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Foto: Carlos Grevi

Um usuário de crack na cracolândia sob a ponte Leonel Brizola com a morte entre os dedos

Cracolândia CAMPOS DOS GOYTACAZES, RIO DE JANEIRO • DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

NÚMERO 17

www.jornalterceiravia.com.br

Em Campos, uma pedra no meio do caminho chamada crack, está matando

Página 03/04 Editorial

A rebelião de 1999 que mudou perfil dos presídios em Campos

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Fake no face do delegado da PF Paulo Cassiano Jr.

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História do Morto-Vivo de Campos não sai da memória

Club Terceira Via Os passos de Mercedes Falo de coisas e não de pessoas

Campista foi a primeira bailarina negra a entrar para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro

O vereador Cláudio Andrade em entrevista ao Jornal Terceira Via fala do atual momento da política de Campos PÁGINA 9

Mercedes Ignácia da Silva Krieger entrou com sapatilhas no palco da história CAPA

12

Roxinho quer ver os grandes amarelarem no Carioca 13

Diante dos muitos perigos, com as crianças todo cuidado é pouco PÁGINA 11


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

Política

Inventário de problemas

Na hora de ver a herança, novo governo se depara com uma série de obstáculos de todas as ordens e também fora da ordem MARCOS CURVELLO Após a posse, no dia 1º, Rafael Diniz (PPS) passou a semana inspecionando as dependências de hospitais municipais, repartições públicas, secretarias e da própria prefeitura. O resultado: um inventário de problemas estruturais, logísticos, financeiros e de recursos humanos prontos a dificultar as ações da nova administração, como as ações deliberadamente prejudiciais denunciadas por membros da então equipe de transição. Entre a Campos em que nada falta, da propaganda do governo Rosinha e a realidade constatada, pessoalmente, pelo novo prefeito, existe ou a maquiagem ou a tática da terra arrasada. Um recurso de guerra empregado pela Rússia contra o grande exército de Napoleão, assim como contra a máquina de batalha nazista, e por Saddam Hussein na retirada de suas tropas do Kuwait, que consiste em destruir qualquer recurso valioso ao inimigo enquanto se recua. Mas, Sun Tzu já provou que manuais de guerra servem bem à política. Com a Saúde em situação precária, Rafael e sua equipe visitaram primeiro os hospitais do município: o Ferreira Machado (HFM), na manhã de segunda, o Geral de Guarus (HGG), na tarde do mesmo dia, e o São José (HSJ), em Goitacazes, na tarde de terça-feira. Nos três casos, as inúmeras denúncias feitas pelos usuários ao longo dos últimos anos foram constatadas pessoalmente. Falta tudo. De medicamentos a insumos básicos para o atendimento. O sistema de refrigeração não funciona, o que impõe ainda mais sofrimento aos pacientes atendidos na emergência. Exames deixam de ser feitos porque os aparelhos não passam por manutenção e mesmo o mobiliário apresenta problemas. São macas, camas e cadeiras deterioradas pela ferrugem. Estrutura A estrutura física também sofreu com a falta de cuidado. No HFM, dois elevadores não funcionam. O único restante, usado para transporte de pacientes e mesmo cadáveres, têm problemas constantes. De oito centros cirúrgicos, apenas dois estão funcionando. Se apenas um deles, que foi transformado em depósito, estivesse em operação, poderiam ser realizadas mais oito cirurgias por dia. Já no HGG, salas se encontravam fechadas. Entre elas, a de coleta de sangue, inoperante há nove meses. O HSJ não estava em melhores condições. Os banheiros estão impróprios para uso e parte das paredes está tomada pela infiltração e pelo mofo. Seu prédio novo, em Donana, onde foram gastos cerca de R$ 10 milhões nos últimos seis anos, não tem equipamentos e permanece sem funcionar. Nem a sede da prefeitura escapou. A situação do Centro Administrativo José Alves de Azevedo foi descrita assim pela assessoria de imprensa de Rafael Diniz, que fará do lugar seu local de trabalho durante os próximos quatro anos: “tetos com infiltração, vazamento em grande parte dos ares-condicionados próximos a fiação de computadores, pisos quebrados, falta de organização nos estoques e materiais sucateados”. O administrador do prédio, Fabiano Costa, afirmou que “intenção é tornar estas estruturas viáveis para acolher os servidores de forma salubre”.

O prefeito Rafael Diniz na primeira semana de trabalho segue uma rota como quem pula de um problema para o outro O gabinete do prefeito, a Procuradoria Geral do Município, setores de licitação e o refeitório dos servidores — que acomoda parte do arquivo da antiga secretaria municipal de Controle Orçamentário e Auditoria, transformada em Transparência e Controle — funcionam no que foi descrito como “puxadinhos”. Não fosse suficiente, o ar condicionado central não passou por manutenção e está inoperante. O rebaixamento de gesso do teto de parte do gabinete do prefeito, da sala de Relações Institucionais e de banheiros desabou. Goteiras são abundantes em época de chuva, os aparelhos de ar condicionado vazam água. Pisos estão soltos e não há ventilação suficiente. Calamidade Na Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade Urbana a calamidade é, principalmente, financeira e pode render despejo dos servidores, segundo o secretário Cledson Bitencourt. Ao assumir a pasta, ele descobriu que a prefeitura estava havia quase dois anos sem pagar o aluguel. Eram 22 meses de inadimplência, que resultaram em um déficit de quase R$ 400 mil em aluguéis. O valor, porém, é irrisório perto da dívida de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que chega a R$ 2,16 milhões. Para começar a sanar os problemas da Saúde, a responsável pela pasta, Fabiana Catalani, determinou que sejam realizadas vistorias em todas as unidades de atendimento médico do município. A situação, porém, foi chamada de “crítica” por Rafael. “O pouco material que temos em estoque não tem qualidade e deve terminar em menos de uma semana. O armazenamento dos medicamentos também não está sendo feito de forma adequada. Estamos lidando com vidas e o que estamos vendo é resultado de uma má gestão”, disse. Os demais problemas são analisados pelo prefeito e seu secretariado, que buscam soluções que caibam no bolso da municipalidade. “Sabemos que não será fácil resolver os problemas no início, mas este é o momento de unir forças e trabalhar. É isso que

estamos fazendo. Ouvir dos servidores e da população as principais dificuldades e contar com a ajuda de todos é essencial para começar a fazer a diferença”, afirmou o prefeito em visita ao HSJ. As primeiras iniciativas tomadas para isso são a criação da Comissão Especial de Gestão Governamental do Município de Campos dos Goytacazes, a suspensão do pagamento de contratos de serviços não essenciais durante 90 dias, o início da auditoria nas contas e projetos do município e o recadastramento de beneficiário de programas e servidores. Comissão A Comissão Especial de Gestão Governamental do Município de Campos dos Goytacazes será presidida pelo prefeito e conta, ainda, com o Procurador Geral do Município, José Paes Neto, e os secretário municipais de Fazenda, Leonardo Wigand, de Transparência e Controle, Felipe Quintanilha, de Governo, Fábio Bastos, e o chefe de Gabinete, Alexandre Bastos. A junta foi criada para gerenciar ações do governo municipal. Entre suas atribuições estão: “assegurar coerência entre a concepção e a execução das políticas públicas”, “conceber e articular a execução de programas multissetoriais”, “acompanhar as metas e os programas governamentais e identificar restrições e dificuldades para execução dos programas governamentais, propondo medidas necessárias à sua viabilização”. Já suspensão de pagamentos relativos a contratos de execução de obras, de fornecimento de produtos e/ou serviços é o primeiro passo na direção de uma “auditoria individualizada e minuciosa para efetiva comprovação da regularidade da contratação, da realização do objeto contratado e sua economicidade”. Por fim, o prefeito determinou o recadastramento dos beneficiários dos Programas Municipais de Fornecimento de Medicamentos de uso continuado e de serviço de home care, bem como de servidores efetivos e empregados públicos da administração direta e indireta.

Cenas que não são inétidas mas que terão que sair de cartaz se o prefeito Rafael Diniz quiser continuar bem na fita, pois esse filme ninguém suporta mais rever..não vale a pena ver de novo


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

Cachimbo que rouba a paz

Crack se espalha por Campos destruindo lares e matando pessoas que tinham uma vida inteira pela frente

Girlane Rodrigues A busca pelo prazer, pela sensação de liberdade, a tentativa de fugir de problemas e a carência emocional são ingredientes que alimentam a indústria do crack. A falta de amor no seio familiar, um trauma ou uma rejeição social tem levado cada vez mais jovens a experimentarem a droga. O Jornal Terceira Via ouviu depoimentos nas ruas de usuários e ex-usuários de crack que conviveram com essas experiências negativas e encontraram um falso refúgio na droga. Muitos conseguiram se desvencilhar do vício. Outros, não. Relatos de uma usuária de droga G,E,S começou a usar crack com sete anos de vida. Ela tem 20 e carrega no corpo as marcas do vício. Lábios e pele ressecados, cicatrizes no abdome, mãos queimadas, sujeira. G conta que foi abusada sexualmente na infância por um parente. Por meio dele também conheceu a droga. “Ele me dava dinheiro em troca da exploração sexual e me induzia a usar drogas. Fiquei viciada e passei a me prostituir para ter dinheiro para comprar crack”. G. já foi detida pela polícia quando adolescente, roubou, apanhou, agrediu, quase morreu, foi casada, teve uma filha, mas nunca deixou o vício. O cachimbo feito de aro de bicicleta e uma faca amolada são objetos que não saem de perto dela. “A faca é para me defender na rua e o cachimbo para me dar prazer usando crack. Me sinto mulher quando uso a droga. Gosto dessa onda, me distraio, esqueço os problemas. É meu refúgio, faz o tempo passar, nem que seja por 15 minutos que parecem uma eternidade”. G. confessou que já chegou a gastar R$1.500 em uma noite comprando e usando crack. Para não passar mal ela disse que basta estar alimentada para que o corpo possa suportar os efeitos colaterais. G. já sofreu convulsão, sentiu fraqueza, febre, quase desmaiou e teve tremedeiras quando usou crack sem uma boa rotina de alimentação e foi internada no Hospital Ferreira Machado. Em uma conversa de aproximadamente meia hora, a jovem moradora das ruas de Guarus disse que não estava drogada porque não queria. Para ela, ter essa opção de escolha a torna forte e capaz de largar o vício a hora que desejar, mas ainda não desejou. No fim da conversa ela pediu dinheiro e, pela negativa, pediu algo para comer. Foi alimentada e seguiu para uma cracolândia que funciona embaixo de uma passarela na Rodovia BR-101, em Guarus. Apesar de morar na rua, G. disse que costuma pagar diárias em hoteis no centro da cidade para tomar banho e dormir. As principais refeições são feitas no restaurante popular de Campos.

Cachimbo Jovem de 20 anos exibe o cachimbo que ela guarda na roupa para fumar o crack quando e onde desejar ficar na Rua Marechal Floriano. Ele fuma crack para sentir “fortes emoções”. A primeira vez foi com 18 anos e acabou “caindo numa grande armadilha”. Hoje, com 26 diz que começou a usar droga por curiosidade já que estava se sentindo sozinho porque a avó que o criou faleceu e o pai morava em outra cidade. Leonardo conta que trabalha como lavador de carros e consegue ganhar até R$150 por dia e usa o dinheiro para comprar droga. Ela já tentou se libertar do vício, mas nunca conseguiu.

Apreensão material foi achado no Centro de Campos pela Guarda

Comandante do 8ºBPM confirma o aumento da apreensão de crack na região de Campos

Opção usuário de droga dorme na rua Marechal Floriano Cracolândias Os usuários de droga estão ganhando espaço nas ruas e em espaços públicos da cidade. Segundo a Polícia, há cerca de dez anos eles ficavam confinados em parques abandonados, como o Alberto Sampaio, no Centro, por exemplo. Atualmente podem ser encontrados em cracolândias espalhadas pelo município, como na margem do Rio Paraíba do Sul, em Guarus; no entorno da igreja e jardim São Benedito, sob a ponte Leonel Brizola, no Centro e outros pontos. Na área central, Leonardo dos Santos, costuma

Estatísticas policiais Para a polícia, a droga alimenta o crime. Segundo o comandante do 8º Batalhão de Polícia Militar, Fabiano Santos, a maioria dos roubos, furtos, latrocínios (roubos seguidos de morte) e assassinatos estão ligados ao tráfico de drogas. Seja para manter o usuário no vício ou pela disputa por território para comercializar a droga. As estatísticas do 8º BPM comprovam o aumento na circulação de droga dentro do município, o que resulta em apreensões da Polícia Militar. Em 2016 foram apreendidos 21,212 quilos de crack. Um aumento de aproximadamente dois quilos se comparado ao ano de 2015, quando a PM apreendeu 19,694 quilos.

Choque de ordem A Guarda Civil Municipal (GCM) promoveu uma operação na manhã da última sexta-feira (6) em vários pontos da cidade conhecidos como cracolândia. Foram apreendidas facas, cachimbos, serras, tesouras, maconha, isqueiros, documentos e uma sacola com medicamentos. A ação aconteceu em pelo menos quatro pontos da cidade: na Praça da República, em uma casa abandonada na rua Marechal Floriano, na rua Tenente Coronel Cardoso e embaixo do viaduto Leonel de Moura Brizola. De acordo com o comando da unidade, a GCM, em Campos, possui o grupamento “Crack, é possível vencer” e o “Grupamento de Proteção Social”. Pelo menos sete guardas municipais realizaram a operação que recebeu o apoio de um grupo do Centro Pop que abriga moradores em situação de rua. “O trabalho foi feito depois que recebemos denúncias anônimas. Na Praça da República, por exemplo, os usuários de droga já estavam montando acampamento, levando sofá e outros objetos que foram recolhidos pela Limpeza Pública.” Profissionais da Limpeza Pública também estiveram nesses pontos e recolheram restos de comida, roupas, lençóis e lavaram os espaços. “Os moradores foram revistados mas nenhuma droga foi encontrada. Orientamos eles a voltarem para as casas”, disse. O material apreendido foi apresentado na 134ª Delegacia Legal do Centro de Campos, será periciado e apreendido para investigação, segundo informou um guarda que preferiu não se identificar. Droga barata Segundo a Polícia Militar, os usuários costumam comprar uma pedra de crack a R$ 10. O valor é considerado barato se comparado a outras drogas. O crack é feito do sumo da cocaína. Os traficantes adicionam substâncias químicas alucinógenas para baratear ainda mais o custo e causar um efeito maior de satisfação ao usuário.


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

Especial

Irmã Maria dos Anjos vive enclausurada no Mosteiro da Santa Face promovendo um trabalho contemplativo de oração e dividindo com o próximo aquilo que ela tem por misericórdia de Deus

Cristolândia X Cracolândia Simone Lima de Carvalho, 36 anos e Tairini Faria, 25. Elas têm em comum um passado de riscos de morte, vícios, crimes e um presente de recuperação. Elas integram um grupo de 24 alunas da Cristolândia, um projeto humanitário da Junta de Missões Nacionais da Igreja Batista que ajuda na recuperação de dependentes químicos. Em Campos, a Cristolândia funciona no Centro Terapêutico Élcia Barreto, no Jardim Carioca, pioneira no Brasil que possui 37. Simone já foi mula do tráfico de drogas, abastecedora, tesoureira e gerente na Vila Cruzeiro, no Rio. Ela atravessava fronteiras transportando drogas e distribuindo em vários estados brasileiros. Esse contato com a droga que a fez ser usuária. Na ocupação do Estado na Vila Cruzeiro em 2011 que mobilizou todo o pais, Simone ajudou na fuga de amigos e parentes e também chegou a esconder droga na casa dela. Ela conta que recebeu livramentos de Deus. “Eu usava crack, ficava fora de mim, mas o livramento que eu conto é que mesmo sem discernimento eu não mexia na mercadoria que eu tinha que entregar. Se eu mexesse e o receptor da droga sentisse falta eu poderia ser morta”. Coma saúde debilitada pelo uso do crack, ela pediu ajuda a uma amiga que a encaminhou para um pastor. Mas confessa que queria se recuperar e ganhar peso para retornar ao tráfico, mas foi impactada pela palavra de Deus e está completando 8 meses na Cristolândia. Ela tem receio de se considerar curada enquanto não terminar o tratamento. “Meu futuro pertence a Deus. Minha vonta-

de é voltar para o Rio, ter contato com minha filha e neta, mas estou aguardando a vontade de Deus para minha vida”. Hoje Simone consegue ver que há cura para o dependente químico. Segundo ela com força de vontade e Deus no coração é possível vencer o crack. “Mas é necessário também que o amor volte a reinar no coração do ser humano. Falta amorno ser humano” Tairini disse que perdeu tudo o que tinha para o crack e, por pouco, não perdeu a vida. O filho de 4 anos foi entregue pela mãe dela a uma mulher que cuida da criança. “Quero muito meu filho de volta. Nunca recebi amor de mãe, mas quero poder dar esse amor que não tive para ele, mas preciso me recuperar primeiro”. Tairini chora ao lembrar das agressões que sofria do ex-marido. “No dia 20 de dezembro ele me jogou de cabeça para baixo do quarto andar de uma estação de trem, no Rio. Caí em pedras pontiagudas, tive um coágulo na cabeça e machuquei as pernas”, por pouco meu ex-marido não me matou. “Adquiri tuberculose e perdi um pulmão. Comia comida do lixo para ter dinheiro para comprar crack. Perdi uma irmã com 29 anos para o crack. Ela era usuária da droga”. Tairini está em recuperação na Cristolândia há pouco mais de uma semana. As meninas têm aulas de estudos bíblicos e passam por um tratamento multidiscplinar com médicos, pscicólogos, assistentes sociais. A Cristolândia recebe doações das igrejas e o trabalho é voluntário.

Psicóloga Luisa Marques Luisa Marques é voluntária do projeto. Psicóloga, ela afirma que o crack é devastador e dá um prazer imediato ao usuário. Enquanto outras drogas levam de 10 a 15 minutos para fazer efeito, o crack começa a agir até o terceiro minuto após o primeiro trago que vai direto para o pulmão. “Como o pulmão é vascularizado, as substâncias chegam ao cérebro em poucos segundos e gera uma explosão de saciedade na área cerebral responsável pelo prazer. O cérebro registra esse prazer, o que gera o vício”, explicou Luisa.

Os danos à saúde, completa Luisa, também são imediatos. “Incide direto no processamento da informação e na memória. Quem usa crack, demora para processar as informações e tem perdas de memórias constantes”. A degradação do usuário de crack é provocada pelos maus tratos, falta de banho e agressões na rua. “Muitos têm os dentes arrancados, cabelos cortados, sobrancelhas raspadas, perdem a identidade”, conta. Luisa afirma que o cérebro tem a capacidade de se regenerar por meio de estímulos o que torna reversíveis os danos causados pelo crack, por mais devastadores que sejam. Porém todo procedimento deve ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar. A voluntariedade vem também do Mosteiro da Santa Face, onde madres e irmãs cozinham e doam alimentos aos usuários de droga. Localizado na Rua Marechal Floriano, no Centro, o mosteiro é abrigo para dez irmãs redentoristas que fazem orações para a humanidade. “Praticamos o amor à Deus e ao próximo. Doar é um ato de amor. Isso é bíblico. Começamos a doar alimentos, produtos de higiene e roupas há 20 anos. Doamos para quem nos procura e diz que precisa. Muitos voltam, agradecem, doam alimentos e objetos para passarmos adiante”. A irmã Maria dos Santos Anjos conta que já foi criticada por ajudar aos pobres. “Mas quem critica é quem não doa e se sente incomodado vendo outros a doarem. Somos irmãos e um precisa do outro. Deus é pai e não deixa nos faltar nada por isso temos que repartir o que temos”.

Eu perdi tudo por causa do crack Tairini Faria Antes e depois do crack As meninas chegam com marcas da violência no corpo e na alma e são tratadas; 60% são curadas e reinseridas no seio familiar, na sociedade e no mercado de trabalho


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Opinião

DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

Não atirem a primeira pedra

Editorial

Vício é o que achamos que estamos fazendo pela última vez. Desde o ópio as drogas fazem parte da natureza humana, embora não seja uma coisa natural, principalmente, quando chega na forma de química. O crack, uma espécie de chorume da cocaína, é uma droga devastadora e que se espalha. Vicia com a mesma rapidez com que se prepara um miojo. Em Campos, esse subproduto da cocaína ganha terreno como nas

grandes cidades, e esses terrenos viram cracolândias, muitas vezes em áreas urbanas sob a mira da indiferença da maioria. Todos sabemos que o vício é o mal que se faz sem prazer. Quando deixa de dar prazer é porque o vício passou a ser mera necessidade. O homem primeiro faz os seus hábitos, depois os hábitos o faz. O perfil de quem usa crack é abrangente, indo desde miseráveis que usam a droga, talvez por ter saudade da comida, até

jovens de classe média que tem comida sobrando e, por isso, nunca deram valor a ela. Mas prezam o valor monetário e, por isso, optam por uma droga barata. A mais devastadora e visceral das drogas é o combustível dos suicidas homeopáticos. Porque, talvez, a maioria dos usuários nunca teve mesmo vida, essa droga tem sido tratada com vetor de um problema de saúde pública. O drama é tão forte que ninguém criminaliza na prática.

Penúria É térmica

A primeira reunião do Conselho Comunitário de Segurança, de 2017 teve no centro da mesa o prefeito Rafael Diniz. Ele reafirmou seu compromisso de colocar a municipalidade em parceria com os órgãos desta área, tomando medidas que aumentem a sensação de segurança. Hoje a sensação é térmica.

A Uenf continua se sustentando sabe lá Deus como. A campanha de arrecadação de cesta básicas para ajudar os servidores estudantes bolsistas da universidade continua. Segundo a presidente da Associação de Docentes da Uenf (Aduenf), Angélica Pereira, que está à frente da campanha, a arrecadação continuará até que o Governo do Estado regularize o pagamento dos salários e das bolsas. Quem puder ajudar deve deixar os alimentos no hall da Reitoria da Universidade.

Temporada da calamidade

Parece que a coisa é endêmica e não tem vacina. Três das principais cidades turísticas do Rio- Cabo Frio, Angra dos Reis e Petrópolis - decretaram estado de calamidade financeira. Já haviam feito isso os prefeitos de Mesquita, Nova Iguaçu e São Gonçalo. Ao mesmo tempo, a semana foi marcada pelo primeiro decreto do prefeito reeleito de Santo Antônio de Pádua, que decidiu literalmente entregar o município “a Deus”. O diabo deve ter ficado com ciúmes.

Leilões

Acidente pavoroso

O presidente Michel Temer, finalmente falou sobre o massacre de presos em Manaus. Ele chamou o caso de “acidente pavoroso”. Acidente pavoroso é esse senhor se tornar presidente. O seu ministro da Justiça está careca de saber porque as rebeliões acontecem neste sistema penitenciário falido.

Bem colocado

Muito bem colocada pelo engenheiro Paulo César, a posição da construtora Imbeg no caso das obras no Centro da cidade, que foram objetos de reportagem deste jornal. Na nota, ele deixa claro que elas não prosseguiram por falta de recursos por parte do município. Quem não foi muito clara assim, foi a concessionária de energia elétrica que deveria retirar os postes, conforme o combinado.

Os leilões de áreas exploratórias de petróleo e gás é, sem dúvida, um dos momentos mais esperados por todo o setor de óleo e gás do Brasil e também por investidores estrangeiros. A 14ª Rodada e a segunda licitação de áreas do cada vez mais valorizadas do pré-sal deverão ser um dos pontos de retomada do mercado nacional. E vamos levar em conta que o preço do barril de petróleo está reagindo.

Pilates

Novidade para os campistas. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) está abrindo inscrições para aulas de pilates, de segunda a sexta-feira, com opção de três aulas por semana. Essas inscrições poderão ser feitas no Sesi de Guarus, avenida Bartolomeu Lysandro 862

Tem remédio

Quando se tem disposição para ousar e trabalhar a coisa anda. Quem tem um bom remédio para crise é o empresário Lellis Rezende. Ele saiu de São Fidélis, onde montou sua primeira farmácia. Lugar pequeno, mas pensou grande até na hora de dar o nome ao negócio: Mega Saúde. Hoje tem lojas em São Fidélis e Campos.

Auditoria na Prefeitura Cláudio Andrade Vereador As ações preventivas de gestão já estão ocorrendo no governo Rafael Diniz. Foi publicado no Diário Oficial do dia três de Janeiro o Decreto nº 002/2017 que determina a suspensão dos pagamentos de contratos em execução para adoção de providências administrativas, bem como determina a auditoria dos contratos e instrumentos congêneres da administração direta e indireta do Município de Campos dos Goytacazes. Trata-se de uma ação administrativa importante que visa obter um espelho do que foi celebrado, o decurso do cumprimento desses contratos e as suas respectivas efetividades. O artigo primeiro do Decreto explicita que ficarão suspensos, por até 90 (noventa) dias, os pagamentos relativos aos contratos de execução de obras, de fornecimento de produtos e/ou serviços, firmados pela Administração Pública Municipal Direta e Indireta nos exercícios anteriores, para que seja realizada auditoria individualizada e minuciosa para efetiva comprovação da regularidade da contratação, da realização do objeto contratado e de sua economicidade. No seu parágrafo único, o texto informa que o cumprimento do decreto

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será de responsabilidade do Secretário Municipal de Fazenda, de acordo com o resultado das análises e das auditorias realizadas. No Decreto também é informado que os Secretários Municipais, e os Dirigentes das Entidades da Administração Indireta deverão instituir comissão interna para analisar e auditar os contratos e outros instrumentos congêneres firmados nos respectivos âmbitos de atuação, remetendo relatório conclusivo para a Comissão especial de gestão governamental, no prazo de noventa dias. O decreto em comento é um exemplo claro de que ainda estamos atravessando uma grande escuridão governamental causada pelo descumprimento do processo de transição. Algumas ações já poderiam estar sendo processadas se o governo passado tivesse apresentado às nuances internas e ofertasse um panorama sério acerca do município de Campos dos Goytacazes. Os problemas irão se avolumar no início até que o governo Rafael saia da estação e consiga colocar o trem nos trilhos. Por isso, a ação conjunta dos órgãos e entidades civis poderá suprir um pouco a falta da transição.

Muitas ações estão sendo desenvolvidas em Campos para tentar recuperar essas pessoas, uma tarefa quase impossível. Aqui temos, por exemplo, a Cristolândia, que faz um trabalho notável. Mas é preciso paciência. Ninguém se livra de um vício se jogando pela janela do 15º andar: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau. No mais, não se deve fumar a primeira pedra, nem tão pouco atirar a primeira pedra em quem a fumou.

Pé no Chão e Fé no Povo! José Luis Vianna da Cruz O Brasil optou, na era da globalização dos mercados, por se inserir na economia mundial como grande produtor e exportador de alimentos e minerais, principalmente. Para tanto, teve que fazer um grande programa de infraestrutura em energia – vide as grandes hidrelétricas e petróleo – e em logística de transporte, armazenagem e comercialização, conforme os Planos de Logística de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Nesse processo, entregou as principais fatias a mega capitais transnacionalizados; agora, no Governo Temer, entrega ao capital externo outros segmentos mundialmente estratégicos, na área de exploração, produção e comercialização de petróleo e derivados. Isso nos traz ao Norte Fluminense. O centro da produção petrolífera aqui se instalou e gerou royalties, mais do que produtos e empresas, com exceção de Macaé. Os municípios ricos em rendas, como Campos, gastaram “como se não houvesse amanhã”, agindo como bons rentistas. Não souberam poupar – num fundo – nem gastar em diversificação, encadeamentos, fortalecimento de vocações tradicionais, em formas de garantir um futuro póspetróleo, ou pós-royalties. Com a entrada da produção do Pré-Sal o centro da produção de petróleo se desloca para São Paulo. Veio o porto do Açu. Totalmente conectado ao comércio internacional, ao perfil de produtos primários e controlado por um fundo de investimentos estrangeiro. Quais as perspectivas de desenvolvimento a partir desses investimentos? Vários analistas concordam em que esses investimentos são voláteis, instáveis, à mercê dos humores e controles do mercado internacional e da dinâmica especulativa da economia mundial. Não têm nenhum vínculo com os locais onde se instalam, com a sociedade local e regional, ou com o país onde estão localizados. São poupadores de emprego (porque são altamente automatizados) e provocadores de concentração de terras, de imóveis e de segmentos do comércio e serviços – quebrando os empresários locais e regionais – elevando os preços dos alimentos e dos serviços. Vide Macaé. Campos se tornou o centro regional dos investimentos de médio e grande porte, nacionais e internacionais, no comércio e serviços, como os grandes atacados, shopping centers, hotéis, lojas de grife e grandes âncoras do varejo. Tudo isso hoje está sujeito ao humor do mercado mundial, leia-se China, EUA, Europa e Rússia. Se o petróleo entra em crise, se esses países compram menos, as rendas do petróleo e o porto do Açu despencam juntos. Portanto, atrelar o desenvolvimento de Campos a esses empreendimentos seria suicídio, ou uma morte anunciada, cuja prévia já tivemos com a queda dos royalties. Qual a saída, então? Só se pode pensar em saídas dentro do cenário das crises local, regional, nacional e internacional, em que nos encontramos. É hora de olhar para dentro e para os lados e fazer projetos próprios e associados, regionais. Por exemplo, com a Coleta Seletiva e Reciclagem do Lixo. Já tem lei, já tem cooperativas, catadores e experiência acumulada. Economiza e recebe ICMS ecológico. Outra é a Agricultura Familiar, com vertentes agroecológica, que envolve mais cerca de duas mil famíias, só em Campos. Outra é a Verdadeira Economia Solidária – não assistencialista ou clienteista – que envolve produção, prestação de serviços e comercialização associativas, crédito subsidiado, assistência técnica e fomento. São ações baratas, com legislação de apoio, algumas já funcionando, e com gigantescos impactos no emprego e na renda da maioria da população. Barram o desemprego em tempos de crise, barateiam os custos das Prefeituras (na compra de alimentos, produtos e serviços), geram emprego e renda, dão resultados imediatos e são sustentáveis. Têm um profundo impacto político-eleitoral. Analisando experiências, essas têm sido as saídas mais eficientes para enfrentar as crises mundial e local atuais. Pé no chão e fé no povo, é o lema!

Expediente: Fundador Herbert Sidney Neves - Direção Executiva Martha Henriques - Diretor Geral Fábio Paes Diretor de Jornalismo Aloysio Balbi - Chefe de Reportagem Roberta Barcelos - Girlane Rodrigues - Projeto Gráfico Estúdio Ideia Diagramação Liberato Verdile Jr. - Departamento Comercial (22) 2738-2700 Rua Gov. Theotonio Ferreira de Araújo, 36 - Centro - Campos dos Goytacazes - RJ


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

Campos A mais tensa rebelião de Campos Embora sem mortes, mudou sistema penitenciário Priscilla Alves Chamado pelo Presidente da República, Michel Temer, de “acidente” o massacre que aconteceu entre presos em Manaus veio seguido de outro que também chocou o país: foram 33 mortes dentro de um presídio em Roraima. Somados, os dois casos totalizam 94 detentos mortos. Outro ponto que impressiona é em relação à rebelião de Manaus, que vitimou 60 presos e deixou a maioria dos corpos esquartejados. Em Campos, uma rebelião de detentos da antiga carceragem da 134ª Delegacia de Polícia, em 1999, durou 30 horas e deixou todo o Centro da cidade em pânico. O principal motivo do terror causado na população campista era que os presos estavam armados com coquetéis molotov e ameaçavam jogá-los em tanques de combustíveis que existiam na delegacia e eram usados para abastecer os carros dos policiais. Somados, os dois tanques continham mais de quatro mil litros de álcool e dois mil litros de gasolina. Caso a ameaça dos presos se cumprisse, uma grande explosão causada pelo coquetel molotov jogado na direção dos tanques poderia levar parte do Centro de Campos – incluindo prédios de escolas e a própria delegacia – pelos ares. Toda a área ao redor da delegacia precisou ser isolada. Na época, o caso foi noticiado como destaque no jornal O Globo e teve a cobertura do jornalista Aloysio Balbi, hoje diretor de jornalismo do Jornal Terceira Via, e da repórter Taís Mendes. Os dois acompanharam toda a tensão de perto. Em Campos, a rebelião afetou 240 presos, começou na hora do almoço de um dia de domingo e ficou ainda pior na manhã seguinte. Com trinta horas de duração, esta foi uma das mais longas rebeliões que já aconteceram em todo o estado do Rio de Janeiro. Após ser prefeito de Campos por duas vezes, Anthony Garotinho havia acabado de se eleger governador do estado do Rio na época em que a rebelião em Campos aconteceu. Além de policiais da região, foram enviados ainda para Campos, o capitão Batista, do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e um reforço de policiais da tropa de choque de batalhões de Macaé e Itaperuna. A situação só foi controlada quando o líder do movimento, que ameaçava um refém com uma arma apontada na cabeça, foi contido por outro detento que seria o segundo chefe do motim e tinha resolvido acabar com o movimento que deixou os presos sem água e sem luz. Ele deu uma pancada na cabeça do líder da rebelião – que logo foi contido por policiais. Apesar do susto, não houve mortos. Outro caso, em 2003, que causou grande pavor na população campista foi uma situação em que um detento foi morto dentro do presídio e teve o corpo servido em quentinhas dos presos. Após matar o detento, os outros presos cortaram partes do corpo dele, cozinharam e serviram nas quentinhas, como se fossem carne. O caso aconteceu há muitos anos e só foi descoberto depois que todas as partes da vítima já tinham servido de alimento para os outros detentos.

Em Campos Com frequência unidades táticas especiais são mobilizadas para abortar início de rebeliões

Em Manaus No domingo (1º), 56 detentos morreram na rebelião do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus, no Amazonas. O motim durou mais de 17 horas e foi considerado o maior massacre do estado e o a maior matança desde Carandiru. Em entrevista, o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sério Pontes, afirmou que todos os mortos são integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e ainda que estavam presos por estupro. No caso de Manaus também houve fugas de presidiários. Segundo as últimas informações, a rebelião em Manaus deixou 60 mortos (sendo 56 no complexo e 4 na UPP) e 184 fugas. Entre os fugitivos 63 foram capturados. O complexo penitenciário tem capacidade para 454 presos, mas está com 1.224. Roraima Já na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, a maior de Roraima, foram 33 mortos na rebelião que aconteceu na madrugada da última sexta (6). Segundo o Governo do Estado, nenhum dos presos pertencia à facções criminosas e não houve confronto entre grupos de criminosos. Porém, os autores do massacre seriam participantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Também seriam do PCC, as vítimas do massacre de Manaus. Segundo o secretário de Justiça e Cidadania de Roraima, Uziel Castro, a penitenciária abriga apenas detentos do PCC e os corpos foram encontrados “destroçados”. Em outubro de 2016, outra rebelião já havia deixado dez detentos mortos no mesmo presídio.

Na Casa de Custódia que ficou conhecida como cadeia de papel presos ensaiam rebeliões rotineiramente


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

Saúde

Detox é o suco de quase todos

Ele vem atravessando vários verões e conquistando todos que buscam uma temporada saudável e bem hidratada Eles estão por toda parte. De todas as cores, com as combinações mais variadas e ainda tem funções nutricionais diversificadas. Para quem deseja ter mais energia, um dos mais indicados é o de melancia com gengibre. A fruta, composta 90% de água, é um ótimo hidratante. Outra sugestão é o suco de coco com água de coco. Já o suco silvestre, feito com morango, amora e framboesa, possui ação anti-inflamatória e antioxidante. E para quem deseja se prevenir da gripe, nada melhor que o suco antigripal, com

acerola, caju e mel. Uma outra combinação é de manga com hortelã. Juntos, aliam a ação antioxidante da manga e estimulante e tônica para o aparelho digestivo da hortelã; outra opção é o de laranja, morango e gengibre, ricos em vitamina C. A terceira pedida é o maracujá com manjericão e maracujá com cardamomo. Com ação calmante, ajuda a eliminar toxinas do corpo, já o cardamomo ajuda na digestão, tem ação diurética e melhora o hálito. Outra receita bastante simples e nutritiva é a que leva maçã, aipo, suco de laranja, morango, melancia e gengibre. Outra opção é o detox feito com maça, melão, pepino e agrião. Entre as outras estão o “Maxi Vitamina C”, que leva acerola, morango e laranjas sem casca e o “Maravilha de Melão”, preparado com melancia, melão cantalupo e amarelo. E, para quem quer energias positivas para 2017, pode apostar no detox “Alto Astral”, com maça, cenoura e raiz de gengibre. O Suco Solar, feito com laranjas sem casca, manga e limão também merece ser experimentado. E, para enfrentar as altas temperaturas, nada melhor que apostar na mistura de hortelã, abacaxi e coco. Outra sugestão é o suco amarelo, que leva manga, carambola e maracujá. Paletas – A onda do detox chegou até nos picolés mexicanos. E com o dobro do tamanho dos convencionais. As combinações são: abacaxi com hortelã; melancia com gengibre; beterraba, laranja, manga, hortelã e gengibre; e couve, laranja e gengibre, além do sabor capim santo com mel. É só escolher o predileto e aproveitar os benefícios.


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

VEREADOR

CLÁUDIO ANDRADE

Um polêmico na Câmara Cláudio Andrade faz parte da nova safra de políticos de Campos e mais do que uma voz polêmica quer ser voz ativa Advogado, blogueiro, radialista, comunicador e polêmico, acima de tudo. Com tudo em cima, em se tratando de ideias, Cláudio Andrade chegou longe. Aos 44 anos se elegeu vereador em Campos com uma campanha alicerçada no campo das ideias e dos conceitos, usando como ferramenta as redes sociais. Não pescou votos, mas muitos caíram voluntariamente na tal rede social. Tem argumentos firmes para cada situação.

Sabe mediar a correta distância entre pessoas e coisas. Nesta entrevista ele conclui que a espuma da esperança vai minguar com o rápido passar do tempo, e que muito em breve todos serão cobrados pela população, como os outros políticos foram cobrados. Não se define como de direita ou de esquerda e acha que a política tem que ser o centro de tudo, quando o cidadão é o sujeito direto da ação. Foto: Carlos |Grevi

Você foi bem eleito em sua primeira eleição para vereador aos 44 anos. Havia uma meta neste sentido. Não veio antes por quê? Não vim porque sempre achei que uma candidatura precisa reunir uma série de fatores onde o que menos pesa é o desejo de se eleger. Então esperei, e diante da crise ética e moral na política brasileira e minha forma combativa de denunciar e investigar os desmandos da política municipal me fizeram ver que a hora era esse. Foram dois da série de fatores que me referi antes. Primeiro foi o Blog e depois vieram a rádio e o programa de televisão, além das redes sociais. Isso deu visibilidade mais a você ou as suas ideias? Foi um casamento feliz e comunhão da imagem e das ideias. Tinha certeza que as redes sociais teriam peso substancial nas eleições. Tenho certeza que foi o candidato a vereador que mais usei essa ferramenta. Você é advogado de formação e ofício, mas parece que tem jornalismo correndo nas veias do braço esquerdo e política nas veias do direito. Afinal, você se considera um homem de ideias de direita ou de esquerda? Na verdade eu aperfeiçoei todas as oportunidades e funções que me foram dadas e isso me preparou para o cargo que agora ocupo. Com relação a ser de direita ou de esquerda, acho que esse conceito de lados não mais existe, o que existe hoje é um centro de propósito de moral, ética e com foco nos problemas sociais. Você faz parte de uma nova safra de políticos que promete. Vai cumprir? Me considero de uma nova safra; Com relação a cumprir fico a vontade em responder, exatamente porque não fiz promessas e sim abri os olhos da população pela busca da independência, logo, quando menos depender do poder público melhor. Te preocupa o desafio neste primeiro momento que Rafael Diniz irá enfrentar? Está disposto a ajudá-lo? Tanto Rafael quanto nós vereadores não podemos esquecer que a espuma da esperança vai acabar, e logo seremos cobrados como quaisquer outros políticos. Os problemas de gestão são macros e estarei à disposição dele, sempre que solicitado, desde de que nossas ideias convirjam e que a população seja o sujeito da oração. Você então tem uma postura independente na Câmara? No dia dois, fui escolhido pelo PSDC para ser o líder do partido na Câmara pelo presidente municipal da sigla, Edson Faes. Não sou independente, pois a política se faz em coletividade, contudo, caso precise me posicionar terei a postura individual necessária quando for necessário. Você é polêmico, inclusive tem um programa de grande sucesso na TV 3ª VIA. Cláudio Andrade gosta da polêmica ou do contraditório? Gosto do contraditório polêmico, onde prefiro arrancar do entrevistado o que ele não está preparado para responder. Por isso, nenhum deles recebe pauta prévia. Você polemizou muito com o grupo político do Garotinho. Achava esse grupo contraditório? Ouso discordar da sua pergunta. Não polemizei com as pessoas do grupo e sim como a forma como eles administraram os recursos municipais nos últimos oito anos. Sou um político que fala de coisas e não de pessoas. Como andam as pessoas em Campos? Você acha que elas vinham sendo tratadas como coisas? Sim. O conceito de coisa, atrelado ao de pessoa, gerou em Campos, políticas assistencialistas com fins individuais, traduzida em projetos políticos específicos, focados no crescimento privado de seus agentes e não na libertação social do povo. Como vereador você tem a ideia do gabinete itinerante. Como será isso? É um projeto que visa levar a estrutura física do gabinete às localidades. Durante a campanha percebi, por exemplo, que uma idosa residente em Mata da Cruz, a 70 quilômetros do Centro, jamais teria acesso ao gabinete de um vereador, mas muitos foram até lá pedir seu voto. Logo, é obrigação do parlamentar retornar e ouvir os seus anseios. E o mandato participativo online? Balbi, grande parcela dos meus votos veio do debate online, onde pude apresentar à população, de maneira instantânea, as questões judiciais, administrativas e sociais do município. Nada mais justo do que manter essa relação através lives semanais, apresentando as ações do meu mandato. No curso da campanha ocorreu algum fato marcante? Sim. Muitas pessoas achavam que eu era um candidato da chamada pedra, com um discurso elitista. Na verdade fiz o caminho inverso, indo às comunidades, ouvindo as pessoas e as ajudando na medida do possível. A carência é tão grande que uma delas me disse: “Nunca um candidato almoçou comigo. Estar junto da população é sinal de respeito, pois a comida pra gente é algo sagrado”-. Então você é um político mais interessado em se emocionar com o povo do que tentar emocionar o povo? Primeiro, eu preciso me emocionar e através deste sentimento sincero criar alternativas concretas para causar emoção.

O cidadão é o sujeito e não o objeto da oração


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Campos

Fake no Face do delegado da PF Alguém teve a coragem de fazer um face falso de Paulo Cassiano recheado de mentiras e temperado de maldades

Thiago Gomes Você teria coragem de criar um perfil falso no Facebook para um delegado da Polícia Federal? Provavelmente sua resposta foi não, mas alguém teve e a vítima foi o responsável pela delegacia de Campos, Paulo Cassiano Júnior. O perfil “fake” (gíria comum no meio cibernético que significa “falso” em Inglês) conta com fotos do delegado, mas possui informações pessoais incorretas, além de inúmeros erros de Português nas postagens. A utilização de dados e imagens de terceiros para tal prática pode configurar crime de falsidade ideológica. Paulo Cassiano avisa que não possui perfil em rede social e que, portanto, todas as contas que existem em seu nome na rede mundial de computadores são falsas. Ainda segundo ele, vários amigos seus já denunciaram o “fake” ao Facebook, mas a empresa de Mark Zuckerberg não tomou providências. “Tenho uma rotina muito corrida e, por isso, ainda não tive tempo de resolver esse assunto. Mas pretendo ajuizar uma ação contra o Facebook cobrando a identificação dos responsáveis para uma possível ação de danos morais. Não possuo WhatsApp, Instagran, Facebook ou qualquer outra rede social”, reiterou o delegado. O perfil falso tem 180 amigos, 83 seguidores e a última postagem foi realizada em 19 de novembro do ano passado. Muito embora haja evidências para desconfiar da conta, as pessoas interagem com o

delegado dando bom dia e parabéns pelos posts. Cassiano é casado, mas, de acordo com seu perfil “fake”, assumiu um relacionamento sério em outubro de 2014 com uma mulher chamada Yasmyn. Ainda segundo o espaço na internet, o chefe da Polícia Federal em Campos teria frequentado a Universidad Interamericana de Puerto Rico e seria natural de Moura Brasil, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, mas mora em Florianópolis, Santa Catarina. “Trabalhamos tanto, ‘a que’ na terra tudo isso para ‘xtar-mos’ bem, para ‘satisfazer-mos’ as nossas necessidades, os nossos desejos!!! O ‘mas’ engraçado, quando morremos nada levamos!!! Por ‘veses’ de tanto querer ‘subisair’, nos esquecemos do ‘mas’, importante DEUS!!!!!”, postou o desconhecido audacioso com vários erros ortográficos.   Fanpage — Ou página de fãs é um espaço específico dentro do Facebook direcionado a empresas, marcas, produtos ou qualquer organização com ou sem fins lucrativos que desejam interagir com os seus clientes na rede social. A que foi criada para o delegado de Campos recebeu 865 curtidas e traz compartilhamentos de matérias jornalísticas sobre a atuação de Paulo Cassiano nas investigações do esquema de corrupção que usava o Cheque Cidadão para comprar votos nos meses que antecederam as eleições municipais de 2016. “Vamos apoiar esse guerreiro valente”, fazem o convite os administradores da fanpage em uma de suas postagens. O delegado Paulo Cassiano afirma que não frequenta redes sociais e que esta página e totalmente falsa


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Verão

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Todo cuidado é pouco Não dá para deixar tudo por conta do anjo da guarda porque os perigos são grandes para os baixinhos

Ulli Marques

Fotos: Carlos |Grevi

Férias de verão é tempo de se desligar dos estresses do dia-a-dia e relaxar! Muitos mergulham de cabeça nessa ideia e fogem para as praias à procura de calmaria; mas, caso haja crianças em casa, a atenção deve ser redobrada nesse período. Isso porque afogamentos e acidentes de trânsito no Verão são as principais causas de mortes de crianças e adolescentes entre 1 e 14 anos no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Essa informação pode ser confirmada na região: em fevereiro de 2012, uma menina de 4 anos morreu atropelada por um caminhão em Chapéu do Sol, SJB; em dezembro de 2014, outra menina, dessa vez de 1 ano e 4 meses, morreu afogada na piscina de casa, em Atafona; em fevereiro de 2016, um menino de 1 ano meio também foi à óbito após se afogar em uma bacia no quintal de casa, no distrito de Barcelos, em SJB; e em dezembro do ano passado, outro menino de 4 anos foi atropelado por uma caminhonete em Grussaí. O que todos os casos têm em comum? Aconteceram com crianças, no litoral de São João da Barra e durante o verão. De acordo com o Ministério da Saúde, acidente de trânsito é a primeira causa de mortes com crianças no país, com um registro de aproximadamente 2.500 mortes por ano. Já afogamento é a segunda maior causa, com cerca de 1.600 mortes anualmente. O órgão também afirma, é na estação mais quente do ano que esses casos acontecem em maior número. Já a Associação para a Promoção da Segurança Infantil (APSI) aponta que a falta de vigilância do adulto é a maior falha diante dessas situações.

Segurança na Praia O tenente do 5º Grupamento de Bombeiros Militar (GBM), Pedro Defanti, alertou para os perigos comuns a esta estação do ano. Segundo ele, a praia é o local mais propenso a acidentes neste período. O motivo seria a forte correnteza do mar e o número excessivo de veranistas. “O Verão tem a peculiaridade de ser uma época em que as pessoas da região e também de outros municípios costumam vir para as praias. O grande fluxo de banhistas representa um perigo maior porque muitos não conhecem o mar e os pontos onde existem valas. Por esse motivo, o Corpo de Bombeiros orienta a todos a tomar banho em áreas em que haja guarda-vidas especializados em salvamento. Eles estão em três pontos principais: no Balneário de Atafona, em Mineiros e próximo ao Polo Gastronômico de Grussaí. Mas mesmo nesses locais, é importante que os pais estejam sempre observando os filhos, porque esses guarda-vidas ficam de olho no mar e na areia. Então é bom que os pais evitem que as crianças cheguem perto da água sem um acompanhante”, explicou. Quanto às pulseirinhas de identificação, o tenente informou que não é necessário que essa pulseira seja padronizada, basta que contenham nome e telefone do responsável. “Quando a criança tem a pulseirinha, fica mais fácil encontrar os pais e evita transtornos. Mas, caso a criança não tenha essa identificação, a orientação é levá-la até o quartel do Corpo de Bombeiros. Lá, os profissionais entram em contato com os órgãos competentes, como a Delegacia Civil, para que os familiares sejam encontrados”, disse.

Sol, areia e mar uma combinação maravilhosa da natureza, mas que representa risco

Os riscos Neste período de férias, é comum que as famílias de Campos e região busquem refúgio do calor excessivo nas praias. E esses são os cenários mais propícios para expor a garotada a situações perigosas, mesmo nos momentos de lazer. Seja por negligência ou desatenção, o fato é que é determinante que sejam tomadas medidas de segurança para evitar esses acidentes. Ainda de acordo com a APSI, algumas dessas providências que diminuem os riscos aos pequenos são: supervisionar a criança em todas as atividades em que ela esteja envolvida; colocar pulseiras de identificação nos pequenos com nome e telefone, para quando saírem à rua ou à praia; fazer investimentos nas casas de veraneio, como a instalação de alarme e/ou cerca em volta das piscinas; substituição do ralo dessas piscinas ou tanques para evitar sucção; aplicação de travas nos fogões e outros eletrodomésticos e de protetores nas tomadas de energia elétrica; colocação de guardas não escaláveis ou transponíveis em varandas e terraços, etc. Outras medidas como manter longe do alcance das crianças medicamentos, produtos inflamáveis, corrosivos e/ou de limpeza também são importantes. No entanto, em todo caso, a principal recomendação é para que os pais se mantenham a, no máximo, um braço de distância dos filhos pequenos.

Orientação O tenente também orientou aos pais a procurarem pontos de referência fixos, como casas e árvores, para não se perderem das crianças nas praias. “Muitos avisam os filhos que estão próximos à determinada barraca, mas sabemos que essas barracas podem ser retiradas a qualquer momento e esse pode ser uma razão para que a criança ou os pais se percam. Então busque referências que não possam ser movidas ou removidas”. Ele acrescentou que, em caso de emergência, a população pode ligar para o número 193 a qualquer hora. Para a professora, Flávia dos Santos, antes da diversão está a segurança do seu filho, Caio, de 5 anos. “Eu o oriento todos os dias, não só no verão. Aviso sobre os carros nas ruas, sobre a correnteza do mar, e também sobre o risco de conversar com estranhos. Além disso, desde que ele era menor, já colocava a pulseirinha de segurança, até mesmo quando ele não saía de perto de mim. Mas ele ainda é pequeno e sei que somente o direcionamento não garante a segurança dele. Então eu fico atenta 24 horas por dia, principalmente agora, durante as férias. O portão da nossa casa vive trancado e também não temos piscina, o que diminui o risco. Sei que, quando uma tragédia acontece, os pais não são culpados, mas atenção é algo que nunca é demais”, concluiu.

Dizem que Deus, como não poderia estar em todos os lugares, decidiu criar as mães

Confira essas dicas de segurança A Organização Não Governamental (ONG), Criança Segura (http:// criancasegura.org.br/), selecionou uma série de medidas que devem ser tomadas para reforçar a segurança das crianças, não só durante o verão, mas o ano inteiro. Veja algumas dessas dicas: - Crianças devem sempre ser supervisionadas por um adulto. Quando os pais não puderem estar próximos, eleja alguém que possa se responsabilizar por essa supervisão; - Instale cercas de isolamento, com, no mínimo, 1,5 metro de altura ou dispositivos de segurança em todos os lados da piscina; - Substitua os ralos das piscinas para evitar a sucção; - Esvazie todos os baldes e embalagens, guarde-os virados para baixo e fora do alcance das crianças. Em caso de caixa d’água e cisternas, mantenha sempre com a tampa e amarrada ao reservatório; - Dê o exemplo. Exerça o comportamento seguro como pedestre e ensine para as crianças; - Entradas de garagens, quintais sem cerca, ruas ou estacionamentos não são locais seguros para que as crianças brinquem; - Usar uma lanterna ou materiais reflexivos nas roupas da criança

pode evitar atropelamentos durante a noite; - Em estradas ou vias sem calçadas, diga às crianças para caminharem de frente para o tráfego (no sentido contrário aos veículos). Assim, elas podem ver e ser vista mais facilmente; - Crianças devem sempre usar equipamentos de segurança (capacete, joelheira e cotoveleira) ao andar de bicicleta, skate ou patins. Verifique se os equipamentos possuem o selo do Inmetro; - Nas lajes, instale uma grade, muro de tijolos ou ponha até vasos pesados no entorno; - No mar, o ideal é que a criança use colete salva-vidas em vez de boias de braço. Os coletes garantem que o corpo não tombe de cabeça caso seja arrastada p o r uma onda. Protegem toda a região do tronco; - Respeite os horários de exposição da criança ao sol (início da manhã e fim da tarde); - Não esqueça o filtro solar e hidrate bastante.


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Campos

TV holandesa atrás do Morto-Vivo A incrível história de um campista que levantou da cova do Cemitério do Caju e caminhou até o HFM

Aloisyo Balbi

Fotos: Roberto Joia -29/08/2001

Depois de uma emissora de televisão chinesa, agora é uma holandesa que decide desenterrar e reviver a história do campista Pedro da Silva Corrêa, vivida ou quase morta em 28 de agosto de 2001, quando tinha 43 anos. A história, inacreditável na época, rodopiou pelo Brasil e pelo mundo, chegando a ser capa do mais influente jornal norte-americano, o New York Times. Pedro da Silva Corrêa era então ajudante de caminhoneiro. Naquele dia viveu uma madrugada de terror e provocou uma manhã de pânico no Cemitério do Caju, em Campos, ao se levantar, cerca de 13 horas depois, da cova onde fora enterrado por volta das 21h de segunda-feira. Com o rosto desfigurado por dois tiros na cabeça, Pedro gritava por ajuda, provocando correria entre todos os que estavam naquela parte do cemitério visitando túmulos de parentes. Sem conseguir qualquer ajuda – ninguém se arriscou a se aproximar do homem, considerado um morto-vivo por quem estava no cemitério – Pedro caminhou um quilômetro até o Hospital Ferreira Machado. Na recepção da emergência, contou o seu caso e os atendentes, perplexos, não sabiam se chamavam um clínico ou um psiquiatra. Em seguida, ele foi examinado pelos médicos e ficou constatado que levara dois tiros: um no queixo, que atravessou o nariz, e outro na parte esquerda do crânio, onde a bala ainda está alojada. PMs que estavam no hospital foram ao cemitério e constaram que Pedro falava a verdade: o homem fora enterrado numa cova rasa na parte dos fundos do cemitério. Ele contou no hospital que cinco homens o agrediram e o levaram para o local, entrando pela parte dos fundos. Ao lado de uma cova semiaberta – com menos de meio metro de profundidade – os criminosos o atingiram com dois tiros. Pedro decidiu fingir-se de morto e os bandidos então jogaram terra sobre ele e foram embora. A vítima contou ainda que conseguiu respirar porque a quantidade de terra jogada sobre ele foi pequena. — Empurrei o corpo para cima e coloquei parte do meu rosto para fora. Decidi ficar imóvel, pois poderia estar sendo observado por ele. Devo ter desmaiado. Pela manhã, acordei e decidi me levantar – contou o ajudante de caminhoneiro, na época que disse não saber o motivo da violência. Para a polícia, Pedro pode ter sido vítima de uma briga entre quadrilhas de traficantes. Ele mora num bairro, o Parque Prazeres, onde o tráfico de drogas é forte e estava em outra área dominada por traficantes rivais, das Favelas da Baleeira e Oriente. Segundo um policial, o ajudante de caminhoneiro deve ter sido confundido com alguém que o grupo estava procurando para matar.

Pedro da Silva Corrêa provocou pânico no Caju depois que sangrando se levantou da sepultura O médico Luís Cláudio Manhães, o primeiro a atender Pedro no Ferreira Machado, disse que seu estado era grave, pois existia uma bala, possivelmente de calibre 38, alojada no lado esquerdo do crânio. Ele foi submetido a uma tomografia computadorizada por neurocirurgiões para saber como fariam a cirurgia para extrair a bala. Pedro também teve hematomas no corpo e perdeu dois dentes. Os médicos também constataram uma certa confusão mental, o que é considerado natural para quem está com uma bala na cabeça. No Cemitério do Caju, tentou-se localizar a cova onde ele disse ter passado 13 horas enterrado. A parte dos fundos

Cemitério é depósito de drogas e de armas Por causa da proximidade do Cemitério do Caju com a Baleeira, é comum os traficantes da comunidade utilizarem os túmulos como esconderijo de drogas, armas e munição. Em maio de 2016, 26 munições de metralhadora foram encontradas pela Polícia Militar em um dos túmulos. Essas munições, de uso restrito, são capazes de atingir veículos blindados e até helicópteros. Na ocasião também foram apreendidos 93 sacolés de cocaína e uma balança de precisão. Em julho de 2016, a Polícia Militar encontrou em um dos túmulos 25 tabletes de maconha, que pesavam aproximadamente 15 quilos, quatro balanças de precisão e material para embalar drogas. Com a apreensão, os policiais calcularam

tem várias covas rasas. Um funcionário que não quis se identificar disse que havia sangue misturado com terra numa cova. Pedro fez a cirurgia e extraiu a bala. Logo em seguida entrou para o serviço de Proteção a testemunhas e mudou-se com a famílias para o Rio de Janeiro. Um ano depois teria ido para o Norte do país. Fato é que ninguém consegue encontrá-lo. Um agente do serviço de proteção a testemunhas disse que ele só será encontrado se ele quiser. Fato é que não se sabe se Pedro está hoje, passados tanto tempo, morto.. ou.. vivo. Isso nem a televisão chinesa nem a holandesa conseguiram descobrir. Foto: Silvana Rust

prejuízo para o tráfico de R$ 30 mil. wDias depois, foram apreendidas 915 buchas de maconha, um tablete de cerca de um quilo da mesma droga e 527 sacolés de cocaína, o que representou uma perda estimada em R$ 15 mil para o tráfico. Com a chegada dos policiais, os traficantes fugiram e deixaram as drogas para trás. Uma das maiores apreensões de drogas no Cemitério do Caju aconteceu em janeiro de 2012, quando mais de 20 quilos de cocaína pura, além de 4.200 sacolés da droga e cerca de 800 trouxinhas de maconha foram localizadas em quatro túmulos. A Polícia Militar chegou ao local após uma denúncia anônima e ninguém foi preso. Virou rotina no Caju incursões da PM em busca de drogas escondidas


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

Esporte

A pedreira do Roxinho Com uma ascensão meteórica, o Campos quer agora é permanecer na elite da Série A Entre as seis equipes que irão disputar a fase seletiva do Campeonato Carioca, há um estreante em Série A. Com uma ascensão meteórica, o Campos conseguiu, em dois anos, sair da Série C do Estadual e carimbar uma vaga na elite. É o capítulo mais importante dos 104 anos de história do clube campista. Enquanto os rivais, Americano e Goytacaz, permanecem na segunda divisão, o Roxinho ganha espaço, não só na cidade de Campos, mas no Estado do Rio de Janeiro. Com a chegada à elite, o Roxinho, como é chamado carinhosamente, viu a necessidade de se estruturar ainda mais. Incrementou sua gestão de futebol, renovou o contrato do treinador Rafael Soriano, de apenas 31 anos, e tentou mandar suas partidas no estádio Ary de Oliveira e Souza, o Aryzão, pertencente ao Goytacaz, mas por falta de recursos, acabou não conseguindo concluir as reformas necessárias e mandará suas partidas em Cardoso Moreira. De toda forma, o time do presidente Márcio Reinaldo acredita que a base formada nas divisões inferiores pode “dar caldo” também na Série A do Estadual. A estreia será nessa quarta-feira contra o Bonsucesso. Já o vice-presidente, Mauro Farias, ressaltou que o clube quer chegar à segunda fase do Estadual, mas sem abrir mão da filosofia do clube, de fazer uma política ‘’pés no chão’’. Mauro Farias não negou que o fato de o Campos ter que disputar a fase preliminar do Campeonato Carioca será um obstáculo a mais, mas mostrou confiança ao atingir uma boa campanha. “A seletiva é mais um percalço que não esperávamos passar, mas estamos prontos para o desafio. O objetivo é ficar entre os doze primeiros. A competição é curta, mas muito qualificada”, destacou. Na opinião do gestor do Roxinho, Victor Mothé, apesar de ser o único estreante na Série A, o Campos entrará em campo respeitando muito os adversários, porém, com a percepção de que jogadores e comissão técnica trabalharam duro para que o clube alcançasse o patamar de elite no futebol carioca. Elenco regularizado Para 2017, o Campos está com boa parte do seu elenco regularizado, com contrato renovado e publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). São, ao todo, onze atletas com a prorrogação homologada. A lista inclui o goleiro Bambu, o zagueiro Thurram, o volante Jadson, os meias Patrick, Cleiton, Marcos Vinícius, Washington e Maranhão, e os atacantes Anderson Manga e Vinícius Paquetá, artilheiro da Série B e eleito melhor atacante da competição na Seleção FutRio. O zagueiro e capitão Leandro, que também recebeu a premiação por ter sido eleito o melhor jogador da posição, da última segundona, também teve seu contrato prorrogado com o Roxinho para a disputa da fase preliminar do Estadual. O comandante do Roxinho: o jovem experiente Rafael Soriano Fazer história parece ser mesmo o destino do técnico Rafael Soriano. O treinador do Campos Atlético atingiu o feito inédito de conquistar dois acessos em pouco mais de um ano, ao comandar a subida do Roxinho da Série C para a Série B do Campeonato Carioca, e logo depois para a elite do futebol estadual. Tudo isso para um profissional de apenas 31 anos de idade e uma das mais gratas revelações do Estado do Rio de

Janeiro no ramo. O feito de Soriano é inédito em 110 anos de futebol no Rio de Janeiro. De quebra, ele ainda conseguiu reerguer o clube após 26 anos de inatividade. O Campos fechou as portas para competições profissionais pouco depois de abrí-las, em 1989. No ano passado, o clube voltou e escolheu Rafael como gerente de futebol. Um problema pessoal com o então treinador Luciano Lamoglia mudou os planos e o jovem voltou ao posto de técnico, que já tinha recebido em clubes como Sampaio Corrêa e Boavista. Desta vez, a subida seria exponencial. “É uma alegria imensa. Receber, no ano passado, um prêmio da Série C e, logo na temporada seguinte, ganhar também o da Série B, era até meio inimaginável. O ano se tornou desgastante, mas todos foram merecedores do sucesso. O planejamento sempre foi fazer uma participação histórica, uma grande campanha, mas consolidando o time na divisão. O desenrolar da competição acabou nos mostrando que era possível subir”, festeja o jovem treinador. Se Soriano já mostra jovialidade atualmente, seu começo foi ainda mais precoce. Em 2007, com apenas 22 anos de idade, ele era auxiliar de Mário Marques no Cardoso Moreira, que disputava a Segundona. Em um dos jogos da competição, ele acabou assumindo o lugar do companheiro e realizando sua estreia como técnico. Naquele ano, o Cardoso ascendeu à Série A. Na temporada seguinte, mais um acesso: agora com o São João da Barra FC, na Terceirona. Depois, Americano, Goytacaz, Sampaio, Boavista e, agora, Campos. Entre os clubes de menor investimento, passagens de respeito. Porém, Soriano acredita que a tendência, a partir de agora, é que técnicos que surgiram como ele, ganhem mais espaço, independentemente da trajetória profissional. Com o sucesso de nomes com Jair Ventura, no Botafogo, e Zé Ricardo, no Flamengo, é o resultado e a capacidade de render sob pressão de cada profissional que deve ditar o rumo das coisas no futuro próximo. Para o jovem técnico, a nova geração veio para ficar. “A gente precisa trabalhar e alcançar esses resultados aos poucos. Hoje, as coisas acontecem de uma forma diferente: o trabalho vem antes do currículo. Antigamente, era o contrário. Os profissionais têm mostrado capacidade e gerado uma renovação que vai acontecer ainda mais em 2017. Vimos o Felipe Surian ganhando um título brasileiro da Série D (com o Volta Redonda), isso abre um caminho para a gente”. Soriano pode alcançar outra marca inédita Quando Rafael Soriano conquistou o acesso à Série B do Carioca, em 23 de agosto de 2015, certamente não imaginava que levaria apenas treze meses para que a história se repetisse e o Roxinho pudesse alcançar a Primeira Divisão. O feito, até então, inédito, pode ser ainda maior se o Campos Atlético faturar um dos dois primeiros postos na fase preliminar da Série A, a partir desta quarta-feira. Neste caso, o Campos entra na fase em que estão os grandes clubes, antes da qual outros times já tropeçaram. Em 1918, o Americano, do Rio de Janeiro, esteve perto de conseguir esse feito, mas perdeu para o Mangueira no jogo eliminatório de classificação para o Carioca do ano seguinte. O mesmo aconteceu com o Bonsucesso, que bateu na trave em 1921. A Cabofriense chegou a sentir o gostinho de bater de frente com os grandes em 1999, mas caiu na fase preliminar, depois de faturar os títulos da Série C em 1997 e da B, em 1998. Com Soriano, o Campos pode quebrar a “maldição” em 2017 e ser o primeiro a chegar tão longe.

Amanda Barreto Um novo mundo pela bola O Esporte! Em letra maiúscula e com todo valor que ele merece, é assim que será tratada essa importante ferramenta de inclusão e transformação social. É através da bola, dos quimonos e berimbaus que levaremos uma nova chance de futuro às crianças e adolescentes do nosso município. Aliado ao esporte, arte e cultura nortearão o universo transformador que já começa a pairar sobre a nossa cidade. Diferente! O ano, o governo, o astral. Tomem os seus assentos, chegou a hora de decolar... e fazer voar.

Equipe da Fundação Municipal da Infância e Juventude

Essa é, orgulhosamente, a minha nova casa. Assumo com muito compromisso a missão de dirigir os Programas da Fundação. Certa da responsabilidade e cheia de vontade de fazer diferente.

Foto: Carlos |Grevi

O treinador do Campos Atlético, Rafael Soriano, comandou a subida do Roxinho da Série C para a elite do Carioca

2017 será uma temporada de novidades na Fórmula 1, com o novo regulamento obrigando as equipes a apresentar carros totalmente novos. Mas uma equipe está indo além e buscando mudanças ainda mais significativas. O novo motor, o 062/2, marca uma mudança de direção para a equipe - com o chefe do setor do ERS, Thierry Baritaud, apresentando um motor de combustão interna que utilizará com mais eficiência o MGU-H, algo que deve aumentar a eficiência dos sistemas híbridos e reduzir os riscos de quebra do turbo.


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

Campos

Uber vai atropelar Rafael Prefeito assina decreto proibindo serviço, mas a circulação parece inevitável como ocorreu no Rio e em SP

Nadando contra a correnteza da tecnologia e dos novos modelos de negócio que ela oportuniza, o prefeito de Rafael Diniz sancionou nessa quinta-feira a Lei 8.742, que proíbe a circulação de motoristas vinculados ao aplicativo Uber em Campos. A decisão, publicada em Diário Oficial, repete o que já foi feito em outros municípios do país e revisto pela Justiça. No Rio de Janeiro, apesar de proibido pelo ex-prefeito Eduardo Paes, o aplicativo funciona normalmente por força de liminar. A proibição é uma batalha contra uma inovação que o Bruno Paes chama de “inevitável”. “Hoje, você paga suas contas pelo celular, por meio de um internet banking. Ninguém reclama. Cantores e músicos vendem seus discos em formato digital através de aplicativos, porque, hoje, está sendo extinto até o CD player no carro. A tecnologia está aí. É para inovar, é bom, é para facilitar a vida das pessoas e isso é excelente. E chegou para ficar. Voltar atrás só se tivermos um novo Big Bang e recomeçarmos tudo novamente”, afirmou, em entrevista ao Jornal Terceira Via. Para usuários e motoristas do Uber, tentar proibir o serviço decorre de um erro de entendimento da própria dinâmica do mercado e do consumo de bens e serviços. “Como já aconteceu diversas vezes no passado, a tecnologia é uma força implacável. Todas as tentativas de barrar o avanço tecnológico desde a revolução industrial foram inúteis e só resultaram no encarecimento dos bens e serviços para a população, que é a principal beneficiada por esses avanços”, afirmou o analista de marketing digital Pedro Oliveira. De acordo com Leonardo Nogueira, que também se cadastrou como motorista no Uber, assim que ele começou a operar em Campos, as próprias empresas de táxi reconhecem as facilidades proporcionadas pelos

aplicativos no momento em que aderem à novidade como forma de prestar um serviço de mais qualidade e alcance. “Os aplicativos vieram para ficar. As próprias empresas de táxi entenderam a importância desse recurso e os utilizam cada vez mais. A facilidade é muito grande, tanto para o motorista quanto para o usuário”, garantiu. O projeto transformado em lei é de autoria do vereador reeleito José Carlos (PSDC), que, na legislatura passada, quando o texto foi votado, era presidente da Comissão de Transportes da Câmara e atualmente é vice-presidente da Mesa Diretora da Casa de Leis. Segundo ele, a proposta vinha proteger os direitos e o emprego dos taxistas e se basearia na ilegalidade do serviço. Mas, para Bruno, o aplicativo não afetaria nem um e nem outro. “O Uber não vai descontinuar nenhum serviço. O uso do táxi é um costume plenamente difundido. Temos pessoas de mais idade, que têm certa dificuldade de se adaptar a novas tecnologias. Vai chegar um momento de correria em que o cliente está sem wi-fi, acabou a franquia da internet, o cartão de crédito está sem limite ou ele está em um momento de muito movimento e não há carro do Uber disponível. Então, o trabalho do taxista não vai acabar, não vai tirar nada de ninguém. É possível haver um equilíbrio”, disse. Já o advogado Arthur Barcellos alerta: “inexiste vedação legal à prestação do serviço de transporte individual de passageiros em regime privado, de forma que o Uber essencialmente não é ilegal”. Inclusive, segundo os motoristas ouvidos, o departamento jurídico do Uber estaria se movimento para garantir que os carros continuem circulando.

Foto: Carlos |Grevi

Muitos já baixaram o aplicativo em Campos e a história deve se repetir


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Club Terceira Via Os passos de Mercedes Campista foi a primeira bailarina negra a entrar para o Teatro Municipal do Rio de Janeiro Letícia Nunes Nasceu em Campos dos Goytacazes, a primeira bailarina negra a pisar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Mercedes Ignácia da Silva Krieger nasceu em 1921 e faleceu no dia 18 de agosto de 2014, aos 93 anos, no Rio de Janeiro. Até hoje, ela é considerada referência em ballet e dança afro no Brasil, deixando um legado de valorização das culturas de matrizes africanas, estímulo à dança moderna e busca pela igualdade racial, principalmente na reafirmação do negro como artista. Filha de João Baptista Ribeiro e Maria Ignácia da Silva, além de bailarina, Mercedes também foi coreógrafa. Em Campos, a família sobrevivia da renda obtida pelas costuras de dona Maria. Anos mais tarde, ainda jovem, foi morar no Rio de Janeiro. Na capital, antes de apaixonar pela dança, a campista foi empregada doméstica, além de ter trabalhado em uma gráfica, numa fábrica de chapéus, e na bilheteria de um cinema. Nas telonas, Mercedes começou a se encantar pelo mundo da arte. Aos vintes e poucos anos, em 1945, a jovem se inscreveu na Escola de Dança da bailarina Eros Volússia, famosa pela criação de uma espécie de balé brasileiro erudito e pela pesquisa em assuntos ligados às danças populares. Depois, ingressou na Escola de Ballet do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e foi aprovada em um concurso disputado. Mercedes Baptista tornava-se naquele momento a primeira mulher negra a pertencer ao corpo de baile. Foi lá, que a bailarina sentiu na pele o forte preconceito racial, fato admitido por ela em diversas entrevistas e bibliografias. Mercedes não era selecionada para compor elenco de espetáculos, como as outras dançarinas do grupo. Mesmo assim, quando era escalada, suas apresentações marcavam o cenário do balé brasileiro. O resultado dos números de dança foi o reconhecimento nacional. É nesta fase da sua trajetória, que ela começa a luta pela valorização dos dançarinos negros no teatro. Um marco é a sua entrada para o Conselho de Mulheres Negras. O início da carreira internacional Apesar da tentativa de excluí-la dos espetáculos de dança, Mercedes foi para os Estados Unidos, após conquistar uma bolsa de estudos na academia de balé de Katherine Dunham. A campista ficou durante um ano em solo americano aprimorando suas técnicas de dança moderna, com a matriarca da dança negra norte-americana, além de lecionar balé clássico para o grupo de bailarinos. Em 1953, de volta ao Brasil, a bailarina criou o seu próprio grupo, o “Ballet Folclórico Mercedes Baptista”, com o objetivo de renovar a dança afro-brasileira. Diversas apresentações, comandadas pelas campistas se tornaram sucesso na época, como “Agora a Coisa Vai” e “Rumo a Brasília”. Ao longo de sua vitoriosa trajetória, o grupo excursionou com sucesso pelo Brasil, países sul-americanos e na Europa, além de participar de espetáculos do Corpo de Baile do Teatro Municipal. Durante a década de 1960, Baptista mergulha

no mundo do carnaval, sendo convidada para criar uma ala de passo marcado na Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. A escolha da campista deu sorte e os salgueirenses foram campeões. Ela continuou na escola e em 1963 montou e coreografou a comissão de frente, baseada no enredo “Chica da Silva”. Na apresentação marcante, o grupo de bailarinos liderados por Baptista dançava com a Igreja da Candelária ao fundo. A passagem da bailarina pelo carnaval carioca revolucionou o modo como as alas se apresentavam na época. Nesse período, Mercedes foi muito requisitada para coreografar espetáculos de dança e dar aulas de balé, assumindo o compromisso também de criar e dirigir o espetáculo “Tropicalíssima”, que foi apresentado em Portugal. A campista foi professora de “Dança Afro-Brasileira” da Escola de Dança do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e também nos Estados Unidos, ministrando cursos na Califórnia e em Nova York. O sucesso a levou para o cinema, o teatro e a televisão. Os profissionais da mídia requisitavam Mercedes para a produção de novas coreografias. Enquanto isso, seu grupo de dança passou por uma pausa e retomou em 1980, com uma nova formação. Dois anos mais tarde, a campista se aposenta do Teatro Municipal. Ícone nacional Transformando-se em ícone nacional da dança, a bailarina foi homenageada diversas vezes em cerimônias públicas e em enredos de escolas de samba. Em 2006, a trajetória de Mercedes na dança foi tema uma exposição e um documentário, intitulado “Balé Pé no Chão – A Dança Afro de Mercedes Baptista”, dirigido por Lílian Solá e Marianna Monteiro. O nome da artista também batizou uma sala de dança do Centro Cultural José Bonifácio, em uma homenagem da Prefeitura do Rio de Janeiro. Jandira Lima e Paulo Melgaço também promoveram a mostra “Mercedes Baptista: a criação da identidade negra na dança”, que posteriormente se transformou em um livro. A campista foi enredo da G.R.E.S Acadêmicos do Cubango, que fazia parte do grupo de acesso das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. A Vila Isabel também homenageou Mercedes em 2009 quando falou do centenário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. No mesmo ano, a bailarina foi lembrada pelo Estandarte de Ouro, como personalidade do carnaval. Ela se casou com Paulo Krieger, com quem ficou por cinquenta anos. Ele morreu em 2002. A bailarina não teve filhos. Em agosto de 2014, Mercedes veio a óbito por problemas de diabetes e cardíacos. O corpo foi velado na casa de repouso onde morava, em Copacabana, e depois cremado. A bailarina deixa um legado de superação dos dançarinos negros e ascensão da cultural afro-brasileira, com a valorização das culturas de matrizes africanas e a introdução de elementos da dança afro ao cenário brasileiro. Um exemplo de sucesso que faz parte da história do município de Campos dos Goytacazes.


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TERÇA-FEIRA, 03 DE JANEIRO DE 2017

Verão

Eles vão invadir sua praia Os Croppeds e os modelos de crochê estão em alta e prometem fazer sucesso na estação

Roberta Barcelos A estação esperada do ano chegou e as tendências da moda praia estão quentes. Biquínis, maiôs e saídas chegam renovados para o verão 2017. O Brasil é um país tropical com sol o ano inteiro e nosso litoral possui 7,4 mil km, por isso, a cada verão a moda praia esta mais sofisticada com tendências em biquínis para um passeio na areia ou no calçadão, até podendo dar uma esticadinha para a noite. Os trabalhos artesanais são o grande destaque da estação. Entre as estampas, os florais dividem espaço com as listras em um contraste entre natureza e universo urbano. Brincadeiras com tiras também prometem carimbar as areias e os quimonos vieram para deixar a estação mais quente do ano ainda mais estilosa. Figurinhas marcadas do verão brasileiro, os biquínis de crochê, chegaram com tudo. Não só eles – todo trabalho feito à mão, ou com um toque artesanal, é válido: cordas, franjas, bordadas e argolas também entram na lista. O “must have” da estação são os biquínis com a parte de cima tipo top – os de frente-única, estilo cropped, prometem bombar – e estampas em tons terrosos.


PRISCYLA BEZERRABEZERRA PRISCYLA Musas da virada

Agora sim, Pessoal ! Estamos oficialmente em 2017 e ansiosos por um ano melhor, transbordando esperança. Na noite da virada, foi possível conferir looks capotantes de blogueiras e it-girls que não economizaram na “produção tombei”, garantindo assim milhares de curtidas. O que essas musas usaram ?!! Muita transparência trazendo naturalmente sensualidade ao look, fendas e recortes estratégicos para mostrar sim (por que não !??) o corpo esculpido durante todo o ano pra fazer lindo no verão. Acho que conseguiram, não é mesmo ?!

Thassia Naves

É do Peru {Acessórios multicoloridos} Eles estão por toda parte. Os acessórios com inspiração peruana vieram para marcar o verão 2017 com muita cor, e aquele charme boho que combina perfeitamente com sol, calor e pele bronzeada. Acertei ?!! Preparem-se para ter a sua bolsa e chapéus de palha com trabalhos super ricos e coloridos, sandálias altíssimas, rasteirinhas e sapatilhas adornadas com pompons de cores intensas, batas, vestidos e maxi brincos escandalosos de lindos, pulseiras e colares cheios de vida, do tipo: CHEGUEI LINDA e ponto final. Tudo "culpa" dos peruanos que são artesãos de mãos cheias, e seu talento reflete nas roupas e acessórios típicos do país. O mais legal disso tudo, é ver que hoje em dia trabalhos manuais são apreciados e valorizados pelo time que gosta e usa moda. Sucesso!

Lou Montenegro

Glitter Mood Lala Trussardi

Marina Ruy Barbosa

Algumas substâncias para tratar o melasma (“manchas” acastanhadas, mais frequentes na face) são contraindicadas para a estação mais quente do ano. Mas há uma série de ativos eficazes e seguros. Contar com um bom cosmético clareador é fundamental para, o quanto antes, entrar na guerra contras o melasma. Porém é preciso estar muito atenta aos ativos das fórmulas, já que alguns são sensíveis à luz e, por isso, devem ser usados com a máxima cautela – e supervisão médica – no verão. “É o caso da hidroquinona e do ácido retinoico, dupla “antimanchas” consagrada, mas que deixa a pele mais fina, irritada e avermelhada, podendo até piorar o melasma caso haja exposição ao sol”, explica a dermatologista Paula Marsicano. Entra em cena, então, a associação de substâncias alternativas, seguras para a estação. São duas categorias: os inibidores da tirosinase, enzima responsável pela produção de melanina, o pigmento que se deposita no tecido e forma a marca escura. E os antioxidantes, que procuram neutralizar os radicais livres, moléculas que, entre outros malefícios, também estão envolvidas na pigmentação. “São ativos eficientes e ainda ajudam na renovação celular e na uniformização da textura da pele, melhorando a luminosidade e suavizando linhas finas. Porém, como atuam mais superficialmente, é necessário um tempo maior para que os resultados sejam percebidos”. Ainda assim, a aplicação rigorosa e diária do protetor solar é indispensável. “Dê preferência aos que têm cor de base e, portanto, maior cobertura, inclusive contra a luz visível, como as lâmpadas e a tela do computador”. Confira os ativos clareadores eleitos para o verão: Achromaxyl, Ácido Kójico, Ácido Tranexâmico, Alfa-arbutin, Nicotinamida, Vitamina C.

Dra Paula Marsicano Clínica Pelle - Rua treze de Maio 286 / Ed.Medical Center Sala 512 / 22 2733 4211 Clínica Pró-vida - Rua Barão de Miracema 167 / 22 2736 9800 Campos dos Goytacazes.RJ

Make up é assunto que não se acaba quando juntamos mais de uma mulher, principalmente quando a pauta for brilho. E por falar nele, o glitter chegou chegando e tem sido visto circulando por aí, inclusive durante o dia. (Please, com moderação. Okay ?!) Usado nos olhos, têmporas e inclusive na boca (eu não curto. Sorry!) o glitter é ousado e tem tudo a ver com o verão que pede luz, iluminação e por que não, ousadia. Selecionei algumas imagens pra inspirar e quebrar barreiras. Que tal ?

Looks de verão para se inspirar com Silvia Braz Campista, linda e dona de uma elegância nata, Silvia Braz é sinônimo de sucesso por onde passa. Já batendo 230 mil seguidores no instagram, e fazendo parte do seleto time FHits, Silvia conquista com extremo bom gosto, é claro, mas sobretudo com seu bom humor que podemos conferir no snap da "moça". Adiciona aí, pois vai valer cada curtida dos lindos lugares por onde ela passa no mundo todo, dicas de restaurantes, ou até mesmo o ócio de relaxar em casa e curtir a família. Tudo muito Silvia Braz de ser. Chique. @silviabraz


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

@natalia.munizz

nataliamuniznutri@gmail.com

Conheça Anna Elisa de Castro a Chef que criou a primeira escola de saúde integral do Brasil A Anna Elisa, ou a “Fofa” como é conhecida por todos, é chef de cozinha especializada em culinária saudável e terapeuta alimentar. Incansável, seus fazeres são muitos. Porém, todos voltados para uma só busca: alinhar o que faz cada vez mais com o que vive e acredita. É mãe do Vicente e dona de um sotaque carioquíssimo, apesar de ter nascido em Brasília. Escolheu o Rio para crescer e viver. É de lá que comanda o 3naCozinha, buffet renomado na cidade, a NOS escola e apresenta o programa Papinhas e comidinhas no GNT. Anna também lançou seu livro Sem tempero não dá em 2016.

Me conta um pouco sobre a sua paixão pela comida de verdade? A paixão começou desde cedo, pois eu tive a felicidade e oportunidade de conviver com a minha avó que tem uma fazenda em Teresópolis, então eu cresci com horta, vaca, animais, pomar, hortaliças, com isso eu aprendi desde pequena de onde vem a comida. A minha avó construiu uma casinha de boneca de alvenaria para mim e eu tinha toda louça pequinininha, fogão, forno, batedeira, liquidificador de brinquedo, mas que funcionavam tudo pequenininho, ao lado da minha casinha tinha uma horta que eu plantava os temperos como salsinha, cebolinha, alface, hortelã, então essa proximidade me fez ter paixão por essa comida que eu vi nascer. Quando decidiu ser chef de cozinha? Sempre teve apoio da família? Eu decidi ser chefe com 18 anos, foi quando eu abri meu buffet, eu ainda estava na escola e era boa aluna, minhas amigas diziam: mas você não vai ser cozinheira. Naquela época não estava na moda ser cozinheira e era um absurdo uma menina inteligente, que nunca ficou de recuperação na escola querer cozinhar. Minha mãe dizia que eu tinha que trabalhar com carteira assinada em serviço público, mas eu não queria, só queria cozinhar. Comecei a fazer estágio no Banco do Brasil e passei a fazer comidinhas pra vender para os funcionários e foi acontecendo de um jeito que ninguém podia me impedir. Aos 30 anos eu descobri o Natural Gourmet em NY e fui me formar como chefe, apesar de ter cozinhado a vida inteira e já ter o buffet. Quando eu decidi seguir à carreira meus pais me apoiaram, pois até então eles não queriam, principalmente minha mãe que sempre foi uma pessoa muito conservadora. Como os alimentos naturais, orgânicos e saudáveis podem proporcionar uma melhor qualidade de vida para as pessoas? Eu acho que não tem outra fonte de alimento que não seja um alimento orgânico, saudável, natural. Nosso corpo é uma máquina e se a gente não se alimentar bem essa máquina não vai funcionar. É a mesma coisa que você abastecer um carro a álcool com gasolina. Nós somos seres humanos e a natureza esta aí pra isso, temos que abastecer nosso corpo com alimentos orgânicos. Os industrializados foram invenção do homem. Então não tem como outro tipo de alimento que não seja orgânico fazer bem para a nossa máquina. Não tenho dúvidas que você teve um flow quando idealizou a NOS escola. Como foi pra você abrir a primeira escola de saúde do Brasil? A escola pra mim é um sonho. Eu estudei muito durante a vida toda, tenho muito conteúdo e eu fazia programa de televisão, queria escrever o livro, mas não era realmente o que eu queria fazer, acho que tudo soma, mas a escola agrega tudo que eu acredito, porque têm pessoas por perto, pessoas como células multiplicadoras de saúde, porque sozinha não conseguimos fazer nada. Foi um flow porque quando a gente faz o que gosta, quando acredita as coisas acontecem. Então as pessoas acreditaram e está sendo sucesso. Já estou abrindo a quarta turma. É muito incrível ter uma ideia e as pessoas acreditarem e comprarem essa ideia e a gente poder fazer todo mundo isso junto... Como está sendo a experiência com os alunos e professores? Com os professores foi incrível desde o início. Quando eu mostrei o projeto eles ficaram encantados e de cara se animavam pra dar aula na escola, queriam participar desse projeto. Todos eles são apaixonados pelo que fazem e ficaram muito felizes. Os alunos formam uma família, todos estão virando meus amigos, porque estamos juntos com o mesmo propósito. Quando a gente encontra nossa tribo a coisa ganha força e os alunos e professores formam uma rede, então está sendo uma experiência muito enriquecedora e eu aprendo com todos a cada dia. O seu novo programa Papinhas e comidinhas no GNT é voltado pra qual público? O programa papinhas e comidinhas é voltado para os pais, mães, avós, para todos aqueles que criam os pequenos, porque a gente quer começar na hora que desmama. As pessoas não tem informação, a informação é sempre muito duvidosa, e sempre foi um sonho poder auxiliar os pais nessa fase e graças a Deus está tendo um bom retorno e as pessoas estão curtindo. Outro dia encontrei uma pessoa que me disse assim: “Nossa, eu nunca pensei em cozinhar uma pera” coisas que para a gente parecem tão óbvias para outras pessoas não são. Às vezes não sabem o que podem dar para uma criança. Eu e a Mari baleiro (nutricionista) fizemos uma pesquisa pra montar esse programa e as receitas são nossas, tudo resultado de muita pesquisa.

…Acho que quando você faz alguma coisa que ama e, além disso, faz o bem para outras pessoas, talvez seja o instrumento para ajudar o outro em seus processos de evolução. Nossa! Isso é missão.”

Seu livro Sem Tempero Não Dá está sendo sucesso de vendas em todas as livrarias. Qual tempero você usou pra agradar os leitores? Eu tive uma notícia nessa semana das livrarias que o livro está esgotado, fiquei muito feliz!! O tempero é sempre o amor, quando você quer distribuir amor, ainda mais o amor em forma de comida, que é o alimento do ser humano. O amor é o alimento da alma e a comida do corpo físico. Foram oito anos pra sair o livro, todos os detalhes feitos com tanto amor! Quando você vende seu peixe e faz o que você acredita, tudo funciona.

“Anna Elisa, é a perfeita representação da cor amarela. Não poderia ser diferente. Ela brilha, é vibrante, energia linda... Me inspira!!!”

Dani Ribeiro

“A Anna é inspiradora, sei que todos os alunos vão dizer isso, mas pra mim a inspiração vai além das panelas. A Anna sabe ouvir com o coração, e tem uma vontade genuína de impulsionar as pessoas a sua volta. E é isso que mais me encanta nela” Thereza Christina

A Anna é luz... luz que dissemina conhecimento aos alunos da NOS ESCOLA e ao mundo e que tem o do de reunir pessoas para um mundo melhor. @ipearanha


@crisales__

Adeus, cortininha! As redes sociais não me deixam mentir que os TOPS conquistaram o coração das fashionistas neste verão, vê só:

É HOT!

A bolsa de palha segue soberana e a grande novidade é que ela veio dar uma voltinha na cidade. Com pompom, colorida, personalizada com suas iniciais, ou básica mesmo, não importa. O importante é levá-la para passear!

Se joga no Long Bob!

Se você está pensando em mudar o visual, o corte queridinho da vez é o long bob. O long bob é mais comprido do que o tradicional “Chanel”. Ele tem base reta, bicos frontais maiores do que o comprimento. O corte é moderno e prático. Você pode usá-lo em linha reta ou encaracolado, ou até mesmo escová-lo para dar uma aparência mais vintage. O babyliss e sprays texturizadores são indispensáveis, ajudando a variar o estilo dos fios. Se a ideia, no entanto, é apostar em um visual mais glamouroso, a chapinha pode ser uma grande aliada. Animei, hein?


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

”Não estatize meus sentimentos. Para o seu governo, o meu estado é independente.” Enquanto existir um sopro de vida Enquanto o homem espargir semente E enquanto a mulher for parida A verdade estará contida na mente. E ao viver, então, é que se sente que a morte é comovida porque há vida! Ávida, servida, vivida como gente!

Juliah Fernandes (foto de Marina Costa)

Malú Gomes (foto de Marina Costa) Maria Luiza Costa Castelli em Dublin.

A aniversariante querida - Lenilda Leonardi com Sid Freitas.

Anelyz Mayerhofer e seus belos 15 anos. (foto de Karina Rodrigues)

Mãe e filha e uma só beleza! Priscila Zulchner e Cristina Zulchner.


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DOMINGO, 08 DE JANEIRO DE 2017

herminiasepulveda@yahoo.com.br As pessoas te amarão pelo o que você é, e outras te odiarão pelo mesmo motivo. Acostume-se!

NIVER Os parabéns de hoje vão para Luciana Dornelles Sampaio Peres, Pat Chaves, Antonio Demerval Azevedo Junior, Fabio Chalita Hissa, Mara Simpricio, Ana Paula Soares, Stella Peralva e Eduardo Pedra. Amanhã para Douglas Campos, Tarcísio Viana, Luiz Marins, Viviane Brito Viana, Chayanna Domingues, Aline Souza e Viviane Pessanha. Terça-feira para o meu primo escritor e jornalista Carlos Marchi, Simone Campos, Leticia Carvalho, Carlos Gaspar, minha cunhada Marilene Barbosa Marinho Teixeira e Vitória Rios. Quarta-feira para Leilane Félix Siqueira, Frederico Apolinario e Débora Seixas Machado. Quinta-feira para Isabela Lohaine, Daniela Tudesco, Andrea Sepulveda, Danuza Crespo, Franciny Méllody Viana e Patricia Lisboa. Sexta-feira para Wladimir Matheus de Oliveira, Luis Acquaviva, Fernando César Muniz Cruz, os irmãos Marcelo Mendes e Márcio Mendes, Lúcia Fernandes, Robson Jassus e Renata Ramos. Sábado para o meu sobrinho-neto Eduzinho Bahia Frazão Teixeira, Hadyla Vitória, Priscyla Bezerra, Doralice Maria Gonçalves, as irmãs Natanna e Tuanny Monteiro, Maria Inês Sence Ramos e Aninha da Silva. Da coluna os votos de muita saúde e felicidades para todos.

GENIPABU-RN: Rosana e Nélio Artiles na paz

RÉVEILLON EM DUBAI Fabio Paes e Lílian

O PREFEITO Rafael Diniz ao lado da sua primeira-dama BÚZIOS: Walterzinho Sepulveda recebendo o carinho da Carolina, da sua mãe Beatriz, da avó Zaíra e demais familiares. sua afilhadinha Miss Universo Mirim Mariana Vergnano

BÚZIOS: O amor de Marcos Veloso e Sasha RENATA MACHADO a bela PORTUGAL: Marcelo Bensi no Parque e Alves Carneiro na virada do Ano aniversariante da semana Palácio da Pena

PREFEITA DE S. J. DA BARRA: Carla Machado na posse

GUARAPARI: Michele Tonti e BOSTON: Valéria e Adriano TIM TIM: Edilson Velasco A BELEZA ILUMINADA DE GRUSSAÍ: Jacqueline Lima Monique de Almeida no Ano Novo brindando o Ano Novo Lúcia Jacyntho Laterça Zulchner em família

MARINA PATRÃO linda JOÃO PAULO FEITOSA e Cecília Pourbaix com a em Búzios filha mais nova Susana

ILHA DO BOI-VIX: Adel Abourejeili, Jorge ATAFONA: A matriarca Ariuza PARATY: Thalita Viana BÚZIOS: Orlando Abourjeili e Sandra Nassar Abou Rejeili Kury Izar recebendo a família embelezando a paisagem Nascimento e sua Cris

ARTHUR MARINHO o aniversariante NO PARAÍSO: Ralph Frederico Barbosa Lemos e a pre- LEONARDO BARBOSA e Eliane com as do dia 01 com Luiza, Victória e Sophia Manhães e Rita Bicudo feita Francimara A. Barbosa Lemos filhas Camila e Júlia comafilhaMariaFernanda

POSSE DE Fredy Beshara como Secretário de THAÍS E FELIPE SANTOS Fazenda em São Francisco de Itabapoana. curtindo em Itaipava

CARLA EMMANUEL na ATAFONA: Marlen e Fued BELMOND COPACABANA PA- BATIZADO: Rafael Lemos e VILA VELHA: Ronaldo Félix e Bia LACE: Danielle Guimarães coMiguel nas ruínas da praia meçandobemoano Cidade Maravilhosa Érika com Ralph e Bettina Azeredo

ANIVERSARIANTE DE HOJE Antonio Demerval de Azevedo Jr.


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Na cidade somos todos pedestres.

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@ju_ribeiros

Dicas da Dra. Ana Pellegrini Olheiras é uma queixa freqüente no consultório do dermatologista. A pele da pálpebras, mais fina que a do restante do rosto, faz com que qualquer pigmento apareça com facilidade. Além disto, há um fator genético que determina a coloração desta região. Fatores como cansaço, gripes, cigarro, álcool e TPM (tensão pré-menstrual) costumam agravar a situação. Se a causa do escurecimento da área em torno dos olhos é por depósito excessivo de pigmentos (melanina ou hemossiderina) ou grande quantidade de vasos embaixo da pele, o laser constitui-se no principal procedimento para redução do problema. O laser atua degradando a melanina e a hemossiderina que está em excesso ou coagulando os vasinhos. São necessárias poucas sessões. Existem alguns lasers específicos para destruir parte do pigmento que está na epiderme e dimnuir o componente vascular da área tratada. Um risco que ocorre nesta aplicação para olheiras, é o clareamento excessivo da área. Isto é muito raro, e, se ocorrer, tende a pigmentar com o tempo. Se há profundidade na pálpebra inferior, com formação de uma cavidade, que faz sombra, é necessário preenchimento com ácido hialurônico. Esses procedimentos são rápidos e praticamente indolores.

Sílvia Bussade Braz cheia de classe aproveitando o verão

Amigos lindos and sarados, amo todos! Nicola Muglia, Rinaldo Teixeira, Filipe Pinho, Ciro Nogueira e Ricardo Britto barbarizando Ipanema.

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Mírian Lobo comemorou seu niver à beira mar carioca num espaço super charmoso na Barra. A noite foi maravilhosa e super prestigiada! Ouvi dizer que o casal super sarado Guilherme Morais e Stephany Bastos paralisou a Bacutia, em Guarapari. Shape impecável o ano todo

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Vai rolar um super show no Rio para quem curte música de qualidade. James Taylor e Elton John se apresentarão no Maraca no dia 1º de abril! Parece até mentira..

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Pablo Carvalho e Felipe Tamy fechando uma parceria animada pelo verão carioca. Dupla bonita de se ver!

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Bruno Caldas comemorou seu niver no sábado com festa no barco num passeio animado pelas praias cariocas. O fervo foi dos melhores! Parabéns, Bruninho!

Mírian Lobo (centro) recebe o carinho das filhas Patrícia e Camila Moll no seu aniversário

Thiago Crespo (esse morenão da esquerda) recebeu uma turma animada no seu moderno ap no rio Laura Neves, muito princesa nossa eterna Miss ! em ritmo de virada. Se depender dos convidados 2017 será lindo!

edição 17  
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