnológica dos telefones celulares e a propagação da Internet permitem que um maior número de pessoas de diferentes setores da população se dedique ao voluntariado. Como tal, estas tecnologias contribuem para a sua natureza universal. Isto é discutido no Capítulo 3. Percepção equivocada 8: O voluntariado deveria ser fora dos limites da intervenção do Estado. Esta perspectiva é hoje em dia muito menos generalizada do que há uma década, como demonstra o número crescente de políticas e leis adotadas pelos governos, principalmente desde 2001. A maioria procura encorajar a ação voluntária dos cidadãos e salvaguardar os direitos dos voluntários. No entanto, existem casos de Estados que procuram controlar a ação voluntária e utilizála para os seus próprios objetivos políticos. O voluntariado pode, por exemplo, ser uma forma de compensar a insuficiência dos serviços e a incapacidade do Estado de prestar certos serviços. Deve-se monitorizar e expor estes casos sempre que apareçam. Cer tas políticas podem abafar inadvertidamente a força motriz por


o VOLUNTARIADO é UNIVERSAL

detrás do voluntariado. Os governos estão bem posicionados para contribuir para um ambiente em que todos os tipos de voluntariado possam desenvolver-se. No entanto, a intenção não é de seguir a ideia de uma comunidade autossuficiente, enquanto o Estado ignora a sua responsabilidade de atender às necessidades básicas dos cidadãos. O desafio é como integrar a ação voluntária realizada pelos cidadãos com a ação empreendida pelos governos e por outras partes interessadas, de forma a reforçarem-se mutuamente enfatizando a cooperação e a complementaridade. Em última análise, isto pode aumentar a eficácia e o impacto dos programas governamentais, ao mesmo tempo em que reforça a confianças das pessoas na sua capacidade de influenciar o bem-estar de suas comunidades. Percepção equivocada 9: O voluntariado é gratuito. Um velho adágio diz que, embora os voluntários não sejam pagos, não trabalham de graça. Nos tipos mais formais de voluntariado, isto aplica-se às infraestruturas que são necessárias para assegurar contribuições eficazes. Isso inclui a criação e a administração de centros de voluntariado, gerência, treinamento e reconhecimento dos voluntários, e os custos associados ao funcionamento adequado dos voluntários, tais como transporte, refeições e ajudas de custo. No tocante aos governos, pode-se incluir a criação de políticas adequadas e de princípios reguladores, corpos de voluntários nacionais, e esquemas de voluntariado para jovens e pessoas mais velhas. Conclusões e discussões Os mal-entendidos ofuscam a universalidade dos valores e das ações associados ao voluntariado. São obstáculos ao entendimento da dimensão e profundidade da ação voluntária no mundo inteiro. Com este primeiro SWVR, esperamos esclarecer alguns pontos de vista relativos ao que é o voluntariado e ao que consegue alcançar, em consonância com as realidades no terreno.

As pesquisas sobre este assunto estão ainda numa fase inicial e precisam ser intensificadas. É claro que os governos têm um papel a desempenhar para encorajar estudos mais empíricos, que resultem numa imagem mais adequada da natureza universal do voluntariado. A comunidade acadêmica deve questionar pressupostos fundamentais sobre a ação voluntária. O Sistema das Nações Unidas, assim como outros atores do desenvolvimento, incluindo a sociedade civil, têm a responsabilidade de garantir

QUADRO 1.9  Promover leis e políticas que apóiam o voluntariado A primeira lei da Coreia do Sul sobre o voluntariado, a Lei Básica para a Promoção de Serviços de Voluntariado (2006), estabeleceu a Comissão Nacional para a Promoção do Voluntariado. Esta comissão inclui representantes do governo e da sociedade civil e tem trabalhado no sentido de encorajar a participação pública no voluntariado. Através desta lei, os governos nacional e local têm de assegurar que o serviço voluntário é realizado num ambiente seguro e que o governo provê um seguro para proteger os voluntários contra quaisquer danos físicos e econômicos. O voluntariado continua a crescer na República da Coreia, promovido também pelo empenho do governo em apoiar os voluntários. Deve-se destacar o grande envolvimento dos cidadãos na limpeza do derramamento de óleo ocorrido no distrito de Teaen, na costa oeste do país, em 2007. Em julho de 2008, a empresa Hyundai KIA Automotive Group fundou uma organização voluntária, a Happy Move Global Youth Volunteers. A organização tem enviado, desde então, cerca de mil estudantes universitários coreanos por ano para contribuírem em esforços voluntários humanitários e culturais, entre outros, na Índia, no Brasil, na China, na Eslováquia, na República Tcheca, na Turquia e na Tailândia. Este programa ajuda os jovens coreanos a compreenderem o verdadeiro significado do trabalho voluntário e a desenvolverem a sua própria identidade, ao experimentarem em primeira mão uma nova cultura e uma estreita cooperação com outros povos. Fontes: The International Centre for Not-for-profit Law. (2010); UNV. (2009).

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que esta pesquisa chegue a todas as partes interessadas. Estabelecer dados claros sobre o voluntariado é o caminho mais seguro para

Com este primeiro SWVR, esperamos esclarecer alguns pontos de vista relativos ao que é o voluntariado e ao que consegue alcançar, em consonância com as realidade no terreno.

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o desenvolvimento de estratégias que levem em conta a força poderosa e universal que representa o voluntariado.


2 MEDIndo o VOLUNTARIADO

CAPÍTULO 2

Medindo o voluntariado

Se não se pode contar, não conta. Anônimo

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Por que medir o voluntariado? A dimensão enorme da contribuição do voluntariado mundial pede algum tipo de avaliação quantitativa da sua magnitude. Isto não é diferente de outras áreas de empenho humano que representam papéis importantes no funcionamento das sociedades. O interesse por compreender a escala do voluntariado cresceu nos últimos anos, tal como é evidenciado por vários estudos nacionais, regionais e globais. Neste capítulo, tentamos quantificar o voluntariado, olhando também para além dos números. Calcular as dimensões e o valor do voluntariado, incluindo o seu valor econômico, é importante, obviamente. No entanto, os números não são toda a história. Alguns argumentam que atribuir um número ao voluntariado diminui o seu valor intrínseco em termos do seu impacto nas comuniQUADRO 2.1 Valores dos voluntários Os voluntários são essenciais para o Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC). Mas, exatamente, quantos voluntários existem e quanto valor oferecem? Um estudo da IFRC de 2011 apresenta respostas. Cerca de 13,1 milhões de voluntários ativos da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho doaram serviços no valor de quase 6 bilhões de dólares, que alcançaram aproximadamente 30 milhões de pessoas em 2009. Os voluntários aumentam o pessoal pago da IFRC numa média global de 20 voluntários por cada trabalhador assalariado. Na África Subsariana, são 327 voluntários por cada empregado; no Sudeste Asiático, 432 voluntários por empregado; enquanto a taxa mais baixa está nos Estados Unidos da América e no Canadá com 11 voluntários por empregado. Esta pesquisa, baseada em números de 107 Sociedades Nacionais, não só nos dá o valor e os números por trás do contingente de voluntários, como também descreve as várias contribuições sociais que os voluntários fazem em suas comunidades nos campos da saúde, da redução da pobreza e da resposta a emergências. Fonte: International Federation of Red Cross and Red Crescent Societies (IFRC). (2011).

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dades, nas causas e nos próprios voluntários. Outros diriam que a contribuição principal do voluntariado, o seu verdadeiro valor, está na criação de sociedades harmoniosas, marcadas por elevados níveis de coesão social e bem-estar, que também são fatores muito difíceis de quantificar. Os valores humanos que residem nas pessoas e nas comunidades desenrolam-se ao longo deste relatório. Necessita-se encontrar métodos melhores para reconhecer estes valores. Há razões válidas para medir o voluntariado, as ações que inspira e os benefícios econômicos daí derivados. Os argumentos principais a favor da medição do voluntariado são considerados abaixo. É importante para os próprios voluntários que o impacto das suas ações seja reconhecido. Documentar o tempo e o esforço despendido por muitos milhões de voluntários ajuda a proporcionar o seu reconhecimento e a estimular o seu desejo de envolvimento. Nesse processo, outros podem ser motivados para participar ao observarem a contribuição da ação voluntária e compreenderem que o voluntariado é uma parte normal do engajamento cívico. Para as organizações que mobilizam voluntários, a avaliação quantitativa ajudaas a obter novas perspectivas para os seus programas. Além disso, com fatos e números à mão, elas podem aumentar os seus esforços de relações públicas, aumentar a sua responsabilidade, expandir as suas opções de mobilização de recursos e oferecer aos voluntários uma imagem generalizada da soma total dos seus esforços. Em outro nível, para que os governos nacionais levem em conta o voluntariado nas políticas nacionais têm de estar convencidos do seu valor, incluindo o seu valor econômico. Frequentemente os governos não têm consciência da extensão do voluntariado, dos diferentes segmentos da sociedade que ele


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QUADRO 2.2 Usando calendários comunitários para medir o valor do voluntariado A despesa municipal, a alocação provincial do governo, o investimento social corporativo e outras formas de assistência ao desenvolvimento são captados em números e registros financeiros. No entanto, não existem números que atribuam um valor às contribuições que os cidadãos fazem às iniciativas locais. As muitas formas de participação dos membros de uma comunidade, tal como uniões de mães, associações de homens e clubes de jovens, são uma parte tão rotineira da vida diária das pessoas que tendem a deixar passar por alto os benefícios que trazem ao desenvolvimento de suas comunidades. Uma abordagem para conscientizar para o valor acrescentado destas ações de voluntariado nas comunidades seria a de usar calendários comunitários. Para capacitar as comunidades a reconhecer as suas próprias contribuições, um estudo de pesquisa ativa em Jansenville, Província do Cabo Oriental, África do Sul, mapeou a quantidade de tempo de voluntariado, competências, bens em espécie e dinheiro que as organizações não governamentais comunitárias e de caráter religioso receberam de membros da comunidade.

inclui e do valor que ele cria. Uma vez que estejam convencidos dos benefícios de levar em conta o voluntariado na tomada de decisões, os governos necessitam dados fidedignos para desenvolver estratégias apropriadas. Isto permite assegurar que este recurso é promovido e adequadamente aproveitado para o bem-estar global do país. A comunidade internacional reconheceu a necessidade dos governos “estabelecerem o valor econômico do voluntariado para ajudar a realçar um importante aspecto da sua contribuição global à sociedade e assim assistir o desenvolvimento de políticas informadas.” 1 No entanto, acreditamos firmemente que medir o voluntariado deve ser mais do que fazer cálculos numéricos e computar o valor econômico final. Em 2008, a Assembleia Geral do Centro Europeu do Voluntariado (CEV) expressou-o com

Estas contribuições foram somadas e custeadas em valores financeiros cujas organizações participantes consideraram razoáveis. Os resultados traduziram-se numa contribuição total de 19 anos e 8 meses de trabalho não pago por ano. Numa comunidade onde o governo local estima que 60% das famílias vivem na pobreza, estimou-se que a contribuição total do voluntariado tinha um valor de 53.000 dólares gerado por 4.343 pessoas em 378 agregados familiares. Esta valorização de recursos comunitários tem sido reveladora, motivadora e inspiradora para os participantes, encorajando-os a aumentar o seu “investimento”. “Os fundadores querem saber se ainda estaremos lá depois do dinheiro se ter acabado. Os nossos membros satisfazem as nossas necessidades; isso demonstra a sua sustentabilidade e o seu poder de autonomia”, diz Notizi Vanda, Diretor e membro fundador do Fórum de Desenvolvimento de Jansenville.

Fonte: Wilkinson-Maposa. (2009).

precisão: “Medir e apresentar o valor econômico pode ser uma boa maneira de ganhar reconhecimento para o voluntariado, sobretudo com os formuladores das políticas. Mas isto tem de ser utilizado cautelosamente e em conjunto com outros instrumentos de medição dos impactos até agora não mensuráveis do voluntariado, tal como o capital social, a coesão social, o desenvolvimento e o empoderamento pessoais. Tais instrumentos de medição devem ser desenvolvidos com o intuito de possibilitar a descrição do quadro completo do voluntariado e o seu verdadeiro valor.” 2 Diferentes formas de medir o voluntariado Estudos recentes de nível nacional, na sua maioria em países desenvolvidos, sobre o tamanho e a composição do voluntariado 17


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provaram a existência de uma base sólida para discutir os muitos aspectos do voluntariado. Por exemplo, a pesquisa canadense de 2007 sobre doações, voluntariado e participação (2007 Canada survey of Giving, Volunteering and Participating), conduzida por Statistics Canada, registrou um total de 2,1 bilhões de horas de voluntariado com um aumento no número de voluntários (5,7%) e no número de horas de voluntariado (4,2%) desde 2004 3. Em 2004, nos Estados Unidos, o Gabinete de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho indicou que 62,8 milhões de pessoas tinham sido voluntários de alguma organização, pelo menos uma vez, nos últimos 12 meses. O Gabinete de Estatísticas da Austrália constatou, em 2007, que 5,2 milhões de pessoas foram voluntárias com uma soma de 713 milhões de horas de trabalho, o equivalente a 14,6 bilhões de dólares australianos de trabalho pago. O estudo demonstrou que 34% da população adulta era voluntária (36% de mulheres e 32% de homens). Além dos dados econômicos, há cada vez mais pesquisas sobre a natureza e as motivações dos voluntários, que incluem estudos que QUADRO 2.3 Além do valor econômico O Levantamento Nacional do Voluntariado de 2010 conduzido pelo organismo de coordenação “Volunteering Austrália” constatou que 83% dos voluntários dizem que o voluntariado aumentou o seu sentimento de pertencer à comunidade. O levantamento enfatiza o importante papel que o voluntariado desempenha em dar oportunidades de aprendizagem às pessoas, com 26% dos entrevistados dizendo que a formação recebida como parte do seu trabalho de voluntariado ajudou-as a adquirir uma educação/ qualificação. O inquérito também averiguou que o voluntariado desempenha um papel importante na inclusão social na sociedade australiana. Constatou que o voluntariado pode ajudar a reduzir sentimentos de isolamento pessoal, oferecer às pessoas habilidades e contatos sociais, apoiar um maior sentimento de autoestima e combater estereótipos sobre diferentes grupos. Fonte: ProBono News. (2010).

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investigam o voluntariado de estudantes em 12 países 4; o bem-estar de idosos na Europa 5 ; as pessoas que recebem prestações sociais e que são voluntárias em Israel 6; o papel das organizações religiosas na promoção do voluntariado na América Latina 7; e as políticas de voluntariado e legislação globais 8. Em 2006, no Quinto Fórum de Desenvolvimento Africano, organizado pela Comissão Econômica das Nações Unidas para África, foi apresentado um estudo intitulado: Youth Volunteering for Development: Africa in the 21st Century 9. A investigação, que cobriu 9 países, demonstrou como as capacidades dos jovens se desenvolvem com o voluntariado. Eles tornam-se agentes ativos para o desenvolvimento em suas comunidades. Além disso, o estudo enfatizou como os programas de voluntariado podem estar ligados a estruturas de política em uma base sustentável. O comunicado final declarou: “É essencial, por isso, que os governos africanos, trabalhando com os seus parceiros para o desenvolvimento, promovam o espírito do voluntariado entre os jovens.” 10 Em 2010 e 2011, tanto a União Africana como a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) lançaram grupos regionais de voluntariado jovem para contribuir para a paz e o desenvolvimento em suas regiões. Em 2010, o FÓRUM Internacional sobre Serviço de Desenvolvimento mapeou o voluntariado internacional em 20 países na Ásia. Constatouse que, quando comparados com outras localizações, os voluntários na Ásia estavam interessados principalmente em abordar questões de desenvolvimento, incluindo redução da pobreza e os ODM. No Sul e no Sudeste Asiático, havia uma tendência para o voluntariado Sul-Sul com voluntários de países em desenvolvimento servindo largamente em outros países em desenvolvimento da região. O estudo identificou novas formas de estimular o voluntariado na Ásia. Estas incluíram visar a diáspora asiática e o vínculo


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com voluntários nacionais para aumentar a efetividade dos voluntários internacionais. A investigação também encontrou vínculos estreitos com o Estado em parcerias público privadas e em ONGs com apoio estatal. Duas outras tendências na Ásia foram o serviço de voluntariado internacional como uma forma de responsabilidade social corporativa, sobretudo voluntariado corporativo de curto prazo, e a crescente influência da Internet 11. Um estudo em Botsuana, Malawi, África do Sul, Zâmbia e Zimbabwe, entre 2005 e 2007, confirmou os desafios da investigação do voluntariado no sul: experiências mal documentadas, falta de investigação acadêmica e bibliografias limitadas 12. Na falta de estudos abrangentes do alcance e impacto do voluntariado, a bibliografia disponível foi em grande parte aquela produzida por ONGs e organizações internacionais de voluntariado, focada no impacto de programas específicos para os beneficiários e suas comunidades. No entanto, há limites para que os resultados de uma investigação de pequena escala, localmente, possam ser extrapolados para refletir a situação nacional. estudos nacionais sobre o voluntariado As pesquisas nacionais habituais sobre o voluntariado e doações no Canadá, Estados Unidos e Austrália fornecem dados detalhados que demonstram a relevância da medição contínua do voluntariado. Em 2008, o Secretário-Geral das Nações Unidas tomou nota de 15 estudos nacionais em países em vias de desenvolvimento 13. Em 2010, o VNU identificou 14 novos estudos e relatórios sobre o voluntariado de países em vias de desenvolvimento 14. Estes são geralmente estudos excepcionais cujo intuito é aumentar o reconhecimento e a consciência do público sobre o voluntariado e as suas contribuições, além de avaliar o voluntariado como parte das necessidades da comunidade. Estes estudos também realizam o mapeamento de recursos

QUADRO 2.4 Jovens voluntários da União Africana “Os jovens devem ser o alvo principal das iniciativas de investimento na África porque, num mundo em que as capacidades e a perícia se tornam cada vez mais indispensáveis, os jovens constituem um grande trunfo para a África.” Em dezembro de 2010, os membros do primeiro grupo do Corpo de Jovens Voluntários da União Africana (AU-YVC) concluíram uma formação intensiva de orientação pré-destacamento em Obudu, Nigéria. O AU-YVC é um programa de desenvolvimento que recruta e trabalha com jovens voluntários em todos os 53 países da África. A iniciativa, um produto da Carta da Juventude Africana, do Quinto Fórum de Desenvolvimento da África e da União Africana, promove o voluntariado para abordar a pobreza, o fraco desenvolvimento profissional e de liderança, o lento desenvolvimento de uma orientação pan-africanista, e para promover um melhor clima sócioeconômico. Aspira, ainda, a melhorar o status dos jovens do continente como participantes-chave na execução dos objetivos e alvos do desenvolvimento humano na África. Os 60 voluntários prestam serviços ao longo do continente, partilhando experiências em áreas que incluem educação e TIC, gênero e desenvolvimento, promoção e comunicação, reconstrução pós-conflito e habilitação da paz, saúde e população, infraestrutura e energia, e agricultura e economia. Juntos, estes voluntários partilharão competências, criatividade e aprendizagem para promover o espírito de serviço à África, os seus países e comunidades, enquanto desenvolvem competências de liderança. Fonte: African Union. (2010, April).

em apoio ao planejamento e à programação nacional do desenvolvimento. Procurando uma medida global: destacando iniciativas de medição internacionais Apesar destes desenvolvimentos positivos, poucos países empreenderam a tarefa de medir o voluntariado sistematicamente e recorrentemente com o objetivo de incorporar os resultados nas políticas. Isto se deve, em parte, à falta de padrões internacionais reconhecidos para definir e medir o voluntariado. Isto limita a comparação 19


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QUADRO 2.5  A primeiríssima pesquisa sobre o voluntariado em Bangladesh Em 2010, o Gabinete de Estatísticas de Bangladesh (BBS) realizou um levantamento nacional exaustivo sobre o voluntariado, o primeiro do gênero realizado no país. O levantamento abordou o voluntariado urbano e rural; idade, gênero e nível de educação dos voluntários; taxas de voluntariado; voluntariado organizacional formal e não organizacional; horas anuais de voluntariado; e avaliações monetárias. Os resultados foram discutidos na Conferência Nacional sobre o Voluntariado em Dhaka em julho de 2011. A recomendação principal foi o estabelecimento de uma Agência Nacional de Voluntariado responsável pelo planejamento, orientação e gestão de todas as atividades de voluntariado no país. O seu objetivo será realçar a contribuição do voluntariado para a prosperidade individual e social e o bem-estar em Bangladesh. A pesquisa domiciliar baseada no trabalho revelou que um total de 16.580.000 pessoas, com mais de 15 anos, foram voluntárias em 2010. O inquérito estimou que a contribuição do voluntariado para a economia de Bangladesh em 2010 foi de aproximadamente 1,66 bilhões de dólares. As conclusões também mostraram que o valor econômico do voluntariado em 2009-2010 foi equivalente a 1,7% do PIB. Quase 80% do voluntariado em Bangladesh é feito independentemente de organizações formais. Na maioria das vezes, toma a forma, sobretudo, de ajuda informal, espontânea e esporádica de indivíduos e grupos. O voluntariado dos homens constitui 76,3% e o das mulheres é de apenas 23,7%. No entanto, isto pode ser uma subestimação porque o levantamento entrevistou os chefes do domicílio, que geralmente são homens.

entre países baseada em estatísticas oficiais. Contudo, encontram-se em desenvolvimento várias iniciativas independentes para medição que oferecem uma perspectiva global do voluntariado. Num esforço recente para criar uma medição integral do voluntariado, a Comissão Europeia (CE) encomendou um estudo como parte do Ano Europeu dos Voluntários de 2011. O objetivo do estudo era ajudar a Comissão a considerar formas nas quais o setor do voluntariado pudesse ser melhor promovido e examinar como o voluntariado poderia ajudar a União Europeia a alcançar seus objetivos estratégicos mais amplos 15. A intenção era juntar dados nacionais sobre o voluntariado. Contudo, uma revisão de estudos regionais e nacionais, inquéritos, relatórios e as visões de depositários-chave sobre o voluntariado em cada Estado Membro da União Europeia revelou discrepâncias consideráveis. Estas discrepâncias não permitiram a elaboração de uma comparação estatística precisa por toda União Europeia. Alguns dos desafios e lições relacionados com este estudo estão descritos abaixo, uma vez que representam um microcosmo do estado da medição do voluntariado.

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Complexidade do panorama institucional: a responsabilidade pelos dados de um país sobre o voluntariado não foi coordenada por um único organismo público. Foi antes gerida por ministérios diferentes numa base de “setor por setor” e algumas vezes apoiada por várias organizações de voluntariado guardachuva, específicas de um setor. “Na prática, isto significa que os ministérios que lidam com assuntos como justiça, educação, finanças, esporte, saúde e assuntos sociais e assuntos internos e externos podem estar envolvidos no voluntariado e dentro do âmbito deste estudo não foi possível consultar cada ministério.” 16

A Conferência Nacional sobre o Voluntariado recomendou firmemente que o BBS realizasse um seguimento qualitativo do inquérito para substanciar os resultados em questão. Também pediu um inquérito mais abrangente, para um maior exame das diferenças regionais e de gênero no voluntariado e para fornecer informação sobre as razões para fazer voluntariado, assim como sobre as barreiras para o não fazer.

Fonte: Bangladesh Bureau of Statistics. (2011, July).

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Dificuldades na análise quantitativa


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comparativa: analisar informação quantitativa sobre o número e perfil dos voluntários foi um desafio porque os estudos nacionais foram conduzidos em diferentes momentos, usando definições, metodologias, amostras de inquéritos nos grupos alvo e focando-se em diferentes tipos de voluntariado. A constatação que o número estimado de adultos voluntários na UE é de 92 a 94 milhões, ou seja, cerca de 22% dos europeus com mais de 15 anos de idade, a maioria destes tendo entre 30 e 50 anos, “deve ser visto apenas como indicativa. ” 17

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Estatísticas limitadas sobre organizações de voluntariado: muitos países da UE têm um registro nacional sobre associações ou organizações sem fins lucrativos. Isto é normalmente gerido por um organismo público e atualizado regularmente. Trata-se de uma fonte de dados valiosa nos casos em que as associações sejam obrigadas a registrarse num organismo público relevante. Os pontos fracos incluem o fato de que as bases de dados não distinguem entre associações que dependem totalmente de pessoal assalariado e aquelas que dependem totalmente ou parcialmente de voluntários e de que as organizações podem não informar a suspensão da sua atividade. Um outro ponto fraco é que em alguns países o registro não é obrigatório e as organizações de voluntariado não têm nenhum incentivo para se registarem.

Falta de consenso sobre dados econômicos: as organizações de voluntariado estão de-senvolvendo ferramentas e instrumentos para monitorar o valor econômico das contribuições dos seus voluntários. Contudo, os serviços nacionais de estatísticas variam muito em termos de dados recolhidos e do seu interesse em medir o valor econômico do voluntariado. Os esforços são dificultados pelos obstáculos mencionados

anteriormente resultantes da inconsistência nas abordagens para quantificar o número de voluntários, o tempo dedicado e as atividades realizadas. Nas situações em que os cálculos foram feitos, normalmente, não há consenso no que diz respeito ao valor econômico estimado devido às diferentes formas de valorizar o trabalho de voluntariado. Finalmente, o estudo não usa números sobre o valor monetário proporcionado pelos Estados Membros. Em vez disso, usa estimativas do valor econômico bruto do voluntariado baseadas no método comum de substituição de custos para todos os países 18.

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Impactos sociais e culturais do voluntariado: os relatórios nacionais destacaram muitos benefícios sociais, econômicos e culturais além do valor econômico. “Contudo, na prática, com frequência, os benefícios variam consideravelmente entre países, assim como entre diferentes voluntários, comunidades locais e entre os beneficiários diretos das atividades e serviços de voluntariado.” 19 Os impactos relativos aos objetivos chave da UE nas áreas de inclusão social e emprego, educação e formação, cidadania ativa e esporte são identificados, mas os dados são esmagadoramente qualitativos.

Poucos países empreenderam a tarefa de medir o voluntariado sistematicamente e recorrentemente com o objetivo de incorporar os resultados nas políticas

Ao resumir a situação atual, não somente para estudos nacionais, mas também para medir o voluntariado em geral, o Relatório afirma: “A medida em que cada relatório nacional se baseia em fontes de dados primários e secundários varia, dependendo da disponibilidade de dados e relatórios, o número de interessados que podem ser consultados e o contexto específico de cada país.” 20 Os desafios metodológicos encontrados pela CE são ainda mais significativos para o mundo em vias de desenvolvimento, cujos dados estatísticos, às vezes, são menos 21


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abrangentes. Apesar disso, continua sendo essencial tentar alcançar uma compreensão do tamanho e extensão do voluntariado. Faremos referência brevemente a quatro tentativas de cobrir tanto os países industrializados como os países em vias de desenvolvimento: a sondagem mundial Gallup (Gallup World Poll), o inquérito mundial de valores (World Values Survey) 21, o Projeto Comparativo do Setor Sem Fins Lucrativos da Universidade Johns Hopkins (Johns Hopkins Comparative Nonprofit Sector Project CNP), e o Índice da Sociedade Civil CIVICUS (CIVICUS Civil Society Index). Todos quatro usam abordagens de medição diferentes e definições de voluntariado diferentes. Previsivelmente, produzem resultados muito diferentes.

Continua sendo essencial tentar alcançar uma compreensão do tamanho e extensão do voluntariado.

A sondagem mundial Gallup e o inquérito mundial de valores são levantamentos com a população feitos por países que procuram traçar o perfil de comportamentos e opiniões das pessoas através de amostras representativas nacionalmente. Dado o âmbito abrangente de tópicos a serem cobertos, poucas questões podem ser relacionadas com o voluntariado. Adicionalmente, devido à diversidade da terminologia e compreensão do termo voluntariado, certas questões estão abertas a diferentes interpretações pelos entrevistados 22. Contudo, os levantamentos têm um amplo alcance global e podem ser repetidos com regularidade para fornecer tendências longitudinais assim como dados comparativos. A sondagem mundial Gallup (Gallup World Poll - GWP) 23 faz as seguintes questões relacionadas com o voluntariado: No último mês fez qualquer um dos tópicos seguintes?

22

A primeira é uma questão aberta sobre voluntariado relacionado a organizações, que supõe um entendimento consistente do termo. A GWP constatou que 16% dos adultos no mundo voluntariaram seu tempo para uma organização. As pessoas na América do Norte, na Austrália e na Nova Zelândia foram as mais prováveis de serem voluntárias, seguidas pelas pessoas no Sudeste Asiático (especificamente Camboja, Indonésia e Filipinas) e na África. Os níveis mais baixos de voluntariado estavam no Oriente Médio, Norte da África e Leste Asiático, ou seja, China, Japão e Coreia do Sul. A segunda questão refere-se a ações fora do âmbito de uma organização. Como tal, ela pode ou não medir o “voluntariado”, tal como é definido neste relatório, dependendo da extensão e natureza do envolvimento de um indivíduo. O inquérito mundial de valores (World Values Survey - WVS) 24 constatou que as pessoas no Leste Asiático eram as que mais relatavam fazer “trabalho voluntário não pago”, seguidas pelas pessoas da África, da América do Norte e da região do Pacífico. Os níveis mais baixos de trabalho voluntário foram encontrados na Europa, Europa do Leste e na Comunidade de Estados Independentes (CEI). O Projeto Comparativo do Setor Sem Fins Lucrativos da Universidade Johns Hopkins (Johns Hopkins Comparative Nonprofit Sector Project - CNP) 25 fornece um formulário de pesquisa comum aos países participantes com questões sugeridas e exemplos dos tipos de atividade sobre as quais os entrevistados seriam questionados.

Cedeu voluntariamente seu tempo a alguma organização?

Pense nos últimos 3 meses: durante esse período, ajudou, trabalhou ou proporcionou algum serviço ou assistência a alguém fora da sua família ou domicílio sem receber compensação financeira?

Ajudou um estranho ou alguém que não conhecia que precisava de ajuda?

Os entrevistados que responderam “não” foram então solicitados a pensar globalmente


MEDindo o VOLUNTARIADO

sobre tais atividades ainda que pensassem que era “natural que todo mundo fizesse algo do gênero numa situação semelhante”. Enquanto esse pensamento também se aplica a tipos formais de voluntariado, é especialmente relevante para tipos informais de voluntariado, frequentemente tão imbuídos nas culturas e tradições que podem nem ser considerados como tal. Isto torna a tarefa de medir mais desafiadora. O CNP estima que, entre 1995 e 2000, o número de voluntários, que contribuem através de organizações de voluntariado em 36 países, tomados em conjunto, constituiria o nono maior país em termos de população (ver Imagem 2.1) Nesses mesmos 36 países, os voluntários compreendiam 44% da força de trabalho das organizações da sociedade civil, representando o equivalente a 20,8 milhões de trabalhadores em tempo integral. Usando uma abordagem de “substituição de custos”, o CNP calculou que a contribuição econômica dos voluntários nos 36 países era de 400 bilhões de dólares anuais. Isto representava, em média, 1,1% do PIB destes países. Contudo, em países em vias de desenvolvimento e transição, o trabalho de voluntariado representava uma porcentagem um pouco menor do PIB (0,7%). Em países desenvolvidos, o trabalho de voluntariado representava 2,7% do PIB (ver Imagem 2.2). 26 O Índice da Sociedade Civil da CIVICUS (CIVICUS Civil Society Index - CSI) 27 criou 72 indicadores sobre diferentes aspectos da sociedade civil. Os indicadores foram então agrupados em 5 dimensões: Engajamento Cívico, Nível de Organização, Prática de Valores, Percepção de Impacto e Ambiente Externo. Juntos apresentaram uma imagem abrangente da força da sociedade civil de um país, expressa visualmente através do Diamante da Sociedade Civil (ver Imagem 2.3) 28.

imagem 2.1: Se os voluntários fossem uma nação... 1. China

1.306 milhões

2. Índia

1.094 milhões

3. Estados Unidos

296 milhões

4. Indonésia

229 milhões

5. Brasil

186 milhões

6. Paquistão

158 milhões

7. Bangladesh

144 milhões

8. Rússia

143 milhões

9. “Terra dos Voluntários”

cerca de 140 milhões

10. Nigéria

129 milhões

11. Japão

128 milhões

Fonte: Volunteering – Johns Hopkins Comparative Nonprofit Sector Project; Population: United States Census Bureau

As conclusões do CSI mostraram variações regionais interessantes nas taxas de participação do voluntariado entre OSCs com enfoque social e OSCs com orientação ativista. A porcentagem de pessoas que fazem trabalho voluntário regularmente para OSCs com enfoque social é muito mais alta na África Subsariana do que em qualquer outra região, seguidos pela América Latina, a Europa do Leste e a CEI. As ONGs orientadas para o ativismo também registraram elevadas taxas de participação na África Subsariana. Contudo, aqui a Europa do Leste está à frente da América Latina, seguida pela CEI. O CSI também mede a extensão e a natureza do engajamento dos cidadãos, incluindo o voluntariado, em relação às outras dimensões chave do diamante. Isto permite comparar e refletir sobre alguns dos aspectos do voluntariado, tal como a confiança e a solidariedade, os quais, até agora, não se tinham prestado facilmente à quantificação. Os dados do CSI também indicam que os 23


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Imagem 2.2: Valor do trabalho voluntário como percentual do PIB Value of Volunteer Work as shate of GDP Todos os países* Em desenvolvimento e transição Desenvolvidos Suécia Noruega França Reino Unido Estados Unidos Argentina South Africa Tanzânia Itália Espanha Perú Quênia Índia Colômbia Paquistão Brasil México * Média de 36 países

1%

0%

2%

3%

4%

5%

6%

Fonte: Salamon, L. (2008, April). Putting volunteering on the economic map of the world. Dissertação apresentada na Conferência IAVE, Panamá, Costa Rica.

Civil Society Index Diamond Imagem 2.3: Diamante da Sociedade Civil CIVICUS Nível de Organização 100

72

80 60 40

48

20

Prática de valores

62

0

Ambiente Externo

46

53

Percepçãp do Impacto

países com elevadas taxas de voluntariado nas OSCs com enfoque social têm taxas elevadas de voluntariado em OSCs orientadas para a política. Os dados também mostram uma correlação positiva entre taxas mais elevadas de voluntariado e uma maior eficiência da sociedade civil. Isto sugere que o voluntariado traz benefícios à sociedade civil como um todo. O CIVICUS identificou isto como uma oportunidade, sobretudo em países em vias de desenvolvimento, para fortalecer o elo entre tipos menos formais de voluntariado, muitos dos quais ligados às novas tecnologias, e as campanhas e promoção das OSCs, aumentando, assim, o espaço para a participação cívica 29.

Engajamento cívico

O Manual de Medição do Trabalho Voluntário Fonte: Civil Society Index Diamond

24

A Organização Internacional do Trabalho (OIT)


MEDIndo o VOLUNTARIADO

fez uma contribuição valiosa para padronizar a medição do voluntariado ao preparar e lançar um Manual de Medição do Trabalho Voluntário 30. Desenvolvido pelo Centro de Estudos da Sociedade Civil da Universidade Johns Hopkins a pedido da OIT, e com o apoio do programa de Voluntários das Nações Unidas, o manual esboça um conjunto de medidas padronizadas sobre o voluntariado para suplementar as sondagens nacionais sobre força de trabalho. O seu objetivo principal é facilitar um cálculo aproximado sobre o valor econômico do trabalho voluntário. As pesquisas sobre força de trabalho recolhem uma série de dados demográficos e de mão de obra. Adotar as recomendações do manual da OIT pode aumentar substancialmente a disponibilidade de medidas do voluntariado comparáveis e confiáveis para suplementar as estatísticas sobre a força de trabalho. A definição de voluntariado no Manual é semelhante à descrita no Capítulo 1, a saber: “trabalho não remunerado e não obrigatório, isto é, tempo não remunerado que os indivíduos dedicam às atividades, através de uma organização ou diretamente, destinadas a outros indivíduos que não pertencem ao seu agregado familiar.” 31 O Manual dá recomendações sobre como aplicar a pesquisa de maneira eficaz. O manual também apresenta sugestões para analisar os dados e estimar o valor econômico do voluntariado. Isto inclui informação sobre o voluntariado direto das pessoas, assim como o voluntariado através de organizações; o que permite aos analistas avaliar tanto os recursos de voluntariado das organizações da comunidade, como a extensão do voluntariado fora de contextos organizacionais. Esta iniciativa representa um importante passo em direção a uma abordagem mais uniforme da medição do voluntariado em todo o mundo e ao desenvolvimento de uma perspectiva comparativa. Constrói-se sobre o fato de

que a capacidade para a implementação de pesquisasdomiciliares sobre a força de trabalho, ao contrário de outras metodologias mais complexas, já existe globalmente. Enquanto o foco está na determinação do valor econômico, a abordagem deve enriquecer a compreensão da natureza e do grau tanto do voluntariado organizado como do menos formal. conclusões e discussões Este capítulo confirma que a ação voluntária encontra-se por todo o mundo e é enorme. A medição do voluntariado, em toda a sua diversidade e riqueza de expressão, ocorre em muitos lugares e de muitas maneiras diferentes. Contudo, ainda está em um nível muito inicial e apresenta desafios consideráveis. A diversidade de estudos mencionados aqui aponta para a variedade de assuntos cobertos assim como para a ausência de abordagens comuns. Devido à elevada variabilidade das definições, metodologias e objetivos das iniciativas de aspecto global, nacional e regional, ainda não é possível apresentar uma imagem composta das dimensões do voluntariado por país, região ou qualquer outra categoria. Contudo, o objetivo aqui não é, de modo algum, limitar as iniciativas para medir o voluntariado, tanto as que estão em curso atualmente como as novas. Estas iniciativas atendem necessidades específicas. Ajudam a aumentar a base de conhecimentos sobre o voluntariado. Como tal, devem ser QUADRO 2.6  Os voluntários contribuem significativamente para o bem–estar econômico e social Não há dúvida que o trabalho voluntário contribui significativamente para os objetivos da OIT. Abrange tanto os objetivos econômicos, ainda que não seja realizado com o intuito de gerar um rendimento financeiro, como também os objetivos sociais mais ampliados. A sua contribuição é reconhecida pela sociedade e pelos políticos como essencial para o bem-estar de qualquer sociedade. Contudo, o seu volume, valor e características pouco aparecem nos sistemas de informação tradicionais. Fonte: Young. (2007, September).

25


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

encorajadas e apoiadas, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento. Os estudos nacionais sobre o voluntariado são de particular importância para “assegurar que a ponderação dos assuntos relativos ao voluntariado se baseia numa apreciação e análise completas dos parâmetros, perfil e tendências do voluntariado no contexto particular de cada país.” 32

não podem ser postas em prática sem que se compreendam o seu perfil e as suas dimensões. Contudo, os estudos nacionais não são suficientes. Há uma necessidade premente de comparar e fazer do voluntariado um ponto de referência global e regional. Não obstante a inconsistência das medidas existentes, deve ser exercida uma abordagem comum.

Políticas efetivas de apoio ao voluntariado

Há passos concretos que podem ser tomados para começar a estabelecer o campo da medição do voluntariado. Abordagens setoriais do voluntariado para envolver o governo, a sociedade civil e as empresas são relevantes para assegurar os benefícios do voluntariado nacional. Contudo, um organismo público deve ser responsável por coordenar a medição do voluntariado em cada país. Globalmente, estas instituições de coordenação, em conjunto com os interessados nacionais, regionais e globais do voluntariado, devem estar de acordo sobre um padrão mínimo de dados quantitativos e uma metodologia de recolhimento de dados sobre voluntários e voluntariado adequados para serem usados em análises comparativas nacionais. Uma vez que as organizações que envolvem voluntários em suas atividades fornecem uma fonte de bases de dados comum para a sua medição, devem existir práticas acordadas internacionalmente para assegurar a existência de bases de dados confiáveis.

QUADRO 2.7   As melhores práticas na medição do voluntariado Descrever voluntariado ao participante evitando mal entendidos relacionados com o uso do termo: “As próximas questões são sobre trabalho não remunerado e não obrigatório que fez, isto é, tempo sem remuneração que se dedicou a atividades, através de uma organização ou diretamente, para outros indivíduos que não pertencem ao seu agregado familiar.” Perguntar sobre trabalho voluntário realizado nas últimas quatro semanas, o que facilita a lembrança. Proporcionar ilustrações ou exemplos sobre os tipos potenciais de atividades que devem ser incluídos nas respostas se o entrevistado indicar que não fez voluntariado, o que também facilita a lembrança. Recolher informações sobre as horas despendidas em cada atividade de voluntariado mencionada e sobre o tipo de trabalho feito, para possibilitar a atribuição de códigos ocupacionais (por exemplo, profissionais, administrativos, trabalhadores do artesanato e ofícios relacionados) que podem ser usados para estimar o valor de cada atividade realizada. Recolher informação sobre se a atividade foi realizada através de, ou para uma organização e, se assim foi, recolher o nome da organização e o que faz (para possibilitar a codificação por tipo de organização). Perguntar sobre o tipo de instituição para a qual foi feito o voluntariado (por exemplo, instituições de caridade/sem fins lucrativos, de negócios, de governo, outras).

Fonte: International Labour Organization (ILO). (2011).

26

Igualmente, há a necessidade de métodos convencionados para atribuir um valor ao voluntariado, tais como os propostos pelo Manual de Medição do Trabalho Voluntário da OIT. Devem ser geradas fontes de financiamento e criados mecanismos de encorajamento da investigação com o intuito de construir uma base de conhecimento. Os países devem ser encorajados a cumprir os seus compromissos sobre legislação intergovernamental no que diz respeito a estimular e apoiar estudos nacionais e avaliações do valor econômico do voluntariado. Reconhece-se que medir a contribuição do voluntariado em termos econômicos representa apenas uma peça de um conjunto muito maior de benefícios


MEDindo o VOLUNTARIADO

que a ação voluntária traz às comunidades e sociedades. Não obstante, há uma necessidade

urgente de avançar com este aspecto da agenda da medição.

Há uma necessidade premente de comparar e fazer do voluntariado um ponto de referência global e regional

27


28


3 VOLUNTARIADO nO século XXI

CAPÍTULO 3

Voluntariado no século XXI

Somos propensos a julgar o sucesso mais pelo índice dos nossos salários ou o tamanho dos nossos carros do que pela qualidade das nossas relações para o serviço humanitário. Martin Luther King, Jr

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Introdução

Têm havido, na última década, desenvolvimentos importantes que são cruciais para a expansão do voluntariado no futuro

Há cada vez mais oportunidades para as pessoas se engajarem no voluntariado. Este capítulo analisa três aspectos da mudança do voluntariado no mundo. Apesar destas mudanças não serem estritamente produtos do século 21, têm havido, na última década, desenvolvimentos importantes que são cruciais para a expansão do voluntariado no futuro. Em primeiro lugar, os desenvolvimentos tecnológicos têm criado espaços de uma forma sem paralelo na história para que as pessoas podem engajar-se como voluntárias. Estes desenvolvimentos facilitam um relacionamento entre os indivíduos de maneira global e mais rapidamente do que nunca. Em segundo lugar, há o papel do setor privado no desenvolvimento e o seu interesse pelo voluntariado como um aspecto de responsabilidade social empresarial. Em terceiro lugar, movimentos globais sem precedente de pessoas, oportunidades crescentes de viajar, juntamente com mais tempo de lazer, são dois fenômenos que estão causando impacto nas formas tradicionais de voluntariado por todo lado. voluntariado E tecnología Os voluntários podem contar com o rápido crescimento no âmbito da tecnologia para ajudar a enfrentar os muitos desafios globais de hoje em dia. Estes vão desde alertar contra a insegurança alimentar até monitorar conflitos violentos, e desde providenciar aviso tempestivo sobre desastres iminentes até denunciar uma fraude eleitoral. A chegada dos telefones celulares, da tecnologia da informação e comunicação (TIC) baseada na internet está revolucionando a ação do voluntariado em termos do “quem, o quê, quando e onde”. Voluntariado em linha, ativismo em linha, através dos meios de comunicação, e o microvoluntariado são tendências em rápido crescimento. As eventuais contribuições da tecnologia para o voluntariado são enormes. Contudo, as

30

mudanças não ocorrem sem desafios. Alguns observadores argumentam que a fratura digital pode levar à exclusão de pessoas com acesso limitado à tecnologia e que os benefícios não são tão acessíveis em países de baixo rendimento. Outros afirmam que a tecnologia tornou o voluntariado mais impessoal, ao desencorajar a interação face a face. Desta forma, impediria o compromisso voluntário significativo. 1 Voluntariado e tecnologias de telefonia móvel O acesso à tecnologia relativamente básica dos celulares e a preços acessíveis está constantemente abrindo oportunidades para voluntários. Ao mesmo tempo em que existem grandes disparidades entre países, o uso de novas tecnologias continua em expansão por todo o mundo. A assinatura de telefone celular em países desenvolvidos é superior a 100 por cento, ou seja, mais do que uma assinatura por habitante. Nos países em desenvolvimento, estima-se em 60 por cento 2. De fato, alguns dos exemplos mais inovadores e bem sucedidos de voluntariado relacionado com comunicações entre celulares estão no mundo em desenvolvimento, um fenômeno tão extraordinário que é chamado “revolução celular” 3. O serviço de mensagem de texto (SMS) tem talvez tido o impacto mais profundo. A comunicação SMS em massa é considerada uma forma de “micro-voluntariado”, por causa da sua duração limitada, que não exige um compromisso longo. Ela pode contribuir para a produção e partilha de informação mais rica, mais completa e mais confiável 4. É frequentemente usada por voluntários para despertar a consciência sobre questões locais, para esclarecer as escolhas das pessoas, e para monitorar e melhorar serviços públicos tais como previsão de safras, educação e saúde. Voluntários da área da saúde, por exemplo, enviam mensagens de texto SMS para relatar sintomas básicos de doenças e


VOLUNTARIADO no século XXI

enfermidades. Traçar em mapas a ocorrência geográfica destes sintomas, usar programas tais como Ushahidi do Quênia, pode ajudar os epidemiologistas a identificar padrões de doença e providenciar avisos antecipados de eventuais surtos. Em Ruanda, o governo distribui celulares a trabalhadores voluntários de saúde da comunidade em zonas rurais. Estes são usados para controlar o progresso das mulheres grávidas da aldeia, para enviar atualizações para profissionais da saúde, e para chamar por assistência urgente, quando necessário. O plano tem contribuído para reduzir significativamente as mortes maternas. No distrito de Munsanze, por exemplo, não foi reportada nenhuma morte materna durante o ano que se seguiu ao lançamento do programa em 2009, em comparação com as dez mortes do ano anterior. Dado o sucesso do programa, há planos para distribuir 50.000 celulares de forma a alcançar todos os trabalhadores voluntários da saúde em Ruanda e estender o programa à agricultura e educação 5. A mensagem de SMS é também uma ferramenta poderosa para organizações de acompanhamento de eleições apoiarem o trabalho de voluntários. Ajuda-os a abordar desafios logísticos mais rapidamente, assim como a contribuir para uma visão efetiva da eleição e para a proteção dos direitos dos cidadãos, como se pode ver no quadro à direita.

QUADRO 3.1 Monitoramento de eleições através de SMS

Os observadores eleitorais voluntários podem desempenhar um papel chave na promoção da boa governança. Voluntários bem preparados, equipados com novas tecnologias, são um recurso valioso para a manutenção dos sistemas de voto democrático. Uma nova forma de envolvimento cívico emergiu durante o referendo de 2006 em Montenegro. Os observadores das eleições usaram mensagens de texto para fornecer relatórios regulares sobre as eleições. Voluntários de uma ONG de Montenegro, o Centro Democrático para a Transição, com assistência técnica do Instituto Nacional Democrático, sediado nos EUA, usaram mensagens de SMS para darem informações quase instantâneas, a partir dos locais de voto, de todo o país. Desde então, o relato de voluntários sobre eleições, através de mensagens de texto de celulares aconteceu nas eleições da Albânia em 2006, Serra Leoa em 2007, Nigéria em 2007 e 2011, e Sudão em 2010, assim como em outros lugares. As primeiras eleições na Serra Leoa do pós-guerra foram monitoradas por milhares de voluntários locais treinados que observaram as seções de voto e recolheram informações de votos, enviando-as depois para análise, via mensagem de texto, para o Observatório Nacional de Eleições, uma coligação de mais de 200 ONGs no país. A presença e contribuição de voluntários ajudaram “a proteger os direitos dos eleitores e a promover um ambiente eleitoral justo e pacífico”. O relato voluntário por SMS está ampliando o âmbito do compromisso e transparência cívicos e contribui para uma maior responsabilidade política.

Fontes: The National Democratic Institute. (2006); Schuler. (2008); Verclas. (2007).

Voluntariado e a Internet No mundo em desenvolvimento, as sinergias inovadoras entre voluntariado e tecnologia centram-se, normalmente, mais nas tecnologias de comunicação através dos celulares do que na Internet. Cerca de 26 por cento das pessoas em todo o mundo tinham acesso à Internet em 2009. Contudo, o acesso à Internet nos países de baixo rendimento era apenas de 18 por cento, enquanto que nos países desenvolvidos era superior a 64 por cento. Ao mesmo tempo em que o custo da Internet por banda larga fixa está baixando,

o seu acesso continua fora do alcance de muitos 6. Apesar disso, o voluntariado em linha desenvolve-se rapidamente. Os voluntários em linha são “pessoas que dedicam o seu tempo e as suas capacidades na Internet, gratuitamente e sem motivações financeiras, para o benefício da sociedade” 7. O voluntariado em linha pôs fim à necessidade de dependência de tempo 31


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

e espaços específicos. Assim sendo, aumenta grandemente a liberdade e flexibilidade do compromisso voluntário e complementa o alcance e impacto do serviço voluntário in situ. A maioria dos voluntários em linha engaja-se em atividades operacionais e de gestão como: QUADRO 3.2 Voluntariado em linha O serviço de Voluntariado em linha, um instrumento do VNU para mobilizar voluntários para o desenvolvimento, estabelece ligações entre voluntários e organizações com a finalidade de fortalecer o impacto do desenvolvimento humano sustentável. Engenheiros Sem Fronteiras (ESF) em Camarões puseram em contato três voluntários em linha que desenvolveram um manual de fácil utilização sobre técnicas e tecnologias de agricultura complexa. Um engenheiro agrícola do Mali traduziu o jargão científico para uma linguagem simples. Um consultor marroquino com um Ph.D. em estudos ambientais e um agroeconomista togolês também trabalharam juntos num produto que está ajudando os agricultores a melhorar o cultivo de abacaxis. O voluntário em linha Kokou Edoh (Togo) afirmou: “Esta colaboração foi um sucesso total. O comprometimento, colaboração e convívio na nossa equipe e com a equipe ESF provocou uma mudança decisiva na minha vida. Foi a minha primeira experiência como voluntário em linha e me deixou um sentimento de grande satisfação. Decidi voluntária-me de novo para ESF.” O programa da UNESCO de Patrimônio Mundial da Floresta trabalha no sentido de fortalecer a conservação de florestas em locais de Patrimônio Mundial. Vinte e um voluntários em linha de 11 países apoiaram o programa, defendendo a sua conservação durante o Ano Internacional das Florestas em 2011. Investigando, analisando, resumindo e localizando informação, os voluntários contribuíram para o relatório Estado das Florestas Patrimônio Mundial e criaram uma base de dados sobre as florestas Patrimônio Mundial. De acordo com um estudante de conservação de patrimônio arquitetônico/urbano, Jae Hyeon Park (República da Coreia), analisar e resumir informação para base de dados “permitiu-me alargar os meus conhecimentos sobre áreas ambientais e compreender melhor a participação da UNESCO no patrimônio natural em um nível global. Acima de tudo, aquilo de que me beneficiei desta vez foi do prazer de fazer voluntariado com profissionalismo. Fontes: UNV. (n. d., 2004, 2010a, 2010b, 2011b, June)

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angariação de fundos, apoio tecnológico, comunicações, marketing e consultoria. Cada vez mais, eles se envolvem em atividades de pesquisa e redação e de liderança de grupos de discussão por e-mail 8. O VNU dirige um programa de voluntariado em linha, acessível na página www. onlinevolunteering.org. Lançado em 2000, faz a conexão entre ONGs, governos e agências das Nações Unidas e pessoas que desejem fazer voluntariado usando a Internet. Cerca de 10.000 voluntários de 170 países (62 por cento de países em desenvolvimento) realizam uma média de 15.000 tarefas em linha por ano. Estes voluntários incluem não só profissionais, mas também estudantes e aposentados. Cinquenta e cinco por cento dos participantes são mulheres. Cobrem campos que incluem educação, juventude, apoio e estratégias para o desenvolvimento, prevenção de crises, criação de remuneração e emprego, voluntariado, integração de grupos marginais, meio-ambiente, saúde e problemas de gênero. O voluntariado em linha faz aumentar a capacidade de organizações de desenvolvimento enquanto, simultaneamente, cria espaço para que várias pessoas participem do desenvolvimento, que de outro modo não teriam oportunidade. O voluntariado em linha é normalmente de curta duração. Num estudo, mais de 70 por cento dos voluntários em linha escolheram tarefas que requeriam de uma a cinco horas por semana e cerca da metade escolheu tarefas com a duração de 12 semanas ou menos 9. Algumas organizações, tais como Sparked.com, oferecem oportunidades de voluntariado com a duração que vão de dez minutos a uma hora. Uma característica única do voluntariado em linha é que pode ser feito à distância. Pessoas com mobilidade limitada ou outras necessidades especiais participam de maneiras que não seriam possíveis no voluntariado tradicional face a face. Do mesmo modo, o voluntariado em linha permite às pessoas ultrapassar inibições


VOLUNTARIADO no século XXI

sociais e ansiedade social, particularmente àqueles sujeitos a rótulos e estereótipos relacionados com deficiências 10. Isto confere um poder às pessoas que não se tornariam voluntários em outras condições. Contribui para a autoconfiança e autoestima enquanto desenvolve capacidades e amplia redes e ligações sociais 11. O voluntariado em linha também permite aos participantes adaptarem o seu programa de voluntariado às suas próprias necessidades e situações de vida 12.

QUADRO 3.3 Voluntariado em linha em código aberto

Sites de redes sociais como o Twitter, o Facebook e o Orkut têm ajudado as pessoas a partilharem informação e a organizaremse. Os exemplos incluem a redução do risco de incêndios na Rússia em 2010 e a mobilização para manifestações políticas nos estados Árabes no início de 2011. Estas plataformas de redes sociais foram também usadas por voluntários e organizações para recrutar, organizar ação coletiva, aumentar a consciência, criar fundos e comunicar com os responsáveis pelas decisões 13.

Robin Beck, organizador do dia em 2010, disse que: “O melhor resultado possível seria espalhar a conversa a lugares onde nunca foi debatido anteriormente”. Os voluntários também participam em linha do “movimento código-aberto” que envolve profissionais de múltiplas disciplinas. Os biologistas, por exemplo, aderiram às ferramentas de código-aberto para contribuir para as bases de dados do genoma e do sequenciamento genético. Blogs e mensagens em linha, formas de jornalismo de código-aberto, contribuem tão significativamente para a criação e disseminação do saber como a publicação em código-aberto. O Projeto Gutenberg, por exemplo, digitalizou mais de 6.000 livros, com centenas de voluntários escrevendo, página a página, clássicos desde Shakespeare até Stendhal.

Contudo, o “clicktivismo”, como é chamado, pode, na verdade, impedir os ativistas de irem mais longe no envolvimento em ações e causas voluntárias mais significativas. Argumenta-se que, se por um lado as redes sociais despertam a consciência para causas sociais, por outro não inspiram a paixão por criar uma efetiva mudança social 14. Consequentemente, as pessoas envolvem-se como “filantropos telescópicos”, mas sem vontade de fazer sacrifícios reais por uma causa 15. No entanto, apesar do micro-voluntariado nem sempre levar a uma mudança social radical, traz benefícios ao informar e mudar atitudes. É exemplo disso a página do Facebook Diga NÃO à Violência contra as Mulheres que dá informação a milhares de subscritores sobre atividades importantes e legislação sobre os direitos das mulheres. A Internet também favorece o voluntariado ao cruzar os interesses dos voluntários com as necessidades das organizações

Cada vez mais as pessoas utilizam as redes sociais para promover causas que lhes são queridas. No Dia de Ação Anual do Blog, marcado para 15 de outubro, milhares de bloggers encontram-se em linha para partilhar idéias sobre questões de interesse público. Em 2010, as colocações foram expressas sobre a crise da água. Da conservação da água à igualdade de gênero, os bloggers exploraram questões relacionadas com a água que têm impacto na sociedade, na esperança de inspirar ações corretas e manter o debate aberto.

Revisão e Correção Distribuídas (Distributed Proofreading), um projeto relacionado, envolve um sem número de redatores voluntários para assegurar que os textos Gutenberg sejam traduzidos corretamente. Fontes: Goetz. (2003); Roque. (2009); Knight. (s.d.); Blog Action Day Blog. (2010).

de acolhimento. Os sites de ligações de voluntariado aumentam as oportunidades para os voluntários encontrarem colocações e, simultaneamente, facilitam às organizações que envolvem voluntários o acesso a potenciais voluntários. O tempo e custos do recrutamento são reduzidos. Em muitos níveis, informação nova e tecnologias da comunicação introduziram um estilo de trabalho em rede, uma corrente de informação horizontal e participativa entre os utilizadores, criando assim oportunidades inovadoras para a participação voluntária. O voluntariado baseado na tecnologia serve em especial 33


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

aos jovens, mais predispostos a adotar e usar tecnologia. Existe uma necessidade verdadeira para que os investigadores compreendam melhor os benefícios e os desafios relativos ao voluntariado em linha versus o voluntariado face a face. voluntariado internacional O voluntariado internacional é um compromisso organizado no desenvolvimento assumido por voluntários no estrangeiro. Inclui missões de curta e longa duração tanto para agências governamentais como não governamentais. Em particular na última década, assistiu-se ao aumento do número de voluntários no estrangeiro e a uma evolução nas formas de engajamento 16. O voluntaQUADRO 3.4 Micro-voluntariado de Kraft Foods Kraft Foods associou-se a Sparked, um ambiente em linha que permite os indivíduos serem voluntários independentemente do tempo e lugar, para lançar um programa piloto de microvoluntariado. Participaram mais de 50 empregados que ajudaram 48 ONGs em questões relacionadas a saúde, nutrição e crianças, em 38 países. As habilidades usadas foram marketing, vendas e meios de comunicação social. Dentre os que participaram da iniciativa voluntária, 67 por cento apontou a facilidade de a encaixar nos seus horários e 92 por cento afirmou que o microvoluntariado devia ser oferecido a todos os empregados. Um deles disse: “Não tenho tempo para atividades de voluntariado na minha vida, neste momento, mas isto me ajuda a contribuir pelo menos desta maneira.” Um voluntário da Kraft Foods usou as suas competências linguísticas para traduzir candidaturas para financiamentos e fundos (de inglês para espanhol) para uma ONG internacional, aumentando assim o acesso a financiadores. Outra pessoa usou as suas próprias redes sociais, colaboração e capacidades de organização de conteúdos para aconselhar uma ONG acerca do uso dos perfis do Facebook, para chamar a atenção sobre o seu trabalho. A tecnologia permite aos voluntários espalhados por todo o mundo trabalharem segundo sua conveniência, juntando esforços que podem ter um impacto tremendo. Fontes: Allen, Galiano &Hayes. (2011); Sparked. (2010, November 4).

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riado internacional tornou-se um aspecto proeminente dos programas de assistência ao desenvolvimento em muitos países desenvolvidos nos anos 1960. Algumas das maiores organizações de coordenação de voluntariado internacional estabeleceram-se durante esse período, incluindo “Australian Volunteers International”, “Japan Overseas Cooperation Volunteers”, “Canadian University Service Organization”, “Peace Corps”, “Volontari nel Mondo – FOCSIV” e Voluntários das Nações Unidas. Excetuando o VNU, que sempre contou com voluntários do mundo em desenvolvimento, estes programas centravam-se tradicionalmente no envio de voluntários do Norte para o Sul. Para muitos programas de serviço de voluntariado internacional, uma evolução mais recente tem acrescentado esquemas de voluntariado nacional às suas atividades. A finalidade é usar os conhecimentos das pessoas especialistas das línguas locais e das questões culturais enquanto criam formas locais de sustentabilidade e contribuem para o desenvolvimento 17. Isto cria uma complementaridade útil com o voluntariado internacional que, além das competências, coloca muitas vezes à disposição donativos e recursos concretos, quer diretamente quer através de ligações a organizações externas 18. Recentemente, algumas agências de envio, incluindo VSO na Grã-Bretanha, Progressio na Irlanda e Fredskorpset na Noruega, promoveram missões de voluntariado Sul a Sul e Sul a Norte. São criadas oportunidades para os habitantes de países em desenvolvimento praticarem voluntariado no estrangeiro e reforçarem as capacidades nacionais 19. Esta dimensão Sul a Sul está também a implantar-se no próprio mundo em desenvolvimento. Na África, a União Africana e ECOWAS, iniciativas regionais de voluntariado jovem, possibilitam que os jovens africanos ganhem mais experiência com o voluntariado e contribuam para a paz e desenvolvimento na região. Na América Latina, a iniciativa Capacetes Brancos


VOLUNTARIADO no século XXI

(“Cascos Blancos”) tem o seu enfoque nas tarefas dos voluntários latino-americanos em programas de emergência principalmente na região. O Brasil coopera com VNU enviando voluntários brasileiros para a América Central. O programa está sendo estendido para o Haiti e há planos para fazer o mesmo em Moçambique. Na Ásia, há programas de ação pela Agência Internacional de Cooperação da Coreia (KOICA), o Programa Jovens Voluntários da China Servindo na África, e a Singapore International Foundation (SIF). A finalidade da SIF é melhorar a subsistência e criar maior compreensão entre cingapureanos e comunidades mundiais através da partilha de ideias, habilidades e experiências 20 . Desde 2004, o Programa de Voluntariado da Tailândia (TICA) envia cidadãos para os países vizinhos para darem apoio a programas de cooperação técnica. Além da contribuição para o desenvolvimento de recursos humanos sustentáveis, o programa procura fomentar amizade e criar relacionamentos interpessoais nas comunidades de base entre a Tailândia e outros países em desenvolvimento, na Ásia, etc 21. Formas de voluntariado internacional tornamse cada vez mais diversificadas. A tendência vai para colocações de tempo mais reduzido, com uma duração média inferior a seis meses, e colocações adaptadas individualmente ao voluntário 22. Enquanto o voluntariado internacional era anteriormente equiparado a um compromisso de longa duração, através de um programa de voluntariado formal, as novas formas de voluntariado de curta duração combinam o interesse em viajar com o desejo de contribuir 23. Esta tendência é provocada pela globalização, viagens transatlânticas mais baratas e mais confortáveis, aumento das migrações, globalização dos meios de comunicação, identidades multiculturais e procedimentos de trabalho e educação mais flexíveis 24. O voluntariado internacional é cada vez mais promovido nas universidades e corporações como um motor para a educação global e o desenvolvimento de habilidades. O

QUADRO 3.5 Amigos da Tailândia no Butão O Programa de Voluntariado Tailandês, também conhecido por “Amigos da Tailândia – FTT”, envia jovens voluntários tailandeses ou “amigos” para fazerem trabalho de campo de apoio a programas de cooperação técnica tailandesa, em países em desenvolvimento. Através de um acordo cooperativo entre a Tailândia e o Butão, os voluntários tailandeses fornecem apoio na agricultura, saúde pública, turismo e estudos vocacionais, para setores públicos e privados no Butão. Bandit Bitbamrund, de 23 anos, é engenheiro agrícola numa missão voluntária de dois anos. Bandit investiga o desenvolvimento de maquinaria agrícola no Centro de Máquinas Agrícolas do Ministério da Agricultura e Cooperativas e dá aulas sobre maquinaria agrícola no curso de agricultura na Universidade Real do Butão.

Fontes: Phatarathiyanon, Tomon, Yosthasan, Ito, Lee & Ratcliffe. (2008); Bandit Bitbamrund, Personal Communication. (2011, July 20); Royal Civil Service Commis-sion.(2005).

voluntariado cresce também entre as pessoas que vivem fora dos seus países de origem, como expressão do desejo da diáspora de ajudar comunidades na sua terra natal 25. O recrutamento de voluntários por empresas é também cada vez mais comum 26. Há uma tendência adicional e crescente de programas de apoio a colocações como “voluntário sênior” de curta duração para profissionais aposentados, como pode ser visto no quadro mais adiante. Coloca-se a questão sobre se o voluntariado de curta duração é mais benéfico como experiência de aprendizagem para os próprios voluntários ou para as comunidades anfitriãs 27. Muitos estudos concluem que depende do programa. Na verdade, o voluntariado internacional é uma via de duas mãos, beneficiando tanto voluntários como comunidades anfitriãs. Os voluntários internacionais relatam terem ganho habilidades que dificilmente teriam adquirido fazendo voluntariado local e nacional ou em seus empregos 28. Ao regressarem, os voluntários afirmam que as suas experiências no estrangeiro foram “transformadoras”

Formas de voluntariado Internacional tornam-se cada vez mais diversificadas

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

QUADRO 3.6 Voluntários Seniores JICA Masayoshi Maruko é, há muito tempo, proprietário de uma loja de aparelhos de som para automóveis. Quando fez 60 anos, decidiu candidatar-se ao Programa Voluntário Sênior da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). Foi incumbido de ensinar engenharia eletrônica numa escola de formação profissional na Zâmbia. Embora não tivesse experiência anterior de ensino, tinha pelo menos uma certeza: o trabalho só se ensina com trabalho. De acordo com este lema, após ter compreendido quais as necessidades, iniciou o trabalho para além das obrigações de ensino. Na Zâmbia, onde o fornecimento de energia elétrica é instável, há uma procura de geradores de energia solar. Além de ensinar como consertar televisões e rádios nas aulas, o Sr. Maruko também desenvolveu novos produtos incluindo uma motocicleta chamada Bicicleta Solar e uma iluminação com energia solar chamada Rei Solar, que ganhou prêmios. Através desta sua atividade na Zâmbia, o Sr. Marujo disse ter compreendido que há algo mais importante para um voluntário sênior JICA do que elevados níveis de conhecimentos e competências: “Quando queremos fazer qualquer coisa pela felicidade dos outros, então, pela primeira vez, os nossos conhecimentos e técnicas serão transmitidos.” Em 2009, o Programa de Voluntariado Sênior ofereceu a 445 pessoas a oportunidade de participar de atividades cooperativas em países em desenvolvimento, utilizando as suas experiências em campos como agricultura, silvicultura e pescas, energia, saúde e cuidados médicos, recursos humanos, educação, cultura e esporte. Desde o início do programa em 1990, um total de 4.462 pessoas foram enviadas para 64 países.

Fonte: Japan International Cooperation Agency (JICA). (2011).

ou “pontos de virada” nas suas vidas, resultando um aumento do compromisso de servir no seu país e no estrangeiro 29. Para as comunidades anfitriãs, programas de diferentes durações podem ser apropriados para atividades específicas. Os voluntários de curto prazo podem insuflar dinamismo às atividades rotineiras de serviço social com crianças, adultos ou pessoas portadoras 36

de deficiências físicas 30. Especialistas em voluntariado de curta duração trazem com eles uma experiência técnica significativa. Contudo, atribuições renovadas são tidas como mais eficazes. As tarefas de especialistas individuais são também mais eficazes como parte de projetos de longa duração do que quando estão isoladas 31. Tem tido muita discussão sobre os benefícios do turismo voluntariado de curta duração, “volunturismo”, para o desenvolvimento internacional. Em 2008, o mercado para volunturismo na Europa Ocidental cresceu entre 5 a 10 por cento em cinco anos, sendo os destinos mais populares África, Ásia e América Latina. Uma oportunidade pode ir de um a dois dias até um mês ou mais, sendo que a maioria das experiências é de uma a duas semanas. Tem maior popularidade entre estudantes e pessoas em vias de transição de carreiras. Os projetos mais populares incluem educação e treinamento, construção e trabalho com crianças. O volunturismo provê projetos e comunidades anfitriãs como um meio de doação. Fornece às comunidades mais recursos humanos e financeiros, emprego local e melhores condições. Os voluntários tendem a ficar em contato após o seu regresso para casa e até angariam fundos em prol dessas comunidades. Mas também o volunturismo é alvo de críticas. Quando a duração da viagem é mais curta, as colocações de voluntários são mais planejadas segundo a conveniência do voluntário do que o apoio às necessidades das comunidades locais. Os voluntários participantes tendem a revelar falta de qualificações relevantes, experiência e formação. Por isso, assumem tarefas mais simples, de menor dimensão e com impacto mínimo. Podem até tornarse um peso para os recursos locais. Alguns especialistas argumentam que a indústria do volunturismo deveria ser regulamentada para assegurar que beneficiasse o desenvolvimento sustentável 32.


VOLUNTARIADO no século XXII

Em contraste com as colocações de voluntários internacionais em programas de curta duração, os programas de voluntariado internacional de longa duração dão prioridade à correspondência entre as habilidades dos voluntários e as necessidades das comunidades anfitriãs 33. Os programas são mais eficazes quando consideram os seguintes aspectos: contemplam continuidade na presença dos voluntários; fornecem formação e orientação, incluindo sensibilização cultural; respondem diretamente às necessidades comunitárias e, através do seu modelo, maximizam as contribuições financeiras 34. O caso do voluntariado de diáspora, já referido anteriormente, merece especial atenção dado o seu enorme potencial para o desenvolvimento nos países cuja significativa parcela da população vive no estrangeiro. Por exemplo, 1.1 milhões de profissionais médicos residindo somente nos Estados Unidos são provenientes de países em

desenvolvimento. Mais de 120.000 vêm da África subsahariana 35. A natureza do voluntariado de diáspora depende das circunstâncias da diáspora no país de adoção e no de origem. No caso da África, por exemplo, os membros da diáspora voltam ao seu país de origem periodicamente, por curtos períodos de tempo. O seu objetivo é ajudar a desenvolver as capacidades das redes da sociedade civil assim como incutir uma “mentalidade coletiva e cívica” em comunidades locais de pós-conflito. Contudo pouco se sabe sobre o papel importante de voluntários de diáspora como agentes de mudança na região 36. A diáspora do Vietnã concentra-se em questões como a redução de pobreza, sustentabilidade ambiental, cuidados médicos e deficiências. Tendo uma segunda geração muito bem integrada nos países de adoção, existe, no entanto, o problema da viabilidade do voluntariado de longa duração no Vietnã

QUADRO 3.7 Programa de Voluntariado da Diáspora da Etiópia Calcula-se que 20.000 profissionais qualificados tenham saído da África anualmente, desde 1990, levando consigo suas habilidades e conhecimentos. A Etiópia tem buscado ajuda através do seu Programa de Voluntariado da Diáspora da Etiópia (EDVP) que recruta voluntários da área da saúde para desenvolverem competências nacionais no tratamento de HIV/AIDS e outras doenças. Este é um trabalho de parceria com a Aliança de Saúde Internacional Americana e a Rede de Profissionais da Etiópia na Diáspora. Entre 2006 e 2010, o programa colocou 45 voluntários em mais de 30 locais, incluindo o Ministério Federal da Saúde da Etiópia, onde desempenharam várias funções desde o desenvolvimento de diretrizes no tratamento da dor, para profissionais da saúde do país, até à construção de uma plataforma em linha para o ministério. Também criaram ligações em universidades estrangeiras, criaram currículos médicos para os hospitais universitários do país e examinaram o programa nacional de tratamento antiretroviral. Entre outros exemplos, os voluntários melhoraram e introduziram novos sistemas de cuidados médicos, desenvolveram materiais de educação e formação, ajudaram a adaptar à realidade da Etiópia modelos e técnicas importadas, treinaram os profissionais da área da saúde, desenvolveram campanhas de prevenção de doenças e promoção da saúde, e reforçaram a pesquisa de base. Os voluntários têm necessidades e expectativas diversas. Contudo, as motivações para o voluntariado foram o desejo de ajudar a combater HIV/AIDS na Etiópia, um sentimento de responsabilidade em retribuir à Etiópia, e orgulho do patrimônio do país. Fontes: Giorgis &Terrazas. (2011a); International Organization for Migration (IOM). (2007); Network of Ethiopian Professionals in the Diaspora (NEPID). (n.d.).

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

devido ao enfraquecimento dos laços com o país de origem. Estima-se que cerca de 400.000 vietnamitas que vivem no estrangeiro receberam educação de nível superior, mas apenas 200 voltam anualmente para ensinar ou fazer consultoria 37.

Empresas do setor privado operam num mercado cada vez mais “moral”

As iniciativas para mobilizar os voluntários da diáspora são um sinal do significado crescente da diáspora no voluntariado. Tais iniciativas vêm de agências como o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o Department for International Development do Reino Unido, a Diaspora Volunteering Alliance com apoio de VSO, o Canadian University Service Overseas, o Diaspora Volunteering Programme VSO e a Diaspora network Alliance da USAID (DNA) 38. O valor deste tipo de voluntariado reside em trazer conhecimentos especializados para os processos de desenvolvimento e de paz em países que necessitam desses apoios. Igualmente importante é o fato de fortalecer o capital social de pessoas geograficamente separadas, mas ligadas culturalmente. É um bom exemplo do cimento que mantém as sociedades unidas. O voluntariado internacional encoraja-nos a redefinir o que é o sentido da ajuda ao desenvolvimento. Não se trata apenas de transferência de conhecimentos técnicos, mas também da construção de relacionamentos, da cooperação global e dos valores da solidariedade. “Ele pode construir a ponte entre o mundo profissionalizado de organizações e especialistas no desenvolvimento e ‘públicos não especializados’ comprometidos com as idéias e práticas do desenvolvimento.” 39 O Voluntariado e o setor privado O economista americano Milton Friedman disse um dia, em tom de brincadeira, que “o negócio dos negócios é o negócio”. Felizmente, esta noção tem poucos aderentes hoje em

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dia. Empresas do setor privado operam num mercado cada vez mais “moral”, onde consumidores, investidores e trabalhadores querem saber se as empresas são socialmente responsáveis. Os consumidores e investidores têm uma melhor imagem das empresas que fazem parte do grupo das corporações de cidadania global 40. Do mesmo modo, os trabalhadores sentem-se motivados para contribuírem para a sociedade 41. A responsabilidade social empresarial/ corporativa (RSE) tem sido descrita como um conjunto de “expectativas econômicas, legais, éticas e discricionárias que uma sociedade tem das organizações num dado momento” 42. Isso significa que as empresas privadas têm responsabilidades morais, éticas e filantrópicas, além da obrigação de ganhar um retorno justo para os investidores. Outra definição da RSE acrescenta que se trata de “melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e suas famílias assim como da comunidade local e da sociedade em geral” 43. Isto coincide com os valores do voluntariado e sua relação com o bem-estar das pessoas e suas comunidades. Pesquisas nos países em desenvolvimento indicam que a RSE é mais predominante do que geralmente se pensa, embora menos institucionalizada do que em países desenvolvidos. Na Ásia, os países variam bastante quanto aos modos de ação da RSE, com fundações, voluntariado, parcerias, etc. Na África, as práticas da RSE concentram-se mais em questões econômicas e filantrópicas do que em responsabilidades legais e éticas 44. A RSE na América Latina é vista como esperança de mudanças positivas perante desafios sócioeconômicos, políticos e ambientais. A RSE formal encontra-se ligada a grandes empresas nacionais e multinacionais com muita visibilidade, especialmente as de marcas de reconhecimento internacional ou as que aspiram a um status global 45. Um grande impulso dado à RSE vem do


VOLUNTARIADO no século XXI

Pacto Global da ONU, lançado em 2000, que promove os direitos humanos e princípios sobre trabalho, ambiente e anticorrupção no setor privado. A sua finalidade é incentivar ações direcionadas para os objetivos mais amplos das Nações Unidas, incluindo ODMs, e apoiar uma plataforma de engajamento corporativo. O número de empresas envolvidas no Pacto Global subiu de 47, em 2000, para mais de 8700, em 2011, em 135 países. Empresas membros são encorajadas, entre outras coisas, a mobilizar voluntários para contribuírem para os ODMs 46. Voluntariado de empregados é uma expressão em crescimento da RSE. Tanto é chamada de “voluntariado apoiado pelo empregador” como “voluntariado corporativo” e é muitas vezes uma peça essencial das estratégias de envolvimento comunitário em negócios. Os benefícios para os empregados incluem a moral elevada, a satisfação no trabalho, mais orgulho e sentimentos positivos em relação à empresa. Os benefícios para a empresa incluem a melhoria da reputação e da imagem corporativa, o aumento da visibilidade corporativa na comunidade e o aumento de vendas. As comunidades também ganham através da melhoria do bemestar, do aumento da assistência financeira e outros serviços para organizações locais, e do aumento de voluntariado comunitário 47. Aquilo que muitas vezes falha nas avaliações da RSE, e que reforça a nossa mensagem central neste relatório, é o reconhecimento de que o voluntariado de empregados dá aos cidadãos a possibilidade de se envolverem em atividades que correspondem aos valores que defendem e que fortalecem a estrutura social. Tal como na RSE em geral, a natureza do voluntariado de empregados nos países em desenvolvimento revela consideráveis variações específicas ao contexto. Um projeto da New Academy of Business (Nova Academia de Negócios), em sete países em desenvolvimento (Brasil, Gana, Índia, Líbano, Nigéria, Filipinas e África do Sul), descobriu

QUADRO 3.8  Necessidade de valores e princípios nos negócios É necessário que os negócios dêem um significado prático e alcance os valores e princípios que unem culturas e povos de todo o mundo. Fonte: Ban Ki-moon. (2008).

que formas tradicionais de filantropia corporativa e iniciativas de investimento social eram uma prática habitual. Contudo, os programas de voluntariado de empregados de longa duração não são comuns e nem recebem apoio institucional 48. Um estudo, intitulado Global Companies Volunteering Globally (Companhias Globais Voluntariando Globalmente) 49, identificou abordagens diversas ao voluntariado de empregados em todo o mundo, com fatores regionais e culturais a determinar como o voluntariado é compreendido e praticado. As formas como as empresas apoiam o voluntariado de empregados variam bastante, desde o encorajamento dos empregados a

QUADRO 3.9 Voluntariado de empregados e ODMs SUEZ é um fornecedor francês de produtos industriais que contribui para ODM 7: Sustentabilidade Ambiental. Oferece aos seus empregados a possibilidade de fazerem voluntariado nas suas atividades essenciais através de uma parceria com VNU. Os empregados da SUEZ criaram duas associações de voluntariado, Acquassistance e Energy Assistance, para melhorar as condições de vida de populações altamente desfavorecidas em todo o mundo. Os voluntários da Acquassistance realizaram avaliações de gestão do lixo na Albânia, na Nigéria, no Senegal e em Guiné Bissau. Foi concedido apoio técnico a um projeto de voluntariado de gestão de lixo com base na comunidade. Os voluntários da Energy Assistance apresentaram recomendações sobre redes de distribuição de energia em Honduras; avaliaram fontes de poluição nas Ilhas Galápagos; recomendaram mudanças na produção de energia; e fizeram a auditoria para uma central elétrica no Timor Leste. Fonte: UNGC. (n.d.).

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

fazerem voluntariado a título individual ou em pequenos grupos, até a integração de programas organizados, muitas vezes em parceria com ONGs. As atividades ocorrem por vezes nas comunidades onde as empresas operam, embora os empregados voluntários sejam também enviados para outros países. As atividades podem implicar mobilizações mundiais que se podem prolongar por dias, semanas ou meses de serviço. E podem tomar a forma de projetos isolados ou de voluntariado em linha 50.

QUADRO 3.10 Voluntariado corporativo O programa Proniño, uma criação da empresa multinacional de telecomunicações Telefónica, tem como objetivo contribuir para a erradicação do trabalho infantil na América do Sul, região em que mais de 5 milhões de crianças trabalham. Escolarizando crianças e adolescentes que trabalham, e usando a tecnologia e os sistemas de gestão da Telefónica, o Proniño procura melhorar a qualidade da educação das crianças e protegê-las do trabalho infantil. O programa, implantado em 13 países da América Latina onde a empresa opera, desenvolve-se através de uma rede de 118 ONGs, 674 alianças e quase cinco mil escolas e creches. Todos os anos, o programa ajuda mais de 160.000 crianças e adolescentes. O Proniño é gerido por voluntários da Telefónica que ensinam nos programas após o horário escolar, dão assistência a ONGs parceiras no acompanhamento das famílias das crianças envolvidas, conduzem oficinas sobre educação para famílias e comunidade, e dão apoio a professores e assistentes sociais. Os voluntários estão também no cerne do programa da Telefónica chamado Escuelas Amigas, que promove o intercâmbio cultural de classes entre a Espanha e a América Latina via Internet. Os voluntários dão apoio aos professores, fornecendo assistência técnica no uso de ferramentas Web 2.0, e acompanham o trabalho na sala de aula. Os voluntários da Telefónica motivam e acompanham professores e alunos ao longo do projeto de cinco meses, durante o qual as turmas trabalham em conjunto sobre materiais educativos, via blogs e teleconferências. Fuentes: Telefónica. (2009); Allen, Galiano & Hayes. (2011).

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Um fenômeno ainda recente, mas em rápido crescimento, é a integração formal dos programas de voluntariado de empregados nas infraestruturas e plano de negócios das empresas 51. Os trabalhadores de grandes empresas (acima de 250 empregados) têm mais probabilidades de ter um esquema de apoio do empregador (47 por cento) do que os de empresas médias 52 (20 por cento) ou pequenas empresas (14 por cento) 53. Os trabalhadores de grandes empresas têm também mais probabilidades do que os das pequenas de reconhecer que o seu empregador apoia o voluntariado. De fato, mais de 90 por cento das empresas Fortune 500 informa ter um programa formal de voluntariado para os empregados. Em uma escala global, é difícil avaliar a prevalência dos programas de voluntariado de empregados, dado que poucas empresas registram as horas de voluntariado ou avaliam os resultados desse voluntariado 54. A ausência de programas formais de voluntariado nas pequenas e médias empresas não é reflexo de falta de envolvimento corporativo da comunidade. Um estudo sobre a responsabilidade social e ambiental de donos de pequenos negócios no Reino Unido encontrou elevados níveis de envolvimento comunitário: “Basicamente, a visão dos pequenos negócios difere da dos grandes negócios. Os grandes negócios estão provavelmente a ver o que conseguem ganhar com isso, enquanto que para os pequenos negócios o voluntariado é visto como participação na comunidade e nunca em termos de estratégia de negócio.” 55 Uma idéia recorrente é que o voluntariado de empregados ocorre durante o tempo de trabalho na empresa. Há, contudo, uma grande variedade de práticas. Algumas empresas fornecem informação sobre oportunidades para voluntariado, mas esperam que os seus empregados assumam as atividades fora do trabalho. Outros oferecem horários de trabalho flexíveis que permitam


VOLUNTARIADO no século XXII

usar horas em voluntariado, enquanto que outros oferecem licenças remuneradas ou não remuneradas 56. Algumas empresas, geralmente grandes, permitem aos empregados fazerem voluntariado por períodos longos, esperando que eles tragam consigo de volta novos conhecimentos e motivação 57. Pfizer Global Health Fellows, por exemplo, envolve empregados voluntários com conhecimentos especializados na área médica e de negócios em missões de três a seis meses junto a organizações de desenvolvimento internacional na área da saúde. Desde 2003, cerca de 270 empregados fizeram voluntariado em mais de 40 países 58. Os tipos mais comuns de programas de voluntariado apoiado pelo empregador (EVP) envolvem formas básicas de apoio. Estas incluem o ajustamento dos horários de trabalho tendo em vista o voluntariado, permitindo o acesso a recursos e instalações da empresa, fazendo chegar aos empregados a informação sobre oportunidades de voluntariado, e reconhecendo oficialmente o seu trabalho como voluntários 59. O Banco Comercial Nacional da Arábia Saudita encoraja os seus empregados a ensinar habilidades interpessoais a estudantes das escolas e promove formação a empresários. Algumas iniciativas são também abertas a famílias, trabalhadores aposentados, clientes e fornecedores. Por exemplo, durante três meses, a cada ano, a Hyundai em parceria com a ONG Korean Council on Volunteering (Conselho Coreano do Voluntariado) promove oportunidades adequadas às famílias de trabalhadores, que são apoiados por centros locais de voluntariado, e recebem uniformes 60. Cada vez mais as empresas estão unindo as doações filantrópicas ao voluntariado de empregados, com donativos correspondentes e “dollars for doers” (literalmente dólares para quem faz). As empresas contribuem com um determinado montante para uma causa ou organização, com base na contribuição de

horas de voluntariado pelos seus empregados. Isto dá aos empregados um incentivo para continuarem com o seu voluntariado. A Fundação UPS apóia subvenções atribuídas a organizações locais escolhidas pelos Comitês de Envolvimento Comunitário UPS. As subvenções são atribuídas após um mínimo de 50 horas de serviço voluntário 61. EVPs centram-se cada vez mais em colaborações de longa duração com ONGs locais. Isto ajuda as empresas a fazerem uso dos conhecimentos de parceiros locais e a responderem de formamais eficaz às necessidades da comunidade. Um dos principais objetivos da EVP hoje é ajudar as organizações sem fins lucrativos baseadas nas comunidades a funcionar melhor 62. As ONGs pedem habitualmente voluntários habilitados para realizar necessidades específicas e as empresas contribuem fornecendo os empregados como voluntários. O envolvimento de voluntários habilitados pode reduzir drasticamente as despesas não reembolsáveis das ONGs. Estima-se que haja um retorno superior a quatro dólares por cada dólar investido no desenvolvimento de formação de um voluntário e de gestão de infraestruturas 63. O Banco Equity no Quênia é um ótimo exemplo da conexão do setor privado com as ONGs. Os empregados do banco fazem voluntariado para dar cursos de alfabetização financeira às comunidades e para instruir ONGs sobre os fundamentos do empreendedorismo e da gestão financeira. Estas iniciativas de voluntariado complementam, mas não substituem, os serviços financeiros projetados para reduzir a pobreza e providenciar capital e meios financeiros para grupos de risco. Para o banco, estas iniciativas aumentam o alcance e o impacto dos seus serviços financeiros 64. O Grupo Tata, um dos maiores grupos do setor privado da Índia, é outro exemplo. Recentemente, tem havido um interesse evidente local, nacional e global pelo 41


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QUADRO 3.11 Banqueiros sem Fronteiras Bankers without Borders BwB (Banqueiros sem Fronteiras) é uma reserva global de voluntários da Fundação Grameen com mais de 5.700 profissionais altamente qualificados, da ativa ou aposentados, vindos de diversas áreas não limitadas a bancos e finanças que estão dispostos a contribuir com duas semanas a quatro meses de seu tempo para apoiar soluções baseadas em microfinanças e tecnologias. Desde a sua fundação em 2008, mais de 440 voluntários doaram mais de 50.000 horas de serviço, avaliado em cerca de 4 milhões de US dólares. Através de assistência técnica local, formação e consultoria, e aconselhamento remoto de projetos, os voluntários de BwB trabalham para melhorar a dimensão, a sustentabilidade e o impacto de instituições de microfinanças. Em 2009, o Centro de Tecnologia para as Microfinanças da Fundação Grameen envolveu quatro voluntários experientes do BwB para auxiliar na compreensão de Mifos, um sistema de gestão de informação de código-aberto. Os voluntários investigaram como a “computação em nuvem” poderia minimizar custos e maximizar o valor fornecido por sistemas de gestão de informação para instituições de microfinança. Tendo doado 485 horas de serviço, os voluntários providenciaram uma pesquisa de qualidade que conduziu a um plano de negócios para a Mifos Cloud, uma solução completa, pronta para ser usada, que ajuda as instituições de microfinanças a ultrapassar barreiras tecnológicas e a aumentar a eficiência. Outro exemplo da contribuição dos voluntários do BwB é a elaboração do Manual de Governança Corporativa para o Oriente Médio e a região do norte de África. Os voluntários do BwB melhoraram a viabilidade do manual, alinharam seu material com treinamento personalizado, e adaptaram os materiais ao contexto das microfinanças no mundo Árabe. Fontes: Maynard. (2010); Grameen Foundation. (2011).

desenvolvimento de conhecimentos e elaboração de normas, estabelecendo associações e aumentando a prática do voluntariado de empregados. Câmaras de comércio têm muitas vezes comitês RSE. Por exemplo, desde 2000, a Câmara do Comércio e Indústria do Vietnã tem dirigido um Business Link Initiative e um Business Office para o 42

Desenvolvimento Sustentável enfocando e promovendo RSE que inclui voluntariado de empregados 65. A Global Business Coalition para HIV/AIDS, Tuberculose e Malária inclui ferramentas, conexões e conhecimentos sobre envolvimento comunitário efetivo com voluntários 66. Embora a atenção esteja principalmente direcionada para o voluntariado de empregados no setor privado, o voluntariado no setor público é também relevante. No Reino Unido, 45 por cento dos empregados do setor público dizem que o seu empregador tem um programa de voluntariado, em comparação com 30 por cento do setor privado 67. Empregados do setor público, assim como empregados corporativos, foram muitas vezes colocados em situação voluntária de emergência e esforços de recuperação, nacional e internacionalmente. O “Disaster Service Volunteer Leave Act” de Guam permite que os empregados do governo tenham 15 dias de licença paga, por ano, para dar assistência à Cruz Vermelha em situações de catástrofe 68. Conclusões e discussões A globalização e a era digital estão transformando a face do voluntariado. A mudança é estimulante e questões críticas têm sido levantadas sobre o valor e as contribuições de muitas novas formas de voluntariado. Em algumas situações, o voluntariado baseado na tecnologia pode suplantar o engajamento voluntário significativo. O voluntariado internacional pode ser excludente. O voluntariado corporativo pode ser hipócrita. Por outro lado, o voluntariado moderno tem o potencial de contribuir significativamente para o desenvolvimento humano. São, portanto, necessários esforços para assegurar a maior participação possível de todos os membros da sociedade. Para um grande número de pessoas, nos países de baixos rendimentos, o acesso a tecnologias inovadoras é ainda limitado e a


VOLUNTARIADO no século XXII

QUADRO 3.12 Unindo pessoas e causas O Tata Council for Community Initiatives (Conselho do Tata para as Iniciativas Comunitárias), que é o ponto focal do Pacto Global das Nações Unidas na Índia, une pessoas e causas para fazer diferença nas vidas das pessoas. Desde 1994, a iniciativa tem promovido o voluntariado entre empregados do Grupo empresarial privado Tata na Índia. Isto é feito associando-se a www.indianngos.com e conectando os empregados de Tata a 50.000 ONGs e oportunidades de voluntariado listadas no portal. “Compromisso para o bem-estar das comunidades que as nossas empresas servem tem sido o princípio fundamental do Grupo Tata”, diz Ratan N. Tata, Presidente da Tata Sons. A ação conjunta do Tata Council for Community Initiatives e das empresas Tata encabeçou uma tentativa mais sistemática de focalizar o trabalho comunitário da empresa ao provocar o desenvolvimento social sustentável. Pratham, uma ONG que provê educação para crianças desfavorecidas da Índia, associou-se aos hoteis Taj para realizar um treinamento na indústria hoteleira para jovens de 40 aldeias do estado de Maharashtra. Enquanto que Pratham mobilizou jovens e construiu instalações modernas em Khaultabad, perto de Aurangabad, os hoteis Taj partilharam conhecimentos sobre desenvolvimento curricular, programas e infraestrutura de treinamento. Mais de 70 jovens da região receberam formação, havendo 100 por cento de admissão ao trabalho para os diplomados. Fonte: TATA Council for Community Initiatives. (2010).

noção de voluntariado internacional é muito remota. Além disso, apenas algumas empresas nos países em desenvolvimento dedicam recursos para apoio a programas voluntariado dos empregados. Ainda assim, há razão para otimismo porque as formas de voluntariado em evolução aumentarão as oportunidades para as pessoas fazerem voluntariado. A extensão da tecnologia aproxima cada vez mais áreas rurais e isoladas. ONGs e governos começam a compreender o

valor do voluntariado internacional Sul a Sul, assim como o voluntariado da diáspora, e estão dedicando recursos a estes programas. As corporações estão respondendo ao “mercado social”, dando apoio a iniciativas de RSE que incluem o voluntariado. Abrem-se novas oportunidades para o engajamento no voluntariado, resultando daí que mais pessoas se envolvem e aqueles que já participam têm a possibilidade de ampliar o seu compromisso. São excelentes notícias para o tecido social das nossas sociedades.

As formas de voluntariado em evolução aumentarão as oportunidades para as pessoas fazerem voluntariado

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4 meios de vida sustentáveis

CAPÍTULO 4

Meios de vida sustentáveis

O pobre é aquele que está sozinho. Expressão senegalesa.

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Existem provas crescentes, vindas dos países em desenvolvimento, que as pessoas de baixa renda são tanto doadoras como receptoras de ajuda.

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Introdução

público” 4.

Os “pobres” são pessoas com famílias, com vizinhos, com amigos, com ideias e capacidades, assim como com tradições e com aspirações. Estas características são normalmente negligenciadas nas políticas e programas de desenvolvimento, que definem a pobreza principalmente como a falta de rendimentos. Frequentemente, o que falta às pessoas com baixos rendimentos são oportunidades para concretizar o seu potencial. No entanto, eles também têm uma variedade de recursos, que passam não só pela sua mão de obra, mas também pelo seu conhecimento local, habilidades e redes sociais com as quais confrontam desafios 1. Os valores que sustentam o voluntariado, como discutido no Capítulo 1, ajudam a assegurar que estes recursos são partilhados para o benefício da comunidade.

As necessidades não preenchidas ou os problemas não resolvidos são o contexto dentro do qual as pessoas procuram ajuda de outros. Essas necessidades e problemas são também o contexto para fornecer ajuda a outras pessoas. Onde a prestação de serviços às comunidades pobres é fraca devido a escassez de recursos, ou onde os governos simplesmente não conseguem sustentar os seus cidadãos, iniciativas comunitárias com base em voluntariado normalmente surgem como resposta 5. A resposta pode também tomar a forma de voz coletiva para argumentar a favor dos cidadãos e insistir para que os governos cumpram as suas obrigações. Condições econômicas frágeis, saúde precária, acesso limitado ou não existente aos sistemas de saúde, e pobreza em geral são incentivos poderosos para as pessoas se ajudarem umas às outras 6 , e para descobrirem uma voz comum. Para os pobres, o envolvimento profundo em relações sociais e ações coletivas com base em voluntariado é um comportamento inteiramente racional, dado o seu potencial para a melhoria do bemestar psicológico, cultural e econômico. Este capítulo explora a forma como as pessoas, através do voluntariado, baseiam-se nos seus recursos para responder ao impacto da pobreza.

Existem provas crescentes, vindas dos países em desenvolvimento, que as pessoas de baixa renda são tanto doadoras como receptoras de ajuda. Estas têm uma grande capacidade de se ajudarem mutuamente através do voluntariado, em associação com organizações formais e também através de canais informais de ajuda mútua. Um estudo de cinco países, cobrindo o Botsuana, o Maláui, a África do Sul, a Zâmbia e o Zimbabué, destacou a forma como o voluntariado de pessoas de origem pobre tem sido parte dos mecanismos de sobrevivência da comunidade 2 . Outro estudo na África do Sul revelou que é provável que pessoas pobres e não pobres ofereçam tempo de voluntariado equiparável. Os pesquisados pobres e os de áreas rurais apresentavam maior probabilidade de já se terem voluntariado do que os pesquisados não pobres ou de áreas urbanas 3. O mesmo estudo descobriu que grupos de ajuda mútua autogeridos, baseados em voluntariado, são encontrados por todo o país. Estas estruturas sociais estão abertas e acessíveis a todos os membros da comunidade e, portanto, pode-se dizer que têm “características de bem

O que são meios de vida táveis?

susten-

Existem 1,4 bilhões de pessoas no mundo vivendo sob condições de pobreza extrema, dos quais 70 por cento vivem em áreas rurais 7. Sob o prisma dos meios de vida sustentáveis, vamos avaliar a contribuição do voluntariado para as suas vidas. O termo “meios de vida sustentáveis” reflete a mudança no sentido de uma abordagem para o desenvolvimento mais centrada nas pessoas, seguindo o Brundtland Commission Report 8 de 1987 e o primeiro PNUD Human Development Report de 1990 9. O conceito de meios de


meios de vida sustentáveis

vida sustentáveis foi depois aprofundado por instituições de pesquisa, incluindo o Instituto de Estudos de Desenvolvimento da Universidade de Sussex e pelo Instituto Ultramarino Do Desenvolvimento no Reino Unido; por ONGs como a CARE e a Oxfam; e por organizações de desenvolvimento incluindo o DFID e o PNUD. A definição geralmente usada é a de condições de vida que compreendem as capacidades, bens, que incluem tanto os recursos materiais como os sociais, e as atividades exigidas para os meios de susbsistência. Um meio de vida é sustentável quandoé capaz de lidar com estresses e choques e deles se recuperar. e mantém ou melhora as suas capacidades ou bens, tanto no presente como no futuro, evitando minar a base de recursos naturais 10. Durante os anos 90, a abordagem dos meios de vida foi adotada por muitas agências de desenvolvimento, incluindo o Banco Mundial e o PNUD. A abordagem dos meios de vida é um modo de pensar sobre os objetivos, possibilidades e prioridades de desenvolvimento. Está enfocada nos múltiplos recursos, competências e atividades que as pessoas usam para preservar as suas necessidades físicas, econômicas, espirituais e sociais. Em última análise, é uma tentativa de redefinir o desenvolvimento em termos do que os seres humanos precisam11 e, acrescentaríamos, em termos do que eles podem contribuir para o bem-estar uns dos outros. A abordagem dos meios de vida é um conceito valioso para articular a relevância do voluntariado para a vida das pessoas, especialmente aquelas de rendimento baixo. É um conceito complementar a outro, nomeadamente a abordagem baseada em direitos para o desenvolvimento, preocupada em “empoderar” os beneficiários do desenvolvimento assim como dar maior legitimidade e força moral às suas exigências 12 . Dentro deste quadro de referência, este capítulo considera seis tipos de recursos em

termos da sua relevância para o voluntariado 13 . Eles são:

• 

Capital social: os recursos sociais, incluindo redes sociais, relações sociais e membros de associações, baseados na confiança, entendimento mútuo e valores partilhados nos quais as pessoas se baseiam quando há necessidade de cooperação;

•  

Capital humano: as competências, o conhecimento, a capacidade para trabalhar e a boa saúde;

•  

Capital natural: o solo, a água, as florestas e a pesca;

• 

Capital físico: as infraestruturas básicas como estradas, água e saneamento, irrigação, escolas, postos de saúde, energia, ferramentas e equipamento;

•  

Capital financeiro: as poupanças, o crédito, o rendimento do emprego, o comércio e as remessas

• 

O atributo chave do voluntariado é a cola que mantém o grupo ou a sociedade unidos

Capital político: a sensibilização e participação em processos políticos apoiados por legislação pertinente, as políticas e as instituições

O voluntariado E o capital social O capital social no contexto dos meios de vida sustentável refere-se a uma série de conexões nas quais as pessoas se apoiam nas suas vidas cotidianas. Essas ligações são uma manifestação clara de voluntariado. Elas incluem a adesão tanto a associações informais locais, como a grupos mais formais governados por regras e normas reconhecidas. O conceito de capital social também engloba relações de confiança, reciprocidade e intercâmbio, o que facilita a cooperação e pode proporcionar uma base para redes de 47


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

proteção social informal entre as pessoas de baixa renda 14. Dependendo da natureza das necessidades, as redes sociais podem ser conjuntos simples de conexões individuais ou estruturas sociais tradicionais, como a família, a comunidade, a vila, os grupos étnicos e profissionais, ou podem conter combinações complexas de atores 15. Das iniciativas das vizinhanças nos Estados Unidos16 aos sistemas de ajuda mútua nas aldeias nos países em desenvolvimento, o que existe em comum é um atributo chave: o voluntariado. É a “cola”17 que mantém o grupo ou a sociedade unidos para motivar as pessoas a ajudar outros na comunidade e, no processo, a ajudarem-se a si próprios. Subjacente ao capital social, está a noção de “relacionamentos” que é o núcleo do voluntariado.

Quando o ato de voluntariado é reconhecido e devidamente apoiado, ele ajuda a construir capital humano

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Existe um vocabulário mundial rico para descrever o fenômeno. Por exemplo, para o povo Zulu na África do Sul, a sociedade é construída ao redor do ditado umuntu ngumuntu ngabantu, ou “uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas”. Em outras palavras, um indivíduo precisa de outras pessoas para avançar a sua própria individualidade. O termo ubuntu, que significa “humanidade” na língua zulu, descreve a filosofia Africana de “Eu sou o que sou devido àqueles que me rodeiam”. Na África do Leste, um ditado semelhante é incorporado na expressão suaíli mtuniwatu que significa “uma pessoa é por causa das outras pessoas”. Isto é uma mentalidade que celebra a comunidade e é encontrada por todo o mundo: por exemplo, mutirão no Brasil; batsiranai no Zimbabué; bayanihan nas Filipinas; gotongroyong na Indonésia; harambee no Quénia; shramadam no Sri Lanka; tirelosetshaba no Botsuana; taka’ful nos Estados Árabes; minga no Equador e no Peru; e ajuda mútua para segurança da vizinhança assim como para a construção de um estábulo na área rural dos Estados Unidos. No Sudão, naffir refere-se a uma prática comum de bairro ou dos grupos da comunidade, que se formam e se dissolvem,

quando um trabalho como a construção de uma casa ou a coleta de uma colheita é completado. Naffir beneficia a comunidade como um todo e, muitas vezes, vai além das barreiras étnicas 18. Em vários países, o estado promoveu sistemas de suporte mútuo baseado nas culturas tradicionais de autoajuda. No Quênia, por exemplo, a palavra suaíli harambee, que significa “vamos todos nos unir”, foi a ideologia adotada por Jomo Kenyatta, o primeiro presidente do país. A intenção foi mobilizar e unificar a nação, concentrando esforços e recursos para promover um crescimento nacional mais rápido. O voluntariado estava no seu centro, como acontece em muitos sistemas de autoajuda em muitos países. Harambee tem conotações de assistência mútua, esforço conjunto e autonomia da comunidade. O governo do Quênia tem promovido grupos harambee desde 1963 “como forma de organizar as pessoas das zonas rurais em torno de uma nova base política e de valores indígenas” e para encorajar as comunidades a trabalhar “coletivamente para um objetivo comum” 19. Com apoio governamental, os projetos de autoajuda harambee construíram escolas, centros e postos de saúde, creches, pontes e estradas de acesso rural por todo o Quênia. Outro exemplo de sistemas de autoajuda incentivados pelo estado é o gotong royong da Indonésia. Este sistema está enraizado na cultura rural javanesa e refere-se ao princípio de ajuda mútua numa comunidade. Gotong royong abrange um leque de atividades públicas e privadas incluindo a manutenção da infraestrutura rural, como as estradas rurais ou instalações de irrigação, trabalho de emergência para lidar com desastres naturais, ajuda mútua para construção de casas ou para as operações agrárias diárias, e apoio na organização de cerimônias importantes 20. A literatura que descreve as conexões entre o capital social e o voluntariado foca-se em grande parte nos países desenvolvidos e


meios de vida sustentáveis

nas organizações formais. Nós, entretanto, queremos mudar o foco de atenção para os tipos de voluntariado informal nos países em desenvolvimento. Esperamos que isto leve os pesquisadores, políticos e praticantes a dar maior atenção à forma como os grupos de autoajuda são formados, como se intercomunicam e como devem ser apoiados nos países em desenvolvimento. O voluntariado E o capital humano O capital humano é a posse da capacidade de usar as habilidades, o conhecimento e a boa saúde para seguir estratégias de meios de vida. Os problemas de saúde e a falta de instrução são elementos centrais da pobreza. Portanto, superar estas condições é não só um objetivo primário dos meios de subsistência por si só, mas também um pré-requisito para fazer uso efetivo de outros recursos que permitem as pessoas de baixo rendimento a melhorem os seus meios de vida. Tanto a saúde como a educação estão no topo da agenda dos ODMs e, em ambas as áreas, o voluntariado desempenha um papel importante. Sob as circunstâncias certas, quando o ato de voluntariado é reconhecido e devidamente apoiado, ele ajuda a construir capital humano. No entanto, o impacto da ação voluntária nos voluntários raramente é considerado na literatura acadêmica. Nos locais em que este ponto foi estudado, os resultados são reveladores. Por exemplo, um estudo nas Filipinas concluiu que o reconhecimento e a satisfação proveniente do voluntariado, e o respeito recebido das suas comunidades, foram considerados mais importantes que as recompensas materiais 21. Outro exemplo vem do Irã. Em 1992, o governo mobilizou mulheres em centros urbanos para disseminar a conscientização sobre o planejamento familiar. Cerca de 100.000 mulheres uniramse à campanha como trabalhadoras de saúde voluntárias. Através do seu trabalho, elas

QUADRO 4.1  Taxistas do Camboja ajudam a combater a malária Os taxistas no Camboja levam os passageiros do ponto A, ao ponto B, como o fazem em qualquer outro lugar no mundo. No entanto, eles também se tornaram um ponto-chave no controle da malária. Os trabalhadores móveis e migrantes vêm frequentemente para trabalho sazonal da região sudeste do país, onde a doença não é comum, para a parte ocidental do país ao longo da fronteira tailandesa onde a malária é endêmica. Como estes trabalhadores são muito móveis, alcançá-los para os alertar para a prevenção e os sintomas da malária é difícil. Discussões de grupo nas comunidades afetadas determinaram que os táxis eram o meio de transporte mais popular para os trabalhadores migrantes. Desde julho de 2010, como parte do Projeto de Controle de Malária no Camboja, 32 motoristas de táxi voluntários têm passado informações sobre a malária em CD’s ou fitas cassetes durante os seus trajetos e dão informações adicionais aos seus passageiros. Algumas vezes, ajudaram a identificar sintomas de malária entre os seus passageiros e transportaram-nos diretamente para o hospital. De agosto de 2010 a maio de 2011, os taxistas alcançaram 47.723 passageiros dos quais 21.660 eram trabalhadores migrantes. A queda considerável nos casos de malária no decorrer dos últimos anos não pode ser atribuída somente à iniciativa dos taxistas. No entanto, vale a pena destacar como exemplo, que a província Palin, uma zona de alto risco, não reportou uma única vítima de malária durante o período acima mencionado. Fontes: Soy Ty & Linna, [Chief of Party, USAID/Malaria Control in Cambodia, and Khorn Linna, IEC/BCC Specialist], comunciação pessoa. (2011, June 13).

ganharam respeito e sentiram-se valorizadas. Uma mulher disse: “Agora acredito em mim mesma e sinto que consigo ajudar a mudar as nossas vidas no bairro. Agora algumas mulheres criaram os seus próprios clubes de poupanças para se ajudarem umas às outras financeiramente. Eu aprendi com outras pessoas como podemos fazer petições e pedir ao município o que precisamos” 22. O papel dos agentes comunitários de saúde (ACS) foi primeiro destacado na Declaração de Alma-Ata adotada na Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de 49


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Saúde de 1978. Desde então, os ACS têm sido a chave para estender os serviços de saúde para zonas rurais carentes em muitos países em desenvolvimento. A Organização Mundial da Saúde define os ACS como sendo homens e mulheres escolhidos pela comunidade e instruídos para lidarem com os problemas de saúde dos indivíduos e da comunidade, e que trabalham em proximidade com os serviços de saúde 23. Os cuidados de saúde primários requerem um grande número de profissionais qualificados e motivados para funcionar. Os ACS têm um papel vital a desempenhar, ao apoiarem os sistemas de saúde públicos que se encontram sob pressão. Existe uma carência mundial de 2,4 milhões de trabalhadores de saúde qualificados 24, com um déficit maior na África. Os ACS nos países em desenvolvimento ajudam a garantir que as pessoas tenham acesso a serviços de saúde que, caso contrário, estariam indisponíveis devido ao isolamento geográfico, às limitações dos serviços públicos ou à falta de recursos financeiros. Eles preenchem grandes lacunas no pessoal de saúde em áreas como a saúde reprodutiva, a saúde materna e infantil, respostas a HIV/ AIDS, prevenção de malária e campanhas de imunização contra pólio. Com os seus conhecimentos, os ACS podem ajudar a garantir que os grupos de populações mais vulneráveis sejam alcançados e fornecer serviços mais apropriados às necessidades das pessoas. Eles são ativos na criação de comitês locais de saúde que promovem centros de saúde e farmácias para as aldeias. Eles mobilizam as pessoas locais a participar de campanhas em áreas como as imunizações, o uso de contraceptivos e a limpeza de lugares onde as doenças podem proliferar. Além disso, os ACS ajudam as organizações locais a canalizar recursos para apoiar iniciativas locais. E, sobretudo, os ACS servem como ponte entre o profissional de saúde e as comunidades. Eles ajudam as comunidades a identificar e a dar respostas às suas próprias necessidades de saúde, e auxiliam na conscientização dos 50

gerentes dos sistemas de saúde e autoridades de saúde sobre essas mesmas necessidades 25. Um estudo em cinco países da Ásia do Sul 26 indicou que os ACS podem ser extremamente eficazes, quando estão encarregados de tarefas bem definidas e concretas como uma campanha de saúde nacional. O Nepal iniciou o programa National Female Community Health Volunteer (Voluntário de Saúde da Comunidade Feminina Nacional) em 1998, que agora aumentou para cerca de 50.000 voluntárias formadas em todo o país27. As voluntárias, que são analfabetas, são selecionadas localmente por grupos de mães. As suas tarefas incluem saúde materna e infantil, planejamento familiar e tratamento de doenças como diarreia e infecções respiratórias. Um estudo sobre o programa revelou que as principais motivações para se voluntariarem eram ganhar respeito social e cumprir deveres religiosos e sociais 28. O Programa Saúde da Família do Brasil começou com base no voluntariado e mais tarde foi incorporado nos programas de saúde oficiais com funcionários pagos. Na Etiópia e no Maláui, os ACS voluntários foram instruídos e distribuídos de forma a apoiar a expansão de acesso a serviços de saúde de HIV entre outros, mas também foram completamente integrados como funcionários regulares no sistema nacional desses países. No Quênia ocidental, mais de 100 ACS voluntários fornecem um serviço “bare-foot doctor” (médico descalço) na Vila Millenium Sauri. Este programa foi iniciado pelo Projeto Millenium das Nações Unidas e do Instituto da Terra da Universidade de Columbia. Os voluntários são importantes fornecedores e disseminadores de informação. Eles assumem o papel de defensores do planejamento familiar, dos testes de HIV/AIDS e da água potável limpa. Eles também auxiliam as equipes de saúde que trabalham em Sauri no registro de nascimentos, no prosseguimento de esquemas de vacinação e na promoção do uso de mosquiteiros. O papel dos ACS pode ser estendido para além das funções


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de prevenção e entrar no domínio das ações curativas 29. Um estudo na África subsaariana indica que os ACS com bons recursos são eficazes em controlar pneumonias não severas e malária 30. Existe um grande debate sobre se os ACS devem ser voluntários sustentados pela comunidade ou pagos com fundos da comunidade, por ONGs ou pelo governo. Os ACS assalariados em tempo integral são raros, mas uma série de incentivos financeiros é muitas vezes fornecida – e necessária. Um estudo no Quênia concluiu que 62 por cento dos domicílios pesquisados contam com os serviços dos ACS voluntários. No entanto, as taxas de desistência entre voluntários pareciam ser mais altas onde eles tinham de suportar os custos de deslocamento 31. Tem sido argumentado que, como os ACS vivem em comunidades pobres, eles precisam de pelo menos um pequeno rendimento, caso contrário contar com eles como voluntários de

uma parte importante do sistema de saúde se torna insustentável 32. Existem, no entanto, problemas associados ao pagamento dos ACS. Por exemplo, os pagamentos podem ser irregulares ou simplesmente pararem quando o projeto acaba. Além do mais, a relação dos ACS com a comunidade muda logo que os incentivos financeiros são envolvidos. Os pagamentos podem “destruir o espírito do voluntariado e jogar contra a filosofia de voluntariado no sentido de comunidade” 33. Até uma pequena compensação pode reforçar percepções na comunidade de que os ACS são funcionários. Existem provas de que, quando isto acontece, as pessoas locais podem reter o apoio em alguns casos. Os ACS voluntários procuram crescimento e oportunidades de desenvolvimento, instrução e apoio dos seus pares. Acima de tudo, eles procuram uma boa relação com a comunidade e o sentimento de terem contribuído através do seu trabalho voluntário 34. Alguns observadores

QUADRO 4.2 Educação para a construção do capital humano Em 2009, um dos Prêmios de Alfabetização King Sejong da UNESCO foi para o programa de alfabetização Tin Tua no Burkina Faso oriental. A Tin Tua é uma ONG que se especializa em alfabetização. Significa “vamos ajudar a nós mesmos para o desenvolvimento” em Gulimancema, uma das línguas faladas no Burkina Faso. O seu programa de alfabetização começou em 1986, com voluntários jovens instruídos no Burkina Faso, os primeiros a receberam formação num programa de três semanas feito em duas sessões. Estes professores foram então enviados para vilas para ensinarem competências literárias básicas em cinco línguas locais. A sua motivação foi dar formação a crianças e adultos que não tiveram oportunidade de ir para a escola. Hoje, até cerca de 50.000 estudantes, homens e mulheres, recebem formação todos os anos para ensinar em aldeias do Burkina Faso oriental e do norte. Além do ensino em diferentes línguas, o programa oferece cursos de francês, abrindo assim portas para exames nacionais. A Tin Tua estendeu o seu programa ao Benim, ao Togo e ao Níger, todos países com baixas taxas de alfabetização, onde os métodos e as perspetivas de Tin Tua podem ser capazes de fazer diferença. De acordo com a UNESCO: “O grande feito do Tin Tua deve-se às diversas mudanças trazidas às vidas cotidianas dos aldeões. O programa permitiu aos agricultores uma melhor gestão da produção de comida ao nível da aldeia, por exemplo, ao tomarem medidas para armazenar cereais de forma a evitar especulação em tempos de fome. Tem formado trabalhadores da saúde, nomeadamente no campo da saúde materna.” Fontes: UNV. (2011, January); UNESCO. (2009); SocioLingo Africa. (2009, August).

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argumentam que incentivos não monetários, tais como instrução, fornecimento de equipamento e ligações a outros ACS, devem ser enfatizados 35. Finalmente, o setor da saúde constitui um canal importante através do qual as pessoas de baixo rendimento podem participar ativamente nas vidas das suas comunidades e obter dignidade e QUADRO 4.3 Os santuários de ostras gigantes do Tonga As ostras gigantes são uma espécie ameaçada devido ao declínio da sua população no oceano Pacífico. Iniciativas lideradas por voluntários estão a caminho de restabelecer espécies super exploradas. Nas ilhas Vava’u, no Reino do Tonga no sul do oceano Pacífico, um perito ambiental independente e voluntários da ONG Earth Rights International ajudaram as comunidades da ilha e o governo a estabelecerem santuários para a ostra gigante em áreas marinhas protegidas para preservar a população de Tokanoas, uma espécie local típica de ostras gigantes. Por mais de cinco anos, cerca de 200 voluntários visitaram Vava’u para recolher informação sobre o rápido declínio da população dos molúsculos. Esta ação voluntária forneceu provas sobre a queda dos rendimentos das ostras e inspirou a criação dos santuários das ostras gigantes. Isto implicava colocar molúsculos adultos em círculos reprodutivos em águas pouco profundas protegidas. O estabelecimento de santuários de ostras gigantes com reservas de ostras foi bemsucedido graças ao apoio dos líderes locais. A disseminação de informação pelos meios de comunicação nas aldeias levou à conscientização da preservação da ostra gigante para o benefício da comunidade, de forma a garantir o abastecimento de comida para as gerações futuras. Hoje, os santuários em Vava’u são considerados parte da obrigação cultural coletiva da popula-ção para as gerações futuras. “Se alguém retirar ostras do santuário da comunidade, ele causa dano à produção do oceano e não cumpre as suas obrigações sociais para consigo próprio, para a sua família ou para a sua comunidade,” diz um oficial distrital de uma aldeia. Os aldeões aprenderam a estabelecer e manter os santuários para proteção e cultura das ostras. Comunidades no Vanuatu e nas Fiji replicaram este exemplo Fontes: Dinh. (2011); Community Environmental Research in the Pacific Islands. (n.d.).

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respeito. O voluntariado E o capital natural Os recursos naturais podem ir desde bens públicos intangíveis, como o ambiente e a biodiversidade, até recursos divisíveis usados diretamente para produção como terra, árvores e produtos florestais, água e vida selvagem. A relação entre o capital natural e a vulnerabilidade das pessoas de baixo rendimento é particularmente estreita. Muitos dos choques que têm impacto em seus meios de subsistência, e que destroem o capital natural, são os próprios processos naturais como incêndios que destroem florestas e enchentes e terramotos que devastam a terra agrícola. O capital natural pode também ser esgotado pelas populações em crescimento, declínio de recursos e comércio adversos. A sustentabilidade dos recursos naturais é também afetada pelos níveis de solidariedade e do sentimento de interesses comuns de uma comunidade. A perfuração de poços pode afetar as águas subterrâneas, enquanto a derrubada de árvores e a comercialização de produtos florestais esgotam o solo e podem exacerbar a desertificação. O acesso e uso desses bens podem estar distribuídos de forma desigual para benefício daqueles que estão em posição mais avantajada. Intervenções em bacias hidrográficas, por exemplo, provavelmente beneficiarão aqueles que possuem mais terrenos e pessoas que vivem em altitudes inferiores 36. O conhecimento dos recursos naturais locais reside na comunidade, onde as necessidades e as prioridades são melhor articuladas. Contudo, as populações locais podem não ter acesso à informação sobre as práticas mais saudáveis disponíveis em outras partes do mundo. É aqui que o voluntariado internacional, juntamente com a ação voluntaria local, pode ter um impacto profundo nos meios de vida. Um exemplo se encontra no Pacífico Sul, onde o conhecimento externo e o envolvimento


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local resultaram na preservação de um bem ecológico e cultural local, neste caso, as “ostras gigantes” (T. gigas), para as futuras gerações de habitantes das ilhas do Pacífico Sul. A Etiópia vivencia um dos piores casos de erosão no mundo, afetando 70% do país. O aumento da desertificação agrava a degradação da terra e aumenta a pobreza. Um projeto piloto apoiado pelo programa VNU, juntamente com Autoridade para a Proteção Ambiental Federal da Etiópia nas regiões de Amhara e Oromia, envolveu o treinamento de 200 jovens voluntários na conservação do solo e da água, gestão de florestas, estabelecimento de viveiros, apicultura e horticultura. Os jovens adquiriram habilidades e experiência prática enquanto melhoravam o seus meios de vida e o das suas famílias. Eles construíram trincheiras e microbacias para conservar o solo e a água e plantaram mudas de árvores. Os seus esforços ajudaram a conscientizar as comunidades vizinhas sobre os problemas ambientais, as quais seguiram os seus exemplos 37.

O voluntariado E o capital

físico

O capital físico refere-se às infraestruturas básicas necessárias para apoiar os meios de vida. Estas incluem fornecimento adequado de água e saneamento, transportes e energia a preço acessível, abrigo seguro e acesso à informação. Muitas destas coisas são normalmente consideradas parte dos bens públicos, mas, como para muitas outras facetas dos meios de vida, as pessoas pobres muitas vezes não têm acesso rápido a elas e, por conseguinte, têm de desenvolver as suas próprias estratégias. As comunidades pobres estão tipicamente envolvidas em atividades comunitárias como a construção e manutenção de estradas rurais, escolas, centros de saúde, valas de irrigação e proteção contra as cheias. Como observado por um autor: “As comunidades rurais não se podem dar ao luxo de cruzar os braços e esperar que o governo traga todas as instalações até eles.” 38

No início dos anos 60, os líderes africanos concordaram que as infraestruturas eram vitais para lubrificar as rodas do comércio intraafricano e para distribuir os seus benefícios. Contudo, um grande obstáculo ao comércio entre países africanos continua a ser a terrível falta de infraestrutura fora das zonas urbanas ou ao redor dos portos costeiros. Uma rede de estradas mais abrangente é essencial para promover o desenvolvimento da África subsaariana. No entanto, os níveis baixos de trânsito tornam difícil justificar a construção de estradas pavimentadas caras, enquanto as estradas não pavimentadas requerem uma maior frequência de intervenções de manutenção. A participação das comunidades é, portanto, vital, não só para garantir a manutenção, mas também para salientar o sentimento de apropriação. Um estudo identificou alguns dos fatores chave para uma participação bem-sucedida da comunidade: um grupo grande e homogêneo que se beneficia das boas estradas; a capacidade da comunidade de se organizarem; e experiências positivas prévias com programas semelhantes 39. Enquanto os pagamentos para a manutenção das estradas são feitos aos membros da comunidade, comitês locais com base voluntária são encarregados do planejamento e monitorização de tarefas relacionadas com a construção de estradas.

O voluntariado internacional, juntamente com a ação voluntária local, pode ter um impacto profundo nos meios de vida

Apesar do progresso geral dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio para reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso sustentável à água potável até 2015; na África subsaariana só 60% da população usufrui de tal acesso. Além disso, de oito a dez pessoas sem acesso a um abastecimento de água de qualidade vivem em áreas rurais 40. O problema chave é a falha no planejamento da manutenção das perfurações, poços e bombas manuais. Sondagens sobre poços defeituosos no Mali e em Gana indicaram que 80% e 58%, respectivamente, requerem conserto. “Para toda a África, o número estimado de instalações defeituosas de abastecimento de água é de 50.000.” 41 Intervenções em massa, 53


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de cima para baixo, feitas na última década pelos governos e doadores têm resultado no abastecimento de água potável apenas até o primeiro grande colapso ocorrer 42. Onde ocorre a manutenção eficaz da infraestrutura do fornecimento de água, esta se deve normalmente ao bom funcionamento de comitês voluntários de base nas aldeias, que são uma característica comum nas áreas rurais de muitos países em desenvolvimento43. A QUADRO 4.4  Voluntários comunitários tomando a liderança Vinte anos após o desastre nuclear de Chernobyl, muitas comunidades afetadas ainda enfrentavam problemas ambientais, econômicos e sociais. Adicionalmente, existia um sentido difundido da “síndrome de dependência” nas quais as comunidades esperam auxílio do governo. De 2002 a 2007, 192 vilas afetadas por Chernobyl criaram 279 organizações comunitárias com a ajuda do Chernobyl Recovery and Development Project. Esta iniciativa visava apoiar o desenvolvimento das comunidades em longo prazo. A iniciativa foi implementada em conjunto pelo PNUD, pelo programa VNU e pelo Ministério ucraniano para as Situações de Emergência e dos Assuntos Extraordinários e Proteção da População das Consequências da Catástrofe de Chernobyl. Mediante planejamento democrático, as organizações comunitárias envolveram-se com os governos locais e regionais e empresas para implementar projetos sociais, econômicos e de infraestrutura. Mais de 200.000 pessoas se beneficiaram diretamente dos projetos comunitários que trouxeram aquecimento às comunidades; melhorias no sistema de fornecimento de água; acesso a computadores e Internet; e centros de saúde, escolas e centros de juventude restaurados. Os recursos mobilizados localmente contabilizaram mais de 70% dos custos totais dos projetos. Inúmeras atividades foram conduzidas independentemente dos fundos do projeto, algumas graças aos esforços de voluntários das comunidades. Um exemplo é a vila de Kirdany onde Olga Kolosyuk lidera a organização comunitária Dryzhba. De acordo com a Sra. Kolosyuk, os 1.000 habitantes da sua vila têm agora acesso à água potável confiável, porque os residentes da vila tomaram a iniciativa de melhorar a sua situação. Fontes:Russel. (2007, December); UNV. (2006, April 26).

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sua responsabilidade para com os membros da comunidade ajuda a garantir que exista apropriação local e compromisso para a manutenção das instalações, enquanto o suprimento de treinamento básico na manutenção garante eficácia. O voluntariado E os recursos financeiros Entre os ativos financeiros subjacentes às metas dos meios de subsistência estão as remessas. A “economia de solidariedade” ou a “economia social” refere-se ao rendimento monetário partilhado com pessoas além dos familiares próximos ou os do próprio lar. Embora a ideia de economia social não seja nova, atingiu um lugar de destaque no Fórum Social Mundial em Porto Alegre em 2002. A economia social combina dois conceitos: “economia”, referindo-se à produção de bens ou serviços que contribuem para um aumento líquido em riqueza, e “social”, referindo-se à rentabilidade social, ao contrário do lucro econômico. Entende-se que a economia social contribui para uma cidadania ativa e valorizada e melhora a qualidade de vida e o bem-estar da população, especialmente através de um aumento dos serviços disponíveis 44. É uma forma de solidariedade que tem evoluído com o número crescente de migrantes que geram rendimentos fora do seu país de origem e enviam remessas às suas famílias e comunidades. As transferências financeiras para países em desenvolvimento aumentaram de 18 bilhões de dólares americanos em 1980, para 30 bilhões de dólares americanos em 2004. Parte das transferências para além daquilo que as famílias precisam para sobreviver é dirigida ao bem-estar das comunidades: ambulâncias, postos de saúde, medicamentos, edifícios escolares, salários para professores etc. Como tal, tem os valores do voluntariado no seu âmago e deve ser incluída na nossa discussão dos recursos das pessoas de baixa renda. A “economia da solidariedade” juntamente


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com a “economia do voluntariado” e a “economia da tradição” foram assuntos de um colóquio de 2005 intitulado “The Hidden Actors of Development” — Os Atores Não Aparentes do Desenvolvimento -- , realizado em Ouagadougou, Burkina Faso, e organizado pela Fondation pour l’Innovation Politique e pelo Institut Afrique Moderne 45. Com a participação dos governos, o mundo científico e as organizações da sociedade civil, o objetivo foi examinar as grandes contribuições para o desenvolvimento que foram pouco reconhecidas e juntar as peças principais incluindo migrantes e as suas associações. Entre os resultados da reunião houve o maior reconhecimento do impacto que as transferências financeiras dos migrantes têm nos mercados locais e o seu efeito como um fator econômico de crescimento 46. O voluntariado E o capital político Os recursos políticos são o poder e a capacidade de influenciar a tomada de decisões através de participação formal e informal em processos políticos. Eles incluem a liberdade e capacidade de se organizar coletivamente de forma a exigir direitos, fazer campanha por qualquer causa e negociar recursos e serviços. Isto também envolve participar ativamente no apoio a esforços nacionais para o desenvolvimento e a tornar responsáveis os governos e fornecedores de serviços. Já vimos como o ativismo é uma expressão importante do compromisso voluntário em todos os níveis. O quanto as pessoas pobres podem contar com os recursos políticos depende de muitos fatores, incluindo legislação e o nível da aplicação da lei; a natureza das instituições e o acesso do público às mesmas; e a conscientização da população sobre os seus direitos básicos. O grau de organização dos membros das comunidades influencia fortemente a sua capacidade de desempenhar um papel transformador assim como a sua capacidade para ocupar “espaços públicos” e a reconhecer os processos como

QUADRO 4.5  Voluntariado transfronteiriço nas “Associações dos Vilarejos Natais” mexicanas As “Hometown Associations” mexicanas (MHTA) são associações das comunidades da diáspora nos Estados Unidos que enviam remessas coletivas para as suas comunidades natais no México. As MHTA também proporcionam um sentido de comunidade aos imigrantes nos Estados Unidos. As associações apoiam o trabalho cívico, como a construção de clínicas, instalações e melhoramentos dos serviços urbanos nas terras natais dos seus membros. Elas apoiam e financiam vários tipos de projetos sociais selecionados através de redes de voluntários. Grupo Union é uma MHTA com base em Nova Iorque consistindo de trabalhadores de Boquerón, México. Embora os membros sejam atarefados e mal remunerados, eles arranjam tempo e motivação para se encontrarem semanalmente para juntar o seu dinheiro. Os membros dão o que podem, normalmente entre 10 a 30 dólares americanos por semana. O dinheiro é depois depositado num banco local para financiar projetos em Boquerón. A associação suplementa as contribuições através de sorteios e atividades de angariação de fundos. A Grupo Union já angariou fundos para um refeitório de um jardim de infância, uma ambulância, comprada na cidade de Nova Iorque e conduzida por cerca de 4.500Km até Boquerón, além de um estádio de beisebol de 2.000 lugares. Fonte: Belizaire. (n.d.)

seus. O voluntariado contribui para estabelecer uma base sólida para a participação do cidadão na governança. Ele promove e preserva nas pessoas o sentimento de poder exprimir suas opiniões individuais e de influenciar as decisões que têm impacto na sua comunidade. Isso pode acontecer por canais formais de participação cívica, como enfermarias na África do Sul, círculo eleitoral no Quênia e panchayats na Índia. Pode ocorrer por associações cívicas e participação nos movimentos sociais, protestos e ativismo. Existem provas abundantes de que as associações com base no voluntariado atuam como “campos de treino” ou escolas de democracia. Eles transmitem capacidades 55


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

QUADRO 4.6  O voluntariado em favor da equidade de gênero na América Latinem A taxa de pobreza na América Latina seria 10% mais alta sem o trabalho voluntário realizado por mulheres, segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe 47. No entanto, as contribuições das mulheres para o desenvolvimento continuam em grande parte a ser invisíveis em políticas e orçamentos por toda a América Latina. Nos últimos cinco anos, um programa regional da UN Women e do programa VNU tem reforçado o compromisso voluntário das mulheres através de processos participativos, aumentando o seu envolvimento e impacto sobre as tomadas de decisão locais, e ampliando a responsabilidade local, nacional e regional. Na Bolívia, o programa promoveu a capacitação sobre direitos e cidadania ativa, processos de decisão, negociações e responsabilidade. Isto valorizou significativamente as mulheres que tinham sido excluídas previamente dos processos de tomada de decisão, permitindo-lhes envolverem-se no planejamento orçamental municipal de suas comunidades. Por exemplo, em um município em Tarija, as mulheres formularam as suas próprias propostas de projeto e defenderam a sua inclusão no orçamento municipal. Como resultado, as autoridades estão mais cientes da importância de terem orçamentos que considerem as questões relativas ao gênero. Um acordo foi assinado para garantir a inclusão das propostas das mulheres no orçamento municipal de 2012. Nas palavras de uma das mulheres envolvidas: “Isto é um momento histórico para o município. Fiquei muito orgulhosa de ver que os nossos esforços voluntários foram reconhecidos e produziram resultados a favor da equidade de gênero.” Fonte: CEPAL. (2007).

O voluntariado contribui para estabelecer uma base sólida para a participação do cidadão na governança

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cívicas chaves aos cidadãos, desde como organizar ações coletivas até organizar e falar em reuniões, defender posicionamentos e elaborar cartas. Esta ação leva questões locais à esfera política enquanto ajuda as pessoas a assumir responsabilidades como cidadãos. Nesta perspectiva, o papel das organizações da sociedade civil estende-se para além das funções habituais de defesa, acompanhamento e prestação de serviços. A sociedade civil proporciona espaço para as pessoas envolverem-se politicamente e contribuirem, de forma significativa, para

a construção das bases democráticas da sociedade. No contexto de uma descentralização democrática, mover a base do poder para mais perto das pessoas e dos seus grupos voluntários locais pode contribuir para gerar um quadro político dentro do qual outros valores podem ser mobilizados. Em 1960, por exemplo, Uganda adotou um sistema descentralizado com duas categorias de governança local. A primeira é o governo, com base na nomeação por mérito para orientação técnica de intervenções de desenvolvimento; a segunda é a nomeação de líderes localmente eleitos pelo sufrágio adulto para proporcionar orientação política e supervisão e para coordenar as atividades de desenvolvimento local. Em termos de contextos políticos e de liderança, e dos seus efeitos sobre o acesso aos serviços, os membros da comunidade notaram que a descentralização da autoridade fiscal e administrativa para utilização de recursos melhorou a qualidade dos serviços, como por exemplo a rede rodoviária e abastecimento de água 48. Conclusões e discussões A utilização de uma abordagem de meio de vida sustentável para estudar a maneira como as pessoas de baixa renda se envolvem em ação voluntária ajuda a ilustrar o amplo leque de recursos à sua disposição, incluindo os seus conhecimentos, competências e redes de relacionamento. Essa abordagem sublinha a necessidade de se ter plenamente em conta esses recursos em projetos e programas que visam à redução da pobreza. Esses recursos são frequentemente mobilizados através de ação coletiva baseada nos valores de solidariedade e reciprocidade inerentes ao voluntariado. Estes são valores que, como discutido em outras partes deste relatório, necessitam ser promovidos e nutridos. Os exemplos fornecidos deixam claro que os benefícios da ação voluntária são muitos. Eles incluem a vulnerabilidade reduzida com apoios de


meios de vida sustentáveis

outras entidades mediante acordos de ajuda mútua; uso sustentável dos seus recursos; acesso à saúde e à educação; mobilização inovadora de recursos financeiros; e o poder transformador do ativismo político. Também apontam para um aumento do bem-estar em termos de autoestima e sensação de controle sobre a sua vida. O voluntariado nas comunidades locais pode ser especialmente empoderador quando os recursos são mobilizados e utilizados para resolver alguns dos problemas imediatos de desenvolvimento enfrentados pelas pessoas que vivem na pobreza. No entanto, retirar as pessoas da pobreza exige conexões com um mundo externo que forneça apoio. É necessário investimento para garantir um ambiente favorável no qual o voluntariado pode florescer. Isto inclui desenvolvimento de capacidades locais, de maneira geral e, e particularmente, formação, o que, por sua vez, exige um bom conhecimento das instituições locais e líderes, questões e limitações, incluindo interesses concorrentes. São necessárias estratégias para assegurar que

a liderança e estrutura locais respondam às necessidades das pessoas pobres, por exemplo assegurando-se de que há mecanismos que permitem o acesso a informações sobre programas do governo local. Instituições locais sobre os quais os grupos de voluntariado dependem financeiramente e de outros serviços de apoio a iniciativas de susbsistência precisam ser fortalecidos. A participação do cidadão e a supervisão das autoridades governamentais locais são necessárias para garantir a transparência e responsabilidade. Restrições mais amplas, como a corrupção e clientelismo, burocracias pouco responsivas e estruturas administrativas inconsistentes têm um impacto negativo sobre as pessoas de baixa renda e as impede de tirar pleno partido das oportunidades para melhorar seus meios de vida. O voluntariado vai florescer melhor quando essas questões forem abordadas e resolvidas. Ainda assim, os benefícios da ação voluntária são claros. As iniciativas que contam com o espírito de cooperação, a partilha dos encargos e de autoajuda apresentam uma probabilidade de sucesso francamente superior à de iniciativas às quais faltam estas virtudes.

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O VOLUNTARIADO como força para a inclusão SOCIAL

CAPÍTULO 5

O voluntariado como força para a inclusão social

Temos visto o sucesso dos movimentos populares em forçar a mudança política nos principais Estados árabes. Isso agora precisa ser seguido pelo minucioso e difícil trabalho da construção de sistemas de governança, de economias e de sociedades mais inclusivas. Helen Clark (2011)

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

O que é a inclusão social?

O voluntariado possibilita às pessoas o desempenho de um papel mais completo e satisfatório na vida das suas comunidades e sociedades.

O conceito de inclusão social se desenvolveu a partir da preocupação acerca da pobreza, marginalização e outras formas de privação. A inclusão social coloca as pessoas no centro das decisões políticas. O seu objetivo final é capacitá-las para que possam melhorar as suas vidas através da concretização das suas oportunidades. O Banco Mundial define inclusão social como sendo um “processo que garante àqueles em risco de pobreza e exclusão social assegurar as oportunidades e os recursos necessários para participar plenamente na vida econômica, social e cultural e de usufruírem um padrão de vida e bem-estar que é considerado normal na sociedade em que vivem.” 1 A inclusão social é um conceito relativo pelo qual a exclusão é julgada tendo em conta as circunstâncias de determinados indivíduos, grupos ou comunidades em relação a outras. É também um conceito normativo que coloca a ênfase no direito à participação dos indivíduos na vida das suas comunidades. A exclusão social é um processo pelo qual os indivíduos, grupos ou comunidades são empurradas para a margem da sociedade, privadas de atividades e de redes comunitárias e impedidas de ter uma participação plena em virtude da sua pobreza, saúde débil, falta de instrução ou de outras desvantagens. Isto

QUADRO 5.1 O voluntariado é um comportamento social Começa a surgir uma noção de voluntariado como forma de comportamento social, mais do que como uma categoria de uma pessoa: o “voluntário”. A relação recíproca que serve de base para este comportamento é entendida como incluindo um aumento de benefícios tanto para os voluntários, como para os “beneficiários”. Esta noção vai ter grandes implicações nas políticas que visam à promoção e ao fortalecimento de diversas formas de ação voluntária. Seu impacto começa a se fazer sentir nas discussões sobre a inclusão social, sendo o voluntariado visto como uma das formas de se sair da exclusão 5. Fonte: UNDESA e UNV. (2007, November).

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pode ser o resultado de discriminação ou uma consequência involuntária das políticas. O acesso aos órgãos de decisão é reduzido e muitas vezes há um sentimento de impotência que afeta a vida quotidiana. A Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Social, realizada em Copenhague, em 1995, afirmou que as políticas e os investimentos mais produtivos são aqueles que capacitam as pessoas para potencalizar ao máximo as suas capacidades, recursos e oportunidades. Lançou-se então um apelo para uma “sociedade para todos, onde cada indivíduo tem direitos, responsabilidades e um papel ativo a desempenhar.” 2 Cinco anos depois de Copenhague, na sessão especial da Assembleia Geral em Genebra, os governos reconheceram o voluntariado como sendo: “um mecanismo adicional na promoção da integração social” 3 e concordaram com a necessidade de sensibilizar “a opinião pública acerca das oportunidades e do valor do voluntariado” e em facilitar “um ambiente propício aos indivíduos e outros atores da sociedade civil para se envolverem em atividades voluntárias e ao setor privado para apoiar essas atividades.” 4 O reconhecimento do voluntariado como um caminho para a inclusão resultou no afastamento da percepção de uma relação de “doação” de sentido único, onde um lado dá e o outro recebe, para uma relação recíproca na qual ambas as partes se beneficiam. A Cúpula marcou um momento decisivo no discurso sobre o voluntariado. Este capítulo centra-se nos benefícios que o voluntariado, com a sua universalidade e valores de base, pode trazer às pessoas que experimentam algum tipo de exclusão. Entre esses benefícios está o espaço proporcionado pelo voluntariado, o qual possibilita às pessoas o desempenho de um papel mais completo e satisfatório na vida das suas comunidades e sociedades. Isto não diminui de modo algum o importante trabalho da vasta gama de organizações e programas, muitos envolvendo voluntários, que proporcionam serviços


O VOLUNTARIADO como força para a inclusão SOCIAL

diretos às pessoas que são consideradas excluídas. No entanto, no presente relatório, pretendemos chamar a atenção para os aspectos do voluntariado que são muito vividos, mas pouco divulgados.

Nas comunidades onde alguns grupos, ou toda a população, sofre de exclusão, o voluntariado promove um maior sentido de afiliação e bem-estar da comunidade, o que ajuda a construir resiliência11. Nas comunidades rurais em particular, as pessoas têm mais capacidade de, através do voluntariado,

Os níveis de inclusão social Quanto ao impacto nos indivíduos, a ação voluntária pode ajudar as pessoas a superarem sentimentos de isolamento pessoal e de baixa autoestima. Os voluntários entram diretamente em contato com outras pessoas ou, cada vez mais, em linha, em circunstâncias que podem ajudar a melhorar sentimentos de afiliação e de contribuição 6. O voluntariado reduz as tensões da vida e combate sentimentos de solidão. As pessoas que são excluídas experimentam frequentemente um sentimento de vergonha, fracasso e perdem a esperança de melhorar a sua situação. Através do voluntariado, as pessoas podem resolver algumas causas subjacentes à exclusão social, como a falta de emprego, de instrução e de saúde. O voluntariado pode melhorar a empregabilidade ao reforçar as competências profissionais e sociais do indivíduo 7. Através do voluntariado, surgem contatos das redes sociais que as pessoas desenvolvem que, por sua vez, podem levar a assegurar referências úteis e até mesmo a encontrar um emprego. Os indivíduos que viveram na pobreza e sem domicílio, podem trabalhar com outros necessitados como forma de melhorar a sua própria situação 8. Através do voluntariado em aconselhamento, recomendação e apoio prestado aos outros, as pessoas são capazes de passar de beneficiários a prestadores de serviços que podem ser empoderadores 9. As identidades desenvolvem-se à medida que as pessoas vêm que têm algo para dar à sua comunidade através do voluntariado10. O elemento do reconhecimento das contribuições voluntárias das pessoas é um aspecto importante de pertença.

QUADRO 5.2 Aposentados e engajados Rui Oliveira, aposentado com mais de 40 anos de experiência em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), criou um portal de notícias para a ONG Parcerias de Voluntários para a África Ocidental (Volunteer Partnerships for West Africa - VPWA), sediada em Gana. O portal, que fornece informações para e sobre as ONGs na África, tem dois mil assinantes e vangloria-se de receber 15 mil visitantes por mês. “Rui criou o portal ONG Notícias da África em 2009 e desde então tem sido o seu Webmaster. Recentemente modificou novamente a página Web, integrando muitas funcionalidades fantásticas! A comunicação com o Rui foi divertida e satisfatória e estamos gratos pela sua dedicação em servir a comunidade de ONGs na África”, diz Portia Sey, Gerente Voluntária da VPWA. Com a ONG Notícias da África, a VPWA oferece um lugar único, onde jornalistas, doadores, investigadores, voluntários e outras pessoas interessadas em todo o mundo, podem encontrar informações sobre o trabalho das ONGs de toda a África. Todos os dias, Rui publica novas informações fornecidas por voluntários em linha que atuam como correspondentes para os diferentes países africanos. Isto inclui artigos sobre questões de desenvolvimento e notícias sobre as ONGs, bem como informação sobre as oportunidades de subsídio para as ONGs. Rui, que é de Portugal, explica: “eu estava na Guiné-Bissau quando a minha preocupação com as pessoas que têm menos na Terra e o meu desejo de ajudar começou. Após me aposentar de algo que eu adoro, o meu trabalho no domínio das TIC, fiquei completamente estressado e perdido. Foi quando um amigo meu da África me contou acerca do voluntariado em linha.” Continua dizendo: “depois que aderi, a minha vida mudou completamente. Sinto-me útil e o stress está quase desaparecendo. Quando vejo que tenho mais tempo livre, eu vou e procuro no www.onlinevolunteering.org outra ONG que precisa de ajuda.” Fonte: UNV. (2010c).

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

gerir recursos, minimizar o impacto das alterações climáticas e criar práticas sustentáveis que levam a uma melhor qualidade de vida da comunidade 12. Muitas comunidades urbanas pobres vivem em decadência urbana, com criminalidade e fragmentação social. Viver em ambientes hostis pode trazer um estigma que se atribui a toda a comunidade13. As pessoas que vivem nessas comunidades, muitas vezes voluntariam-se através de grupos locais e de organizações para fornecer serviços básicos e se envolverem em ativismo e em campanhas. As ações deste tipo podem pôr em causa as opiniões dominantes fora da comunidade de que as pessoas locais são passivas ou apresentam tendências violentas. Tais percepções impedem os movimentos para a inclusão. Nacional ou globalmente, o voluntariado através de campanhas e ativismo pode originar mudanças nas políticas que são um entrave à inclusão. Isto tem sido observado na relevância do movimento dos direitos da

QUADRO 5.3 Ajuda tradicional no Brasil – mutirão No Brasil, o mutirão é um sistema tradicional de ajuda mútua, proveniente das zonas rurais, durante a época da colheita. A União Nacional por Moradia Popular aplicou o termo à construção coletiva e gestão da habitação na comunidade. Através do trabalho coletivo no mutirão, os participantes que trabalham juntos não só adquirem novos conhecimentos técnicos como também acabam por conhecer-se melhor. Aprendem os seus direitos e muito mais. “Eu encontrei a minha identidade no mutirão e podia obter o que precisasse, fosse transporte ou saúde!… Conheci muita gente que não conhecia antes. Descobri que havia muitas pessoas que tinham um grande interesse em ajudar os outros e que lutavam diariamente. Antes, a minha vida era muito limitada. Não sabia o que era uma comunidade, o que era um movimento. Não tinha nenhuma consciência política. Aqui, comecei a entender os meus direitos. Isto tem sido uma revelação para mim.” Christian Leray, membro. Fontes: União Nacional por Moradia Popular. (n.d.); Leray. (n.d.).

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mulher e menos relevante, mas igualmente eficaz, nas campanhas para o reconhecimento da condição dos povos indígenas e na provisão de estruturas para pessoas com deficiência. Como veículo para a promoção, o aprofundamento e a participação sustentáveis, o voluntariado desempenha um papel significativo na determinação de como todas as pessoas podem se envolver influenciando o seu destino para além das suas próprias localidades. O movimento internacional ATD Fourth World (ATD Quarto Mundo) trabalha com voluntários de base para melhorar o bem-estar das pessoas que vivem em situação de pobreza extrema. Além disso, os seus voluntários são defensores, no âmbito do país e globalmente, dos direitos das populações mais desfavorecidas em áreas como a nutrição infantil, a violência sexual e a inclusão social 14. Iniciativas globais, como a Campanha para Banir as Minas Terrestres, Campanha do Movimento Internacional das Mulheres e a Chamada Global para a Ação contra a Pobreza contaram com o desejo do povo de se envolver como voluntários nas causas em que pessoalmente estivessem comprometidos. Além de mobilizar o apoio público e de ajudar a criar mudança, estas iniciativas do voluntariado também deram oportunidades às pessoas de todos os cantos do globo de compartilhar as suas ideias e aspirações e, através da participação, fazer parte de um mundo mais inclusivo. Inclusão social de grupos através de voluntariado As dimensões econômicas, políticas e sociais da exclusão têm impactos diferentes nos grupos desfavorecidos. Nesta seção, são destacados alguns grupos da sociedade, particularmente o das mulheres e dos jovens. O objetivo é o de ilustrar aspectos-chave da exclusão que enfrentam grupos específicos e como, através do voluntariado, as pessoas podem encontrar uma maneira para a inclusão.


O VOLUNTARIADO como força para a inclusão SOCIAL

QUADRO 5.4 A participação política dos povos indígenas O voluntariado sob a forma de ativismo social pode ajudar a influenciar a tomada de decisão, as políticas nacionais e a representação. Nos últimos 20 anos, foram feitos grandes progressos no México para aumentar a representação dos povos indígenas, uma população de 15,7 milhões ou 13% do total da população nacional. Enquanto os povos indígenas representam 40% ou mais dos habitantes em mais de 30% dos municípios mexicanos, eles estão representados por apenas oito dos 500 membros da câmara dos deputados. De acordo com o recente Relatório do Desenvolvimento Humano sobre os Povos Indígenas no México do PNUD, o multiculturalismo pode levar a um maior desenvolvimento humano se levar a uma maior participação política da esfera local para a nacional. “Nas nossas comunidades, não elegemos alguém só por eleger; para conseguir uma posição é preciso começar por baixo, de onde a comunidade o conhecer,” diz Marcelino Nicolás, um membro da associação civil Servicios al Pueblo Mixe. Os grupos da sociedade civil desempenham um papel importante na articulação de novas ideias e em levá-las ao conhecimento do público em geral, assim como, em última análise, influenciar a tomada de decisão. É parcialmente graças a este tipo de iniciativas que, durante a primeira metade da década de 1990, o México começou a fazer uma série de reformas de leis e instituições, reconhecendo os direitos dos povos indígenas. Nos últimos quatro anos, o PNUD tem prestado apoio aos órgãos eleitorais mexicanos para promover mais participação política e eleitoral dos povos indígenas. Fontes: CDI. (2010); CIVICUS, the International Association for Volunteer Effort (IAVE) & United Nations Volunteers (UNV). (2008); Programa de las Naciones Unidas para el Desarrollo (UNDP) & Organización de los Estados Americanos (OAS). (2010).

Mulheres Em todo o mundo, as mulheres são mais suscetíveis de viver na pobreza do que os homens15. A falta de acesso à saúde e à educação por parte das mulheres é, em muitos lugares, uma questão persistente 16. Em algumas regiões do mundo, as mulheres ainda lutam pelo direito ao voto e pelo direito à propriedade. Neste contexto, é surpreendente que o impacto do voluntariado na vida das mulheres seja raramente investigado, principalmente se levarmos em conta o impacto amplamente estudado do movimento pelos direitos das mulheres. No entanto, este movimento muito conseguiu graças ao empenho de tantas mulheres e de homens em se envolverem na ação voluntária para atingir os seus objetivos. Como mencionado no Capítulo 1, reconhecemos que a ação voluntária pode reforçar alguns papéis estereotipados de gênero existentes. Porém há também sinais de que, através do voluntariado, as mulheres estão questionando o seu

lugar tradicional na sociedade e obtendo maior empoderamento. Na Índia, o voluntariado nos movimentos sociais tem ajudado a abordar questões sociais e políticas que afetam a vida das mulheres 17. Através do voluntariado para se construir abrigos institucionais para meninas abandonadas e abusadas, as mulheres se conectaram e abordaram questões de violência sexual contra as mulheres. Criaram redes sociais e geraram recursos para protegerem os membros maltratados e esquecidos da sociedade. Este trabalho deu visibilidade às mulheres, promovendo algumas a cargos de liderança, e está influenciando as políticas que afetam as mulheres. Quando os ativistas voluntários disseminam as informações acerca dessas iniciativas, há uma maior compreensão pública da importância das questões 18. Na América Latina, as mulheres têm influenciado as políticas sobre gênero, através do seu trabalho 63


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Através do voluntariado, as mulheres estão questionando o seu lugar tradicional na sociedade

como voluntárias num programa de orçamento baseado em gênero. Nos Estados Árabes, há muito que o voluntariado é entendido como um conceito copiado do Ocidente, centrado em modelos de “serviço voluntário” que envolvem a prestação de assistência através de organizações formais19. A realidade é muito diferente, como demonstraram os recentes acontecimentos na região. Na verdade, “voluntariado” e “sociedade civil”são apenas nomes novos dados às tradições seculares na região. Há muito que o ativismo social está incorporado em associações tais como os conselhos consultivos muçulmanos e outras organizações seculares destinadas a combater a pobreza e o subdesenvolvimento 20. As mulheres desempenharam um papel fundamental nas manifestações tunisianas que desencadearam a primavera árabe no início de 2011, marchando frequentemente até à Avenida Bourguiba em Tunís, seguidas de seus maridos e filhos. No Iémen, colunas de mulheres cobertas com véus, tomaram as ruas de Sana’a e Taizto para afirmar o seu direito de participar, juntamente com os homens, de

manifestações pacíficas para a mudança do regime 21. Para defender a mudança social e política, estas mulheres usaram todos os meios à sua disposição: boca a boca, jornais, internet e meios de comunicação sociais. A força do ativismo das mulheres não só desempenhou um papel fundamental para a mudança, como também conseguiu quebrar estereótipos sobre a passividade das mulheres árabes. Dentro das suas comunidades, as mulheres se voluntariam de várias maneiras informais. Nas zonas rurais, onde os níveis de pobreza são particularmente altos, as mulheres se voluntariam como forma de combater a pobreza e de contribuir para a economia22. Elas são mais propensas a alcançar a inclusão quando se organizam em grupos funcionais que abordam questões sociais e políticas dentro das suas sociedades e aumentam o apoio mútuo às iniciativas para a emancipação econômica. Isto é um desafio em situações de educação e alfabetização mínimas. No entanto, as organizações locais de voluntários constituídas e geridas por mulheres encontram-se por todos os países em desenvolvimento 23.

QUADRO 5.5 Conselho Pastoral de Mulheres Maasai O Conselho Pastoral de Mulheres (Pastoral Women’s Council PWC) é uma organização de base comunitária liderada por mulheres, fundada em 1997 na Tanzânia, para desenvolver soluções para a pobreza e a marginalização das mulheres e das crianças Maasai. Através da sua grande rede de voluntariado, o Conselho efetuou impactos significativos em três áreas de problemas-chave, das mulheres Maasai: educação e igualdade dos sexos, independência financeira e direito à propriedade, e participação no processo político. Um exemplo é o Grupo de Ação de Mulheres de Olosirwa, criado em 2002, com 25 membros e um empréstimo do PWC de um milhão de xelins tanzanianos. Metade dos membros do grupo tinha os rendimentos mais baixos na aldeia. Começaram comprando gado na Tanzânia e vendendo no mercado mais próximo em Posimoro, no Quênia. Usaram o lucro para construir melhores casas para as quatro mulheres mais desfavorecidas e mais pobres do grupo e terminaram 16 casas de outros membros. O grupo cultiva milho e feijão; vende açúcar, chá e artesanato feito de missangas; e apoia os membros na compra de vacas leiteiras. Também participam na sensibilização sobre o HIV/AIDS com canções Maasai e têm um programa de educação para adultos e para escolas maternais. Atualmente existem 49 membros do Grupo de Ação de Mulheres de Olusirwa. Em conjunto, possuem 45 cabras, 4 bovinos e 51 fazendas. Fontes: Ngoitiko. (2008); T. Oleyaile, [Assistente de Coordenação: Pastoral Women Council of Tanzania], Comunicação Pessoal. (2011, July 14).

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O VOLUNTARIADO como força para a inclusão SOCIAL

Jovens O Relatório do Desenvolvimento Mundial do Banco Mundial de 2007 24 afirma que o número dos que têm entre 12 a 24 anos de idade irá aumentar até 2035 para 1,5 bilhões. Os jovens representam um enorme potencial para o desenvolvimento. Há uma necessidade premente para desenvolver este potencial, abrir as portas a todas as formas de participação juvenil, incluindo o voluntariado. Os jovens não devem ser vistos como beneficiários passivos de recursos ou como sendo a causa dos problemas da sociedade. Antes, eles devem ser reconhecidos como importantes contribuintes para o desenvolvimento nos seus países. No entanto, como a economia global e as instituições políticas e sociais passam por grandes mudanças, os jovens deparam-se com enormes dificuldades devido à sua falta de capacidade e às poucas oportunidades que têm para participar. Na verdade, os jovens estão entre os grupos mais suscetíveis à exclusão social, caracterizada pelo desemprego, pobreza, criminalidade e consumo de drogas25. A delinquência juvenil nos países em desenvolvimento está crescendo. De 1995 a 2005 sofreu um aumento de 30% 26. Observa-se também o aumento da participação dos jovens no conflito armado, particularmente através do recrutamento para organizações guerrilheiras e gangues. Embora os jovens tenham, historicamente, enfrentado a exclusão social, a recente recessão econômica criou uma crise que afeta especialmente a geração mais jovem. O emprego é um tema fundamental em qualquer discussão acerca dos caminhos a seguir para a inclusão dos jovens. A este respeito, o voluntariado é uma via pela qual os jovens podem melhorar as suas perspectivas de emprego, aumentando as capacidades relacionadas com o trabalho. Há abundantes dados empíricos que mostram como o voluntariado pode desempenhar um papel importante na transição da escola para um emprego remunerado em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Uma

investigação feita no Reino Unido concluiu que 88% dos desempregados entrevistados acreditam que o voluntariado iria ajudálos a conseguir um emprego 27. Pesquisas sobre o quanto o voluntariado aumenta as competências de empregabilidade necessitam ser expandidas para que as políticas sejam informadas por elementos empíricos sólidos. Um levantamento feito com 1.044 entidades empregadoras pela China Youth Daily mostra que mais de 60% delas prefere um candidato com experiência em voluntariado na remota região ocidental da China. As entidades empregadoras disseram que os valores que procuravam nos seus empregados eram a dedicação, integridade e boa capacidade de comunicação demonstrada no serviço de voluntariado. A grande maioria das entidades empregadoras que deram trabalho a exvoluntários disseram estar satisfeitos com o seu desempenho 28. No entanto, é essencial não ver o voluntariado apenas como uma preparação para o emprego. Os próprios jovens se referem frequentemente aos aspectos importantes de doar o seu tempo para ajudar os outros, fazer mudanças que consideram importantes, ganhar novas experiências, conhecer pessoas novas e se divertirem. Além disso, existem mais benefícios para os indivíduos e para a sociedade em termos de saúde, bem-estar e envolvimento com a comunidade. Os estudos empíricos defendem a ideia de que os jovens que participam do voluntariado tendem a desenvolver comportamentos sociais positivos que atenuam a delinquência 29. O voluntariado representa um aspecto importante na transição para a vida adulta responsável 30. É um veículo valioso através do qual os jovens são expostos à cidadania ativa.

O voluntariado é uma via pela qual os jovens podem melhorar as suas perspectivas de emprego

Os países em desenvolvimento cada vez mais introduzem o voluntariado para jovens no sistema educacional. Na América do Sul, o serviço cívico cresceu rapidamente ao longo das últimas décadas. Em alguns países, como 65


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

na Venezuela, ele foi introduzido no ensino secundário 31. Não é um trabalho voluntário no sentido de se ter liberdade de escolha. No entanto, o contato com serviços cívicos em idade precoce pode levar à participação em voluntariado em anos posteriores. Para muitos jovens, o voluntariado é a primeira experiência em um ambiente de trabalho. Ajuda-os a formar atitudes e opiniões acerca do trabalho e a descobrir benefícios que podem passar para outros através do voluntariado 32. QUADRO 5.6  Aumentando a empregabilidade dos jovens na Bósnia e Herzegovina Os estudantes em Banja Luka, Bósnia e Herzegovina, aumentam a sua futura empregabilidade através de um programa de voluntariado social. Cerca de 300 alunos do ensino secundário e dez estudantes universitários envolvem-se, todos os anos, no programa do Omladinski Komunikativni Centar - OKC (Centro de Comunicação da Juventude). Os voluntários eliminam estereótipos e preconceitos entre os alunos através da organização de atividades de lazer para crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem; órfãos e jovens sem a supervisão dos pais; e idosos e pessoas jovens com deficiências físicas. Tanja Grujic, que se voluntariou no Center Zaštiti Me (Protege-Me) para crianças com necessidades especiais, disse: “Eu sempre pensei em como poderia ajudar outras pessoas. Quando comecei os meus estudos em educação, tinha em mente em primeiro lugar ajudar as crianças. Contatei o OKC e descobri que estavam planejando iniciar o envolvimento de voluntários no Center Zaštiti Me. Como os meus passatempos são design de moda e costura, decidi começar uma oficina de costura com crianças deste centro.” Tanja acrescenta orgulhosamente: “sinto que as horas passadas com estas crianças são muito úteis para mim. Esta experiência preenche-me como pessoa, permite-me saborear a vida e aumenta o meu conhecimento e minha experiência.”. Dirigir oficinas criativas, organizar excursões, brincar e jogar tem um impacto adicional nos alu-nos: desenvolvem habilidades pessoais e sociais que complementam o conhecimento teórico adquirido durante os estudos. Através destas habilidades práticas, os alunos tornam-se mais competentes e competitivos no mercado de trabalho Fonte: J. Jevdjic, [Diretor Executivo, OKC], Comunicação Pessoal. (2011, July 13-27).

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Também existem benefícios em criar relacionamentos com outros voluntários, formando redes de adultos e desenvolvendo relacionamentos com os beneficiários dos Todas estas frutos dos seus esforços 33. relações sociais facilitam uma maior inclusão. Na América Latina, o desemprego juvenil permanece em torno dos 22%, chegando até a 40% em alguns países 34. Nesta região, o voluntariado sob forma de serviço cívico para jovens serve o duplo objetivo de contribuir para o desenvolvimento e para preparar os jovens para o emprego 35. No que diz respeito aos jovens, é necessário tecer dois conjuntos de considerações. Em primeiro lugar, há o tipo de sociedade em que eles vão viver à medida que se movem para a idade adulta, com todas as responsabilidades que isso implica. Em segundo lugar, há as barreiras que eles podem ter de enfrentar em função de fatores como religião, etnia ou estereótipos em geral. É exatemente onde o voluntariado, com valores fundamentais como a reciprocidade e o respeito, pode desempenhar um papel significativo. O voluntariado salienta a participação ativa na sociedade. Como observamos no Capítulo 3, as novas formas de voluntariado estão a criar as oportunidades mais abrangentes de participação. A educação pode desempenhar um papel importante em inculcar atitudes cívicas. Numa perspectiva mais ampla, os meios de comunicação, os governos e as organizações que envolvem o voluntariado têm uma influência importante na vida dos jovens. É necessário um incentivo para promover as notícias acerca das contribuições deste grupo social, incluindo os relatórios feitos por eles próprios. Os governos devem promover um clima em que as necessidades e os interesses dos jovens sejam plenamente respeitados e devem assegurar que a infraestrutura seja provida. As organizações de voluntários devem ser proativas no engajamento dos jovens. As sociedades saudáveis precisam de jovens que estejam envolvidos em suas comunidades. A ação


O VOLUNTARIADO como força para a inclusão SOCIAL

voluntária pode ser uma via altamente eficaz para tal envolvimento. Idosos Os idosos têm sido tradicionalmente colaboradores ativos das suas sociedades. Os povos indígenas, em particular, há muito que reconhecem as valiosas contribuições dadas pelos anciãos na perpetuação e no enriquecimento da sociedade. As tendências de envelhecimento em muitas partes do mundo estão contribuindo para a consciencialização das dimensões sociais do envelhecimento. A primeira Assembleia Mundial das Nações Unidas sobre o Envelhecimento, realizada em 1982, em Viena, e as conferências que se seguiram, levaram à adoção de planos de ação global, regional e nacional que reconhecem o papel do voluntariado no envelhecimento ativo. A revisão dos 20 anos da conferência de Viena, que foi realizada em Madrid em 2002, em sua primeira recomendação, destacou que uma sociedade para todos deveria proporcionar aos idosos a oportunidade de continuar a contribuir. Tais contribuições estendem-se além das atividades econômicas para incluir atividades voluntárias na comunidade. Isto necessita ser reconhecido como uma contribuição para o crescimento e manutenção do bem-estar pessoal. A contribuição dada pelos idosos à sociedade através da ação voluntária é vasta. O voluntariado propriamente dito pode ser um recurso valioso para manter os idosos ativos e engajados. Esta é uma observação importante uma vez que pesquisas feitas principalmente nos países desenvolvidos indicam que os idosos são particularmente vulneráveis à exclusão. Isto é especialmente verdadeiro para aqueles que tenham deixado o mercado de trabalho e para aqueles com laços familiares fracos 36. Dados do Inquérito de Saúde, Envelhecimento e Aposentadoria na Europa (Survey of Health, Ageing and Retirement SHARE) confirmam que os idosos em risco de exclusão social são menos suscetíveis de participar em atividades

de voluntariado. No entanto, quando se voluntariam, o impacto nessas pessoas pode ser significativo 37. Os estudos feitos mostraram que o voluntariado nos últimos anos de vida pode contribuir para reduzir o risco de exclusão social. Além das doenças relacionadas com a idade, as pessoas mais velhas sofrem muitas vezes de restrições à mobilidade ou isolamento. O voluntariado pode levá-los não só a mais elevados níveis de atividade, mas também a uma melhor integração e inclusão na sociedade 38 . Estas conclusões são sustentadas pela declaração no Guia para a Implementação Nacional do Plano Internacional de Ação de Madrid sobre Envelhecimento que destaca a importância dos idosos na “participação mais vasta da vida social e cultural dos países, desafiando estereótipos negativos e práticas de exclusão”39. O voluntariado é uma via universal para essa participação. Pessoas com deficiência Para as sociedades alcançarem a inclusão social, todos os seus membros devem sentir que são capazes de contribuir de uma forma significativa 40. As pessoas com deficiência enfrentam muitas vezes a exclusão social com base em mal-entendidos e preconceitos que os retratam simplesmente em termos da sua deficiência e não em termos das contribuições que podem dar. Como outros grupos de excluídos, são muitas vezes vistos como beneficiários passivos das ações dos voluntários ao invés de voluntários ativos. A percepção do voluntariado de caridade ou de “doação”, predominante no mundo desenvolvido, reforça essa atitude. O voluntariado também tem um problema de imagem para muitas pessoas que sentem que, devido à sua deficiência, a ação voluntária não é para eles 41. O resultado é que as pessoas com deficiência têm menos probabilidade de se voluntariarem. No Reino Unido, em 2008, por exemplo, apenas 32% dos adultos com deficiência eram voluntários de organizações em comparação com 41% da população

O voluntariado pode ser um recurso valioso para manter os idosos ativos e engajados

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

adulta em geral. Isto deveu-se a fatores tais como a falta de equipamentos especiais, instalações inadequadas, o custo extra da viagem e a necessidade de apoiar os trabalhadores42 . Num estudo, um sujeito sugeriu que, considerando o problema de imagem, os investigadores considerassem o termo “ativistas” para os voluntários com deficiência pois “eles procuram abandonar a imagem tradicional e passiva das pessoas com deficiência como alvos do voluntariado para uma imagem muito mais proativa associada ao ativismo.” 43 Um exemplo de como uma atuação desse QUADRO 5.7 Cadeirante e voluntário O voluntariado pode transformar os voluntários, aumentando a confiança, provendo um forte sentido de realização pessoal e novas aspirações profissionais. Motivados por estes benefícios, os voluntários com deficiência ajudam a dissipar os estereótipos e a alterar as percepções acerca do que as pessoas com deficiência podem e não podem fazer. Shannon Coe, dos EUA, participou como voluntária no Peace Corps no Paraguai. Lá, pessoas com deficiências físicas não são muitas vezes vistas fora das suas casas. Diz Shannon: “quando eu circulava sozinha com a minha cadeira pela minha comunidade, as pessoas fixavam o olhar em mim com curiosidade. Muitos provavelmente nunca tinham visto antes uma mulher independente numa cadeira de rodas. Todas as vezes que eu escutava “qué guapa” (que bonita!!) quando ia para o trabalho sozinha, sabia que tinha mudado a perspectiva de outra pessoa.” Tal como a Shannon, as pessoas com deficiência dão valiosas contribuições como voluntários internacionais, no entanto, historicamente, têm sido subrepresentadas nos programas de voluntariado no estrangeiro. Estes programas muitas vezes centram-se mais em servir a comunidade dos deficientes do que em envolver voluntários com deficiência como líderes e colaboradores. As pessoas com deficiência têm o mesmo desejo de contribuir e de adquirir competências que os seus pares não deficientes. Com alojamentos simples, criatividade e uma atitude positiva, qualquer programa de voluntariado internacional pode ser acessível para os voluntários com qualquer tipo de deficiência. Fonte: Scheib & Gray (2010).

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ativismo acontece manifestou-se durante o seísmo e tsunami que atingiram o Japão em março de 2011. As pessoas com deficiência muitas vezes evitaram ir para centros de evacuação designados, porque sabiam que não iriam receber o apoio que atendesse às suas necessidades especiais. Entre os voluntários que foram de casa em casa para identificar e avaliar as necessidades encontravam-se pessoas com deficiência da Fundação YUME-YAZA. A Fundação foi criada depois do terremoto de Hanshin-Awaji em 1996 para ajudar as pessoas com deficiência afetadas por catástrofes naturais. Esses voluntários não só permitiram às pessoas com deficiência nas áreas afetadas expressar as suas necessidades imediatas, como também permitiram que se transmitissem os seus desejos e habilidades para viverem nas suas próprias comunidades em vez de em lares para deficientes 44. Migrantes Os migrantes enfrentam desafios únicos para superar a exclusão. Frequentemente, têm que superar barreiras linguísticas e aprender os costumes locais. O voluntariado pode oferecer oportunidades para praticar competências linguísticas e para construir redes sociais que podem levar a uma maior inclusão. As minorias étnicas e raciais têm menos probabilidade de participar em atividades de voluntariado formais 45. As comunidades rurais de imigrantes, por outro lado, experimentam altos níveis de tipos informais de voluntariado. Estes incluem voluntariado nas escolas, nos programas de segunda língua e em organizações que ajudam os imigrantes a integrar-se na sociedade 46. O potencial dos migrantes que se voluntariam nas suas próprias comunidades atravessa fronteiras. O conceito de “codesenvolvimento” é relativamente novo. Aplica-se a iniciativas de desenvolvimento assumidas por migrantes que vivem em países desenvolvidos para ajudar às suas comunidades de origem. O codesenvolvimento é um meio de os


O VOLUNTARIADO como força para a inclusão SOCIAL

migrantes partilharem os benefícios que têm nos seus países de acolhimento e de continuar a participar da vida cívica das respectivas comunidades nos seus países de origem. Um exemplo é a Asociación Sociocultural y de Cooperación al Desarrollo por Colombia e Iberoamérica (ACULCO). Esta é uma ONG de voluntários criada em 1992 por imigrantes da Colômbia que vivem na Espanha. Ela trabalha para a integração dos colombianos na sociedade espanhola e apoia iniciativas de desenvolvimento de comunidades de base na Colômbia 47. Pessoas que vivem com HIV/AIDS Apesar dos casos de morte pelo HIV/AIDS terem diminuído nos últimos anos, o número estimado de pessoas infectadas globalmente é ainda superior aos 33 milhões, de acordo com o Programa Conjunto da ONU sobre HIV/AIDS (UNAIDS) 48. Abundam os mal-entendidos sobre a doença, criando um estigma para os infectados. O voluntariado entre os pacientes com HIV/AIDS e pelos HIV-positivos ajudam a criar uma melhor compreensão acerca da doença e das pessoas por ela afetadas. Quase 75% dos afetados com HIV/AIDS vivem na África subsariana. Muito do apoio dado aos doentes e aos seus familiares é feito por serviços de saúde em domicílio prestado por voluntários 49. O voluntariado é um modo que as pessoas HIV-positivas têm de combater o estigma do HIV/AIDS, fortalecer a sua autoestima e melhorar o seu bem-estar 50. A ideia de se basearem nas experiências pessoais das pessoas que vivem com HIV para ajudar a moldar a resposta à epidemia de AIDS foi formalmente adotada como princípio na Conferência de Paris sobre a AIDS, em 1994. Alguns dos 42 países declararam que o Maior Envolvimento das Pessoas Vivendo com o HIV e AIDS (GIPA) era uma resposta nacional ética e eficaz à epidemia. Os grupos de apoio à comunidade de voluntários com pessoas HIV-positivas cada vez mais fazem parte dos programas sobre HIV em muitos países. Muitos dos cuidados com as Pessoas

QUADRO 5.8  Voluntariado de imigrantes: Nova Zelândia O Fórum de Refugiados Change Makers em Wellington é uma ONG que ajuda as comunidades de refugiados a participarem plenamente da vida da Nova Zelândia. Numa iniciativa da ONG, cerca de 50 voluntários produziram um DVD e uma cesta de recursos para apoiar as famílias de origens afegãs, assírias, birmanesas, colombianas, eritreias, etíopes, iraquianas, oromas, serra leonesas, somalis, sudanesas, ruandesas, ugandesas e zimbabuanas. O programa Famílias Fortes, Crianças Fortes (Strong Families, Strong Children) levou seis meses para ser concluído. A primeira fase, durante o reassentamento dos imigrantes da Assíria, Eritreia, Etiópia, Somália e Sudão, incluiu oficinas sobre família e identidade. A segunda fase centrou-se nos valores familiares e possíveis fontes de conflito. Na terceira fase, um elenco de voluntários e de atores profissionais atuou em cenas para um DVD mostrando as comunidades de refugiados em confronto com situações cotidianas. Para os participantes, esta foi uma oportunidade para analisar como lidar com o conflito de gerações, diferenças culturais e pressões exercidas sobre as famílias e como criar os filhos num país novo sem o apoio familiar a que estavam acostumados. De acordo com os voluntários: “o nosso objetivo é destacar que a vinda para um país novo significa uma enorme mudança cultural. Quando os refugiados chegam à Nova Zelândia, só têm seis semanas de orientação… mas a adaptação a uma nova cultura leva muito tempo e continua durante toda a vida.”. Fontes: Change Makers Refugee Forum. (n.d.); Johnstone, comunicação pessoal (2011, July 16-22).

Vivendo com HIV e AIDS é feito na própria casa dos indivíduos pelos seus familiares, amigos e pela comunidade. Esta última inclui os grupos de apoio e as ONGs. Conclusões e discussões Há muitas maneiras pelas quais as pessoas podem encontrar uma saída para a exclusão através do voluntariado. Para os indivíduos, a ação voluntária pode conduzir a um aumento do sentimento de autoestima. Pode ajudar a desenvolver habilidades profissionais e outras capacidades e auxiliar na construção 69


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

de redes sociais. Todos contribuem para um sentimento de bem-estar. Na comunidade, o voluntariado pode levar a uma maior coesão pelo fortalecimento da confiança e redução do conflito. Dentro da sociedade, uma maior inclusão através do voluntariado traz vantagens econômicas e ajuda a desenvolver nações fortes e coesas. Quando houver um maior reconhecimento dos parâmetros gerais do voluntariado apresentados no Capítulo 1, o voluntariado se tornará mais integrado no debate da inclusão social. A bibliografia sobre o voluntariado e inclusão centra-se sobretudo na ação voluntária das organizações formalmente constituídas. Tal ação deve ser encorajada. No entanto, de um modo geral, o voluntariado feito por grupos excluídos ocorre num contexto informal. A definição mais abrangente adotada pela comunidade internacional, refletindo todas as formas da ação voluntária, deveria contribuir para tornar

o papel do voluntariado mais visível. Ainda há muito que pode ser feito. Por exemplo, os governos podem incluir o voluntariado nas políticas que tratem da inclusão, abrangendo tanto os tipos de voluntariado formais, organizados, como os informais. As micropolíticas do voluntariado e as macropolíticas para combater a exclusão social precisam trabalhar em uníssono. Por exemplo, o acesso à legislação do trabalho poderia ser estendido para incluir o voluntariado assim como poderia a legislação antidiscriminatória. No núcleo de inclusão está o reconhecimento das capacidades e não das incapacidades dos indivíduos. Isto requer uma abordagem aberta e flexível. Os governos, as organizações da sociedade civil e o setor privado são capazes de dar uma orientação proativa aos grupos excluídos, juntamente com outros segmentos da sociedade, para envolvê-los no voluntariado. Se tal acontecesse e se surgissem

QUADRO 5.9 Falando Positivamente acerca do HIV: China “Digo sempre às pessoas com um sorriso: o HIV é um vírus, não é um pecado! Vivemos com o HIV e ainda podemos contribuir para a sociedade,” declara Xiaofeng, que contraiu o HIV numa transfusão de sangue. Quando isto se tornou conhecido, enfrentou a humilhação e a discriminação, mas decidiu falar acerca do assunto. Apesar das regulamentações que proíbem a discriminação institucional contra as pessoas que vivem com o HIV, na China as barreiras ainda persistem. O medo do estigma impede, frequentemente, que as pessoas acedam aos serviços e divulguem a sua condição de infectados pelo HIV às famílias e aos amigos. O Projeto Conversas Positivas (Positive Talks Project) foi iniciado em 2007 pela Marie Stopes International China, uma organização sem fins lucrativos que presta serviços de planejamento familiar e de saúde reprodutiva e sexual, com o apoio do PNUD e da UNAIDS, e em consulta com o Centro Nacional de DST/AIDS Prevenção e Controle, e com a Associação Chinesa de Prevenção e Controle de DST/AIDS. Mais de 40 pessoas que vivem com o HIV de toda a China foram formadas como formadores e oradores educacionais. Posteriormente, os oradores do Conversas Positivas realizaram formações em departamentos governamentais, empresas do setor privado, universidades, órgãos de comunicação, ONGs e com pessoas das áreas rurais. Em junho de 2008, cinco oradores do Conversas Positivas treinaram 7.500 voluntários dos jogos Olímpicos de Beijing para conscientizá-los acerca do HIV. Através do seu empenho, os oradores do Conversas Positivas têm originado mudanças para um comportamento positivo, reduzindo a discriminação contra as pessoas que vivem com o HIV.

Fontes: Joint United Nations Programme on HIV/AIDS (UNAIDS). (2010b, March 6); Luo Nan [Gerente de projeto, Positive Talks Project], Comunicação pessoal. (2011, July 15).

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O VOLUNTARIADO como força para a inclusão SOCIAL

sociedades mais inclusivas, isto representaria um importante passo para assegurar que

a população inteira desfrute dos múltiplos benefícios do voluntariado.

Uma maior inclusão através do voluntariado traz vantagens econômicas e ajuda a desenvolver nações fortes e coesas

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VOLUNTARIADO, coesão e gestão DOS CONFLITOS

6 CAPÍTULO 6

Voluntariado, coesão e gestão dos conflitos

O voluntariado é uma fonte de fortaleza, resiliência, solidariedade e coesão social da comunidade. Ele pode trazer uma mudança social positiva promovendo o respeito pela diversidade, a igualdade e a participação de todos. O voluntariado é um dos patrimônios mais valiosos da sociedade. Ban Ki-moon (dezembro de 2009)

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Introdução

As intervenções de base voluntária podem ajudar a prevenir tensões, mitigar o impacto quando as tensões se tornam violentas, ou auxiliar na recuperação quando a tensão diminui

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Este capítulo aborda as ligações entre o voluntariado e a coesão social em situações de conflitos violentos. O Relatório sobre Desenvolvimento Mundial de 2011, Conflito, Segurança e Desenvolvimento, afirma que 1,5 bilhões de pessoas hoje vivem em países atingidos por violência política, crime organizado, taxas excepcionalmente altas de assassinatos, ou conflitos de baixa intensidade. Os conflitos violentos são considerados como um desafio chave para o desenvolvimento, dado que afastam o investimento, limitam o acesso às oportunidades de emprego e educação, exaurem os recursos do Estado e ameaçam a governança. Os conflitos corroem a coesão social e estão tornando-se a primeira causa da pobreza 1. Para muitas pessoas, viver em meio à violência física direta faz parte do cotidiano “normal” 2. Os conflitos são mais ou menos normais em qualquer sociedade plural do ponto de vista étnico ou religioso e as manifestações abertas de conflito têm maior probabilidade de acontecer nas sociedades democráticas. A questão importante é como são geridos os conflitos, se através das instituições ou normas sociais, ou através da violência. Existem várias formas de violência, incluindo o crime organizado e o individual e a violência contra as mulheres. O que interessa aqui são os conflitos violentos armados. O século XXI marca uma ruptura com o passado, pois as guerras entre Estados têm diminuído consideravelmente. No seu lugar, há uma luta dentro das nações, sob a forma de conflito comunitário e nacional. Nesse aspecto, as pessoas podem contribuir em cada cenário. Através da ação voluntária, elas podem reduzir as tensões que podem gerar conflitos violentos; envolver-se na resolução dos conflitos, e criar um sentimento de objetivo comum uma vez que o conflito acabar, visando a prevenção de uma nova situação de violência. Na base de todas essas intervenções encontram-se os valores civis e o desejo de engajamento democrático

expressos ao longo deste relatório. Como diz o PNUD: “a Paz pode ser acordada pelos líderes de alto-nível reunidos em mesas de negociação, mas tais acordos têm de vir acompanhados por iniciativas que promovam a capacidade da sociedade para enfrentar e superar o conflito a curto, médio e longo prazo. A construção da paz requer que as comunidades aprendam a tratar do passado, adaptar-se ao presente e planejar o futuro” 3. Vamos analisar o conflito através da lente da coesão social. O apoio mútuo das pessoas, em grande medida localmente, pode criar e reforçar a coesão social, através da ação voluntária. Consideremos as intervenções de base voluntária que podem ajudar a prevenir tensões, mitigar o impacto quando as tensões se tornam violentas, ou auxiliar na recuperação quando a tensão diminui. Vamos focar também nas mulheres e nos jovens, os dois segmentos da população mais atingidos pelos conflitos violentos, além do seu papel como construtores reais e potenciais da paz. No resto do capítulo serão apresentados exemplos de ação voluntária nas três fases: pré-conflito, conflito e pós-conflito. Contudo, reconhecemos que os conflitos violentos não ocorrem assim de forma tão linear. Coesão social e conflitos violentos A coesão social é considerada há tempos um fator na promoção do desenvolvimento sustentável, como foi analisado no Capítulo 4. A coesão social como atributo dos grupos tem também um papel chave a desempenhar no contexto dos conflitos violentos. Uma maneira de descrever a coesão social é uma situação na qual a sociedade é definida por duas características complementares. A primeira delas é a ausência de desigualdades graves em termos de rendimentos ou saúde, tensões raciais, religiosas ou étnicas, ou outras formas de polarização. A segunda delas é a presença de fortes vínculos sociais demonstráveis em termos de confiança e normas de reciprocidade.


VOLUNTARIADO, coesão e gestão DOS CONFLITOS

Nessas sociedades, abundam as associações voluntárias nas quais os diferentes grupos da sociedade podem participar livremente. Além disso, existem estruturas e instituições, como um sistema judiciário independente e meios de comunicação independentes, que apoiam a gestão dos conflitos. É geralmente entendido que o voluntariado implica um sentimento de pertença, de participação ativa, de cooperação e de solidariedade 4. Um indivíduo com sentimento de pertença, motivado por um forte engajamento, fará alguma coisa, mais porque é a coisa certa a fazer do que para maximizar a utilidade 5. Como refere o Banco Mundial: “A coesão social manifesta-se em pessoas que têm disposição e são capazes de trabalhar juntas para atender às necessidades comuns, superar as limitações e levar em consideração seus diversos interesses”. Essas pessoas são capazes de resolver as diferenças de uma forma civilizada e sem confronto 6. A coesão social é uma variável chave em como as pessoas reagem ante o risco de conflitos violentos, na sua resposta quando realmente surgem os conflitos, e nas suas ações quando finalizados. Quanto maior a coesão social, maiores as probabilidades de existirem redes de conexões e interações sociais. Estas redes definem a ação voluntária. Tais redes diminuem os riscos de desorganização social, fragmentação e exclusão o que, por sua vez, incita outra vez à violência. Como já vimos, o sistema de valores subjacente ao voluntariado promove normas de reciprocidade e fomenta a confiança. Isto favorece os esforços para reduzir os conflitos violentos e minimizar seus efeitos. Evidentemente, quando as redes são excludentes por razões étnicas ou outras, elas podem ser manipuladas em prol do benefício de indivíduos ou grupos e podem conduzir ao extremismo 7. Durante o genocídio de Ruanda, em 1994, por exemplo, grupos de poder Hutu utilizaram a propaganda do ódio “que ligava os Hutus, fundamentalmente homens desempregados e jovens sem instrução, para formar grupos como os Interahamwe (“os que atacam juntos”, em língua Kinyarwanda) que

estiveram na linha de frente no genocídio. “8 As redes sociais baseadas no voluntariado, que operam entre pessoas com interesses comuns, que se conheçam entre elas ou não, desempenham um valioso papel em situações de conflitos violentos potenciais ou reais. Em 2005, a Comissão para África reconheceu sua efetividade na sociedade Africana e as qualificou como formas não estatais de governança. A Comissão destacou também sua falta de visibilidade. “Essas redes sociais com demasiada frequência podem resultar invisíveis para muitas pessoas do mundo desenvolvido, as quais têm uma perspectiva diferente e mais formal sobre a governança; contudo, constituem boa parte do capital social, sem o qual muitas comunidades africanas não poderiam funcionar… Para muitos cidadãos, sua lealdade é primeiro para com a família, o clã, a tribo ou outras redes sociais, incluindo cada vez mais, os grupos religiosos.” 9 A contribuição da ação voluntária em favor da paz frequentemente ocorre no contexto dessas redes ou através de associações informais ou de grupos de ajuda mútua. Dado que os conflitos envolvem diferentes facções ou partidos, a construção da paz requer contatos recíprocos entre todas as partes interessadas. No caso de um surto de violência, isto inclui todos aqueles que têm um papel ativo na luta e esses contatos podem dar lugar à criação de redes de paz nacionais ou regionais.

O sistema de valores subjacente ao voluntariado promove normas de reciprocidade e fomenta a confiança

O voluntariado na prevenção dos conflitos As pessoas que vivem suas vidas em um contexto de tolerância e de respeito mútuo, onde a ação voluntária é uma das características da harmonia social, têm maior probabilidade de evitar se envolver em situações de conflito. Uma faceta importante da coesão é a participação recíproca e a ajuda mútua na vida comunitária, por exemplo, em ritos importantes, cerimônias ou eventos relacionados com a produção econômica. Na índia, onde os confrontos entre grupos 75


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religiosos não são raros, tem-se observado que a participação interreligiosa nos festivais ajuda na prevenção dos conflitos. Hindus e muçulmanos participam das celebrações de ambos os grupos e partilham a comida entre eles. As vigílias e as passeatas conjuntas pela paz são outros exemplos de colaboração interétnica. No caso de surgirem tensões, os intercâmbios de jovens entre a Índia e o Paquistão reduzem o potencial de conflito fortalecendo o entendimento mútuo. Essa é a visão Gandhiana da paz, os jovens convivendo com as famílias de outros jovens e se envolvendo em ações em prol da paz. Estes programas estão baseados unicamente no voluntariado 10 . Uma característica comum das regiões costeiras do sul da Índia é a existência de grupos de trabalho partilhado, embora as práticas do trabalho agrícola tradicional partilhado venham diminuindo. O fato das famílias hindus, muçulmanas e cristãs se juntarem para partilhar seu trabalho tem reduzido os conflitos e gerado sentimentos de mais ampla identidade comum. Isto tem gerado também uma compreensão das diferenças e uma apreciação de como essas diferenças, caso elas não sejam geridas, possam gerar conflitos ou, pelo contrário, como elas podem ser utilizadas para ajudar na resolução dos conflitos 11. Nas situações de conflito potencial, as relações entre as comunidades podem atuar como amortecedores reduzindo o impacto negativo que as situações de insegurança têm sobre a sensação de bem-estar. As pessoas podem utilizar as associações locais e a ação coletiva como forma de criar salvaguardas que gerem sentimentos de bem-estar nas pessoas. Por exemplo, a capacidade para divulgar informações nas redes sociais sobre acontecimentos que afetam os medos e as inseguranças das pessoas pode funcionar como um importante fator protetivo 12. O tipo de resiliência que se contrapõe à violência potencial pode-se gerar também através de ações que fortalecem as redes comunitárias

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de base voluntária face aos eventos violentos e através da construção da confiança nas associações voluntárias por meio da educação e do treinamento. Um estudo comparou o conflito hindu-muçulmano na Índia com as violentas lutas na antiga Iugoslávia e na Irlanda do Norte. A pesquisa confirmou a relação existente entre elevados níveis de violência étnica e baixo engajamento cívico interétnico ou interreligioso 13. Isto sugere que comunidades enérgicas e bem integradas podem atuar como agentes de paz. Formas associativas de engajamento cívico sólidas, como as organizações empresariais integradas, sindicatos, partidos políticos e organizações profissionais, frequentemente são capazes de controlar os surtos de violência étnica, religiosa ou outras formas de violência. Verificou-se assim também nos casos de Bósnia, Chipre, Israel e Palestina 14. O Voluntariado durante os conflitos No Quênia, durante a violência após as eleições de 2008, grupos de voluntários surgiram esporadicamente nas comunidades atingidas para se ajudarem mutuamente e para estabelecerem ligações com diferentes grupos étnicos. Os anciãos das diferentes regiões do país organizaram visitas culturais de intercâmbio para promover a aprendizagem intercultural. Este tipo de iniciativa criou novos níveis de interação social. Este tipo de interação é diferente daquelas mediadas por políticos que tiveram certa responsabilidade alimentando animosidades entre as comunidades 15. No auge da violência, o Conselho de Meios de Comunicação do Quênia ultrapassou os interesses provincianos que tinham tomado o país. O Conselho foi capaz de persuadir os meios de comunicação nacionais para sincronizar mensagens e transmiti-los gratuitamente durante vários dias até as pessoas começarem a se ajudar umas às outras. Os blogs dos meios de comunicação nacionais em linha, como


VOLUNTARIADO, coesão e gestão DOS CONFLITOS

Ushahidi e Pambazuka, mantiveram as pessoas informadas das atrocidades cometidas e apelaram para os quenianos se ajudarem uns aos outros 16. Algumas ONGs deram apoio logístico aos voluntários para atingir as comunidades, ajudando-as na construção da paz, sempre que possível. Em situações de conflito potencial, as relações dentro das comunidades e o sentimento de afiliação às redes sociais podem ajudar na construção de salvaguardas que gerem sentimentos de proteção nas pessoas. As intervenções externas baseadas em iniciativas voluntárias, seja em termos estatais ou comunitários, podem ser muito eficazes afastando as pessoas dos conflitos violentos e voltando-as para a paz 18. Por exemplo, na Índia quando ameaçam os conflitos interreligiosos, eles são frequentemente resolvidos através da mediação dos “voluntários da paz” envolvidos com as partes para facilitar a reconciliação mútua. Em países como Bangladesh, Índia e Tailândia, os voluntários fazem também parte central das iniciativas de “policiamento comunitário” apoiados pelos governos locais e pelas agências de segurança 19. Voluntariado após os conflitos

QUADRO 6.1 Criando pontes entre fronteiras étnicas Kikuyus for Change (Kikuyus em favor da mudança) é uma iniciativa da juventude pela paz. Foi criada no Quênia por jovens kikuyus durante os surtos de violência após as eleições. Os jovens viam a etnia como principal fonte dos problemas do seu país. Esse grupo de voluntários desafiou os vínculos tribais ao atingir jovens de diferentes partes do país. Organizaram plataformas de diálogo interétnico nas quais lideranças jovens de opinião se reuniram para debater sobre a etnia. Desenvolveram também atividades e estratégias para promover a boa vizinhança e a reconciliação. Foram organizadas conferências de imprensa em resposta aos depoimentos dos dirigentes políticos, que eles percebiam como negativos para a harmonia étnica. Além disso, falaram no rádio e na televisão e escreveram artigos para os meios de comunicação impressos sobre o tribalismo e a necessidade de coesão nacional. Kikuyus for change promove também a interação com os anciãos kikuyu e organização de cursos de educação cívica sobre vários temas, dentre os quais como os membros podem participar de programas de desenvolvimento de base. “Devemos trabalhar partindo da base de que o Quênia é um tecido de muitas cores que é lindo, porque cada cor está presente. Não podemos ser uma cor só porque o resultado seria enfadonho. Não podem sobrepor-se umas cores às outras porque nós seríamos feios. Devemos permanecer presentes e brilhar.” 17 Fonte: Mayor of Garissa [in Kikuyus For Change Secretariat]. (2010).

No Sri Lanka hoje, o processo de recuperação entre os dois grupos étnicos envolvidos no conflito de longa data no país conta com a ajuda dos voluntários do Sarvodaya Shramadana Movement. Esta é a ONG nacional mais influente do país, que conta com estratégia e programa de desenvolvimento próprios 20 . Sarvodaya tem mobilizado milhares de voluntários treinados na construção da paz, na intervenção em crises e na resolução não violenta dos conflitos, contribuindo para o processo de reabilitação em longo prazo.

o país recaiu sobre as mulheres 21. As mulheres com acesso à terra formaram grupos estruturados sob a forma das associações de ajuda mútua do pré-guerra. O objetivo era o de ajudarem-se mutuamente com a produção agrícola, construção de casas e estabelecimento de sistemas de poupança e crédito para financiar atividades de geração de renda. Essas iniciativas recíprocas permitiram às mulheres ganhar status social além de seus papéis tradicionais e garantir direitos, como maiores poderes e independência econômica22.

Em Ruanda, onde o genocídio dizimou a população masculina, a tarefa de reconstruir

O voluntariado pode ser especialmente efetivo na construção da coesão e da paz quando os

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indivíduos de grupos anteriormente opostos se associam de forma nova e inovadora23. Na Irlanda do Norte, por exemplo, as pessoas iam ao encontro dos outros além do seu grupo religioso ou étnico através da colaboração em projetos que ajudavam na reconstrução dos laços de confiança entre as comunidades divididas. Quando houve uma escalada de

QUADRO 6.2  Organização Muçulmana de Voluntários nas Filipinas “Acreditando nas mudanças, mas mantendo a fé” é o lema da Organização Muçulmana de Voluntários pela Paz e o Desenvolvimento nas Filipinas. Fundada em 2004, Kapamagogopa Inc. (KI) participa ativamente das iniciativas de construção da paz na região de Mindanao, onde o antagonismo entre o governo e a Frente Mouro-Islâmica de Libertação (MILF) tem alimentado o conflito entre cristãos e muçulmanos. Cerca de 69 voluntários foram enviados desde 2005 para 23 ONGs comunitárias muçulmanas e cristãs que trabalham pela construção da paz, o diálogo comunitário e o intercâmbio intercultural. Eles contribuíram com 150 mil horas de voluntariado, com impacto nas vidas de até 500 mil pessoas. Os voluntários têm contribuído na construção de depósitos comunitários de água. Introduziram a Tecnologia de Vertentes em Terras Agrícolas, um método simples e de baixo custo para a agricultura das terras altas, adequado para pequenos agricultores com ferramentas limitadas, capital e acesso à agricultura moderna. Ensinaram aos agricultores métodos de agricultura orgânica, forneceram treinamento para a redução de desastres e participaram do Contingente de Todas as Mulheres do Componente de Proteção Civil da Equipe Internacional de Monitoramento que está apoiando o processo de paz em Mindanao. KI tem desempenhado um papel fundamental na mobilização de voluntários muçulmanos para ajudar as ONGs cristãs a atingirem as comunidades não cristãs. Durante o conflito de agosto de 2008, os voluntários da KI prestaram assistência humanitária às comunidades remotas. Colaboraram também nas iniciativas de construção da paz, por exemplo, falando sobre o rido (conflito do clã ou familiar) na comunidade de Mindanao. Fontes: Kapamagogopa Inc. (2011); Maraim Barandia, comunicação pessoal.(2011, July 17-22).julio de 2011).

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violência interétnica nas Ilhas Salomão, no Pacífico Sul, em 2002 entre os colonos de Malaita e os povos indígenas de Guadalcanal, mulheres da capital Honiara, de todas as procedências, somaram forças para emitir o Comunicado das Mulheres pela Paz. Posteriormente o grupo voluntário multiétnico Mulheres pela Paz negociou com as partes beligerantes, promovendo a conscientização sobre os impactos do conflito e ajudando as vítimas 24. O voluntariado e a promoção paz

da

Mulheres As mulheres são mais vulneráveis nos conflitos violentos, mas têm o potencial de serem poderosos agentes de paz e transformação. Como afirma o Relatório sobre o Desenvolvimento Mundial de 2011: as organizações de mulheres “desempenham frequentemente um papel fundamental para restabelecer a confiança e manter o ímpeto necessário para a recuperação e a transformação” 25. A participação cívica através do voluntariado pode ser um poderoso mecanismo para as mulheres marginalizadas, dando-lhes voz na tomada de decisões. Isto é especialmente verdadeiro em sociedades nas quais o costume e a lei favorecem claramente os homens em termos de controle de recursos chave, posse da terra, rendimentos e recursos financeiros e também acesso ao mercado de trabalho e aos cargos públicos. Este é o caso, por exemplo, da Etiópia 26 e do Sudão (2009). Apesar das mulheres serem membros ativos da sociedade civil, elas enfrentam muitos obstáculos ao se envolverem plenamente no desenvolvimento e na reconstrução da paz 27. As mulheres envolvem-se cada vez mais como combatentes nos conflitos violentos. No entanto, para a grande maioria das mulheres, tais conflitos agravam sua situação, levandoas em alguns casos a organizarem resistência. De fato, há uma longa história de participação


VOLUNTARIADO, coesão e gestão DOS CONFLITOS

das mulheres nos esforços populares para minimizar as hostilidades e começar os trabalhos de reconstrução 28. Nos países expostos a longas guerras como Angola, Chade, Eritreia, Etiópia, Libéria, República Democrática do Congo e Serra Leoa, as mulheres assumiram o papel de lideranças em diversas iniciativas de voluntariado, incluindo liderar protestos, desenvolver iniciativas de paz, mobilizar recursos e recriar o sentido de comunidade. Este papel foi reconhecido pela primeira vez na literatura da década de 1990 29 e desde então tem recebido atenção crescente 30. A Quarta Conferência Mundial sobre a Mulher em Pequim , em 1995, definiu o seguinte objetivo estratégico: “Ampliar a participação das mulheres na resolução dos conflitos em todos os níveis... incorporar a perspectiva de gênero na resolução dos conflitos armados ou de outro tipo... e garantir que os organismos tratem apropriadamente as questões de gênero” 31. A Resolução 1325 (2000) das Nações Unidas sobre Mulheres,

Paz e Segurança apela para uma maior participação das mulheres nos processo de paz e na resolução de conflitos 32. Contudo, como foi dito em 2003, “Se é certo que a Resolução 1325 fortaleceu as reivindicações das mulheres africanas a uma cadeira na mesa de negociação da paz, não eliminou, no entanto, os formidáveis obstáculos políticos, culturais e econômicos para alcançar sua plena participação como promotoras da paz e como cidadãs” 33. Naquela altura, as experiências das mulheres na República Democrática do Congo, e nos países da União do Rio Mano (MRU), Guiné, Libéria e Serra Leoa, mostraram as barreiras que as mulheres enfrentam para se fazerem ouvir e para promoverem mudanças duradouras na política. Na América Latina, o impacto do conflito sobre as mulheres na Colômbia durante cinco décadas, permaneceu oculto por anos. O silêncio se rompeu quando, em 1996, milhares de mulheres de 300 organizações indígenas e de base de todo o país se uniram para enviar uma mensagem contra a luta através da rede Ruta Pacífica de las Mujeres (Rota

QUADRO 6.3 O Voluntariado comunitário pela paz No Pacífico Sul, as mulheres estão se envolvendo mais nas iniciativas de voluntariado comunitário para fomentar a confiança, o entendimento e a paz. A iniciativa Kup Women for Peace (KWP) começou, em 1999, nas terras altas da Papua Nova Guiné depois de décadas de lutas tribais. A violência brutal contra mulheres e crianças muitas vezes incluiu a queima de aldeias inteiras. Depois de um combate especialmente devastador, mulheres de quatro tribos hostis criaram a KWP com o objetivo de pôr um fim à violência tribal. Membros da KWP, homens e mulheres, coletaram histórias das aldeias que salientavam o desejo de paz e as partilharam com os homens das tribos beligerantes. Eles mediaram os acordos de paz, realizaram cursos sobre a saúde das mulheres e a produção de alimentos e reuniram recursos locais para ajudar as vítimas da violência. Em 2003, eclodiu o conflito entre dois clãs na província das Terras Altas Ocidentais. Num esforço para restabelecer a paz, sete mulheres e cinco homens da KWP passaram duas semanas acampados no campo de batalha. Durante o dia, com os alto falantes, chamavam à trégua e defendiam a reconciliação. Cada noite, ficavam na aldeia de um dos clãs beligerantes e falavam sobre a paz. Esses homens em guerra nunca antes tinham escutado estranhos, especialmente mulheres, falarem sobre a paz desta maneira. Nas palavras de um dos homens: “A polícia e o governo tinham se esquecido de nós. Porém, essas mulheres se preocuparam bastante, até passaram conosco duas semanas”. Finalmente, as duas partes cessaram a luta e permitiram às mulheres facilitarem o pagamento de indenizações. Fontes: Dinh. (2011); Garap. (2004).

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Pacífica das Mulheres). Esta rede baseada no voluntariado abriu as portas para as mulheres desempenharem um papel ativo no processo de construção da paz na Colômbia 34. As visões convencionais das mulheres como espectadoras passivas em tempos de crise têm de ser corrigidas 35. No entanto, como a experiência das Mulheres do Rio Mano tem demonstrado, as mulheres que voluntariamente se envolvem na resolução dos conflitos, têm de estar dispostas para uma longa luta. Jovens A população jovem do mundo está crescendo rapidamente, especialmente nos países pobres afetados por conflitos violentos. Há uma preocupação crescente sobre as condições que podem incentivar os adolescentes, especialmente homens, a perpetuarem a violência e impedirem a consolidação dos processos de paz. Os jovens são frequentemente vistos como uma ameaça à segurança, que devem ser mantidos ocupados e desarmados 36 . Outro discurso apresenta os jovens em situações de conflito como vítimas passivas caracterizadas pela vulnerabilidade, em vez de pela resiliência, e sem uma função para influir nos processos de paz 37. Contudo, quando os jovens são depreciados ou quando se negligencia seu papel potencial na solução dos conflitos violentos, perde-se um recurso vital para superá-los.

Em muitos conflitos, os próprios jovens tiveram um envolvimento pleno na luta. No entanto, quando as hostilidades cessam, eles têm poucas oportunidades de se envolverem nos processos de construção da paz nacionalmente 38. Além disso, a falta de mecanismos de participação, juntamente com altos níveis de subemprego e desemprego, pode conduzir a um maior descontentamento entre os jovens de países com baixa renda em situação de pós-conflito. Isto reforça os mesmos fatores que geraram inicialmente a violência. Convém recordar que, nos países onde os conflitos violentos prevalecem, muitos jovens nasceram em tempos de guerra. Essa é a única “dinâmica social” que conhecem e eles têm desenvolvido mecanismos de defesa para encarar essa realidade de medo e violência. Às vezes, isto implica em eles mesmos se tornarem violentos. Os jovens têm poucas oportunidades para se exprimirem de outras maneiras. Portanto, o engajamento em atividades pela paz pode trazer uma perspectiva totalmente nova, incentivando formas não violentas de interação com diferentes grupos. A ideia de que “a juventude tem de participar ativamente como pilar fundamental para um futuro pacífico” 39 está começando a ser aceita. O voluntariado é um meio pelo qual os jovens podem se envolver especialmente através de organizações de juventude. Quando os jovens

QUADRO 6.4 A luta das mulheres para serem ouvidas A bacia do Rio Mano é uma região transfronteiriça que abarca Guiné, Costa do Marfim, Libéria e Serra Leoa. Com suas fronteiras permeáveis facilitando o fluxo de armas e combatentes, tem sido foco de intensos e violentos conflitos e de movimentos de refugiados. O lançamento da Rede de Mulheres da Paz (MARWOPNET) da União do Rio Mano (MRU) foi em 2000 com o envolvimento de mulheres líderes, rurais, comunicadoras, religiosas, e empresárias dos quatro países. Apesar de a MARWOPNET ter desempenhado um papel essencial como mediadora do conflito, ela tem sido excluída de algumas partes do processo de paz. Conforme uma de suas integrantes, o problema é: “A mentalidade masculina que estabelece que as mulheres não se devem envolver nestas questões. Eles se reûnem conosco e dizem que apreciam nossos esforços e prometem toda cooperação. Porém, não os vemos fazerem isso. Eles querem dar-nos apenas a condição de observadoras e isso não podemos aceitar”. Fonte: Fleshman. (2003).

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trabalham juntos, através da ação voluntária podem contribuir para a construção de pontes entre culturas e sexo e desempenhar um papel chave nos processos de paz 40. Uma organização importante da sociedade civil na África do Oeste, a West Africa Network for Peace Building (WANEP) tem um Programa de Não Violência Ativa e Transformação dos Conflitos, que dá oportunidades a mais de 650 estudantes e 450 jovens da comunidade para se envolverem diretamente na prevenção e gestão de conflitos através de clubes pela paz na Monróvia e na Libéria 41. Depois de 20 anos de Guerra, o norte da Uganda é uma região afortunada por ter uma rede dinâmica e crescente de voluntários nacionais e comunitários, muitos deles jovens afetados pela guerra. Um exemplo é um grupo de mulheres repatriadas do Exército de Resistência do Senhor. Elas utilizaram as habilidades adquiridas nas matas, como parteiras e líderes, para realizar trabalhos em prol da construção da paz através da ONG Empowering Hands (Mãos Empoderadoras). Criada em 2004, essa ONG estabeleceu grupos de apoio mútuo para pessoas sequestradas que foram libertadas no processo de transição para a liberdade. Essa ONG ofereceu-lhes aconselhamento e ajudou-os a se reinscreverem na escola 42. Empowering Hands tem uma bem conhecida história de sucesso. Por todo o norte de Uganda, existem numerosos grupos de jovens voluntários que têm demonstrado um potencial semelhante no que diz respeito à capacidade para formar a próxima geração da sociedade civil. No entanto, sendo associações informais, carecem de status legal e não conseguem receber subvenções 43. Muito se poderia alcançar se os governos e os doadores reconhecessem a presença de iniciativas da juventude em situações de conflito e trabalhassem para desenvolver a capacidade dos grupos envolvidos e de suas lideranças.

Conclusões e discussões Neste capítulo, examinamos a relação entre o voluntariado e os conflitos violentos sob a perspectiva da coesão social, com particular foco na situação da mulher e dos jovens. As dinâmicas que geram os conflitos violentos e que determinam o caminho que seguem, são complexas e não respondem a um conjunto de soluções padrão. No entanto, os valores de solidariedade e apoio mútuo que ajudam a criar coesão nas sociedades e que também estão subjacentes à ação voluntária, contribuem para a prevenção, a diminuição e a eliminação das causas dos conflitos.

QUADRO 6.5  Jovens promovem a recuperação pós-conflito na Libéria O Serviço Nacional de Jovens Voluntários da Libéria (NYVS) permite aos graduados contribuir para a reconstrução e o desenvolvimento da Libéria depois de 15 anos de conflito civil. O programa oferece capacitação aos graduados em educação, saúde e agricultura durante um ano. Em seguida, os graduados são enviados por todo o país como voluntários nacionais. Os voluntários nacionais ensinam em escolas e gerenciam campanhas de sensibilização para a saúde. Trabalham também para melhorar a situação das mulheres, para defender a educação das meninas, para terminar com a violência baseada no sexo e com as práticas discriminatórias. Onde eles prestaram serviços, as pessoas estiveram mais dispostas a serem voluntárias e os pais quiseram que seus filhos também participassem 44. A Libéria também enfrenta elevadas taxas de desemprego, especialmente entre os jovens. O NYVS permitiu aos graduados desenvolver competências e adquirir experiência. Mais de 80 % dos primeiros 67 voluntários de 2008 são empregados do setor público e privado. Dos 121 da segunda turma, em 2010, mais de 50% está empregado e 3% continuou seus estudos. Uma terceira turma de 128 voluntários nacionais finalizou sua missão em junho de 2011 45. Fonte: Isaac Bropleh,[Gerente de Projeto, Liberia National Volunteer Youth Service Programme], Comunicação pessoal. (2011, July 13).

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

A ação voluntária deve ser uma parte integrante das políticas e programas que têm como objetivo de prevenir e responder aos conflitos.

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A ação voluntária, portanto, deve ser uma parte integrante das políticas e programas que têm como objetivo prevenir e responder aos conflitos. Enquanto a comida, a habitação, a reconstrução de infraestruturas e a estabilização econômica são necessárias, também é necessário o engajamento cívico baseado na mutualidade e na solidariedade. Há uma crescente conscientização sobre a necessidade de fortalecer as redes sociais que

sobreviveram aos conflitos violentos ou de apoiar sua reativação onde foram destruídas. As redes sociais não bastam por si sós: o estado de direito, a justiça e os direitos humanos têm que acompanhar todo processo de paz. Contudo, reconhecer e apoiar o voluntariado contribuirá para garantir a sustentabilidade dos logros e para evitar o risco de que elementos subjacentes aos conflitos continuem potencialmente combustíveis.


7 VOLUNTARIADO e DESASTRES

CAPÍTULO 7

Voluntariado e desastres

Ao enfrentar os desastres em massa que ocorreram em Tohoku, todos devem ter sentido a vulnerabilidade dos seres humanos às ameaças naturais. Contudo, acredito que o maior poder de recuperação vem dos seres humanos. O que um voluntário pode fazer é pequeno, mas o que todos nós podemos fazer é enorme para a recuperação, o que cria um poder mais forte... Depois do estouro inicial nos meios de comunicação, as pessoas gradualment esqueceramo desastre, mas o verdadeiro desafio para os sobreviventes está apenas começando. Suas necessidades podem ter mudado, mas ainda há necessidade de ajuda. A verdadeira recuperação só pode vir depois de um esforço de todos em longo prazo. Khaliunaa, voluntário da Mongólia, no tsunami do Japão 1 83


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Introdução

Os recursos mais eficazes para a redução da vulnerabilidade de comunidades são organizações de autoajuda e a formação de redes sociais locais

As ações de voluntariado em resposta a desastres são talvez a mais clara expressão dos valores humanos subjacentes ao impulso de atender às necessidades dos outros. Elas estão, também, entre as mais visíveis faces do voluntariado. A reação imediata de pessoas a um desastre é frequentemente a de prestar assitência àqueles que são diretamente afetados. Muitas vezes, isso ocorre espontaneamente, fora de qualquer cenário organizado. No entanto, a contribuição do voluntariado vai muito além de uma resposta imediata. Este capítulo analisa o conjunto de ações voluntárias em todo o aspecto da gestão de desastres, desde a prevenção até a preparação e a mitigação, bem como a resposta e a recuperação. Desastres e desenvolvimento A natureza e a freqüência dos desastres sofrem alterações com as mudanças climáticas, rápida urbanização, insegurança alimentar e o aumento do número de conflitos. O valioso progresso de muitos anos de desenvolvimento pode ser dramaticamente destruído por catástrofes. A crescente conscientização dessa conexão tem feito com que os desastres não sejam mais tratados simplesmente como emergências humanitárias, mas como questões de desenvolvimento. Como reduzir a vulnerabilidade aos desastres, especialmente para pessoas que vivem na pobreza, é agora

QUADRO 7.1  Guias para a resiliência da comunidade É particularmente impressionante o nível do voluntariado encontrado, a força e o compromisso das organizações de base comunitária (OBC) formadas nas comunidades alvo. O seu papel na orientação do desenvolvimento e na implementação de planos de desenvolvimento comunitários... Incentivam a coesão e contribuem para a sustentabilidade da comunidade na gestão comunitária de desastres (GCD). Fonte: Ullah, Shahnaz & Van Den Ende. (2009, p.6).

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uma consideração política importante em muitos países. A Conferência Mundial sobre a Redução de Desastres, em 2005, deu um impulso considerável a esta mudança de entendimento. O objetivo global do Quadro de Ação de Hyogo (2005-2015) é desenvolver a resiliência das nações e comunidades aos desastres. Reconheceu-se que os recursos mais eficazes para a redução da vulnerabilidade de comunidades são organizações de autoajuda e a formação de redes sociais locais. Múltiplas funções do voluntariado em situações de desastres Gerenciar desastres de maneira eficiente e eficaz começa e termina com as comunidades. Um termo chave, amplamente utilizado hoje, é “resiliência”, que inclui a capacidade das comunidades em prevenir, preparar, enfrentar e se recuperar de desastres. Aquelas comunidades localizadas em ambientes perigosos não são vítimas indefesas de potenciais eventos que estão fora do seu controle. Elas podem ter opções de meios de subsistência limitadas, mas, dada a oportunidade, elas podem engajar-se em iniciativas que reduzam a sua vulnerabilidade. Antes de um desastre Cada vez mais, o objetivo dos programas de desastres é melhorar a prevenção, mitigação e preparo, limitando, assim, a necessidade de respostas e de recuperação, e desta maneira, reduzir a perda de vida e de meios de vida. Estes passos são conhecidos coletivamente como Redução do Risco de Desastres (RRD) e são, hoje, o foco dos esforços nacionais e internacionais. A prevenção envolve eliminar o perigo ou erguer uma barreira entre ele e a comunidade. Mitigação envolve proteger os elementos em risco antes de um desastre, a fim de minimizar seus danos. Preparação diz respeito a medidas tomadas na previsão de um desastre, incluindo a intensificação de uma resposta de emergência e o estabelecimento de bases para a recuperação.


VOLUNTARIADO e DESASTRES

Prevenção e mitigação de desastres As ações de prevenção e mitigação incluem reflorestamento, gerência de bacias hidrográficas, planejamento urbano e zoneamento, melhorias na infraestrutura, tais como comunicações e transportes, a utilização de sementes resistentes à seca, e melhoria das práticas de construção , como casas resistentes a seísmos. Mudanças nos padrões climáticos estão aumentando a vulnerabilidade das comunidades, especialmente entre as mais vulneráveis 2. Os voluntários têm um papel fundamental na criação da consciência sobre gestão sustentável dos recursos naturais, que podem prevenir e mitigar o impacto dos desastres. A Primeira Conferência Internacional sobre Voluntariado e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, realizada em 2004, em Islamabad, Paquistão, destacou o papel dos voluntários na gestão de risco de desastres. A conferência enfatizou a ligação entre voluntariado, sustentabilidade ambiental em projetos de água e saneamento, e também a silvicultura e gerenciamento de recursos naturais. Iniciativas de base tiveram um impacto, não só na garantia da sustentabilidade ambiental, mas também na melhoria das condições de vida local. Isso foi especialmente verdadeiro para as mulheres e meninas que se beneficiaram do abastecimento de água potável. A conferência apelou aos governos para reconhecerem as importantes contribuições de voluntários e de organizações voluntárias envolvidos nestas áreas 3. Na prevenção e mitigação, como em outros aspectos de desastres, os jovens são muito ativos. No Nepal, o voluntariado baseia-se em fortes tradições culturais históricas. O Serviço Voluntário de Desenvolvimento foi lançado em 2000. A construção do Serviço Voluntário de Desenvolvimento foi um modelo bem sucedido de voluntariado, com base no modelo desenvolvido em áreas rurais iniciadas

na década de 1970 4. O programa envolve, principalmente, alunos em um projeto localizado nos distritos montanhosos do Nepal e inclui o desenvolvimento de infraestrutura, agricultura, saúde e atividades de saneamento. Desde 2000, mais de 7 mil voluntários 5 foram mobilizados em 72 distritos que trabalham em projeto de mitigação de desastres, como a construção de bancos de sementes, construção de banheiros e saneamento de água 6. Através da ação voluntária, ONGs e organizações locais podem mobilizar as comunidades a criarem um modelo de sistemas comunitários para gestão de riscos de desastres 7. Por exemplo, o Movimento das Mulheres que Plantam e Cuidam de Árvores 2009 para a conservação da água na Indonésia, envolveu diversas organizações de mulheres no plantio de mais de 30 milhões de árvores desde 2007 8. No Sri Lanka, 26 jovens líderes da Brigada de Paz Voluntária de Sarvodaya levaram seu conhecimento e treinamento para 32 aldeias costeiras, que tiveram tudo destruído pelo tsunami do Oceano Índico em 2004 e mobilizaram as comunidades locais dos Muçulmanos, de Sinhala e de Tamil 9. Durante as secas de 2008 e 2009, na Síria, os voluntários da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho desempenharam um papel fundamental no apoio às comunidades locais na avaliação da vulnerabilidade e capacidade para combater a desertificação 10. Aqui, como em outras áreas propensas a secas, as comunidades têm conhecimento sobre os riscos, vulnerabilidades e recursos disponíveis que podem ajudar os gestores de desastres a tomarem as medidas adequadas 11. As secas na África também estão sendo combatidas através do aumento do conhecimento local integrado a novas tecnologias. Por exemplo, a Aliança Meridional para Recursos Indígenas (Southern Alliance for Indigenous Resources - SAFIRE) e a Rede de Tecnologias das Secas da África Austral (Southern African Drought

Os voluntários têm um papel fundamental no desempenho e na criação de uma consciência sobre gestão sustentável dos recursos naturais, que pode prevenir e mitigar o impacto dos desastres

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Technology Network - SADNET) têm facilitado o intercâmbio de informações dos voluntários entre pequenos agricultores e organizações comunitárias, para aliviar os efeitos das secas no sul da África. A SADNET tem funcionado como uma rede social, reunindo profissionais de desenvolvimento envolvidos no progresso agrícola. Através do compartilhamento de informações, a rede promove sistemas de conhecimentos indígenas e trata de questões sobre meios de subsistência e segurança alimentar para as comunidades em regiões propensas a secas 12.

Voluntários de dentro das comunidades são a primeira linha de resposta

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Os voluntários contribuem de forma significativa para a adaptação a novos ambientes resultantes das alterações climáticas através de iniciativas culturalmente sensíveis e localmente aceitas 13. Na Austrália, as práticas tradicionais dos povos indígenas, como as queimadas controladas, têm sido adotadas em Wollondilly, a sudoeste de Sydney, por serviços de bombeiros rurais como parte das medidas de redução de riscos de incêndio. Um grupo étnico, os D’harawal, tem o conhecimento de plantas que alertam para grandes incêndios com bastante antecedência. Frances Bodkin, um D’harawal que previu os incêndios florestais em New South Wales, no início de 2002, falou de como o seu povo “seguiu os padrões da flora e fauna nativas para indicar como as estações do ano iriam se comportar” 14. O serviço de incêndio rural consulta com os D’harawal e usa esse conhecimento para planejar as atividades de queimadas controladas 15. Contribuições voluntárias construídas sobre o conhecimento local são importantes para anular a tendência identificada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente-PNUMA (United Nations Environment Program - UNEP), segundo a qual “o conhecimento indígena foi corroído ou ignorado no desenvolvimento destes sistemas [de alerta precoce]. Ele precisa ser revitalizado, aproveitado, documentado e levado a serviço das comunidades .” 16

Preparação para desastres A fase de preparação é alcançada quando, apesar dos esforços de prevenção e mitigação, um desastre é iminente. O conhecimento e as capacidades desenvolvidas pelos governos, a resposta profissional e as organizações de recuperação, comunidades e indivíduos para prever, responder e recuperar-se efetivamente dos impactos sobre prováveis perigos iminentes ou atuais, são agora colocadas em uso 17. As ações podem incluir análise de risco, desenvolvimento de sistemas de alerta precoce, informações públicas, planejamento de contingência, armazenamento de suprimentos, treinamento e exercícios de campo. Equipes comunitárias de Resposta a Emergências (Community Emergency Response Teams - CERT) foram criadas na sequência do furacão Katrina nos Estados Unidos. A iniciativa incluia voluntários locais treinados na preparação e resposta a desastres. As equipes eram compostas de vigilantes de bairro, organizações comunitárias, associações de cunho religioso, funcionários de escolas, empregados de empresas, organizações de escoteiros e outros grupos 18. Reconhecendo que os voluntários de dentro das comunidades são a primeira linha de resposta, o Governo da Índia salienta a importância da preparação da população local. Isso inclui exercícios periódicos que comunidades devem praticar na preparação de um desastre 19. Para serem eficazes, estas ações requerem voluntários que se apresentem para treinamento. O Quadro de Ações de Hyogo destacou a necessidade de: “Promover iniciativas comunitárias de treinamento, considerando o papel dos voluntários, quando apropriado, para aumentar as capacidades locais em mitigar e enfrentar desastres.” 20 Além de comunidades, existem muitas outras maneiras que o voluntariado se manifesta


VOLUNTARIADO e DESASTRES

QUADRO 7.2 Voluntariado e alerta precoce para salvar vidas Os desastres naturais são comuns em Bangladesh. Depois de um ciclone devastador que levou meio milhão de vidas em 1970, a Sociedade do Crescente Vermelho e o Governo de Bangladesh estabeleceram o programa de preparação para Ciclones (Cyclone Preparedness Program - CPP) para fortalecer a capacidade de gestão de desastres nas comunidades costeiras O CPP conta com as habilidades técnicas e empenho dos voluntários para garantir a existência de um serviço de alertas de ciclones. O programa é composto por 2.845 unidades divididas em 32 sub-distritos, cada unidade servindo a uma ou duas aldeias com população entre 2 mil e 3 mil pessoas. Dez homens e cinco mulheres voluntários de cada unidade são nomeados pelos aldeões e divididos em grupos para tratar de abrigo, aviso, evacuação, resgate, primeiros socorros, e das necessidades alimentares e de vestuário. Os voluntários recebem treinamento sobre o comportamento do ciclone, aviso de evacuação, abrigo, resgate, primeiros socorros e as operações de socorro. Cerca de 160 voluntários foram formados como formadores e agora transmitem essas competências para suas comunidades. Em 15 de novembro de 2007, o ciclone Sidr de categoria 4 atingiu a costa sudoeste de Bangladesh, provocando a morte de cerca de 30.000 pessoas. Um ciclone de similar magnitude havia matado 140.000 pessoas em 1991. O número menor de mortes ocorreu em 2007, em parte, devido ao trabalho de mais de 40.000 voluntários treinados que recebera aviso prévio e alertaram as comunidades através de bandeiras, megafones, sirenes de mão e soar de tambores. Dados da Organização Meteorológica Mundial (World Meteorological Organization) sobre a aproximação do ciclone foram recebidos pelos voluntários por meio de serviços públicos e escritórios locais do Crescente Vermelho. Os voluntários também ajudaram as pessoas na evacuação e busca de abrigos seguros, aconselharam sobre a segurança e ajudaram a manter a ordem, mostrando assim, grande compromisso com o programa e as pessoas. Fontes: The Government of Bangladesh. (2008); Rashid. (n.d.).

na preparação de desastres. No México, uma rede social universitária (UNIRED) foi criada em 1997 para mobilizar voluntários de universidades para coletar e compartilhar informações sobre cenários de risco em todo o país e no exterior. A rede social é alimentada por mais de 60 universidades mexicanas e mantêm ligações com governos, setores privados e organizações internacionais fora do país. Os voluntários são responsáveis por todas as iniciativas, tais como recrutamento de outros voluntários, treinamento, concepção e implementação das avaliações de risco, e coordenação e coleta de ajuda humanitária. Em 2010, UNIRED ajudou a enfrentar os efeitos do furacão Alex e as inundações no Estado de Chiapas, no México. A rede também foi envolvida na fase de resposta. Além do mais, enviou voluntários para ajudar na resposta ao terremoto no Haiti em 2010 21.

Outra manifestação do voluntariado em desastres envolveu o setor privado. Prontos Quando Chegar a Hora” (Ready When the Time Comes) é um programa de trabalho de voluntários locais lançado pela Sociedade da Cruz Vermelha Americana em 2006. Mais de 10 mil funcionários de 300 empresas dos Estados Unidos foram treinados como uma força de resposta voluntária da comunidade. Como resultado, a capacidade para responder a desastres locais aumentou mais de 40 por cento entre 2006 e 2010. Conscientização e educação devem começar desde a infância. Na Nigéria, “Clubes Escolares de Voluntários para a Redução de Risco de Desastres” (Disaster Risk Reduction – DRR) estão sendo estabelecidos no Território da Capital Federal. Esta iniciativa, lançada em 2010, reconhece o potencial da criança

Os primeiros a reagir não são as equipes de socorristas formados, mas sim moradores locais e vizinhos.

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

As pessoas do local estão em melhor posição para identificar as suas necessidades imediatas de resposta a emergências

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para desempenhar o seu papel através do voluntariado em escolas e comunidades. Tratase de educar as crianças para que elas possam se tornar agentes de prevenção e gestão em situações de emergência básicas, tais como: incêndios, inundações, poluição do ar nas escolas, casas e na própria comunidade. As crianças são preparadas para promover a importância de se construir uma comunidade resistente a desastres 22. Em Giang, província do Vietnã, na parte inferior da Bacia do Mekong, projetos escolares sobre preparação para desastres foram implementados em 2006 pelo Departamento de Educação e Treinamento. Essas iniciativas aumentaram a conscientização entre as crianças sobre segurança das enchentes na escola, ensinaram as crianças a nadar, para a sua segurança e promoveram a formação de clubes, onde as crianças podem tomar parte em ações voluntárias sob a supervisão dos professores. Resposta em face dos desastres A imagem do voluntariado no momento imediatamente posterior a um desastre, muitas vezes perpetuada pelos meios de comunicação, é, primeiramente, a reação espontânea das pessoas que vivem na área afetada ou em seu entorno. Isso geralmente é mostrado de uma forma positiva, refletindo o altruísmo e a preocupação para com o próximo. Esta situação, frequentemente, é seguida por um fluxo de trabalhadores estrangeiros, incluindo muitos voluntários. Neste cenário, as expressões locais e nacionais de voluntariado são geralmente ignoradas 23. Em certo sentido, isso é positivo, pois chama a atenção para o poder do voluntariado. Por exemplo, “a resposta humanitária sem precedentes ao terremoto de Wenchuan (2008), envolvendo centenas de milhares de voluntários, levou ao reconhecimento do papel importante de voluntários treinados em resposta a emergências, tornando-se o melhor mecanismo de coordenação e aumento das organizações comunitárias que têm continuado a apoiar os esforços de desenvolvimento e de reconstrução em longo prazo.” 24

Por outro lado, a partir desta perspectiva, as comunidades locais são vistas somente como vítimas dos desastres, e não como voluntários próativos 25. As evidências apontam para uma realidade diferente. Os primeiros a reagir não são as equipes de socorristas formados, mas sim moradores locais e vizinhos26. Muitas ações são de voluntários espontâneos. Quando são despreparados, ou suas ações são descoordenadas, eles podem realmente causar dano a si mesmos, como por exemplo, ao entrar em prédios que estão em processo de desabamento. Do mesmo modo, eles podem impedir o trabalho de salvamento organizado, por exemplo, bloqueando vias de acesso. Contudo, muitas pessoas que estão envolvidas em organizações comunitárias ou organizações não-governamentais nacionais combinam o conhecimento local e a experiência com o treinamento necessário. A resposta implica não só em salvar vidas, mas, também, reduzir os riscos à saúde, garantindo a segurança pública, e satisfazendo as necessidades de subsistência de pessoas afetadas. As pessoas do local estão em melhor posição para identificar as suas necessidades imediatas de resposta a emergências e contribuir na tomada de decisão local para o futuro 27. Elas também podem fornecer informações valiosas sobre as necessidades da comunidade e, no âmbito do processo de reconstrução, trazer confiança e um toque humano para as famílias afetadas 28. A combinação de população local com aqueles que têm as habilidades necessárias pode ser particularmente eficaz quando mobilizada rapidamente. Voluntários nacionais de fora das comunidades afetadas também têm um papel importante a desempenhar. Eles fornecem uma conexão direta e de confiança entre as pessoas diretamente atingidas e outras partes interessadas. Assim, tornam-se um “elo vital entre os recursos informais da comunidade como um todo e os recursos mais especializados de órgãos governamentais estabelecidos, tais como a polícia, os bombeiros e serviços médicos” 29. Isso se aplica, particularmente, aos chamados


VOLUNTARIADO e DESASTRES

QUADRO 7.3 Terremoto de Christchurch: voluntários de todos os tipos Em 22 de fevereiro de 2011, um terremoto de magnitude 6,3 na escala Richter causou estragos em Christchurch, Nova Zelândia. A devastação levou a uma onda de solidariedade manifestada através do voluntariado. O Exército de Estudantes Voluntários de Canterbury (Canterbury University Student Volunteer Army) formou uma potente força de trabalho, com dez mil estudantes organizados, equipados com limpadores de lama, que ajudaram na limpeza ao redor das casas e na divulgação de informações. Os estudantes usaram uma plataforma, através da Internet, para organizar voluntários atualizando postos de trabalho, tomando notas no campo, e enviando fotos com iPhones doados pela Apple, e cartões de dados da Vodafone, 2Degree e Telecom. Estas empresas de comunicação também ofereceram aos voluntários, sem custo, códigos de emergência para SMS e recargas pré-pagas. Twitter, Flickr e Facebook ofereceram canais, para que as pessoas solicitassem e oferecessem assistência, bem como para coleta de informações. Um grupo de agricultores, o Exército Rural, ofereceu-se, ao lado de estudantes, para limpar partes da cidade duramente atingidas e distribuir refeições para os moradores afetados. Outras contribuições voluntárias vão desde a doação de 1.500 sanduíches, preparados por presos de baixa segurança para as equipes de salvamento e voluntários; até aconselhamento prestado por arquitetos e designers profissionais urbanos, que ofereceram seus serviços voluntariamente para ajudar a reconstrur a cidade. Além da área afetada, os estudantes de Auckland levantaram fundos para as vítimas, enquanto os residentes em Dunedin e Wellington ofereceram alojamentos. Fontes: 3 News. (n.d.); MacManus. (2011, February 21).

“voluntários permanentes”30 que são altamente treinados e permanecem prontamente disponíveis para as grandes crises. Em alguns países, o uso de tais voluntários está a aumentar rapidamente. Na China, a partir de 2006, havia cerca de 100 milhões de voluntários treinados, muitos dos quais foram registrados em três grandes organizações: a Liga da Juventude Comunista, a Cruz Vermelha e a Administração Pública31. Voluntários permanentes são especialmente valiosos em perigos resultantes de desastres menos visíveis, como as pragas contagiosas. Em alguns casos, os governos criaram sistemas de voluntariado nacionais. Por exemplo, após um grande terremoto no Paquistão, em 2005, uma agência nacional foi criada para coordenar e apoiar as atividades relacionadas ao voluntariado, o “Movimento Nacional de Voluntários” (National Volunteer Movement - NVM) foi criado para servir como um ponto central para as atividades nacionais voluntárias. Em longo prazo, seus objetivos são, primeiramente, treinar um grupo de primeiro socorros; prestar apoio em situações

de desastres; promover o voluntariado em agências governamentais; facilitar a cooperação no trabalho voluntário entre os setores público, privado e a sociedade civil; e aumentar o reconhecimento público do voluntariado. O grupo tem um núcleo com cerca de 17 mil voluntários que coordenam mais de 80 mil pessoas. Durante as inundações no ano de 2010, o NVM realizou uma mobilização voluntária maciça. As inundações foram as piores da história registrada do Paquistão, matando mais de 1.750 pessoas e afetando cerca de 20 milhões. O MNV agiu como um elo entre o governo e as ONGs 32. A ligação entre voluntariado e tecnologia foi explorada no Capítulo 3. Um sistema chamado Ushahidi foi desenvolvido em 2008 para mapear a violência pós-eleitoral e os esforços de paz no Quênia. Desde então tem sido utilizada uma variedade de esforços no desenvolvimento da ajuda humanitária, incluindo os terremotos no Chile e no Haiti, em 2010. Voluntários monitoram e mapeiam relatórios de várias fontes dos meios de comunicação, incluindo informações de Feeds do Twitter, contas do 89


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Facebook, blogs e meios de comunicação tradicionais, como jornais, rádio e televisão. Assim, as crises locais são identificadas e os voluntários podem alcançá-las mais rapidamente. A tecnologia foi desenvolvida inicialmente para dar aos usuários de telefones celulares a capacidade de enviar mensagens de texto sobre os locais e eventos. As mensagens aparecem em um mapa disponível na Internet. Durante o terremoto no Haiti, Ushahidi em Nairobi e um parceiro de tecnologia, Frontline SMS, desenvolveram um código (9636) para a utilização por pessoas com necessidades em qualquer lugar no Haiti. As pessoas podiam enviar mensagens de texto para o número gratuito, assim, o grupo de resposta apropriado seria mandado para a ajuda. Esse sistema tornou possível a identificação de pessoas feridas, famílias que perderam amigos, pessoas presas, corpos, crianças órfãs e necessidades de água 33. No caso do terremoto de Wenchuan, em 2008, na China, a resposta foi acelerada através da partilha de mapas de áreas nas províncias que precisavam de assistência. Estes mapas foram transmitidos por milhares de voluntários em linha 34. Um esforço de menor escala, e de âmbito mais pessoal, ficou evidente quando, o Monte Merapi, na província de Central Java, na Indonésia, entrou em erupção no ano de 2010. A comunidade vizinha usou o Twitter para ajudar na resposta. A conta do Twitter era parte de uma rede de informações mais ampla, que teve início com uma rádio comunitária chamada Jalin Merapi e que foi criada para monitorar sinais de erupções vulcânicas. A agência de notícias Reuters informou que: “Jalin Merapi ajudou abrigos que não puderam receber ajuda do governo, mandando cerca de 700 voluntários que relatavam ‘twittando’ as necessidades de ajuda específicas”35. “A comunidade anunciou que precisava de ajuda para fornecer refeições para 30 mil pessoas e a comida ficou pronta em quatro horas”36. Embora não haja nenhuma maneira de verificar a veracidade das informações compartilhadas através desses canais, em tempos de crise as 90

pessoas usam as tecnologias com as quais se sentem mais confortáveis. Nesse caso, foi o Twitter 37. Em muitos países, os serviços de luta contra incêndios baseados em voluntariado, são um exemplo de como as pessoas se envolvem no trabalho para reforçar as capacidades locais para responder a desastres. Brigadas de bombeiros voluntários tendem a ser altamente confiáveis e respeitadas em todo o mundo. Pesquisas realizadas no Chile citaram os bombeiros chilenos entre as instituições mais confiáveis no país, à frente da polícia e da Igreja Católica 38. Na América Latina, o Brasil foi o primeiro país a possuir uma brigada voluntária de combate ao fogo, remontando sua origem por volta do ano de 1892 39. Em anos recentes, temos visto um número crescente de voluntários de fora dos países afetados dispostos a se voluntariar em desastres ou em atividades relacionadas a estes 40. Isso pode representar novos desafios. Por exemplo, no caso do terremoto no Haiti, em 2010, foram encontradas dificuldades na gestão das centenas de médicos e enfermeiros que se voluntariaram, e cujas habilidades foram frequentemente subutilizadas 41. Outros desafios incluem a falta de familiaridade com o ambiente local 42, a falta de sensibilidade cultural e de habilidades linguísticas. No entanto, quando bem organizada, esta contribuição é eficaz e muito apreciada. Durante o tsunami no Oceano Índico, em 2004, e os terremotos posteriores, de 2005 e 2006, a resposta da Indonésia para a situação de emergência recebeu uma enorme contribuição de voluntários. Essa contribuição era tanto estruturada, com a participação do governo, ONGs nacionais e internacionais, grupos comunitários, como não estruturada. Milhares de outros voluntários espontâneos, não afiliados a qualquer organização, providenciaram sua ajuda no espírito do gotong royong (trabalhando juntos) como mencionado no Capítulo 4. Os voluntários desempenham um papel vital na resposta aos desastres. No


VOLUNTARIADO e DESASTRES

entanto, sua capacidade deveria ser reforçada. Os governos devem contar com eles como um recurso no âmbito da gestão integrada de desastres, e não tratá-los como componentes autônomos 43.

de emergência termina e deveria ser baseada em estratégias e políticas pré-determinadas que facilitem claramente as responsabilidades institucionais para a ação de recuperação e que permitam a participação pública.” 45

Voluntariado e recuperação

Durante a fase de recuperação de um desastre, a atenção das autoridades nacionais e doadores tende a fixar-se na reconstrução da infraestrutura física essencial: pontes, estradas, cabos de ele tricidade e edifícios. Estas estruturas são vitais para as pessoas manterem vivos os seus meios de subsistência, muitas vezes, em situações de extrema vulnerabilidade. No entanto, este foco ignora a infraestrutura social. Crescente pesquisa empírica indica que as comunidades com mais confiança, engajamento cívico e redes sociais mais fortes, que são em grande parte baseadas

O número de pessoas de fora das comunidades afetadas que se voluntariam cai drasticamente após a fase da resposta imediata. Em um estudo de ONGs engajadas nos esforços de recuperação de desastres, 64 por cento de serviços voluntários foram utilizados por 12 semanas ou menos após a crise 44. No entanto, conforme a Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres: “A tarefa de recuperação, de reabilitação e de reconstrução começa logo depois que a fase

QUADRO 7.4 Resposta rápida no Haiti A iniciativa Los Cascos Blancos (Capacetes Brancos) foi lançada pelo Governo da Argentina em 1993 e aprovada pela Assembléia Geral da ONU em 1994. A iniciativa fornece oportunidades para voluntários da América Latina e de outras regiões ajudar no auxílio do pós-desastre e esforços de recuperação. O esquema envolve missões de resposta a emergências globalmente. No espaço de 72 horas da ocorrência de um desastre, pode-se contar com mais de quatro mil voluntários altamente treinados de outros países em desenvolvimento para servirem com agências das Nações Unidas e em parceria com o programa de Voluntários das Nações Unidas. Após o terremoto no Haiti, em janeiro de 2010, Cascos Blancos mobilizaram 37 voluntários de Argentina, Paraguai e Uruguai, para ajudarem na resposta imediata, assim como na recuperação em longo prazo, especialmente, na área da saúde. A equipe de voluntários mobilizados por Cascos Blancos foi composta por médicos, enfermeiros e paramédicos, bem como bombeiros e especialistas em gestão de suprimentos e logística. Eles levaram suprimentos médicos, instalações sanitárias, alimentos, sementes, barracas e dispositivos de comunicação móvel para ajudar na resposta imediata ao terremoto. Os voluntários trabalharam, principalmente, em Leogane, uma cidade no epicentro do terremoto, a 40 quilômetros de Port-au-Prince. Eles trabalharam em colaboração com a Organização Panamericana de Saúde (Pan American Health Organization - PAHO) e foram apoiados operacionalmente pelo programa VNU. Após o sucesso e o reconhecimento do trabalho dos voluntários pela PAHO, pela MINUSTAH e pelo governo haitiano, mais voluntários dos Cascos Blancos foram mobilizados para prestar um apoio maior na cidade fronteiriça de Jimani, República Dominicana, e na cidade haitiana de Fond Parisien. Fonte: Carlos Eduardo Zaballa, [Coordinator United Nations, White Helmets Commission, Argentina] Online Comunication. (2011, July 25).

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

As Comunidades com mais confiança, engajamento cívico e redes sociais mais fortes têm melhores chances de recuperação após uma catástrofe

em trabalho voluntário, têm melhores chances de recuperação após uma catástrofe do que as comunidades fragmentadas ou isoladas 46. De fato, “as redes sociais podem ser o recurso mais confiável após uma catástrofe”, afirma Zhao Yandong da Academia Chinesa de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento 47. Um exame da catástrofe pós-tsunami na Indonésia, em 2004, observou que: “Os esforços de socorro e recuperação serão mais eficazes se for identificado, utilizado e fortalecido o capital social existente, ou seja, as habilidades comunitárias, os programas e as redes sociais. A abordagem voltada para a comunidade na recuperação pós-catástrofe que se baseia em seu capital social, requer investimentos significativos de tempo e de recursos humanos, mas resulta em maior satisfação do cliente, desembolso mais rápido, e empoderamento local” 48. É amplamente aceito que, após as catástrofes, existe uma necessidade de tratar dos danos, não somente relacionados à infraestrutura física, mas também, à social 49. O Quadro de Ação de Hyogo (2005-2015) destacou o “espírito do voluntariado” como a base para os mecanismos de construção e intervenções apropriadas. Este “espírito”, como se viu, é uma

característica universal dos seres humanos e está no cerne da aproximação entre as pessoas a ajudarem-se uns aos outros nos períodos de recuperação, assim como em outras fases do ciclo de desastres. Esse “espírito” muito contribui para trazer de volta a esperança e a confiança para as comunidades, assim como a reconstrução dos seus meios de subsistência. Conclusões e discussões As comunidades sempre enfrentaram desastres, e o voluntariado sempre esteve presente, na fase da preparação como na do enfrentamento. Considerando a atenção crescente que vem sendo dada nos últimos anos ao desenvolvimento e à implementação de abordagens estratégicas das catástrofes, inclusive a exploração de suas ligações com o desenvolvimento, faz-se necessária a inclusão do voluntariado no discurso. Este capítulo demonstrou as diversas formas de ações voluntárias na preparação, mitigação, resposta e recuperação aos diversos estágios das catástrofes. Ele mostrou como essa ação se manifesta de várias formas: ações espontâneas de pessoas na comunidade, voluntariado organizado com associações e organizações em níveis locais e nacionais, além

QUADRO 7.5 Recuperação de desastres e o espírito gotong royong Os graves seísmos que ocorreram ao longo da costa norte de Sumatra, na Indonésia em 2004 e 2005, e os tsunamis que se seguiram, causaram grande perda de vidas e inúmeros danos a propriedades, especialmente nas províncias de Aceh e Nias. O apoio dos doadores internacionais incluiu um subsídio de 291 milhões de dólares dos Estados Unidos para o Governo da Indonésia, através do Banco Asiático de Desenvolvimento (Asian Development Bank - BAD), para o “Projeto de Suporte e Emergência a Terremotos e Tsunamis” (Earthquake and Tsunami Emergency Support Project - ETESP), com o objetivo de ajudar a restauração dos serviços públicos básicos, infraestrutura, e facilitar a recuperação econômica das regiões afetadas. O projeto deu forte ênfase ao envolvimento das comunidades locais em todas as fases. O componente de irrigação, por exemplo, representou uma parte vital no restabelecimento dos meios de subsistência rurais. A reabilitação e a reconstrução dos sistemas dos canais de níveis inferiores foram realizadas através da organização das comunidades dos usuários de água, aproveitando a tradição bem estabelecida do trabalho voluntário estilo gotong royong. O sucesso da iniciativa demonstrou que, com o especialista externo apropriado e o apoio financeiro, as comunidades locais são capazes de realizar trabalhos de infraestrutura substancialmente eficazes, mesmo quando traumatizados por uma grave catástrofe natural e com décadas de conflito interno, como foi o caso de Aceh. Fonte: Seyler, comunicação pessoal. (2011, July 14).

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VOLUNTARIADO e DESASTRES

da participação de voluntários do exterior. Salientou também que o envolvimento de voluntários ajuda a garantir valores fundamentais de solidariedade e senso de destino comum, valores estes que contribuem incomensuravelmente para aumentar a resiliência das comunidades, serão refletidos em estratégias e programas que reduzam os riscos dos desastres. Uma das faces mais visíveis do voluntariado se manifesta durante as catástrofes. Não deveria então surpreender que seja, portanto, nesse âmbito que as ações de apoio ao voluntariado

sejam mais fortemente articuladas. O Quadro de Ações de Hyogo (2005-2015) tem como subtítulo “Construindo a resiliência das nações e comunidades em face das catástrofes” 50. Esta é uma indicação clara do papel das comunidades e, dentro delas, as ações voluntárias realizadas pelos membros da comunidade. No Quadro de Hyogo, existem várias recomendações para que se promova a educação e a formação para as populações locais sobre catástrofes. Elas devem contribuir largamente para garantir que o poder do voluntariado em reduzir as vulnerabilidades e aumentar a resiliência a catástrofes seja plenamente alcançado.

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8 O VOLUNTARIADO e o bem-estar

CAPÍTULO 8

O Voluntariado e o bem-estar

Por muitas vezes e durante muito tempo, parecia-nos que tínhamos renunciado à excelência pessoal e aos valores comunitários na mera acumulação de bens materiais. O nosso Produto Interno Bruto… Se julgarmos os Estados Unidos da América com base nisso… Conta com a poluição do ar, a publicidade de cigarros e com as ambulâncias para limpar a carnificina das nossas rodovias. Conta com as fechaduras especiais para nossas portas e para as prisões para pessoas que as quebram. Conta com a destruição da sequoia e a perda das nossas maravilhas naturais em expansão descontrolada. Conta com o napalm e conta com as ogivas nucleares e os carros blindados para a polícia combater os tumultos nas nossas cidades. Conta com espingarda do Whitman e a faca do Speck e os programas de televisão que glorificam a violência para vender brinquedos às nossas crianças. No entanto, o Produto Interno Bruto não permite a saúde das nossas crianças, a qualidade da sua educação ou a alegria de suas brincadeiras. Não inclui a beleza da nossa poesia ou a força dos nossos casamentos, a inteligência do nosso debate público ou a integridade dos nossos funcionários públicos. Não mede o nosso talento nem a nossa coragem, nem a nossa sabedoria nem a nossa aprendizagem, nem a nossa compaixão nem a nossa dedicação à nação; em suma, mede tudo exceto com aquilo que faz a vida valer a pena. 1 Robert F. Kennedy (18 de março de 1968)

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Introdução

Economias fortes e saudáveis são desejáveis mas apenas na medida em que permitem que as pessoas levem vidas que lhes tragam o bem-estar

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Nos capítulos anteriores, examinamos as contribuições do voluntariado em determinados domínios. Agora é hora de considerar como as contribuições do voluntariado afetam a sociedade em geral. Por muito tempo, o sucesso de um país tem sido avaliado principalmente com base no Produto Interno Bruto (PIB). Cada vez mais, porém, a relação direta entre crescimento econômico e progresso social tem sido contestada. Os críticos pedem conceitos alternativos e novos indicadores. Na realidade, esta crítica não é especialmente nova, como mostra a citação de Robert F. Kennedy, extraída de um discurso de 1968. O relatório Dag Hammarskjöld de 1975 afirma que “Desenvolvimento é um conjunto, é um processo cultural integral carregado de valores; inclui o meio ambiente, as relações sociais, a educação, a produção, o consumo e o bem-estar.” 2 Esta preocupação saiu dos círculos acadêmicos e ganhou o debate público e agora é cada vez mais relevante nos mais altos níveis de decisão política, como consequência da recente crise mundial afetando a economia, a sociedade e o meio ambiente. O relatório de 2009 da Comissão para a Avaliação do Desempenho Econômico e do Progresso Social, também conhecida como Comissão de Stiglitz, representou um momento importante na evolução do debate sobre o que as sociedades devem procurar alcançar. Ela foi estabelecida por iniciativa da França para identificar os limites do PIB como um indicador de desempenho econômico e progresso social e para considerar alternativas3. Liderada pelos economistas proeminentes Joseph Stiglitz, Amartya Sem e Jean Paul Fitoussi, essa iniciativa influente concluiu que o PIB não deve ser descartado. Contudo, como um indicador da atividade do mercado, ele não consegue capturar muitos fatores que contribuem para o bem-estar humano e o progresso social. Os autores argumentaram que “Como o que medimos modifica o que

coletivamente ambicionamos alcançar – e o que procuramos alcançar determina o que medimos – o relatório e a sua implementação podem ter uma incidência significativa na maneira em que as nossas sociedades olham para si mesmas e, portanto, na maneira em que as políticas são desenhadas, implementadas e avaliadas.” 4 Então, por que isto é importante para o voluntariado? A Comissão Stiglitz, como outras iniciativas que desafiam o paradigma de crescimento econômico, considera o bem-estar como o objetivo principal do desenvolvimento. Evidentemente, as economias fortes e saudáveis são desejáveis, mas apenas na medida em que permitem que as pessoas levem vidas que lhes tragam o bem-estar. Entre esses fatores importantes estão os valores como a solidariedade, paixão por uma causa e a necessidade de retribuir à sociedade, que foram identificados ao longo deste relatório. Neste capítulo, vamos olhar para o bem-estar e como o voluntariado tem impacto nele. Em seguida, olharemos para algumas questões políticas relacionas. O bem-estar é descrito como sentir-se bem e estar bem tanto fisicamente como emocionalmente 5. No centro do bemestar existe “a sensação de ter o que você precisa para uma boa vida.” 6 Para os nossos propósitos, adicionamos a ideia de “bem-estar social” como o sentimento de pertencermos às nossas comunidades, uma atitude positiva para com os outros, um sentimento de que estamos a contribuir para a sociedade, que nosso comportamento é prossocial, e uma crença de que a sociedade é capaz de se desenvolver positivamente 7. Outras definições incluem a noção de felicidade. Inquéritos questionam sobre a satisfação com a vida e a felicidade das pessoas de diferentes formas. As pessoas têm em mente ideias diferentes quando se trata de responder perguntas acerca de satisfação com a vida e a felicidade. A satisfação com a


O VOLUNTARIADO e o bem-estar

vida está mais próxima do bem-estar que se preocupa com assuntos concretos como a saúde, a habitação e a educação. A felicidade envolve a avaliação que as pessoas fazem sobre as suas vidas 8. O Reino do Butão tem feito da felicidade o objetivo fundamental da nação. Em 2011, o Butão liderou uma iniciativa na Assembleia Geral das Nações Unidas que convida Estados membros a elaborar medidas que consigam capturar a busca da felicidade e bem-estar no desenvolvimento para ajudar a orientar políticas públicas 9. “Felicidade” e “bem-estar” são termos frequentemente usados indistintamente. Contudo, a felicidade se refere aos sentimentos subjetivos positivos sobre o contexto e o meio ambiente da vida de alguém enquanto o bem-estar inclui parâmetros mensuráveis como a saúde, a proteção e a segurança financeira, juntamente com sentimentos de afiliação e participação. Neste relatório, a felicidade é considerada como parte integral do bem-estar. À primeira vista, a relevância do bem-estar para grande parte do mundo em desenvolvimento, especialmente para as pessoas de baixa renda, pode ser questionável. Quando os rendimentos são insufienetes para proporcionar às pessoas o básico necessário à sua sobrevivência, então o bem-estar e a felicidade podem parecer preocupações secundárias. Entretanto, as pessoas de baixo rendimento não são apenas definidas somente pela sua pobreza. Eles se esforçam para alcançar o bem-estar para si mesmo, seus filhos e suas comunidades. Cada vez mais a evidência emerge de que as pessoas nos países em desenvolvimento têm noções de bem-estar que são tão nítidas e válidas quanto as das pessoas que vivem em países mais ricos 10. O Grupo de Pesquisa Sobre o Bem-estar nos Países em Desenvolvimento é uma iniciativa revolucionária. Começou em 2003, na Universidade de Bath, para desenvolver uma estrutura para a interpretação do bemestar. A aplicação da estrutura foi testada em Bangladesh, Etiópia, Peru e Tailândia

QUADRO 8.1 Felicidade Nacional Bruta no Butão O estado Himalaico do Butão é o país com maior experiência em adotar a felicidade como o mais abrangente indicador de progresso. O conceito de Felicidade Nacional Bruta (Gross National Happiness GNH), introduzido primeiramente em 1972, é profundamente enraizado na experiência histórica, cultural e socioeconômica única do Butão. Elementos substantivos do GNH, como objetivo geral do bem-estar e a meta de conservação do meio ambiente, foram extraídos dos valores Budistas enquanto os princípios de autossuficiência e paternalismo são próprios da sociedade butanesa tradicional. O conceito desencadeou o diálogo nacional sobre o progresso e tornou-se num guia da política no Butão. Numa entrevista ao Financial Times, em 1986, o Rei do Butão disse: “Felicidade Interna Bruta é mais importante que o Produto Interno Bruto”. Um índice com nove campos foi elaborado para tornar o conceito mensurável. Este índice incluiu: educação, saúde física, bem-estar psicológico, utilização do tempo, padrão de vida, diversidade cultural, boa governança, diversidade ecológica e resiliência e, finalmente, vitalidade da comunidade e relações sociais. A vitalidade da comunidade foca-se nos pontos fortes e fracos dos relacionamentos e interações dentro das comunidades. Neste âmbito, o voluntariado é uma variável importante para se medir. Nos questionários, o povo Butanês é perguntado se eles se voluntariam para as suas comunidades, pois o trabalho voluntário é entendido como sendo parte integrante de uma comunidade vital e feliz. Fontes: Braun. (2009); Priesner. (2008).

com parceiros locais. O voluntariado não é explicitamente mencionado nas conclusões do estudo. No entanto, entre as principais áreas identificadas pelas pessoas, como impactando o seu bem-estar, encontram-se o âmbito de participar e tomar ações efetivas, desenvolver relações sociais positivas e ter um senso de autoestima 11. Em Bangladesh, ser benevolente e altruístico leva ao bemestar. Na Etiópia é dar conselhos e resolver disputas. No Peru e na Tailândia, é ajudar-se mutuamente 12. Estruturar o inquérito em termos do bem-estar, ao invés da pobreza, permitiu que os pesquisadores explorassem o que as pessoas de baixa renda têm, e o que eles podem fazer, ao invés de focar no que lhes

Os relacionamentos são o centro do bem-estar

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RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

falta. O objetivo era de produzir representações mais verosímeis e respeitosas das vidas das pessoas para informar a política e a prática de desenvolvimento, e para criar condições em que as pessoas experimentem o bem-estar. O grupo está agora engajado com ONGs locais parceiras em um projeto de pesquisa de acompanhamento nas zonas rurais da Índia e de Zâmbia sobre como a pobreza afeta o bem-estar e como o bem-estar geral influencia o percurso das pessoas para dentro da pobreza, no interior da pobreza e fora da pobreza. A esfera do bem-estar inclui valores e significados, relações sociais e participação, todos os quais são essenciais para o voluntariado. De acordo com a Wellbeing and Poverty Pathways (2011) (Os Percursos da Pobreza e o Bem-estar, 2011), “Os relacionamentos são o centro do bemestar, não são propriedade de um indivíduo”13. O mesmo estudo também mostra que “a avaliação do bem-estar deve, portanto, considerar as interações entre as pessoas e entre estas e o meio ambiente 14. A relação entre o voluntariado e o bem-estar tem sido estudada intensivamente nos países desenvolvidos com conclusões amplamente baseadas em informações fornecidas por indivíduos sobre o impacto positivo do

QUADRO 8.2 O voluntariado e o Bem-estar Individual Na África do Sul, um estudo de cuidadores voluntários de organizações religiosas que trabalham com pessoas vivendo com AIDS descobriu que os voluntários obtêm recompensas relacionadas com o autocrescimento e desenvolvimento pessoal. Eles relataram a satisfação pelos membros da comunidade gostarem deles e por expressarem reconhecimento pelo seu serviço. Eles relataram sentirem-se recompensados quando os serviços que eles prestavam deixavam seus pacientes felizes e quando eles adquiriam habilidades e competências. A capacidade de os voluntários fazerem a diferença na comunidade contribuiu para o seu sentimento de felicidade. Fonte: Akintola. (2010).

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voluntariado nas questões de saúde, depressão e satisfação com a vida 15. Este capítulo vai trazer alguma clareza à ligação entre o voluntariado e o bem-estar considerando o impacto da ação voluntária no bem-estar das comunidades, bem como de indivíduos. O voluntariado e o bem-estar individual Entre os estudos sobre os benefícios do bemestar que as pessoas derivam do voluntariado, muitos têm sido na área da saúde. Estes estudos examinam como a experiência do voluntariado impacta a forma de como as pessoas se sentem e como elas avaliam as suas vidas como um todo. Uma descoberta comum é que as pessoas que se voluntariam são mais propensas a se dizerem felizes 16. O aspecto de “serviço” da ação voluntária frequentemente faz com que as pessoas relatem a experiência de satisfação que elas associam com a ajuda a alguém e a contribuição para o bem público 17 , além de sentirem-se fortes e mais enérgicas 18 . Para as pessoas mais idosas, o voluntariado também leva a estados de ânimo mais positivos 19, como menos ansiedade e menos sentimentos de desamparo e desesperança 20. Alguns estudos longitudinais de acompanhamento do bem-estar de indivíduos a longo prazo descobriram que o envolvimento no voluntariado leva a uma saúde mental positiva 21. Ele pode também resultar na redução do estresse psicológico e atenuar as consequências negativas do estresse, reforçando simultaneamente a satisfação com a vida, o desejo de viver e o autorrespeito 22. As pessoas que se voluntariam por mais horas e para mais de uma organização sentem maior bem-estar 23. Outros estudos longitudinais sugeriram que o envolvimento no voluntariado leva a melhores condições de saúde física 24. Os idosos que não se voluntariam relatam saúde significativamente pior que aqueles que se voluntariam. Nas zonas rurais da


O VOLUNTARIADO e o bem-estar

China, verificou-se que os relacionamentos recíprocos através de ajuda mútua conduzem a elevados níveis de saúde. Em particular, o aumento de níveis de confiança que pode resultar desse tipo de ajuda mútua foi relacionado com os mais altos níveis de saúde em geral, saúde mental, e bem-estar subjetivo 25. As taxas de mortalidade são mais baixas para os voluntários em comparação com os não-voluntários da mesma idade, independentemente da idade, estado civil, escolaridade ou sexo 26. Um estudo verificou uma mortalidade muito mais baixa em pessoas idosas que afirmaram que oferecem apoio prático ou emocional a outras pessoas em comparação com aquelas que não o fazem27. Curiosamente, dar apoio teve um impacto muito maior nas taxas mortalidade do que receber apoio. Embora haja uma relação bidirecional entre a saúde e o voluntariado, com pessoas mais saudáveis voluntariando-se mais, estes estudos são bastante conclusivos em demonstrar que o voluntarismo contribui para o bem-estar físico. O voluntariado e o bem-estar comunidade

da

O voluntariado também tem um impacto positivo e significativo no bem-estar da comunidade. Cria laços entre as pessoas, aumenta o capital social e contribui para muitos fatores sociais que criam sociedades saudáveis nas quais as pessoas gostam de viver. Um forte senso de comunidade também conduz a mais voluntariado. Como tal, isto cria um ciclo virtuoso em que as pessoas se voluntariam, portanto, fortificando laços comunitários que levam mais pessoas a se volutariarem. A comunidade inclui não só as pessoas que vivem em estreita proximidade geográfica, mas também pessoas com necessidades, bens e interesses comuns. A adesão a comunidades virtuais pode gerar sentimentos de pertença e bem-estar. Os esforços para capturar a experiência subjetiva das pessoas no bem-estar comunitário têm sido amplamente centrados nos componentes

QUADRO 8.3 O bem-estar através do voluntariado no Brasil Para a Associação de Apoio à Criança em Risco (ACER), o desenvolvimento econômico local de bairros pobres como Eldorado, na cidade de Diadema, Brasil, tem que vir de dentro da comunidade. Um novo projeto enfoca o potencial inexplorado de jovens dos 13 aos 16 anos de idade. Aos 16 anos de idade, muitos jovens devem ganhar a vida. Antes dessa idade, eles são muito ignorados na comunidade apesar de terem ideias e energia para contribuir. Cerca de 600 alunos da escola Simon Bolívar participaram de cursos sobre cinco temas principais: desenvolvimento econômico local, mapeamento de bens da comunidade, a minha escola sustentável, gestão de projetos e cinco caminhos para o bem-estar. Através destas oficinas, os jovens exploraram o que é importante para eles, a sua interdependência com outros e a natureza, e as suas próprias capacidades de fazer mudanças que podem fazer a diferença. Eles discutiram e identificaram o que eles acham que poderiam contribuir para o bem-estar econômico, social e ambiental de si mesmos e das suas comunidades. A ACER oferece a esses jovens o apoio de um educador formado em técnicas de tutoria e facilitação. A sua função é de revelar a engenhosidade natural e a energia que ajuda os jovens a acreditarem em si mesmos. Grupos de jovens dirigiram projetos para limpar a escola, fornecer a publicidade para uma festa de “Halloween”, organizada por um grupo local de teatro, e desenvolver um curso para ensinar as crianças e os adolescentes a fazer enfeites de Natal com materiais reutilizados e reciclados. Este grupo realizou 15 reuniões para consolidar ideias, arranjar materiais e para pesquisar e praticar formas de fazer objetos a partir de materiais recicláveis. Uma jovem, Talia, destacou a importância do educador “que acreditou em nós em todos os momentos.”. O educador pode ajudar a cultivar energia positiva e vontade para ação futura buscando ativamente apoiar o bem-estar psicológico e social dos jovens. A ACER usa pesquisas para avaliar a mudanças sobre como os jovens se sentem enquanto o projeto avança. O questionário considera o seu senso de competência, autonomia e relacionamento com os outros, bem como os seus recursos pessoais de autoestima, resiliência e otimismo. Fontes: Jonathan Hannay [Diretor, Fundação Criança em Risco, São Paulo, Brasil], Entrevista. (2011, February 14); ACER. (2010, 2011).

99


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

As pessoas têm uma saúde melhor, alcançam melhores resultados na escola e experimentam menos criminalidade quando vivem em bairros caracterizados por altos níveis de voluntariado do tipo informal

sociais do bem-estar. O bem-estar social tem sido avaliado com medidas de relações de apoio, confiança e pertença 28. Os voluntários são mais suscetíveis de desenvolver habilidades cívicas, de dar mais importância ao serviço de interesse público como um objetivo pessoal de vida e ser politicamente mais ativos. Assim, ao se dedicarem às suas atividades voluntárias, os indivíduos também cultivam uma visão que contribui para um ambiente social que alimenta o bem-estar de todos 29.

como ajudar as pessoas idosas ou participar de iniciativas da comunidade local 34. Num estudo de uma amostra nacional de afroamericanos nos Estados Unidos, foi constatado que as redes de apoio social da família, amigos, igrejas e vizinhos contribuem para a satisfação com a vida e a felicidade das pessoas 35. Num estudo nas áreas urbanas da Etiópia, as redes sociais diretas e a possibilidade de contar com outros em casos de emergência foram relacionadas com o bem-estar subjetivo e a felicidade 36.

O outro conceito relativo ao bem-estar da comunidade é a resiliência: a capacidade coletiva de empreender e mobilizar recursos comunitários para dar resposta a e influenciar a mudança 30. Um estudo mostrou a relação entre a estabilidade comunitária e o bem-estar em comunidades dependentes da floresta 31. Foi sugerido que a resiliência da economia local tem três dimensões: recursos da comunidade, cidadania ativa e ação estratégica 32. Os laços sociais, e os recursos aos quais eles dão acesso coletivo, sustentam a vida comunitária e fortalecem a resiliência quando sustentados por confiança, reciprocidade e pertença. Em épocas de prosperidade, eles fortalecem as economias locais. Em tempos mais difíceis, o impacto de fatores de risco fora do controle direto das pessoas pode ser reduzido pela capacidade da comunidade de engajar-se e mobilizar seus recursos para responder positivamente e influenciar a mudança. Como foi visto nos outros capítulos, isso ocorre, por exemplo, quando um desastre ou quando um conflito violento irrompe. O voluntariado pode também ajudar a reduzir a criminalidade. As conexões diretas e o conhecimento que os vizinhos têm uns dos outros proporcionam uma “vigilância natural” 33.

Bem-estar e política

Resultados análogos foram constatados para a ação voluntária fora do contexto organizacional. As pessoas têm uma saúde melhor, alcançam melhores resultados na escola e experimentam menos criminalidade quando vivem em bairros caracterizados por altos níveis de voluntariado do tipo informal, 100

O bem-estar já está invadindo a política nacional. O Butão foi mencionado anteriormente (veja Felicidade Nacional Bruta no Butão) como o exemplo de um país que há muito tempo tem os aspectos da qualidade de vida no centro das suas políticas. Desde 2004, têm-se realizado conferências sobre a Felicidade Nacional Bruta em todo o mundo, inclusive no Butão, no Brasil, no Canadá e na Tailândia. Os participantes discutiram resultados da pesquisa sobre o bem-estar e o desenvolvimento de indicadores para medir a felicidade. A noção de buen vivir (bem viver) na região Andina reflete as preocupações do bem-estar dos povos indígenas e enfatiza a convivência harmoniosa com outras as pessoas e com o meio ambiente. Trabalhar em conjunto através da ação voluntária para alcançar objetivos comuns baseados em valores como a tolerância e respeito é uma parte integrante da vida dos povos indígenas ao redor do mundo. Esse desenvolvimento é de interesse particular para este relatório. A aplicação prática continua sendo um desafio, contudo, uma vez que os indicadores de progresso geralmente aceitos não podem capturar essa dimensão. Portanto, novos indicadores são necessários. É preciso dizer que há muito debate quanto ao que buen vivir realmente significa em termos de aplicação prática, pois é uma noção que rejeita os indicadores de progresso geralmente aceitos 37.


O VOLUNTARIADO e o bem-estar

Vários países têm-se concentrado no bemestar dos jovens. Um estudo com apoio do Banco Mundial no Brasil examinou como os jovens brasileiros lidam com a sua transição para a idade adulta. O estudo examinou a saúde, aproveitamento escolar, conexões e condições socioeconômicas. O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010 do Egito, focado nos meios de integrar os jovens na sociedade, propôs um Índice de Bem-Estar 38 . Ele avalia o progresso de acordo com série de indicadores e integra as políticas que afetam os jovens para garantir que a sua contribuição potencial para o desenvolvimento seja plenamente realizada. A participação cívica, na qual o voluntariado jovem é considerado um fator contribuinte, está incluída entre os indicadores 39. O índice de bem-estar do Canadá identifica e divulga aquilo que impacta a qualidade de vida dos canadenses. A vitalidade da comunidade é um dos indicadores básicos e o voluntariado é um dos principais parâmetros considerados 40. O Índice Planeta Feliz da New Economic Foundation no Reino Unido é um índice global que combina o impacto ambiental com o bem-estar para uma medida da eficiência ambiental com a qual as pessoas vivem vidas longas e felizes em cada país. Este índice mostra que os elevados níveis de consumo de recursos não produzem níveis elevados de bem-estar 41. O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010 inclui um índice de bemestar e de felicidade usando dados do Gallup World Poll citando a satisfação com a vida, assim como medidas de propósito, respeito e apoio social. O bem-estar é um conceito central no projeto global para medir o progresso das sociedades da OCDE. Este projeto está sensibilizando e mobilizando o apoio político para melhores medidas do progresso 42. Essas medidas incluem a riqueza das interações das pessoas dentro das suas comunidades. O voluntariado está presente através dos valores que representa e do senso de significado e propósito que dá à vida das pessoas.

QUADRO 8.4 Bem viver As comunidades indígenas dos Andes possuem um modelo de crescimento alternativo que eles chamam de sumakkawsay em Quéchua, que pode ser traduzida por buen vivir em espanhol. Literalmente “bem viver”, em português, o conceito é baseado numa longa tradição de solidariedade e respeito pelos outros e pelo meio ambiente, ao invés do individualismo e do materialismo. Isto reflete uma mudança do progresso econômico para uma visão mais humanística, com foco na qualidade de vida. No seu âmago existe o bem-estar coletivo e a satisfação das necessidades básicas em harmonia com os recursos naturais do planeta. Sumakkawsay foi formalmente consagrado na constituição do Equador em 2008. Em 2009, o buen vivir, ou suma qamaña em aymara, foi incorporado na constituição da Bolívia como um princípio ético e moral a ser promovido pelo estado. Fontes: Gudynas & Acosta. (2011); Davey. (2011).

O bem-estar é, portanto, cada vez mais visto como um conceito útil e importante que pode orientar e informar a política de desenvolvimento. O consenso está construindo-se em torno da ideia de que o melhor entendimento do bem-estar pode promover a eficácia do desenvolvimento. Contudo, até agora, pouco foi feito para identificar os mecanismos e formas de trabalho que apoiam diretamente os resultados do bemestar para indivíduos e comunidades à medida que se desenvolvem economicamente. Há “pouca clareza sobre como traduzir em prática [o bem-estar] no âmbito de de programas e projetos.” 43 Conclusões e discussões Atualmente, existe uma opinião generalizada de que o PIB não fornece uma imagem adequada de uma sociedade, pois não leva em conta o bem-estar dos indivíduos e suas comunidades. Também não inclui as atividades que têm um valor econômico mas que estão fora do mercado e, portanto, não foram tradicionalmente refletidas nas contas nacionais como discutido no Capítulo 2. Na procura por modelos alternativos de desenvolvimento, o

O melhor entendimento do bem-estar pode promover a eficácia do desenvolvimento

101


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

bem-estar está rapidamente ganhando respeito como um conceito útil para orientar e informar a política de desenvolvimento. Oferece “uma oportunidade única para melhorar os modos pelos quais as nossas políticas são feitas e dá um novo fôlego ao processo democrático” 44.

Fazer a conexão explícita entre o voluntariado e o bem-estar ajudaria a assegurar que a política leve em conta todas as opções para ação

102

Existem várias definições de bem-estar e diferentes opiniões sobre o que deve ser incluído nela. Trata-se, certamente, de conectar o processo de desenvolvimento aos fatores que refletem uma melhor forma de qualidade de vida para todos. Como vimos, para o voluntariado, a questão de relacionamentos é fundamental. O nosso próprio bem-estar está intimamente ligado ao que contribuímos para a vida dos outros. Onde a economia fomenta valores de interesse pessoal e a competição para alcançar a satisfação máxima, o foco no bem-estar encontra maior motivo para valorizar a compaixão e a cooperação, os dois valores centrais do voluntariado. O discurso sobre qualidade de vida e bem-estar, e o seu lugar no modelo de desenvolvimento em evolução, deve reconhecer a solidariedade e os valores recíprocos do voluntariado como partes das dinâmicas que aprimoram o bem-estar humano. O caminho a se seguir é o de dar especial atenção à contribuição do voluntariado para “sociedades saudáveis que são boas para se viver” como descrito anteriormente, ou ao que o Índice Canadense do Bem-estar se refere como “vitalidade da comunidade”. Uma sociedade saudável é aquela cuja importância é dada aos relacionamentos formais e informais que facilitam a interação e envolvimento e, assim,

geram um sentimento de pertença. É também aquela em que existe uma ampla participação de todos os setores da população. Como vimos em outras partes deste relatório, as comunidades que apresentam essas características são as melhores para avançar e satisfazer as aspirações comuns. São mais capazes de construir a sua resiliência para resistir aos choques e tensões que os pobres, em particular, enfrentam regularmente. O capítulo a seguir vai examinar alguns aspectos da estrutura de desenvolvimento em evolução e a emergência do bem-estar como um elemento chave. No entanto, já podemos afirmar que os formuladores de políticas precisam incorporar o voluntariado nos seus debates atuais. Em muitos aspectos, o voluntariado já existe implicitamente. Contudo, fazer a conexão explícita entre o voluntariado e o bem-estar, e a ligação com os pesquisadores e profissionais que trabalham na área de engajamento voluntário, ajudaria a assegurar que a política leve em conta todas as opções para ação. A comunidade de pesquisa deve ampliar o seu trabalho sobre o voluntariado. Necessita abordar o impacto da ação voluntária sobre o bem-estar das comunidades e das sociedades de forma muito maior, especialmente no mundo em desenvolvimento. Organizações que envolvem voluntários devem ser proativas na divulgação do impacto do seu trabalho. Este impacto não se limita apenas aos voluntários, ou às causas e às pessoas a quem a ação voluntaria é dirigida. As organizações precisam olhar para a contribuição completa dos seus esforços para a saúde das sociedades.


CONCLUSão: o CAMINhO A se SEGUIR

Conclusão: O caminho a se seguir

A agenda da eficácia da ajuda produziu mudanças comportamentais importantes da parte de ambos doadores e parceiros. Ainda assim, a questão que hoje se coloca para a comunidade global é se esse progresso é suficiente para superar desafios globais ainda maiores. Frente às recentes crises financeiras, de segurança, alimentar, de saúde, climática e energética, eu tenho que concluir que o paradigma de desenvolvimento não mudou o suficiente. Para solucionar estas crises e para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, todos precisamos fazer mais. Brian Atwood (n.d.)

103


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

Introdução

O voluntariado não deve tomar o lugar das ações que são responsabilidade do Estado

Este relatório ressaltou a natureza universal e os valores subjacentes do voluntariado e as significativas contribuições que ele traz para algumas das maiores questões globais de nosso tempo. Temos visto como as pessoas se engajam no voluntariado como um meio para a inclusão, para alcançar meios de subsistência sustentáveis, para gerenciar o risco de desastres e para prevenir ou recuperarse de conflitos violentos. Vimos também como a ação voluntária pode contribuir significativamente para a coesão e o bemestar das comunidades e das sociedades como um todo. Com levantes populares massivos afetando a maioria do planeta, nunca antes houve tanta necessidade de reconhecer, nutrir e promover ações que levem a uma vida comunitária global harmônica, caracterizada pela justiça, igualdade, paz e bem-estar. Este relatório não reivindica que o voluntariado seja uma cura total que pode ser “programada” para corrigir as injustiças do mundo por si mesmo. Um elemento chave, caracterizado proeminentemente na legislação intergovernamental na última década, é que o voluntariado não deve tomar o lugar das ações que são responsabilidade do Estado. No entanto, governos e outros atores da sociedade civil, do setor público e das agências de desenvolvimento internacionais têm papéis vitais em promover e nutrir um ambiente no qual o voluntariado pode florescer.

Acima de tudo, o voluntariado diz respeito às relações que ele pode criar e manter entre os cidadãos de um país

104

Ao mesmo tempo, deve-se tomar cuidado para não se exagerar em prescrever como os cidadãos devem engajar-se no voluntariado. Este exagero poderia remover a espontaneidade da ação voluntária e impactar negativamente nos próprios valores que levam as pessoas a se engajar. É essencial entender e apreciar o voluntariado em termos do foco que ele coloca em uma abordagem centrada na pessoa, em parcerias, em motivações para além do dinheiro, e em uma abertura para a troca de ideias e de informações. Acima de

tudo, o voluntariado diz respeito às relações que ele pode criar e manter entre os cidadãos de um país. Ele gera um sentido de coesão social e ajuda a criar resiliência ao confrontar as questões cobertas neste relatório. Esta coesão e resiliência são constantemente os pilares de uma vida decente pela qual todos lutam. O voluntariado é um ato de solidariedade humana, de empoderamento e de cidadania ativa. Dá-nos esperanças de um mundo melhor para todos. Apesar de todos os seus atributos, é lamentável que o voluntariado tenha estado, até agora, ausente da agenda de desenvolvimento e paz. Isto foi explicado no Capítulo 1, como se dando em função de equívocos comuns que formam um “paradigma dominante” sobre o que é voluntariado e o que ele alcança. Este paradigma ilusório tende a obscurecer a essência da ação voluntária e do impacto que esta tem em nossa vida diária. O poderoso papel complementar que a ação voluntária pode ter, juntamente com outras áreas de intervenção, é, então, infelizmente, minimizado, ou simplesmente ignorado em discussões chaves sobre políticas e programas de desenvolvimento. Como resultado, estas intervenções são menos efetivas do que seriam se o desejo e a habilidade das pessoas de se engajar por meio do voluntariado fossem considerados plenamente. Isto referese não apenas a alcançar resultados desejáveis de desenvolvimento, mas também a criar mais benefícios intangíveis associados à participação das pessoas, tais como melhorias no bem-estar e na coesão social. O voluntariado nos países desenvolvidos é objeto de extensivas pesquisas, discussões e artigos. De fato, é cada vez mais parte do discurso sobre o tipo de sociedades a que buscamos. É um aspecto do comportamento humano que precisa ser nutrido e encorajado. Este mesmo fenômeno, em muitos países em desenvolvimento, quando é reconhecido, é normalmente considerado como um elemento integrante da cultura e tradições


CONCLUSão: o CAMINhO A se SEGUIR

locais, um ponto raramente considerado no pensamento estratégico. Ainda assim, estas mesmas culturas e tradições, que apresentam relacionamentos recíprocos baseados no voluntariado em suas raízes, são ao mesmo tempo antigas e fortemente contemporâneas para grande parte da humanidade. Elas são elementos centrais em estratégias que possibilitem às pessoas sobreviver e progredir a níveis mais elevados de bemestar. Como expressões de solidariedade ao redor do mundo, elas precisam ser respeitadas, revalidadas e destacadas no debate sobre desenvolvimento. Agora é o momento A precisão do momento deste relatório é crucial. Em 2010, o mundo analisou o progresso de oito ODMs que os países tinham concordado em atingir em 2015. Esta análise revelou um progresso muito desigual em atingir os objetivos, seja entre regiões, seja entre e dentro dos países. Os governos expressaram “uma grave preocupação” em relação à situação de alguns dos objetivos1. Eles incluíram entre suas recomendações “apoiar estratégias participatórias, lideradas pela comunidade [que estejam] alinhadas com as prioridades e as estratégias nacionais de desenvolvimento” 2. A implementação de estratégias lideradas pela comunidade está enraizada no modo de expressões de voluntariado. Assim, este relatório deve ser um importante elemento para ajudar a colocar os ODM nos trilhos. Conectar o voluntariado e o planejamento do desenvolvimento nacional tem o potencial de criar benefícios consideráveis para os países que mais precisam acelerar o progresso em direção aos alvos dos ODM. O momento deste relatório é crucial também por outras razões. A preocupação com a eficácia da cooperação para o desenvolvimento está crescendo. A pressão vem crescendo tanto para aumentar, como para demonstrar, mais claramente, a eficácia da

QUADRO C.1 Reconhecendo a contribuição do voluntariado Em 2001, a Assembléia Geral das Nações Unidas recomendou que os governos reconhecessem a contribuição potencial do voluntariado em alcançar objetivos de desenvolvimento sustentável. Recomendou ainda aos governos que “estendam a noção de voluntariado como um valioso componente adicional do plano nacional de desenvolvimento para o desenvolvimento da política de cooperação”. Reconhecer e construir estrategicamente sobre ricas tradições locais de autoajuda voluntária e de ajuda mútua pode abrir caminho para a criação de novos constituintes em apoio aos esforços de desenvolvimento. Forjar na mente do público geral dos países que oferecem assistência para o desenvolvimento a conexão entre voluntariado doméstico nesses países e voluntariado nos países que recebem assistência pode ajudar também a conquistar o apoio público para o desenvolvimento da cooperação 3. Fonte: UNGA. (2002b).

ajuda em termos da melhoria das condições de vida das populações pobres e marginalizadas que estão, ou deveriam estar, no centro do desenvolvimento. Um estudo recente sobre a eficácia da ajuda no setor de saúde mostrou que o foco tem estado principalmente nos processos e na coordenação da ajuda, ao invés de centrarem-se nos processos de prestação de saúde e seus resultados 4. Quando o foco muda de direção, o papel e as contribuições da ação voluntária devem ser entendidos, a fim de que este recurso substancial seja incorporado às estratégias de desenvolvimento. É preciso que se reconheça que a ajuda não é o único instrumento no pacote da cooperação5. O voluntariado nascido no local já tem um papel muito significativo na paz e no desenvolvimento, e constitui um vasto recurso inexplorado. No entanto, há grandes falhas no nosso conhecimento sobre a matéria, que precisam ser abordadas urgentemente. Esta foi uma das recomendações que os governos fizeram em 2001 6. Ainda assim, pesquisas sobre voluntariado em países em desenvolvimento ainda deixam a 105


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

desejar, estando muito aquém das esperanças e expectativas criadas naquela época.

O papel e as contribuições da ação voluntária devem ser entendidos, a fim de que este recurso substancial seja incorporado às estratégias de desenvolvimento.

Outro marco na evolução do debate sobre desenvolvimento é a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, ou Rio+20, que vai acontecer em 2012. O Capítulo 4 examina as sinergias entre voluntariado por parte dos pobres e recursos naturais. A Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorreu em Johannesburg em 2002, acentuou os fatores sociais, sublinhando que a conexão entre desenvolvimento econômico e a melhoria do bem-estar humano não é automática 7. A Conferência citou a necessidade de melhorar as parcerias entre governos e grupos majoritários, incluindo grupos de voluntários. Esta posição precisa ser reforçada na Rio+20 8. Um relatório das sínteses de melhores práticas, preparado como subsídio para a Rio+20, afirma que os planos de desenvolvimento nacional devem comprometer muito mais recursos para políticas e programas comunitários 9. O Secretário-Geral das Nações Unidas ressaltou que ignorar a marginalização social, a vulnerabilidade e a distribuição desigual de recursos fragiliza a confiança necessária para a ação coletiva 10. A Rio+20 é uma oportunidade extraordinária para conferir um reconhecimento maior ao fato de que a ação voluntária comunitária é um caminho chave para que os pobres de baixa renda envolvam-se na práticas de desenvolvimento sustentável localmente. Como tal, isto precisa ser apoiado. Nós vimos afirmando ao longo deste relatório que o voluntariado é um recurso poderoso, ainda que largamente subexplorado, com o qual se enfrentam os desafios do desenvolvimento. Suas conexões próximas com a economia verde, no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza, não devem ser negligenciadas 11. Dentro de uma perspectiva mais ampla, a aproximação do final do ciclo dos ODMs em 2015 é, no momento, uma preocupação prioritária. Esforços consideráveis são neces-

106

sários para manter o progresso, onde ele foi alcançado, e para trabalhar para superar obstáculos, onde estes foram identificados. Espera-se que este relatório ofereça um ímpeto para incluir o voluntariado como um complemento a outros esforços para atingir os desafios. No entanto, não se pode ignorar o fato de que organizações bilaterais e multilaterais, governos nacionais e a sociedade civil estão, agora, pensando seriamente sobre o formato da estrutura de desenvolvimento para o período pós-2015. O crescente reconhecimento das limitações do atual paradigma de desenvolvimento e o desejo de ver questões de bem-estar ocuparem um lugar mais importante no discurso do desenvolvimento foram discutidos no Capítulo 8. O contexto para as ideias que agora circulam sobre a evolução do paradigma de desenvolvimento é muito diferente daquele que existia em 2000, quando a Declaração do Milênio foi adotada. As questões que agora dominam o debate internacional sobre paz e desenvolvimento, incluindo mudança climática, desastres, conflitos, movimentos populacionais, pessoas jovens e exclusão, são todas discutidas neste relatório no contexto do voluntariado. O voluntariado é uma tradição muito antiga. Ao mesmo tempo é uma novidade, potencialmente proveitosa quando se pensa em políticas de desenvolvimento. Em um mundo que vive mudanças sem precedentes, o voluntariado é uma constante. Mesmo que as suas formas de expressão estejam evoluindo, os valores centrais da solidariedade e os sentimentos de conexão com os outros permanecem tão firmes como sempre e são universais. As pessoas são levadas não somente pelas suas paixões e interesse próprio, mas também pelos seus valores, suas normas e suas crenças. Com as distinções Norte-Sul se tornando irrelevantes, a ação voluntária é um valor global renovável que pode fazer uma diferença real ao responder a muitas das maiores preocupações do mundo. É certamente possível ser otimista, acredi-


CONCLUSão: o CAMINhO A se SEGUIR

tando que o voluntariado irá assumir um perfil muito mais elevado, à medida que qualidade de vida é vista mais e mais ocupando um espaço no núcleo das preocupações de todas as nações. Estamos constantemente questionando o que valorizamos na vida. Os benefícios de bem-estar associados com a experiência de voluntariado, juntamente

com os laços de confiança e coesão social que derivam das relações forjadas através da ação voluntária, têm grande chance de estar na vanguarda deste pensamento. O momento chegou para assegurar que o voluntariado, que está no coração da estrutura social, se torne uma parte integral de qualquer novo consenso sobre desenvolvimento.

O momento chegou para assegurar que o voluntariado, se torne uma parte integral de qualquer novo consenso sobre desenvolvimento.

107


108


NotAs

Notas ResumO

17 Butcher, 2010.

sobre uma variedade de tópicos como negócios

 1 Human Development Reports, n.d

18 The Global Polio Eradication Initiative, n.d.

e economia, educação e famílias, ambiente

 2 UNGA, 2002b; UNGA, 2003; UNGA, 2006; UNGA,

19 Boccalandro, 2009; ver cap. 3.

e energia, governo e política e engajamento

20 p. xiv.

do cidadão. Os dados estão disponíveis

 3 UNGA, 2002a; UNGA, 2005; UNGA, 2008.

21 Godinot & Wodon, 2006, p. 9.

comercialmente, mas também podem ser

 4 UNGA, 2002b, p. 6; Anexo: Recommendations

22 Cohen, 2000, p. 8-9.

acedidos gratuitamente por país e variável (ver

2009.

on ways in which Governments and the United

23 A afirmação de que “voluntariado = a extensão

GWP, 2011) 24 O WVS, um ramo do European Values Study,

Nations system could support volunteering. II.

do trabalho da mulher” foi feita pela NOW

Government support, (g), point (i).

(Organização Nacional das Mulheres, EUA) em

é um inquérito contínuo longitudinal

1973.

e intercultural que cobre atitudes e

 5 UNDP and EO, 2003.  6 UNV, 2011c, p. 9.

24 Musick & Wilson, 2008.

comportamentos do público empreendido a

 7 UNGA, 2002b.

25 Makina, 2009.

cada 5 anos. O tamanho mínimo das amostras é

 8 UNGA, 2002b, p. 3; Annex: Recommendations

26 Musick &Wilson, 2008.

de 1000, mas são desejáveis amostras maiores. O

on ways in which Governments and the United

27 UNGA, 2002b, p. 3.

WVS emprega entrevistas vis-a-vis no ambiente

Nations system could support volunteering. I.

28 UNDESA, 2007.

dos entrevistados. Os resultados dos inquéritos

General considerations, point 6.

29 Makliuk, n.d.

estão disponíveis no website do estudo (ver WVS, 2011). O estudo de 1999-2004 foi o mais

 9 UNGA, 2002b, p. 3; Annex: Recommendations on ways in which Governments and the United

Capítulo 2

Nations system could support volunteering. I.

 1 UNGA, 2002b, p. 5

General considerations, point 3.

 2 CEV, 2008, p. 8.

10 UNGA, 2002b, p. 3; Annex: Recommendations on ways in which Governments and the United

 3 Hall, Lasby, Ayer & Gibbons, 2009; Statistics Canada, 2008.

recente do WVS a empregar um questionário detalhado sobre voluntariado. 25 O projeto CNP pretende documentar o setor da sociedade civil através de estudos nacionais, para explicar as diferenças entre países e avaliar

Nations system could support volunteering. I.

 4 Handy, Hustinx, Cnaan & Kang, 2010.

o impacto das organizações da sociedade civil

General considerations, point 4.

 5 Haski-Leventhal, 2009.

na sociedade alargada. O projeto emprega

11 PNUD, 2010b, p. 10 [UNDP, 2010b, p. 9].

 6 Cohen, 2009.

uma abordagem empírica comparativa que

12 The National Commission for Human

 7 Calvo, 2008.

contém um quadro de trabalho comum,

 8 ICNL, 2009.

um conjunto de definições e estratégias de

 9 Patel, Perold, Mohamed & Carapi, 2007.

recolha de informação e uma rede de comitês

10 UNDESA, 2007, p. 110.

consultores nacionais e internacionais para

11 Brassard, Sherraden & Lough, 2010.

supervisionar o progresso e ajudar a disseminar

a Educação e a Ciência e Tecnologia para

12 Patel, Perold, Mohamed & Carapi, 2007

os resultados. O estudo foi lançado em 1992

o Desenvolvimento Sustentável (Ubuntu

13 UNGA, 2008.

num conjunto inicial de 12 países e desde então

Declaration on Education and Science and

14 UNV, 2010c.

expandiu-se para 45 países representativos de

Technology for Sustainable Development),

15 EAC-EA, 2010.

contextos sociais, econômicos e religiosos mais

setembro 2002. Esta declaração foi emitida

16 EAC-EA, 2010, p. 41.

abrangentes.

por 11 das principais organizações para a

17 EAC-EA, 2010, p.43.

O CNP recolhe dados sobre voluntariado com

educação e academias científicas do mundo,

18 A expressão “custo de substituição” ou “valor

base organizacional através de pesquisas

Development, UNV, & UN Pakistan, 2004. Capítulo 1 1 Ver também a Declaração Ubuntu sobre

na Cúpula Mundial de Johanesburg sobre o

de substituição” refere-se ao montante que

padrão, especialmente encomendados,

Desenvolvimento Sustentável. 

deveria ser pago se o trabalho efetuado por um

gestionados por associados locais, empresas

voluntário fosse efetuado por um trabalhador

profissionais de pesquisas ou agências

assalariado.

governamentais. Os inquéritos são tipicamente

2 Shumba, 2011.  3 Department of Welfare, Republic of South Africa,

19 EAC-EA, 2010, p.138.

baseados na população usando amostras

 4 Doesken & Reges, 2011.

20 EAC-EA, 2010, p.44.

aleatórias representativas de 1000 a 2000

 5 Brown, 2008, p. 34.

21 Descrições destes dois estudos e suas

pessoas, embora pesquisas baseadas em

1997, p. 12.

 6 Cnaan, Handy & Wadsworth, 1996.

conclusões são retiradas do artigo de fundo

organizações tenham sido usadas em

 7 RLA, 1987.

do SWVR não publicado “Estimating the scope

alguns locais, contando frequentemente

 8 Saroglou, Pichon, Trompette, Verschueren &

and magnitude of volunteerism worldwide: A

com métodos de amostragem focados em

review of multinational data on volunteering.”

regiões representativas, onde não estavam

preparado por Gavelin, Svedberg & Petoff, 2011.

disponíveis quadros de amostragem adequados.

Dernelle, 2005.  9 Sherr, 2008. 10 Sanborn & Portocarrero, 2005.

22 Salamon, Sokolowski & Haddock, 2011.

As variáveis cobertas incluíram o número

11 FLACSO-MORI-CERC, 2002.

23 Amostras representativas de população dos

de voluntários, as horas de voluntariado e

12 The Global Fund, 2007.

inquéritos GWP de, pelo menos, 1000 pessoas

a distribuição destas horas pelos campos

13 Caritas Internationalis, n.d.

(aumentadas para, pelo menos, 2000 pessoas

de atividade definidos pela Classificação

14 Amayun & Epstein, 2007.

em países grandes como a China e a Rússia)

Internacional das Organizações Sem Fins de

15 Musick & Wilson, 2008, p. 25.

com 15 anos e mais velhas em mais de 150

Lucro (ICNPO). Isto permitiu a tradução do

16 Rochester, 2006.

países, cobrindo 95% da população mundial,

voluntariado para o número equivalente de

109


RELATÓRIO SOBRE O ESTADO DO vOLUNTARIADO mUNDIAL DE 2011

trabalhadores em tempo integral que foi depois

 9 UNV, n.d.

60 Allen, Galiano & Hayes, 2011.

relacionado com a população economicamente

10 Dhebar & Stokes, 2008.

61 Allen, Galiano & Hayes, 2011.

ativa do país para controlar as variações no

11 Dhebar & Stokes, 2008.

62 Meijs & Van der Voort, 2004.

tamanho dos diferentes países.

12 Handy & Cnaan, 2007.

63 Mais de 50 mas menos de 250 empregados.

26 Salamon, 2008.

13 Amichai-Hamburger, 2008.

64 McBain & Machin, 2008.

27 O ISC é um projeto de investigação de ação

14 Bjerke, 2006.

65 Easwaramoorthy, Barr, Runte & Basil, 2006;

participativa com o objetivo de criar uma base

15 Blog Action Day, 2010.

de conhecimento e impulso para as iniciativas

16 Knight, n.d.

66 Connell, p. 13.

da sociedade civil. As organizações da sociedade

17 Goetz, 2003.

67 Easwaramoorthy, Barr, Runte & Basil, 2006.

civil (OSC) e outros parceiros recolheram dados

18 Bortree & Seltzer, 2009; Galer-Unti, 2010;

68 Tutton, 2009.

de 35 países entre 2008-2011 (CIVICUS, 2011).

69 Allen, Galiano & Hayes, 2011.

Muitos dos dados quantitativos são recolhidos

19 Gladwell, 2010, October 4.

70 Easwaramoorthy, Barr, Runte & Basil, 2006.

através de dois estudos: um estudo para a

20 White, 2010, August 12.

71 Allen, Galiano & Hayes, 2011.

população, que recolhe informação sobre os

21 Smith, Ellis & Brewis, 2010.

72 Grameen Foundation, 2011.

níveis de participação e a confiança do público

22 Bezruchka, 2000; Roberts, 2006.

73 Maynard, 2010.

nas instituições e um estudo organizacional para

23 Lough, McBride & Sherraden, 2009.

74 Maynard, 2010.

os representantes da sociedade civil que dá uma

24 Allum, 2007, September.

75 Allen, Galiano & Hayes, 2011.

imagem da força institucional da sociedade civil

25 Krishna & Khondker, 2004.

76 Deloitte Development LLC, 2008.

e o seu impacto observado. Um terceiro estudo,

26 National Public Service Broadcaster of Bhutan,

77 Grameen Foundation, 2010.

de interessados externos do governo, dos

2010, August 26.

78 Equity Bank, 2011.

negócios, do meio académico e dos meios de

27 Ver também Hustinx, Handy & Cnaan, 2010.

79 CSR Welt Weit, 2009.

comunicação em massa, recolhe uma segunda

28 Ver Jones, 2004; Mintel Oxygen, 2005.

80 Global Business Coalition on HIV/AIDS,

opinião do impacto das OSCs.

29 Randel, German, Cordiero & Baker, 2005.

28 Dados em níveis individuais do voluntariado podem ser encontrados na dimensão do

30 Brassard, Sherraden & Lough, 2010, October; Terrazas, 2010.

Tuberculosis and Malaria, n.d. 81 McBain & Machin, 2008. 82 The Guam Code Annotated, 2003.

Engajamento Cívico. Os indicadores relevantes,

31 Brassard, Sherraden & Lough, 2010, October.

tomados destes estudos para a população, são:

32 Perold, 2009; Smith, Ellis & Brewis, 2010.

Capítulo 4

33 McBride, Lough & Sherraden, 2010; Sherraden,

 1 Pasteur, 2011.

• Porcentagem da população que faz voluntariado para uma organização social /

Lough & McBride, 2008.

 2 Patel, Perold, Mohamed & Carapinha, 2007, June.

34 Grusky, 2000; Rieffel & Zalud, 2006.

 3 Everatt & Solanki, 2008.

35 Lough, McBride & Sherraden, 2009.

 4 Narayan, 2002.

várias vezes por ano em clubes de desporto ou

36 McDevitt, 2009.

 5 Foster, 2005.

organizações de serviços/voluntariado / que

37 Morgan, 2009; Comhlámh, n.d.

 6 Perold, Carapinha & Mohamed, 2006.

se envolve mais frequentemente (uma vez por

38 Leigh, 2005.

 7 IFAD, 2010.

mês)

39 Simpson, 2004.

 8 World Commission on Environment and

organização política • Porcentagem da população que se envolve

• Porcentagem da população que faz trabalho de

40 Giorgis & Terrazas, 2011b.

Development, 1987.

voluntariado para mais do que uma organização

41 Mohamoud, 2005.

 9 UNDP, 1990.

social / organização política.

42 Giorgis & Terrazas, 2011b.

10 Chambers & Conway, 1991.

Para além disto, a dimensão do Nível

43 Thuyen, Small & Vuong, 2008.

11 Helmore & Singh, 2001.

de Organização recolhe informações de

44 USAID, n.d.

12 Piron, 2002.

representantes das OSCs sobre a confiança

45 Lewis, 2006, p. 15.

13 Carney, 1998 y Baumann, 2000 for the sixth

percebida das organizações nos voluntários

46 Cone, n.d.

29 CIVICUS, 2011. 30 ILO, 2011.

110

Thackeray & Hunter, 2010.

Boccalandro, 2009.

47 Points of Light Foundation, 1998; Deloitte Development LLC, 2007.

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48 Carroll & Buchholtz, 2003, p.36.

16 Cohen, 2000.

32 UNGA, 2002b, p. 5

49 Holme & Watts, 2000.

17 Narayan (1999, p.1) define capital social como

50 Visser, 2007.

“the glue that holds groups and society

Capítulo 3

51 Visser, 2008.

together – bonds of shared values, norms and

 1 Gladwell, 2010, October 4.

52 UNGC, 2011.

institutions”. Para uma revisão abrangente das

 2 ITU, 2010.

53 Easwaramoorthy, Barr, Runte & Basil, 2006.

 3 Lacohée, Wakeford & Pearson, 2003.

54 Telefónica, 2009.

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 4 Bunz, 2009, December 18.

55 Allen, Galiano & Hayes, 2011.

19 Crowley, Baas, Termine, Rouse, Pozamy &

 5 Desai, 2010, July 28.

56 Allen, Galiano & Hayes, 2011.

 6 Verclas, 2007; NDI, 2006.

57 Allen, Galiano & Hayes, 2011.

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58 Allen, Galiano & Hayes, 2011.

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34 CEPAL, 2006.

27 Tommasoli, 1995.

35 Kaseje, 2010, May 12.

35 McBride, Johnson, Olate & O’Hara, 2011.

28 Osman, 2009.

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43 Consulte, por exemplo, “Mobilisation sociale

43 Rochester, Paine & Howlett, 2010, p. 181.

34 Fleshman, 2003, para. 8.

et participation populaire autour d’un projet

44 Yahata, 2011.

35 Ruta Pacifica de las Mujeres, 2006.

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45 Foster-Bey, 2008.

36 Sørensen, 1998, p. v.

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46 Chavez, 2005.

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46 Goirand & Ghatter, 2009.

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47 CEPAL, 2007.

50 Ramirez-Valles, Fergus, Reisen, Poppen & Zea,

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42 Kollie, 2006. 43 Baines, Stover & Wierda, 2006.

Capítulo 5

Capítulo 6

44 Baines, Stover & Wierda, 2006.

 1 World Bank, 2007a, p. 4.

 1 World Bank, 2011.

45 Matos & Zidi-Aporeigah, 2008, June/July.

 2 UNDESA, 1995, para. 1.

 2 McGee & Pearce, 2009, p. 4.

46 NVYS Project Manager, 2011.

 3 UNGA, 2000, p. 24, commitment 4, point 54.

 3 UNDP and EO, 2003, p. 9.

 4 UNGA, 2000, p. 24, commitment 4, point 55.

 4 Kawachi & Berkman, 2000.

Capítulo 7

 5 UNDESA & UNV, 2007, p. 13.

 5 La cohesión social subyacente son los vínculos

 1 Peaceboatvoices, 2011.

 6 Smith, Ellis, Howlett & O’Brien, 2004.

de confianza y reciprocidad presentes en una

 2 World Bank, 2009.

 7 Gay, 1998; Lee, 2010; Mitchell, 2003.

comunidad y el grado en que los ciudadanos

 3 UNV, 2005.

 8 Cloke, Johnsen & May, 2007.

son capaces de trabajar juntos porque confían

 4 Silwal & Messerschmidt, 2008.

 9 Haski-Leventhal, Ronel, York & Ben-David, 2008.

los unos en los otros (Ferroni, Mateo & Payne,

 5 NDVS, 2011.

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que reduce significativamente los riesgos

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23 IFRC, 2005.

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21 Morrow-Howell, Hinterlong, Rozario & Tang,

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han realizado consultas públicas en el Reino

46 Aldrich, 2008; Nakagawa & Shaw, 2004.

Unido, comisiones parlamentarias en Alemania

47 Zhao, 2010, p. 2.

y Noruega, mesas redondas nacionales en

48 Leitmann, 2007, p. i148.

Italia, España y Eslovenia, informes estadísticos

49 Aldrich, 2008.

especiales preparados en Australia e Irlanda,

50 Estrategia Internacional para la Reducción de los

y una variedad de iniciativas adicionales, por

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Capítulo 8  1 Kennedy, 1968, para. 23  2 Fundación Dag Hammarskjöld, 1975, p. 7. [Dag Hammarskjöld Foundation, 1975, p. 7].  3 Stiglitz, Sen & Fitoussi, 2009.

41 Abdallah, Thompson, Michaelson, Marks & Steuer, 2009. 42 OECD, 2011b. 43 White, 2009, p. 2. 44 OECD, 2007, para. 5.

 4 Stiglitz, Sen & Fitoussi, 2009, p. 9.  5 Huppert, 2008.

Conclusión

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 1 Asamblea General de las Naciones Unidas,

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112

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CONTATO VNU Para informação geral sobre o programa VNU, favor contatar: United Nations Volunteers (UNV) Postfach 260 111 D-53153 Bonn Alemanha Telefone: (+49 228) 815 2000 Fax: (+49 228) 815 2001 Email: information@unvolunteers.org Internet: www.unvolunteers.org VNU Facebook: www.facebook.com/unvolunteers VNU YouTube: www.youtube.com/unv Escritório do programa VNU em Nova Iorque Two United Nations Plaza New York, NY 10017, U.S.A. Telefone: (+1 212) 906 3639 Fax: (+1 212) 906 3659 Email: RONA@unvolunteers.org Para informação sobre como se tornar um Voluntário das Nações Unidas, favor acessar o site: www.unvolunteers.org Para informação sobre o serviço de Voluntariado em linha do programa VNU, favor acessar o site: www.onlinevolunteering.org


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