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ID: 38112664

21-10-2011 | P2

Tiragem: 51453

Pág: 12

País: Portugal

Cores: Cor

Period.: Diária

Área: 28,88 x 19,95 cm²

Âmbito: Informação Geral

Corte: 1 de 1

Exposição no Museu da Electricidade

A arquitectura portuguesa de malas feitas Viajando em arcas como se fazia antigamente, Overlappings, a exposição de trabalhos de seis ateliers portugueses, chega a Lisboa depois de passar por Londres, Milão e Barcelona JOÃO MORGADO

Alexandra Prado Coelho

a Não tinha havido até hoje uma exposição de arquitectura portuguesa tão viajada – Londres, Barcelona, Milão, depois Loulé (integrada no programa Allgarve), agora Lisboa, onde é inaugurada hoje no Museu da Electricidade (até 11 de Dezembro), depois possivelmente Berlim. E talvez mais longe. Não se sabe ainda para que outros destinos poderão seguir as seis arcas de viagem da exposição Overlappings – 6 ateliers de Arquitectura Portuguesa. Para já, as arcas de viagem, concebidas pelo arquitecto João Favila, pousam durante quase dois meses à beira-Tejo, e é a vez de os portugueses conhecerem o seu conteúdo: vários projectos de Manuel e Francisco Aires Mateus, Ricardo Bak Gordon, João Favila, Inês Lobo, Paulo David, Ricardo Carvalho+Joana Vilhena. Um conjunto de trabalhos variado, desde as casas desenhadas pelos Aires Mateus (em Coruche, Quinta do Lago, Cadoços, Monsaraz, Monte Caveira, Barrocal, Aroeira e Comporta), aos hotéis de João Favila em Aljezur e no Funchal, passando pelos projectos em que Inês Lobo parte de edifícios já existentes, adaptando-os a novos usos (por exemplo, a antiga Escola

Em cada caixa (ou arca) o trabalho de um atelier

Apostólica da Ordem de S. João de Deus, em Sintra, transformada em museu), ou pelo trabalho de Ricardo Carvalho e Joana Vilhena no Museu do Design e da Moda (MUDE), a partir do edifício semidestruído do antigo Banco Nacional Ultramarino, ou na Escola Sebastião da Gama, em Setúbal. Mas também pelas casas de Bak Gordon em Óbidos, Tavira e Leiria,

e pela Casa das Mudas, no Funchal, ou a entrada da Cave de São Vicente, projectos de Paulo David. São trabalhos muito diferentes, mas, escreve o comissário britânico Jonathan Sergison num texto de apresentação, atravessados “pela sensação de existirem temas que se sobrepõem, explorando um sentimento de reciprocidade que é equilibrada por considerações

particulares e pessoais”. Sergison vê neste conjunto de projectos uma cumplicidade que é “resultado de uma cultura arquitectónica específica” que tem muito a ver com o facto de em Lisboa e no Porto os ateliers de arquitectura “estarem muitas vezes localizados nos mesmos bairros” e de existir uma cultura de encontro e de troca de ideias – “sair para beber um

café gera breves intervalos fora do estúdio e, mais significativamente, permite encontros inevitáveis com amigos e colegas”. O comissário admite que “este detalhe pode parecer prosaico ou pitoresco, mas ajuda a explicar a razão pela qual esta exposição de grupo é possível”. A ideia de mostrar o que fazem os arquitectos portugueses da geração que se seguiu à dos dois Prémios Pritzker, Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura, partiu do Royal Institute of British Architects (RIBA). Depois de premiar Siza em 2009 com a Medalha de Ouro, o RIBA quis conhecer melhor o trabalho de outros arquitectos portugueses, e foi dessa vontade que surgiu a Overlappings, com o apoio do AICEP, da Ordem dos Arquitectos, do Instituto Camões, e o patrocínio da empresa Viroc. As arcas de viagem que guardam os projectos dos seis ateliers viajaram depois para Barcelona e Milão, divulgando a arquitectura que se faz em Portugal. Voltemos, para concluir, ao texto de Sergison: “Estes são todos projectos que são rigorosa e precisamente concebidos como invenções arquitectónicas originais, que se tornam fortes através da sua realização como objectos físicos.”


Overlappings, a exposição de trabalhos de seis ateliers portugueses