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2º Edição

“Eu sou” by Cíntia


Direção e Redação: Inês Costa Monteiro Design e paginação: Francisco Gualter Fotografias: Álvaro Fr Cristiana Morais Gabriel Nazaré Márcia Simões Wide Boy


Ninguém disse que seria fácil. Disseram-nos sim, desde sempre, que é preciso ter coragem. Se em Abril de 2020 — data em que o primeiro issue da SxMag estava a ser criado — estávamos confinados a quatro paredes, hoje percebemos que aquilo por que todos ansiavam chegou: o futuro. Nunca imaginei que fosse possível, num mundo à priori tão complicadinho, conseguir ser tão eu própria. Nunca, aliás, percebi como era tão fácil sê-lo. Escrever a segunda edição da SxMag não foi fácil. Não só porque cada história é uma história mas também porque eu não sou a mesma pessoa que era quando comecei. Foram 18 entrevistas que são facilmente metáfora para 18 perspetivas diferentes. A premissa podia dar para o torto, mas há um elemento que as une a todas: a coragem para enfrentar o futuro. Um ADN transversal. Fecho esta edição com a certeza de que não podia ter feito mais, que fiz melhor e, que quem a ler, vai sentir cada palavra tal e qual como senti: com poder de mudar o que quiser que seja mudado. Sumol, obrigada por me deixares criar. A vocês, do fundo do meu coração e do de toda a equipa, espero que gostem. - Inês Costa Monteiro


Pessoas MĂşsica Moda Arte Skate Gen Z Mar Sonhar


12 20 34 42 52 60 98 106 114 124 138 144 150 156 166 174 188 202 212

Tranquylo Bruna Guedelha Anaïs Cíntia Patrícia Claro Color Block WideBoy Boni Carolina Mendes Maria Pina Luana Santos Lucie Bosquet Inês Teixeira David Brás Lourenço Katz Laura & Gabriel João Nuno Alexandra Moura Vítor Costa


Tranquylo A VIDA É DE QUEM LUTA POR ELA Yacin Lopes. Músico. Designer de Moda. Criativo. Sonhador. Mas com os pés na terra.

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Assume-se como calmo e tranquilo, às vezes. Foi assim que nasceu a alcunha. Queria um nome diferente para as redes sociais que fizesse jus àquilo que é. Apesar disso, gosta que saibam que se chama Yacin. E que o saibam dizer bem. “Não dar um passo maior do que a perna” naquilo que

vai fazer hoje, em vez de deixar para amanhã. São dois conselhos da mãe, Arlinda, que tem presentes todos os dias, no mundo que lhe pertence: o da moda e o da música. Aos 10 anos quis começar a vestir-se bem. Um curso de Técnico de Design de Moda na Casa Pia de Lisboa, um pilar criativo cimentado na marca DandyBlock e um EP quase a sair depois, Yacin não esconde o orgulho que tem naquilo que se está a conseguir tornar. Foi aos 17 anos que começou a interessar-se por música, através de um estúdio de um amigo. Rapidamente percebeu que o mundo podia ouvir a sua história, de onde veio, o que viu, o que sentiu. Como gostava de interpretar, a primeira vez que pegou no microfone foi life changing. Começou a escrever e, avisa, que o primeiro EP está quase, quase pronto. Se há ligação intrínseca à música, é a moda. Aos 14 anos, deu por si a transformar calças largas em skinny jeans. Durante a noite, para a mãe não ver, pegava na linha e n’agulha e moldava-as ao seu corpo, para no dia seguinte poder ter um novo outfit na escola. Se hoje podemos chamar “moda sustentável” ou “vintage”, na altura, fazia-o por necessidade. Não conseguia comprar os modelos que estavam nas lojas, por isso, usava os recursos que tinha disponíveis. Admite que inconscientemente acabou por se auto colocar num bom caminho, transformando-se num visionário.

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Acrescenta que faz falt dade olhar comunidad como produ um serviรงo de apenas dores.

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a ainda ta à socier para a de negra utores de o, em vez consumi-

Através de uma candidatura espontânea, conseguiu um estágio numa marca de streetwear portuguesa e, hoje, é um dos seus pilares criativos. Além de, aos 23 anos, ter uma parceria criada com o fotógrafo de moda, Frederico Teles, que lhe dá a possibilidade de explorar ainda mais o mundo do styling, outra das suas paixões. Mas Yacin não é só um futuro nome de quem vamos muito ouvir falar. É também a pessoa que vive de sonhos e ambições. Uma delas é poder abrir um frutaria, porque “é uma necessidade comum aos cidadãos”. Poder pertencer à comunidade de #blackowners é um dos seus objetivos. Embora não pareça, nem sempre foi fácil integrar-se. Durante anos a fio sentia que era diferente, na escola ou na rua. Não pode dizer que passou por momentos de bullying, porque sendo criança não tinha a noção que tem hoje, no entanto, admite que, por vezes, foi mais difícil do que fácil. Valeu-lhe a garra que tem perante a vida, de nunca se ter deixado vencer por aquilo que os outros podiam pensar ou fazer porque, na verdade, se tudo acabasse hoje, acabava com a sensação de que fez tudo ao seu alcance para ser a melhor versão de si próprio, todos os dias, em todos os projetos. Porque a vida é muito isso: uma luta constante.  

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Onde queres estar daqui a 10 anos? A trabalhar no mundo da moda em PortugalÂ

Um artista para fazer uma colab? Dino D’Santiago Um sonho? Abrir uma frutaria Um orgulho? Aquilo em que me estou a tornar Uma praia? Laginha, em Cabo Verde Sumol com? Tosta mista 18


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Se tivesse continuado a dançar podia ser a Beyoncé porque: 1- ninguém arrasa tão facilmente como ela. 2 - o cabelo nem é assim tão diferente. Atleta de alta competição, treinada por Francis Obikwelu, vencedora da edição de 2020 dos Cabelos Pantene, modelo e Lutadora, com ‘L’ grande. 21 anos na sua vida equivalem a muitos de muita gente, and you will know why. Nascida e criada na cidade do Porto, começou a dançar ballet aos 3 anos. Tornou-se atleta de alta performance, mas depois de anos a viver com aquilo que se pensava ser uma doença de crescimento, descobriu que era algo mais — o que a obrigou a parar, definitivamente. Aquilo que era, até então, o seu escape dos episódios de violência doméstica que sofria em casa, tornou-se o pior dos seus pesadelos.

O DESPORTO ESTÁ PARA BRUNA COMO SUMOL ESTÁ PARA A SEDE NUMA TARDE DE VERÃO: IMPRESCINDÍVEL.

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DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR DITAR ACREDITAR 25


Entre os 15 e os 17 anos, começou a correr contra o tempo, literalmente. Descobriu o atletismo, mesmo que o atual ex-namorado não concordasse com o top e cuecas na pista. Correr de calças não era uma opção e, ainda bem. Conseguiu sair de casa, arranjou um trabalho numa loja de desporto para garantir a sua independência e, finalmente, tudo se alinhou. Foi preciso ter ido a Macau sozinha para perceber a força que a natureza lhe tinha dado. Depois daquilo que acha ter sido uma depressão, percebeu que, nada mais era do que a “vida a pô-la à prova”. Hoje olha para trás de forma consciente e percebe que aquilo por que passou não é comparável à maioria das crianças, mas nem por isso se deixa ir abaixo, tal é a energia que tem. Vencedora do programa de televisão “Cabelos Pantene”, relembra como já foi “feia e com os dentes tortos”, mostrando que sim, era uma miúda normal. É nesta forma de pensar que percebemos o caráter forte de Bruna.

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“NINGUÉM ME PISA MAIS, JÁ FUI PISADA MUITAS VEZES” 28


Sofreu bullying porque, apesar de ser forte em casa e de adormecer a pensar em formas de defender a mãe, na escola a situação era diferente. A baixa auto-estima deixava que os outros ganhassem. Mas tudo mudou com o atletismo e com a mudança para Lisboa — para que pudesse ser treinada por Obikwelu. Numa nova cidade, percebeu que podia ser quem quisesse e, depois de ver o anúncio no Youtube para a inscrição do “Cabelos Pantene”, decidiu concorrer. Foi ao primeiro casting, não achou que tivesse corrido particularmente bem e, esqueceu o assunto. A pandemia de Covid-19 começou e, um dia recebe um telefonema da equipa de produção. Fez o programa, conheceu pessoas que vai levar para a vida e, ganhou. Perguntámos porquê. “Porque qualquer pessoa consegue”, respondeu. “Quem vê o programa não consegue perceber que ali estão miúdas normais, que começaram do 0”, acrescenta. Passou a adolescência a comparar-se com as amigas, confiando no mundo inteiro. Quando se apercebe daquilo que já tinha passado e daquilo que conseguiu atingir, o click deu-se.

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Respeito é a palavra de ordem. A menina bonita sabe defender-se. E sabe o que quer. A carreira da moda já começou, o pequeno ecrã é o próximo passo. Fazer televisão é um sonho. Demasiado fácil para esta personificação de girl power. 

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É decorar Guedelha” esta entre vale ouro mas aman priceless. 32


r “Bruna ”, porque evista hoje nhã será 33


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Mesmo sem saber, muitos de nós já se cruzaram com Anais. A modelo exótica — verdadeiramente, not a poser —, com as tatuagens mais cool e, um olhar petrificante. Só quem está com ela em set sabe o quão divertida, energética e sensível pode ser. Nasceu no Vietname, foi adotada por um casal francês e, ainda antes de saber falar já vivia em Nice. Nunca conheceu a mãe. Viu-a em fotografias, apenas. Como nasceu rapariga, o pai abandonou-a porque não é bem visto socialmente o filho mais velho ser do sexo feminino. Foi na capital da moda que cresceu e se tornou naquilo que é hoje: uma overthinker que sabe aproveitar o momento. A viver em Portugal há 2 anos, Anais conseguiu começar uma carreira de moda do zero. Ela saiu de França mas França não saiu dela.

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Mudou-se de França para Itália aos 18 anos. Depois de ter estudado numa escola católica, de sentir que não se enquadrava no mindset, passou ainda por uma instituição de acolhimento de jovens durante a adolescência até ter encontrado terapeutas que a levaram ao “really good place” em que consegue estar hoje. Com ela. Com a família. Com o mundo. Sempre se questionou sobre tudo e mais alguma coisa. Mas foi aqui que se conseguiu encontrar. Em Lisboa. Percebeu que ser ela própria era uma vantagem, que as pessoas não complicavam e que, acima de tudo, pode ser independente e a fazer aquilo que mais gosta: modeling. Embora perceba que aquilo que atrai as agências é a sua etnia, vive o momento. Foi através desta forma de pensar que, depois de ter feito campanhas com a Sumol, se tornou numa das caras da última campanha dos novos equipamentos da Seleção Nacional, ao lado de Cíntia [ver secção música]. Um dia quer ter  sua própria agência. Até lá, é aprender português. 

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MÚS MÚS MÚS


SICA SICA SICA


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18 anos. Loures. A música que se tornou viral tem quase dois milhões de visualizações no Youtube. Fora essa, há, até agora, mais três. Os temas? “Mulheres e festas”. Por agora. Porque um novo EP está quase a ser lançado. “A minha música transmite aquilo que sou”, diz. “Quero-me divertir e dar boa música ao pessoal que me ouve”. Começou a fazer freestyle com quem apelida de “os meus rapazes”, o grupo de amigos que conhece em Santo António dos Cavaleiros, mesmo que tenha crescido na Apelação. São os “gorillaz”, que aparecem já mencionados nas suas músicas. Foi com eles que aprendeu a ser e a crescer. Começou com eles no mundo da música. São família, mesmo que não partilhem o mesmo sangue, partilham conselhos: “às vezes, sinto que eles estão a fazer música para quem os ouve e não para o mundo e digo-lhes sempre “não tens que cantar aquilo que não queres mas tens de cantar o que os outros querem ouvir”. Que é como quem diz, “sai da zona de conforto”. Foi isso mesmo que fez e que a levou onde está hoje.

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Embora tenha 18 anos, this girl knows how to work. Os videoclipes mantêm uma linha fresh, repleto de mulheres, que embora não seja novo no mundo do hip-hop, surge com outro power quando a personagem principal é também do sexo feminino. Orgulhosamente lésbica, assumiu-se aos 16 anos e, acredita que na diversidade está o ganho, faz música para toda a gente e tem como propósito a aceitação de qualquer pessoa. Aliás, foi exatamente por isso que aceitou o desafio de escrever uma música para a Sumol — com direito a videoclip, mas já lá vamos. Quando recebeu o convite, não achou que fosse possível mas depois pensou no quão a marca se enquadra naquilo que pensa. Inspirou-se em toda a diversidade por que sempre esteve rodeada e começou a escrever. É exatamente este o ponto de partida do vídeo “Eu Sou”, que quebra todo o visual até agora construído pela artista: Cintia está a escrever no estúdio do padrinho. A imagem continua e passa por outros co-creators, fiéis a si próprios, como é o caso de Nancy (edição 1), que treina no seu ringue, ao som desta girl power. Não há filtros nem passagens bruscas. É a vida a ser ela própria. Pode ser visto nas plataformas digitais.

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“Eu Sou” – Cintia Ink no body Não mudo pá nobody Everybody is somebody Bue de vibes nessa party Entro na party cheio de good vibes Todos diferentes mas todos iguais brodas e sisters na party é normal diversidade charme cultural  Não importa roupa todo mundo looking cool A pensar big ninguém aqui quer viver small A correr no tempo Tá tudo a viver a full Drip fresh a dar gás tipo é sumol  Quem odeia diferença tá a dar tiro no pé, respeito acima de tudo sempre ativo o resto é fé Não importa de onde vens A rua qual é Respeito acima de tudo Sempre ativo o resto é fé

Eu sou o que sou Se não fosse o que sou Não seria quem sou Orgulho na pele, sem vergonha de quem sou Autêntica na Vida Mente já voou Máxima autenticidade Bue de vaidade orgulho na identidade Máxima autenticidade Bue de vaidade orgulho na identidade Igualidade da Austrália até o Brasil Likes e followers não fazem o meu perfil Paz e amor e notas de mil Paz amor e notas de mil Mas está na hora de levantar a mão prepara o canhão nação só é valente se marchar para união    Tá na hora de levantar a mão Máxima autenticidade


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Podia ser psicóloga mas trocou o curso pela criação de conteúdos para redes sociais. O instagram é a casa de Patrícia Claro, de 26 anos. Tudo começou com a publicação dos seus looks diários, há 2 anos. Não demorou muito até que diversas marcas dessem pela sua presença no mercado e os convites para colaborações a surgir. Embora assuma que recebeu muitos não’s, a verdade é que foram eles que redefiniram o seu caminho. Orgulha-se de sempre ter tido um estilo muito próprio, por vezes, “extra” e admite que é a roupa que define a confiança que temos. Tendo sempre em consideração que há peças que não ficam bem em todos os corpos e, portanto, nada como conhecer bem o que existe no mercado. 

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O que te distingue? Sou muito eu própria. Quem te tira as fotografias? O meu namorado. Sem ele seria muito complicado.  Quantas fotografias tiras até chegares à tal? 50, talvez. Mas só gosto de uma e quero sempre mais.  Quanto tempo passas no Instagram, por dia? 2 ou 3 horas. Qual é a tua inspiração? O Pinterest e outras criadoras de conteúdos. Quantos looks são fotografados por dia? Depende se tiver que criar conteúdo ou se estiver em lazer. Se tiver que criar conteúdo, podem ser 2 ou 3, de acordo com o tema.


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Quantas pastas tens de inspiração no Pinterest? 3. “Inspo”, “mood” e “style”. Quanto tempo precisas para decidir o que vestir? Pouco. Decido sempre de manhã.  Quantos pares de sapatos tens? Mais de 150.  3 peças essenciais no armário? Uma tshirt branca, umas jeans e um vestido preto.  Um acessório? Não consigo. Malas — os cestos. Chapéus — os típicos de criadora de conteúdo.  Sais de casa de pijama? Sim, para ir passear as minhas cadelas.   Um sítio para viver em Portugal? Sintra. Trocar o mar pela serra.  Um sonho? Ter uma marca de roupa.


COLOR BLOCK A Sumol volta a fazer História — depois de ter entrado para no mundo do lifestyle em 2014, com uma carrinha pão de forma a vender peças vintage da marca, no Mercado da Ribeira. Estamos em 2020, passámos um Estado de Emergência, vivemos tempos incertos mas uma coisa é certa: continuamos a criar, sendo fiéis a nós próprios, um ADN tão forte como o sangue que nos corre nas veias. Não é uma trend. É aquilo que somos. Sumol x Alexandra Moura nasce de uma parceria orgânica entre uma marca (que já não é só) de bebidas e uma designer de moda, que traz consigo Sumol desde que se lembra. O conceito? Color Block, fala de autenticidade, aceitação, diversidade, desinteresse por pantones e, amor, muito amor por per-so-na-li-da-de. Nascida e criada em Portugal é um statement de que o que é português é ótimo, mas acima de tudo, genuíno. Escusado será dizer que é edição limitada, como tudo aquilo que é bom; que é unissexo porque a roupa não escolhe géneros; que vai do XS ao XL, porque o peso não passa de dígitos. 60


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A tua cultura, a tua cor, o teu sabor. Color Block é para todos. Mais que uma tendência de moda, esta coleção é uma celebração à autenticidade, à irreverência, a quem vive sem receio de julgamentos e a quem veste a cor com orgulho. 62


Color Block materializa a diversidade de pessoas, personalidade, culturas, pantones e sabores de todo o ecossistema Sumol. Sanjo, Monte Campo e Mustique são as marcas portuguesas que aceitaram o desafio e desenvolveram peças dos seus universos para Sumol X. Alexandra Moura, criou o fio condutor entre as suas peças, a Sanjo e a Montecampo, com um padrão com um simbolismo extraordinário. A Mustique fez a sua própria interpretação de Color Block.

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“Sumol é uma marca com um universo visual muito forte e icónico, e queria que essa iconicidade se materializasse no padrão da coleção. O azul foi a primeira cor da marca, o vermelho vem do logótipo e verde é a cor de Sumol. O magenta, o amarelo e o laranja representam a diversidade de sabores – maracujá, ananás e laranja, respetivamente.”

- Alexandra Moura 64


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WIDE

BOY

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WideBoy é Pedro Leote Pires. Nasceu no Algarve e viveu até há 4 anos em Loulé, altura em que se mudou para Lisboa para perseguir o sonho da fotografia. Não é difícil imaginar que “wide” vem de “wide lens” — as lentes grandes angulares que tão bem definem a imagem captada por uma Go Pro. Actually, foi como começou a sua aventura. Literalmente, saiu do mar para terra. Começou a fotografar os amigos que faziam surf e, rapidamente, estes se transformaram em modelos, nas locations que faziam parte da sua rotina visual: armazéns abandonados ou prédios característicos dos bairros circundantes. Os stylists? Eles próprios. Foi mais ou menos assim que WideBoy começou a delinear o caminho como fotógrafo de moda. A estudar fotografia na Ar.Co, em Lisboa, conta já com parcerias interessantes, “que nunca pensou ter”, depois de ter escrito num papel “agora só vou fazer o que gosto”. O Universo gosta de seguir ordens.

Apaixonado por médio formato, junta pessoas com paisagens, que tão bem sabe enquadrar. Explora aquilo que tem em mente através do mundo real. Durante a quarentena, produziu a série “Disconnected” que mostra o seu verdadeiro sentimento face ao lockdown: com luvas nos pés, a modelo come uma cenoura numa bancada de cozinha. Parece mais simples do que realmente é. Inspirado pela classe trabalhadora aka era industrial, acredita que não damos valor a quem nos faz tudo aquilo que nos rodeia e, por isso, tenta ao máximo, mostrar através da fotografia de moda que, o mundo não é aquilo que parece. As entrelinhas são mais do que muitas e, cada um dos seus trabalhos segue um caminho: a ideia é escrita, os elementos são procurados - demore o tempo que demorar -, a imagem é feita e, até mesmo a sua revelação é autoral. É este o processo que acredita que o distingue dos demais. Tem razão.


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“a ideia é escrita os elementos são procurados” 100


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Uma palavra para definir o teu trabalho? Experimental. Qual é a tua inspiração? A liberdade de experimentação.

Se fosse hoje, o que mudavas no teu percurso? Não dava tanta atenção ao Instagram.

Como é estar contigo em set? Não falo muito e isso pode ser estranho mas é apenas porque está tudo a correr tão bem que não é preciso dizer nada.

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O que te distingue? Sou verdadeiramente genuíno.

Onde gostavas de estar agora? Em Paris. Era para ter ido antes da quarentena mas não foi possível. Talvez daqui a uns meses.

Um sonho?

Criar um espaço onde todas as pessoas que partilham o mesmo mindset ou lifestyle pudessem partilhar. Está encaminhado, na realidade. More soon. 103


Boni de Bonita (Ou de Inês Marques Bonito). Podia ser um possível copy de uma das peças da artista cujo humor não falta. Quem a segue no instagram, sabe do que falamos. Ironia, sarcasmo mas, acima de tudo, inteligência é o que define Inês, recém licenciada em Design, pelo IADE. Depois de um estágio na Bar Ogilvy, como designer, percebeu decididamente que o mundo dos copys é que a inspirava. Quando era mais nova, já fazia piadas com as marcas quando ia ao supermercado com a mãe, “era insuportável”, lembra. Nunca pensou que pudesse criar um trabalho (ou negócio — já lá vamos). Faz piadas de tudo, não gosta que a chamem de ilustradora porque a imagem é só um complemento. A magia está nas palavras e nos trocadilhos. Parece que não, mas as “marcas estão em todos o lado” e, acabamos por adotar palavras no vocabulário que provém de nome de marcas, como por exemplo Gilette, Rímel ou Betadine. É exatamente através desta última que teve o post mais viral.

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Mas não é só à superfície que Inês toca no público. Quando está irritada com o namorado, brinca com aquilo que sente e publica no instagram @artbyboni. Já recebeu mensagens a dizer que o humor dela tinha ajudado a ultrapassar relações. Haverá melhor elogio? Perguntei onde é que se imaginava daqui a 5 anos. Além de ter respondido que se estava a sentir numa entrevista à Cristina Ferreira, contou que sonha um dia abrir um concept store, com merch personalizado. A segunda parte já está quase realizada. Só falta anunciar a data. É aguardar. Não foi mais cedo pela perfeccionista que mostra ser. Não publica regularmente porque há coisas que podem só fazer sentido para ela. Às vezes, pensa naquilo que os outros podem achar. Apesar de não ser “um geniozinho que arrasa no photoshop desde os 8 anos”, de abrir o illustrator “só para dar um fuc*zinho”, sabe que uma coisa é dela e ninguém lhe tira: conseguir ver mais além. Embora, “seja uma basiquinha cujo sumol preferido é o de laranja”. [P.S Fazer esta entrevista foi mais difícil do que parece, porque cada frase é uma piada automática para Inês Marques Bonito. Must follow now.]

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CAROL MEND


LINA DES

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Talvez tenha nascido a dançar mas só depois de correr e cair durante um ano é que entrou para o mundo que já a levou ao campeonato mundial de dança, em Las Vegas. Carolina Mendes, de 23 anos, dança desde o 1 ano de vida. Começou no ballet mas rapidamente disse à mãe que aquilo era só esticar as pernas. Passou para o Hip Hop, uns anos mais tarde e, nunca mais saiu. Membro dos “Dance Culture”, já perdeu a conta ao número de campeonatos que fez. Há dois, no entanto, impossíveis de sair da memória: Las Vegas e San Diego, aos 16 e 17 anos, respetivamente. Poder representar o país perante o resto do mundo é priceless, e, obviamente, o seu maior orgulho. Foi exatamente a partir daqui que começou a integrar videoclips de vários artistas. Desde Supa Squad, a Mastiksoul ou Anselmo Ralph. Dos campeonatos passou a castings, de publicidade ou de música. Um deles levou a que tenha sido convidada para fazer o que seria inicialmente apenas uma tour com Blaya. Acabou por fazer duas e, por mais reticente que pudesse estar ao início, admite o quão mudou com a experiência.

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Um deles foi o MeoSudoeste, em 2019, cujo público “entrou totalmente na cena” e ajudou a que todos brilhassem de igual forma. Parecendo que não, não é só o artista que está em palco. Bailarinos e músicos contribuem de igual forma para o espetáculo, ajudando-se. Muitas vezes, a tapar buracos uns dos outros, por mais estranho que possa parecer. Fast foward para agora, um ano e um início de uma pandemia, mais tarde: Carolina não arrasa só na dança. Acabou o curso de Comunicação e está pronta para os próximos desafios. A rádio está nos planos. Uma escola de dança com nutrição e massagens também.

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“Sou teimosa para lutar. Se q er. NĂŁo desist


o suficiente quero, vou fazto facilmente� 119


SKA


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Estereótipo de skaterboy encaixa na perfeição. Com a exceção de que, ups, it’s a girl. Nunca o pai imaginou que o skate do Imaginarium, que lhe ofereceu aos 6 anos, se tornasse in her favorite toy. Tal como andar de bicicleta, aprendeu a dominar sozinha o skate. Também se dedicou ao surf e ao bodyboard mas o amor não durou tanto. Um desporto, um hobby ou um lifestyle? Maria responde que é, sem dúvida, tudo. “Um dia sem andar de skate é um dia incompleto”, diz. Quando está ocupada durante o dia, chega a casa, pega na tábua e, vai só descer a rua para poder sentir aquela pica.

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Se andar de skate fosse proibido, ia para o Brasil, porque apesar de tudo, adora o país e é impensável não poder skatar. Aquele brinquedo mudou a sua vida: tornou-se num caminho para novas amizades, pessoas que não esquece. Mas foi também um motivo de bullying — ainda é. Num mundo predominantemente masculino, uma rapariga poder ser e fazer acontecer não é bem-vindo (para eles - #sorrynotsorry). Por se ter tornado modelo de algumas das melhores marcas de streetwear do mundo, Maria acabou por ser motivo de chacota, que é como quem diz, de inveja. Grupos de Whatsapp com vídeos que respiram paparazzis ofendidos. Mensagens nas redes sociais que transbordam hate. Há de tudo. É uma questão de ter tempo para poder ouvir (ou rir). Mas não é só por causa do skate que Maria teve de testemunhar situações que não lembram a ninguém.

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5 ESSENCIAIS: 1.Sumol 2.chave do skate para apertar os trucks 3.boa disposição 4.chapéu 5.casaco para o sunset 129


5 spots: 1.passeio marítimo de Paço de Arcos a Carcavelos 2.parque das gerações (São João do Estoril) 3.skatepark do Oriente 4.parque de estacionamento da praia de São Pedro Estoril 5.passeio marítimo do Guincho

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Embora se achasse assexual até aos 19 anos, um amor inesperado trocou-lhe as voltas e fê-la perceber que sim, sentia atração sexual, mas por mulheres. Lésbica assumida desde então, já ouviu frases como “ainda não tiveste com o homem certo”, como se amor fosse opção entre dieta carnívora ou vegetariana. Os homens deixam-na desconfortável, não é preciso acrescentar mais nada. No entanto, nunca nenhuma boa história começou com o final feliz. Parece a sinopse de um filme. Não é. Mas podia. Maria já tem a ideia e não falta muito para a realizar. Literalmente, o filme da sua vida.


Plot twist: Já tem equipa reunida para fazer o filme da sua vida, já há uma história de amor que não vamos partilhar. Interessa concluir que desde miúda que vive a vida ao limite, tal e qual, como se fosse acabar amanhã. (Pres)sente que pode morrer cedo e, como tal, num dia de chuva, abrigada num telheiro durante três horas, à conversa com um amigo decidiu que se era para fazer, era para fazer já. Já tem equipa reunida. Já tem a visão e, mais importante, a coragem. A mãe diz-lhe que não tem triagem. Não tem vergonha de nada e, verdadeiramente, sabe que na sua essência pouco ou nada lhe interessa aquilo que os outros vão pensar. É efémera, mas intensa.

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Luana


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LUANA

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Luana Santos não podia ser mais real. 18 anos. Nasceu em Lisboa, viveu no Algarve e voltou para onde nunca devia ter saído. Tem mais de 200k seguidores no Youtube e quem a conhece, sabe que ela é exactamente aquilo que parece ser. Literalmente, sem filtros. Adora dançar, mudar de hairstyling e, de pessoas, no geral. O que não gosta? De rótulos e da escola. Estuda em casa há um ano — sim, é possível —, e vive com a namorada, Matilde. Por mais que adore os fãs, a ansiedade não a deixava mostrar-se ao mundo. Já lá vamos. Para quem a acompanha nas redes sociais, não é difícil perceber o quão genuína Luana é. Para quem não a segue, não é difícil de adivinhar. Ser e sentir são duas das palavras de ordem para o seu dia-a-dia. Aos 13 anos começou a sentir uma atração por raparigas, quando toda a sociedade lhe parecia dizer que os homens seriam o caminho a seguir. Nunca pensou muito sobre isso e deixou-se ir. Se foi estranho? Not at all. Tudo o que tem de acontecer, acontece. Contou aos amigos, que, obviamente já sabiam, e a um dos irmãos. Mais tarde, convidou a namorada a ir viver com ela. Os pais? Olá, bem vinda. Normalidade é a palavra de ordem. Um conselho para alguém que tenha pais homofóbicos? “Depende de pessoa para pessoa, só nós conhecemos o teto onde vivemos. No entanto, eu esperava não ter de lidar com a reação diariamente.”

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Já se assumiu como bissexual ou pansexual, porque os rótulos parecem adorar recrutar. Verdadeiramente, gosta de pessoas, pouco ou nada interessando qual é género com que se identificam. Nunca a frase “o amor é cego” esteve tão certa. Um conselho para alguém se assumir perante o mundo? “Às vezes não passa de um monstro da nossa cabeça.” [Hoje em dia] “é normal e as pessoas aceitam”, [embora a] “religião possa ser um dos contra-argumentos”. A essência não se resume à sexualidade e, Luana, tem muito mais para mostrar. Dança desde os 3 anos e um dia gostava de poder ter uma escola de dança. Até lá, racionalmente, tem outro objetivo: a estética. Não é só o tipo de penteado que gosta de mudar, são também as unhas. Para breve, está uma formação a caminho neste mundo. O naildesign que a aguarde. Isto, porque, embora não pareça, tem os pés bem assentes na terra. Saiu do Algarve para poder viver em Lisboa e ter mais oportunidades de fazer aquilo que mais gosta: criar conteúdos, onde se sente em casa. No entanto, sabe que “esta vida não dura para sempre” e é preciso investir no futuro. A ansiedade? Trouxe-a até aqui: conseguiu aprender a controlá-la e não a vai fazer desistir.

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Do dia para a noite, passou de 300 seguidores no Instagram para 77k. Como? Um rascunho de vídeo que decidiu publicar no Tik Tok. Nasceu na Bélgica mas o amor da mãe por Portugal fê-la mudar-se. Tinha 12 anos. Aos 18, podemos dizer que podia ter sido nascida e criada aqui. O português é perfeito e o país já é dela. Mudou-se para Sesimbra e adora Lisboa. Vida pessoal à parte, não fosse o Tik Tok nunca a teríamos conhecido (nós e os fãs). Não faz nada que não goste e admite que não sabe bem o que gosta. Paradoxal? Faz vídeos porque se perde no tempo ao gravá-los. Não pensa nos likes. Não define o conteúdo ao pormenor. Há dias que não publica, outros em que só adere a uma ou duas trends. A magia acontece quando está inspirada e consegue produzir rascunhos suficientes para publicar no futuro. “O Tik Tok é mesmo assim: fazemos um pouco de tudo e de nada”, admite.

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O segredo? “Não pensar que poderá ter alcance”. A app, que tem um algoritmo específico, valoriza o conteúdo verdadeiramente orgânico onde não há máscaras. Mas embora mais de 260k a sigam no Tik Tok, onde a imagem impera, é no blog que tem há 4 anos que escreve tudo aquilo que realmente lhe passa pela cabeça. “Há dias que não consigo dormir, abro o pc, escrevo e sinto-me muito mais leve”, diz. Começou por brincadeira, como sempre, e, acabou por perceber que não era a única a partilhar opiniões sobre temas mais controversos ou sentimentos mais escondidos. O feedback é incrível mas admite que o faz mais para si do que para o público porque se exprime melhor através da escrita. Seja como for, “genuína” podia ser o nome do meio de Lucie Bosquet — que já tem nome de artista.

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17 anos, uma marca e uma ener-

gia explosiva. Inês Teixeira é uma autêntica teen star. Embora assuma que já foi muito envergonhada, hoje em dia e, depois de um longo caminho no Tik Tok e no Instagram mostra-nos que realmente tudo é possível. Nunca imaginou que conseguisse esgotar duas vezes o Hard Club, no Porto, com um meet para que os seus fãs a pudessem conhecer. Nunca imaginou que conseguia falar para a câmara sem pensar naquilo que os outros podiam dizer. Muito menos lhe passou pela cabeça que antes de atingir a maioridade pudesse ter uma marca, com modelos que, just for fun, desenhava no seu ipad. Mas tudo se realizou. Sem saber como, admite. “Os sonhos podem tornar-se realidade” é a frase de eleição de Inês. E tem razão. Quando começou, por brincadeira, a experimentar o Tik Tok, deu por si a ser alvo de chacota na escola. Admirava-a não receber hate na internet mas ser motivo de escrutínio entre grupos de colegas. Hoje, percebe que foi isso que lhe deu força para continuar. De uma miúda tímida passou a ser uma power girl.

Por ter plena noção disso, criou a sua marca “It’s Smile”, com coleções específicas para mostrar que tudo pode ser alcançado. Uma dela é a de jóias, cujo símbolo principal é uma estrela, “porque podes ir às estrelas e voltar”. Há também vários modelos de camisolas ou mochilas, por agora, esgotados. “Devemos ser sempre aquilo que nos faz sentir bem, sem ligar aos outros porque ao final do dia é isso que vai contar”, insiste. Positividade e o apoio da família, são a fórmula de Inês para a felicidade. O irmão, Tiago, 2 anos mais novo, é um dos seus melhores amigos. A mãe, que nunca deixa de usar o colar da coleção de Inês e o pai, que desde sempre lhe mostrou como funcionava o mundo do têxtil.

Y o u g o g i rl !

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Um conselho para começar no Tik Tok? Sê tu próprio, sempre. Faz aquilo que gostas.  Um sonho? O mundo da televisão. Um sítio em Portugal? Sesimbra. Sumol preferido? Maracujá. Sumol com? O calor do Alentejo.

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David

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Aquilo que começou por ser uma brincadeira há 4 anos, tornou-se um emprego para David Brás. Mesmo quando está doente, não consegue deixar de produzir, pelo menos, um vídeo. Fala do dia-a-dia, mostra a sua vida, sem filtros nem estereótipos. A mais recente novidade é a sua relação com o também tik toker, Pedro Abreu. Aliás, a app foi a desculpa perfeita para se conhecerem pessoalmente. Sendo uma voz ativa no mundo da internet, não vê porque não expôr a sua relação, contribuindo assim para a normalização e para a luta do preconceito. Os fãs adoram: apoiam, comentam e identificam-se.

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E não são os únicos, também os pais de David, aceitam a sua relação, mesmo que por vezes o medo do mundo corporativo e a consequente proteção fale mais alto. Por agora, David tirou um ano sabático mas não exclui o Direito ou a Psicologia. Embora assuma que não gosta que discordem dele, adora argumentar e debater assuntos da sociedade atual. Recentemente, foi com a melhor amiga que a coisa ficou mais feia, discordaram num argumento sobre a evolução da sociedade portuguesa e acabaram por se chatear. Felizmente, já fizeram as pazes. Orgulhosamente teimoso, David assume que acha ter sempre razão. Um coisa é certa, a edição limitada de Sumol de maçã devia voltar. É, até hoje, a versão preferida de David. Embora não consiga ignorar o sabor a maracujá, que adora acompanhar com um hambúrguer. Cidade ou campo: Cidade Sítio preferido de Portugal: Algarve Um desejo: Ser feliz para sempre Um sonho (realizado): Trabalhar com a Sumol

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Lourenço Katzenstein. 24 anos. Ericeira. Gestor. Podia ser um pitch para atrair investimento para uma empresa. Não foi preciso porque depois de ter parado um ano “para ir atrás de ondas grandes”, conseguiu abrir uma escola de surf. É um dos nomes do panorama de ondas grandes português, não perde um swell no canhão da Nazaré, distinguido rookie do ano em 2018 e vencedor da maior onda do ano em 2019 nos prémios nacionais EDP Mar Sem Fim. O surf está-lhe no sangue. Desde sempre que os pais tornaram as férias em família numa busca por boas ondas. Cresceu com os irmãos a ir ao sábado de manhã para o mar. Começou a ter aulas aos quatro anos e, vinte depois ainda não conseguiu parar. Mas é o pai, Miguel, que fundou uma empresa de pranchas de surf, que lhe passou o bichinho. Uma das primeiras memórias que tem é sair de mão dada com ele, de casa, depois de saber que o pai só o tinha ido buscar para passarem umas horas juntos a divertirem-se. Mesmo a chover. Da Ericeira à Costa. Passando por Carcavelos. Tantas vezes, que não consegue contar. A Ericeira moldou-o. Adora ondas grandes, fortes e com energia. Embora longe, ondas rasas são a sua definição de praia. A sua vida deu uma volta de 180 graus — desde sempre que tenta fazer o equilíbrio perfeito entre o tempo para surfar e o dinheiro que precisa para viver. Quando era pequeno, era fácil. Agora, tornou a paixão no trabalho, que lhe permite continuar a fazer aquilo que mais gosta. Sendo que, “ir atrás de ondas grandes” é o maior objetivo. Hoje e sempre.

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5 viagens indispensáveis: Indonésia — não há muito a dizer, é só um dos melhores sítios do mundo. Irlanda — porque já lá foi e quer voltar. Ilha da Madeira — vai três a quatro vezes por ano pela família da mãe e as ondas não são comparáveis. Austrália, mais propriamente, a zona sul oeste — “Podemos sonhar, certo?” Taiti — por um filme sobre surf que até hoje o inspira.

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NHAR SONHAR NHAR SONHAR NHAR SONHAR NHAR SONHAR NHAR SONHAR NHAR SONHAR NHAR SONHAR NHAR SONHAR NHAR SONHAR


LAURA & GABRIEL

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Não é preciso acreditar no destino para perceber que Laura e Gabriel estavam destinados a conhecerem-se. Nos álbuns antigos da família de um e de outro há fotografias de ambos, bebés. Não precisamos de mais argumentos: não é uma teoria, é a vida real.

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Sempre souberam da existência um do outro mas só em 2013 começaram a namorar, depois de uma saída à noite. Embora a Laura ainda vivesse na Ilha da Madeira, o plano já estava delineado: no futuro próximo partilhariam casa em Lisboa. Dito e feito.

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Construíram um estilo de vida em conjunto: Gabriel já surfava e a Laura já fazia mergulho. Ela sempre quis aprender e ele ensinou. O mesmo aconteceu com o skate, que depois de lhe ter oferecido um skate cor-de-rosa, foi um caminho sem retorno. Viram fotografias a tornarem-se virais no Instagram, criaram um canal de Youtube e acabaram por criar uma comunidade que já podem chamar de fãs. Mas foi em 2016 que tudo mudou para sempre. Depois de um email que enviaram para a Sumol com umas fotografias que tinham tirado numa viagem à neve, tornaram-se co-criadores da marca e, até hoje, são eles uma boa parte da equipa de produção de conteúdos — já lá iremos. Não têm vergonha de dar um passo à frente. Não têm medo de arriscar.

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FROM POWER COUPLE TO BOSS COUPLE 178


Do Instagram saltaram para a vida real e, em 2018 criaram uma produtora. A Laura despediu-se do Banco de Portugal, depois de Gabriel já ter dado esse passo. Ao longo dos último anos trabalharam com marcas como a Sumol, Compal, B!, Frize, Telepizza, ou Ericeira Surf & Skate. Quem faz o quê? A Laura trata de toda a logística de produção. Grava. Edita vídeo. O Gabriel idealiza conceitos, perde-se nas suas ideias. Fotografa. A Laura faz coisas acontecerem. “Sem ela, não ia conseguir concretizar as ideias”, diz Gabriel. “Começámos por tirar fotografias e hoje montámos uma produção”, contou. “Ontem, por exemplo, que montámos uma produção com 20 modelos, uma equipa de mais de 10 pessoas, durante uma pandemia. É incrível”, acrescenta.

E isto, isto é só o início. Nós sabemos do que falamos.

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Perguntámos onde se viam daqui a cinco ou dez anos. Demos autorização para sonhar, sem limites. A resposta foi automática: “já estamos a viver o sonho agora, se tudo continuar assim, está ótimo”, refutou Gabriel. Embora existam objetivos, como conseguir ter uma agência ou criar uma relação mais profunda a nível criativo com outras marcas, há uma linha que não pode ser ultrapassada: ter tempo para surfar e poder manter o estilo de vida, baseado em “ter dinheiro para jantar com os amigos e para conseguir meter gasolina para poder ir surfar”, confessou Gabriel a Laura há uns valentes anos. They’re right: the dream is real.

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FROM FUTURE TO NOW 181


Quem lava a loiça? “Temos um acordo”. A Laura lava a loiça. O Gabriel aspira.

Quem decide o jantar? A Laura. Quem cozinha melhor? A Laura. Quem adormece mais tarde? O Gabriel Vão às compras juntos? “Depende. Mas sim”.


O que mais gostam e menos gostam um no outro? Laura: “O Gabriel nunca está contente com nada. Às vezes, é chato. Parece que nada é suficiente. Mas é, ao mesmo tempo, aquilo que nos faz evoluir e chegar cada vez mais longe” Gabriel: A Laura é super calma e contrapõe-me de forma inteligente. É o que mais gosto nela: é mesmo inteligente. Mas apesar disso, e agora está bem melhor, é super esquecida e eu fico furioso”.

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João Nuno Pinto é, atualmente, diretor da unidade de mercado Portu-

gal e Espanha da SUMOL+COMPAL. Conversámos durante uma hora enquanto comíamos uns petiscos na Rua das Pedras Negras, em Lisboa. Passaram duas horas mas podia ter sido dois segundos. Este foi o senhor que criou a famosa campanha “Mantém-te Original” — e não só. Aos 15 anos, vivia o auge da adolescência entre o Bairro Alto e o Chiado. Cresceu perto do Largo de Camões e, mesmo admitindo que não tem boa memória, não esquece que quando provou Sumol sentiu que era algo “totalmente diferente de tudo o resto”. Prefere o sabor de ananás, admite. Mas nega-o na pizza. Sumol é praia: a praia de São Bernardino, no Oeste, onde passou inúmeros verões — o ponto de partida para o despertar da originalidade, já que as nuvens faziam com que tivesse que procurar entreter-se com outra coisa. Assume que Sumol é “o sol numa tarde nublada”, especialmente quando acompanha o lanche: um salgado, de preferência.

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Onde? Em Lisboa ou no Porto, numa esplanada perto do rio porque é “sítio que mais nos refresca”.

A banda sonora deste dia? Não foi fácil escolher, porque estamos perante um fascinado por mú-

Arctic Monkeys, “Love is a Laserquest”. Porquê? Além de ser a sica. Depois de algum tempo:

única que sabe tocar na guitarra, é uma música sobre o passar do tempo, sobre “manter a chama e a paixão da juventude sempre”. É disso que Sumol se trata — preservar aquilo que és, mesmo que a idade vá passando por nós.

Perguntámos se todos o conseguem fazer? “Há um segredo: só quem bebe Sumol con-

segue”.

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Feita a introdução, vamos ao que interessa: Estamos em 2010. O momento pede uma comunicação adaptada a cada idade. Surge o “Mantém-te Original”, até aqui, totalmente revolucionário. Começou com um briefing formal mas João prefere acreditar que foi através de uma boa conversa, tal e qual como quando esta entrevista se deu. Enquanto almoçava com o diretor criativo discutia o quão necessário era transpor um momento como, por exemplo, o do primeiro beijo, que não muda nunca, para ninguém. “Por fora somos uma embalagem por dentro somos todos iguais”. Precisavam de algo poderoso, mas verdadeiro — dois dos mais importantes pilares da marca. Foi este o pontapé de saída. Sobre a reação do público? Criou-se uma página na História da marca Sumol. Mais uma.

Parece fácil.


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Uma carreira na Sumol?

É uma estratégia? A resposta parece óbvia. Mas nem tudo o que parece é e, todos sabemos disso. Mais do que um plano no papel, é uma visão. Para a alcançar temos que saber a História e o contexto: a Sumol surge nos anos 50, onde existiam centenas — not kiddin’, foram mais de 300 — bebidas gaseificadas com aroma de fruta, sem fruta. Uma fábrica para cada (quase) aldeia do país. O fundador, António João Eusébio, que viajava pelo país em trabalho disse “eu quero fazer uma laranjada, mas de laranjas”. Não queria corantes nem conservantes. Demorou dois anos a perceber como o fazer. No entretanto, a vida continua e, numa Feira do Livro encontra um exemplar sobre a pasteurização dos leites. O raciocínio foi automático: se funciona no leite, funciona nos refrigerantes. O problema dos conservantes estava resolvido. Faltava o dos corantes. A cor do produto nunca seria tão apelativa comparada com a concorrência, conhecida por ter “bebidas que brilhavam no escuro”. A solução? Uma garrafa de vidro verde, completamente diferenciadora. A isto dá-se o nome de inteligência de rede, vulgarmente conhecida como a capacidade de unir thoughts através de atividades do dia-a-dia, como ver um filme, ouvir uma música ou… ir à Feira do Livro. 10 anos mais tarde, Sumol estava na televisão. Meia década depois, sabe que acompanhou gerações, cresceu com elas e luta em conjunto com as seguintes.

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Como? Através de “uma inspiração que

contamina positivamente as pessoas”. Sumol só pode ser trabalhada por quem tenha o mesmo ADN que o seu: capacidade de desafio constante, visão social. Parece redutor mas é exatamente o contrário. Nasceu para ser para todos, de todas idades, géneros ou escalões sociais. Hoje torna possível conquistar novas gerações sem renegar as anteriores. Como? Por um conceito que é maior do que ele próprio, maior do que a vida, um “conceito universal que foi verdade há 100 anos, é verdade hoje e vai ser verdade por daqui a 100 anos”.

O conceito que diz respeita o ser-se humano — por exemplo, o já referido primeiro beijo. É a mesma sensação, hoje e sempre. Mas não é só a universalidade que interessa. Também a verdade é outro dos pilares da marca. Gostar de nós próprios é e será sempre tão verdade como foi no século passado. Conseguir atingir a felicidade é e será sempre transversal a todos.

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Aqui e em todo o lado, há dois momentos importantes numa carreira profissional: primeiro quando os objetivos para com a empresa são cumpridos, o segundo quando se toca na vida das pessoas. Um dia recebeu um email. Mais um email, aparentemente. No entanto, quando começa a ler, percebe que se trata de uma pessoa, que, num dia de chuva, estava numa paragem de autocarro e vê um cartaz cujo copy era “um dia vais achar que tens de usar fato e gravata todos os dias. Quando esse dia chegar, não lhe fales”. O percurso natural seria entrar no autocarro, ir para o curso que odiava, estudar para exercer aquilo que não queria e trabalhar num ambiente que não imaginava. Mas… parou. E perguntou-se como poderia viver com aquela decisão, à priori tão automática. Desistiu. O autocarro passou e, a paragem foi outra. Mudou de curso, mudou de vida, mudou tudo para sempre. “O escritório

gritou como se fosse um golo da Liga dos Campeões”, conta João.

Quando entrou para o grupo Sumol, nunca imaginou o caminho que poderia ter pela frente. Foi à descoberta, porque não queria ir trabalhar para um banco. Passou de uma petrolífera, “onde dava

de beber aos carros para dar de beber às pessoas”. Não se arrepende.

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Tem 3 histórias escritas. Admite ter sido um hobbie num determinado momento da sua vida. Contou-nos a sinopse mas, até ser publicado, não podemos cair em spoilers. Talvez um dos três filhos possa fornecer uma cópia do manuscrito, às escondidas, claro. Por agora, “a última palavra muda a perspetiva do livro”. Plot twist: O gravador desligou. Podia ter ficado sem bateria mas decidimos só continuar a conversar em off. Agora sobre mim, a narradora. Os papéis inverteram-se. Perguntou-me qual seria a minha campanha de sonho. 1 - Sou péssima com este tipo de perguntas; 2 - Sonho dá a entender que algo é inalcançável; Respondi com uma ideia na gaveta sobre o mundo corporativo e os negros, nada de especial. Este foi o dia em que eu faltei a uma manifestação importante em Lisboa sobre direitos humanos e a culpa assolava-me, mas rapidamente desvaneceu. Fast foward para o porquê: vivemos tempos incertos. Discutir géneros, identidades ou formas nunca foi tão imperativo. Quando dei por mim estava a debater o conceito de masculinidade tóxica versus educação social com um homem, pai de três crianças, diretor de Marketing e Vendas de uma das empresas mais antigas de Portugal. Parece pouco, mas não foi.

A vida é uma oportunidade.

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Nasceu em Lisboa. Cresceu em São João do Estoril. No entanto as melhores memórias que tem estão guardadas a mais de 466 quilómetros, em direção a norte. Vila Verde da Raia, em Chaves é a viagem na vida de Alexandra Moura.

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“Aos 4 anos já bebia sumol de ananás” e era com os avós que passava o verão. A bebida que a refresca em qualquer altura, qualquer refeição ou momento do dia, estava, secretamente, guardada no rés-do-chão, da casa para onde ia. O avô tinha transformado o espaço onde mantinha o gado numa taberna para os amigos, que recebia grades de Sumol e sem que o avô se apercebesse, Alexandra descia as escadas, ia atrás do balcão e levava com ela uma garrafa. Saía e ia para a rua bebê-la. “O gargalo sabia à carica, não me esqueço”. Como fruto proibido que era, porque a mãe não queria que ela bebesse sumos todos os dias, acabou por se tornar uma “ligação ao puro prazer”, onde existe uma relação com o sabor e a memória incalculável.

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As idas à festa de verão na aldeia já não são tantas como eram mas recentemente foi mostrar ao filho o sítio onde mais sentiu a definição de liberdade. Rodrigo, com 12 anos, é o menino dos olhos de Alexandra e, até o tom de voz muda. “Estamos sempre a aprender”, e com ele aprende uma forma mais relaxada, desprendida e leve de estar com as pessoas e com a sociedade. Embora seja uma criança emotiva — que definitivamente, sai à mãe e ao pai — tem uma “capacidade muito cool de dar a volta”. Embora a designer, a business woman e a adulta seja a mãe, Rodrigo participa em todos os aspetos da sua vida, ativamente. Já desenhou padrões para os tecidos da marca, é uma das companhias indispensáveis para viagens ou concertos e, motivou a criação de um Tik Tok para o negócio. O input geracional é gigante. “Ele faz parte da nossa vida como nós fazemos parte da dele”, conta-nos Alexandra. “É preciso manter o equilíbrio do bom senso VS idade mas, sobretudo, deixar experimentar, viver e sentir”; refuta.

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Mãe de Rodrigo, professora na ESART (Escola Superior de Artes, em Castelo Branco), designer de moda e mulher (premiada). Embora a ordem de acontecimentos seja inversa, só o passar do tempo constrói um legado. Assume-se como perfeccionista e conseguimos perceber o porquê. O ensino é “um legado mas em momentos é um trabalho, puro e duro”. Talvez porque nunca se sinta satisfeita, talvez porque foi habituada a que uma alteração possa ser feita a qualquer momento — na moda e na rotina diária. Um dia nunca é igual. Trabalha todos os dias o lado cultural e histórico da moda e, por isso, quando recebeu o telefonema a dizer que seria uma das distinguidas na categoria “Design de Moda”, com o Prémio Mulheres Criadoras de Cultura, atribuído pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e pelos gabinetes do Secretário de Estado da Cultura e da Secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, ficou incrédula ou “para morrer”, diz. Até agora, foi O prémio. Na hora de ganhar, ensinar ou de trabalhar, a responsabilidade é a mesma. Por isso, quando faz colaborações com as marcas, mantém presente a importância do ADN da marca Alexandra Moura entrar em simbiose perfeita com quem esteja do outro lado.

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O exemplo perfeito é a segunda coleção que desenvolveu com a Sumol: sentido estético, detalhes aprimorados e cores em sintonia. Color Block é o nome. Nascida através de uma parceria orgânica, Alexandra uma relação com a marca (quase) desde que nasceu e, por isso, não podia ter sido de outra forma. A diversidade de cores das peças é uma metáfora para a diversidade de sabores que a marca tem e, depois desconstruir o logo, começou a pensar como enquadrar as cores. O mote da marca é “não ligamos a pantones” e, portanto, se há algo que fazia sentido, era sem dúvida blocos de cor espalhados por umas calças, um casaco ou uma saia, entre outros. Construir uma coleção para apresentar na semana da moda ou ao mercado de uma marca de bebidas tem consigo “a mesma responsabilidade”. É preciso corresponder aos dois públicos e aos dois universos. Alexandra conseguiu fazê-lo e, mais uma vez, estamos a fazer História.


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Vítor Costa é o diretor criativo de uma das marcas mais antigas de Portugal, a Sanjo, a New Old Brand. Com 34 anos, passou a adolescência entre Porto e Guimarães, talvez a beber Sumol de ananás a meio da tarde, enquanto acompanhava com um qualquer salgadinho. Não usou Sanjo, curiosamente. O pai e as irmãs foram mais privilegiados. Os seus só chegaram recentemente ao armário. Mas a paixão pelo mundo do calçado é antiga e, foi o que o levou onde está hoje. Tem a cargo a direção criativa da Sanjo, a única marca de sapatilhas portuguesa com uma silhueta icónica e um shape muito particular. O DNA é autêntico. Fazendo pontes com designers e estilistas, diariamente, tenta construir uma narrativa nova para a marca. Se há coisa que o deixa feliz é receber o feedback de novas gerações, como o da sobrinha, que, recentemente, lhe pediu umas K200. Se tinha intenção de pagar? Bem, isso já é outra história.

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Com um legado gigante que passa, não só mas também, pela revitalização do amor àquilo que é português, está mais motivado do que nunca para sair da cama todos os dias para dar continuidade ao desafio da otimização do design da marca. Se há ativo fundamental é a criação artística. Caso consiga seguir esta premissa acredita que vai sempre conseguir acompanhar as novas gerações, os futuros buyers. Parece que não, mas a Sanjo foi criada em 1933. Começou em São João da Madeira — daí o nome — e, a produção nunca saiu de Portugal. Embora com grande ligação ao mundo do desporto, rapidamente saiu para a rua, fazendo parte do lifestyle de muitos portugueses. Todos nós temos alguém na família que teve um dos modelos da marca nos pés. Mas nem tudo são rosas e em 1996, a Sanjo fechou portas devido à grande concorrência de marcas internacionais, que após a abertura do país ao mundo, não demoraram muito a chegar.

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Felizmente, hoje tem uma nova vida, mesmo que o molde original se tenha perdido. Foi através de fotografias e documentos antigos que se conseguiram replicar os famosos modelos K100 e K200. Na impossibilidade de produzir solas vulcânicas em Portugal e, na tentativa de lealdade ao original, a marca saiu do panorama de produção nacional e rumou à China, o que, a partir de 2019 deixou de acontecer, para regressar a Felgueiras e poder gritar “made in Portugal”, de novo. Com ou sem cano alto, as sapatilhas Sanjo são hoje, de novo, uma marca que voltou ao coração dos portugueses, de onde nunca devia ter saído.  Esta é uma história sobre cultura urbana cujo último parágrafo diz “escolhe um título que faça sentido”, segundo VÍtor. Nós escolhemos: o que é nosso volta sempre.

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DE MÃOS DADAS COM O ORGULHO

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Sumol X Magazine 2  

"Foram 18 entrevistas que são facilmente metáfora para 18 perspectivas diferentes. A premissa podia dar para o torto, mas há um elemento que...

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"Foram 18 entrevistas que são facilmente metáfora para 18 perspectivas diferentes. A premissa podia dar para o torto, mas há um elemento que...

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