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blogdoenfoque.wordpress.com

vilabrás junho

2011 distribuição gratuita edição 128

Enfoquinho Especial

Pautas do leitor

Confira os resultados do Concurso de Redação e uma fotonovela produzida pelas crianças

Salete entrevista seu vizinho. Rogério declara amor ao seu Fusca. Luciano conversa com vítima de alagamento

> ENCARTe

> PáginaS 6 E 9

Rumo à

Alemanha ANDRÉ SEEWALD

Campeã brasileira e sul-americana de paracanoagem, Bianca de Lima busca título mundial

> PÁGINA 5


Cotidiano

EXPEDIENTE Universidade do Vale do Rio dos Sinos Av. Unisinos, 950 Bairro Cristo Rei São Leopoldo/RS Reitor Marcelo Aquino Vice-reitor José Ivo Follmann Pró-reitor Acadêmico Pedro Gilberto Gomes Diretor da Unidade de Graduação Gustavo Borba Coordenador do Curso Comunicação Social – Jornalismo Edelberto Behs

de

vilabrás Jornal-laboratório produzido por alunos das disciplinas de Redação Experimental em Jornal e Fotojornalismo do Curso de Comunicação Social Jornalismo da Unisinos.

FALE CONOSCO! Telefone: (51) 3590.8466 E-mail: enfoquevilabras @gmail.com

Orientação: Eduardo Veras Flávio Dutra Monitoria: Lílian Stein Edição: Joice Paz Reportagem: Ana Paula Figueiredo Andressa Boll Beatriz Mross Bruna Elida Conforte Carina Mersoni Daniela Villar Débora Américo Diego Jabuinski Éder Romeu Kurz Eduardo Pedroso Fagner Marques Gabriela da Silva Giórgia Bazotti Henrique Machado Joice Paz Juliana Brião Luana Teixeira Elias Patrícia Carvalho Priscila L. Pilletti Roberta Reis Sindy Longo Taína Lauck Tiago Vargas Fotografia: Ananda Lopes André Seewald Andre Pereira Bárbara Bauer Clara Állyegra Dierli dos Santos Francine Maldaner Hamilton Nunes Jeferson Nunes Juliano do Amaral Liege Freitas Liliana Egewarth Lorena Risse Marcos Ludvig Marilia Bissigo Pablo Furlanetto Patrícia de Oliveira Ricardo Santos Rita do Carmo Semira Martins Vanessa Ramos Vinícius Casco Arte: Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) Projeto gráfico: André Seewald Gabriela Schuch Diagramação: Marcelo Grisa Supervisão técnica: Marcelo Garcia

São Leopoldo, junho de 2011

Da Redação O tempo nublado do sábado, dia 9 de abril, não desanima os repórteres e fotógrafos que visitam a Vila Brás pela segunda vez neste semestre. Pautas apuradas, é hora de voltar à redação para a elaboração das matérias que nesta edição foram das mais variadas. Para exemplificar, com a alta no preço dos alimentos, conferimos quanto custa um churrasco, uma das tradições do gaúcho, na Vila Brás. Apuramos também a história de Ademir Soares e sua esposa,

Maria Beatriz, que fizeram da decepção de não conseguir comprar chocolates para os filhos na Páscoa uma forma de ter uma renda extra. Um problema corriqueiro da Brás, mas que continua sem solução é mais uma vez relatado pelo Enfoque. O esgoto e as inundações que já fazem parte do cotidiano dos moradores e, infelizmente, ainda não foi solucionado. Dizem que a mulher é sexo frágil, mas que mentira absurda! O trecho da

música de Erasmo Carlos é confirmada nesta edição do Enfoque. Através da história de Silvia Z. Peres, mais uma vez confirma-se que o sexo feminino vem tomando espaços que eram quase que exclusivamente masculinos. Além desses assuntos, você encontra no Enfoque dança, trabalho voluntário, projeto polícia cidadã e outras matérias, como o Concurso de Redação Nova História, que já está mexendo com a Escola João Goulart.

Pensamentos expostos O que querem os moradores da Brás, o que pensam à respeito de obras e estrutura da vila Daniela Villar villar.daniela@hotmail.com

N

inguém reclamou sobre dinheiro, nem pediu escola nova, muito menos linha de ônibus ou estação de metrô. Também não foram mencionados carros, casas ou visibilidade em época de copa. Os desejos dos moradores da Brás estão longe de parecerem utópicos. O fato é que ver seu filho crescer sem ter onde brincar é dolorido. Ver seu esposo chegar do trabalho cansado e não poder tomar um banho, porque o abastecimento de água ainda não chegou onde você mora é desumano. Observar seu vizinho queimar lixo no único campo de futebol que existe é intolerável. São mães, pais e crianças que, através de uma conversa chegaram à conclusão de que o que

falta é consciência coletiva. Falta a prefeitura entrar nas ruas sem asfalto para dar um jeito naquele cano que leva água para as casas. Um cano fino, preto, sujo, que serve para abastecer cerca de dez casas em uma única rua. Os moradores da Brás querem pagar para utilizar sua água, eles não querem de graça, não é um favor, é o básico. Falta também uma área de lazer, uma possibilidade para sair da mesmice, de ter mais do que chimarrão dentro de casa. Um local onde se possa levar a cadeira de descanso, as crianças, os cachorros, onde se torne possível o exercício da cidadania dentro da comunidade. As crianças merecem crescer com direto à vida, à saúde, ao lazer. Para isso foi criado há 21 anos o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Os moradores almejam lixeiras, sossego à noite, ruas asfaltadas, calçadas, esgoto fechado, bueiros limpos e quem sabe até uma lotérica para poder pagar as contas. A pracinha é campeã entre as crianças. Não há um dos pequenos moradores que não se queixe por não ter um balanço ou um local digno para se brincar de

O que diz o ECA Artigo 4º : “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”

HAMILTON NUNES

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Muito mais do que asfalto, a Brás precisa de policiamento, praçinha, abastecimento formal de àgua

amarelinha. A comunidade também quer uma melhor vigilância, homens da lei que imponham algum tipo de respeito. E não podemos esquecer o postinho de saúde, que não é aberto 24 horas. Em caso de uma emergência, é preciso correr até algum vizinho que possa dar uma carona no meio da noite. Todas as reivindicações e quereres dos moradores da Brás dependem deles e dos órgãos públicos. Da consciência coletiva. A preocupação não é mais com o que não foi feito e sim com o que se pode fazer. Afinal, o futuro da comunidade começa todos os dias. E a Brás vai continuar esperando a ajuda. São trabalhadores, pais e mães preocupados com o futuro de seus filhos e de sua comunidade. Uma Brás melhor. É isso que querem os moradores da Vila Brás.


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Cotidiano

São Leopoldo, junho de 2011

Realidade ou exagero? A Vila Brás ganhou o rótulo de violenta, mas, na visão dos moradores, essa má fama é injusta

LILIANA EGEWARTH

Ana Paula Figueiredo apaulamoraes@yahoo.com.br

P

ara quem vê de fora, é um lugar com muitos problemas, desvantagens, violência, entre outras coisas negativas. Temida por muitas pessoas, a Vila Brás acabou marcada por uma fama não muito conceituada. No entanto, a visão dos moradores é outra. O metalúrgico aposentado Lorival de Vargas reside na vila há 25 anos e conta que jamais se incomodou com alguém. Embora a fama de mau lugar faça jus ao passado, ele afirma que houve mudanças significativas, pois agora há posto de saúde, escola, fábricas e muitas outras coisas no local. “A Brás não é mais como antigamente”, afirma. De acordo com Vargas, logo que passou a morar na vila, tudo era mais complicado. “Havia muitos assaltos, brigas, e por isso, esse rótulo mal afamado. Mas hoje é um bom lugar para morar.” Para a empresária e comerciante Diná Mousquer, moradora há 22 anos, há realmente muito exagero na forma como as pessoas de fora da vila a retratam. “Hoje é muito tranquilo, nem se compara como era em outros tempos”, destaca.

Ela conta que no passado era preocupante morar no local. “Precisava cuidar ao sair na rua, pois tiroteios e assaltos eram corriqueiros.” Diná lembra que muitas vezes teve que se jogar ao chão com os filhos pequenos para se proteger de possíveis tiros. “No final dos campeonatos de futebol sempre havia brigas. Era como num filme de bang-bang”, relata. A dificuldade da polícia em chegar até o local atrapalhava muito a vida dos moradores. “A polícia não tinha acesso à vila, e, nas raras vezes que vinha, não tinha autoridade nenhuma.” Ela conta que imperava a lei do silêncio: era necessário fazer de conta que não se via nem se sabia de nada. “Felizmente houve mudanças. Hoje existe policiamento e ronda constante”, frisa. A auxiliar administrativa Juvilde dos Anjos, 32, é residente do local há 20 anos, e pontua que um dos principais problemas que deu à Brás a fama que tem, foi o tráfico de drogas. “Havia gangues que brigavam por causa da venda, e muitos tiroteios. Os vendedores e fornecedores para o comércio não queriam entrar na vila por medo.” Segundo os moradores, a segurança e a tranqüilidade

aumentaram, devido à queda da criminalidade. Vargas diz que as pessoas que eram responsáveis pelos grandes problemas da Brás já não moram mais na vila. No entanto, Diná relata que há pouco tempo ocorreram alguns assaltos. Ela mesma foi vítima de um deles. Mesmo assim diz que não pretende se mudar, pois a criação de laços e vínculos é inevitável. Porém, os moradores afirmam que, quando há problemas desse gênero, normalmente são criados por pessoas de fora da Brás. Juvilde diz que o crescimento da Brás e a solidariedade entre os moradores transformaram a vila em um local melhor para se viver. “Está cada vez melhor. Agora têm de tudo: lojas, farmácia, supermercados”, comenta. “Sempre que é necessário, um ajuda o outro.” Ainda que muitas mudanças positivas tenham ocorrido na Brás, existe preconceito por parte das pessoas que desconhecem a vila. Segundo Vargas, de vez em quando ocorrem alguns problemas, como acidente de carro, mas é o tipo de coisa que há em qualquer outro lugar. “Infelizmente essa má fama da Brás vai ser difícil deixar de existir.”

A tranquilidade da Brás mostra que o local passou por mudanças

Andrei traz boas e más notícias do bairro bebeta.reis@gmail.com

Andrei Luiz Borges Geareta tem apenas 10 anos, mas já sabe a importância e significado da notícia. “Notícia é o que é mais interessante para a sociedade”, diz, citando como exemplos roubos, assaltos e assassinatos, que são coisas que ele vê com mais frequência nos jornais. Cursando a terceira série da Escola Municipal João Goulart, Andrei já domina um vasto vocabulário e usa palavras incomuns para garotos da sua idade, como “intacto” e “sociedade”. Para o futuro, sonha ser policial para combater a criminalidade, pois a segurança é uma de suas grandes preocupações. Diz que não tem medo. “Todo mundo vai morrer um dia”, afirma. Um dos locais que mais gosta de frequentar, a praça da Vila Brás, é o mesmo onde já presenciou muitas cenas tristes e pesadas devido à falta de segurança. Foi nesse mesmo local que ele encontrou uma notícia boa e uma ruim para contar ao Enfoque Vilá Brás.

Confira o relato de um pequeno repórter

C

Reforma

Faz mais ou menos um mês que a praça da Vila foi renovada. Antes, parecia uma zona de guerra, estava tudo arrebentado e caído no chão. Agora limparam tudo, temos brinquedos novos e o campo de futebol para jogar. Sempre que não chove, venho aqui para brincar, porque com chuva fica tudo alagado. Agora tenho uma nova visão quando chego aqui. Antes, o campo era cheio de pedaços de vidro e de lixo jogado, não dava para jogar. Tinha muito mato, então ficavam fumando pedra nos cantos. Agora, tem vezes que eu venho de manhã e fico até de noite brincando. A melhor parte é o escorregador e o campinho. Andrei brinca em um dos balanços novos, o outro já foi depredado

C

DIERLI SANTOS

Roberta Reis

Segurança Falta policiamento e segurança dentro da praça. Até já mataram gente aqui. Tem muitos drogados e alguns vêm aqui só para destruir as coisas. As pessoas veem, mas ninguém faz nada, pois ficam com medo de que chamem outros bandidos mais perigosos, que tenham armas. Até a polícia, quando vê, passa reto e não para, finge que nem viu. Eu não tenho medo, porque sempre tenho hora para voltar para casa, não venho aqui de noite. Seria um sonho para mim chegar e ver os bancos intactos, tudo novinho e bonito. Teria muita gente jogando bola e brincando. Seria um lugar com mais segurança.


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Saúde e bem-estar

São Leopoldo, junho de 2011

Cabelos perfeitos em casa Duas especialistas da Vila Brás ensinam como arrumar e deixar saudável seu penteado sem perder tempo julianabriao@gmail.com

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izem que, para manter o cabelo sempre muito bem arrumado e saudável, é necessário ir ao cabeleireiro pelo menos uma vez por mês. Mas, com a vida que a maioria das pessoas leva, a falta de dinheiro

nem sempre é o que fala mais alto, mas sim a falta de tempo. Pensando nisso pedi para as cabeleireiras Jane Bello e Tatiana Hartmann, do salão Diva’s Hair, alguns conselhos de como manter o cabelo bem cuidado em casa. Abaixo, podemos ver as dicas para não estragar o cabelo, como pintar e hidratar.

LIEGE FREITAS

Juliana Brião

As dicas de Jane Bello e Tatiana Hartmann Como não estragar o cabelo • Não lavar com água quente. Tem que ser em uma temperatura morna. • Esquecer o mito de que não pode lavar todo dia. Quanto menos lavar o cabelo, mais o couro cabeludo vai acumular sujeira. Isso fecha os poros, causando queda. • O uso de produtos inadequados pode estragar o cabelo. Sempre conversar com a vendedora, contar como é seu cabelo e achar o produto certo. • Usar um xampu com pH adequado, ou seja, de 4,5 para baixo. O condicionador também não fica para trás, sempre usar com o pH entre 5,5 para menos. • Usar creme de pentear só se for realmente preciso. • De 15 em 15 dias, usar shampoo antiresíduos. Não usar antes desse período, pois ele é muito agressivo. • Usar máscara de tratamento pelo menos uma vez por semana. • Quanto mais xampu, melhor. Passar ele pelo menos duas vezes no cabelo a cada lavagem.

Para hidratar o Cabelo Segundo Jane, o condicionador é para ser passado somente nas pontas do cabelo, nunca perto da raiz, já que pode fechar os poros do couro cabeludo

Para uma hidratação feita em casa, Jane nos passou uma receita rápida e simples: “Misturar um pote de iogurte natural com uma ampola de hidratação adequada para o seu tipo de cabelo e deixar 10 minutos. Após a hidratação, enxaguar bem o cabelo e não passar xampu ou outro creme.”

Para pintar o cabelo Ao contrário de que muitas mulheres pensam, o processo de pintar o cabelo em casa não é um bicho de sete cabeças, mas requer paciência. Confira as dicas de Jane e Tatiana. 1) Misturar 50% de creme na tinta. Isso faz com que além de colorir hidrata-se o cabelo com um banho de brilho. Mas essa receita é somente para manter a cor, não para mudar, pois a tinta perde um pouco a eficácia. 3) Primeiramente, pintar a raiz dos fios, o bom é separar o cabelo em mexas com um pente, depois pintar o resto dele. 4) Deixar a tinta no cabelo de acordo com o que manda na embalagem. Somente contar o tempo depois que já tiver terminado de pintar todo o cabelo. 5) Na hora de enxaguar, não ter pressa, só passar o xampu após ver que a água que sai do cabelo já esta transparente. Cliente do salão Diva’s Hair fazendo hidratação

Terceira idade em movimento LORENA RISSE

Priscila Pilletti prilp_211@hotmail.com

A prática de exercícios físicos é uma recomendação básica para a saúde de qualquer pessoa. Aliada a hábitos como alimentação saudável, a ginástica é benéfica para circulação, funções cardíacas e respiratórias, tonifica os músculos, além de queimar calorias e reduzir o estresse. Na terceira idade, a recomendação é ainda maior. Segundo o Ministério da Saúde, as atividades físicas desenvolvem agilidade, força, equilíbrio, coordenação e mobilidade nos idosos. As senhoras da Brás interessadas em se exercitar dispõem de atividades específicas há três anos. A Secretaria de Esportes de São Leopoldo, por meio do projeto Viva Bem na

Mesmo afastada das aulas, Cena ainda mostra flexibilidade Maturidade, oferece aulas de ginástica duas vezes por semana na sede da Associação de Moradores da vila. A aposentada Iraci dos Santos Alves Branco é uma das integrantes do grupo,

que tem 15 participantes. Há cerca de dois anos foi convidada pela vizinha e desde então não parou mais. “É preciso fazer exercícios físicos. Se ficar parado, aos 76 anos, enferruja”, diz bem-

humorada. As aulas têm uma hora de duração, em que as idosas fazem alongamento, dança, reforço muscular e jogos. “Gosto de participar, fazem bem para a gente”, comenta. Além da ginástica, integram a rotina de exercícios de Iraci caminhadas pela praça da vila e o serviço doméstico. Lourdes Tarigo, moradora da Brás há 22 anos, diz que soube do trabalho do grupo por um aviso no Posto de Saúde há cerca de três anos. “Adorava participar das aulas, até emagreci participando”, afirma. Uma fratura na perna, porém, impede a senhora de participar das atividades nos últimos meses. “Tem uma academia na vila, mas o grupo de ginástica, além de mais divertido, é gratuito”, compara. Problemas de saúde também foram o motivo

de Cena Unser, também aposentada, deixar o grupo. Ela e o marido ficaram doentes este ano, mas ela ainda espera voltar a se exercitar. “É muito bom participar das aulas. Eu tinha problemas na coluna, e o alongamento ajudava”, revela a senhora, que ainda demonstra a flexibilidade proporcionada pelos exercícios. Quem coordena as aulas é a professora de Educação Física Stela de Oliveira, que desde 2009 trabalha para manter a autonomia das senhoras. “Elas vêm muito dispostas, contam que graças aos exercícios têm menos dores e tomam menos remédios. Assim, elas têm mais qualidade de vida para suas atividades diárias”, conclui. A maior mobilidade articular é citada como principal benefício das aulas de ginástica.


São Leopoldo, junho de 2011

Esporte

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FOTOS ANDRÉ SEEWALD

Superando barreiras Adolescente moradora da Vila Brás é destaque no Projeto Canoagem na escola

Henrique Machado henriquemachado80@gmail.com

C

om o objetivo de promover a inclusão social através do esporte e resgatar a autoestima positiva dos alunos, o projeto Canoagem na Escola é desenvolvido através da Secretaria Municipal de Educação de São Leopoldo. A iniciativa oferece aulas de canoagem no Rio dos Sinos e atende a 12 escolas municipais e cinco estaduais, contando com a participação de 131 alunos. Bianca Silva de Lima, estudante da 8ª série da Escola Estadual Professor Pedro Schneider, é um dos destaques do projeto que está na sua sexta edição. Moradora da Vila Brás, Bianca possui má formação congênita na mão direita, o que não a impediu de praticar a canoagem e conquistar vários títulos a nível nacional com apenas nove meses de participação no projeto. Em novembro de 2010, na sua primeira competição, Bianca foi a São Paulo participar do Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade, representando a Associação Gaúcha de Canoagem. Ficou em primeiro lugar nas categorias LTA Turismo 500m Feminino e Turismo 1.000m feminino. Com o resultado, Bianca garantiu vaga para o sul-

americano, que foi realizado no Rio de Janeiro em abril. Na capital fluminense, Bianca foi a vencedora na categoria LTA da Paracanoagem, sagrando-se campeã sulamericana de Paracanoagem de velocidade. A mãe da atleta, a dona de casa Cláudia Silva, conta que a filha sempre praticou esportes, especialmente o futebol. Como não conseguiu uma escolinha na qual Bianca pudesse praticar esse esporte, viu no projeto uma oportunidade para a garota desenvolver seu talento. “Sempre apoiei a Bianca. Desde o início, quando surgiu o projeto na escola, a incentivei a participar”, disse Cláudia. A falta de patrocínio é uma das principais dificuldades para que a adolescente participe das competições nacionais e internacionais. Segundo o instrutor de Bianca e ex-atleta da Seleção Brasileira de Canoagem, Robinson Salabery Ferreira, a falta de divulgação por parte da mídia contribui para que as empresas não ajudem financeiramente. “É complicado arrumar patrocínio para esportes de pouca divulgação. Quando eu era atleta fui atrás de vários patrocínios e sempre recebi as mesmas respostas, que a empresa no momento não estava ajudando ninguém e que não haveria

o retorno esperado, pois a mídia não divulga o esporte e consequentemente o reconhecimento da marca ou da empresa não apareceria”, afirma. Familiares, amigos e vizinhos mobilizam-se para que Bianca possa participar como campeã sul americana do mundial da categoria que será realizado em agosto na Alemanha. Rifas e outras promoções estão sendo feitas para que a atleta consiga verba necessária para competir no país europeu. O Projeto Canoagem na Escola acontece de terça à sexta-feira, das 8:00h às 11:30h e das 13:30h às 17:00h, na sede localizada na Rua da Praia, n° 157, Rio dos Sinos, em São Leopoldo.

Bianca Silva de Lima, moradora da Vila Brás, é destaque do Projeto Canoagem na Escola. Já conquistou muitas medalhas e treina no Rio dos Sinos para participar do mundial da categoria que ocorre em agosto na Alemanha


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Cidadania

São Leopoldo, junho de 2011

Jornalismo diferente? Salete Batista vive experiência inusitada quando é convidada para ser repórter por um dia Taína Lauck tataslauck@gmail.com

Salete entrevista Evandro VINÍCIUS CASCO

S

em timidez, quase uma Madonna da Brás, Salete Batista, 46 anos, despiu-se do pudor e declarou, assim, “de cara”, que era lésbica e a coisa que ela mais gostava de fazer era sexo. Desencanada, assim é Salete. Mas a ideia que gritava na minha mente não era entrevistála e sim propor-lhe um desafio. Com uma esperteza instantânea, ela captou minha intenção: a partir daquele instante, Salete não seria mais uma dona de casa, ela assumiria outro papel, o de repórter. Fiquei surpresa quando, sorridente, ela aceitou. Sem hesitar, sem negar. “Nem só de andorinhas se faz o verão”. Essa foi a frase que me veio à mente quando ela me disse que não sabia escrever. Retruquei, perguntando se ela era analfabeta. Com a negativa, veio o alívio e a confirmação do desafio. Por que escolher Salete? Depois de negativas consecutivas e numerosas caras fechadas e pessimistas em minha caminhada limitada pela Avenida Leopoldo Vasun, encontrei uma pessoa altiva, otimista e que acredita no lugar onde mora. Aliás, Salete disse só sair da Vila Brás direto

para o cemitério. Quer pessoa melhor para a proposta? Eu não. Mas ainda havia um problema: Salete não sabia como entrevistar uma pessoa. Ainda. Primeiro, era preciso decidir o que faríamos como matéria, uma pseudoreunião de pauta. Ela contou que não tem preço a tranquilidade de deixar a porta de casa aberta porque a região está mais segura e porque têm vizinhos que ficam cuidando. Embasada nessa informação, sugeri que fosse feito um perfil de um vizinho. Acatada a ideia, parti para a explicação de como acontece uma reportagem, o que é um lead (quem faz o que, quando, como, onde e por que), que teria de perguntar tudo o que ela e outras pessoas gostariam de saber sobre o entrevistado. Mas a escolha do perfilado era dela. Em segundos, estávamos atravessando a rua para Salete ter o seu instante de repórter. Desencanada, chegou ao local e perguntou se o Evandro estava. Quando ele se dirigiu a nós, ela contou que se tratava de uma entrevista para o “nosso jornalzinho” (Enfoque Vila Brás). Ele entendeu na hora e aceitou ser entrevistado. Eu até ajudei um pouco. Um pouco. Essa história não foi contada por mim, mas por Salete...

Salete, a repórter da Vila Brás por um dia

“Conheço o Evandro Vais faz 19 anos. Ele gosta de comer carne com aipim e adora ouvir Bob Robsom. Tem 31 e é casado com a Karina. A gente é vizinho há muitos anos. Um cuida da casa do outro. Eu acho que o que ele mais faz é entornar cerveja e botar preço nas mercadorias do Lolo. Seu maior sonho é ver seus filhos criados, o resto é bobagem. Na infância, ele gostava de jogar pinica e soltar pandorga. Casou cedo e teve quatro filhos: o Augusto, a Kettelin, a Jéssica e o Kelvin. Faz 16 anos que ele é casado. Contou que se pudesse escolher outra profissão, seria auxiliar de enfermagem. Já trabalhou quatro anos como auxiliar, mas teve que desistir. Trabalhou no Hospital Geral e no Hospital Regina, em Novo Hamburgo. Mora na Vila Brás há 24 anos. Veio pra cá com o pai dele. O nome dele é Alci Vais. Para Evandro, a Vila Brás é show de bola e não tem o que reclamar. A única coisa que tira ele do sério é bagunça. Disse que comerciante não tem time, mas eu sei para qual time ele torce.

O vermelhão do pedreiro Rogério Éder Romeu Kurz ederkurz@hotmail.com

O copo de pinga e o carinho com um pano na lataria do Fusca, ano 1981, são companheiros de Rogério dos Santos nas manhãs de sábado. O pedreiro de 58 anos, morador da Vila Brás desde 1979,

foi convidado a contar como adquiriu o carro vermelho, rodas esportivas, meia-lua traseira na saída de ar do motor de 1.600 cilindradas e um boneco do Internacional pendurado no vidro lateral. O Fusca é o xodó da família e sem preço de venda. Casado com Maria Zenaide

Pereira dos Santos, 55, e pai de Anderson, 28, Rogério gaba-se dos cinco netos e por uma história que chama a atenção pela singularidade do destino. Uma divida lhe rendeu o único carro da família. Quis o tempo que a filha de seu exdevedor fosse hoje a sua nora, mãe de dois netos do pedreiro.

A história do fuscão contada pelo dono

PATRÍCIA OLIVEIRA

Todas as manhãs de sábado, Rogério dos Santos limpa o Fusca, ano 1981, o xodó da família e sem preço de venda

“Fiz um prédio lá do outro lado dessa rua, onde hoje até mora o seu Adão. Cobrei 3 pilas na época (R$ 3 mil). Terminei (a obra) e na época (o dono) não tinha como me pagar, aí me deu o Fusca e ainda ficou me devendo 300 contos (R$ 300). Meu filho se casou com a filha dele. Então, sabe como é, deixei por isso. O pai dela é que me deve. Não pude mais cobrar, é família. Depois disso, gastei 4.800 (R$ 4.800) para arrumar o Fusca. Botei banco, assoalho, painel moderno, luzes internas, farolete e pneu novo. Mandei trocar disco e prensa. O mecânico era tão bom, não achava o problema no volante (risos), aí troquei e ficou bom. Só não troquei a carroceria. Deixei assim como está. Já me ofereceram 7 paus (R$ 7.000), disse não. Até vendo, mas só se colocar nota por nota aqui na minha mão. Não gosto de cheque. Fiado nem pensar. É isso aí, o imposto está todo em dia. Gosto desse fusquinha, não quero vender. Peguei ele em 2005, em novembro. É essa a minha história. Daqui a pouco vou almoçar, tirar uma soneca.”


Enfoquinho

Concurso de Redação tem 14 ganhadores Alunos tiveram suas histórias selecionadas entre as 180 produzidas na Escola João Goulart Carina Mersoni carinamersoni@gmail.com

A

partir da Velha história, de Mario Quintana, 180 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental João Belchior Marques Goulart, na Vila Brás, escreveram textos para o Concurso de Redação Nova História, promovido pelo Jornal Enfoque em parceria com a instituição. A atividade com as turmas de quintas séries, oitavas e “Aceleração” foi coordenada pela professora de Língua Portuguesa Renata Garcia Marques. “Gostei da proposta do jornal. O texto, nem eu tinha enxergado a magia dele”, diz Renata, que ficou satisfeita com os resultados. É habitual nas suas aulas a produção de redações, mas ela destaca que a possibilidade da publicação motivou os alunos. Para criar suas próprias histórias, os estudantes assistiram a dois vídeos, um sobre Mario Quintana e outro de adaptação da Velha história, que também foi lida. “A imagem traz a emoção”, diz a professora. Depois, cada um decidiu por continuar a história, dar um novo final ou criar uma narrativa semelhante. Com a ajuda dos alunos, Renata selecionou 14 textos, que estão sendo publicados na íntegra nesta edição do Enfoque Vila Brás.

Velha história Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então, ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote,

Imaginação Crianças criam personagem fictício para contar as suas experiências de vida

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Mario Quintana

que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo café. Como era tocante vê-los no “17”! O homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial... Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do

primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho: “Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubarte por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não e não! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!...” Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água. E a água fez redemoinho, que foi depois serenando, serenando... até que o peixinho morreu afogado...

Você confere as 14 cartinhas nas páginas 6, 7 e 8

Fotonovela Amanda foi à pracinha brincar com os amigos. O que será que aconteceu por lá?

3

Arte Gurizada recria em forma de foto pinturas de Rousseau e Cézanne

4 e 5


2

Enfoquinho

O menino que só toma banho quando chove

SSA LOPES

FOTOS VANE

Personagem fictício revela experiências das crianças da Vila Brás Gabriela

da

Silva

gabytxa@gmail.com

P

ara conhecer um bairro de verdade, só ouvindo o que seus moradores têm a dizer. Afinal, eles não passam pelo local apenas um final de semana por mês, mas vivem e acordam ali todos os dias. Foi pensando nisso que escolhemos um grupo de crianças para nos ajudar a imaginar a história de um menino que seria o retrato da Vila Brás. Juntando suas experiências de vida e

suas “artes”, os amigos Nícolas Endrius da Silva, sete anos, Nicole Amanda da Silva, quatro, Maria Aparecida Chaves Cunha, 13, Amanda Cristina Langner, 11, e Eduarda Langner Amaral, sete, criaram o José Bento, um menino que sonha em ser médico. À primeira vista, a história apresentada a seguir parece meio “sem pé, nem cabeça”. Mas, para seus autores, faz todo o sentido, da primeira à última palavra. Afinal, José Bento é apenas uma criança como eles, moradores da Vila Brás.

A história de José Bento José Bento tem oito anos e mora na Rua 29, na Vila Brás. Ele não gosta de estudar, mas gosta de ouvir Luan Santana e de comer arroz puro. O pai do José Bento, o Luiz, veio da China para São Leopoldo. Ele era pobre, virou mendigo e catava e vendia latinhas para ganhar dinheiro. Assim, ele conseguiu comprar a casa onde a família mora. A casa não tem madeira, não tem tijolo, nem telhado, e alaga quando chove. José Bento pega banana da casa do vizinho para comer, porque não tem comida na casa dele. Em uma segunda-feira, José Bento acordou e foi tomar chimarrão com a mãe dele, a Jussara, que é veterinária. Depois ele foi para a escola e teve aula de Inglês e Português. Na hora do recreio, José Bento foi para o banheiro e pintou os cabelos de papel crepom vermelho, azul, rosa e preto. Quando ele voltou para a sala, todo mundo deu risada e a professora mandou um bilhete no caderno para a mãe dele. Ele chegou em casa de meio-dia e apanhou de varinha da mãe, porque tinha pintado os cabelos. Depois, o pai chegou e bateu nele de cinto e deu uma tigelada na cabeça dele. José Bento ficou triste e foi suspenso da escola por oito dias. Para tirar a tinta do cabelo, ele tomou banho oito vezes por dia, só nos sábados, e só quando chovia. Na casa dele não tinha banheiro. Depois de um tempo, a mãe

dele pediu desculpas, porque não queria ter batido no José Bento. Ele ficou feliz , voltou para o colégio e foi conversar com os amigos. Então eles foram na pracinha jogar bola. “São muito bebezinhos”, disseram as meninas. Final 1 – Eles estavam jogando futebol, quando, de repente, veio um carro desgovernado e matou todos os meninos. Final 2 – Um cara que trabalha no Grêmio (houve controvérsia entre os autores, então pode ser um funcionário do Inter também), viu o José Bento jogando, achou ele muito bom e convidou o menino para participar da escolinha do time.

O campinho onde José Bento brincava com os amigos

A turma toda: Samuel, Vinícius, Nicolas, Maria, Amanda, Nicole, Eduarda e Tatiane

Autores: Nícolas Endrius da Silva Nicole Amanda da Silva Maria Aparecida Cunha Amanda Cristina Langner Eduarda Langner Amaral Colaboração: Vinícius Ricardo Samuel Lima da Rosa Tatiane Chaves Cunha


Enfoquinho

3

Traquinagens na pracinha Roteiro Amanda Cristina Langner Eduarda Langner Amaral Maria Aparecida Cunha Nícolas Endrius da Silva Nicole Amanda da Silva Orientação: Gabriela da Silva Fotos: Vanessa Lopes

Em uma manhã ensolarada de sábado, Amanda foi à pracinha andar de balanço com os amigos.

PAFT!

Os amigos de Amanda a ajudaram a levantar e a levaram para o médico.

Mas ela caiu e machucou o braço!

Amanda ficou boa logo e voltou para brincar. Todo mundo comemorou a volta deLA!

Maria teve que apartar a briga das meninas.

Mas começou um empurra-empurra no meio da festa e Amanda brigou com Eduarda.

Então todos se entenderam e voltaram a brincar.

FIM!


4

Enfoquinho

5

Os pequenos jogadores de cartas b.conforte@gmail.com

N

a esquina da rua, duas meninas constróem um castelo com areia escura e grossa. Decido começar com elas a tarefa de recrutar pequenos que ajudem a recriar a cena de duas pinturas para que possa fotografá-las. Sento na rua como elas e conto o que pretendo fazer. Naquele dia, o fotógrafo Ricardo Santos e eu queríamos recriar Henri Rousseau e Paul Cézanne. Enquanto eu abria os livros para mostrar as pinturas, a roda crescia rapidamente. “O campo, o campo!”, escutei depois de explicar que elas teriam de encontrar lugares parecidos com os que apareciam nas pinturas. Mostrei que precisaríamos de uma bola para a cena de Os jogadores de rugby, de Rousseau. Três meninas levantaram a mão para dizer que tinham uma. Duas delas eram irmãs. Decidiram quem buscaria a bola em casa e, em menos de dois minutos, a mais nova estava de volta. Já éramos 15 e já tínhamos a bola! Chegamos ao campo e logo começaram as adversidades. Precisávamos de um lugar com árvores. De saída, esbarramos em um cachorro morto. Descartamos. Caminhamos em direção a um lugar parecido. A medida que andávamos, o pasto ia ficando fofinho. Sinal de água. Estávamos em um banhado. Descartamos. Voltamos para o primeiro lugar e decidimos recriar ali a cena de Rousseau.

Limpamos o local. Notei a genialidade daquelas crianças ao transformarem galhos de árvores em vassouras. Em pouco tempo, o chão não tinha nada que interferisse na composição fotográfica. Nos dividimos em grupos e tivemos que fazer mais versões de cada pintura, para que todos vivenciassem os personagens de Rousseau e Cézanne. Posicionamos o primeiro grupo de acordo com a pintura. Uma menina notou que eu estava atrapalhada por carregar muitos itens. Se ofereceu para segurar o case da câmera e o fez até o final da atividade. O menino mais velho segurou o livro e ajudou cada uma das crianças a se posicionar exatamente como os personagens. Começamos por Rousseau. Fizemos a primeira foto. Cada vez que terminávamos, as próximas quatro crianças montavam novamente a cena. Meu colega Ricardo lembrou de algo que eu havia esquecido: o tempo passara! Sobre cachimbos, gavetas e portas de guarda-roupas Estávamos preparando um grupo para a próxima foto e só tínhamos meia hora. Ainda faltava a pintura do Cézanne. Para recriar Os jogadores de cartas, precisaríamos ir a outro lugar. Eram necessárias uma mesa e uma parede. Não havia tempo para essa mudança. Conversei com as crianças que estavam livres e mostrei a pintura de Cézanne. Disse que elas precisariam construir ali mesmo

o cenário e tinham que conseguir principalmente a mesa. Logo as crianças encontraram vários restos de madeira. Com criatividade e agilidade, recriaram o cenário. No meio de um campo cheio de árvores, ergueram a parede. A mesa foi engenhosamente feita com duas gavetas que substituíam as pernas, uma porta de guarda-roupa virou tampo. As cadeiras também vieram de portas de guarda-roupas. Fiquei tão surpresa quando vi um blusão pendurado na árvore, simulando a cortina de Cézanne, que não contive a emoção. “Nossa! Que incrível!”, exclamei. “Fui eu!”, disse uma menina empolgada e orgulhosa. O cachimbo de um dos personagens, que na primeira fotografia era apenas um pequeno galho, ganhou um pedaço branco de isopor a partir da segunda, ficando ainda mais parecido com o de Cézanne. Crianças que provavelmente desconhecem o conceito de composição pensaram em elementos que eu havia esquecido. Quando editava as fotos, notei que quatro galhos simulavam os outros cachimbos na parede. Sobre sorrisos, beijos e emoções

RICARDO santos

Textos e Fotos: Bruna elida Conforte

FOTOS BRUNA ELIDA

Acima, a pintura Os jogadores de cartas, de Cézanne. Abaixo e ao lado, Os pequenos jogadores de cartas. Com portas de guarda-roupas e outros restos de madeira, as crianças reconstruíram na Brás o cenário pintado por Cézanne entre 1890 a 1892

Atrasados, ao terminar Ricardo e eu tínhamos que sair correndo. Bati palmas e agradeci. Um bando de crianças veio na minha direção e fez as minhas bochechas mais felizes, pois naquele momento receberam beijos tão carinhosos e repletos de gratidão.

Saiba quem foi Paul Cézanne

Após descartes, banhados e vassouras feitas com galhos, a gurizada da Vila recriou Os jogadores de rugby, pintada por Rousseau em 1908. Nos esforçamos para conseguir simular as posições dos personagens. O grande desafio, tanto para os personagens quanto para o fotógrafo, foi congelar a bola no ar

Participaram dessa atividade as crianças: Bruno Lemos, Cleberson Pivoto, Gabriel Lemos, João Souza, Josias da Rosa, Katieli Fagundes, Luciano Santos, Marcos Rodrigues, Marcos Gonçalves, Pablo Brito Souza, Pamela Brito, Paola Souza, Paulo Brito Facundes e Tassia Brito

O pintor Paul Cézanne (1839 –1906) é considerado o pai da arte moderna. Em vida foi um homem solitário. Pintava o mundo da forma como ele se apresentava a seus olhos. Em 1907, um ano depois de sua morte, mereceu uma retrospectiva no Salão de Outono. Nesse momento, sua arte começa a ser valorizada e ele passa a ser considerado um dos artistas mais importantes do século 19. Influenciado pela estrutura de composição de Cézanne, o espanhol Pablo Picasso criou o cubismo.


6

Enfoquinho

Os selecionados do o da história)

carina mersoni

Bruna Gagstetter dos Santos o Turma 8S3 (Continuaçã ) da história

que o peixinho havia ...Então ao perceber se atirou no lago para se afogado, o homem ha de, pois o peixinho tin salvá-lo, mas já era tar do. mesmo morrido afoga m pegou o peixinho me ho o tão En misa, levou-o para go depois, o e o enrolou em uma ca pequeno peixinho. Lo o rou ter en lá e o rac bu passam pela o cemitério, cavou um que quando as pessoas em Diz . lpa cu e za ste ta tri para a água com homem morreu de tan nho sentados olhando ixi pe o e m me ho o em tos novamente. margem do rio, elas ve icidade por estarem jun fel de ar um e o ris sor um belo

Ana Pereira dos Santos Turma Aceleração 1 (Continuação

da história)

...O homem saiu dali chorando e muito arrependido por ter largado o peixinho de volta na água. Ficou pensando como seria se ele não tivesse deixado seu amiguinho morrer. E com aquele sentimento enorme de culpa, ele nunca mais saiu de perto do lugar onde o peixinho se afogou. Todos os dias o homem ia lá perto e se sentava à beira do rio, e ficava conversando sozinho, como se estivesse falando com o peixinho. Olhava, olhava e olhava, mas não via mais a imagem de seu amigo. Todos que passavam não entendiam o que acontecia por ali, mas de uma coisa tinham certeza, que a tristeza daquele homem era grande. Aquele homem nunca mais foi o mesmo, não conversou com ningué m desde que ficou sozinho, e depois de ter ficado muito tempo sentindo saudad es do peixinho, ele resolveu que ia comprar outro peixinho para colocar no lugar daquele que morreu por sua culpa. Depois disso, as pessoas começaram a entend er porque aquele homem tinha tanta tristeza e sentimento de culpa em seu olhar. Quando o homem se acostumou com o seu novo amigo, ele conseg uiu sair de perto do rio, e a sua alegria voltou junto com o peixinho novo que nadava muito feliz no seu novo lar. As pessoas tinham certeza de mais uma coisa, que a alegria daquele homem não era como antes, pois todo ser é insubstituível.

Nayssyele Brizolla Godinho Turma 5S4 (Novo final para

a história)

foi embora para sua ...E o peixinho, triste, se virou e ... o peixinho, mesmo família, o seu lar, o seu amor. Mas o pelo homem de tudo o sendo peixe, tinha um sentiment os ficaram no coração do que passaram juntos. Os sentiment das pessoas. peixinho, a amizade é tudo na vida inho nadou no rio até E assim o tempo passou, e o peix O homem não estava lá, onde o homem o havia pescado. ndo estava indo embora, então, triste o peixe estava, qua e: “É você peixinho? É seu velho amigo apareceu e diss você?”. E o peixe, tão feliz e alegre, viu o homem e deu um salto. Abraçaram-se bem forte e os dois viveram muito felizes. Maria, é assim que a gente consegue um amigo especial, que sempre guarda sentimentos verdadeiros de amizade.

carina mersoni

... Passados alguns dias, o homem a retornou ao local com da vida nho, ali nadando feliz ixi pe o r ve de a esperanç nho ixi pe sabia o homem que o com sua família. Mal ando olh ras do lá ficou horas e ho da, estava morto! Chegan na e o nh encontrava o peixi s os para a água para ver se do To o. e foi embora chorand o desistiu de procurá-lo a nc nu e para ver o peixinho ir dias o homem ia até lá eu olv res s meses, o homem achava. Passando algun ixinho. ar onde encontrou o pe pescar lá no mesmo lug m um co , do peixinho tão lin De repente, pescou um nho. ixi pe o que parecia o mesm hei azulado nas escamas, ac eu , gritou: “Não acredito ça Quando viu o peixinho be ca a u o assustado balanço ia você!”. O peixinho, tod sab is po o mem ficou assustad dizendo que não. O ho , do ora smo peixinho. Apav que aquele ali era o me sa, o bolso e levou-o para ca colocou o peixinho no todas as m u a se acostumar co peixinho então começo mem. ho o resolveu ficar com bondades do homem e que bri , o homem desco u Com o passar do tempo ixinho pe ele irmão gêmeo daqu aquele peixinho ali era que tinha morrido!

história)

renata garcia marques

carina mersoni

...Um ar de suspense tomou aqueles breves segundos e, triste então , chora a perda de seu querido bichinho. Chegando em casa, pa rou, pensou e se pergu ntou: “Como meu querido pe ixinho morrera em seu próprio lar?”. Percebeu o home m que o seu peixinho havia se acostumado com ele . Depois de algum tem po, ele outra vez passou pe las margens daquele lag oe lembrando-se do seu peixinho, eis que uma gotinha de lágrima sai de seus olhos, escorre pelo seu triste rosto e enfim cai dentr o do lago. Com tanto silêncio até seu barulho deu pa ra escutar caindo na ág ua. Surge então a saudade e, para não chorar de novo, ele sai dali rapidamente . Depois de anos, aquele homem passa de novo pelo lugar. Cabelos gri salhos, passos leves e já não tão firmes como antig amente. Vê uma imag em pequena e cinza no lag o. Firmando os olhos, ele vê, era o seu peixinho! Mas o peixe não havia morrido? E como ele o reconheceu? Não sabemos, para descobrir, só vivendo uma grande amizade.

o Ana Paula Nunes Machad o da çã ua tin on (C 3 Turma 8S

carina mersoni

Ana Gabriane Batista de Linhares Turma 5S6 (Continuaçã


Enfoquinho

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concurso de redação Daniela Adriana Araujo Turma 8S3 (Novo final

para a história)

carina mersoni

para o lago, te!...”. Quando o homem virou-se “E viva eu cá na terra sempre tris ta água, nes e atir animalzinho disse: “Não, não me para atirar o peixinho n’água, o “Você o: stad O homem ficou pálido e muito assu -o no porque eu vou morrer afogado!”. cou colo e, m falar!”. O homem pegou o peix toufala? Não sabia que peixes poderia sen em hom o ando para casa. Ao chegarem lá, do bolso traseiro da calça e foi and fala ia hav ca e o perguntou: “Por que você nun sem bem se e colocou o peixe do seu lado s emo end ent “Não achei necessário, pois nos que antes?”. O peixinho respondeu: por , casa sua tou: “Se você não quis ir para a eu falar!”. Mas o homem pergun quis ir para casa, não eu que é o “Nã e: diss inho então parecia estar triste?”. O peix debaixo d’água. Eu terra, não consigo mais respirar é que depois que eu vim para a dades da minha estava triste porque estou com sau você aqui”. família, mas sou muito feliz com ali morando com o Então, o peixinho preferiu ficar até o lago para o homem. Todos os dias os dois iam nadava por ali. peixe ver sua família, que sempre

Jennifer Guim a Turma Acele rães da Silva ração 2 (Continua

ção da his tóri

Mirian Kelly Fagundes

da

Silva– Turma Aceleração 1 (Novo

o final para a his tória)

“... Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste !...”. Então o peixinh o com um olhar tão triste, olh ou para o homem e lhe disse: “Tenho a sorte de você ter me pescado, pois com você, nestes poucos mo mentos que passamos juntos, vivi momentos de felici dade, que não vivia há muito tempo, já que meu pa i e minha mãe morreram quando eu tinha cinco anos de idade. Ao enco ntrar você, aprendi um novo significado do que é um a verdadeira amizade, co mpanheirismo e até me smo de uma família”. Aí o homem parou por alguns segundos para pensar em algo para diz er... abraçou o peixinh oe disse: “Então nós ficare mos até o fim de nossa s vidas como bons amigos ou até mesmo como uma família”. O homem ficou quieto por mais um instante olhando para o peixinh o, e neste momento, uma lágrima rolou pelo seu rosto, mas não foi um a lágrima de tristeza, ma s sim de felicidade po r ter tomado a decisão mais certa e pura pelo peixi nho, que agora seria seu ma ior e verdadeiro amigo. En tão, o homem pegou o peixi nho pela mão e os dois for am para casa e seguiram suas vidas um ao lado do ou tro. carina mersoni

a) ...Em seguid a , o homem viro andando... u as costas quando che e foi andan gou em casa começou a do, andand , tudo que relembrar, o, havia vivido assim, ele Ao sair de c c com o peix h o ra v a a , sa c , h inho, o e rava, chora le foi direto o jornal, o va... ao “17”, co cigarro, ma m suas mãos se s quando o mas não sa lhava ao se gurava a xíc bia o quê! u redor, sen ara, E pensou o fazia parte tia que falt homem: “N de mim, m ava algo, ão sei por q eus dias nã o homem se ue viver ass o são os me pôs a chora im, ele smos. O qu r, chorar, c do rio logo e eu fiz?!”. horar. Tomo ao amanhe D ito isso, u uma inicia cer. Assim, ficou... e p tiva: foi às logo que ch ensou: “Ele margens e g ou, foi pesc não vai volt assim conti ar, ficou, fi ar, não há n nuou ali à e c ou, in spera, quan guém igual logo puxou a ele!”. Me do, de repe a vara de p sm n te algo ele esca, e apa o e inocente, pescou, ass receu um p tão indescri ustado eixinho. Era tível nas esc peixinho, m tão pequen amas. Ele ti as estava e ininho nha a certe nganado, n peixinho. C ão era nem za de que e omo ele se ra o p a sentia bem recido, não todos os dia ao olhar aq era seu anti s ele iria ali u go e le peixe, e nas margen levaria para le decidiu q s do rio e v casa. Pois n u e e r seu peixin ão podia no assim como ho, mas nã vamente ti havia feito oo rar a vida d com o outr aquele peix o. inho

Israel Rech Rodrigues Turma Aceleração 2 (Nov

Lopes na Souza Nathália Lua ontinuação da história) Turma 5S5 (C

final)

carina mersoni

carina mersoni

não pertence a “Não posso ficar com você! Você ...E disse o homem ao peixinho: tua família, s, inho ãoz irm i. Teu pai, tua mãe, teus esse mundo, seu lugar não é aqu amigo”. E, meu pre sem s uecer de você, será esq vou ca Nun . ndo era esp te o todos estã inho. chegando perto do rio jogou o peix u O peixinho afundou e o homem fico um deu olhando e, logo depois, o peixinho u, olho em salto para cima de alegria. O hom . go” ami o sorriu e disse: “Lá se vai meu velh no lá ava E, sempre quando o homem volt mostrar para rio, o peixinho dava saltos para muito feliz o seu velho amigo que ele estava com sua família.

o, não viu o tento e aflit sa e d r, o d a i embora. Mas o pesc s costas e fo a u o fazia ir v , o ort isa que ele o c a ic peixinho m n ú a havia le dia, do rio onde m e Desde aque rg a m la litário pe era vagar so inho... zia a eix scador só fa e p o s, pescado o p o n a nimo ar dos rio e sem â tá li Como o pass so ia d s ando a, dia apó erto dia, qu C r. a mesma cois sc e p do rio, ra voltar a la margem e p o nenhum pa rs u rc e petia o p tível, porém o homem re do indescri la zu a o para o sm e e com a mã -s iu avistou o m ig ir d , lhou, do. Então u, quando o o x u p mais apaga e u ro i seu gua, segu e um dia fo u q o dentro da á h in ix e a aquele p e começou viu que era -se no cais u e to d n s e a S . m o ri ig s lág melhor am o na mão. A h ta o in g ix a e p m u o do, e chorar com foram cain ele r o te d a n e sc p e p re ho, de in ix tristeza do e p o d passo da boca como num e o ç caiu dentro lu so e diante, lhinho d uele dia em q a fez um baru d , e u o ressuscit de mágica aram eles se torn is inseparáve e novamente o m aprendera alor da v verdadeiro amizade.


8

Enfoquinho

Os selecionados do concurso de redação Mayara Dal’Osto Turma 8S3 (Continuaçã

o da história)

para a história)

renata garcia marques

Até que E a água fez redemoinho, que depois foi serenando, serenando... o porque triste muito estava o peixinho saiu a mergulhar para casa. O homem do o, voltand estava ele peixinho tinha partido. O homem foi embora. Quando casa, de trabalho, pegou o caminho do rio, que chegava mais ligeiro em sua seguiu homem O ele. para ndo repente ele viu seu peixinho lá na água, assobia em sua sorriso grande um com do corren amigo grande seu r abraça cara para e disse: “Meu amigo, o que faz aqui? Deveria ir para casa! Você não pode ficar aqui”. O homem botou o peixinho na água lentamente, só que o peixinho não ia embora. Então ele decidiu comprar um barquinho pequeno para visitar seu amigo todos os dias. renata garcia marques

...O homem em pranto s volta para casa, sem saber o que fazer para ter o peixinho de volta . Mesmo triste e com sau dade do peixe, o home m achou que fez a melho r escolha, pois o peixi nh o não estava feliz ao seu lad o, e queria estar junto de sua família. Por mais que ele estivesse sofrendo , de ve ria pensar na vida do peixi nho também, e não só na dele! Assustado, o home m acorda e vai verifica r se o peixinho está bem, e descobre que tudo nã o pa ssou de um sonho.

Marcelo Adriano Fuhr Turma 5S6 (Novo final

carina mersoni

carina mersoni

Luane Mario n Turma Acele Soares ração 2 (História sem elhante) Era uma ve z uma men ina que est Até que ap ava caçand anhou uma . Ela era be o borboleta estava nas m pequena s. asas colorid , su a beleza a s e b A menina, c em desenh adas. açadora de sozinha, en borboletas, tão resolve se sentia muit u ficar com inseparáve o a borboleta is. . Elas ficara Aonde a me m nina ia, a b Na escola, orboleta a andando pe acompanha la rua, na p va a trote. lugares que racinha e e a menina fr m todos os equentava. A pequena borboleta tr tempo a m enina não se ouxe a felicidade que há muito ntia... Ora, borboleta fo um dia a m ram passea enina e a r pela natu de árvores, reza, em u flores e páss m lugar che aros, e eis nascem lág io que dos olh rimas... e e os da menin la, olhando disse: “Não a para a lind posso ficar a borboleta com você! viver, agora Já me trou te deixo liv xe a alegria re, pois o se da felicidad de gredo não é e. Vá e faç a outra pess correr atrá fui...”. s oa tão feliz quanto eu E a borbole ta compree outra pesso ndeu a men a, e quem ina e foi... morreu de encontrou borboleta fo saudades d i a menina. a linda

Bruno Silva ontinuação Turma 5S5 (C

a) da históri

o que quando viu , m e m o h ... O us olhos , sentiu se o id c te n o c aquele har de havia a m sair... N ia boca se fec u a g su se n e o c m não le havia pesare s palavras uela que e a q a su , e e u d q a o id parecesse felic um jeit lado, desa mo se sua u o z c a i , o fo h , in to ix e repente, o pe momen na. Mas, d do pequen li o a , d st la ri c o a a u o o peixinho la ág sentid em busca d dão daque a si u n g e á a im n a g u na lon r, se jogo ra inútil. sem hesita a u esforço e o homem, se o d ? E o que é to , e tard ue é a vida as eu q st o o : sp to mas já era re n u s e essa ss , eu perg e b ra u o mento g so A u ue se e é um senti q e o d h a c a id c , li m fe Be as mais do, pois a felicidade? no do mun m as pesso o e d n o e u r q se o a lg poderi licar. É a bemos exp m grande explicar. que não sa ele sendo u seguiriam o n o sm c . e ” M is ? e a v n de e a vida uinta “incrí r a felicida ces Mario Q e v e h o re n n o e sc C u e q d e az de eop erceber qu não foi cap p sua , o e h té d c a ú is u a o o g p d e poeta em an aria. D m M o , h o o d n r, a a u lt n vo chorou Conti não poderia u, chorou e a ro d o la h c zu a le r E o c antiga mpo. peixinho de um bom te e surge sua u q te í n a ra u is d E . u co cair ento e a casa e lá fi arassem de uele sofrim p q s a a a m tr ri n g o c lá s a, eles lutar até que sua ita convers centivou a u in m o e e o u p q m , a laram o te amiga, Mari ois de muit bem forte se saiu p o e ç D ra . b a a id v m u a m utos e com continuar su dia o home r alguns min té que um o A p oinho .. m m s. e ra d ze a li re lh se o ram fe ou um fo rm e fo e d a se iz e am gado. água uma super morreu afo nte caiu na e m p e m re o e h d re e r ndo e o pob para pesca ndo, serena a n re se i fo que


Moradia

São Leopoldo, junho de 2011

clara allyegralyra

Sonho real

07

Projetos do governo ajudam os cidadãos na construção de seus lares Sindy Longo siindyy@hotmail.com

O

artigo XXV da Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma que “Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle”. Projetos do governo resgatam a confiança das pessoas na execução de seus direitos. Gessi Borges Correia ,de 65 anos, casada e moradora de aluguel há oito anos. Com ela, vivem seu marido, Elisiario Correia da Fonseca, 74 anos, e um de seus oito filhos, Mauricio Borges Correia, 35. Seu sonho era construir uma casa boa e que desse segurança nos períodos de chuvas fortes. Como o casal já é de idade e o filho que mora com ela não consegue emprego, pois tem uma deficiência

na perna, devido a um atropelamento, a renda não permitiu. Foi então que Gessi ficou sabendo, através da Associação dos Moradores da vila Brás, do projeto Resolução 460, que constrói casas para aqueles que já têm um terreno, mas com um imóvel em condições ruins. Demoraram quatro anos da inscrição até a construção da casa, mas Gessi e sua família falam com orgulho de sua casa “Água aqui dentro não entra mais, é tudo bem feitinho e com material bom”, afirma. Ela conta ainda que nunca perdeu a esperança e que está muito feliz por ter sido premiada. Outra moradora da Vila Brás foi premiada por outro projeto do governo, o PSH 480 (programa de subsidio). Aguarda ansiosa a entrega das chaves. Irani Mercedes Padilha, 61 anos, se inscreveu em seis projetos “ Eu queria ganhar minha casinha, todos os projetos que apareciam eu me inscrevia”, afirma Irani. A previsão de entrega de sua nova casa, que vai ser na Vila Brás 3, é de um mês. “ Só tenho a agradecer quem me ajudou a realizar meu sonho” diz. O projeto em que Gessi se inscreveu foi implantado

Passo a passo

Com um sorriso meio timido, Maurício Correia, em sua nova casa na Vila Brás no ano de 2005 e ajudou mais de 114 familias. Segundo o presidente da Associação de Moradores da Vila Brás, Claudimir Schutze, foram disponibilizados 150 casas para a vila, mas muitos não acreditaram que poderiam ganhar.Outros não tinham a documentação necessária.Claudimir diz que existem diversos projetos que ajudam os mais necessitados. “Melhorou a

andré seewald

Bondes de jovens sem freio Eduardo Pedroso emaildodardo@gmail.com

Morador usa tinta, mas sabe que só educação combate vandalismo

Vila, deu mais emprego, a mão-de-obra tinha que ser daqui, o carpinteiro também, o que aumenta o ego da Vila Brás” afirma o presidente. O cadastro é feito na prefeitura dos municípios. Para conhecer melhor os projetos existentes acesse o site www.sehadur. rs.gov.br. Para dúvidas o contato pode ser feito pelo telefone (51) 3288-4600, que é da secretaria de Habitação do Rio Grande do Sul.

• Entrar em contato com a prefeitura de seu município. • Ser maior de 18 anos ou emancipado e menor que 80 anos; • Ser brasileiro ou naturalizado. No caso de estrangeiro, ser detentor de visto permanente no País; • Ter sua documentação em dia (RG, CPF, Título de eleitor, etc..) • Conhecer os programas existentes. • Escolher o que mais se adéqua a sua situação.

Como mostra a matéria acima, é preciso muito planejamento para que a casa própria seja finalmente adquirida. No entanto, não é todo mundo que respeita essa dedicação, transformando o lar alheio em um espaço para exibicionismo. Na Brás, inúmeras residências estampam rabiscos de todas as cores, tamanhos e finalidades. Em uma das quadras, considerando apenas a fachada das casas, foram contados mais de 20. Na rua seguinte, a parede lateral do Bazar e Livraria Hans também exibe grafismos de todos os tipos. Sildo Pompeu, um dos gestores do estabelecimento, conta que estão no local

há pouco mais de um ano e meio. “Poucos meses depois que chegamos, surgiram as primeiras pichações. Falamos com a dona do comércio ao lado, ela disse que pintou e eles regressaram três dias depois, então preferimos nem perder tempo, até porque o prédio é alugado”, relata. Janete Lorscheiter, que também trabalha no bazar, afirma que um dos vizinhos já flagrou um menor de idade pichando as paredes do prédio durante a noite. “Se eu tivesse visto na hora, tinha chamado a polícia. Sei que não é nada pessoal contra nosso trabalho, mas eles não podem fazer isso. Mesmo que sejam menores de idade, merecem ser punidos de alguma maneira, até para educar”, cobra Janete. Assim como residências e

estabelecimentos comerciais, nem mesmo a casa de Deus escapa dos sprays de tinta dos vândalos. Israel Nunes, que pintava novamente os muros castigados de uma Igreja do Evangelho Quadrangular, não entende o que leva uma pessoa ao vandalismo: “Além de ser inocente e da comunidade, a igreja é um alvo desprotegido. Temos atividades somente três dias por semana.” Para ele, a principal motivação dos criminosos é fomentada pelos agrupamentos conhecidos como bondes: “A maioria tem entre 12 e 16 anos, e aposto que essa criançada nem sabe o que é um bonde. Aqueles que levavam para algum lugar”, lamenta Israel, enquanto se afasta dos muros para ver quais partes ainda precisam de retoques.


08

Você Reclama

São Leopoldo, junho de 2011

pablo furlanetto

Casa de bombas não suporta o volume de lixo que chega às comportas que dão vazão ao Arroio Gauchinho, que divide os bairros Vila Brás e Santo Afonso

Os alagamentos continuam Pauta solicitada pelos moradores é motivo de polêmica na divisa de São Leopoldo e Novo Hamburgo Bia Mross mrossbia@gmail.com

Joice Paz

joice.paz@hotmail.com

M

Do outro lado... O assunto é polêmico e causa controvérsia na

apresentado por Agmar: o acúmulo de lixo no Arroio, facilmente percebido por quem passa pelo local. Agmar afirma que no feriado de Páscoa, data da última inundação, esteve presente no local desde as 16h, tendo acionado seis das sete bombas existentes. “Apesar de uma delas estar em manutenção, o transbordamento foi inevitável. O lixo ficou acumulado nas comportas, o que impediu a vazão da água para o rio”, relata.

E a limpeza? A caminho da Casa de bombas, muita sujeira, pneus e até móveis velhos estampam a paisagem do arroio. Sob a supervisão de Tomar Adão de Souza, fiscal de obras do governo federal há 30 anos, duas máquinas faziam a limpeza do Arroio, aprofundando o canal, o que confirma a versão de Agmar. “Todas as seis bombas estavam ligadas na sexta-

feira do feriado de Páscoa. Infelizmente, não suportaram o grande volume de lixo.” Perguntado sobre outra alternativa para o bem-estar da população, Tomar sorri e desconversa: “Isso já não é mais comigo.” É fato que o descarte de lixo feito no Arroio prejudica a população, que é crescente no bairro, mas, além da conscientização dos moradores, cabe às autoridades olhar atentamente para a situação. hamilton nunes

ais uma vez, as reclamações e os pedidos de matéria foram sobre os alagamentos ocorridos após fortes chuvas. A moradora Simone Silva gostaria de saber por que nenhuma das duas administrações se responsabiliza pela situação: “São Leopoldo diz que Novo Hamburgo deve tomar conta do problema, mas somos moradores de São Léo. Queria entender porque entrou 70 cm de água na minha casa. Tem verba repassada pelo governo para resolver essas questões, mas não solucionam o problema.” Cláudia, outra moradora, reforça, dizendo que os móveis da casa do seu irmão foram totalmente danificados pela chuva da Páscoa. Ela relata que ficou sabendo que a casa de bombas do Arroio Gauchinho, que deveria drenar a água, não foi ligada quando necessário. Fato ou boato?

vizinhança. É comum que problemas que afetam bairros localizados em divisas de municípios se transformem no famoso “diz que me disse”. A reportagem ouviu moradores da Vila Brás com diferentes teorias a respeito da origem do problema, entre elas, a de que o motivo dos alagamentos seria o descaso do funcionário da casa de bombas, Agmar Vargas, que não estaria no seu local de trabalho quando deveria. O trabalho de Agmar é, basicamente, vigiar o local diariamente e controlar o nível do Arroio Gauchinho, que divide os bairros Vila Brás, em São Leopoldo, e Santo Afonso, em Novo Hamburgo, acionando as bombas para que, em fortes chuvas, a água escoe para o Rio dos Sinos, evitando o transbordamento. No bairro Santo Afonso, ouvimos relatos diferentes dos citados na Vila Brás. Augusto Martins e Daniel Dreher, moradores da Rua Eldorado, rebateram as críticas feitas ao funcionário, afirmando que “Gelado”, apelido de Agmar, estava presente e acompanhou o último alagamento. Para os moradores, o motivo é o mesmo

Acúmulo de lixo pode ser um dos responsáveis pelos alagamentos


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São Leopoldo, junho de 2011

O desafio da troca de papéis Luciano Borba topou o desafio e assumiu o comando da reportagem, com bloco, caneta e muitas curiosidades Tiago Vargas tiagotvr@gmail.com

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á sete anos a Brás é visitada por alunos da Unisinos mensalmente. Mas quem são essas pessoas que chegam cheias de perguntas, com suas cadernetas, câmeras e canetas? E mais: o que pensam dos moradores e o que tanto anotam? Eu, Tiago Vargas, 23, moro em Santo Antônio da Patrulha e curso a última cadeira de jornalismo. O dia 7 de maio foi o terceiro sábado em que fui à Brás. Junto comigo, mais quatro dezenas de colegas. A proposta foi uma inversão de papéis. Luciano Borba, pai do Pedro e esposo da Miriam, aceitou virar repórter. Ele me entrevistou, primeiramente. Sua curiosidade se fixou na visão dos visitantes sobre os moradores da Vila. Ao mesmo tempo que perguntava, Luciano também tinha afirmações. Sempre que se aproxima a data de chegada dos alunos, a comunidade fica ansiosa. Querem saber quem será entrevistado, o que irão perguntar, enfim. “Não há quem deixe de espiar quando

estaciona o ônibus. Quem ainda não foi entrevistado ou fotografado quer mostrar o que faz ou reclamar de algo que pode melhorar”, diz Borba. Comentei que na primeira ida a Brás tive algum receio. Tinha ouvido falar do histórico de violência. Porém, acreditava que isso havia mudado. Luciano, então, lembra que o Enfoque “divulga sempre artesãos, o comércio e as coisas da gente”. Conta, ainda, que a empolgação dos moradores se deve a isso. “Todos querem ler e logo depois saem comentando e distribuindo para quem ainda não viu o jornal”, relata. Outra preocupação do novo repórter foi quanto à recepção dos demais moradores. “Vocês são sempre bem recebidos?”, perguntou. De fato, raríssimos são os relatos negativos dos que frequentam a Brás. Na maior parte das vezes, os moradores são muito simpáticos e até solícitos. Apesar das dúvidas, Luciano também tem certezas: “Não me vejo saindo daqui. A imagem lá fora quem vai ter que fazer somos nós”, destaca.

Luciano entrevista Pedro e Alison sobre a enchente PATRÍCIA OLIVEIRA

A forte chuva da Sextafeira Santa alagou muitas ruas. Estreando como repórter, Luciano Borba captou relatos pela Brás. Os principais foram com Pedro Rosa Duarte, 62, e o garoto Alison dos Santos Batista, 11. Luciano Borba – O senhor perdeu muita coisa? Pedro Duarte – Perdi colchão, roupas, cobertas, essas coisas. Luciano – Onde foi pior a enchente? Pedro – Eu moro na rua 10. Também foi feia a coisa na 12 e na 13. Luciano – Já tinha acontecido algo parecido? Pedro – Moro aqui há 20 e poucos anos. Não tinha mais visto esse tipo de enchente. Há uns 15 a gente já se preparava quando começava a chover porque sabia que ia alagar tudo. Depois perdemos o costume. Luciano – Vocês receberam ajuda? Pedro – A ajuda veio rápido. Veio prefeitura, bombeiros e

Pedro Duarte perdeu quase tudo que tinha em casa defesa civil. E o seu Claudinir Schutze (Presidente da Associação de Moradores) faz sempre o que pode pra resolver os problemas.

Luciano – E os carros? Pedro – Quem conseguiu, deixou na esquina, perto da avenida. Teve gente que perdeu o carro, porque a água subiu muito.

Luciano – O que trouxeram? Pedro – Colchões, cobertas...

Luciano – E os cachorros? Pedro – Encontrei eles em cima de mesas ou das casinhas.

Luciano – Até que altura a água subiu? Pedro – Ficou pela janela. Aqui parecia um rio. Luciano – Choveu muito tempo? Pedro – Bastante. Foi da meianoite até o meio-dia, mais ou menos.

Luciano – Onde tu estavas Alison? Alison Batista – Estava dormindo. Acordei com meu pai tirando o carro da garagem. Luciano – Tinha muita água? Alison – Tinha, sim. Tampou até a mesa de snooker do vizinho.

Carros e pedestres dividem espaço nas ruas SU

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Diego Jabuinski diegoodair1006@hotmail.com

Quem chega à Vila Brás se depara com uma situação bastante curiosa: pedestres pouco usam as calçadas para o deslocamento de um lugar a outro. O número de moradores aumentou com o decorrer dos anos e, as ruas estão cada vez mais movimentadas. Pedestres, ciclistas e motoristas dividem o mesmo espaço em uma rotina perigosa. Na avenida principal do bairro, Leopoldo Wasun, o problema, por uma série de fatores, é ainda

Ciclistas no meio da rua é motivo de reclamações dos moradores maior. A avenida detém a maior quantidade de estabelecimentos comerciais e igrejas, além da escola, o que aumenta o tráfego de pessoas, automóveis e ônibus. A péssima sinalização é outro problema. Faixas de segurança e quebra-molas com pintura apagada, além de buracos, dos quais os

motoristas têm de desviar fazendo manobras perigosas, aumentam o risco a moradores. Para o morador Clécio Sychochi, 34 anos, o fato de os pedestres não utilizarem a calçada para caminhar é uma questão cultural: “O pessoal tem a mentalidade de alguns anos atrás, quando as

ruas eram de chão batido e o movimento era bem menor”, conta o metalúrgico que reside na Brás há dez anos. Almerindo Dias Machado, 64, atribui o problema à sinalização deficiente. “Desde 1985, o ano em que me mudei para a Brás, o problema permanece. O que mudou é a quantidade de pessoas e veículos, o que aumenta o perigo”, conta o aposentado. Outros fatores, além da indisciplina, dos moradores contribuem para que o problema aconteça. Talvez o principal seja o mal estado de conservação das calçadas. Desniveladas, com buracos e, o pior, algumas delas estão completamente obstruídas pelos inúmeros comércios instalados. O perigo, que é grande em dias normais, aumenta no horário de saída da Escola Municipal João Goulart entre 17h e 19h quando

o tráfego de veículos já é maisintenso devido à volta do trabalho dos moradores. Uma sinaleira próxima à escola é reinvidicação antiga dos moradores. A moradora Jucelaine Padilha, 35, aponta uma solução de longo prazo para o problema: “Essa falta de consciência se modifica ao longo do tempo. Começa pela educação dos pequenos, é isso que eu ensino para as minhas duas filhas de sete e 11 anos”, Conta. Procurada pela reportagem do Enfoque Vila Brás a Secretaria Municipal de Obras Viárias e Serviços Urbanos (Semov) afirma que a conservação e a pavimentação das ruas da Vila Brás são realizadas periodicamente, e pede que eventuais transtornos ,inclusive pequenos problemas sejam comunicados para a Central de Serviços Urbanos pelo número 0800 644 3300.


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Comportamento

Amar é...

São Leopoldo, junho de 2011

Às vésperas do Dia dos Namorados, o Enfoque foi até a Vila Brás e perguntou aos moradores o que é o amor? E muita gente abriu o coração e mandou um recadinho para alguém especial

Texto e Fotos Patrícia Carvalho pc_patriciacarvalho@hotmail.com

Meire Lopes, 32

Olávio da Silva, 56

Cristina da Silva, 70

Dario Gomes, 61

Maria Silveira, 63

Para: Luís Eu te amo muito, você me faz muito feliz. Quero que estes 12 anos de muitas felicidades só se multipliquem.

Para: todas as mulheres sozinhas, que tenham entre 40 e 50 anos Eu estou em busca de um novo amor, prometo dar carinho, respeito e ser bom.

Para: todos os leitores Amem uns aos outros, que deus amará vocês. Mas, em primeiro lugar, amem a si mesmos e a vida!

Para: Aparecida Tu és a pessoa mais importante da minha vida, te amo muito. Obrigado por me fazer tão feliz há 28 anos.

Para: meus filhos Lotério e Elenice Eu gosto muito de vocês, amo vocês, dedico mais amor a vocês até a minha morte, bem como para deus também.

Fabiano da Rocha, 23

Eliane dos Anjos, 22

Virgildo Henz, 65

Jacira Freitas, 50

Alfenor de Barros, 62

Para: Marrara Eu te amo muito, eu quero estar sempre ao teu lado, tu é o grande amor da minha vida.

Para: Gueguê, em memória Mesmo que eu case novamente, tu vai ficar para sempre no meu coração, que Deus esteja contigo e que tu ilumine eu e a nossa filha Gabrieli.

Para: Maria de Lurdes Sou muito grato por estes 33 anos de muita felicidade vivendo ao teu lado, obrigado por tudo, principalmente pelo filho querido Guilherme, que me destes.

Para: meus filhos e netos Vocês são o sentido da minha vida, eu amo vocês por demais.

Para: Loide Te amo, te adoro e quero viver o resto da vida contigo, quero passear e namorar muito no Dia dos Namorados. Assim comemoraremos 41 anos de muito amor.

Prevenção é o melhor remédio Fagner Marques fagner.marques@gmail.com

Se tornar mãe é sonho de quase toda menina. Algumas vezes, no entanto, transformação de filha para mãe acontece antes da idade considerada padrão. Na última edição do Enfoque, o espaço dedicado às genitoras indicou que existem muitas jovens que dão à luz com menos de 18 anos. Um questionamento surgiu. Por que meninas com tão pouca idade acabam assumindo a tarefa de ser mães? “Existe o desejo de muitas adolescentes em engravidar”, destaca Ana Maria Pedrolo, enfermeira da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Brás. A afirmação se confirma

com os dados informados por Ana. Das 56 gestantes que iniciaram o pré-natal de janeiro a abril deste ano, 16 são menores, o que representa quase 30% do total. Segundo ela, ser mãe dentro da comunidade leva as jovens a assumirem um novo status social. “Existe todo um contexto, que cria este tipo de vontade. Algumas veem na maternidade uma forma de tornaremse independentes. Outras procuram constituir família, por exemplo.” O fato de a gravidez ser consciente não faz com que ela deixe de ser um problema. “A gestação em adolescentes é muito mais arriscada do que em mulheres mais velhas”, comenta Ana.

Além disso, a enfermeira destaca outros fatores, que são prejudiciais, como a evasão escolar e o abandono do trabalho. É com a intenção de esclarecer as jovens sobre os riscos e as consequências da gravidez na adolescência que a UBS possui um trabalho preventivo em relação à questão. Ele faz parte do Programa Saúde da Família, que proporciona acompanhamento em diversas áreas, com o intuito de promover ações que contribuam para o planejamento familiar. A unidade conta com consultas individuais para prevenção da gravidez, que podem ser agendadas diretamente na UBS. “O trabalho visa trabalhar

Serviços oferecidos na UBS da Vila Brás Distribuição de material: • Preservativos (camisinhas) • Anticoncepcionais de uso oral ou injetável • Encaminhamento para implantação do Dispositivo Intrauterino (DIU) • Laqueaduras • Vasectomia

Projetos de prevenção e acompanhamento: • Consultas individuais para prevenção da gravides com agendamento • Exames de sorologia (HIV, Hepatite B e C e Sífilis) • Encontro do grupo de pré-natal, realizado às quartas e quintas-feiras, às 13h30min • Encontro do grupo de mães com crianças pequenas, • Consultas individuais e visitas domiciliares de adesão ao tratamento do HIV, com agendamento

tanto a prevenção quanto orientar para uma gestação saudável, caso o desejo da jovem seja a maternidade”, diz a enfermeira.

Essa proposta inclui desde consultas de orientação até acompanhamento pré-natal e, também, grupos de mães com seus bebês.


Variedades

São Leopoldo, junho de 2011

Brechó para crianças

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As lojas alternativas oferecem roupas infantis como opção aos pequenos moradores Débora Américo VINÍCIUS CASCO

dehmaluka@hotmail.com

É

fato que na Vila Brás existem vários brechós e feirinhas de roupas usadas. É consenso também de que essa é a forma mais econômica de ter uma roupa diferente para ir trabalhar ou passear. Mas quem disse que somente adultos podem usufruir dessa forma inteligente de desfilar por ai com modelitos novos? Para algumas mães, é uma solução caída do céu. Devido ao crescimento rápido e ao desgaste constante das roupas, muitas mães não conseguem dar conta de comprar sempre roupas novas para seus filhos. Se os pequenos pudessem comprar, o que comprariam? A equipe do Enfoque lançou um desafio a Maisa Yasmin Pereira, de sete anos. Ela recebeu R$ 30 para comprar o que quisesse em roupas, calçados e acessórios no brechó. Após

Maisa Yasmin Pereira com suas compras de R$ 30,00

passar por algumas araras com roupas, olhar e remexer cabides, logo ela escolheu o que queria. Com esse dinheiro, conseguiu comprar dois conjuntos de blusa e short e um sapato da Hello Kity. Com um sorrisão nos lábios, ela comenta: “A sensação de ter dinheiro para comprar o que eu quisesse foi boa. Pensei que poderia comprar um monte de coisa”. A menina que, apesar da pouca idade, já tem uma vida agitada, faz balé e dança de rua, participa do programa Escola Aberta, diz que gosta de roupas e já pediu à mãe maquiagens. “Sou mais ou menos gastadeira. Mas gosto mais é de comprar coisas para comer”, diz. A mãe, Márcia, comenta: “A Maisa é bem vaidosa. Adora saltinho e jeans. Na formatura da creche, ela chorou até eu comprar um sapatinho de salto para ela usar com o vestidinho lilás. Mas não

acostumo ela assim. Tenho mais três filhos e não tenho condições de suprir essa vaidade dela.” Márcia Schutze, dona de brechó há seis anos, mãe da menina, diz que roupa para criança é muito difícil encontrar. “Criança estraga muito a roupa”, destaca. Ela ressalva que a procura é muito grande, que, se conseguisse mais locais onde pudesse comprar roupas infantis, o seu negócio melhoraria. “Às vezes as mães vêm, compram e não dizem da onde é que compraram a roupa. Depois que tira a etiqueta, a roupa é igual as que compram aqui”. No inverno, em épocas de chuva e início das aulas, a procura é maior. Mães aparecem para comprar agasalhos e calçados. Márcia confessa que tem perdido um pouco de mercado em função das lojas do centro de São Leopoldo por possibilitar o pagamento em várias vezes.

Gostosuras de lancheria feitas em casa LIEGE FREITAS

Andressa Boll andressa.boll@gmail.com

Quando o assunto é lanche rápido, todo mundo sabe do que se está falando. Com o corre-corre do dia a dia, comer uma refeição completa fica mais difícil. As lancherias que oferecem lanches como xis e torradas são as primeiras opções quando se pensa em comer bem e rápido, sem pagar muito. Apesar de calórico, o lanche contém todos os nutrientes necessários para uma refeição: carboidrato, proteína e legumes. Elisângela Maciel Rangel e Ana Paula Gonçalves Terres entendem bem do assunto. Ambas trabalham em um restaurante e lancheria da Avenida Leopoldo Wasun. Segundo Ana Paula, não existe nenhum segredo para o preparo de um bom lanche: “O único segredo é usar os ingredientes certos e na medida certa para que não fique faltando nem sobrando nada”, explica. Confira abaixo algumas dicas. Para os que não gostam muito de xis, ou que preferem um lanche mais leve e prático,

Os “segredos” de um bom xis • Os ingredientes necessários para o preparo de um xissalada são: pão de xis (pode ser substituído pela massinha de cachorro-quente), queijo, presunto, tomate, alface, ovo, hambúrguer, milho, ervilha e maionese; • A chapa pode ser substituída por uma frigideira ou panela;

A torrada completa é opção para quem quer um lanche rápido e fácil existe ainda a opção da torrada. Esse tipo de lanche pode ser simples, levando apenas duas fatias de pão de sanduíche, maionese, uma fatia de queijo e uma de presunto ou ainda a torrada completa, que as duas atendentes ensinaram a fazer. Os ingredientes necessários para a torrada completa são: quatro fatias de pão de sanduíche, maionese, presunto, queijo, ovo, tomate e alface. Primeiro se passa maionese em todas as fatias, após, intercala-se com os recheios,

cuidando para que não fique muito cheio, o que irá dificultar a prensa. O ideal é deixar o pão ficar marronzinho, aí estará no ponto certo. Apesar de parecer fácil, Elisângela afirma que nunca um lanche fica igual ao outro. “Mesmo que a gente faça de jeito igual, um xis nunca fica igual ao outro, então, o de casa nunca vai ficar igual ao que a gente faz”, explica. Deu água na boca? Então corre para testar as receitas passadas por quem entende o assunto e bon-appetit!

• A temperatura não pode ser muito alta para não queimar os alimentos; • Os ingredientes devem ser frescos; • O ovo pode ser feito em forma de omelete para que a clara e a gema fiquem misturadas;

• Para facilitar o manuseio, o alface e o tomate podem ser picadinhos; • O hambúrguer pode ser feito com carne moída, cebola e alho, acrescentando ovo para dar liga; • A maionese deve ser espalhada no pão sem exageros para que não fique com gosto muito forte; • A prensa pode ser substituída em casa por um grill ou sanduicheira, tomando bastante cuidado para que os ingredientes não saiam na hora de prensar; • O catchup e a mostarda ficam por conta de cada um e devem ser servidos junto com o xis já pronto.


Música

vilabrás

As mais tocadas no sábado Diferentes intenções, mas uma mesma companhia. Moradores da Vila adoram escutar as mais variadas canções! Giórgia Bazotti MARÍLIA BISSIGO

giorgiabc@gmail.com

P

roporcionar entretenimento, protestar, manifestar sentimentos. São muitas as intenções de quem faz, canta ou ouve música. Os moradores da Vila Brás não escondem a paixão por música. Minhas duas primeiras idas à Brás, em março e abril, pude perceber que um sábado ensolarado é motivo para abrir a casa, colocar as tarefas domésticas em dia, mas antes disso ligar o som! Seja no rádio, no DVD ou no celular. A música é a melhor companhia nessas horas. Vanderlei Souza, 43 anos, trabalha durante a semana no ramo de bebidas. Nas horas vagas, ele costuma fazer “bicos” em obras e leva, junto com a maleta de ferramentas, o rádio. “O trabalho rende mais escutando música”, afirma. O rádio estava ligado na Rádio Vale dos Sinos. A rádio, que fica em Novo

Vanderlei leva sempre o rádio para os “bicos” Hamburgo, tem parte da sua audiência na Vila Brás. Vanderlei faz parte dela. Ele gosta de música sertaneja, mas não deixa de escutar a gauchesca. Para ele, trabalhar ouvindo música faz com que o tempo passe mais rápido: “A gente distrai a cabeça com a música”. A música também está presente no comércio da Vila Brás. Carina da Silva,

32 anos, é proprietária do Bazar Cacá, que fica na Avenida Leopoldo Wasun. Para ela, a música é uma forma de chamar cliente. “A gente coloca um pouco de cada tipo. Sertanejo, funk, pagode”, conta. Como a loja fica próxima da escola, ao meio-dia ela coloca funk para atrair a gurizada. Já próximo das 18h, Carina troca o ritmo.

Como o final de tarde é a hora em que muitos moradores estão voltando do trabalho, ela acredita que o estilo sertanejo é o mais apropriado. “Eles chegam dizendo que gostam daqui porque é animado”, relata. Longe dos rádios, encontrei Andressa Kerschner, 11 anos, e Eduarda de Lima, nove anos. Sentadas na varanda da casa da avó, as primas estavam escutando Justin Bieber pelo celular e cantando. Quando está em casa, Andressa costuma escutar músicas pelo computador para não incomodar o pai. Das 55 músicas, Justin Bieber e Exaltasamba são as preferidas dela. A pequena Eduarda é um tanto eclética e tem 114 músicas no celular. Como não tem rádio e nem DVD em casa, ela escuta música somente pelo celular. Na arte de cantar, ela dá show. Principalmente as músicas em inglês. “Ouvindo as músicas, fui tentando cantar até conseguir”, conta Eduarda.

O setlist da Brás • Eeenie Meenie Justin Bieber • Tá vendo aquela lua Exaltasamba • Caso Novo San Marino • Alors on danse Stromae • Seu Astral Jorge e Mateus • Prisioneira Bonde do Tigrão • Vamos voar Daniel e Samuel • Na rua é uma dama JM • Cunhada Teodoro e Sampaio

As canções que embalam gerações ANANDA LOPES

Luana Teixeira Elias luana.elias@hotmail.com

O Mini Bar, de Marines, localizado na Avenida Leopoldo Wasun, recebe um grupo animado aos finais de semana. São pessoas com paixão pela música que se reúnem para extravasar este sentimento. Durante a conversa, a cantoria não para um minuto. Os moradores que passam pela rua puxam uma cadeira para sentar e ouvir um pouco da música que começa no sábado pela manhã e vai até a meianoite. O gaiteiro e violeiro Neri Rosa, 61 anos, conhecido como tio Neri, é um dos mais animados do grupo. Morador de São Sebastião do Caí, ele viaja 25 quilômetros quase todos os

José de Goes, Neri Rosa e Marino Matoso fazem da música um estilo de vida finais de semana até a Vila Brás, só para reencontrar os amigos e parceiros de serestas, assim como para manter a tradição de tocar músicas gauchescas. Os filhos Bruna Gabriela Rosa, 11 anos, e Igor Gabriel Rosa, sete, sempre acompanham o pai nestas

viagens. Bruna prefere apenas assistir, já Igor canta junto e está aprendendo a tocar gaita. “O Igor quer aprender bateria, mas o pai quer que ele toque gaita”, revela Bruna. José de Goes, o Zezinho, é um dos companheiros de Neri e

seu amigo de infância. Naturais de Alecrim, eles se reencontraram em 1987, em Novo Hamburgo. Tocam juntos há mais de 15 anos. O paranaense Marino Matoso, também acompanha a dupla. Ele conta que ouvia falar muito do Rio Grande do Sul quando ainda morava em Guarapoava, e, desde que conheceu o Estado, decidiu ficar por aqui. “O Rio Grande do Sul tem nome e abre cancha para qualquer lugar de Mato Grosso para dentro”, simplifica. Neri aprendeu a tocar os instrumentos ouvindo o irmão mais velho. Aos 11 anos começou pelo violão e, aos 18, aprendeu a tocar gaita. Ele já trabalhou na colônia e foi professor, em uma época que exigiam apenas a 5º série para

lecionar. Movido pela música, Neri vai onde ela está - e faz dela a sua profissão. Tem companheiros espalhados por outras cidades. Tocou na noite desde os 18 até os 45 anos. Suas duas primeiras esposas não aceitavam sua paixão incondicional pela música e as saídas à noite aos finais de semana. No relacionamento com sua terceira esposa, ele encontrou compreensão. Ela faleceu há três anos e, desde então, a família de Neri pensa em voltar a morar em Novo Hamburgo. “Quando perdi minha esposa, só pedi a Deus que me desse mais 10 anos para que pudesse ensinar o que sei sobre música para meu filho”, completa emocionado.


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