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STAR WARS

TAKE.COM.PT | ANO 8 | NÚMERO 41


ARTIGOS 04 A força está connosco . editorial 10 Star Wars 12 Um conto de fadas com naves espaciais 18 As estrelas 24 Os realizadores de Star Wars 34 Os influenciados 36 Sete referências cinematográficas que definem a Saga 40 John Williams e a música de Star Wars 62 A influência de Star Wars na Cultura Pop 66 A Força desperta

CRÍTICAS 48 Star Wars: Episode IV - A New Hope 50 Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back 52 Star Wars: Episode VI - Return of the Jedi 54 Star Wars: Episode I - The Phantom Menace 56 Star Wars: Episode II - Attack of the Clones 58 Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith

Director José Soares. josesoares@take.com.pt Editor João Paulo Costa. joaopaulocosta@take. com.pt Editora adjunta Sara Galvão. saragalvao@take.com.pt Colaboraram nesta edição Cátia Alexandre. Diana Martins. Filipe Lopes. Hélder Almeida. João Bizarro. João Paulo Costa. Pedro Soares. Samuel Andrade. Sandra Gaspar. Sara Galvão. Design José Soares. Ilustração Osvaldo Medina. Imagens Arquivo Take. Alambique. Big Picture Films. Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema. Columbia TriStar Warner Portugal. Costa do Castelo Filmes. Fox Portugal. Films 4 You. iStock. LNK Audiovisuais. Lanterna de Pedra Filmes. Leopardo Filmes. ZON Lusomundo Audiovisuais. Midas Filmes. Nitrato Filmes. Pris Audiovisuais. Sony Pictures Portugal. Universal Pictures Portugal. Valentim de Carvalho Multimédia. Vendetta Filmes. © Lucasfilm Ltd. & TM. All Rights Reserved Imagem de capa Ilustração do poster do filme ‘Star Wars’ por Tom Chantrell. © 2015 Take Cinema Magazine - Todos os direitos reservados. As imagens usadas têm direitos reservados e são propriedade dos seus respectivos donos.

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Š Osvaldo Medina - www.workosvaldomedina.blogspot.pt


A FORÇA ESTÁ CONNOSCO JOÃO PAULO COSTA

Foi há 38 anos que se deu a conhecer um dos mais marcantes títulos da História do Cinema, dando origem a uma saga que este inverno verá estrear o seu sétimo capítulo, em relação ao qual se pode adiantar desde já ser um estrondoso sucesso nas bilheteiras de todo o Mundo. E porquê? Porque Star Wars é, antes de tudo o resto, uma marca de grande popularidade. Independentemente de lhe reconhecermos ou não qualidades cinematográficas excepcionais, a verdade é que um pouco por todo o lado legiões de fãs farão filas nas salas de cinema para descobrir os mistérios escondidos em O Despertar da Força, cuja trama os trailers e restante material promocional tanto têm feito para manter em segredo. Bilhetes já foram vendidos com meses antecedência, brinquedos já foram comprados por pais que este Natal querem transmitir aos seus filhos os prazeres e as emoções da Força. E é precisamente este fenómeno multigeracional que se conta em cada página deste novo número da Take, onde além da abordagem individual a cada filme, vamos tentar perceber um pouco melhor cada elemento que faz o sucesso de Star Wars: das personagens à música, passando pelas suas influências na cultura popular. Já sabe, é só virar a página e deixar-se levar para essa galáxia muito, muito longínqua...


STAR WARS PEDRO SOARES

Mais do que uma série de culto, a saga Star Wars é uma verdadeira instituição, que se prolongou no tempo de forma inalterada e actual, como um The Wizard of Oz do espaço. Se fosse um jogador de futebol, seria um galáctico, daqueles do tempo do Figo e do Zidane aquando da primeira passagem do Florentino Perez pela presidência do Real Madrid, que fazem as delícias dos adeptos, tanto dentro como fora dos relvados. Se dentro das quatro linhas trouxe novidade e inovação, com um estilo completamente novo e efeitos especiais nunca antes vistos, fora do terreno de jogo constituiu um dos maiores fenémenos de merchandising da história do mundo dos negócios. Basta ver os valores astronómicos envolvidos na compra da Lucasfilms pela Disney e a autêntica loucura à volta do merchandise da série nos meses antes da estreia do primeiro episódio desta nova trilogia. Além disso, teve ainda o condão de inserir a ficção-científica no mainstream (numa altura em que ou era coisa de nerds ou rodava à volta do modelo 2001: A Space Odissey) e de reaproximar o público do cinema, uma vez que a televisão roubara os espectadores das salas no então ido ano da graça do Senhor de 1977. O segredo de George Lucas, para além do seu imaginário original, foi criar uma verdadeira ópera espacial, com todos os ingredientes do género (heróis, vilão, donzela em perigo, personagem cómica...), num cruzamento entre o universo de Flash Gordon, as matinés de aventura dos anos 50 (exploradas anterioremente (e magistralmente) em Indiana Jones por Steven Spielberg, companheiro de Lucas) e a literatura de J.R.R. Tolkien.


STAR WARS

UM CONTO DE FADAS COM NAVES ESPACIAIS SARA GALVÃO Nota: no artigo que se segue, entendemos por universo Star Wars (ou simplesmente Star Wars) a trilogia original e as prequelas, excluindo o universo expandido oficial e não-oficial.

É Star Wars ficção científica? Se a resposta afirmativa parece óbvia à primeira vista, uma análise mais demorada revela várias problemas com essa identificação. A classificação genérica do universo Star Wars resulta mesmo em alguma controvérsia, sendo fonte de de acesas discussões online, com fortes tomadas de posição semelhantes a dogmas religiosos. Neste panorama, três questões fundamentais se levantam: como definir ficção científica; de que modo o universo Star Wars se enquadra (ou exclui) dessa categorização; e porque é que a classificação genérica do mais lucrativo franchise de sempre consegue gerar ainda tanta discussão.


Nas palavras de um dos grandes representantes do género, Arthur C Clarke, Ficção Científica é algo que poderia acontecer - mas geralmente não se quer que aconteça. Fantasia é algo que não poderia acontecer, mas geralmente deseja-se que sim. Ou seja, dentro da supra categoria da ficção especulativa, se definirmos ficção científica como uma extensão do mundo real (ie, todos os acontecimentos têm uma base na realidade), e Fantasia como uma quebra com a realidade (ie, o mundo em que existe é por si impossível), é óbvio que Star Wars se insere na segunda categoria. Aliás, todos os seus lugares-comuns vêm directamente da estrutura clássica do filme fantástico - Bem Vs Mal, o Senhor do Mal, o Jovem com uma Missão, o Rapaz que aprende Magia para derrotar o Mal, e, se bem que empunhando laser guns, uma Princesa! E se bem que existem objectos tecnológicos (naves espaciais, Death Star) e mundos extraterrestres - ou seja, claras marcas de ciência e tecnologia - nunca são estes que fazem avançar a história, que facilmente poderia acontecer na Terra Média, ou no Japão Medieval. De facto, em Star Wars a tecnologia (que existe por si sem qualquer explicação ou exploração, e funciona sobretudo como pano de fundo) pouco difere, no seu tratamento, de pura magia, ou decoração (como o sabre de luz roxo de Mace Windu). Star Wars é muito mais sobre política - derrotar o Império, na trilogia original, e impedir que o Império se estabeleça, nas prequelas - do que sobre tecnologia ou ciência. Nada

na saga nos faz reflectir e considerar diferentes perspectivas sobre a nossa realidade tecnológica ou científica - se bem que levanta questões interessantes sobre o conceito de Democracia e Incesto. E, claro está, o maior argumento para considerar o universo Star Wars como parte da tradição fantástica será, claramente, a existência da Força. Entre o estrangular de Darth Vader e o Avada Kevadra de Voldemort não há assim tanta diferença. A Força é sobretudo uma metáfora religiosa - para Lucas, segundo o seu biógrafo Dale Pollock, é sobre reconhecer o potencial próprio, e os obstáculos que nos impedem de o realizar - e dificilmente poderia ser confundida com algo tecnológico como, digamos, bluetooth. É “mambo jambo” puro, e não me venham com a treta malcozinhada dos mid-chlorians. Segundo o próprio criador George Jar-Jar Lucas, Star Wars é uma novela espacial, ou seja, um amontoado de acontecimentos que, por acaso, acontecem no espaço. As origens da saga prendem-se muito mais com uma mistura de coisas tão diversas como histórias de samurais (não é por acaso que Lucas queria o actor fetiche de Kurosawa, Toshiro Mifune, como Obi Wan Kenobi), mitos, westerns clássicos (para um confronto entre o bem e o mal), Flash Gordon (do qual Lucas não conseguiu os direitos) e 2001 Odisseia no Espaço, que causou uma óbvia impressão 14


no realizador. Lucas juntou todos estes elementos para criar, nas palavras do guionista Lawrence Kasdan, o seu próprio género cinematográfico. Outros acrescentarão, é um conto de fadas que acontece no espaço, uma criação mitológica com as suas próprias regras, o que permitiu a Lucas (infelizmente para as prequelas) fazer o que bem lhe apetecesse. Ou, nas palavras deo escritor de ficção científica Michael Moorcock, Star Wars é uma colagem confusa de influências mal-digeridas que fugiu ao controlo do realizador bem cedo na produção. Star Wars não é tanto uma história como uma colecção ingénua de imagens vindas de outras pessoas usada às três pancadas, sem delicadeza ou inteligência. Rouba a uma subcultura e não lhe dá nada em troca. É algo oco. Falta-lhe o humor, a invenção, a dinâmica narrativa e a criatividade genuína que podemos ver nas melhores histórias do Doctor Who... é o maior filme de série b de todos. E isto foi dito antes das Edições Especiais existirem...

fantasia épica (um conto de fadas a esteróides). Ou nas palavras menos apreciativas de Lewis Beale - Star Wars corrompeu a percepção das pessoas sobre um género literário cheio de ideias, transformando-o numa série de Domingo à tarde, e isso é mais do que infeliz - é obsceno. Por outro lado, se ficção científica literária foi um dos géneros mais prolíferos e intelectualizados do pós-guerra, no cinema sempre foi o jardim dos efeitos especiais de má qualidade e da série B até Z. As águas já tinham sido agitadas nos anos 60 por 2001 Odisseia no Espaço, mas Star Wars abriu as comportas. Conquistando uma geração de pré-adolescentes atrás de outra (o bom dos pré-adolescentes é que compram merchandise por anos a fio), e quase dez anos depois da chegada à Lua, de repente o Espaço era o sítio mais in para se estar. Ou seja, ironicamente, Star Wars, filme de fantasia, marca o início de uma nova era para a ficção científica cinematográfica, causando grande impacto no género, tornando-o comercialmente viável e elevando-o ao nível de blockbuster e filme-evento.

Mas mesmo considerando que pertence ao género de novela espacial (o que leva a alguns a dizer que tem necessariamente de ser ficção científica, já que este é um subgénero), é difícil não perceber que a sua estrutura tem muito mais a ver com contos de fadas do que com, digamos, Frankenstein. Afinal, é tudo Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante, o que não difere assim tanto do clássico Era Uma Vez... Logo, apesar de parecer ficção científica, Star Wars é claramente

Por fim, porquê tanta resistência em classificar o universo Star Wars como uma entidade fantástica, ou puramente separada do universo da ficção científica? Basicamente, tudo se prende novamente com a questão do estatuto da fantasia na literatura e cinema antes do glorioso ano de 1977. Dizer que o universo Star Wars pouco difere de um conto de fadas é, para muitos, um insulto, uma infantilização forçada da suas audiências. 15


Com o estatuto de ficção científica, um género considerado mais “adulto”, alguns fãs pensam proteger a validade e importância da saga. Contudo, hoje em dia, esse suposto “selo de aprovação” da “superior” ficção científica deixou de ser necessário. Primeiro, a saga é neste momento propriedade da Disney, colocando Darth Vader a dois graus de separação (talvez menos) do Timon e Pumba. Segundo, o género cinematográfico é um conceito cada vez mais flexível. Ficção científica e fantasia têm fronteiras cada vez mais ténues entre si (o que explica que em bibliotecas sejam muitas vezes deixadas nas mesmas prateleiras), uma miscigenação levada ao extremo pelo conceito literário e cinematográfico de super-heróis (se o Super Homem é claramente fantasia, o que se pode dizer de Batman? Ou, para complicar as coisas, do Homem Aranha? Quando a história de origem de um super-herói tem uma base científica (radioactividade, criogenia), será correcto chamar-lhe ficção científica? E quando esse incidente científico lhe dá poderes sobrenaturais?) E talvez por causa do êxito recente dos filmes de superheróis a questão de negar a Star Wars o estatuto de ficção científica se tenha tornado menos contencioso - e principalmente depois do sucesso cinematográfico e televisivo de épicos fantásticos como Senhor dos Anéis, Harry Potter e Guerra dos Tronos, torna-se menos “humilhante” ser categorizado como fantasia, em vez de no extremamente literário e “high-brow” da ficção científica, mais controversa e cheia de ideias. Hoje em dia, aliás,

a fantasia tem-se tornado e revelado cada vez mais um género cheio de complexidade e possibilidades, e sobre o suposto estatuto “adulto” da ficção científica, que tal ir rever Lucy? Não se pondo a questão de estatuto - ainda mais ridícula quando se olha para o sucesso económico do franchise, a única categoria que realmente interessa no cinema moderno - só há uma questão que falta ser respondida. Sim, os bilhetes já estão vendidos. Mas perante uma audiência educada nas narrativas complexas televisivas, o desafio de as surpreender com a estrutura clássica (quiçá simplista) do conto de fadas é, no mínimo, ambicioso. Estarás à altura, The Force Awakens?

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AS ESTRELAS DIANA MARTINS

Neste seção pretende-se conhecer , de forma pouco exaustiva, cada uma das personagens do universo Star Wars, nos vários episódios das duas trilogias. Desde Jedis a princesas, passando por wookies e droides, isto é, o que se chama, verdadeiramente, de caderneta de cromos.

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"Você é um escravo?” ”Eu sou uma pessoa e o meu nome é Anakin!"

ANAKIN SKYWALKER / DARTH VADER - Hayden Christensen / David Prowse Anakin Skywalker é o protagonista e antagonista da saga Star Wars, com participação nos seis primeiros filmes. Conhecido como o lendário Cavaleiro Jedi que serviu a República Galáctica, anos mais tarde tornou-se Darth Vader, um Lorde Negro dos Sith. Anakin casou-se com a Senadora Padmé Amidala de Naboo. O casal teve dois filhos bastante determinantes em toda a saga: Jedi Luke Skywalker e Leia Organa Solo. As suas origens remontam o inóspito planeta de Tatooine, onde passou os primeiros anos da sua vida como um escravo. Quando o Jedi Qui-Gon Jinn o descobre, sente desde logo uma presença da Força muito intensa, libertando-o da vida de escravo e fazendo-o ingressar na Ordem de Jedi, onde ele se tornou o Padawan de Obi-Wan Kenobi, após a trágica morte de Gui-Gon. Desde o início Anakin é considerado o Escolhido da Profecia Jedi como aquele que iria trazer o equilíbrio à Força e destruir o Império Sith. Contudo, após anos lutando nas Guerras Clónicas, Anakin passou para o Lado Negro da Força, tornando-se aprendiz de Darth Sidious e assumindo o nome Darth Vader. No fim da saga, Darth Vader retornou para o Lado da Luz, salvando a vida do seu filho e jedi Luke Skywalker, voltando a ser Anakin Skywalker, o Escolhido.

Anakin Skywalker para Padmé Amidala

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LUKE SKYWALKER - Mark Hamill

PRINCESA LEIA - Carrie Fisher

"Eu sou um Jedi, como meu pai foi antes de mim."

"Não sei quem é nem de onde veio mas, a partir de agora, vai fazer o que eu digo, ok?"

Luke Skywalker

Princesa Leia

Luke Skywalker é uma figura importante na luta da Aliança Rebelde contra o Império Galáctico, sendo determinante na formação da Nova República, assim como na Nova Ordem Jedi. É conhecido como o maior herói que a Galáxia já conheceu. Este é filho de Anakin Skywalker (ou Darth Vader) e da Senadora Padmé Amidala de Naboo, sendo irmão gémeo da Princesa Leia Organa Solo e amigo do mercenário Han Solo. Após a passagem para o Lado Negro de seu pai, Luke foi enviado por Obi-Wan (seu mestre, seguido pelo Mestre Yoda) para Tatooine, para ser criado pelos seus tios, mantendo-se escondido do Imperador Palpatine, e seu pai, Darth Vader. Luke Skywalwer teve um importante papel na redenção do seu pai de volta ao Lado da Luz, na morte do Imperador Palpatine e na manutenção da paz aquando da formação da Nova Républica. Luke passou temporariamente para o Lado Negro, aquando da volta de Palpatine na forma de vários clones.

Princesa Leia Organa (nascida como Leia Skywalker Amidala; depois chamada de Leia Organa Solo, após casar com Han Solo) entra em 3 filmes da saga Star Wars: Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca e O Regreeso de Jedi). No Universo Expandido, Leia é uma Cavaleira Jedi da Nova Ordem (treinada parcialmente pelo seu irmão Luke) e a Chefe de Estado da Nova República. Mulher audaz, de personalidade forte e vincada inteligência, utiliza sabiamente a sua posição no Senado para exercer ajuda diplomática à Aliança Rebelde. Leia ficou ainda famosa pela sua liderança forte durante a Guerra Civil Galáctica e outros conflitos subsequentes, fazendo dela parte dos maiores heróis da Galáxia. Leia e Han tiveram dois filhos gémeos, Jacen e Jaina e Anakin.

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OBI-WAN KENOBI / BEN KENOBI - Ewan McGregor / Alec Guinness

QUI-GON JIN - Liam Neeson

"Obi-Wan é um grande mentor, tão sábio quanto o Mestre Yoda e tão poderoso como o Mestre Windu"

"Um verdadeiro Cavaleiro, Qui-Gon é. Sempre em sua própria busca." Yoda

Anakin Skywalker

Obi-Wan Kenobi é uma personagem presente nos seis primeiros filmes. Este foi treinado por Gui-Gon Jin e, após a morte desse, passou a ser o Mestre Jedi de Anakin Skywalker. Conhecido pela sua racionalidade e pragmatismo, Obi-Wan destaca-se pela sua sabedoria e ampla visão. Sendo o membro mais experiente do Conselho Jedi, os seus conselhos são considerados de extrema importância. Aos 800 anos de idade, tornou-se mais reflexivo e prefere a cautela à precipitação. Obi-Wan Kenobi, posteriormente conhecido como Ben Kenobi, treinou ainda Luke Skywalker nos caminhos da Força sendo ainda General da República Galáctica durante as Guerras Clónicas, ficando conhecido como um dos melhores lutadores da Ordem.

Qui-Gon Jinn é um Mestre Jedi, que descobriu o caminho da imortalidade e um dos mais nobres e sábios da Ordem Jedi. Apesar de algo controverso, por negligenciar o Código Jedi, Qui-Gon Jin sempre foi muito acarinhado pelas pessoas mais próximas, reconhecendo-lhe todo o respeito e valor. Embora não fizesse parte ativa do Conselho Jedi, Qui-Gon seguia à sua maneira o propósito da Força, pensando sempre por si.

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HAN SOLO - Harrison Ford

CHEWBACCA - Peter Mayhew "Han Solo, sou capitão da Millennium Falcon."

"Alguém quer tirar este tapete ambulante da minha frente?!"

Han Solo no seu primeiro encontro com Luke Skywalker e Obi Wan Kenobi

Princesa Leia

Han Solo é um dos protagonistas dos capítulos IV, V e VI de Star Wars.

Chewbacca, também conhecido por “Chewie”, famoso wookie grande e peludo, é o co-piloto de Han Solo na nave Millenniun Falcon. De poucas palavras e grunhidos, é leal aos amigos e também um grande guerreiro, destacando-se pelos seus conhecimentos em tecnologia e com a pósgraduação mais brilhante da Academia.

Capitão da nave espacial Millenniun Falcon, “a mais veloz da galáxia”, Han Solo é um mercenário bastante mais audacioso que cauteloso, reconhecido pela sua falta de disciplina e comportamento irreverente. Orgulhoso, acaba-se apaixonando pela Princesa Leia, tendo três filhos. É um grande amigo e aliado de Luke. Han Solo é nativo do planeta industrial Corellia, tendo alcançado a fama galáctica como um membro da Aliança Rebelde e da Nova República posteriormente. É reconhecido como autêntico anti-herói: mercenário, cínico, frio e calculista, mas que no decorrer do filme demonstra caráter, coragem e bondade, sendo impossível não sentir simpatia por este.

Chewbacca, como muitos Wookiees, era capaz de entender a linguagem usada por várias outras espécies, mas não podia falar devido a estrutura vocal de sua espécie.

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C-3PO / R2-D2 - Anthony Daniels / Kenny Baker

PALPATINE - Ian McDiarmid "Poder! Poder ilimitado!!" Palpatine

Dupla de droides que se conhece desde as Guerras Clónicas. R2-D2 é um droide astromecânico, conhecido pela sua coragem e pela sua linguagem desconhecida, cheias de bipes e sons eletrónicos. Já C-3PO é um droide de protocolo desenhado especificamente para interagir com seres pensantes, tendo sido construído em Tatooine por Anakin. Conhecido como uma personagem muito querida, essencialmente pela sua comicidade (aliás, como R2-D2), a sua vertente medrosa vem sempre ao de cima, através das suas frases conhecidas "Ó céus!" e "Estamos perdidos!".

Palpatine é um dos vilões mais cerebrais da história. Usando a sua inteligência, o Sith planeou a queda dos Jedi e a conquista da Galáxia manipulando políticos e usando os seus inimigos para os seus fins escusos. Foi Senador, depois Chanceler e, finalmente, Imperador.

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OS REALIZADORES DE STAR WARS JOÃO PAULO COSTA

Por muito que as grandes produções saídas de Hollywood empreguem por vezes centenas de elementos da equipa, desde actores a ilustres desconhecidos que tratam dos aspectos técnicos aparentemente mais banais, estas são muitas vezes épicos produtos nascidos da mente de uma só pessoa. No caso de Star Wars é mais do que sabido que tudo se deve à criatividade e perseverança de um ambicioso contador de histórias que no processo se tornou um dos homens mais poderosos de uma indústria que ele próprio ajudou a redefinir.


GEORGE LUCAS, O JOVEM CURIOSO QUE SE TORNOU REI Tal como o nome da terra que o viu nascer em 1944 (Modesto, estado do Colorado), George Lucas é ainda hoje associado a uma personalidade tranquila, avesso a excessiva exposição mediática, que gosta de vestir calças de ganga, camisas e bonés, mesmo tendo uma fortuna avaliada em 5.1 biliões de dólares. A sua infância, no entanto, foi passada no interior do vasto território dos Estados Unidos, onde desenvolveu a sua primeira paixão, por automóveis. Adepto das velocidades vertiginosas, Lucas chegou mesmo a participar em corridas amadoras, até um perigoso acidente que quase lhe tirou a vida o ter feito mudar de ideias. Depois de estudar disciplinas mais teóricas como literatura, o então curioso adolescente virou a sua atenção para uma outra forma de tecnologia tão típica do séc. XX, a câmara de filmar, com a qual começou a filmar algumas corridas de carros e curtas-metragens. Estava aí decidido o seu futuro, e Lucas partiu em meados da década de 1960 para a Califórnia com o objectivo de estudar cinema, deixando aos pais a promessa de regressar milionário. Foi na USC (University of Southern California) que descobriu as novas vagas vanguardistas que se espalhavam no seu país de origem, mas também pela Europa e Ásia, juntando os novos filmes de nomes como 26


Kurosawa ou Fellini aos clássicos épicos que idolatrara na infância. Foi aí que, depois de já ter conseguido escapar do Vietname devido aos seus problemas de diabetes, conheceu Francis Ford Coppola, que o escolheu para assistente depois de aprovar o seu trabalho nas curtas-metragens que realizou na escola. E Coppola depressa viu nele um jovem bastante curioso em relação a todos os aspectos da produção, desde o trabalho de câmara à interacção com os actores. A relação entre ambos correu na perfeição e Lucas tornou-se com Coppola num dos fundadores da American Zoetrope, uma casa de produção independente que tinha como objectivo acolher a primeira geração de jovens cineastas com formação académica na área. Depois de ter estado envolvido em projectos como Apocalypse Now, que originalmente deveria ter sido uma produção de baixo orçamento, Lucas acabou por se estrear na realização de longasmetragens com essa ficção científica distópica que foi THX-1138 em 1971. Ignorado por grande parte do público e crítica, o filme resultou num fracasso comercial e deixou a Zoetrope em maus lençóis, apesar do seu baixo orçamento, e levou o jovem realizador a abandonar a ficção científica, que chegou a pensar estar muito longe das preferências do grande público.

pessoal: a história de um grupo de jovens numa pequena cidade americana no início da década de 1960, que acabou o liceu e se preparava para a idade adulta, com a sombra do Vietname a pairar sobre eles, enquanto tentam viver o último Verão das suas vidas adolescentes, passando o tempo entre relações amorosas e... corridas de automóveis. Rodado em 1972 com um orçamento pouco maior do que THX-1138 e estreado no ano seguinte, American Grafitti: Nova Geração tornou-se num grande êxito de bilheteiras. Inicialmente relutante devido ao tom sombrio e melancólico do filme, os estúdios Universal só se convenceram a lançar a fita nas salas por insistência de Coppola, um dos produtores, que na altura acabara de se tornar num dos mais poderosos homens de Hollywood após a estreia de O Padrinho. Além do êxito entre o público, o filme recolheu também louvores da crítica pelo seu retrato desencantado da juventude americana, e acabou nomeado para 5 Óscares, com Lucas a aparecer entre os nomes escolhidos para Melhor Realizador do ano. Conquistado o prestígio e também seguro pelos valores de bilheteira conseguidos por American Grafitti, era altura de voltar a um projecto que o realizador entretanto havia deixado na gaveta, e que marcaria também o regresso à ficção científica. Uma saga espacial protagonizada por um tal de Annakin Starkiller. Aprimorando alguns elementos das suas notas iniciais (e mudando os nomes de algumas personagens),

Depois dessa primeira experiência, Lucas decidiu enveredar por outro caminho, criando um argumento original a partir da sua experiência 27


pegando nas influências dos velhos serials que via na sua juventude e dos empolgantes filmes de samurais de Kurosawa, Lucas criou uma saga espacial de aventuras épicas que... bem, por esta altura o leitor estará bastante familiarizado com o resto: sucesso retumbante em todo o Mundo, que para Lucas se tornou especialmente saboroso depois de convencer os inicialmente pouco interessados estúdios da Twentieth Century Fox a ceder-lhe parte da percentagem dos lucros em vez de um salário fixo e a totalidade dos direitos de exploração das sequelas bem como todo o merchandising em volta do projecto. Todo o sucesso comercial fez crescer o império pessoal de George Lucas, que finalmente cumpria a promessa que havia feito à família quando trocou Modesto pela Califórnia, e foi o motivo principal pelo qual o realizador abandonou a realização durante mais de duas décadas, preferindo concentrar-se na criação dos seus próprios estúdios e equipa de efeitos especiais, concentrando-se assim nas questões de produção e desenvolvimento das histórias e O Império Contra-Ataca (1980) e O Regresso de Jedi (1983), deixando a direcção em outras mãos (sem nunca se perder, no entanto, a noção de quem é que realmente comandava esse grande navio). Pelo caminho, Lucas produziu ainda muitos outros projectos de sucesso variável: pela positiva, a saga de Indiana Jones, juntando forças com o seu amigo Steven Spielberg, que voltou a juntar a aclamação crítica ao 28


sucesso comercial, ou Noites Escaldantes, esse maravilhoso film noir de Lawrence Kasdan (estreia na realização do argumentista de O Império Contra-Ataca ou Os Salteadores da Arca Perdida, por exemplo), e pela negativa temos Howard e o Destino do Mundo (1986), um fiasco artístico e comercial. De realçar também o seu lado altruísta, tendo-se juntado uma vez mais a Francis Ford Coppola desta vez para ajudar um dos seus velhos heróis, o japonês Akira Kurosawa a regressar ao activo numa fase complicada da sua carreira, servindo como produtor executivo de Kagemusha – A Sombra do Guerreiro (1980).

que levavam os seus filhos às salas para passarem o mito da Força a uma nova geração. Ainda que recebidos de forma bastante mais fria em termos críticos do que os anteriores – com os modernos efeitos digitais a sobreporem-se em larga medida ao trabalho dos actores ou à clareza da trama, muito mais complexa do que seria desejável – o entusiasmo não se esmoreceu de todo, e o império voltou a crescer ainda mais, até ser comprado em 2012 pela gigante Walt Disney Company pela incrível soma de 4 biliões de dólares. Dessa forma, Lucas pôde finalmente deixar para trás uma aventura que, de certa maneira, lhe ocupou toda a carreira, e acabaria por se sobrepor a outros projectos cinematográficos mais modestos que acabou por nunca conseguir cumprir. Apesar da venda, os novos títulos da saga irão ter uma supervisão da sua pessoa, que terá de aprovar cada passo na história por forma a que esta se mantenha fiel ao universo por ele criado, mas retirando-se de vez da realização ou da produção dos novos filmes. Ficando ainda a dúvida se Lucas irá aproveitar esta nova fase da sua vida para retomar uma carreira com projectos menos megalómanos na área do cinema, ou se se irá dedicar aos seus muitos projectos filantrópicos, o que é certo é que a saga deste outrora curioso adolescente com grandes ambições que chegou a Rei de Hollywood, ficará sempre marcada na História do Cinema.

Depois de retocar de forma polémica as versões originais de Star Wars, modificando algumas cenas com as quais se encontrava insatisfeito, e acrescentando uma panóplia de efeitos digitais que a tecnologia até então não permitia, Lucas regressou em finais da década de 1990 ao projecto que lhe havia lançado a carreira, continuando a explorar o filão com uma nova trilogia que iria servir de prequela aos anteriormente lançados – dessa feita, os anteriores títulos foram rebaptizados como episódios IV, V e VI, ficando os novos conhecidos como Episódio I – A Ameaça Fantasma (1999), Episódio II – O Ataque dos Clones (2002) e Episódio III – A Vingança dos Sith (2005). Lucas assumiu novamente a realização, assinando os três capítulos, e o sucesso comercial mantevese, com os fãs a não perderem cada novo episódio, ao mesmo tempo 29


IRVIN KERSHNER - EPISÓDIO V: O IMPÉRIO CONTRA-ATACA

RICHARD MARQUAND – EPISÓDIO VI: O REGRESSO DE JEDI

Irving Kershner (1923-2010), formado em Belas Artes, foi o nome escolhido por George Lucas para realizar aquele que por muitos é considerado o melhor filme da saga. A ideia surgiu a Lucas depois de este ter visto Os Olhos de Laura Mars (1978), um thriller sobrenatural com Faye Dunaway e Tommy Lee Jones cujo argumento havia sido assinado, entre outros, por John Carpenter. Antes deste projecto, Kershner tinha já trabalhado anteriormente com estrelas como Barbra Streisand, Sean Connery, George C. Scott ou Jean Seberg. Muitos dos seus filmes lidavam com elementos de crime nas ruas, o que talvez tenha convencido o produtor a investir neste realizador devido à vertente mais sombria de O Império Contra-Ataca quando comparado com o primeiro filme. O sucesso da sequela foi tal que os dois únicos trabalhos para cinema que voltou a realizar foram também sequelas. O primeiro, Nunca Mais Digas Nunca (1983), que marcou o regresso provisório de Sean Connery ao papel de James Bond naquela que é considerada a aventura “não oficial” da saga, e o segundo, Robocop 2 (1990). Pelo caminho, Kershner começou pelas mãos de Martin Scorsese uma curta carreira como actor, aparecendo em A Última Tentação de Cristo (1988) e depois disso dedicou-se principalmente à fotografia até à sua morte vítima de cancro, em 2010.

Aparentemente, quando chegou a altura de escolher o realizador de O Regresso de Jedi, e tendo em conta o tom mais infantilizado de partes do guião, George Lucas pretendia alguém capaz de o tornar um pouco mais sombrio. Só assim se explica o desejo de contar primeiro com David Lynch e depois com David Cronenberg na realização, cargo que ambos recusaram para prosseguirem projectos pessoais, o primeiro com Duna (1984) e o segundo com Experiência Alucinante (1983). O escolhido acabou por ser Richard Marquand (1937-1987), realizador galês que até então tinha construído uma longa carreira na televisão britânica antes de se lançar no cinema, de onde se destacavam os thrillers A Herança (1978) e especialmente O Buraco da Agulha (1981). Lucas referiu que apreciou particularmente o trabalho de Marquand com os actores, mas o grande destaque da sua presença nesta saga terá de ir para o confronto final entre Luke Skywalker e Darth Vader e o Imperador Palpatine, certamente um dos emocionalmente mais fortes momentos da saga. Infelizmente o realizador teve pouco tempo para aproveitar o sucesso do filme, tendo falecido 4 anos após a sua estreia, aos 49 anos. Ainda assinou três filmes antes da sua despedida: o drama romântico Amar Até Setembro (1984), O Fio do Suspeito (1985), com Jeff Bridges e Glenn Close e, finalmente, Hearts of Fire (1987) com Bob Dylan como protagonista. 30


(1991), Eternamente Jovem (1993), Armageddon (1998) ou Não Brinques com Estranhos (2001). Como produtor, ficaram também a seu cargo filmes como Nome de Código: Cloverfield (2008), entre uma grande quantidade de séries televisivas. Se há alguém que está hoje para o cinema como Lucas esteve no início da sua carreira, então esse alguém é, certamente, J.J. Abrams, pelo sentido de espectáculo que gosta de incutir aos seus projectos, bem como pela destreza enquanto homem de negócios de sucesso no seio da indústria.

J.J. ABRAMS – EPISÓDIO VII: O DESPERTAR DA FORÇA Depois de Lucas ter escolhido nomes relativamente modestos para assumirem a realização dos Episódios V e VI, a estratégia da Disney parece passar por deixar a realização a cargo de nomes com créditos já firmados. J.J. Abrams (nascido em Nova Iorque em 1966) sempre se confessou um grande fã da série, e não pensou duas vezes em aceitar a tarefa de realizar O Despertar da Força, tendo também contribuído na escrita do argumento. Abrams não é nada estranho a pegar em propriedades já conhecidas como realizador, começando a sua carreira na realização para cinema precisamente com Missão: Impossível 3 (2006), e prosseguido com Star Trek (2009) e Star Trek: Além da Escuridão (2013), mantendo-se posteriomente como produtor em ambas as sagas, havendo também pelo caminho assinado o seu único filme original, a aventura adolescente Super 8 (2011), que mesmo assim em muito devia às aventuras que gente como Spielberg e o próprio Lucas haviam assinado enquanto J.J. era ele próprio um adolescente. Para além destes, Abrams tem uma longa carreira de sucesso na televisão, sendo um dos responsáveis por séries tão bem sucedidas como A Vingadora ou Perdidos. A sua carreira, no entanto, começara enquanto responsável por um conjunto de argumentos, de onde se destacam O Regresso de Henry 31


RIAN JOHNSON – EPISÓDIO VIII

COLIN TREVORROW – EPISÓDIO IX

Se J.J. Abrams se tem revelado um nome bastante popular ao longo dos anos, já Rian Johnson (nascido em Maryland, em 1973), o nome escolhido para pegar no oitavo episódio de Star Wars, ainda sem título, com estreia marcada para 2017, aguça um pouco mais a curiosidade. Com três longas-metragens assinadas até ao momento, Johnson tem-se vindo a afirmar como um autor bastante peculiar, pois o seu primeiro filme, Brick (2005) era um film noir protagonizado por adolescentes, o segundo Os Irmãos Bloom (2008), uma estranha comédia dramática sobre um grupo de criminosos aos jeito de Wes Anderson, e o terceiro, Looper – Reflexo Assassino (2012) uma muito curiosa ficção científica sobre assassinos contratados e viagens no tempo. Pelo caminho destacam-se ainda três episódios da celebrada série de televisão Breaking Bad, mas nada parece indicá-lo como um nome propriamente evidente para continuar a sua carreira com uma aventura espacial. Cabendo-lhe também a responsabilidade da escrita do argumento, será certo que os fãs poderão apreciar uma aventura sui generis, caso a Disney lhe permita dar largas a uma imaginação que até ao momento se tem revelado muito rica, embora carecendo de alguma contenção. Os seus trabalhos têm tido orçamentos bastante limitados, e também por isso temos curiosidade em saber como se dará a comandar uma produção desta dimensão.

Saído do sucesso gigantesco de Mundo Jurássico, Colin Trevorrow (nascido na California em 1976) é o mais jovem dos autores da nova trilogia a assumir a cadeira da realização, ficando a cargo do terceiro capítulo, ainda sem título, com estreia agendada para 2019. Trevorrow já sabe o que significa pegar num produto cinematográfico que movimenta milhões de dólares, tendo assinado aquele que é até ao momento o vencedor da bilheteiras de 2015 em todo o mundo. Antes da terceira sequela jurássica, já tinha assinado em 2012 o projecto de baixo orçamento Safety Not Guaranteed, uma comédia dramática com elementos de ficção científica que foi um pequeno sucesso no universo indie, suficiente para que Spielberg lhe desse o cargo de realizador de Mundo Jurássico. Provado que estava o seu valor na gestão de grandes orçamentos e efeitos especiais, Trevorrow foi convidado para entrar para a galeria de directores de Star Wars, mas entretanto tem já em adiantada fase de pós-produção e prestes a estrear no ano que vem o drama The Book of Henry, com Sarah Silverman e Naomi Watts.

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OS INFLUENCIADOS

Como icónica saga de filmes que é, inicialmente mesmo sem o saber, Star Wars traçou de imediato um caminho muito forte, não só na história do cinema de ficção-científica, mas também na história do cinema em geral. Mudando não só a forma como são lançados muitos filmes hoje em dia, mas também pela grandiosidade e efeito que conseguiu atingir em toda a cultura pop, até quem nunca viu um único filme, consegue identificar alguns elementos da mesma, quase que inconscientemente, mais uma das provas da sua magnitude. Magnitude essa, que se veio a reflectir em muitos outros filmes, e até séries, posteriores ao lançamento dos seus três primeiros filmes (Episódio IV, V e VI). Com a estreia do novo Star Wars: Episode VII – The Force Awakens, fazemos uma pequena viagem, falando sobre alguns dos aspectos que influenciaram muitas outras obras que se seguiram. Começando pela forte figura feminina que é a Princess Leia (sem dúvida uma das mais poderosas da saga) esta veio trazer um olhar diferente sobre aquilo que a mulher enquanto guerreira e lutadora poderia representar num filme. Afinal um bom badass não tem necessariamente de ser um homem. Muito mais do que a sua imagem marcante a sua atitude destemida e corajosa inspirou muitas outras fortes personagens femininas que se seguiram. Heroínas que se tornaram icónicas como por exemplo Sarah Connor de Terminator ou mais recentemente Furiosa de Mad Max: Fury Road, são bons exemplos disso.

CÁTIA ALEXANDRE

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Quando em 2001: Space Odyssey, Stanley Kubrick, atribui um lado malévolo, suspeito e muito assustador à figura de um robot (no caso especifico um computador que possui inteligência artificial), Star Wars teve a capacidade de nos fazer apaixonar por eles, dando-lhes mais personalidade, ou não olhássemos hoje em dia para um C-3PO quase como se fosse de carne e osso. Graças a isso robots como Wall-E, Data de Star Trek ou Gerty 3000 em Moon se tornaram bastante queridos de todo o público. A própria estrutura da saga foi algo inovador. A forma como as histórias eram escritas, lançadas e produzidas nunca mais foi a mesma. Dentro do género, trilogias como a trilogia original Mad Max ou Back to The Future mostram o quão importante é manter um forte seguimento e lógica de filme para filme, onde o desenvolvimento das personagens é algo significativo. Apesar de muitas personagens importantes, Luke é sem dúvida a personagem central de todas as histórias da saga original e todos os diferentes personagens acabam por causar um certo impacto em si. Vários aspectos técnicos, nomeadamente os efeitos visuais usados em Star Wars, foram grandes impulsionadores no avanço de técnicas de efeitos especiais no cinema, que têm vindo a ser aperfeiçoados desde então. Este avanço significativo, nas técnicas visuais feitas por computador (hoje em dia conhecidas pela abreviação CGI) foram

absolutamente marcantes, tudo graças à inovação colocada na saga. Uma das coisas mais interessantes e cativantes em Star Wars é a criação de todo aquele universo em especifico. Todo um novo mundo que nos faz acreditar nele, mesmo sabendo que é algo completamente impossível de existir. As temáticas abordadas, são mais um dos aspectos que nos fazem conectar com a história, onde relações tão simples como as de amor e de amizade estão constantemente presentes apesar de nos ser apresentado um mundo muito diferente, dando margem para que outras divergentes histórias tivessem oportunidade de surgir e mesmo numa galáxia longínqua, Star Wars têm algo de muito próximo e familiar com referencias presentes em muitas das coisas que ainda vemos ser feitas nos dias de hoje.

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STAR WARS

SETE REFERÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS QUE DEFINEM A SAGA SAMUEL ANDRADE

Quando A Guerra das Estrelas estreou em 1977, não foi preciso esperar muito para se perceber que o Cinema nunca mais seria o mesmo. Da lógica comercial da indústria até aos próprios mecanismos de produção, George Lucas revolucionou a ficção-científica no grande ecrã, afirmou o blockbuster enquanto género e influenciou os realizadores que se dedicaram ao cinema de acção e fantástico dos últimos quarenta anos. No entanto, importa também salientar as obras que influenciaram George Lucas, e no modo como as soube tratar e readaptar, para a principal criação narrativa da sua carreira. Das histórias de samurais de Akira Kurosawa até ao documentarismo nacionalista de Leni Riefenstahl, e passando pelo próprio início de carreira de George Lucas, eis sete referências cinematográficas para a concepção da Saga Star Wars.

AKIRA KUROSAWA E THE HIDDEN FORTRESS Admirador confesso de um dos nomes maiores do Cinema Japonês, George Lucas não hesitou em ostentar essa influência nos vários títulos da Saga Star Wars que realizou. É possível encontrar, sobretudo em Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança, inúmeras referências, tanto narrativas como temáticas, a Os Sete Samurais (1954), Yojimbo, o Invencível (1961) ou Dersu Uzala, A Águia da Estepe (1975). No entanto, a demonstração mais evidente desta afeição criativa manifesta-se na técnica do “wipe horizontal” para assinalar a transição entre cenas, e que foi usada, extensivamente, em diversos títulos de Kurosawa. Da filmografia do cineasta nipónico, destacam-se ainda alguns elementos narrativos de The Hidden Fortress (1958) que encontraram lugar na própria formação do imaginário de Star Wars. Nomeadamente, o aspecto e o carácter do duo de camponeses do filme, que auxilia um general e uma princesa a atravessar território inimigo, são uma inegável influência para a criação de C-3PO e R2-D2.

São infindáveis as leituras, umas mais óbvias do que outras, possíveis de se traçar sobre a saga Star Wars e listadas em vários sítios da Internet. Um bom começo para essa pesquisa é o próprio site oficial dos filmes, que encontra referências em filmes que vão de O Bom, O Mau e o Vilão até à filmografia de Alfred Hitchcock: http://www.starwars.com/news/tag/cinemabehind-star-wars

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A CORRIDA DE QUADRIGAS EM “BEN-HUR”

O CINEMA MALDITO DE LENI RIEFENSTAHL

Uma das sequências mais memoráveis de Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma é, sem dúvida, a corrida de podracers onde o jovem Anakin Skywalker sai vitorioso. Em toda a composição formal deste momento, ressalta imediatamente como influência a corrida de quadrigas do épico histórico Ben-Hur (1959), com Charlton Heston a desafiar o poder de um Império em sete voltas a um circo romano. O resultado final pode não ter sido tão empolgante como o alcançado por William Wyler, mas Lucas conseguiu despertar a curiosidade de novas gerações de cinéfilos para um dos principais épicos da História do Cinema.

“Stormtrooper”, o termo cunhado por George Lucas para identificar os soldados do Império, tem a sua origem na palavra alemã que designava os soldados germânicos da Primeira Guerra Mundial e, de modo mais infame, do Terceiro Reich de Adolf Hitler. A disciplina e aparato técnico desta força militar nazi foram captados, em extenso detalhe, pelo documentário de propaganda O Triunfo da Vontade (1935) – um filme que, apesar do pensamento crítico que a sua retórica exige, é invariavelmente aclamado pela sua mestria estética, e que marcou realizadores como Steven Spielberg, Stanley Kubrick e… George Lucas.

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AS ESTRATÉGIAS DE GUERRA EM THE DAM BUSTERS

O CINEMA AVANT-GARDE EM “O IMPÉRIO CONTRA-ATACA”

Realizado em 1955 por Michael Anderson, The Dam Busters é um filme de guerra relativamente desconhecido mas provido de uma narrativa indispensável para o clímax de Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança. A história de um esquadrão britânico que, durante a Segunda Guerra Mundial, ensaia um específico padrão de voo para atingir as secções mais vulneráveis de barragens de defesa alemãs, encontra imediato paralelo no ataque empreendido pelos Rebeldes à Estrela da Morte. Nessa mesma sequência, a influência de The Dam Busters vai desde à “reciclagem” de linhas inteiras de diálogo até ao modelo de fogo dos canhões alemães, em resposta ao ataque britânico, que é rigorosamente emulado pelas defesas da Estrela da Morte.

Parece ser de consenso quase universal que O Império Contra-Ataca é o melhor filme da Saga Star Wars. Apesar da subjectividade que esta afirmação possa acarretar, é, contudo, seguro constatar que se trata do capítulo cujo trabalho visual apresenta maior distinção entre todas as suas prequelas/sequelas. Um olhar mais atento à sua equipa técnica (sobretudo, aos responsáveis pelos efeitos visuais) permite vislumbrar a presença de vários nomes associados ao cinema avant-garde norteamericano. O caso mais flagrante será o de Roberta Friedman, professora de cinema, produtora de diversas obras de âmbito experimental e referida, nos créditos finais do filme, como “coordenadora” de efeitos ópticos.

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O IMAGINÁRIO DE FLASH GORDON

A CURTA-METRAGEM SOBRE UM “IMPERADOR”

Por várias vezes integrada, pela crítica, no género do space opera, a saga Star Wars deve muito desse estatuto à paixão de George Lucas por Flash Gordon, o herói intergaláctico criado por Alex Raymond, e com o qual Luke Skywalker, Leia e Han Solo partilham diversos elementos. Ou seja, a aventura espacial, num futuro distante habitado por personagens com poderes sobrenaturais, e repleto de romance e melodrama.

Naquela que será, provavelmente, a referência mais obscura desta lista, é a que também permite compreender como o conceito de um “Imperador” aparece indelevelmente associada a George Lucas desde muito cedo na sua carreira. Em 1967, ainda como estudante de cinema na USC, Lucas assinou uma curta-metragem, intitulada The Emperor, centrada no animador de rádio Bob Hudson e na sua capacidade de mobilizar a atenção de estudantes universitários. Embora Hudson seja uma figura sem qualquer paralelo com o nefasto Palpatine, vale a pena salientar a coincidência – assim como a visualização da curta, a qual se encontra disponível on-line.

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JOHN WILLIAMS E A MÚSICA DE STAR WARS

Se há filmes em que o som e a imagem andam abraçados do princípio ao fim são, seguramente, os filmes cuja banda sonora é composta por John Williams. De facto não dá para dissociar: quando nos pedem para cantarolarmos um tema de um filme vem logo à cabeça alguma coisa composta por John Williams. No meu caso é a Marcha de Indiana Jones, que até é o meu toque de despertar. E de certeza que qualquer fã da saga sabe o tema de Star Wars ou a assustadora Marcha Imperial. John Towner Williams nasceu em 8 de Fevereiro de 1932 em New York. Quando a família se mudou para Los Angeles, e ele entrou para a Universidade da Califórnia, começou a ter aulas privadas de música. Depois de estudar música na famosa Juilliard e na Eastman School of Music, Williams começa a trabalhar nos estúdios como pianista, para bandas sonoras de compositores como Jerry Goldsmith, Elmer Bernstein ou Henry Mancini. A série Peter Gunn (1958) e filmes como Some Like it Hot, The Apartment ou To Kill a Mockingbird, tiveram a participação de Williams. A sua primeira composição (não creditada) para um filme acontece em 1958 com um série B, Daddy-O, e o seu nome apareceria 2 anos depois no filme Because They’re Young, de Paul Wendkos. O seu estilo, descrito como neorromântico, inspirado nos estilos de Tchaikovsky e Wagner, depressa teve reconhecimento e depois de uma primeira nomeação ao Oscar em 1968 (Valley of the Dolls), arrecada a primeira estatueta com a

JOÃO BIZARRO

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adaptação do musical Fiddler on the Roof, em 1972. Os ecos do seu enorme talento chegam aos ouvidos de Steven Spielberg que em 1974 o convida para fazer a música de The Sugarland Express. Iniciava-se uma parceria que o levaria ao estrelato e a ser considerado um dos melhores e mais bem-sucedidos compositores americanos. Uma nova colaboração com Spielberg dá-lhe o primeiro Oscar para melhor banda sonora original (Jaws, 1976) e Spielberg recomenda Williams ao seu amigo George Lucas. O filme era um épico espacial, Star Wars. Lucas planeava usar no filme musica clássica já existente mas quando conheceu Williams mudou logo de ideias. Lucas e Williams concordaram em usar um estilo romântico da música clássica do séc. XIX, a qual fizesse de âncora emocional para que a audiência se relacionasse com aquele universo espacial. A música dos 6 episódios já conhecidos de Star Wars (assim como do episódio 7, que agora vai estrear) foi composta por John Williams e interpretada pela London Symphony Orchestra. No universo musical de Star Wars há musicas que aparecem em todos os episódios e outras que foram criadas para um determinado episódio ou que aparecem a partir desse episódio, quer seja para descrever um personagem (Princess Leia's Theme, por ex.) ou uma situação (The Hologram/Binary Sunset, outro exemplo).

Até àquela altura, a música dos filmes de ficção científica inspirava-se no modernismo, com sons eletrónicos que se assemelhassem a mundos futuristas, tecnologicamente avançados. Por exemplo, no filme de 1965, Forbiden Planet (Fred M. Wilcox) a música é substituída por tonalidades electrónicas. Kubrick, para 2001: A Space Odissey optou por combinar imagens do espaço com uma compilação de música clássica já existente. Mas havia uma grande diferença entre Star Wars e os outros. Este não era “apenas” um filme de ficção científica. Tem os elementos de um filme de ficção científica, robots, naves espaciais, armas que disparam raios laser, mas também, e dando só um exemplo, tem elementos do western. Não é por acaso que um dos filmes que Lucas tem como modelo seja The Searchers (John Ford, 1956) e Star Wars assemelha-se mais aos filmes de aventuras de Michael Curtiz, com Errol Flynn como protagonista e Erich Wolfgang Korngold como compositor (grande referência de John Williams, que chegou a afirmar que Korngold trouxe a Vienna Opera House para o western). As opiniões não eram unânimes: havia quem insistisse na ideia de que um filme de ficção científica deveria ter música apropriada ao género em vez de uma banda sonora a puxar para o sentimento. O filme começa com “A long time ago in a galaxy far far away…”, como se fosse um tradicional conto de fadas, a ter lugar num passado distante e não no futuro, e quebrando todas as regras que lhe queriam impingir, 41


Williams criou uma banda sonora baseada em vários leitmotivs – na música acontecem quando o mesmo tema é tocado várias vezes na mesma partitura, associado a uma ideia ou a uma personagem – que ocupavam quase a totalidade do filme (88 dos 120 minutos, no caso do Episódio IV). Princess Leia’s theme; Luke’s Theme; The Jawa’s Theme; The Obi Wan Kenobi & Force motiv, entre muitos outros. Para os restantes filmes foi feito o mesmo, já com uma orquestra maior. Foram acrescentados novos leitmotivs para novas personagens e momentos dos filmes, como Yoda’s theme ; Han Solo & princess Leia ou Boba Fet motiv, no caso do Episódio V e The Emperor's Theme ou The Ewok's Theme, no caso do Episódio VI. Para a segunda trilogia (1999-2005) foram adicionados poucos leitmotivs por episódio. Se a primeira trilogia (1977-1983) era uma jornada da tirania para a liberdade, a segunda é o contrário, pois George Lucas mostra-nos os eventos que causaram essa tirania. Por isso a música da primeira trilogia é mais alegre e optimista enquanto a segunda trilogia vai-se tornando mais sombria à medida que os eventos vão decorrendo e o Lado Negro vai ganhando poder. O sucesso desta épica Ópera Espacial é o que todos sabemos, e a banda sonora não lhe fica atrás, tornando-se numa das mais bem-sucedidas da história do cinema, com 1 Oscar pelo Episódio IV e duas nomeações para o Episódio V e VI, ajudando John William a tornar-se num dos rostos

de Hollywood mais vezes reconhecidos pela Academia (5 Oscars em 41 nomeações). Em 2009 e 2010 foram realizados uma série de concertos em Londres, Estados Unidos e Canadá, onde a música foi interpretada pela Royal Philharmonic Concert Orchestra, conduzida pelo maestro Dirk Brossé, com imagens dos filmes a passarem em ecrã gigante por trás da orquestra.

Bibliografia consultada: AUDISSINO, Emilio. John Williams's film music: Jaws, Star Wars, Raiders of the Lost Ark, and the return of the classical Hollywood music style. Madison: The University of Wisconsin Press, 2014. p. 69-85. Sites consultados: Star Wars. . Disponível em: http://www.imdb.com/. Acesso em: 2/12/2015

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Algumas curiosidades sobre a música de Star Wars: 1. A música da parada no final de Phantom Menace é, na verdade, o tema do Imperador Palpatine disfarçado com tonalidades mais alegres. Quando os Naboo e os Gugan se junta para celebrar a vitória sobre a Federação do Comércio a música que se ouve é a que viria a ser mais tarde do Imperador Palpatine. Estávamos no fim do Episódio I, ainda não se sabia o que aí vinha mas John Williams deixou-nos uma dica. 2. A música que se ouve quando a Millennium Falcon se aproxima da Cidade das Nuvens é um aviso. Han Solo procura abrigo junto do seu amigo Lando Calrissian mas as tropas imperiais já lá estavam e eles acabam por ser capturados e Han Solo congelado em carbonite e entregue a Jabba the Hut. À medida que a Millenium Falcon se aproxima vamos ouvindo algo que parece um canto de sereia. Na mitologia grega as sereias atraiam os marinheiros com as suas canções e os barcos acabavam por naufragar.

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STAR WARS: EPISODE IV A NEW HOPE

Título nacional: Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança Realização: George Lucas Elenco: Mark Hamill, Carrie Fisher, Harrison Ford

1977 HÉLDER ALMEIDA

“Há muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante...” É assim que começa este Star Wars: Uma Nova Esperança, o quarto episódio da saga criada por George Lucas mas o primeiro a ser escrito e levado ao cinema. Quando o maléfico Darth Vader, o símbolo principal do Império, avança com os planos para destruir a força rebelde, a esperança reside no jovem Luke Skywalker, um rapaz sonhador que, depois da tragédia bater-lhe à porta, segue o seu sonho de se juntar à força rebelde. No entanto, após encontrar Obi Wan Kenobi, um velho eremita há muito escondido, Luke começa a desenvolver as suas capacidades, numa luta contra o Império que mudará a sua vida. Escrito e realizado por George Lucas, Star Wars é uma saga espacial que mistura influências de mitologia grega, ciência e religião, numa clara e sincera homenagem aos serials que eram tão populares nas décadas de 30 e 40. Tudo isto resulta numa Ópera Espacial, uma espécie de telenovela inter-galáctica que consegue ser pelo meio uma hábil e espirituosa aventura de fantasia. Para os protagonistas, Lucas recorre a três desconhecidos: Mark Hamill como Luke, Carrie Fisher como a rebelde Princesa Leia, e Harrison Ford como o mercenário Han Solo. Apesar de desconhecidos para a altura, o realizador tem aqui as escolhas perfeitas para as suas personagens. Cada um dos três actores consegue dar vida às futuras personagens icónicas e cedo se percebe que Ford, aqui em início de carreira, seria uma futura estrela. No entanto, nem todos são desconhecidos... O lendário Peter Cushing, uma das caras mais conhecidas dos fimes de terror da britânica Hammer, é um dos vilões de serviço. Como Obi Wan Kenobi, encontramos outro senhor da representação: Sir Alec Guiness, actor oscarizado que, mesmo descontente com o resultado final, dá a vida a Kenobi como mais ninguém o faria. Apesar do pequeno orçamento e dos vários problemas de produção, outro dos grandes trunfos da obra de Lucas são os efeitos especiais.

Estavamos em 1976, não havia, como é óbvio, a possibilidade de recorrer ao CGI para os efeitos mais complicados. Lucas recorre então a efeitos práticos, tudo de forma hábil, tornando-se numa das grandes referências para produções do género. Aliás, o aspecto sujo e realista de Star Wars tornou-se num dos aspectos mais amados por parte dos fãs. Star Wars estreia em 1977 em poucas salas de cinema americanas. Quase nenhum exibidor queria passar o filme, acreditando que se trataria de algo de pobre qualidade e dirigido a um público específico e pequeno. No entanto, com uma passagem pela Comic Con de San Diego, na altura dedicada apenas a comics, e com várias notícias pela imprensa, uma grande parte do público ganhou interesse em ver o novo trabalho de Lucas. Numa altura em que o género de ficção científica estava moribundo nas bilheteiras (o filme mais rentável do género nos últimos anos tinha sido o clássico de Stanley Kubrick 2001: Odisseia no Espaço), era fácil não ter fé na aventura de Lucas. No entanto, no dia de estreia, filas amontoam-se para comprar bilhete e o êxito torna-se esmagador, acabando por ser o filme mais popular de todos os tempos para a época. Do dia para a noite, Hamill, Fisher e Ford tornaram-se estrelas e todas as dificuldades que Lucas tinha encontrado e enfrentado durante a produção do seu filme de sonho tinham valido a pena. Surgindo quase do nada, Star Wars: Uma Nova Esperança é uma aventura espacial que resulta a todos os níveis e que acabaria por mudar a indústria de Hollywood para sempre, ajudando a criar os blockbusters modernos e o modelo de marketing que ajudam a vender tais obras. Pelo meio, George Lucas dá origem a um filme intemporal, de passaria de geração para geração e que, tanto na altura como hoje, tem forte presença na cultura popular. Um verdadeiro clássico do cinema!

“(...) uma aventura espacial que resulta a todos os níveis (...)” 49


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STAR WARS: EPISODE V THE EMPIRE STRIKES BACK

Título nacional: O Império Contra-Ataca Realização: Irvin Kershner Elenco: Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher

1980 CÁTIA ALEXANDRE

A maior parte das pessoas concorda que Star Wars: Episode V – The Empire Strikes Back é o melhor filme de toda a saga Star Wars, portanto seria um pouco difícil não admitir que é também o meu favorito. Realizado por Irvin Kershner este é de todos os seis, não só o mais aclamado pela crítica, mas também o mais querido por todos os fãs, sendo considerado o mais mítico, extravagante, intenso e historicamente significativo ou não fosse uma das mais bem sucedidas sequelas de todos os tempos na história do cinema, coisa que poucas conseguiram alcançar. Três anos depois dos eventos passados em Star Wars: Episode IV – A New Hope, a Aliança Rebelde continua a fugir do Império Galáctico que envia sondas em busca da rebelião. Com uma base agora estabelecida no Planeta Gelado de Hoth, Luke Skywalker descobre uma das sondas enviadas por Darth Vader, que continua empenhado na sua captura. Quando Luke é inesperadamente atacado e fica preso numa caverna, este utiliza a Força para erguer energias e se libertar. Ferido e cansado, tem uma visão de Obi-Wan Kenobi e pede-lhe que o ajude a chegar até ao Mestre Yoda, na procura de orientação e preparação para os tempos negros que se avizinham… Aqui os icónicos personagens de Mark Hamill, Harrison Ford e Carrie Fisher são desenvolvidos de forma muito mais profunda que no primeiro filme, algo que os torna mais fortes, credíveis e emocionais. Mas não é por isso que as cenas de acção são diminuídas, enquadrando os melhores visuais (tendo contribuído imenso para o avanço da tecnologia no cinema), as mais fantásticas criaturas, e as melhores e mais emocionantes cenas de acção de toda a saga, com um enredo mais sombrio, coerente e empolgante, contendo algumas das mais emblemáticas quotes da trilogia original, munido de um bom equilíbrio, representando o lado mais vulnerável do mal, mais propriamente de Darth Vader. Pela primeira vez conhecemos Yoda, e rapidamente se

percebia que estávamos perante uma das personagens mais brilhantes e marcantes de sempre, dotado de sabedoria e inteligência, figura tão pequena e gentil, mas ao mesmo tempo tão grande e poderosa. Aqui vemos nascer uma das mais aventureiras histórias de amor do cinema – a de Han Solo e da Princesa Leia – e sentimos o lado negro da força bem vincado. Recheado de grandes momentos, possuí uma atmosfera mais tenebrosa, onde uma maior intensidade nas suas convicções é explorada. O bem e o mal, caminham lado a lado, existindo sempre importantes mensagens a retirar pelas entrelinhas, presentes em atitudes e relacionamentos não só neste episódio, mas também em todos os outros filmes. Muita da magia de Star Wars se deve ao enorme sucesso deste segundo filme, pela forma sofisticada como se apresentou que ainda nos dias de hoje é capaz de impressionar qualquer um. Uma história de traição mas também de coragem, amor e esperança que toca a todos de forma consistente. Uma galáxia muito, muito distante, mas que se tornou bastante próxima de todos nós. Um memorável clássico intemporal, com muita personalidade, que combina na perfeição relevantes mensagens e amplo entretenimento e que por mais tempo que passe, permanece sempre vibrante e divertido. Um óptimo pedaço da história do cinema de ficção-cientifica que ainda continuará a dar que falar durante muitos anos, felizmente com novas surpresas por vir! É incrível como já passaram mais de trinta desde a sua criação e ainda continuamos aqui a falar da sua importância.

“(...) mítico, extravagante, intenso e historicamente significativo (...)” 51


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STAR WARS: EPISODE VI RETURN OF THE JEDI

Título nacional: O Regresso de Jedi Realização: Richard Marquand Elenco: Mark Hamill, Carrie Fisher, Harrison Ford

1983 FILIPE LOPES

Há 32 anos atrás, estreava aquela que durante muito tempo se pensava ser a última parte de uma trilogia. Como em quase todas as trilogias, a terceira parte costuma ser a menos conseguida e há quem considere, como eu, que esta não é uma obra-prima como as duas partes anteriores. Não faltará muito, mas, de facto, não é! A verdade, no entanto, é que uma tal discussão nos dias de hoje praticamente não tem sentido, uma vez que os filmes feitos posteriormente (sobretudo A Ameaça Fantasma e O Ataque Dos Clones) baixam significativamente a bitola no que concerne à qualidade da série. De qualquer modo, O Regresso De Jedi é um excelente filme, que nos conduz uma vez mais pelos meandros da mitologia inventada por George Lucas e companhia. Li algures que “depois de Star Wars: Uma Nova Esperança ter redefinido a ficção científica e O Império Contra Ataca ter redefinido Star Wars, era difícil acreditar que O Regresso De Jedi conseguisse ser praticamente tão bom como os outros dois, mas este faz realmente um bom trabalho”. Não podia estar mais de acordo. Desta vez as Forças Imperiais estão a criar uma nova Estrela da Morte (a primeira foi destruída pelos rebeldes no filme Guerra Das Estrelas – Uma Nova Esperança, de 1977) e os nossos heróis Luke Skywalker, Han Solo (recentemente libertado do Palácio de Jabba, The Hutt e da sua condição de homem-estátua-de-carbono), o seu leal amigo Chewbacca, a Princesa Leia e os dois maravilhosos robots C-3PO e R2-D2 irão tentar destruí-la. Pelo caminho, Luke, que entretanto havia descoberto que Darth Vader era seu pai, tenta trazê-lo de volta ao lado bom da Força, ao mesmo tempo que o tirano Imperador Palpatine visa atrair Luke para o seu lado negro, naquela que é como que uma súmula da eterna guerra entre o bem e o mal. O que se pode dizer desta (suposta) primeira trilogia é que tem todos os ingredientes para que gerações inteiras a adorem, como se comprova na corrida aos primeiros bilhetes do próximo episódio (exactamente o que cronologicamente se situa a seguir a este). Não deixa de ser extraordinário que, embora

as técnicas de efeitos especiais tenham evoluído numa progressão geométrica, os três episódios mais antigos sejam bem melhores do que os mais recentes. Ao fim e ao cabo, as pessoas preferem acreditar na história, nas outras pessoas, nos sentimentos e na pureza das coisas, do que na tecnologia. E mesmo que as explosões, ou o voo das naves, ou até os tiros não sejam particularmente bem feitos, têm sempre o carisma de um Han Solo, ou de uma princesa Leia, a coragem de um Luke Skywalker, ou até a pérfida malvadez com direito a arrependimento final de um Darth Vader, para se agarrarem. É aqui que se situa a grande mais-valia de Guerra Das Estrelas. Na extrema humanidade de todas as suas personagens. Umas em que até pontificam as facetas mais vis do Ser Humano, mas tendo outras, em contraponto, que agem segundo os códigos de honra mais admiráveis e levantam bem alto as mais prestigiadas bandeiras de que o lado da bom da Humanidade se orgulha. São vilões e heróis bem definidos, em filmes repletos de acção e diálogos com tiradas que se colam às conversas do dia a dia. É aventura no seu estado puro, que cruza a construção de novos mundos com a presença de valores ancestrais. No fundo, todo o universo Star Wars é como que um western espacial que mistura o medieval com a tecnologia de ponta numa aventura épica que praticamente não conhece limite. O que nos aguarda na continuação disto? Poucos o sabem, mas que a Força esteja connosco!

“(...) extrema humanidade de todas as suas personagens.” 53


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STAR WARS: EPISODE I THE PHANTOM MENACE

Título nacional: Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma Realização: George Lucas Elenco: Ewan McGregor, Liam Neeson, Natalie Portman

1999 DIANA MARTINS

Recebido com tanto entusiasmo como nervosismo, A Ameaça Fantasma foi lançado dezasseis anos após o episódio VI: O Regresso do Jedi, de 1983. Marcando o início da nova trilogia da saga interplanetária criada por George Lucas, A Ameaça Fantasma conta-nos o início de tudo. A Ameaça Fantasma decorre assim quase 40 anos previamente aos eventos da primeira trilogia, contando-nos a saga de dois cavaleiros Jedi Qui-Gon Jin (Liam Neeson) e o seu aprendiz Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) que têm como missão negociar a paz com a Federação do Comércio, dirigida por Nute Gunray. Este tem como ordem mandatária a de atacar o pacífico mundo Naboo e a de forçar a Rainha Amidala (Natalie Portman) a assinar um tratado político. No enredo, e em viagem ao longínquo planeta de Tatooine, conhecem um jovem escravo de apenas 9 anos, Anakin Skywalker (Jake Lloyd), que parece ter uma presença da força em si, dita, extraordinária. Após uma ajuda do jovem que permitiu a salvação da rainha, Qui-Gon decide levá-lo para conhecer os líderes Jedi, num desejo de o treinar, já que antevê um brilhante futuro em Anakin. Apesar do conselho não aprovar a ideia por sentir latente um lado de medo e negativo da força, Qui-Gon promete treiná-lo informalmente. Desvirtuando um pouco o conceito paradigmático "há muito, muito tempo", que surgia no genérico dos ecrãs de cinema, para contar a história “numa galáxia muito, muito distante", A Ameaça Fantasma parece ter alguns problemas não só de forma mas também de conteúdo, aos quais acresce uma expectativa criada desmedida. Começando pela forma, a verdade é que parece haver alguma perda de efeito wow de Lucas, talvez acompanhado por uma falta de paixão e/ou desenquadramento face aos fãs da saga. Depois do lançamento da primeira trilogia em 1977, que o tornou milionário, e que representou uma disrupção não só no mundo do cinema mas também na carreira do realizador (abandonando um pouco o universo de ficção científica de THX 1138, de 1971 ou os problemas dos jovens americanos em American

Graffiti, de 1973), Lucas aprimorou-se na arte dos efeitos digitais. A Ameaça Fantasma sofre assim de um excesso de “tecnologia”, perdendose um pouco o universo fantástico, natural e orgânico que tão bem foram criados na trilogia anterior, com os cerca de dois mil planos com efeitos digitais (cerca de 95% do filme). Na verdade, os fãs querem personagens reais, com profundidade interior e com quem se possam identificar, e não apenas planos digitais colados ou interpretações em planos vazios com personagens a movimentarem-se. Também personagens como o gungan Jar Jar Binks que, apesar de introduzir uma vertente cómica, acabam por introduzir um caráter excessivamente infantil não foram bem vistas no contexto do filme. Acresce ainda a narrativa que, numa tentativa de manter uma agenda de temas políticos fortes, há uma desagregação com o universo do filme, havendo uma clara falta de nexo no enredo. Contudo, nem tudo é mau na saga, já que o core da história se mantem, na luta orgânica e natural entre o Bem e o Mal, com todas as analogias com a vida pessoal de George Lucas – a sua luta contra o pai (o lado mau da Força). Existe ainda sempre algo de emocionante nas batalhas dos Jedi com os seus sabres de luz ou as viagens espaciais que introduzem um efeito de velocidade. Destaque ainda Natalie Portman envergando o guarda-roupa de Jean Paul Gaultier, tornando-a uma personagem distinta neste universo tão fantástico quão digital. No fim, não se deixa de ter uma sensação de falta de sentimento e de paixão, mas sempre seguido de uma sensação de alívio já que “ a saga continua”.

“(...) A Ameaça Fantasma conta-nos o início de tudo." 55


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STAR WARS: EPISODE II ATTACK OF THE CLONES

Título nacional: Star Wars: Episódio II - O Ataque dos Clones Realização: George Lucas Elenco: Hayden Christensen, Natalie Portman, Ewan McGregor

2002 PEDRO SOARES

Depois do capítulo anterior ter deixado um certo travo a desilusão na boca dos fãs mais fiéis, George Lucas voltava a deparar-se com uma tarefa hercúlea nas mãos: a de dar rumo ao que a prequela tinha iniciado. No entanto, vendo de fora o conjunto todo, não é verdade que o filme anterior seja um fiasco. Mesmo sem ter trazido propriamente nada de novo à saga. The Phantom Menace fez o ponto da situação política durante a República e apresentou as novas personagens, que fazem parte desta trilogia. Do segundo para o primeiro episódio, a evolução é proporcional à evolução de A New Hope para The Empire Strikes Back. E o registo é completamente diferente. Se The Phantom Menace era um filme bem-disposto acerca do lado bom da Força, à semelhança do seu protagonista, o petiz Anakin Skywalker, Attack Of The Clones é um filme escuro, de transição, à semelhança do agora adolescente Anakin Skywalker. Porque, como sabemos, esta trilogia é sobre Anakin Skywalker enquanto Darth Vader. E tudo conflui para aí. Assim, entre este e o primeiro filme datam dez anos. A situação política da galáxia está cada vez pior; o poder da República enfraqueceu e, liderados pelo jedi renegado Conde Dooku (Christopher Lee), um grupo de Separatistas veio trazer o pânico e o perigo. Os guerreiros jedis têm cada vez mais dificuldade em manter a paz e a solução pode passar por um exército de clones para defender a República. Anakin Skywalker (Hayden Christensen) é destacado para proteger a agora senadora Amidala (Natalie Portman) e o reencontro vai despoletar sentimentos que um jedi não é suposto alimentar. Enquanto isso, Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) vai ter de se ver a contas com um caçador de prémios chamado Jango Fett (Temuera Morrison). Agora, já com os personagens apresentados, Lucas pôde dar-lhes consistência. Entendemos o que realmente se passava entre Anakin e Amidala e assistimos às suas deambulações entre a ténue fronteira que

separa a Força do seu lado negro. E assistimos a algumas ocorrências decisivas na sua queda para o dark side. Quanto aqueles que se regozijaram com o facto de o petiz Jake Lloyd (que fazia de jovem Anakin no filme anterior) já não participar neste capítulo, podemos dizer que festejaram cedo demais, pois a emenda foi pior que o soneto. É que Hayden Christensen é igualmente sofrível, com apenas duas expressões faciais: a de enjoado e a de muito enjoado. Felizmente, assistimos ao desaparecimento do odiável Jar-Jar Binks; em Attack Of The Clones, o comic relief volta a estar a cargo de C-3PO e R2-D2, os nostálgicos companheiros robóticos. Attack Of The Clones é um filme mais negro, mas ao mesmo tempo mais espectacular. E se em The Phantom Menace já Lucas exagerava nos efeitos especiais, aqui abusa completamente deles, com uma escala gigantesca, que conferem um epíteto de espectacularidade ao filme. Desta vez há planos inteiramente digitais e cem por cento gratuitos, onde até o próprio Yoda é, pela primeira vez, criado em CGI. Depois há o costume em Lucas: alguns planos desastrados e os normais diálogos minimalistas, que tornam o filme demasiado plano em determinados momentos dramaticamente decisivos. Attack Of The Clones perde ainda para o seu antecessor pela ausência de momentos memoráveis: se no primeiro havia uma corrida que remetia para a de quadrigas no Ben-Hur, aqui há um duelo reminiscente de Gladiator e The Incredible Shrinking Man, mas que sai a perder. E se no primeiro havia um confronto épico entre os jedis e o sith, Darth Maul, aqui há um confronto com mais de curioso do que de grandioso. Tudo isto faz com que este segundo episódio, em comparação ao último, seja mais fraquinho. Tem aquele toque especial que todos os filmes da saga têm, mas dentro do campeonato em que joga é menos bom. Até porque, apesar de ser um filme mais negro, não é completamente escuro, algo que estava reservado para o derradeiro capítulo. Mas já lá vamos. “(...) é um filme mais negro, mas ao mesmo tempo mais espectacular.” 57


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STAR WARS: EPISODE III REVENGE OF THE SITH

Título nacional: Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith Realização: George Lucas Elenco: Hayden Christensen, Natalie Portman, Ewan McGregor

2005 FILIPE LOPES

Da mesma forma que O Regresso de Jedi é, embora muito bom, o filme menos conseguido da trilogia original, este Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith, é o melhor da segunda trilogia. E é o melhor por várias e objectivas razões. Desde logo, porque se trata de um casamento quase perfeito entre a história ou as histórias das prequelas, com o que acontece a partir do primeiro filme feito em 1977 (Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança). Isso deve-se, por um lado, à contenção da ânsia de George Lucas na utilização desenfreada de efeitos visuais que tinha caracterizado os dois episódios anteriores, de modo a que a passagem de testemunho entre um filme feito em 2005 e outro realizado quase trinta anos antes não fosse tão abrupta. Recordo, por exemplo, que as naves deixam de estar limpinhas e apresentam já resíduos de ferrugem, um dos muitos exemplos que poderia utilizar aqui. Por outro lado, a vertente humana volta a estar muito vincada, além de, claro, acontecerem coisas extremamente importantes, como a transformação do Cavaleiro Jedi Anakin Skywalker (Hayden Christensen) no malévolo Lorde Sith Darth Vader, caindo finalmente para o lado negro da Força, ou o anúncio de que a sua mulher Padmé Amidala (Natalie Portman) está grávida do que virão a ser os gémeos Luke e Leia, dois dos protagonistas dos três filmes originais. Curiosamente, estes dois acontecimentos estão relacionados, já que Obi-Wan tinha sonhos recorrentes em que a sua mulher grávida morria (tal como acontecera antes da morte da sua mãe) e estava convencido de que apenas o Chanceler Palpatine (Ian McDiarmid) tinha capacidade para a salvar, uma vez que ele dizia possuir um poder para evitar a morte. Ao abrir o coração a Palpatine, acabou igualmente por se deixar levar pelo lado negro da Força. Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith é um filme verdadeiramente dentro do espírito Star Wars, com a capacidade de nos fazer sentir “a Força” como nenhum outro dos mais recentes (aguardamos ansiosamente a estreia do Episódio VII) porque está mais próximo de nós do que qualquer um dos outros dois,

que são mais frios na sua relação com espectador. Essa capacidade de nos fazer sentir está patente, por exemplo, no momento em que Yoda (Frank Oz) e Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) vêm horrorizados os corpos dos jovens Jedi mortos no Templo às mãos de Darth Vader ou quando Padmé morre, logo após dar à luz os gémeos Luke e Leia. E é óbvio que esta trilogia de prequelas não poderia ficar completa sem uma correspondentemente épica luta de sabres de luz. Essa será entre Darth Vader e Obi-Wan Kenobi, um duelo monumental que decorre ao mesmo tempo de um outro, entre os membros mais proeminentes dos dois lados da “Força”: Yoda e o agora já Imperador Palpatine que transformara e reorganizara a República num Império Galáctico do qual passou a ser o chefe máximo. Mas neste caso o lado negro vence, quando o Imperador leva “a Força” para um ponto em que Yoda se vê obrigado a recuar e este decide que o seu fracasso o obriga a ir para o exílio. No outro duelo, no entanto, os outrora amigos e agora inimigos figadais Obi-Wan e Darth Vader continuam o seu combate sem tréguas até que Obi-Wan ganha vantagem e corta as duas pernas e um braço de Vader, deixando-o às portas da morte e partindo levando consigo uma Padmé ainda viva e grávida, mas ferida. O Imperador regressa logo depois e salva Vader da morte, reconstruindo o seu corpo com próteses cibernéticas e implantes. É colocado dentro de um fato com armadura preta, selado por uma máscara negra que o ajuda a respirar. Desta forma nasce, de corpo, alma e armadura, um dos mais assustadores vilões da história do Cinema. Mesmo que não tivesse mais méritos, Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith teria sem dúvida este.

“(...) nasce, de corpo, alma e armadura, um dos mais assustadores vilões da história do Cinema (...)” 59


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Infografia criada pelo Pop Chart Lab (utilizando desenhos e fotos disponíveis na Shutterstock) explicando as ligações prováveis e improváveis da influência Star Wars no mundo do cinema.

A INFLUÊNCIA DE STAR WARS NA CULTURA POP JOÃO BIZARRO

Certamente que ao entrarem por estes dias numa grande superfície comercial, darão conta de uma panóplia de material alusivo a este grande acontecimento que é Star Wars. Não só porque estamos em época natalícia mas principalmente porque está por dias a estreia de mais um episódio desta grandiosa saga.

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Star Wars é muito mais do que um filme, é muito mais que uma série de filmes e terá sido a saga do cinema que mais influenciou a Pop Culture nas últimas décadas. Dos filmes resultaram novelas, comic books, séries de TV, jogos, brinquedos, LEGO, action figures, fatos, exposições pelo mundo fora, parques temáticos, uso de frases da saga (“May the Force be with you”, por exemplo) e toda uma série de coisas, mesmo as mais inimagináveis. Mas não foi só o merchandising que Star Wars influenciou. Muitos filmes e séries “copiaram” ideias ou partes da saga criada por George Lucas. Filmes como Battle Beyond the Stars (1980), Guardians of the Galaxy (2014) ou mesmo a saga Pirates of the Caribbean; séries como Battlestar Galactica ou as paródias em filmes – Spaceballs (1987) - e episódios de Family Guy, Sesame Street, The Muppet Show, Muppet Babies, Friends e South Park. Outros realizadores, fãs da saga, usaram referências à mesma nos seus filmes - Kevin Smith em Clerks (1994) e Zack and Miri Make a Porno (2008) ou citaram-na como grande influência para a sua vontade de fazer cinema - Christopher Nolan disse que Star Wars o influenciou desde a infância e foi grande referência na realização de Interstellar (2014). Na música, artistas ou bandas como Beastie Boys, Good Charlotte, the 64


Estes são apenas alguns exemplos da influência que Star Wars trouxe ao mundo, desde a sua estreia em 1977. Continua nos dias de hoje e mesmo que não houvesse a realização de mais uma série de filmes, iria continuar a influenciar.

Wu Tang Clan, Kanye West, Blink-182, Justin Bieber, Barenaked Ladies and Sarah Brightman. fizeram alusões a Star Wars nas suas canções. Há várias criações artísticas alusivas a Star Wars, desde posters criados por fãs a artistas de rua, como Bansky.

So may the force be with us…

No desporto, a Major League Baseball, nos Estados Unidos, costuma fazer referências a Star Wars para promover alguns jogos (https://youtu. be/4BIqPpd5Gco), e a equipa New York Yankees é conhecida como “Evil Empire” e passa a Marcha Imperial durante os seus jogos em casa. Em 1983, Ronald Reagan, então presidente dos Estados Unidos, anunciou um novo sistema defensivo de mísseis chamado Star Wars e durante a sua apresentação (https://youtu.be/4hGLBA65tZg) usou o termo “Evil Empire” para classificar a União Soviética, numa altura em que ainda se vivia a Guerra-Fria. No Reino Unido e na Austrália, alguns membros de seitas religiosas autodenominam-se Jedi. Last but not least, os fãs de Star Wars decretaram o dia 4 de Maio como Dia Star Wars. E a frase que promove esse dia é “May the 4th Be With You”

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A FORÇA DESPERTA HÉLDER ALMEIDA

Estávamos em 2012, mais precisamente no dia 30 de Outubro. Este seria um dia aparentemente calmo no que diz respeito a notícias relacionadas com a indústria cinematográfica. No entanto, a revelação que estava prestes a surgir iria ser inesperada para todos. A Disney anuncia a compra da Lucasfilms, empresa criada por George Lucas em 1971, por quatro biliões de Dólares. No mesmo anúncio, é ainda revelado que irá ser criada uma nova trilogia para a saga Star Wars, a saga saída da mente de Lucas e que mudou para sempre a indústria de Hollywood.


Tendo em conta que Lucas, com a venda da sua empresa, abdica assim do poder criativo que poderia exercer sobre estas novas obras, os fãs espalhados pelo mundo fora respiram de alívio, depois da desilusão que foi a trilogia mais recente, que serviu de prequela aos filmes originais. O mundo entra assim em euforia com a prometida existência de mais filmes da saga, uma das mais populares e rentáveis de sempre. No entanto, com este anúncio, começam a surgir outras questões pertinentes: quem seria o realizador do novo filme?; Qual seria a história?; Sendo qie se trata de uma sequela da trilogia inicial, estaria o elenco de volta? Estará Lucas mesmo de fora desta nova trilogia?; Será apenas mais uma desilusão? Estamos agora em 2015, a um pouco menos de um mês [nota do editor: à data da escrita deste artigo] da estreia de Star Wars: O Despertar da Força, com chegada marcada para Dezembro. Como será de esperar, quase todas as dúvidas dos milhões de fãs já foram respondidas. Durante estes três anos, o mundo conhece, quase a nível diário, notícias sobre o novo filme. Começemos pela intensa busca pelo realizador... Depois de vários nomes pretendidos para o grande regresso da saga, onde se incluem Matthew Vaughn (Kick-Ass; Kingsman; X-Men: A Origem), David Fincher (Sete Pecados Mortais; Fight Club); Guillermo De Toro (Hellboy; O Labirinto do Fauno) e Brad Bird (Os Incríveis). Depois de todos estes grandes nomes estarem a ser considerados para se sentarem na cadeira de realizador, quem ganha o muito estimado (e temido) papel é J. J.

Abrams. Abrams é um realizador e produtor com uma grande base de fãs por todo o lado, depois de criar a série Alias – A Vingadora e de ser uma das mentes por detrás de um dos grandes fenómenos televisivos da década passada: Lost – Perdidos. Abrams conseguiu ainda dar o salto para o grande ecrã com Missão: Impossível III e a homenagem a Steven Spielberg que foi Super 8. No entanto, é mais conhecido no cinema por ter reinventado uma das sagas de ficção científica mais populares de sempre: Star Trek, considerada por muitos a grande rival de Star Wars. Criando uma espécie de sequela/prequela/reboot de Star Trek, Abrams revitalizou uma saga que muitos consideravam estar moribunda, atraindo um novo público às novas aventuras dos agora renovados Capitão Kirk, Spock e a sua tripulação. Ambos os filmes de Star Trek são êxitos de crítica e de bilheteira, tornando Abrams numa forte possibilidade de ser o nome certo para o regresso de Star Wars. E assim, o realizador de 49 anos, considerado um dos grandes geeks de Hollywood, torna-se no primeiro a comandar filmes de ambas as sagas rivais. Outro aspecto importante é o elenco. Tão perto da estreia, pouco se sabe acerca da história de O Despertar da Força, a não ser que a acção decorre trinta anos após os acontecimentos de O Regresso de Jedi, o capítulo final da primeira trilogia. Sabe-se também que a narrativa está fortemente ligada aos primeiros três filmes, apesar de não nos ser revelado como. Portanto, seria crucial trazer alguns dos elementos 68


principais de regresso, e Abrams certificou-se disso mesmo! Alguns dos primeiros nomes revelados para o elenco são exactamente os de Harrison Ford (Han Solo), Mark Hamill (Luke Skywalker) e Carrie Fisher (Leia), os icónicos protagonistas dos primeiros filmes. Para além destes grandes regressos, confirmam-se também os nomes de Anthony Daniels, Kenny Baker (C3PO e R2-D2, respectivamente) e Peter Mayhew (Chewbacca). Novos nomes são adicionados ao elenco para darem vida a novas personagens: Daisy Ridley, John Boyega (os novos protagonistas), Oscar Isaac, Domhnall Gleeson, Lupita Nyong’o, Adam Driver, Andy Serkis e o lendário Max Von Sydow. No entanto, um outro regresso seria ainda anunciado: o do argumentista Lawrence Kasdan, que co-escreveu O Império Contra-Ataca e O Regresso de Jedi, as duas sequelas da trilogia inicial. Nomeado para Óscar por outros trabalhos, Kasdan oferece mais uma luz de esperança neste projecto. Mas mais um regresso seria ainda anunciado: o também lendário compositor John Williams, criador da famosa banda-sonora de Star Wars, ajudando assim a manter tudo dentro do mesmo universo. No final de Abril de 2014, umas semanas depois do início secreto das filmagens, o mundo conhece a primeira foto de Abrams com grande parte do elenco, na primeira leitura de argumento realizada. Na fotografia encontramos o novo elenco juntamente com Ford, Fisher e Hamill. Se os fãs ainda estavam incertos sobre o novo capítulo ser verdade, este

momento serve como mais uma prova. Mesmo com Ford a partir o pé durante as filmagens, tudo parece correr bem na produção de O Despertar da Força. Determinado a manter o aspecto realista e sujo da trilogia original, Abrams decide recorrer ao maior número possível de efeitos praticos, querendo deixar de lado o tão odiado aspecto artificial das prequelas, onde Lucas usou e abusou do CGI. Tal decisão ganha o apoio dos fãs, que odeiam esse aspecto tanto quanto odeiam o muito mal amado Jar Jar Binks. Com produção completa e estando agora na complicada e extensa fase de pós-produção, está na altura de revelar ao mundo as primeiras imagens. Surge assim o primeiro trailer, a Novembro de 2014. Quase sem diálogos, o teaser de minuto e meio é o suficiente para aumentar a já astronómica expectativa à volta do projecto. Sem revelar nada acerca da trama, os fãs ficam bastante animados com as imagens que vêem. Mesmo com alguns momentos que deram origem a algumas piadas pela internet fora e com algumas críticas sobre o facto de Boyega usar um fato Storm Trooper, a resposta por parte dos milhões de fãs é unânime: poderemos estar perante o regresso em grande ao universo que Lucas criou! Em Abril de 2015, na Celebração de Star Wars que ocorre anualmente em Anaheim, na Califórnia, surge o segundo trailer. O uso da melodia inconfundível de Williams, aliado ao muito conhecido diálogo de Luke sobre a Força, que serve aqui de narração, juntamente com algumas 69


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imagens que apresentam grandes referências aos acontecimentos dos primeiros filmes, são o suficiente para despertar (ainda mais) a nostálgia dentro de cada fã adulto. Tudo culmina com a primeira aparição de Han Solo e Chewbacca a sairem da conhecida nave Millennium Falcon, num pequeno video de dois minutos que põe a internet em euforia e aumentando ainda mais a ansiedade pela chegada do novo capítulo. O trailer consegue mais de 30 milhões de visualizações apenas nas primeiras 24 horas, acumulando um total de mais de 88 milhões de visualizações, um recorde. Com a internet a fervilhar com Star Wars e com rumores e teorias a surgirem quase todos os dias, o mundo aguarda agora a presença de Abrams e companhia no Comic Con de San Diego. Com um painel esgotado, o realizador faz-se acompanhar de grande parte do elenco, incluindo um recuperado Ford e Mark Hamill. Apesar de não apresentarem um novo trailer, os fãs têm acesso exclusivo a um pequeno video dos bastidores da produção, tudo com um toque algo nostálgico, o sufuciente para deixar qualquer fã a salivar. No entanto, a chegada de um novo trailer estaria eminente... Cada vez mais próximos da estreia, o mundo vai conhecendo mais sobre o filme, apesar da sua trama ser mantida em grande secretismo, algo habitual nas obras de Abrams. Com a chegada do último trailer, que desperta, uma vez mais, a atenção do mundo e bate mais recordes de

visualizações, chega também a pré-venda de bilhetes em todo o mundo, Mais recordes são quebrados, sites de vendas de bilhetes vão abaixo com a imensa procura e salas de cinema um pouco por todo o mundo começam a esgotar as primeiras sessões. Entra-se assim naquele que poderá ser o início da fase final da nova euforia Star Wars que está prestes a dominar o mundo neste final de 2015, uma euforia poucas vezes vista no cinema. As teorias intensificam-se sobre as origens das personagens de Ridley e Boyega, muitos suspeitando que são filhos de algumas das personagens principais. Muitas outras teorias aparecem sobre a verdade sobre Kylo Ren, o novo vilão, obcecado com o mítico Darth Vader. Mas a verdadeira questão que se coloca é sobre o paradeiro de Luke Skywalker. Ausente de todo o material de marketing e de todos os trailers, muitos teorizam que Luke caiu no lado negro da Força, sendo ele o homem por detrás da máscara de Kylo Ren. Outros acreditam na hipótese da personagem se ter isolado completamente após os acontecimentos de O Regresso de Jedi, para não cair na tentação de sucumbir ao Lado Negro. A verdade é que, de acordo com o próprio Abrams, a ausência de Luke Skywalker de todo o material de promoção é propositada, suscitando ainda mais teorias após esta sua confissão. Tudo teorias e suspeitas que poderão ser confirmadas ou desmentidas quando o filme estrear. O dia 17 de Dezembro (ou 18, nos Estados Unidos) está quase à porta e 73


a estreia de O Despertar da Força promete bater recordes de bilheteira. Muitos analistas colocam a hipótese do seu potencial de bilheteira ser quase idêntico ao de Avatar, superando os 700 milhões de Dólares apenas no mercado americano. Mesmo que tal não aconteça, estamos perante um dos maiores fenómenos de bilheteira de sempre, talvez conseguindo superar o nível de expectativa que A Ameaça Fantasma tinha em 1999, aquele que era o filme mais aguardado de todos os tempos. Aqui os tempos são outros e a história também: as personagens bastante amadas pelos fãs estão de regresso e estamos perante uma saga ansiada por fãs adultos e por uma nova geração, bastante ligada às recentes séries de animação que conseguiram manter a saga viva dentro de um público mais jovem. Crianças aguardam para ver as novas aventuras de Luke, Solo e companhia, enquanto os pais, que cresceram a ver os filmes originais, aguardam pela hipótese de poderem finalmente levar os seus filhos ao cinema para juntos verem algo que tanto marcou as suas infâncias. Um produto geracional, portanto. Com cada novo vídeo, os medos de estarmos perante uma nova Ameaça Fantasma dissipam-se, mesmo com o fantasma de Lucas por perto, já que mantém um cargo de Consultor Criativo, apesar de não ter qualquer tipo de influência sobre a obra de Abrams. No entanto, nem todas as notícias de Star Wars se debruçam neste muito aguardado Episódio VII! Com o novo capítulo, irão chegar os dois

últimos filmes desta nova trilogia, o segundo com estreia marcada para 2017 e o terceiro para 2019. Ryan Johnson, realizador dos excelentes Brick e Looper – Reflexo Assassino, e Colin Trevorrow, de Safety Not Guaranteed e do grande blockbuster de 2015 Mundo Jurássico, são os nomes por detrás dos Espisódios VIII e IX, respectivamente, com a notícia de que Hamill e Ford estarão de regresso. Pelo meio, somos presenteados com spinoffs deste cada vez maior universo intergaláctico. Em Dezembro de 2018, precisamente um ano após a estreia de O Despertar da Força, vamos ter direito à história de Bobba Fett, o conhecido caçador de prémios que aprisiona Han Solo em O Império Contra-Ataca. Realizado por Garret Edwards (Monstros; Godzilla), encontramos no elenco nomes como Felicity Jones e Mads Mikkelsen. Para 2018, está agendado o spinoff centrado num jovem Han Solo, naquela que será a última participação do argumentista Lawrence Kasdan na saga. Os realizadores Phil Lord e Chris Miler (Agentes Secundários; Lego – O Filme) poderão ser os nomes na cadeira de realização. Com pelo menos mais 4 filmes dentro deste universo cinemático, os fãs da saga poderão sentir-se de barriga cheia durante os próximos anos. Quer se goste ou não, é praticamente inpensável negar a importância e sucesso sem precedentes do mundo imaginário de George Lucas. Apesar de momentos negativos (quase toda a trilogia que serve de prequela e mesmo o especial de Natal de 1978), Star Wars conseguiu 74


sempre manter a sua gigantesca, e muitas vezes fanática, base de fãs praticamente intacta, passando de geração para geração. Com um realizador de provas bem dadas como Abrams por detrás deste muito aguardado regresso, poderemos estar perante um sétimo capítulo bastante satisfatório, capaz de responder às mais exigentes expectativas, conseguindo mesmo superá-las! Como nunca se consegue agradar a todos, haverá sempre quem vá criticar o que aí vem. No entanto, Abrams é, acima de tudo, um fã como todos nós. Como tal, poderá fazer algo que corresponda a exactamente aquilo que os fãs querem: um grande regresso da saga, com um toque nostálgico e com fortes ligações aos filmes que todos adoram, especialmente com a presença das muito amadas personagens. Um regresso ao universo inicial de Lucas, antes das edições especiais de 1997 com os seus complementos computorizados, antes das muito mal amadas prequelas, antes dos fracos Jake Loyd e Hayden Christensen como Anakins mais novos, antes do muito mal pensado Jar Jar Binks... Enfim, poderemos estar perante um regresso ao Star Wars que tanta presença marcou nas nossas infâncias, numa tempo quase longuínquo como esta galáxia muito muito distante. E, mais do que nunca desde 1983, a Força parece estar forte com Abrams! Até dia 17 de Dezembro, Padawans!

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