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Este livro foi publicado por ocasião da exposição Terra Incógnita, de Inez Teixeira, com curadoria de João Silvério, realizada na Fundação Portuguesa das Comunicações, entre 30 de Março e 13 de Maio de 2017 This book was published on the occasion of Terra Incógnita, an exhibition by Inez Teixeira, curated by João Silvério and presented at Portuguese Foundation of Communications from 30 March to 13 May 2017


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Inez Teixeira TERRA INCÓGNITA

texto | text

João Silvério

D O C U M E N TA F U N D A Ç Ã O C A R M O N A E C O S TA


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Terra Incógnita: o desafio da Pintura

João Silvério

Sempre me questionei sobre a proveniência das imagens que a pintura e os desenhos de Inez Teixeira representam. A raiz da sua influência, em termos de corrente artística como forma de representação, não é aqui a questão essencial. Muito pelo contrário, o meu interesse prende-se com o seu processo e como o desenvolve na sua prática, que assume a pintura como forma de expressão enquanto artista, aliada ao desenho, que executa regularmente no seu quotidiano, como se esta actividade constituísse um exercício da mente que se materializa na complexidade cumulativa desses mesmos desenhos, em simultâneo com a sua ligação à literatura, que muito tem contribuído para a construção da sua obra. * * * Uma parte considerável do seu trabalho tem sido desenvolvido como pinturas abstractas e desenhos que representam paisagens imaginadas, e é interessante observar que tanto nas pinturas como nos desenhos existe um contraponto entre a pequena escala do detalhe e a escala indefinível da mancha, mesmo nas séries de trabalhos em que a densidade da cor é mais orgânica, fluida e translúcida. Nos desenhos executados a tinta-da-china, como por exemplo os que constituem o livro Folhas de Viagem 1, a relação entre o detalhe e a mancha, de um negro opaco, mantém-se orgânica e contrastante apesar do motivo representado ser aparentemente mais reconhecível por se aproximar da paisagem enquanto modelo e género da representação. Esses desenhos são bastante complexos, como paisagens oníricas, ou até trespassadas por uma aura psicadélica, mas resultam essencialmente de uma ideia de paisagem sem referente reconhecível. São desenhos que se constroem na lógica interna do acto de fazer contaminando-se entre a forma, a linha, os limites do espaço da folha e o seu preenchimento numa persistente, e quase sensual, compulsividade que a artista trabalha num tempo que lhe é próximo, que pertence a essa actividade do desenhador que não fica refém da continuidade da sua obra porque é a ossatura desta. Por outro lado, estas paisagens não decorrem sempre do modelo imaginário do atlas natural: muitas vezes estamos próximos de imagens que se assemelham a visões biomórficas, entre o surreal e a abstracção, e que podem também transportar-nos para interpretações cósmicas, visionárias e quase ficcionais. Estes desenhos, que se ramificam numa espécie de 1

Livro editado por ocasião da exposição da artista na Fundação EDP – Museu da Eletricidade, 2013.

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Terra Incógnita: The Challenge of Painting

João Silvério

I have always wondered about the origin of the images Inez Teixeira’s paintings and drawings depict. The root of their influence, in terms of artistic current as a form of representation, is not an essential issue here. Much to the contrary, my interest is related to her process and to how she develops it in her practice, which elects painting as a means of artistic expression, in combination with drawing, a regular everyday pursuit of hers, as if that activity were an exercise of the mind that materialises itself in the cumulative complexity of these same drawings, together with her connection to literature, which has greatly contributed towards the construction of her work. * * * A considerable part of her production has taken the form of abstract paintings and drawings that depict imaginary landscapes, and it is interesting to observe that both paintings and drawings include a counterpoint between the small scale of details and the indefinable scale of patches, even in those series of works in which the density of colour is more organic, fluid and translucent. In her India ink drawings, like for instance those that make up the Folhas de Viagem 1 book, the rapport between detail and patch, an opaque black element, remains organic and contrasting even though the depicted motif is apparently more recognisable for being close to landscape as a representational model and genre. These highly complex drawings are landscapes that can be described as dreamlike, or even marked by a psychedelic aura, but are essentially the product of an idea of landscape with no recognisable referent. They are drawings that develop themselves within the internal logic of their making, contaminating one another in terms of form, line, the borders of the sheet of paper and the way they are filled in, in a persistent, near-sensuous compulsivity the artist explores in a time that is close to her, a time that characterises the work of those drawing artists who are not held hostage by the continuity of their work because they are its own basic structure. On the other hand, these landscapes are not always derived from an imaginary version of the natural atlas: often we are confronted with pictures resembling biomorphic visions, between surreal and abstract, which can also inspire in us cosmic, visionary and quasi-fictional readings. These drawings, which ramify themselves within a kind of sensory ecology, are permeable to occurrences and events which only that internal time the artist preserves in her everyday life permits. In her studio or in her outside wanderings, which should not 1

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A book published on the occasion of the artist’s exhibition at EDP Foundation – Electricity Museum, 2013.


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ecologia sensorial, são permeáveis a ocorrências e acontecimentos que só esse tempo interno que a artista resguarda no seu quotidiano permite. Seja no seu atelier ou na deambulação derivante, que não se quer «flâneur» porque não reclama o contexto dessa deriva, por percursos que estabelecem uma espacialidade que lhe prepara o tempo que o seu labor exige. A respeito desta série de desenhos que dá corpo ao livro Folhas de Viagem integrado na exposição realizada na Fundação EDP (2013), com o título Coração Aventuroso, João Pinharanda refere-se ao trabalho da artista dizendo o seguinte: «A passagem de uma visão global do mundo exterior para uma visão de pormenor, para o registo de um mundo fragmentário (real e metaforicamente interior), surgiu naturalmente nos trabalhos de Inez Teixeira como imagem de uma realidade que, hoje, é de impossível claridade. É muito interessante que a artista, depois de procurar inspiração nas páginas de uma obra aberta que se abria ao exterior com energia e optimismo, acabe por desviar o foco do seu olhar para dentro e para baixo.»2 Um exemplo do que foi anteriormente aqui referido são estes dois desenhos3, de pequenas dimensões, qualquer coisa que está entre a natureza exótica, uma visão macroscópica de uma parte do corpo humano, ou a complexidade de religar visões aparentemente abstractas, mas ao mesmo tempo contraditoriamente próximas do nosso imaginário visual. Ainda neste volume, que pode ser visto como um livro de artista, apenas composto por desenhos a preto-e-branco que abrem uma possibilidade narrativa que cabe ao leitor determinar, há um acontecimento, se assim se pode dizer, que é o aparecimento de uma forma convexa que emerge no centro de uma das hipotéticas paisagens, uma das mais contidas. Essa massa, como um rochedo ou um corpo estranho, é precisamente uma caveira. Um elemento que virá a ter importante protagonismo numa série de desenhos que integra esta exposição e que aqui se reproduzem. Deste ponto de vista, o desenho tem uma importância muito forte na obra da artista, como uma estrutura que lhe permite a procura de outras experiências, mesmo na sua proximidade com a literatura e com outras preocupações que a sua pintura virá a revelar. Principalmente nesta exposição, que se intitula Terra Incógnita, e na qual trabalha, sobretudo, a estrutura de 2 3

http://www.fundacaoedp.pt/exposicoes/coracao-aventuroso/127 Os dois desenhos pertencem à série Folhas de Viagem, 2012. Tinta-da-china sobre papel, 21 × 29,7 cm.

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be included in the flâneur paradigm because they do not claim that particular context, she explores paths that define a spatiality that creates the time her toil demands. While discussing the series of drawings that makes up the core of the Folhas de Viagem book, part of Coração Aventuroso, an exhibition held at the EDP Foundation in 2013, João Pinharanda states the following about the artist’s work: “The transition from a global view of the world to one that focuses on details, expressed as the depiction of a fragmentary world (one that is literally and metaphorically interior), has naturally emerged in Inez Teixeira’s pieces as the image of a reality that has become unavoidably obvious today. It is very interesting that the artist, having looked for inspiration in the pages of a book that opened itself to its surroundings with vigour and optimism, decided then to shift the focus of her gaze inwards and downwards.” 2 An illustration of what was previously stated here can be found in these two small drawings3, which stand somewhere between exotic landscapes, a macroscopic view of a part of the human body, or the complex activity of reconnecting sights that are apparently abstract, but at the same time contradictorily close to our visual imaginative repertoire. This volume, which can be seen as an artist’s book, made up of black-and-white drawings in which a narrative possibility may be disclosed by the reader, also contains an event, so to speak: the apparition of a convex form that emerges out of the centre of one of the most discreet among these hypothetical landscapes. That mass, which looks like a rock or foreign body, is actually a skull, an element that will take centre stage in a series of drawings featured in this exhibition and reproduced here. Drawing, indeed, is very important in this artist’s work, as a structure that allows her to search out new experiences, even in her close connection to literature and other concerns her painting will feature. This is especially the case in this exhibition, entitled Terra Incógnita, in which she generally explores the structure of pictorial images that come across as indecipherable maps, but also as visual fields that are familiar to us in aesthetic terms, and in which geography finds common ground with her imagination as a process that becomes denser through accumulation, just like in her drawings. Or in the cartography of that unknown land that may be the cosmos or the sea, as metaphors of eternal chance, and like the landscapes and the skulls, a kind of sidereal domes whose anthropomorphic quality suggests the human face and the thought that once resided there, like an infinite universe. Terra Incógnita, a name that once was given to locations that, though unknown to humans, were yet mentioned in maps, can be read as the confirmation of an absence that achieved presence as an empiric limitation that is absolutely unknown in rational terms. However, that improbable map created an opening that offered a glimpse of another map, more abstract and with no recognisable code, which can be read in this exhibition as the intangible perimeter that allows to bring into each work that negation of a closed territory that surprises us and holds our gaze. During a stay in Paris, as an artist-in-residence at Cité des Arts, Inez Teixeira said the following, while being interviewed by Palmina d’Ascoli: “Ugo Rondinone says that art is greater than anything we may think or say about it, and I couldn’t agree more. The visual arts are meant to be seen; if they mean nothing to your eye, if they don’t change you at that moment, if they need to be explained be2 3

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http://www.fundacaoedp.pt/exposicoes/coracao-aventuroso/127 The two drawings are part of the Folhas de Viagem (2012) series. Indian ink on paper, 21 × 29,7cm


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imagens pictóricas que se constituem como mapas indecifráveis, mas também como campos visuais que nos são próximos em termos estéticos, e nos quais a geografia encontra uma correspondência com o seu imaginário enquanto processo que se densifica e acumula, tal como nos desenhos. Ou na cartografia dessa terra desconhecida que pode ser o cosmos ou o mar, como metáfora da transformação eterna, e como as paisagens e as caveiras, uma espécie de abóbadas siderais que na sua antropomorfia dão forma ao rosto humano e ao seu pensamento preexistente que aí residiu como um universo infinito. Essa «Terra Incógnita», que outrora denominava os sítios e os lugares que não sendo conhecidos pelos humanos constavam desse mapa, pode ser lida como a confirmação de uma ausência que se presentificava como limite empírico, embora absolutamente desconhecido em termos racionais. Mas esse mapa improvável abria o espaço para antever um outro mapa, este mais abstracto e sem um código reconhecível, que nesta exposição pode ser interpretado como o perímetro intangível que nos dá a possibilidade de transpor em cada obra essa negação de território fechado que nos surpreende e nos retém o olhar. Durante a sua estada em Paris, numa residência artística na Cité des Arts, Inez Teixeira concedeu uma entrevista a Palmina d’Ascoli, em que a certo ponto diz o seguinte: «O Ugo Rondinone diz que a arte é maior do que tudo aquilo que possamos pensar ou falar dela, e eu não posso estar mais de acordo. As artes visuais são para ser vistas, se ao nível do olhar nada te dizem, se não te transformam nesse momento, se precisam de ser explicadas porque é a ideia que prevalece sobre o “objecto”, na minha opinião é a negação da arte.»4 Esta declaração da artista é essencial para compreender as relações internas que a sua obra deixa revelar sob uma velatura visual e estética, quase romântica, no sentido sensorial que referi, mas que simultaneamente assenta num correlato bibliográfico que vai sendo sedimentado pela palavra que resiste nos títulos das obras, parecendo que a relação com os conceitos e com os dados históricos mais não é do que um breve apontamento ou um simples pretexto para o enquadramento das obras. Contudo, não é de facto assim, porque cada uma das obras da exposição encontra a sua génese no título que a indexa a uma ideia, como no título da exposição, como também aos pensamentos dos autores que produziram os livros e os textos nos quais Inez Teixeira encontrou uma outra matéria que veio a transformar nesse vasto corpus visual que a pintura e o desenho configuram. A exposição é composta por três séries de obras que articulam o trabalho da artista na esteira do que aqui foi exposto, sendo a serialidade algo de permanente na forma como organiza o seu trabalho. Por vezes toma a forma de um modus operandi intuitivo, em que as obras se sucedem numa prática mais experimental, que se liga à aplicação dos materiais sobre o suporte, às variações sobre um mesmo tema até que este ganhe consistência e permita explorar uma diversidade de opções que se materializam numa aparente repetição, mas que é de facto o seu trabalho como pintora que o exige, procurando no sentido mais plástico desta prática a obra que lhe permite dar continuidade à série, mesmo quando estas peças são trabalhadas em simultâneo. Uma das séries, intitulada No Vazio da Onda, é constituída por um conjunto de vinte e três pinturas de pequena dimensão executadas em dois formatos semelhantes sobre papel. São imagens abs4 Palmina d’Ascoli, responsável do Pôle Résidence et Recherche Département Développement et Partenariats, Institut Français, Paris, http://www.artecapital.net/snapshot-7-inez-teixeira

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cause the idea prevails over the ‘object’, I think that’s a negation of art.” 4 This statement by the artist is essential for our understanding of the internal relationships her work displays under a veil that is visual and aesthetic, almost romantic, in the sensory sense I have mentioned, but which simultaneously bases itself on a bibliographic correlate that is slowly built up by the word that persists in the pieces’ titles, making it seem that their relationship with concepts and historic data is no more than a brief side-note or simple contextual pretext for the works. However, it is in fact not so, because each one of the works in the exhibition finds its origin in its title, which links it to an idea, as in the exhibition’s title, and also to the thoughts of the authors who produced the books and texts in which Inez Teixeira found new materials, which she turned into the vast visual corpus of her paintings and drawings. The exhibition consists of three series of works that articulate the artist’s work in terms already discussed here, series being a constant feature of the organisation of her work. Sometimes, the serial approach takes the form of an intuitive modus operandi, in which the works organise themselves within a more experimental practice, connected to the way materials are applied to the support, to a number of variations on a same theme until it becomes consistent enough to allow the exploration of a variety of options that materialise themselves in what appears to be repetition, but is in fact demanded by Inez Teixeira’s work as a painter: she explores the plasticity of her practice to find the piece that will bring continuity to the series, even when the pieces are being worked on simultaneously. One of her series, entitled No Vazio da Onda, consists of a set of twenty-three small paintings in two similar formats on paper. They are abstract pictures from which colour is largely absent, like a metallic magma in which small changes occur, like points that burst out of a void, which recur without repetition in each painting, but in which we can also find a methodology of her process. It is as if a micro-image of the universe were moving through the various occurrences, now gathered together, now scattered across the paper, drawing the viewer’s eye to a certain detail that appears similar to a previous one, but which in fact reveals a transition, an ephemeral state. This awareness of the ephemeral lies at the source of her technical approach, in which she adds water to the paint and applies it to the paper, letting chance and accident corrupt what was at first a smooth surface. Under this idea of a world that enters the sphere of its most abstract reading, we are led through a series of images that combine in her work to reveal a universal perspective, in the broadest sense this term can have, but also a poetic sphere that is not dependant on the work’s scale and is simultaneously in debt to it, because independently from the formats the artist uses, the same subjects and motifs recur from series to series. This piece, reproduced in the text, belongs to Coração Aventuroso,5 the 2013 EDP Foundation exhibition; unlike many of the pieces discussed so far, it is a painting of considerable size, that at first glance seems to have nothing in common, technically and formally speaking, with the other works on display, such as the drawings from the formerly discussed book; its white, near-blank background seems to support that impression. Here, I believe it is important to highlight Inez Teixeira’s prolific approach to her work, which does not limit itself to the use of series to confirm her research process and subject treatment in the 4 Palmina d’Ascoli, Head of Pôle Résidence et Recherche Département Développement et Partenariats, Institut Français, Paris, http://www.artecapital.net/snapshot-7-inez-teixeira 5 Untitled, from the Coração Aventuroso series, 2012. Oil on canvas, 160 × 160 cm.

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tractas em que a cor é quase inexistente, como um magma metálico onde ocorrem pequenas alterações, como pontos que eclodem no vazio e se sucedem sem repetição em cada quadro, mas onde descobrimos também uma metodologia do seu processo. Como uma microimagem do universo que se movimenta nas diferentes ocorrências ora acumuladas, ora dispersas na superfície da folha convocando o olhar do espectador para o detalhe, o pormenor que aparentemente se assemelha ao anterior, mas na realidade revela uma transição e um estado efémero. Esta consciência da efemeridade está na génese da forma como age sobre o suporte, em que a técnica usada é também aquosa sobre a tinta e o suporte, abrindo a possibilidade ao acaso e ao acidente que vai corromper o que seria inicialmente uma superfície homogénea. Sob esta ideia de mundo que passa para a esfera da sua leitura mais abstractizante, somos conduzidos através de imagens que conformam na sua obra uma perspectiva universal, no sentido mais amplo que este termo pode ter, mas também uma esfera poética que não depende da escala da obra e é simultaneamente sua devedora, porque independentemente dos formatos que a artista domina, os temas e os motivos que trabalha sucedem-se série após série. Esta obra, que incluo no texto, pertence à exposição realizada na Fundação EDP, em 2013, a que dá o seu título, Coração Aventuroso,5 mas esta é uma pintura de dimensão apreciável e que num primeiro olhar parece nada ter que ver, em termos técnicos e formais, com as outras obras expostas, como por exemplo os desenhos do livro anteriormente referido, sendo o fundo branco, quase como um vazio, bastante revelador. E neste aspecto é importante, do meu ponto de vista, assinalar a forma prolífica como Inez Teixeira desenvolve o seu trabalho, que não se reduz à serialidade para confirmar o seu processo de pesquisa e o tratamento de um tema na execução das obras. Como podemos ver na imagem, ao invés da agregação cumulativa de elementos sobre o suporte, a pintura apresenta-nos uma explosão de partículas mínimas, como se num alvor cósmico essa dispersão simbolizasse um acto de liberdade ou até uma nebulosa emocional. É interessante recordar que essa exposição de 2013 tem como base de pesquisa e inspiração uma outra interpretação histórica da geografia, como formulação descritiva da Terra. Neste caso, a partir da obra A Terra Ilustrada do autor oitocentista Onésime Reclus, que contém gravuras que nos dão conta da vastidão da Terra cartografada, a tomada de consciência de uma escala e de uma diferenciação incomensurável sugeriu à artista trabalhar um atlas visual em que todas as possibilidades que o seu imaginário construiu se acumulassem numa paisagem que, 5

Sem título, da série Coração Aventuroso, 2012. Óleo sobre tela, 160 × 160 cm.

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production of her works. As we can see in the picture, instead of a cumulative aggregation of elements on the support, the painting presents to us an explosion of tiny particles, like some kind of cosmic dawn in which dispersion symbolises an act of freedom or even an emotional nebula. It is interesting to remember that the 2013 exhibition drew inspiration from another historic interpretation of geography as a descriptive formulation of the Earth: a book by 1800s author Onésime Reclus, La Terre à vol d’oiseau (Portuguese edition: A Terra Ilustrada), filled with plates that convey to us the vastness of mapped-out Earth. Confronted with that incommensurable scale and differentiation, the artist decided to work on a visual atlas in which all possibilities suggested by her imagination could accumulate in a landscape that, without denying the book’s maps and wonderful prints, displayed the complexity of the world described there, while distancing itself from the metric rationality that supports it. Both the Terra Incógnita exhibition and the series after which it is named would seem to be diametrically opposed to the previous show. However, that is not the case. And this is because the literature and history mentioned at the start of this text continue to be Inez Teixeira’s sources of references and inspiration. Especially worthy of mention is a book by 1700s author John Milton, Paradise Lost, illustrated by John Martin. This work consists of ten chapters (or books) in verse and is a biblical, epic and political tale of the struggle between good and evil. Between the world of men and that other world, effectively unknown but conceivable and imaginable, like any terra incógnita. An existentialist, emotional and obsessive outlook is also at play here, similar to the one in Albert Camus’ Exile and the Kingdom, a book that certainly has influenced this series of works. These paintings on paper explore a dense, magmatic palette: a profusion of masses and drippings rises out of each painted image in organic, aqueous lines, as if an imagined corporeality had torn itself open over their endless internal geography, like a soliloquy of imperceptible words, phonemes, grimaces and convulsions that reside in the near-brutal structure of these paintings that now hold our contemplative gaze. The same can be said of “Le chercheur du temps”, a set of possibly timeless drawings somewhere between a fictional landscape and the apse of the skull, which holds the timelessness of the Other, the reflection on death and the ephemeral condition that holds sway over all of us. At this point, Inez Teixeira’s work becomes autonomous from the history of literature and visual representation, without however losing sight of that horizon, which seems to us ever more distant but in which human reflection still finds a place for contemplation, for the internal time of each individual who heeds that visual call to think ourselves as travellers across the terra incógnita of our imagination.

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sem renegar o mapeamento e as imagens maravilhosas das gravuras, lhe atribuiu a complexidade do mundo ali inscrita, mas distanciando-se da racionalidade métrica que o suporta. A exposição Terra Incógnita e a série que lhe dá o título parecem estar nos antípodas da exposição anterior. Contudo, não estão. E isto porque a literatura e a História que foi sinalizada no início deste texto se mantêm como horizonte de referências e inspiração para Inez Teixeira. Quero mencionar principalmente uma obra de um autor setecentista, John Milton: Paradise Lost, com ilustrações de John Martin. Esta obra, na sua primeira edição, é constituída por dez capítulos (ou livros) em verso, e é uma narrativa bíblica, épica e política da luta entre o bem e o mal. Entre o mundo dos homens e esse outro mundo, desconhecido mas passível de ser pensado e idealizado, tal como a terra incógnita. Também aqui acorrem um imaginário e um pensamento existencialista, emocional e obsessivo, se pensarmos na obra de Albert Camus O Exílio e o Reino, que decerto contribuiu para esta série de trabalhos. A paleta usada nestas pinturas sobre papel é densa e magmática: em cada imagem pintada emerge uma profusão de massas e escorrências que desenham itinerários hipotéticos, linhas de água orgânicas como se uma corporalidade imaginada se esventrasse na sua geografia interna e infinita. Como um solilóquio de palavras imperceptíveis, fonemas, esgares e convulsões que residem na estrutura quase brutal destas pinturas, que por fim nos detêm o olhar contemplativo. Do mesmo modo como no conjunto de desenhos intitulados «Le chercheur du temps», porventura sem tempo, entre a ficção da paisagem e a abside do crânio que resgata a intemporalidade do Outro, a reflexão sobre a morte e a condição efémera de que somos possuídos. E neste passo, o trabalho de Inez Teixeira autonomiza-se da história da literatura e da representação visual sem contudo perder de vista esse horizonte, que nos parece sempre mais longínquo, mas onde a reflexão humana encontra ainda um lugar para a contemplação, para um tempo interno de cada sujeito que se entrega escutando esse apelo visual para que nos pensemos como viajantes para lá da terra incógnita que imaginamos.

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CANÇÃO Que saia a última estrela da avareza da noite e a esperança venha arder venha arder em nosso peito E saiam também os rios da paciência da terra É no mar que a aventura tem as margens que merece E saiam todos os sóis que apodreceram no céu dos que não quiseram ver — mas que saiam de joelhos E das mãos que saiam gestos de pura transformação Entre o real e o sonho seremos nós a vertigem Alexandre O’Neill


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Desconheço, meu corpo, a tua essência, Sombra animada de íntimo luar. És feito de invisíveis elementos, Embora te descubra o nosso olhar… Miraculoso peso, assim composto De imponderáveis cousas! Forma viva, Contendo a indefinida morte escura, A vaga Identidade primitiva… Teixeira de Pascoaes


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Lista de Obras List of Works

pp. 5-13 Sem título, da série | Untitled, from the series Le chercheur du temps, 2016 Tinta-da-china sobre papel | India ink on paper 29,5 × 42 cm

p. 49 Sem título, da série | Untitled, from the series No Vazio da Onda, 2014 Acrílico sobre papel | Acrylic on paper 23 × 31 cm

p. 27 Sem título, da série | Untitled, from the series No Vazio da Onda, 2014 Acrílico sobre papel | Acrylic on paper 28 × 40,5 cm

pp. 53-69 Sem título, da série | Untitled, from the series Terra Incógnita, 2016 Acrílico sobre papel | Acrylic on paper 160 × 120 cm

pp. 28-39 Sem título, da série | Untitled, from the series No Vazio da Onda, 2014 Acrílico sobre papel | Acrylic on paper 23 × 31 cm

pp. 70-75 Sem título, da série | Untitled, from the series Terra Incógnita, 2016 Acrílico sobre papel | Acrylic on paper 120 × 160 cm

pp. 40-48 Sem título, da série | Untitled, from the series No Vazio da Onda, 2014 Acrílico sobre papel | Acrylic on paper 31 × 40,5 cm

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agradecimentos Um agradecimento muito especial a Maria da Graça Carmona e Costa pelo seu entusiasmo, apoio e generosidade. Agradeço também a Dinorah Lucas pelo seu profissionalismo e dedicação. E ainda a Beatriz Roquette, Carlos Martins, João Luís Ferreira, João Silvério, Manuel Costa Cabral, Manuel Rosa, Maria Lacerda, Mariana Roquette Teixeira, Miguel Telles da Gama, Pedro Calapez e Pedro Valdez Cardoso.

acknowledgements A very special thanks to Maria da Graça Carmona e Costa for her enthusiasm, support and generosity. I wish to thank Dinorah Lucas for her professionalism and dedication. I am also grateful to Beatriz Roquette, Carlos Martins, João Luís Ferreira, João Silvério, Manuel Costa Cabral, Manuel Rosa, Maria Lacerda, Mariana Roquette Teixeira, Miguel Telles da Gama, Pedro Calapez and Pedro Valdez Cardoso.

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I NE Z T E I XE I R A (1965) Vive e trabalha em Lisboa. Licenciada em História da Arte pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas | Universidade Nova de Lisboa. Residência artística na Cité Internationale des Arts Paris, Institut Français, em 2010 (com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian) e 2014. Lives and works in Lisbon. Graduated in Art History from Faculty of Social Sciences and Humanities | Universidade Nova de Lisboa. Artist-in-residence at Cité Internationale des Arts Paris, Institut Français in 2010 (with support from the Calouste Gulbenkian Foundation) and 2014.

Exposições Individuais | Solo Exhibitions 2017 2014 2013 2011 2009 2006 2005 2004 2003 2002 2001 1999 1998 1995 1994 1993 1992

Terra Incógnita (curadoria | curated by João Silvério), Fundação Portuguesa das Comunicações, Lisboa | Lisbon No Vazio da Onda, Teatro Municipal Joaquim Benite, Almada Coração Aventuroso (curadoria | curated by João Pinharanda), Fundação EDP, Museu da Eletricidade, Lisboa | Lisbon Time is on my side, Galeria VPF Cream Art, Lisboa | Lisbon De Dentro para Fora, Galeria VPF Cream Art, Lisboa | Lisbon Galeria VPF Cream Arte, Lisboa | Lisbon Cursor, Palácio Nacional de Queluz, Queluz O Declínio das Espécies, Galeria Bores & Mallo, Lisboa | Lisbon Galería María Llanos, Cáceres Trabalhos Recentes, Promontório Arquitectos, Lisboa | Lisbon De Volta ao Futuro, Pavilhão Branco do Museu da Cidade, Lisboa | Lisbon Galeria Palmira Suso, Lisboa | Lisbon Os Limites da Aparência, Galeria Palmira Suso, Lisboa | Lisbon Onde quer que estejas ficarei à tua espera, Galeria Palmira Suso, Lisboa | Lisbon Recortes, Galeria Palmira Suso, Lisboa | Lisbon Galeria Palmira Suso, Lisboa | Lisbon Direcção-Geral dos Assuntos Culturais, Angra do Heroísmo Galeria Palmira Suso, Lisboa | Lisbon

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Exposições Colectivas (Selecção) | Selected Group Exhibitions 2016 2014 2014 2013

2012

2011 2008

2007

1997 1994

From A to C; This Being B, Caustic Coastal, Gallery and Warehouse Space, Manchester Projecto Sociedade / Um cadáver esquisito para o século XXI (curadoria | curated by Nuno Faria), SNBA, Lisboa | Lisbon L’explorateur du temps, Cité Internationale des Arts, Open Studios, Paris Universos Pessoais, Projecto M-A-P-, Biblioteca Camões, Lisboa | Lisbon Apanhar cogumelos é uma atitude perigosa – Parte 1. Galeria Luís Serpa Projectos, Lisboa | Lisbon Dive in, Plataforma Revólver, Lisboa | Lisbon Traços, Pontos e Linhas: Desenhos da Colecção António Cachola, Museu de Arte Contemporânea de Elvas, Elvas O sonho de Wagner, Plataforma Revólver, Lisboa | Lisbon Declínio do mal pela magia negra, Casa das Artes, Tavira De tanto esconder, esqueci (com | with Dani Soter), Plataforma Revólver Project, Lisboa | Lisbon A Corte do Norte, Plataforma Revólver, Lisboa | Lisbon Gabinete Transnatural de Domingos Vandelli (curadoria | curated by Paulo Bernaschina), Museu de História Natural, Rio de Janeiro Algumas Paisagens (curadoria | curated by João Pinharanda), Colecção António Cachola, Museu de Arte Contemporânea de Elvas, Elvas Lisboa-Luanda-Maputo (curadoria | curated by Victor Pinto da Fonseca), Cordoaria Nacional, Lisboa | Lisbon O Triunfo da Pintura, Plataforma Revólver, Lisboa | Lisbon 6 Artistas e 3 A’s, Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, Rio de Janeiro Fórum de Arte Atlântica, Santiago de Compostela Bienal de Arte Emergente, Siena e Pádua

Colecções Públicas | Public Collections Assembleia da República, Lisboa | Lisbon Banco de Portugal Câmara Municipal de Lisboa Fundação EDP, Lisboa | Lisbon Fundação Carmona e Costa, Lisboa | Lisbon Fundação PLMJ, Lisboa | Lisbon Fundação Portugal Telecom, Lisboa | Lisbon José de Mello Saúde, S.A. Museu de Arte Contemporânea de Elvas – Colecção António Cachola, Elvas Novo Banco Portucel, S.G.P.S. Oliva Creative Factory – Colecção Norlinda e José de Lima, S. João da Madeira Oni, S.A. QUARCO – Quartel de Arte Contemporânea de Abrantes, Colecção Figueiredo Ribeiro, Abrantes

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Bibliografia Bibliography

Textos em catálogos de exposições individuais | Texts from solo exhibition catalogues Pinharanda, João, «Floresta de enganos», Coração Aventuroso, Fundação EDP, Museu da Eletricidade, 2013. Teixeira, Mariana Roquette, «De dentro para fora», De Dentro para Fora, Galeria VPF Cream Art, 2009. Caissotti, Miguel, Texto de Exposição | Exhibition Text, Galeria VPF Cream Art, 2006. Martins, Celso, «Perseguição e Fuga», Cursor, Palácio Nacional de Queluz, 2005. Nazaré, Leonor, «O dorso da noite», O Declínio das Espécies, Galeria Bores & Mallo, 2004. Neves, Joana, «Fast-Forward/Rewind» (entrevista com a artista | interview with the artist), De Volta ao Futuro, Pavilhão Branco do Museu da Cidade, 2002. Martins, Celso, «Uma árvore na floresta ou o que não vemos na pintura de Inez Teixeira», texto de catálogo de exposição | exhibition catalogue text, Galeria Palmira Suso, 1999.

Artigos em publicações periódicas / jornais (selecção) | Selected articles from the press Martins, Celso, Atual – Expresso, 9 Março | March 2013. Ruivo, Ana, «Variações sobre um caminho», Expresso – Cartaz, 2 Julho | July 2005. Martins, Celso, Expresso – Cartaz, 29 Maio | May 2004. Porfírio, José-Luís, «Matéria da ilusão», Expresso – Cartaz, 24 Agosto | August 2002. Ruivo, Ana, Expresso – Cartaz, 13 Julho | July 2002. Martins, Celso, «Viagens imóveis», Expresso – Cartaz, 29 Setembro | September 2001. Machado, José Sousa, «Apocalipse», Arte Ibérica, n.º 50, Out.-Nov. | Oct.-Nov. 2001, pp. 28-30. Martins, Celso, «Precaridade e mudança. Os anos 90», Expresso – Cartaz, 30 Dezembro | December 1999. Marques, Lúcia, Expresso – Cartaz, 2 Outubro | October 1999. Pinharanda, João Lima, Público, 1 Outubro | October 1999. Martins, Celso, «Novos aos 98», Expresso – Cartaz, Dezembro | December 1998. Nazaré, Leonor, Expresso – Cartaz, 22 Janeiro | January 1994. Pomar, Alexandre, «Diversidades Simultâneas», Expresso – Cartaz, 15 Janeiro | January 1994. Oliveira, Luísa Soares de, Público, 14 Janeiro | January 1994. Pomar, Alexandre, Expresso – Cartaz, 23 Maio | May 1992. Rodrigues, António, Colóquio Artes, n.º 90, Setembro | September 1991.

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Inez Teixeira, Terra Incógnita  

«[…] o desenho tem uma importância muito forte na obra da artista, como uma estrutura que lhe permite a procura de outras experiências, mesm...

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