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Publicação Oficial do Sistema Findes • Mai/Jun – 2011 • Distribuição gratuita • nº 295 • IMPRESSO

Lucas Izoton fala de sua experiência à frente da FINDES

Como fica o ES sem o Fundap? E mais: indústria criativa, infraestrutura, saúde, 60 anos do SESI Findes_295_Capa.indd 1

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Nesta edição

cenário

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O Fundo de Fomento às Atividades Portuárias (Fundap) está em vias de ser extinto. Veja o que está sendo feito pela indústria para que o fundo seja mantido ou, pelo menos, prorrogado e, caso contrário, como ficarão a economia do Espírito Santo e as alternativas de financiamento.

indústria A era da globalização veio acompanhada de um novo tipo de atividade. A chamada “indústria criativa” agrega conhecimento, inovação e tecnologia da informação e movimenta US$ 3 trilhões no mundo todos os anos.

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42 Caso de Sucesso 44 Indicadores econômicos 60 Fatos em Fotos 64 Cursos e Cia

especial O SESI comemora aniversário de 60 anos e é destaque em educação e saúde do trabalhador. Além disso, é a maior rede privada brasileira de ensino e tem grande importância na área de esportes.

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atualidade Um grande gargalo para o desenvolvimento do Espírito Santo é sua logística. Veja como a indústria tem se organizado para conviver com essa carência e o que o governo tem feito para resolver as deficiências em rodovias, portos e aeroporto.

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Indústria Capixaba – FINDES

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52 ENTREVISTA Depois de sete anos, Lucas Izoton deixará a presidência da FINDES com a sensação de dever cumprido. Saiba mais sobre a trajetória profissional e as expectativas para o futuro destes empreendedor por natureza. Mai/Jun/2011 – nº 295

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SISTEMA FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo – FINDES Presidente: Lucas Izoton Vieira | 1º Vice-Presidente: Sergio Rogerio de Castro | Vice-Presidentes: Ernesto Mosaner Junior | Aristoteles Passos Costa Neto | Diretor Administrativo: Ademar Antonio Bragatto | Diretor Financeiro: Tharcicio Pedro Botti | Diretores: Ricardo Ribeiro Barbosa | Manoel de Souza Pimenta Neto | Luciano Raizer Moura | Alejandro Duenas | Alvaro José Bastos Miranda | Arthur Arpini Coutinho | Áureo Vianna Mameri | Benizio Lázaro | Carlos Augusto Lira Aguiar | Edvaldo Almeida Vieira | Egidio Malanquini | Elcio Alves | Loreto Zanotto | Luiz Rigoni | Luiz Claudio Nogueira Muniz | Marconi Tarbes Vianna | Mariluce Polido Dias | Neviton Helmer Gasparini | Paulo Roberto Almeida Vieira | Ricardo Vescovi de Aragão | Wilmar dos Santos Barroso Filho | Conselho Fiscal – Titulares: Clara Thais Rezende Cardoso Orlandi | Vladimir Rossi Altamir Alves Martins | Suplentes: Rogerio Pereira dos Santos | Mario Sergio do Nascimento | José Henrique Roldi | Representantes/CNI – Titulares: Lucas Izoton Vieira | Sergio Rogerio de Castro | Suplentes: Marcos Guerra | Ernesto Mosaner Junior I Superintendente Corporativo: Waldenor Mariot

40 SUSTENTÁVEL Conscientização dos estudantes e redução das manifestações de violência. Esses são os objetivos do Projeto Colorir, realizado pela Elkem desde 2003 e com o qual a empresa obteve destaque nas etapas estadual e nacional do Prêmio SESI Qualidade no Trabalho (PSQT).

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SAÚDE

Com sintomas como exaustão física e emocional, o estresse é tido como um dos grandes problemas dos trabalhadores contemporâneos. Em tempos nos quais a qualidade de vida é percebida como fundamental também no âmbito profissional, o estresse deve ser evitado através de uma atmosfera de entusiasmo e harmonia.

Diretoria Executiva do CINDES Presidente: Lucas Izoton Vieira | 1º Vice-Presidente: Sergio Rogerio de Castro | Vice-Presidentes: Ernesto Mosaner Junior | Aristóteles Passos Costa Neto | Diretores: Paulo Alfonso Menegueli | Adir Comério | Giuliano Souza Rogério de Castro | Evandi Américo Comarella | Leonardo Souza Rogerio de Castro | Edmar Lorencini dos Anjos | Gervásio Andreão Junior | Celso Siqueira Junior | Augusto Henrique Brunow Barbosa | Cristhine Samorini | Conselho de Sindicância: Arthur Carlos Gerhardt Santos | Chrisogono Teixeira da Cruz | Fausto Frizzera Borges | Hélio de Oliveira Dórea | David Evaristo Zanotti | Conselho Fiscal: Dory Edson Marianelli Elson Teixeira Gatto | Adilson Borges Vieira | Joaquim da Silva Maia | José Luis Loss | Gilber Ney Lorenzoni Serviço Social da Indústria – SESI Conselho Regional - Presidente: Lucas Izoton Vieira | Superintendente: Solange Maria Nunes Siqueira Representantes da Delegacia Regional do Trabalho: Enésio Paiva Soares | Alcimar das Candeias da Silva Representante do Governo: Antonio Lyra Cristello | Representantes das Atividades Industriais Titular: Manoel de Souza Pimenta Neto | Tharcicio Pedro Botti | Mariluce Polido Dias | Neviton Helmer Gasparini Augusto Henrique Brunow Barbosa | Alejandro Dueñas | Vladimir Rossi | Egídio Malanquini | Representantes da Categoria dos Trabalhadores da Indústria: Luiz Carlos Fernandes Rangel | José Antonio Teixeira Cozer Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI Conselho Regional - Presidente: Lucas Izoton Vieira | Diretor Regional: Robson Santos Cardoso Representantes das Atividades Industriais Titulares: Wilmar Barros Barbosa | Marcos Guerra | Benízio Lázaro Francisco Xavier Mill | Suplentes: Álvaro José Bastos Miranda | Clara Thais Resende Cardoso Orlandi | João Baptista Depizzol Neto | Flávio Sérgio Andrade Bertollo | Representantes do Ministério do Trabalho Titular: Enésio Paiva Soares | Suplente: Alcimar das Candeias da Silva | Representantes do Ministério da Educação Titular: Jadir José Pella | Suplente: Ronaldo Neves Cruz | Representantes da Categoria dos Trabalhadores da Indústria Titular: Paulo Cesar Borba Peres | Suplente: Ivo Cogo Instituto Euvaldo Lodi – IEL Presidente: Lucas Izoton Vieira | Conselheiros: Solange Maria Nunes Siqueira (SESI) | Robson Santos Cardoso (SENAI) | Augusto Henrique Brunow (FINDES) | Andreas Joannes Maria Schilte (Concex) | Erika de Andrade Silva Leal (Sect) | Maria Auxiliadora de Carvalho Corassa (Ufes) Lúcio Flávio Arrivabene (Ifes) | Geraldo Diório Filho (Sinepe) | Sônia Coelho de Oliveira (Sedes) | Rosimere Dias de Andrade (Sedu) | Luciano Raizer Moura (Competec) | Antonio Fernando Doria Porto | Alejandro Duenas | Superintendente: Fabio Ribeiro Dias Instituto Rota Imperial – IRI Conselho Deliberativo – Titulares: Baques Sanna | Alejandro Duenas | Fernando Kunsch | Maely Coelho Eustaquio Palhares | Roberto Kautsky | Suplentes: Francisco Xavier Mill | Tullio Samorini | João Felício Scardua Manoel Pimenta | Adenilson Stein | Tharcicio Pedro Botti | Membros Natos: Lucas Izoton Vieira | Sergio Rogerio de Castro | Ernesto Mosaner Junior | Aristoteles Passos Costa Neto | Conselho Fiscal – Efetivos: Flavio Bertollo | Raphael Cassaro | Edmar dos Anjos | Suplentes: Celso Siqueira | Valdeir Nunes | Gervasio Andreao

FINDES EM AÇÃO 16 Diretor do IDEIES toma posse no Concitec

24 Embaixador da Áustria visita a FINDES

PUBLICAÇÃO OFICIAL DO SISTEMA FINDES • MAIO/JUNHO – 2011 • Nº 295 Conselho Editorial – Lucas Izoton Vieira | Sergio Rogerio de Castro Ernesto Mosaner Junior | Aristoteles Passos Costa Neto | Ricardo Ribeiro Barbosa Manoel de Souza Pimenta Neto | Alejandro Duenas | Luciano Raizer Moura | Tullio Samorini Robson Santos Cardoso | Solange Maria Nunes Siqueira | Fabio Ribeiro Dias Antonio Fernando Doria Porto Waldenor Mariot | Vitalino Flávio Abreu de Araújo | Heriberto Neves Simões Filho Jornalista responsável – Lucia Bonino (DRT/ES 586) Apoio técnico – Assessoria de Comunicação da FINDES

Jornalistas: Breno Arêas | Evelyn Trindade | Fábio Martins | Laila Pontes | Tatiana Ribeiro Coordenadora: Lucia Bonino Gerente: Heriberto Simões

32 SESI lança edital de

inovação na indústria

58 Detentas são capacitadas pelo SENAI

63 Fornecedores da indústria

moveleira são qualificados

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Depto. Comercial – UNIREM/FINDES – Tel: (27) 3334-5721 Simone Dttmann Sarti e Fernando Fiuza Produção Editorial

Coordenação editorial: Mário Fernando Souza | Produção Editorial e diagramação: Next Editorial Textos: Ariani Caetano | Gustavo Costa | Lorena Storani | Nadia Baptista | Carla Nascimento Revisão de textos: Márcia Rodrigues| Fotografia: Cláudio Alves, Manoel Henrique Silva, fotos cedidas, arquivo FINDES e arquivos Next Editorial

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EDITORIAL

UM TRABALHO VITORIOSO M

uito honrado com a deferência do presidente Lucas Izoton e com grande satisfação faço extraordinariamente o editorial desta edição da Revista Indústria Capixaba. Primeiramente, tenho que dizer que tive grandes emoções e realizações dentro da FINDES. Além de ter sido presidente na gestão 1989/1992, tive o prazer de ser o 1º vice de dois grandes nomes, que foram Hélcio Rezende Dias (1983/1989) e Lucas Izoton (2008/2011). Foram gestões que se diferenciaram, que deixaram um grande legado na evolução do Sistema Findes. Como 1º vice-presidente da segunda gestão de Lucas Izoton, posso afirmar com absoluta certeza que me sinto bastante realizado. Confesso que, antes de aceitar o cargo, ainda havia dentro de mim um desejo de ser presidente novamente desta entidade. Pude constatar que a atual Diretoria fez quase tudo o que eu gostaria de ter realizado à frente da FINDES. Obviamente que penso que sempre há algo ainda a ser feito, mas o trabalho realizado por esta gestão foi muito marcante. Não preciso mais ser presidente. Destas forma, coloco em prática minha crença no valor da renovação das lideranças. Tivemos avanços significativos dentro desta Federação, dos quais posso destacar: a implementação do Inova Findes; a descoberta do enorme potencial da indústria criativa; o retorno de ações de grande impacto do SESI voltadas para a área cultural; a integração de SESI e SENAI; o avanço no ensino integral do SESI e a ampliação da capacitação profissional no Espírito Santo promovida pelos inúmeros novos cursos técnicos do SENAI; os grandes investimentos realizados para o aumento da prestação dos serviços do SESI e do SENAI, incluindo melhorias em todas as instalações; a valorização do corpo de funcionários com ações voltadas para qualificação e também com a adição de benefícios; o fortalecimento do associativismo como prioridade número um do CAS (Centro de Apoio aos Sindicatos); a retomada e ampliação das atividades do CINDES e do IDEIES;

o fortalecimento do IEL-ES; o avanço na implementação do IRI (Instituto Rota Imperial); a representação da FINDES nacionalmente em órgãos de maior importância, como Sebrae, Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), e muito mais. Ressalto que nunca antes em sua história a FINDES realizou tantos eventos no edifício da entidade e em locações externas, sendo esse o resultado de um notável trabalho de congregação com a classe industrial e a sociedade, além de colaborar decisivamente para o desenvolvimento sustentável do Espírito Santo. O presidente Lucas e sua diretoria, inclusive, são responsáveis por estimular diretores, conselheiros e demais gestores a participarem mais ativamente das atividades da Federação. Esta gestão obteve uma evolução extraordinária rumo à interiorização do desenvolvimento no Espírito Santo, com a ampliação de três Núcleos ou Diretorias regionais para oito. O Espaço Cultural do SESI, no topo do Edifício FINDES, que será um novo ícone para a capital capixaba, também é uma marca desta gestão, que respeita o passado e valoriza o presente, sem deixar de olhar para o futuro. Por fim, tenho orgulho de ser o 1º vice-presidente da gestão que viabilizou a retomada da Revista Indústria Capixaba. Nós conseguimos elaborar uma publicação referencial não somente para o empresário industrial, mas também para toda a sociedade capixaba, que busca aqui informação de qualidade e importante para a evolução de nosso Estado. Parabéns a toda a Diretoria presidida por Lucas Izoton!

Sergio Rogerio de Castro 1º vice-presidente da Findes Ex-presidente da Findes (1989/1992) 1º vice-presidente da gestão de Hélcio Rezende Dias (1983/1989) 6

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FINDES EM AÇÃO

Feira têxtil movimenta R$ 4 milhões em Vitória A 9ª Texes – Feira Têxtil do Espírito Santo, realizada de 29 a 31 de março no Centro de Convenções de Vitória, gerou movimentação financeira estimada em R$ 4 milhões. O evento atraiu 37 expositores de todo o país, trazendo malhas, tecidos e aviamentos. Com a finalidade de Marcos Guerra tornar o setor de vestuário e confecções ainda mais competitivo participa de em relação aos outros Estados, a feira ofereceu palestras, workshop, encontro de negócios e desfiles. A Texes foi realizada sessão da pela União dos Representantes Têxteis do Espírito Santo Assembleia (Urtex), com apoio dos sindicatos que representam o setor no O presidente eleito da FINDES, Marcos Guerra, Estado (Sinconfec, Sindutex, Sinvesco, Sinvel e Sindicalçados), esteve na Assembleia Legislativa do Estado do Espírito FINDES e SENAI. Santo, no dia 22 de março, para se apresentar aos deputados. O encontro foi uma iniciativa do deputado estadual Josias Empresa capixaba ganha Da Vitória, que fez o convite. Marcos Guerra aproveitou a oportunidade para se colocar à disposição da Casa, PSQT nacional dos deputados e também para estabelecer um canal de A empresa Elkem Participações, Indústria e Comércio foi diálogo com a classe política do Estado. a vencedora da etapa nacional da 14ª edição do Prêmio SESI Qualidade no Trabalho (PSQT). O prêmio foi conquistado depois de a empresa ter tido sucesso na etapa estadual do Sindicatos capacitam PSQT, nas categorias “Desenvolvimento Socioambiental”, mão de obra para em que obteve o 1º lugar com o Projeto Colorir, e “Educação e Desenvolvimento”, em que ficou em 2º lugar com o seu atender demanda programa de treinamento e desenvolvimento. Com a vitória na Os sindicatos de diversos setores estão se mobilizando seletiva regional, a Elkem passou a concorrer pela premiação para atender à crescente demanda por mão de obra nacional e conquistou o PSQT nacional no dia 5 de abril, qualificada no Espírito Santo. Um exemplo é o Sindicato disputando com 1.737 empresas e 94 finalistas. das Indústrias Gráficas do Espírito Santo (Siges), que programou workshops com assuntos diversificados em Cachoeiro de Itapemirim, Colatina, Linhares, São Mateus e Vitória. No setor de calçados, o destaque é o Curso de Costureiro, em Cachoeiro de Itapemirim. Na área de alimentos, o Sindipães oferece cursos com valores diferenciados e duração média de 80 horas. Já o curso de Marceneiro passou por modernização tecnológica, com a aquisição de novas máquinas, e pedagógica, com a inclusão do módulo de Gestão. A Oficina de Marcenaria do Centro Integrado SESISENAI de Vila Velha recebeu investimento de R$ 300 mil e está equipada com 21 máquinas.

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FINDES EM AÇÃO

Findes inaugura Núcleo Regional em Nova Venécia A Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) inaugurou em 11 de abril o seu Núcleo Regional em Nova Venécia e Região. O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável, capacitar profissionais, desenvolver os arranjos produtivos locais e aumentar a geração de emprego, renda e qualidade de vida. A iniciativa se insere no projeto de interiorização do desenvolvimento do Sistema FINDES, que pretende atender às necessidades de segmentos importantes do noroeste capixaba. Para isso, SESI, SENAI e IEL-ES estão discutindo juntos a promoção de ações que fortaleçam a economia local com a oferta de cursos profissionalizantes, eventos e treinamentos em gestão. Com esta inauguração, o Sistema FINDES atinge o número de oito Núcleos e Diretorias Regionais, ajudando no desenvolvimento de todo o Estado. Na ocasião, também foi empossada a Diretoria Regional, cujo presidente é João Otávio Minozzo (na foto, assinando o termo de posse).

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ARTIGO

ECONOMIA CRIATIVA: DESENVOLVIMENTO INCLUSIVO E SUSTENTÁVEL

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Brasil vive uma janela de oportunidade, mesmo ainda enfrentando questões históricas, como problemas de formação educacional, concentração de renda e carência de infraestrutura econômica. As reformas efetivadas nos anos 90; o Real, estabelecido por Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso e sustentado por Lula; o mercado chinês, com inauditas demandas por commodities; e o negócio do petróleo, entre outros, dinamizaram a produção de riquezas no País, que também se beneficiou da boa fase econômica mundial pré-crise de 2009. Esse conjunto de fatores modificou o mapa socioeconômico da nação. Entretanto, não se pode jazer em “berço esplêndido”. Os desafios são muitos. Há pouco mais de três décadas, um novo paradigma capitalista se impôs, com a consolidação da globalização e a informacionalização dos processos produtivos, o que equivale dizer: uso intensivo de novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) em toda a sua cadeia de valor, do planejamento, passando pela produção, às estratégias e táticas de distribuição e consumo, com alto valor agregado por inovação e conhecimento. A mensagem é clara: se produzimos riqueza fundamentalmente a partir de um modelo produtivo que está

sendo ultrapassado, precisamos investir no renovado padrão econômico que se impõe planeta afora e representa fator de vanguarda mundial. É preciso fazer a transição da velha para a nova economia, inclusive com a riqueza que se vislumbra com o pré-sal. Educação, excelência em capital humano, conhecimento, inovação, empreendedorismo, sustentabilidade, pesquisa e desenvolvimento científico, diversidade produtiva e tecnologias da informação e comunicação são alguns dos tópicos-chave daquilo que se vem denominando economia criativa, uma das forças do capitalismo global e informacional, nos termos do sociólogo Manuel Castells. A princípio, o conceito de economia criativa esteve ligado à produção econômica vinculada a atividades culturais e afins. No entanto, esse conceito vem-se ampliando, entre outros, pelo fato de que criatividade e inovação podem e devem ser aplicados a quaisquer setores produtivos. Nessa direção, aproximamo-nos da economia criativa como um conjunto de atividades econômicas baseadas no conhecimento, que fazem uso massivo de talento criativo, tecnologias de informação e comunicação e capital intelectual e cultural. As idéias são a matéria-prima central, tendo-se criatividade, imaginação, inovação e saber aplicados ao desenvolvimento socialmente inclusivo, ambientalmente sustentável e geograficamente desconcentrado. Sendo o modo de produção decisivo à formação das sociabilidades, a globalização e a midiatização das relações socioeconômicas e político-culturais (cidadãos estão cada vez mais conectados a dispositivos de comunicação e ligados aos conteúdos que circulam por essa constelação de mídias, inclusive produzindo-os, hajam vista as revoltas populares no Oriente Médio), é imperativo que se busque o paradigma econômico da criatividade. O nosso país tem imenso potencial nessa nova economia, como provam inúmeras iniciativas Brasil afora, incluindo-se as terras capixabas, onde se trabalha, se confia e também se inova. Paulo Hartung, economista, ex-governador do Estado do Espírito Santo (2003-2010).

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cenário por Carla Nascimento

O Fundap e a Economia do Espírito Santo O

fim do Fundo de Fomento às Atividades Portuárias (Fundap) é dado como certo, se depender da proposta do Governo Federal de mudar a forma de cobrança do ICMS recolhido nos Estados. A medida pode afetar diretamente as operações de comércio exterior no Espírito Santo e, consequentemente, as indústrias que dependem de matérias-primas importadas. Enquanto o governo estadual propõe uma redução gradual e um prazo de adaptação maior, as empresas “fundapeanas” têm o desafio de aumentar sua eficiência para continuarem competitivas, ao mesmo tempo em que o poder público precisa promover melhorias tanto na infraestrutura quanto em questões tributárias, dizem os especialistas. O fim do fundo significa uma perda de R$ 1,8 bilhão por ano, o que força uma reflexão sobre os rumos da economia capixaba. Para o economista Arlindo Villaschi, com a extinção do Fundap, teremos que competir em igualdade de condições com outros estados exportadores, o que vai exigir investimento dos cofres públicos. “Para isso, o governo 12

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estadual deve mobilizar a estrutura de armazéns e logística para que as empresas continuem operando por aqui. É preciso melhorar muito as condições dos portos, torná-los mais atrativos. Além disso, grandes empresas precisam operar com carga geral (carga embarcada e transportada com acondicionamento, com marca de identificação e contagem de unidades). Tem que haver mobilização política para que a infraestrutura já existente ou a ser criada trabalhe também a serviço das importações e exportações de carga geral”, opina Villaschi. O economista ressalta que os empresários terão igualmente que se mobilizar. “A maioria dos empresários que operam por meio do Fundap operam há muito tempo. Caso o fundo seja extinto, eles terão que operar em igualdade de condições com outros estados. Minha sugestão é que o Espírito Santo passe a ser exportador de carga geral também”, aponta. O Sistema FINDES trabalha para que o Fundap seja mantido ou pelo menos prorrogado, com o objetivo de resguardar o processo de evolução da indústria. Mai/Jun/2011 – nº 295

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“O Fundap não é um fundo casuístico nem oportunista. Ele surgiu para dinamizar as atividades dos portos do Espírito Santo” Maurício Cézar Duque, secretário de Estado da Fazenda

“O Fundap é um sistema diferenciado dos demais incentivos em termos de Brasil, pois trata-se de um estímulo financeiro, e não de cunho fiscal. Logo, ele deve ser avaliado com outros olhos. Por fim, é fundamental ressaltar que o Fundap é muito importante porque determinadas matériasprimas e equipamentos industriais não existentes no Brasil são importados via essa modalidade de fomento, e isso melhora sensivelmente a competitividade das indústrias capixabas”, informa a FINDES, por meio de nota oficial. O tema é tão importante que levou o secretário de Estado da Fazenda, Maurício Cézar Duque, à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e, no último dia 4 de maio, o governador Renato Casagrande à Casa Civil, onde se reuniu com o ministro Antônio Palocci. O governo estadual também pede um prazo maior de adaptação a essas mudanças. A reforma tributária tem como objetivo unificar a cobrança de impostos entre os Estados. A proposta é reduzir a alíquota do ICMS sobre as importações de 12% Mai/Jun/2011 – nº 295

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para 8%, em 2012; de 8% para 4% em 2013; e de 4% para 2% em 2014. Ela passaria a ser cobrada no destino do produto, e não na sua origem (ponto de entrada no país), o que vai atingir o Fundap. E esse não é o único risco que corre o fundo. Um projeto apresentado pelo líder do governo, Romero Jucá (PMDB-PR), defende que a alíquota do ICMS nas operações interestaduais com mercadorias importadas seja reduzida a zero.A União estaria disposta a elevar a alíquota para 4% e incluir os produtos nacionais, mas, ainda assim, teria grande impacto no Fundap. A justificativa é acabar com a guerra fiscal entre os Estados. “O Espírito Santo sugere 12 anos e uma redução gradativa da alíquota nas importações até 6%, mas o Ministério da Fazenda está apontando para um prazo de três anos, com alíquota de 2%. Estamos conversando para convencer o Governo Federal, senadores e deputados de que isso pode ser muito ruim para o Espírito Santo e lembrar que enfrentamos uma situação muito diferente daquela que ocorre nos demais estados. Precisamos conversar muito nos próximos dias,para que consigamos chegar a um meio termo que é fundamental para o Espírito Santo”, afirma o secretário de Estado da Fazenda. Importância O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Concex) do Sistema FINDES, Andreas Schilte, ressalta que indústrias de diferentes portes e atividades são beneficiadas com os mecanismos do Fundap. “Desde padarias, que compram trigo e outros insumos importados, até o mercado de rochas, que utiliza lâminas e abrasivos de outros países, muitos sentirão impacto nos negócios, se o Fundap acabar”, afirma. Ele ressalta que o fundo é importante por três motivos: primeiro, porque estimula as operações de comércio exterior, e as indústrias precisam de matérias-primas importadas; segundo, porque a cadeia do comércio exterior movimenta despachantes, bancos e toda uma estrutura Indústria Capixaba – FINDES

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cenário

logística que seria diretamente afetada com o fim do Fundap; e, também, porque parte dos recursos é diretamente repassada aos municípios. Atualmente, o Fundap corresponde a 25% da receita de ICMS capixaba, cujo total foi de R$ 7,1 bilhões em 2010. De acordo com o Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Estado do Espírito Santo (Sindiex), de 1994 a março de 2011 foram arrecadados R$ 18,1 bilhões de ICMS pelo Estado, sendo R$ 4,5 bilhões repassados aos cofres municipais por meio do fundo. O presidente do Sindiex, Severiano Alvarenga Imperial, também enumera as vantagens do Fundap. “O Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portuárias é, na realidade, um fundo de fomento, com dotação orçamentária prevista na Lei de Orçamento Anual do Estado, que atua como instrumento de desenvolvimento estadual há 40 anos. Trata-se de um sistema inteligente, que contribui para a geração de emprego e renda para o capixaba, imprescindível na composição das finanças municipais”, diz.

1,7 bilhões 2010

1,7 bilhões 2009

2008

1,9 bilhões 2007

1,6 bilhões 2006

1,4 bilhões 2005

1,2 bilhões 2004

795 milhões 2003

2002

687 milhões

890 milhões 2001

695 milhões 2000

600 milhões 1998

545 milhões

705 milhões 1997

1999

485 milhões 1996

440 milhões 1995

160 milhões 1994

2,2 bilhões

EM R$

Evolução da arrecadação do ICMS Fundap

Evolução da participação do ICMS Fundap no ICMS Total 43% 37% 27%

Fonte: Sindiex

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33%

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2011

2010

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24%

2003

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21%

2002

29%

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2007

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2004

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“Tem que haver mobilização política para que a infraestrutura já existente ou a ser criada trabalhe também a serviço das importações e exportações de carga geral” Arlindo Villaschi, economista

O Fundap atende a uma cadeia prestadora de serviços que inclui 320 empresas ativas: agências marítimas, despachantes aduaneiros, corretoras e operadoras de câmbio, portos secos e empresas de consultoria, entre outras. Ao todo, são gerados e mantidos cerca de 128 mil postos de trabalho. Severiano também destaca que, por meio do Fundapsocial – o braço social do Fundap, cuja finalidade é a de fomentar o desenvolvimento social do Espírito Santo -, mais de 29 mil empreendedores capixabas de micro e pequenos negócios foram beneficiados. “E as empresas operadoras do Fundap já repassaram mais de R$ 52 milhões ao Fundapsocial, que já gerou R$ 165,7 milhões em operações de crédito, distribuídas por todos os municípios capixabas. Em média, são mais de R$ 2,12 milhões aplicados em cada cidade capixaba”, enfatiza. Desde que foi criado o fundo, as empresas “fundapeanas” investiram mais de R$ 1,2 bilhão de recursos em projetos de infraestrutura, distribuídos pelas microrregiões do Estado. Diante desse quadro, Imperial ressalta a preocupação com o fim do Fundap. “Sem o seu fundo de fomento, o Espírito Santo perderá um quarto da arrecadação de ICMS, deixando, consequentemente, de repassar 25% dessa parcela aos municípios. Com isso, a maior parte das prefeituras terá perdido, completamente, sua capacidade de investimento. Os investimentos em projetos de infraestrutura cessarão, bem como os recursos destinados ao Fundapsocial. Pelo menos cerca de 500 empresas serão extintas, gerando desemprego em massa”, afirma o presidente do Sindiex. O secretário de Estado da Fazenda, Maurício Cézar Duque, também acredita que o Fundap seja vital para o Espírito Santo.“Esse fundo foi criado em 1970 para corrigir algumas desigualdades no processo de desenvolvimento ocorrido em nosso País. O Fundap foi criado com um objetivo diferente de qualquer intenção, de qualquer legislação recente que seja objeto da chamada guerra fiscal. Não é um fundo casuístico nem oportunista. Ele surgiu para dinamizar as atividades dos portos do Espírito Santo. Basicamente, seu objetivo é estimular a movimentação de mercadorias Mai/Jun/2011 – nº 295

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mais sobre o fundap O que é o Fundap: é um fundo de fomento, criado

pelos portos capixabas, aumentar a renda dos diversos setores da economia e induzir a geração de emprego e de renda. Pela localização do Estado,por suas características geográficas, por seu complexo portuário, por sua pequena população e, consequentemente, por seu pequeno mercado interno, a atividade de comércio exterior, notadamente a importação, é extremamente importante para o Espírito Santo”. Ele enfatiza que o ICMS na importação já representou 43% do ICMS total do Estado; em 2010, significava em torno de 24%; em 2011, cerca de 26%. “O que a gente pode observar é que, nesse período em que houve acirramento da guerra fiscal, principalmente com os incentivos à importação de produtos, o peso do ICMS da importação no total do ICMS do Estado caiu significativamente”, diz o secretário. Duque lembra que o percentual de aproximadamente 25% do ICMS do Fundap devido aos municípios é creditado integralmente para eles. Hoje, o ICMS do Fundap representa até 35% da receita de todos os municípios capixabas. Os outros 75% de ICMS são financiados às empresas, que depois pagam esse valor de volta ao Estado. Parte do valor financiado é destinada, compulsoriamente, a projetos próprios da empresa no Estado, a projetos de terceiros ou, ainda, ao Nossocrédito, que é um programa de microcrédito que já fez operações no total de R$ 176 milhões. Ele calcula que as perdas do Espírito Santo com a unificação do ICMS e o fim das operações via Fundap fiquem em torno de R$ 1,8 bilhão por ano. “Nós perderíamos praticamente todas as importações via Fundap. Os grandes atingidos seriam os municípios capixabas,que sofreriam prejuízos em seus projetos das áreas de educação e saúde, além de outros investimentos. “Sem o seu fundo de fomento, o Espírito Santo perderá um quarto da arrecadação de ICMS, deixando de repassar 25% dessa parcela aos municípios ” Severiano Alvarenga Imperial, presidente do Sindiex

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em 1970, que beneficia empresas com sede no Espírito Santo que realizam operações de comércio exterior tributadas com ICMS no Estado. Empresas industriais com sede no Estado que utilizam insumos importados também podem se habilitar aos financiamentos. Para receber o financiamento com recursos do fundo, as empresas devem comprovar a regularidade fiscal e tributária. O Bandes atua como gestor na contratação dos financiamentos.

Como funciona: a alíquota de ICMS Fundap é de

12%. O recolhimento do ICMS acontece no dia 26 do mês seguinte ao da emissão da nota fiscal de venda. O juro pago pelo financiamento é de 1% ao ano. Dos 12% da alíquota do ICMS, 8% são destinados aos financiamentos, 3% vão para os municípios e 1% fica com o Governo do Estado.

Investimento: as empresas “fundapeanas” devem

investir 9% do valor financiado em projetos que irão gerar desenvolvimento, renda e emprego no Espírito Santo.

Condições para o financiamento: as operações

devem ser realizadas por empresas que tenham sede no território do Espírito Santo; o recolhimento do ICMS Fundap deve ser efetuado para o Estado do Espírito Santo; o desembaraço aduaneiro tem que ser realizado no Espírito Santo.

Principais objetivos: • Estimular a movimentação de mercadorias pelos

portos capixabas. • Aumentar a renda do setor terciário do Estado, por meio do incremento e diversificação do intercâmbio comercial com o exterior. • Aumentar a renda dos setores primário e secundário do Estado, por meio da promoção de novos investimentos estabelecidos em lei. • Induzir a geração de emprego e renda. São recursos muito significativos e não seria possível manter os investimentos nesses municípios sem os recursos do Fundap. Também são muito representativos para serem substituídos por outras fontes. Para os municípios, haveria um impacto muito forte em suas finanças, comprometendo o equilíbrio fiscal”, admite o secretário. Como agravante, Duque destaca que o Estado corre o risco de que seja derrubado o veto do ex-presidente Lula às emendas do deputado Ibsen Pinheiro e do senador Pedro Simon, que dividem igualmente os royalties de petróleo do pré-sal entre os estados e municípios brasileiros. Nesse caso, pode haver ainda alteração nos critérios de distribuição do Fundo de Participação dos Estados (FPE). No total, as perdas para o Espírito Santo poderiam ficar entre R$ 3 bilhões e R$ 3,5 bilhões. Indústria Capixaba – FINDES

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FINDES EM AÇÃO

SENAI-ES oferece 60 bolsas O SENAI-ES e a Prefeitura de Presidente Kennedy firmaram no dia 16 de março uma parceria que prevê a doação de 60 bolsas de estudos para alunos do município. As bolsas, de R$500 mensais, foram criadas para que os estudantes do Ensino Médio já selecionados possam frequentar os cursos técnicos em Eletrotécnica e em Mecânica. As aulas acontecem, em período integral, nas dependências do SENAI de Cachoeiro de Itapemirim, e têm duração de um ano.

FINDES sediará Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria O governador Renato Casagrande, o vicecônsul italiano Giuseppe Romiti e o presidente da FINDES, Lucas Izoton, além de uma comitiva de empresários italianos, reuniram-se no dia 15 de abril, no Palácio Anchieta, para debater a criação da Seccional Espírito Santo da Câmara Ítalo-Brasileira de Comércio e Indústria. A seccional vai funcionar na sede da FINDES e será administrada pelo Centro Internacional de Negócios (CIN). A reunião serviu ainda para que os empresários italianos apresentassem as principais atividades das organizações representadas no encontro, com negócios ligados à área de logística, construção civil, mineração e dragagem. A realização do Fórum Itália-Espírito Santo e o Ano da Itália no Brasil também foram discutidos na ocasião.

Ademar Bragatto no Conselho da Agroindústria da CNI Ademar Bragatto, diretor administrativo da FINDES e diretor-superintendente da Refrigerantes Coroa, aceitou, no dia 28 de março, o convite para integrar o Conselho Temático da Agroindústria (Coagro) da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A indicação de Bragatto partiu do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, que amplia, com o convite, o campo de atuação do Espírito Santo junto à entidade, que representa a indústria brasileira. Natural de Ibiraçu, Ademar é formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mas preferiu seguir carreira exercendo cargos na área administrativa. Ele é pósgraduado em Gestão Ambiental pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e Fundação Dom Cabral. 16

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Aron Belinky foi o palestrante do seminário

Norma pioneira de responsabilidade social é lançada Com foco na orientação de práticas socialmente responsáveis, foi lançada no dia 29 de abril, durante seminário realizado pelo Conselho de Responsabilidade Social (Cores) da FINDES, a norma ISO 26.000. Tida como pioneira, é a primeira norma ISO construída por um grupo de trabalho presidido pelo Brasil, em parceria com a Suécia. Publicada em dezembro do ano passado, a norma é resultado da participação e do debate de aproximadamente 400 especialistas de mais de 90 países. “A ISO 26.000 irá possibilitar que as ações e ideias sobre o tema possam ser entendidas em um contexto mundial. O principal objetivo é contribuir para que as empresas possam melhorar suas ações nas áreas focadas pela norma”, disse o presidente do Cores da FINDES, Jefferson Cabral. Direcionada para áreas como governança corporativa, direitos humanos, meio ambiente, direito do consumidor, desenvolvimento da comunidade, além de práticas trabalhistas e operacionais justas, a nova ISO tem caráter voluntário e orientador, não implicando certificação.

Diretor do IDEIES empossado no Concitec O diretor para assuntos do IDEIES, Luciano Raizer Moura, tomou posse como membro do Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (Concitec) no dia 15 de março, em Vitória. O Concitec é formado por representantes de entidades e institutos de pesquisa do Espírito Santo, como IDEIES, Sebrae, Ufes, Sine e Fapes, e tem como principal função debater e determinar as diretrizes da política estadual de ciência, tecnologia e inovação. Uma das determinações do primeiro encontro entre os novos conselheiros foi a de aprofundar as ações de fomento à inovação no Estado. Mai/Jun/2011 – nº 295

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Indústria por Nadia Baptista

Indústria Criativa Criatividade e inovação ganham o mercado e dão forma a um novo tipo de indústria 18

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esponsável por 10% da economia mundial, um novo tipo de indústria tem chamado a atenção na era da globalização. Definido pelas Nações Unidas como “o conjunto de atividades baseadas no conhecimento, na inovação e na tecnologia da informação, que produz bens com conteúdo criativo, valor cultural e econômico, e amplia os objetivos de mercado”, o conceito de indústria criativa começa a se tornar mais conhecido e difundido. São indústrias que usam a criatividade como insumo principal. A indústria criativa movimenta US$ 3 trilhões anualmente no mundo, e cresce 8% ao ano. No Brasil, os setores de arquitetura, moda e design representam mais de 80% do mercado de trabalho criativo. O Espírito Santo, nessa fase de crescimento que vive, com grandes investimentos voltados para o aumento do valor agregado de sua indústria, precisa, também, priorizar essa nova vertente, reflexo das transformações sociais, tecnológicas, informacionais e culturais do final do século XX e início deste século. Para isso, são importantes maiores investimentos em desenvolvimento tecnológico, inovação e educação, tripé fundamental para o crescimento dessa indústria. De acordo com o gerente-executivo do IDEIES, Antonio Fernando Doria Porto, o conceito de indústria

As indústrias criativas, segundo a UNCTAD • São os ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam a criatividade e o capital intelectual como fatores de produção primários. • Constituem um conjunto de atividades baseadas no conhecimento, focado em (mas não se limitando a) artes, gerando receitas de comércio e direitos de propriedade intelectual. • Compreendem produtos tangíveis e serviços intelectuais ou artísticos não tangíveis com conteúdos criativos, valor econômico e objetivos de mercado. • Estão na fronteira entre o artesanato e os setores industriais e de serviços. • Constituem um novo setor no mercado internacional. Mai/Jun/2011 – nº 295

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“O potencial que a indústria criativa pode trazer para nós ainda não foi explorado como deveria” Kleber Duarte, presidente do Compem

criativa é recente. Começou a ser empregado na Austrália, no início da década de 90, referindo-se a setores como moda, design de interiores, arquitetura, desenvolvimento de software e produção cultural, entre outros, que começaram a experimentar um grande movimento em termos de crescimento, com foco no mercado internacional. Desde então, têm sido analisados com uma visão muito mais industrial. “É preciso dar uma atenção maior a esse tipo de indústria. Esses setores vêm crescendo muito mais do que a indústria tradicional”, afirma Doria. Durante a crise econômica mundial do final de 2008 e início de 2009, um fato chamou a atenção para essas indústrias que têm na criatividade sua sustentação. Enquanto a diminuição do comércio, principalmente internacional, fez com que as indústrias tradicionais passassem por um período de retração, as indústrias consideradas criativas apresentaram crescimento acima da média – cerca de 14% ao ano desde 2002, segundo as Nações Unidas. Doria Porto ressalta uma tendência do mercado que favorece o crescimento de tais indústrias. “Muitas indústrias tradicionais dependem das criativas. Por exemplo, o setor de confecções depende da parte de criação de moda. Com a globalização, cada vez mais criatividade e inovação têm sido cobradas das indústrias, que não sobrevivem sem elas no mundo atual”, explica. Portanto, como alerta o gerente-executivo, “a indústria tradicional não vai sobreviver sem a indústria criativa. Em termos de globalização, ganha quem criar mais, quem inovar mais, tanto em termos locais, como em termos internacionais. O empresário que não vê a importância da indústria criativa pode ficar para trás”. Desde o final de 2010, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES) está atenta a essa nova realidade. Indústria Capixaba – FINDES

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Indústria

“A indústria tradicional não vai sobreviver sem a indústria criativa” Antonio Fernando Doria Porto, gerente-executivo do IDEIES

dez mensagens da Unctad no Rela 1 Apesar da queda na demanda global de 12%

no comércio internacional em 2008, as exportações de produtos e serviços criativos chegaram a US$ 592 bilhões, mais que o dobro de 2002 (crescimento anual de 14%), constituindo-se em um dos setores mais dinâmicos da economia mundial.

2 A economia mundial tem recebido um impulso pelo

Para dar mais atenção ao tema, criou o Comitê para Desenvolvimento da Indústria Criativa no Estado do Espírito Santo, instalado no dia 19 de maio. Com participação do Governo do Estado, membros da academia e entidades empresariais, a ideia, segundo Doria Porto, é começar a discutir quais ações e projetos podem ser desenvolvidos para fortalecer o segmento no Espírito Santo. “Vamos discutir toda essa nova realidade. A indústria criativa abrange muitas coisas. O Comitê irá analisar e verificar quais são os principais setores da economia criativa no Estado para, a partir daí, buscar ações que possam fomentar esses setores”. Indústrias criativas: as mais dinâmicas no mercado internacional A Conferência sobre o Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas (Unctad, na sigla em inglês) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgaram o Relatório sobre a Economia Criativa 2010, concluindo que essas indústrias estavam entre os setores mais dinâmicos da economia mundial, oferecendo oportunidades de um novo e grande crescimento para os países em desenvolvimento. O primeiro relatório, divulgado em 2008, tem sido amplamente utilizado para embasar pesquisadores e profissionais voltados para o desenvolvimento industrial, bem como decisões sobre política industrial. Criatividade econômica é um processo dinâmico, desenvolvido pela inovação - tecnológica (produtos e processos) ou não tecnológica (práticas empresariais e marketing) -, e está intimamente ligado à obtenção de vantagens competitivas na economia. Como um tema inovador, a economia criativa passou a ser colocada na agenda tanto dos países desenvolvidos como daqueles em desenvolvimento. 20

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aumento do comércio Sul-Sul. Exportações do Sul de produtos criativos atingiram US$ 176 bilhões em 2008, representando 3% do comércio total das indústrias criativas, com uma taxa anual de crescimento de 13,5% durante o período de 2002 a 2008, indicando um forte dinamismo dos países emergentes e em desenvolvimento no mercado mundial das indústrias criativas.

3 A combinação certa de políticas públicas e escolhas

estratégicas é essencial para converter o potencial da economia criativa em ganhos de desenvolvimento socioeconômico. Para os países emergentes e em desenvolvimento, o ponto de partida é aumentar a capacidade criativa e identificar os setores criativos com maior potencial, por meio de políticas transversais articuladas.

4 Estratégias políticas para promover o

desenvolvimento da economia criativa devem reconhecer sua natureza pluridisciplinar – seus vínculos econômicos, sociais, culturais, tecnológicos e ambientais.

5 Um desafio importante para a definição de políticas

para a economia criativa está relacionado aos direitos de propriedade intelectual: como medir o valor da propriedade intelectual, como redistribuir os lucros e como regular essas atividades.

6 A revolução móvel está mudando a vida de milhões

de pessoas no mundo em desenvolvimento. Em 2009, mais de quatro bilhões de celulares estavam em uso, 75% deles no Hemisfério Sul. Em 2008, mais de um quinto da população mundial estava usando a internet, e o número de usuários do Sul cresceu cinco vezes mais rápido do que no Norte. No entanto, os países em desenvolvimento estão dependendo da existência de banda larga.

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tório sobre Economia Criativa 2010 Para as indústrias criativas, essa é uma restrição, porque muitos aplicativos para estimular a produção criativa e os negócios eletrônicos não podem ser executados sem banda larga. Portanto, os esforços de investimentos nacionais e regionais devem ser guiados, em colaboração com agências internacionais, para melhorar a infraestrutura de banda larga no Sul. 7 A economia criativa é fragmentada e socialmente

inclusiva. Ela funciona através de redes convergentes e flexíveis de sistemas de produção e serviços de abrangência da cadeia de valor inteira. Hoje, ela é fortemente influenciada pela crescente importância das redes sociais. Essas novas ferramentas, como blogs, fóruns e wikis, facilitam a conectividade e a colaboração entre pessoas criativas, produtos e locais.

8 Políticas para a economia criativa têm de responder

não só às necessidades econômicas, mas também às demandas especiais das comunidades locais relacionadas à educação, à identidade cultural, às desigualdades sociais e às preocupações ambientais. Um número crescente de municípios em todo o mundo está usando o conceito de cidades criativas para formular estratégias de desenvolvimento urbano.

9 No rescaldo da crise, a firmeza do mercado para

os produtos criativos é um sinal de que muitas pessoas no mundo estão ansiosas por mais cultura, eventos sociais, entretenimento e lazer. Elas dedicam uma parte maior de sua renda para experiências de vida que estão associadas com status, estilo, marcas e diferenciação. Esse fenômeno, um símbolo do modo de vida em grande parte da sociedade contemporânea, está enraizado na economia criativa.

10 Cada país é diferente, cada mercado é especial e cada

produto criativo tem o seu toque específico. No entanto, cada país pode ser capaz de identificar as principais indústrias criativas que ainda não tenham sido exploradas em seu pleno potencial, a fim de colher benefícios de desenvolvimento. Não há nenhuma receita que sirva para todos. Cada país deve formular uma estratégia viável para promover sua economia criativa, com base em suas próprias forças, debilidades e realidades. O tempo de agir é agora.

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“Indústria criativa é o conjunto de atividades baseadas no conhecimento, na inovação e na tecnologia da informação, que produz bens com conteúdo criativo, valor cultural e econômico, e amplia os objetivos de mercado” Definição da ONU para o termo indústria criativa O relatório destaca que o mundo mudou com a crise internacional, mostrando que, para um sistema mais eficaz de governança global, os países emergentes (entre eles, o Brasil) e em desenvolvimento terão papelchave na recuperação econômica, que ainda é frágil. Para isso, devem reforçar suas capacidades criativas, buscando, progressivamente, novas oportunidades de mercado. A indústria da moda no Espírito Santo O segmento de moda e confecções é um dos maiores empregadores de mão de obra no Estado. Por depender muito da criatividade, principalmente em aspectos como design, foi eleito como tema principal dos primeiros estudos relacionados à economia criativa do Conselho de Micro e Pequenas Empresas (Conpem) da FINDES. De acordo com Kléber Duarte, presidente do Conpem, no final de 2010, uma das pautas do Conselho propôs um projeto sobre Economia Criativa no Espírito Santo, e percebeu-se que era necessário elencar um determinado campo da indústria criativa para focar os estudos e ações. Optou-se pela moda. “A moda é um segmento industrial bem enraizado no nosso Estado. É preciso buscar ações para potencializá-lo, pois ainda tem muito a desenvolver, principalmente na região noroeste. O potencial que a indústria criativa pode trazer para nós ainda não foi explorado como deveria”, defende Duarte. Buscando atender às demandas do segmento, principalmente em termos de qualificação de mão de obra, será construído em Vila Velha o Centro Integrado SESI-SENAI Centromoda. Kléber Duarte,que coordena o projeto, explica que o Centromoda será um local de referência da indústria da moda e uma escola de formação profissional, mas também um vetor para melhorar o nível de tecnologia das empresas. “O Centromoda vai criar condições para que as empresas tenham uma referência em termos de tecnologia. Será uma vitrine para elas, um ambiente onde poderão buscar conhecimento”, esclarece. Indústria Capixaba – FINDES

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INDÚSTRIA

A CLASSIFICAÇÃO DAS INDÚSTRIAS CRIATIVAS A Unctad classifica as indústrias criativas em quatro grandes grupos: Patrimônio Cultural, Artes, Mídia e Criações Funcionais. Esses grupos são, por sua vez, divididos em nove subgrupos. Patrimônio Cultural. É identificado como a origem de todas as formas de artes e a “alma” das indústrias criativas. É o ponto de partida dessa classificação. É a herança que reúne aspectos culturais dos pontos de vista históricos, antropológicos, étnicos, estéticos e sociais. Influencia a criatividade e a origem de um número de bens de herança e serviços, além de atividades culturais. Esse grupo subdivide-se em: a) Expressões culturais tradicionais: artes, artesanato, festivais e celebrações. b) Sítios culturais: sítios arqueológicos, museus, bibliotecas, exposições etc. Artes. Esse grupo inclui as indústrias criativas com base exclusivamente em arte e cultura. O trabalho artístico é inspirado pelo patrimônio cultural, os valores de identidade e um significado simbólico. Esse grupo está dividido em dois grandes subgrupos: “No mercado competitivo em que vivemos, o Centromoda representa uma oportunidade não só para que as empresas consigam mão de obra qualificada, mas também para que se atualizem em relação à cultura do design, fator essencial nesse mercado, cujas tendências mudam constantemente”, completa. Perspectiva do Centromoda, cuja conclusão está prevista para janeiro de 2012

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a) Artes visuais: pintura, escultura, fotografia e antiguidades.

b) Artes cênicas: ao vivo, música, teatro, dança, ópera, circo,

teatro de fantoches etc.

Mídia. Esse grupo abrange dois subgrupos que

produzem conteúdo criativo com o objetivo de comunicar-se com grandes audiências (“novas mídias” são classificadas separadamente): a) Publicação e mídia impressa: livros, imprensa e outras publicações. b) Audiovisuais: cinema, televisão, rádio e outros veículos de radiodifusão. Criações Funcionais. Esse grupo inclui indústrias por demanda e aquelas orientadas para serviços, criando produtos e serviços com propósitos funcionais. Divide-se nos seguintes subgrupos: a) Design: interior, gráfico, moda, jóias e brinquedos. b) Novas mídias: software, videogames e produtos com conteúdo digital. c) Serviços criativos: arquitetura, publicidade, cultura e recreação, pesquisa e desenvolvimento criativos (P&D) e digital. A conclusão das obras do Centromoda está prevista para janeiro de 2012, quando começarão a ser ministrados os cursos, com capacidade para formar até duas mil pessoas por ano. A indústria criativa e o turismo Um dos setores com grande potencial de crescimento no Espírito Santo é o turismo. De acordo com o estudo da Firjan sobre economia criativa, o turismo aparece como atividade de apoio às indústrias criativas. Atividades baseadas na criatividade, como artesanato e gastronomia, têm no desenvolvimento do turismo um meio de impulsionar o seu crescimento. Visando a desenvolver o turismo no Estado, o Instituto Rota Imperial (IRI), entidade criada pela FINDES, trouxe para a região de Pedra Azul o X Terra, evento esportivo que existe desde 1996. Com o objetivo de fazer com que as pessoas entrem em contato com a natureza, o X Terra traz em sua programação provas de duathlon (mountain bike e corrida), corrida noturna, mountain bike e, ainda, prova de corrida para as crianças de até 12 anos. A primeira edição do evento no Espírito Santo ocorreu no ano passado e contou com a participação de 950 inscritos. Mai/Jun/2011 – nº 295

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FINDES EM AÇÃO

Professores participam de oficina de lego robótica Muita criatividade para estimular o aprendizado em sala de aula. A proposta do Lego Robótica, uma ferramenta para a área educacional, foi conferida por profissionais do SESI e SENAI no dia 12 de abril, na sede da FINDES. O objetivo foi avaliar a tecnologia para possível aplicação no Ensino Fundamental II. A Oficina de Lego Robótica foi ministrada por consultores da Empresa Edacom, do serviço educacional Legozoom, Marcos Pollo e Íris Calixto. “Com o Lego, o aluno coloca em prática suas limitações, frustrações e mobiliza a equipe. Ele desenvolve habilidades e competências que servirão para lidar no dia a dia futuramente”, explicou Marcos Pollo.

Capixabas na diretoria da Abic O Espírito Santo ganhou mais representatividade na diretoria da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). O presidente do Sincafé, Egídio Malanquini (foto), e os diretores José Guilherme Lima e Patrícia Tristão foram nomeados conselheiros da associação. Cleverson Pancieri e Sérgio Brambila também passam a integrar o Conselho Fiscal da ABIC. Os representantes, empossados no dia 14 de abril, no Rio de Janeiro, deverão integrar a instituição durante o biênio 2011- 2012.

Marina Lima faz show da turnê “Em Revista” Como parte das comemorações dos 60 anos, celebrados neste ano, o SESI, através do projeto “Sesi rumo aos 60”, trouxe a turnê “Em Revista”, da cantora Marina Lima ao Estado. A cantora presenteou os fãs capixabas com um repertório que retrata passado, presente e futuro. Canções como “Charme do Mundo”, “O Chamado”, “Fullgás” e “À Francesa” estiveram na programação. O show foi realizado no dia 9 de abril, no Espaço Cultural do SESI de Jardim da Penha.

SENAI lança caderno de moda

FINDES recebe embaixador O embaixador da Áustria no Brasil,Hans-Peter Glanzer, esteve em Vitória no início de maio e visitou a sede da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), onde se encontrou com o presidente da entidade, Lucas Izoton, para discutir novas oportunidades de comércio entre os dois países. A reunião contou com a participação de membros do Conselho Superior de Comércio Exterior da Findes (Concex), sindicatos e empresários de diversos segmentos. Segundo levantamento realizado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) e Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (IDEIES), nos últimos três anos as exportações entre o Estado e a Áustria foram basicamente nos segmentos de café e rochas (mármore e granito). “Há um grande potencial de investimentos, alavancado pelo excelente momento que a indústria capixaba vive por conta, principalmente, da cadeia do petróleo e gás no Espírito Santo e também do minério e aço”, disse Izoton. 24

O Caderno Perfil Moda Inspirações e Tendências 2011/2012, lançado na IX Mostra Têxtil do Espírito Santo, em Vitória, e no Centro Integrado SESI-SENAI, em Colatina, mostra as novidades sobre estilo, design e tecnologia para o setor. Autoridades e convidados puderam conferir no lançamento as palestras “Macrotendências – Caderno Perfil Moda 2011/2012”, com Rhauly Apelfeler; “Perfis”, com Maria da Penha; e “Novos Mercados e Novos Serviços”, com Carol Fernandes, do Senai do Rio de Janeiro. O lançamento foi uma iniciativa do SENAI e CNI, com patrocínio do Sebrae-ES, Prefeitura Municipal de Colatina e União Artes Gráficas.

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ESPECIAL por Lorena Storani

SESI

60 ANOS DE HISTÓRIA NO ESPÍRITO SANTO

Pessoas são a força motriz e a razão para as indústrias existirem. E é com foco nas pessoas e na garantia de sua cidadania plena que o SESI tem atuado nestes 60 anos de existência no Espírito Santo

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Serviço Social da Indústria (SESI) nasceu no Rio de Janeiro, em 1946, durante reunião do Conselho de Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), presidida à época por Euvaldo Lodi. Sua maior missão era a de promover a responsabilidade social no segmento industrial do país, proporcionando atendimento à saúde, alimentação, lazer e educação para o trabalhador. Não demorou para o SESI ganhar força e se destacar, atraindo a atenção de outros estados. Após cinco anos de sua criação, em março de 1951, o SESI desembarcou em terras capixabas como Delegacia Regional da entidade, em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Estado. E no dia 30 de junho do mesmo ano, foi criada oficialmente a Delegacia Regional do SESI em Vitória. A vinda do SESI para o Espírito Santo ocorreu antes mesmo da organização da Federação das Indústrias do Espírito Santo - FINDES, criada sete anos após. No entanto, somente com a criação da FINDES o SESI foi transformado em Departamento Regional. Desde então, o Serviço Social da Indústria se consolidou e fortaleceu sua atuação no Estado, comprometendo-se com o bemestar social dos profissionais da indústria e seus familiares e prestando serviços de qualidade à população capixaba.

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Avanços e conquistas Cumprindo sua missão de promover a qualidade de vida do trabalhador da indústria, com foco em educação, saúde e lazer, além de estimular a gestão socialmente responsável das empresas, o SESI tem desempenhado seu papel com responsabilidade e eficiência ao longo destes 60 anos, enfrentando desafios e vencendo dificuldades.

“Espero que o SESI-ES continue fazendo este magnífico trabalho, que é melhorar a qualidade de vida do trabalhador da indústria capixaba” Lucas Izoton, presidente da FINDES

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Um de seus ex-presidentes, Sergio Rogerio de Castro, lembra-se com saudade do período em que esteve na direção da entidade, entre 1989 e 1992. “Trabalhar no SESI foi extremamente gratificante, principalmente por ele ser um ambiente cativante! As pessoas que se envolvem com a instituição adquirem amor por ela através da percepção de seu valor representativo”, destaca Sergio Rogerio. Ele explica que sua gestão voltou-se para os investimentos na saúde, principalmente na área da Odontologia. “Nossa diretoria realizou o planejamento estratégico pela primeira vez na entidade, e houve a percepção de que a saúde bucal era pouco assistida pelos governos estadual e municipal”, afirma. O empresário, atual 1º vice-presidente da Findes, explica também que todas as diretorias do SESI sempre estiveram bastante comprometidas com o caráter social da entidade, promovendo investimentos nas áreas de lazer e cultura. “Os eventos culturais sempre foram percebidos como algo que não tocava somente o consciente, mas também o inconsciente das pessoas”, pontua. Embora seja referência em todas as áreas em que atua, o SESI enfrentou grandes desafios ao longo de sua caminhada, conforme destaca o também ex-presidente José Braulio Bassini. “Assumi o SESI de 1992 a 2000 e, na época, não tínhamos condições financeiras para manter os investimentos. Nossa receita caiu cerca de 50% por conta das privatizações, terceirizações, demissões e outros problemas econômicos da época”, relembra. Bassini explica que a saída para não perder a qualidade dos serviços oferecidos pelo SESI foi a criatividade. “Tomamos algumas medidas, como a ampliação da demanda da escola, abrindo-a para a comunidade, e passamos a cobrar por alguns serviços. Percebemos com isso que as pessoas passaram a valorizá-los ainda mais e pudemos continuar a prestá-los com eficiência e qualidade”, destaca. O ex-dirigente conta ainda que, apesar das dificuldades, em sua gestão o SESI avançou muito em educação. “Quando deixei a presidência, o SESI já tinha superado a marca de 11 mil alunos”. Segundo ele, nesse período foram realizadas recuperações nas unidades de Jardim da Penha, Cobilândia, Colatina, Laranjeiras e Linhares. “Em minha gestão, também priorizei a cultura, investindo na construção do Teatro do SESI, que funciona muito bem até os dias atuais”, conta Bassini. Para Sergio Rogerio, a maior conquista do SESI é a capacidade de se reciclar sempre através de inovações permanentemente comprometidas com seus valores. “O SESI tem crescido nesses 60 anos em quantidade e qualidade dos serviços que oferece à população do Espírito Santo. A entidade saiu do atendimento exclusivo aos trabalhadores das indústrias e se tornou referência para todas as comunidades em que está inserida”, avalia. Mai/Jun/2011 – nº 295

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“Amadurecemos, adquirimos experiência e buscamos a inovação sem perder a qualidade e a essência de nossa missão” Solange Siqueira, superintendente do SESI

O SESI hoje O SESI soma 12 centros de atividades localizados na Grande Vitória, Cachoeiro de Itapemirim, Colatina e Linhares, além de 10 unidades operacionais em Vitória e 10 unidades móveis, que prestam serviços em saúde, lazer e educação. O SESI também oferece à comunidade 14 consultórios médicos, 32 odontológicos, teatro, hotel e academia. Para a atual superintendente da instituição, Solange Siqueira, celebrar 60 anos é uma conquista. “O SESI se consolida perante a opinião pública, consumidores e clientes. Somos uma entidade robusta, que busca atender às necessidades dos trabalhadores e seus dependentes. Nesses 60 anos de história, amadurecemos, adquirimos experiência e buscamos a inovação sem perder a qualidade e a essência de nossa missão”, afirma. A superintendente explica ainda que nos últimos anos o SESI tem avançado em diferentes áreas. Um dos destaques é a oferta do Ensino Articulado entre SESI e SENAI, que permite ao aluno concluir o Ensino Médio em conjunto com um curso técnico. Além disso, a entidade prioriza a saúde e o bem-estar do trabalhador da indústria na medida em que investe nos Programas de Segurança e Saúde no Trabalho. “Entre as ações realizadas estão o Diagnóstico do Estilo de Vida e o Indústria Segura, ambos desenvolvidos na empresa”, destaca Solange. Ela revela outras novidades que estão sendo preparadas para entrar em vigor ainda este ano. “Entre elas, aponto a instalação de um Núcleo de Psicologia, que dará todo o suporte mental e emocional aos alunos da rede SESI e SENAI em todo o Estado”, antecipa. Segundo ela, o Núcleo será formado por assistentes sociais e psicólogos. Por toda essa história, o SESI se destaca, confirmando sua missão e comprometimento com a sociedade. “O SESI é uma instituição séria, com uma gestão responsável e que tem respeito e reconhecimento no cenário capixaba e em nível nacional. O SESI é considerado o braço social da indústria capixaba, atendendo às necessidades dos empresários, empregados e seus dependentes”, afirma Solange Siqueira. Indústria Capixaba – FINDES

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O SESI EM NÚMEROS

SAIBA MAIS

Em seus 60 anos de história em solo capixaba, o Serviço Social da Indústria estendeu sua atuação a diferentes municípios e regiões, alcançando números significativos em várias áreas de atendimento. Confira a atuação do SESI no Espírito Santo:

O SESI se preocupa com a saúde e o bem-estar dos profissionais da indústria e, por isso, oferece soluções diversificadas nas áreas de lazer, saúde, educação e responsabilidade social. Confira o que o SESI tem para você:

Esporte, Lazer e Cultura

Lazer e Esporte

Atendimentos realizados em 2010:

Academia

Esporte e lazer: Cultura: Atleta do Futuro:

346.402 72.149 4.500/mês

Cultura: Esporte de inclusão (Atleta do Futuro):

Segundo Tempo Ginástica na Empresa Iniciação Esportiva

Atendimentos realizados em 2011 (primeiro trimestre) Esporte e lazer:

Caminhão da Alegria

35.254 8.077 5.149/mês

Jogos do SESI SESI Clubes SESI Eventos Teatro do SESI

Educação

Saúde

Matrículas em 2010 Educação Infantil:

1.005

Laboratório de análises clínicas

Ensino Fundamental I:

3.974

Odontologia

Ensino Fundamental II:

3.867

SESI Clínica

Ensino Médio:

1.558

Cursos e palestras

Educação de Jovens e Adultos:

1.042

Saúde e segurança do trabalhador

Matrículas em 2011

SESI-Sebrae e Saúde e Segurança no Trabalho

Educação Infantil:

1.006

Ensino Fundamental I:

4.001

Educação

Ensino Fundamental II:

4.149

Educação de jovens e adultos

Ensino Médio:

1.831

Serviços educacionais complementares

Ducação de Jovens e Adultos:

1.300

SESI Cursos Educação básica

Responsabilidade social Ações realizadas em 2010

Serviços Sociais

Atendimentos sociais (Ação Global; Ações Comunitárias; Esporte e Cidadania)

Ação Global

Eventos realizados:

29

Pessoas atendidas:

29.815

Atendimentos:

96.700

Parceiros: Voluntários:

Campanhas Educativas Prevenção às drogas Prêmio SESI Qualidade no Trabalho (PSQT)

141 1.952

Seminários, fóruns e workshop sobre responsabilidade social Eventos realizados: Participantes:

8 794

Consultorias em responsabilidade social Trabalhadores impactados: Empresas beneficiadas:

5.800 46

Educação continuada em responsabilidade social Matrículas: 28

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Expectativas Completar 60 anos não significa parar no tempo. Mais do que nunca, é chegado o momento de olhar para a frente e reafirmar os propósitos traçados. Para o diretor para assuntos do SESI, Ricardo Barbosa, as expectativas para a instituição são excelentes. “O novo presidente da FINDES vai dar continuidade ao bom trabalho que já foi realizado. A parte mais difícil já foi feita, mas ainda há muita coisa importante para se fazer”, alerta Ricardo. Segundo o diretor, a importância do SESI será ainda mais destacada com a chegada das novas plantas industriais no Espírito Santo. “Na medida em que cuida da saúde e do bem-estar do trabalhador da indústria, o SESI confirma sua importância para toda a sociedade”, afirma. O presidente da FINDES, Lucas Izoton, que também é diretor regional do SESI e presidente do Conselho Regional do SESI, tem grandes expectativas com relação ao trabalho da entidade. “Espero que o SESI-ES continue fazendo este magnífico trabalho, que é melhorar a qualidade de vida do trabalhador da indústria capixaba através de investimentos em educação, saúde, esporte, lazer, cultura e responsabilidade social”, ressalta Izoton.

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Em 2011, o SESI teve mais de mil matrículas na educação infantil

Além disso, ele acredita que o futuro imediato do SESI seja o de intensificar o trabalho integrado junto ao SENAI na educação. “Isso certamente trará grandes benefícios para os profissionais capixabas, bem como para nossas indústrias. Dessa forma, contribuiremos para a formação de cidadãos e equipes de alto nível para a indústria do Espírito Santo”, completa. Para Solange Siqueira, as expectativas para o SESI não poderiam se afastar da seriedade e da competência com que a entidade vem atuando nessas seis décadas, aliando tradição de excelência a práticas modernas no atendimento às necessidades dos profissionais da indústria. “O SESI é formado por pessoas que transformam pessoas. Sendo assim, nosso objetivo é continuar com esse critério, pois o principal foco são as pessoas. Trabalhar com elas nos dá grande motivação em nosso dia a dia”, conclui.

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artigo

Mudará a Vale no Espírito Santo? N

ão creio que a saída de Roger Agnelli da direção geral da Vale implicará alterações significativas nos investimentos e nas operações da companhia no Espírito Santo. As questões que culminaram com a sua saída dizem respeito mais a uma decisão estratégica do Governo Federal em ter a empresa mais alinhada com suas políticas externas e internas, uma tendência já presente em grande parte das economias emergentes. No entanto, a forma como isso se deu é passível de crítica. Mas, agora, “Inês é morta”. Do ponto de vista da economia capixaba, a Vale continuará, na minha avaliação, a manter-se na sua trajetória de crescimento e também de ampliação do leque de oportunidades, incluindo novos projetos, com a CSU, o ramal ferroviário no litoral sul, a oitava usina de pelotização, a termoelétrica e a mais recente incursão na exploração de petróleo e gás natural, todos dentro da estratégia de otimização das vantagens competitivas oferecidas pelo Estado. Em grande parte, a concentração desses investimentos no Espírito Santo tem a ver, ou mesmo se confunde, com a história da própria empresa, que aqui construiu

grande parte do seu ativo competitivo, formado, sobretudo, pelo binômio porto-ferrovia. Obviamente, têm também grande peso as condições do litoral capixaba, que conta com a ajuda da natureza na disponibilização da matéria-prima (minério de ferro) no Estado vizinho de Minas Gerais. É importante ressaltar que a Vale foi a grande forjadora das bases de inserção da economia capixaba na economia internacional e também na integração regional, para o interior do país, em especial em relação a Minas Gerais. Ela representou o marco de inversão de uma economia predominantemente agrícola e confinada, refém do café, para uma economia industrial de integração global. No seu rastro, e principalmente pela infraestrutura por ela construída, foram engendrados os principais investimentos de porte na economia capixaba, a começar pelo próprio complexo minerometalúrgico, que integra atividades de extração mineral, siderurgia e metalmecânica, mas também serviu de atração para outros investimentos de porte. Minha avaliação de que a mudança no comando da empresa não afetará seus planos para o Espírito Santo encontra respaldo na leitura de que os investimentos planejados e já anunciados estão alinhados com a política do próprio Governo Federal. A ferrovia Litorânea Sul e a implantação da Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), por exemplo, são enquadráveis na categoria de investimentos que contribuem para a agregação de valor e melhoria da infraestrutura. Sobretudo no caso da CSU, o que se observa é um avanço de natureza estrutural da Vale no Espírito Santo, até então restrita à produção de pelotas de minério e operações tipicamente de escala na sua estrutura portuária e ferroviária. Trata-se de um avanço a ser comemorado, pois poderá desdobrar-se, no futuro, em frentes ainda mais profundas de agregação de valor, na mesma linha, por exemplo, da ArcelorMittal, ao partir para a produção de laminado. Orlando Caliman, economista e sócio-diretor do Instituto Futura

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FINDES EM AÇÃO

SENAI e SESI apoiam inovação na indústria

SENAI inaugura Laboratório de Ensaios da Construção Civil Para atender à grande demanda em território capixaba por ensaios de materiais da construção civil, componentes e sistemas construtivos, foi inaugurado, no dia 25 de março, o primeiro Laboratório de Ensaios de Materiais da Construção Civil do SENAI. O evento de inauguração foi realizado no Centro Integrado SESI-SENAI Hélcio Rezende Dias, em Araçás, Vila Velha. No novo laboratório serão feitos controle e ensaios de produtos de construtoras, fabricantes de pré-moldados e de cerâmica vermelha, assegurando às empresas melhor controle da qualidade do processo de fabricação dos materiais. O laboratório foi construído por iniciativa do SENAI-ES em parceria com o SENAI Nacional, com apoio do Sindicato da Indústria de Produtos de Cimento (Sinprocim-ES), do Sindicato da Indústria Cerâmica do Espírito Santo (Sindicer-ES) e do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Espírito Santo (Sinduscon-ES).

Solista da Inglaterra toca com Orquestra Camerata SESI-ES

O Edital de Inovação Tecnológica do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI) está em sua oitava edição e disponibilizará R$ 26 milhões para financiar inovações, sendo R$ 23,5 milhões do SESI/SENAI e R$ 2,5 milhões a serem pagos em forma de bolsa aos pesquisadores que fazem parte do projeto pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em 2010, o edital ofereceu R$ 15,5 milhões. Cresceu também de R$ 200 mil para até R$ 400 mil o teto reservado para cada projeto. Os selecionados terão apoio tecnológico e financeiro para desenvolver produtos, melhorar processos de fabricação ou inovar em serviços que beneficiem a vida do trabalhador ou da comunidade onde atua a empresa. A perspectiva é apoiar de 90 a 95 projetos este ano, contra 77 da última edição. Puderam se inscrever apenas as empresas com mais de um ano de mercado.

Prodfor reúne mantenedoras para planejamento estratégico Representantes de 12 das maiores empresas do Espírito Santo, mantenedoras do Prodfor participaram, no dia 4 de abril, da reunião do Comitê Estratégico do programa. Em pauta, as cinco ações que podem tornar o Prodfor ainda mais completo. Foram debatidas e votadas as ações que tratam da acreditação do Prodfor pelo Inmetro; uma nova pesquisa de resultados; um sistema de informações sobre resultados de compras das empresas; a análise de desempenho dos fornecedores; e o evento de integração entre fornecedoras certificadas e mantenedoras. Com exceção da primeira, todas as outras ações foram aprovadas pelas 12 grandes empresas, que têm força de decisão.

A Orquestra Camerata SESI-ES recebeu, no dia 7 de maio, a solista Lisa Rijmer para uma apresentação especial, parte da série “SESI Concertos Internacionais”. Com regência de Eder Paolozzi, o evento foi realizado no Teatro SESI, em Jardim da Penha, Vitória. No repertório, a “Sinfonia nº 38 Praga”, de Mozart; “Bachianas Brasileiras nº 5 para soprano e oito violoncelos”, de Villa-Lobos; e “Britten - Les Illuminations”, de Rimbaud. Nascida em Lagos, na Nigéria, Lisa tem ascendência japonesa e holandesa e vive na Inglaterra. 32

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ATUALIDADE por Nadia Baptista

LOGÍSTICA NO ESPÍRITO SANTO Como os problemas de infraestrutura afetam a indústria e a economia capixaba?

O

Espírito Santo passa por uma fase de grande desenvolvimento, com crescimento acima da média nacional – 13% ao ano, contra a média brasileira de 10%. De olho nas vantagens que o Estado pode oferecer, indústrias de diversos ramos têm se instalado em terras capixabas, trazendo crescimento econômico e gerando emprego e renda. Somente a carteira de projetos anunciados para o Espírito Santo com valores acima de R$ 1 milhão entre 2010 e 2015, se somados, atingem a cifra de R$ 98,8 bilhões. Mas uma realidade pode se mostrar um entrave a esse crescimento: a infraestrutura logística estadual passa por sérios problemas, que podem reduzir os investimentos previstos. De acordo com o presidente do Coinfra, Comitê de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), Ernesto Mosaner, os problemas perpassam os diversos modais logísticos, indo desde o portuário até o aeroportuário, sem excluir as ferrovias e rodovias.

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Mosaner explica que, ao encarecerem o transporte e dificultarem o fluxo de mercadorias, esses gargalos prejudicam não só a indústria, mas também a mobilidade urbana. “Toda a parte logística do Espírito Santo, nos diferentes modais, precisa ser urgentemente repensada”, afirma. “Essa situação reduz a competitividade, os investimentos e, consequentemente, a geração de emprego”, complementa. Mosaner esclarece: os custos de transporte por vias portuárias são altíssimos, o que impacta negativamente a competitividade das empresas. “Atrapalha a importação e a exportação, encarecendo o transporte e onerando a indústria, que depende de muitas matérias-primas que vêm de outros países. Acabamos pagando mais caro por causa dos problemas de logística do Estado”, explica ele. “A vantagem competitiva duramente conquistada é com frequência consumida pelo custo do transporte, pelas condições das estradas, pelo valor do combustível, entre outros fatores”. Mai/Jun/2011 – nº 295

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“Além dos problemas isolados de cada modal, o Espírito Santo apresenta fragilidade também na conexão entre os sistemas. Por exemplo, um acidente na BR 101 atrapalha totalmente o acesso a Vitória. Em poucos minutos, formam-se quilômetros de engarrafamento, interferindo diretamente também no escoamento da produção de todo o sul da Bahia e norte do Espírito Santo”, acrescenta o presidente do Coinfra. De acordo com o secretário de Transportes e Obras Públicas do Espírito Santo, Fábio Damasceno, a principal razão dos problemas logísticos no Estado está na falta de investimentos em infraestrutura, principalmente por parte do Governo Federal. “O Espírito Santo apresenta um atraso de quase 20 anos no desenvolvimento de sua infraestrutura. Faltam investimentos nas rodovias, em ferrovias, em portos e também no aeroporto”, enumera. Segundo Damasceno, essa realidade prejudica a indústria, que atualmente não é atraída somente por incentivos fiscais. “Ela busca, sobretudo, uma infraestrutura logística implantada, que lhe dê condições de trabalhar sua logística de forma plena, facilitando a importação e o próprio comércio de sua produção”, afirma. Essa opinião é compartilhada por Ernesto Mosaner. “Os empresários brasileiros já têm que enfrentar outros problemas que aumentam o custo da produção, como o preço da energia, a carga tributária e uma legislação trabalhista obsoleta. Com a taxa cambial, a indústria brasileira perdeu muito em competitividade no mercado internacional. E no mercado nacional, a desvalorização do real incentiva a importação de produtos estrangeiros. A fragilidade logística dificulta investimentos e inibe as possibilidades de desenvolvimento. A gente deixa de produzir e de gerar impostos aqui, para importar”, comenta Mosaner. O executivo destaca alguns dos grandes investimentos que o Estado já está recebendo. “Na região do pré-sal, “Nossas ações estão focadas em fortalecer e melhorar o que já temos em infraestrutura no Estado” Lelo Coimbra, deputado federal

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“Além dos problemas isolados de cada modal, o Espírito Santo apresenta fragilidade também na conexão entre os sistemas” Ernesto Mosaner, presidente do Coinfra

temos uma produção média de 300 mil barris de petróleo por dia. Num prazo de três ou quatro anos, a previsão é de que essa produção dobre. Em breve, também será instalada uma fábrica de fertilizantes no Estado. E ainda temos o polo gás-químico, na região de Linhares”, acrescenta. Segundo ele, esses e outros projetos vão gerar oportunidade de periferização de indústrias. “Mas para que tudo isso aconteça temos que contar com uma condição de logística favorável”, reforça. “O Espírito Santo tem o setor industrial crescendo a níveis mais altos que a média brasileira. Se a logística não dá condições para que esses investimentos tenham resultados, eles acabam sendo dirigidos para outros estados”, alerta. Uma das soluções apontadas pelo presidente do Coinfra é a parceria público-privada (PPP). Para Mosaner, a concessão do serviço público pode agilizar o processo e desonerar o investimento por parte do Governo Federal. “É responsabilidade do Governo, a nível federal, investir para que essa situação seja resolvida. Mas, se não houver condições de o Governo investir, é preciso buscar parcerias e concessões, que podem ser a solução”. A atuação dos agentes A FINDES tem buscado fazer a sua parte para ajudar a mudar essa realidade. “Nós da FINDES, através dos conselhos, temos apresentado estudos e alternativas para os assuntos de logística no Estado. Passando conhecimento de causa para os políticos, porque para votar eles precisam ter um subsídio seguro que possa embasar o voto. Nosso trabalho é na orientação, para uma ação correta na aprovação de termos técnicos. Nós damos esse suporte aos nossos políticos. Enquanto Federação, não temos poder executivo. Então, nosso trabalho é levantar as questões, desenvolver alternativas, apresentar soluções e tentar envolver os políticos na hora da aprovação das leis”, define Ernesto Mosaner. Já o Governo do Estado, além de estar articulado com a bancada federal, vem realizando, por meio da Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop), um mapeamento da logística no Espírito Santo. “Estamos elaborando uma atualização do Plano de Logística Integrada, que deve ficar pronto em meados de 2012, e que vai levantar as deficiências, verificar as soluções e buscar investimentos junto ao Governo Federal para que essas soluções sejam Indústria Capixaba – FINDES

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Atualidade

“O Espírito Santo apresenta um atraso de quase 20 anos no desenvolvimento de sua infraestrutura”

implementadas. Somente com o Plano pronto teremos uma ideia do que precisamos implantar no Estado, e de quais são as prioridades”, afirma Fábio Damasceno. Para o deputado federal Lelo Coimbra, o Espírito Santo é um Estado com processo de evolução diferente dos outros, mas que possui uma estrutura semelhante, principalmente quanto às rodovias, que são federais. “Um dos motivos por que nós apresentamos esses grandes problemas de infraestrutura é que o Espírito Santo perdeu muito tempo. Em termos de desenvolvimento, a década de 1990 foi praticamente toda perdida, porque tivemos governos muito ruins em termos de gestão e interlocução com o Governo Federal, assim como a falta de um projeto de Estado mais claro”, afirma. Lelo explica que a bancada federal tem trabalhado para resgatar esse tempo perdido, buscando junto à União soluções para os problemas da logística capixaba. “Nossas ações estão focadas em fortalecer e criar melhorias no que já temos em infraestrutura. Se nós resolvermos isso, já será um grande feito”, comenta. Gargalos Um dos modais logísticos do Espírito Santo que mais se destaca pelos problemas são as rodovias. De acordo com Lelo, algumas obras já estão em andamento para

Fábio Damasceno, secretário de Transportes e Obras Públicas amenizar a situação. Um exemplo é a Rodovia do Contorno, que há dez anos passa por reformas. O deputado informa que o prazo previsto pelo Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (DNIT) para a conclusão da obra é dezembro de 2012. A BR 262, que desde 1966, quando foi entregue, possui o mesmo traçado, deve passar por obras em breve. Está prevista a duplicação do trecho que vai do quilômetro 16, em Viana, até o quilômetro 71, além de um conjunto de obras de melhoria em mais seis pontos de risco até o quilômetro 196. Segundo o deputado, já existiu uma proposição de colocar a rodovia em concessão privada, mas ele explica que isso só acontece de fato quando o Ministério dos Transportes faz essa solicitação, o que não ocorreu. “O impacto maior é que as estradas não aguentam mais carga. As grandes empresas privadas, como Fibria e ArcelorMittal Tubarão, estão fazendo projetos de barcaças para desafogar o transporte por via rodoviária, porque as nossas estradas não aguentam mais carga. Por causa disso, muitas empresas que gostariam de se instalar

Foto: Leonel Albuquerque

O que está por vir

Portuário • Dragagem e derrocagem: as obras no porto de Vitória já foram licitadas. O andamento do processo está aos cuidados da nova diretoria da Codesa. • Porto de águas profundas: ainda no conceito, não foi feito projeto nem licenciamento ambiental, e não há recursos disponíveis. “As iniciativas nesse sentido já evoluíram, mas o projeto ainda carece de definição técnica e de influência política, na definição do local onde vai ser construído o porto”, explica Ernesto Mosaner.

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Aeroportuário Um novo cronograma divulgado em abril pelo Governo Federal garante que as obras de ampliação e reforma do aeroporto de Vitória devem ficar prontas até 2014. Segundo a Infraero, as obras de instalação do Módulo Operacional do aeroporto ficam prontas até setembro de 2011.

Ferroviário A Ferrovia Litorânea Sul interligará a Estrada de Ferro Vitória-Minas e a Região Metropolitana ao porto de Ubu, chegando até Cachoeiro de Itapemirim, polo regional do sul do Estado. “A implantação dessa ferrovia diminuiria bastante o tráfego nas estradas de rodagem, principalmente de produtos como rochas e granito, e ainda facilitaria a instalação da siderúrgica de Ubu, em Anchieta”, afirma Mosaner.

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no norte do Estado acabam reconsiderando, porque a BR 101 não suporta mais o tráfego que a região necessita”, acrescenta o deputado. Entretanto, os problemas não devem durar muito mais tempo, pois a BR 101 está em processo de preparo para licitação e concessão – de acordo com Lelo, já quase concluído pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e agora passa pelo Tribunal de Contas da União (TCU), para ser avaliado. “A nossa expectativa é de que até dezembro seja licitada. A concessão terá uma duração total de 25 anos, e dentro desse período a previsão é de que ela seja toda duplicada”, comenta. Ainda de acordo com Coimbra, buscando minimizar o valor do pedágio, o Governo Federal analisa a proposta de municipalizar os trechos da rodovia que cortam as vias urbanas dentro da Serra. Outra modalidade logística seriamente defasada em relação às necessidades estaduais – sem falar em comparação ao resto do país - é a aeroportuária. “O aeroporto de Vitória se tornou um ícone dos nossos problemas. Deixou de ser mais uma obra que não vai adiante para se tornar um símbolo dos problemas que enfrentamos”, comenta Lelo Coimbra. Na última reunião que tratou das obras de ampliação do aeroporto, no dia 18 abril, foi divulgado o cronograma para que o problema fosse resolvido. O deputado afirma que em breve serão feitas as obras de ampliação da área de

Rodoviário • BR 101: A privatização e a duplicação da via estão em processo final de avaliação pela Agência Nacional de Transportes Terrestres. Está aprovada a privatização, com duplicação completa da via, com sete praças de pedágio entre os 462 quilômetros de extensão, do trevo de Mucuri, na Bahia, até a divisa com o Rio de Janeiro. • BR 262: deverá ser duplicada. Há projeto e verba aprovados para o andamento da obra, que deve ser licitada e iniciada ainda em 2011. Serão 52 quilômetros de rodovia no trecho entre Viana e Vítor Hugo, distrito de Alfredo Chaves. A obra está orçada em R$ 340 milhões.

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“O aeroporto é a nossa prioridade no momento” Audifax Barcelos, deputado federal

embarque e desembarque, já apelidadas de “puxadinho”. “É uma obra pequena, mas que ampliará a capacidade de receber passageiros e permitirá um maior conforto no embarque e desembarque”, explica Lelo. Em relação às outras obras de ampliação do aeroporto, as notícias parecem animadoras: a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) se propôs entregar o projeto executivo (que apresenta valores de licitação mais próximos do valor real) do pátio do aeroporto, elaborado pelo Exército (especialista em obras planas), para que até junho ele entre em licitação. O mesmo acontece com o projeto de pista, que deve entrar em licitação em setembro. Lelo explica que um fator pode acelerar os processos. “Agora as obras não serão mais por consórcios, o que agiliza o processo, já que as licitações com valores menores são mais simples”. Em relação ao transporte marítimo, a prioridade seria a obra de dragagem e derrocagem do porto de Vitória, ampliando de dez para 14 metros a profundidade e assim possibilitando que navios de maior porte entrem no porto. O projeto foi liberado pelo TCU e já tem licitação em curso. Com a liberação dos recursos, poderá ser dada a ordem de serviço. Entretanto, Lelo explica que quem cuidará dessa situação será a nova diretoria da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). Sobre o porto de águas profundas, que permitiria que o Estado recebesse navios de qualquer porte, expandindo a capacidade portuária capixaba, o deputado diz que ainda está na fase do conceito. “No governo Lula, o presidente aprovou a ideia, mas ainda não foi feito o projeto. Também não se verificaram as licenças ambientais, nem recursos para que as obras sejam executadas”, explica Coimbra. Outro membro da bancada federal capixaba, o deputado Audifax Barcelos, garante que os políticos têm lutado por melhorias na logística. “Precisamos avançar muito nessa questão da logística. Estamos trabalhando na questão do aeroporto, que é a nossa prioridade no momento. Mas também não deixamos de lado as outras modalidades. A razão maior não é arrumar culpados, e sim tentar mudar essa situação. Temos que olhar para a frente”, defende Audifax. Indústria Capixaba – FINDES

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artigo

Gêmeos xifópagos

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egurança e desenvolvimento são como gêmeos siameses: diferentes e com mentes autônomas, mas tentar separá-los pode provocar-lhes a morte. Assim como a miséria e a desigualdade favorecem a violência, também a percepção de ameaças em nível exagerado desestimula iniciativas públicas ou privadas, econômicas ou sociais, em um processo retroalimentado. Empreendedores relutam em estabelecer empresas em uma região assolada pelo crime, mas também os professores das escolas e os médicos da rede pública não querem trabalhar ali, temendo por sua integridade física, o que torna mais intensos alguns dos principais fatores que justamente expuseram aquela população à tirania de traficantes: a falta de oportunidades e de serviços básicos. A boa notícia é que círculos viciosos, quando enfrentados com êxito inicial, tornam-se automaticamente virtuosos e naturalmente acelerados: qualquer melhoria em um aspecto reflete no outro e ambos tendem a ser percebidos de maneira ampliada pelas pessoas envolvidas nesse processo, motivando-as profundamente. Ninguém deve subestimar o poder do “Agora, vai!!!” Para que sejam sustentáveis no longo prazo, para que efetivamente garantam melhor qualidade de vida para a população, desenvolvimento e segurança deveriam ter caminhado juntos nas últimas quatro décadas no Espírito Santo, assim como as áreas de educação e saúde, dentre outras, teriam que ter contado com investimentos mais planejados e adequados. Por exemplo, o município da Serra, que reúne nos últimos anos os melhores indicadores de desenvolvimento econômico do Estado, é ao mesmo tempo recordista de homicídios, com áreas de exclusão social nada compatíveis com sua

nova realidade industrial, onde despontam também vultosos empreendimentos da construção civil, tanto na área comercial como residencial. Em 1970, quando se iniciaram projetos industriais do porte da ArcelorMittal Tubarão e a forte expansão do complexo de pelotização da Vale, na mesma região foi lançado o Centro Industrial de Vitória (Civit 1 e 2), onde se instalaram indústrias fornecedoras de insumos para esses dois gigantes, e também para a Aracruz Celulose (hoje Fibria), no vizinho município de Aracruz. Nessa época, a Serra tinha apenas 17 mil habitantes e imensas áreas despovoadas, em que foram construídos alguns conjuntos habitacionais, mas onde também proliferaram invasões de áreas que se transformaram em bolsões de pobreza e potenciais focos de criminalidade. Hoje, 40 anos depois, a Serra chegou a 420 mil habitantes e lidera as estatísticas de violência no Estado, exigindo dos poderes públicos investimentos expressivos em segurança, educação, saúde, ações sociais, sem falar na infraestrutura urbana e na geração de emprego e renda, para que parte da população não fique cada vez mais vulnerável à criminalidade e na faixa mais extrema da linha da pobreza. Esses erros não podem mais ser cometidos. Por isso mesmo, todos os projetos empresariais de grande porte no Estado têm sido precedidos de estudos de impacto não apenas ambiental, mas socioeconômico, adotando-se medidas que garantam que as vantagens não serão apenas para as empresas, mas também para as comunidades que as receberão e que, se houver crescimento demográfico, ele seja ordenado. Assim, é preciso que haja uma somatória de ações integradas, capazes de proporcionar resultados concretos a curto, médio e longo prazo. Além de planejar de forma estratégica o que será executado, é preciso manter um esforço permanente para ajustar a máquina governamental de modo a não permitir que eventuais desvios sirvam de motivo para que as coisas retornem à estaca zero. Quando investimos em ações de segurança numa região, é necessário que isso ocorra de forma simultânea nas escolas, hospitais, postos de saúde, centros de referência social e outros equipamentos. É preciso levar exemplos e referências positivas para dentro das comunidades ainda isoladas e desprovidas de condições essenciais, para que elas possam se levantar e reagir para construir uma nova realidade social. É nessa direção que o governador Renato Casagrande está atuando desde o primeiro dia de seu governo. Este é um caminho que não pode ter retorno e do qual todos, sem exceção, precisam participar. Henrique Herkenhoff, secretário de Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo

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SUSTENTÁVEL por Gustavo Costa

ELKEM É DESTAQUE NO PSQT COM PROJETO COLORIR C

om o objetivo de estimular a responsabilidade social nas organizações brasileiras e criar a consciência da importância de processos que favoreçam a transparência, ética, harmonia, produtividade e qualidade de vida no ambiente de trabalho, o Prêmio SESI Qualidade no Trabalho (PSQT) já é uma proposta consolidada tanto na esfera nacional quanto na estadual e vem atraindo a participação de cada vez mais indústrias comprometidas com a sustentabilidade. Exemplo disso é a Elkem Participações, Indústria e Comércio, vencedora das etapas capixaba e brasileira da premiação do SESI, que chegou em 2011 à sua 14ª edição. A Elkem obteve destaque em duas categorias do PSQT no Estado: o 1º lugar em “Desenvolvimento Socioambiental”, com o Projeto Colorir; e o 2º lugar em “Educação e Desenvolvimento”, com o programa de treinamento e desenvolvimento. A empresa recebeu o prêmio no dia 2 de fevereiro, no Edifício FINDES, em Vitória. Com o sucesso na seletiva regional, o “Projeto Colorir” passou então a concorrer pela premiação nacional do PSQT. No dia 22 de fevereiro, a Elkem recebeu a visita de um consultor designado pela Comissão de Avaliação do PSQT e fez uma apresentação detalhada da ação, criada para despertar consciência social em alunos de escolas capixabas. No dia 5 de abril, em São Paulo, a empresa conquistou também a premiação nacional, igualmente na

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Equipe da Elkem, destaque no PSQT nacional pelo trabalho desenvolvido com o Projeto Colorir

modalidade “Desenvolvimento Socioambiental”. Todos os vencedores da 14ª edição do Prêmio apresentaram propostas que defendiam a redução de custos, valorização das marcas, aumento da produtividade e, principalmente, benefícios à sociedade. O PSQT contou com 1.737 concorrentes e 94 finalistas este ano. Projeto Colorir O Projeto Colorir foi idealizado em 2003 pelo diretor da Elkem, o empresário Ernesto Mosaner Junior. Seu propósito, de criar a conscientização nos estudantes e reduzir as manifestações de violência e depredação das escolas, era passado a partir das letras que formavam o nome da ação: “C” de cooperar; , “O” de organizar; “L” de limpar; “O” de orientar; “R” de reciclar; “I” de influenciar; e “R” de realizar. De acordo com Fernanda Silva, coordenadora de Recursos Humanos da Elkem, o Projeto Colorir foi pensado como forma de fomentar uma cultura de respeito e paz nas escolas. “Desde 1999, a Elkem já realizava ações em uma escola em Serra Dourada. Mas havia a ação e logo depois a escola voltava a enfrentar problemas relacionados a depredação e violência. Então, surgiu o conceito de que, melhor do que ajudar a reerguer, é preservar e manter bem cuidado. E assim nasceu o Colorir: com foco na conscientização cidadã”, explicou ela. Em pauta, cursos de aperfeiçoamento, Mai/Jun/2011 – nº 295

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Algumas atividades realizadas pelo Projeto Colorir: •V  oluntariado – Instrumentalizar multiplicadores para atuarem em prol da Cultura de Paz

Público: profissionais das escolas e colaboradores das empresas •C  ontadores de histórias – Formação teórica e prática para contadores de histórias

Público: professores e comunidade •V  ivendo e aprendendo – Ciclo de palestras com temas atuais

Público: profissionais das escolas, das empresas parceiras e comunidade •C  olorindo o planeta – Conversando sobre Sustentabilidade

Público: professores, alunos e comunidade • E u Posso Resolver Conflitos com Valores – EPRCV – Aplicação de técnicas para resolução de conflitos no cotidiano escolar

Público: alunos de 1ª a 4ª série palestras e atividades lúdicas, que envolvem colaboradores voluntários, professores, equipe técnica e administrativa, estudantes e comunidade da região. Todos acabam se tornando multiplicadores de valores sustentáveis. Segundo a coordenadora, o Colorir é baseado na educação humanista pensada pelo japonês Tsunessaburo Makiguti, autor da Teoria da Criação de Valores Humanos encontrada no livro “Educação para uma vida criativa”. “Ele revela a necessidade de o aluno se sentir feliz na escola e defende que a educação não é uma simples transmissão de conhecimentos, mas ferramenta de desenvolvimento do potencial e do talento”, explicou.

Cerca de 3.000 crianças são atendidas pelo Projeto Colorir, que prima pela educação humanista e criativa

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Projeto Colorir foi pensado como forma de fomentar uma cultura de respeito e paz nas escolas

A proposta deu tão certo que outras escolas passaram a ser influenciadas pelo projeto. Atualmente, as escolas Serra Dourada I, Antônio Vieira de Resende (Central Carapina) e Cidade Pomar são beneficiadas no município da Serra, além da escola Darcy Ribeiro, em Morada da Barra (Vila Velha). Apenas este ano, aproximadamente 3.000 crianças foram impactadas pelo Projeto Colorir. Distribuição de material didático, oficinas de capacitação e acompanhamento pedagógico são iniciativas do projeto. O Colorir é formado por módulos. No primeiro, “Aplicação”, ocorre todo o processo referente a pesquisa, capacitação, planejamento das ações, desenvolvimento, sensibilização e avaliação. Já no módulo “Manutenção”, é realizado o acompanhamento da eficácia do processo e a aplicação dos subprojetos, conforme a necessidade. Há ainda a realização de ações específicas e pontuais, como a participação em feiras e eventos. Resultados O projeto celebra cada dia sem ocorrências, da mesma forma que uma empresa busca atuar sem acidentes de trabalho. “Temos nas escolas uma forma de medir o quanto a situação melhorou. Dentro de cada uma delas é colocada uma placa sinalizadora. Ela exibe quantos dias a escola permaneceu sem violência física, verbal, vandalismos, falta de material para os alunos ou pequenos furtos”, esclareceu Fernanda. Segundo a coordenadora de RH, a iniciativa vale a pena não por títulos ou prêmios, mas por formar cidadãos conscientes. “Para todos da Elkem, o Projeto Colorir é algo muito gratificante. A empresa, as escolas e a comunidade como um todo estão colhendo bons frutos. Um exemplo dos resultados positivos do projeto: em 2008, dois alunos que cresceram dentro de uma das escolas da Serra atendidas pelo Colorir entraram na Elkem como menores aprendizes. Hoje, um deles já trabalha no setor de Compras da empresa. Prova de que, cada vez mais amadurecido, o Colorir vai além da cidadania. Ele gera oportunidades”. Indústria Capixaba – FINDES

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CASO DE SUCESSO por Gustavo Costa

ERLING SVEN LORENTZEN Uma vida dedicada ao empreendedorismo

N

atural da Noruega, mas brasileiro de coração, Erling Sven Lorentzen chega aos 88 anos não só como patriarca de um grupo corporativo – o Lorentzen Empreendimentos S.A. – mas como dono de uma história singular. Casado com a princesa Ragnhild, irmã do rei norueguês Harald V, Erling ficou conhecido por conta de sua visão empreendedora e atitude vanguardista para os negócios. No Brasil desde 1953, adquiriu uma distribuidora de gás de cozinha e, uma década depois, fundou sua própria empresa de navegação, a Companhia de Navegação Norsul, atualmente uma das líderes no setor no Brasil, especializada em transporte de cabotagem e de longo curso. Mas foi no final dos anos 60 que Erling resolveu investir em celulose. O empresário participou da construção da Aracruz (atual Fibria) detendo 5% do negócio, participação que, anos mais tarde, chegou a 28% da empresa. Em outubro de 2008 explodiu a crise econômica internacional e a celulose foi um dos segmentos duramente atingidos. Meses mais tarde, Lorentzen vendeu sua parte na Fibria para a Votorantim, em um negócio estimado em centenas de milhões de reais. Embora não comente sobre

“Estamos atentos a oportunidades em nossas outras áreas de atuação” Erling Sven Lorentzen

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cifras, Erling disse que o valor, dividido em parcelas até julho deste ano, está sendo pago “pontualmente”. “Negociações normais entre um grupo sério, que desejava comprar para efetivar uma consolidação industrial, e um grupo sério que decidiu vender, de modo a viabilizar essa consolidação”, afirmou o empresário. Atualmente, o filho de Erling, Haakon Lorentzen, é quem comanda os negócios da família, que, além da Norsul, incluem a Aflopar (produtora de carvão) e a Ideiasnet (desenvolvedora de projetos de mídia e comunicação). “A passagem do comando do Grupo Lorentzen para meu filho foi gradativa, durante anos, e com muita tranquilidade e sucesso”, frisou Erling. Mas o norueguês não encerrou seus dias de empreendedor e segue encarando novos desafios. “Estamos desenvolvendo um novo projeto florestal no norte de Minas Gerais que está crescendo satisfatoriamente. Fora isso, estamos atentos a oportunidades em nossas outras áreas de atuação”, disse. Lorentzen também foi um dos idealizadores do Instituto BioAtlântica, que desenvolve projetos de preservação da Mata Atlântica. “Eliezer Batista e eu idealizamos o instituto juntos. Desde sua fundação até hoje presido o Conselho de Administração do instituto, que ampliou significativamente sua carteira de projetos nos últimos anos, e hoje atua nos estados do Sudeste e na Bahia”, falou. Apaixonado por cavalos, o empresário fez de sua casa em Pedra Azul um haras para cavalos noruegueses da raça fjord e resolveu criar uma escola de hipismo para crianças da região. “Na Fjordland, estamos promovendo um maior contato entre crianças e adolescentes com cavalos, outros animais e a natureza. Sempre dentro do conceito de sustentabilidade e preocupação com o meio ambiente”, destacou. Por sua importância na fundação da atual Fibria, Erling foi homenageado no dia 17 de março pela diretoria do Grupo Votorantim, na unidade de Barra do Riacho, em Aracruz. Quando perguntado sobre a recuperação da empresa após a crise, o empresário foi enfático: “Acho que a empresa está se recuperando, reforçando paulatinamente seu balanço. As pessoas são muito competentes e, neste negócio, escala tem muita importância”, concluiu. Mai/Jun/2011 – nº 295

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INDICADORES

MAIORIA DAS INDÚSTRIAS CAPIXABAS

ENFRENTA DIFICULDADES COM A FALTA DE TRABALHADORES QUALIFICADOS

O

IDEIES (Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo) realizou, em janeiro de 2011, a Sondagem Especial do 4º trimestre de 2010, com a finalidade de conhecer as dificuldades encontradas pelas indústrias capixabas no que se refere à falta de trabalhadores qualificados, seus impactos e mecanismos utilizados para enfrentar o problema. A pesquisa, que contou com a participação de 65 empresas, apurou que 71% das indústrias consultadas (46 empresas) enfrentam dificuldades com a falta de trabalhadores qualificados. Destas, 59% são de pequeno porte, 32% de médio porte e 9% são grandes empresas. Já a pesquisa nacional, coordenada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), contou com a participação de 1.564 empresas respondentes, sendo que 69% (1.080 empresas) afirmaram encontrar dificuldades com a falta de trabalhador qualificado. Ver gráfico 1.

A FALTA DE TRABALHADORES QUALIFICADOS É UM PROBLEMA PARA SUA EMPESA?

Gráfico 1

Participação das respostas

ESPÍRITO SANTO 29%

BRASIL 31%

69%

71%

Não

Sim

Sim

Não

FALTA DE TRABALHADORES QUALIFICADOS POR ÁREA/CATEGORIA PROFISSIONAL A falta de trabalhadores qualificados atinge todas as áreas e categorias profissionais das empresas, mas afeta mais intensamente a área de produção. A maioria das empresas que enfrentam a falta de trabalhadores qualificados tem dificuldades em encontrar operadores (98%), técnicos (89%) e engenheiros (65%). Entretanto, outras áreas também foram citadas: gerencial (87%), administrativa (87%), vendas/marketing (78%) e pesquisa e desenvolvimento (63%). Ver gráfico 2. 44

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A FALTA DE TRABALHADORES QUALIFICADOS NA INDÚSTRIA DO ESPÍRITO SANTO POR ÁREA/CATEGORIA PROFISSIONAL

Gráfico 2

Percentual sobre o total de empresas que têm problemas com a falta de trabalhadores qualificados Gerencial

87

Administrativa

87

Produção (engenheiros)

65

Produção (técnicos)

89

Produção (operadores)

98

Vendas/Marketing Pesquisas e Desenvolvimento

78 63

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Impactos da falta de trabalhadores qualificados sobre a área/categoria profissional Quando questionadas sobre o efeito dessa falta nas diferentes áreas/categorias profissionais, as empresas indicaram que o maior impacto é sobre a produção. As empresas foram orientadas a assinalar, para cada área/categoria profissional afetada pela falta de trabalhador qualificado, a intensidade do impacto, numa escala de 1 (afeta pouco a área) a 4 (afeta muito). Houve empate entre três áreas/categorias, consideradas as mais prejudicadas: produção (operadores), produção (técnicos) e pesquisa e desenvolvimento (P&D), que atingiram média de 3,0 cada. Em seguida, não menos importantes, foram apontadas as áreas/categorias: gerencial (2,9), produção (engenheiros, com 2,9), administrativa (2,5) e vendas/marketing (2,5). Ver gráfico 3.

impacto da falta de trabalhadores qualificados nas indústrias capixabas sobre a área/categoria profissional

Gráfico 3

Média das notas de 1 (afeta pouco) a 4 (afeta muito)

Gerencial Administrativa

2,9 2,5

Produção (engenheiros)

2,9

Produção (técnicos)

3,0

Produção (operadores)

3,0

Vendas/Marketing

2,5

Pesquisas e Desenvolvimento

3,0

Efeitos da falta de trabalhadores qualificados A totalidade das indústrias acredita que a falta de trabalhadores qualificados prejudica de diversas formas a empresa. A escassez de trabalhadores qualificados impacta diretamente a competitividade das empresas, afetando a produtividade e a qualidade. O empresário foi solicitado a indicar as três principais alternativas de impacto, dentre oito apresentadas e, assim como na pesquisa nacional, nenhuma das alternativas recebeu menos de 20% de assinalações pelos industriais capixabas. A pesquisa apurou que as principais atividades prejudicadas são: a busca de eficiência e redução de desperdícios (74% de assinalações), a garantia e melhoria da qualidade dos produtos fabricados (61%), o gerenciamento da produção (28%), a expansão da produção (26%), a realização da manutenção dos equipamentos (26%), o desenvolvimento de novos produtos (24%), a ampliação das vendas (24%) e a aquisição ou absorção de novas tecnologias (20%). Ver gráfico 4. Mai/Jun/2011 – nº 295

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PRINCIPAL EFEITO DA FALTA DE TRABALHADORES QUALIFICADOS NA INDúSTRIA CAPIXABA

Gráfico 4

Percentual sobre o total de empresas que têm problemas com a falta de trabalhadores qualificados Buscar eficiência ou reduzir desperdícios (aumentar a produtividade)

74

Garantir a melhor qualidade dos produtos fabricados

61

Gerenciar a produção

28

Expandir produção

26

Realizar a manutenção dos equipamentos

26

Desenvolver novos produtos

24

Ampliar as vendas

24

Adquirir ou absorver novas tecnologias

20

* Os percentuais não somam 100% porque cada empresário poderia assinalar até três opções.

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indicadores

Ações para

lidar com a falta de trabalhadores qualificados Os principais mecanismos que as empresas utilizam para superar o problema são: realização de capacitação na própria empresa (78% das indicações) e realização de capacitação fora da empresa (cursos externos, com 57%). Além disso, 35% fortalecem a política de retenção do trabalhador (salários e benefícios) e 20% recrutam profissionais de outras regiões do país, dentre outras ações. Ver gráfico 5.

AÇÕES DAS EMPRESAS CAPIXABAS PARA ENFRENTAR A FALTA DE TRABALHadores QUALIFICADOs

Gráfico 5

Percentual sobre o total de empresas que têm problemas com a falta de trabalhadores qualificados e possuem mecanismos para enfrentar o problema Realiza capacitação na própria empresa

78

Realiza capacitação fora da empresa (cursos externos)

57

Fortalece a política de retenção do trabalhador (salário e benefícios)

35

Recruta profissionais de outras regiões do país

20

Terceiriza etapas do processo de fabricação

15

Realiza parcerias com instituições de ensino

13

Investe em automação

13

Terceiriza etapas do processo de administração

2

* Os percentuais não somam 100% porque cada empresário poderia assinalar até três opções.

Dificuldades para a empresa

investir em qualificação do trabalhador Todas as empresas pesquisadas (65) acreditam que precisam investir em qualificação, independentemente do fato de estarem ou não enfrentando problemas de escassez de trabalhadores

qualificados. Entretanto, 88% encontram dificuldades na hora de qualificar o trabalhador. No caso das pequenas empresas, esse percentual alcança 93%, e nas médias e grandes 81% e 80%, respectivamente. A maior dificuldade enfrentada pelas Principais dificuldades para qualificar Gráfico 6 empresas capixabas ao investir em qualificação os trabalhadores da indústria capixaba é a má qualidade da educação básica,assinalada Percentual sobre o total de empresas que têm dificuldades para qualificar os trabalhadores por 56% das indústrias. Em seguida, foram indicados: o baixo interesse dos trabalhadores A má qualidade da educação (31%), o receio de investir na qualificação e 56 básica prejudica a qualificação perder o trabalhador para o mercado (29%), dos trabalhadores os custos elevados dos cursos que a empresa Existe pouco interesse dos 31 trabalhadores necessita (29%), a não existência de cursos Ao investir em qualificação, adequados às necessidades da empresa (22%) 29 a empresa perde o e a alta rotatividade dos trabalhadores (22%), trabalhador para o mercado entre outras. Ver gráfico 6. Os cursos que a empresa 29 necessita possuem Os resultados do estudo levam à conclusão custos elevados de que é necessário que o Estado e o país Não existem cursos adequados 22 às necessidades da empresa invistam na melhoria da educação básica para aumentar a competitividade da indústria, * Os percentuais não somam Existe alta rotatividade 22 100% porque cada empresário já que ela é a base do processo de formação dos trabalhadores poderia assinalar até três opções. de profissionais qualificados. A incorporação Não é possível liberar o 17 de novas tecnologias e de novos produtos ao trabalhador para fazer cursos Todos os gráficos têm como fonte o processo produtivo demanda uma força de IDEIES/ IEL-ES/ CNI e foram elaborados pelo Outros 2 Núcleo Estratégico de Conjuntura (NEC) trabalho capacitada a aprender e a desenvolver novas técnicas.

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SAMARCO por Gustavo Costa

Quarta Usina de Pelotização da Samarco

Planta industrial da Samarco, em Anchieta

Benefícios do projeto para fornecedores trabalhadores capixabas

A

Samarco Mineração, segunda maior exportadora transoceânica de pelotas de minério de ferro do mundo,tem como grande destaque para os mercados nacional e internacional o Projeto Quarta Pelotização (P4P). Com investimentos da ordem de R$ 5,4 bilhões, o P4P engloba a construção da Quarta Usina, a ser erguida na unidade industrial da empresa em Ubu, no município de Anchieta (ES); a instalação de um terceiro concentrador de minério de ferro, na unidade de Germano, situada nos municípios de Ouro Preto e Mariana (MG); e a construção de um terceiro mineroduto, instalado paralelamente aos dois já existentes, ao longo de cerca de 400 quilômetros de extensão entre o Espírito Santo e Minas Gerais. A produção da Samarco, atualmente na casa dos 22,25 milhões de toneladas de pelotas anuais, será ampliada em 8,250 milhões de toneladas, atingindo uma capacidade nominal de 30,5 milhões de toneladas de pelotas anuais. A perspectiva é de que a produção seja iniciada em janeiro de 48

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2014. As obras devem começar ainda no primeiro semestre, após a conclusão de todos os estudos de viabilidade e a aprovação dos acionistas, com previsão de conclusão em 33 meses. De acordo com o gerente geral de Comunicação e Relações Institucionais da Samarco, Fernando Künsch, serão geradas 4.823 vagas de trabalho durante as obras no Estado, além de outras 500 com o início das operações. “É o maior investimento da história da Samarco, algo que eleva nossa capacidade de produção e já está levando desenvolvimento para o Espírito Santo e Minas Gerais”, disse. E não é só a Samarco que pretende investir na região. A área ao sul da Região Metropolitana receberá investimentos que devem ultrapassar R$ 22,9 bilhões até 2014, segundo o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). Esse montante se refere a empreendimentos anunciados para cerca de 40 municípios que estão na Metrópole Expandida Sul, Polo de Cachoeiro, Caparaó, Sudoeste Serrana e Central Serrana. Além da Quarta Usina da Samarco, projetos como Mai/Jun/2011 – nº 295

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O Projeto Quarta Pelotização demandará investimentos de R$ 5,4 bilhões. A produção da Samarco, atualmente na casa dos 22,25 milhões de toneladas anuais, será ampliada para 30,5 milhões de toneladas de pelotas anuais. A perspectiva é que a produção seja iniciada em janeiro de 2014 a implantação da Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU); o complexo portuário com três usinas de pelotização, um mineroduto e um porto de águas profundas da Ferrous Resources do Brasil; e a Unidade de Tratamento de Gás Sul (UTG Sul) são destaques. O momento dos fornecedores A chegada de projetos tão relevantes para uma região tem seus impactos e aquece diversos setores e segmentos econômicos, do imobiliário ao de serviços. Escolas, bares, restaurantes, hotéis e uma infinidade de outras atividades serão fomentadas. “Todas essas plantas são pautadas pelo desenvolvimento sustentável. Quem viu os projetos sabe que se trata de algo estudado, pensando não só em crescer, mas também em preservar. Os órgãos responsáveis têm agido pontualmente cobrando, e empresas como a Samarco têm correspondido. Não há dúvida de que a Quarta Usina significará mais emprego e mais renda para Anchieta e região. Turismo, transportes, setor imobiliário, todos serão beneficiados”, lembrou o diretor Regional do SENAI-ES, Robson Santos Cardoso. “Para a Quarta Usina, acredito que o valor de participação local será maior que 50%” Manoel de Souza Pimenta Neto, presidente do Sindifer

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De modo direto e imediato, serão impactadas as fornecedoras e a mão de obra, tanto na construção, quanto na produção da Quarta Usina. Além da forte expansão no mercado de trabalho, já citada, são esperadas oportunidades de negócios também pelas fornecedoras ligadas a construção civil, estruturas metálicas, terraplenagem, equipamentos elétricos, caldeiraria e montagem eletromecânica, só para citar algumas. Em um momento de grande expectativa do mercado, questões logo aparecem. As fornecedoras capixabas querem chegar a um índice de 45% de participação nesse empreendimento. Na Usina Três o índice chegou a 32% e na Pelotizadora Dois, o índice foi de 14% de fornecedores locais. Alcançar a meta de 45% é possível? Para o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Estado do Espírito Santo (Sindifer), Manoel de Souza Pimenta Neto, como já é de praxe, as empresas capixabas deverão ter uma grande participação no empreendimento. Segundo ele, as indústrias locais já não são questionadas em relação à capacidade técnica ou porte, tendo assim o seu lugar efetivo nas obras. “Durante a construção da Terceira Usina, as empresas capixabas atingiram 32% de participação, que só não foi ampliada porque elas estavam com a capacidade de produção plena.Para a Quarta Usina, acredito que o valor de participação local será maior que 50%”, explicou Pimenta. Robson Cardoso concorda com essa visão otimista. “Hoje, em função destes grandes projetos, os fornecedores se capacitaram mais e melhor. Acredito que a Samarco possa contar com até mais de 45% de fornecedores locais. O Espírito Santo e seus fornecedores já são percebidos de uma forma diferente. São empresas que prestam serviço até para fora do Estado. Eu acredito que essa Quarta Usina será o empreendimento da quebra de recordes”, explicou. De acordo com o superintendente do IEL-ES, Fabio Dias, o Sistema FINDES atuará em diversas frentes, capacitando o trabalhador e concedendo a qualificação que as empresas esperam, principalmente por meio do Programa Integrado de Desenvolvimento e Qualificação de Fornecedores (Prodfor). “A FINDES está agindo de maneira integrada. Todas as entidades estão alinhadas e expandindo suas atuações em direção ao interior do Estado. Estaremos presentes com produtos que vão da educação empresarial às pós-graduações, passando por consultorias, implantação de sistemas de gestão e programas de estágio”, disse. Com o apoio da FINDES, o Prodfor reúne as 12 maiores empresas do Espírito Santo como mantenedoras (incluindo a Samarco) e já capacitou, através de um abrangente sistema de qualidade, mais de 500 fornecedoras desde a sua criação, em 1997. Agora espera-se que empresas fornecedoras de produtos e serviços também melhorem sua gestão de Indústria Capixaba – FINDES

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Perspectiva da Quarta Usina da Samarco

qualidade para atender com maior competitividade às demandas que surgirão com o novo projeto da Samarco. A companhia credita às entidades que formam a FINDES o conhecimento e as ferramentas necessárias para capacitação de excelência de empresas e colaboradores locais. “O SENAI, entre outras entidades, é um parceiro histórico da Samarco, e toda a qualificação é realizada com o seu suporte. E utilizaremos ainda mais o apoio da entidade para diversos setores, como, por exemplo, técnicos em Meio Ambiente e Segurança no Trabalho. O SENAI é referência em qualificação profissional no Brasil”, explicou Fernando Künsch. A busca pela mão de obra qualificada Para Robson Cardoso, a participação de cada fornecedora dependerá do seu nível de percepção do que é demandado. “Os projetos estão disponíveis, e são as oportunidades, aliadas à ousadia dos empreendedores, que levam as fornecedoras ao crescimento. Espaço, existe para todas, “O SENAI é um parceiro histórico da Samarco, e toda a qualificação é realizada com o seu suporte” Fernando Künsch, gerente de Comunicação e Relações Institucionais da Samarco

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mas cada uma precisa fazer a sua parte. Hoje o mercado demanda investimentos não só em equipamentos, mas em pessoal capacitado”, disse ele, acrescentando que mesmo com a atuação valiosa de vários órgãos e entidades, é do SENAI a responsabilidade maior no que se refere a treinamento e qualificação da mão de obra especializada para a indústria. “Temos conversado com as empresas que estão investindo na região sul do Estado. O mercado hoje não quer e não aceita treinar por treinar; ele quer propostas realmente capazes de agregar conhecimento, práticas duradouras”, frisou. E o SENAI já está atuando para que os capixabas do sul sejam incluídos no ciclo de grandes projetos anunciados para a região. “Estamos atuando provisoriamente em um ginásio de Anchieta e só neste ano já treinamos aproximadamente mil pessoas. Mas o foco principal é tocar o projeto da escola de qualificação profissional. Só os investimentos em equipamentos chegam a R$ 3 milhões, porém não adianta comprar e não ter onde colocar. Já temos um terreno e esperamos para o quanto antes as obras de construção. Estamos trabalhando para que seja um projeto completo. No mais tardar, em dois anos essa escola será inaugurada”, disse Cardoso. Já para Manoel Pimenta, conhecimento ou capacidade técnica não são problemas para os prestadores de serviços. “A grande dificuldade é a competição com empresas que possuem benefícios fiscais - como compensação de ICMS, por exemplo - mais vantajosos do que os concedidos pelo Governo do Espírito Santo. Com relação a capacitação, tecnologia e gestão, não devemos nada a fornecedores de outros estados”, destacou. Não dever nada a outros estados em matéria de fornecimento, produção, investimentos. A Quarta Usina da Samarco mostra que é uma mola propulsora não só para a própria empresa, mas para todo o Espírito Santo. Um combustível que irá aquecer a economia local pelos próximos anos. Mai/Jun/2011 – nº 295

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entrevista por Ariani Caetano

Lucas

Izoton O empreendedor para quem trabalho é diversão

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ascido em Vila Velha, Lucas Izoton, de 55 anos, veio de uma família humilde, cujos pais tinham como sonho fazer com que os filhos virassem “doutores”. Há 32 anos ele formou-se engenheiro, mas sua paixão pelo conhecimento e a curiosidade fizeram com que ele fosse além, tornando-se um dos empresários mais bem sucedidos do Estado e do país. Para explicar seu sucesso, Lucas faz uso de um ditado de Confúcio, filósofo chinês: “Se você trabalhar naquilo que gosta, nunca mais precisará trabalhar”. Essa tem sido a máxima do presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), para quem “trabalho é puro prazer”. Depois de sete anos à frente da Federação, Lucas despede-se com a certeza do dever cumprido, gratidão pelos companheiros de diretoria, alívio e, claro, alguma saudade. Como você conceituaria Lucas Izoton? Eu já escrevi cinco livros e eles me conceituam. No primeiro livro (“O voo da cobra”), eu me desnudo como empreendedor; no segundo (“O caminho mágico”), me mostro como ser

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humano; no terceiro (“A paz no mundo começa dentro de nós”), aparece o Lucas espiritualista; no quarto livro (“Você pode ajudar a salvar o planeta Terra”), aparece o Lucas ambientalista, e no quinto livro (“Gerenciando e lucrando no varejo”), há o Lucas empresário. Existe alguém que o tenha inspirado? Eu me inspirei muito no trabalho da minha mãe, que sempre foi muito esforçada. Eu sou muito parecido com ela. Sou fã de Jesus Cristo, que vejo como um líder à frente do seu tempo, inovador, que quebrava paradigmas. Jesus foi um grande referencial como líder e como figura espiritual. Há empresários também que me inspiram. Resolvi largar todas as demais coisas e me concentrar na vida de empreendedor quando li um livro sobre como Lee Iacocca salvou a Chrysler em 1986. Quando vejo a trajetória de Antônio Ermírio de Moraes, de Jorge Gerdau, isso me inspira, porque eles são exemplos de pessoas que têm uma vida empresarial forte. Mai/Jun/2011 – nº 295

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“Eu amadureci, aprendi bastante, estou mais paciente e até mais compreensivo. Minhas metas continuam audaciosas e ousadas, mas estou conseguindo ter a capacidade de mobilizar mais pessoas para sonharem os meus sonhos” Como começou sua carreira? Formei-me em Engenharia na Ufes e, depois, fui trabalhar numa pequena empresa do setor metalmecânico do Espírito Santo. Como engenheiro, tive a oportunidade de participar, por exemplo, da construção da Segunda e Terceira Pontes, das passarelas da ponte Florentino Avidos, da primeira parada da usina da Samarco e da fábrica da Aracruz Celulose. Em paralelo, em 1980, comecei com um familiar uma empresa de confecção no Rio de Janeiro. Em 1982, coloquei minha primeira loja no Estado; em 1986, comecei a estamparia e a indústria de confecção no Espírito Santo. Então, tomei a decisão de concentrar meus esforços somente nos meus próprios negócios. O que o motiva a empreender, buscar novos desafios e oportunidades? É o inconformismo. Tudo na vida pode melhorar. Podemos quebrar paradigmas e fazer algo melhor. Há um ditado oriental que diz: “Hoje melhor do que ontem; amanhã melhor do que hoje”. E também tem outro ditado do Einstein que me move muito: “Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe provando o contrário”. O Espaço Cultural do SESI retrata bem o que estou falando. Ele é como uma nave do futuro que pousa sobre o tradicional, que é o Edifício da FINDES, que, por sua vez, representa a solidez da indústria capixaba. Não temos limites, temos que entrar na indústria criativa; precisamos integrar a indústria tradicional ao turismo, à agricultura; e o cidadão que chega a Vitória se depara com esta visão. Esse Espaço Cultural é simbólico.

Eu já estava me aposentando como dirigente, mas aceitei, e venci com 78% dos votos. Fizemos muitas mudanças: acabamos com o nepotismo, focamos no apoio às micro e pequenas empresas e passamos a inovar. E praticamente fui “obrigado” a me candidatar à reeleição. Hoje, estou consciente de que a reeleição na maioria dos casos não é adequada, porque o empresário é obrigado a largar sua vida pessoal e familiar, os seus negócios. Neste ano, o senhor se despede da presidência da FINDES. Qual é o sentimento neste momento? É um mix de sentimentos. O primeiro é o de gratidão, porque as pessoas confiaram em mim, votaram em mim, me ajudaram a fazer a gestão, se comprometeram com o Espírito Santo e reconheceram o trabalho da nossa administração. Outro sentimento é o de dever cumprido. As nossas metas foram alcançadas e a maioria delas, superada. O terceiro sentimento é de alívio, porque estou encerrando meu mandato. O presidente eleito, Marcos Guerra, é muito competente e, junto com sua

Como surgiu a vontade de ser presidente da FINDES? Em 1991, eu já participava de algumas ONGs e entidades empresariais e, ao ser convidado para presidir o Sindicato das Indústrias de Confecção, aceitei. Em 1992, tornei-me 2º secretário. Em 1995, fui 1º diretor-administrativo e comecei a participar do Conselho. Em 2000, houve uma eleição polêmica. Sergio Rogerio de Castro se candidatou, mas forças políticas da época o derrotaram. Resolvi, então, abandonar a vida de dirigente empresarial e já estava até me afastando do meu sindicato, quando o Sergio Rogerio, que considero um grande líder e que seria candidato à presidência da FINDES em 2004, desistiu. Diante disso, dirigentes inovadores ficaram sem candidato, até que me convidaram. Mai/Jun/2011 – nº 295

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entrevista

diretoria, vai dar prosseguimento e até melhorar esses indicadores. O quarto sentimento é o de saudade. Eu tenho saudade de ter conversado com presidentes da República, de ter aprendido com muitos empresários dos quais sou admirador, de ter convivido com autoridades e pessoas mais experientes do que eu e que me ensinaram muito. Conseguiu fazer tudo nesse período? Não, porque quando batia uma meta, criava outra mais difícil. Estou sempre criando metas ainda mais ousadas e audaciosas. Sempre gosto de algo diferente, mesmo que dê mais trabalho. E como eu gosto de trabalhar, isso é diversão. E essa minha maneira de pensar diferente é que me impulsiona a fazer coisas que outros talvez não fariam. Quais foram as conquistas da indústria capixaba durante esse tempo e quais as suas conquistas pessoais? A indústria capixaba se tornou mais madura e competitiva através de uma consciência dos próprios empreendedores com relação à inovação e tecnologia. A produtividade da indústria capixaba tem crescido bem acima da competitividade da nacional. Nesses sete anos, a produção industrial capixaba cresceu em média mais do que o dobro da produção industrial brasileira. Não somente as commodities se expandiram, através do aumento de preços e produção, mas também outros setores, como construção civil e a indústria de vestuário, que é o maior empregador industrial feminino. A área de alimentos e bebidas tem mais de duas mil indústrias e cresceu bastante. Tínhamos somente três Regionais no interior e criamos cinco Regionais. Interiorizamos o desenvolvimento da indústria, modernizamos nossas instalações. Para quem investia apenas 1% da receita, estamos próximos de investir 14%. A capacitação do SENAI mais que triplicou. Ampliamos os serviços do SESI, capacitamos mais empresários. Tudo isso fez com que tivéssemos resultados excepcionais. Isso nos deu uma alegria muito grande. Com relação às conquistas pessoais, amadureci, aprendi bastante, estou mais paciente e até mais compreensivo. Minhas metas continuam audaciosas e ousadas, mas estou conseguindo ter a capacidade de mobilizar mais pessoas para sonharem meus sonhos. Meus negócios pessoais foram mantidos vivos e cresceram. Ampliei minha rede de relacionamentos, meu círculo de amizades; fiz amigos, pessoas de quem gosto verdadeiramente. Cresci como ser humano, cidadão, dirigente e empreendedor, e esse meu crescimento colaborou para que eu pudesse retribuir à sociedade tudo o que ela me deu. O que a indústria representa para o Estado? Enquanto a indústria brasileira reduz a sua participação no PIB, a do Espírito Santo está crescendo. 54

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Estamos na contramão do Brasil na parte positiva da indústria. A indústria está gerando um grande crescimento na área de serviços e de comércio. Mesmo que o percentual da indústria não seja tão elevado, verifica-se que ela é a grande força motora do Espírito Santo. Inclusive, é o setor onde as principais inovações são efetuadas. A indústria capixaba, nos próximos 10 anos, vai continuar sendo essa mola propulsora. O número de empregos gerados vai ser muito grande. Queremos fazer parceria com o turismo, afinal, 70% dos investimentos em turismo retornam para a indústria sob a forma de novas estradas, construção de hotéis e restaurantes, indústrias de alimentos e bebidas, moveleira, de uniformes. Temos que ser parceiros da agricultura. O Brasil é o celeiro do mundo e temos que melhorar nossa capacidade de logística, pois parte da produção é escoada pelos portos do Espírito Santo. O que precisa ser feito para termos um cenário mais favorável à indústria? O grande desafio é manter a união com o poder público. Em segundo lugar, temos que melhorar a logística do Estado, que ainda é um gargalo. O terceiro ponto é ajudar o governo, promovendo, junto ao governo estadual e federal, uma descentralização do licenciamento ambiental. Descentralizando, vamos ter dezenas de órgãos fazendo licenciamento ambiental, e não somente um. O quarto item seria a avaliação da melhoria da competitividade das indústrias capixabas. Precisamos que os segmentos industriais capixabas tenham a mesma carga tributária dos outros estados. Por fim, o Governo Federal precisa olhar com carinho para o Espírito Santo. Anos atrás, vivemos um grande ciclo industrial desenvolvimentista. Agora, com a instalação de novos parques industriais, a história se repete? Qual a diferença de hoje para aquela época? Estamos vivendo outro grande ciclo do desenvolvimento, só que com maior agregação de valor. É menos exportação Mai/Jun/2011 – nº 295

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“A indústria capixaba se tornou mais madura e competitiva através de uma consciência dos próprios empreendedores com relação à inovação e tecnologia. A produtividade da indústria capixaba tem crescido bem acima da competitividade da indústria nacional” de minério e mais exportação de placas de aço, de chapas laminadas, de bobinas e, quem sabe no futuro, de perfis. No passado, exportávamos blocos de granito, agora exportamos chapas e espero que exportemos produtos acabados. Temos uma diferença nesse ciclo de agora. Temos um valor agregado maior, com empresas extremamente modernas, com alta competitividade internacional, e isso é muito bom para o Espírito Santo, que é o estado mais globalizado do Brasil. Temos índice de globalização similar ao dos grandes países do mundo. O que é empreendedorismo? Empreendedorismo é fundamental. Nos locais onde existem empreendedores há mais empresas, mais empregos, mais renda e mais arrecadação de impostos. Logo, há mais investimentos em educação, saúde e segurança e, se há isso, há mais condições de existirem novas empresas, num círculo virtuoso. Isso gera qualidade de vida. O empreendedorismo se manifesta nos trabalhadores, nas empresas, no poder público, nas ONGs. O que faz uma pessoa empreender

são as características empreendedoras que podem ter nascido com ela, mas que também podem ser aprendidas. O empreendedor é, na verdade, um sonhador que transforma seus sonhos em metas. Como as indústrias podem ser sustentáveis? O mundo mudou muito nos últimos anos no que diz respeito à sustentabilidade. As pessoas e empresas sabem que não podem degradar o meio ambiente. Elas sabem que há compensações que precisam ser maiores do que as retiradas. Sustentabilidade é uma exigência social, é uma sensatez. É até egoísmo querer degradar sem pensar em preservar. Quando eu escrevi o livro “Você pode ajudar a salvar o planeta Terra”, lançado no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), comecei com a seguinte frase: “Seja você a mudança que você quer ver no mundo”. Se você quer mudar o mundo, vá para frente do espelho e comece mudando aquela pessoa que está ali. Comece a mudar sua família, seus vizinhos, seu bairro. Temos que ser a grande mudança. A preservação é uma questão de inteligência, até mesmo porque hoje é mal vista uma empresa que não tem boas práticas ambientais. Quais são seus planos quando deixar a presidência da FINDES? Como dirigente, continuo vice-presidente da CNI até 2014, e já recebi convite para continuar trabalhando até 2018. Como ser humano, quero dedicar mais tempo à família, aos amigos, à natureza. Como cidadão do mundo, quero bater minha meta de conhecer os 60 países que escolhi para conhecer. Como empresário, estou ampliando meus negócios. Como escritor, tenho dois livros que comecei a escrever. O próximo será sobre cultura, crenças e valores do grupo Izoton, o que vai ajudar minha equipe a me entender melhor e sonhar mais os meus sonhos. E tem um sétimo livro, que me questiono se posso, devo e tenho capacidade de escrever. O título provisório é “O grande líder” e fala sobre a vida de Jesus, mas não somente sob o aspecto espiritual. É um Jesus líder, que veio inovar. Alguém que tinha uma grande missão, que não era compreendido, que começou sozinho, formou uma boa equipe, quebrou paradigmas, se sacrificou e deixou dois bilhões de seguidores. Seus ensinamentos são extremamente atuais para os nossos negócios.

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SAÚDE por Nadia Baptista

ESTRESSE NO TRABALHO: EVITÁ-LO É VIVER MELHOR E m recente pesquisa realizada com mil profissionais de diversos países pela International Stress Management Association (ISMA), o Brasil liderou o ranking de horas trabalhadas por semana, com 54, contra a média mundial de 41 horas semanais. No quesito “exaustão física e emocional”, que avalia o nível de estresse do trabalhador, o país ocupou a segunda colocação, ficando atrás apenas do Japão e superando países como China, Estados Unidos e Alemanha.

COMO O CORPO REAGE AO ESTRESSE

Sete segundos após perceber uma situação estressante, o organismo se prepara, fisiologicamente, para reagir: a pressão arterial sobe, a frequência cardíaca se acelera, a respiração se torna mais superficial e rápida,os músculos se contraem e as mãos e os pés ficam frios e suados. Para o corpo, os excessos no trabalho criam uma situação de defesa e as adaptações fisiológicas preparam o indivíduo para a luta. Como não há com quem lutar, o corpo vai experimentar essa sensação - chamada de estresse - por horas, todos os dias. O estresse se transforma em doença quando as situações estressantes são contínuas e o organismo começa a sofrer com as constantes reações químicas que se sucedem, sem que haja tempo para a eliminação dessas substâncias e sem o tempo necessário para o descanso e recuperação física e emocional. 56

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De acordo com a gerente da Divisão de Saúde do SESI, Adriana Coelho, o combate ao estresse pode estar na prática de diversas formas de relaxamento e terapias. Outra dica para quem deseja combatê-lo é a prática regular de atividades físicas, que ajudam a eliminar a tensão e, de quebra, liberam endorfina no organismo, promovendo uma sensação de prazer. “Existem ainda outros fatores a que o profissional deve estar atento na busca por uma maior qualidade de vida, dentro e fora do trabalho. Trabalhadores e empresários devem cultivar atitudes preventivas, como criar uma atmosfera de entusiasmo e harmonia, buscar sempre mudar para melhor, ter paixão pelo que fazem, repensar suas prioridades, aproveitar a empresa para crescer, equilibrar razão e emoção, fazer mais concessões a si mesmos, ter maior flexibilidade para lidar com as diferenças, ter um bom relacionamento familiar e com os amigos e ter um projeto de vida planejado”, sugere Adriana. Com o objetivo de fortalecer a empresa industrial nas ações preventivas junto aos seus trabalhadores, o SESI oferece campanhas em Saúde e Segurança no Trabalho e programas de prevenção do estresse. Essas campanhas trazem ricos materiais didáticos, como cartilhas, vídeos educativos e motivacionais, além de folders e cartazes. Entre elas, está a série “De Bem com a Vida”, que aborda temas como diabetes, hipertensão, alimentação, obesidade e atividade física. Já a campanha “Segurança e Saúde no Trabalho” propõe prevenir acidentes e doenças no ambiente laboral com o auxílio de medidas básicas que devem ser adotadas. Mai/Jun/2011 – nº 295

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“Trabalhadores e empresários devem cultivar atitudes preventivas, como criar uma atmosfera de entusiasmo e harmonia” Adriana Coelho, gerente da Divisão de Saúde do SESI Outra campanha oferecida pelo SESI para ajudar as empresas é a “Avaliação de Riscos”, que identifica os perigos existentes no processo produtivo e o risco de danos aos trabalhadores e ao patrimônio, para que ações preventivas sejam implementadas de forma simples. Na Federação das Indústrias do Espírito Santo (FINDES), alguns programas ajudam a manter a qualidade de vida no trabalho e a preservar a saúde dos colaboradores, evitando, assim, o estresse. O superintendente corporativo do Sistema FINDES,

Waldenor Mariot, explica alguns desses programas. “O primeiro é o “FINDES Saudável”, que disponibiliza para os nossos colaboradores exames clínicos. A partir desses exames, é feito um diagnóstico do estilo de vida de cada funcionário, para, com essas informações, serem mapeados os riscos que ele enfrenta, como obesidade e hipertensão, entre outros. Realizamos palestras e cursos educativos, que conscientizam os colaboradores sobre a importância de uma vida saudável”, explica. Além disso, a FINDES realiza ginástica laboral três vezes por semana em todos os seus setores e incentiva a cultura com o projeto “Luzes e aplausos”, que oferece atrações teatrais e musicais a preços mais acessíveis para os colaboradores da Federação e membros da indústria.

ELES DÃO A DICA Empresários de sucesso e executivos de grandes empresas capixabas, eles estão sempre à frente de decisões importantes – e com elas vêm situações de tensão, risco, cobranças e outros fatores que geram estresse. Para evitá-lo, eles adotam práticas simples, mas que fazem toda a diferença quando o assunto é qualidade de vida. Confira:

“Para fugir do estresse, uma regra que tento seguir é não misturar trabalho e vida pessoal. Também é muito bom aproveitar os feriados e finais de semana para descansar e fazer coisas que não estejam relacionadas ao trabalho, porque é para isso que esses momentos existem. Às vezes, quando chego em casa, eu gosto de tomar um vinhozinho,curtir a família, os filhos. Também, quando é possível, viajar, ir à praia ou às montanhas. Procuro atividades que quebrem um pouco a rotina.” Alejandro Dueñas, presidente do Sindimassa

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“Todos os dias eu chego em casa, troco de roupa e vou caminhar na praia. Isso é essencial para que eu relaxe e deixe de lado os problemas do trabalho. Nos finais de semana, procuro sempre curtir minha família e ir para Santa Cruz, em Aracruz, onde posso relaxar. Para evitar que o estresse do trabalho tome conta, não se pode ficar em casa. Temos que ir para lugares diferentes nos momentos de folga. Eu gosto muito de ir para o interior do Estado.” Élcio Alves, diretor geral da Buaiz Alimentos

“Para combater o estresse, pratico exercícios físicos. Obrigatoriamente, de três a quatro vezes por semana, vou à academia e malho, pelo menos, uma hora e meia. O exercício é essencial, porque com ele o cansaço físico acaba substituindo o cansaço mental, e consigo dormir bem melhor. Quando possível, tento antecipar o fim de semana, para que ele comece já na sexta-feira. Quando não consigo, procuro aproveitar ao máximo meus sábados e domingos, indo para lugares diferentes.” José Élcio Lorenzon, presidente da Lorenge

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IV Fórum Capixaba de Energia Debater o potencial energético do Espírito Santo e o conceito de eficiência dessa energia, além de tratar questões relativas a fontes renováveis e sustentabilidade. Esses e outros temas serão abordados no IV Fórum Capixaba de Energia, que acontece no dia 8 de junho, em Vitória. O Plano Nacional de Eficiência Energética estima uma economia de 10% no Senai e Sejus capacitam detentas consumo de energia elétrica nos próximos 20 anos. O Estado, Sessenta internas da Penitenciária Feminina de Cariacica claro, espera também fazer parte desse cenário. O evento deverá (PFC) receberam o certificado de conclusão dos cursos receber centenas de pessoas, entre autoridades, convidados e profissionalizantes de Modelista e Costureira.A ação é parte do interessados nos temas. Projeto Maria Marias,coordenado pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) e desenvolvido em parceira com o SENAI-ES. Falta mão de obra Qualificada A capacitação, de 160 horas, foi ministrada nas dependências para a tecnologia do ES da unidade prisional pela instrutora do SENAI e estilista Mesmo com a crescente expansão do segmento de Jaqueline Creazola. O diretor regional da entidade, Tecnologia da Informação e salários que chegam a Robson Cardoso, fez a entrega dos certificados. R$ 14 mil, falta mão de obra qualificada para atuar na área. A afirmação é do presidente do Sindicato das Empresas de Sinvesco arrecada agasalhos Informática do Espírito Santo (Sindinfo), Benízio Lazaro, Pelo oitavo ano consecutivo, o Sindicato do Vestuário de que atribui a carência ao currículo das faculdades, que Colatina (Sinvesco) mobiliza seus associados para doarem não atende às demandas do mercado. Somente em 2011, agasalhos e roupas para pessoas carentes da região. No ano as empresas de tecnologia do país têm perspectiva de contratar passado, 670 peças de roupas foram arrecadas e neste ano 34 mil profissionais, sendo 70,2% dessas vagas para a Região a expectativa é de que 1.000 peças sejam recolhidas. As Sudeste. As carências são mais acentuadas nas áreas de doações podem ser entregues na Diretoria da FINDES em Engenharia de Hardware, Programação e Telecomunicação. Colatina, sede do Sinvesco, até o próximo dia 8 de junho.

Classificação do trigo aumenta a qualidade do pão Embora a nova classificação do trigo - estabelecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - só passe a valer oficialmente em julho de 2012, os panificadores do Espírito Santo já estão otimistas com os resultados que a norma pode trazer ao mercado. A Instrução Normativa nº 38 estipula um tipo de trigo específico para o segmento, e, com a novidade, será ampliado não só o grau de exigência sobre o grão, como a qualidade geral do produto. Para o superintendente do Sindicato da Indústria da Panificação e Confeitaria do Estado do Espírito Santo (Sindipães), Fábio Bento, “a qualidade do pão só tende a melhorar já que teremos um trigo com características específicas para a produção”, disse. 58

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Sindiembalagens leva comitivas para grandes eventos do setor

Uma comitiva de 20 pessoas, entre empresários e colaboradores de empresas capixabas, marcou presença na Feira Internacional da Indústria do Plástico, a Brasilplast, em São Paulo, entre os dias 8 e 13 de maio. A viagem foi uma iniciativa do Sindicato da Indústria de Embalagens e Tubos Flexíveis, Frascos e Componentes, Artefatos Injetados e de Fibra de Vidro do Espírito Santo (Sindiembalagens), que levou os associados ao evento para identificar as tendências do mercado de plástico, que atualmente movimenta mais de R$ 800 milhões em negócios só no Brasil. A comitiva conferiu as novidades em máquinas, equipamentos, produtos e serviços. Uma outra viagem foi realizada entre 18 e 22 de maio, à Alemanha. A comitiva esteve na Interpack, uma das mais importantes feiras de processos e embalagens do mundo, que contou com 2.700 expositores de 60 países, espalhados por 19 pavilhões. Mai/Jun/2011 – nº 295

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Seminário SESI Ideias Sustentáveis – O mundo reage No dia 31 de março, o SESI promoveu um ciclo de palestras abordando a sustentabilidade na sociedade como tema principal. A proposta do seminário foi mostrar que é possível se desenvolver social e economicamente, utilizando os recursos atuais de forma consciente. Na ocasião, foram depositados na Cápsula do Tempo, que será aberta daqui a 10 anos, diversos materiais e artigos relevantes para a sociedade de 2011. 1 – Marina Silva. 2 – Camerata do SESI se apresenta para o público. 3 – Alejandro Duenas, Lucas Izoton (presidente da FINDES), Marina Silva (ex-ministra do Meio Ambiente), Ricardo Barbosa, Solange Siqueira (superintendente do SESI), Adriana Müller e Samuel Saibert. 4 – Lucas Izoton e Marina Silva. 5 – Cápsula do Tempo ainda aberta.

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CINDES Jovem em Portugal Uma comitiva do CINDES Jovem esteve em Portugal entre os dias 5 e 7 de maio para participar do “Congresso Empreendedor Lusófono - O Empreendedorismo Fala Português”. Durante o evento, foi firmada ainda uma parceria para a realização do “II Congresso de Empreendedores de Língua Portuguesa” no Espírito Santo, entre 20 e 22 de junho de 2012. 1 – Comitiva do CINDES Jovem. 2 – Edmar dos Anjos e Ana Paula Tongo, ambos do CINDES Jovem, com o presidente de Portugal, Anibal Cavaco Silva.

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Agenda Legislativa No dia 16 de maio, a FINDES lançou mais uma Agenda Legislativa, que neste ano é virtual, com o objetivo de proporcionar mais acessibilidade ao material. Aline Said (Unidade de Assuntos Legislativos da CNI), Jadir Pella (secretário de Estado de Ciência e Tecnologia), Paulo Foletto, Lucas Izoton, Luzia Toledo, Marcos Guerra e Sergio Rogerio de Castro.

Presidente da Petrobras vem ao ES O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli de Azevedo, esteve em Vitória no dia 4 de abril. Na ocasião, falou sobre as oportunidades para os fornecedores da cadeia produtiva do petróleo e gás e anunciou investimentos de US$ 224 bilhões (95% voltados para o Brasil) até 2014. Desse total, cerca de R$ 15,6 bilhões serão aplicados no Espírito Santo. 1 – Lucas Izoton, em seu pronunciamento. 2 – Lucas Izoton, Marcos Guerra, Fausto Frizzera e Evandro Millet. 3 – Luiz Robério Silva Ramos (gerente geral da UN-ES), Rose de Freitas (deputada federal), José Sérgio Gabrielli de Azevedo, Renato Casagrande e Lucas Izoton.

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Ação Global Quase 35 mil atendimentos foram realizados durante a Ação Global em São Mateus no dia 14 de maio. Na iniciativa, realizada em parceria com a Rede Gazeta, cerca de 12 mil pessoas da região foram atendidas nas áreas de saúde, educação, lazer, cultura e cidadania. 1 – Amadeu Boroto (prefeito de São Mateus), Solange Siqueira (superintendente do SESI), Letícia Lindenberg (gerente de Comunicação Empresarial da Rede Gazeta) e Lucas Izoton (presidente da FINDES). 2 – Ao todo, 70 serviços foram oferecidos gratuitamente. 3 – Os serviços de saúde foram bastante procurados. 4 – Cortes de cabelo também foram oferecidos à população.

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4 Foto: Maressa Moura

Reinauguração O plenário Jones dos Santos Neves, no Edifício FINDES, foi reinaugurado no dia 19 de maio, depois de quase um ano fechado para reforma e modernização de suas instalações. Altamir Alves Martins (presidente do Sindicalçados), Sergio Rogerio de Castro (1o vice-presidente da FINDES), Marcos Guerra (presidente eleito da FINDES), Lucas Izoton (presidente da FINDES) e José Braulio Bassini (ex-presidente da FINDES)

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FINDES EM AÇÃO

IEL-ES capacitará fornecedores da indústria moveleira Promover o desenvolvimento de 20 fornecedores das indústrias moveleiras do norte do Estado, aumentando as vendas das pequenas empresas e garantindo a qualidade dos serviços e produtos adquiridos. Com essas metas, o IEL-ES lançou o Programa de Desenvolvimento de Fornecedores (PDF) específico para atender à indústria moveleira. Com o PDF, as fornecedoras do setor receberão diagnóstico, plano de ação personalizado, consultorias individuais e capacitações que as qualifiquem a atender com precisão às demandas do mercado e ainda poderão ser certificadas. Durante o programa, as empresas serão qualificadas em gestão Comitê estratégico de processos, gestão de qualidade e gestão financeira, fiscal e trabalhista. Ao final, passam por auditoria e, se constatado o discute projeto CNI – BID Por meio do IEL-ES, o Espírito Santo é um dos atendimento aos requisitos estabelecidos pelas compradoras quatro estados brasileiros com projetos aprovados junto (indústrias moveleiras), recebem um certificado chancelado ao Programa de Apoio a Iniciativas de Competitividade pelo Comitê do Programa. O PDF das indústrias moveleiras Local, do Banco Interamericano de Desenvolvimento teve início em abril e segue até novembro deste ano. (BID). O assunto foi tema de encontro realizado no dia 6 de abril, com o Comitê Estratégico do Programa de Desenvolvimento Territorial do Sistema FINDES. Ainda em abril as empresas do arranjo produtivo local de rochas ornamentais, em Cachoeiro de Itapemirim, assinaram o contrato entre Sistema FINDES, CNI e BID, que prevê recursos de até US$ 1,5 milhão para a execução dos projetos aprovados. Com o programa, a expectativa é de que o setor de rochas ornamentais tenha uma estratégia de desenvolvimento, com redes empresariais revigoradas e capacidade de inovação. O BID também contemplou os estados do Acre, Goiás e Pernambuco. Formandos em Eletricidade do SENAI de Vila Velha

SENAI forma jovens para o setor metalmecânico Qualificar mão de obra para a indústria capixaba. Este é o objetivo do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI-ES), que abriu em março vagas para os cursos de Mecânica de Refrigeração Básica, Caldeiraria, Eletricista Instalador Industrial e Eletricista Instalador Predial. Ao todo, as quatro habilitações disponibilizam 88 vagas. O conteúdo de cada curso, com cargas horárias que variam entre 160 e 220 horas, segue as demandas do mercado. Para participar da turma de Eletricista Instalador Industrial é preciso ter, no mínimo, 16 anos. Já para os outros cursos, a idade mínima requerida é 18 anos. Todos os cursos exigem a conclusão do Ensino Fundamental. 63

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Cafeicultores debatem Instrução Normativa Com o tema “Qualidade do Café”, foi realizado, entre 12 e 14 de abril, na sede do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o 8º Simpósio Estadual do Café e V Feira de Insumos. O presidente do Sindicato da Indústria de Torrefação e Moagem de Café do Espírito Santo (Sincafé), Egídio Malanquini, palestrou no dia 13 sobre a “Instrução Normativa Nº 16: sua aplicabilidade e consequências para o mercado”. Malanquini falou sobre a qualidade e pureza do café e a regulamentação da norma, em vigor desde fevereiro. Segundo ele, o encontro é “uma oportunidade para os profissionais da cafeicultura avaliarem o cenário do agronegócio do café para os próximos anos e debaterem temas importantes para o seu desenvolvimento, como as novas exigências do mercado, programas, novas tecnologias e a Instrução Normativa”. Mai/Jun/2011 – nº 295

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cursos e cia Wagner Gomes concluiu o curso de média duração em Gestão Ambiental

Cursos de média duração garantem qualificação e agilidade Para garantir uma boa qualificação profissional, o Instituto Euvaldo Lodi, o IEL-ES, investe também nos cursos de média duração, para os profissionais que desejam maior riqueza no ensino, com agilidade e praticidade. Há cursos em diversas áreas, para que estudantes, profissionais e empresários possam se capacitar e preparar-se para as exigências e a competitividade do mercado capixaba. Os cursos de média duração oferecem boa relação custo x benefício. São mais rápidos que uma pós-graduação, têm custo menor e o ensino mantém a qualidade, já tão reconhecida e aprovada do Instituto. Para Shirley dos Santos Lovat, coordenadora administrativa da empresa Engesis, o curso Formação de Gerentes proporciona ótimo conhecimento das ferramentas de gestão, em todas as áreas relevantes de uma empresa, como financeiro, marketing, vendas e logística, entre outras. “Há muito tempo tinha vontade de fazer este curso, e em março consegui ingressar na turma”, conta Shirley. A coordenadora explica que os facilitadores têm ampla experiência e conseguem adaptar o conteúdo à realidade da turma. “Temos em sala profissionais de vários segmentos de mercado, como prestação de serviço, estética, saúde, indústria, grandes empresas etc. E os facilitadores conseguem explicar e debater os assuntos dentro da realidade profissional de todos, o que enriquece ainda mais o conteúdo”, destaca Shirley, que deve concluir o curso em agosto. Quem já se formou consegue avaliar bem a aplicabilidade dos cursos no dia a dia. É o que afirma Wagner Gomes, coordenador de produção da Duralevi, que concluiu em dezembro o curso de média duração em Gestão Ambiental. “Todo o aprendizado que obtive está servindo para meu crescimento dentro da empresa. O conteúdo é bastante amplo e está intimamente ligado à rotina de trabalho, principalmente na área de produção, onde atuo”, explica Wagner. Ele afirma ainda que indica essa qualificação para seus funcionários e colegas. “Sempre indico esse curso aqui na empresa, e além disso, tento repassar a meus funcionários o que aprendi, para que eles entendam a importância de produzir e preservar”, destaca. O IEL-ES oferece cursos de média duração nas seguintes áreas: Capacitação para Gerentes de Pequenas e 64

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PROGRAMAÇÃO DE CURSOS IEL

2011

Junho 2011 Curso

Período

Administração de pessoal e rotinas trabalhistas

06 a 10/06

Contabilidade para não contadores

13 a 16/06

Liderança e coaching: os segredos para gerar resultados

13 a 17/06

Formação básica para líderes de produção

14 a 17/06

Desenvolvimento de equipe de atendimento

20 e 21/06

Avaliação de desempenho

20 a 22/06'

Desenvolvimento gerencial

27/06 a 01/07

Capacitação para coordenadores e supervisores comerciais

04/06 a 05/11

Julho 2011 Curso

Período

Exportação e importação: passo a passo

04 a 07/07

Excelência em vendas

05 a 07/07

Técnicas de dinâmicas de grupo

11 a 15/07

Negociando com resultados em compras

18 a 21/07

Logística de materiais

19 a 22/07

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PROGRAMAÇÃO DE CURSOS senai

2011

CURSOS SENAI VILA VELHA Curso

Período

CURSOS SENAI VITÓRIA Curso

Período

AutoCad 2D

28/05 a 02/07

Montagem e manutenção de computadores

28/05 a 23/07

Caldeireiro

30/05 a 21/10

NR 10/Segurança em instalações e serviços com eletricidade

30/05 a 14/06

Eletricista instalador predial

30/05 a 01/09

Metrologia

06/06 a 22/06

Almoxarife

30/05 a 26/07

Armador de ferragens

30/05 a 26/07

Instalador de dry wall/gesso acartonado (knauf)

06/06 a 28/06

Eletricista instalador predial

13/06 a 16/08

Automação predial

13/06 a 05/07

Comandos elétricos industriais

13/06 a 26/07

Soldador a arco elétrico / processo TIG

20/06 a 30/08

Eletricista instalador predial

13/06 a 16/08

Soldador a arco elétrico / processo MAG

18/07 a 27/09

Operador de betoneira

13/06 a 17/06

Metrologia

27/06 a 14/07

Carpinteiro de reforma

08/08 a 03/10

Armador de ferragens

17/10 a 14/12

CURSOS SENAI COLATINA Curso

Período

Torneiro mecânico

06/06 a 05/12

PLC/Controlador lógico programável

06/06 a 01/07

Mecânico de motor a álcool e gasolina

13/06 a 14/09

Costureiro operador de máquinas para costura do vestuário

13/06 a 01/09

Soldador a arco elétrico/ processo MAG

28/06 a 19/09

Costureiro operador de máquinas para costura do vestuário

28/06 a 14/09

CURSOS SENAI SERRA Curso

Período

Eletricista instalador predial

13/06 a 12/09

Eletricista instalador industrial (comandos elétricos)

07/07 a 22/09

Médias Empresas; Capacitação em Gestão da Qualidade; Gestão Ambiental em Empresas de Médio e Pequeno Porte; e o novo curso, Capacitação para Coordenadores e Supervisores Comerciais. Vale lembrar que o IEL-ES, em parceria com a Fucape, oferece também cursos de pós-graduação nas áreas: Gerenciamento de Projetos Industriais; Gestão da Qualidade e Produtividade; e Gestão Industrial. Desde o dia 25 de abril, as atividades de Educação e Estágio do IEL-ES estão sendo realizadas no Centro Integrado de Educação SESI-SENAI-IEL, no SESI de Jardim da Penha. Para saber mais sobre os cursos, entre em contato pelos telefones (27) 3334-5739 ou 3334-5755.

Informações e inscrições: Edifício FINDES – Tel: (27) 3334-5755/5756/5758 • SESI Jardim da Penha – Tel: (27) 3334-7300 • Fucape – Tel: (27) 4009-4444 • Inscrições e informações também pelo site www.iel–es.org.br • SENAI Cachoeiro – Tel: (28) 3522-4015 • SENAI Linhares – Tel: (27) 3371-2389 • SENAI Colatina – Tel: (27) 3721-4017 • SENAI Civit: Tel: (27) 3298-7800 • SENAI Vitória – Tel: (27) 3334-5201 • SENAI São Mateus – Tel: (27) 3767-9343 • SENAI Vila Velha – Tel: (27) 3399-5800 • SENAI Anchieta – Tel: (28) 3536-3088 • Mais informações sobre os cursos no site: www.es.senai.br.

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ARTIGO

É POSSÍVEL CRESCER SEM INFLAÇÃO

O

Brasil tem plenas condições de continuar crescendo à média anual de 4%, como ocorreu entre 2003 e 2010. Esforços não devem ser poupados para garantir a manutenção dessa significativa conquista, que pode ser conciliada com o controle da inflação, cujo risco de recrudescimento preocupa a sociedade. A Fiesp e o Ciesp unem-se a essa inquietação e defendem soluções mais efetivas, condenando a elevação da taxa básica de juros, que está longe de ser o melhor caminho para combater o aumento de preços. Para entender melhor a questão, é necessário considerar, inicialmente, a majoração, nos últimos 12 meses, de 37,8% das commodities em geral e 43,2% das alimentares, apontada pelo ministro de Fazenda, Guido Mantega. Reforçando o diagnóstico, o Banco Central destacou, em relatório sobre o tema, que o fenômeno foi responsável por um terço da inflação de 2010. Contudo, mesmo diante desse choque externo, nossos índices inflacionários apresentam quadro de deterioração menos acentuada quando comparados aos de vários países. O IPCA atingiu 6,3% em 12 meses, até março de 2011, contra 5,2% no mesmo período de 2010. A inflação chinesa registrou alta de 5,4% em março de 2011, contra 2,4% no mesmo mês em 2010. Os casos da Argentina, Foto: Cia de Foto

Índia e Rússia também indicam um surto inflacionário global, ao apresentar índices, em março último, de 9,7%, 8,8% e 9,4%, respectivamente. Vale lembrar que novos instrumentos, como as medidas macroprudenciais, juntaram-se ao arsenal da política anti-inflacionária e já estão contribuindo para a desaceleração da atividade econômica. Assim, a elevação da taxa de juros, mais do que ineficaz, poderá aprofundar a queda do nível de atividade e gerar efeitos colaterais nocivos: intensificação do processo de apreciação cambial e o aumento das despesas do Governo com juros, que já atingiram a cifra de R$ 195 bilhões em 2010 e deverão saltar para R$ 210 bilhões em 2011. Sobre a valorização excessiva do real, seus inconvenientes já são notoriamente reconhecidos. Refiro-me ao aprofundamento do déficit da balança comercial de manufaturados, à perda da participação do valor adicionado da indústria de transformação no PIB e ao aumento da participação de importados no consumo doméstico. A balança comercial de manufaturados deverá registrar déficit de aproximadamente US$ 100 bilhões em 2011, ante US$ 71,1 bilhões, em 2010. A participação do valor adicionado da indústria de transformação no PIB passou de 27,2%, em 1985, para 15,8%, em 2010. O coeficiente de importações saltou de 14,6%, em 2005, para 21,8%, em 2010. Esse quadro não prejudica apenas a indústria, mas toda a sociedade, pois o setor é o mais dinâmico da economia, representando 60% dos investimentos. Portanto, é decisivo para a geração de empregos formais para os cerca de quatro milhões de jovens brasileiros que ingressam todo ano no mercado de trabalho. Garantindo mais competitividade para a atividade industrial, com a redução dos juros e impostos, balizando melhor o câmbio e diminuindo os gastos públicos, o Governo pode criar condições para o crescimento num ambiente de inflação controlada. É isso que os brasileiros desejam. Paulo Skaf, empresário e presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP)

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Revista Indústria Capixaba n° 295  

Mai-Jun/2011. Uma publicação oficial do Sistema Findes.

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