Júlio Pomar e Pedro Cabrita Reis - Das Pequenas Coisas

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DAS PEQUENAS COISAS



JÚLIO POMAR CABRITA REIS


VEREADORA DA CULTURA DA CML LISBON CITY COUNCIL CULTURAL DIRECTOR Catarina Vaz Pinto CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA EGEAC EGEAC BOARD OF DIRECTORS Joana Gomes Cardoso Lucinda Lopes Manuel Veiga

ATELIER-MUSEU JÚLIO POMAR Directora, curadora Director, curator Sara Antónia Matos Adjunta da direcção Deputy to the museum director Graça Rodrigues Conservação e produção Conservation and production Sara Antónia Matos Graça Rodrigues Pedro Faro Hugo Dinis Joana Batel Comunicação Communication Graça Rodrigues Investigação Research Sara Antónia Matos Pedro Faro Hugo Dinis Coordenação editorial Editorial coordination Sara Antónia Matos Serviços administrativos Administrative services Isabel Marques Teresa Cardoso Apoio ao serviço educativo Education Teresa Cardoso Atelier-Museu Júlio Pomar / EGEAC Rua do Vale, 7 1200-472 Lisboa Portugal Tel + 351 215 880 793

Apoio / Parceria Support

EXPOSIÇÃO EXHIBITION Curadoria Curatorship Sara Antónia Matos Artistas Artists Júlio Pomar Cabrita Reis Montagem Display João Nora Laurindo Marta PCR Studio Alexandre Cadete Edgar Massul Rosalinda Ova Tânia Simões Design gráfico Graphic design TemporaDesign Visitas guiadas Guided tours Ana Gonçalves Joana Batel Teresa Cardoso


01.06 – 08.10.2017

DOCUMENTA CADERNOS DO ATELIER-MUSEU JÚLIO POMAR


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DAS PEQUENAS COISAS E DOS GRANDES GESTOS Sara Antónia Matos [Directora do Atelier-Museu Júlio Pomar]

A exposição Júlio Pomar e Cabrita Reis: Das pequenas coisas integrase no programa de exposições do Atelier-Museu Júlio Pomar que, todos os anos, cruza a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas, de modo a estabelecer novas relações entre a obra do pintor e a contemporaneidade. Na exposição, Júlio Pomar e Cabrita Reis, através de objectos, esculturas e assemblages, exploram composições em materiais variados revelando que em pequenas coisas ou objectos podem estar contidos grandes gestos. Trata-se de usar pedaços ou fragmentos de materiais, quase sem intervenção dos artistas, como se as matérias-primas das obras fossem apropriadas pelos autores devido às associações que potenciam e, combinadas entre si, sem necessidade de modelação ou recurso a outro processo de trabalho escultórico. Desse modo, embora não haja propriamente modelação de matérias, o gesto artístico mostra-se nos actos mais elementares de seleccionar, compor e associar os materiais colhidos do contexto


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ou realidade circundante, dando-lhes nova vida e atribuindo-lhes sentidos. Assim, os artistas falam das pequenas coisas e de grandes gestos – os gestos artísticos, atribuição de significados às coisas mais simples – como se lhes fosse possível, através de um acto alquímico, transformar a pedra em ouro. É isso de facto que fazem ao apropriar-se de materiais encontrados na rua e ao transformá-los em obras de arte. Por isso, nesta exposição “a pequena coisa” apresenta-se como uma metáfora do grande feito, poder do demiurgo: o acto criativo. Cabrita Reis mostra uma série de objectos compostos de materiais de várias proveniências, encontrados nos lugares por onde circula, nomeadamente na praia. Curiosamente, foi também na praia, durante um período de quatro meses de férias e trabalho no Algarve, no Verão de 1967, em Manta Rota, que Júlio Pomar começou a produzir assemblages de objectos e materiais aí encontrados, corroídos e desgastados pelo sal, pelo sol, pelo tempo. Nesta exposição, estas assemblages misturam-se com as do artista convidado, sem que a autoria das peças tenha sido identificada, por vontade dos autores. Deixando adivinhar o divertimento de que os dois artistas gozaram na montagem da exposição, a instalação das peças no espaço requer do espectador um exercício de astúcia: poderá ser difícil mas é possível distinguir as obras de um e de outro. Adquirindo grandes ou pequenas dimensões, as assemblages ou construções destes dois artistas envolvem sempre uma vertente de estranheza e, por vezes, de ironia desconcertantes, comum a ambos. Por vezes essa estranheza ou ironia é potenciada pelos


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títulos atribuídos às peças que desencadeiam o reconhecimento de uma pluralidade de sentidos em simples pedaços de matéria rude e aparentemente sem significado. Tal é o caso da peça Nove meses [2017] de Júlio Pomar, que lembra o volume esférico de uma barriga com nove meses de gestação, ou de Aorta [1994] de Cabrita Reis, cujos tubos branco e vermelho que dão forma à peça aludem às artérias do coração. No seu conjunto, através das obras, a exposição revela momentos da biografia de cada artista, da forma como olham à sua volta. Revela como pensam as coisas íntimas e pequenas que para cada um têm significado, mostrando que os pequenos acontecimentos na arte e na vida podem ser os mais importantes; e tornando patente que a força das obras não depende do tamanho, mas da intenção de cada gesto e de cada olhar. São o gesto e o olhar que descobrem em pequenas coisas, em coisas aparentemente sem importância, uma miríade de associações. Esse potencial é perceptível nas assemblages, nas quais uma forma ou elemento, um material, uma cor, associados a outros, podem funcionar como gatilho para estabelecer uma semelhança/ analogia de onde surtirá uma multiplicidade de significados ou motivos de estranheza inquietantes. De realçar que os períodos de investigação partilhados com os artistas revelaram-se fundamentais para a exposição, que se centrou nas assemblages de Júlio Pomar (realizadas sobretudo nas décadas de 1960 e 1970) e num conjunto de peças de Cabrita Reis intimamente relacionadas com momentos da sua vida privada. Embora não esteja


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explícito com evidência na materialização da obra, cada peça conta uma história e um episódio de vida. Neste projecto em particular, ao contrário de outras situações em que Júlio Pomar não interveio na disposição das obras, ficando essa tarefa a cargo do curador e do artista convidado, aqui o pintor foi chamado a participar activamente na montagem. Desde o primeiro momento, Cabrita Reis não prescindiu da sua colaboração astuta, tendo-se estabelecido entre ambos uma afinidade assinalável. Face ao entusiasmo deste dois “gigantes” em acção, devo dizer que enquanto curadora dei “carta-branca” aos artistas e reservei-me ao papel de observação. Se noutras situações isso poderia significar uma desvalorização do papel do curador, aqui posso dizer que abdicar de uma parte das minhas funções foi mais do que uma necessidade. Foi um privilégio de que não pude prescindir, uma excepção irrepetível e uma honra que não mais esquecerei. Os dois artistas, muitas vezes sem necessidade de falarem entre si ou de emitirem qualquer explicação verbal, criaram uma sinergia comum, silenciosa, cada um dispondo peça a peça no espaço, alternadamente. Por vezes foi preciso corrigir ou fazer ajustes na disposição. Um aceno de Júlio Pomar com a bengala a indicar mais para a esquerda ou para a direita, mais para cima ou para baixo, ou uma indicação de Cabrita Reis dirigida aos técnicos de montagem e as obras ganharam posição própria no espaço. De resto, da minha parte, daquilo que presenciei, posso dizer que quase me foi possível ver a intuição dos artistas a operar. Durante a montagem, a cumplicidade e


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o entendimento entre ambos foi tal que, embora não tenham existido combinações prévias, o lugar das obras no espaço parecia estar previamente estipulado. Como disse noutra ocasião, trabalhar com Cabrita Reis sempre me suscitou grande curiosidade, e de facto foi uma das experiências mais vulcânicas e intensas que vivi. Para este artista não é absolutamente necessário trabalhar no isolamento do atelier. Pelo contrário, parece estimular-se com o mundo que o rodeia canalizando para o processo criativo e absorvendo para a obra todas as energias circundantes. Observá-lo em acção, a movimentar-se no espaço, a dirigir os colaboradores e a mexer nos materiais como que equivale a presenciar, em directo, o seu processo de criação. No pátio do Atelier-Museu, por exemplo, essa experiência revelou-se na forma como o artista, durante uma só manhã, se foi apoderando do espaço, invadindo as paredes e o chão, compondo e reajustando as peças até fazer da retaguarda do museu um espaço seu e uma antecâmara da exposição – espaço que até à data nunca tinha sido utilizado para expor obras de arte. Vale a pena ainda desvendar que o artista construiu cinco peças in loco [Constelação do papagaio, S/ título, Minotauro, Linha de Horizonte e O camponês (d’aprés Júlio Pomar)] com materiais colhidos nas redondezas do museu, o que demonstra a importância que a vivência quotidiana da zona circundante tem para o artista durante o período de montagem. Movido pelo desafio de expor com Cabrita Reis e saber que o mesmo estava a produzir peças inéditas, propositadamente


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para a exposição, também Júlio Pomar fez quatro peças inteiramente novas, construídas dias antes da exposição, e mostrou outras que nunca tinham sido vistas, debatendo e negociando com Cabrita Reis o destaque dado a cada coisa. Como tenho dito em outras ocasiões, estas metodologias de trabalho, a transferência momentânea de papéis, entre artistas e curadores, na montagem da exposição, pode ser altamente produtiva para reinventar os modelos curatoriais mais clássicos, o que muitas vezes se revela extremamente interessante para o curador e para a instituição, na medida em que lhes mostra novas formas de actuação e lhes traz novos olhares sobre o acervo e sobre o espaço. Estas ocasiões tornam-se fundamentais para manter o museu como um espaço de ensaio, aberto e potenciador de liberdade crítica. São também essenciais para redescobrirmos a importância e a magnitude contida nos gestos e afectos mais pequenos e singelos. No seu cerne, julgo que é esta matéria que compõe a exposição: cada peça e cada objecto são memória e traduzem circunstâncias de companheirismo singulares, sinais de afecto, muita admiração e respeito, momentos singelos e simultaneamente magnânimos.



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OF SMALL THINGS AND BIG GESTURES Sara Antónia Matos [Director of the Atelier-Museu Júlio Pomar]

The exhibition Júlio Pomar and Cabrita Reis: Of small things is part of the Atelier-Museu Júlio Pomar exhibition programme that, every year, combines Júlio Pomar’s work with that of other artists in order to establish new relationships between the painter’s work and the present day. In the exhibition, Júlio Pomar and Cabrita Reis use objects, sculptures and assemblages to explore compositions in various materials, showing that big gestures may reside within small things or objects. Pieces and fragments of materials are used, almost without intervention from the artists, as if the raw materials of the works had been appropriated by the artists for their associative potential, and combined with one another, without the need for modelling or the use of another sculptural process. In this way, although there is no real modelling of materials, the artistic gesture is revealed in the more elementary acts of choosing, arranging and connecting materials gathered from the surrounding context or reality, giving them new


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life and imbuing them with meaning. Thus the artists talk about small things and big gestures – artistic gestures, imbuing the simplest of things with meaning – as if they could, through an act of alchemy, turn stones into gold. Which is indeed what they do by appropriating materials found in the street and transforming them into works of art. Thus, in this exhibition ‘the small thing’ is presented as a metaphor for the great achievement, the power of the demiurge: the creative act. Cabrita Reis shows a series of objects composed of materials from various sources, found in places he often frequents, such as the beach. Interestingly, it was also on the beach, during a fourmonth working holiday in the summer of 1967 in Manta Rota, in the Algarve, that Júlio Pomar began to produce assemblages of objects and materials he found there, corroded and worn by salt, sun and time. In this exhibition, these assemblages are mixed in with those of the guest artist and, in accordance with the artists’ wishes, the author of each piece is not identified. The two artists’ amusement in putting the exhibition together is palpable and the installation of the pieces in the space demands astuteness from the viewer: it is difficult but still possible to distinguish between the works of one and the other. Both large and small, the assemblages or constructions of these two artists always involve a strange, and sometimes ironic, strand that causes disquiet. Sometimes this strangeness or irony is accentuated by the titles given to the pieces, which trigger the perception of a plurality of meanings in simple pieces of crude and apparently


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meaningless material. This is the case of the piece Nove meses [Nine months] [2017] by Júlio Pomar, which suggests the spherical form of a belly at nine months of gestation, or of Aorta [1994] by Cabrita Reis, formed of red and white tubes that evoke the arteries of the heart. Through the works, the exhibition reveals moments from the life of each artist, of the way that they view their surroundings. It reveals how they regard the intimate and small things that have meaning for each of them, showing how small events in art and life can be the most important, and making it clear that the power of things is not dependent on size, but on the intention of each gesture and each gaze. It is the gesture and the gaze that uncover a myriad of associations in small things, in things that are apparently unimportant. This potential can be seen in the assemblages, in which a form or element, a material, a colour, in relation to others, can function as a trigger that sets up a similarity/analogy from which a multiplicity of meanings or unsettling sources of strangeness will emerge. It should be emphasised that the periods of research shared with the artists proved to be fundamental for the exhibition, which focuses on Júlio Pomar’s assemblages (produced above all during the 1960s and 70s) and a group of pieces by Cabrita Reis that are intimately related to moments from his private life. Although there is no explicit evidence in the final appearance of the work, each piece tells a story and a life episode.


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In this project, in contrast to other occasions in which Júlio Pomar was not involved in the arrangement of the work, which was undertaken by the curator and the guest artist, the painter was asked to actively participate in the installation. From the outset, Cabrita Reis would not do without his perspicacious collaboration, and the two artists established a notable affinity. Seeing the enthusiasm of these two ‘giants’ in action, I gave free rein as curator to the artists and took on the role of observer. While in other situations this might imply a devaluing of the curator’s role, in this case abdicating from a part of my duties was more than a necessity: it was a privilege that I could not ignore, an unrepeatable exception and an honour that I will never forget. The two artists, often without needing to speak to each other or give any kind of verbal explanation, created a common, silent synergy, taking turns to arrange pieces in the space. At times the arrangement needed to be corrected or adjusted. Júlio Pomar would gesture with his stick, indicating a move to the left or right, up or down, or Cabrita Reis would give an instruction to the installation technicians and works found their own place in the space. And, witnessing this, it seemed as if I were seeing the artists’ intuition at work. During the installation, the closeness and understanding between the two of them was such that, although there was no prior arrangement, the place of the works in the space seemed to have been already set out. As I have said before, I had always wanted to work with Cabrita Reis and in fact it was one of the most passionate and intense experiences


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I have had. For this artist it is not absolutely necessary to work alone in the studio. On the contrary, he seems to be stimulated by the world around him and channels every bit of surrounding energy into the creative process, absorbing it into the work. Seeing him in action, moving around the space, directing those he works with and handling the materials is almost like witnessing his process of creation as it takes place. In the courtyard of the Atelier-Museu, for example, this experience was revealed in the way that the artist, during just one morning, took possession of the space, invading the walls and the ground, composing and readjusting the pieces until he had made the rear of the museum his own space and an antechamber to the exhibition – a space that until then had never been used to exhibit works. It is also worth revealing that the artist made five pieces in situ [Constelação do papagaio [Kite Constellation], Untitled, Minotaur, Linha de Horizonte [Horizon Line] and O camponês (d’aprés Júlio Pomar) [The Peasant (after Júlio Pomar)] with materials gathered in the vicinity of the museum, showing the importance that the daily experience of the surrounding area has for the artist during the installation period. Stimulated by the challenge of exhibiting with Cabrita Reis and knowing that he was producing new pieces, specifically for the exhibition, Júlio Pomar also made four entirely new pieces, constructed days before the exhibition, and showed others that had never been seen, discussing and negotiating with Cabrita Reis the prominence given to each thing.


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As I have said on other occasions, these working methods, the temporary transfer of roles between artists and curators, in installing the exhibition, can be highly productive in reinventing traditional curatorial models. This is often very interesting for the curator and the institution, in that it shows them new ways of working and offers them new perspectives on the collection and on the space. These opportunities become fundamental to maintaining the museum as a space for experimentation, open and conducive to critical freedom. They are also essential to helping us rediscover the importance and magnitude contained in the smallest and simplest gestures and affections. At its core, I believe this is the substance of this exhibition: each piece and each object are memory and convey occasions of singular understanding, signs of affection, a great deal of admiration and respect. Moments of simplicity, and also generosity.



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CABRITA REIS Obras Works



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Impact, 2016 Dardo encontrado, esmalte sobre alumínio | Found javelin, enamel on aluminium 232 x 235 x 60 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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After two old roller blinds found in the neighbourhood where I was born, 2016 Esmalte sobre duas caixas de persianas encontradas | Enamel on two found roller blind boxes 122 x 56 x 50 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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After four old roller blinds found in the neighbourhood where I was born, 2013 Quatro caixas de persianas encontradas | Four found roller blind boxes 114 x 70 x 33 cm Colecção do artista | Collection of the artist



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White Eclipse, 2016 Óleo colorido sobre disco de satélite encontrado | Oil color on found satellite dish 115 x 105 x 12 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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Cross, 2010 Aço pintado | Painted steel 266 x 181 x 11,5 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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Home Sweet Home #2, 2016 Grelha de aço encontrada com restos de cimento | Found steel grid with concrete rubble 290 x 232 x 39 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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Him and the other two, 2016 Três traves soldadas a uma base metálica | Three latches welded onto metal base 38 x 31 x 14 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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Green on rust, 2004 Esmalte sobre ferro | Enamel on iron 100 x 72 x 18 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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JÚLIO POMAR Obras Works



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S/ título | Untitled, 1977 Assemblage Madeira, madeira pintada, latas, renda e barro cozido sobre plástico | Wood, painted wood, tins, lace and fired clay on plastic 72 x 70 x 9 cm (aprox. | approx.) Colecção Fundação de Serralves – Museu de Arte Contemporânea, Porto, doação do artista em 2014 Collection of Serralves Foundation – Museum of Contemporary Art, donation of the artist, 2014



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L’Arbalète | Balestra | Crossbow, 1977 Assemblage Sapatos de madeira, madeira trabalhada, fragmento de esqueleto de espadarte, cachimbo, corda, tecido, pena Wooden shoes, carved wood, fragment of swordfish skeleton, pipe, rope, fabric, feather 158 x 43 x 16,5 cm Colecção | Collection Fundação Júlio Pomar, Acervo Atelier-Museu | On deposit at the Atelier-Museu



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Le juge ou la cigale | O juiz ou a cigarra | The judge or the cicada, 1967-1986 Assemblage Fragmento de osso, pega de plástico fixada em madeira, suporte em metal sobre base de madeira Fragment of bone, plastic handle fixed on wood, metallic rod on wood stand 65 x 11 x 20 cm Colecção | Collection Fundação Júlio Pomar, Acervo Atelier-Museu | On deposit at the Atelier-Museu



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S/ título | Untitled, 1967-1986 Assemblage Fragmento de pé de plástico, minituba metálica e fragmento de osso sobre madeira, suporte de metal sobre base de madeira Fragment of foot plastic doll, mini metal tuba and fragment of bone on wood, metallic rod on wood stand 72 x 12 x 14 cm Colecção | Collection Fundação Júlio Pomar, Acervo Atelier-Museu | On deposit at the Atelier-Museu


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S/ título | Untitled, 1977 Assemblage Copo de latão, cortiça, madeira, borracha, fragmento de osso, cinto de couro, estojo, perna de cadeira, tecido sobre serapilheira Brass cup, cork, wood, rubber, fragment of bone, leather belt, pencil box, table leg, fabric on sackloth 97 x 47 x 14 cm Colecção | Collection Fundação Júlio Pomar, Acervo Atelier-Museu | On deposit at the Atelier-Museu


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S/ título | Untitled, 1977-97 Assemblage Madeira, barro cozido, cortiça, osso, plástico | Wood, fired clay, cork, bone, plastic 83,5 x 37 x 18 cm Colecção | Collection Fundação Júlio Pomar, Acervo Atelier-Museu | On deposit at the Atelier-Museu


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S/ título | Untitled, 1977 Assemblage Tábuas de madeira com tinta acrílica, madeira perfurada, fragmento de osso, almofada, fragmento de pneu de borracha, perna de boneca de plástico sobre serapilheira Wood planks with acrylic paint, perforated wood, fragment of bone, pillow, fragment of rubber tyre, leg of plastic doll on sackloth 119 x 54 x 19,5 cm Colecção | Collection Fundação Júlio Pomar, Acervo Atelier-Museu | On deposit at the Atelier-Museu


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S/ título | Untitled, 1977 Assemblage Madeira, borracha, couro, ramo de palmeira, metal serapilheira e bola de Natal colados sobre tecido orgânico, tinta acrílica sobre madeira Wood, rubber, leather, branch from palm-tree, metal, sackloth and Christmas tree bauble glued onto organic tissues, acrylic paint on wood 119 x 54 x 19,5 cm Colecção | Collection Fundação Júlio Pomar, Acervo Atelier-Museu | On deposit at the Atelier-Museu



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S/ título | Untitled, 2016 Assemblage Rochas, metal | Rocks, metal 40 x 11 x 10 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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Infanta, 2007 Assemblage Pedra, osso, madeira e palhinha | Stone, bone, wood and straw 23 x 18 x 17,5 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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Bicho | Animal, 1982 Assemblage Madeira, barro, parafuso, anilha | Wood, clay, screw, washer 17 x 10,5 x 16 cm Colecção do artista | Collection of the artist


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Colecção CADERNOS DO ATELIER-MUSEU JÚLIO POMAR / DOCUMENTA

Caveiras, casas, pedras e uma figueira Júlio Pomar, Álvaro Siza Vieira, Luís Noronha da Costa, Fernando Lanhas Textos de Sara Antónia Matos, Delfim Sardo Notas Sobre uma Arte Útil – Parte escrita I (1942-1960) Júlio Pomar Edição de Sara Antónia Matos, Pedro Faro Da Cegueira dos Pintores – Parte escrita II (1985) Júlio Pomar Tradução de Pedro Tamen; introdução de Sara Antónia Matos; organização de Pedro Faro Tratado dos Olhos Júlio Pomar Textos de Sara Antónia Matos, Paulo Pires do Vale, Catarina Rosendo Temas e Variações – Parte escrita III (1968-2013) Júlio Pomar Apresentação e organização de Sara Antónia Matos, Pedro Faro O Artista Fala… Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro Júlio Pomar, Sara Antónia Matos, Pedro Faro Fotografias de Luísa Ferreira Incandescência – Cézanne e a pintura Tomás Maia Apresentação de Sara Antónia Matos

Edição & Utopia – Obra gráfica de Júlio Pomar Textos de Sara Antónia Matos, Maria Teresa Cruz, Pedro Faro Júlio Pomar e Rui Chafes: Desenhar Textos de Sara Antónia Matos, João Barrento, Maria João Mayer Branco Rui Chafes: Sob a pele Conversas com Sara Antónia Matos Rui Chafes, Sara Antónia Matos Prémio de Curadoria 2015 – AMJP/ EGEAC Projecto curatorial de Maria do Mar Fazenda, Vários artistas Textos de Sara Antónia Matos, Maria do Mar Fazenda Decorativo, Apenas? – Júlio Pomar e a Integração das Artes Organização de Sara Antónia Matos; textos de Júlio Pomar, Sara Antónia Matos, Catarina Rosendo O museu como veículo de desenvolvimento crítico e social Organização de Sara Antónia Matos; textos de Sara Antónia Matos, Liliana Coutinho Fotografias de Teresa Santos Julião Sarmento: O artista como ele é Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro Julião Sarmento, Sara Antónia Matos, Pedro Faro


Void*: Júlio Pomar & Julião Sarmento, Vol. I Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Melo, Pedro Faro Void*: Julião Sarmento – Dirt, Vol. II Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Melo, Pedro Faro Void*: Júlio Pomar – Obras destruídas, Vol. III Textos de Sara Antónia Matos, Alexandre Pomar Prémio de Curadoria 2016/17 – AMJP/ EGEAC Projecto curatorial de Hugo Dinis, Vários artistas Organização de Hugo Dinis; textos de Sara Antónia Matos, Hugo Dinis, José Neves, Carmo Sousa Lima, Alexandre Quintanilha, Miguel Vale de Almeida, Tiago Castela Júlio Pomar e Cabrita Reis – Das pequenas coisas Texto de Sara Antónia Matos



CATÁLOGO CATALOGUE Concepção Conception Sara Antónia Matos Texto Text © Sara Antónia Matos Design gráfico Graphic design Paula Prates Tradução Translation KennisTranslations Revisão Proofreading António d’Andrade (Sistema Solar / Documenta) Helena Roldão (Sistema Solar / Documenta) Fotografias Photographs © António Jorge Silva / AMJP: pp. 6-13, 22-29, 38-49, 89, 95, 116-117, 122, 126-127, 133, 153, 157, 171, 173-219 © João Ferrand: pp. 88, 115, 118, 130, 136-137, 148-149, 156 © João Ferro Martins / PCR Studio: pp. 53-79, 83-87, 90-94, 96-101, 103-105, 107-112, 119, 124-125, 128-129, 131-132, 135, 138-147, 151, 154-155, 158-167 © José Manuel Costa Alves: pp. 81, 102, 113, 121 © Tânia Simões / PCR Studio: capa, pp. 82, 106, 123 Tiragem Print run 1000 exemplares | copies Depósito legal Legal deposit 430075/17 Impressão e acabamento Printing and binding Gráfica Maiadouro, SA Rua Padre Luís Campos, 586 4471-909 Maia, Portugal

© Atelier-Museu Júlio Pomar, 2017 © Sistema Solar Crl. (Documenta) ISBN 978-989-8834-80-5

Agradecimentos Acknowledgements Artistas Artists Júlio Pomar Cabrita Reis PCR Studio Alexandre Cadete Edgar Massul Rosalinda Ova Tânia Simões Fundação Júlio Pomar Alexandre Pomar Filipe Pacheco Rute Valadares Coleccionadores Collectors António Correia e | and João Rosa Santos Carlos Antunes e | and Désiree Pedro Fundação Cupertino de Miranda Fundação Serralves Galeria Valbom Patrícia Garrido