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PROGRAMA REESCREVENDO O FUTURO Proposta de Produção textual (outubro/2013) Tema: O despertar da consciência civil: o Brasil vai às ruas Tipologia: Texto dissertativo-argumentativo

Um pouco de teoria A dissertação é um texto que se caracteriza por analisar, explicar, interpretar e avaliar os vários aspectos associados a uma determinada questão. A finalidade da dissertação, portanto, é explicitar um ponto de vista claro e articulado sobre um tema específico. Em alguns casos, além da análise cuidadosa e detalhada de um tema, espera-se que o texto também apresente os argumentos para a defesa de um ponto de vista. Quando isso ocorre, tem-se a dissertação-argumentativa. No mês de outubro, os estudantes de todo o Brasil se mobilizam para obter um bom desempenho no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), por essa razão, lançamos, para reflexão do estudante goiano, um tema que tem repercussão mundial, privilegiando o texto argumentativo que é a forma exigida no exame mencionado acima. Agora, leia a coletânea abaixo e produza um texto dissertativo-argumentativo abordando o tema O despertar da consciência civil: o Brasil vai às ruas. Analise conceitos, opiniões e utilize recursos argumentativos para a defesa de um ponto de vista.

TEXTO 1

MANIFESTO EM DEFESA DA AMAZÔNIA E DA SOBERANIA NACIONAL

- O POVO CONFIA NAS FORÇAS ARMADAS!

A função primordial das FFAA do Brasil é defender o país e suas instituições, servir ao Estado Brasileiro, proteger e garantir nossas fronteiras, a integridade de nosso território nacional (seja terrestre, aéreo ou marítimo), cumprir e fazer cumprir a Constituição Federal, garantir a democracia em todos os seus aspectos quais sejam: o direito de livre expressão do pensamento, de associação, a liberdade de ir e vir, garantir a propriedade e a segurança individual, entre outros. O Brasil pede socorro. A agressão à nossa soberania e à nossa integridade territorial não é mais uma simples ameaça, não é um vislumbre. É a realidade com a qual estamos sendo confrontados e quedamos inertes. Nossas fronteiras estão sendo empurradas para dentro. Somos (ou éramos?) o país mais rico do planeta em riqueza naturais: ouro, diamantes, cassiterita, urânio, ferro, nióbio, petróleo. A Floresta Amazônica, além de ser considerada “o pulmão do mundo”, ainda tem uma riqueza na flora que, se bem estudada, pode trazer cura para todas as doenças que existem e outras que ainda venham a ser inventadas. Tudo isto, além da beleza da fauna que lá existe. Esta área está sendo invadida e conquistada por potências estrangeiras sob os olhares condescendentes de nossos (des)governantes que, a troco sabe Deus de que, estão entregando nosso território a piratas estrangeiros, diretamente ou através de suas


ONGs especialmente criadas para tanto. Países estão criando legislação de controle e preservação da Amazônia como se donos fossem. Governos estrangeiros registram patentes de produtos brasileiros, como é o caso do Cupuaçu, sob o beneplácito de nosso desgoverno que a tudo assiste e aplaude. Os chefes indígenas são levados à Europa e aos Estados Unidos para fazerem cursos e treinamentos de como se tornarem países independentes do Brasil. Algumas tribos já se consideram nações autônomas: Queremos que seja aprovado um Estatuto Indígena que regulamenta a exploração das [nossas] riquezas minerais, dos nossos recursos hídricos e que contempla outras áreas como educação e saúde. Não queremos ganhar migalhas de royalties, queremos vender o nosso produto ao Brasil. Também não queremos ganhar migalhas de royalties com a construção da hidrelétrica de Cotingo. Temos condição de construí-la e de vender energia ao Estado. Enquanto isto, o desgoverno brasileiro demarca terras absurdamente gigantescas e contínuas, em área de fronteira, facilitando, assim, que as tribos indígenas formem nações independentes. Correspondem, estas áreas, justamente, aos solos mais ricos em minérios, da Amazônia, justamente aqueles mais cobiçados pelas países estrangeiros e suas milhares de ONGs que aí estão encarregadas de explorar. Deste modo a Amazônia, tão avidamente desejada pelo mundo lá fora, está sendo pacificamente conquistada. Brasileiros que se rebelam são presos, algemados, como se criminosos fossem. Enquanto isso, o desgoverno em Brasília está muito ocupado em criar cizânias ente etnias e classes sociais, humilhar e sucatear as FFAA e dispor do país, tanto do território, do povo, dos bens e impostos como se fosse proprietário e como se os cidadãos, que lhes concederam os mandatos, tivessem vendido o país e passado o recibo de quitação, sem que lhes reste qualquer direito de reclamação. EXÉRCITO BRASILEIRO BRAÇO FORTE, MÃO AMIGA Disponível em: http://www.petitiononline.com/andec2/petition.html

TEXTO 2


Di s ponível em: http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/categoria/charge

TEXTO 3 O Manifesto 2000 pela paz Reconhecendo a minha cota de responsabilidade com o futuro da humanidade, especialmente com as crianças de hoje e as das gerações futuras, eu me comprometo em minha vida diária, na minha família, no meu trabalho, na minha comunidade, no meu país e na minha região – a: respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa, sem discriminação ou pre conceito; praticar a não violência ativa, rejeitando a violência sob todas as suas formas: física, sexual, psicológica, econômica e social, em particular contra os grupos mais desprovidos e vulneráveis como as crianças e os adolescentes; compartilhar o meu tempo e meus recursos materiais em um espírito de generosidade visando o fim da exclusão, da injustiça e da opressão política e econômica; defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, dando sempre preferência ao diálogo e a escuta do que ao fanatismo, a difamação e a rejeição do outro; promover um comportamento de consumo que seja responsável e práticas de desenvolvimento que respeitem todas as formas de vida e preservem o equilíbrio da natureza no planeta; contribuir para o desenvolvimento da minha comunidade, com a ampla participação da mulher e o respeito pelos princípios democráticos, de modo a construir novas formas de solidariedade. Manifesto disponível em: www.unesco.org.br

TEXTO 4 O JEITINHO BRASILEIRO É UMA FORMA DE CORRUPÇÃO? Entrevista com Roberto DaMatta

Se a regra transgredida não causa prejuízo, temos o “jeitinho” positivo e, dirá eu, ético. Por exemplo: estou na fila, chega uma senhora precisando pagar sua conta que vence aquele dia e pede para passar na frente. Não há o que reclamar dessa forma de “jeitinho”,


que seria universal porque poderia ocorrer na maioria dos países conhecidos, exceto talvez na Alemanha ou na Suíça, onde um trem sai às 14:57! E sai mesmo: eu fiz o teste. A questão sociológica que o “jeitinho” apresenta, porém, é outra. Ela mostra uma relação ruim com a lei geral, com a norma desenhada para todos os cidadãos, com o pressuposto que essa regra universal produz legalidade e cidadania! Eu pago meus impostos integralmente e por isso posso exigir dos funcionários públicos do meu país. Tenho o direito — como cidadão — de tomar conta da Biblioteca Nacional, que também é minha. Agora, se eu dou um jeito nos meus impostos porque o delegado da receita federal é meu amigo ou parente e faz a tal “vista grossa”, aí temos o “jeitinho” virando corrupção. A essas alturas, temos uma outra questão básica. A democracia liberal inventada pelos franceses e disseminada pelos americanos acabou com o regime do privilégio que graduava o comportamento. Havia um código de leis para os nobres, para o clero e, outro, para o povo. Um mesmo crime era julgado de modo diverso, caso fosse feito cometido por um nobre, por um padre ou por um ferreiro. Alguns comportamentos eram crimes só se fossem cometidos por plebeus. Veja o romance Os Miseráveis de Victor Hugo e O Conde de Monte Cristo, de Dumas. Ali se encontram bons exemplos desse mundo legal hierarquizado, onde pertencer a uma ordem ou família livrava a pessoa de certas crimes e permitia uma extraordinária latitude relativamente a outros tipos de comportamento. A Revolução Francesa liquidou o privilégio (ou a lei privativa ou privada). Ela instituiu um código universal dos direitos (e deveres) humanos, proclamada autoevidente na constituição americana. Ora, esse código não contempla mais a gradação, a relatividade diante da lei que exclui a hierarquia, instituindo a igualdade como o valor central das relações entre cidadãos e normas governamentais. Os nobres não pagavam impostos; depois da revolução todos, inclusive o presidente paga. No Brasil, a República fez, no papel e em cima de um regime social aristocrático de fato, de direito e de protocolo ideológico, a revolução igualitária. Na França, ela levou um monte de gente para a guilhotina, aqui, ela inventou — é lógico — o “jeitinho” e o “você sabe como está falando?” como duas pernas de uma mesma ficção jurídica. Que ficção é essa? Ora, é o faz de conta de que todos obedecem a lei, quando sabemos que os velhos aristocrata e os donos do poder (os burocratas, e altos funcionários, e os eleitos) são mais donos do que o “povo”. Com isso, podemos continuar contemplando o privilégio de não cumprir integralmente a lei, debaixo de um regime igualitário. Na França pré-revolucionária, dava-se, como no Brasil Imperial, o oposto. Em regimes onde o valor organizatório era a desigualdade, o jeitinho era libertar o escravo, deixar de ser medalhão, dar a um pobre a oportunidade de ser um igual. Em suma, o jeitinho se confunde com corrupção e é transgressão, porque ela desiguala o que deveria ser obrigatoriamente trado com igualdade, ou seja, sem sine ira et studio, como dizia Max Weber, roubando um adágio de Tácito. O que nos enlouquece hoje no Brasil não é a existência do jeitinho como ponte negativa entre a lei e a pessoa especial que dela e livra. É a persistência de um estilo de lidar com lei, marcadamente aristocrático que de certo forma induz o chefe, o diretor, o dono, o patrão, o governador, o presidente, a passar por cima da lei porque ele a “empossa”. O cargo público ainda hoje, e apesar dos avanços, ainda é concebido aristocraticamente, não burocraticamente e patriarcalmente como o foi nos velhos tempos de Dom Casmurro. Penso, por tudo isso, que é mídia tem um papel básico na discussão desses casos de amortecimento, esquecimento e jeitinho, porque ela ajuda a politizar o velho hábito que insiste em situar certos cargos e as pessoas que os empossam, como acima da lei; do mesmo modo e pela mesma lógica de hierarquias que colocam certas pessoas (negros, pobres e mulheres) implacavelmente debaixo da lei. O que faz com que a lei seja desmoralizada e quem a cumpre, estigmatizado como otário ou sub-cidadão. (Roberto DaMatta é professor titular da PUC-Rio e emérito da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos. Antropólogo e escritor, também faz parte da Academia Brasileira de Ciências, da American Academy of Arts and Sciences e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.) Disponível em: http://maniadehistoria.w ordpress.com/o-jeitinho-brasileiro



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