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A N O I I I / E D I Ç ÃO 5

MATO GROSSO DO SUL U M A P U B L I C AÇ Ã O D O G O V E R N O D O E S TA D O D E M AT O G R O S S O D O S U L

T U R I S M O C U LT U R A L 2 0 1 8


EM NOSSA ARTE DE CAPA

Cocares indĂ­genas produzidos com penas de araras e louros descartadas na troca de penugem. Propriedade: Kalymaracaya


SINTONIA

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//SUMÁRIO CAPA

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MARINA PERALTA E TRINKA

Novos talentos, vozes e estilos cheios de personalidade ganhando espaço no Estado e no Brasil.

SINTONIA /// 6 EXPRESSÃO /// 14 ESTILO DE VIDA /// 20 CAPA /// 24 MS ENTREVISTA /// 44 RAIO X /// 52 RADAR /// 56 TURISMO CULTURAL História, cultura e a formação do território de MS contadas por diversos pontos turísticos, ótimas opções para você incluir nas suas próximas viagens.

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EDIÇÃO 05

ACONTECE /// 58 TALENTOS REGIONAIS /// 60


EXPRESSÃO

14 MS ENTREVISTA

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A ARTE É PARA TODOS

DE AQUIDAUANA PARA O ESPAÇO

Uma escola de verdade, mas de brincadeira!

O jovem cientista Luiz Fernando tem apenas 19 anos, mas suas pesquisas já entraram para a

Conheça o trabalho de democratização da

história. Conheça o que essa mente já desenvolveu e entenda porque ele ganhou a honra de

arte realizada pela OSCIP Casa de Ensaio.

ter um asteroide batizado com seu nome.

TALENTOS REGIONAIS

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Editorial RECEITA TERENA Que tal saborear o Hô’e Xanena Xupu? A chef Kalymaracaya ensina um prato típico da cultura Terena simples de ser preparado e que é uma verdadeira viagem gastronômica ancestral.

A Revista Mato Grosso do Sul chega a sua

ando com novidades, o espaço de música

quinta edição com conteúdos muito es-

foi aberto para dois talentos recentes que

peciais. Na matéria de capa, reunimos os

estão estourando nas rádios e ganhando

principais atrativos culturais do nosso Es-

espaço no país, Marina Peralta e a banda

tado, com informações e curiosidades de

Trinka! Esperamos que você se contagie

lugares que contam sobre nossa história e

com as boas energias do trabalho da Casa

cultura. E falando em cultura, na editoria

de Ensaio, se inspire na história do jovem

Talentos Regionais você vai aprender um

cientista Luiz Fernando e desfrute de cada

prato tipicamente Terena ensinado pela

página desta edição.

única chefe indígena do Brasil! Continu-

Boa Leitura!

ANO III

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EDIÇÃO 05


_Acervo Trinka Oficial

Apesar dos estilos bem diferentes essas bandas têm algo em comum: o sucesso! Conheça mais sobre Marina Peralta e Trinka.

ANO III

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_André Patroni

A HORA E A VEZ DE

Marina Peralta Conhecida por muitos como a Rainha do Reggae, a sul-mato-grossense vem conquistando espaço com um estilo musical alternativo e letras de relevância social.

...Esse som quer te fazer pro seu interior

olhar. Então cante, sinta, deixa dançar. O que essa melodia pode proporcionar”.

O

s versos são da canção Novo Canto e traduzem bem o que Marina Peralta pensa sobre a música: “A música é uma forma de comunicação muito efetiva, ela toca as pessoas de uma maneira profunda, que

só o falar não consegue ir longe o suficiente”. E é com esse pensamento que a cantora e compositora tem dado vida e repercussão a questões sociais que estão ecoando na boca de muita gente. Em suas apresentações é possível ver um público eclético e, em suas mídias sociais, os números falam por si. Já são mais de 94 mil inscritos no canal da cantora no YouTube, 100 mil fãs no Facebook e 38 mil seguidores que pelo Instagram acompanham a carreira, interpretações e os momentos de Marina Peralta como mãe da charmosa Lua.

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Apesar de não gostar de rótulos, preferindo dizer que é cantora, independente do segmento musical, atualmente sua principal influência está no Reggae, uma linguagem que, tanto a vocalista como toda a banda se identifica e acredita. Longe dos clichês, o estilo “paz e amor” não é o carro chefe dessa galera. Resgatando a verdadeira essência desse ritmo, Marina usa a música como estratégia de comunicação para levar, às pessoas, pautas que precisam ser debatidas, verdades que precisam ser ditas, “Às vezes eu componho algo que estou vivendo, mas às vezes são coisas que eu sinto que o mundo precisa ouvir”. E nesta filosofia é que sua voz suave fala sobre a opressão vivida pelas mulheres, a realidade dos povos indígenas, racismo e outras questões sociais.

Ela foi chegando devagar

Veio já tirando todo o ar Desmistificando tudo o que o povo insiste em falar E a sua roupa ela escolheu Não pediu pra você nem pra eu Entendeu que ela mesma manda Nesse corpo que é seu” (Ela Encanta – Marina Peralta)

Só agradece a esse dia que foi dado

Agradece à natureza e o cuidado Agradece, novo dia, nova chance de recomeçar”. (Agradece – Marina Peralta)

ANO III

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BOMBANDO POR AÍ 2017 foi o ano de Marina Peralta, seus shows arrastaram multidões aqui em Mato Grosso do Sul e fora também. A banda tocou para mais de 10 mil pessoas em outros estados e dividiu palco com grandes nomes como Crioulo, Racionais e Ponto de Equilíbrio. Aqui em MS onde tem Marina Peralta é certeza de casa lotada. Em março deste ano, a cantora levou uma legião de fãs no seu show na Morada dos Baís, o resultado? O evento lotou e centenas de pessoas nem conseguiram entrar, curtiram a apresentação da cantora do lodo de fora. Se já tá sendo bom, 2018 promete muito mais. A cantora contou que estão trabalhando em novas canções e composições, experimentando novos formatos e fazendo parcerias com músicos de MS e outros estados

também. E o melhor, vem disco novo por aí! A programação da banda é que seja gravado no final deste ano

E a libertação vem do conhecimento

Da realidade e não do julgamento História do povo negro não se conta na escola

ou começo de 2019.

MOMENTO ESPECIAL NA CARREIRA São vários os momentos que a cantora guarda com

Racismo que até hoje dói guardado na memória

carinho, dividir o palco com artistas que ela sempre

O que se aprende, oi, tem que filtrar

admirou é um deles. Mas quando questionada sobre o

Rosa não é só de menina, homem também pode chorar O que defende, oi, tem que agregar Segregação te aliena e te impede de sonhar” (Luz – Marina Peralta)

principal entre todos, ela não tem dúvida: “Foi no lançamento do nosso disco. Eu estava grávida e nós fizemos o show de lançamento na Concha Acústica, aqui em Campo Grande. O show lotou e ver todo mundo cantando e a minha filha junto comigo, compartilhando aquele momento foi muito lindo. Eu gosto de tê-lo como um marco”.

marinaperaltacg@ originalmarinaperalta Marina Peralta

_Fotos: André Patroni

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_Acervo Trinka Oficial

Trinka

UMA MISTURA DE MUITO BOM GOSTO Três profissionais com mais de 15 anos de carreira, diferentes estilos que se uniram para criar um som. O resultado são grandes performances e um novo single que está com tudo!

S

e você mora em Mato Grosso do Sul já deve ter ouvido falar desses nomes: Fábio Adames, Danilo Dan e Chicão Castro. E se escuta rádio, certamente já ouviu “eu só quero paz, ser feliz demais. Não quero ser nor-

eu só quero paz, ser feliz demais.

Não quero ser normal, não é pedir demais” (Quero Paz – Trinka)

mal, não é pedir demais”. Essa é a música Quero Paz, o novo single da banda Trinka lançada em março. O grupo surgiu em abril de 2017 da ideia do DJ Danilo Dan em fazer uma proposta diferente, unir ao seu som elementos orgânicos como guitarra e violão, uma pegada nova em MS. Para concretizar o projeto, o DJ convidou o produtor musical Fábio Adames que faz vocal e violão e o músico Chicão Castro responsável pela percussão e vocal.

ANO III

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A segunda música da banda ganhou um videoclipe que traduz muito bem a identidade desse trio, uma combinação de muito bom gosto. Música eletrônica, clássica e elementos do folk regional dão ritmo aos versos que, segundo a banda, é “uma oração pela paz que a gente tanto deseja”. O clip foi lançado nas redes sociais e conta com a participação da banda sul-mato-grossense Muchileiros, além de uma mini orquestra e um coral. O som já é hit nas rádios.

MAQUIAGEM, LUZES, CORES E BRILHOS! Além da mistura de gêneros, o grupo tem características bem marcantes em suas apresentações. Em seus shows e até nos clips, os músicos se apresentam com corpse paint, pintura preta e branca feita no rosto, os efeitos especiais nas apresentações contam com jogo marcante de luzes, explosão de CO2, brilho e muitas cores.

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A PRIMEIRA... “Deixa o amor fluir” foi a primeira canção autoral da banda e contou com a participação de profissionais reconhecidos internacionalmente, como o DJ Santti, e o engenheiro de masterização Chris Gehringer que já fez trabalhos com Rihanna, Lady Gaga e Jason Mraz. No clipe, a dupla sertaneja de Dourados, Paulo e Jean, fez uma participação especial.

_Fotos: Acervo Trinka Oficial

oficialtrinka @trinkaoficial

uma oração pela paz que a gente tanto deseja”. Trinka

ANO III

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Casa de Ensaio

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Na Afonso Pena brilha um arco-íris. No arco-íris um pote de ouro. Casa de Ensaio é um tesouro que reluz, acena com o futuro. (Fragmentos do livro Casa de Ensaio, 2014).

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“É uma escola de verdade, só que de brincadeiras”

Essa definição foi dada por uma criança de nove anos sobre a Organização da Sociedade Civil (OSCIP), Casa de Ensaio. Em atividade há 22 anos, já passaram por aqui mais de 15 mil crianças e adolescentes. Mas o que eles fazem nesse espaço?

A

Casa de Ensaio é responsável pelo contato de crianças e adolescentes com a arte em suas diversas formas expressão e vem se tornando um centro de arte-educação dedicado a pesquisas e

experimentos artísticos para infância e juventude. Foi na busca por um novo espaço artístico vivo e educacional que surgiu a Casa de Ensaio, que em seus primeiros anos, desenvolvia proje-

tos apenas com adolescentes, na maioria com experiência nas ruas e abrigos.

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_EXPRESSÃO // CASA DE ENSAIO

COMO OFERECER ARTE A QUEM NÃO TEM QUASE NADA? Entre tantos desafios, o principal era trabalhar a arte com adolescentes carentes e desprovidos de atendimentos básicos de forma que não lhes parecesse algo supérfluo. Como mostrar e praticar a arte como agente de transformação? O caminho foi árduo, mas a idealizadora da Casa de Ensaio, a atriz e educadora Lais Doria conseguiu não apenas realizar o primeiro projeto, “Nessa Rua tem Talento”, como também formou o primeiro grupo de teatro social em Campo Grande, o JAMP – Jovens Atores Ampare e, dando um passo de cada vez, deu vida à Casa de Ensaio e transformou a história de muitos jovens por meio da arte.

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A CASA EM NÚMEROS • 22 anos de existência • + de 15 mil crianças e adolescentes atendidos • 130 crianças contempladas anualmente

de 54 bairros diferentes de Campo Grande e de 50 escolas (90% públicas) • Média de 70 livros lidos por ano pelas crianças

+ de 50 ações entre festivais, carpet shows, atos artísticos, espetáculos, brincatos, etc. Todos os

A EVOLUÇÃO DA CASA DE ENSAIO

eventos gratuitos e abertos à comunidade.

O amadurecimento transformou o projeto em OSCIP e esta

DIVERSOS PRÊMIOS

tornou-se um Centro de arte, educação, cultura, social e meio ambiente que ampliou seus atendimentos, com a compreensão

• Funarte de Teatro Myriam Muniz (2007 e 2008)

de que, quanto antes crianças e jovens forem retirados da rua,

• Líder Avina (2006)

quanto antes for o contato com a arte, maiores são seu envolvi-

• Semifinalista do Prêmio Itaú UNICEF (2007)

mento e suas possibilidades.

• 1º lugar no Prêmio IEL de Estágio na etapa regional

Com esse trabalho social, a Casa de Ensaio atende anual-

de MS (2009) e Pontinho de Cultura (2010)

mente cerca de 100 alunos, preferencialmente de escolas

• Representada em eventos em diversos países:

públicas, por meio de seu programa principal “Brincaturas

Equador, Peru, Guatemala, Argentina, Chile,

& Teatrices”, que segue a pedagogia das Artes Emendadas,

Bulgária, Uruguai e Alemanha.

desenvolvida por Laís Doria. O curso é gratuito e privilegia o teatro sem deixar de lado as outras manifestações artísticas como os jogos tradicionais, a dança, a música, as artes visuais, a literatura, o cinema e as multimídias. As oficinas ampliam horizontes culturais e permitem a descoberta de sonhos, às vezes adormecidos. Os alunos ingressam a partir dos 10 anos, podendo permanecer até os 17. São jovens e crianças que têm a oportunidade de se desenvolverem como pessoas e cidadãos por meio da cultura, educação e socialização. A sede própria foi uma doação da prefeitura em reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela OSCIP. E foi assim que, em 2012, um prédio abandonado por mais de três décadas, localizado na avenida mais importante da capital sul-mato-grossense, ganhou cores, vida e alegria. A nova sede conta com cantina, sala-galeria com biblioteca de artes, sala de música equipada com diversos instrumentos, sala de cinema, de figurino, de dança e teatro com arquibancada e uma garagem que funciona como um espaço alternativo para eventos.

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_EXPRESSÃO // CASA DE ENSAIO

_Fotos: Acervo Casa de Ensaio

As novas vagas para o Brincaturas & Teatrices são abertas nos primeiros meses de cada ano. A Casa também realiza cursos, palestras, shows e oficinas para o público em geral e é possível acompanhar a programação pelo site e redes sociais. www.casadeensaio.org.br casadeensaio @casadeensaio

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_OpenMS

ESTILO DE VIDA CASA SUSTENTÁVEL: PROJETOS BIO-SAUDÁVEIS E INTELIGENTES, 25% MAIS BARATOS E TEMPO RECORDE DE CONSTRUÇÃO.

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_ESTILO DE VIDA

C

ampo Grande é a localização de uma casa modelo do tipo sustentável. Considerada como padrão europeu, a convencional construção tijolo por tijolo perde a vez por aqui. Os componentes são feitos

em máquinas que não desperdiçam materiais e as matérias-primas usadas são consideradas como “amigas do meio ambiente”. Se você se interessa por iniciativas sustentáveis ou de preservação do meio ambiente vai ficar ainda mais animado com a economia que essa alternativa oferece para o bolso, em média, essas construções saem 25% mais baratas, podem ficar prontas (dependendo do projeto) em seis dias utilizando mão de obra de apenas quatro trabalhadores! O foco da sustentabilidade do projeto proposto em Campo Grande é no consumo de energia, água e qualidade do ar. Veja mais detalhes.

_OpenMS

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AR CONDICIONADO PARA QUÊ? Para quem convive com o calor sul-mato-grossense, pensar em uma casa que não precise de ar condicionado é fora da realidade, mas as paredes dessas casas recebem isolamento térmico e acústico, com espuma de fios de vidro por dentro e por fora. As janelas são específicas para impedir que o calor de fora seja transferido para o ambiente interno, mantendo a temperatura agradável e dispensando o uso do aparelho.

PRODUÇÃO PRÓPRIA DE ENERGIA A casa é equipada para produzir sua própria energia, a captação é solar e o que não é consumido da energia produzida volta para rede elétrica. Um contador mede a quantidade de energia produzida, o quanto foi consumido e a quantidade encaminhada à rede, assim além de não ter conta de luz, a casa contribui com o sistema ao ser geradora de energia e por utilizar uma fonte considerada limpa.

PURIFICAÇÃO DE ÁGUA E AR O purificador instalado no cavalete da rua é capaz de retirar impurezas da água antes que ela chegue à torneira da residência, assim como o aparelho de ar, que retira as bactérias do ambiente.

AO GOSTO DO FREGUÊS Produzida a partir de uma estrutura de aço inoxidável e de uma madeira chamada OSB 3, a casa é resistente à água, fogo e cupins. Depois da estrutura produzida e a montagem realizada, o acabamento final pode ser feito da forma desejada, com azulejo, látex, textura e afins. _OpenMS

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_ESTILO DE VIDA

OUTRAS INICIATIVAS... Em Corumbá, a comunidade ribeirinha localizada na Serra do Amolar foi beneficiada com casas sustentáveis projetadas para atender as necessidades específicas dos moradores que sofriam com as variações climáticas da região. As casas são adaptações modernas e sustentáveis das palafitas, moradias suspensas construídas às margens dos rios pelos ribeirinhos. Os imóveis foram criados com placas fabricadas a partir do reaproveitamento de alumínio, plástico e resíduos industriais que não encharcam com água, são resistentes ao fogo e possuem equilíbrio térmico. Além de telas nas janelas, as casas têm um sistema de reaproveitamento de água da chuva para suprir a necessidade quando a água do rio fica imprópria para o uso e, também, fossas biodigestoras implementadas nos banheiros que auxiliam a reduzir casos de verminoses. Como a comunidade é de difícil acesso, foi implantada uma mini central elétrica que produz energia solar para a iluminação da vila.

_Iasmim Amiden (Ecoa)

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CAPA

TURISMO CULTURAL HISTÓRIA, CULTURA E A FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO DE MS CONTADAS POR DIVERSOS PONTOS TURÍSTICOS. SEPARAMOS VÁRIAS OPÇÕES PARA VOCÊ INCLUIR NAS SUAS PRÓXIMAS VIAGENS!

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_Memorial da Cultura IndĂ­gena

_Bolivar Porto

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_Museu das Culturas Dom Bosco

M

_@visitmsoficial

ato Grosso do Sul de um turismo diversificado! Além dos melhores destinos do Brasil e do mundo quando o assunto são belezas naturais, o turismo cultural também é uma ótima opção para quem prefere passeios carregados de histórias, informações e lembranças.

Nós separamos alguns atrativos para você se programar para as próximas viagens e também ficar por dentro do que nosso Estado oferece para quem vem nos visitar.

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_TURISMO CULTURAL

CAMPO GRANDE

Para quem mora na capital ou veio passear por aqui, a cidade tem pontos turísticos que são verdadeiras paradas obrigatórias quando o assunto é a cultura da nossa terra!

MERCADÃO MUNICIPAL

_Mercadão Municipal

_Bolivar Porto

Construído em 1958, o Mercadão, como é conhecido, é considerado um dos espaços mais democráticos da cidade. Uma explosão de cores, cheiros e sabores. Aqui, encontra-se um pouco de tudo da cultura sul-mato-grossense: ervas medicinais, artesanatos, carnes, queijos, hortifrúti produzidos por indígenas, temperos variados, corredores inteiros de erva de tereré, peixarias e o famoso pastel do mercadão que além dos sabores tradicionais, oferece recheios que são a cara do MS: linguiça com pequi, pantaneiro (carne seca com banana da terra), carne de jacaré, pizza de tilápia e muito mais.

ANO II

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COMPLEXO FERROVIÁRIO Localizado no antigo terminal ferroviário da cidade, foi tombado pela União como patrimônio histórico e sua arquitetura industrial, de influência inglesa, é uma das poucas no Brasil que mantém as características originais. Foi com este espaço que Campo Grande estreou como patrimônio protegido em nível federal, a iniciativa é para resguardar a história da cidade, que ganhou projeção econômica e política com os trilhos da Noroeste do Brasil. Dentre os imóveis do complexo estão as casas dos operários, dos funcionários intermediários e dos graduados, além da estação. No complexo também se encontra a Vila dos Ferroviários e o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul. A Esplanada Ferroviária também é o endereço da Feira Central, uma estrutura que oferece variadas opções de comida, com destaque para as orientais. A Feirona, como é conhecida, é palco de importantes eventos, o maior deles é o Festival do Sobá, comida típica trazida por imigrantes japoneses de Okinawa e que é patrimônio imaterial da cidade.

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_TURISMO CULTURAL

_Esplanada Ferroviรกria

_Bolivar Porto

ANO III

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CASA DO ARTESÃO O prédio centenário abrigou a primeira sede do Banco do Brasil da cidade, construído entre os anos de 1918 e 1923 está situado bem no centro da capital, sendo símbolo do seu crescimento. A inauguração do espaço como Casa do Artesão aconteceu em 1975, e hoje, é um dos principais locais de comercialização de artesanato de Mato Grosso do Sul. São milhares de peças expostas produzidas em todo o Estado, que representam a cultura regional. As opções vão desde bijuterias, acessórios, licores, imagens sacras, até peças indígenas feitas em argila e madeira que retratam a fauna e flora pantaneiras.

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_Casa do Artesão

_Bolivar Porto


_TURISMO CULTURAL

MORADA DOS BAÍS O primeiro sobrado construído em alvenaria em Campo Grande fica na esquina das avenidas Afonso Pena e Noroeste. Os trilhos dos trens preservados ajudam a contar a história desse prédio que começou a ser construído 1913 por Bernardo Franco Baís, pai da artista Lídia Baís. A família Baís, uma das pioneiras no Estado, morou no sobrado por cerca de 20 anos, depois da saída dos proprietários, funcionou por muitos anos a Pensão Pimentel. Na década de 70, um grande incêndio foi o responsável por algumas características originais do prédio terem se perdido. Com seu tombamento histórico, o espaço passou por uma obra de revitalização em 1995, quando foram descobertas pinturas da artista Lídia Baís na época em que residia no sobrado. Atualmente, o prédio é um dos mais importantes endereços culturais da cidade com exposições permanentes e temporárias de artistas locais além de abrigar o Museu Lídia Baís. À noite, o antigo sobrado oferece gastronomia e música.

_Morada dos Baís

_@visitmsoficial

ANO III

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CULTURA INDÍGENA NA CAPITAL

MUSEU DAS CULTURAS DOM BOSCO Popularmente chamado de Museu do Índio, é reconhecido mundialmente pelo rigor científico do seu acervo. Cerca de 40 mil peças compõem suas riquezas - divididas em diferentes áreas como mineralogia, paleontologia, etnografia, arqueologia e zoologia, além peças indígenas de várias culturas como Xavantes, Bororos entre outros. Aves e mamíferos embalsamados, conchas e borboletas de diversos continentes, minerais e insetos também fazem parte do seu acervo. O Museu das Culturas fica dentro do mais importante cartão postal de Campo Grande, o Parque das Nações Indígenas.

_Museu das Culturas Dom Bosco

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_@visitmsoficial


_TURISMO CULTURAL

MEMORIAL DA CULTURA INDÍGENA No formato de uma grande oca, construído com bambu tratado e coberto com palha de bacuri, o Memorial da Cultura Indígena fica na aldeia urbana Marçal de Souza. A estrutura dispõe de dois núcleos: o maior é dedicado à exposição e comercialização de peças artesanais da cultura indígena, principalmente cerâmica terena, artesanatos em palha, telas e demais objetos com inspirações nesta cultura, enquanto no menor funciona uma oficina de artesanato. A aldeia urbana Marçal de Souza abriga indígenas da etnia Terena, a escola que funciona na localidade, Escola Municipal Sulivan Oliveira – Tamure Kalivono (que significa Criança do Futuro), é bilíngue – os estudantes são alfabetizados em português e no idioma terena.

_Memorial da Cultura Indígena

_Bolivar Porto

ANO III

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_Casario do Porto

CORUMBÁ

O coração do Pantanal sul-mato-grossense é uma das cidade mais antigas do Estado. Sua história começa por volta de 1775 e, apesar de já ter quase dois séculos e meio, suas ruas, prédios e paisagem urbana revelam detalhes incríveis do seu passado. Alguns lugares são parada obrigatória para uma imersão cultural.

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_Bolivar Porto


_TURISMO CULTURAL

CASARIO DO PORTO Com influência europeia da segunda metade do século XIX, os prédios refletem o ciclo do grande comércio fluvial da região vinculado à economia internacional do período, à política colonial territorial e interiorização da fronteira oeste brasileira até o início do século XX. São suntuosos casarões e sobrados que hoje dão lugar a museus, exposições e agências de turismo. A região também é o endereço do cartão postal da cidade, o Porto Geral. A expressão da natureza envolvida no clima histórico faz o cenário ser conhecido mundialmente.

ANO III

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FORTE JUNQUEIRA _Forte Junqueira

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_Bolivar Porto

Testemunha da formação de Mato Grosso do Sul, o Forte Junqueira foi construído após a Guerra da Tríplice Aliança com objetivo de reforçar a segurança na fronteira do Brasil. Além da sua dimensão e arquitetura encantadora, a visita ao Forte é uma imersão à história do Estado. A estrutura foi construída de pedra rejuntada e argamassa sobre uma grande formação rochosa. Na estrutura, ficam expostos canhões de origem alemã fabricados para a proteção da fronteira, mas que nunca foram usados.


_TURISMO CULTURAL

FORTE COIMBRA Símbolo da resistência brasileira durante a Guerra do Paraguai, o Forte Coimbra foi construído pela engenharia portuguesa no século XVIII. São 100 quilômetros para chegar ao Forte e o trajeto só é possível de barco ou pelo ar. Situado às margens do rio Paraguai, a estrutura militar resistiu a fortes investidas do país vizinho e o que não foi perdido na guerra, ganhou espaço em um pequeno museu que funciona dentro do Forte.

_Forte Coimbra

_Bolivar Porto

ESCADINHA DA XV A Escadinha da XV foi construída em 1923, é um dos pontos de acesso da região alta da cidade ao Porto Geral e parte significativa da paisagem histórica de Corumbá. São 126 degraus que proporcionam uma vista inesquecível do rio Paraguai e do Pantanal. Ela tem esse nome por se encontrar no cruzamento da Avenida General Rondon com a rua Quinze de Novembro. Visitá-la é fazer uma viagem pela história!

_Escadinha da XV

_Bolivar Porto

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MUSEU DE HISTÓRIA DO PANTANAL A importância e riqueza deste museu começa no próprio prédio que deu lugar a este acervo. O espaço, construído em 1876, funcionou como um dos principais armazéns do Porto Geral e foi sede da 14ª agência do Banco do Brasil. O piso e a escada de ferro com desenhos exóticos vieram da Inglaterra e permanecem originais até hoje. No museu, o Pantanal é apresentado sob vários ângulos, a paisagem muda gradativamente da seca para a enchente e do dia para a noite, efeitos sonoros acompanham essas mudanças como chuva, trovões, barulhos de pássaros e outros animais completando as fotografias e vídeos. O museu também abriga um espaço destinado a contar a história da ocupação territorial e atividades econômicas e possui conteúdos ligados à arqueologia, etnologia, história e antropologia social.

_MUHPAN

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_Bolivar Porto

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_TURISMO CULTURAL

PONTA PORÃ

O destino preferido no Mato Grosso do Sul quando o assunto é turismo de compras também pode ser uma oportunidade de aprender mais sobre o desenvolvimento econômico da região de fronteira.

MUSEU DA ERVA MATE Inaugurado em 1997, é considerado o maior acervo que conta a saga da erva-mate na região de fronteira. São mais de 3 mil peças que incluem fotografias, vídeos, utensílios domésticos, material impresso, documentos, mobiliário, armas, máquinas que resgatam o processo de industrialização e exploração da erva-mate, além de uma biblioteca com diversas obras específicas sobre o tema. O museu também conta com um acervo de registros históricos importantes, como a visita de Getúlio Vargas à Ponta Porã na década de 40.

_Museu Erva Mate

_Bolivar Porto

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_Capela Santo Fujão

_Bolivar Porto

CAPELA SENHOR DO BOM JESUS “SANTO FUJÃO”

COSTA RICA

A cidade é conhecida pelo turismo de aventura, parques naturais, cachoeiras e plantas exóticas, mas quem vai à Costa Rica não pode deixar de passar na Capela Senhor do Bom Jesus, que abriga um santo de pés cortados que é muito famoso na cidade, o “Santo Fujão”.

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Movida pela tradição religiosa da família do major Taques, a população construiu uma nova capela na cidade para abrigar a imagem do Senhor Bom Jesus em 1838. Depois de pronta, o santo foi transferido para a nova estrutura, mas por inúmeras vezes, a imagem sumia da nova construção e reaparecia na antiga capela. Para que isso não acontecesse mais, os fiéis cortaram os pés do santo e foi assim que ele nunca mais fugiu. A história resistiu ao tempo e a Capela do Santo Fujão tornou-se parte da cultura da cidade.


_TURISMO CULTURAL

LADÁRIO

Situada às margens do Rio Paraguai, na região pantaneira, Ladário faz divisa com a cidade de Corumbá.

PÓRTICO HISTÓRICO DA BASE NAVAL Com forte influência da Marinha do Brasil, um dos cartões postais da cidade é o Pórtico Histórico da Base Naval. Construído em 1873 é inspirado no Arco do Triunfo de Paris, capital francesa. Em frente ao Pórtico, é realizado o ritual militar da Troca de Guarda da Fortaleza Naval de Ladário, todo último domingo de cada mês durante o pôr do sol. Imagine que clique lindo você pode fazer aqui!

_Portal 6º Distr. Naval

ANO III

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_Bolivar Porto


_Centro Referencial da Cultura Indígena

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_@visitmsoficial


MIRANDA

Miranda é uma das cidades mais antigas de Mato Grosso do Sul, juntamente com Corumbá e Ladário. Sua arquitetura centenária é um atrativo à parte e quem passa por lá pode conferir o que há de melhor da cultura indígena Terena.

CENTRO REFERENCIAL DA CULTURA TERENA Localizado na entrada da cidade, sua estrutura lembra as moradias indígenas. Quem passa por lá encontra vários tipos de artesanatos produzidos pelos índios da região como esculturas de animais do pantanal em argila e madeira, artigos em palha de taboa, milho e banana, todos produzidos por assentados terenas.

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MS ENTREVISTA Luiz Fernando da Silva Borges Cientista

Ele tem apenas 19 anos, mas as contribuições deste sul-mato-grossense já entraram para a história e seu nome está registrado até no espaço! Isso porque Luiz Fernando ganhou a honra de ter um asteroide batizado com seu sobrenome como reconhecimento a uma de suas pesquisas inovadoras. Já são três projetos concretizados e mais alguns em desenvolvimento que inclui um equipamento capaz de se comunicar com pessoas hospitalizadas em estado vegetativo e coma. Ficou curioso? Nas próximas páginas você vai conhecer melhor os projetos desse jovem cientista que tem tudo para eternizar seu nome na neurociência.

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_Youssef Bueno

O JOVEM LUIZ FERNANDO

L

uiz Fernando da Silva Borges é de Aquidauana,

Como resultado dessas premiações, o jovem cientista já

interior do estado, filho da professora Nilza Ne-

tem uma lista de países em que teve a oportunidade de

ves da Silva sempre morou com sua mãe, bisavó

participar de grandes pesquisas e também experiências

e uma tia. Estudante da rede pública, tem três

incríveis em outras culturas. O melhor de todos os prê-

paixões declaradas: medicina, informática e neurociência.

mios, no entanto, não veio em forma de viagem e muito

Aos 14 anos, iniciou o curso Técnico Integrado em Informá-

menos é possível de ser guardada em casa, é um asteroide

tica no Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) e foi

que recebeu o sobrenome do pesquisador, o 33503 Dasil-

a partir daí que Luiz Fernando começou a desenvolver proje-

vaborgess. A honra foi pelo primeiro lugar conquistado na

tos de grande impacto na ciência.

Feira Internacional nos Estados Unidos em 2016. Luiz Fer-

Hoje, o aquidauanense é considerado o jovem cientista mais

nando divide a honraria com pessoas como Albert Eins-

premiado do Brasil, são mais de 60 premiações, entre elas o

tein, Neil Armstrong, Sigmund Froid, Cleópatra, Willian

título de melhor projeto na categoria de engenharia biomé-

Shakespeare e Beatles.

dica na maior feira de ciências e engenharia do mundo, a Intel International Science and Engineering Fair, que acontece anualmente nos EUA.

Está curioso para saber o que essa mente já criou? Então acompanhe o raciocínio! ANO III

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PESQUISAS CIENTÍFICAS PROJETO: Copiador de DNA de baixo custo Data: 2013 - Aos: 15 anos

Capaz de copiar várias vezes um fragmento de DNA, o termocicladoor é um aparelho usado para testes de paternidade, análises forenses, pesquisas de melhoramento genético, entre outras situações. No entanto, seu preço é bastante proibitivo, a unidade custa cerca de R$ 40 mil. Neste projeto, Luiz Fernando desenvolveu uma nova versão que reproduz a mesma função do equipamento comercial com a mesma eficiência e a um preço 47 vezes menor. Utilizando materiais alternativos, ele construiu seu protótipo por R$ 850. Além disso, o estudante implementou melhorias no produto que foram consideradas Participação ISEF 2017

_Febrace

por alguns laboratórios como sendo um erro importante a ser corrigido na versão comercial. Repercussão: Esse projeto foi o passaporte para sua primeira participação na Intel International Science and Engineering Fair (EUA), sendo reconhecido pela Associação dos Estados Americanos (OEA), como tecnologia inovadora para o desenvolvimento das Américas.

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EDIÇÃO 05


_MS ENTREVISTA // LUIZ FERNANDO

PROJETO: Novo método de controle de próteses e sensação tátil Data: 2015 - Aos: 16 anos

A pesquisa é considerada o primeiro método de controle do mundo capaz de melhor transformar sinais musculares de um amputado em sinais de movimento. O trabalho de Luiz Fernando permite, no caso das próteses de antebraço, saber com mais precisão quais são os movimentos que se pretende fazer com

Os testes utilizaram recursos de realidade virtual e impressão

a mão, de maneira contínua, até o nível das juntas, individual-

3D, não foi construída prótese robótica neste caso, pois ainda

mente. O que isso significa? Que as próteses que atualmente

não existe prótese mecânica capaz de executar todos os movi-

são limitadas apenas a dois movimentos, de abrir e fechar as

mentos que o método identificou.

mãos, podem ser capazes de digitar o teclado de um computa-

Repercussão: O projeto foi considerado o melhor do mundo na

dor ou tocar um piano, por exemplo.

área de engenharia biomédica, na Intel ISEF 2016, maior e mais

Além disso, essa pesquisa foi responsável por outro avanço, uti-

importante Feira de Ciências e Engenharia. Ganhou o “Best of

lizando-se da Síndrome do Membro Fantasma – em que o am-

Category”, “First Place Award” e o “Philip V. Streich Memorial

putado tem a sensação de que o membro não foi perdido - foi

Award”. O impacto do seu trabalho chegou ao MIT Lincoln La-

possível recuperar sensações táteis, como se a prótese virtual

boratory que batizou um asteroide com o sobrenome do estu-

fosse o braço deles!

dante, o 33503 Dasilvaborges.

_Arquivo pessoal

ANO III

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Simulação equipamento Hermes Braindeck

_Acervo Associação Beneficente Santa Casa

PROJETO: Hermes Braindeck – aparelho para comunicação com pacientes em coma ou estado vegetativo. Data: 2017 - Aos: 18 anos

O Hermes Braindeck é um equipamento que identifica a capacidade de pessoas, em estado vegetativo e coma, responderem a comandos sem a necessidade de movimento muscular, apenas com o exercício do pensamento. E mais, o programa consegue guiar os pensamentos do paciente para que sejam convertidos em palavras, tornando possível a comunicação com pessoas em estado vegetativo. Por conta da legislação brasileira, os testes só foram possíveis em

PROJETO: Iniciativa Reminiscentia: Clonagem de memórias Data: 2018 - Aos: 19 anos

pessoas despertas, com o alto índice de acerto na decodificação de pensamentos a pesquisa está nos trâmites finais de avaliação ética

Imagine um futuro onde você possa pagar uma pessoa para

realizada por um comitê de uma instituição de ensino e pesquisa

aprender a tocar piano e, enquanto ela tem as aulas e executa as

de Campo Grande e, em breve, devem ser iniciados os testes nos

tarefas práticas, esse conhecimento é roteado para você permi-

pacientes em coma e estado vegetativo da Santa Casa da capital.

tindo que aprenda de maneira passiva tudo o que ela aprendeu

Repercussão: Com este trabalho, Luiz Fernando foi vencedor pela

enquanto está fazendo qualquer outra tarefa do seu dia a dia.

terceira vez da Intel International Science and Engineering Fair (In-

Parece surreal? Não para o Luiz Fernando, que iniciou um novo

tel ISEF). O canal History Channel veio a Campo Grande para con-

projeto este ano para comprovar sua hipótese de que é possível

tar a história de criação do projeto. Mais recentemente, o jovem

transferir aprendizados ou memórias entre o cérebro de dois

cientista foi convidado para participar do programa Conversa com

animais. O projeto está em andamento e os primeiros resulta-

Bial também para falar sobre este projeto.

dos estão previstos para 2019

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EDIÇÃO 05


Participação no Isef 2016 _Society for Science and the Public

MS: Você é considerado o estudante mais premiado em feiras

MS: Você foi procurado pelo Museu do Amanhã (RJ) para gravar

de ciências da história do país, já são mais de 60 prêmios. Qual

um documentário. Como foi a repercussão deste trabalho?

é o mais importante par você?

Luiz Fernando: Exatamente. Foi uma exposição temporária que

Luiz Fernando: Com certeza a nomeação do asteroide com o meu

ficou em exibição por um pouco mais de um ano, sediada no

sobrenome, porque pouquíssimas pessoas no mundo tiveram essa

Museu do Rio de Janeiro em uma sala chamada Inovanças. No

oportunidade. Eu compartilho essa honra com grandes cientistas,

final da exposição cerca de 600 mil visitantes puderam assistir

personalidades, atores famosos. Foi basicamente observando gran-

a história do projeto da prótese em português, inglês, espanhol

des personalidades na ciência que deram seus nomes a prédios, bi-

e libras. Era um totem exclusivo sobre este projeto e está regis-

bliotecas ou técnicas científicas que comecei a vislumbrar uma vida

trado também no livro que eles publicaram sobre a exposição.

na ciência quando criança. Foi mais cedo que eu esperava, mas acabei conquistando algo semelhante do que eu tanto admirava.

MS: Você recebe muitos convites para palestrar. Suas apresentações geralmente têm qual teor e o que você procura transmi-

MS: Para você desenvolver todos esses projetos, quem foram

tir com elas?

seus incentivadores?

Luiz Fernando: Em todas as minhas palestras eu conto os bas-

Luiz Fernando: Do Hermes Braindeck em diante, minhas pes-

tidores por trás das pesquisas que desenvolvi, porque todos

quisas contam com o incentivo de um empresário aqui do Es-

os que já fizeram pesquisas práticas sabem que durante o de-

tado, o Ricardo Nantes, que possibilitou que elas se tornassem

senvolvimento existem muitos percalços, momentos tristes e

realidade. Mas antes disso, os financiamentos eram em forma

também felizes. Desde que eu comecei com a divulgação da

de “mãetrocínio”. Desde o começo a minha mãe foi minha gran-

prática científica, decidi humanizar esse processo para que o

de investidora, porque os recursos que as instituições de ensi-

acadêmico ou quem está desenvolvendo um projeto de vida

no oferecem são um suporte mínimo - apoio para participar de

possa se identificar com o pesquisador. O mais importante é

feiras e congressos, mas o investimento para pesquisas de alto

conscientizar o público que fazer ciência é divertido, que pode

impacto precisam ser mais substanciais. Ao longo de todo esse

te proporcionar várias aventuras e é normal errar, os obstáculos

percurso minha mãe foi quem me deu todo o apoio.

estão sempre presentes.

ANO III

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MS: De todas as viagens que a ciência te proporcionou, qual é a mais especial para você e por quê? Luiz Fernando: Essa pergunta é bem difícil, porque foram muitas viagens. Durante meu período de desenvolvimento de pesquisas no Ensino Médio, eu viajei 4 vezes para os EUA, três vezes para a Feira Internacional de Ciência e Engenharia e uma vez sozinho para Detroit, aos 17 anos, a convite da Chevrolet para trabalhar no desenvolvimento de um aplicativo que evita direção e uso de celular para mensagem de texto. Também visitei o Panamá, Paris, Suíça, Londres e Israel. Acho que minha preferência fica entre duas viagens, quando conheci a Europa em 2016 como prêmio da Intel ISEF, passei duas semanas em Londres, no IYSF (London International Youth Science Forum), três dias em Paris e dois na Suíça, participei de um congresso e os horários para o entretenimento me permitiram explorar bastante o turismo. Outra viagem foi a do ano passado (2017) para Israel, como prêmio da Associação Amigos do Instituto Weizmann do Brasil. Nesta oportunidade, fui como membro de um grupo de jovens cientistas do mundo inteiro para estudar regeneração cardíaca em camundongos. Foi quase um mês que me permitiu conhecer muito do país, dormi no deserto da Judeia, conheci o Mar Morto, enfim, foi muito especial.

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EDIÇÃO 05

Certificado de nomeação do astroide 33503 Dasulvaborges


MS: E sobre seus próximos planos, o que você planeja para um

no interior do Brasil, foi capaz de alcançar resultados que ven-

futuro próximo?

ceram competições, que superam os trabalhos de países como

Luiz Fernando: Tenho intenção de fazer o curso de Engenharia

Estados Unidos, Rússia, China, Austrália e tantos outros. Então

Biomédica e Neurociências em uma universidade do exterior, pro-

você saber que o que você fez aqui pode ser comparado ao que é

vavelmente nos Estados Unidos. Lá, há mais liberdade para fazer

feito em Harvard, no MIT é algo que cura qualquer síndrome de

dois cursos ao mesmo tempo, e meu currículo torna meu ingresso

viralatismo. Depois que você prova ser o melhor do mundo em

em uma universidade do exterior mais fácil do que alguma brasi-

uma área, a sensação é que você pode e é capaz de fazer qualquer

leira, onde apenas a nota no vestibular seria levada em conta.

coisa que quiser.

O processo de candidatura acontece esse ano e o resultado sai ano que vem. Até lá, vou desenvolver a área comercial do Hermes

MS: Como você se imagina daqui a 20 anos? Tem uma ideia aon-

Braindeck, deixar funcionando a parte de prestação de serviço do

de quer chegar?

sistema de comunicação com pacientes em estado vegetativo.

Luiz Fernando: Eu quero ser um nome respeitado na área da neurociência, ter oferecido contribuições significativas para área de

MS: Quando você reflete a respeito do que vem construindo,

modo que a comunidade científica saiba quem eu sou e o meu

um rapaz jovem com importantes contribuições para a ciência,

trabalho. Espero que as minhas pesquisas sejam palpáveis pela

do que você mais se orgulha?

sociedade, para resolver de fato os problemas transformando

Luiz Fernando: Quando você participa da ciência, você faz parte

a vida das pessoas. Eu também desejo que meus projetos te-

de uma comunidade global onde ninguém está preocupado com

nham sucesso para levantar capital suficiente para que consiga

a sua nacionalidade, qual sua classe econômica ou seu sobreno-

ser o precursor de um movimento de filantropia para pesquisas

me. Um projeto desenvolvido em Aquidauana, Mato Grosso do

científicas no Brasil, ajudando a identificar novos talentos e ter

Sul, Brasil foi o considerado o melhor projeto científico do mun-

a responsabilidade social quanto ao desenvolvimento de jovens

do na sua categoria em 2013. Uma pesquisa desenvolvida aqui,

nas áreas da ciência e engenharia.

Participação no programa Conversa com Bial

_Arquivo pessoal

ANO III

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RAIO-X AÇÕES INTEGRADAS LEVAM SAÚDE DE QUALIDADE MAIS PERTO DAS PESSOAS O trabalho do Governo Presente está fazendo de 2018 um ano de importantes conquistas para a saúde pública em Mato Grosso do Sul. Separamos algumas entregas, campanhas e ações que demonstram o avanço deste setor, acompanhe!

Entrega do prédio Unidade do Trauma Com mais de 6.600 metros quadrados de área construída, a Unidade de Trauma terá 100 leitos de internação, 10 leitos de UTI, 5 salas cirúrgicas, 2 salas para cirurgia de pequeno porte, 1 sala de fisioterapia, 1 sala de reabilitação, 3 salas de observação com 15 leitos, 2 salas de raio-x, 1 sala de tomografia, 2 salas de odontologia, 3 consultórios e sala de emergência. A previsão é que a nova unidade de urgência e emergência realize anualmente 10 mil internações, nove mil cirurgias, 10 mil consultas, além de ampliar os serviços de diagnósticos clínicos e de imagens.

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EDIÇÃO 01


_RAIO- X Aproximadamente 70% dos equipamentos já foram adquiridos, como maca, ar condicionado, luz, tomadas, pias cirúrgicas, portas e luminárias, totalizando, aproximadamente, R$ 7 milhões. Com a obra concluída, a expectativa agora é que depois

_Fotos: Chico Ribeiro

de adquirir o restante dos equipamentos médicos o hospital passe a funcionar em breve.

Caravana da Saúde nas Escolas Lançada em Campo Grande, a Caravana da Saúde nas Escolas atenderá mais de 41 mil alunos de colégios públicos da Capital até junho. Em todo o Estado, serão cerca de 166 mil crianças e jovens atendidos. Os exames de vista e audição já começaram e contemplam os alunos do 4° ao 7 ° ano, uma iniciativa de saúde pública e também de promoção à qualidade no ensino, considerando que de 15% a 20% do baixo rendimento dos alunos da rede pública de ensino tem relação com problemas de visão ou audição. A situação contribui, inclusive, com casos de repetência e evasão escolar. A Caravana da Saúde nas Escolas vai garantir óculos e aparelhos auditivos aos alunos que apresentarem necessidade. As entregas serão feitas em uma semana de mobilização, quando também serão oferecidos diversos serviços à sociedade de forma geral. A expectativa é realizar todos os atendimentos até o mês de junho.

Caravana da Saúde Indígena “Saúde Mais Perto de Você – Indígena” fez sua segunda parada, agora foi a vez da Aldeia Lagoinha na cidade de Aquidauana. Foram mais de três mil atendimentos nos dois dias de ação: dez tipos de exames, além de cirurgias eletivas, tratamento de saúde bucal, consultas com 13 especialidades médicas, lazer e serviços como emissão de RG e da Carteira de Artesão.

NOV/DEZ 2016

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Acelerador Linear HCAA As obras de adequação no bunker para a instalação no novo Acelerador Linear no Hospital de Câncer de Campo Grande – Alfredo Abrão está em fase final. Com o novo aparelho, o hospital deve dobrar a capacidade de atendimento diário, zerando a fila de espera em radioterapia em Mato Grosso do Sul. Mais dois aceleradores devem ser instalados no Estado, um no Hospital Universitário (HU) até no final deste ano e em 2019 está previsto mais um aparelho para o Hospital Regional da capital.

Campanha Vacinação contra Influenza A campanha que começou no dia 23 de Abril tem como meta vacinar 90% do público-alvo, que são 663.656 pessoas considerando crianças de 06 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas, professores, profissionais da saúde, povos indígenas, indivíduos com 60 anos ou mais, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas, população carcerária e funcionários do sistema prisional, pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais independente da idade.

Dia Mundial da Tuberculose Com o objetivo de mobilizar a população no combate à tuberculose, o Governo do Estado apoiou as ações de combate à doença em todo MS oferecendo materiais informativos e de divulgação além do incentivo às palestras, dinâmicas e panfletagens. São registrados cerca de 900 novos casos de tuberculose por ano no Estado.

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EDIÇÃO 03

_Chico Ribeiro


_RAIO- X

Carnaval Seguro O Carnaval 2018 de Mato Grosso do Sul ficou mais seguro com os materiais de informação e prevenção contra as Infecções Sexualmente Transmissíveis. Com o mote “Desenrola pra rolar” os materiais despertaram a consciência do uso de preservativos para que a folia não acabasse junto com o carnaval. Foram distribuídos para os municípios abanicos, porta-preservativos / porta-celulares, flyers além de preservativos femininos e masculinos, gel lubrificante para ações durante a campanha e testes rápidos.

ANO III

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RADAR divulga seleção de artistas para exposições em 2018

Festival América do Sul 2018

_Fundação de Cultura

As novas exposições começaram em maio e 12 artistas foram sele-

A edição deste ano aconteceu entre 24 e 27 de maio com ati-

cionados para terem seus trabalhos apresentados em exposições

vidades em Corumbá, Ladário e nas cidades bolivianas Puerto

temporárias, são eles: Alex Nogueira Rezende, Ana Luiza Santos

Quijarro e Puerto Suárez. Cerca de 10 países sul-americanos

Martins, Maria Eduarda Shakesheave, Ismael Guimarães de Oli-

participaram do evento que contempla diversas áreas artísticas

veira, Laura Monte Serrat Barbosa, Luciane Santos Mori, Lourdes

como artesanato, artes cênicas, cinema, artes visuais, literatura,

Colombo, Lusia da Silva Sant’anna, Ricardo Giuliani Neto, Silvia An-

gastronomia e música. O festival teve várias atividades voltadas

drade Ruiz, Stefan Willem Grol e Tatiana Clauzet Ferrez de Melo.

para o debate sobre o patrimônio histórico, a economia criativa e

Uma ótima oportunidade de acompanhar o trabalho dos artistas

as artes de rua. Também foram destaques as oficinas, palestras,

locais. O Marco fica no Parque das Nações Indígenas, com funcio-

exposições e um seminário sobre cultura e cidadania.

namento de terça a sexta-feira das 7h30 às 17h30. Sábados, domingos e feriados das 14h às 18h. A entrada é gratuita!

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EDIÇÃO 05


O ESPAÇO DAS BOAS NOTÍCIAS DO NOSSO ESTADO! Fique por dentro do que rolou sobre os mais variados assuntos durante os últimos meses.

12ª Semana para Dança tem atrações internacionais

MS inova no esporte com “bolsas” inéditas no Brasil

_Helton Perez_Vaca Azul

Com grande variedade de atrações, como apresentações, ofici-

A lei que garante o benefício para atletas foi ampliada em Mato

nas e debates, a Semana Pra Dança 2018 também se destacou

Grosso do Sul contemplando também os técnicos e oferecendo

por espetáculos brasileiros vindos dos estados de Minas Gerais

valor diferenciado para os medalhistas. Os atletas das bolsas Na-

e Goiás e de outros países, como Argentina, Alemanha e França.

cional e Pódio receberão o valor de R$ 800. A Bolsa-estudantil

Um intercâmbio multicultural que favorece o público e os artis-

é R$ 350, já a Bolsa-técnico será dividida em duas categorias o

tas da área. Este ano o evento contou com 30 atividades, entre

Bolsa-técnico Escolar no valor de R$ 500 e a Bolsa-técnico Na-

apresentações, espetáculos, ações de formação em escolas,

cional no valor de R$ 750. A nova lei incentiva atletas e técnicos

mostra de dança e oficinas que chegaram a um público de 5 mil

na busca de melhores resultados e já está servindo de inspiração

espectadores.

a outros estados brasileiros.

ANO III

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artesanato Sr. João Manoel

ACONTECE 11ª SEMANA DO ARTESÃO

S

ete dias de exposição, valorização da cultura regional

os mais diversos tipos de artesanato, gastronomia regional,

e intercâmbio entre artesãos e população.

música, dança e poesia marcaram o início das atividades. A

Já são onze edições e a cada ano o evento se forta-

Casa do Artesão também foi um dos pontos do evento.

lece. Em 2018, foram sete dias em que a iniciativa

Na Noite Cultural, que aconteceu na Morada dos Baís, as expo-

percorreu diversas regiões de Campo Grande homenageando

sições foram do artista João Manuel. Música, dança, sorteio de

artistas, divulgando a cultura e ampliando a comercialização

brindes também animaram a noite. A Assembleia Legislativa

do artesanato sul-mato-grossense. O evento é uma celebração

além de receber exposições , realizou a Solenidade de entrega

ao dia 19 de março em que é comemorado o Dia do Artesão.

da Medalha Conceição dos Bugres aos artesãos de destaque

A abertura da programação foi na Cidade do Natal, feiras com

em 2017.

58

EDIÇÃO 05


E como a capacitação é sempre bem-vinda, a semana ainda contou com oficinas. Na região do bairro Moreninhas, Isabel Muxfeldt conduziu as aulas de produção de ecobags. O Centro Cultura Otaviano Guizzo foi o endereço de quem quis desenvolver trabalhos em cerâmica com foco na criação de onças do pantanal, sobre o comando de Rodrigo Avalhes. Na Praça dos Imigrantes, um saboroso café da manhã em homenagem aos artesãos, feiras de artesanato e apresentações culturais encerram a programação desta edição.

ARTESANATO SUL-MATO-GROSSENSE Reconhecido em todo território nacional e internacionalmente por suas peculiaridade, técnicas agregadas, qualidade e identidade cultural, nosso artesanato retrata costumes, tradições e demais referências culturais do Estado. A produção é feita, em sua maioria, com matérias primas locais, manifestando a criatividade e a identidade cultural do povo sul-mato-grossense. As peças artesanais trazem à tona temas referentes ao pantanal, às populações indígenas, ao intercâmbio cultural que é favorecido pelas fronteiras com Paraguai e Bolívia e pelo movimento migratório de várias partes do país e do mundo para o Estado.

_Fotos: Fundação de Cultura

ANO III

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TALENTOS REGIONAIS

Falando sobre turismo cultural, nada mais adequado do que dedicar nosso espaço de gastronomia à cultura indígena! E para falar com propriedade sobre o assunto, trouxemos a única chef indígena do Brasil que é sul-mato-grossense.

_Rose Borges

60

EDIÇÃO 05


_TALENTOS REGIONAIS // _Sérgio Araújo

Mulher, indígena, terena, sul-mato-grossense e chef de cozinha, com muito orgulho. Esta é Kalymaracaya, a única chef indígena do Brasil nasceu na aldeia Bananal em Taunay – distrito de Aquidauana. Foi acompanhando sua avó materna que ela aprendeu a cozinhar. Formada em Turismo, foi com a gastronomia que Kalymaracaya se realizou e encontrou uma maneira de fortalecer e divulgar a cultura terena. Aos 37 anos, ela coleciona várias participações em festivais nacional e internacional, seu talento e irreverência já foram notícia em diversas publicações. Sua mais recente participação foi em um even-

HÔ’E XANENA XUPU

to gastronômico no México, o Travels & Flavors, onde mais uma vez, encantou e impressionou ao representar a culinária indígena brasileira. Os pratos desenvolvidos pela chef têm como ingredientes principais os produtos mais consumidos nas aldeias, como a mandioca, frutas silvestres, castanhas, taioba, caruru e outros alimentos típicos do cerrado. A essência da cozinha natural, característica desta tribo, também é mantida com o uso de poucos temperos, fugindo dos

INGREDIENTES 1 kg de posta de peixe (Pintado) Suco de 1 limão (rosa/cravo) 1 kg de mandioca (ouro/manteiga) cortada sem o pavio (10 cm)* 400 ml de água com caldo de camarão ou de legumes 30 ml de óleo de bocaiuva (milho, azeite) Sal a gosto Urucum a gosto

excessos, preservando ao máximo o sabor natural dos

4 dentes de alho pilados

alimentos.

1 cebola cortada em cubinhos

Quando Kalymaracaya está na cozinha, no entanto, não

4 tomates concassé (ou molho de tomate)

é apenas a culinária que chama atenção. Em suas partici-

½ maço de cheiro verde picado

pações ela faz questão de sempre estar à caráter, levando

(*) na ausência da mandioca ouro pode ser utilizada a do tipo branca.

não só a culinária, mas outros elementos da cultura Terena, como vestimenta, cocar, diversos adereços e até música. É por isso que é considerada pioneira neste formato que integra gastronomia - identidade - cultura.

PREPARO (1) Tempere o peixe com o suco de limão, sal e deixe marinar durante 30 minutos. (2) Sele o peixe e reserve.

Para esta edição, Kalymaracaya separou um clássico da

(3) Em uma panela, aqueça o óleo, adicione a cebola e

cultura indígena Terena que contempla a riqueza dos rios

frite até murchar, em seguida coloque o alho refogando

de Mato Grosso do Sul, preservando a delicadeza do sa-

até que libere o aroma. (4) Adicione o tomate concassé

bor e mantendo técnicas remotas de preparo aprendidas

e cozinhe até desmanchar. (5) Acrescente a mandioca

com seus antepassados.

de maneira que preencha toda a panela. (6) Coloque a

Este prato é produzido basicamente com dois ingredien-

água, o urucum, cheiro verde, corrija o sal e deixe a pane-

tes: o peixe de rio e a mandioca ouro! O resultado é de uma brasilidade pura que nos leva a fazer uma apetitosa viagem gastronômica ancestral. Vamos à receita?

la semitampada para cozinhar durante 10 minutos. (7) Por último coloque o peixe. Cozinhe até que a carne e a mandioca estejam macias.

ANO III

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ESPETÁCULO NOITE DE LUA CHEIA, uma lenda indígena - 2005 Casa de Ensaio. Leia mais na página 14


Revista Mato Grosso do Sul - edição 5  
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