Issuu on Google+


The Fallen:

Raziel KRISTINA DOUGLAS


Papyrus Traduções de Livros Tradução/Revisão: Joana Formatação: Leo

“Qui sait beaucoup ne craint rien.” “Do muito saber vem o nada a temer”


SINOPSE: A ESTRÉIA PARANORMAL PARANORMAL escaldante de Raziel, um sexy anjo caído, e Allie, uma mortal, cuja morte a catapulta para o mundo sobrenatural, cheio de anjos, demônios e o amor verdadeiro. Raziel é parte de um grupo de anjos caídos amaldiçoados por beber sangue e transportar os mortos para o céu e o inferno por toda a eternidade. Uma coisa que não se deve fazer é interferir, e quando Raziel resgata Allie Watson do fogo do inferno no último minuto, ele está machucado e deve invocar os seus irmãos para ajudar. Após os Caídos transportarem tanto Raziel quanto Allie para fora do seu remoto complexo, eles inadvertidamente desencadeiam uma série de eventos que levam a uma rebelião contra o último arcanjo e a sua seita do mal que come carne de lacaios como os Nefilins. Agora, Raziel e Allie, devem restaurar o equilíbrio do poder entre as forças do bem e do mal – e apenas o amor entre eles podem salvá-los.


No Começ Começo

Eu sou Raziel,

um dos vinte anjos caídos falados por Enoque1 nos livros antigos. Eu vivo no mundo escondido de Sheol, com os outros Caídos, onde ninguém sabe da nossa existência, e nós temos vivido dessa maneira desde a queda há milênios atrás. Eu deveria saber que havia problemas no horizonte. Eu podia senti-los no meu sangue, e não havia nada mais poderoso do que sangue. Eu me ensinei a ignorar esses sentimentos, apenas como eu me ensinei a ignorar tudo que conspirava a me trair. Se eu estivesse escutado as coisas poderiam ser diferentes. Eu levantei naquele dia, no início, esticando as minhas asas na débil luz da manhã. Uma tempestade estava se aproximando; eu senti isso palpitando em minhas veias, em meus ossos. Por agora o terapêutico oceano estava calmo, a maré se aproximando, e a névoa era espessa e quente, um abraço envolvente, mas não a violência da natureza pendendo pesada no ar. Natureza? Ou Uriel?

Eu dormi do lado de fora novamente. Caído no sono em uma das cadeiras de madeira, mamando uma Jack Daniels, um dos muitos prazeres desse último século ou assim. Muitas Jacks, que a verdade seja dita. Eu não queria que essa manhã viesse, mas então, eu não era um fã das manhãs. Apenas mais um dia no exílio, com nenhuma esperança de...o que? Escapar? Retornar? Eu nunca poderia retornar. Eu tinha visto muito, feito muito. Eu estava atado aqui, assim como os outros. Por anos, tantos anos que eles deixaram a existência, perdidos nas névoas do tempo, eu tenho vivido nessa terra sob uma maldição que nunca será erguida. A existência tinha sido mais fácil quando eu tinha uma companheira. Mas eu perdi muitas sobre os anos, e a dor, o amor, eram simplesmente parte da nossa maldição. Enquanto 1

(Enoque - é o nome dado um dos personagens bíblicos mais peculiares e misteriosos das Escrituras. Nasceu, segundo os escritos judeus, na sétima geração depois de Adão, sendo filho de Jarede, e pai de um outro personagem, Matusalém. De acordo com o relato de Gênesis, capítulo 5, versos 22-24, Enoque teria sido arrebatado por Deus para que não experimentasse a morte e na certa fosse poupado da ira do dilúvio: “E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.”)


eu me mantivesse distante, eu podia privar Uriel de um bocado de tortura. Celibato era um pequeno preço a pagar. Eu descobri que quanto mais tempo eu ficava sem sexo, o mais fácil era suportar, e ocasionais acasalamentos físicos tinham sido suficientes. Até alguns dias atrás, quando a necessidade por uma mulher tinha subitamente voltado com tudo, primeiro em meus sonhos rebeldes, depois nas minhas horas acordado. Nada que eu fazia podia desfazer o sentimento – uma quente, necessidade vesicular que não podia ser preenchida. Ao menos as mulheres ao meu redor eram todas pareadas. A minha fome não era tão forte que ela cruzava todas as linhas –eu podia olhar para as esposas, ambas simples e bonitas, e não sentir nada. Eu precisava de alguém que existia apenas em sonhos. Enquanto ela ficasse ali, eu não podia me concentrar em outras coisas. Eu dobrei as minhas asas de volta ao meu redor e alcancei pela minha camisa. Eu tinha um trabalho hoje, muito do qual eu odiava. Era a minha vez, e era a única razão que o desanuviamento existia. Enquanto nós seguíssemos as ordens de Uriel, havia uma paz inquieta. Eu e os outros Caídos tomávamos turnos levando almas aos seus destinos. Tomadoresda-morte, Uriel nos chamava. E isso era o que éramos. Tomadores-da-morte, comedores-de –sangue, anjos caídos fadados a vida eterna. Eu me movi em direção a grandiosa casa lentamente, enquanto o sol se erguia sobre as montanhas. Eu coloquei a minha mão sob a maçaneta de ferro fundido, então pausei, voltando a olhar para o oceano, o agitado mar de sal que me chamava tão certo como a misteriosa sereia de mulher que caçava os meus sonhos. Era a hora de alguém morrer. EU SOU URIEL O MAIS alto, o arcanjo que nunca caiu, que nunca falhou, que servia o Senhor em toda a sua horrível majestade, ferindo os pecadores, transformando cidades perversas em entulhos e mulheres curiosas aos pilares de sal. Eu sou o seu mais confiável servente, o seu emissário, sua voz na selva, sua mão na espada. Se fosse necessário, eu seria consumido por rancor, o rancor do mundo com fogo e começar de novo. Fogo para açoitar tudo, depois enchente para seguir e reabastecer a terra.


Eu não sou Deus. Eu sou apenas um de seus nomeados, para assegurar que o seu julgamento seja cumprido. E eu estou esperando. O Mais Alto de Todos é infalível, ou iria julgar os Caídos para serem o mais grave erro e castigá-los da existência. Eles foram amaldiçoados ao eterno tormento, e ainda eles não sofrem. É a vontade do Grande Poderoso que eles vivam a sua existência sem fim, forçados a sobreviver por maneiras desprezíveis, e ainda eles conhecem a alegria. De alguma foram, além das negras maldições colocadas sobre eles, eles conhecem a alegria. Mas mais cedo ou mais tarde, eles irão muito longe. Eles irão se unir aos Primeiros, Mensageiros da Luz, os Rebeldes, nas profundidades sem limites da terra, presos no silêncio e solidão, durante todo o fim dos tempos. Eu sou Uriel. Arrependei-vos e guardai-vos.


Cap Capítulo 1

E

U ESTAVA CORRENDO ATRASADA, O QUAL NÃO ERA SURPRESA. SURPRESA. EU sempre parecia estar com pressa – havia uma reunião com meus editores em meia hora do outro lado de Manhattan, eu tinha um depósito para fazer antes do final do trabalho temporário, meus sapatos estavam me matando, e eu estava com tanta fome que eu poderia ter comido a mesa de vidro e metal que eu fiquei alocada no meu tempo de serviço na Fundação Pitt. Eu podia lidar com a maioria das da coisas –eu eu não era nada se não adaptável. As pessoas eram acostumadas a minha tendência de aparecer tarde; a secretária das Publicações MacSimmons era sábia o bastante para agendar meus compromissos e então me dizer que eles eram meia hora mais cedo. Era um pequeno jogo que nós brincávamos –infelizmente, desde que agora eu sei as regras, eu chego uma hora mais tarde, arruinando seus cuidadosos arranjos. Não faz mal.. Eles podiam trabalhar ao meu redor –eu eu era de confiança em todos os outros assuntos. Eu nunca nca me atrasei com um manuscrito, e meu trabalho raramente precisava mais do que uma revisão mínima. Eles tinham sorte de me ter, mesmo se mistérios de assassinatos bíblicos não fossem um grande fazedor de dinheiro, particularmente quando escritos em um tom m sarcástico. O Veneno de Solomon tinha feito até mesmo melhor do que o livro anterior. Claro, você tem que colocar isso em perspectiva. Eu não era Agatha Christie. Mas se eles não estivessem fazendo dinheiro eles não estariam me pagando, e eu não iria me preocupar. Eu só tinha tempo suficiente para conseguir ir ao banco, e eu podia sequer conduzir um pequeno desvio para agarrar um cachorro quente de um vendedor de rua, mas não havia uma maldita coisa que eu poderia fazer sobre meus sapatos.


Vanity2, minha mãe nervosa iria dizer – não que ela sequer deixasse os confins da sua nascida-de-novo fortaleza para me ver. Hildegarde Watson não confiava em nada nem ninguém, e ela se retirou para uma instituição cheia de outros fundamentalistas lunáticos que até mesmo a sua própria filha pecaminosa não era bem vinda. Graças a Deus. Eu não preciso que minha mãe me diga o quanto superficial eu era. Eu abracei isso. Os saltos de dez centímetros faziam as minhas pernas parecerem fantásticas, o qual eu considerei valer a pena qualquer quantidade de dor. No topo disso, eles me elevavam a uma mais imponente altura do que meus míseros um metro e sessenta, uma vantagem com turbulentos editores de meia-idade que gostavam de me tratar com uma garotinha bonitinha. Então, os malditos saltos-agulha doíam como loucos, e eu não tinha sido esperta o suficiente para levar um mais confortável par ao meu trabalho temporário. Eu estive mancando nas redondezas todo o dia sem sequer um Band-Aid para proteger o meu pobre pé ferido. Eu sentia pena de mim mesma se eu não tivesse feito isso de propósito. Eu aprendi cedo com isso que o melhor jeito de realizar qualquer coisa era ranger seus dentes e lutar o seu caminho através disso com a melhor elegância que você reunisse, e calçando esses malditos sapatos, o qual tinham me custado quase cento e oitenta dólares, com desconto, era a única maneira de eu alguma vez ficar confortável neles. Além disso, era Sexta –eu tinha toda a intenção em gastar o meu final de semana com meus pés para cima, trabalhando no meu novo livro, A Vingança de Ruth. Pela Segunda as bolhas teriam se curado o suficiente, e se eu pudesse apenas resistir a eles por mais dois dias, eu estaria acostumada. A beleza valia a dor, sem importar com que a minha mãe dizia. Talvez alguma vez eu fosse capaz de me suportar com minhas escritas e não ter que lidar com meus trabalhos temporários. Mistérios sarcásticos que definiam uma desmistificação ao Velho Testamento Judeu-Cristão não eram alto no medidor de interesse público, colocando de lado os ocasionais suspenses campeões de vendas sobre o Vaticano. Por agora, eu não tinha escolha além de complementar minha escassa renda, fazendo os meus finais de semana mais previsíveis. “Você não deveria estar saindo, Allie?” Elena, minha supervisora sobrecarregada, olhou para mim. “Você não vai ter tempo de ir ao banco se você não partir agora”.

2

(Vanity – Vanity Fair – revista de moda)


Droga. Dois meses e Elena já estava me marcando como alguém cronicamente atrasada. “Eu não voltarei,” eu falei alto enquanto eu mancava em direção ao elevador. Elena acenou distraidamente um adeus, e momentos mais tarde eu estava sozinha no elevador, olhando os sessenta e três andares descendo. Eu podia arriscar tirando os meus sapatos, apenas por alguns momentos de abençoado alívio, mas com a minha sorte alguém iria imediatamente se unir a mim e eu teria que empurrá-los de volta. Eu me inclinei contra a parede, tentando trocar o meu peso de um pé ao outro. Ótimas pernas, eu me lembrei. Fora das janelas dos sessenta e três andares, o sol estava brilhando forte. No momento em que eu me movi através das portas automáticas da recepção para a calçada, eu ouvi um alto estrondo de trovão, e eu olhei para cima para ver nuvens escuras se agitando sobre a minha cabeça. A tempestade parecia ter saído de nenhum lugar. Era uma tarde fresca de Outubro, com o Halloween apenas há alguns dias. As calçadas estavam ocupadas como sempre, e o banco era do outro lado da rua. Eu podia sempre andar e comer um cachorro-quente ao mesmo tempo, eu pensei, me dirigindo ao carrinho do almoço. Eu tinha feito isso mais vezes. Com minha sorte havia uma fila. Eu saltei nervosamente, trocando o meu peso, e o homem na minha frente se virou. Eu morava em Nova Iorque tempo o suficiente para fazer de um hábito não olhar as pessoas na rua. Aqui no meio da cidade, a maioria das mulheres era mais altas, mais magras, e melhores vestidas do que eu estava, e eu não gostava de me sentir inadequada. Eu nunca fiz contato visual com ninguém, nem mesmo com Harvey e o cara do cachorro-quente, que me servia diariamente pelos últimos dois meses. Então porque eu estava olhando para cima, na direção para cima, para dentro de um par de olhos que eram...Deus, que cor eles eram? Uma estranha tonalidade entre preto e cinza, atingida com estrias de luz então eles quase se pareciam cinza. Eu estava provavelmente me fazendo de boba, mas eu não podia evitar. Nunca na minha vida eu tinha visto olhos dessa cor, embora isso não devesse me surpreender desde que eu evitei olhar em primeiro lugar. Mas mesmo mais surpreendentemente, aqueles olhos estavam me observando pensativamente. Lindos olhos em um lindo rosto, eu percebi tardiamente. Eu não gostava de homens que eram muito atraentes, e esse termo era leve quando veio do homem olhando abaixo para mim, apesar do meu salto de dez centímetros.


Ele era quase de uma beleza angelical, com suas bochechas altas, seu nariz aquilino3, seu cabelo listrado com castanho e dourado. Era precisamente a tonalidade morena que eu tentei obter que minha colorista aplicasse, e ela sempre lamentavelmente ficava além. “Quem fez o seu cabelo?” Eu deixei escapar, tentando assustá-lo com a minha abstração. “Eu sou como Deus me fez,” ele disse, e sua voz era tão bonita quanto o seu rosto. De baixa intensidade, e musical, o tipo de voz para seduzir um santo. “Com algumas poucas modificações,” ele adicionou, com uma torção de humor negro que eu não podia entender. O seu maravilhoso cabelo era tão longo –eu odiava cabelos compridos em homens. Nele ele parecia perfeito, assim como a jaqueta de couro escura, o jeans preto, e camisa escura. Não a roupa comum da cidade, eu pensei, tentando convocar uma desaprovação e falhar porque ele parecia tão malditamente bem. “Desde que você não parece estar em algum tipo de pressa e eu estou, você acha que você poderia me deixar ir adiante?” Houve outro estrondo de trovão, ecoando através dos desfiladeiros de cimento e aço ao nosso redor, e eu estremeci. Tempestades de trovão na cidade me faziam nervosa –elas pareciam tão ali. Sempre parecendo como se um raio serpenteasse entre os altos prédios e fosse me achar um alvo fácil. O homem nem sequer piscou. Ele olhou do outro lado da rua, como se calculasse algo. “É quase três da tarde,” ele disse. “Se você quer que o seu depósito aconteça hoje, você vai precisar pular esse cachorro-quente.” Eu congelei. “Que depósito?” Eu exigi, completamente paranóica. Deus, o que eu estava fazendo mantendo uma conversa com um homem estranho? Eu nunca deveria ter prestado qualquer atenção nele. Eu poderia ter vivido sem o cachorro quente. “Você está segurando uma sacola de depósito de banco,” ele disse suavemente. Oh. Yeah. Eu gargalhei nervosamente. Eu deveria estar envergonhada com a minha paranóia, mas por alguma razão isso não começou a se dissipar. Eu me permiti outro olhar furtivo ao estranho.

3

(nariz aquilino -refere-se ao nariz que tem uma ponte de destaque. A ponte é curvada ou dobrada. Esse nariz também é conhecido como o nariz romano e aparece como um gancho por causa da ponte do nariz.)


Para o inferno com o cachorro-quente –minha melhor aposta era me afastar desse muito atrativo estranho, fazer o depósito, e esperar por Deus que eu pudesse encontrar um taxi e me levar para o outro lado da cidade para a minha reunião. Eu já estava dez minutos atrasada. Ele ainda estava me observando. “Você está certo,” eu disse. Outro estrondo de trovão, e as nuvens se abriram. E eu estava vestindo um casaco vermelho de seda que eu realmente não poderia me permitir, mesmo em uma liquidação da Sacks4. Vanity novamente. Sem um olhar para trás, eu pisei para fora da rua, o qual estava momentaneamente livre de tráfego. Aconteceu em câmera lenta, aconteceu em um piscar de olhos. Um dos meus saltos quebrou, meu tornozelo virou, e a chuva súbita estava transformando o lixo da rua em um rio de imundice. Eu escorreguei, caindo em um joelho, e eu podia sentir minhas meias rasgarem, minha camisa rasgar, meu cuidadoso cabelo arrumado emplastado solto e molhado em volta das minhas orelhas. Eu olhei para cima, e ali estava, um ônibus que cruzava a cidade pronto para bater em mim. Outro estrondo de trovão, o brilho branco chiado do raio, e tudo ficou calmo e quieto. Apenas por um momento. E então era um borrão de barulho e ação. Eu podia ouvir pessoas gritando, meu perplexo dinheiro estava flutuando através do ar como folhas de outono, um turbilhão descendente na chuva pesada. O ônibus veio a uma parada, inclinando do outro lado da rua, e as buzinas estavam soando, pessoas estavam xingando, e a uma distância eu podia ouvir os gritos das sirenes. Uma muito malditamente rápida resposta para Nova Iorque, eu pensei distraidamente. O homem estava em pé ao meu lado, o lindo do carrinho de cachorro quente. Ele só estava acabando um cachorro quente com chili, inteiramente à vontade, e eu me lembrei que estava faminta. Se eu fosse ajudar no acidente de ônibus, eu poderia também ter um chili dog5. Mas por alguma razão, eu não queria me virar. “O que aconteceu?” eu perguntei a ele. Ele era alto o bastante para ver através da multidão de pessoas agrupadas ao redor da frente do ônibus. “Alguém se feriu?” 4

(Sacks –cadeia de grandes magazines americana, que obtêm as marcas de grife mais importantes no mercado internacional.) 5 (chili-dog –cachorro quente com pimenta malagueta)


“Sim,” ele disse com aquela rica, melada voz. “Alguém morreu.” Eu olhei em direção a multidão, curiosa, mas ele pegou meu braço. “Você não quer ir ali,” ele disse. “Não há necessidade de passar por isso.” Passar pelo que? Eu pensei, aborrecida, olhando para a multidão. Eu olhei de volta para cima ao estranho, e eu tive o estranho sentimento que ele estava mais alto. Eu de repente percebi que meu pé não doía mais, eu olhei para baixo. Era uma estranha, desorientada sensação. Eu estava descalça, e se eu não soubesse que isso era impossível, eu diria que havia uma grama verde espessa embaixo dos meus pés. Eu olhei de volta para cima para a cena do acidente encharcada de chuva na minha frente, e o tempo parecia ter se movido em uma estranha, errática mudança. A ambulância tinha chegado, assim como a polícia, e as pessoas estavam sendo agrupadas para fora do caminho. Eu pensei ter pego um vislumbre da vítima –apenas uma breve visão da minha perna, calçando o meu sapato, o salto quebrado. “Não,” disse o homem ao meu lado, e ele colocou uma mão no meu braço antes que eu pudesse me afastar. A luz brilhante era cega, deslumbrante, e eu estava em um túnel, luz voando passando por mim, o único som o barulho do espaço se movendo a uma velocidade vertiginosa. Montanha Russa Espacial, eu pensei, mas não era uma da Disney. Ela parou tão abruptamente quanto começou, e eu me senti enjoada. Eu estava desorientada e sem fôlego; eu olhei ao meu redor, tentando me orientar. O homem ainda segurava o meu braço frouxo, e eu o puxei libertando-o, tropeçando para longe dele. Nós estávamos nas florestas, em algum tipo de clareira na base de um penhasco, e já estava escurecendo. A sensação de enjôo no meu estômago começou a se espalhar para o resto do meu corpo. Eu respirei fundo. Tudo sentia estranho, como se fosse um set de filmagem. As coisas pareciam certas, mas tudo parecia artificial, sem cheiros, sem sensações de toque. Era tudo uma ilusão. Era errado. Eu mexi meus pés, então eu percebi que eu ainda estava descalça. Meu cabelo pendia para baixo passando os meus ombros, o qual não fazia sentido desde que eu tinha cabelo curto. Eu puxei uma mecha, e vi que ao invés das cuidadosas mechas estriadas de cores, ele


era marrom novamente, o simples, ordinário castanho que eu gastei uma fortuna tentando disfarçar, o mesmo simples, ordinário castanho dos meus olhos. Minhas roupas estavam diferentes também, e a mudança não era para o melhor. Largas, disformes, sem cor, elas eram tão desinteressantes quanto um manto. Eu lutei o meu caminho através da névoa de confusão –minha mente se sentia como se fosse preenchida com algodão doce. Algo estava errado. Algo estava muito errado. “Não lute,” o homem ao meu lado disse em uma voz remota. “Isso apenas faz pior. Se você viveu uma boa vida, você não tem nada que temer.” Eu olhei para ele com horror. Raio dividindo abrindo o céu, seguido pelo trovão que sacudiu a terra. A sólida rocha na nossa frente começou a gemer, um profundo, dilacerante som que ecoou aos céus. Ela começou a despedaçar, e eu me lembrei algo da teologia Cristã sobre pedras se movendo e Cristo se erguendo da morte. O único problema era que eu era Judia, como a minha fundamentalista Cristã mãe tinha sido pela maior parte da sua vida, e eu não estava atenta a isso. Eu não acho que erguer da morte era o que estava acontecendo aqui. “O ônibus,” eu disse redondamente. “Eu fui atingida pelo ônibus. Eu estou morta, não estou?” “Sim.” Eu controlei o meu instintivo vacilar. Evidentemente ele não acreditava em amortecer as coisas. “E quem foi aquele que você fez? Senhor Jordan6?” Ele olhou em branco, e eu olhei para ele. “Você é um anjo,” eu clarifiquei. “Aquele que cometeu o erro. Você sabe, como nos filmes? Eu não deveria estar morta.” “Não há erro,” ele disse, e pegou o meu braço novamente. E certo como o inferno não estava indo calmamente. “Você é um anjo?” eu exigi. Ele não se sentia como um. Ele sentia-se como um homem, um homem nitidamente real, e porque pelo inferno eu estava subitamente me sentindo alerta, viva, despertada, quando de acordo com ele eu estava morta? Seus olhos estavam oblíquos, meio fechados. “Dentre outras coisas.”

6

(Senhor Jordan – se refere a um filme americano chamado ‘Aqui vem o Senhor Jordan,’ o qual um pugilista, é levado por engano ao Céu, e é lhe dada uma segunda chance de vida na Terra.)


Socar ele no queixo e fugir como o inferno parecia um excelente plano, mas eu estava descalça e meu corpo não estava se sentindo cooperativo. Tão zangada e desesperada como eu estava, eu ainda parecia querer que ele me tocasse, mesmo quando eu soube que ele não tinha nada bom em mente. Anjos não faziam sexo, eles faziam? Eles nem sequer tinham orgasmos sexuais, de acordo com o filme Dogma. Eu me encontrei olhando para a sua forquilha, então rapidamente coloquei o meu olhar para longe. O que diabos eu estava fazendo conferindo o pacote do anjo quando eu estava para morrer? Oh, yeah, eu tinha esquecido –eu já estava morta. E toda a minha vontade parecia ter desaparecido. Ele me atraiu em direção à rachadura na parede, e eu soube com súbita clareza que isso fecharia atrás de mim como algo tirado de um filme extravagante, deixando nenhum traço de que eu alguma vez vivi. Uma vez que eu atravessasse, estaria acabado. “Aqui é o mais longe que eu posso ir,” ele disse, sua rica, calorosa voz como música. E com um gentil puxão no meu braço, ele me propulsionou para frente, empurrando-me para o abismo.


Cap Capítulo 2

A

MULHER ESTAVA LUTANDO COMIGO. EU PODIA SENTIR A resistência em seu braço, algo que eu não podia me lembrar de ter sentido antes com quaisquer das incontáveis pessoas que eu trouxe nessa jornada. Ela era forte, essa aqui. Mas Uriel, o governante do todo o Paraíso, era infalível, ou então ele conseguiu convencer onvencer quase todo mundo, então isso não poderia ser um engano, sem importar como isso se parecia. Ela era apenas como tantas outras que eu trouxe aqui. Pessoas despiam dos seus artifícios, chocadas e necessitadas, enquanto eu os pastoreava para as suas próximas p vidas como um pastor do antigo, sem desperdiçar muita reflexão sobre todo o processo. Esses humanos estavam simplesmente se movendo através dos estágios da existência, e estava em sua natureza lutar com isso. Apenas como era o meu trabalho facilitar facilitar as suas passagens e vêvê los em seus caminhos. Mas essa mulher era diferente. Eu sabia disso. Quer eu quisesse admitir isso ou não. Ela deveria ser anônima, como todos os outros. Ao invés disso eu olhei abaixo para ela, tentando ver o que me iludiu. Ela nãoo era nada especial. Com seu rosto limpo de maquiagem e seu cabelo descendo em volta dos seus ombros, ela parecia como uma centena de outros. As roupas frouxas que ela vestia agora escondiam o seu corpo, mas isso não importava. Eu não me importava com mulheres, eres, em particular com mulheres humanas. Eu as descartei pela eternidade, ou por tanto tempo quanto Uriel me manteve vivo. Essa deveria ser tão interessante para mim quanto um peixe dourado. Ao invés disso eu reagi a ela como se ela de alguma maneira me importasse. i Talvez Azazel estivesse certo, e descartar mulheres e sexo tivesse sido uma má idéia. Celibato era um estado prejudicial para todas as criaturas grandiosas e pequenas, ele argumentou. Era até mesmo pior para os Caídos. Nossa espécie precisava de sexo tanto quanto nós precisávamos


de sangue, e eu estava decidido a me manter longe de ambos. E ao invés das coisas ficarem mais fáceis, essa mulher estava resistindo. Eu não prestei atenção a minha fome – isso não tinha nada a ver com ela, e eu podia ignorar isso assim como eu ignorei por tanto tempo. Mas ela era de alguma forma capaz de lutar de volta quando ninguém podia, e que era algo que eu não podia ignorar. Havia uma questão –Allegra Watson deveria estar aqui. Eu fiquei e esperei enquanto ela pisava na frente do ônibus, movendo-me para pegá-la no momento da morte e não um segundo antes. Eu nunca demorei. Não havia necessidade para ela sofrer –o seu destino tinha sido ordenado e não havia últimos minutos de tolerância. Eu assisti o ônibus atingi-la, esperei apenas tempo suficiente para sentir a sua força da vida extinguir-se. E então estava acabado. Alguns argumentavam quando eu os trazia embora. No geral, advogados eram os maiores pés no saco, e também os corretores da bolsa. Eles me xingavam –mas então, eles não eram guiados para onde Allie Watson foi guiada. Advogados e corretores da bolsa e políticos uniformemente iam para o inferno, e eu nunca me ocupei em escoltá-los. Eu os levava para o lado negro, empurrava-os sobre o penhasco sem um momento de arrependimento. Isso sempre os chocava, aqueles que eram banidos. Primeiro eles não podiam acreditar que eles podiam realmente morrer, e quando o inferno agigantava-se eles ficavam atônitos, indignados. “Eu não acredito em inferno,” muitos deles diziam, e eu sempre tentei resistir ao impulso de dizer a eles que o inferno acreditava neles. Algumas vezes eu até mesmo sucedi. “Você é um anjo maldito,” um tinha dito, nunca realizando o quanto bastante preciso ele estava. “Porque você está me mandando para o inferno?” Eu nunca me incomodei em dar a eles uma resposta direta. Que eles mereciam, que suas vidas foram completamente preenchidas com coisas desprezíveis, imperdoáveis. Eu não me importava o suficiente. Anjo maldito, de fato. O que mais um anjo caído seria, uma criatura amaldiçoada por Deus e seu administrador, o arcanjo Uriel? Como o homem tinha o livre-arbítrio desenvolvido e tinha entrado no jogo, o Ser Supremo tinha quase desaparecido, abandonado aqueles no paraíso e no inferno e em qualquer lugar entre eles, deixando Uriel para executar


suas ordens, aplicando sua poderosa vontade. Uriel, o último dos grandiosos arcanjos que resistiu a tentação, orgulho, e luxúria, e o único que não caiu na terra. A maldição da minha espécie tinha sido clara: vida eterna acompanhada por eterna condenação. “Vós e não terá paz nem perdão dos pecados: e na medida em que eles se deleitam com os seus filhos, / O assassinato de seus entes queridos eles devem ver, e sobre a destruição dos seus filhos eles devem lamentar, e fazer a eternidade em súplica, mas a misericórdia e paz não vós atingir." Nós somos os marginalizados, os comedores de sangue. Nós somos os Caídos, vivendo nossa eternidade pelas regras estabelecidas. Mas houve outros, os comedores de carne, que tinham vindo antes de nós. Os anjos soldados que eram mandados para nos punir ao invés de caírem também. Eles eram incapazes de sentir, e ficavam loucos por isso. Os Nefilins, que rasgavam carne viva e a devoravam, eram um horror ao contrário de qualquer coisa jamais vista antes na terra, e os sons de horror dos seus gritos na escuridão chovia terror naqueles deixados para trás, aqueles de nós na meia-vida. Nós tomamos uma metade do curso: para viver para sempre enquanto nós observávamos nossas mulheres morrer, e tornarmos comedores de sangue. Enquanto os Nefilins conheciam a fome da mais escura espécie, uma fome por carne que podia apenas ser alimentada com morte e terror. Isso foi a nossa partilha. Dois dos mais antigos tabus da terra –comer carne humana e beber sangue humano. Ninguém podia sobreviver sem isso, embora nós Caídos aprendemos a regular nossa furiosa necessidade, assim como as outras necessidades que nos conduzia – que nos conduziu da Graça do começo, antes do tempo ter sido contado. No final os Caídos tinham feito a paz com Uriel. Em retorno pela tarefa de coletar almas, nós fomos autorizados ao mínimo grau de autonomia. Uriel tinha sido determinado a limpar os Caídos da face da terra, mas o Ser Supremo tinha, por uma vez, intervindo, ficando a nossa realização. E enquanto não havia inversões dos cursos já estabelecidos, não haveria novas cobranças contra nós. Para um pouco de alegria que nos trouxe. Enquanto nós continuássemos o nosso trabalho, o status quo7 iria permanecer. Os Nefilins ainda iriam nos caçar pela noite, dilacerando, rasgando, devorando.

7

(status quo -é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for.)


Os Caídos iriam viver dia após dia também, alimentados de sexo e sangue, com aquelas necessidades mantidas sobre controle. E Allie Watson era apenas mais uma alma para ser entregue a Uriel antes que eu pudesse voltar ao nosso lugar escondido. Faça o trabalho e volte antes que muito tempo decorra. As atribuições dos anjos caídos não eram onerosas, e eu nunca falhei. Nunca fui tentado. Houve uma época quando eu corria para voltar para a mulher que eu amava. Mas houve muitas mulheres. Não havia mais. Eu tinha uma razão e uma única razão para correr para voltar. Eu não podia entender os humanos. Essa criatura particular não era diferente, embora eu não pudesse entender como ela tinha a força para resistir a minha resolução, mesmo a pequena quantidade de resistência eu senti embaixo do meu aperto. A sua pele era suave, o qual era uma distração. Eu não queria pensar sobre a sua pele, ou o medo inconfundível em seus ricos olhos castanhos. Eu podia têla tranqüilizado, mas eu nunca fui tentado a intervir antes, e eu não estava para fazer uma exceção por essa mulher. Eu queria, o qual me incomodava. Eu queria fazer mais do que isso. Minhas mãos sacudiam com necessidade. Eu olhei abaixo para o seu rosto em pânico e eu queria conforto, e eu queria me alimentar, e eu queria fuder. Todas as necessidades que eu mantive bloqueadas para longe. Ela não precisava de nada de mim. Se ela precisasse, ela teria que ficar sem. Mas quanto mais forte o seu pânico, mais forte minha fome, e eu me entreguei ao mais seguro dos meus apelos. “Não tenha medo,” eu disse, usando a voz dada a mim para amenizar criaturas assustadas. “Vai ficar tudo bem.” E eu a empurrei adiante, a girando para fora para dentro da escuridão e a soltando quando eu recuava. Foi apenas no último minuto que eu vi as chamas. Eu a ouvi gritar, e eu agarrei por ela sem pensar, arrastando-a de volta. Eu senti o fogo mortal cauterizar a minha carne, e eu soube então o que estava esperando por mim, lá fora na escuridão. Fogo era mortal para a minha espécie, e as chamas tinham pulado para a minha carne como um amor faminto. Eu puxei a mulher para fora do escuro e faminto ventre que deveria ter sido como os humanos referiamse ao paraíso, e eu selei minha própria viagem ao inferno que não teria fim. Nós caímos para trás, em cima do chão com o seu suave corpo esparramado em cima do meu, e eu estava instantaneamente duro, minha carne rebelde anulando tudo o que eu tentei dizer a ela por décadas, ofuscando a dor quando uma pura, inexplicável luxúria inflamava por mim, apenas para ser banida um momento mais tarde. Um uivo inumano de raiva ecoou das chamas. Um momento mais tarde a rocha deslizou fechada com um hediondo ruído, e houve nada além do silêncio.


Eu não podia me mover. A agonia no meu braço era inexplicável, exterminando a reação momentânea ao suave corpo da mulher esparramado de um lado ao outro do meu, e eu quase pude ficar grato. As chamas estavam fora, mas eu sabia que o fogo fazia à minha espécie. Uma lenta, agonizante morte. Era uma das poucas coisas que podiam nos matar, essa e a tradicional maneira de descartar os comedores de sangue. Decapitação poderia nos matar assim como certamente mataria um humano. E também a mínima queimadura no meu braço. Se eu apenas parasse para pensar, eu a teria deixado ir. Quem sabia como ela gastou a sua curta vida, que crimes ela cometeu, que miséria ela infligiu aos outros? Não era o meu lugar em julgar, meramente transportar. Porque eu não tinha me lembrado disso e a deixado cair? Mas mesmo enquanto eu sentia a dor escoando de qualquer aparência de bom senso, eu não podia evitar além de lembrar que eu trouxe nenhum número de almas inocentes para esse mesmo lugar, aparentemente boas pessoas, lançando-os adiante. Assegurando-os que eles estivessem indo para o lugar de paz que eles mereciam. Ao invés isso tinha sido o inferno, o mesmo inferno do qual eu levei os advogados e os corretores da bolsa. Não era uma falha temporária. Eu conhecia Uriel muito bem. Inferno e o seu abismo de fogo eram a construção de Uriel, e eu soube, instintivamente, que nós não oferecemos alternativas quando nós entregamos nossos encargos. Eu estive condenando os inocentes à eterna maldição, desconhecendo. O pecado do orgulho, Uriel teria dito placidamente, com grande tristeza. O hipócrita cósmico iria sacudir a sua cabeça sobre mim e meus muitos fracassos. A questão da palavra do Ser Supremo e o emissário que ele escolheu para aplicá-la era um ato de sacrilégio primordial. Em outras palavras, faça o que eu disse e não pergunte. Nossa falha em fazer isso era porque nós tínhamos caído em primeiro lugar. E eu tinha feito mais do que perguntar –eu tinha acabado de violar a palavra. Eu estava em uma merda profunda. A noite estava caindo ao nosso redor. A mulher rolou para fora de mim, lutando para longe como se eu fosse o próprio Uriel. Eu tentei encontrar a minha voz, para dizer algo que a tranqüilizasse, mas a dor era muito feroz. O melhor que eu podia fazer era ranger meus dentes para evitar gritar em agonia. Ela estava a meio caminho da clareira, encolhida no chão, me observando em clara descrença e horror. Muito tarde eu percebi que meus lábios estavam desenhados para trás em um grito silencioso, e ela podia ver minhas presas alongadas. “O que pelo nome de Deus é você?” Sua voz era um pouco mais do que um engasgo de choque pelo horror.


Eu ignorei a pergunta – eu tinha coisas mais importantes para lidar. Eu tinha que recolher o meu auto-controle ou eu seria condenado. Se eu não fizesse, eu não seria capaz de me salvar nesse ponto, e eu não poderia salvá-la também, não que eu particularmente me importasse. Ela tinha me metido nessa bagunça em primeiro lugar. Ela teria que me ajudar a me tirar disso, quer ela quisesse ou não. Eu estremeci, forçando a agonia de volta descendo pela minha garganta. Em poucos minutos eu não seria capaz de fazer até mesmo muito mais; alguns minutos mais tarde e eu estaria inconsciente. Pela manhã eu provavelmente estaria morto. Eu me importava? Eu não estava certo se isso importava de uma maneira ou de outra. Mas eu não queria deixá-la para trás, onde os Nefilins pudessem pegá-la. Eu preferiria acabar com ela por mim mesmo antes deles rasgarem o seu corpo em pedaços enquanto ela gritava pela ajuda que nunca viria. Eu suguei uma profunda abocanhada de ar, me enrijecendo. “Precisa...fazer uma...fogueira,” eu manuseei, sentindo a tontura pressionando contra o meu cérebro, sentindo a escuridão se aproximando. Eu podia ouvir os monstros fora na noite da floresta, o baixo, rosnado gutural dos Nefilins. Eles iriam despedaçá-la na minha frente, e eu estaria paralisado, incapaz de fazer qualquer coisa além de escutar os seus gritos enquanto eles a comiam viva. As coisas estavam começando a desaparecer, e o nada me chamava, uma sirene soando tão tentada que eu queria ir, ir à deriva para aquele adorável lugar, o caloroso, doce lugar onde a dor pararia. Provavelmente choramingando, eu pensei vertiginosamente. Inútil humana, quem provavelmente pertencia ao inferno de qualquer maneira. E então ela levantou a sua cabeça, olhando para mim, e eu pude ouvir os seus pensamentos facilmente. Ela iria fazer uma fuga com isso, e eu não poderia culpá-la. Ela iria durar cinco minutos lá fora na escuridão, mas com sorte eu estaria inconsciente na hora em que eles começassem a cortar a sua carne dos ossos. Eu não queria ouvir os sons dos seus gritos enquanto ela morresse. Mais uma tentativa, e então eu iria. Eu tentei levantar, a colocar a última pitada de força do meu corpo envenenado, lutando para adverti-la. “Não faça...” eu disse. “Você precisa de uma fogueira...para assustá-los para longe.” Ela se levantou, primeiro em seus joelhos, depois em seus pés descalços, e eu afundei de volta. Não havia nada que eu pudesse fazer. Ela estava amedrontada, e ela iria fugir – “E como eu devo começar uma fogueira?” ela disse, sua voz cáustica. “Eu não tenho nenhum fósforo e eu sou não exatamente do tipo que acampa.” Eu apenas podia conduzir sufocar as palavras para fora. “Folhas,” eu engasguei. “Galhos. Ramos.”


Para o meu olhar surpreso, ela começou a recolher o combustível na proximidade, e dentro de poucos minutos ela tinha uma arrumada pequena pilha, com galhos e toras ao lado. O último dos crepúsculos foi lentamente desaparecendo, e eu podia ouvi-los além da clareira, o estranho, embaralhado barulho que eles faziam, a terrível exalação de carne decadente e sangue velho. Ela estava olhando para mim, expectante, impaciente. “Fogo?” ela solicitou. “Meu...braço,” eu mal sufoquei. A última pitada de energia desapareceu, e a abençoada escuridão se apressou. E meu último pensamento era agora e era para ela. Eu fiz tudo que eu pude. E a noite se encerrou ao nosso redor.


Cap Capítulo 3

E

LE DESMAIOU. EU OLHEI ABAIXO PARA ELE, DESPEDAÇADA. EU deveria deixá-lo, lo, eu pensei. Eu não devia nada a ele,e se eu tivesse qualquer senso de tudo eu daria o fora dali e o deixaria se defender por si próprio.

Mas eu podia ouvir aqueles barulhos lá fora na escuridão, e eles faziam o meu sangue sa correr frio. Eles soavam como algum tipo de animal selvagem, e de verdade eu nunca fui uma Garota do Mundo. Minha idéia de arrepiar era sair sem maquiagem. Se aquelas criaturas lá fora gostassem de comer carne, então eles teriam o jantar esticado no chão, c esperando por eles. Até cheirava como se ele já estivesse ligeiramente grelhado. Eu não devia nada a ele. E daí que ele me puxou para trás das mandíbulas do inferno...ou o que quer que fosse isso? Ele foi aquele que me empurrou ali em primeiro lugar. Além disso, ele só tinha ficado com um chamuscado leve, e ele estava agindo como se isso fosse uma queimadura de terceiro grau por todo o seu corpo. Ele era a rainha do drama, e depois da minha mãe e do meu último namorado, eu tive o suficiente desses pelo resto da minha vida. Bem, quem diabos eu estava enganando? Independente se ele merecesse isso ou não, eu não iria deixá-lo lo como comida para os lobos ou o que quer que eles fossem. Eu não poderia fazer isso ao um colega ser humano –se isso fosse o que ele era. Embora eu ainda não tivesse a mais fraca idéia de como eu começaria a maldita fogueira. Eu me limitei mais perto, olhando para baixo para ele. Ele estava inconsciente, e a quietude da beleza sobrenatural do seu rosto era quase tão perturbadora como a evidência sem erro de presas que o seu sorriso de dor expôs. Ele era um vampiro? Um anjo? Um demônio do inferno ou uma criatura de Deus? “Merda,” eu murmurei, me ajoelhando ao lado dele para dar uma olhada mais perto na queimadura no seu braço. A sua pele era lisa, brilhando ligeiramente, mas não havia bolhas, sem carne queimada. Ele não era nada mas além de um grande bebê. Eu estendi a mão para


sacudi-lo, então puxei o meu braço de volta com outro ‘Merda,’ enquanto eu percebia que embaixo da pele lisa queimava fogo. Era impossível. Parecia como se carvão estivesse brilhando profundo embaixo da sua pele, e o brilho fantasmagórico estava exalando impressionante quantidade de calor. Houve um ruído embaralhado no mato, e eu congelei. Meu salvador/comatoso/raptor não era a maior prioridade. O perigo na escuridão além era pior. O que quer que estivesse lá fora era mau, ancião e sem alma, algo tolo e indescritível. Eu podia sentir isso no abismo do meu estômago, um medo sem nome como algo saído dos filmes de Stephen King. Isso era apenas errado. Eu escrevia mistérios aconchegantes, não novelas de terror. O que eu estava fazendo ao equivalente aos filmes Japoneses de terror? Não que havia tanto sangue ainda. Mas eu podia senti-lo no ar da noite, e isso me enjoava. Eu olhei abaixo para a pequena pilha de galhos e capins que eu montei. As pontas dos meus dedos estavam queimadas, e por impulso eu peguei algumas folhas secas e as toquei contra o braço dele. Elas explodiram em chamas, e eu as larguei, assustada; elas caíram na pira improvisada, acendendo-as. O fogo era brilhante, chamas atingindo para cima no céu. Mas a escuridão tinha se aproximando ao nosso redor, e os monstros ainda esperavam. Eu coloquei mais folhas no topo da fogueira, adicionando galhos e ramos, ouvindo o crepitar reconfortante enquanto elas eram pegas. Era apenas o senso comum, usar o fogo para afastar os predadores carnívoros na escuridão. Mesmo os homens das cavernas haviam feito isso. Claro, homens das cavernas não iniciavam o fogo da pele queimada de uma criatura com presas, mas eu estava lidando com as coisas o melhor que eu podia. Inferno, talvez tigres dentes de sabre tenham fogo embaixo das suas pelagens também. Tudo era possível. Eu me levantei, virando de costas para o meu pessoal tigre dente de sabre. Nós estávamos muito perto do fogo, perto o bastante que o meu acompanhante poderia arder em chamas se nós ficássemos ali. Se eu conseguisse empurrá-lo contra a superfície da rocha, nós poderíamos estar salvos, e seria mais fácil defender apenas um lado da clareira. Eu alcancei embaixo dos seus braços e puxei pelos seus ombros. “Vamos, Drácula,” eu murmurei. “Você é muito grande pra eu mover por contra própria. Eu tenho que ter uma ajuda aqui.”


Ele não se mexeu. Eu olhei abaixo para ele, frustrada. Ele não era enorme, mais elegante que volumoso; e enquanto eu não perdi o meu tempo limitado e dinheiro correndo atrás do corpo perfeito em um das muitas academias em Manhattan, eu era forte o bastante. Eu deveria ser capaz de arrastá-lo a uma curta distância para longe do fogo. Nada estava fazendo qualquer sentido, e todas as explicações possíveis colocavam-no sob uma ótica bastante desagradável. Mesmo assim, eu não poderia apenas deixá-lo ali. Eu não conseguia ter um aperto bom o suficiente do seu corpo, então eu segurei na sua jaqueta e puxei. Ele era inexplicavelmente pesado, embora isso não deveria ter me surpreendido –o homem se elevava sobre o meu escasso um metro e sessenta, e eu senti a força do esmagamento na sua mão enquanto ele me impulsionava em direção ao.... Eu não podia me lembrar. Cinco minutos mais tarde, e eu não podia me lembrar de uma maldita coisa. Eu não sabia como ele conseguiu se queimar, ou o que ele esteve tentando fazer. Era um espaço em branco. A última coisa que eu me lembrava era pisar para fora do meio-fio do lado de fora do prédio de escritórios no meu caminho para a reunião com meus editores. Quanto tempo passou desde então? Dias, semanas, meses? O curto, petulante corte de cabelo que eu gastei uma fortuna estava agora uma juba rebelde pendendo sobre os meus ombros, e eu podia ver que isso estava em seu original tímido castanho ao invés do meu amarelo-acastanhado, raiado com loiro que eu tinha morrido por ter. Isso certamente não poderia ter acontecido em questão de horas. Quanto tempo eu estive ausente? O seu corpo pesado finalmente começou a se mover, e eu o arrastei o mais longe que eu pude até ele deixar sair um perfurante choro de dor. Eu o deixei estar, agachada o seu lado, olhando para a sua pele queimada. Era a coisa mais esquisita –parecia que ele tinha chamas embaixo da sua pele, como se seus ossos fossem feitos de carvão queimado. Todo o seu corpo estava radiando calor, mas além do seu braço ele não estava com dor ao toque. A noite tinha crescido afiadamente gelada, e a coisa disforme que eu estava vestindo não era feita para as tardes noites do outono. Meu paciente estremeceu enquanto eu colocava mais madeira no fogo. Graças a Deus eu agarrei uma braçada. Os saqueadores noturnos pareciam ter desaparecido, mas não havia garantias que eles não fossem retornar se eu fosse tola o suficiente em deixar o fogo sumir. Lobos realmente não atacavam pessoas, eles atacavam? Mas quem disse que eles eram lobos? Iria ser uma longa noite.


Eu me sentei de volta em meus calcanhares, estudando-o. Quem era ele, e o que diabos ele tinha feito a mim? Haveria uma explicação racional pelo o que pareciam ser presas. Havia malucos lá fora que enchiam os seus dentes com pontas então eles podiam se assemelhar aos vampiros –eu tinha visto isso em um dos programas de televisões com cadáveres-apodrecidos como CSI ou Bones8. Eu certamente poderia ver porque algumas pessoas gostariam de se vestir como vampiros. Depois de tudo, os chupadores de sangue eram quentes e elegantes; eles se vestiam bem e claramente faziam muito sexo, se toda a ficção fosse para ser acreditada. Eles também não existiam. Mas esse homem em particular não precisava se vestir para fingir ser algo que ele não fosse. Ele era quente, em todo o sentido da palavra. Eu ri com a idéia. Ninguém estava ao redor para apreciar a minha fraca sagacidade, mas eu sempre conseguia me divertir. “Então o que acontece com você?” Eu exigi da sua figura inconsciente. “O que nós estamos fazendo aqui? Você me raptou?” Desejoso pensamento da minha parte. Esse era um homem que claramente não precisava raptar uma mulher. Tudo o que ele tinha que fazer era estalar seus dedos, e elas estariam se enfileirando em volta do quarteirão. Eu não tinha ilusões sobre os meus próprios charmes. Eu era um troll, e eu me cuidava muito bem, mas perto desse homem eu era claramente apenas comum. Todos os aparelhos das academias de ginástica no mundo não poderiam se livrar dos quilos indesejáveis que abraçavam o meu quadril. Com as roupas certas, cabelo, e maquiagem eu era alguém que se levasse em conta, mas mesmo assim eu nunca estaria na liga desse cara. Nesse momento, vestida com um saco e cinzas, eu provavelmente parecia como uma mendiga. Não que isso importasse. Minha única companhia desmaiou, presumidamente pela noite. Eu me inclinei para trás, endireitando minhas pernas para fora na minha frente, então percebi que eu estava inclinada contra a parede de pedra. Eu me afastei disso, completamente assustada. Ela não tinha rachado, revelando algum tipo de horror...? Não, isso era impossível. E ainda, de onde a fogo tinha vindo? Parecia para mim que eu pudesse me lembrar da chamas, como as chamas do inferno, antes dele me empurrar para trás novamente –não, a noite deveria estar mandando a minha imaginação para uma marcha acelerada. Fumaça subia até céu azul escuro, e eu estremeci novamente, envolvendo os meus braços em volta do meu corpo em uma tentativa inútil de me aquecer. Eu podia sentir a fina, 8

(Seriados da TV americana)


frouxa roupa embaixo dos meus dedos –era um pouco de milagre que eu não estivesse congelando. E havia uma deliciosa fonte de calor deitada nos meus pés. Ele não era nada especial, além da sua muito espetacular boa aparência. E eu vivia no Village9 – eu vi o meu número de homens bonitos nos dias básicos e eles nunca me fizeram fracas nos joelhos. Claro, no Village a maioria dos homens estaria patentemente indisponível, mas isso não significava que eu não pudesse apreciá-los. Eu cobiçava seriamente Russel Crowe, e ele era apenas tão improvável de encontrar o seu caminho para a minha cama. Esse homem não era o meu tipo. Eu gostava de homens rudes, com pouco de um lado robusto, com ombros amplos, e altura na média então eles não me faziam sentir pequena e inconseqüente. Eu odiava ser superada em muita altura, e se eu pudesse ter encontrado um namorado mais baixo que os meus um metro e sessenta, eu o teria agarrado. Ele tinha cílios dourado escuro que se espalhavam contra suas altas bochechas. Mesmo inconsciente, ele estava ainda claramente com dor. Se apenas eu pudesse me lembrar como diabos eu terminei aqui com ele, eu poderia descobrir um jeito de sair disso. Mas minha mente estava em branco, e tudo que eu podia fazer era sentar perto do homem desconhecido aos meus pés e me preocupar. Eu coloquei a minha mão na sua testa, retirando uma mecha do seu cabelo, e ele murmurou algo embaixo da sua respiração. “Calma,” eu murmurei. “Calma agora. Nós vamos encontrar ajuda pela manhã se você não melhorar.” Eu podia caminhar para fora desse lugar e encontrar a polícia assim como um hospital, e talvez aparecer com respostas sólidas. Mas nesse meio tempo eu estava congelando e ele estava quente e eu não iria a nenhum lugar. E enquanto eu não pudesse me lembrar como ele se machucou, qualquer coisa a mais que eu pudesse me lembrar como diabos eu terminei aqui, eu tinha a convicção inequívoca que ele se feriu tentando me ajudar. Então eu devia a ele. Eu me deitei ao seu lado, no chão frio e duro embaixo de mim além do meu acolchoamento natural. Eu sempre me perguntei porque cadeiras de metal machucavam meu bumbum quando eu claramente carregava minha própria almofada construída –se eu tivesse que ter esses quilos extras, eu deveria ter alguns benefícios.

9

(Greenwich Village –bairro em NY)


Eu avancei mais perto da lareira viva ao meu lado, me inclinando contra o confortante, sólido tato dele. O calor perigoso afundou em meus ossos, e eu exalei um suspiro feliz. Ele gemeu, inquieto, e subitamente se moveu, rolando de lado e colocando o seu braço bom em volta de mim. Eu estava pressionada contra ele, e ele estava quente. Muito quente. Se queimando. Mas por alguma louca razão, ele se sentia tão seguro. Ele se deitou de volta, ainda me abraçando, e eu fui com ele, deixando a minha cabeça descansar contra o seu ombro. Por um momento não havia nada que eu pudesse fazer para nos salvar. Por um momento eu pude fechar os meus olhos, ouvir as selvagens criaturas lá fora na escuridão, e saber que eu estava segura. Eu não podia me lembrar de nada; tudo estava perdido e confuso. Eu era como aquele peixe Procurando Nemo –dois segundos mais tarde e o pensamento se foi. Eu apenas sabia de uma coisa. Deitar nos braços desse homem era bom, e não havia mais nenhum lugar que eu queria estar. Sem voltar ao meu apartamento no Village, sem fazer nada das centenas de coisas vazias que pareciam ser tão importantes apenas em um curto espaço de tempo atrás. Era aqui que eu pertencia. Além da escuridão, as criaturas famintas uivaram as suas raivas. E eu fechei os meus olhos e dormi.


Cap Capítulo 4

A

ZAZEL OLHOU PARA O CÉU DO SEU POLEIRO NO TOPO DO ALTO do penhasco. A sua única companhia era um ocasional pássaro noturno – o resto dos Caídos pensariam muito bem ao deixá-lo lo sozinho em horas como essas. Ele podia ser muito perigoso quando despertado. Ele fechou os seus olhos, tentando se concentrar em Raziel. Ele tinha saído para uma captura de rotina – deveria ter voltado horas atrás. Mas não havia sinal sinal dele. Ele esteve com Raziel desde o início dos tempos. Eles eram irmãos, embora nascidos do ventre de mulheres diferentes. Ele sempre soube quando Raziel estava em algum tipo de problema, mas nesse momento essa conexão estava bloqueada. Poderia ser por qualquer ualquer número de razões. Raziel poderia desligar a conexão mental qualquer hora que ele quisesse, e ele normalmente fazia. Durante os seus trabalhos. Durante o sexo. Embora Raziel tivesse jurado que ele nunca se emparelharia novamente, e seus breves encontros sexuais eram raros. Ele podia estar no subterrâneo, ou preso em uma tempestade elétrica. Estranhas condições da atmosfera algumas vezes interferiam com a forte ligação que se estendia entre eles. Ou ele poderia estar morto. Não, isso era impensável. Ele E saberia se Raziel estivesse morto –eles eles eram muito conscientes um do outro, voltando as névoas da pré-história. pré Ele fechou seus olhos, respirando profundamente, procurando pelo cheiro dele, o mero traço dele. Ele enviou a sua mente questionadora em todas as direções, e finalmente ele sentiu. A mais fraca partícula de vida –ele ele mal estava segurando. Ele não estava forte fo o


suficiente para sinalizar por ajuda, mas Azazel sentiu que ele não estava sozinho. Quem quer que estivesse com ele deveria ser capaz de ajudar. Tudo que ele ou ela tinha que fazer era pedir. Ao menos que a companhia de Raziel fosse aquela que o tinha trazido perto da morte em primeiro lugar. Os olhos de Azazel voaram abertos. Havia outros em seu reduto escondido que tinham diferentes dons. Alguém mais poderia ser capaz de apurar onde Raziel estava. E se eles tivessem uma chance de salvá-lo, ele precisaria de ajuda. Ele olhou sobre o oceano turbulento, a espessa névoa do dia da luz de movendo, a névoa que os mantinha escondidos de todos. A sua casa estava aninhada na costa noroeste da América do Norte, entre os Estados Unidos e o Canadá, envolta por sombras e névoa. Sheol era seguro, secreto, literalmente “o lugar escondido.” Um lugar onde eles podiam viver em paz até Uriel mandar um deles para fora para coletar uma das raras almas que realmente necessitavam de orientação. Sheol esteve nessa localização atual por centenas de anos. Um lugar físico que abrigava ambos os Caídos e suas esposas humanas, ele ainda poderia ser movido se Azazel considerasse isso necessário. Mas não havia maneira de blindá-lo do olhar hostil de Uriel. Ele iria encontrá-los, assim como os Nefilins iriam, e o inquieto desanuviamento iriam continuar. Eles não tinham escolha. Os Caídos viviam precariamente, condenados a vida eterna, ao observar as suas companheiras envelhecerem e morrerem enquanto eles continuavam jovens. Amaldiçoados a se tornar uma monstruosidade temida e odiada. Um dia eles foram livres. E eles aprenderam a utilizar sua necessidade de ardência, a controlá-la e usá-la. Ninguém fora da comunidade iria entender, e ele não tinha esperado que eles entendessem. A ignorância era mais segura. Elas iriam manter os seus segredos, qualquer que fosse o preço. Ele se levantou, as asas espalhando-se por detrás dele, e disparou ao afloramento rochoso em frente da grandiosa casa. Na hora em que ele aterrissou, os outros tinham se acumulado, Raphael e Michael, Gabriel e Sammael. “Onde está ele?” Azazel exigiu rudemente. “Nós não podemos perdê-lo.”


“Nós não podemos perder nenhum de nós,” Gabriel disse melodicamente. “Ele foi traído.” Michael rosnou, sua raiva perigosa mal em cheque. “Quem fudidamente o traiu? Porque Uriel não procurou por ele?” Tamlel foi o último a se unir a eles na frente do oceano agitado. Eles eram os mais velhos dos Caídos ainda na terra, os guardiões, os protetores. Apenas Sammael era mais novo. “Eu não sei onde ele está,” ele disse, sua lenta, profunda voz de chumbo. “Eu não sei se nós chegaremos na hora. Ele está muito fraco. Se eu pudesse apenas consertá-lo...” Azazel escondeu a sua reação atrás do frio, exterior sem emoção. Se Tam não pudesse encontrá-lo, não havia esperança. O dom de Tamlel era especificamente muito forte. Se um dos Caídos se perdesse, ele podia encontrá-lo, até que cada partícula de vida estivesse extinguida. Se a energia estivesse muito fraca até mesmo para Tam, então Raziel estava condenado. Ao menos que alguém o encontra-se e chamasse por ajuda, ele poderia morrer, incontáveis milênios depois do seu primeiro surgir à existência. Os Caídos não eram sequer dados ao conforto da morte, mas algo muito mais aterrorizante. Cair os tinha feito mais perto dos humanos. As maldições que acompanhavam aquela queda da graça deveriam ter finalmente arrebatado Raziel. Sem esperança de redenção, nem ao menos as bênçãos duvidosas do inferno de Uriel. Apenas um eterno e agonizante nada. Azazel fechou seus olhos, dor puncionando por ele. Houve tantas perdas, prejuízos sem fim, tão poucos dos originais restaram. Essa deve ser uma perda de muitos. E então ele ergueu sua cabeça, e ele podia sentir a luz entrar em seu corpo novamente. “Eu acho que eu ouvi ela,” ele disse suavemente.


Cap Capítulo 5

E

RA QUASE AMANHECER, E O HOMEM AO MEU LADO ESTAVA morrendo. Seu corpo parecia como se ele estivesse em fogo, e o carvão tinha se espalhado embaixo da sua pele, emanando um celeste brilho vermelho que iluminava a escuridão depois que a fogueira tinha finalmente se extinguido. Ele não fez nenhum som em horas; mesmo os seus gemidos tinham sido silenciados. Algumas vezes na noite ele soltava o seu aperto de mim, e o calor da sua pele tinha se tornado insuportável. Eu me perguntei por que suas roupas não tinham explodido em chamas. Eu fiz o que eu pude para esfriá-lo esfriá – eu consegui tirar a jaqueta de couro dele e coloquei-aa embaixo da sua cabeça como um travesseiro improvisado, então desabotoei a sua camisa de brim e a puxei uxei para fora do seus jeans, abrindo-a abrindo a no ar frio da noite, sentindo uma culpa estranha sobre isso. A pele no seu peito e estômago era lisa, com apenas um fraco traço de cabelo dourado. Humano,, eu pensei, e gargalhei para mim mesma por pensar algo mais. Eu E estendi minha mão para tocá-lo, lo, inconscientemente indecisa, e puxei minha mão para trás, queimada. Sua boca era uma linha sombria de dor. Ao menos eu estava poupada da visão inquietante daqueles dentes perturbadores. Eu deveria estar alucinando, e sem surpresa. su Eu não sabia onde eu estava, quando eu estava, ou como eu tinha chegado aqui, e a noite tinha sido preenchida por sons aterrorizantes de predadores. Sem surpresa que eu estivesse imaginando coisas. Mesmo agora meu cérebro não estava funcionando corretamente. corretamente. Uma coisa estava clara –eu eu não teria vindo aqui por minha conta. Então era lógico assumir que esse homem tinha me trazido aqui; e sendo uma garota da cidade, eu não teria vindo voluntariamente. Apesar de eu gostar de um rosto bonito tão quanto o de uma mulher por perto, eu estava extraordinariamente cautelosa.


Então porque eu estava tão determinada a proteger esse homem? Esse homem que não parecia ser nada humano, com dentes ou não? O brilho do fogo embaixo da sua pele estava longe do normal. Ainda assim eu sabia que eu tinha que mantê-lo vivo, eu tinha que ficar com ele. A primeira luz do amanhecer estava começando a se espalhar sobre as altas árvores que guardavam a clareira. O que quer que fossem as coisas más que espreitavam nos arbustos tinham ido há tempos, e não havia nada me prendendo aqui. Eu podia sair pela floresta –isso não duraria para sempre. O homem estava morrendo; não havia nada mais que eu pudesse fazer por ele exceto ver se eu pudesse encontrar ajuda. Eu deveria me salvar, e se ele sobrevivesse, ótimo. Não era meu assunto. Mas era. Eu me movi mais perto dele, tão perto quanto eu pude para obter o calor furioso que queimava profundamente dentro dos seus ossos. “Isso atende bem a você,” eu sussurrei, desejando que eu me atrevesse colocar a mão nele, para empurrar o cabelo emaranhado para longe do seu rosto sem ficar queimada. Exceto que ele se feriu me puxando para trás do que quer que fosse o horror que eu de alguma forma imaginei estar atrás do que era definitivamente uma rocha sólida. Eu não podia me lembrar, mas isso era tudo que eu sabia. Ele tentando me salvar, e por isso eu devia algo a ele. Eu me limitei perto dele, e o calor me cauterizou. Eu senti lágrimas se formando nos meus olhos, e pisquei as afastando impacientemente. Chorar não iria fazer nenhum bem. Se eu me inclinasse e as deixassem cair sobre ele, elas iriam chiar e evaporar como água em uma frigideira. “Oh, inferno,” eu murmurei com repulsa, enxugando-as para longe. “Você não deveria morrer, sem importar o que você fez comigo.” Eu me movi mais perto, e meu rosto sentiu uma queimadura de sol. “Deus me ajude, fudidamente não morra comigo,” eu disse desesperadamente. O súbito cintilar de luz era cega, estrondos sacudindo o chão, e eu fui lançada para trás contra a parede de pedra. Pânico varreu por mim –e se isso abrisse novamente; e se dessa vez ele não pudesse me salvar? Eu tropecei para longe disso, então me virei para olhar o homem morrendo, e eu soube que eu estava alucinando novamente. O seu corpo estava cercado por um círculo de figuras altas, envoltas de névoa, e havia asas em todos os lugares. Talvez ele tivesse morrido. Eles deveriam ser anjos vindo levá-lo...para onde?


Um deles o pegou sem esforços, impermeável ao calor da sua carne. Eu estava congelada, incapaz de me mover. Claro, ele estava morto e ao seu caminho para o paraíso, mas eu não tinha nenhum forte desejo de acompanhá-lo. Eu queria viver. Mas eu podia sentir olhos em mim, e eu me perguntei se eu podia fugir disso. E eu me perguntei se eu realmente queria. “Traga ela.” As palavras não foram faladas altas; elas pareciam vibrar dentro da minha cabeça. Eu estava preparada para lutar, preparada para correr antes que eu os deixasse colocar suas mãos em mim, antes que eu deixasse isso acontecer tudo de novo...mas não houve nada além de uma luz branca cega, seguido por um silêncio escuro, enquanto a escuridão profunda e escura da morte puxou-me para ela. “Merda,” eu disse fracamente. E eu desapareci. *** Eu estava com frio e úmida. Eu podia ouvir um estranho som, um barulho de agitação quase como o oceano, mas não havia oceano na floresta, havia? Eu realmente não queria me mover, mesmo embora eu estivesse deitada em algum lugar duro e molhado, a umidade ensopando através das minhas roupas e dentro dos meus ossos. Nas minhas memórias de queijo suíço, parecia como se cada vez eu que abrisse meus olhos as coisas tinham piorado. Dessa vez eu ia ficar com meus olhos apertadamente fechados –era muito mais seguro dessa maneira. Eu lambi meus lábios e provei gosto de sal. Havia vozes na distância, um baixo, abafado canto em uma língua mais antiga do que o tempo. Mantenha os seus olhos fechados, maldito seja. Isso tinha que ser tudo um desagradável pesadelo, e claramente não era a hora para acordar. Uma vez que eu pudesse sentir a minha cama confortável e meus lençóis de algodão de quinhentos fios embaixo de mim, então seria seguro para acordar. Nesse momento a consciência era nada além de problema, e eu tinha tido o suficiente. Mas toda a minha autodisciplina foi reservada para a minha escrita, e quando vinha a ser qualquer outra coisa, como negar a minha curiosidade, eu tinha a força de vontade de um coelho. Eu decidi abrir meus olhos apenas em um deslizar para verificar que, sim, eu realmente estava deitada em uma areia molhada na extremidade de uma pedra na praia. E fora nas ondas um homem levantado com a cintura-afundada na água, segurando o corpo do meu...meu o que? Meu seqüestrador? Meu salvador? Não importava o que diabos ele era, ele era meu.


Ele não estava morto. Eu sabia disso enquanto eu lutava para ficar de pé, meu corpo todo sentindo como se fosse chutado por macacos. Ele não estava morto –mesmo que eles estivessem deixando-o afundar na superfície enquanto eles cantavam sobre alguma coisa ilegível e sem sentido. Eles estavam deixando-o afundar, enterrando-o no mar, e eu não iria deixar isso acontecer, não depois de trabalhar tão duro para mantê-lo com vida na noite passada. Eu não estou certa se eu disse algo, gritei “Não!” enquanto eu corria em direção a eles. Lá fora dentro da água congelada, empurrando e passando por eles enquanto eles deixavam o seu corpo ir, mergulhando para ele antes que ele pudesse afundar sob as águas turbulentas. Foi apenas quando a minha mão o tocou sob a água, sentindo-o se virar e sua mão pegar a minha, que eu convenientemente me lembrei que eu nunca tinha aprendido a nadar. As palavras saíram de nenhum lugar, dançando na minha cabeça: Imaginar completamente cinco mentiras a teu pai: Dos seus ossos são feitos de coral; Aquelas são as pérolas que eram seus olhos: Nada daquele que vos desaparecer, Mas acaso sofrer uma mudança radical Em algo rico e estranho.10 As palavras eram sem graça, sonhadoras, mas agora eu era aquela afundando. Que idiota eu sou, afundando diante dele. Eu estava morrendo diante de todos, e não era culpa de ninguém além da minha. Eu deveria saber que eu ouviria Shakespeare quando eu morresse. Eu iria sofrer uma mudança radical, entrelaçada com o demônio amante sob o mar frio salgado, e eu dei as boas vindas a isso, atordoada, quando a boca dele se fechou sobre a minha embaixo da salgada superfície, o seu fôlego me seguindo, meu corpo engessado contra o dele como se eu sentisse a vida retornando. Um momento mais tarde eu me encontrei impulsionada na superfície, ainda presa nos braços do homem morto. O homem morto tinha afastado a sua boca, e estava olhando abaixo para mim daqueles estranhos, olhos pretosacinzentados. 10

(Full Fanthom Five –são versos de uma música cantada na última peça de William Sheakspeare, chamada ‘The Tempest’.)


Então nós estávamos levantados com a cintura afundada no oceano, as ondas quebrando contra nós, e ele estava me abraçando enquanto ele olhava aos homens que o tinham trazido aqui, uma atordoada, expressão questionadora no seu rosto. O qual era basicamente como eu estava me sentindo. Um tipo de um muito molhado WTF11, e a única coisa familiar para me apoiar era esse homem ao meu lado. “Ela chamou por ajuda,” um dos homens disse da costa. “Você nos disse para trazê-la.” O homem lançou sua cabeça para trás e gargalhou, imprevisto e descuidado, e alívio lavou através de mim. Seus dentes eram brancos e nivelados. Eu estava imaginando as presas, claro. Vampiros não eram reais. Eu não podia acreditar que eu sequer me lembrasse dessa alucinação em particular. Ele me recolheu em seus braços, e eu descansei o meu rosto contra o seu peito molhado enquanto ele me carregava para cima fora da arrebentação, não muito certo do por que. O apoio para os pés deveriam estar desiguais, mesmo assim ele me carregou sem um errar de passos, quase deslizando sobre a áspera areia. Eu nunca fui carregada em toda a minha vida – apesar da minha baixa estatura eu era constituída sobre linhas generosas, e ninguém tinha sido sequer romântico o suficiente para me recolher e me carregar para a cama. Claro, isso não era o que esse homem estava fazendo. Voltando a pensar sobre isso, que diabos ele estava fazendo? Eu olhei para cima para a enorme pedra construída e situada na beira do oceano, e eu me contorci, tentando descer. Ele me ignorou. Isso, ao menos, pareceu familiar. Ele não me colocou no chão, e eu percebi que eu o conhecia bem o suficiente para não esperar que ele me colocasse. Ele tinha me beijado. Meio que. Ele tinha colocado a sua fria, molhada boca na minha e respirado a vida para dentro de mim, quando ele era aquele que estava a beira da morte. “Você quer me descer?” Eu exigi em uma voz razoável. Não que eu esperasse que ele fosse razoável, mas isso valia a tentativa. Ele não disse nada, e eu lutei, mas seu aperto nunca se afrouxou. Não precisava; era frouxo mais inquebrável. “Que porra é você?” Eu exigi irritada. “O que é você?” Ele não me respondeu, claro. O outro homem subiu até nós, e eu tive a sensação antiga de que eles estavam cercados de algum tipo de neblina ou aura. Isso deveria ser uma reação a 11

(WTF- what that fuck? – que porra é essa?)


água salgada. Sem importar o quanto forte eu tentasse me focar, as coisas ficavam tão vagas quanto a minha memória. “Nós podemos nos livrar dela agora, Raziel, antes que seja muito tarde,” um com uma fria, profunda voz disse. “Ela não tem mais utilidade pra você, nem você pra ela.” A linguagem soou estranhamente antiquada, e eu tentei virar a minha cabeça para ver quem estava falando; mas Raziel, o homem que estava me segurando, simplesmente empurrou o meu rosto contra o seu peito. “E sobre a Graça? Certamente isso funcionaria.” Houve um momento de silêncio, um que não parecia prognosticar bem pelo meu futuro. Com meu cérebro nebuloso, ele era a única coisa familiar, e eu entrei em pânico, estendendo a minha mão para cima e enfiando-a na sua camisa aberta. “Não deixe eles me levarem.” Eu soei patética, mas não havia nada que eu pudesse fazer sobre isso. Eu tinha engolido um pouco água salgada antes de Raziel me segurar, e minha voz estava bruta. Ele olhou abaixo para mim, e eu conheci aquele olhar. Era como se ele soubesse tudo sobre mim, tivesse lido os meus diários, espiado dentro das minhas fantasias. Era inquietante. Mas então ele assentiu. “Eu vou mantê-la, Azazel,” ele disse. “Ao menos por agora.” Melhor do que nada, eu pensei, não precisamente lisonjeada. Eu estava tentada a argumentar, apenas por causa disso e por que ele soou tão malditamente relutante, mas eu não tinha idéia onde eu poderia ir, e eu não confiava naqueles outros homens que tentaram afundar o meu companheiro. Ao menos por um momento, enquanto ele me segurasse, nada podia me prejudicar. Eu podia lidar com o resto disso quando isso acontecesse. Por agora, eu estava segura.


Cap Capítulo 6

E

U TINHA PERDIDO A MINHA CABEÇA? “Eu vou mantê-la.” la.” Ridículo. Eu não tinha utilidade para a humana.

Era início da noite. Eu gastei todo o meu dia na lagoa, deixando a água salgada lavar meu corpo agredido, curando a dor que ainda cravava em mim. Azazel estava olhando para mim. “O que nós vamos fazer com a mulher? Agora não é a hora pra trazer alguém novo a Sheol, particularmente alguém com nenhum propósito definido. Uriel se move mais perto, e os Nefilins estão na nossa porta da frente. Nós não podemos perder tempo com inconseqüências.” “Onde Onde ela está?” Eu disse, protelando o tempo, minha voz calma enquanto eu me esticava no sofá de couro preto. A agonia abrasadora tinha acabado, mas meu corpo doía como se eu tivesse corrido uma maratona e então pisoteado por uma manada de cabras. “Sarah está stá com ela. Ela e as outras humanas vão tomar conta dela, acalmar os seus medos.” “Elas vão contar a verdade pra ela?” Eu não estava certo se isso fosse uma boa idéia. A mulher era esperta, corajosa, e apenas o tipo de mulher para mudar o status quo12. O tipo de mulher que iria me conduzir à insanidade e além com sua maneira de ser. “Ela provavelmente já sabe. Ao menos parte disso. O que ela se lembrar,é claro,” Azazel disse em uma voz gelada que aterrorizava a maior parte dos nossos irmãos e geriu a implantação ntação da minha volta. Nós passamos por muitas coisas juntos para ele me intimidar. 12

(status quo - da expressão in statu quo res erant ante bellum, é uma expressão em latim que designa o estado atual das as coisas, seja em que momento for. Emprega-se Emprega se esta expressão, geralmente, para definir o estado de coisas ou situações. Na generalidade das vezes em que é utilizada, a expressão aparece como "manter o statu quo", "defender o statu quo" ou, ao contrário, "mudar mudar o statu quo". O conceito de "statu quo" origina-se origina se do termo diplomático "in statu quo ante bellum", que significa "no estado (em que se estava) antes da guerra". Na realidade, a expressão não define necessariamente um mau estado, e sim o estado atual das coisas. Em uma citação, por exemplo, "Considerando o statu quo...", considera-se a situação atual.)


“Nós podemos sempre fazê-la esquecer,” Eu disse. “Ela esteve comigo tanto tempo que a Graça teria que ser muito forte. Ela estaria confusa por semanas. Mas isso funcionaria. Ela já esqueceu o que aconteceu quando eu a peguei pela primeira vez.” “Mas para onde ela iria, velho amigo? Ela morreu ontem. Seu corpo já foi cremado.” “Merda,” eu disse, completamente irritado. “Eu pensei que ela fosse Judia.” “Você sabe que alguns deles nem sempre seguem as velhas tradições.” Típico da humanidade. Eles sempre eram tão hipocondríacos quando se tratava da sua fé, escolhendo o que eles se importavam para seguir, ignorando qualquer coisa que fosse inconveniente. Era um pouco de surpresa que o Ser Supremo tivesse lavado as suas mãos por eles, deixando um bastardo sem coração como Uriel no seu lugar. “Se eles foram devotos o suficiente para queimá-la imediatamente, eles deveriam ao menos manter o seu corpo intacto,” eu disse, tentando não rosnar. “Nós poderíamos ter trabalhado com isso.” “Onde ela estaria indo?” Azazel persistiu. “Você não tem utilidade para a mulher humana. Ao menos que você tenha mudado de idéia?” Eu sabia o que estava vindo. “Eu não mudei. Eu não vou me parear novamente, e eu não tenho desejo corrente por sexo. E se eu fosse estúpido suficiente para mudar de idéia, não seria com alguém como ela.” “O que está de errado com ela?” Eu fechei os meus olhos por um momento. Eu podia vê-la, esperta, questionadora, inegavelmente deliciosa. “Ela é apenas errada,” eu disse teimosamente. Azazel estava me observando muito de perto, e eu me virei então ele não poderia ver o meu rosto. “Então porque você a salvou?” ele disse no que para ele era uma voz razoável. “Porque você nos disse para trazê-la?” “Como eu vou saber? Um momento de insanidade. Não é como se eu me lembrasse de tudo que estava acontecendo –eu estava quase morto. Você tem certeza que eu disse? Eu mal poderia falar.” “Sim. Eu ouvi você.” Maldição. Azazel nunca mentia. Mesmo se eu não pudesse dizer as palavras alto, Azazel iria me ouvir e seguir meus desejos. Se eu disse a eles para mantê-la, eu deveria ter alguma razão, mas maldito seja se eu pudesse pensar no que isso fosse. “Apenas mais uma coisa para


lidar, então. E eu não tenho idéia do que diabos está acontecendo, apenas que Uriel esteve mentindo para nós.” “E isso surpreende você? O seu poder é infinito. Enquanto a livre vontade existir, Uriel está no comando, para curar ou ferir qualquer um que ele veja que se encaixe. Apenas porque ele nos disse que os bonzinhos seguem em frente não é garantia que nós não os estamos levando direto para o inferno. Crianças, bebês, jovens amantes, avôs...Seria tolice da gente não perceber que ele faria isso. Uriel é um juiz cruel e poderoso.” “Uriel é um pé no saco.” “É melhor você tomar cuidado,” Azazel avisou. “Você nunca sabe quando ele pode estar escutando.” Eu me levantei, esticando as minhas asas azul furta-cor contra o céu do crepúsculo, brilhando contra as tonalidades roxo e o rosa que saturavam nosso mundo nebuloso. “Você é um pé no saco, Uriel,” eu disse novamente, aumentando a minha voz então não haveria confusão como quem estava lançando os insultos. “Você é um rancoroso, vingativo, mentiroso e pé no saco, e se o Ser Supremo souber o que você está fazendo, como você está interpretando as leis, você estará afundado na merda.” Eu adorava xingar. Era uma das coisas que eu realmente gostava sobre os humanos –sua linguagem. As ricas expressões de palavras, sagradas e profanas, que todos do lado de fora de Sheol pareciam usar. A maneira que as palavras proibidas dançavam na minha língua. Sem mencionar a fúria que eu sabia que estava causando em Uriel. Azazel estava entediado. “Porque você está pedindo por problema? Nós já temos o suficiente deles. O que nós vamos fazer com ela?” Ele estava certo. Nossas vidas eram bastante precárias, balanceadas entre o poderoso ódio de Uriel e os perigos inexplicáveis dos Nefilins, e agora eu tinha trazido toda a nossa família perto da devastação por causa de um estúpido, quixotesco gesto. Eu afundei as minhas costas para baixo no velho sofá de couro, momentaneamente distraído pela sensação disso embaixo de mim. O seu frescor aliviou o meu corpo danificado. “Me perguntando uma vez atrás da outra não vai dar a você nenhuma resposta mais cedo – isso vai apenas me chatear,” eu resmunguei. “Eu esperava que fosse encontrar algum lugar para mandá-la. Algum lugar bem distante, e Uriel teria razões mais importantes para vir até nós.”


“E você tem certeza que você não tem interesse em se acasalar com ela?” Azazel disse cuidadosamente. “Eu sequer quero fudê-la.” Eu observei Azazel piscar. Não que ele tivesse qualquer problema com a palavra –ele apenas sabia que eu estava cortejando problema. Uriel odiava palavras tão quanto ele odiava tantas outras coisas do mundo humano, incluindo sexo e sangue, e eu fazia o meu melhor para irritá-lo sempre que eu pudesse. Depois de tudo, nossa sentença era a eternidade, e um arcanjo remanescente não poderia matar. “Ela vai ter que ficar aqui por agora,” Azazel disse finalmente. “Sarah vai saber o que fazer com ela. Ela é a mais sábia de todos nós.” “Claro que ela é. Ele é a Fonte.” Eu não me incomodei em manter o sarcasmo fora da minha voz. Havia vezes quando Azazel tratava todos nós como idiotas. “Eu vou relembrá-lo que eu sou o seu líder. Eu posso tomar tudo de você, cada dom, cada poder,” Azazel disse, sua voz como gelo. Eu ignorei sua ameaça vazia. Nós fomos criados juntos, vivemos juntos, caímos juntos, fomos amaldiçoados juntos. Não havia forma que ele fosse me intimidar. “Deixando os seus soldados com menos um se os Nefilins decidirem ocupar, ou se Uriel mandar o Hospedeiro para nós como ele sempre ameaçou. Mas se sinta livre por tentar. Você pode me banir também...” Azazel fez um barulho muito como um rosnado. “Você sabe que eu nunca faria isso.” “Eu estou tocado.” “Os Nefilins são muito perigosos. Eles nos superam em número, e eles são todos loucos.” Eu gargalhei. Sem sentimento por Azazel. Eu era apenas outro soldado. “Porque diabos eles não podem ser como os outros? Incapazes de nos ameaçar. As forças celestiais de Uriel não podem nos atacar. Os Nefilins uma vez foram como elas-” “Eles eram antes deles caírem,” Azazel me interrompeu. “Quando você vai aprender a parar de lutar contra as forças que não podem ser combatidas? Há vezes que você é o seu pior inimigo. Você não tem ninguém para se culpar além de você mesmo por essa bagunça atual, se livre da garota, e nós vamos nos concentrar no que importa.”


Eu gargalhei amargamente. “Eu culpo Uriel. Ele me induziu a acreditar que eu estava levando-a ao paraíso. Quantas pessoas eu lancei para dentro da boca do inferno para ele, pensando que elas estivessem retornando ao paraíso? Paraíso!” Eu estava cheio com repulsa, ambos por Uriel e por mim mesmo por cumplicidade inconsciente. “Então isso é sobre a mulher?” Azazel disse. Eu dei de ombros com a ridícula idéia. “Claro que não. Eu não gosto de ser manipulado.” “Então não pense sobre isso. Não há nada que nós podemos fazer exceto deixar que ele nos engane novamente. E você ainda não respondeu a minha pergunta. O que você vai fazer com ela? Nós não temos lugar para colocá-la –Sheol não é feita para visitantes.” “Ela pode ir para as minhas dependências até que nós decidamos. Eu durmo do lado de fora metade do tempo de qualquer modo.” Azazel olhou para mim por um longo momento. “Você tem certeza de que ela não é a sua companheira?” “Quantas vezes eu vou ter que dizer a você? Eu não vou tomar uma companheira nunca mais novamente.” Eu mantive minha voz neutra, mas Azazel me conhecia muito bem. “Você pode parar enquanto eu acredite em você. Entretanto, como você está se sentindo?” Aquela pergunta era muito estúpida para responder, então eu apenas olhei para ele. “Faz meses desde que você se alimentou,” ele continuou. “Eu vou falar com Sarah.” Era a última coisa que eu queria. “Não! Eu não estou com humor para todo esse rebuliço. Não diga uma palavra – “Eu não preciso,” Azazel disse. “Você sabe que Sarah pode sentir a sua necessidade mesmo antes de você.” Ele chegou mais perto. “Você está fraco, e você sabe disso. Você seria inútil se nós fôssemos atacados. Eu estou disposto a respeitar o seu ridículo desejo enquanto eles não prejudicam a comunidade. Ter você fraco assim nos coloca a todos em risco.” Eu sabia que eu não seria capaz de convencê-lo disso. E ele estava certo –depois das últimas vinte e quatro horas, eu mal era capaz de erguer minha cabeça, muito menos voar. “Não a cerimônia completa,” eu resmunguei.


“Eu vou pedir para que ela faça isso bem curto. Então você se alimenta para dormir. Entretanto se a mulher está em suas dependências-” “Eu posso encontrar um lugar,” eu disse afiadamente. Azazel olhou para mim com olhos sábios de um velho amigo. “Você tem certeza que Uriel não estava certo? O que você sabe dela e dos crimes que ela pode ter cometido? Talvez você arriscou tudo e a salvou por nenhuma razão. Faria as coisas muito mais simples se eu terminasse o trabalho que você começou.” “Mantenha as suas mãos longe dela!” eu disse, subitamente furioso. Eu respirei fundo. “Ela me salvou. Nós a manteremos aqui até que nós decidamos o que fazer com ela.” Azazel olhou para mim por um longo, irritante momento, então assentiu. “Como você falou,” ele disse formalmente. “Venha comigo até Sarah antes que você entre em colapso.” Eu não queria me mover, mais do que eu quisesse admitir que Azazel estivesse certo. Eu queria fechar meus olhos e desaparecer. Se eu tivesse energia, eu teria levantado e voado para longe de tudo. Mas nesse momento eu mal podia evocar energia suficiente para andar. Eu precisava me alimentar, e até que eu fizesse eu era inútil. Uma vez que eu me alimentasse e me recuperasse, eu saberia o que fazer com a indesejável mulher, iria encontrar um lugar para deixá-la. Até lá eu não tinha escolha além de obedecer Azazel, sem importar o quanto isso me irritava. *** Quando eu acordei o quarto estava escuro, e eu permaneci perfeitamente imóvel, agarrada a vã eterna, esperança de que tudo isso tinha sido um pesadelo. Eu já sabia que eu era uma merda para ter sorte, e eu abri meus olhos relutantemente, sabendo que esse mundo bizarro iria continuar. As mulheres tinham sido muito gentis. O homem, Raziel, tinha me carregado para essa enorme casa e então sem cerimônia me largado, desaparecendo antes que eu percebesse o que estava acontecendo. As mulheres tinham ficado ao meu redor, fazendo todos os tipos de ruídos calmantes que sempre me deixavam nervosa, e elas me pastorearam para algum quarto onde elas me alimentaram, me banharam, e me mimaram, habilmente desviando-se de qualquer uma das minhas perguntas, tudo sobre a capacidade de direção da mulher chamada Sarah.


E uma mulher extraordinária ela era. Cerca de um metro e oitenta de altura, ela era uma das mulheres sempre jovens que poderiam muito bem estar entre quarenta e sessenta, com a serena graça e magro, ágil corpo que provavelmente vinha de décadas de yoga. O tipo de mulher que me fazia sentir cheio de grumos e inadequada. A prática de yoga sempre pareceu sugerir uma superioridade moral em vez de um condicionamento físico, e eu mentalmente prometi a mim mesma que eu iria depenar o DVD de yoga que ainda estava devidamente embalado, no seu lugar reservado na minha estante de livros. Não, eu não iria. Eu não estava indo para casa. Essa era uma das coisas que eu soube, entre os vastos buracos em minha memória. Não havia retorno a minha confortável vida no Village. Só assim – eu realmente não podia dispor daquele apartamento, mas ele tinha sido tão maravilhoso que eu alegremente fui à miséria para uma chance de viver ali. Bem, talvez se eu fosse ficar, eu teria Sarah me ensinando yoga. Se isso me fizesse parecer bem assim como fazia a ela na sua idade, claramente valeria o esforço. Sarah tinha cabelo cinza em uma longa, espessa trança, sábios olhos azuis, e uma rica, reconfortante voz, e quando ela eventualmente dispensou as outras mulheres, alguma meia dúzia entre as idades de vinte e quarenta, ela se sentou na minha cama até eu dormir. Minhas perguntas seriam respondidas em breve, Sarah tinha dito. Por agora eu deveria descansar. O qual eu estava bastante feliz em fazer. A noite anterior tinha sido interminável, deitada encolhida contra o corpo em chamas de Raziel, tentando ter conforto com gravetos e pedras e terra dura escavando em minha carne suave. Talvez se eu dormisse bastante tempo, esse pesadelo estaria terminado. Sem tal sorte. Quando eu acordei, eu estava sozinha, e faminta novamente. Eu me sentei, esperando pelos meus olhos se aumentarem acostumando a escuridão. Eu estava vestindo roupas suaves, um vestido branco folgado de algum tipo, e eu me lembrei da batalha vergonhosa que eu tive com as mulheres perfeitas quando elas quiseram me banhar. Uma batalha que eu perdi. Eu toquei meu cabelo, encontrando-o frescamente lavado mas ainda com esse comprimento desconcertante. Eu não tinha usado o meu cabelo com esse tamanho desde que eu participei daquele péssimo ensino médio fora de Hartford, depois de eu ser chutada para fora do meu caro internato. Não que, que fosse a minha culpa. Eu tinha sido uma das


internas fundamentalistas cristãs em todo o liberal, anárquico, blasfêmico estado de Connecticut. Claramente eu estava para escapar assim que eu pudesse. Sempre em problemas, minha mãe disse com desgosto, rezando sobre mim de forma alta. Eu sempre tive a sensação que ela nunca rezou para mim em privado –que os seus altos apelos eram para o meu benefício e só meu. Eu era uma filha miserável, ela me disse, sempre cuspindo no rosto da sociedade, sempre falando muito e empurrando contra o status quo. Foi isso que me trouxe aqui? E onde diabos era aqui? Eu balancei as minhas pernas sobre a lateral da cama, me sentindo enjoada por um momento. Havia sapatos no chão, e eu deslizei os meus pés para dentro deles, então estremeci, chutando-os para fora novamente enquanto eu esfregava o meu calcanhar. Eu tinha uma bolha ali, deixada por aqueles miseráveis sapatos – Isso era claramente impossível. Uma bolha curava em poucos dias, mas levou meses para o meu cabelo crescer a esse comprimento. Meses que eu não podia me lembrar. Talvez isso não tivesse durado imensos blocos de tempo afinal. A idéia era tranqüilizadora, mas mantinha o seu próprio tipo de esquisitice. Nada disso estava fazendo qualquer sentido, e eu precisava disso, muito que desesperadamente. Sarah iria me dizer a verdade se eu perguntasse. Ao contrário do homem, ela não iria apenas ignorar as minhas perguntas, ignorar as minhas dúvidas. O calor e a verdade de Sarah eram palpáveis, tranqüilizantes. Eu precisava encontrá-la. Eu não me incomodei em procurar por uma luz ao lado da grande cama; eu não me incomodei com os sapatos. A porta estava entreaberta, uma lasca de luz acenando, e eu avancei em direção e ela, sentindo apenas levemente inquieta. Eu tinha visto esses filmes, lidos esses livros. Inferno, escrito esses livros, aonde a estúpida heroína em seu branco virginal vai passeando onde ela não deveria, e o maníaco homicida aparece vindo de nenhum lugar, completo com uma faca ou um machado ou uma espinha de peixe. Eu estremeci. As pessoas eram mortas nas suas camas, também. Ficar parada não ia me levar a nenhum lugar. O quarto exterior estava vazio. Horas atrás ele tinha sido preenchido com mulheres. Agora ele estava abandonado, graças a Deus, me deixando com meus próprios dispositivos, para encontrar minhas próprias respostas.


Eu olhei para baixo ao meu vestido branco fluido. Yup13, coisa de sacrifício virginal, certamente. Ao menos eu estava muito longe de uma virgem –se eles quisessem arrancar o meu coração como uma oferenda aos deuses, os deuses iriam ficar extremamente putos. Embora a verdade, que em parte eu era virginal. Eu tinha feito sexo, mas meu coração nunca tinha sido tocado. Todas as mulheres tinham vestidos similares, em algumas variações de roupas brancas fluidas. Elas todas tinham longos cabelos, soltos e naturais, e elas foram calorosas e acolhedoras. Mulheres perfeitas. Eu tinha sido seqüestrada para algum tipo de culto? A próxima coisa que eu pensei nós estaríamos cantando hinos e bebendo Kool-Aid14. Eu estremeci novamente. As mulheres não pareciam como idiotas sem mente. Minha imaginação estava fugindo de mim, e sem admirar. Em algum lugar ao longo do caminho eu havia caído no buraco coelho, e nada mais fazia sentido. O corredor estava tão deserto quanto os quartos, uma faca de dois gumes. Em uma mão, eu não queria ser pastoreada de volta ao quarto com um bando de banalidades. Na outra, eu não sabia onde diabos eu estava indo, ou se o Freddy Krueger15 estava para aparecer. Eu olhei ao meu redor. O interior da casa era interessante –parecia como uma antiga pousada da Califórnia de muito tempo atrás, com castiçais art-déco16 de bronze nas paredes que me fazia pensar em Hollywood dos anos 1930. Havia poltronas estofadas em couro e mesas de estilos variados em vários intervalos descendo o longo corredor, com um tapete persa antigo no centro do piso altamente lustrado, e uma súbita suspeita aterrorizadora veio a mim. As coisas já estavam bizarras o suficiente – se eu de alguma forma conseguisse viajar através do tempo, de volta aos anos oitenta para a parte inicial do século passado, eu estaria

13

(Yup –Yeah = Sim) (Kool-Aid -Uma referência ao culto de suicídio em massa 1978-em Jonestown, Guiana. Jim Jones, o líder do grupo, convenceu seus seguidores a se deslocar para Jonestown. No final do ano, ele ordenou o seu rebanho a cometer suicídio, bebendo o Kool-Aid sabor uva misturada com cianeto de potássio. No que hoje é comumente chamado de "Jonestown Massacre ", 913 dos 1.100 moradores de Jonestown beberam o Kool-Aid e morreram.) 15 (Freddy Krueger –personagem da série Hora do Pesadelo) 16 (art-déco - foi um movimento popular internacional de design de 1925 até 1939, que afectou as artes decorativas, a arquitetura, design de interiores e desenho industrial, assim como as artes visuais, a moda, a pintura, as artes gráficas e cinema. Este movimento foi, de certa forma, uma mistura de vários estilos (ecletismo) e movimentos do início do século XX, incluindo construtivismo, cubismo, modernismo, bauhaus, art nouveau e futurismo. A sua popularidade na Europa foi durante os picos dos loucos anos 20 e continuou fortemente nos Estados Unidos através da década de 1930. Embora muitos movimentos de design tivessem raízes em intenções filosóficas ou políticas, a Art Déco foi meramente decorativa. Na altura, este foi visto como estilo elegante, funcional e ultra moderno.) 14


extremamente aborrecida. Esse era o problema com viagens no tempo –ninguém nunca perguntava se você estaria interessada. Apenas um cintilar de luz e você desaparecia. Eu me lembrei de um cintilar de luz, em uma Rua de Nova York. A visão era rápida e fugaz, e então eu estava de volta nessa antiga casa estranha, procurando por serial killers. Não, viagens no tempo estavam fora de questão. Eu simplesmente me recusava a considerar a possibilidade. Era tão absurdo quanto algumas das meias-fantasias relembradas que tocavam no fundo da minha mente. Asas? Um corpo com fogo embaixo da pele? Um vampiro? Eu me tornei consciente de um som, quieto, abafado, um suave canto não o contrário das vozes que eu ouvi na praia –o som que aqueles homens tinham feito enquanto eles tentavam afundar o meu salvador e eu fui salpicando para dentro da arrebentação como uma completa idiota para salvá-lo. Eu ouvi cuidadosamente, tentando compreender as palavras. Elas não tinham qualquer semelhança com qualquer língua que eu alguma vez ouvi, apenas uma estranha, quase melódica discussão de barulho. Bem, se eles estavam se preparando para o sacrifício virginal, ao menos eles não estavam planejando em fatiar e me picar. Além disso, havia algo infinitamente tranqüilizador sobre essas vozes, algo que me chamava em direção a elas. Eu comecei a se mover descendo o corredor, silenciosa em meus pés descalços, e em cada conjuntura eu daria a volta infalivelmente. Eu, que nunca podia encontrar o meu caminho através das acidentais Ruas do Village sem importar quanto tempo eu morasse ali. Eu não parei para questionar – eu só continuei seguindo. Talvez eu fosse provida com superpoderes, como um sentido decente de direção. Tudo era possível. O som nunca aumentou, nunca suavizou. Eu podia ouvi-lo de dentro da minha cabeça, senti-lo embaixo da minha pele; e quando eu finalmente parei do lado de fora em uma porta dupla ornamentada com lingüetas, eu soube que eu encontraria as respostas. Eu pausei. Algo me parou de ir mais adiante, apenas por um momento. Então ao contrário de mim – eu era uma mulher que sempre quis respostas diretas, sem importar o quanto dolorosas, e eu soube que respostas estariam além dessas pesadas portas, sob o constante, quase musical canto que emanava detrás delas. Eu nunca fui do tipo que hesitava – o que diabos estava de errado comigo? Eu empurrei abrindo as portas e congelei.


Parecia como algum tipo estranho de templo, embora claramente não para qualquer religião que eu fosse familiarizada. Não havia cruzes, sem arco para segurar o Torá17. Apenas o grupo de pessoas no centro da sala cavernosa iluminada por um estranho, brilho sobrenatural. Meus olhos se focaram em Sarah, sentada em uma cadeira que parecia como um cruzamento entre um trono e uma La-Z-Boy18. Os calmos olhos azuis de Sarah estavam fechados em uma aparência de meditação, mas eles abriram e se viraram para mim, quase como se ela tivesse ouvido a minha entrada acima do suave canto. Ela sorriu gentilmente aquele sereno, doce sorriso que pareceu conceder uma bênção em todos ao seu redor, e os outros perceberam que eu estava ali, pelo canto ter parado abruptamente e os homens se moveram para trás. Ele estava ajoelhado ao lado de Sarah. Eu soube quem ele era imediatamente, mesmo com a luz de velas. Eu conhecia o cabelo tingido pelo sol, a áspera graça. A sua cabeça estava inclinada sobre o pulso esticado para fora de Sarah, mas eu devo ter feito algum tipo de barulho, e ele levantou seu rosto para me olhar. Eu pude ver o sangue na sua boca, as presas alongadas, as veias pulsantes no pulso delgado de Sarah, e eu sei que eu deixei sair o mais feminino grito de horror. E então eu corri, deixando as pesadas portas baterem fechadas atrás de mim.

17

(Torá- é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah - as cinco partes da Torá) e que constituem o texto central do judaísmo.) 18 (La-Z-Boy – marca de cadeias de lojas que vendem mobílias sofisticadas)


Cap Capítulo 7

E

U FUI TÃO LONGE ATÉ A GRAMA NA FRENTE DA CASA ANTES DE EU estatelar primeiro com o rosto. Eu bati na áspera areia com meus joelhos e cotovelos, deslizando, e terminando na beirada da água, sem fôlego, meus braços sobre e minha cabeça como se eu estivesse mergulhando de um furacão. Era impossível. Diretamente impossível. Alguém deve ter me drogado. Era a única razão razoável pelo que eu pensei ter visto, pelas loucuras que carregavam tais buracos na minha memória. Mas se eu ainda estivesse drogada, quem e no que eu poderia confiar? Eu rolei em minhas costas, ainda sufocando por respirar enquanto eu olhava acima para a casa. Partes dela estendiam em estranhos ângulos, como uma escrivaninha com as gavetas puxadas para fora em vários graus. O sol estava se pondo atrás de mim, refletido para fora das janelas, tornando-as tornando as douradas e opacas. Alguém do lado de dentro estava olhando abaixo para mim. Se a casa sequer existisse, se o oceano existisse, se eu existisse. Era uma antiga sensação: Eu não podia confiar em nada, meus olhos, meus ouvidos –até mesmo o rico cheiro salgado ado do oceano poderiam ser parte de alguma bizarra alucinação que tinha começado Deus sabe quando. Eu olhei acima para o céu escurecendo, tentando trazer as poucas coisas que eu me lembrava. Eu ainda podia sentir as mãos do homem em mim quando ele tentava me arremessar para dentro de algum profundo, buraco sem fundo. Então, serial killer, certo? Mas ele me puxou para trás. Serial killer com uma consciência? Mas talvez ele não tenha me puxado de volta depois de tudo. Talvez isso fosse como a morte aparentava –uma uma longa, estranha, alucinante alucinação com vampiros e homens com asas... Homens com asas? De onde isso tinha vindo? Eu brevemente considerei me sentar, então decidi contra isso. Eu estava muito bem onde eu estava. Estatelada na praia rochosa, eu


me mantive discreta. Eu podia apenas ficar dessa forma, escutando a suave calmaria do oceano, até que as drogas estivessem fora ou eu acordasse ou tanto faz. Ou descobrir que eu estava no inferno, ou paraíso, ou algum lugar entre eles. Sentada significava que eu tinha que fazer alguma coisa, e nesse momento eu apenas não tinha a energia. O sol se pondo se apagou por um momento, e eu olhei acima para ver o homem em pé sobre mim. Raziel, eles o tinham chamado assim? Estranho nome, apenas outra parte de um pesadelo que tinha começado com as mãos deles em mim. “Quanto tempo você vai ficar deitada aí?” Ele tinha uma voz tão bonita, o tipo que podia seduzir anjos as suas ruínas; ainda as palavras eram calmas e sem emoção. “Está frio e a maré está subindo, e há uma correnteza desagradável que pode puxar você para o mar antes que qualquer um perceba o que aconteceu. Você pode muito bem se levantar – fugir não vai mudar as coisas.” O pôr do sol estava enfeitando-o, um halo de cores em volta do seu alto corpo. Eu me fiz relaxar. Não um vampiro, então. Eu conhecia as regras – eles não podiam ficar no sol. Eu não percebi que eu falei as palavras alto. Não até que ele me respondeu. “Você é uma expert em vampiros agora, você é?” ele disse. Eu considerei não levantar, mas deitada espalhada na frente dele definitivamente me colocava em uma desvantagem, então eu me sentei, ignorando um guincho dos meus rígidos músculos. Eu olhei para ele. “Não, eu não sou. Eu não acredito neles, e se você e seus amigos estão nesse tipo de cena, então você não pode contar comigo. Eu quero ir pra casa.” Ele estava olhando para mim com destacado interesse. “Que tipo de cena?” ele ecoou. Não havia sangue na sua boca agora. Talvez eu tivesse imaginado isso. Meu cérebro ainda não parecia estar mantendo dois pensamentos juntos. “Eu não sou uma completa idiota,” eu disse em uma voz torcida. “Eu sei que existe toda uma sub-cultura de pessoas que gostam de fingir que elas são vampiros. Elas lixam os seus dentes em pontas, elas saem em clubes Góticos, elas bebem sangue, elas se vestem com roupas Edwardianas19 ...” Minha voz sumiu. Jeans preto e uma camisa jeans desbotada preta não se igualavam aos enfeites Edwardianos e nós dois sabíamos disso, embora eu estivesse disposta a acreditar que ele

19

(Edwardiano – da era Edwardiana que vai de 1901 a 1910. Ele foi o rei do Reino Unido)


ficaria muito malditamente deslumbrante em uma camisa branca de babado. Considerando que ele já parecia muito malditamente deslumbrante. “Eu não vejo um clube Gótico em nenhum lugar,” ele disse. “Ninguém por aqui iria fingir ser um vampiro.” “Então o que foi aquilo que eu entrei alguns minutos atrás?” “Allie?” Sarah apareceu atrás dele antes que ele pudesse responder, quase tão alta, com outro dos homens apenas atrás dela. “O que está errado?” “Você sabe o que está errado,” eu disse, me sentindo debilitada apesar do fato de eu gostar de Sarah. “Eu o vi.” “Viu ele o que?” Eu olhei aos seus pulsos estreitos: veias azuis, delicado, e íntegro. Eu puxei os meus joelhos para cima perto do meu corpo, os abraçando. “Quem são vocês pessoas?” Eu exigi em um gemido frustrado. “Venha de volta para a casa, Sarah,” o outro homem disse impacientemente. “Essa é a bagunça de Raziel –cabe a ele lidar com isso.” Havia um estranho tom de propriedade em sua voz. “Em um momento,” Sarah disse, ajoelhando perto de mim e colocando a sua mão no meu braço. “Eu não quero que você tenha medo, criança. Ninguém vai te machucar.” Eu não tinha tanta certeza quanto ela tinha, nem sobre Raziel ou sobre o outro homem. Ele era tão alto quanto Raziel, com cabelo preto, frios olhos azuis, e uma expressão impiedosa no seu rosto. “Eu quero ir pra casa,” eu disse novamente, parecendo como uma rabugenta, criança teimosa. O outro homem jurou. “Raziel, faça algo sobre isso. Isso, ou me deixe limpar a bagunça que você fez.” “Dê a ela um minuto, Azazel,” Sarah disse sobre o seu ombro. “Ela está em estado de choque e assustada, e sem admirar, com vocês dois batendo o pé, sendo misteriosos. Se Raziel não dará a ela algumas respostas simples, então eu vou.” “Mulher,” Azazel disse em sua voz gelada, “Eu quero você lá em cima na cama.”


“Marido,” Sarah respondeu docemente, “Eu estarei lá quando eu malditamente já estiver pronta.” Bem, isso era definitivamente estranho. Azazel tinha que estar meados dos seus trinta anos; Sarah estava provavelmente em seus cinqüenta ou provavelmente mais velha. Era muito surpreendente –Sarah era uma mulher bonita –mas a maioria dos homens que eu conheci gostavam de núbias garotas novinhas. Na idade madura dos trinta, eu já tinha sido chutada por alguém mais novo e mais flexível. “Ela vai entrar,” Raziel disse, fazendo claro que não haveria opções. Isso era o que ele pensava. Meus olhos se estreitaram, olhando acima para ele. “E apenas para onde ela vai?” o outro homem exigiu. “Minhas dependências,” Raziel disse. “Eu não vejo que nós tenhamos qualquer outra escolha.” “Ela certamente não está vindo com a gente,” Azazel estalou. Sarah se levantou, um gracioso, movimento fluido que me fez desesperadamente invejar. Se eu voltasse para casa, eu definitivamente iria começar a fazer yoga. Quando, não se. Eu não estava dando a eles qualquer chance na questão. Eu queria a minha vida de volta. “Vá com Raziel, criança,” ela disse. “Ele não vai te ferir. De fato, ele esteve cuidando de você. Quando ele não estava morrendo de envenenamento pelo fogo,” ela adicionou com um arteiro olhar para ele. “Vá com ele, e ele vai responder qualquer pergunta que você tiver.” “O inferno que eu vou,” Raziel disse. “Eu vou levá-la aos meus aposentos e a deixar lá até que eu descubra-” “Você vai fazer o que a Sarah disse,” Azazel disse, sua voz suave arrepiando. Raziel atirou ao outro homem um olhar descontente. E então ele cruzou a areia até mim, segurando a sua mão para fora. Eu olhei para ela, sem me mover. Agora não era hora de notar que ele tinha fortes, mãos bonitas. Ou que tudo sobre ele era bonito, quase sobrenaturalmente também. Eu não gostava de homens bonitos, maldito seja. Embora Deus soubesse que eu não tinha certeza se alguma vez eu vi alguém tão deslumbrante quanto ele era. “Não me faça carregar você,” ele disse em uma voz de aviso.


Azazel e Sarah já estavam se guiando para a casa, o braço dele em volta da sua cintura. Por um momento eu considerei subir sob meus pés e correr atrás deles; mas razoavelmente ou não, Azazel me aterrorizou até mais do que esse homem inexplicável. Eu precisava me levantar, não refestelar-se ali como uma heroína Vitoriana20. O único problema era que os meus joelhos pareciam espaguete. Eu sou tão durona quanto a mulher ao lado, mais durona talvez, mas eu tinha atravessado um inferno de um monte no último...tanto faz. Havia um limite de quanto eu conseguia suportar. Eu tentei me levantar, mas ele terminou colocando suas mãos nos meus braços e me rebocando para cima de qualquer jeito. Ele me soltou rápido o suficiente, e começou a voltar em direção à estranha casa, claramente esperando que eu seguisse como uma noiva obediente do terceiro mundo. O inferno com isso. Eu olhei ao meu redor por algum tipo de fuga e apareci com um insípido zero, ao menos que eu quisesse extrair uma de Virginia Woolf21 e andar dentro do oceano. Não havia mais nenhum lugar para eu ir. A maré estava subindo, e além da casa tudo era uma névoa escura e floresta. Além disso, eu estava finalmente indo obter algumas respostas para as minhas perguntas, não era? Eu apenas consegui alcançá-lo. Suas longas pernas devoravam a distância, mas depois de um trêmulo começo eu consegui um trote rápido. “Você não precisa ser tão irritável,” eu disse , tentando não bufar ou soprar. “É sua culpa que eu estou aqui.” “No caso de você não se lembrar, eu estava inconsciente quando eles me trouxeram de volta.” “Isso depende da interpretação,” eu disse. “Eu não posso argumentar, uma vez que eu pareço ter enormes lacunas na minha memória. O que você acha que eles deveriam ter feito, então? Me deixar na floresta? Com aqueles animais selvagens lá fora no escuro?” Ele franziu o cenho. Como podia um homem ter um bonito franzir de cenho? “Não,” ele disse. “Eles não deveriam ter deixado você.”

20

(Heroínas da Era Vitoriana – a Era Vitoriana foi o período no qual a Rainha Vitória reinou a Inglaterra, no século XIX, durante 63 anos, de junho de 1837 a janeiro de 1901. Ela subiu ao trono quando seu tio Guilherme VI morreu sem deixar herdeiros. Ela foi coroada ainda muito jovem, aos 18 anos. O papel da mulher na sociedade vitoriana se resumia aos afazeres domésticos, maternos e aristocráticos. Eis que surge na literatura vitoriana ficções como Sherlock Homes onde descreviam a mulher como heroínas, amantes, e vilãs. Essas mulheres fictícias passaram a desempenhar um papel de independência social na era vitoriana, ficando conhecidas como as Heroínas da era vitoriana.) 21 (Virgínia Woolf –escritora inglesa do séc XVII, ela se suicidou afogada, depois de colocar pedras nos bolsos do seu casaco e entrar no Rio Ouse)


“E que diabos nós estávamos fazendo lá em primeiro lugar? O que em nome de Deus está acontecendo comigo?” Eu odiava a nota melancólica na minha voz, mas honestamente eu não podia evitar. Eu podia ser toda a Mulher Forte e Moderna na maioria das vezes, mas nesse momento eu estava cansada, debilitada, e totalmente derrotada. Ele não respondeu. Eu realmente não esperava que ele respondesse. “Você está com fome?” ele disse ao invés disso. Como uma distração, ela era uma efetiva. Eu subitamente me lembrei que eu estava faminta. “Sim. Porque você não me leva a um McDonald’s e nós podemos discutir isso?” Eu percebi que isso era improvável mas valia a tentativa. “Sem McDonald’s,” ele disse. “Sem nenhum restaurante, mas nós temos pessoas que cozinham. Me diga o que você quer e eles irão trazer para nós.” “Apenas assim?” Eu disse sarcasticamente. Não que eu acreditasse nele, mas se isso fosse verdade, poderia muito bem ser o paraíso. “Apenas assim.” Eu decidi dificultar, simplesmente porque eu podia. Além disso, minha necessidade por comida cômoda tinha se tornado crítica. “Bolo de carne, purê de batatas, molho de carne, milho, mini-tortas de morango para sobremesa. E um bom cabernet22 Beringer23.” “Você quer champanhe com os seus morangos? Vinho tinto é um pouco pesado para a sobremesa.” Ele estava sendo sarcástico, claro, mas eu simplesmente assenti. “Claro. Moët*, eu acho. Não há necessidade de exagerar com um Dom Pérignon24.” Ele não disse nada, caminhando para dentro da casa. Eu dei mais um último longo olhar ansioso ao lado de fora. Nenhum lugar para ir. Até eu descobrir que porra estava acontecendo, eu estava presa. Em um lugar com, supostamente, alimentos ilimitados e sem esforço e um lindo homem que me beijou. Eu imagino que as coisas poderiam ser piores.

22

(cabernet sauvignon –tipo de vinho tinto extraído das uvas vitis vinifera) (Beringer – vinicultura da Califórnia) 24 (marcas dos melhores champanhes francesas) 23


Eu tive que correr para alcançá-lo. Ele não fez esforço para ajustar o seu caminhar ao meu, e eu estava condenada se eu fosse reclamar. Estava demorando muito para chegar as suas dependências – nós atravessamos um labirinto de corredores, e subimos tantas escadas que eu estava pronta para me atirar para baixo no piso de madeira polido, engasgando e arquejando como um peixe aterrado. “Quanto mais distante?” Eu engasguei, agarrando o espesso, corrimão esculpido. Ele estava olhando para mim com olhos estreitos. “Mais uma viagem. Minhas dependências são no topo do prédio.” “Elas devem ser,” eu disse com uma voz triste. “E eu não imagino que vocês acreditem em coisas como elevadores?” “Nós não precisamos deles,” ele disse. Sem impressionar que Sarah estivesse tão magra e em forma em uns cinqüenta e alguma coisa. Ela não precisava de yoga, ela apenas precisava dessas escadas. “Sarah não tem cinqüenta e alguma coisa,” Raziel disse. Eu congelei. “Dessa vez eu não falei isso alto.” “Não, você não falou. Você é muito fácil de ler. A maioria dos humanos é.” A maioria dos humanos? WTF? “Espere até nós chegarmos as minhas dependências.” Eu não tinha dito nada dessa vez também. Eu estava ficando seriamente assustada por essa situação. Não importava quanta comida eu conseguisse ou quanto lindo ele fosse, isso era apenas muito estranho. O beijo tinha sido bom, pelo que eu podia me lembrar, mas eu não tinha certeza se beijos fossem o suficiente para – “Eu não vou beijar você novamente. Eu não beijei você em primeiro lugar –você estava se afogando. Eu te dei ar.” Isso era tão...errado. Claramente silêncio não era silêncio para a criatura que eu estava seguindo, então eu rapidamente mudei a questão, tentando não pensar sobre o bom gosto salgado da boca dele na minha. “Então quantos anos tem Sarah? Ela é casada com Aza –qual é o nome dele?”


“Azazel,” ele disse. “Sim, eles são casados; ao menos, essa é o mais perto de uma definição quanto as pessoas podem entender. E eu não sei quantos anos Sarah tem, nem eu me importo.” Eu olhei para ele com espanto. “Ela tem que ser ao menos vinte anos mais velha do que ele é. E ele tem, o que...trinta e cinco? Legal.” “Ele é mais velho que ela,” ele disse em uma voz seca. “E você deve pensar duas vezes sobre julgar alguém como Sarah.” Se Azazel era mais velho que a Sarah, então eu era a Virgem Maria. “Eu não estou julgando,” eu disse rapidamente, seguindo-o para baixo no corredor em direção a outro miserável, chupador de pau, amaldiçoado, filho da puta lance de escadas. “Eu quero dizer. Muitas vezes é o homem que tem as amantes mais novas. Eu sinceramente aprovo os homens como brinquedos.” “Você acha que Azazel é um homem brinquedo? Ele ficaria entretido com a idéia.” “Cristo, não diga a ele que eu disse isso! Eu suponho que por essa altura o casamento deles seja mais platônico do que algo mais.” Ele pareceu divertido, o qual era até mesmo mais irritante. “Eu acredito que eles têm uma vigorosa vida sexual, embora eu possa pedir a Azazel para lhe contar tudo sobre isso se você preferir.” “Não precisa,” eu disse apressadamente. “Não é da minha conta.” “Não, não é,” ele disse naquele estranho, jeito meio-normal de falar. Eu olhei acima para os íngremes lances de escadas. Eram os últimos, ele disse. Claro que tinham que ser os maiores e os mais longos. Eu respirei fundo, me convencendo. Eu podia fazer isso. Se isso me matasse, eu iria conseguir fazê-lo. “O que os filhos dela pensam do seu marido?” Se eu o mantivesse falando ele poderia não notar quanto tempo estava me levando para subir as escadas. “Ela não tem filhos, e Azazel não é o seu novo marido. Ele é o seu único.” Eu pensei de volta na suave, gentil preocupação de Sarah. “Isso é uma pena,” eu disse. “Ela seria uma mãe maravilhosa.” “Sim.” Era uma palavra, mas havia uma riqueza de significado por debaixo dela.


De repente eu pensei de volta no trecho da praia na frente da casa, a ampla vastidão do gramado. Sem nenhum brinquedo, sem jogos desarrumando a praia. Algo estava faltando a cerca do lugar. “Onde as crianças vivem aqui?” eu perguntei, inquieta. “Crianças?” “As mulheres que estavam com Sarah – ela disse que elas eram as outras esposas. Algumas delas eram bastante jovens; elas devem ter filhos.” “Não há crianças aqui.” “Isso vai contra qualquer que seja o louco culto que você tem acontecendo aqui? Vocês mandaram as crianças embora?” Eu estava justamente enfurecida, e isso me deu energia. E o final da escada estava à vista, graças a Deus. Eu estava pronta para me arremessar no patamar do topo com um choro de lamentação de “Cheguei!” “As mulheres aqui não tem filhos.” “Porque não?” Merda, não era o topo das escadas, era só um patamar. Eu vacilei, virando a esquina, olhando para o que simplesmente tinha que ser o último lance. Talvez. Eu queria chorar, e eu nunca chorei. Antes que eu percebesse o que ele estava fazendo, ele me pegou, levantando-me em seus braços e começou a subir o lance final de escadas. Eu estava muito chocada para lutar. Seus braços eram como faixas de ferro, seu corpo duro e frio e desconfortável; por um vazio segundo eu considerei argumentar, então pensei melhor sobre isso. Qualquer coisa era melhor que andar. “Você sabe, se não fossem pelas escadas, eu poderia conseguir sem problemas,” eu disse, mantendo-me tão firme quanto ele estava. Ele bufou, não dizendo nada. Quando ele alcançou o topo das escadas ele me largou em meus pés, segundos antes que eu pudesse exigir que ele me descesse. O corredor era mais curto que os inferiores, com apenas uma porta dupla no meio dele. Eu devo estar perto do topo desse maldito arranha-céu, eu pensei, me lembrando daquelas prateleiras suspensas que se estendiam sobre o oceano. Ele me deixou novamente, já empurrando aberta uma das portas, e mais uma vez eu o segui, ressentida como o inferno até que eu pisei dentro da penumbra do apartamento. A porta fechou atrás de mim automaticamente, e eu prendi o meu fôlego em surpresa.


Era como estar na proa de um navio. Na frente da sala estava um dique de janelas olhando para fora sobre o mar da noite negra. Várias delas estavam abertas, e eu pude cheirar o salgado perfume, ouvir o som das ondas enquanto elas banhavam contra as rochas abaixo. Havia gaivotas à distância, e eu respirei um pequeno suspiro de alívio. Ao menos algo nesse lugar maluco era normal. “Sente-se,” ele disse. Ele estava em pé nas sombras. Havia dois sofás de variados estilos na sala, estofados em linho branco, e uma mesa baixa entre eles. Com uma bandeja cobrindo o topo, um balde de gelo com uma garrafa de champanhe esperando, e uma garrafa de vinho tinto aberta ao seu lado. Eu olhei para a mesa com desconfiança. “Merda,” eu disse. Eu sabia sem perguntar que deveria ter bolo de carne e purê de batata embaixo da tampa. “Como você conseguiu isso?” “Sente-se e coma,” ele disse. “Eu estou cansado e eu quero ir pra cama.” Eu enrijeci. “E o que você querer ir pra cama tem a ver comigo?” Uma boca tão bonita, um sorriso tão azedo. “Uma vez que eu não tenho a intenção de estar em qualquer lugar perto de você quando eu for pra cama, eu não estarei por perto para responder as suas incessantes perguntas. Então se você quer respostas, sente-se.” “Você é um babaca.” Eu tomei um assento e tirei a tampa da bandeja. O cheiro do bolo de carne foi suficiente para me fazer gemer com prazer. Ignorando-o, eu comecei, apenas olhando para cima quando eu percebi que ele derramou para mim uma taça de vinho tinto e empurrou-a em minha direção. A maneira de me fazer sentir como um glutão indelicado, eu pensei tristemente. “Cortês,” ele disse. “O que?” “Glutão cortês. Você ainda não babou ou deixou a comida cair ou-” Eu larguei o meu garfo. “Pare com isso! Eu não sei como você faz isso, mas pare!” Ele tomou um sorvo da sua própria taça de vinho, se inclinando para trás contra as almofadas do sofá oposto com um suspiro cansado. “Desculpe,” ele murmurou. “É rude da minha parte.”


“Você pode apostar o seu traseiro,” eu estalei. De todos os ataques mentais do dia, a invasão dele aos meus pensamentos sentia-se de alguma forma pior do que qualquer outra coisa. Eu devia ser capaz de ter meus pensamentos errantes privados. Particularmente quando olhando para Raziel fazia-os serem muito mais errantes. Quando ele não estava me irritando. Mas era melhor eu me comportar. “Me desculpe. Eu estou sendo rude também. Você quer algo disso?” Eu gesticulei em direção ao dizimado bolo de carne. Ele sacudiu a sua cabeça. “Eu não como carne.” Foi a minha vez de bufar. “Sim você come. Você comeu um cachorro-quente.” Eu pausei. “Como eu sei disso? Quando eu estava perto de você quando você comeu o cachorroquente?” “Eu não como carne quando eu estou em Sheol,” ele disse. “É assim que esse lugar é chamado? Não é aquele outro mundo do inferno?” “Isso significa ‘o lugar escondido,’” ele disse. “E você não está no inferno.” Eu parei de empurrar a comida ao meu rosto tempo o suficiente para beber algum vinho, esperando que isso fosse me acalmar. Eu olhei acima para perceber que Raziel estava me olhando com seus estranhos olhos pretos e cinzas, observando tão de perto, e infelizmente não era com uma luxúria desenfreada. “Eu quero ir pra casa,” eu disse abruptamente, empurrando a bandeja para longe. “Você ainda não comeu a sua mini-torta de morango,” ele disse. “Eu vou abrir o champanhe-” “Eu não quero nenhum champanhe, eu quero ir pra casa.” “Você não pode. Você não tem mais uma casa.” “Porque não? Quanto tempo eu estive fora?” Ele virou a sua atenção a taça de vinho. “De Nova York? Um dia e meio.” Eu olhei para ele em branco. “Isso é impossível. Como o meu cabelo pode ter crescido desse tamanho em um dia e meio?” “Você ainda tem bolhas em seus pés daqueles sapatos, não tem?”


Eu não precisava tocar o meu calcanhar para verificar. As bolhas ainda estavam ali. “Se eu só estive fora por um dia e meio, então o meu apartamento ainda deve estar lá. Eu quero voltar.” “Você não pode.” “Porque não?” “Você está morta.” “Merda,” eu disse.


Cap Capítulo 8

E

U COLOQUEI A TAÇA DE VINHO ABAIXO NA MESA MUITO cuidadosamente para ver que minha mão não estava tremendo nada. Não era como se eu não suspeitasse tanto – depois de tudo, eu não era uma estúpida. Homens com asas, fogos do inferno, chupadores de sangue. Um momento eu estava na Cidade de Nova York, cuidando dos meus próprios negócios, admirando um homem deslumbrante no estande do cachorro-quente, cachorro quente, e a seguir eu cai abaixo no buraco do coelho. Não significava que eu estivesse para desistir sem lutar. “Como isso sequer é possível?” Minha voz era rouca mas, além disso, inteiramente calma. Eu aprendi a esconder as minhas reações e emoções da minha mãe, Santa Hildegarde. “Você achou que você era imortal?” Raziel disse. “Todos morrem mais cedo ou mais tarde. No seu caso, foi uma combinação combinação daqueles seus sapatos idiotas e de um ônibus que atravessava a cidade.” Okay. Eu me sentei para trás, o bolo de carne aninhando-se aninhando se como um aglomerado no abismo do meu estômago, flutuando em uma piscina de molho de gordura. “O que você estava fazendo ali?? Você estava ali antes de eu atravessar a rua. Você estava na minha frente no estande de cachorro-quente. quente. Eu me lembro agora.” Eu o encarei, completamente instável. “Eu me lembro de tudo agora. Porque? Porque eu me lembro agora quando eu não podia antes?” “Eu ergui o que nós chamamos de Graça. É um dos dons que nós temos, a habilidade de fazer alguém esquecer coisas. Você quis se lembrar, então eu ergui isso.” “Você deveria chamar isso do que ele é: um fudedor de mentes,” eu disse, me sentindo definitivamente nte rabugenta. “O que você estava fazendo ali? O que eu estou fazendo aqui?” “Eu estava coletando você.”


Eu me deixei derreter para fora do sofá descendo ao chão, precisando de algo sólido embaixo de mim. Eu não estava indo hiper-ventilar. Eu não tinha um ataque de pânico desde quando eu era uma adolescente, procedendo com as tentativas de minha mãe em me salvar do inferno. Imagino que Mamãe falhou, porque pareceu como se eu tivesse ido ao inferno depois de tudo, se as presas de Raziel e as tendências chupadoras-de-sangue fossem algo a ser considerado. Calma, eu me lembrei. O som do oceano iria me acalmar se eu pudesse apenas me concentrar nisso por um momento ou dois. O perigo passou, e eu me sentei reta, refazendo-me. “E exatamente o que você estava-” “Fique quieta e eu vou contar a você o que você precisa saber,” ele disse irritado. “O seu tempo acabou. Meu trabalho é coletar pessoas e transportá-las para o próximo...plano de existência. Você não deveria lutar comigo. Ninguém luta.” Eu estava congelando, mais gelada do que quando eu estive deitada na areia molhada. “O que eu posso dizer, eu luto com todo mundo,” eu disse melancolicamente. “Eu acredito nisso. Chata como você é, eu ainda estava fracamente certo de que você é uma inocente, e eu-” “Depende de como você define inocente.” Ele olhou para mim, e eu subsidiei. “Eu assumi que eu estava levando você para...o que você poderia chamar de paraíso. Infelizmente eu estava errado, e no último minuto eu me tornei tolamente sentimental e puxei você de volta.” “Das mandíbulas do inferno,” eu forneci. “Minha santa mãe ficaria tão satisfeita.” Ele não reagiu a isso. Ele provavelmente sabia tudo sobre a enlouquecida mãe. Era provavelmente melhor amigo dela, sendo um anjo. Não, ele era um chupador de sangue também –ela não iria aprovar isso. “Em uma palavra, sim,” ele disse. “Então talvez eu não devesse ser tão irritadiça com você.” Eu fiz um esforço para ser justa. Se ele tinha me salvo da maldição eterna, então eu suponho que ele mereça seus acessórios. “Então o que aconteceu? Você ficou doente?” Ele pareceu aborrecido com o pensamento. “Nós não podemos tolerar o fogo. Em particular o fogo do inferno, mas nós não gostamos de nenhum tipo de chama. As mulheres aqui têm que guardar as velas e o fogo quando nós precisamos delas. Eu fiquei chamuscado quando puxei você para trás, e isso envenenou o meu sangue. Iria me matar se você não tivesse pedido por ajuda.”


Isso era novo para mim. “Sério? Quem disse que eu pedi por ajuda?” Considerando que eu sempre tive sentimentos misturados sobre a existência de Deus, eu meio que duvidei disso. Se Deus tivesse criado a minha nascida-de novo mãe, ele tinha um muito desagradável senso de humor. “E Deus os mandou? Os homens que trouxeram você – nos trouxeram de volta pra cá?” “Deus não se envolve nos assuntos cotidianos vida. Não desde quando o livre arbítrio foi inventado. Mas se você pediu ajuda a Deus, Azazel teria ouvido você, e ele foi aquele quem apareceu para nos pegar.” “Azazel, o marido de Sarah? Eu duvido disso. Ele me odeia.” “Azazel não odeia ninguém. Entretanto se ele ouvisse você sendo rude em relação à Sarah-” “Eu não fui rude, eu fui invejosa,” eu disse. “Então eles apareceram e nos encontraram e nos trouxeram aqui. Como?” Ele tomou um sorvo do seu vinho, protelando. “Como?” “Você sabe, vai levar uma eternidade se você não administrar supor tudo por sua conta,” ele disse. “Tudo bem, eu vou supor tudo e você me diz se eu estou errada ou certa. Eu estou supondo que você é...Deus, algum tipo de anjo. Se o seu trabalho é coletar pessoas e transportá-las para a próxima existência, então isso normalmente é o trabalho dos anjos, não é? Ao menos de acordo com a mitologia Judaica-Cristã.” “Mitologia Judaica-Cristã é muitas vezes bastante precisa. Anjos escoltam as almas dos mortos no islam e na religião viking também.” “Então é isso o que você é? Um fudido anjo? Isso é tudo o que você é?” “Sim.” De alguma forma eu estava esperando mais de um argumento. “Eu não acredito em você,” eu disse insipidamente. Ele deixou sair um suspiro de pura exasperação. “Você foi aquela que apareceu com isso.”


O problema era, que eu acreditei nele. Tudo fazia sentido, de uma enlouquecida maneira. O qual significava que todas as minhas suposições ligeiramente ateias estavam agora fora da janela, e minha mãe esteve certa. Isso era até mesmo mais deprimente do que estar morta. “E como eles trouxeram a gente aqui da floresta? Eles voam, não voam?” “Eu disse a você, eu estava inconsciente na hora. Mas sim, eu imagino que eles voaram.” “Eles têm asas.” “Sim.” “Você tem asas.” “Sim.” Isso era muito. “Eu não as vejo.” “Você vai ter que levar isso pela fé,” ele resmungou. “Eu não vou oferecer uma demonstração.” “Então-” “Apenas fique quieta por alguns minutos, você ficaria?” ele estalou. “Você não é muito gentil para um anjo,” eu murmurei. “Quem disse que os anjos deveriam ser gentis? Olhe, é simples. Você morreu em um acidente de ônibus. Eu deveria levar você ao paraíso. Por alguma razão você estava comandada para o inferno, eu experimentei um momento de insanidade e puxei você de volta, e agora você está presa. Você não pode voltar. Você está morta, e seu corpo já foi cremado, então eu não posso retornar você mesmo se eu achasse que isso possa ser possível. Nesse momento você está aqui em Sheol com uma família de anjos e suas esposas, e você vai ter que se comportar com isso até que eu descubra o que eu posso fazer com você.” “Isso não faz sentido. Se eu estou morta e cremada, porque eu estou aqui?” Eu olhei abaixo ao meu ser completamente corporal. “Eu sou real, meu corpo é real.” Eu estendi a mão e me abracei, e os olhos dele foram para os meus seios. Seios reais que responderam ao seu olhar, querendo o seu toque. Eu estava enlouquecendo. Primeiro fora, eu não o queria me tocando. Segundo, a última vez que eu verifiquei os meus seios eram incapazes de pensar. Eu era aquela que o queria que me tocasse.


Eu estava insana. “Nesse plano você existe e o seu corpo é real. Não em um plano mortal.” Ele arrancou o seu olhar para longe do meu corpo, um alívio. “Então eu estou presa aqui com um punhado de Perfeitas esposas. Não existe nenhuma garota anja?” “Não.” “Bem, foda-se isso! Deus não ouviu falar da liberdade feminina?” “Deus não ouve nada –ele não está envolvido. Livre arbítrio, se lembra?” “Homem babaca chauvinista.” “Deus não é homem.” “Bem, ele com certeza pelo inferno não é mulher,” eu estalei. Não que eu devesse ter perdido a energia. A Teologia Judaica-Cristã era patriarcal e centrada no homem? Surpresa, surpresa. “Verdade o suficiente.” “Então vocês moram aqui juntos nessa feliz pequena comunidade e transportam as pessoas para o paraíso e inferno. Isso não é um trabalho muito grande para um punhado de vocês? Quantas pessoas morrem cada minuto todo dia?” “Um ponto setenta e oito por segundo, e cento e sete por minuto, seis mil e quatrocentos e oito por hora, quase cento e cinqüenta e quatro mil por dia, cinqüenta-seis-” Oh, Deus. Eu tinha que ser resgatada por um letrado. “Não precisa ser literal –eu entendi. Você não é um pouco sobrecarregado?” “A maioria das pessoas não precisa de uma escolta.” Ele derramou para si mesmo outra taça de vinho, então gesticulou com a garrafa em direção a minha. Eu sacudi minha cabeça. Eu já estava muito chocalhada –eu não precisava do álcool para fazer as coisas piorarem. “Porque eu precisei? Eu não sou ninguém importante, nenhum grande mandante vilão. Não me diga –é por causa da minha mãe.”


Ele pareceu em branco por um momento; então a realização despontou. Claro ele sabia sobre a minha mãe. “Sua mãe não tem nada a ver com isso. Eu imagino que alguém irá escoltá-la ao inferno mais cedo ou mais tarde.” Eu estava com medo de ter sido uma filha má o suficiente para rir com o pensamento. Talvez seja por isso que eu fui mandada para o inferno. “Eu não sei porque eu fui enviado para pegar você mais do que você,” ele entrou para a sua maneira ligeiramente formal. “Porque Uriel decidiu que você era para ir ao inferno ao invés do paraíso?” “Uriel? Ele é um dos quatro arcanjos, não é? O que ele tem a dizer sobre isso?” Eu consegui surpreendê-lo. “Como você sabe sobre os quatro arcanjos? A maioria das pessoas não são familiares com história bíblica.” “Eu sei mais do que você pensa,” eu disse. “É parte do meu trabalho.” “Qual é o seu trabalho?” Ele pareceu em branco. “Eu esqueci-” “Eu sou escritora. Uma romancista.” “Talvez isso explique porque você estava indo para o inferno,” Raziel disse em uma voz torta. “Cale a boca,” eu disse amavelmente. “O que Uriel tem a ver com quem precisa de uma escolta ou não? Eu não me lembro muito de qualquer coisa específica sobre ele –ele não era o arcanjo da redenção?” Ele estava olhando para mim, momentaneamente se esquecendo que eu o irritava. “Dentre outras coisas. Como você sabe essas coisas?” “Eu disse a você.” “Me lembre –o que você escreve?” Eu não me incomodei em disfarçar a minha irritação. Ele me lembrou da minha maluca mãe, mas o trabalho da minha vida era facilmente esquecível. “mistérios do Velho Testamento,” eu disse em uma voz irritável. “Eles são irônicos, claro, e com um pouco de sarcasmo, mas-” “Aí está a sua resposta. Uriel é tão implacável como um demônio, e ele não tem senso de humor.”


“Eu fui sentenciada ao inferno por escrever mistérios de assassinatos?” Eu exigi, irada. “Provavelmente. Ao menos que você tenha outros segredos escuros. Você matou alguém? Ergueu falsas imagens? Cometeu adultério? Conviveu com demônios?” “Não até hoje,” eu murmurei. “Eu não sou um demônio.” “Perto o bastante. Eu sei o que eu vi no andar de baixo. Você pode ser um anjo, mas você é um vampiro também.” Minha cabeça estava para explodir. “Nós não somos vampiros. Vampiros não existem. Nós somos comedores de sangue.” Eu tive medo de ter rolado os meus olhos com tal picuinha. “Tanto faz. Eu não estou dizendo que eu acredito em você. Eu estou tentando ser liberal sobre isso.” “Como você é liberal,” ele disse, sua voz ácida. “Além disso, você não é muito gentil para um anjo,” eu observei. “Eu pensei que anjos eram para serem doces e, er...angelicais.” “Você está pensando em termos modernos. Um anjo tem a mesma probabilidade de ser o instrumento de justiça divina com uma espada flamejante para ferir os indignos.” “E que tipo de anjo é você, precisamente?” “Caído.” Eu deveria ter passado como se estivesse chocada por agora. “Caído?” Eu repeti, sem dúvida soando um pouco lenta na absorção. “Eu acho que você ouviu o suficiente por agora,” ele disse. “Humanos tem uma limitada capacidade de absorver esse tipo de coisa.” “Quem diabos é você para me dizer o que eu posso ou não posso absorver? Você nem sequer começou a explicar o sangue e Sarah e-” Ele gesticulou com uma bonita, elegante mão. Era uma forte mão, a qual me surpreendeu. Anjos não faziam qualquer trabalho manual, eles faziam? Então eles transportavam as pessoas ao paraíso e inferno –isso não requeria particularmente qualquer força. E o que –


Era como se alguém tivesse desligado as luzes. Subitamente eu estava me deslizando para dentro de um casulo, sem som, sem luz, sem pontas afiadas ou superfícies irregulares. Eu lutei por apenas um momento, porque isso parecia como a morte, e eu não queria me encontrar até mesmo em um problema pior; então eu ouvi a rica, dourada voz de Raziel na minha cabeça: “Deixe pra lá, Allie. Apenas deixe pra lá.” Então eu deixei. *** Eu olhei para ela, sem se mover. Eu não a queria aqui, não a queria em qualquer lugar ao meu redor. Ela tinha deslizado mais abaixo ao chão, sua cabeça descansando contra o assento acolchoado do sofá, e ela parecia...deliciosa. Isso é, se eu fosse alguém mais. Ela não era o que eu precisava. Eu derramei para mim outra taça de vinho e me inclinei para trás, inspecionando-a tão desapaixonadamente quanto eu podia. O qual era mais fácil dizer do que fazer. Por toda a distância que eu estava colocando entre nós, eu não podia ignorar o fato que ela salvou a minha vida, assim certamente como eu salvei a dela do abismo do inferno de Uriel; e a infeliz verdade era que nós estávamos unidos, quer eu quisesse isso ou não. Eu sobretudo não queria, e a hora não podia ter sido pior. Eu estava pensando muito, esquecendo da regra de obediência cega, a regra que Uriel tentou forçar abaixo nas nossas gargantas, normalmente com pouco sucesso. Se eu apenas a arremessasse e partisse, minha vida seria muito mais simples, e os Caídos estariam se preparando para a retribuição angelical por cima de tudo. Era apenas bom que ela não soubesse muito sobre Uriel. Não havia dúvida que ele era um assustador filho da mãe, e ela estava provavelmente assustada o suficiente assim como estava. Embora ela não parecesse assustada. Ela simplesmente absorveu a informação que eu dei a ela, sem drama, sem histeria. Eu estava acostumado com um pouco mais de tempestade e ímpeto quando eu dizia às pessoas que elas estavam mortas. Ela só piscou seus calorosos olhos castanhos e disse, “Bosta.” Eu me estiquei no outro sofá, olhando para ela. Eu estava me sentindo melhor do que eu me senti em meses. Azazel estava certo, maldito seja. Eu precisava de Fonte, rico sangue preenchendo todos os espaços vazios dentro do meu corpo, reparando as partes quebradas, me trazendo de volta a vida. Uma vida um pouco demais, de fato. Porque eu queria fuder Allie Watson.


Ouviu isso Uriel? Eu mandei o pensamento para o exterior. Fuder e filho da mãe. Lide com isso. Ela se mexeu, quase como se ela pudesse ler a minha mente. Impossível –essa Graça era dada apenas aos parceiros unidos. Eu podia ler a dela qualquer hora que eu quisesse, mas não havia maneira que ela pudesse saber o que eu estava pensando. Eu não deveria me incomodar em tentar sentir os seus pensamentos. Eu já estava atado a ela, quer eu gostasse disso ou não. Uma coisa estava certa –eu não iria fazer sexo com ela, mesmo se eu quisesse. Mãos para fora a partir de agora, ao menos enquanto ela estivesse acordada. Mistérios do Velho Testamento. Eu bufei. Sem surpreender que Uriel a tivesse julgado. Ela era tão sortuda que tinha sido a minha vez. Ela não teria uma chance com Azazel ou qualquer um dos outros –eles a teriam arremessado sem um segundo olhar. O qual teria sido uma pena, eu pensei preguiçosamente, observando o erguer e cair dos seus seios embaixo das largas roupas brancas que Sarah tinha providenciado para ela. Ela tinha me salvado na noite passada na floresta. Se ela não tivesse escutado, se ela fugisse, os Nefilins iriam rasgá-la em pedaços e então devorariam o meu corpo paralisado. Mas ela tinha ficado. E então, quando ela pensou que os Caídos estavam me afogando, ela correu para a água para tentar me salvar. Eu ainda não podia entender porque. Ela teria se afogado se eu não tivesse respirado para dentro dela, a enchendo com...Esse conhecimento estava me fazendo inquieto, infeliz. Estimulado que ela segurava o meu fôlego dentro do seu corpo. A sensação era erótica, explícita, e poderosa. Ela segurava o meu fôlego, a minha essência, um vínculo tão intenso como se ela segurasse o meu sêmen, meu sangue. Eu estava dentro dela, e em retorno uma parte dela me clamava, me devia. Eu estava irrevogavelmente atado a ela, e eu odiava isso. Eu estava duro apenas em pensar sobre isso, e obcecado por isso, e eu tinha que quebrar o seu domínio. Eu deveria ter insistido em esperar pela cerimônia de reparação até depois que ela tivesse lidado com isso. Em meu estado esgotado, eu teria sido impermeável ao fascínio de uma humana fêmea. Não apenas qualquer humana fêmea. Mesmo em meus momentos mais vulneráveis, eu fui capaz de resistir as mais bonitas, sexuais mulheres que eu fui escolhido a escoltar. Infelizmente, eu não estava sentindo toda a resistência do corrente albatroz em volta do meu pescoço. Eu estava me sentindo...libidinoso.


Isso não era normal. Porque ela, porque agora? As coisas já estavam uma bagunça, e eu prometi não arriscar uma união com uma mulher novamente. O qual significava que meu único sexo era comigo mesmo, uma rápida, sem som liberação que me impedia de explodir em raiva e frustração. Ou com alguma humana sem nome procurando por uma noite de prazer. Uma noite que eu fazia questão que ela nunca se lembrasse. Nem eu. Toda a mulher em nosso reino escondido estava acasalada, ligada a um como nós. Não havia prole para crescer e carregar a tradição. A única maneira de uma mulher entrar em Sheol era unida a um companheiro, então eu era um merda sem sorte se eu quisesse alguém novo, o qual iria satisfazer Uriel. Qualquer coisa que causasse dor e desconforto aos Caídos traziam a Uriel...satisfação. Eu estava fracamente certo que ele era incapaz de sentir alegria. Mas agora eu estava muito cansado, muito irritável, para aparecer com qualquer possível solução ao problema de Allie Watson. Eu não podia sequer deixá-la durante noite. Colocando-a para dormir, eu clamei uma certa responsabilidade por ela, ao menos até que ela acordasse, a qualquer hora entre seis a vinte e quatro horas de agora. Mesmo se o seu sono fosse normal, eu não poderia deixá-la sozinha aqui, não até que eu extraísse a promessa de bom comportamento da parte dela. Eu não poderia arriscá-la em fugir novamente –o mar poderia levá-la, ou se ela conseguisse encontrar as fronteiras do nosso reino, os Nefilins estariam esperando. Havia apenas uma cama, e eu estava amaldiçoado se eu fosse dar a ela. Ela provavelmente dormiria ao menos oito horas. Ela deslizou mais, então ela estava deitada no chão a metade embaixo da mesa de café, sua cabeça no espesso tapete branco. Ela estaria bem onde ela estava. Eu drenei o meu vinho e segui em direção ao quarto. Eu empurrei abrindo a fileira de janelas que ficavam na frente do mar e respirei um profundo, calmante fôlego de ar. Mesmo no final do inverno com neve rodopiando para baixo, eu mantive as janelas abertas. Nós éramos impermeáveis ao frio –o calor dos nossos corpos automaticamente se ajustava. O som das ondas do oceano era tranqüilizador, e o ar frio da noite me lembrou que eu estava vivo. Eu precisava da lembrança das coisas simples que compensavam a minha vida. Eu tirei as minhas roupas e deslizei para baixo no fresco lençol de seda. Meu braço ainda palpitando onde o envenenamento tinha entrado, mas o resto de mim tinha curado


corretamente, graças da água salgada e do sangue de Sarah. Meu braço e pênis palpitavam –e ambos eram culpa de Allie Watson. Eu fechei meus olhos, determinado a cair no sono. Eu não podia. Eu continuei visualizando-a no chão, morta para o mundo. Ela teve uns pares de dias difíceis também. Eu sabia que ela tinha se curvado perto de mim no chão duro na noite anterior –eu estive vagamente consciente disso através da neblina de dor, e eu estive confortável. Depois de uma hora eu desisti, saindo da cama eu desejei e segui para a porta. No último minuto eu pausei e coloquei um par de jeans. Nudismo não era algo que significava muito em Sheol, e eu não me importava em preservar o pudor dela. Era a minha própria tentação que eu estava tentando evitar. Mesmo cuecas boxers de seda ou calças de pijama eram muito finas, muito fáceis de escorregar para fora. Esse jeans tinha botões, não um zíper, e levaria um esforço maior para tirá-lo. Me dando tempo o suficiente para pensar duas vezes sobre fazer um movimento tão tolo. Eu empurrei a porta aberta e andei de volta para a sala de estar. Estava iluminada apenas pela incerta luz da lua refletida para fora do mar, e ela era apenas uma forma encolhida nas sombras. Eu me inclinei e a peguei para cima em meus braços. Ela era mais pesada que algumas –embora não o suficiente para se notar –seu peso não era um problema maior do que carregar um pedaço de pão seria para um humano. Eu a carreguei para dentro do meu quarto e cuidadosamente a coloquei abaixo na cama. Ela teria que acumular a sua histamina –ela não tinha sido capaz de correr muito rápido, e ela esteve sem fôlego depois de apenas três lances de escada. Ela era uma garota mimada da cidade, não acostumada realmente a se mover Ela tinha um bonito corpo. Seus seios eram cheios, sedutores, e seus quadris alargados a partir de uma cintura bem definida. Pelos padrões atuais, ela deveria ser considerada talvez cinco a sete quilos acima do peso. Pelos gostos da Renascença, ela seria considerada magricela. A Renascença tinha sido um dos meus períodos favoritos. Eu me diverti tremendamente –a arte, a música, a criatividade que parecia lavar sobre qualquer um. E as mulheres. Cheias e luxuriantes e lindas. Eu provei um grande número delas antes de eu cometer o erro de me apaixonar por uma, apenas para perdê-la. Eu não teria escolha além de observar a minha amada Rafaela envelhecer; voltando então, tolamente, eu teria


saudado a chance. Mas ela correu para mim, certa que eu fosse querê-la quando ela parecesse décadas mais velha do que eu. Ela morreu antes de eu encontrá-la novamente. Muitas mulheres, muitas perdas, cada bocado de dor uma dádiva ao meu inimigo. Uriel. Eu não iria passar por isso novamente. Se Allie Watson fosse ficar –e nesse momento eu não podia pensar em qualquer outra opção –então ela teria que aprender a manusear todas essas escadas. Sheol não era construído para convidados, e por agora ela era a minha responsabilidade. Eu não poderia dar ao luxo de mimá-la. A picante brisa salgada do oceano enrugou o meu cabelo, e eu me lembrei que humanos eram mais suscetíveis ao frio. Eu coloquei o lençol sobre ela –provavelmente uma boa idéia de qualquer modo. E então me deitei ao seu lado. Era uma cama grande, e ela não iria se mexer no seu sono, migrar para o meu lado. Ela deitava perfeitamente imóvel até que essa particular Graça se desgastasse. Enquanto os meus sonhos não me movessem em direção a ela, eu estaria salvo. E mesmo se eles me movessem, eu acordaria tempo suficiente para que eu pudesse fazer algo a respeito disso. Eu esperava que a Graça fosse durar todas as vinte e quatro horas –eu precisava de tanto tempo quanto fosse possível para lidar com a situação. Não que ela fosse considerar esse particular sono comatoso uma Graça, mas esse era o termo abrangente para qualquer uma das coisas extraordinárias que nós éramos capazes de fazer. A Graça do sono profundo era uma das menos perigosas. A Graça para obscurecer a mente de humanos poderia ter muito mais conseqüências ao longo prazo. Eu me estiquei, fechando meus olhos. Ela deveria ter o cheiro do sabão de flores que as mulheres aqui usavam em seus banhos. Ela deveria ter cheiro como todas as outras mulheres, mas ela não tinha. Ela tinha a sua própria essência, erótica essência por baixo das flores, algo que a fazia sutilmente diferente. Algo que me manteve acordado enquanto minha mente exausta conjurava todos os tipos de possibilidades sexuais. Eu olhei sobre a figura comatosa. Ela parecia mais nova, mais bonita, quando ela estava dormindo. Mais doce, quando eu sabia que ela não era nada além. Ela era uma bombarelógio, nada além de problema, e ainda de alguma forma eu fiquei amarrado a ela.


Eu me sustentei para cima em um cotovelo, olhando abaixo para ela. Eu poderia pegar de volta o meu fôlego dela, afrouxar o domínio que ela parecia ter sobre mim? Eu movi a minha boca sobre a dela, sem muito tocar, e suguei o seu suave fôlego para dentro dos meus pulmões. E então eu superei a pequena distância e descansei a minha boca aberta contra seus lábios, pego pela súbita urgência de prová-la. Eu me afundei de volta na cama, xingando a minha própria estupidez. Eu me senti dentro dela, senti meu fôlego dentro do seu corpo, a conexão inescapável. Ao tentar tomar de volta isso dela, eu simplesmente trouxe ela para dentro do meu corpo, completando o círculo. Eu podia sentir a sua respiração dentro de mim agora, curvando-se em meus pulmões, espalhando para fora no meu sangue que corria através de mim. Eu arremessei um braço sobre meus olhos. Uriel estaria gargalhando agora. Como se as coisas não estivessem ruins o suficiente, eu tinha acabado de fazê-las quantitativamente piores. Eu não podia pensar direito agora. Amanhã eu falaria com algum dos outros. Não alguém tão frio e prático como Azazel. Michael, Sammael, Tamlel, iriam olhar para as coisas com mais flexibilidade. Haveria algum lugar para mandá-la, onde ela estaria segura e eu não teria que pensar sobre ela. Mais cedo ou mais tarde um novo fôlego iria substituir o dela no meu corpo, e a conexão estaria quebrada. Não estaria? Eu gemi, um suave som, embora se eu tivesse gritado ela ainda estaria dormindo. Iria ser uma fudida longa noite.


Cap Capítulo 9

A

ZAZEL SENTOUSENTOU-SE NO GRANDE SALÃO, SOZINHO NO ESCURO. Nenhum dos Caídos sabiam do fardo que ele carregava. Ele podia sentir todos eles – suas necessidades, suas dores, sua dúvidas. Seus segredos.

Era melhor que eles não soubessem. Ele não iria colocar isso adiante de qualquer um deles, Raziel em particular, para descobrir uma maneira de bloquear ou controlar seus pensamentos, e que o colocaria em uma desvantagem que os Caídos não poderiam permitir. Apenas Sarah sabia. Sarah, a Fonte do seu Alpha, a calma voz da sabedoria, a única com quem ele jamais poderia deixar. A única. Os séculos, os milênios, desde que eles tinham caído e desvanecido dentro da névoa. O número de esposas que ele teve tinha desvanecido desvanecido também, mas ele se lembrava de cada rosto, cada nome, sem importar o quanto curto fosse o tempo que elas passaram em sua vida sem fim. Houve Xanthe, com olhos que gargalhavam e cabelo no comprimento do tornozelo, que morreu quando ela tinha quarenta quarenta e três. Arabella, que viveu até ela ter noventa e sete. Rachel, que morreu dois dias depois deles se vincularem. Ele tinha amado todas elas, mas nenhuma tanto quanto ele amava a sua Sarah, seu coração, seu amor. Ela estava esperando por ele, calma e inquestionável, inquestionável, sabendo o que ele precisava. Ela sempre soube. Porque de todas as coisas que ele precisava, ele precisava dela muito mais. Ela não deixaria que ele se livrasse da mulher de Raziel, mesmo embora fosse a coisa mais fácil a se fazer. A garota queria queria partir, e ele pode ver que ela queria. Os Nefilins iriam se dispor do que restasse dela se ela fosse além das ondulantes fronteiras de Sheol. Ao menos, ele assumiu que sim. Eles predavam os Caídos e suas esposas, e ela não era nenhum dos dois. Ele não confiava nela, não confiava na sua inesperada presença em um lugar que não permitia estranhos.


Ele se inclinou para trás na poltrona ornada e entalhada, tentando ouvir a voz distante que vinha tão raramente. A voz presa dentro da terra, aprisionada pela eternidade, ou assim a história dizia. Azazel escolheu não acreditar nessa história, não quando ele ouviu a voz do primeiro Caído responder as suas mais impossíveis perguntas. Lucifer, o Portador da Luz, o mais amado dos anjos, ainda estava vivo, ainda preso. Ele podia liderar as forças do paraíso ou do inferno, o único que tinha a chance contra o vingativo, todo poderoso Uriel e as depravadas criaturas que o serviam. Mas enquanto a prisão de Lucifer fosse escondida, enquanto ele fosse cuidadosamente vigiado pelos soldados de Uriel, não haveria chance de resgatá-lo. E sem Lúcifer para liderá-los, os Caídos estavam presos em um ciclo de dor sem fim. Amaldiçoados a assistir suas amadas esposas envelhecerem e morrerem, nunca conhecendo a felicidade das crianças, e viverem com a ameaça dos Nefilins constantemente em suas fronteiras, prontos para invadir seu complexo pacífico. E esperar, sabendo que Uriel iria enviar suas pragas sobre eles a qualquer provocação. Azazel se empurrou para trás dos antigos pergaminhos e manuscritos, exausto. Havia pistas ali, talvez mesmo respostas, mas ele tinha ainda que encontrá-las. Ele as estudou até a sua visão desfocar, e o dia seguinte o processo cansativo iria começar novamente. Não havia respostas essa noite. Ele levantou, sinalizando para as luzes permaneceram baixas, e foi em direção a enorme expansão das dependências que sempre foram dele. Sarah estava sentada em cima da cama, lendo. Seu cabelo prateado deitado em uma espessa trança sobre o seu ombro; um par de óculos estava empoleirado no final do seu perfeito nariz. Sua pele cremosa era lisa e delicada, e ele ficou em pé a observando, cheio com o mesmo amor e desejo que ele sempre sentiu. Uriel nunca foi tentado como os outros foram, um atrás do outro, caindo da graça. Uriel não tinha amado ninguém além de Deus, quem ele considerava infalível exceto pelo estúpido erro de ter feito os humanos. Uriel desprezava as pessoas. Ele não tinha misericórdia pelas suas fragilidades, sem amor pela música de suas vidas, a beleza de suas vozes, a doçura do amor que eles podiam dar. Tudo que ele conhecia deles era ódio e desespero, e ele os tratava por conseqüência. Sarah olhou para ele sobre seus brilhantes coloridos óculos de leitura, colocando abaixo o seu livro. “Você parece exausto.”


Ele começou a tirar suas roupas. “Eu estou. O problema está chegando e eu não sei o que fazer sobre isso. Nós não podemos lutar com Uriel –nós não estamos prontos.” “Nós não saberemos até isso acontecer,” ela disse em sua voz tranqüilizadora. “Uriel esteve procurando por uma desculpa por séculos. Se a garota é o catalisador, então deixe acontecer.” Azazel rolou seus ombros, afrouxando a tensão ali. “Raziel não a quer, e ela não pertence aqui. Eu podia me livrar dela quando ele não estivesse olhando, levá-la de volta onde Uriel definiu que ela deveria ir. O problema estaria resolvido, e nós poderíamos esperar até estarmos melhores preparados...” Sarah tirou os óculos do nariz e os colocou ao lado da cama. “Você está errado, amor.” “Você me diz isso freqüentemente,” ele disse. “Você acha que eu não deveria me livrar dela? Eu tenho o direito de mandá-la de volta.” “Claro que você tem. Você tem muitos grandes direitos que você não deveria exercer. Raziel está mentindo para si mesmo. Ele a quer. Isso o está assustando.” “Você acha que Raziel está com medo? Eu desafio você a dizer isso a ele.” “Claro que eu diria a ele, e você sabe disso. Ele não teria raiva de mim como ele teria de você. o Alpha pode ser desafiado. A Fonte é apenas isso, a fonte de sabedoria, conhecimento, e sustento. Se eu disser a ele que ele a quer, ele vai acreditar. Mas eu acho que seria melhor se ele descobrisse por si mesmo.” “Ele não quer se atar novamente,” Azazel argumentou. “Perder Rafaela foi muito difícil para ele. Uma perda muito grande.” “Me perder vai ser difícil para você, amor, mas você vai se acasalar novamente, e logo.” “Não.” Ele não podia suportar a idéia de uma época em que Sarah não estivesse aqui. Sarah com a rica, luxuriosa boca, o maravilhoso, flexível corpo, a pele cremosa. As mulheres em Sheol viviam longas vidas, mas elas eram meramente um piscar de olhos comparadas com as vidas sem fim dos Caídos. Ele iria perdê-la, e o pensamento era torturante. Ela deu a ele um completo, sorriso doce. “Venha para a cama, amor. Nós não precisamos pensar sobre isso por um longo tempo.”


Ele deslizou ao lado dela, colocando-a contra ele, empurrando uma perna entre as dela, seus longos dedos acariciaram a lateral do seu rosto, seu pescoço, a elegante clavícula. “O que você está vestindo?” ele sussurrou contra a sua pele. Ela gargalhou, um baixo, sexy som. “Uma camisola, claro.” “Tire isso.” Ele estava nu –ele a queria nua também. Ela se sentou e o obedeceu, arrancando-a sobre a sua cabeça e lançando-a ao chão. Ela a pegaria pela manhã, antes da arrumadeira chegar. Ela não gostava de ter alguém a servindo, mas sobre esse assunto, ele a venceu. Ela tinha demandas suficientes para si, fornecendo a força sustentável de sangue para os sem companheiras. Ela deitou de volta, um sorriso em seus olhos, e deslizou seus braços em volta dele. Ela enterrou o seu rosto contra o pescoço dele, e ele pode sentir o seu dente beliscando levemente na sua pele. Ele a beijou, duro e profundo, e ela se puxou para ele, suas mãos inquietas. “Rápido,” ela sussurrou. “Sem preliminares?” ele provocou. “Eu estive pensando em você pelas últimas duas horas. Isso são preliminares suficientes.” Ele gargalhou, a rolando embaixo dele, se empurrando dentro dela. Suas costas arquearam, e ele pode sentir o primeiro tremor do seu orgasmo se apertando ao redor dele. Ela sabia como controlar, contê-lo para que ela não o fizesse perder o controle. Seus ritmos estavam perfeitamente sincronizados, uma elegante dança que culminou em um choque de prazer. Esse era fracamente diferente. Ele sentiu a sua urgência, quando eles normalmente levavam todo o tempo que eles queriam. “Porque a pressa, amor?” ele sussurrou. Ela não respondeu por um momento, e ele pode ver a sombra de uma velha dor em seu lindo rosto. “Eu tenho medo que nós estamos esgotando o tempo,” ela disse finalmente, sua voz tão baixa que ele mal pode ouvi-la. “Nunca,” ele disse. “Pare de pensar.” O seu sorriso era fraco, amável, uma das coisas mais eróticas sobre ela. “Agora,” ela sussurrou.


Ele não hesitou. Suas presas deslizaram abaixo e afundaram dentro do seu pescoço, encontrando o doce ponto que ele conhecia tão bem. O sangue era espesso, rico em sua boca, e ele sentiu os espasmos começarem a tomar conta, sentiu a própria desamparada resposta dela enquanto as suas asas desdobravam. Ele rolou de lado, levando-a com ele, seus dentes nunca deixando a gentil palpitante veia, seu pênis enfiado profundo nela e suas asas abraçando em torno dos dois, prendendo-os juntos enquanto ele se entregava ao único tipo de morte que ele alguma vez conheceu.


Cap Capítulo 10

E

U ABRI MEUS OLHOS E GEMI. EU ESTAVA DEITADA DE LADO SOBRE uma grande, cama desarrumada, ainda completamente vestida – e estava sozinha.

Eu realmente tinha um hábito irritante de acordar instantaneamente, alegremente, sem necessidade de café ou um silêncio abafado para me preparar para o dia. Era completa sorte que eu tivesse sobrevivido aos meus anos de faculdade –mais do que um colega de quarto esteve pronto para me bater até a morte pela minha tendência em balbuciar pela manhã. Hoje eu poderia ter usado um pouco de obscuridade. Eu havia de fato dormido naquela cama de homem, embora eu não estivesse muito certa como eu cheguei ali. Na noite noite passada eu me lembrei que estive caindo no sono na sala de estar, e aqui estava eu esticada nos seus lençóis, sentindo-me sentindo me fisicamente aconchegada e mentalmente baratinada. Eu não estava acostumada a homens me transportando para a cama e depois não fazendoo nada sobre isso. Realmente, eu não estava acostumada a homens me transportando para a cama de nenhuma forma. Exceto que ele não era um homem, ele era? Ele era algum tipo de monstro, ou besta mitológica, ou uma mistura bizarra de ambos, mas ele definitivamente definitivamente não era humano. E eu mantive a firme crença que namoro inter-espécies inter espécies não era uma boa idéia. Eu verifiquei o meu pescoço, apenas para ter certeza, mas não havia misteriosa ferida de punção; e longe de me sentir tonta pela perda de sangue, eu estava me sentindo positivamente energizada, mais do que o meu usual salto da manhã. O impensável tinha acontecido, a pior coisa imaginável. Tinha sido um pesadelo surreal. Eu estava morta com um monte de vampiros que pareciam ter te emergido dos livros apócrifos25 doo Velho Testamento.

25

(livros apócrifos –Apócrifos Apócrifos são chamados os livros que apesar de atribuídos a um autor sagrado, sagr não são aceitos como os canônicos, ou seja, os que fazem parte do catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica. O termo


Era um pouco de se admirar que eu estivesse me sentindo desorientada. O que eu não poderia entender era porque eu estava tão alegre. A coisa boa sobre esse total desastre –ao menos não havia nenhum lugar para ir mais acima. Talvez isso fosse simples assim. Ou talvez, apenas talvez, tinha algo a ver com o homem –caramba, eu não conseguia parar de pensar nele dessa maneira –que me trouxe aqui. Não que ele estivesse muito satisfeito em ser sobrecarregado com a minha inesperada presença. Que merda –era culpa dele que eu terminei neste cruzamento de território de Valhalla e Anne Rice26. A coisa boa era, Raziel não parecia ter nenhum interesse em meu charme muito-longede-ser irresistível, sexual, social ou diversos. De tudo que eu sabia, as pessoas como Raziel eram impotentes. Depois de tudo, ninguém parecia ser capaz de procriar. Isso parecia infeliz. O calor entre Azazel e sua esposa tinha sido palpável, apesar da disparidade de suas idades. Talvez Raziel simplesmente não estivesse interessado em mulheres. Ou, mais provável, não interessado em mim –ele dificilmente seria o primeiro que falhou em apreciar meu particular tipo de carisma. Eu caí no sono no chão da sala de estar e ele deve ter sido amável o suficiente para me carregar até a cama, entretanto até agora a gentileza não tinha sido uma parte importante na sua personalidade. Ele me deixou sexualmente e hematologicamente intocada, graças a Deus. Que maior prova eu precisava da sua falta de interesse. Eu tinha coisas mais importantes a considerar. Eu precisava ir ao banheiro; eu precisava de um banho. Na noite passada eu não tinha parado para pensar sobre a morte ou mortosvivos tendo efetivas funções corporais. Tudo que eu sabia era que eu certamente tinha. Eu me rolei para fora da enorme cama, aterrissando meus pés descalços no frio piso de mármore. O quarto estava escuro, as sombras se arrastavam contra o brilho do sol. Havia uma porta para fora do outro lado, e eu segui para ela. Eureca! Um banheiro com uma banheira enorme, um chuveiro feito para gigantes, toalhas densas, e mesmo uma privada. Se a vida após a morte continha um banheiro como esse, não poderia ser tão ruim. Eu segui o aroma de café até a pequena cozinha, me abraçando para confrontar Raziel, mas o local estava deserto. Havia café na branca garrafa térmica, e eu enchi uma das canecas, apócrifo, é comumente usado para a coleção de 14 ou 15 livros ou partes de livros que em algum tempo foram colocados entre os livros do Velho e do Novo Testamentos.) 26 (Valhalla -na mitologia nórdica ou escandinava é o local onde os guerreiros vikings eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha.) (Anne Rice –escritora norte-americana, autora de séries futuristas e de terror e fantasia entre elas Entrevista com Vampiro.)


olhando ao meu redor com clara curiosidade. As coisas não pareciam de perto tão bizarras como elas tinham sido ontem –incrível o que uma boa noite de sono poderia fazer por você. Eu me movi para a fileira de janelas na sala de estar, olhando fora para o mar. Estava com névoa, frio, a rica essência salgada espessa no ar. Onde Raziel tinha ido? E ele realmente esperava que eu ficasse aqui como uma boa garota, aguardando meu mestre retornar? Sem chance. Eu encontrei alguns sapatos brancos que pareciam algo como um delicado par de Crocs e os coloquei, então segui para a porta. Eu pausei, olhando abaixo aos intermináveis lances de escadas, e deixei sair um gemido sincero.

27

Descer seria mais fácil do que subir, mas se eu descesse aqueles quarenta milhões de lances de escadas traiçoeiros, mais cedo ou mais tarde eu teria que voltar. Porque eles não tinham elevadores nessa outra vida? Talvez a maioria das pessoas apenas voasse. Não, apenas os homens podiam. “Bastardos sexistas,” eu disse com um fungar. Talvez eu pudesse pedir uma carona com um dos mais amigáveis. As escadas eram intermináveis, desertas enquanto eu descia. Não foi até quando alcancei o terceiro andar que eu comecei a caminhar para...o que quer que eles fossem. Anjos caídos, vampiros, comedores de sangue, transportadores do inferno. Vilões das revistas em quadrinhos. Nenhum deles pareceu particularmente feliz em me ver. Então não era somente Raziel que ressentia a minha presença. Eu dei a cada um deles o meu sorriso alegre e uma amigável saudação, e pela maior parte foi recebido com uma fria indiferença. Ótimo. Nenhum vagão de boas-vindas aqui. Nenhum sinal da esposas Perfeitas, também, que por agora pareciam ser muito malditamente normais e amigáveis. Elas estavam presas em algum tipo de harém enquanto os homens andavam para os seus tão-importantes negócios? Eu iria terminar ali? Claro que não. Haréns eram para as esposas e cônjuges, não para fêmeas inconvenientes que ninguém queria. Eu finalmente alcancei o final daquelas intermináveis escadas, terminando em um compacto corredor. Era aberto em um fim, levando para fora ao mar agitado, o qual me chamava e eu fui em direção a ele, algo semelhante a alegria erguendo em meu peito, quando eu fui levada rapidamente para a última pessoa que eu queria ver. 27

(Crocs –calçados americanos de borracha)


Não Raziel, que tinha seu próprio charme duvidoso. Mas Azazel o Resmungão, o líder dessa feliz banda. E ele estava olhando para mim como se eu carregasse todas as pragas do Egito. “O que você está fazendo aqui?” ele exigiu. “Procurando por Raziel,” eu disse, uma completa mentira. Eu não queria vê-lo mais do que ele queria estar perto de mim, mas eu não pude pensar em mais nenhuma outra desculpa. O mar estava me chamando, e eu tentei andar de lado passando por ele. “Eu acho que ele pode estar lá fora na água-” Ele me bloqueou. “Ele não está. Volte para as suas dependências e aguarde por ele.” Eu não gostava de Azazel. “Eu não sou uma das esposas obedientes, e eu certamente não vou me esconder como alguém em um harém. Eu vou sair até a água, e eu sugiro que você não tente me impedir.” No momento em que o desafio estava fora da minha boca, eu me arrependi. Eu me esqueci que esses não eram os Nova-iorquinos metrossexuais que eu estava lidando. Azazel congelou, e eu me perguntei futilmente se esses anjos caídos eram capazes de golpear uma piranha. Se sim, eu estava em uma profunda merda. “Allie!” Sarah subitamente apareceu atrás de mim, enfiando o seu braço no meu. “Tão bom ver você está manhã. Você não está feliz em ver a Allie, meu amor?” Azazel olhou furiosamente. “Não.” “Não preste nenhuma atenção nele, minha querida,” Sarah disse tranquilamente, me conduzindo para longe dele. “Ele tem muito na sua mente, e ele tende a ficar de mau-humor pela manhã. E à tarde também,” ela adicionou pesarosamente. “Existe algum outro momento quando ele não está irritável?” Eu perguntei com uma usual falta de tato. “Nem sempre,” Sarah disse. “Ele tem muitas responsabilidades. Agora, deixe-me encontrar alguém que saberá onde Raziel foi. Ele está provavelmente lá em cima nas cavernas – ele gasta a maior parte do seu tempo ali.” “Eu admito, ele tem tendências de morcegos. As roupas pretas.” “As asas,” Sarah adicionou alegremente, então viu a minha expressão. “Oh, você ainda não viu as suas asas? Eles são muito...impressionantes. Um profundo, azul furta-cor. Você vai amá-las.”


“Eu duvido disso.” Sarah sorriu. “Vamos encontrar alguém para ajudar. Eu não sou autorizada a subir lá ou eu levaria você. Além disso, comigo você teria que andar e isso levaria dias. Venha comigo.” Ela me guiou, abençoadamente, em direção a porta aberta e ao mar. Eu parei por um momento, cega pela luz do sol, e deixei a fresca brisa salgada me lavar como uma benção –como uma carícia de um amante. Eu abri meus olhos para ver Sarah me observando com um fraco sorriso. “Você se encaixa bem aqui,” ela disse. “Eu não tinha percebido o quanto eu amo o mar.” “Não é apenas isso.” Mas antes que eu pudesse perguntá-la o que ela quis dizer, ela começou a andar em direção a dois homens que estavam em pé na brilhante luz do sol, observando a nossa aproximação. “Eu ainda não posso entender porque eles não se transformam em pilhas de cinzas,” eu murmurei. “Eu achei que vampiros não podiam suportar o sol.” Sarah gargalhou. “Vampiros são um mito.” “E anjos caídos que bebem sangue são parte de realidade televisiva?” “Realidade televisiva é um mito também, do que eu ouvi. Eu iria sugerir que você reserve o julgamento. Tamlel, Sammael,” ela os cumprimentou, e os dois se curvaram. Raziel era tão ridiculamente deslumbrante que fazia os meus joelhos se enfraquecerem, e a severa beleza de Azazel era impressionante. Esse dois eram malditamente lindos também, e por um momento eu me perguntei se você poderia ser gay na outra vida. Um deles era mais velho, com cabelo castanho escuro amarrado para trás, animação em seus olhos. O mais novo era loiro e angelical, e era provavelmente minha imaginação que ele pareceu levemente carrancudo. Eles cumprimentaram Sarah com entusiasmo, mas era claro que eles estavam inseguros sobre mim. “Esta é Allegra,” Sarah disse. “Mas vocês já sabem disso. Allie, esse é Tamlel, geralmente considerado o responsável pelas escribas. E o mais novo é Sammael.” Ele estava olhando para mim com expressão de mau humor, e eu sempre tive pouca paciência por adolescentes mal-humorados. Embora esse adolescente em particular tivesse provavelmente centenas de anos. “E você é o responsável pelo que?”


Houve um momento de silêncio, e então Sarah falou. “De fato, ele é um dos anjos da morte. Mas uma vez que os Caídos têm vida eterna, ele não tem tido muita coisa a fazer desde quando ele caiu. Nossa única conexão com os humanos é levá-los para a sua última casa.” “Um dos anjos da morte?” eu ecoei. “Como Raziel?” “Raziel não é um anjo da morte.” “Você poderia ter me enganado,” eu resmunguei, pensando de volta naquele ônibus. “O que ele está fazendo agora –matando alguém novo?” Tamlel pareceu aflito. “Nós não matamos. Nós somos encarregados por transportar-” “Deixa pra lá.” Eu fiquei com pena dele. “Raziel é o anjo do conhecimento e mistérios,” Sarah disse pacientemente. “Ele mantém o segredos de todos os tempos.” “Típico do sexo masculino,” eu murmurei. Sarah gargalhou, e até mesmo Tamlel sufocou um sorriso. Sammael, contudo, manteve uma expressão de pedra. “Poderia um de vocês levar Allie até Raziel? Ele não deveria tê-la deixado sozinha no seu primeiro dia conosco.” “Quanto tempo ela vai ficar?” Sammael exigiu em um tom menor apenas da grosseria. Eu imaginei que se você fosse um anjo da morte, você poderia se afastar com isso. “Nós não sabemos ainda. Há coisas mais importantes para se preocupar nesse momento. A presença dela entre nós será tratada quando for a hora certa.” Isso não soou particularmente promissor. Eu não estava com o humor de ser tratada, e ninguém além de Sarah parecia exatamente prazeroso em me ver, embora ao menos Tamlel estivesse tentando, Deus o abençoe. “Eu temo que eu prometi ajudar Michael na sala de armas,” Tamlel disse. “Contudo, Sammael ficará mais do que feliz em servir.” Sammael não parecia feliz em fazer nada, mas talvez isso fosse porque ele se parecesse como um adolescente. Mas claramente ninguém disse não a Sarah. “Obrigada, Sammael. Eu vou levar Allie de volta lá para cima –ela vai precisar de roupas mais quentes se ela vai para dentro das cavernas, e eu desejo falar com ela. Você pode se unir a nós em uma hora.” Sammael se curvou em concordância, e nós começamos a voltar em direção a casa.


“Eu estou preocupada com ele,” ela disse em uma voz baixa. “Raziel? Ou Sammael?” Ela gargalhou. “Raziel. Sammael sempre foi assim. Os Caídos são eternos –eles tendem a não mudar.” “Ótimo,” eu disse. Noite passada Raziel tinha me tratado como uma intrusa indesejável, quando dificilmente era minha culpa que eu estivesse ali. Eu não fantasiei em gastar a eternidade me sentindo fora do lugar. Mas aparentemente não eram as mulheres que eram eternas, apenas os malditos homens. Eu olhei para Sarah enquanto nós subíamos. Ela parecia humana, normal, amigável. Não havia marcas do que quer que fossem no seu pulso, o pulso que esteve pingando sangue para dentro da boca de Raziel. Engraçado. A cultura popular sempre pareceu sugerir que vampiros –desculpe-me comedores de sangue –fossem sexuais, que o beber sangue era um ato erótico. Na retrospectiva, as cenas da noite passada tinham parecido mais como uma mãe alimentando o seu bebê. Embora eu duvidasse que Raziel fosse gostar de ser visto como um filhote felpudo. “Você está certa que subir até as cavernas é uma boa idéia?” Eu disse inquieta. “Eu não acho que Raziel estará particularmente feliz em me ver.” “Raziel consegue ficar longe demais do tempo,” ela disse em sua tranqüila voz. “Jarameel normalmente é aquele que tem as visões, mas ele se foi há muito tempo, e as minhas próprias são lamacentas e não claras. Mas eu sei que você está aqui por uma razão, e essa razão tem a ver com Raziel.” Não havia muito que eu podia dizer em resposta a isso. “Okay.” Eu deixei a palavra assentar por um momento. “Então o que ele está fazendo lá em cima nas cavernas?” “Ele está fazendo o que todos estão fazendo. Ele está procurando pelo Primeiro,” ela disse. “O primeiro o que?” “O Primeiro dos Caídos.” Nós chegamos a outro patamar, e eu estava surpresa em perceber que nós estávamos quase no topo. Era muito menos torturante com Sarah ao meu lado. “Vocês estão procurando por Lúcifer? Porque? O que aconteceu com ele?”


Ela pareceu assustada. “Eu esqueci que você era uma estudiosa da bíblia.” Tudo bem, eu poderia ficar envergonhada. “Dificilmente. Eu escrevo –eu escrevia mistérios do Velho Testamento. Eu tenho uma certa quantidade de conhecimentos básicos, mas para o resto eu apenas ‘Googleava’ o que eu precisava saber.” “Googleava?” Eu percebi com um súbito horror que eu não tinha visto um computador em nenhum lugar. Talvez isso fosse o inferno. “Pequisar,” eu esclareci. “Ah, sem surpreender porque Uriel odeia você,” ela disse. “Ele leva a história muito a sério. Ele leva tudo muito a sério.” “Eu não entendo sobre Uriel. O que ele tem a dizer sobre as coisas?” “Tudo. Quando Deus deu à humanidade o livre arbítrio, ele deixou Uriel no comando. E Uriel é...” Por um momento as palavras falharam dela, e o olhar em seus olhos era desolador. “...bastante implacável. A sua resposta para tudo que sequer insinue o mal é destruí-lo. E ele vê o mau em tudo.” Nós tínhamos parado pelo momento, e eu considerei as conseqüências de tal atitude. “Isso não soa muito bom para o futuro da humanidade.” “Não é bom para o futuro da vida de qualquer forma.” Ela empurrou abrindo a porta na nossa frente. “É por isso que nós procuramos por Lúcifer.” O despojado apartamento branco estava apenas tão limpo e silencioso como ele esteve quando eu o deixei. Eu me afundei abaixo em um dos sofás completamente brancos. “Então onde está Lúcifer?” Ela suspirou. “Ele está em algum tipo de estase28, e esteve por milênios, desde que Deus proferiu a primeira sentença a ele. Ele está consciente, acordado, mas ninguém pode chegar até ele. Apenas o meu marido e Raziel são capazes de ouvi-lo, e as cavernas nas montanhas são o único lugar silencioso o bastante para Raziel escutar. E pelo que nós queremos com ele –os Caídos querem que ele os lidere enquanto eles podem derrotar Uriel.” Eu pisquei. Quanta sorte a minha –eu morri, e ao invés de ir para um lugar após a vida pacífico, eu fiquei presa no meio de um angelical coup d’état29. Eu puxei as minhas pernas para cima e as coloquei embaixo de mim, abraçando meus joelhos, e lançando um olhar ao 28

(estase - implica, sobretudo em ficção científica, uma pausa artificial que interrompe todos os processos físicos e químicos, incluindo os de vida, que volta a ser se não houver interrupções, logo que a estase é encerrada.) 29 (coup d’état –golpe de estado)


prato de muffins de morango que estavam colocados na mesa de café. Antes que eu pudesse alcançá-los, Sarah continuou, “Pergunte a Raziel sobre isso. Ele provavelmente vai pensar que eu já lhe disse muito. Você sabe como os homens podem ser.” Eu estava pronta para fazer um comentário sarcástico –o quanto Raziel tinha mostrado a sua pequena inclinação em me contar qualquer coisa –mas eu me impedi. “Você chamou ele de homem. Ele é?” “Um homem? Oh, com certeza. Quando os anjos caíram, eles levaram a forma humana junto com as suas maldições.” “Humanos não são imortais. Humanos não são amaldiçoados. Eles não podem voar e eles não...” Eu hesitei. Uma vez falado, isso seria muito real. “Eles não bebem sangue.” A gargalhada rápida de Sarah tirou o ônus disso. “Não seja exigente. Chame-os do que você desejar – eles são muitas coisas, como você já sabe.” Ela se moveu para a janela. “Eles são amaldiçoados, e a maldição é profunda. Se você entender isso, vai fazer as coisas mais fáceis para você.” Eu encarei por muito tempo os muffins de morango. Se eu comesse um, eu ficaria muito pressionada a comer três, e isso iria superar a minha contagem de caloria por um dia. “Porque você não come um muffin?” ela perguntou, mistificada. “Você tem olhado para eles desde que a gente chegou.” “Eu não me atreveria. As comidas aqui são muito malditamente boas –eu vou acabar parecendo como um balão.” Sarah gargalhou. “Essa é uma das vantagens de viver aqui. Você não precisa se preocupar sobre dieta. As mulheres podem não ser imortais, mas nós ainda conseguimos viver muito mais do que a maioria dos humanos vivem. É quase impossível nos matar. Enquanto isso o seu colesterol, pressão sanguínea, taxa de açúcar no sangue, e tudo mais será um perfeito compêndio.” “Exceto que eu não sou mortal, eu estou morta. Eu não estou?” A testa de Sarah enrugou. “Eu não sei se alguém mais está certo sobre o que você é. Você é algo original, e nós ainda temos que descobrir o seu propósito. Mesmo assim, eu acho que todos nós passamos por uma grande mudança quando chegamos aqui. Aquelas que chegam como esposas e companheiras atadas se tornam quase invulneráveis. Eu não acho que há uma gripe ou um resfriado aqui em gerações. Nós vivemos vidas muito longas –eu nasci no início do século passado, eu tenho um corpo de uma sessentona extremamente saudável, e eu espero viver ao menos outros cinqüenta anos. É similar para o restante de nós.


A boa notícia é que nós podemos abrir mão de óculos, lentes de contato, medicamentos para alergia, e dieta.” “Como você pode saber algumas coisas e não saber outras, como lentes de contato e Ben & Jerry30, mas não saber o que é Google?” eu perguntei, confusa. “Isso depende no que a mais nova esposa traz para nós. Eu não acredito que Carrie tenha mencionado o Google mas ela era muito apaixonada por sorvete.” “E eu também.” “Bem, você ficará muito feliz em saber que você não terá que se preocupar sobre ganhar peso. Você vai ficar exatamente do mesmo jeito que você está agora.” “O que?” Eu estava horrorizada. “Eu ainda estou com sete quilos a mais. Você está me dizendo que eu serei assim por toda a eternidade?” Sarah gargalhou e afagou a minha mão. “Não se preocupe –são sete quilos saudáveis. E Raziel deve gostar deles.” Eu olhei para ela. “O que isso tem a ver com tudo? Ele sequer ficar por perto tempo o suficiente para dizer bom dia. Além disso, eu não gosto muito dele também.” Sarah inclinou a sua cabeça, pesquisando-me com olhos que viam muito longe. Ou lendo muito dentro de uma situação completamente inocente. “Ele não disse bom dia?” ela ecoou. “Ele dormiu com você na noite passada?” A idéia pareceu surpreendê-la, o qual não era particularmente lisonjeiro. “Claro que não!” Eu disse, tentando soar horrorizada ao invés...Deus, eu estava me sentindo quase melancólica. O que estava errado comigo? “Mas ele ficou a noite no mesmo apartamento?” Eu hesitei, então decidi descarregar. Se alguém fosse me ajudar a descobrir as coisas, seria a Sarah. “Na mesma cama, eu acho. Mas ele não me tocou. Eu cai no sono aqui, acordei nessa manhã na cama, sozinha” –eu vi a sua boca se abrir para fazer uma pergunta, e disse firmemente –“ e intocada. Pareceu como se alguém mais estivesse dormido lá também, e ele é a escolha lógica uma vez que essa é a sua dependência, mas se foi ele, ele se manteve no seu lado da cama. Ele sequer me mordeu.”

30

(Ben & Jerry –marca de sorvete americana)


Sarah piscou por um momento, então gargalhou, sua voz leve e curiosamente sedutora. “Ele transa com você antes de te morder, Allie. Essa é a mais alta forma de intimidade que há. É a última coisa que ele quer com você.” Claro que era. Graças a Deus, eu disse a mim mesma virtuosamente. “Eu estou muito feliz em ouvir isso. Então ele só é íntimo com você?” Houve o mais fraco traço de cor na sua pele cor de creme. “Você quer dizer porque ele tomou o meu sangue? Vocês dois realmente conversaram? Eu não acredito que você simplesmente o deixou ficar emburrado por aí e não respondeu qualquer pergunta.” “Nós conversamos. Nós só não chegamos até toda...a coisa do sangue.” “Oh,” Sarah disse depois de um momento. “Bem, eu não imagino que isso importe –isso não deve afetar você de uma maneira ou de outra. Ao menos que isso faça uma grande diferença para você, não há realmente razão para nós conversarmos sobre isso.” Isso fazia. Tudo sobre Raziel fazia uma grande diferença para mim, mas admitir isso apenas iria piorar as coisas. “Nenhuma razão absolutamente,” eu disse brilhantemente. Eu olhei passando por ela em direção aos amontoados de janelas com vista para o coberto-de-névoa Oceano Pacífico. Ao menos, eu assumi que era o Pacífico –de tudo que eu sabia, nós poderíamos estar em Marte. As janelas tinham sido deixadas abertas, e uma forte brisa lançou as cortinas completamente brancas para o ar, causando um pequeno calafrio de uma emoção sem nome descendo em minha coluna vertebral. “Tudo é branco nesse lugar?” Eu exigi, sentindo-me rabugenta. Estar morta poderia fazer isso com uma garota. Por algum momento eu pensei ter visto algo apenas além da janela –o brilho ofegante de asas azuis furta-cor, o sol brilhando nelas. Eu estreitei meu olhar, mas não havia nada lá fora, apenas algumas gaivotas na distância, girando e grasnando. Não gaivotas de Marte, eu pensei. Sarah olhou ao redor como se notando pela primeira vez. “Eu imagino que sim. Raziel tende a ver as coisas como preto ou branco –nunca as tonalidades de cinza. Ele provavelmente realmente odiasse se você pintasse algo.” Ela riu, subitamente parecendo travessa. “Apenas me deixe saber se você precisar de alguma ajuda.” A idéia era irresistível, e eu gargalhei. “Você quer fazer a vida dele um inferno vivo?” “Não, querida. Isso será o seu trabalho.”


Outra estranha vibração. Eu me levantei e cruzei a sala de estar para olhar para o céu brilhante, a névoa circulante no oceano. Não havia nada no céu além das gaivotas –eu deveria estar imaginando coisas. Ou era eu? Eu estava presa dentro de um ninho de uma criatura que podia voar –porque iria assumir que asas escuras misteriosas fossem uma invenção da minha imaginação? Eu virei as minhas costas para as janelas. Se Raziel estivesse lá fora zumbindo o prédio em um esforço de me assombrar, eu não ira deixá-lo. Entretanto a visão dele mergulhandobombardeando o lugar teria sido muito malditamente divertida. “Realmente, eu queria conversar com você antes de Sammael chegar aqui. Além de te dar as boas vindas a Sheol,” Sarah disse, “eu queria lhe avisar sobre Raziel.” Oh, ótimo. Como se as coisas não estivessem ruins o suficiente, agora eu precisava ser avisada sobre o único homem que eu ligeiramente, de alguma maneira, minimamente confiava. “Ele é um ex-assassino?” Eu sugeri divertidamente. O sorriso de resposta de Sarah foi um aceno. “Não se deixe enganar pela bondade dele. Raziel se fechou de todos os sentimentos humanos, em se importar por alguém mais além dos Caídos e de suas esposas. Eu vou falar por você na reunião de hoje, mas se você está confiando em Raziel lhe proteger, você está perdendo o seu tempo.” Eu ainda estava tentando reconhecer o termo bondade com o mau-humarado Raziel que eu me confrontei. Embora mais provavelmente Raziel iria considerar que ele tivesse sido o confrontado comigo. “Oh –há uma reunião?” Eu disse, sentindo-me sentenciada. “Eu imagino que eles vão decidir se eu vivo ou morro, e eu não terei qualquer voz na questão. Claro, eu já estou morta, então eu imagino que isso realmente não importa. Eu só não me sinto como se estivesse morta. E eu realmente não quero voltar para aquele lugar.” Eu estremeci. Eu não podia me lembrar de muito, apenas do calor e do barulho e da dor de milhares de almas estendendo a mão... “Eu vou falar por você. Eu vou fazer tudo que eu puder para pará-los. Nesse momento eles estão mais preocupados sobre os Nefilins e se Uriel vai usar a sua presença como uma desculpa para se mover contra nós. Eu só não quero você confiando em Raziel. Ele jurou não se importar sobre ninguém, e eu tenho medo que ele não fará uma exceção com você.” Ela inclinou a sua cabeça ao lado, avaliando-me. “Ao menos, eu não acho que ele fará. Mas eu vou lutar por você. E algumas vezes eles escutam.”


E se isso não soou como uma garantia sólida como uma pedra, eu imaginei que isso seria o melhor que eu poderia esperar. Se eu fosse sair dessa bagunça, eu teria que descobrir por mim mesma. Sammael apareceu na porta no momento em que Sarah estava partindo, e ele não pareceu nenhum pouco mais feliz em me ver do que ele tinha estado antes. “Você está pronta?” ele perguntou educadamente. Eu subitamente me lembrei de todos aqueles lances de escada, e gemi. Uma vez por dia era o suficiente. “Eu não presumo que você tenha um elevador escondido em algum lugar por aqui?” “Não.” Sammael se moveu passando por mim para empurrar abrindo uma sessão de janelas que eu tinha alegremente assumido ser parede sólida. O vento estava aumentando, rodopiando dentro do apartamento, mas no meio-ambiente estéril de Raziel não havia nada solto que pudesse ser soprado para longe. “Venha comigo –nós vamos tomar um atalho.” Eu olhei para do rosto calmo de Sammael para o vento e o oceano além daquelas portas para lugar nenhum. Ele era um anjo, ele não era? Se bem que Sarah tinha dito que ele era um dos anjos da morte. Ele não iria me atirar para fora da janela, ele iria? Você só pode morrer uma vez, eu pensei, sem saber se isso era verdade ou não. Pegando a mão de Sammael, eu pisei para fora dentro do vazio que era extremamente brilhante.


Cap Capítulo 1 11

P

ARECEU COMO SE UM MOMENTO TIVESSE PASSADO, OU UMA HORA. Eu me encontrei estando de pé em um penhasco, muito mais alto do que a casa tinha sido, e eu nunca fui louca por alturas. Eu podia ver ao longo o vasto oceano, e o sol começava a se afundar mais no horizonte. Oceano Pacífico, então. O chão estava molhado embaixo dos meus pés, e não havia sinal do meu desaparecido mentor. Eu olhei para Sammael. Eu não podia lembrar ter me segurado nele, planando através daquele céu enevoado. Mas claramente eu não tinha andado. “Onde está ele?” eu perguntei. “Na caverna. Apenas nas vá reto –você vai encontrá-lo.” Nós estávamos a três quartos do caminho subindo a montanha que eu não tinha sequer percebido que estava próxima. O seu topo estava envolto com névoa, como se a rocha estivesse abaixo da linha costeira, e eu pude ver a grande grande boca bocejando da caverna mais perto do que eu gostaria. Eu esperei pelo pânico familiar começar. “Eu sou claustrofóbica quando se trata de cavernas,” eu finalmente admiti, olhando nervosamente para a entrada rústica, gasta pelos séculos do arear dos ventos. De fato, eu não gostava de alturas, espaços fechados, espaços que eram muito abertos –me me davam a fobia e eu abraçava-a abraçava entusiasticamente. “Não mais,” Sammael disse em uma voz sem cor. “Você deve observar o que você diz. Você terá sorte se o Conselhoo simplesmente decidir conceder a você a Graça.” “A Graça?” Isso soou quase prazeroso. “Suas memórias serão limpas. Eu prometo a você, isso não machuca, e você estará perfeitamente feliz. Você será capaz de fazer tarefas simples, talvez até mesmo aprender a ler e escrever poucas palavras simples.” Eu olhei para ele em horror absoluto. “Não,” eu disse insipidamente.


“Isso não será a sua escolha.” Ele pareceu imóvel pela minha reação. “Você quer que eu te leve a Raziel?” “Eu posso conseguir,” eu disse, sem certeza se eu pudesse, mas eu realmente não queria ouvir mais quaisquer terríveis possibilidades de Sammael. Os habitantes de Sheol pareciam ter sentimentos misturados sobre mim. Azazel, Sammael, e Raziel claramente pensavam que eu não pertencia, e eu estava feliz em concordar com eles. Tamlel, Sarah, e as esposas Perfeitas eram acolhedores, mas isso provavelmente não significava nada uma vez que eles realizassem a sua reunião no conselho. “Mas eu lhe agradeço a oferta. Eu acho que eu preciso descobrir como eu consigo o que eu preciso por mim mesma, não é?” Ele mal registrou a minha pergunta. “Eu vou voltar se houver algum problema.” “Como você vai saber?” Eu perguntei suspeita. Raziel foi capaz de ler a minha mente –se isso despejasse e todo o lugar soubesse o que eu estivesse pensando, então talvez eu não me importasse em ter uma lobotomia. “Sarah saberá. Sarah irá me contar,” ele disse simplesmente, como se ele esperasse que eu soubesse algo tão básico. Claramente Sarah era uma força a ser contada. Era uma coisa boa que ela parecia estar do meu lado. “Eu vou ficar bem,” eu disse firmemente, e antes que eu pudesse adicionar algo a isso, Sammael tinha desaparecido para dentro do vento. “Bem, maldição,” eu disse alto e em bom som. Eu estava esperando ver asas. Se Sammael tivesse vindo equipado com elas. Mas eu não tive tempo de notar. O qual fez a viagem conveniente, mas ainda um pouco embaraçosa. Eu me virei para olhar a caverna, esperando pelo medo gelado aparecer, mas eu não senti nada além de um nervosismo muito razoável pelo pensamento de me incrustar com Raziel em sua toca. Sammael tinha dito a verdade –a claustrofobia tinha desaparecido. Alegria, eu pensei com uma conveniente falta de entusiasmo, andando adiante. Eu ainda não era louca por espaços fechados. O vasto corredor na montanha pareceu como se fosse um poço de mina, se eles tivessem poços de minas na outra vida. Ele estreitou um pouco muito rapidamente enquanto eu fazia o meu caminho descendo-o. Normalmente eu estaria curvada no chão, coberta de suor frio. O fato que eu pudesse continuar me movendo, mais profundamente e mais profundamente para dentro da montanha, era mais uma prova de como diferentes as coisas eram. Uma prova que eu poderia facilmente viver sem.


Eu não estava muito certa do que esperar. O corredor dava umas duas voltas acentuadas, fechando para fora a luz do dia na entrada, mas eu consegui continuar indo sem parar para hiper-ventilar. Onde diabos estava Raziel? Eu tive o súbito medo de que Sammael tinha dado um de Joãozinho e Maria comigo, me iludindo até essa montanha para me abandonar, desse modo se livrando de um confuso problema. Sarah não iria deixá-lo ileso com isso, ela não iria? Eu quase desisti de tentar encontrá-lo quando eu virei uma última esquina e o vi sentado em uma cadeira de madeira no meio de uma enorme caverna de pedra, seus olhos fechados. Eu tinha planejado ser uma espertalhona e dizer algo como “Yoo-hoo, criatura imaginária, eu estou aqui,” mas eu pensei melhor sobre isso. Ele estava sentado na ponta da grande entrada bocejante no centro da caverna, e pareceu como se algumas das paredes tivessem se colapsado para o interior. Ele estava no limite, muito perto para o conforto, e enquanto eu olhava, ele parecia oscilar em direção à abertura. Eu tentei abafar o meu grito instintivo, mas ele me ouviu de qualquer maneira e se sacudiu, assustado. Ele caiu para trás, longe do poço, e a cadeira ultrapassou. Eu pude ouvi-la se estilhaçando contra as paredes de pedra enquanto ela caía, e eu estremeci. Ele se levantou, se focando em mim, e eu tentei por um sorriso alegre. Como eu esperava, ele não estava nem um pouco menos satisfeito em me ver. “Como você chegou aqui?” ele exigiu, sem se mover mais perto. “Sammael,” eu disse. Ele rangeu. “Você está vestindo minhas roupas.” “É melhor do que todo aquele branco,” eu disse, “Você foi assustado por um albino quando você era uma criança?” “Eu nunca fui uma criança.” Outra da sua insípida, irrefutável afirmação. Ao menos ele estava falando comigo. “Você quer dizer que você nasceu desse jeito?” “Eu não nasci.” Ele permaneceu onde ele estava, no limite do poço, e isso me fazia nervosa. Entretanto eu imagino que se ele caísse, ele poderia provavelmente voar para fora dali, ele não poderia? “Porque você está aqui? Eu disse a Tam e Sammael para manterem você ocupada. Aqui não é lugar para você.”


“Eu não pertenço a essa fria e úmida pequena caverna? Eu posso concordar com isso,” eu disse. “Não que ela seja realmente fria, úmida e pequena, mas você entendeu o ponto. Ou eu não pertenço a Sheol como um todo? Porque eu estou disposta a concordar com você nesse ponto também, mas aparentemente é sua culpa que eu estou aqui e não de volta à Nova York esquivando-me do ônibus, e eu realmente não gosto que um monte de homens se reúna e decida o que vai acontecer comigo, particularmente quando uma das opções inclui o equivalente a dano cerebral. E eu não gosto de branco.” Ele piscou com o non sequitur31. “Violento,” ele disse curto. Ele olhou em direção a mim, e eu observei, tentando colocar toda a força, das coisas distintas que eu sabia dele juntas em um pacote. “Onde estão as suas asas?” eu perguntei. Se eu fosse ficar presa com anjos, eu deveria ao menos ver alguma pluma de ação. Ele rolou seus olhos. “Porque essa é sempre a primeira pergunta? Você não precisa saber.” “Se eu ficar aqui, eu terei algumas?” “Você não é e nem nunca será um anjo,” ele disse. Eu estava disposta a continuar uma briga. “Oh, você nunca pode dizer. Eu quero dizer, claramente eu estou longe de ser angelical, mas eu posso sempre mudar os meus caminhos e me tornar positivamente santa.” Eu dei a ele um feixe de esperança que o deixou completamente indiferente. “Pessoas não se tornam anjos,” ele disse em um tom que dizia, Qualquer retardado sabe disso. “E sobre o paraíso? As pessoas não recebem asas ali? Desde que eu estou completamente morta, parece ser um bom lugar para começar.” Sua gargalhada não era lisonjeira. “Eu não acho que você alcançou o ponto ainda.” “Então você está preso comigo. Se acostume com isso.”

31

(non sequitur - é um argumento no qual a conclusão não segue as premissas. É uma falácia lógica. Entretanto, é usualmente utilizado para classificar um argumento onde a conclusão claramente nunca segue as premissas. Devido a ser uma falácia muito geral, tende a ter mais de uma classificação.)


Ele parou diretamente na minha frente. “Por agora,” ele disse. “Eu não contaria com uma estadia prolongada. Mas por enquanto eu tenho que aturar você, você não pode roubar as minhas roupas. E você pode parar de falar –o som da sua voz é como unhas em um quadro negro.” “Não seja ridículo,” eu disse, totalmente imóvel. “Eu tenho uma voz encantadora. É baixa e sexy, e assim as pessoas me disseram. Você está apenas sendo difícil.” “Eu não me importo o quanto gloriosa a sua voz é, eu apreciaria em ouvir o menos dela.” Eu abri minha boca para protestar, então fechei-a novamente. Se eu quisesse sobreviver, eu precisava dele do meu lado, e eu teria que me comportar, ao menos um pouco mais. Eu fiquei perfeitamente imóvel, dizendo nada, esperando por ele. Ele inclinou a sua cabeça, deixando seus estranhos olhos deslizarem descendo por mim, avaliando-me. Estranho, mas isso pareceu tão palpável como um toque. “Minhas roupas estão muito apertadas em você,” ele disse prestativamente. “Você é um homem, eu sou uma mulher. Eu tenho quadris.” “De fato,” ele disse, e eu olhei para ele afiadamente para ver se havia um insulto escondido por detrás do seu meigo tom de voz. “Eu quis dizer que tenho roupas ministradas a você.” “Você tinha. Elas eram todas brancas.” “Você não gosta de branco? É a cor do renascimento, da renovação.” “Não é nem uma cor, é a abstinência de cores,” eu disse. “Eu posso estar em um limbo, tendo que ser atingida pela sua caridade, mas eu não vou deixar tudo ir para um bege sem graça.” “Limbo é uma construção mítica,” ele disse. “E branco não é bege.” “Sheol é uma construção mítica, e anjos são parte de contos de fadas, e vampiros são pesadelos, e você não existe,” eu estalei. Eu estava ficando um pouco cansada de tudo isso. “Então onde você está?” Ele não estava esperando por uma resposta. “O que Sammael disse a você?” “Sammael é um adolescente. Ele mal disse duas palavras. Sarah foi mais próxima. Ela me disse para não contar com você para nada.”


“Ela disse?” “Ela disse que apesar da sua grande bondade comigo –e eu tenho que admitir que eu ainda tenho que ver qualquer evidência de bondade da sua parte –você não falaria por mim na reunião e você deixaria os outros fazerem o que eles quisessem comigo, e eu quis ter certeza-” “Fique quieta!” Isso foi falado em uma voz suave, suave mas mortal, e eu me calei. Quase. “Você vai deixá-los derreter o meu cérebro?” Ele olhou para mim confuso por um momento, antes de se resumir em sua familiar expressão exasperada. “Oh, a Graça. Não.” Foi uma pequena sílaba, mas eu acreditei nele. “No futuro, você não vai subir aqui,” ele continuou, seu tom frio, “e eu vou certificar que Sarah saiba onde você é permitida ir e o que é fora dos limites. Há lugares perigosos em Sheol, incluindo os portões que nos cercam. Esse lugar é quase tão perigoso.” “Você encontrou Lúcifer?” Ele abriu sua boca para me reprimir, e eu atirei de volta, “São três palavras, pelo amor de Deus. Lide com isso.” Ele pareceu divertido. “Sarah esteve falando muito.” “Todos parecem falar muito para satisfazer você. Ou são apenas as mulheres?” Bastardo sexista, eu pensei com uma peculiar falta de calor. “Não, eu não sou,” ele disse. Não o que? Eu pensei. “Você é a única mulher por aqui que parece incapaz de controlar a sua língua. Você não precisa dos detalhes da nossa luta com o arcanjo. Não é da sua...” “... conta,” eu soei como ele. “E Sarah não me disse muito. Além disso, eu posso assinalar que Lúcifer caiu porque ele se atreveu a fazer muitas perguntas.” Eu atirei a ele um olhar torto. “Você deveria ter alguma simpatia pelos curiosos.” “Não tenha a delírios da grandeza. As perguntas de Lúcifer eram mais importantes do que lamentar-se sobre porque há tantas escadas.”


“E o que me lembra –a julgar pelo ‘atalho’ com Sammael, eu não deveria ter caminhado. Você tem asas –você poderia ter voado comigo lá para cima em questão de momentos.” “Eu poderia,” ele concordou. “Mas você precisava saber onde você está, o que é esperado de você. Nem sempre há alguém ao redor para transportar você. E eu não quero transportar você se eu puder evitar.” “Porque não?” Ele provavelmente não queria me tocar, eu pensei, irritada com a idéia. Ele estava me tratando como se eu tivesse um caso avançado de lepra, o qual era ambos divertido e sempre tão pouco deprimente. Não que eu estivesse atraída por ele –ele não era o meu tipo. “Você sabe porque,” ele disse curto. “O que você quer dizer?” Seus olhos encontraram os meus, e eu tive a estranha sensação que eu pudesse ver meus próprios pensamentos nele. Os quais eram verdadeiramente uma idéia horrível, porque eu tinha alguns pensamentos que eram decididamente calorosos, indecentes, e embaraçosos. Era difícil o bastante sem ele sabendo que eu tinha sentimentos que eu estava usando toda a minha energia excessiva tentando lutar. Se ele pudesse ler cada pensamento meu, eu estava ferrada. “Não, eu nem sempre posso lhe dizer o que você está pensando,” ele disse por um meio de uma resposta, e meu coração afundou. “Algumas coisas são fáceis, outras coisas são bem protegidas dentro de você. Leva muito tempo para chegar nesses, e eu certamente não vou me incomodar.” Eu não tinha certeza se isso era um tranqüilizador ou um insulto. Ao menos ele não tinha idéia que eu tinha um furtivo desejo de pular no seu – “Pare com isso!” ele estalou. Merda. Okay, eu podia tentar em lutar de volta. Eu golpeei meus cílios, dando a ele meu mais límpido, inocente olhar. “Pare o que?” Ele cruzou a caverna tão rápido que eu me perguntei se ele tinha usado mágica, ou como quer que suas habilidades fossem chamadas. “Isso não vai acontecer, então você pode parar de pensar sobre isso. Eu nunca irei me parear com você.”


“Parear comigo?” eu ecoei, muito divertida. “Porque você nunca chama uma espada de apenas uma espada? Você nunca vai fazer sexo comigo. O qual, a propósito, é afortunado porque o que faz você pensar que eu quero fazer sexo com você?” Ninguém gosta de rejeição, mesmo de alguém que eles desprezem. “Há uma diferença. Parear é uma ligação para a vida. Sua vida. Sexo é simplesmente fornificação.” “E você não aprova fornificação.” Ele olhou para mim então, um lento, ardente olhar. Talvez eu estivesse errada na parte da rejeição. Ele pairou sobre mim, perigosamente perto. “Eu poderia muito facilmente fuder você,” ele disse deliberadamente, a palavra estranha em sua formal voz fraca. “Você é inegavelmente luxuriosa. Mas eu não vou. E você precisa tirar isso da sua mente também. Não são apenas as palavras que me distraem. São as imagens.” Oh, bosta. Ele podia ver os visuais? “Eu não posso evitar! É como dizer a alguém para não se mover. Assim que alguém me pede para ficar imóvel, eu termino tendo que me mexer. De qualquer maneira, você foi aquele que trouxe à tona a conversa em primeiro lugar.” Ele abriu sua boca para argumentar, depois a fechou. “Eu tenho coisas a fazer,” ele disse finalmente. “Eu não quero transportar você.” Eu olhei ao redor na sala cavernosa. “Você tem que aturar isso,” eu disse. “Por outro lado não há maneira de descer e eu estou presa aqui.” “Você me tenta,” ele disse, e sua afiada, bonita voz dançou descendo a minha espinha dorsal. Eu realmente estava muito susceptível a ele. “Mas alguém viria encontrá-la.” Ele se moveu passando por mim, seguindo em direção ao corredor que liderava para o lado de fora do mundo. Como o lado de fora de Sheol deveria ser. Ele pausou, olhando de volta para mim. “Você vem?” Eu teria amado dizer a ele que não, mas havia um calafrio no lugar, e eu não queria esperar ali sozinha até que alguém viesse me resgatar. Eu estava conduzindo malditamente muito bem, dada a situação, mas eu era a sua responsabilidade e eu não iria deixar que ele me abandonasse. Eu corri atrás dele, alcançando enquanto nós chegávamos na boca da caverna e o dia enevoado. “E agora?” eu disse. “Eu escalo nas suas costas, ou você me carrega em seus braços, ou-”


“Você para de falar,” ele disse. Eu quase tropecei no tapete branco que cobria parte do piso de mármore branco. Nós estávamos de volta ao seu estéril apartamento, e ele estava na cozinha. Minhas pernas sentiam-se um pouco vacilantes, e eu me afundei abaixo no sofá e coloquei minha cabeça entre minhas pernas para me impedir de desmaiar. Então eu olhei para cima. “Você poderia me dar algum aviso da próxima vez,” eu disse irritada. “Não haverá próxima vez se eu puder evitar.” Ele se inclinou contra a bancada, olhando para o prato de donuts que alguém tinha deixado. “Você não vai comer esses? Eu imagino que Sarah disse a você que você não pode ganhar peso.” Eu me ericei levemente que ele sequer pudesse mencionar o meu peso em tal forma improvisada, mas hey, isso foi permissão o bastante. Eu fiquei sob meus pés e me movi para dentro da pequena cozinha. E ela era pequena. Muito pequena para sustentar nos dois, realmente, mas ele não estava se afastando e eu queria aqueles donuts mágicos. Era uma experiência fora do comum, ter um bonito homem me dizendo para comer alimentos engordativos, o material dos sonhos. “Não querida, com oitenta e um quilos, você está muito magra. Você precisa ganhar algum peso.” Fique calmo, meu coração. Oh, ele era dificilmente o primeiro homem bonito por quem eu estive cercada. Eu era superficial nessa maneira –eu gostava de homens que fossem bonitos e apenas um pouco estúpidos, e eu sempre os preferi com um lado corpulento. Eu tinha a infeliz suspeita que Raziel era um pouco muito esperto para a minha paz mental. Mas eu estava começando a ver o apelo da magra, poderosa elegância. A maioria dos meus namorados queria que eu começasse uma dieta, abaixasse para o tamanho quarenta ou quarenta e dois do meu confortável tamanho quarenta e seis que eu vestia desde o colégio. Nós saíamos para jantar, eu respeitosamente pedia uma salada com uma borrifada de suco de limão ou vinagre, e então no momento em que eu estivesse em casa sozinha eu chumbava através de um Ben & Jerry. Super Fudge Chunck32 tinha marcado o fim do muitos encontros aborrecidos. “Então eu ainda sentirei fome e comerei, e usarei o banheiro, dormirei, banharei, e nunca ganharei peso. Soa delicioso. Eu terei sexo com alguém mais se você não me quer?”

32

( Ben & Jerry*./Super Fudge Chunck – marcas de sorvetes.)


Ele olhou para mim, momentaneamente sem palavras. “Não,” ele disse finalmente. “Absolutamente não. É proibido.” “Mas você disse que você poderia felizmente-” “Eu disse que você e eu não vamos fazer sexo,” ele interrompeu antes que eu pudesse lançar as bombas de merdas como ele tinha lançado. “Porque você iria querer?” eu disse, conduzindo soar chateada com a idéia. “Eu não quero,” ele estalou. “Você me perguntou se nós iríamos fazer sexo.” “Você entendeu errado. Deliberadamente,” eu adicionei, apenas para chateá-lo. Nesse estranho, mundo de outro lugar, irritá-lo era a única das coisas que me fazia sentir viva. “Eu entendo porque você quer, mas eu realmente não acho que é uma boa idéia. Você sendo meu mentor e tudo.” Isso estava funcionando até mesmo melhor do que eu esperava. Ele estava pronto para explodir em frustração. Não o jeito certo de frustração, infelizmente. De fato, era muito ruim que eu estivesse o provocando, mas eu não podia resistir. Ele realmente era malditamente exuberante. Era provavelmente imprudente –eu precisava dele ao meu lado. “Não,” ele disse repressivamente. Eu dei de ombros, pegando outro donut. “Nós ficamos doentes? Eu vou começar a inchar se eu comer um quarto donut?” “Sim,” ele disse. Eu coloquei o donut abaixo. “Bem, ao menos você sobreviveu a mim. Anime-se. Você pode dançar no meu funeral.” “Eu não vou saber quando você vai morrer. Assumindo que nós descobriremos o que fazer com você, nós provavelmente não nos veremos um ao outro novamente.” Isso não eram notícias muito confortáveis, mas eu não estava desistindo da batalha. “Uma vez que eles decidirem, quanto tempo vai levar para se livrarem de mim?” Ele apenas olhou para mim, sua expressão dizendo que não poderia ser logo o suficiente. Estranhamente suficiente, eu não estava certa se eu queria partir, mesmo se eles pudessem me devolver alguma aparência de uma vida normal com acuidade mental intacta. Sim, eu desfrutaria em provocá-lo, e o branco teria que acabar. Mas apesar dos meus argumentos, eu...meio que gostava daqui. Gostava do som do oceano além das janelas abertas, do gosto do sal nos meus lábios. Eu sempre quis viver perto do oceano. Eu estava


obtendo o meu desejo um pouco mais cedo do que esperava, e não era tecnicamente viver, mas estava perto o suficiente. Eu gostava da cama que eu dormi, eu gostava de Sarah, e eu com certeza definitivamente gostava de olhar para Raziel, mesmo se ele fosse frustrante, irritado, e todos os outros adjetivos negativos que eu pudesse pensar. E se ele pudesse ler a minha mente, que merda. De fato, eu estava vivendo o meu sonho. Eu gastei a maior parte da minha vida adulta trocando entre literatura de mistério e cristianismo Bíblico para surgir com meus mistérios exagerados, e estava bem familiarizada com todas as fantasias bizarras de Enoque, com seus contos de Nefilins e dos Caídos. Exceto que aconteceu de Enoque não ser a aberração ácida que eu sempre pensei que ele fosse. Tudo isso era real. A cozinha era muito pequena para nós dois, mas para ele partir ele teria que roçar passando por mim, e eu sabia que ele realmente não queria me tocar. Era adorável pensar que era o desejo inabalável de mantê-lo longe, mas eu sabia que era mais provável ser aborrecimento –eu fiz o meu melhor para fazê-lo querer me estrangular. “Não,” ele disse, “Eu não quero te estrangular. Eu só quero que você vá embora.” Grrr. “Quanto tempo você vai ficar lendo a minha mente?” Eu exigi, completamente aborrecida. “Tanto tempo quanto eu precisar.” “Bem, esse tempo está acabado agora. Desligue o interruptor, ou o que seja isso que você faz. Dê a porra do fora do meu cérebro. Não leia a minha mente, não nuble os meus pensamentos, não aniquile a minha memória. Mantenha a sua distância.” Eu não me incomodei em manter o rosnado fora da minha voz. Eu tive o bastante dessa bosta. Ele estava parecendo perigosamente perto para estar sendo divertido. Seus gloriosos olhos estriados brilharam por um momento, mas eu seriamente duvidei que Raziel possuísse sequer um fino traço de senso de humor em seu frio, imóvel corpo. Sem dúvida, a expressão desapareceu tão rapidamente que eu tive certeza de ter imaginado. “Ou o que?” ele disse. Babaca. Ele sabia que eu não tinha muito para lutar de volta. Pouco ele sabia que sempre fui perversamente criativa. Talvez fosse por isso que eu fui mandada para o inferno. Mãos deslizando abaixo no meu corpo, lindas mãos, sua boca seguindo, nos meus seios, sugando –


“Pare com isso!” ele disse com completo horror, se afastando de mim como se queimado pela imagem sensual do meu cérebro. Eu sorri docemente. “Eu tenho um inferno de uma imaginação, Raziel.” Eu disse, chamando-o pelo nome pela primeira vez. “Fique fora da minha cabeça ou se prepare para ficar completamente envergonhado.” Pegando o prato de donuts, eu me enfiei de volta para dentro da sala de estar.


Cap Capítulo 1 12

E

LA ERA UMA BRUXA. ELA DEVERIA ESTAR HUMILDE E CHOROSA E com medo de mim. Ao invés disso ela estava completamente antagônica, e uma rápida visão da sua fantasia sexual teve o esperado efeito no meu corpo. Azazel estava certo – eu fiquei celibatário por muito tempo. Eu fiquei na cozinha, não me movendo. Eu pensei que ao menos tivesse o meu corpo sob controle. Na verdade, não era surpresa que eu estivesse duro, com aquela breve fantasia que ela desejou. Eu não tinha idéia se ela realmente achou isso atraente ou se era apenas parte do jogo que ela estava jogando. Não, era real. Assim que eu vi o pensamento, eu senti a sua própria febril reação, tão intensa quanto a minha apesar da brevidade da imagem. Se tivesse tivesse sido simplesmente um exercício intelectual, não teria sido tão...perturbador. Eu tinha que me livrar dela, e rápido. Eu precisava dela fora das minhas dependências, fora do meu mundo. Não havia forma pelo inferno que eu iria permitir que eles invocassem invocasse a Graça para esquecimento, mas além disso qualquer coisa seria um avanço. Sarah estava sempre procurando alguém para ser a mãe – Allie Watson era uma grande coisa. Eu poderia passar por ela, então sair por mim mesmo e não ter que pensar mais sobre ela. Eu E deveria precisar de um dia ou dois para tirá-la tirá la do meu sistema, mas eu podia fazer isso. Eu poderia me desligar. Enquanto ela não estivesse vivendo no meu apartamento e me provocando. Eu estava me aproximando do leito de sepultamento de Lúcifer. Eu podia sentar e escutar e ouvi-lo lo profundo na terra, sentir o seu chamado vibrando através da minha pele, e eu estava perto, tão perto. Eu não precisava ficar distraído por uma mulher com uma boca que não parava de se mover e de imagens eróticas invadindo a minha minha mente. Porque diabos Sammael a tinha levado acima na caverna em primeiro lugar? Ele sabia melhor do que ninguém que o lugar deveria estar fora dos limites, particularmente para uma


intrusa como Allie Watson. Foi o mais perto que ele chegou a Lúcifer, a Luz, e tê-la atrapalhando ao redor com as suas incessantes perguntas era perto da blasfêmia. Não que eu acreditasse em blasfêmia. Isso era parte do porque eu estava aqui, não era? Porque eu, como os outros, recusamos seguir as regras, a matar sem perguntar, a aniquilar gerações e flagelar a terra. Eu olhei para uma mulher humana e me apaixonei, e por isso eu estava eternamente amaldiçoado. Certamente havia algo errado com a ética que igualava o amor com a morte. Foi há tanto tempo atrás que eu não estava certo se eu poderia me lembrar o que nós estávamos pensando, mal podia me lembrar dela. Mas eu não podia esquecer a emoção, da paixão que tinha me conduzido, da certeza que escolhendo a vida, escolhendo o amor humano, era a coisa certa a se fazer. Tinha valido a pena, valido tudo, e eu nunca me arrependi. Eu poderia me arrepender da vulnerabilidade, da necessidade que me conduziu a tal desesperado ato, mas isso não importava mais. Eu tinha feito o que eu fiz, e eu não desejaria que isso mudasse. Mas isso nunca aconteceria novamente. Uriel sabia como usar vulnerabilidades. Ele sabia como torturar, mesmo com as regras que o impedia de nos exterminar. Eu não iria deixá-lo me usar novamente. Então talvez houvesse vezes que eu desejei que eu pudesse ainda sentir aquele inocente, poderoso amor. Centenas e centenas e centenas de anos, milênios, amontoados, e eu nunca fui capaz de recapturar aquela pura, essencial paixão que me fazia destruir tudo. Mas eu ainda teria feito isso. Escolhido cair. Nós fomos ensinados que os humanos eram como gado –você os treinava, destruía-os se eles desobedecessem, nunca respondia as suas perguntas, e, acima de tudo, nunca os olhava com luxúria. Nós fomos mandados para a terra com nossas tarefas designadas. Azazel tinha sido mandado para ensinar as pessoas trabalhos feito em metal; o seu trabalho tinha sido treinar e passar a magia. Os cada primeiros vinte tinham empregos, e nós fizemos bem o bastante no início. Mas quanto mais tempo nós permanecíamos na terra, mas humanos nós nos tornávamos. As fomes começaram, fome por comida, pela vida, por sexo. E nós começamos a pensar que nós poderíamos fazer do ignorante mundo um lugar melhor. Nós poderíamos trazer a nossa sabedoria e poder, nós poderíamos experimentar o amor e a dedicação. Nós poderíamos casar e nossos filhos iriam crescer fortes e não haveria mais guerras e Deus iria sorrir.


Deus não sorriu. Não houve filhos –a maldição era veloz e perversa. Nós fomos amaldiçoados pela eternidade. Por causa do amor. Sem surpreender porque a mulher errante ao redor das minhas dependências me aborrecia. Não era só a sua balbuciação –ela estava certa, era uma voz agradável. Mas depois de todos esses anos eu não tinha utilidade para a espécie humana, para mulheres em particular. E essa mulher, de todas as mulheres. Em um momento de inesperado sentimentalismo, eu compliquei a minha existência e aquela dos Caídos. Nenhuma mulher valia isso. Ainda, era a minha escolha, meu erro, e minha única opção era consertar isso, mesmo se eu quisesse sucedê-la. Teria que haver algum lugar que nós pudéssemos mandá-la onde ela não causasse problema. E então nós poderíamos lidar com a ira de Uriel. Eu era o guardador dos segredos, o senhor da magia. Dentro de mim residia toda a sabedoria das idades, e eu tinha sido mandado para a Terra para dar conhecimento aos seus infelizes habitantes. Então como eu pude ser tão fudidamente estúpido? Eu olhei para cima, me ajustando, e seguindo-a para dentro da sala de estar. Ela estava espalhada no sofá, com pés descalços. Minha roupas a vestiram muito malditamente bem –eu tinha que ver algo solto que cobria todas as curvas mas era colorido o suficiente para mantê-la feliz. Deus, porque eu tinha que começar a me preocupar sobre manter a mulher feliz? Especialmente uma mulher como Allie Watson. O seu longo, espesso cabelo castanho era muito melhor do que o curto esbranquiçado corte que ela tinha quando eu a encontrei. O seu rosto estava muito mais bonito sem a maquiagem. Ela se remexeu, virando para olhar para mim sem se levantar. Eu caminhei até uma extremidade do sofá. “Onde você quer viver?” Ela esteve parecendo ambos aborrecida e ligeiramente abatida, mas com isso ela se abrilhantou. “Eu tenho uma escolha para onde eu vou?” Eu não achava que sim, mas eu agarrei a ninharia. A única coisa que eu sabia, não poderia ser o inferno. Não era nada pessoal. Eu não tinha vindo tão longe para deixar Uriel vencer. “Talvez,” eu disse, não exatamente uma mentira. “Eu imagino que depende dos seus talentos, onde você se pode fazer útil. O que você pode fazer?”


Ela pareceu considerar isso por um momento. “Eu posso escrever. Meu estilo é levemente sarcástico, mas eu sou afiada e alfabetizada.” “Nós não temos utilidade para escritores.” “Então eu estou no inferno depois de tudo,” ela disse melancolicamente. “Sem livros?” “O que nós iríamos ler? Nós vivemos pelos milênios.” “E sobre as suas esposas?” “Eu não tenho esposa.” “Eu não quero dizer você especificamente, eu quero dizer todas as mulheres aqui. Sarah e as outras. Elas não querem ler? Ou vocês caras dão a elas uma vida tão preenchida, presas aqui na névoa, que elas não precisam de qualquer tipo de fuga?” “Se elas quisessem escapar, elas não estariam aqui,” eu disse com a voz que eu utilizava para encerrar argumentos. Eu deveria saber que isso não faria nada bem. Ela não pareceu perceber o que a minha voz significava. “Eu não estou falando sobre fuga física,” ela argumentou. “Apenas aquelas vezes quando você quer se curvar na cama e ler sobre loucos mundos de faz de conta. Sobre piratas e alienígenas e vampiros...” Sua voz falhou abaixo do me olhar fixo. “O que mais você pode fazer?” Ela suspirou. “Não muito. Eu sou inútil no Excel. Eu digito rápido, mas eu aposto que vocês não têm computador por aqui.” Por um momento ela pareceu horrorizada enquanto ela entendia tudo que importava. “Sem internet,” ela disse em uma voz de condenação. “Como eu vou viver?” “Você não está viva.” “Obrigada por me lembrar,” ela disse severamente. “Então claramente você não precisa de Excel. Vamos ver –eu sou um demônio nas trivialidades, particularmente quando se trata de filmes antigos. Eu realmente cozinho maravilhosamente bem. Eu mato plantas, então eu não sou boas em jardins. Talvez você possa me encontrar alguma coisa para datilografar na comunidade? Sem o Kool-Aid*.” Eu me lembrei de Jonestown muito bem. “Você não precisa do Kool-Aid, você já está morta,” eu disse. “Adorável,” ela disse sarcasticamente. “Então eu vou me casar? Ter filhos? Pelo amor de Deus, ao menos fazer sexo novamente?”


“Novamente?” Isso sempre era conduzido para me assustar, a maneira com que as mulheres dos tempos modernos simplesmente davam seus corpos quando e onde elas quisessem. Dois mil anos atrás elas teriam sido apedrejadas à morte. Cem anos atrás elas seriam marginalizadas. As mulheres humanas que vieram para Sheol foram as mesmas ao longo dos anos. Elas nunca tinham conhecido ninguém além de seus companheiros pareados. Azazel tinha visto Sarah quando ela era uma criança e soube que ela seria dele, e ele cuidou dela, mantendo-a segura, até que ela fosse velha o suficiente para ser a sua noiva. O mesmo foi verdadeiro com todos os outros. Ela estava olhando para mim, claramente aborrecida. “Sim, de novo,” ela disse. “Mulheres fazem sexo, você sabe. Elas encontram um homem, ou uma mulher se elas preferirem, e se eles forem atraentes e não houver razão para não, eles fazem sexo. Você é totalmente desconectado com a realidade moderna?” “Eu sei que as pessoas fazem sexo indiscriminado,” eu disse irritado, sentindo-me tolo. Eu não gostava da idéia dela com outro homem. Eu não iria considerar o porque; eu apenas não gostava. “E eu deveria saber que você seria uma delas.” “Sim, eu sou a Prostituta da Babilônia33.” “Nem mesmo perto,” eu balbuciei. “Oh, Jesus,” ela disse. “Você é sempre tão literal?” “Qual outra escolha existe?” Ela estava fumegando. Isso era bom –eu estava aborrecendo-a tanto quanto ela me aborreceu. Eu poderia continuar com isso por um momento sem qualquer dificuldade. Nós atacamos fagulhas um no outro. Eu decidi adicionar algumas coisas. “Tudo bem, nós decidimos que você pode cozinhar, que pode ser uma habilidade valiosa em outro lugar. Algo mais?” Ela olhou para mim como se considerando algo, e eu não tinha intenção de tentar adivinhar o que. Aquele breve vislumbre das suas fantasias sexuais tinha sido perturbador o

33

(Na grande Babilônia, o sistema religioso era o culto à rainha dos céus, e estava relacionado na Bíblia à prática da prostituição espiritual e política. A prostituição espiritual ocorre quando o relacionamento com Deus é deturpado pelas alianças humanas em torno do dinheiro, do poder e do engano espiritual. A noiva era a igreja e a prostituta era a Babilônia. Enquanto que a noiva se mantém pura à espera do amado noivo (Cristo), a prostituta se relaciona espiritualmente com todos os segmentos malignos, buscando a realização de seus próprios interesses.)


suficiente. E então ela sorriu, um lento, sorriso malicioso. “Você não quer saber,” ela disse em uma preguiçosa, fala totalmente sensual. Isso era perda de tempo. Em um curto espaço de tempo o Conselho iria se reunir, e eles iriam decidir o que iria acontecer com ela. Eu poderia argumentar, mas no final não havia muito que eu pudesse fazer para salvá-la. Eu sabia o que a decisão deles seria. Isso não deveria me incomodar. Mas me incomodava. E quanto mais cedo eu me afastasse dela, mais fácil seria. “Você está certa,” eu disse. E eu fugi.


Cap Capítulo 1 13

E

U ESTAVA SOZINHA NOVAMENTE NO RÍGIDO APARTAMENTO branco. O alívio misturado com ansiedade – era mais fácil estar sozinha. Eu sabia que basicamente eu o tinha conduzido para fora; tudo o que eu tive que fazer foi mencionar sexo e ele correu como um virgem aterrorizado. Embora se alguém fosse um virgem nas redondezas, era eu. Não, não literalmente. Eu tive toneladas de amantes. Bem, quatro, mas você realmente não poderia contar com Charlie, que tinha problemas de desempenho, e o de uma noite com qual-era-o-seu-nome? nome? Era mais do que um resultado de muitas revistas femininas e um ajuste de auto-piedade. piedade. Não tinha sido uma visão bonita. Então, dois relativamente decentes decentes relacionamentos dificilmente me faziam uma virgem. Mas comparado com as centenas de anos de sexo e casamento de Raziel, eu com toda certeza vinha acima do pouco. Então como ele ousava ter tido a atitude “Você já fez sexo”? Típico do seu lugar patriarcal, al, mas eu não tinha a intenção de me comportar com isso. Ao menos sexo era uma arma que eu poderia usar quando eu estivesse me sentindo muito desprotegida. Eu poderia me livrar de Raziel simplesmente por vislumbrar fazer sexo com ele, e ele não demoraria a ver a verdade atrás da erótica fantasia, ver apenas como uma patética amante eu realmente era. Não que isso importasse –eu eu estava tendo a sensação de que eu estava contemplando para uma eternidade de celibatária, apenas como Raziel. Exceto que no meu caso, o, isso não seria por escolha. Quem eu teria aqui se eu pudesse ter alguém? Era uma escolha óbvia. Azazel era desagradável, e eu aprendi a evitar relações auto-destrutivas. auto destrutivas. Sammael era muito novo, mesmo se ele fosse milênios mais velho do que eu era. Eu só tinha uma impressão errada sobre ele. Havia Tamlel, que pareceu muito doce, mas eu não o queria também. Se eu fosse forçada a fazer sexo com qualquer um que eu conheci recentemente, eu escolheria Raziel. Gostando disso ou não, eu me sentia ligada a ele, mesmo mesmo se isso só viesse de um caminho. Ele


era o meu homem, a única conexão com meu antigo mundo, e eu estava persistindo em salvar a vida. Essa ligação iria se quebrar, claro. Era temporária, apenas tempo suficiente para me levar para o outro lado. Hey, talvez eu conseguisse chegar ao paraíso depois de tudo, apesar do que ele disse, um ensolarado, lugar feliz com anjos que realmente tocavam harpas. Eu poderia viver dentre as nuvens, visitar os meus parentes mortos, e olhar abaixo para os pobres tolos mortais com compaixão. Entretanto uma eternidade disso poderia ficar enfadonho muito rápido. Isso não era uma viagem para Hollywood, mas as alternativas não eram tão apelativas. Enquanto eu pudesse evitar Raziel fora do meu cérebro, eu seria capaz de descobrir uma maneira de lidar com tudo isso. Ou uma maneira de sair disso. Havia sempre algum tipo de válvula de escape. Essas coisas não foram escritas em pedras. Bem, voltando a pensar nisso, elas provavelmente foram, literalmente, em algum lugar. E meus esforços para manter Raziel fora do meu cérebro tinham apenas resultado nele me abandonando, o qual não era particularmente útil. Eu iria provavelmente precisar dele se eu quisesse sair daqui, e o fazendo louco poderia não ser a coisa mais esperta a se fazer. Ele talvez estivesse puto o bastante para concordar com a Graça, o qual era mais como uma maldição. Se ele estivesse realmente motivado, ele poderia ser capaz de me retornar para aquele lugar que ele disse que ele não poderia. Lar. Oh, eu não era exigente. Não teria que ser a mesma vida, o mesmo trabalho, o mesmo rosto. Eu poderia voltar como ninguém. Eu só queria, precisava, voltar. Por outro lado, minha única defesa era pensar sobre fazer sexo com Raziel, e eu achei isso...uma distração. Perturbador. Excitante. Okay, eu tinha que admitir. Ele estava inspirando alguns pensamentos lascivos perversos, se ele estivesse por perto ou não. Eu podia gastar uma perfeita agradável tarde não fazendo absolutamente nada além de que me entregar em fantasias sexuais sobre meu lindo, raivoso seqüestrador e aproveitando tremendamente. Infelizmente, isso poderia me deixar um pouco muito vulnerável, eu não poderia dispor em deixá-lo ver isso. Se ele visse fraquezas, ele as exploraria sem hesitação. Ao menos eu estava sozinha, sem ninguém me observando. Eu não teria que conversar, ser desenvolta, vestir um rosto alegre. Tudo que eu tinha que fazer era tentar colocar sentido no que tinha acontecido comigo. Eu não precisava estar distraída por um anjo chupador de


sangue com um rosto de um...bem, de um anjo e com a personalidade de uma biúta34. Quem de alguma maneira, eu, inexplicavelmente, desejava. Ali, eu tinha que admitir. O grupo de 12 passos35 estavam certos –admitindo isso era a primeira das mais difíceis partes de possuir um problema. Raziel era mais do que definitivamente um problema, tanto quanto eu me preocupava. Ele não gostava de mim. Eu não deveria achar isso particularmente doloroso. Sim, eu estava contando com ele para me proteger quando meu caso fosse trazido diante do tribunal ou o que quer que diabos isso fosse, e ele prometeu que ele não os deixaria colocar a Graça em mim. Então, ele deixou claro que ele achava que as mulheres deveriam ser vistas e não ouvidas. Pouca chance com isso. Eu nunca fui silenciada, do tipo dócil e mesmo o temor de Deus, ou Uriel, não iria conseguir que eu começasse agora. Se não fosse por Sarah, eu me sentiria completamente derrotada. Eu gostava dela, mesmo se o seu marido parecesse como um babaca até mesmo maior do que Raziel. Azazel era alto, sombrio, e mal-humorado, seu corpo radiava um tipo de reprovação sombria que fazia Raziel parecer caloroso e felpudo em comparação. Mesmo Sammael não tinha sido um saco de risadas. Eu não sabia os nomes dos outros, exceto Tamlel, claro, embora eu tivesse visto muitos deles. Teria havido ao menos uma dúzia de homens na sala onde eu tinha visto Raziel no pulso de Sarah. Seriam Sarah e Raziel e talvez Tamlel suficientes para persuadi-los? Subitamente eu podia ver aquela estranha cena toda novamente, a estranha, sobrenatural luz, o cântico, o cheiro de incenso e algo mais Elemental: o cheiro acobreado de sangue. Eu estremeci, sentindo-me quente e levemente débil. Eu teria dado tudo para não ter entrado nisso. Saber sobre isso tinha sido difícil o suficiente; ver isso me deu uma estranha, sensação nervosa. Como se eu observasse alguém fazendo sexo, ou acidentalmente testemunhasse algo levemente perverso mas...excitante.

34

(biúta -é uma serpente africana da família dos viperídeos, sendo altamente venenosa e perigosa para o homem. Quando provocada incha o corpo e emite um assobio alto. Também é conhecida pelos nomes de buta, riúta e surucucu.) 35 (Um programa de doze passos é um conjunto de princípios orientadores que define um plano de ação para recuperação da dependência, compulsão, ou outros problemas comportamentais. Originalmente proposto pelos Alcoólicos Anônimos (AA) como um método de recuperação do alcoolismo, os Doze Passos foram publicadas pela primeira vez no livro Alcoólicos Anônimos. O método foi adaptado e se tornou a base de outros programas de doze passos. o processo envolve as seguintes etapas: admitindo que um não pode controlar um vício ou compulsão; reconhecer um poder superior que pode dar força; analisar os erros do passado com a ajuda de um patrocinador (membro experiente); fazer reparações para esses erros; aprendendo a viver uma nova vida com um novo código de comportamento; ajudar outras pessoas que sofrem da mesma vícios ou compulsões.)


Levemente perverso? Ele estava bebendo o sangue da esposa do seu amigo. Sem me surpreender que eu fosse deixada com um sentimento inquieto toda vez que eu pensava sobre isso. Eu me sentia como se alguém tivesse me tocado. Eu não cometeria esse erro novamente. Sem me atirar abrindo portas –eu bateria primeiro e esperaria por alguém abri-las. O que essas...essas pessoas faziam na privacidade das suas próprias dependências estava bom para mim. Eu só queria dar o maldito fora daqui. Entretanto não literalmente. Sendo uma razoável, mulher do século vinte e um, eu nunca tinha acreditado no inferno. Parecia para mim como se tivesse horrível castigo suficiente dispensado à terra para satisfazer o deus mais vingativo, e porque o universo deveria duplicar os esforços? Inferno era um estado de guerra, crianças que morriam diante de seus pais, viciados em drogas, miséria, violência. Sempre pareceu para mim como se alguém estivesse ferrado com o grande-tempo, era mai simples mandá-los de volta para outra rodada. Depois novamente, eu nunca acreditei que as pessoas que sofreram tivessem causado isso para si mesmos, então isso era tipo um furo de bala na minha teoria cósmica de justiça. No entanto, algum abismo de fogo com um diabo rindo e segurando um tridente parecia mais do que uma fantasia distorcida da Disney do que qualquer outra coisa. Aparentemente eu estava errada. Embora ninguém tivesse dito nada sobre Satã. Vindo a pensar nisso, algumas das propagandas bíblicas postulavam que o primeiro anjo caído, Lúcifer, era Satã, rei do inferno. O qual realmente não combinava com o que estava acontecendo aqui. Eu estava curiosa, mas que a verdade seja dita, não era apenas curiosidade intelectual que me fazia determinada a ficar exatamente aqui. Raziel tinha algo a ver com isso. Okay, ele era de um jeito muito exuberante, e um homem exuberante me fazia sentir como um troll. Eu podia fazer uma exceção. Quer eu gostasse disso ou não, eu me sentia puxada para ele, amarrada a ele, excitada por ele; e enquanto eu estivesse desprendendo muita energia lutando contra isso, eu estava perdendo a batalha. Isso não importava –ele era mais do que capaz de resistir a mim, e eu não iria me fazer de tola. Não era a primeira vez que eu sofri de dores adolescentes e não correspondida, er, luxúria.


O sol já estava se pondo, afundando-se no oceano verde escuro, a cor dourada listrando em minha direção com dedos gananciosos. Eu olhei abaixo, e eu pude ver Raziel andando na praia, com Azazel e alguns dos outros ao seu lado. Eles estavam em uma conversa profunda, e de tal distância eu mal podia ver as suas expressões, muito menos ouvir o que eles estavam dizendo. Mas o que quer que fosse, não era bom. Claro não havia nenhuma mulher andando e conversando. Nenhuma mulher anjo. Isso realmente me aborrecia –o controle patriarcal estendia a milênios, aparentemente. Eu me afastei. Aparentemente a única maneira de fazer bebês anjos era ter anjos fêmeas em primeiro lugar, e alguém tinha negligenciado em criá-las. Eu estava faminta. Como ele conseguiu que aquela comida subisse aqui na noite passada? Era algum tipo de mundo de contos de fadas, onde tudo o que eu tinha que fazer era fazer acontecer? Eu fechei meus olhos e tentei visualizar um pote de Ben & Jerry, então os abri novamente. Nada na mesa de café na minha frente, mas por um capricho eu deslizei para fora do sofá e fui para o freezer, olhando dentro para ver...absolutamente nada. Bosta. Talvez precisasse do toque mágico de Raziel Eu comecei a me mover ao redor do apartamento, inquieta, tentando manter a minha mente fora do meu estômago. Um quarto –dele, com uma cama king-size no meio. Olhando para ela me fez começar a pensar sobre pontos ao sul do meu estômago, e eu rapidamente elevei à minha mente assuntos mais puros. Alguém tinha feito aquela cama, então talvez o lugar viesse com serviço de camareira, o qual era uma boa coisa. Eu não estava para começar a catar as coisas dele do chão, embora as chances eram que ele fosse mais limpo do que eu era. A maioria das pessoas era. Um armário, e não tanto na diversidade das roupas. Eu já o tinha vasculhado e pego emprestado as coisas mais prováveis que serviriam em mim. O resto ficaria impossivelmente apertado na minha figura muito-longe-de-alegre, assumindo que eu pudesse sequer vestir as roupas. Além disso, o preto era quase tão depressivo quanto o branco. Eu imagino ter que desistir da idéia de nunca ser ágil ou esbelta. Eu iria gastar a eternidade sendo apenas desse tamanho voluptuosa, e eu não gostava disso. Por outro lado, eu nunca seria obesa, então isso era algo. Eu caminhei até a cozinha. O sol era uma chama vermelha agora, refletindo fora das janelas na minha frente, e apenas uma pequena fatia deixada sobre o horizonte. Uma vez que


ele caísse, tudo seria escuro, e eu me inclinei contra o balcão, o assistindo. Se o sol nascia e se punha aqui, certamente isso deveria ser um mundo real, e eu deveria estar viva. Por outro lado isso não fazia sentido. Porque se incomodar com todos os aparatos de uma vida normal quando a realidade era tão distante? A última luz difusa de vermelho mergulhou sobre a superfície espumosa, e eu não me movi, quase em um estado meditativo enquanto eu observava a água agitar e respingar, o ar frio e úmido contra o meu rosto. Eu lambi meus lábios e pude provar sal, e eu me encontrei sorrindo. Minha mãe tinha me dito para lamber meus lábios quando nós fomos ao litoral – eram as almas dos bebês mortos me dando um beijo de boas vindas, tentando me arrastar com eles. Hildergarde Watson nunca tinha sido um saco de risadas. Porque ela pensava que os bebês mortos terminariam no oceano nunca fez sentido, mas eu nunca tentei argumentar com a minha mãe. Era sempre um propósito perdido. Mas caramba, a velha senhora ficaria rosa de tanto rir em saber que a sua blasfêmia de filha estava vivendo com anjos. Dormindo com um, de fato, embora não fosse muito o tipo de “dormir com” que eu tenderia a pensar. E não era seguro deixar a minha mente ir nessa direção, não quando vinha a ser Raziel. Realmente, era muito mais provável ser Netuno ou Posseidon quem estivesse ao redor me beijando com lábios rachados de sal. Os deuses do Monte Olimpo eram sempre um pouco mais interessantes do que o Deus Judeu-Cristão, que tendia a ser obcecado com castigos e pecado. Não que Hildegarde acreditasse em qualquer deus além do seu zangado, moralista que de alguma forma se transformou de um gentil, amado Jesus. Eu realmente deveria ter coberto as minhas apostas, uma vez que foi o tenebroso deus de minha mãe que resultou em ser aquele com poder. Embora parecesse que ele fosse até mesmo pré-Judeo-Cristão. Eu me perguntei o que Hildegarde iria pensar sobre isso. Ela daria cambalhotas. Eu deveria tentar mais forte em dar o inferno fora daqui, e eu provavelmente faria se eu soubesse para onde ir. Eu estava com os dias contados com Raziel –mais cedo ou mais tarde ele iria serpentear para dentro do meu cérebro e ver os dolentes devaneios que eu estava tentando lutar, ver sem ser convidado, sentimentos luxuriantes que eram mais fortes do que qualquer coisa que eu alguma vez senti em minha vida. E que seria humilhante. Se eu não pudesse me controlar –minha atração, então eu precisava escapar. Eu só precisava saber para onde.


Eu estava com tanta fome que eu poderia comer seu antigo sofá branco. Alguém tinha lavado os meus pratos da noite anterior, então eu não poderia me alimentar de restos. Os donuts se foram há muito tempo, e eu estava desolada. Eu me deixei cair no sofá, colocando uma mão sobre meus olhos enquanto eu gemia copiosamente. Ben & Jerry, eu pensei saudosamente. Super Fudge Chunk36 ou Cherry Garcia*, para começar. Se eu já não tivesse abraçado o lema “Vida é incerta, como a sobremesa primeiro,” as últimas vinte e quatro horas ou mais teriam me convencido. Mas a geladeira de Raziel estava tão austera e estéril quanto esse apartamento. Sem ajuda ali. Depois disso, lasanha, densa e gordurosa, com montes de pães de alho e queijo, acompanhada por um excelente cabernet. Com esse ritmo, eu me conformaria com uma lata de Ensure37. Eu gemi novamente, me virando sobre meu estômago e escondendo a minha cabeça contra as almofadas. O pensamento de comida me encheu com tal ânsia que eu quase pensei que pudesse cheirá-la. Lasanha, a qual eu assiduamente evitei durante os meus anos de dieta. Em retrospectiva, parecia ser durante toda a minha assustadora vida adulta. “Allie.” A voz suave de Sarah penetrou na minha miséria. Eu capotei, agitada, para encontrar Sarah em pé na sala de estar ao lado de uma nova mulher segurando uma bandeja. “Eu não ouvi você entrar,” eu disse, me sentindo envergonhada. Aparentemente Sarah não se incomodava em bater. O sorriso fraco de Sarah poderia ter sido um pedido de desculpas ou talvez não. “Essa é Carrie. Ela é a esposa de Sammael, e ela é a mais nova das nossas recentes residentes. Eu pensei que vocês duas pudessem gostar de conversar.” Eu olhei para recém-chegada. Carrie era outra alta, com longos cabelos loiros, um sorriso doce, e uma tonalidade em seus perfeitos olhos azuis. Claramente os Caídos escolhiam Amazonas Arianas para se casar, o qual me excluía. Não que eu quisesse estar na corrente de qualquer forma, eu me relembrei. Eu sequer conduzi um sorriso de boas vindas. “Isso seria ótimo. Isso não seria o jantar, seria?” Eu olhei incisivamente para a bandeja, meu espírito se erguendo.

36

( Super Fudge Chunk ou Cherry Garcia- sabores do sorvete Ben & Jerry.) (Ensure – é a marca de uma família de suplementos nutricionais produzidos pela Abbott Laboratórios. As bebidas são destinadas a ser administradas por via oral ou através de sonda nasogástrica, diretamente ao estômago do destinatário.)

37


“Eu espero que você goste de lasanha,” Sarah disse alegremente . “Eu vou colocar o sorvete no freezer.” Eu reconheci a embalagem de Ben & Jerry –quem não reconheceria? –e não me incomodei em perguntar qual o sabor. Eu sabia. Carrie colocou abaixo a bandeja e sentou-se no lado oposto ao meu, retirando as tampas dos pratos. “Sem pão de alho,” ela disse com um fraco sorriso. “Isso interfere com o fluxo de sangue.” Um disperso arrepio dançou na minha espinha dorsal. Eu olhei cuidadosamente para a jovem mulher, provavelmente cinco anos mais nova do que eu era, mas não havia marcas no seu pescoço ou pulsos. Então novamente, não havia marcas nos pulsos de Sarah logo depois de Raziel ter se alimentado dela. Eu me contorci, ainda incomodada pelo pensamento. Embora muito mais incomodada pela menção de Raziel no fino, pulso com veias azuis de Sarah do que por qualquer outra alimentação dela. “Que sangue?” eu perguntei, ajudando-me com a lasanha, muito faminta para ficar de melindres. Eu realmente não queria saber, mas eu estava tentando ser educada. “O sangue que eu dou a Sammael,” ela disse simplesmente. “Alho afeta o tempo de coagulação.” Isso soava perfeitamente razoável, se você não considerasse o que eles estavam fazendo com o sangue em primeiro lugar e como eles estavam conseguindo-o. Eu à força arrastei para fora da minha mente. “Você quer algum desses?” eu gesticulei em direção ao prato sobrecarregado. Elas pareciam ter trazido para mim duas vezes a mais do que eu queria. Nesse ritmo eu iria ficar –não eu não iria. “Eu vou esperar e comer com Sammael. Ele prefere desse jeito. Nesse momento ele e os outros estão olhando para as defesas antes da reunião, tendo certeza que não há maneira dos Nefilins poderem romper e atravessar. Há rumores que eles estão tentando.” “Há sempre rumores,” Sarah disse suavemente, aparecendo da cozinha. “É melhor não prestar nenhuma atenção neles. Os homens podem andar por aí e resmungar coisas e se sentirem importantes, mas no final os Nefilins vão tanto romper e entrar ou não, e eu não acho que exista qualquer maneira de nós afetarmos isso.” “E os Nefilins são os comedores-de-carne?” eu perguntei, de repente dando uma boa olhada na minha massa vermelha brilhante. Eu coloquei abaixo o meu prato novamente.


Sarah assentiu. “Não há palavras para descrevê-los. Um pesadelo vivo. Eles nunca foram capazes de perfurar as paredes de Sheol, mas não há garantia que eles não irão.” Ela caiu em silêncio por um momento, como se ela estivesse olhando para algo à distância, algo insuportável. E então ela se recompôs, serena como sempre. “Enquanto isso tudo o que nós podemos fazer é viver nossas vidas. Eles são uma ameaça desde o início dos tempos – preocupação não nos leva a lugar nenhum.” A lasanha não estava mais se acomodando muito bem no meu estômago, mas eu sabia que o sorvete iria cuidar da minha náusea. Não havia nada nesse mundo, ou qualquer que fosse o mundo em que eu estava, que aquele sorvete não consertasse. Eu segui para o freezer, pausando para olhar para fora pelas janelas aos homens na larga extensão da praia. “Quando eles provavelmente atacariam?” eu perguntei, olhando para eles. Para ele. “Depois do escurecer. Os Nefilins não podem sair no dia claro –isso queima as suas peles. Eles dormem durante o dia; então a fome os ergue e eles vão a procura de qualquer coisa que eles possam encontrar. E aparentemente eles encontraram Sheol.” “Encontraram?” “Sheol é guardada pelas névoas. Elas foram levantadas quando você foi trazida para dentro, e n��s estávamos com medo de que fosse suficiente para alertar os monstros.” “Você quer dizer, que eu sou culpada por deixar os loucos entrarem?” Eu me afastei da praia. “Claro que não,” Sarah disse em sua voz tranqüilizadora. “Eles não entraram, e eles não vão entrar. Eles podem bramar os portões e ameaçar, mas eles não podem entrar ao menos que alguém os convide. E ninguém os convidaria a própria morte.” Subitamente o ar ficou frio, quase úmido, e houve uma sensação de presságio que eu não podia abalar. Tanto para uma outra vida alegre. “E sobre os Caídos? Eles podem sair na luz do dia. Eles têm que ser convidados para dentro de um lugar antes que eles possam entrar?” Ela sacudiu a sua cabeça. “É apenas para os impuros.” “E vampiros não são impuros?” “Nós não usamos esse termo,” Carrie falou. “Eles são comedores de sangue.”


“Isso tem muitas conotações negativas,” Sarah explicou. “Os papéis que os Caídos e os Nefilins têm se misturaram ao longo dos anos, e as pessoas os fizeram como ingredientes dos pesadelos. Apenas os Nefilins são os monstros.” “Quem os criou? O seu Deus justo e amoroso?” Sarah ignorou o meu sarcasmo. “Deus mandou novos anjos depois dos Caídos, para os destruírem. Para ter certeza que eles não fossem tentados, ele os fez impossíveis de ter sentimentos. Eles caíram de qualquer maneira, e foram levados à loucura, e ele os amaldiçoou também, os fazendo comedores de carne e abomináveis. Depois disso, ele parou de tentar.” “Mas eles não podem entrar, certo? Os Nefilins, eu quero dizer. E se alguma vez eles entrarem, eles provavelmente terão uma dificuldade em chegar ao topo desse lugar, não terão?” Eu não era normalmente tal covarde, mas eu tinha um horror ao canibalismo. Jeffrey Dahmer38 me fez psicologicamente aflita. Eu sempre imaginei que eu fui comida em uma vida anterior, embora a maneira com que as coisas estavam indo, talvez isso fosse parte do meu futuro e não do meu passado. “Se eles entrarem, todos irão morrer,” Sarah disse. “Não haverá lugar para se esconder, nem sequer aqui em cima.” Ela deve ter visto a minha expressão, por ela ter aparecido rapidamente com um ligeiro,desdenhoso sorriso que era quase passível de acreditar. Quase. “Mas você está certa, eles não vão entrar. Os Caídos estão preocupados porque eles alcançaram nossas fronteiras, quando eles nunca tinham feito antes. Eles ainda não serão capazes de romper e atravessar a barreira final.” Ela soou muito certa. E eu não acreditei nisso nem por um minuto. Eu precisava de sorvete. Era um Cherry Garcia e um Super Fudge Chunk, o que me alegrou, ao menos parcialmente. Eu agarrei um pote e uma colher e passei para me sentar de pernas cruzadas ao lado da intocada figura silenciosa de Carrie. Eu estava meio tentada a derramar um pouco, só para dar uma cor no lugar. Eu gesticulei com o redondo recipiente. “Nenhuma de vocês quer nenhum? Há mais três outras colheres. Repartir um Ben & Jerry é uma experiência de grande vínculo.” Sarah gargalhou. “Nós já somos vinculadas, Allie. O sorvete é desnecessário. Você o aproveite.” Ela tomou o assento oposto ao meu. “Como você e Raziel estão convivendo?” 38

(Jeffrey Lionel Dahmer foi um serial killer Americano.Dahmer assassinou 17 homens e garotos entre 1978 e 1991, sendo a maioria dos assassinatos ocorridos entre 1989 e 1991. Seus crimes eram particularmente hediondos, envolvendo estupro, necrofilia e canibalismo.)


“Ele me odeia,” eu disse com alegria. Se eu não pudesse tê-lo, eu poderia ao menos curtir aborrecendo-o. “Oh, não!” Sarah disse. “Raziel não odeia ninguém. Ao menos-” “Acredite em mim, ele me odeia. Eu não sou muito afeiçoada a ele também.” Não era exatamente uma mentira. “Ele acha que eu sou um pé no saco.” “Certamente que não,” Sarah disse. “Certamente que sim. E me explique sobre a mente ramificada.” “O que?” “Como Raziel sabe o que eu estou pensando quando eu estou com ele? Como ele sabe que eu queria lasanha e Ben & Jerry? Como ninguém tem qualquer segredo, qualquer privacidade, nesse lugar?” Eu sabia que eu estava soando ranzinza mas eu não podia me impedir. “Segredos normalmente causam problemas,” Sarah murmurou. “Mas há privacidade. Enquanto a maioria de nós pode discernir o que as outras pessoas estão pensando se nós escutarmos cuidadosamente, é mais educado não fazer. Nós podemos selecionar as suas necessidades básicas, se você quiser comida, ou gostaria de sair para uma caminhada, ou quiser companhia. As coisas mais importantes apenas são acessíveis a Raziel. E eu receio que ele não precise estar na sua companhia. Ele sabe o que acontece na sua mente mesmo quando ele está em outro lugar.” “Ótimo,” eu disse. “Sem impressionar porque ele não goste de mim. Meus pensamentos têm sido menos do que bondosos.” E menos do que puros. Então ele sabia absolutamente tudo. Se ele quisesse. Ele era também capaz de desligar o rádio de uma mão. Eu me permiti um breve cintilar de como eu pareceria na atrevida calcinha e sutiã que Jason comprou para mim na esperança de reacender o nosso caso amoroso. Eu realmente parecia bastante deliciosa, mas tinha sido muito pouco, muito tarde. Ao menos isso iria me ajudar a manter Raziel fora da minha mente. Carrie subitamente enrijeceu. “Nós precisamos ir,” ela disse, se levantando em um movimento fluido, mais gracioso do que eu sequer imaginava. Sarah assentiu, sua expressão serena substituída por um franzir o cenho preocupado, e a úmida, ansiosa sensação que esteve deslizando dentro de mim, me atingiu com força total.


Eu estava em meus pés antes de eu perceber. “É a hora da reunião?” Sarah assentiu. “Apenas fique aqui. Se houver um problema, Raziel virá para você.” “Pouca chance,” eu comecei a dizer, mas elas já tinham ido, me abandonando no estéril apartamento enquanto a escuridão se fechava ao meu redor.


Cap Capítulo 1 14

E

U CONSEGUI FICAR IMÓVEL POR APROXIMADAMENTE QUINZE minutos. Paciência nunca foi uma das minhas particulares virtudes. Considerando que eu gastei o tempo passeando da janela da cozinha para a sala de estar e voltando, sentando e levantando-me levantando me novamente, eu teria considerado cinco minutos para ser bastante notável. Quinze foi um recorde mundial, tanto quanto eu podia referir. Mas se os Nefilins estavam chegando, eu estava amaldiçoada se eu iria ficar nessas dependências como um pato sentado, esperando para ser a sobremesa de alguém. Eu me encaminhei para a porta, orta, me enrijecendo pelos intermináveis lances de escadas. Ao menos era um declive, e se eu não terminasse como ensopado de carne eu faria Raziel voar comigo de volta. O pensamento lançou pequenos espinhos descendo na minha espinha. A porta estava trancada. A maçaneta girou –não não era um simples problema de arrombar uma fechadura. Não que eu alguma vez arrombei uma fechadura, mas eu assisti o suficiente de filmes com assaltos que eu imaginei que eu provavelmente poderia lidar com isso se eu tivesse um grampo de cabelo. Eles ainda faziam grampos de cabelo? Provavelmente não em Sheol. Não, a porta estava selada, como se não houvesse separação entre as espessas paredes e a porta como um todo. Eu perdi muito tempo socando-a, socando chutando-a, a, xingando Raziel, uma vez que q eu o conhecia, e não Sarah, e era para culpar por essa atrocidade em particular. Eu não perdi nenhum tempo chamando por ajuda –ninguém ninguém iria prestar qualquer atenção, mesmo se eles me ouvissem. Por um momento muito breve eu considerei sentar de volta no sofá e aparecer com a mais incendiária tórrida fantasia sexual que a minha imaginação pudesse criar, e eu tinha um inferno de imaginação, especialmente com Raziel como inspiração. Mas isso era uma faca de dois gumes. Quanto mais eu fantasiava, mais vulnerável vulnerável eu me sentia. Quanto


mais tempo eu ficasse perto dele, mais eu era puxada para ele. O que era demasiadamente perigoso. Talvez eles ainda estivessem argumentando sobre o que fazer comigo. Talvez se os Nefilins quebrassem as paredes, meu futuro seria discutível. Eu não iria desistir sem uma luta. Eu olhei para as janelas. Sammael tinha empurrado outra seção quando ele me levou acima para as montanhas –certamente deveria ser algum tipo de saída de emergência para o andar de cima desse lugar? Eu não estava certa o quanto vulnerável os Caídos eram, mas suas esposas certamente eram mortais. Eu me movi ao longo do dique de janelas, empurrando gentilmente, mas nada pareceu deslocar. Eu me inclinei para fora de uma janela, espreitando dentro da escuridão da noite, e estremeci, mesmo embora a noite estivesse quente. À distância eu pensei que eu pudesse ouvir os sons abafados de animais, estranhos grunhidos e estranhos gritos. Os Nefilins, ainda do lado de fora dos portões de Sheol. Mas por quanto tempo? Havia uma estreita varanda diretamente abaixo das janelas, não mais do que um metro de espessura, com um baixo muro para fora, a única barreira entre a casa e a queda livre ao chão muito abaixo. Os pisos inferiores do prédio eram recortados externamente –certamente não havia maneira de escalar para baixo se eu fosse cuidadosa. Eu sempre fui relativamente coordenada com os pés, ao menos antes de ser atingida de frente por um ônibus. Eu empurrei a janela aberta, oscilando uma perna sobre o parapeito,e saí para dentro do ar da noite. Os sons na escuridão estavam muito altos, os uivos animais e choros das almas perdidas preenchendo a noite, e eu quase mudei de idéia. Mas a brisa do oceano penetrou, acalmando o meu nervosismo, e eu me concentrei nisso, tentando excluir o outro barulho da minha mente. Eu me movi para baixo ao final da estreita varanda, espreitando sobre a borda. Isso não parecia promissor. Eu podia tentar deslizar descendo a extensão lisa do que poderia ser o concreto e esperar que eu fosse aterrissar na varanda do lance inferior, mas que iria me descer apenas um andar, e havia múltiplos lances embaixo desse. Eu encontrei o perfeito ponto e escalei em direção a borda sobre o muro, então eu sentei, olhando acima dentro do céu pintado, observando enquanto as estrelas saiam, brilhando no ar da noite e o cheiro penetrante do oceano quando uma lenta, decisiva calma começou a me preencher. Nada iria me alcançar. Eu não tinha absoluta idéia de como eu sabia isso, mas eu sabia. Aqui era onde eu pertencia.


Raziel iria enxergar isso. Se em nada mais, eu pudesse confiar nele. Nada iria acontecer comigo. Ele estava lá em baixo argumentando o meu caso, e ele tinha Sarah como apoio. Eu sabia que ele iria me salvar. Eu me inclinei para trás, deitando na borda para encarar o céu acima da minha cabeça. Eu não era acostumada a contar com qualquer um para cuidar de mim –eu estimava ser autosuficiente, precisar de nada nem de ninguém. Minha doida varrida mãe tinha me educado praticamente isolada do meio-ambiente normal, inundada em sua religião extremista que era uma combinação de Cristianismo fundamentalista com sobrevivencialismo, temperada com um estranho toque de anti-Semitismo. Estranho, porque minha mãe tinha crescido Hildgarde Steinberg, de pais devotos do Judaismo Ortodoxo. Eu nunca soube quem meu pai foi, embora ela tivesse insistido que eles foram casados. Eu sempre imaginei que ela arrancou a cabeça dele depois da união. Era uma pequena maravilha que eu sempre me considerei uma ateísta. Eu tinha firmemente expedido deuses, anjos, e demônios aos ranques da mitologia. Errado. Eu podia imaginar quem estava dando a última gargalhada agora. Acredite em mim para encontrar uma outra vida governada por vampiros ao invés de bebês querubins com seus fundos nus e harpas minúsculas. Eu imagino que era melhor do que nenhuma outra vida, mas os campos de Elíseos39 tinham sido preferidos. Os uivos animais estavam desvanecendo –as paredes de Sheol deveriam ter se sustentado, ao menos por agora. Raziel estava fazendo o seu caminho de volta –eu parecia saber isso também. Era a sua aborrecida-fudida-mente uma mão dupla? Ou isso era algum tipo de GPS cósmico? Ele estava voltando para mim, e eu sentia a minha pele se esquentar embaixo das roupas. As roupas dele. Eu deveria tirá-las. Eu não fiz nada, deitada ali na borda. Eu chutei para fora um sapato, deixando-o cair em direção a varanda, então o outro. Eu deslizei e fiquei sobre a borda, e eu pude ouvi-los, batendo, atingindo contra as coisas enquanto eles caiam, isso era como – Eu automaticamente me sentei, tentando esticar a mão para pegá-los mesmo embora fosse muito tarde, e no último minuto eu sentei de volta antes que eu caísse também. Eu deitei de volta na borda, tremendo levemente.

39

(campos de Elísio -Na mitologia grega, Elísio foi uma seção do submundo. Os Campos Elísios, ou as planícies Elíseos, foram os últimos lugares de descanso das almas dos heróicos e virtuosos.)


Eu fechei meus olhos, concentrando-me no som a arrebentação. Por um momento eu pude sentir suas mãos em mim, nos meus seios, e meu corpo se levantou instintivamente, então afundou de volta, limpando a imagem da minha mente. De onde isso tinha vindo? Faca de dois gumes, eu me relembrei. Era possível que isso tivesse vindo de mim? Não, não poderia ser. E era muito melhor eu desligar o pensamento sobre um Super Fugge Chunk. Não havia uma música sobre o amor ser melhor do que sorvete, melhor do que chocolate? Isso valia para sexo também? E, maldição, porque eu estava subitamente atormentada como uma mente obcecada de um garoto adolescente excitado? Então, eu não iria pensar sobre sorvete. E eu muito menos, definitivamente, não iria pensar sobre sexo. Mesmo embora eu pudesse quase sentir suas mãos em mim, sentir meus mamilos se enrijecerem no ar quente da noite, senti-loMerda, Eu pensei, me sacudindo em protesto. E imediatamente caindo sobre a borda. *** Eu sabia no momento em que eu entrei à câmara do conselho que as coisas estavam indo tomar uma mudança muito feia. Azazel estava na cabeceira da mesa, usando uma expressão que dizia que não havia uma negociação, e os outros, a maioria deles, pareciam igualmente severos. Apenas Sarah e Tamlel pareciam preocupados, e isso não era suficiente para manter o resto de se eliminarem da infeliz fêmea da mais lógica maneira possível. Eu não queria chamá-la pelo seu nome. Por alguma razão, se eu chamasse pelo seu nome isso faria a odiosa tênue ligação entre nós até mesmo mais forte. Allegra. Allie. Um espinho ao meu lado, um pé no meu saco. Mas eu não iria deixá-los pegá-la. “Nós vamos discutir as coisas na ordem de importância,” Azazel disse. “Começando com os Nefilins. Eles estão fora do nosso portão. Por milênios de anos nós mantivemos Sheol escondida deles, e subitamente eles nos encontraram. Eles estão se reunindo ali –eu não sei o seu número, mas tudo isso iria levar um momento de negligência, um passo em falso, e eles iriam nos exceder.” “Nós podemos lutar,” Michael disse. “Eu não sei porque você assume que eles terão a vantagem. Eu digo deixem-nos entrarem, e nós vamos nos livrar deles de uma vez por todas.”


“Assumindo que nós consigamos prevalecer.” A voz de Azazel era austera. “E assumindo que nosso número não é muito grandiosamente reduzido, nós ainda temos o problema dos outros Nefilins. Eles vagam através do mundo em busca dos Caídos, e se esses sabem de nós, então os outros irão seguir. Será batalha atrás de batalha, morte e carnificina.” “Então?” Michael disse. “Nem todos de nós são guerreiros, Michael.” “Nós precisamos ser. Nós estamos em guerra, com Uriel e a sua legião, com os Nefilins que vagam e devoram pelas suas ordens. Isso não estará terminado até que os Nefilins sejam aniquilados da face dessa terra.” “E então o que nós faremos? Uriel irá mandar alguém mais, mais cedo ou mais tarde, eu sinto que isso será mais cedo.” Ele virou o seu frio olhar para mim. “O que você sabe da garota?” Eu fiquei tenso. “Eu fui mandado para pegá-la. Eu estava para depositá-la na próxima vida quando eu vi as chamas e a puxei de volta. Eu não sei porque –instinto. Ela não tinha feito nada para o mérito da condenação eterna.” “E é a sua função julgar?” Azazel disse. Eu conhecia Azazel há muito tempo para reagir. “Não. Mas nós não deveríamos seguir cegamente quando nossos instintos dizem que está errado. Foi por isso que nós caímos em primeiro lugar –porque nós questionamos. Nós falhamos em seguir ordens mas seguimos nossos corações ao invés disso. É ruim o bastante quando nós temos que encarar a ira misericordiosa de Uriel. Se nós julgarmos uns aos outros, então nós estamos condenados. Ela não merece a condenação eterna. Ela não fez nada.” “Ela fornicou fora do casamento. Ela zombou do pacto. Isso poderia ser suficiente para Uriel condená-la.” “Mas não é suficiente para nós.” A voz de Sarah rompeu, calma e segura. Como a Fonte ela tinha uma voz no Conselho, uma que ela raramente usava. Essa noite era diferente. “Nós aspiramos ao nível de perfeição de Uriel? Nós nunca consideramos que a punição descuidada é uma resposta razoável?” O olhar de Azazel suavizou por um momento, mas ele não disse nada.


“Há outras possibilidades que nós precisamos discutir.” Esse foi Sammael, normalmente silencioso durante essas reuniões, e eu olhei para ele em surpresa. Eu nunca tinha sido um dos amigos mais chegado a Sammael, um mentor de qualquer tipo. Ele não esteve dentre os primeiros Caídos, apesar do folclore, mas seguiu logo depois, e seu ajuste foi mais difícil. Condenação eterna nunca era fácil, mas Sammael tinha sido uma vez um idealista. Até Uriel ter acabado com ele. “Sim?” Os olhos de Azazel se estreitaram. “Sua presença aqui pode não ser acidental.” Por um momento eu estava sem palavras. “Você acha que traí os Caídos-” “Não, meu irmão,” ele disse. “Eu acho que Uriel pode ter pregado uma peça em você. Quem pode dizer que ela não é um demônio, mandada para dentro da nossa névoa para nos denunciar aos Nefilins e para o próprio Uriel? Como os Nefilins subitamente chegaram aos nossos portões, quando nós permanecemos escondidos por milhares e milhares de anos? Nós nunca tivemos uma estranha vivendo dentre nós. Você, Raziel, nunca antes parou para considerar quem o viajante era ou onde ele ou ela estava sendo encaminhado. Você nunca acreditou nisso para se preocupar, e o resto de nós temos sentido o mesmo. Há muitos para se entregar –nós não podemos parar de passar o nosso próprio julgamento. Mas algo fez você parar.” Ele olhou para mim, seus olhos castanhos sérios e perturbados. “Eu acho que ela pode ter lançado um feitiço em você.” Eu gargalhei. “Agora você está dizendo que ela é uma bruxa? Eu acredito que nós deixamos tudo isso para trás muitos milhares de anos atrás.” “Eu estou dizendo que ela é um demônio. Mandada por Uriel para infiltrar e nos destruir. Você não pode negar que ele tem demônios em seu comando.” “Não,” eu disse lentamente. Uriel governava sobre ambos anjos e demônios, usando-os para qualquer que seja a tarefa que ele considerasse necessário. Uma vez, em um momento de fraqueza, ele tinha se explicado: que era muito melhor para ele governar os demônios e espíritos sombrios do mundo do que deixá-los cair nas mãos do Maligno. O Maligno ele acreditava ser Lúcifer.


Nós sabíamos que não havia fonte do mau. Sem Satã, sem Iblis40, sem Príncipe da Escuridão. O Mau vinha de dentro, apenas como o amor a beleza vinham. Mau era o preço que os humanos pagavam por estarem vivos. Era um preço que nunca tinha entrado nos sagrados confins de Sheol. Ao menos Sammael estava certo, e Allie Watson fosse uma das serventes de Uriel. Isso iria explicar muitíssimo. A atração que eu sentia por ela era irracional, quando eu tinha jurado não me unir a nenhum humano. Eu gostava de mulheres suaves, doces, não fêmeas que respondiam e questionavam as minhas decisões e ousavam entrar na minha consciência, apenas como uma companheira atada deveria fazer. Se ela foi mandada por Uriel, então nos tínhamos apenas uma escolha. Azazel tinha se virado para mim. “Isso parece realmente? Você a conhece melhor. Ela foi mandada para abrir os portões de Sheol e nos trazer todos à ruína?” “Não,” Sarah disse ante que eu pudesse falar. “Absolutamente não. Ela tem uma razão para estar aqui, uma que eu ainda não entendo, mas não há mal-” “Eu estava falando com Raziel,” Azazel disse em uma voz fria, e a boca de Sarah estalou fechada. Eu quase pude ficar divertido –ele estava com um problema essa noite –mas eu não estava com humor de gargalhar. “É possível,” eu disse relutantemente. “Isso explicaria um números de anomalias.” “Eu acho que nós não temos escolha, então,”Azazel disse. “Mesmo se ela foi indevidamente julgada e sentenciada ao inferno, ou se ela está aqui para nos destruir. Ela precisa ser retornada ao fogo eterno.” Ele estava certo. Para ela ter sido mandada aqui em primeiro lugar, haveria uma razão, mesmo se eu não tivesse sido capaz de descobri-la. E se ela fosse uma traidora, um demônio na nossa névoa, então o inferno era aonde ela pertencia. “Você não tem que ser aquele que a levará,” Azazel adicionou com um traço de compaixão. “Um dos outros pode ir.”

40

(Iblis -é o principal demônio no Islão. Iblis era um Djinn, uma criatura feita de fogo sem fumaça por Deus (da mesma forma que os humanos foram feitos de barro). Num rompante motivado por inveja, Iblis desobedeceu Allah e foi expulso da Sua presença. Ele foi lançado na Terra, juntamente com Adão e Eva, depois de os haver iludido a comer do fruto proibido. Ele foi em conseqüência condenado por Deus ao Inferno.)


Eu não disse nada, recusando aceitar as regras deles. Eles não poderiam fazer isso. Eu não iria deixá-los. “Você são uns idiotas, todos vocês,” Sarah estalou, finalmente tendo o suficiente. “Vocês não confiam mais na sua Fonte? Vocês acham que eu não teria o conhecimento do que é para ser e o que está certo? Nenhum de vocês conta com adivinhação dentre os seus dons, mas eu tenho visto coisas.” “O que?” Azazel disse afiadamente. Mas Sarah sacudiu a sua cabeça. “Não é para você saber. Ainda não. Você pode também ignorar o meu conselho e destruir a mulher porque você acha que ela pode ser uma bruxa, apenas como os antigos perversos. Ou você pode dar a ela tempo. Dar a Raziel tempo para descobrir porque ela está aqui.” Ela se virou para olhar para mim. “Você tem certeza que ela não é a sua companheira? Isso explicaria tudo.” Isso iria de fato. Isso seria também uma mentira. Eu teria conhecido a mulher que eu amo da primeira vez que eu a visse. Seria uma identificação, um conhecimento, uma paz que foi há muito removida pela raiva que eu sentia ao redor de Allegra. Allie. Mas eu não iria condená-la a morte, não sem estar certo. Então eu menti. “Há uma grande ligação entre nós,” eu disse, com ao menos um pouco de verdade. “E uma atração.” “Então vá a ela, Raziel,” Sarah disse. “Olhe dentro dos seus olhos. Você conhecerá um demônio se você olhar profundo o suficiente. Toque-a. Um demônio não pode fazer amor; eles apenas podem furtar a sua essência. É um simples teste.” Um simples teste. Colocar as minhas mãos em Allie Watson e ver se ela se transforma em um monstro. Eu iria matá-la então, se ela se transformasse. Demônios eram fáceis o bastante para se matar enquanto você os reconhecesse. Suas gargantas eram delicadas, facilmente quebráveis. Tudo o que eu tinha que fazer era prová-la... Eu não faria isso. Eu estava pronto para provar que ela não era um demônio, mas eu estava longe de permitir a performance de um ato que iria nos unir irrevogavelmente. “Eu vou dar a você essa noite, Raziel,” Azazel disse. “Mas ninguém vai deixá-la se mover nas redondezas do complexo sem um guarda. Nós não podemos proporcionar a tomar


quaisquer riscos. Se ela é humana, nós precisamos descobrir se ela foi enviada por Uriel. Se ela é um demônio...mate-a. Você me entendeu?” “Eu acredito que eu nunca fui particularmente lento,” eu disse, mantendo a minha raiva em cheque. “Se você acha que eu tenho qualquer hesitação sobre destruir um demônio, então você não me conhece muito bem.” “Enquanto isso, ninguém irá perturbá-los ao menos que Raziel chame por ajuda,” Azazel avisou os outros. “E se ela for simplesmente uma mulher humana comum, injustamente julgada por Uriel, que a descartou a nossa misericórdia?” Sarah exigiu. “Nós não podemos permitir ter misericórdia quando Uriel não mostra nenhuma. Se ele está detrás da presença dessa mulher aqui ou não, nós não podemos abaixar nossa guarda.” Eu olhei para o rosto de pedra de Azazel. Ele estava certo, claro. Eu sabia disso, Sarah sabia disso. Eu me empurrei para trás da mesa, deixando nenhuma expressão cruzar o meu rosto. “Eu vou deixar você saber,” eu disse, e deixei a sala. Eu parei quatro lances de escadas acima, finalmente sozinho na vaga escada iluminada. Eu me inclinei para trás contra a parede, fechando os meus olhos. Eu não queria tocá-la. Ela era tudo o que eu queria me manter afastado –eu não queria a sua boca ou o seu corpo, eu não queria a sua alma ou o seu coração. Teria sido tão fácil ter me livrado dela. Dizendo nada. Mesmo Sarah tinha sido inútil em parar o inexorável julgamento. Eu podia vê-la, praticamente senti-la embaixo das minhas mãos, seus seios, o doce toque da sua pele. Isso queimava dentro de mim. Ao menos meus próprios pensamentos e fantasias estavam bloqueados da sua inquisitiva mente. Era a única coisa que fazia a fome suportável. Eu me empurrei afastando-me da parede, furioso comigo mesmo. Quem diabos eu pensava que era? Eu nunca evitei uma tarefa antes, e essa era simples o bastante. Tocá-la, olhar dentro dos seus olhos, e eu saberia. Se a resposta fosse a errada, eu já iria extinguir a sua duvidosa existência. Eu coloquei minha mão no parapeito e fechei meus olhos, a escutando. E então eu voei.


Cap Capítulo 1 15

E

U ESTAVA CAINDO, EU SABIA DISSO. MINHAS MÃOS ESTAVAM trôpegas e com suor, e mesmo embora eu conseguisse obter um pouco da vantagem na alvenaria com meus pés descalços, não foi o suficiente para me segurar. Era um longo caminho para baixo. Quantas vezes uma mulher pode morrer? Eu pensei descontroladamente. Dessa essa vez não haveria qualquer retorno disso –se você morre no paraíso, ou o que quer que diabos esse lugar fosse, então você deveria estar realmente morta. Talvez Raziel pudesse resolver o problema ao apanhar o meu corpo morto e jogá-lo jogá dentro daquele buraco co no meio do nada. Eu iria me recuperar uma vez que eu estivesse assando no inferno, ou eu seria sortuda o suficiente para o grande gordo nada? Eu não queria morrer. Não de novo. Eu não queria uma noite interminável, silêncio, o nada. Eu queria o que quer que eu pudesse agarrar, comida, sexo, música, gargalhadas. Mas meus dedos estavam escorregando, meu pé soltou o pouco que tinha que conter, e eu me senti partindo, caindo para trás dentro da escuridão, o brilho das estrelas acima da minha cabeça e a últimaa coisa que eu iria ver. E então algo se moveu na frente delas, o azul furta cor da morte, eu pensei sonhando, quando a morte deveria ter sido preta, e eu sorri. Eu não estava em dor depois de tudo; parecia como se eu estivesse sido embalada nos braços de alguém. Se isso era a morte, então eu não deveria ter estado com medo dela. Eu me sentia segura, quente, como se eu estivesse exatamente aonde eu pertencesse ee Luzes brilhantes bateram nos meus olhos, e eu soltei um lamento enquanto eu levantava o meu braço para cobri-las las enquanto alguém me despejava sob minhas costas. Talvez eu estivesse indo terminar no inferno depois de tudo, eu pensei irritada, recusando-me recusando a mover o meu braço. Se eu não olhasse, talvez isso fosse embora. Mas a curiosidade sempre tinha sido um defeito de caráter, e o som dos seus passos foi o suficiente para me fazer mover o meu braço e olhar. Eu estava de volta ao apartamento, em


um dos primitivos sofás, e Raziel tinha acabado de bater a janela fechada antes de se virar e olhar para mim, furioso. Como sempre. “Que grande idiota você é?” Eu o ignorei, sentando-me esticada e olhando a minha volta com um sorriso resplandecente. “Eu não estou morta,” eu anunciei. “Isso depende da sua definição,” ele disse, movendo-se para a porta. Então ele iria me abandonar tão rapidamente quanto ele tinha me salvo. Eu não poderia reclamar –era melhor do que ser esmagada em pedaços no terraço abaixo. Mas ele não estava indo a nenhum lugar. Ele simplesmente trancou a porta. Eu estava indo argumentar que ela já estava hermeticamente selada, mas eu imaginei que ele sabia o que ele estava fazendo. Ele ondulou a sua mão e as luzes escureceram, e eu me perguntei se isso era um poder cósmico ou algum tipo de sensor de movimento. Um Chocalho celestial. “O que você pensa que está fazendo?” Bem, ao menos ele estava falando comigo. “Eu só queria algum ar fresco,” eu disse esperançosamente. “Alguém me trancou aqui dentro, e eu não gosto de ser fechada. Eu sou claustrofóbica.” “Não você não é. Não mais. Você estava procurando por uma maneira de descer, não estava? Então você poderia ver o que estava acontecendo.” Ah, ele me conhecia muito bem. Já. “Curiosidade não é uma peculiaridade que nós valorizamos em Sheol. Você tem sorte que eu apareci dessa vez.” “Yeah, e sobre isso?” Eu disse em uma calma voz. “Eu pensei que você soubesse o que eu estava pensando. Eu estava mandando a você todos os sinais de distração que eu pude inventar. Porque você não veio?” “Se eu tivesse que gastar todo o meu tempo na sua torcida mente, eu me chatearia,” ele disse. “E preferiria ficar afastado, mas eu estava subindo até aqui de qualquer forma e eu pensei que eu descobriria se você estivesse dormindo ou não.” “Dificilmente dormindo. Eu ainda não jantei.” Estava muito escuro para ver se ele rolou seus olhos, mas eu tive a definitiva impressão que ele tivesse feito o equivalente angelical a isso. “Você não precisa comer tão freqüentemente aqui.”


“Não é uma questão de necessidade, é uma questão de querer. Eu como pela mesma razão que eu leio. Não para nutrição, mas por prazer sensual,”eu disse brilhantemente. E então me arrependi. Mencionar prazer sensual abria um assunto que era muito sensível, enquanto eu estivesse interessada. Eu não o queria vagando ao redor dentro da minha mente, lendo meus irracionais e malditamente desejos bancados. Ele estava se mantendo muito quieto, olhando para mim, e havia algo no ar, uma tensão que deslizava por baixo da minha pele. Eu pude sentir meu coração bater, não a aterrorizada agitação de minutos atrás quando eu encarei a morte, mas um lento, implacável baque que parecia quase audível. Maldição, eu pensei. Ele fez um gesto e as luzes da cozinha escureceram. A sala preenchida com sombras, me fazendo até mesmo mais nervosa. “Você sabe, uma lareira a gás ficaria legal aqui,” eu disse em um tom de conversa, tentando reduzir a tensão que ondulava através da superfície. “Ela faria aqui aconchegante.” Eu meio esperei que ele ondulasse seu braço e uma mágica lareira aparecesse, e então eu me sacudi. Ele não era um gênio, garantindo meus três desejos. Embora eu não estivesse certa do que exatamente ele fosse, ao menos enquanto eu estivesse preocupada. “Uma vez que um fósforo pode acabar me destruindo, eu não acho lareiras aconchegantes como um todo. Você terá que passar sem uma.” Eu tinha me esquecido. “Boa observação,” eu disse brilhantemente, tentando não olhar para ele. Eu sempre tive um saudável interesse em sexo, em homens, porém mais freqüentemente quando eu não tinha coisas melhores a se fazer. Eu tive os melhores orgasmos por conta própria, algo que iria sem dúvida chocar o levemente puritano Raziel, e eu freqüentemente encontrei namorados que não valiam a pena. Então porque eu subitamente tive que me tornar obcecada por alguém? “Eu não sou puritano.” “Merda!” Eu gritei como se estivesse sido beliscada. Eu podia sentir a cor fluindo no meu rosto. Como eu tinha me esquecido? Sua habilidade de ler meus pensamentos era quase a pior coisa sobre toda essa experiência. “Pior que a morte?” “Pare com isso!” Eu estalei, completamente perturbada. “Como estão as suas mãos? Você está machucada?”


Eu olhei abaixo para elas. Meus dedos estavam vermelhos, com câimbras, e eu saí do sofá. “Ótimas,” eu disse. “Eu vou apenas jogar uma água nelas.” Eu queria me afastar dos seus olhos muitíssimo observadores. “Você não precisa.” Ele estava em pé entre mim e a cozinha, efetivamente bloqueando o caminho. “Eu acho que é a minha decisão,” eu disse, tentando contorná-lo. Ele era muito grande para ser contornado. Antes que eu pudesse imaginar a sua intenção ele pegou as minhas duas mãos com as dele, e seu toque deu vida através dos meus braços como um choque elétrico. Eu pulei para trás, tropeçando sobre meus próprios pés descalços no meu esforço de me afastar dele. Ele pegou meu cotovelo enquanto eu caia, me acertando, então me soltou imediatamente. “Você é muito desajeitada, não é?” ele observou. Não fazia nenhum bem guardar a minha língua –ele já sabia o que eu estava pensando. “Você me deixa nervosa.” “Porque?” “Deixe-me contar as razões,” eu disse. “Você é um anjo da guarda que tentou me lançar para dentro das chamas do inferno; você é um vampiro; você acha que eu sou um pé no saco; e se não fosse por você, eu estaria viva e morando na cidade de Nova Iorque, cuidando dos meus próprios negócios.” Por um momento ele não disse nada. Então ele falou. “Primeiro de tudo, eu não sou um anjo da guarda, não o seu e não o de ninguém. Anjos da guarda não existem –eles são apenas folclore.” “Claro que eles são. Como os vampiros.” Ele ignorou isso. “Segundo, você é mais definitivamente um pé no saco. Você se intromete na minha vida tão malditamente quanto eu me intrometo na sua-” “Eu duvido disso,” eu rompi secamente. “Deixe-me terminar. Se não fosse por mim, você estaria no inferno nesse momento. Você estava programada para morrer, e nada pode contrariar isso. Normalmente você teria simplesmente terminado em um lugar escuro. A maioria das pessoas não tem escoltas, apenas aquelas que Uriel considere necessário, você parece comum o bastante.”


“Muito obrigada,” eu disse. “Mas ele tinha algo em mente. Você deve tê-lo ofendido com seus livros. Uriel é facilmente ofendido.” “Eu sou inocente,” eu protestei, completamente acreditando nisso. “Eu duvido disso. Quanto ao eu ser um comedor de sangue, isso não interessa a você. Isso não tem nada a ver com o que tem entre nós.” Suas palavras me deram um solavanco desconfortável. “O que tem entre nós? Não há nada entre nós.” “Claro que existe.” Ele se moveu para longe de mim depois, e eu percebi que eu poderia respirar normalmente de novo. Ou ao menos mais normalmente. Aparentemente eu estive segurando a minha respiração, embora eu não estivesse muito certa do por que. Eu podia vê-lo muito bem através da densa sombra. A luz do quarto empoçava a entrada do corredor principal, e eu pude ver o brilho dos seus olhos estranhos, a expressão de cansaço cruzando as elegantes linhas do seu rosto. Ele afastou o seu cabelo do seu rosto, como se afastando algo inaceitável do seu rosto. E então ele ergueu sua cabeça e olhou para mim. E eu soube o que estava vindo a seguir, tão claramente como se eu tivesse pensado por mim mesma. “Não,” eu disse insipidamente. Um fraco sorriso curvou sua boca. “Não, o que? Eu não pedi nada a você.” “Apenas não,” eu disse, recusando a mostrar o quanto nervosa ele me fazia. Eu me movi, de repente atarefada. “Você tem lençóis extras, talvez um travesseiro? Eu posso ficar no sofá por uma noite até que nós encontremos mais algum outro lugar para eu dormir. Eu certamente não quero tirar você do seu quarto, embora você tivesse sido muito gentil em me levar para lá na noite passada. Ao menos, eu assumo que foi você –talvez Sarah fosse a responsável, o qual é muito a cara dela. Ela é bastante gentil, e eu me desculpo se eu alguma vez sugeri que ela fosse-” “Fique quieta, Allie,” ele disse. Foi a primeira vez que ele usou o meu nome. Não meu nome completo, mas o mais familiar apelido. Eu congelei, minhas palavras desaparecendo, como se ele as desligasse com uma ondulação da sua mão como ele tinha feito com as luzes.


Ele aproximou-se de mim lentamente, e uma parte de mim quis fugir. Não que houvesse qualquer lugar a ir exceto direto para fora da varanda. Ele tinha trancado a porta da frente. Porque? Ele parou diretamente na minha frente, muito perto para que eu escapasse, aglomerando-me e ainda não me tocando. “Olhe para mim,” ele disse em uma lenta, lisa voz. “Eu estou olhando.” Ele sacudiu a sua cabeça e fez outro gesto, e luzes acima da minha cabeça que eu sequer sabia que existissem acenderam. Elas deveriam ter cegado, mas eu já estava em algum tipo de torpor. “Abra seus olhos e olhe para mim,” ele disse novamente, e a sua suave voz tinha aço embaixo dela. Então eu olhei. Olhei acima para dentro dos seus gloriosos olhos estriados, quase como aqueles de um gato. Olhei acima e o senti me invadir, tão certo como se ele me tivesse debaixo dele, pele com pele. Ele estava dentro de mim, um ato de completa possessão, e eu tentei dizer algo, protestar, mas tudo que saiu foi um suave, defensivo miado de dor. Ele não retraiu, e eu me senti apunhalada, como uma borboleta com um gigante alfinete através do coração. Eu podia sentir meu corpo se elevar, se erguer levemente, e eu sabia que eu não estava mais tocando o chão. Eu tentei empurrá-lo para fora, mas ele era muito forte para se lutar. Tudo o que eu pude fazer foi permanecer ali, suspensa, enquanto ele vasculhava o meu corpo, e eu senti um grito dentro do meu peito, meu coração, desesperado para escapar. E então, tão rapidamente quanto tinha acontecido, isso acabou, e ele me soltou. As luzes brilhantes desapareceram, meus pés tocaram o chão, e eu entrei em colapso, nervosamente. Ele me pegou enquanto eu caia, e eu quis gritar com ele, bater nele, mas eu não podia convocar a energia. Ele me colocou abaixo no sofá com uma gentileza inesperada. “Deite-se,” ele murmurou. “Isso vai passar em um momento.” Eu não tinha escolha. Eu me deitei, tentando captar o meu fôlego, tentando lutar com a dor aguda entre meus seios, como se ele tivesse pego o meu coração em seus punhos e o apertado. Eu fechei meus olhos, e senti tudo começar a desaparecer. Eu tinha tempo o bastante para me espantar se eu estivesse morrendo tudo de novo, se Raziel tivesse feito algo para de destruir. E então a escuridão desmoronou.


Cap Capítulo 1 16

E

U ME SENTEI NO SOFÁ DO OUTRO LADO DELA, OBSERVANDOOBSERVANDO-A. Mesmo na sombria luz ela era colorida contra o tranqüilizante branco, a riqueza do seu espesso cabelo castanho, os calorosos tons da sua pele, o preto sedoso das roupas que ela pegou de mim. Ela estava quente, ela era fogo, mortalmente para mim, e ainda de alguma maneira irresistível. Ela não era um demônio. Eu estava tão certo disso quanto eu poderia possivelmente estar, restrito ao beber o seu sangue. Ela era humana, e vulnerável apesar das suas tentativas de me chocar. Ela estava vulnerável, e a melhor coisa que eu poderia fazer era deixá-la deixá sozinha. Eu não podia. Não depois da Graça do Conhecimento. Olhando tão profundamente dentro dela tinha sido um ato de intimidade do qual não havia volta. Havia uma ligação entre nós que eu não queria, mas existia mesmo mesmo assim, e era puramente sexual. Uma necessidade animal que eu não iria mais lutar. Eu iria fudê-la. fudê la. Eu podia imaginar Uriel uivando, e eu pensei na palavra novamente. Fuder. Eu iria levá-la levá la para cama e me esgotaria com ela, e quando ela chegasse ao seu clímax eu olharia dentro dos seus olhos e conheceria o último bocado dela, o lugar onde sequer um demônio pudesse esconder. Eu iria fudê-la fudê la e a fazer vir e a conheceria. E se ela fosse um demônio, eu iria matá-la. matá Ela se mexeu. Ela iria ficar zangada comigo comigo pelo que eu fiz a ela, e eu não a culparia. Era uma invasão, uma que ela tinha aceitado. Uma da muitas que ela tinha aceitado. Eu podia pegá-la la e carregá-la carregá la para dentro do quarto, tirar as suas roupas antes dela perceber o que eu estava fazendo. Isso iria iria simplificar as coisas. Mas apenas como ela tinha permitido que eu olhasse dentro dela, ela teria que me permitir estar dentro dela. E se ela tivesse quaisquer defesas restantes, elas iriam se esmigalhar enquanto ela permitisse. Ela se moveu, então deitou imóvel. “Seu filho da puta,” ela disse calmamente.


“Eu não sou filho de ninguém. Como você se sente?” “Como se eu tivesse sido violada.” “Isso está certo.” Ela se sentou apressadamente reta e olhou para mim, pronta para a batalha. “E eu não imagino que você sente qualquer remorso.” “Porque eu deveria? Eu precisava ver se você era um demônio.” Ela pareceu em branco por um momento. “Um demônio? Eles sequer existem? Inferno, claro que eles existem. Anjos e demônios e vampiros e canibais. Que outras ameaças você tem na história? Trocadores-de-forma? Lobisomens?” Eu não me movi. Era difícil, e tinha sido desde que eu estive dentro dela, meu corpo desesperado por seguir. E eu sabia, mesmo quando eu me puxei de volta, que eu deixei suficiente para trás que as suas defesas estariam fracas. Eu as precisava assim. Mais do que qualquer coisa nessa terra a na próxima, eu queria ser capaz de me afastar dela. De deixar meus aposentos, reportar a Azazel que ela era uma inocente, e a deixar a disposição deles. Mas eu estava com receio de que a disposição seria uma palavra operativa. E mesmo em um tempo tão curto, nós viemos até muito longe para que eu os deixasse pegá-la. Muito longe para que eu virasse as costas para ela. Se Uriel a tinha enviado para se infiltrar, então ele deveria tê-la mandado bem armada. A Graça do conhecimento era poderosa, mas subestimar Uriel era sempre um erro. Eu estava certo que ela era inocente, pego por uma série de coincidências. Mas eu não podia permitir estar errado. Ela ainda estava olhando para mim, seus olhos se fechando. Eu tinha visto tudo que ela me permitiu ver. Se eu quisesse estar certo, para proteger Sheol como ele precisava ser protegido, então eu não tinha escolha. Eu estava preparado para a resistência. Eu tinha me mantido fora da sua mente tanto quanto eu pude, mas não havia erro que ela sentia a mesma ligação que eu sentia. A mesma intensa, necessidade sexual que eu era um experiente em negar, estive negando desde o momento em que ela tinha entrado no meu mundo, graças a aqueles terríveis sapatos que


tinham causado a sua morte. Eu estive contando com essa resistência, junto comigo mesmo, mas isso estava descartado. A Graça do conhecimento não era suficiente. Eu me levantei, e estendi a minha mão para ela. “Não,” ela disse. Eu esperei. Eu podia fazer qualquer coisa que eu quisesse com ela. Eu podia forçá-la, então aniquilar a memória do seu cérebro. Eu podia simplesmente tomar o seu sangue, apenas o suficiente para lê-la, não o suficiente para fazê-la tonta. Sangue de qualquer um além da Fonte ou da minha unida companheira era perigoso, mesmo em pequenas quantidades, mas era um risco que eu tinha que correr. “Venha comigo, Allie,” Eu disse. E eu a fiz se mover, porque eu podia. “Venha.” E ela se levantou. *** Eu não queria me mover. Isso não importava. Ele me puxou para cima e se superou sobre mim. Eu odiava homens altos –eles me faziam sentir fraca e sem importância. Eu ainda estava usando as suas roupas, sua jaqueta preta, sua T-shirt preta, sua calça comprida preta. Ele pegou a gola da jaqueta e a tirou dos meus ombros, descendo aos meus braços. Eu fiquei imóvel, sabendo que eu deveria argumentar, protestar, qualquer coisa além de ficar ali e deixá-lo deslizar a jaqueta para fora de mim e lançá-la atrás dele em cima do sofá. Ele alcançou a bainha da minha T-shirt, eu quis me afastar, mas meus pés estavam enraizados no chão. Eu tentei obstruir o meu pânico. Era a realização de uma fantasia que obcecava metade das garotas adolescentes no mundo. Isso não importava. Fazer sexo com um anjo-caído-reduzido-a vampiro era realmente uma péssima idéia. “Por favor não,” eu disse, tentando soar calma e certa de mim mesma. Se ele fizesse isso, eu não teria com o qual lutar com ele. Se ele fizesse isso, significaria muito, e eu não seria capaz de fugir. Se ele fizesse isso, iria quebrar o meu coração. Ele puxou a minha T-shirt para cima, e eu com relutância ergui meus braços para permiti-lo descascá-la, então eu estava ali com nada além das suas calças largas abaixo no meu quadril. Eu me senti notável, vulnerável, e levou todo o meu auto-controle para ficar apenas ali e olhar para ele. “Eu deveria apontar,” ele disse com uma surpreendente gentileza, “que o meu período favorito do tempo foi a Renascença.”


Com todas aquelas voluptuosas belezas. Ele provavelmente estava mentindo, mas eu o dei pontos por tentar. Eu ainda não me movi. “Eu não vou machucá-la,” ele disse. Ele estava se inclinando, sua boca tão perto que eu podia sentir o calor da sua respiração no meu rosto. “Eu não faria isso com você se não fosse necessário.” Eu estive pronta para o seu beijo, mas com isso os meus olhos voaram abertos. “O que você quer dizer com, ‘necessário’?” Eu fui silenciada, não por um dos seus leves gestos, mas pela sua boca na minha enquanto ele me puxava para dentro dos seus braços. Não era um doce beijo de sedução, não um provocador, beijo celestial. Era cheio e de boca aberta e carnal, e eu fiquei em choque enquanto ele colocava um braço ao redor da minha cintura, arrastando-me contra o seu duro corpo, e o outro pegou o meu queixo, seus longos dedos embalando o meu rosto. Eu já tinha sido beijada antes, claro. Mas nunca assim, com um quase senso cósmico de urgência e ânsia. Eu podia sentir meus mamilos se endurecerem contra o sólido calor do seu peito, e eu podia sentir o calor entre as minha pernas, o aperto de ansiedade na minha barriga. Quem diabos eu estava tentado enganar? Eu ficava excitada toda vez que ele estava na sala. Ele arrastou a sua boca para longe. “Pare de pensar,” ele disse um pouco sem fôlego, e se fosse qualquer outra pessoa, em qualquer outra circunstância, eu teria pensado que ele estava excitado. De fato, eu podia sentir o seu pênis contra a minha barriga, uma dura rigidez de carne. Deveria ser algum tipo de truque de anjo, eu pensei vertiginosamente, para ser capaz de executar um comando, mesmo se ele estivesse fazendo isso por obscuras razões que não tinham nada a ver com desejo – “Pare de pensar,” ele disse novamente, sua voz quente. “Eu quero você. Tudo bem? Eu não quero –você não é nada além de problema. Eu desejei que eu pudesse apenas me afastar de você. Mas eu não posso.” “Eu não vou me enfiar naquela cama com você,” eu disse, uma última tentativa de preservar o meu auto-controle. “Se você diz assim.”


Não havia escapatória. Particularmente porque eu não queria escapar. Eu me virei de costas para ele, mas ele simplesmente me puxou contra ele, seu braço em volta da minha cintura, e me carregou para dentro do quarto. Depois da escuridão na sala de estar as luzes estavam cegamente brilhantes, e eu fechei meus olhos. Eu estava pressionada contra ele, sua força e calor espalhando por mim, e eu queria me afundar de volta dentro dele, deixar o meu corpo fluir para dentro do dele, e eu sabia que os meus protestos tinham acabado. Quem eu estava enganando? Eu queria isso tão malditamente que meu coração estava batendo, minhas mãos tremendo, e eu sabia que eu já estava molhada. Pronta para ele. Ele deve ter sentido isso. “Sim,” ele disse, um baixo murmúrio de aprovação enquanto ele me colocava sob meus pés, minhas costas ainda viradas para ele. Suas mãos estavam em mim, empurrando a minha calça de seda e minha calcinha para baixo com um movimento até que eles se empoçavam em volta dos meus tornozelos. Ele me ergueu deles e me virou para que eu o encarasse, nua, totalmente vulnerável. Ele olhou para mim, e o calor nos seus estranhos olhos era palpável, queimando para longe as últimas das minhas dúvidas. E a última da dele. Eu podia sentir a sua reserva derreter no calor entre nós, e sua respiração estava vindo forte e rápida. “Você foi enviada aqui para me atormentar?” ele sussurrou, deslizando seus braços em volta da minha cintura, arrastando-me contra ele. “Ele sabia exatamente do que eu precisava, o que eu não poderia lutar?” Ele? Quem? Mas antes que eu pudesse fazer a pergunta, ele me beijou de novo, e eu estava perdida, precisando chegar mais perto dele, precisando da sua pele embaixo dos meus dedos. Sua língua estava na minha boca, e eu a acolhi, alcançando entre nós e puxando a sua camisa ao lado para que eu pudesse tocar a sua pele, sua quente, lisa pele. O seu coração estava acelerado, e eu queria colocar a minha boca contra ele, queria provar dos seus lisos mamilos, queria a minha boca por ele todo. Antes de eu perceber o que ele iria fazer ele deslizou seu braço abaixo de mim, me erguendo. Eu retorci meus dedos através do seu espesso cabelo, beijando-o de volta, usando a minha língua, ouvindo o meu próprio gemido sereno de entrega tão seguramente enquanto ele desabotoava seu jeans. E então eu podia senti-lo contra o meu sexo, duro e pesado, e eu sabia que iria me machucar. Ele era muito grande, e ele não tinha sequer me tocado ali, e eu era o tipo de mulher que requeria muitas preliminares, e se ele fosse tentar isso ele teria problemas e iria me...


Ele deslizou para dentro de mim, sem problemas, sem rasgar, sem resistência, e a reação cravou através do meu corpo. Eu estava escorregadia e molhada e acolhedora, e eu estremeci com o prazer primário. Quanto mais eu tinha dele mais eu precisava, e o calor da sua pele contra meus seios era insuportavelmente excitante. Eu estava queimando com necessidade, tremendo por ela. Ele começou a sair, e eu me apertei nele, subitamente aterrorizada que ele pudesse me deixar. Mas ele já estava empurrando de volta para dentro de mim, mais profundo do que a primeira estocada, escorregadio e seguro, mais profundo, mais forte, e quando ele se puxou para trás eu deixei sair um choro, desesperada. Mas dessa vez ele bateu dentro de mim, todo o caminho para dentro, empurrando-me forte contra a parede, e meu corpo subitamente despedaçou. Eu deixei sair um grito abafado, enterrando-o contra o seu ombro, contra o cheiro de algodão limpo e pele quente, e outra onda me atingiu, e então outra, até eu estar certa de que eu não suportaria mais nenhuma. Além de tudo, ele pareceu aumentar de tamanho ainda dentro de mim, e ele se afastou da parede, suportando-me em seus braços, e ele era tão forte que isso pareceu fácil. Ele estava se movendo mais rápido agora, me preenchendo tão profundamente que eu pensei que eu poderia prová-lo, e eu convulsionei em um desamparado prazer com o pensamento. Ele cedeu, empurrando profundo em mim, e eu senti o quente pulso enquanto ele gozou, meu corpo ordenhando-o com contrações em respostas, e enquanto uma onda final tomava conta de mim eu me perdi, como se tudo dissolvesse ao nosso redor. Era uma escuridão, reluzente, danificada escuridão, azul furta cor dobrando a nossa volta, apertadamente, tão suave quanto penas envolvendo ao redor das minhas costas, me vedando dentro de um casulo de tal infinito prazer que eu senti um perdido clímax me lavar antes de tudo desaparecer e não haver nada além do puro, calor de cura. Eu não tinha idéia quanto tempo essa abençoada, aveludada escuridão durou. Eu devo ter caído no sono, porque eu abri meus olhos para descobrir que eu estava deitada no meio da sua cama, nua, um lençol envolto sobre mim, e Raziel não estava em nenhum lugar para ser visto. Claro. Que homem ficava nas redondezas muito tempo depois do ato? Eu tentei me virar, então gemi com um súbito desconforto. Eu definitivamente tinha estado muito tempo sem fazer sexo, eu pensei vagamente. Deveria estar no meio da noite. Eu consegui me sentar, me encolhendo levemente com o desconforto entre as minhas pernas. E ainda sentia o fraco remanescente do êxtase pós-


coito, que pesadamente esquentou a sensação que tomou conta de mim, quando eu soube que eu não deveria estar tão feliz assim. Algo estava errado, algo estava fora, eu ainda não podia me lembrar o que. Eu ainda sentia como se eu estivesse flutuando, tão prazerosa que eu provavelmente teria gozado de novo apenas em pensar sobre isso. Eu disse a ele que não iria para a cama, e ele me levou a sério. Contra a parede. Eu nunca sequer tinha feito isso antes –meus amantes de outrora não eram o que você podia chamar de aventureiros. Era muito bom –a parte do contra-a-parede. Tudo foi bom, exceto por aquela incômoda preocupação. Eu precisava colocar em perspectiva. Era sexo, pelo amor de deus, nenhuma grande algazarra. Pensando na verdade certamente tinha sido uma grande algazarra. Esse foi de muito longe melhor do que os pequenos vislumbres de prazer que Jason foi capaz de aliciar de mim com a sua maior criatividade. De muito longe melhor do que os rápidos, eficientes orgasmos que eu conseguia por conta própria. Esse não foi como nada que eu alguma vez experimentei. Eu estava molhada, escorrendo entre minhas pernas, e eu percebi com um choque que ele não tinha usado uma camisinha. Bem, porque ele deveria? Não havia gravidezes em Sheol, e presumidamente nenhuma doença sexual transmitida. Deus, essa foi a primeira vez que eu alguma vez fiz sexo sem uma camisinha. Então foi isso. Que explicava todos os múltiplos orgasmos, melhores-do-que-eualguma-vez-tive, com a reação de oh-meu-Deus-eu-vou-morrer. Sexo deveria ser impressionantemente melhor sem uma camisinha. Era a falta de uma fina bainha de borracha ficando no caminho. Nada a ver com o Raziel, graças a Deus. Eu ouvi o chuveiro desligar, e por um momento eu entrei em pânico, olhando ao meu redor para escapar. Eu não tinha sequer percebido que a água estava correndo – por outro lado eu teria levantado e dado o fora dali. Era muito tarde, e para ser verdade, não havia nenhum lugar que eu pudesse ir. Se eu fosse uma boa virginal heroína Vitoriana*, eu me arremessaria do parapeito, embora eu tivesse que fazer isso completamente nua, de alguma maneira arruinando o efeito. Mas eu não era nem virginal nem heroína. Tinha sido rápido e erótico e inexplicavelmente maravilhoso. E por alguma razão eu esperava que fosse algo que ele não iria querer repetir.


Ele andou para fora do banheiro, e ele estava nu. Totalmente e confortavelmente nu. Ele tinha algo em sua mão, não que eu estivesse olhando para a sua mão, e ele lançou isso para mim. Eu estendi a mão e o peguei automaticamente. Era uma quente, molhada toalhinha, presumidamente para me limpar. Eu não me movi, segurando-a em minha mão, levemente confusa. Ele era requintadamente bonito, ainda mais sem as roupas. Eu sempre achei que homens nus fossem um pouco patetas, com suas partes caídas saltando enquanto eles caminhavam. Raziel não era um pateta. Ele era magnífico, com pele branca-dourada esticada sobre uma ágil, forte estrutura, e seu sexo não saltava. Eu afastei o meu rosto, recusando-me a pensar sobre isso. Eu senti a cama afundar embaixo do seu peso, e eu me virei e olhei para ele. Ele estava olhando para mim com uma expressão aflita, uma que eu não podia ler. Ele pegou a toalhinha da minha mão e me pressionou de costas contra a cama, sua mão gentil. Eu agarrei o lençol que me cobria, mas ele o puxou para longe sem esforços, e eu o deixei ir antes que eu entrasse em uma guerra de indigno puxão que eu estava obrigada a perder. “Abra suas pernas,” ele disse, colocando uma mão na minha coxa. Eu considerei ignorá-lo. Eu não queria encará-lo, não queria falar com ele depois daquela quente, urgente cópula que inevitavelmente significou muito mais para mim do que tinha para ele. Eu fechei meus olhos, deixando-o afastar minhas pernas, e o molhado calor da toalhinha me fez estremecer em uma inesperada reação. Aquelas eram suas mãos, me lavando com uma improvável ternura, e por alguma razão eu quis chorar. Eu deitei perfeitamente imóvel enquanto ele cuidava de mim, meus olhos fechados, apenas desejando que ele fosse embora e me deixasse. Ele iria, mais cedo ou mais tarde, e ele certamente superaria isso. “Eu não vou a nenhum lugar,” ele disse. “Pare de ler a minha mente!” Eu chorei, minha voz presa em um soluço. Eu não tendia a me tornar emocional depois do sexo, mas isso era uma anomalia de todas as frentes. Ele amaldiçoou embaixo da sua respiração. E então ele simplesmente se moveu sobre mim, entre minhas pernas, e antes que eu percebesse o que ele estava fazendo ele se


empurrou para dentro de mim novamente, completamente duro, e eu deixei sair um pequeno uivo de choque enquanto eu me mexia para acomodá-lo. Ele se manteve muito imóvel, e eu abri meus olhos para olhá-lo, para ver a expressão no seu rosto. Ele estava olhando abaixo para mim, seus longos dedos cobrindo o meu rosto, seu olhar decidido. “Não se mexa,” ele sussurrou. Ele fez um pequeno gesto, e as luzes esmaeceram, nos cobrindo com sombras. Sua cabeça caiu, sua boca contra meu pescoço, sua respiração na minha pele. “Eu estou machucando você?” Eu tentei encontrar a minha voz. Era como se eu estivesse afundando para dentro de um lugar escuro de prazer e esquecimento. A sensação dele dentro de mim não era como nada que eu alguma vez conheci antes, e agora que primeira, febril pressa tinha acabado eu podia deixar o meu corpo experimentá-lo completamente. Parecia como uma graça divina, uma benção, um poderoso ato de clamor que ainda de alguma forma me iludia. Eu sacudi a minha cabeça, incapaz de falar, e eu soube que ele sorriu contra a minha pele. “Bom,” ele disse suavemente. Ele beijou o meu ombro, e eu pude sentir a sua língua, seus dentes, levemente arranhando a base do meu pescoço, e eu subitamente me encaminhei para o esgotamento. Meu corpo reagindo instintivamente, me apertando em volta dele, eu pude senti-lo sorrindo novamente. “Não,” ele sussurrou. “Você não quer isso.” Eu queria dizer a ele que sim, eu absolutamente queria isso, mas minha voz tinha desaparecido. Mesmo assim –eu provavelmente teria implorado-o. “Você não tem que implorar,” ele disse. “Apenas fique imóvel e me deixe fazer isso.” Ele deslizou as suas mãos para baixo do meu bumbum, puxando-me para cima e mais perto contra ele, e eu evolvi minhas pernas ao seu redor. A fraca dor desapareceu em um segundo, quase antes de eu senti-la, e a troca de posição o trouxe ainda mais profundo, e eu reagi mais uma vez com aquele instintivo apertar. Ele ergueu sua cabeça para olhar abaixo para mim, e eu olhei acima dentro dos seus estranhos olhos, hipnotizada. Eu não mais queria me esconder, desviar o olhar. Ele estava invadindo a minha alma de novo, apenas como ele tinha feito mais cedo, somente que dessa vez ele estava invadindo o meu corpo ao mesmo tempo, e eu queria mais. “Há um limite que você pode suportar, Allie,” ele sussurrou em meu ouvido, lendo-me novamente. “Eu não quero machucá-la.” E ele começou a se mover, uma lenta, doce deslizada, e eu descobri que eu podia fazer barulho depois de tudo, um profunda, ansiosa


gemida, enquanto eu deslizava meus braços ao redor das suas costas e o abraçava mais perto, sentindo seus músculos se contraírem e soltarem contra minhas mãos, querendo senti-lo, prová-lo, por todo o meu redor. O lento, firme ritmo disso era destruidor. Tudo o que eu fiz foi segurá-lo enquanto ele se movia, e cada vez que ele me preenchia eu sentia uma luz difusa dançante de prazer tomar conta do meu corpo. Havia algo devastador sobre a extensão, constante do bem-estar disso, sem pressa para acabar, sem regras, sem julgar, apenas a espessa deslizada dele dentro de mim, tocando lugares que eu nem sequer sabia que existiam, construindo em direção a um clímax tão poderoso que eu não estava certa se eu poderia sobreviver. Seria uma boa morte. Ele me arrastou apertadamente contra ele, indo mais profundo, e eu gritei enquanto o primeiro clímax me atingiu. Nós estávamos ambos cobertos de suor, deslizando um contra o outro, e eu mordi o seu ombro, provando-o, provando o suor salgado dele, e eu queria mais rápido, mais forte, mas ele não estava com pressa, impulsionando-se para dentro de mim com uma constante velocidade que estava me fazendo guinchar, eu sabia disso, ele precisava parar, eu não podia agüentar mais, eu precisava ir mais rápido, mais forte, eu precisava de mais, e eu arranhei as suas costas em desespero, alcançando por uma conclusão como eu nunca conheci. Ele alcançou atrás dele e pegou meus braços, batendo-os abaixo no colchão enquanto ele se levantava, bombeando para dentro de mim. O segundo clímax me atingiu, e então eu não pude parar. Eu não precisava de nada mais além do firme movimento dele dentro de mim para me levar a um lugar que eu não tinha acreditado que existisse, e eu me arremessei para dentro das estrelas enquanto as suas mãos pressionavam as minhas para baixo e a escuridão furta cor se fechou em volta de nós mais uma vez. Eu pude senti-lo dentro de mim, vindo, e eu arqueei minhas costas, querendo a sua boca em mim, querendo seus dentes em mim. Por favor, eu pensei, e eu senti sua boca contra meu pescoço e a primeira afiada mordida dos seus dentes. E eu estava completa.


Cap Capítulo 1 17

E

U PODIA PROVAR O SEU SANGUE NA MINHA LÍNGUA. EU TOQUEI A minha boca, afastei meus dedos, e vi o sangue neles. Eu trouxe a minha mão de volta e a lambi, a riqueza do seu sangue pulsando através de mim. Não tinha sido nada. A menor punção. Sem veias, sem a artéria pulsante na base do seu pescoço que era apenas permitida rmitida para companheiros atados. Foi um pouco mais do que um arranhão dos meus dentes contra a sua suave pele. E tinha sido intoxicante. Eu a deixei dormindo no meio de uma grande cama, uma pequena figura envolta em um baixo cobertor. Ela parecia exausta, assim ela deveria estar. Eu tinha feito o meu melhor nível para esgotá-la, la, e ela dormiria por um longo tempo. Eu podia ver a marca no seu pescoço, o lugar onde eu a tinha mordido. Ao menos alguma minúscula porção de sanidade tinha remanescido e eu consegui consegu me afastar. Havia uma marca de amor onde eu a tinha chupado, e as marcas de dentes já estavam desaparecendo. Tinha sido perigosamente perto, embora. Nós já estávamos muito ligados um ao outro, com o fôlego e agora com o sêmen. Se eu tomasse algo mais do seu sangue, não haveria saída. Tinha sido suficiente para me dar as respostas que eu precisava. Uriel podia nublar uma grande quantidade de coisas. Ele tinha os ásperos poderes do Ser Supremo, sem a misericórdia ou a compaixão ou qualquer interesse neles. Mas mesmo Uriel não poderia manter um véu erguido quando ela alcançasse a sua conclusão e deitasse encasulada dentro das minhas asas. E não havia maneira que o seu sangue pudesse ser tão puro, tão rico, tão nutritivo, se Uriel tivesse tocado-o. tocado Ele seria tão amargo quanto ácido. Eu deveria ter parado com a primeira vez. Ninguém em Sheol poderia negar o seu direito de estar aqui desse ponto adiante. Eu a clamei, a provei. Ninguém mais poderia tocá-la tocá agora. Ela era minha responsabilidade, nada mais, eu me relembrei. relembrei. Pequena maravilha que eu me perdi no doce acolhimento do seu corpo. Eu estive celibatário por muito tempo.


Mas com minha boca no seu pescoço, respirando através da frágil barreira da sua carne, eu quase cometi um irrevogável erro. Ao menos eu consegui me afastar antes que eu me envenenasse. Ela esteve procurando por isso, sem saber o que ela solicitava. Arqueando o seu pescoço contra a minha boca, se oferecendo, mas era minha culpa, minha responsabilidade. E depois daquela primeira leve prova, eu estava consumido com necessidade. Era uma necessidade que eu podia controlar. Eu me lavei e me vesti, então me dirigi para fora em direção a estreita varanda. Eu podia sentir onde ela esteve sentada, e isso me abalou. Era um longo terraço –ela poderia ter escolhido qualquer número de lugares. Porque ela se sentou no mesmo ponto onde eu normalmente fico, olhando para fora sobre o oceano, minhas asas espalhadas no ar da noite? Eu não acho que ela notou minhas asas envolvendo-a. Ela esteve muito presa no seu clímax para perceber quando as minhas asas desenrolaram e nos cercaram apertadamente, um encobrir protetor. Isso não acontecia sempre. Eu não tinha isso com qualquer mulher que eu costumei passar a última década ou então para aliviar as minhas necessidades. Deveria ter me surpreendido que acontecesse dessa vez, mas não surpreendeu. Nada mais sobre Allie Watson me surpreendia. Meu corpo ainda estava sussurrando com satisfação e reacendeu em desejo. Eu podia ter continuado na cama, mas quanto mais perto eu ficasse dela, maior era a minha fome. Seria tão mais fácil se eu pudesse mandá-la para qualquer outro lugar para dormir, mas isso iria causar muita fofoca. Com sorte eu seria capaz de convencer o Conselho que ela não era uma ameaça, e eu poderia manter minha distância, impedir a ligação entre nós de aumentar mais forte. Eu fui muito cuidadoso em não tocá-la mais do que o estritamente necessário em uma tentativa em vão de manter o ato impessoal. Se eu pudesse apenas acabar com essa súbita ira de necessidade por ela, eu ficaria bem. A sua mente sonolenta estava em branco para mim, e sua mente desperta estava desvanecendo com cada ato sexual. Se ela soubesse disso, ela provavelmente teria pulado em mim mais cedo. Entre companheiros atados, o link mental diminuía e nivelava os dois. Era fácil o bastante ler parceiras sexuais humanas, mas depois de múltiplas cópulas essa habilidade diminuía, provavelmente pela falta do uso. As mulheres com que eu dormia eram diretas e simples de ler, apenas enquanto Allie tinha sido no início. Eu saberia perfeitamente bem que ela me queria, ou ao menos pensou que ela queria. Mas eu também sabia que ela estava incerta sobre algo tão simples e lógico quanto o sexo, apesar da sua experiência. E que


ela não gostava do seu corpo, o qual me impressionava, uma vez que eu achava que ela estivesse perto da perfeição. Seu corpo tinha me distraído desde o início, a pura exuberância das suas curvas, a deliciosa suavidade das suas coxas, o alto, redondo bumbum. Eu tinha feito muito bem em não pensar sobre isso, deslizando-me para fora da sua mente sempre que ela se permitia fantasiar. Eu estive tão preso em minhas próprias reações durante o sexo para vê-la, além do seu cego prazer. Para mim o sexo tinha sido desastroso –tão muito pior do que eu esperei, porque eu estive abalado com ele, tão sobrecarregado pelo poder dele que tive que repeti-lo imediatamente. A coisa sábia a se fazer tinha sido me afastar dela. Ao invés disso eu pensei que eu a vigiaria, seria gentil e distante, e nos momentos em que eu estive dentro dela novamente, me perdi no seu interior. Com sorte, ela estaria desapontada. Eu ouvi e vi suas fantasias –nenhuma fazia jus a isso. Com sorte, minha habilidade de lê-la tinha desaparecido o suficiente que eu não veria nada que pudesse...precipitar algo. Tocando ela novamente seria muito imprudente. Agora, se apenas meu amaldiçoado corpo entendesse isso. *** Era final da tarde quando eu finalmente acordei, sozinha. Eu sabia que ele não estava no apartamento, embora eu não soubesse com certeza como. Eu consegui me arrastar para fora da cama e para dentro do chuveiro sem correr para dentro dele. Era uma pequena benção, mas eu consegui. Eu não estava certa o que eu diria a ele. Como reagir. Eu sabia instintivamente que esse não era o começo de um romance. Se eu subisse nele, o tocasse como uma amante faria, eu poderia apenas imaginar a sua reação, e eu estremeci. Eu teria que fazer o meu melhor para lêlo. Se ele fosse de subitamente afetivo...o pensamento era sedutor em formas muito mais perigosas do que o simples sexo. Não que o sexo fosse simples, em particular o sexo com Raziel. Sexo com um anjo. Sexo com um vampiro. O melhor sexo da minha vida, incluindo a vida após a morte. Mas essa não era a maneira que as coisas iriam acontecer. Tão certa quanto eu sabia que ele tinha ido, eu sabia que ele iria agir como se a noite passada nunca estivesse acontecido. E eu podia malditamente bem fazer o mesmo. Eu teria que ser cuidadosa, entretanto. Ele podia ler os meus pensamentos, ver minhas fantasias, e ele nunca acreditaria nas minhas mentiras. Realmente, essa era a mais perto de


uma definição de inferno como nenhuma outra. Um lugar onde você não podia enganar o seu amor. Seu amor. Ele não era o meu amor. Ele era o homem que me levou para a cama na noite passada por razões que eu não tinha entendido bastante. Tinha sido necessário, ele disse. Por um ato de dever e não de desejo, ele conseguiu muito malditamente bem, eu achei, deixando o chuveiro bater descendo no meu corpo. Mas porque ele tinha feito uma segunda vez? Eu me envolvi em uma das enormes toalhas, com tecido felpudo, claro, e fui até o closet, renunciando-me a alta costura da cultura branca. Ao invés disso meus olhos se encontraram com uma explosão de cores, rosa e verde e aqua41 e amarelo claro. Pela primeira vez, meu coração se iluminou. Sarah tinha aparecido. E como Raziel iria odiar isso. Foi o suficiente para me animar. Eu tirei um vestido rodado com as cores do arco íris. O colarinho era muito cavado, expondo meus abundantes charmes, e eu quase me acovardei. Mas eu afastei a covardia, me dirigindo de volta para dentro do banheiro para me conferir. Ele serviu perfeitamente. Meu espesso cabelo castanho curvado em volta do meu rosto, meus olhos estavam enormes, meus lábios...eu tinha que admitir, eles estavam inchados da boca dele. Mas esse não tinha sido o único lugar que a sua boca esteve. Eu vi a marca na lateral do meu pescoço. Não as distintas marcas de punção dos filmes de vampiros, mas um arranhão, feito por algo pontiagudo. Seus dentes? Ele tinha me provado, eu percebi, mas ele não tinha se alimentado. Ele fez sexo comigo, mas nós não tínhamos feito amor. E eu subitamente me deprimi. Tão quanto eu pudesse dizer não havia relógios em Sheol, mas eu supus que era em algum lugar entre meio-dia, ambos pelo nível do sol no céu nebuloso e pelo rosnar do meu estômago, o qual era impressionante. Eu escalei uma das janelas e fui para fora em direção ao parapeito. O ar úmido do mar pegou o meu cabelo e o lançou para trás, e eu respirei profundamente. Subitamente olhando para o oceano não era suficiente –eu precisava descer ali, andar descalça na grama, avançar para dentro da gentil arrebentação. Eu estava cansada de ser a pária.

41

(aqua – seria cor de água, ou azul claro.)


A porta da frente do apartamento abriu facilmente, para o meu alívio. Eu passei as pessoas nas escadas dessa vez, mas a hostilidade que eu sentia deles pareceu ter desaparecido. Ninguém olhou para mim –eles sequer manusearam um sorriso amigável aqui e ali –mas claramente eu era a última das suas preocupações. Algo estava acontecendo, e minha auto centrada palermisse desapareceu enquanto um senso real de ansiedade começou a penetrar. Eu consegui descer todo o caminho dos intermináveis lances de escada, entretanto eu sabia que era parte fácil. Eu meio esperava que alguns dos angelicais guardadores do portão me parassem enquanto eu ia em direção a porta, mas ninguém pareceu ter nenhum tempo para mim, uma absoluta benção. Eu pisei no lado de fora em direção a densa grama verde e rapidamente tirei as sandálias que eu tinha encontrado. O vento estava soprando na frente do mar, e eu deixei o ar úmido tomar conta de mim, fechando os meus olhos em prazer. Minha pele teria gosto de sal, eu pensei. A pele dele tinha gosto de sal. E aquele familiar/não familiar calor surgiu entre as minhas pernas. Onde ele tinha estado. Eu caminhei sobre a grama, depois à camada de pequenas pedras, depois em direção a areia, deixando molhadas pegadas enquanto eu me movia em direção às ondas recuando. Era estranho que eu nunca aprendi a nadar, quando eu amava tanto a água. Eu acho que eu sempre tive um ligeiro medo disso, certamente que eu me afoguei uma vez em uma vida passada. Que estranho pensar que na verdade isso tinha sido em uma vida após a morte, enquanto eu tentava salvar um anjo caído. Eu olhei a minha volta. O terreno se propagava para fora à direita, e por um momento eu olhei. Quase pareceu como se houvesse uma luz difusa na borda mais distante, como uma miragem de calor, mas o tempo estava ameno e não havia um sol brilhante. Eu olhei em direção a ela, caminhando na areia, meio esperando que ela se movesse. Eu seria capaz de tocá-la? Colocar a minha mão através dela? Eu poderia atravessá-la, ao outro lado e ao mundo real que Raziel insistia que não mais existia para mim? Eu seria uma tola por não tentar. Eu pensei que ela pudesse aderir enquanto eu chegasse mais perto, mas ela não aderiu. Eu estava perto o bastante para senti-la, e eu fiz uma breve parada, olhando para ela. Era algum tipo de campo de energia Star Trekiana42. Ela pulsava, quase como se estivesse viva, e eu estendi a minha mão para tocá-la – 42

(Star Trekiana –se refere ao filme Star Trek)


“Se afaste da parede, Allie,” Sarah disse, seu tom afiado, e eu pulei para trás, assustada. “E o que é isso?” Eu disse dissimuladamente. O que mais isso poderia ser? Mas por alguma razão eu não queria que Sarah soubesse que eu estava tentando fugir. “É o que é,” ela disse, seus normalmente olhos azuis calorosos insípidos. “O que você está fazendo?” Eu dei de ombros. “Eu estava curiosa.” Ela me analisou por um longo momento. “Você está mentindo,” ela disse eventualmente. “E eu não sei porque. Raziel nos contou que ele deitou-se com você, que usou a Graça do Conhecimento e sequer provou do seu sangue, e que não há escuridão em você, então isso deve ser verdade.” “Ele contou a você?” Eu disse em uma voz estrangulada. “A todos vocês?” “Todos nós. Por outro lado você estaria de volta onde ele disse que deixaria você. A maioria do Conselho quis que você fosse embora –apenas Raziel e eu lutamos por você." “Raziel lutou por mim? Porque?” Um pequeno sorriso curvou na boca de Sarah. “Você terá que perguntar a ele. Eu sei que você tem uma razão para estar aqui em Sheol, mas eu vejo coisas que os outros não vêem. Talvez Raziel estivesse simplesmente sendo um teimoso. Talvez fosse algo mais. Mas você precisa se afastar da parede. Os outros não serão tão mente aberta. Eles ainda acham que Raziel pode estar cego por...” Ela deixou as palavras seguirem, e o seu sorriso alargou-se. “Pelo o que?” Ela enroscou o seu braço através do meu. “Deixe pra lá. Vamos apenas sair daqui. Estará escurecendo logo, e os Nefilins estão perto.” Eu estremeci, subitamente com frio, me relembrando daqueles uivos durante a longa noite quando eu cuidei do corpo de Raziel. O tempo parecia suspenso, movendo-se estranhamente. Parecia há tanto tempo atrás que eu me curvei próximo a ele, e foi apenas há três dias. Eu ouvi aqueles gritos não terrenos na noite passada também. Antes de Raziel ter me dado algo a mais para se pensar.


No momento em que nós alcançamos a grama, eu quase consegui me livrar dos meus sentimentos de pavor. Até eu olhar para dentro dos olhos de Sarah. “O que está errado? Onde estão todos?” Ela olhou para mim por um longo momento, considerando. “Eles irão romper a barreira. Todos sabem, nós apenas não sabemos quando. Alguém os conduziu ao portão, e alguém vai deixá-los entrar.” “Não eu!” Eu disse com horror. “Não, não você. Embora os outros suspeitem de você. E ainda irão suspeitar, se eles viram você se demorando ali embaixo. Mas alguém do lado de dentro está indo abrir o portão, e os Nefilins irão nos devastar.” “Porque? Porque agora?” Ela deu de ombros. “Quem sabe como a mente de Uriel funciona? Ele quis nos destruir por milênios, e ele é muito paciente. Nós acreditamos que ele finalmente encontrou uma forma de entrar.” “Através dos Nefilins?” “E de um traidor.” Eu olhei para fora ao mar agitado, inalando o fresco spray de sal. “Então nós todos vamos morrer,” eu disse em uma insípida voz. “Não todos nós. Você tem que ter algo-” “Raziel está procurando por mim,” eu interrompi, assustada. Ela pareceu apenas tão surpreendida. “Onde?” Eu olhei ao redor. Não havia ninguém a vista. O gramado e a praia na frente da casa estavam desertos em uma luz minguante. “Me desculpe. Eu devo ter imaginado. O que você estava dizendo?” Sarah sacudiu a sua cabeça. “Isso não importa. Você vai descobrir muito em breve.” “Não faça isso –eu vou morrer de curiosidade!” Eu protestei. E então eu o ouvi. Sua voz, me chamando. “Ele está parecendo realmente irritado,” eu disse lamentavelmente. “É melhor eu ir até ele.”


“Como você sabe disso?” Eu não tive sequer considerado isso. Eu dei de ombros. “Eu não tenho idéia. Eu apenas sei.” Um lento sorriso curvou na boca de Sarah. “Que adorável,” ela disse em uma suave voz. “Então é melhor você voltar. Vocês dois tem muito o que conversar.” “Eu duvido disso. Eu não acho que ele quer conversar comigo de nenhuma maneira. Você poderia vir comigo?” Sarah sacudiu a sua cabeça. “Nós conversamos mais tarde. Apenas não o deixe maltratar você. Raziel pode ser muito inabalável.” “Eu não quero realmente ser deixada sozinha com ele,” eu disse, sentindo-me desesperada. “Porque?” “Ele não quer nem falar sobre isso, o qual será dolorosamente desconfortável, ou ele irá fingir que nunca aconteceu, o qual será ainda pior. Se você estiver comigo, então será um ponto discutível.” “Sheol não é tão diferente do mundo,” Sarah disse. “Homens nunca querem falar sobre coisas.” “Isso é o que eu imagino. Mas ainda-” “Você vai estar perfeitamente segura ignorando toda a situação até que você decida não mais ignorá-la,” Sarah disse tranquilamente. “Vá agora.” Eu tinha começado a subir a ladeira quando a sua voz seguiu atrás de mim. “A propósito, esse é um lindo vestido em você.” Eu me virei, mortificada. “E eu nunca disse obrigada! É maravilhoso, e também são todos os outros que eu encontrei no closet. Muito obrigada, Sarah!” Seus olhos brilharam. “Eu não tive tempo para arrumar para você novas roupas, Allie. Raziel deve ter visto isso.” Eu olhei abaixo para o meu vestido. “Impossível,” eu disse sem graça.


“Se você diz assim. É melhor você correr. Você provavelmente não quer deixá-lo esperando.” Eu nem remotamente ligava se ele continuasse esperando, eu disse a mim mesma enquanto eu dobrava o tempo de subir as escadas. Eu não tinha idéia de qual caminho ele estava vindo, apenas que ele estava perto, e correndo em direção ao apartamento. Eu não me incomodei em me perguntar como eu sabia. Presumidamente apenas parte da magia vodu desse lugar. Eu consegui chegar ao apartamento na frente dele, arfando por ar enquanto eu batia a porta atrás de mim. Eu agarrei um largo suéter para colocar em volta do menos-do-que-generoso top. Porque os vestidos em Sheol tinham décolleté43? Eu me perguntei. Não seria um traje de freira mais apropriado? Aparentemente não. Esse lugar, ao contrário da celibatária, puritana vida após a morte que eu sempre imaginei, estava praticamente fervendo com sexo. Eu corri para o banheiro, empurrei ásperos dedos através do meu cabelo, e segui de volta para a sala de estar, dando um salto voador e aterrissei no sofá segundos antes da porta da frente se abrir. “Onde você estava?” ele exigiu. “Eu saí para uma caminhada. Com Sarah,” eu adicionei. “Eu não percebi que era para eu ser prisioneira aqui.” “Você não é. Não mais. Mas ainda será melhor se você sair com mais alguém. Alguém me disse que você estava nos portões, sozinha. Porque?” Eu não vi nenhum ponto em negar, particularmente uma vez que ele fosse capaz de ler os meus pensamentos sempre que ele quisesse. “Eu estava pensando em partir.” “Isso teria sido um grande erro. Os Nefilins estão lá fora. Você não teria sobrevivido cinco segundos uma vez que o sol se pusesse.” “Talvez eu conseguisse passar por eles-” “Você não percebeu que não há volta?” ele exigiu. “Aquela vida acabou. Fim.” Frustração me preencheu. “E com o que eu a substituo?” “Se Uriel conseguir o que ele quer, absolutamente nada.”

43

(décolleté –decote em francês)


“Você também acha que os Nefilins estão vindo?” Eu estremeci, colocando o suéter mais perto de mim. “Sarah contou isso a você, ela não contou? Nós todos sabemos isso. Nós apenas não sabemos quando. Mas parece como se a sua chegada foi algum tipo de sinal. Um último pedaço de desobediência por parte dos Caídos.” “Você quer dizer que é minha culpa?” Eu disse, horrorizada. “Eu sou a razão por que todos irão morrer?” “Se é culpa de alguém, é a minha, por puxar você de volta. Mas a verdade é um problema pequeno. Uriel irá encontrar uma maneira mais cedo ou mais tarde, e a presença dos Nefilins nos nossos portões significam que será mais cedo.” Eu digeri isso. Eu morri uma vez nos últimos três dias. Se isso acontecesse novamente, ao menos eu tinha alguma experiência. Eu o estava observando enquanto ele se sentava no sofá oposto ao meu, cauteloso. “Você responderia uma pergunta?” “Isso depende da pergunta.” “Porque nós fizemos sexo na noite passada? Você disse que era necessário. Sarah disse que isso era algo a ver em descobrir se eu era má ou não. Porque você não me conta a verdade.” “Sarah está certa,” ele disse. “Mas você não precisa se preocupar. Isso não vai-” “Acontecer de novo,” eu me intrometi. “Você não precisa se incomodar em explicar –eu já sabia o que iria dizer.” Ele pareceu perturbado com a idéia. “Você sabia?” “Não é obvio? Você precisava descobrir se eu era má, e por alguma razão fazer sexo comigo era a única maneira de fazer isso. Que parece artificial, mas eu vou aceitar isso. Mas nós acabamos aqui, está superado, eu passei na inspeção, então não há necessidade de repetir, certo?” “Certo.” “Então porque nós fizemos uma segunda vez?” Eu disse para deixá-lo desconfortável, não porque eu esperava que ele respondesse.


Ele não pareceu nenhum pouco confortável. Ele se inclinou para trás no sofá, me observando, suas pálpebras caindo preguiçosamente como se ele não estivesse prestando muita atenção. Mas ele estava, eu sabia disso instintivamente. Eu estava começando a entender um pouco sobre ele em um nível puramente instintivo. “Apenas para remover quaisquer dúvidas,” ele disse deliberadamente. “Uma rápida trepada contra uma parede pode não ter me dado muito o bastante de informação. O qual é porque eu tive que...provar de você. Sangue nunca mente. Pessoas sim. Corpos sim. Sangue, nunca.” Eu me contorci. “Que tipo de anjo usa as palavras rápida trepada.” Ele levantou uma sobrancelha. “Os Caídos.” Ele inclinou a sua cabeça, observando-me como se eu fosse um espécime científico que ele estava para espetar com uma agulha, e eu me lembrei da sensação da noite anterior enquanto ele se remexia dentro de mim. “Na verdade, pode ser melhor se todos pensarem que nós estamos no meio de um tórrido caso sexual. Os Caídos não gostam de anomalias, e se você pudesse agir como se você só estivesse interessada em estar na cama comigo, isso deveria deixar todos menos nervosos.” Não muito de um exagero, eu refleti, então tentei bater o pensamento. Muito tarde. “Está bem,” ele balbuciou. “É o que todos iriam esperar –qualquer coisa a mais seria uma bandeira vermelha.” “Era pra você ser bom assim?” eu zombei dele, tentando pela distância. “É a natureza da besta,” ele respondeu. “Uniões nunca são casuais. Intensas, consumidoras, ocasionalmente perigosas, mas nunca casuais. Você pode gastar a maior parte do seu tempo aqui em cima, se você preferir não me ter tocando você. Provavelmente será mais seguro.” Ele estava esperando que eu escolhesse essa opção –não precisava ser um psíquico ou alguém com super-poderes angelicais para perceber isso. Ele queria –precisava –se distanciar de mim até mais do que ele tinha se distanciado antes. Eu apenas não conseguia descobrir o porque. “Não há necessidade em pensar demais nas coisas, Allie,” ele disse. “Nós simplesmente temos que manter as coisas silenciosas até que Uriel esqueça sobre você.” “O arcanjo Uriel se esquece?” eu disse duvidosamente.


“Não. Mas nós podemos ter esperança.” E se ele não se esquecer, eu vou levar Allie para longe desse lugar, algum lugar que Uriel não pode chegar nela sem enviar os seus anjos vingadores, e uma pequena mulher humana não valeria o esforço. Ele não vai se esquecer, mas haverá outras coisas exigindo a sua atenção –tal como me punir pela desobediência. Eu olhei para ele. “Não.” “Não o que?” ele disse, se levantando e se dirigindo para a cozinha, seguro em uma crença de que a conversa tinha terminado. “Você não vai se sacrificar por mim, você não vai me esconder onde Uriel não possa me encontrar, e essa conversa não terminou.” E com a mistura de horror amanhecendo e prazer, eu sabia que eu tinha lido a sua mente.


Cap Capítulo 1 18

O

PRIMEIRO ANDAR ESTAVA DESERTO QUANDO SARAH FEZ O SEU caminho para cima vindo das cozinhas. Todos estavam tão tensos em comer, os funcionários da cozinha estavam transtornados, e dependia dela manter as coisas fluindo sem problemas. A longa caminhada a deixou um pouco pouco sem fôlego, e ela esperou por um momento para recuperar a sua compostura. Se Azazel percebesse que ela estava tendo problemas respiratórios ele ira exagerar, e os Caídos não poderiam se permitir ter isso acontecendo nesse momento. Com tudo mais ele era calmo, medido, insensível, capaz de fazer as difíceis decisões sem vacilar. Ele teria condenado Allie para o inferno de Uriel, e ele tivesse sido aquele que a conduziria, se necessário. Ele não teria pensado duas vezes sobre isso. Mas se ele soubesse que Sarah Sarah estivesse ficando mais fraca, isso iria distraí-lo, distraí e nesse momento Sheol precisava da sua inteira atenção. Os Nefilins estavam em nossos portões. Ela podia ouvir seus uivos e gemidos dentro da noite, os hediondos, sons de congelar os ossos enquanto eles eles atacavam a impenetrável porta. Impenetrável por agora, mas mais cedo ou mais tarde eles iriam atravessar. Alguém era um traidor, à horda dos Nefilins seria mostrada uma maneira de atravessar as barreiras, e seria um banho de sangue. Ela sabia disso. Azazel sabia disso. Ela se perguntava quantos dos Caídos estariam conscientes do que esperava por eles. Muito possivelmente a maioria deles. Sua respiração tinha se tornado constante agora. Ela checou o seu pulso –estava lento e regular. As pessoas viviam longas, saudáveis vidas em Sheol. Mas elas não podiam viver para sempre, e a sua vida estava se esboçando a se encerrar. Mais cedo do que ela deveria nesse local sagrado, mas ela aceitou isso. Azazel, contudo, não aceitaria.


Ela se afastou do longo aparador na frente da parede e foi até o seu marido. Ele estava por baixo d’água –o seu conhecimento era instintivo e certo. Ela o conhecia tão bem, sabia como ele lutava para mantê-la. Mas no final não havia nada que ele pudesse fazer. Ela teria que partir, e ele continuaria. Ele não se virou quando ela se uniu a ele na praia iluminada pela lua. Ele estava sentado na grama, e ela se sentou ao seu lado, inclinando-se contra ele enquanto ele colocava seu braço em volta da sua cintura. Ela pressionou o seu rosto contra o seu ombro, inspirando o familiar cheiro dele. O sangue dela o mantinha vivo –sua união era tão completa que eles raramente precisavam de palavras. Mas essa noite ela sentia vontade de falar. “Eu estive falando com Allie.” Ele a firmou mais confortavelmente contra ele. “Ele realmente dormiu com ela, não dormiu?” “Mais do que completamente. Embora houvesse apenas o mais fraco arranhão no seu pescoço, e não tinha curado. Mas ele tomou o suficiente para se certificar –Allie não é o seu traidor.” “Eu sei,” ele disse, não soando contente sobre isso. “E como ela está?” “Aquela pobre criatura,” Sarah disse com uma gargalhada. “Ela vai superar,” Azazel disse com sua costumeira falta de sentimento. “Eu estou falando de Raziel. Ele não percebeu onde ele se enfiou. Ela sabia onde ele estava.” Isso foi o suficiente para fazer Azazel se sentar ereto e olhar abaixo para ela. “Você tem certeza? Talvez ela apenas adivinhasse.” Sarah sacudiu a sua cabeça. “Ela sabia. Não levará muito tempo antes que ela possa ler os seus pensamentos apenas como ele lê os dela. E ele não vai gostar disso.” Azazel conduziu uma gargalhada seca. “Ele vai odiar isso. Então você está me dizendo que essa mulher realmente é a sua companheira de laço? E ela já pode ouvi-lo? Isso é extraordinário.” “É o que se parece. Sem maravilhar que ele a puxasse de volta da cova que Uriel tinha expedido para ela. Claramente isso não foi um acidente. O que me incomoda é porque Uriel


armou isso. Não podia ter sido uma coincidência que Raziel fosse aquele a induzir a sua companheira de laço.” “Porque isso deveria surpreender você? Se Uriel pode nos privar das nossas companheiras de laço, isso nos enfraqueceria. Ele não pode nos matar, não pode enviar a sua legião de soldados contra nós sem razão suficiente. Tudo o que ele pode fazer é nos torturar. Assim como Raziel não tem companheira, ele irá exigir menos do que a força total. Essa é a forma que Uriel nos quer, se ele não pode nos ter mortos. Muito ruim para ele que isso saiu pela culatra.” Sarah sorriu. “Raziel ainda está lutando com isso.” “Isso é o seu problema, não nosso. Ele precisa clamar por ela e se alimentar, mas ele é um teimoso egoísta. Ele terá que descobrir por conta própria. Eu apenas espero que isso não o ocupe por muito tempo. Nós precisamos dele em sua força total, e quanto mais cedo melhor.” Ele olhou para fora em direção ao oceano, seus gelados olhos azuis. “E sobre a mulher?” “Oh, eu acho que ela sabe, lá no fundo. Ela talvez sempre soubesse. Ela provavelmente irá lutar contra isso também.” Azazel suspirou. “Apenas o que nós precisamos. Novelas em Sheol.” Um grito bestial rachou o ar da noite, e Sarah estremeceu. “Os Nefilins estão se aproximando,” ela disse em uma baixa voz. “Sim.” “Eles irão entrar, mais cedo ou mais tarde.” “Provavelmente mais cedo,” ele disse em uma voz pragmática. Ela conduziu uma trêmula gargalhada. “Você não pode ao menos mentir para mim, me dizer que tudo vai ficar bem?” Ele olhou abaixo para ela, estendendo a sua mão para remover para longe o seu cabelo prata iluminado pela lua do seu rosto com uma mão macia. “Agora, que bem isso faria a mim? Eu não bloqueio os meus pensamentos. Ao contrário de você,” ele adicionou. “Você realmente não quer saber algumas das coisas que passam pela minha mente torturante,” ela disse levemente. Se ele soubesse o que estava para acontecer, ele iria tentar


fazer algo para impedir, e havia coisas que não podiam ser mudadas. A sua morte era uma dessas coisas, quer ela gostasse disso ou não. Ele se levantou, puxando-a para cima dentro dos seus braços, contra o seu duro, forte corpo. Uma vez o corpo dela foi quase igualado ao seu, ágil e jovem e bonito. Agora ela era velha, e ela ainda olhava para ela, tocava-a, como se ela tivesse vinte. “Vamos nadar,” ele disse enquanto outro uivo ecoou à distância. Ele estendeu a mão para puxar o seu frouxo roupão para fora do seu corpo. Ela o deixou, e um momento mais tarde ele estava nu também, e eles correram para dentro da arrebentação, de mãos dadas, mergulhando debaixo da fria água salgada enquanto a lua brilhava. Ela nadou para fora, segura no conhecimento que ele poderia chegar a ela em um momento de perigo, e uma vez passando as ondas quebrando ela se rolou para flutuar nas suas costas, deixando o seu cabelo deslizar ao seu redor. Ophelia, ela pensou. Ele tinha que ser capaz de deixá-la ir. Ele apareceu ao seu lado, e ele beijou a sua boca, frio e molhado e salgado, e envolveu o seu corpo ao redor do dele, flutuando, em paz. Não havia muitos momentos como esses deixados para eles, e ela estava gananciosa, ela queria tudo o que ela pudesse conseguir. Ele sorriu contra a sua boca. “Nós devemos voltar para os nossos aposentos? Ou a novela de Raziel vai demandar os seus serviços essa noite?” “Você é o único que tem os meus serviços essa noite,” ela murmurou, deixando-o puxála em direção a costa distante. Eles estavam de volta ao seu quarto, as portas abertas ao ar da noite, quando ela ouviu os gritos dos Nefilins mais uma vez. “Feche as janelas, amor,” ela disse suavemente, deslizando entre os frios lençóis. Ele fez o que ela pediu, sem questionar, e então veio para a cama. *** “O que você disse?” Eu olhei para a mulher com horror. Eu tive um tempo difícil em não pensar sobre levá-la para cama, mas o seu alegre anúncio tinha orientado isso direto para fora da minha mente. “Eu sabia o que você estava pensando,” ela disse presunçosamente. “Isso é porque nos fizemos sexo? Mais cedo eu sabia que você estava vindo pra cá muito antes de você aparecer.


Eu percebi que era estranho por causa da reação de Sarah, e agora eu posso meio que captar os seus pensamentos.” “Você pode de fato?” eu disse calmamente, me perguntando se eu poderia me safar em arremessá-la para fora da varanda e dizer a todos que ela tinha escorregado. Não, eu não podia, mas era um bom pensamento. Um que ela não captou, felizmente. Então a sua habilidade de me ler não era tão bem desenvolvida. Ainda. Merda. Sobre circunstancias normais, havia somente uma razão para uma mulher ser capaz de me ler –porque ela era a minha companheira de laço. Mas para mim não haveria nunca mais companheiras de laço. Isso era apenas uma anomalia. “Não agora, claro,” ela disse, franzindo o cenho. “Apenas pensamentos ocasionais algum tipo de deslocamento através do meu cérebro. Você está fazendo isso?” “Deixando você ler os meus pensamentos? Não,” eu disse, controlando meu instintivo estremecer. Eu não poderia permitir que ela soubesse como ela me afetava. “Isso é uma casualidade –por amanhã, isso deve ter passado. Não se preocupe sobre isso.” “Eu não estou preocupada sobre isso. Eu gosto disso. Me dá algo para com o que lutar de volta,” ela disse. Interessante. “Porque você precisar lutar comigo?” eu perguntei a ela. Isso a aturdiu por um momento, e eu tentei tocar a sua mente. Um erro. Ela me queria, eu podia sentir isso muito claramente. Era quase um toque físico, mesmo embora ela estivesse tentando fortemente suprimir. Que era com o que ela precisava lutar. “Eu me sinto impotente aqui,” ela disse finalmente. “Você é impotente aqui.” Eu me movi sobre o dique de janelas que encarava o mar. Elas estavam abertas, as cortinas de puro branco esvoaçando para dentro no forte vento. Eu podia ouvir o tranqüilizante som do oceano enquanto ele batia contra a costa de areia. Quase – quase –afogava os gritos do além mundo. Eu olhei de volta para a mulher sentada enrolada, uma mancha de cores contra o branco primitivo do sofá. Eu tive um tempo mais fácil resistindo-a quando ela estava vestida de branco. Porque eu tinha ordenado essas roupas a ela? As cores atacavam meus olhos, atacavam meus sentidos. Elas me atraiam. “O que mais Sarah queria?”


“Me acolher para dentro da comunidade de escravos sexuais de Sheol.” Ela estava tentando me irritar, como sempre, e com sucesso, como sempre. “Ninguém tem um escravo sexual por aqui.” “As mulheres não parecem ter muito mais o que fazer. Fuder e deixar vocês beberem seus sangues. Eu assumo que apenas aconteça de um sentido.” Eu tentei manter o meu rosto em branco. “Claro.” “Então porque você não toma o meu sangue?” Eu me virei para longe dela. Ela teria um difícil tempo lendo a verdade se ela não pudesse ver o meu rosto. “Eu tomei o bastante para me certificar que você era inocente. Isso era tudo o que eu precisava ou queria. Os Caídos podem se alimentar apenas das suas atadas companheiras ou da Fonte, e você não é nenhuma delas.” “Então o que eu sou? Além de um incômodo,” ela adicionou, imediatamente lendo a minha mente. Isso me debilitou, mas eu estava determinado a não mostrar qualquer reação. “Eu não sei.” Ela se levantou, não dizendo nada, e o vestido girou em torno dos seus tornozelos nus enquanto ela se moveu passando por mim para dentro da cozinha. Sua saia roçando contra as minhas pernas como a carícia de uma calorosa brisa, e sem pensar eu estendi a mão para ela. Mas ela já tinha passado, e ela nem sequer notou, graças a Deus. Ela se virou, como se consciente que ela tivesse perdido algo, mas então eu estava inclinado negligentemente contra o balcão, concentrado em um quase imperceptível padrão do mármore Carrara44 branco. Ela tirou uma garrafa de leite quando um alto grito rasgou a noite, e ela a largou. Se eu não estivesse tão sintonizado com ela, eu não teria sido capaz de pegar a tempo e colocar no balcão. “Mas que diabos foi isso?” ela perguntou em uma áspera voz. “Os Nefilins. Eles estão se aproximando.” 44

(mármore Carrara – é um marmore italiano, da região da Tosacana, famoso desde a Roma Antiga, quando foi utilizado para construir o Panteão. Muitas esculturas do Renascimento, como por exemplo David de Michelangelo também foram esculpidas em mármore de Carrara.)


Ela se virou pálida. “Eles não podem entrar, eles podem?” “Presumidamente não. Há todos os tipos de defesas e guardas colocados sob as fronteiras. A única maneira que eles poderiam entrar é se alguém os deixasse entrar, e quem quer que faça isso vai morrer também.” “E se alguém preferisse morrer a passar a eternidade presa aqui?” ela exigiu, sacudida. “Você não pode ficar aqui pela eternidade. Eu vou encontrar uma maneira de tirar você.” “Deus, eu espero que sim. Eu não quero viver para ser uma das cento e vinte sem me apaixonar,” ela disse, e eu estremeci. “Mas eu não estava falando de mim. E se alguém mais tem um desejo mortal?” Ela estremeceu, e eu quis esquentá-la, acalmá-la. Eu fiquei exatamente aqui onde eu estava. “Não há ninguém mais. Os Caídos escolheram essa vida. Suas companheiras escolheram os Caídos. Ninguém vai escapar para as paredes e deixar os monstros entrarem.” Eu podia mentir sobre a minha reação para ela. Mentir sobre que o perigo em que nós estávamos ia além de mim. “A verdade é, eu não sei,” eu disse. “Eles estão batendo contra as paredes, frustrados porque eles não conseguem invadi-las. Não há maneira que eles possam atravessar as paredes que guardam esse lugar, sem chance que qualquer um possa. É inviolável.” Ela não acreditou em mim. Eu não precisei captar palavras específicas para saber que ela estava preenchida com desconfiança. Se eu soubesse como reassegurá-la, eu teria feito. Eu nem sequer sabia como me reassegurar. “Eu não acho que o leite vá fazer isso,” ela disse. “Me desculpe?” “Eu achei que algum leite quente fosse acalmar os meus nervos, mas eu não acho que isso vá funcionar enquanto esse choro de gato continue. Eu não imagino que esse lugar venha equipado com whisky? Não, eu me esqueci –whisky não é branco.” “Tem vodka,” eu disse.


“Claro que tem.” Ela abriu a geladeira para colocar o leite de volta, então emergiu com uma congelada garrafa de Stoli45. “Você realmente precisa deixar um pouco de cor entrar na sua vida, Raziel.” Eu olhei para ela em seu brilhante vestido colorido que eu dei a ela. Tudo sobre ela era vibrante, colorido, interrompendo o vazio tranqüilizador do meu mundo. Ela derramou dois copos, puros, e empurrou um em direção a mim do outro lado do balcão de mármore. Não era uma boa idéia. Manter as minhas mãos longe dela estava requerendo cada bocado de concentração que eu tinha. Mesmo metade de um bocado de álcool poderia ser o suficiente para enfraquecer a minha determinação. Então novamente, tendo-a bêbada seria uma excelente idéia. Eu achava mulheres bêbadas completamente desagradáveis. E se ela vomitasse, eu não estaria tentado a colocar as minhas mãos em cada lado da sua cabeça e atrair o seu rosto acima para o meu, para beijá-la... Ela já pegou o seu copo e o drenou, dando um pequeno, delicado estremecer. “Eu realmente não gosto de vodka,” ela disse em uma pequena voz. Ela olhou severamente para o meu copo intocável. “Claramente, nem você gosta.” Eu não disse nada. Ela queria que eu colocasse meus braços ao seu redor. Eu sabia disso, e desejei que eu não soubesse. O barulho dos Nefilins estava aumentando mais forte, os uivos e gritos, os rosnados e grunhidos profundamente perturbadores. Eu conhecia o horror que deitava embaixo daquele som. Eu pensei que eu os pudesse cheirar no ar da noite, o completo fedor de sangue velho e carne apodrecendo, mas isso tinha que ser a minha imaginação. Eu tentei me concentrar neles, mas os pensamentos dela os afastaram. Ela queria os meus braços em volta dela; ela queria pressionar a sua cabeça contra o meu peito. Ela queria a minha boca, ela queria meu corpo, e ela não iria me contar. Ela não precisava me dizer. Houve uma colisão no lado de fora, seguido por um alto rugido, e ela pulou nervosamente. “Se você não gosta de vodka, porque você sequer tem uma?” ela disse, claramente tentando se distrair. “Eu gosto de vodka. Eu só acho que talvez fosse melhor se eu não deixasse o álcool prejudicar o meu julgamento no caso de algo acontecer.” Se qualquer coisa no seu rosto se voltasse mais branco. “Você acha que eles vão atravessar?” 45

(Stoli – Stolichnaya – uma vodka russa)


Eu tive que gargalhar. “Não. Pior do que isso.” “Pior do que canibais devoradores de carne?” “Há outro tipo de canibal?” eu apontei. “O que é pior do que os Nefilins?” ela disse irritadamente, algum do seu pânico desaparecendo. “Dormir com você.” Merda. E eu considerei nem sequer mencionar isso. Ela olhou para mim por um longo momento, então tentou se empurrar passando por mim. “Suficiente é suficiente,” ela estalou. “Se você prefere os Nefilins a mim, você pode malditamente bem ir escalar a cerca e fudêlos.” Eu a peguei, claro. Meu braço serpenteando em volta da sua cintura e eu a girei, empurrando as suas costas contra a parede, prendendo-a ali com meu corpo pressionado contra o dela. “Eu não disse que eu prefiro eles,” eu sussurrei na sua orelha, fechando os meus olhos para inalar a viciante essência dela. “Tão quanto eu estou preocupado, embora, você é um problema pior.” Eu beijei a lateral do seu pescoço, provando a sua pele, inalando o cheiro do seu sangue enquanto ele corria através da suas veias. Tão fácil fazer apenas uma pequena perfuração, apenas para ter uma prova. Eu movi a minha boca atrás da sua orelha, lutando com isso. Ela estava se mantendo muito imóvel. “Por-Porque?” ela gaguejou. “Eu posso matar os Nefilins,” eu sussurrei. “Eu posso lutar com eles. Mas eu tenho uma hora muito difícil em lutar com você.” Ela virou o seu rosto para encarar acima ao meu, e suas mãos estenderam-se para me tocar. “Então não lute,” ela disse em um tom com tal praticidade que eu quis gargalhar. “Ao menos eu não vou arrancar o seu coração.” “Eu não estaria tão certo,” eu disse. E como um tolo, eu a beijei.


Cap Capítulo 1 19

E

U SABIA PERFEITAMENTE BEM QUE EU ERA UMA IDIOTA AO FAZER isso, mas então nada poderia ter me impedido. O corpo dele estava pressionado apertado contra mim, e o calor e a força dele acalmou o meu pânico –mas rompeu todo um novo grande número de medo. Sua boca era quente, molhada, carnal, enquanto ele me beijava, sua lenta deliberação em desacordo com a maluca pressa da luxúria que nos tinha esmagado na noite passada. Ele inclinou a sua boca de um lado ao outro da minha, provando, mordendo, me dando uma chance de beijá-lo beijá lo em retorno, sua língua uma chocante intromissão issão que de alguma forma sentia-se sentia se certa. Sob minha experiência limitada de alguma forma, homens realmente não gostavam de beijar; eles simplesmente beijavam para irem direto para a parte que eles gostavam. Raziel claramente gostava de beijar –ele era muito ito bom nisso para não aproveitar. Ele não estava com pressa para me empurrar para a cama, sem pressa para fazer qualquer coisa a mais do que beijar. Ele ergueu sua cabeça, e seus estranhos, lindos olhos com suas íris estriadas olharam abaixo para mim por um longo, sem fôlego momento. “O que você está fazendo?” Eu sussurrei. “Beijando você. Se você não percebeu isso ainda, eu não devo estar fazendo um bom trabalho com isso. Eu preciso de prática.” E ele me beijou novamente, um profundo, faminto beijo que roubou ubou o meu fôlego e roubou o meu coração. “Eu quero dizer porque você está me beijando?” Eu disse quando ele movia a sua boca ao longo da linha da minha mandíbula e eu a senti formigar todo o caminho em que ele descia para... eu não estava certa para onde. “Você acabou de me dizer que você preferia muito mais encarar os Nefilins--” “Cale a boca, Allie,” ,” ele disse agradavelmente. “Eu estou tentando distrair nos dois.” Ele deslizou a alça do vestido para baixo dos meus ombros, para baixo dos meus braços, expondo


meus seios ao ar frio da noite, e eu ouvi o seu murmúrio de aprovação. “Sem sutiã,” ele disse. “Talvez eu vá gostar das suas roupas novas.” Ele moveu a sua boca para baixo ao lado do meu pescoço, demorando por um momento na base da minha garganta, no lugar onde ele tinha deixado a sua marca, e eu reflexivamente me ergui em direção a ele, querendo a sua boca ali, querendo... Mas ele continuou, e eu sufoquei meu choro de desespero. E então esqueci sobre tudo isso enquanto ele inclinava-se para baixo e colocava a sua boca no meu seio nu, sugando o mamilo dentro da sua boca. Eu peguei os seus ombros, enterrando meus dedos dentro deles enquanto eu me arqueava para cima, me oferecendo a ele. Eu podia sentir as pontas afiadas dos seus dentes contra mim, e eu sabia por um momento de temor que ele poderia extrair sangue do meu seio, mas sua mão cobriu meu outro seio, alisando, estimulando, até que o meu mamilo se tornasse um botão enrijecido para combinar com o outro dentro da sua boca, e eu soube que ele não iria me machucar, não ali, não em qualquer lugar, ele me disse, e eu senti sua consciência entrar na minha mente, uma invasão deliberada enquanto íntima e excitante como a sua língua e o seu pênis. Seus olhos estavam pretos com desejo agora, e ele empurrou o tecido do vestido para baixo aos meus quadris, desnudando o meu torso, aninhando-se embaixo da dilatação do meu seio; e então as suas mãos estavam nas minhas coxas, tirando o vestido lentamente para cima, e eu estava me sentindo apressada, gananciosa, desesperada por ele, querendo-o dentro de mim, querendo-o agora, e eu ergui meus quadris, negligentemente procurando. Ele queria isso, eu pensei atordoada, deleitando-me na certeza da sua necessidade. Ele me queria. Ele não queria nada mais do que enterrar-se dentro do meu corpo, embebedar-se ao esquecimento da luxúria e desejo e conclusão, para se perder, e me levar com ele em uma jornada de tal transcendente desejo que cada pensamento me assustava, e eu tentei afastá-lo. Eu não tive tempo para segundos pensamentos durante nossas frenéticas cópulas. Agora eu poderia ser calma, imparcial, desdenhosa quanto eu precisava ser, exceto que eu precisava dele mais até do que eu precisava de calma, e suas mãos estavam subindo nas minhas pernas nuas agora, seus dedos dentro da borda de renda cortada da minha calcinha, tocando-me, eu deixei sair um ganido abafado em reação, seguido por um gemido de puro prazer enquanto ele começava a descer a calcinha das minhas pernas. E então ele pulou se afastando, tão rapidamente que eu quase caí. A escuridão se foi dos seus olhos e no momento eles estavam como granito, e eu me perguntei o que diabos tinha acontecido. E então eu ouvi os gritos.


Diferentes dos distantes uivos e gritos dos Nefilins, seguros do outro lado das fronteiras de Sheol. Esses estavam mais perto, os uivos guturais ecoando através dos cinco andares do prédio. Esses eram aqui. “Fique aqui,” ele ordenou tensamente. “Encontre algum lugar para se esconder. Se o pior vier a acontecer, vá para fora à varanda e esteja preparada para saltar.” Eu encarei assombrada ao anjo que tinha acabado de me dizer para cometer suicídio. “O que...?” “Eles estão aqui.” Sua voz era insípida, severa. “As paredes caíram.” Eu congelei, o dormente, estúpido horror tomando conta de mim. “Os Nefilins?” Ele quase estava na porta, mas ele parou, rodopiou, e veio de volta para mim, pegando os meus braços em um doloroso aperto. “Você não pode deixá-los chegarem perto de você, Allie. Sem importar o que. Se esconda se você acha que tem uma chance. Aqui é um longo caminho para escalar, e a luxúria de sangue deles vai mandá-los atrás do alvo mais próximo. Mas se eles chegarem nesse andar...” Ele respirou fundo. “Pule. Você não quer ver ou ouvir o que eles são capazes de fazer, você não quer arriscar ser pega por eles. Me prometa, Allie.” Seus dedos se apertaram. “Prometa-me que você irá pular.” Eu nunca tinha fugido de um desafio, nunca tinha pego a maneira mais fácil para escapar em toda a minha, muito curta vida. Eu olhei acima para o rosto de Raziel e pude sentir o horror que ele estava vendo, o horror que ele estava me deixando captar apenas em um deslumbre. Um deslumbre foi o bastante. Eu assenti. “Se eu precisar.” Eu disse. Para a minha surpresa, ele me beijou novamente, um breve, rápido beijo, quase um beijo de despedida. E ele se foi. Não havia lugar para se esconder. A cama era muito baixa no chão, e quando eu me enterrei dentro do closet, os gritos debaixo ainda ecoavam, mesmo quando eu cobria a minha cabeça com meus braços e tentava extraí-los. Eu tropecei para trás no quarto. Eu não sabia se os gritos estavam ficando mais altos ou se os Nefilins estavam se aproximando. Eu prometi a ele, e eu poderia ter cento e uma falhas de caráter, mas eu nunca quebrei uma promessa. Eu empurrei abrindo a janela e escalei para fora da varanda. E então congelei. A areia estava preta na luz da lua, e me levou um momento para perceber que era sangue. Havia corpos em todos os lugares, ou o que restou deles. Torsos sem cabeças, braços e pernas que tinham sido arrancadas, roídas, e então descartadas. E o fedor que estava sendo


carregado para cima na brisa da noite era a coisa dos pesadelos. Sangue, sangue velho, e carne apodrecendo. O fedor dos monstros que rastejavam abaixo, procurando por carne fresca. Eu escalei para cima da borda, espiando por cima, e tive a minha sombria visão de um deles. Ele era anormalmente alto, coberto com algum tipo de imundice emaranhada, embora o que quer que isso fosse cabelo ou roupas ou pele ou algum tipo que eu não pude ter certeza. Sua boca estava aberta em um gemido, e eu pensei que eu pude ver dois conjuntos de dentes, quebrados e com sangue. Havia alguém nas suas mãos, uma mulher com longo cabelo loiro e roupas estriadas de preto. Ela ainda estava viva. A criatura a estava arranhando, rasgando-a até que as suas tripas espalhassem em cima da areia, mas seus braços ainda estavam se movendo, seus pés estavam se contorcendo, e eu gritei a ele para parar, mas minha voz foi arrastada para longe pela trovoada da arrebentação, perdida entre os gritos e os uivos. Por um momento eu fiquei paralisada. A mulher estava finalmente imóvel, seus olhos amplos com a morte, e a criatura se virou, movendo-se em um estranho, embaralhar desconexo, seguindo para o lado de dentro. Eu não pude sequer contar o número de corpos na praia –eles estavam rasgados em muitos pedaços. E eu sabia então que eu não podia me unir a eles na praia, fazendo o meu mergulho gracioso de cine para a minha morte. E se eu não morresse nesse momento? E se eu deitasse ali enquanto os Nefilins me achassem, me rasgassem em pedaços enquanto eu estivesse viva? E como eu poderia me esconder em meu quarto quando eu poderia fazer alguma coisa? Aquela pobre mulher ali embaixo –se alguém tivesse sido capaz de distrair a criatura, ela poderia ter sido capaz de se rastejar em segurança. Mas não havia ninguém vivo na praia. Eu não hesitei, eu não me permiti ter medo. Na hora em que eu alcancei o patamar do terceiro andar eu decidi que eu era maluca, mas eu não ia deixar isso me derrubar. Destino era uma palavra estúpida, uma palavra para heroínas, e eu não era uma heroína. Tudo o que eu sabia era que eu podia fazer algo para ajudar, e eu tinha que tentar. Os corpos começaram no segundo andar, mulheres dos Caídos que tentaram escapar, mas foram arranhadas e cortadas e roídas pelos monstros que de alguma forma invadiram o vale de Sheol. O fedor era opressor. De alguma maneira no passado, quando eu comecei a escrever, eu fiz pesquisas em cenas de crimes, e tinha ouvido sobre o cheiro de corpos de uma semana de mortos que se prendiam na pele e cabelo dos policiais e nunca nenhuma vez podia ser erradicado das suas roupas. Era esse tipo de cheiro que tomava conta de mim agora, um


de carne putrefada e larvas e ossos apodrecendo. De carne velha e sangue antigo e merda e morte. O primeiro andar era um campo de batalha. Eu podia ver cinco dos Nefilins, altos e desajeitados, facilmente reconhecíveis. Eu assimilei a cena rapidamente: Azazel estava lutando furiosamente, sangue escorrendo de uma ferida na cabeça e misturando com seu longo cabelo preto. Tamlel estava caído, provavelmente morto, enquanto Sammael, e eu percebi com horror atrasado que tinha sido Carrie lá fora na areia, lutando até o fim com o monstro que a estava devorando. O barulho, a fumaça, o sangue, eram muito. Eu não podia ver as outras mulheres, não podia encontrar Raziel na briga. O Nefilin que lutava com Azazel caiu, e um momento mais tarde a sua cabeça saiu voando, o resto dele desmoronando em cima de uma inútil pilha de ossos enquanto Azazel se virou para encarar o próximo atacante. E então eu vi Sarah atrás dele. Ela segurava uma espada em suas mãos, e seu rosto era tranqüilo, determinado, enquanto Azazel a defendia. Havia outros a protegendo também, Caídos cujos nomes eu não sabia. Eu vi Raziel na porta então, cortando a horda enquanto eles se derramavam para dentro do prédio, empunhando uma espada de proporções bíblicas. O barulho era ensurdecedor: os gritos dos mortos, o choque de metal, os uivos sobrenaturais dos Nefilins enquanto eles acercavam as suas presas. Uma lâmina cortou, e eu senti sangue e bile espirrar em mim, quente e fedendo a morte. Os Nefilins estavam em todos os lugares, e eu observei com horror enquanto a loucura me cercava. Algo agarrou o meu tornozelo e eu gritei, olhando abaixo para ver uma das mulheres deitadas nos degraus, agarrando-me por socorro. Pobre coisa, ela estava mal para qualquer tipo de ajuda, mas eu me afundei, colocando o seu devastado corpo dentro dos meus braços, tentando estancar os intermináveis fluxos de sangue. “Você vai ficar bem,” eu murmurei, a balançando, tentado segurar junto o seu quebrado corpo. Ela estava morrendo, mas ao menos eu podia confortá-la. “Eles vão pará-los. Apenas agüente.” Para o meu espanto, a mulher estendeu a mão e tocou o meu rosto com uma mão ensangüentada, e ela sorriu para mim, paz nos seus olhos de desvanecimento. Um momento mais tarde, ela estava morta. Abençoadamente seja, dado ao horror das suas feridas. Eu deixei a mulher ir, a colocando para baixo gentilmente nos degraus, e olhei para cima. Eu podia tentar correr. Voltar aos intermináveis, lances de escadas manchados de sangue, atravessando os pedaços rasgados do que tinham sido uma vez carne viva. Ou eu podia encarar os bastardos.


Um dos Caídos deitava de um lado ao outro no inferior das escadas, seu torso cortado quase pela metade. Um braço se foi, mas o outro ainda segurava uma espada, lutando até o fim. Eu desci e peguei a espada em minha mão trêmula, então me virei para procurar por Raziel. Um dos Nefilins deveria ter me espiado nas escadas. Ele se afastou do homem defendendo Sarah, avançando sobre mim com seu hediondo embaralhar desarticulado. Era muito tarde para correr, mesmo se eu quisesse. A coisa tinha me visto, pego minha essência; e quando um dos Caídos a atacou, a criatura simplesmente o empurrou para longe, e o corpo voou para o outro lado da sala, aterrissando na mesa que colapsou embaixo dele. Eu queria gritar por Raziel, mas eu mantive a minha boca fechada, agarrando a espada apertadamente em minha mão. Se eu fosse morrer, então eu iria morrer lutando, e eu não iria distrair Raziel da sua defesa do portal. Talvez a morte não doesse, eu pensei, ainda recuando, os gritos dos mortos desmentindo a minha vã esperança. Não tinha doído na primeira vez. Isso não importava. Era para eu estar aqui, eu fui atraída para aqui, e se eu fosse ser rasgada em pedaços, então que assim seja. O Nefilim se estendeu sobre mim, tão perto que eu podia ver as larvas morando na sua pele, e o cheiro de sangue e morte era o bastante para me fazer com ânsia de vômito. Se eu tivesse sorte, ele iria arrancar a minha cabeça –seria rápido, muito mais do que ter meu estômago e intestinos puxados para fora –e eu me perguntei se eu poderia fugir, correr rápido o suficiente subindo os degraus para pular, como eu tinha prometido a Raziel. Talvez isso fosse o que eu deveria ter feito, aterrissando em cima de um Nefilim ou dois para quebrá-los. A criatura tinha um hediondo buraco para uma boca, e os duplos conjuntos de dentes eram entalhados, como os de tubarão, feito para rasgar carne, e eu não iria gritar, eu não iria, mesmo quando ele me alcançasse. Suas mãos eram deformadas, mais como pinças, como navalhas e ensanguentadas, e eu a cortei, cegamente, separando uma delas. Ele não reagiu. Se aproximando, e suas garras remanescentes fizeram um horrível estalo de som. Eu apertei a espada, preparada para lutar até a morte. E então a hedionda cabeça desapareceu, simplesmente desapareceu, e eu olhei em choque. O monstro entrou em colapso em uma agitação de ossos na minha frente, e Raziel apareceu atrás dele, uma espada ensangüentada em suas mãos, a espada que ele usou para decapitar a criatura.


Eu quase não o reconheci. Ele estava coberto com sangue, seus olhos escuros e brilhando, e eu meio esperei que ele gritasse comigo. Mas ele simplesmente se virou, mantendo a sua posição no piso das escadas, protegendo-me enquanto Azazel protegia Sarah. Alguns dos Nefilins carregavam espadas, facas, lanças –armas primitivas. Outros simplesmente baseavam-se em suas garras e dentes e força super-humana. Eles caíram diante da furiosa investida dos Caídos, não fazendo nenhum som enquanto eles caíam. Seus uivos foram gritos de fome, e que foram amenizados pelos corpos rasgados que enchiam o salão. Eles morreram em silêncio. Nós íamos sobreviver, eu percebi com um súbito choque. Eu tinha descido as escadas preparada para morrer, certa que eu iria morrer, e agora tudo tinha mudado. Apenas um Nefilim estava ainda de pé, com um denso mastro nas garras, fora do alcance da espada brilhante de Azazel, e eu senti a tração do olhar de Sarah do outro lado da carnificina. Eu me virei para olhar, e Sarah me deu um doce, amável sorriso –quase uma benção – um segundo antes do pesado mastro perfurar o seu peito, batendo-a contra a porta de madeira atrás dela e a impalando ali. Eu ouvi o grito de Azazel à distância. Eu tropecei passando por Raziel como se ele não existisse, escalando sobre cadáveres e vítimas se contorcendo, empurrando passando pelo próprio Azazel para alcançar o lado de Sarah. Alguém tinha puxado o mastro, e Sarah deslizou para o chão, seus olhos brilhando enquanto eu a pegava, abaixando-a cuidadosamente. Aquele doce sorriso ainda agarrado a sua boca, mesmo embora os seus olhos azuis estivessem preenchidos com lágrimas. “Eu estou...tão feliz...você está aqui,” ela conseguiu arfar. “Você vai ajudar...Raziel.” Não havia nada em volta para usar como uma atadura, então eu simplesmente amassei junto uma mão cheia do meu saião e segurei contra o peito arruinado de Sarah. “Vai ficar tudo bem,” eu disse desesperadamente, recusando-me a admitir que não estivesse. “Agüente.” Eu disse a mesma coisa para a garota nos degraus, a garota que morreu nos meus braços. Apenas como Sarah estava fazendo. “Tente ajudar Azazel,” Sarah sussurrou, tentando reunir a sua declinante força. “Ele estará com problemas. Raziel pode ajudá-lo. Você pode ajudar Raziel. Prometa.” “Eu vou,” eu disse impotente. “Mas você não vai morrer.”


“Sim, eu vou,” ela sussurrou. “Eu sei disso há bastante tempo. Você precisa...impedir aquele que nos traiu. Você precisa...” Sua voz desapareceu, mas seus olhos se afiaram, aumentando o calor com amor. Alguém me levantou e forçadamente me rebocou para longe de Sarah –Azazel, que me entregou para Raziel e se afundou ao lado da sua esposa. Quando eu resisti, apenas por um momento, Raziel simplesmente usou a força, colocando um braço ao redor da minha cintura e me carregando para fora do prédio, o qual estava enterrado até os joelhos com corpos e sangue. Ele me largou na praia, e nem sequer se incomodou em me dizer para ficar parada. “Eu vou selar a parede,” ele disse. “Azazel e Sarah precisam ficar sozinhos para dizerem adeus.” Eu me afundei na grama apenas acima da areia e coloquei meu rosto em meus braços. O alto, formato estranho de corpos do Nefilins enchiam a praia, e o cheiro no ar da noite estava denso e envenenado. Eu tentei abafar o fedor, mas tudo o que eu podia cheirar era o sangue de Sarah que tinha encharcado o meu vestido. Seu sangue da vida, drenado para longe. Meu próprio sangue também. Eu não tinha percebido que eu tinha me machucado. Havia um corte descendo o meu braço, um corte raso do ombro ao pulso, feito por uma garra da criatura hedionda. Tinha começado a palpitar, e eu deveria encontrar algo para estancar o fluxo. Eu podia usar a minha saia, já encharcada com o sangue de Sarah, mas eu não a toquei. Já havia muito sangue em todos os lugares. Eu olhei ao meu redor, tonta, quando eu vi Tamlel deitado na beira da água. Ele deve ter cambaleado ali em baixo e então entrou em colapso. Eu consegui me empurrar aos meus pés, fazendo o meu caminho cuidadosamente através da carnificina em direção a ele. Ele estava deitado com o rosto no chão na arrebentação, e seu corpo tinha sido arranhado pelas garras de um Nefilim. Eu me lembrei como eles tinham levado Raziel ao oceano para curá-lo. Talvez Tamlel tivesse procurado o mesmo poder de cura. “Ajude...me...” ele engasgou. Eu me ajoelhei ao lado dele. “Você precisa entrar na água?” Ele já estava ensopadamente molhado, e ainda ele estava morrendo. Ele conseguiu sacudir a sua cabeça. “Eu preciso...minha mulher está morta. Ela foi uma das primeiras. Eu preciso de Sarah.”


Eu congelei. “Me deixe arrumar algumas ataduras. Há um médico aqui? Suas feridas irão sarar.” Ele sacudiu a sua cabeça novamente. “Perdi muito sangue. Preciso da Fonte. Encontre...” Eu não podia contar a ele. Deveria ter alguma outra resposta, alguma outra maneira de ajudá-lo, mas ele não estava escutando. “Eu vou encontrá-la,” Eu disse simplesmente, me levantando. A água não podia machucar, e deveria ter alguém de volta no desarrumado campo de batalha que alguma vez tinha sido a grande entrada, alguém que pudesse ajudar. Então os gemidos dos mortos tinham desaparecido para dentro do barulho do fundo. Eu me movi como um autômato, passando por lágrimas, passando por dor, passando por horror. Eu consegui chegar à porta aberta quando alguém agarrou minha saia, me puxando, e eu olhei abaixo para outro dos Caídos, um cujo nome eu nem sabia. “Ajude-me,” ele engasgou. “Eu vou tentar encontrar alguém,” eu disse pacientemente, olhando para trás em direção a Tamlel onde ele deitava na arrebentação. “Não.” O seu aperto era mais forte no meu vestido. “Me salve.” Meu coração estava quebrando por ele, por todos eles. “Não há nada que eu possa fazer,” eu chorei. “Eu não posso ajudar você.” Ainda assim ele me agarrou, e sem pensar eu me afundei de joelhos ao seu lado, sentindo as lágrimas começarem nos meus olhos, e eu as enxuguei com raiva. Lágrimas não iriam ajudar. Tamlel estava tão perto da morte que nada iria ajudá-lo. Esse aqui estava quase tão ruim, e tudo o que eu podia fazer era segurá-lo, como eu segurei a mulher nos degraus, até ele ter ido. Ele fechou seus olhos, todas as cores drenando do seu rosto enquanto ele começou a estremecer, e eu removi o seu cabelo para longe do seu ferido, rosto ensangüentado. O sangue do meu braço, meu próprio sangue, manchando os seus lábios, e eu rapidamente tentei limpar; seus olhos voaram abertos, e de alguma forma conseguiu pegar o meu pulso com uma súbita, inesperada força, revirando-o dolorosamente enquanto ele tentava trazê-lo para a sua boca. “Isso não vai ajudar,” eu comecei a dizer. Tinha que ser o sangue da sua companheira de laço ou da Fonte, e Sarah estava morta ou morrendo. E então eu parei de lutar. Se ele


pensasse que isso pudesse ajudar, se isso aliviasse a sua morte, então eu não iria negar isso a ele. Eu o deixei levar a minha pele rasgada a sua boca, senti sua boca se fechar em mim; e eu o puxei para o meu colo, o segurando enquanto ele bebia de mim. Lentamente os tremores pararam, e ele permaneceu muito imóvel. O furioso sugar na minha carne parou, seu aperto se afrouxou, e meu braço caiu, livre. Ele estava morto, eu pensei, removendo o cabelo para longe do seu rosto novamente. Ele parecia tão novo, tão inocente, mesmo embora ele tivesse que ter centenas de anos de idade, e eu quis me inclinar adiante de beijar a sua testa como uma última benção. Tanto para gestos tocantes. Seus olhos voaram abertos, e eles não mais estavam entorpecidos e apáticos. Sua respiração tinha se tornado regular, e sua cor estava de volta. Se isso era para funcionar ou não, meu sangue tinha dado a ele força o suficiente para agüentar. Eu o abaixei cuidadosamente na grama. “Eu voltarei. Eu preciso ver alguém.” Tamlel não estava mais se movendo. A maré estava retrocedendo, deixando-o encalhado na areia molhada, e eu sabia que era muito tarde. E eu sabia que eu tinha que tentar. Eu corri de volta para a costa, rasgando sobre a carnificina, caindo na areia ao lado dele. Ele ainda respirava, mas seus olhos estavam fechados, e eu sabia que ele estava muito perto da morte. Eu coloquei meu braço ensangüentado contra os seus lábios, mas ele não reagiu, e eu amaldiçoei minha tolice. Tinha sido uma casualidade –não havia forma do meu sangue poder salvar qualquer pessoa. Eu não pertencia aqui –a pobre criatura na entrada da frente estava simplesmente em melhores condições do que eu pensei, e meu fraco, sangue ruim tinha sido o suficiente para estabilizá-lo. A pele de Tamlel era gelo agora enquanto a morte começava a se mover sobre ele, e eu ajoelhei ao lado dele, sem esperanças, chorando, o inútil sangue escorrendo abaixo no meu braço. E então, no último minuto, eu ergui a sua boca aberta e segurei o meu braço sobre ela, deixando o sangue escorrer em cima da sua língua, retorcendo o corte para fazê-lo sangrar mais, negligenciando a dor. Sua boca se apressou no meu pulso, e eu senti o afiado perfurar dos seus dentes na minha pele, abrindo uma veia para que eu sangrasse mais livremente. O outro homem não tinha me mordido, mas Tamlel estava me segurando, sugando-me, suas mãos se fechando no meu braço tão apertadamente que ele estava dormente.


Eu estava ficando mais tonta, e eu me perguntei se era a perda de sangue ou o horror da noite. Isso não importava –tontura era mais preferível do que a realidade que me cercava, a morte e o horror que tinha tornado uma fuga idílica a um ossuário. Eu fechei meus olhos, aumentando a fraqueza, quando eu ouvi um rugido de tal fúria que eu sabia que todos os Nefilins não tinham sido derrotados, que eu seria rasgada membros por membros. Algo me agarrou, me puxando para longe de Tamlel, e eu fui voando através do ar da noite, aterrissando sem fôlego na areia ensangüentada, preparada para a morte que eu consegui evitar. Eu olhei para cima, esperando ver a enorme, forma pesada de um Nefilim. Mas não era a silhueta de nenhum monstro contra a luz da lua. Ele estava coberto de sangue, que emaranhava o seu cabelo e cobria a sua pele, mas eu conhecia aqueles olhos, os olhos de Raziel, brilhando com fúria enquanto ele se virava para Tamlel, suas presas descobertas para o ataque. “Não!” eu gritei, certa de que ele estava para rasgar o seu amigo membro por membro. Um momento mais tarde a raiva drenou do seu corpo, e ele se virou para mim, se afundando de joelhos ao meu lado na areia, me puxando para dentro dos seus braços. O cheiro de morte e suor e sangue cobrindo-o, e eu me afundei contra ele em um fraco alívio. “Me desculpe,” ele engasgou. “Eu não sei...eu machuquei você?” Eu mal estava falando. Eu podia apenas sacudir a minha cabeça contra o seu peito, tentando chegar mais perto dele. Algo dobrou ao meu redor, suave como plumas, escuro como a noite enquanto tudo ficava preto.


Cap Capítulo 20

S

E NÃO TIVESSE SIDO PELO FEDOR, EU PODERIA TER DORMIDO PARA sempre. Era um dia cinza, de alguma forma diferente da suave névoa que normalmente envolvia Sheol. Sheol. Eu me deitei na cama, sem me mover. A luz que entrava através das janelas era sombria, filtrada, e a cama debaixo do meu pobre, doido, ferido corpo estava muito confortável para partir. Eu rolei relutantemente. A última coisa que eu pude me lembrar, eu estive stive voando através do ar, arrancada de Tamlel por um monstro furioso, e nesse breve flash eu estive convencida que eu iria morrer. Até eu olhar para cima e vir Raziel. Eu não podia me lembrar muito mais. Alguém conseguiu arrastar o meu traseiro para o andar dar de cima e me limpar. Eu não tinha dormido sozinha –de de alguma maneira eu sabia disso. Eu estava completamente nua, e o sangue e a sujeira tinham sidos lavados do meu corpo por algum fantasma serviçal. Raziel tinha cuidado de mim, apesar das suas próprias própria feridas. Raziel me carregou para cima e cuidou de mim. Eu tinha sonhado tudo isso? Eu olhei para o meu braço, procurando por marcas de dentes. A ferida ainda estava ali, um longo arranhão do meu bíceps descendo o meu pulso, mas ele já tinha se fechado, curado, e não havia sinal que dois dos Caídos tinham se alimentado de mim. Apenas como o pulso de Sarah tinha se curado instantaneamente quando ela alimentou Raziel. Mas eu não podia pensar sobre Sarah. Eu me empurrei de costas na cama. Eu não intencionei que isso acontecesse na noite passada e eu não podia acreditar que eu tivesse feito a eles nenhum bem. Meu sangue não tinha sido nada mais do que um pacificador. Um seio vazio para uma criança faminta, trazendo conforto momentâneo mas não sustento. Mas ao menos os tinha relaxado, e por isso eu pude repor uns poucos litros de sangue. Até Raziel ter aparecido com um rugido de


raiva, puxando-me para longe de Tamlel, pronto para matar o seu velho amigo. A batalha tinha temporariamente tirado a sua sanidade? Porque ele iria querer ferir Tamlel? Meu grito o tinha impedido. E seus braços a minha volta, sua boca contra minha têmpora, tinha sido o seguro, protetor, amor. Não, não isso. Ele não iria amar ninguém jamais novamente. Aquele horrível cheiro, misturado com fumaça oleosa, era o bastante para me fazer vomitar. Eu saí da cama lentamente, meu corpo doendo, e agarrei o roupão que pendia atrás da porta do banheiro. Era um quimono antigo, a pesada seda estranhamente tranqüilizadora enquanto ele se drapeava em volta do meu corpo nu, e eu andei descalça para dentro da sala de estar, meio receosa de encontrar Raziel ali, meio receosa de não encontrar. Ele não estava ali –o lugar estava deserto. Eu coloquei a minha cabeça sobre a janela aberta e olhei para fora, esperando ver uma alta, familiar figura na praia. Os corpos desapareceram, mas a areia parecia preta com o sangue espirrado. Eu podia ver a fumaça livre na noite, e sem pensar eu escalei para fora em direção a varanda para ter uma melhor visão, estremecendo enquanto meu joelho tinha câimbras. Havia uma enorme fogueira, vigiada por três das mulheres. Eu não podia reconhecer nenhuma delas –elas pareciam tão maltratadas quanto eu me sentia –mas elas mantinham uma estreita vigilância nas chamas, e me levou um momento para perceber o que estava causando o horrível fedor. Era uma pira funerária para carne podre. Eles estavam queimando os corpos dos Nefilins. Os Caídos não podiam fazer isso. Fogo era venenoso para eles –uma faísca dispersa e eles poderiam morrer. Ficava na dependência dos humanos lidarem com o fogo. Dependendo para nós limparmos a bagunça. Mas Sarah se foi. A praia manchada de sangue na frente da casa estava deserta. A neblina estava leve, cobrindo tudo como uma névoa depressiva, mas não havia sinal de vida. Quem teria sobrevivido? O que eles iriam fazer agora? Eu escalei de volta para dentro e fui ao closet e então congelei, olhando para as roupas coloridas. O vestido que eu vesti ontem não estava em nenhum lugar para ser visto. O vestido que Raziel tinha quase conseguido arrancar de mim, o vestido que eu usei para tentar estancar o sangue de Sarah enquanto ele derramava do seu corpo. Sarah estava morta. Não havia uma passagem livre-da-cadeia, sem chance de Sarah se tornar imortal como o seu marido. Se houvesse, Azazel não seria tão austero, e Raziel ainda


estaria felizmente casado com a noiva de número quarenta e sete ou qualquer que fosse. E eu estaria torrando no inferno. Hoje não era um dia para cores, era um dia para luto. Eu considerei as roupas pretas de Raziel, então fui para uma larga camisa branca e uma túnica, parecendo como um membro de um culto mais uma vez. Eu corri uma escova através do meu emaranhado cabelo e dei uma última olhada no meu reflexo no espelho. Eu parecia pálida, como se eu tivesse perdido muito sangue, e eu me perguntei apenas o quanto Tamlel tinha tomado de mim. Ele tinha sequer sobrevivido? Não havia nada que eu pudesse fazer sobre como eu me parecia –eu estava provavelmente muito mais saudável do que a maioria dos outros sobreviventes. Os quais malditamente bem incluíam Raziel. Não, eu não iria sequer considerar qualquer alternativa. Eu fechei meus olhos por um momento, tentando alcançar dentro da sua mente. Eu me encontrei com o equivalente mental de uma porta batendo fechada, e eu gargalhei com um esmagador alívio, um alívio que eu não queria examinar tão de perto. Ele estava vivo, e ainda de mal humor. Havia sangue nas escadas. Alguém tinha feito um esforço para limpar, mas os esfregaços ainda estavam visíveis, e eu estava feliz que eu decidi calçar as sandálias brancas ao invés de vir descalça. O pensamento de caminhar no sangue seco procedeu um toque de horror. Eu tinha assim forçado os meus pés para dentro daqueles malditos saltos agulhas que tinham me trazido a um fim imediato na minha promissora vida. Eu não sabia se a minha exaustão era física ou emocional. Eu tive que parar em cada patamar para recuperar o meu fôlego, e isso me deu tempo de sobra para observar as manchas da batalha que estragavam a maioria das superfícies. Sangue no tapete, estrias de garras nas paredes. As malditas tonturas demoraram-se. Ter dado meu sangue a Tamlel e ao outro Caído fez isso comigo? Raziel tinha me dito que o sangue errado era perigoso –o horror da noite passada estava fazendo a minha memória longe de perfeita, mas Tamlel não podia ter tomado tanto sangue assim, ele poderia? Não havia marcas no meu braço além do longo arranhão, e nenhuma razão do porque ter dado o meu sangue deveria tê-los ajudado ou me ferir. Ao menos, não de acordo com Raziel.


Mas eu estava me sentindo como se eu tivesse acabado de doar sangue e esquecido de pegar o biscoito. Eles davam transfusões de sangue aqui? Porque eu tinha uma desagradável suspeita que eu pudesse precisar de uma. A maciça entrada do hall pareceu muito diferente na escura luz do dia. Os corpos desapareceram. E também a maioria da mobília, o qual tinha sido esmagada durante a batalha. O cheiro de morte permanecendo, o desagradável fedor dos Nefilins, o cheiro da decadência. Eu estremeci, espiando na porta aberta, mas a praia ainda estava deserta. O sangue na areia tinha secado a uma ferrugem escura. Precisaria de uma forte chuva para lavar isso embora. Eu olhei para a pira funerária. Eu não tinha nenhum desejo de me aproximar –o cheiro contra o vento já era ruim o suficiente. Eu olhei mais perto para o fogo, para os membros queimando e para o espeto de gordura torrando, e eu estremeci, sentindo-me fracamente nauseada. Sarah era parte dessa montanha de chamas? Os outros eram? Certamente que não. Eu me virei e voltei para dentro da casa. Não havia ninguém nas dependências públicas, e eu tive a súbita e inquieta suspeita que os Caídos sobreviventes pudessem ter partido, abandonado esse lugar e as poucas mulheres que sobreviveram. E então eu pensei na sala do Conselho, onde os Caídos se reuniam. Onde Raziel tinha se alimentado do pulso de Sarah, mudando para sempre a maneira que eu olhei para as coisas. Eles estavam ali, eu sabia disso. As portas da grande sala de reunião estavam fechadas. Havia estrias de garras na densa porta, e uma maçaneta tinha sido esmagada. Eu corri dali uma vez em estado de choque e horror. Dessa vez eu estava ali para ficar. Eu empurrei abrindo a porta e pisei para o lado de dentro, e uma súbita corrida de emoções me atingiu. Eu não iria chorar, eu disse a mim mesma, sem importar o quanto. Os homens sentados na mesa olharam para mim como se eu fosse uma intrusa irritante, mas eu não tinha intenção de ir a nenhum lugar. Eu mantive a minha expressão calma e insípida. Me ajude, Sarah, eu disse silenciosamente. Não deixe esses valentões me anular. Azazel sentava na cabeceira da mesa, seu rosto desenhado com dor e fúria. Ele olhou para mim com tal ódio que eu fiquei momentaneamente chocada. Ele nunca gostou de mim, esse tanto tinha sido obvio, mas agora ele aparentava como se ele gostaria de me matar, e eu não podia descobrir por que. Eu nunca fiz nada para ele. “Sente-se.”


Era a voz de Raziel, e o alívio que tomou conta de mim quase me deixou tonta. Que ótimo: Eu cairia aos seus pés como uma fraca donzela. Estudando a minha expressão, eu me virei para olhar para ele. Como todos os outros, ele pareceu como o inferno, como se ele tivesse estado em uma batalha em que ele mal venceu. Mas ele estava vivo e em um pedaço, embora ele parecesse quase tão zangado quanto Azazel. Eles pensavam que eu deixei os Nefilins entrarem? O que eu fiz para que eles ficassem tão zangados comigo? Quer eu gostasse disso ou não Raziel era o meu mais próximo aliado. Eu avancei em direção a ele, mas ele me impediu com uma palavra. “Não,” ele disse. “Sente-se ao lado. Na cadeira de Sarah.” Eu congelei. “Eu não posso.” “Sarah está morta,” Azazel disse em uma voz selvagem. “Faça como o seu companheiro diz a você.” “Mas ele não é-” “Sente-se.” A voz de Raziel estava baixa e mortal. Eu fui e me sentei. Havia restado somente uma mão cheia. Mas Tamlel estava sentado ao lado de Azazel, tentando parecer encorajador, e o outro homem, o primeiro a quem eu dei sangue, estava sentado próximo. Tão perto da morte, e eles de alguma maneira conseguiram sobreviver, o que era impressionante. Não havia nenhuma outra mulher na sala. Eu sentia falta da presença reconfortante de Sarah, sentia tanta falta dela que eu queria chorar. Eu me sentei e não disse nada. Azazel continuou como se a minha chegada não significasse nada, o que eu presumi ser verdade. “Alguém abriu o portão,” ele disse. “Nós todos sabemos disso. E até nós descobrirmos quem fez, e porque, nós não estamos salvos.” “Não fui eu,” eu disse imediatamente. Azazel olhou para mim, e Raziel rosnou, “Ninguém acha que foi. Fique quieta por agora. A sua vez virá.” Quase reconfortante, eu pensei, sentando de volta na dura cadeira que tinha mantido Sarah por tantos anos. Ambos, Raziel e Azazel estavam furiosos comigo, e era apenas lógico que eles estivessem putos sobre o sangue. Eu tinha uma centena de desculpas. Meu braço tinha sido cortado por um dos Nefilins, e o homem estava caído –qual era o prejuízo em


tentar ajudar? E com certeza não tinha sido minha idéia em primeiro lugar. O homem ferido tinha simplesmente se agarrado ao meu braço ensangüentado como um gatinho faminto. Ele estava muito fora de si para perceber o que estava fazendo –não foi culpa de ninguém. Voltando para Tamlel, tinha sido um problema diferente, mas Tamlel estava parecendo tão calmo que eu tinha certeza que ele falaria a meu favor. Depois de tudo, ele era aquele que se agarrou e usou seus dentes como alguma gigante sanguessuga. Ele me devia suporte, considerando a maneira em que Raziel estava brilhando para mim. “Como você acha que vai descobrir quem os deixou entrarem?” Sammael disse em uma voz insípida, e eu olhei. Eu pensei que ele fosse um dos mortos, mas de alguma forma ele conseguiu sobreviver. “É perda de tempo. Eles provavelmente comeram quem quer que tenha aberto o portão, ou então ele ou ela foram mortos na batalha. Eu não sei se você alguma vez você será capaz de descobrir quem fez isso. Nós deveríamos estar colocando a nossa energia em reconstruir, não em questões inúteis para uma verdade irrelevante.” “Eu sei que você está sofrendo a perda da sua mulher, Sammael,” Azazel disse em um frio tom. “E o processo de reconstrução irá começar assim que o barco estiver terminado. Enquanto isso, a verdade nunca é irrelevante. Nós vamos encontrar quem fez isso. Quem foi o responsável pelas mortes de sete dos nossos irmãos, e dezenove de nossas mulheres. Os Nefilins seguiram as ordens muito bem –eles sabiam que destruindo as nossas mulheres iria nos destruir.” “Nós não estamos destruídos,” Tamlel disse calmamente. “Nós estamos de luto. Mas nós não estamos destruídos.” “Quem quer que os tenha deixado entrar ainda está vivo,” Azazel disse. “Eu sei isso no fundo do meu coração. Nós vamos encontrar o traidor.” “E então o que?” Raziel disse, recusando-se a olhar para mim. “Sem importar quanto você queira rasgá-lo membro a membro, nós não matamos. Não a nossa espécie.” Azazel firmou a sua mandíbula, sem negar a acusação de Raziel. “Ele vai ser banido. Forçado a vagar pela terra. Um que cometeu tal crime nunca encontrará uma companheira de laço, e ele não será permitido em nenhum lugar perto da Fonte. Então ele vai eventualmente enfraquecer e morrer. Não haverá vingança, sem satisfação. Simples justiça.” A Fonte? Sarah estava morta. Alguém deveria estar na fila para tomar o seu lugar, um tipo de Fonte-à-espera. Essa mulher deveria ter seguido os meus passos na noite passada e salvo os outros que eu tentei ajudar.


Mas tão quanto eu amaria ter acreditado nesse conto de fadas sem sentido, eu tinha a horrível sensação que esse absolutamente não era o caso. Eu tinha uma realmente terrível suspeita sobre o que estava para vir, e eu não queria ouvir. Azazel virou o seu preto, furioso olhar para mim, e eu tive a distinta impressão que ele teria estendido as suas grandes mãos e me estrangulado imediatamente se ele não tivesse uma platéia. Ele não gostava de mim, não desde o momento que eu cheguei nesse lugar, e aquele desgostar tinha crescido em proporções monumentais. “Porque você tentou alimentar Tamlel?” ele exigiu. “Você tem o pequeno conhecimento pelos seus caminhos, das leis que nos governam. Na sua tentativa estabanada de ajudar, você poderia tê-lo matado.” “Ele parece muito bem pra mim,” eu disse. Não graças a você, ele provavelmente queria dizer. “Responda a minha pergunta.” Sua voz era gelo. Eu olhei em direção a Raziel, mas não havia ajuda daquela região. Ele pareceu quase tão zangado quanto Azazel. “Eu certamente não planejei fazer qualquer coisa,” eu disse me desculpando. “Eu vim para o andar de baixo para ver se eu poderia ajudar-” “Mesmo enquanto eu ordenei você a permanecer onde você estava.” A voz de Raziel era baixa e letal. Maldição, era algum tipo de crime desobedecer um suposto senhor e mestre? Se fosse, eu estava afundada na merda, e iria continuar enquanto eu tivesse que me comportar sobre as maneiras autoritárias de Raziel. Se ele podia me ignorar, então eu tão facilmente o ignorei. “Eu vim para baixo,” eu disse, minha voz anulando a de Raziel, “para ver se houvesse algo que eu pudesse fazer. Eu vi Sarah” Minha voz ficou presa por um momento, e eu deliberadamente mantive o meu olhar longe de Azazel. “Eu vi Sarah ferida, e Raziel me levou para fora. Quando eu fui obter ajuda porque eu vi Tamlel deitado ali, um dos feridos agarrou a minha saia, implorando-me por ajuda. Não havia nada que eu pudesse fazer, mas eu me ajoelhei e o abracei, esperando que fosse confortá-lo até o socorro médico chegar ou ao menos estar ali com ele enquanto ele morria.” Eu olhei para o jovem homem, e ele assentiu.


“Esse era eu,” ele disse. “Eu estava tentando chegar até Sarah quando um dos Nefilins apareceu atrás de mim. Eu consegui matá-lo, mas ele me cortou muito fundo, e eu não consegui.” “Gadrael,” Azazel o reconheceu. “E você está bem?” “Muito bem, meu senhor.” Azazel virou seus frios, vazios olhos azuis de volta para mim. “Continue. Você estava embalando Gadrael e você de repente decidiu que o seu sangue poderia ajudá-lo?” “Não. Eu estava tentado confortá-lo. Mas eu tinha um longo corte no meu braço. Enquanto eu o abraçava, meu braço roçou contra a sua boca e ele instintivamente começou a sugá-lo. Ele mal estava consciente e ele não tinha idéia quem eu era –ele apenas reconheceu o cheiro de sangue.” “Eu vejo. Mas ele não perfurou você, apenas bebeu da sua ferida. O que aconteceu a seguir?” Essa era a parte complicada. Eu era completamente inocente na primeira rodada. A segunda tinha sido pura arrogância da minha parte, e eu não podia culpá-los por estarem putos. “Bem, Gadrael estava parecendo melhor. E eu sabia que Tamlel estava morrendo, e eu não achei que o socorro fosse chegar a ele a tempo, e eu achei que talvez uma vez que o sangue errado pareceu ajudar Gadrael, então talvez ele pudesse ajudar Tamlel, ao menos tempo o bastante para o socorro aparecer. Então eu voltei para ele e...o ofereci meu braço.” “Nunca ocorreu a você que o seu sangue poderia ter ajudado Gadrael porque você poderia ser a sua companheira de laço?” Azazel disse. O baixo rosnado foi surpreendente, e eu olhei para trás do outro lado da mesa para Raziel. Ele pareceu categoricamente...selvagem. Eu tinha ouvido esse rosnado antes. Noite passada, apenas antes dele me arrastar e me lançar para longe de Tamlel. “Não,” eu disse, desviando o olhar. “Com Tamlel,” Azazel continuou sua inquisição. “Ele também lambeu o seu sangue, respondendo a oferta do seu sangue da sua ferida?” “Não. Ele estava inconsciente. Muito mais perto da morte do que Gadrael.” Outro rosnado de Raziel. “Explique.”


Merda, eu pensei. Mas realmente, o que era tão terrível sobre o que eu havia feito? Era uma situação crítica e eu tinha reagido instintivamente, e eles deveriam estar gastando seus tempos descobrindo quem deixou os Nefilins entrarem ao invés de ficarem me perturbando. Eu suspirei, sabendo que Azazel não iria parar até ele ter as suas respostas. “Quando Tamlel não reagiu ao meu braço eu pressionei contra seus lábios, eu...eu abri a sua boca, então torci a minha ferida para fazê-la sangrar mais livremente, então aquelas gotas de sangue caíram dentro da sua boca. Foi o suficiente para trazê-lo de volta, ao menos parcialmente, e ele segurou o meu braço e, er...bebeu.” Eu fiz o meu melhor para parecer ingênua, mas eu duvidei que Azazel tivesse se enganado. Mais do que Raziel tinha. “E ele usou seus dentes, ele não usou? Perfurou a sua veia?” “Sim.” “E você o deixou continuar, quase ao ponto da morte, antes que Raziel encontrasse você e parasse ele?” Eu olhei para Raziel. Eu nunca o tinha visto parecendo tão zangado. “Eu imagino que sim,” eu disse relutantemente. “Eu não estava pensando claramente. Eu nunca pensei que Tamlel fosse realmente me morder –depois de tudo, Gadrael não tinha mordido. E então eu assumi que ele pararia quando ele tivesse o bastante.” Eu olhei para Tamlel, que estava parecendo estóico. Ele estava no mesmo tipo de problema que eu estava? “Então nós temos duas possibilidades aqui,” Azazel disse em sua fria, voz sem emoção depois de um longo momento. “O mais provável é que Gadrael estivesse menos gravemente ferido do que você imaginasse. Não interrompa,” ele adicionou quando ele me viu começar a protestar. “Com ele, a prova de sangue, mesmo o sangue errado, foi suficiente para trazê-lo de volta. Você está aqui apenas como uma parceira para Raziel, você não tem vínculo com ele, e enquanto isso é incomum, parece mais provável que você seja a companheira de Tamlel e nem você percebeu isso.” “Não,” disse Raziel em uma baixa, selvagem voz. Ignorando Raziel, eu olhei para Tamlel. Ele parecia doce, charmoso, mas eu não queria ser a sua companheira. Eu não queria beijá-lo, fudê-lo, brigar com ele...eu olhei de volta a Raziel, que parecia pronto para explodir. Raziel era um problema diferente. Eu não podia começar a pensar o que eu queria, precisava, dele, não agora, quando eu estava muito cansada para pensar claramente. Eu apenas sabia que eu precisava dele.


Caramba. E ele provavelmente leu aquele pensamento revelador, esmagando as poucas defesas que eu tinha mantido. “Então há a outra opção, o que parece improvável.” O silêncio na sala era tão denso que era praticamente chocante, e Azazel não pareceu no clima para colaborar. Eu estava começando a ficar aborrecida. Eu sabia o que estava para vir. “Você vai continuar, ou todos nós vamos ficar sentados aqui nesse silêncio desconfortável?” eu estalei. “Nós já discutimos a possibilidade,” Azazel disse se desculpando. “Nós estamos apenas considerando.” Porque no mundo a amável, doce Sarah tinha casado com tal estúpido pé no saco? Eu inclinei adiante. “Mas você se esqueceu de me incluir nessa discussão, o que parece me preocupar mais. Eu sei que com a sua besteira de estilo patriarcal você se esqueceu que mulheres têm cérebros e opiniões, mas uma vez que isso é sobre mim, então você pode apenas desembuchar.” “A única outra alternativa é que por alguma razão, por alguma piada cósmica ou uma bizarra torção do destino, você é a nova Fonte. O que não faz sentido. A Fonte deve ser uma companheira atada a um dos Caídos, e você não fez a cerimônia de vínculo. Não pense que você me engana com a sua farsa –eu sei perfeitamente bem que tudo isso foi uma representação. Além disso, sempre houve um longo período de luto antes da nova Fonte se tornar aparente. Portanto é impossível para você ser a Fonte.” “Impossível,” eu concordei, meu estômago se agitando. Eu sabia que isso estava para vir. Eu apenas esperava que eu estivesse errada. “Mas se eu fosse? Isso não significa que eu tenha que ser a sua companheira de laço, tenha?” De fato, Azazel pareceu mais revoltado pelo pensamento do que eu estava. “Dificilmente. A Fonte pode pertencer a qualquer um.” “‘Pertencer’?” Minha voz estava perigosa. Mais uma vez eu estava sendo discutida como se eu fosse uma mercadoria, e eu estava para passar o ponto de que eu era uma Boa Garota. “Se você é a Fonte, então é sempre possível que a sua conexão com Raziel seja mais profunda do que qualquer um de vocês queira ou perceba.”


Todo o humor tinha deixado o rosto de Raziel. Isso não era nada comparado como eu me sentia. Ele poderia ser o mais exuberante homem que alguma vez colocou as suas mãos em mim, mas ele era arrogante, mal humorado, manipulador, e mentiroso, e pior de tudo, enquanto ele pudesse ter me querido, ele certamente não me amava. E caramba, eu queria amar. Amor verdadeiro, visceral, romântico, amor de oh-minha-querida. Alguma coisa que Raziel nunca iria dar novamente, e certamente não para mim. A única defesa que eu tinha era de afastá-lo primeiro. “Então como nós descobrimos?” Eu disse em uma voz prática. Eles pareceram assustados. Claramente eles foram tão apanhados no horror sobre a possibilidade que eu pudesse de alguma forma ter um papel no seu clube de homens que eles sequer haviam pensado sobre isso. “O que aconteceria se alguém bebesse de mim e eu não fosse a Fonte? Ele iria morrer?” “Possivelmente,” Azazel disse lentamente. “No mínimo ele ficaria doente, com febre, possivelmente vomitasse. Nós não podemos contar com Tamlel ou Gadrael porque seus corpos já estavam comprometidos pelas feridas que eles tinham recebido.” “Então nós precisamos de um voluntário,” eu disse brilhantemente. “É a única forma que nós podemos ter certeza.” Raziel se levantou, empurrando a sua cadeira para trás, mas Azazel fixou a ele um olhar. “Você sabe que não pode ser você. Se ela é a sua companheira de laço, você será capaz de beber dela e você sabe disso. Eu assumo que você não tenha feito isso ainda.” “Não é da sua maldita conta,” Raziel estalou. “É completamente da conta de todos nós,” o líder respondeu. “Sammael, você pode tentar.” Sammael estava sentado próximo a mim, e eu imediatamente segurei o meu braço para fora, mais curiosa sobre a reação de Raziel do que qualquer outra coisa. Eu podia sentir a tensão e raiva tomando conta dele, uma negligente, resposta animal. Ele não tinha retomado ao seu assento; ele estava apenas ali em pé, vibrando com algo que eu não estava certa se eu queria interpretar. Sammael não pareceu nenhum pouco feliz com a idéia, mas ele segurou o meu braço como se ele fosse uma espiga de milho, e seus dentes incisivos se alongaram. Eu observei com fascinação, me perguntando o que desencadeava essa reação. Era o fluxo de sangue, como em uma ereção? Os vampiros velhos tinham problemas em levantar isso, ou o que quer que fosse?


Sammael colocou a sua boca contra o meu pulso, e eu senti as duplas alfinetadas, apenas uma rápida, afiada dor. E então nada mais enquanto ele se alimentava do meu pulso. “Basta!” Raziel estalou, e Sammael afastou a sua boca rapidamente. “Ela já teve muita perda de sangue da carência de Tamlel.” Azazel estava focado em Sammael. “Bem? Você está se sentindo doente?” Lentamente Sammael sacudiu a sua cabeça. “Ela é a Fonte,” ele disse calmamente. Silêncio mortal. Eu considerei choramingar, “Mas eu não quero ser a Fonte,” então pensei melhor sobre isso. Eu me mantive calada, deixando isso se assentar. Depois de um momento Azazel falou, e sua baixa, raivosa voz estava derrotada. “Muito bem. Como comedores de sangue nós sabemos que o sangue não mente. Você tem que descobrir quem é o seu companheiro verdadeiro-” “Ela é minha,” Raziel disse furiosamente, se lançando de volta para dentro da sua cadeira. “De ninguém mais.” “Bem, nós vamos dar tempo a você para descobrir se isso, de fato, é verdade. Enquanto isso, a mulher terá que ser instruída nas atribuições da Fonte, na dieta apropriada e treinamento, e ela-” “O inferno que não,” eu disse. Eu tive o bastante dessa besteira patriarcal. Mais uma vez o silêncio era ensurdecedor. “O que você disse?” Azazel exigiu perigosamente. “Eu disse, o inferno que não. Se você acha que eu serei escrava sexual de Raziel e o seu banco de sangue particular, você tem outra coisa para resolver. Isso é problema seu –resolva sozinho.” Minha saída magnífica foi levemente estragada quando a manga fluida da minha túnica ficou presa na maçaneta da porta, mas eu puxei-a livre tão dramaticamente quanto eu pude e caminhei para fora da sala. Uma vez fora de vista, eu queria balançar o meu pulso com a vitória. Babacas, todos eles. Eu não estava para permitir que qualquer um me intimidasse, particularmente não Azazel e Raziel. Eles poderiam encontrar alguém mais para ser a sua abençoada Fonte, preferencialmente alguém mais como Sarah, com o seu sorriso sereno e natureza calma.


Com o pensamento sobre ela eu quis chorar, mas eu reprimi as lágrimas para longe. Eu precisava de ar fresco e do cheiro do oceano para limpar a minha cabeça de toda essa testosterona. Se qualquer um deles cometesse o erro de tentar me seguir, eu iria simplesmente correr para a fogueira e agarrar um braço queimado ou qualquer coisa. Eu podia até mesmo construir um anel de fogo ao meu redor se eu sentisse a necessidade. Isso serviria direito e provavelmente os deixariam malucos com frustração. Eu percebi que eu podia fazer um sorriso azedo. Enquanto eu me movia na luz do sol eu senti alguém atrás de mim, alguém alto, e eu sabia quem era. Eu me virei, pronta para atacá-lo. Raziel pareceu tão furioso quanto eu me sentia, o que só fez as coisas se intensificarem. “Qual é o seu problema?” Eu exigi ardentemente. “Não é como se eles estivessem esperando que você fosse uma cruz entre a puta e o sangue-móvel. Se você acha que eu vou ficar sentada calmamente enquanto os homens sugam no meu pulso, você está mortalmente errado. Com o perdão da expressão.” “Eu não acho isso.” Sua baixa voz era surpreendente. “Você não acha?” “Ninguém vai tocar em você além de mim,” ele disse.


Cap Capítulo 21

E

LA ESTAVA PARECENDO TRAUMATIZADA, E EU NÃO PODIA CULPÁCULPÁla. Ela tinha testemunhado o tipo de carnificina impensável por qualquer um no seu mundo, ela assistiu as pessoas sobre as quais ela se importava morrerem, ela tinha perdido sangue por causa da carência de Tamlel, e para completar o desastre, o pior cenárioo possível tinha acontecido. Ela não estava apenas ligada a mim –ela estava ligada a todos nós. Não era como se eu não tivesse tido plenas advertências. Eu simplesmente tinha recusado reconhecê-las. las. Ela estava me lendo, mais e mais. Eu tinha uma vontade de d ferro, e ainda eu não tinha sido capaz de me manter longe dela. Eu sabia, profundo no meu coração, e eu não poderia negar isso tanto tempo. Ela era a minha companheira de laço. Eu a assistiria envelhecer e morrer, e apenas para torcer mais a faca, eu iria iria assistir os outros se alimentarem do seu estreito, pulso venoso azul, e não haveria nenhuma coisa que eu pudesse fazer sobre isso, mesmo enquanto meu atávico sangue rosnava em resposta. E eu a tinha machucado. Quando eu retornei da vedação da parede, eu a encontrei abaixo na beirada da água, sentada sob seus joelhos, a cabeça de Tamlel em seu colo enquanto ele bebia dela. Ela estava pálida e atordoada da perda de sangue, e a raiva tinha tomado conta de mim, uma raiva mortal que tinha apenas apaziguado. Eu a arranquei de Tamlel, muito cego com uma fúria ciumenta para perceber o que eu estava fazendo. Eu não estava certo o que eu teria feito a Tamlel se eu não tivesse ouvido o seu silencioso gemido. Eu me girei ao redor na areia manchada de sangue para vê-la vê deitada contra a pedra, e culpa e pânico mandou para longe a raiva. Os curandeiros estavam muito ocupados com os mortos para socorrê-la socorrê – tudo o que eu podia fazer era trazê-la trazê de volta para as minhas dependências e tomar conta dela o melhor que eu pudesse, pudesse, lavando o sangue e sujeira dela, deixando as minhas mãos acalmá-la acalmá e curá-la. la. Nós todos tínhamos o poder da cura, alguns mais do que outros, e era sempre mais forte com nossas companheiras. Eu deveria ter sabido, quando eu segurei as suas mãos e as curei, curei, que ela era minha.


Eu sabia. Eu apenas tinha me recusado a encarar isso. Eu ainda não queria. Uriel deveria saber que ela era a minha companheira. Os pecados dela eram muito leves para merecer tanto uma escolta ou uma sentença às chamas. Uriel tinha assumido que eu fosse seguir as ordens e arremessá-la sobre o precipício, negando aos Caídos a sua próxima Fonte. Para quando o seu traidor permitisse que os Nefilins entrassem, não houvesse ninguém para os sobreviventes. Eu não sabia quanto tempo ela estava me lendo. Nós éramos muito novos –seus sentidos sobre mim iriam se intensificar, e então os vínculos naturais iriam se desenvolver. O que quer que tenha sido que ela ouviu de mim, ela não gostou. Ela se afastou quando eu tentei tocá-la, sacudindo sua cabeça. “Você me odeia,” ela disse insipidamente. Eu controlei a minha labareda de irritação. Claro que ela pensava isso –minha raiva era tão poderosa que ela varria qualquer outro sentimento. “Não, eu não odeio,” eu disse, tentando soar razoável e falhando. “Eu não vou fazer isso.” Ela estava próxima as lágrimas, o que me surpreendeu. Ao longo dos últimos dias, sem importar com o que ela teve que lidar, eu nunca a tinha visto chorar, algo pelo qual eu estava profundamente grato. Eu odiava quando as mulheres choravam. “Sim,” eu disse. “Você vai.” E antes que ela pudesse me evitar, eu a recolhi debaixo dos seus braços por trás e disparei para cima, deliberadamente mantendo a sua mente consciente, não desligada como da última vez que eu voei com ela. Eu a ouvi arfar acima do som do vento enquanto ele corria passando por nós. Eu cruzei meus braços sobre seu peito, segurando-a contra mim, e eu pude sentir o seu coração acelerando. Ela estava quente contra mim, apesar do ar frio, e depois de um momento eu senti a sua rigidez relaxar de modo que ela fluía contra mim, docemente, como um junco na água, e sua saia cobriu minhas pernas enquanto nós subíamos mais alto. Eu tinha apenas a intenção de levá-la tão longe quanto o nosso apartamento no topo do andar, mas no momento em que eu senti a sua alegria eu mudei de idéia. Eu disparei acima da enorme velha casa, virando à direita para evitar a fumaça oleosa da pira funerária, seguindo mais profundamente para dentro da floresta virgem com suas árvores escuras, passando a água reluzente. Eu me ergui acima da névoa, onde o sol estava brilhando acima das nossas cabeças, advertindo-me, e eu deixei esse ardor fluir por ela, mandando tentáculos de calor ao longo dela antes que ela pudesse ser congelada pela atmosfera. Nós subimos, trajeto acima,


sobre o pico da montanha, e por instinto eu chamei pela fraca voz de Lúcifer. Os planos de Uriel tinham funcionado bem –a ferocidade do ataque dos Nefilins tinha nos mantidos muito ocupados para procurar por aquele homem que podia nos salvar. Eu chamei, mas não houve nenhum fraco sussurro. Pela primeira vez tudo o que eu pude ouvir foi o desejo de Allie, cantando para mim, seu corpo dançando com o meu enquanto sua mente ainda lutava com isso. Nós nos desequilibramos, passando por um bando assustado de gansos do Canadá, e eu senti a sua gargalhada contra mim, senti a pura alegria que a impregnava, apenas enquanto isso me impregnava quando eu fluía, e meus braços apertaram-se imperceptivelmente, abraçando-a até mesmo mais perto, de alguma forma querendo absorvê-la dentro dos meus ossos. Minhas asas espalharam-se a nossa volta enquanto eu seguia de volta em direção a casa. Allie estava relaxada agora, ardente e suave e complacente contra mim, e eu soube que o vôo inesperado tinha sido uma sábia idéia. Não que ela não estivesse pronta para lutar comigo tudo de novo, no momento em que nós pousássemos. Mas ao menos por agora ela tinha aceitado minha força, aceitado o meu toque. Ela aceitaria novamente. Eu aterrissei na borda levemente estreita o suficiente, planejando segurá-la até que minhas asas estivessem dobradas, mas permanecendo imóvel no terraço parecia tão bom, e ao invés disso eu coloquei meu rosto contra seu pescoço, inalando o doce cheiro dela, até ela entrar em pânico e pular para longe, virando-se para olhar acima para mim com uma expressão de choque. O qual não era surpreendente. Minhas asas era particularmente impressionantes –um azul cobalto furta-cor raiado com preto, elas eram emblemáticas em uma das regras dos Caídos. Quanto mais tempo nós vivíamos, mais ornamentadas eram nossas asas. Os mais novos caídos tinham asas puramente brancas, o Primeiro, tinha asas preto puro. Eu estava em algum lugar entre eles. Eu as deixei se dobrarem para trás aos seus lugares, esperando que isso fosse o suficiente para acalmá-la, mas ela ainda me encarava. Suas lágrimas inesperadas tinham secado, graças a Deus, e ela estava pronta para a batalha. Eu ainda podia sentir o traço duradouro do seu prazer ao nosso vôo, e eu sufoquei um sorriso. Ninguém alguma vez tinha gostado de voar nos meus braços antes, e isso era quase tão inebriante quanto uma experiência para mim. “Tudo bem,” ela disse. “O que nós vamos fazer sobre essa bagunça?” Ela decidiu ser razoável. Eu pude sentir isso, senti-la lutando pelo seu usual pragmatismo. Nenhum


problema foi alguma vez tão grande que não pudesse ser resolvido, ela estava pensando. Teria que existir uma solução sobre isso. “Não existe,” eu disse. “Nós estamos falando sobre forças além na sua compreensão. Coisas com as quais não podem ser justificadas.” Ela não tinha vociferado comigo por lê-la. “Em outros mundos, nós estaríamos presos.” “Sim.” “E você não gosta disso?” Eu podia sentir a muito familiar raiva ferver dentro de mim. Eu nunca tive que compartilhar a minha companheira, jamais, ao longo dos intermináveis anos da eternidade. Apenas Azazel tinha casado com a Fonte, e eu podia me lembrar muito bem das dificuldades durante o tempo de transição. Dificuldades que eu atribuí à dor e aos problemas normais em um novo relacionamento. Agora eu me perguntava. “Você não precisa responder,” ela disse melancolicamente. “Eu posso sentir isso.” Ela estava me interpretando mal novamente, confundindo a minha raiva em compartilhá-la com uma rebelião contra ela enquanto minha esposa. Eu olhei para ela, e uma vaga memória veio à tona. “Onde você cresceu?” eu exigi, mais na intenção nas respostas do que em tranqüilizar o seu orgulho ferido. Eu poderia cuidar disso muito efetivamente quando eu a tivesse em cima da cama. “Eu não vou pra cama com você.” Eu gargalhei, o que a assustou. Ela esperava que a sua habilidade em me ler fosse irritante, mas por agora era apenas o oposto. Era a prova de que quer eu gostasse ou não, ela era minha, apenas como eu era dela. “Você cresceu em Rhode Island, não cresceu?” Eu disse, ignorando o seu protesto. “Você já sabe tudo sobre mim, incluindo o número dos homens com quem eu dormi e se eu gostei disso ou não,” ela disse amargamente. “Eu nunca prestei atenção na sua infância,” eu disse. Eu me lembrava dela. Ela tinha sete anos de idade, sentada sozinha do lado de fora de uma pequena casa perto da Providência. Seu longo cabelo castanho estava trançado, sua boca definida em uma fina linha, e eu podia ver as faixas das suas lágrimas enquanto elas desciam no seu sujo rosto. Ela estava usando


uma vara para cavar a terra, ignorando uma voz zangada que vinha da casa. Eu parei para olhar para ela, e ela me viu, e por um momento seus olhos se alargaram em maravilha e seu beiçinho desapareceu. Eu soube porque. Crianças nos viam diferentemente. Elas sabiam que nós não éramos uma ameaça para elas, e quando elas olhavam, elas sabiam quem nós éramos, instintivamente. Allie Watson tinha olhado para mim e sorrido, sua miséria momentaneamente desaparecido. Eu deveria ter sabido então. Eu a vi novamente quando ela tinha treze, e muito velha para ver quem eu realmente era. Eu não esperava vê-la, e quando eu vi eu me movi de volta para as sombras então ela não me notaria. Ela estava zangada, rebelde, saindo apressadamente de uma loja na frente de uma mulher que estava rezando alto e chamando Jesus para perdoá-la como uma inútil, ingrata filha. Eu queria agarrar a mulher, batê-la contra a parede, e informá-la que Jesus era muito mais provável que perdoasse a filha do que tal bruxa de uma mãe; mas eu não me movi, observando enquanto elas entravam no carro, a mãe arrancando para dentro do trânsito, sua boca amarga ainda funcionando enquanto Allie olhava para fora da janela, tentando se excluir. Foi quando ela me viu novamente. Mesmo dentro das sombras, seus jovens olhos tinham me selecionado, e por um momento o seu rosto suavizou como se em reconhecimento, e ela ergueu a mão. E então o carro acelerou virando à esquina, e ela se foi. Eu deveria ter sabido então. Ao invés disso, como um covarde eu eliminei da minha mente. Eu fui mostrado a ela no início para que eu pudesse tomar conta dela, mantê-la salva, mas eu estava tão determinado em não cair naquela armadilha novamente, e eu virei às costas para ela. Eu deveria ter voltado para ela quando ela estivesse pronta. Meus instintos teriam me dito –poderia ter sido quando ela estivesse com dezoito ou quando ela estivesse com vinte. Ao invés disso eu perdi todos aqueles anos, quando ela poderia ter estado aqui, e segura. “Mas sobre o que diabos você está falando?” ela disse. “Ou pensando sobre –tanto faz. Porque eu iria querer estar aqui? Eu quero voltar a minha antiga vida. Eu quero escrever


livros, e sair para almoçar, e ter amantes, e vestir minhas próprias roupas. Eu –não –quero – estar –aqui,” ela enunciou. “Isso é claro o bastante pra você?” Eu me movi passando por ela, escalando de volta para dentro do apartamento, sabendo que ela me seguiria. Eu não me incomodei em verificar em ver se a porta estava trancada – ninguém, nem mesmo Azazel, iria subir as escadas e nos interromper. Ela veio atrás de mim, claro. Ela observou, em silêncio, enquanto eu encontrava uma garrafa de vinho e a abria, derramando para cada um de nós um copo. Eu a entreguei um, e ela o pegou, e por um momento eu me perguntei se ela iria arremessar no meu rosto em um tipo de gesto dramático que ela era apaixonada. “Não,” ela disse, me lendo, e foi se sentar em um dos sofás. “Mas eu não vou dizer que eu não fiquei tentada.” Tinha sido há tanto tempo uma vez que alguém foi capaz de me ler, que iria levar algum para me acostumar. Ela já estava muito perita com isso, considerando o breve congresso sexual o qual nós realmente saciamos. E eu não tinha me alimentado dela. Eu não iria me alimentar dela. Uma vez que eu fizesse, não haveria volta, e havia restado apenas uma resistência suficiente dentro de mim para resistir nessa esperança. Ao menos por um pouco mais de tempo. Além disso, ela estava fraca da falta de jeito de Tamlel, embora eu pudesse sentir a sua força retornando. Aquele era mais um sinal de que ela era a Fonte. Sua habilidade em se recuperar da perda de sangue. “Você não pode voltar a sua vida antiga, Allie,” eu disse casadamente. “Quantas vezes eu terei que explicar isso a você? Você morreu. Isso acontece com as pessoas todo o tempo. Você não tem um felizes-para-sempre com um príncipe, cavalgando no pôr do sol. Você não tem uma casa branca com uma cerca branca de madeira e dois-ponto-três crianças. Você não terá nenhuma criança, jamais. Você morreu muito jovem para todas essas coisas.” Eu ouvi o seu rápido consumo de ar, um som de dor que ela tentou esconder de mim. Eu teria pensado que ela não se importava sobre ser mãe. Eu estava errado. Sobre isso, sobre tantas outras coisas. “Então ao invés disso eu tenho que ser um plano de refeição para um monte de vampiros? Whoopee. Eu tenho transfusões semanais?” Eu senti o agora familiar cintilar de raiva com o pensamento, mas eu o soquei abaixo. “Você não vai precisar delas. A Fonte provém sangue para aqueles que estão sem


companheiras, mas a quantidade é mínima, a ocasião é cercada por um ritual, e você não vai ser convocada para servir mais do que uma vez ao mês.” No momento em que eu disse isso, eu sabia que era uma péssima escolha de palavras. “Servir?” ela disse. “Como uma garçonete com uma calorosa refeição?” Ela estava fazendo o melhor para me irritar, e ela estava obtendo sucesso. “Não. Como alguém com um chamado superior.” “Prover sangue para vampiros é um chamado superior?” “Dar a vida aos Caídos é um chamado superior. E o termo é comedores de sangue.” “Eu não ligo qual é o termo, vocês são vampiros.” Eu cerrei meus dentes. Ela realmente tinha uma extraordinária habilidade em ficar debaixo da minha pele, quando eu consegui ser impermeável a tudo e a todos por tanto tempo. Ela estava me trazendo de volta à vida, e reanimar a morte sempre era doloroso. “Ótimo,” eu disse. “Nós somos vampiros. Supere isso.” “O que vocês faziam no passado quando a Fonte morria? Algum de vocês tinha rapidamente que encontrar um solícito sacrifício?” Embaixo da sua hostilidade eu podia sentir uma verdadeira preocupação, e eu decidi respondê-la. “Azazel foi o único que se casou com uma Fonte. A Fonte nunca morre subitamente –é sempre de causas naturais e há abundância de alertas. Os curandeiros...”Eu não estava certo de como eu iria colocar isso em uma frase, mas Allie surrupiou a imagem para fora da minha mente. “Eles tiram sangue dela em intervalos regulares e o armazenam,” ela forneceu. “Que encanto. Então quanto tempo Azazel fica de luto? Quanto tempo até Sarah ser substituída por alguma coisa jovem na idade de casar?” “Ele sempre teve tempo o suficiente para lamentar-se. Com Sarah será um problema. Eu não sei quanto tempo vai levar para ele se recuperar da sua perda.” “Ele tem bastante prática,” ela disse, sua voz brutal. “Então porque eu? E não me venha com essa porcaria de companheiros vinculados –você e eu, nos dois sabemos que isso é impossível. Nós nem sequer gostamos um do outro.”


Eu resisti ao impulso de sorrir. Ela estava colocando tanto esforço em me manter à distância. Ela não me queria em nenhum lugar perto dela. Ela não me queria a empurrando para baixo junto dos lençóis branquíssimos, movendo-me subindo o seu doce, exuberante corpo, provando-a, minhas mãos nas suas coxas, minha boca – “Não faça isso!” ela disse, tremendo. Ela estava procurando por alguma maneira de me impedir, algum tipo de insulto. “Depois de duas noites atrás, eu pensei que você não gostasse de preliminares.” “Eu fui muito rápido pra você?” eu disse, imperturbável. “Pareceu para mim que você estava bem ali junto comigo. Você está me dizendo que você não gostou?” “Claro que não!” ela estalou. “Eu só estou dizendo que mulheres gostam de serem cortejadas, lentamente e respeitosamente.” Eu gargalhei. “Então aqueles orgasmos eram de mentira? Você é capaz de controlar o seu corpo tão bem? Eu devo admitir que eu estou impressionado. E claramente a minha informação estava incorreta –dizia que você só gozava por si mesma. O qual, a propósito, é considerado um pecado por alguns estudiosos, mas que nós abraçamos com entusiasmo.” Ela estava corando, e eu não pude resistir a ela. “Venha pra cama comigo,” eu disse, me levantando e segurando para fora a minha mão. Ela apenas olhou para mim, amotinada. “Pra que você possa se alimentar do meu pulso? Você pode muito bem fazer isso aqui.” “Não.” De novo eu senti aquele pequeno rosnado que pareceu vir de nenhum lugar. O rosnado que eu sabia que ela sentiu, e o qual a assustou. Eu lutei para controlá-lo. “Eu não vou tomar o seu sangue. Se eu fizer isso, seria de uma artéria, não uma veia.” “Ew,” ela disse, enrugando o seu nariz. “E se você fracassou nas suas aulas de anatomia?” “Eu posso ouvir a diferença,” eu disse. “Mas isso não vai acontecer.” “Porque você não vai tomar o meu sangue? Se eu sou a sua suposta companheira, o que impede você? Todos mais terão uma parte de mim.” “Não é uma boa idéia.” Ela olhou para mim, longo e forte, e as conclusões para as quais ela estava pulando eram uma miscelânea em seu cérebro. “Ótimo,” ela disse, se levantando. “Você pode dormir no sofá.” E ela avançou para o quarto.


Cap Capítulo 22

E

U NÃO IRIA BATER A PORTA, EU ESTAVA INDO FECHÁFECHÁ-LA calmamente e com força, indicando um digno descontentamento, mas ele já estava ali, sua mão puxando-a puxando a aberta. “Eu não vou dormir no sofá.”

“Tudo bem,” eu disse. “Eu vou.” Eu avancei passando por ele, mas ele me pegou, me rodopiando e me puxando contra ele, seus braços fortes me aprisionando. Eu não gostava de ser controlada. Ao menos, não realmente. Houve um minúsculo estremecer de uma reação erótica enquanto o meu corpo era preso contra ele, e por um breve momento eu aceitei aquele prazer, mesmo embora eu soubesse que não deveria. Eu olhei acima para ele, tão perto, tão odiosamente, deliciosamente perto. “Você não está indo a nenhum lugar,” ele disse, e inclinou a sua cabeça e me beijou. Então, tudo bem, eu gostava de beijá-lo. beijá lo. Eu sabia que eu deveria ter permanecido p imóvel, e eu tentei, eu realmente tentei. Mas ele cobriu o meu queixo, seus longos dedos gentilmente acariciando o meu rosto, e sua boca estava suave, úmida, e realmente, como eu podia resistir? Porque a verdade brutal era, eu sentia mais por ele ele do que eu senti por qualquer um em toda a minha vida. Ele era meu, mesmo se eu estivesse com medo que ele ainda quisesse se balançar para fora disso. Ele era meu. Eu me suavizei contra ele, e ele soltou meus pulsos, sabendo que eu não iria golpeá-lo. golpeá Eu deslizei meus braços em volta da sua cintura, puxando mais perto, e me levantei na ponta dos pés para que eu pudesse alcançá-lo alcançá lo melhor, com isso eu podia pressionar meus seios contra o seu duro peito, então eu podia me afundar dentro do seu calor. Ele me levantou evantou sem esforços. Sim, eu sabia que ele era supernaturalmente forte, mas eu ainda amava isso, amava me sentir delicada e leve quando eu sempre me senti sem graça. Ele achava que eu era luxuriante. Eu sabia disso, mesmo enquanto minhas dúvidas tentavam discordar. Ele achava que o meu suave, redondo corpo era irresistivelmente erótico. E eu


senti meu sangue se aquecer, fluindo através de mim como um rio de prazer; eu queria o seu toque, queria a sua boca em mim, queria tudo. Ele me carregou para cima da cama. A luz estava apagada através do dique de janelas, e o terrível fedor se foi. Ao invés disso cheirava como canela e especiarias, como a carne quente de Raziel e algo debaixo disso, algo quente e rico. Ele me colocou abaixo na cama, e dessa vez eu não tentei saltar para cima novamente, eu não tentei argumentar ou lutar, com suas mãos em mim, desatando a túnica branca e a puxando sobre a minha cabeça. Ele beijou a minha boca, ele beijou a proeminência dos meus seios acima da lycra do sutiã, ele deixou sua língua dançar de um lado ao outro da minha renda –cobrindo o mamilo acessível rapidamente com a sua boca. Eu soltei um calmo gemido de prazer. Eu nunca soube que meus seios eram tão sensíveis. Quando outros homens os tinham tocado pareceu simplesmente parte do processo, mas quando Raziel colocava a sua boca em mim – Ele ergueu a sua cabeça, e seus olhos estavam escuros e brilhando. “Pare de pensar sobre outros homens,” ele disse, sua voz perto de um rosnado. Eu me perguntei se eu deveria ter medo dele. “Não,” ele disse. “Eu não vou machucar você. Eu nunca machucaria você.” Eu captei um traço de culpa e arrependimento. Ele tinha me arremessado para longe de Tamlel, e eu fui derrubada inconsciente. Eu não disse nada. Sua profunda culpa sobre o que tinha sido um acidente era o bastante para me assegurar que eu estava segura. Qualquer que fosse a raiva que vivia dentro dele, e eu pude sentir isso fervendo, nunca seria virado contra mim. Ele empurrou as minhas costas na cama e eu fui, deixando os meus olhos deslizarem quase fechados enquanto ele puxava as frouxas calças para fora. Ele levou a calcinha também, um pouco mais cedo com o que eu estava confortável, e agitou para fora o sutiã com uma mão hábil. Bem, claro que ele era hábil –ele tinha milênios de anos – “Eles só tinham sutiãs pela última centena de anos,” ele murmurou contra minha pele, e sua voz estava densa com ânsia. “Pare de ler a minha mente,” Eu protestei, embora minha langorosa voz estivesse muito longe de áspera. “Isso é meio engraçado,” ele disse, e eu senti a sua boca no meu estômago, movendo-se para baixo. Eu sabia para onde ele estava indo, e eu sabia que eu não deveria ligar. Ele pensou que ele estaria fazendo algo legal para mim, quando na verdade isso sempre me deixava


imóvel. Eu meio que odiava tê-lo fazendo todo esse esforço quando eu particularmente não gostava, mas eu não queria desencorajá-lo – “Você vai gostar,” ele disse, suas longas mãos nas minhas coxas, abrindo-as, e ele colocou a sua boca em mim, sua língua, e enquanto eu estava dizendo a mim mesma para ceder a ele o primeiro estremecer de reações me atingiu de surpresa. Eu guinchei, e eu pude sentir a sua diversão, mas ele não parou o que ele estava fazendo, graças a Deus, e eu estendi a minha mão para baixo e enrosquei meus dedos através do seu cabelo, acarinhando-o enquanto ele deixava a sua língua pincelar sobre o meu clitóris. Eu soltei um baixo, barulho de choramingo, arqueando meus quadris, e suas mãos estavam ali também, longos dedos deslizando dentro de mim, uma promessa gentil procedendo às coisas que viriam, enquanto a sua língua trabalhava a sua perversa magia. E então ele usou seus dentes, gentilmente, e eu explodi. Oh, ele era um homem muito mau. Ele não iria me deixar saborear a primeira fúria do clímax; ao invés disso ele teve que esticá-lo, continuar me tocando, me lambendo, me mordendo, para que onda após onda tomasse conta de mim e meu corpo ficasse rígido, cada terminação nervosa se enriquecesse, e eu acho que eu devo ter gritado, implorado para ele me deixar em paz, implorado para ele não parar, implorado para ele... Eu desabei contra a cama, sem fôlego, tentando controlar os soluços que estavam na minha garganta. Ele enxugou a sua boca no lençol e se moveu ao meu lado, ainda completamente vestido, e eu quis colocar as minhas mãos nele, tirar a roupa, mas no momento eu não podia me mover. Ele gargalhou, um suave, sedutor som. “Está tudo bem. Eu sei como me despir.” Ele tirou a T-shirt preta, então alcançou seu jeans. Ele era tão fudidamente lindo. Mas então, anjos eram previstos para serem, não eram? Longos, graciosos membros, linda pálida pele esticada sobre rígidos músculos. Ele já estava ereto, e eu queria tocá-lo, queria a minha boca nele onde eu nunca tinha colocado a minha boca em ninguém. Mas os últimos traços de estremecimento estavam finalmente desaparecendo, porém eu ainda me sentia fraca, exausta, estranhamente a beira das lágrimas quando eu nunca chorei. “Leve o seu tempo,” ele disse, esticando-se em cima da cama, deixando sua mão traçar a rechonchudez dos meus seios. “Nós não estamos com pressa.” “Talvez você não esteja,” eu consegui murmurar. “Você é eterno. Eu não sou.”


Era a coisa errada a se dizer. A expressão brincalhona no seu rosto desapareceu, e a escuridão se aproximou. Ele começou a se afastar, mas eu sacudi para fora o último do meu mal-estar e agarrei o seu braço, atraindo-o de volta. “Olhe, sou só eu. Não há necessidade em ficar todo cabisbaixo sobre isso. Não é como se eu fosse o grande amor da sua vida.” Eu podia sentir a sua raiva, mas dessa vez isso não me assustou. Ele me pegou, me rolou por baixo dele. “Sua idiota,” ele disse. “Você não entende nada sobre isso?” “Que você troca de mulher cada século ou o que? Claro, eu entendo isso. E você disse que Azazel e Sarah eram uma anormalidade, então eu assumo que uma vez que eu atingir os meus quarenta ou cinqüenta você estará voltando as suas atenções a mais alguém, e – “Você não sabe nada,” ele disse brutalmente. “Nós estamos vinculados juntos, você e eu. Isso não é casual, não é até você envelhecer. Não é ‘só você’. É você. Porque você acha que eu luto com isso tão forte? De agora em diante, você é a coisa mais importante na minha vida, quer eu querendo isso dessa forma ou não.” Isso ainda soava para mim como se ele realmente não me quisesse, que alguma bobeira cósmica estava jogando um jogo comigo, prendendo ele comigo quando ele podia muito bem estar com qualquer outra pessoa. “Não,” ele disse, me lendo novamente. “Você está perdendo o ponto. Eu não quero me importar sobre qualquer um dessa maneira, nunca mais novamente. A perda é muito dura. Se eu penso sobre perder você, isso me enlouquece com tristeza e dor. Eu não posso perder você.” “Apenas porque alguém jogou uma praga em você-” Eu comecei, preparada para argumentar o meu ponto de vista. “Ninguém colocou uma ‘praga’ em mim, o que quer que diabos seja isso. Nós estamos destinados, e eu fui um tolo em tentar lutar com isso. Se eu não tivesse sido tão determinado em ficar sozinho, eu teria salvo todos nós de todo esse problema. Olhe dentro dos meus olhos, Allie. Olhe profundamente. Você me conhece.” Ele estava me deixando nervosa, e eu escorreguei para longe das memórias que eu estava com medo de encarar. “Você me conhece,” ele disse novamente, e eu olhei profundo dentro dos seus pretos, estriados olhos, e me lembrei.


Sentada sozinha no quintal, ouvindo a minha mãe gritar comigo da sala de estar, me abraçando, e ele estava ali, e eu não me senti sozinha. E mais tarde, quando minha mãe me arrastou de uma farmácia onde eu estava olhando maquiagem, eu o vi novamente. E me lembrei dele, mesmo quando ele não estava ali, e de alguma maneira eu consegui resistir a raiva e as palestras, sabendo que ele estava ali. E minha garganta queimou. “Eu deveria ter aparecido para você mais cedo, Allie,” ele disse gentilmente. “Se eu não tivesse lutando com isso tão forte, eu estaria ali. Como foi assim, eu nem sequer reconheci você.” Eu não iria chorar. “Mas você ainda quer escapar,” eu disse. “Você ainda quer quebrar essa...conexão.” Ele hesitou, e essa hesitação foi o suficiente para me dizer que eu estava certa. “Não é simples assim,” ele disse finalmente. “Você passou por muita coisa. Eu não acho que você esteja pronta.” “Não me diga para o que eu estou pronta,” eu disse. “Eu sei o que eu sinto. E tudo o que eu quero sentir é você.” E eu me movi para cima e coloquei minha mão no seu peito, empurrando-o de costas para a cama. Ele estava morno, quase quente, e sua pele estava lisa e rígida. Eu me inclinei e o beijei, apenas o mais breve roçar de meus lábios contra a sua boca, e quando ele estava dependente disso eu me afastei, deixando minha boca traçar descendo a lateral do seu pescoço, beijandoo onde ele tinha me provado, onde ele teria me mordido se ele realmente me quisesse para sempre. Mas ele não iria sentir isso. Eu mantive a minha mente preenchida com imagens dele e de mim, imagens e palavras e todas as reações de sentidos, paladar, tato, olfato tão bem quanto visão e audição. Eu podia ouvir seu coração batendo, o sangue derramando através do seu corpo, e havia algo inacreditavelmente erótico sobre isso. Eu movi minha boca para baixo, para baixo, não muito certa como proceder sobre isso. Eu tinha visto filmes pornôs pela insistência de Jason, então eu sabia o mecanismo, cuidadosamente, usando minha língua, traçando as veias azuis, a espessa, dura extensão dele, fechando minha boca em volta da cabeça e sugando gentilmente, até eu ouvir o seu gemido de tal cega entrega que ondas de prazer sexual dançavam através de mim, e eu queria mais dele, queria puxar e sugá-lo, queria ele todo em minha boca, e seu gemido enviou tremores de prazer por de mim.


Ele me afastou, sem fôlego, me rebocando para cima para olhar para ele. “Não desse jeito,” ele disse. “Não dessa vez.” E ele me puxou debaixo dele, sua boca fechando sobre a minha. Eu estava tremendo de novo na hora em que ele moveu a sua boca. Eu podia vir apenas com ele me beijando? Eu podia vir simplesmente por colocar minha boca na dele? Os clímaxs estavam ali, apenas fora do alcance, quase prontos, e minhas mãos estavam tremendo. Isso era muito. Pânico estava subitamente me derrotando, e eu tentei me arrastar para longe dele. “Eu não posso,” eu disse com o súbito medo. “Eu realmente não posso.” E eu tentei sair da cama. Ele me pegou na beirada, puxando-me de volta embaixo dele de uma maneira que eu estava de rosto na cama, minha boca contra os lençóis de linho que tinham cheiro de lavanda e especiarias e algo até mesmo mais elementar. “Sim você pode,” ele disse com uma simples verdade, e ele deslizou seu braço debaixo do meu estômago, arrastando-me para cima em minhas mãos e joelhos. Eu sabia o que ele estava fazendo, e eu tinha passado do ponto de ter expectativas. Eu queria qualquer que fosse o que ele queria, e se ele iria me tomar dessa maneira eu iria me render a isso. Eu podia senti-lo contra meu sexo, quente e sólido e ainda molhado da minha boca, e mesmo por esse ângulo ele deslizou para dentro tranquilamente, me preenchendo, e eu deixei sair um choro estrangulado com a grossa invasão que distorceu o meu coração. O ângulo diferente me fez sentir nova, estranha, incrivelmente poderosa, e quase mais do que eu podia suportar. Ele pegou uma das minhas mãos e a puxou para trás de mim, colocando-a no seu pênis, e eu percebi para o meu receio que mesmo enquanto eu me sentia completamente preenchida, havia uma considerável quantidade ainda esperando. Eu deixei meus dedos envolverem-no, e eu queria mais. Eu queria tudo isso. Ele todo. Tudo. “Allie,” ele respirou, um som de pesar e ânsia. “Eu não acho que eu posso parar se você precisar que eu pare.” “Eu não quero que você pare,” eu disse, tentando me empurrar para trás a ele, tentando obter mais dele. “Eu não vou quebrar, você sabe. Eu só preciso de você.” Ele rosnou, e empurrou para dentro, mais profundo, mais profundo, e ele sentia-se enorme, quase mais do que eu podia suportar. Quase.


“Mais,” eu sussurrei, e ele impulsionou. Eu deixei sair um pequeno choro, a mistura de dor e surpresa, enquanto ele de alguma forma conseguiu envolver ele mesmo em todo o caminho dentro de mim, e eu podia senti-lo contra meu útero, e eu queria a sua criança ali, queria isso tão desesperadamente. Mas eu nunca poderia ter isso. Sem filhos, sem família, sem casa de campo com uma cerca de madeira branca. Mas eu podia tê-lo, todo pra mim, e eu deixei sair um suave grunhido de satisfação enquanto eu o tomava. Ele era meu, eu me relembrei. Mesmo se ele estivesse procurando por uma cláusula de escape, eu o teria tomado, tudo, dentro de mim. Ele era meu. Ele socou dentro de mim, um pesado escuro ritmo que era como tambores no coração da áfrica. Os tambores dos deuses. E eu não podia parar os tremores acelerando através de mim, os mini-clímax que estavam se construindo, e sua mão foi parar entre as minhas pernas, seus dedos me tocando, e eu gritei, colocando minha cabeça abaixo, meu rosto dentro dos lençóis enquanto eu cedia à selvageria e ao poder, o animal precisava tomar conta de mim. Eu me dei a ele com completa confiança, sem mais pensar, sem mais duvidar. Ele iria me manter segura, ele iria parar quando eu tivesse mais do que eu pudesse agüentar, ele saberia. De novo. E de novo. E de novo, ele estocou dentro de mim, e cada forte empurrão me fez estraçalhar, uma vez atrás da outra, até que eu não podia pensar, não podia ouvir, não podia ver, eu não era nada além de uma efervescente massa de sensações. Ele se puxou para fora e eu ergui minha cabeça e chorei alto da perda dele, mas ele simplesmente me virou embaixo dele, empurrando dentro de mim novamente, profundo, tão profundo. “Eu quero olhar pra você quando eu vier,” ele disse, sua voz um baixo rosnar, mantendo-se muito imóvel dentro de mim. Minha voz tinha desaparecido. Eu não podia pensar, não podia duvidar; tudo o que eu podia fazer era sentir. Eu era dele completamente, mas ele estava se segurando. “Me tome,” eu sussurrei. “Me tome.” E eu estendi a minha mão para cima, eu peguei a sua cabeça e a puxei em direção ao meu pescoço, e então a sua boca estava ali, quente e molhada, e eu senti o arranhar dos seus dentes, e eu queria mais. “Me tome,” eu sussurrei novamente. “Tome tudo.” Ele ficou tenso, congelou nos meus braços, e por um momento eu estava apavorada que ele se afastaria de mim. Ele ergueu sua cabeça e olhou para mim, e havia tanta dor nos seus olhos, uma dor que eu não entendia. “Allie,” ele disse suavemente.


Mas eu estava inflexível. Meu corpo estava doendo com necessidade, uma necessidade que eu nem sequer reconhecia e nem entendia; mas eu de alguma maneira sabia que eu tinha que ter a sua boca em mim, bebendo de mim, para eu finalmente estar completa. “Por favor,” eu implorei a ele, quando eu jurei que eu nunca iria implorar. “Se alimente.” Ele beijou meus lábios, tão gentilmente que eu quis chorar. Ele se inclinou para baixo e beijou a lateral do meu pescoço, com a mesma leveza doçura. E então eu senti a afiada, doce, perfurante dor enquanto seus dentes afundavam dentro da minha pele, senti o repuxar dele sugando no meu pescoço, bebendo de mim, bebendo a vida de mim, e eu senti lágrimas correrem no meu rosto, enquanto eu estava finalmente me tornando completa. Sentindo-o enquanto ele me sentia. O seu pênis dentro de mim pareceu inchar, e eu embalei a sua cabeça contra mim, correndo meus dedos através do seu fino, enrolado cabelo, sussurrando para ele palavras suaves, palavras de amor. E então ele se afastou, erguendo-se, e eu pude ver meu sangue em sua boca, ver o brilho dentro dos seus olhos. Ele olhou abaixo para mim, sem se mover, e eu senti o seu clímax profundo dentro de mim, me dando de volta o que ele tinha tomado de mim, e eu me uni a ele, me arremessando para dentro da escuridão com apenas ele para me guiar. *** Eu devo ter dormido minutos, horas, dias. Isso não importava. Eu estava envolvida nos braços de Raziel, e nenhum de nós estava se movendo. Eu senti as suas mãos roçando na minha bochecha, tão gentilmente. “Você estava chorando,” ele sussurrou. “Eu machuquei você. Eu sabia que eu não deveria ter.” “Você não me machucou,” eu disse, esfregando o meu rosto contra a sua mão como um gatinho faminto. “Eu estou feliz.” Ele se moveu em uma fração para que ele pudesse olhar para mim, e sua expressão era confusa. “Você sempre chora quando você está feliz?” “Eu não sei se eu alguma vez fui feliz antes,” eu disse simplesmente. Ele estava para argumentar, então ele parou enquanto ele se lembrava da minha vida, a vida que ele conhecia quase tão bem quanto eu. “Talvez você não tenha sido,” ele disse finalmente, e me beijou.


Eu me perguntei se a sua boca teria gosto de sangue, mas não tinha. Tinha apenas o gosto de Raziel, e eu o beijei de volta, então o deixei me guardar contra o seu morno, corpo nu. Eu realmente não queria me mover. Eu corri minha mão subindo o seu braço, meus dedos deliciando-se com a sensação dele. “Qual é o gosto do meu sangue?” Sua mão estava na parte de trás do meu pescoço, seus longos dedos amassando a tensão persistente ali, mas com as minhas palavras eles pararam por um momento. “Pra mim? Como vinho de mel, doce e rico e intoxicante. Não como o gosto que sangue tem pra você.” “Então você pode morder as pessoas e transformá-las em vam –em comedores de sangue?” Eu perguntei. “Não. Porque eu iria querer isso? É uma maldição lançada sobre nós por desobedecermos Deus. Porque no mundo eu iria querer espalhar essa maldição, mesmo se eu pudesse?” “Porque ela daria vida eterna, não daria?” Ele sabia onde ela estava querendo chegar, e ele suspirou, a puxando até mesmo mais perto. “Não, Allie. Isso não pode ser feito. Humanos não são feitos para o sacramento, e a única vez que um dos Caídos cedeu à tentação, sua companheira morreu. É proibido.” “Eu estava apenas curiosa,” eu disse. “Claro que você estava.” Sua voz estava seca. “Você vai ser sempre capaz de ler meus pensamentos?” eu perguntei com um traço de aspereza. “Eu posso não tentar. Quando você está sentindo emoções fortes, isso vem a mim, e será de ambos os caminhos. Na vida cotidiana, eu posso bloquear você.” “E na cama? Eu estou assumindo que nós vamos fazer isso de novo?” Eu segurei o meu fôlego, esperando pela resposta. Ele ainda estava lutando com isso? Eu ainda deveria lutar com isso? Foi um longo momento antes que ele falasse, um interminável. “Tão freqüentemente quanto possível,” ele disse.


Eu sabia os seus pensamentos, sabia o que ele queria. Agora. De novo. “Sim,” eu disse. “Sim.”


Cap Capítulo 23

E

U DEVERIA TER ME SENTIDO CULPADO. EU TENTEI RESISTIR, MAS no final ela era apenas muito para mim. Eu me alimentei dela, bebi profundamente, e ao fazê-lo fazê eu a amarrei a mim para sempre.

Era algo que eu jurei que eu nunca faria novamente. Eu fiz minha escolha, eras atrás, e eu paguei o preço. Não havia escapatória para mim ou para os outros, mas para Allie era diferente. Tão quanto eu me mantivesse longe da sua veia ainda havia uma chance dela poder eventualmente partir. Agora não mais. E ter tomado o seu sangue, eu iria encontrá-la encontrá la servindo como a Fonte até mesmo mais dificuldade. Perigo. Não para mim, mas para qualquer um que ousasse se aproximar dela. Eles deveriam se conter comigo pelo primeiro ano ou então, até que eu aprendesse a controlar a minha fúria possessiva. Eu deveria saber que eu não conseguiria me parar. Não quando ela estava implorando. E eu deveria saber que ela iria implorar. Uma companheira atada precisa dessa irrevogável união. Sem isso ela nunca se sente completa, e eu aceitei que ela fosse, de fato, minha esposa. Uma vez que eu a levei para cama isso foi uma conclusão precipitada, e foi notável que eu lutei com isso por tanto tempo. Eu não era normalmente tão cabeça dura. dura. Eu menti para ela, bloqueando a minha mente para que ela não soubesse. Houve raras ocasiões quando uma companheira se alimentou do seu parceiro, mas era muito perigoso. Quatro de cada cinco vezes as mulheres morreram. A quinta vez ela ganhou centenas de anos de vida, enquanto ela continuasse a se alimentar. Morag tinha finalmente morrido quando o seu companheiro tinha caído diante dos Nefilins; ela estava com bem mais de oitocentos anos de idade. Eu sabia o que Allie faria se ela ouvisse sobre isso, e eu não podia evitar deixar isso acontecer.


Eu não iria me preocupar sobre isso nesse momento. Eu fiz o meu melhor para protegêla –ao tomar o seu sangue eu fiz a sua fuga impossível, e eu estava arrependido por isso. Mas não arrependido por mais nada. Eu a deixei dormindo. Eu teria preferido ficar com ela, mas eu tinha que encontrar Azazel. Eu o conhecia muito bem, podia sentir a sua energia, e eu sabia que as coisas estavam muito ruins. Sarah tinha sido a sua alma. Ele estaria vazio sem ela. Eu o encontrei empoleirado no topo das cordilheiras de pedras, olhando abaixo sobre o complexo e o mar além dele. A pira funeral dos Nefilins tinha incendiado a uns pequenos carvões acesos, e eu estremeci quando o vi. Nosso medo pelo fogo é tão profundamente impregnado que ele me caçava. Como nós, os Nefilins eram aterrorizados por isso, mas nós éramos muito vulneráveis para usar como uma arma. Eu dobrei minhas asas e me sentei ao lado de Azazel. Ele estava olhando para o barco que tinha sido apressadamente construído, o barco empilhado com os corpos de nossas mulheres e nossos irmãos mortos. Sarah estaria nesse barco. Ele seria incendiado e então enviado ao mar, um enterro Viking para atender os bravos guerreiros, homens e mulheres semelhantes. Era o nosso ritual, um que nós não podíamos evitar, a única vez que nós abraçávamos o fogo. “Eu vou partir,” Azazel disse em uma calma voz. “Eu sei.” Nós tínhamos estados juntos desde o início, de antes de nós cairmos. Eu o conhecia tão bem quanto a mim mesmo. E pela primeira vez em milênios, ele não iria mais ficar aqui. Ele se virou para olhar para mim, e havia um fantasma de um sorriso em seus olhos escuros. “Como você e a mulher estão se ajustando? Você ainda está lutando com o seu destino?” “Meu destino? O que exatamente é o meu destino?” “Você é casado com a Fonte, ou será. Isso só faz sentido que você deveria ser o Alpha também.” “Não. Você é o Alpha. Você sempre foi.” “Eu sempre fui casado com a Fonte, e eu suspeito que você não está para entregá-la.” Eu não disse nada. Não havia nada para dizer.


“Além disso,” ele adicionou, “Eu não estarei aqui.” Eu sabia que não havia argumento com ele fora esse. “Eu vou servir você no seu lugar enquanto você está fora,” eu disse. “No momento em que você retornar, você terá o seu lugar de volta.” Ele sacudiu sua cabeça, seus olhos desoladores, olhando para dentro de um futuro vazio. “Eu talvez não consiga voltar. Os Nefilin estão ficando mais fortes, e não há nada que Uriel gostaria mais do que me derrubar.” “Então porque você vai?” “Eu tenho que ir.” Ele olhou de volta para o barco. “Eu não posso ficar aqui sem ela, não nesse momento. Isso vai curar, sempre cura, mesmo se eu não quiser que cure. Mas por agora eu não posso ficar em nossas dependências, sentar na nossa mesa, estar dentro do nosso quarto sem ela.” Eu assenti. A perda de uma companheira era a coisa mais devastadora que podia acontecer conosco, e a paixão de Azazel por Sarah tinha sido profunda e forte. Eu podia apenas esperar que ele sobrevivesse além de nossas seguras paredes. Paredes que não eram mais tão seguras. “Eu entendo,” eu disse. Ele olhou para mim. “Você será capaz de assistir quando os outros tomarem o sangue sacramental?” ele perguntou. “Você pareceu ter um momento muito difícil se controlando mais cedo hoje. Seria melhor se você esperasse até você se alimentar dela. Se você se alimentar, a sua fúria possessiva será difícil de controlar.” “Eu já me alimentei dela,” eu disse. Azazel olhou para mim. “Tão cedo? Você me surpreende. Eu achei que você a odiasse. Você certamente lutou muito forte para se livrar dela.” “Ela é minha,” eu disse. Ele assentiu. “Eu suspeitei isso também. Mas eu devo lhe advertir. Mesmo embora você se alimente dela, as primeiras duas ou três ocasiões quando os outros tomarem o seu sangue será difícil para você. Gradualmente você se acostumará com isso e verá a diferença entre o sacramento e quando você se alimenta. Mas será difícil. Não deixe o seu ciúme sair do


controle. A mulher é obcecada por você. Mesmo se ela fosse capaz de olhar para outro homem, ela não iria –eu sei disse desde o começo.” “Você sabia que ela era a Fonte?” Escuridão fechou o rosto de Azazel. “Não,” ele disse. “Se eu soubesse, eu a teria matado.” Ele se levantou, e eu me levantei com ele, observando enquanto as suas asas se espalhavam para fora em torno dele. “Eu não encontrei o traidor. Eu planejava esperar até nós descobrirmos quem deixou os Nefilins entrarem, mas eu descobri que eu...não posso.” Ele olhou em direção ao barco funeral, e seu rosto estava desolado. “Você não estará aqui para a cerimônia?” “Não.” Era uma simples palavra que transmitia tudo. “Adeus, meu irmão. Cuide da velha rabugenta que você trouxe para junto de nós.” E então ele se foi, voando para o alto dentro do céu da noite. Eu o assisti até que ele estivesse fora de vista, então me sentei novamente, sem me mover. Essa era uma mudança que eu sentia se aproximando, o final que ameaçava a todos nós. Azazel nos tinha liderado desde o início dos tempos –ele nunca nos deixou. Eu não tinha o dom de prognóstico –mas mesmo eu sabia que o final dos tempos estava em direção a nós. Não era de se impressionar que eu lutei com isso. Os Nefilins teriam invadido se Allie não estivesse aqui? Isso tinha sido parte do plano de Uriel? Ele sabia que eu iria hesitar, reconhecê-la de nossos encontros iniciais? Tudo era possível. Não havia nada mais que ele quisesse além de nos distrair do seu objetivo principal, e ele teve sucesso. Lúcifer ainda permanecia preso, muito mais longe do que nunca, e por um longo tempo nós iríamos estar ocupados de luto pelas nossas mortes ou reconstruindo nossas defesas. Os monstros teriam atravessado mais cedo ou mais tarde, e com a chegada de Allie, o fato que ela fosse inquestionavelmente minha, de alguma forma acelerou as coisas? Eu nunca saberia. Uriel estava vencendo. Eu sabia disso, e também Azazel. Era uma pequena maravilha que ele odiasse a Allie. A sua chegada tinha assinalado a morte de Sarah. Eu pensei de volta na Fonte, seu sorriso gentil, sua sabedoria. Allie estava muito longe da serenidade de Sarah. E não estava sequer certo se ela concordaria com o sacramento. Ela insistiu que ela não iria prover sangue para os Caídos. Uma vez que eles começassem a se


enfraquecer ela mudaria de idéia, claro. Allie não era o tipo de mulher que assistia e deixaria qualquer um sofrer. Exceto, talvez, eu, se eu a irritasse. Eu gostava de mulheres pacíficas. Gentis, mulheres obedientes cuja única razão na vida era me amar. Allie era muito do novo mundo. Ela já era um pé no saco, e eu sabia que ela continuaria a ser. Eu teria que me acostumar a isso. Eu deveria voltar, dizer aos Caídos que Azazel tinha nos deixado. A maioria deles já deveria saber –o laço silencioso entre todos nós era muito forte. Eu podia dizê-los, e então seguir de volta para o andar de cima e envolver o meu corpo ao redor de Allie e acordá-la lentamente. Eu tentei ser cuidadoso, com medo de machucá-la. Ela era pequena, abandonada por mim, e o pensamento de causá-la dor era o bastante para desacelerar a furiosa maré de fome por ela. Mas eu não fui capaz de parar, nenhum pouco mais do que fui capaz de impedir de me alimentar dela. E ainda ela foi capaz de tomar tudo com nada mais do que um ligeiro estremecer. Mais uma prova de que ela era feita para mim, quando eu me recusei a acreditar nisso por tanto tempo. Nenhuma mulher comum iria me tomar como ela tomou, não sem dor que iria impedir o prazer. Eu a senti se apertar em torno de mim em uma resposta desamparada, senti ela dar tudo para mim. Ela era minha, e eu era dela. Eu não estava mais sozinho. Eu me virei para ver Sammael aterrissando ao meu lado, leve como sempre, suas asas castanho-claro dobrando-se em volta dele. Seu rosto estava firme, sem emoção, e eu acenei para ele sem me levantar. Ele perdeu a sua companheira também. Sua dor tinha que ser muito profunda de fato. Tão profunda que ele não se permitia mostrá-la. “Azazel partiu?” ele disse. Eu tinha cuidado de Sammael depois dele cair. Ajudado-o com os enormes ajustes, ouvido-o, aconselhado-o quando ele pedia por conselhos, ficado com ele quando os terrores o atingiam. Se Azazel era um irmão mais velho, Sammel era um mais novo. Alguém que eu protegi, guardei contra o mau. Eu olhei para Sammael e eu vi o vazio dentro dos seus olhos. E eu soube da verdade. ***


Eu estendi a mão para Raziel, mas ele tinha ido. A cama já estava fria onde ele tinha estado, embora na maior parte ele tenha ficado em cima de e abaixo e atrás de e a minha volta. Eu deveria ter dormido por dias depois de todas as coisas que nós fizemos. Ao invés disso eu estava acordada e me perguntando onde ele estava. E quando ele voltaria, para o meu lado, para dentro de mim, novamente. Eu não queria me levantar – o ar da noite estava frio e as cobertas estavam deliciosamente mornas. Alguém tinha me dito que eu não precisaria usar tanto o banheiro? Eles mentiram. Eu me levantei, notando com luxuriante diversão que minhas pernas estavam trêmulas. Eu cambaleei para o banheiro, entendendo pela primeira vez o termo aliviando a si mesma. Lavei minhas mãos, e olhei o meu reflexo no espelho e gargalhei. Ele deixou as suas marcas em mim. A marca de mordida no meu pescoço, duas marcas pálidas de punções parecendo como algo saído de Buffy a Caçadora de Vampiros. As queimaduras pela barba em meus seios. As minúsculas mordidas e arranhões e até mesmo fracas contusões por toda a minha pálida pele. Timidamente eu deixei minhas mãos deslizaram para baixo no meu corpo, acariciando todas as marcas, e eu fechei meus olhos, soltando um suave suspiro de prazer. “Mais,” eu sussurrei. O que o homem tinha feito comigo –me transformado em uma ninfomaníaca? Eu tive mais sexo nos últimos dois dias do que eu tive em anos. Eu me dirigi para o chuveiro, pisando debaixo do morno jato que estava sempre exatamente na temperatura certa. Apenas outra das mordomias da vida após a morte, eu pensei. Eu sempre odiei mexer com chuveiros para me certificar que a temperatura da água estivesse certa, particularmente nos apartamentos construídos antes da guerra na Cidade de Nova Iorque com encanamentos antiquados. A adorável perfeição do chuveiro no quarto de Raziel era alegre de fato. Sem falar na menção de haver dezessete tipos de jatos, variando de chuveiro de chuva de floresta suspenso aos inúmeros jatos de massagem vindo do tubo de prata, cada um mirando em uma estratégica parte do corpo. Eu alcancei o sabonete líquido e quase desmaiei. Ele tinha o mesmo cheiro de especiarias agarrado à pele dourada de Raziel. Eu fechei meus olhos e me besuntei com ele, deixando a água o lavar de mim.


O banheiro estava preenchido com vapor, e eu me sentei na bancada de teca46 do chuveiro para aproveitar isso; um momento mais tarde eu ouvi a porta se abrir, e meu pulso saltou. Ele estava de volta, mais cedo do que eu esperava. Eu nunca compartilhei um chuveiro com um homem. Compartilhar um com Raziel seria...delicioso. “Eu estou aqui,” eu disse desnecessariamente. “Porque você não se une a mim?” Era espantosamente audaz para mim –enquanto a timidez nunca tivesse sido minha particular falta, a abertura sexual era igualmente uma estranheza. Mas eu tinha olhado dentro dos seus olhos e sabido o quanto ele me queria, e nenhuma dúvida tola iria ficar no meu caminho. Ele me queria, e por agora eu iria me deixar aceitar isso, me deleitar com isso. Ele era meu. Eu podia ver o seu contorno através da pesada névoa dentro do banheiro, movendo-se em direção a abertura sem porta do chuveiro, e eu me levantei em um gesto fluido, pronta para me mover para dentro dos seus braços, quando algo me impediu. Eu congelei, inclinando a minha cabeça para ouvi-lo, mas não havia nada além do silêncio do homem que permanecia ali. Não era Raziel. Esse homem era mais baixo, mais corpulento. Perigoso. Eu já o tinha chamado –não havia chance de fingir que eu não estava ali. Sem chance de deslizar para fora do chuveiro aberto e me esconder atrás da porta do banheiro. Eu estava presa. Eu deixei o chuveiro correr, com a improvável chance de que quem quer que estivesse ali tivesse uma aversão em ficar molhado, mesmo enquanto eu percebia o quanto tolo isso era – não era a Bruxa Malvada do Oeste47 que estava me ameaçando. Ele se moveu mais perto, e o jato acima da minha cabeça bateu nos seus loiros cachos, seu rosto bem moldado, e eu senti alívio tomar conta de mim. Era Sammael. Raziel deve ter pedido a ele para me levar até ele. A sua expressão era estranha, quase vaga, enquanto ele passava por mim e desligava a água. Ele não prestou nenhuma atenção ao fato de que eu estava nua, mas isso não me surpreendia. Eu dificilmente era o tipo de inflamar paixão na maioria dos homens, e Sammael tinha acabado de perder a sua amada esposa. Ele estava provavelmente mal consciente de mim. Ele pegou o meu braço, nenhum pouco gentilmente, e me puxou do chuveiro, lançando uma toalha para mim. “Seque-se,” ele ordenou em sua voz sem expressão. Algo estava errado. Com Sammael, com a situação, e medo cortou através de mim. Raziel tinha sido ferido?

46 47

(teca –tipo de madeira) (Bruxa Malvada do Oeste –do filme o Mágico de Oz, ela morre derretida pela água.)


Eu me virei para ele, pronta para exigir uma explicação, quando algo me impediu. Ele permaneceu tão imóvel, esperando por mim, seu rosto em branco, seus olhos mortos. De luto pela sua esposa, eu pensei. Mas eu ainda não conseguia me livrar de acreditar que algo estava terrivelmente errado. Eu não perdi nenhum tempo, embora tirar a toalha e me vestir enquanto Sammael observava não era uma das coisas mais confortáveis que eu fiz alguma vez. Eu me mantive de costas para ele, me virando uma vez que eu tinha vestido a camisa branca e as calças pretas largas que eu mais uma vez surrupiei de Raziel. Eu ainda não podia encarar as cores brilhantes, mas o preto completo parecia muito fúnebre. “Você vai me levar para Raziel?” eu perguntei. “Claro.” Ainda havia aquela estranha desconexão acontecendo, como se ele estivesse em choque. “Eu estou tão feliz que você sobreviveu, Sammael,” eu disse. “Eu sei que a perda de Carrie deve ser muito difícil pra você.” Ele não piscou. “Ele está esperando por você,” ele disse. Onde? Eu não disse a palavra em voz alta, embora eu não estivesse certa do porque. Me sentindo abalada, eu deixei a minha mente se estender, delicadamente, procurando por Raziel. Não houve resposta. Nem sequer uma abafada consciência. Eu fui capaz de alcançar quando ele estava deliberadamente fechado para mim. Ele estava dormindo? Ele tinha ido a algum lugar para descansar depois das enérgicas horas que nós gastamos? Mas ele não teria feito isso. Quando eu apaguei no sono na noite passada, eu estava dobrada nos seus braços; em sua saciedade ele não tinha se retido. Ele não queria nada mais do que dormir daquele jeito, seu corpo entrelaçado ao meu. E agora ele tinha desaparecido. Eu arrastei a minha cabeça ao redor para olhar a Sammael. “Onde ele está?” eu perguntei novamente. “Porque ele não está aqui?” “Ele quer que você se una a ele. Ele está nas cavernas.” Uma fria, assustadora enfermidade preencheu a minha barriga. Ele estava mentindo para mim. Raziel tinha me dito para nunca ir às montanhas novamente, e não havia nenhuma razão para isso mudar, mesmo na nossa recente aproximação.


Eu comecei a recuar lentamente. Eu não tinha idéia para onde eu poderia correr mais rápido do que um dos Caídos, mas certamente valia uma tentativa. “Deixe-me apenas tomar uma xícara de café,” eu disse brilhantemente, me virando em direção da cozinha. “Não.” Eu levantei uma sobrancelha, sentindo-me arrogante. “Não? Se eu quero uma xícara de café, eu terei,” eu estalei. “E se o que Raziel disse é verdade e eu realmente sou a Fonte, você estará contando comigo para próximo sangue um pouco mais, não obstante o tempo que demore você vai encontrar outra companheira. Então não me irrite.” “Eu não vou precisar do seu sangue,” ele disse. “A maldição será suspensa, e eu voltarei para onde eu pertenço.” Oh, bosta. “Só você? Ou todos de você?” Eu não precisava da sua expressão para verificar o que eu já sabia. “Você deixou os Nefilins entrarem,” eu disse em uma voz doente, relembrando-me dos sons e do fedor deles, os hediondos rasgar de corpos, os gritos dos mortos. Sua própria mulher despedaçada e devorada. Eu queria vomitar. “Não há nenhuma nova vida sem o fim de um dos antigos. Os Caídos deveriam ter sido aniquilados da terra eras atrás. Uma vez que os Caídos forem destruídos, a nova ordem pode aparecer, e eu vou ascender ao meu trono no paraíso.” “Ascender ao seu trono? Você acha que você é Deus? Jesus?” Ele me deu um olhar de fulminante desdém. “Você sabe que nada disso importa. Eu vou me unir a Uriel como guardião do paraíso e da terra, e a maldade será extinta. Os Caídos serão sepultados no meio da terra onde Lúcifer esteve, ali para sofrer o tormento eterno-” “Eu captei a imagem.” Havia um brilho messiânico nos seus olhos agora, e eu aprendi nos joelhos de minha mãe que não havia pior do que um fanático. “E o que acontece comigo?” “Você é a puta de um caído. Não há misericórdia ou perdão pra você.” Ele pegou meu pulso, suas mãos triturando meus ossos juntos, mas eu mordi o meu lábio e não disse nada. “Ele espera por você.” Ele me arrastou para fora em direção ao terraço estreito, eu desisti de toda a dignidade e gritei por ajuda, preparada para lutar como o inferno antes de eu deixá-lo me arremessar.


Ao invés disso ele colocou um braço musculoso em volta da minha cintura e disparou para cima, para dentro do céu iluminado pela lua. Eu parei de lutar. Ele podia facilmente ter me largado, e eu nunca gostei de alturas. Sim, eu sei que eu deveria estar acima de todas as minhas fobias, mas havia muitas coisas que deveriam ser verdades e que até agora não tinham me traído. Eu não tinha ficado com medo quando eu voei com Raziel. Mas Raziel era o meu companheiro, minha alma, tudo para mim. Uma vez que eu provavelmente iria morrer, não havia necessidade de tentar me convencer do contrário disso. Era completamente sem originalidade da minha parte, mas eu estava desesperadamente amando um lindo anjo caído, e graças a Deus eu iria morrer antes de dizer isso a ele. Ao menos eu seria salva dessa vergonha. Exceto se ele soubesse. Ele tinha que ter me ouvido, me conhecido, durante todas aquelas intermináveis felizes horas de dar e receber. Ele sabia que eu estava apaixonada por ele, e tinha sido desde...eu não podia mais me lembrar quando eu não o amava. Era tanto uma parte de mim que eu não podia separar isso em tempo ou espaço. O amava tanto que eu poderia morrer por ele, saltar no inferno por ele. Qualquer coisa que eu tivesse que fazer. Eu não tinha escolha. Eu me senti perigosamente perto das lágrimas, mas eu não iria me ceder à fraqueza. Se eu fosse morrer, eu iria descer às chamas, e eu levaria Sammael comigo se eu pudesse. Nós aterrissamos forte na lateral da montanha, e ele me soltou como se o meu toque fosse algo sujo. Eu aterrissei de bumbum, e quando eu olhei acima para o seu rosto eu consegui reunir um claro desdém. “Então onde está Raziel? Você já o matou? E o que você vai fazer sobre todos os outros?” Isso não tinha terminado até ter terminado, e se eu pudesse levá-lo até o Deus Senhor da Guerra do Mau e revelasse seus planos malévolos, eu poderia apenas possivelmente ter uma chance de impedi-lo. Particularmente se ele se transformasse em uma cobra, o qual, de acordo com o Número 666 das Regras do Soberano do Mau, nunca ajudaria. Não, ele não podia fazer isso. Eu estava ficando um pouco tonta –muitas coisas tinham acontecido comigo, e eu estava cansada de ser esbofeteada. “Os outros não serão nenhum problema. Suas mulheres estão mortas ou morrendo. Se não há uma Fonte, eles vão enfraquecer e morrer. Da próxima vez que eu deixar os Nefilins entrarem, eles vão devorar o resto, e eu vou ascender ao paraíso.”


“Ao menos que eles devorem você também,” eu apontei, tentando ser prática. “Então eu tenho que morrer porque eu sou a Fonte. Sorte minha. Porque matar Raziel? Porque não deixá-lo enfraquecer e morrer como os outros?” Levaria um inferno de muito tempo para Raziel enfraquecesse o bastante para que Sammael e toda uma horda de Nefilins pudesse pegá-lo, e antes disso acontecer ele descobriria quem o traidor era. Eu não tinha absoluta dúvida sobre isso. Eu estaria morta, entretanto. E eu não queria morrer. Eu queria gastar tanto tempo quanto eu pudesse com Raziel, sem importar o quanto mandão ele fosse. “Eu não posso matar você sem matar Raziel. Se ele perde a sua companheira muito cedo, ele será muito perigoso.” Yeah, certo. Por alguma razão eu não podia imaginar Raziel enlouquecendo com a minha morte prematura. Para ele, eu era simplesmente um problema do destino. Não era como se ele realmente quisesse uma companheira. E eu morresse, ele teria um passe livre de saída da cadeia. Eu fiquei sob meus pés lentamente, sentindo a contusão e o frio. Ele voou comigo alto, onde o ar era fino e gelado, e eu ainda sentia arrepios. “Você sabe,” eu disse em um tom de conversa, “Eu não quero morrer. Nós não podíamos trabalhar em alguma coisa a mais?” Se Raziel não estivesse morto ainda, havia ainda esperança. Eu não podia acreditar que Raziel pudesse ser superado por uma merdinha como Sammael. “O que você quer não significa nada pra mim,” ele disse. Eu o ignorei. “Eu gastei a primeira parte da minha vida com uma lunática religiosa. Eu de preferência gostaria de não ser morta por um.” Sammael estava firme. “Ele está esperando por você. E eu tenho coisas a fazer. Comece a andar.” Eu olhei para a grande abertura bocejante da caverna, e um suor frio rompeu de mim. “Ele ainda está vivo?” Porque se ele não estivesse, eu decidi que eu só queria morrer logo do lado de fora, embaixo do limpo céu da noite, e não em algum buraco escuro. “Ele vive,” Sammael disse de má vontade. “Ele espera.” “Eu vou,” eu disse, combinando com a sua concisa linguagem. E eu avancei subindo o caminho.


Cap Capítulo 24

E

LE ESTAVA DEITADO DE COSTAS NA PAREDE MAIS DISTANTE DA enorme caverna de pedra, e por um momento eu pensei que ele estivesse morto. A cor de Raziel sempre foi um dourado pálido, mas nesse momento ele parecia cinzento, e ele estava absolutamente imóvel. Ele parecia como naquela primeira noite na floresta quando ele estava morrendo da queimadura envenenada. “O que você fez a ele?” eu sussurrei para o homem cuja mão fixava em meu braço. Eu o puxei, porém eu não estava mais tentando escapar. Eu estava desesperada para chegar a Raziel. Ele me soltou e eu tropecei adiante, quase caindo de joelhos. Eu corri para o outro lado do duro piso de pedra, ignorando tudo na minha urgência de alcançar meu companheiro. Eu me afundei para baixo em meus joelhos, arremessando meus braços em volta v dele de uma maneira que eu nunca teria me atrevido se ele estivesse consciente. Eu podia ouvir o seu coração batendo, mais fracamente do que o normal, mas ainda firme, e sua pele estava fria. Eu queria esconder o meu rosto contra o seu peito, mas isso não faria nada bem. Sammael não estava mudando de idéia, indo embora. Deus me salvasse dos lunáticos. Eu me levantei, olhando abaixo para o rosto imóvel de Raziel. Seu cabelo amareloamarelo acastanhado estava caído para trás, e ele parecia rigidamente bonito, das da suas altas maças do rosto, suas feições esculpidas, a pálida boca que podia fazer tão adoráveis, perversas coisas. Eu deixei minha mão remover o seu cabelo para trás da sua alta testa, gentilmente. “O que você fez com ele?” eu sussurrei, incapaz de manter manter a angústia fora da minha voz. “Eu pensei que você não se importasse com ele,” Sammael disse. “Porque você está triste por ele?” Eu olhei de volta para ele. “Você sabe perfeitamente bem porque,” eu disse, irritação rompendo através do meu desespero. “Eu estou estou apaixonada por ele. Eu sou a sua companheira de laço, sua alma, quer nenhum de nós goste disso ou não.”


“Vocês dois gostam disso,” Sammael disse com uma repulsiva torção da sua boca. “Eu conheço essas coisas. Vocês ficam no cio como animais. Vocês são a causa deles terem caído em primeiro lugar.” “Hey, eu não estava nem ali,” eu protestei, olhando a minha volta por qualquer tipo de arma. “Silêncio!” ele retumbou, como algum tipo de rei de desenhos animados. Raziel se mexeu próximo a mim, seu braço revirando por um momento, e eu me perguntei se ele estava acordando. Enquanto ele estivesse inconsciente, havia pouco o que eu pudesse fazer. A caverna estava desprovida de armas. Eu olhei abaixo para ele, e ele abriu seus olhos, sua visão afiada e limpa. Sua mão pegou a minha, fora da visão dos olhos loucos de Sammael, e apertou-a levemente em reafirmação. Eu não estava reafirmada. Ele estava deitado em um estranho tipo de estrado –uma cama feita de galhos e gramíneas e largos folhas –e eu olhei abaixo para ele em confusão ao início, então com amanhecido horror quando eu percebi o que Sammael tinha planejado. Eu rodopiei, tentado bloquear Raziel da sua visão. “Você –você não pode! Você não pode estar planejando queimá-lo!” “Ele vai morrer pelo fogo,” Sammael disse placidamente. Eu senti Raziel se mover atrás de mim, e eu tentei ficar entre ele e Sammael, em vão tentado protegê-lo. “Sobre o meu cadáver.” Sim, isso era melodramático, mas eu já tinha passado em tentar ficar calma. Eu não iria deixá-lo morrer. Mas Raziel tinha lutado aos seus pés atrás de mim, e eu senti suas mãos se fecharem aos meus braços. “Fique fora disse, esposa,” ele disse em uma áspera voz, tentando me empurrar para fora do caminho. Eu não estava me movendo. Eu fiz o meu melhor para me cravar em meus calcanhares, mas claro minha força era lamentável perto da de Raziel, mesmo nos momentos em que ele recobrava a consciência. Ele me empurrou, forte, e eu fui me alastrando em cima do chão, o fôlego batendo para fora de mim. Eu deitei ali por um momento, puta o suficiente para me esquecer do perigo


pelo qual nós dois estávamos. Você não podia respirar quando você estava morta, podia? Seria assim? Eu não queria morrer. “Deixe-a em paz.” A voz de Raziel soou quase entediada. “Ela não tem nada a ver com isso –é entre você e mim.” “Não é,” Sammael disse. Houve uma breve suavidade em seu rosto. “Eu não desejo o seu mal, Raziel. Mas se eu vou ganhar redenção, os Caídos devem ser aniquilados.” “Ela não é uma de nós.” O sorriso breve de Sammael estava quase triste. “Ela é a Fonte.” “Se você matar a nós todos, ela não será uma ameaça.” “Ela deve ser punida. Todos os Caídos e suas mulheres prostitutas devem morrer.” “Ela não é humana.” Minha respiração recuou com um súbito, engolido assobio. “Não,” eu consegui sufocar. “Você não quer fazer isso.” Eu estava ignorando Raziel nesse ponto, apenas como ele estava me ignorando. Mas Sammael tinha extraído uma enorme espada, uma arma que parecia como se tivesse vindo de alguma pintura medieval de um anjo vingador. Ela tinha aparecido de nenhum lugar, como algum maldito sabre de Star Wars, e eu cerrei meus dentes. Como você podia lutar com um ser supernatural, onde as regras não se aplicavam a eles? “Você tem que dar a ele uma arma também se você está pensando em lutar,”eu protestei. Lentamente ficando de pé. Se eu sobrevivesse a isso, eu pensei, eu estaria agredida e contundida. Nesse momento eu podia apenas me espantar porque estava me levando tanto tempo para me erguer ao meu completo, bastante insignificante peso. “Ele não vai lutar comigo,” Raziel disse. “Há apenas duas maneira que ele pode me matar –ele pode me queimar, ou ele pode cortar a minha cabeça fora. Mas ele é muito de um covarde para chegar perto o bastante para me golpear. Portanto deve ser pelo fogo, e ele tem a arma certa.” “Mas como-” Eu exigi, então Sammael ergueu a espada sobre sua cabeça, mais como um anjo vingador medieval do que nunca, com uma –


Cristo, uma espada chamejante da vingança. Chamas eram lambidas ao longo da lâmina, afastadas de Sammael pela ampla colina e mais nada. “Você sabe que quem empunhar a espada irá morrer pelas chamas também,” Raziel disse, aparentemente imóvel pela sua eminente morte. Sammael sacudiu sua cabeça lentamente. “Uriel me garantiu redenção. Eu tenho seguido suas ordens, e eu vou ascender ao paraíso mais uma vez, limpo do pecado e do fedor dos mortais.” “Não seja um tolo, Sammael. Nós fomos amaldiçoados por Deus. Mesmo Uriel não pode mudar isso.” “Eu tenho fé,” Sammael disse simplesmente, e ele lentamente abaixou sua espada, apontando na direção de Raziel e da pira funerária. Isso foi o bastante. Tudo o que eu sabia era que eu não podia deixar isso acontecer, não podia deixar as forças da ignorância vencerem, não dessa vez. “Não!” Eu gritei, mergulhando para o outro lado do piso, me arremessando a Sammael para impedi-lo. Com o som da minha voz ele automaticamente se virou, a espada chamejante entre nós. Eu a senti cortar dentro de mim, e foi curiosamente indolor, apenas calor e pressão enquanto eu olhava dentro do rosto assustado de Sammael. As chamas estavam lambendo na minha direção ao longo do metal brilhante da espada que empalava o meu peito, e eu estendi a mão, agarrando a lâmina, e empurrando o fogo de volta para ele. Eu podia sentir o calor mais a ardência não queimou minhas mãos enquanto isso se movia de volta sobre a bainha protetora, em direção a Sammael, em direção ao áspero tecido de suas roupas, entrando em uma erupção de chamas. Ele gritou, e puxou libertando a espada. Eu desabei como uma marionete cujas cordas tivessem sido cortadas. Eu estava deitada em um rio de sangue, e se eu fosse capaz de falar eu teria dito a Raziel para encontra alguém que o engarrafasse. Eu estava morrendo, e não haveria nada para os Caídos que contavam com a Fonte para sustento. Mas eu não podia falar. Eu estava tão cansada. Parecia como se eu estivesse batalhando para sempre, e eu precisava descansar, mas havia tanta satisfação primitiva em observar Sammael se bater e lutar com o fogo. Ele estava morrendo com uma dor hedionda, e eu imagino que havia Antigo Testamento suficiente em mim depois de tudo que eu me deleitei com ele.


“Allie. Minha amada.” Era a voz de Raziel. Eu estava provavelmente morta –não havia maneira que ele pudesse me chamar de minha amada. Depois de tudo, eu fui espetada por uma espada do tamanho de Excalibur –mesmo se ela tivesse errado o meu coração, ela tinha que ter feito um estrago irreparável. Eu o senti me puxar para dentro dos seus braços, e eu lutei, capaz de convocar um pânico de morrer. “Não.” Eu disse. “Há faíscas...” Ele me ignorou, puxando-me contra ele, e ele colocou sua mão sobre a escancarada ferida no meu peito. Eu vi a última remanescente faísca pular nele, e eu gemi com desespero, mesmo enquanto a pressão no meu peito crescia mais forte, mais afiada. “Isso é ridículo,” eu disse fracamente. “Agora nós dois vamos morrer, e nós não vamos sair como Romeo e Julieta” “Nós não vamos morrer.” Eu ouvi a dor na sua voz, e eu quis gritar com ele. Ele pressionou sua mão contra meu peito, e a súbita dor estava cegando, tão poderosa que meu corpo arqueou, sacudiu, e então desabou dentro dos seus braços novamente. O sangramento tinha parado, e eu sabia que ele tinha me curado –de alguma maneira conseguiu fechar a ferida, selar o rasgo. Mas eu estava morrendo. Ele não podia impedir isso. “Não,” ele disse. “Eu não vou perder você. Eu não posso.” Ele me puxou contra ele, e seu rosto era duro, frio, em branco. Ele estendeu uma mão e acariciou meu rosto gentilmente, e eu sabia que ele estava dizendo adeus. E então ele arrancou abrindo a sua própria camisa e rasgou dentro da sua pele, cortando do outro lado da carne para que o sangue jorrasse. Eu sabia o que ele estava fazendo no momento antes dele fazer, e eu abri minha boca para protestar. Abri minha boca enquanto ele pressionava-a contra a ferida, e o sangue correu dentro da minha boca, quente e rico, e meu frio, frio corpo se transformou em fogo enquanto eu bebia dele, profundos goles da doçura da vida, seu sangue com vida se tornando meu. Ele estava tremendo, seu braço queimando embaixo da minha cabeça. Ele me afastou, e eu pude sentir a umidade do seu sangue na minha boca. Ele se inclinou para baixo e me beijou, completo e forte e profundo, o sangue misturando entre nós, e a última barreira caiu. “Eu amo você,” ele disse, as palavras arrancadas dele. “Eu sei.”


Ele se levantou então, em um fluido movimento, mas eu podia ver a fraqueza nele. “Se eu não conseguir,” ele disse em um baixo rosnado, “me prometa que você vai viver. Os Caídos irão precisar de você. Você é a Fonte, mesmo sem mim.” “Não. Você vive ou eu não vivo,” eu disse, teimosamente e zangada. Ele não argumentou. Suas asas espalharam-se, um glorioso azul-negro furta cor, e um momento mais tarde nós estávamos subindo para fora da caverna, subindo e subindo para dentro do céu da noite. Eu podia sentir a sua força caindo enquanto ele me carregava. O oceano estava adiante –ele tinha apenas que conseguir ir mais longe, mas o calor estava se espalhando, muito mais rápido do que tinha na primeira noite, e eu sabia que me dando o seu sangue tinha acelerado o envenenamento, e eu queria bater nele. Eu fiz a única coisa que eu podia. “Não se atreva me largar,” eu o avisei. “Nós não passamos por tudo isso para me ter estatelada nos rochedos como uma gaivota bêbada.” Ele gargalhou. Foi apenas o mais fraco tremor de som, mas foi o suficiente. Ele se impulsionou, tentando se levantar mais alto, e então a última das suas forças o deixou, também a consciência, e eu sabia que nós estávamos muito longe do oceano, nós iríamos rachar como Ícaros48 modernos. Eu queria morrer beijando a sua linda boca. Seus braços tinham ficado flácidos, e eu me agarrei a ele, virando a minha boca na dele, e o movimento angulou o seu corpo alado dentro do vento. Uma brisa nos captou, deslizando embaixo de nós, e subitamente nós estávamos planando, movendo-se até mesmo mais rápido no vento, cruzando o céu da noite a uma velocidade de pesadelo, e então caindo, caindo, girando, meus braços envoltos ao redor dele, minha boca na sua, o sangue entre nós, enquanto nós despencávamos... Para dentro do mar. Nós mergulhamos profundo, a água congelada um choque, me arrastando dele. Estava tão escuro, tão frio, e eu o perdi, deslizando para baixo através da agitada água. Você pode apenas enganar a morte algumas vezes, eu pensei vagamente, e dessa vez eu fechei meus olhos contra a dor aguda da água salgada, deixando a minha respiração sair, sabendo que não tinha restado nada para com o que eu lutar. Raziel iria sobreviver; a água do oceano iria curá-lo, e ele iria encontrar o que ele precisava. Imaginar completamente cinco mentiras a teu pai: 48

(Ícaro - Na mitologia grega, era o filho de Dédalo e é comumente conhecido pela sua tentativa de deixar Creta voando – tentativa frustrada em uma queda que culminou na sua morte.)


Dos seus ossos são feitos de coral; Aquelas são as pérolas que eram seus olhos: Nada daquele que vos desaparecer, Mas acaso sofrer uma mudança radical Em algo rico e estranho. Dessa vez eu iria afundar. Eu já tinha sofrido uma mudança-marítima de tal magnitude que não havia restado mais nada, e meus ossos seriam de coral, meus olhos de pérolas. Shakespeare em meus ouvidos. Alguém estava ali, uma mão roçando a minha enquanto eu flutuava, e eu abri meus olhos para ver Sarah, serena e linda, sorrindo para mim. Tudo o que eu precisava era uma luz brilhante, eu pensei, sorrindo de volta para ela. Não havia mais ninguém que eu quisesse encontrar no outro lado, e eu estendi a mão para ela. Ela sacudiu a cabeça. Sua boca não se moveu, mas eu ouvi suas palavras claramente. “Ainda não,” ela disse. “Não por um longo tempo.” Eu sacudi minha cabeça. Eu estava tão cansada de lutar. “Espere por ele,” ela disse. “Ele vale o esforço da espera.” Uma forte mão agarrou meu pulso, puxando-me para cima, e eu fui, impulsionando para cima dentro do ar frio, intermináveis momentos mais tarde, tossindo e asfixiando dentro dos braços de Raziel enquanto ele batia para fora em direção a costa. Nós desabamos na praia, exaustos, ambos arfando por ar. Raziel rolou de costas, e eu pude ver o sangue nas suas roupas molhadas. Meu sangue. Eu estava de rosto na areia, e eu sabia que eu deveria me virar, mas eu não tinha a força para fazer qualquer coisa além de deitar ali e lutar por ar. Suas mãos nos meus ombros eram gentis enquanto ele me virava para encará-lo. Ele retirou a areia molhada do meu rosto, meu cabelo, e olhou abaixo para mim com impaciência, com aborrecimento. Com amor. “A primeira coisa que você vai fazer,” ele disse em uma áspera voz, “é aprender a nadar.” E ele me beijou.


Cap Capítulo 25

S

ARAH MENTIU. EU JURO POR DEUS, EU DE ALGUMA FORMA FIZ O impossível e consegui ganhar cinco quilos desde quando vim morar em Sheol, a maioria deles na minha bunda. Felizmente, Raziel tinha uma fraqueza por mulheres da Renascença, e ele ainda achava o meu corpo bastante maduro maduro irresistível. Os Nefilins se foram, desapareceram, ao menos desse continente. Uns poucos estavam dispersos dentro do deserto, mas uma vez que eles sobreviviam de pequenos animais e da carne dos Caídos eles ficariam eventualmente famintos. Infelizmente, Raziel me disse que eles poderiam viver séculos sem se alimentar, então isso iria demorar um pouco. Eu me recusei a considerar a idéia que explicava sua falta de fome voraz. Pequenos grupos podiam sobrar em outros continentes –um um punhado na Ásia, um grandee grupo na Austrália, enviados lá por Uriel à procura por Caídos renegados e então abandonados. Isso não era a minha preocupação. Eu não tinha intenção de alguma vez deixar Sheol. Raziel me ensinou a nadar. Claro, com Sammael morto e os Nefilins efetivamente efetivamen derrotados, não havia necessidade para eu entrar na água gelada no oceano, mas Raziel tem um traço mandão. Não que eu me importasse com isso, mas se eu pudesse ver o senso comum por trás dos seus anúncios autocráticos, eu tendia a ceder, depois de muito retardar o quanto eu pudesse, mesmo se fosse a minha idéia em primeiro lugar. Raziel fazia melhor quando as pessoas não estavam o reverenciando, e eu considerei meu dever mantê-lo mantê fora de equilíbrio. Ele não gostava de ser o Alpha. E ele odiava que eu fosse fosse a Fonte, embora depois dos primeiros poucos sangramentos ele conseguiu manter o seu ciúme em cheque. Tamlel e Gadrael sentaram-se se com ele nas primeiras vezes, apenas para garantirem que ele não arrancaria a cabeça de ninguém. Eu podia ler os seus pensamentos, pensamentos, e sabia que era um convite próximo.


Eu não tinha idéia se o fato que eu amava ser a Fonte fazia as coisas mais fáceis ou mais difíceis para ele. Se eu não fosse ter nenhuma criança, eu podia ao menos nutrir e alimentar os Caídos, e eu acolhia a chance como uma forma de aliviar algumas das minhas tristezas. Eu nunca falei da minha ânsia por crianças a Raziel, e ele nunca falou disso comigo. Mas nós sabíamos o pensamento um ao outro, e compartilhávamos a dor. Não houve nenhuma palavra de Azazel. A maioria dos pensamentos era que ele estivesse morto, incluindo o meu, mas Raziel acreditava no contrário. Ele iria retornar, Raziel disse, quando fosse a hora certa. Haveria um sinal, e ele voltaria. Eu poderia estar ficando mais gorda mas eu não estava ficando mais velha. Meu rosto estava inalterado –sem pés de galinha formando nos cantos dos meus olhos, sem rugas do sorriso, porém eu descobri que eu podia rir muito na névoa escondida de Sheol. Eu nunca me alimentei do sangue de Raziel de novo, mesmo embora ele soubesse que eu queria. Ao invés disso eu dei a ele o meu corpo, o meu sangue, e ele me deu êxtase, aborrecimento, e um profundo permanente amor que eu não estava certa se existisse na vida normal. Eu não tinha idéia quanto tempo eu poderia viver, e eu não me preocupava sobre isso. No mundo sem fim de Sheol, você não tinha escolha além de viver o momento; e se eu não pudesse fazer jus ao gentil exemplo de Sarah, eu faria o meu melhor. Até o dia em que ela retornasse. Lilith, a esposa demônio. E todo o inferno desabasse.

FIM A série “The

Fallen” continua em

Demon”.


Papyrus Traduções de Livros Tradução/Revisão: Joana Formatação: Leo

“Qui sait beaucoup ne craint rien.” “Do muito saber vem o nada a temer”


the fallen #1