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SP SMC DEC Departamento de Expansトバ Cultural Sテ」o Paulo - Brasil - 2008


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2008


AS ABORDAGENS SOMÁTICAS NOS PROJETOS DE INICIAÇÃO E FORMAÇÃO ARTÍSTICA EM DANÇA CONTEMPORÂNEA

AnaTerra


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MEDIAR E OUVIR Walmir Pavam

Mediar qualquer debate é mesmo uma tarefa delicada. Essa máxima é conhecida principalmente no que diz respeito a um debate público; nesse caso, não raro o mediador pode ser considerado o vilão da história e receber impropérios como estes: “O cara não deixa os palestrantes terminarem sua idéia!” ou “Só fala besteira!” ou ainda “Pra que mediador? É só deixar as pessoas falarem!”. Além de ter ouvido frases desse teor, eu mesmo já proferi algumas opiniões parecidas em debates que assistie,pior,tambémfuicriticadodemaneirasemelhante em alguns dos quais mediei. Pensando nisso, comecei a me preparar com certo receio para a tarefa de mediar a mesa Interpretação-Caminhos no evento Encontros, da ação Vocacional Apresenta, do Projeto Teatro Vocacional, com grupos não-profissionais da cidade: “Qual a validade da minha ação? Teria competênciaparaisso?Nãoseriamelhorqueelespróprios conduzissem sua discussão?”. Mas ao respirar melhor, voltei a raciocinar. O ato do encontroparadebater questõesdeumacomunidade,seja ele de natureza profissional ou não, com intuito político ou artístico,nãoéumaprática,digamos,predominante.Hoje, além de trabalharmos muito, boa parte de nosso tempo é reservado,agostooucontragosto,paraassimilarimagens, reproduzi-las publicamente e fazer delas algo concreta ou mentalmente consumível, tudo sem muita discussão, aparentemente sem neuras e que viva o fugaz! Sendo assim, nesse excitante marasmo, um debate é certamente algo importante, e quiçá também o seja um mediador, que é um ser que estimula o pensamento e a reflexão coletivos. Comessarazoáveljustificativa,jáestavapsicologicamente pronto para desenvolver melhor uma proposta de mediação. Procurei referências, pensei em estratégias. No dia do evento, houve em primeiro lugar um relato das experiências de alguns dos grupos participantes e depois

todossedividiramemmesas,comtemasdiversosrelativos à prática teatral. Para a minha mediação, decidi adotar como provocação inicial uma frase de Patrice Pavis, em seu Dicionário de Teatro: “Ainterpretaçãodoatorvariadeumjogoregradoeprevisto pelo autor e pelo encenador a uma transposição pessoal daobra,umarecriaçãototalpeloator,apartirdosmateriais à sua disposição. No primeiro caso, a interpretação tende a apagar-se a si mesma para fazer com que apareçam as intençõesdeumautoroudeumrealizador(...).Nosegundo caso, ao contrário, a interpretação torna-se o local onde se fabrica inteiramente a significação (...)” (PAVIS, 2001: 212). Mas logo ao começar a ler a frase para eles, num tardio e cinematográficolapsodelucidez,comeceiapressentirque os termos de Pavis poderiam soar complicados para quem está começando a fazer teatro ou não tem uma vivência teórica mais constante. Terminada a frase, silêncio. Então, logo em seguida, segundos depois, num surpreendente e contemporâneo lance de rapidez, decidi rever a frase com palavras mais usuais e todos entenderam: “Até que ponto o ator só obedece ao autor e ao diretor, ou ao contrário, consegue ser também um criador, assim como os outros artistas do grupo?”. Logo começaram a se pronunciar. Alívio. “Ufa”, pensei, “parecequenãocomeceidemaneiraequivocada”.Durante a conversa, na medida do possível, fui transferindo o foco de atenção de minhas próprias dúvidas sobre condução de debates para o prazer de ouvi-los. Havia muita coisa para ouvir e observar: jovens com vontade de se posicionar, de desenvolver uma ação coletiva que diga respeito às pessoas, de relatar experiências artísticas significativas para eles e sua comunidade, de aprender coisas novas... alémdopróprioconteúdodasfalas,reveladordosdiversos caminhosdoteatropaulistano.Fuianotandooquepodia...


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Estavam presentes representantes dos seguintes grupos: Artemanha, Pé di Pano, JALC, Vital. Os representantes do grupo Artemanha eram Thaiane, Cíntia, Emerson e Patrícia; do Pé di Pano, Bruno; do Vital, Luciene; do JALC, Cassio. Além disso, participaram também nossas colegas artistas-orientadoras Patrícia Rezende e Ângela Barros, esta responsável pela anotação das principais discussões levantadas pela mesa, e contribuíram bastante para a conversa. A partir da citação inicial e das falas deles, eu e as artistas-orientadoras fomos levantando questões derivadas, que estimularam a verticalização da discussão e ao mesmo tempo, estabeleceram paralelos entre falas aparentemente não relacionadas: Que formas de criação o ator pode ter? Quais os limites da sua criação? Qual o papel da improvisação? Qual a relação entre interpretação e encenação? O que o ator precisa estudar e pesquisar para ser de fato um criador? Até que ponto obedecer a um diretor não faz de um ator um criador? Relato aqui algumas colocações dos debatedores: “Já fazia teatro, mas nunca tinha visto nenhuma peça, só assistia novelas. Como podia fazer o que não conhecia? Quando comecei a ver peças, percebi que é diferente estar no palco e ver na TV; a energia é diferente”. “O ator pode fazer diferente do que está no texto”. “Fizemos uma peça musical sem falas sobre a cidade”. “A diretora passa o texto para cada um, nós lemos primeiro e vemos se todos concordam em fazer a peça. Daí, cada um escolhe qual personagem gostou e fazemos um teste: umaleituradramáticaparaescolhadopersonagem.Elanão escolhe sozinha, o grupo dá opiniões do que ficou melhor para cada um”. “Durante os ensaios, altera nossa maneira de atuar”. “Depoisqueodiretorapresentaumapropostadetema,cada umpesquisaumpoucodoassunto,ediscuteteoricamente

com o grupo, defendendo uma posição”. “Ospovosantigossesentavamemcírculosparaconversare discutir. O teatro é assim também, porque todos se vêem, e você pode discordar, respeitando”. “O palco em arena aproxima mais o público do ator”. “Não só faço o que o diretor diz, vou buscar no enredo, entender o que se passa na história, procurar referências”. “Eu ainda não sei o que faço para interpretar. Sou muito técnico, perfeccionista, fico atento a cada movimento da minha ação, fico muito preso”. “Eu observo no dia-a-dia pessoas que podem me inspirar para o personagem, não fico muito preso ao corpo”. “Pessoastêmimpressõesdiferentessobreomesmotemae sobre o personagem”. Ângela Barros ressaltou lucidamente a importância de observar o mundo e ler teatro – peças e teoria – para a formação do ator. Mas ao final, fiquei com a impressão de que algumas idéias poderiam ter sido mais desenvolvidas. Ou que eu poderia ter me manifestado um pouco menos, talvez. De novo a questão: o debate e a mediação valeram para algo? Resposta: é claro que sim, desde que eu pare de pensar de maneira imediatista – principalmente porque o Projeto Teatro Vocacional propõe a pesquisa teatral continuada e de longo prazo. As descobertas serão certamente levadas aos grupos, instigarão outras pesquisas e amadurecerão no tempo certo. Além disso, deu para perceber que a interpretação não é apenas uma questão técnica do teatro, é também uma forma de rever atos humanos, porque essas pessoas, ao compararem diferentes formas de criar cenas e personagens, refletem também sobre sua condição e sobre o mundo. E, pensando bem, também não dá para desprezar o olímpico Pavis, que no final das contas, remexido e realocado, foi o fator teórico propulsor para a discussão de uma boa parte do teatro realizado hoje em São Paulo.


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Artistas que atuaram como coordenadores e artistas-orientadores nos Projetos do Núcleo no período de 2005 a 2008: Adriana Dham Adriana Gerizani Adriana Guidotte Adriana Macul Adriano de Carvalho Adriano Fagundes Aldiane Dalla Costa Alberto Cohon Alejandra Saiz Alex de Souza Alexandre Ribeiro Aline Ferraz Amilcar Farina Ana Andreatta Ana Chiesa Yokoyama Ana Cláudia César Ana Flávia Chrispiniano Ana Guasque Ana Paula Port Ana Roxo Anabel Andrés Anelise Scattalo Anderson Anastácio André Bellido André Blumesnchein André Collazi André Correa André Luis Madureira Andrea Yonashiro Ângela Barros Angélica Reny Anie Welter Antônio Salvador

Bárbara Araújo Bárbara Campos Bebeto Von Buettner Bernadeth Alves Beto Amorim Breno Backspin Caco Mattos Cácia Goulart Camila Capparelli Camilo Brunelli Carlos Silva Carmen Soares Carolina Pizzolante Cássio Santiago Cátia Pires Cecília Schucman César Negro Cida Almeida Cindy Quaglio Claudia Alves Cláudia Gonçalves Claudia Polastre Cleber Sam Cléia Plácido Cleyde Fayad Cris Lozano Cris Machado Cristiana Gimenez Cristina Ávila Cuca Bolaffi Daniela Biancardi Daniela Dini Daniela Schitini

Daniela Smith Darlene Marques Débora Marçal Débora Penna Dedé Pacheco Denise Pereira Rachel Dinah Feldman Donizeti Mazonas Ednéia Amarins Edson dos Santos Edu Silva Eduardo Parisi Eduardo Sô Eliana Cavalcante Eliana Monteiro Elisa Band Elisa Rossin Elisabeth Firmino Evinha Sampaio Elvis Freitas Ênio Gonçalves Enoque Santos Érica Montanheiro Érica Monteiro Ernandes Araújo Erry-G Estelamare dos Santos Evill Rebouças Fabiana Villas-Boas Fábio Farias Fabio Katz Fábio Villardi Fabíola Camargo

Fabrício dos Santos Fausto Brunini Felipe Alves Lima Felipe Guimarães Felipe Soares Fernando Faria Filipe Brancalião Flávia Bertinelli Flip Couto Francis Paulino Gabriela Flores Geraldine Quaglia Gilda Maria Gira de Oliveira Giselle Ramos Gloriete Luz Guilherme Marback Henrique Guimarães Ingrid Kiefer Ipojucan Pereira Irani Cippiciani Ivan Delmanto Ivanildo Piccoli Ivo Alcântara Jaqueline Obrigon Jefferson Ribeiro Jô Pereira Jonas Golfeto Jonaya de Castro José Ferro José Guilherme José Leonel Josefa Pereira


Júlia Salaroli Juliana Araújo Juliana Monteiro Juliana Ramos Juliana Rocha Juliane Pimenta Junia Pedroso Junior Gonçalves Kely de Castro Lara Dau Vieira Leonardo Antunes Lígia Borges Lígia Botelho Lilih Curi Lina Agifu Lindberg Fernandes Lívia Sabag Liz Mantovani Luana Sant’anna Luciana de Carvalho Luciana Ramanzini Luciana Schwinden Luciana Semensatto Luciano Gentile Luís Ferron Luiz Cláudio Cândido Malu Bazan Manuel Boucinhas Mara Helleno Marcela Schereiner Marcelo Braga Marcelo Correia Marcelo de Andrade

Marcelo Reis Marcelo Romanholi Márcia Maddaloni Marcio Greyk Márcio Martins Marcus Silva (in memorian) Marcus Simon Maria Ângela de Ambrosis Maria Stela Tobar Mariana Duarte Mariana Leite Marília Adamy Marko Concá Martha Dias Matteo Bonfitto Maurício Baraças Melissa Panzutti Moacyr Ferraz Morgana Nádia De Lion Natacha Dias Nei Gomes Nelli Sampaio Nilson Muniz Nirvana Marinho Nora Toledo Odair Prado Paco Abreu Patrícia Cicogna Patrícia Gifford Patrícia Resende Patrícia Werneck

Paula Klein Paula Salles Paulina Caon Paulo Barcellos Paulo Celestino Paulo Faria Pedro Felício Pedro Peu Penha Pietras Perla Frenda Péricles Martins Priscila Gontijo Ramiro Murillo Raquel Anastásia Ray Moura Regina Campos Régis Santos Rejane Arruda Renata Casemiro Renata Ferraz Ricardo Gimenes Ricardo Napoleão Ricardo Teté Roberto Azambuja Roberto Moretto Robson Alfieri Rodrigo Scarpelli Roger Muniz Rogério Fraulo Sérgio Guizé Sérgio Pupo Sidnei Caria Silvanah Santos Silvio Restiffe

Simone Carleto Simone Schuba Sofia Cavalcante Solange Borelli Soraya Aguillera Suzana Schimidt Tadashi Kawano Tânia Villaroel Tatiana Guimarães Teca Spera Telma Helena Telma Smith Teresa Athayde Teth Maielo Thiago Arruda Thiago Marcelo Mendes Uxa Xavier Valéria Lauand Vanderlei Bernardino Vanderlei Lucentini Vanessa Freitas Vânia Terra Verônica Mello Verônica Velloso Vicente Concílio Vicente Latorre Virginia Buckowski Wagner Miranda Walmir Pavam Walter Portella Wilson Julião Wilton Amorim Xica Lisboa


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realização


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