o descaso com os profissionais de saúde
Março de 2021
Março de 2021
766
trabalhadores da saúde morreram durante a pandemia até o dia 16 de março de 2021
Da mesma forma que os números de contaminados e mortos em todo o Brasil em decorrência da Covid-19 crescem assustadoramente, ultrapassando 282 mil óbitos, a incidência sobre os profissionais de saúde espalhados por todo o país também indicam números alarmantes e dúbios. Esses dados são constatados na atualização do estudo elaborado pelo Sinsprev/SP sobre como a pandemia atingiu fisicamente os trabalhadores da Saúde. A primeira pesquisa do Sinsprev/SP foi divulgada no dia 25 de novembro do ano passado. O novo estudo indica que oficialmente 766 profissionais de saúde morreram de março de 2020 a 16 de março de 2021, sendo 575 óbitos confirmados para Covid-19 ou não descartados da doença, e mais 191 óbitos de profissionais encaminhados com suspeita de Coronavírus, porém, na classificação, foi descartado o vírus como causa. Segundo os dados oficiais, no mesmo período, 1.759.413 profissionais de saúde foram encaminhados à Secretaria de Vigilância Sanitária com suspeita de Covid-19. Desses, 995.182 a evolução do caso não foi preenchida, ou seja, sequer é possível saber o que aconteceu com o paciente, ou ter certeza se contraiu a Covid-19 ou não. Esses números podem ser ainda maiores, levando em consideração a demora de atualização e as inconsistências existentes nas planilhas disponibilizadas pelo Ministério da Saúde. Inconsistências admitidas pelo próprio Ministério. O alerta da existência de um número superior de mortes dos trabalhadores que estão na linha de frente partiu do Conselho Federal de Medicina (CFM) que divulgou no Jornal Nacional de 8 de fevereiro que no Brasil 465 médicos já morreram de Covid-19 desde o início da pandemia. Entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, o número de vítimas é ainda maior: 566. De acordo com o CFM, foram 1.031 trabalhadores da Saúde que perderam suas vidas no combate ao novo coro-
navírus, contra os 555 confirmados e suspeitos do Ministério da Saúde, no mesmo período. Esses dados controversos refletem o descaso do governo Jair Bolsonaro para com os trabalhadores que arriscam diariamente suas vidas e a de seus familiares. Sequer a contabilização correta Eduardo Pazuello e sua equipe de militares que tomaram o Ministério da Saúde são capazes de fazer, quanto mais combater essa pandemia com orientações baseadas em dados científicos, ao invés de recomendar, e depois negar, o “tratamento precoce” contra a Covid-19, com medicamentos cuja eficácia para o novo coronavírus não foi comprovada por nenhuma agência reguladora no mundo. A plataforma criada pelo Conselho Federal de Medicina para fiscalizar as condições de trabalho dos médicos recebeu, de abril a dezembro de 2020, 2.600 denúncias, dessas, 985 foram de falta de sabonete ou papel nos hospitais, ou seja, faltam índices básicos de higiene necessários em qualquer local, quanto mais em hospitais. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) divulgou, em 8 de fevereiro de 2021, que desde março do ano passado foram registradas 564 mortes de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, sendo que 47 óbitos somente no primeiro mês de 2021. São Paulo é o estado com a maior incidência de fatalidades, com 87 óbitos. Rio de Janeiro aparece em seguida, com 59. Em terceiro lugar está o Amazonas, com 44. De acordo com a Anistia Internacional, em levantamento divulgado em setembro de 2020, pelo menos 7 mil trabalhadores da saúde em todo o mundo perderam suas vidas depois de contraírem a Covid-19. Um dado alarmante e muito diferente do divulgado pelo Ministério da Saúde é que o Brasil, naquele período, já havia perdido 634 trabalhadores da Saúde. O país mais afetado foi o México, com pelo menos 1.320 óbitos, o maior número de qualquer país, seguido pelos EUA com 1.077.
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