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BÚSSOLA

O NOVO RIO DE JANEIRO

DNA

PININFARINA – MUITO ALÉM DO DESIGN

ESPECIAL

PÓS-CONTEMPORÂNEO


xuxa lopes por clArA mADAlon leilane neubarth por renAtA nAHAr claudio lobato por serGIo pAUlo rAbello fernanda keller por crIstInA GrossI e AnDréA GrossI patricia brandão por cArolInA cAtAlÃo carlinhos de jesus por clAUDIA pImentA e pAtrIcIA frAnco bruno chateaubriand e andré ramos por mArIo brAsIl carlos casagrande por fábIo cArDoso e AleXAnDre lobo elisa lucinda por roselI müller carlos araújo por clAUDIA brAssAroto francesca romana diana por robertA DevIsAte carlos machado por cArlos cesAr noronHA lenny niemeyer por lUIZ fernAnDo GrAbowsky rodrigo hilbert por mArcIA meIrA david brazil por elAIne crIstInA sAntos carlos vergara por fábIo boUIllet e roDrIGo JorGe totia meireles por reGInA távorA e verA mIQUelottI rudi Werner por mArIlene GAlInDo luiz calainho por AnA lúcIA JUcá ana botafogo por crIstInA côrtes e clAUDIA sAnt’AnnA nina kauffmann por leIlA DIoníZIo andrea rudge por mônIcA GervásIo vanda klabin por GIsele tArAnto carlos tufvesson por AnDré pIvA claude troisgros por Joy GArrIDo ana maria braga por JAIro De senDer toz por betH frAnco, eDUArDA AbUD e robertA AbUD celso kamura por GAbrIelA eloy e cArolInA trAvAGlInI


casashopping: Av. Ayrton sennA, 2.150 - bloco k | t.: 3325 7667 | www.ArtefActobc.com.br


editorial O Rio de Janeiro continua lindo Esta nova edição da Revista B&C vem para saudar o novo Rio de Janeiro, pronto para sediar a final da Copa do Mundo este ano. A cidade está mais pronta do que nunca para os holofotes. E é em boa hora que chega ao Rio a nova Mostra, com ambientes deslumbrantes assinados pelos arquitetos mais importantes do País. O evento marca também um novo momento do CasaShopping, que passou por uma grande reforma e está pronto para esta nova fase. Ao meu caro Luiz Paulo Marcolino, meus sinceros Parabéns pelo belíssimo novo CasaShopping. Ao longo dos assuntos que se seguirão, buscamos pinçar aspectos do mundo atual e traduzir o que há de novo acontecendo no Brasil e no Mundo. O Brasil, a bola da vez no ano da Copa, mudou, se reinventou e melhorou. Vemos isso nas matérias de Arte com os novos artistas da cena brasileira e no perfil de Fred Gelli, designer responsável pelo selo dos nossos produtos exportação. Na seção À Mesa, os tours gastronômicos mostram um novo modo de se relacionar com a comida. O Cristo Redentor recebe de braços abertos a seção de Destinos, e assim como tantos turistas que receberemos esse ano, a matéria de Refúgio conta a história de um holandês que recebe em Trancoso os seus hóspedes. Dois outros textos também ajudam a entender esse momento pelo qual estamos passando. No Universo B&C, abordamos de maneira geral o que é ser (pós!) contemporâneo e em uma seção especial conversamos com o estudioso Ivan Mizanzuk sobre a atual situação e os rumos do design. Aproveito e ainda divido com vocês, nossos clientes e leitores, o projeto do Yacht House em Balneário Camboriú, feito em conjunto com a construtora Pasqualotto. O empreendimento será o primeiro do Brasil a contar com a assinatura do estúdio Pininfarina e suas unidades residenciais virão decoradas inteiramente com produtos Artefacto. É um orgulho colocar o Brasil ao lado de um nome tão importante para o design quanto é a Pininfarina. Na Mostra, nas lojas e nas próximas páginas, sejam bem-vindos e sintam-se em casa!

Boa leitura, Paulo Bacchi


expediente Paulo Bacchi Artefacto Internacional Bráulio Bacchi Carlos Frade José Luis Fabrício Pedro Torres Conselho Gestão Projeto Editorial LEMON DESIGN E COMUNICAÇÃO Al. dos Maracatins, 780 25º andar, cj. 2503, Tel.: (11) 4314-7052 São Paulo-SP www.studiolemon.com.br Cesar Rodrigues Diretor de Criação cesar@studiolemon.com.br Chico Volponi Diretor Executivo cvolponi@studiolemon.com.br Ernani Mesquita Eduardo Barletta Arte Ana Luiza Vaccarin Arte Final Ana Luisa Novato Revisão Jornalistas Felipe Finotto Luiz Claudio Rodrigues Fotos Edison Garcia Soraia Pierrot Marcio Iralá Vênancio Filho Coordenadora de Publicidade Meire Silva Produção Gráfica Edison Garcia Executivas de Conta Cindy Vega Clarice Mattiello Elisangela Lara Colaboradores Ailton Alves, Anderson Oliveira, Daniel Regis, Ivan Alexander Mizanzuk, Karina Dale, Renata Caetano e Tânia Rodrigues

24 | MARÇO 2014


ÍNDICE 30

MOSTRA ARTEFACTO 2014 Os ambientes idealizados pelos mais badalados profissionais do mercado de arquitetura e decoração

88

UNIVERSO B&C

E a busca pelo novo já nos leva a pensar no pós-contemporâneo

94 ESPECIAL

Pós-Contemporâneo

104 LEITURA

A viagem pela infância do autor Antonio Prata fotógrafo e também escritor

108 ARTE

Uma nova geração de artistas apresenta um novo modo de fazer pintura

28 | MARÇO 2014


118 DNA

Pininfarina, referência mundial no design industrial, arquitetura e design de interiores

128 REAL ESTATE

YACHTHOUSE empreendimento no Balneário Camboriú com assinatura das melhores grifes

138 À MESA

Os tours gastronômicos que atraem gourmets exigentes

146 BÚSSOLA

O novo Rio se prepara para ser ainda mais o centro das atenções

158 170 PERFIL

Fred Gelli, o designer que usa a natureza como inspiração

MODA

Onde termina o artesanal e começa o design?

162 178 ARCHITECTURE

O design nos centros olímpicos

REFÚGIO

A sofisticação despretensiosa do sul da Bahia

MARÇO 2014 | 29


2

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1

4

FOTOS EDISON GARCIA, MARCIO IRALA E SORAIA PIERROT

apoio exclusivo

ASSESSORIA DE IMPRENSA


1 - André Piva

11 - Claudia Brassarotto

21 - Ana Lúcia Jucá

2 - Gisele Taranto

12 - Gabriela Eloy e

22 - Marilene Galindo

3 - Beth Franco, Eduarda Abud e Roberta Abud

Carolina Travaglini 13 - Roseli Müller

23 - Regina Távora e Vera Miquelotti

4 - Joy Garrido

14 - Clara Madalon

24 - Fábio Bouillet e

5 - Jairo de Sender

15 - Renata Nahar

6 - Carolina Catalão

16 - Sérgio Paulo Rabello

25 - Elaine Cristina Santos

7 - Cristina Grossi Magalhães e Andrea Grossi

17 - Roberta Devisate

26 - Márcia Meira

Rodrigo Jorge

8 - Cláudia Pimenta e Patricia Franco

18 - Mônica Gervásio

27 - Luiz Fernando Grabowsky

9 - Mário Brasil

19 - Leila Dionísio

28 - Carlos César Noronha

10 - Fábio Cardoso e Alexandre Lobo

20 - Cristina Côrtes e Cláudia Sant’anna

(Maranhão)


CASA DE CAMPO |

Tel. (21) 2512-2985 | clara.maldon@gmail.com

FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

XUXA LOPES POR CLARA MADALON


FOTO: MARCIO IRALÁ


LEILANE NEUBARTH POR RENATA NAHAR QUARTO DE CASAL DA SERRA |

Tel. (21) 3586-9709 | re.nahar@gmail.com


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


CLAUDIO LOBATO POR SERGIO PAULO RABELLO HOME THEATER – CASA Da montanha |

Tel. (27) 2123-1975 | sergio@sergiorabello.com.br


FOTO: MARCIO IRALÁ

FERNANDA KELLER POR CRISTINA E ANDREA GROSSI SALA DE JANTAR – CASA DE PRAIA |

Tel. (21) 2717-4042 | cristinagrossi_arquitetura@yahoo.com.br


FOTO: MARCIO IRALÁ

PATRICIA BRANDÃO POR CAROLINA CATALÃO ESCRITÓRIO DA COLECIONADORA DE ARTES E CONSULTORA DE ESTILO Tel. (21) 2511-3790 | projeto@carolinacatalao.com.br


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

CARLINHOS DE JESUS POR CLAUDIA PIMENTA E PATRICIA FRANCO HOME THEATER NA PRAIA |

Tel. (21) 2437 – 0323 | gpa@centroin.com.br


BRUNO CHATEAUBRIAND E ANDRÉ RAMOS POR MARIO BRASIL QUARTO DE CASAL NA PRAIA |

Tel. (21) 2522 – 3303 | m.brasilarquitetura@hotmail.com


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


CARLOS CASAGRANDE POR ALEXANDRE LOBO E FABIO CARDOSO LIVING COM JANTAR NA PRAIA |

Tel. (21) 2512 – 8128 | af@afarquitetura.com.br


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

ELISA LUCINDA POR ROSELI MÜLLER QUARTO DE POESIA |

Tel. (21) 2132 -8128 | roselimuller@globo.com


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

CARLOS ARAÚJO POR CLAUDIA BRASSAROTO ENCONTRO DAS ARTES |

Tel. (21) 3328 – 6404 | claudiabrassaroto@gmail.com


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


FRANCESCA ROMANA DIANA POR ROBERTA DEVISATE LIVING COM JANTAR - OLHAR CONTEMPORÂNEO |

Tel. (21) 2714-0629 | contato@robertadevisate.com.br


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


CARLOS MACHADO POR CARLOS CESAR NORONHA (MARANHテグ) ESTAR/JANTAR |

Tel. (21) 2512-6692 | ccesarn@hotmail.com


FOTO: MARCIO IRALÁ


LENNY NIEMEYER POR LUIZ FERNANDO GRABOWSKY LIVING - FAMILY ROOM |

Tel. (21) 2534-3474 | grabo@uol.com.br


LIVING COM JANTAR – CASA DE CAMPO |

Tel. (21) 2492-2922 | marcia@marciameira.com.br

FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

RODRIGO HILBERT POR MARCIA MEIRA


DAVID BRAZIL POR ELAINE CRISTINA SANTOS APTO. CONTEMPORÂNEO – LIVING/JANTAR/QUARTO |

Tel. (21) 3153-7932 | elaine.ramos.santos@gmail.com


FOTO: MARCIO IRALÁ


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


CARLOS VERGARA POR Fテ。IO BOUILLET E RODRIGO JORGE LOFT DO ARTISTA |

Tel. (21) 3150-2705 | fabio@artisdesign.com.br rodrigojorge@artisdesign.com.br


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

TOTIA MEIRELES POR REGINA TÁVORA E VERA MIQUELOTTI QUARTO DE HÓSPEDES |

Tel. (21) 2667-9008 | reginatavora@ig.com.br vmiquelotti@bol.com.br


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


RUDI WERNER POR MARILENE GALINDO ADEGA COM JOGOS |

Tel. (21) 3325-5276 | marilenegalindo@gmail.com


ESTAR E LOUNGE CONTEMPORÂNEO |

Tel. (21) 2495 -8242 | analuciajuca@alj.arq.br

FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

LUIZ CALAINHO POR ANA LÚCIA JUCÁ


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

ANA BOTAFOGO POR CRISTINA CÔRTES E CLAUDIA SANT’ANNA LIVING INTEGRADO |

Tel. (21) 3152-3941 | cristina.cortes@globo.com


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


NINA KAUFFMANN POR LEILA DIONÍZIO HOME THEATER HIGH TECH |

Tel. (21) 2025-2106 | leiladionizio@leiladionizio.com.br


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


ANDRÉA RUDGE POR MÔNICA GERVÁSIO LOFT – PRIMEIRO APTO DO JOVEM |

Tel. (21) 2714-4284 | monica_gervasio@hotmail.com


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

VANDA KLABIN POR GISELE TARANTO SALA DE TV |

Tel. (21) 2579-0448 | gtarquitetura@gtarquitetura.com gisele@gtarquitetura.com


CARLOS TUFVESSON POR ANDRÉ PIVA ESCRITÓRIO |

Tel. (21) 2512 – 8972 | arquitetura@andrepiva.com


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


CLAUDE TROISGROS POR JOY GARRIDO BISTROT |

Tel. (21) 3322-1692 | joy@joygarrido.com


FOTO: PATRICIA PRADO


ANA MARIA BRAGA POR JAIRO DE SENDER LOFT |

Tel. (21) 2495-0309 | jairodesender@jairodesender.com.br


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT


TOZ POR BETH FRANCO, EDUARDA E ROBERTA ABUD VARANDA/CAFÉ |

Tel. (21) 2492-3516 | eduarda@dudabud.com beth@bizarroarquitetura.com.br roberta@bizzarroarquitetura.com.br


FOTO: EDISON GARCIA / SORAIA PIERROT

CELSO KAMURA POR GABRIELA ELOY E CAROLINA TRAVAGLINI camarim |

Tel.: (12) 31650533 | gabriela@eloyetravaglini.com carolina@eloyetravaglini.com


UNIVERSO B&C

ONTEM,

e

HOJE

AMANHÃ POR FELIPE FINOTTO FOTOS DIVULGAÇÃO

88 | MARÇO 2014


A constante busca pelo novo já nos leva a pensar em um momento póscontemporâneo. Mas, afinal, como afinar a nossa relação de espaço, tempo e vontades?

Acima: A polêmica obra Vaca de Damien Hirst: uma vaca fatiada e conservada em formol. Assim como o artista, a arte póscontemporânea instiga o sentido da vida e provoca um novo olhar sobre as verdades universais e absolutas.

E

m 2004, após passar por uma reforma de dois anos, o Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York reabriu suas portas ao público depois de algum tempo instalado provisoriamente em um prédio no Brooklyn nova-iorquino. Apesar da nova configuração controversa do museu, na qual algumas salas são interligadas sem formar um caminho específico e determinado para os visitantes, os curadores optaram por essa solução por acreditarem que na arte movimentos diversos ocorrem e se expressam de maneira concomitante a outros, sem ocorrer a exclusão ou término de outro movimento. Apesar do MoMA ser um museu de arte moderna e não contemporânea, essa solução arquitetônica reflete o espírito e pensamento de nossa atual época. A começar pelo significado da própria palavra Contemporâneo, que traduz a existência de duas ou mais pessoas, objetos ou ideias ao mesmo tempo. Na Bienal de Arte de São Paulo de 2010, o tema-base utilizado foi a obra do pensador Roland Barthes titulada Como Viver Junto, na qual ele debate os paradoxos do uso da palavra Contemporâneo como o ritmo individual de cada pessoa, sua relação com o espaço, tempo e outras pessoas. >> MARÇO 2014 | 89


UNIVERSO B&C

A obra de Barthes foi escrita em 1977, mas suas ideias continuam atuais. No mundo de hoje, digital, globalizado e conectado, muitas pessoas desejam parar de viver juntas mesmo sendo praticamente inviável viver solitariamente. Outra questão levantada por ele quanto à contemporaneidade é exemplificada pela arte: qual é o momento em que uma obra se torna arte: quando ela é feita ou quando ela é apresentada ao público pela primeira vez (muitas vezes anos depois)? Incitações à parte, para entendermos o pós-contemporâneo que aos poucos emerge entre estudiosos, filósofos e artistas precisamos retratar o momento e escopo da arte contemporânea para saber onde há uma quebra de rumos e direções. Peter Osborne, diretor da Faculdade de Filosofia Moderna da Universidade de Kensington, em Londres, tem uma das melhores obras sobre o assunto, o livro “Em Qualquer Lugar ou em Lugar Nenhum: a Filosofia da Arte Contemporânea”. Osborne afirma que a arte contemporânea é decorrente da ampla aceitação de que todos os materiais, e não apenas as mídias tradicionais como pintura, escultura e desenho podem ser colocadas em uma obra de arte. Além disso, ele aceita que para ser contemporânea uma obra deve unir dois métodos ou meios no mesmo lugar e tempo, descaracterizando a provocação do modernismo de focar em uma apelação política, econômica - Warhol e suas latas de sopa Campbells, por exemplo - e religiosa de forma direta. Com a invenção da fotografia, um dos turning-points para a arte moderna, uma das maiores preocupações desde o início do século XX foi a questão do que constitui a arte. No período contemporâneo, o conceito de vanguarda entra em jogo entre galerias, museus e colecionadores para determinar o que é uma tendência e o que é simplesmente uma produção marginal. Propaganda e entretenimento, em algumas circunstâncias, foram considerados gêneros de arte durante o período de arte contemporânea. 90 | MARÇO 2014

O pensador Roland Barthes, cuja obra “Como Viver Juntos?” discute a relação de tempo e espaço da contemporâniedade.

Pintura de latas de sopa Campbell de Andy Warhol, símbolo máximo da pop-art modernista.


Os arquitetos suíços Herzog & de Meuron e um detalhe da fachada do estádio de Munique projetado por eles. A dupla figura entre os profissionais considerados pós-contemporâneos.

Pós-Contemporâneo ou Metamoderno? Existe um consenso de que o que compõe uma época dificilmente pode ser percebido enquanto essa determinada época ainda estiver em seus estágios iniciais. No entanto, um tema recorrente nas tentativas de definir pós-contemporâneo é que a fé, a confiança, o diálogo, o desempenho e a sinceridade possam trabalhar para transcender a ironia, característica contemporânea ou pós-moderna. Em 2010, os teóricos culturais holandeses Timóteo Vermeulen e Robin van den Akker, responsáveis pelo Centro de Estudo de Novas Estéticas da Universidade de Nijmegen, introduziram o termo metamodernismo como uma intervenção no debate pós-contemporâneo. >> MARÇO 2014 | 91


UNIVERSO B&C

Acima: O relógio espelhado e desconstruído de Ólafur Elíasson . O artista também é o autor da obra na página oposta, parte do acervo permanente da Galeria Boros em Berlim. Na página ao lado: De terno, o cineastra Spike Jonze, cujo filme Ela recebeu o Oscar por melhor roteiro original ao discutir o relacionamento entre um humano e um sistema operacional de computadores. Assim como Elíasson e Jonze, o escritor Haruki Murakami também faz parte da geração de artistas Metamodernos.

Em seu artigo "Notas sobre metamodernismo” eles afirmam que a década de 2000 é caracterizada pelo surgimento de uma sensibilidade que oscila entre e além das posições de estratégia modernas e pós-modernas. Como exemplos da sensibilidade metamodernas, os autores citam uma “ingenuidade informada” e um "fanatismo moderado” como respostas culturais para as alterações climáticas, a crise financeira e (geo) instabilidade política. A expressão Metamoderna cunhada pelos holandeses usa o prefixo "meta" não se referindo a alguma postura reflexiva ou ruminação repetida, mas usando o termo “metaxy” de Platão, que evoca um movimento entre pólos opostos, bem como além. Seguindo esses preceitos apresentados, já existem exemplos de artistas

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pós-contemporâneos com uma produção consistente. Da arquitetura do escritório suíco Herzog & de Meuron, responsável pelo projeto da Arena Munich em Munique e ganhador do prêmio Pritzer de arquitetura em 2001 ao cinema de Wes Anderson e Spike Jonze, diretor do premiado filme Ela (2013) e Onde Vivem Os Monstros (2009), suas obras são caracterizadas pela oscilação contínua e reposicionamento constante das verdades universais e relativas. Os artistas plásticos Ólafur Elíasson e Peter Doig e os escritores Haruki Murakami e Roberto Bolaño também utilizam suas obras para analisar o sentido da vida variando entre esperança e melancolia, sabedoria e ingenuidade e construção e desconstrução, como afirma o autor e crítico turco Genco Gulan no seu livro Camerica.


“Designers e pessoas em geral são muito atraídos pelo "novo", mas nada envelhece mais rapidamente do que a novidade. Então eu decidi, há muito tempo, que cada projeto meu iria encarnar o meu respeito pelo passado. Todos os meus objetos refletem este tipo de casamento entre passado e presente” Marcel Wanders

Qualquer que seja o termo a ser utilizado para definir o tempo que virá depois do que vivemos agora, ou que vivemos até pouco tempo atrás, o importante é perceber uma mudança nos valores questionados ultimamente e que certamente trarão novas resoluções quanto ao design, estilo de vida e consumo do mundo atual. Essa mudança, sutil ou não, refletirá também no modo em que nos comportamos e nos relacionamos. A arte, catalizadora e antecipadora do espírito do tempo, já começa a nos mostrar esses novos caminhos. Cabe a nós agora esperá-los ou nos movermos para alcançá-los mais rápido.

O Spaceport, aeroporto para naves espaciais

MARÇO 2014 | 93


ESPECIAL

No pós-contemporâneo, a vanguarda cede espaço ao individual. No lugar de correntes artísticas, a exposição pública de um criador caminhará lado a lado com sua arte, sem regras e inúmeras possibilidades.

PROJETO NO

PÓS-CONTEMPORÂNEO: PARA ONDE VAMOS? POR IVAN ALEXANDER MIZANZUK FOTO VÊNANCIO FILHO

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A Basílica Santa Maria Del Fiore, em Florença, é considerada de fundamental importância para a história da arquitetura por se tratar da primeira obra da renascença italiana.

P

erguntar sobre o futuro de qualquer coisa é sempre uma tarefa perigosa. O risco de errar, e talvez ser lembrado por isso, existe. Ainda assim, conscientes do problema, não impedimo-nos de arriscar esse salto. Para termos alguma segurança nessas previsões, precisamos de alguns parâmetros essenciais para a análise. A ideia é aprendermos com o passado para podermos compreender o futuro. Portanto, permitam-me uma rápida retomada sobre o que vimos acontecer no design e na arquitetura, áreas irmãs de projeto, nos últimos séculos. Um ponto de partida seguro para iniciarmos nossa análise seria o trabalho de Brunelleschi, no seu famoso projeto do domo da igreja de Santa Maria Del Fiore, em Florença, no século XV, quando o espírito renascentista já era visível naquela região da Itália. Costuma-se dizer que Brunelleschi inaugura o ofício do “arquiteto solitário”,

aquele profissional que não mais trabalharia no canteiro da obra, mas sim exclusivamente na sua concepção – em outras palavras, no projeto, utilizando-se inclusive de ferramentas e técnicas que poucos, além dele, saberiam ler. Há aqui a inauguração de uma nova relação no poder criativo: o projetista passa a ser aquele que concebe o desenho e repassa para uma mão de obra especializada no canteiro. Ocorre, aqui, uma das mais importantes cisões entre o trabalho intelectual e o manual no campo, quebrando assim o estabelecido modelo de trabalho medieval. Saltando alguns séculos, verificamos, a partir do século XVIII, a formação do estilo Rococó, que se difundirá por toda a Europa. Marcado por uma plasticidade que enfatiza o fator decorativo do ambiente, as construções Rococó possuem uma característica forte: a fusão da preocupação das artes plásticas ao ambiente construído. >> MARÇO 2014 | 95


ESPECIAL

A Galeria dos Espelhos no Palácio de Versailhes, com seus 17 espelhos em arco que refletem as 17 janelas igualmente arcadas, demonstra a opulência do movimento Rococó francês.

Três áreas que sempre dialogavam, mas nunca haviam sido definitivamente mescladas em suas concepções (arquitetura, pintura e escultura), passam agora a andar juntas, especialmente na cultura de castelos franceses, tornando-se nova normativa na consciência projetual dos profissionais da época. Arrisco dizer que é nesta época que há a formalização da prática que, nos dias de hoje, será chamada de “design de interiores”, o que já remete também à necessidade do planejamento do mobiliário interno de acordo com as demandas formais do ambiente que o abriga. Um novo salto temporal e encontramo-nos no meio do marasmo estilístico que a arquitetura sofreu durante o século XIX, excetuando-se experimentações localizadas como o Art Nouveau – movimento que influenciou bastante o campo gráfico, especialmente com o surgimento de um novo tipo de publicidade, graças às novas técnicas de impressão. No campo do design de móveis, também no século XIX, destaca-se o movimento Arts &

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Crafts, de William Morris, como resistência aos modos de produção industrial, que já vem dando suas caras no final do século XVIII.

O racionalismo metodológico e o nascimento do projetista Mas será no século XX, a partir da experiência da escola alemã Bauhaus, que um novo modo de concepção projetual entrará em cena, de maneira mais organizada. Será marcado pela crítica ao academicismo que imperava nas escolas de arquitetura e artes, prezando por uma abertura do campo às novas possibilidades que os meios industriais ofereciam. Um novo movimento ganha forças no âmbito institucional, o Modernismo, que marcará a produção projetual na arquitetura, artes e design de maneira quase hegemônica, levantando a bandeira do racionalismo como método “correto”. Curioso notar que esta ideologia, que antes prezava-se por ser contra a norma estabelecida, passa a ser em certo momento a própria norma.


William Morris, precursor do movimento Arts And Crafts, que também tornou-se conhecido pelas estampas florais Liberty de inspiração oriental.

Na realidade, a proposta inicial da Bauhaus prezava por um experimentalismo maior do que nosso estereótipo sobre a escola às vezes gosta de pensar. A Bauhaus como portadora de um discurso rigorosamente formalista, levando a ferro e fogo o lema “forma segue a função” do americano Louis Sullivan, é apenas verdadeira nos seus últimos anos de sua existência. Independente das visões que formamos sobre ela, o método racionalista pregado nos seus últimos anos imperou por grande parte do século XX, fundamentando com maior força o que seria considerado como Modernismo e instaurando o que mais tarde seria chamado de “Estilo Internacional”. O termo chama a atenção: é internacional por ser tão científico e, portanto, neutro, que se adaptaria a qualquer região, independente da sua cultura. Houve resistências, mas poucas tiveram a potência daquelas oriundas da década de 1960, o que convencionamos chamar de “estilo contemporâneo”, ou ainda, para os mais ousados, “pós-moderno”, especialmente na década de 1970. Em seu livro “Arte Contemporânea”, a autora Anne Cauquelin define esse estilo, especialmente no campo artístico, como a introdução da consciência do caráter de consumo no pensamento projetual. A porta aberta pelo modernismo, que visava uma quebra de certos elitismos (no caso, o academicismo combatido) em prol de uma democratização do projeto, ou ao menos uma denúncia dos tênues limites sob os quais os críticos de arte passeavam em suas formações de opiniões, permitiu também aos artistas e projetistas criticar as próprias bases do discurso racionalista/modernista, dando vazão a novas experimentações que visavam agora não necessariamente o consumo dos frutos do projeto em si, mas também da própria imagem do projetista. Dito de outra forma, a postura contemporânea pode ser resumida na seguinte frase: não se usufrui apenas do resultado do projeto, mas sim da figura daquele que a projetou, podendo ser um artista, um arquiteto ou um designer. Entra no mercado a personalidade daquele que concebe o projeto, um movimento que começou, de acordo com nossa breve análise, no Renascimento, mas que ganha novas dimensões nos dias de hoje. >> MARÇO 2014 | 97


ESPECIAL

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8. A Escola Bauhaus e seus frutos 1. A residência Farnsworth,

nos EUA, de 1950, projetada por Mies Van Der Rohe. 2. A  luminária 6631, desenhada por Christian Dell no começo dos anos 1930. 3. A  cadeira Wassily desenhada por Marcel Breuer em 1925. 4. O  alemão Mies Van Der Rohe, diretor da escola Bauhaus, famoso por obras em que predominavam retas, formas geométricas simples e falta de ornamentos. 5. A linha para chá e café

de Marianne Brandt. 6. O prédio da Bauhaus,

em Dessau atualmente. 7. As mesas laterais B9

de Marcel Breuer. 8. A casa em Barcelona

projetada por Van Der Rohe para a Feira Mundial de 1929.

MARÇO 2014 | 99


ESPECIAL

No design, poderíamos nos perguntar em que outro momento da história o espremedor de Philippe Starck teria sido o sucesso ‘cult’ que é? E as soluções gráficas de David Carson? E os projetos arquitetônicos de Calatrava? Somente nos tempos de hoje, em que o espetáculo sobrepõe-se ao real, nos termos do filósofo situacionista Guy Debord, é que tais “maluquices” poderiam ocorrer. Pela primeira vez na história, consumimos não mais o resultado do projeto, mas o projetista em si e a ideologia que ele representa. Importante deixar claro que, ao falar tais coisas, não estou criticando o trabalho desses profissionais. Pelo contrário, sou fã de todos. Contudo, chama-me a atenção que, se antes falávamos em “forma segue a função”, o paradigma atual parece prezar por uma “forma pela forma”, em que a plasticidade do projeto é mais potente do que a bandeira da funcionalidade, tão pregada pelo modernismo. E para onde vamos agora? O que vimos nos últimos 100 | MARÇO 2014

séculos permite-nos calcular o próximo passo do campo projetual? Acredito que sim. Na breve análise que apresentei, concluo o seguinte: se Brunelleschi ficou famoso por resolver um problema que poucos seriam capazes em seu tempo e, com o passar dos anos, vimo-nos envoltos em um cenário que busca cada vez mais o consumo do autor, dentro de uma lógica “espetacular”, parece-me que estamos adentrando em um cenário em que cada vez menos veremos os fenômenos de vanguardas, no sentido de entendê-las como diretrizes formais/metodológicas que exprimem as ideologias de um determinado grupo. Passamos do coletivo e adentramos no individual. Se Andy Warhol disse certa vez que “um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama”, podemos imaginar que amanhã, graças às plataformas de divulgação pessoal (balizadas especialmente pela internet), os grandes projetistas do pós-contemporâneo deverão ser também grandes comu-


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1. Auditório de Tenerife,

projetado pelo espanhol Santiago Calatrava. 2. P rojeto gráfico de David Carson para Revista Ray Gun 3. E spremedor de laranjas de Phillip Stark.

1.

nicadores de suas ideias. Pouco importa sua eficiência projetual. A lógica do espetáculo é justamente a de que não há necessidade de haver grande profundidade, desde que ele repercuta devidamente nos meios influentes. Eu faria apenas um adendo à conclusão de Warhol: ao invés de 15 minutos, a fama do projetista pós-contemporâneo pode durar 50 anos ou 15 segundos. Isso dependerá da sua habilidade comunicativa. Tudo isso já havia sido profetizado, em certa medida, por Duchamp e seus “ready-made”, mas acredito que nem o próprio teria sido capaz de imaginar o desenrolar de suas suspeitas, especialmente após o espantoso desenvolvimento dos meios de comunicação de massa de sua época para cá. Com isso, não desejo dizer que o projetista do amanhã, seja ele arquiteto ou designer, possui menos responsabilidades. Minha impressão é a de que o nível de responsabilidade só aumenta, pois a exposição públi-

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ca de sua pessoa deverá andar junto ao seu processo de trabalho. Um exemplo recente disso é a repercussão negativa dos vários problemas estruturais apresentados em alguns dos projetos do arquiteto Santiago Calatrava, que sofre agora consequências legais pelos mesmos. Críticas recentes a trabalhos de outros arquitetos, como a sede da CCTV (China) de Rem Koolhaas, e a fachada de vidro da torre Walkie Talkie (Inglaterra), de Rafael Viñoly, também seriam ilustrações desse cenário. Nesta perspectiva, prevejo que o futuro dos profissionais que lidam com projetos é um cenário de inúmeras possibilidades, sem necessariamente uma regra a ser seguida, mas que vai depender muito da relação dele com os próprios meios de comunicação que o cercam. Há uma pluralidade de estilos no ar, que podem ser aceitos ou recusados, bastando a articulação coerente daquele que adota uma determinada estética. >> MARÇO 2014 | 101


ESPECIAL

Neste sentido, o Brasil parece-me ser um ótimo campo de experimentações. Empresto a análise do sociólogo francês Michel Maffesoli, quando ele diz que o Brasil é um laboratório da pós-modernidade – entendendo este termo como um período de transição que encerra o moderno e dá espaço para um novo paradigma do qual ainda não sabemos exatamente as diretrizes. Apesar dos inúmeros problemas sociais que enfrentamos, temos a aparente vantagem de sabermos lidar com certas diferenças e tensões ideológicas que em alguns lugares da Europa parecem ser determinantes para impossibilidade da experimentação, dado o peso das tradições lá existentes. Logo, nosso campo criativo apresenta-se extremamente diversificado e heterogêneo, indo ora para experimentações estéticas radicais, como no caso do trabalho de designers como Rico Lins e Eduardo Recife, até um maior rigor metodológico-formal, como no caso da Tátil Design. Todos esses exemplos citados parecem seguir características essenciais a esta nova postura projetual que acredito que será determinante no futuro: eficiente comunicação com o público (vide a qualidade de seus websites, por exemplo) e forte defesa de suas soluções apresentadas – mesmo que contrastantes. Há espaço para todos neste pós-contemporâneo que se abre para nós. Cabe apenas a devida atenção às necessidades de defesa coerente das soluções apresentadas. O projetista do futuro, seja ele designer ou arquiteto, deve ser, acima de tudo, um grande orador para disseminar sua ideia com responsabilidade e consciência de que, caso não cumpra com suas promessas, será fortemente cobrado por isso.

Ivan Alexander Mizanzuk Doutorando em história do design brasileiro e professor na PUC-PR e UniBrasil, em Curitiba. Idealizador do AntiCast, podcast brasileiro sobre design, artes e comunicação, e um dos autores do livro “Existe Design? – Indagações Filosóficas em três vozes”, lançado em 2013 pela editora 2AB. Em suas pesquisas, busca estabelecer um diálogo entre o design e uma abordagem interdisciplinar das ciências humanas.

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O sociólogo francês

Michel Mafessoli, que entende o Brasil como um laboratório da pósmodernidade. Abaixo,

o edifício-sede da Televisão Central da China, um curioso arranha-céu em Pequim desenhado por Rem Koolhaas, que parece desafiar a gravidade.


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LEITURA


Infância nua e crua O jovem Antonio Prata embarca em uma viagem por sua infância e leva o leitor para um passeio sobre os questionamentos e descobertas da fase mais pura (será?) de nossas vidas. POR FELIPE FINOTTO FOTOS ACERVO PESSOAL

Ler um livro de memórias de um autor de apenas 36 anos pode parecer, a princípio, um pouco prematuro, mas esse não é o caso de “Nu, de botas” do cronista Antonio Prata. Tido como um dos maiores escritores de sua geração, Prata passeia intimamente por sua infância, trazendo à tona um peculiar olhar sobre essa fase de sua vida. Os textos não são memórias do adulto que olha para trás e revê sua trajetória com nostalgia ou distanciamento. Ao contrário, o autor retrocede ao ponto de vista da criança, que se espanta com o mundo e a ele confere um sentido muito particular - cômico, misterioso, lírico, encantado.

Para quem nasceu nos anos 80 ou um pouco antes, como o autor, há um deleite assustador ao perceber as mudanças do mundo desde então. Apesar do pouco tempo transcorrido desde então, essa geração foi a última a ter uma infância pré-internet e computadores, o que resulta em trechos que nos remetem a uma época tão distante, ainda que tão próxima. As próprias mudanças no comportamento social aparecem ali descritas, como em uma passagem onde Prata se recorda de passear de carro deitado de ponta cabeça enquanto seu pai dirigia, quando cinto de segurança não era nem obrigatório nem um costume das pessoas. >> MARÇO 2014 | 105


LEITURA

O mundo de descobertas e questionamentos da infância traz às páginas de “Nu, de botas” outros tantos insights, como o primeiro amor, as primeiras perdas... A capa nonon nonon

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O mundo de descobertas e questionamentos da infância traz às páginas de “Nu, de botas” outros tantos insights, como o primeiro amor, as primeiras perdas, a chegada de uma irmã, a tentativa de compreender o mundo dos adultos e, claro, os adultos em si. Por que cada pai e mãe trata seus filhos de forma tão diferente? Como é possível as casas teoricamente iguais terem seus cômodos e móveis em outros lugares? Por que a mãe do meu amigo não o deixa ver certos programas de TV? E por falar em televisão, a passagem sobre sua expectativa de conseguir falar com o palhaço Bozo por telefone leva a um sorriso instantâneo no leitor. Esse reflexo sobre a trivialidade da vida não é novidade para o autor, cronista semanal do jornal Folha de São Paulo. Antonio, filho dos também escritores Mário Prata e Marta Góes, começou sua carreira escrevendo crônicas quinzenais na revista Capricho. Desde então publicou uma série de livros, entre os quais “Adulterado” e “Meio Intelectual, Meio de Esquerda”, obra que pega emprestado o título um de seus mais famosos bordões. Esse livro, com uma coletânea de seus textos, o colocou imediatamente ao lado de outros grandes cronistas brasileiros, como Rubem Braga, Millôr Fernandes, Fernando Sabino e Luis Fernando Verissimo, além, claro de seu pai. Esse olhar observador de Prata escancara em textos sensações do cotidiano urbano com um olhar atento para os sentimentos escondidos na cidade. Essa sensibilidade o colocou para figurar entre os integrantes da edição  Os melhores jovens escritores brasileiros, da revista inglesa  Granta, e também rendeu o convite para escrever o roteiro, junto com João Emanuel Carneiro, da novela Avenida Brasil. Para nossa sorte, a jovialidade e voracidade na produção literária do autor ainda nos permitirá ler muitas outras (ótimas) palavras suas.


Fundação Biblioteca Nacional, 9 milhões de obras e documentos.

A Fundação Biblioteca Nacional Você sabia que o Brasil tem a sétima maior biblioteca do mundo e a maior da América Latina? Pois bem, a Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro é considerada pela UNESCO como uma das mais completas e importantes coleções literárias do mundo, já que seu acervo de cerca de nove milhões de obras e documentos reúne não só importantes peças de nossa história como também parte da história de Portugal. Fundada em 1810 quando da vinda da família real portuguesa para o Brasil, ela já nasceu com um acervo de sessenta mil peças advindas da Real Biblioteca da Ajuda, em Lisboa. Com o crescimento do acervo, via doações, compras e até leis que obrigavam que uma cópia de cada livro impresso no Brasil e em Portugal fosse doada à Biblioteca, ela passou por diversos locais até chegar ao atual prédio, um palacete na Avenida Rio Branco em frente à Praça da Cinelândia, compondo com o Museu Nacional de Belas Artes e o Teatro Municipal um conjunto arquitetônico e cultural de grande valor. Inaugurada em 1910 com arquitetura neoclássica acompanhada de elementos art nouveau, a bela construção conta com ornamentos de artistas como Eliseu Visconti, Henrique e Rodolfo Bernardelli e Rodolfo Amoedo. Entre as coleções incorporadas ao acervo da Biblioteca Nacional, deve ser mencionada, pelo seu valor histórico e preciosidade, a Coleção Thereza Christina

Maria, doada em 1891 pelo Imperador D. Pedro II com o desejo expresso de que conservasse o nome da Imperatriz. É composta de 48.236 volumes encadernados e inúmeras brochuras, sem contar folhetos avulsos, fascículos de várias revistas literárias e científicas, estampas, fotografias, partituras musicais e mais de mil mapas geográficos impressos e manuscritos. Dão cunho especial a essa importante coleção, a maior recebida pela biblioteca em todos os tempos, as numerosas dedicatórias autografadas dos autores ao Imperador e à Imperatriz. Também importante foi a doação do arquivo da Casa dos Contos de Ouro Preto, que compreende documentos da administração de Minas Gerais nos séculos XVIII e XIX, com precioso material para o estudo da história da mineração, quintos, contrabando de ouro e diamantes, bandeiras e da Inconfidência Mineira.  Para garantir a manutenção de seu acervo, a Fundação Biblioteca Nacional possui laboratórios de restauração e conservação de papel, estando apta a restaurar, dentro das mais modernas técnicas, qualquer peça do acervo que precisar desse serviço. Possui também oficina de encadernação e centro de microfilmagem, fotografia e digitalização. Em 2000 foi inaugurado o moderno auditório Machado de Assis e uma galeria para exposições com os requisitos ideais de luz e temperatura. Para celebrar sua abertura, o espaço recebeu a magnífica exposição “Brasil 500 anos na Biblioteca Nacional” MARÇO 2014 | 107


ARTE

COLOR BLOCK Com variedade de técnicas e materiais, uma nova geração de artistas plásticos apresenta um novo modo de fazer pintura. Cada um ao seu modo fixa o tempo em imagens que parecem refletir um novo olhar sobre a mesma paisagem. POR LUIZ CLAUDIO RODRIGUES

Domingas, 2012, óleo sobre tela, Marina Rheingantz

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ARTE 1.

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arte do começo do século 21 se apresenta com tantas vertentes que fica difícil agrupar artistas que seguem a mesma cartilha. Multifacetada, estilisticamente imprevisível e em vias de se cristalizar como referência de uma época, talvez a arte dos dias de hoje possa ser avaliada apenas com a observação dos artistas. Ou melhor, com a criação dos artistas. Se no cenário internacional nomes como os de Damien Hirst, Ólafur Elíasson, Jeff Koons e Cindy Sherman se firmaram nos últimos vinte anos, no Brasil temos um time que se consolidou no mercado de arte, como Beatriz Milhazes, Ernesto Neto, Vik Muniz, Os gêmeos e Adriana Varejão, entre outros. Mas precisamos ir além para investigar o pós-contemporâneo nas artes visuais. Se debruçar sobre a nova geração que desponta e está um passo à frente dos artistas consagrados. É o caso de artistas que estão na faixa dos trinta anos e escolheram a pintura – plataforma dos mestres do Renascimento italiano – para imprimir uma marca. Entre eles, Marina Rheingantz, Rodrigo Bivar, Bruno Dunley, Lucas Arruda e Ana Elisa Egreja. Jovens que emergiram nos últimos dez anos e que viram na pintura um suporte legítimo para imprimir sua arte. Com exceção de Arruda, todos fazem parte do grupo 2000e8 e utilizam a técnica da pintura, em imagens abstratas ou figurativas, de um modo bastante particular. As pinturas a óleo de Marina fazem um mix de lugares reais e imaginários. De acordo com o catálogo de sua mais recente exposição individual, realizada na Galeria Fortes Vilaça no ano passado, seu trabalho faz uma redução geométrica da paisagem: “São pinturas que revelam uma atenção especial pelas bordas e margens dos campos de cor que se ressaltam através do uso de grossas camadas de tinta aplicadas de forma irregular ou através de linhas finas em tons acesos ou cores decompostas em muitos tons”. >> 110 | MARÇO 2014

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1. Camping, 2010, óleo sobre tela, Marina Rheingantz 2. S em título, 2012, óleo sobre tela, Marina Rheingantz 3. B  riso, 2012, óleo sobre tela, Marina Rheingantz 4. L ustre, 2012, óleo sobre tela, Marina Rheingantz

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ARTE

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“As imagens capturadas por Bivar encontram-se em um constante vaivém, como um paparazzo irritante ou um voyeur indiscreto”.

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Recortar um pedação da atmosfera em telas monumentais. É assim que alguns críticos de arte veem o trabalho de Rodrigo Bivar. Segundo a curadora e crítica de arte Lara Marmor, seu trabalho não busca a perfeição da pintura realista, mas atravessa a experiência da prática pictórica em que a linguagem figurativa está atravessada pela dimensão abstrata, que mistura tempo e espaço para configurar uma pintura sem território, profunda e parcimoniosa. “As imagens capturadas por Bivar encontram-se em um constante vaivém, como um paparazzo irritante ou um voyeur indiscreto”, brinca Lara. Em contraponto ao trabalho de Bivar, a arte de Ana Elisa Egreja conversa com a estética camp. De acordo com o jornalista especializado em artes plásticas Silas Martí, a artista cria cenas insólitas apenas para chegar à essência cromática. “Gosto de criar narrativas como se fossem colagens”, afirma a artista, que estimula sua criação com texturas, padrões e elementos decorativos. Na sua última individual, na Galeria Leme, cada tela apresentava um mundo diferente. >>

5. Graveto, 2012, óleo sobre tela, Rodrigo Bivar 6. Restauração, 2013, óleo sobre tela, Rodrigo Bivar 7. Sem Título, 2013, óleo sobre tela, Rodrigo Bivar

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ARTE

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“Ana Elisa busca, através da luz, cores e ornamentos, a fim de criar ambientes que transmitam ao espectador uma sensação utópica de harmonia, beleza e conforto e acaba por criar lugares irreais”, diz o catálogo da mostra. Com pinturas em escala pequena, o trabalho de Lucas Arruda, segundo a revista DasArtes, apresenta modos variados de fazer a luz em cada tela. Na mostra individual Deserto-Modelo, exibida na Galeria Leme, o artista revelou uma séria de pinturas que congelam paisagens minimalistas. “Sua obra mostra, em geral, horizontes distantes e composições binárias onde cada cor da tinta migra suavemente para uma coloração distinta”, diz o catálogo da mostra. Com o mesmo grau de exigência na composição de suas pinturas, o artista Bruno Dunley foca sua arte nos volumes e no jogo de cores para formar imagens por meio de camadas de borrões. >> 114 | MARÇO 2014

9. 8. Jardim Refletido, 2013, óleo sobre tela, Ana Elisa Egreja 9. Duas Santas, 2013, óleo sobre tela, Ana Elisa Egreja

10. Casa Rosa, 2013, óleo sobre tela, Ana Elisa Egreja


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11. Sem Título, óleo sobre tela, Lucas Arruda 12. Sem Título, óleo sobre tela, Lucas Arruda

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ARTE

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“Sua obra mostra, em geral, horizontes distantes e composições binárias onde cada cor da tinta migra suavemente para uma coloração distinta”,

12. Feudo, 2012, óleo sobre tela, Bruno Dunley 13. Álbum,2013, óleo sobre tela, Bruno Dunley

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O portal da Galeria Nara Roesler – que representa seu trabalho na capital paulista – faz uma breve análise de seu trabalho. “Partindo de imagens encontradas ou fictícias, suas pinturas começam como composições cuidadosamente construídas, lentamente sofrendo correções que, às vezes, revelam lacunas na aparente continuidade da percepção”, avalia o texto crítico divulgado pela galeria. “O que eu pinto são aproximações, formas poéticas que falam da incerteza e da dúvida que creio serem parte da minha poesia. Eu vejo meu trabalho como uma série de perguntas e afirmações sobre as possibilidades da pintura, sobre o que é, e o que esperamos dela”, afirma o pintor. São jovens artistas que caminham na mesma estrada, mas com ritmo e passos, ou melhor, pinceladas diferentes. Uns enfatizam o desenho, tiram partido das colagens, outros se apoiam simplesmente na cor. Com essa pequena amostra da produção recente no circuito das artes brasileiro, a pintura parece ter vida longa nos próximos anos. 116 | MARÇO 2014


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DNA

À Frente Como um toque de Midas, o estúdio italiano Pininfarina transforma seus admiráveis projetos em elegância, essencialidade e inovação.


Tocha dos Jogos OlĂ­mpicos de Inverno de Turim, em 2006, feita pelo estĂşdio Pininfarina.

de seu tempo


DNA

C

POR FELIPE FINOTTO FOTOS DIVULGAÇÃO

onhecida mundialmente como grife de design e famosa principalmente pelo design de automóveis notáveis como a Ferrari, a italiana Pininfarina se destaca também no campo do design industrial, arquitetura e design de interiores. Fundada na década de 1930, em Turim, por Battista Farina, a empresa nasceu para construir carrocerias especiais para clientes particulares ou para séries limitadas de automóveis. Numa época que os carros eram reservados para a elite, sendo quase um brinquedo blasé de poucos, ter um projeto assinado pelo estúdio italiano era o luxo dos luxos. Entre os seus clientes figuravam governantes europeus, diplomatas e até mesmo marajás e xeiques, que começavam a coletar os primeiros royalties do petróleo. Lançado em 1931 no Salão do Automóvel de Paris, o primeiro carro oficialmente assinado pela empresa foi o Lancia Dilambda, embora também fossem de Battista o design do Fiat 518 Coupe e de modelos da Alfa Romeo e Isotta Fraschini. O designer italiano sabia que aqueles calhambeques ruidosos e caros logo se tornariam ferramentas de mobilidade individual para a massa, 120 | MARÇO 2014

assim como Ford anunciara anos antes. Portanto, focou seu trabalho em desenvolver modelos exclusivos, que sempre se destacariam entre a multidão, procurando melhorar a funcionalidade das engenhocas. Para isso, estudou aerodinâmica, não mais como um elemento simbólico, mas como uma metáfora da velocidade que se tornaria um verdadeiro padrão de eficiência. Quando a Ferrari e a então Pinin começaram suas colaborações nos anos 1950, muitos torceram o nariz, chegando a comparar a união das empresas com uma ópera com duas primas-donas, na qual uma tentaria roubar a cena da outra. O que se viu, no entanto, foi uma parceria que já dura mais de 60 anos e que resultou em alguns dos mais belos carros já construídos. Relacionamento que começou, aliás, em terras neutras. Para não haver problema entre os egos de seus fundadores, Enzo Ferrari saiu da cidade Maranello e Battista ‘Pinin’ Farina de Turim para encontrarem-se pela primeira vez em um restaurante em Tortona, no meio do caminho. A partir daí, o relacionamento entre as duas empresas passa por constante evolução e sem sinal de desgastes. >>


“Você me pergunta o que significa estilo italiano. Isso significa senso de proporção, simplicidade e harmonia da linha. Disponíveis mesmo depois de um tempo considerável, ainda há algo que está mais vivo do que apenas uma memória de beleza”. Battista Pinin Farina

Carros, prédios, embalagens... O estúdio Pininfarina mostra a sua versatilidade e domínio do design nos mais diversos tipos de produtos. Nas páginas anteriores, a tocha olímpica desenhada para os Jogos de Inverno de Turim.

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DNA

“A beleza da forma é o resultado de um compromisso profundo com o objetivo de alcançar a mais alta qualidade. O próprio design é o ponto de encontro entre a forma e a tecnologia, bom gosto e funcionalidade. Nada parece se adaptar mais ao chamado estilo italiano do que essa tensão permanente para harmonizar beleza e funcionalidade”.

Ao lado, o prédio Ferra Pininfarina, em Singapura. A singularidade do projeto está no resgate dos elementos estéticos provenientes do design de carros feitos pelo estúdio, cuja herança foi reinterpretada e transformada em linguagem arquitetônica. A partir de volumes e layout interno da estrutura, a Pininfarina estudou soluções que trouxessem o equilíbrio perfeito entre a excelência estética e melhor funcionalidade. Acima, um detalhe do hall de entrada do prédio.

Extra!

Nos mesmos anos 1950, Pinin Farina mostrou ao mundo a sua vocação quando o mundo se apaixonou por Audrey Hepburn, no filme Sabrina, que passeava em um carro desenhado por ele. A partir daí, um número tão grande de automóveis sucessos saíram de suas pranchetas que seria até injusto citar apenas alguns. Na década seguinte, o governo italiano autorizou a família a mudar o sobrenome para Pininfarina – juntando o apelido de Battista com seu último nome - em consideração às suas realizações em atividades sociais e industriais. Com a morte do fundador, em 1966, seu filho Sergio assumiu a empresa e a deu novas direções, expandindo a atuação do estúdio de design para o desenvolvimento de novos produtos, além de automóveis. Sergio passou o bastão da empresa para seu filho Andrea, nos anos 1990, que por sua vez foi sucedido por seu irmão Paolo, em 2008, após um trágico acidente aéreo. Ao longo dessas sucessões e do constante crescimento da empresa, ficou claro o talento da família quando o assunto é design.

Paolo, que entrou na empresa em 1986, tratou de construir seu legado na história da família com um projeto paralelo ligado ao savoir-faire da companhia. À frente da Pininfarina Extra, um braço da empresa que desenvolve os projetos não relacionados a automóveis, o atual presidente se aventurou ​​ em vários setores de commodities nos principais mercados do mundo. A empresa mistura os mais avançados recursos de pesquisa tecnológica e de engenharia científica com a atratividade estética, que deve acompanhar as coisas que usamos todos os dias. Baseada em suas raízes e na sólida reputação alcançada durante 80 anos de gloriosa história, o objetivo da Pininfarina é hoje redesenhar o modelo de negócios e sua estratégia para o futuro próximo. “Em seus genes, a Pininfarina é hoje a mesma que era nos anos trinta: o papel central do design, a sensibilidade estética capaz de criar beleza atemporal, a busca constante pela inovação, a força de uma tradição que reúne indústria, tecnologia e pesquisa estilística, a capacidade de interpretar as necessidades do cliente sem esvaziar a identidade da marca e a propensão para colaborações de longo prazo. >>

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Sergio Pininfarina


DNA

“O nosso desafio é manter a alta qualidade. Temos a necessidade de nos despir de alguns conceitos para vermos outros, como a obsolescência dos carros ao longo dos próximos anos, para retornar à funcionalidade. Para chegar a isso, é necessário combinar a criatividade e a inovação”. Andrea Pininfarina Acima, o estádio do Juventus em Turim, que foi projetado para funcionar não apenas nas partidas de futebol, mas como centro recreativo todos os dias. Do lado esquerdo, o detalhe de uma das tribunas do estádio.

À direita, o interior do Sukhoi Superjet 100, também projetado pelo estúdio.

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Estes valores, juntamente com o compromisso de todo o grupo, nos permitirão construir uma ponte para o futuro” disse Paolo Pininfarina. Hoje, a empresa tem o tamanho ideal para o desenvolvimento futuro de seus negócios, com foco em três pilares principais: serviços de design industrial, mobilidade sustentável e extensão de marca. Os produtos apresentados pela Pininfarina Extra se caracterizam pela combinação de três fatores: elegância, essencialidade e inovação. A elegância aparece no uso de materiais de primeira linha e com a qualidade da produção, além da harmonia estética esperada para cada tipo de produto. Criando peças feitas para perdurarem no tempo, o estúdio também tem como assinatura linhas limpas, já que acredita que o supérfluo não gera elegância. Essas linhas devem acentuar a funcionalidade, ergonomia e interface entre o produto e quem o utilizará. A inovação se traduz na capacidade dos criadores em ver além das tendências atuais, fazendo novas combinações de elementos e criando produtos exclusivos. A partir da parceria com empresas de diversos ramos, o estúdio italiano já desenvolveu projetos com a Coca-Cola, Chivas, Petronas, Schaefer, Unilever e outros tantos líderes internacionais que desejam utilizar o design como um ativo estratégico para o processo de

desenvolvimento de produtos e como uma ferramenta de comunicação para melhorar a sua posição no mercado. Assim, o braço Extra da Pininfarina desenvolve atividades que incluem design industrial, eletrônico, artigos esportivos, móveis, embalagens e design gráfico. No seu portfólio também aparecem projetos de arquitetura de interiores, como o belíssimo estádio do Juventus em Turim. De ambiente futurista e tecnologia de ponta para oferecer o máximo de conforto e segurança em todas as áreas, o projeto foi concebido não só como um local onde as pessoas vão assistir ao futebol, mas também como um centro de encontro e lazer para ser apreciado sete dias por semana. Nesta perspectiva, a contribuição do estúdio foi fundamental, desenvolvendo um estilo inconfundível para um dos maiores ícones da cidade onde nasceu a empresa em 1931. Referência quando o assunto é design contemporâneo, a Pininfarina sabe que o desenho não significa apenas o embelezamento externo de uma função. É uma solução estética e funcional para as necessidades coletivas e individuais, que representam valores e desempenho duradouros. O seu maior legado é desenvolver projetos que foquem nos usuários de cada produto, trazendo novas experiências, sonhos e limites. >> MARÇO 2014 | 125


DNA

Em parceria com a Schaefer, a Pininfarina assina o iate Schaefer 620, que foi apresentado no Brasil e custa a partir de R$ 5,6 milhões. Abaixo, o detalhe do interior do iate e a atual família Pininfarina reunida na sede da empresa ao redor de um Alfa Romeu desenhado por eles.

Paolo Pininfarina e a evolução do Design B&C: Como a Pininfarina vê a evolução do design para os próximos 10 anos? A evolução do design nos próximos 10 anos se dará com certeza através da sustentabilidade ambiental e econômica. Designers terão a grande responsabilidade de desenhar um mundo melhor para se viver. Para isso, a Pininfarina continuará a produzir inovações mantendo em mente o valor dos nossos 85 anos de história e tradição. B&C: Qual é a próxima tendência quando se fala de funcionalidade e beleza? A estreita relação entre beleza (como um objetivo do design) e funcionalidade podem resultar em soluções minimalistas de desenho. Essa não é a visão da Pininfarina, consideramos o minimalismo como uma abordagem diminutiva do design. Nós nunca seguimos tendências: sempre desenhamos e investigamos a função de cada produto e os “vestimos” para os seus requerimentos de performance. Seguindo esse método, nós constantemente conseguimos dar um visual de forte personalidade para os produtos. B&C: A Itália é, sem dúvidas, a terra da beleza e design e a Pininfarina é a sua majestade. O que existe de tão peculiar no processo criativo da Itália? A Itália tem uma herança artística extraordinária e lindas paisagens. O ambiente em que vivemos com certeza ajudou a estabelecer a excelência do design italiano. Em geral, o design italiano é baseado em formas clássicas e harmônicas: o sucesso do nosso bom design é demonstrado por sua longevidade. 126 | MARÇO 2014


REAL ESTATE

SONHO ASSINADO O Jade Signature, em Sunny Isles, é a indulgência merecida para dias de sol e lazer.

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m uma das áreas mais prósperas do sul da Flórida, nos Estados Unidos, a praia de Sunny Isles é uma faixa de areia fina e branca com 2,5 quilômetros entre Miami e Fort Lauderdale. De frente para o azul do Atlântico e localizada entre os shoppings Bal Harbour e Aventura, a praia vem ganhando atenção por empreendimentos de luxo que se instalaram por ali nos últimos anos. Para coroar o ótimo momento do local, a construtora Fortune International está lançando o Jade Signature, um projeto sem precedentes feito por renomados talentos do mundo do design e arquitetura. A atenção dada a cada detalhe do empreendimento torna o Jade Signature em uma propriedade espetacular, que será tanto agradável quanto deslumbrante. A começar pelo projeto do escritório suíço Herzog & de 128 | MARÇO 2014

Meuron conhecido por projetos que são ao mesmo tempo altamente inventivos e sensíveis ao local onde se encontram. Em seu portfólio figuram o Estádio Nacional de Pequim, construído para os Jogos Olímpicos de 2008, o Tate Modern em Londres e agora se preparam para o lançamento do Pérez Art Museum Miami, que mudará a cena artística da cidade. Para o Jade Signature, o escritório desenvolveu um projeto que une as residências com o céu e mar do local por meio de enormes varandas envidraçadas que convidam o sol para dentro de casa. A intenção do escritório foi transformar as residências em casas contemporâneas no céu, aproveitando a bela vista que o local oferece. Para isso, os cômodos são vastos e interligados, permitindo interação entre os ambientes sociais de cada unidade.


Os apartamentos que ocuparão os 57 andares do prédio terão a opção de três, quatro ou cinco quartos, elevadores com hall privativo, entrada de serviço, garagem privada e automação residencial nas unidades. Os terraços expansíveis, com sistema de fechamento sem moldura, aumentam em até 30% o tamanho das áreas sociais privativas, enquanto as janelas do chão ao teto incentivam a vista ao oceano, cidade e via Intracoastal, que atravessa a região. Os interiores serão desenhados pela empresa de design francesa PYR, liderada por Pierre-Yves Rochon. Fundada em 1979, a PYR é conhecida por trazer soluções luxuosas para ambientes que convidam à interação. De suas pranchetas saíram os hotéis George V e Shangri-La de Paris, o Four Seasons de Londres e Florença, o hotel Peninsula em Shanghai e o Savoy londrino. Seu trabalho é destaque nas maiores publicações de arquitetura e viagem, como as revistas Wallpaper, Maison Française e Travel + Leisure. Nos pisos térreos, como no lobby, recepção e nível da praia, o mármore claro é combinado com enormes paredes de vidro para preservar a vista da paisagem a cada momento em que os moradores estiverem no local. Uma escultural escada em espiral conecta a recepção ao meza-

nino e ao piso da praia, onde se encontram o bar privativo, um SPA e uma churrasqueira. Para promover a perfeita interação com a natureza abundante da região, o Jade Signature contará ainda com o escritório de arquitetura paisagística Raymond Jungles. Celebrado por projetos em 11 países, o escritório recebeu, em 2012, o Prêmio de Excelência em Arquitetura Paisagista do Instituto Americano de Arquitetos. Suas obras-primas exuberantes, feitas em 31 anos de carreira, foram motivo de matérias no The New York Times, Vanity Fair e Vogue. Para o Jade, Jungles trabalhará com espécies da flora local tanto nos ambientes internos quanto externos do empreendimento, trazendo a natureza ainda mais perto dos futuros residentes. “Para nós, apenas construir não é suficiente. Procuramos evoluir a cada projeto. No Jade Signature, procuramos mostrar onde podemos chegar quando a imaginação, inovação e inteligência trabalham juntas” disse Edgardo Defortuna, presidente e CEO da construtora Fortuna. A cada detalhe do novo prédio é possível ver como o projeto foi feito pensando em quem viverá nele, transformando sonhos em realidade. >> MARÇO 2014 | 129


REAL ESTATE

NATUREZA EM PRIMEIRO LUGAR O 1 Hotel & Homes chega a South Beach trazendo a importância da natureza em universo luxuoso e decorado por Debora Aguiar.

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outh Beach sempre foi considerado o local mais quente de Miami, com suas lojas, clubs, restaurantes, bares e hotéis. Os disputados quarteirões de frente para o mar ganharão, em 2014, um novo vizinho: o 1 Hotel & Homes South Beach. No mesmo endereço que já abrigou o Gansevoort Hotel, o prédio de 1970 foi inteiramente reformado para adaptar-se ao conforto e exigências do mundo atual e oferecer ao seus residentes e hóspedes produtos e serviços além do esperado. A começar pela certificação sustentável LEED, um exigente e complicado processo que garante o compromisso com o meio ambiente. A unidade de Miami será a primeira de uma bandeira que promete se espalhar pelo mundo, idealizada pelo visionário Barry Sternlicht, ex-presidente e CEO da Starwood Hotels & Resorts e fundador da marca W Hotels. O nome do empreendimento surgiu a partir da música One da ban-

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da irlandesa U2 e significa que meio ambiente é uma responsabilidade conjunta de um mundo. “O nome do 1 Hotel reflete minha crença de que só existe um mundo, e que temos a responsabilidade de cuidar do nosso planeta para o benefício das gerações futuras” afirma Sternlicht. O projeto conta, além do hotel, com 163 unidades residenciais particulares, com tamanhos variados. Entre as opções, apartamentos de um a quatro quartos e casas com dois andares estão à disposição de interessados em viver a diversão de South Beach com todo o conforto da gama completa de serviços de um hotel e com consciência ambiental. “Nós não estamos apenas fazendo um lugar que é divertido para abraçadores de árvores”, disse Richard LeFrak, CEO da LeFrak, a outra proprietária do empreendimento. “Apesar de toda a ênfase sobre o meio ambiente e a natureza, estamos falando de South Beach, um local de pessoas sofisticadas em busca de luxo”.


Para isso, o 1 Hotel & Homes levará para os proprietários das residências a opção de serviços de hotel, como personal shoppers que cuidarão das compras de supermercado e farmácia, concierge e portaria 24 horas, valet parking, serviço de restaurante, SPA e Fitness Center funcionando durante todo o dia e noite. Os residentes também terão quatro piscinas à sua disposição, sendo uma delas no rooftop do hotel, onde também funcionará um bar e restaurante com vista panorâmica do mar e da cidade. Entre as piscinas, uma delas será a maior de Miami Beach e de frente para o Atlântico. A decoração do empreendimento ficou a cargo da brasileira Debora Aguiar, conhecida pela sua bela e sofisticada abordagem em cada projeto desenvolvido, como os espaços premiados da Casa Cor de São Paulo, o Le Park Residential Resort em Salvador e no Rio de Janeiro e a sede da Optiglobe Telecomunicações em São Paulo. Para o 1 Hotel & Homes, o desafio da arquiteta era criar interiores tão bonitos e atemporais como o mundo exterior. Da inspiração das

florestas ela traduziu as fibras lavadas e criou ambientes texturizados com materiais naturais. O resultado é um projeto que convida para o convívio com a natureza, seja pela volta a pé da praia ou pelos acabamentos de cada apartamento. Além das unidades residenciais, Debora assina também as áreas comuns do local, como o átrio do prédio. A celebração da luxuosa interação com a natureza virá com o som do oceano, a abundância de plantas e flores e o mobiliário natural, que trará paz e calma para estimularem seus residentes a relaxarem e aproveitarem o tempo com suas famílias e amigos. A abundância de luz natural junto com enormes janelas que convidam a apreciar o nascer e por do sol reforçam o convite a momentos prazerosos. “É um momento em que o nosso apreço pelo mundo natural está alinhado com a tecnologia e luxo que pode nos ajudar a preservar e aproveitar ao mesmo tempo” afirma Sternlicht, que estava esperando por esse momento há algum tempo. Para sorte de todos, essa hora chegou. >> MARÇO 2014 | 131


REAL ESTATE

YACHT HOUSE O SONHO DE MORAR EM UM PININFARINA COM VISTA PARA O ATLÂNTICO. S

e os carros e objetos da Pininfarina se tornam sonho de consumo ainda nas pranchetas, imagine um prédio inteiro projetado por eles. Mestres do design italiano e conhecidos principalmente por assinarem o desenho de Ferraris, Maseratis e Rolls Royces, a Pininfarina já projetou alguns empreendimentos ao redor do globo, como o estádio do Juventus em Turim e o condomínio Beachwalk em Miami, mas sua assinatura em um empreendimento no Brasil é algo inédito. Ou era, até o lançamento do Yachthouse Residence Club em Balneário Camboriú. Anexo à Marina Tedesco, uma das mais importantes marinas do Sul do Brasil, o projeto será um marco na construção civil nacional e internacional. Com o propósito de surpreender um público sofisticado e apaixonado pelo estilo de vida náutico, os apartamentos de 243 metros quadrados terão vista para o mar e para o canal. O projeto de duas torres impressiona pelo seu

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design, inspirado em curvas e proas de lanchas com linhas retas e extremidades arredondadas revestida com pele de vidro e pastilhas. E serão as maiores torres gêmeas do Brasil, com 226 metros de altura. Os primeiros pisos e mezaninos contarão com uma extensa lista de opções de lazer, entre spas, complexos esportivos, piscinas, áreas de convívio, salões de festa e de jogos, playground, home-cinema e bar panorâmico, tudo decorado com móveis Artefacto. Os apartamentos também já virão inteiramente mobiliados com móveis Artefacto. O projeto de decoração de cada apartamento será feito de acordo com o gosto e demanda de cada cliente, uma novidade exclusiva e inédita no mercado imobiliário. Cada torre contará com dois apartamentos por andar em uma estrutura que oferece 35 metros de frente mar, 4 suítes e 5 elevadores por torre. Para os exigentes futuros moradores, cada detalhe foi pensado cuidadosamente. >>


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REAL ESTATE

“Morar em um empreendimento que leva em conta sustentabilidade, conforto e ambientes paradisíacos é um benefício exclusivo para os clientes da Pasqualotto & GT” As unidades serão entregues com automação sonora e de iluminação e soluções de biometria, além de aspiração, hidrômetros e medidores de gás individuais. O próprio projeto se destaca por ser o primeiro edifício residencial de alto-luxo do Brasil a ser edificado anexo a uma marina, em uma área total de 87 mil metros quadrados. Cada detalhe do Yachthouse foi pensado pelos engenheiros e donos das empresas envolvidas. “Morar em um empreendimento que leva em conta sustentabilidade, conforto e ambientes paradisíacos é um benefício exclusivo para os clientes da Pasqualotto & GT” afirma Lindomar Pasqualotto. O projeto surgiu de uma parceria de sucesso entre a Construtora Pasqualotto de Itapema e o empreendedor paranaense Geninho Thomé, que resultou na Pasqualotto & GT Empreendimentos. A parceria entre a Artefacto e a Pasqualotto iniciou-se em Miami e já vem rendendo frutos, como a abertura de um espaço da construtora dentro da loja Artefacto de Curitiba. A inauguração do espaço, junto com a abertura da Mostra de Decoração da loja em Curitiba, serviu como lançamento também do empreendimento Yachthouse by Pininfarina. Na ocasião, o presidente da construtora catarinense disse o quanto se alegrava pela Artefacto acreditar no potencial da construtora para essa parceria. 136 | MARÇO 2014

Mestres do design italiano, em parceria com a Artefacto e Pasqualotto, a Pininfarina lança em Balneário Camboriú o YachtHouse Residence Club.


E M N À MESA


U N Degustação Sucesso de crítica e público, os tours gastronômicos por restaurantes, bares e doceiras de São Paulo atraem gourmets exigentes à procura de novidades. POR LUIZ CLAUDIO RODRIGUES

FOTOS DIVULGAÇÃO

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À MESA

C

om mais de 7000 endereços de boa gastronomia – segundo o anuário Comer e Beber da revista Veja São Paulo -, a capital paulista tornou-se uma cidade onde a boa comida satisfaz gourmands de todo o mundo. E não só pela diversidade, como também pela preparação de elaborados pratos por chefs de cozinha das mais diversas origens e formações. Tanto que dos brasileiros listados no Top 50 da revista inglesa Restaurant todos são radicados em São Paulo: os chefs Alex Atala, do Dom, e a dupla Helena Rizzo e Daniel Redondo, do Mani. Segundo a São Paulo Turismo, órgão da Prefeitura de São Paulo, a capital tem 12 mil restaurantes (com 52 tipos de cozinha), 15 mil bares e 3 mil padarias. Com tanta oferta, fica difícil decidir por onde começar. Pensando nisso, grupos de empresários criaram, quase ao mesmo tempo, agências que fazem tours gastronômicos por São Paulo: Giro in Sampa, Taste of São Paulo, Food Pass e Savor São Paulo.

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Na outra página, fachada do restaurante Brasil a gosto e grupo no centro da cidade em tour gastronômico da Taste of São Paulo. Nesta página, pratos do restaurante Brasil a gosto e detalhe da fachada do restaurante Arabia.

Para quem está disposto a se aventurar pelo centro da capital para descobrir delícias e curiosidades da região, a Taste of São Paulo – comandada por Carolina Slemer – faz passeios gastronômicos que unem arte, arquitetura e história de São Paulo. “Queremos resgatar a região. Muitas pessoas da cidade não conhecem algumas maravilhas que são servidas apenas no centro da cidade”, afirma Carolina. O tour começa pelo famoso cruzamento das avenidas Ipiranga e São João e acontece todos os sábados. Com duração média de quatro horas, o passeio percorre diversas ruas da região central e permite que os participantes degustem uma seleção de pratos do restaurante Riconcito Peruano, iguarias da barraca Taba na Feirinha da Praça da República, as novidades do menu do Bar da Dona Onça e os tradicionais doces portugueses da Casa Mathilde. O roteiro gastronômico termina com as saborosas sugestões do Café Girondino, em frente ao Mosteiro de São Bento. Entre os restaurantes do centro que fazem parte do tour, o Riconcito Peruano virou moda entre os paulistanos, que fazem fila em sua porta para provar o Chicharron misto (uma fritada de peixe com mariscos, batatas e salsa criolla) ou a Minuta (uma sopa de carne ou frango, cabelo de anjo, ovo e leite). >>


À MESA

O Bar da Dona Onça não fica atrás. Comandado pela chef Janaína Rueda, o restaurante faz um resgate da comida servida por nossas avós no interior de São Paulo, com ingredientes de todos os cantos do Estado. Se a ideia é descobrir novos sabores em Perdizes, a Giro in Sampa organizou um passeio que começa em frente ao Parque da Água Branca. Entre as paradas, o Café Caipira para experimentar bolos feitos no forno à lenha e a filial da lanchonete Ponto Chic, a casa que criou o famoso sanduíche Bauru na década de 1930, com a receita original feita com rosbife no lugar do presunto. A Giro in Sampa foi criada para promover passeios inusitados e charmosos em São Paulo.

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“Queremos despertar um novo olhar sobre os atrativos da cidade, tanto para o morador quanto para os turistas, brasileiros e estrangeiros”, afirma Shirley Damy, sócia de Luís Simardi nessa empreitada. Os dois têm formação em turismo, se dedicam a vários anos ao setor e viram uma “brecha” no mercado ao criarem a Giro in Sampa. Outra boa sugestão é reunir o melhor da arte e gastronomia. Quem imaginou essa dobradinha foi a Food Pass, que promove passeios pelas galerias de arte de Pinheiros, incluindo Raquel Arnaud, Millan e Fortes Vilaça. Entre uma exposição e outra, os “turistas” fazem paradas no RUAA para tomar drinks e comer entradinhas para depois se servirem com o prato principal,

Delícias do restaurante Brasil a gosto e fachada do Bar da Dona Onça, na região central de São Paulo.


sobremesa e café no AK Vila, da chef Andrea Kaufmann. Se a opção for pelo tour Tendências da Cozinha Brasileira, a Food Pass organizou um pacote com três restaurantes: Tordesilhas (entradas e drinks), Dalva e Dito (prato principal) e Brasil a gosto (sobremesa e café). A Food Pass é uma empresa que proporciona uma curadoria dos melhores eventos gastronômicos de São Paulo, além de e-commerce para a aquisição de ingressos e conteúdo sobre os bastidores desses mesmos eventos. “A ideia é proporcionar um filtro do que há de mais interessante na área junto à conveniência para a aquisição de experiências que envolvam comida. Promover uma democratização da gastronomia, viabilizando a inserção dessas experiências no cotidiano das pessoas, é a nossa missão”, afirmam as sócias da Food Pass, Nina Loscalzo e Priscila Sabar. Do mesmo grupo que organiza o Pub Crawl São Paulo, o famoso tour de bares de baladas, a Savor São Paulo foi inspirada em serviços semelhantes de outros centros gastronômicos, como Paris, Nova York e Seattle. Seus proprietários – Kyu Bill e Edu Stefanini – desenvolveram uma maneira “divertida” para turistas e paulistanos explorarem as delícias espalhadas pela cidade. >>

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À MESA

“Elaboramos um serviço que oferece uma variedade de tours envolvendo a gastronomia, uma das principais riquezas que São Paulo tem a oferecer”, afirmam os proprietários. Atualmente, a dupla oferece dois tipos de tour: o Sweet Flavor Tour, focado em doces e sobremesas, e o Gourmet Flavor Tour, com restaurantes de quatro nacionalidades. “Nesse passeio o participante tem a oportunidade de desvendar sabores e de conhecer combinações inusitadas de diversas cozinhas do mundo. Em cada casa é degustada uma receita típica do país em que o restaurante baseia sua culinária. A degustação é acompanhada por uma bebida, que varia entre suco, cerveja ou vinho. A quantidade total servida no tour é mais do que suficiente para deixar um adulto satisfeito”, dizem os organizadores do Savor São Paulo. Entre os tours recentes participam os restaurantes Camarada (comida russa), Obá (comida tradicional do Brasil, Tailândia e México), 68 La Pizzeria (comida italiana) e Arabia (comida árabe). Os encontros acontecem toda quinta-feira da semana, a partir das 19h, em frente ao Camarada, na rua Melo Alves, nos Jardins. Com a facilidade promovida por esses “curadores” de boa gastronomia, é possível fazer uma viagem pelo mundo através da comida sem sair de São Paulo. Bon Appétit. 144 | MARÇO 2014

SERVIÇO Para participar dos tours, os interessados devem entrar em contato com os organizadores por meio dos sites ou telefones. Os tours variam de R$ 89 a R$ 250 por pessoa, em grupos fechados que variam de 12 a 14 pessoas. Mais informações nos sites listados a seguir. Food Pass www.foodpass.com.br Giro in Sampa www.giroinsampa.com.br Savor São Paulo www.savorsaopaulo.com.br Taste of São Paulo www.tasteofsaopaulofoodtours.com


BĂšSSOLA

Rio charme do mundo

Seja no ritmo da batucada do samba ou nos acordes sofisticados da bossa nova, o Rio se prepara para sediar a Copa do Mundo com lustro e simpatia, com novas atraçþes e o redescobrimento de lugares tradicionais.


Vista clássica de Bondinho do Pão de Açúcar. Ao fundo, Aterro do Flamengo e Baía de Guanabara.


BÚSSOLA

POR LUIZ CLAUDIO RODRIGUES FOTOS RIOTUR

À

s vésperas de sediar o maior evento de futebol do mundo, o Rio de Janeiro parece se renovar a cada dia que passa. E os cariocas, que tem verdadeira paixão pela cidade, estão - dia sim e outro também - orgulhosos de mostrar mais uma vez ao mundo a cidade maravilhosa em todo o seu esplendor. E não foi só o estádio do Maracanã que ganhou um upgrade nos últimos tempos. Ao lado dos principais cartões postais da cidade, museus, centros culturais, bares e restaurantes, casas de espetáculos e até ruas do centro antigo ganharam um cuidado especial para receber os visitantes com tapete vermelho e, claro, um chopinho a qualquer hora do dia ou da noite. 148 | MARÇO 2014

Para início de conversa, vamos falar do repaginado Estádio do Maracanã. Se o Brasil é o país do futebol, o Maracanã é sua casa mais famosa. Todos os setores para o público estão cobertos e seus camarotes, mais confortáveis. Mas é a acessibilidade que chama a atenção: amplas saídas nas arquibancadas, quatro novas rampas de acesso e reutilização de suas duas rampas monumentais. Sem falar na completa reurbanização do entorno. Passando do futebol para o mundo das artes, a cidade vive um novo ciclo cultural. Prova disso é o Museu de Arte do Rio, o MAR, projetado pelos arquitetos Thiago Bernardes e Bernardo Jacobsen.


Na outra página, a final da Copa das Confederações 2013 no estádio do Maracanã. Acima, fachada da Cidade das Artes na Barra da Tijuca. Ao lado, fachada do MAR, o Museu de Arte do Rio, na região central da capital fluminense.

Inaugurado no ano passado, o museu está instalado na Praça Mauá, interligado a dois edifícios, o Palacete Dom João VI e o prédio de arquitetura moderna, que originalmente foi um terminal rodoviário. No extremo oposto, na Barra da Tijuca, a Cidade das Artes é um dos mais importantes e completos centros culturais da cidade. Por lá, podem ser vistos espetáculos de música, teatro, dança, cinema e exposições de artes plásticas. O complexo cultural tornou-se um novo ícone arquitetônico da Cidade Maravilhosa, assinado pelo arquiteto franco-marroquino Christian de Portzamparc, criador da Cité de la Musique e da Pirâmide do Museu do Louvre. Agora só falta o Museu do Amanhã - obra assinada pelo espanhol Santiago Calatrava que provavelmente abre suas portas no ano que vem – se tornar mais uma referência internacional na cidade. >> MARÇO 2014 | 149


BÚSSOLA

No aterro do Flamengo, o MAM (Museu de Arte Moderna) tem feito parcerias com instituições internacionais para exibir obras relevantes do cenário internacional de artes visuais. É o caso da mostra Expo 1, que veio do MoMA de Nova York, no ano passado, e a de Ron Mueck, atualmente em cartaz. As esculturas hiperrealistas do artista australiano desembarcaram no Rio após sua apresentação na Fondation Cartier, em Paris.

olha que coisa mais linda E essa nova onda prossegue no centro do Rio em espaços tradicionais como o Museu Histórico Nacional, o Espaço Cultural da Marinha e o CCBB. Este último, instalado na antiga sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro - com colunas e ornamentos preservados do projeto original de Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, arquiteto da Casa Imperial-, traz o melhor da cena teatral carioca, além de ciclos de cinema, artes visuais e música. Ali perto, o Museu Histórico Nacional, com um acervo de 350 mil peças da pré-história brasileira ao período republicano, atrai cada vez mais um público jovem, que ocupa grande 150 | MARÇO 2014

parcela das mesas de seu café no piso térreo, principalmente estudantes da UniRio. Por sua vez, o Espaço Cultural da Marinha tem atraído visitantes que redescobriram a paisagem do cais do porto, com suas embarcações de frente para a Ilha Fiscal.

eu e a brisa A moçada descolada que visita o Rio descobriu os hostels. O mais chique de todos está em Botafogo: o Contemporâneo Hostel. O lugar é considerado um design hostel, com obras de arte de jovens artistas e programação musical exclusiva para os hóspedes. Além dos quartos coletivos, possui duas suítes para quem não dispensa privacidade. Os passeios pela zona sul – Cristo Redentor, Corcovado, Copacabana e Arpoador, entre tantos outros lugares lindos – podem ficar mais divertidos se acontecer um giro, aos domingos, na Praça General Osório, em Ipanema, onde acontece a Feira Hippie desde 1968. Fora o lado kitsch das peças à venda, a visita vale para conhecer artistas e artesãos que sempre têm um bom papo e assunto para todo tipo de conversa. Por ali, a diversão está garantida. >>


Em sentido horário, uma das vistas do Parque do Flamengo; fachada do Museu de Arte Moderna, o MAM; interiores do Museu Histórico Nacional e bar do Contemporâneo Hostel, em Botafogo.

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BÚSSOLA


Surfistas aproveitam a boa ondulação no mar de Copacabana.


BÚSSOLA

Nesta página, detalhe da fachada do bar Adônis em Benfica, o salão animado do Armazém São Thiago, e fachada do Bar do Mineiro, ambos em Santa Teresa, e rodada de chope servido no bar do Adônis. Ao lado, almoço servido na calçada da rua do Rosário, na região central da cidade.

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o resto é mar Sair para comer no Rio é uma verdadeira festa para os sentidos. Sua gastronomia evoluiu nos últimos anos, seja com sua tradicional comida de boteco ou gastronomia sofisticada. Sem falar nos bares que avançam pelos calçadões da cidade. Famoso pelo chope gelado e o bolinho de bacalhau, o Bar do Adonis, em Benfica (na zona central do Rio), disputa, lado a lado com as melhores casas de culinária lusitana, o título de um dos melhores lugares para se comer comida portuguesa na cidade. Um dos pratos mais apreciados do seu cardápio é a Galinha ao Molho Pardo com Arroz e Batatas. Na rua do Rosário – célebre por concentrar escritórios de famosos advogados, médicos e engenheiros brasileiros – a Brasserie faz parte da

lista de bons endereços dos gourmands do Rio, com seus antepastos, patês, o melhor pão da região central, adega com rótulos chilenos, argentinos e portugueses e confeitaria com o melhor da pâtisserie francesa. Subindo de bonde para Santa Teresa, duas paradas obrigatórias: o Bar do Mineiro e o Armazém São Thiago. O primeiro serve uma das feijoadas (com carnes magras) mais desejadas pelos cariocas aos sábados. Como tira-gosto, o pastel de feijão é imperdível, assim como a batida de lima da pérsia. O segundo é um ponto de encontro tradicional na cidade desde a década de 1920, quando foi aberto. Seu interior preserva o décor da época, sem falar no clima de boêmia carioca que sempre foi sua marca registrada. >>

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BÚSSOLA

Fachada do Riso Bistrô, em Ipanema.

Na sua carta de bebidas - famosa por listar dezenas de cachaças especiais - cervejas premium e vinhos de safras premiadas. Para fazer fumaça, charutos cubanos autênticos são vendidos no local. Na zona sul, na Academia da Cachaça, no Leblon, o destilado brasileiro de fama internacional pode ser “experimentado, conhecido, desvendado, valorizado e aprovado”, segundo seus proprietários Edméa Falcão, Renata Quinderé e Hélcio Santos. Outro local que se destaca é o Riso Bistrô, instalado na Galeria de Artes Riso, em Ipanema. Seus risotos são apreciados por quem é fiel à comida italiana. Para finalizar esse tour gastronômico do Rio contemporâneo, o Bar Urca: um dos melhores restaurantes para se comer peixes e frutos do mar com direito a uma vista deslumbrante para a baía de Guanabara. Por essas e outras, o Rio está mais lindo, leve e solto do que nunca. Calção, corpo aberto no espaço. Sempre! 156 | MARÇO 2014

Garotas praticam Stand Up Padle em Ipanema, o novo hit do verão. Ao fundo o Vidigal e os Dois Irmãos.


PERFIL

Meu santuário, minha eternidade. Esse parece ser o mantra do designer Fred Gelli, que elegeu a natureza como principal fonte de inspiração para o seu trabalho.

POR LUIZ CLAUDIO RODRIGUES FOTOS DIVULGAÇÃO

FRED

GELLI Carioca da gema

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O designer Fred Gelli e uma das mais recentes criações da Tátil Design de Ideias, o logo das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.

O

homem criativo por trás da Tátil Design de Ideias - agência que criou a marca oficial dos Jogos Olímpicos de 2016, Jogos Paraolímpicos 2016 e Brasil Export –, Fred Gelli, não para um segundo. Sua agenda é ocupada com reuniões diárias com sua equipe de criação na agência (que tem escritórios no Rio e São Paulo), almoços de negócios com clientes, aulas como professor de design na PUC e viagens para palestras e workshops por aqui e no mundo. Mesmo com tantos compromissos, esse carioca com quase 50 anos não perde o humor. Está sempre com um sorriso estampado no rosto. Nada mal para quem foi tachado de ecochato há 25 anos, quando começou sua carreira. Época em que o então jovem designer já pensava na utilização de matérias-primas sustentáveis. Tanto que seu primeiro projeto, uma pasta de papelão ondulado, era confeccionada por ele mesmo em suas horas livres e vendida aos colegas do curso de design da PUC no Rio. Seu esforço em colaborar para manter a natureza está no DNA da Tátil. Nos primeiros dez anos da empresa - criada em 1989 - quase tudo o que era desenvolvido por lá era ecolo-

gicamente sustentável. Mesmo com a extinção dos trabalhos manuais na agência, o conceito verde de sua empresa foi mantido. E tudo por influência direta de sua professora de design na PUC, Ana Branco, que o surpreendeu logo nas primeiras aulas. Fred já tinha interesse por embalagens e ela disparou: “Você já pensou na embalagem que te trouxe ao mundo, a barriga da sua mãe?”. Isso causou um insight no designer, que passou a olhar a natureza como inspiração essencial para a vida e o trabalho. Tanto que Fred é um especialista no assunto e dá aulas de Biomimética no Departamento de Design na mesma universidade que estudou. Para os que não sabem (e são muitos), Biomimética é a ciência que busca inspirações e aprendizado na natureza. Por essa ciência, o mundo natural traz soluções para os problemas do dia a dia das pessoas e empresas. A questão é saber decifrar esses códigos naturais e adaptar suas respostas para o design, engenharia e arquitetura. “A PUC foi incubadora de meus sonhos”, afirma o designer. Ana é uma referência até hoje no trabalho de Fred, que sempre fala da professora em todas as suas palestras. >> MARÇO 2014 | 159


PERFIL

Mas não podemos deixar de citar suas origens: a família. Neto de João Gelli, um dos fundadores da fábrica de móveis Gelli, Fred cresceu vendo o avô desenhando, mas afirma que a família não o influenciou na definição de sua carreira. Entretanto, é inegável que o gosto pelo desenho estava em seu DNA. “Eu adorava desenhar, principalmente barcos”, lembra. Ao lado de seu irmão, Gustavo Gelli, e de sua ex-mulher, Patrícia Pinheiro – sócios da Tátil -, Fred criou e produziu produtos 100% eco, dos materiais aos processos de customização. Hoje, além desse princípio básico no desenvolvimento de suas criações, um novo conceito entrou na cartilha básica da agência: a emoção. Para a criação da marca dos jogos Olímpicos, recrutou todos que trabalham na agência e todos puderam opinar. O re160 | MARÇO 2014

sultado desse trabalho conjunto foi a marca tridimensional que remete a um abraço, a uma brincadeira de roda ou um coração. Uma escultura que lembra a pintura “A Dança”, do pintor francês Matisse. Aliás, a arte é outro princípio que adota no dia a dia. “A arte extravasa os aspectos técnicos, é um agente de mudanças. No fim das contas, todos os nossos projetos são para proporcionar experiências, evoluções para o ser humano. Por isso, a arte é uma das bases da minha empresa”. Hoje sua agência de design e branding – instalada em São Conrado - tem uma equipe de mais de 100 pessoas (composta por designers gráficos, designers de produtos, arquitetos, arte-finalistas e até uma bióloga) e acumula mais de 100 prêmios, como o Leão de Bronze no Cannes Lions de 2009, o IDEA Brasil e


O logo tridimensional das Olimpíadas do Rio de 2016 e as embalagens da linha Sou desenvolvida pela Tátil para a Natura.

o IF Design Award. Tudo fruto de serviços bem prestados para empresas como Natura, Grendene, FIAT, Philips, Nokia, Coca-Cola, Brastemp, Asics, TIM e Procter&Gamble. Há cinco anos, idealizou o Branding 3.0., “Uma abordagem que estamos construindo de forma coletiva, estudando muito, compartilhando saberes, debatendo e formando nossa rede. A ideia é colocar a lente econômica, social, cultural e ambiental para avaliar o posicionamento das marcas no mundo dos negócios e, nesse mergulho profundo, rever a sua essência, seu propósito, sua razão de ser. Após coletar e analisar as informações, é fazer com que cada marca seja reposicionada a fim de gerar valor sustentável para as pessoas, as empresas e o planeta”, afirma Fred no blog que criou para divulgar esse novo projeto. Tal

notícia despertou a curiosidade internacional e lhe rendeu diversos convites para palestras. Esse olhar para o futuro é uma das características marcantes da personalidade do empresário, tanto que sua agência conquistou fama justamente por estabelecer conexões sustentáveis entre as marcas e seu público. Para ele, as marcas com maior poder de transformação são aquelas que conseguem dar vida aos seus propósitos e aos seus valores. “Essa relação de corpo e alma é construída com duas ferramentas poderosas que devem trabalhar sempre de forma integrada: design e branding”, afirma no site oficial da Tátil. Por essa e outras ideias é que Fred Gelli, a cada dia que passa, se torna um dos profissionais mais influentes de sua geração, quiçá do século 21. MARÇO 2014 | 161


ARCHITECTURE


JOGOS impressionantes As cidades-sedes dos Jogos Olímpicos disparam quando o assunto é inovação em design arquitetônico, e o mundo ganha com tendências de vanguarda. >>

O famoso Parque Olímpico de Montjuic, em Barcelona, Espanha. Torre Parque Olímpico projetado por Santiago Calatrava.


ARCHITECTURE

POR FELIPE FINOTTO FOTOS DIVULGAÇÃO

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ediar os Jogos Olímpicos é uma polêmica decisão política, econômica e comercial. Ainda que a decisão seja contrariada por alguns, não se pode negar a importância dos jogos para o desenvolvimento de uma cidade e, consequentemente, para sua arquitetura e urbanismo. Por muito tempo visto como uma arquitetura temporária, já que os complexos eram desmontados por inteiro após o fim do evento, o conceito mudou a partir das Olimpíadas de Barcelona em 1992. A cidade, junto com o arquiteto Joan Busquets, trabalhou com a ideia explícita de que todas as coisas construídas para os Jogos Olímpicos deveriam beneficiar a cidade quando os atletas partissem. As estruturas, segundo ele, não deveriam apenas beneficiar a cidade com programas específicos, mas com movimentos estratégicos que ajudariam o desenvolvimento direto de bairros inteiros. A ideia era construir um estádio em uma parte da cidade que precisasse de desenvolvimento, mudando assim todo o bairro. Esse pensamento pode ter ocorrido em menor escala antes de 1992, mas nunca foi tão consciente-

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mente planejado como nos Jogos de Barcelona. Na arquitetura, existe um termo chamado “Efeito Bilbao”, cunhado após Frank Gehry projetar o Museu Guggenhein de Bilbao. O museu tornou-se uma espécie de modelo para permitir que um certo tipo de experimentação arquitetônica servisse como símbolo de progresso e abertura a novas tendências. Apesar do termo ser recente, o modelo vem sendo utilizado por séculos. Durante o Festival da Grã-Bretanha na década de 1950, por exemplo, os britânicos usaram a arquitetura contemporânea para declarar o fim dos anos de vacas magras da reconstrução pós-guerra. Grandes eventos, que exigem anos de planejamento, design e investimento são uma forma para que as cidades se apresentem ao mundo. Seguindo esse conceito à risca, as cidades-sedes dos Jogos Olímpicos se utilizam das inovações advindas da construção de seus parques olímpicos como chamariz de turismo e investimentos futuros, anunciando prosperidade e receptividade para novas ideias. >>


Acima, o Estádio Olímpico de Athenas. Ao lado, o Estádio Panathinaikos, na mesma cidade, feito inteiramente de mármore branco. Na página ao lado, o Olympiapark em Munique, construído em 1972 para mostrar a cara nova da Alemanha após o regime nazista. Nas páginas anteriores, a linda escultura de Santiago Calatrava dá as boas-vindas aos visitantes do parque olímpico de Barcelona.

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ARCHITECTURE

Assim sendo, o evento oferece uma maneira para que as comunidades se estabeleçam como cidades do mundo atraindo turistas enquanto oferecem mais do que apenas sol, mar e diversão. Atenas, casa dos primeiros Jogos Olímpicos modernos, em 1896, se aproveitou da estrutura do original Estádio Panathinaikos para demonstrar que mantinha suas raízes vivas enquanto também estava em sincronia com o mundo atual. Para os Jogos de 2004, Panathinaikos foi reconstruído a partir das ruínas da antiga construção de mármore branco pentelico e sediou a competição de tiro com arco, bem como o fim da maratona. O deslumbrante monumento, um dos estádios mais antigos do mundo, continua sendo o único em todos os continentes construído inteiro de mármore e impressionou seus visitantes com a beleza histórica. Já o Olympiastadion, construído para os Jogos Olímpicos de Verão de 1972 em Munique pelos arquitetos Frei Otto, Günther Behnisch, Hermann Peltz e Carlo 166 | MARÇO 2014

Weber, foi criado para mostrar ao mundo a nova cara da Alemanha pós-Hitler. A peça central do estádio são as copas radicais feitas de vidro acrílico mantidas no lugar por cabos de aço. O projeto foi concebido para espelhar os Alpes e oferecer uma contrapartida clara e aberta às Olimpíadas de 1936 em Berlim, que foram uma vitrine para o regime nazista. O Ninho de Pássaro é o Estádio Nacional projetado para os jogos de Pequim de 2008 pelo escritório de arquitetura suíço Herzog & de Meuron, juntamente com o arquiteto chinês Li Xinggang. O imponente projeto tornou-se símbolo do evento e inspirou uma série de outras construções desde sua inauguração. Inspirado na cerâmica chinesa, suas curvas em forma de tigelas e vigas de aço se cruzando dão a impressão de um ninho. O dissidente Ai Weiwei, consultor artístico do projeto, transformou-se na ironia do evento já que protesta contra o governo chinês.


Espaços adaptáveis e adaptados Além da missão de criar espaços visualmente interessantes, uma das preocupações atuais é fazer com que a construção possa ser utilizada posteriormente dentro da comunidade. Londres, nesse caso, projetou o London Stadium em uma ilha moldada entre duas hidrovias, oferecendo aos espectadores um pódio que completa um circuito ao redor do estádio. Ao exemplo de construção sustentável, a capacidade de 80 mil lugares foi reduzida para cerca de um quarto desse valor para poder ser utilizado com maior frequência agora que o evento passou. De volta à Atenas, a cidade também se preocupou em utilizar estruturas já existentes para trazer um novo uso àqueles espaços. O Estádio Olímpico de Atenas, também conhecido como Spiros Louis, tem o nome do primeiro vencedor da maratona olímpica moderna em 1896. O estádio foi construído no início de 1980 para sediar o Campeonato Europeu de Atletismo

em 1982. No entanto, o complexo foi remodelado extensivamente para os Jogos de Verão de 2004. A mudança essencial no complexo foi a construção de um telhado hidráulico de alta pressão projetado pelo renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Enquanto se prepara para suceder o Rio nas Olimpíadas de 2020, Tóquio já iniciou as obras para atualizar o principal estádio da cidade. Construído pelo arquiteto Katayama Mitsuo em 1964 para os Jogos daquele ano, o edifício surpreendentemente não sofreu danos no terremoto de 2011. A resistência do edifício se atribui a fatores como os rigorosos códigos de construção japoneses. Por esse motivo, acredita-se que a nova cara do estádio antecipe tendências de arquitetura para os próximos 50 anos, principalmente quanto à durabilidade e resistência. Assim, o mundo assiste a cada quatro anos a grandes saltos e evoluções quando o assunto é design e arquitetura. >>

Acima, o Estádio Olímpico Nacional da China, apelidado de Ninho do Pássaro, desenhado pelo escritório suíço Herzog & de Meuron. Na página oposta, o London Stadium, projetado para se adaptar ao público necessário.

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ARCHITECTURE

Perspectiva Ilustrada do Parque Olímpico do Rio de Janeiro para as Olímpiadas de Verão de 2016.

NO RIO DE JANEIRO Enquanto o Rio de Janeiro se prepara para hospedar os primeiros Jogos Olímpicos na América do Sul, o complexo que será residência de atletas dos quatro cantos do mundo começa a ganhar forma na Barra da Tijuca. O cenário para esse Jogos será uma península ao lado da lagoa, com 15 instalações esportivas espalhadas ao longo de uma rede de caminhos sinuosos. Localizado em um espaço triangular, o principal parque olímpico vai centrar-se em torno de um trio de estádios existentes, frutos dos Jogos Pan-Americanos de 2007, que por sua vez foram construídos ao longo do antigo autódromo da cidade. A empresa inglesa AECOM, junto com o estúdio londrino AndArchitects e o escritório carioca Lopes, Santos & Ferreira Gomes são os responsáveis por projetar, entre os sete novos estádios, a arena de handebol que será desmontada após os jogos e usada para construir quatro novas escolas. Um centro de transmissão específico será palco para 20 mil jornalistas de todo o mundo, e as vilas olímpicas serão localizados nas proximidades. Um extenso gramado à beira-mar permitirá que até 12 mil espectadores assistam a ação dos atletas por meio de telões.

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Ao contrário dos Jogos de Londres, o principal estádio olímpico não está no parque - atletas irão usar o famoso estádio do Maracanã, que também será o local da abertura e encerramento, bem como o Estádio João Havelange, também conhecido como Engenhão. “A visão para o futuro não é apenas para criar um cenário global para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, mas também, a longo prazo, criar um novo distrito com legado de novas casas, empregos e lugares para atividades de lazer”, disse a AECOM, responsável também pelo parque olímpico londrino de 2012. Apesar de a empresa ser a mesma, os seus arquitetos destacam a diferença entre as duas cidades. “Cada Olimpíada deve refletir o caráter e as ambições da cidade anfitriã e é aí que as diferenças entre os dois parques são mais pronunciadas. Enquanto Londres estava demonstrando como um evento global curto pode levar à regeneração de longo prazo de uma das áreas mais negligenciadas e privadas da cidade, os Jogos do Rio são sobre a comemoração de emergência do Brasil como uma potência mundial”.


MODA

Feito a mão O handmade é o must have da temporada de moda. E a dobradinha entre estilistas e artesãos faz do Brasil um celeiro de criadores.

POR LUIZ CLAUDIO RODRIGUES

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nde termina o artesanal e começa o design? Essa questão nunca esteve tão presente nos últimos anos em todos os bureaus de tendências de moda e design que existem no mundo. As tramas e texturas do tricô, crochê, bordados e aplicações de materiais diversos em roupas parecem ser um fenômeno que veio para ficar depois que a moda das peças customizadas tomou grande parte do closet descolado de lulus e lolitas mundo afora. Grifes estreladas como Balmain, Dolce&Gabbana e Valentino se renderam ao encanto do artesanal em seus mais recentes desfiles de prêt-à-porter. Mas não podemos esquecer que toda peça de alta costura – que somente as milionárias do 170 | MARÇO 2014

FOTOS DIVULGAÇÃO

planeta têm acesso – é 100% handmade. As maisons Dior, Chanel, Rochas e Sonia Rykiel que o digam. Mas deixando de lado essa tradição, o feito à mão virou sinônimo de luxo e uma paixão dos fashionistas nas últimas temporadas. Aqui no Brasil temos um verdadeiro celeiro de criadores que sabem tirar partido de mestres artesãos para dar um it em suas coleções. A mineira Cecília Prado, por exemplo, tem chamado a atenção por suas coleções impregnadas de detalhes artesanais. Combinações de fios, cores e texturas aliadas a um estilo moderno são aspectos marcantes do trabalho da estilista, em vestidos, saias e blusas que valorizam a mistura de tecidos, tramas e nuances.


“Quando as pessoas veem um tricô assinado por mim, mesmo sem olhar a etiqueta, elas reconhecem apenas pela aparência”. Cecília Prado

Peças da coleção mais recente da estilista mineira Cecília Prado, que tem o tricô como marca registrada em suas criações.

Mas são seus biquínis e saídas de banho que enlouquecem o mulherio. Com novos métodos de manuseio do tricô e modelagem impecável, seu côté beachwear ganhou fama internacional em 2012. Cecília fez parte do cast de estilistas brasileiros que desenvolveram uma coleção para o projeto “Brasil: a magical journey” para os 800 pontos-de-venda da Macy’s nos Estados Unidos. “Quando as pessoas veem um tricô assinado por mim, mesmo sem olhar a etiqueta, elas reconhecem apenas pela aparência. O que faz nossas roupas terem tanto sucesso é o fato de serem peças únicas. Imprimir autenticidade é um dos pontos mais relevantes para nós”, diz a estilista. >> MARÇO 2014 | 171


MODA

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Croquis e flagrante do mais recente desfile de Ronaldo Fraga na São Paulo Fashion Week: brasilidade e detalhes handmade são características do trabalho do estilista mineiro

Outro que não pode deixar de ser listado é Ronaldo Fraga. Com forte DNA regionalista, seu trabalho parte de pesquisas feitas in loco em comunidades e cidades do interior brasileiro. Sua mais recente coleção elegeu o couro como matéria-prima essencial e o sertão como fio condutor para o desenvolvimento das peças. Expert em técnicas manuais, tingiu o couro (em tons vibrantes de azul e verde) e o mesclou com seda, linho estampado, buclê de algodão e trecês de organza com cetim. >> MARÇO 2014 | 173


MODA

O veterano Lino Villaventura é famoso no circuito internacional de moda desde a década de 1980, quando a francesa Marie Ruckie – do Studio Berçot – descobriu seu trabalho e decretou que Lino era um “autêntico criador”. Com referências múltiplas e verdadeira paixão pela arte e cultura, o estilista costuma se aprofundar em temas relacionados à brasilidade. Um de seus melhores trunfos é a arte de “tinturar” e transformar tecidos, além da utilização de materiais que fogem do óbvio para criar texturas, nervuras e inconfundíveis patchworks. Tanto na passarela como fora dela, suas criações são impactantes e possuem identidade graças ao caráter marcante do handmade em suas peças. Entre suas recentes coleções, Lino utilizou cristais. “Mais do que enfeitar, o cristal ilumina a roupa. Traz um brilho aristocrático e de preciosidade ao trabalho”, afirma o estilista cearense. >>

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“Mais do que enfeitar, o cristal ilumina a roupa. Traz um brilho aristocrático e de preciosidade ao trabalho”. Lino Villaventura

Looks do estilista Lino Villaventura: bordados detalhados em sua mais recente coleção.


MODA

“Eu trabalho com pesquisa, desenvolvimento e adequação de materiais ao trabalho de moda. A manufatura, o feito à mão e o artesanal são coisas que norteiam o meu trabalho”

Pouco conhecida pelos brasileiros, mas com representante internacional na Europa, a estilista baiana Marcia Ganem expressa em seu trabalho um diálogo entre moda, arte e joalheria. Suas roupas são conhecidas pela aplicação de peças artesanais e técnicas especiais, resultantes de seu processo de pesquisa e desenvolvimento. Uma de suas técnicas – que virou marca registrada de suas criações – é o uso de fibra de poliamida reciclada trabalhada com pedras semipreciosas. Além disso, o trabalho artesanal que desenvolve com várias cooperativas de bordadeiras e rendeiras baianas resulta em intrincadas tramas têxteis de tirar o fôlego, em roupas estruturadas a partir do moulage (excesso de tecidos) e planejamento. Centrada na cidade de Salvador, Marcia é um exemplo do local que vira global. “Eu trabalho com pesquisa, desenvolvimento e adequação de materiais ao trabalho de moda. A manufatura, o feito à mão e o artesanal são coisas que norteiam o meu trabalho”, finaliza a estilista baiana. 176 | MARÇO 2014

Criação de Márcia Ganem: peças bordadas à mão fazem o diferencial em cada look assinado pela estilista baiana.


REFÚGIO

A MARAVILHA DE

TRANCOSO O Uxua Casa Hotel e Spa traduz a sofisticação despretenciosa pela qual o sul da Bahia encanta. POR FELIPE FINOTTO FOTOS DIVULGAÇÃO

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ais de quinhentos anos se passaram desde que os portugueses desembarcaram na costa baiana e começaram o processo de colonização do Brasil. A pouco mais de 20 quilômetros do seguro porto de Pedro Alvares Cabral, a chegada de um outro europeu, há 10 anos, também mudou a cara do sul da Bahia. Wilbert Das, o designer holandês responsável pelo sucesso global da Diesel, visitou Trancoso pela primeira vez em 2004 e se encantou com o estilo caloroso da região, com a vila de pescadores do Quadrado e com as construções do século XVI. A herança deixada por aventureiros portugueses, missionários jesuítas, tribos indígenas, escravos africanos e até mesmo hippies brasileiros na região, além da incrível

vida à beira mar, seriam motivos suficientes para visitar Trancoso, mas Das acrescentou mais uma razão à idílica região: o Uxua Casa Hotel & Spa. A começar pelo nome Uxua, que significa maravilhoso na língua dos índios pataxós da região, o hotel apresenta uma série de encantos para seus hóspedes, que podem optar por uma das 10 casas exclusivas decoradas por Das valorizando métodos tradicionais de construção, materiais reciclados, arte e antiguidades brasileiras. As casas variam desde moradias de pescadores fielmente restauradas, posicionadas de frente para o Quadrado histórico, até uma casa de árvore moderna e com alto padrão ecológico, entre outras casas únicas, espalhadas através de um exuberante jardim. >>


REFÚGIO

Revistas especializadas em design de todo mundo destacaram a estética inovadora do local, rotulada como “modernismo rústico“, uma simples fusão de espaços interiores e exteriores capturando a atração do estilo de vida do sul da Bahia. O design combina elementos rústicos com o conforto contemporâneo e ambientes espaçosos, fundindo de forma inovadora os ambientes internos e externos para maximizar o aproveitamento do clima tropical por todo o ano. Nos dois anos que o Hotel levou para ser construído, a preocupação do holandês foi favorecer elementos brasileiros e regionais, com o reaproveitamento de troncos de árvores para pias e banheiras, recuperação de tábuas e portas de antigas fazendas da região, chuveiros esculpidos em trocos de eucalipto e aproveitamento de antigos barcos de pesca encontrados na região para a construção do lounge de praia. A argila extraída do chão durante a escavação para a construção da piscina do Uxua foi utilizada na construção de paredes de várias casas através da tradicional técnica de construção local conhecida como pau a pique. Assim como a arquitetura e design destacam os elementos da região, Wilbert foi além, incitando o desenvolvimento sustentável da região como forma de agradecimento pela acolhida que teve quando chegou ao Brasil. Assim, montou alguns programas de beneficiamento social, como o financiamento de um programa dedicado a manter o delicado ecossistema de manguezal Atlântico correndo atrás de praias de Trancoso, a reconstrução da ponte histó180 | MARÇO 2014


O projeto do UXUA preserva itens característicos de Trancoso em seu mobiliário e decoração. Nas 10 casas que compõem o hotel, o ex-designer da Diesel, Wilbert Das, traduziu a elegância descomplicada e despretensiosa da região privilegiando elementos e técnicas locais.

rica, dando a pescadores e visitantes acesso seguro ao mar, um programa de incentivo de compras locais, reintroduzindo a agricultura orgânica na cidade, montando uma cooperativa de pescadores coletivos e desenvolvendo as amenidades do hotel junto aos índios Pataxós, responsáveis pelos sabonetes, óleos de massagem, cremes faciais e repelentes de insetos orgânicos usados nas dependências do Uxua. O hotel também mantém uma escola de capoeira com aulas gratuitas para crianças da região, montou um programa para ensino gratuito de inglês para moradores de Trancoso e patrocina o festival mais antigo e importante da cidade, a Festa de São Brás. Apesar do comprometimento com a região, o que realmente encanta seus visitantes é, sem dúvida, a sofisticação despretensiosa do hotel. No bar da praia, os espaçosos sofás de madeira e gazebos deixam ainda mais bucólica a vista do mar, e os hóspedes contam ainda com chuveiros privativos e um lounge com o pé na areia como opção para as refeições. Dentro das casas, o conforto se revela em salas com espaço ao ar livre, camas king-size, jardins privados, terraços suspensos, jacuzzis e piscinas privadas. Para quem busca relaxar, o Uxua Almesca Spa oferece um longo e completo cardápio de tratamentos. >> MARÇO 2014 | 181


REFÚGIO

Desde novembro de 2012, o hotel oferece o primeiro espaço de tratamento Vichy da Bahia. A decoração com quedas d’água correndo por troncos de eucaliptos esculpidos e a vista para as copas das árvores torna máscaras corporais e tratamentos com óleos orgânicos uma experiência única. Entre as opções de tratamento estão massagens relaxantes com óleo de almíscar, banho de lua, tratamento de reparação para a pele após exposição ao sol com óleo de coco extravirgem, reflexologia, massagem baiana com pedras quentes, drenagem com óleo essencial de gengibre, canela, alecrim, limão e cravo, limpeza de pele com cacau baiano e máscara corporal de argila branca, apelidada carinhosamente de Via182 | MARÇO 2014

gem à Lagoa. Para quem busca energia, o SPA recomenda a terapia aquática, mergulhando na exclusiva piscina do UXUA. A piscina em forma de lago é totalmente revestida por 40 mil pedras de exclusivo quartzo aventurino, pedra nativa baiana que muitos consideram ter propriedades de cura, já que está entre os minerais com as mais altas propriedades terapêuticas do mundo. Assim, o Uxua conquista visitantes do mundo todo em busca da paz e beleza do sul da Bahia aliadas ao design e conforto oferecidos pelo hotel. Passar alguns dias ali é uma experiência única, uma aula de sofisticação rústica e de preocupação ambiental que, com certeza, deixará vontade de voltar logo.



Revista Artefacto B&C Beach & Country 14ª