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“Les dessins de Duayer, sensible à la nuite des soliteries, ils cherchent une sorte d’humeur silencieux, il suggèrent un parenthèse dans la critique politique.”

“O humor de Duayer poderia ser chamado de humor do oprimido. Tem sempre alguém oprimindo alguém em seus cartuns.” JAGUAR

LIBERATION, FRANÇA

“Duayer es uno de los cracks del humor brasileño. Al lado de Henfil, Millôr, Ziraldo, Jaguar, Nani, integró el equipe de O Pasquim en su mejor fase.” ARTHUR CALAZANS , MÉXICO

Umas das centenas de charges do Pasquim que foram censuradas pelo regime militar.

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COMEMORANDO OS 50 ANOS DO PASQUIM

Salve-se Quem Puder! Cartuns e Fotos de Duayer

O Pasquim foi o principal órgão da chamada imprensa alternativa surgida no país no final da década de 60 e início da década de 70, e é considerado o jornal que mais influenciou a grande imprensa. Em seu livro História & Perspectivas, a professora Andréa Queirós afirma que "O Pasquim pode ser entendido como marco do jornalismo no Brasil justamente por renovar a linguagem dos meios de comunicação, interferindo diretamente na linguagem coloquial. A fala 'pasquiniana' influenciou a publicidade, outros periódicos e a linguagem coloquial, através da oralidade, criatividade e expressividade de seus jornalistas". De uma tiragem inicial de 20 mil exemplares, o semanário atingiu a marca de mais de 200 mil exemplares semanais em seu auge, nos anos 70, tornando-se um dos maiores fenômenos do mercado editorial brasileiro da época. Passando a ser então o porta-voz da indignação social brasileira, que vivia os seus anos de chumbo. Lançado em 26 de junho de 1969, apenas seis meses depois de instituído pela ditadura militar o grave Ato Institucional Número Cinco, o jornal O Pasquim procurou ocupar um espaço alternativo dentro da imprensa enclausurada pela censura. Fundado pelos cartunistas Jaguar e Ziraldo, e pelos jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral, o semanário nasceu com um afiado teor crítico e usava o humor irreverente como arma para tratar das questões mais sérias e importantes do Brasil e do mundo. 3


Aos poucos se integraram à equipe do hebdomadário, colaboradores de peso, como Millôr Fernandes, Claudius, Fortuna, Henfil, Paulo Francis, Ivan Lessa e tantos outros. Em 1973 foi a vez de Duayer ser contratado como fotógrafo do Pasquim e passou a clicar imagens antológicas de personalidades da época, que ilustrariam capas, entrevistas e as famosas "Pasquim-novelas". Logo, o mestre da fotografia também se revelou um cartunista de mão cheia e visão crítica. Não por acaso, Jaguar escreveu para o prefácio do livro Salve-se Quem Puder! Cartuns e Fotos de Duayer, que está sendo editado e será lançado em 2019, a melhor definição sobre este brilhante cartunista e fotógrafo: "O traço de Duayer tem uma característica difícil de encontrar: é inconfundível, desde o princípio; não parece com nenhum outro. Seu humor, com idéias brilhantes e inventivas, é sombrio; os leitores riem mas seus personagens nunca, a não ser um riso sádico. Parafraseando Augusto Boal, o humor de Duayer poderia ser chamado de humor do oprimido. Tem sempre alguém oprimindo alguém em seus cartuns." No mesmo texto, Jaguar relembra quando se conheceram. "Ele tinha sido contratado pelo Pasquim como fotógrafo. E dos bons. Clicava as entrevistas e

Duayer em sua prancheta de desenho.

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As famosas Pasquim-novelas: acima, Jaguar, Eufra, Luizão, Henfil, Toninho e Glauco. Á esquerda, Ivan Lessa e Vera Brahim. No detalhe, Millôr Fernandes numa das entrevistas da turma do Pasquim. Fotos de Duayer que estarão no livro.

as "pasquim-novelas" num dos períodos de maior sucesso do hebdomadário. De repente, engavetou a câmera e as lentes e nos comunicou que tinha virado cartunista. Durante longo tempo publicou seus desenhos nas páginas do Pasca e nas principais revistas e jornais do país e do exterior." Em 2019, quando se comemoram os 50 anos da fundação do Pasquim, nada mais justo do que relembrar esse combativo tabloide através da visão de Duayer, num livro que resgata, atraSALVE-SE QUEM PUDER! Cartuns e Fotos de Duayer Uma homenagem aos 50 anos do Pasquim Formato 20,5x21 cm, 176 páginas, capa flexível. Cartuns e fotos de Duaye, com textos, histórias de bastidores e um perfil para contextualizar o período.

vés de suas fotografias e cartuns, uma época heróica do humor, da contestação e da verdadeira resistência. 5


O cartunista Jaguar e uma das muitas modelos desinibidas que posaram para as lentes de Duayer.

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Prefácio

Apareceu o desaparecido JAGUAR

O traço de Duayer tem uma característica difícil de encontrar: é inconfundível, desde o princípio; não parece com nenhum outro. Seu humor, com idéias brilhantes e inventivas, é sombrio; os leitores riem mas seus personagens nunca, a não ser um riso sádico. Parafraseando Boal, o humor de Duayer poderia ser chamado de humor do oprimido. Tem sempre alguém oprimindo alguém em seus cartuns. Se fosse uma bebida, seria um bitter, um amargo como Underberg ou Fernec Branca, que eu curto. Mas o que eu queria mesmo dizer de Duayer, é que ele é um mutante (espero que isto não o leve a se meter em mais uma atividade: shows de rock). Quando nos conhecemos, em 1973, ele tinha sido contratado pelo Pasquim como fotógrafo. E dos bons. Clicava as entrevistas e as "pasquim-novelas" num dos períodos de maior sucesso do hebdomadário. De repente, engavetou a câmera e as lentes e nos comunicou que tinha virado cartunista. Durante longo tempo publicou seus desenhos nas páginas do Pasca e nas principais revistas e jornais do país e do exterior. Depois engavetou blocos de desenho e pincéis. Foram fazer companhia à máquina fotográfica na mesma gaveta. Tomou chá de sumiço. Reapareceu alguns anos depois com o primeiro lugar no III Salão Carioca de Humor. Publicou dois livros infantis, tornou-se um cartunista bissexto e... desapareceu de novo. Não sei o que andou fazendo nos últimos tempos, mas outro dia, como o boêmio de Nelson Gonçalves, o cartunista voltou novamente. E com um livro pronto debaixo do braço. E um monte de fotografias de primeira linha. Pelo jeito desengavetou a câmera e os pincéis. Tomara que possamos ver de novo seus desenhos e suas fotografias em alguma galeria, antes que ele arrume outra coisa e desapareça: ou numa academia de Pilates ou em algum circo no interior de Minas, por exemplo. 7


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Um puxão de orelha JAL

É isso mesmo! O Duayer merece um puxão de orelha na própria orelha de seu livro! Como um cartunista, que fez seu nome nos anos 70, publicando no Pasquim, Status, Pingente etc etc e nos jornalões e revistas estrangeiras pode deixar de produzir suas charges nos últimos anos? Ele diz que resolveu trabalhar mais com fotografia e coisa e tal, mas quando vemos seu trabalho reunido nesse livro sentimos que faz falta essa escola pasquiniana em nossa imprensa atual. É a referência de um humor ácido e escrachado que vai além da piada em si – escancara a situação nos provocando um riso nervoso. O chargista é uma espécie de termômetro da vontade popular. Rumina uma denúncia até ela virar o ridículo do ridículo da situação. O leitor, então, se sente vingado e representado em sua reclamação. Portanto o Duayer não pode abandonar essa trincheira a que nós, chargistas somos todos convocados. Pertencente à safra mineira de cartunistas do porte de um Henfil, Ziraldo, Zélio, Nani, Lor, e tantos outros, Duayer reuniu charges que não perderam sua atualidade demonstrando o quanto nosso país não sai dos mesmos problemas de sempre: corrupção, educação maltratada, divisão de renda injusta, preconceito sofrido pelos mais pobres, justiça ineficiente, saúde sem remédio... À vezes cansa repetir os mesmos temas de tempos em tempos, mas aí está a missão do chargista – nunca desistir de denunciar. Duayer, bem vindo de volta à trincheira.

JOSÉ ALBERTO LOVETRO (JAL)

É jornalista, cartunista e responsável pelo Prêmio HQMix.

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CARTUNS

O retrato do Brasil

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FOTOGRAFIAS

O Pasquim em frente e verso

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A irreverente Elke Maraviha contrasta com a sisudez da Academia Brasileira de Letras, quando a turma do Pasquim entrevistou o Presidente da instituição, Austregésilo de Athayde. Esse depoimento foi publicado no número 382, de outubro de 1976, que traz Zelia Zamir na capa ao lado da estátua do Machado de Assis (na página anterior). Abaixo, o Quarteto em Cy.

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A lente de Duayer registrou iúmeros momentos históricos com as famosas entrevistas do Pasquim. Acima, Sergio Cabral, Millôr e o conceituado crítico musical José Ramos Tinhorão. Abaixo, a turma do Pasca entrevista Brigitte Blair.

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Tenorio Cavalcanti, o Homem da Capa Preta, deu um depoimento memorรกvel ao Pasquim, devidamente registrado por Duayer. Assim como o poeta e teatrรณlogo Paschoal Carlos Magno.

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Moreira da Silva (na pรกgina anterior) capricha na pose. Luizรฃo (abaixo) foi um dos funcionรกrios do Pasquim que mais participou das divertidas fotos publicadas no semanรกrio.

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O Pasquim 209, que saiu em julho de 1973, trouxe uma entrevista emocionante com Carlos Leite. Duayer o fotografou no Teatro Brigitte Blair durante sua maquiagem e no palco.

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Duas personagens icĂ´nicas da cultura brasileira tambĂŠm posaram para a lente de Duayer: a cantora e compositora Carmen Costa e a atriz Renata Sorrah.

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Muitos momentos de humor contrastam com a seriedade da eficiente e famosa Secretária do Pasquim, Dona Nelma, sentada em sua mesa, na página anterior. Redi e Caulos também posam para cenas das divertidas “fotonovelas” do Pasquim, assim como Jaguar (à direita). Abaixo, Caulos e Jaguar se divertem mais uma vez.

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A bela Kate Lira posa suavemente para a lente de um fera da fotografia.

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Salve-se Quem Puder! Cartuns e Fotos de Duayer - 50 Anos do Pasquim  

Apresentação do projeto do livro "Salve-se Quem Puder! Cartuns e Fotos de Duayer", que está em campanha no #Catarse e é uma homenagem aos 50...

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