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Enfoque Ocupação Justo 6

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6. Saúde

ENFOQUE OCUPAÇÃO JUSTO | SÃO LEOPOLDO (RS) | OUTUBRO / NOVEMBRO DE 2019

Homens que evitam os médicos Saiba mais

No mês de combate ao câncer de próstata, moradores revelam que praticamente não se cuidam

O câncer de próstata é a multiplicação desordenada das células da próstata, uma pequena glândula do tamanho de uma noz. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, a doença é a segunda maior causa de mortes por doença de homens no Brasil. Na maioria dos casos, cresce de forma lenta e sem dar muitos sinais. É mais frequente em homens a partir de 55 anos.

A

campanha Novembro Azul se dedica à prevenção contra o câncer de próstata. Para os homens da Ocupação Justo, porém, os exames e as visitas ao médico ocorrem com pouca frequência. O atendimento nos hospitais é um fator desmotivador, além de uma cultura que afasta os homens dos cuidados pessoais. As esposas são as maiores incentivadoras para que eles comecem a prestar mais atenção à saúde. Osiel Ramos, 41 anos, proprietário de uma oficina mecânica, diz que vai pouco ao médico e não faz exames de rotina pela dificuldade de acesso. Na última vez que precisou, usou um plano de saúde mais acessível, que custa cerca de vinte reais por mês. O empresário fez a última consulta no centro de Sapucaia e relata que achou muito bom o atendimento. “Se fosse depender do SUS não ia dar”, relata. A esposa de Osiel dá mais importância à saúde e à alimentação: “Ela é muito mais cuidadosa, até me cobra isso. Eu tenho

Eberton conta que não faz exames de rotina, pois tem uma “saúde de ferro” que ter uma atenção maior nisso aí”, comenta. O atendimento dos hospitais é uma queixa de Eberton da Silva Lira, 38 anos, proprietário de uma ferragem. “O [Hospital] Centenário se eu puder evitar, eu evito. Ali é cruel. Eles não dão o atendimento devido”, desabafa. Ele diz que não faz exames de rotina, por ter uma “saúde de ferro”. Apesar disso, Eberton acredita que campanhas como a Novembro Azul são importantes para a conscientização. Para cuidar da saúde, ele diz que tem uma boa alimentação e se movimenta bastante. “A gente puxa pedra, cons-

Osiel faz poucas consultas e procura usar plano de saúde acessível

trói casa, lida na horta. Isso ajuda na saúde”, diz.

VISITAS RARAS

Darci de Oliveira Rodrigues, 42 anos, dono de uma fruteira, também é incentivado pela esposa a cuidar melhor da saúde. Ele conta que ela esposa sempre faz exames de prevenção do câncer, frequentando o posto de saúde mais próximo. “Ela até me incentiva, mas eu não vou. Homem é mais difícil de ir, né. Se eu tiver dor eu vou no médico, enquanto eu tô tranquilo eu não vou”, admite o empresário. Ezequiel Padilha, 35 anos, diz que só a esposa marca con-

sultas com frequência, para ela e para a filha do casal. “Na verdade, eu não dou muita bola”, admite o morador, que nunca usou os atendimentos de saúde do bairro. O último check-up que fez foi por motivos profissionais. Também é o trabalho que obriga Josiel Chaves, 28 anos, a fazer exames. “A empresa em que eu trabalho exige que eu faça exame anualmente”, diz O profissional da construção civil diz que só vai ao médico fora dessas ocasiões quando está realmente precisando. GABRIELA STÄHLER VITÓRIA DREHMER

Quais são os sintomas: A maioria dos sintomas estão ligados à urina. Dificuldade para urinar, fluxo fraco e/ou presença de sangue podem ser sintomas. A necessidade de urinar muitas vezes, inclusive à noite, também é um sinal de alerta. Como é feito o diagnóstico: Pode ser feito pelo sangue ou pelo exame de toque retal, que é indolor e demora de um a dois minutos. O exame deve ser feito anualmente por homens a partir de 45 anos. Como é o tratamento: A principal forma de tratamento é a cirurgia, junto com a radioterapia e uso de hormônios. O tratamento é oferecido pelo SUS e precisa ser indicado por um médico especializado.

Água parada e lixo preocupam O lixo depositado em local indevido causa transtorno e preocupação para os moradores da Justo. Além disso, a comunidade encontra dificuldades quando o assunto é saneamento básico. O acúmulo de lixo em locais impróprios e o perigo de contaminações e da proliferação do mosquito da dengue assusta os habitantes da ocupação. Maurício de Azevedo, 35 anos, é morador há sete anos. Está finalizando a sua casa e construindo um muro para proteger o seu lar, pois nos fundos da sua residência há lixo acumulado em local impróprio. “ É muito lixo, eu limpo aqui, mas não adianta. Tem lixeira na entrada da Ocupação e o pessoal infelizmente não respeita”, comenta. Além do problema com o lixo, Azevedo fala que as chuvas recorrentes dificultam aos moradores caminharem pelas ruas. “É complicado, pois é muito barro e água acumulada. É uma situação bem crítica. E com a água parada o perigo da dengue é real“, enfatiza.

Acabo encontrando bastante aranhas e ratos. Então eu tenho que cercar minha casa”, finaliza. A moradora Maria de Fátima dos Santos, 76 anos, aposentada, mora no Beco C e reside há mais de 30 anos na Ocupação. Ela relata que a água do esgoto sai direto para rua e a situação piora quando chove. O perigo do mosquito da dengue está sempre presente no local, com a falta de infraestrutura e de um esgoto de qualidade. A água fica parada por vários dias e a preocupação dos moradores aumenta com o calor. “No verão, o odor é insuportável, porque a água desce das ruas de cima e fica aqui acumulada”, explica. M o r a n d o s oz i n h a , Maria de Fátima preoMaria de Fátima mostra o tamanho cupa-se com os ratos, pois com o acúmulo de do rato que já viu O morador, sem- passar pela rua lixo, os animais invadem pre que pode, limo local. “Os ratos que paspa o local. Evita assim que ratos e sam aqui são do tamanho de uma baratas, por exemplo, entrem em preá. Eu compro aqueles venenos sua casa. “Eu limpo aqui, mas não para evitar que eles venham para posso estar limpando toda hora. minha casa, pois eu tenho que cuidar

da minha plantação”, relata. Apesar de morar sozinha, Maria de Fátima procura tomar todos os cuidados possíveis na hora de trabalhar. Ela se previne para evitar a contaminação por ratos e baratas, além das picadas dos mosquitos. “Eu me levanto todos os dias às 4h da manhã, coloco uma calça e as botas de borracha, para evitar os mosquitos. E não dá para deixar vasilha de água, porque eles colocam os ovos e os bichinhos ficam voando”, finaliza. Conforme o líder comunitário, Rodrigo de Azevedo, 39 anos, a própria comunidade se ajuda no combate ao mosquito causador da dengue (Aedes aegypti) e aos lixos acumulados na rua. “A gente cobra muito do pessoal sobre o lixo na rua, até para evitar sujeira e o perigo de contaminação. Teve um dia que a prefeitura passou por aqui alegando que tinha casos de dengue, mas foi só um susto, uma ameaça”, comenta. ELIAS VARGAS GABRIELA BENDER


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