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Bravas Amazonas

Sete mulheres de estilos e backgrounds bem diferentes se unem no projeto Flor da Selva, que já ganhou registro audiovisual caprichado e megashow num dos teatros mais emblemáticos do país

por_ Gustav Cervinka ∎ de_ Manaus ∎ fotos_ Amanda Monteiro ∎ em_ Manaus

Um jardim de talentos se plantou em Manaus. Empoderadas, articuladas, repletas do que dizer e mostrar, sete bravas amazonas da música brasileira, todas com carreiras independentes, se uniram no projeto Flor da Selva, um show com registro audiovisual que cruza os estilos e backgrounds completamente diferentes de cada uma delas. A estreia foi em março passado, numa mega-apresentação no Teatro Amazonas.

A ideia foi da produtora Patrícia Borges, que convidou artistas com forte presença na cena amazonense: Lucinha Cabral e Anne Jezini, ambas associadas à UBC, além de Vivian Gramophone, Djuena Tikuna, Karine Aguiar e as MCs Lary Go & Strella. “Analisando a crescente produção local que envolve mulheres, conhecemos cantoras com potencial muito grande, com trabalhos incríveis em eixos diferenciados, como a dupla Lary Go & Strella, no hip hop, e Karine Aguiar, com seu jungle jazz”, comenta Borges.

Anne Jezini traz ao grupo uma sonoridade contemporânea, multirreferenciada. O trabalho da manauara se calca em elementos superurbanos, com ênfase no trip hop e em outras costuras eletrônicas, além de estilos latinos e brasileiros. Quem ouve as cançõesque ela cria começa a compreender que a cultura do Norte vai muito além do famoso “dois pra lá, dois pra cá” característico das toadas de boi-bumbá. Seus temas são tão genuínos quanto universais, com arranjos que valorizam voz, ritmo e linhas de contrabaixo, ao mesmo tempo em que guiam a atenção para as letras (ora em inglês, ora em português) e ditam movimento ao corpo.

Em 2018, a cantora e compositora lançou duas parcerias: a música “Anjo Sem Asa”, com a banda Fetuttines, de Natal, e “Agora Só Falta Você”, com Sky, de São Paulo. Nas últimas semanas, ela deu início ao processo de criação do seu terceiro álbum de estúdio.
Para ver e ouvir: ubc.vc/AJplay

“Participar disso tudo com elas são várias honras ao mesmo tempo, desde o projeto audiovisual (gravado em 2017) ao show no Teatro Amazonas, junto com artistas que eu admiro e me inspiram de alguma forma. É sempre muito bacana e enriquecedora essa troca”, diz Jezini, que gravou duas composições para a fase de registro audiovisual do projeto: “Lonely Boy” e “Modo de Voo”, ambas canções presentes no seu álbum “Cinética” e que ganharam uma espécie de versão de bolso para o espetáculo do Teatro Amazonas.

Um projeto muito bom, com muita seriedade e valorização do nosso trabalho.”
Lucinha Cabral

Detentora de composições de sucesso, passeando em gêneros musicais diferentes e com a jovialidade peculiar, a cantora Lucinha Cabral, com 30 anos de carreira, juntou um perfume especial a esse jardim.

A artista está envolvida com a elaboração de um documentário em curtametragem sobre sua própria carreira. A produção é de Patrícia Borges. Os estilos que abraçou e as fases que atravessou nestas três décadas de carreira vão dar o tempero da obra, que ainda não tem previsão de lançamento.

O som dela, de uma forma geral, traz arranjos que valorizam o violão, o ritmo com cadência influenciada pelo samba, pelo rock ou até pelo bolero, tamanha é a quantidade de referências suas. Uma das principais características do seu trabalho, além das letras — que geralmente retratam o universo cotidiano ou temas míticos da cultura amazônica — é a interpretação. Com vigor, há sempre um quê performático, como se estivesse vivendo a música ou mastigando cada palavra. Dona de uma voz forte, Cabral mostra ao mesmo tempo atitude e versatilidade, sabendo ser suave.

“Foi um projeto muito bom, com muita seriedade e valorização do nosso trabalho. Só acho que merecia uma atenção maior ainda dos apoiadores, para podermos levá-lo a outros estados”, diz a artista, que apresenta obras como “Love Tupiniquim” e “Brasileira”, além de uma homenagem aos artistas de rua, com “Cadê?”.

(Todas são) artistas que eu admiro e me inspiram de alguma forma.”
Anne Jezini
A dupla Lary Go & Strella (acima) e a cantora Djuena Tijuna: do hip hop aos sons tradicionais amazônicos, a fusão de estilos variadíssimos deu o tom do projeto Flor da Selva
VEJA MAIS! O registro audiovisual do projeto Flor da Selva. ubc.vc/FSplay