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DISTRIBUIÇÃO GRATUITA t PRODUZIDO PELOS ALUNOS DO 2.º ANO DO CURSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO DA FACULDADE DE FILOSOFIA DE BRAGA t N.º 11 / junhO DE 2011 t DIRECTOR ALFREDO DINIS

15103 toxicodependentes

são tratados a Norte

t sociedade Histórias de quem tenta deixar a droga e reconstruir a vida

\\\ P. 05

t entrevista

“O jornalismo impresso é uma espécie em vias de extinção”

t ENTREVISTA

“O Theatro Circo tornou-se numa aberração” Na esplanada do café A Brasileira, em Braga, Adolfo Morais de Macedo dá a voz a Adolfo Lux­ úria Canibal. Incisivo e penetrante, o advogado, que afirma não saber cantar, fala da advocacia, de Braga, de cultura e dos Mão Morta. \\\ P. 12 e 13

Luís Miguel Viana, director da Agência Lusa, gere com agilidade o maior órgão de informação do país. Fala nas mudanças, no seu dia-a-dia e na relação dos media com a sociedade. \\\ P. 2 a 4

t Reportagem

Novas tecnologias e o futuro do jornalismo Pacheco Pereira, Eduardo Cintra Torres e Joaquim Vieira analisam a influência das novas plataformas na internet na sociedade. \\\ P. 8-9

t Cultura

S. João de Braga espera 1 milhão de pessoas A cidade está-se a preparar para a sua maior festa. As sãojoaninas são o ponto alto das festividades. \\\ P. 14

- A FACFIL brevemente terá rádio - procuram patrocinadores - e-mail: radio.facfil.ucp@gmail.com


02 | COMUNICA*TE | junho 2011

Entrevista | Luís Miguel Viana, director da Lusa

PERFIL

Luís Miguel Viana da filosofia para a paixão, o jornalismo

Luís Miguel Ramos Gilsanz Viana nasceu em Coimbra a 14 de Setembro de 1966. É casa­do, pai de dois filhos e conta no seu historial pro­ fissional com passagem por dez órgãos de comunicação. Desde o Jornal de Coimbra em 1988, projecto que o fez desviar da filosofia para o jornalismo, nunca mais pa­ rou: do Público ao Indepen­ dente, do Diário de Notícias à Lusa, onde é director ago­ ra, Luís Miguel Viana exerce o trabalho que sempre quis: fazer jorna­lismo. Hoje, é ainda docente da cadeira de “Spe­ech Writing” na pós graduação em “Estratégias de comunica­ção e asses­ soria mediática” no Insti­ tuto Superior de Línguas e Administração entre 2007 e 2010.Considerando-se como um velho conhecido do jornalismo português, LMV foi distinguido pelo Clube de Jornalistas do Porto com o “Prémio Região Norte” em 1992 e pelo “Prémio Poder Local” em 1996 enquan­to jornalista do Público. Re­ cebeu também pelo Clube Português de Imprensa o “Prémio Nacio­nal de Repor­ tagem” em 2000 enquanto jornalista da revista Visão. Actualmente, é director da agência de notícias Lusa, cargo que diz ocupar com o rigor, esforço e determi­ nação que sempre teve por onde passou.

“Jornalismo impresso está em vias de extinção” de uma forma descontraida o director da lusa falou ao comunica*te sobre como dirige a lusa, do futuro jornalismo e da sua vida pessoal

 Ana Carvalho, André aranes, carolina campelo, catarina vilas boas e margarida ramos

Entre tempestades, pressões e sorrisos, Luís Miguel Viana falou da ac­tualidade em geral enquanto es­perava para testemunhar em tribunal. Objectivo e firme nas respostas, lá foi falando de tudo, sempre com a resposta na ponta da língua. Licenciou-se em Filosofia na universidade de Coim­bra, porque enveredou para o jornalismo? Por acaso. Houve na altura um projecto jornalístico em Coimbra que envolvia o meu professor na esco­la secundária e correspondentes nacionais de vários jornais como o Expresso, o Jornal de Notícias, entre outros. O objectivo era dar à cidade um jornal regional com qualidade. E eu na altura queria ganhar uns trocos, candidatei-me e fiquei. Foi difícil? Foi uma experiência fantástica. O meu primeiro trabalho não foi fazer uma breve, foi entrevistar o ministro das Finanças. E, como todos nós tínhamos uma grande ambição, convenci o então minis­tro, Miguel Cadilhe, a dar a entrevista. Ao longo da sua carreira

passou pelo jornal Público, Independente, Visão, Diá­rio de Notícias. Qual lhe deu mais gozo?

O Público. O Público nos seus anos iniciais foi uma experiência profissional e humana absoluta­mente fantástica. A novidade do Público da altura caminhava em dois pés: um bom tratamento da informação in­ternacional, cultural e científico-tecnológica, que não existia; e um jornalismo local, dirigido às classes mais dinâmicas das cidades, com uma qualidade nunca antes vista. Tinha uma qualida­de redactorial e fotográfica que prestou um serviço a Portugal de um nível equivalente ao que se prestava em outros países euro­peus. O jornalismo impresso é a sua paixão? É, e para além disso é a minha paixão inicial. Mas estou completamen­te lúcido e sei que o jornalismo impresso é uma espécie em vias de extinção. O que o leva a dizer isso? Os jornais todos os dias têm menos leitores, as rádios têm todos os dias menos ouvintes, as televisões por si só todos os dias têm me­nos espectadores: todas as plataformas convergem para a Internet. O

proble­ma é que a Internet não conse­gue recolher dinheiro, ainda não foi descoberta a fórmula para se ganhar dinheiro com o jornalismo na Internet. O grande pro­blema é que neste momento, no seu conjunto, a nível mundial, a actividade jornalística não é economicamente sustentável. Isso é muito preo­cupante. Qual é o futuro do jornal impresso? A maior parte daquilo que nós conhecemos hoje como jor­nais ou como re­vistas serão absorvidos por essa plataforma aglutinadora de to­das as outras que é a Internet. Tudo irá interagir: a imagem, o som, o texto, os vídeos, a infografia. Esta últi­ ma acho que vai ganhar uma importância absoluta, uma vez que é o sítio onde a fotografia, vídeo, som, texto e ilustração se vão conjugar. O jornal impresso creio que ficará como um negócio de nicho, ou de “luxo” em certos casos. E lidará com outro fenómeno que hoje já estamos a viver plenamente: a passagem da transmis­são de informação do modelo «one to many» dos média tradicionais (um órgão para muitos leitores, especta­dores ou ouvintes), para o sistema «many to many», que é toda a gente falar com toda agente, seja nos blogs, seja no facebook, seja no twitter.


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Luís Miguel Viana na sala de espera do tribunal

foto: margarida ramos

Essas redes sociais, e outras que vão surgir, irão disputar aos jornalistas o papel de “gatekeeper” que dá acesso aos palcos mediáticos. Tendo um cargo tão im­ portante e não reconheci­ do pela maioria das pes­ soas, o que tem a dizer sobre si que a sociedade não conhece? (risos) Eu não sou uma es­ trela pop. Em todo o caso, devo dizer que não cheguei à Lusa caído do céu aos tram­ bolhões. Sou um velho co­ nhecido do jor­nalismo em Portugal, fui subdi­rector do Público e Diário Eco­nómico e redactor principal no Público e no Diário de Notícias. Na televisão é que apareço pou­ co, vou lá es­poradicamente. Como é o dia do director da agência Lusa? É um bocado compli­cado porque a Lusa é uma máqui­ na muito grande. Nós temos a maior redacção do país, aquela que produz mais notícias: produz qualquer

omeletas porque achavam que facilmente poderiam ser acusadas de estar a fazer fretes ao Governo. Eu, como tenho uma folha de serviços completamente limpa e uma consciência tranquila a esse respeito, não hesitei em par­ tir ovos. O que mudou? Não havia a mí­nima con­ sideração pelos horá­rios em que a agência produzia para ser útil aos clientes. A pri­ meira reunião do dia era ao meio dia, não ha­via um editor a entrar antes das 10 horas da manhã. Ora, mu­dar isso foi o primeiro choque, depois foi puxar pelo ritmo, foi puxar pela qualidade do traba­lho, e isso não caiu bem. Houve pessoas que pediram a demis­ são e saíram da Lusa porque, simplesmente, não estavam em condições de aguentar chegar à agência às 10 horas da manhã. A cultura jorna­ lística deles era trabalhar até tarde, era à anti­ga. Mas esta é completamente inadequada a uma realidade noticiosa mar­

_ “o grande problema é que neste momento, no seu conjunto, a nível mundial, a actividade jornalística não é sustentável, o que é muito preocupante” coisa como 550 notícias em dia útil. Para além disso, eu como director tenho que gerir orçamentos, há toda uma parte muito pesada de ges­tão. Portanto, há muitas vezes em que eu gostava de editar textos, fazer reporta­ gens ou até entrevistas e não posso. Sente muito a falta des­ se lado do jornalismo? Sim, sinto falta e regressarei a ele, já que nunca se é direc­ tor durante muito tempo. Di­ rector é um esta­do transitório em que nós execu­tamos fun­ ções. E, como tudo na vida, tem ciclos: mais cedo ou mais tarde muda-se de funções. Sente que o seu lugar na Lusa é muito cobiçado? Deve ser, mas sinceramente eu não penso muito nisso. Em 2008 viveu-se um clima de tempestade den­ tro da re­dacção da Lusa, nomeada­mente entre si e o conselho de redacção. Como está o cli­ma ago­ ra? Não mudou muito, simples­ mente nota-se menos. O con­ selho de redacção da Lusa las­timavelmente funciona como contra-poder. Quando eu cheguei à Lusa, como em qualquer sítio havia um gru­ po que dominava a redacção. E, como a Lusa tem capital do Estado, é um lugar onde as pessoas tinham muito medo em partir ovos para fazer

cada pelo multi­média e pela necessidade de dar informa­ ção o mais cedo possível. Isto tudo levou a um ranger de dobradiças. Havia um gru­ po que estava habitua­do a mandar, e do qual as pesso­as tinham medo porque tinha poder dentro da agên­cia, que tentou (e ainda tenta) passar a imagem de que a Lusa faz fretes ao Governo, o que é completamente menti­ra. Eu demons­trei isso sempre que fui depor à Assembleia da República. Não houve ne­ nhuma circunstância pública em que a independência do nosso trabalho não tenha fi­ cado provada com elementos con­cretos. Nós mudámos a Lusa para muito melhor. A quanti­dade e qualidade da rede inter­na, por exemplo, é absolutamente diferente daquela que existia há cinco anos. Ao longo da sua profis­ são cometeu muitos erros? Vol­taria a cometê-los? Arrepen­de-se de alguma coisa? Arrependo-me bastante de alguns. Já fiz coisas que po­ deria ter feito muito melhor, nomeadamente como jorna­ lista. Alguma vezes fui cruel, dese­legante até. A preocupa­ ção em ser incisivo levou-me a ter alguma ferocidade, típica da ida­de. Mas houve um erro que nunca cometi, o de faltar com a verdade. >>>


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Entrevista | Luís Miguel Viana, director da Lusa sempre equivale a que ela seja melhor percepcio­nada. Em al­ guns casos, o velho jornalismo – em que o jornalista era mais claramente mediador, con­ textualizando – acabava por transmitir mais in­formação ao espectador do que agora uma transmissão integral de uma conversa.

Luís Viana admite que

“nunca se é director durante muito tempo” Foto: Margarida Ramos

Existe uma nova gramá­ tica e novas regras para os jornalistas escreverem para a Web? Deveria haver porque eu acho que a linguagem determina tudo. Se fizermos uma análise herme­nêutica a uma notícia, va­ mos ver que a mensagem é deter­ minada pelo meio. Uma notícia lida num jornal ou transmitida na televisão é percepcionada de uma forma diferente. Como está o jornalismo no panorama nacional? Acho que está melhor. Te­ mos a capacidade de informar me­lhor. Há um problema grave que é o da falta de sustentabili­ dade da actividade que se afir­ ma des­de o final do século XX. As re­dacções estão enfraqueci­ das de gente mas a nova gera­ ção de jornalistas é mais inde­ pendente. Há liberdade de imprensa em Portugal? Completamente. Considera a wikipédia uma fonte inimiga dos jor­ nalistas? Inimiga também é de mais. O problema da wikipédia é que a verdade se mistura com a men­ tira, a bondade com a maldade. Os jornalistas deixaram de ter o privilégio de ser os «gate ke­ epers», agora qualquer um de nós pode entrar nesse palco me­ diático.

“Nova geração de jornalistas é mais independente”

A Lusa está a habituar-se à aceleração mediática que se tem verificado? Eu acho que sim. Quando che­ guei à Lusa havia duas câ­maras de vídeo, agora há mais de 90. Esta­mo-nos a modernizar e a adaptar o mais rápido possível. As novas tecnologias estão a mudar a forma de se fazer e pensar o jornalismo? Sim. Estão a mudar pelas ra­ zões que toda a gente percebe. Por exemplo, numa entrevista como esta, é muito fácil trans­ mitir som, fotos, texto, vídeo, formas muito diferentes e mais rápidas do que aquelas que ha­ via. Isto tem muitos ganhos por­ que há uma proximidade maior à realidade, o que, porém, nem

Quais foram as maiores difi­culdades nesta adapta­ ção? O nosso objectivo era a trans­ formação e o nosso desafio, que era único, era o de pegar numa re­dacção convencional e transfor­ má-la toda sem excluir ninguém. Claro, umas pessoas fizeram-no com grande entusiasmo e outras foram empurradas, a arrastar os pés. A maior dificul­dade foi con­ jugar isso tudo.


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Sociedade | Toxicodepêndencia em Braga

Cat de braga

Nas ruas do vício Rede pública de tratamento da toxicodependên­cia tem 38 875 utentes registados, sendo 15 103 oriundos do Norte do país  Catarina vilas boas, gonçalo cardoso, juliana gomes e ricardo dória

António Magrinho Coelho des­loca-se mensalmente ao Centro de Atendimento de Toxicode­pendentes para se abastecer de buprenorfina, um substituto derivado da morfina que atenua a ressaca violenta do utente em reabilitação. Como ele, estão integrados na rede pública de tratamento da toxicodependên­cia 38 875 utentes, sendo 15 103 oriundos do Norte do país. António iniciou o curso de en­genharia mas não conseguiu ter­miná-lo. Enveredou pelo mundo das drogas com 21 anos e o “apeti­te de saber como era” prolongou-se, acabando por decalcar a sua vida. Cresceu sem que nada lhe faltasse, para hoje lhe faltar tudo. Mas não é quando fala do con­forto em que vivia que a sauda­de nasce. A verdadeira perda de António reflectese na amargura com que fala da família: “O meu pai já morreu. A pior coisa que fiz enquanto

consumia foi roubar a minha mãe e ela nunca me per­doou”. António está há seis anos “limpo, sem consumir nada”. Para Mafalda Lourenço, soció­loga, “existe uma multiplicidade de causas associadas à toxicode­pendência, desde factores psico­lógicos como a débil auto-estima e frustração, a factores sociais e económicos”. “O uso de substân­cias psicoactivas foi e será uma constante histórica” que acarreta “consequências como a fragili­zação dos laços sociais, exclusão social e marginalização”. Hugo Serafim, 30 anos, conhe­ ce melhor do que ninguém essa marginalização. Trabalha como motorista e colaborador na Des­ pertar há oito meses e já foi “acusa­do de roubo por ter estacionado a carrinha em frente a uma habita­ção que havia sido assaltada ho­ras antes, e por pertencer a uma associação de reinserção social”. “Para a maior parte da sociedade o toxicodependente reabilitado ou não, é incapaz de produzir algo positivo”, mas na Despertar

Hugo sente-se capaz de superar o negativismo da sociedade que o sufoca: “basta funcionarmos como uma equipa, para que pos­ samos ajudar quem mais precisa de nós”. Sofia (nome fictício) é estu­ dante da Faculdade de Filosofia e iniciou o consumo de drogas leves aos 16 anos. Consome ha­xixe e cannabis regularmente e fá-lo porque “liberta e desinibe” e, nas palavras dela, tranforma-a numa espécie de super-mu­lher, cujo “céu é o limite”. Daqui a dez anos vê-se licenciada e empregada, mas

38875 5044

é o número de utentes na rede pública de reabilitação

KG de canabis apreendidos em 2009, o número mais alto da década

confessa que “é pouco provável largar a erva”. Em Portugal, a descriminaliza­ ção do consumo de droga existe há dez anos, e o presidente do Ins­tituto da Droga e da Toxicode­ pendência (IDT), João Goulão, faz um balanço “muito positivo” da lei em vigor desde 1 de Ju­lho de 2001. ”Existe em Portugal um número recorde de pessoas em tratamento, o que simboliza uma enorme evolução” - 10% dos doentes em tratamento são con­ sumidores de cannabis. “Hoje, quando confrontados pelos téc­ nicos das comissões, acabam por perceber que fumar ‘cannabis’ tem consequências para a saúde e aceitam o tratamento”. Segundo o IDT, a droga mais consumida em Portugal é a cannabis, seguida de longe pela cocaína, segunda droga prefe­ rencialmente utilizada. O maior número de apreensões de can­ nabis foi registado nos distritos de Braga, Porto e Lisboa, onde, só no ano de 2009, foram apre­ endidos 5044 kg de cannabis, re­gistando o valor mais elevado da última década.

FOTO: margarida ramos

casos de vida Nuno Nuno, chamemos-lhe assim, tem 16 anos e iniciou o consumo de drogas aos 13. Sob o olhar atento da mãe, que o observa de longe, diz, quase a segredar que, “apenas” fuma haxixe e erva”. O seu esforço é sim­plesmente mecânico, pois os pais já descobri­ram a dependência do filho. É essa a razão pela qual se encontra à porta do Centro de Atendimento a Toxicodependentes, em Braga, à espera de ser recebido por um terapeuta que o irá aconselhar: “Vim fazer análises. Os meus pais obrigaram-me”. Ao longe, a mãe continua a vigiar o filho, mirando com descon­fiança o gravador para o qual este fala. Chama-o, e Nuno segue-a. Tiago Tiago não quer revelar o seu nome verdadeiro. Tem 21 anos e começou a “fumar charros aos 14”. A curiosidade é a sua fraqueza. Aos 18 anos quis inalar cocaína “numa garagem de uns amigos”. “Começou tudo numa estupidez, mas 85% das pessoas conhecem as drogas, é uma sensação espectacular”. Para Tiago “a erva é a folha de Deus”, e a cocaína é inevitável”. “Não sou toxicodependente”, remata


06 | COMUNICA*TE | junho 2011

Sociedade | Política em Braga

um minuto

Cortes do estado afogam APPACDM O presidente da direcção da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental do distrito de Braga (APPACDM-Braga), António Melo, fez saber que a associação vive momentos financeiros muito difíceis. Esta situação já foi comunicada a D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, numa reunião em que foram dadas algumas probabilidades de solução para os problemas. A APPACDM-Braga é uma associação que visa promover a integração, na sociedade, do cidadão com deficiência mental, bem como o equilíbrio das suas famílias.

Sucessão de Mesquita Machado na recta final Presidente da Câmara de Braga há 35 anos, Mesquita cumpre o seu nono e último mandato: Concelhia do PS prepara sucessão

Universidade do Minho passa a fundação O conselho geral da universidade do Minho aceitou a passagem da organização ao regime de fundação de direito privado. O tema gerou bastante contestação levando vários professores, funcionários e alunos a protestarem à porta da reitoria. A mudança foi feita por sufrágio tendo dezasseis votos a favor e 7 contra. O processo iniciou-se à 3 anos e pelo volume da contestação promete não acabar por aqui.

“Observatório Social” na Católica de Braga A Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica de Portuguesa vai participar até ao final do ano no desenvolvimento de uma convenção para o Observatório Social da Conferência Episcopal Portuguesa. O objectivo do observatório é uma unidade de produção dinâmica de informação e de conhecimento sobre as questões e transformações sociais na sociedade portuguesa. Fará parte do projecto o Arquiepiscopado de Braga e a Diocese do Porto e iniciar-se-à no inicio de 2012.

sede partido socialista de braga em braga

 ANDRÉ ARANTES, FELICIANO FERREIRA E JOÃO BASTOS

Mesquita Machado presi­dente da câmara municipal de Bra­ ga há 35 anos cumpre o seu nono e último mandato. Impos­ sibilitado por lei e a um ano das eleições internas para a conce­ lhia do Partido Socialista (PS) perfilam-se três candidatos. Vitor Sousa, vice-presidente da câmara municipal de Braga; Hugo Pires, vereador da juven­ tude e responsável pelo projec­ to “Braga Capital Europeia da Juventude”; e António Braga, presidente da assembleia mu­ nicipal e secretário de Estado das comunidades. São estes os nomes em cima da mesa para a sucessão a Mesquita Machado no PS e na câmara municipal de Braga. José Palmeira, coordenador da licenciatura em Ciência Po­ lítica da Universidade do Mi­ nho, afirma que “uma sucessão costuma ter sempre linhas de continuidade e de ruptura”. Sendo uma sucessão complexa

Fotografia: André arantes

de analisar devido à longevida­ de do poder do actual presiden­ te e por se tratar de uma lógica político-partidária, crê-se que “o perfil deve adequar-se aos anseios de um concelho que tem uma população jovem”, diz José Palmeira. Braga como ter­

ceira cidade de Portugal precisa de um sucessor que “lute contra a bipolaridade Lisboa-Porto”, afirma o coordenador. Neste tempo de liderança de Mesquita Machado houve in­ vestimento em infra-estru­turas e crescimento da cidade: “Ago­

Os quatro que se perfilam António Fernandes da Silva Braga, licenciado em filosofia, é inspector da inspecção - geral do ensino. Deputado desde 1987 pelo círculo eleitoral de Braga no quinto governo constitucional; vice - presidente da Comissão Parlamentar da Educação, Ciência e Cultura; membro da delegação parlamentar portuguesa à assembleia parlamentar do Conselho da Europa; membro da delegação parlamentar portuguesa na União da Europa Ocidental. Hugo Alexandre Polido Pires, formado em

Arquitectura, é vereador da Câmara Municipal de Braga, é responsável pelos pelouros da gestão urbanística e renovação urbana, do planeamento e ordenamento, da juventude, e da protecção civil, do trânsito, da polícia municipal e dos bombeiros municipais. Vitor Manuel Amaral de Sousa, formado em gestão é vice - presidente da Câmara Municipal de Braga, é responsável pelos pelouros das actividades económicas, do turismo, do mercado municipal e das obras municipais.

ra tem de se tirar proveito das infra-estruturas que estão su­ baproveitadas e de promover o desenvolvimento económico e social”, remata o professor. O presidente da concelhia do PS foi sempre até aos dias de hoje o candidato ao mu­ nicípio. Mesquita Machado presiden­te desde os 29 anos de idade, agora com 64 anos, não aponta sucessores: “No PS vamos a vo­tos e será nas urnas que ficará decidido”, disse o presidente da câmara à comunicação social. A recente nomeação de Vitor Sousa para vice-presidente da câmara, depois de estar ligado a cinco pelouros camarários; as contínuas nomeações de Hugo Pires para os sete pelouros que dirige, sendo que só o presi­ dente da câmara atribui estes cargos municipais; e António Braga o actual presidente da assembleia-geral do município estão, pelo percurso, na linha da frente como principais can­ didatos ao município e ao Par­ tido Socialis­ta de Braga.


junho 2011 | COMUNICA*TE | 07

Sociedade | Homossexualidade e PEB

Discriminação homofóbica diminui em Braga

“Ex-Aequo” integra jovens homossexuais Luta contra a discriminação homofónica em Braga regista 4 novos membros por mês  DIOGO OLIVEIRA, MÁRIO SANTOS E NUNO SOARES

A rede “Ex-aequo” é uma as­ sociação sem fins lucrativos que visa apoiar a juventude lésbica, gay, bissexual e transgénera, e tenta mudar mentalidades em relação às questões de orienta­ ção sexual e identidade do géne­ro. A associação tem vários pólos espalhados pelo país, aumentando assim o seu raio de acção. Em Braga, a associação reúne duas ve­zes por mês, recebendo cerca de dois novos

membros por reunião. Rui Luz, 23 anos, um dos coordenadores do centro dis­ trital de Braga, partilhou com o Comunica*te alguma da sua experiência pessoal e algumas das dinâmicas vividas com o grupo. Segundo o coordenador, a mentalidade dos portugueses tem vindo a mudar: “Tenho co­ legas do grupo que andam de mão dada em público no centro da cidade, sem sofrer qualquer tipo de represália ou discrimi­ nação”. Quem procura ajuda na associação encontra sempre um

ponto de abrigo, mesmo sendo casos com alguma gravi­dade, como membros que pen­sam em suicídio, não são deixa­dos de lado, mas segundo Rui Luz “esses casos têm que ser remetidos para a sede nacional, pois em Braga a associação não possui meios de apoio a esses casos problemáticos”. Um dos factores principais psicológicos que afectam os no­ vos membros “é o facto de eles próprios não se aceitarem como são e em espaços de convívio social fazerem piadas e critica­

rem a sua opção sexual e a dos outros”. Para Alfredo Dinis, coorde­ nador da licenciatura de psico­ logia e director da Faculdade de Filosofia de Braga, as socieda­ des europeias têm vindo, com o tempo, a “aceitar progressiva­ mente um considerável número de ideias e práticas morais tais como os comportamentos ho­ mossexuais”, que eram vistas como tabu. Fazendo uma liga­ção ao crescimento económico e cultural das sociedades, o di­rector afirma que estas novas atitudes e novos valores são “próprios da sociedade da in­formação e do conhecimento”. Defendendo que o grau, tan­to da homossexualidade como a da heterossexualidade, não define ninguém, Alfredo Dinis considera que a sociedade não deve marginalizar e ofender as pessoas homossexuais “sem que esta lhes deva reconhecer o direito a uma integração social plena”. Uma das fases mais complica­ das a nível psicológico e pessoal é a chamada fase do “coming out”, pois não é fácil para as pes­soas fazerem a revelação da sua sexualidade perante a família e amigos. Rui Luz partilhou que quando fez o seu “coming out” juntou cerca de 30 membros da minha família e houve alguma tensão, “mas hoje convive-se bem com isso apesar de ainda ser um tema tabu”,. Reco­nhece no entanto que há uma maior acei­tação por parte das famílias em geral ou um lidar melhor com a situação em menos tempo. Mas mesmo por parte dos pais tem de haver um “coming out”, pois ali é uma idealização dos filhos que se vai: “os pais aceitam, mas sentem que não era aqui­ lo que queriam para os filhos, os pais pensam sempre que os filhos vão seguir um rumo “nor­ mal ” de vida, namorar, casar, ter filhos e a partir daí têm de abandonar essa ideia”.

PEB com lucros de 34 mil euros  JOANA LOPES, JOÃO BARBOSA, MANUELA CASTRO E TERESA SILVA

O Parque de Exposições de Braga (PEB), criado em 1981, é uma estrutura direccionada para a realização de exposições, congressos, feiras e outras actividades sócio-culturais. O PEB tem uma dimensão equivalente a quatro campos de futebol e contém um auditório com capacidade para 1300 pessoas, sendo o maior auditório de Braga. Em 2010 contabilizaram-se mais de 101 eventos, dos quais 13 referentes a feiras. Nesse mesmo ano, conseguiu-se um lucro de €34.135.77. O próximo objectivo é a internacionalização do PEB e a exportação de uma imagem mais forte para o resto do país.

Parque de Exposições de braga

Miguel Corais, administrador executivo do PEB, afirma que as parcerias são privilegiadas, pois “hoje em dia é difícil ter os recursos todos numa só instituição”.

FOTO: margarida ramos

Hoje em dia o PEB conta com um contrato-programa com a Câmara Municipal de Braga e estão a ser construídos alguns projectos com a AIMINHO (As-

sociação Industrial do Minho), a Universidade do Minho, a Universidade Católica e com a ACB (Associação Comercial de Braga). Apesar da crise estar presente, Miguel Corais defende que as atenções não podem recair somente no corte dos custos. “Cortar em “gorduras” parece-me bem, mas às vezes podemos estar a cortar nos “músculos” e até no “osso”. O administrador afirma ainda que o “PEB é um contributo importante para a actividade económica da região”. Miguel Corais não descura o projecto Braga Capital Europeia da Juventude 2012 e afirma que o PEB “será uma instituição importante neste grande evento.”

um minuto

Banco alimentar recolhe 150 toneladas A campanha de solidariedade organizada pelo Banco Alimentar Contra a Fome de Braga recolheu 150 toneladas de bens alimentares. A iniciativa decorreu nos dias 28 e 29 de maio junto das grandes superfícies comerciais espalhadas pelo distrito de Braga. Milhares de voluntários deram asas à iniciativa que provou que o distrito está cada vez mais solidário visto que em igual iniciativa o ano passado o aumento de doações foi de 23 toneladas

Marketing infantil discutido na FacFil “Brincar é uma coisa muito séria” foi o mote que esteve no dia 25 de Maio em discussão na Faculdade de Filosofia. Na Aula Magna da FacFil falou-se desde os anúncios de brinquedos na televisão portuguesa até ao Marketing Infantil e educação para consumo. Coordenado por Luísa Magalhães o Seminário de Comunicação empresarial, contou ainda com a presença da Dr.ª Sara Bolonas da empresa B+ Comunicação e com a Professora Luísa Agante do Instituto Português de Administração de Marketing.

A “Influência da Comunicação Social” debatida O colóquio “A influência da Comunicação Social” realizou-se em Barcelos no passado dia 23 de Maio. No Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos falouse do comportamento o Humano e daquilo que pode ajudar a melhor a sua compreensão. A abertura do Colóquio ficou a cargo de João Albuquerque, Director Geral da Associação Comercial e Industrial de Barcelos e de José Maria Faria, contou ainda com a presença do Fotojornalista Ricardo Machado, Carlos Araújo da Barcelos TV e ainda Alberto Serra da RTP Porto.


08 | COMUNICA*TE | junho 2011

Reportagem | As novas plataformas em debate na Faculdade de Filosofia

Para onde nos levam as novas tecnologias? Faculdade promove reflexão sobre as implicações das novas plataformas no Jornalismo e na democracia

 André aRantes, João bastos e Ricardo Barros Foto: Margarida Ramos

Numa altura em que a licen­ ciatura de Ciências da Comu­ nicação celebra o seu quinto aniversário, a Faculdade de Filo­sofia de Braga (FacFil) re­ lançou os próximos anos com a promo­ção de um debate sobre as im­plicações das novas pla­ taformas na formação de um novo jor­nalismo. Subordinado à ques­tão “Novas Plataformas, Novo Jornalismo?”, o debate contou com a presença de Pa­ checo Pe­reira, Eduardo Cintra Torres e Joaquim Vieira, ser­ vindo ainda para consumar dois projectos antigos. A inau­ guração da rádio da Faculdade de Filosofia (FF) e a apresenta­ ção do site de notí­cias do jor­ nal Comunica*te. O presidente do Observatório da Imprensa, Joaquim Vieira, considerou que as novas pla­ taformas de comunicação não geram um novo jornalismo, mas uma nova linguagem. “Não faz sentido levarmos para a inter­ net as formas de comunicação tradicionais da televisão ou dos jornais. Se é admissível que num jornal se publique uma entrevis­

ta com três páginas, na internet ninguém vai ler isso, porque o cidadão não tem o mesmo tipo de atenção que num jornal”. Daí que Joaquim Vieira entenda que para se captar a atenção do lei­ tor seja necessário que os textos de internet sejam “pequenas cápsulas de informação”. Apesar disso, o ex-provedor do jornal Público observa que a mudança de linguagem, propor­ cionada pelas novas platafor­ mas, não acarreta uma alteração da ética jornalística. “Os parâ­ metros e os valores da prática do jornalismo não devem ser alte­rados com o advento das no­ vas tecnologias”. O mediático crítico de tele­ visão Eduardo Cintra Torres apontou como potencialidades das novas plataformas a capaci­ dade “de amplificação de fenó­ menos”, a partilha universal de informação e a velocidade com que isso está a ser feito. “Antiga­ mente fazíamos um comentário no bairro ou no café e isso fica­ va por ali. Hoje, se escrevermos na internet, passados dez segun­ dos, um chinês ou um argentino pode ler isso”, exemplificou. Em sentido inverso, Cintra Torres sublinhou que a expansão das novas plataformas está a provo­


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500

Milhões de Facebookeanos Facebook lidera redes sociais

2

Milhões de Portugueses acedem diariamente à internet segundo relatório anual da MARKTEST de 2010

site comunica*te

O factor Web a partir de Setembro

Um novo órgão de informação em Braga Faculdade de Filosofia prepara lançamento do site de notícias Comunica*te já para Setembro. Concebido como extensão do jornal Comunica*te, o site pretende ser um “laboratório de apredizagem”. Financiado pela faculdade e pelo mecenato, a nova plataforma expande, assim, a oferta informativa em Braga, prometendo “não concorrer com o mercado, mas estar no mercado”, segundo Domingos de Andrade, professor de jornalismo.

car uma perda de importância dos jornais, das televisões e das rádios. “A rádio é um exemplo de um meio de comunicação que se tornou em algo de menos re­ levante para a vida colectiva”. Sobre as implicações das no­ vas plataformas para a defi­nição de um novo jornalismo, o crítico realça que estas não podem in­ fluir no núcleo duro do jornalis­ mo. “O jornalismo é uma activi­ dade profissional, inserida numa instituição, con­sensualmente, reconhecida pela sociedade”. Nesse sentido Cin­tra Torres apontou como maus exemplos de “pseudojornalis­mo” os blo­ gues e o dito jornalista cidadão, considerando que nem os blo­ gues são órgãos de comu­nicação nem o jornalista cida­dão é jor­ nalista. “Os cidadãos não se trei­ naram na actividade, trabalhan­ do numa instituição e seguindo regras próprias”. Num regresso à FacFil, Pa­ checo Pereira, antigo aluno da faculdade, vincou que o jornalis­ mo deve ser encarado “como um exercício de mediação que trabalha a notícia, colocandoa em contexto, enquadrando-a de forma a torná-la compreensí­ vel”. Para Pacheco Pereira “não há sociedades democráticas sem esta mediação, mesmo em face da pressão da demagogia”. O co­ mentador apontou como exem­ plo “a ideia que na internet vale tanto quem sabe como quem não sabe Numa abordagem mais so­ ciológica das alterações que as novas plataformas estão a pro­ vocar, indicou, como um fenó­ meno recente da sociedade con­ temporânea, a solidão urbana. “Há poucas coisas tão solitárias como alguém às três da manhã diante de um computador. Esta solidão é acompanhada pelas novas sociabilidades geradas na internet como o Facebook”. Para o historiador, “as novas tecnologias exercem um efei­ to pernicioso se destruírem o equilíbrio fundamental para a existência de uma democracia”. O equilíbrio entre logos, pathos e ethos. Se as novas tecnologias se centram apenas no pathos, no espectáculo, nas relações emoti­vas, as sociedades empo­ brecem. E se, para além disso, tornam difícil o acesso ao logos, a argu­mentos intelígiveis, que não ca­bem no soundbite das notícias, então entramos numa sociedade desequilibrada”, fun­ damentou. A marcar o Dia Aberto da Fa­ cFil, onde um grupo de jovens das escolas secundárias do dis­trito de Braga visitou a faculda­de, esteve o lançamento da rádio FF. Aos microfones da rádio, o director da FacFil, Alfredo Di­nis, fez questão de frisar o “ca­rácter católico” da estação, que promoverá o plura­ lismo, a tole­rância e os valores do humanis­mo cristão”. O director adiantou que a rádio FF tem um acordo com a rádio Renascença, que lhe permite emitir noticiários da mesma. Concebida como um laboratório de aprendizagem, a rádio ganha, agora, forma no en­ derço www.facfil.braga.ucp.pt.

três convidados

O jornalismo em análise Pacheco Pereira Comentador político e historiador

Que avalição faz do jorna­ lismo em Portugal?

A minha avaliação é má. Temos um jornalismo pouco cuida­ doso, pouco elaborado, muito atrás das modas, com pouca memória, com pouca densida­ de, por exemplo, nos editoriais. Penso que um dos problemas graves do jornalismo português prende-se, precisamente, com a fragilidade da edição e do papel dos editores nos jornais. Como avalia os modelos de debate entre os candidatos a primeiro-ministro?

“Não se retira grande informação num debate entre Louçã e Jerónimo” Joaquim Vieira Presidente do Observatório da Imprensa

“ a reportagem torna o jornalismo fascinante”

Eduardo Cintra Torres Crítico de televisão

“se a Rtp continuar Pública tem de reduzir drasticamente os seus Custos”

Estes modelos de debate são francamente maus. Reparese que o grosso do debate é sobre economia. Como é que se podem fazer perguntas com sentido em relação à evolução do debate se, na verdade, não

As novas plataformas po­ dem acabar com a reporta­ gem?

Considero que as novas plata­ formas podem dar uma nova dimensão à reportagem. Isto é, não fazer a reportagem na forma clássica, quer seja da televisão, quer dos jornais ou das rádios, mas permitir que, através das novas tecnologias multimédia, se façam reporta­ gens que integrem as lingua­ gens tradicionais. É preciso um exercício de imaginação para aplicar as tecnologias da internet e através delas compor um tipo de reportagem completamente diferente, com uma linguagem completamente nova.

se sabe nada de economia? Este tipo de debates é pre­ judicado pela falta de trabalho jornalístico. Para além disso, valoriza-se o debate que é um meio espectacular. Em que medida estes de­ bates contribuem para o esclarecimento dos portu­ gueses?

Não acho que se retire grande informação, por exemplo, de um debate entre Louçã e Je­rónimo de Sousa. Se houves­ se um critério jornalístico os debates seriam entre Passos Coelho e Sócrates e, eventual­ mente, Portas e Louçã. Devia haver uma algum critério, mas o que acontece é que se segue um modelo pseudorepresenta­ tivo que, aliás, é imperfeito, na medida em que os pequenos partidos ficam de fora.

Verifico que há pouca repor­ tagem. E acho que há pouca reportagem porque isso implica algum investimento. Repare que é preciso sair da redacção, da cidade, às vezes, até do país. Como os jornais, hoje em dia, e de uma forma geral os órgãos de comunicação em Portugal, estão a atravessar uma crise económica, em que se exige contenção de custos, isso leva a que se invista mui­ tíssimo pouco na reportagem. O que significa para o jor­ nalismo a reportagem?

Como analisa o estado da reportagem nos jornais portugueses?

A reportagem como um género novo do jornalismo é, de certa forma, aquilo que em grande parte torna o jornalismo fasci­ nante. Lamento que este desin­ vestimento esteja a afectar os jornais e o jornalismo.

Atendendo aos resultados da RTP, a melhor solução será privatiza-la? E a Lusa?

Esses conteúdos têm de custar 300 milhões de eu­ ros aos contribuintes?

Não é o fundamental. O impor­ tante é haver algum serviço público com bons conteúdos. Se a RTP continuar pública tem reduzir drasticamente os cus­tos, para que o dinheiro, que todos pagamos para alimentar aquele “monstro”, seja bem utilizado. Quanto à Lusa, não vejo problema em continuar com uma participação do Esta­do. Mas também não sei qual é o drama de se tornar privada. Até porque houve casos de intervenção política. O direc­tor da Lusa é amigo pessoal do primeiro-ministro, sendo indicado por ele. Havendo esta intervenção na Lusa não vejo qual é o problema de se privati­zar o capital do Estado.

De certeza que não. A maior parte do dinheiro que vai para a RTP é para despesas administrativas, operacio­ nais, pagamentos de dívidas causadas por erros de gestão acumulados durante décadas e para conteúdos que não são de interesse público. Com menos dinheiro pode-se fazer melhor. Que programas da RTP não são de seviço público?

Quando falo em interesse públi­ co, penso em programas que outras estações podem fazer, não sendo necessário aplicar o dinheiro dos cidadãos. Diria que o Preço Certo e algumas novelas não são programas de interesse público.


10 | COMUNICA*TE | junho 2011

Desporto | Treinadores jovens, atletismo e canoagem

Treinadores em busca de maturidade

Luís Pedro 22 anos Treinador

Por onde anda a impressa desportiva portuguesa?

em braga como no país os jovens abandonam tudo para seguir carreira no futebol  Cristiana Silva, João Alves, Kátia Bernardes

O futebol hoje em dia é visto como uma fábrica de sonhos e dinheiro. José Mourinho é o ícone dessa fábrica, onde cada vez mais jovens abandonam os seus estudos para irem em busca de um futuro promissor junto aos relvados. Luís Pedro, mais conhecido como Joninhas, um jovem treinador licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, é um exemplo vivo dessa nova realidade. Com apenas 20 anos abandona a área da Comunicação para iniciar a sua vida profissional como treinador de futebol em Coimbra, na Fundação Miguel Escobar, uma instituição para crianças essencialmente desfavorecidas, onde o objectivo principal não é somente a preparação para uma carreira de futebol, mas também para a vida social. Percorreu 2280 quilómetros em busca de um sonho, em Inglaterra, onde foi servente de mesa, trabalhando arduamente para conseguir pagar as suas formações como treinador, para mais tarde regressar a Portu-

gal e seguir carreira. Actualmente encontra-se no Maximinense como treinador dos benjamins (sub-11) e adjunto da equipa de juniores. Tem como objectivo e sonho ganhar um dia a Liga dos Campeões, sendo a sua fonte de inspiração José Mourinho, mais conhecido como o “melhor treinador do mundo”. O mesmo acontece com Bruno, um jovem de 25 anos licenciado em Fisioterapia, curso que o despertou para o mundo dos relvados. Actualmente estuda Osteopatia, mais uma especialização ligada ao corpo humano, área que considera fundamental dominar para desempenhar o seu papel como treinador de futebol. Bruno inicia a sua vida profissional aos 22 anos onde começa a treinar crianças dos 10 aos 12. Ao contrário de Luís Pedro, que se inspira nas ideias de Mourinho, Bruno, apesar de ter uma admiração por este, não considera a sua metodologia de trabalho adequada aos treinos das camadas jovens, visto que, para este jovem treinador “no futebol de formação devese, não somente formar futuros

jogadores, mas também ajudá-los a crescer como seres humanos”. A admiração por Mourinho não se limita aos jovens treinadores. Nélito, 52 anos, actualmente ao serviço do Vilaverdense F.C., clube que recentemente se sagrou campeão da Divisão de Honra da A.F. de Braga, diz que “toda a gente admira o Mourinho, pois ele tem um estilo próprio e é exemplar no rigor que impõe”. Em concordância com Mourinho, Nélito também defende o “rigor e disciplina”, no entanto ele salienta que têm de haver momentos de descontracção e liberdade, assim como de responsabilidade e de respeito. Para Nélito “é fundamental que um aspirante a treinador viva, sinta e respire futebol”, sendo que considera indispensável a formação profissional e a experiência prévia como jogador, para ter um futuro promissor como treinador, tendo sempre em mente como principais características de um bom treinador: “ser um bom orientador, ser rigoroso, saber impor regras e respeito, saber gerir o balneário e, fundamentalmente , gostar e amar o futebol”.

Licenciado em Ciências da Comunicação. Treina os sub-11 no Maximinense e é adjunto da equipa de juniores.

Bruno 25 anos Treinador

Licenciado em Fisioterapia. Treinou crianças dos 10 aos 12 anos, e está actualmente a estudar Osteopatia.

Corrida pelo sonho  Helena Rodrigues,Teresa Silva, Sílvio Gonçalves

Susana Castro e Nelson Silva, dois jovens, com 29 anos, ambos com Síndrome de Down. O que os difere dos restantes? Uma forte paixão pelo desporto e um pelo outro. Alunos da CERCIGUI (Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados do Concelho de Guimarães), viram no atletismo o caminho do sucesso, onde podem marcar a diferença. Já galardoados diversas vezes em competições nacionais e internacionais, estes dois jovens revelam que para além das limitações que a vida nos proporciona, tudo está ao nosso alcance, apenas requer esforço, dedicação e acima de tudo, uma enorme paixão pela modalidade. Estes dois jovens viram no desporto, nomeadamente no atletismo, uma forma de contornar as peripécias da vida. Mas não é só

o atletismo que faz parte do rol de actividades praticadas por Nelson e Susana, ambos têm uma vasta lista de modalidades como judo, futsal e mesmo desportos radicais. Prova disso é que, para além das competições ligadas ao atletismo, Nelson conseguiu medalha de ouro e o título de Campeão Nacional de Judo Adaptado para a Deficiência Intelectual. No atletismo, Nelson ganhou a medalha de ouro em estafeta no Campeonato do Mundo do México e Susana venceu a medalha de prata nesse mesmo campeonato. Dois casos de sucesso inseridos numa instituição que luta diariamente pelos direitos de igualdade e para um bem-estar de todos os seus utentes, uma instituição que tem como objectivo, segundo Rui Leite, professor e tutor de Sunana e Nelson, “Promover a inclusão social da pessoa com deficiência de acordo com o código de ética”. para além dessa mesma luta pelos

Susana e nélson em entrevista

direitos de igualdade, a instituição faz também uma corrida contra o relógio para poder fornecer uma qualidade de vida diferente aos seus utentes, visto que os apoios são escassos, como afirma Rui Leite “Temos apenas o apoio camarário e dos nossos associados”. Mas apesar desses contratempos, conseguem prestar total apoio a todos os seus atletas, como o caso de Susana e Nelson. Estes dois atletas não vêm só o desporto como a única alternativa para o seu futuro, aliás, ambos

opinião

revearam ao Comunica*te que a cumplicidade de ambos ultrapassa os limites da meta e já estão juntos à 18 anos. Ao serem questionados sobre prespectivas futuras, as respostas foram simples e claras “Casar e arranjar um trabalho no futuro”. Dois exemplos de sucesso que, com o apoio da CERCIGUI, alcançaram o sonho que os une há vários anos e provam que a chamada “diferença” não passa de um estereótipo da nossa sociedade.

Como aspirante a jornalista venho trazer à liça uma problemática que, julgo, tem vindo a deixar estupefactos os mais diversos leitores da imprensa desportiva. Falo dos jornais desta especialidade, que se mostram tendenciosos e em que a maioria das notícias não esconde uma influência ou uma qualquer tendência clubista. Não mencionarei nomes, como é óbvio, não sendo, contudo, difícil descobrirem o jornal a quem me dirijo através deste mesmo artigo. Vejamos: como é possível uma suposta imprensa nacional, independente, dar mais ênfase a uma vitória de um clube português contra uma equipa de escalão idêntico ou inferior e deixar passar a vitória de um clube revelação contra um colosso europeu? Como é possível fazer-se capa de um assunto sem grande relevância quando nesse mesmo dia uma equipa se prepara para fazer aquele que pode ser o jogo da sua vida? O que me apraz dizer sobre determinada imprensa desportiva praticada em Portugal é que é pura e simplesmente vergonhosa. Não só no papel, como no ecrã fartamo-nos de ver e assistir a uma busca desenfreada de pormenores para defender determinados interesses de um suposto clube, mesmo que passe por minimizar o seu antagonista, por exemplo, através de repetições constantes de uma mesma jogada até que se encontre uma ponta de uma unha que toque no adversário para validar a tese de falta por marcar e retirar, muitas vezes, a justa crítica das imparcialidades da arbitragem. Uma vergonha, este tipo de imprensa desportiva praticada em Portugal por alguns meios de comunicação quer escrita, falada ou televisionada. Porque não uma imprensa imparcial? Sem cores clubistas por trás com justificação em pretensos “shares”? Uma imprensa cativante para todo o tipo de leitor? Meus senhores, sugiro que mudem de atitude antes que os nossos jornais desportivos se transformem em autênticas revistas cor-de-rosa.

Adriano Pereira aluno da facfil


junho 2011 | COMUNICA*TE | 11

sede do clube náutco de prado

um minuto

FOTO: adriano pereira

Vilaverdense sobe à 3ª nacional O Vilaverdense garintiu a promoção ao terceiro escalão do futebol nacional. O clube terminou o campenato da divisão de honra da Associação de Futebol de Braga em primeio lugar com 63 pontos, levando a melhor sobre o seu adversário directo, o Marinhas, com 59 pontos.

Clube de Rugby de Arcos de Valdevez é eliminado O CRAV não conseguiu qualificar-se para a segunda fase da primeira etapa do circuito nacional de Sevens realizada dia 14, em Lisboa. Num grupo em que tinha como adversários o Belenenses, Cascais e Setubal, a equipa minhota não foi além do terceiro lugar, com uma vitória e duas derrotas.

Canoagem ganha asas no Minho  João Ribeiro, juliana gomes e sofia alves

A canoagem em Portugal surgiu em meados dos anos 30, tendo ganho um novo impulso a partir de 2003, aquando da consagração de Emanuel Silva como campeão do mundo de juniores e, mais ainda, quando obteve o sétimo lugar nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004. Natural de Braga, membro e atleta do Clube Náutico de Prado, Emanuel Silva é, aos 25 anos, o nome mais representativo da modalidade em Portugal. Orientado no Clube Náutico de Prado pelo técnico José Sousa integra os planos de treino do seleccionador nacional, Ryszard Hoppe, sempre que se prepara para representar o país. Em entrevista ao Comunica*te,

Emanuel Silva afirmou dedicar-se a tempo inteiro à modalidade, constituindo a bolsa olímpica que aufere por integrar o projecto olímpico Londres 2012, a sua única fonte de rendimento. Quanto a outros apoios à modalidade, o atleta referiu que apesar da canoagem ter sido a mais medalhada no ano transacto, os apoios governamentais são muito limitados e controlados. No entanto, Emanuel Silva considera que a canoagem está em crescimento, encontrando muitos adeptos junto da população mais jovem, o que, na sua opinião poderia “ser potencializado se fosse incluida nos programas de desporto escolar”, diz o ateta. Quanto às exigências para esta prática desportiva, o atleta declarou ser fundamental a mo-

tivação e o sentido de responsabilidade que, aliados a uma diversificada preparação física (ginásio, corrida, natação, ciclismo e treino no rio) tornam possível a competição ao mais alto nível. Nos valores de Emanuel Silva não se inclui o recurso de substâncias proibidas, porque “mascaram a verdade desportiva e colocam em risco a saúde dos atletas”. Os sucessos alcançados não lhe retiraram a motivação para continuar a vencer na canoagem e merecer o reconhecimento público, em especial junto dos mais jovens. Clube Náutico de Prado: um caso de sucesso O clube náutico de Prado foi formado a 1982, fruto de uma separação do grupo desportivo de Prado, onde os desportos

náutios eram postos de parte, e todos os fundos monetários revertiam a favor da modalidade mais praticada no país, o futebol. Um clube em ascenção, mas com o nome já bem cimentado a nível nacional e internacional. Possui cerca de 100 atletas federados, mas apenas 70 no activo, não contando com os jovens provenientes das escolas. Um clube que se foca unicamente na canoagem, mas que em tempos “quando era secção do Grupo Desportivo de Prado tinha também remo, mas não andaram para a frente com isso”. São as palavras de José Sousa, antigo competidor de canoagem e actual treinador de Emanuel Silva. Um caso de sucesso, sempre presente em todas as competições internacionais para acompanhar os seus pupilos.

S.C. Braga/ AAUM sagra-se campeão O S.C. Braga/ AAUM consagrou-se o campeão da série A do campeonato de Futsal correspondente à segunda divisão nacional, assegurando a promoção ao escalão máximo da modalidade em Portugal.A equipa arsenalista disputa ainda o título de campeão nacional da segunda divisão frente aos Leões de Porto Salvo (vencedores da série B) nos dias 4 e 11 de Junho.

Vitória Sport Clube continua aposta no basquetebol A secção de basquetebol do Vitória de Guimarães pretende continuar a apostar na regularidade do seu desempenho na primeira divisão nacional. Os dirigentes do clube já comunicaram que é vital a renovação de contrato com as peças fundamentais da equipa, de modo a manter a estrutura base que será completada com a inclusão de varios jogadores das camadas jovens.


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Entrevista | Adolfo Luxúria Canibal

PERFIL

Adolfo Morais de Macedo 51 Anos, advogado, músico e poeta

“O Theatro Circo é uma aberração” Durante a semana, trabalha como consultor jurídico. Ao fim de semana cria música com a mesma determinação e serenidade

Adolfo Luxúria Canibal nasceu Adolfo Morais de Macedo em Luanda, em 1959. Licenciado em direito pela universidade de Lisboa, exerceu advocacia na capital até 1999 e ainda hoje é consultor jurídico do instituto da conservação da natureza. Viveu com a cineasta francesa Mariana Otero entre 1993 e 2004 com quem teve um filho que vive com a mãe em Paris. Adolfo Luxúria Canibal foi para Paris em 1999, onde praticou diversos ofícios, como tradutor, actor de figuração, gerente comercial, jornalista, cronista, voz para telemóveis, estudos de mercado, crítico musical ou gestor liquidatário de sociedades cinematográficas. Depois de cinco anos regressou a Braga e à consultoria jurídica. Vive com Marta Abreu, antiga baixista dos grupos Voodoo Dolls e Mão Morta e gestora hoteleira, desde 2004. Fundador, letrista e vocalista dos grupos Auaufeiomau e Mão Morta. É com a segunda que cria o culto na cena musical portuguesa. Com álbuns como MUTANTES S.1, considerado o melhor português dos anos 90, Luxúria Canibal nunca viveu bem com o sucesso, prefere um estilo mais underground. A vida de artista nunca se limitou aos Mão Morta, foi colaborador convidado de grupos como Pop Dell’Arte, Santa Maria Gasolina Em Teu Ventre, Golpe de Estado, Mécanosphère, Clã, Wray Gunn e Moonspell. Adolfo Luxúria Canibal não se considera músico, mas sim um alquimista de estilos e abordagens vindos do global da cena musical que viveu até agora.

 André Arantes, Luís Costa e Margarida Ramos

Pelo menos uma vez por semana, Adolfo Morais Macedo, de 51 anos, consultor jurídico do Instituto da Conservação da Natureza, muda de persona. Durante algum tempo esquece a toga, os seus dois últimos nomes, e os processos cujo desenrolar sem falhas deve garantir. Adolfo Luxúria Canibal, vocalista dos Mão Morta, abre-se e fala ao Jornal Comunica*te. Sem se fazer notar, na Rua do Souto, no centro histórico de Braga, é na Brasileira que se empurra a porta para falarmos de outro universo. Como estabeleceu o primeiro contacto com a música? O meu contacto com a música é muito tardio. O contacto era esporádico e só quando vim para Braga frequentar o ciclo é que comecei a comprar alguns singles. As referências da altura foram Alice Cooper, T-Rex e Creedence Clearwater Revival. Depois, contribuiu muito o meu grupo de amigos, que conheciam bastante bem bandas como Beatles e até Helton John. Aqui, esta era a cultura dominante, viviam-se os bailes de adolescentes, a música para dançar, os shakes e os slows. Em 1977 com o punk, a música agressiva e repetitiva criava um tapete altamente industrial que se tornou uma revelação para mim. Foi nesta época que tive acesso aos primeiros discos como Never Mind The Bollocks dos Sex Pistols, Siouxsie and the Banshees e The Television. Sentiu que a era punk que se vivia em Inglaterra

com o eixo Manchester Liverpool teve reflexo em território nacional? Mais tarde quando fui para a Universidade em Lisboa, decorria um ambiente marginal, underground, uma espécie de vivência do punk lisboeta. Acompanhei esta fase apaixonadamente porque tive acesso aos concertos e encontros, desde o aparecimento dos Xutos e Pontapés, Minas e Armadilhas e os próprios Corpo Diplomático. Sem qualquer apetência, sem predisposição e jeito percebi que queria fazer música e que para o fazer não era necessário saber tocar, mas sim criar uma performance musical. A música surge assim como mero pretexto de um acontecimento. Foi essa lição que captei, trouxe para Braga e veio a reflectir-se no meu percurso. Antes de Mão Morta já tinha trabalhos em 1981 com os Bang Bang. Como se desenvolveu este processo? Desde os Bang Bang e os Au Au Feio Mau foram processos bastante demorados até consolidarmos um estilo para os Mão Morta. A grande influência foi os Swans. Eu tenho um handicap, não sei cantar e não tenho melodia na voz. No meu caso o Michael Gira conseguiu dar-me o paradigma de exploração da voz e foi assim que fui desenvolvendo o meu estilo pessoal. Como é conciliar o facto de exercer advocacia e ser musico e cantor, são duas personas distintas? Não, são exactamente as mesmas. Não quer dizer que não haja excepções, mas normalmente eu funciono como jurista durante a semana e, as músicas

acontecem normalmente ao fim-de-semana. Sendo assim é fácil de conciliar as duas coisas em termos temporais e não há agressões mutuas. Considera sufocante e claustrofóbicos os padrões para a criação de música que se impõem nas cidades? Sim, não propriamente ligado à cidade porque não é a cidade que é claustrofóbica em si. É a falta de alternativa, a falta de preenchimento conjugada com a carência de estímulos e de espaços criativos que funciona a claustrofobia. O facto de se fazer música para um determinado público cria um distanciamento deliberado. Acha que esta distância leva a criação de uma caricatura para o desconhecido e para o que é novo? O mercado português é um mercado pequeno. Alguém que faz música de forma radical, e que não entre nos parâmetros do comum é caricaturado por essas experiências. Ou seja, a sua profundidade não chega às pessoas, a sua profundidade só chega a quem efectivamente está interessado no tipo de arte que faz. De que forma surgiu a adopção do seu pseudónimo, Adolfo luxúria Canibal? Como qualquer pessoa o penúltimo nome é da mãe e o último é do pai. A minha mãe é africana, tal como eu, o meu pai é bracarense. A luxúria tem a ver com o lado do calor, com o lado luxuriante que é tipicamente africano, e o norte é a

terra do granito, é a terra de alguma forma dura, violenta, que está associada ao canibalismo. No caminho que foi percorrendo desde os Bang Bang em 1981, desempenhou vários papéis como letrista e vocalista em qual deles se sentiu melhor? Sinto-me à vontade nos dois. Mas de certo modo encaro melhor o papel de letrista, uma vez que como vocalista tenho algumas limitações. Como letrista sinto-me menos limitado, consigo facilmente fazer uma letra a partir do nada, sem estar com grandes preocupações, faço com que ela funcione de qualquer forma. De todas as bandas e pessoas com quem trabalhou e desenvolveu projectos, tem alguma referência de com quem tenha gostado


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Luxuria Canibal no café brasileira. Foto: Margarida Ramos

mais de trabalhar? Tenho e são sempre as mesmas. Fiz belíssimos trabalhos com o Carlos Fortes nomeadamente o álbum “Mutantes S.21”. Gosto de trabalhar em grupo e não há propriamente uma prevalência ou uma preferência específica. A última entrevista que fizemos foi para uma banda de Braga que são os Long Way to Alaska e tivemos oportunidade de conhecer os estúdios que alugam no estádio 1º de Maio. O que é que acha deste tipo de iniciativas lançadas por parte da câmara municipal? Esta foi das iniciativas mais importantes em termos culturais que a Câmara de Mesquita Machado fez nos 35 anos em que está no poder. Desde o princípio dos anos 90 que cada banda se afastou para o

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“Esta cidade podia ser uma cidade fascinante. Reúne as condições, a juventude, os meios e um centro histórico lindíssimo”

os músicos fizeram nestes estúdios. Foi uma revolução que só não foi acompanhada pelos locais onde essas bandas possam tocar ao vivo. O que pode agora vir a mudar com outras iniciativas como a transmutação do antigo quartel da GNR, no Campo da Vinha, em espaço cultural. Pelo projecto será provavelmente uma das grandes obras em termos culturais para compensar o que foi feito no Theatro Circo, que seria o ex libris da cidade e é uma vergonha.

seu canto, para a sua garagem e a maior parte não se conhecia. Foi assim até existirem os estúdios do estádio que, não só permitem que o grosso de todas as boas bandas de Braga se reúna e troque ideias como possibilita a confraternização. Há bandas que foram criadas a partir do conhecimento que

Quanto à questão do Theatro Circo pensa que o ego político o tornou num elefante branco? O Theatro Circo é uma aberração. Existiu uma obra de recuperação da qual o resultado final incluiu a criação de uma segunda sala e de um espaço de palco perfeitamente moderno,

com todos os apetrechos que supunham a utilização e a rentabilização desse espaço. Começa a ser um descalabro de gestão económica e cultural quando, depois desta renovação, se pretende manter o Theatro Circo tal com era antes. Nos primeiros tempos, a programação era um luxo, principalmente nos primeiros 6 meses e continuou a ser um luxo relativo no primeiro ano. Depois foi descambando até ao estado que está actualmente. Portanto, é esta falta de investimento cultural que o transforma numa aberração económica. A falta de investimento cultural coincide com a gerência actual? Sim. Coincide com a gerência, com os egos “político - parolos” dos responsáveis que basicamente envolvem duas pessoas. Por um lado o Rui Madeira e

por outro a vereadora da Cultura, não podemos encontrar mais responsáveis em lado nenhum. Os responsáveis são esses, têm um nome, têm uma cara, portanto, não vale a pena estarmos aqui a não dar o nome aos bois. De que forma será possível reavivar o centro histórico de Braga? O reapropriar do centro histórico é um fenómeno que está a acontecer no Porto, e em Lisboa em que o centro começa a ser desertado pelos habitantes. Eu estou profundamente convencido que se o engenheiro Mesquita Machado, que não é é particularmente sensível à cultura, tivesse bons assessores culturais esta cidade podia ser uma cidade fascinante. Reúne as condições, a juventude, os meios e um centro histórico lindíssimo.


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Cultura | S. João Braga e Guimarães 2012

S. João dá cá um balão

um minuto

Sara Tavares vai por bracarenses a “xintir” A 11 de Junho às 21:30h sobe ao palco do theatro Circo, Sara Tavares com o seu novo álbum “Xinti” que três anos depois sucede Balancê. “Xinti” ou “sente” foi apresentado pela primeira vez ao vivo no Barbican Theatre de Londres como afirma Sara: “Este álbum não é sobre uma canção, é algo para sentir”. Recentemente a cantora e compositora portuguesa recebeu o prémio de melhor voz feminina nos Cabo Verde Music Awards.

Na recta final para a festa mais esperada de Braga os preparativos e as histórias são muitas  Adriana Gonçalves e Ariana andrade

A festa popular do S. João em Braga é a mais concorrida da cidade. Remonta o século XV. Este ano decorre entre os dias 18 e 26 de Junho. A cidade já começou a vestir-se de luz e de cor para receber acima de um milhão de pessoas. O senhor Luís Silva é um típico bracarense, envolvido há muitos anos na Associação de Festas de S. João em Braga, e ainda lembra as noites de S. João da sua juventude, quando se levavam mantas, o garrafão de vinho, a “regueifa enfiada no braço” e o farnel com a sardinha, pataniscas e o bacalhau frito. “Todas as famílias, quer as urbanas quer as rurais, levavam mantas e estendiam-nas perto da ponte de S. João e estava-se ali a ouvir a banda filarmónica e a ver o fogo de artifício”, diz. Após a meia noite e, ao fogo de artifício, se houvesse dinheiro o chefe de família ia comprar o doce típico da festa o “doce branco, de cristalino açúcar” e, a limonada, mas “havia anos que íamos para lá quase a seco, sem nada”.

A noite era passada nas ruas da cidade e na manhã seguinte iase lavar a cara ao rio, no dia de S. João, porque se dizia que a água estava abençoada e trazia prosperidade. A procissão dos Santos do Mês de Junho percorre a cidade no dia de S. João, e inclui o carro das ervas à frente, seguido do Cortejo do Rei David e o Carro dos Pastores, e conta com milhares de espectadores. Estas procissões enquadram-se num programa de romarias da cidade. “Em Braga o S. João destaca-se por ser uma romaria autentica, com todos os ingredientes de uma romaria do Minho, com cor, alegria, o que exibe a chama do povo minhoto”, e que o senhor Silva tentou manter o mais fiel possível “embora hoje o S. João seja mais profano que religioso”, rematou. São João Baptista Primo de Jesus Cristo, filho de Santa Isabel e de São Zacarias. Segundo Jesus Cristo, São João era o maior de todos os profetas, chegando mesmo a proferir que ele próprio não era digno de lhe desatar os cordões das sandá-

capela de s. joão

1m

de pessoas previstas nos festejos

300

mil euros em gastos no evento

FOTO: andré arantes

lias. Foi São João quem baptizou Jesus Cristo. Vivia no deserto, alimentava-se de gafanhotos e vestia peles de animais. Foi degolado pelo rei Heródes a pedido da bailarina Salomé porque São João recriminava a vida pecaminosa que o rei partilhava com a mãe de Salomé. A iconografia costuma representar São João com um atributo, o cordeiro, porque segundo a Bíblia, quando Jesus Cristo chegou ao pé de São João para ser baptizado apontou e disse “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”.

Em 2012 o “berço” respira Cultura  ELSA BRITO E FILIPA OLIVEIRA

“Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura” é um projecto que pretende, por um lado, desenvolver uma economia criativa e, por outro lado, desenvolver uma nova geografia dos lugares da cidade de berço. Quem o diz é Ana Bragança, que trabalha na direcção do projecto, acrescentando ainda que se trata de um conjunto de projectos direccionado para a experiência da visita à cidade. Pretende-se que o turismo em Guimarães deixe de ser só cultural e passe a ser mais criativo, de interacção social. É um projecto que por si só já empregou muitas pessoas e tem um laboratório de empreendedorismo que “tem como objectivo criar 27 novas empresas de jovens inovadores, mas que muitas vezes não sabem dar o primeiro passo e não têm as fer-

ramentas necessárias do ponto de vista de gestão de uma empresa”, explica Ana. A direcção do evento tem um indicador do número de pessoas que gostaria de atingir de um milhão e meio, incluindo tanto turistas como artistas, produtores. O maior número de visitantes são nacionais, os estrangeiros vêm especificamente para um determinado evento. 110 milhões de euros é o orçamento total da Câmara para o evento A cidade está em alvoroço devido às obras de remodelação, mas, para além disso, está também a sofrer um problema de alojamento. Ana Bragança diz que, apesar desta dificuldade “este ano já estão a aparecer novos investimentos turísticos e contaremos também com a ajuda de localidades próximas que poderão acolher visitantes”.

Festival Gil Vicente invade a cidade de Guimarães Há vinte e quatro anos que se realiza o festival Gil Vicente, o principal festival de teatro na cidade de Guimarães. Este ano realiza-se novamente no Centro Cultural de Vila Flor no mês de Junho entre os dias 2 e 11. O festival vimaranense pretende invocar o patrono do festival e valorizar o teatro como uma arte, apresentando sempre espectáculos em estrea e anteestreia.

Galeria Show Me aposta em João Noutel Centro cultural vila flor

O projecto é uma oportunidade única “a cidade vai tornar-se num modelo e exemplo a nível europeu de como consegue capitalizar e aproveitar este extraordinário investimento para o desenvolvimento de uma nova realidade e de

FOTO:elsa brito

uma nova economia”, remata Ana Bragança. O evento tem como principal objectivo melhorar a qualidade de vida das pessoas da cidade e criar condições para que seja uma cidade atraente a nível cultural, profissional e económico.

A galeria de arte contemporãnea bracarense apresenta entre os dias 7 de maio e 8 de junho a apresentação intitulada por GLORY DAYS. João Noutel é designer atural do Porto e mora em Lisboa. Licenciouse na Lusíada em Direito e fez um pós graduação em desenho técnico. A sua verdadeira paixão é o design que pratica a tempo inteiro.


junho 2011 | COMUNICA*TE | 15

Cultura | Roteiro, laboratório e sugestões braga por um pincel

André Arantes, Luís costa e Margarida Ramos

Sugestões livros/Discos/Filmes

Heitor e a procura da felicidade

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1 Catedral de Sta. Maria (Sé de Braga Rua da sé A Sé Catedral de Braga foi mandada construir no século XI. O seu primeiro Bispo foi D. Pedro de Rates, presente no tecto da entrada da igreja. Na catedral estão Henrique de Borgonha e Teresa de Leão, os condes do Condado Portucalense, pais de D. Afonso Henriques. Hoje é o ponto religioso de maior relevância do turismo em Braga.

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Arcada da lapa Praça da república

Theatro Circo Av. da Liberdade

Foi mandada construir pelo arcebispo D. diogo de Sousa com o intuito de dar à cidade espaços fora da muralha. Encontrava-se aqui até ao final do século passado o Mercado do Peixe e a Alfândega. Hoje podemos ver a Capela da Lapa, mandada construir por D. Gaspar de Bragança em 1761 e dois dos cafés mais emblemáticos da cidade, o Astória e o café Viana.

É a maior sala de espectáculos da cidade de Braga e a mais importante, inaugurada em 1915 com a autoria do arquitecto João Moura Coutinho. Em 1999 tiveram início obras de requalificação que duraram sete anos, abrindo novamente ao público em 2006. uma das salas mais bonitas do país que recebe grandes espectáculos culturais e diversificados.

4 Casa do Rolão (Livraria Centésima Página) Av. Central Casa construída na primeira metade do século XVIII, apresentando uma fachada de dois pisos, representativa do gosto rococó. Inicialmente era uma casa particular mas hoje em dia é uma livraria e cafetaria onde somos convidados a ler um livro e tomar café na esplanada.

Autor: Francois Lelord Editora: Lua de Papel Preço: 12,15€ A história de um jovem psiquiatra que tinha quase tudo que pretendia, e mesmo assim não era feliz. Heitor parte numa viagem em busca de compreender o que faz as pessoas felizes e infelizes.

O Morgado de Fafe Amoroso

Autor: Camilo de Castelo Branco Editora: Opera Omnia Preço:10€ O Morgado de Fafe em Lisboa foi publicado novamente numa nova edição da comédia de costumes, intitulada de O Morgado de Fafe Amoroso, tal como na edição anterior, foi Cândido de Oliveira Martins o responsável pela publicação.

História da Filosofia - sem medo nem pavor

Autor: Fernando Savater Editora: Planeta Editora Preço: 17,76€ Uma abordagem simples e clara à filosofia. Uma reflexão sobre a nossa humanidade. Um relato de aventuras racionais, de genialidade e inteligência, onde não faltam descobertas surpreendentes. Um livro que faz pensar.

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5 Estádio 1º de Maio Parque da Ponte Lançada a primeira pedra a 28 de Abril de 1946 o estádio 28 de Maio foi inaugurado pelo Presidente da República General Carmona em 1950. Mais tarde, a partir de 1974 com a revolução o estádio passou a denominar-se 1º de Maio. um facto pouco conhecido é que a municipalidade de Roma ofereceu uma pedra do Coliseu como acto simbólico.

Escola de Música do Carandá Rua dr. costa júnior O autor do projecto,Sousa Moura, desenvolveu um espaço inaugurado em 2010 de onde se concilia a aprendizagem com o bem-estar e o lazer. Em conjunto foi possível transformar um espaço marginal num pólo de desenvolvimento da cultura local.

Laboratório bracarense

Vitor Zapa: O Pintor Voador É na sua casa, no cubículo onde se encontra o ateliê, que se reproduzem as ideias de Vítor Zapa. Com 53 anos e um percurso que remonta a Angola, onde começa a criar os primeiros quadros. Homem que vendeu caracóis e cerveja, percorrendo o país a montar palcos de espectáculos, recria agora a contestação e a descriminação social que flúi ao som de Frank Zappa. A elaboação de arte urbana reflecte intuitivamente o que absorve na realidade do diaa-dia, sem nunca limitar a compreensão de quem aprecia o seu trabalho. Não impõe títulos. Divaga na caracterização da sociedade sob um ponto de vista pessoal. Pintar retratos e paisagens não o satisfazem. Define-se como um surrealista influenciado por Salvador Dalí. Num tom calmo, o cheiro a incenso envolve a conversa e as revelações surgem. “Não sou licenciado, vivo da pintura e faço o que me torna feliz”. Mas Zapa não vive só dessa experiência. Fervilham ideias no sentido de transformar espaços públicos em exposições, recorrendo à escultura e à pintura. É sua ambição levar a arte para as ruas. A passagem por Lisboa e Badajoz deixa saudades, mas é no norte de Portugal que vive e se funde com a população jovem de Braga, inspiração de muitas das suas obras. Algmas das exposições passaram pela Torre de Menagem, pela Velha-à-Branca e a próxima a realizar é de 15 de Junho a 15 de Julho, em Braga, na galeria de Arte Feng Shui.

 Luís Costa e Margarida Ramos

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Casa dos crivos Rua de são marcos

A Janes rua do souto

A casa dos Crivos é a mais tradicional bracarense, sendo a única sobrevivente da tipologia habitacional em Braga. Construída entre os séculos XVII e XVIII é agora um dos museus da cidade. Conhecida por a casa das Gelosias, nome característico da arquitectura visível na fachada da casa. Esta arquitectura em talha deu à cidade uma imagem das metrópoles muçulmanas.

Já passaram muitos anos em que aqui, na loja da rua do Souto, circulavam os cavalos para chegar à Casa do Passadiço. Esta casa senhorial do séclo XVII cedeu o espaço para que se pudesse atravessar até à rua do Souto. Albergou uma das primeiras lojas de pronto a vestir de Braga e recentemente foi restaurada pelos arquitectos Fernando Pinto Coelho, Cristina Guedes e Francisco Campos.

It’s Been a Long Night

Intérprete: Sean Riley and The Slow Riders Editora: Iplay Preço: 15,90€ O colectivo que se divide entre Coimbra e Leiria lançam o seu terceiro álbum no dia 30 de maio. Silver foi o primeiro single da banda portuguesa.

Codes and Keys

Intérprete: Death Cab For Cutie Editora: Atlantic Preço: brevemente A banda que iniciou actividade em 1997 conta com oito álbuns. No dia 31 de maio os americanos vão lançar o nono álbum de estúdio. Codes and Keys é o nome escolhido.

Suck it and See

Intérprete: Arctic Monkeys Editora: Domino Records Preço: brevemente O lançamento do quarto álbum da banda britãnica está previsto para 7 de junho. A banda de Alex Turner, considerada parte da cena indie rock, regressam a Portugalpara o festival super bock super rock.

A árvore da vida

Realizador: Terrence Malick Género: Drama/ Fantasia O filme conta a história da vida de Jack, e toda a sua penosa infância até à desilusão da vida adulta. Com o intuito de eatar a sua complicada relação com o seu pai. Com tudo isto é questionado pela existencia da fé, procurando respostas para o significado da vida.

X - Men: o início

Realizador: Matthew Vaughn Género: Acção / Aventura / Drama O quinto filme da saga, que saiu dos quadradinhos, X - Men, regressa ao início. Depois de haver um filme sobre Wolverine, desta vez é Magneto a estrela do filme. Este filme mostra como os mutantes se comecaram a conhecer e treinar pela primeira vez. A história de maldade do pequeno Erik começase a transformar no vilão que conhecemos hoje através dos filmes que sairam.


Adriana Gomes e Ricardo Dória

PALAVRAS CORROSIVAS

A vida privada morreu Na sociedade actual assistimos a um crescendo de vendas e procura de meios de protec­ ção pessoal e patrimonial. Os assaltos a propriedades e mão armada aumentaram, num fenómeno que pode ser o reflexo da crise económi­ca. Isto levou a sociedade a pôr trancas à porta de casa e a olhar por cima do ombro sempre que caminha na rua. Mas se nos protegemos tanto, se nos blindamos tanto, por­ que razão deixamos a porta da nossa vida pessoal, da nossa vida íntima aberta a toda gen­te? Falo das redes sociais.Um ser para ser social, quase obrigatoriamen­ te, tem que per­tencer à rede social, tem que colocar “gosto” em muitos assuntos, por vezes deslavados, para ser aceite, para não ser um estra­nho; para encaixar numa socie­dade carregada de facilitismos, porque nessa sociedade é que há o excesso de pathos e não é necessário criar um ethos e muito menos usar o logos. Mas isto para dizer o quê!? Para dizer que a exposição privada que os facebokianos, na sua grande maioria, fazem é com­ pletamente deslocada do que é necessário. É normal hoje em dia saber-mos quando alguém (amigo do amigo do primo) teve um filho, ver-lhe a cara mal este viu o mundo; saber quem tirou a carta de condução; quem está à procura de parceiro social ou sexual; é normal vermos fotografias de corpos despidos de preconceitos, elevando a degradação humana ao máxi­ mo. Isto faz-me perguntar se a nossa evolução como seres hu­ manos nos levou a viver a vida em função apenas do objecto, e não da satisfação pessoal. Esta exposição faz com que nós não tenhamos nada para agirmos para nos próprios, faz com que o processo de individuação pessoal não exista. Cria um vazio intelectual dentro de cada um, que obriga a estar lá a comentar, a ver, a querer saber mais, a expor mais. Não tenho FACEBOOK e “gosto”.

“ Há animosidade contra a Católica por ser Católica” Recém-chegado à presidência do Centro regional, João Duque faz uma análise do que é, foi e vai ser a Católica de Braga ANDRÉ ARANTES E SOFIA ALVES

Jornal da licenciatura de Ciências da Comunicação da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Braga DIRECTOR Alfredo Dinis CHEFE DE REDACÇÃO André Arantes EDITORES Adriano Pereira, João Bastos, Margarida Ramos, Ricardo Barros e Sofia Alves REDACÇÃO Adriana Gonçalves, Ana Carvalho, Ariana Andrade, Cristiana Silva, Diogo Oliveira, Elsa Brito, Filipa Oliveira, Gonçalo Cardoso, Helena Rodrigues, João Alves, João Barbosa, João Ribeiro, Juliana Gomes, Kátia Bernardes, Luís Costa, Manuela de Castro, Mário Jorge, Nuno Soares, Ricardo Dória, Sílvio Gonçalves, Sofia Alves ORIENTAÇÃO Domingos de Andrade DESIGN

sizeprint@gmail.com ISSN 1646-8384 Tiragem: 2000 exemplares

André Arantes aluno da facfil

O ex-director da Faculdade de Teologia de Braga, empossado presidente do Centro Regional da Universidade Católica de Braga no dia 4 de Abril, veio substituir o professor Pio Alves de Sousa. O primeiro presidente não clé­ rigo do centro regional faz uma análise positiva do mandato de Pio Alves, levando-o a afirmar que “o professor Pio foi muito importante para a consolidação do centro regional”. Nada ad­ mirado com a nomeação para o cargo actual, considera-a “ a continuação de um trabalho de muitos anos” dentro da Univer­ sidade. “ Estou suficientemen­ te por dentro, embora não em pormenor, de cada faculdade”, diz o presidente. Encarando de frente o novo projecto, João Du­ que afirma que preferia dormir mais descansado sendo apenas director da Faculdade de Teolo­ gia e professor, mas também lhe pesaria a consciência se se des­ viasse “e simplesmente achasse

que os outros é que deveriam trabalhar”. João Duque não tem dúvidas em di­zer que comunidade académica do centro regional é melhor hoje do que no passado. “ Se formos a con­tar em percentagens, se corres­pondêssemos ao número de alu­nos da Universidade do Minho, teríamos uma vida académica seguramente intensa”. Chegado à faculdade num cli­ma de tensão, com a co­municação social a virar as atenções para a Católica de Bra­ga, o professor diz acreditar que tanto as notícias do Expresso como o caso do estudante que terá tirado a vida a um ci­dadão foram “ excessivamente floreadas”. “O que significa que se fossem feitas em relação a outra instituição não teriam feito esse floreado, ou seja, há alguma animosidade contra a Católica por ser católica”. O presidente lamen­ta que, no segundo caso, apenas se tenha reportado que era um estudante da Católica, quando segundo a ju­diciária conseguiu

apurar esta­vam alunos de outras etnias e academias, que não a Católica. “Este episódio é muito comple­xo: primeiro ainda não está bem demonstrado o que aconteceu, depois estiveram envolvidos muitos alunos nessa noite, a maioria dos quais nem eram da Católica”. Refutando no entanto a ideia de que existe uma perseguição à Católica, João Duque não gosta de teorias da conspiração, mas lamenta que estes episódios criem a ideia “de que há alunos violentos na Católica”.Crítico em relação ao “novo vento” que sopra na Europa em geral, e aqui em Portugal em particular, diz que a sociedade portuguesa “precisa de se vol­tar novamente para as ciências humanas”. As identidades tec­nológicas estão a “ recuperar o tribalismo e está-se a tornar num problema social”, afirma o presidente do centro regional. “Precisamos de reaprender o pensamento rigoroso e pensa­ mento crítico, até do ponto de vista político, senão é uma bara­ funda”, remata o professor.

Comunica*te  

Jornal Tuara do 2º ano do curso de Jornalismo da FACFIL - Braga