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Lowzine an indie zine

#2


don't want your revolution, i want anarchy and peace Edição e Produção: Tim - lowzine.wordpress.com / tim.wrs1@gmail.com Diagramação e capa: Vinícius Grilo - facebook.com/ATragediaComicaDeUmaVidaVil Revisão: Gabriela Tofanelo


Lowzine #2 Abril de 2014

Minha meta era fazer pelo menos 4 zines esse ano, faltam 3. Achei  que essa nem ia sair, consegui  dar um último gás e terminá-la.  Contei com ajuda de sempre dos amigos pra isso. Essa edição tem  uma  entrevista  com  o  Jajá  Félix,  um  artista  underground,  que  atualmente vive em São Paulo, em que falamos um pouco de seus  desenhos, referências, zines e outros tantos assuntos. Jajá tem um  estilo de desenho único e muito verdadeiro, me impressiona o  número de ideias que ele consegue passar com desenhos tão  simples e poucas palavras.  Como ele mesmo me disse, citando  Witold Gombrowicz, “a arte perturba os satisfeitos e satisfaz os  perturbados”.  Acho  que  eu  estou  entre  os  perturbados.  Pra  terminar, também indico alguns bons discos na linha indie rock lo-fi  que saíram em 2014. No blog online tem mais, dá uma sacada lá.

T.F


Lançamentos 2014 Guided By Voices, Motivational Jumpsuit

Lindberg Hotel, Lindberg Hotel

Sexto  disco  do  grupo  desde  que  voltaram à ativa em 2010, Robert Pollard  e cia mostram que ainda não perderam  a manha dos bons sons, são 37 minutos  divididos  em  20  faixas  de  produção  crua como toda carreira da banda. Pra  quem não conhece, o GBV é de Ohio,  tem 30 anos de carreira e mais de 20  discos  lançados.  Nesse  último  lançamento  conseguiram,  mesmo  usando a mesma fórmula de canções  curtas,  produção  lo -fi  e  as  letras  espertas de seu vocalista, não soarem  uma cópia de si  mesmos do passado.  Não  é  o  melhor  disco  da  história  da  banda, mas não faz feio na discografia.  Ouça tomando cerveja, de preferência.  

O  Lindberg  Hotel,  projeto  dos  Curitibanos  Claudio  Romanichen  em  parceria com Eduardo Ambrosio, lançou  seu primeiro disco em 2014. O som de  melodias  doces  e  assobiáveis  combinadas  a  guitarras  distorcidas  remete a nomes como Teenage Fanclub,  My  Bloody  Valentine,  Yo  La  Tengo  e  outras  já  supracitadas  bandas  do  cenário indie alternativo dos anos 80/90.  Disco todo gravado no apartamento do  Claudio,  pelo  próprio,  de  deixar  um  sorrisão no rosto.

Ouça: Super Mary, Heaven is a Fuck e  George and Marlene;

Ouça:  Littlest  League  Possible,  Planet  http://lindberghotel.bandcamp.com Score, Bulletin Bordes 


Cloud Nothings, Here and Nowhere Else

Luvbugs, Coração Vermelho

A Cloud Nothings vem pra seu terceiro  disco, o primeiro como um power trio,  acertando nos pedais e urgência de seu  vocalista e líder, Dylan Baldi’s, pra produzir  um dos melhores lançamentos de indie  rock de 2014.  Com produção de John  Congleton, o disco é urgente e cru do  começo ao fim. As 8 faixas passam pelo  grunge, o post hardcore, o emo e o indie  rock  90  com  muita  distorção,  barulho,  baixo no talo e vocais ora gritados do  post  hardcore  ora  mais  suaves.  Diferente  do  disco  anterior,  em  que  a  vibe nostálgica estava impregnada no  álbum,  aqui  Dylan  celebra  a  vida  e  a  vontade  de  viver  o  presente  e  nada  mais. Pra quem gosta de comparar, eu  diria que se o Foo Fighters voltasse a  fazer um disco bom, seria assim.

Mais  um  duo  brasileiro  que  se  divide  entre  ser  um  casal  e  uma  banda  de  rock.  Formado  por  Rodrigo  Pastore  e  Paloma Vasconcellos, a Luvbugs vem do  Rio de Janeiro e faz parte da trupe da  Transfusão Noise Records. Vinda de lá,  você  já  meio  que  sabe  o  que  pode  esperar desse EP, o segundo da banda,  lo -fizeira  genuína  de  guitarras  encharcadas de fuzz e referências aos  anos  90.  As  letras  são  praticamente  todas em português e vão martelar na  sua cabeça por dias de tão singelas. A  capa é do fabio Lyra.   Ouça: Coração Vermelho, Ser você e  Som e Cor.

Ouça: Now Hear In, I’m not part of me e  http://luvbugs.bandcamp.com/album/cor psychic Trauma a-o-vermelho


Jarlan Félix: Papel, Caneta e Coração. A  primeira  vez  que  vi  um  desenho  do  Jarlan foi em um cartaz que ele fez para um show  do Lê Almeida em que um lutador de boxe dava  um soco no oponente que parecia um caricato  do satã, achei aquilo muito fudido, era um cartaz  tão simples, mas que te prendia de alguma forma.  Resolvi ir atrás de mais artes do sujeito e ver se  encontrava mais daquele traço e loucura e achei  muito  mais.  Um  desenhista  que  usa  da  suas  próprias  limitações,  sentimentos  e  até  preguiça  pra  criar  trabalhos  capazes  de  nos  fazer  repensar  muitas  ideias  pré-concebidas,  adquiridas no decorrer das nossas vidas.   Jarlan  começou  a  desenhar  por  desenhar como ele mesmo diz, li em uma outra  entrevista  que  ele  desenhava  fanfics  antes,  e  depois  foi  construindo  seu  estilo  próprio a partir de seus sentimentos. É nesse ponto que ele  deveria  ser  referência  pra  um  monte  de  gente  que  tá  começando a fazer qualquer tipo de arte, pare de tentar  copiar, faça o que você é e o que você sente e acredita,  aposto que a possibilidade de mais pessoas se identificarem  e apoiar seus desenhos será muito maior.    As tiras e ilustrações que via dele pela internet todas tinham  uma  crueza  irresistível,  os  personagens  eram  tão  feios  e  inadequados que causavam uma estranheza danada em vêlos e imaginá-los como pessoas reais. Sim, pessoas reais, por  mais que a gente fuja o que ele mostra não é nada muito  diferente do que as pessoas vivem, mesmo que prefiram fingir isso em suas vidas  virtuais. A vida é um acúmulo de tristezas.   Uns dias antes de escrever esse texto, eu  li a introdução do livro Sonhos, de Bunker Hil  do  John Fante, escrita pelo Caio Fernando Abreu (sim,  ele mesmo), em que ele dizia que Fante sabia que  “tudo parece meio idiota quando se pensa na  morte” e que “as pessoas de muitas maneiras  estranhas, tortuosas, piradas, no final das contas  só querem amar e ser felizes.” e ele terminava o 


Você pode conhecer mais da arte dele pelos links: http://www.flickr.com/jarlanfelix/ https://www.facebook.com/jarlanfelixx http://jarlanfelix.com/   Abaixo está a entrevista que fiz com ele, um pedaço por e-mail e outro pelo  bate-papo do facebook. Confira  ai.

  1.  Quem é o Jajá da vida real? Como paga as contas e de onde  surgiram esses desenhos loucos que você faz?   Meu nome é Jarlan Félix, sou natural de Alagoas, mas fui  criado no interior de São Paulo desde os dois anos de idade,  morei um tempo no Mato Grosso do Sul onde dei início ao meu  trabalho com desenhos apesar de desenhar desde sempre. No  começo era só desenhar por desenhar mesmo e postar na net,  mas  com  o  tempo,  o  trabalho  foi  criando  visibilidade  e  publicações em zines e revistas na gringa, isso foi lindo.   Na vida real, eu trabalho como digitador e acabei de me  formar em Artes Visuais e vou completar 26 anos agora e estou pensando em  montar um ateliê no meu quarto.   2. Antes de entrar em outros assuntos, conte como foi a experiência na  feira plana desse ano em São Paulo*.   A Feira Plana foi uma forma de poder conhecer a maioria das pessoas  que conhecia apenas pela internet, foi tudo muito lindo.   3.  Eu  conheci  seu  trabalho  por  meio  de  cartazes de shows que fez, certamente música tem  grande  influência  na  sua  vida,  né?  Fale  um  pouco  sobre essa influência.   A música é a maior base do meu trabalho, pois   me  desperta  sentimentos  e  emoções  que  tento  traduzir em imagens.   4. Como foi que você veio parar nesse lado  mais underground do desenho?   Na verdade, tudo aconteceu de uma forma  muito espontânea, a estética punk veio pela falta de oportunidade de fazer aulas  de desenhos e aprender sozinho, apesar de desenhar desde minha infância.


5. Há uma inadequação, uma feiúra/tristeza nos personagens que você  desenha que chocam um pouco, é um pouco disso que você quer despertar nas  pessoas?   Meus  personagens  surgem  das  minhas  emoções,  eles  são  a  materialização da tentativa de expulsar a tristeza que há em mim. Quando passo  muito tempo sem desenhar fico muito mal, parece que o peso do mundo está nas  minhas costas.  Mas o fato é que não sei  desenhar gente feliz e nem bonita!!  Hahaha.     6. Seu desenho é pra meter o dedo na ferida do cérebro das pessoas,  não? Você acha importante que seu desenho não soe inofensivo?   Sim, na maioria das vezes falo isso, o desenho não é pra agradar ninguém,  é pra fazer as pessoas sofrerem e repensar os valores que elas carregam.  Ainda estou estudando formas de fazer que isso seja cada vez mais eficiente.  Tem uma citação de um livro que tenho que gosto muito:   As pessoas não serão acordadas através de palavras bonitas e rebuscadas. ELAS PRECISAM SER ACORDADAS COM UM BALDE DE ÁGUA FRIA! É o que eu penso pelo menos. Se o meu zine não servir para chocar, irritar, levantar discussões e levar pessoas a repensar opiniões [...] então eu acho que ele não serve para nada.¹

  8. Você é muito ativo no meio das zines, como você vê o cenário desse  tipo de publicação no Brasil atualmente?   Cara, vejo que desde quando eu comecei  a fazer zines a produção  aumentou bastante e cada vez mais vem surgindo novos veículos de mídia que  ajudam as publicações independentes como é o caso da Feira Plana. Meu TCC foi  sobre zines e apresentei como proposta para a aprimoramento do ensino nas  escolas com a temática “Fanzine como material pedagógico nas escolas”.     9. Quantos zines já lançou/editou? Poderia falar um pouco da ideia de  cada um?   Meu primeiro zine, que é intitulado “Jajá Félix #1”, é uma compilação de  desenhos feitos entre 2010 e 2011, logo após lancei um projeto chamado  Fanzine Treze que tinha como objetivo reunir alguns artistas que eu admirava  ¹ Apocalypse Wow, n. 4. Curitiba, 1998 MORAES, Everton. A escrita como guerra: ética e subjetivação nos fanzines Punk. In MUNIZ, Celina (Org.) Fanzines, autoria,  subjetividade e invenção de si. Fortaleza: Ed. UFC, 2010..


12- Indique alguns artistas que estão publicando zines no Brasil Atualmente. Os artistas que correm comigo são muitos, mas eu vou citar alguns dos meus  parceiros mais frequentes:   Fabio  Gava,  Conehorror,  Flavio  Grão,  Mariana  Moyses  (Falafel),  Elga  Libano, Brunno Diamante, Rogério Geo Dos novos astistas que eu curto bastante  são Lovelove6, Laura Athayde (Boobie Trap), Mazo, Magra de Ruim, Teenage  Micha. E um internacional que levo até como refererência: Ian Stenverson.    (No blog todos os artistas estão linkados e com tags)   13- Acredita ou pretende viver apenas da sua arte?   Já ganhei dinheiro com isso e acho que tenho que evoluir bastante pra  entrar  no  mercado,  mas  talvez  eu  vire  professor  de  arte,  pois  estou  me  formando em Artes Visuais agora. Vou tentar ao máximo conseguir meu objetivo  de viver da arte.     14 - Raymond Pettibon é influência fácil de notar nos seus desenhos, teria  alguma banda que você gostaria de ser o que ele foi para o black flag, por  exemplo?   Gosto  bastante  do  Ray  mas  acompanho  muito  outros  artistas,  as  pessoas comparam muito por causa do preto e do branco mas isso veio por  causa da falta de tempo e as vezes preguiça de colorir hahaha. Eu não consigo  pensar em alguma banda agora hahaha.


Jarlan Félix


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