Issuu on Google+

PARTE I - 1980 A 1995

1


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

2


PARTE I - 1980 A 1995

3


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

Cetip Diretor-Presidente: Gilson Finkelsztain Diretora de Recursos Humanos: Ana Buchaim Diretor Financeiro: André Milanez Diretor-Executivo de Autorregulação: Carlos Menezes Diretor-Executivo Comercial e de Produtos da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários e de Marketing e Comunicação: Carlos Ratto Diretor Comercial e de Produtos da Unidade de Financiamentos: Iroilton Medeiros Diretor-Executivo de Tecnologia da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários: Marcio Castro Diretor-Executivo de Operações e de Tecnologia da Unidade de Financiamentos: Mauro Negrete Diretor-Executivo Jurídico, de Compliance e de Relações Institucionais: Reinaldo Rabelo Diretor Vice-Presidente Executivo da Unidade de Financiamentos e de Novos Negócios: Roberto Dagnoni Diretora-Executiva de Operações da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários: Simone Acioli Diretor-Executivo Financeiro, Corporativo e de Relações com Investidores: Willy Jordan

Realização Marcella Barbosa | Cetip Mariana Roverse | Cetip

Produção Editorial Projeto Editorial: Trixe Comunicação Estratégica Coordenação Editorial: Patrícia B. Teixeira | Trixe Pesquisa: Camila Melim, Carla Nogueira, Lúcia Helena Camargo e Marco Piovan Autora: Patrícia B. Teixeira Coautores: Alexia Raine e Leonardo Guandeline Edição: Trixe e Zinnerama Revisão: Alexia Raine e Leonardo Guandeline Projeto Gráfico: Fellipe Rocha | Zinnerama Editoração: Fabiana Pereira e André Sousa Fotografia: Paulo Pampolin, Getty Images, Deposit Photos, Acervo Bilioteca da Presidência da República, Agência Estado, Agência O Globo Tradução: Tracy Miyake

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP

  R788a       Teixeira,  Patrícia  B.   CETIP  30  anos  –  Conectando  o  mercado  financeiro   desde  1986  –  São  Paulo:  Zinnerama,  2016.     250  p.  ;  21x28  cm   ISBN     978-85-92770-01-3              1.Cetip.  2.  Mercado  Financeiro.  3.  Economia  4.  Títulos   Privados  5.  Renda  Fixa  .  Raine.  Alexia.  II.  Guandeline.   Leonardo  Título.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     CDD  –371.35  

4


PARTE I - 1980 A 1995

CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO

DESDE 1986

5


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

Dedicamos este livro a todos que fizeram e fazem, de alguma maneira, a Cetip acontecer

6


PARTE I - 1980 A 1995

AGRADECIMENTOS Antes de iniciar a trajetória deste livro de 30 anos, gostaríamos de agradecer a todos que contribuíram para ele acontecer. Foram dezenas de entrevistas com pessoas que ofereceram seu tempo e dedicação para contar histórias e relembrar momentos. Aos que abriram seu acervo pessoal para trazer fotos e memórias. Aos que, de alguma forma, deram sua contribuição direta ou indiretamente. Aos funcionários, clientes, conselheiros, acionistas e parceiros. À Comissão de Valores Mobiliários. Ao Banco Central do Brasil. A você que reservará um tempo para ler este livro e, assim, mergulhar nesta história que se iniciou há três décadas.

7


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

SUMÁRIO 11

PREFÁCIO

18

INTRODUÇÃO

25

PARTE I (1986 –1995) - EM MEIO À INSTABILIDADE POLÍTICO-ECONÔMICA, SURGE A CETIP

28

O INÍCIO DA DÉCADA

38

SELIC

40

FRAUDE DOS TÍTULOS PRIVADOS

47

A SEGURANÇA QUE MOVE O MERCADO

51

MENINA DO RIO

53

O CENTRO DE PROCESSAMENTO DE DADOS (CPD)

54

TAXA DI–CETIP

58

ACORDO PARA OPERAR O SND

62

PLANO COLLOR E A CETIP

65

TAXA REFERENCIAL

69

AS FASES DO PLANO REAL

70

SWAP

70

DERIVATIVOS DE BALCÃO

76

PLANOS ECONÔMICOS E A CETIP

89

PARTE II (1996 – 2005) – CETIP: A ECONOMIA BRASILEIRA MOVIDA PELA REVOLUÇÃO DIGITAL

99

8

PERÍODO DE DESAFIOS E INOVAÇÕES NA CETIP

100

SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO (SPB)

110

ADEUS AOS MAINFRAMES

112

BUG DO MILÊNIO

131

CETIP E SEUS 15 ANOS


PARTE I - 1980 A 1995

134

AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2002

137

EXPANSÃO DO CRÉDITO

145

LEI DAS S.AS. E EDIÇÃO DE INSTRUÇÕES PELA CVM

146

MERCADO SECUNDÁRIO DE TÍTULOS PÚBLICOS

159

PARTE III (2006 – 2015) - CETIP CRESCE EM MEIO A EXPANSÃO DO ACESSO AO CRÉDITO

164

CETIP E SEUS 20 ANOS

166

DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP

176

ADVENT COMO ACIONISTA E A ABERTURA DE CAPITAL

178

PROCESSOS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA

184

CETIP E O CICLO DE FINANCIAMENTOS

189

CRIAÇÃO DA ANBIMA

190

CETIP E SEUS 25 ANOS

192

A EVOLUÇÃO DA MARCA CETIP

195

MUDANÇA DE ACIONISTA E INOVAÇÕES

223

PARTE IV (2016) – RETRATO ATUAL

227

UMA EMPRESA PARCEIRA DO CLIENTE

228

TODA MUDANÇA EXIGE ESTRATÉGIA

232

GOVERNANÇA CORPORATIVA

234

A “CEREJA DO BOLO” DE INVESTIMENTOS

236

VALORES CETIP

239

COMPROMISSO COM A EDUCAÇÃO E A CULTURA

245

COMPROMISSO COM A INOVAÇÃO

248

UMA EMPRESA MOVIDA POR DESAFIOS

9


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

10


PARTE I - 1980 A 1995

PREFÁCIO Este livro, homenagem prestada à Cetip por ocasião da comemoração de seus 30 anos, é um registro histórico da sua trajetória de sucesso que certamente foi construída com base em muito trabalho, esforço e dedicação. A esses registros, muito especiais, adiciono o meu reconhecimento do serviço de excelência prestado pela Cetip durante esses anos. No Brasil, essa história começa a ser pavimentada no ano de 1979, quando representantes de diversas instituições financeiras e de suas entidades de classe reuniram-se para tratar do assunto. O objetivo era criar um sistema que dotasse de maior segurança a emissão e negociação de Títulos Privados de Renda Fixa, tendo em vista o crescente volume de fraudes por meio de adulteração e falsificação de títulos, trazendo insegurança para os participantes do mercado. Um grande marco nessa história ocorreu em agosto de 1984, ocasião em que o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a constituição da entidade denominada Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip). Em seguida, o Banco Central do Brasil aprovou, em outubro de 1985, o regulamento do sistema de registro e de liquidação financeira de títulos, cuja administração competiria à Cetip, uma associação sem fins lucrativos, à qual caberia, também, fazer o registro e o processamento eletrônico dos títulos negociados por intermédio do referido sistema. A regulamentação do registro de ativos financeiros, com a consequente implantação de infraestruturas do mercado financeiro que realizam essa atividade, representa ferramenta essencial para o desenvolvimento do mercado financeiro e para o monitoramento da estabilidade financeira.

11


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

É inegável a contribuição de procedimentos padronizados e racionais de registro para a segurança e confiabilidade das transações financeiras. O registro de qualidade permite à autoridade financeira melhores condições de avaliar o tamanho dos diversos mercados de ativos financeiros, a concentração e a interconexão entre instituições e investidores. Com a edição da Lei 10.214, de 27 de março de 2001, que dispõe sobre a atuação das câmaras e dos prestadores de serviços de compensação e de liquidação no âmbito do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), reforçou-se a necessidade de infraestruturas voltadas para aumentar a eficiência e segurança no processo de compensação, liquidação e transferência de ativos financeiros. Nesse contexto, a Cetip, mais uma vez, envidou esforços para observar as melhores práticas estabelecidas para as infraestruturas de mercado, alinhadas a padrões reconhecidos internacionalmente. As infraestruturas, entre as quais se insere a Cetip, mostraram resiliência frente à recente crise financeira internacional, funcionando sem sobressaltos diante de choques internos ou externos. O arcabouço regulatório e institucional no Brasil em relação a registro, depósito e liquidação de transações com ativos financeiros tem sido exemplo para a comunidade internacional. E a Cetip tem contribuído para o alcance e a manutenção desse cenário positivo.

12


PARTE I - 1980 PREFÁCIO A 1995

A atividade de registro surgiu no Brasil, portanto, com a intenção de proporcionar segurança às transações com títulos, vinculando os conceitos de registro, liquidação e custódia. De certa forma, ainda que se considere o decurso do tempo e o aumento da complexidade das transações financeiras, os fundamentos da decisão de criação da Cetip permanecem e representam um pilar para a atividade de supervisão nos dias de hoje. Mesmo diante desse quadro, as autoridades e o próprio mercado continuam aprimorando suas práticas. Exemplo disso foi a edição da Lei 12.810, de 15 de maio de 2013, que, ao definir a atividade de depósito centralizado e de registro de ativos financeiros e de valores mobiliários, proveu certeza legal ao exercício dessas atividades sem a necessidade de desempenhar a atividade de liquidação, e propiciou o adequado suporte jurídico ao instituto da titularidade fiduciária por parte das entidades depositárias e a constituição de gravames e ônus de ativos financeiros. A atividade de depósito centralizado tem como principal objetivo manter a guarda centralizada de ativos financeiros, em geral de forma escritural, facilitando a rápida transferência de titularidade e a liquidação desses ativos. Configura-se, desta forma, em uma infraestrutura do mercado financeiro essencial para promover a eficiência e o desenvolvimento do mercado secundário dos ativos financeiros.

13


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

Mais uma vez, as infraestruturas do mercado financeiro, a exemplo da Cetip, estão sendo instadas a adequar seus sistemas e regulamentos com o objetivo de agregar maior valor a seus usuários e inspirar confiança ao mercado, contribuindo, desta forma, para a manutenção de um sistema financeiro eficiente e robusto. As entidades que desempenham a atividade de registro, depósito e liquidação, em especial a Cetip, nesses últimos 30 anos, desempenham um papel vital para o aumento da transparência das operações, de forma a permitir que as entidades supervisoras identifiquem as vulnerabilidades do sistema financeiro e desenvolvam políticas consistentes de regulação e supervisão que promovam a estabilidade financeira e reduzam o risco sistêmico. Mais ainda, agem não só como fontes de informação para autoridades de supervisão, mas também para os participantes de mercado e para o público em geral, promovendo o desenvolvimento do mercado. Quanto ao futuro, sabemos que os desafios serão significativos. O mercado de capitais e o sistema financeiro têm influência direta na mobilização de capital e na eficiência econômica. Portanto, a busca pelo seu aperfeiçoamento, eficiência e segurança deve ser uma constância.

14


PARTE I - 1980 PREFÁCIO A 1995

Em termos de inovação, merece destaque a digitalização de processos combinada com novos conceitos em relação à tecnologia da informação, a exemplo de distributed ledger e blockchain. Os referidos mecanismos vêm despertando interesse de reguladores, instituições e entidades, em vários países, em função de seu potencial transformador, principalmente no mercado de infraestrutura do mercado financeiro. Diversos fóruns internacionais, a exemplo do CPMI, IOSCO, Comitê de Basileia e FSB, têm envidado esforços para compreender, analisar potenciais impactos e acompanhar seu desenvolvimento no mercado. Por toda a trajetória da Cetip abordada neste livro, tenho confiança de que, diante do cenário de rápida transformação tecnológica que estamos vivendo, ela saberá lidar com os novos desafios à frente.

Alexandre Tombini ECONOMISTA E PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL DE JANEIRO DE 2011 A JUNHO DE 2016

15


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PREFACE This book, which is a tribute paid to Cetip as it celebrates its thirtieth anniversary, is a historical record of the company’s successful trajectory which was built on hard work, effort, and dedication. To these very special records I add my own recognition of the excellent service provided by Cetip during these years. In Brazil, this story began in 1979 when representatives of various financial institutions and their professional associations met for discussion. The goal was to create a system that would bring more security to the issuance and trading of private fixed-income securities, considering the growing number of fraud cases involving tampered or fake securities which generated uncertainty for those participating in the market. A major milestone took place in August of 1984, when the CMN authorized the establishment of an entity called the Center for Custody and Financial Settlement of Securities (Cetip). Next, in October 1985 the Brazilian Central Bank approved regulation of the system for recording and financial settlement of securities, the administration of which fell to Cetip. At that time, Cetip was a non-profit association that was also responsible for recording and electronically processing the securities traded through that system. Regulation of the registration of financial assets, and the subsequent implementation of the financial market infrastructure to carry out this activity, is an essential tool for the development of the financial market and the monitoring of financial stability. There is no denying the contribution made by standardized and rational recording procedures for the safety and reliability of financial transactions. And high-quality registration provides financial authorities with better conditions to evaluate the size of the various financial asset markets, as well as concentration and interconnectedness between institutions and investors. The enactment of Law No. 10214 of March 27, 2001, which regulates the operation of repositories and clearing and settlement services in the Brazilian Payment System (SPB), underscored the need for targeted infrastructure to increase efficiency and security in the process of clearance, settlement, and transfer of financial assets. In this context, Cetip again took action to comply with the best practices established for market infrastructure, aligned with internationally recognized standards. The infrastructure, including those in which Cetip is located, has shown its resilience in the face of the recent international financial crisis, running smoothly despite internal or external shocks. The regulatory and institutional framework in Brazil in relation to registration, deposit, and settlement of transactions with financial assets has been an example for the international community. And Cetip has contributed to the achievement and maintenance of this positive scenario. Registration emerged in Brazil as a way of providing security in securities transactions, linking the concepts of registration, settlement, and custody. In a way, despite the passage of time and the increasing complexity of

16


PARTE I - 1980 A 1995

financial transactions, the underlying motives for creating Cetip are still present, and represent a pillar for supervision activities even today. Nevertheless, the authorities and the market itself still continue to hone their practices. An example is the enactment of Law 12810, of May 15, 2013, which in defining the activity of centralized filing and registration of financial assets and securities provided legal certainly to these activities without the need to perform the settlement activity, and provided appropriate legal support to the fiduciary owner for depositing entities and the establishment of liens and encumbrances of financial assets. The main objective of centralized deposits is to maintain centralized custody of financial assets, usually in book-entry form, which facilitates rapid transfer of ownership and liquidation of these assets. This allows market infrastructure which is essential to promote efficiency and the development of the secondary market for financial assets. Once again, financial market infrastructures in the model of Cetip are being urged to adapt their systems and regulations in order to provide greater value to their users and inspire confidence in the market, thus contributing to the maintenance of an efficient and robust financial system. In the past 30 years, the entities that carry out registration, deposit, and settlement (especially Cetip) have played a vital role in increasing the transparency of operations in order to allow supervisory authorities to identify the vulnerabilities of the financial system and develop consistent policies for regulation and supervision that foster financial stability and reduce systemic risk. Furthermore, they not only act as sources of information for supervisory authorities, but also for market participants and the general public, promoting the development of the market. As for the future, we know that the challenges will be significant. The capital market and the financial system have a direct influence on capital mobilization and economic efficiency. Consequently, attempts to improve it along with its efficiency and safety must be ongoing. Notable in terms of innovation are the computerization of processes combined with new concepts related to information technology, such as distributed ledger and blockchain. These mechanisms have captured the interest of regulators, institutions, and entities in various countries because of their transformative potential, particularly in the market for financial market infrastructure. Several international forums like CPMI, IOSCO, the Basel Committee, and FSB have made efforts to understand them, analyze their potential impacts, and monitor their development in the market. Throughout the trajectory of Cetip described in this book, I am confident that the company will know how to deal with the new challenges ahead in the face of the rapidly changing technological scenario that we are experiencing.

Alexandre Tombini ECONOMISTA E PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL DE JANEIRO DE 2011 A JUNHO DE 2016

17


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

INTRODUÇÃO PRIMEIRAS LEMBRANÇAS SOBRE A CETIP Falar de Cetip é quase um sinônimo da história e da consolidação do mercado financeiro desde o início da década de 1980. Apesar da empresa ter iniciado sua operação em março de 1986, os registros mostram claramente sua necessidade ao mercado desde o final dos anos 1970. A criação do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), em 1979, e a sua implantação, em 1980, com o registro de títulos públicos, abriu a necessidade da criação de algo similar para emissão e negociação de Títulos Privados de Renda Fixa. O crescimento de fraudes, falsificações e prejuízos bancários dava oportunidade para a criação de uma regulamentação segura. O Brasil vivia uma grande incerteza no mercado político e econômico, o que abria espaço para soluções sólidas. Nesse cenário, a Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima), com aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central, cria, em 1984, a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip). A Cetip nasceu ao fim de uma ditadura e acompanhou o movimento das Diretas Já, a posse de um presidente por meio de eleição indireta, vários planos econômicos, a ascensão e a queda de um presidente eleito pelo povo após um longo período ditatorial. Viu de perto a implantação do Plano Real, a abertura de mercado, a estabilização da moeda, a evolução da tecnologia, o temor do bug do milênio e ainda acompanhou a ascensão da classe C, o crescimento do consumo, além de vários outros grandes momentos da história política, econômica e social do Brasil. Nada mais justo do que registrar tudo isso em um livro sobre os 30 anos da Cetip e deixar um legado para os que se interessam pelo mercado financeiro. A ideia deste livro é trazer uma contribuição com histórias que cruzam os fatos do Brasil no que tange questões políticas, econômicas, mercado financeiro e Cetip. 18


PARTE I INTRODUÇÃO - 1980 A 1995

Este é o resultado de um trabalho de pesquisa intensa no qual foram entrevistadas inúmeras pessoas e feita uma extensa leitura das principais matérias desde 1980 dos veículos mais relevantes do País que fizeram coberturas históricas.

A HISTÓRIA VIVIDA DE PERTO Eu acompanhei uma parte desta história de perto. Na década de 1990, quando me formei em engenharia, comecei a trabalhar no mercado financeiro como operador de câmbio e renda fixa na mesa de operações. Lidei, portanto, com os primeiros derivativos de balcão registrados na Cetip. O mercado via a obrigação dos registros como um excesso de burocracia pelo regulador brasileiro. Em nenhum lugar do mundo existia esse nível de controle, algo muito questionado pelos bancos, que se incomodavam com os custos gerados pelas exigências. Eu concordava, achava que seria melhor seguir a tendência mundial e deixar o mercado se autorregular. Ao longo da minha carreira, e, em especial após a crise de 2008, passei a valorizar muito o trabalho da Cetip. O Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários sempre foram muito preocupados em ter amplo controle e supervisão financeira, com objetivo de aumentar a segurança e eficiência dos mercados. O modelo brasileiro de regulamentação de registro de ativos financeiros se provou acertado. Hoje em dia, o País é pressionado por organismos internacionais a ser ainda mais abrangente na regulação via empresas de infraestrutura de mercado. O Brasil sempre foi e continua sendo um exemplo de supervisão financeira para a comunidade internacional.

19


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

O PAPEL DA CETIP A Cetip é uma empresa que nasceu para auxiliar na supervisão do bom funcionamento dos mercados. Posicionada no meio do caminho entre os reguladores e os bancos, corretoras e outras instituições financeiras, facilita o funcionamento dos mercados e garante a segurança. A empresa é peça fundamental na infraestrutura do mercado financeiro. Somos uma equipe dedicada e coesa. Destaco o trabalho que a diretoria vem fazendo no sentido de se aproximar dos clientes, preocupada com a qualidade do serviço. Embora a Cetip seja pouco conhecida pelas pessoas físicas, é muito importante para o funcionamento do mercado. Praticamente todos os fundos de investimentos têm contas aqui. A empresa liquida muitos bilhões de reais todos os dias e possui alguns trilhões em custódia. São cerca de 7 milhões de gravames por ano e mais de 70 diferentes ativos e derivativos registrados na Cetip. É uma enorme responsabilidade liderar esta empresa. Faço questão de conhecer muito bem nossos maiores clientes e investidores. Mantenho uma agenda intensa de visitas aos principais bancos brasileiros e acionistas. O fato dos clientes fazerem parte do nosso Conselho de Administração mostra o grau de proximidade que nos propomos a ter com eles.

20


PARTE I INTRODUÇÃO - 1980 A 1995

A Cetip está no nível máximo de governança corporativa no Brasil. É parte do Novo Mercado e uma das poucas “corporations” (empresa sem acionista controlador) brasileiras.Trimestralmente, fazemos prestação de contas a investidores, acionistas e mercado em geral. Somos um ótimo pagador de dividendos e o número de acionistas vem crescendo nos últimos anos. Nossa saúde financeira é excelente. Tenho orgulho de trabalhar nesta empresa, que acompanhou todas as fases do desenvolvimento do mercado financeiro brasileiro, considerado um dos mais eficientes do mundo. A segurança que move o mercado aliada com os valores da marca e ao comprometimento dos nossos funcionários tem permitido construir esta história tão sólida, se adequando com firmeza aos cenários econômicos. Espero que apreciem a história construída pela Cetip por meio de pilares sólidos e consolidados do mercado financeiro. Boa leitura!

Gilson Finkelsztain

DIRETOR-PRESIDENTE DA CETIP Gilson Finkelsztain, 44 anos, ingressou na Cetip em 2011, como membro do Conselho de Administração. Em agosto de 2013, assumiu a Presidência da empresa

21


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

INTRODUCTION

FIRST MEMORIES ABOUT CETIP Talking about Cetip is almost synonymous with the history and consolidation of the financial market since the beginning of the 1980s. Although the company began operations in March 1986, the record clearly shows the market’s need for this institution since the late 1970s. The creation of Selic (the Special System for Settlement and Custody) in 1979 and its implantation in 1980, with the register of government securities, created the need to create something similar for the issue and negotiation of private fixed-income securities.

This is the result of intense research efforts entailing countless interviews and extensive reading of the main articles in the country’s most significant media since 1980, where historic coverage appeared.

Increases in fraud, forgery, and losses to banks opened an opportunity to create safe regulations. Brazil was passing through a moment of great uncertainty in the political and economic market, which opened a space for solid solutions. It was against this backdrop that Andima (the National Association of Open Market Institutions) created the Center for Custody and Financial Settlement of Securities (Cetip) in 1984 with the approval of the National Monetary Council (CMN) and the Central Bank.

I saw part of this history up close. In the 1990s, when I majored in engineering, I started working in the financial market as a foreign exchange and fixed-income desk trader. I subsequently dealt with the first over-the-counter derivatives recorded at Cetip. The market saw the obligatory registration as an excess of bureaucracy by Brazilian regulators.

Cetip emerged at the end of a dictatorship and accompanied the Direct Elections Now movement, the ascension of an indirectly-elected president, several economic plans, and the rise and fall of a president elected by the people after a long period of dictatorial rule3. It saw the establishment of the Real Plan, the opening of the market, the stabilization of the currency, technological evolution, and the fear of the Y2K bug. It also followed the rise of the so-called C class, growth in consumption, and several other great moments in the political, economic, and social history of Brazil. There is nothing more deserving than to record all this in a book about Cetip’s 30 years and leave a legacy for those who are interested in the financial market. The idea of this book is to contribute to the financial market with stories that combine Brazilian facts with matters related to politics, the economy, the financial market, and Cetip.

22

THE STORY UP CLOSE

Nowhere else in the world had this level of control; it was something questioned by the banks, which were bothered by the costs incurred by these demands. I agreed, thinking it would be better to follow the global trend, which was to let the market self-regulate. Throughout my career, and especially after the crisis of 2008, I came to greatly value the work of Cetip. The Central Bank and Mortgage Securities Commission have always been very concerned with maintaining broad financial supervision and control in order to increase safety and efficiency in the markets. The Brazilian model of registry regulations for financial assets proved to be the right choice. Today the country is under pressure from international agencies to be even more comprehensive in regulating via market infrastructure companies. Brazil has always been and continues to be an example of financial supervision for the international community.


PARTE I - 1980 A 1995

THE ROLE OF CETIP Cetip is a company that was born to assist in the supervision and proper functioning of the markets. Positioned midway between regulators and banks, brokerages, and other financial institutions, it facilitates the functioning of the markets and guarantees security. The company is a key player in the financial market infrastructure. We are a dedicated and cohesive team. I highlight the work that the board has done in order to move closer to their clients, and their concern with the quality of service. Although Cetip may not be well known to individuals, it is very important to the functioning of the market. Virtually all investment funds have accounts here. The company settles many billions of reais every day and has a few trillion in custody. There are about 7 million liens per year, and more than 70 different assets and derivatives registered at Cetip. It’s a huge responsibility to lead this company.

The security that drives the market combined with the brand’s values and the commitment of our employees has allowed us to build this very solid history, adapting firmly to the economic scenarios. I hope you enjoy the history Cetip has built through solid and established pillars of the financial market.

Gilson Finkelsztain

CHIEF EXECUTIVE OFFICER OF CETIP Gilson Finkelsztain, who is 44 years old, joined Cetip in 2011 as a member of the board of directors. In August 2013, he became CEO of the company.

I make a point of getting to know our largest clients and investors very well. I maintain an intensive schedule of visits to the major Brazilian banks and shareholders. The fact that clients participate in our board of directors shows the degree of closeness that we aim to have with them. Cetip is at the highest level of corporate governance in Brazil. It is part of the New Market, and one of the few Brazilian “corporations” (a company without a controlling shareholder). We present our financial statements to our investors, shareholders and the market in general every quarter. We are a great source of dividends, and the number of shareholders has been growing in recent years. Our financial health is excellent. I am proud to work in this company, which has followed along with all the phases of development in the Brazilian financial market and is considered one of the most efficient in the world.

23


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

24


PARTE I - 1980 A 1995

PARTE I

1986 -1995 EM MEIO À INSTABILIDADE POLÍTICO-ECONÔMICA, SURGE A CETIP

25


IMAGEM: ALFREDO RIZUTTI / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

MOBILIZAÇÃO NO INÍCIO DOS ANOS 1980: PRESSÃO AO GOVERNO MILITAR POR MELHORIAS POLÍTICO-ECONÔMICAS E SOCIAIS

26


PARTE I - 1980 A 1995

P

olítica, Economia, Finanças, Tecnologia, Música, Moda e Arte são algumas das áreas que marcam a década de 1980. O brasileiro vinha de um momento difícil, sem perspectiva de mudança ou melhora próxima. Muitos cientistas e pesquisadores políticos chamam esse período de “Década Perdida”, pois, segundo eles, nada aconteceu para o Brasil. Parecia que tudo estava estagnado. Quando se olha por outros ângulos, contudo, muitas das bases da construção da história brasileira se dão pelos acontecimentos vividos nesse período, e algumas das consequências político-econômicas são percebidas pelo menos nos 30 anos seguintes.

27


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

O INÍCIO DA DÉCADA O retrato do Brasil no início da década de 1980 era de ditadura; hiperinflação; dívida externa altíssima com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em torno US$ 80 bilhões; excessivos gastos públicos por parte dos militares; paralisação dos investimentos; insatisfação dos trabalhadores e um grande caos econômico. O então presidente, general João Figueiredo (cujo mandato durou entre 1979 e 1985), pedia ao povo brasileiro contenção de despesas. INFLAÇÃO ACUMULADA NOS PRIMEIROS 5 ANOS DA DÉCADA DE 1980

1984

223,9%

1983

211,02%

1982

99,71%

1981

95,18%

1980

110,24%

FONTES: BRASIL ECONÔMICO: HTTP://BRASILECONOMICO.IG.COM.BR/VIDA-E-ESTILO/2014-05-30/PLANOS-ECONOMICOS-MARCARAM-AS-DECADAS-DE-80-E-90-NO-BRASIL.HTML FOLHA DE S. PAULO: HTTP://ALMANAQUE.FOLHA.UOL.COM.BR/DINHEIRO90.HTM FOLHA DE S. PAULO: HTTP://ALMANAQUE.FOLHA.UOL.COM.BR/DINHEIRO80.HTM ACESSO EM 09 DE OUTUBRO DE 2016

Em seu discurso oficial, no dia 1º de janeiro de 1980, Figueiredo já dizia o cenário em que o Brasil se encontrava: “A ninguém prometo fins de mês sem dificuldades. Mas a todos, e em especial aos mais abastados, convido a dar o exemplo e dispensar as superfluidades ostentatórias”. O discurso do general, publicado no jornal Folha de S.Paulo, refletia o desânimo nacional e a onda de pessimismo que ecoava pelas cinco regiões do País. Apesar de toda essa problemática, Figueiredo tinha feito uma promessa aos brasileiros em seu primeiro dia de governo: devolver o País aos civis ao final de seu mandato. 28


IMAGEM: ACERVO DA BIBLIOTECA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

PARTE I - 1980 A 1995

JOSÉ FIGUEIREDO - O TRIGÉSIMO PRESIDENTE DO BRASIL, DE 1979 A 1985, E O ÚLTIMO PRESIDENTE DO PERÍODO DO REGIME MILITAR

29


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

BREVE RETRATO DO INÍCIO DA DÉCADA

30


PARTE I - 1980 A 1995

MANIFESTAÇÃO POPULAR EXIGE ELEIÇÕES DIRETAS PARA PRESIDENTE

P

ara contextualizar, com o espaço aberto pelas eleições estaduais, em 1982, criou-se uma expectativa na população de brigar por um presidente eleito pelo povo. Em março de 1983, o deputado federal Dante de Oliveira (PMDB) enviou uma emenda constitucional que previa as eleições diretas (por meio do voto popular) e colocava fim ao regime militar na Presidência da República. Conhecida como Emenda Constitucional Dante de Oliveira, a medida abriu espaço para movimentos políticos, levando às ruas líderes estudantis e sindicais, políticos de várias correntes, religiosos, artistas da música e do teatro e grande parte da população. O movimento, que ganhou as ruas em 1984, ficou conhecido como Diretas Já. Mesmo com tamanha mobilização popular, a emenda Dante de Oliveira não conseguiu os 320 votos necessários para a aprovação no Congresso Nacional, que rejeitou a eleição direta para presidente da República naquele ano.

31


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

C

om o fracasso da não aprovação da emenda, o caminho seria Tancredo Neves candidatar-se por meio do Colégio Eleitoral (previsto em 1967, com eleição indireta para presidente, via parlamentares). Em 15 de janeiro de 1985, com a campanha “Muda Brasil: Tancredo já”, ele foi eleito o primeiro presidente civil após 21 anos de governos militares no País. A esperada posse do líder, que lutou pela redemocratização nas Diretas Já, não chegou a acontecer. Em 14 de março de 1985, um dia antes de ser empossado Presidente da República, Tancredo Neves foi internado com dores abdominais e teve de fazer uma cirurgia de emergência. Seus problemas de saúde se agravaram, e outras intervenções se sucederam. Na noite do dia 21 de abril, Tancredo de Almeida Neves faleceu: uma comoção nacional que durou cerca de três dias. O cortejo levou cerca de 1,8 milhão de pessoas para as ruas de Belo Horizonte. No sepultamento, aproximadamente 50 mil pessoas estavam no cemitério de São João Del Rei, no interior mineiro.

32


IMAGEM: ACERVO DA BIBLIOTECA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

PARTE I - 1980 A 1995

NO PERÍODO EM QUE GOVERNOU MINAS, TANCREDO NEVES MOBILIZOU-SE EM PROL DO MOVIMENTO DIRETAS JÁ, NUMA AÇÃO POPULAR QUE ENGAJOU O PAÍS E PREGOU AS ELEIÇÕES DIRETAS PARA PRESIDENTE. TANCREDO É CONSIDERADO UM DOS MAIS IMPORTANTES POLÍTICOS BRASILEIROS DO SÉCULO XX. APESAR DE ELEITO PELO VOTO INDIRETO, NÃO CHEGOU A TOMAR POSSE DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, FALECENDO EM 21 DE ABRIL DE 1985

33


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

NOVO PRESIDENTE E O PLANO CRUZADO Oficialmente, no dia 22 de abril de 1985, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, conhecido por José Sarney (sobrenome em homenagem ao seu pai), assume definitivamente a Presidência da República. Ele foi indicado pela Frente Liberal, uma dissidência que rompeu com o PDS, sigla aliada aos militares, para ocupar a vicepresidência na chapa de Tancredo Neves.

34


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE I - 1980 A 1995

PALÁCIO DA ALVORADA, 16 DE MARÇO DE 1985. POSSE OFICIAL DO ENTÃO PRESIDENTE JOSÉ SARNEY

35


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 02 DE MARÇO DE 1986

36


PARTE I - 1980 A 1995

E

IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

m fevereiro de 1986, Sarney implantou o Plano Cruzado, um conjunto de medidas para chegar à meta de inflação zero. A medida significou o fim do Cruzeiro. Em meio ao corte de zeros, 1.000 Cruzeiros se transformariam em 1 Cruzado. O novo pacote tinha como características o congelamento de preços de bens e serviços por um ano, reajuste salarial quando a inflação batesse 20% ao mês, ajuste do salário mínimo, congelamento da taxa do Dólar e a instauração do seguro-desemprego.

03 DE MARÇO DE 1986 - EM TODO O PAÍS, MILHARES DE CONSUMIDORES PASSARAM A FISCALIZAR OS PREÇOS NO COMÉRCIO E A DENUNCIAR AS REMARCAÇÕES, FICANDO CONHECIDOS COMO “FISCAIS DO SARNEY”

37


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

SELIC Em meio às instabilidades políticas e econômicas e no auge de mais uma crise mundial do petróleo, foi criado pelo Banco Central (Bacen) e pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto (Andima), em 1979, o Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). O objetivo era deixar a negociação dos títulos públicos mais segura. O título público é uma prática para financiar o déficit do governo. Lançam-se papéis no mercado para arrecadar dinheiro, e o investidor recebe pelos juros estabelecidos. No período da ditadura, os gastos públicos eram elevados, o que acarretava na emissão de mais títulos. Naquela época, o mercado de títulos funcionava de duas formas: em dinheiro (liquidação no dia) para os títulos do governo, operados pelo Selic; e em cheque (liquidação no dia seguinte) para os papéis da dívida privada. Os títulos eram lançados em papéis físicos, e a responsabilidade era do portador. Havia sérios problemas: fraude, falsificação, armazenamento, deterioração do papel, dificuldade e demora na liquidação no mercado financeiro. Também não havia controle de quem os possuíam, permitindo, assim, que pessoas com más intenções pudessem obter vantagens financeiras. Nesse sentido, o Selic veio para organizar as transações, controlar e liquidar as operações de compra e venda de títulos públicos, além de possuir sua custódia física e estrutural. O sistema passou a ser atualizado de forma eletrônica e diária para garantir o controle sobre as reservas bancárias. Isso significa que os títulos passaram a ser escriturais: havia segurança para o investidor da validade do título; e para o emissor (no caso, o governo), do recebimento.

38


PARTE I - 1980 A 1995

IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

CARLOS BRANDÃO, PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL DE 15 DE MARÇO DE 1979 A 17 DE AGOSTO DE 1979, E UM DOS LÍDERES NA IMPLANTAÇÃO DA CETIP

A TAXA SELIC A partir da criação do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) de títulos no mercado, foi necessária também a criação de uma taxa, a Selic. Por meio dela, as instituições financeiras podiam comprar e vender com um valor atualizado diariamente. Foram determinadas duas taxas Selic: nominal e efetiva. A taxa nominal é colocada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Já a efetiva, direcionada aos títulos leiloados pelo Tesouro Nacional. A Selic foi essencial, em termos de títulos públicos, para o mercado financeiro brasileiro do início da década de 1980. No mesmo período, havia a mesma demanda para os títulos privados.

39


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

FRAUDE DOS TÍTULOS PRIVADOS

C

om a Selic, as falsificações em títulos públicos cessaram, e a dos privados aumentaram. Em 1981, o jornal O Estado de S.Paulo já noticiava a preocupação do mercado. “O elevado volume de títulos falsos em circulação no mercado financeiro já não preocupa apenas as autoridades monetárias do setor. A total ausência de controle oficial na negociação dos títulos privados de dívida está levando várias instituições emissoras a assumirem prejuízos consideráveis, ao honrarem papéis que foram a emissão, como forma de preservar seu nome junto ao mercado” (O Estado de S.Paulo, 25 de fevereiro de 1981). As instituições cobravam das autoridades uma solução similar à Selic, e o Banco Central do Brasil já estudava a criação e apresentação ao mercado da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip).

40


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE I - 1980 A 1995

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 25 DE FEVEREIRO DE 1981

41


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 2 DE AGOSTO DE 1984

42


PARTE I - 1980 A 1995

T

rês anos depois, em 1984, a pauta dos noticiários se dava em cima do “episódio das letras frias Coroa”, expressão dada na época com relação aos golpes de falsificação de títulos privados, referência ao escândalo financeiro envolvendo o grupo Coroa Brastel. O mercado necessitava de uma solução que gerasse a mesma segurança do Selic aos títulos privados. Em agosto de 1984, o Banco Central anuncia que contribuiria com a Andima para a implantação da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados (Cetip) e propõe, inclusive, a troca de computadores para apressar o funcionamento. No mesmo dia foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) sua implantação. A mídia noticiava a expectativa do lançamento e no mesmo mês trazia a matéria que em 60 dias a Cetip entraria em operação. Mas não foi assim que aconteceu. Foram necessários meses para uma implantação com segurança.

43


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

44

SEGUNDO COMUNICADO DA CETIP AO MERCADO. REPRODUÇÃO DO ESTADO DE S. PAULO DE 25 DE FEVEREIRO DE 1986


PARTE I - 1980 A 1995

E

m 14 de fevereiro de 1986, em comunicado oficial publicado nos principais jornais do País, há o anúncio de que as operações da Cetip entrariam em vigor oficialmente no dia 3 de março, com o objetivo de gerar segurança nas operações, liquidações e custódia de títulos privados nos mesmos moldes da Selic. A operação tinha como líderes Carlos Brandão (1928-2016), que havia presidido o Banco Central em 1979, Marci Oliveira da Costa e Roberto de Gregório Souza Pinto (os dois últimos haviam integrado a equipe do Selic). Roberto foi o primeiro superintendente da companhia.

45


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

E

ntre outros, à frente do time nessa empreitada, estava também Leslie de Araújo Lima Cardoso (no Projeto Cetip de 1983 a 1987), que foi buscar recursos tecnológicos na fabricante de computadores Burroughs Corporation (hoje parte da Unisys, empresa de serviços e soluções de Tecnologia da Informação com presença global). Na época, o sistema de computação era limitado ao mundo corporativo, além de ter um investimento alto. Como um dos responsáveis pela implantação da primeira versão do Sistema Cetip, também trouxe os mainframes - servidores de arquitetura usados para processamento de dados, surgidos em 1946 e utilizados mundialmente até meados da década de 1990. Leslie, hoje com 63 anos, lembra que Carlos Brandão lhe solicitou um estudo de viabilidade para um desenvolvimento que pudesse ser feito em três meses e “sem preocupação com velocidade de transmissão para localidades distantes, obedecendo às características de liquidação em cheque, D+1 (no dia seguinte à emissão)”. Entregue à proposta de trabalho, Carlos Brandão então pergunta ao jovem craque da informática: “Você é capaz de fazer o que escreveu no relatório?”. Leslie responde que sim. Sem mais delongas, Brandão diz: “Então faça!”.

46


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE I - 1980 A 1995

REPRODUÇÃO DO ESTADO DE S. PAULO DE 10 DE OUTUBRO DE 1985 PRIMEIRO COMUNICADO DA CETIP AO MERCADO, QUE CONVOCA PARA A CERTIFICAÇÃO DE TÍTULOS. ASSIM COMO ESTE, OUTROS VIERAM

A SEGURANÇA QUE MOVE O MERCADO Além das questões de software, um problema físico se apresentou logo no início do projeto: onde fazer a custódia dos títulos? Diferentemente do Selic, no qual o emissor é único, a Cetip precisaria de um cofre forte para armazenar os documentos, caso o participante solicitasse a emissão física do papel. Com isso, foi construído um complexo de alta segurança para proteção dos processos. Leslie Cardoso lembra que, no primeiro dia de funcionamento, a Cetip registrou uma única operação. No segundo, nenhuma. No terceiro dia, mais uma. O primeiro mês terminaria com 150 registros. Para estimular o processo, a Cetip fazia comunicados em jornais. A confiança começou a surgir, e novos registros vieram ao longo do tempo.

47


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A

tecnologia sempre foi um dos principais fundamentos da Cetip. No início, entre os recursos usados para fazer a compensação de títulos em D+1, existiam telex e 50 linhas telefônicas. Toda a comunicação com as instituições no Rio de Janeiro e em São Paulo era feita por linhas dedicadas (LPCD) que trafegavam à velocidade máxima de 4.800 bps (bits por segundo). Atualmente, transitam a 50 megabits por segundo, ou seja, 50 milhões de bits por segundo. A velocidade foi multiplicada em mais de dez mil vezes. A comparação entre os números é apenas um dos parâmetros para indicar a espantosa evolução da Cetip nesses 30 anos de trajetória.

IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

Antônio Carlos de Oliveira, conhecido como Toquinho, funcionário da Cetip desde 1985 e com vasta experiência na área de Redes, relata que, naquela época, a internet existia, mas não era popular. Para integrar os clientes dentro do mesmo ambiente, foi construída uma rede própria.

48


PARTE I - 1980 A 1995

49


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

50


PARTE I - 1980 A 1995

MENINA DO RIO A sede original da Cetip ficava no centro do Rio de Janeiro, em uma pequena sala de um prédio na rua do Ouvidor, já que a cidade era considerada berço das instituições financeiras do Brasil. Com o crescimento da empresa, vieram outros endereços. Em cada um deles, a segurança era cada vez mais reforçada, mantendo alto rigor de contingência, com todas as operações sendo feitas em modo espelhado, ou seja, em cópias fiéis. A Cetip foi criada como entidade sem fins lucrativos. Não tinha donos, mas participantes, entre eles bancos, corretoras, distribuidoras e outras entidades financeiras que utilizavam seus sistemas.

51


ACERVO CETIP

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

MAINFRAMES SETUP A19 NO CPD CETIP EM 1990

52


PARTE I - 1980 A 1995

O CENTRO DE PROCESSAMENTO DE DADOS (CPD) Elaborado em 1984 na Cetip do Rio de Janeiro, o Centro de Processamento de Dados (CPD) ficava em uma sala que pertencia à Andima, em um prédio comercial na rua Miguel Couto, no centro da capital carioca. Desde a abertura da Cetip, o CPD sempre foi essencial para o trabalho da companhia, pois ele era o elo das instituições financeiras com o mercado. Ali ficavam centralizadas todas as operações do sistema financeiro. O local recebia desde a impressão de um serviço simples, como um relatório; até o atendimento on-line com o mercado financeiro. Na época, o local abrigava dois mainframes modelo A9, da marca americana Burrough (um pertencia ao desenvolvimento e o outro, à produção), quatro grandes impressoras, quatro unidades de fitas e também uma sala de fitoteca, local onde eram armazenados todos os dados da Cetip. Em 1985, a empresa alugou um andar comercial na esquina das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, também no Rio de Janeiro. A partir daí começou a instalação de uma estrutura de grande porte, com equipamentos A11, A15 e A17, considerados, na época, de última geração por terem maior capacidade de processamento. Em 1990, a Cetip mudou o escritório para a Avenida República do Chile, também no centro da capital carioca. Nessa época, o CPD já contava com as potentes máquinas A19. Antes da mudança de endereço, os equipamentos eram testados todos os finais de semana pelo Banco Central, que acompanhou toda a logística para garantir que as informações fossem transferidas com sucesso para o novo servidor.

53


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

TÍTULOS PRIVADOS Com um sistema semelhante ao Selic, a Cetip realizava a certificação de Títulos Privados, como Certificado de Depósito Bancário (CDB), Recibo de Depósito Bancário (RDB), Debêntures, Certificado de Depósitos Interfinanceiros (CDI), etc. Garantir a autenticidade das operações era o objetivo da Cetip desde seu lançamento, além de eliminar todas as lacunas de fraudes. Esse lema fez com que a organização se tornasse a maior depositária de Títulos Privados de Renda Fixa da América Latina.

TAXA DI-CETIP Em meio à atribulação econômica da década de 1980, era preciso contornar a falta de recursos financeiros no mercado. A equipe da Cetip não fugiu ao desafio. Foi criado o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), título que tem por objetivo transferir recursos de uma instituição financeira para outra. A criação do certificado ocorreu uma semana depois de submetido pela regulamentação do Banco Central. Sucesso absoluto naquele momento crucial do País, o CDI existe até hoje e figura entre os mais usados pelo mercado. É chamado atualmente de DI (Depósito Interfinanceiro), mas continua servindo ao mesmo propósito, de um banco emprestar dinheiro a outro. Com base nessas operações, a Cetip faz os cálculos para o mercado. O nome oficial da taxa é DI-Cetip. Facilmente acessada no site da Cetip (www.cetip. com.br) e por intermédio de um aplicativo para smartphones e tablets (Applica Cetip), pode ser consultada, inclusive, por pessoas físicas que queiram acompanhar a rentabilidade de aplicações cujo rendimento é atrelado a esse índice, hoje um dos mais importantes do mercado. Marco Teixeira, atualmente superintendente de Sistemas e contratado pela empresa em 1987, afirma que a criação do DI é mais uma prova de que “a Cetip é inovadora desde o nascimento”, pois “criou e regulamentou, em tempo recorde, um título que virou referência e é usado até hoje para remunerar outros contratos.” 54


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE I - 1980 A 1995

55


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

ELEFANTE BRANCO

ACERVO CLIPPING CETIP

Organizar o mercado financeiro era uma grande necessidade em meados dos anos 1980. Embora bem aceita pela maior parte das instituições financeiras, a Cetip chegou a despertar apreensão em outras, que enxergavam a empresa como excessivamente burocrática. Parte disso, em razão das exigências necessárias aos registros dos títulos, conforme publicado na matéria do jornal Gazeta Mercantil, em junho de 1986, com o título “Cetip vira elefante branco”. Julgavam que poderia ter sido uma grande empreitada com pouca utilidade no futuro. Outras publicações aproveitaram o mote e seguiram no mesmo tom.

Reprodução do jornal Gazeta Mercantil

REPRODUÇÃO DO JORNAL GAZETA MERCANTIL DE JUNHO DE 1986

56


PARTE I - 1980 A 1995

O episódio deu origem a uma brincadeira interna da equipe da área de Tecnologia. O coordenador de Sistemas e Desenvolvimento, Carlos Alberto da Silva (1954-2011), conhecido por Graveto, colocou um elefante branco de louça no alto de um armário, dentro do Centro de Processamento de Dados (CPD), no Rio de Janeiro. O elefante virou uma espécie de mascote da equipe carioca e jamais saiu da empresa.

IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

O item, que serviu para lembrar das críticas, motivar e manter alertas do que poderia melhorar, se mantém há 30 anos intacto. O elefante branco veio do Rio de Janeiro para São Paulo, e hoje se encontra no escritório de Alphaville.

O ELEFANTE BRANCO, MASCOTE DO TIME DE TECNOLOGIA

57


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

ACORDO PARA OPERAR O SND

R

egulamentadas em 1976 e com algumas alterações posteriores, as debêntures são títulos emitidos por empresas não financeiras que as lançam no mercado para obter recursos. É como um empréstimo que o comprador faz ao emissor a longo prazo e, em troca, recebe juros. Para isso acontecer, contudo, são necessários alguns requisitos legais para proteger o comprador. Além do mais, os títulos precisam ser registrados, validados e certificados. Como parte da história da evolução do mercado financeiro, em junho de 1988, a Andima anuncia o lançamento do Sistema Nacional de Debêntures (SND). Sob a administração da Andima e operacionalizado pela Cetip, o SND realiza negociação e liquidação física e financeira de debêntures com confiabilidade e segurança. Vinte anos depois, em julho de 2008, a Cetip assumiria a responsabilidade do SND.

58


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE I - 1980 A 1995

COMUNICADO DA ANDIMA: CETIP ENTRA NO MERCADO DE DEBÊNTURES. REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 23 DE JUNHO DE 1988

59


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

15 DE MARÇO DE 1990. FERNANDO COLLOR DE MELO DESFILA EM CARRO ABERTO NO CAMINHO DA CERIMÔNIA DE POSSE COM SEU VICE, ITAMAR FRANCO

60


PARTE I - 1980 A 1995

ELEIÇÕES DE 1989 Enquanto o mercado financeiro não media esforços para se organizar dentro do cenário econômico, criando soluções pertinentes ao setor, o ambiente político e econômico no País permanecia conturbado, com altos índices de inflação e muitas instabilidades. Em 1989, o Brasil tinha uma inflação que ultrapassava os 1.000% ao ano. Cinco anos depois dos ânimos do movimento Diretas Já, o Brasil colhia os frutos das manifestações que rodearam o País e abriram espaço para o fim da ditadura. Após 29 anos, os brasileiros tiveram novamente poder de voto. Fernando Collor de Melo foi então eleito no segundo turno, como previa a nova Constituição, com a promessa de caçar os “marajás”. Sua posse ocorreu em 15 de março de 1990. INFLAÇÃO ACUMULADA NOS ÚLTIMOS 5 ANOS DA DÉCADA DE 1980

1989

1782,85%

1988 1987 1986 1985

1037,53% 365,9% 415,87% 235,13%

FONTES: BRASIL ECONÔMICO: HTTP://BRASILECONOMICO.IG.COM.BR/VIDA-E-ESTILO/2014-05-30/PLANOS-ECONOMICOS-MARCARAM-AS-DECADAS-DE-80-E-90-NO-BRASIL.HTML FOLHA DE S. PAULO: HTTP://ALMANAQUE.FOLHA.UOL.COM.BR/DINHEIRO90.HTM FOLHA DE S. PAULO: HTTP://ALMANAQUE.FOLHA.UOL.COM.BR/DINHEIRO80.HTM ACESSO EM 9 DE OUTUBRO DE 2016

61


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PLANO COLLOR E A CETIP

C

om o novo plano econômico, o mercado entrou em pânico. A Cetip, entretanto, se manteve firme. Adaptou produtos e continuou fazendo os registros. “Ficavam 30 jornalistas na porta da empresa, querendo informações. Nós trabalhávamos de maneira alucinada para solucionar os problemas causados pela enxurrada de mudanças que o plano jogava na economia”, lembra o analista de Produção Marcelo Teodósio da Silva, que entrou na Cetip em 1988. De acordo com a imprensa, a Cetip tinha se tornado uma fonte oficial e segura do mercado financeiro, principalmente no que dizia respeito às expectativas de mercado, taxas e segurança dos títulos. Para dimensionar a importância da Cetip na época, em matéria publicada dia 3 de abril de 1990 (com o título “Banco Central paralisa a economia”), o jornal O Estado de S.Paulo dizia que o mercado estava parado há 21 dias porque cabiam somente à Selic e à Cetip os relatórios de como andavam as contas dos bancos. As instituições financeiras não sabiam o que tinham após o Plano Collor, e, consequentemente, os clientes ficavam sem poder sacar suas aplicações. Na mesma matéria, perguntas curiosas circulavam: “Rodou o Selic? Rodou a Cetip?”. Como na época tudo era incerto, as brincadeiras eram: “se não rodou hoje, vai rodar amanhã.”

62


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE I - 1980 A 1995

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 3 DE ABRIL DE 1990

63


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

IMAGEM: EPITÁCIO PESSOA / ESTADÃO CONTEÚDO

PLANO COLLOR II

CLIENTES DE BANCO FAZEM FILA PARA RETIRAR DINHEIRO EM CAIXA 24 HORAS NO FERIADO BANCÁRIO DECRETADO PELO PLANO COLLOR

Os planos ousados do governo Fernando Collor de Melo não pararam por aí. Com a inflação crescendo, em 31 de janeiro de 1991 foi lançado o Plano Collor II. Na ocasião, salários e preços foram congelados; estabeleceu-se a Taxa Referencial (TR) como indexador de juros para financiamentos, contratos a prazo e empréstimos, entre outros, e determinando os rendimentos de títulos públicos e da poupança; a operação Overnight, que permitia a participação de pessoas físicas e jurídicas não financeiras, foi extinta; foi criado o Fundo de Aplicações Financeiras (FAF), substituindo os fundos de curto prazo; foram implantados os planos de estímulo à indústria; e as tarifas públicas, como energia elétrica, foram reajustadas.

64


PARTE I - 1980 A 1995

TAXA REFERENCIAL A TR foi de suma importância ao mercado financeiro naquele período. O objetivo era criar uma taxa referencial dos juros para ser usada no início do mês, e não como base do índice do mês anterior. Serviu, então, como média das remunerações dos títulos públicos e privados. Além disso, substituiu o Bônus do Tesouro Nacional Fiscal (BTNF) e contribuiu como base para a remuneração da caderneta de poupança.

COMO SE DEU O PLANO COLLOR Uma das medidas adotadas pelo novo presidente, logo após empossado, foi o bloqueio de todas as aplicações financeiras acima de 50 mil Cruzeiros Novos (NCZ$). As quantias confiscadas seriam devolvidas 18 meses depois, e em parcelas acrescidas de uma taxa fixa de juros. Os brasileiros ficaram indignados. Diversas ações judiciais foram iniciadas para liberar o dinheiro retido antes do prazo fixado, mas sem sucesso.

REPRODUÇÃO DA CAPA DA REVISTA VEJA DE 21 DE MARÇO DE 1990

65


O FIM DA ERA COLLOR

1992 - ESTUDANTES “CARAS PINTADAS” OCUPAM AS RUAS DAS PRINCIPAIS CIDADES DO PAÍS E EXIGEM O IMPEACHMENT DO ENTÃO PRESIDENTE FERNANDO COLLOR DE MELO

Com o Plano Collor II, os índices de inflação diminuíram. Entretanto, no segundo semestre de 1992, as taxas voltaram a subir, atingindo uma média de 25% ao mês. A alta foi atribuída à política fiscal precária, assim como à crise de governo enfrentada pelo presidente. Nesse cenário de instabilidade, o desemprego aumentou, empresas quebraram, e o País entrou em recessão. Diante das denúncias de corrupção contra pessoas ligadas a Collor, o Congresso Nacional instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). As acusações foram confirmadas e um pedido de impeachment foi solicitado. Insatisfeita, a população foi às ruas protestar. Os jovens lideravam o movimento que ficou conhecido como “Caras Pintadas”, por escreverem “Fora Collor” e pintarem as cores verde e amarela em seus rostos. O Senado instaurou o impeachment após 441 deputados federais votarem a favor da abertura do processo, em 29 de setembro de 1992. Exatos dois meses depois, no dia em que o processo seria julgado no Senado, Collor renunciou. Além de perder o mandato, ele teve seus direitos políticos cassados até 2000.

66

CARLOS RODRIGUES / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986


GOVERNO ITAMAR

IMAGEM: ACERVO DA BIBLIOTECA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA.

PARTE I - 1980 A 1995

ITAMAR FRANCO ASSUME EM 1992

Quando o vice-presidente da República, Itamar Franco, assumiu, no fim de 1992, o Brasil tinha grandes desafios até a próxima eleição presidencial, de 1994: estabilizar a inflação e a economia. No cenário econômico, imperava a hiperinflação, que ganhou o apelido de “Dragão”. Segundo dados do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna da Fundação Getúlio Vargas (IGP-DI/FGV), a inflação anual de 1993 chegou a mais de 2.700%. INFLAÇÃO ACUMULADA NA DÉCADA DE 1990

1995

14,7%

1994

1093,8%

1993

2780,6%

1992 1991 1990

1158% 480,17% 1476,56%

FONTES: BRASIL ECONÔMICO: HTTP://BRASILECONOMICO.IG.COM.BR/VIDA-E-ESTILO/2014-05-30/PLANOS-ECONOMICOS-MARCARAM-AS-DECADAS-DE-80-E-90-NO-BRASIL.HTML FOLHA DE S. PAULO: HTTP://ALMANAQUE.FOLHA.UOL.COM.BR/DINHEIRO90.HTM FOLHA DE S. PAULO: HTTP://ALMANAQUE.FOLHA.UOL.COM.BR/DINHEIRO80.HTM ACESSO EM 9 DE OUTUBRO DE 2016

67


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PLANO REAL

IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

O ponto alto do mandato de Itamar foi a criação e a implantação do Plano Real, que trouxe estabilidade econômica e crescimento.

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 2 DE JULHO DE 1994

68


PARTE I - 1980 A 1995

AS FASES DO PLANO REAL O Plano Real foi estabelecido em três fases, entre 1993 e 1994, por Fernando Henrique Cardoso (FHC), na época ministro da Fazenda. O Real (R$) tornou-se a décima moeda brasileira. Algumas ações foram importantes para o sucesso do plano, como o controle cambial. Com o passar dos anos, os índices da inflação diminuíram, e a última foi estabilizada.

FASE 1

Agosto de 1993: Lançamento da moeda Cruzeiro Real (CR$).

FASE 2

Março de 1994: implantação da Unidade Real de Valor (URV). As mercadorias passaram a ter o valor fixado em URVs, mas o pagamento era realizado em Cruzeiro Real. Cada URV valia 2.750 Cruzeiros Reais e estava equiparada ao Dólar. Ou seja: 1 URV = 1 US$.

FASE 3

1º de julho de 1994: a URV foi transformada em Real. A nova moeda nacional continuou equiparada ao Dólar.

69


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

SWAP Por conta das variações cambiais e da desconfiança do mercado econômico, no dia 30 de abril de 1992, o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central regulamentaram as operações de Swap no Brasil. Traduzido, o termo significa troca, e seu objetivo é exatamente esse: trocar os juros flutuantes por juros fixos em moeda estrangeira e, com isso, trazer mais segurança e estabilidade para as organizações e investidores. Essa proteção no mercado de Swap é conhecida por hedge. Existem diferentes modalidades de hedge, que se adaptam de acordo com a operação. No processo de Swap, determina-se um contrato no qual são estabelecidos indicadores, prazo e operação. A Cetip fica responsável pelo registro da operação, que pode ser: Swap simples, Swap com prêmio, Swap com barreira, opções sobre Swap – opção de arrependimento, Swaption a termo e Compound Swaption.

DERIVATIVOS DE BALCÃO Para entender a formação do mercado de balcão no Brasil, é necessária uma explicação prévia. Um investidor poderia realizar operações direto com o interessado, mas isso ficaria restrito entre ambas as partes. A operação se tornaria ineficiente no que tange propostas, valores, pagamentos, taxas, liquidação, etc. O mercado de bolsa e balcão vem com a proposta de organizar, estabelecer regras e garantir a transparência entre os dois lados, o que garante a confiança da operação. Na legislação brasileira, permite-se os mercados de bolsa, balcão organizado e não organizado.

70


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE I - 1980 A 1995

71


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

72


PARTE I - 1980 A 1995

N

a categoria de organizado, em 1994, a Cetip passou a oferecer o registro das operações no mercado de Derivativos de Balcão. Tratam-se de contratos que estabelecem pagamentos futuros baseados na variação do preço de um ativo. São assim chamados porque seu preço de compra e venda deriva de valores atribuídos a outros ativos. Naquele momento, a opção era integrar mercados, aproveitando a vocação para o ambiente de balcão. A identificação pelo intermediário do beneficiário final passou a conferir maior grau de transparência ao mercado brasileiro de derivativos. Sendo assim, registro, validação, conferência, liquidação e transparência das informações passaram a ser realizadas pela Cetip. A precisão dos registros seria a responsável por aliviar os efeitos nocivos ao País da crise de 2008/2009, iniciada nos Estados Unidos, justamente em razão de falhas nos mecanismos de controle e transparência desse instrumento financeiro.

BANCOS COMERCIAIS EM SOCIEDADES ANÔNIMAS Em 31 de agosto de 1995, por meio da Resolução nº 2.193, o Banco Central autorizou a constituição de bancos comerciais na forma de sociedades anônimas de capital fechado com participação exclusiva de cooperativas de crédito. Posteriormente, em 2000, por meio da resolução nº 2.788, a constituição de bancos múltiplos foi estabelecida.

73


IMAGEM: ACERVO DA BIBLIOTECA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO: IDEALIZADOR DO PLANO REAL

74


PARTE I - 1980 A 1995

A ASCENSÃO DE FHC Com o sucesso do Plano Real e o respectivo êxito na estabilidade econômica, Fernando Henrique Cardoso ganhou o prestígio dos brasileiros. Candidato à Presidência da República, venceu a eleição de 1994 no primeiro turno. Em seu governo, as privatizações ganharam força, e as antigas estatais foram adquiridas principalmente por instituições estrangeiras. Ao longo de sua administração, FHC deu sequência aos processos iniciados no Plano Real. Com inflação e economia estáveis, sua popularidade continuou em alta ao longo de seu primeiro mandato.

75


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PLANOS ECONÔMICOS E A CETIP Desde a sua fundação, a Cetip passou por vários planos econômicos: Bresser (1987), Plano Verão (1989), Plano Collor (1990), Plano Collor II (1991) e Plano Real (1994); além de diversas trocas de moedas. Foram elas: Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real, e, finalmente, Real. PLANO COLLOR II (1991)

PLANO REAL (1994)

76

PLANO COLLOR (1990)


PARTE I - 1980 A 1995

BRESSER (1987)

PLANO VERÃO (1989)

A

empresa acompanhou as mudanças econômicas e se adaptou ao mercado financeiro. Em meio a turbulências passadas, hoje fica nítida a necessidade da Cetip para o setor como peça fundamental de segurança dos títulos. Nas respectivas trocas de planos econômicos, a gestão cobrava o entendimento de cada nova norma, a legislação e as exigências do regulador, além de fazer o serviço funcionar em cada etapa de registro, custódia e liquidação. Com isso, a Cetip conquistou credibilidade e boa reputação.

77


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

78

“O maior patrimônio da Cetip é humano: a empresa se tornou grande com muita dedicação e trabalho sério”

“Fico feliz por ter ajudado a formar essa empresa, que por sua eficiência e constante inovação influenciou a automação do mercado financeiro brasileiro”

Marinelson Almeida, Cetip desde 1983

Leslie de Araujo Lima Cardoso, Cetip de 1983 a 1987


“Cetipar não virou verbo à toa. Se não estiver registrado na Cetip, não aconteceu. O que nós vendemos é isso: credibilidade”

Marco Teixeira, Cetip desde 1987

IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

PARTE I - 1980 A 1995

“O companheirismo sempre foi um dos melhores valores dentro da Cetip”

Marcos Freitas Cabral, Cetip desde 1989

79


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PART I 1986 –1995 AMID POLITICAL AND ECONOMIC INSTABILITY, CETIP EMERGES The 1980s were marked by notable events in politics, economics, finance, technology, music, fashion, and art. For Brazil this was a difficult time, with no prospects for change or improvement in the short term. Many political scientists and researchers call this period the “lost decade,” since in their assessment nothing happened in Brazil; everything just seemed to stagnate. From other perspectives, however, many of the foundations of Brazilian history emerged because of events that took place during this period, and some of the political and economic consequences can be seen over the following thirty years. THE START OF THE DECADE In the early 1980s the Brazilian panorama featured dictatorship, hyperinflation, astronomical external debts of around US$ 80 billion to the International Monetary Fund (IMF), excessive public spending by the military, investments at a standstill, worker dissatisfaction, and widespread economic chaos. The president at that time, General João Figueiredo (1979–1985), asked the Brazilian populace to restrain their expenditures. In his official address on January 1, 1980, Figueiredo described the current Brazilian situation: “I’m not promising anyone that there won’t be difficulties at the end of the month. But I invite everyone, particularly the more affluent, to be an example and do without ostentatious unnecessary spending.” The general’s speech, which was published in the Folha de São Paulo newspaper, reflected the nationwide discouragement and the wave of pessimism that echoed across the country’s five regions. Despite these problems, Figueiredo had made a promise to Brazilians on his first day in office: to return the country to civilian rule at the end of his term.

80

A BRIEF PORTRAIT OF THE START OF THE DECADE To contextualize, the opportunity for statelevel elections in 1982 caused the population to expect to fight for a president elected by the people. In March 1983, federal congressman Dante de Oliveira (of the PMDB party) submitted a constitutional amendment which would have established direct elections (via popular vote) and put an end to the military regime in the presidency. Known as the Dante de Oliveira Amendment, this measure opened the way for political movements, and brought student and union leaders out into the streets alongside politicians of all stripes, religious people, musicians and dramatists, and much of the population. The movement that took to the streets in 1984 became known as Diretas Já [Direct Elections Now]. Even with this mobilization of the public, the Dante de Oliveira Amendment was unable to secure the 320 votes needed for approval in the congress, which rejected direct presidential elections that same year. With the failure of the amendment, the next option was for Tancredo Neves to become a candidate through the Electoral College (which was established in 1967 to indirectly elect the president via parliamentary representation). On January 15, 1985, under the campaign banner “Muda Brasil: Tancredo já” [“Change Brazil: Tancredo now”], he was elected the country’s first civilian president after 21 years of military government. But this leader, who fought to reestablish democracy during the Diretas Já campaign, never took office. On March 14, 1985, one day before being sworn in as president, Tancredo Neves was hospitalized with abdominal pain and underwent emergency surgery. His health problems worsened, and other interventions followed. On the evening of April 21, Tancredo de Almeida Neves died, leading to a national uproar lasting three days. The funeral procession of around 1.8 million people wound through the streets of Belo Horizonte, and approximately 50,000 people attended his burial at the cemetery of São João del Rei in the countryside of Minas Gerais.


PARTE I - 1980 A 1995

NEW PRESIDENT AND THE CRUZADO PLAN On April 22, 1985, José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, who was known by the name José Sarney (as a tribute to his father), officially assumed the presidency of Brazil. He had been nominated vice president alongside Tancredo Neves by the Frente Liberal, a schism that broke with the PDS (the Social Democratic party, which was allied with the military regime).

Securities of both types were issued on paper, and the bondholders were responsible for them. This resulted in serious problems: fraud, counterfeiting, storage, deterioration of the paper certificate, difficulty and delays in settlement on the financial market. There was also no control over who held securities, which allowed those people with bad intentions to obtain financial benefits.

The new package featured measures like a price freeze on goods and services for one year, salary adjustment when inflation reached 20% per month, adjustment of the minimum wage, freezing of the dollar rate, and the introduction of unemployment insurance.

In this sense, Selic came to organize the transactions, manage and settle operations involved in buying and selling government securities, and also assumed responsibility for their physical and structural custody. The system began to be updated electronically each day to guarantee control over bank reserves. This means that the securities became titular; this provided more security for investors in terms of the validity of the bond, as well as to the issuer (in this case, the government) in terms of receiving payment.

SELIC

THE SELIC RATE

Amid the political and economic instability, and on the eve of another global oil crisis, the Brazilian Central Bank (BACEN) and the National Association of Open-Market Institutions (Andima) created the Special System for Settlement and Custody (Selic) in 1979. The goal was to make the negotiation of government bonds more secure.

After the creation of the Special System for Settlement and Custody (Selic) for securities in the market, it was also necessary to create a rate, the Selic rate. Using this rate, financial institutions could buy and sell using a value that was updated daily.

In February of 1986, Sarney established the Cruzado Plan, a set of measures to reach the goal of zero inflation. This measure indicated the end of the cruzeiro. Excess zeros were removed and 1,000 cruzeiros became 1 cruzado.

Government bonds are used to finance government debt; the bonds are offered on the market to raise funds, and investors receive interest at established rates. During the dictatorship government spending was high, which led to the issuance of more bonds. At that time, the bond market functioned in two ways: cash (settled that day) for government bonds, operated by Selic, and check (settled the next day) for private debt securities.

Two Selic rates were determined: nominal and effective. The nominal rate is set by the Central Bank’s Monetary Policy Committee (Copom). The effective rate, in turn, is directed at bonds auctioned by the National Treasury. Selic was essential for the Brazilian financial market of the early 1980, in terms of private securities; during that period, there was the same demand for private securities as there is today.

81


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PRIVATE BOND FRAUD With the creation of Selic, public bond fraud ceased and fraud involving private securities increased. In 1981, the newspaper O Estado de S. Paulo reported this concern in the market: “The high volume of fake securities circulating in the financial market has not only concerned monetary authorities in the sector. The total lack of official control in private securities trading is causing several issuing institutions to accrue considerable losses by honoring securities that were emitted as a way of preserving their reputation in the market” (O Estado de S. Paulo, February 25, 1981). The institutions demanded a solution similar to Selic from the authorities, and the Brazilian Central Bank had already begun to investigate creating and introducing the Special Custody Center for Private Securities (Cetip) to the market. Three years later in 1984, newspaper headlines reported the “Coroa securities scam” involving the Coroa Brastel group. The market required a solution like Selic to provide protection for private securities. In August 1984, the Central Bank announced that along with Andima it would help establish the Special Custody Center for Private Securities (Cetip), and even offered to replace the computers to speed the operation. On that same day the National Monetary Council (CMN) approved establishment of the Center. The media reported that it was slated to be launched, and later that same month stated that Cetip would begin operations within 60 days. But that is not how it happened; it took months to securely establish the institution. On February 14, 1986, an official statement published in the country’s major newspapers announced that Cetip would officially begin operations on March 6, with the objective of providing protection in the operations, settlement, and custody of private securities in a manner similar to Selic. The operation was led by Carlos Brandão (1928-2016), who had chaired the Central Bank in 1979, Marci Oliveira da Costa, and Roberto Gregório Souza Pinto (both of whom had been members of the Selic team). Gregório was the first leader of the institution.

82

Leslie de Araújo Lima Cardoso was also among those leading the team (during Project etip from 1983 to 1987); he obtained technological resources from Burroughs Corporation, a computer manufacturer (today part of Unisys, a global IT services and solutions company). At the time, computer systems were limited to the corporate world, and required a very large investment. As one of the professionals responsible for implementing the first version of the Cetip system, Araújo also brought the mainframe servers used for data processing, which first appeared in 1946 and were widely used worldwide until the mid-1990s. Leslie Araújo, who today is 63 years old, recalled that Carlos Brandão requested a feasibility study to develop a system in three months “without concern for the speed of transmission to distant locations, according to the characteristics of check settlement, T+1 (the day after issue).” When he received the proposal for the project, Carlos Brandão asked the young computer expert: “Can you do what you wrote in your report?” Araújo responded that he could. Without further ado, Brandão said: “Then do it!” THE SECURITY THAT DRIVES THE MARKET Aside from software issues, one physical problem emerged early in the project: where should the securities be stored? Unlike Selic, where there is only one issuer, Cetip needed a vault to store the documents in case a bondholde r requested emission of the paper bond. Consequently, a high-security complex was built to protect the transactions. Leslie Araújo remembers that on its first day of operation, Cetip recorded a single transaction. On the second, none. On the third day, one more. The first month ended with 150 transactions recorded. To encourage bond registration, Cetip placed notices in the newspapers. Confidence began to grow, and new transactions came as time passed. Technology has always been one of the main pillars of Cetip. Initially, the resources used to carry out securities compensation in T+1 included telex and fifty telephone lines. All communications with the institutions in Rio de Janeiro and São Paulo were done on dedicated private communication lines (LPCD) that transmitted at a maximum speed of 4,800 bps (bits per second). Currently, these lines transmit 50 megabits per second, i.e. 50 million bits per second; the speed has been multiplied by more than ten thousand times. This comparison is only


PARTE I - 1980 A 1995

one of the parameters that show the astonishing evolution of Cetip over these 30 years. Antonio Carlos de Oliveira, known as Toquinho, who has worked at Cetip since 1985, has extensive experience in the area of networks; he stated that at that time, the internet existed but was not popular. To connect clients within the same environment, a separate network was built. The original Cetip headquarters were located in downtown Rio de Janeiro, since the city was considered the birthplace of Brazil’s financial institutions, in a small office in a building on Rua do Ouvidor. As the institution grew, it acquired other addresses. At each location, security was strengthened to maintain a high accuracy of contingency; all transactions were done in with accurate copies. Cetip was created as a non-profit entity. There were no owners, but there were participants including banks, brokers, dealers, and other financial institutions which used the systems. DATA PROCESSING CENTER (CPD) Created in 1984 at Cetip in Rio de Janeiro, the Data Processing Center (CPD) was located in a room that belonged to Andima in a commercial building on Rua Miguel Couto, in the heart of Rio. Since the opening of Cetip, the CPD has always been essential to the company’s work; it is the link between the financial institutions and the market, and all operations in the financial system are centralized in this location. The Center receives every transaction, from copies of a simple report to online service for the financial market. When the CPD opened, the office held two A9 mainframes produced by the American company Burrough (one belonged to development, the other to production), four high-capacity printers, four tape drives, and a tape library where all of Cetip’s data were stored. In 1985, the company rented a floor in a commercial space on the corner of Avenida Presidente Vargas and Avenida Rio Branco, also in Rio de Janeiro. Then began installation of a larger structure featuring A11, A15, and A17 models, which at that time were cutting-edge equipment with greater processing capacity. In 1990, Cetip moved to Avenida República do Chile, also in central Rio de Janeiro. At that time, CPD already had powerful A19 mainframes. Before the move, the equipment was tested every weekend by the Central Bank, which monitored all the logistics to ensure that the data were successfully transferred to the new server.

PRIVATE SECURITIES Utilizing a system similar to Selic, Cetip certified private securities such as Bank Deposit Certificates (CDB), Bank Deposit Receipts (RDB), debentures, Interbank Deposit Certificates (CDI), etc. From the beginning, Cetip’s objective was to guarantee the authenticity of operations and eliminate all gaps where fraud could take place. This goal made the organization the largest depository of private fixed-income securities in Latin America. DI-CETIP RATE Amid the economic tribulations of the 1980s, the lack of financial resources in the market had to be overcome. Cetip’s team did not shy away from this challenge; they created the Interbank Deposit Certificate (CDI), a security that transfers resources from one financial institution to another. This certificate was officially approved by the Central Bank one week after its submission. An absolute success at that crucial time for the country, the CDI still exists today and is among the most frequently used resources in the market. It is now called the DI (Interbank Deposit), but it continues to serve the same purpose: one bank lending money to another. Based on these operations, Cetip does the calculations for the market. The official name of the rate is DI-Cetip. This resource is easily accessed on the Cetip website (www.cetip.com.br) and via a smartphone and tablet app (Applica Cetip), and can even be consulted by individuals who want to track the profitability of their investments with income pegged to this index, which today is one of the most important in the market. Marco Teixeira, who joined the company in 1987 and is currently head of Systems, states that the creation of the DI is just another proof that “Cetip has been innovative from the start” because “in record time, it created and regulated a security that has become a reference and is still used today to remunerate other contracts.” WHITE ELEPHANT In the mid-1980s, organizing the financial market was a significant need. Although it well accepted by most financial institutions, Cetip provoked apprehension in others, who saw the company as overly bureaucratic. This was partly because of the requirements to register the securities; the Gazeta Mercantil newspaper published an article in July 1986 entitled “Cetip becomes a white elephant.” In the author’s opinion, Cetip

83


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

was a major undertaking that would be of little use in the future. Other publications took up this assessment and followed suit. The episode gave rise to inside jokes among the staff in the technology department. Carlos Alberto da Silva (1954-2011), who was also known as Graveto and headed Systems and Development, put a white ceramic elephant atop a cupboard inside the Data Processing Center (CPD) in Rio de Janeiro. The elephant became the mascot of the Rio team and has never left the company. Thirty years later, this object that served to embody criticism, motivate, and alert that improvement was possible is still intact. The white elephant was brought from Rio de Janeiro to São Paulo, where today it can be found in the Alphaville office. AGREEMENT TO OPERATE SND Debentures, which were implemented in 1976 and underwent some subsequent amendments, are issued by non-financial companies that offer them on the market to obtain resources. They are like a long-term loan that the buyer extends to the issuer and receives interest in return. But for this to occur some legal requirements are necessary to protect the buyer, and the securities must be registered, validated, and certified. In June 1988, Andima continued in the evolution of the financial market by announcing the launch of the National Debenture System (SND). The SND is administered by Andima and operated by Cetip; it carries out trading and physical and financial settlement of debentures in a reliable and secure manner. Twenty years later, in July 2008, Cetip assumed responsibility for SND.

84

THE 1989 ELECTIONS While the financial market spared no efforts to organize itself amid the economic environment and create relevant solutions for the industry, the country’s political and economic environment remained troubled, with high inflation rates and many instabilities. In 1989, Brazil’s inflation exceeded 1,000% per annum. Five years after the high spirits of the Diretas Já movement, Brazil reaped the fruits of the demonstrations that took place across the country and paved the way for the end of the dictatorship. After 29 years, Brazilians were able to vote again. Fernando Collor de Melo was elected president in the second round of elections, as established in new constitution, on the promise that he would hunt down the “maharajas.” He was sworn into office on March 15, 1990. THE COLLOR PLAN AND CETIP The market panicked in the face of the new economic plan. But Cetip remained firm. It adapted products and continued to record transactions. “There were thirty journalists at the company’s door wanting information. We worked in a daze to solve the problems caused by the flood of changes that the plan introduced into the economy,” said production analyst Marcelo Theodosius da Silva, who entered Cetip in 1988. According to the press, Cetip had become an official and reliable source for the financial market, particularly with respect to market expectations, rates, and safety of securities. To give an idea of Cetip’s importance at the time, in an article from April 3, 1990 (entitled “Central Bank paralyzes the economy”), the O Estado de S. Paulo newspaper reported that the market had been stalled for 21 days because only Selic and Cetip were able to write the reports related to what was happening with the banks. The financial institutions did not know what they had left after the Collor Plan was implemented, and consequently their customers were unable to liquidate their investments. In the same article, curious questions were raised: “Have Selic and Cetip collapsed?” Since at that time everything was uncertain, the joke was: “If they didn’t collapse today, they’ll collapse tomorrow.”


PARTE I - 1980 A 1995

THE COLLOR PLAN II The bold plans of the Collor administration did not stop there. With inflation growing, the Collor Plan II was launched on January 31, 1991. At that time, wages and prices were frozen; the Reference Interest Rate (TR) was established as an index for financing, forward contracts and loans, among other applications, and was used to determine the yields of government bonds and savings accounts. Overnight operations, which permitted participation by non-financial individuals and organizations, were discontinued, and the Financial Investment Fund (FAF) was created to replace short-term funds. Industry stimulus plans were also deployed, and public rates for services such as electricity were readjusted. REFERENCE RATE One of the positive points of the Collor Plan II was the creation of the Reference Rate (TR), which was critical for the financial market at that time. The goal was to create a reference interest rate that could be used at the beginning of the month, as opposed to one based on the previous month’s index. This served as an average of the remuneration for public and private securities. It also replaced the National Treasury Fiscal Bonus (BTNF) and served as a basis for savings account remuneration. HOW THE COLLOR PLAN CAME TOGETHER One of the measures adopted by the new president soon after taking office was to block all financial investments over 50,000 novo cruzeiros (NCZ$). The confiscated sums would be returned 18 months later, in installments along with a fixed interest rate. Brazilians were outraged. Several lawsuits were filed to release the money which was confiscated before this 18-month term expired, but without success.

companies went bankrupt, and the country went into recession. Faced with accusations of corruption against people linked to Collor, Congress established a Parliamentary Inquiry Commission (CPI). The allegations were confirmed, and impeachment of the president was officially requested. The dissatisfied population took to the streets to protest. Young people led the movement that became known as Caras Pintadas [“Painted Faces”], with yellow and green and “Collor Out” painted on their faces. The Senate initiated the process with 441 congress members voting to begin the impeachment process on September 29, 1992. Exactly two months later, on the day that the case was to be tried in the Senate, Collor resigned. Besides losing his office, his political rights were rescinded until 2000. THE ITAMAR GOVERNMENT When vice president Itamar Franco took over at the end of 1992, Brazil faced great challenges before the next presidential election in 1994, namely stabilizing inflation and the economy. Hyperinflation ruled the economic environment and was known as “the dragon.” According to the General Price Index - Internal Availability from the Getulio Vargas Foundation (IGP-DI/FGV), annual inflation in 1993 reached more than 2,700%. THE REAL PLAN The highlight of Itamar’s term was the creation and implementation of the Real Plan, which brought economic stability and growth.

THE END OF THE COLLOR ERA With the Collor Plan II, inflation rates decreased. But they began to rise again in the second half of 1992, reaching an average of 25% per month. This increase was attributed to poor fiscal policy and the governing crisis faced by the president. Amid this unstable scenario, unemployment increased,

85


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

THE PHASES OF THE REAL PLAN The Real Plan was established in three phases between 1993 and 1994 by Fernando Henrique Cardoso (widely known as FHC), who was Minister of Finance at that time. The real (R$) became the tenth Brazilian currency. Some actions were important to the success of the plan, such as exchange control. Over the years, inflation rates declined and inflation was stabilized. STAGE 1 August 1993: introduction of the cruzeiro real (CR$). STAGE 2 March 1994: implementation of the real value unit (URV). The prices of merchandise were now set in URVs, but payment was done using the cruzeiro real. Each URV was worth 2,750 cruzeiro reals, and was comparable to the US dollar (1 URV = 1 US$). STAGE 3 July 1, 1994: the URV was transformed into the real. The new national currency continued to be pegged to the dollar. SWAPS Because of exchange rate variations and distrust of the economic market, on April 30, 1992 the National Monetary Council and the Central Bank regulated swap operations in Brazil. Swaps are exactly that: exchanges of floating interest rates for interest rates fixed in foreign currency, which consequently provide organizations and investors with more security and stability. This protection in the swap market is known as hedging. There are different types of hedges, which are adapted according to the transaction.

86

During a swap, a contract is drawn up to establish indicators, time period, and transaction. Cetip is responsible for recording the transaction, which can be: a simple swap, a bonus swap, a barrier swap, or options on the swap (regret option), term swaption, and compound swaption. OTC DERIVATIVES An initial explanation is required to understand the formation of the over-the-counter market in Brazil. An investor could conduct a direct transaction with the interested party, but this transaction would be restricted between these two parties. The transaction would be inefficient in terms of proposals, values, payments, fees, settlement, etc. The stock market and over-thecounter market provided the ability to organize, establish rules, and ensure transparency between the two sides, guaranteeing reliable transactions. Brazilian law permits the stock market, organized OTC, and unorganized OTC markets. In the organized OTC category, in 1994 Cetip began to offer registration of transactions in the OTC derivatives market. These are contracts that establish future payments based on the price movement of an asset. They called derivatives because their purchase and sales prices are derived from values assigned to other assets. At that time, the option was to integrate markets, taking advantage of the nature of the over-thecounter environment. Identification through the final beneficiary’s intermediary provided more transparency to the Brazilian derivatives market. In this way, registration, validation, confirmation, settlement and transparency of information came to be the responsibility of Cetip.


PARTE I - 1980 A 1995

The accuracy of the records was responsible for alleviating the harm caused to the country by the effects of the 2008/2009 crisis, which began in the United States precisely because of failed control mechanisms and transparency for this financial instrument. ESTABLISHMENT OF COMMERCIAL BANKS VS ANONYMOUS CORPORATIONS On August 31, 1995, Resolution 2193 of the Central Bank authorized the establishment of commercial banks in the form of anonymous closed-capital societies with the exclusive participation of credit unions. In 2000, it subsequently established multiple banks through Resolution 2788. THE RISE OF FHC With the success of the Real Plan and its own success in providing economic stability, Fernando Henrique Cardoso gained prestige among Brazilians. He ran for president and won the 1994 election in the first round.

ECONOMIC PLANS AND CETIP Since its founding, Cetip has lived through a number of economic plans: the Bresser Plan (1987), the Summer Plan (1989), the Collor Plan (1990), the Collor Plan II (1991), and the Real Plan (1994), along with the introduction of various new currencies (namely, the Cruzado, the Cruzado novo, the Cruzeiro, the Cruzeiro Real, and finally the real). Cetip kept pace with the economic changes and adapted to the financial market. Amid the turbulence of the past, today is clear how necessary Cetip is to the industry as a key element for securities safety. And why is this such a success? During the respective changes in economic plans, the management demanded understanding of each new standard, legislation, and regulatory requirement, and made the service work during each stage of registration, custody, and settlement. This allowed Cetip to acquire credibility and a good reputation.

Privatization gained momentum during his administration, and the old state-run enterprises were mainly acquired by foreign institutions. Throughout his presidency, FHC continued the processes which were launched by the Real Plan. With inflation and the economy stable, his popularity remained high throughout his first term.

87


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

88


PARTE I - 1980 A 1995

PARTE II

1996 -2005 CETIP: A ECONOMIA BRASILEIRA MOVIDA PELA REVOLUÇÃO DIGITAL

89


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

C

hegar ao ano de 1996 é um grande marco para a Cetip. Desde a sua concepção e em seus primeiros dez anos de vida, a empresa passou por desafios que poucas companhias teriam fôlego de enfrentar: períodos de hiperinflação, ditadura, cinco presidentes (Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar Franco e FHC), diversos planos econômicos e muitas instabilidades. Por outro lado, esse foi um período de criação de bases sólidas, estruturação e amadurecimento do mercado financeiro, o que deu espaço para o fortalecimento da Cetip. A comemoração dos dez anos da empresa demonstra solidez e força de sua marca, além de representar segurança ao mercado. Junto com o processo de inovação da época, a Cetip lançou seu website -

um grande avanço tecnológico que facilitaria todos os processos a partir daquele momento. O informativo diário, antes distribuído por fax, passou a circular on-line. Começaria, então, a era da web, com mudanças acontecendo com uma agilidade jamais vista e rumo ao futuro. E não há como entender melhor os avanços pelos quais passou a Cetip nesse período sem falar de Ernesto Albrecht, superintendente da empresa entre 1987 e 1999, que desde o início se mostrou hábil na gestão de pessoas.

90


ACERVO CETIP

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

SÃO PAULO, 22 DE MARÇO DE 1996. JANTAR COMEMORATIVO DOS DEZ ANOS DA CETIP, RESERVADO PARA A EQUIPE REGIONAL DE SÃO PAULO

91


ERNESTO ALBRECHT É HOMENAGEADO PELOS FUNCIONÁRIOS DA CETIP NO ANIVERSÁRIO DE DEZ ANOS DA EMPRESA

ACERVO CETIP

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

Atualmente com 92 anos de idade, Albrecht diz ter na memória grandes histórias ao longo de seus 12 anos de Cetip. “Fui chamado para trabalhar na Cetip não porque conhecia informática. Até hoje peço ajuda aos meus netos para lidar com computadores. Mas tinha experiência no Banco Central e sempre soube ouvir os funcionários técnicos, em quem depositava total confiança”, recorda. Entre outras ações, ele foi buscar no Vale do Silício, em São Francisco, nos Estados Unidos, parcerias para melhorar a tecnologia da Cetip. Albrecht é lembrado com carinho por todos que conviveram com ele, pelo carisma e cuidado com o bem-estar da equipe, que, valorizada, produzia mais e melhor. Entre outras preocupações, ficava alerta para o cumprimento do descanso regulamentar dos digitadores, fazia questão de que fossem organizadas confraternizações e trazia pequenos presentes a todos quando viajava. 92


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

Entrou na empresa em 1987 e ficou até se aposentar. Albrecht era conhecido por ser um senhor tímido, mas ao mesmo tempo pelo seu cuidado com os funcionários. Em seus discursos, usava trechos do livro do norte americano Niskier (1995) que até hoje fazem parte da essência atual da Cetip. Ele dizia: “a empresa deve perseguir firmemente os seus propósitos, pois, dessa maneira, seus empregados se sentirão mais seguros e motivados: é preferível o trabalho em equipe ao individual; as pessoas podem produzir melhor se nele se sentirem coagidas ao alcançar metas; em vez de chefes, precisam de líderes.”

ACERVO CETIP

ERNESTO ALBRECHT

93


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 12 DE JUNHO DE 1996. DENTRE OS INÚMEROS DESAFIOS QUE A CETIP ENFRENTOU EM SUA PRIMEIRA DÉCADA DE OPERAÇÃO, ESTAVA INCLUSO SUPERAR A PRECÁRIA INFRAESTRUTURA DE TELECOMUNICAÇÃO DA ÉPOCA

94


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

O

período compreendido entre 1996 e 2005 foi o de inflação anual no Brasil abaixo dos dois dígitos (exceto em 2002), consolidação do Real e, ao mesmo tempo, de crises externas afetando diretamente a moeda e a economia brasileira.

Em se tratando de história, falar de Cetip nesse ínterim é quase sinônimo de avanços e desafios na área tecnológica, superados por dedicação e empenho para mover o mercado financeiro. Dentro desses dez anos foram dados grandes passos da revolução digital no Brasil, com aquecimento da economia e avanços tecnológicos para facilitar, entre outros serviços, diversas operações financeiras.

95


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

REVOLUÇÃO TECNOLÓGICA Em meados da década de 1990, há o marco da chegada ao País dos primeiros computadores com acesso à internet e também dos telefones celulares. Se hoje é possível realizar uma série de praticidades por meio de um aplicativo via tablet ou smartphone, em 1996 a internet ainda engatinhava, via conexão discada por telefone, e os celulares, além de limitados apenas a fazer e a receber ligações, eram caros, pesados e tinham vários problemas de ausência de sinal de telefonia.

COMPUTADORES EQUIPADOS COM PLACAS FAX/MODEM ERAM CADA VEZ MAIS POPULARES, ASSIM COMO ERA CRESCENTE O NÚMERO DE PROVEDORES DE INTERNET DISCADA

96


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

PT 550 MOTOROLA OBJETO DE DESEJO DE DEZ ENTRE DEZ EXECUTIVOS EM MEADOS DOS ANOS 1990

Com a globalização da economia mundial fortalecida pelo fim da Guerra Fria, o Brasil também viveu o boom da revolução tecnológica nos anos 1990. Na comunicação, os pagers (ou bipes) eram muito utilizados, especialmente pelos médicos e profissionais da área da saúde, entre as décadas de 1980 e 1990. A tecnologia desses aparelhos, através de recados encaminhados por uma central, foi superada pela dos celulares, que se popularizam no Brasil em meados dos anos 1990. O PT 550, da Motorola, o “tijolão”, em razão de seu peso e tamanho, foi o primeiro telefone celular comercializado no mercado brasileiro, inicialmente no Rio de Janeiro e depois, em São Paulo. O custo de uma linha telefônica móvel era elevado, e aqueles que optavam em adquiri-la eram obrigados a aguardar na fila de espera. No Brasil, ainda não ocorrera o leilão de privatização da Telebras, de julho de 1998, realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, que tornou o acesso à telefonia no País, tanto fixa quanto celular, universal, rápido e mais barato. Os Personal Computers (PCs) ficaram, ao longo dos anos 1990, mais acessíveis à população. A internet também chegou ao Brasil; primeiramente nas empresas, mas logo depois se popularizou. Com ela vieram diversas oportunidades, como o comércio eletrônico, a facilidade das transações bancárias e vários outros serviços realizados no mundo virtual.

97


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

98


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

PERÍODO DE DESAFIOS E INOVAÇÕES NA CETIP

O

s dez anos compreendidos entre 1996 e 2005 foram marcados na Cetip principalmente pela inovação tecnológica aliada aos desafios que ela trouxe. São dessa época os preparativos e desafios da empresa para o temido bug do milênio (virada de 1999 para 2000), a reestruturação do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), ocorrida em 2002 e a migração dos chamados mainframes para o formato de plataforma baixa.

99


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO (SPB)

A

tualmente, segundo o Banco Central (1), o SPB “apresenta alto grau de automação, com crescente utilização de meios eletrônicos para transferência de fundos e liquidação de obrigações, em substituição aos instrumentos baseados em papel”. No entanto, nem sempre foi assim: as facilidades atuais com o avanço da tecnologia foram concretizadas ao longo de muitos anos. O Bacen ressalta que as mudanças no SPB ocorridas até meados dos anos 1990 - portanto, antes da reestruturação de 2002 -, “foram motivadas pela necessidade de se lidar com altas taxas de inflação e, por isso, o progresso tecnológico então alcançado visava principalmente o aumento da velocidade de processamento das transações financeiras”. Com a reestruturação no Sistema, conduzida pelo Banco Central, o foco foi redirecionado para a administração de risco, e a entrada em funcionamento do Sistema de Transferência de Reservas (STR), em abril de 2002, marca o início de uma nova fase do SPB. O STR (2) é um sistema de liquidação bruta em tempo real (LBTR) de transferência de fundos entre seus participantes, gerido e operado pelo Bacen. 1 - Banco Central do Brasil - https://www.bcb.gov.br/htms/novaPaginaSPB/VisaoGeralDoSPB.asp acesso em 09/09/2016 2 - Banco Central do Brasil - https://www.bcb.gov.br/htms/NovaPaginaSPB/STR.asp acesso acesso em 09/09/2016

100


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 11 DE NOVEMBRO DE 2002. FEBRABAN COMUNICA AO MERCADO A REFORMULAÇÃO DO SISTEMA DE PAGAMENTOS BRASILEIRO (SPB)

101


ACERVO CETIP

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

RIO DE JANEIRO, 1997. O QUE HOJE NOS PARECE MÁQUINAS OBSOLETAS, ERAM, NA ÉPOCA, COMPUTADORES AVANÇADOS CAPAZES DE TRABALHAR CONECTADOS VIA INTERNET DISCADA EM 56KBPS

102


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

Em 1997, antes da reestruturação do SPB, foi implantado o Sistema de Transferência Eletrônica de Recursos, chamado de TER, que facilitou imensamente o processo, substituindo o envio de arquivos por meio de mensageria em um banco de dados informatizado e unificado.

103


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

104

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 23 DE ABRIL DE 2002


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

SPB: UM GRANDE DESAFIO PARA A CETIP

O

s funcionários da Cetip são quase unânimes em dizer que o SPB foi um dos maiores desafios já enfrentados por eles. O novo sistema, aprovado pelo Banco Central em junho de 1999, provocaria uma completa revolução na empresa e elevaria o nível de segurança e precisão do mercado financeiro. Para ser implantado, porém, foi necessário um esforço robusto. O SPB, que entrou em funcionamento em 22 de abril de 2002, exigiu a completa revisão tecnológica e o aperfeiçoamento dos processos operacionais.

105


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

106


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

P

ara se ter ideia da magnitude da operação, é preciso lembrar que antes dele as movimentações eram realizadas em D+1, ou seja, as operações eram registradas em um dia e a liquidação financeira delas só acontecia no dia seguinte. Isso trazia um grande risco para o sistema. Se, por exemplo, um banco quebrasse entre um dia e outro, quem acabaria ficando com o maior prejuízo era o Banco Central. Com o SPB, passaram a ser feitas em D0 (D zero), o que, na prática, significa tempo real. A completa remodelação deu origem ao conceito de DVP – Delivery Versus Payment (entrega contra pagamento), por meio do qual os participantes do mercado passaram a contar com proteção de eventuais falhas na entrega de títulos ou no pagamento. A garantia passou a ser dada no exato momento em que o investidor decidia adquirir um papel. Nenhuma operação jamais seria finalizada caso os títulos não estivessem efetivamente disponíveis na posição do vendedor ou o comprador não possuísse os recursos integrais para o pagamento. Foi necessário transformar todo o conjunto de procedimentos, adaptando-os à nova regra. Além de robustos investimentos em máquinas, com duplicação do parque de processamento de dados, contratações de técnicos e especialistas, a Cetip colocou toda a equipe a serviço para concluir o projeto dentro do prazo. 107


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A diretora-executiva de Operações da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários, Simone Acioli, funcionária da Cetip desde agosto de 1995, participou de perto da remodelação das áreas de liquidação e custódia e resume os benefícios trazidos pelo SPB: “A reestruturação disciplinou o mercado financeiro como um todo”. Todas as operações financeiras cotidianas de transferências de fundos, pagamentos, envios de Documento de Crédito (DOC) e Transferência Eletrônica Disponível (TED), por pessoas físicas ou jurídicas, passaram por essa revolução. O acesso em tempo real exigia que os montantes estivessem disponíveis em conta corrente no momento exato da transação financeira. Consequentemente, obrigou as empresas a fazerem um monitoramento mais preciso do fluxo de caixa ao longo do dia. Enfim, entregou precisão e cobrou mais rigor e agilidade de todos.

108


CETIP | NET E OUTROS PROJETOS Concluído um plano, a Cetip já dava início ao seguinte. Entre 2004 e 2005, foram implantados mais de 30 projetos, entre eles, a reformulação da Plataforma Eletrônica de Negociação, o Cetip | NET; o Swap de Fluxo de Caixa; e a CCB – Cédula de Crédito Bancário. Um parâmetro foi comum a todos. Nas palavras de Simone Acioli: “Tudo foi pensado para oferecer soluções causando o menor impacto possível no cotidiano do cliente.”

IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

109


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

ADEUS AOS MAINFRAMES

U

m projeto de muitos anos e que envolveu diversas áreas da Cetip foi a migração dos chamados mainframes, computadores de grande porte que processavam um gigantesco volume de dados para o formato de plataforma baixa com máquinas de menor porte que proporcionam mais agilidade no desenvolvimento na manutenção dos serviços. Na Cetip desde 1999, Viviane Lopes, coordenadora de Projetos e Sistemas, era uma das funcionárias envolvidas nessa operação de migração. Ela salienta que a conclusão do processo foi importante para os rumos da Cetip. “Levamos vários anos para concluir. Foi um projeto difícil, mas o ganho com a plataforma baixa é imenso. E esse é só mais um exemplo de que aqui nós não nos contentamos com algo bom. Precisa ser excelente”, diz. “Com tudo funcionando da melhor maneira possível, no futuro só temos a ganhar em termos de agilidade”, complementa.

Um dos funcionários que simboliza a inquietude da Cetip em buscar novas soluções para o mercado é Gustavo Queiróz, contratado em 1995, como analista de Sistemas. Atualmente gerente de Suporte e Infraestrutura, ele integra a equipe que cuida da área mais delicada dentro da empresa, a segurança, e fala do processo desde que ingressou na empresa. “Montamos a infraestrutura da rede interna, incluindo os primeiros acessos da Cetip à internet, redes com proteção por firewall, bem como a implantação do sistema de correio eletrônico interligando toda a empresa”, conta.

110


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE I - 1980 A 1995

111


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

BUG DO MILÊNIO No final da década de 1990, começaram as preocupações com o chamado bug do milênio, temor à época de que os computadores, softwares e microprocessadores não entendessem a mudança de dígitos de 1999 para 2000 e causassem uma megapane nos sistemas e serviços.

112


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE I - 1980 A 1995

Com o mundo cada vez mais informatizado, 1999 foi um ano também de prevenção, investimentos e alerta no mundo inteiro. Também conhecido como Y2K, o bug, se concretizado, afetaria sistemas financeiros, de telefonia, dos aeroportos e de segurança, folhas de pagamento, cartões de crédito e sistemas bancários, entre outros. Diante da ameaça iminente, foram investidos cerca de US$ 300 bilhões em medidas preventivas em todo o mundo. Mesmo assim, milhares de pessoas da área de informática e outros segmentos passaram a virada do ano em estado de alerta para agirem imediatamente se os problemas aparecessem, o que não ocorreu.

113


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A

penas na Cetip, o investimento preventivo foi de R$ 2 milhões, e já no fim de 1998. É o que mostra matéria do jornal Gazeta Mercantil de 17 de dezembro daquele ano. O texto diz que a empresa “se tornou a primeira instituição financeira de grande porte a estar totalmente preparada para enfrentar o “bug do milênio”, com todos os seus 2.137 programas à época “ajustados para o ano 2000”. Um dia antes, em 16 de dezembro, a preparação da Cetip para enfrentar a ameaça de pane nos sistemas fora destaque na coluna de Sonia Racy, no jornal O Estado de S.Paulo. A jornalista noticiara, na ocasião, que “a Cetip já entra em 99 despreocupada com o bug do milênio”. Após falar da auditoria da Trevisan na empresa em todos os equipamentos e programas, o texto termina lembrando que a Cetip foi a “primeira grande instituição financeira a terminar a lição de casa. À frente do próprio BC”. Entre aqueles que participaram ativamente do trabalho de prevenção dos possíveis problemas com o bug, estava Fabio Hull, atualmente superintendente Comercial, que entrara na Cetip em 1995 como estagiário. “Os sistemas foram todos preparados para mudar do 99 (na época não se utilizava 1999) para 00 (mais precisamente 2000), sem que entrassem em pane e retornassem ao 1900. Falando hoje parece banal, mas foi um projeto de mais de um ano de duração, que consumiu significativa parte do nosso time de Tecnologia da Informação (TI)”, resume.

114


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

REPRODUÇÃO DO JORNAL GAZETA MERCANTIL DE 17 DE DEZEMBRO DE 1998

115


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

POLÍTICA MONETÁRIA: A CRIAÇÃO DO COPOM

E

m 20 de junho de 1996, o Banco Central criou o Comitê de Política Monetária (Copom), cujo objetivo era definir a taxa de juros da economia (TBC), que viria a ser extinta em 1999 (3), e estabelecer as diretrizes da política monetária. Segundo o Banco Central (4), a criação do Copom “buscou proporcionar maior transparência e ritual adequado ao processo decisório, a exemplo do que já era adotado pelo Federal Open Market Committee (Fomc) do banco central dos Estados Unidos e pelo Central Bank Council, do banco central da Alemanha”. Ficou estabelecido, naquela ocasião, que o Copom teria reuniões ao fim de cada mês para decidir a taxa de juros do mês seguinte. 3 - UOL - http://www1.uol.com.br/economia/ultnot/ult040399055.htm acesso em 06 de Setembro de 2016 4 - Banco Central - https://www.bcb.gov.br/htms/copom/a-hist.asp acesso em 05 de Setembro de 2016

116


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

117


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 21 DE JUNHO DE 1996

118


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

P

ara a Cetip, a criação do Copom foi essencial em termos de controle das taxas de juros, principalmente pelo fato de a Selic sempre andar muito perto da taxa DI-Cetip. Com a estabilidade da Selic nos últimos anos, após uma série de oscilações pós-criação do Copom, houve melhoria para os investimentos, emissores e investidores. Em 21 de junho de 1996, o jornal O Estado de S.Paulo trazia na primeira página de seu caderno de economia informações do comitê recém-criado (5), porém, timidamente e dentro de uma matéria cujo título era “BC facilita socorro a instituições financeiras”. O texto discorria sobre a medida do governo em reduzir juros de linhas de empréstimos para bancos com problemas eventuais de liquidez. Ao mesmo tempo, a iniciativa facilitava o acesso de instituições financeiras ao redesconto do Bacen e encarecia o custo financeiro do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer). O governo Fernando Henrique Cardoso, um ano antes, criara o programa injetando, via Bacen, à época, R$ 16 bilhões em dinheiro público nos bancos Nacional, Econômico, Mercantil, Bamerindus, Banorte, Pontual e Crefisul. O objetivo foi evitar que a falência dessas instituições financeiras levasse o sistema a um colapso, e a medida foi considerada, por alguns anos, bem-sucedida. O acerto de contas do Banco Central com três bancos, da ordem de quase R$ 30 bilhões, no entanto, irá demorar ao menos 33 anos para ser quitado (6).

5 - 6 - Jornal O Estado de S. Paulo - http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19960621-37501-nac-0039-eco-b1 -not/tela/fullscreen acesso em 06 de Setembro de 2016

119


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

E

m uma edição especial sobre os 20 anos do Plano Real, publicado em seu site em julho de 2014, a revista Época Negócios (7) diz, ao falar do Proer, que a atual moeda brasileira “trouxe estabilidade para a inflação, o que prejudicou diversos bancos brasileiros”. Outro setor que reclamou bastante nos primeiros anos do Real foi a indústria. Com a paridade da moeda brasileira frente ao Dólar, as indústrias se queixavam principalmente da abertura comercial e da manutenção do câmbio valorizado para manter a inflação sob controle. Isso baixou o custo das importações e fez com que a indústria brasileira perdesse competitividade. 7 - Revista Época Negócios - http://20anosdoreal.epocanegocios.globo.com/#anchor-u343 acesso em 06 de Setembro de 2016

120


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO DE 26 DE NOVEMBRO DE 1997

121


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

A CRISE FINANCEIRA DA ÁSIA EM 1997

A crise asiática de 1997 foi um dos primeiros desafios ao Real e à economia brasileira. Motivada pela fuga de capital e deflação de ativos financeiros em certo conjunto de economias daquela região, a turbulência teve início em economias daquele continente consideradas menores, como Tailândia, Malásia, Indonésia e Filipinas, e logo se espalhou para os chamados “tigres asiáticos”, Coreia do Sul e Hong Kong. Naquela ocasião, as moedas nacionais daqueles países mergulharam em queda livre em relação ao Dólar, com exceção de Hong Kong, onde a desvalorização cambial foi evitada a alto custo.

122


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

A DESVALORIZAÇÃO DO REAL EM 1999

IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

Quando FHC iniciou o segundo mandato, em 1º de janeiro de 1999, o Brasil já passava por uma grande crise econômica. Os investidores estrangeiros ficaram receosos por conta de especulações financeiras, retirando bilhões de Dólares de investimentos do País. Na mesma data, o Euro começa a circular como a moeda oficial em 11 países da União Europeia.

Para estabilizar a situação no mercado nacional, o consumo interno foi desestimulado, gerando recessão e desemprego, e a moeda, desvalorizada. Em 15 de janeiro, o mercado cambial brasileiro passou a operar sob regime de livre flutuação da taxa de câmbio, e não mais através das chamadas bandas cambiais que mantiveram desde a implantação do Real a paridade frente ao Dólar (8). 8 - Banco Central - http://www.bcb.gov.br/rex/MerCambio/Port/cambio991/1999-1Pol%C3%ADticaCambial.asp Acesso em 09/09/2016

123


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

IMAGEM: iSTOCK PHOTOS

Em 45 dias, cada Dólar que valia R$ 1,20 passou a R$ 2. No mesmo ano, o governo implantou o regime de metas para inflação, o que agradou o mercado e permitiu que o Brasil retomasse o crescimento, por meio da redução da taxa Selic, e melhorasse a balança comercial. As medidas, contudo, contribuíram para que o País futuramente diminuísse o uso de reservas internacionais.

A desvalorização do Real frente ao Dólar naquela ocasião afetou mais as operações de derivativos das empresas desprotegidas contra oscilações na taxa de câmbio do que propriamente as operações de Renda Fixa.

124


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO DE 30 DE SETEMBRO DE 1999

Como consequência da crise, o Brasil recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI), teve de diminuir investimentos públicos e aumentar a taxa de juros para desestimular o consumo e, consequentemente, controlar a inflação.

125


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A ADOÇÃO DA SELIC COMO TAXA BÁSICA O Copom decidiu, em 4 de março de 1999, extinguir a TBC e a Tban, taxas básicas que funcionavam como uma espécie de piso e teto dos juros da economia brasileira. Com isso, passou a adotar a Selic como taxa básica de juros, na ocasião de 45% ao ano - o índice estava em 39% pelo regime anterior, o sistema de bandas de juros -, com viés de baixa, ou seja, com o presidente do Bacen à época (Armínio Fraga) podendo reduzir o percentual sem a necessidade de autorização do Copom. Após sucessivas quedas desde março de 1999, em julho de 2001 a taxa Selic chegou a 19%, patamar mantido até o fim daquele ano. Em dezembro de 2002, quando a equipe econômica de FHC se preparava para deixar o governo e fazia a transição com os pares do futuro governo Lula, a Selic atingiu 25%. Em fevereiro de 2003, já no governo petista, a taxa básica de juros da economia brasileira chegou a 26,5%.

126


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S. PAULO DE 05 DE MARÇO DE 1999

127


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

REGIME DE METAS DE INFLAÇÃO

Em 21 de junho de 1999, um decreto do Poder Executivo estabeleceu no País um regime de metas para a inflação como diretriz para a política monetária e os rumos da economia. O regime previa que a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deveria ficar dentro de um limite de tolerância estabelecido pelo governo para cada ano.

128


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO DE 13 DE FEVEREIRO DE 2000

OS DOIS ÚLTIMOS ANOS DO GOVERNO FHC Para controle das contas públicas, o governo FHC promulgou, em maio de 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que promoveu, entre outros aspectos, a transparência nos gastos da União, Estados e municípios. Com a LRF, as esferas de poder foram obrigadas a apresentar suas finanças aos respectivos tribunais de contas.

129


ACERVO CETIP

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

130


ACERVO CETIP

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

CETIP E SEUS QUINZE ANOS

ACERVO CETIP

Faz parte da essência da marca o incentivo à cultura. Em seu aniversário de 15 anos, a Cetip promoveu a exposição fotográfica e o lançamento do livro de Luiz Carlos Barreto, Passagem. O fotógrafo traz um registro produzido entre os anos 1950 e 1960.

A PUBLICAÇÃO DE “PASSAGEM: A MEMÓRIA VISUAL DE LUIZ CARLOS BARRETO”, COMEMORA O ANIVERSÁRIO DE 15 ANOS DA CETIP, QUE PATROCINOU O LIVRO E A EXPOSIÇÃO NO MASP

131


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

S

e no primeiro mandato e no início do segundo FHC levou o Brasil a um relativo cenário de estabilização econômica, permitindo, assim, o êxito de seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, em retomar o crescimento econômico e reduzir a vulnerabilidade externa do País, o sociólogo não teve nos dois últimos anos de governo trégua da oposição, que naquele momento criticava justamente sua política econômica. A popularidade do tucano também caíra. Além da desvalorização do Real e do aumento dos juros, as principais críticas dos oposicionistas diziam respeito à necessidade da venda de algumas empresas estatais ao longo da série de privatizações promovidas pelo governo desde o primeiro mandato de FHC. Após recuperar a economia em 2001, com crescimento do PIB de 4,3%, o Brasil voltou a ver o Produto Interno Bruto crescer aquém do esperado, 1,3% no ano seguinte, reflexo principalmente, do “apagão”, da crise argentina e do fatídico 11 de setembro. O segundo governo de FHC - cujos pilares da economia foram, principalmente, o cumprimento do regime de metas para a inflação e o regime cambial flexível - ainda viu o PIB crescer 2,7% em 2002.

132


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

133


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

IMAGEM: ACERVO DA BIBLIOTECA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2002 A inédita vitória nas eleições presidenciais de 2002 de Luiz Inácio Lula da Silva colocou o Brasil em posição de destaque no cenário mundial. O carisma e a diplomacia do presidente eleito com apoio tanto de movimentos sociais como o de parte do empresariado brasileiro - o candidato a vice-presidente foi o industrial José Alencar, do então conservador PL, responsável por tranquilizar parte de seus colegas - foram, ao longo da Era Lula, pilares para que o Brasil obtivesse êxito em parcerias comerciais no exterior, principalmente com a China e países emergentes.

134


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

REPRODUÇÃO DO JORNAL O GLOBO DE 23 DE JUNHO DE 2002

REFLEXOS NO MERCADO FINANCEIRO Em um primeiro momento, o mercado financeiro e os investidores temeram o triunfo petista nas eleições de 2002, mas logo os futuros novos mandatários trataram de tranquilizá-los, através da chamada “carta ao povo brasileiro”, divulgada pelo PT em meados de 2002, anunciando uma política econômica de continuidade em relação ao governo Fernando Henrique Cardoso. Para alguns economistas, as medidas adotadas pela equipe econômica de Lula foram até mais ortodoxas do que as do governo tucano, em termos fiscais e monetários, visando, principalmente, credibilidade junto ao mercado financeiro. 135


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

136


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

EXPANSÃO DO CRÉDITO Ao longo da década de 2000, além da erradicação da miséria com a união dos programas sociais do governo FHC com o Fome Zero, houve a diminuição gradativa da desigualdade e aumento, com a inclusão social e ascensão econômica das classes D e E, do consumo interno no Brasil, o que aqueceu diversos setores da economia, como o aumento da venda de veículos e imóveis. Houve, ainda, expansão do crédito e aumento tanto no número de empregos formais quanto no do salário mínimo. Em termos econômicos, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu, em média, 4% anualmente, o que levou o Brasil a figurar entre as dez maiores economias mundiais.

137


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

138


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

ACÚMULO DE RESERVAS EM DÓLAR Do começo do governo Lula até 2006, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), as exportações cresceram bem mais que as importações permitindo o País acumular grande reserva de Dólares. Naquele ano, a balança comercial teve saldo recorde de R$ 46,457 bilhões. Em 2007, entretanto, as compras externas cresceram mais e o saldo voltou a cair. De 2002 a 2010, as exportações cresceram 330% e as importações, 390%. As primeiras fecharam 2010 em cerca de US$ 201,9 bilhões (o montante em 2002 foi de US$ 60,1 bilhões) e as segundas, US$ 181,6 bilhões (somavam cerca de US$ 47,1 bilhões em 2002).

139


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

MERCADO FINANCEIRO: FIM DO PREGÃO Os avanços tecnológicos do início dos anos 2000 fizeram com que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) concentrasse, no início da década passada, toda a negociação de ações do País. Em 2005, com o fim do pregão viva-voz, a Bovespa tornase totalmente eletrônica. Três anos mais tarde, é criada a BM&F (derivativos) Bovespa (ações), uma das maiores bolsas do mundo em valor de mercado.

140


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

141


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

LETRAS FINANCEIRAS E DE CRÉDITO A década de 2000 também foi de novas modalidades de instrumentos de captação bancária, fazendo com o que o Certificado de Depósito Bancário (CDB) dividisse espaço com as Letras Financeiras (LF), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). As letras são atrativas tanto para investidores quanto para os bancos, que ficam com mais dinheiro disponível para emprestar e garantem uma estabilidade no passivo.

IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

Antes de completar 20 anos, em 2006, a Cetip já se tornara a maior câmara de Títulos Privados de Renda Fixa da América Latina, reunindo uma carteira com mais de 50 tipos de instrumentos de Renda Fixa, entre eles Letras Financeiras, de Crédito Imobiliário e do Agronegócio.

142


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

143


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

144

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO DE 06 DE NOVEMBRO DE 2001


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

LEI DAS S.AS. E EDIÇÃO DE INSTRUÇÕES PELA CVM

E

m janeiro de 2000, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) elaborou um estudo preparatório de lei de reforma da Lei 6.404/76 (Lei das S.As.) que ampliou os poderes fiscalizatório e disciplinador da Comissão, se adaptando às mudanças sociais e econômicas decorrentes da evolução do mercado e fortalecendo o mercado de capitais. A Lei 11.638/07, que alterou e revogou os dispositivos da Lei das S.As., seria sancionada pela Presidência da República sete anos depois, após tramitar no Congresso.

145


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

MERCADO SECUNDÁRIO DE TÍTULOS PÚBLICOS Uma vez emitidos pelo Tesouro Nacional no mercado primário, os títulos da dívida pública, por meio de ofertas públicas competitivas, na modalidade de leilões, podem ser livremente negociados entre as partes, formando assim o mercado secundário de títulos públicos. O bom funcionamento do mercado secundário promove a avaliação dos ativos financeiros de forma mais eficiente e transparente, “além de possibilitar uma melhor administração do risco, elevar a liquidez e potencializar o mercado primário” (12). É importante lembrar que “a liquidez elevada torna o processo de formação de preços mais eficiente, permitindo ao Tesouro Nacional emitir instrumentos financeiros com menor custo e, consequentemente, menor risco de refinanciamento.” 12 - Tesouro Nacional - http://www.tesouro.fazenda.gov.br/mercado-secundario acesso em 11 de Setembro de 2016

146


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

147


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

“A empresa não envelhece. Respeita e aprende com seu passado e olha para frente com muita energia”

“Somos um time incrível com objetivos comuns e claros, por isso funciona”

Carlos Paraizo, Cetip desde 1989

Jacqueline Jambeiro, Cetip desde 1994

“Sou orgulhoso e honrado por fazer parte de uma empresa que tem um papel tão importante para a economia brasileira. De todas as empresas em que trabalhei, a Cetip é a que me oferece o melhor ambiente de trabalho. O espírito de equipe, amizade e respeito são muito marcantes aqui”

Mauro Gonçalves, Cetip desde 1997

148

“A Cetip sempre foi e continua sendo uma empresa idônea e ética. Isso vale muito”

Cláudia Elias, Cetip desde 2001


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

“Todas as vezes que precisamos, pudemos contar com os clientes, da mesma forma que procuramos ajudá-los o máximo possível”

Fabio Hull, Cetip desde 1995

Simone Acioli, Cetip desde 1995

IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

“Nós mapeamos as necessidades do mercado, levando em consideração o impacto provocado pelas regulações, e antecipamos as soluções para o cliente, mostrando todos os caminhos viáveis. E o cliente percebe esse ganha-ganha, de oferecer a solução antes do problema chegar”

“A Cetip é uma empresa de infraestrutura. Em uma analogia palpável, podemos dizer que não fabricamos carros. Nós fazemos as estradas”

Carlos Ratto, Cetip desde 2010

“O trabalho entre o Banco Central e a Cetip sempre foi marcado por parceria. A empresa cresceu, ficou independente, atingiu a maturidade e é bem sucedida. Mas manteve a parceria. A Cetip age um pouco como os nossos olhos: ajuda a controlar e a reduzir riscos”

Aldo Luiz Mendes, Diretor de Política Monetária do Banco Central do Brasil

149


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PART II 1996 - 2005 CETIP: THE BRAZILIAN ECONOMY DRIVEN BY THE DIGITAL REVOLUTION For Cetip, 1996 was a major milestone. During its first ten years, the company survived challenges that few companies would be able to face: periods of hyperinflation, a dictatorship, five presidents (Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar Franco, and Fernando Henrique Cardoso), a variety of economic plans, and numerous instabilities. On the other hand, this was a period for creating solid foundations, and for structuring and maturation of the financial market, which allowed Cetip to mature as well. The company’s tenth anniversary demonstrates the strength and solid nature of the brand, and also represents security in the market. Alongside its process of innovation at that time, Cetip launched its website, a major technological advancement which would facilitate all processes from that time onward. The daily bulletin which had previously been distributed via fax now circulated online. This was the beginning of the web era, with changes taking place faster than ever before, moving toward the future. And there’s no way we can better understand Cetip’s advances during this period without talking about Ernesto Albrecht. Albrecht supervised the company from 1987 to 1999, and from the outset proved his skill in managing people. Albrecht, who is currently 92 years old, said he remembers great stories from his 12 years at Cetip. “I wasn’t tapped to work at Cetip because I knew about computers. Even today I ask my grandchildren to deal with the computers. But I had experience at the Central Bank and always knew how to listen to the technical staff, who had my complete confidence,” he recalled. Among other activities, he went to Silicon Valley in the United States to build partnerships that would improve Cetip’s technology.

150

Albrecht is remembered fondly by all who worked with him because of his charisma and concern for the well-being of the entire team, which produced more and better results because of this respect. Among other concerns, he was alert to the need for regular rest for the data entry staff, made sure that get-togethers were organized, and brought back small gifts for everyone when he traveled. He entered the company in 1987 and stayed until he retired. Albrecht was known for his shyness, but also for his concern for his employees. In his speeches, he quoted Niskier (1995), who even today is still part of the essence of Cetip. He said, “the company should firmly pursue its plans, since this way the employees will feel safer and more motivated. Teamwork is preferable to individual work; people can produce better if they feel encouraged to reach goals... in place of bosses, they need leaders.” The period between 1996 and 2005 saw annual inflation in Brazil in the single digits (with the exception of 2002) and consolidation of the Real, while external crises directly affected the Brazilian currency and economy. In terms of history, any discussion of Cetip during this period is almost synonymous with the advances and challenges in the area of technology that were overcome with dedication and a commitment to driving the financial markets. Within these ten years Brazil made major strides in the digital revolution; the economy heated up and technological advances occurred which facilitated a range of financial operations, among other services.


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

TECHNOLOGICAL REVOLUTION The mid-1990s saw the landmark arrival of the first computers with internet access and mobile phones in Brazil. Today you can do any number of things using apps on your tablet or smartphone, but in 1996 the internet still in its infancy, using dial-up, and cell phones could only be used for making and receiving calls; even worse, they were expensive, heavy, and faced a range of problems due to the lack of phone signals. As the globalization of the world economy increased by the end of the Cold War, Brazil also experienced the boom from the technological revolution in the 1990s. In the area of communications, pagers (also known as beepers) were widely used in the 1980s and 1990s, especially by doctors and health care professionals. The technology of these devices that sent and received messages forwarded from a central location was surpassed by cell phones, which became popular in Brazil in the mid-1990s. The Motorola PT 55, which was known as the “tijolão” [“brick”] because of its heft and size, was the first mobile phone sold on the Brazilian market, initially in Rio de Janeiro and later in São Paulo. The cost of a mobile phone line was high, and there was a waiting list for anyone wishing to buy one. In Brazil the auction to privatize Telebras only took place in July 1998 at the Rio de Janeiro Stock Exchange; this finally made access to both fixed and mobile telephone services universal, swift, and more affordable. In the area of computing, personal computers (PCs) became more accessible to the population during the 1990s. The internet also arrived in Brazil; initially it was only found in corporate settings, but it soon became popular. Along with it came a range of opportunities like e-commerce, facilitated bank transactions, and various other services which could be performed in the virtual world.

CHALLENGES AND INNOVATIONS AT CETIP IN THE LATE 1990S AND EARLY 2000S At Cetip, the decade between 1996 and 2005 was mainly marked by technological innovation coupled with the challenges it brought. This was when the company made preparations to face challenges from the dreaded Millennium bug at the end of 1999, the 2002 restructuring of the Brazilian Payment System (SPB), and the migration from mainframes to the low-platform desktop format. BRAZILIAN PAYMENT SYSTEM (SPB) According to the Central Bank (footnote 1), today the SPB “offers a high degree of automation, with increased use of electronic funds transfer and settlement of financial obligations, replacing paper-based instruments.” This wasn’t always the case, however; the facilities that exist today because of the advancement of technology were implemented over many years. The Central Bank points out that the changes in the SPB which took place through the mid1990s and before the 2002 restructuring “were motivated by the need to deal with high inflation rates, and therefore the technological progress which had been achieved at that time mainly targeted increasing the processing speed for financial transactions.” With the restructuring of the system by the Central Bank, the focus was redirected to risk management, and the startup of the Reserve Transfer System (STR) in April 2002 marked the beginning of a new phase for the SPB. The STR (2) is a real-time gross settlement system (RTGS) for transferring funds between participants, and is managed and operated by the Central Bank. In 1997, before the restructuring of the SPB, the Electric Funds Transfer System (TER) was established. This greatly facilitated the process, replacing files sent by messengers with a unified, computerized database.

151


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

SPB: A GREAT CHALLENGE FOR CETIP

CETIP | NET AND OTHER PROJECTS

Cetip staff are almost unanimous in stating that the greatest challenge they ever faced was the SPB. The new system, approved by the Central Bank in June 1999, would lead to a complete revolution in the company and increase the levels of safety and accuracy in the financial market. But heavy-duty efforts were needed to establish this new system. When the SBP began operations on April 22, 2002, it required a complete technological overhaul and improvement of the operational processes.

Once one plan was complete, Cetip had already moved on to the next. Between 2004 and 2005, more than 30 projects were implemented, including the overhaul of the Electronic Trading Platform, Cetip | NET, cash flow swaps, and the Bank Credit Certificate (CCB). One common thread ran through all of these projects; in the words of Simone Acioli: “Everything was considered in a way that would offer solutions and cause the least possible impact to the daily lives of our clients.”

To get an idea of the magnitude of the operation, we must remember that previously, funds were moved in T+1 – in other words, the transactions were recorded on a given day but financial settlement only occurred on the following day. This represented a great risk to the system. For example, if a bank were to fail from one day to the next, the Central Bank would face the greatest losses. After the SPB was established, transactions were made in T-zero, which in practice means real time. This complete makeover generated the concept of DVP (delivery versus payment), through which the participants in the market have come to depend on protection from any potential failures in the delivery of securities or payment. The warranty was given at the exact moment that the investor decided to purchase a security. No transaction would be finalized if the securities were not effectively available from the seller, or if the buyer did not possess all of the resources for payment. It was necessary to transform the entire set of procedures and adapt them to the new rule. In addition to robust investments in machinery, duplicating the data-processing center, and hiring technicians and specialists, Cetip allocated all of its staff to finish the project on schedule. Executive director of operations Simone Lourival Acioli, who has worked at Cetip since August 1995, was closely involved in the process of remodeling the settlement and custody areas and summarizes the benefits generated by the SPB: “The restructuring brought discipline to the financial market as a whole.”

152

All the everyday financial transactions for transfers of funds, payments, credit transfer documents (DOC), and express wire transfers (TED) from individuals or corporate entities went through this revolution. Real-time access required the amounts to be available in a current account at the exact moment of the financial transaction. Consequently, companies were forced to more carefully monitor cash flow throughout the day. It brought with it precision, and demanded more rigor and swiftness from everyone.

GOODBYE, MAINFRAMES One project that spanned many years and involved several areas of Cetip was the migration from mainframes, enormous computers that processed a gigantic amount of data, to the lowlevel desktop platform with smaller machines that permit swifter development in service maintenance. Viviane Silva Lopes is a project and systems coordinator and has been at Cetip since 1999, and was one of the employees involved in this migration operation. She stresses that the conclusion of the process was important to Cetip’s future direction. “It took us several years to complete. It was a difficult project, but the gains with the desktop platform are massive. And this is just another example of how here we aren’t satisfied with doing something well. It needs to be excellent,” she said. “With everything working in the best way possible, in the future we only stand to gain in terms of swiftness,” she added. Another employee who symbolizes Cetip’s tireless search for new market solutions is Gustavo Queiróz, who was hired in 1995 as a systems analyst. Today he is the manager of Support and Infrastructure, and is part of the team that takes care of security, which is the most delicate area within the company; he spoke with us about the process since he joined the company. “We set up the internal network infrastructure, including Cetip’s first internet access, networks protected by firewalls, and we also implemented the electronic mail system which connects the entire company,” he said.


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

THE MILLENNIUM BUG

MONETRY POLICY: THE CREATION OF COPOM

In the late 1990s concerns arose surrounding the so-called Millennium bug; it was widely feared at the time that computers, software, and microprocessors would not understand the numerical rollover from 1999 to 2000 and cause a mega-blackout affecting systems and services.

On June 20, 1996, the Central Bank created the Monetary Policy Committee (Copom); the goal of this committee was to establish the economic interest rate (TBC), which would be discontinued in 1999 (3), and to establish monetary policy guidelines. According to the Central Bank (4), the creation of Copom “sought to provide greater transparency and appropriate procedure to the decision-making process, in a way similar to what had been adopted by the United States in the Federal Open Market Committee (FOMC) of that country’s central bank, and the Central Bank Council of the German central bank.” At that time, it was decided that Copom would hold meetings at the end of each month to decide the interest rate for the following month.

In an increasingly computerized world, 1999 was also a year for prevention, investments, and alert around the world. The bug, which was also known as Y2K, threatened to affect systems in the areas of finance, telephone services, airport security, payroll, credit cards, and banking, among other sectors. Around US$ 300 billion were invested in preventative measures around the world to confront this imminent threat. Even so, thousands of people in information technology and other related industries spent New Year’s Eve on alert, ready to take action if problems appeared (which, as we know, did not happen). Cetip alone invested R$ 2 million as early as the end of 1998, according to an article in the Gazeta Mercantil from December 17 of that year. The text states that the company “became the first large financial institution to be fully prepared to tackle the Millennium ‘bug,’” with all of its 2,137 programs at that time “adjusted for the year 2000.” Just a day earlier, on December 16, Cetip’s preparations against the threat of system failure were featured in a column by Sonia Racy in the newspaper O Estado de S. Paulo. The journalist stated that “Cetip is headed into 1999 without concerns about the Millennium bug.” After discussing Trevisan’s audit of the company assessing all its equipment and programs, the text ended by noting that Cetip was “the first financial institution to finish its homework. Ahead of the Central Bank itself.”

For Cetip, the creation of Copom was essential in terms of controlling interest rates, particularly because the Selic “was always very close to the DI-Cetip rate.” After a series of oscillations immediately after the creation of Copom, the stability of the Selic rate in recent years has been an improvement for investment, issuers, and investors. On June 21, 1996, the O Estado de S. Paulo newspaper published information about the newly-created committee on the front page of its economy section (5), but with a tentative tone and under the title “Central Bank facilitates help for financial institutions.” The article discussed the government’s measure to reduce interest on lines of financing for banks with potential liquidity problems. The initiative simultaneously made it easier for financial institutions to access the Central Bank’s rediscounting and made financing of the Stimulus Program for Restructuring and Strengthening the National Financial System (PROER) more expensive.

One of the staff who actively worked to prevent possible problems with the computer bug was Fabio Hull, who entered Cetip in 1995 as an intern and today oversees the Commercial area. “The systems were all prepared to move from 99 (at the time 1999 was not used) to 00 (or, more precisely, 2000) without crashing and returning to 00. Speaking today it seems silly, but this project took more than a year and occupied a significant part of our information technology team,” he recalled.

153


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

One year earlier, Fernando Henrique Cardoso’s administration created the program and injected R$ 16 billion of public money into the National, Economic, Mercantile, Bamerindus, Banorte, Pontual, and Crefisul Banks through the Central Bank. The objective was to stop the bankruptcy of these financial institutions from collapsing the entire system, and for some years this measure was considered a success. But the reckoning between the Central Bank and three banks, involving almost R$ 30 billion, would take over 33 years to be paid (6). In a special edition addressing the 20 years of the Real Plan, the magazine Época Negócios (7) stated on its website in July 2014 that with regard to PROER, the current Brazilian currency “brought stability to inflation, which damaged numerous Brazilian banks.” Industry also protested loudly during these first years. With the Brazilian currency tied to the dollar, industries complained particularly about the opening of trade and continued valorization of the exchange rate to keep inflation under control. This lowered the cost of imports and caused Brazilian industry to lose competitiveness. FINANCIAL CRISIS IN ASIA IN 1997 The Asian crisis of 1997 was one of the first challenges for the Real and the Brazilian economy. This turbulence, which was motivated by capital flight and financial asset deflation in a certain set of economies within that region, began in the smaller Asian markets such as Thailand, Malaysia, Indonesia, and the Philippines, and soon spread to the so-called “Asian tigers”, South Korea and Hong Kong. On that occasion, the national currencies of these countries plunged into a nosedive against the dollar with the exception of Hong Kong, where devaluation of the exchange rate was avoided, but at a high cost (8).

154

THE DEVALUATION OF THE REAL IN JANUARY 1999 When FHC began his second term on January 1, 1999, Brazil had already experienced one major economic crisis. Foreign investors were hesitant because of financial speculation, and removed billions of dollars of investments from the country. On the same date, the Euro began to circulate as the official currency in 11 countries of the European Union. To stabilize the situation in the domestic market, internal consumption was discouraged, leading to recession and unemployment, and the currency was devalued. On January 15 the Brazilian foreign exchange market began to operate using the free floating exchange rate instead of the so-called exchange rate bands which had maintained parity against the dollar since the Real was introduced. Within 45 days each dollar that had been worth R$ 1.20 was now worth R$ 2, which was agreeable to the market and allowed Brazil to resume growth by reducing the Selic rate and improve the trade balance. But these measures helped push the country toward reducing the use of international reserves in the future. The devaluation of the real against the dollar at that time more strongly affected derivatives transactions by companies that were vulnerable to variations in the exchange rate than fixedincome operations. As a result of the crisis, Brazil appealed to the International Monetary Fund (IMF), and had to reduce public investment and raise interest rates to discourage consumption and consequently control inflation.


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

THE CENTRAL BANK ADOPTS THE SELIC AS BASE RATE On March 4, 1999, Copom decided to eliminate the TBC and Tban, basic rates that functioned as a kind of ceiling and floor for interest rates in the Brazilian economy. It then adopted the Selic rate as the basic interest rate, at that time using 45% per year as the low bias; in other words, the Central Bank president at the time (Armínio Fraga) was able to reduce the percentage without requiring authorization from Copom (previously, the rate was 39% in the regime that had used the interest-band system) After successive declines since March of 1999, the Selic rate reached 19% in July 2001, and remained at that level until the end of that year. In December 2002, when FHC’s economic team was preparing to leave the government and make the transition to their counterparts in the new Lula administration, the Selic rate reached 25%. The Brazilian economy’s basic interest rate reached 26.5% in February 2003 with the new Worker’s Party government (PT). INFLATION TARGET REGIME On June 21 1999, an executive order established a system of inflation targets to act as a guideline for monetary policy and the direction of the economy. This regime established that inflation (as measured by the Broad Consumer Price Index, or IPCA) should stay within a tolerance limit set by the government for each year.

CETIP’S 15 YEARS Part of the essence of the brand is its incentive for culture. For its 15th anniversary, Cetip promoted a photography exhibition and book launch by Luiz Carlos Barreto, Passagem. The work of this photographer encompassed a record of images produced in the 1950s and 1960s. Although FHC’s first and second terms brought Brazil to a place of relative economic stabilization, permitting his successor Luiz Inácio Lula da Silva to successfully resume economic growth and reduce the external vulnerability of the country, in his last two years in office Cardoso did not have a truce with the opposition, who specifically criticized his administration’s economic policy at that time. FHC’s popularity also fell. Besides the devaluation of the Real and increased interest rates, the main criticism from the opposition concerned the need to sell some state-owned enterprises through a series of government privatizations since FHC’s first term. After the economy recovered in 2001 with GDP growth of 4.3%, Brazil again saw its gross domestic product increase less than expected, by only 1.3% the following year; this was mainly a reflection of the blackouts, the Argentine crisis, and the events of September 11. During the second term of Fernando Henrique Cardoso, whose pillars of the economy were mainly the fulfillment of the inflation targets and the flexible foreign exchange regime, GDP even grew 2.7% in 2002.

THE LAST TWO YEARS OF THE FHC ADMINISTRATION To control public accounts, in May of 2000 the FHC government enacted the Fiscal Responsibility Law (LRF), which along with other measures promoted transparency in spending by federal, state, and municipal administrations. The LRF required the different branches of the administration to submit their accounts to their respective audit courts.

155


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

THE 2002 PRESIDENTIAL ELECTIONS

CREDIT EXPANSION

Luiz Inácio Lula da Silva’s unprecedented victory in the 2002 presidential election placed Brazil in a prominent position on the world stage. The charisma and diplomacy of the new president were fundamental qualities that allowed Brazil to make international trade deals throughout the Lula era, particularly with China and emerging economies and even with some dictatorial governments. The new president was elected with the support of social movements as well as Brazilian business leaders; his vice-presidential candidate was the industrialist José Alencar, at that time allied with the Liberal Party (PL) and responsible for reassuring his peers in the business world.

Throughout the 2000s, besides the eradication of extreme poverty by combining the social programs of the FHC administration with Fome Zero there was a gradual decrease in inequality and increased domestic consumption in Brazil resulting from social inclusion and the economic rise of the so-called D and E classes, which heated up various sectors of the economy, provoking an increase in vehicle sales, for example.

REFLECTIONS IN THE FINANCIAL MARKET Initially, the financial market and investors were concerned about the PT’s triumph in the 2002 elections. But soon the new representatives-tobe tried to reassure them in the “Letter to the Brazilian people” which was released by the PT in mid-2002, announcing an economic policy which would grant continuity to the Cardoso government’s measures. For some economists, the measures adopted by Lula’s economic team were even more orthodox than those of the previous administration in fiscal and monetary terms, mainly targeting credibility on the financial markets.

156

There was also an expansion of credit and an increase in both the number of formal jobs and the minimum wage. In economic terms, the gross domestic product (GDP) grew an average of 4% annually, which placed Brazil among the world’s ten largest economies. ACCUMULATION OF DOLLAR RESERVES According to data from the Ministry of Development, Industry, and Foreign Trade (MDIC), from the beginning of the Lula administration until 2006 exports grew more than imports, allowing the country to accumulate a large reserve of dollars. That year, the trade balance reached a record R$ 46.457 billion. But in 2007, foreign purchases grew and the balance fell once again. From 2002 to 2010, according to MDIC, exports grew 330% and imports grew 390%. Exports closed 2010 at about US$ 201.9 billion (over US$ 60.1 billion in 2002) and imports closed at US$ 181.6 billion (in 2002, the combined value was about US$ 47.1 billion).


PARTE 1980 A 1995 PARTE II I--1996 2005

FINANCIAL MARKET: THE END OF BIDDING The technological advances of the early 2000s led to the concentration of all stock trading in the country in the São Paulo Stock Exchange (BOVESPA). The BOVESPA became completely electronic in 2005, with the end of live bidding trading sessions. Three years later, the BM&FBOVESPA (combining derivatives and shares) was created, one of the largest stock exchanges in the world in terms of market value. LETTERS OF CREDIT AND FINANCIAL BILLS The 2000s also brought new forms of banking instruments, leading certificates of deposit (CDB) to share space with Financial Bills (LF), Mortgage Bills (LCI), and Agribusiness Credit Bills (LCA). These bills are attractive to both investors and banks, which have more money available to lend and provide a passive guarantee of stability.

SECONDARY MARKET OF FOR GOVERNMENT SECURITIES Once issued by the National Treasury in the primary market, public bonds can be freely negotiated between the parties, via public auctions, thus creating the secondary market for government securities. The secondary market promotes more efficient and transparent evaluation of financial assets, according to the National Treasury, “in addition to permitting better management of risk, increasing liquidity, and enhancing the primary market.” “High liquidity makes the process of price formation more efficient, allowing the Treasury to issue financial instruments with a lower cost and consequently less refinancing risk,” explains the Treasury website (12).

Before its 20th anniversary in 2006, Cetip had already become the largest reserve of private fixed-income securities in Latin America, uniting a portfolio with more than 50 types of fixedincome instruments including financial bills, mortgage bills, and agribusiness credit bills. BRAZILIAN CORPORATE LAW AND INSTRUCTIONS EDITED BY THE CVM In January 2000, the Brazilian Securities Commission (CVM) prepared a draft bill to reform Law 6404/76 (Corporate Law), which extended the fiscal and disciplinary powers of the commission, adapting to social and economic changes arising from market developments and strengthening the capital market. Law 11,638/07, which amended and repealed the provisions of the Corporate Law, would be signed into law by the president seven years later, after congressional approval.

157


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

158


PARTE I - 1980 A 1995

PARTE III

2006-2015 CETIP CRESCE EM MEIO A EXPANSÃO DO ACESSO AO CRÉDITO

159


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

160


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

C

etip chega em 2006 com 20 anos de história. Esse período começou com relevante ascensão econômica no Brasil. O êxito na redução das desigualdades sociais no País ao longo dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva - com a diminuição da miséria, inclusão e ascensão econômica das classes D e E, além do aumento no número de empregos formais e do salário mínimo, entre outros fatores - contribuiu para a expansão do crédito no Brasil e a popularização dos financiamentos ao longo da década de 2000 e início da seguinte. Diversos setores da economia, como o automotivo, foram aquecidos. Um reflexo disso foi o aumento considerável do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 2004 e 2010 (com exceção de uma retração em 2009), com picos de crescimento de mais de 6% em 2007 e 7,5% em 2010.

161


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

P

ara a Cetip, todavia, os dez anos seguintes (de 2006 a 2015) foram de muitas mudanças e fortalecimento da empresa no papel de engrenagem do mercado financeiro.

É no clima de comemoração que o superintendentegeral da Cetip, Antonio Carlos Ferreira Teixeira, faz um balanço dos vinte anos vividos: “a Cetip nasceu e vem crescendo em estreita interação com o mercado. Criada por demanda de seus participantes para proporcionar suporte às operações com CDB e Letra de Câmbio, foi supreendida antes do início de suas operações pelo Plano Cruzado. Reagiu em tempo recorde, disponibilizando um sistema de DI, que permanece até hoje. A sua evolução vem acompanhando a crescente complexidade e requisitos do mercado financeiro do País” (13). No dia 3 de março de 2006, a Cetip se posiciona como a maior câmara de Títulos Privados de Renda Fixa da América Latina. Na data, registra-se R$ 1,2 trilhão de ativos em estoque, R$ 17,3 bilhões de giro diário, R$ 10 bilhões na média de liquidação financeira e mais de 60 mil transações por dia. 13 - Edição nº 255 do informativo Página | Online da Cetip - http://www.cetip.com.br/pagina_eletronico/2006/255/ pagina_255_net.htm acesso em 17 de novembro de 2016

162


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

163


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

CETIP E SEUS VINTE ANOS

ACERVO CETIP

ACERVO CETIP

Em 2006, a Cetip celebra seus 20 anos de histรณria em uma festa com Maria Rita, no Hotel Unique, em Sรฃo Paulo.

164


ACERVO CETIP

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

ACERVO CETIP

NA FOTO À ESQUERDA, O SUPERINTENDENTEGERAL (NA ÉPOCA), ANTONIO CARLOS FERREIRA TEIXEIRA, DISCURSA E AGRADECE CONSOLIDAÇÃO DOS 20 ANOS; AO LADO DE EDGAR DA SILVA RAMOS, PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DESDE 2000.

165


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

DESMUTUALIZAÇÃO DA CETIP Um dos processos mais representativos da história da Cetip foi o de desmutualização, que mexeu com conceitos fundamentais da organização e passou a ter fins lucrativos. Por uma busca de eficiência e acompanhando uma tendência mundial, houve um movimento de passar empresas sem fins lucrativos para lucrativas. Nessa época, em outros países, empresas de infraestrutura do mercado financeiro também seguiram esse caminho. Em maio de 2008, os associados da Cetip aprovaram, em Assembleia Geral Extraordinária, a proposta e a transformação da empresa em uma sociedade anônima. A desmutualização foi concretizada em 1º de julho de 2008. Os direitos patrimoniais dos antigos associados foram convertidos, então, em participações acionárias. O processo também levou à incorporação da Andima, tornando a Cetip detentora única dos direitos sobre o Sistema Nacional de Debêntures (SND), inclusive contratos e ativos intangíveis, além do Sistema de Distribuição de Títulos (SDT).

166


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTEIIII -- 1980 PARTE 2006 AA1995 2015

REPRODUÇÃO DO PORTAL O GLOBO DO DIA 29 DE MAIO DE 2008 HTTP://OGLOBO.GLOBO.COM/ECONOMIA/DESMUTUALIZACAO-ABERTURA-DE-CAPITAL-DA-CETIP-SAO-APROVADAS-3615019 ACESSO EM 13 DE OUTUBRO DE 2016

167


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

E

ntre os responsáveis pelo momento crucial em que a Cetip deixava para trás sua história de entidade sem fins lucrativos para se tornar uma empresa que objetiva lucro, está Carlos Menezes, que ingressou na empresa em maio de 2007 como gerente-geral de Produtos. Em março de 2008, assumiu o cargo de diretor-executivo de Autorregulação e foi um dos responsáveis pela criação da estrutura exigida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a transformação. “No momento em que passou a ser uma companhia com fins lucrativos e abriu o seu capital, a importância da Cetip cresceu. Começou a ocorrer uma mudança relevante na sua cultura e na forma de atuar, buscando a excelência nas soluções para seus clientes, dentro do nível mais elevado de segurança e de aderência às normas que regem o nosso mercado”, analisa. As profundas alterações da época estão vivas na memória da consultora de Normas, Maria Clara de Souza Leão, na Cetip desde 1999. Ela recorda que, na ocasião, foi necessário alterar em um curto espaço de tempo mais de 30 normas listadas no Regulamento e Manuais de Normas da Cetip – que contém as regras aplicáveis aos ativos financeiros e valores mobiliários –, com objetivo de dar suporte especialmente à área de Desenvolvimento de Produtos. “Mudou absolutamente tudo. Foi terrível e fascinante ao mesmo tempo”, diz.

168


IMAGEM: DEPOSIT PHOTOS

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

169


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

170

REPRODUÇÃO DO JORNAL O GLOBO DE 15 DE SETEMBRO DE 2008


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

CRISE DOS EUA Essas transformações ocorreram em meio a um período conturbado da economia mundial. Em setembro de 2008, fora decretada a concordata do banco americano Lehman Brothers, o que desencadearia a onda de quebras de bancos e empresas, principalmente nos Estados Unidos. As perdas com derivativos cambiais chegavam a US$ 3 bilhões. A crise dos derivativos atingiu os EUA e alcançou boa parte do mundo.

171


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

“TSUNAMI” NOS EUA E “MAROLINHA” NO BRASIL Com a economia sólida e poucos efeitos da crise dos derivativos americana no Brasil, o presidente Lula ironizou, em outubro de 2008, quando comparou a crise econômica dos EUA de 2008 “a um tsunami” acrescentando, ao minimizar possíveis efeitos dela no Brasil, que, se chegasse aqui, seria “uma marolinha”. A frase do petista foi utilizada por seus adversários como um suposto desdém de Lula à crise internacional e aos impactos que ela poderia causar se chegasse ao País. Em meio a um cenário ainda turbulento e um ano depois da afirmação de Lula, em 2009 o Brasil passou a ser credor do Fundo Monetário Internacional (FMI), depois de anos como devedor do órgão. O custo do balanceamento da dívida externa na gestão petista, no entanto, foi o grande aumento da dívida pública.

172


O GLOBO





PÁGINA 1 - Edição: 31/12/2008 - Impresso: 28/12/2008 — 23: 02 h

Lula no lançamento do pré-sal na Bacia de Santos — Foto de Marcelo Carnaval/2-9-2008

RIO DE JANEIRO, 31 DE DEZEMBRO DE 2008

AZUL MAGENTA AMARELO PRETO

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

O GLOBO

O anoda marolinha

2008

O Brasil começou o ano passando ao largo da crise do crédito americana. Enquanto o mundo desenvolvido caminhava para ser varrido pela pior tsunami financeira desde a Grande Depressão dos anos 30, o presidente Lula afirmava que, se a turbulência batesse às portas do Brasil, seria uma marolinha. Mas a onda cresceu e o país se vê, agora, diante do desafio de conter o desemprego e evitar a recessão. Com as perspectivas sombrias para 2009, as esperanças se voltam para o presidente eleito dos EUA, Barack Hussein Obama. Espera-se dele uma reação à crise à altura da ousadia que levou o primeiro negro à Casa Branca.

REPRODUÇÃO DO JORNAL O GLOBO DE 31 DE DEZEMBRO DE 2008

173


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

REDUÇÃO DO IPI Como uma das formas de estimular o mercado e não ter reflexos da crise internacional, o governo aprovou, em dezembro de 2008, um pacote de medidas para estimular a economia nacional: redução da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) - tributo que é cobrado no momento da contração de empréstimos - de 3% para 1,5% no caso das pessoas físicas; e a redução de 7% para zero no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de automóveis populares, de até mil cilindradas. Para os carros flex (bicombustível), a alíquota caiu de 11% para 5,5%. Esta medida permitiu a venda de automóveis em toda as regiões do Brasil, e, consequentemente, o aumento dos registros de gravames. Outros setores da economia também tiveram incentivos, como eletrodomésticos e materiais de construção civil.

174


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

175


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

ADVENT COMO ACIONISTA E A ABERTURA DE CAPITAL

U

m ano após a aprovação da desmutualização, em maio de 2009, 32% do capital social da Cetip foi adquirido pelo Advent Depository, fundo da Advent International, uma das maiores empresas globais de private equity. Sua entrada permitiu a implantação de um modelo internacional de gestão. Ainda em 2009, outro fato marcante mudou o destino da Cetip: em outubro houve a abertura de capital da empresa. O registro de companhia aberta foi obtido no dia 26. Dois dias depois, as ações passaram a ser negociadas na BM&FBOVESPA, sob o ticker CTIP3, com a Cetip assumindo compromissos adicionais de transparência na divulgação de informações e de direitos de seus acionistas. A notícia da abertura de capital da Cetip foi notícia em veículos de repercussão internacional, como a Reuters. No primeiro dia de operação, obteve o preço de R$ 13 por ação, no piso da faixa indicativa, que variava entre R$ 13 e R$ 17. Para alguns especialistas de economia, o valor era alto para uma oferta inicial, mas muitos justificavam que se tratava de uma empresa com larga escala de crescimento, sólida e com produtos inovadores.

176


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO DE 09 DE MAIO DE 2009

177


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PROCESSOS DE GOVERNANÇA CORPORATIVA Durante o seu processo como empresa de capital aberto, a Cetip deu mostras de seu comprometimento com altos padrões de governança corporativa. Em 7 de maio de 2009, o Estatuto Social da Companhia, que incorporou novas e sólidas práticas desse tipo de administração e de autorregulação, foi aprovado em Assembleia Geral. Também aderiu à Câmara de Arbitragem do Mercado, que se manifesta sobre disputas e controvérsias que possam existir entre acionistas, administradores, membros do Conselho Fiscal e da própria BM&FBOVESPA. Entre as práticas de governança corporativa adotadas estão a emissão exclusiva de ações ordinárias, a contratação de empresa de auditoria independente para análise dos balanços e demonstrativos financeiros e a transparência na divulgação pública do relatório anual da administração. Adotou, ainda, políticas que asseguram o alinhamento às melhores práticas de gestão e a princípios de transparência no relacionamento com seus diferentes públicos por meio de diversas políticas e códigos. Tudo visando os interesses da companhia e de seus acionistas, assegurando também a transparência desse processo e a aderência às melhores práticas de governança corporativa. Vale destacar o Código de Ética, o Código de Conduta do Participante, a Política de Negociação, a Política de Uso e Divulgação de Informação e a Política de Transações com Partes Relacionadas. Todo o esforço relacionado às práticas de governança corporativa é reconhecido por meio da excelência com que a Cetip trabalha, seguindo o mais alto grau de exigência internacional.

178


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

179


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

180


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

COMPRA DA GRV E A CRIAÇÃO DA UNIDADE DE FINANCIAMENTOS Acompanhando o cenário econômico e com o objetivo de complementar o leque de produtos e serviços, no final de 2010, a Cetip adquiriu por R$ 2 bilhões a empresa brasileira GRV Solutions, responsável pelo processamento e custódia das informações de transações de financiamento de veículos. Mediante este cenário, a companhia criou a Unidade de Financiamentos e realizou mudanças em sua gestão. Com a aquisição, a empresa dobrou de tamanho em relação ao seu faturamento e ganhou capacitação para atuar também no segmento de crédito ao consumo e em mais duas frentes: suporte às operações e informações e soluções para quem concede crédito.

181


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

SISTEMA NACIONAL DE GRAVAMES Entre os produtos que integram essas duas novas linhas, o mais conhecido é o Sistema Nacional de Gravames (SNG), por meio do qual é possível gerenciar eletronicamente as informações e o controle de restrições (gravames) para financiamento de veículos.

IMAGEM: DEPOSIT PHOTOS

O SNG permite às instituições financeiras ter o controle sobre o bem dado como garantia na operação de financiamento. Seja carro, moto, caminhão, trator ou outro veículo, quando um cliente decide efetuar a compra a prazo, a instituição efetua uma consulta ao cadastro de restrições financeiras. Antes deste processo, os órgãos estaduais de trânsito não possuíam uma base de dados unificada, o que acabava facilitando fraudes, como refinanciamento do mesmo veículo em diferentes Estados brasileiros.

182


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

Com o SNG, os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) foram integrados. Com isso, as entidades credoras — empresas de leasing, financeiras, bancos e demais companhias que operam nesse mercado — ganharam segurança, agilidade e praticidade na hora de disponibilizar financiamento. Angela Almeida, coordenadora da área de Operações na Unidade de Financiamentos, na Cetip desde 2006, é uma das funcionárias que atuou no processo de integração dos Detrans estaduais e lembra que o maior marco foi conseguir zerar as fraudes em relação a veículos financiados no Brasil. “Fazemos uma blindagem no mercado inteiro para que o cliente tenha essa segurança desde o começo do processo. Do momento em que ele vai numa agência comprar um carro, até o final, quando o banco chega aqui. A Cetip faz a diferença para dar a garantia”, acrescenta. Marcos Vanderlei Ferreira, cliente Cetip do Banco Itaú, recorda como era o trabalho quando começou a ser desenvolvido o gravame eletrônico, em meados da década de 1990. “Ao financiar um automóvel, tínhamos que fazer pesquisas em cada um dos 27 Detrans estaduais. Era um processo frágil e passível de fraudes”, diz Ferreira, que participou do desenvolvimento do SNG.

183


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

CETIP E O CICLO DE FINANCIAMENTOS Toda vez que um veículo é financiado no Brasil, o processo passa pela Cetip. André Milanez, diretor Financeiro da Cetip, contratado em 2009, classifica a aquisição da GRV Solutions como um dos maiores marcos na história da empresa. “O nome que foi dado no projeto resume um pouco a magnitude do evento: Double Up. Para os familiarizados com pôquer, esse é um termo que significa dobrar o número de fichas (ou dinheiro) em uma única mão. Além de incorporar um novo negócio e passar a atuar em segmentos que até então não eram explorados pela Cetip, a companhia praticamente dobrou de tamanho após essa aquisição”. Para o diretor vice-presidente executivo da Unidade de Financiamentos e diretor executivo de Novos Negócios, Roberto Dagnoni, a Cetip deu um enorme salto com a incorporação de novos negócios, projetos, pessoas, tecnologias e novas perspectivas.

184


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

185


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A POPULARIDADE DE LULA E A ELEIÇÃO DE DILMA A popularidade histórica de Lula e a esperança dos brasileiros de continuidade e até ampliação das conquistas sociais foram fundamentais para a eleição de Dilma Rousseff, primeira mulher Presidente da República. Em 31 de outubro de 2010, ela venceu o candidato do PSDB, José Serra, no segundo turno. Em seu primeiro mandato, a presidente deu sequência às políticas econômica e social de seus antecessores, Lula e FHC.

186


IMAGEM: ACERVO DA BIBLIOTECA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF E SUA FILHA, PAULA, DURANTE PERCURSO ATÉ O PALÁCIO ITAMARATY (BRASÍLIA, DF, 01/01/2011) ROBERTO STUCKERT FILHO/PR

187


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

188


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

CRIAÇÃO DA ANBIMA Em meio às eleições presidenciais, em 21 de outubro de 2009, a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) e a Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima) aprovaram a integração de suas atividades, passando a constituir a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A nova entidade reuniu, à época, 327 associados, entre bancos comerciais, múltiplos e de investimento, asset managements, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e consultores de investimento.

189


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

Vários acontecimentos marcaram os 25 anos da Cetip: a empresa deixou de ser sem fins lucrativos, fez abertura de capital, desenvolveu novos produtos e aperfeiçoou a governança corporativa.

IMAGENS: ACERVO CETIP

IMAGENS: ACERVO CETIP

IMAGENS: ACERVO CETIP

CETIP E SEUS 25 ANOS

COMEMORAÇÃO DOS 25 ANOS DA CETIP NA CASA FASANO, EM SÃO PAULO. EDGAR DA SILVA RAMOS (HOJE PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DA CETIP) APRESENTOU O REPOSICIONAMENTO DA MARCA. O EVENTO CONTOU COM SHOW DE MARINA LIMA

190


IMAGENS: ACERVO CETIP

IMAGENS: ACERVO CETIP

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

191


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A EVOLUÇÃO DA MARCA CETIP Em 2011, a Cetip passou por um processo de reposicionamento para que refletisse a essência e a cultura da empresa: o jeito Cetip de ser, pensar e agir. Além disso, para que traduzisse a visão de negócio. Para chegar ao resultado final de como a empresa se comunicaria internamente e com o mercado, foi feito um minucioso estudo construído de forma colaborativa com público interno, clientes e formadores de opinião. Os feedbacks recebidos falaram por si só: Cetip é segurança que move o mercado. A empresa é sinônimo de eficiência, inovação e agilidade. Esses pilares, então, seriam o mote para o reposicionamento e, como resultado, uma nova marca e maneira de se comunicar.

1986

192

1988


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

1993

2008

2010

A decisão pelo ícone em forma de círculo deve-se ao fato de não ter início e nem fim, traz movimentos constantes, porém, com segurança e garantia de que nada sairá do lugar. A escolha pelo verde é por sua harmonia e equilíbrio, enquanto os tons de cinza trazem a neutralidade das transações financeiras, autossuficiência e autocontrole. Já a letra minúscula remete à proximidade e confiança, entendendo as necessidades do mercado e dos clientes.

193


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

REPRODUÇÃO DO PÁGINA | ONLINE. PERIÓDICO DA CETIP VOLTADO AO MERCADO FINANCEIRO. ACESSO EM 17 DE OUTUBRO DE 2016

194


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

MUDANÇA DE ACIONISTA NA CETIP E INOVAÇÕES Em julho de 2011, outro marco importante para a história da Cetip aconteceu. A Intercontinental Exchange (ICE), bolsa americana líder nos negócios de balcão de derivativos, comprou 12,4% da Cetip (10% oriundos da Advent International e 2,4% de outros acionistas). A aquisição representou a saída total do fundo de private equity (que já tinha vendido a outra parte quando abriu capital). A entrada da ICE permitiu a parceria no início dos estudos de soluções nas plataformas de negociação eletrônica.

195


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

196


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

CETIP | TRADER Com base nisso, em 2012, ocorreu o lançamento do Cetip | Trader, uma plataforma eletrônica voltada para a negociação de instrumentos de Renda Fixa, destinada ao front office. A ferramenta reúne os serviços de negociação eletrônica, pré-registro e consulta a negócios e preços. Com a plataforma, o mercado brasileiro de Renda Fixa conta com uma solução alinhada às melhores práticas internacionais, o que contribui para liquidez, transparência, automação operacional e formação de preços. Devido ao aumento significativo de liquidez das ações negociadas na BM&FBOVESPA, em setembro de 2012, a Cetip passou a integrar os índices Ibovespa e IBrX 50. Ambos são indicadores de desempenho médio das cotações dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de ações brasileiro. No mês de entrada, a empresa detinha um peso inicial de 0,671% no Ibovespa, correspondente à 49ª posição na carteira teórica deste índice, e de 0,837% no IBrX 50, equivalente à 27ª ação mais representativa do índice. 197


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

198


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

CETIP | PLATAFORMA IMOBILIÁRIA Em abril de 2013, foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária a proposta de reforma do Estatuto Social da Companhia, visando aprimorar a estrutura de governança corporativa da Cetip e tomando por base os critérios mais rigorosos estabelecidos na Instrução CVM 461/07. Ainda no primeiro semestre de 2013, ocorreu o lançamento da Cetip | Plataforma Imobiliária, em parceria com a FNC Inc., principal fornecedora de tecnologia de dados para o setor imobiliário nos Estados Unidos. A novidade foi o primeiro passo para desenvolver uma solução única voltada para o financiamento imobiliário abrindo, dessa forma, uma nova frente de atuação.

199


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A Cetip | Plataforma Imobiliária – Gestão de Garantias é uma ferramenta que automatiza e padroniza o processo de avaliação de imóveis. Assim como fez com o financiamento de veículos, o intuito da Cetip é disciplinar o setor, mitigando fraudes e trazendo agilidade ao processo. A ferramenta integra bancos e avaliadores desde o pedido de um laudo e seu preenchimento, até o envio das informações às instituições financeiras. Todo o acompanhamento do processo é feito em tempo real. Isso significa mais velocidade de resposta na liberação do crédito e mais capacidade de gestão em toda a cadeia e benefícios para todo o mercado. “Até pouco tempo atrás o preenchimento desse laudo era feito em um formulário de papel. Hoje, usamos tablets. Isso agiliza drasticamente o fluxo de trabalho”, relata Mauro Negrete, diretor-executivo de Tecnologia e Operações da Unidade de Financiamentos, na Cetip desde 2008.

200


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

201


IMAGEM: DEPOSIT PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

BANCO CENTRAL DO BRASIL, BRASÍLIA, 06 DE JUNHO DE 2015. PRINCIPAL AUTORIDADE MONETÁRIA DO BRASIL

202


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

MAIOR CONTROLE PELO REGULADOR Mesmo com as instabilidades políticas e econômicas, a Cetip não parou de crescer e inovar. Uma das marcas de 2015 foi a adequação à circular 3.709 do Banco Central, que tornou obrigatório informar aos reguladores os titulares dos investimentos acima de R$ 5 mil. Anteriormente, a regra valia para valores a partir de R$ 50 mil. A exigência propiciou um aumento no processamento das operações de CDB. Saltaram de 800 mil para dois milhões em um ano. “Esta norma fez com que aumentasse o número de operações diárias que passam por aqui. Esta medida não só trouxe benefícios ao mercado, mas também aos investidores, pois é uma garantia que se tem: se são registradas pela Cetip, isso significa segurança e transparência em todos os processos”, afirma Ricardo Magalhães, superintendente de Relações e Projetos Estratégicos.

203


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

204


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

TRANSPARÊNCIA COM O INVESTIDOR CETIP | CERTIFICA Transparência, segurança e inovação estão intimamente ligadas ao modelo de negócio. Uma das soluções desenvolvidas para os investidores é o Cetip | Certifica, serviço que permite às instituições financeiras credenciadas entregar a seus clientes relatórios individuais a cada pessoa física ou jurídica que realizar investimentos em ativos de Renda Fixa. “Nasceu de uma oportunidade de dar segurança para o mercado financeiro, em especial para os investidores que compram papéis de corretoras, permitindo que sejam distribuídos para qualquer tipo de público. As corretoras que aderem ao Cetip | Certifica registram 100% das operações de ativos de Renda Fixa com os seus clientes. A Cetip emite um extrato criptografado e o disponibiliza direto ao investidor. Com isso, ele tem certeza que aquele papel recebido de fato existe, está numa entidade isenta, registrado em seu nome, sem qualquer tipo de risco”, explica Carlos Ratto, diretorexecutivo Comercial e de Produtos da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários e de Marketing e Comunicação da Cetip.

205


CETIPMEUSINVESTIMENTOS.COM.BR

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

206


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

PORTAL CETIP MEUS INVESTIMENTOS Para os investidores, o portal Cetip Meus Investimentos possibilita consultar valores mobiliários – como debêntures, CRIs e CRAs – e derivativos depositados na câmara. O canal ainda traz ferramentas e conteúdos sobre as características das diversas modalidades de aplicação com as quais a companhia atua. O objetivo é proporcionar mais transparência e segurança para o investidor, atender às exigências de uma norma recente, a Instrução CVM 541, e adicionar valor às informações que já são enviadas por bancos e corretoras. Com a consulta, os investidores terão a confirmação de que seus investimentos estão devidamente depositados na Cetip e também poderão fazer o acompanhamento das posições e movimentações de ativos. Ela representa uma segurança complementar e não elimina a importância do extrato enviado pelas instituições financeiras. Por meio de ferramentas disponíveis no portal, como as calculadoras da Cetip, é possível, ainda, simular o rendimento de aplicações vinculadas à Taxa DI-Cetip e calcular valor nominal atualizado de diversas debêntures com base nas suas respectivas taxas de emissão, bem como calcular uma taxa com base em preço ou viceversa.

207


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

APPLICA CETIP Em 2014, a Cetip lançou o Applica Cetip, um aplicativo que coloca a praticidade em alta nas aplicações de Renda Fixa do mercado financeiro. A ferramenta conta com três calculadoras que permitem ao investidor simular o rendimento de títulos públicos, debêntures e aplicações vinculadas à taxa DI-Cetip, um passo importante no momento de tomar a decisão sobre o melhor investimento. O aplicativo disponibiliza também a atualização em tempo real dos principais indicadores macroeconômicos, como a cotação do Dólar, a taxa Selic e o IPCA. “A iniciativa de criar as calculadoras surgiu de uma demanda do mercado financeiro e enxergamos a possibilidade de beneficiar também a pessoa física por meio do Applica Cetip”, completa Carlos Ratto.

208


IMAGEM:PAULO PAMPOLIN

PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

209


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

210

“Se acertamos as soluções é porque ouvimos o que o mercado precisa”

“Desde que a Cetip abriu o seu capital e passou a ter fins lucrativos, vem ocorrendo uma mudança relevante na sua cultura e na forma de atuar, buscando a excelência nas soluções para seus clientes, dentro do nível mais elevado de segurança e de aderência às normas que regem o mercado”

Ricardo Magalhães, Cetip desde 2002

Carlos Menezes, Cetip desde 2007

“A Cetip cresceu muito e em pouco tempo. É muito prazeroso estar aqui, pois a empresa oferece autonomia no ambiente de trabalho”

“Realmente somos um time. Ninguém pode jogar sozinho e fazer gol sem dar passe”

Fábio Madureira Zuccoli, Cetip desde 2009

Jeremias Ricardo, Cetip desde 2002


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

“Eles nos apresentam soluções que estão querendo propor ao mercado para antecipar algum processo ou situação, evitando impactos futuros”

Francis Pontes, Cliente Cetip, Itaú

Marco Antonio do Nascimento, Cliente Cetip, Itaú

“Vivi os últimos 15 anos na Cetip, sempre com muita alegria, pois a cada ano as coisas melhoram”

Edgar da Silva Ramos, Cetip desde 2000, Presidente do Conselho de Administração

IMAGEM:PAULO PAMPOLIN

“Temos as equipes comerciais conversando, as equipes operacionais das duas empresas e as equipes de tecnologia, que têm uma linguagem especial, também conversando. A Cetip trabalha junto conosco, compartilhando ideias, dificuldades e buscando soluções eficientes. Isso é fantástico”

“Ao trabalhar na Cetip, você começa a entender a importância de alguns números para o mercado e o impacto deles na vida das pessoas”

Mariana Roverse, Cetip desde 2010

211


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

“Na Cetip, criei vínculos profissionais e pessoais que vou levar comigo por toda a vida”

“Pensar com o cliente é pensar onde podemos fazer a diferença”

Ana Buchaim, Cetip desde 2014

Rose Maria Pereira, Cetip desde 2008

“A Cetip é um grande negócio que funciona com uma estrutura enxuta”

Mauro Negrete, Cetip desde 2008

212

“Vi a Cetip se transformar de uma empresa pequena em uma grande e tenho orgulho de fazer parte”

Robert Slaymaker, Cetip desde 2009, Membro do Conselho de Administração


PARTE 1980 A 1995 PARTE III I--2006 2015

“Estou aqui há 17 anos e todos os dias aprendi uma coisa nova. Não há monotonia”

André Milanez, Cetip desde 2009

Maria Clara de Souza Leão, Cetip desde 1999

IMAGEM:PAULO PAMPOLIN

“Sinto muito orgulho de poder contribuir e fazer parte desta história de sucesso. E também agradecido por estes sete anos em que a Cetip faz parte da minha própria história”

“A Cetip sabe buscar soluções em momentos críticos, nos quais é preciso agir rapidamente. E também possui equipes para desenvolvimento de novos produtos, que atendem às necessidades que ainda vamos ter”

Marcos Vanderlei Ferreira, Cliente Cetip, Itaú

213


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

“O crescimento da Cetip nesses 30 anos é resultado de muita inovação e o trabalho de uma grande equipe. Participar de projetos transformadores, como a plataforma de registro eletrônico de financiamento de imóveis, nos deixa muito otimistas e motivados para enfrentar o que ainda está por vir. Tenho orgulho de dizer que somos referência no mercado financeiro e que oferecemos excelência em todos os nossos serviços”

Roberto Dagnoni, Cetip desde 2008

“Eu me sinto muito feliz em fazer parte da história da Cetip, agora como integrante do quadro de diretores, mas antes acompanhando a empresa como participante do mercado, sempre com uma atuação sóbria e institucional, mas ao mesmo tempo, de proatividade e inovação”

Marcio Castro, Cetip desde 2014

214


“A Cetip cresceu junto com os mercados de Renda Fixa e derivativos no Brasil, garantindo a infraestrutura necessária para que esses mercados se desenvolvessem e proporcionassem enormes ganhos de eficiência para toda a economia. Hoje a Cetip presta serviços tão diversos quanto o processamento de TEDs e a entrega eletr��nica das informações para o registro de contratos e dos gravames pelos órgãos de trânsito, e seguimos expandindo nossas plataformas de produtos, aprimorando nossos serviços e inovando. Assim, esperamos continuar contribuindo para o crescimento dos negócios dos nossos clientes e o desenvolvimento do Brasil. Para mim, é uma honra e um prazer fazer parte desta história”

IMAGEM:PAULO PAMPOLIN

PARTE III I--2006 PARTE 1980 A 2015 1995

Willy Jordan, Cetip desde 2014

215


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PART III 2006 - 2015 CETIP GROWS AMID EXPANDING ACCESS TO CREDIT Cetip arrived in 2006 with 20 years of history behind it. This period began with a significant economic upswing in Brazil. The country’s success in reducing social inequality during the terms of Fernando Henrique Cardoso and Luiz Inacio Lula da Silva (which included reducing extreme poverty, the inclusion and economic ascent of the so-called D and E lower-middle classes, plus increases in the number of formal job posts and the minimum wage, among other factors) helped expand credit in Brazil and popularize financing throughout the 2000s and into the beginning of the next decade. Several areas of the economy like the automotive sector were booming. One reflection of this was the considerable increase in the Brazilian gross domestic product (GDP) between 2004 and 2010, except for a decrease in 2009; growth peaks of over 6% were seen in 2007 and 7.5% in 2010. For Cetip, however, the next ten years (2006-2015) brought many changes and strengthened the company in its integrative role for the financial market. Cetip superintendent general Antonio Carlos Ferreira Teixeira takes stock of these twenty years amid this celebratory backdrop. On March 6, 2006, Cetip was positioned to be the largest repository of private fixed-income securities in Latin America. At that time, it registered R$ 1.2 trillion of stock assets, daily turnover of R$ 17.3 billion, R$ 10 billion in average financial settlement, and more than 60,000 transactions per day. 20 YEARS OF CETIP In 2006, Cetip celebrated its 20-year history with a party featuring Maria Rita at the Hotel Unique in São Paulo. DEMUTUALIZATION OF CETIP One of the most important processes in Cetip’s history was demutualization, which altered the fundamental concepts of the organization and moved the company from a non-profit to a forprofit venture. In a global trend and attempts

216

to increase efficiency, non-profit companies have tended to be transformed into for-profit companies. At this time in other countries, financial market infrastructure companies were also following this path. In May of 2008, Cetip’s members approved this proposal in an extraordinary general meeting and transformed the company into a joint-stock corporation (Footnote 1). The demutualization was completed on July 1, 2008, and the economic rights of the former associates were then converted into shares. The process also led to the incorporation of Andima, which made Cetip the only company holding rights to the National Debentures System (SND), including contracts and intangible assets, in addition to the Securities Distribution System (SDT). Carlos Cezar Menezes is one of those responsible for the crucial moment when Cetip left behind its history as a not-for-profit entity; he joined the firm in May 2007 as the general manager of the Products area. In March of 2008 he took over as executive director of Self-Regulation, and was among the staff responsible for creating the structure required by the Brazilian Securities Commission (CVM) for this transformation. “At the moment when it became a for-profit company and launched its stock, Cetip’s importance grew. A significant change in its culture and in its way of working began to occur, seeking excellence in solutions for its clients within the highest security levels and complying to the rules governing our market,” he stated. The profound changes of that era are vivid in the memory of Maria Clara de Souza Leão, a consultant for the Standards department who has been at Cetip since 1999. She recalled that at that time they had only a short period to alter more than 30 standards listed in Cetip’s regulations and standards manuals, which contain the rules applicable to financial assets and securities, in order to provide support, particularly to the Product Development division. “It changed absolutely everything. It was terrifying and fascinating at the same time,” she said.


PARTE I - 1980 A 1995

CRISIS IN THE US These transformations took place in the midst of a troubled period in the world economy. In September 2008, the American bank Lehman Brothers filed for bankruptcy, which triggered a wave of collapses in banks and businesses, especially in the United States. Currency derivatives losses reached US$ 3 billion. The derivatives crisis that rocked the US also affected much of the world. A TSUNAMI IN THE US, A LITTLE RIPPLE IN BRAZIL With a strong economy and few effects from the American derivatives crisis seen in Brazil, thenpresident Lula joked in October 2008 that the U.S. economic crisis of 2008 was “a tsunami,” and minimized the possible effects of its arrival in Brazil, saying that if it happened here it would be just a “marolinha” [a little ripple]. This phrase was seized by his opponents to show Lula’s supposed lack of concern about the international crisis and the impacts it could cause were it to reach Brazil. Against a still-turbulent background, one year after Lula’s statement, in 2009 Brazil became a creditor for the International Monetary Fund (IMF) after years of owing money to the agency. For the PT management, however, the cost of balancing the foreign debt was a large increase in public debt. REDUCING THE IPI TAX As one way of stimulating the market and evading reverberations of the international crisis, in December of 2008 the government approved a package of measures to stimulate the national economy. These measures included reducing the IOF rate (a tax on financial transactions that is charged when financing is contracted) from 3% to 1.5% for individuals, and reducing the tax on industrialized products (IPI) from 7% to zero for entry-level automobiles with engine capacity up to 1000 cubic centimeters. For flex-fuel cars, the rate fell from 11% to 5.5%. This measure allowed cars to be sold throughout Brazil, and consequently boosted the number of liens.

Other sectors of the economy also received incentives, such as home appliances and construction materials. ADVENT AS CETIP’S MAJORITY SHAREHOLDER AND THE PUBLIC OFFERING A year after the demutualization was approved, in May 2009, 32% of Cetip’s share capital was acquired by Advent Depository, a fund owned by Advent International, one of the world’s largest private equity companies. This development allowed an international management model to be implemented. Also in 2009, another important fact altered the fate of Cetip: in October the company opened its capital to investors. The company was listed on the 26th, and two days later its shares were traded on the BM&FBOVESPA as CTIP3, with Cetip assuming additional commitments to transparency in disseminating information and to shareholders’ rights. The news of Cetip’s public offering made international headlines, including stories by Reuters. On the first day of trading, a price of R$ 13 per share was obtained in the indicative range, which varied between R$ 13 and R$ 17. This value was high for an initial offering according to some economic analysts, but many found it justified by the fact that the company had a large scale of growth, was solid, and had innovative products. CORPORATE GOVERNANCE PROCESSES During its time as a publicly traded company, Cetip has shown its commitment to high standards of corporate governance. On May 7 of 2009, the company’s bylaws were approved at the general meeting; these bylaws incorporated new and strong practices for this type of administration as well as self-regulation. It also joined the Market Arbitration Chamber, which opines on disputes and controversies that may arise between shareholders, administrators, members of the Supervisory Board, and the BM&FBOVESPA.

217


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

Among the corporate governance practices adopted are the exclusive issuance of common shares, the hiring of an independent auditing firm to analyze the balance sheet and financial statements, and transparency in the public dissemination of the annual report. The company also adopted policies guaranteeing adherence to best management practices and the principles of transparency in relating with its different audiences through different policies and codes. All of this was done with the interests of the company and its shareholders in mind, ensuring the transparency of this process and adherence to best practices of corporate governance. Notable among these are the Code of Ethics, Participant Code of Conduct, Negotiating Policy, Information Use and Dissemination Policy, and Policy on Transactions with Related Parties. All of these efforts related to corporate governance practices are recognized through the excellence of Cetip’s actions, which follow the highest international standards. ACQUISITION OF GRV AND THE CREATION OF THE FINANCING UNIT Following the economic scenario and with the objective of complementing its range of products and services, at the end of 2010 Cetip acquired the Brazilian company GRV Solutions for R$ 2 billion; GRV was responsible for processing and custody of information pertaining to vehicle financing transactions. Cetip then created the Financing Unit (UF) and made changes in its management. With the acquisition, the company doubled in size in relation to its revenue, and gained the ability to also act in the consumer credit segment and on two other fronts: operations support and information and solutions for creditors.

218

NATIONAL LIEN SYSTEM The best known product among these two new lines is the National Lien System (SNG), which permits the electronic management of data and control of restrictions (liens) for vehicle financing. The SNG grants financial institutions control over the asset given as collateral in a financing transaction. Whether it is a car, motorcycle, truck, tractor, or any other vehicle, when a customer decides to finance a purchase, the institution consults the register of financial restrictions. Prior to this new process, the state transit agencies did not have a single unified database, which facilitated acts of fraud such as refinancing the same vehicle in different states across Brazil. With the implementation of the SNG, state departments of transit (DETRANs) were integrated. In this way, the creditor entities — leasing companies, banks, and other financial companies operating in this market — gained security, swiftness, and practicality at the moment they provide financing. Angela Almeida, coordinator of Operations in the Financing Unit, a Cetip employee since 2006, and one of the workers who did the most in the process of integrating the state DETRAN agencies, recalls that the greatest milestone in the Financing Unit was eradicating fraud in relation to vehicle financing in Brazil. “We made the entire market bulletproof so that the client can have this level of security from the beginning of the process. From the moment he goes into an agency to buy a car, until the end, when the bank comes here. Cetip makes the difference to provide a guarantee,” she added. Marcos Vanderlei Ferreira, a Cetip client at Banco Itaú, recalled how the job used to be when the electronic lien system began to be developed in the mid-1990s. “When we financed an automobile, we had to investigate in each of the 27 state DETRAN agencies. It was a fragile process that was subject to fraud,” added Ferreira, who participated in the development of the system.


PARTE I - 1980 A 1995

CETIP AND THE FINANCING CYCLE

25 YEARS FOR CETIP

Every time a vehicle is financed in Brazil, the process goes through Cetip. André Milanez, Cetip’s financial director who was hired in 2009, classified the acquisition of GRV Solutions as one of the most significant landmarks in the company’s history. “The name assigned to the project sums up some the magnitude of the event: Double Up. For those familiar with poker, this term means doubling the number of chips (or money) in a single hand. In addition to incorporating a new business and acting in segments that Cetip had not explored previously, the company practically doubled in size after this acquisition.”

Various milestones marked Cetip’s 25th anniversary; the company transformed from nonprofit to for-profit, the IPO, the expansion of new products, and the implementation of corporate governance.

For executive vice president of the Financing Unit Roberto Dagnoni, Cetip made an enormous leap with the incorporation of new business, projects, people, technologies, and new perspectives. THE POPULARITY OF LULA AND THE ELECTION OF DILMA ROUSSEFF The historical popularity of Lula and Brazilians’ hopes to continue and even expand social achievements were instrumental in the election of Dilma Rousseff, the first woman elected president of Brazil. On October 31, 2010, she beat the PSDB’s candidate José Serra in the second round. In her first term, Rousseff continued the economic and social policies of her predecessors Lula and FHC. THE CREATION OF ANBIMA Right before the presidential election, on October 21, 2010 the National Association of Investment Banks (Anbid) and the National Association of Financial Market Institutions (Andima) approved the integration of their activities and became the Brazilian Financial and Capital Markets Association (Anbima). At that time, the new entity brought together 327 members including commercial, multiple, and investment banks, asset managers, brokers, securities dealers, and investment advisors.

THE EVOLUTION OF CETIP’S LOGOS In 2011, Cetip underwent a process of repositioning to reflect the essence and culture of the company: the Cetip way of being, thinking, and acting, as well as a way of translating its vision of business. To reach the final result, the means by which the company would communicate internally and with the market, a meticulous study was conducted in partnership with the internal public, clients, and opinion makers. The feedback which was received speak for themselves: Cetip is the security that drives the market. The company is synonymous with efficiency, innovation, and agility. These pillars then became the motto for branding and consequently a new brand and a new way of communicating. With the growth and strength of the brand, there was a need to innovate in order to communicate with the market. A brand repositioning study was consequently conducted to understand how this communication should take place, using new icons and colors. The circle was chosen because it has no beginning and no end, and is constantly but safely in motion, guaranteeing that nothing will move out of place. Green was selected for its harmony and balance, while grey represents the neutrality of financial transactions, self-reliance, and selfcontrol. Finally, the lower-case letters transmit closeness and trust, understanding the needs of the market and of clients.

219


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

CHANGE OF SHAREHOLDER AT CETIP AND INNOVATIONS July 2011 brought another important development in the history of Cetip. The Intercontinental Exchange (ICE), an American exchange that is a leader in the OTC derivatives market, purchased 12.4% of Cetip (10% from Advent International and 2.4% from other shareholders). The acquisition represented the total liquidation of the private equity fund (which had already sold the other half at the public offering). The entrance of ICE permitted an initial study of solutions in electronic trading platforms. CETIP | TRADER As a result, Cetip | Trader was officially launched in 2012. This electronic platform provides trading of fixed-income instruments for front-office clients, combining electronic trading services, pre-registration and consultation of trades and rates. With this platform the Brazilian fixedincome market acquired a solution in line with international best practices that contributes to liquidity, transparency, transactional automation, and pricing. Due to the significant increase in liquidity of the shares traded on the BM&FBOVESPA in September 2012, Cetip entered the Ibovespa and IBrX-50 indexes. Both are indicators of the average performance of the quotes for the most marketable and representative assets on the Brazilian stock market. In the month of its admission, the company held an initial weight of 0.671% in the Ibovespa, corresponding to the 49th position in the theoretical portfolio of this index, and 0.837% in the IBrX-50, equivalent to the 27th most representative stock on this index.

CETIP | PLATAFORMA IMOBILIARIA In April 2013, the proposal to reform the company’s bylaws was approved at the extraordinary general meeting; this move was meant to improve Cetip’s corporate governance structure and was based on the rigorous criteria established in CVM Directive 461/07. Also in the first half of 2013, the Cetip | Plataforma Imobiliária [Real Estate Platform] was launched in a partnership with FNC Inc., the leading supplier of data technology for the real estate sector in the United States. This development was the first step toward creating a unique solution geared toward real estate financing, and consequently opened a new area for the company. Cetip | Plataforma Imobiliária - Gestão de Garantias (Real Estate Platform - Collateral Management) is a tool that automates and standardizes the process of appraising real estate. Just as with vehicle financing, Cetip’s goal was to bring discipline to the sector, eliminate fraud, and speed up the process. The tool includes banks and appraisers starting with the request for a report, the completion of the report, and up through the sending of the information to the financial institutions. The entire process is monitored in real time. This means faster responses to liberate credit, greater management capacity throughout the chain, and benefits for the entire market. “Until recently this appraisal report was filled out on paper. Today we use tablets. This dramatically speeds up the workflow,” says Mauro Negrete, executive director of Technology and Operations in the Financing Unit and a Cetip employee since 2008. GREATER REGULATOR CONTROL Even with the presence of political and economic instabilities, Cetip did not stop growing and innovating. One of the hallmarks of 2015 was compliance with Central Bank Circular 3709, which made it mandatory to inform shareholders of investments greater than R$ 5000. Previously, the rule applied to quantities exceeding R$ 50,000.

220


PARTE I - 1980 A 1995

This new requirement led to an increase in operations processed by the CDB. They jumped from 800,000 to 2 million in the space of one year. “This standard has meant that increased the number of daily transactions that pass through here. This measure not only brought benefits to the market, but also to investors, since it is a guarantee that you have: if they are registered by Cetip, this means safety and transparency in all processes “ TRANSPARENCY WITH INVESTORS CETIP | CERTIFICA Transparency, security and innovation are closely linked to the business model. One of the solutions developed for investors is Cetip | Certifica [Certify], a service that allows accredited financial institutions to provide their clients with individual reports for each person or entity that invests in fixed-income assets. “It emerged from an opportunity to provide security for the financial market, especially for investors who buy bonds from brokers, allowing them to be distributed to any kind of audience. The brokerages, which belong to Cetip | Certifica, record 100% of their fixed-income asset transactions with their customers. Cetip issues an encrypted statement and provides it directly to the investor. The investor is sure that that bond exists, is in a tax-exempt entity, registered under its name, without any kind of risk,” explained Carlos Ratto, executive commercial director of the Sales and Securities and Real Estate Values Products Unit and of Cetip’s Marketing and Communication departments.

The objective is to provide greater transparency and security for investors, to meet the requirements of a recent standard (CVM Directive 541), and to add value to the data which has already been submitted by banks and brokerages. Consulting the system allows investors to confirm that their investments are properly deposited at Cetip and also lets them monitor the positions and movements of assets. This represents added security, and does not diminish the importance of statements submitted by financial institutions. The tools available on the portal, such as the Cetip calculators, also allow users to simulate the performance of applications linked to the DI-Cetip rate and calculate the nominal value of various debentures based on their respective emission rates, as well as price-based fees or vice versa. THE CETIP APP In 2014 Cetip launched the Applica Cetip (the Cetip App, which highlights practicality in fixedincome applications in the financial market. This tool has three calculators that allow investors to simulate the yield of government bonds, debentures, and applications related to the DI rate, an important step when making decisions about the best investment. The application also provides real-time updates of the main macroeconomic indicators such as the dollar, the Selic rate, and the IPCA consumer price index. “The initiative to create the calculators came from a demand from the financial market and we saw the possibility to also benefit individuals through the Cetip app,” said Carlos Ratto.

THE CETIP MEUS INVESTIMENTOS PORTAL For investors, the Cetip Meus Investimentos [My Investments] portal allows real estate, debenture, and CRI and CRA values to be consulted, along with those of derivatives held at Cetip. This channel also provides tools and content related to the characteristics of the various modalities of applications with which the company operates.

221


ACERVO CETIP

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

222


PARTE I - 1980 A 1995

PARTE IV

2016

O RETRATO ATUAL

223


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A

IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

Cetip chega em 2016 proporcionando infraestrutura segura e eficiente para clientes e reguladores, que totaliza mais de cinco milhões de pessoas físicas e jurídicas com investimentos registrados e identificados na Cetip, e mais de 17 mil instituições que utilizam seus serviços. Além de auxiliar na criação e no desenvolvimento de um mercado financeiro sustentável, conecta instituições e clientes por meio de produtos e serviços inovadores que asseguram a transparência e a segurança do setor.

224

A Cetip liquida bilhões de Reais todos os dias e possui alguns trilhões em custódia. São cerca de sete milhões de gravames por ano e mais de 70 diferentes ativos e derivativos registrados na companhia. Tudo com eficiência operacional em um fluxo harmônico que contribui para o desenvolvimento do mercado.


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

225


ACERVO CETIP DIVULGAÇÃO

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

226


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

UMA EMPRESA PARCEIRA DO CLIENTE A satisfação dos clientes é mais que um valor para a Cetip. Visando parcerias duradouras e relações transparentes, a empresa caminha lado a lado dos clientes para que, dessa forma, possa ouvi-los, entender suas expectativas e se antecipar às suas necessidades. O resultado dessa parceria não poderia ser diferente: processos eficientes e soluções inovadoras construídas em conjunto com os próprios clientes.

227


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

TODA MUDANÇA EXIGE ESTRATÉGIA Desde 2010, a Cetip viu a necessidade de concentrar as principais áreas em São Paulo. Naquele ano, grandes mudanças foram percebidas, especialmente após o Initial Public Offering (IPO) e a aquisição da GRV Solutions, e, por isso, aumentava a necessidade de otimizar as relações entre as pessoas e aproximá-las dos clientes, já que a cidade concentra o maior mercado financeiro do País. Com a mudança, a proximidade permitiria interações mais frequentes e presenciais, melhorando o atendimento e fortalecendo o relacionamento.

228


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

229


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A mudança, por sua vez, aconteceu em fases. Desde 2015, a Cetip viveu transformações físicas com a transferência das equipes alocadas nos escritórios de Santana de Parnaíba, Faria Lima e Rio de Janeiro para a cidade de Barueri, na Grande São Paulo, que abriga hoje seu maior escritório. Foi elaborado, então, um planejamento estratégico para que a mudança acontecesse. A diretoria e diversas áreas conduziram juntas o processo, entendendo as necessidades do grupo que se deslocaria e ouvindo suas preocupações: esse é o jeito Cetip de fazer as coisas acontecerem. Para reunir todas essas informações e garantir a tranquilidade da equipe, a empresa criou um hotsite com orientações para que os funcionários em processo de mudança tivessem informações seguras e concretas sobre o que estava por vir.

IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

O cuidado e o comprometimento com as pessoas mais uma vez se destacaram e tudo foi pensado para que o time ficasse junto e conectado em um só lugar. O Projeto Alpha ainda seguirá por 2017 para que a mudança do Centro de Processamento de Dados (CPD) seja feita do Rio de Janeiro para São Paulo de forma segura.

230


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

231


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

GOVERNANÇA CORPORATIVA A Cetip foi a primeira colocada na 16ª edição do Prêmio Broadcast Empresas, divulgado em 2016. Entre as categorias, a empresa foi prestigiada no prêmio principal, que elege melhores companhias brasileiras; e no Novo Mercado, que avalia as empresas com alto nível de governança corporativa. Algumas disposições do Estatuto da Cetip vão além dos requerimentos estabelecidos no regulamento do Novo Mercado. Exemplos recentes do constante aprimoramento das práticas de governança são a criação de um Comitê Consultivo de Regulação, que tem como missão acompanhar as novidades e tendências locais e globais relacionadas aos mercados de atuação da companhia; e a aprovação, pelo Conselho de Administração, da criação de um Comitê Estatutário de Riscos.

232


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

233


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A “CEREJA DO BOLO” DE INVESTIMENTOS Em janeiro de 2016, a Cetip foi eleita a melhor Câmara de Derivativos e Operações Estruturadas das Américas no Structured Retail Products Awards – Americas 2016. A outra categoria conquistada foi a de Melhor Iniciativa Educacional. Os dois projetos inscritos pela Cetip estão relacionados ao lançamento e disseminação do Certificado de Operações Estruturadas (COE), criado pela Lei 12.249/10, a mesma que instituiu as Letras Financeiras (LFs). Para se tornar finalista, a Cetip foi escolhida em votação aberta ao mercado. Considerado a “cereja do bolo” de investimentos, é um instrumento que mescla elementos de Renda Fixa e Renda Variável e traz ainda o diferencial de ser estruturado com base em cenários de ganhos e perdas selecionadas de acordo com o perfil de cada investidor. A Cetip reuniu, em uma solução, acesso, flexibilidade, diversificação e proteção ao capital. Versão brasileira das Notas Estruturadas, muito populares na Europa e nos Estados Unidos, o Certificado - uma alternativa de captação de recursos para os bancos - foi regulamentado apenas no segundo semestre de 2013, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) do Banco Central. O bom momento financeiro naquela ocasião fez com que investidores aplicassem principalmente em Títulos de Renda Fixa, com destaque para as Letras Financeiras (LFs), as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Houve ainda um relevante crescimento de instrumentos de captação financeira corporativa, entre eles o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e debêntures.

234


IMAGEM: ARQUIVO / ESTADÃO CONTEÚDO

I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

REPRODUÇÃO DO JORNAL O ESTADO DE S.PAULO DE 22 DE FEVEREIRO DE 2016

235


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

VALORES CETIP A Cetip acredita que uma cultura forte é o segredo das empresas bem-sucedidas, pois o funcionário é um dos grandes protagonistas do crescimento da companhia. Em 2015, a empresa percebeu a necessidade de reforçar seus valores em diferentes níveis e diversos processos internos. A iniciativa faz parte do Projeto de Cultura da Cetip. Uma forma encontrada para contextualizar os nove valores da companhia foi incluí-los na hashtag #SomosTodosCetip, usada internamente nas campanhas e pelos funcionários.

236


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

237


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

238


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

COMPROMISSO COM A EDUCAÇÃO E A CULTURA A marca se torna um grande ser vivo, com os funcionários sendo células importantes dentro deste processo: pessoas ativas e conectadas que fazem da Cetip uma empresa completa. Segurança, desenvolvimento de pessoas, confiança, excelência, trabalho em equipe, inovação, perspectiva de longo prazo, ser ético e satisfação do cliente são os 9 valores intrínsecos do time que faz a Cetip acontecer. Pesquisas internas mostraram que 90% dos funcionários enxergam com clareza, entendem e praticam os valores da empresa. Esses valores, conectados à estratégia de negócio, beneficiam os funcionários, a organização, as instituições financeiras e os investidores.

239


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

CELEBRAÇÃO Em uma festa comemorativa para clientes, a Cetip celebrou seus 30 anos com o show da cantora Paula Toller e uma exposição sobre os principais momentos das últimas três décadas.

IMAGEM: NEWTON SANTOS

240


PARTE I - 1980 A 1995

IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

241


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

ACERVO CETIP

TEATRO CETIP O compromisso da Cetip com a inovação, que vai além de patrocínios sociais e esportivos, chega à cultura. Avaliado pelo jornal Folha de S.Paulo como um dos melhores teatros da cidade, o Teatro Cetip, localizado dentro do Instituto Tomie Ohtake (entre as Avenidas Faria Lima e Pedroso de Morais), na Zona Oeste de São Paulo, além de apresentar grandes espetáculos em uma das salas com melhor infraestrutura do País, criou o programa Poltronas da Fama Cetip, iniciado em 2014. A cada peça de destaque apresentada no teatro, que possui 627 lugares, artistas são prestigiados com uma placa em um assento, eternizando a história da atuação do profissional no espaço. A atriz ou ator também recebe um troféu cujo formato é uma réplica da poltrona da casa. Em 2015, Miguel Falabella e Simone Gutierrez foram homenageados pelo musical “Antes Tarde do Que Nunca”. No ano anterior, a premiação foi para Fafy Siqueira, Nelson Freitas e Cláudia Netto, pela atuação no musical “Se Eu Fosse Você”.

242


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

ACERVO CETIP

TEATRO CETIP, 20 DE SETEMBRO DE 2016. CONFERÊNCIA ANBIMA CETIP DE RENDA FIXA

Além de ser palco de grandes espetáculos em 2016, como o musical “Gabriela”, o teatro recebeu grandes eventos nesse ano, entre eles, a Conferência Anbima Cetip de Renda Fixa. O evento, que é a segunda conferência de Renda Fixa da Cetip, contou com renomados palestrantes nacionais e internacionais do mercado financeiro para um debate sobre os caminhos e soluções para aprimorar o setor.

243


ACERVO CETIP

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

244

LANÇAMENTO DO PROGRAMA DE INOVAÇÃO FORESEE, NO TEATRO CETIP, EM 2016


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

COMPROMISSO COM A INOVAÇÃO Ao longo dos anos, um fenômeno da economia global, o ecossistema das fintechs, vem promovendo uma verdadeira revolução no mercado ao agregar inovação, agilidade e eficiência aos serviços oferecidos para o usuário de novas tecnologias. A Cetip, como uma empresa que tem esses atributos em seu DNA, desenvolveu um projeto com foco em um de seus principais valores: a inovação. Para isso, a companhia realizou um estudo de mercado e mapeou o ambiente das startups nacionalmente e internacionalmente. A partir dele, nasceu um programa de inovação com iniciativas voltadas aos públicos internos e externos que recebeu o nome Foresee. O programa conta com cinco iniciativas: Fóruns Know, encontros com grandes nomes do mercado para apresentação de cases inovadores (com foco no estímulo à inovação); Investimento em startups, uma parceria com a aceleradora Darwin Starter para investir em fintechs em early stage e contribuir ao acesso delas ao mercado; Vertical Fintech na Acate (Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia), para estimular o relacionamento entre empresas do segmento; Parceria com o Cubo e Parceria com Up Innovation Lab.

245


IMAGEM: ISTOCK PHOTOS

CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

246


PARTE I - 1980 A 1995

A ASSEMBLEIA DE ACIONISTAS Por ser uma sociedade anônima de capital aberto, a Cetip tem a Assembleia de Acionistas como instância máxima na tomada de decisões que alteram os rumos da companhia. O Conselho de Administração, composto de membros eleitos por acionistas, é responsável pela política de atuação e diretrizes gerais da empresa, incluindo estratégias a longo prazo. Já a Diretoria Executiva representa legalmente a companhia e garante a implementação das políticas e estratégias estabelecidas, além, claro, de conduzir o grupo que se encarrega das atividades diárias. Em 2016, a empresa registra cerca de 700 funcionários. As atuais mudanças são também de natureza estrutural, com a Cetip indo ao encontro da BM&FBOVESPA. Em abril de 2016, ambas decidiram que estão maduras para combinar talentos e forças. Marco sem paralelos nos mercados financeiro e de capitais brasileiro, trata-se da proposta de uma empresa com infraestrutura preparada para competir em um mercado global cada vez mais sofisticado e desafiador. Não é à toa que a companhia tem o mais alto índice de Governança Corporativa do mercado.

247


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

UMA EMPRESA MOVIDA POR DESAFIOS Os diversos desafios encontrados nesses 30 anos deram forma ao jeito Cetip de ser e fazer as coisas. A empresa cresceu, conectou a sociedade ao mercado financeiro e desenvolveu soluções em parceria com os clientes, oferecendo sempre respostas rápidas, impulsionando e fomentando o mercado. Tudo isso só foi possível porque um time focado e dedicado encarou cada obstáculo buscando inovação para entregar um serviço de qualidade. Os resultados fazem parte dos pilares construídos na década de 1980 e hoje são caminhos que marcam a história do mercado financeiro do Brasil: eficiência, segurança e agilidade sempre fizeram parte desta engrenagem que move o mercado.

248


IMAGEM: PAULO PAMPOLIN

I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

249


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

PART IV 2016 THE CURRENT PANORAMA Cetip arrived in 2016 providing safe and efficient infrastructure for clients and regulators – 5 million individuals and corporations with investments registered and identified in Cetip, and over 17,000 institutions using the company’s services. In addition to assisting in the creation and development of a sustainable financial market, Cetip connects institutions and customers through innovative products and services that ensure transparency and security in the sector. Cetip processes the transactions of the national financial market for fixed-income applications and derivatives in real time. Five million transactions occur per day, and move around R$ 30 billion. All this is done with operational efficiency in a harmonious flow that contributes to the development of the market. A COMPANY THAT IS THE CLIENT’S PARTNER Customer satisfaction is more than a value for Cetip. In order to achieve lasting partnerships and transparent relations, the company is at the client’s side so they can be heard, their expectations can be understood, and their needs can be anticipated. The result of this partnership could only be efficient processes and innovative solutions constructed in conjunction with the clients themselves.

250

EVERY CHANGE DEMANDS STRATEGY Since 2010, Cetip has seen the need to concentrate its main areas in São Paulo. That same year, major changes were seen, particularly after the initial public offering (IPO) and the acquisition of GRV Solutions; consequently, there was an increased need to optimize relationships between people and move closer to clients, since São Paulo is home to the country’s largest financial market. The proximity resulting from such a move would permit more frequent inperson interactions, improving service and strengthening relationships. The move itself took place in stages. In 2015, Cetip experienced some physical changes, transferring most of the machines and teams allocated in Rio de Janeiro to the company’s largest office, which is located in Barueri, in the greater São Paulo area. At that point a strategic plan was created for the move. The board of directors and several areas led the process together, understanding the needs of the group to be moved and listening to their concerns; this is, after all, the way that Cetip makes things happen. To gather all this information and guarantee a smooth transition for the team, the company created an internal portal with guidelines for employees so that they would have reliable, concrete information about the changes that were to come. The care and commitment to people stood out yet again, and everything was considered so that the team could stay together and connected in one place. Project Alpha will continue into 2017 to move the Data Processing Center (CPD) from Rio de Janeiro to São Paulo.


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

CORPORATE GOVERNANCE Cetip was ranked first in the 16th edition of the Broadcast Companies Award, which was announced in 2016. The company was recognized for the main award naming the best Brazilian companies, and also in the New Market category, which assesses companies with high levels of corporate governance. Some provisions of Cetip’s corporate statutes go beyond the requirements established in the New Market award. Recent examples of the constant improvement of governance practices are the creation of a regulatory advisory committee, which is charged with monitoring news and trends related to global and local markets, and approval from the board of directors to create a statutory risk committee. THE `CREAM OF THE CROP` FOR INVESTMENTS In January of 2016, Cetip was voted the Best Exchange for Derivatives and Structured Operations in the Americas by the Structured Retail Products Awards - Americas 2016. It also won Best Educational Initiative. Cetip’s two projects are related to launching and disseminating the Structured Operations Certificate (COE), which was created by Law 12,249/10, the same law that established which established Financial Bills (LF). To become a finalist, Cetip was chosen in an open vote in the market. This instrument is considered the “cream of the crop” among investments; it merges elements of fixed-income and variable-income applications, but is structured on the basis of profit and loss scenarios which are selected according to the profile of each investor. In one single solution, Cetip has brought together access, flexibility, diversification, and capital protection.

time encouraged investors to mostly invest in fixed-income securities, especially LF, Mortgage Bills (LCI) and Agribusiness Credit Bills (LCA). There was also a significant growth in corporate financial instruments, including Agribusiness Receivable Certificates (CRA), Mortgage Receivables Certificates (CRI), and debentures. CETIP’S VALUES Cetip believes that a strong culture is the secret of successful companies, because employees are the main drivers of the company’s growth. In 2015, the company realized the need to reinforce its values at different levels and in various internal processes. An internal campaign was created to disseminate and reinforce values; this initiative is part of Cetip’s Culture Project. A COMMITMENT TO EDUCATION AND CULTURE One way of contextualizing the company’s nine values was to include them in the hashtag #SomosTodosCetip (We are all Cetip), which was used internally for the campaigns and by the employees in the social networks.The brand becomes a living organism, with the employees as important cells within this process: active and connected people who make Cetip a complete company. Security, staff development, trust, excellence, teamwork, innovation, long-term perspective, ethics and customer satisfaction are the intrinsic values of the team that drives Cetip. Internal surveys found that 90% of employees clearly see, understand, and practice the company’s values. These values, which are connected to the business strategy, benefit the employees, organization, financial institutions, and investors.

This is a Brazilian version of structured notes, which are very popular in Europe and the United States, and are an alternative means for banks to raise resources. This new application was only regulated in the second half of 2013 by the Central Bank’s National Monetary Council (CMN). The favorable financial climate at that

251


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

CETIP THEATER

COMMITMENT TO INNOVATION

Cetip’s commitment to innovation goes beyond social and sports sponsorships and extends to culture. The newspaper Folha de São Paulo called the Cetip Theater one of the best theaters in the city; it is located within the Tomie Ohtake Institute (between Faria Lima and Pedroso de Moraes Avenues) on the west side of São Paulo. Besides presenting great shows in a theater with some of the best infrastructure in the country, the theater created the Cetip Seats of Fame program in 2014.

Over the years, the global economic phenomenon known as fintechs has promoted a real revolution in the market by combining technology, agility and efficiency in services offered to users of new technologies. Cetip, as a company with these attributes in its DNA, developed a project focused on one of its main values: innovation.

Every time a prominent piece is presented at the theater, artists are acknowledged with a plaque on one of the 627 seats, perpetuating the history of professional performance in the space. The actress or actor also receives a trophy shaped like one of the seats. In 2015, Miguel Falabella and Simone Gutierrez were honored for their performance in the musical Antes Tarde do Que Nunca [Better Late than Never]. The previous year, the award went to Fafy Siqueira, Nelson Freitas, and Claudia Netto for their performance in the musical Se Eu Fosse Você [If I Were You]. Besides being the scene of great performances in 2016, such as the renowned musical Gabriela, the theater also hosted major events this year including the Anbima Cetip Fixed-Income Conference. This event, which is Cetip’s second fixed-income conference, was attended by wellknown national and international speakers from the financial world who discussed the topic. For the first time, Anbima and Cetip teamed up to hold a meeting that discussed pathways and solutions to enhance this market.

252

To do so, the company conducted a market survey and mapped the international and domestic environment of these startups. From this, an innovation program was born with initiatives directed at internal and external audiences, called Foresee. The program features five initiatives: Know Forums, meetings with big names in the market to present innovative cases (focused on stimulating innovation), investment in startups, a partnership with the Darwin Starter accelerator to invest in early-stage fintechs and help them access the market, the Fintech Vertical initiative at ACATE (the Santa Catarina Association of Technology) to stimulate the relationship between companies in the segment, partnership with Cubo, and partnership with Up Innovation Lab.


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

THE SHAREHOLDERS’ MEETING

A COMPANY DRIVEN BY CHALLENGES

Because it is a publicly traded company, Cetip’s shareholders’ meeting has the highest authority over decisions which affect the direction of the company. The board of directors, which is composed of members elected by shareholders,

The various challenges which have been overcome during these 30 years have formed the way Cetip sees and does things. The company grew, connected society to the financial market, and developed solutions in partnership with clients, all the while offering quick answers and boosting and developing the market.

is responsible for company’s policies and general guidelines, including long-term strategies. The executive board legally represents the company and ensures the implementation of established policies, in addition to leading the group that carries out daily activities. In 2016, the company had approximately 700 employees. The current changes also affect structure, with Cetip responding to BM&FBOVESPA. In April 2016, both companies decided that they were ready to combine talents and strengths. This is an unparalleled accomplishment in the Brazilian financial and capital markets, involving a company with adequate infrastructure to compete in an

All of this was possible because a focused and dedicated team faced each obstacle, looking for innovation to deliver quality services. The results are part of the pillars which were built in the 1980s and today mark the history of Brazil’s financial market: efficiency, innovation, and agility have always been part of these gears that drive the market.

increasingly sophisticated and challenging global market. No wonder the company has the highest level of corporate governance in the market.

253


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

A PRESIDÊNCIA DA CETIP EM TRÊS DÉCADAS

254


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

1986

Roberto de Gregorio Souza Pinto 24/02/1986 até Roberto de04/02/1987 Gregorio Souza Pinto 24/02/1986 até 04/02/1987

1987

Ernesto Albrecht 05/02/1987 até 25/01/1999

1999

Paulo Roberto Mendonça 25/01/1999 até 31/05/2003

2003

Antônio Carlos Ferreira Teixeira

2008

Edgar da Silva Ramos

01/06/2003 até 30/09/2008

30/09/2008 até 08/05/2009

2009

Nelson Bugallo Lopes Pereira

2009

Luiz Fernando Vendramini Fleury

08/05/2009 até 13/07/2009

13/07/2009 até 01/04/2013

2013

Francisco Carlos Gomes 08/05/2013 até 15/08/2013

2013

Gilson Finkelsztain 15/08/2013 até o presente momento

255


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Alexsandro Broedel Lopes

256

Cassio Casseb Lima

David Scott Goone

José Roberto Machado Filho

Pedro Paulo Mollo Neto


PARTE I - 1980 A 1995

Alkimar Ribeiro Moura

Edgar da Silva Ramos

JosĂŠ Lucas Ferreira de Melo

Robert Taitt Slaymaker

Roberto de Jesus Paris

257


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

QUADRO ATUAL DE DIRETORES DA CETIP Ana Buchaim

Diretora de Recursos Humanos

Carlos Ratto

Iroilton Medeiros

Reinaldo Rabelo

Roberto Dagnoni

Diretor-Executivo Comercial e de Produtos da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários e de Marketing e Comunicação

Diretor-Executivo Jurídico, de Compliance e de Relações Institucionais 258

Diretor Comercial e de Produtos da Unidade de Financiamentos

Diretor Vice-Presidente Executivo da Unidade de Financiamentos e de Novos Negócios


I - 1980 ATUAL A 1995 PARTE IVPARTE - O RETRATO

André Milanez

Carlos Menezes

Marcio Castro

Mauro Negrete

Simone Acioli

Willy Jordan

Diretor Financeiro

Diretor-Executivo de Tecnologia da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários

Diretora-Executiva de Operações da Unidade de Títulos e Valores Mobiliários

Diretor-Executivo de Autorregulação

Diretor-Executivo de Operações e de Tecnologia da Unidade de Financiamentos

Diretor-Executivo Financeiro, Corporativo e de Relações com Investidores 259


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

REFERÊNCIAS Para o embasamento histórico foram pesquisados os acervos dos jornais: O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e Valor Econômico; dos sites Exame.com, Valor.com, Estadão, O Globo.com, Tesouro Nacional, Banco Central; Revistas Exame e Época Negócios.

SECURATO. José Claudio. Economia Brasileira: História, Conceitos e Atualidades. São Paulo: St. Paul Editora, 2011

FORTUNA, Eduardo. Mercado Financeiro. Produtos e Serviços. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora, 2015

LEITÃO. Miriam. Saga Brasileira. A Longa Luta de Um Povo por Sua Moeda. Rio de Janeiro: Record, 2011

MÁLAGA. Flávio K. Análise de Demonstrativos Financeiros e da Performance Empresarial. São Paulo: St. Paul Editora, 2014

LEITE JÚNIOR, Alcides Domingues. Brasil A Trajetória de um País Forte. São Paulo: Trevisan Editora, 2009

260


PARTE I - 1980 A 1995

261


CETIP 30 ANOS - CONECTANDO O MERCADO FINANCEIRO DESDE 1986

262


Cetip - Conectando o mercado financeiro desde 1986