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Chuvas afetam produtividade, José Teófilo, Carta da Indústria

Publicação Oficial do Sistema Findes • Dezembro 2011 • Distribuição gratuita • nº 298 • IMPRESSO

O que fazer para evitar? Findes_298_Capa_FB_final.indd 1

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NESTA EDIÇÃO

SISTEMA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

CENÁRIO

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O mundo se vê novamente às voltas com uma crise econômica. Como resultado, entre outros há desaceleração geral dos negócios e do crescimento dos países, especialmente os mais ricos. Na esteira desse fenômeno, surge o fantasma da desindustrialização. Será que alcança o Brasil? E o Espírito Santo?

ESPECIAL O verão, com sua fortes chuvas, é motivo de preocupação, em função de enchentes, deslizamentos, mortes e prejuízos. Além da população, os negócios podem ser duramente afetados. Como o Estado está se preparando para isso?

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INDÚSTRIA As necessidades da indústria capixaba para concretizar um desenvolvimento sustentável estão reunidas na Carta da Indústria, documento entregue pela FINDES à Confederação Nacional da Indústria. Confira.

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ENTREVISTA Economista e ex-secretário da Fazenda do Espírito Santo, José Teófilo de Azevedo fala das oportunidades e ameaças ao desenvolvimento econômico local e do papel da indústria no crescimento do Estado.

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Indústria Capixaba – FINDES

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Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo – FINDES Presidente: Marcos Guerra 1º vice-presidente: Manoel de Souza Pimenta Neto 2º vice-presidente: Ernesto Mosaner Junior 3º vice-presidente: Sebastião Constantino Dadalto 1º diretor administrativo: Ricardo Ribeiro Barbosa 2º diretor administrativo: Tullio Samorini 3º diretor administrativo: Luciano Raizer Moura 1º diretor financeiro: Tharcicio Pedro Botti 2º diretor financeiro: Ronaldo Soares Azevedo 3º diretor financeiro: Antonio Tavares Azevedo de Brito Diretores: Alejandro Dueñas, Flavio Sergio Andrade Bertollo, Egidio Malanquini, Benizio Lázaro, Gibson Barcelos Reggiani, Vladimir Rossi, Wilmar Barros Barbosa, Clara Thais Rezende Cardoso Orlandi, Leonardo Souza Rogerio de Castro, Mariluce Polido Dias, Luiz Alberto de Souza Carvalho, Ademar Antonio Bragatto, Edvaldo Almeida Vieira, José Domingos Depollo, Ademilse Guidini, Elcio Alves, Ortêmio Locatelli Filho, Rogério Pereira dos Santos, Paulo Alexandre Gallis Pereira Baraona, Wilmar dos Santos Barroso Filho, Evandro Simonassi Conselho fiscal Titulares: Elder Elias Giordano Marim, Luiz Carlos Azevedo de Almeida, Adonias Martins da Silva Suplentes: Atilio Guidini, Sandro Varanda Abreu, Valkinéria Cristina Meirelles Bussular Representantes na CNI Titulares: Marcos Guerra, Lucas Izoton Vieira Suplentes: Manoel de Souza Pimenta Neto, Ernesto Mosaner Junior Serviço Social da Indústria – SESI Presidente do Conselho Regional: Marcos Guerra Superintendente: Solange Maria Nunes Siqueira Representantes do Ministério do Trabalho Titular: Enésio Paiva Soares Suplente: Alcimar das Candeias da Silva Representante do Governo: Juliane de Araújo Barroso Representantes das atividades industriais Titulares: Manoel de Souza Pimenta Neto, Altamir Alves Martins, Sebastião Constantino Dadalto, Mariluce Polido Dias Suplentes: Adenilson Alves da Cruz, Alejandro Dueñas, Leonardo de Souza Rogério de Castro, Rogério Pereira dos Santos Representantes da categoria dos trabalhadores da indústria Titular: Luiz Carlos Fernandes Rangel Suplente: Flaviano Rabelo Aguiar Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI Presidente do Conselho Regional: Marcos Guerra Diretora regional: Solange Maria Nunes Siqueira Representantes das atividades industriais Titulares: Benízio Lázaro, Clara Thais Resende Cardoso Orlandi, João Baptista Depizzol Neto e Ronaldo Soares Azevedo Suplentes: Flávio Sérgio Andrade Bertollo, Wilmar Barros Barbosa, Neviton Helmer Gasparini e Paulo Henrique Teodoro de Oliveira Representantes do Ministério do Trabalho Titular: Enésio Paiva Soares Suplente: Alcimar das Candeias Representante do Ministério da Educação: Ronaldo Neves Cruz Representantes da categoria dos trabalhadores da indústria Titular: Paulo César Borba Peres Suplente: Ari George Floriano Centro da Indústria no Espírito Santo – CINDES Presidente: Marcos Guerra 1º vice-presidente: Manoel de Souza Pimenta Neto 2º vice-presidente: Ernesto Mosaner Junior 3º vice-presidente: Sebastião Constantino Dadalto Diretores: Cristhine Samorini, Ricardo Augusto Pinto, Paulo Henrique Teodoro de Oliveira, Altamir Alves Martins, Gustavo Dalvi Comério, Elias Cucco Dias, Celso Siqueira Júnior, Gervásio Andreão Júnior, Edmar Lorencini dos Anjos, Ana Paula Tongo da Silva, Paulo Alfonso Menegueli, Helcio Rezende Dias Conselho Fiscal: Marcondes Caldeira, Elson Teixeira Gatto, Tharcicio Pedro Botti, Joaquim da Silva Maia, Renan Lima Silva, Fausto Frizzera Borges Conselho de Sindicância: Arthur Carlos Gerhardt Santos, Chrisógono Teixeira da Cruz, Hélio Moreira Dias de Rezende, Hélio de Oliveira Dórea, Jadyr da Silva Primo

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Instituto Euvaldo Lodi – IEL Presidente: Marcos Guerra Conselheiros: Solange Maria Nunes Siqueira, Maria Auxiliadora de Carvalho Corassa, Lúcio Flávio Arrivabene, Geraldo Diório Filho, Sônia Coelho de Oliveira, Rosimere Dias de Andrade, Antonio Fernando Doria Porto, Alejandro Dueñas, Ruy Dias de Souza Superintendente: Fábio Ribeiro Dias Instituto Rota Imperial – IRI Conselho Deliberativo Titulares: Baques Sanna, Alejandro Dueñas, Fernando Künsch, Maely Coelho, Eustáquio Palhares, Roberto Kautsky Suplentes: Francisco Xavier Mill, Tullio Samorini, João Felício Scárdua, Manoel Pimenta, Adenilson Stein, Tharcicio Pedro Botti Membros natos: Lucas Izoton Vieira, Sergio Rogerio de Castro, Ernest Mosaner Júnior, Aristóteles Passos Costa Neto Conselho Fiscal Efetivos: Flávio Bertollo, Raphael Cassaro, Edmar dos Anjos Suplentes: Celso Siqueira, Valdeir Nunes, Gervásio Andreao Câmaras Setoriais Industriais e Conselhos Temáticos (CONSATs) Coordenador-geral: Manoel de Souza Pimenta Neto Câmaras Setoriais Industriais Câmara Setorial das Indústrias de Alimentos e Bebidas Presidente: Ademar Antonio Bragatto Câmara Setorial das Indústrias de Base e Construção Presidente: Wilmar dos Santos Barroso Filho Câmara Setorial da Indústria de Materiais da Construção Presidente: Paulo Cezar Coradini Câmara Setorial da Indústria Moveleira Presidente: Luiz Rigoni Câmara Setorial da Indústria do Vestuário Presidente: Paulo Roberto Almeida Vieira Conselhos Temáticos Conselho Superior de Assuntos Legislativos (Coal) Presidente: Sergio Rogerio de Castro Conselho Superior de Comércio Exterior (Concex) Presidente: Eutemar Antônio Venturim Conselho Superior de Desenvolvimento Regional (Conder) Presidente: Áureo Vianna Mameri Conselho Superior de Educação Profissional (Conep) Presidente: Manoel de Souza Pimenta Neto Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) Presidente: Ernesto Mosaner Junior Conselho Superior de Meio Ambiente (Consuma) Presidente: Wilmar Barros Barbosa Conselho Superior de Micro e Pequena Empresa (Compem) Presidente: Vladimir Rossi Conselho Superior de Política Industrial e Inovação Tecnológica (Conptec) Presidente: Luiz Alberto de Souza Carvalho Conselho Superior de Relações do Trabalho (Consurt) Presidente: Haroldo Olívio Marcellini Massa Conselho Superior de Responsabilidade Social (Cores) Presidente: Sidemberg Silva Rodrigues Diretorias regionais Diretoria da FINDES em Anchieta e região Diretor regional: Fernando Schneider Künsch Diretoria da FINDES em Cachoeiro de Itapemirim e região Diretor regional: Áureo Vianna Mameri Diretoria da FINDES em Colatina e região Diretor regional: Manoel Antonio Giacomim Diretoria da FINDES em Linhares e região Diretor regional: Paulo Joaquim do Nascimento Diretoria da FINDES em Aracruz e região Diretor regional: João Baptista Depizzol Neto Núcleo da FINDES em São Mateus e região Diretor regional: Nerzy Dalla Bernardina Junior Núcleo da FINDES em Venda Nova do Imigrante e região Diretor regional: Adenilson Alves da Cruz Núcleo da FINDES em Nova Venécia e região Diretor regional: João Otávio Minozzo

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Diretores para assuntos específicos Diretor para assuntos do fortalecimento sindical e da representação empresarial: Egídio Malanquini Diretor para assuntos das micro e pequenas indústrias: Vladimir Rossi Diretor para assuntos tributários: Gibson Barcelos Reggiani Diretor para assuntos do meio ambiente: Wilmar Barros Barbosa Diretor para assuntos de capacitação e desenvolvimento humano: Clara Thais Rezende Cardoso Orlandi Diretor para assuntos de marketing e comunicação: Fernando Schneider Künsch Diretor para assuntos de desenvolvimento da indústria capixaba: Leonardo Souza Rogerio de Castro Diretor para assuntos de inovação industrial: Luiz Alberto de Souza Carvalho Sindicatos filiados à FINDES e respectivos presidentes Sinduscon: Sebastião Constantino Dadalto | Sindipães: Flávio Sérgio Andrade Bertollo | Sincafé: Egídio Malanquini Sindmadeira: José Domingos Depollo | Sindimecânica: Ennio Modenesi Pereira II | Siges: João Baptista Depizzol Neto | Sinconfec: Clara Thais Rezende Cardoso Orlandi | Sindibebidas: José Angelo Mendes Rambalducci Sindicalçados: Altamir Alves Martins | Sindifer: Luiz Alberto de Souza Carvalho | Sinprocim: Dam Pessotti | Sindutex: Mariluce Polido Dias Sindifrio-ES: Elder Elias Giordano Marim | Sindirepa: Wilmar Barros Barbosa Sindicopes: José Carlos Chamon | Sindicacau: Gibson Barcelos Reggiani Sindipedreiras: Loreto Zanotto | Sindirochas: Emic Malacarne Costa Sincongel: Vladimir Rossi | Sinvesco: Edvaldo Almeida Vieira Sindimol: Almir José Gaburro | Sindmóveis: Mário Sérgio do Nascimento Sindimassas: Alejandro Dueñas | Sindiquimicos: Ernesto Mosaner Junior Sindiolaria-Norte: Paulo Cezar Coradini | Sindinfo: Benizio Lázaro Sindipapel: José Bráulio Bassini | Sindiplast-ES: Leonardo Souza Rogerio de Castro | Sindibores: Rogério Pereira dos Santos | Sinvel: Atílio Guidini

PUBLICAÇÃO OFICIAL DO SISTEMA FINDES DEZEMBRO – 2011 • Nº 298 Conselho Editorial – Marcos Guerra, Manoel Pimenta, Constantino Dadalto, Ernesto Mosaner, Ricardo Barbosa, Alejandro Dueñas, Flávio Bertolo, Egídio Malanquini, Benízio Lazaro, Fernando Künsk, Solange Siqueira, Fábio Dias, Doria Porto, Lucas Izoton, Heriberto Simões e Lucia Bonino Jornalista responsável – Lucia Bonino (DRT/ES 586) Apoio técnico – Assessoria de Comunicação da FINDES Jornalistas: Breno Arêas, Evelyn Trindade, Fábio Martins e Tatiana Ribeiro Coordenadora: Lucia Bonino | Gerente: Heriberto Simões Depto. Comercial – UNIREM/FINDES – Tel: (27) 3334-5721 Simone Dttmann Sarti e Fernando Fiuza Produção Editorial

Coordenação editorial: Mário Fernando Souza Produção editorial e diagramação: Next Editorial Textos: Gustavo Costa, Lorena Storani, Nadia Baptista, Taís Brêda, Heliomara Mulullo e Jacqueline Vitória Revisão de textos: Andréia Pegoretti e Marcia Rodrigues Fotografia: Cláudio Alves, Manoel Henrique Silva, fotos cedidas, arquivo FINDES e arquivos Next Editorial

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EDITORIAL

EM DEFESA DA

INDÚSTRIA CAPIXABA

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sta edição da revista Indústria Capixaba é publicada num momento que alia otimismo com incertezas para o Estado do Espírito Santo. Se por um lado continuamos registrando alguns dos melhores índices de crescimento do País, por outro estamos enfrentando ameaças que podem comprometer o processo de desenvolvimento que construímos em anos recentes. Uma dessas ameaças é a desindustrialização de alguns setores, tema da reportagem de capa desta edição. Oferecemos ao leitor um amplo debate em nossas páginas sobre esse cenário, que infelizmente vem se tornando uma realidade. Trata-se de um assunto que tem sido item principal da pauta discutida diariamente dentro do Sistema FINDES, inclusive com forte articulação junto ao poder público e demais entidades empresariais capixabas, no intuito de revertermos essa situação. No momento em que esta revista estiver circulando, outras turbulências podem ter tomado forma, como a questão da mudança da partilha dos royalties do petróleo e a extinção do Fundap, fatos que podem gerar grandes perdas econômico-financeiras para o

nosso Estado. Temas sobre os quais a FINDES tem se posicionado firmemente na defesa do Espírito Santo, e que também são abordados nas páginas desta edição. Para amenizarmos essas ameaças, podemos e devemos fortalecer ainda mais nossa indústria em prol de uma economia que se tornou um exemplo positivo para todo o País. O empreendedor capixaba tem capacidade de sobra para superar os novos desafios que estão surgindo e, com isso, tornar o Espírito Santo um Estado com uma indústria cada vez mais forte, que por sua vez gera renda, empregos e maior qualidade de vida para toda a população. Uma prova disso é a edição comemorativa de 15 anos do Anuário IEL 200 Maiores Empresas do Espírito Santo, um produto do Sistema FINDES, cujo evento de lançamento está registrado em nossas páginas. Os dados trazidos pelo Anuário refletem um Estado forte, com empresas que crescem, geram receita e empregos, como demonstra o panorama fiel de nossa economia traçado pela publicação durante todos os seus anos de existência e, hoje, consolidada como principal referência de consulta sobre o setor industrial e a economia do Espírito Santo. E um Estado sem uma indústria forte é um Estado sem identidade. Tenha uma ótima leitura!

Marcos Guerra Presidente do Sistema FINDES/CINDES

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Indústria EM AÇÃO

Cindes Jovem participa de fórum de micro e pequenas empresas Os diretores do Cindes Jovem (entidade do Sistema Findes), Vitor Lomba e Júlio César Vasconcelos, participaram do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, realizado em Brasília nos dias 7 e 8 de dezembro. Iniciativa do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o evento é um espaço de debates e de conjugação de esforços entre o governo e o setor privado, e serve como local para elaboração de propostas e ações de políticas públicas orientadas às microempresas e empresas de pequeno porte. O Espírito Santo é representado no Comitê de Tecnologia e Inovação pelo vice-presidente do Cindes Jovem, Duar Pignaton.

Seminário para empresas interessadas na certificação SGQF Na último dia 9 de novembro, 28 fornecedores interessados em receber a certificação do Programa Integrado de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores (Prodfor) em 2012 participaram de um seminário para apresentação do requisito 4.2 do Sistema de Gestão da Qualidade em Fornecimento – o SGQF. O facilitador do seminário foi o coordenador-executivo do Prodfor, Luciano Raizer Moura. O evento aconteceu no plenário do Edifício FINDES. O requisito 4.2 do SGQF trata de documentação. O sistema é a base para a organização racional e eficaz das rotinas gerenciais e processos internos das empresas e se reflete em um melhor desempenho em aspectos fundamentais, como a identificação e redução de desperdícios (financeiros, materiais e humanos); redução de erros e retrabalho;eliminação de inconformidades nos produtos/serviços; racionalização de esforços; e foco na satisfação do cliente, entre outros.

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Mais competitividade das indústrias capixabas Construir um Centro de Inovação privado e fechar parcerias de intercâmbio com empresas e instituições europeias para aumentar a competitividade das indústrias do Espírito Santo. Essas foram novidades reveladas pelo presidente da FINDES, Marcos Guerra, durante a visita à instituição do diretor da Comissão Europeia de Inovação, Mário Campolargo, no último dia 3 de novembro. Também participaram da visita à FINDES o diretor para Assuntos de Inovação da Findes e presidente do Sindifer, Luiz Alberto Carvalho; o representante da InovaFindes, Iomar Cunha; o vice-presidente do Sindmadeira, Luiz Toniato; o representante do Sindifer/ Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (Cdmec), Antônio Falcão; o subsecretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Alberto Gavini; e o representante da Onip, Evandro Milet. Campolargo prometeu intermediar os primeiros contatos com potenciais interessados, além de repassar informações de casos de sucesso na área como forma de fomentar projetos de inovação no Espírito Santo.

Evento discute política de resíduos sólidos No último dia 18 de outubro, no plenário do Edifício FINDES, o Conselho Superior de Meio Ambiente da FINDES (Consuma) realizou o Seminário de Apresentação das Políticas de Resíduos Sólidos. O evento, que contou com a participação de empresários, presidentes de sindicatos, técnicos da área ambiental e membros do Conselho, teve como objetivo apresentar os novos deveres das empresas em relação às políticas de resíduos sólidos. O seminário foi aberto pelo presidente do Consuma, Wilmar Barros Barbosa, seguido pelo secretário de Estado de Meio Ambiente, Paulo Ruy Valim Carnelli, e pelo diretor técnico do Sebrae, Benildo Denadai. “A política de resíduos sólidos é complicada. As novas regras impõem a implantação da logística reversa, que abrange desde o ponto de consumo do produto até o local de origem ou de deposição segura, com o menor risco ambiental possível. Além disso, fizemos esse seminário também porque termos que revisar nossa política estadual, já que foi elaborada bem antes da nacional”, esclareceu Wilmar Barbosa. Dez/2011 – nº 298

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ARTIGO

NOVA LEI CONTRIBUI

PARA AUMENTAR A COMPETITIVIDADE NACIONAL

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aprovação da Lei Complementar nº 139/2011 – que altera a Lei Complementar nº 123/2006 – trouxe uma série de mudanças para o cenário empresarial, no tocante às microempresas (MEs), empresas de pequeno porte (EPPs) e empreendedores individuais (EIs). As novidades representam avanços significativos para a economia brasileira, trazendo uma série de benefícios para os proprietários de micro e pequenos negócios e EIs. Dentre eles, podemos destacar o aumento do limite de faturamento. Para as EPPs, o limite passará a ser de R$ 3,6 milhões. Já para as MEs, será de R$ 360 mil, enquanto que para os EIs, aumentou de R$ 36 mil para R$ 60 mil. Vale ressaltar que, embora os limites tenham sido alterados, não houve aumento no número de faixas de tributação. O Simples Nacional continuou com 20 faixas, o que gerará uma redução tributária efetiva, uma vez que cada uma delas foi ampliada. É oportuno observar que o Espírito Santo, por ser um dos Estados que possuem participação entre 1% e 5% do PIB, tinha a opção de adotar o sublimite de R$ 2,52 milhões. Porém, optou por adotar o limite nacional de R$ 3,6 milhões, apostando no crescimento econômico, por meio de uma política de incentivo às microempresas

e empresas de pequeno porte, renunciando, a princípio, a R$ 37 milhões de arrecadação. Outro grande avanço gerado pela Lei Complementar nº 139/2011 é a criação de um limite extra para exportações das EPPs, que poderão, com isso, auferir receita bruta de R$ 3,6 milhões no mercado interno e R$ 3,6 milhões com exportações. Há ainda a possibilidade de parcelamento de débitos tributários. Poderão ser parcelados, em até 60 meses, débitos apurados no Simples Nacional, constituídos e exigíveis por qualquer uma das três esferas de governo – federal, estadual ou municipal. As parcelas serão corrigidas pela Selic e, no âmbito de cada órgão concessor, serão admitidos até dois novos parcelamentos. Empresa que se encontre sem movimentação há mais de 12 meses poderá solicitar a baixa nos registros dos órgãos públicos federais, estaduais e municipais, independentemente do pagamento de débitos tributários, taxas ou multas devidas. Outra alteração diz respeito à eliminação da Declaração Anual do Simples Nacional. A exigência dos dados será feita apenas durante o processo de cálculo mensal já efetuado pela ME e pela EPP. E as facilidades não terminam aí. Além da abertura, a alteração e a baixa do Empreendedor Individual (EI) poderão ser efetuadas pelo portal do empreendedor. Será criada, ainda, a Declaração Única de Informações Sociais do MEI, facilitando a contratação do empregado e substituindo a GFIP, Rais, Caged e Relatório Mensal de Receitas Brutas. Todos os tributos e encargos trabalhistas serão recolhidos em guia única. O Sebrae se orgulha de ter trabalhado ativamente para o alcance de todas essas conquistas, que certamente são passos importantes rumo a um Espírito Santo mais competitivo e sustentável. José Eugênio Vieira é diretor-superintendente do Sebrae no Espírito Santo, bacharel em Economia, especializado em Planejamento Agrícola pela CEPAL/CENDEC, FGV-RJ e no IAM – Instituto Agronômico de Montpellier, na França

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INDÚSTRIA por Nadia Baptista

REINDUSTRIALIZAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO, UMA NECESSIDADE URGENTE Processo de desindustrialização do Estado preocupa a Findes e precisa ser revertido o quanto antes

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dependência perigosa, uma vez que, com o aumento da renda média da população, todos consomem produtos industriais com mais qualidade e em quantidades cada vez maiores. E uma nação que, sem completar seu ciclo industrial, vê a indústria de transformação perder espaço para outros setores, prinNo dia 8 de novembro, a FINDES reuniu empresários e autoridades para cipalmente os serviços, pode, em debater sobre as ameaças à Indústria de Transformação do Espírito Santo médio prazo, enfrentar graves problemas no setor externo, s micro, pequenas e médias indústrias dos setores com crescentes déficits em conta-corrente, e conviver com de bens-salários (bens de consumo direcionados reduções na geração e na qualidade dos empregos, segundo diretamente para a população em geral), grandes o estudo do Dieese. A redução nos empregos gerados é uma das mais empregadoras de mão de obra, estão passando por uma forte ameaça de desindustrialização no Espírito Santo. graves consequências da desindustrialização no Espírito Para enfrentar o problema e evitar que os capixabas Santo. De acordo com o presidente da FINDES, Marcos saiam perdendo, é necessária uma boa articulação entre a Guerra, as indústrias de transformação do Estado ainda Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) e o não estão demitindo, mas já deixaram de contratar. “Há setores que, a partir de outubro, estariam empregando, Governo do Estado. As quedas na exportação, aliadas ao aumento da entrada mas que neste ano não estão contratando. Alguns deles de produtos industrializados de outros países no mercado estão conseguindo manter a sua equipe, manter o seu quadro nacional, têm sido apontadas como causas primárias do funcional, principalmente porque existe a consciência de processo de desindustrialização, que afeta diversos Estados que não está fácil encontrar mão de obra qualificada. Para brasileiros. Nesse cenário, a China é um dos concorrentes mantê-la, muitas indústrias fizeram sacrifícios. Mas temos que mais ameaça a indústria local. Uma análise feita pela vários setores que começarão a dispensar empregados a Confederação Nacional da Indústria (CNI) em fevereiro partir de janeiro, porque acreditavam que a economia fosse de 2011 mostrou que 67% das empresas exportadoras dar uma acelerada, o que não aconteceu”, lamenta Guerra. Os números são preocupantes, principalmente para a que concorrem com produtos chineses perdem clientes. O estudo também concluiu que 45% das empresas que indústria de transformação. “Até agosto de 2011, tivemos competem com empresas da China perderam participação um crescimento de 9,2% para a indústria capixaba em geral. Nesse período, o setor de transformação teve um no mercado doméstico. crescimento negativo de -3,3%. A nossa projeção é Desindustrialização que, até o final deste ano, esse percentual chegue a -7%. De acordo com a Nota Técnica nº 100, elaborada E a indústria de transformação já vem decrescendo desde pelo Departamento Intersindical de Estatística e 2008”, alerta o presidente da FINDES. O faturamento das indústrias capixabas também Estudos Socioeconômicos (Dieese) em junho de 2011, a desindustrialização é o processo que provoca a reversão do diminuiu. “O faturamento, até setembro de 2011, se crescimento e da participação da indústria na produção e comparado com o mesmo período de 2010, decresceu 7,9%. na geração de empregos. Em um conceito mais abrangente, Nós passamos a vender mais barato, e tivemos um problema a desindustrialização seria caracterizada como uma situação de decréscimo em cima do nosso produto”, afirma Guerra. De acordo com ele, os setores que enfrentam os maiores na qual tanto o emprego industrial como o valor adicionado da indústria se reduzem como proporção do emprego total e problemas são os de confecções, moveleiro, metalmecânico e de calçados, ou seja, em sua maioria, aqueles que do Produto Interno Bruto (PIB), respectivamente. Para países como o Brasil, além de deixar de gerar empregos fabricam produtos que atendem diretamente à população. qualificados, a diminuição do peso da indústria cria uma “Quando entramos em 2011, tínhamos uma projeção

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indústria

“Temos vários setores que começarão a dispensar empregados a partir de janeiro, porque acreditavam que a economia fosse dar uma acelerada, o que não aconteceu” Marcos Guerra, presidente da FINDES

nacional, que não se confirmou. Por exemplo, para o setor de calçados a previsão era de crescer 5,0%, mas houve um decréscimo na produção de 11,4%. Esse decréscimo nos assusta”, revela. Segundo Marcos Guerra, a ameaça da desindustrialização preocupa ainda mais pelo fato de não ter havido uma correspondente redução no consumo. “Nós somos um país de cerca de 200 milhões de habitantes, e temos consumo, um mercado aquecido. Precisamos realmente buscar caminhos para dar um direcionamento para as indústrias brasileiras. O Espírito Santo também é um Estado atípico, porque cresce muito, se comparado com outros Estados e com o Brasil”, reitera Guerra. Mas, segundo ele, é preciso estar atento, pois o desenvolvimento do Estado não alcançou todos os segmentos de forma igualitária. “Nós temos segmentos que enfrentam problemas, apesar do crescimento geral do Estado. Por isso, passamos a estratificar as informações, para mostrar, realmente, quais segmentos estão enfrentando problemas, e trabalharmos em conjunto para ajudá-los”, pontua. Setores vulneráveis Um dos segmentos industriais mais vulneráveis ao processo de desindustrialização é o de vestuário. Prova disso é que nos últimos anos vem caindo não só a produção, mas também o faturamento das indústrias têxteis, de calçados e de confecções. O presidente da Câmara Setorial da Indústria do Vestuário da FINDES, Paulo Vieira, alerta para a importância que têm as indústrias de confecções para as cidades onde estão instaladas, principalmente na região noroeste do Estado – a menos desenvolvida. “A região noroeste possui baixa industrialização e índices de desenvolvimento humano superbaixos. Então, a indústria 14

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é extremamente importante para aquela região. O setor de vestuário tem no Estado hoje 1.387 micro, pequenas e médias indústrias, que geram cerca de 18 mil empregos formais. Entre 2005 e 2011, a produção têxtil capixaba teve um pico de crescimento, e hoje ela tem um decréscimo de 34%. De janeiro a agosto de 2011, o faturamento do setor de confecções acumulou um decréscimo de 6,9%. E essa indústria vem decrescendo em faturamento desde 2009”, explica Vieira. Os principais problemas das indústrias do vestuário estão relacionados à forte concorrência, tanto no exterior, quanto no mercado brasileiro. “Em relação aos outros Estados do Brasil, temos grandes concorrentes na questão dos incentivos fiscais. Entre eles, estão o Rio de Janeiro, que em termos de ICMS paga de 2% a 2,5%; Goiás, que nas transações interestaduais está totalmente isento de ICMS; Paraná, que concede um desconto de 75% sobre o ICMS apurado, o que dá em torno de 2% a 2,5% efetivamente pagos sobre o faturamento dessas empresas; a Bahia, que tem um crédito presumido de 99%, então ali praticamente não se paga ICMS; e o Mato Grosso do Sul, onde o crédito presumido de 100% terminou em 2010, e agora está vigorando 95% de desconto no ICMS apurado. Esses são apenas exemplos. Levantamos dados de dez Estados e, comparado a todos eles, o Espírito Santo tem uma tributação de ICMS maior”, observa Vieira. Segundo o presidente da Câmara do Vestuário da FINDES, o incentivo concedido pelo Governo do Espírito Santo não supre mais as necessidades das indústrias locais. “Num determinado período, esse incentivo foi superimportante, mas hoje já não nos atende mais, por conta do acirramento dessa situação de guerra fiscal entre as unidades federativas”, afirma. O mercado está aquecido, mas por produtos estrangeiros, principalmente provenientes da China. “O comércio está aquecido, mas a indústria de transformação está “As indústrias de confecções passam por dificuldades, estão descapitalizadas, as margens de lucro foram totalmente consumidas nos últimos cinco anos” Paulo Vieira, presidente da Câmara Setorial da Indústria do Vestuário da FINDES

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“O mercado foi todo tomado pela China” Luiz Rigoni, presidente da Câmara Setorial da Indústria Moveleira da FINDES

produzindo menos, e diminui também o número de empregos, porque quem está abastecendo o comércio são os produtos chineses. Mais do que dobraram as importações de produtos provenientes de China e Índia”, declara Vieira. Por esses e outros fatores, ele afirma que, neste momento, a indústria do vestuário está totalmente vulnerável. “Nós temos ainda um outro dado muito preocupante, que tira a nossa competitividade: o salário mínimo. Vamos ter um aumento de aproximadamente 14% do salário mínimo em janeiro. Dolarizado, em 2007 nós pagávamos US$ 185, enquanto para 2012 o mínimo projetado representa US$ 354”, explica. De acordo com a FINDES, desde 2003, o salário mínimo cresceu 254%, em valores convertidos para dólares. “As indústrias de confecções passam por dificuldades, estão descapitalizadas, as margens de lucro foram totalmente consumidas nos últimos cinco anos. Trata-se de uma situação bastante delicada e extrema. Os empresários de Colatina reclamam, porque não sabem até quando vão aguentar essa concorrência. Os atacadistas, principalmente de São Paulo e de outras regiões, estão tomando os nossos clientes, e a nossa participação de mercado vem diminuindo consideravelmente. Estamos sendo seriamente prejudicados. É uma situação muito preocupante, principalmente porque as pessoas que trabalham na indústria do vestuário normalmente têm grande peso na renda familiar, e são, em sua maioria, mulheres”, queixa-se Vieira. O setor moveleiro é outro que também enfrenta problemas com a concorrência. “Entre os anos de 1999 e 2000, fizemos um trabalho de exportação de móveis e chegamos a faturar mais de US$ 1 bilhão. Hoje, estamos exportando cerca de US$ 600 milhões, o que não seria tão ruim, porque a economia nacional cresceu. Só que esse mercado foi todo tomado pela China. A China, até então, não exportava nada para o Brasil. Hoje, o Brasil importa quase US$ 300 milhões em móveis da China. Ou seja, está importando 50% do valor que está exportando. E a tendência das exportações brasileiras, infelizmente, é continuar caindo”, alerta o presidente da Câmara Setorial Dez/2011 – nº 298

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da Indústria Moveleira da FINDES, Luiz Rigoni. Para ele, a solução para o setor seria a reindustrialização. “Vai ser muito difícil voltarmos a exportar sem taxar a entrada de matérias-primas e sem taxar o produto acabado deles para cá também. É um trabalho de médio a longo prazo, mas que precisa ser feito”, afirma Rigoni. Já no mercado nacional, a situação da indústria moveleira não se apresenta ruim, principalmente em função do crescimento da indústria de construção civil. “Nós estamos sendo privilegiados, porque a construção civil vem crescendo bastante, e vamos a reboque dela. Os contratos de competitividade do Compete-ES nos mantiveram aptos a concorrer no mercado, e não podemos nem pensar em abrir mão deles, porque foi o que salvou nossas indústrias. Com esses incentivos, estamos conseguindo permanecer competitivos, graças ao crescimento imobiliário, que é muito grande”, esclarece Rigoni. Reindustrializar requer união e vontade O principal caminho para conter o avanço do processo de desindustrialização no Espírito Santo é buscar alternativas que aumentem a competitividade da indústria capixaba. Para isso, fazem-se necessárias parcerias entre a indústria, representada pela FINDES, e o Governo do Estado, para implementar políticas que não só possam tornar as empresas locais competitivas, mas que também agreguem valor aos seus produtos – e, para isso, é indispensável investir também em inovação. O diretor de Desenvolvimento da Indústria da FINDES, Leonardo de Castro, acredita que é necessário priorizar os dois principais ativos da indústria que, segundo ele, são a geração de empregos e o fato de ser ela o “berço” da inovação. “Esses são dois ativos que devem ser bem pesados na hora de se tomar qualquer decisão ligada ao setor industrial. A indústria também tem a característica de gerar riqueza ao seu redor, e esse é outro fator importante a ser levado em conta. A questão da desindustrialização não é um problema isolado do Espírito Santo. Mas há algumas ações que podemos fazer, a nível estadual, para não chegarmos ao fundo do poço. A FINDES representa 30 segmentos industriais, e todos eles passam pelos seus desafios, que devem ser observados, com olhar local, para que se possa ver que tipo de política podemos estabelecer para reindustrializar, para desenvolvê-los mais”, aponta. Os contratos de competitivade são de fundamental importância para alavancar o crescimento da indústria capixaba. “O Espírito Santo evoluiu muito quando montou a lógica dos contratos de competitividade. Mas, com a ameaça de desindustrialização, temos uma oportunidade para ampliar essa ferramenta. O contrato de competitividade Indústria Capixaba – FINDES

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INDÚSTRIA

foi e é importante para todos os setores que são signatários dele, mas precisa ser melhorado. Nós temos oportunidade para evoluir. E o Espírito Santo é um Estado privilegiado, porque tem instrumentos já bem consolidados para ajudar na competitividade da indústria”, afirma Leonardo. “Nós temos dois bancos – um banco de desenvolvimento e um banco comercial –, então podemos discutir a competitividade do crédito, além do tributário. Nós temos a Superintendência dos Projetos de Polarização Industrial (Suppin), como uma vertente também da questão de infraestrutura. Então, precisamos colocar tudo isso para funcionar em sintonia com os contratos de competitividade. Nós temos um programa grande de capacitação de mão de obra, de desenvolvimento de fornecedores, que também precisa ser sincronizado com os contratos de competitividade. Temos tido sucesso em aumentar o conteúdo local e a participação das indústrias locais nos grandes projetos do Espírito Santo. Mas podemos estender isso para os médios projetos também, para outras frentes. Então, o que a gente entende é que o Espírito Santo pode, se quiser, se for vontade política e política de governo, se colocar à frente na competitividade industrial no Brasil”, complementa o diretor. Para o presidente Marcos Guerra, é importante observar os exemplos dos Estados brasileiros que já implementaram ações para combater a desindustrialização. “Alguns Estados, a exemplo de Goiás, Paraná, Bahia, Mato Grosso e Santa Catarina, já tomaram iniciativas, em conjunto com os seus governos, para garantir mais competitividade para os setores. Entre essas iniciativas, estão a redução de impostos, os investimentos em inovação e em marcas”, afirma Guerra. “É o momento de olharmos os contratos de competitividade, fazermos uma repactuação e priorizarmos os setores mais vulneráveis” Márcio Félix, secretário de Estado de Desenvolvimento

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“O Espírito Santo é um Estado privilegiado, porque tem instrumentos já bem consolidados para ajudar na competitividade da indústria” - Leonardo de Castro, diretor de Desenvolvimento da Indústria da FINDES

O secretário de Estado da Fazenda, Maurício Duque, destaca a intenção do Governo do Estado de trabalhar junto com as indústrias capixabas. “Nós compreendemos as dificuldades por que passam nossas indústrias, mas temos transmitido aos setores as dificuldades que também nós temos para conceder, num primeiro momento, qualquer tipo de benefício, face a esse ambiente de incerteza que temos no cenário internacional, e também em relação às ameaças que vimos recebendo dentro do Brasil, relacionadas à tributação de ICMS e à divisão dos royalties”, explica. A proposta do Governo do Estado de trabalhar em conjunto com a indústria capixaba também é reforçada pelo secretário de Desenvolvimento, Márcio Félix. “É importante estreitar as relações do Governo do Estado com a FINDES, visando à melhoria da indústria. É o momento de olharmos os contratos de competitividade, fazermos uma repactuação e priorizarmos os setores mais vulneráveis. Além de medidas tributárias e fiscais, precisamos também pensar a questão da inovação, da criatividade, da agregação de valor aos produtos das indústrias capixabas”, defende Félix. Durante uma reunião realizada na FINDES no dia 8 de novembro, onde estiveram representados, além do governo estadual, diversos setores industriais capixabas, ficou decidida a criação de um grupo de trabalho composto pela Federação das Indústrias e pelas secretarias de Desenvolvimento e da Fazenda, o qual irá acompanhar o desenvolvimento industrial do Estado, além de pensar medidas possíveis para refrear o processo de desindustrialização – que é um dos principais objetivos da atual gestão da FINDES. “Nós entendemos que o Espírito Santo tem que ser um Estado homogêneo, tem que colocar todas as empresas para gerar emprego, para gerar renda para o Estado. Para isso, o principal projeto da nossa gestão é trabalhar nesse sentido, e por isso nós criamos algumas diretorias específicas – como, por exemplo, para a Microempresa, para o Desenvolvimento da Indústria e para Inovação. Estamos com tudo alinhado, com um projeto para evitar que esse processo de desindustrialização avance no Espírito Santo”, garante Marcos Guerra. Dez/2011 – nº 298

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Concurso Padeiro e Confeiteiro Nota 10 movimenta setor de panificação Regional de Cachoeiro e CSU promovem debate A reunião do Conselho Regional da Diretoria da Findes em Cachoeiro de Itapemirim do dia 22 de novembro contou com duas importantes apresentações promovidas pela Companhia Siderúrgica Ubu – CSU. Foram discutidos o mercado de trabalho, o desenvolvimento da região sul capixaba, e a geração de empregos e negócios em torno da implantação da CSU, resultando numa excelente oportunidade de expor aos presentes mais detalhes desse grande projeto, a ser instalado no município de Anchieta. A primeira apresentação, do coordenador de Integração e Desenvolvimento da CSU, Alexandre Marins, teve como tema “O Projeto CSU – Desenvolvimento Regional e Mercado de Trabalho”. Já a segunda palestra foi realizada pelo coordenador de projetos da CSU, Daulio Sidequersk, com o tema “CSU – Oportunidades de Negócios e Empregos: Programa de Treinamento. “Essa apresentação do projeto da CSU foi muito importante para o conhecimento de todos os presentes”, destacou Alexandre Marins. A reunião do Conselho Regional da Findes de Cachoeiro e Região contou também com a participação da diretora regional do SESI-SENAI-ES, Solange Siqueira, e da gerente de saúde do SESI-SENAI, Adriana Coelho, além da presença de empresários e autoridades políticas da região.

Diversas receitas entraram para o mix de produtos das padarias capixabas durante o Concurso Padeiro e Confeiteiro Nota 10, realizado pelo Sindicato e da Associação da Indústria de Panificação do Estado do Espírito Santo – Sindipães e Aipães –, em parceria com o Sebrae no Espírito Santo. A nona edição do concurso contou com 54 receitas inscritas, incluindo as fases das regionais NorteNoroeste e Sul do Estado. No total, 18 finalistas participaram da última etapa, disputada no dia 1º de dezembro. Na categoria Padeiro, as receitas vencedoras foram: 1º lugar – Pão Tapuia, de João Carlos Butske da Silva (Padaria Salute, de Nova Venécia); 2º lugar – Broa Italiana, de Wanderley Marcos Barros Alves (Padaria Manos, de Vila Velha); e 3º lugar – Rosca Saborear, de Adelzuito de Jesus (Padaria Tutti Pane, em Vitória). Já as premiadas na categoria Confeiteiro: 1º lugar – Cheese Cake de Manga, de Lázaro Francisco Campos Júnior (Padaria Panzzone, de Vila Velha); 2º lugar – Sobremesa para Ceia de Natal, de Edsandra Santos Monteiro (Padaria Sandra, de Sooretama); 3º lugar – Torta Musse de Abacate com Morango, de Rogério Corrente (Padaria Trigo Leve, de Alegre).

Capacitação e sustentabilidade foram destaques na Semana do Plástico ES Formação e capacitação de profissionais, ações socioeducativas, ambientais e de integração. Esses e muitos outros assuntos foram debatidos na Semana do Plástico ES, realizada entre 18 e 22 de outubro, em Vitória. O evento deste ano teve como tema “O Plástico que Volta” e foi promovido pelo Sindicato da Indústria de Material Plásticodo Estado do Espírito Santo (Sindiplast-ES). Segundo o presidente do Sindiplast-ES, Leonardo de Castro, o setor é o terceiro maior empregador na indústria nacional e, só no Estado, fornece ocupação para 5 mil profissionais, com 162 empresas ligadas ao segmento. “A Semana do Plástico nasceu como o Dia do Plástico e se desenvolveu. Agora, queremos levar esse projeto para todo o Brasil e mostrar como o plástico é bom para a sociedade e pode voltar aomercado sob milhares de formas”, disse Castro. O empresário Marconi Arruda Leal, da Biotropic Cosmética, foi homenageado durante o evento. Ele recebeu uma placa de reconhecimento pela vitória no 20º Prêmio Brasileirode Embalagem Embanews, com o design diferenciado dos produtos da linha infantil de Shrek do SESI-SENAI, Adriana Coelho, além da presença de empresários e autoridades políticas da região.

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Curso para melhorar o atendimento ao cliente Cerca de 30 servidores da Prefeitura de Linhares participaram do curso “Atender com foco no cliente”, promovido pelo IEL nos dias 31 de outubro e 4 de novembro. Eles aprenderam como analisar, por meio de jogos e vivências, situações que facilitem o atendimento e o relacionamento interpessoal no trabalho cotidiano. As aulas foram realizadas em parceria com o SESI/ SENAI na unidade regional da FINDES. “Além disso, o curso proporcionou um momento de reflexão sobre o atendimento oferecido”, explicou a coordenadora de Educação Empresarial do IEL, Ana Lúcia Lima Martins.

8ª Semana Estadual de Ciência e Tecnologia Com o objetivo de despertar o interesse do público pelo conhecimento científico, o Governo do Espírito Santo promoveu a 8ª edição da Semana Estadual de Ciência e Tecnologia, de 17 a 21 de outubro, no Centro de Convenções de Vitória. O evento serviu de vitrine para algumas novidades que a indústria capixaba poderá lançar no mercado futuramente, apresentadas na 4ª Mostra InovaFindes, organizada pelo Programa de Inovação da Indústria Capixaba (InovaFindes) em parceria com o SENAI-ES. Na primeira solenidade de abertura do evento, realizada no dia 17, no Palácio Anchieta, representaram o Sistema FINDES o 1º vice-presidente da entidade, Manoel Pimenta, e o presidente do Conselho Superior de Assuntos Legislativos (Coal), Sergio Rogerio de Castro, que foi homenageado pelo Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (Concitec) como “Personalidade do Setor Privado”, por relevantes serviços prestados ao setor de ciência, tecnologia e informação (CT&I) em 2011. A outra solenidade de abertura aconteceu no dia seguinte (18), na Assembleia Legislativa do Estado, e contou com a presença do diretor para Assuntos de Inovação Industrial e presidente do Conselho Superior de Política Industrial e Inovação Tecnológica da FINDES, Luiz Alberto Carvalho.

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Programa Alimento Seguro é lançado para consumidor capixaba Cuidados importantes ao comprar os produtos, tanto no aspecto de higiene e informações sobre o transporte após saírem dos estabelecimentos, como separação, armazenamento e preparação são essenciais para garantir uma alimentação sem riscos à saúde. Visando a esclarecer as famílias capixabas sobre esses aspectos, foi lançado na sede da FINDES o Programa Alimento Seguro (PAS), voltado para o consumidor. Em uma iniciativa inédita no Estado, o lançamento foi marcado pela realização da Semana do Alimento Seguro, de 24 a 27 de outubro, em vários locais. Durante a programação, aconteceram palestras para empresários e presidentes de sindicatos, e também para a comunidade, gratuitamente, com a participação do doutor Eneo Alves da Silva, biomédico, microbiologista e autor de vários livros sobre o tema.

Rua da Educação O Centro Integrado SESI/SENAI/IEL São Mateus participou, entre 15 e 21 de setembro, da “Rua da Educação”, um espaço destinado a apresentações artísticas e culturais em homenagem aos 467 anos do município. A unidade levou uma miniplataforma utilizada no Curso de Plataformista, ministrado pelo Senai. A programação contou com oficinas diversas, dinâmicas e apresentações culturais de música, danças e peças teatrais para um público estimado em 20 mil pessoas. Para o prefeito de São Mateus, Amadeu Boroto, a “Rua da Educação”, que começou em 2009, tomou corpo muito grande e agora precisa ser ampliada. “O espaço ficou pequeno para tamanha visitação. Quando se mostra um projeto de qualidade, a população prestigia”, afirmou o prefeito. Dez/2011 – nº 298

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cenário por Jaqueline Vitória

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reivindica continuidade do desenvolvimento Mais madura com o aprendizado das últimas crises econômicas, a FINDES oferece sua contribuição ao poder público, sublinhando que o crescimento é a síntese de mudança e continuidade 20

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om uma delegação composta por 42 diretores, executivos, conselheiros, presidentes de sindicatos e empresários industriais, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) participou ativamente do 6º Encontro Nacional da Indústria – ENAI, promovido pela Confederação Nacional da Indústria – CNI em outubro, em São Paulo. O evento teve como tema principal “O fortalecimento da competitividade da indústria brasileira” e, na ocasião, a Federação espírito-santense, que congrega 30 sindicatos e representa 16.086 empresas, as quais empregam mais de 220 mil trabalhadores formais, entregou à CNI a Carta da Indústria Capixaba, documento trabalhado e refinado pela entidade contendo propostas para o desenvolvimento da indústria estadual e nacional. A importância dessa contribuição revelou-se antes mesmo de encerrada esta matéria, quando a mídia estadual estampou a manchete: “Espírito Santo adere ao novo teto do Supersimples Dez/2011 – nº 298

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Foto: ostill/Shutterstock.com

Nacional”. Uma proposta, dentre várias, de redução da carga tributária, reivindicada na Carta da Indústria elaborada pela FINDES. A medida favorece cerca de 10 mil microempresas, segundo previsão da Agência de Desenvolvimento em Rede do Espírito Santo (Aderes). Números de crescimento Nos meses de agosto e setembro de 2011, o crescimento da produção industrial no Espírito Santo foi de 2,5%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de janeiro a setembro, o Estado registrou crescimento de 8,2%, o maior do ano entre os locais pesquisados. No entanto, comparada com o mesmo mês do ano passado, a produção industrial capixaba diminuiu 0,1%. A pesquisa foi realizada em 14 Estados, entre eles, os que abrigam os maiores polos industriais do País: São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O Estado com maior crescimento foi Goiás – 8,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior –, e o que teve o maior declínio foi o Paraná, com -13,5%. Segundo o gerente-executivo do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Estado do Espírito Santo (IDEIES), Doria Porto, o que está acontecendo atualmente é que o crescimento da indústria capixaba até setembro foi o maior em relação aos demais estados do País, considerado o mesmo período do ano passado, quando se analisa a indústria geral. “Mas no momento em que você vai verificar de onde surge esse crescimento, constata que veio, basicamente, Dez/2011 – nº 298

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“O conjunto “Omedidas foco do de é evitar éENAI bom, mas a desindustrialização, alguns aspectos já que a indústria precisam ser de todo o País está reavaliados, passando por esse principalmente É preciso aprocesso. desoneração repensar o conceito da folha de industrial no País, pagamento” iniciativaGuerra, privada junto Marcos com o poder presidente da público” Egídio Malanquini, FINDES diretor de Assuntos para Fortalecimento Sindical da FINDES

da indústria extrativa (minério de ferro, petróleo e gás). Porque a indústria de transformação, que representa boa parcela do setor, caiu 3%”, aponta Doria Porto. Commodities A maior concorrência no mercado interno e também com os produtos importados explica as quedas mais acentuadas no faturamento da indústria no Espírito Santo, no índice acumulado em 2011, principalmente nos setores têxtil, de vestuário, metalmecânico e de produtos químicos, segundo informações do IDEIES. Caso não seja tomada nenhuma medida, há uma chance em potencial de desindustrialização dessas áreas. “No setor de vestuário, esse problema está acontecendo no Brasil todo, por conta das importações vindas, principalmente, da China, entre outros países”, destaca Porto. No Espírito Santo, mais de 50% da economia é voltada para o comércio internacional, com base principalmente na exportação de commodities, razão pela qual a crise de 2008 afetou direta e fortemente o Estado. Entre novembro de 2010 e outubro deste ano, a balança comercial do país acumula saldo de US$ 31.025 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Até o mês de outubro, o Brasil exportou US$ 37 bilhões para a China (principal comprador dos produtos brasileiros), uma alta de 44,75% em relação ao mesmo período do ano passado. Mas a desaceleração do crescimento chinês preocupa, pois pode exercer uma pressão de baixa nos preços das commodities exportadas pelo Brasil, segundo especialistas da área de comércio exterior. De acordo com previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento da China vai cair de 9,5% este ano para 9% em 2012. O desaquecimento Indústria Capixaba – FINDES

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Foto: Agência Petrobras

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mundial e o consequente recuo no saldo comercial podem fazer com que o Governo brasileiro interrompa o acúmulo de reservas de dólares, fenômeno que vem sendo observado com mais intensidade a partir de 2006. Indústria de transformação O Índice de Commodities Brasil (IC-Br), medido pelo Banco Central, também aponta para uma queda no preço das commodities este ano. O índice recuou de 167, 01, em setembro, para 161,52 em outubro – queda de 3,29%. Há casos em que o movimento de baixa dos preços de algumas commodities também pôde ser acompanhado por uma redução dos volumes exportados. Com esse cenário, Doria Porto argumenta que, apesar de as commodities serem muito importantes para o Espírito Santo, deve-se observar a necessidade de ampliar e diversificar a cadeia produtiva da indústria capixaba, aumentando o valor agregado da produção, de forma a se reduzir a dependência de commodities. Esse foi um dos pontos importantes em discussão durante o encontro estadual da categoria e que gerou propostas para serem inseridas na Carta da Indústria que a FINDES entregou à CNI no ENAI. Uma delas é estimular a formação de consórcios para exportação, porque as micro e pequenas empresas, sozinhas, não conseguem volume para exportar com competitividade. Outro ponto de reivindicação é colocar em prática políticas públicas de incentivo às empresas dentro do programa Inovare, uma vez que, se estarão se voltando para o comércio exterior, é importante que inovem. Desindustrialização É fato que a produção industrial começou a cair, consequência do avanço rápido da produção estrangeira de industrializados e semielaborados sobre a nacional. Além disso, real supervalorizado, maior taxa de juros do mundo, carga tributária abusiva, infraestrutura precária e concorrência desleal são ingredientes que, somados, levaram não só o Espírito Santo, mas todo o País, a assistir a empresas encerrando suas atividades e dando espaço para produtos similares estrangeiros. “A desindustrialização deixou de ser um risco e transformou-se em realidade”, lamenta Egídio Malanquini, 22

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diretor de Assuntos para Fortalecimento Sindical da FINDES e também do Centro de Apoio aos Sindicatos (CAS), ligado à entidade. Egídio defende a importância de uma reforma tributária, pois o peso dos impostos é um dos elementos que encarece a produção nacional e diminui seu potencial de concorrer com produtos de outros países. “O foco do ENAI é evitar a desindustrialização, já que a indústria de todo o País está passando por esse processo. Os debates foram voltados para esse tema. É preciso repensar o conceito industrial no País, iniciativa privada junto com o poder público”, destaca. Egídio lembra que a indústria foi o setor que mais gerou emprego no Brasil. E neste momento, na sua visão, deve-se buscar parceria com os governantes, para que sejam fomentadas ações e ferramentas a fim de evitar a desindustrialização. “Temos que caminhar na busca de parceria com o Governo. É preciso avançar e, nesse contexto, a indústria tem compromisso com o social, mas é necessário diminuir os custos das empresas, repensar a carga tributária colocada sobre o empresariado, inclusive o micro e pequeno industrial, fato que está levando à desindustrialização no Brasil”, argumenta Egídio Malanquini. Concorrência Outro item dentro das propostas da Carta da Indústria Capixaba é realinhar os instrumentos de competitividade industrial. O Governo do Estado celebra contratos de competitividade com alguns setores industriais e implantou o Programa de Incentivo ao Investimento (Invest-ES). Esses programas, articulados e coordenados Dez/2011 – nº 298

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pela Secretaria de Desenvolvimento em conjunto com a Secretaria de Estado da Fazenda, são importantes instrumentos para o desenvolvimento da indústria capixaba. Mas o empresário acha que eles precisam ser revistos e adequados à realidade atual. Já o gerente-executivo do IDEIES, Dória Porto, destaca que um item importantíssimo para as micro, pequenas e médias empresas diz respeito ao sistema financeiro capixaba, representado pelo Bandes e pelo Banestes. “Que ambos tenham financiamento específico para essas empresas, de forma a dar mais suporte à indústria capixaba, pois,juntas, elas representam 99,8% do complexo industrial do Estado”, diz Doria. O Espírito Santo vai aderir oficialmente ao novo teto para o Supersimples Nacional, passando de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões o limite de faturamento para que as empresas capixabas possam se enquadrar a essa modalidade de recolhimento de tributos. O novo teto do Simples Nacional entra em vigor a partir de 1º de janeiro

“Apresentamos na Carta da Indústria Capixaba temas urgentes, questões relativas, inclusive, à proposta do novo texto do Simples nacional, que acaba de ser adotada pelo governo do Estado, em decisão bastante comemorada” Marcos Guerra, presidente da FINDES Dez/2011 – nº 298

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de 2012, mas os micro e pequenos empreendedores já podem fazer o agendamento da opção pelo regime no site da Receita Federal. Entre as vantagens do Supersimples estão a maior facilidade no atendimento à legislação, no pagamento de tributos e a redução da carga tributária. Há, atualmente, no Espírito Santo, 107 mil empresas optantes pelo Simples, das quais 47.683 são contribuintes de ICMS estadual, segundo dados do Governo do Estado. As microempresas são 35.127, que agora estão enquadradas no faturamento anual de R$ 360 mil, e as empresas de pequeno porte são 12.556, enquadradas nos R$ 3,6 milhões anuais. Com o novo teto do Supersimples, cerca de 10 mil empresas poderão ser favorecidas. “Esse documento destaca questões fundamentais para o aumento da competitividade da indústria como um todo, como a redução da carga tributária, o melhor acesso a linhas de crédito, investimentos em inovação tecnológica e infraestrutura, e serviu como subsídio para compor a Carta da Indústria Nacional”, destacou o presidente da FINDES, Marcos Guerra. “Sobre o Espírito Santo especificamente, apresentamos na Carta da Indústria Capixaba temas urgentes, como a desindustrialização, que já afeta alguns setores, as ações de qualificação profissional, questões relativas ao meio ambiente, e à proposta do novo teto do Simples Nacional, que, inclusive, acaba de ser adotada pelo Governo do Estado, em decisão bastante comemorada pela indústria e por todo o empresariado capixaba”, completou Marcos Guerra. A maior parte dos Estados vizinhos do Espírito Santo – Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo – já estavam no teto ideal, e a Bahia também deverá adotá-lo. Assim, se os capixabas se mantivessem em um teto menor, ficariam “ilhados”, muito mais vulneráveis à concorrência das micro e pequenas empresas daqueles Estados. A proposta foi aceita e oficializada pelo Governo do Espírito Santo. Aumento do IDH Além dos itens já citados, a Carta da Indústria também contém propostas para a área do ensino profissionalizante. Dória Porto explica que a indústria propõe ao Poder Executivo, Estado e municípios ampliar a articulação Indústria Capixaba – FINDES

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Foto: Thiago Guimarães / Secom

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entre o ensino básico e o ensino profissionalizante e garantir a qualidade do ensino técnico, como alternativa para aumentar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em 2011, o IDH brasileiro chegou a 0,718 ponto, valor 0,003 ponto superior ao de 2010. O desempenho fez o País alcançar a 84ª posição entre 187 países, segundo informações divulgadas no dia 2 de novembro pelo Relatório de Desenvolvimento de 2011 do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). No setor de meio ambiente, a Carta reivindica tratamento ambiental diferenciado para a micro, pequena e média empresa e para aquelas que tenham reciclagem como atividade preponderante. Outro ponto é a implantação de licenciamento em bloco para empresas correlatas – ou seja, que aquelas que possuam a mesma atividade tenham licenciamento em bloco, e não individual. Privatização A Carta da Indústria inclui também um posicionamento sobre a questão do aeroporto, propondo que a concessão seja passada para a iniciativa privada. É a primeira vez que o empresariado capixaba faz esse tipo de proposição. Já na área dos portos capixabas, o setor industrial pede que sejam divulgadas a avaliação e a situação dos projetos de

“Uma das propostas da Carta da Indústria é estimular a formação de consórcios para exportação” Dória Porto, gerente- executivo do IDEIES 24

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criação e implantação de portos e estaleiros, incluindo o projeto do porto de águas profundas. Em termos de rodovias, a Carta da Indústria da FINDES destaca a mobilização para que seja viabilizada a construção do contorno do Mestre Álvaro, como contrapartida do Estado ao projeto de concessão da BR-101. O documento aborda ainda a articulação e mobilização para a manutenção do atual modelo de distribuição de royalties, sem alterações. Foram feitas propostas também em relação a ajustes no plano Brasil Maior, que traduz a política industrial do governo federal. A indústria deseja a isenção tributária total sobre os bens de capital (máquinas e equipamentos), sob o argumento de que o Brasil é um dos poucos países do mundo que taxa investimentos produtivos. A Carta da Indústria da FINDES tem endereço certo e de fato soma na contribuição para um projeto nacional de crescimento e desenvolvimento socioeconômico sustentável. O Brasil caminha e precisa ser a passos largos, mas isso requer que os gargalos identificados sejam superados, para que a indústria nacional – e, especialmente, a capixaba – mantenham o ritmo de desenvolvimento. O que a indústria não quer é reduzir ou parar a produção, pois onde não há continuidade não há crescimento. Essas conquistas pleiteadas estimularão um novo ciclo da indústria capixaba em sua bem-sucedida trajetória, lutando pela interiorização do desenvolvimento e a diversificação e crescimento da sua economia. Dez/2011 – nº 298

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INOVAÇÃO por Heliomara Mulullo

INCENTIVO À INOVAÇÃO GANHA FORÇA DE LEI

Embora o País tenha duas leis federais de incentivo ao investimento em inovação e tecnologia, ainda há muito desconhecimento sobre o assunto. Entidades do setor estão se unindo para ampliar o debate e formatar uma Lei de Inovação estadual, que será levada à pauta da Assembleia Legislativa do Espírito Santo

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nvestir em pesquisa e tecnologia pode resultar em bons frutos para as empresas. Em vigor há cinco anos, a Lei nº 11.196 (conhecida como “Lei do Bem”) estabelece numerosos benefícios para quem investe em inovação tecnológica na concepção de novo produto ou processo de fabricação, bem como na agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou processo que implique melhorias, incrementos e efetivo ganho de qualidade ou produtividade, resultando em maior competitividade no mercado. Antes da vigência da “Lei do Bem”, as políticas públicas não acompanhavam a tendência da maior parte dos países desenvolvidos de investir grandes quantias em pesquisa. O diretor para Assuntos de Inovação Industrial da FINDES e presidente do Conselho Superior de Política Industrial e Inovação Tecnológica (Concitec, constituído por representantes de entidades e institutos de pesquisa do Espírito Santo), Luiz Alberto Carvalho, explica que até então o maior volume investido pelo Brasil nesse campo não era destinado às empresas, mas às universidades, 26

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que também esbarravam nas exigências burocráticas para utilizar os recursos. Porém, em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, instituiu-se no Brasil um modelo de incentivo fiscal à pesquisa que procurava corrigir tal distorção, incentivando que a inovação aconteça de forma mais eficiente. Mas, por falta de informação, as empresas não vêm usufruindo dos benefícios legais, perdendo a oportunidade de avançar em competitividade e inovação. Conforme dados do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), menos de 400 empresas no Brasil utilizam a “Lei do Bem” em seu benefício, mesmo sabendo que é raro uma lei criar isenção fiscal, como nesse caso. Para o diretor da FINDES, o assunto precisa ser muito mais divulgado. “Há ainda muito desconhecimento. Além disso, há outros fatores, mas que também guardam relação com este: falta de assessoria especializada, medo do Fisco, dúvidas quanto à interpretação da lei e demora na decisão interna”, declarou, enfatizando que a mudança sempre encontra resistência. Dez/2011 – nº 298

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Segundo Luiz Alberto, o MCT publicou relatórios sobre a utilização da lei em 2006 e em 2007. “Mas esses relatórios são parciais, pois não tratam de grande parte dos incentivos, os quais não passam pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. Os benefícios do Capítulo III da ‘Lei do Bem’ são baseados em incentivos fiscais, como: deduções de Imposto de Renda e da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) de dispêndios efetuados em atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D); a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de máquinas e equipamentos para P&D; depreciação acelerada desses bens; amortização acelerada de bens intangíveis; redução do Imposto de Renda retido na fonte incidente sobre remessa ao exterior resultante de contratos de transferência de tecnologia; e isenção do Imposto de Renda retido na fonte nas remessas efetuadas para o exterior destinadas ao registro e manutenção de marcas, patentes e cultivares”, destacou, acrescentando que tais benefícios podem ser rapidamente usados. “O valor do ganho depende do projeto”, esclareceu. Estado pode ter sua Lei de Inovação Enquanto a “Lei do Bem” ainda é novidade em ampla parcela do meio empresarial, a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Sect) tem se movimentado no sentido de promover maior debate sobre outra lei, a de Incentivo à Inovação Tecnológica (Lei nº 10.973 de 2 de dezembro de 2004, regulamentada em 11 de outubro de 2005 pelo Decreto nº 5.563). A iniciativa tem sido promovida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes) por meio de debates entre setores de governo, meio acadêmico e setor

“A Lei de Inovação garantirá a consolidação do arcabouço legal para o desenvolvimento científico e tecnológico do Espírito Santo” Jadir Péla, Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia

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“Há ainda muito desconhecimento. Além disso, podemos citar outros fatores: falta de assessoria especializada, medo do Fisco e demora na decisão interna” Luiz Alberto Carvalho, diretor para Assuntos de Inovação Industrial da FINDES produtivo, visando a coletar sugestões de mecanismos a serem inseridos no texto que será posteriormente debatido e apresentado como Projeto de Lei (Lei de Inovação) na Assembleia Legislativa do Espírito Santo. O secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Jadir Péla, vem se esforçando para que até dezembro próximo essa fase de debates, sugestões, definições e melhorias esteja concluída. “A Lei de Inovação garantirá a consolidação do arcabouço legal para o desenvolvimento científico e tecnológico do Espírito Santo. Ela também será resultante de um processo democrático de construção de política pública, ouvindo a sociedade”, afirmou. Jadir Péla também manifesta muito interesse em melhorar o relacionamento da Academia com o setor produtivo, através de mais diálogo e interação de ideias, resultando em inovações que beneficiarão toda a sociedade. Em setores estratégicos para o desenvolvimento do Estado, tais como metalurgia, nanotecnologia, novos materiais, siderurgia, entre outros, a inovação deve ser constante, avalia Jadir. Concitec: estimulo à inovação O Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (Concitec), formado por representantes de entidades e institutos de pesquisa do Espírito Santo, tem sido um grande promotor dos debates que fomentam a área de tecnologia e inovação. O conselho integra o Sistema Estadual de Ciência e Tecnologia, que é formado pela Sect, Fapes e Concitec. Tem como principal função debater e determinar as diretrizes da política estadual de ciência, tecnologia e inovação. Atualmente, ele é formado pelos seguintes representantes: Luciano Raizer Moura (FINDES); Ronye Berger (Ales); Laécio Ferracioli (SBPC); Gláucia Zoldan (Sebrae); Fábio Ahnert (Iema); Francisco Emmerich (Ufes), Luís Fernando Schettino (MCT), Alexandre Theodoro (Sinepe); Sonia Coelho (Sedes); Aureliano Nogueira (Seag); Jadir Pella (Sect) e Anilton Sales Garcia (Fapes). Indústria Capixaba – FINDES

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Indústria EM AÇÃO

Ato público em defesa do Espírito Santo O presidente da FINDES, Marcos Guerra, e o vice-presidente Ernesto Mosaner, e conjunto com toda a diretoria da FINDES, participaram do Ato Público em Defesa dos Royalties do Petróleo do Espírito Santo, realizado na Praça dos Namorados, no dia 10 de novembro. A manifestação uniu todas as esferas do poder público capixaba, lideranças empresariais e a população contra a proposta de mudança na partilha dos royalties oriundos da exploração do petróleo que se aprovada, segundo dados do Governo do Estado, deve acarretar para o Espírito Santo perdas em arrecadação da ordem de R$ 35 bilhões até 2015. A FINDES publicou um comunicado nos principais jornais capixabas e divulgou-o também entre o empresariado industrial do Espírito Santo, convocando as lideranças e os trabalhadores de cada setor para que participassem do ato público.

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Indústria EM AÇÃO

Empreendedorismo é tema de debate na Findes Na Semana Global de Empreendedorismo, o Rotaract Club Vitória, em parceria com o CINDES Jovem, realizou um debate sobre os desafios para empreender no Espírito Santo. O evento aconteceu no último dia 28 de novembro, no Salão da Indústria do Edifício FINDES. O debate foi precedido por três palestras. A primeira foi sobre relacionamento, postura profissional e uso das redes sociais como ferramenta de relacionamento, com o consultor Eurípedes Pedrinha. O secretário de Estado de Desenvolvimento, Márcio Felix, conduziu a segunda palestra, apresentando as tendências do Espírito Santo, o cenário econômico e as oportunidades. Finalizando, Luciano Raizer Moura, 3º diretor administrativo da FINDES, falou sobre a formação de novas lideranças, desenvolvimento da indústria e os desafios de empreender no Espírito Santo.

Vice-presidente do BNDES participa de evento da FINDES O Sistema FINDES, por meio do Programa de Inovação na Indústria Capixaba (InovaFindes), recebeu o evento itinerante “Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI)”, uma ação desenvolvida pela CNI desde 2008, com o objetivo de aprimorar e incorporar a gestão da inovação nas empresas brasileiras. O encontro aconteceu em 21 de novembro, no Centro de Convenções de Vitória, e contou com a participação do vicepresidente do BNDES, João Carlos Ferraz, que falou sobre “Inovar e Investir para Competir”. De acordo com Ferraz, no Brasil há mais de 38 mil empresas inovadoras, mas pouco mais de 3 mil inovam para o mercado interno e apenas 267 inovam com visão no mercado mundial. “Precisamos rever essa situação. É desproporcional a comparação entre o crescimento da nossa economia com o crescimento do setor de ciência e tecnologia”, frisou. Participaram ainda do evento o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, o presidente do Sistema FINDES, Marcos Guerra, representantes do Ministério da Ciência e Tecnologia, Sebrae Nacional, Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com Marcos Guerra, o evento possibilitou a discussão de propostas para o incentivo à inovação, como as que tratam sobre a ampliação dos incentivos fiscais para o desenvolvimento de produtos e processos inovadores. Dez/2011 – nº 298

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IEL anuncia vencedores do Prêmio Boas Práticas de Estágio No dia 10 de novembro,o Instituto Euvaldo Lodi do Espírito Santo, IEL-ES, anunciou os vencedores da etapa estadual do Prêmio IEL de Boas Práticas de Estágio. O prêmio tem como objetivo identificar e reconhecer, além do estagiário que mais se destacou durante o ano de 2011, a empresa e a instituição de ensino com melhores programas de estágio. A disputa aconteceu em quatro categorias: Micro e Pequena Empresa; Média Empresa; Grande Empresa; e Sistema Indústria. Dos 13 finalistas, resultaram quatro vencedores. Na categoria Empresa de Grande Porte, a vencedora foi a estudante da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e estagiária da Espírito Santo Centrais Elétricas (Escelsa) Rebeca Panceri de Lima. A vencedora do prêmio na categoria Empresa de Médio Porte, foi Danielle Cristine Castagna Vieira, estagiária da Akla Indústria e Comércio Ltda e estudante da Faesa. Já na categoria empresa de pequeno porte o grande vencedor foi o estudante da Escola Estadual Desembargador Carlos Xavier de Paes Barreto e estagiário da Quartzomassa Gabriel Lecoque Francisco. Na categoria Sistema Indústria o vencedor foi Cauê Corrêa, estudante da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e estagiário da Controladoria do Sistema Findes. Os contemplados de cada categoria ganharam uma placa de homenagem, um vale-curso de curta duração do IEL-ES, certificado, inscrição automática para o Prêmio Nacional IEL de Estágio, além de um cheque de R$ 500. Já as empresas e instituições de ensino foram contempladas com uma placa de homenagem e certificado.

Esporte Cidadania realiza mais de 10 mil atendimentos A ação Esporte Cidadania realizou 10.171 atendimentos no dia 26 de novembro, em Cachoeiro de Itapemirim. Fruto de uma parceria entre o SESI e a Rede Globo, por meio de sua afiliada Rede Gazeta, o evento teve como objetivo promover a inclusão social através do esporte. Foram oferecidos serviços nas áreas de educação, saúde, lazer, cultura e esporte. Mais de duas mil pessoas foram beneficiadas pela mobilização social, que reuniu 38 parceiros, entre empresas e entidades, e recebeu também os alunos do Projeto Atletas do Futuro. Indústria Capixaba – FINDES

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Especial por Lorena Storani e Thaís Brêda Foto: Fábio Nunes

Economia debaixo d’água, até quando? A chegada da época das chuvas traz também algumas preocupações já bastante conhecidas: os alagamentos, deslizamentos e danos à malha viária de grande parte dos municípios. O problema é bem antigo e não apenas acarreta transtorno e prejuízo para as populações, como também afeta o desenvolvimento econômico e industrial das regiões atingidas 30

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T

odo ano, a cena se repete. A temporada de chuvas fortes alaga ruas, faz deslizar barreiras, destrói o asfalto em ruas e rodovias, inunda casas, encharca plantações, estraga galpões, mercadorias e matérias-primas. Se a população sofre com os transtornos e anseia por soluções, o setor industrial faz coro e clama por uma saída rápida, eficaz e permanente. De acordo com o diretor da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo (FINDES) para Assuntos de Meio Ambiente, Wilmar Barros Barbosa, é preciso fazer uma ampla análise desse cenário para total ciência dos danos. “Temos que analisar vários fatores quando falamos do impacto das chuvas para a economia, já que em cada setor ela tem um impacto diferente. Não há como quantificar esses impactos, mas, em geral, podemos dizer que há perda de produção e produtividade, seja porque a chuva destruiu a lavoura, ou porque não foi possível levar os produtos para seus destinos, ou ainda por aumento do absenteísmo dos trabalhadores”, analisa Barbosa, que também é diretor da Regional Linhares da FINDES. Economia afetada Além das atividades agroindustriais, outros segmentos da indústria que são de grande importância para a economia capixaba também sofrem com os problemas trazidos pelos temporais. Segundo o diretor regional da Findes em Colatina, Manoel Antônio Giacomim, o setor de rochas é um dos que fica bastante prejudicado. “Os alagamentos provocam queda nas vendas do comércio, perda de mercadorias e desvalorização imobiliária” Neucimar Fraga, prefeito de Vila Velha

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“Em Cariacica realizamos a limpeza de valões e pequenos córregos, além de palestras em escolas” Jarbas Siqueira, chefe da Defesa Civil de Cariacica

“Nos últimos dois anos, não tivemos problemas com a chuva em Colatina, mas em São Domingos do Norte tivemos estragos em empresas de granito e no setor rural, que são os mais impactados pelas chuvas fortes. No caso do granito, como a extração é feita em locais de difícil acesso, o transporte das pedras fica prejudicado”, pontua Giacomim. Ele explica ainda que há ações que podem ser tomadas para minimizar os transtornos em períodos de chuvas torrenciais. “Para amenizar os prejuízos, é preciso melhorar as estradas vicinais, manter os córregos limpos e, na área urbana, limpar bueiros e galerias. Esse é um tema que precisa receber atenção permanente do poder público, uma vez que as chuvas afetam diretamente a economia”, destaca o diretor regional de Colatina. Num efeito cascata, que começa nos setores produtivos como agricultura, pecuária e extração de rochas, entre outros, o comércio também acaba sendo bastante afetado e, por consequência, a geração e circulação de riquezas. Além de lidar com o atraso na entrega de mercadorias, as enchentes afetam os produtos em estoque. “Em quantidades normais, a chuva é até boa para a economia, mas quando chove em excesso há prejuízos em várias atividades, inclusive no comércio. Em Aracruz, não temos muitos problemas com as chuvas, por ser um local mais plano, mas outros municípios, como Ibiraçu e Fundão, sofrem bastante”, informa o diretor regional da FINDES em Aracruz, João Batista Depizzol Neto “Em 2009, Indústria Capixaba – FINDES

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Especial

por exemplo, houve uma perda muito grande no comércio central de Ibiraçu, por conta das fortes chuvas, e até mesmo a BR 101 teve uma grande extensão alagada”, complementa. Para o diretor da FINDES para Assuntos de Meio Ambiente, o problema tem solução evidente. “Tudo passa pela questão da infraestrutura, seja pública ou privada. Criando-se uma boa infraestrutura, aumentam-se a produção, o potencial hídrico e a estabilidade”, destaca Wilmar Barros Barbosa.

Foto: Divulgação / Defesa Civil Estadual

Nos alagamentos, assim como a população, também as empresas têm sua mobilidade prejudicada

O cenário começa a mudar Entendendo que os estragos das fortes chuvas vão muito além de ruas alagadas, e afetam toda a população, bem como toda a cadeia produtiva do Estado, muito já se começa a fazer no sentido da prevenção. Alguns municípios capixabas têm investido pesado em limpeza de galerias, drenagem e construção de muros de contenção. O chefe da Defesa Civil de Linhares, Antônio Carlos dos Santos, explica que a

Saiba Mais!

Aracruz • São realizados a manutenção dos canais pluviais e o desentupimento de bueiros • A cidade possui um plano envolvendo as secretarias, em casos de chuva forte • A Defesa Civil participa de frequentes treinamentos e simulações

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Cachoeiro de Itapemirim • Desde 2009, toda obra de pavimentação deve ser feita com a construção prévia ou reparo da rede de drenagem • Investimentos na construção de muros de contenção e rede de drenagem

• Criação do Sistema de Comando de Operações, que oferece atendimento em casos de desastre

Foto: Romildo P. Ribeiro

Foto: Divulgação/Secom

Foto: Prefeitura de Cachoeiro

Foto: Thiago Guimarães/Secom

Veja quais são as principais ações desenvolvidas pelas prefeituras:

Cariacica • Realiza ações preventivas como palestras sobre procedimentos durante alagamentos e deslizamentos de encostas

Colatina

• Investe na drenagem e pavimentação de vias

• Pretende elaborar o Plano Municipal de Redução de Riscos

• Limpeza de canais, valões e redes de captação de água

• Realiza a limpeza periódica de rios, mananciais e galerias fluviais • Entregou casas populares para famílias que vivem em áreas de risco ou que tiveram suas casas condenadas

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Viana • A prefeitura paga aluguel social para cerca de 20 famílias prejudicadas pelas chuvas

• Promove a limpeza de córregos e valões e a desobstrução das redes pluviais

• Planejamento inclui a preparação de pontos de apoio, de plantões e disponibilização de material para a população, como colchões e roupas

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transtornos e prejuízos para Vila Velha. Os alagamentos provocam queda nas vendas do comércio, perda de mercadorias e também a desvalorização imobiliária”, afirma o prefeito do município, Neucimar Fraga. O chefe do Executivo municipal explica que a criação do Código Ambiental da Cidade foi um importante

• Promove a limpeza de valões e a desobstrução de valas e rios

Foto: Vitor Nogueira/PMV

Foto: Pref. Municipal de Viana

Foto: Ass. Comunicação/Seag

Serra • Treinamentos para equipes da Defesa Civil, assistentes sociais, psicólogos e sociólogos • Núcleos de Defesa Comunitários, formados por voluntários residentes em áreas de risco

“Com o radar vamos conseguir saber, com cerca de duas horas de antecedência, onde a chuva vai cair”. Coronel Edmilton, coordenador da Defesa Civil do Estado

Foto: Ass. Comunicação Cesan

cidade se diferencia das demais por conta da topografia, plana e favorável. Ainda assim, a preocupação com o período de chuvas intensas é uma constante. “Quando chove muito em Minas Gerais e o Rio Doce enche, sofremos muitos transtornos. Mas o município possui um Plano de Contingência que estabelece o que cada Secretaria deve fazer em caso de chuvas fortes e quais recursos cada uma delas vai disponibilizar”, esclarece Antônio Carlos. Na opinião do chefe da Defesa Civil de Cariacica, Jarbas Mota Siqueira, a preocupação com o período de chuvas fortes é nacional, por conta dos inúmeros estragos ocorridos em diferentes regiões. “Em Cariacica tomamos providências ao longo do ano, realizando a limpeza de valões e pequenos córregos, além de palestras em escolas. Esse é o nível 1 de preparação. Temos ainda os níveis 2 e 3, quando estamos prontos para agir no caso de alerta de chuva forte, e implementar as ações em si, quando a tempestade já ocorreu, respectivamente”, explica Siqueira. Um dos municípios mais lembrados ao se falar em transtornos causados pelas chuvas é Vila Velha. Cenas de alagamento são frequentes na cidade quando a temporada de chuvas se inicia. “Historicamente, a chuva causa muitos

Vila Velha • Está em andamento a construção de uma galeria no Canal da Capixaba

• Estão em fase de licitação as obras de desassoreamento e limpeza dos canais de Cobilândia, Jardim Marilândia, Santa Rita e Jardim Asteca

Vitória • A prefeitura investe em treinamentos e capacitações das equipes da Defesa Civil • Possui um completo mapeamento das áreas de risco e Plano Municipal de Redução de Risco

• Concluiu a limpeza e desassoreamento do Canal Belas Artes

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Especial

Defesa Civil promove ação simulada em Vitória Em uma ação inédita, a Defesa Civil promoveu no sábado, 26 de novembro, uma simulação de alerta de chuva forte, com a remoção de famílias de áreas de risco. A iniciativa contou com a colaboração de 80 famílias do bairro Jaburu, em Vitória, além da Defesa Civil Estadual, Corpo de Bombeiros e Guarda Civil Municipal. Após a emissão de um alerta de chuva forte, feito pela Defesa Civil do Estado, foram emitidos sinais sonoros, convocando a população a deixarem suas casas e seguir para pontos seguros e centros de convivência (foto), previamente estabelecidos. De acordo com a Defesa Civil Estadual, este tipo de treinamento ajuda a população a se preparar e a enfrentar uma situação de desastre, além de possibilitar a verificação da aplicabilidade dos Planos de Contingência. passo tomado. “Como não tínhamos um, isso dificultava as ações de desassoreamento e de combate à construção desordenada. Outra iniciativa importante foi a elaboração do Plano Diretor de Drenagem, que aponta soluções para a questão dos alagamentos e nos permite fazer projetos, captar recursos e executá-los”, destaca Neucimar. O Estado entra em ação A preocupação com os danos causados pelos fortes temporais não se restringe aos municípios. O Espírito Santo, por meio da Defesa Civil Estadual, tem desenvolvido importantes iniciativas pautadas na prevenção. De acordo com o coronel Edmilton Ribeiro Aguiar

“Para amenizar os prejuízos, é preciso melhorar as estradas vicinais, manter os córregos limpos e, na área urbana, limpar bueiros e galerias. Este é um tema que precisa receber atenção permanente do poder público, uma vez que as chuvas afetam diretamente a economia” Manoel Antônio Giacomim, diretor regional da Findes em Colatina 34

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Um dia após a realização do simulado ocorreu um pequeno deslizamento na região, que não deixou vítimas, por conta das fortes chuvas. A iniciativa da simulação integra o Sistema de Monitoramento e Alerta da Secretaria Nacional de Defesa Civil. Em 2012 a Defesa Civil deve realizar o mesmo exercício de simulação em Rio Novo do Sul e em Marechal Floriano. Junior, coordenador da Defesa Civil do Estado, a criação do Plano Estadual de Contingência para os Desastres Hídricos, finalizado em 2010, se destaca entre as ações positivas. “Ele estabelece, previamente, as atribuições das secretarias estaduais em caso de enchentes, sob a coordenação da Defesa Civil e da Casa Militar. A partir do plano, sabemos a quem acionar em caso de emergência e o que é preciso fazer. Ele é um pouco diferente dos planos municipais porque, no caso das cidades, elas precisam fazer um mapeamento de toda a área de risco”, esclarece. O coronel explica ainda que o Estado está realizando a estruturação do sistema de monitoramento e alerta de desastres, que deve contar com uma parceria públicoprivada. “Hoje nós temos estações meteorológicas, além de estações pluviométricas e fluviométricas, que ajudam a quantificar a chuva que ocorreu. Mas com o radar do sistema de monitoramento que será adquirido, vamos conseguir saber, com cerca de duas horas de antecedência, onde a chuva vai cair. Isso não resolve o problema das chuvas, mas reduz os danos e permite a prevenção” pontua. De acordo com o coronel Edmilton, o radar deve ser adquirido já no próximo ano e a previsão para sua entrada em funcionamento é de cerca de 18 meses. “Também estamos buscando fazer uma parceria com o Rio de Janeiro, para instalar um radar em Macaé, monitorando a região sul do Espírito Santo”, conclui. Dez/2011 – nº 298

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caso de sucesso por Lorena Storani

Franco Machado A determinação de quem acredita no que faz

C

om 14 anos de existência, a Mogai Soluções Confiáveis tem muita história para contar. Fundada em 1997, a empresa sempre manteve o foco em seu objetivo principal: o desenvolvimento de sistemas sob medida para organizações de grande porte. Perseguindo esse propósito, a Mogai passou por um processo de expansão que elevou seu nome ao cenário nacional da tecnologia da informação. “A empresa nasceu ainda na universidade, dentro da disciplina de Empreendedorismo. Éramos em seis colegas de turma e nos juntamos ao percebermos que tínhamos mercado para uma empresa de software”, conta Franco Machado, diretor comercial da empresa. Ele explica que o início foi bastante complicado. “Cada um de nós, individualmente, atuava no mercado de informática e, de certa forma, era conhecido. Mas ainda não tínhamos um nome forte enquanto empresa, e batalhamos pela credibilidade”, lembra Machado. Reposicionando a marca Ao longo de sua caminhada, a Mogai acumulou grande expertise em projetos de desenvolvimento de sistemas e software sob medida para seus clientes. Conhecimentos profundos e práticas corretas permitiram à empresa agregar valor ao negócio de seus parceiros e clientes. Demonstrando claro entendimento dessa nova lógica de serviços, a Mogai investiu em seu reposicionamento para o mercado, o que motivou, inclusive, a mudança no nome, deixando de ser Mogai Tecnologia de Informação e passando a ser Mogai Soluções Confiáveis.

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“Buscamos ser vistos pelo mercado como uma empresa que fornece soluções, e não apenas que vende serviços – afinal, esta é a nossa expertise. E esse reposicionamento deu muito certo. O mercado entendeu e absorveu nossa nova proposta”, afirma o diretor. Na mesma época, foram criadas as Unidades de Negócios (UN) que, embora tenham diferentes identidades e frentes de atuação, estão todas submetidas à Mogai. As UNs são gerenciadas por profissionais especializados em aplicar a tecnologia para a conquista de ganhos que garantam maior retorno sobre os investimentos dos clientes. São quatro as diferentes áreas das unidades de negócio: Automação; Logística; Software; e Visão Artificial. Esta última atua em projetos de pesquisa e desenvolvimento. A UN de Visão Artificial nasceu da necessidade de desenvolver produtos baseados em tecnologias como visão computacional, processamento de imagens e reconhecimento de padrões. “Estamos desenvolvendo novas tecnologias e produtos, inclusive, investindo em novas áreas”, revela Franco Machado. Futuro De acordo com o diretor comercial, o segredo da Mogai é perseverar sempre, e não deixar de investir em inovações. “A tecnologia não para nunca de evoluir, e por isso estamos sempre investindo em novos produtos. Para o próximo ano, estamos investindo em dois projetos, um na área de porto e outro em mineração. São investimentos de cerca de R$ 400 mil que num prazo de dois a três anos, deve nos retornar em dobro”, revela Franco Machado. Dez/2011 – nº 298

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indicadores

qualidade do sistema tributário brasileiro

O

IDEIES (Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo) elabora mensalmente, sob a coordenação da Confederação Nacional da Indústria (CNI),

a pesquisa Sondagem Industrial. Trimestralmente, junto à Sondagem Industrial, realiza uma Sondagem Especial, sendo a do último trimestre uma avaliação do sistema tributário brasileiro.

Empresários capixabas reprovam o sistema tributário brasileiro 90%

dos empresários capixabas criticam o elevado número de tributos existente no País.

87%

desaprovam o sistema tributário no tocante à simplicidade.

79%

reprovam o sistema tributário brasileiro no que tange à transparência.

90%

73%

elegem igualmente o ICMS e as contribuições previdenciárias como os tributos que mais causam impacto negativo na competitividade da empresa.

apontam que a tributação excessiva é uma das principais características negativas dos tributos brasileiros.

77%

acham que a unificação das alíquotas deve ser uma das prioridades da reforma tributária em relação ao ICMS.

Gráfico 1

Qualidade do sistema tributário brasileiro no que diz respeito ao número de tributos Participação das respostas Espírito Santo

Muito bom Bom Ruim Muito Ruim

Brasil 1% 3%

10% 17% 16%

74%

79%

Fonte: IDEIES/CNI

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Avaliação da qualidade do sistema

tributário brasileiro pelas indústrias capixabas Assim como na pesquisa nacional, o sistema tributário brasileiro não foi bem avaliado pelos industriais capixabas, independentemente do porte das empresas: 90% criticam o elevado número de tributos no País, 72,9% consideram o ICMS o tributo que causa o maior impacto negativo na competitividade da empresa e 76,5% acham que a unificação das alíquotas deve ser uma das prioridades da reforma tributária em relação ao ICMS. Os resultados da pesquisa mostram a péssima avaliação da qualidade do sistema tributário brasileiro, evidenciando uma estrutura ultrapassada, onde os tributos representam

um entrave à competitividade das empresas capixabas e ao crescimento da economia, corroborando a necessidade de o Governo viabilizar a reforma tributária com urgência. Sob nenhuma das características consideradas, o sistema tributário brasileiro foi bem avaliado e, entre elas, o número de tributos foi a que teve a pior avaliação: 74,3% das empresas capixabas consideram o número de tributos “muito ruim”, 15,7% “ruim” e 10% “bom”. O aspecto melhor avaliado – mas ainda assim com baixa aprovação – é o prazo de recolhimento dos tributos: 32,8% dos empresários assinalaram “muito ruim”, 38,6% “ruim” e 28,6% “bom”. Gráfico 2

avaliação da qualidade do sistema tributário brasileiro pelas indústrias capixabas Percentual de respostas (%) Número de tributos

15,7%

74,3% 29%

58%

Simplicidade Transparência

48,6%

Direitos e garantias do contribuinte

Muito Ruim

21,4%

45,1%

32,8% 0%

16,9%

37,1%

33,8%

Prazos de recolhimento de tributos

17,1%

39,4%

38,6%

Estabilidade de regras

13%

30%

42,3%

Segurança jurídica

19,7%

38,6%

20% Ruim

10%

40%

1,4% 2,5% 1,4%

28,6% 60%

Bom

4,3%

80%

100%

Muito bom

Fonte: IDEIES/CNI

Principais características

negativas dos tributos brasileiros Entre as empresas capixabas pesquisadas, 89,9% consideram que a principal característica negativa dos tributos no País é a tributação excessiva. Essa avaliação é generalizada, independentemente do porte ou das empresas serem ou não optantes do Simples Nacional. Em seguida, em ordem de importância, os maiores problemas apontados Dez/2011 – nº 298

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foram: tributação sobre a folha de pagamento (63,8%), tributos cumulativos ou em cascata (44,9%), tributação desigual entre os setores industriais (27,5%), custo elevado para recolhimento (23,2%), tributação favorece importados (20,3%), cálculo “por dentro” dos tributos (17,4%) e tributação sobre o investimento (14,5%). Indústria Capixaba – FINDES

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indicadores

Gráfico 3

Principais características negativas dos tributos brasileiros Percentual de respostas dos industriais capixabas (%)

89,9

Tributação excessiva Tributação sobre folha de pagamento

63,8 44,9

Tributos cumulativos ou em cascata Tributação desigual entre setores industriais

27,5 23,2

Custo elevado para recolhimento Tributação favorece importados

20,3

Cálculo “por dentro” dos tributos

17,3

Tributação sobre investimento

14,5

Fonte: IDEIES/CNI

Tributos que

causam maior impacto negativo na competitividade das empresas capixabas Em uma lista de tributos, os industriais capixabas indicaram os que consideram causar o maior impacto negativo na competitividade de sua empresa. O ICMS e as contribuições previdenciárias foram os mais citados (ambos com 72,9%), seguidos do Cofins (45,8%), IRPJ (27,1%), IPI e CSLL (ambos com 22%), PIS (13,6%) e ISS (10,2%), entre outros.

Tributos que causam maior impacto negativo na competitividade das empresas

Gráfico 4

Percentual de respostas dos industriais capixabas (%) ICMS

72,9

Contribuição previdenciária

72,9 45,8

Cofins IRPJ

27,1

IPI

22

CSLL

22 13,6

PIS

10,2

ISS Outros

5,1

Fonte: IDEIES/CNI

ICMS: alterações que deveriam ser

prioritárias em uma reforma tributária A maioria dos empresários capixabas (89,4%) acredita que deveriam ser feitas alterações no ICMS em uma reforma tributária. Somente 1,8% dos industriais afirmam que nada deveria ser mudado em relação ao imposto e 8,8% não possuem posição definida sobre o assunto. 40

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Dos empresários que indicaram a necessidade de alteração no ICMS em uma reforma tributária, 76,5% apontaram a unificação das alíquotas do imposto entre os Estados como uma prioridade, e em seguida a simplificação dos procedimentos e exigências (60,8%). Assegurar a plena recuperação Dez/2011 – nº 298

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de créditos tributários e acabar com a substituição tributária são consideradas ações prioritárias para 37,3% e 25,5%, respectivamente. Também foram citadas: cobrar o imposto no Estado de destino (15,7%) e acabar com a antecipação na fronteira (13,7%). A pesquisa, cuja amostra é selecionada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) contou com a participação de 75 indústrias capixabas (47 pequenas, 24 médias e quatro de grande porte).

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Gráfico 5

ICMS: alterações que deveriam ser prioritárias em uma reforma tributária Percentual de respostas das empresas capixabas que manisfestam necessidade de alteração no Icms em reforma tributária (%)

76,5

Unificar as alíquotas entre os Estados Simplificar os procedimentos e exigências

60,8 37,3

Assegurar a plena recuperação dos créditos tributários Acabar com a substituição tributária

25,5 15,7

Cobrar o imposto no Estado de destino Acabar com a antecipação na fronteira Outros

13,7 7,8

Fonte: IDEIES/CNI

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SUSTENTÁVEL por Jacqueline Vitória

Foto: Samuel Vieira

LICENCIAMENTO

AMBIENTAL LOCAL REDUZ BUROCRACIA

O município da Serra, um dos que mais cresce na Grande Vitória, já domina o licenciamento ambiental em todas as atividades

Quando há uma visão de que a gestão ambiental deve seguir lado a lado com o desenvolvimento local, alia-se proteção ambiental e desenvolvimento socioeconômico

I

sto é o que têm comprovado comprovam os municípios cuja gestão ambiental inclui a exata noção da importância de a iniciativa privada se instalar harmoniosamente na região. Nesse contexto, empresa e meio ambiente, sem conflitos, devem permanecer em equilíbrio frente ao poder público. Esse é o cenário que vem sendo trabalho pelo Estado junto às prefeituras do Espírito Santo que, quando adequadamente estruturadas – com o suporte de técnicos do Estado – podem passar a emitir licenciamento ambiental, desburocratizando o processo e proporcionando a aceleração permanente do ciclo produção/consumo, ao mesmo tempo em que preservam o aspecto primordial de somar progresso e proteção ambiental.

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Dentro deste objetivo, as secretarias municipais de Meio Ambiente do Espírito Santo precisam ser mais que apenas órgãos que exercem controle sobre fontes poluidoras. Devem se estruturar para propor medidas que reduzam as desigualdades regionais, possibilitando alcançar o que é mais importante para as comunidades envolvidas: saúde, equilíbrio ambiental e o desenvolvimento local sustentável, com oportunidades de trabalho e negócios. A Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) apoia a parceria entre o Governo do Estado e as prefeituras no sentido da municipalização da gestão ambiental. Além de conferir maior autonomia aos municípios, isso proporciona ao médio e pequeno empreendedor um Dez/2011 – nº 298

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melhor atendimento na sua própria região. Reduzindo custos e burocracia administrativa, assegura-se mais um passo positivo na contribuição empresarial ao crescimento econômico local, gerando renda e emprego e selando mais rapidamente o compromisso com a sustentabilidade. Dos 78 municípios capixabas, 14 se declaram aptos a conceder licenciamento ambiental local. O Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), ligado à Secretaria para Assuntos do Meio Ambiente (Seama), apoia e estimula a municipalização do licenciamento de atividades e empreendimentos descritos dentro da Resolução 001/2007 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O diretor presidente do Iema, Aladim Fernando Cerqueira, disse que o Estado vive um momento de intensa mobilização para alcançar o desenvolvimento sustentável em todos os setores produtivos que abriga, e a municipalização da gestão contribuirá muito para isso. “Transferir essa competência para os municípios é muito importante por este aspecto, mas também pela questão de que estes, estando próximos das empresas, têm um potencial de fiscalização muito maior”, destaca. Know how É preciso definir claramente os limites das ações, para que não se criem conflitos de competências. A Resolução 001/2007 do Conama estabelece a responsabilidade de acordo com o potencial poluidor da atividade. No caso específico da competência dos municípios, esse potencial não pode ser muito elevado, considerando-se que o porte das empresas é relativamente pequeno. A proteção ambiental não é simples, pondera Cerqueira, que por isso ressalta a importância de técnicos do órgão capacitarem os profissionais dos municípios, especialmente naqueles que estão se iniciando no licenciamento. “Existe todo um rito processual, uma legislação e uma

“Temos o maior Fundo Ambiental do Estado do Espírito Santo”. Lucas Scamurra, Secretário de Meio Ambiente de Linhares Dez/2011 – nº 298

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“O que eu vejo hoje que atrapalha muito a gestão ambiental é que as regras não são claras para cada setor”. Wilmar Barros Barbosa, diretor para Assuntos do Meio Ambiente da Findes.

técnica para se estar apto a licenciar. O Iema tem transferido know how para os municípios, de modo a aprimorar a gestão ambiental e trabalhar com qualidade”, destaca. Até o momento, dos 14 municípios capixabas que se declararam aptos a realizar o licenciamento ambiental, três solicitaram ajuda ao Iema para se capacitarem. A perspectiva do Instituto é que outras cidades tomem a mesma iniciativa no início de 2012 Regras claras Na análise do diretor para Assuntos do Meio Ambiente da FINDES, Wilmar Barros Barbosa, a medida assegura à administração municipal um controle ambiental mais eficiente do que faria um órgão que está distante do impacto local do empreendimento, como o Iema e a Seama, localizados na Grande Vitória. “Essa idéia de municipalizar a gestão ambiental é importante para desafogar e dar agilidade ao Iema e ao Ibama, tirando de sua responsabilidade os pequenos casos – como, por exemplo, o licenciamento de um posto de gasolina dentro da cidade. Caso contrário, o volume de trabalho gerado acaba burocratizando e emperrando o desempenho do órgão, e a cidade não se desenvolve. É preciso dar a resposta no tempo que as empresas necessitam”, considera Barbosa. Há poucos meses, como lembra Wilmar, era comum que um órgão liberasse o licenciamento e, dias depois, viesse outro e aplicasse multas.“Era uma situação confusa e adversa. Com a nova lei, determina-se que o órgão que fizer o licenciamento é obrigatoriamente o mesmo responsável por todas as demais providências”. A seu ver, as prefeituras têm condições de se estruturar e capacitar para a tarefa. Indústria Capixaba – FINDES

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sustentável

“O Iema tem transferido know how para os municípios”. Aladim Fernando Cerqueira, diretor presidente do Iema

O mais importante para que façam um bom trabalho é que os demais órgãos de licenciamento –respectivamente, Ibama, Iema e Seama – tenham regras claras de licenciamento para cada setor. “O que eu vejo que atrapalha muito a gestão ambiental é que as regras não são claras. Quando formamos um grupo de licenciamento aqui (em Cachoeiro, sul do Espírito Santo), o Iema fez um trabalho junto aos técnicos locais que melhorou muito”, elogia. Rochas A clareza da regra é primordial. No caso específico de Cachoeiro, o acordo firmado entre Iema e prefeitura vem permitindo a melhoria da gestão ambiental, atendendo principalmente às atividades do setor de rochas. O diretor da FINDES entende que quando se faz o licenciamento em grupo (juntando empresas de uma mesma cadeia produtiva), o resultado no contexto ambiental é muito melhor. “O tempo do licenciamento fica muito reduzido, as análises são mais fáceis e, quando surge um problema, há um grupo específico para trabalhar o tema, trazendo a solução de forma muito mais rápida”, afirma. Segundo o secretário de Meio Ambiente, Delandi Macedo, o compromisso foi oficializado pela assinatura de um Termo de Cooperação Técnica entre o Iema e a Prefeitura de Cachoeiro, em outubro último, atendendo, principalmente, às atividades de beneficiamento e extração de rochas. O segmento é um gerador de renda e empregos dentro do município e região e apresenta grande importância social.Por isso,segundo Macedo, 44

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merece cuidados ainda mais específicos. Os analistas ambientais do Iema atuarão nas dependências da secretaria, permitindo agilizar os processos da área de mineração. “Em vez de irem até o Iema (localizado na Grande Vitória) para resolver determinada situação, agora os contribuintes resolvem aqui mesmo. Além disso, os técnicos estarão aqui e poderão se locomover com facilidade para fazer uma vistoria”, explica o secretário Petróleo e gás A prefeitura de Linhares, segundo o secretário de Meio Ambiente, Lucas Scamurra, fez avanços quando passou a promover um diálogo direto e continuo com as empresas, entendendo as necessidades de cada segmento. O município foi o primeiro do Espírito Santo a criar um Fundo Municipal para o Meio Ambiente. “Hoje, nós temos o maior Fundo Ambiental do Estado, com uma arrecadação/mês em torno de R$ 700 mil, oriundo de arrecadação de taxas de propostas de licenciamento ambiental, atividades de controle, e principalmente do repasse de 1% do total dos valores dos royalties direcionados ao município, que por lei é destinado à pasta do Meio Ambiente de Linhares”, conta Scamurra. São atividades desenvolvidas junto com a sociedade local, as comunidades pesqueiras costeiras, associação de moradores, além de propostas de educação ambiental nos centros comunitários, entre outros projetos. Outros avanços foram a criação do Conselho Municipal de Meio Ambiente e a estruturação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, com a visão de aquele que está investindo, que leva de fato emprego e renda para toda a comunidade, possa entender por que é importante conciliar necessidades administrativas com desenvolvimento sustentável. Lucas Scamurra destaca que obter esta macrovisão do cenário fez com que a prefeitura assumisse de fato todas as etapas do licenciamento ambiental. A Serra faz licenciamento ambiental desde 2003 e, de acordo com o secretário de Meio Ambiente, Cláudio Denícoli, o município já tem expertise nesta área, licenciando todas as atividades. A Serra cresce de forma exponencial e a secretaria vem acompanhando o ritmo desse crescimento. A preocupação de quem hoje tem o domínio na área, como a Serra, é com o resultado final, para que a empresa opere de forma inteligente. Dez/2011 – nº 298

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entrevista por Nadia Baptista

José Teófilo Oliveira “Não vejo a indústria capixaba colocada em risco. Mas, com certeza, ela vai conhecer uma enorme transformação nos próximos anos”

O

economista José Teófilo de Oliveira foi secretário de Estado da Fazenda durante cinco anos e três meses (entre 2003 e 2008), no governo Paulo Hartung. No período em que esteve à frente do Fisco estadual, o Executivo Estadual acumulou algumas conquistas, entre elas os sucessivos recordes de arrecadação; o pagamento de vultosas dívidas com servidores, fornecedores e bancos; e a construção da capacidade de investimento do Estado em valor superior a R$ 1 bilhão/ano. Graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), José Teófilo possui um currículo extenso, que inclui especialização em Problemas 46

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de Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Planificação Econômica e Social das Nações Unidas, além de mestrado e doutorado em Economia pela norte-americana Purdue University. Executivo experiente, ele hoje atua como consultor de viabilidade econômica de empreendimentos e tem uma visão pragmática do momento incerto por que passa a economia mundial. Em sua opinião, é preciso uma ação enfática do governo federal para controlar o câmbio que, a seu ver, é um dos principais responsáveis pelo processo de desindustrialização que acontece no Brasil e no Espírito Santo. Dez/2011 – nº 298

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“A questão do câmbio precisa ser observada, porque o câmbio muito valorizado está tirando a competitividade da nossa indústria. Esse é um problema de difícil solução, mas que de alguma forma vai ter que ser tratado” Como o senhor avalia o momento econômico por que passa o Espírito Santo? O momento econômico do Espírito Santo é bom, como tem sido, felizmente, há vários anos. Mas, como sempre, o nosso desenvolvimento tem que ser contextualizado em suas ligações fortes com a economia do País e com o resto do mundo. O cenário econômico mundial é de incertezas. Estamos vivendo uma crise? É muito evidente hoje que o mundo vive uma crise de grandes proporções. É seu pior momento econômico desde 1929. A coisa só não está pior porque nós aprendemos com os erros e acertos dos governos, e por isso hoje a situação está melhor administrada. Mas, dadas as proporções da crise, sobretudo no segmento europeu, toda atenção é pouca. O problema financeiro e econômico que assola os países da Europa não só é de grandes proporções, como deverá levar muitos anos para ser resolvido. A mesma observação vale para a economia americana, que é outra locomotiva do mundo. Os Estados Unidos também passam por uma situação muito delicada, e isso significa dizer que o País deverá crescer muito pouco nos próximos anos. Esses países desenvolvidos têm uma crise para ser administrada por alguns anos. Há pessoas que falam em dez anos para restabelecer a saúde financeira da Europa. Das três locomotivas que movem a economia mundial – Estados Unidos, Europa e o bloco dos emergentes, liderado pela China –, temos duas exigindo reparos. Resta o bloco dos emergentes que, ao que tudo indica, vão continuar crescendo nos próximos anos. Com certeza, menos do que vinham crescendo. O crescimento chinês vai acabar sendo amortecido, porque para a China crescer, ela precisa dos mercados europeu e norte-americano.

Não podemos esquecer, entretanto, que o Brasil é detentor de um grande mercado interno, que pode segurar, ajudar a minorar os efeitos dessa crise, diferentemente de outros países menores, como o Chile, por exemplo, que depende crucialmente do comércio exterior. Mas no Brasil, dependendo da forma como o Governo se conduzir, o mercado interno poderá “absorver” um pedaço dessa crise, no sentido favorável do termo. Esse momento que vivemos ainda é consequência dos distúrbios ocorridos na economia mundial em 2008? A crise de 2008 está aí para ser resolvida em muitos aspectos. Por exemplo, os Estados Unidos até hoje não conseguiram se ajustar adequadamente àquela crise, que foi uma coisa muito americana, com reflexos no resto do mundo. A crise europeia atual é uma crise de exaustão de um modelo. É muito mais um problema de finanças públicas do que propriamente uma crise bancária. A crise bancária veio atrás de uma crise financeira pública. Ou seja, o que está se demonstrando na Europa é que os governos europeus se endividaram demais, expandiram

Como o Brasil se insere nesse cenário? O Brasil também precisa dessas economias funcionando bem. Por isso, neste ano nós devemos crescer cerca de 3%, e no ano que vem deve ser algo parecido com isso, ou um pouco mais. Dez/2011 – nº 298

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entrevista

demais o tamanho dos seus setores públicos, e nesse processo de criação de um governo grande, eles acabaram se endividando mais do que deviam. Então, a origem da crise europeia é muito mais isso, uma crise de endividamento público, com forte impacto sobre o sistema bancário e sobre a economia real. Que consequências essa crise pode trazer para o Espírito Santo? Não estamos falando, ainda, de uma depressão econômica mundial. O que está aí indicado é que a economia mundial vai crescer menos. Algum crescimento vamos ter, e por via de consequência o nosso setor exportador vai continuar funcionando, desde que a política econômica do Governo não atrapalhe esse processo. Então, a nossa economia também vai crescer menos, assim como o nosso setor de comércio exterior, mas não creio que teremos uma depressão da economia mundial. A questão do câmbio precisa ser observada, porque o câmbio muito valorizado está tirando a competitividade da nossa indústria. Esse é um problema de difícil solução, mas que de alguma forma vai ter que ser tratado. O Espírito Santo é uma economia muito peculiar, porque tem uma ligação muito forte com o mercado internacional, e também com o mercado interno brasileiro. Essa característica da economia do Estado faz com que a crise talvez nos alcance com um pouco mais de intensidade Como podemos planejar nossas ações para 2012? Vamos esperar que 2012 seja um ano em que os problemas que aí estão sejam, pelo menos, tratados adequadamente. Isso implica que os governos da Europa consigam iniciar o enfrentamento dos problemas que lá estão, sobretudo os de natureza política. O arcabouço institucional da União Europeia exibiu todas as suas fragilidades diante da crise. Não se trata apenas de resolver uma questão econômica, mas também de revigorar o compromisso dos Estados membros com uma verdadeira Comunidade Europeia.

“É muito evidente hoje que o mundo vive uma crise de grandes proporções. É seu pior momento econômico desde 1929” anos, pode ter sua estabilidade financeira gravemente comprometida. A proposta de reforma do ICMS aplicável a produtos importados (projeto do senador Romero Jucá) trará prejuízos incalculáveis ao segmento de importação e logística do Espírito Santo, bem como perdas de receita para o Estado e, sobretudo, para os nossos municípios. Igualmente preocupante é a proposta de redistribuição dos royalties do petróleo entre Estados produtores e não produtores, atualmente sendo discutida no Congresso Nacional. Isso com certeza trará enormes prejuízos e, se as duas legislações acontecerem simultaneamente, podem inviabilizar, literalmente, o governo estadual. De que forma a mudança na cobrança do ICMS vai impactar o Espírito Santo? A proposta de reforma do ICMS, que no fundo é de natureza primitiva, pretende inverter a repartição do ICMS sobre produtos importados que hoje vigora. Atualmente, os produtos importados, quando são desembaraçados aqui nos nossos portos, geram receita para o Estado do Espírito Santo. Se aprovado o projeto de resolução que está sendo discutido no Senado, essa receita passará a pertencer ao Estado que consome ou transforma o produto importado. Essa mudança radical inviabiliza o Fundap e subtrai do

Além das ameaças já citadas, o Estado também corre riscos com as mudanças na partilha dos royalties e na tributação do ICMS, proposta pela Reforma Tributária. Como essas perdas afetarão o Estado? Esses riscos ao nosso crescimento econômico são da mais alta importância. Nós temos condição de seguir crescendo, mas o setor público capixaba, tanto Estado quanto municípios, que tem dado uma grande contribuição ao nosso desenvolvimento nos últimos 48

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importados continuem chegando ao Brasil, mas por outros lugares, e isso talvez implique um aumento de preço para quem compra aqui no Espírito Santo. Mas eu não acredito na teoria de que os incentivos concedidos à importação por Estados diminuam a competitividade de nossa indústria. Uma análise mais meticulosa do assunto vai mostrar que o grande surto de importações decorre de nossa capacidade (e do mundo) de concorrer com produtos de origem chinesa, com o agravante do chamado custo Brasil – que inclui câmbio valorizado, juros elevados, pesada carga tributária, carência de infraestrutura e custo da energia, entre outros fatores. Espírito Santo algo próximo de 28% da arrecadação do ICMS, ou seja, R$ 2,4 bilhões/ano. Desse valor, 25% deixarão de ser repassados aos municípios – cerca de R$ 600 milhões/ano. Essa massa de recursos representa 60% dos investimentos realizados pelos municípios capixabas em 2010. Diversos municípios de pequeno porte vão perder, inclusive, capacidade de honrar suas folhas de pagamento. Mas não é só a questão da receita pública que deve merecer nossa atenção. Devemos nos preocupar também com as perdas de postos de trabalho que nos serão impostas. Existem estimativas que falam que o fim do sistema Fundap pode levar ao desemprego 40 mil pessoas, sobretudo na Grande Vitória. É algo que com certeza pode comprometer o nosso desenvolvimento. Esses são os grandes riscos, que, desnecessariamente, estão nos trazendo de Brasília. E para as indústrias, o que significaria a extinção do Fundap? Na medida em que os setores públicos estadual e municipais deixam de funcionar bem, isso indiretamente afeta nossas indústrias, porque muitos dos serviços que elas usam são ofertados gratuitamente pelo Governo. Fora esse efeito indireto, quanto ao nível de atividade da indústria, este provavelmente não será afetado, porque as importações daquilo que porventura elas usam como matéria-prima deverão ser supridas de outra forma – através de outros Estados, por exemplo. O fim do Fundap, não poderia, então, beneficiar as indústrias capixabas, na medida em que influenciaria na concorrência com os produtos importados? As importações brasileiras, em grande medida, são de matérias-primas, que nós não produzimos. O que pode acontecer é o contrário: talvez alguns desses produtos Dez/2011 – nº 298

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Como o Governo do Estado deveria se preparar para esse momento? O ajustamento será muito penoso. O enfrentamento desse problema exigiria uma reformulação muito grande nos padrões de gastos do Estado, o que seria um verdadeiro desastre, podendo comprometer o pagamento dos servidores e dos gastos essenciais nas áreas de educação, saúde e segurança pública. Nesse caso, como as indústrias capixabas seriam impactadas? Primeiramente, vale lembrar que os governos, estadual e municipal colaboram diretamente na formação da renda do Estado e, por via de consequência, na formação do consumo interno. Além dessa contribuição, diversas ações do Governo, e são muitas essas ações, servem para viabilizar o próprio funcionamento do setor privado. O Governo, ao prover o Estado de infraestrutura, ao prover educação, ao prover serviços de saúde e segurança pública, contribui, e muito, para o funcionamento do setor privado. Como podemos justificar o aumento das importações e a perda de competitividade da indústria brasileira? Tornou-se muito atraente importar mercadorias com as taxas de câmbio que temos tido nos últimos anos. Ao mesmo tempo em que compromete nossas exportações, essa realidade favorece as importações. Além do custo Brasil, é a taxa de câmbio que determina a perda de competitividade da indústria brasileira. É importante que se tenha em conta também as mudanças estruturais que estão ocorrendo na economia mundial, com a nova e já destacada presença da China e de outros emergentes. Essa discussão tem um outro lado muito negativo. Muitos tentam estigmatizar o ato de importar, como se fosse um ato prejudicial ao País. A importação não pode ser vista como algo necessariamente ruim. É importante Indústria Capixaba – FINDES

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que os países importem, porque não existe país capaz de suprir todas as suas necessidades a preços competitivos. As importações estão aí para ficar. O próprio crescimento da economia brasileira irá determinar que importemos mais. Qual é, hoje, o papel da indústria local para o desenvolvimento do Espírito Santo? A nossa indústria tem desempenhado um papel importantíssimo no nosso desenvolvimento desde os anos 70. O setor contribui muito na geração do Produto Interno Bruto (PIB) estadual e na geração de postos de trabalho. Atualmente, dois terços do que é produzido por nossa indústria são destinados para outros mercados. Apenas um terço é consumido ou reprocessado no nosso Estado. Tais dados sugerem que construímos um parque industrial competitivo e o desafio do momento está em mantê-lo assim. A perda de competitividade da indústria brasileira tem-se traduzido em um processo de desindustrialização para alguns segmentos. O que é necessário para se reverter esse movimento? Essa adaptação da indústria a uma nova conjuntura passa por diversos encaminhamentos. Entre eles, a desvalorização da taxa de câmbio, a redução do chamado custo Brasil e uma nova rodada de reformas econômicas, como a tributária – para valer –, previdenciária e concessão de portos, entre outras. Se o processo de desindustrialização continuar, qual será o impacto para a economia capixaba? Eu não estou vendo nenhuma crise de grandes proporções na indústria capixaba. Temos, sim, problemas localizados – na indústria de confecções, por exemplo, que enfrenta problemas com concorrência. Mas não vejo a indústria capixaba colocada em risco. Mas com certeza ela vai conhecer uma enorme transformação nos próximos anos.

“Algum crescimento vamos ter e, por via de consequência, o nosso setor exportador vai continuar funcionando, desde que a política econômica do governo não atrapalhe esse processo” 50

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A indústria de base há três anos vem crescendo. Por outro lado, os setores de transformação vêm apresentando problemas. Qual é a saída para equilibrar essas realidades? Por que equilibrar essa situação? A indústria, com certeza, está sendo impactada por fenômenos de natureza estrutural que já destaquei. Não temos como impedir que a China continue o seu processo de industrialização. Essa questão não pode ser tratada com meias verdades e nem com superficialidades. O peso dos tributos é uma das queixas das indústrias capixabas, que concorrem com outros estados onde há, inclusive, isenção do ICMS. Como mudar essa situação? O Estado concede a diversos segmentos da indústria tratamento fiscal favorecido. O Governo do Estado, já há alguns anos, oferece à indústria, dentro dos programas chamados Compete-ES e Invest-ES, uma série de benefícios muito parecidos com os que os outros Estados concedem. Esse não é um problema importante hoje para explicar o que está acontecendo com a nossa indústria. O relevante é olhar a carga tributária sobre a indústria brasileira, principalmente os impostos e contribuições federais, como IPI, PIS e Cofins, que representam um peso enorme sobre a indústria. A FINDES tem buscado incentivar um desenvolvimento industrial mais igualitário entre as regiões do Estado. O que falta para que isso seja uma realidade efetiva no Espírito Santo? Há muitas coisas que podem ser feitas, mas nós não podemos ter ilusões e achar que todos os municípios do Espírito Santo serão industriais. Ser industrial é uma vocação, respaldada por um conjunto de pré-condições. O Estado sempre terá municípios com base rural ou agroindustrial. Ainda assim, penso que o setor público pode e deve colaborar provendo infraestrutura mais adequada, disponibilizando, por exemplo, distritos industriais, energia, e outros recursos necessários às indústrias. Dez/2011 – nº 298

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Indústria EM AÇÃO

Findes sedia I Encontro da Indústria de TI do Espírito Santo Presidente Dilma entrega Prêmio ao Sinduscon-ES A presidente Dilma Rousseff entregou ao presidente do Sinduscon-ES, Constantino Dadalto, o Prêmio CBIC de Responsabilidade Social. O Sinduscon-ES foi o vencedor na categoria Entidade, devido à realização do projeto “Prêmio ECO – Prêmio Sinduscon-ES de Incentivo à Construção Sustentável”. A entrega da premiação ocorreu na abertura do Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), em São Paulo. “Essa premiação consagra o propósito do Sinduscon-ES de desenvolver continuamente ações de sustentabilidade na indústria da construção capixaba. O Programa ECO ficou mais fortalecido com essa conquista. É o reconhecimento nacional de que o trabalho que está sendo feito se destaca no cenário do terceiro setor. Isso nos motiva a fazer mais”, afirma Constantino Dadalto. O Programa de Incentivo à Construção Sustentável foi lançado pelo Sinduscon-ES em 2009 e contempla ações na gestão de resíduos, capacitação profissional, divulgação de novas tecnologias e responsabilidade social. No ano passado, houve a primeira edição do Prêmio ECO, que contou com a participação de 17 projetos. O prêmio acontece a cada dois anos e em 2012 será a segunda edição.

Governo zera cobrança de PIS/COFINS para setor de café O governo federal suspendeu a cobrança do PIS/ Cofins sobre a venda do café verde a partir de janeiro de 2012. A medida beneficiará o setor, favorecendo a concorrência, e estabelece créditos presumidos, tanto para a exportação quanto para a indústria torrefadora. O objetivo do Governo é simplificar o processo de cobrança dos impostos, diminuindo a sonegação e aumentando a arrecadação federal, sem que haja acréscimo na carga tributária. Com a Medida Provisória n° 545, o recolhimento de PIS/Cofins passa a recair sobre o último elo da cadeia produtiva, ou seja, a empresa que faz o café torrado ou moído. Em compensação, esta última terá direito a um crédito presumido equivalente a 80% do valor da compra. O presidente do Sindicato da Indústria do Café do Espírito Santo (Sincafé), Egídio Malanquini, acredita que a nova medida não irá comprometer as indústrias de café torrado e moído. “Não haverá redução e sim um alinhamento de preço para o mercado interno. As pequenas e médias indústrias irão concorrer nas mesmas condições que as grandes”, afirma. Dez/2011 – nº 298

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O I Encontro da Indústria de TI do Espírito Santo (Encati) aconteceu no último dia 29 de novembro, no Salão da Indústria do Edifício FINDES. Realizado em parceria entre o Sindicato das Empresas de Informação (Sindinfo), a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação (Assespro-ES) e o Sebrae, o evento teve o objetivo de promover a análise do segmento no Estado, entender seus desafios e discutir as ações que possam fortalecer as empresas do setor. O encontro teve início com a apresentação de um diagnóstico sobre o mercado de tecnologia da informação do Espírito Santo. O estudo foi realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional e Industrial do Espírito Santo (Ideies), com base na análise de 300 empresas do segmento. O Encati contou ainda com a apresentação de dois painéis. O primeiro abordou o assunto “Desenvolvimento de Mão de Obra para o Setor de TI” e o segundo discutiu sobre “Fomento ao Desenvolvimento das Empresas de TI”.

Expotur 2011 O Instituto Rota Imperial (IRI) marcou presença na maior feira de turismo do Espírito Santo: a Expotur 2011. O evento aconteceu entre os dias 23 e 25 de setembro, na Praça do Papa, em Vitória, e englobou o 7º Salão do Turismo e 2º Salão do Artesanato do Espírito Santo. Mais de 15 mil pessoas passaram pelo local nos três dias do encontro, que teve a presença do governador Renato Casagrande. O Instituto fez 1,5 mil atendimentos durante a feira, divulgando a entidade, seus projetos de estruturação, equipamentos e atrativos dos municípios que compõem a Rota Imperial. O IRI contou com a parceria da Fundação Estrada Imperial.

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Saúde por Heliomara Mulullo

Elkem é referência em saúde e segurança do trabalhador

O caso de sucesso da Elkem Carboderivados, empresa do setor de carboquímica voltada para o beneficiamento de piche e fracionamento de alcatrão hulha, pode se tornar exemplo para a Organização Mundial de Saúde (OMS)

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Elkem Participações Indústria e Comércio Ltda. (Carboderivados) conquistou, em outubro deste ano, a marca histórica de 5 mil dias (mais de 13 anos) sem acidentes pessoais com afastamento. A marca, que é resultado das boas práticas em saúde e segurança, levou o SESI do Espírito Santo a apresentar o caso de sucesso ao SESI Nacional, que, por sua vez, o registrará na Organização Mundial da Saúde. “Esse interesse da OMS é um estímulo a mais para a empresa e a sua equipe de colaboradores, além de ser uma forma de divulgar um trabalho sério em saúde e segurança, que é resultado de uma ação contínua na organização e na prevenção de acidentes”, declarou o diretor-executivo da empresa, Ernesto Mosaner Junior. A meta alcançada é o resultado de um trabalho permanente adotado ao longo de todos esses anos. Mosaner frisou que a empresa investe constantemente na promoção de saúde e segurança. “Mas se não fosse 52

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O que é a especificação OHSAS? A especificação OHSAS 18001-2004 é um referencial que contém requisitos para sistemas de gestão segurança,higiene e saúde no trabalho desenvolvida em conjunto por um grupo de organismos de certificação internacionais, organismos de normalização nacionais e outras partes interessadas. Permite às organizações gerir riscos operacionais e melhorar a sua performance. Orienta a gestão dos aspectos de segurança, higiene e saúde no trabalho das atividades e dos negócios de forma mais eficaz, tendo em grande consideração a prevenção de acidentes, redução de riscos e bem-estar dos colaboradores. Dez/2011 – nº 298

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Empresa premiada A entrega do Prêmio SESI de Qualidade no Trabalho (PSQT) à Elkem Participações Indústria e Comércio Ltda aconteceu no dia 5 de abril deste ano. A companhia foi nacionalmente reconhecida por seu investimento na qualidade da educação na comunidade da Serra, através do projeto ‘Colorir Criando Valores’, implantado há aproximadamente12 anos e executado em várias escolas municipais. O projeto consiste, entre outras ações, em ensinar estudantes e familiares a preservarem o ambiente escolar, cuidando do patrimônio público. Para manter o projeto Colorir Criando Valores, a Elkem faz doações mensais, que têm por finalidade contribuir para o pagamento de salários de um contador e de dois coordenadores pedagógicos. Em março de 2010, o projeto Colorir foi qualificado como Oscip – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, através de certificação expedida pelo Ministério da Justiça. Com isso, suas ações poderão ser ampliadas para outras escolas e municípios, caso outras empresas se engajem e se tornem parceiras. o empenho, o comprometimento e a competência de todos os colaboradores, provavelmente não teríamos um resultado como esse” destacou. A Elkem está localizada no Centro Industrial de Vitória (Civit), no município de Serra, e possui na unidade Carboderivados 55 empregados que colocam em prática, diariamente, os ensinamentos relacionados às normas de segurança que são ministrados nos cursos e treinamentos de saúde e de segurança. Antes de alcançar a marca histórica, a unidade conquistou significativos marcos de ultrapassagem de mil dias sem acidentes por três vezes (1992, 1996 e 2000). “O SESI é parceiro nessa conquista. Recentemente,

“Esse interesse da OMS é um estímulo a mais para empresa e a sua equipe de colaboradores, além de ser uma forma de divulgar um trabalho sério em saúde e segurança” Ernesto Mosaner Junior, diretor-executivo da Elkem Dez/2011 – nº 298

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Com 13 anos sem acidentes, a Elkem obtém reconhecimento nacional em SST

tivemos a honra de receber a primeira colocação no Prêmio SESI Qualidade no Trabalho (PSQT). Obtivemos a primeira colocação entre as práticas socioambientais do Brasil em 2010, na modalidade Grande Empresa. Nosso projeto ‘Colorir’, de cunho socioambiental, concorreu com outros 1.736 projetos de outras grandes empresas. Fomos a única do Espírito Santo a ganhar esse prêmio. Mais uma conquista que nos deixou muito felizes”, disse o diretor. Para a diretora de Recursos Humanos, Fernanda Silva, os conceitos de segurança e de saúde hoje fazem parte da cultura dos empregados que trabalham na unidade Elkem localizada na Serra. Sistema OHSA A Elkem Participações Indústria e Comércio Ltda. adota uma série de medidas com o objetivo de diminuir os impactos ao meio ambiente e promover um desenvolvimento socialmente responsável. Segue o Sistema de Gestão Integrada de acordo com as normas ISO 9001-2000, ISO 14001-2004 e OHSAS 18001-1999. Os certificados são a garantia de que os critérios internacionais de qualidade exigidos estão sendo cumpridos. Desde 1992, a empresa pratica o Processo de Atuação Responsável – que visa a desenvolver e aprimorar a gestão no que se refere a meio ambiente e saúde. Com o intuito de anular a emissão de poluentes na atmosfera e no solo, graças ao tratamento dos efluentes industriais, a empresa capta toda a água das chuvas que cai sobre a indústria realizando, posteriormente, a descontaminação e a reutilização na unidade. Indústria Capixaba – FINDES

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Indústria EM AÇÃO

Rocha artificial é melhor projeto da 4ª Mostra InovaFindes A rocha artificial desenvolvida pelo docente Carlos Eduardo Gomes Ribeiro, do SENAI de Cachoeiro de Itapemirim, foi o melhor dos sete projetos apresentados na 4ª Mostra InovaFindes, realizada durante a 8ª Semana Estadual de Ciência e Tecnologia, em outubro. O SENAIES premiou os três melhores projetos com um tablet para cada. A rocha vencedora utiliza resíduo da indústria de mármore. “Esse material já é muito utilizado na Europa. Minha intenção é nacionalizar a produção”, explicou Ribeiro. Em segundo lugar, ficou o projeto de planejamento de um edifício habitacional para a certificação de alta qualidade ambiental (AQUA), desenvolvido pelos alunos Aline Gabrielli, Luiz Paulo Queiroz e Renato de Oliveira, do SENAI de Vila Velha, sob coordenação da professora Janine Gomes da Silva. Ganhou a terceira colocação a tomada com limite programado de corrente, produzida no SENAI de São Mateus pelo aluno Rhayck Rossi Rodrigues, com coordenação do professor Solimar Teixeira da Silva. Os projetos apresentados no evento foram analisados por três jurados nos quesitos inovação, criatividade, viabilidade técnica e econômica, metodologia de trabalho, exposição e resultados.

Indústria em favor do Fundap A FINDES marcou presença no seminário “Fundap: Em Defesa do Espírito Santo”, realizado no dia 24 de novembro, em Vitória. Participaram o vice-presidente do Conselho de Política Industrial e Inovação da entidade, Luiz Toniato, e o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Lucas Izoton. O evento reuniu lideranças políticas e empresariais e a sociedade para debater as perdas que o Estado terá com as mudanças propostas pelo Governo. O presidente da FINDES, Marcos Guerra, foi eleito relator dentro da CNI do Projeto de Resolução (PRS) 72/2010, de autoria do senador Romero Jucá (PMDB-PR), que estabelece a redução a zero da alíquota de ICMS incidente nas operações interestaduais com bens e mercadorias importados. A designação partiu do Conselho de Assuntos Legislativos (CAL) da CNI, e agora Marcos Guerra é responsável por mediar dentro do setor industrial brasileiro a discussão em torno do projeto.

Água Mineral pode ficar mais barata O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) criou uma emenda à Medida Provisória nº 540, também conhecida como Plano Brasil Maior do governo federal, que propõe alíquota zero no PIS/Cofins do setor de água mineral. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias de Bebidas em Geral do Espírito Santo (Sindibebidas), José Ângelo Rambalducci, o consumidor sairia beneficiado com uma redução de 7% no preço final. Isso significa que um galão de 20 litros com preço médio de R$ 6,00 poderia ser comprado por R$ 5,52. “A água mineral ainda é um produto cuja penetração é maior nas classes alta e média. Sendo assim, medidas que concedam benefícios fiscais para o setor são muito bem-vindas, já que a redução no preço para o consumidor final pode acabar popularizando o produto”, analisa Rambalducci. O Congresso também discute a possibilidade de inserir a água mineral entre os itens básicos de consumo. Em 1990, a água foi enquadrada como bebida, assim como a categoria dos refrigerantes, e a partir daí passou a pagar impostos da ordem de 42,7%. A ideia dos parlamentares é retirar impostos como PIS e Cofins e incentivar os governos estaduais a incluírem o item na cesta básica. Assim, as taxas cairiam para 7%, mesmo índice de ICMS que incide sobre os gêneros de primeira necessidade.

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Inovação por Gustavo Costa

Laboratório do Senai-ES é destaque no setor de material de construção

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levar a competitividade das indústrias capixabas através da Rede SENAI de Serviços Laboratoriais e fortalecer a atuação da entidade junto às empresas da cadeia produtiva da indústria da construção. Este é o objetivo do Laboratório de Ensaios de Materiais (Labemc), que foi inaugurado no dia 25 de março deste ano e já mostra grandes resultados. Criado exclusivamente para atendimento às demandas de serviços tecnológicos, o laboratório foi orçado em R$ 900 mil e está localizado no Centro Integrado SESI-SENAI Hélcio Resende Dias, em Araçás, Vila Velha. No mês de agosto, o laboratório recebeu sua qualificação do OC/SENAI (organismo de certificação de produtos - órgão acreditado pelo Inmetro), estando apto a atender às empresas de cerâmica vermelha do Espírito Santo, conforme o programa setorial da qualidade (PSQ) da Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer). Também está em fase de qualificação junto à Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) para atendimento aos fabricantes de blocos e pisos de concreto em conformidade com o Programa Selo da Qualidade. O laboratório oferece ensaios em cerâmica vermelha, concreto, pré-moldados, agregados, e cimento. Segundo Ewandro Petrocchi, gerente do Centro Integrado SESISENAI, passou a ser possível, com o apoio do LABEMC, realizar “o controle tecnológico dos materiais utilizados na indústria da construção de acordo com as normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), visando à garantia da qualidade do seu produto final através do controle dos processos e produtos fabricados. O laboratório irá atender as construtoras, as indústrias de pré-moldados e de cerâmicas vermelhas”, disse.

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O laboratório está aberto às empresas capixabas. Mas como proceder para ter um exame realizado no laboratório? É um processo menos burocrático do que se imagina. “A empresa demandante dos serviços deverá solicitar os ensaios através de e-mail (labemc@findes.org.br). O Labemc encaminhará à empresa a respectiva proposta de orçamento, que tem validade de 30 dias após o envio. Aceitando-a, a empresa deverá encaminhá-la ao laboratório, que iniciará os serviços após coletadas ou recebidas as amostras enviadas pelos clientes. O prazo para atendimento será de no máximo 40 dias”, explicou Ewandro. A empresa contratante deverá efetuar o pagamento dos serviços ao Labemc por meio de boleto bancário no prazo de até 30 dias após a emissão e entrega do relatório. Finalmente, a empresa deverá também preencher o cadastro “Formulário Pessoa Jurídica” para contratação dos serviços. E empresas satisfeitas com o trabalho do Labemc não faltam, entre elas a Cerâmica J Simonassi S/A, Boapaba, Fereguetti, Cimaco, BC Sartório EPP, Cerâmica Boa Sorte Ltda., Golden Indústria de Revestimento, GPK Construtora e Projetos Ltda., Cidade Engenharia, D´Angelo Incopar Construtora e Incorporadora e Maporã Indústria e Comercio Varejista de Materiais de Construção. Para o gerente do laboratório, o Estado está bem servido de laboratórios em várias áreas de interesse da indústria. Com isso, cada vez mais as empresas capixabas passam a realizar todo tipo de teste usando tecnologia e conhecimento local, sem ter que recorrer a laboratórios de fora, situação comum até pouco tempo atrás. Mas sempre é possível melhorar. “Penso que um segmento em que podemos atuar mais fortemente é o de alimentos. Um laboratório de análise sensorial, com textura, sabor e aromas. Seria bastante interessante para segmentos significativos da indústria do Estado”, finalizou. Dez/2011 – nº 298

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artigo

Compras governamentais, um nicho a explorar

“Transformar ideias em projetos e estes em ações é para pessoas empreendedoras. Se você não o fizer, alguém o fará e você passará a ser um mero expectador do sucesso” (Roberto Rabello)

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Espírito Santo é um Estado que há décadas vem crescendo acima da média nacional – 5,8% ano, contra 1,2% do país. Apesar deste número se referir, basicamente, ao crescimento das grandes empresas, temos que destacar que, assim como a economia do país, a economia do Espírito Santo é formada por uma maioria esmagadora (98,7%) de micro e pequenas empresas (MPEs), que mais do que garantir geração de renda, garantem milhares de postos de trabalho. É nestas micro e pequenas empresas que estão cerca de 68% dos empregos. Neste cenário, o projeto de compras governamentais se apresenta como um incentivo ao desenvolvimento socioeconômico. Com base na Lei Geral das MPEs, ele separa uma fatia do mercado para atuação exclusiva das micro e pequenas empresas como fornecedoras de bens e serviços. Hoje, elas respondem por apenas 13% na participação das compras governamentais. O objetivo é chegar a 30%.

Mas, para que esta meta seja alcançada, cabe ao empresariado capixaba investir em processos de modernização e competitividade que lhes permitam conquistar parte desse mercado, que movimenta nada menos que R$ 1 bilhão em produtos e serviços. Com a conscientização e participação dos micro e pequenos empresários, aliadas ao esforço conjunto entre governo dos Estado e parceiros como FINDES, IEL, SENAI, SESI, Sebrae e outros, isso é possível. O sistema FINDES vem desenvolvendo um trabalho com o intuito de melhorar a competitividade dos pequenos negócios industriais , trazendo a estes empresários melhorias na gestão, inovação, capacitação para captar recursos junto a sistemas e linhas de financiamento oficiais e criar um ambiente propício para a exportação. A FINDES também instalou diretorias regionais da Federação das Indústrias em pontos estratégicos do Espírito Santo, como forma de oferecer apoio efetivo ao desenvolvimento dos municípios e negócios do interior do Estado. A ideia e descentralizar a industrialização, hoje concentrada na Região Metropolitana (Vila Velha, Vitória, Serra, Viana, Guarapari, Cariacica e Fundão), onde estão 48,2% das empresas e 53,5% dos empregos gerados. Outro ponto a ser destacado com a melhoria na legislação de compras governamentais é que, a partir do momento em que estas micro e pequenas empresas estiverem em condições de se tornar fornecedoras do governo, elas também estarão preparadas para atender às necessidades das grandes empresas, que muitas vezes usam fornecedores de outros estados pela falta de confiança na capacidade de produção local. Vladimir Rossi Diretor do Sistema FINDES para Assuntos das Micro e Pequenas Indústrias

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Indústria EM AÇÃO

Vitória sedia “Plataforma de Liderança Sustentável”

Marcos e Geane Guerra tendo ao centro Cariê Lindenberg

Contando Histórias com Cariê Lindenberg A quinta edição do evento “Contando Histórias” teve como protagonista um dos mais célebres contadores de histórias do Espírito Santo: Cariê Lindenberg. Muito bom humor e emoção marcaram a noite de 10 de novembro, no Salão da Indústria da FINDES. O público teve o privilégio de ouvir as histórias deste que é, sem dúvida, um personagem importante e ainda ativo na construção da memória capixaba dos últimos 60 anos. Promovido pelo CINDES, o evento “Contando Histórias” tem como objetivo convidar personalidades do Estado para compartilhar suas experiências de vida diante de um público selecionado, num clima descontraído e de interação com os presentes.

Setor de TI tem falta de mão de obra Até o fim de 2014, cerca de 31 mil vagas podem ser criadas no setor de Tecnologia da Informação (TI) no Brasil, segundo levantamento da e-commerceSchool. A oferta de vagas, no entanto, pode não ser uma notícia tão boa, uma vez que as empresas podem sofrer um apagão de mão de obra. A constatação faz parte do diagnóstico encomendado pelo Sindicato das Empresas de Informática do Espírito Santo (Sindinfo), que revelou que 43,1% das empresas consideram a falta de qualificação profissional como principal entrave ao seu crescimento. As carências no setor de TI são mais acentuadas nas áreas de engenharia de hardware, programação e telecomunicação. O estudo foi elaborado pelo IDEIES, com apoio do Sebrae e da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação do Espírito Santo (Assespro-ES), no 1° semestre deste ano, com 342 empresas capixabas. O objetivo foi conhecer a realidade do setor de TI, além das necessidades e desafios a serem superados para promover o fortalecimento e o aumento da competitividade das empresas. Dez/2011 – nº 298

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O segundo encontro regional da Plataforma Liderança Sustentável aconteceu no dia 5 de outubro, no Salão da Indústria do Edifício FINDES. O evento faz parte do projeto Ideia Sustentável, idealizado pelo jornalista Ricardo Voltolini. O objetivo é acompanhar a trajetória da evolução dos temas socioambientais na gestão das corporações brasileiras. Ao todo, o encontro vai percorrer cinco capitais do Brasil. Voltolini é autor do livro “Conversas com Líderes Susten-táveis”, que conta a experiência de 10 líderes envolvidos com as questões e desafios da sustentabilidade. Nessa edição, o principal palestrante foi o presidente do Conselho Administrativo da Fibria Celulose, José Luciano Penido, que relatou resumidamente sua trajetória e abordou a importância de investir e trabalhar o lado social das empresas. O evento, patrocinado pelo SESI, contou com a participação de mais de 100 pessoas, entre executivos, empresários, políticos e estudantes.

Feira alerta população sobre valor de imposto Para conscientizar a população sobre o peso da carga tributária, o CINDES Jovem e a Federação Capixaba de Jovens Empreendedores (Fecaje) realizaram mais um Feirão do Imposto, no Shopping Norte Sul, no dia 17 de setembro. Centenas de cidadãos interessados em saber qual a carga tributária embutida nos principais produtos que consomem passaram pelo feirão, observando os produtos etiquetados com o preço encontrado nos mercados e com o valor que teriam caso fossem descontados os impostos. Muitos se assustavam com a diferença. Um dos objetivos do evento foi incentivar a população a cobrar dos políticos atitudes responsáveis nessa área. Os visitantes também puderam deixar o nome num abaixo-assinado que pede menos imposto e mais eficiência no Brasil. O intuito é reunir o maior número possível de assinaturas para que o documento possa ser enviado ao Congresso e transformado em projeto de lei.

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15ª edição do Anuário 200 Maiores Empresas do ES Com o Centro de Convenções lotado, o Instituto Euvaldo Lodi lançou a 15ª edição do Anuário IEL 200 Maiores Empresas do Espírito Santo. O evento aconteceu no último dia 24 de novembro, e reuniu os principais empreendedores e autoridades empresariais e políticas do Estado. 1 – Benízio Lázaro, diretor da Findes, e Fábio Dias, superintendente do IEL-ES. 2 – José Tadeu de Moraes, diretor-presidente da Samarco, discursa ao receber o Prêmio de Executivo Destaque 2011. 3 – Os homenageados da noite de lançamento do Anuário 200 Maiores. 4 – Luciano Raizer, Benízio Lázaro, Francisco Ramaldes e Alejandro Dueñas. 5 – Fábio Dias, superintendente do IEL, o governador Renato Casagrande, o presidente da Ales Rodrigo Chamoun, Benízio Lázaro e o presidente da Findes, Marcos Guerra, recebem em primeira mão a edição 2011 do Anuário 200 Maiores Empresas do ES. 6 – A equipe do Banestes, tendo ao centro Bruno Negris, presidente, e José Antônio Boff Buffon, diretor-comercial do banco.

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7 – Convidados prestigiam o lançamento do Anuário IEL 200 Maiores. 8 – O governador Renato Casagrande folheia o Anuário 200 Maiores Empresas do ES. 9 – Lucas Izoton, José Tadeu de Moraes, Marcos Guerra, Renato Casagrande, Rodrigo Chamoun e Ricardo Vescovi. 10 – Luciano Raizer, José Élcio Lorenzon e Evandro Minet. 11 – Renan Chieppe fala aos presentes no evento.

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fatos em fotos

Encontro da Indústria Uma noite de celebração. Assim foi o Encontro da Indústria, realizado pelo Centro da Indústria do Espírito Santo (CINDES) no dia 20 de novembro, no Cerimonial Le Buffet, em Vitória. Lideranças empresariais e políticas prestigiaram um evento de homenagens àqueles que contribuíram para o desenvolvimento sustentável do Estado do Espírito Santo. 1 – Senador Ricardo Ferraço recebe a mais alta honraria da Findes, a Medalha do Mérito Industrial. 2 – A indústria capixaba viveu uma noite de gala no Encontro promovido pelo CINDES. 3 – Erling Loretzen recebe do governador Renato Casagrande a Ordem do Mérito Industrial da CNI. 4 – Diretor da Findes, Ricardo Barbosa, com a noiva, Gizele Mafioletti. 5 – José Élcio Lorenzon , agraciado com a Medalha do Mérito Empreendedor, ao lado de Erling Loretzen e do ex-governador do ES, Paulo Hartung. 6 – Os homenageados da noite: José Bráulio Bassini, Gibson Regiani, Lucas Izoton, José Élcio Lorenzon e Marcos Guerra. 7 – Governador Casagrande, senador Ricardo Ferraço, diretor da Findes Sérgio Rogério de Castro e o presidente Marcos Guerra.

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8 – Medalhas foram entregues aos homenageados da noite. 9 – Diretoria do Cindes com os homenageados. 10 – José Élcio Lorenzon. 11 – Gibson Regiani. 12 – Fernando Künsch, Ricardo Vescovi, Rodrigo Rabelo e Marcos Guerra. 13 – Constantino Dadalto, Sergio Rogerio de Castro e Celso Siqueira, diretor do CINDES. 14 – Wladimir Rossi, Luiz Depizzol e Darcy Lannes.

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Pronatec sinaliza quase 10 mil vagas em cursos técnicos para capixabas

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xpandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos técnicos e profissionais de nível médio e de cursos de formação inicial e continuada para trabalhadores. Essa é a premissa do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), uma iniciativa do governo federal para beneficiar quem não tem condições de pagar pelo ensino técnico e profissionalizante. Em todo o País, a expectativa do SENAI é ofertar cerca de 450 mil vagas gratuitas por meio do Pronatec até 2012. No Espírito Santo, a previsão do SENAI-ES é disponibilizar 9.640 dessas chances em cursos técnicos e de qualificação até o ano que vem. Apenas em 2011, o SENAI-ES ofereceu 2.385 vagas em cursos de qualificação, com carga horária entre 160 e 200 horas. Entre as opções estão: Almoxarife, Ajustador Mecânico, Soldador no Processo MIG/MAG, Armador de Ferragem, Carpinteiro de Obras, Desenhista de Modas, Auxiliar de Operação em Logística, Operador de Sonda de Perfuração, Caldeireiro, Gesseiro, Padeiro, Eletricista Instalador Predial de Baixa Tensão, Montagem e Manutenção de Computadores e Costureiro Industrial do Vestuário. Os cursos de qualificação foram oferecidos em várias regiões e houve um trabalho intenso da entidade em levar essas vagas aos municípios que não possuem escolas do Senai. Os locais contemplados foram Vitória, Vila Velha, Serra, Aracruz, Anchieta, Colatina, Linhares, São Mateus, Conceição da Barra, Castelo, Cachoeiro de Itapemirim, Sooretama, Rio Bananal, Nova Venécia, Jaguaré e Rio Novo do Sul. Segundo informações do SENAI-ES, em 2012 serão abertas mais 6.415 vagas em cursos de qualificação – os mesmos citados acima – com carga horária entre 160 e 380 horas. A partir desse período, a oferta será cada vez mais descentralizada, em municípios onde não há unidades físicas. Para o próximo ano também serão abertas 840 vagas em cursos técnicos, com carga horária entre 1.200 e 1.600 horas. São eles: Eletrotécnica, Mecânica, Automação Industrial, Redes de Computadores, Edificações, Meio Ambiente e Vestuário. Os cursos técnicos serão ofertados nas unidades do SENAI distribuídas em Vitória, Vila Velha, Serra, Aracruz, Anchieta, Colatina, Linhares, 64

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PROGRAMAÇÃO DE CURSOS IEL Dezembro 2011 Curso

Período

Gestão de redes sociais com foco em resultados

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Exportação – passo a passo

12/12 a 15/12

Interpretação da NBR ISO 14001:2004

12/12 a 15/12

Técnicas de dinâmicas de grupo

12/12 a 16/12

Transformando chefes em líderes

12/12 a 16/12

Gestão de custos empresariais

12/12 a 16/12

Qualidade no atendimento ao cliente

13/12 a 15/12

Importação – passo a passo

19/12 a 22/12

Desenvolvendo as habilidades do supervisor como líder de pessoas

19/12 a 22/12

Relacionamento com o cliente

19/12 a 22/12

Formação de auditor interno da qualidade

19/12 a 22/12

Gestão eficaz do tempo

26/12 a 27/12

Planejamento estratégico na prática

26/12 a 29/12

Competências essenciais para líderes atuais

26/12 a 29/12

Pós-vendas

27/12 a 28/12

Interpretação da NBR ISO 9001:2008

16/01 a 19/01/2012

Contabilidade para Não Contadores

16/01 a 19/01/2012

Cálculos Trabalhistas

16/01 a 19/01/2012

Tratamento de Não Conformidades

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PROGRAMAÇÃO DE CURSOS senai SENAI VILA VELHA Curso

São Mateus e Cachoeiro de Itapemirim. Os horários das atividasdes ainda serão definidos. A segunda fase de inscrições para o processo seletivo será anunciada ainda em dezembro. O Pronatec beneficia principalmente estudantes da rede pública ou bolsistas integrais de escolas particulares de ensino médio, e trabalhadores beneficiados por programas de transferência de renda, como Bolsa Família e seguro-desemprego. Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Pronatec deve fomentar aproximadamente 4 milhões de vagas de emprego na indústria brasileira.

PROGRAMAÇÃO DE CURSOS senai SENAI VITÓRIA Curso

Período

Período

Eletricista instalador predial

19/12 a 28/12

Leitura e interpretação de projetos de edificações

05/12 a 23/12

Técnico em edificações

06/02/2012 a 27/12/2013

Técnico em logística

06/02/2012 a 19/07/2013

SENAI COLATINA Curso

Período

Injeção eletrônica

12/12/2011 a 19/01/2012

Soldador no processo eletrodo revestido aço carbono e aço baixa liga

12/12/2011 a 01/03/2012

Mecânico de motor a álcool e a gasolina

19/12/2011 a 27/03/2012

Eletricista instalador predial de baixa tensão

09/01/2012 a 16/04/2012

NR 10 - Segurança em instalações e serviços com eletricidade

05/12 a 20/12

Costureiro industrial

16/01/2012 a 23/04/2012

Mecânica básica para mulheres

12/12 a 27/12

Torneiro mecânico

16/01/2012 a 10/07/2012

Informações e inscrições: Edifício FINDES – Tel: (27) 3334-5755/5756/5758 • SESI Jardim da Penha – Tel: (27) 3334-7300 Inscrições e informações também pelo site www.iel–es.org.br • SENAI Cachoeiro – Tel: (28) 3522-4015 • SENAI Linhares – Tel: (27) 3371-2389 • SENAI Colatina – Tel: (27) 3721-4017 • SENAI Civit: Tel: (27) 3298-7800 • SENAI Vitória – Tel: (27) 3334-5201 • SENAI São Mateus – Tel: (27) 3767-9343 • SENAI Vila Velha – Tel: (27) 3399-5800 • SENAI Anchieta – Tel: (28) 3536-3088 • Mais informações sobre os cursos no site: www.es.senai.br.

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artigo

Royalties: o jogo

ainda não terminou

N

ão é por teimosia, e sim por convicção, que capixabas e fluminenses se recusam a dar o braço a torcer quanto aos royalties do petróleo. Se o Senado violentou a Constituição e ignorou o pacto federativo ao aprovar um projeto que desorganiza a economia de Estados e municípios produtores, ainda temos energia de sobra para exigir a preservação de nossos direitos. Estamos em plena partida. Acabou só o primeiro tempo. O segundo vai ser a votação na Câmara dos Deputados, onde vamos continuar brigando para fazer valer o art. 20 da Constituição: Estados e municípios produtores de petróleo, gás, minérios e energia devem ser compensados financeiramente pelos impactos ambientais, sociais e econômicos da exploração. Numa Federação, a competição entre entes federados precisa ser equilibrada pela cooperação e pela negociação. Se, em vez disso, a Câmara se dobrar à ambição desmedida dos não produtores, é a unidade nacional que sairá ameaçada.

No terceiro tempo desse jogo, a bola vai estar com a presidente Dilma Rousseff. Temos plena confiança de que ela seguirá o exemplo do ex-presidente Lula, que vetou, por inconstitucionalidade, a distribuição equitativa dos royalties prevista na emenda Ibsen. As mesmas distorções da emenda estão presentes no texto aprovado no Senado. Mais: a presidente já se pronunciou várias vezes a favor do tratamento diferenciado para Estados produtores na divisão dos royalties. Ela também se manifestou, outras tantas vezes, contra mudanças de regras em áreas já licitadas. A quebra de contratos legalmente em vigor criaria um cenário insustentável de insegurança jurídica. Uma nação não se estabelece no vale-tudo. Ainda pode haver um quarto tempo, no Supremo Tribunal Federal. Como guardiã da Constituição, a mais alta corte do país não vai deixar que uma maioria esmague direitos constitucionais da minoria. Melhor será se pudermos solucionar esse impasse pela via política – Política, com P maiúsculo. A judicialização não traz lucro para ninguém, mas se for esse o único caminho, não vamos recuar. Os Estados produtores nunca se recusaram a negociar com os demais. Nem fincaram pé no sentido de querer tomar para si, apenas, as receitas provenientes do petróleo. Mas o limite da negociação é o respeito à Constituição. E uma coisa é negociar o futuro. Outra, bem diferente, é quebrar regras em pleno vigor. O povo capixaba nunca teve vida fácil. Desde a época do Brasil Colônia, soube superar inúmeros desafios. Não vai ser dessa vez que vai desistir e sair de campo. Estamos nesse jogo até o último segundo do último tempo. Ricardo Ferraço é senador pelo PMDB/ES

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Indústria Capixaba – FINDES

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Dez/2011 – nº 298

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Revista Indústria Capixaba n° 298  

Dez/2011. Uma publicação oficial do Sistema Findes.

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