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Filosofica-mente: A Existência de Deus

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ESCOLA SECUNDÁRIA DONA MARIA II

FilosoficaMente

A EXISTÊNCIA DE DEUS

Coloca as tuas crenças em causa e recorre ao pensamento crítico para analisar todos os argumentos a favor e contra a existência de Deus.

O ARGUMENTO COSMOLÓGICO E AS SUAS OBJEÇÕES

O ARGUMENTO TELEOLÓGICO E AS SUAS OBJEÇÕES

25 e 26 p. 23 e 24 p. 19 a 22 p. 15 a 18 p. 11 a 14 p. 09 e 10 FILOSOFIA DA RELIGIÃO p. 08 p. 07 p. 05 e 06

Estás mais uma vez perante uma das melhores revistas de conteúdo explicativo relativo à disciplina de filosofia, a “Filosofica-mente”!

Esta edição foi realizada, novamente, perante o incentivo da professora Alexandra Barroso que auxiliou a constituição da própria revista da forma mais adequada possível

Nesta 23ª edição vais ter acesso à análise detalhada de um tema que ainda hoje levanta imensas dúvidas - o Problema da Existência de Deus. Trata-se de um dilema filosófico extremamente interessante que vai apelar à tua máxima atenção, de modo a que não percas nenhum pormenor explicativo

ç

n t r o d u

A estrutura da revista é semelhante à de edições anteriores e, como já conheces, vamos iniciar a exploração do tema apresentando os argumentos seguidos das objeções propostas, para que possas considerar se o argumento é suficientemente sólido ou facilmente derrubado.

Espero que, a leitura desta edição da “Filosofica-mente” te permita o conhecimento necessário relativamente ao Problema da Existência de Deus do mesmo modo que me permitiu a mim.

Aprecia a conjunção que elaborei entre o design e a exploração teórica!

01

DEUS DEUS

Na atualidade, uma quantidade significativa de indivíduos considera-se religioso e, para muitos, a religião é extremamente relevante ou até fundamental para as suas vidas.

A religião é, por isso, tomada como justificação para a realização de ações corretas e erradas Podemos considerar como exemplificação de uma ação correta a entrega à vida religiosa de Madre Teresa de Calcutá que dedicou a sua vida a cuidar de doentes e “semear” a fé e a esperança entre a população mais desfavorecida Por este motivo observamos recorrentemente a associação de valores como a empatia ou a solidariedade a pessoas que admitem a crença em Deus Por ouro lado, temos o conhecimento da ocorrência de ações erradas cujo motivo demonstra-se religioso, como é o caso de atentados terroristas, executados por fundamentalistas religiosos radicais que consideram o massacre de indivíduos que não cumprem os fundamentos da religião que acreditam e defendem Esta consideração permite que, através da história, seja possível a relação entre divergências religiosas e a origem de guerras.

A população crente realiza as suas ações e os seus comportamentos porque acredita na existência de Deus e veneram-no, procurando viver seguindo o que consideram ser as suas normas.

P A R A A F I R M A R A S U A E X I S T Ê N C I A ? A T E U S C R E N T E S

O dilema religioso pode apresentar três posições distintas: os crentes; 1. os ateus; 2. os agnósticos 3

Acreditam na existência de Deus

ATENTADO TERRORISTA - 11 SETEMBRO

Acreditam que Deus não existe A G N Ó S T I C O S

Não afirmam nem negam a existência de Deus

E X I S T I R Ã O

A R G U M E N T O S

P L A U S Í V E I S Q U E

S U S T E N T E M A

A C E I T A Ç Ã O O U

N E G A Ç Ã O D E

A L G U M A D E S T A S

P O S I Ç Õ E S ?

Os filósofos da Grécia Antiga já se dedicavam à discussão deste dilema e, ao longo desta revista, vamos também debatê-lo e analisar propostas de resposta para todas as questões acima formuladas

MADRE TERESA DE CALCUTÁ

RELEVÂNCIA DO PROBLEMA 02

A discussão da existência de Deus parece essencial no mundo em que vivemos, exibindo relevância a nível político e individual. Esta reflexão permite, deste modo, o esclarecimento do tema e uma compreensão mais adequada dos problemas da atualidade.

Para além disso, debater a existência de Deus torna-se importante para o desenvolvimento de tolerância e respeito por crenças distintas, uma vez que, hoje em dia, a sociedade é constituída por uma elevada diversidade cultural e religiosa.

MEMBROS DE RELIGIÕES DISTINTAS

FILOSOFIA DA RELIGIÃO

A Filosofia da Religião é a área da filosofia que executa “o exame crítico das crenças e dos conceitos religiosos ( )” (William L Rowe, Introdução à Filosofia da Religião) de modo imparcial.

O problema da existência de Deus é um dos dilemas estudados por esta disciplina cuja discussão deve permanecer distante da fé, recorrendo à racionalidade

Deste modo, através do debate entre argumentos a favor e contra a existência de Deus, vamos procurar determinar qual das posições religiosas é mais plausível: a crença, o ateísmo ou o agnosticismo

A CRIAÇÃO DE ADÃO, DE MICHELANGELO

04 A DIVERSIDADE RELIGIOSA

Desde a antiguidade, é notória a existência de uma abundância e diversidade de religiões que apresentam crenças, rituais e fundamentos muito distintos Um dos aspetos da diversidade é o pensamento de diversas conceções de divino Existem religiões politeístas e religiões monoteístas.

Admitem a existência de diversos Deuses.

Admitem a existência de um só Deus.

TEÍSMO DEÍSMO

Conceção de Deus que uma grande parte dos crentes monoteístas concebem De acordo com esta conceção, “(Deus é) algo distinto e independente do mundo. Segundo esta ideia, Deus não está em qualquer (...) espaço físico. É um ser puramente espiritual, um ser pessoal, perfeitamente bom, omnipotente, omnisciente, que criou o mundo, mas não faz parte dele É distinto do mundo, não está sujeito às suas leis, julga-o, orienta-o para o seu desígnio final ( ) Duas outras características (...) são a autoexistência e a eternidade.” (William L. Rowe, ibid)

A aceitação do monoteísmo não implica aceitar o teísmo e, por isso, outra conceção de Deus existente denomina-se por Deísmo. “O Deísmo, tal como o teísmo, afirma que existe um Deus ( ) transcendente, que criou o mundo e que estabeleceu as leis que o regem, mas, ao contrário do teísmo, nega que Deus intervenha no curso dos acontecimentos do mundo seja de que maneira for e que responda às preces e necessidades humanas” - (Álvaro Nunes, “Filosofia da Religião”, in Crítica)

A L G U M A S P O S I Ç Õ E S

S O B R E O P R O B L E M A D A

E X I S T Ê N C I A D E D E U S :

Deus existe

E Í S M O

D E Í S M O

Deus não existe.

Nem crença nem descrença em Deus.

NOTA: Apesar da existência destas duas principais conceções de Deus, o teísmo será o conceito que estará em causa nas reflexões e discussões que vais observar nas próximas páginas.

o argumento cosmológico 05

TOMÁS DE AQUINO

Tomás de Aquino foi um frei católico, filósofo e teólogo de grande relevância e influência, do século XIII Nasceu em Sicília, em 1225 e morreu em 1274, na França.

Tomás de Aquino foi declarado Santo pela Igreja Católica e por isso é muitas vezes enunciado como São Tomás de Aquino. Algumas das suas obras mais notáveis são “O Ente e a Essência" e “Suma Teológica”, sendo a última de caráter relevante para a reflexão do Argumento Cosmológico, que procura provar a existência de Deus.

Os argumentos cosmológicos procuram provar a existência de Deus, servindo-se do facto óbvio e empiricamente percetíveis : a existência de coisas no universo.

Na obra “Suma Teológica” são apresentados cinco argumentos, também conhecidos por “cinco vias”, que procuram provar a existência de Deus Os três primeiros argumentos tratam-se de versões distintas do argumento cosmológico ou argumento da causa primeira. Vamos explorar a segunda versão, ou, por outras palavras, a segunda via Mais à frente, vamos abordar também a quinta via, conhecida como argumento teleológico ou argumento do desígnio.

BIG BANG OU PODER DIVINO?

A Segunda Via descrita na “´Suma Teológica” pode ser apresentado explicitamente da seguinte forma:

1. Existem seres sensíveis.

2. Todos os seres sensíveis têm causas.

3. Nenhum ser sensível é causa de si próprio

4. A cadeira de causas dos seres sensíveis não pode regredir até ao infinito.

5. Logo, tem de existir uma primeira causa - que é Deus

Premissa 1 - É facilmente ilustrada. (Ex. Flores - seres sensíveis)

Premissa 2 - Um “ser sensível” não pode simplesmente existir, exige uma determinada causa (mesmo que esta seja desconhecida).

Premissa 3 - Uma coisa não pode ser a causa de si própria pois exigiria que determinada coisa fosse anterior a ela mesma (uma vez que as causas procedem os efeitos). (ex. uma cereja exige a existência anterior de uma cerejeira capaz de a produzir)

Premissa 4 - A coisa A causa a coisa B e B causa C, etc. Contudo, não é possível regredir na sequência causal porque tornaria o processo causal inexistente. Por outros termos, se não existisse uma causa primeira não existiram as causas conseguintes, apesar de a sua existência ser factual.

Conclusão 5 - Tomás de Aquino conclui que é necessário reconhecer o início do processo causal (ou seja, uma primeira causa incausada). Esta conclusão identifica a causa primeira como Deus

A identificação de Deus como causa primeira incausada pressupõe que esta não pode ser algo físico ou natural, uma vez que, todos os “seres sensíveis” apresentam causas. Assim, a causa primeira incausada tem de ser sobrenatural, algo exterior à naturezaDeus.

ARGUMENTO COSMOLÓGICO

1 OBJEÇÃO

QUAL É A CAUSA DE DEUS?

De acordo com os críticos, se todas as coisas do universo precisam de causas anteriores, Deus também precisa Caracterizar Deus como um ser sobrenatural, de natureza diferente das coisas do universo não é justificação plausível para não precisar de uma causa. Por outro lado, Deus também não se pode ter criado a si mesmo, uma vez que é incoerente afirmar que Deus existisse antes de si próprio

Deus poderia ter sido criado por um Deus superior, mas isso exigiria o conhecimento da causa desse “supradeus”, o que conduziria a uma regressão infinita. Deste modo, recorrer a Deus para explicar a existência do Universo não demonstra ser uma boa explicação.

“ ( . . . ) O P R Ó P R I O

R A C I O C Í N I O Q U E N O S

L E V A A P R O P O R U M D E U S

C O M O C A U S A D O

U N I V E R S O D E V E L E V A R -

N O S A P R O P O R U M

S U P R A D E U S C O M O C A U S A

D E D E U S E , C L A R O , O

S U P R A D E U S T A M B É M

P R E C I S A D E U M A C A U S A ,

O S U P R A S U P R A D E U S E

A S S I M I N F I N I T A M E N T E .

P O R T A N T O , S E J A M Q U A I S

F O R E M A S V O L T A S Q U E

D E R M O S , O Q U E

O B T E M O S N O F I M É

I G U A L M E N T E

I M P L A U S Í V E L ” ( H O W A R D

K A H A N E , “ H Á B O A S

R A Z Õ E S P A R A A C R E D I T A R

Q U E D E U S E X I S T E ? ” )

OBJEÇÕES

IDEIA DE SUPRADEUS

2 OBJEÇÃO

A CAUSA PRIMEIRA PODE NÃO SER O DEUS TEÍSTA

“ ( M E S M O Q U E A C E I T Á S S E M O S O

A R G U M E N T O , E S T E ) A P E N A S

P R O V A R I A , N O M E L H O R D O S

C A S O S , Q U E A P R I M E I R A

C A U S A E X I S T E , N Ã O Q U E E S S A

P R I M E I R A C A U S A S E J A D E U S . ( . . . ) E M E S M O Q U E O

A R G U M E N T O T I V E S S E P R O V A D O

Q U E A P R I M E I R A C A U S A T I N H A

D E S E R U M D E U S , N Ã O

P R O V A R I A Q U E E L E T I V E S S E

D E S E R O S E U D E U S ( S E F O R

U M C R E N T E ) O U U M D E U S Q U E

E N C A I X A S S E N A I M A G E M

C O M U M Q U E O S C R I S T Ã O S ,

J U S D E U S O U M U C U L M A N O S T Ê M

D E D E U S . P O D E R I A S E R

Q U A L Q U E R U M D O S M I L H A R E S

D E D E U S E S D I F E R E N T E S E M

Q U E O S S E R E S H U M A N O S

A C R E D I T A M O U , T A L V E Z , U M

D E U S E M Q U E O S S E R E S

H U M A N O S N U N C A T E N H A M

P E N S A D O ” ( H O W A R D K A H A N E )

Como referimos anteriormente, o argumento teleológico ou também conhecido por argumento do desígnio corresponde à “quinta via” da obra “Suma Teológica”, de Tomás de Aquino

T E L E O L Ó G I C O

Significa dirigido a uma finalidade

Feito com um determinado desígnio (propósito)

A caneta é um bom exemplo de um objeto teleológico, que foi produzida especialmente para a escrita.

O argumento teleológico pressupõe que as coisas naturais também apresentam um caráter teleológico: os pés têm a forma adequada aos seu desígnio - o suporte do corpo e auxiliar o movimento de andar.

Tomás de Aquino inicia o seu argumento afirmando que “a quinta viaprocededogovernodascoisas”. Argumento Teológico, segundo Tomás de Aquino (trata-se de um sequência de dois modus ponensduasafirmaçõesdaantecedente):

1. As coisas naturais, apesar de não possuírem inteligência, atuam para atingir certas finalidades e são assimdevidoaumdesígnioenãoao acaso.

2. Se as coisas naturais, apesar de não possuírem inteligência, atuam para atingir certas finalidades e são assimdevidoaumdesígnioenãoao acaso, então foram criadas e organizadas desse modo por um ser inteligente e com conhecimento (e poder)suficienteparatal

4. Se as coisas naturais foram criadas e organizadas desse modo por um ser inteligente e com conhecimento (e poder) para tal, entãoesseser(Deus)existe.

5. Logo, esse ser - que é Deusexiste

06 OARGUMENTO TELEOLÓGICO

Premissa 1 - Dizer que as coisas naturais atuam para atingir certas finalidades é dizer que, por exemplo, o objetivo dos olhos é ver e que estes têm uma forma adequada a essa função: as suas diversas partes articulam-se e ajustam-se entre si de modo a permitir a visão Por outro lado, não parece possível que os olhosdevido a essa complexidade de composição e funcionamento orientado para um fim - resultem do acaso, mas sim de um desígnio, de uma criação intencional. O mesmo se pode dizer das outras coisas da natureza

Premissa 3 - Estabelece que o ser inteligente capaz de conferir finalidades às coisas naturais só o pode fazer caso exista Este é identificado com Deus, pois, de todos os seres em que conseguimos pensar, é o único que tem as características necessárias

Conclusão - A conclusão declara a existência de Deus.

Premissa 2 - Porém, esse desígnio não reside nos olhos nem nas outras coisas naturais, pois não têm inteligência Uma flecha dirige-se de modo intencional para o alvo. Contudo, essa intencionalidade não reside nela mas sim no arqueiro. Do mesmo modo, as coisas da natureza são dirigidas para as suas finalidades por um ser exterior a elas que as criou desse modo Mas, tratando-se de coisas naturais (e da natureza em geral), não se pode tratar de um ser humano, como o arqueiro Tem de ser um ser com poder e sabedoria suficientes para criar as coisas da natureza e organizá-las de acordo com as suas finalidades

Os defensores deste argumento consideram suficiente observar a ordem que presumivelmente existe no mundo para perceber a existência de Deus.

Objeções

O C R I A D O R

sta objeção ao Argumento Teleológico é semelhante à segunda objeção apresentada, anteriormente, ao Argumento Cosmológico

Num cenário em que consideremos que o Argumento Teleológico prova a necessidade de um criador inteligente, este não é capaz de provar a sua identificação como Deus teísta Portanto, não existe nenhuma indicação que implique que o criador inteligente seja um Deus teísta ou que seja sequer um ser divino O argumento também não é capaz de excluir a hipótese de o universo ter sido criado por vários deuses.

David Hume (filósofo abordado na edição anterior de “Filosofica-mente”) defendeu que o Argumento Teleológico não apresenta a capacidade de afastar possibilidades estranhas e implausíveis que podem considerar a criação do universo da responsabilidade de um Deus imperfeito, uma vez que é possível encontrar imensas maravilhas, mas também uma quantidade de “defeitos” no universo que um Deus perfeito não formaria

“ E S T E M U N D O É

M U I T O D E F E I T U O S O

E I M P E R F E I T O ( )

E F O I A P E N A S A

P R I M E I R A E

G R O S S E I R A

T E N T A T I V A D E U M A

D E I D A D E I N F A N T I L ,

Q U E A S E G U I R O

A B A N D O N O U ,

E N V E R G O N H A D A D A

S U A D E F E I T U O S A

R E A L I Z A Ç Ã O ; ( . . . ) É

A P R O D U Ç Ã O D E

V E L H I C E E D E

S E N I L I D A D E D E U M A

D E I D A D E

A P O S E N T A D A E ,

D E S D E A S U A

M O R T E , C O N T I N U A ,

À A V E N T U R A ,

D E V I D O A O

P R I M E I R O I M P U L S O

E À F O R Ç A A T I V A

Q U E D E L A

R E C E B E U ” ( D A V I D

H U M E , “ D I Á L O G O S

S O B R E R E L I G I Ã O

N A T U R A L ” )

A C A U S A P R I M E I R A P O D E N Ã O S E R O D E U S T E Í

A teoria da evolução das espécies, da autoria de Charles Darwin contraria a hipótese colocada pelo Argumento Teleológico, uma vez que, explica a existência e o desenvolvimento das coisas naturais sem recorrer a Deus, ou seja, sem recorrer a um criador inteligente

Esta teoria nega que a complexidade dos seres vivos e dos seus órgãos seja consequência de processos teleológicos explicando-a através de uma causalidade natural e impessoal.

DAVID HUME

OARGUMENTO ONTOLÓGICCO 07

Anselmo de Aosta ou, mais conhecido por Anselmo de Cantuário foi um influente teólogo e filósofo medieval italiano. Nasceu entre 1033 e 1034, em Aosta, na Itália e faleceu a 21 de abril de 1109 em Cantuária, no Reino Unido.

Ao longo da sua infância teve acesso a uma educação fundamentalmente religiosa, sendo educado por membros da igreja. É relembrado pelo fundamento do escolasticismo, é amplamente reconhecido no ramo filosófico pela apresentação do Argumento Ontológico que vamos explorar de seguida Este argumento é apresentado na obra “Proslógio”, da sua autoria

A posteriori»

Premissas que contêm informação proveniente da experiência

A priori»

Premissas podem ser justificadas apenas pelo pensamento, não exigem dados empíricos.

Procura provar a existência de Deus a partir da ideia que (alegadamente) temos de Deus.

ANSELMO DE CANTUÁRIA

A expressão “mais grandioso” refere-se à afirmação que Anselmo “Deus é aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado”.

A afirmação “existir no pensamento” significa ser uma ideia Este conceito pode ser facilmente ilustrado através da associação dos unicórnios, uma vez que são apenas ideias que temos e por isso, a sua existência prende-se ao pensamento, não havendo tais seres no mundo real. Por outro lado, o Argumento Cosmológico procura exibir que Deus existe no pensamento e na realidade, uma vez que temos a ideia de Deus e ele realmente existe.

Contudo, é importante realçar que todas as coisas que existem mutuamente no pensamento e na realidade, exceto Deus, são contingentes mas a existência de Deus é necessária Por outras palavras, se tomarmos as árvores como algo que existe no pensamento e no mundo, é possível afirmar a sua existência mas seria fácil imaginar um cenário em que a natureza não apresenta árvores. Todavia, Anselmo considera que a expressão “Deus existe” é uma afirmação necessária, pois não podia deixar de ser assim (Deus “existe tão verdadeiramente que não se pode pensar que não existe”).

R E C O N S T I T U I Ç Ã O D O

A R G U M E N T O C O S M O L Ó G I C O

D E A N S E L M O D E C A N T U Á R I A

( M O D U S T O L L E N S ) :

1. Se Deus, o ser mais grandioso em que se pode pensar, for apenas uma ideia e não existir realmente, então podemos pensar num ser mais grandioso do que Deus.

2. Mas é falso que possamos pensar num ser mais grandioso do que Deus.

3. Logo, Deus, o ser mais grandioso em que se pode pensar, não é apenas uma ideia e existe realmente.

S E G U N D O A N S E L M O , A I D E I A D E D E U S N Ã O I M P L I C A A S U A C R E N Ç A .

Premissa 1 - A ideia de Deus é a ideia de um ser supremo: um ser que é perfeito e acumula no grau máximo todas as qualidades possíveis. A expressão “Deus é aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado” significa que não se pode conceber algo mais grandioso do que Deus. Se dissermos que Deus é apenas uma ideia e não existe realmente, poderemos pensar num outro ser supremo e perfeito, mas que de facto existia.Porém, nesse caso, ao pensar nesse outro ser estaremos a pensar em algo mais grandioso do que Deus, pois atribuímos-lhe as mesmas qualidades mais a existência

Premissa 2 - É falso que possamos pensar num ser mais grandioso do que Deus, pois isso é uma contradição: ao pensar em Deus já estamos a pensar no ser mais grandioso em que se pode pensar. De outro modo, dizer “tenho a ideia de Deus, mas penso que não existo” é como afirmar “a ideia de Deus é a ideia de algo maior do que o qual nada pode ser pensado” e, simultâneamente, dizer “a ideia de Deus não é a ideia de algo maior do que o qual nada pode ser pensado” Ao negar a existência estamos a negar-lhe a grandeza máxima que lhe tínhamos reconhecido ao defini-lo como “aquilo maior do que o qual nada pode ser pensado” Por isso é incoerente ter a ideia de Deus e não conhecera sua existência.

Conclusão - (Consequência lógica das ideias apresentadas nas premissas) Deus não pode ser apenas uma ideia. Deus existe.

O ARGUMENTO ONTOLÓGICOOBJEÇÕES

1 OBJEÇÃO

S E R Á D E U S R E A L M E N T E O S E R M A I O R D O Q U E O Q U A L N E N H U M O U T R O P O D E S E R P E N S A D O ?

O Argumento Ontológico baseia-se baseia-se na definição de Deus como o ser mais grandioso ou perfeito em que se pode pensar. Contudo, os críticos consideram que tal como não existe nenhum número que seja o maior número de todos, é possivel que não exista nenhum ser mais grandioso ou perfeito em que se pode pensar.

“ ( ) S E A S C O I S A S F O R E M A S S I M , A N S E L M O P A R T E D E U M C O N C E I T O I M P O S S Í V E L D E D E U S ; E S T E , S E A C A S O E X I S T E , T A L V E Z N Ã O S E J A O S E R M A I S G R A N D I O S O D O Q U E O Q U A L N E N H U M O U T R O P O D E S E R P E N S A D O T A L V E Z S E J A A P E N A S U M S E R R E A L M E N T E G R A N D I O S O , M A S N Ã O O S E R M A X I M A M E N T E G R A N D I O S O E M S U M A , T A L V E Z A N S E L M O P A R T A D E U M A D E F I N I Ç Ã O I N C O E R E N T E D E D E U S . ” ( D E S I D É R I O M U R C H O , “ A E X I S T Ê N C I A D E D E U S - O E S S E N C I A L ” ) D E U S

“ N Ã O P O D E S

C O N T I N U A R A D U V I D A R

Q U E E S T A I L H A , M A I S

E X C E L E N T E Q U E T O D A S

A S O U T R A S N A T E R R A , E X I S T E

V E R D A D E I R A M E N T E

A L G U R E S N A

R E A L I D A D E P O I S N Ã O

D U V I D A S Q U E E S T A

I L H A E X I S T E N O T E U

E N T E N D I M E N T O , E D A D O

Q U E É M A I S E C E L E N T E

E X I S T I R N Ã O A P E N A S

N O E N T E N D I M E N T O ,

M A S T A M B É M N A

R E A L I D A D E , E S T A I L H A

T E M D E E X I S T I R

T A M B É M N A R E A L I D A D E

P O I S , S E N Ã O

E X I S T I S S E , Q U A L Q U E R

T E R R A Q U E E X I S T A N A

R E A L I D A D E S E R I A M A I S

G R A N D I O S A Q U E E L A E

P O R I S S O E S T A C O I S A

M A I S E X C E L E N T E Q U E

E N T E N D E S T E N Ã O S E R I A

D E F A C T O A M A I S

E X C E L E N T E . ” ( G A U N I L O ,

“ R E S P O S T A E M D E F E S A

D O I N S E N S A T O ” )

PERMITE “PROVAR” COISAS IRREAIS

Gaunilo (um monge contemporâneo de Santo Anselmo) considera que o Argumento Ontológico de Anselmo é um mau argumento e não é capaz de provar a sua conclusão, pois apresenta consequências inaceitáveis. Deste modo, Gaunilo exprime uma objeção ao Argumento Ontológico que constitui uma redução ao absurdo, ou seja, um argumento que procura demonstrar que a ideia que se quer refutar tem consequências absurdas, logo ela é, do mesmo modo, absurda. A redução ao absurdo de Gaunilo consiste na aplicação da estrutura argumentativa do argumento ontológico a outras coisas e mostrar que assim é possível declarar a existência de coisas que sabemos de forma exata que não existem. O crítico apresentou como exemplificação “a ilha paradisíaca mais perfeita que se pode pensar”.

08

O Problema do Mal

É inegável a existência de mal no mundo e é possível essa perceção se pensarmos na existência de crianças que são espancadas e abusadas ou nas dores causadas por uma determinada doença Contudo, é notório que existem diferentes tipos de mal e, por isso, uma distinção relevante a ser feita é entre mal moral e mal natural.

EPICURO

Associado a ações humanas. (ex. turtura)

Não é causado por seres humanos. (ex. catástrofe natural)

Esta diversidade e abundância de males coloca em causa a crença no Deus teísta, uma vez que parece implausível que um Deus omnipotente, omnisciente e sumamente bom provoque o mal.

Epicuro foi um filósofo da Grécia Antiga que nasceu em 341 a.C. e faleceu em 271 a.C.

O filósofo rejeitava as ideias de Platão e Aristóteles, procurando uma filosofia mais prática e fundou a sua própria escola, denominando-a por “Jardim”, onde incentivava um bom relacionamento entre o mestre e os discípulos. Esta mentalidade reflete a influência do “Epicurismo”, ou seja filosofia baseada no prazer da amizade

Epicuro foi responsável pela elaboração do “Paradoxo de Epicuro” onde explicita o problema do mal (ou teodiceia) que vamos, em seguida, explorar.

As ”Questões de Epicuro” põe em causa a existência de Deus teísta, uma vez que esta parece incompatível com a existência do mal moral e natural.

Se Deus existe e é omnipotente, pode impedir que o mal ocorra.

Se Deus é bom, não quer que o mal ocorra.

Todavia, o mal ocorre

Deste modo, é possível que Deus não exista.

Ou talvez exista, é omnipotente mas não é sumamente bom (pode impedir o mal mas não o faz)

Ou talvez exista, é sumamente bom mas não é omnipotente (quer impedir o mal mas não o pode fazer).

A E X I S T Ê N C I A D E M A L É C A P A Z

D E P Ô R E M C A U S A A

E X I S T Ê N C I A D E D E U S ? E X I S T E M

I N D Í C I O S S U F I C I E N T E S Q U E

S U S T E N T E M E S T A I D E I A ?

Perante a abundância e diversidade de males é importante reconhecer que alguns males apresentam alguma utilidade, uma vez que se tratam de mecanismos de preservação (como é o caso de determinadas dores que podem revelar sintomas de uma doença crónica). Há também males que se tratam de meios para alcançar um determinado objetivo (como ocorre na fisioterapia, cujos movimentos dolorosos podem permitir uma recuperação progressiva). É compreensível porque Deus permitiria estes males, caso existisse.

No entanto, existem situações em que o mal não demonstra nenhum benefício e não é possível compreender a justificação destes episódios. Estes casos permitem duvidar da existência de Deus omnipotente e bom, uma vez que o Deus teísta não consentiria a sucessão de males sem sentido.

“ P R O V A V E L M E N T E , H Á

M A L E S S E M S E N T I D O .

S E D E U S E X I S T E , N Ã O

H Á M A L E S S E M

S E N T I D O

L O G O ,

P R O V A V E L M E N T E , D E U S

N Ã O E X I S T E . ” ( W I L L I A M

R O W E )

Contudo, alguns filósofos consideram que este argumento não é sólido por considerarem a primeira premissa falsa. Não negam a existência de males, mas consideram que não são sem sentido, logo julgam que Deus tem boas razões para permitir a existência do mal.

“ O M U N D O C O N T É M M U I T O

M A L U M D E U S

O M N I P O T E N T E P O D E R I A T E R

E V I T A D O E S T E M A L - E S E M

D Ú V I D A Q U E U M D E U S

S U M A M E N T E B O M E

O M N I P O T E N T E O T E R I A

F E I T O M A S E N T Ã O P O R Q U E

E X I S T E E S T E M A L ? N Ã O

S E R Á A S U A E X I S T Ê N C I A U M

F O R T E I N D Í C I O C O N T R A A

E X I S T Ê N C I A D E D E U S ? S Ê -

L O - I A , S E M D Ú V I D A - A

M E N O S Q U E P O S S A M O S

C O N S T R U I R O Q U E É

C O N H E C I D O P O R

T E O D I C E I A , U M A

E X P L I C A Ç Ã O D A R A Z Ã O

P E L A Q U A L D E U S T E R Á

P E R M I T I D O Q U E O M A L

O C O R R E S S E . ” ( R I C H A R D

S W I N B U R N E “ S E R Á Q U E

D E U S E X I S T E ? ” )

Um dos filósofos que procurou justificar porque Deus permite o mal foi Gottfried Leibniz. O filósofo considera que Deus, por ser um ser perfeito, criou o mundo que era possível criar e todos os males que existem têm uma razão de ser e são compensados por um bem maior

A DEFESA DA EDIFICAÇÃO DO CARÁTER A DEFESA DO LIVRE-ARBÍTRIO

Um dos motivos que justifica porque Deus permite o mal é o livre-arbítrio Por outras palavras, a existência do mal é consequência da liberdade de escolha entre o bem e o mal Portanto, o mal resulta do livre-arbítrio das ações humanas e não de Deus. Se apenas pudéssemos fazer o bem, não seríamos pessoas verdadeiramente livres e, por isso, o mal é o preço a pagar pelo livre arbítrio.

Contudo, esta justificação permite apenas a explicação do mal moral, excluindo o mal natural deste esclarecimento.

O mal (moral e natural) é exigido para o desenvolvimento do caráter moral A existência do mal permite ao ser humano desenvolver virtudes como a solidariedade ou a coragem que surgem a partir de reações às adversidades que precisamos enfrentar Por isso, um mundo sem males significaria pessoas com menos valor.

Uma das críticas que pode ser apresentada a este argumento é que a quantidade de mal existente no mundo revela-se superior ao necessário para promover o desenvolvimento do caráter do ser humano. Isto sugere que existe mal gratuito e sem sentido.

09

RESPOSTASAO PROBLEMADOMAL

NÃO SABEMOS O SUFICIENTE PARA CONSIDERAR O MAL INJUSTIFICADO

Outra resposta ao problema do mal refere o ser humano como seres cognitivamente limitados e sem sabedoria suficiente para perceber sempre qual é o bem maior que resulta da ocorrência de um determinado mal e, por isso, temos a perceção de que este não tem sentido.

V E R D A D E I R A M E N T E A S O U T R A S P A R T E S , E O A U T O R S Á B I O D

Assim, de acordo com Leibniz os seres humanos têm experiência e conhecimento de uma pequena parte da realidade, veem o mais imediato e não o todo, e por isso, não conseguem compreender as razões pelas quais muitas coisas acontecem nem as suas consequências. Todavia, esta resposta pode ser considerada pouco coerente, uma vez que se somos limitados em termos cognitivos para o pensamento de razões justificativas dos males que acontecem, também somos demasiado limitados para falar de Deus e afirmar a sua existência e os seus atributos.

A APOSTA DE PASCAL 10

BLAISE PASCAL

Blaise Pascal foi um matemático, físico, teólogo e filósofo religioso francês.

Nasceu a 19 de junho de 1623, em Clermont Ferrand, na França e faleceu a 19 de agosto de 1662, em Paris.

Algumas das suas obras mais reconhecidas são “Ensaio sobre secções cônicas”, “Pensamentos” e "Tratado sobre o equilíbrio dos líquidos” relativas às áreas de interesse pessoal (matemática, filosofia e física).

Uma das suas frases mais conceituadas é: “O coração tem razões que a própria razão desconhece” Esta frase refere-se à “aposta” que Pascal apresenta afirmando que a existência de Deus remete à fé, com exclusão da razão

O filósofo Blaise Pascal propõe a “aposta de Pascal” como a sua posição relativamente ao problema da existência de Deus

O F I D E Í S M O :

Após refletir perante argumentos a favor e contra a existência de Deus, Pascal concluiu que não é possível considerar a existência ou a inexistência de Deus.

Todavia, Pascal não se identifica como agnóstico, até pelo contrário, Pascal assume-se católico devoto. O filósofo considera que, uma vez que o ser humano é imperfeito e ignorante e a sua inteligência é limitada, não poderíamos compreender algo eterno e perfeito. Deste modo, acedemos a Deus pela fé e não pela razão, ou seja, acreditamos que Deus existe independentemente de existirem ou não provas racionais

Pascal atribuiu a crença em Deus à fé, não à racionalidade, mas realça que isto é apropriado e racional pois considera que é a própria razão que reconhece os seus limites e esta aceita que Deus é um assunto dirigido para a fé

O pensamento de que Deus é um assunto que deve ser abordado através da fé, sem recurso a provas racionais é uma posição filosófica designada por fideísmo (de fides, “fé” em latim)

A A P O S T A D E P A S C A L :

De acordo com Pascal, a razão não é capaz de demonstrar a existência de Deus, mas pode mostrar que faz mais sentido acreditar em Deus do que não acreditar: ganhamos mais em acreditar do que em não acreditar

“Deus existe ou não existe. Mas para que lado nos vamos inclinar? A razão nada pode aí determinar. É preciso apostar. Pesemos as vantagens e as desvantagens de apostar na existência de Deus Calculemos estes dois casos: se ganharmos, ganhamos tudo; se perdermos, nada perdemos. Apostemos então sem hesitar que ele existe.” (Blaise Pascal)

Deus existe

Deus não existe

Há vida na Lua.

Não há vida na Lua

Ganho a vida eterna

O que perco é insignificante

Perco a vida eterna

O que ganho é insignificante Aposto cinco euros. Não aposto.

Ganho cinco mil euros. Perco cinco mil euros.

Perco cinco euros

Poupo cinco euros

É importante sublinhar que, para Pascal, “apostar” na existência de Deus não é algo meramente intelectual e que exige uma componente existencial, ou seja, a pessoa deve procurar viver como vivem os crentes O filósofo acreditava que uma pessoa que não acreditasse na existência de Deus e decidisse apostar na existência de Deus, participando nos rituais religiosos, acabaria por apresentar uma fé genuína

A APOSTA DE PASCALOBJEÇÕES 10

1 OBJEÇÃO

AS CRENÇAS

NÃO SÃO

VOLUNTÁRIAS

Uma crença sincera não resulta de uma decisão. Uma pessoa não decide acreditar, ela descobre que acredita. Por este motivo, mesmo que um agnóstico ou um ateu leiam Pascal e concordem com a sua proposta, dificilmente conseguirão desenvolver uma crença sincera na existência de Deus.

“ M E S M O Q U E A C E I T E M O S O A R G U M E N T O D O A P O S T A D O R ,

F I C A M O S A I N D A C O M O P R O B L

D E N Ã O S E R P O S S Í V E L A C R E D I T A R E M S E J A O Q U E F O R Q U E

Q U E I R A M O S N Ã O P O D E M O S , P U R A E

S I M P L E S M E N T E , D

C O N V E N C I D O Q U E E S T A S C O I S A S

S Ã O D E F A C T O A S S I M A N T E S D E

P O D E R A C R E D I T A R N E L A S M A S O

A R G U M E N

E N F R E N T A R O P R O B L E M A S E G U I N T E : P A R A P O D E R A C R E D I T A R E M A L G O

T E N H O D E A C R E D I T A R Q U E I S S O É

V E R D A D E . ” ( N I G E L W A R B U R T O N )

A aposta de Pascal parece promover uma atitude interesseira e pouco sincera em relação à religião. Mesmo admitindo a existência de Deus, é possível que um ateu sincero e bem-intencionado tenha mais valor do que um crente interesseiro.

NIGEL WARBURTON

2 OBJEÇÃO

ARGUMENTO INAPROPRIADO

“ A P O S T A R N A E X I S T Ê N C I A D E

D E U S P O R G A N H A R M O S C O M

I S S O A H I P Ó T E S E D A V I D A

E T E R N A , F I N G I N D O C R E R

R E A L M E N T E N A S U A E X I S T Ê N C I A

P O R C A U S A D O P R É M I O Q U E

G A N H A R E M O S S E T I V E R M O S

R A Z Ã O , P A R E C E U M A A T I T U D E

I N A P R O P R I A D A P A R A T O M A R M O S

E M R E L A Ç Ã O À E X I S T Ê N C I A D E

D E U S ( . . . ) O P R O C E S S O

P A R E C E , T O D O E L E , I N S I N C E R O

E I N T E I R A M E N T E M O T I V A D O

P E L O I N T E R E S S E P R Ó P R I O ” ( N I G E L W A R B U R T O N )

QUADRO-SÍNTESEE

CONLUSÃO

ARGUMENTOS

Argumento Cosmológico

Argumento Teleológico

Argumento Ontológico

O Problema do Mal

Argumento da Aposta de Pascal

Termina assim mais uma edição de “Filosofica-mente”!

Já és capaz de formular a tua opinião fundamentada em relação à existência de Deus?

Esta edição desafiou a tua posição sobre a existência de Deus ou permitiu-te corroborar o teu pensamento prévio?

Eu posso dizer-te que este dilema surpreendeu-me imenso e senti a necessidade de repensar a minha posição relativamente à existência de Deus pois percebi que não tinha argumentos capazes de sustentar a minha crença e esta seria facilmente refutada pelos críticos.

OBJEÇÕES

Qual é a causa de Deus? 1

A causa primeira pode não ser o Deus teísta 2

O criador inteligente pode não ser Deus teísta 1

A crítica baseada em Darwin 2

Será Deus o ser maior do que o qual nenhum outro pode ser pensado? 1

Permite "provar" coisas irreais 2

A defesa do livre-arbítrio 1

A defesa da edificação do caráter 2 não sabemos o suficiente para considerar o mal injustificado 3

As crenças não são voluntárias 1 Argumento inapropriado 2

Todavia, esta experiência também me permitiu compreender que o problema da existência de Deus não se trata de um simples questionamento - é um verdadeiro dilema e isso justifica a quantidade de argumentos a favor e contra a existência de Deus.

Por isso, espero que a leitura desta edição de “Filosofica-mente” tenha sido capaz de responder às tuas dúvidas relativas ao dilema apresentado.

Já não me lembrava do quão exigente e trabalhoso é realizar uma revista mas, mesmo assim, todo o trabalho e empenho recompensou, pois a constituição da revista oferece relevância ao importante Problema da Existência de Deus. Conto contigo para a próxima edição de "Filosofica-mente"!

Fontes

Documentos disponibilizados pela professora Manual "Dúvida Metódica" - Texto Editora

Tomás de Aquino: biografia, pensamento, obra, frases - Brasil

Escola (uol com br)

Biografia de Tomás de Aquino - eBiografia

Santo Anselmo, bispo da Cantuária e Doutor da Igreja (cancaonova.com)

Sto. Anselmo - Bertrand Livreiros - livraria Online

Quem foi o filósofo Epicuro e suas principais ideias - Toda

Matéria (todamateria.com.br)

Biografia de Epicuro - eBiografia

Biografia de Blaise Pascal - eBiografia

Blaise Pascal - Infopédia (infopedia.pt)

Blaise Pascal - Toda Matéria (todamateria com br)

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Filosofica-mente: A Existência de Deus by Mafalda Gomes - Issuu