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» OS CLASSIFICADOS DA TN CIRCULAM HOJE COM 34 PÁGINAS E 5.405 ANÚNCIOS FUNDADOR: ALUÍZIO ALVES - 1921 - 2006

Ano 60 • Número 180 • Domingo,17 de outubro de 2010 EXEMPLAR DO ASSINANTE ADRIANO ABREU

Meninas do Rio

Horário de verão

GLAM E O DELÍRIO TROPICAL

Amora Mautner,uma das diretoras da minissérie “As Cariocas”,que estreia esta semana na TV Globo. [ REVISTA DA TV 6 E 7 ]

A partir desta segunda-feira,com a entrada em vigor do horário de verão,os bancos abrirão uma hora mais cedo no RN. [ PÁGINA 7 ]

[ TN FAMÍLIA 8 ]

EMANUEL AMARAL

O CONTO DE FADAS TEM UMA REALIDADE MAIS PROFUNDA QUE O REALISMO”

marina colasanti

Escritora premiada fala a TRIBUNA DO NORTE sobre temas,motivações e objetivos para os livros que produz. [ NATAL 11 ]

EXEMPLAR DO ASSINANTE

POLÍTICA

[ ELEIÇÕES ] Reverendos, padres e outros líderes religiosos locais condenam propaganda

Garibaldi tem política dentro das igrejas, mas não são unânimes quanto as discussões sobre o aborto planos para o terceiro mandato Prestes a assumir o 3º mandato no Senado, Garibaldi Filho (PMDB) admite que deseja voltar a presidir o Congresso Nacional. Mas, pode abrir mão do projeto para que o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB) seja conduzido à Presidência da Câmara. [ PÁGINAS 3 E 4 ]

SERVIÇO PÚBLICO

Má qualidade é resultado da falta de avaliações

Religiosos rejeitam debate político dentro das igrejas

Pastores evangélicos, padres e outros líderes religiosos no Rio Grande do Norte querem evitar que os púlpitos acabem sendo palcos para “comícios” e que o clima de “guerra religiosa” da campanha de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) se transfira para dentro dos

templos. Entre os fiéis, a maioria desses líderes evita fazer apologia a qualquer um dos dois candidatos. A discussão de temas como o aborto sob a ótica religiosa, entretanto, não tem a mesma unanimidade. Enquanto alguns consideram válido o debate, outros veem como

inapropriado que grupos religiosos queiram liderar discussões sobre direitos civis. Para especialistas leigos, o “uso político das religiões” não é nenhuma novidade, mas o que vem ocorrendo pelo país nesta disputa presidencial é inédito. [ NATAL 1 E 2 ] EMANUEL AMARAL

ALDAIR DANTAS

A qualidade do atendimento e dos serviços prestados à população pelos servidores públicos é questionável. Avaliações de desempenho e produtividade poderiam melhorar o quadro, mas tanto Estado quanto prefeituras ignoram a medida. [ PÁGINAS 9 E 10 ]

COMPORTAMENTO

Ciência atesta poder analgésico das paixões

PROFISSÃO DE FÉ Menino de 13 anos que sonhou com Santa Clara constrói capela e quer ser frade. [ PÁGINAS 12 E 13 ]

Uma nova paixão, além dos efeitos já conhecidos, também pode ser um potente analgésico. Segundo os cientistas, a paixão estimula o mecanismo de compensação do cérebro, da mesma forma que uma droga pesada com potencial de causar vício. [ PÁGINA 10 ]

CASO GOBAT

Novo júri do auditor fiscal será amanhã Após 18 anos, o auditor fiscal Lúcio Flávio Barbosa de Andrade deverá ser julgado, amanhã, por ter provocado o acidente de trânsito que vitimou o casal José Gobat/Maria José. O júri popular está marcado para às 8h, no Fórum Miguel Seabra Fagundes. [ NATAL 12 ]

108

TOTAL DE PÁGINAS DESTA EDIÇÃO: páginas

MENSAGENS FINAIS DE OTTO

DEPUTADA

AGRONEGÓCIO

Sandra atribui derrota do PSB à falta de emoção

Estiagem provoca queda de 70% na produção de caju

Estrela solitária do PSB potiguar no Congresso Nacional, a deputada federal Sandra Rosado analisa a razão para a derrota do governador Iberê: “faltou emoção.” [ PÁGINA 6 ]

A produção de castanhas de caju no Estado, este ano, deverá ter queda até 70% devido a estiagem. Toda a cadeia produtiva da fruta está ameaçada. [ PÁGINA 9 ]

JORNAL DE WM

GAUDÊNCIO

pauta@tribunadonorte.com.br

FALE CONOSCO: PABX: 4006-6100 Redação: 4006-6113

Assinaturas: 4006-6111 Venda avulsa: 4006-6103 Comercial: 4006-6173

Classificados: 4006-6161 Circulação: 4006-6103 Reclamações:4006-6111

O clima do segundo turno e o alerta do Dr.Jaguaribe emitido há 120 anos.

[ PÁGINA 2 ]

[ PÁGINA 7 ]

C.HUMBERTO

Morto em 1996, o advogado e jornalista Otto de Brito Guerra manteve um diálogo intenso com a filha Maria Ignez. Detalhe surpreendente: as conversas ocorreram durante a semana em que ele, vítima de um infarto, estava em coma na UTI de um hospital.Ignez lança, quarta (20), livro sobre o episódio. [ PÁGINA 11 ]

REDAÇÃO: PAUTA

A carpintaria das artes e a marcenaria de Moacyr Scliar nas páginas da Florense.

HOME PAGE:

LUIZ ANTÔNIO FELIPE

Recados de Lula para a coordenação da campanha não são mais uma ordem.

Governo vai gastar R$ 500 milhões com energia gerada em termelétricas.

[ PÁGINA 10 ]

[ ECONOMIA 2 ]

www.tribunadonorte.com.br

PREÇO DESTA EDIÇÃO:

R$ 2,50


2 | Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte

opinião

Domingo | 17 de outubro de 2010

JOSÉ SARNEY [ escritor e senador ]

Jornal de WM WODEN MADRUGA - woden@terra.com.br

A carpintaria das artes

O

último número da revista Florense (primavera 2010) escalou um time de feras. Em suas páginas dão show de bola Nelson Motta, João Gilberto Noll, Sérgio Augusto, Moacyr Scliar, Elifas Andreato e Ruy Castro. Junte-se a esta seleção de craques uma reportagem porreta sobre as livrarias do Rio de Janeiro: “Livrarias de Carne e Osso”, texto de outra fera que se chama Heloisa Seixas, tradutora e escritora e mulher de Ruy Castro: “Não sou apenas escritora. Sou, e sempre fui, leitora. Gosto de livros. Fisicamente, quero dizer. De seu cheiro, colorido, do contato com as páginas na ponta dos dedos. Gosto de vê-los alinhados nas estantes. E gosto, sobretudo, de livrarias. Difícil me imaginar vivendo sem elas”.

Nelson Motta revela que está escrevendo a biografia de Glauber Rocha, pesquisas iniciadas em 1989. O livro já tem título: “A Primavera do Dragão”. Segundo Nelson, o livro terá uma atmosfera de romance e deverá ser lançado em janeiro de 2011. Mais adiante, mudando de assunto, Nelson Motta faz nova revelação: Porque se casou com a sua atual mulher, Andréa, ex-secretaria de Cultura de Vassouras, município do Rio de Janeiro, que a conheceu durante uma palestra. Seguiu, disse, o conselho da sua mãe Xixa: “Meu filho, larga mão dessas cantoras, atrizes, dessas artistas e arranja uma moça boa do interior”. Na entrevista a Márcio Pinheiro, o escritor gaúcho João Gilberto Noll (será um das atrações da Festa Literária da praia de Pipa, agora em novembro) diz, às folhas tantas, que no seu processo de criação literária sua primeira preocupação é com a palavra: “Minha primeira preocupação, minha busca inicial, é muito mais pela palavra do que pela ideia. Quero a palavra em estado de infância. Tateio bastante até descobrir aonde posso chegar.” Ruy Castro envereda pelas trilhas do cinema e da pintura e descobre uma sintonia estética entre o diretor de cinema Alfred Hitchcock e o pintor realista norte-americano Edward Hopper. Antonioni também entra nesse circuito e Salvador Dali é lembrado. Outros diretores de cinema, i-

dem. Segundo Ruy Castro um conto do escritor Ernest Hemingway também teria inspirado uma tela de Hopper. Por aí. Na página 64, Sérgio Augusto escreve sobre “As melhores e as piores coisas do mundo”. Mais na frente tem Renato Moraes escrevendo sobre Elifas Andreatro, dos maiores artistas gráficos do Brasil, cenógrafo, ilustrador, pintor e editor, que conheci no final dos anos 70, em São Paulo, apresentado por Henfil, num roda de artistas e escritores que se juntavam para enfrentar a ditadura militar. Eu já conhecia o artista através de suas capas de discos. Marcou uma época. A época do disco de vinil, cujas capas eram verdadeiras obras de arte que enriqueceram a indústria fonográfica. As capas dos discos de Paulinho da Viola, Elis Regina, Chico Buarque, Martinho da Vila, Clementina de Jesus, João Bosco, dezenas e dezenas. A revista traz ainda uma entrevista com Patrícia Amorim, atleta (campeã de natação) mulher bonita, cheia de charme, presidente do Flamengo e vereadora. O texto é de Bianca Lins e o título já chama a atenção do leitor: “Ela não foge da raia”. Tem outra mulher bonita. É atriz de cinema Júlia Roberts (“Comer, Rezar e Amar”) numa reportagem assinada por Ana Maria Bahiana, que vive em Los Angeles, acho que derna dos tempos de Errol Flynn. Júlia Roberts é a capa desta edição de Florense.

A marcenaria de Scliar O texto de Moacyr Scliar, de origem judaica, gaúcho de Porto Alegre e um dos escritores mais lidos e premiados do Brasil (três Jabutis), romancista, contista, cronista e ensaísta, com tempo ainda de pertencer à Academia Brasileira de Letras, se reporta as suas memórias de infância e tem o título de “Memórias da Marcenaria”. Abre com o “olho”: “A expressão ‘carpintaria das palavras” frequentemente é usada para descrever o fazer literário. Fazer literatura é escolher as palavras com o mesmo cuidado com que o marceneiro seleciona a madeira que vai usar”. Uma delícia de leitura acompanhar essas treliças literárias de Moacyr Scliar, que também é medico, e que começam assim: - Passei boa parte da minha infância na pequena marcenaria de minha família, na Rua Fernandes Vieira, em Porto Alegre. E posso garantir que, para um menino pequeno, poucas coisas são mais gratificantes e ao mesmo tempo educativas. E isto começa pelo caráter mesmo da marcenaria, uma atividade em geral definida como o trabalho de transformar madeira em um objeto útil e/ou decorativo. A marcenaria é antiga, como antiga é a madeira e antiga é também a necessidade humana de objetos úteis ou decorativos, nesta última categoria incluindo-se a arte: entre uma bela mesa e uma escultura famosa, a distância é apenas de um grau. - A minha estreia na marcenaria foi muito precoce e teve uma motivação, digamos, heterodoxa. Eu era um menininho inapetente, que recusava sistematicamente o alimento. Minha mãe então levavame para a oficina, onde eu ficava olhando os marceneiros (cinco ou

Empresa Jornalística Tribuna do Norte Av.Tavares de Lira,101,Ribeira - Natal/RN CEP:59010200 Fone: (PABX) 4006-6100 Fax: (0xx84) 4006-6124 Endereço eletrônico: www.tribunadonorte.com.br

seis: a oficina era modesta) operando suas ferramentas e máquinas, e distraído, ia engolindo a sopa que ela despejava na minha boca uma utilidade pouco mencionada na profissão. - Era o lugar onde eu brincava; e era o lugar onde eu fabricava meus brinquedos. Minha família não tinha dinheiro para comprar brinquedos em lojas, à época uma coisa muito cara. Aprendi a fabricá-los sozinho, usando a madeira que sobrava da fabricação dos móveis. (...) Aquilo me ajudou muito. Em primeiro lugar era, como eu disse, um estímulo à imaginação, um estímulo precioso para quem mais tarde se tornaria escritor. A expressão “carpintaria das palavras” frequentemente é usada para descrever o fazer literário – quando esta atinge a perfeição, como mostra esta frase tirada da Folha de São Paulo: “A prosa delicada combina o tom e o sentido, a forma e a emoção das palavras, num exercício de sutil carpintaria”. Se isto vale para a carpintaria, imaginem como fica a marcenaria, que, como vimos, parece ter um status superior. - Fazer literatura – continua Moacyr Scliar – é escolher as palavras com o mesmo cuidado com que o marceneiro seleciona a madeira que vai usar; em seguida é preciso colocá-las no texto de modo a que se encaixem bem como se encaixam as peças de uma cômoda ou de um roupeiro. E o escritor faz isso esperando que o seu romance seja, para o leitor, tão importante quando uma cômoda ou um roupeiro; que ele possa servir para armazenar emoções às quais a pessoa com regularidade voltará. Para isso, a ficção tem de servir como um ele afetivo entre autor e leitor.” Diretor Presidente: Henrique Eduardo Alves Superintendente: José Roberto Cavalcanti Diretor Adm.e Operações: Ricardo Luiz de V.Alves Diretor Financeiro: Agnelo Alves Filho Diretor de Redação:Carlos Peixoto cpeditor@tribunadonorte.com.br Gerente Comercial: Eliane Rocha Gerente de Marketing: Andréia Barandas Gerente de Circulação: Thales Vilar

Guerra religiosa

N

a história da humanidade, o tema religioso foi inicialmente dominante. Petrônio diz que Deus assim quis porque fez o medo antes de revelar-se. "Primus in orbe deos fecit timor" (Primeiro no mundo Deus criou o medo). Os povos primitivos precisavam explicar o mundo, e a explicação os levava ao caminho da religião. Na disputa pelo poder, o homem quis ser o guardião de Deus e torná-lo uma arma em suas guerras.Logo surgiu a identificação de Deus com reis, imperadores, faraós. Mesmo na civilizada Roma, Otávio, no caminho para se tornar Augusto, usou o cognome de Divi filius, deificando Júlio César e incorporando sua adoção. Essa ideia passou na Europa medieval para a ideia da monarquia por direito divino.E continuaram as guerras religiosas, seja entre cristãos e muçulmanos, seja, depois da reforma, entre cristãos. Ainda no Iluminismo havia títulos como Sua Majestade Cristianíssima. Depois, com a chegada da democracia, pa-

recia que o tema religioso tinha saído do centro dos debates po- A lição do Oriente líticos.Ainda havia mo- Médio e da vimentos integristas, expansão dos como a Ação Francesa regimes teocráticos de Maurras, no come- é um retrocesso, ço do século 20, mas e- mostrando o perigo les não chegavam a do- do radicalismo minar a cena. religioso.Temos que Com Khomeini, o ficar alertas para Estado teocrático se que este ódio não instalou no Irã e passou invada o debate a ser um dado determi- político brasileiro. nante da política internacional. Com Bush, a questão religiosa chegou à política dos países democráticos, levantando as religiões conservadoras americanas como arma para atingir objetivos políticos. Os neoconservadores defendem ideias primitivas, como o Criacionismo, tese que rejeita a evolução das espécies e considera Darwin um demônio. No Brasil, a Igreja Católica recuou em seu

predomínio tradicional, e os evangélicos tornaram-se 30% da população. A igreja tentou uma primeira abordagem política com a Teologia da Libertação, silenciada por João Paulo 2º. Mais recentemente, os temas doutrinários abriram espaço para manifestações mais sensíveis às igrejas populares, como a união entre pessoas de mesmo sexo e o aborto. Sobre este, a legislação já protege a vida desde a concepção, vida que nós cristãos consideramos a maior graça de Deus. Mas esses temas parecem transcender os estudos teológicos e inserem-se numa presença exacerbada da religião, no mundo inteiro, nos temas quotidianos da sociedade, atingindo a política. Essas questões, tratadas de maneira dogmática, podem evoluir para o bem ou para o mal. A lição do Oriente Médio e da expansão dos regimes teocráticos é um retrocesso, mostrando o perigo do radicalismo religioso. Temos que ficar alertas para que este ódio não invada o debate político brasileiro, abrindo caminho ao fanatismo.

Amâncio

Cartas Bancos Existem categorias no Brasil que têm, por obrigação, fazer greve todos os anos. A dos bancários é uma delas. Não sou contra a greve, mas questiono o seu “modus operandi” porque quem termina pagando a conta da queda de braço entre patrões e empregados é a parte mais fraca nesse elo – nós, os correntistas, que pagamos taxas de todas as ordens e até, dizem, o ar refrigerado que respiramos nas filas, dentro das agências. Seria bom que os bancários encontrassem outros meios de pressionar os banqueiros sem necessariamente interromper os serviços à população. Dizer que os pagamentos podem ser feitos pela internet é balela. 80% dos norte-riograndenses não tem acesso à rede. Marlos Silva Jr.- por e-mail

JOSÉ ARNO GALVÃO [ Advogado ]

Educadores

Quimeras

J

á falei antes do grupo que se reunia no Centro Cearense, ali na esquina da Av. Deodoro com a rua João Pessoa. Não se trata do General Leitão jogando gamão com Dr. Abelardo Calafange ou da presença não muito assídua de Chico Porto, seu patrocinador. Nem cuido de Andrade, funcionário do Centro e arrendatário do pequeno bar e restaurante que lá funcionava, servindo de apoio à hospedaria e que nos tratava como filhos. Refiro-me ao grupo que, nos finais de semana, para lá acorria, grupo relativamente numeroso: Hélio e José Hildo Fernandes, João Batista Cabral, Gilvan de Carvalho, Rafael Godeiro, Miguelinho, Carlos Gurgel, Lenilsson Carvalho, Pedro Bandeira, José Martins , Neuzon Queirós e outros que a memória não ajudou a lembrar, com a presença eventual de José Melquiades e, até, do Venerável Armando Fagundes, provavelmente levado pelos colegas maçons entusiasmados. Tínhamos nosso espaço praticamente reservado, a parte do terraço que deitava para a av. Deodoro. Em época de chuva, íamos para o salão, mesa colocada junto à janela grande que dava para a rua João Pessoa. Lembro de que, certa vez, falávamos sobre a mudança de governo em que se apresentara como provável a necessidade de ser chamado o presidente do Tribunal de Justiça a assumir o Governo do Estado. E nos pusemos a conjecturar sobre o que faríamos nós diante de tal contingência. A primeira medida, por proposta unânime, seria a reformulação de todo o secretariado. E passamos a designar os ocupantes de cada pasta ou departamento de maior importância, tendo como princípio norteador o absoluto desconhecimento do indicado a respeito das matérias de competência do órgão para que fosse indicado. Considerávamos, hoje sei que acertadamente, desnecessário ter conhecimento direto sobre saúde, por exemplo, para ser Secretário de Saúde. Aliás, na nossa reforma, por proposta de Rafael, o cargo passaria a denominar-se Secretário de Saúde e Higiene. Não lembro de todas a indicações e talvez seja melhor não colocá-las no papel. Sei que o cargo para que fui indicado, à unanimidade, foi o de Diretor Geral do Departamento EstaClassificados: Redação Fax Venda Avulsa Assinatura Natal Reclamações Natal ASSINATURA Mensal (à vista) Semestral (à vista) Anual (à vista)

4006-6161 4006-6113 4006-6124 4006-6100 4006-6111 4006-6111 R$ 43,00 R$ 258,00 R$ 516,00

PREÇO DO EXEMPLAR Rio Grande do Norte 3ª a Sábado Domingo Outro Estado 3ª a Sábado Domingo

dual de Estradas de Rodagem, pois, já bacharel em Direito, consideraram meus pares ser Sei que o cargo ele o adequado para mim. para que fui Estávamos nesse ponto, indicado, à quando chega um colega, Hélunanimidade, cio Muniz, funcionário do mesfoi o de Diretor mo DER. Como ouvisse ele a Geral do conversa, sem entender o espiDepartamento rito da brincadeira, ousou perEstadual de guntar a alguém quem iria cheEstradas de fiar seu Departamento. E o Rodagem, pois, gaiato não se fez de rogado: já bacharel em Zé Arno. “É você mesmo?”, Direito, perguntou ele. Ante a resposconsideraram ta positiva, acrescentada do comeus pares ser mentário de alguém a respeito ele o adequado de casos constatados no Estapara mim.” dos Unidos de advogados dirigindo departamento de obras, Hélcio entusiasmou-se e partiu para comemorar a “nomeação”. E a coisa foi tomando vulto até que ele nos chamou a todos para ir à casa de seu pai, também servidor do DER, para anunciar a boa nova. E lá fomos derrubar uma garrafa de uísque oferecida pelo anfitrião, que só tomou consciência da brincadeira no dia seguinte. Os jornais noticiaram, com riqueza de detalhes a transmissão do cargo de Governador do titular licenciado para o Presidente do Tribunal de Justiça. E a semana foi cheia para o Desembargador Governador, era visita a obras, chegada à Governadoria com direito a continência e abertura de crédito suplementar, atendendo até a solicitação feita por ele mesmo. Nem faltou inauguração. Mas, sem surpresa, o Desembargador Governador manteve o Secretariado designado pelo substituído, pois não me consta tenha ele convidado qualquer dos secretariáveis daquela reunião para assumir o posto. Não vi a foto da “retransmissão” do cargo, que reuniu, uma vez mais, dois colegas da turma de 1966 da Faculdade de Direito. Só lamentei que Fernando Bahia não estivesse mais por cá para fazer um daqueles ácidos comentários sobre a solenidade em que o “Boneco” passou o cargo para o “Senador Tarugo”.

Quando se afirma que o comportamento dos professores em relação à qualidade do ensino é estático, deve-se ter cuidado para não estigmatizar ou “rotular’ o educador, já que existem muitos educadores comprometidos com o ensino e não são, de maneira alguma, estáticos! jsenilima@yahoo.com.br

América É lamentável o que vem ocorrendo no glorioso América, mas como torcedor ferrenho eu digo: o presidente José Maria deve continuar e, se renunciar, estará assinando um atestado de covardia, de falta de vergonha, de falta de personalidade e de tudo mais que denigre a personalidade de um homem. Presidente estou com você e não abro! Siga em frente ainda que seja para a série C ou D. Haroldo Josuá – por e-mail

CORREÇÃO

A foto do escritor Daniel Galera,publicada no caderno Viver da última sexta-feira, ilustrando matéria sobre o “Festival literário com sabor de mar”é de autoria da designer e fotógrafa Kênia Castro e não de “Divulgação”como foi publicado.

FILIADO AO

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FILIADO AO INSTITUTO VERIFICADOR DE CIRCULAÇÃO

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REPRESENTANTE NACIONAL – Pereira de Souza & Cia Ltda: Rio de Janeiro :(O21)2544-3070 – São Paulo:(011) 3259-6111

FILIADO À ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE JORNAIS

REDE CABUGI DE COMUNICAÇÃO TRIBUNA DO NORTE 4006-6100 Rádio Globo/Cabugi (AM) Natal 4006-6180 104 (FM) Parnamirim 3272-3737 Rádio Difusora de Mossoró (AM) 3316-3181/2181/3317-6167 Rádio Cabugi do Seridó (AM) J.do Seridó 3472-2759 Rádio Baixa Verde (AM)J.Câmara 3262-2498 Pereira de Souza(SP) 11/3259-6111 Pereira de Souza(RJ) 21/2544-3070


política

Domingo | 17 de outubro de 2010

Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte |

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[ ENTREVISTA / GARIBALDI FILHO / SENADOR ] FOTOS:ALEX RÉGIS

Notas & Comentários colunanotas@tribunadonorte.com.br

Colégio de Líderes s únicos partidos com direito a integrar o Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa, a partir de 2011, serão o PMDB, PSB e PMN. Isso porque somente estas legendas conseguiram eleger três ou mais deputados no pleito deste ano. O DEM, PTB, PT, PV, PSDB, PDT, PHS e PR terão que formalizar blocos partidários que reúnam três ou mais deputados para fazer parte do órgão colegiado. É no Colégio de Líderes que se define se uma mensagem governamental com pedido de urgência terá a tramitação dispensada ou se passará inicialmente pela análise das comissões permanentes.

O

Maioria necessária É importante para um governo obter a maioria do Colégio de Líderes porque, caso contrário, pode ter recusado os pedidos considerados urgentes e essenciais. O governador Iberê Ferreira de Souza (PSB) é um exemplo. Por não obter a maioria no colegiado precisou aguardar a lenta tramitação de matérias considera-

das urgentes. Foi o caso dos projetos que solicitavam a ampliação da margem de remanejamento do Orçamento Geral do Estado em 6,85% e, meses depois, em mais 3%. Também houve dificuldade na aprovação do empréstimo de R$ 77,6 milhões para as obras de mobilidade da Copa do Mundo de 2014.

DEBATE ENTRE OS PRESIDENCIÁVEIS Neste domingo haverá mais um debate entre a candidata do PT, Dilma Rousseff, e o candidato do PSDB, José Serra, à Presidência da República. Desta vez, o debate vai ser transmitido pela Rede TV e começa às 21h10. Serão cinco blocos: um com pergunta do mediador, Keennedy Alencar; dois com perguntas dos candidatos entre si; um com perguntas de jornalistas convidados; e, o último, para as considerações finais. Veja, abaixo, como será o debate da Rede TV.

CAMPANHA Na próxima quarta-feira começa uma série de mobilizações — que serão chamadas “Caravana da Vitória” —, no Rio Grande do Norte, pela candidatura de Dilma Rousseff à Presidência. As caravanas terão a participação do senador Garibaldi Filho e dos deputados Henrique Eduardo Alves e Sandra Rosado. Na quartafeira, a Caravana começa por Governador Dix-sept Rosado e passa por Caraúbas, Apodi, Itau, São Francisco do Oeste e Pau dos Ferros. Na quinta-feira, a programação começa em São José de Mibipu e continua em Monte Alegre, Brejinho, Santo Antônio, São José de Campestre, Passa e Fica e Nova Cruz.

Governo Roriz O senador José Agripino (DEM) tem afirmado que as denúncias feitas pela revista Carta Capital de envolvimento dele num esquema para arrecadar e distribuir propina no Distrito Federal “é uma história fantasmagórica”. Agripino afirma que as denúncias envolvem um

suposto esquema do governo de Joaquim Roriz, que não é filiado ao DEM, e não no de José Roberto Arruda, este sim eleito pelo partido do senador. Isso, para Agripino, é mais uma demonstração de que o envolvimento do nome dele não tem fundamento.

RETORNO AO RN A governadora Rosalba Ciarlini retorna ao Rio Grande do Norte no início da semana. Volta com a disposição de participar, no Rio Grande do Norte, das mobilizações favoráveis à candidatura de José Serra à Presidência. Deve, também, começar a definir a equipe de transição. PERDA DE ESPAÇO A deputada Sandra Rosado reconhece, em entrevista publicada na página 6 desta edição, que, sem reeleger o governador Iberê Ferreria nem a eleição ex-governadora Wilma de Faria para o Senado, o PSB saiu menor do pleito deste ano. Mas ainda inclui a legenda entre as principais no Estado. “Se você citar três (grandes) partidos, o PSB está entre eles”, afirmou.

PESQUISAS O Ibope registrou mais uma pesquisa, no Tribunal Superior Eleitoral, sobre as eleições presidenciais do segundo turno. A pesquisa é contratada pela TV Globo e o Jornal o Estado de São Paulo. De acordo com o registro, serão ouvidos 3.010 eleitores deste domingo até quarta-feira, quando os resultados poderão ser divulgados. Na próxima semana, também devem ser divulgados novos números do Vox Populi e CNT/Sensus.

‘SE NÃO FICAR AO LADO DE ROSALBA, VOU PERDER UMA HISTÓRIA DE LUTA’ O senhor encerrou a campanha e já disse que não subirá no palanque da presidenciável Dilma Rousseff quando Hugo Manso (PT) e Wilma de Faria (PSB) estiverem.Hoje esses seriam seus inimigos políticos? Nunca tive inimigos políticos. Não sou dado a polêmicas no palanque e mesmo fora dele. O que faz inimigos é justamente o arrebatamento nas campanhas, você trocar insultos, desaforos. Como nunca fiz isso eu nunca tive inimigos. O que estou fazendo agora diria que é uma espécie de legítima defesa. Fui atingido no caso do vereador (Hugo Manso). No caso da ex-governadora é uma história mais longa porque nós nos confrontamos já algumas vezes em campanhas políticas. Certamente que ela, como ganhou a última, os correligionários pediam a revanche. Anteriormente, o placar estava 2 a 1 para mim porque tinha ganho a campanha de prefeito em 1985, tinha ganho a campanha de governador em 1994 e tinha perdido a última campanha de 2006. Veio a baila que nós poderíamos ter em 2010, por parte mais dos correligionários, uma revanche. Eu, para fazer a vontade deles, dizia a brincadeira que tinha levado uma surra de saia, mas agora ia aplicar uma surra na saia. Mas era em tom de brincadeira, não tinha nada de agressivo. Então o placar hoje de Garibaldi Filho contra Wilma de Faria está 3 a 1? Exatamente, 3 a 1. Mas mesmo assim eu cumprimento ela (Wilma de Faria), diria até cordialmente, pelo menos antes dessa campanha era assim. Mas depois (da campanha) eu não a vi mais. Não tenho nada pessoalmente contra ela, contra ninguém. Eu considero isso um trunfo e um triunfo. Não representa nada você ter inimizade na política. O senhor esteve no palanque de Dilma Rousseff ao lado dos governadoráveis Iberê Ferreira e Carlos Eduardo, mas defendia Rosalba Ciarlini ao Governo.Sua posição foi tida como dúbia? Não teve nada de dubiedade. O que aconteceu foi que tomei uma atitude no Estado coerente com o que aconteceu na campanha de 2006. Em 2006 fomos para o palanque eu, José Agripino, Rosalba, ela candidata ao Senado e eu candidato ao Governo. Aí firmamos essa aliança que teve seu desdobramento no Senado. Lá nós consolidamos isso. Quando veio a campanha em que Rosalba foi candidata ao Governo não vi outro caminho que não apoiá-la no Estado, mesmo tendo que enfrentar um constrangimento de apoiar uma candidata

zido por essa história de dizer que se trata da governabilidade.

ANNA RUTH DANTAS Repórter

D

epois de dois mandatos no Senado, prestes a assumir o terceiro, Garibaldi Filho (PMDB) admite que deseja voltar à Presidência do Congresso Nacional. No entanto, ele confirmou que está disposto a abrir mão do projeto para que o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB) seja conduzido à Presidência da Câmara dos Deputados. Ponderado, o senador avalia que um projeto inviabiliza o outro, já que dificilmente o PMDB fará o presidente das duas Casas Legislativas. Garibaldi Filho avalia que o deputado federal Henrique Eduardo Alves está no melhor momento para assumir o cargo máximo da Câmara. Mesmo sem estar na presidência, o peemedebista assume que usufruirá de situação privilegiada no Senado Federal a partir de 2011 quando terá “dois votos”, já que o pai, o ex-deputado estadual Garibaldi Alves, assumirá a titularidade na vaga da governadora eleita Rosalba Ciarlini. “O Senado é uma Casa de decisões acirradas. Realmente, teremos dois votos, o meu e o de papai”, destaca Garibaldi Filho. Se no plano nacional o peemedebista fala com tranquilidade, quando a temática é a política local Garibaldi Filho não deixa de transparecer um clima de revanche sobre a ex-governadora Wilma de Faria. Ele faz as contas e aponta o placar: 3 a 1. Essa única derrota para a líder do PSB ocorreu no pleito de 2006, quando o senador tentou voltar ao Governo. O clima pouco amistoso entre Garibaldi Filho e Wilma de Faria é transparecido ainda mais na última resposta dessa entrevista. Quando questionado sobre o que diria se encontrasse com a ex-governadora, o senador responde: “Dependendo do horário do dia, seria bom dia, boa tarde ou boa noite”. O senador do PMDB admite que o partido errou ao não lançar candidato a prefeito de Natal em 2008 e já confirma que um dos nomes para 2012 pode ser o deputado estadual Walter Alves, filho dele. No entanto, antes mesmo de se lançar para disputa, Garibaldi Filho alerta: Walter terá que alçar voo próprio. “E ele já está fazendo isso e está conseguindo”, comenta. Já fazendo uma avaliação do próprio partido, o senador demonstra preocupação em argumentar que o PMDB “não é oportunista” e avisa: se José Serra ganhar o pleito 2010, os peemedebistas no Congresso deverão se manter na oposição. A seguir a entrevista concedida pelo senador Garibaldi Filho.

no Estado de uma aliança e outra candidata no plano nacional. No caso do segundo turno, caso José Serra ganhe, essa sua proximidade com o senador José Agripino facilitará o senhor ser da bancada governista de Serra? No plano nacional a tendência é eu ficar com o meu partido seja o resultado qual for. Se ganhar o meu partido eu serei o companheiro de Michel Temer, que é vice de Dilma e muito ligado ao deputado Henrique. Se ganhar José Serra permanecerei no PMDB e a despeito de ter um bom relacionamento com o próprio presidente da República. Creio que o PMDB deve permanecer na oposição até para responder aqueles que dizem que o PMDB é fisiológico, que não sabe viver sem ser nas tetas do governo. Não serei sedu-

O que estou fazendo agora diria que é uma espécie de legítima defesa”

Se ganhar Serra permanecerei no PMDB, a despeito do bom relacionamento com o próprio presidente”

Por outro lado,o senhor defende que o PMDB no Estado seja Governo... Eu sinto que se não ficar ao lado de Rosalba eu vou perder toda uma história de luta ao lado dela, para construir um governo e será que tudo aquilo que eu disse na praça pública vai se transformar em mera quimera sem resultados? Vejo muito isso. Estou realmente muito empenhado em fazer com que aquilo que eu disse na campanha, já que quero exercer uma política coerente, tudo que disse possa ser transformado em realidade. O senhor já conversou com o deputado federal Henrique Eduardo Alves sobre isso? Ele sabe disso. Sabe mais do que ninguém. Não é muito conveniente para o PMDB ter oferecido apoio a Iberê Ferreira com o deputado Henrique e a Rosalba Ciarlini com o senhor? Ou seja,o partido seria governo em qualquer resultado? É, mas não teve nada disso. Parece até história combinada, que eu ficaria com Rosalba por ter maiores afinidades com ela, e Iberê ficaria com Henrique por ter maiores afinidades. Afinidade por afinidade eu também tenho com Iberê. Tudo aquilo que Henrique disse (sobre Iberê Ferreira) eu poderia dizer, até mais porque Iberê foi secretário do meu governo. O que acontece é devemos manter a coerência e sendo aqueles que não deixam de dar a política o pragmatismo, mas também tem que ter um idealismo, pregação que mostre que não é oportunista. Enfim, eu me demorei muito para responder essa pergunta para dizer que não foi uma posição oportunista essa do PMDB. As aparências enganam. As aparências podem até colaborar para uma pessoa, numa visão mais apressada, dizer que houve. O senhor me passa preocupação de mostrar que o PMDB não é um partido oportunista... É verdade. Há preocupação de lideranças do PMDB e acho que o partido é grande, diria até que meio inchado, mas que não pode se deixar seduzir por esse canto de sereia de que sendo grande terá lugar em qualquer acomodação que lhe ofereça. Ele tem que ser grande para impor suas ideias, sua prática política, para reabilitar toda sua pregação. Ele tem que ser o maior e melhor. Maior só não dá. [CONTINUA NA PÁGINA 4]


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política

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[ ENTREVISTA / GARIBALDI FILHO / CONTINUAÇÃO DA PÁGINA 3 ]

‘PMDB não abriu para novas lideranças’ FOTOS:ALEX RÉGIS

O PMDB depois de reeleger o senhor,o deputado Henrique e fazer seis deputados estaduais, tenta se credenciar a voltar ao Executivo da capital do Estado? Faz muito tempo que o PMDB só faz apoiar. O PMDB tem dimensão para não só apoiar. Há uma certa atitude de reflexão e tenho que dar a mão à palmatória de que PMDB deve começar a pensar em disputar mesmo no primeiro turno, mesmo que no segundo turno se integre a uma coligação, para que ele exerça essa vocação do seu tamanho. Por que um partido como o PMDB não disputa uma Prefeitura de Natal, não disputa um Governo do Estado? É conveniência do PMDB colocar um candidato já pronto de outro partido ao invés de lançar um próprio? É falta de candidato. O PMDB não se abriu para colher ou atrair novas lideranças que pudessem fornecer candidatos. Ser candidato eu ou Henrique isso já é história velha. Já fomos candidato, já perdemos, já ganhamos. Eu pregar isso para as pessoas entenderem que é de novo a velha história de que é Garibaldi ou Henrique, isso não tem graça. Acho que devemos pensar nos novos e criar condições para que eles sejam efetivamente candidatos e não anti-candidatos. Também não adianta lançar só candidato para dizer que lançou. Tem que lançar candidatos competitivos e que possam atrair outros partidos, no caso de um segundo turno. Seu filho Walter Alves seria um nome para 2012? Enquanto ele for só o filho de Garibaldi, o que acho que ele não é, ele precisa convencer as pessoas, e vejo que está convencen-

Vejo as coisas com muito realismo. O deputado Henrique tem hoje, efetivamente, a liderança da bancada. Eu, se você pensar no Senado, não tenho. Se você perguntar se tenho liderança? Não. Eu tenho os dois votos (dele e do pai Garibaldi Alves). Mas a liderança da bancada eu não tenho porque o PMDB vai ter a maioria dos Senadores, mas nós não sabemos quem vai assumir essa liderança. A bola da vez está com Henrique para ele fazer o gol. Ele tem méritos para isso e tem 11 mandatos. É muito respeitado e tem muita vocação para liderar. A vez é dele.

do. Para disputar uma majoritária ele vai ter que ter personalidade própria de um político para voo maior. Walter Alves seria um nome para disputa da Prefeitura de Natal? É um nome. Ele precisa apenas vencer o desafio (de deixar de ser apenas “filho de Garibaldi”). Mas existem outros (nomes). Aqui vou apenas contar uma história, se não vão dizer que só citei Walter. Hermano Morais, que nessa campanha (de 2008) se credenciou, poderia ser candidato. Terminamos sem testálo. Esse é um exemplo de que não podemos mais fazer assim. O senhor terá agora oito anos de Senado pela frente.Foi sua última eleição? Não sei. Você sabe que comecei a política muito novo e eu, realmente, me tornei um político profissional, o que não queria ser. Queria ter entrado na política e na hora que quisesse sair ou devesse sair, sairia. Mas a essa altura não tenho mais ilusões de que vou ter outra opção, outra alternativa. Vou tentar permanecer na política enquanto achar que estou em condições de ser um político que mereça a confiança do povo. Se eu achar isso e aí terei que convencer o partido e outras pessoas. Não sei se poderei convencer outra vez 1 milhão de pessoas. É uma história longa que não pode ser encerrada de uma hora para outra. Foram quatro mandatos de deputado estadual, um de prefeito, dois de governador e agora três de senador. Não é fácil terminar de uma hora para outra ou melancolicamente. Só o futuro dirá, não tenho projeto para terminar. Ir para onde? Fica melancólico. O senhor será um dos homens

fortes do Senado porque terá dois votos (o dele e do pai Garibaldi Alves,que assumirá na vaga da governadora eleita Rosalba Ciarlini)? Até que ninguém terá lá como nós vamos ter, eu e meu pai teremos dois votos em casa. As vezes há questão lá que se decide por um voto, dois votos. Eu vou procurar juntamente com papai vermos isso com muito cuidado e muita atenção para não parecer que estamos querendo nos aproveitar dessa situação. A correlação de forças do Senado é sempre meio apertada. Nesse terceiro mandato onde o senador Garibaldi quer estar? Para não ser hipócrita diria que se pudesse eu voltaria para Presidência do Senado. Foi um período curto, mas que me realizou bas-

tante. Mas eu tenho muita consciência das minhas limitações e tenho também um dever: o dever que não é propriamente familiar, é o dever de colaborar, mesmo em outra casa, para ver o deputado Henrique Eduardo presidente da Câmara. Vejo que a chance dele agora é muito maior do que a minha, se você pensar em termos de articulação política, de aglutinação, apesar de eu estar falando antes da eleição de Presidente da República. Uma coisa é a candidatura de Henrique com Dilma eleita, outra coisa é a candidatura de Henrique com Dilma e Michel não eleitos. Mas vão intercalar PT e PMDB na Câmara.A presidência do Senado não estaria descartada para o senhor?

Tem que lançar candidatos competitivos e que possam atrair outros partidos”

Ofatodetertido1milhãodevotos isso coloca o senhor como a maior liderança do PMDB no Estado? Não. Gostam muito de dizer que não sou líder, mas sou campeão de votos. Não sei qual é a diferença disso. Não há muita diferença como as pessoas querem dizer. Mas não há porque a gente deixar de dizer que no PMDB não há uma só liderança, há duas lideranças. Uma liderança complementa a outra. Sempre fizemos isso muito bem, eu e Henrique, só falhamos agora. Com relação ao PMDB as pessoas veem Henrique com umas qualidades e me veem com outras e a gente faz aquela fusão. Se o senhor encontrasse duas pessoas na rua: uma seria o senador José Agripino o senhor diria o que? Agora diria parabéns. E para ex-governadora Wilma de Faria? Agora você me pegou mesmo porque eu não gosto de ser hipócrita. Diria a ela, dependendo do horário do dia, bom dia, boa tarde ou boa noite.


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ENTREVISTA/ SANDRA ROSADO/ DEPUTADA FEDERAL

‘Faltou emoção à campanha de Iberê’ FOTOS: RODRIGO SENA

O resultado das eleições mostrou queoPSBsaiuenfraquecidonoRN e a senhora passa a ser a expressãomaiordopartidonoEstado.Especula-se que,pelo fato da senhoraseraestrelapessebista,passaria atercondiçõespolíticasdeassumir ocomandodoPSBnoRN.Essaideia passa pela sua cabeça? Em primeiro lugar, acho que o PSB não obteve sucesso pontualmente nessa eleição, mas o PSB não diminuiu. Se você for considerar que continuamos com a bancada estadual forte e uma representação na Câmara (Federal). O senado não tínhamos e tentávamos conquistar. Na verdade, perdemos o Governo do Estado e, de qualquer forma e falando muito francamente, é uma diminuição nesse aspecto. Perdemos o cargo do Governo do Estado. Agora com relação ao partido, a presidente é a ex-governadora Wilma de Faria e não passa pela minha cabeça, pelo fato de ser a única representante em nível federal do PSB e tenha a responsabilidade aumentada por conta disso, vir a assumir a presidência do partido. O que eu quero para o PSB é dar a minha contribuição para que ele se consolide cada vez mais e vou trabalhar para a regularização de diretórios em vez de comissões provisórias. Vou procurar chegar aonde o PSB não chegou e vou lutar para fortalecer o partido em lugares que, por exemplo, pessoas que demonstraram sua força política e que foram direcionadas para o nome de Wilma ou o de Iberê (Ferreira de Souza) e que não têm o PSB, para que elas possam participar do PSB. Isso aí eu vou lutar. Ele hoje já é um partido forte em termos de RN e se você citar três partidos com força no Estado, o PSB está dentro dos três. Quero apenas ampliar esse fortalecimento. Logicamente que,passando a ser a maior expressão política do PSB noRN,asenhorapassaaterumpeso e responsabilidade maiores nesseprojetoqueasenhorafalou. Como será conduzido? Será conduzido junto com a presidente do partido. Pretendo conduzir dentro das normas estatutárias do partido e, evidentemente, junto com os deputados estaduais que obtiveram suas eleições. Quero que o PSB todo tenha participação efetiva nas decisões partidárias. Aliás, que os diretórios tenham participação mais efetivas nessas decisões. Nessas eleições,dos oito deputados federais,sete se reelegeram.A queasenhoraatribuiessequadro? Foi o trabalho dos parlamentares ou ausência de nomes capazes de chegar à Câmara Federal? Acho que foi o reconhecimento da bancada, pois o eleitor foi quem decidiu. Outros candidatos existiam e fomos os escolhidos. Certamente o Rio Grande do Norte estava satisfeito com a bancada. A senhora falou no papel que os deputados estaduais do PSB vão desempenhar no projeto de expansão.Com relação ao futuro governo,qual deve ser o papel dos parlamentares do partido diante do governo Rosalba Ciarlini? Considero que hoje a história do Brasil e do RN, logicamente, não quer mais do político aquele radicalismo quando se dizia situação e oposição. O PSB vai fazer oposição ao governo do DEM. Vai fazer uma oposição construtiva e é assim que entendemos. Não podemos ser contra por ser contra. Vamos, e acredito eu, e não posso falar por nenhum deputado estadual, na ótica de que esses parlamentares tenham um foco direcionado para o desenvolvimento do nosso Estado. Acredito que o PSB fará isso, uma oposição construtiva, propositiva e que apresente as suas reações e discordâncias, mas que contribua quando for de interesse da população. Foi especulado que já teria havido uma aproximação da senhora com a governadora eleita Rosalba Ciarlini.Oquehouve?Hárealmen-

mora e desaparece. É bom você votar em quem a gente conhece, em quem tem compromisso com as minhas reivindicações. Nessesentido,asenhoraachaque o eleitor está mais consciente do seu papel? Está, mas ainda há um problema e o qual eu considero grave e que na maioria das vezes é o próprio político quem faz. Eles poderiam optar por qualquer partido que tivesse vinculação com a sua cidade, como àquele político que tem compromisso com a sua cidade. Aí, determinados políticos ficam, até à véspera da eleição, que algum político venha de fora e fazer algum contrato eleitoral, e isso é ruim. Considero que o importante é o voto conquistado e é isso que busco nas minhas eleições.

POR EDILSON DAMASCENO

strela solitária no Congresso Nacional, a deputada federal Sandra Rosado passa a ser referência do PSB no Rio Grande do Norte com o fracasso do projeto governista relacionado às candidaturas do governador Iberê Ferreira de Souza à reeleição e da ex-governadora Wilma de Faria ao Senado. Diante desse fato, Sandra passa a ser vitrine do partido e poderá assumir o comando da legenda no Estado. Embora refute essa possibilidade, a deputada federal fala como comandante da sigla ao comentar sobre o projeto de expansão da legenda. Ela reconhece que o PSB saiu menor das eleições, mas garante que o partido ainda tem um peso político. “Se você citar três partidos, o PSB está entre eles”, afirmou. Sandra afirmou que o caminho do partido com relação ao governo Rosalba Ciarlini será o da oposição. “Acredito que o PSB fará isso, uma oposição construtiva, propositiva e que apresente as suas reações e discordâncias, mas que contribua quando for de interesse da população.” Perguntada sobre contato telefônico mantido com Rosalba, o que estaria gerando especulação sobre alinhamento político com a governadora eleita visando as eleições municipais de 2012, Sandra foi enfática: “Recebi um telefonema da senadora Rosalba, eleita governadora, e eu iria fazer a mesma coisa. Iria fazer uma visita exatamente para me colocar à disposição do RN que, queira ou não, ela é hoje a governadora eleita e vai ser a governadora do RN. Por isso, eu iria ter essa conversa e ela se antecipou para me parabenizar. Coloquei, inclusive, que estava à disposição, como ela também esteve ao nosso lado quando fizemos algumas proposições para o RN, e que eu queria continuar e ela também concordou. O povo me elegeu deputada federal para trabalhar. Elegeu Rosalba governadora também para trabalhar. O que quero é trabalhar em favor do RN e ela também. Certamente ela tem esse mesmo foco em termos de Rio Grande do Norte,” disse.

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Considero que hoje a história do Brasil e do RN, logicamente, não quer mais do político aquele radicalismo quando se dizia situação e oposição”

te essa aproximação? Acho até interessante. Na época em que existia o radicalismo político, há muitos anos, as pessoas diziam que era prejudicial. Na hora em que existe o amadurecimento político, grupos que são reacionários e realmente radicais, que ainda existem na política, começam a plantar notícias porque duas pessoas adversárias se juntam para defender o Estado. Aí começa uma reação de destruir o que tanto tempo se pregou, de que o RN precisava se unir e precisava seguir exemplo de outros Estados. O RN esteve unido quando foi para defender empreendimentos e o que era para vir para o nosso Estado. No meu mandato de deputada federal e com o mandato da senadora Rosalba Ciarlini o que

houve foi isso: um amadurecimento político que nos levou a uma convergência em defesa do RN. Somente isso. Ela permaneceu no DEM e eu permaneço no meu partido e não haverá nada mais do que isso. Recebi um telefonema da senadora Rosalba, eleita governadora, e eu iria fazer a mesma coisa. Iria fazer uma visita exatamente para me colocar à disposição do RN que, queira ou não, ela é hoje a governadora eleita e vai ser a governadora do RN. Por isso, eu iria ter essa conversa e ela se antecipou para me parabenizar. Coloquei, inclusive, que estava à disposição, como ela também esteve ao nosso lado quando fizemos algumas proposições para o RN, e que eu queria continuar e ela também concordou. Coloquei para ela que quando ela voltasse (da Alemanha) ou depois da posse que queria conversar a respeito de projetos que são da minha autoria, de recursos que foram conseguidos por mim para que a gente possa continuar esse trabalho em conjunto. Como é, por exemplo, a ponte que liga Grossos a Areia Branca, o Parque da Cidade de Mossoró, reforma, ampliação ou construção de um novo aeroporto em Mossoró, o Parque Agropecuário... São recursos que se encontram no governo do Estado, a exceção do aeroporto, que ainda não houve nenhuma movimentação nesse sentido, mas os outros estão, a parte inicial. Considero que é minha obrigação. O povo me elegeu deputada federal para trabalhar. Elegeu Rosalba governadora também para trabalhar. O que quero é trabalhar em favor do RN e ela também. Certamente ela tem esse mesmo foco em termos de Rio Grande do Norte. Esse contato telefônico tem rendido... Tem ocasionado alguns dissabores a alguma ala radical?

O resultado desse contato telefônico é de que teria havido um alinhamento político da senhora com a governadora eleita visando apoio para a deputada Larissa Rosado à Prefeitura de Mossoró.O deputado Leonardo Nogueira disse que a militância de Larissa a chamava de ‘prefeita de férias’... Isso é um desserviço que se presta à boa relação política. Acho que o deputado ouviu isso da militância dele, pois a militância de Larissa pediu votos para ela como deputada estadual. Nós não costumamos fazer campanha uma acima da outra, uma antecipando a outra. Temos a lucidez e a medida exata do que é uma campanha política. Faço política até muito tempo antes de ter mandato e sei que uma campanha que é em 2012 jamais poderia ser trabalhada em 2010. Estávamos vivendo um momento eleitoral, de uma campanha para deputado estadual. Ninguém pode dizer que Larissa tenha feito alguma colocação nesse sentido ou que eu tenha feito. Se alguém ouviu foi de algum insatisfeito com a prefeita, que deve ter dado alguma resposta nesse sentido. Alguém insatisfeito com a atual administração, que tem uma reprovação imensa, de mais de 70%, e deve ter tido alguma reação. Do nosso lado, da nossa coligação, o que tivemos foi demonstrar o trabalho da deputada Larissa, uma mulher que tem compromisso com a região e com o RN. É um nome respeitado, além de outras qualidades, por todas as correntes políticas. O que trabalhamos em 2010 Larissa deputada estadual. O eleitorado mossoroense reconheceu o trabalho dos deputados da cidade,tanto que a maioria dos votosfoiparaosparlamentares“de casa”.Comoasenhoravêessecomportamento?

Sabíamos que outros parlamentares apoiavam Iberê, mas a gente não via esses candidatos no palanque” É bem interessante e importante, mas se você for analisar os dados verá o deputado Leonardo com uma queda grande na sua votação, com mais de 5 mil votos a menos, e encontrará a deputada Larissa com mais de 5 mil votos a mais. E uma outra coisa: dentro de um mesmo sistema político, um nome praticamente encostou no deputado Leonardo, que foi o vereador Chico da Prefeitura. O DEM já não tinha mais a unidade. Não era mais um nome. O eleitor mostrou que não estava mais satisfeito com aquele nome e foi o eleitor de Mossoró que votou em outro nome. Acho que é importante votar em pessoas que tenham identificação com a cidade ou com as cidades. Logicamente, não podemos dizer que um outro deputado de uma outra cidade e que tenha serviços prestados em Mossoró não tenha direito de ter votos aqui, como também o inverso é absolutamente verdadeiro. Acho que tive mais votos e outros candidatos também em cidades com as quais tinham identificação. Acho que o que é muito ruim em eleição é que o eleitor vota em candidato que não tem compromisso nenhum com a cidade. Pode ser qualquer uma cidade. Fica ruim, porque no outro dia o deputado vai embora. Ele contratou o cabo eleitoral e foi embora. No outro dia não sabe onde a gente

Passadasaseleições,asenhoraafirmou que para a vitória existem muitos pais e para a derrota,poucos.Com relação aos candidatos Iberê e Wilma,houve morosidade na escolha do vice,o racha inicial do grupo...Além desses fatores,o que poderia ser atribuído ao fracasso do projeto governista? Acho que você já relacionou todos os motivos do insucesso. A demora do início da campanha, a forma como fomos afunilando o dia da escolha do candidato e a forma como foi feita. Faltou da unidade no nosso palanque. Sabíamos que outros parlamentares apoiavam Iberê, mas a gente não via esses candidatos no palanque. Enquanto no palanque de Rosalba você via senadores, deputados, candidatos a federal e a estadual, no da nossa coligação víamos um palanque, se formos contabilizar, ia quatro ou cinco pessoas que buscavam mandato. Isso foi um erro grave. Além da coordenação. Em determinado momento faltou unidade da coordenação. Mas no final, o principal problema foi a adversária ter mais votos do que o nosso candidato. Agora todos esses fatores relacionados por você e os que eu comentei fizeram com que realmente tivéssemos um insucesso na campanha de Iberê. A senhora acha que o marketing errou ao tentar massificar o nome de Iberê ao de Lula,deixando o candidato sem identidade? Acho que marketing é um negócio realmente sério. O marketing de Iberê certamente foi feito por pessoas competentes. Mas acho que às vezes a pessoa interpreta uma forma de apresentação que realmente o eleitor cobra mais. Na minha avaliação, faltou um pouco mais de emoção na campanha de Iberê. Não que as pessoas votem por paixão, mas a gente via que o marketing da nossa adversária tinha mais emoção do que a nossa apresentação. Agora com relação à companhia de Lula, o que prejudicou a nossa coligação foi essa expectativa da vinda de Lula, que não veio, e isso causou uma certa frustração que foi tentada ser suprida por uma gravação. Certamente isso não passou para o eleitor, que já estava se preparando para votar. A candidata vitoriosa foi ocupando esses espaços e não houve tempo de reverter. Acho que foi esse o motivo, alguns deles, que levaram ao insucesso. A derrota da ex-governadoraWilmaapontaparaasaídadeladapolítica.Essa análise pode ser feita dessa forma? Em primeiro lugar, achei ruim para o RN. Wilma é um nome que poderia, no Senado, dar uma grande contribuição para o nosso Estado. Em segundo lugar, não considero que Wilma é carta fora do baralho. Absolutamente. Ela é um nome forte, tem uma liderança significativa e é uma política vocacionada. Então, ninguém se surpreenda se já nas próximas eleições ela já ocupe um lugar de destaque. Ela pode, perfeitamente, ocupar esse lugar de destaque, retomando ao seu espaço em alguma esfera de poder. Ela poderá, sim, ocupar isso.


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[ ELEIÇÕES ]

[ COTIDIANO ] Mudança no atendimento a clientes do Nordeste é

necessária para acompanhar sistema de compensação dos bancos

Gaudêncio Torquarto gaudenciotorquato@tribunadonorte.com.br

A moral especulativa identidade de ideias não liga no Brazil os homens, mas sim a identidade de interesses, donde resulta que a moral predominante é a especulativa”. A frase é do dr. Jaguaribe e o z do país mostra a grafia antiga, mais precisamente de 1889, e está impressa em seu livro “Homens e Ideias”. O pensamento abre esse texto porque explica muito bem o clima do segundo turno desta que é uma das mais contundentes campanhas eleitorais da história e, ainda, porque o autor defendeu, em 1874, na Faculdade do Rio de Janeiro, uma tese em medicina versando sobre temas relevantes para a época, entre os quais, “aborto criminoso e fraturas complicadas”. Após 120 anos, o alerta sobre as consequências do aborto, feito pelo cearense Domingos Jaguaribe, fundador de entidades científicas e culturais, entre as quais o Instituto Histórico de São Paulo, passa a figurar na agenda dos candidatos à presidência da República. Uma citação de Sêneca ao final de sua obra parece, até, vaticínio: “os vícios dos tempos antigos passam a ser costumes de hoje”. Basta conferir a estatística: uma brasileira morre a cada dois dias em consequência do que se chama de “aborto inseguro”. No ano passado, mais de 183 mil mulheres sofreram complicações por aborto e curetagem.

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Casos escabrosos, versões estapafúrdias e até piadas de extremo mau gosto não podem tomar o lugar dos programas. Quando o destempero transborda do caldeirão eleitoral, todos acabam perdendo.”

Desde o final do século XIX, como se pode aduzir, a questão do aborto faz parte da pauta da saúde pública no Brasil. Desconsiderar a gravidade da situação por que passam milhares de brasileiras ou tentar escamotear o tema, deixando-o à margem das questões nacionais, constitui um gesto de desonestidade cívica, só mesmo explicável sob a régua da “moral especulativa” que guia a identidade de interesses dos nossos atores políticos. Nas últimas semanas, o assunto virou tabu. Quem se dispuser a discorrer sobre ele – mesmo inserindo-o na política de saúde pública – pode ser mal interpretado e até vir a ser considerado como uma “pessoa contra a vida”. A verdade é que, de uns tempos para cá, o aborto ganhou um foro extremamente emocional, e mais, passou a ser pautado por uma ótica exclusivamente religiosa. Os limites entre Estado laico e religião não resistem às pressões dos exércitos que atuam na retaguarda dos credos. A questão está mal posta. Para início de argumento, nenhum ser humano, negando sua própria condição, pode ser contrário à vida. A defesa de princípios dogmáticos e morais, por seu lado, não deve impedir que uma temática, por mais polêmica, seja abordada de modo objetivo. A lei brasileira, aprovada por 71% da população, segundo pesquisas, permite o aborto apenas nos casos de gravidez resultante de estupro e ante a ameaça de a mãe correr risco de vida. Ser favorável a este estatuto não quer significar, como se tem difundido nos subterrâneos da campanha eleitoral, aprovação de “mortandade de criancinhas”. Uma coisa é defender políticas públicas de apoio à saúde da mulher, outra coisa é procurar disfarçar o debate franco e objetivo em torno da questão com apelos e mensagens subliminares que induzem o eleitor a imaginar determinados candidatos como a encarnação de Belzebu. O mesmo argumento serve para desfazer o mito sobre o conceito da privatização. Um dos maiores feitos do Brasil contemporâneo, como qualquer pessoa poderá comprovar, bastando teclar o celular, foi o a privatização das telecomunicações, levado a cabo pelo governo Fernando Henrique. Hoje, o país conta com 187 milhões de linhas de celular. Quem pode ser contra esse extraordinário avanço? Portanto, cada coisa no seu devido lugar. Se algum político muda sua visão a respeito do escopo da privatização ou do aborto, curvando-se ao sentimento maior da população, deve ser aplaudido. Or-

tega Y Gasset ensinava: “só os imbecis não mudam porque nascem com uma deficiência congênita”. Pontos de vista contundentes, declarações que extrapolam o bom senso, ataques virulentos por meio de redes sociais, envolvimento de religiões com candidatos e partidos constituem, como se sabe, um arsenal à disposição da artilharia do marketing eleitoral. Uma campanha, mesmo ferrenha e caracterizada por embate entre os grandes ajuntamentos partidários, há de obedecer a um mínimo regramento ético, sem o qual o eleitor será submetido a uma guerra sanguinolenta. Vencidos e vencedores serão responsabilizados pela extinção da chama ética e por esvaziamento das fontes morais. Casos escabrosos, versões estapafúrdias e até piadas de extremo mau gosto não podem tomar o lugar dos programas. Quando o destempero transborda do caldeirão eleitoral, todos acabam perdendo. O eleitor precisa, é claro, conhecer a opinião dos candidatos sobre os mais variados temas. Mas a tática da emboscada, usada de maneira despudorada para desmoralizar perfis, tende a ser desastrosa. O teor de educação política de um povo depende também do grau civilizatório dos pleitos. O ciclo do sufrágio eleitoral tem o condão de alargar o conhecimento do eleitorado, tornando-o mais envolvido nas soluções para suas demandas. Parcela do acervo negativo, vale lembrar, é de responsabilidade do marketing. Engessados pelos chamados marqueteiros, os candidatos, recitando mantras e refrãos, perdem autonomia e naturalidade, tornando-se peças de uma engrenagem. Encaixam-se em formatos gastos, que se desenvolvem desde os tempos exacerbados de Fernando Collor, quando a vida presidencial era um palco espalhafatoso. De lá para cá o que se tem visto é uma cobertura plástico-cosmética canibalizando os conteúdos. Os debates, que deveriam privilegiar grandes temáticas, acabam dando lugar ao estilo “tudo ou nada”. Afinal de contas, que desenho se extrai da paisagem eleitoral? Além dos aspectos pontuais voltados para o cotidiano – saúde, educação, segurança, assistência aos carentes, habitação etc – poderemos ter esperança na reforma da política? Continuaremos a conviver com alta carga de impostos? Poderemos acreditar numa reforma da previdência? E na seara do trabalho, haverá semente nova capaz de mudar a feição da nossa burocracia sindical, sob a qual vegeta o neopeleguismo? Questões que permanecem no ar.

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Dilma abre processo contra Serra e o Google

Agências bancárias vão abrir mais cedo S a partir de segunda ALEX RÉGIS

Aviso em agência da Caixa Econômica Federal informa o novo horário de atendimento aos clientes

partir de desta segundafeira, as agências bancárias que operam no Rio Grande do Norte, tanto oficiais como privadas, abrirão uma hora mais cedo e fecharão uma hora mais cedo por causa da entrada em vigor do horário de verão. Esse horário bancário especial vale apenas para as regiões Norte e Nordeste, onde não vigora horário de verão, criado para economizar 5% de energia. “Essa medida tem o objetivo de assegurar o perfeito funcionamento do serviço de compensação”, comunicou ontem em nota a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Os estados que terão alteração no horário de abertura das agências bancárias são: Acre, Amapá, Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. Ontem, com exceção da Superintendência da Caixa no centro da cidade, que afixou um pequeno aviso sobre a mudança do horário de funcionamento na porta principal, muitas agências tanto das rede oficial quanto privada não tiveram a mesma preocupação. O horário de verão vigorará da 0h do dia 17 de outubro 20 de fevereiro de 2011 nos seguintes Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso,

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FORA DA HORA Municípios em que o horário de funcionamento das agências bancárias não terá alteração

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Belém e região metropolitana, Ananindeua,Benevides,Marituba e Santa Bárbara do Pará. CEARÁ Fortaleza e região metropolitana, Aquiraz,Caucaia,Chorozinho,Euzébio, Guaiuba,Horizonte,Itaitinga, Maracanaú,Maranguape,Pacajus, Pacatuba e São Gonçalo do Amarante.

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Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Não se sabe ao certo a origem do horário de verão, que acaba alterando a vida de milhões de pessoas. Alguns estudos indicam que a ideia de economizar energia por meio da mudança no horário do relógio, deve-se ao americano Benjamin Franklin, em 1784. Em países da Europa, a primeira utilização do horário de verão remonta a 1907, na Inglaterra. Mas, segundo os registros da época, a mudança não não agradou aos britânicos. Em 1916, a Alemanha decidiuse pela prática para economizar energia devido à Primeira Guerra Mundial (1914-1918). No Brasil, o horário de verão

OTALÍCIO PESSOA DA CUNHA LIMA

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PERNAMBUCO Recife e região metropolitana, Abreu e Lima;Camaragibe;Jaboatão dos Guararapes;Olinda e Paulista. BAHIA Salvador e região metropolitana,Candeias,Camaçari, Dias DÁvila,Itaparica,Lauro de Freitas,Madre de Deus,São Francisco do Conde,Simões Filho e Vera Cruz.

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chegou entre 1931/32 na gestão do presidente Getúlio Vargas. Atualmente, além do Brasil, muitos outros países utilizam-se da medida. Com exceção do continente asiático, nos demais, há pelo menos um país que tem o horário de verão como prática em seu território. No caso brasileiro, o horário de verão chega em boa hora, pois coincide com o baixo nível dos reservatórios, que sofrem em muitas regiões com os períodos de estiagem. Nessa época, as as usinas térmicas são acionadas com a finalidade de poupar energia hidrelétrica. Isso gera um custo maior ao operador nacional do sistema, que sempre conta com o horário de verão para diminuir a despesa.

ão Paulo (AE) - A Coligação Para o Brasil Seguir Mudando e a candidata a presidente Dilma Rousseff (PT) entraram com uma ação contra o Diretório Nacional do PSDB, a Coligação O Brasil Pode Mais, o candidato a presidente José Serra e a página de pesquisa online Google (www google.com.br). No processo, a coligação de Dilma cita que foram transmitidos na internet vídeos de conteúdo que ofende o PT. São seis mensagens veiculadas na página da comunidade de vídeos online YouTube (www.youtube.com.br), entre elas uma em que filiados da legenda são comparados a “cães ferozes da raça rottweiler”. Na representação, afirmam que o vídeo tem grande custo financeiro e não é obra amadora, como a grande maioria publicada no YouTube. Argumentam ainda que as mensagens exibem tarja lateral com o nome da Coligação “O Brasil Pode Mais” e as siglas que a integram. Acrescenta que a coligação que apoia Serra confessa a produção das mensagens em defesa apresentada na representação 307.240. De acordo com a aliança que apoia a candidata do PT a presidente, “as inserções produzidas pelo PSDB com teor altamente ofensivo, degradante, injuriante, infamante e repleto de informações sabidamente inverídicas, foram postadas no sítio (do YouTube), cuja a mídia também expõe a forma baixa e grosseira da publicidade”. Segundo a ação, o vídeo afronta termos da Resolução 23.191, que trata da publicidade eleitoral, até mesmo na internet. Sustenta ainda a ocorrência de crime eleitoral previsto no Código Eleitoral e a violação da Lei 9.504/97 (das Eleições). Assim, pedem a concessão de liminar (decisão preliminar) para: cessar a veiculação das mensagens na página e em todos os outros portais que venham a reproduzi-las; determinar ao Google a imediata desativação de todos os vídeos postados com a propaganda considerada ofensiva; impedir que a coligação e Serra exibam, no todo ou em parte, durante a publicidade eleitoral gratuita, cenas contidas nos vídeos, e determinar que o PSDB apresente o contrato com a agência de publicidade, o documento fiscal e o comprovante de pagamento dos materiais publicitários questionados.

[ CIDADANIA ] HOSPITAL RECEBE DOAÇÃO ALEX RÉGIS

*21.05.1927

+17.10.2005

5 anos de saudade Iracema (esposa), Rossana, Alexandre e Lílian (filhos), genro, nora e netos convidam parentes e amigos para participarem da missa que será celebrada em sufrágio de sua alma, dia 19.10.2010 (terçafeira), às 17h30, na Igreja Santo Agostinho, conjunto do Professores, Capim Macio, Natal/RN. Antecipadamente, agradecem a todos que comparecerem a esse ato de fé cristã.

O superintendente do Hospital Infantil Varela Santiago, Paulo Xavier, recebeu um cheque simbólico de R$ 3,5 mil, representando a quantia arrecadada em um mês da campanha “Carnatal Solidário e Banda Cavaleiros do Forró no Twitter.” A entrega foi feita neste sábado por Bruna Oliveira, uma moradora de Guarulhos (SP), sorteada pelo Twitter. Ao lado dela, entregaram o cheque os vocalistas Elisa e Jailson.

GILVAN VIEIRA FRANÇA

viver

NOTA DE FALECIMENTO Os familiares de GILVAN VIEIRA FRANÇA comunicam seu falecimento ocorrido na cidade de São Paulo. O corpo está sendo trasladado para Natal, e será velado no Centro de Velório da Rua São José. O sepultamento será realizado no domingo, dia 17.10.2010 no Cemitério Parque de Nova Descoberta.

DE SEGUNDA A SÁBADO NA TRIBUNA DO NORTE


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Natal | Rio Grande do Norte| Domingo | 17 de outubro de 2010

[ SOTERRAMENTO ] Acidente ocorrido na manhã deste sábado

na província de Henan, deixou trinta mineiros soterrados

Explosão em mina chinesa mata 20 e deixa 30 soterrados ZHU XIANG/AP/XINHUA

equim - Uma explosão em uma mina de carvão na China, neste sábado, matou 20 pessoas e deixou mais de 30 trabalhadores soterrados, segundo informações da mídia estatal. A explosão ocorreu na mesma semana em que o mundo testemunhou o resgate dramático de 33 trabalhadores soterrados a quase 700 metros de profundidade por 70 dias na mina San José, no Chile. A Central de Televisão da China informou que a explosão na província de Henan. Uma autoridade do escritório de segurança da mina confirmou o acidente, mas não forneceu mais detalhes. A agência de notícias estatal Xinhua afirmou que o acidente ocorreu às 6 horas da manhã (horário local) em uma área pertencente à companhia Pingyu Coal & Electric Co. Ltd. Um homem que atendia às ligações na mina, no entanto, disse que desconhecia o acidente. As minas da China estão entre as mais perigosas do mundo e o país tem o maior número de mortos nessa indústria. No ano passado, 2.600 pessoas morreram em acidentes em mineradoras localizadas no país.

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Equipes de resgate simulam operação de salvamento de mineiros

O Diário do Povo, outro veículo estatal de comunicação, informou, na quinta-feira, que a China fechou, neste ano, mais de 1.600 pequenas mineradoras de carvão que estavam em situação ilegal, em um esforço para tentar melhorar os padrões de segurança. O número de áreas de extração de minérios da China diminuiu no

ano passado com o fechamento de áreas pelo governo, mas as mortes voltaram a subir novamente no primeiro semestre deste ano Em outubro, a Administração Estatal de Segurança no Trabalho afirmou que os gerentes e líderes de minas que não acompanhassem seus trabalhadores na descida ao subterrâneo seria punidos severamente.

Chileno voltará ao trabalho nas minas Santiago – Com a liberação de Mario Sepulveda, Yonni Barrios e Luis Urzúa, que ainda estavam sob observação médica no hospital de Copiapó, chega ao fim neste sábado, a saga dos 33 trabalhadores da mina San José, que ficaram retidos numa área de sobrevivência durante 69 dias, desde 5 de agosto, quando a entrada da mina foi soterrada. O caso dos mineiros, que comoveu o mundo, tomou um novo rumo ao ser noticiado pelo jornal El Mercurio de que o grupo

teria feito um pacto de silêncio para faturar em entrevistas e numa possível adaptação da história para o cinema. Mas o 17º mineiro resgatado, o eletricista Omar Reygadas, que já havia falado através de familiares para a Associated Press, disse à BBC de Londres que pretende voltar às minas e que vai engrossar os movimentos sociais em defesa por melhores condições de trabalho. “Eu sou um mineiro. Gosto de trabalhar no subsolo e me

sinto bem trabalhando em uma mina. Já recebi uma oferta de outra mina e já aceitei”, declarou. Os planos do mineiro também incluem usar sua fama recente para pressionar por uma melhor regulação da indústria de mineração no Chile. Na entrevista à BBC, Omar Reygadas disse ainda que o período de confinamento mudou sua visão espiritual da vida. “Eu não pertenço à igreja, mas agora me sinto mais perto de Deus.”


Domingo | 17 de outubro de 2010

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[ AGRONEGÓCIO ] Situação é grave e coloca

em risco toda a cadeia produtiva da cajucultura

Produção de castanha terá queda de 70% na região Oeste JOTTA PAIVA Jornal de Fato

ossoró - Pelo menos 70% da safra de castanha de caju neste ano está prejudicada no Rio Grande do Norte devido à falta de chuva. A situação é grave e coloca em risco toda a cadeia produtiva da fruta, que no ano passado registrou uma das melhores safras da história. As precipitações em 2010 foram muito abaixo da média em todas as regiões, o que impediu a florada do cajueiro, fazendo cair drasticamente o aparecimento do fruto. No Oeste, por exemplo, enquanto em 2009 choveu acima de 700 milímetros, neste ano não passou dos 300 milímetros na microrregião do Apodi, onde existe uma grande produção da castanha tanto no município de Apodi, como em Caraúbas e Severiano Melo, que já fica na divisa com o estado do Ceará. De acordo com o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Simplício Holanda, que está cedido ao Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), a produção de 2010 deve ficar entre 15 e 20 mil toneladas. No ano passado, a colheita da fruta (castanha) foi de 43 mil toneladas, um feito históri-

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co para o Estado. “A média do Estado tem oscilado entre 30 e 40 mil toneladas, neste ano talvez cheguemos a 20 mil”, disse Simplício. Embora a situação seja crítica, o pesquisador não perde a fé. De acordo com ele, algumas áreas estão reagindo bem à falta de água, como na Serra de Sant’ana, onde ele acredita que a produção não deva cair nem 50%, assim como no Agreste. “O Oeste é quem vai perder mais, chegando ao máximo (70% de perda). Na região de Severiano Melo, fronteira com o Ceará, a situação está crítica, tem gente dando xiquexique ao gado”, contou o pesquisador. A falta de chuva também reduziu a produção da castanha em outros estados do Nordeste. Entre os dias 8 e 9 deste mês, cajucultores nordestinos se reuniram na praia de Pirangi do Norte, onde está localizado o maior cajueiro do mundo, para discutir sobre a cadeia produtiva do produto. Segundo Fátima Torres, presidente da Cooperativa Potiguar de Apicultura (Coopapi), representante potiguar no encontro, o RN é quem vive a pior situação, seguido do Ceará. “Dos quatro estados que participaram, RN, CE, PI e BA, quem está melhorzinho é a Bahia, onde teve mais chuva”, disse. FRED VERAS/JORNAL DE FATO

Produção de castanha deve chegar,no máximo,a 20 mil toneladas

Cadeia produtiva do caju está se modificando no RN A cadeia produtiva do caju vem se transformando a cada dia, com o aproveitamento de todo o seu potencial. Nos últimos anos, os produtores têm aproveitado o pedúnculo (ou caju), que era todo desperdiçado. Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Simplício Holanda, a redução na perda do fruto vem sendo reduzida em 1% ao ano. “Na década de 70 se perdia tudo, hoje, existe uma briga dos produtores pelo fruto”, explica. Fátima Torres, da Coopapi, conta que as cooperativas estão envolvidas no processo de aprovei-

tamento do pedúnculo, se organizando para iniciativas como a polpa de fruta e a ração do caju, que, segundo ela, é um ótimo alimento para os animais. “Precisamos estar preparados para enfrentar momentos de seca como este, quando não há forragem.” Atualmente existem várias minifábricas de produção da ração no Rio Grande do Norte, como na comunidade de Córrego, em Apodi, Santo Atonino, em Severiano Melo, Portalegre, Assu, Macaíba e Pureza. O município de Caraúbas também possui uma estrutura, só que bem maior.

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Domingo | 17 de outubro de 2010

[ JUSTIÇA ] Mutuário que compra imóvel “enrolado” em processo judicial fica sujeito às

consequências futuras, concluem ministros da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça

Cláudio Humberto E-mail: ch@claudiohumberto.com.br - www.claudiohumberto.com.br

Rebelião no PT coordenação da campanha de Dilma Rousseff adotou nova postura em relação a Lula: recados dele, antes acatados como ordens, agora são recebidos com a consideração habitual, mas só como “sugestões”. Dilma e coordenadores como o presidente do PT, José Eduardo Dutra, Antonio Palocci e deputado José Eduardo Cardozo (SP), já acham que a eleição não foi resolvida no primeiro turno em razão de erros de Lula.

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Ele (Lula) queria ser um ditador”

Senador Heráclito Fortes (DEM-PI), cuja derrota eleitoral foi festejada por Lula no Piauí

A origem

Meio termo

A nova atitude dos coordenadores de Dilma está na origem do conflito deles com o ministro da Propaganda, ex-jornalista Franklin Martins.

A ordem para “abrir fogo” contra Serra foi questionada. Acabou adotada em parte, mas sem a agressividade determinada pelo presidente.

CLIMA RUIM A divergência aos poucos fica clara: no “camarim vip” (montado atrás do palanque) dos últimos comícios, Lula e Dilma mal se falaram. O CORONEL EM SEU LABIRINTO

O senador e “coroné dos zoio azul” Tasso Jereissati (PSDB-CE) ainda não absorveu sua derrota nas urnas. Borocoxô, nem sai de casa.

Coordenador de Dilma Plantado na campanha de Dilma Rousseff pela senadora eleita Marta Suplicy, o petista Rui Falcão bateu em retirada do “wine bar” Expand, de Brasília, quando se deparou com o jornalista Luiz Lanzetta. Mais alto e

mais forte, Lanzetta o encarou e xingou: “Traíra f.d.p.! Canalha!” Falcão, que se encontraria com uma jornalista, deixou o local a passos largos, quase correndo, mergulhou num carro e saiu em disparada.

A fofoca

Invenção

Petistas atribuem a Rui Falcão a fofoca que afastou de Luiz Lanzetta da campanha, com objetivo de abrir para amigos dele de São Paulo.

Segundo petistas, foi Rui Falcão quem inventou que Luiz Lanzetta contratara arapongas para elaborar dossiês contra José Serra.

LÍNGUA DO PT Depois do “peremptório” gaúcho Tarso Genro e do “irrevogável” paulista Mercadante, agora temos a “tergiversante” mineira Dilma.

Problemas domésticos Se for mesmo eleita, Dilma Roussef terá que acalmar a amiga e braço direito Erenice Guerra: ela anda lembrando que não

é Delúbio Soares, o extesoureiro do Partido dos Trabalhadores que agüentou o tranco sem abrir o bico.

O MAIOR ELEITOR Decidido a cuidar da saúde, o senador José Sarney (AP) vai escolher seu substituto na presidência do Senado, entre os colegas do PMDB. O partido de maior bancada tradicionalmente indica o presidente.

RETORNO TRIUNFAL Com votação expressiva, o deputado Pauderney Avelino (DEM) foi o único oposicionista eleito na bancada federal do Amazonas. Os dois senadores e sete dos oito deputados federais são “lulistas”.

Eleitor peralta O ex-jornalista Franklin Martins, ministro da Propaganda, viajou para a Europa à procura de “modelos” para sua obsessão de controlar a imprensa, por-

que queria ser recebido por lá sob o impacto da vitória de Dilma no primeiro turno. Mas faltou combinar com o zagueiro, o eleitor.

IDENTIFICAÇÃO Um guitarrista da banda de funk, rap e heavy metal Rage Against the Machine pediu votos para Dilma no Twitter. O americano deve ter pensado que ela representa a “Fúria contra a máquina do sistema”.

Romance “Sinais impossíveis”, romance de Vinícius Castro (Ed. Geração, São Paulo), será lançado no próximo dia 9 em Brasília, onde a história é ambien-

tada. O orgulhoso pai do autor, advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, adorou o livro pela “profundidade, leveza e charme”.

MAIS UM ABUSO

A TAM agora cobra taxas adicionais para acomodar seus passageiros nas poltronas que escolhem. Pais podem viajar com filhos pequenos, a menos, é claro, que paguem. E a Anac, claro, finge que não sabe.

IRMÃOS-PROBLEMA Lula cansou de esperar e já não quer saber do senador eleito Jorge Viana (PT-AC) por que Dilma Rousseff não foi a mais votada no Acre. Nem porque Tião Viana teve tanto trabalho para ser eleito governador.

Comprar imóveis em leilão exige cuidados especiais rasília (STJ) - Quem compra imóvel “enrolado” em processo judicial fica sujeito a suportar as consequências, a menos que consiga provar que não tinha como saber da existência do litígio – e o ônus dessa prova é todo seu. Do contrário, o comprador terá de se submeter aos efeitos da decisão que a Justiça vier a dar à disputa entre o vendedor e a outra parte. A advertência foi feita na Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) pela ministra Nancy Andrighi, relatora de um recurso cujo autor tentava evitar a perda do apartamento que havia adquirido de um banco. Este, por sua vez, arrematara o imóvel em leilão, no curso de uma execução hipotecária. “O adquirente de qualquer imóvel deve acautelar-se, obtendo certidões dos cartórios distribuidores judiciais que lhe permitam verificar a existência de processos envolvendo o vendedor, dos quais possam decorrer ônus (ainda que potenciais) sobre o imóvel negociado”, afirmou a ministra. A decisão da Turma, contrária ao recurso, foi unânime. Em 1986, a Caixa Econômica Federal executou a dívida de um casal no Rio de Janeiro e levou seu apartamento a leilão, sendo arrematante o Banco Morada S/A. O casal entrou na Justiça e quase seis anos depois conseguiu anular o leilão. Enquanto a Justiça discutia os recursos do caso, em 1996 – quando já havia sentença anulando a arrematação – o Banco Morada assinou contrato de promessa de venda com outra pessoa, negócio finalmente concluído em 2001. Em 2007, o casal obteve decisão favorável à reintegração na posse do imóvel e ao cancelamento de quaisquer registros de transferência da propriedade para terceiros. O Código de Processo Civil diz que, na compra de um bem sob litígio, a sentença judicial estende seus efeitos ao comprador. Segundo a ministra Nancy Andrighi, essa regra deve ser atenuada para se proteger o direito do comprador que agiu de boa-fé, “mas apenas quando for evidenciado que sua conduta tendeu à efetiva apuração da eventual litigiosidade da coisa adquirida”. Desde 1985, para a transferência de imóveis em cartório, a le-

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Nancy Andrighi aconselha mutuário a se cercar de todas as precauções antes de fechar negócios

gislação exige que sejam apresentadas certidões sobre existência ou não de processos envolvendo o bem objeto da transação e as pessoas dos vendedores. “Não é crível que a pessoa que adquire imóvel desconheça a existência da ação distribuída em nome do proprietário, sobretudo se o processo envolve o próprio bem”, acrescentou a relatora. Ela disse ainda que “só se pode considerar de boa-fé o comprador que adota mínimas cautelas para a segurança jurídica da sua aquisição”. O mais grave, no caso, é que, embora não houvesse registro da existência do processo junto à matrícula do apartamento no cartório de imóveis, ainda assim o contrato de compra e venda informava que o comprador tinha solicitado as certidões dos distribuidores judiciais, estando, em princípio, ciente das pendências existentes sobre o imóvel. O recurso foi interposto contra decisão do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), que já havia concordado com a reintegração do casal (os proprietários originais) na posse do imóvel. Ao tomar essa decisão, o TRF2 observou que nada impedia o comprador de mover ação indenizatória contra o Banco Morada.

STJ fixa posição sobre prescrição do DPVAT Brasília (STJ) A contagem do prazo de prescrição para indenização por invalidez permanente pelo DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) corre a partir do laudo conclusivo do Instituto Médico Legal (IML). A decisão é da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) havia negado o pedido de indenização da acidentada, porque o evento ocorrera em fevereiro de 2003 e a ação só foi iniciada em outubro de 2006. Para o TJRS, como a prescrição para tais ações é de três anos, o pedido da autora não poderia ser atendido. Mas o ministro Sidnei Beneti esclareceu que o início da contagem pode variar, a depender do tipo de indenização pretendida. Isso porque, conforme o motivo da indenização, muda a docu-

mentação requerida para obtê-la, o que pode levar à alteração da data de início da contagem da prescrição. Conforme o relator, a nova redação da Lei n. 6.194/1974 exige que seja apurado o grau de incapacidade do segurado pelo Instituto Médico Legal competente, para que seja fixada a indenização em proporção à extensão das lesões. Assim, se o exame médico é condição indispensável para o pagamento da indenização do seguro obrigatório por invalidez permanente, a contagem do prazo de prescrição só pode correr a partir da ciência da vítima quanto ao resultado do laudo conclusivo. O ministro ressalta que essa é a orientação que consta, inclusive, no sítio oficial do Seguro DPVAT (www.dpvatseguro.com.br). No caso analisado, o exame só foi realizado em janeiro de 2004, momento em que surgiu o direito da vítima a reclamar o pagamento da indenização. Segundo o relator, a prescrição ocorreria, portanto, apenas em janeiro de 2007.

[ BEM-ESTAR ] Cientistas concluem que a paixão estimula o mecanismo de compensação

do cérebro da mesma forma que age uma droga pesada com potencial de causar vício

O lado terapêutico da paixão LAURAN NEERGAARD Associated Press

ashington (AE) - Apaixonar-se pode ser melhor do que parece, uma vez que o surgimento de uma nova paixão pode funcionar como um potente analgésico. E cientistas descobriram o motivo. A paixão estimula o mecanismo de compensação do cérebro, da mesma forma que uma droga pesada com potencial de causar vício. A questão pendente é adquirir uma melhor compreensão sobre se a relação entre amor e dor seria capaz de ajudar de alguma maneira os cientistas a buscarem soluções para a dor crônica, pois os médicos não podem simplesmente recomendar a seus pacientes que se apaixonem sempre que sentirem dores. “Receitar um pouco de paixão em relação a alguém talvez seja capaz de ajudar de alguma ma-

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neira com a dor crônica em si, levando-se em conta que já exista paixão com o parceiro que se tem”, disse o doutor Sean Mackey, coautor do estudo e chefe do departamento de pesquisas sobre dor da Universidade Stanford. A história começou com Arthur Aron, professor de psicologia da Universidade Estadual de Nova York em Stony Brook, que estudou a neurologia do amor. Sua pesquisa vinculou a fase de euforia de um romance recéminiciado com as áreas do cérebro ricas em dopamina. A substância em questão é a chave do que se chama mecanismo de compensação do cérebro, responsável pelas sensações de bem-estar geradas por certos comportamentos. O consumo de doces, por exemplo, estimula esse mecanismo de compensação; drogas como a cocaína o sequestram. “Quando estamos apaixonados, em muitos aspectos não é diferente do que uma pessoa sob efeito de anfetaminas ou es-

timulantes artificiais: fica-se muito entusiasmado, há perda de apetite, perda de sono. A pessoa torna-se ativa e cheia de energia”, observou a doutora Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional de Abusos de Drogas e especialista em dopamina. Especialistas em dor determinaram que uma pessoa envolvida em um tórrido e recente romance sente menos dor se for ferida enquanto contempla uma foto de seu objeto de amor. Mackey e seu colega de Stanford, o doutor Jarred Younger, uniramse a Aron e espalharam cartazes para recrutar estudantes que haviam se apaixonado havia pouco tempo. No estudo, os pesquisadores tocaram a pele dos voluntários com uma vara quente, causando dor moderada em duas situações distintas: em uma delas, o voluntário olhava uma imagem de seu novo amor ou de alguém muito querido; na outra, era distraído com perguntas aleatórias.

Tanto a contemplação da imagem quanto a distração produziram alívio da dor em proporção semelhante. No entanto, a distração operou por meio de mecanismos de cognição. A alternativa romântica, por sua vez, provocou saltos na atividade do circuito mental de compensação, afirma a equipe em artigo publicado na revista PLoS One. Isso significa que o cérebro é capaz de gerar respostas para controlar a dor sem a necessidade de medicação, afirmou a doutora Nora Volkow. “Se entendermos isso melhor, poderíamos desencadear as respostas”, especulou ela. Os especialistas ressalvaram que a nova paixão pode perder força com o passar do tempo e converter-se em compromisso, o que não provoca a mesma resposta do cérebro. Aron, no entanto, comentou recentemente que fazer algo novo e emocionante com um parceiro de longa data desperta a velha paixão, “o que é uma boa ideia, com ou sem dor”.


Domingo | 17 de outubro de 2010

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DIÁLOGOS DE PAI E FILHA ÀS VÉSPERAS DA MORTE

BATE-PAPO » Maria Ignez socióloga

“Papai me disse: sua missão é comunicar”

FILHA DE PENSADOR CATÓLICO PUBLICA LIVRO EM QUE REVELA OS DIÁLOGOS MANTIDOS COM O PAI, ATRAVÉS DA TELEPATIA, NA ÚLTIMA SEMANA DE VIDA DELE.LANÇAMENTO É DIA 20 TEXTOS: CARLOS PEIXOTO fotos: Aldair Dantas

m homem religioso e profundamente comprometido com a Igreja Católica, além de um intelectual respeitado, entra em coma. Durante a semana em que tem o corpo inanimado e preso aos aparelhos de uma UTI, liberta a mente e comunica-se com a filha mais velha. Envia mensagens para toda a família e para alguns amigos, dispõe sobre os próprios ritos funerários e dá pistas sobre a transcendência da existência humana e da natureza divina. Dito assim, pode parecer apenas mais um “enredo” na onda dos livros e filmes espíritas que têm aparecido no mercado, mas é o resumo de uma experiência concreta – pelo menos nas suas consequências – envolvendo pessoas reais e bem conhecidas do público natalense. Além disso, analisado à luz de vários estudos científicos, filosóficos e religiosos e do ponto de vista dos envolvidos,

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não há nada de espiritismo no episódio. Parapsicologia... é possível! Telepatia... com certeza! O personagem central é o advogado, professor, jornalista e militante católico Otto de Brito Guerra (1912-1996) e o fenômeno transcendental referido, só agora tornado público, marcou a última semana de vida dele, em março de 1996, e as reações dos filhos à morte do pai. Na tarde do dia 09 daquele mês, durante a missa que assistia ao lado da mulher Selda na capela do Colégio Imaculada Conceição, Otto Guerra sofreu um infarto. Foi levado em coma para um hospital e assim permaneceu até a madrugada do dia 16, quando os médicos atestaram a morte. Maria Ignez Guerra Molina, a primogênita entre os 13 filhos do casal Otto/Selda, foi quem recebeu as mensagens telepáticas do pai. Socióloga, professora da Escola Superior de Agricultora Luis de Queiroz, campus da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, católica por formação, desde o primeiro momento e até bem de-

pois da morte do pai, resistiu à experiência. Precisou rever conceitos intelectuais, abrir-se a novas interpretações quanto a função da fé e da religiosidade, inscrever-se em um curso de psicologia transpessoal e escrever um livro para, como ela mesma define, “completar esse ciclo, fechar a gestalt”. O livro é a Ponte para o Amor, uma publicação da própria autora (130 páginas, R$ 30,00) que será lançado na próxima quartafeira (20), a partir das 17h30 nos salões da Escola Doméstica de Natal. Meio que temerosa das reações que pode causar ao relatar a experiência, Maria Ignez não enviou convites impressos para o lançamento. “Prefiro uma coisa mais íntima, com a família, os amigos e aqueles que conheceram papai”. UMA OUTRA DIMENSÃO Para quem conheceu e lembra a trajetória do professor Otto de Brito Guerra, como humanista e figura central do movimento e no pensamento católico potiguar nas seis últimas décadas do século XX,

é compreensível o temor quanto aos comentários e interpretações que possam ser dadas ao livro e a experiência narrada. Dotado de um senso incomum de responsabilidade social, o católico Otto de Brito Guerra manteve-se a serviço da Igreja de forma inalterável ao longo da vida. Zeloso da ortodoxia, não deixava de rezar o terço todas as tardes, mas a curiosidade intelectual que o animava tanto quanto a fé cristã fez com que se abrisse para o ecumenismo. Antecipou-se à própria instituição, assumindo posições préconciliares que o levaram a participar dos concílios conhecidos como Vaticano, além de ter escrito sobre ação social do catolicismo e em defesa das posições progressistas dentro da Igreja. Manteve um diálogo franco com líderes comunistas, tendo como interlocutor Luiz Maranhão, de quem era amigo. “Papai não era uma pessoa dogmática”, testemunha a filha Maria Ignez. Preocupada em também não transmitir dogmas nem tampou-

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co iniciar um debate sobre a necessidade de derrubá-los ou não, Maria Ignez teve o cuidado de, ao lado da narrativa sobre os diálogos mantidos com o pai em coma, expôr opiniões divergentes (mesmo dentro da família) e um resumo de indicações dos estudos científicos, filosóficos e religiosos que podem iluminar o ocorrido. A ideia do livro, longe de pretensões doutrinárias, surgiu da monografia que fez para o curso de Psicologia Transpessoal, iniciado em 1998 como uma busca pela compreensão do que ocorreu e mantido, até hoje, como um estudo contínuo sobre a vida, o autoconhecimento e a realização. Nas considerações finais, Maria Ignez é clara e sucinta sobre a natureza do episódio relatado: “foi um fenômeno natural, não mágico, nem sobrenatural.” E constata: “vivi uma experiência de crescimento excepcional e muito gratificante. Agradeço a Deus e a papai, por ter podido colaborar na construção dessa PONTE PARA O AMOR.”

Ao ler o livro,é possível sequenciar suas reações ao fenômeno das comunicações. Primeiro, vem o medo, depois a incompreensão e a curiosidade. Hoje, essas reações estão superadas ou atendidas? Na medida em que eu estudei e vi o que a Igreja fala sobre isso desde São Tomaz de Aquino até autores atuais; o que a filosofia e a ciência dizem, eu entendi o que aconteceu. E quando você entende não se coloca mais o problema de acreditar ou não. A gente passa a saber que aquilo existe e como se classifica. Eu tive medo, realmente. Achei que podia estar ficando louca, mas agora sei que a telepatia existe. Eu falei mesmo com papai e cheguei a questionar ele. Eu disse: como os outros vão acreditar no que o senhor me diz, se eu mesmo não acredito. E ele me explicou: seu papel não é fazer os outros acreditarem, é só transmitir as mensagens que estou lhe passando. São quatorze anos desde a morte do professor Otto de Brito Guerra. Porque só agora esse episódio é tornado público e o livro lançado? Tem algumas respostas para essa pergunta. A primeira é que eu precisava saber o que era, intelectualmente, aquilo que aconteceu. Depois que eu fiquei sabendo, eu redigi o que ocorreu, o que eu sabia, como uma monografia do curso de Psicologia Transpessoal, que me ajudou a entender tudo isso, mas também como uma forma de racionalizar, de organizar dentro da minha cabeça toda aquela experiência. Havia também um problema de autoimagem. Eu fiquei um bom tempo pensando como é que eu, uma professora da USP, iria publicar uma coisa que poderia me deixar em posição ruim junto ao colegas acadêmicos. Depois, eu me aposentei é vi que esse problema de autoimagem poderia ser trabalhado. Então, decidi publicar o livro. Isso foi decisivo para a publicação? Não. Decisivo mesmo, para mim como pessoa, foi a intenção de fechar esse ciclo, de completar essa gestalt. E se papai tinha me dito “sua missão é comunicar”, como eu não tinha feito isso, eu acho que estava sentindo um pouco de culpa.

Maria Ignez, a primogênita do casal Otto de Brito Guerra/Selda, escreve sobre o último legado do pai à família: mensagens sobre como cada um deve se agir na vida

O que ocorreu? Uma Experiência de Quase Morte “Experiência de Quase Morte (EQM)” ou Near Death Experience (NDE) na literatura de língua inglesa sobre o assunto. Essa é a explicação da psicologia quanto a natureza da comunicação entre pai e filha. Já quanto ao conteúdo e a forma como essa comunicação se deu, a explicação pode ser encontrada em estudos sobre Transmissão Telepática Espontânea. Os dois fenômenos, mais relacionados à parapsicologia do que à medicina, são objetos de vários estudos em instituições universitárias ao redor do mundo. Longe das ideias mistificadoras preconcebidas pela desinformação ou mesmo alimentadas por oportunistas, a bibliografia existente mostra que eles ocorrem com uma frequência surpreendente. A EQM está comprovada, estatisticamente, em vários milhões

de casos de pessoas reanimadas, independente de idade, crenças religiosas e origens socioculturais. Em “ Ponte para o Amor”, Maria Ignez relaciona vários estudos e depoimentos, desde apontamentos da psiquiatra Elisabeth KublerRoss, especialista nas experiências da morte entre doentes terminais, as considerações de teólogos católicos como R.J. Blank e registros históricos do fenômeno nos escritos de Cícero e na literatura medieval. Analisando o caso específico do professor Otto de Brito Guerra, ela chega a conclusão de que “é difícil identificar exatamente se papai viveu uma EQM”. E aponta uma diferença fundamental: os estudos relatam casos que terminam com as pessoas sendo reanimadas, o que acabou não acontecendo e o óbito se seguiu ao coma. A ocor-

rência do fenômeno telepático, entretanto, está bem caracterizada. A primeira “aparição” do pai na mente de Maria Ignez, como relatado no livro, se deu no dia seguinte a internação na UTI e em resposta a indagação que ela se fazia do porque Deus o deixava sofrer daquele jeito. “Ainda estou aqui porque amo muito a vocês todos. Nunca pensei que o afeto tivesse tanta força e que fosse tão difícil me desligar dele. Estou aqui só por amor! Não sofro dor físíca! Meu corpo já morreu!”. As mensagens, sempre tranquilizadoras quanto a situação em que ele próprio se encontrava, seguiramse de forma ininterrupta até as vésperas da morte. Maria Ignez relata que sempre estava desperta nestas ocasiões e se mantinha consciente do que ocorria ao redor. Algumas vezes, também visualizou o rosto do pai, com uma luminosidade própria,

e chegou mesmo a discordar e questionar o que ocorria. Recebeu respostas bem humoradas. Ao relatar os fenômenos aos irmãos e irmãs, recebeu crédito de uns e dúvidas de outros. O consolo maior e, talvez, a primeira certeza de que não estava “ficando louca” nem “imaginando ela mesma as mensagens que vinham do pai”, veio do então Bispo Emérito de Natal, Dom Nivaldo Monte, para quem transmitiu “um recado” do amigo Otto de Brito Guerra. “Não importa de quem é. Digamos que nós sabemos que é uma mensagem de Deus”, disse Dom Nivaldo a Ignez.

Não importa de quem é. Digamos que nós sabemos que é uma mensagem de Deus.” DOM NIVALDO MONTE para Maria Ignez, em 1996

No texto, nota-se um certo cuidado em evitar qualquer tom de convencimento das pessoas sobre o que ocorreu.A senhora teme reações quanto ao episódio, tendo em vista que o professor Otto era um católico militante e respeitado dentro da Igreja? Temo sim. Outro dia eu estava conversando com uma pessoa que ouviu falar sobre o livro, mas que ainda não leu, e até mesmo pessoas que leram, mas pularam o capítulo sobre hipóteses explicativas, e todas elas disseram: “isso é um livro espírita”. Não! Não é um livro espirita. As conversas telapáticas com papai se deram enquanto ele estava vivo, estava em coma, mas estava vivo. E pelo que sei e conversei com lideranças espiritas, eles me disseram que pode ser que eu tenha uma mediunidade exacerbada, mas o que ocorreu não foi nem pode ser considerado por um fenômeno espirita. Aliás, se fosse, não deixaria de ser significativo ou válido. Entre as mensagens do professor Otto de Brito Guerra para os filhos,a sua era “Seja menos racional, pense mais com o coração”.A senhora diria que conseguiu realizar esse desejo? Em uma escala de zero a dez, eu acho que conseguichegar asete. Mas estou me esforçando para aumentar isso.


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[ DEVOÇÃO ] A história de Emanoel se confunde com a de muitas

crianças que são abandonadas diariamente pelos pais biológicos

“São muitos os convidados, poucos os escolhidos” RICARDO ARAÚJO repórter

ram 18h de uma tarde de primavera. Em sua rotina diária, D. Ivoneide tomava conta de seu posto telefônico que ficava anexo à sua residência, na zona norte de Natal. Entre um cliente e outro, a necessidade de matar a sede a fez abandonar, por alguns minutos, o posto de trabalho. Tempo suficiente para que um presente de Deus, conforme suas palavras, fosse deixado na porta de sua casa. Embrulhado numa sacola de papelão, um menino e um bilhete de recomendações, haviam sido ali abandonados. Eram 18h03min e, no rádio, ouvia-se a Ave Maria. Apesar das dificuldades, D. Ivoneide jamais pensou em entregar a criança ao juizado de menores e foi chamada de louca por não saber a procedência do bebê, se era sadio ou não. Com uma filha de 11 anos, à época, Emanuelle, ela pediu ajuda a uma prima que tinha um recém-nascido para compartilhar as roupinhas e decidiu criá-lo. Batizado de Emanoel, ele se tornou a personificação de um presente enviado por Deus, relata orgulhosa sua mãe adotiva. A vida de Emanoel é marcada pela doação e amor incondi-

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cional de sua família acolhedora, além dos amigos que fez na igreja e na sua vizinhaça, onde é motivo de muito orgulho. Sua avó, hoje falecida, o levava à igreja sempre que podia e foi nutrindo no neto o amor a Deus, o respeito ao próximo e a vontade de ajudar aos mais necessitados. A avó faleceu anos atrás, mas ele não esqueceu os ensinamentos por ela deixados. Aos dez anos, durante um sonho, viu a imagem de uma santa envolta num clarão. No dia seguinte, mãe e filho partem em direção ao centro da cidade e o menino reconhece numa loja a imagem do sonho. Era Santa Clara de Assis. Meses antes ele havia decidido montar uma capela no mesmo local em que havia sido deixado quando recém-nascido. Sem saber qual santo homenagear, o sonho com Santa Clara esclareceu as dúvidas que o cercavam e hoje ela é a santa que dá nome a capela. Com doações, ele montou um altar com algumas imagens, bíblias e terços. “Tudo começou na calçada, na rua. Ninguém acreditava que meu filho tivesse o conhecimento sobre a Bíblia, sobre os santos”, afirma D. Ivoneide. Determinado, ele foi à procura do padre da paróquia de Dom Bosco, no bairro Pajuçara para ajudá-lo na empreitada, celebran-

do uma missa. Sem acreditar no que ouvia, Padre Francisco fez como São Tomé, pediu para ver para crer. Afinal de contas, era uma criança com argumentos plausíveis (Emanoel conhece e interpreta muito bem a Bíblia) pedindo ajuda a um padre com muitos anos de batina. Ao chegar ao local, o padre se surpreende com a quantidade de pessoas que o aguardavam. A celebração marcava o final da festa de Santa Clara organizada por Emanoel e seus amigos. “Ele distribuiu panfletos, alugamos carro de som e colamos cartazes”, lembra D. Ivoneide. O padre celebrou a missa com satisfação e percebeu que a mensagem do menino não era uma brincadeira de criança. Desde então, uma vez por mês é celebrada uma missa na capela e todas as semanas são rezados os ofícios de Nossa Senhora. A partir de campanhas realizadas desde sua inauguração, em 23 de setembro de 2007, a capela aumentou de tamanho e comporta cerca de 40 pessoas. “O altar está quase pronto. Ainda necessitamos comprar as cadeiras, o material litúrgico e mais alguns detalhes”, afirma D. Ivoneide. O propósito da capela é louvar a Deus e evangelizar desde crianças a idosos. Na última reforma foram gastos cerca de R$ 5 mil.

Durante um sonho,Emanoel viu a imagem de uma santa envolta num clarão.No dia seguinte vai com a mãe a um

SANTA CLARA Clara,cujo nome significa “aquela que resplandece”, nasceu em Assis,em 1193. Desde cedo,mostrou inclinação para a vida de oração e para as obras de caridade. Ela viu São Francisco de Assis pela primeira vez na quaresma de 1212,quando tinha então 18 anos de idade. Depois de vê-lo e ouvi-lo, escolheu-o para ser seu orientador espiritual.Cada vez que conversava com Francisco, voltava para casa determinada a romper com as coisas do mundo e entregar-se totalmente a Deus.O grande empecilho era a família que queria vê-la casada com um jovem tão rico quanto ela.Um dia,num Domingo de Ramos, ela fugiu e foi ao encontro de São Francisco e dos frades.O santo cortou-lhe os cabelos e lhe deu para vestir o hábito de lã crua,fazendo-a pronunciar os votos de pobreza,obediência e caridade.

Carisma de franciscano e do Dividido entre as atividades escolares e as responsabilidades da capela, Emanoel é um típico pré-adolescente de 13 anos. Estudante do 8º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Zila Mamede, sonha em conseguir uma bolsa de estudos no Colégio Salesiano, onde seria educado dentro da religião católica e dos preceitos que deseja seguir como padre. Aluno aplicado, não tira notas baixas e serve de exemplo para os demais colegas de turma. Religiosamente, o garoto interpreta a Bíblia de uma forma que surpreende a todos. “Ele sabe o que está falando, não é nada decorado”, confirma a irmã Emanuelle Justino, 24 anos. Numa estante da sala, ele conta 57 imagens de santos e sabe a história de cada um deles. A imagem adquirida recentemente é de uma santa negra nascida na África, chamada Santa Josefina Bakhita. Porém, a verdadeira devoção de Emanoel é pelos santos franciscanos – São Francisco de Assis, São Longuinho e Santa Clara. Esta última, razão pela qual a capela existe ho-

Tudo começou na calçada, na rua. Ninguém acreditava que meu filho tivesse o conhecimento sobre a Bíblia, sobre os santos.” D. IVONEIDE mãe de Emanoel

je, desperta um interesse particular no menino. “Meu carisma é de franciscano e carrego em mim o dogma de Nossa Senhora”, reflete Emanoel. Os dogmas de Nossa Senhora são a virgindade perpétua e a santidade absoluta. No mundo em que vivemos, no qual o sexo é comércio e a descartabilidade das coisas se faz tão presente, é estranho ouvir uma declaração tão forte de alguém que ainda está no processo de formação psi-


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FOTOS:EMANUEL AMARAL

ma loja de imagens sacras e aponta para Santa Clara

ogma de Maria cológica de índole e caráter. Porém, a convicção com que Emanoel expõe suas ideias levam a crer que esse é realmente o caminho que ele deseja seguir. A prova de que o caminho está escolhido foi o convite feito pelos frades do Seminário de Santo Antônio, na Igreja do Galo. Semana passada Emanoel iniciou seus estudos de aprofundamento bíblico e das histórias dos santos da Igreja Católica. Uma vez por mês ele vai ao seminário e passa o dia rezando e em comunhão com os demais seminaristas, padres e frades. “Foi lá que eu conheci a Santa Bakhita e onde eu aprofundo meu conhecimento religioso. É isso o que eu quero: entrar no seminário, ser padre, depois frade e quem sabe, um bispo”. Apesar da sua maturidade, o menino não perdeu a inocência das crianças da sua idade. “Meu irmão me ensina muita coisa. Acreditar em Deus então... Juntos nós dançamos, curtimos mesmo esse lado de irmãos. É divertido. Ele é uma criança feliz, especial e muito determinada”, diz Emanuelle, orgulhosa.

Estudante do 8º ano do ensino fundamental na Escola Estadual Zila Mamede,o jovem Emanoel sonha em conseguir uma bolsa de estudos no Colégio Salesiano

TRÊS POR QUATRO O que pensa e o que deseja o pequeno servo de Deus

EMANOEL JUSTINO Uma palavra: Jesus Amigos: Minha mãe,Ivoneide,e Nossa Senhora,no Céu Religião: Um modo de evangelizar Igreja Católica: Minha mãe,que me ensina a crer Futuro: Ingressar na Ordem Franciscana e,quem sabe,ser frade ou bispo Ser padre: Um objetivo Emanoel: Uma pessoa feliz


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SANDERSON NEGREIROS [ escritor ]

Coragem para ser ergunte-se aos leitores qual a maior virtude que possa contemplar o destino e a vida humanas, quase todos responderiam que é a coragem moral. Nada mais supliciante do que a gente conviver com os que fazem da vida uma eterna litania de queixas, maus murmúrios, maus presságios, tristezas que compelem ao niilismo absoluto. Nada mais constrangedor do que a obrigação de coexistir com as aflições inúteis, temperamentos dos que são capazes de poder funcionar às mil maravilhas a sabedoria popular, que é a de provocar tempestades num copo d’água. Porque sofrimentos ou caminhos difíceis, tortuosos, inapeláveis, todos experimentam. Força, contudo, é ultrapassar tudo isso, não com lentes de um Pangloss medíocre, mas com certa altivez, a grata estoicidade que fez Madre Teresa de Calcutá se agigantar acima do mortal comum, ao beijar leprosos nas ruas miseráveis da India. Para mim a personagem mais bela será sempre da infatigável Helen Keller que, mesmo cega, surda e muda, traba-

P

lhou incessantemente em benefício do outro, doando-se de forma altruística, niveladora de transformar uma tragédia grega em apenas significativo acontecimento do cotidiano. Nietzsche falava na farmácia militar da alma que, para ele, seria a vitória, naquele arquétipo de super-homem, manchado pelo orgulho e onde o Ego atingia as raias do imponderável — nele, da loucura. Mas a verdadeira farmácia do espírito é a coragem de ser à custa de qualquer sacrifício; ou que nome outro tenha a renúncia. E essa coragem moral sempre cresce pelo anonimato. São as freiras silenciosas que, nos hospitais, pensam a ferida que mais sangra; é a mãe que, dia e noite, sem um lamento, debruçada numa máquina de costura, educa dez, doze filhos; é o pai suburbano que, cumpridas as horas do emprego mal recompensado, ganha a noite para o biscate, alimentador de uma família muito pobre; é o jovem ou a moça que depois da faina de três expedientes, ainda pode ajudar a mãe viúva na composição de uma sobrevivência urgente. E ir em frente contra às vezes um

destino que se entremostra áspero. Enfim, são heróis da existência comum e repetida, capazes dos gestos os mais ousados de esforço; e sempre com paciência, tranqüilidade, sem esconder um ar de simpatia humana, que clama por ser de alegria, a empatia circulante. Passam eles pela vida, de uma maneira silenciosa, escondidos sem os holofotes da publicidade; sem o carisma falso que muitos poderosos usam por alguns dias; sem o prestígio que a inútil vaidade consegue pintar na faixa pedestre de tanta gente que se ilude a si mesma; e se congratula pela incapacidade de ser um chefe que use a gentileza, a cordialidade e a educação. Quereis conhecer um homem? Dai-lhe o Poder, qualquer migalha de mando, que a imponência, vestida de solidéu e o roxo cardinalício, aparece mesmo sem ser vista, com o chicote da má vontade e do desapreço em vigência, prontos para uso imediato. Na primeira oportunidade, tornam-se chefes tão ferozes, tão capazes de humilhar que, se o poder lhe chegasse mais forte, destruiriam o mundo em poucas horas. Quando se encontram na planí-

CARMEN VASCONCELOS [ poetisa ]

Hoje, certas mulheres passaram a ser apenas banais Deusas Calipígias. Calma: nada fracassa tanto quanto o sucesso. Eu já vi e li isso na vida, que é feita de embarques, naufrágios e adeuses, matérias de sonho, de que os cais são construídos.

Humor Fino [ Amâncio ]

Um tributo a Patrick Swayze* prendi a gostar de “Unchained Melody” por causa de Patrick Swayze. Eu que gostava do olho de Patrick. Eu que também gostava da dança de Patrick. Eu que, embora não fosse propriamente uma fã, gostava das emanações de Patrick. Sei o que é viver um luto antecipado. Sofrer a dor que acontecerá no futuro, chorar o choro que será chorado amanhã. Conheço o entristecer-se com a certeza de que “a indesejada das gentes” virá, sei o que é olhar no olho de quem vai morrer. Mas não imagino, nem quero imaginar, o que seja viver o luto por si mesmo. Não imagino esse luto antecipado que, durante cerca de vinte meses, Patrick Swayze viveu. Apesar andarmos com a certeza da morte (porque ela é a única certeza), é um alento não ter data marcada para morrer. Penso na oitava elegia de Rilke, a minha preferida, na qual ele diz que enquanto nós só vemos morte, o animal é isento desse olhar (porque não sabe). Eu acho que a incerteza sobre o tempo da morte também nos isenta e em certa medida nos ilude. Quando adolescente, eu nunca pensava que aquele tempo fosse acabar. Para mim, a vida eterna cabia dentro de vinte anos e eu nem me dava conta disso. A eternidade é uma dessas sensações que somente podem ser verdadeiramente compreendidas depois que passam. Pois é, o tempo passa e a incerteza da morte vai se afogando numa certeza oceânica. Ela, “a moça Caetana” virá, o tempo nos vai naufragando nela. E para alguns de nós, essa certeza pode ficar ainda mais certa. Há doenças que quase chegam a marcar dia e hora para matar, há doenças com a marca da exatidão. Esse foi o caso de Swayze, que ainda teve fôlego para escrever uma autobiografia, com ajuda da mulher. Não sei de onde alguém tira forças para fazer qualquer coisa numa situação dessas. Mas fazem. Escrever uma autobiografia, um livro de poesias, fazer canções, gravar discos, tudo isso já fizeram pessoas enquanto naufragavam na consciência do luto antecipado por si próprio. Mesmo pessoas que perdem os movimentos encontram forças para ditar a outros seus últimos sentimentos. Lembro também de Renato Russo, que compôs uma série de canções falando das sensações dos seus últimos dias. Quem se aproxima excessivamente da morte, já não vê a morte, diz ainda Rilke na oitava elegia. Olha o infinito com olhar de bicho. Mas, que olhar é esse, o olhar que ultrapassa a consciência? Como atravessar a consciência, sem sucumbir à dor? Não sei. Não quero saber. Se pudesse, decidiria não saber nunca. “Sei que vou morrer, não sei a hora... Sei que vou morrer, não sei o dia...” (Ataulfo Alves/Paulo Gesta/Matilde Alves). Patrick Swayze soube a hora. E até onde sabemos, dançou corajosamente a sua última dança. E naufragou na única certeza. Ah, os naufrágios... Só os náufragos são sinceros, penso eu numa tarde aguada, querendo parafrasear Cazuza.

NELSON PATRIOTA [ escritor ]

O que jaz oculto na poesia de Jaumir Andrade – (I)

A

* Escrevi este texto quando Swayze morreu,mas ele não chegou a ser publicado.Depois o achei datado e até transcrevi partes dele em outros textos,mas percebi que gostaria publicá-lo lembrando Patrick que,afinal,foi o motivo.

cie, entregam-se à aflição inútil, à lamúria incessante, à sabujice aparente, à inércia da humildade e ao destemor de esperar a hora da vingança, que sempre fica vigilante nas esquinas da surpresa. No espetáculo atual, em que se abrem manchetes quase sempre para os poderes do Mal, abramos passagem para os que conduzem o Bem, de qualquer forma e de alguma maneira. Olhemos com blandícia o campo minado, com a certeza dos versos de Camões: de que certas coisas da vida é melhor merecê-las sem as ter, do que tê-las sem as merecer. Encontremos o otimismo que faz com que um mineiro a setecentos metros de profundidade, preso em uma mina de cobre, seja capaz de fazer um poema. E possa sonhar com o mundo novo que o espera, gerando luz na brisa difícil do deserto de Atacama. Finalmente, é como dizia nosso Hélio Galvão: é pelo olhar que os namorados se tornam noivos. Noivemos, então, recompondo e melhorando, com o destino que estamos a cumprir. Aliás, se formos do tempo em que havia noivado, quando segurávamos, pela primeira vez, a mão da namorada, o ar circundante se eletrizava de maneira tal — com a fusão de prótons, nêutrons e elétrons — que surgiam, de repente, relâmpagos, trovoadas e leves tremores de terra, causadores de espanto e êxtase. Hoje, certas mulheres passaram a ser apenas banais Deusas Calipígias. Calma: nada fracassa tanto quanto o sucesso. Eu já vi e li isso na vida, que é feita de embarques, naufrágios e adeuses, matérias de sonho, de que os cais são construídos. Embora os barcos somente se sintam seguros quando estão presos a um porto. Mas não foi para isso que eles foram feitos.

uando, a exemplo do que aconteceu com as obras singulares de Miguel Cirilo e de Bosco Lopes, a crítica voltar suas atenções para os dois livros do poeta Jaumir Andrade (1945-1984) – Demopoesia (1970) e Em meu peito de urso, meu grito de mulher (1984) – haverá de se surpreender não só com a qualidade excepcional que marca sua construção poética, mas poderá rastrear influências, angustiantes ou não, como, por exemplo, dos poetas Thiago de Mello e Ferreira Gullar, cujas primeiras obras coincidiram com a época mais criativa de Jaumir. Sem esquecer que esse poeta tinha um talento excepcional para a letra da canção popular, como atestam suas parcerias com Mirabô Dantas e Babau. Caso se demore sobre a poesia de Jaumir Andrade, a crítica especializada iria descobrir um artesão de frases lapidares, como: “não há defesa para quem resolveu viver [...] eu só levarei saudades / de minha sede e de minha fome” (“de minha fome e de minha sede”); “como se sabe / sabe o verbo mais do que diz” (“como se sabe”); “não foste minha felicidade / foste minha miséria feliz” (“embriaguez”); “se deus não fosse seu avesso / não carimbaria nosso espírito / com a necessidade de crer / não engendraria / o grotesco no prazer” (“deus”); “sentimento não é felicidade / a felicidade está mais para o furtivo” (mãezinha”); “de minha infância / nada trago que mereça um verso” (“labirintos”); “quem envelheceu não tem dúvidas / a esperança é o grande carrasco” (“câncer mudo”), “cá no nordeste / não aparece / vendedor nenhum de primaveras” (“interlúdio”); “difícil saber a fronteira / entre a culpa do homem / e a culpa da fome do homem” (“pedras”); “às vezes / viver não basta // faz-se mister imolar-se / em razão da liberdade / vez que / na ausência desta / o barro humano se muda / em um ninguém com sofrimento”(“apenas a liberdade”). Poeta epigramático, frasista amiúde contundente, Jaumir Andrade faleceu no mesmo em que publicou seu transgressor “Em meu peito de urso, meu grito de mulher”, em que, em meio a poemas orgiásticos e revoltosos, destilou alguns dos poemas mais sensíveis da poesia norte-rio-grandense de seu tempo. Em defesa do poeta, lembraríamos que o seu não foi um tempo qualquer. Dele, Jaumir poderia dizer, mesmo, que foram tempos sombrios, e invocar em seu favor uns versos de Bertolt Brecht (uma de suas admirações), que dizem: “Nos tempos sombrios / se cantará também? / Também se cantará / sobre os tempos sombrios” (“Poesia do exílio”, trad. Edmundo Moniz). Caso se aproxime da poesia de Jaumir Andrade, a crítica poderá descobrir, enfim, não um, mas vários estilos poéticos, cada qual tecendo sua própria aura poética, revestido do mais apurado gosto, cingindo as causas mais nobres (outras “vis”, reconheçamos), que estenderam para muitas léguas à frente os lindes da nossa poesia. A leitura dos poemas “partir” e “o retorno” é particularmente desnorteante pelo que esses poemas anunciam: a morte prematura do poeta, fato que aconteceria sob a forma de um acidente rodoviário no mesmo ano de publicação do seu segundo livro, justo num momento em que ele fazia planos de retornar à sua terra. Em “o retorno”, após declarar que se avizinha o fim do seu destino, o poeta pondera que “como animal fui feliz / (nunca impunemente) [...]” e conclui: “entregome à terra seminu / com nada nas mãos // envelheci e não percebi / a vida a fluir / interminavelmente breve”. No poema “partir” ressoam ainda os brados inconsoláveis do poeta: “que bobagem / mirar a vida / com ilusão de proprietário / terra, terra – eu vou partir, eu vou partir”. Cântaros repletos de gratas surpresas, “Demopoesia” e “Em meu peito...” reservam joias que a poesia potiguar não pode continuar ignorando, sob pena de reconhecer-se míope ou vesga, para o que far-se-ia necessária uma urgente intervenção crítica.

Q

CLÁUDIO EMERENCIANO [ professor da UFRN ]

Quando a humanidade cresce humanidade sempre buscará respostas para indagações que emergem de suas dúvidas, suas incertezas, seus receios, suas fragilidades e suas contradições. Mas os caminhos da curiosidade, da sede de saber, da indômita vontade em desvendar o desconhecido, não são incompatíveis com a fé. Pelo contrário. Os homens e as mulheres de fé sabem localizar a verdade no íntimo do seu ser, da consciência e do coração (sentimentos). A fé é uma porta, que se abre para Deus e o universo. Sem limites. Sua substância é o amor. O verdadeiro amor nunca se esgota. Projeta o homem no infinito. Identifica-o na essência e na substância do elo de uns com os outros: a solidariedade, a partilha de sentimentos e circunstâncias, a caridade que exorciza todos os egoísmos. Antoine de Saint-Exupéry, escritor e pensador, soube proclamar e difundir, como poucos, a poesia da condição humana. Em seus momentos de solidão, sobrevoando em vôos noturnos o Saara, o pico branco de neve do Kilimanjaro (ponto mais alto da África), os pampas gaúchos do Brasil e da Argentina, a cordilheira dos Andes. Ali encontrava suas verdades. Descortinando o infinito. Ante a imensidão do céu resplandecente de estrelas, muitas vezes iluminado, até em sua alma, pela luz prateada de uma lua cheia, seus olhos e sua mente se inebriavam. Seu espírito entrava em êxtase. A solidão, paradoxalmente, não era reclusão, prisão, amargura, ansiedade, desalento. Era inesgotável fonte de harmonia, paz, ternura e felicidade. Nessa mistura do seu ser com tudo que o envolvia, cercava-o e o contagiava, revelavase, em plenitude, sua dimensão humana; nessa circunstância aflorava uma inimitável percepção do mundo e da vida. O sentido da vida exibia seu conteúdo. Exortava os homens na ampliação dos vínculos de uns com os outros. Pelo ato, contínuo e crescente, de entrega e partilha. Pela certeza de que a “terra dos homens” não subsiste sem a seiva dos sentimentos. São Francisco de Assis, o pobrezinho (polverello), compartilhava sua fé e seu amor com todas as criaturas. Orava durante toda a noite e, às primeiras claridades do dia, agradecia a Deus pelo espetáculo incomparável da Criação. O Cântico das Criaturas (ou Cântico do Irmão Sol) é uma ode a Deus, à Criação e aos homens. Sua “Exortação ao Louvor do Senhor” é uma espécie de canto do universo, oração e poema da inserção de tudo e todos em Deus. Thomas Merton, teólogo e pensador, imergiu no sentido da vida e dos homens no Tibet, chamado

A

de “o teto do mundo”. Suas reflexões glorificam a dimensão humana, resgatada pelo Cristo na Cruz. São Tomé, vacilante na fé, atônito e fragilizado, reencontrou-a diante de Jesus (João 20, 27): “E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as A humanidade minhas mãos; chega tamsempre buscará bém a mão e põe-na no meu respostas para inlado; não sejas incrédulo, dagações que mas crente. Respondeu-lhe emergem de suas Tomé: Senhor meu e Deus dúvidas, suas incer- meu. Disse-lhe Jesus: Portezas, seus receios, que me viste, creste? Bemsuas fragilidades e aventurados os que não visuas contradições. ram e creram”. Momento de Mas os caminhos dimensão humana inesgoda curiosidade, da tável. A grandeza humana sede de saber, da reside também em suas fraindômita vontade gilidades e suas contradiem desvendar o ções. Mas, como disse Midesconhecido, não chel Quoist, é um “contínuo são incompatíveis peregrinar”. Sem fim. Semcom a fé. Pelo conpre ascendendo, pelo amor, trário. Os homens e a Deus, origem e fim de toas mulheres de fé das as coisas. A fruição das sabem localizar a maravilhas da vida e do univerdade no íntimo verso. Poesia e cântico que do seu ser, da conslibertam. ciência e do coraÉ madrugada deste dia 13 ção (sentimentos). de outubro. Dadaça, minha A fé é uma porta, esposa, aflita, acompanha que se abre para pela televisão o resgate do Deus e o universo. primeiro dos 33 mineiros Sem limites. Sua presos, numa profundidade substância é o de 622 metros, na mina São amor. O verdadeiro José, no Chile. A agonia e a amor nunca se esangústia me perturbam ingota. Projeta o hotensamente. Suplico a Deus mem no infinito. em oração, enquanto a emoIdentifica-o na esção domina plenamente o sência e na subsmeu ser, minha alma e mitância do elo de nha consciência. De todas as uns com os outros: partes do mundo, que proa solidariedade, fessam todas as religiões a...” monoteístas, há uma prece uníssona por aqueles homens. O mundo acorda. Implora. Lágrimas dos rostos suplicantes. A humanidade se engrandece nessa solidariedade. Eleva-se. A condição humana se liberta assim...


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[ CONJUNTURA ] Questões cruciais para a economia da China serão discutidas neste final de semana por trezentas

lideranças de diversas tendências políticas com assento no Comitê Central do Partido Comunista

Líderes chineses discutem ajustes GABRIEL BUENO DA COSTA Agência Estado

ão Paulo - O Comitê Central do Partido Comunista da China se reúne a portas fechadas por quatro dias desde sexta-feira, para deliberar e tomar algumas decisões sobre os rumos econômicos e políticos do país. Nesse encontro anual devem ser feitos ajustes na política econômica chinesa e também pode haver uma sinalização mais forte sobre quem deve liderar o próximo governo a partir de 2013. O professor de Relações Internacionais da PUC Henrique Altemani explica que a reunião anual do Comitê Central, formado por cerca de 300 líderes, é muito mais deliberativa do que decisória. "As grandes decisões ficam para depois", diz Altemani, referindo-se, por exemplo, à reunião política mais relevante do país, o Congresso do Partido Comunista, realizada a cada cinco anos e cuja realização é esperada para 2012. Um dos temas que devem encabeçar as discussões é a realização de ajustes na economia. “A liderança concorda que a China precisa ajustar sua economia, de uma tão dependente dos mercados de exportação para outra, mais ajustada ao mercado interno de consumo", diz, em entrevista por e-mail à Agência Estado, o professor William A. Joseph, da Universidade Wellesley, nos Estados Unidos. A partir de 2011, a China passará a ser regida por um novo Plano Quinquenal. As linhas gerais desse plano serão apresentadas no encontro, a partir das propostas de vários ministérios e líderes provinciais delineadas durante vários dos últimos meses. “Eu espero que o novo plano quinquenal seja mais um ajuste na atual estratégia que uma grande reformulação", prevê o cientista político dos EUA. A versão final do plano será oficialmente adotada pelo Congresso Nacional do Povo, o Parlamente chinês, em março de 2011. Autor do livro “Politics in China" (Oxford University Press), o cientista político acredita que a valorização do yuan também pode

S

ser um tema do encontro. “Mas questões políticas como essa são no final decididas pelos cerca de 25 principais líderes (o Politburo), e não por todo o Comitê Central." Joseph acredita que o encontro dos próximos dias pode enviar sinais sobre os prováveis futuros líderes do país. O norte-americano acredita que o vice-presidente Xi Jinping já foi escolhido para ser "eleito" à presidência da China, que será oficializada no encontro do Parlamento em março de 2013. Agora, todos observam para saber se Xi será apontado, durante o encontro do Comitê Central, para um posto importante na Comissão Militar Central, o que seria interpretado como um sinal de ascensão nos quadros do regime. O cientista político explica que há diferentes facções dentro da liderança. A do atual presidente, Hu Jintao, defende maior atenção a problemas como a desigualdade social, falhas no sistema de saúde e a poluição, enquanto a do vice Xi, favorece uma abordagem mais “tecnocrática", com a meta de garantir que a China continue crescendo em ritmo forte. Mas apesar das diferenças, Joseph não aposta na possibilidade de uma disputa de poder. “Uma coisa com que os líderes chineses concordam é em manter a estabilidade política, econômica e social." Diversos analistas ouvidos pelo site de notícias financeiras MarketWatch acreditam que o próximo Plano Quinquenal (2011-2015) chinês representará o fim de uma era em que o país cresceu de modo explosivo, muitas vezes a taxas superiores a 10% ao ano. O foco agora deve ser a qualidade do crescimento, e não apenas a manutenção de um ritmo forte, apostam esses analistas. O vice chairman da South China Brokerages, Howard Gorges, disse em entrevista ao MarketWatch que a China percebeu que um crescimento a taxas de 10% ao ano pode em alguns momentos gerar superaquecimento da economia e, consequentemente, desperdícios. Gorges afirma que é mais interessante agora para a China crescer na casa dos 8%. “A base (de comparação) está se tor-

RICARDO STUCKERT / ABR

Hu Jintao, que esteve tratando de negócios no Brasil com o presidente Lula, defende combate à poluição e à desigualdade social

NÚMEROS

300

é o número de líderes políticos que participam da reunião do Comitê Central do Partido Comunista.

8%

de crescimento anual é a aposta dos especialistas em mercado externo.

nando mais alta, então também ficará mais difícil crescer a 10%", observa. Sobre o recente Nobel da Paz concedido ao dissidente encarcerado Liu Xiaobo, Joseph acredita que o tema pode ser discutido, mas não abertamente para consumo público local ou internacional. Segundo ele, Pequim não quer, na verdade, chamar muito mais a atenção para essa questão

Transição política será teste de fogo São Paulo (AE) - Uma assembleia composta pelos principais líderes do Partido Comunista chinês decidirá, no fim de 2012, quem vai governar a China pela próxima década. Embora ainda falte mais de um ano e meio para a troca de comando, o grupo vai herdar a liderança da segunda maior economia do mundo e sua composição atrai atenção desde já entre analistas baseados na Ásia. A troca de comando na política chinesa em 2012, assim como ocorreu nos anos cruciais de 1978, 1989 e 1992, terá um efeito decisivo sobre as prioridades do país nos próximos anos, e por isso os nomes potencialmente credenciados para a sucessão de Hu Jintao e Wen Jiabao já estão sob intenso escrutínio. A grande mudança prevista para 2012 está na aposentadoria dos três principais líderes chineses, o que se soma à provável substituição de ao menos sete dos

nove membros do Politburo chinês, o mais importante órgão político de tomada de decisões no país. Apenas Xi Jinping e Li Keqiang, apontados como os prováveis novos líderes nos dois cargos mais elevados da China, permanecerão no 18º Comitê Permanente do Politburo. Os demais sete assentos em aberto provavelmente serão ocupados por alguns dos políticos que agora integram o grupo mais amplo do Politburo, formado por 25 membros. Entretanto, até agora não há previsão de predominância de uma liderança individual por um ou outro membro do Partido Comunista A perspectiva é que o novo Politburo reflita um equilíbrio mais irregular de poder entre diferentes redes políticas. Ainda assim, o desafio de direcionar o crescimento econômico da China para um modelo mais sustentável e conduzido pelo consumo interno provavelmente irá intensi-

ficar a transição política, reequilibrando o poder político menos em direção às áreas ricas da costa chinesa e mais em direção ao interior ainda pobre e subdesenvolvido do país. A transição política no comando da China será determinada pela aposentadoria dos três homens mais poderosos do país atualmente: o presidente Hu Jiantao, o primeiro-ministro Wen Jiabao e o presidente do Parlamento chinês, Wu Bangguo. Além disso, sete dos nove membros atuais do Comitê do Politburo serão substituídos por rostos menos familiares. Como nos anos cruciais de 1978, 1989 e 1992, quando as reformas que mudaram a China foram lançadas, depois paralisadas e posteriormente retomadas, essa mudança de poder está coincidindo com outro provável ponto de virada que irá dar forma às reformas domésticas e políticas prioritárias da China por algum tempo.


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geral

Natal | Rio Grande do Norte| Domingo | 17 de outubro de 2010

Competição promovida pelo Ministério da Educação em parceria com a Fundação Itaú Social teve a participação, este ano, de 141.332 professores e 59.803 escolas públicas de educação básica

[ EDUCAÇÃO ]

Encontros definirão 152 finalistas JOÃO BITTAR

rasília - Os 500 estudantes semifinalistas da Olimpíada de Língua Portuguesa “Escrevendo o Futuro” vão participar, de 3 a 18 de novembro, de quatro encontros regionais. Neles serão selecionados os 152 finalistas da competição. Cada aluno estará acompanhado do seu professor de língua portuguesa. De acordo com Maria Tereza Cárdia, do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), entidade que coordena a segunda edição da olimpíada, os encontros regionais vão reunir 125 semifinalistas por gênero literário. Durante três dias, estudantes do ensino fundamental e médio produzirão textos sob a orientação de especialistas e participarão de atividades culturais e de formação. Ao mesmo tempo, comissões designadas pelos organizadores avaliarão os textos elaborados tanto nas escolas quanto de forma presencial. Dessa avaliação, explica Maria Tereza, sairão os 152 textos — 38

B

NÚMEROS

500

é o número de estudantes que participam da fase semifinal da competição escolar

20

alunos que serão declarados vencedores da olimpiada 2010, receberão medalha do MEC

por categoria — que irão à etapa nacional, prevista para 29 de novembro, em Brasília. Na capital federal serão anunciados os 20 vencedores, cinco por gênero literário. Os 500 professores que acompanham os alunos na etapa regional devem apresentar ao Cenpec um relato das práticas desenvolvidas na fase escolar da olimpíada. Eles terão de explicar como trabalharam com os estudantes, a receptividade, as dificulda-

des e as soluções encontradas. Os autores das 28 melhores experiências — sete por categoria — receberão aparelhos de DVD. Os concorrentes da fase regional — 500 alunos e 500 professores semifinalistas — receberão medalhas e cupons para a retirada de obras literárias na livraria montada no local do encontro. Os 152 estudantes e seus professores que passarem à fase final serão premiados com medalhas e aparelhos de som portáteis. As escolas receberão placas de participação. Concluída a olimpíada, cada vencedor — 20 alunos e 20 professores — receberá medalha, um microcomputador e uma impressora. Cada escola, dez microcomputadores, uma impressora e cupom para escolha de livros destinados a ampliar o acervo da biblioteca. A Olimpíada de Língua Portuguesa teve este ano a participação de 141.332 professores e 59.803 escolas públicas de educação básica. Educadores e unidades de ensino representam as 27 unidades da Federação e 5.488 dos 5.565 municípios brasileiros.

Termina prazo para diplomados no exterior

Estudantes vão disputar final da Olimpíada de Língua Portuguesa

Brasília - Os candidatos inscritos no processo de revalidação de diplomas médicos do exterior terão até as 23h59 deste domingo (17) para realizar o cadastramento de dados. A participação na seleção só estará confirmada após a efetivação dessa etapa. O prazo foi prorrogado por meio de edital do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Podem se cadastrar os candidatos que tiveram suas inscrições homologadas pelas instituições de ensino superior conveniadas ao projeto. Os exames serão realizados em Brasília e avaliarão os conhecimentos, habilidades e competências requeridos para o exercício da medicina no Brasil. O processo de revalidação é formado por três testes: objetivo, discursivo e prova prática de habilidades clínicas, todas de caráter eliminatório.

Professora participa de intercâmbio A diretora da Escola Municipal Homero Dantas, de Parnamirim, Maria da Piedade Pereira Fernandes, viajou aos Estados Unidos como uma das etapas da premiação pela conquista do Prêmio Nacional de Referência em Gestão Escolar – Ano Base 2009. A instituição conseguiu a primeira colocação entre as 250 escolas potiguares que se inscreveram no prêmio. O resultado do prêmio foi divulgado no mês de agosto. Um dos motivos para a conquista do prêmio foi o resultado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado no mês de julho deste ano. A escola passou da nota 3,4, em 2007, para 5,2, em 2009. Além do desempenho positivo no Ideb, a instituição de ensino conta também com um projeto de leitura e escrita que é o responsável por todas as outras ações desenvolvidas na escola. Antes de viajar a diretora contou que os 280 alunos que estudam nos ensinos infantil e fundamental são estimulados desde cedo a ler, contas histórias aos colegas e apresentar seminários. “Todas essas atitudes fazem com que as crianças se sintam mais seguras nos anos seguintes”, disse Piedade. Foram selecionados 24 gestores do Brasil, apenas os estados do Pará, Piauí e Amapá não aderiram ao prêmio. As atividades em Washington, capital dos Estados Unidos, começam nesta quartafeira, 13, e prosseguem até o dia 7 de novembro. Nesse período os gestores vão ter a oportunidade de se fazer um panorama da educação básica nos EUA e questões relacionadas também aos ensinos fundamental e médio. Em 2011 os diretores das escolas americanas que também participaram do prêmio visitam as escolas brasileiras. A Escola Homero Dantas será premiada com R$ 2 mil da Fundação Roberto Marinho e 300 livros para a biblioteca doados pela Gerdau. A expectativa é que a premiação seja realizada no dia 8 de novembro no Rio de Janeiro. O Prêmio é coordenado pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), e tem como parceiros a Undime, Unesco, Fundação Roberto Marinho e apoio da Embaixada Americana no Brasil.


economia DÓLAR COMERCIAL Compra R$ 1,663 Venda R$ 1,665 DÓLAR PARALELO Compra R$ 1,77 Venda R$ 1,88

POUPANÇA HOJE 0,5464% CDB 10,70% BOVESPA

SALÁRIO MÍNIMO

R$510,00 TAXA SELIC -0,72%

10,75%

TELEFONES ÚTEIS Receita: 3232-2200 Procon Estadual: 3232-6869 Procon Municipal: 3232-9050 DRT/RN: 3220-2000

EMPRESA

Marco Antônio Oliveira conta quais os planos da CHB para crescer em SP PÁGINA 5 DÓLAR TURISMO Compra R$ 1,613 Venda R$ 1,753 EURO Compra R$ 2,322 Venda R$ 2,325

Editor:Vinícius Albuquerque E-mail: vinicius@tribunadonorte.com.br

NATAL • RIO GRANDE DO NORTE Domingo • 17 de outubro de 2010

Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostra que as empresas são punidas por um custo tributário que já soma 24,3% do total de um projeto de inovação que poderia trazer benefícios

[ INDÚSTRIA ]

Tributos custam 24% da inovação JOÃO MARIA ALVES

ão Paulo (AE) - A elevada carga tributária imposta sobre o investimento produtivo - algo que praticamente só ocorre no Brasil - tem asfixiado a indústria nacional. Hoje, em vez de serem beneficiadas pela iniciativa de expandir o parque industrial, as empresas são punidas por um custo tributário que já soma 24,3% do total de um projeto, conforme estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). De acordo com o trabalho, um investimento que poderia custar R$ 75,7 milhões caso não houvesse tributação, sobe para R$ 100 milhões. A diferença de R$ 24,3 milhões refere-se a impostos pagos e juros para pagar os tributos recuperáveis - aqueles que as empresas pagam e recebem de volta dentro de um determinado tempo, como um ano ou 24 meses. Junta-se a isso a valorização do real frente ao dólar e a taxa de juros (10,75% ao ano) ainda elevada para padrões internacionais. O resultado é o enfraquecimento da indústria brasileira, que perde competitividade em relação aos concorrentes, diz a Fiesp. “Nesse ambiente, pouco amistoso para o investimento, muitos empresários, em vez de investir, acabam comprando o produto pronto do ex-

S

terior”, afirma o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho, coordenador do estudo. Segundo ele, o Brasil é um dos raros países a cobrar impostos sobre investimentos produtivos, pelo menos entre seus principais concorrentes. Essa política tributária explica a baixa taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Apesar da retomada de uma série de projetos em setores como mineração, infraestrutura e petróleo e gás, o volume de recursos aplicados na economia deve chegar a 19,4% do PIB este ano, abaixo dos 40% da China e 30% da Índia. Na avaliação de Coelho, para manter uma taxa de crescimento sustentável acima de 5% ano, é preciso eliminar os obstáculos que impedem o avanço dos investimentos no País. Esse é o principal desafio do próximo governo, diz o executivo. Ele observa que o Brasil vive sempre à beira de uma armadilha por causa do nível baixo de investimentos. “Toda vez que o País cresce, o Banco Central tem de elevar os juros para conter uma explosão inflacionária. Se tivesse tido investimento suficiente, não haveria risco de inflação nem necessidade de tanta importação, como está ocorrendo hoje.”

Empresários defendem desonerações

Setor industrial poderia usufruir de projetos de inovação, mas esbarra nos altos tributos do país

Os empresários defendem a adoção de um regime de “drawback” para investimentos, que desoneraria de pagamento de ICMS, IPI e PIS/Cofins o produtor de bens de capital na compra de insumos destinados a produção, assim como ocorre com os exportadores no drawback verde-amarelo. Além disso, eles devem apresentar ao próximo governo uma proposta para a recuperação imediata dos impostos para investimentos em geral. Se essas propostas fossem aceitas, o custo tributário seria reduzido dos atuais 24,3% para 13%, de acordo com o estudo do Fiesp. “As empresas não compram uma máquina nova por luxo. Elas compram para aumentar sua produtividade, para ganhar competitividade. No mundo inteiro, o investidor é tributado sobre o produto que ele faz, não sobre o investimento”, afirma Marcelo Veneroso, diretor da Neuman & Esser, uma fabricante de compressores. Na avaliação dele, a indústria nacional está num perigoso processo de desindustrialização, que precisa ser revertido.


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| Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte

economia

Domingo | 17 de outubro de 2010

ALCIMAR DE ALMEIDA SILVA [ Consultor Administrativo, Fiscal e Tributário ]

Negócios &Finanças LUIZ ANTÔNIO FELIPE laf@tribunadonorte.com.br

Estiagem x energia epois do Sul e do Centro Oeste, os rios da Amazônia estão no período seco e no Nordeste a estiagem se agrava. As usinas térmicas que entraram em operação terão um custo de R$ 500 milhões, para poupar os níveis dos reservatórios, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico. No subsistema Sudeste-Centro Oeste, o nível de chuvas atingiu 120% da média histórica na última semana. Hoje, os reservatórios da região estão com 47% de sua capacidade, 6 pontos porcentuais acima do nível meta. Já no Nordeste, o nível é de 44%, 1 ponto porcentual abaixo da meta. Mas, não existe risco de desabastecimento. Uma boa previsão é que a energia eólica deverá suprir 12% da demanda elétrica do mundo dentro de 10 anos. E mais: poderá chegar a 22% em 2030, de acordo com o estudo publicado pelo Conselho Mundial de Energia Eólica – GWEC, em conjunto com o Greenpeace International.

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REDUÇÃO Um estudo do Ipea, alerta que as bacias hidrográficas do Nordeste estariam entre as mais afetadas com mudanças do clima. Poderá ocorrer uma violenta redução das vazões. Aponta um impacto no setor de energia, com a diminuição no grau de confiabilidade da matriz hidrelétrica, de 31,5% a 29,3%.

Loja

Restituições

Faltando apenas 60 dias para a data prevista para a inauguração (17 de dezembro), o Walmart (Bompreço), ainda não deu início às obras da nova loja no RN, em Parnamirim. Com um investimento estimado entre R$ 11 e R$ 15 milhões, o Maxxi Atacado será a 7ª loja da rede no estado, gerando 100 empregos diretos, além de 250 a 300 indiretos.

Amanhã, a Receita Federal libera para consulta o lote residual do Imposto de Renda de 2007, para cerca de 4,5 mil contribuintes, que estavam na malha fina, há três anos. Ao todo, a Receita devolverá R$ 10,5 milhões a 4.534 contribuintes. São 13.386 pessoas que terão imposto a pagar, num total de R$ 39,8 milhões.

VOTAÇÕESCom o segundo turno em alguns Estados e na disputa pela Presidência da República, o Congresso Nacional só voltará a funcionar plenamente na segunda semana de novembro. Há dentro do governo o interesse em votar alguns itens de reformas em andamento, como a reforma tributária.

Duplicação adiada A conclusão da obra de duplicação da BR-101, entre Natal e Palmares/PE, fica para 2011. O trecho do Batalhão de Engenharia do Exército, entre o viaduto de Ponta Negra e a entrada de Arês, ainda depende das vias marginais. O Batalhão, hoje com 300 funcionários, vai dis-

pensar 200 quando for executar a obra das vias paralelas. Bem que a bancada federal poderia pressionar o governo para iniciar, mesmo em marcha lenta, a duplicação do trecho da BR-226, entre Macaíba até o trevo Oeste/Seridó, a chamada “Reta Tabajara”.

ENERGIA O presidente do Sistema Fecomercio/RN, Sesc e Senac, Marcelo Fernandes, confirmou para terça-feira (19), um encontro com a equipe técnica da Cosern, que apresentará a um grupo de empresários e diretores da Federação do Comércio um panorama geral da atuação da empresa no estado e também algumas dicas sobre como otimizar a utilização da energia elétrica nos estabelecimentos comerciais e de serviços, reduzindo os gastos.

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Apesar da safra de cana em plena moagem,o etanol no Nordeste continua caro.O consumidor potiguar deve pesquisar os preços do combustível. Em Fortaleza o preço varia de R$ 1,66 e R$ 1,949,enquanto em Natal de R$ 1,86 a R$ 1,99. Chega a ser mais baixo em João Pessoa.A moagem também continua no Sudeste.

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O Brasil teve aumento de preços de produtos derivados do trigo e agora pode ter uma queda. A qualidade do grão preocupa e cresce o excedente exportável no Mercosul.Analistas adimitem que a safra de trigo brasileira pode encalhar mais uma vez e já pressionam os preços para baixo.

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De dezembro do ano passado a junho deste ano,o Grupo Guararapes, que já empregava 6 mil pessoas,admitiu mais 995,na unidade de Fortaleza.Na mesma área,constrói uma nova fábrica.Empregará mais 1 mil pessoas até este mês.Também abre mais vagas na unidade do Distrito Industrial,em Natal.

CLASSIFICAÇÃO O Ministério do Turismo vai apresentar o novo sistema oficial de classificação hoteleira, de depois de muitos anos de discussões. A nova classificação prevê sete tipos de meios de hospedagem - hotel, pousada, hotel-fazenda, hotel histórico, cama & café, flat e resort. DIVULGAÇÃOA Embratur terá, em 2011, um orçamento de R$ 180 milhões. O presidente Mário Moysés da estatal disse que esse valor representa quase 40% a mais em relação a 2010, com foco no planejamento integrado, com a melhoria dos elementos de promoção e divulgação do Brasil como destino turístico e também em função dos grandes eventos. TURISMO O Rio de Janeiro também será sede dos Jogos Mundiais dos Trabalhadores, com equipes de mais de 20 países participando do torneio que ocorrerá em 2013. Será sede ainda dos Jogos Mundiais Militares, em 2011, da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016. ANIVERSÁRIO A agência Sunline Turismo, comandada pelas irmãs empresárias, Ana Carolina e Claudia Costa comemoram 15 anos no mercado potiguar. Já a agência Michelle tour está com segundo pacote para a Disney com compras de 22/11/10 a 05/12/10 (Passagem aérea Natal/São Paulo/Orlando/São Paulo/Natal.

Royalties e meio ambiente mbora a legislação vigente seja bastante clara, há diferentes entendimentos sobre em que pode ou deve ser feita a aplicação dos recursos dos royalties pagos aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios e a alguns órgãos da administração direta da União, pela exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, com fundamento no § 1º do art. 20, da Constituição Federal e na Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989, cuja trajetória histórica foi iniciada com a Lei nº 2.004, de 3 de outubro de 1953, que dispôs sobre a Política Nacional do Petróleo, definiu as atribuições do Conselho Nacional do Petróleo e institui a Petrobras. Esta lei determinava que a Petrobras e suas subsidiárias eram obrigadas a pagar a compensação financeira aos Estados, Distrito Federal e Municípios, correspondente a 5% sobre o valor do óleo bruto, do xisto betuminoso e do gás extraído de seus respectivos territórios, onde se fixasse a lavra do petróleo ou localizassem as instalações marítimas ou terrestres de embarque ou desembarque de óleo bruto ou de gás natural, sem estabelecer qualquer norma referente à aplicação dos recursos, até que a Lei nº 7.453, de 27 de dezembro de 1985, estabeleceu que deveriam ser aplicados preferentemente em energia, pavimentação de rodovias, abastecimento e tratamento de água, irrigação, proteção ao meioambiente e saneamento básico.

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Com a Lei nº 7.525, de 22 de julho de 1986, a aplicação dos recursos continuou a ser naquelas mesmas finalidades, só que não mais em caráter preferencial mas em caráter exclusivo, o que impedia de serem aplicados em outras finalidades, o que viria novamente a ser alterado pela Lei nº 7.990/89, a qual, com fundamento no § 1º, do art. 20, da Constituição Federal, instituiu a compensação financeira por motivos mais amplos, pois abrangeu não apenas a exploração de petróleo e gás natural, como a de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais, não estabelecendo preferência nem exclusividade para a aplicação dos recursos mas vedando-a no pagamento de dívida e no quadro permanente de pessoal. Esta vedação, entretanto, foi excepcionada pela Lei nº 10.195, de 14 de fevereiro de 2001, a partir da qual passou a ser admitida a aplicação dos recursos dos royalties no pagamento de dívidas para com a União e suas entidades e para a capitalização de fundos de previdência, como permanece, em razão do que, com esta amplitude, aqueles recursos passaram a ser aplicados pelos Municípios predominantemente em despesas correntes (de custeio), como pessoal – não pertencente ao quadro permanente, material de consumo e serviços de terceiros, enquanto as despesas de capital (de investimentos), como obras públicas, equipamentos e instalações e material permanente deixaram de ter prioridade na sua aplicação. Segundo Luís Roberto Barroso, Professor Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Doutor e Livre-Docente pela mesma

Universidade e Mestre em Direito pela Yale Law School, a interpretação adequada do art. 20, § 1º da Constituição Federal, chancelada pelo Supremo Tribunal Federal é no sentido de que a compensação financeira relacionada à exploração do petróleo constitui receita originária e direito subjetivo dos Estados e Municípios que sofrem os impactos ambientais e socioeconômicos de tal atividade econômica, diante do que a distribuição dos royalties por todos os Estados e Municípios, indistintamente, viola o princípio da isonomia por tratar de maneira igualitária situações desiguais e por romper a sistemática de compensação entre royalties e ICMS, adotada pelo constituinte. Daí porque, para justificar esse direito subjetivo, é necessário que a aplicação dos recursos volte-se preferencialmente – ainda que não seja estabelecido em lei – para dar cumprimento ao disposto no art. 225 da Constituição Federal, assegurando a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, defendendoo e preservando-o para as presentes e futuras gerações, que resume o desenvolvimento sustentável, proporcionando às populações diretamente afetadas pela exploração a melhoria de suas condições de vida no presente e, sobretudo, com os olhos no futuro, quando, esgotadas as reservas, não se limitem apenas a falar dos tempos bons e passados do petróleo, assim como se faz em relação a outras atividades econômicas que existem apenas na saudade. E-mail: aasconsultoria@bol.com.br.

TOMISLAV R. FEMENICK E IVANILDO ALVES MESSIAS [ Auditores Independentes ]

As sociedades limitadas s Sociedades Limitadas são organizações empresárias nas quais os direitos, as obrigações e as responsabilidades dos cotistas são limitadas à sua parte no capital social, bem como o grau de atuação que cada um deles tenha na gestão dos negócios da sociedade. É o tipo societário mais utilizado pelos empresários brasileiros. A importância das sociedades limitadas no cenário socioeconômico nacional é indiscutível quando se sabe que, historicamente, elas se situam acima de 95% do total das sociedades empresárias brasileiras. As “societates publicanorum”, que existiam no apogeu do Império Romano, foram comuns nos negócios privados já no decorrer do século III A.C. e são tidas como a mais antiga forma associativa que se assemelha às atuais sociedades limitadas. Algumas tinham muitos investidores, seus títulos associativos eram negociados publicamente e esse tipo de entidade de negócio suportava que pelo menos um sócio (e às vezes vários) fosse com responsabilidade ilimitada. Essas instituições sobreviveram à queda do governo imperial e permaneceram atuantes no período republicano. Entretanto, as modernas Sociedades Limitadas têm uma história de pequeno alcance temporal. Sua versão moderna surgiu na Europa, na segunda metade do século XIX, para atender às necessidades de expansão mercantil de empreendedores de pequeno e médio porte e, em alguns casos, até de grande alcance. A evolução sócio-jurídica desse tipo de entidade ocorreu paralela e principalmente na Inglaterra, França e Alemanha. No Brasil, a primeira tentativa de legislar

A

sobre o assunto partiu de José Tomás Nabuco de Araújo Filho que, quando Ministro da Justiça, propôs a criação de um tipo simplificado de sociedade por ações, proposição rejeitada pelo Imperador D. Pedro II, em 1867. Mais de 50 anos depois é que fui surgir a primeira legislação nacional sobre o assunto, o Decreto nº 3.708, de 10.01.1919, com seus singelos 19 artigos. Hoje as limitadas são regidas pelo Novo Código Civil, com abordagem bastante extensa, porém insuficiente para abranger toda sua regência, haja vista que prever que, nas omissões do próprio Código, sejam regidas pelas normas da sociedade simples, e ainda, que o contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. As limitadas são “Sociedades Personificadas Empresaras” e “Sociedades Mistas de Pessoas e de Capital”, conforme situações específicas ou segundo as cláusulas do Contrato Social. Seu capital é dividido em cotas, que somente podem ser negociadas por ato notarial. Embora constituídas por “cotas de capital”, são compostas por pessoas, o que sobrepuja o conceito de sociedade de capital. O uso da firma ou denominação social é privativo dos administradores que tenham os necessários poderes. A administração da entidade pode ser exercida por uma ou mais pessoas, designadas no contrato social ou em ato separado. Se previsto no contrato, é permitido que a administração seja exercida por não sócios, cuja escolha depende de aprovação da unanimidade dos cotistas, enquanto o capital não estiver integralizado, ou de um mínimo de dois terços, após a sua integralização.

As grandes modificações inseridas pelo Novo Código foram a criação de Conselho Fiscal e de Assembleias ou reunião de cotistas. O contrato social pode instituir um Conselho Fiscal, composto de três ou mais membros, sócios ou não, residentes no país, eleitos pela Assembleia anual, cuja incumbência é examinar as operações sociais, tomando por base as demonstrações contábeis, lavrando seu parecer em livro de atas. Não podem fazer parte do Conselho Fiscal, membros dos demais órgãos da sociedade (ou de outra por ela controlada), os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores, o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau. É assegurado aos sócios minoritários, que representarem pelo menos um quinto do capital social, o direito de eleger um dos membros do Conselho Fiscal. As deliberações dos sócios das sociedades limitadas são tomadas em reunião ou em Assembleia, conforme previsto no contrato social, convocadas pelos administradores. A assembleia deve ter lugar ao menos uma vez por ano, nos quatro meses seguintes ao término do exercício, com o objetivo de deliberar sobre as contas dos administradores, as demonstrações contábeis, a designação dos administradores, quando for o caso. Dependem da Assembleia a aprovação das contas da administração, a escolha e destituição de administradores, a modificação do contrato social, a incorporação, fusão, cisão e dissolução da sociedade. As deliberações tomadas de conformidade com a lei e o contrato vinculam todos os sócios, ainda que ausentes ou dissidentes.

JOÃO GUILHERME SABINO OMETTO [ Engenheiro e Vice-presidente da Fiesp ]

Exportação industrial cria menos pregos queda das exportações brasileiras de manufaturados deverá impedir a criação de 538 mil postos de trabalho em 2010. A estimativa consta de estudo da Fiesp que estabeleceu uma balança de empregos vinculada ao comércio exterior. Seu déficit, exclusivamente na indústria, foi de um milhão de vagas em 2009 e deverá alcançar 1,56 milhão no final deste ano. Os dados refletem o saldo negativo da balança comercial do setor, que deverá fechar 2010 em cerca de US$ 59 bilhões, contra US$ 36,5, em 2009. Essa performance negativa também terá forte impacto no cômputo geral do balanço de empregos ligados à totalidade do comércio exterior brasileiro, cujo saldo positivo cairá de um milhão de vagas, em 2009, para 706 mil, este ano. Ou seja, os resultados somente não são dramáticos para a economia nacional porque, ao contrário da manufatura, o comércio exterior de produtos básicos deverá apresentar significativa compensação, resultando em números gerais positivos. Quanto ao valor, em 2010 as exportações gerais do País deverão crescer 27% e as importações, 39% (grande parte deste aumento deve-se aos manufaturados). Estima-se que, em 2009, o número de empregos ligados às exportações totais do País tenha sido de 5,3 milhões de pessoas ocupadas.

A

Isto significa 35 mil postos de trabalho para cada bilhão de dólares exportado. Em 2010, dada a projeção de alta de 26,9% no valor exportado, calcula-se que o número de empregos ligados às exportações aumente cerca de 14,2%, chegando a 6,1 milhões de pessoas ocupadas. No entanto, estamos contribuindo para criar mais emprego e renda em outros países. Obviamente, deve-se enfatizar e valorizar o bom desempenho dos produtos básicos e commodities no comércio exterior. No entanto, é lamentável constatar a queda dos industrializados. Em 2000, cerca de 58,4% das vendas externas eram de manufaturados, parcela reduzida para 45% em 2009. No mesmo período, os produtos básicos aumentaram sua participação de 23,5% para 40,6%. A queda das vendas externas de manufaturados reflete-se no nível de emprego ligado ao comércio exterior. O número de postos de trabalho por bilhão de dólar exportado de bens desse segmento industrial é maior do que o mesmo volume para os produtos básicos. Em 2009, a exportação de US$ 67,5 bilhões em manufaturados demandou cerca de 2,53 milhões de postos de trabalho (média de 37.521 empregos por bilhão de dólares). A exportação de US$ 62,2 bilhões de básicos demandou dois milhões de trabalhadores (32.028 empregos por bilhão

de dólares exportado). Portanto, para cada bilhão de dólar em exportações de manufaturas, são criados 5,5 mil postos de trabalhos adicionais (ou mais 17,2%) em relação ao mesmo valor exportado na categoria de produtos básicos. O balanço de empregos permite aferir os danos à economia brasileira provocados pela queda das exportaç��es de manufaturados. Na proporção em que produtos importados ganham espaço no mercado nacional, criam-se em outras nações os postos de trabalho que poderiam ser gerados internamente. Tal situação não faz justiça ao empenho de nossas indústrias de investir em tecnologia, qualidade e produtividade. Nestes aspectos, são vencedoras. Intramuros, sua produção é tão ou mais competitiva do que a de qualquer outra. Porém, enfrentam os juros reais mais altos do mundo, tributos de 37% do PIB, moeda muito apreciada, inflexível regulamentação trabalhista, carência de logística e infraestrutura, complexidade da legislação e morosidade da Justiça. É preciso encontrar soluções para inverter esse quadro, a começar por urgente revisão do câmbio. Se prolongada, sua sobrevalorização agravará ainda mais a balança comercial da indústria e impedirá a criação de empregos em volume compatível com o potencial do Brasil.


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[ INDÚSTRIA ]

Empresas de telecomunicações iniciam uma corrida contra as novas concorrentes: as operadoras de telefonia fixa e estão de olho nas famílias com renda mensal de até R$ 1,4 mil [ TV PAGA ]

Teles buscam agora a Classe C RODRIGO SENA

io (AE) - Após a entrada das operadoras de telefonia fixa no mercado de TV por assinatura, as empresas de telecomunicações começaram uma corrida pelos consumidores da Classe C para tentar conquistar mercado - ou continuar nele. O segmento, de famílias com renda mensal até R$ 1.400, é hoje o que mais engorda a base do setor. E as novas ofertas chegam a ser mais baratas do que o cobrado por alguns serviços clandestinos de favelas do Rio. Mas, a disputa por esses clientes traz um desafio adicional às empresas, já que os consumidores que debutam hoje no mundo da TV paga são os mesmos que querem se lançar no acesso à banda larga, comprar seu primeiro computador e seu primeiro celular 3G. “A Classe C tem um apetite enorme por computador, banda larga e TV. As empresas competem pelos gastos com esses serviços tecnológicos”, afirma o analista-chefe de telecomunicações do Santander, Valder Nogueira. “O pacote de TV é um mal necessário. É um serviço adicional oferecido com o objetivo de cravar o cliente num outro serviço que dê maior margem de lucro”. Apenas nesta semana, a Sky reduziu preços para R$ 49,90 num novo pacote, contra os R$ 74,90 de sua oferta mais barata até então, e anunciou a expansão de seu recém-lançado serviço em comunidades pacificadas do Rio. A Oi levou seu pacote simples de R$ 34,90 para sete novos Estados e anunciou a estreia de um serviço pré-pago para o próximo semestre, de olho justamente na baixa renda. E a Net afirma que cerca

R

NÚMEROS

ão Paulo (AE) - A indústria química brasileira voltou a registrar déficit em setembro. Pressionado pela alta das importações, o setor reportou saldo comercial negativo de US$ 2,1 bilhões no mês passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Com o resultado, o déficit no acumulado de janeiro a setembro alcançou US$ 14,7 bilhões, uma expansão de 31% em relação ao mesmo período de 2009 Em decorrência do crescimento da demanda doméstica e do câmbio mais favorável às importações, as compras brasileiras no exterior somaram US$ 24,3 bilhões (preço FOB) até setembro, uma expansão de 30,4% sobre o mesmo período do ano passado. Já as exportações cresceram 29,4% no mesmo período, para US$ 9,6 bilhões. Os produtos que lideraram o ranking das exportações foram as resinas termoplásticas, com vendas anuais de US$ 1,3 bilhão (alta de 11,3% sobre 2009), e produtos petroquímicos básicos, com total de US$ 716,7 milhões (+77,2%). Na ponta importadora, os destaques são os medicamentos para uso humano, com vendas de US$ 3,9 bilhões (+53,9%), e os intermediários para fertilizantes, com total de US$ 3,2 bilhões (+13,8%). Quando considerados os resultados em toneladas comercializadas, a indústria química também apresenta resultado negativo. O déficit até setembro é de 10,4 milhões de toneladas, alta de 62,4% sobre os nove primeiros meses do ano passado.

S

70%

dos novos domicílios atendidos pela empresa Net vêm das classes B2 E C

de 70% dos novos domicílios que entram em sua base de clientes vêm hoje das classes B2 (renda familiar até R$ 2.300) e C. “É inegável a importância da classe C para o setor. A TV por assinatura tem quase 20 anos no Brasil, os domicílios de maior renda foram trabalhados ao longo deste período. Agora é a Classe C que cresce”, afirma Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da Net. O aumento do setor despertou interesse até mesmo em produtores de conteúdo, e a Sony Pictures na América Latina, que vende programação para operadoras, estuda um canal direcionado às classes C e D, de olho nos serviços via satélite lançados, por exemplo, por Embratel, Oi e Telefônica. Em geral, o serviço de TV é vendido em pacotes integrados de banda larga e telefonia, como é o caso da Net. Carvalho diz que, apesar dos pacotes mais baratos para a classe C, com menos canais, a empresa ganha indiretamente com escala, redução de custos e venda de outros serviços. A Telefônica diz que o desejo das Classes C e D por TV paga vem junto com o desejo por banda larga e que a penetração cresce num ritmo acelerado graças à melhora do cenário macroeconômico do País.

Déficit do setor químico sobe 31% até setembro

Objetivo das empresas de TV paga é ocupar cada vez mais um mercado que cresce em consumo

Sky muda planos com novo mercado A exceção dos pacotes integrados é a Sky, que viu suas antigas parceiras, como a Oi, se tornarem concorrentes. Hoje, ela vende TV e só. “Todos entraram no meu negócio. Mas estamos tendo um ano maravilhoso, estamos no páreo. Precisamos ser agressivos em preço e oferta de produtos diferenciados”, diz Agricio Neto, vice-presidente de marketing e programação da Sky. No anúncio desta semana, o diretor de Desenvolvimento Tecno-

lógico e Estratégia da Oi, Pedro Ripper, comentou que a TV por assinatura acaba servindo à companhia como uma âncora para segurar os 40 milhões de clientes de telefone fixo, cujas assinaturas estão em queda no país. Os preços dos pacotes lançados nesta semana competem em pé de igualdade com os cobrados, por exemplo, em serviços ilegais da Cidade de Deus, onde o sinal pirata custa entre R$ 30 e R$ 50, segundo a associação de mora-

dores. A Oi já está na comunidade há um ano, com mil clientes. A Sky acaba de debutar com pacotes de R$ 44,90, captando algumas centenas de assinantes no primeiro mês. E diz que seguirá o governo do Rio nas favelas pacificadas, podendo ofertar serviços em até um mês após a entrada do poder público. Inclusive na Rocinha, com estimados 120 mil clientes potenciais, e que deve ganhar uma unidade pacificadora (UPP) em 2011.


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ENTREVISTA / MARCO ANTÔNIO DE OLIVEIRA / DIRETOR ADMINISTRATIVO DA COMPANHIA HIPOTECÁRIA BRASILEIRA (CHB)

“É imprescindível olhar o futuro” FOTOS:ALEX RÉGIS

Tendoentradonomercadodecrédito imobiliário há cerca de um ano,qual avaliação que o senhor faz dele hoje? É um mercado totalmente diferente daquele em que eu atuava anteriormente e a vantagem é que cheguei em um momento bom, com o país atravessando uma fase excelente de crédito, de investimentos, e o mercado de crédito imobiliário em especial é o principal. Se você falar em crédito, em financiamento, aquele que mais tem crescido e possui melhor perspectiva de manutenção de crescimento a longo prazo é justamente o mercado imobiliário. Eu até participei de um processo semelhante, que pode ser comparado ao momento atual deste segmento. Foi o que aconteceu com o mercado de financiamentos de veículos no final da década de 1990 e início desta. Naquele período houve uma febre no mercado e o segmento de veículos atingiu volumes de negociação muito grandes. Com esse bom momento,qual foi ocrescimentodaCHBaolongodo último ano? Não tenho como dar números, mas está havendo um crescimento satisfatório. O nosso mercado é dividido em dois segmentos, que são o sistema financeiro da habitação – o mais tradicional e conhecido do grande público – e o aquele no qual atuamos, que é o sistema financeiro imobiliário. O segundo não é tão regulamentado pelo governo quanto o sistema da habitação, fazendo com que os bancos tenham uma liberdade maior para oferecer os seus produtos. Nesse contexto, acho que o grande crescimento visto no último ano ocorreu no sistema financeiro da habitação, onde há a captação de poupança e boa parte desses recursos são obrigatoriamente aplicados no financiamento imobiliário. Esse crescimento tem sido, seguramente, acima de 50%. Já no sistema financeiro imobiliário, apesar de vermos um forte crescimento, não temos disponíveis tantas estatísticas quanto no outro.

Dentro do campo de atuação da CHB,o Rio Grande do Norte tem alguma característica que o difere do restante do país? Vejo que a grande diferença é a forma pela qual o crédito é avaliado. Aqui, há uma avaliação não apenas técnica, mas muito pessoal, porque é possível conhecer um pouco da história da pessoa, da empresa que ela trabalha e isso permite fazer uma avaliação de crédito considerando elementos importantes, que em mercados como São Paulo não é possível. Lá, o cliente é um, dentro de um universo enorme, então precisamos de ferramentas que irão me dar muito mais subsídios técnicos e estatísticos do que pessoais. Ou seja, aqui temos as pessoas para nos ajudar a tomar decisões e não apenas as máquinas. Isso nos ajuda bastante a tomarmos a decisão de conceder o crédito, porque para isso há a análise da informação com a probabilidade de a coisa dar certo.

SÍLVIA RIBEIRO DANTAS Repórter de Economia

C

om um nome já consolidado no Rio Grande do Norte, a Companhia Hipotecária Brasileira (CHB) tem expandido desde 2004 suas ações para outros Estados do país. Um novo marco desse trabalho foi a abertura no mês de maio deste ano de um escritório

de representação em São Paulo. Hoje atuam no Brasil como companhia hipotecária cerca de seis empresas. A CHB já consegue despontar como o segundo lugar nesse segmento como aquela que mais tem crescido em ofertas de produto, expansão geográfica e projetos. “O que pesa contra a gente ainda é o fato de o nosso nome não ser muito conhecido nos grandes centros, mas isso é apenas uma questão de tempo”, declara o diretor administrativo da CHB, Marco Antônio de Oliveira. Natural de São Paulo, o executivo tem experiência no mercado financeiro onde trabalhou com vários produtos, desde banco de atacado até banco de varejo. Neste último, ele lidou com financiamento para pessoa física, de veículos e operações de leasing. Especificamente no ramo de crédito imobiliário, Olivera trabalha há um ano. Nesta entrevista à TRIBUNA DO NORTE ele fala do desafio para a CHB crescer no mercado do Sudeste e as expectativas do setor imobiliário com o bom momento da economia.

Quais as características mais marcantes do mercado imobiliário? Atualmente, é fácil perceber que há uma economia estável no país, com taxas de juros estáveis e boa perspectiva de longo prazo. Assim, as pessoas começam a ter uma confiança maior e a se endividar também no longo prazo, dentro do mercado de crédito imobiliário. O que falta ainda é o desenvolvimento de produtos diferenciados, não só para aquela pessoa que quer adquirir uma casa no modelo padrão, mas também para aqueles que precisam levantar um empréstimo, algum capital de giro ou financiamento, podendo dar o seu atual imóvel como garantia. E é isso o que a CHB tem procurado fazer, porque os grandes bancos, os bancos de rede e as instituições financeiras tradicionais focam muito mais no financiamento para a aquisição de imóvel.

tro imóvel e muitas vezes são pequenos empresários, que estão em busca de abrir um negócio, pessoas querendo investir nos estudos ou em uma viagem. Claro que a empresa tem vários outros produtos e fazemos inclusive o financiamento imobiliário, mas não é voltado para o público jovem, que está em busca do seu primeiro imóvel, por exemplo. Outro público que procuramos atingir é formado pelas pequenas construtoras, que estão precisando de recursos para finalizar alguma obra ou para desenvolver um projeto novo, ao contrário dos grandes bancos que miram nos mega projetos, com um relacionamento muito mais longo do que o nosso. Em um mercado no qual existem financiamentos de 30 anos, o nosso contrato, por procurar suprir uma necessidade de caixa, tem uma duração de cerca de 10 anos. Também estamos começando a atuar com letras de crédito imobiliário, que para a pessoa física é interessante porque é uma aplicação financeira sem imposto de renda.

Qual o perfil do cliente da CHB? O produto que mais temos desenvolvido e achamos que tem um espaço maior para ocupar no mercado é justamente aquele no caso de pessoas que já têm um imóvel, mas precisam levantar recurso financeiro para alguma necessidade específica. Para esse público, podemos conceder um financiamento de longo prazo, com taxas de juros bem abaixo do que conseguiria em outro produto no mercado e recebemos como garantia o imóvel da pessoa, ou seja, aquilo que ela tem de mais precioso. É uma operação segura para a gente e excelente para o cliente que está precisando de recursos. Dessa forma, podemos dizer que o perfil do cliente da CHB é de um público maduro, que já tem o seu imóvel e que está precisando levantar recursos para algum projeto pessoal, que não necessariamente diz respeito à compra de ou-

Neste cenário,o programa habitacional do Governo Federal Minha Casa MinhaVida tem forte impacto para a empresa? Bastante. Aliás, eu diria que a empresa tem uma vocação mais para os projetos em parceria com o Governo Federal e olhando um pouco para trás, podemos dizer que a CHB nasceu movida por projetos desse tipo. Entretanto, o Minha Casa Minha Vida, para nós não é um financiamento e sim um subsídio dado pelo governo, que nós administramos e somos responsáveis pela construção, pela obra, ou seja, por empregar de maneira correta aquele recurso. Trabalhamos o programa habitacional em cidades com menos de 50 mil habitantes, então são casas populares, dadas para os beneficiários. Hoje, dentro deste programa, a empresa só não trabalha nas regiões Sul e Sudeste do país. Temos o know-how e hoje no Brasil, onde existem aproxi-

madamente 200 instituições financeiras e apenas 14 participando do Minha Casa Minha Vida, a CHB é a segunda maior. Além disso, a parte social está no DNA da empresa. É lógico que por ser uma instituição financeira, visamos o lucro, mas esse cunho social é muito gratificante e estimulante. A empresa nasceu em Natal e tem se expandido pelo Brasil.Como se deu esse processo? A CHB existe há mais de 40 anos. Começou como uma Associação de Poupança e Empréstimo do Rio Grande do Norte (Apern), que foi fundada pela família Barreto em 1968. Durante um tempo, trabalhou com o objetivo de fazer depósito de poupança e com isso, também angariava recursos para financiar obras, aquisição imobiliária e depois de um tempo atuando dessa forma, aqui no estado chegou a ser considerada maior do que a Caixa Econômica Federal. Depois, com vários planos econômicos sucessivos, houve a concentração da poupança nos grandes bancos de rede. Com isso, a CHB decidiu sair desse mercado e começar a atuar nessa outra área de crédito, que é o foco atual. Desde quando a atuação da empresa passou a atingir outros Estados? Praticamente desde 2004 mudamos o nosso foco de atuação, começando tímido, com patrimônio baixo fora do Rio Grande do Norte e promovendo um crescimento sustentado. Dentro do programa Minha Casa Minha Vida, a CHB já atua em outros estados há cerca de três anos, quando a iniciativa se chamava Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social (PSH). Mas com os novos produtos que estamos desenvolvendo, começamos mesmo a trabalhar em outros estados em maio deste ano, com a abertura de um escritório de representação em São Paulo. Assim, a matriz hoje é aqui em Natal e há

dois diretores atuando em São Paulo, olhando um pouco toda a instalação e desenvolvimento. Além de dividirmos as responsabilidades com toda a diretoria, dentro de um organograma racional da empresa. De que forma é feita a atuação da filial de São Paulo? Começamos a operar lá em maio passado e a partir de São Paulo, atingimos outros estados. Então, já estamos fazendo operações em estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Mato Grosso. A ideia de ter a presença física, de manter um escritório, por enquanto é apenas no Rio Grande do Norte e São Paulo. Hoje, com o grande acesso à tecnologia, acreditamos que desses dois locais será possível atingir todo o país. O que estamos desenvolvendo é um relacionamento com alguns correspondentes que nos representam em outros locais. Qual avaliação o senhor faz da abertura da sede em São Paulo? Nós temos uma dificuldade inicial, principalmente quando se fala de uma praça grande como a cidade de São Paulo, que é de divulgar o nome da empresa. O mercado financeiro exige muita credibilidade e ter nome no mercado é muito importante. No Rio Grande do Norte, a CHB já tem um nome bem forte, tem história e tradição, que passam a credibilidade necessária. Já após chegar em São Paulo, é necessário fazer um trabalho de desenvolver esses aspectos junto aos clientes. É difícil e o desafio começa no momento de montar a equipe, pois trazer pessoas que já estão empregadas em outros locais para uma empresa de pequeno porte, pouco conhecida, não é um processo simples. E como eu não posso competir com os grandes bancos logo de início, preciso mostrar diferenciais como agilidade e novidades no mercado. No nosso caso, termos uma operação que poucas instituições financeiras

fazem nos ajuda a chegar com uma atuação diferenciada no mercado. E para divulgar a marca, temos participado bastante de eventos voltados ao mercado financeiro, em particular do crédito imobiliário.

As pessoas começam a ter uma confiança maior e a se endividar também no longo prazo, dentro do mercado de crédito imobiliário”

O Minha Casa Minha Vida, para nós não é um financiamento e sim um subsídio dado pelo governo, que nós administramos”

Com o grande acesso à tecnologia, acreditamos que do Rio Grande do Norte e São Paulo será possível atingir todo o país”

No Rio Grande do Norte, a CHB já tem um nome bem forte, tem história e tradição, que passam a credibilidade necessária”

Olhando um pouco pelo lado do cliente,quecuidadossãonecessários na hora de buscar o crédito? O principal cuidado é fazer um planejamento, para saber se realmente será possível pagar. Percebemos que algumas pessoas avaliam apenas se a prestação cabe no orçamento, sem pensar que levará um período muito grande pagando. Então, é preciso saber se a taxa de juros e o compromisso que está sendo assumido é condizente com a sua renda futura. Essa cautela é necessária, porque se a pessoa tiver algum problema financeiro no meio do caminho será muito difícil reverter a situação. É imprescindível olhar para o futuro. Um dos públicos que procuramos atingir é formado por pessoas que não estão com problema de crédito, mas estão caminhando para essa situação ou porque deixou rolar muito o cartão de crédito e pagando uma taxa de 10% ao mês, ou precisou tomar um empréstimo pessoal para suprir alguma necessidade de curto prazo e não conseguiu sanar a dívida que ele tinha, fazendo com que hoje o seu fluxo de caixa esteja completamente comprometido e ele não consiga cumprir com suas obrigações. Nesses casos, o cliente precisa alongar a dívida pré-existente e ter uma taxa de juros menor. É aí que nós entramos, com a garantia do imóvel dele, oferecendo o crédito para ele conseguir reverter a situação. Agora, é um público perigoso, por já ter um histórico não muito bom, e os nossos cuidados com a concessão de crédito aumentam. Quais são as perspectivas do mercado,para os próximos anos? A própria decisão da CHB em expandir suas atividades e abrindo um escritório em São Paulo demonstram a confiança no mercado. Estamos certos de que haverá um forte crescimento no longo prazo, com tudo para se sustentar nos próximos anos. O Brasil hoje tem todos os elementos necessários para ofertar crédito, com emprego, câmbio sob controle aumento de renda e perspectivas de queda da taxa de juros, que historicamente já está muito baixa. A única coisa que pode atrapalhar um pouco isso é a parte política, embora o amadurecimento do país no que diz respeito ao crédito seja muito grande. Inclusive, podemos dizer que hoje estamos exportando modelos de controle através do Banco Central do Brasil, como depósito compulsório que não existe em outros países. A realidade é que hoje, muitos lugares que passaram por uma crise econômica muito grande em 2008 começam a olhar para o Brasil de uma forma diferente.


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economia

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economia DÓLAR COMERCIAL Compra R$ 1,663 Venda R$ 1,665 DÓLAR PARALELO Compra R$ 1,77 Venda R$ 1,88

POUPANÇA HOJE 0,5464% POUPANÇA AMANHÃ 0,5003% CDB 10,70% BOVESPA -0,72%

SALÁRIO MÍNIMO

R$ 510,00 TAXA SELIC

10,75%

TELEFONES ÚTEIS Receita Federal: 3220-2200 Procon Estadual: 3232-6770 Procon Municipal: 3232-9050 DRT RN: 3220-2000

TURISMO

Setor carece de ações do próximo governo para alavancar desenvolvimento. PÁGINA 8 DÓLAR TURISMO Compra R$ 1,613 Venda R$ 1,753 EURO Compra R$ 2,322 Venda R$ 2,325

Editor: Vinícius Albuquerque e-mail:vinicius@tribunadonorte.com.br

NATAL • RIO GRANDE DO NORTE Domingo • 17 de outubro de 2010

Dados divulgados na semana passada pelo Banco Central mostram que houve uma redução no volume da moeda americana que o Brasil recebeu. Mas analistas dizem que queda foi provocada pela capitalização da Petrobras

[ CÂMBIO ]

IOF não vai barrar entrada de dólares RODRIGO SENA

Média diária de ingresso de dólares caiu 63,1% em 5 de outubro

rasília (AE) - A média diária de ingresso de dólares pela via financeira caiu 63,1% a partir de 5 de outubro, quando começou a vigorar a nova alíquota de 4% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de renda fixa. De acordo com dados divulgados na quarta-feira da semana passada pelo Banco Central, o Brasil recebeu, na média, US$ 293,4 milhões a cada dia no período de 5 a 8 de outubro. O valor é bem inferior à média de US$ 796 milhões registrada em cada dia de setembro. Na comparação com os dois primeiros dias de outubro,quando a média ficou em US$ 1,045 bilhão, a queda é de 71,9%. Analistas afirmam que essa queda é explicada, sobretudo, pelos números “inflados” do mês passado, quando a Petrobras realizou a maior operação de capitalização do mundo. Apesar da retração expressiva em relação aos dois primeiros dias de outubro e a todo mês de setembro, a média de ingresso de capital financeiro segue em ritmo muito maior que o visto nos meses anteriores à operação da Petrobras. Se a comparação for com agosto, por exemplo, a média diária de ingresso de dólares para operações financeiras saltou 436%, já que naquele mês a média ficou em US$ 54,7 milhões. Se a comparação for com julho, o salto no período “pós IOF” é de 333%. Para analistas, esse aumento de ingresso em relação ao período anterior à Petrobras reafirma a percepção de que o novo IOF deve ter pouco efeito no fluxo de dólares. Para o mercado, houve queda em relação a setembro apenas

B

pela capitalização da Petrobrás, o que inflou o números do mês passado e do início de outubro, mas prevalece o entendimento de que o diferencial brasileiro de juro vai continuar atraindo estrangeiros. “Em setembro, o resultado veio fora do comum porque houve ‘contaminação’ pelo aumento de capital da Petrobras. Se tirarmos esse fato extra, avaliamos que o impacto do IOF é pequeno porque os juros ainda são muito elevados no Brasil”, diz a economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thais Zara. Thais explica que o estrangeiro tem sido atraído fortemente ao Brasil porque o País paga um dos maiores juros reais do mundo enquanto as economias maduras, que são normalmente a origem desse capital, têm pago taxas muito próximas de zero. “Nessa busca de rentabilidade internacional, o Brasil segue sendo um alvo preferencial”, afirma. “E essa atratividade continua mesmo com a alíquota de 4%”, completa. O gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel, tem opinião semelhante. Ele explica a queda dos números pela base de comparação distorcida provocada pela capitalização da Petrobras e defende que o juro elevado no Brasil ainda tem força para atrair estrangeiros, mesmo com o IOF mais alto. “Teoricamente, o mercado deveria mudar de tendência após o fim da operação da Petrobras. Mas isso não aconteceu porque o diferencial de juros ainda é muito grande e temos a desvalorização do dólar frente todas as outras moedas, fato que nenhum IOF ou leilão diário para compra de dólar vai conseguir anular”, analisa.


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Na visão de especialistas e de empresários do setor, atividade, que quer recobrar o fôlego após a debandada dos estrangeiros, precisa de ações continuadas e também de mais qualificação, infraestrutura e segurança para investir

[ DESAFIOS ]

Turismo precisa de planejamento ro perderam força diante do Real e a crise assombrou boa parte dos países emissores. Agora, pegando carona principalmente no fortalecimento do mercado interno e na vontade de viajar dos brasileiros, o setor luta para voltar aos tempos áureos e se vê diante de uma série de desafios que precisará vencer com a contribuição do novo governo. Os desafios para que o turismo do Rio Grande do Norte dê um salto nos próximos anos passam pela necessidade de qualificação de mão de obra, de investimentos em infraestrutura e de diversificação do produto, reconheci-

RENATA MOURA repórter de Economia

turismo do Rio Grande do Norte, uma das atividades econômicas de maior peso no estado, viveu, ao longo desta década, como em uma montanha russa em que intercalou momentos de baixa com altas expressivas nos números. O setor colheu em proporção, se não maior, parecida com a do imobiliário, os louros da “invasão” estrangeira no Nordeste a partir de 2004. Como poucos também sentiu o baque da fuga dos visitantes de fora quando o Dólar e o Eu-

O

do internacionalmente como um oásis para quem quer sol e mar em abundância. Mas não é só isso. Para que o turismo deslanche com força, sistematizar e planejar ações voltadas à atividade são fundamentais, diz a presidente do Fórum Nacional dos Cursos Superiores de Turismo e Hotelaria e diretora do curso de Hospitalidade da Universidade Potiguar (Unp), Jurema Dantas. De acordo com ela, o Rio Grande do Norte precisa definir uma política estadual de turismo que, entre outros pontos, defina as prioridades de investimento no ramo. O Conetur, conselho estadual

do qual faz parte e que é responsável por propor diretrizes, oferecer subsídios e contribuir para a formulação e implementação da Política Estadual de Turismo, tem trabalhado para estimular o novo governo a agir nesse sentido. O órgão está elaborando um documento que será entregue a governadora eleita Rosalba Ciarlini, em que apresenta um diagnóstico do setor e traça cenários, com análises específicas sobre áreas como planejamento e gestão, estruturação da oferta turística, qualificação, infraestrutura, logística de transporte, meio ambiente e promoção e apoio à comerciali-

zação. “Estamos levantando a necessidade de efetivar o planejamento da atividade dentro da visão sistêmica do estado e de acordo com a questão do orçamento. E isso não significa apenas mostrar que é preciso investir mais em divulgação. A intenção é mostrar que é preciso se montar, por exemplo, um plano de marketing, planejar a divulgação, a participação em eventos e sistematizar pesquisas para saber que resultados estamos obtendo com investimentos”, detalha a professora. Mesmo que não seja o único ponto em debate, o volume de recursos destinado à divulgação do

estado é uma dos pontos que o deixam em desvantagem em relação aos vizinhos e que exigem mudanças, diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no estado, Enrico Fermi. “Enquanto nosso orçamento para divulgação fica em torno de R$ 12 milhões por ano, o de Recife chega a R$ 55 milhões. É uma diferença muito grande”, calcula. Tanta diferença também, contribuiu para que outros estados – que investem mais - sofressem menos com a debandada estrangeira, diz a coordenadora do curso de Turismo da UFRN, Andrea Dantas.

ELISA ELSIE

Há a necessidade de incentivar construções

A Via Costeira de Natal, um dos principais corredores turísticos do Estado, ainda tem espaços à espera de investimentos, mas é preciso estimular os empreendedores

INTERESSE REDUZIDO O número de candidatos a turismólogos,assim como o fluxo de turistas estrangeiros,está em declínio no Estado. Ano

Inscritos

Candidatos por vaga*

2003

472

5.90

2004

483

6.04

**2005

653

7.77

2006

496

6.20

2007

340

4.25

2008

357

4.46

2009

190

2.38

2010

197

2.46

*Para o vestibular da UFRN **Geralmente,nos anos em questão,foram ofertadas 80 vagas.A exceção foi em 2005,quando foram abertas 84.

Fonte:Comperve

Itália

14.080

16.260

25.900

Portugal

10.958

17.624

32.638

Holanda

8.435

9.597

11.673

Espanha

5.262

8.502

10.005

Noruega

3.328

4.243

6.009

Suécia

2.809

4.273

5.979

51.693

68.583

114.406

70.541 Bahia

-16,39%

Ceará

88.818

2006

72.131

2008

98.882

2009

108.050

País

Fonte:Anuário Estatístico de Turismo,com dados do Departamento de Polícia Federal e do Ministério do Turismo.

2008

*Evolução do turismo internacional: Principais destinos do Nordeste 2006

Principais emissores - da Europa para o RN

Total da Europa

2007

Pernambuco

Variação 06-09 -8,48% +23,13%

54.211

2006

**2009

2009

54.241

2004

143.509

2003

117.688

117.688

2005

109.156

113.412

Chegada de turistas* ao Estado,por ano.

171.661

carga horária pesada e concorrência com candidatos de outras áreas e sem nível superior estão entre as possíveis explicações para os números, diz a coordenadora do curso na UFRN, Andrea Dantas. “O mercado também oferece um volume muito maior de vagas para cargos operacionais (em áreas como recepção, por exemplo) e muitas vezes as pessoas não querem começar de baixo e só aos poucos ir galgando espaço nas empresas”, continua. O boom na oferta de cursos na área, com o crescimento das instituições privadas, também ajudou a pulverizar os alunos, mas perdeu força e a quantidade de vagas para a formação de turismólogos caiu. “Houve um grande crescimento e de repente o mercado não estava absorvendo as pessoas que estavam se formando. As coisas foram se acomodando e alguns cursos deixaram de ser oferecidos”, diz Jurema Dantas, da UnP. “No nosso caso, conseguimos manter turmas pela manhã e a noite, mas não temos o mesmo número de inscritos que tínhamos há seis anos”.

O Rio Grande do Norte foi,entre os principais destinos do Nordeste,o que mais sofreu desaceleração no turismo internacional.Ajudar a reverter esse quadro é um dos desafios do novo governo.

89.229

A necessidade de mão de obra qualificada em qualquer setor da economia é, claro, também uma preocupação no turismo. O assunto vem sendo discutido com mais intensidade deste que Natal foi escolhida cidade-sede da Copa de 2014. No centro dos debates, levantam-se questões como a importância da formação de profissionais que sejam, sobretudo, bilingues e atendam cada vez melhor. Programas de capacitação nesse sentido têm sido desenvolvidos pelo Ministério do Turismo e por instituições privadas. O que se vê nas universidades, no entanto, é a redução do número de interessados em conseguir o diploma de nível superior na área. Para se ter ideia da situação, o número de candidatos inscritos para disputar uma vaga no curso de Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte caiu 69,83% em 2010, na comparação com 2005, ano em que o turismo internacional atravessava uma fase de ouro no estado. Dificuldades encontradas no mercado de trabalho, como baixa remuneração,

O TOMBO POTIGUAR

45.588

Demanda em cursos de ensino superior já não é a mesma

Rio Grande do Norte -53,93%

*Inclui todos os países emissores.

Via Costeira ainda está incompleta O desenvolvimento do turismo do Rio Grande do Norte está diretamente ligado à criação da Via Costeira, via expressa e litorânea projetada há cerca de 30 anos em Natal para fomentar o setor. “Sem dúvida essa foi uma obra importante para o turismo, mas é preciso fazer mais. A Via ainda está incompleta. O governo precisa trabalhar a atração de investimentos para a área”, diz Renato Garcia, da RGarcia Consultoria & Investimentos. Dividida em 25 lotes, a Via Costeira tem 11 deles ocupados por hotéis, outros 13 pertencentes a

investidores da iniciativa privada e um, vizinho ao hotel Pestana, pertencente ao governo. O processo de ocupação da área foi retardado, entre outras razões, pela falta de investimentos em infraestrutura básica, diz o presidente da ABIH RN, Enrico Fermi. “A Via Costeira tem 30 anos mas só foi saneada há 10, no segundo governo Garibaldi. Isso acabou inibindo a construção de novos empreendimentos”, explica. Atualmente, um dos fatores considerados freios a novas investidas na área é a insegurança jurí-

dica, que vitimou, por exemplo, um hotel cinco estrelas que começou a ser erguido pelo grupo HWF, mas teve a construção paralisada após sucessivos embates com a prefeitura. “A legislação é forte para aquela área, onde não se pode construir, por exemplo, acima do meio fio. O embargo de algumas obras assustou o investidor”, diz o ex-diretor do Pólo Via Costeira, entidade criada para intensificar ações de marketing e promoções na via litorânea, Murilo Felinto, reforçando, porém que o problema transcende o Rio Grande do Norte.

Para aumentar o fluxo de turistas no longo prazo o Rio Grande do Norte terá também que ofertar produtos turísticos de padrão internacional, diz o presidente da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (Adit Brasil), Felipe Cavalcanti. “Não só o Rio Grande do Norte mas o Brasil como um todo tem que incentivar, em primeiro lugar, a construção de resorts. E incentivar não é necessariamente dar incentivos tributários. É dar segurança jurídica ao investidor no que diz respeito aos licenciamentos ambientais”, frisa. Pelas contas da ABIH do estado, há cerca de 25 mil leitos aprovados no Rio Grande do Norte em projetos que se enquadrariam nesse padrão, nos resorts que foram desenhados para ocupar várias faixas do litoral. “Houve problemas de licenciamento que atrapalharam a concretização desses investimentos, mas, claro, a crise econômica mundial também foi decisiva para que muitos deles fossem paralisados”, observa Enrico Fermi. “Agora, o real está forte, o Brasil está mais caro e também há projetos que foram licenciados, aprovados e que depois de iniciados foram embargados. Isso afugenta o investidor. é preciso destravar o nó dos licenciamento e levar infraestrutura para esses projetos”, continua. Para Felipe Cavalcanti, da Adit, o RN também precisa compatibilizar os investimentos em energia eólica e no turismo, para evitar problemas que vêm sendo enfrentados em estados que, diz ele, impediram a construção de resorts, mas fomentaram a construção de parques para geração desse tipo de energia. “A energia eólica ao ser praticada na primeira linha da praia afasta a possibilidade de turismo. No Ceará alguns empreendimentos turísticos estão sendo inviabilizados por conta disso. É preciso haver um zoneamento que coloque os parques a 300, 500 metros da praia para que as duas atividades possam funcionar”. Ele e outros epsecialistas também reforçam que é preciso investir em equipamentos como uma marina, para atrair outros nichos de turismo.

SÉRIE DE DESAFIOS As ações necessárias ao turismo são só parte dos desafios do novo governo para desenvolver a economia potiguar. Outro desafio está ligado à logística de transporte de cargas,que ainda é cara e enfrenta dificuldades no estado, um nó que poderá ser resolvido em parte com o Aeroporto de São Gonçalo do Amarante,como mostrou o início da série de reportagens que a TRIBUNA DO NORTE está publicando sobre o assunto, desde o domingo passado,dia 10 de outubro.


Domingo | 17 de outubro de 2010

economia

Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte | 9


10

| Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte

economia

Domingo | 17 de outubro de 2010

[ EVENTO ] Com o tema “Frutas: saúde, inovação e sustentabilidade”, debates devem reunir aproximadamente 2,5 mil participantes com apresentação de mais de 2 mil pesquisas

Abrindo a porteira laf@tribunadonorte.com.br

Congresso de frutas

O

XXI Congresso Brasileiro de Fruticultura, começa hoje (17) e vai até a próxima sexta-feira, no Centro de Convenções de Natal. É realizado pela primeira vez em Natal, com previsão de 2,5 mil participantes. O tema central a ser discutir é “Frutas: saúde, inovação e sustentabilidade”, numa promoção da Sociedade Brasileira de Fruticultura (SBF), que estará comemorando 40 anos de fundação. Estarão em Natal 96 especialistas em diversas áreas da fruticultura, sendo cinco palestrantes internacionais. Todos os estandes foram vendidos. Mais de 2.700 trabalhos técnicos e científicos estão inscritos. Serão discutidos vários temas com foco na funcionalidade das frutas, na transferência de tecnologia para o pequeno e médio produtor rural, principalmente da agricultura familiar.

FRUTAS O apoio da Emparn, UFRN, Ufersa, Embrapa, Sebrae, entre outras entidades foi decisivo para bancar os custos. Hoje, após a abertura solene, haverá uma palestra e, em seguida, um coquetel com show artístico.

Exposição (I)

Exposição (II)

Terminou ontem a 48ª Festa do Boi, depois de uma semana de leilões e julgamentos de animais. Por conta da estiagem, segundo um empresário do setor, os negócios ficarão abaixo do previsto. Nos leilões, o faturamento não atingirá os R$ 5 milhões estimado.

A Festa do Boi é uma das principais exposições agropecuárias do Nordeste. Para encerrar o calendário de eventos agriopecuários na região, serão realizadas nos próximos dias, a exposição Nordestina, em Recife e a exposição de Salvador.

ANCOC A diretoria da Associaçção Norte-rio-grandense de Criadores de Ovinos e Caprinos (Ancoc), destaca o apoio dado à entidade, durante a Festa do Boi 2010, pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Sem a participação financeira do Banco, a associação teria mais dificuldades para realizar a exposição de ovinos e caprinos.

1

Os brasileiros preferem frutas como sobremesa, revela pesquisa inédita sobre o tema. Frutas, gelatinas, doces ou chocolate? Qual a sobremesa preferida dos brasileiros? Segundo uma pesquisa inédita sobre o perfil de consumo de sobremesas no país, que mostra o que prevalece em cada região e como ocorre a relação entre seu consumo e a vontade de perder peso, divulgada pela Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), o que os brasileiros consomem mesmo são frutas como maçã, banana, melão, mamão, uvas e laranja - e geralmente após o almoço.

2

A pesquisa foi feita com 2.500 pessoas de 18 a 80 anos entre abril e julho deste ano. Dos entrevistados, 55% eram mulheres e 44% homens. O estudo mostrou que quanto maior a frequência de sobremesas após as refeições de uma pessoa, menos satisfeita ela está com o próprio peso. Quem costuma diminuir as refeições e até mesmo evitar as sobremesas geralmente está mais feliz com a balança. Outro dado que foi revelado pela pesquisa é que quem deixa para comer mais no período da noite costuma estar mais infeliz com o peso.

3

O Grupo brasileiro Marfrig participará do SIAL 2010, um dos maiores eventos globais da indústria de alimentação e bebidas, a partir de hoje, em Paris. A companhia apresentará todas as suas marcas, como a global Seara, Moy Park, Pemmicam, Paty e McKey (Keystone Foods). A empresa tem 151 unidades industriais, centros de distribuição e escritórios, em 22 países da América do Sul, América do Norte, Ásia, África, Oceania e Europa. Tem um amplo portfólio de produtos processados à base das principais proteínas animais – bovinos, aves, suínos e ovinos.

ELEIÇÕES Segundo a ONG Transparência Brasil, a reeleição favorece os ruralistas e concessionários de rádio e televisão. Proprietários de escolas, ruralistas e concessionários de rádio/TV tiveram desempenho eleitoral marcantemente melhor do que a média geral de 62,5%, ao passo que os demais tiveram sucesso menor do que a média.

Novas variedades Os produtores de feijão terão mais opções para ampliar a produtividade da lavoura. A unidade Arroz e Feijão da Embrapa desenvolveu três cultivares com alto potencial produtivo e estrutura propícia para colheita mecanizada, reduzindo custos com mão-de-obra e garantindo maior segurança para o trabalhador ru-

ral. As sementes das cultivares BRS 9435 Cometa, BRS Estilo (grupo do carioca) e BRS Esplendor (grupo do preto) estão sendo distribuídas sem o pagamento de royalties para a empresa. Outra vantagem da BRS Cometa é a sua precocidade, com ciclo de aproximadamente 78 dias entre plantio e colheita.

PERDAS A Conab coordena um estudo inédito sobre perdas na produção agrícola brasileira. O trabalho vai contribuir para a regulamentação do setor e evitar prejuízos aos agricultores e armazenadores. O objetivo é identificar as perdas nas etapas de armazenamento e transporte dos produtos agrícolas. O levantamento leva em consideração, por exemplo, a localização do produto, a diversidade climática

MARGENS

Um estudo mostra que a quebra da safra no norte da Europa, causada pela seca, com custos menores e subsídios do governo devem garantir ao produtor rural brasileiro margens bastante satisfatórias na safra 2010/2011. “Os preços estão bons e vamos ter margens boas. Mas os passivos ainda pesam”, diz o diretor da Federação Brasileira de Bancos, Ademiro Vian. Hoje, os produtores estão em uma posição mais confortável.

Congresso Brasileiro de Fruticultura começa hoje ALEX RÉGIS

C

omeça hoje, às 19h, no Centro de Convenções de Natal, o 21º Congresso Brasileiro de Fruticultura, prosseguindo até a próxima sextafeira, com o tema “Frutas: saúde, inovação e sustentabilidade”. Estão sendo esperados cerca de 2,5 mil participantes de todos os estados brasileiros. Mais de 2.700 trabalhos técnicos e científicos estão inscritos para este congresso que contará com a participação de cinco palestrantes estrangeiros. Logo após a solenidade de abertura será proferida a conferência sobre o tema “Avanço na produção de frutas de clima temperado no semiárido brasileiro”, pelo especialista em frutas Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa. Em seguida será servido um coquetel com um show musical. Durante toda a semana serão discutidos vários temas com foco na funcionalidade das frutas, na transferência de tecnologia para o pequeno e médio produtor rural, principalmente da agricultura familiar, buscando a socializaçao e a poularização em pesquisas e desenvolvimento da fruticultura, segundo disse um dos coordenadores do Congresso, Marco Moreira.O Congresso, que recebe o apoio da Emparn, Embrapa, Ufersa, Sebrae, entre outras entidades privadas e públicas, terá também a presença de caravanas de produtores rurais familiares e de assentamentos, do Rio Grande do Norte e de outros estados do Nordeste. Amanhã, começam os mini cursos sobre temas como “Cultivo de Fruteiras Orgânicas”, “Biotecnologia - Cultura de Tecidos”, “Manejo Integrado de Doenças”, “Manejo Integrado de Pragas”, “Processamento Mínimo de Frutas” “Produção Integrada de Frutas” e “Fisiologia, qualidade e pós -colheita de frutas”. Em todos esses mini cursos haverá um expositor e debatedores de diversos órgãos como a Emparn, Embrapa Tropical, Embrapa Uva e Vinho, Embrapa Mandioca e Fruticultura, UFRN, Ufersa, Incaper, UFV, UFPB e ainda, professor Daniel Alexandre Neuwald, da Alemanha e Luis Cisneiros Zacarias, dos Estados Unidos. Na terça-feira, quarta e quinta-feira continuam os mini cursos e mesas redondas sobre assuntos diversos como “Cultivo de pequenos frutos vermelhos”, “Técnicas de produção de uvas e influência na qualidade do vinho”; “Produ-

Setor se expande e tem saldos positivos

Brasil é o terceiro maior produtor mundial no setor de fruticultura

NÚMEROS

30 42

polos produtivos de frutas são contabilizados no Brasil

milhões de toneladas de frutas foram produzidas em 2008

ção de cerveja caseira de frutas”, sendo este um curso com aulas teóricas. Outras palestras vão abordar os “Avanços da biotecnologia na fruticultura” e ainda, os “Mercados Inteligentes para a Fruticultura”, “A fruticultura no mundo: Oportunidades e Desafios”. Serão realizadas excurssões técnicas a Cooperativa de Produtores da Fazenda Paz, em Barra de Maxaranguape, à Fazenda Almir, em Goianhinha (Pipa), Fazenda de Lichia/Açai, em São José de Mipibu e ao Banco de Germollasma e fruteiras nativas, em João Pessoa (PB).

O presidente do Congresso, Amilton Gurgel, disse que o Brasil tem um consumo muito baixo de frutas, por isso, um dos objetivos do congresso é mostrar o lado funcional das frutas, a qualidade e os mercados. No Rio Grande do Norte ainda há muito espaço para o segmento da fruticultura tropical crescer, em produção e, qualidade. Atualmente, o estado tem cultivados cerca de 3.700 hectares de abacaxi e 15 mil hectares de melão, dentre outras frutas como banana, manga, mamão e o caju, para aprovaitamento da castanha. A especialista Rosilene Ferreira Souto, responsável pela área de fruticultura da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do ministério, faz palestra sobre os Novos avanços da defesa vegetal do Brasil, na terça-feira, 19, às 14h. Durante o congresso, a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Fruticultura do Ministério da Agricultura reunirá representantes do governo e da Sociedade Brasileira de Fruticultura, na sexta-feira, 22 de outubro, a partir das 8h.

A fruticultura brasileira vem se expandido nos últimos dez anos, com saldos positivos crescentes e impacto favorável na economia do país. O incremento da produção de frutas alcança, em média, 2,5% ao ano, desde 1990, mantendo a mesma taxa do crescimento das exportações. O processamento de frutas na forma de sucos, doces e outros produtos, vem se ampliando e ganhou impulso com a concessão de Linha Especial de Crédito (LEC) para apoiar a comercialização de frutas. Goiaba, maçã, manga, maracujá, pêssego, banana e mamão são exemplos de frutas incluídas nesse recurso. A LEC financia a estocagem das frutas processadas, evitando picos de oferta e baixos preços, além de incentivar a agroindustrialização no setor, ainda pequena, e facilitar o acesso a novos mercados internos e externos. O Brasil, com mais de 30 polos produtivos, é o terceiro maior produtor mundial de frutas, depois da China e da Índia. Das 42 milhões de toneladas produzidas em 2008, em mais de 2 milhões de hectares, 65% foram consumidas internamente e 35% embarcadas para o mercado externo, principalmente na forma de sucos de laranja. Depois da laranja, fruta mais importante em termos de valor da produção, merecem destaque a banana, a uva, o melão e a melancia. Os fruticultores vêm adotando tecnologias avançadas para melhorar a qualidade das frutas e possibilitar preços mais atrativos. Ceará e Rio Grande do Norte formam importante polo produtor de melão, responsável por 80% da produção nacional, e principal fruta fresca exportada em 2009, gerando saldo de US$ 122 milhões no comércio externo. Em 10 anos, o volume exportado de melões cresceu 181%.

NÚMERO

80%

da produção nacional de melão vem do Rio Grande do Norte e do Ceará,polos produtores da fruta

[ LAVOURAS ] Com alta de 0,92% em relação a 2009, estimativa de setembro aponta segundo maior resultado da história. Números foram divulgados pelo Ministério da Agricultura

Valor da produção brasileira em 2010 é de R$ 166,8 bilhões B rasília – O valor de produção das 20 principais lavouras brasileiras deve fechar 2010 em R$ 166,8 bilhões. Em termos reais, o resultado é 0,92% superior aos R$ 165,26 bilhões obtidos em 2009. O levantamento consolidado em setembro pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura (AGE/Mapa) mostra que essa estimativa é a segunda maior da série histórica iniciada em 1997, inferior apenas aos R$ 173, 1 bilhões registrados em 2008. O estudo do chamado Valor Bruto da Produção (VBP) calcula o valor da produção antes de sair da fazenda, sem levar em consideração custos de transporte e inflação, por exemplo. O coordenador de Planejamento Estratégico, José Gasques, afirma que o valor da produção des-

te ano está praticamente definido. “Resta apenas o fechamento dos resultados das lavouras de inverno, em especial o trigo. As lavouras de verão, que representam a maior parte do valor da renda da agricultura brasileira, têm seus resultados quase encerrados em 2010”, explica. Os melhores resultados para o VBP, em 2010, são os da banana, cana-de-açúcar, laranja, café e cebola, que representam 39,2% do valor total da produção do país. O aumento real do valor de produção do café foi 23,9 %; da cebola, 97, 38 %; e da laranja, 20,0%. Os resultados de 2010 refletem a combinação de uma safra elevada, acompanhada de preços baixos para os principais produtos agrícolas produzidos no Brasil. No conjunto de lavouras analisadas, oito apresentaram, este ano, pre-

ços reais (já descontada a inflação) maiores do que os obtidos em 2009. São elas: banana (7,9%), batata inglesa (13,6%), café (7,9%), cana-de-açúcar (8,9%), cebola (83,2%), laranja (15,6%), pimenta-do-reino (17,1%) e tomate (7,4%). Por outro lado, tiveram quedas acentuadas de preços arroz (- 11,0 %), milho (- 16,6%), soja (- 20,3%) e uva (- 29,7%). “Esses quatro produtos representam 41,3% do valor da produção em 2010 e impactam diretamente o valor da produção neste ano”, ressalta Gasques. REGIÃO O VBP das cinco regiões brasileiras apresenta um comportamento diferenciado. No Norte, Sudeste e Sul, os resultados são positivos, com aumentos satisfatórios. O bom desempenho das lavouras de

café foi decisivo para Minas Gerais, e os da cana-de-açúcar, para a economia de São Paulo. No Sul, os maiores destaques foram Paraná e Santa Catarina. No Paraná, os resultados obtidos com a soja e o milho são responsáveis pelo acentuado aumento do valor da produção neste ano, embora outros produtos como fumo e batata inglesa também tenham obtido resultados muito bons. Em Santa Catarina, os aumentos de preço e de produção da cebola têm sido decisivos nos resultados do estado Os resultados negativos no Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso e Goiás, foram motivados pelos baixos preços de milho e soja. Em Goiás, a queda do valor da produção também tem sido afetada pelos resultados do tomate, cujo valor da produção caiu 22,7% em relação a 2009


Domingo | 17 de outubro de 2010

economia

Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte | 11

[ LATICÍNIOS ] Expectativa da indústria é de alta de 5% este ano impulsionados pelo aumento de renda da população e ascensão social que influenciam no consumo

[ TELEFONIA ] Pesquisa da ONU mostra que o

telefone móvel revolucionou a comunicação

Mais de dois terços do mundo já tem celular

Faturamento do setor de longa vida deverá crescer G ão Paulo (AE) - A indústria de leite longa vida (UHT) pretende encerrar 2010 com crescimento de 4% a 5% em suas vendas, faturamento de R$ 9,4 bilhões e 5,5 bilhões de litros vendidos. O setor pretende, ainda, repetir a performance de incremento de vendas em 2011. No ano passado, por conta da crise global, o setor recuou 0,9%, com 5,308 bilhões de litros vendidos. Em entrevista à Agência Estado, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV), Cláudio Teixeira, disse que o principal fator de impulso desse desempenho é o incremento de renda e ascensão social da população, que influencia no poder de compra do consumidor. “O brasileiro hoje consome 140 litros de leite longa vida por ano. Pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, o ideal é que esse consumo seja de, pelo menos, 200 litros por habitante/ano. O que mostra o potencial de crescimento que temos.” Em 15 anos, a produção brasileira de leite longa vida saltou de 300 milhões de litros para 5,5 bilhões de litros em 2010. O mercado interno absorve 97% dessa produção. Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira de Leite Longa Vida (ABLV), Nilson Muniz, o crescimento do setor foi conquistado a partir de um trabalho de identificação do produto pelo consumidor e um novo posicionamento da indústria no mercado. “O leite longa vida ganhou participação no consumo pela praticidade e capacidade de penetração em mercados mais distantes”, explicou Atualmente, o leite longa vida está presente em 85% dos lares brasileiros e representa 76% do leite fluido de consumo. Esse porcentual ainda é menor do que nos países da Europa - Bélgica, Espanha, França e Portugal -, onde o produto longa vida domina o

LUCIANA CAMPOS

S

Em 15 anos, a produção de leite UHT saltou de 300 milhões de litros para 5,5 bilhões de litros

mercado de leite, com 97% de participação. Na América do Sul, outras nações também consomem mais o produto, como Chile (98%) e Argentina (87%). A expansão do setor tem sido puxada, também, pelo crescimento do mercado do Nordeste. A região, que historicamente tem uma penetração menor do que a média nacional, por conta da distância dos grandes centros produtores e baixa produção leiteira na região, vem crescendo cerca de cinco pontos porcentuais a cada ano, desde 2008. De acordo com a ABLV, neste ano, o leite longa vida deve alcançar 60% de penetração nos lares nordestinos ante 55% de 2009 e 51% de 2008. “Há 16 anos, o foco era resolver as questões de base do setor, como a identidade do produto, isonomia tributária. Hoje, temos trabalhado no incentivo do consumo do leite longa vida”, disse Muniz.

Preço volátil do leite é um dos desafios da indústria São Paulo (AE) - A perspectiva de crescimento da indústria do leite longa vida são boas, mas o setor tem seus percalços: o preço de sua matéria-prima é altamente volátil. “Para trabalhar com leite não dá pra pensar tanto em grandes margens”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Leite Longa Vida (ABLV), Cláudio Teixeira. As baixas margens também são consequência de um ambiente extremamente competitivo, pela quantidade de players do mercado. “Temos que ir atrás de ganhos de escala, buscar mais eficiência operacional e baixarmos o nosso custo de produção”, disse Teixeira. Nos últimos anos, a indústria tem iniciado um movimento mais

intenso de consolidação, como, por exemplo, a compra da Morrinhos (GO) pela Monticiano, controlada pela GP Investimentos, e o consórcio da Monticiano com a Laep, no qual incorporou fábricas e marcas das empresas Glória e Ibituruna e licenciamento da marca Parmalat até 2017. “Mas o setor ainda é muito pulverizado. Esse movimento de consolidação continuará e ainda levará muito tempo para o setor ficar concentrado”, declarou o presidente da ABLV. A associação possui atualmente 30 empresas filiadas, que representam 80% da produção de leite longa vida no País. Os outros 20% da produção estão nas mãos de mais de 40 companhias.

ENEBRA (AE) - Pela primeira vez, mais de dois terços da população mundial tem um celular. De um fazendeiro nas montanhas do Butão a um comerciante no interior de Bangladesh, passando por um pastor de gado no Senegal, o celular tem transformado os países em desenvolvimento e suas sociedades. Levantamento inédito feito pela ONU mostra como o telefone celular está revolucionando a forma pela qual essas pessoas, antes sem contato com os mercados, hoje podem tomar decisões baseadas em informações de preços e mesmo de meteorologia recebidas pelo celular. Para a ONU, o celular pode se tornar uma arma importante para o combate à pobreza. Hoje, as estimativas são de que os sinais de celular já cobrem mais de 86% da população do planeta. Em 2000, apenas 50% da população vivia em locais onde havia sinal de celular. Nos últimos anos, os dados sobre a expansão da telefonia surpreenderam até mesmo a ONU. Hoje, cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo que não têm contas em bancos têm um celular na mão. De um forma geral, a penetração da nova tecnologia passou de 60% em 2008 para 68% no ano passado. E o avanço não dá sinais de ser freado. Ao final do ano, 5 bilhões de pessoas de-

vem ter celular, dos 6,6 bilhões de habitantes do planeta. Nos países ricos, a taxa média já é de mais de 100% da população com celular, o que significa mais de um telefone por pessoa. Nos países emergentes, a média está em 58%. Já nos 40 países mais pobres o número de celulares ainda chega apenas a 25% da população. Mas a constatação é de que a chegada do celular em algumas regiões tem tido um impacto na

NÚMERO

86%

da população do planeta é coberta hoje pela telefonia celular”

renda da população. No Butão, ao poder se contatar com o cliente, os fazendeiros enviam apenas a quantidade de leite demandada. Outro fenômeno do avanço do celular tem sido a estagnação e até a queda no número de telefones fixos em alguns locais. A estimativa é de que exista 1,2 bilhão de telefones instalados, número que não vem subindo nos últimos anos. Em Ruanda, existem 0,4 telefones para cada 100 habitantes. Já a taxa de celulares é de mais de 20%. RODRIGO SENA

Ao final do ano, 5 bilhões de pessoas terão um telefone celular

Anatel faz consulta sobre tarifas entre fixo e celular Brasília (AE) - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou na semana passada no Diário Oficial da União a consulta pública nº 37, que reduz os Valores de Comunicação (VCs), que são as tarifas de ligações de telefones fixos para celulares e vice-versa, local e longa distância. Na última quinta-feira, o Conselho Diretor deliberou a redução de 10% nos VCs em 2011 e outros 10% em 2012. Nos anos seguintes, a redução será definida pelo modelo de custos que está em análise na agência. Na prática, o objetivo da Ana-

tel é reduzir também as tarifas de interconexão (VU-M), que são os valores que vigoram pelas ligações de celulares para celulares e de livre pactuação entre as empresas. Isso porque os VCs servem de referência para a fixação de preços do VU-M. Hoje o VU-M chega a custar R$ 0,44 por minuto. A proposta será colocada em consulta pública a partir das 14h. O texto estará disponível para sugestões e contribuições no site da agência até 12 de novembro. Também está prevista uma audiência pública para debater a questão.


economia 12

Natal | Rio Grande do Norte |Domingo | 17 de outubro de 2010 RODRIGO SENA

[ GÁS NATURAL ] Preços do combustível são motivos de divergências e negociações de 2011 sinalizarão uma tendência de queda nos valores, além de resolver distorções do setor

Petrobras estuda mudança io (AE) - A Petrobras estuda mudanças nos preços do gás natural, que hoje são motivo de divergências com os grandes consumidores do combustível. Segundo a estatal, as negociações com as distribuidoras no ano que vem sinalizarão uma tendência de queda nos preços, além de acabar com as distorções geradas pelos diferentes valores entre o gás nacional e o produto importado da Bolívia. A disputa em torno dos preços do gás é tema de uma representação feita pelos grandes consumidores no Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo, que cobra mais transparência no cálculo. Entidades de classe reclamam que os

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altos preços no Brasil vêm prejudicando a competitividade da indústria nacional e ameaçam ir aos órgãos de defesa da concorrência. O gás no Brasil custa hoje mais do que o dobro no mercado internacional. Estamos perdendo competitividade com relação a importações”, reclama Lucien Belmonte, superintendente da Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), uma das autoras incluídas na representação do MPF. O combustível representa entre 20% e 25% dos preços finais dos produtos do setor. O gás natural é vendido pela Petrobras a uma média de US$ 8,73 por milhão de BTU (medida de po-

der calorífico). O valor, porém, varia de acordo com a procedência do produto: o gás produzido no País sai a US$ 10,50 por milhão de BTU, enquanto o gás boliviano custa US$ 7,50 por milhão de BTU. O produto importado é vendido em São Paulo e no Sul do País, enquanto os demais Estados pagam pelo preço do gás nacional. A Abividro e a Associação Brasileira de Grandes Consumidores de Energia (Abrace) dizem que o gás no exterior varia entre US$ 5 e US$ 6 por milhão de BTU. No mercado de curto prazo americano, a cifra chega à casa de US$ 4 por milhão de BTU. Os valores apresentaram queda significativa

nos últimos anos, diante da crise econômica mundial e da perspectiva de descoberta de novas grandes fontes nos Estados Unidos. Na contramão - No Brasil, ao contrário, o preço do gás nacional subiu. Desde o terceiro trimestre de 2009, segundo dados da própria estatal, a alta foi de 22%. A empresa, porém, alega que os valores não são tão superiores aos praticados no mercado internacional, citando como exemplo a Alemanha e a Itália, onde os preços são US$ 9,27 e US$ 8,44 por milhão de BTU, respectivamente. Nos Estados Unidos, o gás natural em contratos de longo prazo é vendido a US$ 5,80, em média.

Gás natural comercializado no Brasil custa o dobro do internacional


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O delegado Pedro Melo foi condenado a 14 anos de reclusão. PÁGINA 7

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Panorama: hoje 332 bancas/196 feirantes Planalto 186 bancas/97 feirantes

CANDIDATOS À MERCÊ DO ABORTO A

o contrário do que ocorre em nível nacional, no Rio Grande do Norte os pastores, padres e lideranças de outras religiões se dizem distantes das discussões sobre a descriminalização do aborto. Pelo menos no interior dos templos. O aborto dominou a campanha para Presidente da República desde o primeiro turno das eleições e tem sido apontado pelos especialistas em marketing político e cientistas sociais como um dos principais responsáveis para que a eleição tenha sido levada para o segundo turno. Apesar de não discutirem o tema dentro dos templos, durante as pregações, os líderes religiosos ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE afirmam que o aborto tem tanta importância como qualquer outro tema. [LEIA MAIS NA PÁGINA 2 ]

BALNEABILIDADE Impróprias Mãe Luíza Pium Pirangi do Norte Redinha

FASES DA LUA Crescente: 14/10 Nascer do sol: 5h21 Pôr-do-sol: 17h19

Editor: Edilson Braga e-mail: braga@tribunadonorte.com.br

NATAL • RIO GRANDE DO NORTE Domingo • 17 de outubro de 2010

EMANUEL AMARAL

JOGO DO BICHO


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Domingo | 17 de outubro de 2010

[ POLÊMICA ] Entre todas as questões polêmicas levadas aos programas eleitorais pelos candidatos a presidente da República,

José Serra e Dilma Roussef, o aborto foi a que despertou maior interesse.Os religiosos são contra a descriminalização

Aborto ganha dimensões políticas ELISA ELSIE

JÚNIOR SANTOS

ISAAC LIRA Repórter

esde o fim do primeiro turno os discursos oferecidos aos eleitores pelos dois candidatos à presidência da República passam pelos púlpitos e altares das igrejas antes de chegar aos palanques. A influência da visão religiosa sobre os programas de governo foi tamanha que os dois postulantes ao Palácio do Planalto adotaram símbolos e palavras cristãs para se dirigir aos eleitores/fiéis e começaram a angariar apoios de líderes religiosos para atrair esse eleitorado. No Rio Grande do Norte, representantes de diversas instituições declaram estar cautelosos acerca desse fenômeno. Entre todas as questões polêmicas, o aborto foi a que despertou maior interesse. Descriminalizar ou não descriminalizar? Os religiosos são contra descriminalizar e se mostraram dispostos a expressar essa contrariedade através do voto. Com isso, líderes influentes passaram a declarar apoio a candidatos específicos e a visão religiosa pautou o debate. Silas Malafaia, pastor da Igreja Assembleia de Deus, declarou apoio ao candidato do PSDB, José Serra, enquanto o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, se manifestou em favor da candidata do PT, Dilma Roussef. Esses são apenas dois exemplos no plano nacional. Em terras potiguares, pastores, padres e outros líderes afirmam evitar a entrada de “comícios” em cerimônias religiosas. Entre os procurados pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE, nenhum citou apologia a candidatos e partidos dentro das igrejas e demais templos religiosos. Contudo, com relação ao aborto, todos se manifestam contra e acreditam que a discussão acerca desse tema é tão válida quanto qualquer outra. A liberdade de voto de cada eleitor

BATE-PAPO » Ana Paula Souza

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psicóloga e cientista da religião

As propostas, na minha opinião, deveriam estar sendo vistas de uma forma mais prática”

A religião alcançou o centro do debate nestas eleições. A sra. considera que estamos diante de um “voto religioso”? Não sei se é possível utilizar essa expressão. O que estamos vendo é uma tendência dos setores religiosos de votarem de acordo com o que pregam os seus líderes. Dom Matias diz que a discussão do aborto não deve ser política

Pastor Renovato mandou e-mails com recomendações aos fiéis

deve ser assegurada, dizem. O arcebispo de Natal, dom Matias Patrício, afirmou não ser permitido que padres façam menção a candidatos e partidos durante a missa e que nenhum vigário tem o poder de falar pela Igreja Católica a respeito de política. “A Igreja não tem partido”, diz, ecoando cartilha distribuída pela Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB). Contudo, o tema “eleições” não é proibido dentro das igrejas. “O padre pode e deve orientar o eleitor no sentido de votar com consciência e participar do processo, mas nunca partidarizando o sermão. Essa não é a função dele”, diz dom Matias. Casos de padres “fazendo campanha” fora da igreja precisam ser analisados “caso a caso”. Entre os evangélicos, a rejeição por levar o debate político-partidário da campanha presidencial para os púlpitos é quase unanimidade. “Está faltando bom senso, o que todos devem ter para discutir assuntos como estes que estão sen-

de foram mal atendidas”. E ainda considera “um absurdo” que grupos religiosos se apropriem desses temas para tentar impedir uma discussão séria sobre direitos que ele considera legítimos. Sandra Borba, vice-presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Norte, e Luís Martins da Silva, representante da Maçonaria, vão na mesma linha do arcebispo metropolitano. Eles preferem desvincular totalmente a instituição religiosa do processo eleitoral. “A Federação Espírita do RN não toma posição em favor de candidatos e nem permite que nenhum de seus membros faça esse tipo de vinculação em seu nome. Mas também não podemos criticar ou julgar os representantes de outras crenças que façam isso”, diz Sandra Borba. Eis a opinião de Luiz Martins: “A Maçonaria nunca interferiu no processo eleitoral e nem fez campanha para qualquer candidato. O trabalho que a instituição faz é social, sem vinculação com políticos. Mantemos distância”.

do abordados pelos partidários dos candidatos Serra e Dilma”, avalia o reverendo Mardes Pereira da Silva, da Igreja Betesda de Natal. Para ele, a discussão sobre temas como o aborto a partir das visões religiosas no âmbito de uma campanha “é inapropriada”. Para o reverendo, “isso tudo tem sido manipulado com fins eleitoreiros. Nós sabemos que não há, de nenhum lado, um interesse real para se trabalhar a questão do aborto, dos direitos humanos, do casamento homossexual e outros”. Apesar de fazer ressalvas à prática do aborto - “a Bíblia é clara, quando diz não matarás!” - o reverendo da Igreja Betesda lembra que “não será uma lei regularizando ou proibindo o aborto que vai impedir a prática”. Ele chama a atenção para o fato de que o aborto é praticado tanto por quem tem dinheiro como por mulheres carentes. “A diferença é que estas últimas acabam na rede pública, direto das clínicas clandestinas on-

O padre pode e deve orientar o eleitor no sentido de votar com consciência e participar do processo” DOM MATIAS PATRÍCIO arcebispo de Natal

Está faltando bom senso, o que todos devem ter para discutir assuntos como estes” MARDES PEREIRA DA SILVA reverendo da Igreja Betesda

Pastor assume posição contra Dilma Rousseff Na contramão do que é defendido pelos outros líderes religiosos, o pastor Elinaldo Renovato, um dos mais respeitados pastores da Assembleia de Deus, com forte influência em Parnamirim, afirma estar “recomendando” o voto no candidato do PSDB José Serra “por conta do programa do PT, onde se defende aborto, união de casais do mesmo sexo e outros pontos ofensivos aos princípios cristãos”, diz. Embora tenha sido categórico em dizer que não faz alusão ao candidato nos cultos celebrados por ele, o pastor Renovato diz que

enviou e-mails com a “recomendação” e aconselha fiéis. “Quando me procuram, eu não me furto a dizer a minha opinião. Sei que essa opinião, como eu sou um pastor, tem influência sobre as pessoas, mas tenho direito de defender as minhas posições”, explica. O pastor Renovato publicou uma carta aberta aos fiéis onde expressa detalhadamente porque não vota em Dilma Rousseff, do PT, e aconselha os “verdadeiros cristãos” a fazer o mesmo. Diz a carta: “Se o presidente da República, “fora do expediente”, pode dizer em que vo-

ta, eu também, “fora do expediente pastoral”, digo que votarei no senhor Serra”. O texto circulou na internet entre blogs e sites evangélicos, principalmente. Para Elinaldo Renovato também é possível que os dois candidatos estejam utilizando o discurso religioso para conseguir mais votos, tendo em vista a crescente importância do eleitorado assumidamente evangélico no país. “É possível que o assunto esteja sendo utilizado pela conveniência pelos candidatos à Presidência. Mas é legítimo que um cristão vote de

acordo com seus princípios”, aponta. E complementa: “As pessoas votam seguindo seus princípios, suas idéias, sejam elas quais forem. É natural que os cristãos façam a mesma coisa”. Para se ter uma idéia, o deputado estadual mais votado no RN nessas eleições, Antonio Jácome (PMN), é evangélico e tem nesse público grande parte de seu eleitorado. Os estados de Pernambuco e Rio de Janeiro observaram o mesmo fenômeno. Esses são exemplos da força do eleitorado religioso, principalmente cristão.

É possível que o assunto esteja sendo utilizado pela conveniência pelos candidatos à Presidência”

Essa tendência iniciou um certo conflito, principalmente na internet. Há pessoas se manifestando contra esse tipo de voto enquanto cristãos e outros religiosos se dizem vítimas de preconceito.A srª vê preconceito? Não diria preconceito, mas estamos acostumados com uma separação entre Estado e religião. O que está acontecendo é um conflito de valores, onde esses setores que fazem essa crítica e os religiosos divergem. A religião é também uma forma de ver a sociedade. Ao mesmo tempo, não há notícia de uma eleição onde se tenha usado a religião de maneira tão forte. Algumas pessoas acham que esse tipo de discussão com viés religioso ofende a ideia de Estado laico? A senhora concorda? As propostas, na minha opinião, deveriam estar sendo vistas de uma forma mais prática. Até porque não somos uma sociedade apenas cristã. Existem outras crenças também e não há como agradar a todas. São questões que não deveriam atingir um ponto religioso. Preocupa a possibilidade de utilizar de forma oportunista a fé das pessoas? Existem candidatos que desde sempre têm essa visão religiosa na política. É normal que eles representem uma parte do eleitorado que também crê nesses valores. Mas nenhum dos dois candidatos à presidência da República tem essa visão em sua trajetória. Então é preocupante utilizar algo tão profundo como a religião, que parte dessa necessidade do homem de transcendência, como arma eleitoreira.

ELINALDO RENOVATO pastor

OPINIÃO

“O divisor de águas de uma disputa eleitoral” SIMONE CABRAL* ANTONINO CONDORELLI** Na discussão pública do segundo turno das eleições presidenciais,um emaranhado de forças conflitantes acabou trazendo para o centro da cena política um debate - ora de domínio público (inerente aos direitos e deveres promovidos e garantidos pelo Estado),ora de domínio privado (referentes a valores individuais,como os religiosos) sobre o aborto.Ser contra ou a favor da interrupção voluntária de gravidez - longe da promoção de um debate sério,fundamentado e de amplo alcance - está sendo tomado como tema central e determinante na escolha de quem vai governar o país. O mundo moderno não é só marcado pela esfera política racionalizada e impessoal do Estado,mas pela diversidade de valores que se manifesta nas mais diferentes estruturas e agrupamentos sociais,

entre as quais as instituições religiosas.O respeito às diferentes crenças numa sociedade democrática como a brasileira implica em que o Estado se abstenha de qualquer juízo de valor sobre a realidade realizado a partir de perspectivas marcadamente impregnadas de visões religiosas. Difundida essencialmente através de boatos cibernéticos,uma maciça ofensiva dos setores mais conservadores de algumas igrejas cristãs acabou dando o tom da estratégia política dos dois candidatos para a Presidência da República.O ideário religioso ganhou a cena política e se constituiu em divisor de águas de uma disputa eleitoral que,por alguns,é convenientemente apresentada como uma luta do bem contra o mal. As opiniões pessoais de ambos os candidatos sobre um tema complexo, que abrange distintas esferas – social, sanitária,jurídica,psicológica,dos

sistemas pessoais de crenças e valores,etc.– e que só pode ser debatido de forma ampla e ponderada no seio do Congresso Nacional e da sociedade,são disfarçadas e manipuladas em base a considerações oportunistas de campanha eleitoral ocultando,de fato,a discussão sobre combate à pobreza,defesa do meio ambiente, educação,saúde,saneamento,enfim sobre os diferentes modelos que os dois candidatos em disputa propõem para o desenvolvimento do país. Por estes motivos,o projeto cultural Diálogos Criativos organizou um encontro especial que acontecerá na próxima terça-feira,19 de outubro,com o título“Aborto nas eleições:a quem interessa?”.O objetivo do encontro é promover uma discussão aberta,séria e fundamentada acerca de como e porque um fenômeno extremamente complexo,delicado,não abordável sob a perspectiva de radicalismos ideológicos e reducionismos

filosóficos,sobre o qual tanto no seio da sociedade como no dos dois partidos políticos cujos candidatos disputam a Presidência da República não existem posições unitárias e compactas se tornou,improvisa e inesperadamente, uma questão aparentemente determinante da escolha de quem vai governar o Brasil. O foco do encontro não será uma discussão sobre a descriminalização do aborto,embora cada participante terá total liberdade para colocar seus argumentos a favor ou contra o assunto,e sim sobre se esta questão é ou não determinante na definição de quem deverá governar o país, considerando – além do mais – que apesar dos oportunistas disfarces eleitorais de última hora de ambos os candidatos não parece haver substanciais diferenças nas posições deles sobre o tema:José Serra, quando era Ministro da Saúde no governo de Fernando Henrique Cardoso,promoveu medidas que

regulamentam e,portanto,tornam possível a aplicação efetiva da lei existente sobre aborto (que o libera nos casos de estupro ou de risco de vida da mãe),enquanto Dilma Roussef se declarou repetidamente a favor da não-criminalização e da nãoestigmatização por parte do Estado das mulheres que o praticam. No momento em que a população brasileira é chamada para tomar uma decisão fundamental - a da visão social,ambiental,econômica,etc.que norteará as políticas e as ações do governo do país durante os próximos quatro anos – os Diálogos Criativos apostam na promoção de uma discussão ampla,de alto nível,aberta a todos e alheia a fanatismos,préconceitos e demonizações de qualquer natureza sobre se realmente a posição individual dos candidatos à Presidência da República tem poder de influir sobre a legislação em matéria de aborto – considerando que só quem pode

deliberar sobre o assunto é o Congresso Nacional,em cujo seio há opiniões extremamente diversificadas e transversais aos partidos políticos – ou se colocar no centro de debate esta questão possa responder a outro tipo de interesses e ter talvez como verdadeiro propósito o de ocultar uma discussão mais profunda sobre o modelo de país que os dois candidatos propõem. O encontro acontecerá terça-feira,19 de outubro,às 19:00 horas no Auditório da Livraria Siciliano,no terceiro piso do Midway Mall,com entrada franca.Para mais informações,visitem o blog http://dialogoscriativosnatal.blogspo t.com ou escrevam para dialogos_criativos@dhnet.org.br. * PROFESSORA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE - UERN ** COORDENADOR DOS DIÁLOGOS CRIATIVOS


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[ ACADEMIA ] Entre as professoras Ângela Paiva Cruz e Arlete Araújo, a que for eleita reitora da UFRN terá o desafio de administrar uma instituição com orçamento de 1 bilhão de reais

Cargo de Reitor da UFRN é um dos mais desejados JÚNIOR SANTOS

CARLA FRANÇA repórter

ela primeira vez, nos 52 anos de história da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, uma mulher assumirá o mais alto posto de comando da instituição. As duas chapas inscritas para o pleito da UFRN são: ‘Novas Conquistas’ formada pelas professoras Ângela Paiva Cruz e Fátima Ximenes e a ‘Novo Olhar para a UFRN’, com os professores Arlete Araújo e Manoel Lucas. Ambas vêem com naturalidade a chegada de uma mulher ao cargo de reitora. Elas encaram com a missão com responsabilidade e concordam que, independente do gênero, o importante é dar respostas aos atuais problemas da universidade. A nova reitora da UFRN terá o desafio de administrar uma instituição com orçamento de R$ 1 bilhão – superior ao de muitos municípios do Estado. Mas ambas se dizem preparadas para, não só gerir como ampliar os horizontes da entidades, que é considerada a segunda melhor do Nordeste. Para Ângela Cruz – que atualmente é vice-reitora da UFRN – o grande desafio é continuar o processo de crescimento da instituição com qualidade. “Para isso vamos alargar a interlocução da UFRN com órgãos e institutos que fomentam a pesquisa para garantir que os cursos de graduação e pós continuem sendo referências nacionais e até internacionais”, diz a candidata a reitora pela Novas Conquistas. Já Arlete Araújo acredita que o grande desafio para a próxima gestão é fazer a universidade mais humana, plural e democrática. “Isso tudo sem perder de vista o processo de consolidação do crescimento da UFRN, que tem problemas semelhantes aos de cidades de médio porte - como questões sociais e transporte”, diz a candidata a reitora da Novo Olhar para a UFRN.

P

EXPANSÃO DA UFRN As duas candidatas defendem a continuidade da política de expansão da universidade. “Essa expansão criou uma universidade dentro de outra. É como se fosse a UFRN nova dentro de uma antiga. É preciso uniformizar a estrutura que já tínhamos com essa que estamos construindo. Para isso, é preciso revisar o nosso Plano Diretor. Não é ape-

Depois do gabinete do governador do Estado, o do reitor da UFRN é um dos mais desejados do RN

nas construir, é criar infraestrutura. Pensar na universidade como um todo. Por exemplo, não temos estacionamento suficiente para a quantidade de carros que circulam na UFRN, o restaurante universitário não atende satisfatoriamente a demanda atual. Tudo isso precisa ser visto”, sugere Arlete. Ângela Cruz defende a renovação permanente dos profissionais e dos cursos da instituição. “Recentemente, graças ao REUNI, estamos com um novo curso de bacharelado, que é o Ciência e Tecnologia. É possível ampliar esse modelo para outras áreas. Sem contar que com a ampliação do número de alunos, vamos aumentar também o nosso quadro de docentes e, consequentemente, a estrutura da instituição”, propõe Ângela. ORÇAMENTO Nesse ponto o desafio da próxima reitora será, além de captar mais recurso, aplicá-lo de forma uniforme nas diferentes áreas de ensino da instituição. “A UFRN já possui uma descentralização, onde cada centro de ensino tem autonomia sobre os seus recursos. Mas pretendemos elaborar uma nova matriz orçamentária com os percentuais que ficarão com a administração central e com cada área, que poderá captar novos recursos”, diz Ângela. Segundo Arlete, as diferenças entre os repasses das áreas de ensino são históricas. “Algumas, como é o caso da Tecnológica, recebem mais recursos em virtude da natureza das pesquisas do que ou-

tras. Mas nós propomos uma ‘política de solidariedade’ entre as áreas para tentar manter um equilíbrio. Essas diferenças não vão desaparecer, mas vamos buscar amenizá-las”, diz Arlete. INCLUSÃO SOCIAL Esse também é destaque entre as propostas das duas chapas. A professora Ângela defende a continuidade da política de inclusão social que vem sendo desenvolvida pela UFRN. “Nós já temos um forte política de inclusão social, a isenção da taxa do vestibular para estudantes de baixa renda, cursinho preparatórios gratuitos para alunos de escolas públicas e o argumento de inclusão, que possibilita o ingresso de estudantes em cursos que antes só os alunos da rede privada tinham acesso, como Medicina e Direito”, fala Ângela. Ainda segundo ela, tem se discutido bastante o uso das cotas raciais na UFRN, mas a diversidade étnica do RN não justifica esse tipo de política. É preciso focar na questão social. Para a professora Arlete ainda é preciso se discutir muito a questão das cotas raciais, que para ela tem aspectos positivos e negativos. “A universidade tem que está aberta as todas as demandas e é preciso manter políticas de inclusão, mas acredito que elas devem ser transitórias, para corrigir um problema atual, pois essa deficiência deve ser tratada ainda na escola e não apenas na universi-

dade. Mas diante do cenário. Vejo que o argumento de inclusão tem apresentado bons resultados e vamos mantê-lo, além de avaliar outras possibilidades”, diz. PLEITO O processo para definir a nova reitora da UFRN segue os moldes da eleição presidencial. No próximo dia 10 de novembro a comunidade acadêmica é quem definirá aquela que vai administrar a instituição nos próximos quatro anos. E caso seja necessário um segundo turno haverá uma nova consulta no dia 24 de novembro. “Na segunda-feira vamos homologar as chapas e pelo que vemos, vamos ter eleições tranquilas porque as duas candidatas são bastante envolvidas, além de terem um bom nível”, explica o presidente da comissão eleitoral, professor Nilsen Carvalho. A comissão também vai realizar, debates entre as candidatas. As discussões serão nos campi de Caicó, Currais Novos, Santa Cruz, Natal e um transmitido pela TV Universitária. As datas ainda serão definidas pela comissão. “As chapas também terão direito a seis minutos diários na TVU e FMU para que a comunidade acadêmica tome conhecimento das propostas”, diz Nilsen Carvalho. Estarão aptos para votar os professores, os técnicos administrativos, servidores e alunos regularmente inscritos e matriculados na instituição, inclusive os dos cursos a distancia da pósgraduação.

BATE-PAPO Ivonildo Rego » reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

A UFRN está em acelerado processo de expansão Como o senhor avalia as transformações pelas quais a UFRN passou nesses últimos anos? A UFRN passou, ou melhor, está passando por grandes mudanças e o próximo reitor vai entrar para fazer a gestão de uma universidade que está em um acelerado processo de expansão. Estamos, neste momento, fazendo a implementação do Reuni - programa de expansão e estruturação das universidades federais. Nos últimos anos criamos 2.700 novas vagas no vestibular. Em 2014 teremos quase 45 mil alunos, hoje são cerca de 30 mil. Em 1995 eram 11.800 estudantes. Isso significa dizer que novos cursos estão sendo implantados, novos projetos e, a maturação deles leva tempo. Além da expansão no número de alunos, em que outros setores houve avanços?

Essas mudanças se materializam de várias formas. Os cursos de mestrado e doutorado são exemplos. Em 1995 eram 13 cursos de mestrado e dois de doutorado. Hoje nós temos 46 mestrados e 28 doutorados. Submetemos a Capes mais 16 novos cursos de pós, poderemos chegar um total de 90. E o nosso horizonte é chegar a 110 cursos de mestrado e doutorado nos próximos 5 anos. Gosto de citá-los porque dão o tamanho do envolvimento da UFRN em pesquisa. Nesse momento estamos discutindo o plano de desenvolvimento institucional para os próximos 10 anos. Também houve uma forte renovação no quadro de docentes. Nas duas ultimas gestões foram contratados 800 novos professores - quase a metade dos docentes tem menos de oito anos na instituição - e cerca de 400 servidores técnicos.

E com relação às obras? Quem frenquenta os nossos campi - não só o Central, mas os do interior também - percebe que a UFRN virou um canteiro de obras. Entre as contratadas, as que já estão e as que vão entrar em execução, estamos investindo recursos da ordem de R$ 200 milhões. Temos obras no valor de R$400 mil até R$36 milhões como é o Campus do Cérebro, em Macaíba. Eu costumo dizer que o próximo reitor poderá inaugurar uma obra por mês porque as que foram contratadas agora eu não vou inaugurar. A obra é a materialização física de um projeto acadêmico. Por trás de cada obra há um novo curso de graduação ou pós, há um novo projeto estratégico que aumenta a contribuição da UFRN para processo de desenvolvimento estratégico do nosso Estado. E aumenta sua visibilidade nacional e internacional. O próximo reitor vai gerir uma instituição que tem uma proposta em grande movimento como o Instituto Internacional de Neurociências, o Instituto Inter-

nacional de Física, a Educação à Distância, o Metrópole Digital que vai criar condições para o Estado montar uma indústria de informática. Para realizar tantos projetos é preciso ter um bom orçamento. Não tenho dúvidas que hoje a UFRN é a maior instituição desse Estado. O orçamento do ano que vem, junto ao MEC, é da ordem de R$870 milhões. Fora as emendas parlamentares nas áreas de tecnologia, da saúde, os financiamentos, coma Petrobras, que durante a minha gestão investiu cerca de R$80 milhões... Juntando todas as fontes, o orçamento deve chegar a R$1 bilhão no próximo ano. A UFRN é a instituição que mais internaliza recursos federais no RN Isso é importante até sob o aspecto econômico é importante pro Estado porque emprega sete mil pessoas entre professores, funcionários e terceirizados. Mas essa não é a maior contribuição da universidade, claro que é a formação de pessoas e produzir conhecimento.


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O novo reitor da UFRN terá um papel não só de continuar o bom relacionamento com outros órgãos e setores, mas também deverá ter a capacidade de governança corporativa no interior da Instituição [ ACADEMIA ]

Desafio é consolidar a expansão ELISA ELSIE

PERFIL

A

Arlete Araújo » Chapa: Um Novo Olhar para a UFRN – Vice:

O reitor Ivonildo Rego vai entregar a Instituição ao seu sucessor com um orçamento de R$ 1 bilhão

Democratizar a UFRN é um desafio Uma questão fundamental nesse processo eleitoral é a democratização da universidade, que ainda é bastante conservadora. Recentemente perdemos uma votação que tinha o objetivo de dar paridade aos votos dos estudantes. No papel os votos dos professores, técnicos e estudantes deveriam valer 1/3, mas na realidade não é assim. Nós só garantimos 1/3 quando todos os 33 mil estudantes votam, o que geralmente não acontece. O índice varia de cinco a seis mil votos. Em contrapartida todos os professores e técnicos votam. É óbvio que eles garantem o 1/3 deles.

Esse é um dos pontos que mais dificultam a luta dos estudantes porque tem implicações em várias áreas, como por exemplo a assistência estudantil, que é outro ponto fundamental devido a expansão da universidade. Houve um grande aumento no número de estudantes e boa parte deles não tem uma assistência mínima de residência, restaurante, biblioteca, transporte. A residencia universitária, por exemplo, tem uma lista de espera gigantesca, em torno de cinco mil estudantes. A reitoria oferece uma bolsa de auxilio moradia porém não é o que a gente quer. A universidade dá

o dinheiro – cerca de R$200,00 – e o estudante que se vire para alugar uma casa. Mas é importante lembrar que a residência universitária é muito mais que um abrigo. O estudante recebe uma série de benefícios que garante sua estadia na universidade. Alguns recebem também R$200,00 para alimentação, pois o Restaurante Universitário está em reforma. Outra questão diz respeito a pedagogia. A UFRN está com um novo modelo pedagógico de superlotação. Nos cursos novos de Ciência e Tecnologia tem salas com150 pessoas e assim é didaticamente difícil de trabalhar.

Professora Titular do Departamento de Ciências Administrativas da UFRN desde 2007. Formada em Administração pela Universidade Federal de Sergipe (1978), Mestre em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (1983), Especialista em Administração Universitária pela UFRN (1990), Doutora em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo /FGVSP (1996).Realizou o seu Pós-doutoramento na Universidade Pompeu Fabra. Durante a sua vida acadêmica,ocupou os cargos de Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Administração /UFRN (1997-1999) e o de Diretora do CentrodeCiênciasSociaisAplicadas/UFRN,por dois mandatos,de 1999 a 2007. Professora do Programa de Pós-Graduação em Administração participa das atividades de ensino,pesquisa e extensão.

JÚNIOR SANTOS

Manoel Lucas Filho

Autora de dezenas de artigos na área de administração e gestão universitária e capítulos de livros.Recentemente publicou pela Editora Fundação GetúlioVargas o livro“Responsabilização na Reforma do Sistema de Saúde:Brasil e Catalunha,com outros professores do PPGA,o livro‘Clima Organizacional na Administração Pública’e com colegas de outras instituições o livro ‘ Avanços e Perspectivas da Gestão Pública nos Estados II”.

Ângela Cruz » Chapa:Novas Conquistas – Vice:Fátima Ximenes É atualmente vice-reitora (assumiu o cargo em 2007, na gestão que vai até maio de 2011) e coordenadora do Programa de Reestruturação das Universidades Federais (Reuni) na UFRN. Em sua trajetória acadêmica foi Vice-Diretora do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA),Chefe do Departamento de Filosofia,membro do Conselho de Centro do CCHLA, do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão (CONSEPE),do Conselho de Administração (CONSAD) e do Conselho Universitário (CONSUNI),membro da Comissão de Extensão,de Pesquisa e Pós-Graduação,da Comissão Permanente de Desenvolvimento Institucional (CPDI) e

EMANUEL AMARAL

s duas candidatas são bastante qualificadas e apresentam uma história longa de compromisso com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Mas a nova reitora terá muitos desafios, o primeiro é consolidar a agenda de expansão da universidade que está em curso. Nós últimos anos, a UFRN ampliou o número de alunos, de cursos de graduação e pós, o número de bolsas e professores. E além de consolidar esse crescimento, será necessário continuar ampliando o futuro. Mas vale lembrar que esse futuro está ligado aos resultados da eleição presidencial em curso porque nem tudo depende do reitor, principalmente quando se trata dos professores. Uma delas é a questão salarial e realização de concurso. Outro ponto, esse sim que depende do reitor, é ampliar as condições de trabalho na universidade. E o terceiro - e muito importante - desafio é aproximar a ainda mais a universidade da sociedade. Criar um maior diálogo com o setor empresarial, com os movimentos sociais e com a sociedade civil. Afinal de contas são eles quem financiam e são a eles que a instituição tem que dá resposta. O reitor que substituirá Ivonildo Rego terá um papel não só de continuar o bom relacionamento com outros órgãos e setores, mas também deverá ter a capacidade de governança corporativa no interior da instituição. Ampliar o debate, desenvolver uma gestão cada vez democrática e transparente.

Presidente da Comissão de Avaliação da Docência. Ingressou como Professora na UFRN em 1983.Tem Bacharelado e licenciatura em Matemática, mestrado em Filosofia e doutorado em Educação, com atividades na graduação e pós-graduação.


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MARCELO ALVES DIAS DE SOUZA [ Procurador da República ]

Poder Judiciário ANELLY MEDEIROS

Opinião Subprocurador da República, Eduardo Nobre, está de volta à Natal. Depois de dedicar vinte sete anos ao trabalho no Ministério Público Federal, o procurador retoma as funções de advogado no escritório Nobre&Falcão.Nessa entrevista, Eduardo fala sobre a carreira e comenta os casos mais polêmicos que passaram por ele durante o trabalho no MPF.

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O sr. deixa a Procuradoria da República depois de quase trinta anos.Como o sr.avalia esse período a frente da procuradoria? Exerci a atividade pública durante trinta e seis anos, vinte e sete dos quais dedicados ao Ministério Público Federal, onde cumpri longa carreira, marcada por sucessivas promoções pelo critério de merecimento. Deixei a instituição, voluntariamente, seguro de que, ao longo desses anos, guardei absoluta fidelidade aos seus propósitos institucionais. Discrição e independência marcaram sua passagem pelo MPF. Essas características ajudaram na sua atuação? Ajudaram como ajudarão a atuação de todos aqueles que observarem, nos seus desempenhos funcionais, as regras da discrição e da independência, que pode e deve ser oposta, inclusive, às orientações emanadas dos órgãos administrativos do Ministério Público. Porque o Sr.decidiu advogar mesmo depois de aposentado? Depois de juiz e de membro do Ministério Público, desejei conhecer mais de perto essa outra atividade própria dos operadores do direito. Recentemente a imprensa destacou seu parecer no caso da Operação Satiagraha.O que levou o sr.a emitir perecer favorável para anulação da Ação penal? Entendi, diante dos questionamentos postos no habeas corpus, que os agentes públicos, no Estado de Direito, devem conduzir-se nos limites da legalidade, que protege, a um só tempo, as exigências do Poder Público e as garantias do cidadão, seja qual for a sua posição econômica ou social. Durante esses quase trinta anos quais os casos mais significativos que passaram pela análise do Sub-Procurador Eduardo Nobre? Foram muitos os casos. Confesso que tenho dificuldade de rememorá-los nas limitações temporais e de espaço impostas por esta entrevista. Porém, dentre os casos de maior importância, não incluo o habeas corpus a que me referi por último.

Defensores Públicos Os defensores públicos do RN estão aguardando o cumprimento do Acórdão Unânime do Tribunal de Justiça, em Ação Direta de Inconstitucionalidade, proposta pelo Ministério Público do RN que declarou inconstitucionais artigos da Lei que permitia que os cargos de direção da Defensoria Potiguar fossem exercidos por advogados e não por defensores. Apesar da alegria inicial, os defensores estão estranhando a demora no cumprimento da decisão. O entrave estaria dentro da Procuradoria do

Estado. Depois de 20 dias que o processo estava sendo analisado pelo procurador Ricardo Furtado, foi publicada, no Diário Oficial, nova distribuição para o procurador Miguel Josino que decidirá se recomenda ao procurador Geral, Luiz Antônio o cumprimento da decisão ou se apresenta recurso para que a decisão não tenha trânsito em julgado. No site do TJ consta que foram expedidos ofícios ao Governador e ao presidente da Assembléia Legislativa no último dia 4 de outubro.

Lição também para os pais Os pais de alunos que acumulam faltas nas escolas da cidade de Fernandópolis, em São Paulo, podem ser obrigados a voltar à escola. A Justiça determinou que uma mãe assistisse às aulas ao lado da filha de 14 anos que faltava constantemente e chegou a ficar fora de casa por dois dias. O pedido foi do Conselho Tute-

lar da cidade que acredita que o caso vai servir de exemplo a outros pais. De acordo com o jornal O Globo, existe na cidade toque escolar que permite policiais e conselheiros tutelares da cidade abordarem jovens fora da escola em horário letivo. Os alunos, nessa situação, são recolhidos e encaminhados à instituição.

BAFÔMETRO:MOTORISTAS SE LIVRAM DE AÇÃO Motoristas que dirigem embriagados e se negam a fazer o teste do bafômetro estão escapando de serem processados criminalmente. O Superior Tribunal de Justiça arquivou, por falta de provas, mais uma Ação Penal contra um motorista acusado de dirigir alcoolizado. Na decisão da Sexta Turma, não existem provas se ele ingeriu teor alcoólico acima do permitido por lei porque não foi feito o teste do bafômetro ou exame de sangue. O processo foi anulado como informam os jornais O Globo e O Estado de São Paulo.

ESTÁGIO Estudantes do curso de Direito podem participar do concurso para estagiários de Direito lançado pela Procuradoria da República no Rio Grande do Norte para o preenchimento do quadro.

Os códigos ste ano comemoramos os vinte anos do Código de Defesa do Consumidor – CDC (Lei nº 8.078/90). E frise-se o “comemoramos” porque o CDC, apesar de problemas pontuais, definitivamente, em prol da população, é “uma lei que pegou”. Mas vou aproveitar esse gancho para falar dos códigos em geral, que são tão relevantes para o sistema jurídico brasileiro (filiado à tradição romano-germânica ou do civil law). Será uma tentativa coloquial de explicar o que eles são, de onde vieram e porque são tão importantes, até para atingir um público mais amplo. Os afeitos ao Direito ou à História certamente já ouviram falar do movimento codificador, na Europa, a partir do século XVIII, que encontrou o seu ápice no Código Napoleônico (1804) e que foi precursor das muitas codificações modernas, granjeando o aplauso de estudiosos do Direito, da época e de hoje. Seguindo o exemplo do Código Napoleônico (que não foi o primeiro código a existir, registre-se), os mais diversos países, filiados à tradição romano-germânica (na tradição do common law, a ênfase recai sobre os precedentes judiciais), reformaram (e ainda reformam) seus sistemas legais criando um corpo único de leis para setores de seu Direito. Basta ver os exemplos da Itália, Holanda, Bélgica, Espanha, Portugal e suas antigas colônias (portanto, do Brasil), Alemanha, Áustria e Suíça. Entre nós, lembremos os Códigos Penal (1940), Civil (2002), de Processo Penal (1941) e de Processo Civil (1973), Eleitoral (1965) e Tributário (1966), entre outros.

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Argumentos em prol da codificação das leis são fáceis de colecionar. Veja-se os valores da segurança, da permanência, da estabilidade que aparecem sempre como proeminentes. A codificação apresenta essa série de vantagens que não se dão em outros casos em que o Direito não haja sido condensado em normas legais harmonizadas e organizadas. Ele é uma ferramenta para o jurista, mas o é também para o prático ou leigo, que conseguem, com relativa facilidade, visualizar as leis aplicáveis a determinada situação. Um código, como documento único e sistematizado, é, sobretudo, um documento de fácil acesso ao grande público. Hoje, até mesmo os sistemas dos países filiados à tradição do common law vêm se tornando cada dia mais simpáticos às codificações. A questão tem chegado a tal ponto que – em parte em razão do número cada vez crescente de precedentes, que torna excessivamente laboriosa a tarefa de consulta a essas fontes do Direito, em parte porque o número de leis tem crescido consideravelmente – os ingleses e os norte-americanos, particularmente, nos últimos tempos, vêm produzindo séries de “restatements”, isto é, espécies de “co-

dificações” no estilo europeu, porém ainda desprovidas de autoridade oficial. São consolidações “particulares”, mas que são vistas por muitos como as antecessoras de codificações oficiais que surgirão no futuro. É claro que um sistema que prega a legislação ou codificação como uma única fonte do Direito mostra-se insuficiente, sobretudo no que diz respeito à necessária correspondência entre o que está previsto em tese na legislação e a realidade nos tribunais e juízos (para onde desembocam as demandas da sociedade). Defendida pela escola da exegese francesa, aquela velha idéia – que afirmava ser o “Código” a única fonte de Direito, que ele seria um todo perfeito e sem lacunas, que o jurista deveria pesquisar o Direito vigente apenas nas regras ali esculpidas, negando aos julgadores a liberdade de recorrerem a outras fontes na busca de soluções para os casos concretos - hoje está, pelo seu extremismo, completamente “fora de moda”. O Direito nunca pode ser considerado algo pronto e acabado, já escrito no firmamento ou em único documento (em regra codificado). O legislador não é onipotente e as instituições jurídicas, mesmo que (e bem) delineadas nos códigos, devem conformar-se aos fatos e circunstâncias do momento e do lugar. As coisas mudam, e as leis e os códigos devem ser interpretados, reformados ou mesmo substituídos, como se deu com o nosso excelente Código Civil de 1916 (o Código de Beviláqua), substituído pelo atual Código de 2002. Então, viva o CDC, viva os códigos, mas sempre com moderação.


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tn online Fred Carvalho - fred@tribunadonorte.com.br

Curta na TN

Social 1

portal TN Online apresenta mais uma inovação neste domingo. Vamos exibir o curta Vivo, de Bernardo Luiz e Camila Robéria. Esse filme foi o grande premiado no Intercom Nacional, na categoria não-ficção. Para assistir, basta acessar: www.tribunadonorte.com.br durante o dia de hoje. Bom programa.

Já estão abertas as inscrições para o I Fórum de Planejamento em Mídias Sociais de Natal. O evento chega à cidade com a intenção de promover debates sobre o novo cenário das redes sociais utilizadas como ferramentas de marketing. O I Fórum acontecerá no dia 23 de outubro, das 8h às 17h, no Hotel Pirâmide. A expectativa é que mais de 500 pessoas se inscrevam para o evento - entre empreendedores, executivos, publicitários, jornalistas, políticos e estudantes da área de comunicação.

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ESPORTE NO AR 1 Outras novidades do portal estão na área de esportes. Ontem nós transmitimos a partida entre Águia e ABC, diretamente de Marabá, com sinal da TV Brasil. Essa foi a primeira transmissão de uma partida de Campeonato Brasileiro por um portal de notícias potiguar. A parceria com a TV Brasil é a primeira de outras que virão pela frente, pode aguardar.

Esporte no ar 2

SOCIAL 2

A segunda novidade de esporte é que hoje você vai poder acompanhar ao vivo as baterias disputadas pelo piloto potiguar Victor Uchôa no maior desafio da carreira dele. Aos 9 anos de idade, o potiguar entra na pista do kartódromo de Milão, na Itália, para disputar o título do Easykart, o campeonato mundial da categoria, um dos únicos que ainda lhe faltam. Victor vai disputar o título com outros 115 pilotos de todas as partes do planeta. É só acessar www.tribunadonorte.com.br e torcer pelo nosso garoto prodígio.

apenas no Brasil e no Zimbábue o preço médio do pacote de dados mensal passa dos US$ 120, o que deixa o país atrás de nações como Congo, Haiti e Bangladesh, país que tem o menor custo entre 78 listados no relatório. A média do preço mundial é de US$ 46,54 dólares.

No Fórum,estarão presentes para a rodada de discussão em torno do uso das redes sociais:Sergio Brasilis (gerente de marketing da Vivo),Ricardo Abreu (Abreu Imóveis),Roberto Bezerra (Destaque Promoções) e Robson Carvalho (Jornalista).A programação do evento também conta com palestras ministradas por Eric Messa (FAAP/SP),Antônio Tabet (Kibe Loco) e Bruno Oliveira (especialista em Business Intelligence).

As mensagens de texto de celular ganham cada vez mais adeptos, ainda mais em uma época onde redes sociais estão muito presentes no dia-a-dia de adolescentes. Uma prova disso é um estudo da Nielsen, que aponta que o adolescente envia em média mais de 3 mil mensagens de texto ao longo do mês. Para o relatório, foram analisados os hábitos de mais de 60 mil assinantes de telefonia móvel, além de cerca de 3 mil adolescentes, durante os meses de abril, maio e junho deste ano.

Made in Brazil

Sucesso

A Western Digital anunciou nesta quinta-feira (14) o início da fabricação de discos rígidos no Brasil. A empresa, segunda maior do mundo no setor, pretende fabricar, em parceria com a brasileira Digitron, cerca de 4 milhões de HDs no país nos próximos 12 meses. As duas empresas repartiram o investimento de R$ 10 milhões na nova operação na Zona Franca de Manaus, que será responsável, inicialmente, por cerca de 2% da produção total da WD em todo o mundo.

Caro O custo de pacotes de dados para celular no Brasil é o mais caro entre os países em desenvolvimento, segundo mostra um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), com informações compiladas pela Nokia Siemens. De acordo com o levantamento, que cita dados de 2009,

SMS

Anti-social Por falar em rede social, é interessante notar que parte dos políticos que tuitaram bastante durante a campanha já abandonou seus microblogs. Falta de interesse ou medo de serem cobrados?

A Sony informou que conseguiu vender cerca de 1,5 milhão de unidades do controle sensível a movimentos do console PlayStation 3, o PlayStation Move, desde o lançamento do acessório em setembro. De acordo com o CEO da Sony na Europa, Andrew House, as vendas são significativas. “O número alcançado excedeu nossas expectativas de venda e teremos que aumentar a produção do acessório”, disse em entrevista à Bloomberg.

FRED VERAS

[ JOGO DO BICHO ] Apesar de sentenciado, delegado Pedro Melo do

Nascimento vai recorrer da decisão de primeira instância em liberdade

Justiça condena delegado a 14 anos de reclusão ANDREY RICARDO De Fato

delegado de Polícia Civil Pedro Melo do Nascimento foi condenado a uma pena de 14 anos e quatro meses de reclusão por envolvimento com o jogo do bicho na cidade de Jucurutu, distante 130km de Mossoró. A sentença saiu no último dia 7 e a investigação contra o delegado começou em 2008, pelo Ministério Público Estadual (MPE). De lá para cá, já passaram três promotores diferentes pela cidade e o jogo do bicho continua funcionando normalmente. A confirmação é feita pelo próprio delegado da cidade, George Davi Costa Sousa Leão, que é Regional de Caicó, no Seridó, e assumiu a chefia da Polícia Civil em Jucurutu logo após a saída de Pedro Melo. “Continua do mesmo jeito”, disse o delegado. “Continua não só em Jucurutu, mas em todo o Rio Grande do Norte”. Passados quase dois anos após o início da investigação que culminou com a condenação do delegado, George afirma nunca ter sido procurado pelo Ministério Público para investigar o jogo do bicho, estopim do processo contra o colega. Em 2008, a promotora Luciana Maria Cavalcante Maciel, que respondia por Jucurutu, fez uma requisição para que o delegado Pedro Melo investigasse o jogo do bicho na cidade. Segundo nota divulgada pela assessoria do MPE no dia 9 de junho deste ano, em

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seu sítio eletrônico, o delegado não atendeu a solicitação. Pedro Melo foi investigado e a promotoria Luciana Maciel transferida de Jucurutu; em seu lugar assumiu o promotor Alysson Michel de Azevedo Dantas. Há poucos meses, Alysson foi substituído por Paulo Carvalho Ribeiro, que é o atual representante do Ministério Público Estadual (MPE) na cidade de Jucurutu. Nesse intervalo, a investigação contra Pedro Melo continuou e ele foi denunciado pelo MPE pelos crimes de corrupção passiva (quando aceita propina), concussão (quando cobra) e por coação de testemunha (ameaçou uma das pessoas que depuseram contra ele). Porém, o corruptor ativo, ou seja, quem pagou a propina, não foi denunciado – ou pelo menos não chegou ao conhecimento dos jornalistas, já que o processo está em segredo de Justiça. Segundo o delegado da cidade, George Davi, não foi instaurado nenhum tipo de procedimento com relação ao jogo do bicho em Jucurutu após a saída de Pedro Melo, como foi cobrado pela primeira promotora. “Até o momento (dois anos depois), não fui procurado (pelo Ministério Público), mas estamos à espera. Se for determinado (uma investigação), vamos cumprir. É assim que deve funcionar”, diz George, que acredita na continuidade do jogo em Jucurutu. Para ele, os bicheiros continuam atuando – os mesmos que teriam denunciado o colega por corrupção.

Ao ser questionado sobre o fato de a Polícia Civil não iniciar uma investigação por conta própria, o delegado aponta fatores culturais e falta de tempo. “Hoje estou com 12 (13 porque tem um delgado da região que está de férias) delegacias e não tenho tempo de acompanhar tudo que acontece lá. Tem vez que passo vários dias sem ir lá por falta de condições. Às vezes, é até temerário que um delegado, por conta própria, tome essa iniciativa. Estaríamos quebrando uma tradição e é complicado para nós”, justifica o delegado George Davi, lembrando que outras instituições também podem intervir. INVESTIGAÇÃO O Ministério Público Estadual realizou uma investigação sigilosa sobre a conduta do delegado Pedro Melo do Nascimento, que foi acusado não só de receber propina dos bicheiros, mas de cobrar e também de coagir testemunhas que depuseram contra ele durante a investigação do MPE. O processo levou quase dois anos, quando Luciana Maria Cavalcanti Maciel requisitou ao delegado a instauração de Termos Circunstanciados que registrassem as contravenções. Porém, o delegado não só teria descumprido a recomendação, como aumentou ainda mais o seu “problema”. Segundo o MPE, Pedro Melo procurou os bicheiros e pediu mais dinheiro, alegando que estaria sendo pressionado pela promotoria.

Apesar de ser uma contravenção penal no país, o jogo do bicho é praticado livremente em Mossoró

Delegado tem outras acusações A sentença em desfavor do delegado Pedro Melo do Nascimento, que trabalhou em Mossoró entre 2007 e 2008, foi dada pelo juiz Gustavo Henrique Silveira Silva, da Comarca de Jucurutu, no dia 7 deste mês. O delegado Pedro Melo vai recorrer da decisão de primeira instância em liberdade, e aguardar o andamento do processo interno instaurado contra ele pela Corregedoria da Polícia Civil. Pedro Melo pode ser expulso da Polícia se a sentenção transitar em julgado. Pedro Melo recebeu voz de prisão na Delegacia de Capturas (DECAP), em Natal, onde permaneceu preso durante todo o processo. Sua defesa tentou ainda um recurso judicial para que o bacharel respondesse o restante do seu processo em liberdade. Porém o Tribunal de Justiça do RN não só negou o pedido da defesa, como determinou que ele continuasse afastado da função de delegado de Polícia Civil. Além da condenação em Jucurutu, Pedro Melo tem ainda outros problemas para se preocupar. É que antes mesmo desse proces-

Até o momento (dois anos depois), não fui procurado (pelo Ministério Público), mas estamos à espera” GEORGE DAVI delegado de polícia

so, ele já vinha sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil em outros dois procedimentos. Um é pela morte de um preso e outro pela liberação de um veículo adulterado, em Caicó. TRADIÇÃO ANTIGA O jogo do bicho nada mais é do que uma bolsa de apostas ilegal em animais. Tal prática foi inventada em 1892 por um barão conhecido como João Batista Viana Drummond, fundador e proprietário de um zoológico no Rio de

Janeiro. Segundo historiadores, a fase de intensa especulação financeira e jogatina na Bolsa de Valores, nos primeiros anos da República, imprimiu grave crise ao comércio. Para estimular as vendas, os comerciantes instituíram sorteios de brindes. Assim, o barão decidiu estipular um prêmio em dinheiro e sortear uma placa a cada dia. Em cada placa figurava um dos 25 animais de sua propriedade. A partir daí, as placas foram associadas a séries numéricas e o jogo passou a ser praticado. Simples no começo, o sistema de jogo do bicho multiplicou-se pelo território brasileiro e teve forte presença cultural no “Brasil moderno”. A prática era explorada na música, no cinema e no teatro. O jogo do bicho é semelhante a uma loteria federal, mas com algumas diferenças. Uma delas é que o jogador pode apostar qualquer valor, que muitas vezes é bem acima de suas possibilidades financeiras.


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Juíza Eliana Alves preside o Júri do auditor Lúcio Flávio Barbosa PÁGINA 12

TEMPO HOJE

TÁBUA DE MARÉS

FEIRAS LIVRES

Nublado com pancadas de chuvas Max.: 30º CO Min.: 26ºCO

Preamar 00h13 -1.8- 13h00 -1.8 Baixa-mar 06h39 -0.7- 18h58 -0.7

Panorama: hoje 332 bancas/196 feirantes Planalto 186 bancas/97 feirantes

BALNEABILIDADE Impróprias Mãe Luíza Pium Pirangi do Norte Redinha

FASES DA LUA Cheia: Hoje Minguante: 15/07 Nascer do sol: 5h21 Pôr do sol: 17h19

Editor: Edilson Braga e-mail: braga@tribunadonorte.com.br

NATAL • RIO GRANDE DO NORTE Domingo • 17 de outubro de 2010

[ FUNCIONALISMO] A qualidade do serviço prestado à população pelos servidores e órgãos públicos é questionável. Já no

setor privado, a concorrência e a exigência de produtividade pressionam profissionais a desempenhar um bom trabalho

A QUEDA DE BRAÇO ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO RICARDO ARAÚJO Repórter

e um lado as empresas privadas: chefes autoritários com o conhecido discurso da contínua redução de custos e otimização dos resultados. Do outro, o serviço público: funcionamento de estabelecimentos em tempo reduzido, habilidade dos gestores questionada pela população, sucateamento dos aparelhos de uso e consumo. No meio dessa queda de braço, a população. A estabilidade do funcionalismo público e a ausência de ciclos de avaliação de desempenho é apontada por estudiosos como um fator negativo para a prestação de serviços de melhor qualidade, seja na rede de ensino, saúde ou serviços diversos. O processo de escolha de profissionais pelo setor privado costuma envolver seleções bastante concorridas. As empresas querem sempre os melhores profissionais, dispostos a aumentar a rentabilidade e contribuir para o crescimento dos negócios, o conhecido “vestir a camisa da corporação”. No serviço púbico, apesar de existir o concurso como forma de seleção, com concorrências altíssimas, nem sempre o profissional aprovado é adequado a desempenhar a função para o qual obteve êxito. O resultado é a prestação de um serviço de qualidade questionável.

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[ LEIA MAIS NA PÁG.10 ]

ADRIANO ABREU

CASO GOBAT


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As áreas da Educação e Saúde são as que se percebe mais claramente a diferença de qualidade entre o serviço público e o privado. Avaliações periódicas de desempenho e produtividade poderiam melhorar o quadro

[ CONT. PÁG. 9/FUNCIONALISMO ]

Desempenho precisa ser avaliado EMANUEL AMARAL

ducação e saúde, são os pontos nos quais o choque entre a qualidade do serviço público e privado é mais evidente. “Na rede privada são cobrados competência e compromisso. No setor público, o funcionário não é cobrado, não passa por um processo de avaliação contínua, como ocorre nas escolas particulares”, afirma a especialista na área e ex-secretária de Educação, Justina Iva. Para ela, o poder público não têm feito a avaliação periódica de desempenho dos profissionais da educação e do índice de rendimento dos alunos em cada disciplina, o que serviria como medidor de funcionalidade da política de ensino adotada pelo Estado e Município. Além da inabilidade em avaliar os professores, os governos não assistem, da forma como deveriam, às necessidades das escolas. Colégios que outrora eram modelos para a educação, como o Atheneu Norte-Riograndense, hoje estão entregues ao descaso, com problemas estruturais e falta de professores. Enquanto isso, escolas particulares crescem cada vez mais, baseadas no ensino de qualidade, têm profissionais dedicados e, alguns deles, exclusivos. Algumas escolas de Natal têm mensalidades em torno de R$ 750 para alunos do ensino médio. Parte desses recursos são investidos em capacitações para oas equipes. Na saúde, as reclamações dos usuários do sistema público giram em torno da morosidade no atendimento e na falta de insumos. Para a especialista em Saúde Pública e ex-secretária de Saúde de Natal, Ana Tânia Sampaio, o serviço público é visto como uma terra de ninguém. “As pessoas não participam do processo avaliativo da saúde e isso as torna descrentes no sistema. A gestão, quando pública, deve ser realizada em sua totalidade”. Ela complementa que os serviços de saúde no setor privado são prestados com qualidade, pois há uma cobrança direta do cliente, que deixa de ser paciente, e do próprio plano de saúde, que visa o lucro. Além disso, os profissionais que estão à frente das equipes são escolhidos pelo conhecimento técnico e não por indicação política, como, muitas vezes, ocorre no setor público. Para o cientista político, Antônio Spinelli, de um modo geral, falta respeito ao cidadão. “Independente de utilizar o setor público ou privado, o cidadão deve ser respeitado e ter sua cidadania garantida”. Para ele, a sociedade deveria cobrar melhores serviços através de um controle externo, prezando pela qualidade e redução de custos, no âmbito privado, e pela agilidade e otimização no setor público.

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A responsabilidade pelo caos da saúde pública não pode ser atribuída a apenas uma causa, mas a um conjunto de atitudes que incluem a postura do servidor público ANA SILVA

Estabilidade empregatícia pode acomodar profissionais

Na Educação, a diferença entre o ensino oferecido pela rede pública e o da rede privada é gritante

É impossível cobrar do servidor público que ele preste um bom serviço quando as condições não são adequadas para o desempenho da sua função”. ANA TÂNIA SAMPAIO especialista em Saúde Pública

REALIDADE PARADOXAL Especialistas comentam quadros da Saúde e Educação Para Justina Iva,a qualidade do ensino e do funcionalismo público em si,dependem das condições e objetivos das famílias dos alunos.Segundo ela,a realidade é a seguinte: Escolas Privadas:

Escolas Públicas:

➔ Oriundos de classe média

➔ Oriundos de classes menos favorecidas (C,D e E)

➔ Pais letrados ➔ Acesso regular à internet ➔ Prática de esportes ➔ Acompanhamento dos pais nas atividades ➔ Boa nutrição

➔ Pais semiletrados ou iletrados (sem domínio de conteúdo) ➔ Subnutrição ➔ Necessidade de trabalhar para ajudar os pais financeiramente ➔ Evasão escolar

Ana Tânia Sampaio acredita que as principais diferenças entre o atendimento público e privado na rede de Saúde estão na forma com a qual as equipes são gerenciadas. Hospitais Privados:

Hospitais Públicos:

➔ Cobrança de qualidade diária ➔ Usuário é visto como cliente VIP

➔ Servidores não são avaliados pelo seu desempenho

➔ Demissões ocorrem quase que diariamente

➔ Enquanto uns trabalham demais outros faltam sem justificativa ➔ Estabilidade torna demissão quase que impossível ➔ Cargos de direção são,geralmente, cargos políticos

Moralização do sistema de Saúde é o caminho Para Ana Tânia Sampaio, a moralização do sistema de saúde pública deveria ocorrer o mais breve possível. Ela concorda com Justina Iva sobre a necessidade de criação de um processo avaliativo em todas as esferas do serviço público – federal, estadual e municipal. Além disso, um dos fatores que gera reclamações nos postos de saúde e hospitais públicos, de acordo com Ana Tânia, é a nomeação de profissionais sem conhecimento técnico para cargos de chefia. “Deveriam existir critérios claros para a nomeação de diretores e coordenador das unidades públicas de saúde”, aponta Ana. Tanto nas escolas quanto nos hospitais da rede pública, encontramse profissionais desestimulados (seja pelas condições de trabalho indignas, pelos salários oferecidos e infraestrutura inadequada dos locais), sem metas a serem atin-

gidas e sem estímulo de desempenho. O que diverge da rede privada na qual os profissionais são pressionados a desenvolver um bom trabalho continuamente, sob a batuta de diretores treinados e conhecedores do processo técnico e administrativo que desempenham como gestores. Na rede privada de saúde, pacientes se tornam clientes. Desta forma, eles são tratados (como pessoas que pagam e querem, por direito, um serviço de qualidade). Já nos hospitais públicos, por não existir uma avaliação periódica dos funcionários, além do serviço ser “gratuito”, muitos deles se desinteressam pelo que fazem e não prestam o serviço que o cidadão, que paga impostos e merece respeito, deveria receber. Para Ana Tânia, é por isso que o servidor público é visto como preguiçoso ou incapaz. “O serviço público é visto como terra de ninguém”. ANA SILVA Ela comenta que, se não houver estímulo, valorização, acompanhamento e cobrança do servidor público, a realidade permanecerá a mesma. “É impossível cobrar do servidor público que ele preste um bom serviço quando as condições não são adequadas para o desempenho da sua função”. A população deveria ser envolvida nos processos de avaliação dos serviços e do funcionário público em si para uma melhoria gradativa do sistema. Porém, as avaliações ainda soam como uma ideia utópica e a parPara Ana Tânia Sampaio, o serviticipação da sociedade nesses dor precisa ser acompanhado processos, uma quimera.

Um abismo separa o serviço educacional público do privado no Rio Grande do Norte. Enquanto nas instituições de ensino particular são encontrados professores dedicados e interessados em difundir seus conhecimentos, nas escolas estaduais e municipais boa parte dos educadores está apenas cumprindo a carga horária e desinteressados com o aprendizado dos seus alunos. “A diferença está entre os profissionais escolhidos pelas escolas privadas e os concursados que ingressam no serviço público de educação”, afirma Justina Iva. Para ela, o grupo que compõe as escolas particulares é escolhido baseado no seu histórico de rendimento e no valor que agregam à instituição. Já no serviço público, os professores passam por um processo seletivo (concurso) que os habilita a lecionar, dando-lhes a sonhada estabilidade empregatícia. Segundo Justina, os concursos para seleção de professores nem sempre aferem as competências dos candidatos, restringindo-se a analisar a competência técnica, esquecendo que, para ser professor, é preciso ter habilidade e compromisso. Justina aponta que a estabilidade do emprego público faz com que os profissionais não busquem se destacar, como fazem os professores de escolas particulares, que para manter seus empregos, inovam a cada dia na forma de ensinar e na interação com seus alunos. Além disso, ela comenta que a ausência de uma política de avaliação contínua dos professores municipais e estaduais, piora a situação do quadro educacional público. “O gestor pú-

blico têm que mudar suas concepções e avaliar os professores”. Nas escolas públicas, os profissionais passam por um período probatório de três anos, sem nenhum tipo de avaliação de desempenho durante ou após esse período. PROJETOS Nas universidades privadas, por exemplo, os alunos apontam que a avaliação dos professores é feita a cada dia, pelos próprios discentes. “Na universidade privada, podemos cobrar mais dos professores e eles são conscientes disso. A instituição privada deixa a desejar em alguns quesitos, como projetos de pesquisa e extensão, mas em outros pontos supera as universidades federais”, aponta o estudante de enfermagem Pedro Paulo. Além dos problemas expostos por Justina, que comprometem a qualidade do ensino e do funcionalismo público, está a questão da gestão escolar em si. A escolha do diretor da escola deveria seguir padrões técnicos e não políticos, como é perceptível hoje em dia. Para a escola ter bons resultados, é preciso que a direção cobre dos professores, com competência e capacidade de liderança. É justamente essa cobrança que falta aos professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), conforme comenta o estudante de jornalismo Nicolas Souza. “Os professores não são cobrados e deixam a desejar didaticamente. Existem professores bons, lógico. Mas a maioria é relapsa e a consequência disso são alunos também relapsos”. EMANUEL AMARAL

Justina Iva defende que profissionais passem por avaliações


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POR ANNA RUTH DANTAS

MARINA COLASANTI

A ESCRITORA MARINA COLASANTI NÃO CONCORDA COM A TEORIA DE QUE O PAPEL DO ESCRITOR É SEDUZIR O LEITOR.“NÃO É MEU PAPEL SEDUZIR O LEITOR.MEU PAPEL É ME SEDUZIR,ME CONVENCER,FAZER O QUE QUERO FAZER,O QUE É IMPRESCINDÍVEL PARA MIM.EU SÓ ESCREVO QUANDO É IMPRESCINDÍVEL PARA MIM”.

“Meu papel não é seduzir o leitor” FOTOS:JÚNIOR SANTOS

A senhora costuma dizer que escreve conto de fadas.Que conto de fadas é esse que vai para a escrita de Marina Colasanti? Escrever conto de fadas faço há muitos anos e tenho hoje em dia uma parte relevante do meu trabalho nessa área, que não é muito comum. Hoje em dia há muito pouco contador de fada contumaz. O gênero conto de fadas é específico, não é historinha com fada e com bruxa. O conto de fadas é um gênero muitíssimo antigo, ele começa escrito no século I da nossa era, mas tirada de narrativas orais, portanto as origens perdem-se no tempo. É um gênero cujos textos e narrativas são fora do tempo da realidade e fora do espaço real. Eles acontecem no espaço do imaginário, a fórmula ocidental é o “era uma vez”. Era uma vez significa tira imediatamente do hoje. Eles (os contos de fadas) são de fundo mítico, eles devem falar para qualquer faixa de idade, eles não são literatura infantil, são para qualquer pessoa e tem leitura diferenciada para qualquer idade. Uma criança faz um tipo de leitura, lê determinados elementos e um jovem ou adulto encontra outros elementos porque eles são ricos no seu conteúdo. O que lhe seduz mais no conto de fadas? É uma boa pergunta. Comecei quase sem querer. Quando vi que tinha escrito um conto de fadas achei uma coisa estupenda porque eles são muito difíceis, são raros. Tanto é que estamos repetindo nosso universo clássico há séculos e séculos. É um privilégio da vida ter chegado a escrever contos de fadas. Eu soube, desde o início, que nunca mais iria parar. Eles são muito comoventes, ao fazer, mexem muito comigo. Não são textos gratuitos e me atingem muito profundamente. Não há nada de fundo prático, mercadológico. Quando fiz o primeiro livro era uma abominação falar em conto de fadas, todo mundo só queria realismo, realismo urbano, uma certa dose de crueza. Eu sabia que o livro teria muita dificuldade de mercado. De fato esperou cinco anos na gaveta, o primeiro livro. E eu já tinha editor para qualquer outra coisa, mas sabia que teria problemas com ele e tive até ser publicado. O conto de fadas lhe traz mais emoção e aumenta seu desafio mais do que a escrita realista. Nessa ótica, seria um desafio também tirar o leitor da realidade crua e transportá-lo para o conto de fadas? Vou começar pelo fim da sua pergunta. O mundo do conto de fadas é imaginário só porque não usa elementos do hoje que não seja um automóvel, mas ele, na verdade, é de uma realidade mais profunda do que o realismo. Ele lida com os sentimentos de base dos seres humanos, que são comuns a todos, a qualquer espécie. O automóvel pode não ser, o telefone celular pode não ser, pode ser nas montanhas que não tenha celular. Mas todos os povos, de todas as partes do mundo e de todas as épocas histórias têm medo da morte, tem inveja do outro, lutam para sobreviver, tem insegurança, tem desejo, tem fome. Esses centímetros, os sentimentos de base todo mundo tem e é com esse sentimento que o conto de fadas lida. Eu chamo isso de realidade expandida. Uma realidade que é a nossa realidade

conquista. Há muitos anos vivo de escrever, mas não escrevo atendendo a solicitações tipo “escreve um texto sobre a primeira menstruação”, “sobre vovó morreu”. Nem morta! Mais fácil a vovó morrer do que eu escrever o livro.

escritora Marina Colasanti demonstra toda sua versatilidade na própria escrita. Confessa adorar escrever conto de fadas, mas destaca que também se põe antenada com a realidade moderna, por isso mesmo diversifica as suas obras. Quando fala do gênero conto de fadas, Marina se empolga, explica minuciosamente e confessa que enveredou por ele “meio sem querer”. E para quem pensa que o conto de fadas está longe da realidade, a escritora logo desmistifica: “Ele (o conto de fadas), na verdade, é de uma realidade mais profunda do que o realismo. Ele lida com os sentimentos de base dos seres humanos, que são comuns a todos, a qualquer espécie”. Marina Colasanti observa que o conto de fadas trata de sentimentos que permeiam todas as gerações. O medo da morte é um deles. E qual a principal arma que Marina Colasanti usa para seduzir o leitor? “Não é meu papel seduzir o leitor. Meu papel é me seduzir, me convencer, fazer o que quero fazer, o que é imprescindível para mim. Eu só escrevo quando é imprescindível para mim”, responde de pronto. Mas não se pode entrevistar Marina Colasanti e não trazer à tona sua visão do universo feminino, até porque foi sobre as mulheres que ela já muito escreveu, além de apresentar um programa de televisão. A escritora destaca os avanços das mulheres que hoje já são maioria em cursos de pós-graduação. Mas ela traça uma forte divisão entre as mulheres da classe média e as pobres. Essas últimas, observa Colasanti, são responsáveis hoje pelo sustento da casa, devido à grande evasão masculina. A convidada de hoje do 3 por 4 fala baixo, em um único tom. Demonstra tranquilidade e muita segurança. Com vocês, Marina Colasanti:

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A morte é a morte. Tanto faz se você vai toda entubada no hospital ou se morre de fome”

maior, do que essa mesma. O seu celular vai estar ultrapassado daqui a seis meses, mas seus sentimentos em relação à morte são os mesmos da sua avó, sua bisavó, tataravó. Será que os sentimentos são os mesmos de geração a geração? Eles não sofrem mutações, versões? Eles sofrem adequações, adequando-se ao seu tempo. Mas o medo da morte, por exemplo, não tem variante. A morte é a morte. Tanto faz se você vai toda entubada no hospital ou se morre de fome, não interessa, todo ser vivo sabe que vai morrer. Esse sentimento é igual para todos e desde sempre. A força dos contos de fadas é que eles lidam com esse material. Eu preciso também trabalhar outros materiais. Eu preciso trabalhar com o pensamento na parte dos ensaios, textos teóricos. Eu tive uma atuação muito longa nas questões da mulher, mais de 20 anos trabalhando com isso.

Eu preciso disso. Eu não posso viver só nos contos de fadas até mesmo porque eles são muito intensos e eu não agüentaria manter a voltagem constante, iria criar barrigas e eu perdia a qualidade do produto. Eu vou e volto a eles. Eu não escrevo um conto de fadas hoje, depois um poema, depois um artigo e um conto de fadas. Não. Quando decido eu vou escrever um livro de conto de fadas eu cuido só disso durante o tempo que for necessário. Acabou, eu encerro. O que pode levar cinco, oito ou dez anos. Eu preciso da alternância. Eu sou uma mulher moderna, eu preciso tratar do meu mundo também. Esse mundo mais reduzido, mais modesto que é a realidade imediata. Qual a principal arma que Marina Colasanti usa para seduzir o leitor? Não é meu papel seduzir o leitor. Meu papel é me seduzir, me convencer, fazer o que quero fazer, o que é imprescindível para mim. Eu só escrevo quando é imprescindível para mim. Embora eu seja uma profissional, agora estou com quatro livros para sair, mas eu só trabalho obedecendo necessidades minhas pessoais. Não tem nenhum editor pegando no meu pé, exigindo, implorando pelo amor de Deus. É o que quero fazer, quando quero

Eu tive uma atuação muito longa nas questões da mulher, mais de 20 anos trabalhando com isso”

fazer, é um chamamento, estou preenchendo necessidades minhas. Eu fico muito feliz que o leitor fique seduzido. Mas se eu pensar nele eu não chego na esquina porque não sei quem ele é, são muitos, diversificados, de partes diferentes do país e hoje em dia de outros países. Como eu posso tentar seduzir um leitor da Patagônia? Eu nunca estive na Patagônia. Não é essa a minha tarefa e nem é essa a minha preocupação. Agora agradeço a Deus se ele ficar seduzido depois. Seria esse o mistério da escrita:a senhora não conhece a Patagônia,mas seduz quem lá mora,por exemplo? Esse é o mistério da comunicação ou, mais ousadamente, o mistério da arte. Eu estou pretendendo, deveria não dizer isso porque as pessoas não dizem essas coisas, mas estou pretendendo fazer arte. Minha busca na vida é pela arte, não pela comunicação. Já fiz muita comunicação porque trabalhei em im-

Detalhes O que vem na escrita de Marina Colasanti amanhã: na escrita só vou saber amanhã,publicado virão quatro livros Em que a senhora acredita: na força da vida Qual o grande livro na vida de Marina Colasanti: não tenho.Meu grande livro é uma biblioteca,a biblioteca que foi se fazendo dentro de mim através de leituras da vida toda.

Perfil MARINA COLASANTI nasceu em 26 de setembro de 1937,em Asmara (Eritréia),Etiópia.Viveu sua infância na Africa (Eritréia,Líbia). Depois seguiu para a Itália,onde morou 11 anos.Chegou ao Brasil em 1948,e sua família se radicou no Rio de Janeiro.Atuou em jornal, revista e televisão,hoje se dedica a escrita.Em 1968,foi lançado seu primeiro livro,Eu Sozinha;desde então,publicou mais de 30 obras, entre literatura infantil e adulta. Seu primeiro livro de poesia,Cada Bicho seu Capricho,saiu em 1992.

prensa muitos anos da minha vida. Eu adorava e eu amo. Se estou escrevendo crônica estou fazendo comunicação. Até quando eu trabalhava em publicidade eu fazia comunicação. Televisão é comunicação. Mas quando sento para escrever eu quero fazer arte. A senhora vive da escrita. Isso é uma conquista para quem vive no Brasil? Realmente, eu vivo há muito tempo da escrita. De fato é uma

A senhora escreveu muito sobre o mundo da mulher.Qual a visão de Marina Colasanti hoje sobre o universo feminino? O Brasil é um país complicado porque não existe a mulher no Brasil. Existem as mulheres no Brasil. As mulheres da classe média e média alta, sobretudo as da média que estão mais ligadas, a média alta está lá com seu dinheiro, aproveitaram muito o resultado do trabalho desenvolvido. Hoje em dia as mulheres são presença maior que os homens nas universidades, mais do que os homens fazem pós-graduação no Brasil, o que é muito importante porque hoje o Brasil já tem o pensamento teórico das suas mulheres consignado. Antes elas faziam universidade porque era elegante, chique e para encontrar meninos. Era um mercado matrimonial muito bom. Hoje elas fazem pós-graduação mais do que os homens, elas têm que escrever tese e nosso pensamento teórico fica consignado. As mulheres estão avançando no mercado de trabalho e alcançando, ainda é pouco, mas estão chegando a postos mais altos dentro das suas empresas. Na política é um desastre. O Brasil é um dos últimos países do mundo em presença feminina relevante. Percentualmente nossa presença política, a quantidade de mulheres no Congresso em relação ao número de mulheres é muito baixo. A senhora é favorável à cota que determina um número mínimo de mulheres candidatas? Cota foi algo positivo, mas como tudo, vamos falar de Brasil, dribla. Você lança candidata, mas não investe nela. Você preenche a vaga, mas não coloca um tostão na candidatura dela. Mas pelo menos obriga a colocar a mulher e ela vai se empenhar a colocar a cara dela de candidata em postes, paredes, em algum lugar e as meninas vão ver um número considerável de mulheres política que podem lhe servir como modelo. Portanto, uma coisa positiva existe. Agora da classe média para baixo o Brasil é um desastre em tudo. Um dos desastres maiores vejo em relação às mulheres. Hoje o Brasil tem uma quantidade de mulheres chefes de família que sustentam filhos, netos, netas adolescentes, grávidas, agregados, sozinho espantoso. Há uma evasão masculina gigantesca do que seria a família. Isso está se tornando, de maneira alarmante, uma normalidade nas nossas classes pobres miseráveis. A que a senhora credita essa evasão masculina? Há uma série de fatores. Teria que ser estudado mais a fundo, com pesquisa. Um a gravidez adolescente, cada vez mais comum na qual o menino não se sente minimamente responsável, nem a família da menina acha que ele seja responsável. E ela vai criar o filho sozinha. O segundo aspecto é a evasão do pai já mais velho, que em algum momento constituiu uma família e se cansou daquela e não se sente obrigado a depositar dinheiro e dar assistência aos filhos que deixou. Isso é terrível também em termos de estrutura familiar e modelo.


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Domingo | 17 de outubro de 2010

O julgamento do auditor fiscal Lúcio Flávio Barbosa de Andrade está marcado para começar às 8h de amanhã, no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Lagoa Nova, e será presidido pela juíza Eliana Marinho

[ CASO GOBAT ]

Júri Popular julga auditor amanhã pós 18 anos, o auditor fiscal Lúcio Flávio Barbosa de Andrade poderá, definitivamente, ser julgado pelo crime que cometeu. Está marcada para amanhã, às 8 horas, no Fórum Miguel Seabra Fagundes, em Lagoa Nova, o julgamento do réu que causou um acidente de trânsito no dia 12 de julho de 1992 matando Maria José de Vasconcelos Alves e causando lesões graves no conselheiro do Tribunal de Contas do Estado José Gobat Alves ,que permaneceu em coma até falecer em 2004. De acordo com a juíza Eliana Alves Marinho, titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, o julgamento poderá atrasar, em torno de 30 minutos, devido às formalidades (chamada dos jurados). A magistrada que irá presidir a seção informou que só existe uma forma do julgamento não ocorrer amanhã. “Só se o réu apresentar um atestado médico”. Caso não apresente problemas de doença, o auditor não poderá escapar do julgamento. Mesmo que ele não compareça ao Tribunal do Júri, a legislação permite que o julgamento seja realizado. É necessário apenas que o advogado ou um defensor público esteja presente. “Por precaução, o defensor público foi acionado e estudou o processo. Se o advogado do réu não comparecer, o defensor irá defendê-lo”, disse a magistrada. Eliana lembrou que o último julgamento que seria realizado no dia 9 de setembro deste ano não ocorreu porque os advogados de defesa do réu, simplesmente não compareceram. Na época, a juíza Daniela Cosmo substituía Eliana

ADRIANO ABREU

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Eliana Alves Marinho afirma que o auditor fiscal Lúcio Flávio Barbosa só não será julgado amanhã se apresentar atestado médico

Marinho (que estava em férias). Cautelosa, Daniela decidiu convocar o defensor público para que o próximo julgamento (amanhã) não seja adiado novamente. De acordo com a lei brasileira, para que um julgamento aconteça é necessário que o réu tenha defesa – (advogado constituído ou defensor público). Lúcio Flávio também não pode alegar que não tinha conhecimento da data do julgamento. “Ele

foi intimado e tomou ciência do júri”, acrescentou a magistrada. Momentos após o julgamento, a sentença será proferida. Mesmo que seja condenado, Lúcio Flávio não sairá do bando dos réus direto para a prisão. O réu poderá recorrer da sentença em liberdade. “Não há motivos para pedir a prisão preventiva do auditor”, salientou Eliana Marinho. No início deste ano uma carta enviada por meio de anonimato

à justiça do Rio Grande do Norte caiu como uma bomba e causou reviravolta no caso. A denúncia mostrava que Lúcio estava burlando a justiça. A partir das informações recebidas, a promotoria que atua no caso, pediu à juíza que fossem apurados os fatos, onde constatou-se que a denúncia era verdadeira. No começo de 2010, Lúcio renovou a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), no Estado da Pa-

Por precaução, o defensor público foi acionado e estudou o processo. Se o advogado do réu não comparecer, o defensor irá defendê-lo” ELIANA ALVES MARINHO juíza de direito

raíba e entrou com pedido na justiça contra a interdição judicial. O acusado foi interditado quando sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). A justiça do RN entendeu que se foi feito o pedido ele já estava em amplas condições físicas. O primeiro julgamento realizado em 2002 foi considerado nulo pela justiça. De acordo com o promotor Augusto Flávio Azevedo a nulidade ocorreu porque os jurados não teriam entendido com precisão a exposição do caso. Diante disso, o Tribunal de Justiça decidiu por anular o júri popular. MEMÓRIA Domingo 12 de julho de 1992, início da tarde. Parecia mais um fim de semana como qualquer outro, mas aquele dia iria mudar a vida de toda uma família. Lúcio Flávio dirige um veículo Monza e ultrapassa o sinal vermelho da avenida Prudente de Morais (cruzamento com a rua Apodi), atingindo a lateral do automóvel Santana no qual estava o casal Maria José de Vasconcelos Alves e José Gobat Alves (ambos voltavam da casa de amigos). Maria José morre na hora e José Gobat passa 12 anos em coma até falecer em 2004. Durante vistoria no veículo do homem que provocou o acidente, peritos do Instituto Técnico-Científico de Polícia (Itep) encontram garrafas de bebida dentro do carro de Lúcio. O auditor fiscal foge do local sem prestar socorro às vítimas. José Gobat Alves foi um dos fundadores da TRIBUNA DO NORTE.


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Uma casa na praia de Tibau, com quartos, 3 salas e garagem para 8 carros, custa em média 15.000 reais o aluguel para janeiro. E todas, segundo o corretor, estão praticamente alugadas. É bom negociair com antecedência [ MOSSORÓ]

Aluguéis de casas estão aquecidos JORNAL DE FATO

tranquilidade do mar, férias e a alegria de reunir familiares e amigos tornam as casas de praia um filão para o mercado imobiliário. É só chegar o segundo semestre e aumenta a procura por aluguel para o veraneio. Este ano, a locação está ainda mais aquecida. E se faz parte dos seus planos alugar uma casa para veraneio no litoral potiguar, é bom começar a negociar com antecedência, pois atualmente uma casa nas principais praias do litoral custa entre 2 mil e 20 mil reais. Mas quando vai chegando o fim do ano esses preços ficam bem mais salgados. Uma casa na praia de Tibau, com quartos, 3 salas e garagem para 8 carros, custa em média 15.000 reais o aluguel para janeiro. E todas, segundo o corretor, estão praticamente alugadas. “No momento, nós temos mais casas segunda, terceira linha da praia. Mas são excelentes casas e o cliente vai poder apreciar bastante nosso mar”, esclarece Marlon Morais, corretor de imóveis. Vânia Morais é corretora e também tem casa de praia. Durante a maior parte do ano, ela passa os fins de semana em Areia Branca, mas não perde a oportunidade de faturar no veraneio. “Há cinco anos resolvemos locar porque achamos bastante interessante, os valores são bem chamativos, compensa locar os meses de dezembro, janeiro e fevereiro. Porque nós já usufruímos da casa o ano inteiro. Com certeza dá para fazer uma viagem boa”, afirma Vânia Morais, corretora e locadora de imóveis.

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“Esses valores são parecidos aos do ano passado, não houve alteração significativa. Os clientes mais prevenidos começaram a pesquisa em agosto. Geralmente, no final de dezembro, está tudo alugado”, explica uma das conselheiras do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio Grande do Norte (CRECI) Simone Maia. A advogada Sayonara Café, pelo segundo ano consecutivo, alugou um apartamento em Ponta do Mel para passar o mês de janeiro com sua família. “Fechei negócio em agosto, não precisei procurar porque já sabia que queria ficar no mesmo local do ano passado. Parcelei 4 mil reais em quatro cheques. Meu filho foi quem decidiu a praia, e no mesmo condomínio estarão veraneando outros familiares”, explica. MERCADO PULVERIZADO O Creci/RN e o Sindicato das Empresas Imobiliárias do Rio Grande do Norte (SECOVI) não possuem estatísticas sobre o investimento envolvido nos aluguéis de temporada, segundo suas diretorias. Para o sindicato, além de ser um negócio que é mais feito diretamente com o proprietário, que torna o mercado bastante pulverizado, as imobiliárias são bastante sigilosas quanto aos números. Uma pesquisa do Creci/SP mostrou que o valor dos aluguéis em alguns municípios do Estado aumenta em até 131% na alta temporada. Houve um aumento muito forte nos preços das casas de praia de 2001 para cá. Em 2001, uma casa com cinco quartos, beira-mar da praia de Búzios, custava 3 mil reais o mês.

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Este mundo é muito feio para a alma bonita de Eduardo Bagnoli”

Eliana Lima elianalima@tribunadonorte.com.br

Eliana Lima

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» ALICATE

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Nem esfriou totalmente o fervor dos resultados das urnas, e os trabalhos para as eleições municipais, em 2012, já congestionam articulações. Dos alinhavos para intumescer poder, as asas-abelhudas captaram que o deputado Gilson Moura (PV) planeja e fomenta candidatos a vereador com o seu apoio. Na capital dos magos-eleitoreiros, pode lançar seu irmão, e em Parnamirim ecoa o nome do Sargento Siqueira, ex-vereador de Natal.

» TESOURA

Por falar em Gilson Moura, que conseguiu mandatos embalados pelo então sucesso de seus programas intrépidos na TV Ponta Negra, assim como Paulo Wagner, a prefeita Micarla de Sousa, uma das herdeiras da emissora afiliada do SBT, pode dar outro rumo aos propensos candidatos criados no laboratório da TV. Desgostosa com as atitudes túmidas e isoladas dos pupilos da sua TV, vem dizendo que a partir de janeiro não dará mais espaço para candidatos se aproveitarem da tela. Viiixeee...

Depois do pré-convite, com uma flor de papel reciclado para ser regada até a data marcada, começam a circular os convites para o casório de Fernanda Rocha e Robertinho Fernandes. Os apaixonadinhos sobem no altar da Igreja Bom Jesus das Dores no dia 6 de novembro. Após o sim, festão no Pirâmide Natal Resort.

» PORTA-RETRATO

» ÁLBUM

Em ocasião tintim: Giordano Campos e Luciana Gurgel

Nos festejos divertidos: Manuelle e Ana Luíza Flôr JOAONETOFOTO.COM ELIANA LIMA

» ...E PUXA

Em municípios onde tradicionalmente apenas dois ou três (no máximo) candidatos disputavam o voto, houve uma invasão de nomes novos. Nas seções eleitorais do pequeno município de São José do Seridó, por exemplo, onde Vivaldo Costa sempre disputou o voto de deputado com um ou dois concorrentes, somaramse mais de 80 candidatos votados.

» PARAÍSO

A vitória da senadora Rosalba Ciarlini para governar o RN vai gerando dos mais criativos comentários. No Twitter, então, é uma festa. Teve até quem brincasse que Mossoró (terra da Rosa), onde o sol é impiedoso, ganhará a partir de janeiro ar-condicionado central e películas.

» MUDANÇAS

Como a residência oficial de Rosalba será na capital dos magos-governantes, cresceu em imobiliárias a procura por apartamentos para alugar em Natal. A maioria dos interessados vindos da capital-oestana. Também para alugar casas de veraneio nas badaladas praias dos litorais sul e norte. É aguardar onde Rosalba e o maridón-ravengar Carlos Augusto Rosado vão veranear. Sempre curtiram o verão na casa de praia em Tibau, mas com Rosalba no comando do Estado não poderá se ausentar por muito tempo da capital-potengi.

» NOVAS

A partir de amanhã, o jornalista Heldon Simões substitui a colega Anna Cláudia Costa como colaborador desta coluna e do blog Abelhinha. Anna se dedicará a projetos pessoais.

» MOMENTO

E a partir de terça-feira, até o domingo 31, a jornalistafuracão Anna Ruth Dantas assina interinamente esta coluna.

» ESTICA...

Durante muito tempo as eleições para deputado estadual funcionaram na base do curral. Eram conhecidos (e respeitados) os redutos de cada candidato, e a disputa se dava na base do pastoril - de um lado o cordão azul, do outro, o encarnado. Nas eleições deste ano, tudo mudou e virou um grande Boi Calemba, tamanha a variedade de cores nas chapas.

» POMBINHOS

» ESPIRITUAL

De 28 a 30 deste mês, Natal será sede do 1º Congresso Internacional de Ciência, Ética e Educação Integrada (Em Natal: Vendo o que Não se Vê), no Hotel Serhs, com coordenação da Espacial Eventos e Michelle Tour de agência oficial.

» SHOW

Enquanto Gracinha Vilar recebia os parabéns das amigas,o garçom e gastrônomo Gilson comandava o serviço e as delicinhas

» DIGITAIS

Depois de coordenar a campanha vitoriosa de Rosalba, Manoel Pereira foi convidado para ser o coordenador-geral da campanha do presidenciável José Serra no RN. Resta saber se ele será o coordenador da equipe de transição da Rosa. À pergunta quando assumirá os trabalhos, ele, surpreso, apenas respondeu: “Quem decidirá é ela, quando voltar de viagem (chega hoje da Alemanha)”.

COLMEIA

» PSIU!

À chamada para o flash, Luanna Santa Rosa é clicada pelo bom de lentes João Neto

» TUDO...

JOAONETOFOTO.COM

Escada não é lugar de se namorar. Mas, diante do prazer se sobrepor aos perigos, eis que um casal - ambos casados, com outro e outra – foi flagrado em cenas para lá de calientes na escada do prédio onde moram. Ela médica, ele, advogado.

sediará o Curso Avançado de Paisagismo do holandês Gustaaf Winters,de 9 a 12 de novembro.

» O Via Direta e a Unimed vão inaugurar a primeira clínica médica em um shopping de Natal.

» ...PELO PRAZER

» Na reta final da Festa do

Não lembraram do circuito interno de TV. As imagens foram apagadas. Mas, já era tarde. Como o porteiro (que foi surpreendido pela cena) não tem poder nem autorização para apagar, precisou informar aos responsáveis. Logo, chegaram a conhecimentos... Viiixeee...

Boi,as meninas do Projeto Transforme-se/Cosern comemoram as vendas de acessórios artesanais feitos pelo grupo de ressocialização de reeducandas através da arte.

» BZZZZ...

» Com patrocínio da Kaiser,o

No seu discurso de agradecimento à homenagem que recebeu na Anorc, o senador José Bezerra Jr.-Ximbica se referiu ao deputado Robinson Faria (vice de Rosalba Ciarlini) como “futuro governador”. No discorrer, foi elogios ao deputado Betinho Rosado (DEM), pelo seu trabalho em favor do setor agropecuário, na Câmara Federal. Numa mesa do almoço, conversavam o empresário Bira Rocha e o secretário Cristóvam Praxedes (Segurança Pública). Que será que será que tanto conversavam...??? Huuummm...

Coca-Cola Zero Festival promete sacudir a Vila Folia no dia 23,ao som Chiclete com Banana,Capital Inicial, Natiruts,Falcão, Loucomotivos,bandas de forró,DJs – inclusive o internacional DJ Skazi. Ingressos na Arte Telecom/Claro (pista) e loja Limits do Midway Mall (camarote).

» ANTAGÔNICOS

Difícil é organizar a famosa praia de Pipa. Cada segmento tem interesses distintos e não aceita abrir mão de algum. Promotor da Comarca de Goianinha, André Mauro Azevedo tenta atuar de conciliador. No mix de discordâncias: NEP (Núcleo Ecológico), prefeitura, oposição, barraqueiros, hoteleiros, donos de bares, restaurantes e boate, ambulantes. Não querem perder, mas do jeito que está implica em prejuízo. Nos feriadões, praia lotada. Mas, em finais de semana normais, a ocupação cai para cerca de 20%.

» A Fatern Gama Filho

» Com shows de Ivanildo

» CLARÃO

De frente pra escada que leva ao andar superior da Artkasa,a herdeira Danielle Monte observa o movimento dos muitos arquitetos

Vila Nova e Carlinhos Zens,o Sinmed-festeja o Dia do Médico dia 19,no Teatro Alberto Maranhão, às 20h. COLABORAÇÃO DE ANNA CLÁUDIA COSTA


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George Azevedo georgeazevedo@digizap.com.br

LUIS MORAIS

CEDIDA

LUIS MORAIS

TRAFEGANDO erto dia um agente de modelos de São Paulo me perguntou: “Você ainda tem paciência para trabalhar com new faces?”, pensei pensei e respondi: “Sabe que descobrir e preparar um modelo é uma das tarefas que me da mais prazer?”. É isso... Talvez esse seja o segredo do sucesso do Tráfego Look, pois desde 1993 que faço com muito prazer e dedicação esse scouting pelo estado. Adoro. E como estamos finalizando essa temporada, vamos falar um pouco do que vai rolar daqui pra frente. Primeiro percorremos todo o Rio Grande do Norte a procura de meninas e meninos com potencial para seguir uma carreira de modelo, selecionamos e selecionamos, e chegamos à um veredicto final, escolhendo 27 meninas e 10 rapazes para o nosso cast. Nenhum deles com experiência na área – assim preferimos – e todos dispostos a aprenderem e atuarem na cena. Nossa preparação inclui aulas de passarela, fotografia e muita conversa. Sem custo nenhum. A nova turma da Tráfego Models será apresentada na passarela do Natal Fashion Week, que acontece nos dias 21, 22 e 23, sendo a finalíssima do concurso no sábado, 23, com avaliação de scoutings das agência Joy e Lagence, da França. Os classificados? Débora da Silva Alves, Ana Clara de Oliveira, Lizandra Mendes, Mariana Costa, Rádyla Áurea, Bianca Bera, Camila Matte, Geovana Louyse Oliveira, Thairrane Sena, Niltárzia Góes, Samara Trajano, Natália Custódio, Bárbara Vieira de Aquino, Geórgia Righetti, Maria Luíza Venceslau, Sara Giovana, Camila Zanetti, Alice Capelo Nagy, Miriam Livramento, Manuela Guedes, Luma La Banca, Viviane Siqueira (Areia Branca), Heloísa Farias (Fernando Pedroza), Fabiane Lima (Mossoró), Amanda Fernandes (Mossoró), Renata Farias (Fernando Pedroza) e Brenda Carvalho (São Miguel) . Os meninos são: Eduardo Marques(Areia Branca), Arthur Henrique de Azevedo, Luan Jácome de Lima, Pedro Henrique Villarim, Adiodato José Neto, Luís Henrique de Macêdo (Parelhas) , Damiano Alves de Lima, Jéferson Medeiros de Faria (Caicó), Mândalu Farias, Paulo Roberto Felippe e Patrício Pontes da Costa. Destaques do Tráfego Look 2008 e 2009: Já foram muitos os nomes de sucesso que lançamos durante 17 anos de concurso. Mais vamos nos destaques mais recentes. Primeiro com Monique Sandrelly Rêgo, que descobrimos na cidade de Riacho da Cruz e hoje é o nome da marca Zoomp na campanha para o verão 2011. Ela também ganhou o concurso Beleza Mundial by John Casablancas, e hoje reside em São Paulo, se preparando para a sua primeira viagem internacional. Luis Henrique Brandão, Thaís Viana e Olga Carvalho, também são exemplos de sucesso do Tráfego Look 2008. No ano passado, o concurso elegeu Brenda Pontes, Gardênia Alves, Alice Alves e Diego Lucena, todos atuaram bastante na cena fashion potiguar. Brenda emplacou anúncios para grupo Otosh, Rio Center, Express, entre muitos desfiles e ensaios de moda. Gardênia também se destacou muito e fez trabalhos para Lojas Express, Moura Dubeux, Águia Piscinas, Catálogo Natal Pensando Moda do Sebrae, Natal Shopping, entre outras, e Alice atuou em campanhas para Toli, Rio Center e Babucha Beach Wear, também foi a imagem de Natal no vídeo oficial da Copa 2014, fotografou para revistas como Shape e High, de projeção nacional, e recentemente protagonizou um clip para o rapper holandês Yasser. Sem falar nos outros new faces de destaque. Jully Marques, Manoela Alves, Ana Gabriela, Amanda Muller, Cássia Jullyani, Matheus Bessa, Matheus Rangel, João Victor, Gabriel Fróes, Gustavo Paiva, Alan Carlos e Lucca Summa.

LUIS MORAIS

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Brenda Pontes, vencedora do Tráfego Look 2009

Patrícia Simões, vencedora do Tráfego Look 2007, na capa da revista Cleo, da Ásia

Thays Vianna, recheio da revista Glam Mossoró

TRAFEGANDO.COM

DIVULGAÇÃO

Classificados da etapa Mossoró, realizada por Georgiano Azevedo

Alice Alves,no making off da revista Shape,de circulação nacional

Gardênia Alves, ilustrando o especial beleza da revista Glam DIVULGAÇÃO

ANDREY LOURENÇO

Monique Sandrelly Rêgo, vencedora do Tráfego Look 2008, na campanha da Zoomp Verão 2011

Samara Trajano. Uma das finalistas do Tráfego Look 2010

Ana Clara de Oliveira,em ação durante ensaio do Tráfego Look 2010 ANDREY LOURENÇO

Finalistas do Tráfego Look 2010, em ação no Hotel Vila do Mar

Rádyla Áurea. Uma das 26 finalistas do Tráfego Look 2010

ANDREY LOURENÇO

Thairrane Sena. Finalista do concurso Tráfego Look 2010

ANDREY LOURENÇO

ANDREY LOURENÇO

Maria Luíza Venceslau, Mariana Costa e Bárbara Vieira de Aquino. Finalistas do Tráfego Look 2010

ANDREY LOURENÇO

ANDREY LOURENÇO

Natália Custódio e Lizandra Mendes. Finalistas do Tráfego Look 2010 ANDREY LOURENÇO

Geovana Louyse Oliveira, Débora da Silva Alves e Niltárzia Góes. Candidatas do Tráfego Look 2010


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Natal | Rio Grande do Norte | Domingo | 17 de outubro de 2010

NELSON MATTOS FILHO velejador

mar é um ser mágico, cheio de encantos, valente, observador, extremamente forte e um grande pregador de peças. Ninguém passa por ele sem levar pelo menos uma marca para o resto da vida. A regata Recife – Fernando de Noronha 2010 foi marcado pelo mau humor de um mar bruto e, como disse um amigo velejador, “muito punk”. Foi um mar desafiante e que forçou os velejadores a refletirem e tomarem decisões que levam a fronteira de seus conhecimentos. Se no mar as coisas não estavam boas, muito piores estavam na Ilha de Fernando de Noronha. Decisões alopradas de extremistas alarmantes do meio ambiente confundiam a todos e até eles mesmos. Todo velejador é um apaixonado pela natureza, a começar pelo uso dos ventos para se mover sobre os oceanos. Confundir proteção com abuso de autoridade, como vimos em Noronha, é querer navegar contra a razão. E querer criar o factóide da dificuldade para vender facilidades, esta totalmente fora dos padrões ambientais e éticos exigidos pela natureza. Fernando de Noronha é um paraíso construído e elaborado nas profundezas da Terra. Veio à tona pelo fogo ardente de um vulcão detalhista e fascinado pela beleza. Suas formas foram escul-

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O mar e a ilha pidas por mãos mágicas de labaredas incandescentes. Os homens poderiam agir de forma mais criativa e inteligente na proteção desse paraíso. Em Noronha sobra proibição para uns e permissão atrapalhada para outros. Este ano tivemos a companhia dos golfinhos nadando junto aos veleiros na ancoragem do Porto. Foi uma alegria acordar todas as manhãs com aquelas criaturas brincalhonas fazendo exibição e

mostrando seus dorsos cinza reluzente. Junto a eles, uma lancha do ICMBio monitorava tudo há nossa volta a procura de algum tripulante desavisado que estivesse na água. Era como se nós estivéssemos invadindo o espaço sagrado dos golfinhos, e eles, agentes fiscalizadores da natureza, fossem os juízes prontos a aplicar uma severa pena. Alguns tripulantes foram obrigados a subir na lancha fiscaliza-

dora e intimados a comparecer a sede do ICMBio para prestar depoimento e receber uma dura reprimenda, sob a acusação de crime ambiental inafiançável. Eles não nadavam com os golfinhos, como é proibido, apenas nadavam entre os barcos quando os bichinhos apareceram. Veleiros são proibidos de navegar e ancorar em belas praias sob o argumento de causar dano ao meio ambiente. Tudo é monitorado as escondidas por

fiscais ocultos no alto das encostas, como se cada visitante fosse um agressor frio e calculista. Enquanto isso, barcos a motor passeiam com turistas livremente sem serem incomodados. Um gerador eólico destruído por um raio enfeia a paisagem do Porto, dando vez a grandes geradores movidos a diesel abastecerem de energia a Ilha. Piscinas artificiais completam o portfólio de pousadas, enquanto na Ilha falta água para os morado-

res. Uma imensa frota de carros, que já beira o caos, trafega na pequena BR e nas pequenas trilhas que levam as praias. Uma superpopulação de mais de 5 mil pessoas, entre nativos e trabalhadores, se alarma com a falta de gás de cozinha. Esgotos correm a céu aberto e até um incrível e mal cheiroso aterro sanitário tempera o ar. Em Fernando de Noronha sobram Leis, normas e procedimentos, mas faltam bom senso, razão e ética. Essa é a Fernando de Noronha do vulcanismo ao capitalismo, que inclusive foi tema de palestra de um geólogo/velejador no auditório do IBAMA Até a organização da REFENO que poderia dar mais apoio aos velejadores e contribuindo com a administração da Ilha, no atendimento aos anseios da regata, se abstém e faz ouvido de mercador. Basta ver o estado dos banheiros públicos destinados a regata: sujos, sem estrutura, sem limpeza e sem água. É uma vergonha o preço que se cobra de inscrição para tão pouco cuidado com o velejador e até com os patrocinadores, que associam seus nomes a regata. Fernando de Noronha ainda é um paraíso elaborado pela natureza e encravado no meio do oceano, agora resta saber até quando. As normas de proteção precisam ser repensadas, inclusive a regata que este ano enfrentou um mar estranho e que vai deixar marcas. O mar é um grande observador e um feroz vigilante.


esportes

HOJE NA TV

RÁDIO GLOBO NATAL

7h45 – Italiano - Cagliari x Inter - ESPN Brasil Globo 17h30 - série A - São Paulo x Santos - Sportv

06h - Esporte em debate 13h - Futebol Show 17h - Balanço Final

CURIOSIDADES Em 1920 o Brasil conquistou medalhas de ouro e prata na modalidade de tiro,nas Olimpíadas realizadas na cidade de Antuérpia.

DICAS As entradas para o jogo entre ABC x Águia de Marabá já estão sendo vendidas nos pontos credenciados.

AMÉRICA

Ricardo Bezerra afirma que está preocupado com a atual situação do clube. PÁGINA 2 NÚMERO 19 gols tem Jonas,atacante do Grêmio.O jogador é o artilheiro da série A do Brasileiro.

Editor: Itamar Ciríaco e-mail: esporte@tribunadonorte.com.br

NATAL • RIO GRANDE DO NORTE Domingo • 17 de outubro de 2010

As cidades de Parelhas e Goianinha vivem climas de ansiedade para os jogos que acontecem neste domingo e devem reunir um grande público nos estádios. Equipes sonham em disputar elite do futebol potiguar

[ SEGUNDA DIVISÃO ]

Partidas movimentam interior do RN Segunda Divisão do Campeonato Potiguar promete movimentar bastante duas cidades do interior do Estado hoje. Os moradores de Goianinha e Parelhas aguardam com grande expectativa os jogos dos seus representantes na competição. Em Goianinha, o Palmeira recebe o América-B às 15h no estádio Nazarenão e os parelhenses aguardam o duelo entre Centenário e Atlético Potengi, que acontece às 15h30min no estádio Laurentino Bezerra. Os dois jogos são válidos pela segunda rodada da competição. Toda a cidade em volta de um só evento. É assim que pode se considerar o clima que vive o município de Goianinha para o jogo entre o Palmeira local e o América-B. Durante a semana, carros de som espalhados na cidade e anúncios constantes em uma rádio comunitária de Arez avisam sobre a batalha marcante entre o Verdão do Agreste e um grande da capital, no caso o América. Nem mesmo o fato do Dragão colocar o seu time reserva diminui a importância do duelo para a população local. “Esse jogo tem um caráter muito especial para a nossa cidade. É a primeira vez que um grande time da capital disputa uma partida oficial em Goianinha. Então, a expectativa é que o estádio esteja lotado para esse jogo”, aguarda o secretário de esportes da cidade, Washington de Lima. E a estreia do Palmeira na com-

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petição ajuda a explicar porque o Alviverde está tão motivado. O time jogou bem contra o ABC, que utilizou alguns atletas relacionados para o duelo diante do Águia de Marabá-PA. O goleiro Messi, grande ídolo da torcida, defendeu um pênalti quando as câmeras de diversas emissoras destacavam o camisa 1. A partida só não foi considerada melhor porque o Palmeira perdeu por 1 a 0, mas, mesmo assim, a torcida culpou a arbitragem e não os jogadores do Verdão. Uma vez que o juiz anulou o gol do Palmeira e validou uma falta que originou o gol do ABC, que, segundo os alviverdes, foram lances duvidosos. E a motivação é ainda maior porque o time contará com o atacante Somália, conhecido por ter sido um dos artilheiros da equipe na Copa Robinson Faria. “Chego com a responsabilidade de repetir o que fiz na Robinson Faria, mas sabendo que agora tudo é mais difícil, por se tratar de uma competição profissional”, ressalta o jogador, que estava no Alecrim. Já o América vai para campo com um time formado basicamente por jogadores revelados em suas categorias de base, sendo que boa parte está se preparando para participar da Copa São Paulo de futebol sub-18, que acontece em janeiro. O técnico Severo Júnior ainda não definiu a escalação da equipe, mas é certo que ele deve mesclar também com alguns atletas profissionais. DIVULGAÇÃO

O Palmeira de Goianinha vai receber o América B neste domingo

Parelhas recebe seu primeiro jogo oficial de futebol O dia 17 de outubro entra para história da cidade de Parelhas. Isso porque o município sedia um jogo profissional pela primeira vez, considerando toda a história do município. Com isso, os 600 ingressos disponíveis para o jogo entre Centenário e Atlético Potengi já estão perto de se esgotar. O tesoureiro Marcos Nascimento, que foi um dos primeiros a acreditar na possibilidade do clube se profissionalizar, diz que a cidade vai sentir o impacto de uma competição oficial neste domingo.“O Centenário é um time de muitos títulos no amador, mas sempre foi basicamente formado por pessoas que trabalham e levam o futebol como hobby. Estamos no processo transitório, ainda temos atletas que conciliam o esporte com outra atividade paralela. Mas as mudanças em poucos meses, por causa dessa profissionalização, foram enormes. E a cidade está muito ansiosa para sentir essa nova realidade”, salientou Marcos Nascimento.

O técnico Fabiano Medeiros gostou da apresentação dos seus atletas no jogo contra o América-B na primeira rodada, que saiu 2 a 2. Ainda assim, ele deve fazer algumas modificações. O novo reforço do time, o volante Odair, vem agradando nos treinamentos e herda a posição, que era ocupada por Petinha. O atacante Nildo é outro que deve ser titular. Ele entrou no segundo tempo da partida contra o América-B e já marcou um gol. Por outro lado, o Atlético Potengi conta com a ajuda de empresários para montar a equipe. O time aproveitou, em sua maioria, os jogadores que moram em Natal e estavam sem clube, para fazer o plantel. O técnico é o experiente Baltazar Germano e o elenco conta com atletas experientes, como os meias Kel e Teci, além do atacante Helinho. Na última quinta-feira (14), o time realizou um amistoso contra o Visão Celeste e venceu por 3 a 0.


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Domingo | 17 de outubro de 2010

AMÉRICA PRECISA ALTERAR A GESTÃO A CRISE DIRETIVA QUE SE INSTALOU NO CLUBE NA ATUAL GESTÃO E O FRACASSO DO FUTEBOL NOS ÚLTIMOS ANOS, DEIXARAM A CONVICÇÃO QUE CHEGOU O MOMENTO DE SE MODERNIZAR A FORMA COMO O CLUBE É DIRIGIDO ALEX RÉGIS

m meio a uma operação de salvação na série B do Campeonato Brasileiro e que requer a união de todos os setores do clube, foi desvendada essa semana o clima de “guerra-fria” que está sendo travada nos bastidores políticos do clube e que vem impedindo uma maior margem de manobra da atual diretoria. O presidente José Maria Barreto Figueiredo está praticamente isolado junto com alguns homens de confiança, atrás de recursos com a finalidade de manter em dia os compromissos salarias. O conselheiro Ricardo Bezerra, reconheceu a fase delicada e disser ter chegado o momento dos homens com palavra dentro do clube assumirem suas responsabilidades, deixar a vaidade de lado e sentar para uma conversa séria, sobre o fu-

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turo do clube. Ricardo Bezerra acredita ter chegado o momento de se rediscutir o modelo de gestão americano, que hoje é obrigado a pensar em se desfazer de um pedaço da sede social para investir na modernização do clube. “Nosso modelo de gestão que foi sucesso nos anos 80 e que ainda resistiu um pouco nos anos 90, caducou. Hoje quem quer que assuma a presidência do América, senta à mesa e o clube não tem receita nenhuma. O futebol começa do zero, tem que captar recursos dessa área e gastar dentro do próprio futebol. O América tem que ser reformulado, deve ter mais gente trabalhando junto, não pode imperar a desunião, a divisão, a falta de integração que está havendo esse ano”, argumentou.

A divisão existente dentro do Alvirrubro causou a primeira baixa na diretoria, o vice-presidente administrativo Álvaro Gouveia, alegou problemas pessoais e renunciou ao cargo. José Maria, que foi aclamado como presidente pelo conselho deliberativo, por enquanto segue resistindo às pressões e segue rechaçando qualquer probabilidade de abandonar o cargo. A aliança entre a presidência e o grupo de apoio ao futebol foi montada com metal frágil, que não resistiu a algumas declarações mal colocadas de José Maria Barreto na imprensa. A crise que no período do Estadual era tratada sob sete chaves, agora foi desnudada com o recente alerta de Ricardo Bezerra. “Me preocupa a situação do clube como um todo, o América hoje não é integrado como deveria

ser. Se as grandes lideranças não se sentarem a uma mesa, junto com a diretoria e os conselheiros vai ser complicado. Existe desunião no clube, existe pensamento divergentes e temos de arrumar a casa. Se internamente o América não organizar a casa, ficará difícil o América se arrumar dentro de campo. Nós temos de ser realistas”, afirmou Bezerra, em entrevista à Rádio Globo. A crise na cúpula americana faz reflexo dentro das quatro, seguidos erros na formação de elenco, dispensas numerosas e falta de uma liderança diretiva, provocam insegurança dentro do grupo. Jogadores importantes do elenco já vinham reclamando dessa situação faz tempo e até o momento pouco se fez para resolver a questão. “O América tem que resolver

logo essa clima de crise permanente na sua direção. O clube está sem norte, não temos a quem recorrer, isso provoca insegurança dentro do elenco e jogador nenhum se sente bem num ambiente de insegurança”, revelou um atleta que pediu para ter o nome mantido em sigilo. Quanto a existência de uma ação para provocar a renuncia da atual diretoria, Bezerra se mostra contrário. “Renúncia de presidente do América nunca resolveu a situação do clube. Se sabe claramente que enfrentamos dificuldades até para saber quem vai assumir o comando do clube, não é por ai. O América precisa mesmo se unir, nossos bons momentos sempre foram caracterizado por um período de união entre o grupo que dirigia o futebol com o presidente”, ALDAIR DANTAS

RODRIGO SENA

Me preocupa a situação do clube como um todo, o América hoje não é integrado como deveria ser. Se as grandes lideranças não se sentarem a uma mesa, junto com a diretoria e os conselheiros, vai ser complicado” RICARDO BEZERRA diretor do América

Quando se é presidente, suas decisões agradam a uns e desagradam a outros. Isso é natural em qualquer gestão” JUSSIER SANTOS conselheiro do América

lembra enfatizando também que opiniões contrárias as dos dirigentes sempre existiram. “Nesse período também existiam criticas das pessoas que não gostavam do modelo de gestão criado para o futebol. A única diferença desse ano para os últimos foi que quando o presidente José Maria assumiu, constituiu um grupo de futebol. Com o insucesso do Estadual e a divergência com Alex Padang, o grupo da presidência foi começando a gerir mais o futebol e nós entendemos. Quem tem cargo na diretoria sabe que os problemas no futebol reflete muito mais forte em cima deles. Com a saída de Padang o grupo de apoio ao futebol foi perdendo também seu poder de decisão e acabou funcionando mais como uma espécie de grupo de conselho”, revelou.

Não acredito que José Maria venha a renunciar. Acho que pressão pode haver, mas não acredito. O América já tem tanta renúncia. Mas pelo que conheço de José Maria, acho difícil que isso ocorra”

Ricardo Bezerra tornou pública a crise instalada dentro do clube

Jussier Santos acredita que falta a José Maria assumir o papel dele

Jussier não acredita na salvação Acompanhando de longe a política do América, o ex-presidente Jussier Santos, em entrevista ao programa Esportes em Debate da Rádio Globo, disse ter sido pego de surpresa com a notícia do nível de desunião existente no América. Considerado um dos cardeais alvirrubros, ele credita o nível de desentendimento entre os grupos a tentativa de contemporização do presidente José Maria Barreto Figueiredo entre as partes discordantes. “Quando se é presidente suas decisões agradam a uns e desagradam a outros,

isso é natural em qualquer gestão”, pontificou. Jussier cita dois pontos cruciais para o América continuar pecando e manter a derrocada dentro do futebol apresentada nos últimos anos. “Faltou planejamento e união. O América tinha obrigação de ter feito um bom planejamento para temporada, porque era o único clube do RN ciente do que iria fazer nesta temporada. O ABC está dando uma lição no América este ano, lá houve um mínimo de planejamento e união, por isso o clube está dando certo. De longe

essa é a análise que posso fazer, não sei se estou certo ou errado”, ressaltou. Desses dois problemas resultam a incredulidade do ex-presidente no sucesso da campanha de salvação do América no Brasileiro. “Sempre tive os pés no chão e acho que só um milagre pode fazer com que o América permaneça na série B. Sou um homem de fé e vou esperar esse milagre. O que posso esperar hoje é que o futebol do RN saia engrandecido com o ABC”, frisa. Quanto a pressão para saída do

presidente José Maria, o ex-dirigente confessou que não sabia de sua existência, mas de qualquer forma não acredita no êxito dessa ação. “Não acredito que José Maria venha a renunciar, acho que pressão pode haver, mas não acredito que vá surtir efeito. O América já tem muita renuncia, mas pelo que conheço de José Maria acho difícil que isso ocorra. Divisão existe, são diversas cabeças a pensar, talvez o que ele precise é de forma definitiva assumir a condição de presidente do América Futebol Clube”, opinou Jussier Santos.

JUSSIER SANTOS ex-presidente do América

Acredito que assombro será manter o modelo de gestão da forma que está a iniciar o próximo ano sofrendo dos mesmos problemas de hoje. Já passou do tempo de ser modificado” RICARDO BEZERRA diretor do América


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Secretaria Estadual de Esporte e Lazer lança, na próxima terça-feira, o “RN Ativo”, que tem como objetivo, melhorar a qualidade de vida dos natalenses e estimular a prática de atividades físicas nos bairros

[ PROJETO ]

População ganha área de exercício isando disseminar e estimular a prática de atividades físicas entre a população natalense em busca de uma melhor qualidade de vida, bem como orientar a sociedade sobre a prática saudável e adequada de exercícios, a Secretaria Estadual do Esporte e do Lazer (Seel), em parceria com o Idema, Parque das Dunas e Unimed, lançam nesta terça-feira, 19 de outubro, o projeto “RN Ativo”. O evento será realizado no Anfiteatro Pau-Brasil, Parque das Dunas, a partir das 6 horas. A iniciativa pretende contribuir para a manutenção do estado de saúde e prevenção das doenças que afetam a população natalense. O projeto irá oferecer orientação médica, informação, prescrição, acompanhamento e avaliação aos praticantes de atividades físicas e caminhadas. “Trata-se de um conjunto de ações que irão transformar a prática das atividades físicas em Natal, tornando-a mais segura e saudável. Pretendemos reverter as estatísticas que colocam a nossa cidade entre as mais sedentárias do país”, analisa Júlio Protásio, secretário de esportes. O “RN Ativo” será realizado inicialmente no Bosque dos Namorados - área de uso público do Parque das Dunas - de segunda a sexta-feira em dois turnos. Pela manhã, o projeto acontece das 05h30min às 08h30min, e no período da tarde, das 15h00min às 18h00min. A escolha do Bosque como ponto de partida do projeto se deu pelo fato de já haver ali um cadastro com cerca de 1.200 coopistas. Além do Parque das

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Dunas, a idéia é de que a iniciativa seja estendida futuramente para o calçadão da Avenida Engenheiro Roberto Freire, em Ponta Negra, e para a Avenida Afonso Pena. O projeto irá dispor de uma estrutura de atendimento composta por monitores que irão oferecer serviços de atividade física aeróbica, registro de peso e altura, verificação de pressão arterial basal, peso corporal, porcentagem de gordura, acompanhamento da freqüência cardíaca, distribuição de material educativo sobre os cuidados e critérios para a prática de atividade física e seus benefícios, sobre o controle de doenças, tais como diabetes, hipertensão e obesidade, além de informações sobre fatores de riscos coronarianos, fumo, álcool, stress, gordura e outros. “Contamos com profissionais devidamente capacitados”, disse. ELISA ELSIE

Secretário da SEEL,Júlio Protásio


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[ ESCOLINHAS ]

[ F. AMERICANO ]

Projeto devolve sonho aos jovens

Scorpions tem atletas na seleção potiguar

Em busca de garantir apoio aos jovens, a Prefeitura de Parnamirim lançou um programa para caça de jovens talentos para atuar em diversos tipos de modalidade espotiva do futebol ao bicicross

DIVULGAÇÃO

antigo terreno baldio na entrada de Parnamirim, conhecido como “campos da base” se transformou, em apenas uma semana, em um cenário de sonhos. Diariamente dezenas de jovens lotam os campos para as aulas de futebol do projeto Caça-talentos, patrocinado pela Prefeitura da cidade através da Secretaria de Esportes. A área com quase 50 mil metros quadrados está sendo desmatada para a implantação do maior projeto esportivo do RN. Serão quatro campos oficias de futebol, pista de atletismo, quadras de vôlei, handebol, futebol de praia e até uma pista de bicicross. Na primeira etapa o projeto Caça-talentos começou com futebol. Atualmente são 400 crianças e jovens com idades entre 8 e 17 anos que treinam diariamente nos dois turnos. Sob a tutela de três veteranos técnicos, Reinaldo, Severo Dias e Tapioca, os garotos têm a oportunidade não apenas de dar os primeiros passos no futebol, mas em sonhar em ser um grande jogador no futuro. O exemplo está ali mesmo, na frente deles. Reinaldo, que começou sua carreira jogando nesses mesmos campos, passou por ABC, América, Flamengo, Santos e Internacional.

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Projeto que teve iniício apenas com o futebol,atualmente reúne um grupo de 400 jovens que praticam esportes e se afastam das drogas

Tem bagagem suficiente para botar esses garotos no caminho do sucesso. Severo Dias, o Severinho, foi ídolo no futebol baiano e no América de Natal. Hoje, com larga experiência com as divisões de base dedica parte do seu tempo ao projeto. “Esse era um sonho antigo meu. Trabalhar com crianças carentes não apenas para revelar talentos, mas para ajudar a formar o homem. Nas minhas palestras eu não deixo de lembrar que eles precisam estu-

dar acima de tudo. Porque a carreira de jorro de futebol mesmo com sucesso, dura muito pouco”, diz. O outro professor, também veterano, já é conhecido em todo o Estado. Tapioca foi menino pobre em Parnamirim e através de muito esforço se transformou em técnico de futebol com vários cursos dentro e fora do Estado. O trio, assessorado por toda a equipe da Secretaria de Esportes atende uma demanda sempre crescente de garotos. “Co-

meçamos com 100 alunos já estamos perto dos 400”, afirma Francisco, responsável pelas matriculas. O Secretario Nilson Gomes admite que ficou surpreso com o sucesso do projeto. “Foi muito rápido. Nós projetamos uma coisa e aconteceu dez vezes mais. Agora estamos trabalhando para atender toda a demanda. Não podemos mandar um garoto pra casa por falta de estrutura. Temos que buscar essa estrutura não só na pre-

feitura mas também com parcerias e atender todo mundo”. As aulas ocorrem de segunda a quinta das 7h30 às 10h30 e das 15h ás 17h30 com turmas de 8 a 11 anos, 12 a 14 e 15 a 17. O pedreiro José de Paiva, pai de um dos garotos do projeto fez uma reclamação que representa toda ansiedade dos novos talentos do futebol de Parnamirim. “Meu filho acorda às quatro da manhã querendo ir logo para o treino.”

[ MARKETING ] Diretoria do Alvinegro espera

que o novo modelo atraia ainda mais torcedores

Marcos Lopes

ERK lança quinta-feira o uniforme 3 do ABC

lopesrn@hotmail.com

América está desunido esumindo,foi o que disse o conselheiro Ricardo Bezerra durante entrevista na Rádio Globo. Entre outras coisas, o conselheiro que tem uma ligação muito direta com o futebol do América disse que o modelo “caducou e que o América não é um clube integrado”, confirmando o que é voz corrente sobre a divisão interna que existe dentro do clube, e que aumentou depois da posse do presidente José Maria Figueiredo, que ao invés de unir conseguiu afastar conselheiros e colaboradores influentes. Muitos falam sobre o isolamento do presidente do clube, mas a verdade é que foi o próprio dirigente que provocou esse isolamento. A situação preocupa e a menos grave é a de dentro do campo, é aquela que está apontando para o rebaixamento. O que efetivamente preocupa no América, é o endividamento do clube e a divisão interna, e que tem como principal vetor o presidente José Maria. Ora, ele não conseguiu unir, não conseguiu agregar apoio, e tem uma responsabilidade muito grande pelo momento que o clube está vivendo. Tomou posse, mas nunca assumiu de fato o comando do América, e por uma razão que para mim é fácil explicar. José Maria Figueiredo não acompanhou a evolução do futebol. Estacionou na campanha de 1996, que na verdade teve em Eduardo Rocha, o grande executor do acesso, e pensou que o tempo havia parado. Assumiu depois de muita indecisão, e gerou uma expectativa muito grande no torcedor ainda mais, depois que começou a fazer mais promessas do que candidato em campanha eleitoral. Prometeu o título estadual, e o acesso para a Série A. Deu tudo errado, e para completar o quadro negativo, nunca adotou uma postura verdadeiramente de presidente de um clube do tamanho do América. Pelo contrário, criou uma série de constrangimentos com algumas entrevistas desastrosas. É evidente que ninguém pode – eu pelo menos não faço – abrir uma caixa de Pandora em cima de José Maria e despejar todas as desgraças do mundo nos ombros do dirigente, mas que ele como presidente, como comandante, como timoneiro do barco cometeu o mais grave dos pecados que um comandante pode cometer, cometeu. José Maria Figueiredo não agiu, não se impôs, não assumiu prá valer a presidência do América. O tempo dele na presidência do clube rubro já passou.

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a próxima semana a seleção do Rio Grande de Norte de futebol americano enfrentará um desafio que promete ficar na história do esporte. O selecionado potiguar participará do “Desafio Mais Ação de Futebol Americano”, dia 23 de outubro, no estádio Leonardo da Silveira (Campo da Graça), em João Pessoa (PB), quando enfrentará a seleção da Paraíba. O evento promete ficar marcado na história do futebol americano nordestino. Será a primeira vez que será disputada uma partida oficial fullpad na região. “Fullpad significa que todos os atletas competirão com os equipamentos de proteção completos. Isso mostra claramente a evolução que o futebol americano vem alcançando na nossa região”, disse Marcelo Costa, presidente da Associação Natal Scorpions de Futebol Americano. A seleção potiguar já está convocada e o Natal Scorpions participará do evento com nada mais, nada menos que 16 atletas. “Nossos atletas estão preparados para esse desafio. Temos a absoluta certeza de que essa convocação vem expor o resultado do trabalho sério e profissional que vem sendo realizado pelo Natal Scorpions”, comentou o Head Coach (treinador), Daniel Torres. Além da partida amistosa, o evento contará também com uma vasta programação social, cultural e de lazer. A entrada custará apenas 1 kg de alimento perecível, que será revestido a instituições de caridade, haverá a participação de um DJ animando o público presente, diversas apresentações artísticas e ainda sorteio de brindes para os torcedores e admiradores do futebol americano.

AGORA É NO FRASQUEIRÃO A partir de hoje todas as atenções estão voltadas para o domingo que vem,dia 24.O ABC faz o jogo da volta com o Águia na busca de uma vaga para a Série B.Não sei qual será o desfecho do confrontos entre ABC e Águia – a coluna foi fechada antes do primeiro jogo - mas o que está muito claro no alvinegro,é que o novo modelo de gestão implantado pelo presidente Rubens Dantas revitalizou o clube em todos os segmentos,com uma maior visibilidade para o excelente trabalho de marketing que vem sendo coordenado por Paiva Torres.Não tenho nenhum receio de afirmar que se voltar para a Série B,o clube vai viver uma fase de crescimento consistente como poucos clubes do Nordeste.

Fim de jogo, fim de papo RODRIGO SENA

“Um placar assim machuca a gente, machuca o ego”.Técnico Dado Cavalcanti depois da goleada que o América sofreu no Couto Pereira.

NÃO ERA MORONI? Não sei até que ponto o Santa Cruz acertou na contratação do técnico Mirandinha,que estava no Picos.Salvo engano estava tudo certo para que Paulo Moroni assumisse o comando da equipe em 2011.O Santa faz uma aposta, quando poderia investir em um profissional que já é conhecido,e que fez um trabalho muito bom no Estadual. Trocaram o certo pelo duvidoso.

o seguir os grandes clubes brasileiros, o ABC ganha o uniforme 3. Atendendo ao desejo do torcedor alvinegro, a ERK Sport Evolution lança o novo modelo de camisa com a cor amarela e uma novidade para encher ainda mais o abecedista de orgulho. O produto terá a descrição, a assinatura, do hino do clube, um case no mercado nacional, uma oportunidade para o cliente guardar eternamente no coração. A apresentação da camisa amarela e do novo short com o hino nas laterais será nesta quinta-feira (21), às 19h, na praça de eventos do Natal Norte Shopping, onde ocorreu com sucesso o lançamento da nova coleção no início do semestre. No evento, será apresentado o uniforme 3 com a presença dos

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guerreiros alvinegros e modelos. A camisa foi aprovada no novo estatuto do clube e homologada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), como integrante dos padrões do ABC. Para o lançamento de um produto extremamente diferenciado, a ERK e ABC esperam repetir o sucesso dos principais clubes do mundo, que apostaram no terceiro uniforme para atender uma demanda do mercado e em Natal não será diferente. “Colocamos no mercado um produto de referência nacional, um case, o uniforme amarelo com o hino do ABC Futebol Clube. É um tecido leve, com tecnologia de absorção, que favorece o desempenho do atleta, hoje presente nos grandes clubes brasileiros”, disse Eduardo Pacheco, diretor da ERK.

HISTÓRIA O futebol americano, conhecido nos Estados Unidos da América simplesmente como football (“futebol”, em português),e em alguns outros países de língua inglesa como gridiron, é um desporto de equipe e de contato que surgiu de uma variação do rugby e que recompensa a velocidade, agilidade, capacidade tática e força bruta dos jogadores que se empurram, bloqueiam e perseguem uns aos outros, tentando fazer avançar uma bola em território inimigo durante uma hora de tempo de jogo, que se transforma em três ou quatro de tempo real.


Domingo | 17 de outubro de 2010

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Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte | 5 DIVULGAÇÃO

[ AUTOMOBILISMO ] Prova vai ser disputada no kartódromo de Easykart,

ATLETISMO

na cidade de Milão/ITA. Disputa vai contar com 115 pilotos do mundo

UNIMED NATAL PROMOVE CORRIDA

No Kart, Victor Uchôa disputa Mundial na Itália

No próximo dia 23 de outubro, a Unimed Natal comemora o seu aniversário de 33 anos e o Dia do Médico com uma atividade esportiva aberta à população: o Circuito Unimed de Corrida. O percurso de 5 km – que terá largada e chegada em frente à sede da Unimed Natal na Avenida Prudente de Morais, 505 em Petrópolis – seguirá pela Avenida Nilo Peçanha, com retorno em frente ao Condomínio Residencial Floriano Cavalcante e o segundo retorno, próximo à Avenida Alexandrino de Alencar. Poderão participar pessoas de ambos os sexos acima de 16 anos de idade e serão premiadas três categorias: Comunidade (masculino e feminino), Classe Médica (masculino e feminino) e Deficiente Físico (masculino e Feminino).

piloto Victor Uchôa participa hoje do maior desafio de sua carreira. Aos 9 anos de idade, o potiguar entra na pista do kartódromo de Milão, na Itália, para disputar o título do Easykart, o campeonato mundial da categoria, um dos únicos que ainda lhe faltam. O potiguar, que já está na cidade italiana, vem realizando seguidos treinamentos nos últimos dias, como forma de preparo para o Mundial, quando disputará o título com outros 115 pilotos de todas as partes do planeta. Victor sabe a responsabilidade e tem objetivos bem definidos, apesar da pouca idade. O piloto reconhece que o desafio chama aten-

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ção de investidores de todo o mundo, na disputa que é um verdadeiro celeiro para apontar os novos talentos do kartismo mundial. “Lá estarão donos de grandes equipes. O dono da maior fábrica de chassi do mundo, Ronnie Quintarelli, da Birel, vai me receber na prova. A disputa é muito rígida. O kart, por exemplo, é cedido pela organização. Não é permitido nenhum carburador especial. O diferencial é o talento”, disse o piloto. Durante a prova em Milão, Victor estará sendo acompanhado pelos olhos do presidente mundial da Puma, Jay Picolla. O potiguar foi contactado para ser um piloto Puma e deve negociar esta possibili-

dade no tempo em que permanecer na Europa. Patrocinado pela Unimed Natal, Ster Bom, Livraria Câmara Cascudo, Sacolão, Lápis de Cor, Casa Norte Atacado, Faculdade dos Guararapes, Senscience e Hotel Sombra e Água Fresca, a chegada de uma marca de peso como a Puma deverá representar saltos internacionais para o jovem talento. O padrão de organização do evento será o mais alto nível. O evento será transmitido ao vivo para rede de televisão italiana. São esperados mais de 50 jornalistas especializados, além de 20 equipes de veículos de comunicação impressa e televisiva.

FUTSAL

ASSU OPEN AUMENTA PRÊMIO

Victor Ucôa vai competir com pilotos de várias partes do mundo DIVULGAÇÃO

Johilton Pavlak defende o RN na Future O piloto potiguar Johilton Pavlak disputa em Brasília mais uma etapa decisiva da Fórmula Future Fiat. Em quarto lugar na corrida pelo título, Johilton compete pela 9ª e 10ª rodada do campeonato. As provas serão realizadas hoje, no autódromo Nelson Piquet. O campeão da categoria ganhará uma vaga na Ferrari Drivers Academy e o direito de disputar a temporada 2011 da Fórmula Abarth Italiana com tudo pago. Como esse é o primeiro ano da nova categoria, o objetivo principal é adquirir experiência e

aprendizado para o futuro. “O final da temporada está chegando e as disputas vão aumentando, exigindo ainda mais concentração. Ainda sou novato na categoria e me preocupo em continuar aprendendo, mas se surgir a oportunidade de vencer, vou tentar aproveitar”, disse o piloto. A etapa vai exigir um preparo ainda maior dos pilotos e dos carros durante o final de semana. A previsão é que a temperatura fique em torno dos 30º C. No entanto, Johilton não mostrou preocupação com o clima no

dia da prova. “Tenho que me concentrar na minha pilotagem e em controlar a temperatura dos pneus. Não adianta ficar se preocupando em saber se vai chover ou fazer sol”, explicou. A temporada 2010 da Fórmula Future será encerrada em Santa Cruz do Sul (RS), com a 11ª e 12ª etapas, nos dias 11 e 12 de dezembro. Com estrutura semelhante aos carros da F1, a Fórmula Future utiliza carros monoposto, que tem uma velocidade final de até 230 km. A nova categoria é promovida por Felipe Massa.

Johilton Pavlak está na briga por uma vaga na escuderia Ferrari

A bola só começa a rolar no dia 06 de dezembro no Assu Open de Futsal, mas o sucesso do evento já é uma realidade. Tanto que a premiação da competição aumentou, graças a uma parceria feita com a empresa assuense Atacadão Vieira, que vai ofertar uma moto ao campeão do evento. Assim, o Assu Open vai premiar o campeão com a moto e mais três mil reais em dinheiro. O vice-campeão recebe 1,5 mil reais e o terceiro fica com 500 reais. Oito equipes já estão confirmadas. As inscrições acontecem até o dia 15 de novembro e a expectativa é que o número de equipes confirmadas aumente, já que outros times fizeram préinscrição para disputar o evento.


esportes 6

|Natal Rio Grande do Norte |Domingo| 17 de outubro de 2010

Rei do futebol disse que jovem tem de parar de jogar para televisão e se tornar um jogador mais produtivo para o clube. Também se posicionou favorável a punição que o atleta recebeu de Dorival Júnior e parabenizou Mano Menezes

[ FUTEBOL NACIONAL ]

Pelé faz duras críticas a Neymar ão Paulo (AE) - Um dos principais defensores do futebol de Neymar, Pelé fez as suas primeiras críticas mais duras ao comportamento recente da revelação santista. Revelou que deu bronca no camisa 11 e mostrou total apoio ao castigo aplicado por Mano Menezes, que não incluiu o garoto na última convocação da seleção brasileira. “Ele fez muito bem não levando o Neymar, como represália. Até liguei para ele (Mano) e deixei recado”. Para o Rei do futebol, a puni-

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ção foi boa para Neymar e está surtindo efeito. “Há seis meses, ele estava jogando mais para a televisão e para a torcida do que para o time. Só fazia firula e reclamava da arbitragem”. Pelé ficou ao lado de Dorival Júnior no episódio de indisciplina que envolveu Neymar e causou a demissão do técnico. “O que fizeram com o Dorival foi injustiça, ele estava agindo de acordo com o que a diretoria pediu. O Neymar é que precisa mudar”. Acostumado a derramar-se em

elogios, Pelé decidiu parar de passar a mão na cabeça do jovem santista. “As pessoas falam que ele é menino, que não tem maturidade, mas não é assim. Eu tinha 17 anos quando fui para seleção, o Coutinho tinha 16”, disse. O Rei afirma que foi ao Santos para convencer Neymar a recusar a proposta do Chelsea e seguir na Vila Belmiro. “Conversei com o Neymar e disse o que sempre falo: que o dom de jogar é um dom dado por Deus, não precisamos fazer nada. Mas temos de cuidar do resto e o im-

portante é dar o exemplo. Ao empresário, às vezes, só interessa o dinheiro”. Pelé criticou a postura da diretoria santista em relação a Neymar e alfinetou os dirigentes. “Só sou chamado no Santos quando muda a diretoria ou quando o time está mal”. DEFESA A DUNGA Durante o evento de lançamento do Programa Esportivo Lúdico Escolar, em São Paulo, Pelé não perdeu a chance de cutucar um de

seus alvos preferidos: Diego Maradona. “Realmente não é um modelo que a gente pretende para os jovens. Depois de tudo o que ocorreu, com drogas, ainda tem gente querendo dar emprego a ele. Não se pode tê-lo como um exemplo positivo”. O eterno ídolo santista ainda defendeu Dunga das críticas após o fracasso na Copa do Mundo da África do Sul. “O Dunga fez a limpeza disciplinar, de caráter, ganhou tudo em três anos e foi criticado porque o Brasil perdeu a Co-

pa. Que culpa ele tem se o melhor goleiro do mundo (Júlio César) falha e outro (Felipe Melo) perde a cabeça e é expulso?” A uma semana de completar 70 anos (registrado em 21 de outubro, ele comemora no dia 23), Pelé assegurou que não mudaria em nada na sua trajetória, mas revelou que ainda tem um sonho. “O Santos ainda é um grande nome mundial e não tem estádio próprio. Gostaria de ver o Santos levantar seu estádio antes de eu morrer”. FÁBIO GUINALZ/AE

Maior ídolo da história do Santos,Pelé criticou a diretoria do clube pela demissão do técnico Dorival Júnior

Parreira quer saber que tipo de trunfo tem Ronaldo São Paulo (GP) - O atacante Ronaldo anunciou que tinha um trunfo para convencer o técnico Carlos Alberto Parreira a assumir o comando do Corinthians. Em entrevista ao Bandsports, o comandante do tetracampeonato mundial afirmou que está ansioso para saber o que o Fenômeno reservou para convencê-lo a voltar atrás na decisão de não trabalhar como técnico em 2010. “Estou doido para ver essa carta na manga do Ronaldo, saber se vai mudar algo mesmo. Eu tenho uma amizade com ele desde 1993. A gente tem casa próxima em Angra e ele é sem dúvida o grande nome do futebol mundial, mas a gente fica meio “assim” sobre como poderia acrescentar”, afirmou Parreira, que teria recusado uma proposta do presidente corintiano, Andrés Sanchez. Após comandar a África do Sul na última Copa do Mundo, Parreira afirmou que desejava descansar, curtir a família e se afastar do futebol. No Timão, o nome mais forte especulado para assumir o cargo ocupado interinamente por Fábio Carille é o de Tite, que está trabalhando no futebol árabe após passagem frustrada pelo Internacional nesta temporada. Em contato com a reportagem da Gazeta Press, o empresário de Tite, Gilmar Veloz, não negou nem confirmou o interesse. “Não posso falar sobre o assunto”, se limitou a dizer. Andrés Sanchez, no entanto, afirmou em encontro na Federação Paulista de Futebol, na noite, que novidades estavam próximas e que uma entrevista coletiva deve ser marcada para amanhã. A diretoria do Corinthians trabalha com rapidez para definir um novo treinador, uma vez que o time passa por crise no Campeonato Brasileiro. APOSENTADORIA Um dos maiores ídolos do atual elenco do Corinthians, o atacante Ronaldo se sente em dívida com a Fiel. Após uma excelente chegada ao Parque São Jorge, com

direito a título do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, o Fenômeno viu seu desempenho minguar em 2010, ano do centenário do clube. Para se redimir e buscar mais conquistas, o Fenômeno confirmou que se aposenta em dezembro de 2011, independente da participação na próxima Copa Libertadores. “Eu continuo. Nem falei com o presidente (Andrés Sanchez) ainda, mas se o clube quiser, fico até dezembro de 2011. Então, oficialmente, vou encerrar minha carreira”, disse o Fenômeno, que espera fazer sua última temporada mais vistosa do que a de 2010. Em 2009, por exemplo, atuou em 38 jogos, fazendo 23 gols. Es-

Devo isso a eles, então vou fazer de tudo para que o próximo ano seja ótimo, para que possa jogar mais e ajudar o clube” RONALDO Jogador do corinthians

te ano, até o momento, jogou 19 vezes, somando apenas oito tentos. Lesões e problemas com peso e condicionamento físico complicaram sua sequência. “Devido a esse ano ter sido muito duro e difícil, não pude ter uma sequência de jogos. Estou em dívida com a torcida do Corinthians e com meus fãs. Devo isso a eles, então vou fazer de tudo para que o próximo ano seja ótimo, para que possa jogar mais e ajudar o clube”, explicou o Fenômeno O camisa 9 garantiu presença até 2011, mas ainda não pensou em o que vai fazer como aposentado - um cargo diretivo no Corinthians é uma hipótese. “Vou terminar a carreira primeiro e depois eu vejo isso, mas certamente estarei ligado a esse clube por toda a minha vida”, complementou.


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HOJE NA TV

RÁDIO GLOBO NATAL

15h00 – Brasileiro: Atlético/GO x Vasco - Globo 17h30 - Brasileiro: São Paulo x Santos, Sportv

06h00 - Esporte em debate 15h00 - Atlético/GO x Vasco 17h30 - Fluminense x Botafogo 20h00 - Resumo Final

CURIOSIDADES A seleção brasileira de vôlei é apontada como a melhor equipe de esporte coletivo de todos os tempos e a que teve mais conquistas.

DICAS Os ingressos para a partida entre ABC x Águia já estão à venda nas bilheterias do estádio Frasqueirão.

BRASILEIRO

Ronaldo volta ao time do Corinthians no jogo contra o Guarani,em Campinas. PÁGINA 8 NÚMERO 30 reais é o valor dos ingressos para as arquibancadas na partida entre ABC x Águia,no dia 24.

Editor: Itamar Ciríaco e-mail: esporte@tribunadonorte.com.br

NATAL • RIO GRANDE DO NORTE Domingo • 17 de outubro de 2010

O Tricolor vem de duas derrotas seguidas e perdeu a liderança para o Cruzeiro. Já o Alvinegro não vence há sete rodadas e precisa da vitória para continuar na briga pela Libertadores, o que dá contorno dramático ao jogo [ BRASILEIRO - SÉRIE A ]

Cariocas realizam clássico decisivo DIVULGAÇÃO

luminense e Botafogo se encontram hoje, às 17h30 (no RN), no Estádio Engenhão (RJ), no clássico carioca pela trigésima rodada do Campeonato Brasileiro. As duas equipes entram em campo dispostas a reencontrar o rumo das vitórias. O Tricolor vem de duas derrotas consecutivas, que lhe custaram a perda da liderança. O time das Laranjeiras é o segundo colocado com 52 pontos, dois a menos que o Cruzeiro. Já o Glorioso vive jejum maior, pois não vence há oito jogos, tendo empatado os últimos sete duelos. Com 44 pontos, o Alvinegro pretende se manter vivo na luta por uma vaga na Copa Libertadores de 2011. No que depender do histórico do primeiro turno, os dois times não voltarão a vencer. Isso porque, em julho, neste mesmo Engenhão, empataram por 1 a 1, em um confronto muito disputado e cercado de rivalidade. Porém existe um otimismo muito grande pelo lado dos dois treinadores em relação ao sucesso de suas respectivas equipes neste domingo. “O Botafogo precisa voltar a vencer e os jogadores sa-

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FICHA TÉCNICA FLUMINENSE BOTAFOGO FLUMINENSE:Rafael,Mariano,Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos;Diogo,Diguinho,Marquinho e Darío Conca; Emerson e Washington Técnico:Muricy Ramalho

BOTAFOGO: Jéfferson,Antônio Carlos, Danny Morais e Márcio Rosário;Alessandro,Leandro Guerreiro,Somália,Lucio Flavio e Marcelo Cordeiro;Jobson e Loco Abreu.Técnico:Joel Santana

Árbitro:Djalma Beltrami (RJ) Assistentes:Dibert Moises (Fifa-RJ) e Ediney Mascarenhas (RJ) Horário:17h30(horário no RN) Estádio: Engenhão (RJ)

bem disso. Cometemos erros bobos em alguns confrontos, pecamos na hora de decidir as partidas em outras ocasiões e procuramos consertar isso tudo para o clássico contra o Fluminense. Precisamos muito do resultado positivo e os meus atletas estão focados neste objetivo. Estou confiante que vamos reencontrar o rumo certo”, disse Joel Santana, técnico do Botafogo. Muricy Ramalho, comandante do Fluminense, também vê sua

equipe com boas chances de ser vitoriosa neste domingo. O treinador aposta no trabalho que foi desempenhado ao longo da semana. “Essa última semana fez muito bem para o nosso elenco, pois os jogadores já estavam saturados com a maratona de jogos que tivemos que enfrentar nos últimos meses. Jogando quarta e domingo, enfrentando temperaturas altas e viagens desgastantes. Isso tudo foi muito prejudicial para as equipes. Acredito que podemos voltar a render o esperado já neste clássico contra o Botafogo”, afirmou Muricy. O Fluminense tem reforços para esse clássico. O lateral direito Mariano, que estava servindo à Seleção Brasileira nos amistosos contra Irã e Ucrânia, volta ao time, assim como o volante Diguinho, recuperado de entorse no tornozelo esquerdo, e o atacante Emerson, livre de estiramento na coxa esquerda. No Botafogo, o volante Marcelo Mattos, que está livre de lesão no joelho esquerdo, ficará como opção no banco de reservas. O goleiro Jéfferson, outro que estava servindo à Seleção Brasileira, reaparece na vaga de Renan.

Vasco quer manter bom momento

Emerson volta ao Fluminense, mas diz que não será o salvador

Embalados após vencerem curiosamente o mesmo time em seus últimos jogos, Atlético-GO e Vasco se enfrentam no Serra Dourada, hoje, pelo Brasileiro. Enquanto os goianos derrotaram o Corinthians no Pacaembu no fim de semana passado, os cariocas bateram a equipe paulista no meio de semana. No entanto, o pensamento de cada time é distinto. O rubro-negro quer sair da zona de rebaixamento enquanto que os cruzmaltinos ainda sonham com uma vaga na Libertadores. No Vasco, a vitória trouxe tranquilidade ao time. Além disso, o técnico PC Gusmão vai poder repetir a escalação. O lateralesquerda Carlinhos, que sentia dores na região lombar está liberado. A partida vai ser especial para o goleiro Fernando Prass. O jogador vai completar a marca de 100 jogos pelo clube. Ele chegou no início de 2009 e ganhou a vaga de titular na campanha vitoriosa da série B.


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| Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte

Domingo | 17 de outubro de 2010 IVAN STORTI

[ BRASILEIRO SÉRIE A ] Alvinegro mira vitória sonhando com o título, já

no São Paulo. A meta é buscar uma das vagas na Libertadores de 2011

São Paulo e Santos se reencontram em momento decisivo busca do São Paulo pela vaga na Copa Libertadores e o sonho do Santos em alcançar o título já seriam suficientes para esquentar o clássico entre os clubes, hoje, às 17h30 (no RN). Mas não é só isso que estará em campo no Morumbi. A campanha arrasadora do Peixe sobre o Tricolor em 2011 também aumenta a expectativa para o confronto. Depois de perder os quatro clássicos que disputou contra o Alvinegro na temporada, o time da capital precisa espantar o péssimo retrospecto e aproveitar seu bom momento para tentar a aproximação à zona de classificação do torneio continental. “Nosso pensamento é por metas e o que está mais próximo é a Libertadores. Os times que estão lá em cima vêm tropeçando e não conseguem manter a regularidade de vitórias. Por isso, temos que aproveitar essa fase deles e engrenar uma sequência boa. Todos os jogos são especiais para buscarmos Libertadores e até o título”, afirmou o volante Jean. O São Paulo tem apenas 41 pontos no Brasileirão, enquanto o último colocado da zona de clas-

A

FICHA TÉCNICA SÃO PAULO SANTOS Rogério Ceni;Jean, Alex Silva,Miranda e Richarlyson;Rodrigo Souto,Carlinhos Paraíba,Lucas e Fernandinho; Dagoberto e Ricardo Oliveira Técnico:Paulo César Carpegiani

Rafael;Pará,Edu Dracena,Durval e Alex Sandro; Roberto Brum, Arouca,Danilo e Alan Patrick; Neymar e Zé Eduardo Técnico:Marcelo Martelotte

Estádio: do Morumbi, em São Paulo (SP) Horário: 17h30 (no RN) Árbitro: Sandro Meira Ricci (DF) Assistentes: Émerson Augusto de Carvalho e Márcio Luiz Augusto (ambos de SP)

sificação é o Corinthians, com 49. Já o Santos, que tem 48, sonha em alcançar o líder Cruzeiro, com 54 pontos, para comemorar a tríplice coroa, depois das conquistas da Copa do Brasil e do Paulistão. Motivado pela ascensão que teve na classificação, derrotando Fluminense, Atlético-PR e Internacional, o Peixe considera um triunfo sobre os são-paulinos como fundamental para não interromper a boa fase vivida pela equipe. “Ho-

je, independentemente do que vai acontecer, ficou provado que dá para chegar. A diferença que tínhamos para o primeiro colocado caiu sensivelmente. Agora, estamos somente seis pontos atrás, com nove rodadas para jogar. São 27 pontos em disputa e é bem possível que possamos ganhar o título”, analisou o técnico interino santista, Marcelo Martelotte. O tabu entre os rivais apimenta ainda mais a partida e realmente incomoda o elenco do Tricolor. Afinal, as quatro derrotas foram traumáticas em 2010. Na primeira delas, no Estadual, o Peixe triunfou por 2 a 1, com direito a paradinha de Neymar e gol do então reestreante Robinho. Depois, o Alvinegro ainda eliminou o rival nas semifinais do Paulistão, com duas vitórias. Já no primeiro turno , com o time quase reserva, o São Paulo só perdeu na Vila Belmiro por conta de um gol contra de Renato Silva. “Todo jogador de clube grande fica bastante incomodado quando não vence clássico, mas não vou pensar nisso. Entraremos em campo e daremos o melhor para vencer e acabar com o tabu”, avisou são-paulino, Alex Silva.

Neymar pretende manter o bom desempenho para amealhar mais uma conquista para o currículo DANIEL AUGUSTO JR/ARENA/AE

WASHINGTON ALVES/LP

Palmeiras, desfalcado enfrenta o Ceará O Palmeiras terá de se superar para vencer na 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. No jogo de hoje contra o Ceará, às 17h30 (no RN), na Arena Barueri, os comandados do técnico do Luiz Felipe Scolari enfrentam uma série de problemas. Além do cansaço natural pelo jogo de quinta-feira contra o Universitario Sucre na Bolívia, o Alviverde vai entrar em campo sem duas de suas principais estrelas: o meia Valdívia e o atacante Kleber. A dupla será obrigada a cumprir suspensão automática na competição nacional. No empate sem gols contra o Botafogo, no estádio Engenhão, Kleber acabou expulso em um lance com o lateral Alessandro que gerou muita reclamação dos palmeirenses, enquanto Valdívia levou o terceiro cartão amarelo. O Mago, por sinal, também sofreu uma contusão muscular em Sucre e deve ficar afastado por duas semanas. “Eu tenho um grupo que praticamente está definido com a maneira de jogar, com características bem desenvolvidas. Temos boa qualidade. Para mim está tranquilo mesmo com todos esses problemas”, minimiza Felipão, confiante em um bom resultado como mandante. O Palmeiras também promete usar o Campeonato Brasileiro para aumentar o embalo na decisão da Sul-americana. No confronto contra o Sucre, o Verdão rechaça considerar a classificação garantida. FICHA TÉCNICA PALMEIRAS-SP CEARÁ-CE Deola;Márcio Araújo, Maurício Ramos (Fabrício),Danilo e Gabriel Silva;Edinho (Pierre),Marcos Assunção,Rivaldo e Tinga;Lincoln e Dinei Técnico: Luiz Felipe Scolari

Michel Alves; Boiadeiro, Anderson,Fabrício e Vicente;Heleno, João Marcos, Michel e Geraldo; Magno Alves e Misael.Técnico: Dimas Filgueiras

Estádio: Arena Barueri, em Barueri (SP) Horário: 17h30 (no RN) Arbitro: Rodrigo Nunes de Sá (RJ) Assistentes: Márcia Lopes Caetano (Fifa-RO) e Luiz Muniz de Oliveira (RJ)

ARENA DO JACARÉ

ATLÉTICO/MG E AVAÍ DUELAM EM MINAS Com os dois times brigando na parte debaixo da tabela, o confronto entre Atlético-MG e Avaí, pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro, tornouse decisivo para as pretensões de ambos os clubes. O Galo é o 18º colocado, com 28 pontos, enquanto o Leão é o 16º, com 31. Por isso, o embate de hoje, às 15 (no RN) horas, na Arena do Jacaré, dará ao vencedor o alento para brigar contra o rebaixamento. Além do momento semelhante no Brasileirão, as duas equipes tiveram confrontos no meio de semana pela Sul-americana. Com dores na panturrilha, Montillo ainda não sabe se vai jogar

Ronaldo entra em campo para amenizar a crise que ronda o Timão

BARRADÃO

Cruzeiro coloca liderança à prova diante do Grêmio

Na volta do “Fenômeno”,o Corinthians pega Guarani

Os dois líderes do returno do Campeonato Brasileiro protagonizam hoje, às 15h (no RN), no Olímpico, um dos grandes jogos da 30ª rodada da competição. O Grêmio, que vem crescendo desde a chegada do técnico Renato Gaúcho, deve contar com estádio lotado para alcançar uma vitória que embale de vez o sonho de voltar a disputar a Copa Libertadores em 2011. Já o Cruzeiro, líder do certame, quer obter um bom resultado em Porto Alegre para seguir firme em busca de seu segundo título nacional. No lado tricolor, Renato Gaúcho comemorou a primeira semana inteira desde agosto para trabalhar o time do Grêmio. Desde que chegou ao clube, é a segunda vez que teve esta oportunidade. A equipe deve vir completa, apenas sem Borges e Souza, que já não vêm atuando devido a lesões. O centroavante André Lima chegou a dar um susto no final do treino desta sexta, após lesionar o joelho em uma brincadeira com uma garrafa plástica. Chegou a sair de campo amparado, sem apoiar os pés no chão, mas não preocupa para o jogo de domingo. Os volantes Adilson e Fábio Rochemback estão recuperados de contusões. No treino desta quinta, Renato colocou Vilson na primeira posição do meio, poupan-

Seis jogos sem vitória, a demissão de Adílson Batista e a queda da liderança do Campeonato Brasileiro para a terceira colocação foram suficientes para instaurar uma crise no Corinthians. Para se manter vivo na luta pelo título, o Timão volta a campo hoje buscando encerrar a série negativa enfrentando o Guarani, às 15h (no RN), em Campinas. O maior trunfo para isso é a volta de Ronaldo. O Fenômeno será escalado - desta vez pelo interino Fábio Carille pela primeira vez após um mês e meio se recuperando de lesão na panturrilha direita e de problemas de condicionamento físico. A partida, que será realizada no Estádio Brinco de Ouro da Princesa, pode marcar não só mais uma volta por cima do ídolo corintiano, mas também a reação do time do Parque São Jorge. “É um grande desafio, mas também uma grande motivação pegar esse time na reta final e ajudar com gols e vitórias. Espero que daqui para frente o time tenha postura diferente em campo. Vejo que, em alguns momentos, falta tranquilidade e experiência. Domingo temos a chance de apagar tudo isso, conseguir a vitória e voltar a ter confiança em nós mesmos”, afirmou Ronaldo, empolgado com o retorno. O maior problema do Corinthians nas últimas rodadas, no en-

do Adilson, que fizera jogotreino no dia anterior. Caso opte por esta formação, Paulão permaneceria na zaga. É a única dúvida na escalação inicial gremista para o domingo. Outro que volta é o goleiro Victor, após disputar dois amistosos com a seleção brasileira. Do lado mineiro, a liderança do Campeonato Brasileiro, com 54 pontos, não iludiu o Cruzeiro. Pelo menos é isso que jogadores e comissão técnica fazem questão de ressaltar a todo momento. Afinal, ainda faltam nove rodadas para o término da competição e a diferença entre os postulantes ao título é mínima. FICHA TÉCNICA GRÊMIO-RS CRUZEIRO-MG Victor;Gabriel, Paulão (Adilson), Rafael Marques e Fábio Santos; Vilson,Fábio Rochemback,Lúcio e Douglas;Jonas e André Lima Técnico:Renato Gaúcho

Fábio;Jonathan, Cláudio Caçapa (Léo),Edcarlos e Diego Renan (Pablo); Fabrício,Henrique, Marquinhos Paraná, Montillo (Roger); Wellington Paulista e Thiago Ribeiro Técnico:Cuca

Estádio: Olímpico, Porto Alegre (RS) Horário: 15h (no RN) Árbitro: Paulo César Oliveira (Fifa-SP) Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Fabrício Vilarinho da Silva (GO)

tanto, persiste para complicar a vida de Fábio Carille: os desfalques. Para o confronto no interior paulista, o interino não poderá contar com os atacantes Dentinho e Jorge Henrique e com o meia Bruno César, lesionados. Após a derrota para o Vasco, também passou a frequentar o departamento médico o lateral Alessandro. O rival alvinegro deste domingo também tem série incômoda no Brasileirão: o Guarani soma quatro partidas sem vencer e, dentro de casa, busca a reação. Se antes a equipe era um incômodo para os grandes, agora passa a se preocupar principalmente com o perigo de rebaixamento. FICHA TÉCNICA GUARANI-SP CORINTHIANS-SP Douglas;Rodrigo Heffner,Fabão, Aílson e Fabiano; Renan,Paulo Roberto,Mário Lúcio e Diego Barboza; Mazola e Reinaldo Técnico:Vagner Mancini

Julio Cesar;Jucilei, William,Chicão e Roberto Carlos; Ralf,Paulinho,Elias e Danilo;Iarley e Ronaldo Técnico: Fábio Carille (interino)

Estádio: Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas (SP) Horário: 16h Árbitro: Sálvio Espinola Fagundes Filho (FIFA-SP) Asssistentes: Ednilson Corona (Fifa-SP) e Osny Antônio Silveira (SP)

VITÓRIA ESTREIA ANTÔNIO LOPES Recém chegado ao Vitória, o técnico Antônio Lopes tem a missão de evitar que a equipe, atualmente na 15ª colocação, entre na zona do rebaixamento. Para isso, o treinador já surpreendeu e deverá implementar várias mudanças na equipe para o confronto contra o Grêmio Prudente, lanterna da competição. O jogo está marcado para o domingo (17), às 16h (no RN), no Barradão. O horário do jogo válido pela 30ª rodada do Brasileirão já foi uma conquista do time baiano, que previamente jogaria às 15 horas (de Salvador), por conta do horário de verão que começa a vigorar nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. PROGRAMAÇÃO DA TV 07h25 – Campeonato Italiano – Cagliari x Inter (ao vivo) ESPN Brasil 09h25 – Campeonato Inglês – Everton x Liverpool (ao vivo) ESPN Brasil 09h55 - Campeonato Italiano – Juventus x Lecce (ao vivo) ESPN 12h00 – Campeonato Inglês – Blackpool x Manchester City (ao vivo) – ESPN Brasil 15h40 - Campeonato Italiano – Bari x Lazio (ao vivo) ESPN Brasil 15h55 - Campeonato Espanhol – Sporing Gijón x Sevilla (ao vivo) – ESPN


esportes

domingo | 17 de outubro de 2010

Tribuna do Norte | Natal | Rio Grande do Norte |9

[ VÔLEI ] Levantador da seleção brasileira se contundiu no tornozelo no Mundia e deve ficar em tratamento pelos próximos dez dias, em Florianópolis, cidade do seu time, o Cimed

Apito Final EVERALDO LOPES - elopes@tribunadonorte.com.br

Grito de alerta

Exame aponta lesão leve no levantador Bruno Rezende

MAURÍCIO VAL/VIPCOMM

título aí de cima pode até ser considerado banal demais diante da profundidade dos problemas enfrentados pelo América FC. É que as declarações feitas pelo conselheiro Ricardo Bezerra à TRIBUNA DO NORTE tiveram repercussão muito além do que o próprio dirigente esperava. As palavras de RB ganharam características de um desabafo, parecendo até que estavam enfiadas na garganta do conselheiro. Suas palavras ganham maior relevância porque partiram de um americano que tem um saldo altíssimo de serviços prestados ao clube. Ricardo Bezerra é um figura de ficha limpa, não no sentido material, mas moral. É discreto, e se se expressou de forma tão clara o que sente, é porque não teme as consequências, conhece o solo em que está pisando.

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Sem medo

Sem medo (2)

Ricardo Bezerra foi claro quando disse que, um eventual rebaixamento para a Série “C” não deve ser encarado como um ”fim de mundo”. Cinco anos atrás - em 2005 o América estava na “C”, chegou à “B” e no mesmo fôlego foi à “A”, de novo caindo na Segundona e agora está ameaçado de retornar à Terceira Divisão. RB falou à TN antes do resultado do jogo contra o Bragantino, disputado neste sábado à noite.

À TRIBUNA, Ricardo Bezerra usou de muita sinceridade, quando disse que a crise interna é indiscutível, porém não atribui os erros de gestão somente ao presidente José Maria Figueiredo. “As críticas não são ao desportista José Maria de Figueiredo, porém ao presidente do clube. “É visível a crise de vaidades dentro clube, e isso precisa mudar. Os erros não são apenas do dirigente maior”, frisa Ricardo, ainda confiando numa reação do time.

CALMARIA Durante algumas décadas – entre 1940 e 70, o clube rubro teve administrações pacíficas e progressistas, como nas gestões de Humberto Pignataro, Henrique Gaspar, Jussier Santos, José Rocha, Heriberto Bezerra, Humberto Nesi, Eduardo Rocha, o próprio José Maria Barreto no seu primeiro mandato em 1996. O ex-presidente com maior soma de mandatos no América ainda é o prof. Jussier Santos, que soma 10 anos considerando-se os mandatos alternados. O segundo mais longevo é o ex-desembargador, José de Vasconcelos Rocha.

As crises

As crises (2)

Nos últimos 50 anos, têm sido raros os momentos de calmaria no clube da Rodrigues Alves. Nesse período, quatro crises balançaram as estruturas do América, sendo três motivadas por renúncias, e a quarta devido a morte do presidente Amando Siqueira, em 1985. Este, assumiu o clube num quadro de desarrumação financeira lamentável, a ponto de Siqueira, em trom de ironia, declarar que ia colocar tapioca e cuscus para vender, na sede, e apurar algum dinheiro, pois o clube estava falido. Meses depois, ele faleceu. Amando não tinha boa saúde.

Coube ao prof. Jussier Santos assumir o América após o turbilhão que foi o mandato de Siqueira, um americano cheio de bons propósitos, mas – sozinho, nada pode fazer para salvar o clube. Outras crises, sempre devido a renúncias, foram quando Fernando Nesi rebelou-se com a alienação da “Pousada do Atleta”, e entregou o cargo, sendo necessária a formação de uma Junta Governativa presidida pelo engenheiro Cláudio Bezerra, filho de outro ex-presidente, Heriberto Bezerra

As crises (3) As duas outras crises aconteceram nas renúncias de Pio Marinheiro e seu vice Jerônimo Melo, e também, recentemente, renúncia do engenheiro Francisco Melo, sendo eleito Gustavo de Carvalho. Este, colocou o time na Série “A”. Como sempre, quem “quebra o galho” nessas horas é o ex-presidente José Rocha, também presidente do Conselho Deliberativo. Por conta de tantas renúncias, nenhum clube no RN se iguala ao América. Recentemente, à falta de candidato, por pouco não há uma intervenção branca devido demora em aparecer quem quisesse segurar a barra...Zé Maria topou.

Tristeza II

Desemprego

A grande quantidade de exjogadores do futebol potiguar, entre os anos 60 e 80, vítimas de seringas mal-esterilizadas, acabaram contraindo hepatite tipo “C”, passam por um tratamento longo e doloroso.

Com pouquíssimos clubes do RN ainda em atividade, é grande o desemprego de jogadores e integrantes de comissões técnicas. Enquanto a CBF não rever seu calendário, o problema sempre atormentará os boleiros parados.

VÁRIAS DO DOMINGO Aniversário – Neste domingo, muita alegria no lar do casal professores Normando e Edilma Bezerra, pelos 13 anos de Roberta Luciana. Muitas amiguinhas vão cantar o Parabéns a você.

DROGA A imprensa

do Sul/Sudeste insiste em comentar dois assuntos explosivos: as sucessivas contusões do atacante Fred (Fluminense) – o maior salário do clube carioca, e também contusão de Jobson, o mesmo que esteve suspenso por longo tempo devido uso de droga nas baladas .

ARENA DAS DUNAS Outra pancada na imprensa nas últimas 72 horas. Novamente uma paradinha na burocracia do estádio Arena das Dunas. Agora, só no começo de 2011. Quando a Fifa der um “chega!”, é tarde.

AGORA, NATAL A coluna é feita antes de Águia x ABC. A grande badalação é o jogo da volta, dia 16 próximo, no “Frasqueirão”.

levantador da seleção brasileira, Bruninho Rezende, realizou exames na última sexta-feira, que revelaram que a ressonância magnética constatou dois estiramentos em seu tornozelo esquerdo, contudo o atleta fez questão de tranquilizar os torcedores do Cimed/Florianópolis. O clube catarinense inicia a defesa do título Sul-americano de vôlei no próximo dia 23, na cidade argentina de Mar Del Plata. “Nada preocupante! Continuo o tratamento e, de acordo com a dor, posso treinar. Acho que semana que vem deve zerar. Dos males, o menor”, ressalvou o jogador, recém-campeão mundial com a seleção brasileira, na rede social Twitter. O levantador titular da equipe verde-amarela se contundiu na semifinal (contra a Itália), quando o ponteiro Murilo, acidentalmente, caiu sobre seu tornozelo. Na ocasião, como era a véspera da decisão, o jogador foi submetido a um tratamento intensivo e conseguiu atuar grande parte da partida contra Cuba. Bruninho é o segundo atleta que contraiu sequelas na competição italiana. Na quarta-feira, o próprio Murilo - eleito o melhor jogador do Mundial - anunciou que rompera dois ligamentos do tornozelo esquerdo (na decisão, ante Cuba)

O

Bruninho Rezende foi um dos destaques do Brasil na conquista do tricampeonato, na Itália

e que ficará no estaleiro por três semanas. ACERTO O Minas apresentou seu principal reforço para a temporada 2010/2011. Trata-se do velho conhecido Marlon que, no último final de semana, conquistou o campeonato mundial com a seleção brasileira. O levantador retorna ao clube depois de cinco anos. Incorporando à onda de selecionáveis defendendo clubes nacionais, Marlon

já disputará as finais do Mineiro e se preparará para o início da Superliga, marcado para novembro. “Estou contente com minha volta ao Minas, um clube em que me sinto muito bem cuidado, assim como foi nas temporadas 2004/2005 e 2005/2006. Espero cumprir as expectativas da diretoria, comissão técnica, do grupo e da torcida”, revelou o atleta, de 33 anos. Depois de passar alguns anos na Itália (de 2006 a 2008), o levantador foi repatriado na tem-

[ AUTOMOBILISMO ] Piloto brasileiro, que está de “férias” da Ferrari até

a próxima semana, resolveu assistir prova que vai acontecer em Brasília

Felipe Massa prestigia Racing Festival antes de retornar à Itália

porada passada pelo Brasil Vôlei Clube (ex-Banespa). De volta à antiga casa, o substituto imediato de Bruno Rezende na equipe de Bernardinho, Marlon terá a companhia de outros jogadores experientes, como André Nascimento e Henrique. Minas acerta com jogador norte-americano. Após ficar apenas na sétima colocação na última edição da Superliga (entre 16 times), o Minas segue reforçando seu elenco.

[ BASQUETE ]

Federação chinesa suspende treinador

JOHN THYS

e folga da Fórmula 1, o piloto brasileiro Felipe Massa estará em Brasília no próximo domingo para acompanhar a quinta e penúltima rodada dupla da temporada inaugural do Racing Festival. O piloto da Ferrari voltou para o Brasil depois do GP do Japão e interrompeu o descanso em São Paulo para prestigiar as corridas do Trofeo Linea, Fórmula Future Fiat e 600 Hornet (motos) no Autódromo Internacional Nelson Piquet. No início da próxima semana, Massa regressará à Ásia para o GP da Coréia do Sul, antepenúltima etapa do campeonato. Será a segunda vez que Massa acompanhará de perto as três categorias do Racing Festival. Em agosto, durante o período de férias coletivas da Fórmula 1, o ferrarista visitou os boxes de Interlagos por ocasião da quinta e sexta etapas. Na oportunidade, percorreu os boxes, conversou com pilotos e assistiu às corridas do alto da torre da direção de prova. Em seu primeiro contato mais próximo com o evento que idealizou e ajudou a viabilizar, Massa gostou do que viu. “A molecada da Fórmula Future Fiat mostrou potencial. Claro que eles mal estão começando na carreira e ainda têm um longo caminho pela frente, mas estão numa categoria-escola que tem exatamente a proposta de dar os ensinamentos iniciais. O Trofeo Linea

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pós realizar uma investigação sobre a pancadaria ocorrida em um amistoso entre a seleção chinesa e o Joinville, na cidade de Xuchang, a Associação Chinesa de Basquete (ACB) anunicou suspensões para o treinador, o diretor e também para três jogadores do time nacional. O americano Bob Donewald, técnico da equipe chinesa, foi suspenso por tempo indeterminado, além de ter sido obrigado a pagar uma multa de 50 mil yuans (cerca de US$ 7,5 mil) e pedir desculpas formais pela confusão. Donewald, que já teve passagens por clubes do Brasil (São Carlos e Guarujá) e da NBA (New Orleans Hornets e Cleveland Cavaliers), se mostrou envergonhado pela pancadaria, que começou logo nos primeiros minutos de jogo. “Estamos sentindo vergonha e desapontamento pelo time, pelos torcedores e pela nação. Então, em nome de toda a seleção, eu ofereço as minhas mais sinceras desculpas a todos que torcem e se importam conosco”, declarou o treinador. Além de Donewald, o diretor da seleção chinesa, Zhang Xiong, terá que pagar 30 mil yuans (US$ 4,5 mil), e os jogadores Ding Jinhui, Su Wei, e Zhu Fangyu, que tiveram participação direta na briga, foram multados em 20 mil yuans (US$3 mil).

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Massa se apresenta no dia 18 à Ferrari,para a sequência do Mundial

apresentou o equilíbrio que imaginávamos, tanto por causa da igualdade técnica dos carros quanto em função do excelente nível dos pilotos”, analisou. Massa reencontrará na Capital Federal um panorama ainda mais parelho do que em São Paulo. Na Fórmula Future, com 35 pontos em jogo no fim de semana, a diferença entre o líder João Jardim e o terceiro colocado Nicolas Costa é de

apenas 7 - o paulista soma 89 contra 82 do carioca. No Trofeo Linea, que utiliza o mesmo sistema de pontuação, a disputa não é menos acirrada. Giuliano Losacco comanda a classificação com 59, contra 54 de André Bragantini e 51 de Cacá Bueno. Aplicando-se o descarte dos dois piores resultados, a vantagem de Losacco cai para apenas dois pontos sobre Bragantini e cinco em relação a Cacá.


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A REVISTA DA TV É UM SUPLEMENTO DA TRIBUNA DO NORTE. NÃO PODE SER VENDIDO SEPARADAMENTE.

Natal • Rio Grande do Norte • Domingo • 17 de outubro de 2010

EM ‘AS CARIOCAS’, SÉRIE QUE ESTREIA ESTA SEMANA, DEZ ATRIZES DÃO VIDA A PERSONAGENS QUE SÃO A CARA DA CIDADE

MENINAS DO RIO [ PÁGINAS 6 E 7 ]


Tribuna do Norte • Natal • Rio Grande do Norte

revista da tv

Domingo | 17 de outubro de 2010

TERÇA

QUARTA

QUINTA

SEXTA

Catarina repreende Eric por tê-la beijado. Catarina procura Pedro, mas ele a destrata. Pedro afirma a Ângela que não quer mais se preocupar com Catarina. Em meio a briga, Franja machuca o pé e Helio expulsa ele e Maicon do clube. Ângela se declara para Pedro. Babi insinua para Catarina que Pedro colocou a luz estroboscópica na festa de propósito. Ângela pede para ficar com Pedro. Ao ver Catarina e Eric chegarem jun tos ao Botecão, Pedro beija Ângela.

Catarina vai embora do Botecão. Eric tenta se aproximar de Catarina. Hélio dispensa Maicon do Nacional. Antônio pede o telefone dos pais de Arthur para conversar sobre a gravidez de Júlia. Ângela se insinua para Pedro. Theo conta para Lorelai que é adotado e ela se sensibiliza com sua história de vida. Fausto exige que Tereza expulse Theo do Primeira Opção. Antônio leva Júlia para conhecer os pais de Arthur. Tereza diz a Vera que irá expulsar Theo do colégio.

Pedro garante que, se Theo for expulso, ele também deixará o Primeira Opção. Fred cola no mural do colégio a entrevista em que Fausto cobra da justiça uma pena mais severa para Theo. Júlia e Artur decidem se vão contar para seus pais que o bebê que ela espera não é dele. Tereza decide não expulsar Theo e pede a ajuda dos irmãos para colocar em prática o seu plano. Theo e Pedro falam mal da família de Catarina sem saber que eles estão ouvindo a conversa.

Fausto fica furioso com as ofensas de Theo. Pedro confessa para Theo que sente falta de Catarina. Duda conta para Catarina que Theo e Pedro falaram mal dela e a deixa furiosa. Hélio decide dar mais uma chance a Maicon no Nacional. Fred vai ao cinema com Laura. Seu Pintinho treina samba com Josiane para impressionar Dona Zica. Pedro diz aos pais que não acredita em uma boa convivência com a família de Catarina. Fausto anuncia que vai processar a família Lopes.

Fred chega na estalagem e fica surpreso ao ver seu quarto arrumado por Nancy. Manuela não sabe como contar para Max que não vai mais se casar com Vitor. Solano e Padre Emílio decifram os mapas e anotações contidas na bolsa. Estela ameaça Solano. Nancy afirma a Janaína que vai ficar com Fred. Solano confronta Max e Manuela defende o pai. Amélia pensa em Vitor. Estela é hostil com Solano. Beatriz se emociona ao ver a foto deixada por Mariquita em seu salão.

Estela comenta com Aspásia sobre um antigo caderno de receitas que ela viu na estância. Terê esbarra em Estela e tem uma visão de Solano se afogando. Manuela se encontra com Solano e diz que escolheu ficar com ele. Estela encontra o caderno de receitas de Antoninha. Estela confessa a Padre Emílio sua paixão por Solano. Vitor volta para o Araguaia e Amélia fica animada. Manuela conta para Vitor que está apaixonada por Solano. Vitor vai ao encontro de Solano.

Amélia impede um confronto entre Solano e Vitor. Manuela não consegue contar para Max que terminou o seu noivado. Vitor conta para Max sobre Manuela e Solano. Nancy afirma a Janaína que sempre gostou de Fred. Estela fica frustrada quando Padre Emílio avisa que Solano não vai ficar com ela. O jet-ski de Manuela para e Solano vai resgatá-la. Estela tem um pressentimento de que algo vai acontecer com Solano e se desespera. O barco de Solano cai de uma cachoeira.

Fred resgata Solano da água. Mariquita joga fora o bule que Mamed usou para pegar gasolina. Manuela diz que Solano precisa ser transferido para um hospital. Fred se surpreende ao saber que Vitor aceitou ajudar Solano. Estela vai ao local onde foi feita a maldição e implora que Solano seja poupado. O médico afirma a Manuela que Solano pode morrer. Janaína afirma a Fred que não pode se envolver com ele. Nancy sorri depois de ouvir a conversa dos dois.

Neca ajuda Terê a decifrar os escritos do antigo caderno de receitas. Manuela avisa sobre a gravidade do estado de Solano e Padre Emílio poupa Mariquita da notícia. Mariquita afirma a Padre Emílio que Estela destruiu sua família. Vitor ouve Manuela se declarando para Solano. Neca, Terê e Caroço chegam ao descampado onde foi feita a maldição. Janaína entra no quarto de Fred e deita em sua cama. Estela entra no quarto de hospital onde Solano está internado.

Armandinho se declara para Desirée e Stéfany vai embora irritada. Luti enfrenta Jacques para defender a identidade de Valentim e Ariclenes demonstra orgulho pelo filho. Marcela tenta alertar Edgar sobre Luísa. Jorgito comunica à mãe que rompeu o noivado com Desirée. Luísa procura Rebeca para lhe pedir perdão. Armandinho tenta se acertar com Stéfany. Desirée procura Jorgito. Suzana se rende ao sucesso de Valentim. Armandinho é preso. Cecília foge da clínica.

Armandinho é preso por porte de drogas e Stéfany comemora. Desirée e Jorgito reatam o noivado. Ariclenes é informado de que Cecília fugiu da clínica. Jacques briga com Pedro por ter aprontado com Priscila. Ariclenes não encontra Cecília em lugar nenhum e fica desesperado. Jaqueline critica Jacques por ter repreendido Pedro. Desirée apresenta a Stéfany um advogado para livrar Armandinho da cadeia. Pedro dirige sua moto e se envolve em um acidente com Cecília.

Jacques declara que perdeu a guerra para Valentim. Renato avisa aos pais que seu curso em Londres está no fim. Marcela conversa com Edgar sobre Luísa. Desirée paga a fiança de Armandinho. Pedro abandona Cecília e ela vaga pelas ruas. Ariclenes suspende o trabalho do ateliê. Mabi vê Cecília na rua e fica fascinada pelo seu vestido. Cecília diz a Mabi que está procurando por Valentim. Mabi leva Cecília ao ateliê de Valentim quando Ariclenes chega.

Ariclenes agradece por Mabi ter encontrado Cecília. Mabi desconfia. Ariclenes leva Cecília de volta para a casa de repouso. Valquíria reclama de Luti para Madu. Ariclenes sugere que Suzana faça uma entrevista com Victor Valentim. Luísa ouve Marcela comentar com Graça que trabalhou no salão com Julinho. Ariclenes se arruma para sair com Suzana. Armandinho reage aos ataques de Stéfany. Ariclenes vê Jacques e Clotilde no restaurante e pensa em como avisar a Jaqueline.

Jacques tenta conquistar Clotilde e Ariclenes fotografa o rival em seu encontro. Cecília tem uma lembrança de seu passado. Ariclenes fica desesperado ao perceber que perdeu seu celular. Clotilde mostra para Jacques o celular que pegou de Ariclenes. Ariclenes pede perdão a Suzana. Gustavo reclama quando Bruna chama Julinho para tirar uma foto de família com eles. Luísa descobre que Osmar era namorado de Julinho e que Marcela era apaixonada por Renato.

Arthurzinho recebe uma intimação para depor. Melina questiona Fred sobre seu suposto voo. Agnello recebe uma intimação e avisa ao pai que não contará à polícia sobre o seu caso com Stela. Gerson e Sinval procuram por Danilo. Lorena vê Agnello chegar à delegacia e fica ainda mais furiosa com Stela. Gerson consegue uma pista de Danilo. Clara procura Totó. Lorena afirma ao delegado que vai contar toda a verdade. Felícia visita Totó e se surpreende ao encontrar Clara.

Felícia fica enciumada e Totó não consegue impedi-la de ir embora. Lorena muda de ideia e acaba confirmando que Saulo se desentendeu com Agnello por sua causa. Stela agradece Lorena por não ter contado a verdade e Gerson ouve a conversa. Lorena acredita que sua mãe matou Saulo com a ajuda de Agnello. Diogo diz que Clara está com ciúmes de Totó. Clara conta para Diogo sobre o golpe que ela e Fred armaram para Totó e o cantor liga um gravador sem que ela perceba.

Totó termina seu relacionamento com Felícia. Diogo entrega o gravador para Talarico. Clô faz as pazes com Jackie. Jackie expulsa Lurdinha de sua mesa e afirma que vai conseguir tirar Olavo de Clô. Mauro encontra uma coroa de flores em sua sala, enviada por Melina como presente de casamento. Valentina recolhe as fotos que tirou de Amendoim e Cridinho ajudando Candê no trabalho. Diogo pega a chave da pensão sem que Clara perceba. Felícia e Totó ficam juntos.

Valentina entrega as fotos que tirou para Jovino com o intuito de se vingar de Candê. Berilo é preso e Jéssica se desespera. Cavarzere confirma a Mauro que Saulo tinha um cúmplice e mostra as fotos das propriedades adquiridas por Noronha com o dinheiro que ele desviou da metalúrgica. Bete pergunta se Stela sabia de um cúmplice que movimentasse a conta de Saulo na Suíça e ela lembra de Fred. Clara fica cismada de encontrar a chave que Valentina procurava em sua bolsa.

Diogo disfarça para justificar a visita à casa de Gemma. Jéssica e Agostina são presas. Stela garante a Arthurzinho que não vai deixar Bete perder a metalúrgica. Totó vai à delegacia buscar Agostina. Olavo afirma a Clô que Berilo não volta para sua casa. Clara ouve Valentina falando com Jovino sobre a denúncia e avisa a Candê. Sinval não consegue dormir com Fátima. Stela pergunta a Fred onde está o dinheiro que Saulo roubou. Candê, furiosa, vai à casa de Valentina.

Filomena diz a Querêncio que gostaria que ele entrasse ao lado dela no casamento. Joca procura Ellen e diz que quer investigar o acidente por conta própria. Diana conta a Filó que Tito deu carona à Karina. Newton dá informações para Joca conseguir investigar o acidente. Lílian entra no quarto de Nicolau, que lhe bate. Larissa vê o rosto de Lílian todo machucado e fica horrorizada.

Sônia e André resolvem contar aos pais sobre o namoro deles. Nicolau diz a Arminda que o casamento deles é interessante para os dois. Bruno e Teixeira dizem a Querêncio que Arminda não é de confiança. Diana conta a Arminda que viu uma moça de olhos claros toda machucada. Bruno diz a Nicolau que Arminda deu força para Querêncio concordar com o casamento de Filomena.

Nicolau liga para Flores e os dois discutem a possibilidade de ele desistir do casamento com Arminda como manobra política. Beatriz pede para Lílian tirar os óculos escuros e fica horrorizada. Lílian pergunta a Nicolau se ele quer que ela continue morando com ele. Ele diz que é indiferente e a ameaça mais uma vez. Joca estaciona em um local ermo e frio, sai do carro e se embrenha na floresta.

NÃO HÁ EXIBIÇÃO

SEGUNDA

SÁBADO

Inter TV/Cabugi – Canal 11

MALHAÇÃO ID Cláudia orienta Fred a ficar longe de luzes piscantes. Laura convida Fred para dançar. Pedro se desespera ao ver a luz estroboscópica ser acionada e pede a Theo para procurar Fred. Laura estranha o comportamento de Fred durante a dança. Theo força Fred a sair da Caldeira. Josiane beija Maicon. Babi beija Franja para provocar o goleiro. Fred deixa Laura em casa. Eric beija Catarina e Lorelai filma. Ângela aponta o telão para Pedro, que vê o beijo e fica arrasado.

NÃO HÁ EXIBIÇÃO

Inter TV/Cabugi – Canal 11

ARAGUAIA Mariquita pede para Aspásia cuidar da estância. Estela segue Solano. Manuela e Solano se encontram no campo de girassóis e ela declara seu amor por ele. Manuela pede para se encontrar com Solano em sigilo até que ela conte sobre o relacionamento dos dois para Vitor. Estela chora ao vê-los juntos. Bruno conta para Fred que Janaína e Nancy estão se desentendendo por causa dele. Estela faz um ritual para esquecer Solano e fazer com que a maldição se cumpra.

Inter TV/Cabugi – Canal 11

TI-TI-TI Ariclenes diz a Marta que quer usar o fato de Amanda ser filha de Jacques para chantagear o rival. Nicole vê Amanda com o vestido de Desirée. Pedro pega o carro de Valquíria escondido. Desirée discute com Jorgito e ele rompe o noivado. Rony circula pelo ateliê e se depara com Jaqueline. Julinho afirma que Luísa não se conformou por ter perdido Edgar e alerta Marcela que ela tentará se vingar. Jacques invade o escritório de Valentim e flagra Luti falando com o pai.

Inter TV/Cabugi – Canal 11

PASSIONE Mauro é solícito com os fiscais que visitam a metalúrgica. Fred depõe sobre o assassinato de Eugênio. Sinval não consegue convencer Lorena a mentir em seu depoimento para ajudar a mãe. Gerson fala com o psicanalista sobre os seus problemas. Diana vê no visor do celular de Laura uma chamada de Noronha. Mauro e Bete encontram os extratos da conta que Saulo mantinha na Suíça. Melina lê sobre pane no voo que Fred supostamente pegou para Nova York.

RIBEIRÃO DO TEMPO

TV Tropical – Canal 8

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Querêncio diz a Filomena que Arminda o procurou para ele concordar com o aval do empréstimo. Filó agradece Joca pela ajuda. Ari diz a Lincon que tem certeza que vai ser reeleito. Ajuricaba e Lincon se encontram e trocam farpas. Filó vai até a pousada e diz a Tito que o pai dela assinou o documento. Joca diz a Flores que está preocupado com Nicolau. Beatriz diz a Nicolau que Clorís esteve na fazenda.

Tito faz reunião na pousada e pede para todos voltarem ao batente. Newton aconselha Tito a mandar flores a Filomena. Nasinho diz a Nicolau que Tito vai conseguir o empréstimo para reerguer a pousada. O senador liga para Bruno e fala para ele tentar impedir o empréstimo. Teixeira diz a Filomena que Arminda não é bem vista pela diretoria internacional da empresa. Filó pede para Marisa amansar Querêncio.


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Tribuna do Norte • Natal • Rio Grande do Norte 3

EM ‘PASSIONE’, MISTÉRIO ENVOLVENDO O ASSASSINATO DE SAULO DIVIDE OPINIÕES DO ELENCO E TRAZ DE VOLTA O ‘QUEM MATOU’

SUSPEITOS EM POTENCIAL Stela Gouveia • Mulher • Alvo de grosserias do marido,ainda apanhou por causa de Agnello

Danilo Gouveia • Filho • Viciado em crack,está sumido e tem raiva do pai,que o humilha

Mauro Santarém • Filho do empregado dos Gouveia • Sempre bateu de frente com ele

Gerson Gouveia •Irmão •Nunca teve boa relação com Saulo,que descobriu o seu segredo

Frederico Lobato • Cunhado • Cúmplices no início, Fred e Saulo viviam em disputa pelo poder

Lorena Gouveia • Filha • Péssima relação com o pai,que chegou a lhe dar um tapa na cara

Laura •Empregada • No dia da morte de Saulo,foi vista com uma atitude suspeita

Melina Gouveia • Irmã •O que aproximava os dois era o interesse de obter vantagens

Arthurzinho • Empregado • Cúmplice de Stela,era alvo de humilhações constantes do patrão

Clara Medeiros •Ex-cunhada • Aparentemente regenerada,a vilã seria capaz de qualquer coisa

Agnello Mattoli • Sobrinho • Amante de Stela e exnamorado de Lorena, levou uma surra de Saulo

Noronha •Empregado •Sofria constantes humilhações do patrão e sofria calado

NATALIA CASTRO

u. Deitado na cama. Morto a facadas em um quarto de motel barato. O desfecho trágico de Saulo surpreendeu os telespectadores de “Passione”, que achavam que a trama do empresário poderia render mais. Porém, o histórico complicado do personagem e a grande quantidade de inimigos em praticamente todos os núcleos da novela, tornam mais difícil a resposta para a pergunta: afinal, quem matou Saulo? Segundo o autor Silvio de Abreu, a identidade do assassino só será revelada no fim do folhetim, em janeiro do ano que vem. Mas, enquanto o suspense permanece, o elenco tenta adivinhar o possível responsável pelo crime. Werner Schunemann, a vítima, prefere apostar num desfecho imprevisível. — Como Saulo, apontaria Bete (Fernanda Montenegro) ou Mauro (Rodrigo Lombardi) Aquele choro dela foi muito falso (risos). E sei que Saulo, mesmo morto, gostaria de prejudicar os dois — analisa o ator, cujo personagem vai continuar perturbando seus inimigos por meio de sonhos aterrorizantes. Já Carolina Dieckmann, intérprete da mocinha Diana, vai na contramão. Na tese de que “o culpado é sempre o mordomo”, a atriz acredita que o cúmplice de Stela (Maitê Proença) tem culpa no cartório. Assim como ela, Kayky Brito, o Sinval, joga a culpa no empregado. — Arthurzinho tem uma admiração grande pela patroa e via o sofrimento dela de perto — explica o ator, afirmando que o personagem se comprometeu a buscar o assassino: — Sinval disse no dia da morte do pai que quer justiça a qualquer custo. E ele vai fundo. Na opinião do público, Brito e Carolina aparentemente têm razão. Em enquete realizada no site da Revista da TV, 30,69% dos internautas jogaram a culpa no mordomo de Stela. Julio Andrade, o intérprete, prefere não se acusar. Mas não nega que Arthurzinho poderia ter cometido o crime em nome da cumplicidade que tem com sua milady. — Embora um não saiba onde o outro estava na noite do crime, eles se veem como álibis. Está tudo desestruturado naquela família. Acho que está todo mundo mentindo — desconfia o ator. — A curiosidade nos bastidores é tanta que vamos até fazer um bolão. E o pior é que recebemos os capítulos em cima da hora, então não dá nem para ter uma ideia. Débora Duboc, que faz a empregada Olga, prefere ficar neutra. Contudo, descarta a possibilidade de a patroa ter sido a mandante da morte do próprio filho. — Acho que

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não foi a Bete porque ela é construída de uma forma íntegra e heroica. E, embora o Silvio seja ardiloso, também não acredito que tenha sido o Fred (Reynaldo Gianecchini). Ele é movido por vingança, tem ódio da família, mas preferia ver o Saulo vivo, na miséria, do que morto — analisa. Apesar de não estar na lista dos possíveis autores do crime que matou Saulo, Debora conta que é vista como principal suspeita na morte de Eugênio (Mauro Mendonça), marido de Bete: Teve uma enquete no site da novela e as pessoas votaram nela. Fiquei surpresa. Por sua vez, Gianecchini prefere não colocar a mão no fogo pelo vilão Fred. — Ele é capaz de tudo, inclusive de matar. Essa foi a primeira informação que tive do Silvio quando soube que ele estava escrevendo o personagem para mim — conta o ator, que acha que Saulo poderia ser um entrave para os planos de vingança de

no fundo, tinha uma amizade com Saulo. O ator joga todas as suas fichas em dois personagens: Gerson (Marcello Anthony) e Agnello (Daniel Oliveira). Para ele, o fato de Saulo ter descoberto o segredo do irmão é motivo suficiente para ter sido morto. Já Agnello, pode ter cometido um crime passional, já que é apaixonado por Stela. Maitê Proença, intérprete da viúva de Saulo, aposta numa teoria original: Acho que o motorista, Diógenes (Elias Gleizer), pode ser o autor. Ele pode ter feito isso para proteger o filho (Mauro) de algo que a gente ainda não sabe — acredita a atriz, para quem o assassino de Saulo é o mesmo de Eugênio. — Seria óbvio se fosse o Fred. Caso seja Mauro, acho que o público se sentiria traído, afinal, ele, que sempre foi o mocinho, no fim se tornaria um assassino? Olga acho que não causaria impacto e Arthurzinho pode não ser gay. Quem sabe ele finge apenas para se TV GLOBO/RENATO ROCHA MIRANDA

Morto a facadas, Saulo (Werner Schunemann) é encontrado em um motel

Fred. — Mas acho que existe uma pessoa que pode surpreender a todos: o Mauro. Até agora bom moço, o namorado de Diana não demonstrou nenhum tipo de culpa. Por isso, é um suspeito descartado pela própria Carolina. — Diana e Mauro não teriam um motivo tão forte para fazer isso e têm uma personalidade definida desde o início da trama — acredita a atriz. Rodrigo dos Santos, cujo personagem, Noronha, era constantemente humilhando por Saulo, é outro que descarta essa hipótese. — Mauro é um personagem apolíneo, que nunca perdeu a razão diante do Saulo. Então, não sei se sairia do eixo assim — justifica, avaliando a possibilidade de o assassinato ter sido cometido por Noronha, seu personagem: Ele era alvo de muitas humilhações, mas acho que,

aproximar da patroa? A atriz não descarta, porém, que Stela esteja tenha cometido o crime. Segundo Maitê, a personagem tem facetas “sombrias, polêmicas e critícaveis”. Ela ainda levanta a possibilidade de Stela ter tido algum tipo de ligação com Eugênio, pai de Saulo, no passado. Tanto mistério em torno da família Gouveia faz Mayana Moura desconfiar até da sua Melina, irmã-encrenca do morto: Na obra de Silvio tudo pode acontecer. Responsável por toda a confusão, o autor confessa que seu objetivo é mesmo atiçar a curiosidade de quem está em casa. — O ser humano já nasce curioso. E quem não quer ser o primeiro a descobrir uma charada? Mistérios são desafios pedindo para serem conquistados — teoriza.


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Domingo | 17 de outubro de 2010 FOTOS:DIVULGAÇÃO

PRODUÇÕES LOCAIS E SÉRIES COMO ‘NO RITMO’,‘PAR DE REIS’E ‘PETER PUNK’ SÃO AS APOSTAS DOS CANAIS DISNEY PARA OS JOVENS

UMA NOVA TURMA TATIANA CONTREIRAS

nquanto muito se fala sobre o fim de “Hannah Montana”, estrelada pela não mais tão adolescente Miley Cyrus, a Disney pensa em novidades. Tanto que a nova programação dos canais Disney Channel, Disney XD e Playhouse Disney já faz suas apostas no que pode ganhar espaço na preferência dos pequenos e jovens telespectadores nesta temporada. Entre as novidades, além do investimento em produções latino-americanas, estão três séries em que música e dança têm papéis de destaque: “Peter Punk”, “No ritmo” e “Par de reis”. Gravado no Brasil, o segundo ano de “Quando toca o sino” também é destaque. — Há uma estratégia clara da Disney de não só trazer coisas novas para os três canais como também apostar em produções locais. Então, temos produtos feitos na América Lati-

E

na e estamos começando a exportar essa produção — explica Andrea Salinas, diretora de marketing da The Walt Disney Company Brasil. Voltado para os meninos, o Disney XD traz as primeiras novidades. Ainda este mês entra no ar a animação “Esquadrão de heróis”. Em novembro é a vez de “Vingadores”, enquanto “Par de reis”, que tem Mitchel Musso (de “Hannah Montana”) no elenco, estreia em dezembro. A série mostra dois irmãos gêmeos, Brady (Musso) e Boomer (Doc Shaw, de “Zack & Cody: Gêmeos a bordo”), que descobrem que são herdeiros do trono da Ilha de Kinkou. Sem data prevista ainda há “Peter Punk”, que tem a mesma pegada musical que consagrou “Hannah Montana”. — A marca Marvel hoje é uma prioridade do canal. Isso abre espaço para novos personagens na programação, como em “Esquadrão de heróis”

e “Vingadores”. Já “Peter Punk” é uma produção feita na Argentina com uma plataforma musical e que já nasce robusta, porque é exatamente o que acreditamos que seja o Disney XD: o personagem principal é um menino cheio de amigos e que tem uma banda. Essa banda é uma grande aposta — adianta Andrea. E para as meninas? Além de “Quando toca o sino”, que estreia no primeiro trimestre de 2011, e da animação “Adolepeixes”, no ar já em dezembro, a expectativa no Disney Channel está em cima de “No ritmo”. A série sobre duas amigas que sonham ser dançarinas está prevista para fevereiro. — O Disney Channel tem um perfil mais família e feminino. Mas nossa ideia é expandir cada vez mais o conteúdo dos canais em novas bases e plataformas, democratizando as mídias e levando as séries para CDs e jogos, por exemplo — completa Andrea.

FESTEJADO ANTES DE ‘A FAZENDA 3’, HUMORISTA AGORA VÊ SUA POPULARIDADE CAIR NO REALITY POR EXAGERAR NAS BRINCADEIRAS

Para Meninas:“No ritmo”mostra amigas que querem ser dançarinas

Mitchell Musso (à direita) está na série “Par de reis”

TV RECORD/ANTONIO CHAHESTIAN

PEGADINHA DO MALLANDRO uita gente comemorou quando Sergio Mallandro foi confirmado na terceira edição de “A fazenda”, reality show da Record. Afinal, o humorista e apresentador faz parte da memória afetiva de quem cresceu ouvindo seus glu-glus e iéiés. Em alta por conta de suas apresentações de stand-up comedy pelo Brasil, Mallandro era tido como um dos favoritos ao prêmio de R$ 2 milhões antes de a atração começar. Mas foi só o tempo correr para sua popularidade dentro da casa cair: visto pelos colegas de confinamento como encrenqueiro, folgado e exagerado, Mallandro corre o risco de pesar a mão no personagem e desagradar ao público. A lista de problemas só faz crescer desde que Mallandro se estranhou com Monique Evans, a primeira eliminada da atração. Depois disso, o humorista já foi criticado até por Geisy

M

Arruda, que ocupou o posto de rejeitada da casa. “Aqui não é lugar de interpretar, isso ele faz no teatro”, queixou-se a moça. Sérgio Abreu já disse que o colega tem tendência a atitudes ditatoriais, enquanto Tico Santa Cruz chegou a levantar a voz para Mallandro. Um ponto comum entre todos os peões é que o apresentador não é muito chegado ao trabalho. — Tudo indica que muito mais vem por aí: barracos, situações engraçadas, conflitos, flertes, ação, emoção... A gente sabia que essa mistura seria explosiva, mas não podíamos imaginar nem o que causaria a confusão nem quem se envolveria. Reality shows são surpreendentes até para quem faz. Algumas posições e reações são surpreendentes, mas eu já esperava que o elenco rendesse bastante — avalia Rodrigo Carelli, diretor de “A fazenda”. Do lado de fora da fazenda, é difícil

calcular o quanto as atitudes de Mallandro podem prejudicá-lo. Mas há quem aposte nele como candidato à próxima roça. A mistura de perfis explosivos e diferentes como o do humorista, acredita Carelli, só ajuda o programa. — A seleção dos participantes foi crucial. Pudemos nos dar ao luxo de conhecer pessoas, entrevistá-las e trocar idéias, antes mesmo de decidir contratá-las. Foi um jogo aberto de seleção, deixando claro com as pessoas abordadas que poderíamos fechar ou não com elas após essa conversa mais aprofundada — explica o diretor, lembrando que, nesta edição, o programa buscava algo diferente. — Priorizamos a personalidade e o perfil, e não apenas o peso do nome na mídia. Além disso, temos mais áreas de atuação diferentes. Nas outras edições tínhamos um número maior de atores do que de pessoas de outras áreas. (N C) .

Sergio Mallandro é acusado de encarnar um personagem o tempo todo: brigas com os colegas de confinamento se tornaram comuns na casa


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Para Murilo Rosa,pelo Solano de “Araguaia”, novela de Walther Negrão dirigida por Marcos Schechtman. O ator,mais uma vez,está arrasando no papel do mocinho,ao mesmo tempo romântico e decidido,de uma história das 18h.

Para a falta de imaginação dos programadores da “Sessão da tarde”. Exemplo:“As namoradas do papai” passou no último dia 13 de outubro.As atrizes, que tinham 9 anos no filme,já estão com 24.E as reprises continuam firmes lá.

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CONTROLE REMOTO ISAC LUZ/EGO

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»CHEIA DE IDEIAS

RODRIGO LOPES

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Carolinie Figueiredo,atriz de “Ti-ti-ti”, contou ao blog que já recebeu propostas para ensaios fotográficos sensuais.Mas recusou:“Não digo que um dia não vá fazer.Mas,antes de expor meu corpo,quero que conheçam as minhas ideias”.

ELIZABETE ANTUNES (INTERINA)

CLENYLDA A.CAVALCANTE: Para o mistério criado por Silvio de Abreu em “Passione”. Ele é mestre.Novela bem escrita,cheia de novidades e trama instigante.

CRÍTICA ‘A CURA’MERECE CONTINUAR

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ELVIRA A.DO NASCIMENTO: Para Cleyde Yáconis e Emiliano Queiroz,pela cena de Brígida e Benedetto falando das orquídeas,em “Passione”.

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Para a lentidão de “Araguaia”. Um bom elenco,belas locações e trilha sonora,mas o enredo não decola.Espero que Eva Wilma traga novos ares à novela.

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FERNANDO VERÍSSIMO SILVA: Para o “Globo rural”, que mostrou a história de Dona Zabé no interior do Nordeste.A entrevista foi leve e conseguiu emocionar.

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Para a Globo,que passa filmes ótimos só no “Intercine”e no “Corujão”.“Sessão da tarde”,“Tela quente”,“Supercine”etc deveriam ser lembrados também.

»CAMARIM

Em cartaz com a peça “Igual a você” no Teatro Leblon,Camila Morgado deu entrevista ao site EGO (www.ego.com.br) em seu camarim.Ela contou que quando começou na TV foi difícil:“Foi muito assédio.Me assustei mesmo! Não sabia lidar com a situação”.

Para o “Hipertensão”. Não consigo entender o que é aquilo.Fazer as pessoas comerem insetos? Nojento demais.As provas difíceis já são suficientes.

MARCO ANTÔNIO TEIXEIRA

»VILÃ

Karen Junqueira,que sempre fez papéis de boazinha,viverá a sua primeira vilã,Taís,na minissérie da Record “Sansão e Dalila”.

»HUMOR E MÚSICA

O pessoal do “Casseta & Planeta,urgente!”vai gravar com os Jonas Brothers.

»ESQUENTANDO

A vila cenográfica de“Rebeldes”está quase pronta. A novela de Margareth Boury,uma parceria da Record com a Televisa,está quase pronta.A estreia da produção está prevista para fevereiro.

»TEATRO

GuilhermeWeber vai estrear“Os ultralíricos”,um espetáculo criado e produzido pela Sutil Companhia deTeatro,dirigida por ele e por Felipe Hirsch.

»‘PARAÍSO’

Werner Schunemann será Villegaignon no longa “Em louvor ao paraíso”, que será rodado no Forte de Pernambuco em 2011.

»ÁFRICA

Sidney Santiago,que era o Ademir de “Caminho das Índias”, foi para Angola, convidado para dirigir uma peça local.

»PARA RECICLAR

A Globo vai promover mais uma oficina de reciclagem para atores.

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esde que veio morar no Rio,há quatro anos,Fiorella Mattheis pratica ioga com o mesmo professor,Ronaldo Pedro (na foto com ela).Mas a paixão é antiga:a atriz e apresentadora do “Vídeo show” começou os exercícios ainda criança, com 9 anos,quando morava em Petrópolis.— Eu ia com meus pais para a academia — conta Fiorella:— Tinha ataques de riso tentando fazer as posições e o professor adorava,dizia que era a energia da ioga que provocava as gargalhadas. Nos tempos de modelo,quando se dividia entre São Paulo e cidades europeias,ficava difícil arranjar uma brecha na agenda para a prática.Mas, assim que se estabeleceu no Rio,passou a praticar a power ioga três vezes por semana.Recentemente,aderiu à hatha e à ashtanga,modalidades que ela alterna com boxe,natação e corrida.

A primeira temporada de “A cura” chegou ao fim deixando a sensação de que apenas nove episódios foi pouco para um projeto tão ambicioso e bemsucedido.O programa de João Emanuel Carneiro e Marcos Bernstein se apropriou de um formato americano — o de seriado semanal — e construiu uma história totalmente brasileira,com elementos como o curandeirismo, a crendice popular,a mineiridade etc.Os autores se arriscaram nestes temas sem cair no realismo fantástico,ou sequer flertar com o absurdo.Criaram uma história crível do começo ao fim.Nada no roteiro acabou na conta da licença poética.Como já tinha mostrado em “A favorita”, João Emanuel não aposta no espectador distraído,ou complacente.Ele escreve para os exigentes,para os atentos que não se deixam enganar por uma trama apenas mais ou menos.Ricardo Waddington fez uma direção seca, evitando os efeitos especiais,e confiando na história acima de tudo.Quando escolheu gravar com uma parte do elenco de diamantinenses não era gênero:“A cura”refletiu as cores,a atmosfera, o ambiente moral,o jeito de caminhar local etc.O seriado teve personalidade.A escalação e a direção do elenco foram outros acertos.Todos os atores estiveram bem,sem exceção,de Selton Melo a Carmo Dalla Vecchia,passando por Juca de Oliveira,Ana Rosa, Nívea Maria,Ary Fontoura,Andreia Horta e Caco Ciocler.Fechado com uma chave de ouro,mas uma chave capaz de abrir uma porta para toda uma trama nova,o programa foi um dos melhores no gênero — se não o melhor — já produzido pela TV aberta brasileira.E não mereceria morrer numa única temporada.

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Cris não é presa a valores morais como talvez seja uma pessoa da classe média como eu. Não estou dizendo que toda elite seja assim, mas é uma brincadeira de Sérgio Porto com isso” FERNANDA TORRES Atriz

Ela é feliz no casamento e nunca imaginou que o maridinho poderia dar uma pulada de cerca. Mas, quebra a cara e decide se rebelar! É claro que não consegue... ”

Fernanda Torres e Lavínia Vlasak são duas amigas interesseiras na história “A invejosa de Ipanema”

ANGÉLICA Atriz

CHEIAS DE ENCANTO BASEADA EM CONTOS DE SÉRGIO PORTO, A SÉRIE ‘AS CARIOCAS’ESTREIA NA GLOBO COM UM TIME DE MULHERES PARA NINGUÉM BOTAR DEFEITO CLARISSA FRAJDENRAJCH

a área externa de uma casa, no Itanhangá, 130 figurantes, em trajes elegantes, se espalham pelo cenário que retrata uma festa da alta sociedade. Câmeras ligadas, elenco principal posicionado, cena ensaiada. É hora de gravar. — Façam silêncio, por favor. Finjam que estão numa missa, que estão ganhando dinheiro, que estão trabalhando — diz Daniel Filho, no centro do set, com um toque de ironia e sem precisar levantar o tom de voz para ser prontamente atendido. Depois de se dedicar apenas ao cinema nos últimos dez anos, o diretor volta à TV e imprime o seu estilo em “As cariocas”, série baseada na obra de Sérgio Porto, que estreia terça-feira, na Globo, após o “Casseta & Planeta, urgente!”. Coprodução da emissora com a produtora Lereby (que pertence a Daniel), a atração tem texto final de Euclydes Marinho e é dividida em dez episódios, cada qual com sua protagonista. São elas: Fernanda Torres, Sonia Braga, Adriana Esteves, Alessandra

N Rosi Campos é uma garota de programa no episódio “A traída da Barra”, protagonizado por Angélica

Adriana Esteves e Aílton Graça formam um casal no capítulo “A vingativa do Méier”

Negrini, Paola Oliveira, Grazi Massafera, Cíntia Rosa, Deborah Secco, Angélica e Alinne Moraes. — Conseguir esse elenco foi um trabalho de engenharia. Puxa uma peça pra cá, outra pra lá. Foi quase como montar aquele cubo mágico. Temos atrizes experientes, outra mais jovens, mas todas com algo em comum: o bom humor — afirma Daniel, que divide a direção com Amora Mautner e Cris D’Amato. E bom humor não falta a Fernanda Torres. No capítulo “A invejosa de Ipanema”, ela é Cris, uma mulher fútil, casada com um homem mais velho, e amante de um médico cheio da grana. — Uma vez, entrevistaram uma brasileira casada com um estrangeiro muito rico e insinuaram que ela estava com ele por interesse. Ela disse: “Minha querida, ele não existe separado do dinheiro dele. Ele é ele e o dinheiro dele”. Foi uma saída perfeita. Assim como ela, Cris também ama o todo. Ou melhor, o tudo do todo — diverte-se a atriz. Na história, ela conta com a amiga Julinha (Lavínia Vlasak) — outra apaixonada pela carteira do marido — como cúm-

plice em seus trambiques. Para Fernanda, o episódio retrata uma certa falta de ética que existe na classe dominante. — Cris não é presa a valores morais como talvez seja uma pessoa da classe média como eu. Não estou dizendo que toda elite seja assim, mas é uma brincadeira de Sérgio Porto com isso — lembra Fernanda, impressionada com o ritmo de Daniel: — Ele quer fazer de primeira e deixa todo mundo ligado. Tive uma cena cheia de marcação, em que Cris explicava como seria o seu plano. Enquanto isso, botava sapato, brinco e fechava o vestido. No meio, botei o pé direito no sapato esquerdo, não achava o buraco da orelha... Mas fui fazendo! Acabei saindo com um pé pro lado e outro por outro... É divertido trabalhar com ele. Ainda pela Zona Sul carioca, em “A noiva do Catete”, Alinne Moraes faz Nádia, uma moça cujo noivo foi parar na cadeira de rodas depois de defendê-la num assalto. Já Sonia Braga é Julia em “A adúltera da Urca”. Casada com Cacá (Antonio Fagundes), ela defende com unhas e dentes a fidelidade, até um novo homem mexer com suas

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cções. E também tem Alessandra Neem “A iludida de Copacabana”. Sua nagem, Marta, é feliz no casamento, e incomoda com a babá de sua filha, moça um tanto sensual. Até que seu o, Silvinho (Thiago Lacerda), viaja e ve do amigo dele grandes revelações. Centro da cidade, está Deborah Secpapel de Alice. No capítulo “A suiciLapa”, ela conhece Roberto (Cassio s Mendes) numa noite de Natal: Ela ue sua vida é sem graça e procura moes para viver. Acaba criando histórias cídio, que a excitam. Brinca de ser o ão é. Assim, sua vida é uma fantasia. outro lado do túnel, Adriana Estetransforma em Celi, em “A vingao Méier”. — Ela está casada, mas há no o marido não a procura sexuale. Ela acaba descobrindo o que está ecendo. Mas, como se trata de um ama de comédia, a surpresa está no e isso não ter nada a ver com traiO resto eu não posso contar — desAdriana, nascida no mesmo Méier ue se passa a trama.

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FOTOS TV GLOBO/ IQUE ESTEVES

Também representando as cariocas da Zona Norte, Paola Oliveira vira Clarissa, em “A atormentada da Tijuca”. — Ela é agoniada em relação ao assédio masculino. Tem cena em que dá cotovelada neles quando ouve uma cantada e tem tique nervoso ao ser paquerada num elevador — revela Paola, que foi atrás de informações sobre o bairro retratado: — Quem mora lá é mais conservador. Me falaram que as tijucanas são mais recatadas, mas que, em quatro paredes, são uma loucura! À Grazi Massafera coube a missão de viver Michelle, em “A desibinida do Grajaú”, uma jovem que realiza o sonho de ganhar um concurso de beleza. Na vida real, a atriz já passou por isso quando foi eleita Miss Paraná e Miss Brasil Beleza Internacional. Mas, chega de coincidência! Na trama, o sucesso de Michelle dura pouco e ela se vê obrigada a voltar a morar com a mãe no Grajaú, onde também vive o mecânico Wescley (Marcelo D2), que sempre a teve como musa dos pa- Amora Mautner quer saber se posa para as fotos com ou sem godes que compõe nas horas vagas. — Ela a jaqueta de couro preta,que,combinada com os cabelos não leva desaforo para casa. Seu objetivo descoloridos,lhe dá um ar rock’n’roll.Não é preciso mais que isso,além dos livros sobre era fazer com que as coisas acontecessem cineastas que se misturam a através do concurso de beleza, mas tudo desDVDs infantis em sua sala, morona. No meio disso tudo, também é surpara perceber que uma das preendida por um novo amor. Queria mesdiretoras de“As cariocas” mo era encontrar um cara rico, mas se apaifoge dos clichês.Vaidosa xonando por Wescley — diz Grazi. —“você precisa usar Das quadras de samba, vem Gleicy, peresse negócio no sonagem de Cíntia Rosa em “A internauta da cabelo,vai mudar a Mangueira”. Linda de morrer, ela é a mulher sua vida”— direta, dedicada ao marido, Armando (Eduardo sem rodeios,a exMoscovis), cuida da casa com capricho e pasatriz,filha de sa horas trabalhando em frente ao compumúsico e cria do tador. Perfeitinha demais... Leblon começou — Gleicy é mulata da Mangueira, glaa trabalhar na mourosa, gosta de ser vista. Trabalha liadolescência. gada na internet, coisa que o marido não Queria ver como gosta muito. Ao mesmo tempo, é muas coisas lherzinha, toda apaixonada. Mas funcionavam atrás tem um segredo nessa história. das câmeras.Da Só posso dizer que não existe época de assistente uma traição — avisa Cíntia. de produção,figurino e Em outra parte do Rio, na direção — e o que mais Zona Oeste, está Angélica, no aparecesse na produtora papel de Maria Teresa em “A Conspiração — à direção geral traída da Barra”. No episódio, ela da novela que vai suceder contracena com seu marido, Lu“Araguaia”na Globo,foram anos ciano Huck, que interpreta Cícero. de trabalho.Mas hoje,aos 34 Na ficção, eles também são um caanos,a agenda de Amora é sal e têm dois filhos. Mas a família dividida entre a profissão e a ideal é abalada quando Maria Tefilha,Júlia,de três anos,de seu resa flagra o companheiro com oucasamento com o ator Marcos tra e resolve se vingar. — Ela é fePalmeira. liz no casamento e nunca imaEm “A invejosa de Ipanema”e ginou que o maridinho poderia “A iludida de Copacabana”, dar uma pulada de cerca. Mas, dois dos três episódios que quebra a cara e decide se rebeAmora dirige na série,a lar! É claro que não consegue... memória afetiva serviu como — antecipa Angélica. guia.Mas até a Tijuca,bairro Em “AS cariocas”, Ao todo, foram 54 dias de que abriga a terceira história Amora dirige as histórias gravação. Só mesmo Daniel sob o seu comando,guarda passadas em Copacabana, para conseguir ter esse time a parte de seu passado. Ipanema e Tijuca seus pés. E sob controle, claro.

Daniel Filho entra em ação numa locação, no Itanhangá

Mulher de atitude

FÁBIO ROSSI

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— Cresci no Leblon e a maioria dos lugares é familiar.Até mesmo a Tijuca.Há uns 12 anos,antes do Projac,a Globo era lá.A série “Labirinto”, em que trabalhei,foi gravada ali — conta,emendando com as lembranças da única vez em que se aventurou como atriz,em “Vamp”:— Foi uma loucura,uma coisa estranhíssima.Odiei,sofri muito.Mas não foi por acaso.Já queria ficar atrás das câmeras. Casa de amigos como Cláudio Torres e Mari Stockler,a Conspiração foi o abrigo ideal para uma jovem curiosa. Mas a produção,até então restrita à publicidade e aos videoclipes,era pouco para Amora,que passou a mão no telefone e ligou para Roberto Talma,diretor da Globo, pedindo um estágio.Ela queria dirigir atores e aprender na prática.Isso,aos 23 anos. — Na minha primeira novela (“O cravo e a rosa”),as pessoas no estúdio me encaravam. O Walter Avancini (diretor da trama) me viu e disse:“É você que vai fazer a novela comigo?”. Ele tinha certeza de que eu iria fazer algo errado.Graças a Deus,depois me amou e foi o responsável pelo meu primeiro aumento.Dirigir é algo pragmático,ou você sabe ou não sabe.Então, começaram a me respeitar pelo que eu era — explica. Com novelas de sucesso na bagagem,como“Celebridade”, “Paraíso tropical”e,mais recentemente,“Cama de gato”, Amora diz que não se abala quando pega pela frente tramas que não emplacam,como“Desejos de mulher”.O empenho, ela explica,é o mesmo: No fundo a gente sabe quando está fazendo uma novela que é sucesso,mas não temos como adivinhar que ela vai ser.A gente imagina,mas a reação do público não tem como prever — explica a diretora,feliz por trabalhar ao lado de Daniel Filho em“As cariocas”:— Ele é um craque.Só de ouvi-lo a gente aprende. Já às voltas com a direção-geral de “Pisa na fulô”, título provisório da próxima trama das 18h,com direção de núcleo de Ricardo Waddington e autoria de Thelma Guedes e Duca Rachid,Amora diz que o nascimento da filha a fez repensar seu estilo de vida. — Confesso que tudo mudou.Até minha filha nascer eu só pensava em trabalho.Hoje,só penso nela.Tive que fazer uma equação aí.Quando preciso viajar,dá um apertinho,dá desespero.Durante “Cama de gato”, Marquinhos (Palmeira) também foi para os Lençóis Maranhenses e Júlia ficou com meus pais.Agora (a diretora vai à Espanha em busca de locações) ela vai ficar com ele — diz a diretora,que pretende dirigir seu primeiro longa-metragem.


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»SAMBA DE PRIMEIRA

»VALE A ESPIADA

Filho do músico João Nogueira,o sambista Diogo Nogueira é o entrevistado de Paulinho Moska no “Zoombido”, que vai ao ar quinta-feira,às 21h30m,no Canal Brasil.

Como a vida de uma pessoa se transforma após um reality show? Para responder a essa questão,a ex-BBB Anamara conversa com Evelyn Montesano,hoje,às 11h40m,na CNT.

O QUE VEM POR AÍ

Domingo | 17 de outubro de 2010

»VERSÁTIL

Conhecido pelos personagens exóticos como Eduardo Mãos de Tesoura, o camaleão Johnny Depp tem sua vida relembrada no Especial do E!, nesta quinta-feira, às 9h.

TATIANA CORREIA DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO/GNT

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ocorro! Tenho filhos”, do Discovery Home & Health,chega ao Brasil. Conduzido pela psicopedagoga Cristina Quilici,a versão verdeamarela apresenta duas famílias de São Bernardo,que tentam reeducar seus filhos.O programa vai ao ar nos dias 22 e 29,às 19h,e conta ainda com horário alternativo:domingos,às 13h. Quais são os maiores erros cometidos pelos pais? CRISTINA QUILICI: Os pais encontram muita dificuldade de dizer “não”e manter esse “não” até o final. Quando os pais sabem que a criança já passou do limite? Cada família tem o seu (limite), não existe uma regra.Os pais têm que estabelecer o que pode e o que não pode para que a criança não se torne o imperador do lar. [COLABOROU RENATA LEAL]

MULTISHOW/KIKO CABRAL

»PARA TODOS OS GOSTOS »SAÚDE NO VELHO MUNDO

A partir de terça,às 22h,no GNT o “Alternativa Saúde” desembarca na Europa.Em visitas a Paris e Alemanha,a apresentadora Cynthia Howlett mostra curiosidades ligadas à saúde como o maior campo europeu de agricultura biodinâmica,de onde se extrai a calêndula, usada em cosméticos.

C E NA V I R T UA L þ

A semana está cheia de estreias no Multishow.Em “Morando sozinho”, hoje,às 21h30m,Miguel (Leandro Soares) vive de perto os dilemas de ser o dono da casa.Às 22h30,Natalia Klein protagoniza “Adorável psicose”, série escrita pela própria,sobre uma jovem que transforma problemas corriqueiros em verdadeiros transtornos.No sábado,às 23h,é a vez de “Vendemos cadeiras”(foto abaixo).Na história,dois nerds vividos por Gregório Duvivier e Wagner Santisteban veem sua rotina mudar com a chegada de uma nova colega de trabalho, vivida por Clarice Falcão.

DEU NA TV E FEZ SUCESSO NA INTERNET

Tiro. Quem morreu foi Saulo (Werner Schunemann),mas o vídeo do possível assassinato de Diana (Carolina Dieckmann), em “Passione”atiçou a curiosidade.

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Ar. Após 69 dias embaixo da terra, Florencio Ávalos foi o primeiro mineiro a ser resgatado pela cápsula Fênix,no Chile.Sua chegada à superfície emocionou.

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Música.Em entrevista à NBC, Antoine Dodson se indignou com a tentativa de estupro sofrida pela irmã.Sua revolta virou música e hit na web.


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Domingo | 17 de outubro de 2010

Programação de tv

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Filmes de hoje

Tatiana Contreiras (interina)

C

lassificado como um filme de terror, “Drag me to hell”(no original), dirigido por Sam Raimi, tem sequências inacreditáveis e tão bizarras que fazem o telespectador mais rir do que chorar de medo.Para quem entende o longa como uma grande zoação ao gênero, difícil não colocá-lo na categoria “imperdível”.Christine Brown (Alison Lohmann) é uma jovem analista de créditos que, na ânsia de subir na empresa, se vê obrigada a ter pulso firme e negar o pedido de extensão da hipoteca de uma pobre velhinha.Mas Sylvia Ganush (Lorna Raver) é do tipo cigana vingativa e roga uma praga milenar sobre a garota, que passa a ser perseguida por um demônio poderoso e tem pouco tempo para conseguir reverter a maldição — do contrário, sua alma vai sem escalas para o inferno.Ao seu lado, Christine tem apenas o namorado, Clay (Justin Long), e um vidente, Rham Jas (Dileep Rao).Prepare-se para litros de sangue e fluidos em geral. “ARRASTEME PARA O INFERNO”(TELECINE PREMIUM, 3h25m)

Margot e o Casamento com Nicole Kidman e Jennifer Jason InterTV Cabugi/Globo -11 05:40-Santa Missa 06:40-Sagrado 06:50-Globo Comunidade 07:25-Pequenas Empresas 08:00-Globo Rural 09:00-Auto Esporte 09:30-Esporte Espetacular 12:30-Aventuras do Didi 13:00-Horário Político 13:20-Os Caras de Pau 14:10-Temperatura Máxima:“Beethoven 2” 15:43-Globo Notícia 15:46-Campeonato Brasileiro:Atlético (GO) xVasco 18:00-Domingão do Faustão 20:30-Horário Político 20:50-Fantástico 23:35-Hipertensão 00:30-Domingo Maior:“O homem da casa” 02:15-Festival de Música SWU 03:10-Sessão de Gala:“Margot e o casamento”

TV Universitária/Cultura - 5 06:00-Via Legal 06:30-Brasil Eleitor 07:00-Palavras de Vida 08:00-A Santa Missa 09:00-Viola Minha Viola 10:00-Campeonato Brasileiro:Paysandu x Salgueiro 12:00-ABZ do Ziraldo 12:45-Catalendas 13:00-Horário Eleitoral 13:20-Os Heróis da Praia 13:40-Curta Criança 14:00-Dango Balango 14:30-TV Piá 15:00-Stadium 16:00-A‘ UWÊ — Com Marcos Palmeira 17:00-Ver TV 18:00-De Lá pra Cá 18:30-Papo de Mãe 19:30-Conexão Roberto D’Ávila 20:30-Horário Eleitoral 20:50-Programa Especial 21:10-Esportvisão 22:30-Nova África 23:00-Cine Ibermedia:“Silencio roto” 00:45-A Grande Música

TV Mult tv/Rede TV! - 17 06:00-Ultrafarma 08:00-Tempo de Avivamento 08:30-Igreja Internacional da Graça de Deus 09:00-Comunidade Sara Nossa Terra 09:30-Pé na Estrada 10:00-Super Papo 10:50-Campeonato Italiano:Juventus x Lecce 13:00-Horário Eleitoral 13:20-Fórmula 3:Londrina 14:00-Auto Mais 14:45-Avant Mídia 15:15-Transição 15:45-Olhar Digital 16:15-Super Papo 17:00-Carlos Cunha Show 17:30-Pague Menos 18:00-Ritmo Brasil 18:30-Bola na Rede

19:30-O Último Passageiro 20:30-Horário Eleitoral 20:50-Bola na Rede 21:00-Momento Pânico 21:10-Debate Presidencial 23:10-Pânico na TV 01:15-Dr.Hollywood 02:15-Bola na Rede 02:35-A Hora e a Vez da Pequena Empresa

TV Potengi/Bandeirantes - 3 07:00-Mundo Real 07:30-Vida e Missão 08:00-Posso Crer no Amanhã 08:30-A programar 08:45-TV Jam 09:00-Multirio 10:00-Full Motor 10:30-Brasil Caminhoneiro 11:00-Infomercial 12:00-Que Dureza 12:30-Liga dos Campeões UEFA — Magazine 13:00-Horário Eleitoral 13:20-Band Esporte Clube 15:30-Campeonato Brasileiro: Atlético x Vasco 18:00-Terceiro Tempo 19:30-O Formigueiro 20:30-Horário Eleitoral 20:50-Família Dinossauros 21:10-Domingo no Cinema :A razão do meu afeto 23:15-Busão do Brasil 23:30-Canal Livre 00:30-Deles & Delas 01:00-Show Business 01:45-Deles & Delas

TV SBT/Ponta Negra - 13 06:00-Aventura Selvagem 07:00-Pesca Alternativa 08:00-Vrum 08:30-Ganhe Mais Dinheiro com Jequiti 09:00-Clube do Chaves 11:00-Domingo Legal 13:00-Horário Eleitoral 13:20-Domingo Legal 15:30-Eliana 19:30-Roda a Roda Jequiti 20:30-Horário Eleitoral 20:50-Cassetadas Engraçadas e Desastradas 21:10-Programa Silvio Santos 00:00-De Frente com Gabi 01:00-Arquivo Morto — Série 02:00-Desaparecidos — Série 03:00-Estética — Série

TV Tropical/Record - 8 07:15-Desenhos Bíblicos 08:00-Record Kids 09:30-Domingo de Prêmios 10:00-Record Kids 12:00-Tudo é Possível 13:00-Horário Eleitoral 13:20-Tudo é Possível 16:00-Programa do Gugu 20:00-Domingo Espetacular 20:30-Horário Eleitoral 20:50-Domingo Espetacular 23:15-A Fazenda 00:00-Heroes

• BEETHOVEN 2 De Rod Daniel. Com Charles Grodin, Bonnie Hunt, Nicholle Tom. Comédia. O São Bernardo mais atrapalhado da América continua aprontando em sequências que não parecem ter fim na TV. Cãozinho de estimação da família Newton, Beethoven volta ao lar com sua companheira Missy e seus quatro filhotes do barulho — Tchaikovsky, Chubby, Dolly e Mo — para aprontar, claro, altas confusões. INTER TV/CABUGI, 14h10m • A GAROTA DE ROSA SHOCKING Com Molly Ringwald, Andrew McCarthy, Jon Cryer. Romance. Por que John Hughes é um gênio? Por ter escrito filmes como “Pretty in pink” . Clássico do cinema adolescente, o longa se une a “Gatinhas e gatões” e “Clube dos cinco” no quesito “melhores filmes já programados pela ‘Sessão da tarde’ em todos os tempos”, além, claro, de ser parte da filmografia indispensável de Hughes. Vale voltar no tempo e rever como a pobrezinha Andie Walsh (Ringwald) se apaixona pelo riquinho e esnobe Blane (McCarthy), enquanto Duckie (John Cryer), melhor amigo da mocinha, é louco por ela. TELECINE CULT, 12h40m • INSÔNIA Com Al Pacino, Robin Williams, Hilary Swank. Suspense. “Insônia” veio logo depois de “Amnésia”, que mostrou para o mundo o trabalho de Christopher Nolan. Elogiadíssimo, o diretorprodígio gosta de brincar com a nar-

rativa e a cronologia em suas tramas, como se pode ver também em “A origem”. Aqui, Nolan conta com uma dupla de peso: Al Pacino vive um policial que sofre com a falta de sono e investiga um assassino — Williams — no Alasca. Bem tenso. MGM, 22h • SILENCIO ROTO Com Lucía Jiménez, Juan Diego Botto, Mercedes Sampietro, Álvaro de Luna. Drama. Aos 21 anos, no rigoroso inverno de 1944, Lúcia (Lucía Jiménez) resolve voltar para a vila onde nasceu, no meio das montanhas no Norte da Espanha. Sua ideia é

reencontrar a tia, para quem pensa em trabalhar. Mas, nessa volta ao passado, a moça também revê Manuel (Juan Diego Botto), um jovem ferreiro que colabora com um grupo armado que luta contra a ditadura, e, claro, se apaixona. TV BRASIL, 23h

• O HOMEM DA CASA Com Tommy Lee Jones, Anne Archer, Brian Van Holt. Drama. Tommy Lee Jones já havia feito os dois primeiros filmes da série “Homens de preto” (sim, um terceiro longa está em pré-produção) quando rodou “O homem da casa”. Aqui, ele vive Roland Sharp, um policial daqueles que fazem a linha durão e que tem que proteger um grupo inusitado de testemunhas de um crime: cinco gatinhas líderes de torcida em uma universidade. INTER TV/CABUGI, 0h30m • MARGOT E O CASAMENTO Com Nicole Kidman, Jack Black, Jennifer Jason Leigh. Comédia. Diretor do hypado “A lula e a baleia”, Noah Baumbach assina o longa, inédito na Globo, que também tem um pé nas complicadas relações familiares. Nicole Kidman é a Margot do título, uma escritora de contos que decide visitar a irmã, Pauline (Jennifer Jason Leigh), depois que ela anuncia seu casamento com o Malcolm (Jack Black). Quando conhece o sujeito, Margot questiona a validade desta união e expõe as rachaduras do passado na relação entre as duas. INTER TV/ CABUGI, 3h10m • ROCKNROLLA — A GRANDE ROUBA DA Com Gerard Butler, Tom Wilkinson, Thandie Newton, Tom Hardy. Comédia. Bastante notado em “A origem”, hit da história recente do cinema com Leonardo Di Caprio, o gatinho Tom Hardy já havia batido ponto aqui, na pele de Handsome Bob. No longa do ex-marido da diva Madonna, máfia, trapaça e milhões de dólares são recorrentes. Aqui, Gerard Butler (de “300”) vive One Two, sujeito golpista que, claro, se mete numa fria. Espere perseguições, reviravoltas e afins, algo bem típico do diretor em seus filmes. HBO2, 22h

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Domingo | 17 de outubro de 2010

A TV DE....

JOSÉ MOJICA MARINS

A

presentador de “O estranho mundo de Zé do Caixão”, no Canal Brasil,José Mojica Marins nunca assistiu a uma novela inteira.Não gosta de reality shows e detesta o horário eleitoral — apesar de ter se candidatado a deputado estadual nos anos 60.O que prende,então,essa soturna figura em frente à TV? — Sou fã de filmes antigos e documentários do History Channel — revela o cineasta, que também gosta de Jô Soares e Serginho Groisman, mas reclama do pouco espaço dado ao terror na TV: — Não sei por que não exploram mais o gênero.

TV GLOBO/ALEX CARVALHO

10 Tribuna do Norte • Natal • Rio Grande do Norte

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Você é fã de séries como“True blood”e“Supernatural”?

reprisa na TV.

Eu não assisto a nada disso. Sou contra esse negócio de lobisomem, vampiros. A gente devia ficar com as nossas crenças: explorar o Boitatá, o Saci Pererê e o Homem da Capa Preta.

E os reality shows?

Acha que é dado pouco espaço ao terror na TV?

Com certeza. Faltam filmes e atrações de mistério, terror, ficção... Não sei por que não exploram mais isso. Há um público grande para esse gênero, especialmente os jovens.

Chatos e repetitivos. A ficção é muito mais interessante do que a falsa realidade desses programas. Se fôssemos fazer o dia a dia do Brasil de verdade seria outra coisa, não faltariam histórias. Temos a macumba, praias fantásticas e as mulheres mais belas do mundo. Como ex-candidato,o que acha do horário eleitoral? DIVULGAÇÃO

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O que prende a sua atenção em frente à TV?

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Sou fã dos filmes antigos, que passam de madrugada. E não perco os documentários do History Channel. Mas tem que ter um tema esquisito: dinossauros, a vida em outros planetas...

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“Programa do Jô”e “Altas horas”. Sempre têm novidade e, no intervalo, eu troco uma ideia com minha mulher.

Eu nuca consegui assistir a uma novela inteira. Fui casado sete vezes e não tinha jeito. Minhas mulheres largavam as novelas no meio para ver filmes comigo. O que mais me marcou foi “O bebê de Rosemary”, sempre assisto quando

Andei assistindo, mas não gosto. Em vez de fazerem promessas que não vão cumprir, os candidatos deveriam criar um comercial curto, de mais ou menos dois minutos, com um enredo. Seria mais interessante.


revista da tv

Domingo | 17 de outubro de 2010

PRIMEIRO PLANO

Tribuna do Norte • Natal • Rio Grande do Norte 11

VALÉRIO ANDRADE

A Premiação da TV no FestNatal

E

CANINDÉ SOARES

m parceria com o Festival de Cinema, Vídeo e Televisão de Natal,a coluna Primeiro Plano prestará o seu tributo aos destaques da televisão potiguar e nacional de 2010.Vale lembrar,apenas como registro cronológico,que o FestNatal foi o primeiro evento cinematográfico que abriu espaço para a premiação dos artistas,das personalidades,dos programas,até dos personagens,da televisão.

A BELA DA MANHÃ Ela é uma fusão de beleza e competência.O seu rosto é visto onde houver uma TV ligada no jornalismo matinal da Inter TV.Ela é apresentadora do “Bom Dia RN”. Na categoria A Imagem da Notícia,o troféu Primeiro Plano vai para Michelle Rincon.

ou superior a de outros Estados.

OS PREMIADOS DE 2010

A PREMIAÇÃO LOCAL Assim como aconteceu há dez anos com o audiovisual potiguar através da criação do Festival do Vídeo Potiguar,o FestNatal estendeu a premiação da televisão nacional à programação local.“Memória Viva”, da TV Universitária e Jornal da Tropical,estão na relação dos premiados em 2008 e 2009.

A AMPLIAÇÃO DA TELEVISÃO A receptividade do prêmio Primeiro Plano estimulou e justificou a ampliação de

Michelle Rincon: a imagem da notícia presença na televisão na programação do festival de cinema,no plano nacional e também a nível local.Nós fazemos uma televisão no campo do telejornalismo igual

Ainda estamos completando a relação dos destaques da televisão potiguar de 2010,mas podemos anunciar alguns do que serão agraciados com o troféu Primeiro Plano. Lembramos,que,em favor da alternância anual,quem foi premiado em 2009 não está concorrendo em 2010,mas que poderá voltar a competir em 2011.

PERSONALIDADE DA TELEVISÃO Um nome querido da sociedade natalense, entre outros motivos,pela sua generosidade

jornalistica e pela sua duradoura permanência em cena na imprensa e no vídeo,foi o escolhido para receber o troféu de Personalidade da Televisão de 2010.É um nome que dispensa apresentação:Paulo Macedo.

PROGRAMA Ultrapassando os limites do telejornalismo,o Primeiro Plano passou a ser atribuído aos programas de outros gêneros.Este ano o escolhido foi Versátil,da TV Ponta Negra, produzido e apresentado Toinho Silveira. Assim como o patriarca do Colunismo social natalense,Paulo Macedo,Toinho Silveira também dispensa apresentação.

FOTOS DIVULGAÇÃO/AGÊNCIA NA LATA

MULHERES DE ‘A LIGA’FALAM DOS RISCOS QUE ENFRENTAM NA ATRAÇÃO

SEM PERDER A TERNURA ZEAN BRAVO

ma é paulistana, foi modelo, bicampeã paulista de jiu-jitsu e já apresentou programas esportivos na Globo, Record e SporTV. A outra nasceu em Brasília, está em cartaz nos cinemas com o blockbuster nacional “Nosso lar”, e foi protagonista da novela “Água na boca”. A jornalista Débora Vilalba e a atriz Rosanne Mulholland são as representantes do sexo feminino em “A liga”, atração que traz ainda Rafinha Bastos e o rapper Thaíde como repórteres. Criado pela produtora argentina Cuatro Cabezas (a mesma do “CQC”), o jornalístico vai ao ar às terças, 22h, na Band. — Sempre me joguei em tudo o que envolve risco e adrenalina. E em “A liga”, cada um desempenha um papel de acordo com a sua personalidade. A Rosanne faz a garota mais frágil e eu sou a destemida, que não tem medo e não reclama — compara Débora, de 35 anos. A jornalista realmente costuma encarar os desafios propostos pelas pautas do pro-

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grama. Quer dizer... — Só não consegui completar a experiência de passar 24 horas numa casa abandonada invadida por um grupo de sem-teto — admite: — Fiquei até de madrugada, mas foi tenso. Eram umas 30 pessoas e o cheiro do lugar me incomodou muito. As pessoas andavam descalças sem se importar com o xixi e o cocô dos ratos que circulavam por lá. Em situações como essa, a repórter costuma ficar sozinha, apenas com uma hand cam (câmera portátil). — Mas a equipe fica próxima para me dar apoio. Geralmente, eles estacionam a van na mesma rua em que estou e me monitoram pelo áudio — explica Débora. Com a autoridade de quem acompanhou uma necropsia no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro e já esteve num hospital psiquiátrico para as gravações do programa, Rosanne garante não ser tão frágil assim. — Tenho mesmo o perfil de uma pessoa mais sensível e delicada, mas isso não significa que sou fraca — avisa a atriz, que já se

embrenhou numa favela numa das gravações. — A gente sabe da existência de certas coisas, como a falta de saneamento básico. Mas outra é estar lá para sentir o cheiro do esgoto e ver que uma família que vive ali come só arroz porque não tem dinheiro para comprar mais nada — descreve Rosanne, de 29 anos. Confirmada para 2011, a segunda temporada de “A liga” não contará com a atriz em seu elenco. — Vou sair com dó no coração. Mas, sou atriz, quero priorizar a carreira. Eu estava tendo que negar convites de trabalho no cinema — conta a jovem, que topou participar do programa para “viver outras realidades”. — A experiência está sendo incrível. E também me ajuda como atriz — acredita a brasiliense, que será vista no filme “Meu mundo em perigo”, de José Eduardo Belmonte, em novembro. Ela também estará na peça “A inevitável história de Letícia Diniz”, baseada no romance homônimo do autor Marcelo Pedreira, que tem estreia prevista para o mesmo mês. Rosanne irá interpretar um travesti, protagonista da história.

Débora (acima) e Rosanne (abaixo) têm perfis diferentes: a primeira é destemida e gosta de adrenalina, enquanto a outra é sensível e delicada


Revista da tv 12

Natal • Rio Grande do Norte • Domingo • 17 de outubro de 2010 A quarta temporada de “Gossip girl”rola lá fora e até hoje não vimos o final da terceira pelo Warner Channel....Que horror.

Vilipendiado no FX, “Dexter”ganha endereço novo em 2011: o Liv comprou a série e vai exibi-la desde o começo!

SERIAIS

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ALOHA,BRASIL Difícil encontrar quem não lembre de “Hawaii Five-0”,hein? Sucesso entre 1968 e 1980 e protagonizada por Jack Lord,a série está de volta em um remake turbinado que estreia quarta-feira,às 22h,no Liv.A adaptação,estrelada pelo galã Alex O’Loughlin (de“Three rivers”),Scott Caan (“Entourage”) e Daniel Dae Kim (“Lost”),tem os dois pés na ação.Curtimos.

TÉLIO NAVEGA - GUSTAVO LEITÃO FOTOS DE DIVULGAÇÃO

MAIS-MAIS Aguardadíssima,“Boardwalk empire — O império do contrabando”estreia hoje com episódio duplo no HBO,às 22h.A expectativa tem nomes e sobrenomes:dirigida e produzida pelo cineasta Martin Scorsese,a série é assinada por Terence Winter,de“Família Soprano”,tem Steve Buscemi no elenco e conta como funcionava uma rede de contrabando de bebidas comandada por um político durante os anos 1920. Mas Scorsese não é o único diretor a se aventurar no universo das séries.Olha só:

• 1- Steven Spielberg. Ok,Spielberg não dirigiu “The pacific”, (foto) série de guerra (e de sucesso).Mas ele assina a produção executiva e respondeu pela atração ao lado de Tom Hanks.Vale. • 2-Quentin Tarantino. Logo depois de “Pulp fiction — Tempo de violência”,Tarantino dirigiu um episódio de “E.R”.

• 3- Ryan Murphy. Antes de “Nip/Tuck”e “Glee”, Murphy escreveu e dirigiu “Correndo com tesouras”. Fino.

•4.Steven Soderbergh- O diretor com ar cult dirigiu a série sobre política “K Street”, de dez episódios.

Lisa Vidal (a segunda da direita para a esquerda) e Blair Underwood (à direita dela): na Casa Branca

•5- McG. O diretor de “As panteras”assinou o piloto de “Chuck”.

Conspirações e mistérios

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á quem compare “The event”a “Lost”,“24 horas”e “Flashforward”. Mas a série,que estreia amanhã,às 22h,no Universal Channel,aparentemente segue outro viés.Que evento é esse que dá nome ao seriado? Ninguém sabe.Teorias da conspiração e acontecimentos extraordinários marcam a trama,que traz,pela primeira vez,um casal latino na Casa Branca. No primeiro episódio, Leila Buchanan (Sarah Roemer), noiva do ex-hacker Sean Walker (Jason Ritter), desaparece misteriosamente. Enquanto isso, Elias Martinez (Blair Underwood), presidente dos Estados Unidos, descobre que a CIA escondia informações sobre o misterioso Mount Inostranka, que abrigava vários prisioneiros. — A série fala sobre a maior conspiração da história da humanidade — diz Underwood, por telefone, a jornalistas da América Latina, fazendo questão de contar que já visitou o Brasil: —

Todos os personagens têm segredos que vão sendo revelados. Cada episódio tem um gancho, e surpresas e pistas surgem a cada semana. “Lost”durou seis temporadas mas perdeu audiência porque o público começou a se frustrar com a falta de respostas. Não é o que acontece aqui. Negro e filho de refugiados cubanos,o chefe dos Estados Unidos interpretado por Underwood (de séries como “In treatment”),acredita o ator,tem uma relação próxima com a realidade americana por levantar temas como política internacional e imigração.Lisa Vidal,que interpreta a primeiradama Cristina,também acredita que suas origens latinas façam diferença dentro e fora da tela. — Já era fã do assunto,li muitos livros sobre Jackie Kennedy e outras primeiras-damas.Sinto uma certa responsabilidade por ser a primeira mulher latina na Casa Branca na TV.Isso tem um significado muito grande — diz.


Tribuna do Norte - 17/10/2010