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Tomás Maia e André Maranha, «Parlatório»

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PAR L ATร R IO


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PA R L AT ร R I O

D O C U M E N TA UMA CLAREIRA


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apoios


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ÍNDICE

Parlatório (Alto de S. João) Diálogo Parlatório

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Fazer silêncio é a fronteira interior do diálogo. Walter Benjamin


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Pa rlatรณrio ( Alt o d e S. Joรฃo)


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Parlatório Projecto, cemitério do Alto de S. João (Lisboa), André Maranha, 1996


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Di รก logo


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A primeira versão deste texto — muito diferente da actual — foi um diálogo gravado e, posteriormente, difundido na sala do capítulo do Convento de São Francisco, em Montemor-o-Novo, por ocasião das Conversas à volta do peso e da leveza, decorridas a 7 e 8 de Novembro de 2009. Agradecemos à Virgínia Fróis o convite que, então, nos endereçou.


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— … é indiferente que sejas tu a estar desse lado, como é indiferente que seja eu a começar… Se começo — se não cesso de começar, é para responder-te sem que me tenhas feito alguma pergunta… — … oiço-te, oiço-te mas não te vejo, quando antes te via sem te ouvir era-me tão mais claro que não estávamos do mesmo lado… — … ficámos reduzidos ao primeiro sentido, algures onde não se distingue o lado de lá do lado de cá. [Breve pausa.] E deve ser por isso, deve ser porque o som não tem lados, que a audição é o sentido da omnipresença. Que outra razão haverá senão a omnipresença do som para ex25


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plicar a «acção divina»? Por exemplo (e é um dos primeiros exemplos sobre o primeiro sentido): o livro do Génesis é primeiramente sonoro e só depois visual. Deus diz antes de separar a luz das trevas, e a sua palavra faz a separação. O som divino é performativo: faz dizendo. A acção primordial de Deus é sonora porque apenas o ilimitado pode delimitar. E se a escrita não guardar o rastro desse som anterior, se a escrita não for ditada, não será escrita. Foi a isso, julgo, que se deu o nome de escritura: a escrita da escuta… — … é justo o que me dizes, mas se por um lado sou todo ouvidos, por outro a palavra não cessa de me ser retirada… — … uma retirada, porém, que só a nós acontece — e a qualquer ser de palavra… — … assim seja, fala, peço-te, serei o teu escutante, da minha voz ouvirás apenas a discreta prova de que ainda te escuto, de que ainda aqui estou. Devo dizer-te, no entanto, que me chegas de um modo não isento de eco, como se aquilo que nos separa se desse a ver através das reverberações da tua voz… — … assim seja, pois, serei o teu escriturário… Falarei então porque te ouço e enquanto pressentir que me 26


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Pa rlatรณrio


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Parlatório Madeira de tola, contraplacado e escoamento de areia, 245 × 190 × 85 cm, André Maranha e Tomás Maia, 2017


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Obrigado a Bruno C. Duarte, Helena Roldão, João Barrento, João Pinote, Manuel Castro Caldas, Manuel Rosa, Maria João Barata, Miguel Correia, Pedro Ferreira, Pedro Morais, Pedro Tropa, Rita Roberto


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Parlatรณrio apresentado no Ar.Co, Lisboa, 2018


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© SISTEMA SOLAR, CRL (DOCUMENTA) RUA PASSOS MANUEL, 67 B, 1150-258 LISBOA © UMA CLAREIRA – ASSOCIAÇÃO CULTURAL © TOMÁS MAIA, ANDRÉ MARANHA (2018) FEVEREIRO DE 2018 ISBN 978-989-8902-04-7 FOTOGRAFIAS: DIOGO SALDANHA (p. 13); PEDRO TROPA (pp. 49-69) DESENHO DO LIVRO: ANDRÉ MARANHA, TOMÁS MAIA REVISÃO: HELENA ROLDÃO DEPÓSITO LEGAL 437567/18 IMPRESSÃO E ACABAMENTO: GRÁFICA MAIADOURO SA RUA PADRE LUÍS CAMPOS, 586 E 686 – VERMOIM 4471-909 MAIA


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