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LaboratĂłrio Urbano EfĂŞmero de Campo Grande Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil. 19 ago - 23 set 2019


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SUMÁRIO


LABORATÓRIO URBANO EFÊMERO DE CAMPO GRANDE

SUMÁRIO

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LABORATÓRIO URBANO EFÊMERO DE CAMPO GRANDE

EQUIPE DO LABORATÓRIO TransLAB.URB Fausto Bugatti Isolan George Brum Cereça Isadora Scopel Simon Leonardo Brawl Márquez Mario Galvão Prati Rafael Aurélio Knebel Sheila Uberti Residência Urbanística Francina Buonanotte Marina Mergulhão (Coletivo Massapê) Pedro de Andrade Lima Britto (Coletivo Massapê)

EQUIPE DO LABORATÓRIO

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Campo Grande inicia sua história muito antes de 1872, ano de sua fundação, agregando desde sempre diversas influências dos diferentes povos que viviam na região. Sua emancipação, em 1899, marca o momento considerado até hoje como surgimento oficial. A cidade tem em seu âmago a linha férrea da NOB Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, fundada em 1904 e implementada na cidade em 1914, e deve muito do seu crescimento e desenvolvimento a este empreendimento. A trajetória da NOB é imensa, contendo muitos episódios marcantes, inclusive para a história de Campo Grande. Um destes episódios, e talvez o mais triste para a população da capital, é o encerramento das atividades de transporte de passageiros, em 1996, quando a empresa foi a leilão.

Referência portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/365/

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APRESENTAÇÃO

Deste período em diante o Complexo Ferroviário passou por muitas mudanças, atualmente comportando o museu da AFAPEDI - Associação dos Ferroviários, Aposentados, Pensionistas, Demitidos e Idosos da ferrovia, além de servir de espaço para alguns eventos ocasionais. Neste contexto do fim das atividades dos trens e aparente “abandono” do conjunto arquitetônico é que se cria a oportunidade de implementação do projeto de um laboratório focado em inovação social urbana.

Mapa do Estado de Mato Grosso do Sul


LABORATÓRIO URBANO EFÊMERO DE CAMPO GRANDE

LABORATÓRIO URBANO EFÊMERO DE CAMPO GRANDE O Laboratório Urbano Efêmero de Campo Grande (ou Lab Campo Grande) foi um ciclo de atividades de cinco semanas com o intuito de reaproximar a população da cidade ao entorno do Complexo Ferroviário da Rede Noroeste do Brasil, visando à construção coletiva de diretrizes para esse território, mais precisamente, para a área de 94 mil metros quadrados que contempla a Esplanada Ferroviária e as suas edificações, o antigo pátio de trens, o Armazém e todo o conjunto de pátios e de edificações das imediações da Rotunda Ferroviária de Campo Grande. Através de diferentes abordagens e de uma nova maneira de pensar o urbanismo, a proposta foi cocriar e desvendar uma camada sensível dos desejos da população para essa área da cidade, aplicando variadas metodologias e ferramentas para ativar e testar o lugar, gerando evidências científicas para embasar o conjunto de Diretrizes Espaciais, de Usos e Programas, e também de Autogestão desses espaços públicos. É necessário contextualizar a implementação do Lab Campo Grande dentro de uma linha do tempo que envolve muitas ações como, por exemplo, o Plano Diretor ter criado a ZEIC - Zona Especial de Interesse Cultural na zona central. Dentro do programa Viva Campo Grande (1ª Etapa), no convênio da Prefeitura Municipal de Campo Grande com o BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Plano de Revitalização da ZEIC identificou o potencial da Esplanada Ferroviária

como parque linear. No mesmo período, ocorreu o tombamento da área nas esferas municipal, estadual e federal. Na ocasião do programa Viva Campo Grande (2ª etapa), entre diversas obras, ocorreu a reabilitação da Rua 14 de Julho e do quadrilátero central, período no qual o IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional criou o Grupo de Trabalho Esplanada Ferroviária para elaboração de diretrizes para orientação das intervenções e para proteção dessa área. Além disso, é preciso ressaltar a relação de todo o conjunto com a Feira Central, uma grande estrutura gastronômica instalada nos limites do terreno através de um decreto municipal de concessão pública, cuja solução dada para o estacionamento ocupa o centro dos 94 mil metros quadrados da Esplanada Ferroviária. A ocupação do território da Esplanada Ferroviária com um Laboratório Urbano Efêmero, durante 35 dias, iniciou pela identificação de três Setores com características distintas de uso: o Setor 01, formado pela Plataforma Cultural, pelo Pátio de Trens, pelas edificações da AFAPEDI (Associação dos Ferroviários, Aposentados, Pensionistas, Demitidos e Idosos) e da Museologia e pelo Armazém Cultural; o Setor 02 encontra-se com a interface da Feira Central e com o Estacionamento; o Setor 03 contempla o conjunto de edificações da Rotunda Ferroviária, seus pátios e seus galpões. A implementação da experiência do Laboratório buscou o desenvolvimento do sentido de pertencimento e de

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reconhecimento do próprio lugar, possibilitando a identificação de vocações e de desejos coletivos para o codesenho de espaços e de programas de interesse público e de uso comum por todos os moradores e visitantes, melhorando a experiência coletiva nessa localidade. O Lab Campo Grande configurouse como uma proposta de espaço aberto e colaborativo. A ideia base foi promover encontros para a troca de experiências entre projetos e iniciativas já existentes na cidade e/ ou que desejavam sair do papel. Foi um momento de aumentar e de criar novas redes dentro da capital sulmato-grossense. Esse processo teve um número total de aproximadamente 2605 participantes ativos (55,40% mulheres e 44,60% homens) e resultou em diretrizes, conclusões e pontos de atenção a serem utilizados na construção do programa para o projeto de requalificação deste imenso complexo patrimonial. Sob o ponto de vista da inovação social urbana, trata-se de um pequeno marco nos processos de participação cidadã e de colaboração nas áreas de interesse público, no qual o planejamento possibilitou a abordagem dos habitantes/usuários dessa região, uma amostragem de pessoas representantes dos setores da sociedade previstos no conceito da Hélice Quádrupla Sociedade Civil, Academia, Iniciativa Privada e Administração Pública – fundamentais para a exploração da inteligência coletiva –, o que tornou possível a criação de visões alternativas e a identificação de possibilidades de intervenções no espaço público dentro de uma lógica de empoderamento do território e desenvolvimento sustentável.

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APRESENTAÇÃO


TransLAB.URB A partir de uma indicação do BID Banco Interamericano de Desenvolvimento, o coletivo autônomo de inovação social urbana TransLAB.URB, de Porto Alegre - RS, foi contratado para desenvolver um processo durante um período de 35 dias, utilizando uma série de ferramentas de desenho de processos cívicos, Placemaking e Urbanismo Tático, visando à identificação de pré-existências e de vocações, bem como a construção, junto à população, de diretrizes para a área de 94 mil metros quadrados da Esplanada Ferroviária. A operação do Laboratório contou com uma equipe multidisciplinar cujo propósito foi criar, estruturar, desenvolver, moderar e facilitar todas as atividade, bem como acolher o público e os agentes que compareceram no local no decorrer do período de trabalho.

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APRESENTAÇÃO

• Equipe Fixa: 07 pessoas Membros do coletivo TransLAB.URB (Porto Alegre - RS), presentes durante todos os 35 dias de atividades, em tempo integral e em caráter de dedicação exclusiva; • Equipe Residentes: 03 pessoas Dois membros do Coletivo Massapê (Recife - PE), com uma pessoa permanecendo no período de 03 a 11 de setembro e outra permanecendo no período de 11 a 22 de setembro, além de uma pessoa autônoma (Córdoba - Argentina), permanecendo no período de 16 a 22 de setembro. Todas essas pessoas estiveram presentes em tempo integral e em caráter de dedicação exclusiva; • Auxiliares: 05 pessoas Integrantes de diferentes equipes da Prefeitura Municipal de Campo Grande que ajudaram no funcionamento do Laboratório, em tempo parcial e em caráter de dedicação não-exclusiva.


IMPLEMENTAÇÃO As semanas 01 e 02 foram de dedicação a atividades de préprodução estratégica do Laboratório, referentes a toda a estruturação de comunicação, primeiras convocatórias e mapeamentos de agentes e de iniciativas, além do início do planejamento estrutural do espaço de trabalho, com a equipe do TransLAB.URB ainda em Porto Alegre - RS. A semana 03, já em Campo Grande, serviu como momento para montagem da infraestrutura de trabalho na Esplanada Ferroviária, reconhecimento da área e contato com a equipe de apoio local. Ainda nesse período, ocorreram as primeiras reuniões presenciais com integrantes dos diversos setores sociais, acolhimento ao público, comunicação e convocatórias. As primeiras palestras em instituições de ensino também foram nessa semana, sempre com o propósito de informar sobre o trabalho e convocar agentes para a colaboração e cocriação. As semanas 04 a 07 foram as que contemplaram toda a programação aberta ao público, onde todo o trabalho desenvolveu-se junto à população, contemplando todas as atividades estruturantes propostas pela equipe do TransLAB.URB dentro das chamadas “Semanas Tipo”, passando pelas atividades propostas pela comunidade e por eventos variados, além da continuidade das convocatórias, palestras, reuniões, mapeamentos, comunicações e acolhimentos. Todas essas ações tratam do trabalho na Esplanada Ferroviária e do projeto específico

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do Grupo de Trabalho Urbanismo Tático Mercadão (Mercado Municipal Antônio Valente), sempre em conjunto com captações de relatos escritos e audiovisuais. As semanas 08 a 10 foram de dedicação a atividades de pósprodução do Laboratório, novamente em Porto Alegre - RS. Esse trabalho refere-se à análise dos dados captados durante o trabalho in loco, produção e entrega do Relatório Quantitativo de Resultados, produção e entrega do Relatório Final e produção e conclusão do documentário audiovisual.


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INTRODUÇÃO ÀS METODOLOGIAS As metodologias propostas e aplicadas no Lab Campo Grande foram adaptadas e desenvolvidas pela equipe do TransLAB.URB, conforme características específicas dos locais de trabalho previamente estabelecidos, respeitando todos os diferentes contextos. Visando permitir uma melhor e maior percepção e captação de dados relevantes à produção deste relatório qualitativo, foram realizadas diversas análises prévias dos locais, em Campo Grande, a serem contemplados no trabalho. A partir dessas análises, foram, então, criadas as estratégias para aplicação dos métodos de cocriação e de participação que fundamentam todo o Laboratório, sempre baseados em técnicas e teorias do Urbanismo, Placemaking, Inovação Social, Urbanismo Tático, Cocriação e Participação, Sociologia, Desenho Cívico, Psicologia Social, entre outras abordagens. Características específicas de cada um dos locais e de todas as atividades realizadas, bem como os resultados de todas as metodologias aplicadas, aparecem a seguir neste documento.

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METODOLOGIA APLICADA


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PLACEMAKING, URBANISMO TÁTICO E DESENHO CÍVICO Dentro do escopo da inovação social urbana, muitos paradigmas teóricos são quebrados quando se propõe a união entre a sabedoria popular e o conhecimento técnico, fazendo-se valer de abordagens transdisciplinares e da aplicação de metodologia científica aliada ao empirismo, esse tão comum ao ativismo e ao cotidiano de populações que convivem com a precariedade. É nesse contexto de abertura ao experimentalismo que se situa a proposta de um Laboratório Urbano Efêmero como um meio para desvendar uma camada sensível de informações pré-existentes e de propostas coletivas para o futuro de um território de interesse público. Para lidar com a complexidade dos incontáveis fluxos que influenciam na produção do ambiente urbano, o Laboratório parte de uma base sólida de conceitos, metodologias e ferramentas do Novo Urbanismo, com destaque para o Placemaking, para o Urbanismo Tático e para o Desenho Cívico, que dialogam perfeitamente com o cruzamento entre artes, ciências e tecnologias. O Placemaking é um processo de planejamento, criação e gestão de espaços públicos totalmente voltado para as pessoas, visando transformar “espaços” e pontos de encontro em uma comunidade – ruas, calçadas, parques, edifícios e outros espaços públicos – em “lugares” que estimulem maiores interações entre as pessoas e que promovam comunidades mais saudáveis e felizes. Trata de observar o uso dos espaços públicos, assim como de

perguntar e de ouvir as pessoas que vivem, trabalham ou visitam um local para descobrir suas necessidades e desejos. Essas informações são usadas para a criação de uma visão comum de lugar, que possibilita a implementação de mudanças rápidas que tragam benefícios imediatos para um espaço público e para as pessoas que o frequentam. O Urbanismo Tático é uma abordagem voltada a qualquer pessoa interessada em melhorar a qualidade do espaço público, sejam organizações comunitárias, planejadores ou mesmo engenheiros de trânsito, utilizando intervenções e políticas de curto prazo, de baixo custo e escaláveis, visando a catalisar mudanças a longo prazo. As diferentes possibilidades do Urbanismo Tático variam entre aplicações que permitem experimentar mudanças na cidade por um período determinado, oferecendo uma aproximação ao impacto causado caso a intervenção fosse de fato executada, ou seja, uma lógica de prototipação, mas há também vários casos em que, diante de situações de precariedade do entorno e das necessidades da população, essas buscam soluções a partir de intervenções feitas com materiais econômicos e de rápida implementação.

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O universo do Desenho de Processos Cívicos ou Desenho Cívico trata de um campo profissional transdisciplinar que inclui profissionais de arquitetura, planejamento urbano, sociologia, antropologia, geografia, ciência política, filosofia, entre outras, e que implica outras práticas em torno do desenho da cidade e do pensamento social, como o design de inovação urbana ou social, assumindo a complexidade política do território. O Desenho Cívico é o campo do design que incorpora em suas práticas a Inteligência Coletiva, a Inovação Cívica e o Design Aberto aplicados ao lugar que é objeto de trabalho. Em última análise, se trata dos distintos processos vinculados ao tecido humano, cultural, econômico e especialmente político dos territórios em que atua.

Referências pps.org/category/placemaking placemakingx.org placemaking.org.br tacticalurbanismguide.com civicwise.org/approach

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METODOLOGIA APLICADA


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PROGRAMAÇÃO ABERTA A programação do Lab Campo Grande deu-se durante 35 dias de atividades abertas ao público, funcionando das 09h as 21h, totalizando aproximadamente 450 horas de operação, sempre prezando pela transparência e pela participação das várias camadas da sociedade. Durante esse período, foram feitas diversas chamadas diárias para que todos pudessem contribuir e colaborar na estruturação dessa programação, sempre pretendendo envolver agentes dos quatros setores: Sociedade Civil, Academia, Iniciativa Privada e Administração Pública. Dentre as atividades que compuseram essa grade, aparecem

aquelas propostas pela equipe interna do Laboratório – configuradas no formato “Semana Tipo” – e outras propostas pelos próprios participantes, evidenciando a intenção de abertura e de cocriação no trabalho e garantindo a pluralidade de intervenções e de ações. Além de espaços de trabalho contínuos, o Laboratório propôsse a criar e a testar aberturas para atividades com múltiplos propósitos durante todos os turnos nos 35 dias de ação na Esplanada Ferroviária e nos arredores, assim como no Mercadão, sempre acolhendo o público no intuito de cocriar e de experimentar novas formas de uso dos espaços.

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SEMANA TIPO Como forma de estruturar estrategicamente as atividades realizadas no Laboratório, a equipe do TransLAB.URB implementou um sistema de organização das tarefas e das ações de modo que elas pudessem ser replicadas nos mesmos dias e horários a cada semana. As atividades previamente desenvolvidas para serem a base estruturante do trabalho foram distribuídas durante os dias de modo que mais pessoas pudessem acessá-las para participar, bem como preservar espaços e horários para aqueles agentes que desejassem propor suas próprias atividades.

Essa organização auxiliou em todas as etapas do trabalho in loco, visto que muitas outras atividades – reuniões de equipe, produção de infraestrutura constante para programações, encontros com agentes, acolhimento ao público, palestras fora da Esplanada Ferroviária, etc. – ocorreram em paralelo à programação aberta.

CONVOCATÓRIAS Esse instrumento serviu para atrair potenciais agentes e iniciativas, além de convidar para participarem e para proporem atividades no Laboratório. Essa ferramenta é parte da estratégia de ativação do território para ocupação com atividades variadas, possibilitando o acolhimento de ações que já ocorriam na cidade, assim como facilitando que outras saíssem do papel, além do reconhecimento e do fortalecimento de uma rede local de projetos. O objetivo é criar um verdadeiro espaço de experimentação para entendimento das vocações dos

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territórios trabalhados, sempre seguindo a filosofia da participação e da cocriação. As convocatórias foram sempre feitas ativamente pelas redes sociais, e-mails e outros canais digitais, tendo ainda formatos passivos como fichas cadastrais físicas e formulários digitais. Ao se receber propostas através desses meios, foram marcadas reuniões presenciais para sanar dúvidas, produzir material necessário e definir toda a estratégia de comunicação e posterior ação.


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PALESTRAS EXTERNAS As palestras cumpriram dois objetivos bem específicos dentro das estratégias de comunicação: informar o público sobre o trabalho a ser realizado e convocar agentes e a população geral a participarem do Laboratório. Foram feitas apresentações breves, fora do ambiente da Esplanada Ferroviária – como salas de aula em universidades, por exemplo – levando conteúdo sobre quem está estruturando e facilitando as atividades, quais são as características e os objetivos do Laboratório, como participar, qual o período de funcionamento e quais as potenciais influências na localidade. Ao final foram feitas chamadas

para que todos participassem e indicassem agentes ou iniciativas para contribuírem como quisessem com o Laboratório, reforçando sempre a importância da participação de todos os setores da sociedade. Foram realizadas, no total, 06 palestras em 03 universidades: UFMS - Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, UCDB - Universidade Católica Dom Bosco, Universidade Anhanguera Uniderp e SECTUR - Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

RESIDÊNCIA URBANÍSTICA Seguindo as lógicas e estratégias provindas da Inovação Social, o Laboratório propôs-se a aportar práticas com agentes vindos de outras localidades, permitindo outros olhares sobre toda a metodologia aplicada e, mais especificamente, sobre as ações realizadas. A partir dessa ideia, foram realizados convites para agentes da rede do TransLAB. URB a fim de realizar uma Residência Urbanística, compondo a equipe durante o trabalho no Laboratório. A teoria “Glocal” de atuação prevê, justamente, essa abordagem, onde agentes de diferentes lugares devem

unir-se para agir localmente em um espaço específico, unindo diferentes ideias e experiências para qualificar tanto as práticas, quanto os resultados obtidos.

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Com base nas metodologias aplicadas e de forma que se pudesse instrumentalizar as “Semanas Tipo” durante o período de trabalho no Laboratório, foram criadas, desenvolvidas e/ ou adaptadas ferramentas para o reconhecimento de agentes e do território, para percepção espacial e para o codesenho de uma camada sensível de informações junto aos participantes e agentes de Campo Grande. Trata-se do conjunto de atividades teórico-práticas cujas características variam de acordo com os contextos em que se inserem, mas buscam sempre orientar, captar, desvendar e criar todo tipo de informação relevante para o Lab Campo Grande e para fundamentar as análises que compuseram as Diretrizes e Pontos de Atenção do relatório final.

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FERRAMENTAS


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FALA LOCAL Atividade com o objetivo de concentrar, em um curto período de tempo, diversos projetos e propostas com temática livre, proporcionando um momento de troca, de divulgação e de visibilidade de redes locais. Também propicia um ambiente descontraído, onde quem apresenta tem o desafio de organizar suas ideias escolhendo um formato com ou sem utilização de suporte visual (projeção) e, de forma concisa, “jogar” com a limitação do tempo disponibilizado (07 minutos por apresentação). Foram realizados 04 encontros (terças-feiras à noite) com todas as iniciativas que atendiam às chamadas realizadas durante o Lab Campo Grande. Também é importante ressaltar que algumas pessoas solicitaram a participação na atividade durante o período da sua realização, o que foi incentivado pelo Lab Campo Grande com a intenção de quebrar o formato de apenas aceitar inscrições prévias, oportunizando uma atividade mais dinâmica.

equipamento de áudio – optou-se por essa ferramenta por acreditar na contribuição com novos formatos de apresentações e espaços abertos para engajamento, exposição de propostas, reconhecimento e fortalecimento de agentes locais. Além de ser um formato acessível e de fácil reprodução, propicia a criação de um espaço aberto para propostas, um dos papéis fundamentais de um Laboratório. As atividades também foram transmitidas ao vivo via redes sociais.

As atividades de Fala Local exploraram os espaços da Museologia e do Armazém Cultural, alternando sua realização e contribuindo com a prototipação de atividades dentro desses locais. Nesse sentido, também proporcionou momentos prévios à atividade, como a intervenção musical “Eletroacústica”, realizada pelo professor Luis Felipe de Oliveira (UFMS). Contando com a infraestrutura mínima necessária para realizar esse tipo de atividade — projetor e

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TERÇA 27 DE AGOSTO • Grupo Casa/Eteca

Lígia Prieto e Fernando Lopes

Coletivo de artistas, com sede em Campo Grande, que trabalha com a formação, pesquisas e experimentações no campo das artes cênicas. Organiza e promove, anualmente, o Encontro de Teatro Entre Crianças - ETECA. • Projetos Futuros para Campo Grande Neila Janes Viana Vieira

Apresentação de projetos de requalificação nas áreas centrais de Campo Grande promovidos pela Administração Pública. • Jane’s Walk Campo Grande

Aline Bolis, Carlos Gonçalves Jr, Fernando Camilo Jr, Natália Guaripuna e Raphael Reynaud

Organizada pelo Coletivo Veracidade, edição local da atividade realizada em outras cidades do mundo, trata da temática das percepções, percursos e ocupações do espaço público. • Exercícios de Levantamento e Proposta de Intervenção em Ambiente Histórico Bruno Ferreira

Iniciativa que cria um jogo de interação de espaços da cidade e o mundo virtual utilizando tecnologias de dispositivos móveis para reunir as percepções dos participantes em plataformas de redes sociais ou em realidade aumentada. • Arte Urbano

Renderson Valentim

Ativista cultural falando sobre a arte urbana e seus potenciais, suas dificuldades e seus impactos na cultura local. TERÇA 03 DE SETEMBRO • Slam Campão

Thales Henrique da Silva

Movimento independente que promove encontros de poesia falada em espaço públicos de Campo Grande. • Rota do Selfie Walking Tour Rodrigo Hata

Projeto local que incentiva o percurso turístico em Campo Grande aliado ao serviço gastronômico. • City Tour Campo Grande

Projeto, em parceria com o IPHAN, que instrumentaliza os acadêmicos sobre as problemáticas da relação entre o entorno e o objeto tombado. Teve como objetivo compor a base de dados de levantamento do entorno do Complexo Ferroviário.

Carlos Iracy Coelho Neto

• Encontro com a Música Clássica

Michele de Andrade Torres

Jardel Tartari

Iniciativa de músicos locais que buscam difundir a música clássica para a comunidade, ocupando espaços alternativos para reunião, estudos e apresentações.

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• Museu Interativo da Cidade

Priscila Sati

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Projeto de turismo desenvolvido por guia local que destaca e promove a cidade e seus pontos turísticos e culturais, bem como sua importância regional. • Bici nos Planos

Iniciativa local da rede nacional de cicloativistas e de colaboradores que tem por objetivo trabalhar o uso da bicicleta enquanto meio de transporte e a inserção destas nas políticas públicas de mobilidade e de planejamento urbano.


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• Reunião Pública para construção da Praça do Nova Lima Raphael Reynaud

Apresentação do projeto realizado pela PLANURB - Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano para implantação de praças nas diferentes regiões da cidade envolvendo a comunidade nas etapas de tomada de decisão e de desenho. • Algo+ritmo Juliana Trujillo

Apresentação sobre processos participativos e uso das tecnologias realizadas pelo grupo de pesquisa em processos digitais de projeto do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMS. • Resista

Leonardo Kenzo

Relato de sobre organização cultural e iniciativas locais diante as legislações locais e permissões que impactam na atuação dessas atividades. TERÇA 10 DE SETEMBRO • Bike Anjo

Cintia Possas

Iniciativa local da rede nacional de cicloativistas que promove a bicicleta como um elemento de transformação e de humanização da cidade, realizando, de forma gratuita, encontros para que as pessoas aprendam a pedalar. • Educação Patrimonial, pela Secretaria Municipal de Educação Adriano Ramos

Eventos e ações de educação patrimonial em escolas, promovendo o debate através do suporte de fotografias e percursos.

• Casa da Terra

Ana Carolina Veraldo

Projetos que difundem a aplicabilidade da Arquitetura de Terra, sem perder de vista as peculiaridades culturais, climáticas e sociais de cada região. • Sarau de Segunda Mara Rojas

Evento que reúne, semanalmente, em praças de Campo Grande, público e artistas locais, ocupando o espaço com música e palco livre. • Medita Som

Ana Carolina Veraldo

Desenvolvimento pessoal através da música. TERÇA 17 DE SETEMBRO • Minas Gerais Associação Feminina de Futebol e Pagode Nuala Lobo Cambará

Iniciativa que reúne praticantes de futebol, incentivando mulheres a praticar o esporte nas quadras públicas da cidade. • Slam Camélias

Luanna Peralta, Jéssica Cândido, Thainá Sangalli, Catarina e Liliane

Movimento organizador da Batalha de Poesias das Mina, encontro de poesia falada realizado por mulheres nos espaços públicos da cidade. • Exposição fotográfica: “O ferroviário Carlos Silva Mattos” Carlos Iracy Coelho Neto

Coleção de fotos que contam a trajetória de Carlos S. Mattos, tendo Campo Grande e Centro-Oeste do país como cenários. • Projeto Folk in Casa Jimmy Andrews

Projeto que busca reunir e proporcionar espaços de apresentação para músicos locais e regionais.

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• Geomancia/Bazhai

Tamara Ribeiro e Pedro Maia

Através da prática da arte, do conhecimento do Feng Shui, dos projetos de design e de arquitetura, busca reunir o culto da experiência do habitar. • Habitação na Área Central Eliane

Relato sobre experiências de percepção da cidade e pesquisa com habitação social. • Canteiro Experimental UFMS Délis Pereira

Laboratório que busca recuperar o “fazer” como uma das formas de aprendizagem, inovando e aprimorando técnicas através do contato direto com os materiais aplicados e de processos construtivos que estimulam o exercício coletivo. • Bici nos Planos: Resultados de Contagem Michele de Andrade Torres

Apresentação dos resultados parciais das contagens relacionadas ao uso e comportamento dos usuários de bicicletas em determinados pontos de Campo Grande. • Teatro Imaginário Maracangalha Fernando Cruz

Grupo que trabalha a pesquisa em teatro de rua e espaços não convencionais para encenação em uma perspectiva crítica e provocadora. • Paisagem Sonora Luis Felipe de Oliveira

Apresentação de conceitos e de projetos realizados sobre o tema da paisagem sonora.

Referência pechakucha.com

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MESAS TEMÁTICAS Debates abertos mediados pela equipe do Laboratório e compostos por alguns especialistas em temas relevantes com o objetivo de levar aos participantes informações importantes, proporcionando um espaço de diálogo entre os diferentes setores da sociedade. A proposta foi qualificar as discussões de assuntos contemporâneos pertinentes e que se aproximassem dos potenciais usos dos territórios trabalhados, possibilitando uma composição de dados e informações que complementassem outras evidências coletadas nas diversas atividades realizadas. Foram formadas rodas de conversa com uma temática pré-estabelecida, convocados agentes com relevância na prática ou teoria do assunto e aberto espaço para uma breve fala desses. Em seguida, iniciouse o momento de trocas, para que outras pessoas pudessem fazer colocações ou perguntas, possibilitando o aprofundamento da temática proposta através do debate horizontal. Ao total foram realizadas quatro Mesas.

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QUARTA 28 DE AGOSTO • Eventos e Vizinhanças Conversa sobre as relações entre zoneamento urbano, cadeia produtiva de cultura e as intersecções entre sociedade e administração pública. QUARTA O4 DE SETEMBRO • Memória e Patrimônio Conversa sobre a relação afetiva com o passado das cidades e as questões ligadas ao patrimônio construído. QUARTA 11 DE SETEMBRO • Habitação Social no Centro Conversa sobre a ocupação de áreas centrais das cidades, abordando a temática da habitação de interesse social e o espaço público. QUARTA 18 DE SETEMBRO • Construindo um Laboratório Cidadão Conversa sobre o papel dos Laboratórios Cidadãos, onde acontecem e como desenvolver iniciativas nesse sentido Participação de Domenico di Siena (CivicWise) por videoconferência desde Buenos Aires.


COCRIAÇÃO DE DIRETRIZES PARA TERRITÓRIOS DE INTERESSE PÚBLICO Consiste em uma metodologia que busca criar, de maneira conjunta, uma camada “sensível” de diretrizes complementares aos programas de projeto. Na Cocriação de Diretrizes foram apresentadas diferentes metodologias e técnicas para o levantamento e a análise de informações, buscando incorporar dados importantes a serem levados em consideração para a realização do projeto em questão. Ao contemplar esses aspectos qualitativos trazidos pelos agentes envolvidos nas tarefas e nas atividades, consegue-se uma maior aproximação do real sentido de intervenções no espaço, pois abordase questões de demandas, vontades, sonhos e problemáticas, não somente do lugar onde se trabalha, como também das imediações da área. Essas técnicas permitem diversas formas de expressão de ideias para que todos os participantes sintam-se realmente parte do processo, além de contemplar todas as possibilidades de intervenções criativas propostas. As abordagens utilizadas visam o rompimento dos paradigmas de produção de ideias, quando em dinâmicas de grupos, que dificultam a captação de expressões individuais que compõem a resultante da atividade. Basicamente, foram oficinas de, aproximadamente, 04 horas, que iniciaram com exercícios de estímulo aos sentidos, tal como caminhadas com uso de vendas, seguidas de versões rápidas de ferramentas de exploração e de reconhecimento do

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terreno com Derivas e Cartografias Afetivas. Atividades como o Crazy 8 dinâmica de criação de ideias no formato de um jogo de 08 minutos - permitem que todas as ideias de todos os participantes sejam levadas em consideração, garantindo a verdadeira complementaridade das informações que surgem, visto que todo o conteúdo produzido na atividade é prontamente acessível a todos os presentes. Todas as propostas foram categorizadas e analisadas sob o ponto de vista da possibilidade de prazo de implementação. Na etapa final, foram encorajados os debates e as trocas de ideias para que se complementasse os momentos de criação individual, facilitando a interpretação dos conteúdos criados e permitindo que todos pudessem colaborar com os resultados. O processo de Cocriação de Diretrizes Para Territórios de Interesse Público fundamenta os resultados apresentados ao final deste relatório, que são complementados com informações obtidas nas outras ferramentas aplicadas.


DERIVA Instrumento de percepção do entorno ou do meio que se estuda que possibilita aos participantes da atividade experimentar diferentes tipos de sensações através dos seus sentidos. Trata-se de uma caminhada de exploração onde a pessoa parte de um local sem ter um destino específico. O objetivo é captar o máximo possível de sensações e de sentimentos em relação a esse espaço, focando, individualmente e subjetivamente, nos próprios sentidos, podendo, ou não, tomar notas ou fazer alguns registros.

Depois de alguns minutos, as pessoas foram reunidas novamente em grupo e estimuladas a trazerem relatos sobre as suas derivas, expondo suas sensações e percepções. Ainda nesse momento, puderam expressar visualmente num suporte coletivo de papel craft, na forma de um mural liso ou com um desenho de forma humana, sob o qual as pessoas fizeram conexões do corpo com o território, desenhando ou escrevendo livremente aquilo que sentiram, misturando suas experiências com a de outros participantes.

Os participantes foram convidados a andarem por uma área determinada, preferencialmente sozinhos e sem definir onde queriam chegar, explorando, observando e captando todo o tipo de estímulo externo, guardando para si as sensações causadas por tais estímulos. Esses elementos foram os “guias” que conduziram a escolha do percurso, podendo optar por um ou outro caminho de acordo com a vontade ou os sentimentos que tal elemento causasse, por exemplo: podia-se optar por seguir um caminho por ter sombra ou por ser mais silencioso; podia-se evitar outro caminho por ser muito escuro ou perigoso; podiase escolher seguir tal rota, pois a vegetação trazia tranquilidade ou por avistar algo que agradecesse à distância; podia-se, também, preterir outra rota por sentir um cheiro desagradável ou algum obstáculo que dificultasse a passagem; entre outros inúmeros estímulos que guiaram por um ou por outro caminho. Referência vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/03.035/696

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MAPAS E MAPEAMENTOS Estas são ferramentas fundamentais para iniciar as coletas de informações sobre agentes e sobre o território, funcionam através da combinação de ações em grupo ou individuais, dinâmicas e vivências, configurandose como recursos que ampliam a percepção e orientam oportunidades de visualização. São utilizados elementos na construção dessas ferramentas, como símbolos, avisos, registros em mapas e outros recursos visuais, além de buscas, pesquisas e convites específicos para agentes participarem do trabalho. Caminhadas de reconhecimento e exploração do território, encontros, observações e registros fotográficos também permitem a identificação de problemáticas e de temas importantes para fundamentar a análise final dos dados coletados. Todos os mapas foram utilizados durante o período de trabalho no Laboratório para garantir o maior número de interações possíveis por parte do público, buscando a pluralidade de informações, assim como um amplo levantamento sobre agentes e iniciativas, que garantissem uma maior rede de relacionamentos e que facilitassem as trocas entre todos os participantes do Laboratório.

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FERRAMENTAS // MAPAS E MAPEAMENTOS


MAPEAMENTO PARTICIPATIVO

Colhendo dados qualitativos da área, utilizou-se uma representação gráfica da Esplanada Ferroviária de forma mais simplificada e lúdica, mostrando os aspectos mais significativos e sensoriais para facilitar a percepção da magnitude real do lugar para os visitantes que o utilizam de forma independente. A representação em forma de mapa ficou exposta no espaço central de atividades, permanentemente em funcionamento, no edifício chamado Museologia. Com o objetivo de coletar dados sensíveis, buscou-se opiniões, propostas e características que potencializassem o valor do lugar como espaço público e suas problemáticas. O mapa apresentava instruções e legenda, que indicavam aspectos, sensações e atividades relacionados ao espaço, mais detalhadas. Também era aberto para quem quisesse expressar suas percepções de outra forma (palavras e desenhos), livremente.

OS ITENS ESTÃO DIRECIONADOS A TRÊS TEMAS: • Acessibilidade e Conectividade Questionava sobre a percepção de conectividade do espaço com a cidade, seu entorno imediato, edifícios, equipamentos, atividades econômicas, a conexão com a rede de transporte público, a rede peatonal e de ciclistas, a acessibilidade e a segurança nos trajetos da área e seu entorno. • Conforto e Imagem Relação do espaço com o clima, atendendo suas necessidades climáticas e ecológicas, adequação ambiental, critérios paisagísticos, continuidade do verde urbano, integração do imaginário cultural, elementos de identificação e de reconhecimento do local como único e diferenciado (símbolo). • Uso e Gestão Equipamentos para diferentes tipos de público; convivência de diferentes tipos de atividades, usuários e relações; programação, espaços (físicos e digitais) que permitam adequada gestão e convivência. Esses temas gerais podem configurar um espaço público atrativo, inclusivo, dinâmico, confortável, diversificado, que tenha personalidade, identidade e onde as pessoas sintam-se pertencentes a ele, de modo a potencializar as atividades sociais, os encontros e os laços entre a comunidade.

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Da análise do mapa, após a intervenção, resultaram os seguintes dados: No tema “Acessibilidade e Segurança”, alguns dos pontos indicados são de caráter sensível, como a sensação de segurança no espaço, outros pontos referem-se, diretamente, a questões espaciais, portanto, os aspectos mais apontados são: em indicações de acessos possíveis à Esplanada Ferroviária, em lugares específicos da área, muitas vezes são indicadas sensações de insegurança e de perigo, assim como a percepção de que alguns lugares são sujos, mal cuidados ou deteriorados. Por fim, são apontadas as necessidades de acesso ao transporte público e de implantação de ciclovia. O aspecto “acessibilidade universal” da legenda não é apontado em nenhum espaço.


Os aspectos apresentados no tema “Conforto, Natureza, Comodidade e Imagem” estão relacionados diretamente a elementos físicos, como mobiliário, características naturais e sensações de conforto. Dentre os pontos indicados com mais frequência. aparecem as lixeiras. Depois disso, a necessidade da presença de hortas e de árvores frutíferas, assim como de árvores para sombra e paisagismo, de jardins e de canteiros. De infraestrutura, são apontados os banheiros, pontos para comprar bebida e comida, espaços para sentar (indicados com o item ‘bancos’), iluminação e elementos com informação e sinalização. O item ‘elementos com água’ não é apontado.


Avaliando os dados coletados do mapa, observa-se que, dentro do tema “Diversidade de usos, atividades e gestão”, os pontos mais indicados são: que, no espaço da Esplanada Ferroviária, destine-se lugares com infraestrutura para apresentações e programação de atividades culturais variadas – teatro, música, dança, feira, etc. São apontados, de forma distribuída entre as estruturas existentes, espaços que contemplem oficinas e atividades de capacitação. Em outros pontos da área, sugere-se espaços que atendam aos idosos, infraestrutura para prática de exercício físico, jogos e oficinas. Incluir lugares onde crianças possam brincar também está entre os itens relacionados. Nas propostas apontadas, estão indicadas atividades ambientais (reciclagem, educação ambiental, cultivo, etc.) e, por fim, que espaços sejam destinados à prática de esportes e de exercício físico para o público em geral.


MAPEAMENTO DE AGENTES

A ação de mapear os agentes locais e de buscar uma categorização dentro do conceito da Hélice Quádrupla foi, talvez, um dos movimentos mais estratégicos dos trabalhos do Laboratório Urbano Efêmero, justo porque permitiu uma organização dos contatos a partir de abordagens mais assertivas para cada setor, com convites formatados para pessoas da Sociedade Civil, da Academia, da Iniciativa Privada e da Administração Pública. Além disso, foi um trabalho que se estendeu da etapa de préprodução e até os últimos dias, cujo processo foi de fácil compreensão e configurou-se como uma das primeiras atividades colaborativas, aberto para receber ajuda de todas as pessoas que se conectaram com o Laboratório. A partir de uma plataforma digital que armazenava todos os contatos, existiam duas possibilidades de preenchimento das colunas da tabela, uma por parte de pessoas da Administração Pública que compuseram um núcleo de trabalho junto com a equipe fixa do Lab Campo Grande e outra através de dados coletados por canais como: conexões via Whatsapp, levantamento desktop, visitas ao espaço de trabalho ou mesmo indicações dadas por visitantes. Os agentes da Hélice Quádrupla formaram a base das principais articulações do Laboratório, sendo esses os indivíduos que representavam as iniciativas atuantes na cidade.

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Houve também o objetivo de reconhecimento e de fortalecimento das redes locais, visto que esse mapeamento foi essencial para a aproximação dos agentes, permitindo uma visão aprofundada do território e das pessoas que já atuavam ou que poderiam vir a atuar nesse contexto. Foi nesse momento que se estabeleceram as primeiras conexões mais significativas com o Lab Campo Grande e com outras iniciativas da cidade. Por fim, todas essas conexões foram compartilhadas com as pessoas durante o processo e novas estratégias foram traçadas por todos que participaram das movimentações do Laboratório.


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CARTOGRAFIA AFETIVA Ferramenta de coleta de dados sensíveis que surgem através da percepção do espaço, auxiliando no reconhecimento do local onde são coletadas as sensações que o trajeto percorrido transmite ao caminhante. O participante expressa essas sensações em um pequeno mapa da área usado como suporte, característica que a diferencia da atividade de Deriva. As Cartografias Afetivas foram utilizadas junto às Derivas para o reconhecimento da Esplanada Ferroviária como parte da ferramenta Cocriação de Diretrizes. Os grupos que utilizaram a Cartografia Afetiva como instrumento fizeram sua caminhada de forma individual e, após esse reconhecimento do espaço, compartilham com o grupo as sensações que captaram do território, sob a forma de desenhos, hachuras, manchas, pequenos escritos e outras indicações sob a planta de situação do terreno. Desse modo, essas percepções, em consenso ou não, foram transcritas para um mapa coletivo como forma de validação desses dados. Nesse último momento, ainda, abriu-se espaço para discussão, debate e compartilhamento do que é captado durante a exploração, traçandose paralelos entre tudo aquilo que aparece nas falas, nos desenhos e nas expressões diversas.

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MURAL DE EXPECTATIVAS Ferramenta utilizada para captar noções de como sentiam-se e o que esperavam as pessoas que participavam das atividades do Laboratório. Essas informações foram importantes ao compor a validação de tudo aquilo que foi captado durante o trabalho, bem como permitir adaptações que se fizeram necessárias para as futuras ações desenvolvidas. O mural ficou exposto durante todo o período de trabalho para permitir que as pessoas deixassem relatos, desenhos ou recados que expressassem suas expectativas para a atividade que iriam participar, ou mesmo sobre sua percepção sobre o Laboratório. A equipe do Lab Campo Grande reforçava o convite para que as pessoas presentes deixassem sua mensagem sempre antes de iniciar a ação programada e, se desejassem ou achassem necessário, poderem revisitar o mural ao final para fazer a validação dos resultados perante as expectativas previamente expressadas

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FORMULÁRIOS ONLINE Ferramenta que auxiliou na busca de opiniões e percepções do público em geral, algumas vezes como complemento de outras ferramentas, mas, principalmente, para as pessoas que desejavam contribuir com o Lab Campo Grande, porém, por conta de suas dinâmicas da vida cotidiana, ficavam impossibilitadas de deslocarem-se até o local das atividades. Dentro das 05 semanas do Lab, foram criados 03 formulários de diferentes temas, dentre eles temos: o Formulário de Iniciativas Locais, uma ferramenta que auxiliou nas Convocatórias, onde uma pessoa poderia indicar seu projeto/iniciativa, ou indicar outro projeto/iniciativa que conhecesse para participar da programação. Nele obtivemos 31 respostas. Na Consulta para o Mercadão o Lab Campo Grande, em parceria com a ASSOCIMEC - Associação dos Comerciantes do Mercado Municipal de Campo Grande e com a Prefeitura Municipal de Campo Grande, por meio do Grupo de Trabalho de Urbanismo Tático, buscou, dentro da estratégia de aproximação e de levantamento de dados, entender junto aos seus usuários os distintos perfis, acessibilidades, interesses, percepções de conforto e uso de novos espaços de convívio. Um dos formatos utilizados foi um questionário online construído em conjunto com os participantes dessa atividade. Esse questionário obteve 275 respostas.

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O Questionário de Percepções dos Espaços Públicos, elaborado na plataforma Google Forms, esteve no ar de 02 a 23 de setembro, com divulgação através das redes do Lab Campo Grande. O questionário apresentava 15 perguntas com imagens ilustrativas, buscando extrair uma ideia geral de espaço público presente no imaginário coletivo, diretamente sobre praças e parques. Os questionamentos eram voltados a três temas que condicionam o acolhimento e a conexão das pessoas no espaço público: Acessibilidade e Conectividade; Conforto e Imagem e Uso e Gestão. Este questionário respostas.

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ACESSIBILIDADE E CONECTIVIDADE

USO E GESTÃO

Dos dados gerados foram observados os pontos que as pessoas não desejavam no espaço público, sendo esses: área mal iluminada, falta de manutenção e de cuidado, muros e trajetos extensos e sem visibilidade, áreas muito ensolaradas e desconfortáveis para permanecer, passeios interrompidos, sem acessibilidade e continuidade.

Para os usos de um parque ou praça, destacaram-se propostas de atividades que atendessem a diferentes idades e em diferentes turnos, incluindo a noite. Em Campo Grande, as pessoas vão a esses lugares motivados, principalmente, a praticarem esportes e atividades físicas. Em segundo lugar, atividades culturais em geral. Motivamse, também, a ir comer, beber, permanecer, descansar, apreciar o lugar e a natureza. Algumas pessoas responderam, ainda, que o motivo que as levava a frequentar praças e parques era levar os filhos para brincar e encontrar amigos e familiares. Das motivações expressas como “outras” no questionário, é apontado que as pessoas vão aos espaços públicos para levar seus animais de estimação.

Dos aspectos que as pessoas sentem falta nos parques, falando de acessibilidade, pôde-se apontar a garantia de um espaço inclusivo e acessível a todas as pessoas, assim como que as atividades e mobiliário propostos e atendessem às necessidades do público idoso. Na questão de conectividade, observouse que a infraestrutura do espaço para circulação de pessoas deve garantir a permeabilidade, o conforto, a continuidade e os acessos visíveis e seguros aos caminhantes.

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CONFORTO E IMAGEM Grande parte das pessoas indicou que o espaço público tivesse brinquedos e mobiliários atrativos e criativos, ou seja, diferente do padrão de mercado. Indicaram, ainda, que o espaço atendesse com áreas de permanência, ócio, que possibilitasse às pessoas relaxar, descansar e que as crianças pudessem brincar, em área gramada com alguns pontos sombreados. Outra indicação foi de que o mobiliário proposto, ou os lugares que permitam sentarse, atendessem aos que querem permanecer ou sentarem-se, individualmente ou em grupo. Esperava-se, também, um desenho atrativo e confortável. Proporcionar lugares em que possam reunir-se, ver apresentações diversas, além de elementos de arte no espaço (arte urbana, elementos simbólicos de identificação, que contribuíssem para o reconhecimento desse lugar, reforçando a identidade) também foram aspectos apontados pelas pessoas. Os participantes apontaram, ainda, que se garantisse iluminação de qualidade, mobiliário inclusivo que atendesse ao público idoso e às crianças (tanto para permanência como para utilização nas brincadeiras).

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Nas respostas, apareceram como aspectos essenciais na infraestrutura de um parque ou praça: iluminação distribuída, espaços de sombreamento (vegetação e outros elementos), lugares para sentar-se confortavelmente, que se possibilitassem o acesso a bebedouros, a banheiros públicos e que se garantisse infraestrutura para mães e pais com filhos pequenos (fraldário). Entre os últimos apontamentos, apareceu que fosse possível a prática de atividades físicas (caminhada, ciclovia, atividades de relaxamento, alongamento, jogos esportivos, jogos de mesa, etc.). Como apontamento livre das pessoas, apareceu a possibilidade de um lugar dedicado ao passeio com animais de estimação. Link questionário: bit.ly/33LfEF5


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FICHA DE VISITANTES Importante ferramenta de coleta de informações sobre as pessoas que visitaram o Lab Campo Grande, tenham sido elas curiosas que circularam pelo espaço fixo de trabalho na Museologia ou pessoas que chegaram para participar das atividades da programação aberta. A estratégia bastante simples funcionava com o esforço e a atenção da equipe em entregar as fichas em mãos, juntamente com canetas, solicitando o preenchimento e atentando para que as mesmas fossem depositadas na caixa das fichas ou recolhidas, mais uma vez pela equipe ou pela pessoa que estivesse conduzindo alguma atividade. De maneira objetiva buscou-se informações que pudessem dar indícios de características do público, tais como o bairro onde residiam, idade, gênero, ocupação, os interesses que a fizeram ir conhecer o Laboratório, além de identificar se as pessoas já haviam visitado a Esplanada Ferroviária, a quais lugares dentro do complexo haviam ido, bem como a atividade que a motivou. Por fim questionava-se a percepção geral destas pessoas visitantes sobre o que entendiam por espaço público, podendo citar alguns exemplos locais. Ao todo foram respondidas 422 fichas durante o funcionamento do Lab Campo Grande que resultaram em uma riqueza nas respostas dessa amostragem de visitantes que possibilitaram muitas leituras, interpretações e até a criação de hipóteses sobre a relação dos

habitantes de Campo Grande com o território do Complexo Ferroviário. Após a organização dos dados podem ser destacados pontos como a presença predominante do público feminino (58,77%) e a proporção de aproximadamente um terço (34,36%) de pessoas que estava visitando a Esplanada Ferroviária pela primeira vez. Tratando do interesse que levou as pessoas até o Laboratório destacouse a busca por Educação (24,04%) e Cultura (20,20%) e na sequência temas como Curiosidade (14,52%), Patrimônio (11,60%), Cidadania (8,68%), Lazer (6,01%) e Formação de Redes (5,26%). A faixa etária que mais se fez presente no espaço e nas atividades propostas foram de pessoas até 24 anos (60,66%) seguido de pessoas de 25 até 34 anos (20,14%) corroborando com o que demonstram os dados coletados onde a maioria dos presentes eram Estudantes (62,80%). Pode-se dizer que que resultante desta leitura dos dados das fichas mostrou que o Lab Campo Grande atuou focado em trazer aos jovens cidadãos e cidadãs um espaço com atividades que trataram de temas e conceitos contemporâneos atraindo uma diversidade de público e com ênfase na busca por conhecimento de novos conceitos reforçado pelo convívio social. Proporcionou também um espaço aberto à curiosidade e propício a debates ao criar espaços cívicos ativos durante sua atividade.

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EXORCISMOS URBANOS Por meio da exploração noturna e do uso da arte como filtro lúdico da visão, essa atividade propõe uma renovação no olhar dos lugares chamados de “abandonados”. A ideia é construir uma nova narrativa para os antilugares das cidades, geralmente estigmatizados, mas que podem, sim, acolher diversas manifestações urbanas. Com uma oficina de máscaras, uma caminhada noturna e um ensaio fotográfico, propõe-se uma camada sensível de percepção do território. A proposta é de exploração, de investigação e de uso do espaço em momentos incomuns, promovendo um olhar alternativo do local, aproveitando o momento para fazer da atividade um encontro lúdico com o entorno e com todos os participantes. Várias influências de brincadeiras antigas e/ou de outras localidades foram incorporadas na proposta, para que elementos de outras culturas também fossem aproveitados na criação das máscaras, assim como na apropriação do território e no próprio ensaio fotográfico. A atividade foi apresentada como uma oficina e a divulgação procura instigar pela curiosidade. Relato: Logo ao chegarem no ponto de encontro (Museologia), as pessoas participantes assistiram uma breve apresentação dos conceitos que dão o embasamento da ferramenta, juntamente com algumas imagens para a inspiração. Em seguida, iniciou a oficina prática de construção das máscaras, utilizando materiais como:

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caixas de papelão, tinta guache, fitas adesivas e barbante. Após cerca de 30 minutos, o grupo reuniu-se para algumas combinações básicas e para a decisão da rota até o destino na Rotunda. A captação de imagens já começou neste ponto, momento, também, onde foi incentivado que as pessoas “entrassem em seus personagens”, propondo movimentos corporais e ruídos para cada uma das suas criaturas. Após breve ensaio do movimento, desse novo corpo de criadores e criaturas, ainda no pátio de trens da Esplanada, decidiu-se por cruzar a movimentada noite da Feira Central, buscando a interação direta com as famílias e com os trabalhadores desse contexto. Em seguida, o grupo acessou o território da Rotunda, utilizando uma estreita passagem lateral que chega na parte ampla da área, que, mesmo sem iluminação, permite o vislumbre do conjunto deteriorado de edifícios das oficinas das locomotivas e vagões. Nesse cenário, o grupo foi convidado a explorar as profundezas das ruínas, sempre sendo registrados pela câmera oficial. Ao final, o grupo reuniu-se para um momento de fechamento, no qual estimulou-se o compartilhamento de experiências, relatos, histórias relacionadas com o estigma noturno desse espaço, concluindo tudo com uma singela instalação artística na qual todas as máscaras foram deixadas no local.


OFICINAS Presentes em diversas categorias dentro das metodologias aplicadas no Laboratório, as oficinas tratamse de práticas com diferentes características e objetivos, algumas sendo parte da programação estruturante das “Semanas Tipo”, outras concebidas e desenvolvidas pelos agentes participantes e pelo público de Campo Grande. O objetivo foi aproximar as pessoas dos conteúdos e técnicas de percepção e de captação de informações pertinentes, como sensações, necessidades, desejos, problemáticas e vocações dos espaços trabalhados e analisados. As práticas têm sempre por intuito incluir o maior número de agentes e participantes dos 04 setores da sociedade (Hélice Quádrupla), buscando o cruzamento de saberes e de experiências para qualificar os resultados e contemplar várias camadas sociais abrangendo diferentes ideias.

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OFICINAS • Comunicação Subversiva A oficina apresenta a teoria e a prática de táticas de comunicação de guerrilha: distanciamento, sobreidentificação, snipers (os francoatiradores semióticos), subvertising, cut­-up, happenings, eventos falsos e outras práticas agrupadas na ideia de artivismo. • Mapeamento e Uso de Dados Abertos Oficina prática de introdução ao mundo das informações geográficas utilizando ferramentas livres (Google Earth e QGIS) para manipulação de dados abertos disponibilizados pela administração pública. O objetivo foi explorar o potencial da espacialização de dados (mapeamento) onde a visualização e as análises podiam auxiliar na interpretação, na representação e na atuação sobre o território. • Ferramentas de Comunicação Apresentação de ferramentas, modelos e dinâmicas de organização que contemplam a documentação da produção, a realização e a divulgação de projetos e de ações, além de abordar o licenciamento de conteúdos em Creative Commons (creativecommons.org). • Exorcismos Urbanos Por meio da exploração noturna e do uso da arte como filtro lúdico da visão, a atividade propôs um novo olhar sobre os lugares abandonados. • Bicicleta na Cidade Atividade proposta pelos coletivos “Bici nos Planos CG” e “Bike Anjo Campão”, dando dicas de conforto e de segurança para pedalar, além de uma pequena oficina colaborativa de manutenção básica com um passeio de bicicleta pela cidade.

• Habitar Terra Método participativo e afetivo de concepção de projeto de Arquitetura e Urbanismo. Oficina sensorial para a construção da demanda real de projeto. Com inspiração no elemento terra, foi proposta uma pesquisa afetiva a partir do corpo. Atividade proposta pela Arq. Iazana Guizzo do estúdio Terceira Margem, Arquitetura e Singularidades. • Espaço público sob o olhar infantojuvenil Com cooperação da SEMED Secretaria Municipal de Educação, realizaram-se oficinas com objetivo de envolver público de crianças e jovens em idade escolar. Conectada com instituições públicas e privadas do entorno imediato do território da Esplanada Ferroviária ou de áreas mais afastadas, essa aproximação ressaltou a importância do envolvimento desse público com as dinâmicas de percepção, pertencimento e atuação nas temáticas urbanas e de espaço público Cocriando Espaços de Brincar Propôs a construção de um olhar através das percepções das crianças para um espaço de brincar por meio de vivências e da representação gráfica. Com atividades lúdicas de percepção do espaço, jogos e conversas, as crianças reforçaram os laços do grupo para, então, propor e compartilhar as inúmeras possibilidades de usos da Esplanada Ferroviária. Utilizou-se um varal no qual todos apresentaram suas ideias sob forma de desenhos para o grupo.

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Intervenção Digital Com um método de linguagem através do dispositivo do celular, tão usado no dia-a-dia de grande parte das crianças, essa oficina buscou levantar visões espaciais através do uso de ferramentas digitais de manipulação de imagens. Após uma busca por códigos QR espalhados pelo território contendo partes de imagens para construção de um quebra-cabeça, esses estudantes compartilharam suas impressões e seus desejos para o local através de uma exposição de imagens com intervenções digitais em uma roda de conversa. Click Verde Atividade proposta pelo grupo Click Verde, projeto ligado à extensão da graduação em Publicidade e Propaganda da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), que tem como objetivo utilizar a fotografia como ferramenta na educação ambiental. Trouxe para esta atividade técnicas de fotografia para estudantes, propondo como exercício prático registro e reflexões sobre a realidade socioambiental do que acontece no entorno do território do Lab Campo Grande. • Yoga no Espaço Público Atividade proposta no gramado da Esplanada Ferroviária, incluindo a prática de Yoga e um bate-papo sobre ocupação dos espaços públicos, pela perspectiva da filosofia Yoga. Proposta por George Cereça / Coletivo Namaskar.

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• Yoga na Rotunda Prática de Yoga na antiga Rotunda do Complexo Ferroviário, seguida de um bate-papo sobre a ocupação de espaços públicos dentro da filosofia Yoga. Atividade proposta por Angélica Vanessa do coletivo Prana Yoga CG • Meditação em Movimento Iniciativa independente de educação meditativo-musical que promove o desenvolvimento da escuta profunda, o relaxamento do corpo e da mente e o estado de presença, para o bemestar do aluno. Como bate-papo, a iniciativa foi realizada no espaço da Esplanada, proposta por Ana Veraldo, do projeto MeditaSOM. • Grupo de Trabalho Urbanismo Tático - Análise de dados e Cocriação Atividade desenvolvida para análise de dados resultantes de levantamentos realizados no Mercadão. Utilizou a metodologia Crazy 8 e cocriou ideias e estratégias para intervenção no Mercadão • Grupo de Trabalho Urbanismo Tático - Desenho A partir da cocriação, foi desenhada a intervenção pensada para o Mercadão, com posterior execução e ativação. • Grupo de Trabalho Urbanismo Tático - Mão na massa Três atividades em datas diferentes para execução da proposta de intervenção no Mercadão; duas focadas na pintura da rua e outra na confecção do mobiliário e montagem. • Levantamento Fotográfico Walking Tour - Prof. Carlão Saída para levantamento fotográfico reproduzindo fotos antigas do Complexo Ferroviário NOB, com imagens pertencentes ao acervo pessoal do Prof. Carlão.


Os Grupos de Trabalho propostos no Laboratório tiveram a finalidade de integrar a população às atividades realizadas e proporcionar espaços de interação. Através das ações propostas, as pessoas tiveram a oportunidade de interagir entre si e com o local onde se realiza o trabalho, contribuindo para o desenvolvimento da sensação de pertença e agregando novos elementos e conteúdo, fossem eles práticos, técnicos, fossem teóricos. Essas atividades permitiram ainda que se qualificasse o entendimento sobre as diferentes vocações dos espaços e que se experimentasse usos diversificados neles. Foram feitas chamadas e convocatórias, através de redes sociais, de e-mails e de outros veículos de comunicação, para que todos pudessem participar ao longo do período de funcionamento do Laboratório. Reuniões e encontros foram realizados para traçar estratégias de ação e de entendimento das necessidades, bem como apresentações de conteúdos e ativações. Cada GT teve seus objetivos e características próprias e, com bastante autonomia, proporcionaram uma variedade de experimentações e de resultados plurais que compuseram alguns dos dados obtidos para as futuras diretrizes deste relatório. Ao todo, foram três GTs durante os 35 dias de trabalho in loco, contemplando a Esplanada Ferroviária e o Mercadão, sempre com uma lógica de trabalho contínuo e sistemático, de modo que diferentes agentes e públicos pudessem participar e colaborar em diferentes momentos.

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GT URBANISMO TÁTICO MERCADÃO O Grupo de Trabalho “Urbanismo Tático” realizou o debate e a construção de ideias baseado em consultas e em um plano estratégico para uma intervenção com caráter de prototipagem no espaço público, voltado à construção pedagógica de novos usos. Na escolha de um local para esse GT, tomou-se por partida as demandas antigas da Associação de Comerciantes do Mercadão junto à Prefeitura de Campo Grande. Assim, o Lab Campo Grande fez um convite aberto à população para a participação e para a formação de um GT específico para essa demanda que se encontra sem ação prática há alguns anos. Dentro do espaço do Lab Campo Grande, o GT reuniu-se dedicado a pensar junto às pessoas que representavam os distintos agentes que fazem parte do contexto do Mercadão, como usuários, vizinhos, comércio do entorno e funcionários. O Mercadão, localizado no centro da cidade, é um dos símbolos da identidade local, como um espaço de trocas comerciais e sociais. Tendo em vista a sua representatividade para a cidade, diferentes projetos e atividades visam a fortalecer essa identidade, como o Festival do Pastel, realizado na área externa, utilizando parte do estacionamento ao lado do Mercado das Índias, na Praça Oshiro Takemori, outro ponto com seus fluxos e dinâmicas bastante específicas. Dessa forma, as ações do GT, em caráter de urbanismo tático, deram-se como uma estratégia de intervenção no território, a partir de ações de curto prazo, baixo custo

e alto impacto, com o objetivo de fortalecer a conexão entre as pessoas e os lugares por elas compartilhados, bem como testar novas soluções e catalisar projetos de longo prazo, iniciando um processo pedagógico e de avaliação desse impacto na lógica de funcionamento pelo uso dos usuários. Visando à fundamentação, ao processo, à medição e à aprendizagem, as atividades do GT aconteceram entre os dias 03 e 22 de setembro e foram divididas em três eixos: encontros, atividades práticas e intervenção. A comunicação com o grupo foi feita a partir de chamadas públicas nas redes do Lab Campo Grande e também em um grupo do Whatsapp, criado depois do primeiro encontro. Os encontros foram momentos destinados à construção e à análise coletiva sobre as ferramentas usadas para cada um dos processos do GT, distribuídos nas três semanas em: levantamento de informações e diagnóstico, prototipagem e ativação do espaço. Todos os encontros foram realizados na Esplanada Ferroviária. As atividades práticas aconteceram dentro da Esplanada Ferroviária e no Mercadão. No primeiro momento essas atividades foram destinadas à pesquisa para levantamento e diagnóstico do lugar. As ferramentas utilizadas foram construídas através de uma dinâmica do grupo para entender melhor os seus objetivos e, a partir dessa etapa, fizeram-se três perguntas base: 1. Quem são as pessoas que usam o mercado?

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2. Como elas usam o mercado? 3. Quais são seus desejos para o mercado? Essas perguntas foram organizadas e direcionaram para a construção dos métodos de coleta para apreender as dinâmicas e os desejos sob a ótica de quem frequenta o lugar, os quais foram: mapa interativo, questionário e ficha de observação dos fluxos e permanência. Mediante os processos de conversa e observação para aplicação dessas ferramentas, as demandas identificadas foram, predominantemente, a necessidade de um espaço de convivência para fazer refeições junto às lanchonetes, onde o espaço apontado pelos usuários foi qualificado como o melhor lugar, mas, também, onde não se sentem confortáveis. Também identificou-se outra demanda sobre equilíbrio de fluxos e, por isso, a necessidade de fortalecer os acessos pela Rua 15 de Novembro, Travessa José Bacha e trecho interno da Rua Sete de Setembro. Após análises e pontos importantes decorrentes do levantamento, a equipe passou para a etapa de uso das informações levantadas para a proposta de soluções. Uma série de atividades práticas foram elaboradas em conjunto para desenvolvimento da proposta, dividida em demarcação com pintura na via pública e mobiliários. O grupo, inicialmente, usou a sobreposição de imagens do local e a projeção como base para a visualização e, assim, facilitou a espacialização com desenhos e troca de ideias, pensando nas possíveis soluções de usos e mobiliários. Para construção de um cenário dentro do Laboratório, usou-se a escala 1:1, para melhor entendimento, potencializando o debate e a construção de melhores alternativas

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para cada ponto identificado anteriormente, usando fitas adesivas para se ter a real dimensão do espaço. A intervenção aconteceu a partir da pintura e da construção de mobiliários. No sábado (14) e no domingo (15), das 18h às 00h, devido ao fluxo de carros durante o dia e ao forte calor da capital, foram realizadas as pinturas de uma das faixas de carro da Travessa José Bacha, das faixas de segurança dessa rua e do espaço aberto entre o Mercadão e o Mercado das Índias (Praça Oshiro Takemori). Com objetivo de provocar a autonomia das pessoas no processo de intervenção, o modelo foi desenvolvido com base no desenho de círculos, sempre executados por duplas e que, por vezes, alternavamse para que o grupo trabalhasse com outras pessoas e proporcionasse a participação em todas as atividades, que envolviam a produção de tintas, a marcação e os retoques de pintura. Com o objetivo de aumentar o repertório das pessoas sobre o lugar, aproximar os atores envolvidos e engajar as pessoas no processo a ativação urbana, aconteceu em um momento celebrativo na manhã do domingo (22), horário de mais movimento do Mercadão. Essas ações possibilitaram testar ideias antes da implementação de projetos, bem como coletar dados a partir de experiências reais de uso e de ocupação do espaço. Além da intervenção de pintura e mobiliário, foi realizado um varal de histórias para que as pessoas pudessem compartilhar momentos no Mercadão, fortalecendo a identidade e o reconhecimento das pessoas com o lugar.


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Os participantes do GT foram, predominantemente, alunos e professores da universidade, do curso de Arquitetura e Urbanismo; o grupo de Whatsapp do GT permanece ativo, compartilhando os resultados das ações no Mercadão e outros assuntos relacionados ao tema.

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GT CIDADE E GÊNERO O Grupo de Trabalho “Cidade e Gênero” realizou atividades que informavam e buscavam direcionar o olhar das participantes a uma percepção do espaço urbano relacionando-o com a perspectiva de gênero. A partir do mapeamento de agentes, foram espacializadas as pessoas que estão ligadas diretamente com o tema na cidade, então, foram realizados convites estratégicos junto às convocatórias para participação do público interessado. O GT incentivou a tomada de consciência dos grupos que sofrem injustiças sociais (mulheres e pessoas LGBTQI+), agentes ativos nas análises da cidade. A percepção da cidade no olhar desses grupos é imprescindível para os processos urbanos, por isso, o Lab Campo Grande, dentro desse processo, propiciou o intercâmbio das experiências e dos saberes, pessoais e coletivos, para as atividades do GT, assim enriquecendo o diagnóstico sobre o espaço e a cidade, com diferentes redes de pessoas que os utilizam. Os encontros iniciaram-se no dia 29 de agosto, no qual apareceu a primeira percepção das participantes sobre o tema, com conversa e exposições das diversas opiniões. Apareceram, nesse momento, relatos que, na maioria das vezes, referiam-se à sensação de insegurança na cidade de Campo Grande e ao compartilhamento de informações, como aspectos físicos sobre iluminação, muros extensos, uso da bicicleta mais frequente que as caminhadas, entre outros. Também buscou-se, através das participantes, outras indicações de grupos e de iniciativas relacionadas 132

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ao tema, assim como sugestões de atividades durante as semanas em que aconteciam os encontros do GT. Ainda neste primeiro encontro estiveram presentes representantes da sociedade civil, da academia e da administração pública. Realizou-se uma Deriva como início das atividades práticas, estabelecendo as primeiras percepções psicogeográficas do caminhar na Esplanada Ferroviária. Dela obteve-se como suporte o desenho da figura humana relacionando-a com o espaço percorrido (Pátio de Trens) e as impressões colhidas foram: o acesso ao Pátio pela Av. Mato Grosso e a barreira existente tanto desse lugar, quanto quando se chega ao estacionamento da Feira. Percebeuse a presença dos pássaros, os sons da vizinhança, a vegetação como proposta a ser incluída, distribuída pelo pátio e pelo percurso relacionado ao trilho do trem. Todas essas foram observações feitas a partir de desenhos e de conversas entre as participantes. Após o primeiro encontro, é disponibilizado material teórico sobre o tema no site do Lab Campo Grande, a fim de ilustrar os encontros e de responder ao interesse das participantes por materiais relacionados ao assunto. No segundo encontro, dia 05 de setembro, propôs-se uma atividade prática de primeira percepção da cotidianidade das participantes. No segundo encontro, dia 05 de setembro, propôs-se uma atividade prática de primeira percepção da cotidianidade das participantes.


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A proposta de atividade foi chamada de “Fotografia do nosso entorno”, exercício individual e coletivo, na forma de diálogo, que serviu para descrever com palavras os elementos urbanos que, estando fora das habitações, formam parte da nossa cotidianidade. Essa ação ajudou a nomear, a classificar, a estabelecer relações e a avaliar a experiência que se tem nos diferentes espaços habitados. A proposta começou lembrando das atividades que se realizaram durante o dia a dia, pensando nos elementos e nos aspectos do espaço que beneficiam ou que dificultam a vida cotidiana. Esses aspectos foram listados em grupo, usando como suporte uma folha grande e, posteriormente, de forma individual, elaborando-se um mapa mental relacionando o trajeto que foi percorrido durante o dia a dia com os aspectos citados e também com o trajeto até a Esplanada Ferroviária. Isso serviu para a organização e para a memorização e a ajuda, também, no levantamento de outros aspectos relevantes para o trabalho. Os mapas mentais mantiveram um ponto em comum, a Esplanada Ferroviária, assim, quando os mapas foram reunidos, cruzaramse e visualizaram-se as informações expressas por cada participante.

os eleitos em grupo, e argumentouse sobre eles. No mapa, observouse pontos importantes levantados em relação a alguns lugares do entorno da Esplanada Ferroviária como “lugares de acolhimento”, qual a iluminação existente e onde é necessário colocá-la, onde a mobilidade (travessias e transporte público) mostrou-se desfavorável.

Em seguida, ainda individualmente, foram eleitos 03 aspectos favoráveis e 03 desfavoráveis do local; depois foram expostos para o grande grupo a escolha de cada participante, com argumentos que justificassem a eleição de tais aspectos. Ao mesmo tempo, foram listados por uma pessoa cada um dos aspectos de forma organizada como favoráveis e desfavoráveis, após, entre todas, são escolhidos 03 de cada. Por fim, todos os aspectos levantados foram expressos em um mapa, priorizando

GRUPOS DE TRABALHO

133


LABORATÓRIO URBANO EFÊMERO DE CAMPO GRANDE

No terceiro encontro, no dia 12 de setembro, a proposta era realizar uma “Caminhada de Reconhecimento”, onde se observou e descreveu o espaço do entorno do Complexo Ferroviário, usando um questionário como suporte de informações, que mostrava alguns aspectos a observar antes da caminhada. Depois, descreveu-se e realizou-se a análise de onde se passou, avaliando se os aspectos facilitavam ou dificultavam o desenvolvimento da vida cotidiana para, então, a análise ser transcrita em um mapa. Dessa análise, foram observados alguns lugares onde as pessoas costumam desviar quando passam a pé, a sensação de segurança e a percepção de aspectos da iluminação. O último encontro, no dia 20 de setembro, foi proposto como fechamento das atividades, com conversa e com reflexão sobre as últimas atividades do GT, que contou com a participação online da ativista Karla Rincón (los-gigantes.webnode. mx), do México, compartilhando experiências do “fazer comunidades” e como cocriar estratégias de transformação para cidades mais seguras, inclusivas e saudáveis na realidade atual da América Latina. O GT “Cidade e Gênero”, até a finalização do trabalho interno da equipe, alimentou o site do Lab Campo Grande com materiais teóricos e das atividades que ocorreram durante as semanas de trabalho em Campo Grande (labcampogrande.morena.br/ gtgenero).

Referência punt6.org

GRUPOS DE TRABALHO

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Resultado dos mapeamentos elaborados durante o GT Cidade e GĂŞnero:


GT LAB COMUNICAÇÃO Pensado como um espaço multifuncional e transversal ao Laboratório Urbano Efêmero de Campo Grande, o GT Lab de Comunicação operou em um ambiente físico e online simultaneamente, de estrutura flexível e dinâmica. O GT Lab de Comunicação foi aberto a todas as pessoas e organizações envolvidas com veículos de mídia, de produção de conteúdos e outras atividades de Comunicação Social, que aspirassem pensar e experienciar as rotinas de comunicação de projetos e de eventos como o próprio Lab Campo Grande. Ao mesmo tempo em que objetivava executar as necessidades relacionadas à comunicação do Laboratório, o GT Lab Comunicação permitia que, por meio da abertura e do compartilhamento de estruturas e processos, fossem alcançadas ações de aprendizado coletivo, atuação em rede de colaboração e pluralidade de perspectivas. A primeira etapa consistiu em uma convocatória, chamando pessoas e organizações interessadas na temática. A partir do comparecimento das pessoas, formou-se um grupo de apoio que, no contexto do Lab Campo Grande, atuou, principalmente, na difusão dos materiais gerados pela equipe de comunicação do Laboratório: compartilhando contatos que acreditassem ser estratégicos de estar no mailing, bem como a ocasional intervenção de tom mais pessoal ao contatar pessoas e veículos de mídia para ressaltar a relevância das pautas levantadas pelo Lab Campo Grande.

138

GRUPOS DE TRABALHO

Além da atuação nas rotinas de comunicação oficiais do Laboratório, duas oficinas foram realizadas, sob condução da equipe de comunicação: Comunicação Subversiva e Ferramentas de Comunicação. A primeira tratava de encontrar e explorar oportunidades de ganhar destaque orgânico em meio aos canais de comunicação social contemporâneos e a segunda apresentava um panorama de ferramentas digitais e metodologias de trabalho participativas para cumprimento de demandas de comunicação social de projetos e de eventos como o próprio Lab Campo Grande.


Para a criação da identidade visual do Laboratório Urbano Efêmero de Campo Grande, os trabalhos iniciaram ainda na pré-produção com atividades de pesquisa de referências e de identificação de símbolos locais para serem usados na concepção de uma marca. A primeira definição foi a estrutura do conjunto do nome, tipografia e elementos que compõe o logotipo. Chegou-se na versão curta do nome “Lab Campo Grande”, seguido da seleção de duas cores base (utilizadas em degradê), uma relacionada com o apelido da cidade, em referência à cor do solo, e a outra ao céu da região, elementos arranjados numa forma circular com alusão ao sol e ao famoso pôr do sol. A partir do logotipo oficial e das suas variações (redução máxima, assinatura de documentos, versão para impressão colorida e “p&b”), foram geradas as aplicações para o site, as redes sociais e os demais suportes para o lançamento das ações, mas apenas na chegada da equipe ao local é que foram produzidas fotos autorais que formaram a base das imagens oficiais da divulgação.

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ID VISUAL E APLICAÇÕES

De posse de arquivos digitais contendo toda a identidade visual, a equipe partiu para a produção dos arquivos digitais de todas as atividades e dos materiais gráficos, tais como mapas, folhas bases, bem como as artes oficiais dos cartazes utilizados para a divulgação em diferentes pontos da cidade. Ocorreu a produção de adesivos contendo o logotipo e adesivos para uso na ambientação do espaço de trabalho, além de um carimbo tradicional de madeira para a confecção dos informativos baseados nos zines – publicações de baixo custo de reprodução, em formato de pequeno livreto com dobraduras manuais, típicos do ativismo – que continham uma breve explicação do Lab Campo Grande e convocavam a participação da população.


A estratégia de comunicação foi parte vital da ativação do Laboratório, visto que seu caráter efêmero necessitava que o maior número de agentes de todos os setores da sociedade (Sociedade Civil, Academia, Iniciativa Privada e Administração Pública) fosse alcançado e provocado a participar.

em Campo Grande, houve a criação das artes que serviram de base para aplicação em peças gráficas e digitais oficiais do projeto, seguido da aplicação dessas artes em materiais de uso em campo, com fins de sinalização dos espaços de atuação do projeto, bem como peças volantes para divulgação externa.

Comunicação e Registro de atividades compuseram uma parcela substancial das rotinas de trabalho diária do Lab Campo Grande, contando com integrantes atuando com dedicação exclusiva a essas tarefas.

A Assessoria de Imprensa, também previamente à chegada em Campo Grande, é feito um mapeamento de veículos de imprensa (tradicional e independente) e um levantamento de canais de contato, visando a criação de um mailling de disparo de informações e de atualizações sobre o Laboratório. A Ativação do mailling visava a ganhar visibilidade nas pautas da imprensa local com agendamento de entrevistas em televisões, jornais, rádios, revistas, sites, blogs (antes, durante e após o Lab Campo Grande), abrindo

A comunicação do Lab foi construída dentro de uma lógica de autonomia, apesar do projeto ter relação institucional com a Prefeitura Municipal de Campo Grande. Essa autonomia e viés independente garantiram uma liberdade de linguagem e estética, bem como a possibilidade de testagem de modelos, formas e estratégias para divulgar e registrar as diferentes atividades do Laboratório. As rotinas de comunicação oficial contavam, ainda, com o apoio do GT Lab Comunicação (apresentado anteriormente), especialmente nas atividades relacionadas à difusão dos materiais gerados, visto que as pessoas e as organizações envolvidas no Lab Comunicação colocaram suas redes de contato e influência a disposição ao tornaremse multiplicadoras desses textos e dessas imagens oficiais. A produção da comunicação iniciou com o Conteúdo Informativo Base, a elaboração de materiais que introduziram os objetivos gerais do projeto e o contextualizaram na cidade sob a forma de um release base (breve apresentação, datas, contatos, etc). Ainda prévio à chegada

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COMUNICAÇÃO OFICIAL

fluxo para a Divulgação da Agenda do Laboratório contemplando tanto atividades pontuais, quanto retomando a relevância do projeto em relação a seu possível impacto para o futuro do território de execução. Nesse contexto divulgaram-se agendas semanais, atividades variadas, eventos de grande porte (festas, feiras e oficinas) e as convocatórias (ocupações do pátio da Esplanada, Rotunda e Armazém). Formando a Estratégia de Divulgação e Apresentação tínhamos a articulação com a Prefeitura, as Universidades e os grupos da Sociedade Civil, para criar agendas de compromissos que visavam a executar apresentação presencial do Laboratório, junto do convite para envolvimento dessas organizações como agentes de participação.


LABORATÓRIO URBANO EFÊMERO DE CAMPO GRANDE

Dentro de uma lógica de comunicação multiplataforma e multimídia, o Registro Diário das Atividades e a Publicação do Cotidiano do Lab Campo Grande foram eixos estruturantes das tarefas da equipe que atua na criação e na manutenção de um Diário de Bordo para registro contínuo das percepções da equipe quanto a experiência de executar o projeto. Um Registro Audiovisual das Ações Diárias objetivando alimentar a documentação interna e o fluxo de divulgação nos canais do projeto (aproximadamente 13.000 fotos brutas), um Registro para Métricas Específicas Diárias e a Publicação do Cotidiano, materializados na divulgação contínua de todas as ações do Laboratório, complementavam o leque de atividades.

COMUNICAÇÃO OFICIAL

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REDES SOCIAIS Buscando uma comunicação com características dinâmicas, o registro de contas nas principais redes de mídia social possibilitou um grande alcance de público num curto espaço de tempo. Prévio à chegada em Campo Grande, ocorreu a criação de páginas e de perfis exclusivos do projeto no Instagram, Facebook e Twitter, os principais canais de interação e de difusão do Laboratório. instagram.com/labcampogrande/ facebook.com/labcampogrande/ twitter.com/lab_campogrande/ A ativação das páginas e dos perfis criados nas redes online de mídia social deu-se com a publicação dos primeiros materiais de apresentação e divulgação do Laboratório, também fazendo uso dos recursos de impulsionamentos para públicos geolocalizados (todas as idades e gêneros dentro do raio que compreende a cidade de Campo Grande). Após as primeiras publicações, os canais começaram a ser alimentados com a divulgação das atividades, convocatórias, resumo das atividades passadas e comunicados gerais. Além disso, a disponibilização de inúmeras imagens, textos e transmissões ao vivo permitiram que muitas pessoas acompanhassem diariamente os processos colaborativos do Laboratório.

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COMUNICAÇÃO OFICIAL

Os dados das redes sociais deste relatório foram apurados dentro do período entre o dia 19 de agosto e o dia 23 de setembro de 2019. Criou-se, ainda, um e-mail próprio para realizar convocatórias, receber dúvidas e servir como contato institucional. O número de telefone celular próprio (com DDD local) possibilitava fazer e receber ligações, enviar e receber mensagens, além da criação dos grupos de Whatsapp para realização de troca de mensagens com conteúdo e informações sobre os GTs.


LABORATÓRIO URBANO EFÊMERO DE CAMPO GRANDE

Instagram

Descritivo Publicações Seguidores do perfil Visualizações únicas das publicações

Quantidade 108 1034 49828

Ações de envolvimento com publicações

6027

Likes

5828

Facebook

Descritivo

Quantidade

Publicações

85

Curtidas na página

460

Visualizações da página

755

Visualizações únicas das publicações

31737

Países diferentes que visualizaram publicações Ações de envolvimento com publicações

45 3338

COMUNICAÇÃO OFICIAL

163


SITE Complementar a toda a estratégia de comunicação e convocatórias nas redes sociais e em outros meios, fezse a reserva de endereço e espaço de hospedagem virtual online, bem como a configuração de páginas estruturais básicas que foram alimentadas com os conteúdos oficiais do projeto durante a sua realização. Trata-se de um espaço online que atuou como central de materiais e informações, de livre acesso para visitantes, contemplando todo o conteúdo produzido e registrado das ações. Após o final do Lab Campo Grande, esse mesmo espaço tornou-se um rico memorial online ou repositório de fotos oficiais, que pode ser mantido aberto à visitação por tempo indeterminado. labcampogrande.morena.br

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Visitas

Quantidade

agosto

1519

setembro

1716

COMUNICAÇÃO OFICIAL


LABORATÓRIO URBANO EFÊMERO DE CAMPO GRANDE

CLIPAGEM A produção de conteúdos próprios, bem como os releases oficiais enviados para uma lista de comunicadores dos veículos locais buscavam espaço nos grandes veículos, visando a alcançar uma grande audiência com o intuito de trazer um maior público e mais agentes para colaborar nas atividades e nas produções do Laboratório. Como resultado, o Lab recebeu alguns contatos de jornalistas interessados em realizar algumas reportagens. Clipagem: 17 reportagens link para as reportagens: bit.ly/2IZJVb1

COMUNICAÇÃO OFICIAL

165


Entendendo como parte da estratégia de ocupação as possibilidades de uso das edificações que compõem a Esplanada Ferroviária, a ambientação foi pensada para possibilitar o acesso aos ambientes que estavam fechados e, assim, poder aproximar os visitantes do território. Com objetivo de facilitar os possíveis usos e o entendimento do Lab Campo Grande, desenhou-se, então, uma lógica de espaço aberto à população para a aproximação do tema junto do espaço de operação da equipe permanente, integrando, assim, a área expositiva com informações relevantes do território, do funcionamento e de conceitos importantes do trabalho que seria desenvolvido, agregando ferramentas de consulta ativa como mapa interativo, mural de expectativas, fichas de visitantes, rede interativa, varal de ideias, etc. A solução dada para esses dispositivos foi o uso de peças leves de chapa de papel corrugado, estruturado apenas na sua forma, a fim de tornar fácil qualquer montagem de ambiente de acordo com as demandas de uso por parte das atividades que aconteciam no Laboratório.

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AMBIENTAÇÃO


O desafio de produzir um relato fiel da experiência do Laboratório Urbano Efêmero de Campo Grande iniciou com a tarefa de garantir a presença de equipe dedicada à captação audiovisual de todas as atividades dos 35 dias, fossem de produção interna da equipe, reuniões e palestras externas, fossem de eventos da agenda aberta. Dentro desse planejamento intenso, que dá conta de diferenciar registro geral e o material bruto para o formato documentário, estabeleceuse um plano que incluía a captação de momentos práticos; interações dos participantes; falas expositivas e depoimentos de pessoas selecionadas, agentes representativos da Sociedade Civil, da Academia, da Iniciativa Privada e da Administração Pública, em entrevistas simples com as seguintes perguntas disparadoras: 1. Qual a sua relação com a cidade de Campo Grande? Fale de como você usa os espaços públicos e equipamentos de uso comum. 2. Como foi/está sendo sua experiência com o Lab Campo Grande? E o que você acha desse formato de atividades e participação pública? 3. Como você espera que o Lab Campo Grande impacte nas intervenções futuras na área da Esplanada Ferroviária? 4. O que você acha que pode acontecer para manter essas iniciativas enquanto as intervenções não acontecem? 5. Fala livre. O projeto do documentário totalizou cerca de 60 horas de relatos dos envolvidos de diferentes perfis de atuação, socioeconômicos,

172

DOCUMENTÁRIO

de gêneros, entre docentes de instituições federais, estaduais e municipais, privadas, além de artistas, ativistas, técnicos, empresários, lideranças comunitárias e gestores do setor público. De modo a cobrir um amplo escopo de metodologias, abordagens, técnicas e ferramentas no processo de Cocriação de Diretrizes para a área de 94 mil metros quadrados da Esplanada Ferroviária, a ideia foi um formato audiovisual bastante didático, contendo importantes dados quantitativos do processo, contextualização geral e toda a camada sensível que contempla os desejos da população para o futuro deste espaço. O documentário e demais vídeos oficiais produzidos estão disponíveis na plataforma Youtube, no link: youtube.com/channel/ UCa0Mu1YVmhfLpEbwfNmSSZQ


A experiência do Lab Campo Grande conta com 35 dias de programação aberta, desenvolve inúmeras atividades e ações junto ao público para a captação de informações relevantes para as futuras intervenções na Esplanada Ferroviária e, no período de trabalho após a ativação in loco, promove a análise de todos os dados compilados para a criação de diretrizes Espaciais, de Usos e Programas e de Autogestão aqui apresentadas. Estas diretrizes formam parte de uma seleção de resultados oriundos das ferramentas e abordagens aplicadas nas atividades do Laboratório, bem como de análises de evidências que são observadas pela equipe em cada ação da programação. Além da distribuição dos resultados dentro dos três eixos, as diretrizes também são avaliadas conforme a sua adequação dentro do escopo de “Tempo de Implementação”, podendo ser de longo, médio ou curto prazo, considerando aspectos determinantes como o custo, o grau de envolvimento de diferentes atores da sociedade e os fluxos de informação e tomada de decisão, de modo a estabelecer um panorama que contempla um processo contínuo, com atividades e intervenções de diferentes intensidades e magnitudes até a conclusão do projeto de requalificação da área.

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DIRETRIZES


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DIRETRIZES ESPACIAIS As Diretrizes Espaciais tratam dos elementos que se referem diretamente à paisagem construída, sejam propostas de alterações no conjunto de edificações préexistentes e seus componentes nos pátios e nas áreas abertas, sejam propostas de novas intervenções físicas nesse mesmo território de interesse público. São sugestões para melhorias de aspectos observados tanto anteriormente, quanto durante as atividades do Laboratório; ou são ideias que surgem como concepções de visões alternativas para o conjunto, com novas intervenções e novos elementos. Os itens que compõem esta listagem estão organizados em categorias que devem integrar as bases do programa de projeto arquitetônico para esta área.

DIRETRIZES

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ACESSIBILIDADE • Criar novos acessos do exterior para o interior da Esplanada (pela Av. Mato Grosso, pela Av. Calógeras, pela Rua 14 de Julho, pela Rua Eça de Queirós e pela Rua dos Ferroviários); • Melhorar as entradas preexistentes, destacando-as visualmente; • Criar novos acessos internos usando rampas e escadas para os diferentes níveis das edificações e topografia do terreno; • Possibilitar a acessibilidade universal em todas as calçadas e acessos; CONECTIVIDADE • Aumentar a permeabilidade visual desde o exterior para o interior (criar novas aberturas e adequar as preexistentes, diminuir a quantidade de muros cegos ao longo do perímetro); • Eliminar barreiras internas e externas para potencializar eixos visuais e de circulação; • Readequar todas as interfaces com terrenos vizinhos (rever a permeabilidade visual, muro cego, grade, vegetação, acesso direto, etc);. • Conectar o terreno da Esplanada Ferroviária com as duas Orlas (abertura para a Av. Mato Grosso e Orla Ferroviária, abertura para a Rua Eça de Queirós e Orla Morena); • Criar interface com a Av. Mato Grosso, com características de espaço de eventos culturais;. • Readequar a continuidade e linearidade da Esplanada Ferroviária sob o estacionamento; • Criar interface com a Feira Central (essa abrindo-se para a área central da Esplanada Ferroviária).

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DIRETRIZES

CONFORTO • Criar áreas de sombreamento com vegetação e coberturas; • Trazer elementos de água para dentro do conjunto (espelhos d’água, fontes, chafariz, jardins de chuva e bebedouros); • Preservar os corredores de vento. INFRAESTRUTURA • Criar novas estruturas de sanitários e de vestiários e adequar as existentes; • Estruturar e adequar o sistema de iluminação para todas as áreas da Esplanada Ferroviária; • Prover rede de internet banda larga sem fio nas edificações e nas áreas abertas; • Construir ciclovias, pista de corrida/ caminhada esportiva e caminhos de passeio independentes; • Criar sistema de localização, comunicação e informação adequado às regras de sinalização acessível (wayfinding design).


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MOBILIÁRIOS, ESTRUTURAS E EQUIPAMENTOS • Colocar bancos distribuídos estrategicamente pelo terreno; • Ter mesas e cadeiras distribuídas pelo terreno; • Propiciar lugares para sentar aproveitando a topografia; • Implantar mobiliário e equipamentos para público infantil; • Prover conjunto de mobiliários e de estruturas móveis para atividades efêmeras; • Dispor de lixeiras (resíduos secos e orgânicos) distribuídas pelo terreno; • Implantar bebedouros em pontos chave do conjunto; • Criar estacionamento de bicicletas (bicicletário, paraciclo); • Reservar local para passear e brincar com animais de estimação (cachorródromo cercado); • Desenvolver cobertura para sombreamento em áreas estratégicas; • Criar estruturas para contemplação do pôr do sol (extensão da plataforma, mirantes); • Prover estruturas para contemplação dos eixos visuais da área (mirantes); • Desenvolver estruturas para apresentações (pequenos anfiteatros descobertos e palcos cobertos); • Implantar estrutura para marcar o meio geográfico da Esplanada Ferroviária, entre a Feira Central e os Galpões próximos do atual acesso ao estacionamento; • Adequar as edificações para criar zoneamentos de áreas de usos fixos específicos (laboratórios, oficinas, salas de estudo, bibliotecas, pequenos auditórios); • Adequar as edificações, pensando em criar áreas multiuso com mobiliários e divisórias móveis; • Trazer mais vagões antigos (reformados) para uso como espaços de atividades temáticas.

DIRETRIZES

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DIRETRIZES DE USOS E PROGRAMAS As diretrizes de Usos e Programas tratam da ocupação dos diferentes espaços da Esplanada Ferroviária, bem como de sua utilização nos turnos do dia e da distribuição de atividades ao longo da semana e de um calendário anual. Referem-se às ideias de aproveitamento do conjunto de 94 mil metros quadrados a partir de diferentes possibilidades de usos por variados perfis de usuários, tanto proponentes como público das atividades. Consideram-se, para este agrupamento de propostas, tanto as pré-existências e as vocações, como os desejos e as novas ideias de utilização deste território. As orientações que compõem as diretrizes de Usos e Programas estão categorizadas de forma a melhor integrar as bases do programa do projeto de requalificação da área.

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DIRETRIZES


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MEMÓRIA E PATRIMÔNIO • Usar a infraestrutura para recriar trilhos e o trem, seja para transporte de passageiros, seja para uso turístico; • Manter espaço para a continuidade e para a melhoria do museu do trem - AFAPEDI. TERRITÓRIO E VIZINHANÇA • Considerar a vocação da Esplanada enquanto um Hub intermodal, visando adaptações de mobilidade; • Usar o espaço como um marco, para uso como atração turística e atendimento aos turistas; • Focar na criação dos caminhos a serem desenvolvidos baseados nos usos já existentes e priorizando pedestres e bicicletas ou outros modais alternativos; • Acolher reuniões da Associação de Moradores; • Acolher reuniões das organizações de grandes eventos de rua do entorno (Carnaval e outros). ESPAÇO CÍVICO • Criar uma agenda de programação pública, de amplo acesso às pessoas, mantendo flexibilidade de usos e de horários; • Priorizar todos os usos cotidianos, que fazem, ou não, parte da agenda de programação, incentivando a ocupação constante dos espaços; • Manter espaços multiuso e flexíveis para atividades variadas. • Manter programas permanentes de ações junto à entidades que desenvolvem projetos com os bairros periféricos populares; • Acolher reuniões de fóruns municipais e estaduais; • Acolher e promover debates de temas de interesse público.

DESENVOLVIMENTO E APERFEIÇOAMENTO • Criar espaços para leitura, reuniões, estudos, pesquisas, aulas, cursos, tanto nas áreas internas como nas externas; • Desenvolver espaços e agenda de atividades com lógicas de atelier e de oficinas de fácil acesso; • Criar espaços para ensaios (teatro, dança, música). CULTURA • Manter espaços de manifestação popular e da cultura regional, tanto nas áreas internas, quanto nas externas da Esplanada; • Criar espaços para exposições e apresentações, tanto nas áreas internas, quanto nas externas; • Manter programas permanentes de residências artísticas regionais, nacionais e internacionais. CIÊNCIA E TECNOLOGIA • Criar espaços para estudos, pesquisas e aulas, tanto nas áreas internas, quanto nas externas; • Manter programas permanentes de convênios de uso do espaço por parte das Universidades e das Escolas, tanto de Campo Grande, quanto de outras cidades do Estado. LAZER • Criar espaços de permanência, ócio e descanso (com sombra, bancos e vegetação), além de espaços de contemplação; • Permitir a entrada de animais de estimação, com áreas específicas para eles. ESPORTE • Criar espaços voltados para a prática de esportes e de exercícios físicos, considerando todos os potenciais públicos, de crianças a idosos e pessoas com necessidades especiais.

DIRETRIZES

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MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE • Criar espaços voltados para a disseminação de boas práticas de sustentabilidade urbana; • Criar programas que contemplem Hortas Comunitárias; • Manter programas educacionais permanentes sobre Meio Ambiente e Ecologia. ECONOMIA • Criar espaços de venda de produtos da economia local, produzidos nas oficinas da Esplanada Ferroviária ou por famílias da comunidade; • Criar uma agenda específica para a realização de feiras de produtos da comunidade; • Criar uma agenda específica para a realização de festivais focados em cultura local e artistas da comunidade; • Criar uma lógica e marcos regulatórios para o uso do espaço por parte do setor privado.

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DIRETRIZES


LABORATÓRIO URBANO EFÊMERO DE CAMPO GRANDE

DIRETRIZES DE AUTOGESTÃO

As diretrizes de Autogestão referemse, num primeiro momento, aos fluxos de tomada de decisão e de informação, seguido do entendimento dos eixos que orientam, estrategicamente, a Esplanada Ferroviária enquanto equipamento público. Especialmente neste eixo, aparece com mais força a experiência prática dos processos de inovação social urbana, os quais dão conta da complexidade de gestão de um conjunto de edificações e de áreas abertas que somam 94 mil metros quadrados, a partir da lógica de compartilhamento de responsabilidades e dos cruzamentos possíveis quando da inclusão de agentes de todos os setores da sociedade, sempre com as ações orientadas pelos princípios da transparência, autonomia e compromisso, entendendo o grande potencial dessa área de interesse histórico como um bem comum das pessoas de Campo Grande. Todas as ideias contidas nesta compilação de diretrizes de Autogestão estão categorizadas de maneira que sejam incluídas nas bases do programa de projeto e do conjunto de regramentos e orientações administrativas para a requalificação desta área.

DIRETRIZES

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SOCIEDADE • Difundir as práticas de participação cidadã; • Garantir a diversidade de ações e de públicos; • Promover a intergeracionalidade; • Promover a ancestralidade e história local; • Manter um Conselho Popular permanente para tratar da tomada de decisões sobre a Esplanada Ferroviária; • Criar campanhas permanentes para a veiculação de informações e divulgação dos usos dos espaços da Esplanada e de outros temas pertinentes. ECONOMIA • Orientar para que o processo contemple a possibilidade de múltiplas fontes de recurso, visando a autonomia financeira; • Incentivar o uso do espaço destinado a comércio para produtos e produtores locais, fazendo parte da renda, sempre que possível, ser destinada a capacitações; • Focar nas atividades de economia circular como forma de instrumentalizar um desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações que promovam produtos e serviços locais. SUSTENTABILIDADE • Focar em atividades que levem em consideração a questão da preservação do ambiente e a sustentabilidade; • Focar em atividades que levem em consideração a questão da mobilidade urbana ativa.

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DIRETRIZES

ATIVIDADES • Manter um funcionamento pautado no caráter multiuso da Esplanada Ferroviária; • Criar um escritório local para gerência das atividades e dos eventos cotidianos, bem como para manutenção diária da infraestrutura; • Priorizar eventos que promovam a cultura local e regional; • Priorizar atividades e eventos de baixo custo e alto impacto; • Priorizar eventos de pequeno e médio porte. INSTITUCIONAL • Incentivar parcerias e atividades vinculadas às universidades, aproveitando o potencial de ativação dos agentes dessas instituições; • Incentivar parcerias com entidades da Sociedade Civil; • Incentivar o relacionamento direto com entidades e estabelecimentos da vizinhança.


CONCLUSÕES E IMPRESSÕES GERAIS Além das diretrizes objetivas originadas das informações colhidas através de todas as atividades do Laboratório, alguns pontos de atenção mostram-se vitais e precisam ser considerados no momento das futuras intervenções. Estas informações são geradas a partir de percepções da equipe do TransLAB.URB, sempre baseadas nos fluxos de informações pré-existentes e considerando todas as diferentes experiências vivenciadas. Como forma de qualificar e complementar as diretrizes apresentadas anteriormente, fazse necessário contemplar estes pontos de atenção, visto que muitas informações latentes necessitam análise cautelosa em momentos que sucedem o trabalho in loco. Todas estas informações são validadas por relatos, registros, observações e discussões provindas das próprias atividades do Lab Campo Grande.

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CONCLUSÃO


PONTOS DE ATENÇÃO A FEIRA CENTRAL É inegável a relevância que a Feira Central tem no contexto dos debates sobre a requalificação da Esplanada Ferroviária, bem como sua influência sobre todo o entorno do Complexo Ferroviário. Da mesma maneira, são inegáveis os conflitos gerados pela sua localização e a posição do seu estacionamento, configurando uma barreira para a linearidade da área da Esplanada, causando grande desconforto. Nas primeiras atividades de reconhecimento, logo aparecem os pontos de vista negativos dessa relação dentro do território, principalmente a partir de técnicos da Prefeitura, do IPHAN, da Academia e de algumas pessoas visitantes, mas, ao contactar vizinhos e propor atividades com integrantes da AFECETUR Associação da Feira Central e Turística de Campo Grande, descobre-se outra camada de percepção, justamente uma que trata da importância histórica da feira original (anterior ao seu deslocamento para esta área), a relação com a migração japonesa, os fatores econômicos ligados às

210

CONCLUSÃO

famílias, a seus negócios e aos funcionários, o reconhecimento como grande estrutura gastronômica, seu potencial turístico, além do papel da Feira enquanto resistência de atividade neste setor da área central, colaborando para a construção de uma percepção de segurança um pouco mais positiva. É fundamental trabalhar na integração da Feira Central com os projetos para a Esplanada Ferroviária, buscando conciliar soluções projetuais e soluções da esfera Legal e Administrativa, costuradas por vontade política que atendam às necessidades dos atores envolvidos, visando a potencializar o desenvolvimento local. Nesse sentido, o reconhecimento de projetos préexistentes é vital, entendendo todos os pontos convergentes para que aspectos específicos de cada iniciativa venham a beneficiar todo o conjunto.


O TREM, A FERROVIA, NOB E AFAPEDI Toda a área do Complexo Ferroviário, abrangendo tanto as instalações da Esplanada, quanto as antigas casas dos ferroviários, é um conjunto grandioso em muitos aspectos, embora também salte aos olhos o descaso dos últimos anos, posteriores ao encerramento das atividades oficiais da estrada de ferro dentro dos limites urbanos de Campo Grande. Há uma imagem de abandono nos limites das instalações da NOB Estrada de Ferro Noroeste do Brasil que gera uma percepção negativa nos moradores do entorno e nas pessoas visitantes oriundas de outros setores da cidade, percepção que, em muitos momentos, ofusca o valor histórico e patrimonial. Nesse contexto, percebe-se a urgência de reconectar a vizinhança com esse conjunto de edificações e áreas abertas, criando pontes de relacionamento em que se volte a valorizar o passado histórico, intimamente ligado à própria formação da cidade.

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CONCLUSÃO

Para além dos esforços na requalificação das edificações e dos terrenos, faz-se necessária a criação de programas educativos permanentes com foco na retomada da valorização da história de todo o complexo, evitando o processo de apagamento da memória da população. Dentro de um panorama de aproximar parceiros estratégicos, há a possibilidade de convênios com as Universidades, com o IPHAN (vizinho), mas, prioritariamente, o reconhecimento da AFAPEDI Associação dos Ferroviários, Aposentados, Pensionistas, Demitidos e Idosos como principal aliada. Qualquer decisão administrativa deve ser no sentido de criar um Grupo de Trabalho de múltiplos atores, que venham a desenvolver esse programa de maneira horizontal e transparente.


UM OÁSIS NA REGIÃO CENTRAL Entre as muitas observações feitas e os muitos relatos coletados, aparecem demandas relacionadas à presença de mais vegetação, como forma de criar zonas maiores de conforto, com sombra, mantendo a circulação do ar, permitindo a contemplação das plantas, caminhadas, atividades lúdicas e esportivas, além do plantio de árvores frutíferas e grandes áreas verdes para o descanso. A percepção da vocação de alguns espaços da Esplanada – como o antigo pátio dos trens e a área aberta da Rotunda – em serem locais tranquilos e de repouso também estão entre as demandas mais comuns expressadas durante o trabalho. Apesar desse desejo ser muito latente entre os participantes, sensações como “calor excessivo”, “pouca sombra” e “falta de vegetação” também são frequentemente relatadas, evidenciando a necessidade de mudanças e justificando a implementação de soluções nesse sentido.

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CONCLUSÃO

Outro ponto importante a ser levado em consideração, seguindo a lógica de manter áreas de tranquilidade e de repouso, é o impacto causado por grandes eventos que venham a ser realizados nas imediações ou mesmo nas áreas do interior do Complexo Ferroviário. Muitas das diretrizes apresentadas apontam para a criação de estruturas que contemplem e permitam a realização de eventos de maior porte, porém, deve-se atentar para a maneira, o local e os momentos nos quais esses eventos podem vir a ser realizados e, necessariamente, prever soluções para que as áreas de descanso não sejam afetadas, bem como garantir o menor impacto nas imediações.


UM DESTINO DENTRO DA CIDADE Outro desejo muito relatado e observado na análise dos dados coletados é o de tornar a Esplanada um destino comum e um local bastante procurado por moradores e turistas, atraindo públicos variados e proporcionando a circulação de recursos, usos constantes das instalações e a ocupação dos espaços em diversos horários nos diferentes turnos. Muitos participantes das atividades do Laboratório expressam o desejo de ter a oportunidade de visitar espaços que se destinam a práticas e a eventos artísticos, culturais, educacionais e recreativos. Uma das principais preocupações de agentes proponentes de atividades e do público que participa é garantir que, mesmo com a presença de unidades comerciais no espaço da Esplanada, isso não se torne a principal forma de exploração do espaço, de modo que

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CONCLUSÃO

outras atividades a serem propostas na Esplanada possam ser geradoras de renda e auxiliem na manutenção do espaço, de acordo com algumas diretrizes apresentadas anteriormente. A questão do incentivo e do acesso à Esplanada aplica-se especialmente a moradores de regiões mais periféricas – frequentemente distantes geográfica e socialmente desses espaços – passando pela importância da conectividade inteligente do sistema de transporte público e de modais alternativos, a fim de contemplar todas essas pessoas. Entre os propósitos de proporcionar variadas atividades e de propiciar lugares ecléticos nos diferentes espaços da Esplanada Ferroviária, está, justamente, a garantia de um equipamento público de acesso universal.


O ENTORNO IMEDIATO Um conjunto tão grande (94 mil metros quadrados) tem potencial de converter-se em um destino municipal e, até mesmo, regional, especialmente por tratar-se de uma capital, mas, para isso ocorrer de uma maneira exitosa, é necessário estender os efeitos positivos dos esforços de requalificação para além dos limites do terreno da Esplanada Ferroviária. É fundamental que sejam executadas melhorias no entorno imediato. Num primeiro momento, devem ser integradas ao projeto as unidades habitacionais que estão na mesma quadra, entendendo até que ponto vão as responsabilidades tanto de proprietários, quanto da Administração Pública, bem como de entidades ligadas à preservação do patrimônio. Em seguida, é importante avaliar cuidadosamente a qualidade estrutural dos setores da Av. Calógeras, da Rua 14 de Julho, da Rua dos Ferroviários, da Rua Eça de Queirós e da Av. Mato Grosso, que são limítrofes à Esplanada.

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CONCLUSÃO

Há de considerar-se aspectos da qualidade da pavimentação das calçadas, eixo carroçável da via, acessibilidade, sinalização clara que permita a circulação com autonomia, iluminação pública, qualidade das intersecções das ruas, favorecer as caminhadas e trajetos peatonais (priorizar e incentivar), integrando com transporte público que atenda os diversos horários correspondentes às necessidades cotidianas dos moradores e dos visitantes do entorno, além de promover encontros com os moradores para entender outras necessidades cotidianas. Numa outra etapa desses esforços coordenados, é viável pensar em programas de incentivo e de capacitação aos negócios locais como, por exemplo, abatimento de tributos para determinadas categorias de serviços que são estratégicas para o desenvolvimento da área.


A ROTUNDA Todas as estruturas construídas que compõem o conjunto de edificações da Esplanada Ferroviária possuem valor formal arquitetônico, devido tanto às atividades que acolhiam e que resultaram no seu desenho, quanto aos aspectos de valor histórico e patrimonial, mas, sem dúvida, as edificações da Rotunda Ferroviária são as mais impressionantes, dado a sua forma oitavada e a sua escala grandiosa, que, mesmo sendo as construções mais comprometidas, deterioradas e com características de abandono, ainda assim possuem o maior potencial como marco referencial arquitetônico da área. Nesse sentido, fica latente a necessidade de

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entender a requalificação e a reforma desse local como um projeto especial dentro de todo o conjunto. Muitos relatos dão conta de projetos préexistentes para essas edificações, mas, mesmo assim, é sinalizada a necessidade de processos de participação que validem as soluções encontradas nesses projetos citados, buscando evitar a execução de obras que não conversem com os desejos das pessoas do entorno e dos visitantes e que não seja um projeto cujo programa esteja voltado apenas para o potencial das edificações, mas que se busque um diálogo que resulte em integração formal com o conjunto de toda a Esplanada Ferroviária.


FLUXOS DE INFORMAÇÃO E TRANSPARÊNCIA DOS PROCESSOS Talvez uma das percepções mais fortes por parte da equipe tenha sido a respeito da orientação geral da população no que tange saber qual é ou quais são os responsáveis pela área. Há muitas incertezas no entendimento das relações entre as instâncias municipal, estadual e federal. O fato de ser um complexo tombado nas três esferas, e o próprio IPHAN ser vizinho, também deixa algumas pessoas confusas. A própria história da Estrada de Ferro, enquanto entidade federal, reforça o pouco entendimento sobre o status atual da área. Pouquíssimas pessoas de fato sabem que se trata de um terreno que foi federal e que acabou repassado para a cidade de Campo Grande, o que alerta para a falta de conhecimento dos processos históricos e para a falta de transparência dos processos administrativos desse território. Nesse contexto, a própria dinâmica de ocupação do espaço encontra entraves, principalmente quando as pessoas buscam promover atividades e/ou eventos no local. Sabe-se de relatos por parte de indivíduos, grupos, associações e até de fóruns municipais ligados às cadeias produtivas de cultura acerca do excesso de burocracia para fazer o óbvio: usar o espaço público. Existem muitas dúvidas como, por exemplo: “quem fornece autorização?”, “quem pode apoiar?”, “necessita falar com o IPHAN?”, “precisamos de algum documento dos Bombeiros?”, entre outras do mesmo gênero.

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De modo geral, a população desconhece os trâmites necessários para a realização de atividades na Esplanada, da mesma maneira que agentes da cultura relatam que não há sensibilidade por parte da Administração Pública no momento de diferenciar os grandes eventos privados das pequenas produções locais de interesse cultural, o que acarreta em entraves que, muitas vezes, impossibilitam que as atividades aconteçam. Se faz necessária a articulação entre os entes públicos que, de alguma maneira, vinculam-se com os trâmites e com as burocracias para o uso dos espaços públicos, de modo que estabeleçam um fluxo simplificado de normas, instrumentalizando a população e gerando autonomia e fluidez para a apropriação do território. Ao mesmo tempo, o processo de criação de uma espécie de “escritório central de eventos” localizado nas dependências da Esplanada Ferroviária pode propiciar um fluxo de informações para a autogestão desse território, incentivando mais atividades, bem como comunicando-as adequadamente para a comunidade local, de modo a intermediar o impacto de uma agenda cultural no bairro, visando o bom relacionamento entre as pessoas, visitantes e residentes.


AS PESSOAS SERVIDORAS DA CULTURA No início do processo do Laboratório Urbano Efêmero de Campo Grande, ainda na fase de pré-produção, circulava uma ideia de que não ocorriam atividades no local, que a Esplanada estava “abandonada” e que as únicas movimentações eram alguns poucos eventos de caráter privado, dentro das instalações da Esplanada Ferroviária, além do carnaval de rua, realizado nas imediações da Avenida Calógeras. Logo nos primeiros dias de atividade do Laboratório, instalado na Museologia e convivendo com o cotidiano de toda a área, percebeuse que é um equívoco falar de abandono total; na realidade, há um zoneamento bastante claro, cujas decisões administrativas equivocadas ao longo dos anos negligenciaram fortemente as edificações da Rotunda Ferroviária, claramente as estruturas mais comprometidas. Por outro lado, o conjunto formado pela Plataforma Cultural, AFAPEDI, Museologia e

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Armazém Cultural está muito ativo, inclusive contando com programação variada de pequenas feiras, exposições de arte, apresentações artísticas, além de oficinas diversificadas. Parte da avaliação entende que todas as ações possuem um caráter de resistência por parte das servidoras e dos servidores que desenvolvem trabalhos no local, mas a falta de suporte adequado da Administração Pública faz até mesmo a programação oficial lidar com a precariedade, fazendo dessa base de trabalhos uma espécie de periferia da própria Prefeitura. Faz-se vital aproveitar todo o conhecimento desses agentes para criar as estratégias de conexão com o público, principalmente das pessoas da vizinhança. É necessário honrar o bom trabalho que vem sendo feito, focado no desenvolvimento pessoal, na transgeracionalidade e na pluralidade de perfis de públicos.


MERCADÃO Através da implementação de um projeto de urbanismo tático no Mercadão (Mercado Municipal Antônio Valente) e em seu entorno imediato, atividade esta que integrou o escopo do Lab Campo Grande sob a forma do tema de um dos Grupos de Trabalho, foi possível analisar muitos aspectos relativos às inúmeras dinâmicas que envolvem o funcionamento cotidiano desse importante equipamento público. O principal aspecto que urge atenção é a relação do Mercado das Índias com o Mercadão, um relacionamento complexo que necessita da criação de estratégias que deem conta de circunstâncias tanto de planejamento espacial, quanto da dimensão antropológica, que abarque os desafios das diferenças culturais. Nessa última questão, um convênio com a Academia garante um embasamento teórico-prático para a construção das melhores abordagens, entendendo que se trata de um processo de médio à longo prazo.

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CONCLUSÃO

Já em relação aos aspectos ligados às melhorias da experiência dos usuários do Mercadão quanto ao conforto no momento de consumir nas lanchonetes e nos restaurantes, ou mesmo pensando em áreas de permanência, fica evidente a necessidade de balancear a cultura carrocêntrica com a lógica de humanizar as cidades, devolvendo a prioridade para os pedestres. Para isso, o comprometimento de diferentes Secretarias da Prefeitura Municipal com um projeto comum é vital, buscando a implementação de ações paralelas, desde intervenções físicas até campanhas de educação, passando por prototipagens e por levantamento de dados sobre as melhorias. Mais uma vez, é necessário compreender que lidar com cultura é lidar com processos que não são imediatos, de modo que é fundamental abraçar planejamentos contínuos de médio e longo prazo.


AGRADECIMENTOS

Neila, Norberto, Sandra Elena, Samambaia, Léo e equipe da Brava, Ana Veraldo, Michele de Andrade, Carlos Gonçalves Júnior, Bruno Ferreira, Júlio Botega, Gilfranco Alves, Juliana Trujillo, Raoni Ramires, Ana Velásquez, Camila Tolorza, Domenico di Siena, Jason e equipe do BID, Equipe UGP, Régis e equipe da Esplanada, AFAPEDI, Rede Brasileira de Urbanismo Colaborativo, Projecto Corredor Sur, Red Placemaking LatinoAmérica, Bruna e equipe Otra Vez.

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CONCLUSÃO

Por fim, a todas as pessoas que de alguma maneira participaram, incentivaram e apoiaram o Laboratório Urbano Efêmero de Campo Grande.


translaburb.cc LaboratĂłrio Urbano EfĂŞmero de Campo Grande Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil Ago/Set 2019


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Resultados do Lab Campo Grande - Diretrizes para a Esplanada Ferroviária  

Relatório contendo os resultados do Laboratório Urbano Efêmero / Lab Campo Grande, com o objetivo de cocriar as diretrizes para a Esplanada...

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