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FANZINE OFICIAL TORCIDA VERDE

NOVEMBRO 2017

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! S A R T UL 1984 !


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Ed i torial Exigência Máxima! Os primeiros meses da época 2017/18 foram meses de grande exigência para a Torcida Verde e seus militantes. A eliminatora de acesso Champions League obrigou à organização em tempo record, ainda no mês de Agosto, da deslocação à longinqua cidade de Bucareste na qual o SCP selou o apuramento para a referida competição. Volvidas poucas semanas “repetimos a dose” com uma não menos distante e dispêndiosa deslocação ao Olympiacos da Grecia. Igualmente organizada de forma relâmpago. Estas duas Euro-tours saldaram-se, felizmente, em duas vitórias históricas para o futebol leonino, mas requereram da elementos presentes nas mesmas cuidados especialmente redobrados “no terreno…” Igualmente na competições nacionais realizámos deslocações com grande importância, já que a primeira fase da liga iniciou-se com deslocações a Aves, Guimarães, Santa Maria da Feira, Moreira de Cónegos e Oleiros (Taça de Portugal), nas quais a Torcida Verde participou com o entusiasmo de sempre, ainda que com limitações sucessivas ao nível do número de bilhetes.

Registe-se que a partida com Feirense teve lugar numa sexta-feira às 19:00 horas, em mais uma demonstração de total desrespeito pelos direitos dos adeptos, que sucumbiram, uma vez mais aos privilégios dos interesses futebolisticos, o que, de resto, parece ser a tônica dominante nesta época. Nunca é demais realçar que as deslocações/transfertas só são possiveis com um gigantesco sacrificio pessoal, familiar e financeiro daqueles que nelas participam, que entendem a necessidade de estar “em todas”, independemente se a bola entra (ou não). Nas modalidades, a evoluir no Pavilhão João Rocha, também nos temos destacado com apoio inenterrupto, com destaque para deslocação a Coimbra na vitória da Supertaça do Futsal, frente aos lamps, num embate em que que a Torcida não se mais uma conquista desta modalidade, pese uma vez mais o escasso número de bilhetesdisponíveis para serem adquiridos. Com enorme tristeza não podemos deixar de referir que se cumpriu em Agosto um ano da perda do nosso Dario, em que prestámos homenagem no jogo em casa com o V. de Setúbal.

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voleibol, sporting e torcida verde O Voleibol foi introduzido no SCP nos anos trinta, por influência de Salazar Carreira. Contudo, só chegaríamos aos primeiros títulos na década de cinquenta graças ao dinamismo do Professor Moniz Pereira que era dirigente, treinador e jogador da equipa que, na temporada de 1953/54, quebrou a hegemonia do Instituto Superior Técnico que até aí tinha conquistado todos os Campeonatos Nacionais, que se disputavam desde 1947. Faziam parte dessa equipa, para além de Moniz Pereira, os jugoslavos Jost e Budisin, Xara Brasil, Marques Pereira, Fernando Fezas Vital, Machado da Costa, Aníbal Rebelo e Plácido Martins. Ao nível feminino a primeira competição oficial começou a disputar-se em Junho de 1951, e o SCP foi um dos quatro clubes que se apresentou em prova, tendo as Leoas ficado em segundo lugar. Após um período brilhante com conquista dos Campeonatos Nacionais de 1953/54

e 1955/56, a modalidade entrou em declino sendo fundamentalmente suportada por sucessos nos escalões de formação e ao nível feminino, acabando por ser extinta no início da época de 1964/65 aquando da reestruturação do Clube. No final de quase duas décadas de interregno a modalidade volta a ser praticada em 1981/82, primeiro apenas no sector feminino em seniores e juniores, para mais tarde o volei voltar em força ao Sporting e para aqueles que foram os anos dourados da modalidade em Alvalade, os anos 90, onde com uma equipa orientada por António Rodrigues, e com alguns dos melhores jogadores da altura, como Nilson Júnior, Carlos Natário, Miguel Maia, Wagner Silva, Luís Cláudio, Magrão, Filipe Vitó, Marcelo e Maurício Cavalcanti, Carlos Silveira, Miguel Soares e Américo Silva, o Sporting foi Tri-Campeão Nacional nas épocas de 91/92, 92/93 e 93/94.

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Na primeira metade dos anos 90 conquistámos ainda Três taças de Portugal e três Supertaças. A Torcida Verde esteve associada de forma categórica a esta senda vitoriosa com uma presença constante na antiga nave de Alvalade, em que os derbys com o rival de sempre eram momentos de grande fervor mas também com os outras equipas de históricas da modalidade, como o Sporting de Espinho e o Leixões, à casa dos quais a Torcida se chegou a deslocar. Destaque ainda para os jogos europeus onde o Leão Torcidão era um verdadeiro protagonista. A relação da Torcida Verde com a Secção de Voleibol era de tal forma estreita que chegámos a realizar uma jornada de con-

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vívio com um jogo de voleibol de seccionistas vs. Torcida Verde, realizado na Nave de Alvalade. No entanto, esta dinâmica vitoriosa foi abruptamente interrompida no início do “Projecto Roquete” em 1995. Uma das primeiras medidas de “saneamento financeiro” da Direcção presidida por Santana Lopes foi acabar com diversas modalidades de alta competição, incluindo o Voleibol. No dia 5 de Junho de 2017 o Sporting Clube de Portugal anuncia oficialmente que o Voleibol passará a fazer de novo parte do universo leonino, com a equipa sénior masculina a competir na Primeira Divisão Nacional na época 2017/18, tendo o incontornável Miguel Maia como capitão.


a musica e os adeptos Desde os primórdios da sua criação, futebol e música andaram sempre de mãos dadas. De uma forma mais ou menos consensual, nos dias de hoje, são poucos aqueles que concebem um jogo sem cânticos de apoio e incentivo aos seus clubes. Cada vez mais, impulsionado pelo movimento Ultra, é possível ouvir estádios em completa “ebulição” durante 90 minutos, transparecendo a paixão que os cânticos trazem ao jogo. E a música é somente isso: paixão. Milhares de pessoas em uníssono a transmitir os sentimentos que trazem dentro de si para apoiar a sua equipa. As influências e as formas de manifesta ção são diferentes nas diferentes partes de mundo. Onde quer que estejamos, podemos assistir à reprodução fiel de algumas músicas, como é o caso em Anfield Road, Westfalenstadion ou no Celtic Park, onde o You will never walk alone, criada em 1945 por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para o musical Carousel, é cantada por todos os adeptos. Igualmente em Italia, pátria do Movimento Ultra, a adaptação de musicas populares para as Curvas foi, e é, uma realidade, como é disso bom exemplo o “hit” Sarà perché ti amo dos Ricchi e Poveri que é cantado um pouco por toda a Italia ou a Stella Stai do Umberto Tozzi que é entoada pelos nossos amigos Viola.

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a musica e os adeptos No José de Alvalade, a música que é entoada por todo o estádio, o “Mundo sabe que”, é uma adaptação de um original de Claude François e Jacques Revaux, de 1967, que Frank Sinatra, no ano seguinte celebrizou. My way é um dos mais conhecidos êxitos do cantor e conta com versões de grandes artistas do panorama internacional como Elvis Presley ou Gipsy Kings. A pretensão por transmitir mais intensamente aquilo que se sente ao ver o nosso clube jogar, levou a que alguns Grupos Ultras começassem a criar as suas próprias músicas, imortalizando-as para sempre em suporte físico, primeiro em cassetes depois em cd’s, entoando-as por todos os estádios, pavilhões ou recintos desportivos por esse mundo fora. Também a Torcida Verde é exemplo disso com sua

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devota militância produziu um disco de originais, com colaboração do músico Fernando Girão, cujas receitas reverteram integralmente para a construção do Pavilhão João Rocha, uma das nossas maiores batalhas, recentemente vencida. Neste álbum destaque para a nossa adaptação da canção Bella Ciao, uma canção popular italiana, composta nos anos 40 (do séc. XX) , posteriormente imortalizada pelo cantor e realizador sérvio Emir Kusturica. No contexto desta relação entre os adeptos e a música, cumpre registar que os Delfins, os Xutos & Pontapés - e claro está a “nossa” Maria José Valério - já participaram em iniciativas promovidas pela Toricida Verde e que o lettering mais utilizado por nós utilizado é inspirado nos britânicos Iron Maiden.


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Simbolos scp carlos lopes Carlos Alberto de Sousa Lopes, o melhor atleta português de todos os tempos, símbolo maior do universo leonino e uma referência mundial no atletismo, nasceu em Vildemoinhos, perto de Viseu, em 18 de Fevereiro de 1947. Durante a adolescência, ambicionava jogar futebol mas acabaria por estrear-se no núcleo de atletismo no Lusitano de Vildemoinhos. A primeira prova oficial de Carlos Lopes foi uma corrida de São Silvestre, tinha dezasseis anos. Ficou em segundo lugar. Pouco tempo depois, ganhou o Campeonato Distrital de Viseu de Corta-mato e, quase de seguida, foi terceiro no Campeonato Nacional de Corta-mato para Juniores. Esta classificação levou-o pela primeira vez ao “Crosse das Nações”, disputado em Rabat, onde foi o melhor português, em 25º lugar. Tinha apenas dezassete anos. Em 1967 foi recrutado pelo Sporting Clube de Portugal onde conseguiria o seu primeiro grande título em 1968, quando ganhou a medalha de ouro nos 5.000 metros dos Campeonatos de Portugal, com a marca de 15.03,00. Além desse triunfo individual, ajudou o clube a ganhar o Regional e o Nacional de crosse. 1970 é o ano que marca o início da hegemonia de Carlos Lopes no plano nacional: totalmente adaptado à vida em Lisboa e seguindo os ensinamentos do mestre Mário Moniz Pereira, ganha nesse ano o primeiro de cinco títulos seguidos

no Campeonato Nacional de corta-mato (apenas dois atletas tinham atingido esse feito antes) e, até 1974, consegue ainda bater oito vezes os recordes nacionais dos 5.000 e dos 10.000 metros em pista ao ar livre. Em 1976 obteve o primeiro grande exito internacional ganhando pela primeira vez o Campeonato do Mundo de Corta-Mato, que nesse ano se realizou em Chepstown, no País de Gales. Carlos Lopes, que já tinha estado nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, era uma das maiores esperanças portuguesas 7


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simbolos scp

para os Jogos Olímpicos de Montreal (1976). Teve, aliás, a honra de ser o porta-bandeira da equipa portuguesa durante a cerimónia inaugural. Na final dos 10 000 metros, Carlos Lopes forçou o andamento desde o início. Seguindo as instruções de Moniz Pereira, a táctica era a de rebentar com a concorrência (ou com ele próprio). De facto, Carlos Lopes iniciou o último meio quilómetro bem adiantado do pelotão. Mas não ia só. Lasse Viren, da Finlândia, tinha conseguido acompanhá-lo. Nas últimas centenas de metros, Viren atacou forte, ultrapassou Lopes e ganhou a medalha de ouro. Lopes foi segundo e teve de se contentar com a prata. Era, no entanto, a primeira vez, desde há décadas, que Portugal conquistava uma medalha

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olímpica e a primeira vez no atletismo. Neste período Carlos Lopes teve o seu (primeiro) apogeu: além do Mundial de corta-mato, bateria sete vezes recordes nacionais: uma vez dos 3.000 metros; em duas ocasiões dos 5.000 metros; três vezes nos 10.000 metros (a segunda nos Jogos Olímpicos, marca batida depois num meeting em Estocolmo); e uma nas duas milhas. Palavras para quê? Era o melhor! Em 1982 bateu o recorde da Europa de 10 000 metros com 27m 21s. No mesmo ano venceu a Corrida de São Silvestre em São Paulo no Brasil. Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, 1984, venceu a maratona, tornando-se o primeiro português a ser medalhado com ouro nuns Jogos Olímpicos. A prova foi rápida e a marca atingida (2h 9m 21s) foi recorde olímpico durante 24 anos!


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O destino quase o tinha impedido de competir nestes Jogos, porque uma semana antes da partida para os EUA foi atropelado por uma automóvel durante um treino, felizmente sem consequências graves. No mesmo ano sagrou-se Campeão do Mundo de Corta-mato em Nova Jersey e voltou a vencer a “São Silvestre” de São Paulo. Em 1985 renovou em Lisboa o título de Campeão Mundial de Corta-mato e na Maratona de Roterdão melhorou, com 2h 7m 12 s, o recorde do mundo, tendo sido o primeiro atleta mundial a correr esta prova em menos de 2h 8m. Carlos Lopes foi alvo muitas homenagens, algumas de relevo: foi recebido na

Casa Branca, na companhia de João Rocha, pelo presidente americano Ronald Reagan, que queria mostrar a todos como alguém de 37 anos (era o atleta mais velho entre os 114 participantes na maratona) é um jovem com capacidade para realizar os seus sonhos; e esteve com o rei Juan Carlos no Palácio Real de Madrid, para receber o prémio de Melhor Desportista do Mundo de 1984. Igualmente num episódio da afamada serie norte-americana “Simpsons” viria a ter um curiosa referência. A Torcida Verde, como não poderia deixar de ser, também homenageou o grande campeão numa das edição dos prémios Tor Ver.

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mundo ultra anatorg

Desde a segunda metade do século XX, as Torcidas Organizadas são parte constitutiva do futebol brasileiro e consequentemente da sociedade brasileira, uma vez que Brasil = a futebol. É, pois, impossível dissociar o futebol brasileiro das (Torcidas) “Organizadas”, que conheceu o seu boom após a vitória da “canarinha” no mundial de Espanha de 1982. Não se trata, portanto, de um corpo estranho ao contexto brasileiro, mas de uma expressão muito sintomática do que é o futebol e do que é a sociedade brasileira. No actual momento histórico, seu formato não poderia ser imune as complexas configurações sociais brasileiras, marcadas pela segregação espacial, pela intolerância, pelas diversas formas de exclusão urbana, pela criminalidade, as quais têm o seu “natural” reflexo nos Estádios. As “Organizadas” são, pois, um dado concreto da realidade, constituem formas de 10

pertença e identidade na vida de milhares de homens e mulheres que vivem na periferia e nos grandes centros urbanos do Brasil contemporâneo, algumas delas aglutinam milhares e milhares de pessoas, tratando-se de gigantescas associações. A Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) nasce no final do ano de 2014 com o objectivo principal de fomentar o dialogo entres as Torcidas Organizadas de todo o Brasil, com vista a alcançar pontos de comum por forma a diminuir a violência nos Estádios. Após estabelecidos os primeiros pontos de contacto entre os integrantes e representantes das mais cem (100) torcidas que se associaram ao movimento, objectivo da associação passou também por debater temas que até então não eram discutidos, de forma organizada, pelos torcedores brasileiros, como sejam o preços dos bilhetes, o horário dos jogos, os transportes para os estádios etc. A melhoria da relação com o poder público, nomeadamente com a Policia Militar (força que está encarregue do policiamento dos jogos de futebol) é também uma das preocupações da Anatorg, bem assim como da melhoria da credibilidade das organizadas juntos dos próprios clubes. Naturalmente que Anatorg enquanto associação de adeptos não tem a veleidade de pensar que numa sociedade extremamente violenta como a brasileira que irá vai erradicar a violência entre as torcidas.o seu propósito não é resolver o problema da violência entre as Toricidas Organizadas, mas sim contribuir para que a violência possa diminuir.


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Para debater problemas transversais às Torcidas brasileiras a Anatorg vêm promovendo simpósios em varias cidades brasileiras, tendo o primeiro tido lugar em Manaus e último no Rio de Janeiro, em Dezembro do ano passado. Nestes eventos têm participado para além de elementos das “organizadas” , forças policiais, jogadores de futebol, dirigentes de clubes, professores universitários, elementos de orgãos de estado etc. Um bom exemplo de uma iniciativa que conheceu o apoio da Anatorg foi o “pacto pel a paz” promovido em Dezembro de 2016, por algumas da Torcidas dos quatros gigantes do Estado de São Paulo: Palmeiras, Corintians, Santos e São Paulo FC., cujo objectivo foi tentar diminuir violência nos jogos onde participam estes (grandes) clubes. Igualmente com bastante eco têm sido os protestos, um pouco por todo o Brasil, contra o preço dos ingressos (bilhetes) e os interesse televisivos, que lá como cá, estão a flagelar o futebol popular, tão amado pelo povo brasileiro.

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mentalidade funcao social da curva Estamos conscientes de que dessa forma podemos potenciar o apoio às nossas cores. Esta nossa acção, incessante ao longo dos anos, ganha especial importância se pensarmos que as “excursões” organizadas pelo “Departamento de Expansão” do SCP que possibilitavam aos sócios e adeptos do Clube o acompanhamento da equipa futebol nos jogos fora de Lisboa, foram, infelizmente, foram suspensas em 1996. Na Torcida Verde, temos plena consciência da importante função social que desenvolvemos, a qual possibilita a muitos adeptos do SCP acompanhar o seu Clube. Algo que por certo não sucederia sem a acção inesgotável da Torcida Verde, com inenarráveis episódios do mais autêntico e genuíno amor à causa leonina, sobrevalorizando o lado humano do adepto em detrimento do lado material. Esta importante função é complementada pelo espírito militante que nos impele a um apoio incondicional, baseado no fortíssimo apego aos valores do SCP 1906. Estamos conscientes de que dessa forma podemos potenciar o apoio às nossas cores. Esta nossa acção, incessante ao longo dos anos, ganha especial importância se pensarmos que as “excursões” organizadas pelo “Departamento de Expansão” do SCP que possibilitavam aos sócios e adeptos do Clube o acompanhamento da equipa futebol nos jogos fora de Lisboa, foram, infelizmente, foram suspensas em 1996. Na Torcida Verde, temos plena consciência da importante função social que desenvolvemos, a qual possibilita a muitos adeptos do SCP acompanhar o seu Clube. Algo que por certo não sucederia sem a acção inesgotável da Torcida Verde, com inenarráveis episódios do mais autêntico e genuíno amor à causa leonina, sobrevalorizando o lado humano do adepto em detrimento do lado material. Esta importante função é complementada pelo espírito militante que nos impele a um apoio incondicional, baseado no fortíssimo apego aos valores do SCP 1906.

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Fanzine - Semper Fidelis #11