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João Jacinto

O CÉU RECUOU DEZ METROS texto | text

Nuno Faria

G I E FA R T E DOCUMENTA


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Este livro O céu recuou dez metros, com desenhos de João Jacinto, foi publicado por ocasião da exposição com o mesmo título realizada na Giefarte, Lisboa, com curadoria de Nuno Faria, entre Novembro de 2017 e Janeiro de 2018 This book O céu recuou dez metros, with drawings by João Jacinto, was published on the occasion of the exhibition with the same title shown at Giefarte, Lisbon, with curatorship by Nuno Faria, from November, 2017, to January, 2018 ———————

© Giefarte Rua da Arrábida, 54 BC, 1250-034 Lisboa © Sistema Solar, Crl (chancela Documenta) Rua Passos Manuel, 67 B, 1150-258 Lisboa imagens | images © João Jacinto texto | text © Nuno Faria fotografia | photography © Nuno Moreira Inácio Novembro | November 2017 ISBN 978-989-8834-97-3 Depósito legal | Legal deposit: 000000/17 Pré-impressão, impressão e acabamento | Preproof, printing and binding: Gráfica Maiadouro SA Rua Padre Luís Campos, 586 e 686 (Vermoim) 4471-909 Maia, Portugal


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Vénus como Medusa (ou o abjecto como campo de transcendência) Nuno Faria

Medusa é o sol transformado em noite; ela é antes a outra face do dia; a noite de onde vimos, e aonde voltamos, a cada revolução do sol, quando o sono nos faz afrontar os sonhos, mas também quando nos couber afrontar as portas da morte. Jean Clair, Méduse, Paris, Gallimard, 1989

De uma certa forma, podemos considerar que a história das imagens se faz contra a história da escrita. As imagens, algumas imagens, chegam-nos como corpos perdidos, por entre as malhas da censura, para além da história, enquanto provas imanentes de que o labor do inconsciente — como um astro à deriva no espaço cósmico — é a mais perene, longeva e palpável ligação entre os homens. Na sua célebre pintura de juventude, Medusa, Caravaggio diz essencialmente duas coisas, uma repetida dos Gregos antigos, a outra inventada por ele: que as imagens matam e que a pintura, qual guilhotina ao serviço da academia, faz separar a cabeça do corpo. Era, claro, contra os valores do Renascentismo que o jovem pintor se posicionava, rejeitando uma herança terrível, aos olhos dele normativa, ordenadora e asséptica. Trazer a sujidade para o espaço da tela, tornar a imagem em imagem-

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-matéria, os corpos em corpo-carne, os homens e as mulheres em seres-desejantes cujo horizonte de expectativa não mais seria a eternidade prometida da pintura bem-pensante mas o amor e a beleza incomensuráveis, a violência e a morte. O absoluto na terra. Para sempre aqui e agora. Ocorreram-me vários títulos, ou modos, para encabeçar o texto que dedico ao conjunto de desenhos que João Jacinto vem produzindo nos últimos anos e que agora se encontram reunidos neste livro — a maneira negra, imagens para a escuridão, visões capitais, e poderíamos continuar, numa evocação que recolhesse as alucinações ou cintilações do passado que vêm até nós como assombrações. Através destes desenhos, João Jacinto faz-nos visitar alguns dos autores malditos da história da criação europeia — vislumbramos Caravaggio, Goya, Sade, Giacometti, Klossowski, Bataille, Bernini, Bacon, Artaud, Lautréamont… Constituem um verdadeiro corpus alienum, um corpo estranho ou um corpo outro — alienígena em si mesmo, na produção do autor e no território da arte portuguesa. Em rigor, não se vislumbra de onde vêm nem para onde apontam. Parecem imagens sem tempo e sem geografia, que ora se referem a modelos vivos reconhecíveis, ora reproduzem rostos ou imagens conhecidos do passado, ora abordam temas aparentemente excêntricos mas que se percebe pertencerem ao conjunto. São, de todas as formas, imagens para a escuridão, para serem vistas por dentro e como coisas de dentro. Pequeno por comparação com o extenso universo de produção que o artista vem realizando em desenho, o conjunto reunido nesta edição devolve-nos a estranha sedutora violência que atravessa um a um todos os desenhos. Vêm-nos muitas imagens à cabeça (se ainda a temos no lugar), não somente, percebemo-lo bem, do campo da arte. Com a demora que lhes dedicamos, sabemos que elas já não pertencem à razão (O sonho da razão produz monstros) mas a outra parte do nosso corpo.

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Corromper todas as aberturas, destruir a imagem enquanto modelo de inteligibilidade e de integridade, tornar estranho aquilo que nos é mais familiar e distante o que é mais íntimo — nada do que João Jacinto havia feito até hoje se avizinha destas imagens. Entre aparência e aparição, há nelas uma pulsão inconsciente que convoca as forças da alteridade, o poder castrador do indizível. O olho, a boca, a vulva, são (des)figurações que operam numa espécie de circuito fechado oferecendo-se na sua obscenidade como becos sem saída, privados de linguagem e de qualquer luz interior. A aparência de um rosto, o sol transformado na noite de onde vimos e aonde voltamos — nada será como dantes.

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Venus as Medusa (or the abject as a field of transcendence) Nuno Faria

Medusa is the sun turned into night; rather, she is the other side of the day; the night from whence we come, and where we return at each turn of the sun, when sleep makes us face our dreams, but also when we must face the doors of death. Jean Clair, Méduse, Paris, Gallimard, 1989

In a certain way, we can think that the history of images is made against the history of writing. Images, certain images, come to us as lost bodies, that passed through the nets of censure and beyond history, as immanent proof that the work of the unconscious — like a heavenly body drifting through cosmic space — is the most perennial, long-lived and palpable connection between men. In Medusa, the famous painting of his youth, Caravaggio basically states two things, one repeated from the ancient Greeks, the other his own invention: that images kill and that painting, like a guillotine in the service of the Academy, separates the head from the body. The young painter was, of course, taking a stance against the values of the Renaissance, rejecting a terrible legacy, that was, in his eyes, normative, ordering and aseptic. To bring grime into the space of the canvas, to turn the

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image into image-matter, bodies into flesh-bodies, men and women into desiring-beings whose range of expectation would no longer limit itself the promised eternity of self-righteous painting, but immeasurable love and beauty, violence and death. The absolute on earth. For ever here and now. I thought of several titles, or ways, to open this text about the set of drawings João Jacinto has created over the last years and that is now reproduced in this book — the black manner, images for the darkness, capital visions, and we could go on, in an incantation to conjure up those hallucinations or gleams from the past that come to us as apparitions. Through these drawings, João Jacinto takes us on a visit to certain damned names in the history of European creativity — we get glimpses of Caravaggio, Goya, Sade, Giacometti, Klossowski, Bataille, Bernini, Bacon, Artaud, Lautréamont… They make up a veritable corpus alienum, a foreign, alien body — alien in itself, within the artist’s production and in the field of Portuguese art. Strictly speaking, it is impossible to guess whence they come and what they indicate. They seem images devoid of time and geography, which now reference recognisable living models, now replicate known faces or images from the past, now focus on subjects that, though seemingly eccentric, are eventually perceived as being a part of the whole. They are, in every way, images for the darkness, to be seen from the inside and as things from the inside. Small in comparison to the vast number of other drawing works the artist has produced so far, the set featured in this book brings us a kind of strange, seductive violence that runs through all its drawings, one by one. Many images come to our head (assuming it is still on our shoulders), not only, as we are well aware, from the realm of art. As we meditate on them, we realise they no longer belong to

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reason (The dream of reason produces monsters), but to another part of our body. Corrupting every opening, destroying the image as a model of intelligibility and integrity, making that which is most familiar to us uncanny and that which is most intimate distant — nothing in what João Jacinto had done so far comes close to these images. Between appearance and apparition, they contain an unconscious urge that summons the forces of otherness, the castrating power of the unutterable. The eye, the mouth, the vulva are (dis)figurations that operate in some sort of closed circuit, offering themselves in their obscenity as dead ends, deprived of both language and any kind of inner light. The look of a face, the sun turned into the night whence we come and where we return — nothing will be as it was before.

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João Jacinto

2010

(Mafra, 1966)

«Pele Atrasada», Galeria Fernando Santos, Porto,

Trabalha em Lisboa. Em 1985 iniciou os seus estudos

Portugal

artísticos na ESBAL. Leccionou entre 1989 e 1992 no Ar.co

Guest Room Contemporary Art, Bruxelas, Bélgica

em Lisboa. É, desde 1999, professor na Faculdade de Belas-

2009

-Artes da Universidade de Lisboa.

Guest Room Contemporary Art, Bruxelas, Bélgica

Works in Lisbon. In 1985, began his art studies at ESBAL.

Galeria João Esteves de Oliveira, Lisboa, Portugal

Between 1989 and 1992, taught at Ar.co, in Lisbon. Since

2008

1999, teaches at the Universidade de Lisboa’s Faculty of

Modulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa, Portugal

Fine Arts.

2006 Renate Schröder Galerie, Mönchengladbach, Alemanha 2005 Formadarte, Galeria de Arte, Estoril, Portugal

Exposições individuais (selecção) | Selected solo

2003

exhibitions :

Museo Extremeño Iberoamericano de Arte

2017

Contemporáneo, Badajoz, Espanha

«A orelha cortada», pintura, O Armário, Lisboa, Portugal

2002

2016

Modulo – Centro Difusor de Arte, Porto, Portugal

«Noite, noite mais do que hoje», desenho, Artistas

Fundação D. Luís I, Cascais, Portugal

Unidos, Teatro da Politécnica, Lisboa, Portugal «A casa afundada», desenho, Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, Bragança, Portugal «À superfície das coisas o pó», pintura, Casa da Cultura, Setúbal, Portugal

2001 Renate Schröder Galerie, Colónia, Alemanha 2000 Paule de Boeck Fine Arts, Gent, Bélgica 1999

2015

Renate Schröder Galerie, Colónia, Alemanha

«O ódio é figurativo», desenho, Galeria Fernando

1998

Santos, Porto, Portugal «Tudo menos outra coisa» (com Mariana Gomes), pintura, Galeria Sete, Coimbra, Portugal «O ódio é figurativo», desenho, Centro Cultural da Guarda, Portugal «Academias», desenho, Plataforma Revólver, Lisboa, Portugal

Modulo – Centro Difusor de Arte, Porto, Portugal 1997 Renate Schröder Galerie, Colónia, Alemanha 1995 Renate Schröder Galerie, Colónia, Alemanha 1992 Galeria J.M. Gomes Alves, Guimarães, Portugal

2014

1991

«hoje», desenho e pintura, VPF Cream Art Gallery,

Gallery Fine Arts, Bruxelas, Bélgica

Lisboa, Portugal «S&M e outras histórias», desenho, Galeria João Esteves de Oliveira, Lisboa, Portugal «J&M» (com Miguel Navas), curadoria de Luís Serpa,

1990 Gallery Art Collection, S.A., Genebra, Suíça 1987-2004 Modulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa, Portugal

Pavilhão 21 do Hospital Júlio de Matos, Lisboa, Portugal 2013 «Os Tempos da Pintura», Museu Barata Feyo, Centro de Artes das Caldas da Rainha, Portugal «Neve derretida», desenho e pintura, Giefarte, Lisboa, Portugal

Exposições colectivas (selecção) | Selected group exhibitions: 2017 «Fazer Sentido», Casa da Cerca, Almada, Portugal

2012

«25 Anos», Galeria Fernando Santos, Porto, Portugal

«Desde amanhã», Galeria Fernando Santos, Porto,

2016

Portugal 2010-2011 «Tendas no Deserto», Fundação Carmona e Costa, Lisboa, Portugal

«terEstado», Centro Cultural da Gandarinha, Cascais, Portugal Colectiva, desenho, Galeria Fernando Santos, Porto, Portugal

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2015 «Pinturas», Galeria Fernando Santos, Porto, Portugal Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, Amarante, Portugal 2013 «Paisagem e Natureza na arte contemporânea portuguesa», Museu de Évora, Évora, Portugal 2009 «Do séc. XVII ao séc. XXI: além do tempo, dentro do Museu», curadoria de Fátima Lambert, Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, Portugal 2006 «Densidade Relativa», curadoria de Leonor Nazaré, Centro de Artes de Sines e Centro Cultural Emmerico Nunes, Sines, Portugal «Eine Ausstellung», Renate Schöder Galerie, Mönchengladbach, Alemanha 2005 «Less is More», Renate Schröder Galerie, Mönchengladbach, Alemanha «100 Desenhos», Maus Hábitos, Porto, Portugal «Densidade Relativa», curadoria de Leonor Nazaré, CAM, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal 2004 «Papierarbeiten – Paper works», Renate Schröeder Galerie, Colónia, Alemanha 2003 Depósito Isabel Vaz Lopes, Museu do Chiado, Lisboa, Portugal 2002 «O Quê? Pintura. Claro! Porque não?», Modulo – Centro Difusor de Arte, Porto, Portugal 2001 «Niebeneinander III», Renate Schröder Galerie, Colónia, Alemanha 2000 ème 45 Salon de Montrouge, curadoria de João Pinharanda, Montrouge, França «A Visão do Paraíso», Casa de Cultura Jaime Lobo e Silva, Ericeira, Portugal 1997 «A Flor da Pele», Paço dos Duques de Bragança, Guimarães, Portugal 1996 «Bildlosses Abbild», Galeria Sparkassen, Gutensloh, Alemanha 1994 «O Rosto da Máscara – Auto-representação na Arte Portuguesa», Centro Cultural de Belém, Lisboa, Portugal 1993 «Arte Moderna em Portugal», Caixa Geral de Depósitos, Lisboa, Portugal

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1992 «Anos 90 – Pré/Visões», Paço dos Duques de Bragança, Guimarães, Portugal «Collages», Galerie Catherine Clerc, Lausanne, Suíça 1991 «Tendências», Fórum Picoas, Lisboa, Portugal 1990 «Import/Export», Modulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa e Porto, Portugal «Voies», Galerie Bab Rouah, Rabat e Wafaa Bank, Casablanca, Marrocos 1989 «Perspectivas», Modulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa, Portugal 1988 «Cinco Pintores Portugueses», Sala Amadis, Madrid, Espanha IV Bienal of Young Mediterranean Artists, Bolonha, Itália 1987 «Duíno», Galeria Olharte, Lisboa, Portugal «1.12.VR.87», Modulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa e Porto, Portugal «Situação III, Demogorgón», Modulo – Centro Difusor de Arte, Lisboa e Porto, Portugal 1986 Galeria dos Arcos, Lisboa, Portugal

Colecções | Collections : CAM – Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal Caixa Geral de Depósitos, Lisboa, Portugal Colecção António Cachola, MACE, Elvas, Portugal Colecção da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Portugal Colecção Fernando Figueiredo Ribeiro, Portugal Fundação PLMJ, Lisboa, Portugal Fundação D. Luís I, Cascais, Portugal Banco Privado Português S.A., Lisboa, Portugal Museo Extremeño Iberoamericano de Arte Contemporáneo, Badajoz, Espanha Veranneman Foundation, Kruishoutem, Bélgica Art Collectors, Genève, Suíça Fine Arts Gallery, Bruxelas, Bélgica Renate Schröder Galerie, Colónia, Mönchengladbach, Alemanha Galerie Catherine Clerc, Lausanne, Suíça Banco de Comércio e Indústria, Cacém, Portugal Collection Kierbaum & Partner, Colónia, Alemanha


João Jacinto, «O Céu Recuou Dez Metros»  

Este livro, com desenhos de João Jacinto, foi publicado por ocasião da exposição com o mesmo título realizada na Giefarte, Lisboa, com curad...

João Jacinto, «O Céu Recuou Dez Metros»  

Este livro, com desenhos de João Jacinto, foi publicado por ocasião da exposição com o mesmo título realizada na Giefarte, Lisboa, com curad...