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Guia Hist贸rico para a Cidade de Vigo


Concello de Vigo Praza do Rei , 1 36206 Vigo Tlf.: (+34) 986 810 100 www.turismodevigo.org


HISTÓRIA DE VIGO Fundação mítica de Vigo

Vigo é uma cidade antiga, assim o testemunham as suas ruínas pré-históricas e romanas: era uma importante aglomeração castreja e foi um pequeno porto de pesca e comercial no séc. I d.C., na intricada rede comercial do Império Romano. Mas, paradoxalmente, é considerada uma cidade sem história, moderna, por causa do crescimento desmedido que teve no séc. XX.

Reside aí parte do preço que deve pagar por não ter um mito de fundação, de heróis e deuses que lutaram antes da história, como a cidade de Roma ou como a Buenos Aires de Borges.

Vigo teve que emergir das águas do Atlântico: deve tudo ao oceano. As suas divindades são certamente marinhas, mas não nos esqueçamos da forja e do ferro, símbolos do seu espírito industrial. Vigo seria, em termos de mitologia romana, o resultado da luta entre Neptuno, deus das águas e dos mares, e Vulcano, deus do fogo e dos metais. Uma luta para ganhar o patrocínio da cidade e a honra dos seus habitantes.

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E então, em plena Idade Média, chegou o bardo que tinha de cantar o nosso passado mítico: o grande trovador medieval Martim Codax, compôs as canções sobre Vigo: “Ondas do mar de Vigo...”, “Quantas sabedes amar amigo, treydes comig’a lo mar de Vigo: E banharnos-emos nas ondas!...”, unindo para sempre a poesia, a música, o amor e o mar de Vigo. E trazendo Vénus, a deusa do amor e da beleza, ao nosso olimpo particular das ilhas Cíes – antes ilhas dos deuses – para regozijo de todos os mortais.

E com estes três deuses crescemos e sulcamos os tempos e os mares.

Colossos metálicos marinhos partiam do porto no início do séc. XX, quando Vigo era a porta de Espanha para a América, e colossos metálicos marinhos voltam hoje em dia carregados de turistas. Assim mudaram as coisas num século. Vigo é uma cidade fundada na aliança do fogo, da água e da beleza, que esqueceu o seu passado mítico, mas que recorda para onde se dirige, a cada dia que passa. Somos uma cidade de viajantes que encontraram o seu porto. Como o capitão Nemo, aquele que Júlio Verne coloca na ria com o seu Nautilus, muitos habitantes de Vigo chegaram à cidade e decidiram ficar. Não há melhor mensagem para os visitantes que nos possam descobrir hoje.

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Pré-história

Vigo e o seu município foram povoados desde a antiguidade. Apesar de não ter sido encontrada nenhuma jazida paleolítica, o Museu Municipal Quiñones de León conserva, na sua abundante coleção arqueológica, meia centena de utensílios em quartzo e sílex datados da Idade da Pedra.

Do Neolítico, foram encontradas várias machadinhas, algumas de caráter comemorativo. Além disso, são inúmeras as construções funerárias, tumulus ou mamoas desse período que estão dispersas pelos montes de Vigo, entre as quais se destaca a denominada Casa dos Mouros, na subida ao parque de A Madroa.

Igualmente, também são abundantes, nos montes que rodeiam a cidade, os petróglifos, entre os quais se destacam os de Fragoselo e das Millaradas. Na transição do III para o II milénio a.C. há um vasto conjunto de gravuras rupestres com representações de motivos geométricos, armas e fauna.

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Pré-história

Vários achados de cerâmica, armas de bronze e mais gravuras rupestres assinalam a existência de habitantes na chamada Idade do Bronze, entre os anos 1900 e 800 a. C. E a cultura castreja, que abrange toda a Idade do Ferro e que se desenvolveu na Galiza a partir do séc. VIII a.C. até ao final do séc. I d. C., deixou em Vigo vários vestígios que demonstram a existência de 26 castros no território municipal. O maior de todos, parcialmente reconstruído, pode ser visitado na ladeira do parque do Castro. Nessa época, Vigo teve uma das maiores densidades populacionais de toda a Galiza.

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Época romana

Em Vigo, denominada de Vicus Spacorum, o processo de romanização produziu-se de forma precoce. As ruínas arqueológicas, das quais se conservam diversas amostras no Museu Quiñones de León, mostram a existência de uma intensa atividade portuária e comercial no litoral de Vigo desde o séc. II a.C. até ao séc. I d.C., quando é estabelecida a pax romana.

Da época ainda existem vestígios relevantes: aldeamentos distribuídos pelo litoral, como a Vila romana de Toralla, ruínas de instalações portuárias e de salga de peixe, ruas, necrópole, assim como, a intensa romanização dos povoados castrejos pré-existentes.

As últimas escavações realizadas no bairro histórico e no Ensanche, entre as quais se destacam as musealizadas de Salinae, revelam a existência de uma importante aglomeração humana entre os sécs. III e VI d.C.

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Idade Média

Durante este período, em que a Igreja dominava a sociedade galega, Vigo dependeu muitos anos do mosteiro cisterciense de Melón. Foi uma época marcada por frequentes incursões de piratas nórdicos que obrigavam a povoação a deslocar-se para o interior e a refugiar-se no monte do Castro.

Na Idade Média, Vigo era conhecida pelos seus olivais e pelo seu próspero comércio de pesca. Existem constâncias documentais de igrejas românicas que provam a existência de aglomerados de povoação nos sécs. XI, XII e XIII em locais que coincidem com paróquias atuais: Santiago de Bembrive, San Salvador de Coruxo e Santa María de Castrelos. Existem ainda duas pontes românicas em Sárdoma e Fragoso e inúmeros objetos conservados no Museu Quiñones de León.

A partir do séc. XII a cidade começa a recuperar povoação em torno da paróquia de Santiago de Vigo e do bairro de pesca de Santa María, o que constitui atualmente o bairro histórico que se pode conhecer através do Itinerário autoguiado Vigo antigo. Mas o desenvolvimento de Vigo abrandou quando a Coroa limitou à vizinha vila de Baiona o privilégio de comercializar por mar com outras cidades atlânticas.

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Do séc. XV ao XVIII

Com a pesca da sardinha como principal recurso económico e incentivo para o comércio, Vigo ganha povoação apesar dos piratas. Ataques como os do inglês Francis Drake em 1585 e 1589, ou dos turcos em 1617, obrigaram à construção, em 1656, das muralhas da cidade e do Castelo de San Sebastián.

Porém, é em 1702 que se acontece o episódio mais relevante da história da cidade, a batalha de Rande. A frota anglo-holandesa persegue até à ria a frota espanhola da prata procedente da América do Sul e os navios franceses que a escoltavam. Embora parte do tesouro americano pudesse ser descarregado a tempo, os ingleses, vitoriosos, levaram vários barcos e o seu conteúdo, e muitos outros foram afundados na enseada de San Simón.

Em 1778, quebra-se o monopólio dos portos autorizados a comercializar com a América e Vigo começa a beneficiar desse tráfego. São então melhoradas as defesas da cidade com novos bastiões como o da Laxe, e a muralha é concebida com sete portas: Falperra, Berbés, do Mar, Laxe, Gamboa, Sol e do Pracer são lugares que atualmente dão nome a ruas que se podem visitar facilmente com o Itinerário autoguiado Vigo antigo.


A cidade começa então a crescer pela mão de comerciantes e industriais catalães que na segunda metade do séc. XVIII instalam fábricas de salga, de sabão e de produtos de couro e linho. Através deles chegam também à cidade obras de arte de toda a Europa, que ainda hoje estão conservadas no Museu Quiñones de León.

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O séc. XIX

Em 1809, o exército francês ocupa Vigo, mas a resistência popular resultou numa libertação rápida, a popular Reconquista que ainda hoje se comemora. Este episódio, que outorgou a Vigo o título de cidade “Fiel, leal e corajosa”, foi sucedido por uma série de obras que melhoraram as dotações: em 1833 é preparado o caminho real até Madrid, um ano depois é terminada a construção da nova Colegiada, em meados do século é criada uma filial do Banco de Espanha e é construído um novo molhe de pedra. A cidade cresce e os seus governantes decidem demolir as muralhas para facilitar a sua expansão.

Nesse tempo continuam a abrir-se fábricas de salga e de derivados marinhos, o que provoca o crescimento da população assalariada e também de uma burguesia financeira. Sem muralhas, Vigo abre novas ruas e ergue nobres edifícios de pedra que é possível percorrer com o Itinerário autoguiado Vigo senhorial.

E Vigo expande-se também pelo mundo fora, especialmente graças às suas relações com a América. A partir de 1855, estabelecem-se rotas periódicas para Havana, Buenos Aires e Porto Rico. E em 1881, é inaugurada a via férrea até Ourense.

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É uma nova cidade que, em 1899, acumula aos anteriores o título de “Sempre solidária” por ter acolhido os militares feridos na Guerra Hispano-Americana. Uma nova cidade captada nas imagens conservadas pelo Arquivo Pacheco, mas que não renunciava às tradições nem à etnografia do seu meio rural, ainda hoje conservadas no Museu Liste.


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Sécs. XX e XXI

No primeiro terço do séc. XX, o porto de Vigo está unido à imagem de milhares de galegos que embarcaram rumo à emigração, mas também ao desenvolvimento económico. As fotos desse crescimento estão conservadas no Arquivo Pacheco, memória de uma época em que começam a criar-se empresas importantes como os estaleiros Barreras e Vulcano ou a Pescanova e uma multitude de firmas relacionadas com o mar que converteram o porto de Vigo no principal porto de pesca da Europa.

Outro símbolo da cidade foi o elétrico, que começou a funcionar em 1914, na altura em que despontava uma enorme atividade social com jornais, associações e organizações de caráter político ou sindical. Foi um dinamismo que emudeceu com o golpe de Estado fascista contra a República e com a posterior Guerra Civil.

Conforme o século avança, Vigo absorve os municípios de Bouzas (1904) e Lavadores (1941), mas sem perder o seu perfil mais rural que ainda é possível contemplar na periferia e que se conserva no Museu Liste.

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Em meados do século é concebida a Gran Vía, são instaladas indústrias como a Citroën e são criados novos bairros como o de Coia, o que permite um elevado crescimento demográfico, passando dos 30.000 habitantes que havia em 1910 aos quase 300.000 atuais.

Atualmente, Vigo é uma cidade industrial mas também de serviços. Uma cidade vanguardista que se pode examinar no Museu de Arte Contemporânea (MARCO) e nos seus mais modernos edifícios e espaços urbanos, que é possível percorrer com o Itinerário autoguiado Vigo de ontem e de hoje. A indústria automóvel, os estaleiros, a indústria conserveira, a construção e a moda fazem de Vigo o motor económico da Galiza e um ponto de referência também para o norte de Portugal.


Prehistoria Roma Idade Média Sécs. XV-XVIII Séc. XIX Sécs. XX-XXI x x x x x

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Vigo de ontem e de hoje

Vigo senhorial

Vigo antigo

MARCO

Arquivo Pacheco

Museu Liste

Vila romana de Toralla

Salinae

Jazida do Castro

Paço-Museu Quiñones de León

Museus Itinerários

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