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TAT U A G E N S D E L U Z Para uma imagem de Leonor de Almeida


Clรกudia Clemente TATUAGENS DE LUZ Para uma imagem de Leonor de Almeida

D O C U M E N TA


Índice

Elegia ....................................................................... Moniz ....................................................................... Na Internet................................................................ Os dois Alexandres e João........................................... A Serpente .................................................................. A Conservatória — primeira tentativa......................... Os alfarrabistas .......................................................... Os passaportes ........................................................... Pelo correio ............................................................... De novo na Conservatória .......................................... Na Biblioteca Nacional .............................................. Fernando Fernandes ................................................... O Primeiro de Janeiro.................................................. Biblioteca Municipal do Porto .................................... Em Paris .................................................................... A Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto O regresso à Conservatória ......................................... A família ................................................................... O primeiro marido..................................................... Os passaportes II........................................................ O assento de baptismo de Leonor ............................... O segundo casamento ................................................ Enfermeira-Visitadora de Higiene ...............................

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13 17 27 33 39 45 47 51 55 61 67 75 79 87 99 105 109 113 121 127 129 133 135


Certidões de nascimento de dois Alexandres ................ Por onde seguir?......................................................... 1960, annus horribilis ................................................. Competição ............................................................... João Gaspar Simões.................................................... Em Copenhaga .......................................................... Uffe Harder ............................................................... Crispações................................................................... Anos 70 ..................................................................... O naufrágio ............................................................... Alexandre e a PIDE.................................................... Leonor e Egito ........................................................... Último 25 de Abril .................................................... A fotografia ............................................................... Museu das Comunicações........................................... Jorge ......................................................................... Valgalhardo................................................................ Pena .......................................................................... Lumiar ...................................................................... A promessa ................................................................ D. Natividade ............................................................ Recomeço .................................................................. De novo os Alexandres ............................................... Impermanência ......................................................... Libânia e Leonor ........................................................ Epílogo......................................................................

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Para a minha mĂŁe, que um dia me falou na Leonor.


Elegia

Num dado momento da minha vida, procurar a Leonor foi a única barreira possível entre mim e a loucura. Por vezes juntam-se a nós, improváveis companheiros de viagem nesta estrada solitária, certas pessoas que nunca conhecemos presencialmente. Habitam o nosso quotidiano, partilham o nosso silêncio, e chegam-se tanto, tão perto, que ao fim de algum tempo quase formam parte de nós. Com elas vamos construindo ao longo dos anos uma cumplicidade peculiar, uma relação mais sólida e duradoira do que a que temos com tantos que nos rodeiam. Pode suceder com escritores, músicos, cineastas ou até mesmo com parentes distantes que não chegámos a conhecer, mas cujas histórias crescemos a ouvir. A determinada altura, é como se de ambos os lados cegos de um espelho estendêssemos os braços na direcção um do outro e déssemos as mãos. Assim sucedeu com a Leonor. Ninguém me poderia ter guiado de forma mais certeira, através de uma das fases mais negras da minha existência. Pouco importa que ela já tivesse morrido há mais de trinta anos. A morte era apenas um limiar que transpusera um pouco antes de mim, num desfasamento que a vida não tardará, mais cedo ou mais tarde, a corrigir. Devagar. Há que contar as coisas do início. O que tinha eu, no princípio de tudo? Pouco, muito pouco, quase nada. Um quadro, 13


três nomes, a memória descarnada de uma figura de mulher lá pelos anos 50. Pouco. Duas antologias com poemas e uma revista. Muito pouco. A recordação vaga de um filho na Suécia. Quase nada. Devagar. A vigiar de perto cada palavra para que a ponta do lápis não resvale. Letra a letra o seu nome renasce. Leonor.

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ELEGIA

Não ignores a noite poeta e seu hálito estranho que amadurece as luas os livros de silêncio que abrem as estrelas as profecias escutadas no brilho dos poços Não ignores a noite poeta e a forma carnal que a escuridão toma em cada sítio o peso dos cheiros a rolar bem musculado nos rios vegetais que barram os caminhos o mundo de aves confusas que faz florir o espaço e se vai aninhar entre as brisas coalhadas Não ignores a noite poeta e seus peixes de sono deslizando entre os ombros das pedras as cicatrizes de luz que o sol deixa nas árvores prisioneiras as dálias de sangue que os pastores tecem nas cabanas vazias Não ignores a noite poeta e as canções que a água reparte crucificada nos ramos do céu os sonhos puros dos animais contentes de sémen e de terra! Leonor de Almeida

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Pintura de JoĂŁo Moniz Pereira, 1949.


Moniz

Rebobino mentalmente o filme desta história. Há vários inícios possíveis. Poderia dizer que tudo começou com um quadro surrealista que herdei, que representa um homem vestido para esgrimir, com a cara coberta por uma máscara e um chaveiro no peito aberto. Está assinado «Moniz 49». Lembro-me de o ver, desde que tenho consciência de existir, numa parede de casa dos meus avós. O quadro passou mais tarde para a sala dos meus pais, e depois para a minha. Por diversas vezes a minha mãe me repetiu que deveria escrever sobre a senhora que vendera aquele quadro aos meus avós. Nunca liguei muito a essa sugestão, até se ter transformado num imperativo, numa espécie de tábua de salvação. Esta seria a história do quadro, mas prefiro optar por contar a minha própria história, para chegar à de Leonor. Assim, direi que tudo começou na manhã de 29 de Janeiro de 2016. Nesse dia morreu a minha confidente e amiga maior, a primeira pessoa a quem ligava de manhã e a última de quem me despedia à noite, a que lia todos os meus textos assim que os terminava, a minha inseparável cúmplice e também aquela que, por vontade do destino, calhara ser minha mãe. A partir desse momento, deixei de conseguir escrever. Não consigo explicar por palavras a dor implícita nessa incapacidade, para quem, 17


como eu, apenas encontrava alívio para a dor e o sofrimento na escrita. Os acontecimentos só se me tornam inteligíveis e, por consequência, suportáveis, quando os consigo pôr por escrito. Só ao vê-los transmutados em letras, formando palavras, só esse bailado de arabescos sobre a página em branco me permite assimilar o sucedido. Não ser capaz de escrever significava para mim a total impossibilidade de entender, de aceitar, de lidar com a morte — e, portanto, com a vida. A morte de uma parte de mim, e a vida da que permanecera do lado de cá. E a incapacidade de escrever arrastou consigo a de dormir, o outro reduto de sanidade onde poderia encontrar alívio. (De entre os demónios com quem me tinha habituado desde cedo a conviver, o da insónia era o que me visitava com maior assiduidade. Não diria que já nos tornáramos amigos, não iria tão longe, mas antes que nos instaláramos naquela cumplicidade morna de dois velhos conhecidos, dois inimigos de outrora, já reformados, a beber — ele, um chá, eu um cognac — diante da lareira. Mas, desta feita, o demónio assemelhava-se a um convidado inoportuno que não quer partir apesar do adiantado da hora e do cansaço da anfitriã.) E todas as noites em que não consegui conciliar o sono, fui refugiar-me perto do quadro. Há quem tenha gatos ou cães como companheiros de insónia. Eu tinha um esgrimista sem cara, com um chaveiro no peito e a inscrição «Moniz 49». Tudo o que me restava dela era aquele quadro. O resto — cartas, livros, escritos dispersos, fotografias — o resto do que fora a minha mãe estava fechado em caixas. Era-me demasiado penoso ter qualquer daquelas testemunhas por perto. Mas o Moniz fez-me companhia nas longas noites de vigília, nos dias silenciosos e intermináveis. 18


Tentei por diversas vezes distinguir-lhe a cara por detrás da máscara de rede metálica, semelhante a um capacete, mas era impossível. Restava-me adivinhar a correcção dos traços, a beleza das feições naquele rosto improvável. No seu tronco dividido em pequenos compartimentos, como um chaveiro de hotel, estavam penduradas quatro chaves e as suas respectivas sombras. Juraria que tinham sido mais, como se à medida que fôssemos perdendo ilusões ao longo da vida perdêssemos chaves, também. E pareceu-me — sim, tinha quase a certeza disso — que, de vez em quando, mudavam de compartimento. Na mão direita, com uma luva amarelo-escuro, segurava um florete. Na esquerda, que pendia ao longo do corpo, tinha calçada uma luva vermelha. Não saberia dizer se era um corpo de homem ou de mulher. Era musculado, em todo o caso, mas sem sexo definido, numa intrigante androginia. Por detrás da sua sinuosa figura, chamava a atenção uma abertura vertical na parede, apenas um rasgo, uma passagem no lugar de uma porta e que dava para lado nenhum, como a vida. Os tons dourados e acastanhados eram um embalo outonal, como um colo onde me pudesse deitar a descansar. Parecia-me voltar ao Porto ao contemplar aquele quadro, a uma sala que cheirava a lenha e a louro, onde o fogo ardia numa lareira, depois de um dia de chuva. Era como regressar a casa, o Moniz. Li algures que quando a mãe de Natália Correia morreu, a poeta ficou dois anos sem conseguir escrever. Dois anos muda, portanto. Depois recuperou. «Há esperança para mim», pensei então. «Talvez ainda não esteja condenada». 19


E depois, de um momento para o outro, sem pré-aviso ou possibilidade de preparação, perdi a voz. As minhas cordas vocais recusavam-se a emitir os sons habituais. Conseguia ainda articular os graves, mas não sabia por quanto tempo. Consultei diversos especialistas, que me perguntaram por traumatismos físicos ou choques emocionais. «Perdi a minha mãe e deixei de conseguir escrever», respondi. Olharam-me todos com a mesma expressão, difícil de qualificar. Estaria destinada a um duplo silêncio? «Dois anos», repetia baixinho. «Dois anos», escrevi vezes sem conta. Dois anos passam depressa. E um dia acordei após mais uma noite mal dormida e decidi que estava na altura de fazer alguma coisa. Algo que me impedisse de enlouquecer. E então lembrei-me do Moniz, da forma como me chegara às mãos. Segundo a minha mãe, o quadro surrealista tinha-nos sido vendido pela esteticista da minha avó, uma senhora que lhe trazia uns cremes ultra-sofisticados que o filho lhe enviava da Suécia. O quadro teria pertencido ao seu ex-marido, ou ex-companheiro, um escritor de nome Alexandre. A minha mãe não tinha sabido precisar se se trataria de Alexandre O’Neill ou Alexandre Pinheiro Torres, mas estaria de alguma forma ligado ao grupo de A Serpente. A senhora, além de ser esteticista da minha avó, era também poeta. «Poeta?», perguntara eu, céptica perante a junção de tão díspares profissões e antevendo, talvez, sonetos de gosto duvidoso rabiscados num caderninho de linhas ao domingo à tarde. «Não sejas preconceituosa. Vai ler a obra dela», sugerira a minha mãe. «Onde?» 20


«Na Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica da Natália Correia ou na do Melo e Castro. Tens ambas cá em casa». «E como se chama a poeta?», perguntara então, com a falta de interesse displicente dos meus dezoito anos. «Leonor de Almeida». Lamento não ter dado ouvidos na altura ao desafio da minha mãe. Algumas conversas só fazem sentido a posteriori — e, lamentavelmente, esta tinha sido uma delas. Quando, vinte e tal anos mais tarde, me embrenhei no que viria a ser esta cruzada, tentei recordar com precisão as suas palavras, toda a preciosa ainda que escassa informação que me dera acerca da Leonor. Cada elemento podia fazer a diferença. Mas por mais que esgravatasse, que quebrasse as unhas a escavar no solo infértil das minhas memórias, não consegui extrair de lá mais nada a seu respeito. Comecei por consultar, como a minha mãe sugerira, a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, editada pela Afrodite em Dezembro de 1965, com selecção, prefácio e notas de Natália Correia. Fiquei a saber que se chamava Leonor da Conceição Pinto de Almeida e que «… nasceu no Porto em 1915, tendo passado nos últimos anos grandes temporadas no estrangeiro, nomeadamente na Dinamarca. Publicou os seguintes livros de poesia: Caminhos Frios (1947), Luz do Fim (1950), Rapto (1953) e Terceira Asa (1960). «Na sua poesia debatem-se duas tendências que se fundem na particularidade vivencial da poetisa. Por um lado, um assanhado dramatismo que reflecte uma sensibilidade à poesia de Régio, exacerbada nas fibras da sua psicologia feminina. Por outro, uma identificação, esteticamente segregada, com Florbela Espanca. […] Leonor de 21


Almeida é essencialmente uma poetisa erótica, mesmo quando o amor não está directamente em causa. A sua linguagem exprime cálidamente uma visão pan-erótica do universo.» Já tinha curiosidade pela esteticista misteriosa que nos vendera o quadro surrealista, mas foi só ao ler o poema «Posse», incluído na Antologia, que o meu interesse pela poeta despertou, de facto. Vem cá! Assim, verticalmente! Achega-te… Docemente… Vou olhar-te… E, no teu olhar, colher promessas do que quero prometer, até à síncope do amor na alma! Colemos as mãos, palma a palma! A minha boca na tua, sem beijo… Desejo-te, até o desejo se queixar que dói. E sou tua, assim, como nenhuma foi! Apressei-me a procurar o outro livro que a minha mãe referira, a Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, de Maria Alberta Menéres e E.M. de Melo e Castro. Nas prateleiras algo poeirentas, acabei por encontrar o precioso volume. Era uma terceira edição, da Livraria Moraes Editora, de 1971. Não acrescentou nada aos dados biográficos que já possuía, mas fiquei a saber que Leonor tinha colaborado noutras publicações: Prometeu, Diário de Lisboa, O Primeiro de Janeiro, Diário do Minho, Homenagem a Teixeira de Pascoaes, Homenagem a Florbela Espanca, A Serpente, Jornal de Notícias. Li então o poema «Carta»: 22


CARTA

Por mais que me asfixies de sombra não impedirás que eu encontre a custódia onde o nosso amor entesourou divindades nem que tuas impressões digitais dancem no meu ar como poeira de abelhas Por mais que te aumentes de silêncio não conseguirás calar a tua voz que ceifa num clarão a seara dos meus desejos Podes entrançar cordas de distância no rumo decidido que as nossas vidas terão as mesmas fronteiras e registado na eternidade ficará o nosso abraço incomum Se foste meu mestre eu ensinei-te uma linguagem sem símbolos e sem intérpretes Se foste meu deus eu criei-te um universo e um infinito que te batem no pulso Se teu riso com espadas de carne punha meu corpo tenso em volutas de êxtase o meu riso com sirenes de sangue cobria-te de polpas frescas e saciava-te de dia Podes multiplicar teus sonhos como hipóteses que a realidade é eu ser gémea da tua realidade E se não venço a dor de me saber póstuma em ti lanço lavas astrais na minha caravela que sulcará para sempre a tua água inaugural! Leonor de Almeida

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A quem teria Leonor enviado uma carta daquelas, repleta de dor? Não sabia ainda, como vim mais tarde a descobrir, que aquele fora o último poema que publicara. Mas decidi que a partir daquele momento dedicaria todo o meu tempo livre à busca de informação sobre a surpreendente poeta que existira camuflada por detrás da esteticista da minha avó.

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Libânia e Leonor

E depois, quando achava que já tinha descoberto tudo o que era possível saber acerca de Leonor, tive um dia de ir ao Marco de Canaveses, à casa onde morara a minha avó. A luz dourada que cobre o Marco é a mesma que ilumina o quadro do esgrimista. Os seus tons amarelados, castanhos, ocres, são os do cenário da enigmática tela. Como seriam as paredes de casa de O’Neill, e depois de Pinheiro Torres, de onde proveio o Moniz? Lembro a minha avó a cozinhar, as festas, a liberdade selvagem, as árvores, os animais. O avô a regar as rosas ao fim do dia. O avô a chegar da sua fábrica e a mergulhar na piscina gelada. O avô a ouvir ópera e a olhar pela janela da sala. As portas de vidro abertas de par em par sobre os pátios durante as festas, a música, os empregados fardados. Lembro tudo isso enquanto a minha irmã e eu percorremos a casa dos meus avós no Marco de Canaveses, falando sobre a sua venda. Fui lá tirar fotografias para entregar à agência imobiliária. A minha irmã recebeu o seu representante e foi mostrar-lhe a casa. Reconhecer os cheiros, as cores, as texturas. E sempre a companhia da luz dourada a envolver tudo na mesma carícia — os cabelos da minha irmã, as árvores lá fora, os móveis, o velho piano. As casas da infância guardam mais do que memórias, guardam partes de nós que se recusam

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a envelhecer. Esta luz dourada, que é a melhor parte de mim, a que nunca deixou de brincar, sorrir, maravilhar-se, ficou aqui guardada. Num certo momento, afastei-me deles e fui até à salinha onde a minha avó costumava sentar-se a fazer malha ou a ler. Abri, ao acaso, uma das gavetas duma velha cómoda — a mesma onde provavelmente estivera a minha fotografia. Lá dentro encontrei centenas de cartas, papéis e correspondência diversa que a minha avó guardou. Alguns dos postais eram meus, da minha irmã, dos meus primos, enviados de férias. Havia inúmeras cartas da minha mãe, de quando estudava em Coimbra, e também correspondência de algumas amigas da minha avó, cujos nomes reconheci. E lá no meio, soterradas sob pilhas de folhas manuscritas, encontrei um sobrescrito que dizia no remetente Leonor de Almeida. Sabia que tinha sido amiga da minha avó, além de sua esteticista, mas ignorava que se correspondiam! Tirei todas as cartas da gaveta, pousei-as no chão. Separei todas as que tinham sido enviadas por Leonor. Curiosamente, tinham as mesmas iniciais: L.A. (a minha avó chamava-se Libânia Azevedo). Nas outras gavetas não encontrei nada de interessante. Fiquei sentada no chão, com dezenas de missivas à minha volta, a ler as da poeta. Eram nove documentos, entre cartas e postais, datados de 1967 a 1970. Neles, dava conta da sua saúde débil — algum correio era enviado de estâncias termais e outro fazia alusão a exames médicos — de preocupações financeiras ou familiares, denotando um tom de proximidade e cumplicidade de longa data (numa das cartas refere estimar a minha mãe desde criança). Além disso, enviava informações e recomendações acerca de produtos e tratamentos de cosmética sofisticados e vanguardistas que, embora hoje façam já parte do léxico comum, para a época e para a mulher portuguesa eram pioneiros.

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Caldas da Rainha 1 de Setembro de 1968 Minha Boa Amiga: Oxalá a sua «Praia» tenha decorrido pelo melhor, e com bons resultados para a sua saúde e de todos os seus! Ainda se encontrará em Esposende? O tempo não decorre famoso para Praias e Termas — mas também não faz frio apesar do céu nebuloso e, por vezes, os antipáticos chuveiros! Eu cá estou a ver se endireito um pouco a fisiologia! Rebentei-me bastante no Algarve! E ainda não descalcei aquela luva… Safei-me com «elegância» e paz — mas esperam por mim, apesar de se terem comportado tão mal para comigo! Egoístas e comerciantes até ao fim! Minha Amiga, estou certa de que no Porto tentei contactar consigo, e lhe escrevi para Esposende — não só para a saudar, e também para me localizar, caso precisasse de algum produto. Disse-lhe que viria para as Caldas mas não dei datas nem uma certeza, pois há e houve falta de alojamento para pessoas sós… Tive de decidir-me por um Hotel (antigo como arroz de 15…) que, embora modesto, sempre tem umas diárias mais queridas. Senão só viria para meados de Setembro, que é quando a afluência (que cá não é demasiada felizmente!) diminui aqui e em todas as termas, exactamente porque começa a refrescar demasiado. Portanto, eis-me a comunicar-lhe que já aqui me encontro há uma semana, e com disposição de me conservar até 15 ou 20, conforme me for sentindo, pois apesar das corridas para o Balneário (os tratamentos são de manhã e à tarde) sempre tenho

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disciplina e descanso, e os ares são bons, apenas com bastante humidade. Quanto a produtos trouxe comigo algumas embalagens dos últimos recebidos aí no Porto (Tartaruga, T.V., Placenta, Emulsão Específica) e tenho também uma novidade que aprovo miraculosamente! Que o diga eu! Não cheguei a fazer uma série completa, mas 6 que fiz em Lx quando cheguei espatifada do Algarve, e agora aqui, pois vim do Porto bastante exaurida e com os nervos mal recompostos pois tive o batalhão da minha bagagem «algarvia» a desfazer — e logo a fazer uma razoável «boletada» para estas Caldas. Depois atender clientes, distribuir produtos à pressa, e levantá-los com dificuldade, etc. só para tudo! Pois o tal Produto é do Laboratório da Emulsão e T.V. São Empolas de Extractos de Tecidos Biológicos concentrados e todas as substâncias bioestimulantes e com Geleia Real tudo liofilizado (preparação moderna dos produtos para serem melhor tratados e absorvíveis pela pele — não sei bem o que é…). Enfim vêm em Empolas mas eu é que tenho de misturar e medir na devida altura de ser aplicado, com umas horas de antecedência (isto é que é aborrecido para mim e clientes! Mas são produtos para as GRANDES CLÍNICAS, não são para clientes, claro. Bom, fora isso é um sonho. É feito em duas partes e tem que se conservar 20 a 30 minutos. Reduz-se depois a dois líquidos. Depois explico melhor de viva voz, se Deus quiser. Mas a aplicação é simples — é só ter que ser entregue dia sim dia não, na altura de aplicar o que a cliente pode fazer, claro. Vou ver se consigo empolas que eu encha e feche à lâmpada. De outro modo é trabalhoso para mim — até porque não tenho frasquinhos próprios que cheguem. As clientes de Lisboa (só 3) me tomaram a primeira remessa. Vai ver que gosta.

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Aconselham fazer uma série de 12, mas 6 já dá um resultado formidável! Escrevo no Balneário e acabou-se o papel… Os meus cumprimentos a seu Marido e Filho, para Manel e Fernanda e Celeste Xis amigos. Para a minha Boa Amiga um afectuoso beijo da devota Leonor Senti-me de novo transportada até ao ponto de onde tudo partira, a faceta de esteticista da poeta, que até ali eu não explorara convenientemente. Juntei então a informação destas cartas com a da que Leonor enviara de Paris a Alberto de Serpa, em 1949, referindo que estava na capital francesa a fazer uns «cursos mirabolantes», e ainda com a da Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa (de M.A. Menéres e E.M. de Melo e Castro) que, na edição de 1959, dizia que a poeta era também «proprietária de um Instituto de Beleza e Laboratório de Cosmética, para o que possui diplomas estrangeiros da especialidade» e elaborei uma hipótese: teria tirado um curso de Estética e Cosmetologia em Paris, em 1949? Tinha-me interrogado durante bastante tempo sobre o que versariam os ditos «cursos mirabolantes», pelos quais pagara uma soma avultada, e por que motivo não o especificaria na carta. A poeta pode não ter querido partilhar a sua dimensão «cosmética» com o crítico literário. Será possível que, ao longo da vida, tenha sofrido preconceitos pelo seu trabalho como esteticista? Isso ajuda a entender a criação do alter ego pelo qual era conhecida, pelo menos a partir dos anos 60, no Lumiar. A dada altura, Leonor e D. Márcia tornaram-se realidades distintas.

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Fazendo uma pesquisa de escolas de estética que estivessem a funcionar em 1949 em Paris, encontrei a Morice. Em 1938, René Morice, massagista-kinésioterapeuta e Françoise Morice, pedicure medicinal, abriram um Instituto de Beleza experimental em Paris, na rua François 1er, onde desenvolviam e praticavam um tratamento inédito de Kineplastia. Em 1947, criaram a primeira Escola de Estética e Cosmetologia. Muito conceituada, ainda hoje funciona como «Françoise Morice — Escola Internacional de Estética, Cosmética e Perfumaria». Caldas, 6 de Setembro (68) Minha querida Amiga: Recebi com imenso agrado as suas notícias, e que, graças a Deus, são as melhores! Muitos parabéns pelo neófito! Ser rapaz é já óptimo, pois dão sempre menos preocupações — e então perfeito, é uma sorte completa. Abraço-a muito e creia que é do coração que a acompanho na sua alegria! Quanto à Manel, também suponho que a novidade seja boa! Oxalá! Estimo-a muito, pois desde pequenina que a tenho adentro dos meus bons sentimentos! Eu, minha Amiga, tenho passado umas termas bastante más, quanto ao meu estado de saúde! Vale-me o meu ânimo, a minha coragem — e o meu «calo» de sofrer sozinha, e calar! Mas o Vago-Simpático não se acalma, e devido à tal neurose intestinal (mas agora aqui, nada tenho que me torça os nervos, porquê neurose intestinal?) tenho continuamente acidentes de vertigens, esvaimentos, incómodos intestinais mas não desarranjo! Tipo dor tenêsmo, ventre de «pandeiro», falta de apetite,

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sei lá ! Mas, como são perturbações conhecidas, não me assusto. Atribuo também este agravamento ao facto de ter parado com os calmantes. Fi-lo para me desintoxicar, e, também, como aqui não tenho canseiras algumas, seria mesmo «envenenar-me» sem razão! Mas o tubo digestivo ressente-se, e também com um pouco mais de fruta (porém, não saio da maçã e da pêra, um gaipo de uva…) — sei lá! Não sou saudável, nem posso contar comigo! Isto é que é verdade! Mas nunca pior! Minha Amiga, vou então fazer seguir para Esposende os produtos que pede, aos que junto um frasco de uma Loção adstringente (nova, dos Laboratórios da Placenta e T.V.) e uma caixinha pequena de uma Máscara Biológica. Ambas corrigem o excesso de óleo, são anti-ruga e fecham os poros. Mesmo usando a Anti-seborreica, isto é preciso. Quanto ao tal produto, eu vou tentar conseguir empolas vazias, misturar e subdividir, distribuindo, e depois fecho as empolas à lâmpada. Assim, o produto aguenta semanas, claro. Não sei se conseguirei as empolas para encher. Espero que sim. Vou contactando consigo. É bom aquilo, de facto! Aconselham a dormir com uma geleia, à mesma base, mas também é cara. Porém, eu fiz os 6 tratamentos — mesmo sem a geleia — pois essa em Lisboa quiseram-ma logo toda! Mas também mando vir, claro. Sempre é bom fazer a rigor! Meu querido filho foi agora a Londres a um Congresso, «sozinho»! Parece-me contente por ir só… Eu também me regozijei com a «liberdade» provisória do rapaz! Mas o significado dela ficar também só até onde irá?! — Ah, minha Amiga, corações de verdadeiras Mães estão sempre em agonia!

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Eu retiro daqui no fim da próxima semana (pois o Hotel é caro para mim!) mas irei ainda uns dias repousar de verdade ao campo — mas passarei no Porto até para despejar bagagem. Devo advertir a minha Amiga que essa Loção adstringente, usará de manhã. Refresca o rosto; limpa com a Emulsão anti-sêbo, passa a adstringente (que é contra a flacidez!); passa a tónica. Faz a maquillage habitual. Mas usa, sempre que possa, o Pó Medicinal. Essa máscara use como um Creme, de 20 minutos para cima. Retira com água morna. De preferência de manhã. Até breve se Deus quiser! Cumprimentos ao Esposo e Filho. Para a Nel e Nanda Xis e beijinhos aos Ninos. Para a minha Amiga um afectuoso beijo da Leonor P.S. Estou no Hotel Rosa, mas gosto do correio para a P. Rest. pois se eu sair reexpedem. Mando também um pouquinho de Emulsão anti-seborreica — indispensável para o ar livre! A poeta enviara esta carta das Caldas da Rainha, onde estava a frequentar os tratamentos da estância termal. O Hotel Rosa, a que se referia, situava-se na rua do Chafariz das Cinco Bicas. Um anúncio num jornal local descrevia-o como «o mais recomendado e económico desta cidade, magnífico serviço de mesa e todo o conforto». Aberto todo o ano, tinha uma ampla e luminosa sala de jantar e um pequeno pátio com jardim interior, no centro do qual havia uma fonte com um laguinho redondo.

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Esta carta denotava um tom familiar, mas também confessional e frágil. Referia o seu filho, e partilhava com a minha avó preocupações de saúde e financeiras. Para além do interesse pessoal que encontrei na referência ao nascimento do meu primo Pedro, e às novidades da Manel — o casamento da minha mãe, decidido de surpresa, seria dois meses depois — Leonor explicou também as diversas perturbações digestivas que a afligiam e podem ter justificado a necessidade da dieta rigorosa que referiu D. Natividade. Lisboa, 13 de Julho de 1969 Minha querida Amiga: Oxalá todos e tudo bem! Por onde se encontrará? Eu este ano nem férias posso fazer, pois sempre aluguei habitação em Lisboa e os encargos são muito pesados! Não sei mesmo se aguentarei! Demais a época é péssima! Mas se guardava para Outubro perdia estas boas clientes que já aqui tenho! Assim, aventurei-me. Também aluguei este pequeno andar com carácter particular e muito provisoriamente. A todo o tempo o largo ou mudo. Porém, isto foi o melhor e mais económico que encontrei. Estou no Lumiar… Ora eis-me a dar-lhe parte deste meu endereço até ver. Se precisar algo, diga. Penso ir ao Porto para os primeiros, ou meio de Agosto, se Deus quiser. Dê-me as suas notícias. Praza a Deus que de termas e praia colha os melhores proveitos! Eu, ainda assim, regular, felizmente. Também aqui fica o meu telefone, que é privado da minha pessoa 793 434.

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Como vivo só, se eu não estiver não gasta a chamada — e para duas palavrinhas 5$00 chegam. Com os melhores cumprimentos para o Senhor seu Marido e Filho e Genro, envio as melhores lembranças à Manuel e Fernanda. Beijando os Ninos, abraço-a com a melhor estima, Leonor R. Alexandre Ferreira, 40, 4.º dto. (ao Lumiar) Telf. 793434 O «pequeno andar» que Leonor alugara em Julho de 1969, e onde esperava habitar «muito provisoriamente», podendo largá-lo ou mudar-se em qualquer momento, era o apartamento que visitei no Lumiar. Foi lá que, afinal, a poeta passou a maior parte do tempo nos catorze anos seguintes, e onde acabou por morrer. Lisboa, 19-XII-1969 Minha Querida Amiga: Fiquei contentíssima com as suas notícias, e depreendo que tudo está bem! Oxalá! Eu tenho estado bastante doente com as minhas habituais crises neuro-vegetativas! Mas desta vez as vertigens e angústias foram de tal sorte que tive de consultar 2 Neurologistas, fazer Electroencefalogramas, Radiografias à coluna vertebral, etc.! Como vê a sorte não quer sorrir! Depois o trabalho por cá não rende como eu

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esperava até porque as minhas clientes que eram o meu braço direito foram para a África e América! Ora esta serve para lhe dar parte do envio da encomendinha que pediu. Mandei o creme T.V. mas só um boião pequeno e juntei uma caixa de Máscara de Beleza e Tratamento. Dorme com o creme e de manhã põe a máscara, como se fosse um creme, e deixa estar 20 minutos, mesmo que ande a pé. Lava com água tépida, e põe a Loção Dérmica de Soro de Cavalo. Isto para remediar, pois deve estar necessitada de uma boa limpeza e de coisas específicas. Tenho 2 Produtos novos, já além daqueles últimos que talvez já conheça. Devo ir agora ao Porto, se Deus quiser, embora por pouca demora. Já aí devia estar para vir no Fim do Ano, que as clientes de cá reclamam. Mas a saúde tem andado tão por baixo, embora já convalescente, e ainda aconteceu que me vacinando contra a gripe Hong-Kong tive tal reacção que me deitou a terra! Assim só poderei mesmo em vésperas de Natal ou a seguir. Telefonarei para sua a casa. E por sua vez a minha Amiga escreva ou telefone para mim. Gostaria imenso de abraçá-la e contar coisas! Julgo ainda não ser avó — ainda nada sei e «cá fora» não deve haver descendência. Continuo cheia de saudades e sem saber quando abraçarei meu querido filho! Ele escreve-me sempre, ajuda-me muito, mas só estou convidada para ir lá para o ano… e ele promete vir, mas comprou uma casinha de campo, que é um encanto, e por lá está preso e até com muitas despesas, etc. Que condenação esta minha soledade! Mas Deus mo tenha com saúde e paz!

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Minha Querida, junto a nota dos Produtos. Aumentaram todos e eu estou a ter muito prejuízo, e desanimada até certo ponto! Por isso não pude fazer-lhe mais que 10% de desconto pois esses preços já estão muito baixos! e fizeram-me uma Escrita do que resultou eu ficar a saber que os Produtos me estavam a dar 30% de prejuízo! Aproveito para lhe desejar de todo o meu coração um Bom Natal na companhia de todos os seus! E oxalá que até breve! Recomendações a todos, em especial meus Respeitos ao Marido e um xi à Manel e Fernandinha, beijando os Nininhos. Para si todo o meu coração com a mais sincera estima Leonor Nesta carta, Leonor interroga-se se já terá nascido o seu neto. As preocupações financeiras parecem agravar-se, assim como os problemas de saúde, arrastando com eles algum desânimo. A solidão em que vive e as saudades do filho afligem-na. Ainda assim, Leonor continua a viajar entre Lisboa e Porto, e a visitar, sempre que possível mas apenas quando convidada, Ricardo — que a dada altura deixaria a Dinamarca para ir viver na Suécia. Infelizmente, só encontrei correspondência com a minha avó até 1970. Aquando do meu nascimento, em Julho desse ano, a poeta estaria no Porto, atarefada a tentar encontrar um pequeno andar onde pudesse guardar objectos, livros, manuscritos. Nessa época, Leonor ainda escrevia poemas, e prepararia um novo livro — que iria perder na inundação, justamente no «quartito» que no momento destas linhas procurava:

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5 de Julho de 1970 BILHETE POSTAL

Remete: Leonor de Almeida C. Mártires da Pátria 174, Ap. 20 Porto Minha Querida Amiga: Já liguei duas ou três vezes para a sua residência daqui, mas só silêncio… Nem o jardineiro para me dizer sobre o seu paradeiro. Estará no Vimeiro? Já faz um mês que vim para resolver problemas de saúde e habitação (ou arrecadação) o que me tem absorvido o tempo (o dinheiro) e arrasado os nervos! Gostaria de saber notícias suas e de toda a Família. Oxalá tudo bem! — e que se a Manel já acrescentou a família também fosse óptimo o sucesso! Só cá estarei mais esta semana. Se precisar algo tenho tudo fresco e melhorado! Pelo telefone 36611 entregam-me logo os recados. Cumprimentos a todos e beijos aos Bebés, Um afectuoso abraço da Leonor Neste seu último postal, datado de 5 de Julho de 1970, Leonor pergunta à minha avó se a Manel já acrescentou a família. A Manel era a minha mãe. O que Leonor pergunta nestas linhas, é se eu já nasci.

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Epílogo

As coincidências, os acasos, o destino — tantos nomes para a magia, para aquilo que não sabemos nem podemos explicar — não cessaram durante toda esta busca. E quando pensava que tinha chegado ao fim de um qualquer caminho, cruza-se no meu aquele que seria o herdeiro legítimo do meu quadro, se o seu pai não o tivesse vendido aos meus avós. Conheço o filho de O’Neill através de uma amiga comum, e descubro que escrevi sobre a casa onde ele mora: há quase vinte anos fiz para uma arquitecta o levantamento do exacto prédio onde ele habita — que estava então devoluto e inspirou um dos meus contos preferidos do meu primeiro livro: «O Levantamento». Há oito anos quis filmar uma curta-metragem sobre essa história, e contactei aqueles que eram então proprietários do edifício abandonado e me deram a devida autorização para lá filmar. Reuni equipa técnica, entrevistei actores, mas descobri entretanto que iria ser mãe pela segunda vez e abandonei a ideia de passar noites seguidas dentro de um prédio encerrado há décadas, cheio de mofo. Cinco anos depois, o filho de O’Neill foi morar no apartamento — já totalmente remodelado e irreconhecível — que me inspirou o conto. O apartamento em cujas paredes o Moniz deveria estar. Descubro, fascinada, este movimento circular, semelhante a um bailado de sombras fantasmagórico. É como se o quadro nunca tivesse deixado de guiar os meus passos durante todo este tempo, conduzindo-me até aqui, onde o círculo se fecha.

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Amorim de Carvalho, «Movimento literário, a poesia de Leonor de Almeida» Leonor de Almeida, «A Infância, paraíso perdido dos poetas» Prometeu – Revista Ilustrada de Cultura, n.º 2, Abril de 1948

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E.M. de Melo e Castro, «Quatro caminhos na moderna poesia portuguesa feminina» Bandarra, n.º 3, Inverno de 1961

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AGRADECIMENTOS

Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto, que tornou possível este livro Nuno Faria, Tiago Almeida, e toda a equipa do MUSEU DA CIDADE pela preciosa colaboração Amélia Ricon Ferraz, Directora do Museu de História da Medicina «Maximiano Lemos» da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto Sónia Faria, Técnica Superior / Museóloga do Centro Hospitalar do Porto, EPE Ana Paula Gato R. Polido Rodrigues, autora da tese de doutoramento Da Assistência aos Pobres aos Cuidados de Saúde Primários em Portugal: o Papel da Enfermagem 1926-2002 Francisco Branco, autor de «Itinerário das Profissões Sociais em Portugal, 1910-1962», Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa Mário Mourão, Sindicato dos Bancários do Norte Jorge Pires Manuel Rosa Vladimiro Nunes Sílvia Schiermacher Afonso O’Neill Natividade Gameiro João Gameiro Amélia Macedo Arnaldo Trindade Fernando Fernandes Fernando Macedo Amaral


Um agradecimento especial aos meus filhos, Lourenço e Henrique, pelo tempo que lhes pertencia e este livro consumiu ao Edgar Pêra por todo o apoio e ao Isaque Ferreira, valioso consultor bibliográfico e amigo, que me ajudou desde o início desta aventura, com inesgotável paciência


© Cláudia Clemente, 2020 © Câmara Municipal do Porto Praça General Humberto Delgado 4049-001 Porto www.cm-porto.pt © Sistema Solar, Crl (chancela Documenta) Rua Passos Manuel 67 B 1150-258 Lisboa www.sistemasolar.pt 1.ª Edição, Agosto de 2020 ISBN 978-989-9006-43-0 Edição: Nuno Faria Concepção e desenho gráfico: Manuel Rosa Apoio à edição: Tiago Almeida Fotografia: António Alves Revisão de texto: Luís Guerra Depósito legal: 473401/20 Produção gráfica: Inrede – Comunicação Dinâmica, Lda.


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Cláudia Clemente «Taguagens de Luz»  

foi uma autora surpreendente, aclamada pelos mais importantes críticos da época, de João Gaspar Simões («dos melhores poetas portugueses con...

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